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Numero do processo: 00650.050545/82-03
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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM UBERABA (MG) IRPJ - DEDUT1BILIDADE DE DESPESAS - Não com provada sua necessidade devem ser , adicionadas* ao lucro líquido do exercicio 4kara determi- nação do lucro real. RECEITA OMITIDA - Provada a sua percepçãoe ve rificada a sua não escrituração, a sua tri- butação deve ser mantida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGROTEC - EMPREENDIMENTOS AGROPECUÃRIOS LTDA.: .1 ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse_ lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao re- curso, s termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgad ‘b 9n\. ,1 /) .1.Sala das S% Ze-'(DF), em 21 de maio de 1984 12/ igy ANnr -., lr DOR 011-4 - L, - RNmNDEZ PRESIDENTE i F5ANDO (00", RO VE n OSO - RELATOR f wor VISTO EM AGOSTINHO F :-.-- - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 2n :::, ,i M4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SYLV10 RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, BRAZ JANUÃRIO PINTO e RAUL PIMENTEL. '. ' • :_-_=. ' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N90650-050.545/82-03 RECURSO N9: - 86.628 ACÓRDÃO N9: - 101-75.201 RECORRENTEN9: - AGROTEC - EMPREENDIMENTOS AGROPECUÃRIOS LTDA. RELATÓRIO AGROTEC - EMPREENDIMENTOS AGROPECUÃRIOS LTDA., com domicílio fiscal em Uberaba (MG), recorre da decisão singular que manteve a exigência de imposto de renda, multa e acréscimos relati- vamente aos exercícios de 1978 a 1980. A exigência decorre de a fiscalização ter apurado as seguintes irregularidades cometidas pela interessada: a) efetivação de despesas sem receita corres- pondentes e sem a comprovação de sua neces- sidade; b) contabilização de despesas com fundamento em documentação inábil; e c) omissão de receita de prestação de serviços. Em sua impugnação alega o seguinte no tocante as despesas glosadas por falta de receitas correspondentes e não com-- provação da sua necessidade: (a) todas as despesas realizadas tem correspondente receita, como comprovam as faturas que junta; (b) que as receitas das propriedades relacionadas nos quadros demonstrati- vos de fls. 53 a 55 devem ser declaradas pelos respectivos proprie- tários e não pela autuada; (c) houve equivoco na glosa de gastos co_ mo se estivessem vinculados a determinada fazenda, pois não\i ess 7.)DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 16015 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650-050.545/82-03 03. Acórdão n9 101-75.201 vinculação, funcionando as mesmas (fazendas) como centro de opera- ções de campo, de modo que as despesas contabilizadas para aquelas propriedades referem-se na realidade a outras; (d) que a escolha dcs centros operacionais é feita de comum acordo com o proprietário das áreas. Quanto as despesas glosadas por documentação inábil informa: (a) não tinha informações de que o CGC/MF da referida em- presa estava baixado; (b) que goza de presunção debce fé; (c)que en_ comendou e recebeu os serviços prestados pela referida empresa e que por eles pagou regularmente. Para comprovar os pagamentos apre- senta relação, cópias de extratos e de ordens de créditos,além de quadro demonstrando os serviços executados conforme contrato e no- tas fiscais. No que se relaciona a omissão de receita aduz: (a) não ter ocorrido; (b) decorrer de equivoco da fiscalização; (c) ter escriturado essa receita, conforme fls. de Diário que apresenta. A manutenção da exigência origina o recurso onde re_ pete a argumentação antes dispendida, valendo ressaltar que objeti- vando verificar a real situação em relação aos pagamentos suporta- dos por documentação considerada inii:ii oi, o primeiro julgamento f convertido em diligência objetivando urar o que se contém na Reso lução n9 101-01.813, lida em Ple ári ??4' É o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650-050.545/82-03 04. Acórdão n9 101-75.201 VOTO Conselheiro FERNANDO CÍCERO VELLOSO, Relator: Retornando os autos da diligência verifica-se que nenhum dos elementos solicitados objetivando apurar a veracidade ou idoneidade dos serviços que teriam sido prestados pela firma indivi- dual "Jairo Felipe da Silveira" pode ser confirmado. A não ser as declaraçaes orais prestadas pelo pró-- prio Sr. Jairo,o que se contém nos autos é que: (a) Os pagamentos te- riam se realizado entre 08/79 até 11/79 (fls. 303); (b) Desde 05/78 o CGC/MF da firma individual do Sr. Jairo já havia sido baixado; (c) Nenhum contrato pode ser exibido; (d) Não pode ser verificada a es- crituração de nenhum dos pagamentos efetuados pela recorrente; (e) o informante às fls. conclui pela manutenção da glosa. Ora, não ficou provada a realização dos serviços , sua necessidade e nem os pagamentos respectivos estão suportados por documentação idõnea.na medida em que não _ encontra respaldo na con _ _ tabilidade. Por essas razOes, entendo, deve ser mantida a tributa- ção quanto a esse item. No que se relaciona com as despesas efetuadas em propriedades de terceiros, sem a comprovação da necessidade e a exis_ tência de receita é preciso considerar o seguinte: (a) as receitas contabilizadas pela recorrente referem-se a execução de serviços em propriedades diversas das relacionadas nos Quadros Demonstrativos de fls. 53/55; (b) não foi apresentado qualquer documento, contrato ou elemento que comprovasse a necessidade das referidas despesas, con- fessadamente havidas nas propriedades antes referidas; (c) as decla- rações apresentadas como prova de que as terras de terceiros foram cedidas para utilização por parte da recorrente somente atestam que os seus signatários são os maiores acionistas da recorrente. Desta forma, tendo que também quanto a esse item a tributação deve ser mantida X SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650-050.545/82-03 05. AcOrdão n9 101-75.201 Quanto a omissão de receita de prestação de seviços, está patente dos autos que a escrituração foi feita na conta "fatu- ras a receber" (débito) não ficando provado a contabilização a cré- dito da conta "Serviços Executados" que é a conta de receita de pres tação de serviços utilizada pela recorrente para registrar tais rece _ bimentos. Isto osto e conside , andçõ tudo o mais que cos autos consta, voto pela neg iva de provime to.', , F R DO ICERO VE ,•S0 - RELATOR. I 1 1 , 1 , 1 i i i , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10165.000066/90-82
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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RECORRIDA - DRF EM BRASILIA - DF AND DECORRENCIA - A decís2(o proferida pelo Cole lado no julgamento do V' • e Ca..k r- IS 0 interposto no processo principal instaurado contra a pessoa jurídica, estende-se ao litígio decorrente relacionado com a contribuiç:Wo para o PIS/DEDWMO. Vistos !, r" e latadas e d 1. S C L.; t. idOS os presentes autos de recurso interposto por LELLIS PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. :as SessCes, em 28 de abril de 1993.J 4#1"/ PRESTDEN1E ii •— / FRANCISCO DE AW. - 3 MIRANDA - RELATOR VISTO EM LUIZ Etn\ ' 10 ,, W.Liatg40FAES - PROCURADOR DA SESSMO DEn FAZENDA NACIONAL 24 MAR 194 Participaram, ainda, do presente jul gamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, jEZER DE OLIVEIRA CANDIDO E SEBASTIRO RODRIGUES CABRAL. IIIÁN , , PROCESSO N2 10165/000.066/90-82 RECURSO N2 69.687 ACÓRIA0 N2 101-85.072 RECORRENTE : LELLIS PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA. RELATÓRIO A empresa supra-referenciada, qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau que manteve a exiqãncia do recolhimento da contribuição para o PIS/DEDUÇAO, articula recurso tempestivo, nos termos da petiçâ'o de fls. 32/38. A exigãncia se iniciou com o Auto de infração de fls. 01/05, lavrado quanto ao exercício de 1938, período-base de 1987 como decorrPncia do que consta do processo principal número 10165/000.062/90-21, instaurado contra a pessoa jurídica, onde foi apurado omissWo de receita. e deduçSo indevida de despesas. Esta Cãmara, ao jul gar o Recurso n2 101.798, constante do processo original, lhe deu provimento â unanimidade, - Pelo acórdão ng 101-85.012 para excluir da tributação no exercício de 1988, o valor de Cz$ 3.151.514,46 e reduzir a multa para a de 50%, nos casos em que ela foi aplicada em seu grau mâximo de 150%. A-, É o relatório. '' r141 , , , ! , , , 1 , 1 , ,, PROCESSO Ng 10165/000.066/90-82 ., ACÓRDMO N2 101-85.072 VOTO ., : ,,, Conselheiro n FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator A cobrança da contribuição PISSDEDUCAO, de acordo com a prova dos autos, se revela mera decorrncía do que a fiscalização externa apurou pela auditoria contatai-fiscal à que a recorrente foi submetida. Na forma do art. 480 do RIR/80, as pessoas jurídicas deverão deduzir do imposto devido, o percentual aí estabelecido, para recolhimento ao Fundo de Participação do Programa de IntegraçNo Social - PIS. No caso em que o imposto devido seJa majorado em conseqü'ãncia de infraçães devidamente apuradas em lançamento de oficio e confirmadas por decisffes administrativas, as contribuiçffes ficarWo prejudicda ,,,, eis que sWo, na forma da lei, calculadas sobre o imposto devido. Consta, quanto ao pleito matriz desta decorr@ncia, que a postulante, de acordo com os elementos que comem o processo original, prejudicou o lucro real ao praticar as irregularidades descritas no relatório supra. Ao decidir a impugnação interposta no processo principal, a autoridade Julgadora de U instãncia, negou-lhe provimento. Aduelas irregularidades, se confirmaram, apenas, • J..- em parte, quando esta Cãmara julgou o Acórdão n9 101-85,012 • 1 •'* . o Recurso n2 101.798, interposto contra decisNo de primeira .4 • • À • .1 , 4 PROCESSO N2 10 165 000 066 90 82 ACÓRDRO N2 101-85.072 instãncia, dando-lhe provimento , para excluir da tributação o valor de Cz$ 3.151.514,46 e reduzir a multa para a de 50% nos casos em que ela foi aplicada em seu grau mâximo de 150%. Assim, frente a i.ntima relaç:Xo de causa e efeito e considerando que a solução proferida no processo matriz constitui prejulgado aplicável ao processo dele decorrente, voto pelo provimento do recurso, para ajustar a exiç~cia da ir :i. ao que foi decidido no processo matriz através do '-) AcárdX0 n2 101-85.012. Bras:í.lia, 28 de :, -:-il de 1993" OP. -. ,40001111 FRANCISCO DE ASSIS MIRAN, 44 dELATOR k , ,.. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 00008.450598/16-78
