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Numero do processo: 13802.000166/96-76
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração- 01/07/1992 a 30/11/1993
PROCESSO ADMINISTRATIVO • FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO.
PROCEDÊNCIA.
É procedente o auto de infração efetuado com base nos documentos da contabilidade em cujo processo estejam acostados os elementos de prova à comprovação do ilícito.
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos
demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 201-81.554
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Gileno Guião Barreto acompanhou o Relator pelas conclusões. Em 07/10/2008 fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324, e em 06/11/2008 esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente, Dr. Igor Nascimento de Souza, OAB/SP 173167
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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Recorrida DRJ em Salvador - BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS • Período de apuração- 01/07/1992 a 30/11/1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO • FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA. É procedente o auto de infração efetuado com base nos documentos da contabilidade em cujo processo estejam acostados os elementos de prova necessários à comprovação do ilícito. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Gileno Guião Barreto acompanhou o Relator pelas conclusões. Em 07/10/2008 fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324, e em 06/11/2008 esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente, Dr. Igor Nascimento de Souza, OAB/SP 173167. C40210çCa.. tOCUtet/0 . I' SEPAL MARIA COELHO MARQUES Presidente MAURICE. TA " 11° .4 A Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. ME- SEGUNDO CONSELHO DE coNTaisulará CONFERE COM O ORIGINAL .• Processo n• 13802.000166/96-76 CCO2/C01 Acórdão n.• 201-81.554 &asna. 0.1. p09 Fls. 248 &Mo 4J338 Mtt. Sapo 91745 Relatório VIAÇÃO CIDADE TIRADENTES LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 230/240 contra o Acórdão n 2 04.917, de 05/03/2004, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - BA, fls. 194/202, que julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 25/26, relativo à falta de recolhimento da Cofins, referente aos períodos de julho de 1992 a novembro de 1993, cuja ciência do lançamento ocorreu em 15/02/1996 (fl. 25). Inconformada, a contribuinte apresentou, em 18/03/1996, impugnação de fls. 31/40, aduzindo os seguintes argumentos: 1. a fiscalização utilizou as notas fiscais n2 24, 22 e 27, esta emitida em 27/02/93, cuja referência do serviço cinge-se a dez/92, concomitantemente às bases de cálculo de dezembro de 92 e fevereiro de 93, razão pela qual o auto deve ser considerado nulo; 2. na condição de empresa de transporte coletivo e urbano de passageiros, suas receitas eram vinculadas e ajustadas pela Cia Municipal de Transportes Coletivos - CMTC que a remunerava segundo planilhas apresentadas pela impugnante; 3. na elaboração do lançamento, no confronto entre as planilhas organizadas pela CMTC e os registros contábeis da impugnante foram utilizados, ora o regime de caixa, ora o de competência para lançar as notas fiscais, o que toma o auto de infração nulo de direito; e 4. tendo em vista a especificidade do segmento, cuja receita depende de ajustes entre a empresa e a CMTC, necessário o acesso às planilhas emitidas pela CMTC e o detalhamento na elaboração das bases de cálculo, de modo a evitar a caracterização de cerceamento do direito de defesa; Destarte, requer o cancelamento do auto de infração pela ausência de demonstração dos fatos e valores imputados à contribuinte ou a conversão em diligência para que o fisco demonstre a exatidão da figura fictícia levantada, sob pena de cerceamento de defesa. Em face dos argumentos expendidos pela autuada e pelo fato de os autos não demonstrarem com clareza a base de cálculo, por meio da Resolução DRJ/SPO/SP n 2 1535/98- 11.480, de 11.67, o julgamento foi convertido em diligência. Como resposta ao demandado, o fiscal diligente anexou os documentos de fls. 68/187 e lavrou a Informação de fls. 188/190 na qual concluiu estarem corretos os valores lançados, exceção feita aos períodos de janeiro e fevereiro de 1993, inexistindo a utilização de notas fiscais em duplicidade para compor a base de cálculo da exação. Menciona que a empresa não efetuou o recolhimento da Cofins e que o reconhecimento da remuneração pelos serviços prestados era feito a partir de informações diárias prestadas à CMTC, que efetuava os pagamentos mediante depósitos em conta corrente bancária da empresa. Observa, ainda, que os elementos necessários à ampla defesa e mencionados no auto de infração constam de seus 4extratos bancários e livros fiscais. 491/4k "" 2 , - SEGUNDO CON&M 00 rir: CONTRW1,41LS CONFERE COM G Oittefin( Processo n° 13802.000166/96-76 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.554 Scasita. C42._ oa_ As. 249 -sfe Ba-Dosa lust : Sopa 91745 Após despachos de fls. 191/193, e em face da transferência de competência para julgamento, o processo foi encaminhado à Delegacia de Julgamento em Salvador - BA, que houve por bem considerar procedente em parte o julgamento, exonerando, parcialmente, o valor equivalente a 4.635,36 UFIR, em relação aos períodos de janeiro e fevereiro/2003, mantendo o equivalente a 556.174,19 UFIR e reduzindo a multa de oficio de 100% para 75%. O acórdão foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1992 a 30/11/1993 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes, conforme a legislação de regência. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. Tratando-se de lançamento de oficio, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração, em exercício regular da ação fiscalizadora, é legitima a cobrança da multa punitiva correspondente, cujo percentual, entretanto, deve ser reduzido de 100% para 75% por força da alteração na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte" A despeito de o julgamento ter ocorrido em 05/03/2004, a contribuinte foi cientificada da decisão somente em 23/07/2007 (fl. 223) e, tempestivamente, em 22/08/2007 (fl. 229) encaminhou, via Sedex, o recurso voluntário de fls. 230/240, o qual, em síntese, repisa seus argumentos de defesa, acrescentando, ainda, não ter sido cientificada do resultado da diligência; alega incompetência do auditor pela necessária habilitação como contador e considera indevida aplicação da taxa Selic, apresentando sua conclusão nos seguintes termos: "a) é nulo o auto de infração por ter sido lavrado por pessoa não habilitada, cujos atos são exclusivos do profissional contador; b) é nulo o auto de infração por conter critérios diferenciados quanto a composição da base de cálculo da COFONIS, tendo sido utilizado apara alguns meses o regime de caixa e para outros o de competência; c) sem o acesso às planilhas emitidas pela CMTC há incerteza e insegurança jurídicas o que constitui cerceamento do direito constitucional da mais ampla defesa( jekk_ 3 - " ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OnIGINAL Processo n° 13802.000166/96-76 r O f_ Of CCO2/C01• Brasília . ene- Acórdão n.° 201-81.554 Fls. 250 54 ' Mat..~045 d) os juros selic não podem ser aplicados pois são superiores a I ro, o que implica estar embutida receita de correção monetária quando a Lei n.° 8.245/96 extinguiu-a definitivamente." Alfim, requer seja considerado nulo de pleno direito o auto de infração, devendo ser cancelado, por insubsistente, e arquivado o presente processo administrativo. ei)É o Relatório. Niktk- , 4 Processo n° 3802.000166/96-76 CCO2/031 • Acórdão n.° 201 -81.554 Fls. 251 SeG_____2H3C140NfesitsE.°REN ISCE0-1.81°01:arbouCcRe;GINALLet: Mat.: sape 91745 Voto Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado anteriormente, após a impugnação a instância a quo houve por bem converter o julgamento em diligência visando ao esclarecimento de questões expendidas pela autuada, sobretudo, da alegada utilização em duplicidade de notas fiscais e pelo fato de não estar demonstrada com clareza a base de cálculo. Em resposta ao solicitado, por meio da Informação de fls. 188/190, assim se pronunciou o fiscal diligente: O exame da documentação acima demonstra a correção dos valores lançados no auto de infração, relativamente ao período de Julho a Dezembro de 1992. Do exame feito, concluímos que no mês de janeiro/93 estão inclusos valores cujo período de competência se refere aos meses de dezenrbro/92 (2.082.626.721,00 Diário 02, fls.2) e novembro/92 (9.143.926,00 Diário 02, fls. 030), perfazendo um total de 2.091.770.647,00, a ser reduzido da base cálculo do mês de janeiro/93. Portanto, o valor correto a ser considerado no mês de janeiro de 1993 será de 9.151.317.654,63. Para o mês de fevereiro/93, o valor a ser reduzido será de 167.925.654,00 (Diário 02, fls. 72), já tributado no mês de dezembro/92. O valor correto a ser considerado para o mês de Fevereiro/93 será de 17.820.600.901,07. Como não havia declaração e nem recolhimento de COFINS, esta fiscalização promoveu o lançamento de oficio com base nos registros contábeis da empresa os quais estavam de acordo com a declaração de rendimentos IRPJ/94. Até a presenta data não há registro de retificação de declaração do IRPJ para o período referido de 1994/1993. Desta forma, os valores originalmente tomados pela fiscalização para fazer o lançamento continuam validos. [..] Pelo exame dos documentos anexados ao presente, facilmente se constata o seguinte: [.j 4) que o lançamento de oficio efetuado está de conformidade com os dados apresentados em seus livros diários e razões, quadros 63(Chkk • n "SEGUNDIC "CONFERf: com o ic,'.1C00,74ZRI. IBUINFES* Processo e 13802.000166/96-76 aralat 02- 1 CCO2/C01 • Acórdão n.• 20141.554 Fls. 252 Sm, Ma: siam 59745 demonstrativos dos serviços prestados, extratos bancários, e outros documentos encontrados na própria empresa, ressalvado quanto à base de cálculo de janeiro/93 e fevereiro/93. conforme já mencionado acima; Ao final de cada mês, a empresa elaborava quadro demonstrativo (planilha) que era submetido à CMTC para verificação. A CMTC fazia a revisão e comunicava evetuais diferenças que poderiam ser positivas ou negativas relativamente aos valores informados, quando a empresa não fornecia os dados corretamente. Aqui, por oportuno, conforme previsto no contrato padrão, devemos consignar que a elaboração da planilha cabia à empresa e não à CMTC. 6)Contrariamente ao que afirma a impugnante às fls. 37 (itens 16 e 17), os dados necessários para produzir sua defesa encontram-se na sua própria contabilidade, eis que se tratam de valores creditados pela avir à impugnante através de "DOC" ou, raramente, através de cheque nominativo, e por esta razão constam em seus extratos bancários e livros fiscais." Após chegar a essas conclusões, a fiscalização errou ao não atender ao consignado à fl. 66 no sentido de "...cientificar a interessada e reabrir-lhe prazo para impugnação...". De se ressaltar que a previsão de reabertura de prazo para impugnação insculpida no § 3 2 do art. 18 do Decreto n2 70.235/72, incluído pela Lei n2 8.748/93, decorre de a diligência resultar em agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, o que não se verificou na espécie. Na seqüência a DRJ acatou as considerações do fiscal diligente em relação aos períodos de janeiro e fevereiro de 1993, levando a exoneração parcial do lançamento e, ainda, com fulcro na retroatividade benigna, houve a redução do percentual da multa de oficio de 100% para 75%. Assim, no caso concreto não houve qualquer prejuízo à defesa, uma vez que em decorrência da diligência houve exoneração do valor lançado. Ademais, na fase recursal a interessada teve acesso a todos os documentos, relatórios e conclusões a que chegou o fisco. Entretanto, ao invés de demonstrar, pontual e numericamente, com memória de cálculo, suas discordâncias, justificando e apresentado documentos comprobatórios de modo a evidenciar o alegado, limitou-se a apresentar recurso, no qual, em síntese, repisa seus argumentos de defesa, por meio de alegações genéricas. Registre-se caber à contribuinte demonstrar, pontualmente, suas discordâncias, justificando e apresentado documentos comprobatórios de modo a evidenciar o alegado e não tentar atribuir ao fisco a tarefa de descobrir eventuais erros genericamente alegados. Imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subverter as obrigações no processo administrativo. Leaci gOk 6 Me. SEGUNDO CONS.L.:, HO DE CONTRIBUINTES Processo n° 13802.000166/96-76 1 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C0 1 Acórdão n.° 201 -81.554 Bras;lia, 002.. t 0.2_ 07 Fiz. 253 Sape 91745 • Ademais, tratando-se de uma empresa do porte da contribuinte, tributada pelo lucro real, não teria dificuldades em apurar a base de cálculo da Cofins e apresentar, pontualmente, eventuais divergências. Ultrapassada essa questão, também não merecem prosperar as alegações de incompetência do auditor pela necessária habilitação como contador, bem assim, ser indevida a aplicação da taxa Selic. Sobre essas matérias este Conselho já se pronunciou por meio das Súmulas que abaixo se transcreve: "SÚMULA N°5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. SÚMULA N°3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Sella para títulos federais." Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide e tendo em vista que a recorrente não apresentou nenhum motivo de fato ou de direito capaz de modificar a decisão recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2008. MAUR/410 TAVfLVAE SI 0,Sk 7 Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1
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Numero do processo: 12448.724621/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
CISÃO. REGRA DA ESTRITA PROPORCIONALIDADE. CONTEÚDO.
Pela regra da estrita proporcionalidade, veiculada na redação original do § 5º do art. 229 da Lei nº 6.404/1976, a parcela do patrimônio da companhia cindida era atribuída ao respectivo acionista em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido. A Lei nº 9.457/1997 viabilizou a quebra da estrita proporcionalidade das participações acionárias resultantes da cisão. No entanto, manteve a regra caso a desproporcionalidade não tenha a aprovação unânime dos titulares das participações societárias. Hipótese em que a cisão foi aprovada por acionistas representando mais da metade das ações com direito a voto, registrados os votos contrários e abstenções, ou seja, a aprovação da cisão parcial não foi unânime.
CISÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARCELA DO PATRIMÔNIO DA COMPANHIA CINDIDA.
O custo da parcela do patrimônio da companhia cindida, nos casos de aprovação não unânime da cisão, deve ser atribuído ao respectivo acionista, necessariamente, em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PERMUTA.
O conceito de alienação de que trata o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 engloba toda e qualquer operação que importe em transmissão de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, sendo a permuta uma das espécies previstas no texto legal ao lado da compra e venda e de outras operações. Toda e qualquer operação de que se possa extrair uma alienação, ou os efeitos de uma alienação, também está sujeita à apuração do ganho de capital. A acepção utilizada pelo legislador foi a mais ampla possível.
GANHO DE CAPITAL. EVIDENCIAÇÃO.
Demonstrada a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e seu custo de aquisição, inclusive em operações de alienação realizadas mediante permuta, evidencia-se o ganho de capital a ser tributado pelo imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer a preliminar de nulidade relativa à suposta matéria de ordem pública suscitada pelo patrono na sustentação oral. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso. Designado como relator ad hod para a formalização do acórdão o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ nº 130.013..
