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Numero do processo: 10680.012738/2006-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO.
Para se gozar de dedução pleiteada com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de simples recibo e/ou declaração unilateral, sendo também necessária a efetiva comprovação dos pagamentos correlatos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.041
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO. Para se gozar de dedução pleiteada com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de simples recibo e/ou declaração unilateral, sendo também necessária a efetiva comprovação dos pagamentos correlatos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Fl. 51DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.012738/200665 Acórdão n.º 280102.041 S2TE01 Fl. 45 2 Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 11/13, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (suplementar), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor total de R$ 4.352,48, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 31/10/2006. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, a autoridade fiscal efetuou a glosa do valor de R$ 10.000,00 referente à dedução pleiteada pelo contribuinte a título de despesa médica, nos seguintes termos: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 10.000,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte: comprovante de despesa médica (recibo) emitido por Daniela Caputo Gonçalves Teles (CPF 008.211.08670) no valor de R$10.000,00 e os extratos bancários mensais de Janeiro a dezembro de 2004 emitidos pelo Banco Itaú; concluiuse pela incompatibilidade entre a movimentação financeira em espécie (saques em dinheiro) e o pagamento declarado à profissional acima. Os extratos apresentados não mostram nenhum saque compatível entre Janeiro a dezembro de 2004 com o pagamento declarado. Portanto, tal valor foi glosado e a dedução a esse titulo foi alterada para R$5.542,74. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação, às fls. 01/02, instruída com os documentos às fls. 03/10, alegando, em síntese, que: levantou os cheques com os pagamentos que fez à Dra. Daniela Caputo Gonçalves Teles conforme planilha anexada à defesa; a referida profissional informou em sua Declaração de Imposto de Renda do exercício 2005, anocalendário 2004, o recebimento do valor de R$ 10.000,00 do contribuinte Enio Gonçalves Teles; os cheques relacionados na planilha foram emitidos para pagamentos de despesas pessoais da prestadora dos serviços (Dra. Daniela), sendo que dos 28 cheques emitidos, 27 (vinte e sete) são nominais à empresa credora e apenas 01 (um) ao Banco Itaú para pagamento de diversas despesas, sendo que periodicamente foram feitos pequenos acertos em moeda; a dentista estava no inicio de sua vida profissional e nada mais justo o apoio do pai como paciente, inexistindo lei proibindo a prestação de serviço odontológico remunerado de filha para pai, sendo os dados da planilha apresentada corretos e verdadeiros. Ao final, o contribuinte pugnou pela improcedência do lançamento. Ao apreciar a lide, a 8a Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte (MG), em decisão unânime, julgou improcedente a impugnação, mantendo, assim, a exigência Fl. 52DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.012738/200665 Acórdão n.º 280102.041 S2TE01 Fl. 46 3 tributária, nos termos do Acórdão DRJ/BHE nº 0228.335, de 26/08/2010, às fls. 25/26. Constam da peça decisória as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Anocalendário: 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente são admitidas as deduções com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 26/10/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 29, o contribuinte interpôs, em 18/11/2010, o Recurso Voluntário às fls. 30/32, reiterando a argumentação posta por ocasião da impugnação ao lançamento. Informa ainda o interessado que juntamente com o seu recurso anexa aos autos a seguinte documentação: cópia do Acórdão 0228.335, da DRJ/BHE (fls. 39/40); relatório dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, seja de forma direta ou indireta, com o reconhecimento dos mesmos pela prestadora dos serviços (fl. 35); recibo do pagamento efetuado (fl. 34); cópia da declaração de Imposto de Renda da Dra. Daniela referente ao ano calendário de 2004 (fl. 41). Por fim, requer o recorrente o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Do exame dos autos, observase que a glosa em discussão ocorreu sob as determinações restritivas contidas no artigo 8°, inciso II, alínea “a”, e § 2o, da Lei n° 9.250, de 1995, com a regulamentação estabelecida pelos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. O artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, assim dispõe: Fl. 53DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.012738/200665 Acórdão n.º 280102.041 S2TE01 Fl. 47 4 Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaque nosso) Assim, na espécie dos autos, observase que, ante ao valor expressivo da dedução com despesas médicas (R$ 10.000,00), coube ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, conforme se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação do efetivo pagamento dos gastos indicados pelo recorrente como tendo sido efetuados com tratamento odontológico. Portanto, neste contexto, a simples apresentação de recibos e declarações, por si sós, não são hábeis para comprovar valores elevados de despesas médicas. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do Fl. 54DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.012738/200665 Acórdão n.º 280102.041 S2TE01 Fl. 48 5 serviço, como também do pagamento correspondente. Assim tem sido o entendimento deste Egrégio Conselho em situações similares, conforme destacado no julgado a seguir transcrito: IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1° CC 10416647/1998). (grifei) Levandose em consideração, pois, tais observações, caberia ao autuado a apresentação de prova robusta e incontestável de que os pagamentos declarados foram efetivamente realizados. Nesse sentido, verifico que não cabe reparos à decisão recorrida, que bem analisou a questão, conforme se pode denotar de trecho do voto ali proferido, o qual peço vênia para reproduzilo a seguir: fls. 114/115 dos autos “[...] Às fls. 4/10 o contribuinte apresenta planilha com descrição dos cheques emitidos e extratos bancários. Da análise da planilha apresentada verificase que o destinatários dos pagamentos são empresas e não a odontóloga, filha do sujeito passivo. Efetivamente, conforme alegado na defesa, não há impedimento legal para a contratação dos serviços do próprio filho, contudo, deve restar incontroversa a efetiva prestação dos serviços, e ainda, que o contribuinte tenha suportado o encargo financeiro. Cheques emitidos para empresas, que o contribuinte alega serem despesas pessoais da filha, não são suficientes para comprovar que houve o pagamento por serviços prestados, mesmo porque, é natural que um pai custeie as despesas dos filhos. [...]” De fato, ao confrontar as informações destacadas na planilha anexada à fl. 04 (mesmo documento à fl. 35), com os saques (cheques) constantes dos extratos bancários às fls. 05/10, temse que, não há como relacionar, de maneira conclusiva, estes valores movimentados em conta corrente bancária com as despesas que o contribuinte alega terem sido realizadas com serviços odontológicos prestados pela Dra. Daniela Caputo Gonçalves Teles, sua filha. Ademais, não obstante o recorrente sustente em sua defesa que tais desembolsos tiveram por finalidade a quitação de despesas de sua filha como forma de compensação por serviços profissionais que teriam sido prestados, nenhum comprovante de Fl. 55DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.012738/200665 Acórdão n.º 280102.041 S2TE01 Fl. 49 6 pagamento destes gastos (IPVA, cartões de crédito, despesas com telefone, aluguel, etc.) foi anexado aos autos, no sentido de ratificar tal argumentação. Quanto ao documento colacionado pelo recorrente à fl. 41 dos autos, tratase de cópia de uma das páginas de declaração de Imposto de Renda do exercício 2005, ano calendário 2004, que teria sido apresentada por Daniela Caputo Gonçalves Teles à Receita Federal. Todavia, ao contrário do que alega a defesa, neste documento não há registro de recebimento, pela declarante, de valor a título de remuneração por serviços odontológicos prestados ao recorrente, mas tãosomente estão informados rendimentos que teriam sido recebidos das pessoas jurídicas ali relacionadas, no valor total de R$ 3.320,00, e de forma globalizada, os rendimentos percebidos de pessoas físicas/exterior, no montante de R$ 10.160,00. Portanto, embora não se tenha conhecimento, diante da leitura apenas desta página da declaração anexada ao presente processo, se a apresentação dessa DIRPF se deu de forma tempestiva; o certo é que, a informação fornecida pela declarante de que recebeu, no ano de 2004, a título de “rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física/exterior”, o montante de R$ 10.160,00, não se revela, por si só, como elemento de prova suficiente a estabelecer a necessária convicção para a validação da dedução em comento, persistindo, deste modo, ausente nos autos a efetiva comprovação do(s) respectivo(s) desembolso(s). Por fim, ressaltese que, na análise de prova, à autoridade julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas no valor de R$ 10.000,00, como destacado na decisão recorrida. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 56DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003256/2007-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RETENÇÃO NA FONTE.
COMPENSAÇÃO.
Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo sujeito passivo e seu respectivo imposto retido, ratifica-se o lançamento com base na documentação constante dos autos.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
Constada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.000
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo sujeito passivo e seu respectivo imposto retido, ratifica-se o lançamento com base na documentação constante dos autos. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Constada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado.
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RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo sujeito passivo e seu respectivo imposto retido, ratificase o lançamento com base na documentação constante dos autos. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Constada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Fl. 43DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11543.003256/200732 Acórdão n.º 2801002.000 S2TE01 Fl. 42 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 05 a 07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.459,77, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de constatação de divergência entre os valores dos rendimentos tributáveis declarados e os informados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Assim, foi lançado o valor de R$53.576,31, referente às fontes pagadoras Fundação Vale do Rio Doce Seguridade Social (VALIA) e Accenture do Brasil, tendo sido considerado o IRRF correspondente (R$8.273,71). IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 04), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 23): a) não foi regularmente intimado(a), no seu endereço, do procedimento fiscal, o que é uma afronta aos princípios constitucionais; b) o lançamento foi feito com base em documentação obtida ilegalmente; c) não omitiu renda; d) por este motivo requer a improcedência. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 6ª Turma DRJ Rio de Janeiro II/RJ, conforme Acórdão de fls. 22 a 25, julgou procedente o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 29/07/2009 (fls. 31), a contribuinte apresentou, em 06/08/2009, o Recurso de fls. 32 a 34, instruído com os documentos de fls. 35 a 39, argumentando, em síntese, que os rendimentos recebidos da Fundação Vale do Rio Doce Seguridade Social (VALIA) foram devidamente declarados. Afirma que a parcela de R$22.711,00 referese a complementação de aposentadoria, devendo Fl. 44DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11543.003256/200732 Acórdão n.º 2801002.000 S2TE01 Fl. 43 3 ser excluída da tributação. Discorre sobre a vedação constitucional de utilizar tributo com o efeito de confisco para contestar a multa de ofício aplicada. Os documentos de fls. 35 a 39 são cópia de comprovante de rendimentos emitido pela Valia, do acórdão recorrido, de parte da declaração de ajuste anual e de documento de identidade da recorrente. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 40, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, a interessada declarou os rendimentos recebidos da Valia (Comprovante de fls. 25, declaração de ajuste anual de fls. 12 a 14 e lançamento, fls. 06), entretanto desconsiderou os centavos. A autoridade lançadora, ao descrever os fatos, computou a omissão de centavos nos rendimentos tributáveis e no IRRF compensado (vide DIRF de fls. 18). Portanto, ainda que a interessada tenha declarado a grande maioria dos rendimentos referentes a esta fonte pagadora, o certo é que a autoridade lançadora não faltou com a verdade ao descrever os fatos e nem cobrou tributo que não seria devido. Quanto à alegação de que tais rendimentos referemse à complementação de aposentadoria, ressaltese que tais rendimentos são tributáveis tanto na fonte quanto no ajuste anual, em consonância com a regra geral de tributação prevista na Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, bem como na Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), arts. 43 a 45. No tocante à multa de ofício, destaquese que foi aplicada a multa prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inc. I, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, reproduzido a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 45DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11543.003256/200732 Acórdão n.º 2801002.000 S2TE01 Fl. 44 4 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica; Parágrafo 1º O percentual da multa de que trata o inciso I, do caput deste artigo, será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (Grifos acrescidos) Observese que a penalidade descrita no inciso "I" aplicase sempre que houver falta de recolhimento de imposto. No caso, houve falta de recolhimento do imposto exigido. Esta é exatamente a hipótese do inciso I retro, sendo legítima a multa de 75%. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 46DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10940.002731/2003-84
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO
DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF.