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Sessão de 07 de julho de 19 ACORDÃO N° 10174,554 Recurso n° 34.166 - IRPF - EXS: de 1976 e 1977 Recorrente - MODESTO QUINTAS VILA NOVA Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SANTOS (SP) IRPF - DECORRÊNCIA - Se no recurso do pro- cesso principal nenhum documento foi ane- xado para provar a origem externa ã em presa, do numerário utilizado pelos seScio para suprimento de caixa, obviamente que no processo instaurado contra os sOcios, o reflexo á lOgico e natural, ante a Inti- ma relação entre causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de - recurso interposto por MODESTO QUINTAS VILA NOVA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho (31 ,èontribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recursoóW:" Sala das S'Ssae ,DF) em 07 de julho de 1983. AMADOR O EERNANDEZ - PRESIDENTE r C' t,e' -~CC-a L/1±-4,- / oSTINI19,7 RRANO FILHO - RELATOR e/ VISTO EM iwAllOgWINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: -7 J121 47 NACIONAL Participaram,ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FERNANDO CÍCERO VELLOSO, BRAZ JANUARIO PINTO e RAUL PIMENTEL. --rrr= .~ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N19 0845/059.816/78 RECURSO N9: 37.166 ACÓRDÃO N9: 101-74.554 RECORRENTEN9: MODESTO QUINTAS VILA NOVA . RELATÓRIO O Contribuinte em epígrafe, inconformado com a decisão singular, de fls. 12 e 14, que indeferiu a impugnação, re_ corre a este Conselho. LEsta e a irregularidade detectada pelo Auto de In_ fraçãb, conforme fls. 01. "Valores supridos ao Caixa da empresa Metromar En_ genharía e Comércio Ltda-, da qual o contribuinte epigrafado é sOcio cotista, apurados em fiscalização, sem a necessãria compro- vação com documentos idôneos, coincidentes em datas e valores . traduzindo saldo livremente disponível, formado ã margem de Lu- cros e Perdas". As alegaçOes de defesa, tanto em sua impugnação de fls. 07 e 08, como em seu recurso, de fls. 18 a 20, assim po- dem ser sintetizadas: Preliminarmente, requer a anexação do presente processo aos autos do outro lavrado contra a pessoa jurídica por- que e decorrente deste. --- _ _ (Mátode Infração não pode prosperar, pois o ou- P tro, do qual este é decorrente, foi impugnado pela pessoa jurídi- ca, assim como o fato gerador do Imposto de Renda é inexistent ‘,-,-J /K7 DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1500 5 3. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 G845/059.816/78 Acórdão n9 101-74.554 em relação às uessoas físicas, porque não existe a disponibilidade econômica do rendimento. Em momento algum a fiscalização demons_ trou que o Recorrente houvesse sido beneficiado com qualquer parce_ la oriunda da nessoa jurídica, não incluída em sua declaração. É pacífico o entendimento na esfera judicial no sentido de que, impugnado o lançamento contra a pessoa jurídica , qualquer medida contra a pessoa física dos sOcios depeyfderà da so- (7 , luçao definitiva dada ao processo, o que nao ocorreu.‘P Ãh - 1 01 il É o relatório. 1 7f _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/059.816/78 4. Acórdão n9 101-74.554 VOTO Conselheiro AGOSTINHO SERRANO FILHO, Relator: Foram interpostos tempestivamente tanto o recurso como a impugnação. Por isso, deles tomo conhecimento. No presente recurso julgamos um processo, instau- rado em decorrência de outro contra a pessoa jurídica, MetromarEn genhária Ltda., porque o recorrente e sócio cotista da mencionada empresa. O processo contra a pessoa jurídica teve, como li tigio, várias irregularidades detectadas pela fiscalização, entre as quais o Suprimento de Caixa, cujo reflexo aqui se discute. O próprio contribuinte, no presente caso, reconhe ce que o que foi decidido no processo principal tem reflexo lOgi- co e natural neste processo, trazendo a seguinte ementa do TFR, no A. M. S. n9 74.724-SP: "Nãoê de deferir-se a segurança, em termos amplos, determinando, pura e simplesmente, o trancamento dos processo fiscais iniciados contra os sOcios, mas, apenas, fi quem suspensos, ate que se decida a controv6rsia fundamental no processo movido contra a empresa" (D.j.U. de 16.02.79, pagina 1.000). Ora, no recurso n9 86.633, da empresa Metromar En genharia e Comércio Ltda., atrav6s do Acórdão de n9 101-74.393, foi decidido por unanimidade de votos, quanto aos suprimentos de cai- xa, que a empresa não tinha razão, pois não apresentou mais ne- nhum documento, alem daqueles pelos quais jã tinha sido deferido parcialmente sua impugnação. Por essas razEies, nego provimento ao recursol,P 4 kn,7 mew “0 TIME) E RANO 'ILHO - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO (SP). IRPJ - FALTA DE COMPETÊNCIA - O Conse- lho de Contribuintes não é competente para decidir se pode ou não haver trans ferência do recolhimento a maior do PI-J. para o Imposto de Renda, que em conse-- qúencia foi a menor. MULTA - No caso de erro do câlculo do PIS a maior com o conseqtente recolhi-- mento do Imposto de Renda . a menor, não pode ser aplicada a multa no lançamento de oficio, visto que não houve declara- ção inexata da receita bruta, nem do lu cro real, com fulcro no art. 727, inci- so II, alínea b. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DURATEX FLORESTAL S/A.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para e'lluir a penalidade de Cr$ 278.493,00, nos termos do voto do relato", Sala as SAsse i li (DF), 12 de marça-de 1984 „ AMADOR •'M't5 RN2-1,1.1DEZ -PRESIDENTE A V ki444, 41,,L0 re„.• -•.• • - • _ alIf VISTO EM A OSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZEN SESSÃO DE: r ! án DA NACIONAL t7 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhe' SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇ NUNES, BRAZ JANUÁRIO PINTO e RAUL PIMENTEL. Ausente o Conselheiro NANDO CÍCERO VELLOSO. ''-- C SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Ng? 0810/021.039/83-90 RECURSO N9: 88.129 ACÓRDÃO N9: 101-75.092 RECORRENTE: DURATEX FLORESTAL S/A. RELATóRIO Interpae recurso a este Conselho, a empresa em e- pígrafe, com sede à Rua Libero Badar6, n9 293 - 79 andar, São Paulo, capital, irresignada com a decisão singular de fls. 22 e 23, 1 que manteve a exigência tributária, contida no lançamento suplementar , cujo demonstrativo de fls. 06 assim descreve a irregularidade: "Cálculo incorreto do PIS, em virtude da in- clusão do adicional no montante. Art. 405, § 29, combinado com a Art. 480 do RIR, a- provado pelo Decreto n9 85.450/80". Em sua impugnação de fls. 01 e 02, alega o seguin_ te, em síntese: - que reconhece ter ocorrido engano no cálcu_ lo da parcela do imposto de renda a ser recolhido para o Fundo do Programa de Integração Social, mas não se pode dizer que a empresa recolheu imposto com insuficiência, pois cometeu infração a normas acessOrias da legislação do imposto de renda; - que, se a parcela destinada ao PIS fosse uma contribuição os recolhimentos realizados seriam dedutíveis do imposto de renda; - que, portanto, não Cabe a exigência de no- vo pagamento a título de imposto suplementar, visto que as parcela IÇ2' DM F - DF/19 C-C - Secgraf - 160 C-)/7, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0810/021.039/83-90 03. Acórdão n9101-75.092 do imposto de renda e do PIS já foram recolhidos dentro do prazo re- gulamentar; - que requer seja transferida a parcela, reco lhida em excesso ao PIS, para a Receita Federal, ou seja relevada a multa de lançamento suplementar. A decisão recorrida manteve a exigência fiscal do lançamento suplementar, "considerando que a impugnante recolheu, co- mo admite, imposto de renda a menor, em virtude de ter incluído no cálculo da dedução para o PIS,o_adicional de 5% (cinco por cento) de vido; considerando que o Fundo de Participação do Programa de Inte- graçãoSocial não é administrado pela Secretaria da Receita Federal sendo esse órgão incompetente para proceder a transferência de valo- res requerida pela impugnante". U Em seu recurso de fls. 26 e 27, diz sinteticamente: - que não recolheu o imposto de renda a menor, pois a parcela destinada ao PIS continua a ser imposto de renda, co- mo foi dito pela ementa do acórdão n9 103-02.483; - que apenas ocorreu engano quanto à_entidadé desti natâria da arrecadação, mas a dedução, destinada ao imposto de renda, foi recolhida ao PIS, que é órgão subordinado ao mesmo Ministério da Fazenda e a empresa não usufruiu nada com esse engano; - que a multa por falta de recolhimento de tributo só é devida quando hâ prejuízo para a Fazenda Pública, o que não ocorreu pois o montante do imposto foi integralmente recolhido , embora com parcelas erradas; - que a penalidade calfvel não pode ser aque- la destinada aos contribuintes inadimplentes /)" É o relatório_ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0810/021.039/83-90 04. Acordao n9101-75.092 VOTO Conselheiro AGOSTINHO SERRANO FILHO, Relator: Foram interpostos tempestivamente tanto a impugna- ção como o recurso. Por isso, deste tomo conhecimento. As partes estão de acordo em que houve cálculo in- correto do PIS, pois realmente, de acordo com o art. 480 do RIR/80 , "as pessoas jurídicas deverão deduzir 5% (cinco por cento) do impos- to devido, para recolhimento ao Fundo de Participação do Programa de Integração Social - PIS". Ora, conforme fls. 16, o imposto devido era no va- lor de Cr$ 134.479.108,00, cujo 5% equivale a Cr$ 6.723.955,00. Con- tudo, a empresa declarou o PIS no valor de Cr$ 7.463.645,00, fazendo o adicional de 5%, instituído pelo D.L. n9 1.704/79, alterado pelo D.L.n9 1.885/81, integrar a base de cálculo do PIS. Más o parágrafo 39 do art. 19 do Decreto-lei n9 1.704/79 diz claramente que este adi cional não permite qualquer dedução. Realmente, não há litígio quanto a este aspecto do processo, pois este ê o item 1 da impugnação, ipsis litteris: "A impugnante reconhece ter ocorrido efetiva- mente engano no cálculo da parcela do impos- to de renda a ser recolhida para o Fundo de Programa de Integração Social - PIS". Tanto no final da impugnação como do recurso, a em presa requer "para que seja cancelada a exigência suplementar, com a transferência para a Secretaria da Receita Federal, da parcela reco- lhida em excesso ao Fundo PIS, ou, caso seja impossível, para que se ja relevada a multa de lançamento contida na notificação original e mantida pela d. autoridade recorrida". Quanto ã primeira parte do requerimento da empresa, s6 temos a dizer que o aspecto unicamente administrativo e não ///252 ,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0810/021.039/83-90 05. Acórdão n9101-75.092 da competência deste Colegiado, que é um órgão julgador, como é de- clarado pelo artigo 89 do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n9 182 do Ministro da Fazenda, de 13 de abril de 1977, no seguinte teor: "Compete ao Primeiro Conselho de Contribuin- tesjulgar os recursos voluntários de deci- s6es de primeira instância sobre aplicação i de legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adi- cionais e empréstimos compulsórios a ele vin— culados". Ora, a transferência do que foi pago em excesso ao i PIS, que é administrado pela Caixa Económica Federal, para o Im- posto de Renda, que 'e administrado pela Receita Federal, foge à com- petência do Conselho de Contribuintes, que é órgão colegiado direta- mente subordinado ao Ministro da Fazenda, como afirma o artigo 19 do 1 Regimento Interno, já mencionado. Quanto à multa aplicada, assiste razão à empresa, pois a letra "b" do inciso II do artigo 727 diz que será aplicada a , multa "de 30% (trinta por cento), sobre a diferença de imposto resul tante, quando for apurado, mediante revisão posterior, que a indica- ção da receita bruta, ou do lucro, feita pela pessoa jurídica em sua declaração de rendimentos, o foi com inobservância das disposiçOes legais". 