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Numero do processo: 12269.004770/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2008
PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO A PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Demonstrando o fisco a existência de pagamentos de remuneração a pessoas físicas sem vínculo de emprego, aos quais o contribuinte não consiga se contrapor, há de se tributar as verbas em questão.
EMPRÉSTIMO DE SÓCIO À EMPRESA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO DOS RECURSOS PELA MUTUARIA. DESCONSIDERAÇÃO.
Inexistindo documentos que comprovem que houve a efetiva entrega de recursos que se alega terem sido emprestados por sócio à empresa, não há de se considerar a existência de contrato de mútuo.
PAGAMENTOS A SÓCIO DE VALORES NÃO JUSTIFICADOS.
TRIBUTAÇÃO COMO PRÓLABORE.
Não justificando a empresa a causa de pagamentos efetuados a sócio, devem as quantias ser consideradas pagamento de prólabore.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.309
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Demonstrando o fisco a existência de pagamentos de remuneração a pessoas físicas sem vínculo de emprego, aos quais o contribuinte não consiga se contrapor, há de se tributar as verbas em questão. EMPRÉSTIMO DE SÓCIO À EMPRESA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO DOS RECURSOS PELA MUTUARIA. DESCONSIDERAÇÃO. Inexistindo documentos que comprovem que houve a efetiva entrega de recursos que se alega terem sido emprestados por sócio à empresa, não há de se considerar a existência de contrato de mútuo. PAGAMENTOS A SÓCIO DE VALORES NÃO JUSTIFICADOS. TRIBUTAÇÃO COMO PRÓLABORE. Não justificando a empresa a causa de pagamentos efetuados a sócio, devem as quantias ser consideradas pagamento de prólabore. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 381DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004770/200825 Acórdão n.º 240102.309 S2C4T1 Fl. 382 3 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração – AI n.º 37.210.0740, consolidado em 26/11/2009 no valor de R$ 613.210,70 (seiscentos e treze mil, duzentos e dez reais e setenta centavos), no qual são exigidas contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais que lhes prestaram serviço. A apuração fiscal foi edificada em três lançamentos, descritos no relatórios fiscal da seguinte forma: LO2 e L05 Contribuinte Individual contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores dos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, que prestaram serviços ao sujeito passivo e que foram lançados nas seguintes contas contábeis: 00090 conservação imobilizado, 00211 outras despesas com pessoal e 00442 serviços pg Pessoa Jurídica , conforme demonstrado na "Planilha 3 Pagamentos Efetuados A Contribuintes Individuais". No levantamento L05, a multa de ofício foi agravada em 50% uma vez que a empresa não atendeu, no prazo determinado, a intimação para a entrega dos arquivos digitais, dos lançamentos contábeis do período de 01/2008 a 06/2008. A empresa entregou os arquivos digitais deste período em 06/11/2009. L03 PROLABORE contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores que foram pagos ao sócio Edgar Moraes Otero e lançados a débito na Conta 0057893 2210201000 Empréstimos P física a pagar, na competência de 08/2007. Alega o fisco, em relação ao lançamento “LO3 – PROLABORE”, que a empresa, mesmo intimada em quatro ocasiões, não conseguiu demonstrar que os valores lançados a crédito na conta contábil 005789 2.2.10.20.10.00 EMPRÉSTIMO P.FÍSICA A PAGAR se referem a empréstimo de sócio. Nesse sentido, não havendo comprovação da origem dos valores emprestados, o lançamento efetuado a débito na referida conta foi considerado pagamento de prólabore. Assevera o fisco que na aplicação da multa foi efetuado o comparativo entre a legislação vigente na época em que ocorreram os fatos geradores e aquela instituída pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 10.941/2009, aplicandose a norma mais favorável ao sujeito passivo. A empresa apresentou impugnação, fls. 50 e segs., na qual, em síntese, alegou que as remunerações lançadas nos Levantamentos L02 e L05 (contas 00090; 00211 e 00442) não dizem respeito ao pagamento a pessoas físicas, mas a pessoas jurídicas, conforme cópias de notas fiscais e do razão analítico juntadas. Aduziu ainda que foi equivocada a conclusão do fisco quando considerou pagamento de prólabore os valores repassados ao sócio Edgar Morais Otero como devolução Fl. 383DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 do empréstimo lançado na conta empréstimo na Conta Contábil 0057893 2210201000 EMPRÉSTIMO P. FÍSICA A PAGAR. A origem do empréstimo, defende a impugnante, foram as remessas efetuadas ao Sr. Edgar Morais Otero pela empresa Simab S/A, da qual é sócio o Sr. Remy Picard, também sócio da autuada. Essas quantias, afirma, foram utilizadas para fazer frente a despesas de instalação da impugnante, que iniciava sua atividades no final do ano de 2005. Sustenta que os referidos repasses foram efetuados à empresa autuada a título de empréstimo. Apresenta como comprovante para origem dos valores declaração do contador, que também é procurador da empresa Simab S/A, bem como registros na conta contábil de empréstimo desta empresa vinculada ao Sr. Edgar Moraes Otero. Alega que a autuada quitou o empréstimo para como o sócio Edgar Otero, mediante transferências aos demais sócios, Remy Picard, Miguel Flores da Cunha e Ricardo Picard, que incorporam tais valores ao capital social da mesma. Os dois últimos sócios, afirma, transferiram suas cotas para Remy Picard, que hoje é seu sócio majoritário. Sustenta que é possível verificar a situação descrita acima pelo termo de quitação do sócio Edgar Morais Otero (doc. 5), também pelo livro contábil razão analítico da impugnante onde constam estes lançamentos efetuados quase que simultaneamente (doc. 6), bem como pelas alterações contratuais,onde também constam estas movimentações (doc. 7). Advoga que 01/08/2007 houve a quitação do empréstimo da empresa para com o Sr. Edgar Otero, no valor de R$ 2.026.957,82, e na mesma data foram promovidos os aumentos de capital em favor dos demais sócios no montante de R$ 2.045.000,00. Afirma que a diferença de R$ 18.348,82 foi decorrente de vendas efetuadas ao Sr. Edgar Otero em 02/05/2007 e lançadas na conta empréstimo em questão. Ao final, requer a declaração de improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Porto Alegre afastou as alegações da empresa sob a fundamentação de que as notas fiscais acostadas não se referem aos valores lançados como remuneração de segurados contribuintes individuais, além de que as provas trazidas pela autuada não seriam suficientes a comprovar que o valor tomado na apuração como prólabore seria quitação de empréstimo contraído pela empresa junto ao sócio Edgar Morais Otero. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual apresenta as mesmas alegações impugnatórias, reportandose as provas acostadas com peça de defesa. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004770/200825 Acórdão n.º 240102.309 S2C4T1 Fl. 383 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Os pagamentos efetuados a contribuintes individuais Os valores tomados como base de cálculo para os Levantamentos L02 e L05, relativos às supostas remunerações pagas a contribuintes individuais, foram obtidas das contas contábeis “00090 – conservação do imobilizado”; “00211 – outras despesas com pessoal” e “00442 – pagamento a pessoa jurídica”. Tais quantias encontramse discriminadas na planilha de fl. 39. A empresa, para afastar a pretensão fiscal, acostou cópias de notas fiscais, fls. 76/92, as quais comprovariam que nas contas apontadas pela auditoria, para o período fiscalizado, haveria apenas pagamentos a pessoas jurídicas. Na análise dessa questão, o órgão recorrido confeccionou a tabela de fl. 149, na qual demonstra que as notas fiscais colacionadas pela recorrente não guardam relação com os documentos em que se baseou o fisco para apurar a contribuição sobre a remuneração de contribuintes individuais. No recurso a empresa mantém a mesma alegação de que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas, mas não apresenta qualquer documento adicional que pudesse levar a descrédito a conclusão da DRJ. De fato, compulsando os autos pude notar que as provas juntadas não se referem aos valores lançados pelo fisco na apuração. Diante dessas constatações, hei de me alinhar ao posicionamento do órgão a quo, declarando procedentes as contribuições fundamentadas no inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.876/1999, as quais correspondem a 20% das remunerações apontadas pelo fisco. O lançamento sobre o prólabore Entendeu o fisco que não tendo a empresa, malgrado as várias intimações que lhe foram endereçadas, demonstrado de onde se originaram os valores creditados na conta “0057893 2210201000 Empréstimos P Física a Pagar”, que a quantia lançada a débito na referida conta se tratava de retirada de prólabore. Para justificar a origem dos recursos a autuada apresentou declaração do seu contador de que a empresa Simab S/A, também representada pelo declarante, emprestou ao Sr. Edgar Morais Otero a quantia de R$ 2.829.002,02, para que esse efetuasse o pagamento de Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 despesas da autuada, que iniciava suas atividades no começo do ano de 2005. Assevera ainda a recorrente que a conta contábil da Simab relativa ao empréstimo concedido ao Sr. Edgar Otero também comprovaria a origem dos recursos. O órgão de primeira instância não acatou os argumentos da empresa, afirmando que os elementos juntados não atestam efetivamente a origem dos recursos emprestados, uma vez que não há comprovação da entrada de numerário no caixa ou em contas bancárias da autuada, assim, argumenta, a mera alegação sem o conjunto probatório que lhe dê sustentação não poderia ser aceita no processo administrativo fiscal. Feitas essas considerações, passo às minhas ponderações sobre a matéria. Malgrado as provas acostadas pela contribuinte, quais sejam, a declaração do contador e a escrita contábil da empresa Simab, não vislumbrei nos autos elementos que reputo essenciais para comprovar o contrato de mútuo entre essa empresa e o Sr. Edgar Otero, sócio da recorrente. Não há qualquer documento que apresente as condições do contrato, tais como, prazo de pagamento e da taxa de juros envolvida. Essa falta de formalização contratual não é típica nas transações de empresas do porte da Simab S/A, que tem a obrigação legal de prestar contas aos acionistas, nos termos da legislação societária. Mas, mesmo que se considere regular o empréstimo referido, não há nos autos nada que vincule o repasse de tais recursos a recorrente. Alegase na peça recursal que os valores teriam sido utilizados para fazer frente a despesas da autuada, todavia, nenhum comprovante dessas despesas foi juntado. Vejase que por quatro vezes, sem sucesso, o fisco intimou a empresa a apresentar os documentos que teriam dado suporte ao saldo credor da conta contábil “Empréstimo P Física a Pagar”. Por esse motivo deixo de acatar o argumento de que os valores repassados pela Simab S/A ao Sr. Edgar Otero teriam sido direcionados ao pagamento de despesas da recorrente. Chama atenção também que não existe nos autos qualquer documento de formalização do contrato de mútuo firmado entre a autuada e o seu sócio. Nenhuma estipulação sobre prazo, taxa de juros, etc. Esse é mais um fato que milita em desfavor da empresa. O documento de quitação do empréstimo emitido pelo Sr. Edgar Otero para a empresa Br290 Comércio e Indústria de Madeiras Brasileiras Ltda. é mais uma comprovação da fragilidade do conjunto probatório acostado, uma vez que o valor emprestado pela Simab ao referido Senhor foi de R$ 2.829.002,02, ao passo de que quitação referese a um montante de R$ 2.026.957,82. De se concluir, portanto, que a discordância desses valores reforça a tese de que somente com a apresentação dos documentos de caixa se poderia seguramente afirmar quais os valores emprestados ao Sr. Edgar Otero teriam sido utilizados para quitar despesas da recorrente. Vêse assim que a empresa não conseguiu demonstrar a origem dos valores lançados a crédito da conta “Empréstimo P Física a Pagar”, embora tenha tido a oportunidade de fazêlo durante a auditoria, na qual lhe foram feitas quatro intimações nesse sentido, bem como na apresentação da defesa e agora no recurso. Portanto, deve prevalecer a tese do fisco de que tais quantias devem ser tributadas, por se constituírem em pagamento de prólabore ao sócio Edgar Morais Otero. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004770/200825 Acórdão n.º 240102.309 S2C4T1 Fl. 384 7 Não tendo a empresa comprovado a origem dos recursos, as alegações relativas à forma de quitação do empréstimo, para mim, deixam de ter relevância, posto que o que me levou a concluir pela procedência da exação foi a ausência de comprovação das entradas de recurso no patrimônio da recorrente. Entendo que havendo saída de recurso da empresa para sócio que participa da gestão da empresa sem a devida justificativa é motivo para que se tribute a verba como prólabore. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000413/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De
acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código
Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta,
nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, por se tratar de diferença de contribuições. PEDIDO DE SUSPENSÃO DESCABIMENTO
O pedido de suspensão do processo administrativo em face de ação judicial, somente é cabível quando se trata do mesmo objeto. O lançamento em face de contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais independe do fato de estar ou não a autuada incluída no SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A obrigação legal de efetuar o desconto e retenção das contribuições sociais por eles devidos é do empregador ou de quem os remunera, conforme diz o art. 30, I, “a” e “b”da Lei 8212/91
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de suspensão do processo; II) declarar a decadência até a competência 05/2003; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, por se tratar de diferença de contribuições. PEDIDO DE SUSPENSÃO DESCABIMENTO O pedido de suspensão do processo administrativo em face de ação judicial, somente é cabível quando se trata do mesmo objeto. O lançamento em face de contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais independe do fato de estar ou não a autuada incluída no SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A obrigação legal de efetuar o desconto e retenção das contribuições sociais por eles devidos é do empregador ou de quem os remunera, conforme diz o art. 30, I, “a” e “b”da Lei 8212/91 Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, por se tratar de diferença de contribuições. PEDIDO DE SUSPENSÃO DESCABIMENTO O pedido de suspensão do processo administrativo em face de ação judicial, somente é cabível quando se trata do mesmo objeto. O lançamento em face de contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais independe do fato de estar ou não a autuada incluída no SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A obrigação legal de efetuar o desconto e retenção das contribuições sociais por eles devidos é do empregador ou de quem os remunera, conforme diz o art. 30, I, “a” e “b”da Lei 8212/91 Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de suspensão do processo; II) declarar a decadência até a competência 05/2003; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000413/200871 Acórdão n.º 2401002.218 S2C4T1 Fl. 920 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 61/65, a empresa não comprovou o recolhimento integral das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados (competências 02/2002 a 12/2006) e contribuintes individuais (competências 01/2006 a 12/2006), que lhe prestaram serviços e foram por ela remunerados. Informa ainda o Relatório Fiscal que a empresa foi excluída do SIMPLES em 13/06/2006, com efeitos a partir de 01/01/2002. Não se conformando a decisão de fls. 913/918 que julgou procedente em parte o lançamento, o contribuinte apresentou recurso alegando em síntese: Das Preliminares Que seja declarada a decadência das contribuições relativas às competências 02/2002 a 06/2003 vez que o lançamento ocorreu em 06/2008, aplicandose a norma do art. 150, § 4 º do Código Tributário Nacional, em face da edição da Súmula nº 08 do Supremo Tribunal Federal; Afirma haver uma ação judicial proposta pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino da Paraíba, ao qual é filiada, que tem por objeto a inclusão destes estabelecimentos no SIMPLES, razão pela qual deve ser suspenso o presente processo até que seja decidido o Recurso Especial que se encontra no STJ. Do Mérito No mérito questiona o início dos efeitos da exclusão da recorrente do SIMPLES, que esteve regularmente inscrita no referido sistema até 2006 e a retroação de efeitos por meio de Ato Declaratório Executivo – ADE, ao anocalendário da opção é ilegal e inconstitucional. Aduz que ocorrera omissão na fundamentação legal do Auto de Infração para a aplicação dos tributos lançados. Entende que deve haver a compensação dos valores recolhidos para o SIMPLES, para que não haja prejuízo à recorrente e conseqüente enriquecimento sem causa da Autarquia Previdenciária, o que caracterizaria o bis in idem. Advoga no sentido que sujeito passivo das contribuições previdenciárias, denominado de segurado empregado ou contribuinte individual, é o próprio empregado ou trabalhador autônomo, que tem o dever de recolher à previdência parte dos valores recebidos, sendo a responsabilidade da recorrente de natureza subsidiária. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Por fim requer: “seja reformado o Acórdão 1123.499 7a Turma da DRJ/REC, de 21 de agosto de 2008, para acatar a preliminar de SUSPENSÃO DO PROCESSO ou, em assim não entendendo, que seja declarado prescritos os créditos cujos fatos geradores ocorreram em competências anteriores a 03/06/2003, bem como que sejam acatadas as razões da recorrente, postas no presente recurso, tendo em vista que nas competências referidas no Auto de Infração a defendente estava devidamente vinculada ao SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO "SIMPLES", devendo os efeitos da exclusão se operarem a partir do exercício seguinte, bem como, deve ser declarado nulo o presente auto de infração, em razão da omissão quanto à FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO, bem como, ainda, que seja considerado que a empresa recorrente não é responsável pelas contribuições previdenciárias dos SEGURADOS EMPREGADOS e TRABALHADORES AUTÔNOMOS (CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS), ou, em caso de não ser este o entendimento, que sejam notificados todos os interessados (SEGURADOS EMPREGADOS e TRABALHADORES AUTÔNOMOS), para informarem quanto ao pagamento das contribuições previdenciárias ou se estas são indevidas em razão de recolhimento de contribuição por outros vínculos, julgando, ao final, insubsistente o auto de infração de n° 37.098.3483, por ser questão de Direito e Justiça. É o relatório. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000413/200871 Acórdão n.º 2401002.218 S2C4T1 Fl. 921 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em junho de 2008, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições mantidas referemse às competências 02/2002 a 13/2006 o que fulmina parte o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, IV do CTN, em face de tratarse de diferença de contribuições, devendo ser excluídas da presente autuação os lançamentos efetuados até 05/2003 inclusive. Da Suspensão do processo Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A pretensão da recorrente em suspender o presente processo administrativo em virtude de ação movida pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino da Paraíba, não merece acolhimento. Ainda que referida ação obtenha êxito junto ao poder judiciário, em nada irá alterar o presente lançamento, tendo em vista que a autuação referese a contribuições de segurados empregados e contribuintes individuais, o que independe do fato de estar ou não a recorrente incluída no SIMPLES. DO MÉRITO No mérito as argumentações da recorrente também não merecem prosperar. Como já dito acima, a empresa estar ou não inscrita no SIMPLES, não é questão relevante para o deslinde da presente autuação, logo, a data da exclusão da recorrente do referido sistema também não influenciará no débito ora cobrado, pois, repitase, tratase de contribuição de segurado empregado e contribuinte individual e não de contribuições a cargo da empresa. Também não vislumbro a alegada omissão na fundamentação legal do Auto de Infração, tendo em vista que, da análise da documentação entregue ao contribuinte quando da lavratura da autuação, constam todos os elementos indispensáveis para a constituição do crédito. O contribuinte teve conhecimento da ação fiscal através do devido Mandado de Procedimento Fiscal, foi informado da documentação a ser apresentada através de TIAD, soube do encerramento da ação com a emissão do TEAF, lhe foi entregue a autuação com as devidas instruções, fundamentos legais, relatório fiscal e anexos, planilhas detalhadas do débito, enfim, todos os procedimentos legais foram obedecidos, tanto que a recorrente se defendeu desde o início da lavratura da autuação, apresentando durante todo o processo administrativo as razões e documentos que entendeu pertinentes. Outro equívoco da recorrente diz respeito ao fato de querer imputar aos segurados empregados e contribuintes individuais a obrigação do recolhimento das contribuições ora lançadas. Ao efetuar o pagamento aos referidos segurados, a recorrente tinha a obrigação legal de efetuar o desconto e retenção das contribuições sociais por eles devidos e repassálos à Previdência Social, conforme determina a legislação vigente. Vejamos o que diz o art. 30, I, “a” e “b”da Lei 8212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000413/200871 Acórdão n.º 2401002.218 S2C4T1 Fl. 922 7 remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; Desta forma, cabia a empresa e não ao empregado e contribuinte individual a obrigação de descontar ou reter os valores relativos às respectivas contribuições e repassálas à seguridade social. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, Acolher Parcialmente a preliminar de Decadência, para excluir do levantamento os valores até a competência 05/2003, inclusive, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, rejeitar a preliminar de suspensão do processo e no Mérito, Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10166.010745/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES NÃO REEMBOLSADOS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL.