TERMO INICIAL.
Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3803-000.013
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO
DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a decadência do fisco de proceder à constituição do crédito tributário, na linha da Súmula STF
nº8.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ..!4e2.'`O TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Smfn, Processo n° 10940.002731/2003-84 Recurso 0 137.977 Voluntário Acórdão n° 3803-00.013 — 3a Turma Especial Sessão de 06 de julho de 2009 Matéria PIS - AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente DEGRAF DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n 2 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n2 08 do STF. TERMO INICIAL. Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a decadência do fisco de proceder à constituição do crédito tributário, na linha da Súmula STF n28. r• ALE • NDRE KERN ' - 'idente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Mauricio Fedato. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima. o Processo n° 10940.002731/2003-84 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.013 Fl. 242 Relatório Trata-se de ação fiscal que culminou no auto de infração das fls. 183 a 186, lavrado para formalizar a constituição e exigência de crédito tributário de Contribuição para o Plano de Integração Social - PIS, que deixou de ser recolhido relativamente aos períodos de apuração de outubro de 1993 a setembro de 1995. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, fls. 174 a 176, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n2 93-007329-0 junto à 5' Vara da Justiça Federal em Curitiba, questionando a constitucionalidade do Decreto-Lei n2 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto-Lei n2 2.449, de 21 de julho de 1988, efetuando o depósito judicial das importências discutidas. Após o trânsito em julgado da ação, tais depósitos foram levantados em parte pelo contribuinte, sendo a parcela restante convertida em renda da União em face da decisão judicial (fls. 49 a 51) que desobrigou o impetrante do recolhimento do PIS nos termos dos indigitados decretos-leis, e determinou que referido recolhimento se desse na forma e nos prazos previstos na legislação precedente. Neste contexto, durante o procedimento fiscal, foi efetuada a imputação dos valores pagos e depositados aos correspondentes períodos de competência, e verificada a insuficiência de depósitos e pagamentos para liquidar a contribuição devida em todos os períodos em apreço. O TVF esclarece que a decisão judicial apenas reconheceu incidentalmente a inconstitucionalidade dos decretos-leis, razão pela qual os cálculos relacionados à apuração dos débitos de PIS no período e a imputação dos depósitos foram efetuados levando-se em conta a Lei Complementar n2 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores, conforme preceitua o item 16 do Parecer PGFN n2 1.185, de 1995. Finalmente, aduz o Fisco que, para efeito do disposto no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n.° 156, de 07/05/1996, foram realizados os cálculos dos créditos tributários e de imputação dos depósitos e pagamentos, aplicando-se os decretos-leis, ao cabo do que se verificou que, se fossem aplicados referidos dispositivos legais, os créditos tributários a serem lançados corresponderiam a um montante ainda maior do que aquele apurado na forma da LC n 2 7, de 1970, e alterações posteriores. Sobreveio a impugnação das fls. 195 a 201, por meio da qual o autuado: a) transcreve ementas de decisões administrativas prolatadas pelo Conselho de Contribuintes e de decisão judicial coligida junto ao Tribunal Regional Federal da la. Região, para sustentar que o lançamento ora hostilizado encontra-se fulminado pela decadência, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos estipulado no § 40 do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo marco inicial é a data de ocorrência do fato gerador; b) alega que o auto de infração padece de nulidades essenciais na sua formação, por desatender aos requisitos legais necessários e cercear o direito de defesa do contribuinte autuado; 3) reclama não estar consignada com clareza no feito a forma pela qual foi aferida a diferença exigida, não havendo, assim, a comprovação da ocorrência do fato gerador do tributo, tal como determina o art. 142 do CTN; 4) alega que o auto de infração não descreve o fato gerador e a base de cálculo utilizada para a apuração do crédito tributário, infringindo o regramento contido no inciso III do art. 10 do Decreto n2 70.235, de 6 de março 1972 — PAF; 2 Processo n° 10940.002731/2003-84 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.013 Fl. 243 5) alega que não pode prosperar a aplicação do Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n2 156, de 07/05/1996, haja vista que referido ato se trata de expediente interno, não publicado oficialmente, e que , portanto, a sua utilização acarreta o cerceamento de defesa do impugnante, garantido no art. 5 0 , inciso LV, da Carta Magna. A DRJ-CTA/3 a Turma houve por bem em julgar procedente o lançamento, nos termos do o Acórdão n2 06-12.659, de 31 de outubro de 2006, da DRJ/CTA, fls. 203 a 212, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1995 LANÇAMENTO. PREJUDICIAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário relativo à contribuição para o PIS decai em dez anos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1995 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS DE VALIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Presentes os requisitos de validade do auto de infração e, bem assim, a fundamentação legal da exigência, os cálculos e a descrição minuciosa dos fatos que ensejaram a autuação, não se cogita de nulidade nem há falar em cerceamento do direito de defesa se o contribuinte autuado foi regularmente cientificado do lançamento. Lançamento procedente". Vem agora o autuado, em sede de recurso voluntário (fls. 221 a 228), após resumo dos fatos relacionados com a exação e com o seu julgamento em primeira instância, combater a referida decisão. Para tanto retoma a preliminar de decadência do direito do Fisco de proceder a constituição do crédito tributário e de nulidade formal do procedimento, por preterição do direito de defesa. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 221 a 228 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-CTA n 2 06-12.659, de 31 de outubro de 2006. 3 Processo n° 10940.002731/2003-84 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.013 Fl. 244 Preliminar de decadência O Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante n 2 08, in verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2" da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n" 1.569/1997, art. 5", parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente". (DOU n" 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da presente lide, merecem ser colacionados os Acórdãos do STJ vazados nos seguintes termos: No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a i a Turma do STJ assim se pronunciou: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO 4 Processo n° 10940.002731/2003-84 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.013 Fl. 245 RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTIV, ART. 150, § 49.PRECEDENTES DA 1° SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTIV, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do C7'N, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do MV. Precedentes da 1" Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do C7'N. 6.Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a l a Turma do STJ pronunciou-se sobre o tema: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 49. PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também 5 Processo n° 10940.002731/2003-84 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.013 Fl. 246 a elas o disposto no art. 146, IH, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp n° 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CT1V, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento." É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4" tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência 6 Processo n° 10940.002731/2003-84 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.013 Fl. 247 do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do ,sr 40 deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6" ed., p. 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CIN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência — homologação tácita, extintiva do crédito — ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada." (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CIN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Assim, em havendo antecipação, total ou parcial, dos recolhimentos, conforme exige o art. 150, § 1° do CTN, o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Caso não haja recolhimento, aplicar-se a regra do inc. I do art. 173. No caso concreto, verifica-se que o contribuinte, ainda que parcialmente, tomou a providência preconizada no art. 150, § 40 do CTN, (planilhas de apuração de bases de cálculo e pagamentos, fls. 98 a 100), pelo que, em 08/10/2003, data da lavratura do Auto de Infração de que se trata, estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração anteriores 08/10/1998. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente o lançamento. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009. • ALE NDRE E.RN 7
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Numero do processo: 13706.004686/2008-78
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE.