1 Ora, a indicação da receita bruta e do lucro foi correta. O erro apontado, no processo em foco, foi somente o cálcu- lo do PIS. , Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do re — curso, a fim de se excluir da tr'lutação a multa de Cr$ 278.493,00 , 1 exigida pelo DARF de fls. 4 e 5 ///II, 77 41:: . . / 40 4,•,. ,-/ / ,--( te :. t. STINHO :ERRANO FILHO -Relator , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 13005.001042/2002-30 Recurso e 131.215 Voluntário Matéria PIS/Pasep MF-Segundo Conselh o de Contriubnuliãntes Acórdão n° 202-18.739 Sessão de 13 de fevereiro de 2008 drblic do noi Dirrtscia; daraL Rubrica • Recorrente XALINGO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida DRJ em Santa Maria - RS Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ah initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CO " IBUINT-ES, por unanimidade de votos, em anular o processo ah initio. , MF - SEGU:OFECROENScEoLim100 oDERICGOINNALTRIBUINTES ANTONIO CARLOS ATULIM BrasiIia, .1 4 n3 Or Presicjente lvana Cláudia Silva Castro Mat. Sia pe 92136 \AniWa 014 ANTON O LISBOA C Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. Processo n.° 13005.001042/2002-30 CO37/CO2 Acórdão n.° 202-18.739 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CON1KIUUINTE.4 Fls. 2 CONFERE COM O ORIGINAL Bras I 1 ia, Ivana Cláudia Silva Castro Relatório Mat. Sia e 92136 Pela clareza e objetividade adoto o relatório de fl. 68, que abaixo transcrevo: "Trata o presente processo de lançamento de oficio em decorrência de revisão interna realizada por meio eletrônico das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTFs referentes ao terceiro e quarto trimestres de 1997, nas quais foi constatado ter sido informada a realização de compensação com base em processo judicial que foi considerado como não comprovado, conforme consta do auto de infração e seus anexos, cujas cópias se encontram às fls. 40 a 49 e 52 a 61. Foi apresentada a impugnação que se encontra às fls. 01 a 03, cujos argumentos de defesa podem ser assim resumidos: - O débito referente à competência 01-12/1997, no valor de R$ 9.653,29, foi incluído no sistema Refis, conforme tela anexa. - Os demais débitos estão abrangidos no processo judicial n° 96.0025405-2, do qual anexa cópia parcial, tendo sido realizadas compensações com base na decisão judicial. - Houve erro de preenchimento do número do processo judicial em relação às competências 08/1997, 09/1997, 1 1/1 997 e 12/1997. - Requereu a revisão do procedimento de auditoria interna com alocação dos recolhimentos aos débitos e o reconhecimento de que a impugnante não é devedora dos valores apontados no auto de infração. De acordo com o despacho que se encontra à fl. 66, a impugnação é tempestiva." Na sessão de 20 de maio de 2005, a DRJ em Santa Maria - RS, manteve o lançamento parcialmente procedente, cancelando-se a exigência do PIS referente ao período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 1997, através do Acórdão n 2 4.014/2005,1 assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALORES INCLUIDOS NO REFIS. O lançamento de oficio de valores incluídos no Refls caracteriza duplicidade de cobrança. COMPENSAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. A compensação com a utilização de créditos cujo reconhecimento foi pleiteado em medida judicial com rito ordinário somente pode ser. efetivada após a obtenção de decisão final favorável à pretensão do contribuinte. Lançamento Procedente em Parte." É o Relatório. Processo n.° 13005.001042/2002-30 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.739Fls. 3 MF - SEGUNGO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasitia, Ivana Cláudia Silva Castro .v„ Voto Mat. Sia e 92136 Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. Em análise ao precitado auto de infração eletrônico, juntado pela própria contribuinte, verifica-se ser o mesmo decorrente de auditoria em DCTF exigindo crédito tributário de PIS/1997. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal, à fl. 68, o seguinte: "Trata o presente processo de lançamento de oficio em decorrência de revisão interna realizada por meio eletrônico das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTFs referentes ao terceiro e quarto trimestres de 1997, nas quais foi constatado ter sido informada a realização de compensação com base em processo judicial que foi considerado como não comprovado, conforme consta do auto de infração e seus anexos, cujas cópias se encontram às fls. 40 a 49 e 52 a 61." (grifos acrescidos). Na impugnação, a recorrente comprova que parte do débito (competência 01- 12/1997) foi incluído no Refis (acolhido pela DRJ), e, quanto aos demais débitos, estão abrangidos no Processo Judicial ng- 96.0025405-2, juntando aos autos cópia da inicial, tendo sido realizados compensações com base na decisão judicial. Portanto, a contribuinte apresentou impugnação com argumentos generalistas, juntando documentos comprobatórios da existência de ação judicial que reconhecia o direito de a contribuinte realizar a compensação do valor referente à diferença entre o pagamento realizado com base nos inconstitucionais Decretos-Leis n 2s 2.445/88 e 2.449/88 e aquele devido, em razão da LC n2 07/70 com o próprio PIS, demonstrando que sequer houve erro de preenchimento de DCTF, uma vez que o número informado estava correto. Em nenhum momento anterior ao auto de infração houve notificação à contribuinte sobre as divergências inicialmente apuradas. O art. 142 do Código Tributário Nacional contém uma definição de lançamento, estabelecendo que "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível", acrescentando o seu parágrafo único que "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por vício formal, caracterizado pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária par. a corret configuração desse ato jurídico. L \p, "N‘ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CON1RI8UINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 13005.001042/2002-30 Brasília .5 ti 12à....1-91-- CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.739 Ivana Cláudia Silva Castro Fls. 4 Mat. Sia • e 92136 É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelam-se incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício detectado no auto de infração, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc., tendentes a apurar a matéria I tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, é por meio da descrição dos fatos que se revelam os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos fatos é totalmente deficiente por não dizer qual é a natureza da inexatidão, estando repleta de "e/ou", e por remeter o leitor para diversos demonstrativos que também nada dizem a respeito. A fiscalização deveria ter complementado a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto. E assim não procedeu. Não nos esqueçamos de que formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão.' A informalidade está, dependendo das condições, para o administrado, não para o administrador, que deve preservar as condições estabelecidas na norma. No mais, o procedimento fiscalizatório tem a sua etapa prévia ao "processo" administrativo. Erros ocorridos durante o procedimento de fiscalização não devem ser supridos por quem não detém a competência para o feito. Não há como suprir a etapa inicial,' por quem não possui a competência para tanto, na forma prevista nas normas de direito processual administrativo, sob pena de resultar em preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse sentido, à fiscalização compete apurar, determinar a base de cálculo, e, sobretudo, descrever a forma pela qual procedeu aos cálculos (motivação). Já, à autoridade julgadora, cabe a apreciação e análise dos fatos e fundamentos legais, já inseridas no feito legal. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo, fazê; lo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contra-razões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. A realização de diligências após o lançamento, em primeiro lugar deveria estar consubstanciada em determinação da autoridade superior, o que não se encontra nos autos. Outrossim, uma vez pronto e impugnado o auto de infração, a autoridade lançadora não tem mais competência para alterá-lo, como tentou fazer, ainda que em decorrência das razões trazidas pela impugnante que, para se defender daquilo que não tinha conhecimento, se obrigou a apresentar argumentos genéricos e não correspondentes à fundamentação legal e à descrição contidas no auto de infração. Contudo, há que se lembrar que é vedado por lei a alteração do lançamento anterior, a título de "revisão", só para mudar o critério jurídico adotado no I,. çamento Marcelo Caetano, Manual de Direito Administrativo, 10 e ed., Tomo I, 1973, Lisboa. .. , , . Q Processo n.