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Numero do processo: 10630.000358/2005-92
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
INSUMOS.
O conceito de insumos para fins de apuração de créditos a serem descontados da contribuição do PIS e da Cofins é o previsto na IN SRF nº 247/02, ad, 66, § 5º, que se repetiu na IN SRF n° 404/04, art. 8º, § 4º.
INSUMOS. PARTES E. PEÇAS DE. REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO.
As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, geram direito a créditos do PIS, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.
PIS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e topografia, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF10 Disit n° 04/07.
PIS NÃO-CUMULATIVO.. TAXA ANUAL DE DEPRECIAÇÃO, INSTALAÇÕES.
Diferente das "edificações", é de 10% a taxa de depreciação anual dos bens do ativo permanente com características próprias de "instalações" cujo prazo de vida útil estimado é de dez anos.
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS DE BENS IMPORTADOS.
A partir de 01/05/2004, por meio da Lei n" 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cotins na importação. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-000.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento de Pis decorrente:
a) dos serviços de terraplanagem e de topografia;
b) das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados na atividade da recorrente;
c) da depreciação calculada à taxa anual de 10% (dez por cento), em relação aos precitados quatro bens do ativo imobilizado; e
d) das aquisições de ativo imobilizado originárias do exterior, realizadas a partir de 01/05/2004 e sujeitas ao pagamento do pis, homologando-se as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, mantendo no mais a decisão recorrida.
Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais quanto aos itens a e b.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INSUMOS. O conceito de insumos para fins de apuração de créditos a serem descontados da contribuição do PIS e da Cofins é o previsto na IN SRF nº 247/02, ad, 66, § 5º, que se repetiu na IN SRF n° 404/04, art. 8º, § 4º. INSUMOS. PARTES E. PEÇAS DE. REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, geram direito a créditos do PIS, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e topografia, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF10 Disit n° 04/07. PIS NÃO-CUMULATIVO.. TAXA ANUAL DE DEPRECIAÇÃO, INSTALAÇÕES. Diferente das "edificações", é de 10% a taxa de depreciação anual dos bens do ativo permanente com características próprias de "instalações" cujo prazo de vida útil estimado é de dez anos. PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS DE BENS IMPORTADOS. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei n" 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cotins na importação. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CENIBRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INSUMOS. O conceito de insumos para fins de apuração de créditos a serem descontados da contribuição do PIS e da Cofins é o previsto na IN SRF n" 247/02, ad, 66, § 5", que se repetiu na IN SRF ri° 404/04, art. 8', § 4'. INSUMOS. PARTES E. PEÇAS DE. REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1" de dezembro de 2002, geram direito a créditos do PIS, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e topografia, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF10 Disit ri° 04/07. PIS NÃO-CUMULATIVO.. TAXA ANUAL DE DEPRECIAÇÃO, INSTALAÇÕES. Diferente das "edificações", é de 10% a taxa de depreciação anual do- bei do ativo permanente com características próprias de "instalações" cuj • de vida útil estimado é de dez anos. PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS DE BENS IMPORTADOS, A partir de 01/05/2004, por meio da Lei n" 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cotins na importação. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15. Recurso Voluntário Provido em Parte, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento de Pis decorrente: a) dos serviços de terraplanagem e de topografia; b) das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados na atividade da recorrente; c) da depreciação calculada à taxa anual de 10% (dez por cento), em relação aos precitados quatro bens do ativo imobilizado; e d) das aquisições de ativo imobilizado originárias do exterior, realizadas a partir de 01/05/2004 e sujeitas ao pagamento do pis, homologando-se as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, mantendo no mais a decisão recorrida. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais quanto aos itens a e b, o i go sta Possas - Presidente Maurício taveiça e ka - Relator EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Maurício faveira e Silva (Relator), Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais e Antônio Lisboa Cardoso.. Relatório CELULOSE NIPO-BRASILEIRA S.A. - CENIBRA, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do reclino de fls, 580/600, contra o acórdão n° 09-20.878, de 24/09/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG, fls. 536/540, que deferiu em parte Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo, referente ao 1" trimestre de 2005, protocolizado em 28/04/2005, no valor de R$2.044.490,00 (11„ 01), posteriormente retificado para R$1.835,349,37 (lis. .36/37 e 98) e utilizado nas compensações descritas à fl. 424, Com firlero nos documentos de fls... 191/420, a fiscalização elabor de Diligência Fiscal de fls., 166/190, que deu origem ao Despacho Decisório de/' por meio do qual a DRF reconheceu o direito creditório no valor de R$1. homologou as compensações pleiteadas (fis, 60 e 153), até o limite do crédito rec( -) Termo 3/427, 3 01 e 2 Processo 110 10630 000358/2005-92 S3-C311 Acórdão o " 3301-00.656 F I . 2 Inconformada, em 14/01/2008, a contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade de fls.. 444/459, com as alegações relatadas pela instância a quo, nos seguintes termos: a) Os lienS relativos à aquisição de peças e partes de reposição e dos serviços de manutenção, glosados pela Fiscalização, são empregados diretamente na produção de bens ou produtos destinados a venda e fazem jus ao ci édito nos termos da legislação vigente; b) O mesmo se aplica à glosa da parte do crédito presumido calculado sobre o estoque de abertura; c) A fiscalização glosou créditos relacionados à locação de máquinas e equipamentos por considerar, equivocadamente, que se tratava contratação de serviços; d) Os itens para os quais a Fiscalização entendeu que a taxa de depreciação deve ser de 4%, não se caracterizam como edificações e sim como partes de outros ativos como máquinas e equipamentos, sujeitos à depreciação a taxa de 10%, e) Quanto a devoluções de produtos, só firam aceitos créditos relativos a celulose, porém a legislação não condiciona o crédito à natureza dos bens devolvidos, .1) A glosa do crédito relativo a despesas de armazenagem de mercado, ia e ftete na operação de venda deu-se devido a erro da empresa que lançou CNP.1 criado nos memoriais apresentados, Visando ao esclarecimento de dúvidas quanto às alegações da manifestante a DR.! encaminhou o processo em diligência, conforme Despacho de fis, 484/485. Na sequencia fora produzido o Termo de Diligência Fiscal de fls. 487/491 e anexos (fls. 492/501). Cientificada, a contribuinte apresentou razões adicionais a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 502/511), aduzindo que faz jus ao crédito da contribuição em relação aos itens para os quais foi mantida a glosa, como energia elétrica, parafusos, porcas, chaves de fenda, chaves Philips, etc. No mesmo sentido não devem ser glosadas as despesas de locação de máquinas, equipamentos e veículos, vez ue foram utilizadas nas atividades da empresa. A DRJ deferiu em parte a solicitação, alterando o valor 451ágiOriamente reconhecido de R$1.510.28.3,01 para R$ 1,759.386,29. O acórdão restou assim e èrrtado: Assunto Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendái io 200.5 INSUMOS O conceito de 111SUMOS para .fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no 5" do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004 3 Solicitação Deferida em Parte Tempestivamente, em 06/11/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 580/600, apresentando as seguintes alegações: a) conforme dispõem as Soluções de Divergência Cosit n.' 35/08 e 14107, as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção geram direito a créditos. Assim, deverá ser reconhecido o direito da recorrente aos créditos de PIS decorrentes das aquisições de peças e partes de reposição, destinados à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose, adquiridos nos CFOP 1406, 1407, 1551, 1556, 2407, 2551 e 2556; b) o serviço de terraplanagem, bem assim o de topografia, visam à abertura e conservação das estradas das florestas de eucalipto da Recorrente, que permitem o acesso das carretas que realizam o transporte das toras de madeira da floresta para a unidade industrial, Assim, com fulcro na Solução de Consulta Disit 1 O n" 4/04 que, em caso análogo, reconheceu tal direito à empresa de fornecimento de água potável e coleta de esgotos sanitários para abertura e reaterro de valas, também no caso da Recorrente este direito há de ser reconhecido, pois indispensáveis ao seu processo produtivo; c) quanto ao ressarcimento de créditos de PIS decorrentes da locação de máquinas, equipamentos e veículos, alugados de pessoas jurídicas, que são utilizados diretamente no processo produtivo da celulose, tais como escavadeiras e caminhões, seja porque a Lei n" 10..637/02, art. 3, IV, não condiciona a utilização de tais bens diretamente no processo produtivo do contribuinte, ou porque restou devidamente comprovado que os bens locados são utilizados diretamente nas atividades da empresa, deve ser deferido à Recorrente o direito aos respectivos créditos; d) a Fiscalização glosou parte dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, sob o argumento de que a Recorrente teria utilizado a taxa de depreciação de 10% quando o correto