Não cabe lançamento de omissão de rendimentos recebidos por dependente, quando tais verbas já foram objeto de lançamento de ofício contra outro contribuinte, já pago, que declarou o mesmo dependente em sua declaração de ajuste anual, sem, entretanto, oferecer os respectivos rendimentos à tributação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2801-001.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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Não cabe lançamento de omissão de rendimentos recebidos por dependente, quando tais verbas já foram objeto de lançamento de ofício contra outro contribuinte, já pago, que declarou o mesmo dependente em sua declaração de ajuste anual, sem, entretanto, oferecer os respectivos rendimentos à tributação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Eivanice Canário da Silva, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Fl. 74DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 13706.004686/200878 Acórdão n.º 2801001.768 S2TE01 Fl. 64 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 06/08, relativa à Declaração de Ajuste Anual DAA do IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 3.782,98, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte do SENAC ARRJ, no valor de R$ 2.800,00, da Unimed Nova Iguaçu Cooperativa de Trabalho Médico, no valor de R$ 2.000,00, e de rendimentos recebidos pela dependente Ilma Costa de Araújo Moraes da Prefeitura de Nilópolis, no valor de R$ 9.142,84. Foi compensado o valor de R$ 51,30, relativo ao IRRF dos rendimentos recebidos do SENAC ARRJ. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/02, em que questiona somente a omissão de rendimentos recebidos pela dependente Ilma Costa de Araújo Moraes da Prefeitura de Nilópolis, no valor de R$ 9.142,84. Alega que tais valores já foram tributados por meio da Notificação de Lançamento nº 2005/607425055792046 (cópia às fls. 22/25), lavrada contra Hilda Costa de Araújo, que declarou a Sra. Ilda, sua filha, como dependente na DAA do exercício 2005, anocalendário 2004, sem, entretanto, oferecer os respectivos rendimentos à tributação. Afirma que o crédito tributário referente a esse lançamento foi recolhido por meio do DARF cuja cópia foi juntada às fls. 26. Sustenta que não justifica a inclusão da Sra. Ilma como dependente na declaração de ajuste anual da Sra. Hilda, face aos valores de imposto que seriam apurados se a respectiva declaração fosse feita em qualquer dos dois modelos permitidos. Alega que, se a referida dependente fosse excluída de sua declaração de ajuste anual, o saldo de imposto a pagar seria de R$ 5.375,59. Com a dedução do imposto pago, R$ 3.757,09, restaria um imposto suplementar de R$ 1.618,50, acrescido de multa e juros de mora. Por conseguinte reconhece a exigência fiscal nesse montante, razão pela qual solicita seu parcelamento. Conforme informação contida no extrato de fls. 60, a parcela do imposto suplementar correspondente a 1.618,50, reconhecida pelo contribuinte como devida, foi transferida para o processo administrativo nº 13706.004691/200881. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Rio de JaneiroII julgou procedente o lançamento (fls. 50/52), sendo oportuno transcrever trecho do voto da relatora daquele acórdão, que fundamenta a decisão proferida: “10. Quanto aos rendimentos pagos pela Fonte Pagadora 3, o Interessado admite que não informou os rendimentos da esposa, ainda a tenha informado como dependente, porém alega que tais rendimentos teriam sido tributados em Notificação de lançamento lavrada contra a sua sogra, já que esta também incluiu a filha, sua esposa, como dependente. 11. O §1°, do art.77, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Fl. 75DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 13706.004686/200878 Acórdão n.º 2801001.768 S2TE01 Fl. 65 3 (RIR/99), elenca as hipóteses de dependentes admissíveis e a inclusão da esposa na DAA 2005 do Interessado está de acordo com a norma em seu inciso I. Apenas por amor à argumentação, cabe ressaltar que a inclusão da Senhora Ilma Costa de Araújo Moraes como dependente por sua própria mãe, não encontra respaldo legal, posto que ela não se enquadraria na hipótese do inciso III do mencionado dispositivo, abaixo transcrito. RIR — 1999 Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei n2 9.250, de 1995, art. 42, inciso III). § 12 Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 42, § 32, e 52, parágrafo único (Lei n2 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da unido resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado fisica ou mentalmente para o trabalho; (grifei) 12. A Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, normatizando o art.77 do RIR199, afirma no art. 38, especialmente no § 8°, que: IN SRF n°15/2001 Art. 38. Podem ser considerados dependentes: I o cônjuge; (.) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado fisica ou mentalmente para o trabalho; (.) § 5° É vedada a dedução concomitante de um mesmo dependente na determinação da base de cálculo de mais de um contribuinte, exceto nos casos de alteração na relação de dependência no anocalendário. (.) Fl. 76DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 13706.004686/200878 Acórdão n.º 2801001.768 S2TE01 Fl. 66 4 § 8° Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração.(grifei) 13. A regra geral de tributação para as pessoas fisicas é a tributação dos rendimentos em separado sendo a declaração em conjunto uma opção, nos termos do art. 8° do RIR/99, cujo §3°, permite que o cônjuge declarante pleiteie a dedução do valor a titulo de dependente relativo ao outro cônjuge. Art. 82 Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. § 1° O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. § 2° Os bens, inclusive os gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, deverão ser relacionados na declaração de bens do cônjuge declarante. § 3° O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a titulo de dependente relativo ao outro cônjuge. 14. No caso presente, o casal apresentou declaração em conjunto, já que no sistema informatizado do MF/RFB não consta DAA Exercício 2005 entregue por Ilma Costa de Araújo Moraes (CPF 381.967.94720), e como de resto concordou o contribuinte, portanto, correto o lançamento dos rendimentos da esposa como omissão na DAA do Interessado que a incluiu como dependente. 15. Em que pese ter concordado com a omissão, pretende o Interessado retificar sua declaração excluindo a esposa do rol de dependentes. Ora, a referida dedução não foi objeto do lançamento, portanto, não pode esta instância julgadora se manifestar sobre a questão, modificando a DAA, por falta de competência regimental e por ferir o próprio Processo Administrativo Fiscal, já que não foram apresentados fatos novos que autorizassem a alteração do lançamento nos termos do art. 145, inciso I, do CTN. 16. A inclusão da dependente na DAA implicou a dedução conforme a sistemática descrita no art. 8° da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas : I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os Fl. 77DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 13706.004686/200878 Acórdão n.º 2801001.768 S2TE01 Fl. 67 5 tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (.) c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; (.) 17. A exclusão da referida dependente como quer o Interessado, configuraria retificação da declaração apresentada, no entanto, uma vez regularmente notificado do lançamento fiscal, é vedado ao contribuinte alterar a declaração, com intuito de diminuir o valor de imposto a pagar ou os acréscimos legais, posto que está excluída a sua espontaneidade, na forma do art. 138, do CTN, abaixo transcrito. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração,acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 18. Acrescentese que a retificação da declaração s6 pode ser aceita antes de iniciado o procedimento fiscal, como se observa do art. 7°, inciso I, §1°, do Decreto 70.235/72, que regula o procedimento fiscal no âmbito federal, abaixo transcrito. Logo, não pode ser considerada para fins de modificação do crédito apurado a declaração juntada aos autos pelo sujeito passivo, às fls. 27/29. Art. 7° O procedimento fiscal tem inicio com: (Vide Decreto n° 3.724, de 2001) I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; () § 1° 0 inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 13706.004686/200878 Acórdão n.º 2801001.768 S2TE01 Fl. 68 6 19. Consoante art. 787, do RIR/1999, as pessoas fisicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei n° 9.250, de 1995, art. 7°). A responsabilidade pela inexatidão da declaração de ajuste anual do imposto de renda é legalmente do próprio beneficiário dos rendimentos. Não havendo previsão legal para a transferência dessa responsabilidade a terceira pessoa, seja solidária ou subsidiariamente. 20. No tocante à intenção, cabe esclarecer que, em se tratando de matéria tributária, não importa se o sujeito passivo cometeu infração por equivoco, por descuido, por desconhecimento da legislação, ou pela complexidade técnica exigida para a elaboração da declaração, ou ainda por ter aceito orientação ou auxilio de terceira pessoa. Em matéria tributária não há que se perquirir a intenção do agente, pois a responsabilidade por infração a legislação tributária é objetiva, não dependendo da aferição da existência de dolo ou culpa, conforme previsto no art. 136, do Código Tributário Nacional — CTN. 21. Quanto aos fatos alegados relacionados à declaração e à notificação de outro contribuinte, o pronunciamento desta instância julgadora a respeito do direito invocado pelo Interessado feriria o próprio Processo Administrativo Fiscal, por falta de competência regimental, bem como por violação do sigilo fiscal. 22. Por fim, havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata, este deve ser mantido (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 — RIR11999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 10/12/09, fls. 54, o contribuinte apresentou, em 11/01/10, o Recurso de fls. 55/57, apresentando as mesmas alegações expostas na impugnação em relação à omissão de rendimentos recebidos pela dependente Ilma Costa de Araújo Moraes da Prefeitura de Nilópolis, no valor de R$ 9.142,84, acrescentando ter havido violação a princípios constitucionais, dentre eles, o do devido processo legal, da segurança e da certeza do crédito tributário. Quanto às demais omissões, não houve qualquer pronunciamento. Ao final, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, devido à incerteza e insegurança na sua constituição, e a juntada superveniente de provas que se fizerem necessárias para a devida instrução e julgamento do caso em apreço, além de esperar o deferimento de seu recurso. É o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 13706.004686/200878 Acórdão n.º 2801001.768 S2TE01 Fl. 69 7 Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A discussão restringese à omissão de rendimentos recebidos por Ilma Costa de Araújo Moraes da Prefeitura de Nilópolis, no valor de R$ 9.142,84, declarada como dependente pelo recorrente (fls. 18). Todavia tais rendimentos já foram tributados por meio da Notificação de Lançamento nº 2005/607425055792046 (cópia às fls. 22/25), lavrada contra Hilda Costa de Araújo, que também declarou a Sra. Ilda como dependente na declaração de ajuste anual do exercício 2005, anocalendário 2004, sem, entretanto, oferecer os respectivos rendimentos à tributação, como pode ser constatado na descrição dos fatos da citada notificação (fls. 23). Por conseguinte tais verbas não podem ser novamente tributadas. Convém ressaltar que o aludido crédito tributário foi pago, conforme cópia da guia de recolhimento juntado às fls. 26. No presente caso caberia tão somente a exclusão de Ilma Costa de Araújo Moraes como dependente do contribuinte, pois ela já consta como dependente na declaração de ajuste anual da sua mãe, Sra. Hilda Costa de Araújo. Como este colegiado não tem competência para alterar o lançamento, não há como efetuar a glosa de dependente devida, tarefa que está restrita à autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 80DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10925.003461/2007-41
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA.