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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REGRA DA ESTRITA PROPORCIONALIDADE. CONTEÚDO. Pela regra da estrita proporcionalidade, veiculada na redação original do § 5º do art. 229 da Lei nº 6.404/1976, a parcela do patrimônio da companhia cindida era atribuída ao respectivo acionista em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido. A Lei nº 9.457/1997 viabilizou a quebra da estrita proporcionalidade das participações acionárias resultantes da cisão. No entanto, manteve a regra caso a desproporcionalidade não tenha a aprovação unânime dos titulares das participações societárias. Hipótese em que a cisão foi aprovada por acionistas representando mais da metade das ações com direito a voto, registrados os votos contrários e abstenções, ou seja, a aprovação da cisão parcial não foi unânime. CISÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARCELA DO PATRIMÔNIO DA COMPANHIA CINDIDA. O custo da parcela do patrimônio da companhia cindida, nos casos de aprovação não unânime da cisão, deve ser atribuído ao respectivo acionista, necessariamente, em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PERMUTA. O conceito de alienação de que trata o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 engloba toda e qualquer operação que importe em transmissão de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, sendo a permuta uma das espécies previstas no texto legal ao lado da compra e venda e de outras operações. Toda e qualquer operação de que se possa extrair uma alienação, ou os efeitos de uma alienação, também está sujeita à apuração do ganho de capital. A acepção utilizada pelo legislador foi a mais ampla possível. GANHO DE CAPITAL. EVIDENCIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 46 21 /2 01 4- 16 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 588 2 Demonstrada a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e seu custo de aquisição, inclusive em operações de alienação realizadas mediante permuta, evidenciase o ganho de capital a ser tributado pelo imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer a preliminar de nulidade relativa à suposta matéria de ordem pública suscitada pelo patrono na sustentação oral. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso. Designado como relator ad hod para a formalização do acórdão o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ nº 130.013.. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 393 deste processo digital, que houve, por parte do contribuinte, omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF que é parte integrante do Auto de Infração. No ano de 2010 a empresa LLX Logística S/A, doravante denominada “LLX”, companhia aberta integrante do grupo econômico EBX, realizou Assembleia Geral Extraordinária por meio da qual foi aprovada a cisão parcial de seu patrimônio líquido, seguida da incorporação da parcela cindida ao patrimônio da companhia aberta Centennial Asset Participações Sudeste S/A, cuja denominação foi alterada, em outra assembleia geral extraordinária, para PortX Operações Portuárias S/A, doravante denominada “PortX”, também participante do grupo econômico EBX. Em decorrência da cisão parcial, os acionistas de LLX, Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 589 3 dentre eles o Recorrente, receberam ações da PortX em substituição à redução patrimonial verificada na primeira. No ano de 2011, a empresa MMX Mineração e Metálicos S/A, doravante denominada “MMX”, publicou o “Edital de Oferta Pública Voluntária para Aquisição de Ações Ordinárias de Emissão da PortX” (Fls. 227/246). Em consonância com o item 1.2 do Edital, os acionistas controladores, dentre eles o Interessado, comprometeramse a aderir à “Oferta” mediante escolha de permuta de ações de emissão da PortX por títulos e ações de emissão da Ofertante MMX. O Recorrente detinha 198.782.760 ações da PortX, as quais foram permutadas por 9.985.871 ações da MMX e 198.782.760 títulos de royalties emitidos pela MMX. Reside, ai, o cerne da presente controvérsia, uma vez que o ganho de capital apurado pelo Interessado se mostrou em descompasso com o ganho de capital apurado pela Fiscalização. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 418/482, julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 494/510, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 20/05/2011 CISÃO PARCIAL. ATUALIZAÇÃO. VALOR CONTÁBIL. O critério adotado, conforme Protocolo e Justificação de Cisão Parcial e do laudo elaborado por empresa especializada, para atualização das ações correspondeu ao valor contábil da parcela do patrimônio líquido vertido. GANHO DE CAPITAL. PERMUTA. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. A permuta configura uma das hipóteses de alienação legalmente previstas e encontrase sujeita à apuração de ganho de capital, caso haja diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. EFEITO VINCULANTE. PARECERES PGFN. As conclusões exaradas nos pareceres emitidos pela PGFN, com efeito vinculante para as autoridades administrativas, ficam restritas às situações das quais trataram, não se estendendo a caso diverso. POSIÇÕES DOUTRINÁRIAS. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 590 4 Textos doutrinários não podem ser opostos aos ditames das disposições legais em face da vinculação da atividade fiscal. DECISÕES DE JULGADOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/12/2014 (fl. 512), o Interessado interpôs, em 23/12/2014, o recurso de fls. 519/548. Na peça recursal, aduz, em síntese, que: EQUÍVOCOS DA DECISÃO RECORRIDA NO QUE SE REFERE AO CUSTO DAS AÇÕES DE PORTX RECEBIDAS PELO RECORRENTE EM DECORRÊNCIA DA CISÃO DA LLX Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, o procedimento adotado pelo Recorrente não implicou em aumento do custo original de seu investimento, mas apenas em uma divisão ou desdobramento desse custo entre o seu investimento remanescente em LLX e o seu novo investimento em PortX, adquirido por sucessão. O custo original do investimento do Recorrente em LLX antes de sua cisão totalizava R$ 71.238.006,77. Após a implementação da operação, o custo do investimento mantido em LLX foi reduzido para R$ 41.538.916,73, ao passo que o custo atribuído ao seu novo investimento em PortX foi fixado em R$ 29.699.150,04. Somados esses dois valores, o investimento do Recorrente continuou a totalizar os mesmos R$ 71.238.006,77 originais. A decisão busca, também, reforçar a equivocada linha de argumentação acima fazendo referência a situações em que a legislação autorizaria a realização de transferência de bens e direitos a valor de mercado, ressaltando que nesses casos há previsão expressa de tributação do ganho de capital eventualmente apurado. As situações citadas na decisão recorrida em nada se assemelham com a situação em discussão. Isso porque tratam de transferências de bens e direitos (por dissolução de sociedade conjugal, herança, legado, doação, integralização ou devolução de capital) que resultam em um efetivo acréscimo no custo do respectivo bem ou direito, capaz de justificar a configuração de acréscimo patrimonial tributável. Não há, necessariamente, nenhuma relação entre o custo de aquisição de um investimento e o seu correspondente valor patrimonial contábil. É comum ocorrer de um acionista adquirir investimento por valor superior ao do patrimônio líquido contábil da empresa investida, considerando a existência de mais valias em seus ativos, não exteriorizadas contabilmente. A decisão insiste na tese de que a implementação da cisão com base no valor de patrimônio líquido das parcelas patrimoniais mantidas em LLX e transferidas a PortX obrigaria a Recorrente a dividir e apropriar o custo de seu investimento nessas empresas com base em tal critério, chegando até mesmo a alegar que seriam inócuos os argumentos do Recorrente em sentido contrário. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 591 5 Se o custo de aquisição da participação em uma empresa correspondesse sempre ao seu valor patrimonial contábil, estaria correta a conclusão da autoridade julgadora de primeira instância. Mas não é isso que se verifica na prática. Em geral, o custo de aquisição de um investimento jamais corresponde exatamente ao seu valor contábil. No caso concreto, o custo dos investimentos do Recorrente não guardava nenhuma relação com o valor do patrimônio líquido por eles representados, quer em termos contábeis, quer em termos de valor de mercado; era muito inferior a ambos. Os elementos que compunham o patrimônio de LLX foram distribuídos entre duas empresas – ela própria e PortX. Dada a discrepância entre o valor real e o contábil dos patrimônios líquidos mantidos em LLX e transferidos a PortX, o Recorrente optou pelo primeiro, ao desdobrar o custo original de seus investimentos. A decisão questiona o custo de aquisição atribuído às ações de PortX sob a alegação de que a avaliação a mercado não teria sido suportada por Laudo de Avaliação emitido por empresa especializada. Esse entendimento também não procede. Como regra, a existência de laudo de avaliação só se justifica quando o valor de mercado de determinado bem é desconhecido ou quando a sua elaboração é exigida por lei. EQUÍVOCOS DA DECISÃO NO QUE SE REFERE AO VALOR DE ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DE PORTX A decisão recorrida considera válida a autuação por entender, fundamentalmente, que, como regra, mesmo as operações de permuta puras seriam capazes de gerar ganhos de capital tributáveis para as permutantes, pois apenas as permutas de unidades imobiliárias seriam excluídas de tributação. Essa conclusão seria suportada pelo art. 121, II e §§, do RIR/1999 e pelo art. 29 da IN SRF n° 84/2001. Tal linha restritiva de interpretação manifestada pela decisão contraria toda a sistemática de tributação do imposto de renda das pessoas físicas, que condiciona a incidência do imposto a uma efetiva realização financeira de renda. Nas permutas puras, como aquela celebrada pelo Recorrente, nem mesmo há a existência de preço, cujo pagamento pudesse justificar a incidência do imposto. A apuração de ganho de capital tributável na permuta pressupõe que o negócio preveja o pagamento de torna, capaz de gerar a realização financeira de alguma renda para o beneficiário. Essa conclusão é reforçada por outras normas do mesmo RIR/1999, em especial pelo seu art. 123, § 3º, aplicável a ganhos de capital decorrentes da alienação de bens de qualquer natureza, e não apenas de imóveis. Na mesma linha do art. 123 do RIR/99, vale destacar também o que dispõe o seu art. 138, que, ao esclarecer a forma de quantificação do ganho tributável nas permutas com torna, igualmente não restringe o seu alcance às operações envolvendo unidades imobiliárias. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 592 6 A decisão, além de contrariar a literalidade dos mencionados dispositivos do RIR/1999, ainda busca arguir que o art. 3°, § 3º, da Lei n° 7.713/1988, ao incluir as permutas dentre as operações de alienação suscetíveis de gerar ganho de capital tributável, seria suficiente para justificar a autuação, alegando que a não tributação de tais operações estaria condicionada à existência de isenção específica, como aquela supostamente existente e aplicável apenas às operações com unidades imobiliárias. Nas operações de permutas, pela própria sistemática de tributação das pessoas físicas, apenas a torna eventualmente paga pode ser submetida à incidência do imposto. Ou seja, somente essa parcela, quando recebida, é capaz de configurar a realização efetiva de renda para a pessoa física, a justificar o recolhimento do imposto. O art. 121, II, do RIR/1999 não tem a natureza de uma norma isentiva, até porque, como já ressaltado, é desprovido de qualquer base legal e, nos termos dos arts. 97 e 176 do Código Tributário Nacional CTN, as isenções somente podem ser concedidas por lei. O próprio Governo já reconheceu a neutralidade fiscal das permutas puras em uma série de atos legais e infralegais, dentre os quais o Parecer PGFN n° 970/1991, a Lei n° 8.383/1991 (art. 65) e o Parecer PGFN n° 454/1992. A decisão contesta a aplicação de tais atos ao caso concreto sob a alegação de eles tratariam da hipótese específica de entrega de títulos públicos e outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição de ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. A decisão não nega o efeito vinculante dos Pareceres da PGFN acima referidos, mas deixa de seguir sua orientação sob a alegação de que eles tratariam apenas e tão somente das operações de troca das chamadas "moedas podres" por participações em empresas privatizadas. Como bem pontuado no Parecer PGFN n° 454/1992, a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, ou isenção, mas sim o reconhecimento da não incidência da regra de tributação. PEDIDO Pede e espera o Recorrente que seja dado integral provimento ao presente recurso e reformada a decisão recorrida, com a consequente extinção do crédito tributário decorrente do Auto de Infração. A Fazenda Nacional manifestou ciência dos termos do recurso voluntário à fl. 573. Pedi a inclusão do processo em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator ad hoc Passo a relatar o presente processo em razão da renúncia do Conselheiro Relator e determinação do Sr. Presidente desta 1ª Turma Ordinária. Necessário salientar que houve a leitura do voto pelo eminente Conselheiro Relator na sessão de maio de 2016 desta Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 593 7 turma, após a qual foi concedida vistas ao processo para o Conselheiro Carlos Cesar Quadros Pierre. Mister, ainda, mencionar que o presente voto foi retirado na íntegra do repositório oficial de votos deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, denominado pasta T, sendo portanto reprodução fiel do voto do Relator. Com essas considerações e por contar com a minha total concordância, passo ao voto. "Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Duas questões são imprescindíveis ao deslinde adequado do litígio: a primeira se refere ao custo de aquisição das ações de PortX recebidas pelo Recorrente em decorrência da cisão de LLX; a segunda relacionase ao valor de alienação das ações de PortX na operação de permuta realizada com títulos e ações de emissão da MMX. Custo de aquisição das ações de PortX recebidas na cisão de LLX Importante verificar, antes da apuração do custo de aquisição das ações de PortX recebidas pelo Recorrente, o conteúdo da regra da estrita proporcionalidade que foi estabelecida pelo legislador na redação original do § 5º do art. 229 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, cujo teor era o seguinte: Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. (...) § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus acionistas, em substituição às ações extintas, na proporção das que possuíam. A leitura do 5º do art. 229, em sua redação original, evidencia que o legislador havia estabelecido, para as operações de cisão, que as ações integralizadas com parcelas do patrimônio da companhia cindida fossem atribuídas aos acionistas na proporção das que possuíam. Pela regra da estrita proporcionalidade, portanto, a parcela do patrimônio da companhia cindida era atribuída ao respectivo acionista em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido. A Lei nº 9.457, de 5 de maio de 1997, alterou a redação do referido 5º, que passou a ostentar a seguinte redação: § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457/1997) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 594 8 O § 5º do art. 229 da Lei nº 6.404/1976, na redação dada pela Lei nº 9.457/1997, manteve a regra da proporcionalidade, admitindo, porém, proporções distintas, desde que haja aprovação de todos os acionistas. Assim, nada obsta que parcelas do patrimônio sejam conferidas aos titulares em valores outros, a exemplo de valores de mercado ou valores econômicos estimados, mas desde que mediante aprovação de todos os titulares. Em outras palavras: o diploma legal de 1997 viabilizou a quebra da regra da estrita proporcionalidade das participações acionárias resultantes da cisão. No entanto, mantevese a regra da atribuição das ações ou quotas na proporção das que os acionistas ou sócios anteriormente possuíam no patrimônio líquido da sociedade cindida, caso a desproporcionalidade não tenha a aprovação unânime dos titulares das participações societárias. Nesse sentido leciona o eminente jurista Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 4º Volume, Tomo I, Saraiva, 6ª edição, p. 229), a ver: O regime da estrita proporcionalidade foi estabelecido no § 5º do artigo ora comentado, na redação dada pela Lei 6.404, de 1976. Já o Diploma de 1997 viabilizou a superação dessa regra de paralelismo das participações acionárias resultantes da cisão. E, com efeito, o princípio da atribuição das ações ou quotas, em substituição às extintas, na proporção das que os sócios anteriormente possuíam na sociedade cindida, mantémse. Não obstante, a redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997, ao § 5º permite que, desde logo, essa proporcionalidade seja quebrada, com a atribuição diferenciada de ações ou quotas aos sócios nas sociedades beneficiárias. Essa desproporcionalidade deve constar necessariamente do protocolo, com a minuciosa atribuição que será dada a cada um na subscrição do capital das sociedades beneficiárias. Essa exceção que demanda unanimidade, trazida pelo Diploma de 1997, vem substituir uma longa prática, estabelecida notadamente nas companhias fechadas, consistente na permuta entre os sócios das ações ou quotas, posteriormente à conclusão do negócio de cisão. Essa modalidade de quebra do paralelismo trazia questionamentos de natureza tributária, já que o negócio de permuta era autônomo com respeito ao negócio de cisão, não podendo, portanto, beneficiarse da não incidência tributária que se aplica a esta operação. Assim, a desproporcionalidade unanimemente convencionada pode ser parte do negócio da cisão, com todos os benefícios tributários que daí decorrem. Pois bem. A Ata da Assembleia Geral Extraordinária de LLX, realizada em 28/10/2010, evidencia que a aprovação da cisão parcial da Companhia se deu “por acionistas representando mais da metade das ações com direito a voto, registrados os votos contrários e abstenções”, ou seja, a aprovação da cisão parcial de LLX seguida de incorporação da parcela Fl. 594DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 595 9 cindida pela Centennial (PortX) não foi unânime. É o que se vê no item VI (Deliberações), (iv) (Aprovação da cisão parcial) da Ata da Assembleia Geral Extraordinária de LLX, às fls. 30/32. Significa dizer que a cisão parcial da Companhia não poderia ter sido realizada sem a observância da regra da estrita proporcionalidade, vale dizer, o custo da parcela do patrimônio da companhia cindida deveria ter sido atribuído ao respectivo acionista, necessariamente, em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido. Mas não foi o que aconteceu. Conforme relatado no TVF, o contribuinte não distribuiu o custo de seus investimentos em LLX Logística e PortX em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido, mas em bases proporcionais a valores reais (estimados). Concluiu se que o valor vertido à PortX representava, na database da cisão parcial (AGE de 28/10/2010), 41,69% de sua participação em LLX Logística. Este percentual foi obtido como resultado aproximado da divisão de 3,84 por 9,22, multiplicado por 100, sendo R$ 3,84 o valor unitário das ações PortX avaliadas com base em valores justos de seus ativos e passivos e R$ 9,22 o valor unitário das ações da LLX Logística avaliada por ocasião do fechamento do pregão no dia 29.09.2010. Daí ter considerado como sendo de R$ 29.699.150,04 (igual a 41,69% de R$ 71.238.066,77) o valor de seus investimentos em PortX e de RS 41.538.916,73 (58,31% de R$ 71.238.066,77) o valor de seus investimentos remanescentes em LLX Logística. O que ocorreu, em verdade, foi que o custo do investimento do Recorrente em PortX foi calculado com base no custo do seu investimento em LLX antes da cisão (R$ 71.238.066,77), e não em bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido, conforme determina a regra da estrita proporcionalidade. Instado a se manifestar sobre a base legal e sobre a fórmula de cálculo utilizada para se chegar ao valor de R$ 29.699.150,04 que foi informado como redução do custo de sua participação na LLX (Termo às fls. 272/277), em decorrência da cisão parcial aprovada pela AGE de 28/10/2010, o Interessado assim se manifestou (fls. 282/285), confirmando o acima exposto: 3. À época em que ocorrida a cisão de LLX, o INTIMADO buscou na legislação do imposto de renda orientação sobre a forma como deveria proceder na distribuição do custo de seus investimentos em LLX entre a própria LLX e PortX e constatou a ausência de norma legal a respeito da matéria. 