DEFERIMENTO.
A comprovação hábil e idônea das despesas médicas de responsabilidade do titular, não reembolsadas pelos planos de saúde, restabelece a dedução na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso para acatar a dedução de R$ R$ 5.375,16 com despesas médicas não reembolsadas.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES NÃO REEMBOLSADOS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. DEFERIMENTO. A comprovação hábil e idônea das despesas médicas de responsabilidade do titular, não reembolsadas pelos planos de saúde, restabelece a dedução na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Provido em Parte.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES NÃO REEMBOLSADOS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. DEFERIMENTO. A comprovação hábil e idônea das despesas médicas de responsabilidade do titular, não reembolsadas pelos planos de saúde, restabelece a dedução na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para acatar a dedução de R$ R$ 5.375,16 com despesas médicas não reembolsadas. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004 (fls. 16/17), referente glosa de R$ 20.961,68 (vinte mil, novecentos e sessenta e um reais e sessenta e oito centavos) de despesas médicas. Conforme relatório da fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes de pagamento das despesas médicas declaradas na DIRPF 2004 e apresentou apenas o extrato anual de sinistro pagos em 2003, emitido pelo Bradesco Saúde, referente às despesas efetuadas e reembolsadas. Ainda, que deixou de apresentar a relação de dependência de Denise F. Nunes (esposa), Pablo F. de Assis e Patrícia Nunes de Assis (filha). Por esse motivo, foram aceitas apenas as despesas com o próprio contribuinte, no valor de R$ 15,14, em recibo emitido por Malvina Kayat Bittencourt. O contribuinte impugnou o lançamento e afirmou que as notas fiscais e recibos médicos originais foram enviados ao Plano de Saúde Bradesco, juntamente com as solicitações de reembolso das despesas, com os quais a seguradora lançou os dados nos extratos, e pede a inclusão das deduções com despesas médicas dos dependentes. Na declaração de ajuste anual não constam os dependentes. Entretanto, o contribuinte anexou à impugnação a Certidão de Nascimento da filha Patrícia Nunes de Assis e da conjugue Denise F. Nunes. Alega, também, que sua esposa Denise Figueira Nunes faz a declaração de Imposto de Renda Pessoa Física no modelo completo, mas que esse fato não o impede como responsável legitimo pelas despesas “de fazer estes lançamentos em sua declaração, uma vez que a sua esposa não utiliza destas despesas em sua declaração. Complementa que “as despesas médicas de Patrícia Nunes de Assis, filha do contribuinte e sua dependente no plano de saúde, são pagas pelo pai e lançadas em sua Declaração de Imposto de Renda”, que “a filha do casal não é declarada dependente nas duas declarações (mãe e pai) para não haver duplicidade de abatimentos obrigatórios”, e que “todas as demais despesas envolvendo a filha do casal constam da Declaração de Renda da mãe, onde a menor é declarada como dependente para fins de Imposto de Renda”. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB, por meio do Acórdão nº 0337.937 (fls. 63/67), julgou a impugnação procedente em parte, acatando os recibos das despesas médicas nos valores de R$ 3.790,31, relativo ao plano de saúde Golden Cross da Sra. Maria Aparecida de Assis (fl. 5), e R$ 4.626,02 das mensalidades com plano de saúde do titular e sua família, registrado nas informações complementares da DIRF da Shell Brasil Ltda (fl. 4). Cientificado em 2 de setembro de 2010 (fl. 71), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia primeiro do mês subsequente (fls. 72/73), alegando que as despesas com saúde não são de responsabilidade da Shell Brasil, e, sim, do recorrente, conforme consta, de forma inequívoca, nos extratos mensais e do Quadro Demonstrativo de Reembolso, emitido pelo plano de Saúde Bradesco. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.010745/200811 Acórdão n.º 210201.973 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente pede que sejam consideradas as deduções com o plano de saúde, glosado na DIRPF 2004. A DRJ acatou as despesas com a dependente Maria Aparecida de Assis, pagos a Golden Cross (R$ 3.790,31), e valores constantes nas informações complementares da DIRF da Shell Brasil Ltda, referente à somatória do plano odontológico (R$ 663,71), do plano de Saúde Shell Brasil Ltda (R$ 3.233,76) e da coparticipação Rede Shell de Saúde (R$ 728,55). De acordo com a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a", na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Também se aplica, conforme o § 2º do mesmo artigo, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. Nos termos do art. 80, § 1º, inciso II, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, as deduções restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Como nos autos há comprovação de que se trata de filhos menores e esposa e a DRJ, ao acatar o valor das contribuições aos planos de saúde (medico e odontológico), aceitou essa relação de dependência, resta verificar se os dispêndios das despesas não reembolsáveis foram suportados ou não pelo requerente. O contribuinte entregou duas declarações, original e retificadora, informando, respectivamente, as deduções de R$ 28.800,00 e R$ 21.328,79. Para comprovar o pagamento das despesas, o requerente apresentou as subfaturas emitidas pelo Bradesco Saúde, referente ao contrato em nome da Shell do Brasil Ltda., e correspondências com os demonstrativos de reembolso, consolidados nos quadros I e II, a seguir: Quadro I Subfaturas Plano de Saúde Bradesco MÊS PARTICIPAÇÃO EXCEDENTE janeiro 0,00 238,07 fevereiro 95,47 96,29 março 0,00 0,00 abril 57,27 1.052,40 maio 3,78 66,64 junho 23,14 8.383,27 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 julho 20,26 0,00 agosto 0,00 0,00 setembro 38,40 0,00 outubro 39,47 15,00 novembro 0,00 15,00 dezembro 0,00 0,00 Total 277,79 9.866,67 Quadro II Demonstrativos de reembolso Plano de Saúde Bradesco consolidado Data Prestador Valor do recibo Reembolso Não reembolsável 9/jan Luiz Mauricio Osório, 495.553.67787 150,00 85,68 64,32 17/jan Clinica Medica Regina Albuquerque, 00.879.462/000121 120,00 85,68 34,32 23/jan Clinica Medica Regina Albuquerque, 00.879.462/000122 120,00 85,68 34,32 3/mar Bruno Nahoum, 032.273.71767 200,00 85,68 114,32 28/mar Clinica Medica Regina Albuquerque, 00.879.462/000123 120,00 85,68 34,32 5/abr Bruno Nahoum, 032.273.71768 200,00 85,68 114,32 11/abr Roberto Zani, 535.421.00706 400,00 85,68 314,32 12/mai Clinica Medica Regina Albuquerque, 00.879.462/000124 100,00 85,00 15,00 6/jun Monica Santana, 887.135.98791 300,00 89,60 210,40 6/jun Fernando Fontana, 789.452.75720 179,20 179,20 0,00 6/jun Ana Paula Hipólito, 957.476.48772 1.200,00 560,00 640,00 6/jun Luiz Albuquerque, 226.909.48401 500,00 500,00 0,00 6/jun Luiz Albuquerque, 226.909.48402 800,00 268,80 531,20 6/jun Gabriel Gozalez, 027.700.75772 4.000,00 896,00 3.104,00 13/jun Gabriel Gozalez, 027.700.75772 250,00 85,68 164,32 9/out Marcos Machado, 663.988.51749 300,00 300,00 0,00 9/out Katia Bello, 774.678.09700 114,00 114,00 0,00 9/out Liduína Lopes 57,00 57,00 0,00 Total 9.110,20 3.735,04 5.375,16 Os valores apresentados nos demonstrativos não apresentam clara vinculação entre as parcelas dos excedentes do quadro I, com o detalhamento das despesas reembolsáveis relacionadas no quadro II. Os valores a título de coparticipação já foram aceitos pela DRJ, em valores superiores ao constante das subfaturas acima relacionadas. Entretanto, não há dúvidas que despesas não reembolsáveis, como as relacionadas no quadro II, são excedentes de responsabilidade do titular do plano de saúde, que é o requerente. Assim exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução de R$ R$ 5.375,16 com despesas médicas não reembolsadas. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.010745/200811 Acórdão n.º 210201.973 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.000272/2005-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003
PROCESSO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA
COMPENSAÇÃO
LIMITES
DAS VERIFICAÇÕES POR PARTE DA AUTORIDADE
FISCAL.
Havendo decisão judicial versando sobre a mesma matéria discutida nos
autos, a qual estabelece o direito do contribuinte ao crédito e à sua
recuperação por meio de compensação, a autoridade administrativa e este
Tribunal têm de respeitála.
Cabe ao Fisco apenas analisar se o contribuinte
possui crédito suficiente para extinção do crédito tributário sob análise, o que
deve ser feito considerando os parâmetros estabelecidos na decisão judicial
que lhe garantiu referido crédito.
JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL.
O depósito integral do tributo devido suspende a exigibilidade do crédito
tributário nos exatos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional,
sendo indevida a autuação do valor referente aos juros (consideração da Lei
nº 9.703/98). O fato de os juros não comporem o auto de infração não os faz
indevidos, ao contrário, no momento da conversão em renda ou do
levantamento por parte do contribuinte, os juros serão imputados ao principal
na proporção do êxito de cada parte.
Dado Provimento Parcial aos Recursos de Oficio e Voluntario.
Numero da decisão: 3302-001.446
Decisão: Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Havendo decisão judicial versando sobre a mesma matéria discutida nos autos, a qual estabelece o direito do contribuinte ao crédito e à sua recuperação por meio de compensação, a autoridade administrativa e este Tribunal têm de respeitála. Cabe ao Fisco apenas analisar se o contribuinte possui crédito suficiente para extinção do crédito tributário sob análise, o que deve ser feito considerando os parâmetros estabelecidos na decisão judicial que lhe garantiu referido crédito. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL. O depósito integral do tributo devido suspende a exigibilidade do crédito tributário nos exatos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, sendo indevida a autuação do valor referente aos juros (consideração da Lei nº 9.703/98). O fato de os juros não comporem o auto de infração não os faz indevidos, ao contrário, no momento da conversão em renda ou do levantamento por parte do contribuinte, os juros serão imputados ao principal na proporção do êxito de cada parte. Dado Provimento Parcial aos Recursos de Oficio e Voluntario. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a Recorrente (fls. 117/136 – Vol. I), na intenção de constituir créditos de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS – devidos no período de abril/99 a dezembro/03, devidos e não recolhidos em virtude de serem objeto do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0211433. Em vista do auto de infração ter sido lavrado para evitar a decadência do tributo, não foi aplicada multa punitiva. Os autos retornam de diligência, razão pela qual transcrevo relatório por mim apresentado por ocasião da sessão em que ficou determinada a remessa para referida diligencia, verbis: “Nos autos do mandado de segurança impetrado em 14/05/99, a Recorrente visa afastar o recolhimento do PIS nos moldes das Leis nº 9.701/98 e 9.718/98, na intenção de manter o pagamento nos termos da Lei Complementar nº 7/70 (LC 7/70). A Recorrente procedeu ao depósito integral do valor discutido para fim de obter a suspensão de sua exigibilidade. Em maio de 1999, a Recorrente obteve decisão judicial liminar favorável ao seu pedido de sujeitarse apenas à Lei Complementar 7/70. Em virtude desta decisão, a Recorrente requereu a conversão em renda da União Federal dos valores que lhe seriam devidos nos termos da LC 7/70, tendo obtido provimento ao seu pleito em sede de recurso de Agravo de Instrumento. Inconformada com o auto de infração lavrado, a Recorrente interpôs recurso de impugnação às fls. 149/156 – Vol. I – por meio da qual contrapõe a autuação com base nos seguintes argumentos: (i) no auto de infração não consta expressamente intimação para ao contribuinte recolher o crédito tributário, restando violado o inciso V, artigo 10 do Decreto nº 70.235/75 por ausência de constituição do crédito tributário; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000272/200580 Acórdão n.º 330201.446 S3C3T2 Fl. 2 3 (ii) enquanto a condição suspensiva prevista no auto de infração não ocorrer – término da ação judicial – o ato administrativo que resultou no lançamento tributário é ineficaz e, portanto, não produz efeitos; (iii) incorreto o acréscimo de juros de mora ao crédito tributário relativo ao mês de abril/99, cuja exigibilidade está suspensa em razão do depósito judicial do seu montante integral; (iv) houve erro na apuração da matéria tributável em virtude da desconsideração, por parte da fiscalização, de recolhimentos efetuados nos anos de 2000/ 2001/ 2002, conforme demonstrativo e comprovantes de pagamentos; (v) requer ainda sejam aceitos, em sua integralidade, os argumentos aduzidos nos autos do mandado de segurança. Após analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu o acórdão nº 9.103, em 28/06/05, fls. 269/277 – Vol. II, por meio do qual entendeu por bem julgar parcialmente procedente a defesa, cancelando o auto de infração em relação aos valores comprovadamente recolhidos pela Recorrente nos documentos de fls. 237, 241, 242, 245, 247, 251, 253, 257, 261 e 265, conforme quadro demonstrativo de fls. 277 – Vol. II. Em relação aos demais argumentos, a decisão de primeira instância entendeu: (i) não haver nulidade em relação à necessidade de intimação da Recorrente para pagamento do tributo em 30 dias em vista de tratarse de contribuinte em situação peculiar, qual seja, sujeito à medida liminar suspensiva da exigibilidade do tributo, razão pela qual a autoridade administrativa encontravase apenas cumprindo a determinação judicial; (ii) que a suposta condição suspensiva não interrompe/suspende a decadência, razão pela qual não é suficiente para impedir que a autoridade administrativa constitua o crédito tributário; (iii) pela manutenção dos juros sobre o valor integralmente depositado, alegando para tanto a aplicação do artigo 161 do Código Tributário Nacional – CTN – o qual determina que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora seja qual for o motivo determinante da falta deste recolhimento; (iv) que os argumentos veiculados no mandado de segurança, por terem sido levados à instância judicial, não podem mais ser analisados no âmbito administrativo, em razão da preferência da via judicial à administrativa. Registrase, ainda, que em virtude de ter sido exonerado valor do tributo principal superior a R$ 500.000,00, houve recurso de ofício a este Egrégio Conselho em relação ao valor cancelado. Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário fls. 284/312 – Vol. II – reiterando as razões previamente aduzidas, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 principalmente (i) a impossibilidade de aplicação de juros sobre valores depositados judicialmente, nos termos do artigo 151 do CTN e de acordo com a jurisprudência deste Conselho e (ii) a inocorrência da renúncia às instancias administrativas em virtude de a ação judicial ter sido impetrada anteriormente à lavratura do auto de infração. Às fls. 338/339 – Vol. II – consta manifestação do agente fiscal da DEINF/RJ informando terem sido alocados os valores relativos aos pagamentos comprovados pela Recorrente, exceto em relação aos períodos de março/01 e março/02. No tocante a estes períodos foram feitas as seguintes considerações: “A ressalva supracitada merece, preliminarmente, a seguinte observação: dentre os documentos que instruíram sua impugnação, o contribuinte junta os documentos 9 a 14 (fls. 235/265) nos quais demonstra a quais períodos se referem os mencionados pagamentos, com exceção daqueles já citados, ou seja, 03/2001 e 03/2002. Em relação ao PA março/02, observase que o valor lançado (fls. 124) é igual ao valor declarado como suspenso no valor total de R$ 373.184,79 (fls. 83/84). Portanto, considerando que não existe vinculação por pagamento, bloqueei o pagamento no valor de R$ 98.216,25 (fls. 337), que estava disponível (fls. 328). No tocante a março/01, alerto para o fato de que o pagamento correspondente a este período, ou seja, R$ 58.235,17 (que corresponde ao valor exonerado para esse PA), foi utilizado como compensação de pagamento indevido ou a maior para os débitos referentes aos PA de julho e agosto de 2001, conforme DCTF de fls. 95/98. Confrontadose os valores declarados (fls. 95/98) com aqueles lançados (fls. 123) relativamente aos períodos de julho e agosto de 2001, verificase que estes só englobam os valores declarados como suspensão. Entendo, portanto, salvo melhor juízo, que tal exoneração é indevida, pois, o mesmo pagamento foi considerado, em sua totalidade, tanto pela DRJ para exonerar parte do débito de março/01, quanto pelo contribuinte para compensar débitos de julho e agosto de 2001.” (destaquei) Em vista dos recursos apresentados – voluntário e de ofício os autos me foram enviados para julgamento.” Na sequência, após a análise dos autos, surgiu dúvida em relação ao seguinte ponto: “A questão cingese ao pagamento realizado no mês de março/2002, cuja utilização foi obstaculizada pelo agente administrativo em razão de a fiscalização não ter localizado na DCTF (fls. 83 – Vol. I) indicação de valores pagos via DARF a título de PIS/PASEP 45741. Em virtude deste fato e de “o valor lançado (fls. 124) ser igual ao valor declarado como suspenso, no valor total de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000272/200580 Acórdão n.º 330201.446 S3C3T2 Fl. 3 5 R$373.184,79 (fls. 83/84)”, o agente fiscal entendeu por bem bloquear o pagamento no valor de R$ 98.216,25 (fls. 337). Todavia, as razões utilizadas pela autoridade administrativa para bloquear o pagamento realizado pela Recorrente não me parecem suficientes. É que, conforme se verifica da DCTF trazida à colação às fls. 83/84, no ano de 2002, não houve nenhum pagamento via DARF. Assim, partindose dessa premissa, o auto de infração, em relação a este ano, deveria ter sido mantido em sua integralidade. Entretanto, foram deduzidos os pagamentos (comprovados por guias DARFs) referentes aos meses fev/02, jul/02, ago/02 e set/02. Isto é, mesmo constando às fls. 83/84 que o valor suspenso era o declarado e que não havia sido realizado pagamento via DARF, foram reduzidos os valores comprovados por meio de guias DARF (fls. 251/ 257/ 261/265). Realmente, o fato de a Recorrente não ter trazido, juntamente com o comprovante de pagamento de março/02 – fls. 253 – a cópia da página da DCTF que comprova a base de cálculo e as formas de pagamento do tributo, viabilizou a dúvida do Agente Fiscal, mas entendo que não é suficiente para justificar a glosa realizada. Até porque o procedimento que justifica a glosa também ocorreu com os períodos em que se aceitou os pagamentos realizados.” Assim, foi determinada a remessa dos autos para realização de diligencia, visando em especial esclarecer os seguintes pontos, essenciais ao julgamento do Recurso de Ofício: “(i) intimar a Recorrente a justificar o ocorrido no prazo de 30 dias, porque não consta da DCTF a realização do pagamento de fls. 253 (março/02), trazendo a colação os documentos necessários ao alegado; (ii) deverá ainda a Recorrente esclarecer porque, quando da apresentação dos documentos em sua impugnação não acostou, também, conforme os demais casos, cópia da DCTF, explicando ainda se houve DCTF Retificadora; (iii) caso entenda oportuno, poderá Recorrente, ainda, se manifestar acerca do pagamento de fls. 247 – Vol. II – bem como do aproveitamento do crédito indicado às fls. 98; (iv) após analisar a manifestação da Recorrente, a autoridade administrativa deverá elaborar parecer conclusivo sobre o assunto, esclarecendo qual foi o destino do recolhimento indicado às fls. 253 e porque tal informação não consta da DCTF de fls. 83/84. (v) bem assim, deverá a autoridade administrativa realizar suas considerações acerca da existência do crédito relacionado às fls. 247 e da compensação declarada às fls. 98.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Embora a Recorrente tenha apresentado esclarecimentos (fls. 364) quanto aos pontos (i) e (ii) não trouxe aos autos nenhuma consideração quanto ao ponto (iii). Em relação ao pagamento de fls. 253 a Recorrente afirma que o mesmo não havia sido informado em DCTF porque o programa não reconheceu o código de receita no qual o DARF havia sido pago (fls. 377), razão pela qual precisou fazer uma retificação do DARF (REDARF – fls. 379/380), para fazer constar o código de receita adequado. No entanto, por um erro, esqueceuse de promover a posterior e correspondente retificação da DCTF, razão pela qual o pagamento não consta da declaração. Em manifestação posterior, a DEINF/RJO (fls. 387/388) reconhece a apresentação dos documentos, e a satisfação dos questionamentos (i) e (ii) da diligência. Em relação ao item (iii), que não foi esclarecido pelo contribuinte, requer seja reformada a decisão da DRJ que reduziu o valor do crédito tributário lançado, por considerar a integralidade do DARF de fls. 247, quando parte dele foi indicada para compensação do débito apurado em julho/01 e agosto/01 (fls. 95/98). Retornaram, então, os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicio minha análise pelas questões que são objeto do Recurso de Ofício. A grande maioria das glosas referese à guias Darf’s recolhidas e anexadas aos autos. Constato que as únicas que merecem análise específica são coincidentemente as que não foram declaradas em DCTF e que foram objeto da diligência. Neste sentido, é de meu entendimento que este Colegiado precisa analisar: (i) a regularidade do cancelamento de parte do auto de infração, especificamente em relação à existência do pagamento efetuado pela Recorrente no mês março/2002 no valor de R$ 98.216,25 (fls. 337), que foi bloqueado pelo Agente Administrativo quando das providências para aproveitamento; e (ii) à possibilidade de aproveitamento do pagamento correspondente ao período de março/2001 no valor de R$58.235,17, o qual teria sido utilizado para compensação dos débitos referentes aos PA de julho e agosto de 2001, conforme DCTF de fls. 95/98. No que tange ao recolhimento no valor de R$ 98.216,25 (fls. 253), conforme a própria Recorrente afirma, embora o mesmo tenha sido objeto de pagamento, não foi declarado em DCTF. Isto se deu porque, conforme esclarecido e comprovado, o valor foi inicialmente recolhido em código errado, não aceito pelo programa da Declaração. Posteriormente, após retificação do DARF para indicação do código correto, a Recorrente não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor, jamais foi por ela declarado. Ocorre que, este valor, tampouco, foi incluído na base do lançamento, já que o agente fiscal utilizou os valores declarados pela Recorrente, em DCTF, para constituir o crédito do auto de infração. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000272/200580 Acórdão n.º 330201.446 S3C3T2 Fl. 4 7 Logo, embora quitado, o valor não foi declarado. Assim, pareceme que a DRJ não poderia, de fato, reduzir o valor do pagamento daquele valor lançado com base nas informações da DCTF, já que aí não constava o débito quitado pelo DARF em questão. Em relação ao outro pagamento (fls. 247), considerando que a Recorrente não trouxe nenhum esclarecimento quanto à sua alocação para quitação de parte do débito de julho/01 e para quitação de parte do débito de agosto/01, entendo que o eventual pagamento a maior, efetuado com referido DARF, já foi parcialmente aproveitado pela Recorrente, nas compensações em questão (fls. 95/98). Logo, a DRJ não poderia têlo considerado novamente para redução do valor devido no mês de março/01 (competência do pagamento), porque o valor serviu para reduzir o débito apurado nos meses de julho/01 e agosto/01. Assim, a princípio, tanto a redução do débito de março/01 como a do débito de março/02, realizadas pela DRJ, não poderiam prosperar, razão pela qual dou provimento ao recurso de oficio neste ponto. Passemos à análise do Recurso Voluntário. São objeto do Recurso Voluntário a discussão acerca do lançamento mantido pela DRJ, em especial quanto à viabilidade de aplicação de juros sobre valor que se encontra integralmente depositado e a possibilidade de análise, na via administrativa, da matéria alegada nos autos do mandado de segurança. Realmente, em havendo concomitância entre as matérias objeto de processo judicial e processo administrativo, entendo que fica prejudicada a análise do mérito. Neste sentido, destaco Súmula deste Tribunal: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Resta a discussão, específica, a respeito da legalidade do lançamento de juros, em relação à quantia que foi objeto de depósito judicial – qual seja, a da competência abril/99 (as demais competências tiveram exigibilidade suspensa por conta de medida liminar). De fato, entendo que cabe razão à Recorrente neste ponto, pois os juros relativos a valores depositados são diretamente creditados na conta de depósito judicial, pela instituição financeira custodiante dos valores. O d. acórdão recorrido está baseado na interpretação literal do artigo 161 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Ocorre que o direito não é a interpretação de regras isoladas, mas a análise conjunta e sistemática de todas as normas jurídicas. Se o artigo 161 do CTN menciona o acréscimo de juros na hipótese de inadimplência, o artigo 151 reconhece a suspensão de exigibilidade do crédito tributário no caso de depósito integral: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; " Sem mencionar a Lei nº 9.703/98, resultado da conversão da MP nº 1.721/98, que alterou totalmente a sistemática dos depósitos judiciais para o fim de disponibilizar para a União Federal, todos os valores depositados em garantia de tributos federais em contas da Caixa Econômica Federal – CEF. Neste aspecto, a citada lei definiu que todo o valor até então depositado à disposição do Judiciário Federal fosse transferido para uma Conta Única da Receita Federal, que passaria a ter a disponibilidade financeira deste dinheiro. Da mesma forma, o mandamento legal determinou que os novos depósitos fossem automaticamente transferidos para a citada Conta Única. Com as determinações mencionadas resta claro que, a partir de 1998, por força de lei, todos os valores que eram ou seriam fruto de discussão judicial, estariam, ainda que temporariamente, disponibilizados para a Receita Federal. Tais fatos tornam evidentes, portanto, que quando o contribuinte opta por realizar um depósito judicial, deixa de ter a disponibilidade deste dinheiro, sendo que a disponibilidade jurídica passa ao Juízo e a financeira para a Receita Federal. Não há que se dizer, portanto, que o contribuinte que realizou depósito judicial incorre em mora e, menos ainda, em inadimplência. É permitido à fiscalização autuar o débito que está depositado integralmente, inclusive para o fim de evitar a decadência dos tributos, mas não é possível considerar a incidência de juros. Neste sentido está a jurisprudência deste E. Tribunal Administrativo, a saber: "MULTA EX OFFICIO — JUROS DE MORA — LIMINAR E DEPÓSITO — Indevida multa de ofício quando o contribuinte esteja albergado por decisão judicial que suspenda a exigibilidade dos tributos. Existindo depósito integral, incabível a cobrança de juros moratórias”. (Ac. 10805.896, v.u.) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000272/200580 Acórdão n.º 330201.446 S3C3T2 Fl. 5 9 “LANÇAMENTO — SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE — CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR — EFEITOS SOBRE OS JUROS DE MORA A concessão da medida liminar, se cassada posteriormente pela confirmação da exigência principal em face da cousa julgada não tem o efeito de afastar a exigência dos juros de mora. Somente o depósito em dinheiro afasta a exigibilidade dos juros de mora porquanto neste caso há automaticamente a conversão do depósito em dinheiro." (Ac. CSRF/0105.171, v.u.) “JUROS DE MORA — LIMINAR E DEPÓSITO — Indevidos os juros de mora quando o contribuinte esteja albergado por decisão judicial com depósito integral.” (Ac. 0808.506,v.u.) “CONCOMITÂNCIA,MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO JUDICIÁRIO, RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. Nos exatos termos da Súmula nº 1, do CARF, importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão administrativo de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS MORATÓRIOS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SÚMULA N° 4, DO CARF, Indevidos juros moratórios, quando efetivado o depósito do montante integral em juízo, conforme entendimento da Súmula n.° 4, do CARF.” (Ac. 110200.260, v.u.) “IPI — DEPÓSITO JUDICIAL — JUROS DE MORA — O depósito judicial, no prazo correto, não autoriza sua cobrança. Recurso parcialmente provido.” (Ac. 20174.048, v.u.) Imperioso acrescentar que o fato de os juros não comporem o auto de infração não os faz indevidos, ao contrário. No momento da conversão em renda ou do levantamento por parte do contribuinte, os juros são imputados ao principal na proporção do êxito de cada parte. Mas a responsabilidade pela remuneração do capital depositado deixou de ser do contribuinte no exato momento em que este realizou o depósito integral, passando a ser de responsabilidade exclusiva da Caixa Econômica Federal. – CEF. Ademais, a matéria já está sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – conforme se denota da Súmula nº 5, aprovada pela Portaria CARF nº. 106, de 21 de Dezembro de 2009, que divulga os enunciados de súmulas aprovados nas sessões do Pleno e das Turmas da CSRF realizados em 8.12.2009, a saber: “Súmula CARF n. 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (destaquei) Portanto, no tocante ao lançamento de juros sobre os valores constituídos pelo Fisco, em relação à competência cujo tributo foi depositado – abril/99 – entendo que o mesmo deve ser cancelado. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Pelo exposto, conheço dos recursos apresentados, de Oficio e Voluntário, para o fim de DARLHES PARCIAL PROVIMENTO nos termos do voto proferido, reformando a decisão de primeira instancia administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004006/2003-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 18/01/2001, 26/01/2001, 15/03/2001, 12/04/2001, 24/04/2001, 27/04/2001, 26/07/2001, 03/08/2001, 04/12/2001, 07/12/2001, 26/12/2001.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº. 02 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO CONTÁBIL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O lançamento contábil não constitui, por si só, fato gerador da CIDE. LICENÇA DE USO DE SOFTWARES.
Até a edição da Lei nº. 11.452/2007, a Contribuição de intervenção no Domínio Econômico – CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso de softwares, ainda que a licença não importe em transferência de conhecimento tecnológico.
SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA.
Para fins de incidência da CIDE, por força do §1º do art. 2º da Lei nº. 10.638/2000, devem ser considerados como contratos com transferência de tecnologia os contratos de prestação de assistência técnica firmados com residentes ou domiciliados no
exterior.