Para efeitos de apuração do ITR será considerada área efetivamente utilizada àquela que tenha sido objeto de exploração extrativa, assim considerada a área total de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Exploração Extrativa no montante de 19,40 ha. Vencido o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Para efeitos de apuração do ITR será considerada área efetivamente utilizada àquela que tenha sido objeto de exploração extrativa, assim considerada a área total de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Exploração Extrativa no montante de 19,40 ha. Vencido o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 1263DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.255 2 AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/03 e 540/550, relativo à Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício 2003, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o nº 0.385.0900, denominado Faz. São Francisco e localizado no município de Ponte Serrada – SC, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 115.844,40, decorrente da glosa de área declarada como exploração extrativa, por falta de documentação probante do cumprimento do cronograma do plano de manejo, conforme descrição dos fatos de fls. 03, sendo que no “Relatório e Termo de Encerramento” de fls. 542/550, parte integrante do auto de infração, consta o seguinte esclarecimento acerca da glosa em questão: “(...) Apesar da extensa documentação apresentada pelo contribuinte (doc. Fls. 13 a 539), não foi apresentado pelo contribuinte Relatório de Execução do PMFS que comprovasse o cumprimento de seu cronograma na forma prevista no art. 17, da Portaria Interinstitucional 01/1996, que determina que o Relatório de Execução deve ser apresentado anualmente ao IBAMA. Logo, não se restou comprovado que tenha havido execução de Exploração Extrativa nos termos previstos em PMFS autorizado pelo IBAMA no período de 1°/01/2002 a 31/12/2002, e que tenha sido cumprido o seu cronograma. Em decorrência das glosas e alterações acima mencionadas, apuramos o novo ITR devido para o período de 2003, conforme quadro abaixo: (...)” IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 554/572, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 619): “A interessada apresentou a impugnação de f. 554/572. Em síntese, alega que a intimação fiscal foi integralmente atendida, tendo sido apresentadas todas as informações requeridas. Argumenta que proibições de ordem ambiental impediram o prosseguimento do plano de manejo. Frisa que os imóveis localizados na região da Mata Atlântica devem ser preservados e que a revogação do plano de manejo existente não significa dizer que não houve exploração sustentável. Afirma que ficou provada a existência do Plano de Manejo Florestal Sustentado, sendo que a área objeto do plano, encontrase em fase de recuperação ambiental, decorrente da extração realizada no passado. Desta forma, a empresa optou por conservar suas florestas, retirando das mesmas somente o que a natureza possibilitava, ou seja, colhendo as árvores mortas e em declínio vital. Alega, ainda, que o que norteia a exploração extrativa é o conceito de sustentabilidade, de forma que se preserve a flora e a fauna do conjunto sócioeconômico e ambiental, por meio de uma série de atividades e intervenções, que não se restringe à Fl. 1264DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.256 3 mera exploração propriamente dita. Aduz que o procedimento adotado pela empresa está de acordo com as diretrizes da Portaria Interinstitucional n° 01/1996. Defende que o IBAMA é o Órgão competente para aferir o cumprimento ou não do plano de manejo. Sustenta que o ITR 2003 foi devidamente calculado na DITR do respectivo Exercício. Informa que o Relatório de Execução não foi apresentado anualmente, mas a comprovação do cumprimento dos requisitos do Plano de Manejo foi feita por outros documentos, inclusive por meio de ADA entregue ao IBAMA, em que consta a informação da área objeto de Plano de Manejo. Menciona ainda a existência de averbação da área junto à matricula imobiliária.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1a Turma da DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente (fls. 617/622), sendo oportuno tanscrever trecho do voto do relator do respectivo acórdão que fundamenta a decisão: “(...) Conforme amplamente explanado pela autoridade lançadora, a interessada não comprovou o cumprimento do cronograma do Plano 'de manejo sustentado. Também não foi feita prova da reformulação do PMFS, nos termos da Portaria Interinstitucional n° 01/1996, razão pela qual, em função da documentação apresentada, foi glosada a área de 1036,9 ha, declarada na DITR a titulo de exploração extrativa, objeto de plano de manejo. Acerca das alegações sobre a competência do IBAMA para fiscalizar o cumprimento das normas ambientais, convém ainda tecer algumas considerações sobre os fundamentos fáticos da presente autuação. O presente processo não trata da fiscalização da atividade florestal, mas da fiscalização tributária, com vistas a determinar se o valor do imposto foi corretamente apurado. Mais especificamente, sobre a determinação do grau de utilização do imóvel, sem que, com isso, se queira impor determinadas condutas ao sujeito passivo, mesmo porque, realizada a atividade fiscal após o exercício considerado, não tem o poder de retroagir no tempo, para naquele ano determinar as ações que deveriam ser empreendidas pelo contribuinte. A legislação diz quais os critérios para isso, sendo nuclear, no caso, a existência de plano de manejo válido e com cronograma comprovadamente sendo cumprido. O ônus dessa prova, desse fato que lhe é benéfico, pois resulta em uma tributação menor, cabe ao contribuinte, e, no presente processo, não foi efetuada a contento. Caberia à interessada produzir as provas dos fatos consignados em sua declaração, sob pena de não serem aceitos pelo Fisco. Provas que devem, evidentemente, estar fundamentadas em documentos hábeis e que não deixem dúvidas, de modo a comprovar cabal e inequivocamente os fatos declarados. Fl. 1265DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.257 4 Com relação à exploração extrativa, não cabe afirmar que o ADA e a averbação são documentos hábeis a comprovar a execução do plano de manejo.O ADA e a averbação são exigidos, no âmbito do ITR, para que sejam aceitas as áreas isentas declaradas pelo contribuinte. No procedimento fiscal, não houve glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas na DITR. Não há o que ser alterado no lançamento, portanto, em função da apresentação da comprovação do cumprimento dos requisitos para fruição da isenção. De forma diversa do que alega a impugnante, a Portaria Interinstitucional no 01/1996, em seu art. 17, estipula que "o detentor do PMFS deve apresentar anualmente ao IBAMA o Relatório Técnico de Execução, devidamente assinado pelo Responsável Técnico" (grifo nosso). Tratase de norma expressa, que obriga o detentor do PMFS, não podendo ser aceito o documento pretendido pela impugnante, apresentado somente em 2004, supostamente abrangendo o período de 2002 a 2004. Por não haver sido cumprido o comando normativo, não há como ser aceita a área objeto do plano de manejo. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase devidamente amparado pela legislação que rege a matéria.. (...)” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 17/03/10 (fls. 626), a interessada apresentou, em 16/04/10, o Recurso de fls. 629/646, juntamente com os documentos de fls. 647/1.249, alegando, em suma, que: a) muito antes do lançamento do ITR/ 2003 o imóvel em questão já possuía plano de manejo florestal devidamente aprovado pelo IBAMA, que foi protocolado sob o número 3.316/90 e aprovado pelos ofícios 368/91 e 112/93 (cópia anexa). Este plano de manejo florestal, por estar devidamente protocolado no IBAMA, deve ser considerado para fins de apuração do grau de utilização da terra, pois tem data anterior ao lançamento, ou seja, antes de 01/01/03; b) foi devidamente providenciada a elaboração de novo plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado para atender as exigências da Portaria Interinstitucional número 01/96, o qual foi protocolado sob o número 02026.002.908/9916, previamente aprovado pelo órgão ambiental estadual competente; Fl. 1266DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.258 5 c) a Receita Federal, ao não aceitar o PMFS para fins de cálculo para o grau de utilização da terra, diante da exigência e sugestão, seria coautora de possível crime ambiental que seria cometido caso houvesse a conversão da terra para uso alternativo para que se pudesse alcançar o grau de utilização necessário para a menor alíquota do ITR; d) o cronograma de execução do plano de manejo florestal sempre foi cumprido, conforme demonstram todos os documentos anexos ao processo. Sempre que o IBAMA exigia relatórios de acompanhamento, estes eram prontamente atendidos pela empresa proprietária; e) em nenhum momento o IBAMA cancelou o plano de manejo florestal, por qualquer que seja a motivação, portanto o PMFS continuou existindo e a área sendo utilizada para esta atividade, seja sob o ponto de vista ambiental como sob o ponto de vista tributário; f) especialmente ao anocalendário do ITR/Exercício 2003, que é objeto do presente recurso, foram protocolados os relatórios de números 02026005541/02, 02026005542/02 e 0202600543/02 em 15/07/2002. Em 2004 foi elaborado também um relatório onde demonstra as atividades silviculturais no imóvel executadas no ano de 2002; g) não cabe à Receita Federal glosar a área de plano de manejo florestal se o próprio órgão ambiental competente, através de seus profissionais habilitados tanto de ordem técnica como de ordem jurídica, tem considerado como válido, inclusive com a emissão de sucessivas autorizações de colheitas florestais. Estas autorizações somente foram emitidas após comprovação do cumprimento das normas técnicas e jurídicas pertinentes; h) os ofícios 368/91 e 113/93 deferindo o plano de manejo florestal protocolado em 1990, e reformulado pelo protocolo número 2026.02908/9916 no IBAMA, e com a aprovação da licença prévia na FATMA de número 05/99, e outros ofícios anexos ao presente recurso, comprovam a aprovação do citado plano; i) a prova da reformulação do PMFS, nos termos da Portaria Interinstitucional nº 01/96, é o próprio Requerimento para a Análise e Aprovação do PMFS, devidamente protocolado no IBAMA sob o número 2026.02908/9916 (cópia anexa); Diante do exposto acima requer o recebimento e provimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 1267DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.259 6 O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com o “Relatório e Termo de Encerramento” de fls. 542/550, parte integrante do auto de infração, a glosa da área extrativa ocorreu porque não “restou comprovado que tenha havido execução de Exploração Extrativa nos termos previstos em PMFS autorizado pelo IBAMA no período de 1°/01/2002 a 31/12/2002, e que tenha sido cumprido o seu cronograma”. Dessa forma a autoridade lançadora reconheceu a existência do plano de manejo para o imóvel objeto do lançamento, mas considerou que não foram apresentadas provas da execução do citado plano no ano de 2002 e que o seu cronograma tenha sido cumprido, entendimento que a recorrente não concorda. A exigência de plano de manejo aprovado pelo órgão competente e da prova do cumprimento de seu cronograma, para fins de reconhecimento da área de exploração extrativa com efeitos na apuração do ITR, está prevista no art. 10, § 1º, inciso V, “c”, e §§ 3º e 5°, da Lei nº 9.393/96, in verbis: “Art. 10 (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V – área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental. (...) § 5º. Na hipótese de que trata a alínea c do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.” (grifo meu) Conforme esclarecimento contido no “Relatório e Termo de Encerramento” de fls. 542/550, a Portaria Interinstitucional n° 1, de 04/06/96, assinada conjuntamente pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, pela Secretaria de Estado e Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Santa Catarina e pela Fundação do Meio Ambiente — FATMA, trata da regulamentação acerca dos Planos de Manejo Florestal Sustentado ao IBAMA para o Estado de Santa Catarina, sendo que seu art. 17 assim dispõe: Art. 17. O detentor do PMFS deve apresentar anualmente ao IBAMA o Relatório Técnico de Execução, devidamente assinado pelo responsável técnico, incluindo a avaliação da área manejada contendo no mínimo as seguintes informações: Fl. 1268DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.260 7 I caracterização da área após a exploração, informando volume ou quantidades exploradas e remanescentes por espécie e as operações silviculturais; II operações de exploração florestal realizadas, referentes ao corte, arraste e transporte, incluindo a estrutura da rede viária, pátio de estocagem, dimensionamento do pessoal envolvido e equipamento utilizado; III — anexar, ao relatório, a ART emitida a cada visita do responsável técnico à área, contendo as orientações e observações prestadas ao • detentor do PMFS; IV — justificativa técnica referente às operações não realizadas no prazo previsto no cronograma físico de execução do PMFS, quando for o caso. Parágrafo único. O Relatório Técnico de Execução mencionado no caput deste artigo deve incluir a cada 2 (dois) anos o resultado das remedições das parcelas e das subparcelas de regeneração natural. Como já constatado pela autoridade lançadora e pelo órgão julgador de primeira instância, a recorrente não apresentou relatório técnico de execução do plano de manejo anualmente, mas tãosomente relatório único abrangendo os anos de 2000 a 2004 (fls. 594/602), protocolado no IBAMASC com o n° 1.943/2004, que aborda, de forma genérica, as atividades realizadas naqueles anos, não havendo abordagem específica para o ano de 2002. Foram também juntados relatórios relativos às atividades realizadas no ano de 2005 (fls. 1.189/1.199) e no ano de 2006 (fls. 1.184/1.186). Embora não tenha sido juntado aos autos relatório de acompanhamento do plano de manejo específico para o ano de 2002, a recorrente anexou documentos protocolados no IBAMASC, em 15/07/2002, com os n° 02026005541/02, 02026005542/02 e 0202600543/02 (fls. 1.160/1.183), relativos a requerimentos dirigidos àquele Órgão para o aproveitamento de pinheiros secos, mortos e caídos, que podem servir como prova da exploração extrativa da área correspondente, desde que a solicitação seja autorizada pelo IBAMA. Todavia, no caso em apreço, consta nos autos somente o deferimento da solicitação de n° 02026005542/02 (Autorização n° 017/2002, fls. 1.151, emitida em 18/10/02), abrangendo o montante de 193,8311 m3 que, convertidos na tabela de atividade extrativa da DIAC/2003, equivalem a 19,4 ha explorados. Logo, diante da comprovação da exploração extrativa dessa área em 2002, deve haver seu restabelecimento na DITR/2003. Cumpre informar que, em ação fiscal desenvolvida em relação a outro imóvel rural da mesma contribuinte (processo administrativo n° 10925.003447/200747) , cujo auto de infração foi lavrado pelo mesmo auditor fiscal que lavrou o auto de infração em discussão, foi reconhecida como área de exploração extrativa pelo Fisco o aproveitamento de pinheiros secos, mortos e caídos, nas mesma condições descritas no parágrafo anterior. Por tais razões voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de exploração extrativa no montante de 19,4 ha. Assinado digitalmente Fl. 1269DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.003461/200741 Acórdão n.