seria a aplicação da taxa de 4% para os itens relacionados pela fiscalização. Contudo, nos termos da IN SRF 162/98, Anexo II, a depreciação de instalações deve se dar à taxa de taxa de 10% ao ano, não devendo subsistir o entendimento da fiscalização de que a Recorrente deveria ter efetuado a depreciação à taxa de 4% ao ano; e) quanto às aquisições de ativo imobilizado (CFOP 3551), ain que adquiridas do exterior, o furam após a vigência da Lei 10.865/04, que passou a aut4Itil • desconto dos créditos de PIS decorrentes de importação de bens para integração no of imobilizado, a serem utilizados na produção. Por fim, a contribuinte registra seu pedido nos seguintes termos (fl, 600): III PEDIDO Por todo o acima exposto, a Recorrente requer a reforma do ;- acórdão recorrido, para que seja reconhecido o direito ao creditamento de PIS decorrente (i) da aquisição de partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos (ii) da aquisição de serviços terraplanagem e topografia; (iii) da locação de máquinas, equipamentos e veiculas utilizados na atividade da Recorrente; e (v) dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado calculados à taxa de 10%, bem como sobre as aquisições de ativo imobilizado originárias do exterior, conforme autoriza o art 15, 17; da Lei 10 865/04 4 Processo n" 10630 000358/2005-92 Acórdão r " 3301-00,656 S3-C3T I H. 3 Após as análises levadas a efeito nos relatórios de tis, 673 e 677, os autos deste processo foram encaminhados ao então Segundo Conselho de Contribuintes para julgamento. É. o Relatório. Voto Conselheiro Maurício Taveira e Silva, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, a contribuinte pleiteou o ressarcimento de créditos de PIS não cumulativo no valor de R$2.044.490,00, posteriormente retificado para R$1.835..349,37, A DRF reconheceu o direito ereditório no valor de R$1,51028.3,01 e homologou as compensações pleiteadas, até o limite do crédito reconhecido. Ao apreciar a manifestação de inconformidade a DR.J deferiu em parte a solicitação, alterando o valor originariamente reconhecido de R$1,510,28.3,01 para R$ 1359.386,29. Quanto às glosas mantidas, passa-se à análise dos créditos decorrentes das aquisições de peças e partes de reposição, destinadas à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose. De se ressaltar que, consoante art. 66 da Lei IV 10.637/02 e 92 da Lei if 10.833/0.3, leis que regulam o PIS e a Cofins não cumulativos, o legislador autorizou a Receita Federal a editar as normas necessárias à aplicação do disposto nestas leis. Assim, foram editadas as Instruções Normativas SRF n 247/02 e 404/04. A instância a quo, com supedâneo na definição de insumo prevista art.. 66 da IN SRF n" 247/02, que se repetiu na IN SRF n" 404/04, decidiu pela n dessas glosas, já que nenhum desses elementos precitados faz parte diretamente produtivo. O referido § 5" do art. 66 da 11\1 SRF n" .247/02, assim dispõe: § 5" Para os efeitos da alínea "b" do inciso Ido caput, entende- se COMO MS-111110S' (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) 1 - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 3.58, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em .firnção da ação diretamente exercida sobre 9') k5° do tlènção °cesso 5 6 CFOP produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliado no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II - utilizados na prestação de seiviços • (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b)os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliado no Pais, aplicados ou consumidos na prestação do serviço (Incluído pela SRF 358, de 09/09/2003) Por outro lado, visando respaldar seu entendimento, a interessada menciona as Soluções de Divergência Cosit nOS 14/07 e 35/08, as quais registram corno "conclusão" o que segue: Solução de Divergência Cosit 11, `' 14 de 31 de outubro de 2007. 15 .Diante do exposto, soluciono a presente divergência respondendo à autora da representação, que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliado no Pais, a partir de I" de dezembro de 2002, e a partir de I" de fevereiro de 2004, respectivamente, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cotins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. (grifei e negritei) Solução de Divergência Cosit n.° 35 de 29 de setembro de 2008. 18 Diante cio exposto, soluciona-se a presente divergência dando-se provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máqyina e ectuipanientos que efetivamente res pondam diretamente rkr tOWQ o processo de . fábricação dos bens ou produtos destinai-los-R venda, pagas à pessoa jurídica domiciliado no País, a partir de 1" de dezembro de 2002, e a partir de 1" de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e dct Co fins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. (grifei) De acordo com o Termo de Diligência Fiscal à fl. 173 os CFOP mencionados pela interessada encontram-se com as seguintes descrições: Processo n" 10630.000358/2005-92 S3-C3T1 Acórdão n " 3301-00.656 El. 4 1406 - Compra de bem para o ativo imobilizado cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária; 1407 - Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária; 1551 - Compra de bem para o ativo imobilizado; 1556 - Compra de material para uso ou consumo; 2407 - Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria esta sujeita ao regime de substituição tributária; 2551 - Compra de bem para o ativo imobilizado; 2556 - Compra de material para uso ou consumo. Estes e outros CFOP glosados foram relacionados no "Anexo 1", de fls. 19.31.351, perfazendo um valor de R$146.520,86. Visando exatamente esclarecer quais os itens incluídos no Anexo 1 e em outros Anexos se enquadram no entendimento descrito na Solução de Divergência Cosit n.° 14/07, a DR.' converteu o julgamento em diligência. Assim, reanalisando a matéria sob a ótica da referida Solução de Divergência, a fiscalização elaborou o Anexo 1 Retificado de 492/498, mantendo a glosa tão somente de RS9.485,07. Portanto, esta matéria já foi devidamente analisada pela administração tributária e a contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse respaldar suas alegações, não havendo, nesta parte, reparos a fazer à decisão recorrida. Na mesma toada foram revistas as glosas relacionadas ao Anexo II - Serviços utilizados como Insumos, no valor originário de R$1.3&985,38 (fls. 352/384), o qual fora alterado, conforme o Anexo II Retificado de fls. 499/501, sendo mantida a glosa tão somente de R$33,440,53.. Em relação às glosas mantidas o fiscal diligenciador registra se referirem a locação de máquinas, equipamentos e veículos utilizados em obras de construção civil e não no processo produtivo da empresa. Contudo, a interessada apresenta a Solução de Consulta SRR.F10 de 11 de janeiro de 2007, cuja ementa se transcreve, parcialmente: 04 Assunto Contribuição para o PIS/Pasep Ementa. COBRANÇA NÃO-CUMULATIVA UTILIZAçÁo DE CRÉDITOS Os pagamentos referentes à aquisição de serviços de conservação e manutenção de redes-, utilizando retroescavadeiras e outros veículos e equipamentos para a realização de abertura e reateiro de valas, conferem direito a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, porque esses serviços são aplicados ou COnSillilidas diretamente na prestação 7 8 dos serviços de .fbrnecimento de água potável e coleta de esgotos sanitários. [ OS dispêndios com a aquisição de serviços de repavimentação de vias públicas em decorrência da manutenção e conservação das redes subterrâneas não dão o direito a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, visto que esses serviços não silo aplicados ou consumidos diretamente na prestação dos serviços de abastecimento de água potável e coleta de esgotos sanitários. [.1 Dispositivos Legais: Lei n" 10.637, de 2002, art .3", inciso 1L Lei n" 10.833, de 2003, mis, 3", incisos II e IX, e 15; IN SRF n" 247, de 2002, arts. 66 e 67, IN SRF. n" 358, de 2003, IN SRF n°404, de 2004, arts. 8", inciso I, alínea "b", § 4", inciso I, alíneas "a" e "b", e 9", incisos 1 e III Tendo em vista a precitada Solução de Consulta SRRH O Disit n" 04-07, analogamente também deve ser reconhecido o direito da contribuinte aos créditos decorrentes dos serviços de terraplanagens e de topografia, os quais visam a abertura e conservação das estradas das florestas de eucalipto da Recorrente, possibilitando o transporte das toras de madeira da floresta para a unidade industrial. No mesmo passo deve ser reconhecido o direito da contribuinte ao creditamento decorrente das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados na atividade da Recorrente. Quanto aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a contribuinte entende ser devida a depreciação calculada à taxa anual de 10% por se ar de depreciação de instalações, enquanto a fiscalização manifestou-se no sentido de que de depreciação deva ser de 4% ao ano, própria de construções, benfeitorias e edificações. Sobre esta questão, o Termo de Diligência Fiscal à fi. 182 consigna: Relativamente aos seguintes itens do Ativo Imobilizado, o contribuinte equivocadamente utilizou a taxa de depreciação anual de 10%, destinada a máquinas, motores e móveis e utensílios em geral, quando o mais correto seria 4%, destinada a construções, benfeitorias e edificaçõe.s. • Isolamento Térmico do Tanque de Óleo • Malha Termo Refletora para Jardim Clonal - Viveiro • Tratamento de Afluentes (Tubulação Tratado I) • Ante-salas CC,"Airs Área 148 • Sistema de Combate a Incêndio TGVIG2 (EOUIPEX) - instalado na Caldeira de Recuperação II • Sistema Auxiliar de Drenagem Canaletas de Baixa • Melhoria de Condições de Segurança (C1PA) - Melhoria nas instalações da área industrial Processo Ir 10630.000355/2005-92 S3-C3TI Acórdão n." 3301-00.456 Fl. 5 De outra banda, a contribuinte descreve em seu recurso a característica de cada um desses elementos de modo mais detalhado, sendo (fls.