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Numero do processo: 10845.003009/2007-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2005
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
O instituto da Denúncia Espontânea do art. 138 do CTN não alberga as multas decorrentes de atraso na entrega de declarações autônomas.
Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 1802-001.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O instituto da Denúncia Espontânea do art. 138 do CTN não alberga as multas decorrentes de atraso na entrega de declarações autônomas. Precedentes do STJ.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O instituto da Denúncia Espontânea do art. 138 do CTN não alberga as multas decorrentes de atraso na entrega de declarações autônomas. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. MARCIEL EDER COSTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Verificase nos autos, que a Recorrente pleiteia reiteradamente pela aplicação do art. 138 do CTN – instituto da Denúncia Espontânea – visando afastar a multa no valor de R$ 1.651,07. Pela clareza na descrição dos fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n° 1625.050 da 5a Turma da DRJ/SP1 (fls. 19/22): Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 2° semestre do ano calendário de 2005 (fl. 12), no valor de R$ 1651,07. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 05, na qual alega, em apertada síntese o seguinte: que a DCTF em tela foi apresentada antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O entendimento do STJ sobre a aplicação do art. 138 do CTN em relação à entrega espontânea da Declaração (obrigação acessória) já se cristalizou no sentido de seu afastamento: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA.CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada Fl. 35DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10845.003009/200779 Acórdão n.º 180201.075 S1TE02 Fl. 33 3 pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; Resp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 19.02.09); Nesta mesma esteira, o presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já pacificou o entendimento, conforme Súmula CARF n° 49: Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, sendo nos termos do art. 142 do CTN o lançamento uma atividade administrativa vinculada, não pode a autoridade administrativa afastar a aplicação em tela, sob pena de responsabilidade funcional. In casu, a subordinação está relacionada ao disposto no art. 113 § 3° d o CTN, verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória [...] § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Portanto, pacífico é o entendimento de que a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória acarreta em sua conversão em obrigação principal em relação à penalidade, garantindo assim de forma igual o cumprimento a todos os contribuintes em situação equivalente. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o lançamento. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 É como voto. Marciel Eder Costa Relator Fl. 37DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000642/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2003
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL.
APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2003 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES Recorrente BINGPLAY ENTRETENIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2003 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000642/200933 Acórdão n.º 2402002.761 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, para as competências 01/1999 a 02/2003. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 02/03) a empresa deixou de declarar, ou registrou a menor, em GFIP’s os fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados, contribuintes individuais e a cooperativas de trabalho. Os valores das remunerações dos segurados e dos pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho foram registrados nas planilhas de fls. 11/14 – “Valores não incluídos em GFIP”. As cópias dos documentos que deram origem as contribuições devidas ao Fisco estão anexadas no Lançamento de Débito no 35.757.1720 (processo 11020.000641/200999). Esse Relatório Fiscal informa que o cálculo da multa está demonstrado no Anexo de fls. 11/18, no valor de R$38.022,24 (trinta e oito mil, vinte e dois reais e vinte e quatro centavos), com fundamento no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Não foram configuradas circunstâncias agravantes nem atenuantes, previstas nos arts. 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/08/2004 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20/25) – acompanhada de anexos de fls. 26/34 –, alegando, em síntese, que: 1. está decadente o direito de autuar competências anteriores a julho de 1999, em vista da ilegalidade do art. 46 da Lei 8.212/1991, frente ao disposto no § 4o, do art. 150 combinado com o art. 173, ambos do CTN; 2. não houve dolo ou simulação e os valores devidos foram lançados na correspondente NFLD. Que no momento da constituição do débito tributário, existe a aplicação da penalidade sobre valores não declarados, portanto a multa combatida está sendo cobrada em duplicidade; 3. argúi o caráter confiscatário da multa, sendo a mesma inconstitucional, pois o confisco é vedado pela Constituição Federal. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 E, a multa também é ilegal, já que fundamentada em Decreto e não em Lei; 4. requer a desconstituição do auto de infração, pelos motivos antes expostos. A Delegacia da Receita Previdenciária em Caxias do Sul/RS – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 19.422.4/240/2004 (fls. 37/41) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 45/63), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Caxias do Sul/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 100). É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000642/200933 Acórdão n.º 2402002.761 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 43/45) e não há óbice ao seu conhecimento. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, assim como os pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho, para as competências 01/1999 a 02/2003. Essas contribuições correspondentes a tais fatos geradores foram objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) no 35.757.1720 (processo 11020.000641/200999), e já foi devidamente julgada no âmbito desta Corte Administrativa, por meio do acórdão no 240202.301 (sessão de 29/11/2011). Com essa decisão, os valores originários das contribuições sociais previdenciárias sofreram alterações apenas no que diz respeito ao período abarcado pela decadência, que foi até a competência 11/1998, inclusive, e na competência 13/1998, sendo que os valores apurados nas competências remanescentes (competência 12/1998 e posteriores) foram mantidos em sua totalidade (obrigação principal). DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 07/1999 (julho/1999), nos termos do art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, constatase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, a decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, §4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no §4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000642/200933 Acórdão n.º 2402002.761 S2C4T2 Fl. 104 7 No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim – como a autuação se deu em 11/08/2004, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/1999 a 02/2003 –, percebese que a competência 01/1999 e demais competências posteriores não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/1999 a 02/2003 e as competências posteriores a 12/1998 não estão atingidas pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, assim como os pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho. Os valores da remuneração dos segurados e dos pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho foram devidamente delineados nas planilhas de fls. 11/18. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000642/200933 Acórdão n.º 2402002.761 S2C4T2 Fl. 105 9 § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais e aos pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho, para as competências 01/1999 a 02/2003 – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. É importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) contendo os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, bem com outras informações de interesse da Fiscalização, não cabendo ao Fisco analisar os motivos subjetivos da sua apresentação incompleta. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Dentro desse contexto da análise do aspecto subjetivo, cumpre esclarecer que, nos termos do art. 113 do CTN, a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta no art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, não procede a alegação da Recorrente de que não houve dolo ou simulação e os valores devidos foram lançados na correspondente NFLD (obrigação tributária principal), eis que ela apresentou ao Fisco as Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, assim como os pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho. A Recorrente alega que a multa aplicada, ante a sua desproporcionalidade e não razoabilidade, é confiscatória e inconstitucional. Informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2, Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/10/2010, transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000642/200933 Acórdão n.º 2402002.761 S2C4T2 Fl. 106 11 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, conforme prevê o art. 32A da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.000642/200933 Acórdão n.º 2402002.761 S2C4T2 Fl. 107 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei 11.941/2009 (nova legislação) e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo, na forma do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000189/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas
repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de
motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.243
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Provido.
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CUSTO RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000189/200984 Acórdão n.º 240102.243 S2C4T1 Fl. 282 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.203.8646, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando à exigência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores das faturas de prestação de serviço prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. Afirma o Fisco que os fatos geradores foram os serviços prestados pelos cooperados através da UNIMED/OURINHOS, verificados mediante as faturas emitidas pela cooperativa de trabalho médico contra o sujeito passivo. Afirmase ainda que as bases de cálculo estão discriminadas no levantamento CCT – CONTRIBUIÇÃO SOBRE FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO UNIMED, as quais constam no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Foi acostado instrumento de contrato de prestação de serviços médicos hospitalares, tendo como contratantes a CIA LUZ E FORÇA SANTA CRUZ e o Sindicato autuado e na condição de contratada a UNIMED DE OURINHOS – COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. O Sindicato apresentou defesa pleiteando a nulidade do AI, por cerceamento ao direito de defesa e por defeito no MPF; a inexistência do fato gerador e a inconstitucionalidade da exação. Foram acostadas as fls. 176/186 guias de recolhimento em nome da CIA LUZ E FORÇA SANTA CRUZ, no período de 02/2004 a 12/2005. A DRJ Rio de Janeiro I declarou, fls. 199/204, improcedente a defesa, desacolhendo as nulidades suscitas e declarando legítima a cobrança das contribuições lançadas. Inconformado com a decisão, o autuado interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o lançamento deve ser revisto pela aplicação dos princípios da legalidade, finalidade e moralidade, posto que a lavratura está em confronto com a legislação que estabelece as bases de cálculo das contribuições sociais; b) ao não descrever com clareza e precisão os fatos geradores de contribuição previdenciária, o Fisco prejudicou o direito de defesa do contribuinte, acarretando em nulidade para o lançamento; c) o lançamento deve fundamentarse em fatos concretos e não em meras suposições, conjecturas e presunções do agente arrecadador; d) a falta de descrição dos fatos geradores e da mensuração da base tributável contraria a legislação de regência, afetando a segurança jurídica do lançamento; e) não há base legal para instituição da contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, acrescentado pela Lei n.º 9.876/1999, uma vez que o art. 195, I, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 da Constituição Federal não prevê, como base desse tributo, o valor pago a empresa, em cujo conceito as cooperativas se incluem; f) a contribuição sobre as faturas de serviços prestados por cooperativas de trabalho é inconstitucional, posto que somente poderia ser veiculada por lei complementar, nos termos do que dispõe o art. 154,I, da Constituição Federal; g) os médicos cooperados não são os reais contratados, posto que sequer recebem o pagamento efetuado pelo contratante, além de que eles já fazem o recolhimento da contribuição a seu cargo na qualidade de contribuintes individuais; h) o tema é objeto da ADI n.º 2.594, a qual não foi julgada, mas o STF já sinalizou que o seu entendimento é pela inconstitucionalidade da exação, conforme ementa de julgamento que transcreve, o qual diz respeito à concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário; i) está havendo a exigência das contribuições em duplicidade, posto que a CIA LUZ E FORÇA SANTA CRUZ efetuou todos os recolhimentos de contribuições sociais incidentes sobre as faturas do contrato sob enfoque. Ao final, pede a declaração de nulidade do AI ou o seu cancelamento por improcedência. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000189/200984 Acórdão n.º 240102.243 S2C4T1 Fl. 283 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade por cerceamento ao direito de defesa Confesso que não detectei nenhum defeito no lançamento que pudesse acarretar na sua nulificação, embora a recorrente assevere que o Fisco não desvencilhouse do ônus de provar a ocorrência do fato gerador e que por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o Fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo dos fatos, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da Auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as prestações de serviços por cooperados contratados através de cooperativa de trabalho, conforme notas fiscais indicadas em demonstrativo e colacionadas por amostragem. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento das faturas por serviços prestados à empresa pela cooperativa de trabalhos médicos, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria. Acostouse ainda cópia do instrumento de contrato firmado pelo Sindicato com a UNIMED Ourinhos. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Nesse sentido, vejo que o AI e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que se o Fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Assim, por entender que o Fisco demonstrou a contento os elementos essenciais do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto essa preliminar. Inconstitucionalidade da contribuição lançada Para enfrentar a alegada inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela Lei n.º 9.876/1999, é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo Fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000189/200984 Acórdão n.º 240102.243 S2C4T1 Fl. 284 7 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente, como é o caso da incidência de contribuição sobre as faturas de serviço prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. O fato gerador e a sua previsão legal Assim dispõe o art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, podese extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim somente configurase a hipótese de incidência se: a) a destinatária da prestação de serviços for a empresa; 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) os serviços forem prestados por pessoa física; e c) a contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho. Para aplicação da norma ao caso concreto, tornase imprescindível a análise do forma como se dava a prestação dos serviços, cujas faturas deram ensejo ao lançamento. Vejamos, então, os termos do contrato, juntado às fls. 76/91. No ajuste, figuram como contratantes a CIA LUZ E FORÇA SANTA CRUZ e o Sindicato autuado e na condição de contratada a UNIMED DE OURINHOS – COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. O objeto contratado foi a prestação de serviços médicos de natureza clínica e cirúrgica aos diretores e funcionários da SANTA CRUZ e seus respectivos dependentes. Quanto ao pagamento pelos serviços prestados, estabelece a Cláusula Décima do instrumento de contrato que os custos serão arcados pela empregadora e pelo Sindicato, sendo que este será apenas responsável pelo repasse do percentual de seis por cento do salário base descontado dos beneficiários e destinado ao custeio parcial do plano de saúde. Assim, a contratada emitia duas faturas mensais, uma direcionada ao Sindicato, correspondente ao valor descontado dos empregados e diretores da SANTA CRUZ e a outra, em nome desta, a qual diz respeito à participação da empresa no custeio dos serviços médicos. Diante desses dados, já é possível verificar se a situação fática tomada pelo Fisco amoldase à norma de incidência tributária invocada para justificar o lançamento. Não há dúvida que os serviços foram prestados a empregados e diretores da empresa SANTA CRUZ, os quais eram filiados ao Sindicato autuado, com faturas emitidas em nome da empresa, para fazer frente ao ônus assumido por essa na execução contratual, e em nome do Sindicato, representando a parcela assumida pelos beneficiários. Certamente sobre as faturas emitidas em nome do empregador houve a incidência da contribuição em questão, sendo provável que as mesmas tenham sido adimplidas pela SANTA CRUZ, conforme guias colacionadas, todavia, não é esse o objeto do lançamento, que tratou das faturas emitidas contra o Sindicato. De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários dos mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integralmente emitidas em seu nome. Verifica se, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN n.º 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000189/200984 Acórdão n.º 240102.243 S2C4T1 Fl. 285 9 Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13748.000270/2003-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1986
IRPF VERBAS INDENIZATÓRIAS PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV
RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA.
Na visão deste julgador, o marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, dá-se
em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve
reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”
O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 18/07/2003,
relativamente a imposto de renda retido na fonte em 12/04/1985.