º 2801002.377 S2TE01 Fl. 1.261 8 Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 1270DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16476.01M8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012 15:56:00. Documento autenticado digitalmente por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 25/04/2012 e WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.1019.16476.01M8 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 26F53A5FC362D63412FBA9C6384D63515D17680A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10925.003461/2007-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13886.000996/2003-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/07/1998
COMPENSAÇÃO CRÉDITOS DE FINSOCIAL
Impossibilidade de ser convalidada pela IN SRE nº 32/97 as compensações de débitos com créditos de FINSOCIAL posteriores à sua edição Deve ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.300
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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materia_s : DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
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CI)NSEII-10 ADMINISTRATIVO In', RECURSOS FISC.',AIS. .„ ..,. :. ,,,,:....::•.iT., !:;;;',-:ii0- 'TERCEIRA SFCAO 1)1 JULGAMENTO '',:,.,,., Processo n" .13886 000996/2003-38 Recurso n" 239.927 Voluntário Acórdão n' 3803-00.300 — 3" Turina Especial Sessão de 01 de fevereiro de 2010 Matéria COVINS - At II O DE INFRAÇÃO Recorrente INDÚS FR I.A DF mu-murros ArimEN'[ [cios cAss[A-No L'I'DA Recorrida DIZt -R [BEIRÃ() PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMEN 1 . 0 DA SEGURIDADE SOCIAL - COTINS Período de apuração: O I /06/1998 a 31/07/1998 COMPENSAÇÃO CRÉDITOS DE FINSOCIAI, Impossibilidade de ser convalidada pela IN SRE n" 32/97 as compensações de débitos com créditos de YINSOCIAL postei iores à sua edição Deve ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. Acoi dam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso „--- ( - , Alexan lie Kern - residente ---....„- &leni( r 'Md.° de :-61Ts-a-=RCIator PartieiP =iram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Mauricio Fedato, Hélcio 1 ,ardá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Permeei Fiorin , i , Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n" 14-14.325, de 23 de novembro de 2006, da DRI/Ribeirão Preto-SP, lis. 30 a 33, que considerou o lançamento procedente em parte, em .face da .rnanifestação de incontbrmidade, lis. 01. O auto de infração foi lavrado por não se ter comprovado no procedimento interno de auditoria a veracidade da declaração prestada pelo contribuinte na transmissão de sua DC1f. , 3 0 trimestre de 1998, de ter efetuado compensação sem DA.RF com crédito decorrente da. ação judicial n" 92.0054654-4, Na manifestação de inconlOrmidade o impugnante reconhece ter prestado declaração inveridica e que as compensações foram efetuadas com pagamento indevido ou a maior de 1 1 NSOCI Al „ com respaldo na IN SRf n" 32/1997.. A Dro não acolhe o tese da defesa sob famdamento de que a instrução normativa tida com. autorizadora do procedimento do contribuinte não tem previsão para amparar compensações posteriores a ela, ¡á que os débitos referem-se ao meses de julho e agosto de 1998.. Também, porque fOi indevido o procedimento de compensação efetuado com espeque no art. 66 da 1,ei n" 8,383/9 L, porquanto trata-se de tributos de espécies distintas, a carecer de requerimento a SRF que efetuaria a compensação em procedim.entos internos, com base no art 74 da 1,ei n" 9.430/96. Contudo, considera o lançamento parcialmente procedente para. cancelai multa de oficio sob o argumento de que o lançamento fora efetuado com respaldo no art. 90 da Medida Provisória n" 2,158/2001, que, urna vez alterado pelo art. 18 da Lei n" 10.833/2003 oferece ao contribuinte unia penalidade menos severa que a aplicada ao tempo do lançamento, configurando-se a retroatividade benigna, :aplicável à -hipótese destes autos, prevista no art. 106, II, "c", do CTN. Cientificada da decisão em 06 de fevereiro de 2007, irresignadzt, a interessada. apresenta recurso voluntário, em 06 de março de 2007, em que maneja as teses: a) de que as contribuições são da mesma espécie, comprovando o que afirma com inúmeros julgados do então Conselho de Contribuintes e da Corte Superior . . Assim sendo, correto o seu procedimento realizado com ladear no art. 66 da Lei n" 8.383/91, independentemente de requerimento t SRF, e não cabe pois é Administração Tributária limitar o exercício do seu direito de compensar; b) de ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC: sobre o lançamento, trazendo novamente posições doutrinárias e .judiciais. A recorrente anexou cópia de planilha em que registra as bases de cálculo do E-INSOCIAL e modula os seus créditos gerados de excedentes em confronto com o que deveria ter pago à aliquota de 0,5%. Bem assim, cópias dos DARFs. 2 ocess'o 11 1 M6 PO0996/2003-3 S 83-1" F,03 Acc.'5nEo ii' 3803-00..300 ri 88 Pugna, ao fim, que seja anulado o auto de infração, tendo em vista que o crédito nele materializado foi devidamente compensado conforme pretendeu demonstrar. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior -Melo de Sousa, Relator O recurso é tempesti vo e atende os demais requisitos pai a sua admissibilidade, p011 ano dele conheço. Com efeito, verdadeiro é O argumento da recorrente de que as contribuições são da incsrria espécie e, por esta virtude, bem poderiam os créditos de FINSOCIAI , ser compensados unilateralmente, em procedimento interno na. empresa, com base no art. 66 da -Lei n" 8.383/91. -.todavia, n.ão prospera a defesa da recorrente, pois a norma que buscou para .justificar o seu procedimento, a. IN SRF n" 32/97, não a ampara.. O ,SLCRLTÁRIO 1)4 REC.'FITA FEDFRAT„ no uso de _suas atribuições ., tendo em riria o disposto no ai 1 106 da Lei n" 5 172, de 25 de outubro de .1966, na Lei de hitrodução Código Civil e nos mis 3', inciso 1, 7", 8" e 30 da Lei n" 8 218, de 29 de agosto de 1991, e 63 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve 1;7.. 2" Convalidar a compensação efetivada pelo contribuinte, com. a contribuição pata o financiamento da Seguridade Social - C011iVS, devida e não rt.colhida, dos rabi es da eontribuic.do Fundo de Investimento Social -- PINSOC-14.1..„ recollitdo.s pelas etrwresur exLlurivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com/andamento no (61. 9" da Lei n" 7 689, de 15 de dezembro de .1988, na alíquota .superior a 0,5% (meio por cento), conforme ar Leis n's 7 787, de 30 de junho dc 1989, 7 894, de 24 de novembro de 1989, e 8 147, de 28 de dezembro de 1990, crescida do adicional de 0,1% (tun décimo por cento) .sobre os fatos geradores retedivos ao exerc.ício de 1988, nas termos do mi 22 do Decreto-lei n" 2 397, de 21 de dezembro de 1987 .Não a ampara pela razão . ja esposada pela decisão recorrida, ao entender que a instrução nominativa ao servir-se da ação verbal de "convalidar" está, noutras palavras, a chancelar, a selar, a apor sinete, a atestar a legitimidade do que já estava feito pelo contribuinte em matéria de compensar a. (. --',OHNS devida com os créditos de H-MO(1AL Claríssimo é o Ck\ . 3 significado do termo, a n.ão deixar duvida de que não estava havendo nessa norma nenhum sentido de autorização para procedimentos posteriores de compensação sob este foco especifico. Essa linha de entendimento quanto ao sentido da norma, a delimitar no passado o alcance desse Ato da Administração Tributária, é testi Ficado por outro verbo utilizado na ementa da instruçã.o normativa indicando as matérias de que trata: ". legitima a compensação dos valore.s recolhidos de FINSOCIAL com a (VETAIS devida...-. E não é sem parâmetro legal que tal norma foi erigida, conquanto a instrução normativa não indique qual o seu fundamento de validade. E por tal fundamento jurídico não poderia regular de modo diferente.. Vejamos. A CUPINS toi instituída pela L,ei Complementar n" 70/91, de 30 de dezembro de 1991. Por que razão a instrução normativa foi editada somente em 09 de abril de 1997? E por que se serve de uma ação verbal cujo significado fornece um olhar para o passado e não para o presente ou o futuro? O ponto de partida para responder a esta indagação se encontra no Decreto n0 20,910, de 06 de janeiro de 1932, que em seu art 1" preceitua: Art I" AN dividas passivas. da União, do E:siados e dos Municípios, bem as-stin todo e qualquer direito ou ação contra a .Fazenda federal, estadual ou municipal, 5Ljí qual jOr. naluteza, prewirevem em (cinco) a~. conlados da data do alo Ou Jato do qual se migimu em. Em princípio o prazo prescricional deveria ser cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 168,1, do CTN, posição mais prejudicial para o contribuinte. Fosse esta a posição da instrução normativa teria que te-lo expressado vinculando o exercício do direito pelo contribuinte aos tennos do dispositivo retro. Vejo nitidamente implícito na norma veiculada pela instrução normativa n" 32/97 tal prazo prescricional previsto no citado Decreto, e o "fato do qual se origina tremré a exigência da COFINS noventa dias após a sua instituição, 1 0 de abril de 1992, obedecendo-se a anterioridade nonagesimal determinada na Constituição Federal de 1988 e e.xplicita.da no art, 13 da I,C n" 70/91, como possibilidade primeira de extingui-ia por meio de compensação com créditos de FINSOCIAL. Nisso se justi Fica ter sido editada C1.11. 9 de abril de 1997. O tato de a instrução normativa convalidar, legitimar os procedimentos internos de compensação do contribuinte se.m delimitar um prazo para esse exercício de direito, é porque não levou em conta o prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, mas do lato de permitir compensação de cinco anos da contribuição da COPINS, desde a sua instituição, Sem termo antecedente para o exercício do direito, tudo estaria convalidado até a sua edição.. Mais que isso extrapolaria cinco anos, a privilegiar a inércia do contribuinte, a violar o Decreto 20.910/32 e a ferir o princípio da segurança jurídica. Outrossim, apenas para argumentar, por ter sido falsa a declaração prestada na DCTE, a recorrente deveria ter anexado ao recurso a escrituração da compensação, para obter êxito na presente demanda, se o obstáculo oposto à defesa não fosse a tese dz.r prescrição qüinqüenal, como acima discorrido.. A planilha, cora aposição de carimbo contendo números dos documentos a débito e crédito, não seria a prova de que a contribuinte efetivara o .procedimento de compensação.. Mesmo a presumir que tenha operada contabilmente compensação, a exigência de sua comprovação, não cumprida e ora oposta ao interesse di.t '/";) ç\( ,// PlOCCI -1 1 3886 00000672003-3,Si S3-1 re.03 Acól dão ti " 3803-00300 Fl 89 recoirenre, suprível mediante" fica prejudicada por serem os pei iodos de apuração em litígio posteriores ao ato administrativo de convalidação, não estando por ele albergado a compensação. Por todo o exposto, voto por' negar provimento .irr feetl1.50 ((-2 BEAC ior Máo de Sonsa
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000305/2001-91
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 19/09/2000
RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA.
A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4º, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta.
Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido. Presente no julgamento o Conselheiro Luciano Lopes Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Relator ad doc
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/09/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4º, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/09/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarouse impedido. Presente no julgamento o Conselheiro Luciano Lopes Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente atual Charles Mayer de Castro Souza – Relator ad doc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Heroldes Bahr Neto, Susy Gomes Hoffmann. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 05 /2 00 1- 91 Fl. 500DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tratam os autos de pedido de restituição (fl. 108), no valor de R$ 23.638,44, referente ao Imposto de Importação, em razão de a interessada, segundo alega, haver recolhido tributo a maior. A contribuinte, em 19/09/2000, promoveu a importação de mercadorias amparada pela DI nº 00/08878328 (fls. 68/76), tendo sido desembaraçadas junto à Alfândega do Porto de Santos/SP. Preditas mercadorias foram produzidas no México e enviadas para os Estados Unidos para embarque no Brasil. Por tratarse de mercadoria produzida por país integrante da ALADI, entendeu a interessada que teria direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso, os Estados Unidos. Tendo a interessada efetuado o recolhimento integral do mencionado imposto, por não ter conseguido, segundo alega, registrar a redução tarifária pretendida no SISCOMEX, entendeu valerse de direito creditório do imposto de importação que teria sido pago a maior, razão pela qual, em 28/12/2000, requereu o reconhecimento do pretenso crédito, com a correspondente restituição. A Alfândega do Porto de Santos indeferiu o pedido da contribuinte (fl. 128/130), ao que a interessada manifestou sua inconformidade por meio da manifestação de inconformidade apresentada às fls.138/160. A DRJFortaleza/CE indeferiu o pleito da requerente (fls. 188/216), por entender que a importação realizada não atendeu às exigências legais para a aplicação da redução tarifária prevista no acordo internacional firmado no âmbito da ALADI. Alegou aquele órgão julgador que as Faturas Comerciais apresentadas, bem como a informação nos Certificados de Origem dos números das faturas comerciais emitidas pelo fabricante no México, evidenciavam que as mercadorias tinham sido objeto de comércio entre o produtor do México (paísmembro da ALADI) e a empresa dos Estados Unidos da América (país não membro da ALADI), que as teria revendido para o importador no Brasil. Tal comercialização, envolvendo país de trânsito não pertencente à ALADI, impediria a aplicação da redução tarifária solicitada, por não atender ao requisito previsto no art. 4º, alínea” b”, ii, da Resolução/ ALADI nº. 252. Irresignada, a contribuinte ofereceu Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.224/269), onde apresentou, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na inicial. Salientou, ainda, que a triangulação efetuada com a empresa dos Estados Unidos deveuse a motivos geográficos e que o trânsito das mercadorias no território americano, pela própria natureza da operação, deuse sob a vigilância da autoridade aduaneira daquele país, com os rigores que lhes são próprios. Ao final, requereu o reconhecimento da existência do crédito tributário passível de restituição. Em sessão de 22 de maio de 2007, a Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº. 3011.855, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse juntada aos autos cópia da fatura comercial expedida pelo produtor no México (fls.309/319). Fl. 501DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.000305/200191 Acórdão n.º 3202000.026 S3C2T2 Fl. 501 3 Em sessão de 12/08/2008, por meio da Resolução nº. 3012.011, diante de dúvidas existentes, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes achou por bem converter novamente o julgamento em diligência, para: a) que a contribuinte juntasse declaração da Alfândega dos Estados Unidos da América, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. b) fosse solicitada manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto à comercialização de mercadoria por operador de terceiro país, membro ou não da ALADI (art. 9o da Resolução no 252 da ALADI – Decreto no 3.325/99), a fim de que respondesse aos seguintes quesitos: “b1) pode a operação estar ao amparo de preferência tarifária prevista no acordo (PTR4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (México) e entregue a esse 3o país (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada pelos EUA para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EUA? b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do benefício, a interveniência de operador de terceiro país afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4o da Resolução no 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. 4o, “b”, ii, da Resolução no 252): a venda da mercadoria (com emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro país, e a posterior comercialização e expedição do 3o país para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o benefício quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito? Vale dizer, o comércio posterior da mercadoria já em poder do operador exportador do 3o país, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo país de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3o país e depois foi comercializada com o Brasil?” A contribuinte manifestouse às fls. 428/460. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad doc. O benefício pretendido pela recorrente, que lhe daria a redução tarifária do Imposto de Importação, decorre da aplicação do Acordo de Preferência Tarifária – APTR nº. 04, internalizado no Brasil pelo Decreto no 90.782/84, e que, em seu artigo 9º, adota expressamente o Regime de Origem da ALADI, consubstanciado na Resolução n° 252, que aprovou o texto consolidado e ordenado da Resolução no 78, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração, e que foi incorporada à legislação brasileira pelo Decreto nº. 3.325, de 30/12/99. Fl. 502DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Referido Acordo foi firmado entre Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e estabelece preferência tarifária regional na importação de produtos similares provenientes de países de terceiros. Essa preferência estabelece uma redução percentual, que varia conforme a categoria do país que concede a redução e a do que recebe. O cerne do litígio está em se saber se há impedimento ao enquadramento do benefício previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria é vendida e remetida pelo México (país de origem) aos Estados Unidos da América e, depois, exportada deste país para o Brasil, com emissão de Certificado de Origem que informa o faturamento pela empresa dos EUA. Comprovado que as mercadorias em questão são originárias de país signatário do referido Acordo, por meio dos Certificados de Origem acostado à fl. 86, resta saber se o trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos, país não signatário, estaria em conformidade com as disposições da Resolução/ALADI nº 252, que assim dispõe em seu art. 4º: "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do Acordo; b)as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transportes; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iü) não sofram, durante o seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Da leitura do referido dispositivo, inferese que, para gozo do benefício, as mercadorias devem ser transportadas diretamente do país exportador signatário do Acordo para o país importador também signatário (expedição direta), sendo possível efetuarse o trânsito por países não participantes do Acordo, desde que sejam preenchidas as condições estabelecidas na alínea b do referido artigo. No caso em questão, a recorrente não logrou comprovar o preenchimento de uma das condições ali impostas, qual seja: que o trânsito, nos Estados Unidos da América, deu se sob vigilância da autoridade competente naquele país. Devidamente intimada, em razão de diligência requerida pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito, limitandose apenas a informar que “diante do Termo de Intimação acima referido, a Requerente envidou Fl. 503DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.000305/200191 Acórdão n.º 3202000.026 S3C2T2 Fl. 502 5 todos seus esforços para obter o documento solicitado. No entanto, no caso dos presentes autos, apesar da colaboração do exportador no sentido de tentar resgatar o documento da alfândega dos EUA que amparou a entrada das mercadorias naquele país (documento apresentado em outros processos administrativos similares a este), não foi possível obtê lo.”(fl.192). A apresentação de tal documento mostrase de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta e se tenha por preenchidos todas as condições impostas pelo art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. Neste ponto, passo a adotar como razões de decidir o voto do Conselheiro Jose Luís Novo Rossari, proferido nos autos do processo nº. 11128.006566/0081, o qual transcrevo abaixo: “Em resposta à intimação decorrente da diligência solicitada pela 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, o Departamento de Negociações Internacionais (Deint) da Secretaria de Comércio Exterior do MICT respondeu a cada uma das questões enunciadas no relatório, esclarecendo, de forma abrangente quanto às operações efetuadas por operador de terceiro país, verbis: “(1) Resposta: Conforme entendimento deste DEINT, a operação acima citada cumpre com o disposto na normativa que trata de exportação via operador de um terceiro país no âmbito do regime de origem da ALADI (Art. 9o da Resolução 252). Ademais, a Resolução 252 da ALADI não dispõe em contrário, no que diz respeito à possibilidade de a fatura comercial emitida no país de origem da mercadoria apresentar data posterior à da fatura emitida no país em que se encontra o terceiro operador. Cabe aqui observar, que esse mecanismo é adotado ao âmbito do APTR4, tendo em vista que em determinadas situações, o terceiro operador não tem o conhecimento prévio da quantidade/preço das mercadorias que serão destinadas para o país outorgante da preferência. (2) Resposta: A regra referente a operador de terceiro país não afasta a obrigatoriedade de observação do requisito referente à expedição direta. Dessa forma, deverão ser atendidos os critérios dispostos no Art. 4, inciso b: “QUARTO. – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: (...) b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (destaquei) Fl. 504DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. (3) Resposta: Este DEINT entende que a exportação da mercadoria para o Brasil não contraria o art. 4o, ii, tendo em vista que a expressão “não estejam destinadas ao comércio [...] no país de trânsito” diz respeito apenas aos casos em que a mercadoria é revendida internamente no país de trânsito. Esta situação não ocorre na operação via operador de um terceiro país (Estados Unidos), tendo em vista que este agente comercial reexportará a mercadoria para o país (Brasil) que concede a preferência ao país de origem da mercadoria (México).” Ao final, o Deint/SCI/MICT acrescenta que: “Diante do exposto, informamos que as operações dispostas nos Ofícios GAB/nos 193/08, 195/08, 197/08, 198/08 e 208/08 cumprem com o disposto nos artigos 4o e 9o da Resolução 252 da ALADI. No que diz respeito aos Ofícios/GAB/nos 194/08 e 196/09, entendemos que as operações dispostas nestes documentos cumprem com o art. 9o da Resolução, entretanto, com relação ao art. 4o é necessário verificar se o documento Transportation Entry and Manifest of Goods Subject to Customs Inspection and Permit ou equivalente, foi emitido pela aduana dos Estados Unidos.” (destaquei) O órgão demandado foi claro no sentido de que a operação cumpre com o disposto no art. 9o da Resolução, que trata de faturamento por parte de um operador de terceiro país, membro ou não da ALADI. Cumpre ressaltar, no entanto, que, devidamente intimada, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito. Tratase de exigência que foi objeto de Resolução da 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, por ter sido considerada de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta, em observância ao disposto no art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. E o entendimento da Câmara foi integralmente ratificado na manifestação do Deint/SCE/MICT pertinente à mercadoria objeto de lide, quando esse órgão acrescentou, de forma expressa e clara, ser necessário verificar se o documento de que se trata foi emitido pela aduana dos EUA. As redações contidas na lei ou em tratados internacionais não contêm palavras ou expressões inúteis. A existência de norma estabelecendo a vigilância de autoridade aduaneira do país de trânsito para que a operação esteja amparada no regime de origem, não pode ser desconsiderada. Destarte, contrariamente ao que defende a recorrente, o fato de a Resolução estabelecer em seu art. 4o, “b”, que “considerase como expedição direta as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes (...) sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países (...)” significa que, mesmo que não tenha sido instituído documento específico na ALADI para Fl. 505DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.000305/200191 Acórdão n.º 3202000.026 S3C2T2 Fl. 503 7 comprovar essa vigilância, o que é óbvio, visto que diz respeito a países que não fazem parte do Acordo – se houver necessidade de tal comprovação, essa deverá ser satisfeita, sob pena de a operação ser considerada uma expedição não direta. A recorrente foi devidamente intimada para satisfazer à exigência e não apresentou o documento requerido. A alegação de que matéria similar teve decisão favorável à recorrente em instância superior não pode ter qualquer vinculação com o caso presente, tendo em vista que este processo está enriquecido com a existência de elementos concretos e objetivos aplicáveis à matéria, principalmente das informações específicas sobre o acordo de origem trazidas pela Secretaria de Comércio Exterior do MICT, órgão incumbido do acompanhamento e aplicação dos regimes de origem nos Acordos da ALADI e do MERCOSUL (Decreto no 6.209/2007, anexo I, art. 17, V), o que o distingue daqueles alegados. Em vista dos elementos trazidos aos autos e considerando as conclusões objetivas da Secretaria de Comércio Exterior/Deint a respeito da matéria, entendo que a importação não atende aos requisitos de origem previstos no art. 4o da Resolução no 252 do Comitê de Representantes da ALADI, posta em execução pelo Decreto no 3.325, de 1999, restando descabido o direito ao benefício previsto no PTR4.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 506DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1119.15080.WTBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 30/06/2013 12:23:50. Documento autenticado digitalmente por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 30/06/2013. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 03/07/2013 e CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 30/06/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.1119.15080.WTBG Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D4341C091A21D36D1C6B7AB9AA40B49D515C9C00 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.000305/2001-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10218.000514/2003-24
