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Numero do processo: 35564.000024/2006-61
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor consolidado do crédito seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda.
Recurso de Ofício não Conhecido
Numero da decisão: 2401-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor consolidado do crédito seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. Recurso de Ofício não Conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 222 1 221 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35564.000024/200661 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401002.669 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO THEODORO RATISBONNE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor consolidado do crédito seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. Recurso de Ofício não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 00 24 /2 00 6- 61 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.875.1535, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, contribuições patronais para outras entidades e fundos e contribuições dos segurados, que não contribuíam pelo teto máximo do saláriodecontribuição. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 64/67, que a entidade teve cancelada a isenção das contribuições previstas nos arts. 22 e 23 da Lei n.º 8.212/1991, mediante o Ato Cancelatório n.º 21.401.4/002/2005, cuja motivação foi não renovação do Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS. Acrescenta que a entidade requereu a renovação do CEAS em 2000, teve seu pedido indeferido e apresentou pedido de reconsideração, o qual ainda não tinha sido apreciado. Afirma que novamente foi requerido o CEAS em 2003, todavia, o requerimento ainda aguardava análise. A Autoridade Fiscal ressalta que os fatos geradores contemplados na NFLD foram as concessões de bolsas de estudos aos filhos dos professores e funcionários da notificada, as quais foram consideradas salário indireto. Cientificada do lançamento em 21/12/2005, a entidade ofertou impugnação, fls. 72/91, cujas razões foram parcialmente acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo II , que declarou procedente em parte o lançamento. Na decisão sob referência, fls. 160/165, foi considerada a superveniente renovação do CEAS em sede de pedido de reconsideração, declarandose improcedentes as contribuições patronais para a Seguridade Social e para os terceiros. Subsistiu, todavia, a parte relativa à contribuição dos segurados. Dessa decisão houve recurso de ofício ao CARF. O sujeito passivo deixou transcorrer seu prazo recursal em branco. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35564.000024/200661 Acórdão n.º 2401002.669 S2C4T1 Fl. 223 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício não merece conhecimento, porquanto o valor consolidado do crédito, R$ 252.936,10 (duzentos e cinquenta e dois mil e novecentos e trinta e seis reais e dez centavos) é inferior ao limite de alçada fixada pela Administração Tributária. É que o RPS na alteração promovida pelo Decreto n.º 6.224, de 04/10/2007, passou a dispor da seguinte forma: Art.366.O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Ideclarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). IIrelevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). (...) §2oO recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.. §3oO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. Regulamentando a matéria foi editada a Portaria MF n.º 03, de 03/01/2008, fixando o limite para dispensa do recurso de ofício, nos seguintes termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. A regra acima, por se tratar de norma processual, tem aplicação imediata, mesmo para recursos interpostos antes da vigência da mesma, de modo que o recurso de ofício em destaque não deve ser conhecido. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13821.000036/00-17
Data da sessão: Mon May 12 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PIS -LC 7/70 - Ao analisar o disposto no artigo 6º , parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que “faturamento” representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: CSRF/02-01.300
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Dalton César Cordeiro de Miranda
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SEGUNDA TURMA, Processo n° : 10821.000036/00-17 Recurso n° :201-116.640 Matéria : PIS/FATURAMENTO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : ia CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada: : CONSTRUTORA SALEME LTDA 1 Sessão de :12 DE MAIO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/02-01.300 PIS -LC 7/70 - Ao analisar o disposto no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto peia FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , ::::-1 GUES PRESIDEN E DALTON ‘I ':‘ " CO " 9 " O DE MIRANDA RELATOR FORMALIZADO EM 1 8 JUN 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; JOSEFA MARIA COELHO MARQUES; ROGÉRIO GUSTAVO DREYER; HENRIQUE PINHEIRO TORRES; OTACÍLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.. JUR_BR 3548 lvl 9002 148672 1 Processo n° : 10821.00036100-17 Acórdão n° : CSRF/02-01.300- Recurso n° : RP/201-116.640 Recorrente : FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO Trata-se de recurso de natureza especial (fls. 239/254) com interposição fundamentada no inciso II, do artigo 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes, no qual é suscitada a ocorrência de divergência jurisprudencial, reportando-se a Acórdãos da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, cujas rr. decisões adotam o entendimento de que "parece claro que o art. 6° da Lei Complementar n° 07/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois.", entendimento esse que, expressamente, diverge do posicionamento majoritário consubstanciado no v. aresto n° 201-75.551 1 , ora recorrido e da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Pelo Despacho n° 201.743 de fls. 255/256, a Presidência da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pelo aludido Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cientificado, o contribuinte não apresentou contra-razões ao aludido apelo especial. É o relatório. Pedido de Compensação/Restituição acolhido. Afastada a decadência, com contagem do prazo decadencial a partir da Resolução n° 49 do Senado Federal, com reconhecimento da Semestralidade/PIS. JUR_BR 35481v1 9002.148672 2 Processo n° : 10821.00036/00-17 Acórdão n° : CSRF/02-01.300- VOTO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator: O Recurso Especial da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade, daí dele se conhecer. Passo a enfrentar a questão, que em apertada síntese restringi-se a analisar qual é a base de cálculo que deve ser usada para o cálculo do PIS: se aquela correspondente ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, entendimento esposado pela recorrente, ou se ela é o faturamento do próprio mês do fato gerador, sendo, de seis meses o prazo de recolhimento do tributo. A propósito e sobre a matéria, em verdade, sopesava duas situações: uma de técnica impositiva, e outra no sentido da estrita legalidade que deve nortear a interpretação da lei impositiva. E, neste último sentido, veio tornar-se consentânea a jurisprudência da CSRF2 e também do STJ. Assim, calcado nas decisões destas Cortes, entendo que deve prevalecer a estrita legalidade, no sentido de resguardar a segurança jurídica do contribuinte, mesmo que para isso tenha-se como afrontada a melhor técnica tributária, a qual entende despropositada a disjunção de fato gerador e base de cálculo. É a aplicação do princípio da proporcionalidade, prevalecendo o direito que mais resguarde o ordenamento jurídico como um todo. 2 O Acórdão ng CSRF/02-0.871 2 também adotou o mesmo entendimento firmado pelo STJ. Também nos RD nos 203-0.293 e 203-0.334, j. em 09/02/2001, em sua maioria, a CSRF esposou o entendimento de que a base de cálculo do PIS refere-se ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador (Acórdãos ainda não formalizados). E o RD n° 203-0.3000 (Processo n° 11080.001223/96-38), votado em Sessões de junho do corrente ano, teve votação unânime nesse sentido. JUR_BR 35481v1 9002.148672 3 Processo n° : 10821.00036/00-17 Acórdão n° : CSRF/02-01.300- E o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção,' veio tornar pacífico o entendimento impugnado pela recorrente, consoante depreende-se da ementa a seguir transcrita: "TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE — art. 3°, letra "a" da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em benefício do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art. 69, parágrafo único da LC 07/70. 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso Especial improvido." Portanto, até a edição da MP n° 1.212/95, convertida na Lei n° 9.715/98, é de ser negado provimento ao recurso, para que os cálculos sejam feitos considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei (Leis n° 7.691/88; 8.019/90; 8.218/91; 8.383/91; 8.850/94; 9.069/95 e MP n° 812/94) do momento da ocorrência do fato gerador. E a IN SRF n° 006, de 19 de janeiro de 2000, no parágrafo único do art. 1°, com base no decidido julgamento do Recurso Extraordinário 232.896-3-PA, aduz que "aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplica-se o disposto na Lei Complementar tf 7, de 7 de setembro de 1970, e n g- 8, de 3 de dezembro de 1970". Em face do todo exposto, NEGO provimento ao recurso, para o fim de declarar que a base de cálculo do PIS, até 29/02/96, inclusive, deve ser calculada com Resp n° 144.708, rel. Ministra Eliane Calmon, j. em 29/05/2001, acórdão não formalizado. JUR BR 35481v1 9002.148672 4 , Processo n° : 10821.00036/00-17 Acórdão n° : CSRF/02-01.300- base no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Contudo, a averiguação da liquidez e certeza dos créditos e débitos em discussão nestes autos é da competência da SRF, que fiscalizará o encontro de contas efetuadas pela contribuinte, atendendo, na feitura do cálculos, a forma declarada. É o meu voto. Sala das Sessões - DF,12 de maio de 2003 4 ‘118'ia 1. DALT*N-CESA 40 ri • *E MIRANDA JUR BR 35481v1 9002 148672 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.000413/99-80