° 13005.001042/2002-30 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.739 Fls. 5 primitivo. O que vejo na decisão proferida pela DRJ é que ao invés de anular o auto de infração a partir do momento que ficou comprovada a existência da acão judicial indicada pela contribuinte em sua DCTF, para, então, proceder ao lançamento pelos fundamentos jurídicos corretos, na tentativa de "validar" o auto de infração, simplesmente modificou-se o critério I jurídico. Relativamente à mudança de critério jurídico, peço vênia para introduzir parte f do voto proferido pelo I. Conselheiro Neicyr de Almeida (Ac. n- q 103-20.441), que assim dispõe: i , "Ainda sobre a temática, importa trazer à lume as lições sempre atuais do ínclito tributarista Rubens Gomes de Souza, na percepção aguda do ilustrado mestre Souto Maior Borges, in Lei Complementar Tributária, São Paulo, Ed. Rev. dos Tribs., 1975, acerca da melhor exegese do artigo 146 do C.T.N.: Antecipando-se à vigência do CTN, Rubens Gomes de Souza ensinou que se o fisco, mesmo sem erro, tiver adotado uma conceituação i jurídica e depois pretender substituí-la por outra, não mais poderá fazê-lo. E não o poderá porque, se fosse admissivel que o fisco pudesse variar de critério em seu favor, para cobrar diferença de tributo, ou seja, se à Fazenda Pública fosse lícito variar de critério jurídico na valorização do 'fato gerador", por simples oportunidade, estar-se-ia convertendo a atividade do lançamento em discricionária, e não vinculada." Outrossim, somente para complementar o raciocínio, ao modificar o critério jurídico, estaria a DRJ a constituir um novo auto de infração com outra motivação. O fato de a contribuinte não ter, à época dos fatos, sentença transitada em julgado, não lhe retira o direito à compensação, se de fato era possuidora de créditos. Não se olvide que à luz da legislação vigente à época dos fatos (Lei n 2 9.430/96), independente de I pedido administrativo, poderia a contribuinte ter sim efetuado compensações de PIS com PIS, tendo em vista que se tratam de contribuições da mesma espécie. , Em face do exposto, e diante da manifesta omissão quanto às formalidades legais ou pela mudança de critério jurídico, voto no sentido de declarar a NULIDADE do processo ah initio. Sala das Sessões, -m 13 de fev • reiro de 2008. Jv (k . TON LISBOA CA ' '1S0 lilf - SEGUNZO CONSELH O DE +:;5‘n tr.li,)!.i.,m , ,.., 4 CONFERE COM O ORIGINAL Bras I I ia. Ivana Cláudia Silva Castro ... Mat. Sia e 92135 -`1 i 1 \ I r ( \., Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1
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DE 1986 A 1990 Recorrente; NELSON FERNANDES SOARES Recorrido : DRF NO RIO DE JANEIRO — RJ LUCRO ARBITRADO Rendimentos da Cédula Decorrência - Por força do princi pio da decorrência, o que ficar decidi- do no processo principal será estendido ao processo decorrente. Assim, uma vez julgado improcedente o arbitramento de lucro levado a efeito no processo ins- taurado contra a pessoa jurídica, torna se incabível o lançamento reflexo proc--- dido contra a pessoa física do- scScij (cooperado) sob o mesmo suporte fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NELSON FERNANDES SOARES. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos/ dar provimen- to ao recurso, nos termos do relatcSrio e voto que passam a inte- grar o presente julgado. Sala oas Sess8es, em 23 de março de 1992 -/y - AAsii S- - PRESIDENTE E RELATO RA- o- ,í0-4 VISTO EM AFmilSO E DE r":ii-OS — PROCURADOR DA FAZEN SESSÃO DE:DA NACIONAL6 piqo4 Participaram, ainda, do presen.e julgamento, os seguintes Conse- lheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Francisco de Assis Miran- da, CristEmão Anchieta de Paiva, Celso Alves Feitosa, Raul Pimen-- tel. e Sandra Martins Silva. Ausente por motivo justificado, o Conselheiro Sebastião Rodrígues Cabal AMEFP/OF- SECOS N `? 054/90 4,}1 sk . — SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 13709.000.683/91-81 RECURSOPOH 68970 ACORDA() Ne: 101-83.205 RECORRENTE: NELSON FERNANDES SOARES RELATÓRIO O contribuinte acima identificado recorre a este Conselho de decisão do Sr. Chefe da Divisão de Tributação da DRF no Rio de Janeiro (RJ) Que, por delegação de competência, julaou - procedente a exiaencia fiscal formalizada no'Ailto de Infração de fls.01. Trata-se de tributação reflexa de outro processo instaurado contra a pessoa jurídica da qual o contribuinte parti cipa na condição de medico cooperado - UNIMED - RIO COOPERATIVA' DE TRABALHO MÉDICO NO RIO DE JANEIRO -, na área do Imposto de Renda-Pessoa Jurídica, protocolizado na repartição de origem sob o n9 10768-022.698/90-44. restes autos coaita-se da cobrança do imposto de renda-pessoa física, em virtude de inclusão na Cédula "F" das de claraçaies de rendimentos do enigrafado relativas aos exercícios' de 1986 a 1990, ano-base de 1985 a 1989, de parcela do lucro ar- bitrado na aludida sociedade cooperativa, a ele considerada auto maticamente distribuída, na proporção de sua quota-parte no capi tal social daquela sociedade, com fundamento no diposto nos ar- ticos 34, inciso I e 403 do RIR/80 e no 49 do artigo 39 da Lei n9 7.713, de 22.12.88. A autoridade julgadora de primeira instância, em observância ao princípio da decorrência, dispensou a presenteAW SECOM N f ;155 9C j . SERVIÇO PUBLICO PROCESSO M9 13709.000.683/91-81 3 AcOrdão n9 101-83.205 exiaência o mesmo tratamento dado à tributação formalizada no processo matriz, ou seja, julaou procedente a ação fiscal,no mé- rito e retificou o lançamento de ofício, agravando-o, conforme decisão de fls. 30 / 33 sob os fundamentos sintetizados na seauinte ementa: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FÍSICA Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos, no que couber, o de cidido sobre a ação fiscal que lhes oriaem, por terem suporte fãtico comum. O lucro arbitrado, diminuído do imposto e do adicional incidente sobre o mesmo na pessoa jurídica, e considerado, por impo- sição leaal, distribuído a favor dos sc5cios ou acionistas de sociedades não anOnimas, inclusive as constituídas sob a forma de cooperativa, não elidindo tal presunção a ausência de efetiva distribui ção de lucros pelas referidas sociedades.- AÇÃO FISCAL PROCEDENTE, NO M£RITO, E LAN- ÇAMENTO RETIFICADO DE OFICIO." Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 11 /109/91 e, inconformado, inaressou em 19 /09/1991, com o re- curso voluntãrio de fls.35/36. Como razOes do anelo, o contribuinte se reporta' aos fundamentos apresentados no processo principal./ É o relatOrio. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13709.000.683/91-81 4 Acórdão n9 101-83.205 VOTO Conselheira Mariam Seif, Relatora O recurso é tempestivo e está amparado no artigo 33 do Decreto n9 70.235/72. Dele, portanto, conheço. Conforme relatado, a tributação objeto do presen _ te processo e. decorrente da exi gência fiscal formalizada contra' a pessoa jurídica da qual o recorrente participa na condição de medico cooperado - UNIMED - RIO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO NO RIO DE JANEIRO -, nos autos do processo n9 10768-022.698/90-44, cujo recurso foi protocolizado neste Conselho sob o n9 101.176. Tratando-se de tributação reflexa, o seu suporte fãtico é o mesmo que embasou a exiaência procedida no processo I principal, não comportando, por isso mesmo, uma apreciação des-- vinculada da levada a efeito naauele processo. Isto noraue,segun do remansosa juris prudência deste Colegiado "o decidido no pro- cesso da pessoa jurídica, quanto ã matéria que, por sua natureza ou decorrência de lei acarrete reflexo na tributação das pessoas físicas ou na fonte, faz coisa julaada nos processos decorrentes, eis aue houvesse possibilidade de novo pronunciamento sobre os mesmos fatos poder-se-iam estabelecer eventuais contraditórios desaconselhãveis sob o ponto de vista social e legal". Como o processo principal foi objeto de delibera ção deste ColecTiado, em sessão realizada em 02/12/91, não cabe nestes autos reabrir a discussão em torno da existência ou insubsitência do suporte fático da exigência, uma vez que a mate_ ria já foi amplamente debatida e examinada naquela ocasião, , Na oportunidade, esta Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, com faz certo o acórdão n9 101-82.389, assim ementadollípi N - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13709.000.683/91-81 5 AcOrdão n9 101-83.205 "ARBITRAMENTO DE LUCROS - Cooperativa - Es crituração sem destaque das receitas da-ã- diversas atividades - O arbitramento de lu cros "e procedimento reservado aos casos de inexistência de escrituração contábil regu lar e aplicável apenas nas hipOteses le- gais previstas nos incisos I a VI do arti- ao 399 do RIR/80, entre as quais não se in clui a aue fundamentou a ação fiscal. falta de destaque das receitas segundo sua oriaem (atos cooperativos, não coo perati- vos e incompatíveis com o regime cooperati vo) não autoriza, pois, o arbitramento de lucros. Mo caso recomenda-se a tributação' do resultado global da cooperativa, com ba se no lucro real, por ser impossível a de:: terminação de parcela desse lucro alcança- da pela não incidência tributária." Tornado insubsistente aue foi o lucro arbitrado, embasador do credito tributário constituído no processo Princi- pal, que, por sua vez, constitui a prOpria base de cálculo o cré dito tributário ora exiaido, observado, ainda, o princí p in da decorrência, outra não poderá ser a decisão neste recurso. - Nesta ordem de juizo, dounrovimento ao presente' recurso. AR S RELATORA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13016.000427/2004-12
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de Apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO.
O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS.
Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009.
Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição.
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSA
É devida a glosa de créditos decorrentes de contribuição não cumulativa, quando não forem observadas as normas que reguem a matéria.
Processo Administrativo Fiscal
Período de Apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
A falta de apresentação dos documentos solicitados ao contribuinte, indispensáveis para a comprovação do crédito alegado, implica o indeferimento do pleito.
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-01.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado.