4. No silencio da lei, o INTIMADO adotou o critério que lhe pareceu mais lógico, qual seja, o de distribuir o custo de seus investimentos em LLX e PortX em bases proporcionais ao valor real (estimado) de cada uma das sociedades. (...) 5. O valor pelo qual os investimentos do INTIMADO em LLX estavam registrados em sua declaração de bens era de RS 71.238.066,77. Considerando ser de R$ 3,84 (três reais e oitenta e quatro centavos) o valor de cada ação da PortX, avaliada com base nos valores justos de seus ativos e passivos (DOC. 01), e de R$ 9,22 (nove reais e vinte e dois centavos) o valor unitário das ações LLX por ocasião do fechamento do pregão no dia 29.09.2010 (DOC. 02), o INTIMADO conclui que o valor de PortX representava, na database da cisão, 41,69% do valor de Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 596 10 LLX. Dessa forma, adotou esse percentual de 41,69% para efeito de determinação do custo de seus investimentos em LLX, após sua cisão, reduzindoo em R$ 29.699.150,04 (R$ 71.238.066,77 x 41,69%). Daí ter considerado como sendo de R$ 41.538.916,73 o valor de seus investimentos remanescentes em LLX e de R$ 29.699.150,00 o de seus investimentos em PortX. A Autoridade fiscal, por seu turno, embora sem mencionar a denominação doutrinária dada à regra do § 5º do art. 229 da Lei nº 6.404/1976, calculou o custo de aquisição das ações vertidas à PortX com observância à regra da estrita proporcionalidade. Segundo a Autoridade lançadora, o custo de aquisição da participação societária originária do Recorrente em LLX era de R$ 71.238.066,77. No laudo de avaliação integrante do Protocolo e Justificação de Cisão Parcial o patrimônio líquido (PL) de LLX, avaliado a valor contábil, passou de R$ 991.664.611,00 para R$ 939.107.874,61, ou seja, foi reduzido em RS 52.556.736,39, que equivale a 5,30% do PL (itens 31 e 32 do TVF, à fl. 373). Em contrapartida, ficou estabelecido que seriam emitidas novas ações pela empresa incorporadora Centennial (PortX) a serem atribuídas aos acionistas da LLX. Segundo o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial foram emitidas 694.719.477, sendo que 208.153.130 foram destinadas ao Interessado (item 33 do TVF, à fl. 374). Se o custo informado pelo Recorrente referente às suas 208.153.130 ações em LLX era de R$ 71.238.066,77 antes da cisão parcial e se o percentual do patrimônio vertido na cisão foi de 5,30%, o custo das 208.153.130 ações PortX recebidas pelo Interessado em contrapartida da baixa patrimonial na investida LLX é de R$ 3.775.617,54, resultante da aplicação do percentual de 5,30% sobre R$ 71.238.066,77 (itens 35 e 36 do TVF, à fl. 373). O Recorrente alega que a decisão recorrida contesta o custo de aquisição atribuído às ações de PortX sob o argumento de que o procedimento de cálculo adotado teria implicado em uma atualização ou reavaliação do custo original de seu investimento em LLX, o que seria vedado pelo art. 17, II, da Lei nº 9.249/1995. De seguida, aduz que o procedimento adotado não implicou em aumento do custo original de seu investimento, mas apenas em uma divisão ou desdobramento desse custo entre o seu investimento remanescente em LLX e o seu novo investimento em PortX. Observo, todavia, que o efeito da não utilização da regra da estrita proporcionalidade, em conjunto com o critério utilizado pelo Recorrente, foi justamente a atualização do custo de aquisição das ações PortX. Pelo critério utilizado pelo Interessado o custo de seu novo investimento em PortX foi fixado em R$ 29.699.150,04. A Fiscalização, mediante a utilização da regra da proporcionalidade (bases proporcionais ao patrimônio líquido cindido), apurou um custo das ações PortX recebidas em contrapartida da baixa patrimonial na investida LLX de R$ 3.775.617,54, ou seja, houve uma atualização de quase 800% pelo critério utilizado pelo Recorrente, bem superior ao valor de mercado. Não se está a dizer que não ocorreu um desdobramento do custo dos investimentos em LLX e em PortX, mas sim que este desdobramento não se deu em conformidade com o disposto na regra do § 5º do art. 229 da Lei nº 6.404/1976, de modo que, perante o Fisco, não deve prevalecer o custo do investimento de PortX calculado pelo contribuinte com base no custo do seu investimento em LLX antes da cisão. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 597 11 Sustenta o Interessado também, que a decisão buscou reforçar a sua fundamentação fazendo referência a situações em que a legislação autorizaria a realização de transferência de bens e direitos a valor de mercado, ressaltando que nesses casos há previsão expressa de tributação do ganho de capital eventualmente apurado. Para o Recorrente as situações citadas na decisão recorrida em nada se assemelham com a situação em discussão, uma vez que se trata de transferências de bens e direitos que resultam em um efetivo acréscimo no custo do respectivo bem ou direito. Já no caso concreto não teria havido acréscimo de custo, na medida em que o Recorrente apenas dividiu e apropriou o custo original de seu investimento em LLX e em PortX. Ressalto, no entanto, que a menção na decisão de piso se deu apenas a título exemplificativo e para refutar a alegação do Interessado de que o custo do investimento teria sido calculado a valor de mercado. Confira os seguintes excertos da decisão de 1ª instância: Frisese que a lei faculta algumas transferências de bens e direitos por valor de mercado, mas, nestas hipóteses, a lei determina como se dará a apuração do ganho de capital. Assim, por exemplo, nas transferências decorrentes de dissolução da sociedade conjugal, herança, legado ou doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos podem ser avaliados a valor de mercado e a diferença a maior entre o valor de mercado e o custo de aquisição (o que constava da declaração do outro cônjuge, do de cujus ou do doador, conforme o caso) sujeitase à incidência de imposto, apurado em conformidade com a legislação de regência (RIR/1999, arts. 119, 138 a 142). (...) Na cisão parcial da LLX, o critério adotado foi o valor contábil da parcela do patrimônio líquido vertido à Centennial, conforme constou do Protocolo e Justificação de Cisão Parcial e do laudo elaborado por empresa especializada. Diante do critério adotado, inócuos os argumentos acerca da possibilidade de avaliação pelo valor de mercado. Destaquese que os valores das ações de LLX e PortX por ocasião da cisão não representam a avaliação das referidas empresas a valor de mercado, como aparenta entender o contribuinte na adoção dos percentuais de 58,31% (R$ 41.538.916,73) e 41,69% (R$ 29.699.150,04) para avaliação de suas participações societárias em LLX e PortX, respectivamente. Como se vê, a decisão recorrida, além de se contrapor a uma suposta avaliação do custo do investimento a valor de mercado, deixou claro que o critério a ser adotado seria o do valor contábil da parcela do patrimônio líquido vertido à empresa cindenda, (proporcionalidade em relação ao patrimônio líquido cindido). Aduz o Interessado, ainda, que é comum ocorrer de um acionista adquirir investimento por valor superior ao do patrimônio líquido contábil da empresa investida, considerando a existência de mais valias em seus ativos, não exteriorizadas contabilmente. Assim é que, no caso concreto, o fato de ter havido uma cisão com base no patrimônio liquido Fl. 597DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 598 12 contábil da empresa cindida (LLX) é irrelevante para fins de definição do custo do novo investimento adquirido pelo Recorrente por sucessão em PortX. Poderseia até concordar com o Interessado caso a cisão parcial da Companhia tivesse sido aprovada por todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto (Lei 6.404/1976, art. 229, § 5º). Mas não foi o que ocorreu. Conforme demonstrado linhas atrás, a cisão parcial se deu “por acionistas representando mais da metade das ações com direito a voto, registrados os votos contrários e abstenções”, ou seja, a deliberação não foi unânime, de modo que o respeito à regra da proporcionalidade não poderia ser desconsiderado pela Autoridade fiscal, pena de atuar contra o sentido unívoco da lei (contra legem), sobretudo porque a norma não deixa margem a qualquer dúvida. O Recorrente afirma, ademais, que dada a discrepância entre o valor real e o valor contábil dos patrimônios líquidos mantidos em LLX e transferidos a PortX, optou pelo primeiro ao desdobrar o custo original de seus investimentos. Anoto, entretanto, por oportuno, que a opção do Interessado se mostrou em descompasso com a legislação societária que rege a matéria e que consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 384/385. Registro, por fim, que a avaliação do custo de aquisição das ações PortX ter sido ou não suportada por Laudo de Avaliação emitido por empresa especializada em nada interfere no custo apurado pela Autoridade lançadora. Este foi, inclusive, o entendimento exposto na decisão de piso. Confira: A avaliação das empresas a valor de mercado, se tivesse ocorrido, teria que ter sido realizada mediante Laudo de Avaliação emitido por empresa especializada. Tal laudo não consta dos autos e, ainda que houvesse, não tendo sido o critério de avaliação adotado no Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da Companhia de 30/9/2010, não poderia ser invocado pelo contribuinte para justificar a redistribuição do custo de aquisição dos investimentos em LLX entre LLX e PortX. No contexto acima delineado, entendo que o custo de aquisição das ações de PortX, apurado pela Autoridade lançadora, não merece nenhum reparo. Valor de alienação das ações de PortX na operação de permuta realizada com títulos e ações de emissão da MMX Como forma de se determinar a relação de troca, as ações e títulos envolvidos na operação de permuta foram avaliados pelos seguintes valores (conforme edital de oferta pública de fls. 227/246). ação PortX: R$ 3,56 ação MMX: R$ 13,963 título de royalties MMX: R$ 2,86 Com base nesses valores, o edital determinou que cada ação da PortX seria trocada por: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 599 13 i. 1 título de royalties emitido pela MMX + 0,0502351 ações da MMX; ou ii. 1 título de royalties emitido pela MMX + R$ 0,7014326 em dinheiro. Na ocasião o sujeito passivo detinha 198.782.760 ações da PortX, as quais foram integralmente permutadas por 9.985.871 ações da MMX e 198.782.760 títulos de royalties emitidos pela MMX. Optouse, portanto, pela primeira opção. O valor de cada título de royalties emitido pela MMX foi apurado da seguinte forma: o resultado da multiplicação do valor de cada ação da MMX pela expressão quantitativa constante da opção “i” (R$ 13,963 x 0,0502351) correspondeu ao valor de R$ 0,7014326 constante da opção "ii". Concluiu, então, a Autoridade lançadora que 0,0502351 de ação da MMX correspondia, em dinheiro, a R$ 0,7014326. Subtraindose este valor do preço de cada ação da PortX (R$ 3,56 R$ 0,7014326) chegouse ao valor de cada título de royalties (R$ 2,859), que, arredondado para duas casas decimais, restou equivalente ao valor econômico (ou preço de venda) de cada título de royalties da MMX definido no edital (R$ 2,86). O valor econômico total dos títulos encontrase definido no item 2.2.1 do edital de oferta pública de fls. 227/246. O número total de títulos de royalties da MMX correspondia ao número total de ações da PortX: 992.456.396. Multiplicandose este número pelo valor de cada título (R$ 2,86), chegase ao valor total dos títulos de royalties da MMX: R$ 2.838.425.292,56, equivalentes, à taxa de cambio da época, a U$$ 1,796 bilhão (valor que consta do edital). Assim, cada acionista da PortX que alienou suas ações à MMX recebeu, por cada uma delas, bens avaliados em seu conjunto em R$ 3,56 (título de royalties da MMX no valor de R$ 2,86 mais R$ 0,7014326 em dinheiro ou 0,0502351 ação da MMX). Esse valor foi, portanto, o preço de cada ação da PortX objeto da oferta pública, conforme mencionado expressamente no edital (fl. 230), na forma determinada pela Instrução CVM nº 361/2002. A Autoridade fiscal constatou que na DIRPF do exercício 2012, ano calendário 2011, o sujeito passivo havia declarado que, no início de 2011, era detentor de 199.287.526 ações da PortX, no valor de R$ 28.433.958,75, que foram baixadas durante o ano (fl. 315). Contudo, já havia apurado o custo das 208.153.130 ações PortX recebidas em contrapartida da baixa patrimonial em LLX por R$ 3.775.617,54, resultante da aplicação do percentual de 5,30% sobre R$ 71.238.066,77 (conforme capítulo anterior deste voto). Significa dizer que houve uma redução de 9.370.370 no estoque inicial das ações PortX do contribuinte no período compreendido entre a cisão parcial da LLX Logística até a efetivação da permuta. Assim, o contribuinte detinha 198.782.760 (igual 208.153.130 9.370.370) ações da PortX ao custo de R$ 3.605.651,64, que resulta do custo do estoque inicial apurado pela Fiscalização (R$ 3.775.617,54) menos a quantidade reduzida de ações (9.370.370) multiplicada pelo custo médio das mesmas (R$ 169.965,90). Na mesma DIRPF do exercício 2012, anocalendário 2011, verificouse que na operação de permuta foram recebidos pelo Interessado 198.782.760 títulos de royalties da MMX pelo valor de R$ 22.771.757,85 (fl. 316) e mais 9.985.871 ações de emissão da MMX, que foram acrescidas às outras já existentes (fl. 309). A apuração do ganho de capital na DIRPF do exercício 2012, anocalendário 2011, revela que o Recorrente considerou tributável apenas parte da permuta correspondente as 9.985.871 ações as quais foram atribuídas o valor de R$ 139.432.716,77 (fl. 318). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 600 14 A Autoridade lançadora multiplicou a quantidade de ações PortX alienadas (198.782.760) pelo preço definido na oferta pública (R$ 3,56), chegandose ao valor de alienação de R$ 707.666.625,60. Considerando que o custo de aquisição dessas ações era de R$ 3.605.651,64, o ganho de capital resultante foi de R$ 704.060.973,96 (R$ 707.666.625,60 R$ 3.605.651,64). Nada obstante, o Interessado declarou que seu ganho de capital foi de apenas R$ 133.842.712,91 (fl. 318), resultantes da subtração de um valor de alienação de R$ 139.432.716,77 menos R$ 5.590.003,86 (custo de aquisição por ele apurado de 9.985.871 ações). Constatase, assim, que o Recorrente, ao apurar o ganho de capital na permuta realizada, o fez apenas parcialmente, deixando de apurar a parte do ganho de capital referente à permuta com os títulos de royalties da MMX. O ganho de capital a menor apurado pela Fiscalização resultou em R$ 570.218.261,05 (R$ 704.060.973,96 R$ 133.842.712,91). Em consequência, efetuouse o lançamento do imposto de renda no valor de R$ 85.532.739,16 (15% de R$ 570.218.261,05), acrescidos de multa de ofício (75%) e juros de mora. Aduz o Interessado que a decisão recorrida considerou válida a autuação por entender que, como regra, mesmo as operações de permuta puras seriam capazes de gerar ganho de capital tributável, pois apenas as permutas de unidades imobiliárias seriam excluídas de tributação. Essa conclusão seria suportada pelo art. 121, II e §§ do RIR/1999. À evidência, não há, no acórdão recorrido, nenhuma manifestação de que “mesmo as operações de permuta puras seriam capazes de gerar ganhos de capital tributável”. O que está dito na decisão a quo é que no caso da apuração de ganho de capital na permuta de ações PortX por ações e títulos de royalties MMX não se deve aplicar a exclusão contida no art. 121, II do RIR/1999. Confira o raciocínio desenvolvido no voto condutor da decisão de piso: Entende o impugnante que não há fundamento em lei para a restrição feita pelo RIR/99, quanto à neutralidade fiscal apenas à permuta sem torna que tenha objeto bem imóvel (art. 121, II). Neste ponto, cumpre esclarecer que a Lei nº 7.713/88 em seu art. 3º, § 3º, já transcrito anteriormente, determina que haverá apuração do ganho de capital nas operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas na permuta. Como se pode ver, a lei ordinária Lei nº 7.713/88, art. 3º, §3º, não fez nenhuma exclusão de apuração de ganho de capital no caso de permuta. Portanto, a regra geral prevista na lei tributária tratou a permuta, a qualquer título, como tributável. No caso do impugnante, que foi autuado pela apuração de ganho de capital na permuta de ações PortX por ações e Títulos de Royaties da MMX, não há que se aplicar a exclusão contida no art. 121, II do RIR/99 (que cuida da permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna). Fl. 600DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 601 15 O Recorrente entende que a apuração de ganho de capital tributável na permuta pressupõe que o negócio preveja o pagamento de torna, capaz de gerar a realização financeira de alguma renda para o beneficiário, entendimento que seria reforçado pelos artigos art. 121, II e § 2º e 123, § 3º, ambos do RIR/1999, sendo este último aplicável a ganhos de capital decorrentes da alienação de bens de qualquer natureza, e não apenas de imóveis. Oportuno observar que a permuta em análise referese a bens móveis, uma vez que em relação à troca de imóveis a legislação dispensa um tratamento específico, o que não acontece com a permuta de valores mobiliários e títulos. Para fins fiscais o que importa é saber se há ou não ganho de capital na operação de permuta. A legislação que regula a matéria direcionase no sentido do ganho e da incidência tributária, ao dispor sobre as parcelas que integram o rendimento bruto como ganho de capital, tratandoas como o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês decorrentes da alienação de bens ou direitos de qualquer natureza e considerando, como alienação, para fins de apuração do referido ganho, as operações que importem em alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, tais como as realizadas por compra e venda e permuta, dentre outras. É o que se extrai do art. 3º, §§ 2º e 3º da Lei nº 7.713/1988: verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (..) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. A leitura do dispositivo legal transcrito evidencia que para a legislação tributária a alienação é considerada em sua acepção ampla, envolvendo toda e qualquer transmissão de bens, sendo suficiente, para a incidência tributária, a existência de diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o custo de aquisição. E o Direito Tributário, ao considerar a alienação de forma ampla, está em total harmonia com a definição jurídica do instituto, que se anuncia como “o negócio jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designam todo e qualquer ato que tem o efeito de transferir o domínio de uma coisa para outra pessoa” (PLÁCIDO E SILVA, Vocabulário Jurídico, Forense, 15ª edição, p. 51). Fl. 601DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 602 16 Ora, se a alienação de bens é “o negócio jurídico pelo qual se transfere o domínio de uma coisa para outra pessoa”, resta evidente que o conceito jurídico de alienação também envolve a permuta, uma vez que esta também implica na transferência de um bem ou direito para o domínio de outrem. A conclusão que se retira da redação do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 é que a regra geral é a de ganho de capital tributável quando houver diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e seu custo de aquisição, inclusive em operações de alienação realizadas mediante permuta. Importante advertir sobre a interpretação equivocada que alguns extraem do art. 121, II do RIR/1999, no que tange à incidência do imposto apenas sobre a torna. Referido artigo exclui algumas operações da determinação do ganho de capital e prevê que “a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, (...), sem recebimento de parcela complementar em dinheiro”, não é objeto de tributação. O § 2º do mesmo artigo, por seu turno, dispõe que “no caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna”. A referência feita à torna no § 2º só pode ter como elemento de conexão o disposto no art. 121, inciso II, afinal uma das finalidades do parágrafo é justamente expressar os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo (Lei Complementar 95, de 26 de fevereiro de 1998, art. 11, III, “c”). Demais disso, somente no inciso II há menção a tal elemento (torna). Em outras palavras: a melhor interpretação que se extrai das referidas normas é que no caso de permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, com recebimento de parcela complementar em dinheiro, o ganho de capital será apurado apenas em relação a esta. Fingir que a palavra “exclusivamente” no inciso II do art. 121 do RIR/1999 não tem nenhuma relevância jurídica seria o mesmo que negar a sua existência na norma, opção que, obviamente, não compete ao intérprete fazêlo. Assim, não é em qualquer permuta que só se tributa a torna, mas sim naquelas relativas a unidades imobiliárias. O mesmo se pode afirmar em relação ao § 3º do art. 123 do RIR/1999, que cuida do valor de alienação, eis que a torna ali referida relacionase diretamente àquela prevista no art. 121 do Regulamento, porquanto o único elemento de ligação do art. 123 é o art. 121. Constatase, assim, que as operações com bens imóveis possuem regramento especial. Há benefícios destinados expressamente a tais bens, cuja interpretação deve ser restrita. Quanto à permuta de bens móveis esta recai na norma geral contida no § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, uma vez que, nesse caso, a legislação, de forma inequívoca, determina que se trate de alienação. De conseguinte, o conceito de alienação de que trata o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 engloba toda e qualquer operação que importe em transmissão de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, sendo a permuta uma das espécies previstas no texto legal ao lado da compra e venda e de outras operações. Toda e qualquer operação de que se possa extrair uma alienação, ou os efeitos de uma alienação, também está sujeita à apuração do ganho de capital. A acepção utilizada pelo legislador foi a mais ampla possível. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 603 17 Sustenta o Interessado, também, que o próprio Governo já reconheceu a neutralidade fiscal das permutas puras em uma série de atos legais e infralegais, dentre os quais o Parecer PGFN n° 970/1991, a Lei n° 8.383/1991 (art. 65) e o Parecer PGFN n° 454/1992. De acordo com o Recorrente, a decisão contesta a aplicação de tais atos ao caso concreto sob a alegação de eles tratariam da hipótese específica de entrega de títulos públicos e outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição de ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização PND. Sobre este ponto formulase, como ponto de partida, a seguinte indagação: o entendimento exposto no Parecer PGFN/PGA nº 970/91 restringese à situação ali tratada ou aplicase a todas as operações permutativas envolvendo ativos mobiliários? Para responder a essa pergunta é preciso contextualizar o momento e as circunstâncias que ensejaram a emissão do referido Parecer. Nessa linha de raciocínio oportuno observar, inicialmente, que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional foi instada a se manifestar acerca das “consequências tributárias da aquisição de ações ou quotas de capital adquiridas através de público leilão no âmbito do Programa Nacional de Desestatização”. Naquela oportunidade buscavase a retirada gradual do Estado da atividade econômica. O Estado procurava reservar para si o desempenho material e direto de atividades essenciais e passava a concentrar seus esforços no sentido de produzir um conjunto de normas e decisões com repercussões na iniciativa privada. A Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 155/1990, convertida na Lei nº 8.031/1990, que instituiu o Programa Nacional de Desestatização PND, é bastante esclarecedora sobre a posição que o Estado deveria adotar a partir de então: 2. O Programa Nacional de Desestatização cumprirá o papel de reordenar a posição estratégica do Estado na economia, transferindo para a iniciativa privada atividades atualmente exploradas pelo setor público. Com esta reordenação haverá expressivos ganhos na eficiência da Administração Pública como um todo, uma vez que seus esforços serão utilizados mais racionalmente nas efetivas prioridades do Governo. A economia será, também, revitalizada com a retomada de investimentos nas empresas e atividades que vierem a ser transferidos pelo Estado à iniciativa privada, uma vez que estes investimentos encontram se hoje cerceados, em face dos constrangimentos financeiros enfrentados pelo setor público. Como consequência, o parque industrial brasileiro será modernizado, ampliando sua competitividade e reforçando a capacidade empresarial nacional nos diversos setores da economia. Esse foi o cenário em que editado o Parecer PGFN/PGA nº 970/1991, que concluiu “no sentido de não haver tributação na aquisição de ações ou quotas de capital permutadas em público leilão no âmbito do Programa Nacional de Desestatização”. Consta no mencionado Parecer que: 3. Nesse sentido, expediuse a Lei nº 8.032, de 12 de abril de 1990, instituindo o Programa Nacional de Desestatização, nela incluindo o art.16, que enumerou as modalidades a serem utilizadas no pagamento de alienações, cuidando de fazêlo de maneira claramente exemplificativa evitando a adoção da Fl. 603DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 604 18 modalidade taxativa que poderia conduzir a uma indesejável rigidez. (...). 7. Ora, o Estado, no processo de desestatização, além do interesse de liberalizar a economia, pretende também como objetivo predominante diminuir o déficit público (Lei nº 8.031/90II). Desfazse de um bem de seu ativo, em troca, recebe um título de crédito, que onerava o seu passivo. Este objetivo deve ficar presente, a fim de que se compreenda os objetivos do leilão. A expressão em cruzeiros do valor dos títulos oferecidos traduzse numa maior ou menor quantidade de títulos públicos, ou seja, não é preço, é um mero instrumento referencial de troca. (...) Logo, o leilão estaria desvinculado da moeda (cruzeiro) e sim diretamente vinculado à quantidade de títulos oferecidos em troca da participação acionária, conforme as formas operacionais de pagamento estabelecidas pelo art. 16 da Lei nº 8.031/90. A leitura dos trechos transcritos evidencia que a manifestação da Procuradoria estava atrelada a um cenário específico, de instituição do PND, cujos objetivos precípuos eram liberalizar a economia e diminuir o déficit público. E mais: o leilão estava desvinculado da moeda e vinculado à quantidade de títulos oferecidos em troca da participação acionária. Anoto ainda, por importante, que no Parecer não foi analisada uma relação entre particulares, mas sim uma relação de troca envolvendo pessoa jurídica de direito público, que era a devedora dos títulos pelo seu valor de face. Reforça o raciocínio de que a aplicação do Parecer PGFN/PGA nº 970/1991 é restrita ao âmbito do PND a edição de um dispositivo legal justamente para excetuar a permuta tratada no Parecer da regra geral do art. 3º, § 3º da Lei nº 7.713/1988, dando origem ao art. 65 da Lei nº 8.383/1991, cujo caput já delimita o âmbito de sua aplicação, verbis: Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. Como se vê, o entendimento consubstanciado no Parecer PGFN/PGA nº 970/1991 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a outras situações que não aquelas por ele reguladas. Esse entendimento se aplica, obviamente, ao Parecer PGFN/PGA nº 452, de 6 de maio de 1992, uma vez que este, da mesma forma que aquele, tratou da não incidência, pelo imposto de renda, da mais valia de permuta na aquisição de ações de empresas incluídas no PND. Confira a ementa do Parecer: Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Parecer nº PGFN/PGA 454/92 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.724621/201416 Acórdão n.º 2201003.203 S2C2T1 Fl. 605 19 Não incidência de imposto de renda sobre mais valia de permuta na aquisição de ações no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. A expressão “mais valia de permuta” é indicativa da existência de ganho de capital na permuta de valores mobiliários, sugerindo que fora do PND a operação encontrarse ia no campo da incidência do imposto de renda. Assim, o afastamento pela decisão recorrida da aplicação dos Pareceres PGFN/PGA nº 970/1991 e PGFN/PGA nº 452/1992, bem como do art. 65 da Lei nº 8.383/1991, não merece nenhuma censura. A especificidade destes atos normativos é tão manifesta que não pode haver dúvidas sobre sua aplicação unicamente ao âmbito do PND. Por fim, o Recorrente entende que a operação realizada se enquadra como permuta pura, na qual nem mesmo há a existência de preço, cujo pagamento pudesse justificar a incidência do imposto. Os elementos carreados aos autos, no entanto, possibilitaram a quantificação do preço efetivo da operação, que é considerado o valor da alienação (art. 123, I, do RIR/1999). No caso em análise o preço foi quantificado pelo AuditorFiscal no TVF de forma clara, mediante a multiplicação da quantidade de ações PortX alienadas (198.782.760) pelo preço definido na oferta pública (R$ 3,56), conforme anteriormente demonstrado, chegandose ao valor de alienação de R$ 707.666.625,60, que diminuído do custo de aquisição (R$ 3.605.651,64) resultou em um ganho de capital de R$ 704.060.973,96. Na medida em que os elementos trazidos aos autos possibilitaram a apuração do valor da alienação (preço efetivo da operação) e do custo de aquisição, sendo aquele superior a este, resta evidenciada a ocorrência do ganho de capital e da incidência tributária nas operações praticadas pelo Interessado." Conclusão Por tudo o que foi exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira, Relator "ad hoc" Fl. 605DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10715.006281/2009-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.587
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 81 /2 00 9- 58 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 314 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.329, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 315 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 316 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 317 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 318 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 319 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 320 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 9303003.587 CSRF‐T3 Fl. 321 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 35884.002938/2004-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2001
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PRECISÃO E CLAREZA NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO. OFENSA AO DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o presente lançamento não trouxe em seu bojo a precisa fundamentação sobre a base de cálculo adotada pela fiscalização para apurar o montante das contribuições previdenciárias lançadas, resta violado o disposto no art. 142 do CTN, de modo que o lançamento deve ser julgado como improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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AUSÊNCIA DE PRECISÃO E CLAREZA NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO. OFENSA AO DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o presente lançamento não trouxe em seu bojo a precisa fundamentação sobre a base de cálculo adotada pela fiscalização para apurar o montante das contribuições previdenciárias lançadas, resta violado o disposto no art. 142 do CTN, de modo que o lançamento deve ser julgado como improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 88 4. 00 29 38 /2 00 4- 82 Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 35884.002938/200482 Acórdão n.º 2402005.104 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.699.62633, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes da não retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pela empresa SERVIFÁCIL EMPREENDIMENTOS E HOTELARIA LTDA, prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou com a empresa SERVIFÁCIL a “fornecimento de alimentação a quilo, serviço de câmara em geral na Base da Petrobras em Porto Urucu, Sondas, Portos Operacionais e Alojamentos deapoio na Região do Urucu, Município de Coari, Estado do Amazonas, em apoio as atividades daUnidade de Negócios de Exploração e Produção da Bacia do Solimões UNBSOL” Sobre os serviços contratados assim apontou o relatório fiscal: "Cláusula Segunda Obrigações da Contratada: 2.2.2 Facilitar a ação da fiscalização, fornecendo informações ou provendo acesso à documentação e aos serviços em execução e atendendo prontamente ás observações e exigências por ela apresentadas. 3 0 débito acima foi apurado nas competências de: 0901 a 12/03. 2.3 Quanto a pessoal: 2.3.2 Apresentar à Fiscalização uma relação nominal de todos os empregados que executarão os serviços, bem como comunicar, por escrito, qualquer alteração ocorrida nesta relação. 2.5 Quanto à segurança industrial, higiene e medicina do trabalho: 2.5.1 Cumprir e fazer com que o seu pessoal cumpra os procedimentos contidos nas Instruções de Segurança Industrial, Saúde Ocupacional e proteção Ambiental,... 2.5.2 Manter os seus empregados uniformizados, identificados pelo nome ou logotipo da Contratada estampado no uniforme e utilizando os equipamentos de porteção individual listados no Anexo no. IV deste contrato. Cláusula Terceira Obrigações da Petrobras: 3.1 Fornecer as especificações, instruções e localizações que se fizerem necessárias para a execução completa dos serviços, consoante os Anexos deste Contrato. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 3.2 Informar à Contratada sobre quaisquer alterações de horários e rotinas de serviço. Anexo I CONDIÇÕES GERAIS CONTRATUAIS 1. OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA 1.7. Fornecer ao seu pessoal uniformes completos (mínimo dois), bem como uma identificação especial, para distinguilo do pessoal da Petrobras e de outras empresas que, eventualmente, atuem na mesma área. 1.22 Fornecer à Fiscalização sempre que solicitado a relação de todo o pessoal que preste serviço através deste Contrato, indicando o local de trabalho e as respectivas funções. 1.23. Manter nas Sondas Registro Diário do seu pessoal lotado e em trânsito, devidamente atualizado. 1.24. Fornecer por sua conta a hospedagem e alimentação de seu pessoal, quando estiverem prestando serviços nas bases de operação daUNBSOL e SONDAS. 1.28. Manter na área do Urucu, durante, toda a vigência do Contrato, um(a) nutricionista, que, além de suas atribuições profissionais normais, deverá verificar a aceitação pelos usuários, dos cardápios em vigor bem como colher sugestões para composição dos cardápios futuros e acompanhar a execução dos serviços de alimentação. 1.30. Fornecer alimentação nas condições adiante estabelecidas: 1.30.1. Preparar 4 (quatro) refeições diárias e 3 (três) lanches, para atendimento do pessoal nas SONDAS, durante 7 (sete) dias da semana, de acordo com os horários fixados no cardápio e aprovados pela Fiscalização. 1.30.2. O atendimento fora do horário estabelecido fica condicionado à autorização prévia da Fiscalização da Petrobras. 1.30.3. As 4 (quatro) refeições compreendem: café da manhã, almoço, jantar e ceia. 1.31. Preparar todas as refeições e os lanches de modo que sejam servidos com boa apresentação e de acordo com o cardápio unificado estabelecido no item 1.28 deste Anexo. 1.44. Manter as instalações Prediais em perfeito estado de conservação para tanto, a CONTRATAI) A fornecerá mão de obra necessária, para os serviços de manutenção preventiva e corretiva em todas as áreas onde a CONTRATADA presta serviço de hotelaria e alimentação. ANEXO HESPECIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS. Este Anexo detalha os itens presentes na Planilha de Preços e especifica como os serviços deverão ser executados. 11. FORNECIMENTO DE CAFÉ/LITRO 11.2. Distribuídos nos locais e horários indicados pela Fiscalização fora do horário das refeições. Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 35884.002938/200482 Acórdão n.º 2402005.104 S2C4T2 Fl. 249 5 16. FORNECIMENTO DE ÁGUA MINERAL: Tratamento de água Distribuição Monitoramento Fornecimento de Garrafões. 17. FORNECIMENTO DE COPOS DESCARTÁVEIS: 17.1 Fornecer diariamente copos descartáveis para bebedouros, dentro e fora dos refeitórios, geladeiras de escritórios, oficinas, área industrial, portos, aeroporto e outros locais indicados pela fiscalização. 18. SERVIÇOS DE CÂMARA 18.1 Fornecer todo material de cama e banho ao pessoal da Petrobras ou terceiros, nos alojamentos da Base de apoio, Arara, Sondas e Portos de apoio, desde que devidamente autorizado pela Fiscalização. 20. SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO 20.1. Em toda extensão da área de trabalho, todo e qualquer transporte e distribuição das refeições do tipo almoço kentinha, almoço, jantar salão, lanche simples, como também água mineral nas estações será de responsabilidade da Contratada, que deverá contar com um veículo apropriado. 21. DEFINIÇÕES GERAIS DETALHAMENTO 21.1. A CONTRATADA deverá preparar, transportar e servir refeições a empregados da Petrobras, ou a pessoas por ela credenciadas nas modalidades a. seguir relacionadas e demais especificações aqui discriminadas. 21.2. Preparar refeições para atendimento dos empregados da Petrobras ou terceiros durante 7 (sete) dias da semana nos horários estabelecidos pela Petrobras. 21.6. No salão deverão permanecer os empregados da CONTRATADA destinados a atender aos serviços de colocação e remoção de pratos e guarnições, montagem de mesa e outros serviços eventuais." O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Por fim, consta que quando do lançamento foram consideradas como responsáveis solidárias as empresas PETROBRAS GÀS S/A – GASPETRO, PETROBRAS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO e PETROBRAS QUÍMICA S.A. – PETROQUISA, com fundamento no art. 30, IX da Lei 8.212/91. O lançamento compreende, as competências de 09/2001 a 12/2003, tendo sido o contribuinte cientificado em 28/09/2004 (fls. 01) Apresentadas as impugnações, fora proferido o julgamento em primeira instância, sendo que dele, a recorrente e as seguintes responsáveis solidárias interpuseram os competentes recursos voluntários, através do qual sustentam, em síntese: Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que a Recorrente não recebeu cópia da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e dos documentos que a instruem, mas tão somente oficio informando diversos lançamentos. 2. na contratação de serviços, empresas que eventualmente componham grupo econômico com a contratante não têm qualquer ligação com o fato gerador da contribuição previdenciária — folha de salários de contratada — bem como não têm absolutamente nenhuma possibilidade de efetuar a retenção e assim elidir sua responsabilidade; 3. que as empresas do grupo econômico, com exceção da contratante, por não terem relação com a contratada não podem efetuar retenção nem exigir daquela a apresentação de documentos comprobatórios da quitação do tributo, motivo pelo qual não lhe pode ser atribuída a responsabilidade solidária. PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS 4. que o fiscal considerou como a totalidade do valor da nota como base de cálculo das contribuições, quando, ao revés, deveria considerar tão somente os valores relativos ao pessoal empregado na execução do serviço; 5. que o prestador de serviços efetuou a quitação dos valores das contribuições por ele devidas em folha, de modo que o lançamento da retenção de 11% se configura em inequívoco bis in idem. PETROBRÁS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO 6. reafirma os argumentos supra de ilegitimidade passiva, em razão da impossibilidade de caracterização do grupo econômico de empresas; Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 35884.002938/200482 Acórdão n.º 2402005.104 S2C4T2 Fl. 250 7 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado – Relator CONHECIMENTO Tempestivo os recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, deles conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, no presente caso fora lançado valor de crédito tributário em decorrência da não retenção de 11% incidente sobre o valor de notas fiscais de prestação de serviços efetuados mediante a cessão de mãodeobra e que foram contratados pela recorrente. Ao que se depreende do recurso voluntário apresentado pela contribuinte principal, obrigada pela retenção, interessante notar que os seus argumentos não se enveredam no sentido de que não havia a cessão de mãodeobra nos serviços prestados, mas tão somente que houve equívoco no valor adotado pelo fiscal como base de cálculo e que as contribuições chegaram a ser recolhidas em sua totalidade pelo prestador de serviços. Ademais, nas próprias notas fiscais de prestação do serviço, já se verifica que as próprias partes contratantes faziam o destaque do percentual de 11% do INSS devido. Assim, a questão relativa a existência da cessão de mãodeobra na contratação dos serviços é incontroversa. Pois bem, quanto a base de cálculo adotada pelo fiscal para o lançamento, há de se apontar que assim restou indicado no relatório fiscal da infração: "9 Assim, a regra geral, estabelecida no "caput do art 31 da Lei n ° 8212/91, com a redação dada pela Lei n ° 9711, de 02/11/1998, e reiterada no item 10 da Ordem de Serviço INSS/D AF n° 203, de 29 de janeiro de 1999 e no item 12 da Ordem de Serviço INSS/D AF n ° 209, de 20 de maio 1999, é a adoção de um percentual de 11 % (onze por cento) do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo. Ratificando tal entendimento, a INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC 071, DE 10 DE MAIO DE 2002, vigente a partir de 01/09/2002, em seu art 99, preceituava que a retenção, como regra geral, darseia sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviço, o que foi confirmado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC 100, vigente a partir de 01/04/2004, particularmente seu art 100. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 10 Entretanto, no caso de a empresa contratada estar obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos próprios ou de terceiros, indispensáveis à execução do serviço, cujos valores estejam previstos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibos, tais valores não estariam sujeitos à retenção, sendo deduzidos da base de cálculo da retenção, conforme art 158 da acima citada IN 100. Mais ainda, quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, e no correndo a discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá aos valores mínimos estabelecidos no art 159 do mesmo ato normativo, quais sejam: cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; trinta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; sessenta e cinco por cento quando se referir à limpeza hospitalar e oitenta por cento, quando se referir às demais limpezas, aplicados sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços." Diante da impugnação apresentada, às fls. 178 fora determinada a realização de diligência fiscal, que assim se manifestou sobre a formação da base de cálculo do lançamento: "3.1. cm relação às GPS, os códigos de recolhimento 2631 indicativos das retenções efetuadas nas Notas Fiscais / Faturas, já haviam tido os seus valores considerados como créditos quando do Levantamento do Débito, conforme se depreende do Relatório Discriminativo de Débito, às fls. 04 a 09, e do Relatório de Guias e Débitos Apresentados, às fls. 16 e 17. 3.2. em relação às Notas Fiscais / Fatura (Prestação de Serviços) com os valores destacados de retenção, em conformidade com as GPS respectivas apresentadas, foram aquelas considerados no item 3.1. 3.3. em relação às demais Notas Fiscais que não continham valores destacados de retenção, considerouse que, para a formação da Base de Cálculo da Retenção, estas continham elementos de prestação de serviços e não apenas elementos exclusivamente relacionados a materiais ou mercadorias [...] 3.4.2. para a formação da Base de Cálculo da Retenção, considerouse em cada competência que, no BM correspondente, com exceção de alguns itens do BM, todos os demais itens seriam indicativos de prestação de serviços. 3.4.2.1. ou seja, não se considerou para a formação da Base de Cálculo da Retenção, em razão de em sua composição a incidência de mãodeobra ser mínima ou inexistente, os itens referentes a: desejum; almoço, jantar ou ceia normal: almoço., jantar ou ceia especial tipoA; almoço, jantar ou ceia especial tipoB. Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 35884.002938/200482 Acórdão n.º 2402005.104 S2C4T2 Fl. 251 9 3.6.1. conforme o exposto nos itens 3.2 33 e 3.4, considerouse na Ação Fiscal que, em relação às demais Notas Fiscais que não continham valores destacados de retenção, para a formação da Base de Cálculo da Retenção, estas continham elementos de prestação de serviços e não apenas elementos exclusivamente relacionados a materiais ou mercadorias." De fato, da leitura dos esclarecimentos prestados pela fiscalização, ainda tenho dúvidas sobre qual o modo fora o efetivamente utilizado pela fiscalização para levar a efeito a determinação da base de cálculo dos valores lançados. A meu ver, tanto o relatório fiscal originário do lançamento, quanto o complementar, produzido após a determinação da diligência, não trazem de forma clara e precisa qual fora o procedimento adotado pela fiscalização para determinar a base de cálculo das contribuições lançadas no presente caso, sobretudo quanto às notas fiscais nas quais não haviam valores de retenção destacados. O relatório originário, em momento algum aponta qual o fato utilizado para a formação da base de cálculo com fundamento nos artigos 158 e 159 da IN/INSS 100/03, mas apenas faz alusão ao próprio texto de referidos artigos. Ademais, o relatório fiscal complementar (fls. 178/179) aponta que nas notas fiscais que não possuíam valores de retenção destacados, considerouse que possuíam elementos tanto relativos à prestação de serviços, quanto ao fornecimento de materiais, sem, contudo, apontar de forma precisa qual fora a base de cálculo adotada quando do lançamento. Conforme argumenta a recorrente, o lançamento deve possuir informação clara e precisa acerca dos fundamentos de fato e direito que justificam a sua lavratura, de modo que, a base de cálculo efetivamente adotada é elemento fundamental, que deve conter expressa e escorreita menção quando da elaboração do relatório fiscal, a teor do disposto no art. 142 do CTN, a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Tratase, pois, de um dos elementos nucleares do lançamento, que não pode a meu ver causar a dúvida gerada nos autos do presente processo, sob pena do cerceamento do direito de defesa da recorrente e possível incorreta apuração dos valores de contribuição devidos, situação que em meu sentir não mais pode ser objeto de correção mediante diligência deste Colegiado. Logo, por este motivo, o lançamento deve ser considerado como improcedente. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 Assim, ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso da PETROBRÁS –PETRÓLEO BRASILEIRO S/A, julgando prejudicados os demais argumentos de defesa objeto dos recursos voluntários interpostos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 19515.001049/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2401-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGAR-LHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir o vício apontado pela Fazenda Nacional.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc"
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PENALIDADES. MULTA DE MORA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BTG PACTUAL WM GESTÃO DE RECURSOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir o vício apontado pela Fazenda Nacional. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 49 /2 00 9- 54 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.001049/200954 Acórdão n.º 2401004.232 S2C4T1 Fl. 588 2 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 576/577, contra o Acórdão nº 2301003.775, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 536/573. 2. No tocante à multa aplicada na autuação fiscal, a embargante indica que houve omissão no resultado do julgamento constante do dispositivo do acórdão, tendo em vista às conclusões do voto vencido, de lavra do Conselheiro Mauro José Silva. Transcrevo o respectivo dispositivo do acórdão embargado (fls. 537): Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2004, anteriores a 04/2004, pela regra decadencial do Art. 150, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso, no que tange ao bônus de contratação, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Leandro Cabral e Silva. OAB: 234.687/SP. 3. Por sua vez, a conclusão do voto vencido foi assim redigida (fls. 567): Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a limitar a multa de mora a 20%. 4. Dessa forma, a Fazenda Nacional pondera em sua petição que: "como o dispositivo do acórdão, o qual transita em julgado administrativamente, não consta a decisão da Turma acerca da multa aplicada, requer a União a solução da omissão apontada." 5. Designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos1, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 582 e 583/584, respectivamente). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.001049/200954 Acórdão n.º 2401004.232 S2C4T1 Fl. 589 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator "ad hoc" 6. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 7. Antes, porém, saliento que a designação de relator "ad hoc" é medida excepcional, neste caso devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 7.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 2301003.775, a fim de submeter a questão à apreciação da Turma. Ressalvo, assim, que tal juízo não implica a minha concordância ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 8. Pois bem. No que diz respeito ao vício apontado pela Fazenda Nacional, após ler e reler atentamente o acórdão embargado, em confronto com os argumentos deduzidos pela embargante, entendo que não há omissão no julgado. Explico. 9. O processo administrativo referese ao auto de infração nº 37.205.0166, o qual exige contribuição previdenciária, acrescida de juros e multa de mora, sobre (fls. 73/75 e 238/244): i) participação nos lucros ou resultados, competência 02/2004, levantamento PLR; e ii) gratificação espontânea de admissão, competências 06, 07 e 10/2004, levantamento GEA. 10. Em seu voto, o Conselheiro Mauro José Silva, relator do acórdão, manteve a autuação, porém limitou a multa de mora a 20% (vinte por cento). 11. Nada obstante, o relator ficou vencido quanto à decadência, assim como no mérito (fls. 568/573). 11.1 Na forma detalhada no voto vencedor, de autoria do Conselheiro Marcelo Oliveira, a Turma deu provimento ao recurso voluntário, tanto para reconhecer a decadência até a competência 03/2004 e, portanto, afastar a tributação sobre a participação nos lucros ou resultados, quanto para excluir a incidência das contribuições previdenciárias sobre a gratificação espontânea de admissão (chamada de bônus de contratação). 12. Afastada integralmente a obrigação tributária principal, restou prejudicada qualquer deliberação da Turma a respeito do percentual da multa sobre o valor principal, ou mesmo sobre o critério de aplicação da retroatividade benigna da multa, conforme consignado no voto vencido. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.001049/200954 Acórdão n.º 2401004.232 S2C4T1 Fl. 590 4 13. Logo, não há omissão no julgado no que se refere à multa aplicada pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir o vício apontado pela Fazenda Nacional. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723332/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2010 a 31/01/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO EM CASO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU DÚVIDA.