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1987 a 30/09/1995
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011)
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.967
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Rodrigo Cardozo de Miranda
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011) Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial por divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 445 a 457) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 434 a 442) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula nº 11 do 2º Conselho de Contribuintes. A presente hipótese trata de pedido de compensação, formulado em 02/02/1999 (fls. 01 a 08), de parcelas pagas indevidamente a título de PIS de julho de 1988 a setembro de 1995 (fls. 43 a 45) com débitos vincendos de PIS e COFINS. Referida solicitação foi deferida parcialmente através do r. Despacho Decisório de fls. 225, apenas quanto a um pagamento em duplicidade, referente ao mês de março de 1995. O restante foi não homologado ao fundamento de inexistência de crédito. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1987 a 30/09/1995 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.000413/9980 Acórdão n.º 930301.967 CSRFT3 Fl. 472 3 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DOS DECRETOSLEIS N°S 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição/compensação dos pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 é de 5 (cinco) anos, iniciandose no momento em que eles se tomaram indevidos com efeitos erga omnes, ou seja, na data da publicação da Resolução n° 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a vigência da Medida Provisória n° 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Jurisprudência consolidada no Egrégio Superior Tribunal de Justiça e, no âmbito administrativo, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, com base em divergência jurisprudencial, que o direito de pleitear a restituição extinguese nos termos do disposto nos artigos 156, inciso I, 165 e 168, caput e inciso I, todos do CTN, e 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/05. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 460 a 461. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso do recurso especial. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri Fl. 658DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.000413/9980 Acórdão n.º 930301.967 CSRFT3 Fl. 473 5 da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.000413/9980 Acórdão n.º 930301.967 CSRFT3 Fl. 474 7 Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de compensação, formulado em 02/02/1999 (fls. 01 a 08), de parcelas pagas indevidamente a título de PIS de julho de 1988 a setembro de 1995 (fls. 43 a 45) com débitos vincendos de PIS e COFINS. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em 1998 e 2005, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 02/02/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase intempestivo quanto às parcelas anteriores a fevereiro de 1989. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.000413/9980 Acórdão n.º 930301.967 CSRFT3 Fl. 475 9 Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido intempestivo quanto às parcelas anteriores a fevereiro de 1989. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11618.002940/2007-86
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 04/01/2007
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008, convertida na Lei n° 11941/2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.119
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/01/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008, convertida na Lei n° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008, convertida na Lei n.° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n° 11618.002940/2007-86 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.119 Fl. 154 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. ,e4~4,.. • LIÉGE LACRODC THOMASI Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros : Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thorriasi (Presidente). 2 Processo n° 11618.002940/2007-86 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.119 Fl. 155 Relatório Trata o presente de auto-de-infração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5°, da Lei n.° 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5° da Lei n.° 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP's das competências de 01/2003 a 12/2005, todas as remunerações pagas aos segurados obrigatórios da Previdência Social, conforme relação anexa às fls.19/49. A autuação foi lavrada em nome da presidente da Câmara Municipal de Bayeux. Após impugnação, Decisão-Notificação de fls. 124/128, pugnou pela• procedência da autuação. Inconformada, a autuada apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: que requer o arquivamento do procedimento administrativo porque a matéria esta sub judice ; que vinha recolhendo o desconto previdenciário dos vereadores; que apenas 13 vereadores contribuíam para o INSS, que 3 contribuíam para o IPAM e outro já contribuía pelo teto máximo; a infringência ao princípio constitucional da autonomia dos entes federativos; a inexistência de lei complementar definindo vereador como contribuinte,; que não há qualquer equivalência entre o serviço de um vereador e um empregado, sendo imperiosa a distinção, não podendo freqüentar a vala comum; que não há previsão constitucional para classificar o vereador como contribuinte do sistema previdenciário geral. Requer o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e mandar arquivar a referida autuação. É o relatório. if 3 Processo n° 11618.002940/2007-86 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.119 Fl. 156 Voto Conselheira LIÉGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008, convertida na Lei n.° 11941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; b)quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c)quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n ° 449, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função da MP n ° 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais 4 Processo n° 11618.002940/2007-86 S2-C3 T2 Acórdão n.° 2302-00.119 Fl. 157 benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2009 LIÉGE LA OIX THOMASI - Relatora • _
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Numero do processo: 35572.001651/2006-11
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01//2003 a 31/03/2006
AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO DO ADQUIRENTE, CONSUMIDOR, CONSIGNATÁRIO OU COOPERATIVA.
A contribuição do empregador rural pessoa física prevista no art. 25 da Lei 8.212/91 pode ser exigida a partir de 11/2001 por estar em consonância com a EC 20/98, devido a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, respeitada a anterioridade nonagesimal. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são responsáveis por substituição da referida exação, conforme previsão do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR.
Uma vez que a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária devidas pelo produtor rural pessoa física não abrange aquela destinada a terceiros, não pode este Conselho afastar o lançamento sobre tais verbas.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a); III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01//2003 a 31/03/2006 AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO DO ADQUIRENTE, CONSUMIDOR, CONSIGNATÁRIO OU COOPERATIVA. A contribuição do empregador rural pessoa física prevista no art. 25 da Lei 8.212/91 pode ser exigida a partir de 11/2001 por estar em consonância com a EC 20/98, devido a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, respeitada a anterioridade nonagesimal. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são responsáveis por substituição da referida exação, conforme previsão do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. Uma vez que a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária devidas pelo produtor rural pessoa física não abrange aquela destinada a terceiros, não pode este Conselho afastar o lançamento sobre tais verbas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01//2003 a 31/03/2006 AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO DO ADQUIRENTE, CONSUMIDOR, CONSIGNATÁRIO OU COOPERATIVA. A contribuição do empregador rural pessoa física prevista no art. 25 da Lei 8.212/91 pode ser exigida a partir de 11/2001 por estar em consonância com a EC 20/98, devido a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, respeitada a anterioridade nonagesimal. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são responsáveis por substituição da referida exação, conforme previsão do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. Uma vez que a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária devidas pelo produtor rural pessoa física não abrange aquela destinada a terceiros, não pode este Conselho afastar o lançamento sobre tais verbas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 2. 