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Numero do processo: 10855.723878/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010
COMPENSAÇÃO A MAIOR. DECLARAÇÃO EM GIFP, DE VALORES DE COMPENSAÇÃO ACIMA DO DEVIDO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA DEVIDO INFORMAÇÃO EM GFIP DE VALOR DE RESITUIÇÃO INEXISTENTE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à inconstitucionalidade da multa isolada e à base de cálculo da multa, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente MUNICÍPIO DE SOROCABA PREFEITURA MUNICIPAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 COMPENSAÇÃO A MAIOR. DECLARAÇÃO EM GIFP, DE VALORES DE COMPENSAÇÃO ACIMA DO DEVIDO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA DEVIDO INFORMAÇÃO EM GFIP DE VALOR DE RESITUIÇÃO INEXISTENTE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à inconstitucionalidade da multa isolada e à base de cálculo da multa, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 38 78 /2 01 3- 42 Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.505 2 O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.395.8013, decorrente da glosa de compensação, tendo em vista que esta foi considerada indevida pela fiscalização, pois o contribuinte se compensou de crédito a maior que o existente, bem como o Auto de Infração de Multa Isolada AIMI DEBCAD 37.395.8021, segundo consta do Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 1.107 a 1.116, com período de apuração de 01/2009 e 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 03 e 04. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 06/12/2013, conforme Termo de Ciência TC, de fls. 1.142 e 1.143. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação parcial, petição com razões impugnatórias, as fls. 1.149 a 1.154, recebida, em 07/01/2014, estando acompanhada dos documentos, de fls. 1.155 a 1.248. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 1.250. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1451.011 17ª, Turma DRJ/RPO, em 17/06/2014, fls. 1.258 a 1.276. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 21/07/2014, conforme AR, de fls. 1.279. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.284 a 1.296, recebido, em 14/08/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada TSJ, de fls. 1.283, acompanhado dos documentos, de fls. 1.299 a 1.310; 1.313 a 1.336; 1.339 a 1.376; 1.379 a 1.384; 1.387 a 1.401; 1.404 a 1.412; 1.415 a 1.422; 1.425 a 1.467; 1.470 a 1.482; 1.485 a 1.491; 1.494 a 1.497. As razões recursais que admitem discussão no contencioso administrativo fiscal estão sumariadas e a seguir expostas. Todavia, as que não admitem discussão serão esclarecidas no voto. Mérito. · que segundo o texto legal a multa isolada só pode ser aplicada quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, mas no presente caso não há prova de falsidade, máfé, dolo ou fraude por parte do município, demonstrando as provas dos autos boafé por parte da recorrente, pois antes de promover a compensação apresentou a planilha de cálculo da compensação ao INSS, não tendo o município a intenção de lesar a União em nenhum momento, havendo apenas mera inexatidão na declaração, cita precedentes do CARF sobre multa qualificada em lançamento de ofício, bem como a Súmula CARF 14; · que na ausência de prova do animus fraudandi não há que se falar em ilícito fiscal, afastando a aplicação do artigo 89, §10, da Lei 8.212/91; Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.506 3 · que a recorrente por ser pessoa jurídica de direito público regise pelo princípio da legalidade, não havendo de se cogitar a pratica de atos voltados a lesar à União, sendo inaplicável o artigo 89, §10, da Lei 8.212/91; · que o que ocorreu foi uma sucessão de equívocos que acabou resultando em uma compensação maior que a devida, pois incluiuse no valor a compensar das contribuições do servidores comissionados, que estão sujeitos ao RGPS, porém não havendo dolo na compensação; · que a não retificação da GFIP não se deu para simular ou ocultar intenção dolosa de fraudar, mas sim por mero erro, pois se estava compensando tributo de outro órgão · pedidos e requerimentos: a) total procedência do recurso, para reformar o acórdão a quo, afastando a aplicação da multa isolada, por ausência de comprovação de falsidade. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 1.501. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 1.501. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 22/01/2015, Lote 01, fls. 1.502. É o Relatório. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.507 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. Esclareço que estão fora do âmbito dessa decisão as teses apresentadas pelo contribuinte recorrente e que nominou de: · 3) INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA; · 4) ERRO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA. O contribuinte na impugnação não apresentou tais teses ao contencioso, ou seja, tal conduta implica que a recorrente inovou na tese jurídica na fase recursal, pois o que alegado na peça vestibular de segundo grau, não foi suscitado em primeiro grau. A uma, porque tal matéria não foi questionada em primeiro grau e assim em relação a ela aplicase os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72, pois considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. A duas, por que o conhecimento dessa matéria implicaria supressão de instância. EMEN: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. 1. EXECUÇÃO DA PENA. SUPERVENIENTE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. PRETENSÃO DE REDUÇÃO DOS DIAS REMIDOS PERDIDOS. INTERESSE PROCESSUAL NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RECONHECIMENTO. 2. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PERDA DOS DIAS REMIDOS. PLEITO DE APLICAÇÃO DA LEI Nº 12.433/11. ÓBICE À ANÁLISE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Tendo em conta que ainda persiste o interesse da parte agravante no conhecimento dos embargos de declaração opostos contra Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.508 5 acórdão desta eg. Quinta Turma, merece reforma o decisum monocrático que os julgou prejudicados, com a submissão deles ao Órgão Colegiado. 2. O pleito de apreciação da questão referente à revogação dos dias remidos à luz da Lei nº 12.433/11 não foi deduzido na inicial do writ, tampouco enfrentado pelo Tribunal de origem no acórdão do recurso de agravo em execução, tratandose, a um só tempo, de inovação recursal, que impede o conhecimento da matéria neste momento processual, tendo em vista o advento da preclusão consumativa e também de supressão de instância. 3. Agravo regimental provido para, afastada a ausência de interesse, rejeitar os embargos de declaração, com a observação de que caberá à Primeira Instância examinar a questão relativa à retroação benéfica da nova lei. ..EMEN: (AGRHC 201101494878, MOURA RIBEIRO, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:11/12/2013 ..DTPB:.) Ementa: HABEAS CORPUS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 38 DA LEI 8.038/90. IMPETRAÇÃO CONTRA ALEGADA DEMORA DO STJ PARA PROCEDER AO JULGAMENTO DE HC. INEXISTÊNCIA. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não há falar em ofensa ao princípio da colegialidade, já que a viabilidade do julgamento por decisão monocrática do relator se legitima quando se tratar de pedido manifestamente intempestivo, incabível ou, improcedente ou ainda, que contrariar, nas questões predominantemente de direito, Súmula do respectivo Tribunal (art. 38 da Lei 8.038/1990). Ademais, eventual nulidade da decisão monocrática fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo interno. 2. O art. 5º, LXXVIII, da CF assegura, nos âmbitos judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Duração razoável é o processo que se desenvolve regularmente, consideradas, ainda, a natureza e a complexidade da causa, bem como a quantidade de demandas em trâmite no órgão judicial. Nessa perspectiva, o exíguo período de tempo que o recurso aguarda julgamento no STJ (agosto de 2014) afasta qualquer alegação de constrangimento ilegal. 3. As alegações de mérito não podem ser conhecidas, já que (a) não foram enfrentadas definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça, dando azo ao óbice da supressão de instância; e (b) só foram suscitadas em sede de agravo regimental, constituindo indevida inovação recursal. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.(HCAgR 125068, TEORI ZAVASCKI, STF.) (destaquei). A três, por que não ocorre a devolutividade da matéria, pois tal não foi levada do conhecimento do julgador a quo, violando o princípio do tantum devolutum quantum apellatum. EMEN: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PERÍODO Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.509 6 DE 2002 A 2006. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. O efeito devolutivo expresso nos arts. 505 e 515 do CPC consagra o princípio do tantum devolutum quantum appellatum, que consiste em transferir ao tribunal ad quem todo o exame da matéria impugnada. Se a apelação for total, a devolução será total. Se parcial, parcial será a devolução. Assim, o tribunal fica adstrito apenas ao que foi impugnado no recurso. 3. A alegada violação dos arts. 168, inciso I, e 6º, inciso XIV, da Lei n. 7.713/88, não foi sequer citada nas razões de apelação. Logo, não foi devolvida ao Tribunal de origem, não podendo ser apreciada também em recurso especial por tratarse de inovação recursal. Agravo regimental improvido. ..EMEN:(AGRESP 201402621001, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:21/11/2014 ..DTPB:.) CARF Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o despacho decisório que apresenta motivação e fundamentação adequada da decisão proferida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância na recorrida. Recurso Voluntário Negado. PRO: 10280.900644/201034. Acórdão 3102001.880. Rel. Jose Fernandes do Nascimento. Data 12/08/2013. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DILIGÊNCIA. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.510 7 INFORMAÇÃO FISCAL COM NATUREZA DE RÉPLICA. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEZ DIAS. ART. 44 DA LEI Nº 9.784/99. A lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada, hipóteses em será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindose o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada. Inexistindo em razão da diligência qualquer agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, em atenção ao princípio constitucional da transparência, da informação fiscal deve ser dada ciência ao sujeito passivo, assinalandose o prazo de dez dias para se manifestar nos autos, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/99. GPS. RETIFICAÇÃO. DESDOBRAMENTO EM DOIS DOCUMENTOS OU ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre desdobramento de GPS em dois ou mais documentos ou sobre alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição do débito, a teor do art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte PROC: 36624.000679/200641. Acórdão: 2302002.993. Rel. Arlindo da Costa e Silva. Data 31/03/2014. (os destaques foram feitos por mim). No que tange a inconstitucionalidade suscitada tardiamente, ainda, devese esclarecer que, o contencioso administrativo não se presta a tal discussão. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.511 8 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 343/2015 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.512 9 FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Mérito. O texto legal sobre a compensação indevida e suas consequências apenas diz o que abaixo se transcreve. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.513 10 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (destaquei). Verificase da leitura do texto legal supratranscrito que as únicas exigências para a aplicação da multa isolada é ter havido compensação indevida e que se comprove falsidade na declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo. Quanto a ocorrência de realização de compensação com valores além do devido, não há dúvidas, pois a municipalidade reconhece essa situação e sua peça recursal, conforme se transcreve abaixo. A recorrente reconhece que inseriu no cálculo, valores para fins de compensação, ao qual não fazia jus, pois não eram contribuições oriundas de salários pagos a agentes políticos (Vereadores). Assim sendo, o primeiro requisito compensação indevida está demonstrada. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.514 11 No que tange ao segundo requisito falsidade o dicionário on line Priberam traz cinco significados para falsidade, porém para a situação posta apenas o significado nº 2, e o primeiro do nº 3 nos interessa, o quais assim esclarecem. fal·si·da·de substantivo feminino 1. Qualidade de falso. 2. Alteração propositada da verdade. 3. Mentira, calúnia. 4. Disposição para enganar. 5. Perfídia; falsificação; fraude. "falsidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 20082013, http://www.priberam.pt/DLPO/falsidade [consultado em 25082015]. Ou seja, o significado que interesse ao deslinde do caso é a "alteração propositada da verdade" ou a existência da "mentira". A municipalidade ao inserir no cálculo da restituição as contribuições devidas em razão das remunerações pagas aos titulares de cargos comissionados do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, não o fez por engano, equivoco ou lapso, pois facilmente poderia o ente público ter percebido o erro, pois o alto valor da base de cálculo da restituição e o alto valor mensal e total da restituição seriam o suficiente para acender o sinal de alerta, pois conforme documentos, de fls. 24 e 25, a lista de vereadores na 12ª e 13ª legislatura está desmistificada. O fato da municipalidade ter remetido qualquer comunicação ao INSS sobre o seu procedimento e o valor que entendeu devido para fins de restituição, não transforma a restituição indevida em legal, pois a municipalidade se apropriou do que não lhe pertencia. O agente lançador faz os seguintes esclarecimentos quanto à compensação, observese a transcrição. 4.5.2. Das folhas 38 a 61, foi elaborada uma 1ª memória de cálculos pelo servidor José Carlos dos Santos Filho, advogado da Secretaria dos Negócios Jurídicos do Município,com a base de cálculo e a parte patronal sobre a folha dos comissionados (21%), sem qualquer explicação sobre os valores lançados e sem cálculo de juros, para o período de 01/1999 a 09/2004. À folha 61 existe um despacho manual de que não foram efetuados recolhimentos de contribuições previdenciárias em 1997 a 1998 para Câmara Municipal. 4.5.3. Desistindo de ação judicial, que seria desnecessária, a prefeitura protocolou um requerimento administrativo com pedido de compensação ao Superintendente do INSS, conforme folhas 62 a 80, assinada pelo mesmo servidor, com uma 2ª memória de cálculos com valores diferentes da 1ª, com período de 11/1999 a 09/2004 e com cálculo de juros, novamente sem qualquer explicação sobre valores e juros lançados. Este requerimento não tem validade, visto que a compensação em GFIP é auto declaratória. 4.5.4. Nas folhas 305 a 338, consta resposta da Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba, informando sobre os procedimentos para realização da compensação, sobre o prazo prescricional (ver item 3.4.), sobre a obrigatoriedade de retificação das GFIP, com a exclusão dos exercentes de mandato Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.515 12 eletivo (ver item 3.5) e com cópia da Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que regulou a matéria. Cabe observar que a Secretaria da Receita Previdenciária e a Secretaria da Receita Federal foram unificadas a partir de 02/05/2007, criando a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por força da Lei 11.457/07. 4.5.5. A partir de 05/2007, a prefeitura começou a efetuar as compensações em GFIP, constando uma 3ª memória de cálculos às folhas 373 a 375, com os valores originários e competências iguais à 1ª e com cálculo de juros anuais, mas ainda sem origem dos valores e cálculos dos juros. 4.6. Da análise dos documentos apresentados, foi possível verificar que a base de cálculo utilizada na 1ª e na 3ª memória de cálculos no processo do item 4.5. corresponde exatamente à base de cálculo total da folha de pagamentos da Câmara Municipal, incluindo vereadores, demais empregados e comissionados sem vínculo. Além disso, como as compensações se iniciaram em 05/2007, considerandose o prazo prescricional, só seriam passíveis de inclusão na memória de cálculos os valores declarados a partir de 04/2002 com recolhimento em 05/2002. 4.7. Em resumo, a prefeitura não observou o prazo prescricional, não efetuou a retificação das GFIP (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à manutenção de pessoa que não possui a qualidade de segurado) e utilizou uma base de cálculo indevida, visto que o correto seria o total das remunerações dos prefeitos, viceprefeitos e vereadores e não o total da folha de pagamento da Câmara Municipal (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à inserção de declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado). As passagens supramencionadas esclarecem que os cálculos efetuados pela recorrente nunca revelaram as origens dos dados. Os precedentes administrativos do CARF que foram citados não servem de paradigma para o presente caso, pois aqueles cuidam de Multa de Ofício Qualificada que nada tem a ver com a Multa Isolada, pois sanções que decorrem de infrações distintas, aplicase esse mesmo raciocínio a Súmula CARF nº 14 citada pela recorrente. Ficou esclarecido linhas atrás que o artigo 89, § 10º, da Lei 8.212/91 não requer a ocorrência de fraude. A lei não faz nenhuma distinção entre ente privado e público, quanto a aplicação de multa isolada em caso de compensação indevida a lei é clara em dizer que havendo compensação indevida e falsidade aplicase a sanção e nada mais. A não retificação da GFIP seria causa impeditiva para a realização da compensação. A não retificação da GFIP não está sendo considerada, como a causa da falsidade, mas sim a declaração de valores de compensação em GFIP além do que de seria real e devido a compensar. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.723878/201342 Acórdão n.º 2202003.179 S2C2T2 Fl. 1.516 13 Diante desses esclarecimentos não há razão para acatar os pedidos da recorrente. O presente Acórdão não reconhece ao contribuinte direito creditório de qualquer espécie ou origem, cuidando, única e exclusivamente da questão da regularidade da glosa de compensação. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso parcialmente em razão da inconstitucionalidade da multa isolada e a base de cálculo da multa, por preclusão; para no mérito da parte conhecida, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 18470.732046/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso.....