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.966
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceira Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceira Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. VALDETE APAR CIDA RINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Joao Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Susy Gomes Hoffmann e José Fernandes do Nascimento (Suplente). Ausente a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Processo n.0 10218.000514/2003-24 Resolução n.° 301-01.966 CC03/C01 Fls. 102 RELATÓRIO Adota-se o Relatório de fls. 48 e 49 dos autos, emanado na decisão da DRJ - 1° Turma de Recife, por meio do voto da relatora, Maria Teresa Silveira Malta de Alencar, nos seguintes termos: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/10, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 1999, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Carazinho", localizado no município de São Félbc do Xingu — PA, com área total de 2.187,0ha, cadastrado na SRF sob o n° 545.004-7, no valor de R$ 22.780,00 (vinte e dois mil, setecentos e oitenta reais), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/07/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$ 54.963,58 (cinqüenta e quatro mil novecentos e sessenta e três reais e cinqüenta e oito centavos). No procedimento de análise e verificacdo das informações declaradas na DITR/ I 999 e dos documentos coletados no curso da ação .fiscal, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 06, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) exclusão, indevida, da tributação de 874,8ha de área de preservação permanente; b) exclusão, indevida, da tributação de 1.312,2ha de área de utilização limitada. As exclusões indevidas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 06 tim origem na ausência de protocolo do Ato Declaratório Ambiental- ADA e da falta de averbação na escritura do imóvel. 0 Auto de Infragdo foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 25/08/2003, conforme AR de fls.26. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 12/09/2003, a impugnação de fls. 30/36, alegando, em síntese: I — "A fundamentação legal encontrada pela autoridade administrativa está contida numa Instrução Normativa; mais precisamente na IN 43/97, alterada pela IN 67/97; "; II — "instrução normativa não é lei em sentido estrito, bem como não existe nenhum ato normativo primário que normatize a respeito."; III — "esse tipo de exigência, somente poderia ser levado a efeito se houvesse lei, de origem do Poder Legislativo, ou, ainda, uma medida provisória, corn força de lei, disciplinando a matéria. "; 4 / 2 Processo n.° 10218.000514/2003-24 Reso n.° 301-01.966 CC03/C01 Fls. 103 IV — "No maxim, a autoridade administrativa poderia, se existisse lei autorizando, ter aplicado uma multa formal por descurnprimento de obrigação acessória (averbagdo na matricula do imóvel das areas de preserva cão permanente e de utilização limitada)." V — "REQUER que seja efetuada perícia na propriedade, com o intuito de se verificar a existência das reservas legal e permanente". A decisão recorrida emanada do Acórdão n° 11-15.574 fls. 47 e 46 traz a seguinte Ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 Ementa: AEA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de area declarada como de preservação permanente da area tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, esta condicionada ao reconhecimento dela pelo lhama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratário Ambiental (ADA), ou a comprovação de protocolo de requerimento desse ato aqueles órgãos no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITA. ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada corno de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo lbama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou ci comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. A exclusão da area de reserva legal da tributação pelo ITR depende ainda de sua averbagão à margem da inscrição da matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributaria que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Assunto : Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 Ementa PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Lançamento Procedente" 3 Processo n.° 10218.000514/2003-24 Resolução n.° 301-01.966 CC03/C01 Fls. 104 Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes (fls.67 a 78), onde em síntese alega: 1-(a) da tempestividade do recurso; b) da privação dos bens antes do exercício da ampla defesa (violação do art 5", inciso LIV da CF); c) ausência da ampla defesa (CFart. 5°, LT 0, dificuldade de acesso a autoridade natural (CF, art. 5", LIII) e efeitos sobre a democracia participativa (CF, art. 1", § 10); d) da violação do processo legal estabelecido (CF, art. 50, LIV) e a reserva material (CF, art, 146, III, b); e) da cobrança de taxa para o exercício de garantias constitucionais. Violação do direito de petição (CF, art. 50, XXX1V, alínea "a "),'J) da violação ao principio da isonomia; 2 — Das preliminares: "Preliminarmente, o Recorrente, reiterando e ratificando todos os termos das manifestações anteriores, sustenta a vigência da Lei Maior Código Florestal em detrimento do entendimento da Recorrida, constante de instrução normativa e de instruções para preenchimento de DITR. Ora, manuais e instruções normativas expedidas pela própria receita não podem desrespeitar a Legislação Vigente, eis que não é atribuição da Secretaria da Fazenda Legislar, mas sim apenas cumprir as leis vigentes. Não se pode, assim, a receita através de regulamentos por ela criados com o cunho de aumentar a arrecadação a qualquer prep, suplantar o interesse maior do Estado e de sua população que é a preservação ambiental através da manutenção das areas de preservação, permanentes garantindo a agua para essa geração e as futuras e a reserva ambiental possibilitando que o homem não pereça por falta de oxigênio. Recorrente teve em men te ao adquirir dita area apenas preservar a natureza, sem cunho de exploração comercial, mesmo porque, hoje o máximo de exploração de areas na Amazônia Legal é de 20% (art. 16, I da Lei 4.771/65)"; 3 — Dos Fatos: A recorrente, cita a autuação, lembra que teve seu pedido de perícia indeferido e que a decisão recorrida trouxe decisões superadas pelo Conselho de Contribuintes e que a autuação merece ser insubsistente e improcedente, bem como da aplicação de penalidade imposta pelos seguintes fatos: Reserva Legal— que a época dos fatos o minimo estipulado era de 50% e esta foi averbada em 15/01/1998, conforme certidão inclusa aos autos e feito com base no artigo 44 do Código Florestal; Todavia a area de reserva legal — real sempre foi superior a 60% inclusive atingindo 80% da area exigidos atualmente pelo artigo 16, L c/c art. 1° § 2", IV ambos do Código Florestal (Lei 4.771/65; Preservação Permanente — Segundo a Recorrente a quantidade declarada só poderia ser questionada pela Recorrida com amparo fatico material e não formal, eis que presume-se existentes as condições declaradas pelo Contribuinte, até que exista prova em contrario feita pela Recorrida; Que ao indeferir a prova pericial, a Recorrida negou a possibilidade dela mesma fazer prova contra os interesse do Recorrente. Que as evidencias _Picas como presença de rios e mananciais na gleba já determina a existência de preservação permanente; Da Perícia — Insiste que esta prova deve ser produzida pela Recorrida e até indica os nomes de engenheiro agrônomo e florestal que podem fazer esse trabalho conforme indicação constante emfls. 75 dos autos; 4 • Processo n.° 10218.000514/2003-24 Resolução n.° 301-01.966 CC03/C01 Fls. 105 4) Do Direito — A Recorrente alega que finca sua pretensão na Constituição Federal de 1988, no Código Florestal e na jurisprudência colacionada que agasalha sua posição disposta em fls. 75 a 78 dos presentes autos. 5) Do Pedido — Que seu recurso seja, recebido, conhecido e diante da comprovada insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja provido o presente recurso para o fim de ser cancelado o débito fiscal reclamado. Em fls. 80 e 81 dos presentes auto está juntado cópia de Certidão de Registro de Imóveis e a folha do Registro de Imóveis sobre a área de reserva legal correspondente ao mínimo de 50% da superfície do Imóvel. ir o relatório. • 5 Processo n.° 10218.000514/2003-24 Resolucio n.° 301-01.966 CC03/C01 Fls. 106 VOTO Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora 0 Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, pois, preenche as condições de admissibilidade. No tocante ao preparo do recurso, conforme relatório acima, entendo que se trata de matéria já superada, pois não existe mais essa exigência e portanto, por falta de objeto deixo de apreciar essa parte do presente Recurso Voluntário. Quanto as preliminares, observo que elas estão dispostas no Recurso Voluntário como introdução a matéria de fato e direito, não foi requerido absolutamente nada como preliminar, logo, como matéria processual não lid preliminar argüida. Entretanto, "Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" da acusação fiscal verificamos que o Recorrente foi acusado de suposta falta de recolhimento do ITR por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) reconhecido pelo IBAMA tempestivamente, relativo 6. sua declaração do ITR de 1999. No tocante as áreas de preservação permanente e utilização limitada é pacifica a posição deste Terceiro Conselho de Contribuintes de que a exigência da apresentação do ADA somente é exigida para o ITR a partir do exercício de 2001, conforme a Lei n°. 6.938 de 31/08/1981, com redação dada pela Lei 10.165 de 27/12/2000, exigência feita pelo artigo 17-0. Assim, para não afrontar o principio da reserva legal a existência de área de preservação permanente e utilização limitada podem ser comprovadas por outros meios, através de documentações idôneas, como decidiu recentemente essa Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes no Processo 10820.0002301/2003-29 — Recurso Voluntário n°. 135.519 em sessão de 30/01/2008. No caso o Recorrente trouxe aos autos fls. 80 e 81 Certidão de Registro de Imóveis sobre a averbação de Area de Reserva legal. Solicitou perícia na impugnação de primeira instância, mas foi indeferida, pois, no entendimento do fisco e confirmado pelo voto de fls. 57 a materialidade , ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal não se discute no presente processo, pois, o que se busca é o cumprimento de obrigação acessória de apresentação do ADA. Porém, entendo que nesse grau de julgamento, a verdade material é imprescindível. Se o ADA não era exigido por lei no exercício de 1999, agora se faz necessário para a manutenção do lançamento tributário ou a declaração de sua insubsistência a produção de prova pelo IBAMA, da real existência de áreas a serem excluídas da tributação do ITR no imóvel do Recorrente. 6 Processo n.° 10218.000514/2003-24 Resoluvlo n.° 301-01.966 CC03/C01 Fls. 107 Diante do exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que seja determinado ao IBAMA a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriando-o para em parecer indicar quais as Areas existentes de preservação permanente e de reserva legal, pondo fim a dúvida material existente no caso. como voto. Sala das Sessões, em 20 de maio de 2008. VALDETE APARECI A M • INHEIRO - Relatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 13406.000205/2007-59
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO A TÍTULO DE INCENTIVO.
Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidas do imposto apurado as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, as contribuições a projetos culturais disciplinados pelo PRONAC e as atividades audiovisuais, na forma e condições previstas pela legislação de regência.