„ 5961598): a) Isolamento térmico do tanque de óleo: trata-se de um bem acoplado à parte externa do tanque de óleo e visa ao melhor aproveitamento energético do aquecimento e à manutenção da viscosidade do óleo estocado no referido tanque; b) Sistema de combate a incêndios: Trata-se de equipamento de detecção e combate a incêndios que é inserido nos tanques de estocagem de óleo de lubrificação, utilizados pelos turbo-geradores, equipamentos que geram cerca de 95 °A da energia elétrica utilizada internamente na unidade fabril da Recorrente; c) Sistema auxiliar de drenagem — canaletas: consiste no conjunto de tubulações instaladas na estação de tratamento de resíduos, por meio do qual a água contaminada pelo processo de limpeza das caldeiras é remetida até estação de tratamento de resíduos e, após tratada, deságua no efluente pluvial; d) Malha termo-refletora para jardim clonal — viveiro: consiste em urna estrutura móvel que pode ser deslocada por todo o terreno do viveiro, capaz de refletir cerca de 50% da radiação solar, visando à proteção dos trabalhadores desse setor produtivo. Normatizando a questão, o Anexo II da IN SRF n" 162/98 consigna como quota de depreciação a ser registrada na escrituração da pessoa jurídica, como custo ou despesa operacional, com base nos prazos de vida útil, as seguintes taxas anuais de depreciação: "instalações", 10% e "edificações" com taxa de 4%. Conforme se depreende, em relação a estes itens contestados pela interessada, assiste razão à recorrente, pois trata-se de bens com características próprias de "instalações" cujo prazo de vida útil estimado é de dez anos e, consequentemente, com taxa anual de depreciação de 10% e não de "edificações", com prazo de vida útil de vinte cinco anos e taxa anual de depreciação de 4%. Quanto às aquisições de ativo imobilizado adquiridas do exterior (CFOP .3551), a interessada alega que o foram após a vigência da Lei 10,865/04, que passou a autorizar o desconto dos créditos de PIS decorrentes de importação de bens para integração no ativo imobilizado, a serem utilizados na produção_ Sobre este tópico o Termo de Diligência Fiscal registra à fl. 184: No rol de bens relacionados pelo contribuinte em seu demonstrativo, verificamos também que foram relacionadas aquisições efetuadas no CFOP 3551, que se refere à compra de bem para o ativo imobilizado originária do exterior, Contudo, o inciso Ido parágrafo 3 0 do artigo 39 das Leis a 10 637/2002 e 10.833/2003 condicionam o desconto de créditos às aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas domiciliadas- no pais Assiste razão à contribuinte pois, a partir de 01/05/2004, por in( 10.865 de .30/04/2004, art. 1", foi instituída a exigência de contribuição para o PI na importação. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos sujeitas ao pagamento das contribuições, nas hipóteses de: Lei n° Cofins leertações 9 Ari 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PLS/PASEP e da COF1NS, nos termos dos arts 2" e 3" das Leis /1°S 10,637, de 30 de dezembro de 2002, e 10 833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontai .- crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1 desta Lei, nas seguintes hipóteses [.1 V máquinas, equipamentos c outros bens incorporadtm—a6 ativo imobilizado, c . -.dação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, V - máquinas, equipamentos e 011it0.5 bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Redação dada pela Lei n" 11.196, de 2005) Destarte, em relação a este item deve ser reformada a decisão recorrida, reconhecendo-se o direito da recorrente ao creditamento de PIS decorrente das aquisições de ativo imobilizado originárias do exterior, realizadas a partir de 01/05/2004 e sujeitas ao pagamento do PIS. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento de PIS decorrente: a) dos serviços de terraplanagem e de topografia; b) das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados na atividade da Recorrente; c) da depreciação calculada à taxa anual de 10% (dez por cento), em relação aos precitados quatro bens do ativo imobilizado; e d) das aquisiçõ s de ativo imobilizado originárias do exterior, realizadas a partir de 01/05/2004 e sujeitas ao pau cato do PIS, homologando-se as compensações declaradas até o limite do crédito re, ker.*, mantendo no mais a decisão recorrida pelos seus próprios e jurídicos fimdamentos. • -Maurício Tavehiaie &ilva 10
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Numero do processo: 10845.003161/2005-90
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO.
Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 31 61 /2 00 5- 90 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003161/200590 Acórdão n.º 3302002.199 S3C3T2 Fl. 1.003 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso retorno de diligência, requerida pela Resolução n. 3302 00.062, de 23 de agosto de 2010. Foi realizada diligência conjunta dos seguintes processos, segundo o termo de informação fiscal de fls. 581 a 664: 1. 10845.003528/200494 (CARF); 2. 10845.000524/200535 (CARF); 3. 10845.000525/200580 (CARF); 4. 10845.001219/200561 (CARF); 5. 10845.001220/200595 (CARF); 6. 1845.003161/200590 (CARF); 7. 10845.003162/200534 (CARF); 8. 10845.003414/200525 (CARF); 9. 10845.000184/200623 (DRJ); 10. 10845.000186/200612 (DRJ ); 1 1 .10845.000398/200608 (DRJ); 12. 10845.000399/200644 (DRJ). A Fiscalização deu conta de que intimou a Interessada a apresentar documentação, que lhe foi apresentada em meio magnético e analisada por amostragem. Seguiuse intimação para apresentar documentação adicional e justificar valores apurados. Ainda relatou a Fiscalização: Verificamos em relação a situação dos fornecedores da VOLCAFÉ perante o cadastro CNPJ, que alguns encontramse na situação atual de INAPTA, SUSPENSA ou BAIXADA. Em relação às aquisições de cooperativas, a Fiscalização esclareceu o seguinte: Com base em informações prestadas pelas cooperativas e/ou nas DACON's, verificase que uma parcela pequena da receita foi Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003161/200590 Acórdão n.º 3302002.199 S3C3T2 Fl. 1.004 3 oferecido a tributação do PIS e COFINS, não se podendo assegurar da inclusão dos valores relativos aos fornecimentos efetuados por estas cooperativas ao contribuinte (VOLCAFÉ). A partir daí a Fiscalização fez a apuração dos valores, analisando cada um dos adquirentes. Ainda reportouse às aquisições de pessoas físicas, a notas fiscais consideradas em duplicidade, valores contabilizados a maior, créditos não previstos em legislação (Despesas de Corretagem, Seguros (sobre transporte até o armazém, depósito em armazém e transporte do armazém ao porto), Despesas Diversas, Telefone, Taxa de Manutenção de PABX, Despesas Bancárias, Comissões Bancárias, Taxa de Entrada em Armazém e Taxa de Saída de Armazém). Na sequência, passou a tratar dos questionamentos efetuados pelo Carf e pela DRJ, explicando o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse último caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela Interessada). a) Como se pode observar do relato acima, a empresa não apresentou naquela oportunidade a composição dos créditos contabilizados (detalhado por nota fiscal). Nesta diligência, em atendimento a intimação fiscal apresentou inicialmente em CD relação compondo os valores contabilizados. Intimada a apresentar relação impressa devidamente assinada, a mesma, apresentou outras duas relações com alteração na composição. Diante disso foi diligenciado, tendo como base a primeira relação apresentada em CD, e cuja composição consta do anexo de n° 004. b) Em relação aos valores apurados pela auditoria, informamos que os valores são divergentes do apurado nesta diligência, considerandose as situações acima relatadas, com respeito a aquisições de sociedades cooperativas, créditos oriundos da aquisição de produtos em bolsa de mercadorias operadoras das negociações de estoques públicos (CONAB), aquisições de empresas com situação cadastral atual: inapta ou suspensa ou baixada, glosa de créditos presumidos nos meses de dezembro/02 e janeiro/03 (aquisições de pessoas físicas), notas fiscais em duplicidade, valores a contabilizado a maior em relação ao demonstrado pelo contribuinte e créditos calculados sobre insumos/despesas em desacordo com a legislação. 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações de compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a. A adoção de conta única para registro dos créditos de PIS e COFINS e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS. Os registros contábeis referente aos créditos de PIS e COFINS foram efetuados em contas distintas: 115040000001 Créditos Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003161/200590 Acórdão n.º 3302002.199 S3C3T2 Fl. 1.005 4 de Pis e 115040000003 Créditos da COFINS. Ocorreu que a contabilização do valor de R$ 3.518.916,04 compensado pelo contribuinte no mês de novembro/04, objeto do processo 10845.003528/2004¬94, foi efetuado na conta do COFINS, quando o correto seria parte (R$ 955.483,71) na conta do PIS e outra parte (R$ 2.563.432,33) na conta do COFINS. Diante das apurações constantes deste Relatório, este fato encontrase alterado, pois os valores dos créditos passíveis de compensação apurado pela fiscalização diferem daquele apontado no Relatório da Auditoria Externa. b. Compensação de débitos da COFINS utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP. c. Compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e sua regularização. Em relação aos itens "b" e "c", da mesma forma, diante da apuração de outros valores, estes itens encontramse prejudicados. d. Compensações não identificadas no livro Razão. Referese a período (2006 /2007) não considerado nesta diligência, conforme anteriormente relatado. e. Apropriação indevida de despesas diversas para o período de dezembro de 2.002 a janeiro de 2.007 (PIS) e fevereiro de 2.004 a janeiro de 2.007 (COFINS). f. Apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas , taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Em relação aos itens "g" e "h", os valores relativos aos créditos calculados sobre essas despesas/custos relativos estas contas, por falta de previsão na legislação, os mesmos estão sendo glosados. 