Recurso conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Presentes, como representante da contribuinte, o advogado Eduardo Cavalcante Gauche OAB/DF 18.739, e, como representante da Fazenda Nacional, a Procuradora
Andressa Oliveira Cupertino de Castro.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 18/01/2001, 26/01/2001, 15/03/2001, 12/04/2001, 24/04/2001, 27/04/2001, 26/07/2001, 03/08/2001, 04/12/2001, 07/12/2001, 26/12/2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº. 02 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO CONTÁBIL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.O lançamento contábil não constitui, por si só, fato gerador da CIDE. LICENÇA DE USO DE SOFTWARES. Até a edição da Lei nº. 11.452/2007, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso de softwares, ainda que a licença não importe em transferência de conhecimento tecnológico. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA. Para fins de incidência da CIDE, por força do §1º do art. 2º da Lei nº. 10.638/2000, devem ser considerados como contratos com transferência de tecnologia os contratos de prestação de assistência técnica firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Recurso conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 359 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. Presentes, como representante da contribuinte, o advogado Eduardo Cavalcante Gauche OAB/DF 18.739, e, como representante da Fazenda Nacional, a Procuradora Andressa Oliveira Cupertino de Castro. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever parcialmente: “Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 03/07) que pretende a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE/ remessas para o exterior, relativa a fatos geradores ocorridos entre 18/01/2001 e 11/09/2002, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº. 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterada pela Lei nº. 10.332, de 19 de dezembro de 2001. O autuante informa no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 09/11) ter constatado a falta de recolhimento da CIDE, calculada a partir de remessas efetuadas pela contribuinte, referentes a contratos firmados com residentes ou domiciliados fora do Brasil, os quais foram individualizados pelo autuante no referido termo. Informa, ainda, que sobre a base de cálculo, que são pagamentos, remessas e valores creditados, foi aplicada a alíquota de 10% prevista no art. 4º da Lei nº. 10.168, de 2000, com a redação dada pela Lei nº. 10.332, de 2001. Ao presente processo foram anexados os seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 01); Termo de Início de Fiscalização (fl. 12); relação com as remessas para o exterior nos anos de 2001 e 2002 (fl. 14); documentos relativos às remessas para o exterior, como contrato de assistência técnica, contratos de câmbio e faturas comerciais (fls. 15/106) (...)” Na impugnação, a querelante apresentou os seguintes argumentos de defesa (fls.109/115): reconhece os débitos relativos aos fatos geradores ocorridos em 11/04/2001, 01/02/2002, 05/04/2002, 28/08/2002 e 11/09/2002 e afirma que providenciou os pagamentos relativos a tais débitos; quanto ao fato gerador de 27/04/2001 (fornecimento tecnológico), afirma que, muito embora a remessa para pagamento tenha sido realizada em 27/04/2001, o crédito à pessoa jurídica domiciliada no exterior (lançamento contábil) foi registrado pela COELBA em 31/12/2000, data anterior à vigência da Lei nº. 10.168/2000, não existindo naquela data, portanto, previsão legal para incidência da CIDE; quanto aos fatos geradores de 26/01/2001, 12/04/2001, 24/04/2001, 26/07/2001, 03/08/2001 e 04/12/2001 (aquisição de softwares), alega que os pagamentos Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 360 3 remessas ao exterior feitos pela COELBA, a título de royalties pela cessão ou licença de uso de softwares, deramse durante o exercício de 2001, não estando sujeitos à incidência da CIDE, pois o §2º do art. 2º da Lei nº. 10.168/2000 determina que a tributação, naqueles casos, se daria somente a partir de 1º de janeiro de 2002; quanto aos fatos geradores de 18/01/2001, 15/03/2001, 07/12/2001 e 26/12/2001 (serviços técnicos profissionais e de assistência), aduz que as remessas efetuadas referemse a serviços técnicos sem transferência de tecnologia (supervisão de obras, administração de projetos, comissão advocatícia, treinamentos, etc.), os quais não se encontravam sujeitos à tributação no exercício de 2001, mas somente a partir de 1º de janeiro de 2002, de acordo com o retro citado §2º do art. 2º da Lei nº. 10.168/2000. A DRJSalvador/BA julgou procedente o lançamento (fls. 181/189), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 18/01/2001, 26/01/2001,15/03/2001, 12/04/2001, 24/04/2001, 27/04/2001, 26/07/2001, 03/08/2001, 04/12/2001, 07/12/2001, 26/12/2001 MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O lançamento contábil não constitui, por si só, fato gerador da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pelo art. 2° da Lei n° 10.168, de 2000. PROGRAMA DE COMPUTADOR. LICENÇA DE USO. INCIDÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incide sobre os valores pagos a residentes ou domiciliados no exterior a titulo de remuneração decorrente de licença de uso de programas de computador. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. CONTRATOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico é devida pela pessoa jurídica signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 198/242), onde alega, em síntese: que o art. 8º da Lei nº. 10.168/2000, que determina a aplicação daquela lei aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2001, não obedece ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, razão pela qual devem ser desconstituídos os lançamentos efetuados pelo fisco a título de CIDERoyalties em relação aos fatos geradores ocorridos em 18/01/2001, 26/01/2001 e 15/03/2001; que o creditamento contábil de valores decorrentes de contratos de transferência de tecnologia realizado por tomador de serviços brasileiro em favor de prestador de serviço domiciliado no exterior, por si só, enseja a cobrança da CIDE Royalties, ainda que o respectivo pagamento não tenha sido realizado. Assim, em 31/12/2000, data em que a Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 361 4 recorrente efetuou o crédito contábil dos valores devidos à Iberdrola Investimentos, a CIDE Royalties ainda não se encontrava em vigor impossibilidade de exigência de juros, multas e correção monetária, em aplicação ao art. 100 do CTN; que não há previsão legal para a incidência da CIDE sobre o valor de aquisição de softwares no exterior, em relação ao anocalendário de 2001, vez que a contribuição, nesses casos, só passou a ser devida com a edição da Lei nº. 10.332/2001, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2002; que em 2001 ainda não havia previsão para cobrança de CIDE sobre os contratos relativos a serviços técnicos e de assistência administrativa e assemelhada sem transferência de tecnologia, isto é, sem registro no INPI, o que somente passou a ocorrer com a edição da Lei nº. 10.332/2001, vigente a partir de 1º de janeiro de 2002. Ao final, requereu a reforma da decisão de primeira instância, com o cancelamento do auto de infração em todos os seus efeitos. Subsidiariamente, requereu sejam a multa e os juros cancelados, nos termos do art. 100, inciso II e parágrafo único do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratam os autos de Auto de Infração lavrado em 20/05/2003 (ciência em 21/05/2003), contra a COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA – COELBA, no valor total de R$ 2.004.030,57, para exigência de Contribuição sobre a Intervenção no Domínio Econômico CIDE, bem como de multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da referida contribuição em relação a remessas de valores ao exterior, efetuadas entre 18/01/2001 e 11/09/2002 (fls.02/11). Em sua impugnação, a contribuinte reconheceu os débitos relativos aos fatos geradores ocorridos em 11/04/2001, 01/02/2002, 05/04/2002, 28/08/2002 e 11/09/2002, insurgindose quanto aos demais, os quais passo a analisar. Do Princípio da Anterioridade Nonagesimal O primeiro argumento trazido à baila pela contribuinte em seu recurso diz respeito à inaplicabilidade do art. 8º da Lei nº 10.168/2000, o qual assim dispõe: Art. 8o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2001. Alega a recorrente que, tendo em vista que a Lei nº. 10.168/2000, a qual instituiu a CIDERoyalties, foi publicada em 29/12/2000, por força do princípio constitucional da anterioridade nonagesimal (art. 149 combinado com o art. 195, §6º da Constituição Federal), tal contribuição somente poderia passar a ser cobrada para os fatos geradores ocorridos a partir Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 362 5 de 29.03.2001. Em razão disso, entende devam ser desconstituídos os lançamentos efetuados em relação aos fatos geradores ocorridos em 18/01/2001, 26/01/2001 e 15/03/2001. Acontece, porém, que esse ponto, trazido à lume no recurso voluntário, não foi abordado na impugnação (fls.109/115), o que impede este Colegiado de conhecer de tal questão, sob pena de supressão de instância. Vez que, nos termos do art. 14 do Decreto nº.70.235/1972, o contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante (art. 17, primeira parte, do citado Decreto), é defeso ao contribuinte inovar em fase recursal, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada. Desta forma, não restando instaurado o litígio em relação à matéria não impugnada, operase a preclusão, que consiste na perda da faculdade da prática de ato processual em razão do decurso do tempo (preclusão temporal), da consumação da prática do ato (preclusão consumativa) ou, ainda, da incompatibilidade do ato que se quer praticar com aquele anteriormente praticado (preclusão lógica). No caso dos autos, deuse a preclusão consumativa, pois os contornos da lide foram fixados e exauridos quando do oferecimento da impugnação, não mais se admitindo a ampliação objetiva do litígio na fase do recurso, o qual não deve ser conhecido nesta parte. Demais disso, mesmo que esta Turma deixasse de reconhecer a preclusão consumativa, ainda assim a matéria não seria objeto de pronunciamento por esta Corte, visto que as instâncias administrativas de julgamento não possuem competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto pela Constituição Federal, em seu art. 102, incisos I, “a” e III, “b”. É óbvio que a Administração tem o poder, e até mesmo o dever, de afastar a aplicação de lei inconstitucional, entretanto, não pode a Administração negarse à aplicação de lei que apenas entenda ser inconstitucional, pois não lhe compete realizar o controle difuso de constitucionalidade. Sem a declaração de inconstitucionalidade daquele que é competente para tanto – o Poder Judiciário não há que se falar em lei inconstitucional. Neste sentido, a Súmula nº. 02 do CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com tais considerações, não conheço do recurso nesta parte, mantendo o lançamento integralmente quanto os fatos geradores ocorridos em 18/01/2001, 26/01/2001 e 15/03/2001. Passo à análise das demais questões apontadas pela defendente. Do Fato Gerador da CIDE Alega a querelante a improcedência do lançamento referente ao pagamento efetuado em 27/04/2001, relativo à transferência de tecnologia e know how decorrente de contrato firmado com a empresa “Iberdrola Investimentos”. Entende que, tendo sido efetuado o lançamento contábil em conta representativa de passivo em 31/12/2000, não teria ocorrido fato gerador da CIDE, vez que a Lei nº. 10.168/2000 passou a ter seus efeitos somente a partir de 1º/01/2001. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 363 6 Quanto a esta matéria, a antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes já decidiu, por unanimidade de votos, no sentido de que o simples lançamento contábil não constitui fato gerador da CIDE. Vejase: Processo nº. 18471.001506/200578 Recorrente: DRJRio de Janeiro II Interessado Telerj Celular S/A: Data da Sessão: 04/12/2007 Relator: Judith do Amaral Marcondes Armando Acórdão nº. 30239165 Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: CIDE. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O lançamento contábil não constitui, por si só, fato gerador da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO Assim, conforme asseverou a autoridade julgadora de primeira instância, a celebração do contrato e o respectivo lançamento contábil não autorizam a exigência da CIDE, sendo imprescindível a efetiva remessa dos valores aos beneficiários no exterior. Isto porque o lançamento contábil representa somente o registro de um evento econômico, não se constituindo no próprio evento em si. A ocorrência do fato econômico é que faz nascer a obrigação de pagar a CIDE e este se dá quando da efetiva remessa dos valores devidos. Demais disso, se assim não o fosse, teríamos uma norma improfícua, vez que o lançamento contábil sempre precede o pagamento. Desta forma, entendo acertado o lançamento tributário. Da exigência de Juros e Multa Alega a recorrente que a Receita Federal, em inúmeras soluções de consultas apresentadas pelos contribuintes, confirmou seu entendimento no sentido de que o crédito contábil efetuado pelo tomador de serviços em favor do prestador é suficiente para disparar o fato gerador da CIDERoyalties (...), ainda que o respectivo pagamento não tenha sido realizado. Assim, com fundamento no parágrafo único do inciso III do art. 100 do CTN, defende o não cabimento da exigência de juros e multa, em razão de ter seguido práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Temse, entretanto, que tal matéria não foi trazida à baila na impugnação, ocorrendo, quanto a esta, a preclusão, conforme já explicitado anteriormente neste voto, razão pela qual deixo de conhecer do recurso também quanto a esta parte. Da Aquisição de Licença de Uso de Softwares Trata esta matéria do lançamento efetuado em relação aos fatos geradores ocorridos em 26/01/2001, 12/04/2001, 24/04/2001, 26/07/2001, 03/08/2001 e 04/12/2001. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 364 7 Aduz a contribuinte que não há previsão legal para a incidência da CIDE sobre o valor de aquisição de softwares no exterior, em relação ao anocalendário de 2001, vez que a contribuição, nesses casos, só passou a ser devida com a edição da Lei nº. 10.332/2001, a qual entrou em vigor em 1º de janeiro de 2002. Alega que o art. 2º da Lei nº. 10.168/2000, ao utilizar a expressão “licença de uso”, quis abranger tãosomente os eventos cujo objeto compreendesse a transferência do conhecimento tecnológico. Ao meu sentir, tal entendimento não é aquele que deve orientar a interpretação do texto legal. Isso porque a lei traz, literalmente, a expressão “licença de uso ou adquirente de conhecimento tecnológico”, demonstrando, com isso, tratarse de situações distintas e independentes, não estando a licença de uso necessariamente atrelada à transferência do conhecimento tecnológico.Vejase: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (grifo não constante do original) Tanto assim o é que, para excluir os casos em que a licença de uso não importava em transferência de tecnologia, foi editada a Lei nº. 11.452/2007 que, dentre outras disposições, acrescentou o § 1ºA ao art. 2º da Lei nº. 10.168/2000, estabelecendo a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando tais operações envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Vêse, com isso, a ratificação de que há a incidência da CIDE no período anterior a 1º de janeiro de 2006, data em que a Lei nº. 11.452/2007, quanto a esta mudança que introduziu, passou a produzir efeitos. Vejase: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. .................................................................................. ” (NR) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1o de janeiro de 2006. Desta forma, tenho por correto o entendimento manifestado na Solução de Consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação da SRF n° 1, de 06 de janeiro de 2006, abaixo transcrita e na qual a expressão "licença de uso" é identificada tratandose de todas as modalidades de licença de uso sobre ativos corpóreos e incorpóreos, atingindo inclusive o licenciamento de ativos protegidos por direitos autorais: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 365 8 “12. O caput do art. 20 da Lei n° 10.168, de 2000 (na redação já alterada) instituiu a CIDE sobre a pessoa jurídica residente ou domiciliada no Pais detentora de licença de uso. A expressão "licença de uso", como aparece no dispositivo, referese a todas as modalidades de licença de uso sobre ativos corpóreos e incorpóreos, atingindo inclusive o licenciamento de ativos protegidos por direitos autorais. 13. De outra parte, da leitura do § 2° do art. 2° da Lei n° 10.168, de 2000 (na redação dada pela Lei n°10.332, de 2002), percebese que sua intenção foi a de agregar novos fatos geradores aos até então existentes. 14. Tal intenção (de agregar novos fatos geradores aos até então existentes) foi expressamente manifestada no item 19 da Mensagem n° 1.060, de autoria conjunta dos Ministros do Estado da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, que acompanhou o projeto de lei (convertido na Lei n° 10.332, de 2001) encaminhado ao Congresso Nacional: “19. O projeto de lei prevê ainda a adequação da base de incidência da contribuição, criada pela lei n° 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo. (grifouse)" 15. Assim, dentre os tipos de contratos descritos na Lei n° 10.168, de 2000, destacamse os relativos à licença de uso de programas de computador (software). 16. Tal entendimento é reforçado pelo disposto na Lei n° 9.609, de 19 de fevereiro de 1998, a qual dispõe sobre os contratos de licença de uso de programa de computador nos arts. 2°, 9°e 11, in verbis: "Art. 2° O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido as obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no Pais, observado o disposto nesta Lei. (...) Art. 9° O uso de programa de computador no Pais será objeto de contrato de licença. Parágrafo único. Na hipótese de eventual inexistência do contrato referido no caput deste artigo, o documento fiscal relativo à aquisição de licenciamento de cópia servirá para comprovação da regularidade do seu uso. (...) Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do códigofonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia." 17. A terminologia empregada nos arts. 2°, 9° e 11 da Lei n° 9.609, de 1998, apresenta elementos idênticos aos descritos na hipótese de incidência da CIDE, instituída pela Lei n° 10.168, de 2000, de sorte a revelar a interface que há entre o campo de incidência da CIDE e a vertente dos direitos sobre licença de uso de programas de computador, de que trata a Lei n°9.609, de 1998. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 366 9 18. Em resumo, constatase da leitura conjunta da Lei n° 9.609, de 1998, e da Lei n° 10.168, de 2000, que a incidência da CIDE alcança as importâncias referentes ao pagamento de licença de uso de programas de computador (software), estejam os contratos relativos a tal licença atrelados à transferência de tecnologia ou não. 19. Assim, uma vez que, de acordo com a legislação aplicável matéria, há a incidência da CIDE sobre as importâncias referentes a pagamentos de licença de uso de programas de computador (software), não poderiam as disposições do seu decreto regulamentador, no caso o Decreto n° 4.195, de 11 de abril de 2002, ser interpretadas de modo a limitar a aplicação do disposto em lei. Isto posto, verificase que o referido Decreto n° 4.195, de 2002, ao dispor em seu art. 10 a respeito das importâncias sobre as quais há incidência de CIDE, o fez de forma exemplificativa.” (negrito não constante do original) Mantenho, assim, os lançamentos efetuados em decorrência da aquisição de programas de computador (software) do exterior, relativos aos fatos geradores ocorridos em 26/01/2001, 12/04/2001, 24/04/2001, 26/07/2001, 03/08/2001 e 04/12/2001. Dos Serviços Técnicos e de Assistência Insurgese, ainda, a recorrente, quanto à autuação perpetrada referente às remessas para o exterior resultantes de contratos firmados para prestação de serviços técnicos e de assistência, por entender que até 1º/01/2002, quando passou a produzir efeitos a Lei nº.10.332/2001, somente se sujeitavam à CIDE os contratos dessa natureza que importassem na transferência de tecnologia, em situação semelhante à defendida quanto à aquisição de softwares. Dispõe a Lei nº. 10.168/2000: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010). §1º. Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. O caput do art. 2º determina que a incidência da CIDE se dê em relação aos contratos que impliquem transferência de tecnologia, apontando o parágrafo primeiro os casos em que se deve considerar como sendo contratos com transferência de tecnologia. São eles: (i)os contratos relativos à exploração de patentes; (ii) os contratos relativos ao uso de marcas; (iii) os contratos de fornecimento de tecnologia e (iv) os contratos de prestação de assistência técnica. O referido parágrafo primeiro, portanto, faz distinção exata entre os contratos de fornecimento de tecnologia propriamente ditos e aqueles de prestação de assistência técnica. Pela leitura do texto da lei, estes últimos (os contratos de prestação de assistência técnica), Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10580.004006/200387 Acórdão n.º 3202000.455 S3C2T2 Fl. 367 10 mesmo não envolvendo transferência de tecnologia propriamente, devem ser assim considerados por simples força do dispositivo legal. Assim, não há como se negar a aplicação do dispositivo da lei. Por todo o exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 13306.000014/98-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LANÇAMENTO DE OFÍCIO
NORMAS PROCESSUAIS —
AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A DESCRIÇÃO DOS FATOS E O ENQUADRAMENTO LEGAL — NULIDADE — O ato de lançamento padecerá de vicio insanável quando o motivo de fato não coincidir com o
motivo legal invocado, decretando-se a nulidade do ato viciado como conseqüência jurídica dessa falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e da norma dita como violada em sua motivação.