"Procedimento é sinônimo de rito do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 7.994,92.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso..... "Procedimento é sinônimo de rito do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 7.994,92. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso....”. "Procedimento é sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 20 46 /2 01 1- 81 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732046/201181 Acórdão n.º 2202003.317 S2C2T2 Fl. 41 2 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. RECURSO PARCIAL. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 7.994,92. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732046/201181 Acórdão n.º 2202003.317 S2C2T2 Fl. 42 3 Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 24), complementandoo ao final: Em decorrência de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2010, por meio da Notificação de Lançamento (NL) 2010/270579641499808 (fls. 04/08), exigese da contribuinte supracitada crédito tributário no valor de R$ 4.264,14 (sendo: R$ 2.231,60 de Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar (IRPF), R$ 1.673,70 em multa de ofício e R$ 358,84 de juros de mora, calculados até 31.10.2011). 2. Em procedimento de Malha Fiscal, em 29.07.2011 a contribuinte foi intimada a apresentar originais e cópias de comprovantes de despesas médicas e original e cópia de comprovante de gastos com plano de saúde, o qual, destacase, devia discriminar as despesas com o titular e as despesas com os eventuais beneficiários do referido plano (doc. fls. 21/22). 3. Em atendimento à intimação a contribuinte juntou aos autos os documentos de folhas 9/10 que, uma vez analisados pela autoridade fiscal, restou decido pela comprovação de parte dos gastos médicos realizados junto à Dra. GLADIS FONTES BOLLENTINI, perfazendo um total de R$ 120,00 e que o comprovante de gastos com plano de saúde juntado não atendia ao requerido na intimação, pois o documento não discriminava os gastos com o titular e os gatos com os eventuais beneficiários do plano, 4. Diante disso, foram glosadas as despesas declaradas e não comprovadas com o plano de saúde, sendo lavrada a Notificação de Lançamento supramencionada. 5. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, acompanhada dos mesmos documentos, reafirmando que os gastos declarados foram incorridos com a sua própria saúde, sendo portanto dedutíveis da base de cálculo do IRPF. Ao analisar a manifestação da contribuinte, o Julgador recorrido assim dispôs: (...) Relativamente à prova dos gastos médicos incorridos pela contribuinte no anocalendário de 2009, com fulcro no Art. 73, do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), a autoridade fiscal expressamente intimou à contribuinte a apresentar o respectivo comprovante das despesas com o plano de saúde arrolado na DAA/2010, esclarecendo à contribuinte que tal documento devia especificar as despesas com a saúde do titular e os gastos com os eventuais beneficiários do plano.(destaque original) (...) Ocorre, entretanto, que o documento apresentado pela contribuinte (fls. 10) não cumpriu tal exigência, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732046/201181 Acórdão n.º 2202003.317 S2C2T2 Fl. 43 4 impossibilitando, assim, a autoridade fiscal de concluir pela legitimidade dos gastos de saúde declarados, ... ( ...) no se refere ao comprovante de gastos odontológicos (fls. 9), tal despesa já havia sido considerada pela autoridade fiscal, já tendo sido deduzido o seu valor da base de cálculo da obrigação tributária exigida. Assim, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente o lançamento. Cientificada dessa decisão em 22/08/2014 (AR na folha 28), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/09/2014, com protocolo na folha 31. Em sede de recurso, singelamente descreve os documentos que apresenta no sentido de comprovar que o plano de saúde cuja dedutibilidade se discute era "individual", referindose à cobertura médica apenas dela própria, sem dependentes ou outros beneficiários. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Bem, conforme procurouse evidenciar no relatório, a lide que chega a esta instância recursal limitase à possibilidade de dedução de valor pago no ano de 2009, pela contribuinte, a plano de saúde Sul América. Ela havia declarado um valor total de R$ 7.994,92, que foi glosado pela Autoridade Fiscal (fl. 05). Apresentada uma declaração de pagamento do plano (fl. 10) tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª instância apontaram deficiências para não considerála como documento hábil a comprovar a dedução pretendida. Houve também a glosa de R$ 120,00 a título de despesa odontológica com a profissional Gladis Fontes Bollentini, porém essa matéria não é sequer mencionada no recurso (a contribuinte já reconhecera que não possui o recibo para apresentação) e está fora do litígio, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso....”. "Procedimento é sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732046/201181 Acórdão n.º 2202003.317 S2C2T2 Fl. 44 5 Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar o recibo apresentado, a lide fica adstrita a essa motivação. Vejase na decisão recorrida que, analisando o comprovante de pagamento com o Plano de Saúde, a Autoridade Julgadora atevese a um único motivo para não considerá los: a falta de identificação dos beneficiários da cobertura médica. Não fez mas nenhuma observação. Sobre o procedimento fiscal que antecedeu a Notificação de Lançamento, o Auditor registrou que (fl. 06): "Excluídos pagamentos de plano de saúde em razão da falta de identificação dos componentes do plano conforme exigido na intimação fiscal." Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do Decreto Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732046/201181 Acórdão n.º 2202003.317 S2C2T2 Fl. 45 6 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Acórdão 2802002.743 – 2ª Turma Especial. Sessão de 18 de março de 2014 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, o (a) Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. Se o problema no comprovante de pagamento é a falta de indicação do(s) beneficiário(s) do plano de saúde, verifico na folha 32 que a Sul América declara como único segurado Fatima Santos de Medeiros (titular); na folha 33 que o plano era "individual"; e na folha 34 que o valor pago em 2009 foi de R$ 7.994,92. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no importe de R$ 7.994,92, no ano de 2009. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18470.732046/201181 Acórdão n.º 2202003.317 S2C2T2 Fl. 46 7 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722925/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Súmula CARF n.º 09.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Súmula CARF n.º 09. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Súmula CARF n.º 09. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 29 25 /2 01 1- 48 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10920.722925/201148 Acórdão n.º 2401004.203 S2C4T1 Fl. 809 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 477 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário abrangendo as contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim, o adicional de financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidente sobre remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (estas, excepciona a cobrança do GILRAT), bem assim contribuições destinadas aos Terceiros FNDE (salárioeducação), INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE, no período compreendido pelas competências 01/2009 a 12/2010. A base de cálculo deriva de procedimento de arbitramento, em face da constatação de que a escrituração contábil, bem assim a folha de pagamento e GFIP do sujeito passivo não registrarem o movimento real da remuneração dos segurados a serviço do sujeito passivo no período sob ação fiscal. Segundo a fiscalização: 9. A omissão dos fatos geradores previdenciários ocorreu mediante implementação de um esquema de sonegação perpetrado pelo sujeito passivo, mediante o qual, exempregados foram estimulados a abrirem empresas optantes do SIMPLES e operarem como agenciadores terceirizados junto às suas próprias filiais, isto é, no endereço e nas instalações físicas de suas próprias filiais, tendo tais agenciadores a incumbência precípua de recrutar em seu próprio nome a maior parte – senão todos os empregados da filial, e assim valerse, fraudulentamente, dos benefícios tributários assegurados às micro e pequenas empresas pelas Leis do SIMPLES Federal (Lei nº 9.317/96) e do nº SIMPLES Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). ... omissis ... FATOS IDENTIFICADOS DURANTE A AÇÃO FISCAL 13. Quando do início dos nossos trabalhos, na data de 08/08/2011, além da matriz (Joinville/SC) visitamos também os endereços das filiais de Blumenau/SC; Jaraguá do Sul/SC, e Brusque/SC, onde – em face ao planejamento prévio da ação fiscal já antevíamos a ocorrência de omissão de fatos geradores previdenciários, tendo em vista o reduzido volume de empregados próprios informados em Fl. 810DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 GFIP e também a existência de outras empresas no mesmo endereço (com diferenciação unicamente de salas ou pavimentos) e exercendo mesma atividade do sujeito passivo. A seguir, a fiscalização descreve as verificações ocorridas em cada estabelecimento visitado do contribuinte. Podese resumir da seguinte forma: FILIAL DE BLUMENAU/SC (/000449) RUA DR. PEDRO ZIMMERMANN Nº 772 BAIRRO ITOUPAVA CENTRAL: a) no ano 2010 essa filial não teve nenhum empregado próprio, inobstante tenha faturado mais de R$ 4 milhões somente naquele ano. b) no mesmo endereço, existe estabelecida, desde 07/2009, a empresa L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda. (LZA), CNPJ 10.950.076/000131, prestando todos os serviços inerentes ao objeto social da filial do sujeito passivo (transportes rodoviários de cargas) e identificandose como tal perante o mercado, mediante placa identificativa na fachada do prédio, e atendimento telefônico em nome da TRANSVILLE, cartões de visita, etc. c) a LZA é de propriedade do Sr. Carlos Walter Arcari, CPF 733.799.219 04 e sua esposa ou companheira, Sra. Leciene Zanella Arcari, (LZA) CPF 824.908.72915. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) vêse que o Sr. Carlos Walter Arcari foi empregado da TRANSVILLE, lotado na filial Blumenau/SC (CNPJ 82.604.042/000449) no período de 01/01/1992 a 01/05/1996, posteriormente lotado na filial de Brusque/SC (CNPJ 82.604.042/000600) entre 01/06/1996 e 01/10/1997. d) nesse hiato de tempo entre sua posição de empregado da TRANSVILLE e sócio da LZA, o Sr. Carlos Walter Arcari figurou ainda como agenciador da TRANSVILLE em outra filial da mesma. e) intimada a prestadora de serviços (LZA) a apresentar seus livros e documentos à fiscalização (consoante mandado nº 0920200.2011.00669), e a prestar esclarecimentos quanto à coincidência de endereço e de operações das duas empresas ali sediadas, a fiscalização foi informada da existência de um contrato específico firmado em 13 de julho de 2009, sob título “CONTRATO PARTICULAR DE PARTICIPAÇÃO EM SERVIÇOS DE TRANSPORTES”, onde a TRANSVILLE Transportes e Serviços Ltda. (TRANSVILLE) como contratante, e a L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda. (LZA), como contratada, firmam o seguinte (a fiscalização transcreve o instrumento) f) o contrato foi inspirado no instituto jurídico da franquia, onde o agenciador seria o franqueado; todavia, essa similaridade ficou apenas no campo da aparência, pois, em essência, o negócio (transportes) continua sendo integralmente Fl. 811DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10920.722925/201148 Acórdão n.º 2401004.203 S2C4T1 Fl. 810 5 da TRANSVILLE e o agenciador em momento algum assume os riscos empresariais, posto que remunerado mensalmente com um valor faturado a título de comissão sobre os negócios gerados (e sobre resultados positivos) em montante apurado pela contabilidade de custos do sujeito passivo, de forma a cobrir os trabalhos prestados pessoalmente e ainda cobrir os custos que lhe foram "repassados" ou "terceirizados" pela TRANSVILLE, notadamente custos trabalhistas e encargos sociais. g) ausência de estrutura operacional por parte da prestadora. Pelo Balanço Patrimonial da LZA em 31/12/2010, vêse que a prestadora não possui bens de produção (ativo permanente), mas apenas ativo circulante. Em outras palavras, não tem estrutura nem capacidade produtiva próprias, seu balanço registra apenas os saldos do giro financeiro por conta e ordem da TRANSVILLE. h) uma amostragem dos aportes periódicos de recursos registrados na contabilidade da TRANSVILLE (movimentação do último trimestre de 2010 na conta nº 1.1.02.02.000024 – Adiantamentos à L.Z.A.) demonstra que os mesmos não guardam nenhuma relação com o pagamento das faturas, restando claro que o objetivo é suprir recursos necessários à filial. O faturamento é assim apenas uma forma de zerar os adiantamentos. i) sabendo que a LZA foi criada em 07/2009, no período de 01/2007 a 06/2009 outra empresa operava como agenciadora da TRANSVILLE em sua filial de Blumenau/SC. Tratase da V.S. TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA., (atual ROTA BRASIL TRANSPORTES LTDA) CNPJ 02.297.092/000149, empresa criada em 12/1997, por Vilson João Serafim, (V.S.) CPF 388.328.60953 e sua mulher (aqui presumido pela identidade de domicílio) Sra. Maristela Regina Vieira Serafin, CPF 902.194.66991, atualmente sediada em Blumenau/SC, na Rua Gustavo Henschel nº 346 Bairro Itoupavazinha, onde foi intimada (mandado nº 0920200.2011.00668) a prestar informações e apresentar documentos à fiscalização. O prestador, alegando destruição de documentos durante a enchente havida em Blumenau/SC, o Sr. Vilson João Serafim e sua secretária (Maristela) – Tel: (47) 91765759, bem assim seu contador (Sr. Edemar) – CCF Consultoria – Tel: (47) 33235958 –pediram prazos sucessivos para a apresentação dos documentos requeridos, e nada apresentaram. j) analisando o contrato social daquela empresa, em acesso aos registros da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC), vêse que durante aquele período de 01/2007 a 06/2009 tal empresa era sediada formalmente no endereço dos sócios (Sr. Vilson João Serafin e Maristela Regine Vieira Serafin), o que