3) Esclarecer se apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são f suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. Nos quadros demonstrativos de n° 006 e 007, deste Relatório encontramse demonstrados os resultados mensais de créditos de PIS EXPORTAÇÃO E COFINS EXPORTAÇÃO, passíveis de serem compensados, considerandose as glosas mencionadas neste Relatório. Em decorrência dessas glosas, os valores apurados divergem daqueles apurados pela Auditoria Externa. Em relação se os mesmos são suficientes para a compensação, cabe ao SEORT, manifestação à respeito. 4) Certidão de objeto e pé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003161/200590 Acórdão n.º 3302002.199 S3C3T2 Fl. 1.006 5 A certidão de objeto e pé referente ao processo 2008.61.04.0076581 (cautelar inominada) da 4ª Vara Federal de Santos, encontrase anexa a correspondência datada de 19/06/2012. Verificase nesta certidão, não ter havido nenhuma decisão proferida até então. A Seort elaborou o relatório de fls. 897 a 899, esclarecendo o seguinte: b) Com relação a suficiência dos créditos acima demonstrados para compensação do débito constante da Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, após aplicação no programa simulador de compensações homologado pela Secretaria da Receita federal do Brasil, cujos relatórios encontramse em anexo, fls. 895 a 896, verificaramse os seguintes saldos remanescentes de débitos: • Dos R$ 815.887,36, os créditos apurados foram suficientes para abater R$ 426.442,13, restando saldo devedor de R$ 389.445,23; Intimada, a Interessada manifestouse nas fls. 907 a 1000, em que tratou inicialmente do seu direito de ressarcimento e de compensação segundo a legislação, do direito a crédito relativo às contribuições não cumulativa. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Com a realização da diligência, várias das questões inicialmente apresentadas pela Interessada foram superadas e outras surgiram, à vista da apresentação da documentação. A situação é peculiar à vista de, inicialmente, a Interessada não haver identificado na documentação a origem dos valores que lhe confeririam o direito de crédito. Como a Fiscalização não foi clara na descrição desses fatos e a Interessada insistia em afirmar que tinha a documentação comprobatória, resolveuse converter o julgamento em diligência. Como resultado, as questões que são agora apresentadas a análise visam a apuração do crédito da Interessada, que não foi efetuada até o momento. Tratase de matéria de competência privativa da autoridade fiscal, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), art. 224. Ademais, admitindo, em tese, que a matéria pudesse ser apreciada no âmbito do Carf, haveria necessariamente supressão de instância, o que seria vedado pelas leis disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.003161/200590 Acórdão n.º 3302002.199 S3C3T2 Fl. 1.007 6 E, quando se falar, em “matéria” no parágrafo anterior, devese esclarecer que se trata de outra matéria em relação à originalmente apresentada no recurso da Interessada. A questão posta no recurso dizia respeito, primeiramente, à existência de prova do direito, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. Essa foi a questão que levou ao indeferimento original e que veio à discussão no recurso. Portanto, realizada a diligência, o presente processo deve ser saneado, restabelecendo o contraditório apropriadamente. Para isso, a diligência deve servir de base à unidade de origem para que emita novo despacho decisório a respeito da declaração de compensação. Tal despacho decisório não poderá desconsiderar a documentação juntada aos autos com a diligência, nem a informação fiscal da Fiscalização e a chamada “manifestação de inconformidade” apresentada pela Interessada. Do indeferimento parcial ou total do direito de crédito da não homologação das compensações, caberá direito a manifestação de inconformidade à DRJ. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir reconhecer o direito da Interessada a ter seu direito de crédito analisado com base na documentação apresentada e nas demais informações coletadas na diligência, por meio de novo despacho decisório da seção competente da unidade de jurisdição da RFB. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13047.000146/2003-11
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando deixe de defini-lo como infração, devendo ser cancelada a multa de ofício exigida sobre o principal.
Numero da decisão: 2801-000.079
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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Recorrida DRJSANTA MARIA/RS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Inexistente no procedimento da auditoria fiscal hipótese de nulidade legalmente prevista deve ser mantido o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 PIS. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. Resta indevida a compensação relativamente a débitos de PIS com supostos créditos da própria contribuição quando não comprovada a existência de pagamentos indevidos ou maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração, devendo ser cancelada a multa de ofício exigida sobre o principal. ACORDAM os membros da 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 00 01 46 /2 00 3- 11 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 186.602, de 19 de janeiro de 2007, da DRJ/Santa Maria/RS, fls. 150 a 154, que, julgou o lançamento procedente, em face da manifestação de inconformidade apresentada, fls. 01 a 04. Cientificada da decisão em 23 de fevereiro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 158 a 163, em 19 de março de 2007, por meio o qual nada acrescenta, em substância, aos argumentos da manifestação de inconformidade, e no recurso alude que. a) foi alvo de autuação, tendo a autoridade administrativa feito menção á existência de um débito de PIS no montante de R$ 6.326,25, referente ao anobase de 1998; b) a importância que não foi recolhida referese a valor compensado com pagamento feito a maior, anteriormente, a título de PIS, conforme autorização judicial, em vista da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88; c) a compensação foi requerida e deferida em pleito judicial, na Ação Declaratória, movida perante a Vara Cível da Justiça Federal de Santa Maria, que levou o nº 97.11.001063, julgada procedente para o fim de autorizarlhe a compensar as importâncias recolhidas a maior, tendo a decisão transitado em julgado; d) nenhum crédito tem a União, eis que a empresa está em dia com seu passivo fiscal; f) requer que seja julgado procedente o recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida, e convalidar a compensação da importância referida no auto de infração. Não há processo administrativo para a compensação anunciada pela recorrente, e o crédito que alegou possuir foi cotejado em diligência solicitada pela DRJ, apurado nos termos da tutela concedida judicialmente, segundo assentado no teor da diligência. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para a admissibilidade, portanto dele conheço. O lançamento foi mantido integralmente pela DRJ, amparada no despacho decisório da Delegacia e Santa Maria que não apurou qualquer crédito em favor da contribuinte que lhe permitisse compensar os débitos objetos do lançamento e indeferiu a solicitação de restituição de PIS pago sob a regência dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13047.000146/200311 Acórdão n.º 2801000.079 S2TE01 Fl. 184 3 Como relatado, não há processo administrativo em que o crédito tenha sido discutido, para supedâneo das compensações alegadas. Uma vez já não verificado pela Auditoria o crédito alegado, em face da Ação Declaratória, conforme os termos da diligência, pretende a recorrente discutilo neste recurso, apelando pelo seu direito aos recolhimentos da dita contribuição no molde como peticionado na ação judicial, e assim deferido, segundo declara, com base na LC 07/70, sem as alterações dos prazos de recolhimento veiculadas pelas Leis nºs 7.691/88, 7.799/89, 8.019/90, 8.218/91, 8.850/94, 8.981/95 e 9.069/95, pugnando para que no cálculo do seu crédito ser aplicada a semestralidade. Não traz prova de que tenha exercido esse direito em sua escrituração fiscal, o que poderia ensejar o cancelamento do auto de infração. Ademais, tenho defendido o entendimento segundo o qual mesmo à luz da IN SRF nº 21/97, quando o crédito decorre de decisão judicial na qual seu quantum não foi discutido para o fim de resultar líquido, a compensação administrativa com débito da mesma espécie não configura a hipótese prevista no artigo 14, mas a do artigo 12 que determina ser procedida por meio de pedido de compensação. Tratase de crédito cujos valores precisam ser apurados e compensação a ser efetuada, tudo em procedimentos internos, nos termos do artigo 73 da Lei nº 9.430/96, o que dá sentido à tarefa de validação das compensações vinculadas aos débitos declarados nas DCTFs, a indicarem o número do processo administrativo. A recorrente requer a desconstituição do auto de infração, sustentando seu pedido com base na existência do seu crédito. Por inexistente o crédito, não se vê configurada hipótese de cancelamento, menos ainda, da nulidade reclamada e já rebatida pela DRJ. A subsistência do lançamento, todavia, é, hoje, desnecessária. Conforme relata a decisão combatida os dados foram extraídos da DCTF transmitida pelo contribuinte em 03 de fevereiro de 1999. Contudo, dada a nova redação ao art. 90 da medida provisória nº 2.158/90, deixando de manter o presente fato como hipótese de lançamento, do principal e da multa isolada, deve ser excluída a multa de ofício aplicada sobre o principal, com fulcro no princípio da retroatividade benéfica da lei, prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de ofício. Sala das sessões, 04 de maio de 2009 (assinado digitalmente) BELCHIOR MELO DE SOUSA Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001092/2003-51
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Em segundo grau de julgamento, não cabe a apreciação de matéria que não foi objeto de contestação na impugnação inicial apresentada.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA - PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA.
O prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da declaração de compensação. Efeito que não se opera em relação a eventual saldo do pedido de ressarcimento por ausência de previsão normativa.
ATOS NORMATIVOS. PODER REGULAMENTAR.
A Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, ao estabelecer requisitos para a apuração e gozo do direito ao crédito presumido do IPI, e de igual forma a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, o fizeram no uso de regular poder regulamentar conferido, respectivamente, pelo art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, e pelo art. 12 da Portaria MF nº 38, de 1997. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. CARÊNCIA DOCUMENTAL. INDEFERIMENTO.
A apresentação de documentação que não atende às exigências legais indispensáveis à aferição do crédito presumido pleiteado leva ao seu indeferimento.
DILIGÊNCIA. OMISSÃO. SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO.
A diligência não se presta à produção de provas de encargo do sujeito passivo que, intimado a fazê-lo em momento legal próprio, se omite dando causa à insuficiência da instrução documental.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
Numero da decisão: 3802-000.714
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do presente recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Regis Xavier Holanda
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Em segundo grau de julgamento, não cabe a apreciação de matéria que não foi objeto de contestação na impugnação inicial apresentada. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA - PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. O prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da declaração de compensação. Efeito que não se opera em relação a eventual saldo do pedido de ressarcimento por ausência de previsão normativa. ATOS NORMATIVOS. PODER REGULAMENTAR. A Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, ao estabelecer requisitos para a apuração e gozo do direito ao crédito presumido do IPI, e de igual forma a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, o fizeram no uso de regular poder regulamentar conferido, respectivamente, pelo art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, e pelo art. 12 da Portaria MF nº 38, de 1997. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. CARÊNCIA DOCUMENTAL. INDEFERIMENTO. A apresentação de documentação que não atende às exigências legais indispensáveis à aferição do crédito presumido pleiteado leva ao seu indeferimento. DILIGÊNCIA. OMISSÃO. SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. A diligência não se presta à produção de provas de encargo do sujeito passivo que, intimado a fazê-lo em momento legal próprio, se omite dando causa à insuficiência da instrução documental. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Em segundo grau de julgamento, não cabe a apreciação de matéria que não foi objeto de contestação na impugnação inicial apresentada. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. O prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da declaração de compensação. Efeito que não se opera em relação a eventual saldo do pedido de ressarcimento por ausência de previsão normativa. ATOS NORMATIVOS. PODER REGULAMENTAR. A Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, ao estabelecer requisitos para a apuração e gozo do direito ao crédito presumido do IPI, e de igual forma a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, o fizeram no uso de regular poder regulamentar conferido, respectivamente, pelo art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, e pelo art. 12 da Portaria MF nº 38, de 1997. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. CARÊNCIA DOCUMENTAL. INDEFERIMENTO. A apresentação de documentação que não atende às exigências legais indispensáveis à aferição do crédito presumido pleiteado leva ao seu indeferimento. DILIGÊNCIA. OMISSÃO. SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 123 2 A diligência não se presta à produção de provas de encargo do sujeito passivo que, intimado a fazêlo em momento legal próprio, se omite dando causa à insuficiência da instrução documental. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do presente recurso voluntário e negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani (suplente), Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 124 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Serraria Marajoara Ind. Com. e Exp. Ltda. contra Acórdão nº 0112.300, de 21 de outubro de 2008 (fls. 76 a 81), proferido pela 3ª Turma da DRJ/BelémPA, que manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação da respectiva compensação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, referente ao segundo trimestre de 1998, no valor de R$ 29.948,39, apresentado pelo contribuinte acima identificado em 07.04.2003. Foi protocolizado também, em 29.04.2003, o pedido de compensação de fl. 11. 2. A DRF Belém intimou o interessado a apresentar a documentação necessária à apreciação do pleito, recebendo apenas parte dela, objeto dos Anexos I, II e III. Deixaram de ser apresentadas as notas fiscais de entrada, relativas às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, relação desses insumos em estoque no final de cada mês do ano até o final do período de apuração do crédito, além das cópias das notas fiscais de saída relativas às exportações diretas. 3. Diante disso, a Unidade indeferiu o pedido de ressarcimento e considerou não homologada a compensação. 4. Cientificada em 22.04.2008 (AR fl. 42v.) a empresa apresentou, tempestivamente, em 21.05.2008, manifestação de inconformidade na qual traz os seguintes argumentos: a) Tendo sido protocolado o pedido de ressarcimento em 07.04.2003, no momento da ciência da decisão de indeferimento (22.04.2008) já teria passado o prazo de cinco anos para a Fazenda Nacional apreciar a compensação efetuada pelo contribuinte, estando a mesma homologada tacitamente; b) Cita art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, que trata da homologação do lançamento, juntamente com o art. 156 do mesmo Código, que cuida da extinção dos créditos tributários, para reforçar seu entendimento; c) Afirma haver apresentado a documentação solicitada, estando o Livro Registro de Inventário escriturado de acordo com a legislação, não sendo nesse livro que estariam as informações necessárias à apuração do crédito; d) Os documentos apresentados já seriam mais que suficientes para a apuração do crédito presumido, estando neles todas as informações necessárias, uma vez que para o cálculo a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, prevê a necessidade apenas do valor total das aquisições de MP, PI e ME utilizados no processo produtivo; e) Ainda assim, deveria a Autoridade, no caso de não estar satisfeita com as informações disponibilizadas, solicitar novos documentos que estariam faltando; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 125 4 f) A Portaria MF n° 38, de 1997, assim como a Instrução Normativa SRF n° 23/97, de 1997, dispuseram em sentido contrário ao fixado na Lei n° 9.363, de 1996, criando exigências não constantes da referida Lei, sendo, portanto, ilegais. 5. Por fim, solicita a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação efetuada. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte em acórdão com a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. O direito ao ressarcimento do crédito em questão vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como exiba documentação que dê suporte a sua escrita. ....................................... DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. São homologadas tacitamente as declarações de compensação que deixarem de ser apreciadas no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da mesma ou do pedido de compensação convertido por força do § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. PRECLUSÃO. Intimado a apresentar documentos comprobatórios para que pudesse ser analisado o seu pleito, o contribuinte deixou de apresentálos ou de indicar motivos para a não apresentação, resultando na figura da preclusão e o conseqüente indeferimento do pedido. Cientificado do referido acórdão em 04 de novembro de 2008 (fl. 85v), o interessado apresentou, tempestivamente, recurso voluntário em 11 de novembro de 2008 (fls. 86 a 109) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Após solicitar o reconhecimento do direito creditório no exato valor requerido e a homologação da respectiva compensação, pede, sucessivamente, que seja determinada a apuração do crédito presumido do IPI frente aos documentos e informações apresentadas ou que se determine a realização de exame in loco pela autoridade administrativa ou ainda que sejam solicitadas as informações julgadas necessárias para apuração do crédito presumido do IPI. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 126 5 Requer, ainda, somente neste momento processual, o afastamento da incidência da taxa SELIC sobre os créditos tributários bem como a redução da multa de mora aplicada sobre o crédito tributário em observância aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da moral pública e dos que regem a atividade econômica. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 127 6 Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço parcialmente do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Afasto a análise quanto ao mérito da matéria relativa à multa e juros moratórios uma vez que não fora objeto das razões de impugnação (fls. 43 a 62). Com efeito, tendo em vista que referidos acréscimos moratórios não foram expressamente contestados pelo contribuinte por ocasião da impugnação, operouse assim a preclusão temporal nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo essa regra de preclusão, o contribuinte não poderá mais contestála na fase recursal, pois, na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem dirigirse contra o lançamento/despacho decisório em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas no primeiro grau de julgamento. Assim, não é dado ao contribuinte recorrente inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originalmente deduzida quando da impugnação na instância a quo. De qualquer sorte, a aplicação da respectiva multa e juros moratórios impõe se por expressa disposição legal. Da inocorrência de homologação tácita da compensação Noutro giro, há de se afastar a alegação de que teria ocorrido a homologação tácita da compensação. Para enfrentamento dessa questão, cabenos inicialmente verificar o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 128 7 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) .... § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Destaques apostos. No presente caso, o pedido de compensação – convertido em declaração de compensação foi apresentado pela empresa em 29 de abril de 2003 (fl. 11), quando iniciou o prazo para manifestação da Fazenda. Por conseguinte, temse que a homologação tácita somente ocorreria em 30 de abril de 2008 – após os cinco anos previstos no § 5º acima. Entretanto, tendo em vista que a ciência ao contribuinte da decisão que não homologou a presente compensação se deu em 22 de abril de 2008 (fl. 42v), não há que se falar em homologação tácita da mesma. Neste ponto, equivocase o contribuinte ao apontar a data de protocolo do antecedente pedido de ressarcimento – 07 de abril de 2003 – como o termo inicial do prazo para homologação da declaração de compensação somente apresentada, como visto, em 29 de abril de 2003. Como resta claro da leitura do art. 74, §5º da Lei nº 9.430, de 1996, o termo inicial do prazo para a homologação da compensação é a data da entrega da declaração de compensação, e não, como deseja a recorrente, o dia de protocolo de anterior pedido de ressarcimento. Neste ponto, por absoluta carência de previsão normativa, também equivoca se o contribuinte uma vez que não há que se falar em homologação de pedido de ressarcimento de crédito. Ademais, por não ter aplicação ao caso presente que versa unicamente sobre pedido de ressarcimento e compensação, e não sobre lançamento por homologação, devem ser também rechaçados os argumentos da recorrente relativos à aplicação do artigo 150, §4º do CTN que trata especificamente de instituto jurídico de natureza diversa. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 129 8 Do crédito presumido do IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS A Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que trata da instituição de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, assim dispôs sobre a matéria em comento, especialmente sobre os beneficiários do aludido benefício e o critério para quantificálo: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. .................................... Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. .................................... Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Negritos apostos. Tratando do assunto, a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997 – vigente à época trouxe a seguinte orientação de interesse relativa à apuração do crédito presumido: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 130 9 II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. § 4º O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 131 10 materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. ............................................... Art. 12. A Secretaria da Receita Federal fica autorizada a expedir normas complementares, necessárias à implementação do disposto nesta Portaria. Negritei. Vejase, de início, que a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, ao estabelecer requisitos para a apuração e gozo do direito ao crédito presumido do IPI, e de igual forma a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, o fizeram no uso de regular poder regulamentar conferido, respectivamente, pelo art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, e pelo art. 12 da Portaria MF nº 38, de 1997, acima transcritos. Portanto, não há que se falar aqui, especificamente quanto aos dispositivos normativos de interesse à solução da presente questão, em qualquer inovação, restrição ou modificação dos critérios para apuração do crédito presumido do IPI, devendose, por conseguinte, afastar as argüições de ilegalidade ou inconstitucionalidade dos indicados dispositivos normativos. Dessa forma, as regras aplicáveis à espécie dão conta de que o cálculo do crédito presumido requer a prévia determinação dos montantes de insumos que são utilizados na produção. Como bem destacado pelo despacho denegatório (fls. 34 a 38), “para esse fim, no caso de pessoa jurídica que não mantém sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, o cálculo desses montantes será apurado da seguinte maneira: soma se o estoque inicial do mês com as quantidades adquiridas e diminuise desse valor a soma das quantidades em estoque no final do mês.” Assim, com esse desiderato, foi solicitada pela unidade de origem documentos de escrituração e controle que comprovassem a condição do contribuinte de detentor dos créditos pleiteados, bem como a documentação que daria suporte a sua escrita. Entretanto, o interessado não atendeu a contento a solicitação, apresentando documentação parcial que não supriu as exigências legais indispensáveis à aferição do crédito presumido pleiteado. Com efeito, vejamos as constatações insertas no já referido despacho da unidade de origem: 1.4. Essa documentação não contemplou, entre outras coisas: as copias das Notas Fiscais de entrada, relativas as aquisições de matériasprimas, produtos Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 132 11 intermediários e materiais de embalagem; relação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem em estoque no inicio e no final de cada mês do ano até o final do período de apuração do crédito; e as cópias das Notas Fiscais de saída, relativas às exportações diretas. 1.5. Além disso, cumpre destacar que, segundo descrição do processo produtivo, o contribuinte utilizase de matériasprimas de produção própria e adquiridas de terceiros. ...................................... 1.7. Ocorre que, além de o Livro Registro de Inventário ser insuficiente à constatação dos montantes de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem em estoque no inicio e no final de cada mês do ano em análise; esse mesmo livro não traz, também, qualquer informação que permita diferenciar os estoques oriundos de produção própria e adquiridos de terceiros. Esse é um fato muito relevante, vez que o insumo de produção própria não enseja a fruição do beneficio ora discutido. Notese, nesse passo, como bem consignado pela decisão recorrida, que independentemente de qualquer normatização infralegal, sempre se fez presente o ônus, atribuído ao contribuinte, de manter escrituração e controles fáticos que tornassem possível demonstrar que os insumos foram, de fato, empregados em seu processo produtivo em um dado período, haja vista a possibilidade de seja dada destinação diversa a tais insumos. Dessa forma, diante da patente carência documental à análise do pleito, impõese a conclusão, já de início, de que o recorrente não faz jus ao crédito pleiteado, restando, portanto, hígidos o indeferimento do pedido de resssarcimento e a não homologação da Declaração de Compensação a fls. 11. Da impropriedade do pleito de diligência Por fim, cabe também rejeitar o pedido formulado pelo recorrente, de forma sucessiva, para que fosse determinada a apuração do crédito presumido do IPI frente aos documentos e informações apresentadas ou que se determinasse a realização de exame in loco pela autoridade administrativa ou ainda que fossem solicitadas as informações julgadas necessárias para apuração do crédito presumido do IPI. Como já bem delineado, a interessada não atendeu a contento, no momento próprio, a solicitação de apresentação dos documentos indispensáveis à aferição do crédito presumido pleiteado. Vejase que o contribuinte teve um prazo para apresentar as provas do seu direito creditório, não o fazendo mesmo quando da apresentação do apelo recursal, sendo insuficiente os documentos e informações até então franqueados. Portanto, não cabe agora vir o recorrente pedir ainda a realização de exame in loco ou que sejam solicitadas as informações julgadas necessárias ao deferimento do crédito pleiteado. Ora, já lhe foi oportunizado, em momento próprio, a apresentação de tais documentos, tendo o interessado deixado de praticar o respectivo ato processual dentro do lapso temporal previsto pela legislação de regência. Com efeito, a diligência não se presta para a produção de provas de encargo do sujeito passivo (empresa interessada) e que já deveriam ter sido apresentadas. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10280.001092/200351 Acórdão n.º 3802000.714 S3TE02 Fl. 133 12 Assim, sendo o próprio recorrente o possuidor das informações necessárias, e, por conseguinte, tendo dado causa à insuficiência da instrução documental por conta de sua omissão em momento legal próprio, restanos também a decisão de descabimento dos presentes pedidos sucessivos. Da conclusão Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do presente recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 6 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 16306.000037/2010-13
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 IRPJ. COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE PREJUÍZO. AUSÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE OUTRAS ESPÉCIES Não havendo imposto de renda devido no Brasil não há que se falar em aproveitamento, neste mesmo ano-calendário, de crédito de imposto de renda pago no exterior. O imposto de renda devido no exterior, quando escriturado em exercício cuja apuração resultou em prejuízo, não compõe saldo negativo de IRPJ desse período. Precedente dessa Colenda Turma, de maio de 2013. DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS. PREJUÍZO NO ANO- CALENDÁRIO ATINENTE ÀS ANTECIPAÇÕES QUE O SUJEITO PASSIVO PRETENDEU COMPENSAR. CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte argumenta que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2007 ser cancelada, eis que se apurou prejuízo no período e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo ano-calendário A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cinge-se à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria.