Portanto, a decadência atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.117
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Na visão deste julgador, o marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, dáse em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 18/07/2003, relativamente a imposto de renda retido na fonte em 12/04/1985. Portanto, a decadência atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 164 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator FORMALIZADO EM: 21/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 18/07/2003 o contribuinte Frank Alfred Branscombe, devidamente representado, protocolou o pedido de restituição de fls. 0115, sob o fundamento de que aderiu a programa de demissão voluntário da empresa IBM do Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., CNPJ n° 33.372.251/000156, com rescisão efetivada em 12/04/1985, na qual ocorreu retenção indevida de imposto de renda sobre verbas indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu (RJ) e a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) II indeferiram a pretensão do interessado em razão da decadência (fls. 96100 e 116120, respectivamente). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10249.459, que se encontra às fls. 137140, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte Anocalendário: 1985 Ementa: IRRF. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 165 3 Aplicase ao pedido de restituição do IRRF retido em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária o prazo de 5 (cinco) anos contado a partir da data da publicação da Instrução Normativa n. 165, 06 de janeiro de 1999. Precedentes desta 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Decadência afastada. Recurso provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a decadência do direito de pedir do contribuinte e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação das demais questões, vencido a Conselheira Núbia Matos Moura, que negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 26/03/2009 (fls. 141), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 143151, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A União (Fazenda Nacional) se insurge contra os capítulos do acórdão de fls. 137/140 dos presentes autos, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, reconhecendo que o termo inicial da contagem do prazo de decadência do reconhecimento do crédito do contribuinte relacionado com indébito do imposto sobre a renda calculado sobre os rendimentos auferidos em Plano de Demissão Voluntária é a data da expedição da Instrução Normativa 165/99. b) Notase que a decisão recorrida negou vigência à Lei n° 5.162 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, afastando a aplicação dos artigos 168, inciso I, e 165, inciso I, determinando a contagem do prazo "decadencial" a partir da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada no DOU em 06 de janeiro de 1999; c) Como passaremos a demonstrar os fundamentos exarados na decisão recorrida não merecem prosperar; d) O prazo para a devolução de indébito tributário é disposto pelo art. 168 c/c art. 165 do CTN. O contribuinte possui cinco anos para requerer a devolução, contados da data da extinção do crédito tributário, no caso, o recolhimento; e) Entretanto, a e. Câmara a quo julgou que o prazo para a apresentação de pedido de devolução de indébito tributário iniciarseia apenas na data em que a norma instituidora do tributo foi declarada inconstitucional pelo STF, sendo esse termo inicial estendido para a data em que a Resolução do Senado deu efeitos erga omnes para a decisão do STF, ou, ainda, para a data em que a Administração reconheceu que o tributo seria indevido; f) Data maxima venia, o equívoco na posição adotada pela e. Camara a quo salta aos olhos; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 166 4 g) Primeiramente, porque o Código Tributário Nacional jamais elegeu, como termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição, nenhuma das datas aventadas pela e. Câmara a quo. Não dispôs que o prazo se iniciaria com a declaração de inconstitucionalidade da norma, ou quando a administração reconhecesse que o tributo foi recolhido indevidamente; h) A lei fixou que o prazo se iniciaria na data em que ocorreu algum dos fatos dispostos no art. 156 do CTN. Dentre eles não se encontra a declaração de inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; i) Os fundamentos aduzidos pelo r. acórdão recorrido foram exaustivamente refutados no alentado Parecer PGFN/CAT/n.° 1538/99; j) Com base neste Parecer, foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório n.° 096, de 26 de novembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário; k) Portanto, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido , consoante disposto no art. 168 c/c art. 165 do CTN. independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e independentemente da Instrução Normativa SRF n° 63/97; l) Nessa linha de raciocínio, o prazo decadencial começa a contar da data de violação do direito, sendo este o seu termo a quo. A Instrução Normativa n° 165, de 1998, entretanto, não violou nenhum direito do contribuinte, não prescreveu novo prazo decadencial, muito menos criou um "direito novo" ao contribuinte. Logo, o prazo decadencial se inicia com a retenção indevida do tributo, pois esse o exato momento da violação do direito, o instante do nascimento da pretensão; m) Deixar ao alvitre da autoridade administrativa o poder de reduzir, aumentar ou estipular novo termo a quo para o prazo decadencial significa violar o preceito constitucional da separação dos poderes e atentar contra o princípio da legalidade, petrificado no inciso II, do art. 5°, da Constituição; n) Requer seja dado provimento ao presente recurso para restabelecer a decisão de primeira instância. Admitido o recurso através do despacho n° 920200.346 (fls. 153), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 156 161, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 167 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda incidente sobre valores recebidos em razão da alegada participação em PDV instituído pela empresa IBM do Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., tendo determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação das demais questões. Portanto, a questão que reclama solução reside em saber se o interessado decaiu ou não do direito de requerer a restituição do imposto de renda retido na fonte no ano calendário 1985 (rescisão do contrato de trabalho em 12/04/1985, quando ocorreu a retenção de imposto de renda na fonte, fls. 15), considerando que tal pleito foi efetuado em 18/07/2003. Pois bem, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, na medida em que cabe ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologará, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. No caso, a retenção na fonte se deu como mera antecipação do imposto a ser apurado na declaração de ajuste anual, sendo que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro do anocalendário. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 4°, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional – CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 168 6 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais concluise que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. No entanto, na visão deste julgador (seguindo a jurisprudência amplamente majoritária dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, por muitos e muitos anos), o dia 06/01/1999 – data de publicação da IN SRF n° 165 – marca o início do prazo decadencial para os contribuintes pleitearem a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de imposto de renda na fonte, incidente sobre verbas indenizatórias recebidas em razão da participação em programas de demissão voluntária, tal qual concluiu o acórdão recorrido. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 169 7 limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 170 8 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.002.932/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/12/2009) Portanto, de acordo com a decisão proferida pelo Egrégio STJ pelo rito do artigo 543C do Código de Processo Civil CPC, o prazo para requerer a restituição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, após o advento da Lei Complementar n° 118, de 09/06/2005, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes de 09/06/2005 – Prazo de dez anos (tese dos cinco + cinco) a contar do pagamento indevido, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após 09/06/2005 – Prazo de cinco anos a contar da data do pagamento indevido. Este posicionamento restou corroborado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, seguindo a sistemática do 543B do CPC, proferiu acórdão cuja ementa assim dispõe: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 171 9 tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF, Pleno, RE n° 566.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJE de 11/10/2011) Tal decisão transitou em julgado em 17/11/2011. Por força do Regimento Interno do CARF, a matéria não comporta maiores digressões, sendo necessário reproduzir aqui o entendimento adotado pelos Egrégios STJ e STF. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 18/07/2003 (ou seja, antes do advento da Lei Complementar n° 118/2005), relativamente a imposto de renda retido na fonte em 12/04/1985 (anocalendário 1985). Assim, aplicase ao caso a tese dos cinco + cinco, de modo que a decadência atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Dessa forma, o acórdão recorrido deve ser reformado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000270/200380 Acórdão n.º 920202.117 CSRFT2 Fl. 172 10 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18471.000214/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA 9SICA - IRPF
Data do fato gerador: 30/04/2060
IRPF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA.
A ausência de propósito negocial valido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo e em prejuízo de terceiro, a Fazenda Nacional, evidencia simulação tributaria.
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS.. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Com animo no artigo 7, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente A época, somente devera ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a titulo de carnê-leão (artigo 44, § lº, inciso 111, da Lei n° 9.430/96), não se presta corno paradigma o Acórdão que contempla multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em relação à concomitância de multa de oficio e isolada. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto. Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique MagalhAes de Oliveira (Relator), Gustavo Lian Haddad, Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Julio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. A ausência de propósito negocial valido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte corn redução de tributo e em prejuízo de terceiro, a Fazenda Nacional, evidencia simulação tributaria. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS.. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com animo no artigo 7, inciso II, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente A época, somente devoid ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argilida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a titulo de carnê-ledo (artigo 44, § l", inciso 111, da Lei n° 9.430/96), não se presta corno paradigma o Acórdão que contempla multa isolada inscrita no inciso 1V daquele dispositivo legal, concernente a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais. Recui so especial provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Rycard agalhãe de Oliveira — Relator t4T) r.ra Gomes Redator-Designado Julio Carlos Al erto — Presidente Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em relação à concomitância de multa de oficio e isolada. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Ban -eta. Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique MagalhAes de Oliveira (Relator), Gustavo Lian Haddad, Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Co selheiro J lio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor. EDITADO EM: e i 0E7. 2_010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Li= Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. 2 Processo n° 18471 000214/2005-18 CSRF-T2 Acnrclo n " 9202-01-194 Fl 2 Relatório GUILHERME AUGUSTO FRERING, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de infração, em 31/03/2005, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, apurado com base em omissão de rendimentos recebidos de Fontes no Exterior, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de Camê-Leão, em relação A competência 04/2000, conforme peça inaugural do feito, As fls. 433/436, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3 a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, consubstanciada no Acórdão ri° 9.308/2005, As fls. 513/522, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4' Câmara, em 26/07/2006, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão IV 104-21.729, sintetizados na seguinte ementa: "NULIDADE DO LANÇAMENTO - INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA - 0 Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a langamento de oficio de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF, em nome desta.. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária DECIDA° DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE - INOCORRÊNCIA. Não lid falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto n", 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO - SUBSTANCIA DOS ATOS - Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização tevela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO - NEXO DE CAUSALIDADE - A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO - EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO - lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os setts aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a coitfoi -main. 1/4 3 Pl'eliminares tajeitadas, Recurso provido.," Inesignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls.. 724/745, com animo no artigo 7°, incisos I e II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, sustentando que o julgamento violou a literalidade do disposto nos artigos 8' da Lei n°7.713/88; 24, § 2", inciso IV, e 44, § 1', inciso III, todos da Lei n° 9.430/96, c/c e artigos 97, inciso VI, 149, inciso VII, e 172, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Em síntese, alega que, diante dos fatos elencados pela fiscalização ao formalizar o auto de infração, restou devidamente demonstrado que a série de operações realizadas pelo contribuinte, controlador de empresas no Brasil e Exterior, culminaram na caracterização de ocultação de sua pessoa como real beneficiário de dividendos provenientes do exterior, agindo com simulação e evidente intuito de fraudar o Fisco.. Infere que a legislação que regulamenta a matéria estabelece que ocorrerá acréscimo patrimonial no caso de pessoa física residente no Brasil receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital, os quais não foram submetidos a. tributação na fonte, no pais. Elenca doutrina e normas legais conceituando a simulação, concluindo que sua validade está condicionada à perfeição da vontade manifestada, o que não ocorrendo (vícios de vontade) enseja a invalidade do ato jurídico, corno se vislumbra na hipótese dos autos, onde os vários indícios apontam para a ocorrência de simulação de atos praticados pelo autuado com o escopo de fugir do pagamento do IRPF, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal, as fls.. 437/439. Em razão dos fatos explicitados no TCF* retromencionado, a autoridade lançadora achou por bem desconsiderar os sucessivos atos juridicos praticados pelo sujeito passivo e tributar os rendimentos por ele adquiridos da empresa M. No que tange à multa qualificada de 150%, impõe-se à sua manutenção, em face da perfeita caracterização da infração à legislação tributária, demonstrando a ocorrência do fato previsto no artigo 44, inciso II, da Lei n 9.430/1996, vigente â. época, sobretudo quando comprovada que a conduta do contribuinte foi dolosa, com fim precipuo de fraudar o fisco, a partir da simulação do recebimento de lucros da SIL por DIL (da qual era o único sócio) e BIL (controlada pela BRASFINA PARTICIPAÇÕ ES S/C LTDA., da qual o contribuinte linha 99,996% da participação).. Quanto ao afastamento da multa isolada, opõe-se ao Acórdão atacado por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão n° 101-94.858, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argiiida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do clecistim guerreado, na medida em que considera legitima a aplicação cumulativa de duas multas de oficio, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas. 4 Processo n° 18471 000214/2005-18 CSRF-T2 Acórdzio n " 9202 -01,194 Fl 3 Em defesa de sua pretensão, assevera que o acórdão recorrido considera qua multa de oficio e a denominada multa isolada prevista no art. 44, parcig (m., inc. III da Lei 9_430/96 decorrem de infrações idênticas, pois ambas visam penalizar o contribuinte pela omissão de rendimentos.. Ern outra via, o acórdão paradigma determina que enquanto a multa de oficio tem a finalidade de penalizar o contribuinte que omite rendimentos, a denominada multa isolada objetiva penalizar o contribuinte quo não cumpre a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, corn base no regime de estimativa. Defende que a multa insculpida no inciso III, do parágrafo 1 0, artigo 44, da Lei IV 9.430/96, objeto da presente discussão, e aquele prevista no inciso IV do mesmo dispositivo legal, de que trata o acórdão paradigma, possuem a mesma natureza jurídica, visando penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a Ines, o recolhimento do tributo, corroborando a divergência suscitada pela recorrente. Contrapõe-se ao entendimento inserido no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Camara a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Alega que a Camara recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de multa não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decistun ora atacado, nos termos encimados, Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 4" Camara do 1 0 Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, aplicação de multas de oficio e isolada cumulativamente sobre base de cálculo idêntica, bem corno contrariou, em tese, a legislação de regência, conforme Despacho n" 104-259/2007, as fls. 766/773. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 769/832, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção . E o relatório, Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator DA MULTA ISOLADA Com a devida vênia a ilustre Presidente da então 4a Camara do 1" Conselho de Contribuintes, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da F azenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimëntal amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões dos Conselhos de Contribuintes, mais precisamente Acórdão n°101-94.858, impondo seja conhecido sua peça recursal, A fazer prevalecer seu entendimento, defende que a multa insculpida no inciso III, do parágrafo lo, artigo 44, da Lei n° 9,430/96, objeto de presente discussão, e aquela prevista no inciso IV do mesmo dispositivo legal, de que trata o acórdão paradigma, possuem a mesma natureza jurídica, visando penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo. Não obstante o esforço do nobre representante da Fazenda Nacional, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar,. Da análise dos elementos que instruem o processo, constata-se que a recorrente não logrou comprovar a divergência argüida, na forma que os dispositivos regimentos determinam, capazes de ensejar o conhecimento de seu Recurso Especial. Corn efeito, enquanto o Acórdão recorrido contempla (afastou) a multa isolada, exigida cumulativamente com a multa de oficio, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher o IRPF a titulo de came-lac), mensalmente, na forma do artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96, o decision adotado como paradigma entendeu aplicável tais multas (oficio e isolada) no caso de não cumprimento pelo contribuinte da sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, nos termos do inciso IV, daquela norma legal. Vê-se, pois, que são situações diferentes, embasadas em fundamentos legais diversos, não podendo se confundir ambas para efeito de comprovação de divergência jurisprudencial, com o fito de conhecimento do presente Recurso Especial. Aliás, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pelo não conhecimento do Recurso Especial de Divergência na hipótese de o paradigma não tratar do mesmo tema, corn dispositivos legais diversos, conforme se extrai do excerto do voto do ilustro Conselheiro Moises Giacomelli Nunes de Silva, exarado nos autos do processo ri° 11020.001014/2003-80, Recurso n° 102-141017, o qual peço vênia para transcrever, in verbis: " [..] Assim, quanto a divetgéncia necessária à admissibilidade do recurso, passo a coitfi -ontar a decisão tecorrida e o acórdão paradigma:. Processo n" 18471.000214/2005-18 CSRF-T2 Acórdão n "9202-01.194 Fl 4 Decisão recorrida Acórdão paradigma MULTA ISOLADA E MULTA DE MULTA DE OFICIO ISOLADA — FALTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA — RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio aplicada isoladamente, na MESMA BASE DE CALULO - A falta de recolhimento da CSL L. com base na estimativa aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre uma mesma base de dos valores devidos, por expressa previsão legal MULTA DE 0E100 - MESMA BASE DE calculo (Acórdão CSRF n" 01 -04.987 de CALCULO - APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE - 0 lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma 15/06/2004).. base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infraçries a lei tributária, tendo por conseqüência a Recurso Parcialmente provido, aplicação de duas penalidades distintas Recurso voluntário não prtiVido. Fixado a matéria do acórdão recorrido e o acórdão divergente, observo que o artigo 44, II, da Lei n" 9430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que pi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe "in verbis"; Lei n°9.430, de 1996 Art. 44. Nos Ca Ws de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15,06 2007, DOU 15.06 2007 - Ed Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 2.2 01 .2007, DOU 2.2 01.2007 - Ed. Extra) 11 - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal • a) na Mina do art. 8" da Lei n" 7 713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física, b) na forma do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica (Redação dada ao inciso pair' Lei n" 11 488, de 1.5 062007. DOU 15.06 2007 - Ed. Extra, conversão da Aledida Provisória n" 351, de 22 01 2007, DOU 22 01.2007 - Ed Extra) Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tent por competência preciptia apreciar divergência jurisprudencial quanto aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que matéria fática, no acórdão recorrido, verse sobre omissão de rendimentos recebidos de alugueis e no acórdão paradigma sobre a CELL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada, de que trata o artigo 44, II, da Lei n" 9.4.30, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a =fur de oficio, incidindo sobre a mesma base de cálculo. Assim, ao melt sentir, 7 o que se discute neste recurso não éniatéria fática, mas sim juridica, razão pela qual entendo que o recurso merecesse ser admitido. Em que pese meu entendimento pessoal, ao apreciar esta matéria, lit 1 . forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, no exame dos recursos de n" 106-149655; 106-149656, 106-149857; 106-149859; 106-149680 e 106- 150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu isolada, de forma concomitante coin a multa de oficio, cuja matél ia fática era a Contribuição Social Sobre a Lucro Liquido, não serve de par adigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fallen não seja a CSLL Além das decisões administi ativas acima referida, matéria referente a admissibilidade de recurso especial, só que relacionada a prestação de serviços a organismos internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Camara Superior de Recursos Fiscais que no Recurso Especial n" 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso, Em síntese, deliberou a plenário que a divergência deve estar relacionada à matéridfatica idêntica. No caso dos autos o acórdão paradigma trata de CSLL e o acórdão guerreado versa sobre IRPF; razão pela qual não há identidade de matéria Mika. Com tais- considerações, tendo em vista a jurisprudência majoritaria da CSR.F cujo voto divergente é apenas deste relator, ressalvo o meu ponto de vista, não conheço do recurso. f " Na esteira desse raciocínio, relativamente a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, não se pode cogitar na comprovação da divergência suscitada pelo reconente, impondo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. MÉRITO - DA SIMULAÇÃO No mérito, presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então Camara do 1° Conselho a contrariedade a lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo a análise das razões recursais. Aliás, somente a titulo elucidativo, mister destacar que não procede o insurgirnento do contribuinte quanto ao conhecimento do recurso especial, a pretexto de o pleito da Fazenda Nacional estar escorado em dispositivo legal que não se apresenta como fundamento do lançamento, qual seja, artigo 149, inciso VII, do CTN. Isto porque, o Regimento Interno da CSRF, ao estabelecer os requisitos para conhecimento do Recurso Especial contemplado no artigo 7 0, inciso I, não exige que a norma legal pretensamente infringida seja fundamento do lançamento fiscal. Ao contrário, o que se impõe 6 a comprovação de que o Acórdão recorrido contrariou a legislação de regência, sendo totalmente impertinente a argumentação do contribuinte em defesa do não conhecimento do recur so da Fazenda Nacional. Ultrapassada a questão do conhecimento do Recurso da Procuradoria, passando ir análise meritória, com o fito de melhor esclarecer os fatos que permeiam o presente 8 Processo n°18471.000214/2005-18 CSR17-1- 2 Acórdão n° 9202-01.194 Fl 5 julgamento, peço vênia para transcrever . excerto do voto vencedor do Acórdão recorrido, no qual se relata, resumidamente, a serie de atos levados a efeito pelo contribuinte e que ensejaram a autuação fiscal, senão vejamos: "Os atos praticados e a infração imputada ao Recorrente. Passo a recapitulação dos atos relatados pela fiscalização a partir da documentação fornecida pelo próprio recorrente e constante dos autos, praticados no curso de três anos calendários (1999, 2000 e 2001): 1.. Em novembro de 1999, o Recorrente detinha 49,9985% das quotas da empresa Santana Participações e Empreendimentos Ltda. ("Santana Participações") que, por sua vez, detinha 100% do capital social (12000 quotas) da pessoa jurídica Santana International Ltd. ("SIL"), domiciliada nas Ilhas Bermudas, investimento este registrado pelo valor patrimonial de R$ 22 502,819,50. 1.1, O balanço patrimonial da SIL revelava que esta sociedade era titular, basicamente, de disponibilidades financeiras em valor equivalente ao patrimônio líquido de R$ 22.502.819,50. 2. Ern 12/11/1999 foi decidido que a Santana Participações distribuiria ao Recorrente lucros proporcionais a sua participação, no valor de R$ 11.281.408,74, dos quais R$ 11.251.409,75 seriam pagos mediante transferência de titularidade de 50% do capital (6.000 quotas) de SIL„ avaliadas pelo respectivo valor de patrimônio liquido (50% de R$ 22.502,819,50). 2.1. 0 Recorrente deu aos lucros por ele recebidos em dinheiro ou em quotas da SR. o tratamento fiscal de isenção, tal como previsto na legislação tributária. 22 . No âmbito da Santana Participações, a participação da SIL deixou de figurar' em seu ativo a partir da distribuição de divicicnclos, operação cujo tratamento tributário no âmbito do imposto de renda da pessoa jurídica, especialmente quanto aplicação das normas de tributação de lucros auferidos no exterior veiculadas pelos arts. 25 e 26 da Lei ii. 9.249, de 1995, e 1° da Lei n, 9.532, de 1996, foge ao âmbito dos presentes autos 3. Em 12/11/1999 o Recorrente vendeu parte das quotas de SIL adquiridas no evento "2" — 3.600 quotas — para Brasfina Participações S/C Ltda ("Brasfina BR"), sociedade constituída no Brasil e da qual o contribuinte detinha 99,996% de participação, pelo valor de RS 6,750.845,85 (equivalente a 30% do valor patrimonial de RS 22.502.819,50). 3.1. Tendo em vista que a alienação das quotas se deu pelo valor equivalente ao custo de aquisição não houve apuração de ganho de capital tributável pelo Recorrente 4.. Na mesma data (12/11/1999) a Brasfina BR aumentou o capital social de Brastina Investment Ltd ("13IL"), sociedade constituída nas Ilhas Virgens Britânicas em 28/10/1999, mediante conferência das 3.600 quotas de SlL adquiridas no evento "3", pelo mesmo valor de aquisição. 5. Em 8/12/1999 o Recorrente constituiu a pessoa jurídica Desiderata Investments Ltd. ("DIL"), sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. 6. Em 8/12/1999 o Recorrente aumentou capital de DIL mediante conferência das 2.400 quotas restantes de SIL que havia recebido por conta do evento "2", pelo valor de USD 2.333.349, equivalente a 20% do valor patrimonial de SIL (R$ 4,500.563,90, conforme declaração de bens de fls 60), Assim: as 6.000 quotas de SIL recebidas quando da distribuição de dividendos referida no evento "2" passaram a ser de propriedade de BIL (1600 quotas) e de DIL (2,400 quotas), ambas as sociedades domiciliadas nas Ilhas Virgens Britânicas e direta ou indiretamente controladas pelo Recorrente 7. Ern 11/04/2000 a SIL distribuiu lucros a seus quotistas, cabendo a BIL o valor de USO 2,760.000 (30% dos lucros) e a DIL o valor de USO 1,840.000 (20% dos lucros), totalizando USD 4,600,000 7,1, A fiscalização considerou este como o evento tributado, sob o argumento de que todo o conjunto de operações realizadas visou a dissimular distribuição de dividendos pela SIL ao Recorrente sem tributação. Assim, considerou que em abril de 2000 o Recorrente, controlador de BIL e DIL, recebeu de fato dividendos no montante de USD 4,600.000 de fonte situada no exterior, correspondente aos lucros pagos por SIL, lançando a diferença de IRPF sobre os respectivos valores, que não foram submetidos à tributação pelo Recorrente na declaração de ajuste anual e tampouco foi am objeto de recolhimento mensal na sistemática do came-leão. 8. Em 31/12/2000 a Brasfina BR alienou 3.500.023 quotas representativas do capital de BIL ao Recorrente, pelo valor de R$ 6.576.900,37. Passou o Recorrente, então, à titularidade da totalidade das quotas de BIL e DIL, que por sua vez possui am 50% (6.000) quotas de SLL. 9 Em 26/01/2001 BM e DIL reduzem seu capital corn destino ao Recorrente, seu único sócio, no montante de USO 1,880 000 e USO 2.850,000, respectivamente, totalizando USD 4.730 000. 9.1. Não consta dos autos que o Recoriente tenha apurado ganho de capital na referida redução de capital, provavelmente porque o valor da redução não excedia ao respectivo custo de aquisição das quotas das sociedades BIL e OIL. O tratamento fiscal da redução de capital, além disso, não foi objeto de contestação pela fiscalização 10 . Ern 07/02/2001, o contribuinte apresentou Declaração de Saida De finitiva do Pais, referente ao período de 1°/01/2000 a 06/02/2001, cessando sua condição de residente fiscal no pais." Diante desse fatos, a autoridade lançadora, ao promover o lançamento assim concluiu: "Analisando-se os fatos acima expostos, se faz necessário proceder tributação mencionada no item 4.2 acima, incidente sobre o recebimento de lucros da SANTANA INTERNATIONAL LTD, no valor de U$$ 1,840.000,00 em abril de 2000, equivalente a R$ 3.205.832,00 (conversão a taxa de 1,7423, conforme artigo 6° da Lei a. 9.250 e Ato Declaratório COS1T a. 07 de 17/07/2000). A propósito, dispõe o item 4,2: "4. Os lucros da empresa SANTANA INTERNATIONAL LTD acima mencionada são tributáveis na hipótese de serem distribuídos para: .1 4.2 — Pessoas Físicas, por força do artigo 106 do Reg Imposto de Renda (RIR199); artigo 8° da Lei n. 7 713/88 e parágrafo 2° inciso IV, do artigo 24 da Lei 9 430/96," 10 Processo n" 18471.000214/2005-18 CS RF-T2 AcOrdtio n.° 9202-01.194 Fl. 6 E continua o fiscal autuante: "Entendemos que, em tese, a constituição e a atuação da empresa DESIDERATA INVESTMENTS LTD, de integral controle do contribuinte, visava dissimular a distribuição de lucros e sua conseqüente tributação, através do conjunto de operações que de forma articulada e "triangular", transferiu o lucro da SANTANA INTERNATIONAL LTD para o contribuinte em questão." 0 Fisco, pois, entendeu que o recorrido havia omitido da tributação brasileira rendimentos recebidos de fontes no exterior, sob o auspicio da interposição do real bene ficiário dos dividendos percebidos da empresa SIL, sediada nas Bahamas. Dito isso, há que se ponderar que a discussão versada na presente assentada, com a finalidade de reconhecer ou não os argumentos expostos pelo Fisco, demanda aferir-se, como bem salientou o Ilustre Relator subscritor do voto vencido do Acórdão recorrido, Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, "qual é a situa cão que deve ser considerada para fins da ocorrência do fato gerador". E mais a frente, ressalta, estar tal indagação "diretamente relacionada coin o enquadramento dos atos ou negócios jurídicos praticados nos campo da elisão fiscal ou no da infração tributária pura e simples (evasão), lema tormentoso e que tem recebido crescente atenção por parie da doutrina." Corn efeito, em nosso entender a diferença entre evasão e elisão fiscal na seara do planejamento tributário, é que este Ultimo encontra amparo na liberdade negocial do empresário na condução das atividades e finalidades da empresa de modo a trabalhar com menor incidência de custos, inclusive relativamente ao campo fiscal, da exigência tributária a incidir nos diversos rumos que decidir tornar. Por sua vez, na evasão fiscal, o empresário, na condução de seus negócios, visa a todo momento simular atos tendentes à maquiar a ocorrência do fato gerador. O planejamento tributário caracteriza-se, portanto, corno figura licita, plenamente apta a ser exercida pelo empresariado em nosso ordenamento jurídico. Contudo, ao que se vislumbra, não pode vir a ser abusivo, exagerado ou mesmo desprovido de conteúdo negocial, de modo a resultar na prática de ato ilícito que sofrerá as incidências da Lei Tributária, quando restará caracterizada a figura da evasão fiscal. Para que o contribuinte se afaste de referida situação, a maneira de buscar o menor tratamento tributário, dentro do campo da elisão fiscal, como cita a melhor doutrina, exaustivamente já transcrita no decorrer do presente processo administrativo, primeiramente impe-se verificar, no caso concreto, a questão da anterioridade da realização do ato. Ou seja, o ato, além de ser licito, deverá ser praticado antes da incidência da exação tributária a que se pretender esquivar, de modo que o contribuinte não venha a ser alvo da tributação que poderá incidir se praticar determinado ato ou negócio. Sobre o assunto, assim se posiciona RUBENS GOMES DE SOUZA', citado por SACHA CALMON NAVARRO COELHO: "O único critério seguro para distinguir a fraude da elisão é verificar se or atos praticados pelo contribuinte para evitar; COELHO, Sacha Cahnon Navarro. Teoria da Evasão e da Elisão em Matéria Tributária. Planejamento Fiscal — Teoria e Prática. Sao Paulo: Dialética, 1998, p. 174. II retrdal ou reduzir o pagamento de um tributo fbiani praticados antes ou depois da ocorrência do respectivo fato gerador: na primeira hipótese, trata-se de elisiia; na segunda trata-se de fraude fiscal " Evitando-se, por conseguinte, a ocorrência do fato gerador do tributo, ficará o contribuinte fora do campo de incidência da tributação. Aludido critério objetiva evitar o contribuinte inserir-se na relação fiscal e assumir a obrigação do pagamento do tributo, situação bem diferente de escapar da relação tributária, de manipular determinado ato ou negócio na tentativa de maquiar a não ocorrência do fato gerador. 