Vencidos a relatora e os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopes e Antonio Lisboa Cardoso, que deram parcial provimento ao recurso,
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSA É devida a glosa de créditos decorrentes de contribuição não cumulativa, quando não forem observadas as normas que reguem a matéria. Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação dos documentos solicitados ao contribuinte, indispensáveis para a comprovação do crédito alegado, implica o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13016.000427/200412 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330101.351 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2012 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS Recorrente MADEM S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS, do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSA É devida a glosa de créditos decorrentes de contribuição não cumulativa, quando não forem observadas as normas que reguem a matéria. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação dos documentos solicitados ao contribuinte, indispensáveis para a comprovação do crédito alegado, implica o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos a relatora e os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopes e Antonio Lisboa Cardoso, que deram parcial provimento ao recurso, [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. [assinado digitalmente] Maurício Taveira e Silva – Redator designado. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), Maurício Taveira e Silva, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Porto Alegre que indeferiu o direito creditório declarado pelo contribuinte. A ora Recorrente apresentou, no dia 25 de outubro de 2004, Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição ao PIS, cumulado com pedido de compensação, apurados sob o regime nãocumulativo, referente ao mês de março de 2004. Em 20.07.09, o contribuinte foi intimado do Despacho Decisório que homologou parcialmente a compensação declarada, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 44.589,7 e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido, em função da redução da base de cálculo por glosa e apuração de débitos por inclusão de receitas. Sinteticamente, foram os seguintes os fundamentos que embasaram a decisão: a) No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros; b) Foram glosados valores creditados correspondentes a aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por empresa considerada inapta conforme Ato Declaratório motivado pela comprovação de sua inexistência de fato. c) Foram feitos ajustes na composição dos valores de créditos a recuperar referentes à despesas financeiras com juros sobre empréstimos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade requerendo a reforma de decisão, com base nos seguintes argumentos: (i) preliminarmente, a ocorrência de homologação tácita, por entender que teria recebido a notificação de cobrança após o decurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da entrega destes pedidos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000427/200412 Acórdão n.º 330101.351 S3C3T1 Fl. 93 3 (ii) no que se refere à glosa de aos valores correspondentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por empresa considerada inapta nos termos do Ato Declaratório, é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que não se pode afastar a possibilidade de creditamento de adquirente de boafé, quando as operações de fato foram realizadas. (iii) não há como concordar com os ajustes efetuados na composição dos valores de créditos a recuperar referentes a despesas financeiras com juros sobre empréstimo, uma vez que tais valores são despesas financeiras referentes a adiantamentos efetuados junto à instituições financeiras, vinculados com operações de vendas/exportações futuras, o que, nos termos da legislação então vigente, admite o desconto de créditos; (iv) já em relação a glosa correspondente à tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros, devese registrar que tais operações não se enquadram como fato gerador da contribuição, na medida em que foram cedidos "sem lucro algum e/ou entrada de dinheiro" e se tratam de receitas decorrentes de exportação, imunes à incidência das contribuições. Além disso, não podem ser consideradas como receita, pois não acarretaram aumento de seu patrimônio. Tratase de mera troca dos créditos por mercadorias, sem qualquer ágio. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos seguintes termos: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. ALEGAÇÕES SEM QUALQUER COMPROVAÇÃO. Não assiste razão à simples alegações de fatos ou motivos trazidas pelo manifestante que não procurou juntar qualquer prova ou indício com o objetivo de demonstrar a veracidade de tais afirmações.” Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho, repetindo as razões apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o deferimento parcial do crédito pleiteado pelo ora Recorrente se deu por três razões fundamentais: (i) glosa de valores creditados relativos a aquisições de mercadorias espelhadas em notas fiscais emitidas por empresa considerada inidônea; (ii) glosa de valores referentes ao creditamento de despesas com juros; e (iii) glosa de valores correspondentes às transferências de ICMS para terceiros Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fornecedores, em permuta com insumos fornecidos, não incluídas na base de cálculo pelo contribuinte. Além de apresentar contra argumentos para cada um desses itens, a Recorrente alegou ainda a existência de homologação tácita para fins de reforma da decisão recorrida. Passemos à analise de cada um desses fundamentos. Homologação Tácita A presente alegação não se sustenta. Com efeito, a Recorrente apresentou seu Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição ao PIS, cumulado com pedido de compensação, no dia 25 de outubro de 2004 (fl. 01), sendo intimado do despacho decisório no dia 20 de julho de 2009 (fl. 41). Sendo assim, não há dúvida de que ainda não havia transcorrido o prazo de cinco anos, restando afastada a configuração da homologação tácita. Glosa relativa a notas fiscais emitidas por empresa considerada inidônea e ao creditamento de despesas com juros No que se refere à glosa de créditos relativos a aquisições de mercadorias espelhadas em notas fiscais emitidas por empresa considerada inidônea, importa registrar que, em relação ao ICMS, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de fato se posiciona no sentido de não permitir a penalização do adquirente de boafé, o que, a princípio, poderia se aplicar ao presente caso. Ocorre que, essa mesma jurisprudência exige prova de que a operação mercantil efetivamente ocorreu e que o preço pago é compatível com o que usualmente se pratica no mercado. No casso concreto, a Recorrente não apresentou qualquer elemento que pudesse demonstrar a observância desses requisitos. Pelo contrário, resumiu a alegálos. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador prescreve expressamente no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de que o lançamento seja instruído com prova concludente de que o evento tributário ocorreu em estrita conformidade com a descrição da hipótese normativa. Logo adiante, determina, ainda que de forma implícita, que, caso o sujeito passivo apresente defesa contra o ato lavrado pelo Fisco, devidamente acompanhada de provas de suas alegações, o ônus passa a ser novamente da Fazenda, a quem incumbirá comprovar o descabimento da impugnação. Ao assim prescrever, deixou claro o legislador que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, quando o sujeito competente para expedila seja o Estado Administração, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Por outro lado, quando o fato seja alegado pelo próprio particular, a ele compete demonstrar a veracidade de suas afirmações, igualmente por meio de provas. Afinal, também aqui se aplica a máxima processual de que a prova compete a quem alega, prevista expressamente no art. 333, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. No caso concreto, a Recorrente alega a existência de direito creditório, competindo, por esta razão, exclusivamente a ela a prova do alegado. Assim, deveria ter apresentados todos os documentos necessários à demonstração de que as referidas operações de fato ocorreram, bem como que por elas foi pago um preço compatível com o usualmente praticado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000427/200412 Acórdão n.º 330101.351 S3C3T1 Fl. 94 5 Assim, não tendo a Recorrente apresentado documentação comprobatória do direito que alega, mesmo lhe tendo lhe sido dada oportunidade para tanto, correta a decisão recorrida de indeferir o seu pleito. A jurisprudência deste Conselho Administrativo é pacífica neste sentido, conforme demonstram as ementas abaixo transcritas: VALORES A REPETIR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Pedido de Restituição deve ser acompanhado da demonstração dos' valores pagos a maior ou indevidamente e da comprovação respectiva, de modo a permitir a regular apuração do quantum a repetir sem a qual os créditos não podem ser reconhecidos, ainda que o direito se apresente plausível. (Acórdão n° 203 11.106, de 30/06/2006 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) PIS. FATURAMENTO. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. O pedido de restituição ou compensação deverá vir acompanhado da prova ou elementos suficientes para possibilitar a apuração do valor recolhido a maior, sob pena da inviabilização da determinação da liquidez e da certeza do valor a repetir. (Acórdão n° 20310.937, de 23/05/2006, da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes) O mesmo se verifica em relação à glosa de créditos relativa a despesas de juros. Não há nos autos qualquer comprovação de quando as mesmas foram feitas, tampouco se esses valores efetivamente podem receber tal qualificação. Daí a razão para manter a decisão recorrida também nesta parte. Glosa relativa às transferências de créditos de ICMS inclusão na base de cálculo Quanto a este ponto, a controvérsia reside em se definir se os valores percebidos pela Recorrente em face da cessão de créditos de ICMS têm natureza jurídica de receita auferida, para assim, poder concluir pela possibilidade ou não de incluílos no campo de incidência da Contribuição ao PIS. Isso porque, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, a Contribuição ao PIS, com incidência nãocumulativa, tem como hipótese de incidência o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa de jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Dispondo desta forma, a conclusão é única: apenas é legitima a incidência deste tributo sobre a receita auferida pela pessoa jurídica. Ocorre que não há, na legislação fiscal, uma definição expressa do termo “receita”. Poderseia argumentar que o conceito de receita seria bem mais amplo e não necessariamente vinculado a qualquer substrato econômico, porque o artigo 177 da Lei nº 6.404/76 teria trazido, para o campo jurídico, a definição contábil de receita, ao prescrever que a escrituração deve observar os princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, o conceito de receita poderia ser definido de acordo com o entendimento consagrado pelo Instituto Brasileiro de Contadores IBRACON, segundo o qual Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 “receita corresponde a acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultante dos diversos tipos de atividades e que possam alterar o patrimônio líquido”. No entanto, não se pode perder de vista que os princípios contábeis geralmente aceitos, para produzir efeitos no campo tributário devem, necessariamente, conjugarse com o próprio regramento constitucional e legal sobre a incidência tributária. Afinal, o que interessa para fins de incidência é sua definição jurídica. No caso concreto, mesmo que sob o ponto de vista contábil o lançamento que reflita a contraprestação decorrente da transferência de créditos de ICMS para terceiros envolva um crédito em conta de resultado, ou até mesmo um registro específico na conta de receitas, certo é que apenas contabilmente se pode dizer que tal lançamento configura uma receita. Com efeito, tais lançamentos são denominados “receitas” apenas sob o ponto de vista contábil, não representando receitas tributáveis, uma vez que não correspondem a qualquer ingresso monetário novo. Não é riqueza nova e, portanto, jamais poderia compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS. Ao tratar do tema Marco Aurélio Grego nos ensina que “não é a maneira pela qual vier a ser contabilizada determinada figura que irá determinar sua natureza jurídica para fins de incidência. A contabilidade retrata a realidade, mas não cria realidades jurídicas novas, desatreladas da substância subjacente”. 