00 16 51 /2 00 6- 11 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 3 2 Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a); III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em face de BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., por ter esta empresa deixado de recolher as contribuições sociais devidas pelos produtores rurais pessoas físicas (art. 25, I da Lei nº 8.212/1991), a que estava obrigada na condição de subrogada, destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, ao Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, no valor de R$ 4.740.076,52 (quatro milhões setecentos e quarenta mil setenta e seis reais e cinquenta e dois centavos), tudo de acordo com o Relatório Fiscal às fls. 44/47. O fato gerador a que se referiu o presente lançamento é a comercialização da produção rural (gado bovino) de produtores rurais pessoa física, no período de 01/2003 a 03/2006, adquiridos pela recorrente, mas que não sofreram a retenção devida. No presente caso, a base de cálculo foi obtida a partir da receita bruta decorrente da comercialização da produção rural auferida pelos produtores rurais pessoa física quando da venda realizada à ora Recorrente, conforme se demonstra abaixo: 1) Na matriz, no período de 02/2003 a 06/2004, o valor da receita bruta foi determinado com base nos Livros de Registro de Entrada de Mercadorias (fls. 50/67) e, no período de 01/2003, foi fixada através do arbitramento (aferição indireta) com base no total de bovinos abatidos informado no Mapa de Abate de Bovinos em Matadouros Frigoríficos sob Inspeção Federal – SIF (fl. 48) e no prego da pauta da Secretaria Estadual de Receita e Controle do Estado do Mato Grosso do Sul – SERC/MS, tendo em vista que neste período não constavam no Livro de Registro de Entradas da Empresa movimentações de comercialização. 2) Na filial, no período de 04/2004 a 03/2006, o valor da receita foi determinado com base nos Livros de Registro de Entradas de Mercadorias (fls. 50/67) e, no período de 01/2004 foi fixado através de arbitramento (aferição indireta), tendo como esteio o total de bovinos abatidos informado no mapa de Abate de Bovinos em matadouros Frigoríficos sob Inspeção Federal – SIF (fl. 48) e no prego da pauta da Secretaria Estadual de Receita e Controle do Estado do Mato Grosso do Sul – SERC/MS, uma vez que neste período não constavam no Livro de Registro de Entradas da empresa quaisquer movimentações. Apresentada impugnação às fls. 75/85, o julgamento foi transformado em diligência (fl. 94), para que a autoridade fiscal prestasse esclarecimentos sobre os indícios que a levaram a adotar a técnica do arbitramento, o que foi feito através do despacho de fls. 95/96. Apresentada manifestação da ora Recorrente às fls. 109/113, foi mantido o lançamento fiscal pela decisão ora recorrida (fls. 117/129), nos seguintes termos: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/03/2006 VALIDADE. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. VALIDADE. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO DIRETA. A descrição da origem dos fatos geradores é motivação suficiente para a defesa e para o julgamento, notadamente quando se referir a livro fiscal produzido pelo sujeito passivo e cujos dados não são por ele contraditados com provas. VALIDADE. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. A omissão do sujeito passivo em apresentar seus documentos contábeis autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produto rural, com base na quantidade de bovinos abatidos pelo sujeito passivo, informada por órgão oficial. VALIDADE. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora pode requerer diligência ex officio para formar seu convencimento e a ciência do resultado da diligencia, ao sujeito passivo, é suficiente para instaurar o contraditório. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não cabe à autoridade administrativa conhecer de tese de inconstitucionalidade e ilegalidade das leis e atos normativos. MULTA. JUROS. São devidos juros e multa sobre as contribuições em atraso, ambos de caráter irrelevável. Lançamento Procedente Irresignada, interpôs a contribuinte o Recurso Voluntário sob exame (fls. 148/168), em que destacou novamente os argumentos apresentados na defesa: 1) Não foram expostos os motivos para a utilização da aferição indireta; 2) Os livros de entrada não se prestam para se promover a aferição indireta, já que não refletem os fatos geradores; 3) Multa com caráter confiscatório. É o Relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da aferição indireta O lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoa física, que devem ser recolhidas pelo adquirente em caráter de sub rogação das obrigações, tendo a base de cálculo adotada na presente notificação sido apurada mediante o procedimento de aferição indireta, consoante determinação do art. 33, §6º da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da análise do dispositivo retro, é possível inferirse que, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não registra a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como de seu faturamento e lucro, devem tais valores ser calculados via aferição indireta, que é exatamente o caso dos autos, conforme se observará adiante. No caso dos autos, verificase que o Relatório Fiscal não indica os motivos por que adotou a aferição indireta, isto é, as razões pelas quais os registros contábeis da empresa não representariam a veracidade dos fatos. Por essa razão é que foi proferido despacho determinando que a fiscalização esclarecesse os indícios que levaram à aferição indireta (fls. 94), tendo afirmado que a empresa não forneceu movimento de comercialização e registro de entradas da empresa, o que impediu, de fato, a verificação do valor exato devido. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 7 6 Diante de dita constatação, mostrase correto o procedimento da aferição indireta, devendo ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Da inconstitucionalidade do FUNRURAL (art. 25 da Lei 8.212/91) Alega o contribuinte ser inconstitucional o art. 25 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/1997, visto que instituiu, através de lei ordinária, uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 8 7 INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio dessa através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 9 8 Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; No caso dos autos, verificase que a autuação decorreu do não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoa física e retida pelo adquirente em subrogação. Esta inconstitucionalidade não abrange, contudo, a contribuição destinada a terceirosSENAR, que embora encontrem fundamento legal semelhante ao dos arts. 25, I e 30 da Lei nº 8.212/1991, não tiveram sua inconstitucionalidade reconhecida pelo colendo STF, o que impede a declaração de inconstitucionalidade por este Tribunal administrativo. Diante da declaração de inconstitucionalidade, deve ser declarada nula a NFLD em comento na parte em que lança os valores referentes à obrigação contida nos arts. 25, I e 30 da Lei nº 8.212/1991, mantendose às parcelas destinadas a TerceirosSENAR. Da multa aplicada De início, cabe destacar que não cabe a este CARF apreciar alegação de exorbitância no valor da multa de ofício cobrada, pois isto seria, em última análise, declararlhe a inconstitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal administrativo. Contudo, diante do advento de legislação aplicando penalidade mais benéfica ao contribuinte, cabe o exame de qual incidiria sobre o descumprimento da obrigação tributária principal. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 10 9 relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 11 10 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 12 11 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 13 12 Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para afastar do lançamento os valores referentes à contribuição previdenciária devida pelo produtor rural pessoa física, subrogadas pela recorrente (arts. 25, I e 30 da Lei nº 8.212/1991), mantendo, contudo, a autuação no tocante à contribuição do produtor rural destinada a TerceirosSENAR, determinando, ainda, que sobre esses valores seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de junho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Art. 25 da Lei 8.212/91. Substituição tributária do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, o Texto Magno não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da CF. No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 15 14 Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária sub rogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. A partir do transito em julgado do RE 363.852, portanto, este Colegiado está autorizado, mas não obrigado, a seguir as conclusões do STF e afastar a legislação declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com o art. 26A, §6º, inciso I do Decreto 70.235/72. Ressaltamos que somente estamos vinculados à jurisprudência do STF oriunda de decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), conforme previsto no caput do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). No caso do RE 363.852/MG não houve o reconhecimento de repercussão geral exigida naquele dispositivo. O STF reconheceu a repercussão geral no RE 596.177 que poderá declarar a inconstitucionalidade do mesmo art. 25 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 8.540/92, porém tal ação ainda não alcançou a definitividade. Portanto, como dissemos, esse Colegiado pode, mas não está obrigado, seguir as conclusões do RE 363.852. Nossa análise permitenos seguir parcialmente a decisão do RE 363.852 como veremos a seguir. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 16 15 De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei 10.256/91, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Outra questão que demos analisar diz respeito à figura do substituto tributário prevista no art., 30, inciso IV da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (..) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) A decisão no RE 363.852 também declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo, no entanto, nesse aspecto, não seguimos a conclusão do julgado. Não vemos qualquer inconstitucionalidade no estabelecimento da hipótese de substituição tributária em si. Se não há obrigação tributária validamente instituída pelo art. 25, não há substituição. Mas após 11/2001, estando a norma do art. 25 da Lei 8212/91 em conformidade com a EC 20/98, não há motivos para que a hipótese de substituição não seja aplicada. A inconstitucionalidade da referida substituição tributária só poderia subsistir se ela, em si mesma, estivesse em desacordo com a CF ou com o CTN. O que não é o caso. Assim, a substituição tributária prevista no art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91 deve ser acatada a partir de 11/2001. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 2301002.903 S2C3T1 Fl. 17 16 Por fim, é de ser registrado que a ADI 1103 não se relaciona ao caso, pois naquela ação foi julgada a inconstitucionalidade do §2º do art. 25 da Lei 8.870/94 que trata da contribuição do próprio produtor rural pessoa jurídica e não da sua responsabilidade por substituição relacionada com a contribuição do empregador rural pessoa física. Pelo exposto, votamos por negar provimento na parte do Recurso Voluntário que trata da contribuição do art. 25 c/c art. 30, incsio IV da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 01/10/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13005.500184/2004-47
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Aug 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO PELA AUTORIDADE. Reputa-se válida a compensação realizada, escriturada e declarada em DCTF pelo contribuinte no ano de 1999, de débitos de PIS com crédito também de PIS, cujo valor do crédito foi regularmente apurado pela autoridade administrativa, mesmo que em momento posterior. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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CRÉDITO APURADO PELA AUTORIDADE. Reputase válida a compensação realizada, escriturada e declarada em DCTF pelo contribuinte no ano de 1999, de débitos de PIS com crédito também de PIS, cujo valor do crédito foi regularmente apurado pela autoridade administrativa, mesmo que em momento posterior. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 50 01 84 /2 00 4- 47 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de cobrança de débitos declarados em DCTF como extintos por compensação com créditos reconhecidos em decisão judicial que não foi aceito pela RFB. Por força de liminar concedida em mandado de segurança, a DRF proferiu o despacho de fls. 181/187, no qual entendeu não ser possível a realização da compensação antes do transito em julgado da decisão judicial que daria origem aos créditos utilizados na compensação. Ciente desta decisão, a recorrente ingressou com manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 189.421, de 08/08/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante a compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra ao indeferimento de compensação, não se estendendo a questões atinentes cobrança de eventuais débitos. COMPENSAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. A compensação com a utilização de créditos cujo reconhecimento estava sendo pleiteado em medida judicial somente poderia ser efetivada após a obtenção de decisão judicial definitiva favorável pretensão do contribuinte. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM A ESFERA ADMINISTRATIVA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial sobre o mesmo assunto discutido administrativamente implica a renúncia as instâncias administrativas. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/08/2008, conforme AR de fl. 254, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 29/09/2008, recurso voluntário (fls. 258/282), no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a decadência do lançamento, .do direito ao crédito pleiteado na ação judicial, do procedimento da compensação realizada com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91, da concomitância com a ação judicial e da inaplicabilidade do art. 170A do CTN ao caso concreto, Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído para relatar. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.500184/200447 Acórdão n.º 3302001.787 S3C3T2 Fl. 3 3 Na sessão do dia 07/07/2011 o julgamento foi convertido em diligência à repartição da RFB de origem, para as seguintes providências, nos termos da Resolução nº 330200.137: 1 apurar se a recorrente efetuou o lançamento contábil das compensações declaradas em DCTF, objeto deste processo; 2 informar se antes ou depois do trânsito em julgado da decisão judicial (se é que ocorreu) a recorrente pleiteou a compensação ou restituição dos créditos reconhecidos na ação judicial nº 98.00099298 ou se solicitou a sua habilitação; 3 informar se à época das compensações declaradas e glosadas a recorrente tinha crédito de PIS a seu favor, apurado nos moldes da decisão judicial, deduzido de eventuais compensações ou pedidos de restituição feitos anteriormente. 4 prestar as informações que julgar conveniente ao deslinde da questão; 5 dar ciência desta Resolução e do resultado da diligência à recorrente, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Através da Informação Fiscal Saort (fls. 1136/1141), a RFB informa o seguinte: A) ás folhas 572 a 742 do eprocesso nº 13005.720004/201171 encontrase o registro contábil das compensações realizadas entre 1998 e 2004 (Livro Razão). B) o trânsito em julgado da ação ordinária nº 98.00.009929 8/RS ocorreu em 04.05.2009 e o contribuinte protocolou o e processo administrativo de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nº 13005.720004/201171 em 03.01.2011, cujo inteiro teor foi juntado ao presente processo administrativo. B) o contribuinte possuía crédito de PIS a seu favor, apurado nos moldes da decisão judicial e deduzido de outras compensações, conforme Despacho Decisório DRF/SCS/RS nº 46/2011, proferido nos autos do eprocesso administrativo de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nº 13005.720004/201171. C) havendo relação com o assunto aqui tratado, informa a DRF que o contribuinte ajuizou a ação anulatória de débito fiscal nº 501856617.2011.404.7100/RS (chave 164.215.550.311) objetivando a declaração de legalidade das compensações efetuadas e de ilegalidade da cobrança objeto do processo administrativo nº 13005.000507/200405 (compensações de PIS/Folha de Pagamento, código 8301, PA 07 a 12/99 e 04/2000 a 12/2003, e de PIS/Faturamento, código 8109, PA 09/2001 a 12/2003 antes do trânsito em julgado com crédito de PIS decorrente da ação ordinária nº 98.00.0099298/RS). Retornaram os autos para julgamento. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, dele se conhece. Como relatado, o presente processo trata de débitos declarados em DCTF como extintos por compensação com crédito de PIS reconhecido em decisão judicial. Como tratase de compensação de débitos de PIS do ano de 1999, com crédito também de PIS, declarada por meio de DCTF, baixouse o processo em diligência para que a repartição da RFB informasse, precipuamente, se a Recorrente tinha efetuado os lançamentos contábeis das compensações declaradas e se ela Recorrente possuía crédito para efetuar a compensação declarada. A resposta a estes quesitos foi positiva. Também foi informado que a ação judicial transitou em julgado no dia 04/05/2009 e que a Recorrente solicitou a habilitação do crédito, que foi apurado no âmbito do processo administrativo nº 13005.720004/201171, ficando ressalvado no despacho decisório de reconhecimento do crédito que os valores utilizados em compensações pendentes de decisão em impugnação ou recurso voluntário estavam indisponíveis para a Recorrente. O motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade da Recorrente foi que o crédito utilizado na compensação fora reconhecido em decisão judicial cujo trânsito em julgado ainda não havia acontecido. Ocorre que as compensações foram realizadas e declaradas em DCTF no ano de 1999, quando a Recorrente poderia efetuar, por sua conta e risco, compensação de créditos de PIS com débitos de PIS, independente da existência de reconhecimento judicial do crédito utilizado. Neste diapasão, e considerando o que consta na Informação Fiscal Saort, especialmente a informação de que a recorrente possuía crédito para realizar a compensação declarada e que a compensação foi regularmente escriturada, entendo que regular foi o procedimento da Recorrente, não havendo razão para não homologar a compensação declarada. Por último, e como bem observou a autoridade que reconheceu o quantum do crédito de PIS da Recorrente, o valor do crédito utilizado pela Recorrente nas compensações deste processo integram o montante do crédito apurado no processo nº 13005.720004/201171. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações declaradas pela Recorrente em DCTF, relativas aos períodos de apuração de 04/99, 05/99 e 06/99. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.500184/200447 Acórdão n.º 3302001.787 S3C3T2 Fl. 4 5 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10580.005023/2008-46