evidentemente é incompatível com o volume das operações mantidas naquele período e com a necessidade de acomodação do volume de empregados detidos, da ordem de 20 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 empregados, conforme informações extraídas de GFIP constantes dos sistemas da Previdência Social (GFIPWEB). k) pelo Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) vêse que o Sr. Vilson João Serafim também foi empregado da TRANSVILLE, no período de 11/1979 a 10/1997 (vésperas da criação da empresa V.S. TRANSPORTES) sendo que de 02/1991 a 10/1997 esteve lotado justamente na filial Blumenau/SC, onde a partir de 12/1997 nada mudou, exceto pela estrita e vazia formalidade de criação da V.S. TRANSPORTES, no endereço de sua residência. Em conclusão: 30. Isto posto, temos que durante todo o período sob fiscalização, a filial Blumenau/SC do sujeito passivo transferiu sistematicamente e integralmente seus empregados para as empresas de fachada criadas em nome de seus exempregados, tudo como acima detalhado. FILIAL DE BRUSQUE/SC (/000600) RUA SANTOS DUMONT Nº 40 – GALPÃO 03 – BAIRRO SANTA TEREZINHA: a) apresentouse para atender a fiscalização o Sr. Deivis Rogério Duarte, CPF 660.319.23904. O mesmo explicou que é empregado da TRANSVILLE mas atualmente é registrado na "prestadora" estabelecida naquele mesmo endereço. b) instado a identificar tal prestadora de serviços, o Sr. Deivis Duarte apresentou cópias de notas fiscais – que encontravamse sobre sua mesa emitidas por tal prestadora contra a TRANSVILLE (NF 000004 de 29/07/2011, referente “Transporte de cargas e serviços auxiliares referente ao mês de julho/2011”, no valor de R$ 95.000,00) e de Conhecimento de Transporte nº 242844 emitido pela TRANSVILLE em 03/08/2011, demonstrando assim que ambas as empresas operavam de forma integrada no mesmo endereço. Apresentou ainda cópia de contrato firmado entre aquelas empresas em 1º de agosto de 1999, denominado “Contrato Particular de Participação em Serviços de Transportes” que repete as cláusulas já reproduzidas na análise de outra filial. c) a agenciadora, na cidade de Brusque/SC, é a C.W.A. Transportes e Serviços Ltda., (CWA) CNPJ 02.294.991/0001 98, empresa com início de atividades em 1º de novembro de 1997 e registrada na Junta Comercial (JUCESC) em 12/1997 pelo Sr. Carlos Walter Arcari (CWA), CPF 733.799.21904 e sua esposa ou companheira, Sra. Leciene Zanella Arcari, CPF 824.908.72915, empresa essa que foi então intimada a apresentar documentos e esclarecimentos à fiscalização. d) pelo contrato social, vêse que essa empresa esteve inicialmente sediada à Rua Sete de Setembro nº 625 – Fundos, e, com a 1ª alteração contratual registrada na Junta Comercial Fl. 813DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10920.722925/201148 Acórdão n.º 2401004.203 S2C4T1 Fl. 811 7 do Estado de Santa Catarina (JUCESC) em 25/05/2006, alterouse o endereço para Rua Santos Dumont nº 40 – Galpão 03 – Bairro Santa Terezinha, que é exatamente o mesmo endereço da filial do sujeito passivo naquela cidade. e) pelo Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) vêse que o Sr. Carlos Walter Arcari foi empregado da TRANSVILLE, lotado na filial Blumenau/SC (CNPJ 82.604.042/000449) no período de 01/01/1992 a 01/05/1996, posteriormente lotado na filial de Brusque/SC (CNPJ 82.604.042/000600) entre 01/06/1996 e 01/10/1997, ou seja, essa empresa CWA iniciou suas atividades no mês seguinte à rescisão do vínculo empregatício do Sr. Carlos Walter Arcari com a TRANSVILLE. f) a prestadora é considerada pela fiscalização como empresa de fachada, não tendo sede própria ao longo do período fiscalizado, eis que sediada no endereço da filial TRANSVILLE em Brusque/SC, local em que o Sr. Carlos Walter Arcari já desempenhava suas funções como empregado do sujeito passivo desde 06/1996. g) esta prestadora apresenta similaridade com a situação relativa à filial de Blumenau/SC, onde a empresa agenciadora atual (LZA) é também é do Sr. Carlos Walter Arcari e de sua esposa Sra. Leciene Zanella Arcari (LZA). Com efeito, isso ocorre tanto em relação ao volume de negócios gerados (expressivo) quanto ao volume (nulo) de empregados mantidos diretamente pelo sujeito passivo naquela filial. h) no tocante às operações da CWA, igualmente às demais filiais já aqui analisadas, verificase sua inteira dependência dos aportes financeiros – quase diários – feitos por parte da TRANSVILLE como o demonstra a conta de adiantamentos. FILIAL JARAGUÁ DO SUL/SC (/000520) RUA DONA EMMA SASSE Nº 64 VILA LALAU: a) a fiscalização foi atendida pelo Sr. Evandro Coutinho, CPF 947.893.71972 que se apresentou como gerente. Questionado sobre a existência de outra empresa transportadora com sede naquele mesmo endereço, denominada Jaraguaense Transportes Ltda., (JARAGUAENSE) CNPJ 03.423.164/000110, disse desconhecêla. b) em contato com o contador responsável pelas informações prestadas em GFIP daquela empresa (Gonçalves Contabilidade) e através dele, ao Sr. Flávio Fl. 814DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Murilo Vieira, CPF 762.696.20953, administrador daquela empresa, a fiscalização apresentou intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos, consoante mandado 0920200.2011.00656. c) questionado quanto aos seus vínculos anteriores com o sujeito passivo, o Sr. Flávio Murilo Vieira informou à fiscalização que foi empregado da TRANSVILLE no período de 04/1989 a 07/1999, fato comprovado em pesquisa ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). d) confirmou ainda que a JARAGUAENSE fora criada, em 09/1999, para ser agenciadora da TRANSVILLE em Jaraguá do Sul/SC, função essa desempenhada até o mês 06/2009, quando foi rescindido o contrato e a TRANSVILLE passou a operar diretamente aquela filial. Apresentou cópia de contrato firmado entre as empresas JARAGUAENSE e TRANSVILLE intitulado “Contrato Particular de Participação em Serviços de Transportes” contrato esse que repete as cláusulas já analisadas, o que comprova ser um contrato padrão aplicado às suas agenciadoras. e) a filial propriamente dita do sujeito passivo manteve expressivo faturamento ao longo de todo o período fiscalizado, porém como de praxe não teve nenhum empregado até o mês 07/2009, quando então passou de imediato a deter um volume compatível de empregados, ao passo que a JARAGUAENSE foi paralisando suas atividades. f) a título de exemplo, o Sr. Flávio Murilo Vieira apresentou algumas planilhas de apuração mensal de sua comissão, cobrindo o período de janeiro/2009 a junho/2009, quando se encerrou sua parceria com o sujeito passivo. Em tais planilhas demonstrase a metodologia de cálculo das comissões pagas pela TRANSVILLE, sendo interessante notar que havia o desconto sistemático de algumas despesas, tais como telefone e energia elétrica, o que denota claramente a utilização das instalações do sujeito passivo. g) em tais planilhas havia a previsão de algumas despesas assumidas pela TRANSVILLE, sob o título “Despesas de Participação para lançar na Contabilidade de Custos” em que se inclui o item “Diferença Alíquota Imposto Simples” denotando esse como um dos itens de custos "administrados" intencionalmente pelo sujeito passivo em relação às operações mantidas com seus agenciadores, não podendo o mesmo alegar desconhecimento dasconsequências tributárias decorrentes dessa fraude fiscal, perpetrada mediante a simulação do fracionamento de suas atividades com empresas de fachada optantes do SIMPLES. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10920.722925/201148 Acórdão n.º 2401004.203 S2C4T1 Fl. 812 9 h) a fiscalização traz excertos de processos trabalhistas (RT 014632007 04612005, da 2ª Vara do Trabalho de Jaraguá do Sul/SC e AT 01111200301912003, da 1ª Vara do Trabalho de Jaraguá do Sul/SC). A fiscalização informa que as bases de cálculo arbitradas decorrem da constatação de que as pessoas jurídicas denominadas agenciadoras são empresas inexistentes de fato, posto que criadas em nome de exempregados e operadas direta ou indiretamente pelos próprios donos e administradores do sujeito passivo, de modo a figurarem como as principais empregadoras da mão de obra utilizada nas suas filiais aqui analisadas, ao amparo do artigo 80, parágrafo primeiro, inciso I, da Lei nº 9.430/96, e do art. 28, inciso II, alínea “a”, da Instrução Normativa RFB nº 1005/2010 (L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda., CNPJ 10.950.076/0001 31; Rota Brasil transportes Ltda., CNPJ 02.297.092/000149; C.W.A. Transportes e Serviços Ltda., CNPJ 02.294.991/000198; Jaraguaense transportes Ltda., CNPJ 03.423.164/000110). Diante disto, conclui a fiscalização o contribuinte “deve ser responsabilizado pela cota patronal incidente sobre a remuneração de todos os segurados obrigatórios que lhe prestaram serviços durante o período fiscalizado (empregados e contribuintes individuais), haja vista ao fato dessa empresa não ser optante do Simples durante o período fiscalizado”. Informa não ter sido desconsiderada a personalidade jurídica das empresas agenciadoras, tendo ocorrido a caracterização dos prestadores pessoas físicas das empresa prestadoras como segurados empregados do contribuinte autuado. Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP, pela ocorrência, em tese, dos delitos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Com base no Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, “c”, a fiscalização informa ter aplicado o princípio da retroatividade benigna. Salienta que os fatos geradores já ocorridos sob égide plena da nova legislação acima analisada (competências 12/2008 a 13/2010) não se sujeitam a tal comparação, ademais, sofreram majoração (qualificação) nas multas (de 75% para 150%) em face da previsão do parágrafo primeiro, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, ante a configuração em tese de sonegação, fraude e conluio com as empresas agenciadoras. Irresignado, o sujeito passivo comparece aos autos, apresentando seu instrumento de impugnação (...) (...) Fl. 816DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 584 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: tempestividade do Recurso Voluntário, tendo em vista que a comunicação da decisão de primeira instância foi feita em nome de pessoa que não ostenta poderes para representar a recorrente; nulidade dos autos de infração por não estarem acompanhados dos documentos nos quais se basearam (apenas planilhas); incompetência para julgamento da DRJ Campinas; inexistência de responsabilidade solidária das empresas contratadas pelas recorrente por constituírem grupo econômico, pois a autoridade fiscal estabeleceu a recorrente como contribuinte da exação; impossibilidade de o Auditor Fiscal desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo; o fato da LZA não possuir bens em seu nome não impossibilidade executar o serviço de coleta/entrega, porque pode utilizarse de caminhões de terceiros, sendo que o sócio da empresa LZA (Carlos Walter Arcari) é também sócio da CWA, que sedia seus caminhões à LZA, que também contratava veículos terceirizados; quanto à VS (ROTA BRASIL), alega que prestou serviços à Transville de 01/2007 a 06/2009, quando encerrou o contrato. Ademais, o exempregado da Transville (Vilson João Serafim), em que pese ter aberto a empresa VS (ROTA BRASIL) logo após sair da Transville, somente veio a prestar serviços a esta em 01/03/1999. A VS (ROTA BRASIL) possuia bens próprios e capacidade de executar os serviços contratados; nem todos os funcionários da VS (ROTA BRASIL) e da LZA eram exfuncionários da Transville; a VS (ROTA BRASIL) encerrou seu contrato com a Transville e mantevese no mercado, ampliando suas atividades; a CWA possuía diversos caminhões em seu nome e, ademais, o número de veículos em nome da empresa é irrelevante, na medida em que a empresa pode contratar veículos terceirizados. Carlos Walter Arcaria iniciou as atividade da empresa CWA logo após sair da Transville, sendo que somente em 01/03/1999 é que iniciou suas atividades com a Transville. A CWA também prestava serviços a outras empresas. A CWA pagava todas as suas despesas, inclusive conta de energia elétrica, que estava em seu nome; no que tange à empresa Jaraguaense, aduz que foi criada e, por conveniência das partes, efetuouse contrato de parceria com a Transville; Fl. 817DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10920.722925/201148 Acórdão n.º 2401004.203 S2C4T1 Fl. 813 11 necessarária dedução dos valores recolhidos pelas contratadas na sistemática do SIMPLES; foram utilizadas partes de depoimentos de reclamatórias trabalhista que nem ao menos transitaram em julgado; inexistência de sonegação, fraude ou conluio a ensejar a duplicação da multa no período de 12/2008 a 13/2010; e ofensa ao Princípio do NãoConfisco, devendo a multa ser reduzida a 20% (multa de mora). É o relatório. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Tempestividade. Nãoconhecimento. Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 26/03/2014, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fls. 551). Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário apenas em 27/06/2014 (fls. 584 e seguintes), ou seja, muito após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto n° 70.235/1972. Em seu recurso, apresenta as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, acrescidas da argumentação relativa à tempestividade do recurso, mencionando, em especial, que a comunicação da decisão de primeira instância foi feita em nome de pessoa que não ostenta poderes para representar a recorrente. Todavia, quanto à tempestividade suscitada, temos que tal assunto já se encontra sumulado por esta instância julgadora, Súmula nº 09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Assim, resta claro que a recorrente não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 819DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10920.722925/201148 Acórdão n.º 2401004.203 S2C4T1 Fl. 814 13 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000411/2001-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO DE CSLL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Direito creditório. Restituição. Compensação. A contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada. As alegações oferecidas desacompanhadas de provas consistentes que as sustentem não têm o condão de macular a decisão administrativa questionada, a qual se pautou em declarações ofertadas pela própria interessada.