Numero da decisão: 9101-001.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso especial interposto.
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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CSRF-T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13306.000014/98-72 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 9101-001.384 — 1a Turma Sessão de 04/06/2012 Matéria DCTF Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida USINA GOMES S/A. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LANÇAMENTO DE OFÍCIO NORMAS PROCESSUAIS — AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A DESCRIÇÃO DOS FATOS E O ENQUADRAMENTO LEGAL — NULIDADE — O ato de lançamento padecerá de vicio insanável quando o motivo de fato não coincidir corn o motivo legal invocado, decretando-se a nulidade do ato viciado como conseqüência jurídica dessa falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e da norma dita como violada em sua motivação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial interposto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior Relatório Cuida-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 170/175, v. 1), com espeque no art. 5', II, do Regimento Interno deste Egrégio Conselho Superior de Recursos Fiscais, em face do acórdão n° 301-32.562, da antiga Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, de 23 de fevereiro de 2006 (fl. 162/195, v. 1), que deu provimento ao recurso de voluntário para anular o processo a partir do Auto de Infração. Consta dos autos que contra a empresa foi lavrado Auto de Infração (fls. 05/06, v. 1), para formalização e cobrança de Multa por Atraso na Entrega das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, ano-calendário de setembro a dezembro de 1993, dezembro de 1994 e fevereiro a dezembro de 1995. Impugnado o lançamento (fls. 19/28, v. 1), a autoridade julgadora de primeira instância entendeu ser devida somente a Multa por Atraso na Entrega das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, referente aos meses de dezembro de 1994 e fevereiro a dezembro de 1995 (fls. 105/111, v.1), conforme se verifica de sua ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Periodo de apuração: 30/09/1993 a 31112/1993, 01/12/1994 a 31/12/1994, 28/02/1995 a 31/12/1995. Ementa: DECLARAÇÃO DE COIVTRIBUIÇÕES E TR1BU7'08 FEDERAIS - DCTF Verificado, em ação fiscal, que o contribuinte não cumpriu a exigência de entregar a DCTF a que estava obrigado, cabível a imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Conforme Instrução Normativa SRF n° 68/93, com vigência de 02/08/93 até 18/09/94, estavam obrigadas a apresentar a DC7F as empresas que satisfizessem, pelo menos uma das seguintes condições: a) valor mensal a declarar igual ou superior a 15.000 UFIR (quinze mil Unidades Fiscais de Referência); b) faturamento mensal igual ou superior a 1.000.000 de UFIR (hum milhão de Unidades Fiscais de Referência). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/09/1993 a 31/12/1993, 01/12/1994 a 31/12/1994, 28/02/1995 a 31/12/1995 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS Compete ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos, porque presumem-se constitucionais ou legais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa 2 Processo n° 13306.000014/98-72 Acórdão n.° 9101-001.384 CSRF-T1 Fl. 2 apenas promover a aplicação das normas nos estritos limites de seu conteúdo. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Inconformada com a decisão de primeira instancia, apresentou Recurso Voluntário (fls. 119/127, v. 1), o qual veio a ser provido pela Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, acarretando a anulação do processo a partir do Auto de Infração, conforme ementa: PROCESSO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO, AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A DESCRIÇÃO DOS FATOS E 0 ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE. A ausência de estreita correlação entre o fato que motivou a autuação e a hipótese prevista na norma indicada como sendo a de seu enquadramento legal, acarreta cerceamento do direito de defesa do autuado, causa suficiente de anulação do Auto de Infração. PROCESSO ANULADO AB INITIO. Cientificada a Fazenda Nacional da decisão proferida (fls. 169, v.1), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Especial de Divergência a esta Egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 170/175, v. 1), com os seguintes argumentos: a) discute-se nos presentes autos acerca da existência de previsão legal para a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, no período anterior vigência da Lei 10.426/02; b) o fundamento utilizado pelo voto condutor somente passou a existir com o advento da Lei 10.426102. Assim, os dispositivos citados no auto de infração não dariam suporte à aplicação da multa pelo atraso na entrega da declaração; c) a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes diverge, diametralmente, desse entendimento, pois ficou consagrado a legalidade da Multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, com base na Legislação anterior á Lei 10.426/02, conforme se pode verificar dos acórdãos 302- 36.536 e 303-32.906, que possuem a seguinte ementa: "Acórdão n.° 302-36536 3 DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENUNCIA ESPONTÂNEA. A multa por atraso na entrega de DCTF sem fundamento em ato com força de lei não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade, por se tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontanea. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." "Acórdão n.° 303-329006 DCTF 1999. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF vista do disposto na legislação de regência. Devida a multa de mora ainda que a apresentação da declaração tenha se efetivado antes de qualquer procedimento de oficio. Aplica-se retroativamente a lei que atribua penalidade mais benigna, no caso a Lei 10.426/02, o que foi devidamente observado no lançamento. RECURSO NEGADO." d) a multa pelo atraso na entrega da DCTF está prevista no art. 11, do Decreto-Lei 1.968/82, com redação dada pelo art. 10, do Decreto-Lei 2.065/83, dispositivos estes apontados no auto de infração; e) o dispositivo está em consonância com a regra do art. 5°, §3 0, do Decreto- Lei 2.214/84; f) o Superior Tribunal de Justiça já firmou a legalidade da multa pelo atraso na entrega da DCTF, conforme se verifica de decisão por ele exarado no EEARES 507.467/PR; g) ao final, pede provimento. Submetido o Recurso Especial da Fazenda Nacional ao exame de admissibilidade, o Presidente da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes reconheceu a divergência jurisprudencial existente, admitindo-o (fls. 184/185, v. 1). Apesar de cientificada a Recorrida do Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 189, v. 1), permaneceu inerte, não apresentando contrarrazaes. o relatório. 4 Processo n° 13306.000014/98-72 Acórdão n.° 9101-001.384 CSRF-T1 Fl. 3 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso da Fazenda Nacional é tempestivo, e por ter seu seguimento deferido, dele tomo conhecimento. A matéria objeto de apreciação desta Corte diz respeito ao lançamento de oficio para exigir multa pelo atraso na entrega das DCTFs relativas aos períodos de apuração de dezembro de 1994 e de fevereiro a dezembro de 1995. A preliminar de nulidade acolhida pela colenda Terceira Camara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes diz respeito a ausência de correlação entre a descrição dos fatos constantes no auto de infração e o enquadramento legal utilizado pela fiscalização 'para embasar o lançamento. Com efeito, a descrição dos fatos constante no auto de infração possui a seguinte redação: MULTA REGULAMENTAR 1-MULTA RE'NULAMEIVTAR NÃO PASSIVEL DE REDUÇÃO MULTA REGULAMENTAR - DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS. DCTF. O contribuinte deixou de apresentar a DCTF a que estava obrigado em razão do seu faturarnento e/ou do montante de tributos e contribuições sociais devidos mensalmente, em relação aos meses de setembro/93 a dezembro/93, dezembro/94 e fevereiro/95 a, dezembro/95. O enquadramento legal da exação deu-se com base no artigo 11, parágrafos 2°, 3° e 4° do Decreto-lei 1.968/82 com a redação dada pelo art. 10 do Decreto-lei n° 2.065; 11 do Decreto-lei n° 2.287/86; 5° e 6° do Decreto-lei n° 2.323/87; 66 da Lei n° 7.799/89 e 3 0, 1, da Lei n° 8383/91. Para melhor esclarecimento, transcrevo abaixo a redação dos dispositivos legais que embasaram o auto de infração: Art. 11 do Decreto-Lei n.1.968/72, com redação dada pelo art. 10 do Dec.- Lei n. 2.065/83: C\ 5 Art. 11 A pessoa fisica ou jurídica é obrigada a informar 4 Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o imposto de Renda que tenha retido. § 1° - A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. § 2° - Sera aplicada multa de valor equivalente ao de urna ORIN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3° - Se o formulário padronizado (§ 1°) for apresentado após o período determinado, sere, aplicada multa de 10 ORTN ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. §4 0 - Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas cl metade. Art. 11 do Decreto-lei n°2.287 de 23/07/1986: Art. II. As penalidades previstas na legislação tributária, expressas em ORTN, ficam convertidas para cruzados tornando por base a 07N no valor de CZ$106,40 (cento e seis cruzados e quarenta centavos). Arts. 5 0 e 6° do Decreto-lei n° 2.323 de 26/02/1987: I Art. 5°. A partir de 1° de março de 1987, as penalidades previstas na legislação tributária, expressas em cruzados, serão convertidas para número de OTN, tomando-se como base de conversão o valor de CzR$106,40 (cento e seis cruzados e quarenta centavos). Art 61 A base de cálculo do imposto de Renda da Pessoa jurídica set-6 convertido em número de OTN mediante a divisão do valor em cruzados do lucro real, presumido ou arbitrado pelo valor de uma OTN no mês de encerramento do período-base de sua apuração. Art. 66 da Lei n° 7.799 de 10/07/1989: Art. 66. As penalidades previstas na legislação tributária, expressas em cruzados novos, serão convertidas ern B7'N Fiscal. Art. 31 1, da Lei no 8.383,de 1991: Art. 3°. Os valores expressos em cruzeiros na legislação tributaria ficam convertidos em quantidade de UF1R, utilizando- se como divisores: , 1 - o valor de Cr$ 215,6656, se relativos a multas e penalidades de qualquer natureza. I 6 Processo n° 13306.000014/98-72 Acórdão n.° 9101-001.384 Como visto acima, do simples confronto entre a irregularidade fiscal constante descrita na peça fiscal corn os dispositivos legais que fundamentam o lançamento, chega-se à conclusão que o enquadramento legal relata infração que não corresponde à. descrição dos fatos, principalmente porque nenhum deles faz qualquer referência a exigência multa por falta de cumprimento da obrigação acessória de entrega das DCTFs. Com efeito, a descrição dos fatos não tem qualquer referência aos dispositivos legais citados, pois o artigo 11 do Decreto-Lei n° 1.968/72, com redação dada pelo art. 10 do Dec.- Lei n. 2.065/83, tem como finalidade tornar obrigatória a entrega da DIRF — declaração dos pagamentos e do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras — sendo qUe os demais dispositivos relacionados no auto de infração correspondem tão somente aos ajustes da moeda nacional em decorrência dos planos econômicos editados pelo governo, cuja finalidade corresponde it forma de recolhimento dos impostos e demais contribuições, não fazendo sequer uma única referência a tornar obrigatória a entrega da DCTF. Não se pode olvidar que o processo fiscal tem por finalidade primeira, o controle da legalidade dos atos administrativos, que deve ser observado pelo julgador por força mesma do principio da verdade material, na busca da descoberta da existência ou não da hipótese de incidência tributária originária do lançamento. Assim, é de fundamental importância a verificação da motivação da exigência fiscal, se é adequada aos fatos e também à norma que a embasou, para que se possa definir a linha divisória entre a legalidade da exigência e o direito do contribuinte. 0 lançamento, como procedimento administrativo vinculado e obrigatório, é de competência privativa da autoridade administrativa regularmente constituída, devendo este, vincular o fato material da irregularidade fiscal levada a efeito pelo contribuinte, com a norma legal disciplinadora. f O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, no que respeita aos requisitos formais necessários ao procedimento administrativo de constituição do crédito tributário, prevê em seu artigo 10: "Art. JO. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente; I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; - a descrição do fato; IV- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou fim cão e o número de matrícula."" (grifei) CSRF-T1 Fl. 4 7 Os requisitos retrotranscritos também encontram-se inseridos na norma consubstanciada no art. 142 do Código Tributário Nacional e que dão validade jurídica ao lançamento do crédito tributário. A falta de atendimento a essas normas determinam a nulidade do lançamento. No caso, os fatos materialmente ocorridos não se enquadram nas normas invocadas pela Fiscalização, como supostamente violadas, quer dizer, inexistindo sub sunção dos fatos As normas, não procede a violação daquelas normas jurídicas invocadas. 0 ato praticado padecerá de vicio insanável toda vez que o motivo de fato não coincidir com o motivo legal e a conseqüência jurídica dessa falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e das normas ditas como violadas em sua motivação é a nulidade do ato viciado. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional. E como voto. lator 8
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Numero do processo: 10880.913595/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
2002
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo
antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de
cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°,
do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro
Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito
creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO
SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda
Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de
IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo
contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo
contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos
recolhimentos, das retenções do IR-Fonte,
transposição de saldos de um
período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo.
Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento
original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real
regularmente apurado e declarado.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a
preliminar de decadência suscitada de ofício pelo Relator e dar provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro
Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. Recurso voluntário Provido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência suscitada de ofício pelo Relator e dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório MORUMBY HOTEIS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: 1. Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão da Autoridade Administrativa que, por meio do Despacho Decisório EQPIR/PJ (fls. 16/21), reconheceu o direito creditório no valor de R$ 25.002,01 (vinte e cinco mil, dois reais e um centavo) e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. 1.1. O crédito pleiteado, através da PERDCOMP nº 20214.35500.140703.1.2.02715 (fls.1/3), importa em R$ 520.659,84 (quinhentos e vinte mil, seiscentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e quatro centavos) e refere se a saldo negativo do IRPJ a pagar do ano calendário 2002. 1.2. As declarações de compensação, vinculadas ao processo supramencionado, estão relacionadas no referido despacho decisório. 1.3. Após análise dos dados registrados nos sistemas informatizados da RFB, reunindo, dentre outros elementos, as informações contidas nas declarações enviadas pela Manifestante e pelas fontes pagadoras, concluiu a Autoridade Administrativa que o saldo negativo é composto em sua totalidade por IRRF e que apenas parte dos rendimentos correspondentes foi oferecido à tributação, sendo esta a razão da glosa de parte do valor do IRRF compensado na DIPJ do ano calendário 2002. 1.4. Afirmou ainda a Autoridade Administrativa que: É importante ressaltar que nas instruções de preenchimento da DIPJ 2003 (anocalendário 2002), que podem ser observadas a seguir, o valor das receitas financeiras deve ser declarado na Linha 06A /24, o que não foi feito pelo contribuinte (fl.10):. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 3 1.5. Abaixo, reproduzemse os quadros elaborados pela Autoridade Administrativa: a) IRRF confirmado no sistema SIEF/DIRF Código da Receita Rendimento Bruto (R$) IRRF (R$) Tipo de Comprovante Fl. 6800 2.603.302,10 520.659,84 SIEF/DIRF 13 8045 3.210,36 48,14 SIEF/DIRF 13 Total 2.606.512,46 520.707,98 13 b) Cálculo do IRRF proporcional às receitas oferecidas à tributação Declaração em DIRF (fl. 13) DIPJ 2003 ficha 6A (fl. 10) Natureza Rendimento Bruto (R$) IRRF (R$) Rendimento Bruto (R$) Linha Valores IRRF Recalculados (R$) 6800 Investimentos em Renda Fixa 2.603.302,10 520.659,84 124.769,47 24 24.953,87 8045 demais rendimentos 3.210,36 48,14 4.063.551,10 08 48,14 total 25.002,01 c) Recálculo do valor do IRPJ a pagar DIPJ 2003Ficha 12A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real) Item Descrição Valor Recalculado (R$) 01 À alíquota de 15% 0,00 02 À alíquota de 6% 0,00 03 Adicional 0,00 05 () Programa de Alimentação do Trabalhador 0,00 13 () Imposto de Renda na Fonte 25.002,01 16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 0,00 18 Imposto de Renda a Pagar 25.002,01 2. Através do instrumento de fls. 25/54, a Manifestante alega em síntese que: 2.1. as autoridades fiscais reconheceram a existência do IRRF de R$ 520.659,84, bem como localizaram mais uma retenção de R$ 48,14, relativa a um rendimento bruto de R$ 3.210,36, contudo, entenderam que o direito creditório relativo aos IRRF sobre aplicações financeiras estaria limitado a R$ 25.002,01, correspondentes aos rendimentos que teriam sido oferecidos à tributação no montante de R$ 124.769,47; 2.2. até julho de 2002, a Manifestante encontravase em fase de financiamento e construção de seu único empreendimento no Brasil, o Hotel Gran Hyatt São Paulo, caracterizando fase préoperacional, como se pode constatar em seus registros contábeis (Doc. 4 a7); 2.3. todos os valores relacionados à construção desse empreendimento hoteleiro , ou seja, gastos e eventuais ganhos financeiros da aplicação de recursos oriundos do financiamento captado para a construção do hotel, encontramse registrados no ativo diferido, nos termos da legislação comercial e fiscal; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 4 2.4. a existência desse único empreendimento pode ser constatada no site da Manifestante (www.hyatt.com.br), e também em artigos da época (doc 8) que demonstram que a inauguração do Hotel deuse em agosto de 2002; 2.5. parte dos recursos captados para a construção do Hotel, que ainda não haviam sido utilizados, foram aplicados em fundo de investimento em moeda estrangeira, do qual decorrem os rendimentos de aplicação financeira e os correspondentes valores de IRRF que geraram o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002; 2.6. conforme indicado na Ficha 43 da DIPJ 2003 e comprovado através do Informe de Rendimentos Financeiros do Bank Boston (Doc. 09), como bem constatou o item 16 do Despacho Decisório, a Manifestante obteve no ano calendário 2002 um rendimento tributável de R$ 2.603.302,10 e sofreu retenções no valor de R$ 520.659,84; 2.7. observando as normas fiscais, a lei comercial e as regras e os princípios contábeis usualmente aceitos para o registro de despesas e receitas financeiras em fase préoperacional (janeiro a julho de 2002) procedeuse ao reconhecimento contábil das receitas financeiras “casadas” com as despesas financeiras direcionadas ao empreendimento; 2.8. o procedimento contábil e fiscal adotado segue o quanto estabelecido pelos artigos 247 e 248 do RIR/99 e guarda estrita consonância com os atos normativos do Conselho Federal de Contabilidade e pronunciamentos do IBRACON, dentre outros; 2.9. quanto ao período de agosto de 2002 em diante ao contrário do que alegam as d. autoridades fiscais, os rendimentos, no valor de R$ 762.040,55, foram oferecidos à tributação, porém, por equívoco, na Linha 21 (Ganhos Aufer. Mercado Renda Variável, exceto DayTrade), da Ficha 6A, ao invés de fazêlo na Linha 24(“Outras receitas financeiras”), própria para os rendimentos de renda fixa; 2.10. quanto ao valor de R$ 124.769,47, informado na Linha 24, esclarecese que ele se refere à somatória de duas contas do Razão do segundo semestre de 2002 (doc 10): (i) a conta 019421 (Ganho na Troca de Moeda), na qual foram registrados R$ 14.803,27 relativos à variação cambial de certas operações e (ii) a conta 063305 (Var. Monetária Ativa), na qual foram registrados R$ 109.958,20, referentes à atualização de valores de IRRF sobre aplicações financeiras pela SELIC; 2.11. tal equívoco não gerou prejuízo ao Erário vez que o referido rendimento para o período agosto a dezembro de 2002 (fase operacional) não deixou de ser informado e tributado; 2.12. um simples erro formal não pode prevalecer em relação à realidade dos fatos, posto que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade material; 2.13. portanto, independentemente, do direito da Manifestante ao crédito de IRRF relativo ao período de janeiro a julho de 2002 (fase préoperacional), resta claro o equivoco das autoridades administrativas ao limitarem o direito creditório a apenas R$ 25.002,01; 2.14. a Manifestante faz jus, no mínimo, a R$ 152.408,15 (20% de R$ 762.040,55) e não apenas a R$ 25.002,01; 2.15. neste ponto, a Manifestante junta demonstrativo dos rendimentos auferidos, mês a mês, e correspondentes IRRF, conforme comprovante fornecido pelo Bank Boston, discriminando os totais de acordo com as fases préoperacional e operacional, e conclui que o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2002 corresponde a pelo menos R$ 152.408,15; 2.16. a aplicação do art. 837 do RIR/99 é totalmente cabível para as empresas que estão em fase operacional mas não para o período préoperacional; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 5 2.17. nos termos do artigos 247, §1º, e 248 do Decreto 3.000/99. a legislação consagra que a determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro contábil; 2.18. a escrituração comercial, que suporta o cálculo fiscal deve, nos termos do art. 177 da Lei 6.404/76, ser necessariamente elaborada com a obediência dos princípios contábeis geralmente aceitos, os quais, muitas vezes são formalizados através de normativos do Conselho Federal de Contabilidade, de pronunciamentos do IBRACON, entre outros; 2.19. extraise ainda do art. 177 que o regime da competência é o balizador do lucro contábil, cabendo computar as receitas auferidas e as despesas incorridas no período, independentemente, de sua realização em moeda (transcreve o item 4.3, PNCST nº 58/77); 2.20 corolário do Regime da Competência é o Princípio do Confronto das Despesas e Receitas; 2.21. o critério contábil para despesas préoperacionais e suas eventuais receitas co relacionadas são encontradas no art. 179, da Lei 6.404/76 (transcreve o inciso V, na redação original e na dada pela Lei 11.638/07) 2.22. a NBC T 10.6 (aprovada pela Resolução CFC nº 956/03), trata dos aspectos contábeis específicos de entidades hoteleiras, afirmando e reforçando que se aplicam a elas as Normas Brasileiras de Contabilidade, os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem como suas interpretações e comunicados técnicos, editados pelo CFC, e os pareceres de orientação de outros órgãos; 2.23. assim, deve ser registrada na conta de ativo diferido, toda e qualquer despesa ou receita incorrida/auferida no período préoperacional (transcreve textos da NPC nº VIII, do IBRACON, e do PNSCT nº 364/71); 2.24. com base no princípio da confrontação das despesas e das receitas (art. 177 da Lei das SA) não cabe separar as despesas financeiras das correspondentes receitas financeiras, de forma a alocar seus impactos contábeis e /ou tributários em períodos distintos; 2.25. tal procedimento levaria a uma situação em que as despesas préoperacionais seriam amortizadas em períodos subseqüentes aos períodos em que receitas correspondentes comporiam resultado, contrariando a lei comercial (Lei das SA) consagrado pela legislação tributária( artigos 247 e 248 do RIR/99); 2.26. nos termos da Portaria MF 475/78, que estabeleceu normas de correção monetária para empreendimentos em fase de préoperação, na particular hipótese de a empresa apurar receita financeira em montante superior à despesa financeira (saldo credor de resultado financeiro), referido saldo credor não poderia ser lançado em ativo diferido, mas em conta de resultado; 2.27. tal previsão, no entanto, desrespeitou o princípio da confrontação de despesas e receitas (regime de competência); 2.28 através do Comunicado Técnico nº 01/89, de 20/01/89, o IBRACON expediu orientação no sentido de que os procedimentos contábeis e fiscais contidos na referida portaria poderiam ocasionar uma distorção no resultado, pela nãoobservância do princípio contábil de confrontação das receitas e despesas; 2.29. em momento posterior, a legislação fiscal, através da IN nº 54/88, modificou os procedimentos, determinando que eventual saldo credor de resultado financeiro deve absorver as despesas de organização incorridas no exercício e que eventual excesso corresponderá a lucro líquido do exercício, que poderá ser diferido em sua totalidade. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 6 2.30 independentemente das disposições da Portaria 475/78, a situação fática era de saldo devedor de resultados financeiros na fase préoperacional (apresenta demonstrativo e transcreve texto do Parecer de Orientação da CVM, nº 17 de 15/02/89); 2.31.apesar de a IN 54/88 ter sido formalmente revogada pelo Anexo da IN SRF nº 79/00, tal revogação se deu em razão da revogação da correção monetária (pela eficácia do art. 4º da Lei 9.149/95); 2.32. dessa forma, não há que se alegar que com a revogação da IN 54/88, poderse ia desconsiderar por completo o princípio contábil da confrontação das receitas e despesas previsto na lei comercial (art. 177, da Lei das SA) e na lei tributária (art. 273, 247, § 1º, e 248 do RIR/99); 2.33. transcreve decisões do Conselho de Contribuintes e de DRJ; 2.34. a decisão ora impugnada confronta inclusive manifestação da própria SRRF da 8ª Região Fiscal, no processo de consulta nº 86/99, que em situação um pouco distinta, mas análoga a esta, entendeu que as receitas auferidas antes do início da operação podem ser deduzidas das despesas préoperacionais; 2.35. as receitas auferidas na fase préoperacional não devem refletir no resultado da empresa durante esse período, justamente porque as receitas e despesas desta fase, devidamente alocadas no ativo diferido, só contribuirão para a formação do resultado da empresa a partir do momento em que for iniciada suas operações; 2.36. o procedimento adotado observou inclusive as orientações constantes da Pergunta nº 202 do Livro de Perguntas e Respostas –Pessoa Jurídica /2000, que tem a finalidade de subsidiar os contribuintes na interpretação da legislação tributária e uniformizar o entendimento fiscal relativo a diversas matérias; 2.37. quanto ao tratamento fiscal do IRRF sobre receitas financeiras durante a fase préoperacional, a contabilização deve ser sempre registrada como um crédito em conta de ativo, independentemente, de a empresa estar ou não em fase préoperacional e de a retenção ter acontecido no momento da liquidação da operação ou em momento anterior; 2.38. a empresa em atividade operacional registraria: (i) dois lançamentos a débito em contas de ativo: um relativo ao valor líquido recebido em caixa e outro relativo ao IRRF em conta de ativo denominada de crédito tributário, e (ii) como contrapartida, um lançamento a crédito no resultado em conta de receita financeira; 2.39. diferentemente, a empresa, em fase pré operacional, registraria a contrapartida em conta redutora de ativo diferido; 2.40. há situações em que a retenção do IRRF não é simultânea ao registro do auferimento do rendimento, em razão do regime de competência, o que poderia induzir ao entendimento equivocado de que o IRRF só seria compensável se o respectivo rendimento financeiro estivesse formalmente informado no resultado contábil e fiscal da DIPJ do período de retenção, todavia, segundo o regime de competência a empresa investidora se vê obrigada a contabilizar os rendimentos gerados em cada período de apuração (exemplifica através de caso hipotético de aplicação em CDB); 2.41. situação oposta é a vivenciada pela Manifestante, quando em fase pré operacional, uma vez que o investimento aplicado gerou retenção de IRRF, em tese, em momento anterior ao qual o rendimento seria formalmente transferido para o resultado contábil e fiscal, 2.42. tal situação se deu porque o rendimento financeiro foi contabilizado em conta de ativo diferido, sendo lançado ao resultado contábil e fiscal apenas no momento da amortização de tal Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 7 conta, enquanto que o IRRF correspondente foi registrado inicialmente em conta de ativo, porém, podendo ser utilizado para apuração do saldo negativo do IRPJ do período de sua própria retenção, por representar, indiscutivelmente, um crédito do contribuinte passível de compensação; 2.43. na prática, porém, as receitas financeiras foram absorvidas neutralizadas (em conta de ativo diferido) no próprio período das efetivas retenções, significando que as receitas financeiras foram tributadas , nesses períodos, eis que tanto essas receitas como as respectivas despesas financeiras que as neutralizaram não afetaram mais o resultado contábil e fiscal, não havendo motivo para esperar a amortização de um valor neutro do ativo diferido, para compensar o IRRF; 3. Do exposto requer seja acolhida a manifestação de Inconformidade e julgada procedente para reconhecer em sua totalidade o crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendários 2002 e homologar integralmente as compensações feitas pela Manifestante. A decisão recorrida está assim ementada: IRPJ. PERDCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ RESULTANTE DA DA COMPENSAÇÃO DO IRRF COM IRPJ DEVIDO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE. RENDIMENTOS COMPUTADOS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. O saldo negativo de IRPJ, quando resultante da compensação de IRRF com o IRPJ devido, em 31 de dezembro do ano calendário, tem como pressuposto de validade o fato de os rendimentos correspondentes às retenções na fonte terem sido computados na determinação do lucro real. RECEITAS FINANCEIRAS NÃO SUJEITAS A RETENÇÕES NA FONTE NÃO VALIDAM A COMPENSAÇÃO DE VALORES DE IRRF COM O IRPJ DEVIDO. As receitas financeiras, computadas no lucro real, que não estão sujeitas a retenções na fonte, não se prestam para validar a compensação de quaisquer valores de IRRF com o IRPJ devido. FASE PRÉOPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas e despesas financeiras compõem o lucro real do período em que forem, respectivamente, auferidas ou incorridas, enquanto que as despesas préoperacionais podem integrar o ativo diferido da empresa, para futura amortização. Manifestação de inconformidade procedente em Parte. A turma julgadora reconheceu parte do pleito do contribuinte pelos seguintes fundamentos (verbis): 5.27. Comparando esses dados com as informações prestadas na DIPJ 2003/2002 (fls. 10/12), verificase que os rendimentos de R$ 1.841.261,35 e R$ 3.210,36 não foram oferecidos à tributação (fase pré operacional), razão pela qual os IRRF nos montantes de R$ 368.251,87 e R$ 48,10 não podem ser compensados com o IRPJ devido em 31/12/2002. 5.28. Por outro lado, a observação da Ficha 06 A, da DIPJ, 2003/2002 (fl. 10), demonstra que, de fato, a Manifestante cometeu equívoco ao informar os rendimentos de R$ 762.040,55, relativos a aplicações em renda fixa (código 6800), na Linha 21, reservada aos ganhos auferidos no mercado de renda variável, exceto DayTrade, ao invés de fazêlo na Linha 24. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 8 5.29. Dessa forma, há que se considerar compensável com o IRPJ devido, o IRRF correspondente, no valor de R$ 152.407,97. 5.30. Por outro lado, o valor de R$ 124.769,47, informado na Linha 24 (Ficha 06A), conforme informado pela Manifestante, corresponde a variações monetárias e cambiais e que, portanto, não sofrem retenção na fonte. Assim, referido valor não se presta para validar a compensação de qualquer IRRF com o IRPJ devido. 5.31. Assim, considerando que a Manifestante não apurou IRPJ devido (base de cálculo negativa) e que o IRRF, comprovadamente compensável, importa em R$ 152.407,97, concluise que o saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2002, também importa em R$ 152.407,97. 5.32. Portanto, o direito creditório a ser reconhecido no presente julgamento monta em R$ 127.405,96 (152.402,97 – 25.002,01), dado que o valor de R$ 25.002,01 já havia sido reconhecido na decisão impugnada. 6. CONCLUSÃO 6.1. Do exposto, voto pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 127.405,96 (cento e vinte e sete mil, quatrocentos e cinco reais e noventa e seis Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: “(...) 45. Diante de todo o exposto, a Recorrente acredita ter comprovado que o entendimento exarado no v. Acórdão ora recorrido não procede, devendo, então, este ser reformado de forma que o saldo negativo do IRPJ constituído pelos valores de IRRF de aplicações financeiras durante a fase préoperacional seja integralmente reconhecido e, conseqüentemente, sejam homologadas a totalidade das compensações efetuadas pela Recorrente relacionadas a este processo. IV. PEDIDO Por todo o exposto, restando totalmente comprovada a insubsistência dos argumentos que norteiam o v. Acórdão da DRJ/SPOI, requer a Recorrente seja acolhido e julgado inteiramente procedente o presente Recurso Voluntário, para reconhecer a integralidade do crédito de saldo negativo de IRPJ apurado entre janeiro e julho de 2002, homologando, por consequência, as compensações feitas pela Recorrente. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, remanesce em litígio a parcela do Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, oriundo do aproveitamento do IRFonte sobre receitas financeiras que foram objeto de diferimento pelo contribuinte para o ano de 2003, juntamente com as despesas préoperacionais. Fato esse também inconteste nos autos. O entendimento deste colegiado vem sendo no sentido de que essas receitas devem ser tributadas pelo regime de competência, ainda que a empresa esteja em fase pré operacional, justamente por se tratarem de receitas não operacionais. Aliás, nesse sentido também são as orientações da Receita Federal, a exemplo da seguinte solução de consulta da própria Superintendência no Rio de Janeiro: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 7ª REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 94 de 22 de março de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: RECEITAS FINANCEIRAS RECONHECIMENTO DE RECEITAS E DESPESAS PELAS EMPRESAS EM FASE PRÉOPERACIONAL. As receitas e despesas financeiras de tais pessoas jurídicas devem compor o resultado tributável do período em que incorridas, sem a possibilidade de confrontação com as despesas préoperacionais do mesmo período, que se integram ao ativo diferido para posterior amortização. O disposto na IN 54 de 1988, que cuidava da apuração, tratamento e respectivo diferimento aplicáveis ao lucro inflacionário das empresas em fase préoperacional, perdeu a eficácia com a extinção da correção monetária do balanço. Outrossim, verifico nos autos que a revisão fiscal foi realizada apenas em 09/05/2008 (fl. 21), sendo que o pleito foi interposto em julho/2003 (DCOMP a fl. 1), sendo que o contribuinte não retificou sua DIPJ/2003 (anocalendário 2002), que foi apresentada no prazo (extrato a fl. 5). Ora, o contribuinte poderia pleitear essa restituição desde jan/2003, ou seja, após ajuste anual do AC 2002. A fiscalização auditou a apuração do lucro real do contribuinte do ano calendário de 2002, concluindo que as receitas financeiras não foram oferecidas a tributação em sua totalidade , isso em 2008. Todavia, em maio/2009, a fiscalização não mais poderia verificar a apuração do lucro real do anocalendário de 2002. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 10 É certo que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. Porem, Não pode haver auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Portanto, em maio/2008 a administração tributaria somente poderia verificar a efetividade das retenções em fonte, bem como os recolhimentos por estimativas daquele período (anocalendário 2002). Cumpre aqui registrar o entendimento majoritário deste Colegiado quanto a matéria, expresso dentre outros no acórdão 140200.454, de 25/02/2011, cuja ementa elucida: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Em verdade, ao glosar o IRFonte sob a alegação de que os rendimentos não foram tributados em 2002, a fiscalização pretende, por via indireta, revisar a apuração do lucro real e do IRPJ devido daquele anocalendário , o repito não poderia ter sido feito em 2008. Portanto, cumpre reconhecer o direito creditório do contribuinte em sua integralidade, cabendo à unidade de origem glosar eventuais compensações posteriores com o SNRIRPJ/AC2002, caso verifique excessos no aproveitamento do crédito, bem com eventual aproveitamento em duplicidade desse mesmo IRFonte no ano de 2003 quanto as receitas teriaam sido tributadas. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, reconhecendo integralmente o direito tributário originalmente pleiteado, para homologar as compensações até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10880.913595/200654 Acórdão n.º 140201.014 S1C4T2 Fl. 0 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10380.003486/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DCOMP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Nos casos em que a Dcomp não constitua confissão de dívida ou seja
considerada não declarada, correta a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a norma, nos moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.854
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos casos em que a Dcomp não constitua confissão de dívida ou seja considerada não declarada, correta a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a norma, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 131 2 Relatório CEARÁ GOVERNO DO ESTADO, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 108/126, contra o acórdão nº 0813.557, de 26/06/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE, fls. 90/102, que julgou procedente o auto de infração de Pasep de fls. 02/05, relativo à falta de recolhimento da contribuição, referente a períodos compreendidos entre abril de 2003 a setembro de 2005, cuja ciência ocorreu em 06/03/2008 (fl. 65), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Trata o presente processo de lançamento da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público — Pasep, relativa aos fatos geradores de abril/03 a setembro/03, outubro/04 a dezembro/04 e janeiro/05 a setembro/05, em virtude da não homologação de Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte em 2003, 2004 e 2005. Através do processo n° 10380.003567/200315 o contribuinte solicitou a restituição de créditos relativos à contribuição para o Pasep dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1992 a fevereiro de 1996, por terem sido estas contribuições recolhidas a maior do que o efetivamente devido considerando a inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2445 e 2449, de 1988, e a jurisprudência administrativa e judicial que propugna a tese da semestralidade da base de cálculo e não incidência da correção monetária. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (CE), ao apreciar o pleito, decidiu pelo indeferimento do pedido, porquanto os recolhimentos do PIS/PASEP (períodos de apuração janeiro de 1992 a fevereiro de 1996) tinham sido atingidos pela decadência, a contar de cinco anos da data dos pagamentos supostamente efetuados a maior, dado que a solicitação só foi protocolizada em 2003. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE ao apreciar a manifestação de inconformidade interposta nos autos do processo n° 10380.003567/200315 decidiu pelo indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão DRJ/FOR n° 5.771, de 25/02/2005. Em 13/03/2006, o contribuinte foi cientificado da decisão, proferida pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, mediante o Acórdão n° 202 16.580, que negou provimento ao recurso voluntário por ele apresentado. Em 22/01/2007, o contribuinte foi cientificado, nos termos do Despacho n° 2002659, do 2° CC, da decisão que negou seguimento ao Recurso Especial por ele interposto. Em virtude do indeferimento acima relatado foi efetivado o presente lançamento de oficio, dada a nãohomologação das Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 132 3 Declarações de Compensação apresentadas para o Pasep do período de abril/03 a setembro/03, outubro/04 a dezembro/04 e janeiro/05 a setembro/05, as quais requeriam a compensação dos débitos com a restituição solicitada através do processo n° 10380.003567/200315. Cientificado do auto de infração aos 06/03/2008 (AR, fls. 66), o contribuinte apresentou impugnação em 04/04/2008 (fls. 69/86), alegando, em síntese, que: O Estado do Ceará postulou, perante a Receita Federal, a restituição da quantia paga indevidamente a título de PASEP, no total de R$ 26.374.398,96 (vinte seis milhões, trezentos e setenta e quatro mil, trezentos e noventa e oito reais e noventa e seis centavos), processo administrativo n° 10380003.567/200315. A referida solicitação estadual se fundamentou no fato de terem sido considerados, pelo Supremo Tribunal Federal, inconstitucionais os DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88, assim como na suspensão da execução de ambos os éditos pelo Senado Federal, através da Resolução n° 49/95. Também se formulou, incidentalmente, pedidos de compensação de créditos relativos ao processo administrativo em destaque, para quitação de débitos de PASEP pertinente aos períodos de apuração ora lançados. No entanto, a Autoridade Administrativa indeferiu o pedido de restituição em questão, e, conseqüentemente, não homologou a compensação, alegando, em síntese, que o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário. Lavrouse, então, o auto de infração ora impugnado, em razão do não recolhimento dos valores a título de PASEP pertinente a períodos de apuração de 2003, 2004 e 2005 tendo em vista as compensações nãohomologadas ou ‘consideradas não declaradas’ pela Receita Federal. Assim, a discussão se balizará na possibilidade de compensação desses valores, diante da legislação vigente, bem como dos Tribunais Superiores. Em verdade, não há de prosperar o posicionamento fazendário, uma vez que, malgrado haja algum dissenso doutrinário, o STJ tem entendido que o prazo para recuperação (restituição/compensação) do presente indébito tributário termina por ser de 10 anos (5 + 5). Sabese que a fórmula para o cálculo do prazo de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação não se coaduna com o entendimento expressado nos atos que indeferiram a compensação, com a respectiva lavratura do auto de infração ora impugnado. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 133 4 Na hipótese de lançamento por homologação, que é o nosso caso, o contribuinte paga, antecipadamente, o tributo, abrindo se o prazo de cinco anos para que a homologação se concretize expressamente, ou então de maneira tácita. Somente após essa homologação é que se pode falar em início do prazo para a efetiva extinção do crédito tributário. Assim, apropriandose da fundamentação de que o prazo decadencial nos termos do art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional para restituição/compensação do indébito tributário é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, não há de prevalecer outro posicionamento senão aquele que determina como dia do começo, o dia em que ocorrer a homologação do tributo, seja ela expressa ou tácita, que é quando ocorre a efetiva extinção do crédito. ‘No que concerne à repetição do indébito, o prazo de cinco anos, para pleitear a restituição, somente tem início a contar do término do prazo para homologação expressa ou tácita. Portanto, o prazo para a repetição do indébito, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de dez anos, a contar da ocorrência dos fatos geradores.’ Os pagamentos feitos a maior foram realizados no período de janeiro de 1992 a fevereiro de 1996. Assim, quando protocolado o pleito de restituição na via administrativa, em abril de 2003, não havia decorrido, ainda, o prazo de dez anos da ocorrência do fato gerador, sendo equivocada a decisão administrativa em sentido contrário. No caso em tela, ocorreu a homologação tácita dos valores pagos a título de PASEP, porquanto não ter havido, no prazo de cinco anos contados do pagamento, qualquer ato administrativo que expressasse o intuito fazendário em analisar a regularidade do recolhimento antecipado dos tributos devidos. Logo, restou homologado o lançamento, com a respectiva extinção do crédito tributário, somente ao final da fluência do prazo de cinco anos, tudo de acordo com a legislação pertinente (§ 40 do art. 150 do CTN). Homologase, portanto, por ato da Autoridade ou atividade do contribuinte, ainda que sob condição resolutória de posterior confirmação ou não, total ou parcial, pela autoridade. Essa confirmação é que se pode dar de forma expressa ou de forma tácita. Antes de tal fato, não há de se falar em extinção do crédito tributário, nem poderia haver, propriamente, extinção do mesmo, não incidindo, nem podendo incidir a prescrição descrita no inciso I, do art. 168, do CTN, até porque esse entendimento não se coadunaria com os demais dispositivos desse código. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 134 5 Não é outro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça quando já decidiu sobre a matéria, conforme ementas transcritas às fls. 78/80. A tese defendida pelos Conselhos de Contribuintes de que o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da declaração de inconstitucionalidade é equivocada diante da posição adotada pelo STJ. Vejase que o STJ não mais considera a declaração de inconstitucionalidade relevante para fins de contagem do prazo para pleitear a restituição de tributos, conforme ementa transcrita às fls. 80/81. ‘Não se desconhecem, por óbvio, os arts. 3° e 4° da LC 118/2005. No entanto, há de ponderarse que a norma contida no artigo 3° é inaplicável ao presente caso, uma vez que o pedido administrativo de restituição é bastante anterior à vigência desse preceptivo. O STJ, a propósito, descarta a aplicação desse dispositivo quando o pedido administrativo houver sido aviado em data anterior à vigência da LC n° 118/2005 .’ Por fim, reiterase, então, a possibilidade de se postular a restituição dos valores devidos nesses dez últimos anos (a contar da data do protocolo de pleito administrativo), uma vez que é direito do contribuinte ter de volta ao seu patrimônio as quantias pagas indevidamente ao Fisco, não se tendo operado a prescrição ou a decadência do direito de postular sua restituição/compensação. Em conseqüência do que foi exposto acima, ou seja, da regularidade do pedido de restituição e das compensações, inexiste débito a ser saldado pelo Estado do Ceará, o que implica a anulação do auto de infração. Todavia, caso não sejam acatados os argumentos acima, pugna se, pelo menos, pela redução da multa aplicada. Sucede que, no caso, temse apenas (suposto) inadimplemento do tributo, sem qualquer fraude ou sonegação de informações. Assim, é totalmente desarrazoada a multa aplicada ao caso, que assume caráter confiscatório, violando os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco, sendo este explícito na Constituição Federal. A jurisprudência do STF é pacífica em censurar as multas que extrapolem os limites da razoabilidade, conforme julgados citados às fls. 83/86. Sendo assim, ainda que mantida a cobrança do tributo, há de ser reduzida a multa moratória aplicada, que deve acomodarse ao limite de 20%, adotado consensualmente pela jurisprudência, por ser adequado. A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 135 6 Anocalendário: 2003, 2004, 2005 RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, inciso I e 168, inciso I do CTN, c/c o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Não poderão ser objeto de compensação, mediante entrega, pelo sujeito passivo, de PER/DCOMP, o valor objeto de pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. As compensações consideradas como não declaradas, nos termos do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, deverão ter os débitos nelas informados constituídos através de lançamento de oficio, mormente quando o sujeito passivo não teve reconhecido junto às instâncias administrativas o direito ao crédito pleiteado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Lançamento Procedente Irresignada, em 24/10/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 108/126, no qual reitera seus argumentos anteriormente apresentados. Por fim, requer a anulação do auto de infração. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 136 7 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme anteriormente relatado, por meio do processo nº 10380.003567/200315, a interessada solicitou a restituição de créditos relativos à contribuição para o Pasep dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1992 a fevereiro de 1996. Tendo em vista que o pedido foi protocolizado em 2003, a DRF e a DRJ indeferiram a reivindicação, por considerar extinto o direito de pleitear eventual indébito. Em 13/03/2006, a contribuinte tomou ciência do acórdão n° 202 16.580 prolatado pelo então Segundo Conselho de Contribuintes, o qual negou provimento ao recurso voluntário. Em 22/01/2007, por meio do Despacho n° 2002659, do 2° CC, a interessada foi cientificada da decisão que negara seguimento ao Recurso Especial por ela interposto, caracterizandose decisão final no âmbito administrativo. Na sequência, conforme bem relatou a instância a quo, em virtude do indeferimento acima relatado foi efetivado o presente lançamento de oficio, dada a não homologação das Declarações de Compensação apresentadas para o Pasep do período de abril/03 a setembro/03, outubro/04 a dezembro/04 e janeiro/05 a setembro/05, as quais requeriam a compensação dos débitos com a restituição solicitada através do precitado processo n° 10380.003567/200315. Por outro lado, em seu recurso a contribuinte reafirma ter direito ao crédito postulado, sendo, portanto, indevido o presente lançamento. De se registrar que o alegado direito ao crédito já foi devidamente analisado no âmbito do processo nº 10380.003567/2003 15, com decisão definitiva na esfera administrativa, não cabendo, portanto, a apreciação de tal matéria por este colegiado. Quanto ao lançamento, assim registra o auto de infração à fl. 03: Em despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo 10380003.567/200315 (fotocópia anexa), foi determinada a constituição do crédito tributário, por meio de lançamento exofício, dos valores dos débitos informados nas Declarações de Compensação transmitidas pelo contribuinte, antes de 31/10/2003 e depois de 29/10/2004, haja vista que não se configuram como confissão de dívida. [...] De fato, o art. 17 da MP 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03), introduziu o § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, alterando a característica da declaração de compensação, a qual passou à condição de confissão de dívida. Assim, as Dcomp apresentadas antes dessa data e não homologadas, devem ser objeto de lançamento de Fl. 138DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.003486/200820 Acórdão n.º 3301000.854 S3C3T1 Fl. 137 8 ofício. No mesmo passo, tendo em vista que a interessada foi cientificada do indeferimento do pedido de restituição em 04/10/2004, com supedâneo no art. 74, § 3°, VI, e § 12, I, da Lei n° 9.430/96, devem ser consideradas como não declaradas as compensações apresentadas a partir da ciência do referido indeferimento. Destarte, correto o procedimento da fiscalização em efetuar o lançamento com a devida multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos casos de Dcomp consideradas não declaradas, por tratarse de atividade vinculada e obrigatória, inclusive sob pena de responsabilidade funcional, tal como disposto no artigo 142, parágrafo único, do CTN. Quanto à afirmativa da recorrente de a multa ferir os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco, é de se esclarecer que os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, devendo este observálos no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, no que tange ao percentual da multa de ofício, os princípios constitucionais precitados dirigemse à instituição de tributos e não à de penalidades, cuja natureza e finalidade são diversas. De se registrar a impossibilidade de redução da multa aplicada para o percentual de 20%, por ausência de previsão legal. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 139DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 16327.001728/2004-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ E OUTROS - LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR - ALIENAÇÃO
DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOS-CALENDÁRIO 1999 e 2000
A alienação de participação societária em controlada no
exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação.