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO.
O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO.
O prazo para a apresentação da impugnação do lançamento é de 30 (trinta) dias contados da data em que for feita a intimação da exigência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para a apresentação da impugnação do lançamento é de 30 (trinta) dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. Recurso Voluntário Negado
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VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para a apresentação da impugnação do lançamento é de 30 (trinta) dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 50 23 /2 00 8- 46 Fl. 915DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.005023/200846 Acórdão n.º 2102002.347 S2C1T2 Fl. 781 2 Relatório Contra GILDO CEDRAZ DE OLIVEIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 e 2003, exercícios 2003 e 2004, no valor total de R$ 13.464.329,49, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal nº 0308, fls. 20/21, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 739/777, e a autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação, por intempestiva, nos termos do Acórdão DRJ/SDR nº 1520.185, de 05/08/2009, fls. 782/783. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 21/08/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 786, o contribuinte apresentou, em 08/09/2009, recurso voluntário, fls. 787/798, no qual traz as alegações a seguir resumidas: São inconstitucionais os dispositivos legais de que se valeu a Receita Federal para trazer os dados bancários do contribuinte aos autos. As contas bancárias do contribuinte espelham créditos de venda de gado de terceiros. A autoridade julgadora de primeira instância, em desrespeito ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 apressouse em julgar o contribuinte como revel. O recorrente chegou ao processo quando da impugnação do lançamento fiscal, quando não havia ainda julgamento do processo, e não poderia ser lhe tirado o direito de fazer as provas que requereu quando da sua impugnação, ainda mais quando se sabe que a revelia foi tomada como base em uma notificação errônea que foi endereçada para a Rua da Graça, quando a Graça em Salvador, trata se de um amplo bairro residencial, notificação aquela que não foi recebida pelo Recorrente. É o Relatório. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.005023/200846 Acórdão n.º 2102002.347 S2C1T2 Fl. 782 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do relatório acima, verificase que a decisão recorrida não conheceu da impugnação por intempestiva, sob a seguinte fundamentação: A ciência do auto de infração ocorreu em 23/4/2008, conforme AR de fl.725. E a defesa foi apresentada em 3/9/2008 (fls.739 a 748). Diferentemente do que afirma o Contribuinte, há claras evidências de que o lançamento lhe fora regularmente notificado em seu domicílio e na efetiva data de entrega, registrada no AR (fl.725). Isso porque o recebimento se deu pela mesma pessoa identificada na recepção da carta cobrança, que ele próprio afirma como endereçada corretamente. Outras tantas evidências podem ainda ser mencionadas, tão somente no sentido de demonstrar a regularidade da ciência, como é o caso de que todas as notificações anteriores tenham sido recebidas, como afirma, ainda que nelas se tenha feito constar o bairro “Barra”, em lugar de “Graça”. Se a denominação equivocada do bairro não se constituiu em empecilho para o recebimento de tais notificações, tanto menos se poderia atribuir à mera supressão do tipo de logradouro a falta do recebimento, quando todos os demais elementos que compunham o endereço se acham perfeitamente identificados. Não procede a referência de que o auto de infração fora endereçado erradamente para: Graça, 341, apt° 402, Graça, Cep 40.150055, quando 'Graça' é todo um bairro. Não é o que se verifica no AR de fl.725, onde apenas não fora impresso o tipo do logradouro, pois nele consta: da Graça, 341, apt° 402, Graça, Cep 40.150055. A primeira citação do nome 'Graça' claramente se refere ao logradouro e não diz respeito ao bairro, já que este é identificado após a numeração do apartamento. A correta identificação do código de endereçamento postal para a 'Rua da Graça', este sim, elemento essencial à identificação do endereço, ratifica ainda a efetiva e correta entrega da correspondência ao Contribuinte. E mais. Ainda que inaplicável, mas se se considerasse a ciência do auto de infração concomitante à carta cobrança, como pleiteia, também assim o prazo de impugnação já se teria expirado em 2/9/2008, anterior portanto ao protocolo da sua defesa em 3/9/2008. Nada há nos autos que possa descaracterizar a sua inércia. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.005023/200846 Acórdão n.º 2102002.347 S2C1T2 Fl. 783 4 Válida, portanto, a ciência da autuação em 23/4/2008 (fl.725). A defesa apresentada é intempestiva, pois não observou o prazo estabelecido no art. 15 do Decreto 70.235, de 1972, e por tal razão, não caracteriza impugnação e não é hábil para instaurar a fase litigiosa do processo. Em decorrência, o mérito das alegações nela veiculadas não comporta julgamento de primeira instância. A decisão recorrida não merece reparos, posto que restou perfeitamente caracterizado nos autos que a apresentação da impugnação ocorreu depois de transcorrido o prazo estabelecido no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O endereço constante no Aviso de Recebimento (AR), fls. 725, que encaminhou o Auto de Infração para ciência do contribuinte, é exatamente aquele que corresponde ao seu domicílio fiscal (extrato, fls. 780) e foi devidamente recepcionado em 23/04/2008. Acrescentese que na impugnação apresentada, em 03/09/2008, o contribuinte afirma ser residente no dito endereço utilizado no AR. Nesse contexto, temse que a impugnação apresentada pelo contribuinte é intempestiva. Por seu turno, o contribuinte afirma que a decisão recorrida foi apressada e que houve desrespeito ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. De imediato, cabe esclarecer que a autoridade julgadora de primeira instância não conheceu da impugnação por intempestiva, nos termos do disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em nenhum momento foi mencionado na decisão recorrida que não se conheceu da impugnação por falta de contestação. E mais, caracterizada a intempestividade da impugnação, não há que se falar em apreciar as demais alegações trazidas pelo contribuinte em sua defesa. Somente as alegações acerca da tempestividade devem ser apreciadas. E esta foi a conduta adotada pela autoridade julgadora de primeira instância, que apreciou a tempestividade, rebateu todas as alegações da defesa sobre o tema, transcreveu os dispositivos legais pertinente e concluiu acertadamente por não conhecer da impugnação. Confirmase, portanto, a decisão recorrida, sendo despicienda a apreciação das demais alegações trazidas pelo contribuinte em seu recurso. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 918DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.005023/200846 Acórdão n.º 2102002.347 S2C1T2 Fl. 784 5 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10980.007940/2003-48
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998
MULTA 75% - REVOGAÇÃO DE INFRAÇÃO - LEI n° 9.430/96, ARTIGO 44 - RETRO ATIVIDADE BENIGNA - ARTIGO 106 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO
Não pode ser mantido auto de infração que constituiu multa por infração à legislação, se este auto tiver sido lavrado com base em dispositivo posteriormente revogado (artigo 14 da Lei nº 11.488/2007). Aplicação, in casu, da inteligência do artigo 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00.164
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso em razão da retroatividade benigna.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Fabíola Cassiano Keramidas
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 MULTA 75% - REVOGAÇÃO DE INFRAÇÃO - LEI n° 9.430/96, ARTIGO 44 - RETRO ATIVIDADE BENIGNA - ARTIGO 106 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO Não pode ser mantido auto de infração que constituiu multa por infração à legislação, se este auto tiver sido lavrado com base em dispositivo posteriormente revogado (artigo 14 da Lei nº 11.488/2007). Aplicação, in casu, da inteligência do artigo 106 do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido.
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Numero do processo: 10680.004207/90-61
Data da sessão: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - É nulo o auto de infração que a descrição do lançamento indica código inexistente na TIPI. A correção, pela decisão monocrática, do código em que se enquadra o produto não convalida o auto de infração. No caso dos autos, a descrição dos produtos, que dão origem ao lançamento de ofício, em face dos seus componentes principais, não autoriza o enquadramento dos mesmos no código da TIPI apontado pela decisão singular. Nulidade do auto "ab initio". Recurso provido.
Numero da decisão: 201-69.240
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Lino De Azevedo Mesquita