Numero da decisão: 1402-002.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida 8ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 SALDO NEGATIVO DE CSLL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Direito creditório. Restituição. Compensação. A contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada. As alegações oferecidas desacompanhadas de provas consistentes que as sustentem não têm o condão de macular a decisão administrativa questionada, a qual se pautou em declarações ofertadas pela própria interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE - Relator. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Roberto Silva Junior. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 8ª Turma da DRJ/RJ1, em sessão de 23 de julho de 2010 (fls. 192/195) 1 , que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando as demais compensações declaradas, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 SALDO NEGATIVO DE CSLL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatório da decisão recorrida (fls. 193) 2 , o presente processo refere-se a “pedido de restituição protocolado em 18/09/2001 referente a saldo negativo de CS LL e IRPJ do ano-calendário 2000, no valor de R$ 33.340,65 e R$ 39.986,93, respectivamente (fls.01/02). Foram entregues as dcomps, abaixo relacionadas, sendo que todas fazem referência ao crédito de IRPJ”: Diz ainda citado relatório: “O direito creditório foi reconhecido parcialmente, uma vez que houve glosa do valor informado a titulo de estimativas tanto em relação ao IRPJ quanto em relação a CSLL. A ciência do despacho decisório (fls. 122/127) ocorreu em 23/03/2009 (fl. 139) e a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 22/04/2009 (fls. 153/174). Na manifestação de inconformidade apresentada o contribuinte alega em síntese o que se segue: 1 Numeração digital 2 ibidem Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 4 4 a) é necessário o lançamento de oficio para glosar os valores das estimativas; b) os valores apurados a título de imposto de renda e contribuição retidos por órgãos públicos não são aquelas calculadas no despacho decisório, visto que estava amparada por medida judicial ( Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015265-9) que determinava a retenção à alíquota de 2% da COFINS. Posteriormente, verificou-se que o contribuinte havia apresentado um pedido de cancelamento nº 17097.58401.270209.1.8.02-6403 no qual cancela a dcomp 20796.33224.290605.1.3.02-5053. Diante disso, emitiu-se um ADENDO (fl. 147) deferindo o pedido de cancelamento, visto que a dcomp foi transmitida em 27/02/09, isto é anteriormente a ciência que ocorreu em 23/03/2009. O contribuinte foi cientificado em 11/05/2009 (fl. 177)”. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 8ª Turma da DRJ/RJ1 enfrentou e repeliu a preliminar invocada de que seria necessário lançamento de ofício para glosar os valores de estimativas e, no mérito, decidiu: A interessada alega que os valores apurados no despacho decisório não estão corretos, visto que, à época, estava amparada por medida judicial (Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015265-9) que determinava a retenção da COFINS à alíquota de 2%. No entanto, não junta aos autos qualquer comprovação de suas alegações. O Decreto n° 70.235, de 1972 determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. Desta forma, não há como acatar as meras alegações do contribuinte. Por certo, se a ordem judicial estava em vigor no momento da retenção o Fundo Nacional de Saúde cumpriu a determinação judicial. Assim, a interessada deveria apresentar um informe de rendimentos que discriminasse os valores retidos de cada tributo, uma vez que alega que não foram aplicados os percentuais legais. A interessada alega que compensou estimativa com o IRRF por órgão público, contudo, verifica-se que na DIPJ (fls. 106/109) que a dedução ocorreu com o IRRF. Conforme consulta a DIRF, o valor do IRRF (exceto o código 6147) totaliza R$ 1.512,27 já considerado na decisão proferida. Em relação a CSLL, o valor retido por órgão público foi de R$ 31.186,06 também já considerado na decisão proferida. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 5 5 Para concluir: VOTO por NEGAR PROVIMENTO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE da interessada, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 25/08/2010 (fls. 198) 3 , a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/09/2010 (fls. 199/214) 4 , no qual, basicamente, repisa os argumentos anteriormente expendidos e junta documentos, inclusive cópia de certidão da ação judicial relativa ao Mandado de Segurança nº 1999.61.00.015265-9 (fls. 495/496) 5 na qual se discutiu a constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%. É o relatório do essencial, em apertada síntese. 3 Numeração digital 4 ibidem 5 Ibidem Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 6 6 Como relatado, o procedimento originou-se de “pedido de restituição protocolado em 18/09/2001 referente a saldo negativo de CS LL e IRPJ do ano-calendário 2000, no valor de R$ 33.340,65 e R$ 39.986,93, respectivamente (fls.01/02)”. Analisando o pleito que deu origem ao caso agora apreciado, a DRF de origem exarou o Despacho Decisório de fls. 129/134 6 que, em resumo aponta: Em relação ao IRPJ Estimativas Retenção por Órgãos Públicos Conclusão Concluindo sua análise, a Autoridade competente da DRF assentou que, retificando-se a dedução do imposto efetuada por órgãos públicos, o novo cálculo do saldo negativo do Imposto de Renda passou a ser: 6 Ibidem Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 7 7 Em relação à CSLL: Definiu o Despacho Decisório: E concluiu: Contra este Despacho Decisório foi interposta manifestação de inconformidade, tendo a Turma Julgadora de 1ª Instância mantido o DD, negado provimento ao pleito da interessada e não reconhecido o direito creditório por falta de comprovação das alegações. Assim, os valores inicialmente declarados pela contribuinte (objeto de seu pedido de restituição protocolado em 18/09/2001 referente a saldo negativo de IRPJ e CSLL do Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 8 8 ano-calendário 2000 nos valores de R$ R$ 39.986,93 e R$ 33.340,65 respectivamente - fls. 06 e 04) e os montantes consolidados após o Despacho Decisório exarado pela autoridade competente da DRF/Limeira e mantido no Acórdão da DRJ, são os seguintes: A) Imposto de Renda IRPJ Ficha 12A - DIPJ Ex/2001 - AC/2000 - fls. 112 Cálculo Contribuinte Após DD e Acórdão DRJ 01. IR à Alíquota de 15% 8.105,14 8.105,14 05. Programa Alimentação Trabalhador - 324,21 - 324,21 13. Imposto de Renda Retido na Fonte - 1.509,39 - 1.509,39 14. (-) IRRF por Órgão Público - 33.328,02 - 33.328,02 16. (-) IR pago p/ estimativa - 12.930,45 - 2,88 18. (IMPOSTO DE RENDA A PAGAR) - 39.986,93 - 27.059,36 B) Contribuição Social s/ Lucro Líquido CSLL Ficha 17 - DIPJ Ex/2001 - AC/2000 - fls. 124 Cálculo Contribuinte Após DD e Acórdão DRJ 36. Contribuição Social s/ Lucro Líquido 5.066,20 5.066,20 38. (-) CSLL paga p/ estimativa - 8.470,11 - 8.470,11 41. (-)CSLL retida Fonte p/Órgão Público - 29.936,74 - 22.715,95 18. (CSLL A PAGAR) - 33.340,65 - 26.119,86 C) Direito Creditório não Reconhecido (*) C.1 – Imposto de Renda – R$ 12.927,57 (R$ 39.986,93 – R$27.059,36) C.2 – CSLL - R$ 7.220,79 (R$ 33.340,65 – R$ 26.119,86) (*) – Valores remanescentes em litígio e que serão analisados à frente. Como se vê nos autos, o saldo negativo de IRPJ e CSLL compõe-se, em sua maior parte, de valores retidos na fonte por Órgãos Públicos, na forma disposta no artigo 64, da Lei nº 9.430, de 1996 7 , os quais, parcialmente, foram compensados com estimativas mensais devidas pela recorrente. 7 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 9 9 O disciplinamento da forma de retenção e especificação das respectivas alíquotas fez-se, no primeiro momento, pela Instrução Normativa SRF/STN/SFC Nº 04, de 18 de agosto de 1997, posteriormente alterada pela IN (SRF) nº 28, de 01/03/1999 (vigente à época dos fatos aqui apreciados), determinando, no seu Anexo Único, para a atividade da recorrente e para o código de recolhimento (6147), os seguintes percentuais: 1. Percentual Total a ser Aplicado 5,85% 2. Distribuição pelos Tributos 2.1 - Imposto de Renda 1,20% 2.2 - Contribuição Social s/Lucro Líquido 1,00% 2.3 - PIS/PASEP 0,65% 2.4 - COFINS 3,00% 5,85% Ao proceder à análise do pleito da recorrente, a unidade de origem entendeu que os valores apontados como retidos na fonte não correspondiam, em sua totalidade, ao resultado da multiplicação das referidas alíquotas sobre os valores pagos por Órgãos Públicos à interessada. Contrapondo-se em sede de manifestação de inconformidade e sequencialmente no Recurso Voluntário aqui trazido, a recorrente sustenta que a diferença apontada pela autoridade da DRF não levou em conta a existência de processo judicial no qual, através seu Sindicato Patronal (SINDHOSP), teria obtido liminarmente e depois em decisão confirmatória, a possibilidade de recolher a COFINS à alíquota de 2%, afastando a majoração para 3% promovida pelo artigo 8º, da Lei nº 9.718/1998. Igualmente assevera que os valores informados pela fonte pagadora (Ministério da Saúde) a título de rendimentos brutos e retenção na fonte foram acatados em todas as instâncias anteriores. Neste aspecto, em relação à mencionada ação judicial, a demandante não acostou cópia da mesma aos autos, mas apenas a Certidão de Objeto e Pé de fls. 495/496 8 , que é genérica e não mostra sua presença no pólo ativo da demanda promovida pelo SINDHOSP. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social - COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. 8 Numeração digital Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9249.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9249.htm#art15 Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 10 10 Mais ainda, referida certidão só foi juntada por ocasião da interposição do presente Recurso Voluntário, o que levou ao não provimento de sua manifestação de inconformidade apresentada junto à Turma Julgadora da DRJ, na forma apontada na decisão recorrida, verbis: “A interessada alega que os valores apurados no despacho decisório não estão corretos, visto que, à época, estava amparada por medida judicial (Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015265-9) que determinava a retenção da COFINS à alíquota de 2%. No entanto, não junta aos autos qualquer comprovação de suas alegações. O Decreto n° 70.235, de 1972 determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. Desta forma, não há como acatar as meras alegações do contribuinte”. Todavia, este Relator já teve oportunidade de apreciar outros recursos voluntários envolvendo empresas com atividades similares à da recorrente e pôde confirmar não apenas a existência da ação judicial mencionada como a presença da ora recorrente no rol de associados do Sindicato Patronal que promoveu a demanda. Assim, à vista do princípio da verdade material e por economia e celeridade processuais, supero a omissão detectada e aprecio as alegações da recorrente. Vencido este aspecto, razão assiste à recorrente em relação às duas afirmativas, a primeira quanto a existência de ação judicial (mandado de segurança) com liminar deferida e sentença confirmatória que lhe permitiria recolher a COFINS à alíquota de 2% enquanto vigente tal autorização. Do mesmo modo, quando argui que os valores informados pela fonte pagadora foram confirmados pela cópia da DIRF juntada pela autoridade tributária e aceitos em todas as instâncias (docs. fls. 7 e 116/122) 9 . Todavia, há outros fatores a se considerar no deslinde da controvérsia instaurada. Primeiramente, acerca da ação judicial que albergaria a recorrente. Se é verdadeira a existência de medida acautelatória que permitia à recorrente, à época dos fatos, a tributação da COFINS ao percentual de 2% (e não 3%), não é menos verdade (e a demandante sobre isso silenciou) que tal decisão, submetida ao reexame necessário pelo TRF da 3ª Região, naquilo que é pertinente, restou reformada, ou seja, a majoração da alíquota da COFINS de dois para três por cento, promovida pelo artigo 8º, da Lei nº 9.718/1998, foi tida como constitucional, conforme ementa abaixo, extraída do site do Tribunal: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 1999.61.00.015265-9/SP RELATORA Desembargadora Federal CONSUELO YOSHIDA APELANTE : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) 9 Numeração digital Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 11 11 ADVOGADO : FERNANDO NETTO BOITEUX E ELYADIR FERREIRA BORGES APELADO : SINDICATO DOS HOSPITAIS CLINICAS CASAS DE SAUDE LABORATORIOS DE PESQUISAS E ANALISES CLINICAS INSTITUICOES BENEFICENTES RELIGIOSAS E FILANTROPICAS DO ESTADO DE SAO PAULO SINDHOSP ADVOGADO : LUCINEIA APARECIDA NUCCI REMETENTE : JUIZO FEDERAL DA 10ª VARA SAO PAULO Sec Jud SP EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INTERESSE RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. LEI Nº 9.718/98. BASES DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. ALÍQUOTA DA COFINS. MAJORAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Ausente o interesse em recorrer da União Federal no tocante à insurgência contra a possibilidade da compensação operar-se com tributos de espécie e destinação diversas, uma vez que o presente mandamus é meramente declaratório, não havendo pedido de repetição de indébito. 2. A COFINS - Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social, e a contribuição ao PIS - Programa de Integração Social, instituídos pelas Leis Complementares nºs 70/91 e 07/70, respectivamente, têm por base de cálculo o faturamento. 3. A Lei nº 9.718/98, ao alterar a sistemática de determinação do valor do PIS e da COFINS, definiu como faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 4. Inconstitucionalidade do art. 3.º, § 1.º, da Lei n.º 9.718/98, que trata da base de cálculo da COFINS e do PIS, reconhecida pelo Pretório Excelso no julgamento do RE n.º 357950 (Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU 15.08.2006). 5. A Lei nº 9.718/98, ao majorar a alíquota da COFINS, não incorreu em vício formal de inconstitucionalidade, tendo em vista que a Lei Complementar nº 70/91, que instituiu a exação em questão, é materialmente ordinária, não tratando de matéria reservada à lei complementar. Nem padece de vício de inconstitucionalidade, do ponto de vista material, estando resguardados os princípios constitucionais limitadores da imposição tributária. 6. Apelação não conhecida em parte e, na parte conhecida, parcialmente provida. Remessa oficial parcialmente provida. ACÓRDÃO Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 12 12 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, não conhecer de parte da apelação e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento, assim como à remessa oficial, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 03 de dezembro de 2009. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal Excertos do voto detalham a ementa (com destaques crescidos): No tocante ao aumento da alíquota de 2% para 3% instituído pelo art. 8º, caput, da Lei nº 9.718/98, concordo que inexiste qualquer inconstitucionalidade. Com efeito, entendo não existir óbice a que a majoração em apreço seja veiculada por meio de lei ordinária. A própria instituição da COFINS não exigia lei complementar, por ter tal tributo fundamento de validade no art. 195, I, da Constituição Federal, não se tratando de contribuição nova instituída com base na competência residual da União Federal, em relação à qual é exigida aquela espécie legislativa (CF, art. 195, § 4º c/c art. 154, I). Como se pronunciou o eminente Min. MOREIRA ALVES, Relator da ADC-01/01 - DF, que examinou a constitucionalidade de dispositivos da Lei Complementar nº 70/91 relativamente à COFINS: ...a contribuição social em causa, incidente sobre o faturamento dos empregadores, é admitida expressamente pelo inciso I do artigo 195 da Carta Magna, não se podendo pretender, portanto, que a Lei Complementar nº 70/91 tenha criado outra fonte de renda destinada a garantir a manutenção ou a expansão da seguridade social. Por isso mesmo, essa contribuição poderia ser instituída por lei ordinária. A circunstância de ter sido instituída por lei formalmente complementar - a Lei Complementar nº 70/91 - não lhe dá, evidentemente, a natureza de contribuição social nova, a que se aplicaria o disposto no § 4º do art. 195 da Constituição, porquanto essa lei, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída - que são o objeto desta ação -, é materialmente ordinária, por não tratar, nesse particular, de matéria reservada, por texto expresso da Constituição, à lei complementar (destaquei). Assim sendo, a Lei nº 9.718/98 pode, efetivamente, proceder à majoração da alíquota sem incorrer em vício formal de inconstitucionalidade. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 13 13 Igualmente, não vislumbro, na majoração de alíquota da COFINS, vícios de inconstitucionalidade do ponto de vista material, estando resguardados os princípios constitucionais limitadores da imposição tributária. (...) Em face de todo o exposto, não conheço de parte da apelação e, na parte conhecida, dou-lhe parcial provimento, assim como à remessa oficial, para reconhecer a exigibilidade da Cofins à alíquota de 3%, nos moldes do art. 8º da Lei nº 9.718/98. É como voto. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal Portanto, a medida judicial acionada pela recorrente, embora lhe tenha sido favorável no primeiro instante, terminou reformada em relação à alteração de alíquota da COFINS. De qualquer modo, este fato, para o caso aqui tratado, não tem a relevância que a recorrente lhe quis imprimir, isto porque o que a medida acautelatória visou foi permitir aos associados do Sindicato Patronal (SINDHOSP), que calculassem e recolhessem a COFINS à alíquota de 2%, afastando a majoração para 3% promovida pelo artigo 8º, da Lei nº 9.718/1998. Em momento algum há referência à retenção de tributos nos pagamentos feitos por Órgãos Públicos (caso aqui apreciado), ou seja, a obrigatoriedade de a fonte pagadora reter da recorrente apenas 2% a título de COFINS. Certo que isto poderia ter ocorrido, mas não constam dos autos quaisquer comprovações neste sentido, ônus de que a recorrente deveria se desincumbir, a teor do artigo 373, I, do CPC atual – Lei nº 13.105, de 16/03/2015 (artigo 333, I, do anterior Código) e não o fez. E poderia tê-lo feito de várias formas, por exemplo, comprovando que comunicou a fonte pagadora (que é a maior e mais relevante – Ministério da Saúde) de que era detentora da medida judicial que lhe permitia sofrer a imposição da COFINS à alíquota de 2% (modelos para isso existem na IN Conjunta SRF-STN-SFC nº 4, de 18/08/1997, que inicialmente regulamentou o artigo 64, da Lei nº 9.430, de 1996). Entretanto, ainda que a fonte pagadora (Ministério da Saúde) tenha sido comunicada pela recorrente do teor da medida cautelar ou dela tenha tido conhecimento por qualquer outra forma e assim procedido à retenção da COFINS à razão de 2%, o fato é que os valores informados pela referida fonte pagadora (doc. fls. 7), ratificados pela cópia da DIRF de fls. 118, não mantêm consistência com os argumentos da recorrente, expressos no Recurso Voluntário, fls. 199/214 10 (destaques acrescidos): “Analisando a Declaração de Rendimentos do ano-base de 2000 emitida pelo Ministério da Saúde — Sistema único de Saúde, documento já acostado aos autos juntamente com a manifestação 10 A numeração referida das páginas é sempre a digital Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 14 14 de inconformidade (fls. 162), é possível constatar que o total do rendimento bruto no ano-calendário de 2000 soma o montante de R$ 4.752.004,66; já o total retido na fonte soma o montante de R$ 182.438,44, valor esse retido pelo órgão público e ratificado pelo despacho decisório proferido pela DRF-Limeira. A DRJ-RJ1, ao se manifestar sobre os argumentos trazidos pela Recorrente, assevera que: A interessada alega que compensou estimativa com IRRF por órgão público, contudo, verifica-se que na DIPJ (fls.106/109) que a dedução ocorreu com o IRRF. Conforme consulta a DIRF, o valor do IRRF (exceto o código 6147) totaliza R$ 1.512,27 já considerado na decisão recorrida. No entanto, equivoca-se o acórdão recorrido sobre esta questão. A Recorrente registrou em sua manifestação de inconformidade que na composição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL utilizados nas compensações discutidas nestes autos devem ser consideradas as estimativas recolhidas, as retenções sofridas (exceto código 6147) e as retenções sofridas em razão dos serviços prestados por órgãos públicos (código 6147). Ocorre que somente as estimativas recolhidas e as retenções sofridas (exceto código 6147) foram consideradas corretamente pela DRF-Limeira na composição dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL. No tocante à retenção sofrida em função da prestação de serviços hospitalares a órgãos públicos, os valores foram considerados a menor em função de equívoco cometido na atribuição da alíquota da COFINS, já que a Recorrente tinha, à época, medida judicial que determinada i a retenção da COFINS à alíquota de 2%. Nesse contexto, vale ressaltar que ao contrário do entendimento equivocado manifestado no despacho decisório proferido pela DRF-Jundiaí e ratificado pelo acórdão recorrido, o total das retenções feitas pelo órgão público que soma R$ 182.438,44, como comprova o documento de fls. 162 , não equivale à retenção no percentual de 5,85%, senão vejamos: No mês de janeiro de 2000, conforme informações contidas na Declaração de Rendimentos emitida pelo Ministério da Saúde, o rendimento bruto foi de R$ 365.936,44. Se o percentual de retenção aplicado fosse equivalente a 5,85% como registrado no despacho recorrido, o valor total da retenção informado na Declaração de Rendimentos deveria ser equivalente a R$ 21.407,28. Todavia, não é esse o valor constante naquele documento. Isso ocorreu porque a Recorrente, à época, estava amparada por medida judicial em trâmite perante a 10ª Vara Cível Federal de São Paulo-SP — Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015265- 9 - que determinava a retenção da COFINS à alíquota de 2% em função da atividade por ela exercida. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 15 15 (...) Da análise do demonstrativo anexo, constata-se que do total da retenção informado no "Comprovante Anual de Retenção" emitido pelo tomador dos serviços (fls. 162), apenas 4,85% equivale ao valor total retido pelo órgão público, tendo em vista que a retenção da COFINS foi feita à alíquota de 2% (...) (...) Vale ressaltar, por oportuno, que os valores equivocados considerados pela DRF-Limeira só foram obtidos porque utilizou como percentual de retenção o montante de 5,85% (IR 1,2%, CSLL 1%, PIS 0,65%, COFINS 3%) disposto na Instrução Normativa n° 004/1997 sem, no entanto, levar em consideração a medida judicial que determinava a utilização do percentual de 2% para a retenção da COFINS sobre os pagamentos efetuados pelos órgãos públicos, resultando em percentual de retenção de 4,85%”. Pois bem, fosse verdadeira esta premissa (a de que “do total da retenção informado no "Comprovante Anual de Retenção" emitido pelo tomador dos serviços (fls. 162), apenas 4,85% equivale ao valor total retido pelo órgão público”), bastaria uma simples operação matemática para confirmá-la. Não é, porém o que se observa no documento de fls. 7 (Comprovante Anual de Retenção emitido pela fonte pagadora) e ratificado pela cópia da DIRF (fls. 118): Somando-se as colunas: 1. Rend. Bruto → R$ 4.752.004,66 2. Vlr. Retido → R$ 182.438,44 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 16 16 3. % de Retenção (2:1*100) → 3,8391% Impende destacar que tal percentual (3,8391%), que representa a média aritmética anual, não encontra correspondência em quaisquer dos doze meses do ano, que apresentaram resultados percentuais totalmente disformes ao longo do período, como se vê na planilha abaixo, elaborada por esta Relatoria: Meses Rend. Bruto Vlrs. Retidos % jan/00 365.936,44 16.592,79 4,5343 fev/00 375.811,87 17.034,97 4,5328 mar/00 725.707,50 - 0,0000 abr/00 351.283,44 15.915,16 4,5306 mai/00 372.420,09 16.877,71 4,5319 jun/00 360.885,00 16.349,94 4,5305 jul/00 372.057,49 16.859,49 4,5314 ago/00 359.587,32 16.289,68 4,5301 set/00 372.278,66 16.867,84 4,5310 out/00 367.139,98 16.632,78 4,5304 nov/00 362.461,06 16.418,83 4,5298 dez/00 366.435,81 16.599,25 4,5299 TOTAIS 4.752.004,66 182.438,44 3,8392 Assim, se “do total da retenção informado no "Comprovante Anual de Retenção" emitido pelo tomador dos serviços (fls. 162), apenas 4,85% equivale ao valor total retido pelo órgão público”, como sustenta a recorrente, de duas, uma: i) ou a base de cálculo (rendimento bruto) informado de R$ 4.752.004,66 não estaria correto, ou, ii) o montante declarado como retido (R$ 182.438,44) não corresponde à verdade. Ora, como a recorrente afirma que os valores são corretos e a Autoridade que exarou o Despacho Decisório os ratifica, a conclusão só pode ser uma: os percentuais de retenção aplicados sobre o rendimento bruto não são aqueles que a recorrente afirma (4,85%), fruto da diminuição de 1,0% da alíquota da COFINS, nem importam em 5,85% como determina a legislação. Mais ainda, não há um mês sequer em que a alíquota aplicada corresponda ao percentual de 4,85% invocado pela recorrente, o que fragiliza ainda mais seus argumentos. Em suma, há diversos percentuais estampados e o motivo desta disfunção não está retratado nos autos. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 17 17 Deveras, ao revés do questionado pela recorrente em seu Recurso Voluntário 11 , trata-se de informação essencial que caberia apresentar em seu pedido, afinal é a ela que se impinge, como autora, tal ônus, na forma do citado artigo do CPC vigente 12 . E certamente dispunha – ou deveria dispor - de meios probantes de fácil obtenção e ao seu alcance para juntá-los ao pleito, como, por exemplo, declaração elucidativa da fonte pagadora discriminando cada uma das rubricas retidas ou até cópia de suas notas fiscais que obviamente deve ter emitido em desfavor de seu cliente (Ministério da Saúde) nas quais, muito provavelmente, cada uma das exações, suas alíquotas e valores restariam claramente individualizadas. Como a recorrente não produziu a prova mais elementar que deveria produzir, não poderia exigir da autoridade que inicialmente analisou o pedido e emitiu o Despacho Decisório, nem da Turma Julgadora da DRJ, que laborasse por ela pesquisando tais informações. Releva esclarecer que o documento (planilha) que a recorrente juntou às fls. 497 13 não tem o condão de suprir tal exigência, posto que da lavra da própria interessada, sem contraposição documental de terceiros que pudesse permitir aferir a consistência dos números ali estampados. Neste trilhar, à falta de esclarecimento consistente do motivo das divergências encontradas, corretamente agiu a autoridade da DRF que exarou o Despacho Decisório no sentido de adotar as alíquotas expressamente previstas na legislação tributária e, a partir delas e em conformidade com os valores declarados pela fonte pagadora, buscar, naquilo que é pertinente aos autos, os montantes de IRPJ e CSLL objeto do pedido de compensação. Assim, tomando-se o valor total da retenção - sobre o qual não há discordância entre as partes – de R$ 182.438,44 e considerando que o somatório das alíquotas das quatro exações (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP) atinge 5,85% (na forma da Lei nº 9.430, de 1996, art. 64), o cálculo adotado pela DRF tem sólidos fundamentos, ou seja, mensurar, dentro do universo conhecido (montante total retido), o valor correspondente ao IRPJ e CSLL, utilizando, na falta de específico, justificado e comprovado esclarecimento a respeito da diversidade de percentuais, a proporção que cada um representa no todo, levando em conta o que a legislação prevê. A tabela seguinte melhor define a equação: A B C 11 “Agora, exigir da Recorrente que esta apresente informe de rendimentos que discriminasse os valores de cada tributo é exigir obrigação não prevista em lei”. (RV – fls. 211) 11 12 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 13 Numeração digital Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 18 18 Item Alíquotas Relação Proporcional Alíq. Individuais/Alíq. Total (%) 1. Alíquota Total 5,85% 100,00% 2. IRPJ 1,20% 20,51282051% 3. CSLL 1,00% 17,09401709% 4. COFINS 3,00% 51,28205128% 5. PIS/PASEP 0,65% 11,11111111% TOTAL 5,85% 100,00% Sequencialmente, basta aplicar tais percentuais sobre o valor efetivamente retido – R$ 182.438,44 – para se chegar ao montante de cada uma das exações contidas na retenção procedida pela fonte pagadora – Ministério da Saúde – código 6147 -, a saber: A B C D Item Alíquotas Relação Proporcional Valor Alíq. Individuais/Alíq. Total (%) Retido 1. Total 5,85% 100,00 182.438,44 2. IRPJ 1,20% 20,51282051% 37.423,27 3. CSLL 1,00% 17,09401709% 31.186,06 4. COFINS 3,00% 51,28205128% 93.558,17 5. PIS/PASEP 0,65% 11,11111111% 20.270,94 TOTAL 5,85% 100,00 182.438,44 Resumindo, naquilo que é pertinente aos autos, os valores de IRPJ e CSLL retidos na fonte por Órgãos Públicos (Ministério da Saúde) contidos no total da retenção efetuada (R$ 182.438,44), são, respectivamente, R$ 37.423,27 e R$ 31.186,06. No seu pleito (fls. 6 e 4 - IRPJ e CSLL), a recorrente requereu restituições de R$ 39.986,93 e R$ 33.340,65, conforme reproduções abaixo: IRPJ CSLL Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 19 19 Apreciado o pedido, o Despacho Decisório confirmou parcialmente tais valores, não reconhecendo, porém, o direito creditório de IRPJ e CSLL nos importes de R$ 12.927,57 e R$ 7.220,79. As razões que levaram à glosa procedida estão abaixo delineadas: Imposto de Renda IRPJ Ficha 12A - DIPJ Ex/2001 - AC/2000 - fls. 112 Cálculo Contribuinte Após DD e Acórdão DRJ 01. IR à Alíquota de 15% 8.105,14 8.105,14 05. Programa Alimentação Trabalhador - 324,21 - 324,21 13. Imposto de Renda Retido na Fonte - 1.509,39 - 1.509,39 14. (-) IRRF por Órgão Público - 33.328,02 - 33.328,02 16. (-) IR pago p/ estimativa - 12.930,45 - 2,88 18. (IMPOSTO DE RENDA A PAGAR) - 39.986,93 - 27.059,36 Na elaboração de seu pedido e composição do saldo negativo de Imposto de Renda, a recorrente informou que suas estimativas mensais somaram, de janeiro/2000 a dezembro de 2000, o valor de R$ 12.930,45, consoante se vê na Ficha 12A, linha 16, da DIPJ/2001 – Ano-Calendário 2000 (fls. 137), abaixo reproduzida: Ainda segundo a recorrente, tal montante foi integralmente compensado com valores retidos de Imposto de Renda e cuja individualização está estampada na Ficha 11, linha 07, da DIPJ, de forma mensal (quando apurado valor a recolher a título de estimativa). A planilha abaixo, elaborada por esta Relatoria, à vista da referida Ficha da DIPJ, retrata o quadro: Mês/Ano Ficha 11 - Linha 07 jan/00 2.117,99 fev/00 2.951,95 abr/00 106,09 mai/00 3.141,05 jun/00 2.748,89 jul/00 1.864,48 TOTAL 12.930,45 Ocorre, todavia, que o montante comprovado de retenção na fonte que a recorrente sofreu no ano-calendário de 2000 (conforme informações das DIRF juntadas aos autos – fls. 117/122), excetuado o código 6147, foi de R$ 1.512,27, como mostra a resenha a seguir: Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 20 20 Fonte Pagadora CNPJ Código Rendimento Bruto IRRF BB Adm. Ativos Distr. Tít. Vlr. Mob. S/A 01.996.007/0001-78 6800 2.804,02 560,81 BB Adm. Ativos Distr. Tít. Vlr. Mob. S/A 01.996.007/0001-78 6800 4.597,07 919,41 Petróleo Brasileiro S/A - Petrobrás 33.000.167/0001-01 1708 1.218,00 14,49 Banco ABN Amro Real S/A 33.066.408/0001-15 3251 5,53 1,10 Unimed Regional da Bxa. Mogiana Coop. 49.210.966.0001-42 1708 1.593,18 - Economus Instituto de Seguridade Social 49.320.799/0001-92 1708 816,42 12,24 Spal Ind Bras Bebidas S/A 61.186.888/0001-93 8045 195,70 2,88 Banespa S/A Corret Camb Tit 61.510.574/0001-02 6813 13,44 1,34 TOTAIS 11.243,36 1.512,27 Pois bem, como a recorrente na composição do Saldo Negativo de IRPJ apontou retenções na fonte de IR no valor de R$ 1.509,39 - Ficha 12A – Linha 13 (fls. 112) e o valor correto e comprovado foi de R$ 1.512,27 (apontando um residual de R$ 2,88 nesta rubrica), somente este residual é que poderia, por princípio lógico, ser aproveitado para compensar estimativas, já que o restante estava sendo utilizado em outro local. Dizendo de modo diverso, se a recorrente sofreu retenções (exceto código 6147) de R$ 1.512,27 e, deste montante, R$ 1.509,39 já estavam alocados na linha 13 da Ficha 12A 14 , somente R$ 2.88 sobrariam para compensar estimativas mensais e não, como pretendeu, R$ 12.930,45. Com isso, corretamente perfilou a DRF ao proceder à recomposição e recálculo do SN, chegando ao valor já antes referido de R$ 27.059,36, dando origem ao direito creditório não reconhecido de R$ 12.927,57 que assim se detalha: a. Estimativas informadas pela recorrente R$ 12.930,45 b. (-) Estimativas consideradas pelo DD R$ 2,88 c. Diferença (a-b) (*) R$ 12.927,57 (*) Direito Creditório não Reconhecido (*) 14 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 21 21 Contribuição Social s/ Lucro Líquido CSLL Ficha 17 - DIPJ Ex/2001 - AC/2000 - fls. 124 Cálculo Contribuinte Após DD e Acórdão DRJ 36. Contribuição Social s/ Lucro Líquido 5.066,20 5.066,20 38. (-) CSLL paga p/ estimativa - 8.470,11 - 8.470,11 41. (-)CSLL retida Fonte p/Órgão Público - 29.936,74 - 22.715,95 18. (CSLL A PAGAR) - 33.340,65 - 26.119,86 Na elaboração de seu pedido e composição do saldo negativo de CSLL, a recorrente informou que suas estimativas mensais somaram, de janeiro/2000 a dezembro de 2000, o valor de R$ 8.470,11, consoante Ficha 17, linha (ilegível), da DIPJ/2001 – Ano- Calendário 2000 (fls. 124), abaixo reproduzida: Ainda segundo a recorrente, tal montante foi integralmente compensado com valores retidos a título de “CSLL Retida por Órgão Público” e cuja individualização está estampada na Ficha 16, linha 06, da DIPJ, de forma mensal (quando apurado valor a recolher a título de estimativa). A planilha abaixo, elaborada por esta Relatoria, à vista da referida Ficha da DIPJ, retrata o quadro: Mês/Ano Ficha 16 - Linha 06 jan/00 1.764,99 fev/00 1.946,53 mai/00 1.836,98 jun/00 1.756,74 jul/00 1.164,87 TOTAL 8.470,11 Ocorre que, como já exaustivamente exposto neste voto, o montante comprovado de retenção de CSLL na fonte, quando efetuados pagamentos por Órgãos Públicos (código 6147), é de R$ 31.186,06, de modo que, excluída a parcela compensada (R$ 8.470,11), sobraria para composição do saldo negativo nesta rubrica “CSLL Retida na Fonte por Órgão Público” (Ficha 17 – fls. 124) 15 , o residual de R$ 22.715,95 e não R$ 29.936,74, como equivocadamente entendeu a recorrente. A partir daí, chega-se ao valor do direito creditório não reconhecido pelo DD, ou seja, R$ 7.220,79 (R$ 29.936,74 – R$ 22.715,95). Deste modo, não há reparos a fazer ao Despacho Decisório, que deve ser mantido por seus próprios fundamentos e conclusões. 