Havendo contradição entre a fundamentação e a parte do dispositiva do acórdão, os embargos de declaração devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 2301-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente.
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Júlio César Vieira Gomes. Ausentes momentaneamente os conselheiros Gisa Barbosa Gambogi Neves e Ivacir Júlio de Souza. Fez sustentação oral a Dra. Lorena de Morais Campos, OAB/DF 35.694.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 31/01/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO EM CASO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU DÚVIDA. Havendo contradição entre a fundamentação e a parte do dispositiva do acórdão, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Júlio César Vieira Gomes. Ausentes momentaneamente os conselheiros Gisa Barbosa Gambogi Neves e Ivacir Júlio de Souza. Fez sustentação oral a Dra. Lorena de Morais Campos, OAB/DF 35.694. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 33 32 /2 01 1- 16 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN opôs Embargos de Declaração em face do Acórdão nº 2301003.859, de 21/01/2014, por entender presente obscuridade em seu conteúdo. Alega a Embargante que, em que pese o voto vencedor concluir pela manutenção da multa por descumprimento da obrigação acessória, na forma procedida pela fiscalização por ocasião do lançamento de ofício, o acórdão concedeu provimento parcial para determinar o recálculo da multa por obrigação acessória, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, deduzidas as multas dos lançamentos correlatos, se mais benéfico ao contribuinte, tendo em vista o correto procedimento fiscal na comparação entre multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 e a soma dos artigos 35, II e 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, para o efeito de aplicação da retroatividade benigna. Entende que, diante da obscuridade apontada, fazse necessária a integração do julgado por meio dessa via recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Com razão a Embargante. Por ocasião do julgamento dos Recursos Voluntário e de Ofício, ocorrido na sessão de 21/01/2014, a decisão daquela composição colegiada foi inequivocamente no sentido de manter o critério eleito pela fiscalização relativamente ao lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória. Eis o trecho do voto vencedor proferido pela Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que confirma o alegado: Quanto à multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória, entendo que foi corretamente aplicada pela autoridade lançadora, que observou a retroatividade benigna do art.106, II, c, do CTN, e calculou a penalidade como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, comparando a multa de mora do artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91, adicionada a multa a que diz respeito o artigo 32, § 5º, do mesmo diploma legal, com a multa de ofício de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Consequentemente, esse capítulo do Recurso Voluntário foi negado por este CARF, e não parcialmente provido como consta do dispositivo do acórdão embargado. Mantendose o julgamento dos demais capítulos, a conclusão do acórdão, portanto, deveria ter sido a seguinte: Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.723332/201116 Acórdão n.º 2301004.666 S2C3T1 Fl. 1.018 3 ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso Voluntário, no mérito, para referendar o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, nos termos em que realizada pela autoridade fiscal. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votam em aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento ao recurso ao recurso; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada no lançamento por descumprimento de obrigação principal a multa prevista no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Em conclusão, os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional devem ser conhecidos e providos. É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001708/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 222 1 221 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001708/200510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.985 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2016 Matéria IRPF Recorrente DEIZE REIS DOMINGOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 08 /2 00 5- 10 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 223 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/BHE (Fls. 75), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte Deize Reis Domingos, CPF 833.116.107 68, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 34/39 relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exercícios de 2001 e 2002, anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$582.152,13 correspondente ao imposto de R$236.957,03, multa proporcional de 75% de R$177.717,76 e juros de mora de R$167.477,34, calculados até 31/10/2005. O lançamento decorre do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias tendo sido constatada a seguinte irregularidade: 001. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com origem não Comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme se verifica no "Termo de Constatação Fiscal", anexo, que é parte integrante deste Auto. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 849 do RIR/99; art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 1° da Lei n°9.887/99. Cientificada do lançamento em 29/11/2005 (fls. 40), a contribuinte, apresentou em 27/12/2005, a impugnação de folhas Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 224 3 142/151, documentação de fls. 152/160, com as argumentações a seguir sintetizadas. A impugnante alega que vendia roupas como autônoma e em maio de 2000, arrendou um Bar/Restaurante no Shophing de Informática "INFO BARRA", e enquanto constituía formalmente a empresa INFOR GRILL PIONEIRO DA BARRA LTDAME, abriu conta corrente nos Bancos HSBC e depois no Bradesco. A sobrinha da impugnante interessouse por um "stand" para revenda de produtos de informática, no mesmo local, constituindo então em 29/08/2000 a PCMCIA ATIVA INFORMÁTICA E TECNOLOGIA LTDAME, da qual a impugnante tornouse sócia minoritária com 1% do capital. • Explica que, com dificuldade para abrir conta corrente bancária, em vista das muitas exigências que os bancos faziam, optaram por utilizar as contas abertas em nome da impugnante, para efetuar toda a movimentação das duas microempresas, sem imaginar que esse fato poderia ser usado pela Receita Federal para cobrança injustificável de Imposto de Renda Pessoa Física, baseado unicamente nos Depósitos Bancários. Aduz que, como a fiscalização pode constatar ao afastar o sigilo bancário, não consta nenhuma outra movimentação bancária em conta corrente, pois nunca existiu. Os depósitos existentes são coincidentes com a locação do Bar/Restaurante INFOR GRILL, a partir de maio de 2000, aumentando a partir de agosto de 2000, com a legalização da PCMCIA da sobrinha da impugnante. Reafirma que toda a movimentação bancária pertenceu as empresas das quais era sócia e que foi devidamente declarado pelas Pessoas Jurídicas e justificadas perante o fiscal autuante, que entendeu serem os depósitos fruto de atividades mercantis e mesmo assim lavrou o Auto de Infração. Da Preliminar Diz que o Auto de Infração foi lavrado em dissonância aos princípios constitucionais e legais vigentes e requer seja o mesmo anulado. Argumenta que a fiscalização não acatou nenhuma das justificativas apresentadas por meio de diversos contatos telefônicos com o fiscal autuante, e que, durante a fase de reunião dos documentos solicitados foi surpreendida com o Auto de Infração. Cita o artigo 845, §1°, do RIR199, alegando que na presunção legal é necessário que o fisco esgote o campo probatório, vez que a atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no artigo 112 do CTN. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 225 4 Da Decadência A impugnante tomou ciência do Auto de Infração em 28/11/2005, que discrimina fatos geradores ocorridos em: 31/05/2000; 30/06/2000; 31/07/2000; 31/08/2000; 30/09/2000 e 31/10/2000, quando já havia transcorrido a decadência, ou seja, mais de 5 anos da ocorrência do fato gerador. O lançamento não poderia ser efetuado pois fere os ditames da lei, tais corno o § 40 do Art. 42 da Lei 9.430/96, matriz legal do § 3° do Art 849 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99 e o Art. 150. §4° do Código Tributário Nacional, confonne a seguir transcrito: Art. 849... "§3° Tratandose de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.." Art. 150. "§4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito ..." Cita Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes no sentido de que a decadência do lançamento independe do recolhimento ou não da prestação devida. Do Mérito Junta os contratos sociais das empresas INFOR GRILL PIONEIRO DA BARRA LTDAME e PCMCIA ATIVA INFORMÁTICA E TECNOLOGIA LTDAME., alegando que os depósitos bancários eram de propriedade dessas empresas, como poderia ter constatado a autoridade fiscal se tivesse solicitado também aos bancos provas de todos os depósitos bem como os cheques emitidos pela impugnante. Ademais, os depósitos bancários sem a devida apuração, não revelam disponibilidade econômica de rendas e proventos , além de não terem sido expurgados os custos para aquisição de mercadoris, pagamentos de impostos, de empregados, contas de luz, água e IPTU. Argumenta, que ao prosperar a autuação de valores que circularam em suas contas bancárias mas que pertencem As empresas das quais é sócia, estaria caracterizada a figura da bitributação, figura que fere o devido processo legal. Por fim, requer o cancelamento da exigência. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 226 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 Decadência. No caso de lançamento de oficio com base em omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da lei IV 9.430, de 1996, a contagem do prazo decadencial é regulada pela regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Cientificada em 22/02/2010 (Fls. 177), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/03/2010 (fls. 179 a 193), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 15 de agosto de 2012, (Fls. 206 a 210) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou a pauta de julgamento. Em 10 de fevereiro de 2015, (Fls. 211 a 2015) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informe se o contribuinte confessou e parcelou parcialmente ou integralmente débito e, conseqüentemente, se houve desistência total ou parcial do recurso. Encerrado a diligência, com a resposta às fls. 218 e 2019, o processo voltou a pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 227 6 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Em sede de preliminar alega a recorrente que o lançamento deve ser notificado ao sujeito passivo dentro do período de cinco anos, contadose do último dia de cada mês em que o crédito é apurado. Acresce que, de maio a outubro de 2000, o direito de a Fazenda Pública lançar encontravase atingido pela decadência. Quanto a apuração do Imposto em 31 de dezembro de 2000, e não de forma mensal, cumpre esclarecer que, no lançamento, os depósitos foram apurados mensalmente, com a definição do fato gerador em 31 de dezembro do ano base. Tal procedimento é acatado amplamente pelo CARF, conforme se verifica na Súmula CARF n 38, de aplicação obrigatória por este Conselheiro: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese da Recorrente que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Dentro deste parâmetro, cabe analisar a decadência relativa ao ano calendário 2000; portanto, com fato gerador em 31/12/2000. O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 228 7 comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 229 8 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, o lançamento relativo ao ano calendário de 2000 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2005. Tendo sido notificado o contribuinte em 29 de novembro de 2005 (folha 43 dos autos), o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não encontravase decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Razão pela qual entendo ultrapassada a preliminar argüida. Passo a análise do mérito. Quanto ao mérito, a Recorente limitase a repetir seus argumentos da impugnação, no sentido de que o simples depósito em conta bancária, baseado somente em presunção de renda, não permite o lançamento, e que os valores depositados pertenciam as pessoas jurídicas INFOR GRILL PIONEIRO DA BARRA LTDAME, PCMCIA ATIVA INFORMÁTICA, e TECNOLOGIA LTDAME., que a tributação deveria dirigida a tais A matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda dos depósitos bancários, já encontrase pacificada no ambito do CARF; com a plicação da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselheiro: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 230 9 Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, entendo que não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem No que pertine a alegação da Recorrente de que os valores depositados pertenciam as pessoas jurídicas INFOR GRILL PIONEIRO DA BARRA LTDAME, PCMCIA ATIVA INFORMÁTICA, e TECNOLOGIA LTDAME., penso que não há como acatar tal argumento. Da análise do recurso e impugnação apresentados pela contribuinte, notase que os mesmos não são acompanhados de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização. A contribuinte apresenta tão somente a argumentação de que os depósitos pertenciam as pessoas jurídicas INFOR GRILL PIONEIRO DA BARRA LTDAME, PCMCIA ATIVA INFORMÁTICA, e TECNOLOGIA LTDAME. É notória a ausência de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos depósitos bancários identificados nas contas corrente da contribuinte, sendo improfícua a mera descrição pela impugnante, de que os valores pertenciam às pessoas jurídicas. Os depósitos bancários enumerados no Relatório Fiscal pertencem as contas bancárias de titularidade da impugnante, fato não questionado pela mesma. Assim não há que se cogitar a existência de erro na identificação do sujeito passivo no lançamento. Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, a contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Por fim, também é notória a ausência de documentos hábeis e idôneos a comprovar que os depósitos bancários identificados nas contas corrente da contribuinte são oriundos de atividades mercantis desenvolvidas por esta como se pessoa jurídica fosse. Razão pela qual entendo correta a tributação da pessoa física do lançamento. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001708/200510 Acórdão n.º 2201002.985 S2C2T1 Fl. 231 10 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10280.901059/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Relatório
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento combinado com Declaração de Compensação, fundados em créditos de Cofins nãocumulativo vinculados à exportação, relativos ao 1º trimestre de 2008 (fls. 2/4). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 01 05 9/ 20 12 -1 3 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 796 2 O Fisco reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado (Despacho Decisório de fls. 5/6), realizando as glosas, descritas no Relatório Fiscal (fls. 128/133): Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de pedido de ressarcimento transmitido em 13/08/2009, cumulado com declarações de compensação, relativo a direito creditório no valor de R$ 44.876.524,17, resultante da não cumulatividade da Cofins apurada no primeiro trimestre de 2008. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o parecer de fls. 128/133 e o despacho decisório de fls. 05/06, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 32.547.961,57, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados: “(...) 13) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS INFORMADOS COMO INSUMOS, OBJETO DE GLOSA: (...)o bem para ser considerado insumo deve guardar relação com o conceito estabelecido no artigo 8º da IN 404/2004 que considera insumo a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O contribuinte apresentou uma extensa relação de bens adquiridos utilizados para crédito de PIS (sic). Destacamos da Planilha Insumos Glosas os itens considerados MATÉRIA PRIMA (MP) pelo contribuinte, mas que não cabem no conceito de Insumo para gerar direito a crédito como o ÁCIDO SULFÚRICO que é utilizado como material de limpeza. As glosas demonstradas na Planilha Insumos Glosas, item OUTROS INSUMOS são de bens que não se enquadram como Insumos ou são descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento de crédito. Exemplo: MATERIAIS DIVERSOS. (...) 14) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA: Da análise dos arquivos apresentados pelo contribuinte não foram encontradas irregularidades neste item. 15) CRÉDITOS DECORRENTES DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Serviços glosados por não serem considerados como utilizados diretamente na produção da Alumina (produto final) conforme Planilha Serviços Glosas em anexo. (...) Fl. 796DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 797 3 16) CRÉDITOS DECORRENTES DO ATIVO IMOBILIZADO: O contribuinte apurou crédito de depreciação em duas modalidades: 1/48 avos para bens adquiridos de Maio/2004 a Dezembro/2005 e 1/12 avos para as aquisições posteriores. Consideramos as glosas realizadas em procedimento fiscal formalizado no Processo 10280.722272/200965 para as aquisições de Maio/2004 a Dezembro/2005 (1/48 avos) e de fevereiro a dezembro de 2007 (1/12 avos) da seguinte forma: Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente, em 05/09/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 08/61, na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados sobre bens e serviços utilizados como insumos, mais especificamente aquisição de ácido sulfúrico, aquisição de inibidor de corrosão e serviços de manutenção de refratários, materiais diversos de manutenção, sob o fundamento de que não cabem no conceito de insumo para gerar direito a crédito. Também foi objeto de glosa os serviços de limpeza industrial na desincrustação de tanques e vasos por meio mecanizado, substituição e limpeza de tubos de trocadores de calor e desincrutação de FTs, linha de gases e loop das áreas 04B e 41B da linha 3 e serviços prestados pela Elcano, Norsul, Blanket aberta para dar cobertura aos lançamentos de demurrage em 2007 e despesas portuárias. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados ao Ativo Imobilizado, tais como materiais e serviços diversos ligados a construção civil e edificações. b) O ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizada também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Este ácido é considerado essencial para o refinamento da alumina, uma vez que é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor, para garantir a produtividade da planta. Há precedentes do CARF que mesmo materiais de limpeza aplicados na linha de produção geram direito a créditos, sendo que o ácido sulfúrico é mais que um mero material de limpeza, assegurando a qualidade do licor do qual será extraída a alumina final. c) Os óleos combustíveis usados na refinaria são BPF e Diesel, destinandose à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor em caldeiras. A Bauxita é o minério do qual se extrai a alumina. A Cal Viva utilizada na área de moagem atua na granulometria da bauxita e como agente estabilizador da solução de aluminato, caustificador do circuito e eliminador de parte das impurezas inorgânicas. A Soda Cáustica é utilizada para extrair a alumina do minério de bauxita. A Energia Elétrica alimenta caldeiras e barramentos. Os Biocidas e Sequestrantes são empregados na estação de desaguamento de polpa de bauxita para tratamento de água potável. Cuidandose do Tecido Filtrante, Filtração de licor rico, Filtração de bauxita e Filtração de hidrato, estão instalados oito filtros de tambor rotativo a vácuo, cuja operação dependerá da filtrabilidade da lama Fl. 797DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 798 4 vermelha. O Floculante é utilizado na área de decantação de lama, para acelerar o processo. Especificamente quanto ao Calcário, houve o questionamento dos auditores sobre divergências nas informações prestadas pela empresa, sendo que, em alguns casos, a descrição do produto não é exatamente igual à que consta da nota fiscal, onde há especificações técnicas do produto e não o nome deste. A glosa de Inibidor de Corrosão da Nalco Brasil Ltda não procede, pois o mesmo não corresponde a material utilizado apenas para constituir uma película em face da corrosão nas tubulações de água de resfriamento e de vapor, e sim para manter o padrão de qualidade de outros insumos essenciais ao processo produtivo. Sob o mesmo ponto de vista foram glosados os Serviços de Limpeza Industrial, de desincrustação de tanques e vasos por meio mecanizado (remoto), com retirada das crostas, substituição e limpeza de tubos de trocadores de calor e desincrustação de FTs, linha de gases e loop das Área 04B e 41B da linha 3, assim como dos Serviços prestados pela Elcano e Norsul a fim de cobrir lançamentos de demurrage em 2007. d) Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente ácido sulfúrico, os inibidores de corrosão e os serviços de limpeza industrial e os serviços prestados pela Elcano, Norsul. Naturalmente que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes em duplicidade. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. e) Importantíssimo ressaltar a amplitude conceitual de insumos que gerariam o crédito da Contribuição, que seriam os bens e serviços utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, não se restringindo ao universo das matérias primas produtos intermediários e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O próprio Parecer Normativo CST nº 65/79 nos dá a exata dimensão do equívoco dos I. Fiscais, pois atesta que a expressão “consumidos” há que ser entendia em sentido amplo, expressamente açambarcando os produtos que suportem desgaste e perda de propriedades físicas ou químicas. A Fl. 798DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 799 5 requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora que faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. A dicção do § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003 não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo da alumina exportada. Refere decisão administrativa. f) A glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10.833/2003. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. A Lei n° 11.196/2005, o Decreto 5789/2006 e o Decreto 5988/2006 previram que sociedades empresárias, beneficiárias de incentivos da Sudam, poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para equipamentos descritos no RECAP. A fiscalização, injustificadamente, glosou créditos gerados sobre máquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, contrapõe a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Parecer, seria, como é, impraticável. Ante tal realidade, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a Fl. 799DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 800 6 inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao parecer que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/2007 (REIDI). g) Considerouse que o refratário somente geraria direito a crédito caso tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo leal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o material refratário e os serviços com sua manutenção como insumo e a rigor, segundo a legislação, não há diversidade de tratamento, de vez que seja como insumo, seja como ativo imobilizado o refratário gera direito ao crédito nãocumulativo. Refere decisão judicial, aduzindo que tijolos refratários isolantes e os gastos com sua manutenção são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico com o alumínio. Demais disso, a legislação não confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização.Cita decisões administrativas. h) Quanto à glosa sobre bens considerados edificações e componentes do Ativo Imobilizado, não há como se deixar de reconhecer que as razões que teriam conduzido a autoridade fiscal à glosa padecem de inegável confusão, na medida em que os custos que foram glosados coincidem com enunciados legais que asseguram ao contribuinte o direito ao desconto de créditos sobre tais despesas. A Fiscalização afirma que a postulante creditarase indevidamente das despesas que desembolsou, porque diriam respeito a máquinas e equipamentos que não poderiam ser enquadrados como insumos, uma vez que não haveria aplicação direta. A rigor, segundo a fiscalização, em grande parte tais valores diriam respeito ao ativo imobilizado, senão deveriam ser conceituados como edificação (??!!), por isso, seriam despesas não passíveis de se converter em descontos sobre o valor a recolher de Cofins e PIS no plano da nãocumulatividade (??!!). Contudo, os arts. 2º e 3º das Leis nº 10.637/20002 e 10.833/2003 prescrevem exatamente o contrário. Em suma, mesmo que as máquinas e equipamentos e suas peças devessem ser enquadrados no ativo imobilizado e edificações da postulante, a legislação ampara o desconto dos respectivos créditos, assim como das edificações aplicadas às atividades da pessoa jurídica. A menos, portanto, que a fiscalização expusesse e demonstrasse (o que nem remotamente ocorreu) que estas máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados ao mesmo fossem utilizados para outra Fl. 800DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 801 7 finalidade que não fosse a produção de alumina (que representa a atividade exclusiva da contribuinte), a recusa de reconhecerlhes a geração de créditos resvala para o indefensável. E quanto às razões expendidas no sentido de que tais despesas também seriam indedutíveis em razão de não poderem ser enquadradas como insumos, tratase de equívoco, representando glosas pautadas por critério inconciliável com a diretriz constitucional da não cumulatividade, bem como de sua previsão infraconstitucional. Atualmente, há inúmeras decisões do CARF, inclusive da CSRF, assegurando o direito ao desconto dos créditos sobre quaisquer custos ou despesas que a empresa tenha suportado para a produção do bem ou prestação do serviço. Nestes casos, a menos que a fiscalização explicite que a edificação ou bem do ativo imobilizado ou o insumo não sejam empregados na produção do bem ou serviço prestado não pode solenemente glosálos. Relata e discute o teor de decisões administrativas, judiciais e soluções de consulta. i) Conceitualmente, sob o viés contábil, o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos imprescindíveis a que a sociedade empresária mantenhase em operação. Em suma, computadores, móveis, utensílios, veículos, instalações, prédios construídos e em construção, tudo está inserto no rol de ativos que podem ser definidos como ativo imobilizado. A Alunorte, no período objeto de glosas, estava em expansão, com um volume grandioso de aquisições e obras de ampliação de suas edificações, o que explica em grande parte a dificuldade de se individualizar e discriminar cada peça, por exemplo, que tenha sido adquirida para a montagem de máquina aplicada à produção. A legislação aplicável, por sua vez, reproduz a mesma amplitude conceitual que é dispensada pela contabilidade. Quanto a créditos gerados pelo ativo imobilizado, a Lei nº 10.637/20002 e a Lei nº 10.833/2003 claramente prescrevem que qualquer ativo imobilizado gera crédito, bastando que tenham sido adquiridos para a produção de bens destinados à venda. Para edificações e benfeitorias, nem mesmo esta exigência é feita. O Auditor Fiscal nunca fora conhecer o parque fabril da Alunorte, causando incerteza sobre como chegou à conclusão do que é e do que não é utilizado para produção, procedendo por mera presunção. Quanto ao questionamento acerca dos encargos de depreciação e amortização, não há qualquer fundamento para o mesmo, pois não há qualquer dispositivo legal que diga que tais encargos somente possam ser computados no resultado do exercício a partir da utilização de cada bem considerado. Outrossim, a apropriação dos créditos à razão de 1/48 ao mês, sobre o valor contábil do bem, tem previsão legal. É uma opção que, no caso, legitimamente, fora levada a efeito pela Alunorte, inexistindo disposição legal que vede a adoção de tal critério de cálculo. j) Adentrando na Doutrina acerca da extensão e alcance da definição de insumo para fins de creditamento das pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa de PIS/PASEP, vêse que a Constituição Federal previu o regime da não cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, estendendoo pela EC 42/2003 ao PIS, remetendo sua regulação à legislação infraconstitucional, não havendo como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da aludida lei ordinária, Fl. 801DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 802 8 reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas, e que como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.637, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Volta a citar posição doutrinária. k) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização, esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 134/154): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 803 9 COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS. Conforme prescreve o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 20/05/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (cópia AR fl. 155). Inconformada, em 14/06/2013 (fl. 157), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 157/202), no qual, resumidamente, apresenta suas razões em seu pedido, quanto aos seguintes itens glosados pelo Fisco: a) dos materiais (Tijolos) refratários e dos Serviços de manutenção destes materiais refratários; b) da fita de aço para expedição de lingotes, alegando não ser possível compreender o porquê de tal glosa, pois seria, na mais "conservadora" das análises, uma vez que se trata de "material de embalagem"; c) dos Serviços com o transporte e do coprocessamento dos resíduos revestimento gasto de cubas eletrolíticas RGC, assim como com a limpeza, serviços de operação portuária e manutenção de seus equipamentos; d) quanto aos bens do Ativo Imobilizado: Fl. 803DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 804 10 (i) que em relação à glosa de máquinas e de equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado temse permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, afirmando também que a IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 ao mês). Entende, porém, que a Lei nº 11.196/05 (instituiu regime especial de tributação para o REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre bens amparados pelo RECAP) e o Decreto nº 5.988/06 (instituiu depreciação acelerada incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM) previram incentivos para que as sociedades sujeitas ao SUDAM pudessem optar por uma periodicidade diferenciada (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP. Destaca, ainda, que a alegação do Parecer da DRF de fundamentar que não teria observado as exigências da Lei nº 11.196/05, exigirlheia uma conduta impraticável; (ii) que não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e de equipamentos, volvidos no ativo imobilizado, não teriam sido empregados na fabricação de produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros; (iii) que não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/07 (REIDI) no que se refere à redução do prazo para utilização de créditos de edificações; e (iv) que a glosa de bens considerados edificações e componentes do ativo imobilizado contraria a jurisprudência atual administrativa acerca do conceito de insumos. A Recorrente pontua alguma das glosas efetuadas no Despacho Decisório e que foi corroborado pelo acórdão recorrido, apresentou seus fundamentos e requer que sejam acolhidas as razões constantes do recurso administrativo, para que a decisão de primeira instância seja reformada, acolhendose integralmente o presente recurso a fim de desconstituir as glosas relativas ao 1º trimestre de 2008. Requer, por fim, que seja deferido o aproveitamento dos créditos lançados nos pedidos de compensação, advindos da não cumulatvidade, sob pena de violação frontal ao art. 195, §12 da CR/88, Lei nº 10.833/2003; art. 100 da Lei 5.172/1966 (CTN); arts. 1º, 2º e 3º do Decreto 5.988/2006, art. 6º e 41 da Lei 11.488/2007, art. 8º, inciso I, alínea b e § 4º, inciso II, alíneas "a e b" da IN/SRF n° 404, de 2004, art. 1º, incisos I e II, §§ 1º e 2º da IN/SRF 457/2004, ao lado da farta doutrina e jurisprudência colacionadas no recurso. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao se analisar o recurso, a Turma definiu pela conversão do processo em diligência, conforme consta da Resolução nº 3403000.545, de 26/03/2014, com o seguinte teor: "(...) Tratase de verificar se procedem ou não as glosas realizadas pela Fiscalização em relação às operações que o Recorrente sustenta configurarem hipóteses que geram direito ao crédito de Cofins não cumulativo. Ocorre que, por algum defeito de instrução, não se encontram nos autos do presente processo eletrônico as planilhas que são referidas pelo Parecer que contém a motivação e a fundamentação do Despacho Decisório. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 805 11 Encontramse nestas planilhas o detalhamento dos insumos e serviços glosados, em relação aos quais o Recorrente entende ter direito de crédito. Sem apreciar estas planilhas não há como realizar o julgamento. Ante o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem restabeleça a ordem do presente processo eletrônico, organizando os atos processuais na sequência em que foram praticados e trazendo as cópias das planilhas e de todo o material de apoio que tenha sido efetivamente utilizada pelo Auto de Infração". O processo foi, então, movimentado para a unidade de origem e tendo sido cumprida o contido na Resolução, os autos foram devolvidos para este CARF, reconhecendose que foi constatado que os documentos anexado às fls. 208 a 224, tratamse de documentos pertencentes a outro processo que foi anexado indevidamente a este (despacho fl. 786). Foi também juntado os documentos de fls. 232/785. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da análise do processo O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos da COFINS. Contudo, ainda na tarefa de relatar o processo, depareime com questão prejudicial. Por mais que os itens glosados estejam categorizados e exemplificativamente arrolados no Parecer Seort/DRF/BEL nº 0274/2012 (fls. 128/133), o próprio texto do parecer aponta a existência de planilhas onde estariam as glosas individualmente detalhadas, sendo elas: "Planilha Insumos Glosas"; “Planilha Serviços Glosas”, dos seguintes documentos produzidos durante a análise do crédito", descrito no item 18 do citado Parecer: "Planilha com Notas Fiscais Válidas e Planilha com Notas Fiscais glosadas". No entanto, compulsando os autos, não encontrei tais planilhas. O mais próximo que cheguei disso foi ao localizar, às fls. 235 a 564 (anexada pela unidade de origem quando do cumprimento da Diligência), algo que provavelmente se trata das referidas Planilhas, mas que tornouse de difícil identificação e manuseio, que pode ter ocorrido com a digitalização do processo, ou com a conversão das folhas para o formato “pdf”. Temse, assim, um problema técnico que inviabiliza a apreciação do processo, visto que não se tem como visualizar as glosas de forma individualizada (como certamente Fl. 805DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901059/201213 Resolução nº 3402000.794 S3C4T2 Fl. 806 12 visualizaram a Recorrente e a DRJ, que sequer se referiram ao problema técnico), de modo a permitir a verificação da conformidade ao conceito de insumo que vem sendo adotado predominantemente neste Colegiado. Temse ainda, neste contexto, que esta Turma tem adotado como critério para o deslinde do litígio, em casos similares ao aqui tratado (vide Resoluções nºs 3202000.340, de 18/03/2015 e 3202000.342, de 18/03/2015), a realização de diligência, a fim de se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente (custo de produção), devendo, para tanto, ser considerados como insumos todos os bens e serviços utilizados, direta ou indiretamente, exclusivamente no processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da produção. Diante do exposto, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório, e assim sendo, nos termos do que dispõem os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente da DRF Belém (PA), proceda ao seguinte: 1) juntar aos autos as planilhas onde estariam as glosas individualmente detalhadas, sendo elas: "Planilha Insumos Glosas"; “Planilha Serviços Glosas”, dos seguintes documentos produzidos durante a análise do crédito, descrito no item 18 do citado Parecer: "Planilha com Notas Fiscais Válidas" e "Planilha com Notas Fiscais glosadas". 2) Intime a Recorrente a apresentar laudo técnico elaborado por instituição de reconhecida reputação técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), no qual deverá constar: (i) A descrição detalhada do processo produtivo da Recorrente, relacionando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados (contestados em seu recurso voluntário), na produção dos bens destinados à venda; e (ii) Quais insumos objeto da autuação fiscal são de aplicação direta ou indireta na produção; e (iii) Se tais insumos possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. 3) Após a juntada do laudo, caso entenda necessário, promover diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo acerca da utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosados, em relação ao processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 806DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720910/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA POR BENEFICIÁRIO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Os proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave são isentos a partir da data em que a doença foi contraída quando especificada no laudo pericial emitido de acordo com as exigências legais. Ante a apresentação de laudo médico oficial que comprove a existência de moléstia grave durante o período a que se pleiteia a isenção, deve ser cancelado o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA POR BENEFICIÁRIO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Os proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave são isentos a partir da data em que a doença foi contraída quando especificada no laudo pericial emitido de acordo com as exigências legais. Ante a apresentação de laudo médico oficial que comprove a existência de moléstia grave durante o período a que se pleiteia a isenção, deve ser cancelado o lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA POR BENEFICIÁRIO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Os proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave são isentos a partir da data em que a doença foi contraída quando especificada no laudo pericial emitido de acordo com as exigências legais. Ante a apresentação de laudo médico oficial que comprove a existência de moléstia grave durante o período a que se pleiteia a isenção, deve ser cancelado o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 09 10 /2 01 2- 32 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10725.720910/201232 Acórdão n.º 2401004.351 S2C4T1 Fl. 105 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1666.726 (fls. 69/76), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), que julgou improcedente a impugnação (fls. 02) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Ementa: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE Os proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave são isentos a partir da data em que a doença foi contraída quando especificada no laudo pericial emitido de acordo com as exigências legais. No presente caso não houve apresentação de laudo médico pericial devendo ser mantida a omissão de rendimentos lançada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2009/482065018670387 de fls. 03/07 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 2.597,16 a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 05) a fiscalização informa a glosa de R$ 43.899,80 correspondente à Omissão de Rendimentos Sujeitos à Tabela Progressiva, nos seguintes termos: Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: a) Que não houve omissão do valor de R$ 43.899,80 pois apenas declarou o rendimento como Isento, por ter sido acometido, em 25/08/1997 por problemas cardiovasculares; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 b) Que de acordo com a sua declaração retificadora, tem direito a restituição de R$ 3.147,00 menos o que foi restituído na declaração original no valor de R$ 287,44 perfazendo um total de R$ 2.859,56, isso sem atualização; c) Anexou declaração do médico, declaração de Isenção da Petros e do INSS. Intimado do acórdão da DRJ/SPO em 13/05/2015 (A.R. fl. 84), que julgou improcedente a sua impugnação, o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 87/88) em 06/05/2015, onde alega: a) No ano de 2007 descobriu que seu problema de saúde era passível de isenção de imposto de Renda na Fonte, portanto realizou pedido à PETROS, sua fonte pagadora, para isenção de Imposto na Fonte. b) Após o deferimento do seu pedido deu início ao processo de revisão de suas declarações de imposto de Renda Antigas. Na DIRPF 2006/2005 lançou os rendimentos como isentos por motivos de aposentadoria por moléstia grave. Obteve êxito e recebeu os créditos em atraso referente a essa declaração. c) Após resposta positiva, retificou outras declarações. Então, conforme constam nas declarações originais, os rendimentos foram lançados como tributáveis e com suas respectivas deduções, tendo por fim acatado o resultado das declarações: imposto a pagar em 2006, 2008 e imposto a restituir em 2009. d) Informa que anexou o laudo médico (em acordo com as regras exigidas) comprovando que fazia tratamento com o Dr. Leonardo Ferraz. O laudo apresentado não é pericial, pois a sua fonte pagadora não pediu perícia médica. e) Requer a concessão da isenção, e, caso não seja possível, que seja retirada a multa por omissão de rendimentos, visto que os rendimentos não foram omitidos, e que o imposto já foi pago. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10725.720910/201232 Acórdão n.º 2401004.351 S2C4T1 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento nº. 2009/482065018670387 de fls. 03/07 originase da GLOSA de Omissões de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, ora recorrente, em sua DIRPF (fls. 19/23). Em sede de impugnação, ressaltou que não houve omissão, eis que apenas declarou o rendimento de R$ 43.899,80 como isento, uma vez que vem sendo acometido desde 25/08/1997 de problemas cardiovasculares. Já em sede de recurso voluntário (fls. 81/82) o recorrente trouxe documentos, especialmente laudos periciais, para conhecimento desse órgão julgador, visando afastar o lançamento realizado. Nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Acerca do reconhecimento das doenças relacionadas nos incisos acima, foi editada a Lei nº. 9.250/95, que assim dispôs no seu artigo 30: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifamos) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Ocorre que, no presente caso, partimos da análise da DIRPF (fls. 19/23) e nela está inserida a informação, pelo próprio recorrente, de que recebeu rendimentos tributáveis das pessoas jurídicas FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL – CONVÊNIO INSS e FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS (CNPJ nº. 34.053.942/000150) Destaco que para a comprovação da sua condição de portador de moléstia grave (Cardiopatia Grave), o Sr. Francisco Costa Nogueira trouxe ao processo administrativo os seguintes documentos: a) Cópia do Laudo e do pedido de isenção utilizados na PETROS (Fl. 91) b) Laudo Pericial emitido pelo Dr. Leonardo Ferraz (Fl. 93/94) Assim, ante os documentos apresentados pelo recorrente, entendo que é cabível a isenção por ser portador de moléstia grave (Cardiopatia Grave). Isto posto, ante a apresentação de documentos hábeis a afastar as razões apresentadas pela autoridade fiscal na notificação de lançamento impugnada, deve ser dado provimento ao recurso voluntário para o fim de cancelar a Notificação de Lançamento nº 2009/482065018670387 de fls. 03/07. CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER E DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 14485.000007/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO CO-OBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário.
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142.
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO COOBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 00 07 /2 00 7- 15 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000007/200715 Acórdão n.º 2301004.458 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.872.3973, emitida em 21/12/2005, relativa a contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social rubricas segurados, empresa, e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho rubrica sat/rat, incidentes sobre a remuneração de trabalhadores contratados por cessão de mãode obra na execução de serviços de montagem industrial, nas competências 02/96 a 06/96 e 08/96 a 12/96, de acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 77/81, que substituiu o Relatório Fiscal, de fls. 28/31. No item 3.1 do Relatório Fiscal às fls. 77, consta que empresa fora autuada por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Cientificado pessoalmente da notificação em 21/12/2005 (fls. 1), o contribuinte interpôs aos 03/01/2006, a defesa, de fls. 41/54, alegando, em PRELIMINAR A DECADÊNCIA do direito do fisco de constituir o crédito tributário visto que o período fiscalizado é de 01/1995 a 12/1996 e a data limite para cobrar os tributos referentes ao último período seria o mês de dezembro de 2001. Na seqüência, alegou que o documentos não foram apresentados em razão do STJ já ter pacificado a matéria decadência para o prazo qüinqüenal não tendo como se exigir da Defendente documentos referentes a períodos anteriores, pois conforme art. 5°, inc. II da Constituição Federal, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sendo em virtude de lei. Protestou pela juntada posterior de outras provas em direito admitidas, aguarda o acolhimento das preliminares e, no mérito, requer seja julgada insubsistente a NFLD com o cancelamento da multa imposta de forma indevida ou, pelo principio da eventualidade, a redução da multa imposta, e ainda eventuais juros, somente a contar de 21/12/2005. Cientificada da notificação em 27/03/2006 (fls. 38), a empresa prestadora de serviços não interpôs defesa, conforme atestado, as fls. 69. Analisados os autos, a instância a quo converteu em diligência (fls. 70/75 ) Cumprida a diligência, foi emitido o Relatório Fiscal Substitutivo (fls. 77/81), Foi emitido o Relatório Fiscal substitutivo (folhas 01 a 05), com cópia à contracapa. Os contribuintes tomador e prestador de serviços foram comunicados do resultado da diligência fiscal com reabertura de prazo para defesa, respectivamente, em 10/07/2007 e 27/06/2007 (fls. 100/101). 7. A empresa prestadora de serviços não se manifestou nos autos, conforme atestado, As fls. 130. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 0 contribuinte tomador de serviços apresentou em 25/07/2007, sob protocolo n° 35464.003478/200701, a defesa, de fls. 103/128, repetindo os argumentos da defesa anteriormente apresentada, DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.133 a 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SPOI , em 20/12/2007 , exarou o Acórdão n°1615.923, mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a autuada interpôs Recurso Voluntário de fls.172, onde reiterou e as alegações que fizera em sede aquo Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000007/200715 Acórdão n.º 2301004.458 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 DA SÚMULA 99 DO CARF E DOS ARTIGOS 150 E 173 DO CTN Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” O Relatório Fiscal revela ter sido constituído créditos para a rubrica cessão de mão de obra e não registra inadimplência total. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 02/96 a 12/96 e ,ainda, que a empresa fora notificada em 21/12/2005 ( fls.02), na forma da Súmula 99 do CARF sou de concluir que o crédito lançado na competência 11/2000 e anteriores encontrase fulminado pelo instituto da decadência. Aduz que no comando do art. art. 173, I do CTN a decadência teria se operado para a competência 11/99 e anteriores e assim por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional CTN, tanto na forma do prazo estabelecido no art. 150, § 4º, quanto no comando do art. art. 173, I do CTN o lançamento se encontra decadente na totalidade vebis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; DA PORTARIA MPS nº 520/2004 Noutro giro, embora não se tenha trazido à colação, impõese revelar que à época das notificações vigia a Portaria MPS n° 520/2004 trazendo comando enfático ao estabelecer que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente nos itens 3.1 e 3.1.2 do Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 e parágrafos da Lei nº 8.212/91, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a cessão de mão de obra na execução de serviços de montagem industrial, nas competências 02/96 a 06/96 e 08/96 a 12/96, verbis: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000007/200715 Acórdão n.º 2301004.458 S2C3T1 Fl. 5 7 "3.1) Prestadora de Serviços por Cessão de MãodeObra de Trabalhadores Responsabilidade Solidária. 3.1.2) Foi lançado o presente débito, em razão de não terem sido apresentados, pela empresa contratante as copias autenticadas das Guias de Recolhimento quitadas (GRPS) e respectivas Folhas de Pagamento especificas conforme dispunha o artigo 31 e parágrafos da Lei N" 8.212/91c OS INSS/DAF if 83, de 13/08/1993". Dispondo sobre os processos administrativos no âmbito do INSS, a Portaria nº 520/2004 disciplinava os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração e, no que couber, ao pedido de isenção da cota patronal, de restituição ou de reembolso de pagamentos e à Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, quando instaurado o contencioso. Neste sentido , impende transcrever o art. 34, com destaque para o comando do § 4º da referida norma vigente na oportunidade do lançamento : “Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado.”( grifos de minha autoria) Na esteira desse entendimento, consoante preceitua o dispositivo legal supra, para efeito da contagem do prazo decadencial, o termo final será a data da ciência do último do solidário , in casu, na forma do despacho de fls. 74 a prestadora foi notificada em 27/03/ 2006, verbis: ' 21.404.3 SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E GERENCIAMENTO DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS SEREC, em 02/06/2006. Empresa Tomadora : BUNGE FERTILIZANTES S/A CNPJ : 61.082.822/000153 Empresa Prestadora : PLENA CONS. E ASSES. CONT. E JURÍDICA LTDA CNPJ : 93.803.385/000106 Ref. Débito : 35.872.3973 1. A empresa tomadora acima identificada apresentou TEMPESTIVAMENTE sua DEFESA, protocolada através do PT n.° 35464.000071/2006, de 03/01/2006, juntada às fls. 41 a 68 110 deste processo. Data de ciência da Notificação pela tomadora: 21/12/2005 fls. 01; Data de ciência da Notificação pela prestadora:27/03/2006 , fl 1R:( 16° dia da pubL Edits!) Data de expiração do prazo para DEFESA: 11/04/2006 15 dias da última ciência; Data do protocolo da DEFESA pela tomadora: 03/01/2006; 2. A empresa prestadora acima identificada NÃO apresentou sua DEFESA até a presente data. 3. Esclarecemos que a data de protocolo da defesa informada no sistema SICOB está em desacordo com a real data de apresentação da mesma, tendo em vista que o sistema critica a data correta com a seguinte mensagem: "data do evento anterior a data da ciência ou posterior a data de exp. da defesa". 4. Esta critica ocorre porquê a empresa Tomadora apresentou sua defesa antes da data da ciência da empresa Prestadora, data esta que deve ser informada no SICOB e considerada para contagem do prazo de defesa (data da última ciência). 5. Sugerimos o encaminhamento do processo ao Serviço do Contencioso Administrativo Previdencidrio — SECAP, em prosseguimento. " Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000007/200715 Acórdão n.º 2301004.458 S2C3T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, tendo a prestadora sido notificada em 27/03/2006, todo os créditos tributários constituídos no período referente às competências 01/01/1996 a 31/12/1996 restaram fulminadas pelo instituto da decadência por quaisquer dos critérios previstos no Código Tributário Nacional CTN, impondose portanto reconhecer e declarar a DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para EM PRELIMINAR , com fulcro em quaisquer dos critérios previstos no Código Tributário Nacional CTN, reconhecer e DECLARAR A DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. É como voto. Ivaccir Julio de Souza Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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