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O. U •. C D.l.PLQ.1. ...1 19f3.::L C-'~' Rubrica Sessão Acórdão Recurso Recorrente : Recorrida : 23 de março de 1994 201-69.240 87.427 MERRINE INDÚSTRIA BRASILEIRA LTDA. DRF em Belo Horizonte - MG IPI - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - É nulo o auto de infração que a descrição do lançamento indica código inexistente na TIPI. A correção, pela decisão monocrática, do código em que se enquadra o produto não convalida o auto de infração. No caso dos autos, a descrição dos produtos, que dão origem ao lançamento de oficio, em face dos seus componentes principais, não autoriza o enquadramento dos mesmos no código da TIPI apontado pela decisão singular. Nulidade do auto ab initio. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MERRINE INDÚSTRIA BRASILEIRA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ---_ .._ .. --Lino. Relator ...a~ Participaram, ainda, do p esente julgamento, os Conselheiros Sérgio Gomes Velloso, Selma Santos Salomão Wolszczak, Henrique Neves da Silva e Luiza Helena Galante de Moraes (Suplente). , mdm/CF/GB 1 Processo Acórdão Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10680.004207/90-61 201-69.240 87.427 MERRINE INDÚSTRIA BRASILEIRA LTDA. RELATÓRIO A empresa em referência, ora Recorrente, é acusada, consoante Auto de Infração de fls. 30 e anexos que o instruem (fls. 31 a 46) de ter recolhido, com insuficiência, o IPI por ela devido no período de janeiro a dezembro de 1990, à alegação de que a empresa adotara para os produtos de seu fabríco: Shampoo Condicionador, Shampoo Nutrícondicionador e Shampoo Enxaguante, código 3305.10.9900 da TIPV88 (Decreto nO97.410/88), com a alíquota de 10%, quando a classificação correta sería no código 3305.10.0200 (sic) da mesma TIPV88, com a alíquota de 77%. Lançada de oficio do IPI que tería deixado de recolher no dito período, no montante de NCz$ 394,38, equivalente, na data do lançamento de oficio, a 3.343,29 BTNF, a empresa é notificada do lançamento em questão e intimada a recolher o referido crédito, acrescido de juros de mora e da multa de 100% (art. 364, inciso I, do RIPV82). Inconformada com a exigência, a autuada apresentou a Impugnação de fls. - 49/5.1, acompanhada dos Documentos de flso 52.a 192, alegando, em sint(;lse~ a) pelo auto de infração depreende-se que os auditores fiscais consideraram todas as formulações dos shampoos de tratamento e shampoos nutricionadores como "creme rínse", não observando os auditores os esclarecimentos dados pela Autuada que, para classificação de seus produtos, se baseou na TIPI aprovada pelo Decreto n° 97.410, de 23.12.88, onde consta a pOsição.-e-subposições-das-preparaçõcs-vapilar-es-3JGS,ít_W,n£erente-a.é:shampoos::...e-subitem __ 9900;-"outros";-com-alíquota-de 1O'Vo.~;-- .----- ----- _ ) no Iermo üeEncerramento Fiscal, os au' I scalS- am~e-no---- Decreto n° 89.241, de 1983, classificando o shampoo condicionador, shampoo nutrícondicionador e shampoo enxaguante com código 3305.10.0200 inexistente tanto na TIPI aprovada pelo Decreto nO 89241/83, quanto na aprovada pelo Decreto n° 97.410/88; 2 Processo -Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10680.004207/90"61 201-69.240 C) de acordo com a Portaria MF n° 22, de setembro de 1986 (DOU de 11.09.96) da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, anexa a fls. 83/86, que caracteriza shampoo tratamento, shampoo nutri condicionador e "creme rinse" no grupo principal 010200-8, produtos de "Higiene dos Cabelos e do Couro Cabeludo", e grupos complementares, respectivamente, 010201-6,010202-4 e 0100205-9, a empresa se baseou no código 3305.10.9900 da TIPl/88 para classificar tanto o shampoo de tratamento, quanto o shampoo nutri condicionador, por considerar os dois produtos como shampoo e não como "creme rinse", tipificado no código 3305.90.0100; d) por outro lado, há equivocos na apuração do débito, em relação às notas fiscais objeto da apuração, por isso que o lançamento questionado merece uma revisão, se devido o tributo, por incorreta classificação dos produtos na TIPl/88. À guisa de contestação à impugnação focalizada, um dos autuantes apresentou a Informação Fiscal de estilo de fls. 194 e 195, sustentando, em resumo: a) de acordo com os Pareceres Normativos CST nO 03171, 151174, 06177, 1.290/81 e 1.321/84, juntamente com o Parecer do Ministério da Saúde, os "shampoos" e os "creme rinse" são produtos distintos. Os primeiros são produtos de higiene utilizados na limpeza dos cabelos, enquanto que os últimos destinam-se ao embelezamento dos mesmos, por ação enxaguatória, caracterizando-se, para efeito de classificação, como cosméticos. Assim, conforme Formulário de Petição de Registro ao Ministério da Saúde (fls. 52), foi pedido como shampoo de tratamento e, às fls. 64, como shampoo nutricondicionador, destinando-se ao embelezamento dos cabelos por ação enxaguatória, caracterizando como rinses; e b) para classificação dos produtos na TIPl/88 prevalecem os Pareceres da Coordenação do Sistema de Tributação sobre os registros dos produtos na Secretaria Nacional de ________ yigilância Sanitária do Ministério da Saúde. _ A Autoridade Singular manteve a exigência fiscal, pela Decisão de fls. 196 a 199, sob os seguintes fundamentos. "O litígio gravita, materialmente, em tomo da correta classificação fiscal dos-"condicÍGnadQr-es-capilares'-'.---- Esta autoridade julgadora de primeira instância tem-se manifestado, por Iversas vezes;--quanto----a----ca-5SIcaçao- us----cun ill ores no coãigo- 3305.90.0100 ou 3305.90.9900 da TIPl/88, uma vez que os mesmos diferem dos xampus, cuja finalidade é a simples limpeza dos cabelos e do couro cabeludo. Já as preparações comercializadas com os nomes de "condicionadores", "restauradores", "enxaguantes", "creme rinse", etc, têm função precípua de amaciar, condicionar, revitalizar, desembaraçar e embelezar os cabelos, sendo usadas após o xampu. 3 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10680.004207/90-61 201-69.240 No caso em tela, a descrição e demais dados técnicos dos produtos questionados permitem concluir que os mesmos possuem as características e finalidades acima expostas, sendo, portanto, correto o entendimento da Fiscalização. Ressalte-se que a presente conclusão ongma-se da orientação emanada pelos Pareceres Normativos CST nOs03/71 e 151/74, além de diversos pareceres simples provenientes de consultas. feitas à Coordenação do Sistema de Tributação. Como esclarece o PN-CST n° 03/71, apesar dos condicíonadores possuirem composição química semelhante à dos xampus, suas finalidades e essencialidade são diferentes, e são estes os aspectos que prevalecem na definição da classificação fiscal. Acrescente-se que o enquadramento fiscal dos "condicionadores capilares", como cosmétícos, atende ao princípio constitucional da seletívidade do IPI, visto que eles possuem um grau de essencialidade bem menor do que os xampus. Em que pese o Ministério da Saúde, no âmbito de sua competência, qualificar legalmente os "condicionadores" como produtos de higiene capilar, tal fato não interfere, de forma alguma, em sua classificação fiscal, pois esta não é aspecto técnico, mas sim de competência exclusiva de órgão próprio do atual Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, de acordo com S I° do art. 30 do Decreto nO70.235/72. De fato, as definições adotadas pelos órgãos do Ministério da Saúde prestam-se somente aos assuntos de sua competência, tal como a vigilância sanitária. Por outro lado, na elaboração da TIPI e na definição das classificações .~. __ o - - - • - _" __ •• __ - _. __ ~ •• __ ~._ ~ ~.~ __ ~.~._.r A __ 0_. , que visam a objetivos tributários, atendendo ao princípio constitucional da seletividade e essencialidade do IPI. Deve-se esclarecer que a Fiscalização incorreu em um erro formal ao consignar,.Jlo...T.ermo...de..Encerramento de Ação Fiscal (fls. 46), o código fiscal -------- 3J05.10.0200_como_sendo o devido.llQUrodutos questionados, por ser tal . código realmente inexistente. Entretanto, este engano não veio -alterar as conclUstíes-e--o--conteú o o-u e fi -a.,- il;amIe;=:pois;=a~sua-..-- validade. Observe-se que a alíquota aplicada é a correta. - - - - - - -.----- Cumpre finalmente frisar que a revisão do procedimento fiscal, pretendida .__ pela defesa, em face de incorreções no lançamll.ntodos valores de algumas notas fiscais, torna-se inviável e contrária aos seus objetivos. Isto porque constados autos que a Fiscalização utilizou-se da técnica de amostragem, restringindo-se 4 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DECONTRIBUINTES 10680.004207/90-61 201-69.240 ao exame de apenas um ano (1989), para beneficiar o impugnante, em razão da constatação de sua precária situação econômica e financeira. De outro modo, a exigência seria eminentemente agravada. CONCLUSÃO Face ao exposto, resolvo julgar PROCEDENTE a ação fisca1." Cientificada dessa decisão, a Recorrente, por ainda inconformada, vem, tempestivamente, a este Conselho, em grau de recurso, com as Razões de fls. 205/207, sustentando em abreviada sintese: I) em preliminar: a) a nulidade do auto de infração, eis que a reclassificação fiscal dos produtos da Recorrente se deu num código 3305.10.0200inexistente, quer na TIPI/83, quer na TIPI/88. Exigir IPI com arrimo em posição inexistente, equivale a exigir imposto sem lei, o que contraria o disposto na Constituição no que conceme ao principio da legalidade, segundo o qual "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei"; b) cerceamento do direito de defesa, uma vez que, nas razões de impugnação, a empresa apontou erros materiais do trabalho fiscal, desconsiderados pela decisão recorrida sob "ao infundado argumento de ser inviável e contrário aos objetivos o exame de erros apontados em valores de notas-fiscais objeto do procedimento fisca1." O exame desses erros materiais se impunha e a sua desconsideração se constitui em cerceamento ao direito de defesa; o 09.09.86, da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, classifica os xampus condicionadores como produtos de higiene dos cabelos e do couro cabeludo, essenciais à saúde dos cabelos e do couro cabeludo. Os xampus, portanto, estão tributados à alíquota de 10%. 