15 Numeração digital Fl. 539DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 22 22 Por fim, refuto o entendimento da recorrente de que a glosa de créditos exigiria lançamento de ofício dos valores glosados. Na verdade, não se está diante de irregularidades ou infrações que ensejassem o procedimento fiscal de constituir o crédito tributário pelo lançamento, mas, somente, de aferição de um suposto crédito que a contribuinte alega possuir contra a Fazenda Pública e que pretende ver compensado contra débitos que tenha com o mesmo ente tributante. Ou seja, trata- se de confirmar – ou não – parcial ou totalmente, se tais créditos são dotados de liquidez e certeza exigidos pela legislação, art. 170, do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Como bem apontado pela decisão recorrida, “no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, cumpre ao órgão competente o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos ao saldo negativo do IRPJ e da CSLL, possa ser aferida sem qualquer análise da apuração do imposto efetuada pela contribuinte, que lhe serve de fundamento”, sendo óbvio que tal ação não implica em constituição de crédito tributário via lançamento, mas, apenas, de não reconhecer o direito creditório que a contribuinte tenta ver aceito e utilizado em contraposição a débitos que possua contra o ente tributante. Finalmente, acerca da “suspensão da exigibilidade” do débito presente na compensação, é matéria superada pela própria tramitação deste processo, no qual o requerido pela recorrente restou atendido. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 08 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 Processo nº 13840.000411/2001-44 Acórdão n.º 1402-002.214- S1-C4T2 Fl. 23 23 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assina do digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13861.000024/88-68
Turma: Segunda Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI VALOR TRIBUTÁVEL - FRETE - Na vigência da legislação anterior à Lei n° 7.798/89 Valores cobrados a título de carreto, sem individualização e escrituração das despesas que poderiam corresponder ao valor do frete relativamente a transporte efetivamente realizado. Esses valores assim cobrados caracterizam subfaturamento da operação de venda, em razão de se tratar de produtos cipados.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-69.233
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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Numero do processo: 19515.007790/2008-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006
DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO.
Débito declarados em declaração de compensação - DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.
A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco.
Numero da decisão: 9303-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
VANESSA MARINI CECCONELLO - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio. A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente VANESSA MARINI CECCONELLO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 77 90 /2 00 8- 48 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 918 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo que busca a reforma do Acórdão 3302002.474 (efls. 827 a 831) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento em 26/02/2014, que negou provimento ao recurso de ofício e proveu parcialmente o recurso voluntário, tendo restado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado que valores da Cofins declarados em DACON são consistentes e que há erros nos valores da Cofins declarados em DIPJ, não procede o lançamento efetuado com base na diferença entre estas duas declarações. DÉBITO. FALTA DE DECLARAÇÃO. Os débitos da Cofins não declarados em DCTF ou em DCOMP devem ser constituídos de ofício por meio de lançamento. Eventual existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não impede a lavratura do auto de infração. DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, já estão confessados e não devem ser lançados de ofício. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. A controvérsia tem origem na lavratura de Auto de Infração (efls. 144 a 152) em face da Contribuinte para cobrança de débito decorrente de insuficiência de declaração/recolhimento de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS dos anoscalendário de 2004 e 2006, do regime cumulativo e nãocumulativo, constatada a partir da comparação dos valores informados em DIPJ e DACON com aqueles declarados em DCTF e PER/DCOMP. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 919 3 A DRJ/São Paulo I, por meio do acórdão nº 1621.268 proferido em 06/05/2009 (efls. 594 a 608), julgou procedente em parte a impugnação da Contribuinte para extinguir a cobrança referente ao anocalendário de 2004, mantendo, por outro lado, a exigência do crédito relativo aos meses de maio/2006 e novembro de 2006 e recorrendo de ofício quanto ao valor exonerado. Intimada da decisão da impugnação, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 665 a 677) combatendo em parte a exigência do crédito tributário mantido, insurgindose tão somente com relação aos períodos de maio/2006 e novembro/2006. Na sessão de 06/04/2011, os autos foram baixados em diligência para a DRF, por meio da Resolução nº 3302000.111 (efls. 793 a 795), com o objetivo de serem verificados os seguintes pontos: [...] i) verificar se a DCOMP 16659.54543.171106.1.3.049872 extingue integral ou parcialmente a COFINS referente ao período de maio/2006; ii) verificar se os créditos (RECOF e Declaração de Importação) apontados pela Recorrente são aptos a quitar a COFINS de novembro de 2006; [...](grifouse) Concluída a diligência, foi anexado aos autos pela DRF o Relatório Fiscal de Diligência (efls. 822 a 824) contendo, em síntese, as seguintes informações: [...]Quanto ao item i) [...] Conforme informação de fls. 785 da DERAT/DIORT/EQITD/SP, a DCOMP em questão foi retificada pela PERDCOMP de n° 00441.84459.220207.1.7.04 0084, vinculada ao processo de análise do crédito da DCOMP de n° 10880.684865/200957, conforme fls. 777/780 e já analisada conforme fls.783 e 784. Consta que o processo de cobrança vinculado é o de n° 10880.655902/200910. Quanto ao item ii)[...] A ocorrência de créditos escriturais do RECOF no Razão decorrentes de pagamentos indevidos ou recolhimentos a maior não extingue o crédito tributário, ou sej a, a inexistência de declaração destes valores em DCTF ou DCOMP indica que não houve confissão de divida. Em se tratando de compensação, a DCOMP seria o meio correto para extinção do crédito, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, ainda que sob condição resolutória. [...] Isto posto, os créditos apontados pela Recorrente não são aptos a guitar a COFINS de novembro de 2006, sendo que fica mantido o lançamento da contribuição de novembro de 2006, Fl. 919DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 920 4 efetuado no Auto de InfraçãoCOFINS lavrado por esta fiscalização, constante do processo administrativo fiscal n°: 19515.007790/2000848. [...] (grifouse) Com o retorno da diligência, os autos foram encaminhados para julgamento em sessão realizada no dia 26/02/2014, tendo sido proferido o acórdão nº 3302002.474 (efls. 827 a 831), ora recorrido, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte para declarar improcedente o lançamento de ofício quanto ao período de apuração de maio/2006 e, ainda, negou provimento ao recurso de ofício. Não resignada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial que ora é examinado (efls. 833 a 840) alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de a Autoridade Fiscal proceder ao lançamento de ofício de débitos confessados em DCOMP transmitida anteriormente ao início da Fiscalização. Sustenta que o lançamento é atividade de caráter vinculado e obrigatório, bem como que é permitido ao Fisco proceder ao lançamento de ofício para evitar a decadência do crédito tributário, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Para embasar o seu pleito, aponta como paradigma o acórdão nº 1402001.505, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, que entendeu pela procedência do lançamento de ofício, com base no art. 142 do Código Tributário Nacional. Por fim, requer seja provido o apelo especial para restabelecer o lançamento tributário referente ao período de maio/2006. O recurso especial foi admitido em decisão proferida pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento (efls. 859 a 861), reconhecendo de pronto a divergência jurisprudencial, fundamentada nos seguintes termos: [...]o confronto das ementas evidencia a divergência jurisprudencial sobre a possibilidade do lançamento de valores anteriormente declarados em DCOMP. O acórdão recorrido considerou como indevido o lançamento de ofício, na parte relativa a débitos já confessados mediante declaração de compensação apresentada antes do início da ação fiscal. Por sua vez, o paradigma citado firma entendimento diverso, no sentido de que a confissão do débito em declaração de compensação não impede o lançamento, que é atividade privativa da autoridade administrativa (art. 142 do CTN). [...] A Contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso especial (efls. 871 a 877), as quais devem ser consideradas. É o relatório. Voto Fl. 920DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 921 5 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, razão pela qual conheço do recurso. Mérito A controvérsia posta no recurso especial e que demanda análise deste Colegiado cingese à possibilidade de proceder a Autoridade Fiscal ao lançamento de ofício de valores anteriormente declarados em DCOMP. Sobre a questão, após ter sido realizada diligência pela DRF de origem, no julgamento do recurso voluntário, entendeu o Colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, pela improcedência do lançamento em relação ao período de apuração de maio de 2006, pois os débitos declarados em DCOMP em momento anterior à ação fiscal são considerados como confessados, sendo desnecessário o lançamento de ofício. Por conseguinte, o recurso voluntário da Contribuinte foi provido em parte, com fulcro nos argumentos que são abaixo transcritos: [...] a decisão recorrida manteve o lançamento com multa de mora e recomendou que “os setores administrativos encarregados de eventual cobrança adotar medidas tendentes a evitar cobrança indevida e/ou em duplicidade”. Embora tecnicamente seja admitido o entendimento da decisão recorrida, fato é que a DRF efetuou a cobrança (indevidamente) do débito de maio/2006 neste processo (vide Demonstrativo de Débito – Intimação nº 2306/2009 de fl. 611), quando o correto é efetuar a cobrança no Processo nº 10880.655902/200910, que trata da DCOMP. Outro aspecto é que o lançamento de débito declarado anteriormente em DCOMP, embora seja permitido, entendo desnecessário e inútil, posto que não se prestará à cobrança do débito. Sendo inútil o ato administrativo, desnessário a sua existência, razão pela qual entendo improcedente o lançamento de débito da Cofins de maio/2006, no valor original de R$ 20.980,96. [...](grifouse) Entendo que a decisão do recurso voluntário não merece reparos por ter dado o tratamento jurídico adequado à matéria. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 922 6 Conforme restou confirmado pela realização de diligência fiscal, o débito tributário de COFINS referente ao período de maio/2006 foi objeto de pedido de compensação, cuja análise sobre a sua procedência está sendo realizada em processo administrativo próprio, autuado sob o nº 10880.684865/200957, não sendo possível o lançamento de ofício do débito de COFINS que foi compensado. Além disso, informou a DRF a existência de processo administrativo vinculado de cobrança nº 10880.655902/200910. Na hipótese de ser constatada a insuficiência do direito ao crédito pleiteado pela Contribuinte e restar confirmada a exigibilidade do débito compensado, procedimento correto é que o Fisco efetue a cobrança nos próprios autos do pedido de compensação, por meio do processo de cobrança vinculado. Entendimento contrário implicaria em duplicidade de cobrança em face da Contribuinte, pela existência de dois processos administrativos tratando do mesmo crédito tributário referente a maio/2006, o que de fato ensejaria uma declaração futura de nulidade. Frisese que a própria DRJ externou na sua decisão, embora entendendo como válida a exigência do crédito do período de maio/2006, a necessidade de "os setores administrativos encarregados de eventual cobrança adotar medidas tendentes a evitar a cobrança indevida e/ou em duplicidade". A afirmação da DRJ indubitavelmente reforça o argumento da impossibilidade do lançamento de débito anteriormente declarado em DCOMP, sob pena de dano ao Contribuinte. De outro lado, a DCOMP, assim como a DCTF, constituise em confissão de dívida, sendo instrumento suficiente para cobrança do débito tributário, dispensada qualquer providência por parte do Fisco tendente a constituir o crédito tributário. Nesse sentido, é a disposição contida no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 923 7 § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. [...] (grifouse) Na mesma linha é o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, afirmando que a entrega de DCTF ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei, como é o caso da DCOMP, é forma de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência para formalizar o valor declarado. A jurisprudência reiterada do Tribunal Superior conduziu à edição da Súmula nº 436 do Superior Tribunal de Justiça, de 13 de maio de 2010: Súmula 436 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Portanto, ante os argumentos expendidos, inequívoco que a declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco. Diante do exposto, votase no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendose o acórdão recorrido no sentido de declarar improcedente o lançamento em relação ao período de apuração de maio de 2006. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 923DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.007790/200848 Acórdão n.º 9303003.897 CSRFT3 Fl. 924 8 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10735.002455/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/07/2001 a 31/08/2002
LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA.
Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3402-003.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DECORRÊNCIA. Aplicase ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 06/09/2005 lavrado para exigir o IPI, multa de ofício e juros de mora em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre julho de 2001 e agosto de 2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 24 55 /2 00 5- 41 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Segundo o termo de verificação fiscal, foi apurada omissão de receita operacional por falta de comprovação da origem dos recursos depositados em conta de depósito ou de investimentos; foi infligida multa qualificada em razão do dolo do contribuinte suprimir ou reduzir tributo; foi infligida a multa agravada em razão de embaraço à fiscalização. Por meio do Acórdão nº 33.364, de 31 de janeiro de 2001, a 3ª Turma da DRJJuiz de Fora, julgou a impugnação procedente e cancelou o lançamento. O julgado recebeu a seguinte ementa: Tendo em vista a magnitude do crédito tributário exonerado em primeira instância, o ilustre Presidente da turma de julgamento, recorreu de ofício ao CARF. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal para sua admissibilidade, pois o valor exonerado é superior ao limite de alçada fixado na Portaria MF nº 03/2008. Conforme constatado pelo julgador de primeira instância, o auto de infração de IPI albergado neste processo é reflexo do procedimento fiscal que culminou nos autos de infração albergados nos processos administrativos 10735.001823/200534 e 10735.002457/200531. O processo 10735.001823/200534 versou sobre auto de infração de IRPJ e reflexos, decorrente de omissão de receita, constatada a partir da não comprovação da origem Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.002455/200541 Acórdão n.º 3402003.052 S3C4T2 Fl. 3 3 dos depósitos bancários nos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002; multa de ofício qualificada e agravada. O referido auto de infração foi cancelado pelo Acórdão 18.650, de 7 de março de 2008 da DRJ Rio de Janeiro. O referido Acórdão foi mantido integralmente pelo CARF por meio do Acórdão 110100.055 de 13/05/2009. Por seu turno, o processo 10735.002457/200531 versou sobre o lançamento da multa isolada de 225% por falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada em função dos fatos apurados no processo10735.001823/200534. Este lançamento também foi cancelado pela DRJ Rio de Janeiro, por meio do Acórdão 18.651, de 07 de março de 2008. O Acórdão 18.651, de 07 de março de 2008, da DRJ Rio de Janeiro foi mantido pelo CARF, por meio do Acórdão 1102 00.051, que negou provimento ao recurso de ofício. Portanto, se em julgamentos sucessivos na DRJ RIO DE JANEIRO e na 1ª Seção do CARF, ficou decidido em caráter definitivo que o lançamento principal de IRPJ (e reflexos contidos no mesmo processo), era improcedente pelo mérito, agiu com o costumeiro acerto a 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora, ao repercutir aquela decisão sobre o lançamento reflexo de IPI albergado neste processo, uma vez que é inequívoca a conexão entre os dois feitos. Deixo registrado neste voto minha perplexidade com o disposto no art. 2º, IV, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, que deixou de considerar o lançamento de IPI reflexo do IRPJ pelo fato do auto de infração de IPI não estar no mesmo processo do IRPJ, pois a conexão existe independentemente dos autos de infração estarem em processos distintos. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para manter o Acórdão de primeira instância por seus próprios e jurídicos fundamentos. Antonio Carlos Atulim Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13846.720084/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/2005, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/2005, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 72 00 84 /2 01 5- 96 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13846.720084/201596 Acórdão n.º 2402005.322 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para manter o lançamento de ofício que alterou o saldo do imposto a restituir ajustado para R$ 0,00, conforme Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, ano calendário 2009. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, o contribuinte teria omitido rendimentos do trabalho sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 87.057,56 (fl. 27), conforme DIRF apresentada pela Secretaria de Fazenda, CNPJ/MF nº 46.377.222/0001 29. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que o referido valor seria isento, pois se referiria a proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: a) o documento de fl. 8, que veicula a concessão do benefício previdenciário pela Caixa Econômica do Estado de São Paulo, em 1983, não se prestaria para comprovar a condição de aposentado pela Secretaria de Fazenda, no anocalendário 2009; b) o laudo médico de fl. 6 não preencheria os requisitos exigidos pela legislação, pois nele não constaria o número da matrícula funcional do médico perito, conforme exigiria a SCICOSITSRFB nº 11; c) o laudo explicitaria que a moléstia teria sido contraída em 1938 e que ela não teria natureza incapacitante, pois, se assim fosse, o contribuinte não teria ingressado no serviço público e se aposentado após trinta anos de serviço; d) até 2014, o contribuinte teria informado como tributáveis a totalidade dos rendimentos recebidos da referida fonte pagadora, sem indicar parcela isenta relativa a proventos recebidos por portador de moléstia grave. Notificado da decisão em 26/06/2015, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/07/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: e) teria retificado a DIRPF 2010 pleiteando a diferença do valor da restituição do imposto; f) a fonte pagadora teria declarado os rendimentos como tributáveis, mas, em função do laudo pericial, teria solicitado a retificação; g) as cópias da declaração expedida pela Economus, da CTPS, da carta de aposentadoria e dos holerites comprovariam que ele seria aposentado; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 h) quanto à inexistência do número da matrícula funcional do médico perito, o próprio modelo de laudo constante do site da Receita não conteria campo destinado à respectiva informação; i) estaria anexando aos autos Declaração da Prefeitura na qual constaria o número da matrícula funcional do médico; j) a sua moléstia não seria impeditiva de seu ingresso no serviço público; k) estaria providenciando a retificação das DIRPFs exercícios 2011 a 2014. Em sessão de julgamento realizada em 16 de fevereiro de 2016, este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para: l) considerando que a controvérsia se restringe à natureza do rendimento auferido pelo recorrente, no sentido de tratarse ou não de proventos de aposentadoria, visto que ele é portador de moléstia grave não passível de controle desde 1938; m) verificar se os valores pagos pela Secretaria de Fazenda são proventos de aposentadoria. Nesse sentido, o contribuinte foi intimado pela Delegacia da Receita Federal, em Presidente Prudente (vide fls. 130/135), para: n) comprovar se os valores pagos pela Secretaria de Fazenda, CNPJ/MF nº 46.377.222/000129, são proventos de aposentadoria, apresentando cópia da publicação no Diário Oficial do Estado; o) complementando a informação acima, apresentar declaração firmada pelo representante legal do ECONOMUS. Em resposta, o contribuinte apresentou a petição e os documentos de fls. 71/128, que serão analisados na fundamentação. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13846.720084/201596 Acórdão n.º 2402005.322 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Natureza dos rendimentos recebidos Como o exame de admissibilidade do recurso foi feito por ocasião da resolução, passase direto ao exame de mérito. Nesse tocante, a controvérsia se resume em saber se os rendimentos auferidos pelo recorrente são proventos de aposentadoria, visto que ele comprovou ser portador, desde 1938, de moléstia grave não passível de controle prevista no RIR/1999 (vide laudo pericial de fl. 6, declaração de fl. 57 e Resolução de fls. 62/67). Quanto à natureza dos rendimentos, examinandose a documentação de fls. 75/128, constatase que: 1. o recorrente se aposentou em 01/12/1983, quando tinha vínculo com a Caixa Econômica do Estado de São Paulo (vide fls. 78/79); 2. os demonstrativos de pagamento dos proventos de aposentadoria eram elaborados pelo ECONOMUS Instituto de Seguridade Social dos Funcionários da Caixa Econômica do Estado de São Paulo (vide fls. 81/117); 3. a fonte pagadora dos proventos de aposentadoria era e é a Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, CNPJ/MF nº 46.377.222/000129, do Estado de São Paulo, conforme Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de fls. 118/121 e 126/128; 4. o documento de fl. 123 registra que os benefícios custeados pela Secretaria de Fazenda eram pagos pelo ECONOMUS. Diante dessa documentação, não restam dúvidas de que os valores pagos pela Secretaria de Fazenda, CNPJ/MF nº 46.377.222/000129, são proventos de aposentadoria. Concluise, portanto, que o recorrente faz jus à isenção, pois (i) desde 1938, é portador de moléstia grave (paralisia irreversível e incapacitante) não passível de controle, a qual está arrolada no inc. XXXIII do art. 39 do RIR/1999, o que comprovou através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial; e (ii) os proventos em questão são oriundos de aposentadoria. Eis o entendimento deste Conselho a respeito da matéria: ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que identifique a data de início da doença. [...] (Número do Processo 10166.721421/201108, Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/02/2015, Relator(a) GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Acórdão nº 2201 002.683) (destacouse) Assim sendo, não subsiste a acusação de omissão de rendimentos, devendo, em consequência, ser reajustado o saldo de imposto a restituir em favor do recorrente, conforme declarado em sua DIRPF retificadora, deduzindose o montante já restituído. 2 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR TOTAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar o lançamento e determinar que seja reajustado o saldo de imposto a restituir em favor do recorrente, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720746/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO.
1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
2. O serviço médico oficial deve fixar o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. CABIMENTO.
1. O IRPF suplementar constituído em decorrência da alteração do valor do imposto devido está sujeito à multa de ofício de 75% (inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996).
2. Segundo o art. 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora calculados à taxa SELIC. Inteligência, ainda, das Súmulas CARF nºs 4 e 5.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR.