1 Ainda quanto a este ponto, esclarece a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez, sob a relatoria do Acórdão n° 02/03783 que o crédito acumulado de ICMS não é receita, e nem pode ser equiparado a tal eis que tem natureza meramente contábil. Nas suas palavras: Por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador. Ao final, está concluído que mesmo que não haja recolhimento do ICMS, em razão da apuração de saldo credor, "em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa" Quando a contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos,. desde que atendidas às condições constantes do RICMS do respectivo EstadoMembro, o legislador previu, dentre outras, a possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica, que pode ser estabelecimento fornecedor, nas operações de compras de matériaprima, material secundário ou de embalagem máquinas, aparelhos e equipamentos industriais, isso quando o saldo de crédito supera os seus débitos. A operação é escritural, sendo a transferência regida pela legislação de cada EstadoMembro. A cessão de créditos não pode ser comparada a uma venda de mercadorias, isto porque tratase de operação fiscal no qual a contribuinte possuidora dos créditos cede o direito de utilização a uma outra empresa, operação essa sem cunho comercial. Portanto, a contribuinte simplesmente deixou de utilizar as reservas de seu caixa para efetuar o pagamento, sem que isso passe a ser fato gerador das contribuições sociais. 1 Artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 50. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000427/200412 Acórdão n.º 330101.351 S3C3T1 Fl. 95 7 Com efeito, é muito comum que, diante da existência de saldo credor acumulado de ICMS, os contribuintes realizem operações de cessão de créditos, em especial, com seus fornecedores, como ocorreu no caso submetido à analise. Essas operações, como bem colocado no acórdão acima transcrito, não transitam em contas de resultado, não representando ingresso de receita para a contribuinte. Pelo contrário, o que se verifica é o pagamento de insumos via cessão de crédito. Não há circulação de dinheiro, mas, tãosomente, a transferência de um direito que, no caso de crédito de ICMS, é implementada por meio da emissão de Nota Fiscal. Assim, não há dúvida que a “receita” registrada em virtude de operações como a presente é meramente escritural, uma vez que visa tão somente a refletir uma troca de patrimônio efetivada pela empresa, não representando qualquer receita nova suscetível de sofrer tributação. Dito de outra forma: não há afetação do patrimônio líquido, mas mera recomposição de valores entre contas do ativo e do passivo, em face da realização de uma permuta. Corroboram esta conclusão as lições de Ricardo Mariz de Oliveira2, para quem “toda e qualquer receita é um plus no patrimônio da pessoa jurídica, algo a mais que se acrescenta a ele.Contudo, só é receita esse plus que se integrar em definitivo ao patrimônio da pessoa, não sujeita a condições ou eventos futuros e incertos.” No mesmo sentido, nos ensina José Antonio Minatel3: “receita qualificada pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio de pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício de atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos.” (destacouse). E o caso concreto apresenta uma nuança que deixa ainda mais insustentável o procedimento adotado pela Fiscalização: não há sequer ingresso valores no patrimônio da Recorrente, vez que a permuta recaiu sobre a entrega de insumos pelos seus fornecedores. Isso, por si só, seria suficiente para afastar a existência de receita auferida. Afinal, a entrada do recurso financeiro é essencial para a configuração da hipótese de incidência deste tributo: auferir receita. Não bastassem essas razões, como bem colocado pelo i. Relator do Acórdão 340100.904, devese levar em conta, ainda, que a natureza jurídica do crédito de ICMS escriturados em face da aquisição de mercadorias, mantidos e não utilizados na conta gráfica e realizados por uma das modalidades previstas pela legislação, inclusive transferência a terceiros, permanece sendo de saldo credor escritural de ICMS, o que igualmente impede a incidência da Contribuição: Na situação dos autos é indiscutível que o crédito em tela deve ser classificado como saldo credor escritural do ICMS, que 2 Cf. FRANÇA, R. Limongi (coord.). Enciclopédia Saraiva de Direito, vol. 63, São Paulo, Saraiva, 1977, p. 319. 3 Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, 2005, pp. 101 e 102. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 define bem sua natureza jurídica e delimita o regime jurídico correspondente, a regular a forma e amplitude de utilização desse saldo, com obediência à Lei Complementar n° 87/961 e às diversas leis estaduais dispondo sobre o imposto. (...) Como é cediço, os créditos de ICMS devem ser empregados, inicialmente, para reduzir os débitos, no âmbito da não cumulatividade própria. Depois, remanescendo saldo credor este pode ser empregado nos termos em que a lei estadual dispuser, comportando inclusive o ressarcimento, em algumas hipóteses. Seja deduzido dos débitos, ressarcido ou transferido a terceiros, continua com a mesma natureza jurídica. Daí não parecer razoável que, a depender da forma de utilização desse crédito, seja ou não tributado pelo PIS e pela Cofins. Sublinho considerar irrelevante a contabilização desse crédito, pois a circunstância de constar do ativo, antes de ressarcido ou transferido a terceiros, não tem qualquer importância para caracterizálo como integrante da receita bruta tributável pelos PIS e Cofins, Também não vejo relevância na posição assumida pelo adquirente: tanto faz que o cessionário seja um fornecedor do cedente ou uma terceira pessoa sem vinculo anterior. O relevante é que, desde a origem e independentemente da forma de utilização, tratase de créditos do ICMS. Assim, seja por uma razão ou pela outra, certo é que a realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação, inclusive as transferências de para terceiros, não se subsume no conceito de “receitas auferidas”, nos termos exigidos pelo art. 1º, da Lei nº 10.637/2002, para fins de incidência válida da Contribuição ao PIS. Inúmeros são os precedentes deste Tribunal Administrativo neste sentido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (Processo n° 13005.000684/200564 Recurso n° 202137.936 Especial do Procurador, Acórdão n° 02/03783 – 2ª Turma Sessão de 11 de fevereiro de 2009) Por fim , importa registrar que mesmo que os valores em questão integrassem a base de cálculo da Contribuição ao PIS, o que se admite apenas para argumentar, não há qualquer argumento jurídico que legitime o procedimento adotado pelo órgão de origem. Isso por uma razão simples, mas decisiva: verificando a Fiscalização que o contribuinte deixou de incluir determinados valores na base de cálculo da presente contribuição, teria ela que realizar o lançamento de oficio da diferença supostamente apurada, não glosar as parcelas correspondentes no pedido de ressarcimento. Daí a razão pela qual concluo que, mesmo nesta situação hipotética, o correto seria a reversão dos valores glosados, de modo a autorizar o ressarcimento integral, sem óbice ao lançamento que deveria ser efetuado. Com efeito, a redução do valor a ser ressarcido ao Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000427/200412 Acórdão n.º 330101.351 S3C3T1 Fl. 96 9 contribuinte apenas é autorizada diante da constatação de irregularidades materiais ou legais nos fundamentos do crédito, não nos débitos da contribuição, como o fez a fiscalização. Como bem colocado pelo i. Relator no Acórdão 20311.760, em julgamento de situação similar, “tal procedimento não se mostra adequado quando se depara com Pedidos de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativo quando o motivo da divergência levantada pelo fisco se encontra na parcela do débito do PIS/Pasep, como é o presente caso”. E acrescenta: Lembrese, neste ponto, que o valor do saldo do ressarcimento pleiteado pela empresa fora diminuído pela autoridade fiscal por entender que o valor do débito da contribuição devida ao PIS/Pasep, havia sido apurado a menor em decorrência da falta de inclusão de algumas rubricas na base de cálculo que a determinou (créditos de ICMS e crédito presumido de IPI. Diante de um valor de débito do PIS/Pasep apurado a menor, o fisco, em vez de efetuar um lançamento de oficio na forma dos artigos 13, I; 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional, combinados com os dispositivos pertinentes do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, apenas retificou o correspondente valor então declarado no Pedido de Ressarcimento para o valor que entendeu correto. Assim, até que haja alteração específica nas regras para se apurar o valor dos ressarcimentos do PIS/Pasep Não Cumulativo, a constatação, pelo Fisco, de regularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor; jamais um mero acerto escritura! de saldos, conforme foi feito neste processo. Assim, o que se verifica é que ao proceder à glosa de crédito objeto de pedido de ressarcimento, sob o fundamento de que a transferência de créditos de ICMS está sujeita à incidência tributária, o Fisco realizou verdadeira compensação de ofício com “crédito tributário” não constituído, tampouco confessado, o que torna flagrante sua arbitrariedade. Assim, também por esta na razão entendo indevido o procedimento da DRF consistente na glosa de referidas parcelas. Afinal, admitilo como válido configurar clara violação do procedimento prescrito em lei para a determinação e exigência do crédito tributário, na medida em que implica conferir certeza e liquidez a crédito que sequer foi constituído pelo contribuinte ou subsidiariamente pelo Fisco em total desrespeito ao art. 142, do CTN, e ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Em face de todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para desconstituir as glosas correspondentes às transferências de ICMS para terceiros. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Conselheiro Mauricio Taveira e Silva – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra da ilustre Conselheira Andréa Medrado Darzé, de quem ouso divergir da tese que sustenta em relação às transferências de créditos de ICMS no sentido de que tais valores não devam integrar a base de cálculo da contribuição, bem assim, quanto à mencionada necessidade de se realizar o lançamento de oficio da diferença apurada, ao invés de glosar as parcelas correspondentes no pedido de ressarcimento. Em relação às transferências de créditos de ICMS, há de se reconhecer tratar se de assunto controvertido tendo posicionamento consonante ao da relatora o asseverado pelos ilustres autores Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi4, que em suas considerações registram não haver nenhuma receita a ser contabilizada na conta de resultado. Em sentido contrário se manifestou a autoridade administrativa por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 48, de 30/12/2004, a qual registra dentre outras considerações que: “Seja qual for o motivo que ensejou a cessão do crédito, v.g., decisão gerencial ou excessos resultantes de saídas por vendas para o exterior, a receita auferida na cessão daquele direito encontrase no campo de incidência das contribuições.” Por fim, a referida Solução de Consulta, quanto ao PIS, restou assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Cessão de Créditos do ICMS (Tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins) CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, do IRPJ e da CSLL. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; 25 e 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; 2o e 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 1o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; 36, 41 e 49 da Instrução Normativa no 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 4o da Instrução Normativa no 355, de 29 de agosto de 2003. Porém, em que pese se tratar de assunto polêmico, por meio do art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, o legislador se posicionou no seguinte sentido: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: 4 in “Imposto de Renda das Empresas Interpretação Prática”, 34ª ed. São Paulo, IR Publicações Ltda., 2009, pág. 892 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000427/200412 Acórdão n.º 330101.351 S3C3T1 Fl. 97 11 [...] VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). Contudo, a mesma Lei nº 11.945/09, por meio do seu art. 33 fixou a produção de efeitos do precitado inciso nos seguintes termos: Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: [...] c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3o do art. 