5 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10680.004207/90-61 201-69.240 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR UNO DE AZEVEDO MESQUITA O auto de infração é a peça básica do lançamento de oficio. Se eivado de erros ou equivocos, conforme a sua natureza, eles poderão tomá-lo nulo ab initio. Assim tem decidido este Colegiado. Do exame dos autos, verifica-se que o relatório que instrui o auto de infração afirma ser o período fiscalizado de janeiro a dezembro de 1990. É evidente o equivoco, uma vez que o Termo de Encerramento Fiscal é datado de 31 de maio de 1990. Ao que se depreende do Demonstrativo de Apuração do IPI exigido, o período fiscalizado, compreendido pelo auto de infração, é de janeiro ajulho de 1989. O equívoco apontado, contudo, ao meu entender, por si só, não é suficiente para viciar o auto de infração de nulidade ab initio. Todavia, o auto de infração apresenta erro que, ao meu parecer, por si só, o toma nulo ab initio. É que ele aponta que o débito que deu origem ao crédito fiscal lançado decorre do fato de a recorrente haver enquadrado os produtos por ela fabricados (xampu condicionador, xampu nutricondicionador e xampu enxaguante) em código diverso do que seria correto, que, segundo ele (o auto de infração), seria o código 3305.10.0200 da Tabela, que, ainda, de conformidade com ele, teria sido a aprovada pelo Decreto n° 89.241/83. Ora, a TIPI (Tabela _d(lIndMncia do IPI) que vigia às datas dos fat9s~geradores__ , nao cons a o código 3305.10.0200, apontado pela fiscalização como sendo o código em que os produtos da recorrente se enquadrariam. É certo que a Informação Fiscal de fls. 194, prestada pelo autuante, diz que os produtos_objeto_da..íiscalização,-no_período_fiscalízado,-enquadram,ge-nQ-código-J30~~I.o799QQ-da---- ~ TIEII88_(xampus_sem_propriedadeS-tenlpêuticas_ou_profiláticas),.isso,-entretanto,não-corrige o ._.. auto de infração. Assim, tenho como nulo, ab initio, o auto de infração, peça básica do lançamento de oficio sob exame . .A. decisão recorrida sustenta que, dadas as. características dos produtos focalizados, eles classificam-se no código 3305.90.0100 ou 3305.909900 da TIPI/88, por isso que a invocação errônea pela fiscalização do código 3305.10.0200, inexistente, realmente, na TIPI/88, 6 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10680.004207/90-61 201-69.240 7 não altera as conclusões e o conteúdo do auto de infração, e, pois, a sua validade, uma vez que a aliquota aplicada no cálculo do IPI devido (77%) é a correta. De conformidade com a Lei n° 4.502/64, art. 13, inscrito no art. 62 do RlPI/82, 'b imposto será calculado mediante aplicação da alíquota do produto constante da Tabela sobre o valor tributável': e não em razão de alíquota que a fiscalização possa entender ser a aplicável. A alíquota aplicável é a decorrente de seu enquadramento na TIPI. É, pois, nulo o auto de infração que indica código de classificação inexistente. Este Colegiado vem decidindo, de modo reiterado, que quando o auto de infração indica um código de classificação na TIPI e a decisão monocrática, indica outro código, ainda que de alíquota igual á própria do código indicado pelo auto de infração, é de ser dado provimento ao recurso por alteração de critério juridico nos elementos do lançamento. Com maior razão é de ser dado provimento quando o código de classificação na TIPI indicado na denúncia fiscal é inexistente. Por outro lado, vê-se da decisão recorrida que, segundo a autoridade julgadora monocrática, os produtos da Recorrente classificam-se nos códigos 3305.90.0100 ou 3305.90.9900 da TIPI/88. Não esclarece a decisão recorrida quais os produtos que se classificam no código 3305.90.0100 e quais os que se classificam no código 3305.90.9900. De acordo com a TIPI/88, estão enquadrados no código 3505.90.0100 as preparações capilares conhecidas como 'treme rinse" e no código 3505.90.9900, as outras preparações capilares não enquadradas entre os 'xampus" e/ou nem compreendidas, nem especificadas em nenhum item da posição 3305, anteriores áquele código 3305.90.9900. Parece-me oportuno salientar que o termo 'tinse" ainda não entrou para o nosso vernáculo. Dos dicionários bilingües que consultei, apresentam como equivalentes ao termo "rinse" os de "enxaguadura" e "lavadura". Os dicionários de língua inglesa, que também consultei, indicam como significado do termo 'tinse': dentre outros, a ação de lavar ou enxaguar levemente para remover sabão, sujeira ou impurezas. Assim sendo, tenho que o termo 'treme rinse" constante do código 3305.90.0100 refere-se a uma preparação capilar destinada a lavar ou enxaguar levemente os -----Cllbelos-para.cemover sabã<J,sujeira ou impurezas.-- -- -- -- -- -- Do exame dos autos, entretanto, resta demonstrado que os produtos da 'eco, . _...de::::Íllffa~ãe, t8m Gomo componente principal O ' . Sulfato de Sódio". Esse produto é uma substância tenso ativa, própria dos xampus, que, de acordo com o Decreto nO79.094, de 05.01.77, que regulamenta a Lei de Vigilância Sanitária - Lei nO 6.360, de 23.09.76, define os xampus como um produto de higiene 'tlestinado a limpeza do cabelo e do couro cabeludo por ação tensoativa ou dé absorção sobre as impurezas ...". Tenho, assim, à vista de seus componentes principais, que os produtos de que tratam os autos, à falta de melhores (] I /., Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10680.004207/90-61 201-69.240 esclarecimentos pela denúncia fiscal e pela decisão recorrida, não têm enquadramento adequado nos códigos 3305.90.0100 e 3305.90.9900 da TIPI/88. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal por nulo; ab initio, o lançamento de oficio. É o meu voto. UNO 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 10880.034193/90-18
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Exercício: 1985
Ementa: AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO —
NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA — AUTUAÇÕES NÃO
CONFLITADAS — Inexistindo defesa apresentada pela sociedade autuada — mas, sim, apenas peça escrita interposta pelo ex-sócio intimado, dando conta de sua saída pretérita dos quadros sociais da empresa — não há como se reconhecer instaurada a fase litigiosa do processo. Nulos são, por conseguinte, todos os atos processuais posteriores, especialmente se estes versarem sobre matéria (responsabilização de sócio-gerente) que nada tange
As autuações originais. Confusão geradora de soluções juridicamente teratológicas. Necessário o retorno dos autos à autoridade competente, para cobrança executiva dos montantes apurados.
Numero da decisão: 1803-000.203
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ausência de litigios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente a Conselheira Lavinia Moraes de
Almeida Nogueira Junqueira
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercício: 1985 Ementa: AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO — NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA — AUTUAÇÕES NÃO CONFLITADAS — Inexistindo defesa apresentada pela sociedade autuada — mas, sim, apenas peça escrita interposta pelo ex-sócio intimado, dando conta de sua saída pretérita dos quadros sociais da empresa — não há como se reconhecer instaurada a fase litigiosa do processo. Nulos são, por conseguinte, todos os atos processuais posteriores, especialmente se estes versarem sobre matéria (responsabilização de sócio-gerente) que nada tange As autuações originais. Confusão geradora de soluções juridicamente teratológicas. Necessário o retorno dos autos à autoridade competente, para cobrança executiva dos montantes apurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ausência de litigios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Benedicto Celo'BeHíio Júnior - Relator EDITADO EM: , \ a, NOV 2010 Participaram do prdente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Marco Antonio Pires, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Benedict° Celso Benício Júnior e Luciano Inocêncio dos Santos. Processo n" 10880.03419.3/1990-18 S1-1. E03 Acórdão n ° 1803-00203 Fl 2 Relatório Trata o presente processo de lançamentos de IRPJ, de IR-FONTE, de PIS/DEDUÇÃO, de PIS/REPIQUE e de FINSOCIAL, decorrentes de fiscalização relativa ao ano-base de 1984, exercício de 1985. Consta do auto de infração do IRPJ (fls. 08) que a empresa não apresentou declaração de rendimentos referente ao ano-calendário de 1984, embora, conforme relatório de Its. 09, duas empresas tenham lhe efetuado pagamentos nesse mesmo período O enquadramento legal do lançamento relativo ao IRPJ foi: artigo 157, § 1 0 e caput,165, 160, 174, § 1 0, 176, 179, c/c 399, incisos I e III, 400, § 50, 403, 592 a 594, 735 e 763 do RIR, aprovado pelo Decreto n° 85.450/1980, e Portaria MF n° 76/1979, item "c". Os outros lançamentos decorrentes tiveram o seguinte enquadramento legal: - IRFONTE - fls. 36: art. 8° do Decreto-lei n° 2065/1983; - PIS/DEDUÇÃO - fl& 62: art. 3°, alínea "a", § 1°, da Lei Complementar n° 7/1970, c/c o art, 40, alínea "a", e §§ 1° e 2°, do Regulamento anexo à Res. n° 174/1971 do BACEN e item 5 da Norma de Serviço CEF/PIS n° 2/1971 e art, 480 do RIR/1980 (Dec. n° 85450/1980); - PIS/REPIQUE - fls.88: art 3° e seus §§ I' e 2° da Lei Complementar n° 7/1970, c/c o art. 4°c seu § 3', do Regulamento anexo a Res. N° 174/1971 do BACEN e item 6 da Norma de Serviço CEF/PIS n°2/1971; FINSOCIAL - fls. 114: art. 1°, § 2°, do Decreto-lei n° 1940/1982, art 2', parágrafo único, do RECOFIS (aprovado pelo Decreto 92698/1986) e ADN CST n° 04/1989; A empresa foi emitida intimação, na forma da lei. Constatou-se, na oportunidade, que o domicílio fiscal da autuada havia sido transferido, sem que fosse dada noticia do fato à SRF. Foi intimado, então, via correio, ern 20/12/1990, o representante legal cadastrado junto ao Fisco, Sr. Thomaz Iervolino (fls. 15). Este apresentou, em 20/12/1990 (fls. 16/18, 42/44, 68/70, 94/96 e 120/122), apenas ern nome próprio, "impugnação", alegando, em síntese, o seguinte: - de conformidade com o Nono Instrumento de Alteração do Contrato Social da Sociedade Civil por Cotas de Responsabilidade Limitada (fls. 20/23), registrado no 3° Cartório de Registro Civil de Pessoa Jurídica, transferiu suas cotas do capital social da empresa ao senhor Jose Carlos Loezer, brasileiro, do comércio, separado judicialmente, portador da cédula de identidade RG if 8.273.977-SSP-SP, inscrito no CPF/MF sob o n° 017.847.239-78, residente e domiciliado nesta Capital na Rua Síria, 204 - apt°. 