0 eminente doutrinador SAMPAIO D6RIA 2, ao se manifestar sobre o assunto, não necessariamente na ordem ora indicada por este relator, pondera que "o segundo aspecto, de inalam' relevância, é o momento da utilização dos meios: na fraude, opera-se a distorção da realidade econômica no instante em que ou depois que ela jâ se maniftstou sob a forma jurídica descrita na lei como pressuposto de incidência Ao passo que, pela elisão, o agente atua sobre a mesma realidade antes que ela se exteriorize, revestindo-a da forma alternativa não descrita na lei como pressuposto de incidência.. Corn ligeira ampliação dos momentos em que a fraude se verifica, para incluir também a simultaneidade de sua ocorrência com a do fato gerador, pode-se afirmar que é hoje doutrinariamente pacifica a adoção desse critério. formal distintivo entre fi-aude e elisão. Aliado a tal situação, os meios utilizados pelo contribuinte para afastar a hipótese de incidência tributária, devem, obrigatoriamente, inserir-se dentro da esfera da legalidade, ou seja, serem lícitos, de maneira a restar demonstrada que sua atuação deu-se de forma legitima, com agente capaz e objeto possível, caracterizando-se como um ato jurídico perfeito não vedado pelo ordenamento jurídico. O contribuinte, a despeito de exercer a liberdade negociai, em face do principio da legalidade não poderá valer-se de meios ilegais para esquivar-se da exação tributária, sob pena de desaguar em caso de evasão fiscal, ainda que tal ato esteja dotado da devida anterioridade ao momento da ocorrência do fato gerador. Arremata IVES GANDRA DA SILVA MARTINS3 que a elisão fiscal é o mecanismo utilizado para "evitar, reduzir o montante ou retardar o pagamento de tributo, por atos ou omissões lícitos' do sujeito passivo, anteriores à ocorrência do faro gerador" Sao preciosos os ditos parâmetros, na medida em que o surgimento da obrigação tributária está incondicionalmente atrelado b. ocorrência do fato gerador, o que permite concluir, sem sombra de dúvidas, que a decorrência lógica é de que os procedimentos elisivos, seja pot ação ou omissão de seu executor ou responsável de fato ou direito, em sendo anteriores ao momento em que a abstração normativa se materializa no campo dos fatos, torna o tributo inexigível. E se a tributação não é possível, porque não materializado o fato gerador, inexiste razão jurídica útil em tornar inoponivel à Fazenda Pública determinado negócio jurídico — praticado de forma licita - se não esta realizada a hipótese de incidência, se não se aperfeiçoou a obrigação tributária. 2 DORIA, Antônio Roberto Sampaio Evasão e Elisão. 2. ed São Paulo, Bushatsicy, 1977 3 MARTINS, Ives Gandra da Silva. Norma Antielisão é incompatível com o Sistema Constitucional Brasileiro , In ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord ) O Planejamento 'Tributário e a Lei Complementar 104. 1" ed. São Paulo, Dialética, 2002, p. 117-128 12 Process° n°18471 000214/2005-18 CSRF-T2 AcôrdEio n." 9202-01.194 Fl 7 Não é o caso, entretanto, numa situação em que, materializado o fato gerador, o negócio pactuado vem a interferir, ou pretenda interferir, em algum elemento da obrigação tributária ou quando é acobertado por um negócio simulado, ou através de abuso de formas. A sonegação, fraude ou simulação, ern seu caráter absoluto, é aquela situação que denota algo irreal, inexistente no mundo jurídico, exatamente por não corresponder a realidade e ser decorrente de uma expressão da falsa vontade, podendo, ainda, apresentar-se como de caráter relativo, verificada quando existe ato ou negócio que visa dissimular a ocorrência do negócio realmente praticado, destinando a produzir efeitos entre as partes, fantasiando/maquiando aquele a ser o aparente perante terceiros. Feitas estas breves considerações, simplórias diante dos mais abalizados fundamentos imprimidos aos autos, tanto no Acórdão recorrido, seja pelo voto vencedor ou o vencido, como pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, passamos a análise do recurso interposto, de modo a verificar a configuração ou não da ilicitude do ato ou negócio para a finalidade de sua descaracterização e conseqüente imposição da exação tributária. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, ao contribuinte fora imputada a conduta de haver dissimulado, mediante a interposição de empresa criada no exterior distribuição de lucros, ou seja, de ter agido de modo a acobertar o real negócio jurídico ou ato que pretendia realmente valer-se, qual seja a distribuição dos lucros da SANTANA INTERNATIONAL LTD. a sua pessoa, através das empresas DIL, e BIL. Fato é que todas as operações levadas a efeito pelo contribuinte, como veio a ser reconhecido pelo Acórdão guerreado, ocorreram durante três anos fiscais, ou seja, de 1999 a 2001, quando se deu o último ato praticado, a redução do capital social de DIL e BIL assim procedida por GUILHERME AUGUSTO FRERING, contribuinte ora recorrido. A principio mister reconhecer que todos os atos praticados foram anteriores a ocorrência da materialização do fato gerador, qual seja, eventual aquisição de renda pelo recorrido.. Referida constatação, aliado ao fato de que todas as operações de transferência de participação societária - figura bem mais provável de ser o caso em questão — foram conduzidas com amparo na legislação de regência, com as devidas comunicações, registros e publicações nos órgãos competentes, escrituração contábil, ate onde se sabe devidamente realizada, inclusive com o envio das declarações referentes a "triangularização" de empresas para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, demonstram estarmos defronte, a principio, de uma operação por meio da qual o contribuinte procurou sim, de forma licita, afastar-se do campo da incidência tributária antes da ocorrência do fato gerador objeto do auto de infração, agindo nos moldes da elisão tributária. Contudo, conforme j á explicitado alhures, havendo algum defeito no negócio jurídico, restará inconteste a tributação da real operação engendrada, como foi o caso de haver sido imputado ao recorrido a simulação, fato este sustentado nas razões recursais da Procuradoria. Valiosas, neste ponto, as ponderações do ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, constantes do deciszun atacado, As fis. 719, que ao examinar a demanda assim se manifestou: " 6?1 13 Como não há foina de adentrar a psique de quem praticou os, atos psique de quem praticou os atos prna cilerir corn exatidão a existência de tal divergência, mister se/az examinar a examinat a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as- consequências e ônus, de toda sorte(juridico, fiscais, operacionais, negociais, etc )da. forma jurídica adotada Nan se cuida, com isso, de tributar o coo segundo o resultado económico por ele perpetrado, no moldes da teoria da into pretação económica incompatível com o principio da legalidade, eis que o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alto nativas juridicamente viáveis- para atingir detem minado objetivo económico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal, Entretanto, ao escolher unia alto nativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da catga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ónus dela decorrentes e deve have, coerência jurídica, no âmbito do direito pm ivado, entre a forma adotada e sua implementagão prática, mesmo que referida foi ma não esteja sendo adotada pal a o seu fim tipico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indheto, plenamente viável em nosso ordenamento. Ë a ausência dessa coerência, por exemplo, que tem motivado esta C. Ccitnara a considerar simuladas estruturas que envolvem contratos de associação de duragrio efêmera (muitas vezes de horas), adotadas para evitar tributação sabre o ganho de capital na alienação de bens, em que as circunstâncias de fato indicam que a substância do ato praticado não era de um contrato de sociedade, tendo em vista a ausência do elemento subjetivo a ele inerente — a offectio societatis O que macula o ato nesse caso, a meu vet, não é a intenção de reduzir a carga tributária aplicável, mas a evidente não assunção das conseqüências da fin ma adotada ao se desfazer a associação imediatamente após a sua constituição. " Ao que interesse no desate da pretensão objeto do Recurso Especial, em confronto com as demais alegações da parte recorrida e, inclusive, com o fundamento utilizado pela fiscalização, o auto de infração não reuni condições de subsistir_ Da análise da serie de eventos levados a efeito pelo contribuinte não há como se depreender que houve a simulação. Explico. Foram por este e por suas empresas controladas realizadas a compra e venda de quotas de capital social (por preço de mercado), distribuição de dividendos e redução de capital social. Todas as operações foram realizadas de forma legal, conclusão que pode ser adotada simplesmente do fato de que no Termo de Verificação Fiscal não consta, sequer, a indicação de qualquer ilegalidade praticada em referidos negócios, nem mesmo a imputação de preço vil, mas ao contrário, tudo fora efetuado por prego de mercado . E, em sendo prego de mercado, resta comprovado o indicativo de que tais transações se fossem realizadas com terceiros, certamente trariam em seu bojo valor econômico semelhante. 14 Processo n" 18471 000214/2005-18 CSRF-T2 Acórciiio n " 9202-01.194 Fl 8 Não sobressai, ainda, da análise da conduta do contribuinte, qualquer forte indicio de que os atos realizados não teriam como finalidade a exteriorização da vontade real do autuado, seja no momento de sua realização isolada ou ern conjunto, o que demonstra a coerência do negócio realizado corn vontade declarada e exteriorizada, conoborando o entendimento que os atos não foram irreais ou mesmo dissimulados. Não existe óbice legal h constituição de empresas de investimento no pais ou no exterior, muito menos que delas conste um sócio controlador em comum, sendo a sua característica intrínseca a participação em outras empresas e/ou em negócios que sejam de seu interesse, com a finalidade da obtenção de lucros, que, certamente, em determinado momento serão aproveitados. Ademais, também não há como se constatar, e neste ponto nem mesmo justificou o fiscal autuante, de que forma se verificou a ocorrência da vontade de dissimular, ou mesmo de simular urn negócio jurídico para que o contribuinte viesse a esquivar-se da tributação sobre a distribuição dos lucros da SU— Simplesmente urna operação negocial fora desconsiderada sem conquanto ter-se demonstrado, inequivocamente, tratar-se de ato simulado a atrair a incidência da tributação, motivo pelo qual, mais do que a vontade cm dissimular, o que emerge em evidência nos autos, diante de todo o conjunto de operações licitamente realizadas, fora a vontade de tributar, sem o devido respaldo legal. Aliás, perfunctória leitura do Termo de Constatação Fiscal, As fls. 437/439, nos leva a conclusão que nem mesmo a autoridade lançadora detinha a devida certeza da existência de atos simulados, tendentes h amparar a pretensão do Fisco, corno segue: "Entendemos que, em tese a constituição e a atuação da empresa DESIDERATA INVESTMENTS LTD, de integral controle do contribuinte, visava dissimular a distribuição cia lucros e sua conseqüente tributação, através do conjunto de operações que de forma articulada e "triangular", transferiu o lucro da SANTANA INTERNATIONAL LTD para o contribuinte questão " Ora, ao inferir que os atos negociais praticados pelo contribuinte, em tese, visavam dissimular a distribuição de lucros e sua conseqüente tributação, a fiscalização por si só fragilizou a exigência fiscal. Como se observa, não existe urna aprofundamento na matéria, na forma que o caso exige, de maneira a corroborar h conclusão adotada pela fiscalização. Ao revés, autoridade fiscal, tão somente elencou os atos praticados pelo contribuinte, concluindo que em tese tenham por finalidade dissimular a distribuição de lucros e a respectiva tributação. Por sua vez, totalmente plausível a argumentação do contribuinte, escorada em atos lícitos e possíveis, sobretudo quando a fiscalização não indicou qualquer fundamento para rechaçar a conduta do contribuinte. E bem verdade que a legislação de regência autoriza A autoridade lançadora, juizo próprio, desconsiderar/descaracterizar atos praticados pelos contribuintes. Entrementes, tal procedimento deverá ser devidamente fundamentado, indicando a fiscalização quais os motivos que a levaram a não admitir os atos realizados pelos administrados. Trata-se, pois, de atividade fiscal excepcional, devendo, portanto, estar devidamente motivada. 15 Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In cctsit, havendo dúvidas quanto a licitude dos atos praticados pelo contribuinte, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, corno ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir pela existência de simulação tão somente porque não houve o pagamento de tributos, pretensamente devidos, em momento posterior, diga-se de passagem. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, corno segue: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, pi opor a aplicação da penalidade eabivel " Decorre dai que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o onus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, so podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do féito, corno aqui se vislumbra, Ademais, corno é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o Onus da prova cabe a quem alega, in caste, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção no caso de pretensa simulação, a partir de planejamento tributário estribado na elisão fiscal, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo/devendo para tanto, inclusive, intimar todas as partes interessadas para confirmar a idoneidade dos atos negociais efetuados pelo contribuinte. A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra "Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro", nos seguintes termos: B) Dever de prova e "in dúbio contra fiscum" One o encaro da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por folio de prova (berveilbiekeit), esta deve abster-se de praticar o lançamento ou deve praticá-lo com urn conteúdo quatitativo inferior, iesulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas [..] " (Xavier, Alberto — Do lançamento no direito tributário brasileiro — 3" edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Outro não é o posicionamento do eminente professor Paulo de Barros Carvalho, que assim preleciona: " Corn a evolução da doutrina, nos dias atuais, não se acredita mais na inversão da prova por . força da presunção de 16 Process° n" 18471 000214/2005-18 CS1117-1- 2 AcórdElo n° 9202-01.194 11 9 legitimidade dos atos administrativos e tampouco ,se pensa que esse atributo exonera a Administração de provar os ocorrências que afirmar terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico achninistrativo seja devidamente fundamentado, o que siznifica ditei' que o Fisco tent que oferecer prova contundente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão zenérica da hipótese normativa." (CARVALHO, Paulo de Harm. Notas sobre a Prova no Procedimento Administrativo Tributário, In: SHOUERI, Luis Eduardo — cood. — Direito Tributário: Homenagem a Alcides Jorge Costa.. Sao Paulo: Quartier Latin, 2003, v. II, p. 860) (grifamos) Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firma e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação por parte do fiscal autuante dos fatos imputados aos contribuintes, mormente quando o lançamento não se apoiar em presunções legais, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: "MAI — OMISSÃO DE RECEITAS — Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e nâo comporta incerteza. Havendo dúvida sobie a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por faro do diposto no art, 112 do CTN." (7° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes Acórdão a' 107-06.229 — Sessão de 22/03/2001) 7-1 1RPF — PRESUNÇÕES — Em matéria tributária as presunções admitidas somente se referem ás expre,ssanzente autorizadas em lei, presentes os pressupostos legais exigíveis a sua :;astentação, " ( 4' Câmara do 1" Conselho de Contribuintes — Acói drio n" 104-16,433 — Sessão de 08/07/1998) "IRPF - ATIVIDADE RURAL - CONDOMINIO - RENDIMENTOS OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRESUNÇÃO - A obrigação tributária deflui da lei, não podendo criar imposição fiscal por mera presunção subjetiva da autoridade administrativa. Os rendimentos da atividade rural em condomínio devem ser tributados na proporção que couber cada um, ex vi do artigo 13 da Lei n. 8.023/90, art. 13. Recurso provido." ( 2° Câmara do 1° Conselho Contribuintes — Acórdão n° 102-44022, Sessão de 08/12/1999) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, deixando a autoridade lançadora de justificar a não aceitação dos atos negociais praticados pelo contribuinte, notadamente quando sequer indicou qualquer motivo capaz de macular a idoneidade de aludida conduta, não se pode cogitar na manutenção da exigência fiscal. Mais a mais, o conjunto probatório trazido à colação pelo contribuinte se apresenta robusto, prevalecendo em face de uma simples presunção do fiscal autuante, desprovida de qualquer fundamento fático ou legal, 17 Rycardo que Magalhães de Oliveira Não bastasse isso, corn o fito de refutar qualquer dúvida em relação matéria, além da injustificada desconsideração dos atos praticados pelo contribuinte, a pretexto da ocorrência de suposta dissimulação, mister esclarecer que, no entendimento deste relator, ainda que tivesse havido a conduta do contribuinte atribuida pela fiscalização, a ocorrência do fato gerador não teria ocorrido em 11/04/2000, por ocasião da distribuição de dividendos da SIL para a BIL ea DEL. Destarte, mesmo que se aceite a conclusão fiscal, da ocorrência de dissimulação, objetivando maquiar a distribuição de lucros ao contribuinte de fonte no exterior, tal fato so teria se consumado ir época da redução do capital das empresas DIL e BIL, em 26/01/2001, corn a entrega do dinheiro ao contribuinte, mas não antes, como fora admitido, quando aquelas duas empresas recebem dividendos da SIL, pelo simples fato de o autuado ser proprietário de suas cotas,. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 4' Camara do I° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado., Por todo o exposto, estando o Acórdão atacado em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER PARCIALMENTE 0 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, somente quanto pretensa Simulação, E NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, em e das razões de fato e de direito acima esposadas 18 Processo 18471.000214/2005-13 Accircliio o 0920201.194 CSR -T2 F1 10 Voto Vencedor Conselheiro Julio César Vieira Gomes, Designado Inicialmente, deve ser esclarecido que o presente voto divergente enfrenta a análise das operações realizadas pelo contribuinte quanto à validade dos efeitos jurídicos tributários, descritas no relatório deste acórdão, Corn a devida vênia, divirjo do entendimento do ilustre relator e digo o porquê. No que tange ao exame de admissibilidade da parte do recurso especial quanta à possibilidade de concomitância entre a multa de oficio e a multa isolada, o colegiado entendeu, por maioria de votos, que não restou comprovada a divergência jurisprudencial, prevalecendo, assim, corno vencedor o voto condutor do ilustre relator; dispensando-se para tanto a designação de conselheiro-redator. ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte corn redução de tributo evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua4 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: "ocorre simulação quando o ato existe apenas aparememente, sob a .forma em que o agente faz entrar nas relagães da vida; um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir' eleito diverso do ostensivamente indicado.'" A propósito, o Código Civil traz em seu artigo 167 o que se entende por simulação, corn os mesmos elementos do que apresentamos. A simulação compreende a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação juridica. Art. 167, § I° - Haverá simulaVio nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferi,' ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transnritem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares ,forem antedatados, ou pós- datados. " Dos fatos Examinados os autos e o memorial trazido pelo contribuinte, constato que os fatos podem ser agrupados em duas fases: 4 Bevilaqua, Clovis Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 19 a) Fase de estruturação (de 28/10/1999 a 08/12/1999): criações e aquisições de empresas e transferências de capital; b) Ease de consumação (de 11/04/2000 a 07/02/2001): recebimento de dividendos, extinções de empresas e reduções de capital. E estão detalhadarnente apresentados no relatório do presente acórdão, podendo assim set sintetizados: ao invés de serem diretamente distribuídos ao contribuinte os dividendos da SIL (Santana International Ltd), optou-se pela criação de duas empresas interpostas entre a SIL e o contribuinte, criadas apenas com as ações que o contribuinte possuía da SIL: BIL (Brasfina Investiment Ltd) e DIL (Desiderata Investiments Ltd). Sendo que apenas duas coincidentes operações marcaram a curta existência dessas duas empresas: recebimento de dividendos da SIL para, após, serem extintas pela redução do capital social em proveito do contribuinte. Ou seja, essas empresas sediadas no exterior e que carregam em suas razões sociais a finalidade de realizarem os mais diversos investimentos nunca investiram USS 1,00 em qualquer outra empresa ou atividade econômica, Não se nega que, isoladamente, cada operação realizada é revestida das formalidades necessárias para sua comprovação. Sim, de fato, todas as operações foram praticadas. Os balanços patrimoniais, demonstrativos de resultados, atas de reuniões societárias e outros documentos comprovam isso; contudo, não poderia ser diferente . Na simulação, necessita-se que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos seriam evidenciados e não se alcançariam os efeitos desejados. Existe simulação quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. No que se refere aos atos isoladamente, todos estão perfeitamente formalizados; tomadas um a urn encontram validade. Essa característica da forma é importante para convencer o observador de que aparência e realidade coincidem; mas, convence o "míope", aquele que ao enxergar somente de perto so vê as partes e não o conjunto como um todo. Em conjunto, a obra é travestida. Com todas as vênias, compreender corno válida a arquitetura ora objeto de exame implica aceitar que uma obra possa ser construída corn a finalidade de ser demolida. Pois é isso que teria acontecido: as empresas BIL (Brasfina Investiment Ltd) e DIL (Desiderata Investiments Ltd) teriam sido criadas para serem extintas. Seria esse o propósito negocial? Certamente que não. Nas peças recursais não se defende outro propósito dissociado da vantagem obtida em redução de tributo. Não há um propósito não tributário. Salienta-se, ainda, duas características relevantes para a conclusão sobre a simulação: a) todas as operações para obtenção da redução de tributo, fhse de estruturação, foram realizadas em pouco mais de 1 mês; e b) todos os participantes das operações possuem interesse comum e se identifica relação de dependência entre si, especialmente o controle exercido por parte do contribuinte. Dos preceitos constitucionais Ainda, essa vantagem econômica se perpetuou em prejuízo de terceiro estranho As operações, no caso a Fazenda Nacional; do que conduz à aplicação da desconsideração por abuso da personalidade jurídica, artigo 50 do Código Civil, instituto do 20 Processo n" 18471 000214/2005-18 CSRF- 12 Acórcliio o" 9202 -01.194 Fl. 11 direito privado que emergiu dos preceitos reclamados pela atual constituição federal: o abuso da pessoa juridica para obtenção de vantagem pessoal estranha As finalidades da entidade e em prejuízo de terceiro. Ressalta-se também que a garantia da liberdade de auto-organização encontra limites nos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da isonomia tributária e, dentre outros, da livre concorrência. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem j,or fim assegurar a todos existéncia digna, coq/brine os ditames da justiça social, observados as seguintes princípios • livre concorrência; Art. 173 ( ) .sç 5" - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a its punições compatíveis com sua natureza, nos alas praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular Nesse fundamento o ilustre relator não diverge, conforme trecho de seu voto: O conhibuinte, a despeito de exercer a liberdade negocia!, em face do principio da legalidade não poderá valer-se de meios ilegais para esquivar-se da exação tributária, sob pena de desaguar em caso de evasão fiscal, ainda que tal ato esteja dotado da devida anterioridade ao momento da ocorrência do fato gerador Da jurisprudência A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, desde a época dos conselhos de contribuinte, formou jurisprudência no sentido da prevalência do conteúdo sobre a forma, da investigação dos propósitos, na busca da licitucle dos atos e na verdade dos fatos. Dentre tantos, cita-se o acórdão n° 104-21.675, de 22/06/2006, que foi objeto de estudo minucioso na obra "Planejamento Tributário e o Propósito Negocial 5", que teve como co-autor o Conselheiro Mauro Jose da Silva: N" Acórdão 104-2167.5 -Tributo / Matéria 1RPF- ação fiscal (AF) Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminare.s argüidas pelo Recorrente, No mérito, por maioria c/c votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lion Haddad e Rends Almeida Esta!, que proviam pardo/mente o recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a a 7.5%. 5 SCHOUERI,Luis Eduardo; FREITAS, Rodrigo de. Planejamento Tributário e o Propósito Negocial — Mapeamento de Decisões do Conselho de Conti ibuintes de 2002 a 2008— São Paulo: Quartier Latin, 2010. 21 Ementa: SIMULAÇÃO - CONJUNTO PROBATÓRIO - Se o conjunto probatário evidencia que os atos fbrmais praticados (reorganização societária) divergiani da real intenção subjacente (compra e venda), caracteriza-se a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existencia de objetivo diverso daquele configur ado pelos atos praticados, seja ele clam ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SE0 CIÊNC1A - O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade: não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os trios praticados anhani objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRA TRIBUTARIA - O principio da liberdade de auto-organização, mitigado que foi pelos principias constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação,. negocia!, soh o argumento de exerckio de planejamento tributário Além disso, outros elementos se pr estam a comprovar que o conjunto de operações levado a cabo pelo contribuinte tinha o objetivo único de impedir a ocorrência do law gerar/ar, simulando situação que, por si só, é inconsistente, a saber: ealizagiio de operações em seqüência, porém com um objetivo único subjacente; operações inconsistentes entre si - associação e imediala reorganização societária efetuadas ern urn curto espaço de tempo, análise da situação anterior e posterior realização das opera cães, indicando os efeitos de uma compra e venda, e não de uma associação/reorganização societária; total ausência de motivação extratributcn ia, A obra identificou alguns elementos freqüentes nos casos de simulação: inexistência de outro motivo que não o tributário, a forma aparente se distancia da realidade, a validade na formalização dos atos tornados isoladamente induzindo a erro de conhecimento, curto espaço de tempo na realização de todas as operações, relação de dependência entre as partes envolvidas e coincidência de interesses, incoerência das operações realizadas para convencer da existência de propósito negocial não tributário justificável, ausência de affectio societcztis Ou seja, ainda que as operações sejam diferentes em cada caso, há características objetivas comuns que denunciam a simulação. Veja-se também, nesse compasso, o que se vem entendendo corno planejamento fiscal válido e justificável, elisão fiscal: 1RPJ ELISÃO FISCAL. Se os negócios não são efetuados com o único propósito de escapar ao tributo, mas sim efetuados Coal objetivos econômicos e empresariais verdadeiros, embora com recurso ás formas juridicas que proporcionam maior economi a. tributária, há elisão • fiscal e não evasão ilícílci. De se aceitai-, portanto, a cisão como regular e legitima, no caso dos autos. Set viços prestados que se provar am necessários e efetuados. Primeiro Conselho de Contribuintes. Primeira Gin:am Acórdão n ° 101-77,837. Recurso n.° 92.319. Recorrente . Lamesa Industrial e Comercial Ltda Recorrida.. DRF' cru Campinas (SP) Relator U, gel Pereira Lopes. Brasilia, 11 de julho de 1988. 22 PUOCeSSO IP 18471 000214/2005-18 CSRF-T2 Accirdao n " 9202-01.194 Fl 12 Por tudo, entendo que está configurada e demonstrada nos autos a simulação corn finalidade de reduzir tributo. Assim, na parte conhecida do recurso especial, voto pelo seu provimento. Juli Vieira Comes 23
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000496/2002-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL – COFINS
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO APENAS EM RELAÇÃO AO QUESTIONAMENTO QUANTO À APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO, COM BASE
NA RETROATIVIDADE BENIGNA PREVISTA NO ART. 106, II, “c”, DO CTN.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
Os embargos declaratórios são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso. Embora o questionamento quanto à aplicação da multa de ofício, com base na retroatividade
benigna, não tenha sido objeto de análise no acórdão embargado,
a matéria não foi impugnada, sendo que a função do recurso no
âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ.
Segundo o artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á
não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente.
Embargos de declaração acolhidos em parte e improvidos.
Numero da decisão: 3202-000.440
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos em parte, e, nessa parte, improvidos.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Gilberto de Castro Moreira Junior
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OMISSÃO APENAS EM RELAÇÃO AO QUESTIONAMENTO QUANTO À APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO, COM BASE NA RETROATIVIDADE BENIGNA PREVISTA NO ART. 106, II, “c”, DO CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os embargos declaratórios são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso. Embora o questionamento quanto à aplicação da multa de ofício, com base na retroatividade benigna, não tenha sido objeto de análise no acórdão embargado, a matéria não foi impugnada, sendo que a função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Embargos de declaração acolhidos em parte e improvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos em parte, e, nessa parte, improvidos. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Fl. 16DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 221 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos contra o Acórdão n.º 3202 000.273, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, em face das omissões a seguir apontadas: a) Quanto à arguição de nulidade da decisão da DRJ: a.1) alega a Embargante que a decisão da DRJ deixou de analisar questão relacionada à inobservância do art. 3º da IN nº 94/97, que havia sido suscitada em sua impugnação. Tal omissão acarretaria sua nulidade por flagrante desobediência ao quanto dispõe o art. 31 do Decreto nº 70.235/72; a.2) entende a Embargante que a decisão da DRJ deixou de se manifestar sobre o fundamento que embasou a lavratura do auto de infração, qual seja: a existência de ação judicial para sustentar a compensação pleiteada, a qual afastaria a alegação de falta e/ou não comprovação de pagamento; b) Quanto à arguição de insubsistência do lançamento: alega a Embargante que o acórdão ora embargado não analisou a legalidade subjetiva da decisão da DRJ, que fora arguida em sede de recurso voluntário. Alegando que a fundamentação da não homologação da compensação é diversa da utilizada para embasar a lavratura do auto de infração, entende a Embargante que a autoridade julgadora extrapolou sua competência para análise, que deveria se restringir, estritamente, aos termos do lançamento. Tal abrangência implicaria em sua nulidade, por flagrante desobediência ao quanto dispõe o art. 31 do Decreto nº 70.235/72, fato este que deveria ter acarretado a declaração de nulidade da decisão da DRJ. Demais disso, afirma que a autoridade fiscal não apresentou a memória de cálculo do crédito que lhe foi negado; c) Quanto à aplicação do art. 3º da IN nº 94/97: a Embargante entende que a alegação de que o auditor fiscal ignorou o disposto no art. 3º da IN nº 94/97 durante a instrução processual, reiterada em sede de recurso voluntário, deixou de ser esclarecida no acórdão ora embargado; e d) Quanto à aplicação da multa de ofício: por fim, alegase que a questão sobre a impossibilidade de aplicação da multa de ofício não foi analisada no acórdão ora embargado. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 222 Transcrevo, a seguir, o trecho da ementa do Acórdão nº 3202000.226 objeto dos presentes embargos: “NULIDADE DE DECISÃO. INEXISTÊNCIA. Ainda que exista processo judicial que trate dos débitos objeto de autuação, e verificado o trânsito em julgado da ação, cabe a apuração, por parte das autoridades fiscais, dos valores informados para que se constate a consequente extinção de tais débitos ou eventual excesso de compensação. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Depois de realizada a análise do direito creditório do sujeito passivo, houve a constatação no sentido de que o sujeito passivo não possuía créditos suficientes para extinguir os débitos presentes no lançamento.” É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. Nulidade da Decisão da DRJ Conforme mencionado acima, a Embargante pleiteia a nulidade da decisão da DRJ em Florianópolis (“DRJFNS”) com base em supostas irregularidades praticadas pela autoridade julgadora, referentes à falta de enfrentamento da alegação de inobservância do art. 3º da IN n. 94/97, suscitada em sede de impugnação, bem como à utilização de fundamento diverso do mencionado no auto de infração para justificar a manutenção do lançamento. Quanto à primeira causa de nulidade levantada nos presentes embargos declaratórios, cumpre tecer alguns comentários acerca do dever de decidir do julgador no Fl. 18DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 223 processo administrativo. Conforme dispõem os arts. 3º c.c. 48 da Lei n. 9.784/99, “a Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência”, na mesma medida em que é direito do administrado “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente”. Ou seja, todos os argumentos e provas apresentados durante o processo devem ser analisados e sopesados para a formulação de uma decisão administrativa. Contudo, é necessário ressaltar que isso não significa que o julgador deve discorrer, especificamente, sobre cada um dos pontos apresentados. Como o método de julgamento adotado por nosso ordenamento jurídico é o do livre convencimento motivado, o julgador tem o dever de analisar todos os pedidos formulados no processo, podendo, para tanto, utilizar todos ou somente alguns dos argumentos apresentados pelas partes para fundamentar sua decisão. Isto é, contanto que esteja claro que o julgador levou em consideração todos os argumentos apresentados, não é necessário o debate exaustivo de cada um deles na parte do mérito. O julgador tem a liberdade de embasar sua decisão em apenas um dos pontos apresentados, se este for suficiente para convencêlo da verdade dos fatos alegados. Sobre o tema, é pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535, I e II, DO CPC. NÃO CONFIGURADA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535, I e II, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. Recurso especial a que se nega seguimento (art. 557, caput, do CPC)."(RESP 665.538/PE, Ministro Luiz Fux, 1ª Turma,, DJ de 17.12.2004) (grifouse). Sendo assim, tendo em vista que, no presente caso, a alegação de inobservância do disposto no art. 3º da IN 94/97 foi levantada apenas para comprovar a irregularidade do procedimento e justificar o pedido de anulação do auto de infração, não há que se falar em omissão por parte da autoridade julgadora da DRJFNS. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 224 Cumpre salientar, inclusive, que embora haja menção específica sobre este ponto nos fatos da decisão, o mesmo não foi reiterado em seu mérito porque, por entender que a ora Embargante não possuía direito à compensação pleiteada, não houve necessidade de adentrar questões procedimentais. Ademais, em relação ao argumento de que a decisão da DRJFNS utilizou fundamento diverso do mencionado pelo auditor fiscal autuante, fazse necessário esclarecer que não houve qualquer alteração, senão gramatical, na justificativa que embasa o lançamento. É evidente que a comprovação da existência de processo judicial se refere à demonstração da exigibilidade do direito de compensar, que somente pode ser imposto perante a Administração Pública após o trânsito em julgado da decisão que lhe reconhece, já que a mera comprovação de sua existência não é suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito exigidas pelo art. 170 do CTN. Em outras palavras, ao fundamentar sua decisão na falta de trânsito em julgado da sentença judicial, o julgador nada mais fez do que explicitar o que já era a intenção do auditor fiscal autuante. Tal fato não é capaz de configurar a alteração do fundamento do auto de infração, na medida em que não houve mudança no significado, mas somente na forma de expressão. Por fim, ressaltese, como a ora Embargante já argumentou, a existência do processo judicial pode ser facilmente verificada pela simples consulta ao site do órgão judicante, motivo pelo qual se torna ainda mais evidente que não era essa a interpretação correta a ser dada à fundamentação do lançamento. Da Insubsistência do Lançamento Em relação aos requisitos formais da decisão e do auto de infração, entende a Embargante que houve omissão, no acórdão ora embargado, por não terem sido abordadas as questões concernentes à ilegalidade gerada pela fundamentação diversa da decisão da DRJ FNS, bem como à falta de sua memória de cálculo. Defendeuse a tese de que, ao extrapolar os limites da fundamentação do auto de infração, houve mácula ao art. 31 do Decreto nº 70.235/72, fato que resultou na ilegalidade Fl. 20DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 225 da decisão da DRJ. Por estabelecer suposta imputação nova, o contribuinte alega ter sofrido cerceamento de defesa, já que seus argumentos já haviam sido apresentados em sede de impugnação, não sendo o recurso voluntário o instrumento correto para tal mister. Tal argumento seria plausível se, de fato, houvesse ocorrido alguma alteração na fundamentação da decisão da DRJFNS, em confronto com a utilizada para embasar o auto de infração, questão esta que já foi esclarecida no item anterior desta decisão. Quanto à falta da memória de cálculo, esta não foi anexada ao auto de infração por ausência de sua obrigatoriedade. Como o crédito nele cobrado se refere apenas à compensação feita pela Embargante, que naquele momento não foi capaz de comprovar a existência de seu direito creditório líquido e certo, a guia de recolhimento com o valor atualizado era suficiente para demonstrar a correção dos valores. Ademais, com base no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece os requisitos formais do auto de infração, notase que a memória de cálculo não é parte obrigatória do lançamento. O auditor fiscal tem o dever de determinar a exigência, que, como mencionado acima, foi cumprido pela entrega da guia de recolhimento com o valor atualizado do crédito, não sendo motivo de ilegalidade a falta da referida memória de cálculo. Da Irregularidade Procedimental A respeito do procedimento prévio à lavratura do auto de infração, considera a Embargante que houve inobservância quanto ao disposto no art. 3º da IN 94/97, que estabelece a obrigatoriedade de intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos sobre qualquer falha detectada na declaração de compensação, salvo se estiver claramente demonstrada e apurada a infração. Em que pesem os argumentos apresentados sobre a falta de evidências que deveriam ensejar a intimação do contribuinte, é necessário esclarecer que tal juízo de valor é competência exclusiva da autoridade responsável pela revisão da compensação. Nesses termos, encontrase o parágrafo único do mesmo dispositivo, que, ao prever a dispensa da referida intimação a critério do auditor fiscal, conferiu a ele o poder de avaliar o caso concreto com base em parâmetros subjetivos, in verbis: Fl. 21DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 226 “Art. 3º O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Parágrafo único. A intimação de que trata este artigo poderá ser dispensada, a juízo do AFTN: a) se a infração estiver claramente demonstrada e apurada; b) se verificada a inexistência da infração.”(grifouse). Ou seja, sendo este um ato discricionário da autoridade administrativa, somente a ela cabe a análise da conveniência e oportunidade das circunstâncias que o rodeiam. Logo, tal decisão não é passível de discussão por parte do contribuinte, já que se reveste de total legalidade. Da Multa de Ofício Por fim, argumenta a Embargante que, no acórdão aqui em discussão, não foi analisada a questão da impossibilidade de aplicação da multa de ofício, com base no princípio da retroatividade benigna das normas tributárias, previsto no art. 106, II, ‘c’ do CTN, em razão das alterações feitas na Lei nº 9.430/96 e das limitações trazidas pela Lei nº 10.833/03. Observase, no entanto, que a Recorrente apresentou, em sede recursal, novo argumento que não foi levantado na impugnação. De acordo com o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ressaltase que a fase recursal tem como fundamento o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras de JAMES MARINS: “A ideia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 227 Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação à Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária. Entretanto, passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, a Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terseia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Neste sentido, já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: MATÉRIA NÃO ALEGADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO, Na fase recursal não se conhece de matéria de direito que não tenha sido alegada na impugnação, ficando caracterizada a preclusão. No caso, a autuada, quando da impugnação, reconhecera expressamente que as receitas financeiras deveriam compor a base de cálculo da Cofins, o que parece pretender, ainda que de forma indireta, contestar somente agora, na fase de apresentação de seu Recurso Voluntário (CARF, Acórdão 340100.947 — 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26 de agosto de 2010). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. Considerarseá não impugnada a MATÉRIA que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. (CARF 2ª Seção / 2ª Turma, da 4ª Câmara / Acórdão 240201.744, Sessão de 12 de maio de 2011). Fl. 23DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 13975.000496/200216 Acórdão n.º 3202000.440 S3C2T2 Fl. 228 Assim, não cabe a análise das novas alegações apresentadas pela Recorrente no presente recurso devido ao fato de não terem sido anteriormente analisadas. Em face do exposto, acolho os embargos na parte referente à multa de 75% e, na parte acolhida, nego provimento pelas razões acima aduzidas. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 24DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001312/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO.
PRECLUSÃO.
Consideramse
precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não
submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na
fase recursal.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS.
Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da
Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por
insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou
fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com
eles estejam diretamente relacionados.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL.
INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a
exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e
serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às
importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas
em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de
frete internacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-000.881
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 3.81 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório NOVA ERA SILICON S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 163/179, contra o acórdão nº 0227.362, de 28/06/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 149/159, relativo à Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativo, referente ao 3º trimestre de 2005, no valor de R$954.022,83, cumulado com Declaração de Compensação, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: O contribuinte acima qualificado apresentou pedido de ressarcimento de créditos de Cofins com incidência não cumulativa (exportação) no montante de R$ 954.022,83, relativos ao 3º trimestre de 2005, e utilizado para compensar os débitos das declarações de compensação relacionadas à fl. 108. A fiscalização da DRF de origem verificou o direito ao ressarcimento pleiteado e elaborou o Parecer Fiscal de fls. 80/87, que vem acompanhado de documentos, demonstrativos e planilhas, concluindo pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento, com a glosa de créditos no valor de R$ 195.056,02. Foram glosados pagamentos efetuados às empresas Mol Brasil Ltda., Oceanus Agência Marítima S/A, Pennant Serviços Marítimos Ltda. e Wilson Sons Agência Marítima Ltda., por serem apenas agentes marítimos, e Hamilton Azevedo Rebello Filho e “VIX Cargo Serviços Aduaneiro”, por se tratar de serviço de supervisão das operações de recebimento de descarga e ovação de FeSi em containers ou de despachante, que não se enquadram nas hipóteses de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003). No caso dos pagamentos a agentes marítimos, a fiscalização constatou que estes são apenas prepostos do armador, que, por sua vez, presta o serviço de transporte marítimo internacional. Como o transportador não é domiciliado no País, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito, nos termos do art. 3º, §3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº Fl. 184DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 4.81 3 10.833, de 2003. Tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado. Assim, também não pode ser aproveitado o crédito conforme o art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, porque o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei. Com base no parecer da autoridade fiscal, decidiu a autoridade jurisdicionante homologar em parte as compensações declaradas até o limite do crédito deferido, nos termos do Despacho Decisório nº 3.285, de 3 de setembro de 2009 (fls. 107/109). Cientificado da decisão em 11/09/2009 (fl. 110), o contribuinte manifestou, em 13/10/2009, sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 111/122): Sendo uma empresa de caráter essencialmente exportador que explora o ramo da metalurgia, contratou, quando da ocorrência das operações de exportação, os serviços da empresa Mol Brasil Ltda. para cuidar de todos os procedimentos necessários ao transporte da mercadoria. Sabendo ser detentora de créditos decorrentes da contratação dos serviços de uma companhia domiciliada no Brasil, formalizou as Dcomps relacionadas. Embora já tenha esclarecido essa situação quando da apresentação de resposta a Termo de Constatação e Intimação Fiscal, a autoridade fiscal lavrou Auto de Infração, pois entendeu que a Nova Era Silicon S/A teria contratado uma empresa domiciliada no Japão, Mitsui O. S. K. Lines Ltda., para transportar suas mercadorias, importando a prestação de serviços desta. Porém, independentemente da premissa da qual se parta contratação de empresa domiciliada no Brasil ou importação de serviços possui direito aos créditos não reconhecidos. Em relação à autuação que sofreu em 2008, esclareceu em sua defesa que não houve pagamentos relativos a serviços de frete a companhias de navegação marítima domiciliadas no exterior, mas, ainda assim, a autoridade fiscal entendeu dessa forma. Também esclareceu que o art. 2º, X, da Lei nº 10.865, de 2004, estabelece que o PIS e a Cofins não incidirão sobre o custo do transporte internacional e de outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. E o art. 7º da mesma lei dispõe o que vem a ser valor aduaneiro, concluindose que os custos com transporte internacional e com outros serviços podem ser computados no valor aduaneiro e, uma vez isso se dando, não haverá a incidência da contribuição relativa à importação. Argumentou também a contrariedade ao art. 195, §9º, da CF/1988 pois, seguindo a interpretação dada pelo fiscal à Lei nº 10.865, de 2004, esta teria reservado tratamento diferenciado a quem contrata com empresa situada no exterior. Expôs, ainda, naquela defesa, que os valores que paga à Mol poderiam ir para os cofres da Mitsui, mas por conta da relação societária que ambas mantêm. Assim, é frágil o argumento fiscal de que a Mol Fl. 185DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 5.81 4 repassa à Mitsui os valores que recebe da Nova Era Silicon S/A e que isto descaracterizaria a relação entre a Nova Era e a Mol para estabelecer vínculo direto e imediato entre a Nova Era e a Mitsui. Por fim, foi aventado que, na eventualidade de prevalecer o entendimento do fisco, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, as empresas sujeitas à nãocumulatividade do PIS e da Cofins que recolhem essas contribuições sobre a importação podem se creditar, para fins de determinação daquelas, do montante pago a título destas, como adiante será demonstrado. Como já dito, contrata os serviços de uma companhia domiciliada no território nacional para cuidar de todos os procedimentos relativos ao transporte da mercadoria para o exterior. Essa operação, conjugada com o fato de que é seu o encargo do recolhimento do valor relativo ao frete, gera o direito ao crédito de PIS/Cofins, conforme o disposto no art. 3º, §3º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Mesmo que se considere o entendimento do fisco de que teria havido importação de serviços de transporte de mercadorias de uma empresa japonesa, a Lei nº 10.865, de 2004, em seu art. 15, concede créditos de PIS/Cofins nesse caso. A legislação citada também prevê que, do valor apurado, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Como as citadas leis deixaram de conceituar o termo “insumos”, na ausência de definição legal e não havendo norma obrigando à utilização subsidiária da legislação do IPI, deve ser considerado o sentido comum desse termo, conforme determina o art. 11, I, “a”, da LC nº 95, de 1998. Assim, devese entender como insumo, a “combinação dos fatores de produção (matérias primas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço”. E, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem, criandose uma despesa operacional, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Se a tributação deve recair sobre o valor agregado ao preço dos produtos, é porque está assegurado o direito de se tomar créditos em relação aos bens, serviços e encargos que, no decorrer da cadeia produtiva, tornaramse um custo ou despesa operacional. Isso fica claro quando o legislador insere nas normas a possibilidade de descontar os valores despendidos com combustível e lubrificantes. A relação de custos e despesas inerentes à obtenção de receitas disposta nos arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda serve como referência para aferição do que pode ser considerado “insumos”. Assim, o gasto realizado com o frete, que é uma despesa operacional, poderá ser descontado como crédito de PIS/Cofins, enquadrandose perfeitamente no disposto na legislação mencionada. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 6.81 5 Por fim, requer sejam acolhidas as suas razões, para que reste reformada a decisão combatida e cancelada a cobrança, extinguindose o crédito tributário, tendo em vista o direito ao crédito a que faz jus. A DRJ indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Incidência nãocumulativa. Direito de crédito. Frete internacional. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de Cofins, na sistemática de nãocumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, em 13/08/2010, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 163/179, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, exceto em ralação à solicitação de suspensão deste processo até que haja decisão definitiva no processo nº 10680.016014/200852, por meio do qual será definido se ocorrerá ou não o desembolso do PIS/Cofins importação. Este tema é colocado somente na fase recursal. Os demais argumentos foram postos nos seguintes termos: a) a fiscalização apegase ao fato de haver contrato firmado entre a Recorrente e uma empresa denominada Mitsui para daí extrair a conclusão de que é esta última e não a brasileira Mol, a responsável pela realização do transporte. Como a Mitsui é estabelecida no Japão, o Fisco entende que teria ocorrido importação de serviço de transporte, o que ensejaria, a seu sentir, a incidência do PIS/CotinsImportação. Por outro lado, a Mitsui possui o equivalente a 99,8% da composição societária da Mol Brasil. Assim, revelase frágil o argumento fiscal de que a Mol repassa à Mitsui os valores recebidos da Recorrente e que isto descaracterizaria a relação entre Recorrente e Mol para fins de estabelecer vínculo direto e imediato entre a Recorrente a Mitsui; b) na interpretação do fisco a Lei nº 10.865/04, teria reservado tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior, extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB. Sendo essa a interpretação, concluise pela inconstitucionalidade da norma; c) por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, bem assim, por conta dos serviços utilizados como insumos, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Por fim, requer a suspensão deste processo até que venha a ser definitivamente julgado o de nº 10680.016014/200852. Quanto ao mérito requer seja reconhecida a pertinência do crédito indevidamente glosado. É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 7.81 6 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado anteriormente, a interessada teve o ressarcimento solicitado glosado parcialmente, em virtude de os créditos decorrentes do transporte marítimo não terem sido considerados pelo fisco pelos seguintes motivos: a) o transportador não é domiciliado no País. Assim, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito; b) mesmo que a contribuinte houvesse recolhido a contribuição não cumulativa, tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado; c) o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei (art. 15 da Lei nº 10.865/04). Por outro lado a contribuinte aduz ter sido autuada por meio do processo nº 10680.016014/200852, pois, de acordo com o fisco, teria ocorrido importação de serviço de transporte o que ensejaria incidência do PIS/CofinsImportação. Assim, pede o sobrestamento deste até decisão definitiva da autuação, por entender que sua condenação nos autos de 2008 ensejará créditos a serem utilizados neste processo. O sobrestamento solicitado não deve ser deferido, conforme se demonstrará. Embora o processo referente à autuação date de 2008 e a manifestação de inconformidade relativa a estes autos tenha sido protocolizada posteriormente, em outubro de 2009 (fl. 111), não consta qualquer pedido de postergação de julgamento tratandose, portanto, de argumento novo trazido aos autos somente na fase recursal. Conforme os art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelas Leis nos 8.748/93 e 9.532/97 as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Portanto, não cabe a este colegiado apreciação de matéria trazida aos autos em sede de recurso voluntário, sob pena de ferir as regras do Processo Administrativo Fiscal. Ademais, de se registrar a inexistência de previsão legal que ampare o sobrestamento pleiteado, até porque valores cobrados por meio de auto de infração poderão ser objeto de parcelamento. Assim, como seriam considerados os créditos? Na medida em que as parcelas fossem sendo quitadas? Portanto, além de não haver previsão legal, não há razoabilidade em se aguardar o julgamento do processo precitado. A interessada entende que poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, devendo ser entendido como insumo, a combinação dos fatores de produção que entram na elaboração de determinado bem ou serviço. Nessa toada, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem ou serviço, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 8.81 7 Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Visando normatizar a previsão contida no art. 3º, inciso II, das Leis nos 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins), foram editadas as IN SRF nos 247/02 (art. 66, § 5º, I, “b”) e 404/04 (art. 8º, § 4º, I “b”), dispondo no seguinte sentido: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: (incluído pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) (grifei) No menso sentido dispõe a norma que trata da Cofins: Art. 8º. Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; [...] §9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: Fl. 189DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 9.81 8 I na alínea “b” do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea “e” do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. (grifei) Portanto, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim sendo, conforme bem observou a instância a quo, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Destarte, não prospera o entendimento da interessada de que frete contratado para o transporte internacional de mercadoria exportada possa ser considerado como um insumo utilizado no processo de produção ou fabricação desses produtos. Feitas essas considerações, passase ao cerne da questão, qual seja, o fato de o transportador não ser domiciliado no País e, como consequência, as despesas com frete internacional não gerarem crédito. A interessada alega que contratou os serviços de transporte marítimo, para exportação de sua produção, por meio da empresa Mol Brasil Ltda., sediada em São Paulo. Assim, indevida a glosa, vez que a empresa responsável pela realização do transporte possui domicílio no País. Compulsando os autos do processo, a partir do Parecer Fiscal às fls. 81/82, verificase que, em resposta à intimação endereçada à MOL Brasil Ltda. (fls. 31/37), esta afirma ser apenas preposto do transportador marítimo (armador), Mitsui 0.S.K Lines Ltd, com sede na cidade de Tokyo, Japão, conforme segue, in verbis: “A Intimada esclarece em primeiro lugar que, MOL BRASIL LTDA, empresa com sede na Av. Paulista, n.°283, 14° andar, Bela Vista, São Paulo, SP, CEP. 01311000, inscrita no CNPJ/M:F sob n° 69.070.092/000182, conforme determina seu contrato social tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo atualmente como seu principal cliente o transportador marítimo (armador) MITSUI 0.S.K LINES LTD, com sede na cidade de Tokyo, Japão, em 1 1, Toranomon, 2Chome, Minato ku. Para alguns portos do Brasil a Intimada contrata a título de subagente marítimo a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, com sede na Avenida Rio Branco, 25 — 4°. e 7°. andares — Centro — Rio de JaneiroRJ, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 00.423.733/000139, com filiais nos municípios de Rio Grande RS, Porto Alegre RS, São Francisco do Sul SC, Paranaguá PR,Santos SP, São Sebastião SP, Rio de Janeiro RJ, Vitória ES,Salvador BA, Recife (Suape) PE, Fortaleza (Pecém) CE, São Luiz MA,Belém PA e Manaus AM. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 10.81 9 Como mandatário do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD, a Intimada confirma receber em nome e por conta e ordem deste, valores da empresa NOVA ERA SILICON S.A, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 19.795.665/000167. Esclarece ainda que tais valores recebidos em nome e por conta do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD são todos originários do contrato de transporte marítimo internacional celebrado entre este armador e a empresa NOVA ERA SILICON S.A. Operacionalmente, os valores pagos pela NOVA ERA SILICON S.A a título de transporte marítimo internacional são creditados através de depósitos bancários/transferência eletrônica de fundos na conta bancária da Intimada e, após a confirmação do crédito bancário, esta comunica o recebimento, bem como solicita ao seu subagente, no caso a WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, a emissão de recibo contábil, possibilitando o desembaraço aduaneiro da carga. Seguem anexas cópias de uma operação completa (BL, comprovante de depósito, recibo, fechamento de câmbio, etc).(Doc.2) [...]” (grifos constam do original) Em virtude desses esclarecimentos o precitado Parecer Fiscal à fl. 82 registra: Desta forma foi solicitado à NOVA ERA, via contato telefônico, que fossem apresentados os contratos de prestação de serviço envolvendo a MOL BRASIL. Sendo que em 28/08/2008 foram apresentados os documentos de fls. 29 a 42. No contrato, em língua inglesa verificase que as partes são MITSUI 0.S.K UNES, LTD. (intitulada "Carrier": "indivíduo ou entidade que faz transportes de bens ou pessoas de um lugar para outro, mediante pagamento de uma tarifa" ) e NOVA ERA SILICON SA (intitulada "shipper": "remetente, expedidor") sendo que a MOL (BRASIL) LTDA é designada a representante legal ("legally represented by"). Portanto, a prestação do serviço de transporte tem origem nos contratos de transporte marítimo internacional celebrados entre a empresa japonesa e a recorrente. Já a empresa Mol Brasil Ltda. consta nos contratos como representante legal da Mitsui O. S. K. Lines Ltd. Registrese que a relação societária existente entre as empresas Mol Brasil Ltda. e Mitsui O. S. K. Lines Ltd. não tem qualquer influência nas questões trazidas à lide, vez que a transferência integral dos valores recebidos pela Mol (da Nova Era Silicon S/A) para a Mitsui, decorreram do contrato marítimo internacional celebrado entre a contribuinte e a Mitsui O. S. K. Lines Ltd. e não em função da empresa estrangeira deter quase a totalidade das cotas da Mol Brasil Ltda. Por outro lado, em consonância com o que dispõe o art. 3º, § 3°, II, da Lei n° 10.637/02, e da Lei n° 10.833/03 (o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não se verificou na espécie. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 11.81 10 Na mesma toada, não prospera o argumento da interessada de que, por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, com supedâneo no art. 15 da Lei nº 10.865/04, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Cumpre registrar que, a partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865 de 30/04/2004, art. 1º, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e a Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nas hipóteses de: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] Assim, conforme bem registrado pela instância a quo, em conformidade com o § 1º do art. 15, impõese como condição para o direito ao crédito o efetivo pagamento das contribuições incidentes sobre a importação, fato que não ocorreu, uma vez que a contribuinte foi autuada e encontrase discutindo administrativamente os lançamentos de PIS/Cofins sobre a importação de serviços. Ademais, dentre as hipóteses que o referido art. 15 menciona como possíveis de descontar créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento destas contribuições, não há referência a despesas com pagamento de frete internacional. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001312/200607 Acórdão n.º 330100.881 S3C3T1 Fl. 12.81 11 De se ressaltar que, em virtude da clareza da norma em questão também não prospera a alegação da interessada de que, sendo essa a interpretação, a lei seria inconstitucional, pois teria extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB ao estabelecer tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior. Conforme a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 193DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11020.004484/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. ORIGEM COMPROVADA.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção, cabendo à fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para que seja retirada da base de cálculo do lançamento o valor de R$76.478,75 do rendimento tido como omitido por depósito bancário sem origem identificada.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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EXCLUSÕES. ORIGEM COMPROVADA. Comprovada a origem dos depósitos bancários, não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção, cabendo à fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para que seja retirada da base de cálculo do lançamento o valor de R$76.478,75 do rendimento tido como omitido por depósito bancário sem origem identificada. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 22/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.004484/200729 Acórdão n.º 210201.817 S2C1T2 Fl. 556 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 503 a 510 da instância a quo, in verbis: A interessada acima qualificada foi autuada, sendo lhe exigido o crédito tributário no montante de R$ 150.785,96, nele compreendidos imposto, multa de ofício e juros de mora, relativo aos anoscalendários 2002, 2003 e 2004, em decorrência da apuração de omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. A contribuinte, às fls. 479 a 481, impugna parcial e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 482 a 489, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 1 Banco Safra S/A Consta que não houve a comprovação do valor de R$ 76.478,55 em 21/05/2004. Juntados os documentos, foram considerados insuficientes, na opinião dos Auditores, como origem do depósito na conta corrente da autuada. Não pode prosperar a alegação do fisco.A autuada ratifica a informação prestada, declarando que, em 22 de março de 2004, sacou do Banco Safra S/A, ag. 03900 c/c 022.4766, o valor de R$ 65.000,00 em moeda (doc 01) entregando a referida importância à empresa Patikowski Comercial Ltda, cujo valor acrescido de juros seria pago por Lojas Arno Ltda, de quem era credora por venda de mercadorias, conforme nota fiscal fatura 133, vencimento em 21 de Maio de 2004, em conformidade com o demonstrativo sistema integrado de compra e venda(doc 02), constante dos arquivos da devedora. A cessão do crédito se deu por autorização firmada por Patikowski Comercial Ltda, com firma devidamente reconhecida por autenticidade, cujo teor é o seguinte: “Autorizamos a Lojas Arno Palavro Ltda, Cnpj 88623459/000192, a efetuar os pagamentos que seguem: Duplicata n° 133 Valor R$ 76.478,75 Vencimento 21/05/2004 em nome de Lourdes Barazzetti Slomp, Cpf 098.280.10097, nos dados bancários que seguem Banco Safra, Agência 0039, Conta corrente 22476. Sem mais, Patikowski Comercial Ltda Cnpj 97213326/0001 39 Firma reconhecida por autenticidade de João Edir Patikowski p/ Patikowski Comercial Ltda (doc 03)”. Em 21 de maio de 2004, as Lojas Arno Ltda, realizaram o pagamento do valor de R$ 76.478,75 (doc 04), exatamente conforme autorizado, mediante transferência para a conta 224766, ag. 0039, Banco Safra S/A, em nome de Lourdes Barazzetti Slomp (doc 05). 2Caixa Econômica Federal Consta que não houve comprovação da origem do depósito de R$ 11.200,00, em 05/08/2004. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.004484/200729 Acórdão n.º 210201.817 S2C1T2 Fl. 557 3 Toda a documentação comprobatória da operação da venda do imóvel foi entregue e aceita, tanto é verdade, que é cobrado por este Auto de Infração, o valor do imposto de renda sobre o ganho de capital, que não havia sido recolhido. Muito estranhamente, entretanto, não foi aceita a justificativa de que este valor de R$ 11.200,00 foi oriundo da venda do imóvel, porque intimado, o vendedor diz ter pago o valor de R$ 50.190,00 em moeda corrente nacional, e o que consta no extrato bancário do remetente é que o mesmo foi como "Créd Aut”. Na concepção das pessoas que realizaram o negócio, depósito em conta c/c do credor(vendedor) ou dinheiro é a mesma coisa.O que vale é que o valor de R$ 11.200,00 estava à disposição na conta corrente do vendedor, possibilitando a quitação, o que foi feito ao ser assinado o competente contrato de compra e venda do imóvel. No fechamento negócio, quando da assinatura do documento hábil que transfere o bem, o comprador recebe em dinheiro ou mediante comprovação de depósitos bancários.A linguagem utilizada é a mesma. O que se diz é que o pagamento foi à vista, ou em dinheiro ou em créditos disponíveis na conta corrente do vendedor. É o que ocorreu. Senão vejamos: Dia 05/08/2004, mesma data que foi repassado pela Caixa Econômica Federal o valor de R$ 112.800,00, proveniente de empréstimo obtido pelo comprador Sr. Paulo Roberto Feltrin, junto a esta instituição financeira, foi também pago R$ 11.200,00 mediante débito na conta corrente ag. 0474 cta 00096564.2 ( doc. 06) para crédito da conta corrente da vendedora Lourdes Barazzetti Slomp (doc. 07). Comprovase o acima alegado, pela juntada da declaração do comprador Sr Paulo R. Feltrin, definitivamente esclarecedora(doc. 08) DO DIREITO Pelo acima exposto, e documentalmente provado, fica perfeitamente comprovada a origem dos rendimentos, não se aplicando o Art. 42 da Lei nº 9.430/96. Sinteticamente, são estes os pontos de discordância apontados Impugnação: a)Existe pelos acostados documentos, a comprovação da origem do valor de R$ 76.478,75 Imposto R$ 21.031,65 b)Existe pelos acostados documentos, a comprovação da origem do valor de R$ 11.200,00 Imposto R$ 3.080,00 Os valores não impugnados serão objeto de parcelamento. DO PEDIDO Pelo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial lançamento, requer, a contribuinte, seja acolhida a impugnação. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de cerceamento de defesa e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, retirando da base de cálculo o depósito de R$11.200,00, remanescendo apenas em litígio a questão referente ao depósito de R$76.478.55, considerando que os argumentos da recorrente sobre este depósito não foram acompanhados de provas suficientes e Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.004484/200729 Acórdão n.º 210201.817 S2C1T2 Fl. 558 4 fundamentos legais, para desconstituir o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO: Cabe ao contribuinte a comprovação, mediante cópia do contrato de mútuo, cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio hábil e idôneo admitido em direito, da efetiva transferência dos recursos, coincidente em datas e valores, tanto na concessão como por ocasião do recebimento do empréstimo. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 516 a 519, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. A eventual falha da autuada, que por desinformação não teve a cautela de formalizar por escrito o contrato de empréstimo, não pode acarretar a ela a grave penalidade de se considerar o valor de R$ 76.478,75 como omissão de receita; II. Verificase pela Declaração de Ajuste Anual Completa Exercício 2005 Ano Calendário 2004, que a contribuinte apresentava suficiente capacidade financeira para dispor do valor de R$ 73.083,48; III. Em 21.05.2004 a empresa Lojas A Palavro Ltda, autoriza o pagamento do valor de R$ 76.478,75 (doc 05) mediante depósito no Banco Safra Agencia 0039 c/corrente 224766 de Lourdes Barazzetti Stomp conforme anexo ao auto de infração (doc 06) anexo,e, PAF Banco Safra (doc 07) anexo e IV. Não pode, com efeito, a fiscalização optar pela presunção de omissão de receitas, quando dispõe de documentação e farta divulgação dos atos realizados. O processo de investigação fiscal há de ser extenso e profundo, não podendo permitir desde seu inicio a presunção de omissão de receita. Isso é tarefa espinhosa da conclusão, não sendo dada à presunção a primazia de incidência e aplicação em decorrência do desejo de menor esforço do trabalho de fiscalização e investigação. Enfim, isso seria cômodo, mas não autorizado pela própria regra inserida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.004484/200729 Acórdão n.º 210201.817 S2C1T2 Fl. 559 5 Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Resta em litígio e trata o presente Recurso Voluntário de um depósito bancário no valor de R$76.478,75. MÉRITO Aduz a Recorrente que não pode, com efeito, a fiscalização optar pela presunção de omissão de receitas, quando dispõe de documentação e farta divulgação dos atos realizados. O processo de investigação fiscal há de ser extenso e profundo, não podendo permitir desde seu inicio a presunção de omissão de receita. Isso é tarefa espinhosa da conclusão, não sendo dada à presunção a primazia de incidência e aplicação em decorrência do desejo de menor esforço do trabalho de fiscalização e investigação. Enfim, isso seria cômodo, mas não autorizado pela própria regra inserida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. De outro lado, vemos que a operação financeira que resultou desse depósito bancário, segundo a própria fiscalização, tem realmente a origem conhecida, senão vejamos o que diz o Termo de Verificação Fiscal, fl. 464: Depósito de R$ 76.478,55, em 21/05/2004 — segundo a contribuinte referido valor teria sido recebido da empresa Patikowski Comercial Ltda, referente ao pagamento de empréstimo realizado em 18.03.2004, no valor de R$ 65.000,00, valor este sacado do Banco Safra (fls. 381 e 385). Solicitado á contribuinte o contrato do empréstimo feito à empresa, a mesma informou que não o possuía. Para comprovar o recebimento do valor apresentou o documento de folha 388, o qual referese a uma autorização da Patikowski Comercial Ltda à Lojas Amo Palavro Ltda para que esta efetuase o pagamento da duplicata n° 133 no valor de R$ 76.478,75 emitida por aquela, à Lourdes Barazzetti Stomp. Destacase que a contribuinte apenas comprovou o recebimento do valor e não sua origem. Não apresentou nenhuma comprovação do suposto empréstimo efetuado. Portanto, o crédito no valor de R$ 76.478,75 em 21/05/2004 junto ao Banco Safra S/A não teve sua origem comprovada. Nesse passo, importa esclarecer que a acepção da palavra origem utilizada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, significa que não há como se determinar quem é o responsável pelo depósito, e, principalmente, identificar a origem da operação que deu causa ao crédito. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 559DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.004484/200729 Acórdão n.º 210201.817 S2C1T2 Fl. 560 6 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.(grifei) A identificação da origem da operação que deu causa ao crédito se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que, uma vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação específicas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, devese verificar se os valores tributáveis compuseram a base de cálculo, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados receita omitida. Da análise dessa documentação, está comprovado que a origem do depósito discutido vem das Lojas Amo Palavro Ltda para que esta efetuase o pagamento da duplicata n° 133 no valor de R$ 76.478,75 emitida por aquela, à Lourdes Barazzetti Stomp, como constou no excerto do Termos de Verificação Fiscal da própria autoridade autuante, acima transcrito. Isso sem entrar no mérito da disponibilidade financeira da contribuinte em relação ao alegado mútuo. Assim sendo, entendo que não pode prosperar o raciocínio da autoridade fiscal, pois, o que se busca e é autorizado pela legislação supra, são valores sem origem e não valores não declarados, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Considero que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria diante da identificação da origem desse depósito, deveria ter investigado e determinado o fato gerador específico, se fosse o caso, a ser imputado à contribuinte e não tendo isso ocorrido, forçoso reconhecer que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aperfeiçoou, sendo incabível imputar o ônus da presunção ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja retirada da base de cálculo do lançamento o valor de R$76.478,75 da receita tida como omitida por depósito bancário sem origem identificada. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11020.004484/200729 Acórdão n.º 210201.817 S2C1T2 Fl. 561 7 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10845.000342/2004-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1999