A declaração retificadora substitui a retificada, sendo que o pagamento efetuado nos termos da declaração original adquire o caráter de pagamento indevido, o qual pode ser compensado com eventual lançamento de ofício posterior referente ao mesmo ano-calendário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado e Wilson Antonio de Souza Corrêa, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO. 1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2. O serviço médico oficial deve fixar o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. CABIMENTO. 1. O IRPF suplementar constituído em decorrência da alteração do valor do imposto devido está sujeito à multa de ofício de 75% (inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996). 2. Segundo o art. 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora calculados à taxa SELIC. Inteligência, ainda, das Súmulas CARF nºs 4 e 5. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR. A declaração retificadora substitui a retificada, sendo que o pagamento efetuado nos termos da declaração original adquire o caráter de pagamento indevido, o qual pode ser compensado com eventual lançamento de ofício posterior referente ao mesmo ano-calendário. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-13T18:56:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-13T18:56:37Z; Last-Modified: 2016-05-13T18:56:37Z; dcterms:modified: 2016-05-13T18:56:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:08b111e7-01fe-46a2-9627-7224a7fd47b1; Last-Save-Date: 2016-05-13T18:56:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-13T18:56:37Z; meta:save-date: 2016-05-13T18:56:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-13T18:56:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-13T18:56:37Z; created: 2016-05-13T18:56:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2016-05-13T18:56:37Z; pdf:charsPerPage: 2437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-13T18:56:37Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 74 1 73 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720746/201411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.223 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria IRPF. AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RRA Recorrente LOURIVAL AFONSO ARAÚJO Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO. 1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2. O serviço médico oficial deve fixar o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. CABIMENTO. 1. O IRPF suplementar constituído em decorrência da alteração do valor do imposto devido está sujeito à multa de ofício de 75% (inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996). 2. Segundo o art. 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora calculados à taxa SELIC. Inteligência, ainda, das Súmulas CARF nºs 4 e 5. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR. A declaração retificadora substitui a retificada, sendo que o pagamento efetuado nos termos da declaração original adquire o caráter de pagamento indevido, o qual pode ser compensado com eventual lançamento de ofício posterior referente ao mesmo anocalendário. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 07 46 /2 01 4- 11 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado e Wilson Antonio de Souza Corrêa, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.720746/201411 Acórdão n.º 2402005.223 S2C4T2 Fl. 75 3 Relatório O contribuinte sofreu notificação de lançamento de IRPF, no valor de R$ 5.498,51, exercício 2009, anocalendário 2008, com base na seguinte acusação: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor total de R$ 21.128,04, indevidamente declarados em DIRF pela fonte pagadora PREVI (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) como sendo isentos e/ou não tributáveis. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: b) não houve omissão, pois os rendimentos eram isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave; c) a fonte pagadora incluiu indevidamente nos Rendimentos Tributáveis valores referentes aos proventos de aposentadoria por moléstia grave, que deveriam ser informados como Rendimentos Isentos e não Tributáveis; d) goza de isenção do imposto, conforme o Laudo Médico expedido pelo Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador do Município de Barreiras/BA – CEREST (fl. 5) e o documento expedido pela Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil CASSI (fl. 38). A 3ª Turma da DRJ/CGE, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: e) o contribuinte não demonstrou ser portador de moléstia considerada grave; f) o laudo médico expedido pelo CEREST: (i) não apresentou data de emissão; (ii) identificou equivocadamente a data em que a moléstia grave teria sido contraída; (iii) não informou se a moléstia grave era passível de controle, que em caso positivo, deveria ser determinado prazo de validade do laudo; (iv) em relação ao adenocarcinoma prostático, o contribuinte foi operado, não fazendo menção à neoplasia maligna a partir de então; (v) em relação à cardiopatia, o médico perito não informou expressamente se seria do tipo grave; (vi) por fim, não comprovou que o contribuinte era portador de moléstia grave no ano de 2008; g) não aceitou o documento expedido pela CASSI, por não ser oficial; Notificado da decisão em 22/10/2014, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/11/2014, ao fundamento de que: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA 4 h) em 29/04/2009, foi entregue a DIRPF, exercício 2009, ano calendário 2008, com base de cálculo correspondente a R$ 34.585,07 e saldo de imposto a pagar de R$ 2.536,57, o qual foi pago em 8 quotas; i) em 28/03/1999, foi diagnosticado com Adenocarcinoma Prostático, sendo operado em 16/06/1999; j) a doença cardíaca se iniciou em 14/08/2001, com piora progressiva e realização de cirurgia de revascularização miocárdia em 03/06/2011; k) a doença é grave, incurável, incapacitante e progressiva, estando atualmente em tratamento conservador paliativo; l) tratase de doença de evolução inexorável, não sendo possível um controle efetivo, razão pela qual se enquadraria como moléstia grave; m) em 21/04/1989, o INSS concedeu a aposentadoria por tempo de serviço; n) em 16/08/2013, a PREVI, responsável pelo pagamento da aposentadoria, confirmou o enquadramento da sua patologia dentre aquelas previstas no art. 5º, inciso XII, da IN SRF nº 15, de 06/02/2011, e art. 1º da Lei 11.052/2004; o) em 15/10/2013, retificou a declaração original, para excluir os rendimentos da PREVI da base de cálculo do imposto; p) é improcedente o auto de infração, pois restou comprovada a sua moléstia grave com os laudos médicos ora anexados ao presente recurso e já apresentados no processo administrativo. Com base em tais razões, o recorrente pediu o provimento de seu recurso voluntário, para que seja julgado improcedente o processo administrativo; pediu, ainda, a dispensa da multa de ofício e dos juros de mora, tendo em vista que o imposto já foi pago. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.720746/201411 Acórdão n.º 2402005.223 S2C4T2 Fl. 76 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da moléstia grave A isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave tem fundamento no art. 39, inciso XXXIII, do RIR. Para o gozo da isenção, o § 4º do citado artigo ainda determina que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vejase: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º) (destacouse) A análise do dispositivo legal acima transcrito demonstra que, para fazer jus à isenção, o contribuinte deve cumprir determinados requisitos, tais como: a) ser portador de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA 6 uma das moléstias arroladas no inc. XXXIII; b) receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, sendo que a regra isentiva não se aplica a outros rendimentos porventura tributáveis; c) ter laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. De conformidade com o § 5º, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir a) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; b) do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta foi contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; ou c) da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, e de conformidade com a regra do § 5º, importa a data em que foram recebidos os rendimentos, conclusão esta reforçada pelo art. 6º, § 4º, inc. II, da IN RFB 1500/2014 (que revogou a IN RFB 15/2001, sem alteração do conteúdo do texto sob comento), segundo o qual a isenção é aplicável "aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave" (destacouse). Pela pertinência, transcrevese o conteúdo das citadas regras: RIR/2005 art. 39. [...] § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. IN RFB 1500/2014 Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicamse: II aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave; Conforme se observa nos autos, a DRJ julgou improcedente a impugnação, sob o argumento de que o laudo médico oficial demonstrouse impreciso ao identificar a moléstia grave que isentaria o contribuinte do imposto de renda e, portanto, não houve a comprovação de que o contribuinte seria portador de moléstia grave no ano de 2008. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.720746/201411 Acórdão n.º 2402005.223 S2C4T2 Fl. 77 7 Em análise do laudo pericial de fl. 64, mais precisamente do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador da Prefeitura Municipal de Barreiras/BA, percebese que ele tem a forma e o conteúdo de laudo oficial. Com efeito, traz os dados essenciais do contribuinte, do médico, as observações, assim como os diagnósticos e respectivos tratamentos pelos quais o contribuinte teria se submetido. Contudo, o citado documento não contempla as seguintes informações indispensáveis: · em relação ao adenocarcinoma protástico, o contribuinte foi diagnosticado e operado em 1999, mas não há menção à neoplasia maligna a partir dessa data. Ademais, não há informação se a moléstia era passível de controle, lembrando se que, em caso positivo, deveria haver determinação do prazo de validade do laudo (inc. XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88 e § 1º do art. 30 da Lei nº 9.250/95); · em relação à cardiopatia, não há informação de ser do tipo grave, tampouco se é passível ou não de controle. A título de ilustração, vale colacionar a "descrição detalhada das patologias", descrição que, no meu sentir, é realmente imprecisa: Destarte, verificase que, muito embora o contribuinte tenha comprovado que os rendimentos ali recebidos sejam efetivamente oriundos de aposentadoria, ele não se dignou de trazer aos autos documento hábil e idôneo que pudesse comprovar ser portador de moléstia grave definida na legislação vigente. Isto é, o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus probatório, no sentido de comprovar ser portador de neoplasia maligna e/ou cardiopatia grave no anocalendário em referência. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA 8 O laudo médico expedido pelo CEREST não apresentou informações suficientes para subsumirse o caso do contribuinte aos casos previstos no art. 39, inc. XXXIII, do RIR, e art. 6º, inc. XIV, da Lei nº 7.713/88. A contrario sensu, após a decisão da DRJ ter mencionando a insuficiência do relatório médico apresentado e a posterior apresentação de um laudo retificando as informações, o contribuinte deveria ter comprovado, mediante informações completas e hábeis, a moléstia grave para fins de isenção. 3 Do pedido de dispensa da multa de ofício e dos juros de mora O inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 preleciona que, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto apurado. Isto é, o IRPF suplementar constituído em decorrência da alteração do valor do imposto devido está sujeito à multa de ofício de 75%. Por outro lado, e segundo o art. 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora calculados à taxa SELIC. Nesse sentido, vale trazer à baila as Súmulas CARF nºs 4 e 5: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, a incidência da multa de ofício e dos juros de mora tem amparo legal, inexistindo razão legal para se acatar o pedido do recorrente em sentido contrário. 4 Compensação do imposto pago com base na declaração original Contudo, e consoante acórdão nº 2402005.137, desta egrégia Turma, "a declaração retificadora substitui a retificada, sendo que o pagamento efetuado nos termos da declaração original adquire o caráter de pagamento indevido, o qual pode ser compensado com eventual lançamento de ofício posterior referente ao mesmo anocalendário". Em sendo assim, entendo que a ilustre autoridade executora deste julgado deverá verificar a efetiva existência dos recolhimentos das quotas apuradas na declaração original, para, em caso de efetivos recolhimentos, compensar os seus valores com o montante apurado no presente lançamento de ofício. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.720746/201411 Acórdão n.º 2402005.223 S2C4T2 Fl. 78 9 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA 10 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira. Com todo respeito ao nobre relator, apresento a presente declaração de voto por discordar de seus fundamentos expressos na decisão. Para a decisão recorrida o contribuinte não faz jus à isenção por ser portador de moléstia grave pelos seguintes motivos: Cabe destacar que os rendimentos considerados omitidos são comprovadamente de aposentadoria (fls. 04/05). Quanto ao Laudo Médico Pericial emitido pelo Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (fl. 05), datado de 26/12/2013, verificase que foi impreciso ao identificar a moléstia grave (CID) que isentaria o contribuinte do imposto de renda, a partir da data em tivesse sido comprovada. Isso porque o laudo apenas menciona que o contribuinte era portador de adenocarcinoma prostático em 28 de março de 1999 e que foi operado em junho de 1999, com prostatectomia total, não fazendo menção a neoplasia maligna a partir de então. Em relação à cardiopatia, que se iniciou em 14 de agosto de 2001, se o médico perito tivesse expressamente informado que é do tipo grave, o contribuinte faria jus à isenção pleiteada a partir da data em que a moléstia tivesse sido identificada no laudo pericial. Ademais, não foi informado no laudo se a doença é passível de controle. Em caso positivo, deveria ser determinado o prazo de validade do laudo. Ocorre que na análise do laudo citado, fls. 005, ao contrário do que interpretou o excelso relator e a qualificada decisão recorrida, encontramos as seguintes informações: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.720746/201411 Acórdão n.º 2402005.223 S2C4T2 Fl. 79 11 Portanto: 1. Discordamos que o laudo foi impreciso ao identificar a moléstia grave que isentaria o contribuinte do imposto de renda, ao contrário, várias moléstias graves foram citadas; 2. Adenocarcinoma prostático é o vulgo "câncer de próstata", que levará o paciente a realizar exames reiterados, pelo resto da vida, para verificar seu controle; 3. Quanto à cardiopatia o profissional da saúde faz várias, várias, menções sobre a severidade da doença, que demonstra sua gravidade; 4. Por fim, quanto ao laudo informar se a a doença é passível de controle, há informação de que as patologias são "de difícil controle, progressivas e de prognóstico reservado". Por todas essas informações, pelo seu conjunto, em meu humilde entendimento, resta claro que o contribuinte possui moléstias graves e que faria jus ao usufruto da isenção. Por esse motivo, votei pelo provimento do recurso. Marcelo Oliveira. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 3/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10480.723029/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DCTF. ERRO DE FATO. IMPOSTO PAGO.
Deve ser cancelado o lançamento de ofício do imposto, quando se constata erro no preenchimento da DCTF e resta devidamente comprovado o pagamento antes do início do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2202-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Composição do colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Composição do colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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ERRO DE FATO. IMPOSTO PAGO. Deve ser cancelado o lançamento de ofício do imposto, quando se constata erro no preenchimento da DCTF e resta devidamente comprovado o pagamento antes do início do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte PRESERVE SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA., para exigência de crédito tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 30 29 /2 01 1- 22 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, códigos 0561, 0588, 3208 e 5936, referente ao anocalendário 2008. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 05 a 07 e Termo de Verificação (fls. 13 e 14), após o cotejo dos valores informados em DIRF e os DARFs recolhidos, valores informados em DCTF e Compensações, foram apuradas as diferenças constantes do demonstrativo às fls. 08 e 09. Em sua impugnação ao lançamento (fls. 39 a 44) a contribuinte alega, em síntese: a) IRRF cód. 0561 – F.G. 30/04/2008 – valor R$ 11.380,49: a diferença apurada resulta de um erro grosseiro seu, quando declarou em DIRF valor muito maior do que foi realmente retido/pago a título do imposto incidente sobre os rendimentos de seus empregados. Para comprovar suas alegações, anexou folha de pagamentos dos seus empregados – fls 56 a 58. O valor de IRRF retido relativo a rendimentos de trabalho assalariado pago a seus empregados é de R$ 13.592,71 e não R$ 22.743,33. b) IRRF cód. 0588 – F.G. 31/12/2008 valor R$ 2.207,80: o valor a ser exigido é de R$ R$ 740,10 e não R$ 2.207,80, pois compensou o valor de R$ 1.467,70 através do PER/DCOMP nº 25128.05665.040309.1.3.029238, não considerado pela autoridade fiscal; c) IRRF cód 3208 (aluguéis e royalties): c.1) F.G. 31/05/2008 valor de R$ 4.343,65: foi recolhido R$ 124,08 em 30/04/2009 em DARF e compensado o valor de R$ 4.219,57 através do PER/DCOMP nº 30269.46298.100608.1.3.026475, não considerados pela autoridade fiscal; c.2) F.G. 30/06/2008 valor de R$ 4.343,65: foi recolhido R$ 124,08 em 30/04/2009 em DARF e compensado o valor de R$ 4.219,57 através do PER/DCOMP nº 08541.35260.100708.1.3.023201, não considerados pela autoridade fiscal; c.3) F.G. 31/08/2008 valor de R$ 4.343,65: foi recolhido R$ 124,08 em 30/04/2009 em DARF e compensado o valor de R$ 4.219,57 através do PER/DCOMP nº 09016.69002.100908.1.3.028214, não considerados pela autoridade fiscal; c.4) F.G. 30/09/2008 valor de R$ 7.000,95: foram compensados o valor de R$ 551,18 através do PER/DCOMP nº 18110.54811.140409.1.3.035529 e o valor de R$ 6.449,77 através do PER/DCOMP nº 01784.13689.101008.1.3.035352, não considerados pela autoridade fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão teve a ementa assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.723029/201122 Acórdão n.º 2202003.292 S2C2T2 Fl. 225 3 Anocalendário: 2008 BATIMENTO DIRF/DARF/DCTF RECOLHIMENTO A MENOR. PROCEDENTE. Procede o lançamento do imposto apurado com base em informações prestadas pelo contribuinte em DIRF em cotejo com os valores dos DARFs recolhidos e valores declarados em DCTF. BATIMENTO DIRF/DARF/DCTF RECOLHIMENTO A MENOR. DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. IMPROCEDENTE. Cancelase a exigência quando o contribuinte comprova com documentação hábil a declaração do débito em DCOMP. IRRF. AUSÊNCIA DE VALORES EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. A falta de registro em DCTF do imposto retido na fonte sobre rendimentos impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. A expressa aquiescência, por parte do contribuinte, quanto à infração a ele atribuída, configura ausência de litígio, tornando definitivo o crédito tributário formalizado por meio do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Excluise a multa de ofício incidente sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais necessárias e suficientes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão em 26 de agosto de 2013, por via postal (A.R. à fl. 180), a contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 25 de setembro de 2013 (fls. 182 a 185), no qual no qual alega, em síntese: O objeto do recurso cingese a discutir o crédito tributário de IRRF código 3208 referente aos fatos geradores em 31/05/2008, 30/06/2008 e 31/08/2008; todos os demais débitos constituídos pelo presente processo foram exonerados pela decisão recorrida ou foram quitados; o próprio julgador reconhece que os valores dos tributos em questão foram devidamente recolhidos antes do início do procedimento fiscal; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 admitir que o Fisco venha a cobrar tributo já quitado representa enriquecimento sem causa da União; a sua única suposta falha foi não ter apresentado a DCTF retificadora, o que poderia, no máximo, serlhe imputada multa por descumprimento de obrigação acessória, mas jamais lhe ser cobrado o valor do tributo; Ao final, requer o cancelamento do lançamento dos referidos débitos de IRRF. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator O recurso é tempestivo e está dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A Recorrente questiona tão somente o IRRF lançado referente aos fatos geradores ocorridos em 31/05/2008, 30/06/2008 e 31/08/2008. No seu entender, deveria o imposto ser excluído do lançamento, tendo em vista que os valores dos tributos foram devidamente recolhidos antes do início do procedimento fiscal, o que foi reconhecido pelo próprio julgador. Apesar de não terem sido informados em DCTF o débito e o respectivo pagamento, assiste razão à Recorrente. Não é admissível se manter a exigência do IRRF lançado, o qual foi tempestivamente recolhido – fato reconhecido tanto pela fiscalização como pelo órgão julgador de primeira instância. O erro na informação da DCTF não pode ensejar a exigência de crédito tributário extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. Dessa forma, estando devidamente comprovado que o pagamento foi efetuado de forma tempestiva, não há que se falar em lançamento de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.723029/201122 Acórdão n.º 2202003.292 S2C2T2 Fl. 226 5 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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