83 e à senhora Norma Vera Vieira, brasileira, solteira, do comércio, portadora da cédula de identidade RG if 9.722.783, inscrita no CPF sob o n° 938.322.908-00, residente e domiciliada nesta Capital na Rua Marques de Lages, 1532, apt° 14, bloco 7; - assim sendo, com a transferência havida, desligou-se o cedente da sociedade, passando a integrá-la os cessionários. Entretanto, em virtude do que dispõem os artigos 51, parágrafo único, e 5 0, da Lei de Falências, bem como pelo artigo 90 do Decreto n° 3708, temos que o cedente da cota responde pela integralização do capital social, até dois anos após sua retirada. Por outro lado, aos cessionários pretende que, por força do disposto no artigo 329 do Código Comercial "suas obrigações começam da data de sua admissão", do que se conclui: Processo re 10850034193/1990-18 Acórdão n.° 1803-00.203 SI-TE0.3 Fl. 3 "Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros pelas obrigações que tinha como sócio"; - provada esta a existência da sociedade na Rua XV de novembro, n° 184, 9' andar, conjuntos no 905/906, nesta Capital, corno provado está que o Requerente não é mais cotista da referida empresa desde novembro de 1987 (h1 mais de dois anos), portanto, faz-se necessário o cancelamento da referida Intimação 1828/1990, feita em nome de Thomaz Ieorvolino, para ser feita contra a própria empresa, da qual é ex-sócio. Para comprovar o alegado, junta o Décimo Primeiro Instrumento de Alteração do Contrato Social da Sociedade Civil de Cotas de Responsabilidade Limitada (fls. 24/26) As fls. 28/29, 54/55, 80/81, 106/107 132/133, conforme previsão da legislação de procedimento administrativo fiscal vigente it época (art. 19 do Decreto 70.235/1972), há a manifestação do fiscal autuante, propugnando pela manutenção do crédito tributário lançado, com atribuição de responsabilidade ao Sr, Sr. Thomaz lervolino pelo pagamento dos débitos lançados, na forma do artigo 139 do vigente RIRJ80. Ao analisar os argumentos da impugnação apresentada pelo contribuinte, a 3' TURMA — DRJ EM SAO PAULO — SP I manteve integralmente o lançamento, nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1985 Ementa: RESPONSÁVEL PERANTE 0 FISCO — considerado responsável solidário perante o Fisco Federal o sócio, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação." Cientificado do acórdão em 26/03/2007, o representante do contribuinte apresentou, em nome próprio, Recurso a este Conselho, em 20/04/2007, arguindo, em síntese, que: Preliminannente, houve decadência do direito fazendirio de lançar os créditos questionados . A matéria está regida pela sistemática do artigo 173, I, do CTN. Tendo em vista que a intimação do auto de infração se deu apenas em 20/11/1990, de um lado, e que os tributos formalizados se referem ao exercício de 1984, de outro lado, insubsistente é a autuação, vez que esta só poderia ter sido levada a cabo até 01/01/1990; - No mérito, impossível se faz a responsabilização pessoal da sócio Thomaz Iervolino, urna vez que isso só se legitimaria nas hipóteses de infração à lei ou de administração com excesso de poderes gerenciais (art. 135 do CTN). Apenas a legislação complementar poderia disciplinar a matéria, por expressa reserva constitucional, sendo incabível que se acene com qualquer dispositivo de legislação ordinária ou infraordindria em sentido distinto; - Requer-se, por conseguinte, seja extinto o crédito, ou, sucessivamente, seja afastada a responsabilidade do sócio Thomaz lervolino. E' o relatório do essencial. Processo n° 10880.034193/1990-18 Acórd5o n.° 1803-00.203 S1 -TE03 Fl, 4 Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator Trata-se de remédio recursal que busca o afastamento da responsabilidade fiscal do Sr. Thomaz Iervolino, quotista da sociedade autuada, pelos débitos lançados contra esta. Como se pode depreender dos autos, as autuações discutidas apontam como único e exclusivo sujeito passivo a empresa Sami Sociedade de Assistência Médica à Indústria S/C Ltda. O ex-sócio-administrador foi intimado (fl. 14), originalmente, na simples condição de representante legal da empresa contribuinte, em virtude da transferencia não informada do domicilio fiscal da autuada. Em momento algum houve atribuição, pelo agente autuante, de responsabilidade tributária a pessoas físicas, sejam sócios, sejam administradores. Ocorre, contudo, que, em resposta à intimação, o Sr. Thomaz Iervolino apresentou ao Fisco, erroneamente, petição intitulada "impugnação", em nome próprio, como se fosse o próprio sujeito passivo dos tributos. Noutras palavras, ao invés de se manifestar como representante legal da sociedade contribuinte, peticionou o ex-sócio em sua própria defesa, como se fosse ele o autuado, arguindo não mais ser integrante do quadro social da sociedade e, por conseguinte, seu representante. Ora, a "resposta" da pessoa física não representa, para fins jurídicos, impugnação tempestiva e efetiva à peça acusatória. Trata-se de mera peça escrita encaminhada SRF, visando a informar que a intimação do contribuinte deveria ser levada a cabo junto a outro indivíduo, que tivesse poderes para representar administrativamente a sociedade autuada. Jamais houve qualquer debate quanto As autuações em si. A empresa contribuinte único sujeito passivo tributário — sequer se opôs ao lançamento. Todos os atos processuais subseqüentes nada tiveram a ver com o lançamento, eis que sequer foram promovidos pelo sujeito passivo das exações. Toda essa situação de confusão levou a 3 TURMA DRJ EM SÃO PAULO — SP I a 'decidir sobre eventual responsabilidade pessoal do ex -sócio-administrador, calcada na regra do artigo 139 do R12a/80. Acontece, porem, que no há qualquer relação lógica entre a decisão recorrida e as autuações levadas a efeito, Inexiste nexo lógico entre o deeisum guerreado e o real cerne do processo. Jamais houve discussão sobre a responsabilidade do ex - sócio, uma vez que este assunto sequer foi cogitado no momento da lavratura dos autos (e nem mesmo em sede da pretensa "impugnação", que só advertiu a Fazenda sobre a retirada do intimado dos quadros sociais da empresa contribuinte). Entrevemos, portanto, a imperiosa necessidade de anulação de todos processuais em tela. Deve set. mantida apenas a peça acusatória — que, por não ter sido conflitada, viceja em sua integralidade. Sequer se verificou a formação da lide administrativa, em virtude da ausência de impugnação apresentada pela empresa autuada (ou por qualquer pessoa que a representasse). Ad argumentandunz, vale ressaltar que a sujeição passiva fiscal é assunto de elevado interesse, que deve ser tratado com agudo zelo pela autoridade fazenddria. Não se pode atribuir, informalmente, a titulo precário e a bel-prazer da autoridade julgadora de primeira instância, a co-responsabilidade do representante legal da sociedade contribuinte, relativamente aos débitos desta, sem que se verifiquem quaisquer dos pressupostos legislativos impostos para tanto. Processo If 10880 034193/1990-18 S1-TE03 Acórdio n ° 1803-00.103 Fl 5 A outorga de responsabilidade ao sócio ou administrador deve obedecer aos estritos limites da legislação vigente. No caso em tela, não se verifica nos autos qualquer prova suficientemente cabal a respeito da veri ficação de alguma das hipóteses de responsabilização de sócios — em especial, aquelas insculpidas nos artigos 134, inciso VII (solidária), e 135, inciso III (pessoal), do CTN, verbis: "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierein ou pelas omissões de que forem responsáveis: (-) VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas, (..)" "Art. 135. Sao pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados coin excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado" Devem ser mantidos os lançamentos, então, ern face apenas da sociedade contribuinte, tal qual originalmente elucubrado. A responsabilização do Sr. Thomaz Ievorlino derivou de teratológica interpretação dada pelo colegiado ad quo, tratando-se de inovação absurda que não pode se sustentar. Isto posto, NÃO CONHEÇO do recurso, declarando a nulidade da decisão de primeira instância, por totalmente desconexa com a matéria e as circunstâncias das autuações, e determinando o retorno dos autos à autofidade fiscal competente, para cobrança executiva dos montantes lançados junto b. Sarni Sociedade de Assistência Médica a Indústria S/C Ltda. Benedict° CelSo B iicio júnior
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