VERBA INDENIZATÓRIA. PRESIDENTE DA CÂMARA DE VEREADORES. DESCARACTERIZAÇÃO.
Somente as verbas consideradas indenizatórias podem ser excluídas na base de cálculo do Imposto de Renda, justamente por não constituírem renda efetiva ou provento de qualquer natureza. Necessidade de prova sobre a natureza da verba percebida de forma a demonstrar o seu caráter indenizatório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidas do imposto apurado as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, as contribuições a projetos culturais disciplinados pelo PRONAC e as atividades audiovisuais, na forma e condições previstas pela legislação de regência. VERBA INDENIZATÓRIA. PRESIDENTE DA CÂMARA DE VEREADORES. DESCARACTERIZAÇÃO. Somente as verbas consideradas indenizatórias podem ser excluídas na base de cálculo do Imposto de Renda, justamente por não constituírem renda efetiva ou provento de qualquer natureza. Necessidade de prova sobre a natureza da verba percebida de forma a demonstrar o seu caráter indenizatório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Fl. 43DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13406.000205/200759 Acórdão n.º 280102.029 S2TE01 Fl. 118 2 Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Auto de Infração de fls. 03/08, relativamente ao anocalendário 2002, resultando na apuração de IRPF/2003 Suplementar de R$ 8.671,41, multa de oficio e juros de mora totalizando em R$ 20.852,99, atualizado até maio/2007. Conforme descrito às fls. 04, do anexo da descrição dos fatos e enquadramento legal" foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora Camara Municipal de Prefeitura de Timbauba, com base nas informações prestadas na DIRF, rendimento tributável de R$ 61.440,00, e o valor declarado R$ 32.640,00, a diferença apurada R$ 28.800,00, e dedução de incentivo indevida, no valor de R$ 751,41. 2 . Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese: 2.1 — que informou, o valor objeto de glosa da dedução de incentivo, foi decorrente de doações efetuadas a Sociedade de São Vicente de Paula, Lar Vicentino de Timbauba e o Lar de Idosos Cândida Cunha Pedrosa. Afirma que são entidades sem fins lucrativos, de cunho assistencial, conforme demonstra seus estatutos, portanto, havendo necessidade dessas doações para manutenção de suas atividades. 2.2 com relação ao valor apurado na DIRF da Câmara Municipal de Timbauba, esta foi apresentada com erro, pela inclusão da verba indenizatória, como presidente da Camara de Vereadores. No sentido de comprovar suas alegações juntou comprovante de rendimentos da Camara Municipal de Timbauba e demais documentos de fls. 09 a 14 e 19 a 21. 2.3 Concluiu requerendo o cancelamento do auto de infração.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: Fl. 44DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13406.000205/200759 Acórdão n.º 280102.029 S2TE01 Fl. 119 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2003 v DEDUÇÃO A TÍTULO DE INCENTIVO Na declaração de ajuste anual, somente poderão ser deduzidas do imposto apurado, as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, as contribuições a projetos culturais disciplinados pelo PRONAC e As atividades audiovisuais, na forma e condições previstas pela legislação de regência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÕES DA DIRF APRESENTADA PELA FONTE PAGADORA. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) possuem força probatória suficiente para efetuar o lançamento da omissão dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte Se o fisco constituiu o crédito tributário (direito do autor) tomando por base informação de DIRF da fonte pagadora, prova hábil e idônea para comprovação de rendimentos tributáveis, cabe ao contribuinte, se contestar tais rendimentos, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito e não meras alegações. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. A extensão dos efeitos da jurisprudência judicial, A exceção das Súmulas Vinculantes, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Não estando enquadrada nessas hipóteses, a jurisprudência judicial s6 produz efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13406.000205/200759 Acórdão n.º 280102.029 S2TE01 Fl. 120 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase de Auto de Infração lavrado, basicamente, em razão do Recorrente (i) ter deduzido indevidamente da base de cálculo de seu imposto de renda valores doados à instituições beneficentes; (ii) bem assim por ter omitido em sua declaração montante que lhe foi pago pela Câmara Municipal de Timbaúba, sob a rubrica de “indenização” pelo exercício do cargo de Presidente da Câmara de Vereadores. Primeiramente, com relação à doação realizada para as entidades beneficentes, as mesmas somente serão dedutíveis acaso observadas as regras previstas no art. 12 da Lei nº 9.250/95: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: I as contribuições feitas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional do Idoso; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura PRONAC, instituído pelo art. 1º da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais, na forma e condições previstas nos arts. 1º e 4º da Lei nº 8.685, de 20 de julho de 1993; IV (VETADO) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; VI o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 5º da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965. VII até o exercício de 2015, anocalendário de 2014, a contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico incidente sobre o valor da remuneração do empregado Fl. 46DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13406.000205/200759 Acórdão n.º 280102.029 S2TE01 Fl. 121 5 No caso, as doações realizadas pelo Recorrente à Sociedade de São Vicente de Paulo – Lar Vicentino de Timbaúba não se incluem dentre as hipóteses de deduções previstos na lei. Tratase aquela doação, portanto, de liberalidade não contemplada pelo legislador ordinário com o benefício de sua exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda, motivo pelo qual agiu com acerto a Fiscalização. No que pertine aos valores percebidos pelo Recorrente por ocasião do exercício do cargo de Presidente da Câmara de Vereadores, não há como cogitar de seu caráter indenizatório. Isso porque, como se apura da documentação carreada ao processo, essa parcela da remuneração paga ao Recorrente é uniforme, não sofrendo variação ao longo dos períodos. Além disso, o pagamento dessa verba não está condicionada à apresentação do comprovante de despesas pelo beneficiário. Ou seja, a verba dita “indenizatória” tem feições muito mais próximas a um “prêmio” pelo exercício do cargo de Presidente da Câmara de Vereadores. Haja vista a existência do caráter remuneratório desses valores recebidos pelo Recorrente, agiu com acerto a Fiscalização ao apurar a omissão levantada. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 47DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13406.000205/200759 Acórdão n.º 280102.029 S2TE01 Fl. 122 6 Fl. 48DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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Numero do processo: 13707.001434/2006-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO.
Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatado elemento de prova que descaracterize a omissão de rendimentos, cabível o cancelamento do correspondente crédito tributário.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-002.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatado elemento de prova que descaracterize a omissão de rendimentos, cabível o cancelamento do correspondente crédito tributário. Recurso Voluntário provido.
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COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatado elemento de prova que descaracterize a omissão de rendimentos, cabível o cancelamento do corrrespondente crédito tributário. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13707.001434/200615 Acórdão n.º 280102.075 S2TE01 Fl. 89 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 9.486,86, referente ao exercício de 2002, a título de imposto (R$ 4.127,06), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 3.095,29), além dos juros de mora (R$ 2.264,51). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Em sua impugnação, a contribuinte alegou, em síntese, que os rendimentos tidos como omitidos pertencem ao seu filho, Marcello Soto Rivera de Lima, por tratarse de pensão decorrente do falecimento de Jayme de Lima. Afirmou, ainda, que tais rendimentos já foram declarados por seu filho, conforme cópia da delaração em anexo. Acrescentou que tal problema ocorreu até o anocalendário de 2004, dado que o seu CPF aparecia nos informes de rendimentos, haja vista que seu filho não possuía CPF. A 2ª Turma da DRJ/RJ2/RJ julgou procedente em parte o lançamento, conforme Acórdão de fls. 63/65, reduzindo a omissão de rendimentos de R$ 26.599,60 para R$ 13.295,00. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 30/10/2009 (fl. 68), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 70/73, em 18/11/2009. Em sua defesa, alega que, apesar de ter constado o seu nome e CPF no informe de rendimentos pagos pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro (matricula 00/08213258), o valor de R$13.295,00 foi considerado equivocadamente pela decisão recorrida como sendo seu rendimento, eis que tal rendimento referese à pensão especial paga a seu filho Marcello por falecimento de seu pai, exservidor delegado de Policia Jayme de Lima, conforme documentos ora anexados (DOCs. 01, 02, 03 e 04). Sustenta que esse rendimento foi devidamente declarado na Declaração de Rendimentos prestada pelo real beneficiário (Marcello Soto Rivera de Lima) no ano calendário 2001( fls. 10 e DOC. 07), não se podendo, desta forma, falar em fato gerador a ensejar o lançamento em questão. Salienta, ainda, que a impugnação apresentada em face de Auto de Infração anteriormente lavrado, relativo ao anocalendário 2000, Processo nº 13707.001581/200512, que trata de questão semelhante, foi julgada, por unanimidade de votos, procedente para cancelar o crédito tributário exigido (DOC. 06). É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento da omissão de rendimentos oriundos da Secret Administração e Reeestruturação do Estado do Rio de Janeiro – SARE, CNPJ 42.498.634/000166, no valor de R$ 13.295,80, e do Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro, CNPJ 33.908.8801000158, no valor de R$ 13.303,80. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13707.001434/200615 Acórdão n.º 280102.075 S2TE01 Fl. 90 3 A decisão recorrida cancelou a parcela do lançamento correspondente a omissão de rendimentos referente ao Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro, CNPJ 33.908.8801000158, no valor de R$ 13.303,80, dado que a DIRF de fl. 59 registra que o benefeciário é Marcelo Soto Rivera de Lima, apesar de informar como CPF do benefiário o CPF da autuada, Sra. Juana Soto Rivera. Além disso, consta dos autos, à fl. 10, Comprovante de Rendimentos que corrobora as informações da referida DIRF no sentido de que os correspondentes rendimentos pertencem a Marcelo Soto Rivera de Lima. A recorrente sustenta que os rendimentos referentes ao Governo do Estado do Rio de Janeiro (matricula 00/08213258), ou seja, provenientes da Secret Administração e Reeestruturação do Estado do Rio de Janeiro – SARE, CNPJ 42.498.634/000166, no valor de R$ 13.295,80, também pertecem a Marcelo Soto Rivera de Lima, embora conste no informe de rendimentos pagos pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro (matricula 00/08213258), à fl. 12, o seu nome e CPF. Para comprovar o alegado, junta aos autos os documentos de fls. 74/85, dentre os quais consta o documento de fl. 77 que registra que a matrícula nº 00/821.3258 referese ao titular Marcello Soto Rivera. Neste sentido, também, foram carreado aos autos, às fls. 28 e 79, Comprovantes de Rendimentos do anocalendário de 2005. Considerando que o Comprovante de Rendimentos de fl. 12 corresponde aos rendimentos tidos como omitidos referentes à Secret Administração e Reeestruturação do Estado do Rio de Janeiro – SARE, CNPJ 42.498.634/000166, no valor de R$ 13.295,80, bem como ao número de matrícula nº 00/821.3258, que, de fato, pertence ao titular Marcelo Soto Rivera de Lima, entendo que não há como imputar tais rendimentos à recorrente. É razoável, inclusive, acolher o argumento da interessada de que tal problema foi causado pelo fato de seu filho não possuír CPF à época. Com efeito, devem ser excluídos os correspondentes valores de rendimentos tributáveis e imposto de renda retido na fonte da apuração do resultado da DIRPF em tela. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N
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