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Portanto, tendo em vista a manifestação formal do legislador acerca do dies a quo como sendo 01/01/2009 e, no presente caso, se referir a fato anterior, não há como concordar com o pleito da contribuinte, quanto à glosa decorrente das transferências de créditos de ICMS. Quanto à glosa de créditos pleiteados, entendendose que a exigência deveria ter sido formalizada por meio de lançamento, embora reconhecendo a sólida fundamentação dos argumentos apresentados pela ilustre Conselheira relatora, apresento, a seguir, minhas razões em divergir. São duas as questões a serem analisadas em relação às glosas efetuadas em pedidos de ressarcimento. A primeira relacionase com eventual prejuízo ao contribuinte por possível cerceamento de defesa. A segunda, conforme precitado, referese a necessidade ou não de se efetuar o lançamento de ofício. Quanto ao primeiro tema, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, vez que sobre a glosa efetuada em sede de Despacho Decisório, a contribuinte apresenta sua irresignação por meio de manifestação de inconformidade e eventual recurso, consoante o rito previsto no processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235/72, conforme dispõem os §§ 9º, 10 e 11 , do art. 74 da Lei nº 9.430/72. No mesmo passo verificase a impropriedade de se formalizar a exigência por meio de lançamento, ao invés de glosar o crédito pleiteado. Se acaso a contribuinte fosse submetida a um procedimento de fiscalização e, no caso de contribuição não cumulativa, o auditor verificasse receita não oferecida à tributação, intimaria a contribuinte para refazer sua escrita fiscal, ou abateria do saldo credor o débito desconsiderado, tendo em vista existência de crédito em valor superior ao débito. Contudo, se o débito fosse superior ao crédito, o agente fiscal efetuaria o lançamento da diferença, acrescido de multa de ofício. Portanto, no presente caso, tendo em vista que a interessada possuía créditos em montante superior à contribuição Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 devida, corretamente procedeu o fisco ao glosar os créditos decorrentes da contribuição não cumulativa, vez que não teriam sido observadas as normas que regem a matéria. De se registrar que alguns conselheiros que tinham o mesmo entendimento da douta Relatora, mudaram seu posicionamento, como é o caso do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, relator do voto condutor do acórdão nº 20311.760, datado de 25/01/2007, mencionado no voto vencido. Em decisão mais recente, acordão nº 340101.133, de 09/12/2010, assim se posicionou o Dr. Odassi em suas razões de decidir: Embora não faça parte da lide, já que no Recurso Voluntário a interessada não mais se manifestou a respeito (sobre a necessidade de lançamento de ofício) , sintome na obrigação de deixar aqui registrado que não mais defendo o entendimento ao qual se referiu a Recorrente em voto de minha relatoria em situação semelhante a esta, ou seja, que deveria ser realizado um lançamento de ofício para constituir um crédito tributário por conta da não adição à base de cálculo da receita da cessão de créditos de ICMS em vez de simplesmente se reduzir o valor correspondente do crédito pleiteado em ressarcimento. Assim, mostrase correto o procedimento do Fisco ao reduzir do crédito postulado qualquer valor que entenda como inferior a que seria devido e que fora contraposta aos créditos apurados. Feita essa observação, ao mérito da questão. [...] Portanto, correto o procedimento levado a efeito no sentido de se glosar valores excluídos indevidamente da base de cálculo da contribuição não cumulativa, do pedido de ressarcimento. Isto posto, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Ass inado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10840.000342/2001-81
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
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Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/1996, 30/09/2000
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS MEDICOS CONTRATADOS DE TERCEIROS. PRATICA DE
ATOS NÃO COOPERADOS.
0 beneficio tributário inerente a prestação de serviços por cooperativas de trabalho médico alcança somente atos cooperativos.
ATOS COOPERATIVOS.
Para efeitos da aplicação dos benefícios tributários são atos cooperativos aqueles diretamente prestados pelos cooperados.
RENÚNCIA FISCAL.
Toda renúncia fiscal está limitada pelos atos normativos que estabelecem o beneficio tributário. Vedada a interpretação subjetiva.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento ao recurso
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Judith Do Amaral Marcondes Armando
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDICOS CONTRATADOS DE TERCEIROS. PRATICA DE ATOS NÃO COOPERADOS. 0 beneficio tributário inerente a prestação de serviços por cooperativas de trabalho médico alcança somente atos cooperativos. ATOS COOPERATIVOS. Para efeitos da aplicação dos beneficios tributários são atos cooperativos aqueles diretamente prestados pelos cooperados. RENÚNCIA FISCAL. Toda renúncia fiscal está limitada pelos atos normativos que estabelecem o beneficio tributário. Vedada a interpretação subjetiva. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento ao recurso. EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gileno Gurjdo Barreto, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo Cardozo Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A UNIMED teve lançado contra si auto de infração para cobrar tributos sobre receitas auferidas e não oferecidas A. tributação.Entendeu a recorrente que não estava obrigada a separar as receitas não cooperativas das cooperativas, uma vez que toda sua atividade estava ligada h. prestação de serviços de saúde. Em seu recurso de divergência a recorrente apresenta julgados onde o colegiado considerou que a Secretaria da Receita Federal não pode descaracterizar as cooperativas médicas e tributar o resultado dos atos não cooperados (receitas) quando o fisco não demonstra a impossibilidade de determinação de tais receitas a partir da contabilidade mantida pela cooperativa. Adoto o relatório da instância a quo, de fls 274 a 276, que lerei em plenário. o Relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso especial por divergência interposto em nome da UNIMED, em boa forma. Conforme relatado, a recorrente está irresignada por ter tido tributadas suas receitas. Tal fato deveu-se á. definição da administração tributária do que sejam atos cooperados e atos não cooperados, na estreita consideração das normas legais, em especial as normas ligadas 6. renúncia fiscal. Entendeu a UNIMED que todos os atos realizados por seus associados e os demais realizados por outrem, em face de contratos com a cooperativa, estão entre os atos cooperativados. • Processo n° 10840.000342/2001-81 CSRF-T3 Acórao n.° 9303-00.553 Fl. 275 Apresentou interessantes construções conceituais que levariam ao desconhecedor da lei a interpretar que todos os seus atos meios ou fins, são parte dos atos cooperativos. " a presença do cooperado em uma das "pontas" do negócio... cf. Fls 840 e seguintes, ....marcaria o ato. Entendeu a administração tributária, e com ela concordo, que os serviços prestados em complementayao ao ato médico, embora possam ser complementares aos atos médicos, na forma como são realizados e cobrados, não se constituem em atos cooperativos, a luz do disposto nas normas de cooperativismo. Em que pese o recurso tenha apresentado acórdão que menciona a impossibilidade de tributar as receitas não segregadas contabilmente, no meu entender a questão em pauta e outra. Na realidade, foram tributadas as receitas tais como apresentadas A. fiscalização. Nesse sentido vale trazer ao conhecimento do Colegiado o voto do Conselheiro Jose Adão Vitorino Novaes, relator do voto condutor da instância a quo, cf. Fls. 887 a 903, que lerei em plenário. Uma breve introdução sobre tratamentos tributário diferenciado destinado às cooperativas. Todo regime tributário especial vem acompanhado de regras de conduta que fazem parte essencial do tratamento tributário apartado. E por essa razão que encontramos nas legislações de regência as condições para fruição dos beneficios oferecidos. Indubitavelmente, a lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971 constitucionalizou os benefícios que devem ser dados as cooperativas, vale acrescentar, não so os tributários. Nessa mesma lei estão inseridos os fatos que devem ser observados para que se concretizem os favores que a sociedade entendeu de dar ao trabalho associado. Relativamente A. possibilidade de tributar receitas das cooperativas dispõe o art. 111 da lei mencionada que os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86, e 88 serão considerados como receitas tributáveis. Logo não há de se alegar que não se pode tributar entidade sem fins lucrativos. E também, não se trata de descaracterizar os atos não cooperados como complementares dos atos cooperados, especialmente neste caso, onde os serviços médicos e terapêuticos fazem parte de uma mesma razão de ser da cooperativa: oferecer aos usuários prestação de bens de saúde. Muito menos descaracterizar a cooperativa. Entretanto, os limites do beneficio que o Estado se dispôs a dar, em nome da sociedade, estão circunscritos nos termos legais já descritos, corn minuciosa precisão, as lis 20 e segs. deste processo, quando o agente fiscal descreve as normas jurídicas e enfim a motivação de seu auto de infração. evidente que restituir a saúde a quem está doente pressupõe, em alguns casos, muito mais do que oferecer medicamentos. Saúde está definida como o bem estar fisico e psico-social da pessoa. Nesses termos, a aceitar a argumentação da recorrente, teríamos a 3 constrangedora situação de garantir aos cooperativados e usuários da UNIMED, como atos próprios de seus objetivos, e abrigados pela tributação diferenciada favorecida, a preços globais não discriminativos, todo aparato especializado na recuperação dos doentes, institucionalizados ou não, da prática normal ou alternativa, garantido ou experimental. Ora, não é essa a perspectiva da Lei 5.764. As cooperativas não podem tudo que interpretam ser de seu direito. E não podem descontextualizar a lei em beneficio próprio. Ao contrário, é a própria lei delimita obrigações e formas e o alcance do que pretende beneficiar. Assim sendo, para fins tributários, unicamente tributários, o tipo de sociedade cooperativa aqui presente apenas exclui alguns atos relacionado aos objetivos da organização. Devo dizer, apenas uns poucos atos diretamente ligados aos cooperados. No caso, dos atos ligados A recuperação da saúde, a maioria fica fora do alcance do beneficio. Sem ironia ou julgamento de mérito de minha parte, o legislador deve ter se referenciado na realidade dos serviços de saúde disponíveis na ocasião, além dos limites próprios estabelecidos para concessão de beneficios tributários. Quanto ao fato da inclusão de toda receita corno base de imposição, entendo que andou muito bem o agente tributário. Está claro que descumprindo as regras impostas para merecer tributação diferenciada, (até porque a UNIMED entendeu mal, desde o principio, o alcance do beneficio tributário, conforme atesta sua argumentação), a cooperativa deixa de se apresentar como cooperativa e passa a ter a feição de empresa comum. Na realidade, sob qualquer designação que porventura pudesse ser dada A. cooperativa médica à época dos fatos, o legislador teve presente limitações ao beneficio tributário instituído. E não poderia ser diferente. Ao dispor de parte dos recursos públicos mediante renúncia fiscal, os motivos devem ser explicitados e aferido o tamanho da renúncia fiscal. A sociedade deve autorizar mediante edição de lei, o quanto e por quanto tempo está disposta a valorizar diferentemente determinados bens públicos. Deve-se verificar na exposição de motivos que acompanha a edição da lei, ou nos debates da ocasião, o espirito da norma. E não se pode deixar de considerar que a norma em apreço está inserida no ordenamento notinativo geral, onde existe, ainda mais antiga, e ainda vigente, a norma relativa aos regimes tributários beneficiados. Tenho como correto que não pode a administração tributária fazer a contabilidade da empresa. Caberia 5. Cooperativa, no momento em que foi autuada, buscar todos os meios de prova ao seu alcance para desconstituir o auto de infração. Inclusive refazer ou fazer a sua contabilidade à luz dos fatos que lhe são atribuidos. Não foi o que a UNIMED fez. Desde o inicio manteve -se na posição de que sendo cooperativa de médicos, suas ações em prol da recuperação da saúde sempre são cooperadas. Mesmo as contratadas de terceiros. Assim, não preenchendo os requisitos para fruir o beneficio estampado na Lei e demais normas de regência, e especialmente não levando a born termo as escritas devidas, deve ser tratada como entidade mercantil comum, para os efeitos tributários. 4 Processo n° 10840.000342/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.553 Fl. 276 Na esteira desse raciocínio, e por tudo mais já infon-nado na motivação do auto de infração e nas Decisões anteriormente apresentadas neste processo, voto por desprover o recurso. Judi 4 C,A A ar a 1 çmvAi -e su-r-)nl-n o 5
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000544/2007-31
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/03/2007
Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que
lhe prestam serviços
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito
administrativo.