Numero da decisão: 1101-000.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Fez declaração de voto, a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Luis Eduardo Schoueri (OAB/SP nº 95.111).
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE PREJUÍZO. AUSÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE OUTRAS ESPÉCIES Não havendo imposto de renda devido no Brasil não há que se falar em aproveitamento, neste mesmo anocalendário, de crédito de imposto de renda pago no exterior. O imposto de renda devido no exterior, quando escriturado em exercício cuja apuração resultou em prejuízo, não compõe saldo negativo de IRPJ desse período. Precedente dessa Colenda Turma, de maio de 2013. DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS. PREJUÍZO NO ANO CALENDÁRIO ATINENTE ÀS ANTECIPAÇÕES QUE O SUJEITO PASSIVO PRETENDEU COMPENSAR. CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte argumenta que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2007 ser cancelada, eis que se apurou prejuízo no período e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo anocalendário A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cingese à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 37 /2 01 0- 13 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Fez declaração de voto, a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Luis Eduardo Schoueri (OAB/SP nº 95.111). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga, José Ricardo da Silva, Edeli Pereira Bessa e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Colenda DRJ/SP1 que restou assim ementada, verbis: ASSUNTO: IMPOSTOS SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2006 IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes integrem a base de calculo do imposto devido. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NO EXTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem, tipo, montante, nem foram apresentados documentos exigidos pela legislação tributária de modo a permitir verificar a existência e a possibilidade do aproveitamento de eventual imposto pago no exterior. Ademais, o limite do valor do tributo pago no exterior a ser compensado na DIPJ/2007 é zero. O sujeito passivo apresentou Declarações de Compensação listadas à fl. 2. O detalhamento do crédito consta da DCOMP de n. 28915.96667.160207.1.3.022630, crédito esse de pretenso Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2006 que teria sido formado da seguinte maneira: Fl. 989DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000037/201013 Acórdão n.º 1101000.970 S1C1T1 Fl. 3 3 i) Imposto retido no exterior sobre receitas da prestação direta de serviços; ii) Imposto de Renda Retido na Fonte; e iii) Imposto de Renda Retido na Fonte por órgãos públicos. Tal Saldo Negativo perfaria, aos olhos do contribuinte, um montante equivalente a R$ 62.268.177,87 (sessenta e dois milhões, duzentos e sessenta e oito mil, cento e setenta e sete reais e oitenta e sete centavos). As parcelas do Saldo Negativo atinentes às retenções de Imposto de Renda na Fonte – seja quanto à fração retida por pessoas privadas seja em relação à parte retida por órgãos públicos – não são mais controvertidas nesses autos, eis que a DRJ acabou por reconhecer a quase totalidade desse crédito, sendo que o contribuinte silenciou quanto à fração remanescente – correspondente a pouco mais de seis mil reais – em sede de Recurso Voluntário. A discussão toda gravita, portanto, em torno das retenções de imposto sofridas pela ora Recorrente no exterior, que incidiram sobre receitas auferidas pela prestação de serviços. As retenções aqui discutidas são da ordem de R$ 51.274.323,45 (cinquenta e um milhões, duzentos e setenta e quatro mil, trezentos e vinte e três reais e quarenta e cinco centavos). O Despacho Decisório de fls. 6977 reconheceu parcialmente o direito creditório inicialmente pleiteado pelo contribuinte. Nada obstante, não permitiu que o alegado Saldo Negativo fosse composto da parcela atinentes às retenções de imposto no exterior, fazendoo, no que interessa à discussão que ainda existe, nos seguintes termos, litteris: 11. O interessado informou na linha 11 da Ficha 12A — DIPJ 2007 retificadora, o montante de R$ 51.274.323,45 (cinqüenta e um milhões, duzentos e setenta e quatro mil, trezentos e vinte e três reais e quarenta e cinco centavos), referente ao imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. 12. Cabe citarmos o art. 395 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR199), e o art. 14, §§ 9° a 11, da IN SRF n°213/2002: (...) 13. Conforme os mencionados dispositivos legais, a dedução efetuada à linha 11 não é devida, pois não foi apurado imposto de renda nesse ano. Além disso, em pesquisa às Fichas 06A (linha 25) e 09A (linhas 05 e 06), constatouse que os rendimentos correspondentes ao imposto pago no exterior não foram computados na sua base de cálculo. (fls. 73 e 74; sem grifos no original) O contribuinte apresentou tempestiva Manifestação de Inconformidade em face do Despacho Decisório. Nessa postulação, no que tange à controvérsia remanescente, o sujeito passivo afirma que, ao contrário do quanto alegado pelo Despacho combatido, os valores Fl. 990DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 auferidos no exterior correspondem a receitas decorrentes da prestação direta de serviços a tomadores no estrangeiro e foram oferecidos à tributação. Esclarece que o Despacho Decisório chegou à conclusão de que os valores não teriam sido oferecidos à tributação no Brasil pelo fato de que apenas foram analisadas as linhas 25 da Ficha 06A e 06 da ficha 09A – que se referem a “Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior” –, além da linha 05 da ficha 09A da DIPJ 2007 – que diz respeito a “Lucros Disponibilizados no Exterior”. Nada obstante, a contribuinte, em verdade, auferiu receitas pela prestação de serviços no exterior, razão pela qual houve por bem indicar os valores na linha 40 da ficha 06A, sob a rubrica “Outras Receitas Operacionais”. Em relação à segunda premissa adotada pelo Despacho Decisório para não permitir a compensação dos valores recolhidos no exterior – a saber, que o contribuinte não apurou Imposto de Renda no anocalendário, ante a existência de prejuízo fiscal no período –, argumentou que o art. 395 do RIR/99 permitiria o aproveitamento do tributo pago no exterior a despeito da apuração de resultado tributável no Brasil, do que redundaria a ilegalidade da Instrução Normativa n. 213/2002. Assevera que tanto é possível lançar mão do tributo pago no exterior para a formação de Saldo Negativo de IRPJ em períodos de apuração de prejuízo que o formulário de preenchimento de DCOMP prevê a indicação de tributo recolhido no exterior para a formação de Saldo Negativo de IRPJ. É preciso salientar que o contribuinte pretendeu compensar parte do crédito discutido com estimativas de IRPJ e CSLL atinentes ao anocalendário 2007 (DCOMPs correspondentes listadas à fl. 87). Quanto a essas, o sujeito passivo pede que, na eventualidade de não serem reconhecidos os créditos pleiteado, requer o cancelamento da cobrança atinente a esses débitos confessados, eis que, ao final do anocalendário, o contribuinte apurou prejuízo e que é pacífica a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do correlato anocalendário. Como dito acima, a instância a qua indeferiu o direito creditório atinente ao tributo recolhido no exterior, sendo que, do acórdão ora recorrido, são extraídas as seguintes passagens, litteris: Assim sendo, considerando o acima exposto e o que dos autos consta, observase que não foram apresentados documentos exigidos pela legislação tributária de modo a permitir verificar a existência e a possibilidade do aproveitamento de eventual imposto pago no exterior. Além do mais, o limite do valor do tributo pago no exterior a ser compensado na DIPJ/2007 é zero. Portanto, o valor a ser informado na Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), Linha 11 (Imposto pago no Exterior sobre Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital), da DIPJ/2007 é de zero. (fls. 325326; sem grifos no original) O Recurso Voluntário repete as razões deduzidas em Impugnação. Além disso, assevera que a questão atinente à falta de apresentação de documentos para a verificação da existência de tributo recolhido no exterior não poderia ter sido suscitada pela DRJ para a manutenção dessa fração do Despacho Decisório, que jamais lançou mão desse argumento para fundamentar sua decisão. Ademais disso, traz aos autos os discutidos documentos a partir das fls. 387. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000037/201013 Acórdão n.