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Incabível o lançamento dirigido contra a fonte pagadora dos rendimentos após o encerramento da fase de antecipação, pois a falta de retenção do imposto não exonera o beneficiário de oferecer os rendimentos à tributação em sua
declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Incabível o lançamento dirigido contra a fonte pagadora dos rendimentos após o encerramento da fase de antecipação, pois a falta de retenção do imposto não exonera o beneficiário de oferecer os rendimentos à tributação em sua declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 189.404 – proferido pela 1ª Turma da DRJ/STM (fl. 165), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedente o Auto de Infração. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o Contribuinte, acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de fls. 0506, com os demonstrativos de fls. 0708, exigindo o recolhimento do valor de R$176.643,00 de imposto, períodos de apuração 31/01/1999, 28/02/1999, 31/05/1999, 31/08/1999, 31/10/1999, 30/11/1999 e 31/12/1999, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. Também, foram lavrados o Termo de Verificação e de Constatação de fls. 0913 e os demonstrativos de fls. 1819 e 24. A autuação decorre da falta de retenção e de recolhimento do IRRF sobre a distribuição de lucro que ultrapassou o lucro arbitrado. O cálculo do imposto devido está devidamente demonstrado nas planilhas de fls. 1819 e 24, sendo que a base de cálculo do imposto foi o lucro distribuído aos sócios, deduzido do lucro arbitrado e de todos os impostos e contribuições que foram exigidas do Contribuinte. Destacase que o Contribuinte teve o seu lucro arbitrado, conforme processo n° 10845.000296/200412. Para a apuração do imposto de renda retido na fonte, foi aplicada a tabela progressiva mensal da pessoa fisica. Enquadramento legal: art. 639 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza — Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999). Discordando do lançamento, o Contribuinte, por intermédio de seu procurador, apresentou a impugnação de fls. 139150, com os documentos de fls. 151158. Em síntese, seus argumentos de defesa são os seguintes: 0 Auto de Infração é nulo, eis que na data em que tomou ciência (06/02/2004), o Mandado de Procedimento Fiscal, que tem validade de 120 dias, já se encontrava vencido. A emissão de um "mandado de procedimento fiscal complementar" não restaurou a eficácia do primitivo. Para ter validade, a Fiscalização deveria ter aberto um novo procedimento fiscalizatório, e se fosse o caso, a lavratura do auto de infração, desde que isso viesse a ocorrer dentro do novo prazo de validade. Falece inteiramente de juridicidade à premissa adotada pela Fiscalização para justificar o suposto descumprimento de obrigações acessórias. Ocorre que na condição de ter optado pelo lucro presumido, não está obrigada a atender, com o rigor pretendido, o cumprimento destas obrigações. No caso, a própria Fiscalização admitiu que o Livro Diário foi escriturada para os fins visados pela legislação, não padecendo de defeitos que o tornam imprestável para esse tipo de comprovação. Assim, por essas razões, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração. Mesmo que o arbitramento do lucro tivesse validade, os lucros distribuídos não ultrapassaram os limites de isenção. A revelia do disposto no art. 10 da Lei n°9.249, de 1996, a Fiscalização deixou de levar em consideração o saldo de lucros acumulados em 31/12/1998, no montante de R$943.370,46. A demonstração da receita bruta auferida no anocalendário de 1999, corresponde exatamente ao levantamento efetuado pela Fiscalização, conseqüentemente, devese admitir que não foram encontrados nos livros e documentos examinados, defeitos graves suficientes para desclassificar da escrituração. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10845.000342/200483 Acórdão n.º 210101.525 S2C1T1 Fl. 208 3 Destacase, ainda, que o montante de lucros distribuídos no anocalendário de 1999, guarda inteira correspondência com o que foi apurado pela Fiscalização. Portanto, a conclusão que esse conjunto de evidências leva a conclusão de que o auto de infração perderia totalmente sua razão de ser. A alegação do AFRFB de que o demonstrativo mensal dos lucros distribuídos no período fornecido, está com valores em desacordo com aqueles registrados no Livro Razão n° 09, na folha 107, conta 2.4.05.001 — Lucros Acumulados, não procede, pois o mesmo utilizou em suas demonstrações, o total dos lucros distribuídos no período, para cada sócio, no valor de R$315.00,00 (R$945.00,00 no total). Isso está em conformidade com o registrado no mencionado livro, conforme demonstrativo de fl. 148. Fica demonstrado na tabela de fl. 149, que dispunha, no anocalendário de 1999, de lucros aptos a serem distribuídos, sem incidência de imposto de renda, em montante suficiente para atingir o volume que efetivamente foi partilhado entre os sócios. Conforme demonstrativo de fl. 149, foi distribuído o valor de R$945.000,00 de lucros isento de imposto de renda na fonte. Portanto, a acusação do AFRFB de que ocorreu distribuição de lucros sem isenção de IRRF, no valor de R$669.829,04, não prospera, eis que não considerou o lucro disponível para a distribuição em 31/12/1998, conforme o disposto no art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Finalizando, requer o cancelamento do Auto de Infração. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitase a preliminar de nulidade suscitada contra o procedimento administrativo fiscal, quando não é provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 e o processo obedece as determinações legais, garantindo ao Contribuinte o contraditório e a ampla defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL É válido o procedimento fiscal quando nos autos está comprovado que a Fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ademais, sendo o MPF mero instrumento de controle das atividades e de procedimentos de Fiscalização, eventuais falhas na sua emissão e no seu trâmite, não são motivos que justifiquem a nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/05/1999, 31/08/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTES AO LUCRO ARBITRADO. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITO. Deixando o Contribuinte de comprovar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro arbitrado, cabível a exigência do imposto de renda na fonte sobre a parcela de lucros excedentes ao valor do lucro arbitrado, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeito. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 182/195, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre esclarecer que, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 01, de 2002, a tributação dos rendimentos auferidos pela pessoa física deve ser efetuada em duas etapas: a primeira, de caráter antecipatório, fica a cargo da fonte pagadora, na medida em que a ela cabe tão somente reter o imposto do verdadeiro contribuinte, o beneficiário do rendimento, e repassálo à Fazenda Pública Federal; a segunda, ao encargo do beneficiário do rendimento, ocorre com a apresentação da declaração de ajuste anual. Importa salientar, que nenhum acordo entre as partes pode alterar a determinação legal neste sentido, consoante dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” (Grifos nossos). Quando há retenção do imposto pela fonte pagadora, o beneficiário recebe o rendimento bruto descontado do imposto e o oferece à tributação na Declaração de Ajuste Anual, juntamente com os demais rendimentos tributáveis auferidos no anocalendário, compensando a importância retida com o imposto devido apurado. Este último aspecto é a única repercussão na vida patrimonial do contribuinte. Ocorrendo retenção na fonte, haverá compensação com o imposto apurado na declaração; não tendo havendo retenção, como no caso em exame, obviamente, nada há a compensar. Nesse sentido, é vasta a jurisprudência deste Colegiado e das demais Câmaras deste Conselho, competentes para julgar a matéria, podendose citar os seguintes Acórdãos 10243.925, 10412.238 e 10611.335. Em relação a este tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, na Sessão de 12 de abril de 2004, ao analisar o Recurso Especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, proferiu decisão unânime (Acórdão CSRF/0104.927): Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10845.000342/200483 Acórdão n.º 210101.525 S2C1T1 Fl. 209 5 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO FALTA DE RETENÇÃO – LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO – EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Previsão da tributação na fonte por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e ação fiscal após 31 de dezembro do ano do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte, pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. RENDIMENTOS DO TRABALHO AÇÃO TRABALHISTA OMISSÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO – Constatada pelo Fisco a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto na declaração de ajuste anual, legítima a autuação na pessoa do beneficiário. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o contribuinte, beneficiário dos rendimentos, da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de ajuste anual. A súmula CARF nº 12, de observância obrigatória pelos colegiados o integram, dispõe que: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mesmo diapasão, em decisão unânime, se manifestou a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, tendo como relatora a ministra Eliana Calmon, conforme ementa a seguir transcrita: “Tributário Imposto de Renda responsabilidade: contribuinte ou responsável Incidência sobre correção monetária. 1. O pagamento do tributo deve ser feito pelo contribuinte e só na hipótese de não ser o mesmo encontrado, é que se impõe a exigibilidade ao responsável. 2 ...” Do voto, excertase: “Os impetrantes, ora recorrentes, afirmam que efetuaram as suas declarações pautandose nas informações fornecidas pela fonte pagadora, sem nada omitirem ou sonegarem. Portanto, entendem que se houver omissão, equívoco ou retenção na fonte “a menor” do Imposto de Renda, não podem ser responsabilizados pelo erro. Ademais ponderam que a parcela paga a mais e sobre a qual não houve a retenção ... Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 O primeiro dos argumentos não pode prosperar, porque a responsabilidade primeira quanto ao pagamento é do contribuinte. Só na hipótese de não ser possível a cobrança do mesmo é que é chamado o responsável tributário, o qual funciona como uma espécie de garante.” (AMS 93.01.3444661 MT).” A distribuição aos sócios de lucro em montante supostamente superior ao tributado pela pessoa jurídica, deduzido dos impostos, acrescido da conta lucros acumulados, deve ser oferecida à tributação pelo sócio beneficiário dos rendimentos. A exclusão do beneficiário do rendimento da relação jurídicotributária só ocorre nos casos de tributação exclusivamente na fonte. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora, portanto, não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação em sua declaração de ajuste anual. A diferença é que, em havendo retenção, o contribuinte receberá um rendimento líquido menor, mas o imposto será aproveitado na declaração de ajuste anual. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora, quando detectada após o ano calendário, é infração sobre a qual se impõe multa específica, além da cobrança dos juros de mora devidos do mês do efetivo pagamento até a data prevista para a apresentação da declaração de ajuste anual pelo beneficiário do rendimento, momento a partir do qual a mora deve ser imputada a este, por omissão ou declaração inexata. Desta forma, incabível o lançamento realizado em 06/02/2004, dirigido contra a fonte pagadora, em relação a fatos tributáveis ocorridos no ano calendário de 1999, por ilegitimidade passiva. Ademais, verificase que somente foi descaracterizada a escrituração contábil da empresa no ano de 1999, que não atinge o lucro acumulado apurado no ano de 1998, com montante suficiente para dar suporte ao lucro distribuído no ano seguinte. Por fim, registrese que, em votação unânime, a 3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF (Acórdão nº 1803000.669, de 10/11/2010) deu provimento ao recurso voluntário, para cancelar os Autos de Infração do IRPJ e contribuições, lavrados contra a mesma contribuinte (processo nº 10845.000296/200412), decorrentes do arbitramento da base de cálculo relativo ao anocalendário de 1999. Confirase: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2000 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA TOTAL IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Se as irregularidades relatadas pela fiscalização não forem relevantes a ponto de tornar imprestável a escrituração, não cabe a medida extrema do arbitramento dos lucros. O fisco dispõe de ferramentas próprias, notadamente as presunções legais, para formalizar exigências suplementares, bastando, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10845.000342/200483 Acórdão n.º 210101.525 S2C1T1 Fl. 210 7 para tanto, que faça prova dos fatos indiciários estatuídos em lei. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13853.000054/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS E OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil
apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 17.500,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS E OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. DEDUÇÕES. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 17.500,00. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/04/2012 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13853.000054/200761 Acórdão n.º 210201.935 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSÉ CARLOS RODRIGUES foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 8.884,13, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/02/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de incentivo, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e omissão de rendimentos recebidos do HSBC Vida e Previdência S/A. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para restabelecer a dedução de incentivo, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1735.221, de 25/09/2009, fls. 32/39. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/10/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 41, o contribuinte apresentou, em 13/11/2009, recurso voluntário, fls. 42/45, onde afirma, em apertada síntese, que o recurso limitase a infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, a qual faz jus nos termos da legislação, conforme acordo homologado judicialmente, Declaração de Ajuste Anual (DAA), apresentada pela alimentanda e recibo de quitação da referida pensão. É o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13853.000054/200761 Acórdão n.º 210201.935 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese dizer que o contribuinte limita suas alegações a infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, silenciando quanto às demais infrações mantidas na decisão de primeira instância. Nesse sentido, devese observar o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19721 e, assim, considerar definitiva a decisão recorrida, relativamente às infrações de dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos recebidos do HSBC Vida e Previdência S/A. Portanto, temse que a lide instaurada com a apresentação do recurso, que ora se examina, restringese à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. No lançamento houve a glosa integral da dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 17.500,00, sob a alegação de que o contribuinte teria afirmado que tal situação não existiria. No recurso, o contribuinte esclarece que tal afirmação se deu em razão de não ter entendido o item 7 do Termo de Intimação, que se encontrava assim redigido: decisão judicial ou acordo homologado judicialmente determinando o ônus das despesas médicas com a alimentanda. A despeito do acima relatado, fato é que estão acostados aos autos, cópia da homologação da separação consensual, fls. 16/22, em que foi estabelecida a pensão judicial devida a Eni Aparecida Florentino Gonçalves Rodrigues (excônjuge), cópia da DAA/2005 da alimentanda, fls. 23/28, onde consta oferecida à tributação a quantia de R$ 17.500,00 da pensão recebida do contribuinte e o correspondente recibo de quitação da pensão, fls. 46. Temse, portanto, que se encontra devidamente comprovado o pagamento de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 17.500,00. 1 Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13853.000054/200761 Acórdão n.º 210201.935 S2C1T2 Fl. 4 4 Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 17.500,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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