TAXA SELIC
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da
Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-02.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos em negar
provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 30/03/2007 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000544/200731 Acórdão n.º 230102.455 S2C3T1 Fl. 296 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, além de diferença de acréscimos legais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 104), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada, extraídas das GFIP's e folhas de pagamento. Segundo autoridade lançadora, o lançamento encontrase baseado na apuração das divergências do Batimento GFIP X GPS, e na apuração de diferença de acréscimos legais. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1216.289, da 12a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 238), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 248), repetindo basicamente os argumentos já apresentados na impugnação. Inicialmente, alega ilegalidade do auxíliodoença exigido sobre a remuneração do seguradoindividual quando do seu afastamento do ambiente de trabalho até 15° dia. Discorre sobre a natureza jurídica da verba recebida pelo empregado durante os 15 primeiros dias de enfermidade para concluir que a contribuição sobre ela incidente afronta a alínea “A”, do inciso I, do art. 195, da CF/88. Faz um relato acerca da evolução legislativa da contribuição ao INCRA, para tentar demonstrar que é indevida sua inclusão no lançamento em tela, uma vez que a referida contribuição era exigível somente até a entrada em vigor das Leis 8.212 e 8.213, ou seja, ate 25.07.91, o que torna o Lançamento de Débito carente de liquidez e certeza quanto a inclusão da parcela destinada ao INCRA. Sustenta que a cobrança da contribuição destinada ao SESC/SENAC é ilegal, pois tal exação é devida apenas pelas empresas que exploram atividades comerciais, e não por empresas que desenvolvem atividades de prestação de serviços, como é o caso da recorrente. Defende a inaplicabilidade da Taxa SELIC para fins tributários, argumentando inconstitucionalidade e ilegalidade da referida exação. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição devida, declarada em GFIP. Ela apenas alega inexigibilidade de contribuição incidente sobre os 15 primeiros dias de licença saúde, de contribuição aos terceiros, INCRA, SESC/SENAC, e inaplicabilidade da taxa SELIC para fins tributários. Constatase que é objeto da NFLD em tela a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Dessa forma, os valores devidos à Previdência Social e aos Terceiros foram confessados pela própria notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no batimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. De acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Dessa forma, a Autoridade Fiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições que a notificada confessou que deve, já que declarou em GFIP, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91, em sua redação vigente à época do lançamento: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. E o valor da contribuição devida foi acrescida de juros à taxa SELIC tendo em vista o não recolhimento no prazo legal, em observância aos normativos legais vigentes. Com relação às alegações de inexigibilidade, inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sobre o quinze primeiros dias de afastamento por auxílio doença, e ao INCRA, SESC/SENAC, bem como da aplicação da taxa SELIC para atualização de débitos tributários, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000544/200731 Acórdão n.º 230102.455 S2C3T1 Fl. 297 5 não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91, e a contribuição sobre que os 15 primeiros dias de auxílio encontrase amparada o art. 28, I, do mesmo diploma legal. Da mesma forma, a cobrança de contribuição ao INCRA, SESC e SENAC encontra respaldo na legislação discriminada no relatório da FLD. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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'',..:, - -rz-,.!:,,,_ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO LADS / 18 de julho 91 Sessao de de 19 ACORDÃO N2 1 ' 01-81. 807 Recurso n2: - 62.427 - IRPF - EXS: 1987 e 1988 Recorrente: - MAURO CALVO COURA Recorrida : - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM PRESIDENTE PRUDENTE (SP) IRPF - Decorre. ncia - A solução dada ao litigio principal, relativo ao im- posto de renda de pessoa juridica tri butada com base no lucro presumido "",- aplica-se ao litigio decorrente rela tivo ao imposto de renda pessoa fisT— ca. Recurso parcialmente procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes au- tos de recurso interposto por MAURO CALVO COURA: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primei__ ro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provi- mento parcial ao recurso, para ajustar a exigência ao decidido no processo matriz, nos termos do relatOrio e voto que passam a inte- grar o presente julgado. S, a oas Sessões (DF), em 18 de julho de 1991. ' ,4, „de M A R A , Sr .1/lir - PRESIDENTE ' ,--5:_~.„,. - --4-irro -DO R00,110 .041?"--- EUB ER - RELATOR t OP AFO :00 SO FERREIRA o" CAMPOS - PROCURADOR DA FA-- 1 VISTO EM ZENDA NACIONAL SESSÃO DE: I 9 AGu 199 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRAN- DA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMEN-- TEL e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN./2747/14 . .\ , Ã''''‘N =:,..'k•-•,...:,;1/4`::- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10835-000.689/90-98 RECURSO N9 : 62.427 ACORDO N2 : 101-81.807 RECORRENTE: MAURO CALVO COURA RELATÓRIO MAURO CALVO COURA, CPF n9 058.862.748-80, recor __ 1 - re da decisao do Senhor Delegado da Receita Federal em Presiden te Prudente-SP, que indeferiu parcialmente a impugnação ao auto de infração de fls. 01. , A exigencia g de imposto de renda pessoa fisi-, ca no valor equivalente a 1.189,31 BTNF, que mais os acrgsci-- mos legais elevou-se a 2.120,37 BTNF, at g 31.05.90, em virtude da classificação na c g dula "F" da deélaração de rendimentos de lucros considerados automaticamente distribuídos, proporcional- mente .ã. participação de cada s6cio no capital social, e classi- ficação na c g dula "C", do percentual minimo de 3,5% das recei- tas omitidas, a titulo de "pro-labore", em decorrencia da cons- tatação de omissão de receitas na empresa COURA COMERCIO DE MA DEIRAS LTDA., C.G.C. n9 52.979.465/0001-30, optando pela tribu- tação com base no lucro presumido, com enquadramento legal nos arts. 25, § 79, 389; 396; e 397, II, do RIR/80. Cireneia no pr6prio auto de infração em 21.05.90. Impugnação, tempestiva, fls. 13, discordando par cialmente da exigencia pelas mesmas razOes da impugnação , apre sentada no processo matriz, juntada por cOptas tis. 14/15. Informação fiscal, fls. 18/20, opinando pela ma ---- nutenção parcial do lançamento. M) 11 ..1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10835-000.689/90,98 3. Ac6rdão n9 101-81.807 Às fls. 22125, c6pia da decisão de primeira ins— tancia prolatada no processo matriz, julgando parcialmente pro- cedente o lançamento relativo ao IRPJ. Decisão de primeiro grau, fls. 26/29, julgan- do parcialmente procedente o presente lançamento, sob a seguin- te ementa: "Aplica-se ao processo da pessoa física, o deci- dido no da pessoa jurídica do qual g decorrgn-- cia. _ Agravada a exiggncia em virtude da constatação de erro de calculo, devolve-se ao contribuinte o prazo para impugnaçao." A exig gncia foi agravada em virtude de erro de c g lculo do tributo, por ter sido considerado o percentual de 0,207 ao inv g s de 20% da participação do contribuinte no capi- tal social. Reaberto o prazo para nova impugnação, o contri_ buinte bisou as razO- es da primeira impugnação, fls. 34/37. Nova decisão de primeiro grau, fls. 41/42, man- tendo o lançamento. Ci gncia da decisão em 27.10.90, fls. 49, Inconformado, o contribuinte, em 06.11.90, in_ terpCSs o apelo de fls. 46, discordando da decisão singular pelas - mesmas razoes do recurso interposto no processo matriz, juntado' por c6pia, fls. 47/48. É o re1at6rio. till t_ PlIA\ ~Fr SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10835,-000.68919098 4, Ac6rdão n9 101-81.807 VOTO— Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator: O recurso g tempestivo. A exig gncia objeto deste processo g decorrente daquela constituida no processo n9 10835-000.096/90-86, cujo re curso, protocolizado neste Conselho sob n9 98.553, foi aprecia- do por esta C2mara, que lhe deu provimento parcial para excluir da base de cálculo do IRPJ a parcela de Cz$ 17.963,56, no exerci cio de 1988, conforme Ac6rdão n9 101-81.757 , de 16.07.91. A recorrente nada de novo aduziu ao processo, li mitando-se a repetir as raziSes do recurso volunt grio interpos to no processo matriz, as quais nele foram apreciadas. Confirmado, parcialmente, no processo matriz a ocorr gncia de omissão de receitas, em pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, é procedente a tributação reflexa 1 na pessoa fisica dos s j cios a teor do disposto nos arts. 29, 79; 34, IV; 389, 396; e 397 do RIR/90. Em se tratando de lançamento decorrente, a so lução dada ao litigio principal estende-se ao litígio decorrente em razão da íntima vinculação entre causa e efeito. Voto no sentido de dar provimento parcial ao re curso para ajustar a exiggncia do IRPF ao decidido no processo matriz. (0\ RO,RIGU • NEUBER - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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