Numero da decisão: 9101-001.303
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Interessado FAZENDA NACIONAL IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOSCALENDÁRIO 1999 e 2000 A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 10517.205, da então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ e CSLL, em razão da falta de adição ao lucro líquido dos anoscalendário de 1999 e 2000, dos lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais ou controladas. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 13/12/2004. Segundo o relatado no acórdão recorrido, a autuada transferiu suas ações da “Itapar Europa”, localizada em Portugal para outras duas pessoas jurídicas, o que, segundo a fiscalização, nos termos da Lei nº 9.532/97 (artigo 1º, § 1º, item 4), caracteriza disponibilização de lucros. Ainda, a fiscalização esclarece que a Convenção entre Brasil e Portugal, destinada a evitar a dupla tributação, não se aplica aos lucros auferidos por empresas controladas “offshore”, constituídas na Ilha da Madeira. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que o julgou procedente. Interposto Recurso Voluntário, o acórdão da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, conforme decisão assim ementada: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1999 Ementa: LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO Transferência de ações da controlada que refletem os lucros acumulados configuram hipótese de disponibilização de lucros conforme item 4, alínea b, §2°, artigo 1°, da Lei n° 9.532/97. TRATADO INTERNACIONAL Tratado que impede a bitributação não impede a tributação dos lucros no país da controlada. Sistema permite a compensação de tributo pago no exterior. O contribuinte apresentou Recurso Especial, argumentando, em suma, inexistência de disponibilização dos lucros da coligada, já que apenas houve a permuta ou alienação de quotas, operação que não ensejou a apuração de lucro. Ainda, alega que nunca houve deliberação pela controlada da distribuição ou outra forma de disponibilização de lucros. Em despacho de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial do contribuinte, tendo a Fazenda apresentado suas contrarrazões às fls. 384/390. É o relatório. Voto Conselheiro Karem Jureidini Dias, Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 3 3 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. O Recurso Especial do contribuinte requer a reforma do acórdão recorrido, sob o fundamento de que a permuta de quotas não configura disponibilização de lucros, nos termos da Lei nº 9.532/97. Sobre a permuta de quotas, entendeu o acórdão recorrido que com a transferência de suas ações da Itapar Europa a outras sociedades, há utilização de lucros da coligada, pois o valor das ações se reflete no valor do patrimônio líquido, do qual fazem parte os lucros acumulados. Assim, seria aplicável ao caso o artigo 1º, § 2º, alínea ‘b’, item 4, da Lei nº 9.532/97: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Segundo a Recorrente, a Lei nº 9.532/97 elencou exaustivamente as hipóteses em que os lucros se considerariam disponibilizados, não incluindo nestas a hipótese de alienação de participação societária. Argumenta, ainda, que a previsão expressa trazida pela IN nº 38/96, em seu artigo 2º, § 9º foi revogada tacitamente pela Lei nº 9.532/97. Para tanto, cita por paradigma o acórdão nº 10322.330, que versa sobre o tema e decidiu por prover o recurso do contribuinte, cuja ementa ora reproduzo: IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOCALENDÁRIO 1999 A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. O contribuinte, em sede de Recurso Especial, abandona o argumento relativo à isenção da tributação do lucro em face do Tratado Brasil e Portugal, razão pela qual a matéria que se aborda, in casu, é exclusivamente a do emprego do valor. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 4 4 A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, menciona que a transferência das ações de controladas com lucros acumulados (e não tributados) corresponde a uma espécie do gênero “emprego do valor dos lucros auferidos no exterior”. Cita jurisprudência e acrescenta que a disponibilização de lucros pelas controladas depende precipuamente da vontade da recorrente, bem como que o valor patrimonial das ações é determinado de acordo com o montante do patrimônio líquido, do qual fazem parte os lucros acumulados. No que tange às alegações da d. Procuradoria sobre o tratado internacional, deixo de apreciálas, pois tal não foi objeto de recurso pelo contribuinte. Feitas essas considerações, passo ao histórico da legislação. Com efeito, até a vigência da Lei n° 9.249, editada em 26 de dezembro de 1995, vigorava no Brasil o princípio da territorialidade, segundo o qual, apenas os rendimentos que mantivessem elemento de conexão com o território detentor da pretensão tributária poderiam ser submetidos à tributação. Isto implicava, no campo pragmático, na impossibilidade de incidência de qualquer espécie tributária sobre rendimentos não produzidos no Brasil. A partir de dezembro de 1995, contudo, o cenário legislativo foi substancialmente alterado pela introdução da referida lei. Desse momento em diante, passouse a tolerar a tributação sobre rendimentos não produzidos no Brasil, adotandose, pois, o princípio da universalidade. Vejase, a propósito, a redação conferida ao artigo 25 da Lei n° 9.249/1995: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano." Na esteira da Lei n° 9.249/1995, a Secretaria da Receita Federal publicou a Instrução Normativa n° 38/1996, que, para dar cumprimento às novas regras trazidas na referida Lei, acabou por inovar em alguns aspectos, especialmente no que se refere ao momento para reconhecimento das receitas auferidas no exterior. De fato, aludida Instrução Normativa criou verdadeiro diferimento da tributação dos lucros das sociedades estrangeiras, determinando sua disponibilização não mais no fechamento do balanço de cada ano, conforme previsto pela Lei n° 9.249/1995, mas, apenas, quando efetivamente pagos ou creditados para a empresa controladora. A Instrução Normativa n° 38/1996 trouxe, ainda, outras hipóteses que caracterizariam a realização do lucro auferido por sociedade estrangeira controlada, dentre as quais, a alienação do patrimônio pela empresa brasileira (artigo 2°, §9°), cerne da discussão trazida à baila nesta ocasião. Posteriormente à edição do diploma normativo referido acima, foi publicada a Lei n° 9.532/1997, cujo artigo 1° trata novamente e de forma integral da regulamentação da tributação do lucro auferido no exterior, revogando tacitamente as disposições divergentes veiculadas na Instrução Normativa n° 38/1996. A Lei nº 9.532/97 estabeleceu que o momento para adição, ao lucro líquido, dos resultados positivos, auferidos por empresa estrangeira, seria no fechamento do balanço do ano em que pago ou creditado tais valores à sociedade brasileira. Não repetiu, todavia, a hipótese de alienação do patrimônio da empresa controlada como momento para realização dos lucros ainda não distribuídos. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 5 5 Outra coisa bem diversa da alienação do patrimônio, a meu ver, é a hipótese prevista no artigo 1º, § 2º, alínea ‘b’, item 4, da Lei nº 9.532/97: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Nova modificação, contudo, veio a atingir o sistema normativo em agosto de 2001. No rastro da alteração promovida pela Lei Complementar n° 104/2001, a qual, dentre outras inovações, inseriu o § 2° ao artigo 43 do Código Tributário Nacional, o Poder Executivo editou a Medida Provisória n° 2.15835/2001, cujo artigo 74 trouxe a seguinte redação: "Art. 74 Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. A bem da verdade, referido dispositivo legal praticamente reproduziu redação conferida ao artigo 25 da Lei n° 9.249/95, dispondo que o lucro auferido por empresa controlada, coligada, filial ou sucursal no exterior será considerado como disponibilizado no momento do fechamento do balanço em que tiverem sido apurados. Mais ainda, determinou que os lucros apurados até 31.12.2001 ainda não distribuídos, assim deveriam ser considerados ao final de 2002. Dado este panorama geral do histórico legislativo da matéria, assim como já me manifestei no processo nº 13603.002794/200350, ocasião em que restei vencida no Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 6 6 entendimento, tenho por claro que o emprego do valor, prescrito na Lei nº 9.532/97, não se confunde com alienação, hipótese prevista na IN 38/96. Considerando que os fatos geradores correspondem aos anoscalendário de 1999 e 2000, não há que se falar na aplicação do disposto na IN nº 38/96, que vigorou para regulamentar a Lei nº 9.249/95, à época já alterada pelas disposições da Lei nº 9.532/97, então vigente. Conforme esclarecido pelo histórico legislativo traçado anteriormente, a Instrução Normativa nº 38/96 diferiu a tributação no Brasil dos lucros auferidos por empresas estrangeiras. Evidente, portanto, que o disposto na mencionada Instrução Normativa referese à Lei que visou regular, melhor dizendo, criando uma verdadeira presunção para a determinação do momento, diferido pela própria IN, em que segundo a Lei nº 9.249/95 deveria ser efetivada a tributação em bases universais. Nessa toada, diferiu a tributação para o momento em que, presumivelmente, haveria a disponibilização do lucro e estabeleceu que esta se verificaria, dentre outras hipóteses, no emprego do valor. Entretanto, a partir do ano de 1998, com a veiculação da Lei n° 9.532/97, as novas regras introduzidas no sistema é que vigoram para o deslinde da controvérsia, especificamente no tocante ao reconhecimento da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Nessa medida, o que importa é tratar do emprego do valor como fato gerador para tributação do lucro no exterior. Repito que adotei, desde sempre, o entendimento de que emprego do valor não se confunde, em hipótese alguma, com alienação do patrimônio. Na alienação, ocorre um ganho ou uma perda de capital, caso a transferência da participação tenha sido feita por valor superior ou inferior ao custo de aquisição contábil. Ganho de capital não implica em disponibilização de lucro, o qual permanece intacto na empresa cujas ações foram transferidas. O emprego do valor, por sua vez, é claramente hipótese de disponibilização de lucros de controlada e coligada, porquanto representa, na letra da lei (§ 2º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97), disponibilização de valor, a qualquer título, inclusive para aumento de capital, em favor da beneficiária. Quando há substituição de uma participação por outra, não há disponibilização do valor. Diversamente, quando se verifica pagamento ou uma aquisição por conta da sócia, beneficiária do lucro disponibilizado, há uma disponibilização do valor. Ora, se o ordenamento jurídico deixou de prever, à época, a hipótese de tributação do lucro auferido, para determinar que o fato gerador do Imposto de Renda é tão somente a disponibilização do lucro, somente os lucros pagos ou creditados em favor da coligada ou controlada no exterior são passíveis de tributação. Justamente a hipótese do emprego do valor, que não se confunde com uma substituição de ativos. É por isso, que no período de vigência da Lei nº 9.532/97, essa reproduziu algumas previsões da IN 38/96, mas não reproduziu a hipótese de alienação de participação societária, justamente porque não se coadunaria com a novel sistemática. Essa novel sistemática, justamente como alegado pela d. Procuradoria em suas contrarrazões, conferiu ao contribuinte o direito de tributar o lucro auferido no exterior, tão somente quando a empresa no exterior decidisse, sponte propria, pela disponibilização dos lucros. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 7 7 A bem da verdade, a partir da edição da Lei nº 9.532/97, com a tributação incidente apenas sobre a disponibilização do lucro auferido no exterior, não há como aceitarse por vigente a hipótese antes aventada da IN nº 38/96, sob a égide da sistemática que determinava a tributação do lucro auferido no exterior, de alienação do patrimônio. Como já me manifestei anteriormente, uma vez não mais se afigurando como benefício ao contribuinte, a disposição contida no artigo 2°, §9° da Instrução Normativa n° 38/1996 não há de ser aplicável ao caso em tela, porquanto se assim fosse, acabaria por restringir o direito da Recorrente em ter tributados os lucros auferidos por empresa estrangeira apenas no momento determinado pela lei, nunca antes disto. É bem verdade que, de um lado, não existia, à época do fato qualquer norma legal que determinasse a tributação do lucro auferido no exterior, antes de sua disponibilização, vale dizer, não havia previsão para tributação quando da substituição ou alienação do investimento correspondente; e, de outro lado, aquele lucro auferido no exterior poderá compor o custo do bem, para efeito de eventual cálculo de ganho de capital. Não obstante, entendo que deve prevalecer a aplicação da estrita legalidade, tanto mais que o lançamento em questão não aborda eventual prejuízo ao erário quanto à apuração do ganho de capital. De mais a mais, data venia de entendimento diverso, entendo que não deve prevalecer a premissa adotada no acórdão recorrido, no sentido de que a sociedade que aliena sua participação em outra, necessariamente dispõe dos lucros incorporados ao seu patrimônio líquido, razão pela qual estaria subentendido na Lei n° 9.532/1997 a hipótese aventada no artigo 2°, §9° da Instrução Normativa n° 38/1996. Com efeito, inúmeras são as variáveis que envolvem o processo de compra e venda de uma companhia, não sendo verdade absoluta que os lucros ainda não distribuídos acrescerão o valor praticado pelas cotas cedidas. Esta equiparação entre alienação da participação societária e disponibilização dos lucros incorporados ao patrimônio líquido não pode ser efetuada sem base legal. É uma questão de competência, de limite para tributar. O emprego do valor deve ser tomado conforme competência tributária à luz do ordenamento vigente à época, no contexto do artigo 1º, da Lei nº 9.532/97, que limita a tributação às hipóteses de disponibilização do lucro. A esse respeito, peço vênia par citar o Conselheiro Valmir Sandri, no bem elaborado voto proferido no processo nº 10680.012244/200419 (acórdão nº 910100.750): A interpretação é incompatível com fórmulas e equações, como se a complexidade da vida pudesse ser representada em operações aritméticas. O direito vem do homem e serve para o homem, pois, a atividade de interpretar não visa apenas a conhecer a norma através das técnicas interpretativas, mas principalmente, “conhecer tendo em vista as condições de aplicabilidade da norma enquanto modelo de comportamento obrigatório (questão da decidibilidade)”1. Enfim, a interpretação do Direito tem como fito “operar a sua inserção na vida”.2 Mas a interpretação possui limites, Celso Bastos preleciona que “A interpretação aparece diante do juiz como se fosse um 1Tércio Sampaio Ferraz Júnio, 2ª ed., São Paulo. Atlas. 1980, p. 74 2 Eros Roberto Grau. Op. cit., p. 28. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 8 8 quadro, ou melhor, uma moldura, dentro da qual o intérprete tem a faculdade de exercer a sua escolha, sendo que qualquer que seja a sua opção desde que dentro deste perímetro ela é válida. Todavia, se a escolha recair fora deste quadro, será inválida”.3 A moldura é delimitada pela lei, pois, conforme o Ministro Luiz Gallotti do Supremo Tribunal Federal: "... é certo que podemos interpretar a lei, de modo a arredar a inconstitucionalidade. Mas interpretar interpretando e, não, mudandolhe o texto, e, menos ainda, criando um imposto novo, que a lei não criou. Como sustentei muitas vezes, se a lei pudesse chamar de compra o que não é compra, de importação o que não é importação, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição." (RE 71.758, RTJ 66/165). Assim, o intérprete pode "interpretar interpretando", mas não criando um direito novo, como se legislador positivo fosse, o que é sedutor, por vezes. E para segurar o ímpeto do intérprete, a ciência jurídica, mais precisamente, a hermenêutica jurídica, criou as “regras técnicas que visam à obtenção de um resultado”,4 dando o “instrumento a ser utilizado pelo intérprete para alcançar o núcleo semântico da norma”, com base nos métodos interpretativos (gramatical, lógico, histórico, sistemático e teleológico). Ainda na esteira do brilhante voto, na égide da Lei 9.532/97, a disponibilização do lucro, em todas as hipóteses, ocorre no pagamento ou no crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, o que implica na “baixa da reserva de lucros contra um passível exigível” ou diretamente em conta representativa de extinção da obrigação (banco, caixa, etc.). A transferência do investimento, por sua vez, não acarreta a exigibilidade ou o pagamento do lucro auferido pela controlada no exterior. Caso fosse possível tomar por fato imponível a alienação, sob a égide da Lei nº 9.532/97, terseia um grave problema de possibilidade de dupla tributação sobre o mesmo lucro, quando da alienação e quando, por exemplo, de evento que efetivamente caracterizasse emprego do valor. Em vista do exposto, considerando, ainda, que a previsão para a tributação do lucro auferido no exterior, quando da alienação de participação societária, só foi trazida novamente ao ordenamento jurídico com a edição da Instrução Normativa n° 213/2002 ato este então lastreado no disposto no artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual é posterior ao lançamento objeto da presente acolho as alegações de mérito expostas pela Recorrente e voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) 3 Celso Bastos, op. cit., p. 38. 4 Tercio Sampaio Ferraz Junior. Introdução ao Estudo do Direito: técnica, decisão, dominação. 3ª ed., São Paulo, Atlas, 2001, p. 282. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001728/200448 Acórdão n.º 910101.303 CSRFT1 Fl. 9 9 Karem Jureidini Dias – Relatora. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13839.001261/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DECISÃO POSTERIOR TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DO CONTRIBUINTE.
Deve ser julgado improcedente o lançamento realizado para prevenir
decadência quando a causa da suspensão da exigibilidade do crédito tributário for confirmada definitivamente por meio de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte.
Numero da decisão: 3201-000.856
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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DECISÃO POSTERIOR TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DO CONTRIBUINTE. Deve ser julgado improcedente o lançamento realizado para prevenir decadência quando a causa da suspensão da exigibilidade do crédito tributário for confirmada definitivamente por meio de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 28/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adreine Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, fls. 53/69, que constituiu o crédito tributário total de R$ 94.740,71, somados o principal e juros de mora calculados até 31/05/2005. No Termo de Constatação Fiscal de fl. 52, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: 1 — Diferenças apuradas no cálculo das contribuições devidas ao COFINS O contribuinte deixou de recolher valores apurados decorrentes da exclusão da base de cálculo das 'Receitas Financeiras e Outras Receitas Operacionais' e pela aplicação da alíquota de 2% ao invés de 3%, conforme determinado na Lei n°9.718/98, a partir de fevereiro de 1999, amparado por decisão judicial no Processo n° 1999.61.00.0255450 (.), sendo que esses valores foram devidamente informados nas DCTFs, cujo levantamento consta do demonstrativo denominado 'Diferenças Apuradas no Cálculo das Contribuições Devidas ao Cofins’, que é parte integrante do presente procedimento fiscal (...). O contribuinte, em razão de desistência legal no referido processo, parcelou os valores relativos à diferença de alíquota, no Parcelamento Especial — PAES, mantendo ‘subjudice' os valores referentes à exclusão de 'Receitas Financeiras e Outras Receitas Operacionais'. Cientificado do lançamento em 17/06/2005, o sujeito passivo apresentou impugnação em 19/07/2005, fls. 72/73, alegando, em síntese: ... improcede referido lançamento, tendo em vista que a empresa aderiu ao Parcelamento Especial — PAES, instituído pela Lei 10.684/2003, estando, portanto, incluso neste todos os débitos constantes do período previsto no artigo 10 desta Lei. Tratandose de débitos suspensos pela adesão ao mencionado programa, não há que se cogitar de nova exigência ou lançamento de oficio, visando seu recebimento — considerando todos os procedimentos adotados, previstos em Lei, para sua extinção — com seu adimplemento por meio dos pagamentos periódicos. Com relação aos demais vencimentos até dezembro/2003 — a empresa está procedendo nesta data ao seu recolhimento devidamente acrescido de juros e multa de oficio (reduzida em 50%) — que juntará no prazo de 05 dias. Cumpre destacar que a ação judicial mencionada no auto de infração foi objeto de desistência tendo em vista a exigência constante da Lei 10.684/03, com relação aos débitos objeto do Parcelamento Especial. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.001261/200559 Acórdão n.º 320100.856 S3C2T1 Fl. 301 3 Diante do exposto, requer seja reconhecida a nulidade do presente lançamento, dada a confissão de seus débitos e sua futura extinção por meio do PAES, bem como o pagamento do período não constante deste. Os documentos de arrecadação referentes aos recolhimentos alegados na impugnação foram juntados às fls. 105/110. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 25/10/2008, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 0523.895 (fls. 121/123): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. Lançamento Procedente em Parte A Recorrente foi cientificada do teor da decisão supracitada em 07/01/2009 (f1. 130), por meio da INTIMAÇÃO N° 13837/337/2008 (fls. 126/129). Diante disso, protocolou recurso voluntário em 02/02/2009 (fls.131/135), alegando, em síntese, que a parte remanescente do lançamento foi objeto de decisão transitada em julgado em seu favor, não podendo a Administração Tributária cobrar tributo declarado inconstitucional. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra a decisão que manteve o lançamento original relativamente aos fatos geradores ocorridos entre as competências de 06/2000 e 12/2003. Alega que, a despeito de ter desistido da Ação nº 1999.61.00.0255450 no tocante à majoração da alíquota da COFINS de 2 para 3%, continuou a discutir o aumento da base de cálculo, tendo obtido, neste particular, decisão favorável transitada em julgado. De fato, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 476.455, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal acolheu a pretensão da Recorrente em linha com os precedentes do Plenário, ou seja, declarou a inconstitucionalidade da incidência da COFINS sobre receitas alheias ao faturamento da Recorrente. É o que se depreende da ementa abaixo transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas exlege. Publiquese. Int. Brasília, 03 de abril de 2006. Ministro CEZAR PELUSO Relator Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão a quo e julgar improcedente o lançamento na parte não abrangida pelo Parcelamento Especial de que trata a Lei nº 10.684 de 2003. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.001261/200559 Acórdão n.º 320100.856 S3C2T1 Fl. 302 5 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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