º 1101000.970 S1C1T1 Fl. 4 5 Os autos me foram distribuídos e, durante muito tempo, não foi possível inserilos em pauta para julgamento em virtude da não digitalização integral de feitos conexos ao vertente – feitos esses que o então Presidente da 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, determinou que fosse apreciados conjuntamente. A disponibilização integral dos processos de que se cuida – além do presente, os Processos Administrativos n. 16306.000053/201014, 16306.000058/201039 e 16306.000059/201083 – deuse após a publicação da pauta de julgamentos da sessão de Agosto/2013. É relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O ora Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 5 de outubro de 2010 (fl. 337) e apresentou o vertente Recurso Voluntário em 4 de novembro de 2010 (fl. 346), de modo que inconteste a tempestividade da presente irresignação, que por isso deve ser recebida. Consoante asseverado acima, o caso em apreço versa sobre compensação de Saldo Negativo de IRPJ, sendo que a única questão a ser decidida no vertente caso tem que ver com a possibilidade de utilização de tributo pago no exterior para a formação de saldo negativo de IRPJ, sendo que o saldo negativo em apreço corresponde ao mesmo anocalendário em que o tributo no exterior foi recolhido. Para além disso, o sujeito passivo apenas submeteu ao crivo desse Egrégio Tribunal Administrativo o seu pedido sucessivo, no sentido de que, na hipótese de o crédito não ser reconhecido, devem ser canceladas as cobranças dos débitos confessados de estimativas de IRPJ e CSLL do anocalendário/2007, eis que o contribuinte não apurou resultado tributável no período de apuração em referência. Em primeiro lugar, devo dizer que concordo com o contribuinte no que tange à impossibilidade de a instância a qua manter conclusão constante de Despacho Decisório atacado por Manifestação de Inconformidade com base em fundamentos que dele (do Despacho) não constem. Com efeito, o contribuinte, ao apresentar Manifestação de Inconformidade, insurgese contra os fundamentos que trazidos a lume para a não homologação de sua compensação – obviamente em se tratando de Declaração de Compensação –, de modo que não pode a DRJ, afastando esses fundamentos arrolados por ocasião do Despacho Decisório, manter a não homologação com fulcro em razões diversas, que o sujeito passivo não pode combater porque não trazidas pelo ato combatido pela Manifestação de Inconformidade. In casu, são aplicáveis as mesmas regras atinentes a processos de auto de infração, em que as instâncias julgadoras não podem sustentar a manutenção do crédito tributário com base em fundamentos que não motivaram a lavratura da autuação. Tratase, ao fim e ao cabo, de influxo derivado do Princípio da Estabilização da Demanda, norte esse muito Fl. 992DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 caro em se tratando da processualística civil, que subsidiariamente informa o Processo Administrativo Fiscal. Destarte, não se levará em conta a questão da pretensa não comprovação de retenções sofridas no exterior, que foi utilizada pela DRJ para o não acolhimento da Manifestação de Inconformidade – a despeito de não ter sido levantada pelo Despacho Decisório. Nada obstante, penso que o Recurso Voluntário deve ser desprovido. Com efeito, apesar dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo, temse que o tributo pago no exterior efetivamente não pode ser utilizado para a formação de Saldo Negativo se, no ano das correlatas retenções no estrangeiro, o contribuinte não apurou lucro no Brasil. Isso não quer dizer que o tributo pago no exterior em ano de apuração de prejuízo seja absolutamente imprestável para fins de compensação: deveras, esses valores recolhidos no estrangeiro podem, sim, ser aproveitados – inclusive para fins de composição de Saldo Negativo – em anoscalendários nos quais se apure resultado tributável, devendo, até que se configure tal resultado positivo, ser controlados na Parte B do LALUR. Frisese que essa Colenda 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção apreciou questão absolutamente idêntica à vertente na sessão de maio do corrente ano, sendo que o respectivo processo estava sob a minha relatoria, ocasião em que foi o ponto foi dirimido em acórdão que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 IRPJ. COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. EXERCÍCIO 2003. APURAÇÃO DE PREJUÍZO. AUSÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE OUTRAS ESPÉCIES Não havendo imposto de renda devido no Brasil não há que se falar em aproveitamento de crédito de imposto de renda pago no exterior. O imposto de renda devido no exterior, quando escriturado em exercício cuja apuração resultou em prejuízo, não compõe saldo negativo de IRPJ, portanto, não pode ser compensado com tributos de outra espécie. IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS LEGAIS. Os documentos que comprovam o recolhimento do imposto de renda pago no exterior devem guardar estrita consonância com o Contribuinte brasileiro, devem ser traduzidos para o português e consularizados, em atenção ao disposto no §6º do artigo 129 e artigo 148, ambos da Lei n.º 6.015/1973. MULTA. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE MORA. Impertinente é a arguição da impossibilidade de incidência de juros de mora incidentes sobre de multa de mora, haja vista não constar tal espécie de cobrança e sequer haver previsão legal neste sentido. (Processo Administrativo n. 10768.001040/200310; Acórdão n. 1101000.892; j. 9.5.2013) Do voto condutor do acórdão, que foi seguido pela integralidade dos membros do Colegiado, são extraídas as seguintes passagens, que aqui adoto como razões de decidir, litteris: Fl. 993DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000037/201013 Acórdão n.º 1101000.970 S1C1T1 Fl. 5 7 Consequentemente, não havendo imposto de renda devido no Brasil não há que se falar em aproveitamento de crédito de imposto de renda recolhido no exterior, pois não há valor efetivamente devido a tal título. Da aplicação dos dispositivos legais transcritos acima é mediano concluir que se compensação do imposto de renda pago no exterior está limitada ao equivalente ao valor do imposto de renda incidente no Brasil sobre os referidos lucros e não foi auferido lucro no Brasil, não há direito a compensação. Ressalto que entendo que a relação jurídico tributária entre a Contribuinte Recorrente e o Fisco brasileiro não se concretizou, posto que o prejuízo não é fato gerador do imposto de renda, logo o reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente consiste na inserção de um fato do direito alienígena, e seus reflexos, sem o necessário contexto de uma relação jurídico tributária brasileira. Não obstante, tal construção fere irremediavelmente o princípio da universalidade aplicável ao imposto de renda, posto que tal tributo deve necessariamente considerar o conjunto de entradas e saídas de valores do patrimônio. (...) Não obstante toda a explanação tecida até então, em função das decisões transcritas acima, é indubitável que a compensação levada a cabo pela Recorrente encontrase absolutamente longe do amparo da legislação, pois não havendo relação jurídica tributária em que tal crédito possa ser inserido, não se pode admitir o reconhecimento do imposto de renda pago no exterior como saldo negativo. Vale ressaltar que o imposto de renda pago no exterior somente passaria a compor o saldo negativo da Recorrente na hipótese de saldo positivo decorrente da compensação com IRPJ e, subsidiariamente, com a CSLL, cujas bases de cálculo no Brasil fossem superiores ao lucro apurado no exterior. Nessa esteira, a única hipótese legalmente admitida para aproveitamento do crédito seria a não escrituração no exercício de 2003, quando foi apurado prejuízo, e sua manutenção na parte B do LALUR, conforme preconiza o inciso III, do artigo 262, do RIR. Sem razão, portanto, o contribuinte. Do pedido sucessivo No que tange ao pedido sucessivo do contribuinte, no sentido de que, a despeito do não reconhecimento do crédito, devem ser canceladas as cobranças atinentes às estimativas de IRPJ e CSLL do anocalendário 2007 que foram compensadas com o pretenso Saldo Negativo de IRPJ de 2006, ante a apuração de resultado negativo em 2007, temse que igualmente não deve ser o pleito acatado. De fato, os lindes do processo administrativo derivado de não homologação de Declaração de Compensação não comportam tal análise: aqui, cabe aos julgadores unicamente se pronunciar sobre a higidez dos créditos e sobre a sua suficiência para a amortização dos débitos confessados. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Ademais, percebese claramente que o pronunciamento, por esse Conselho, acerca da cabal e inafastável existência de prejuízo fiscal no seio de processo em que tal questão não é examinada verticalmente pode representar algo efetivamente temerário: com efeito, é possível que o resultado apurado pelo sujeito passivo venha a ser contestado pelo Fisco, do que poderia resultar a transformação do prejuízo inicialmente apurado pelo sujeito passivo em efetivo resultado tributável, informação essa que não necessariamente tornarseá disponível para os julgadores do processo de compensação. Salientese que existem outras razões pelas quais um débito efetivamente confessado – a exemplo das estimativas que o sujeito passivo pretendeu compensar – pode vir a tornarse dívida inexigível. Essas discussões, percebese, não podem ser empreendidas no seio do processo administrativo fiscal, de modo que, caso o sujeito passivo venha a sofrer a cobrança de débitos que, apesar de confessados, entende indevidos, dispõe ele de uma pletora de remédios para fazer face à exigência descabida, nenhum dos quais atinente ao julgamento de correição da compensação declarada. Uma última reflexão: de acordo com o contribuinte, deverseia, no processo em epígrafe, fulminar a cobrança do débito que pretendeu compensar com um crédito inexistente, ante o argumento de que o débito, confessado, seria inexigível. Ora, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a tese de que até mesmo os débitos tributários prescritos que venham a ser pagos pelos contribuintes são repetíveis, vez que, ao contrário do que se passa na esfera cível, não há que se falar em obrigações naturais no seio do direito tributário. Em se admitindo a cogência do argumento do contribuinte, o que deveria esse Tribunal Administrativo fazer numa situação em que, além de o débito apontado na DCOMP ser aparentemente inexigível, o crédito indicado efetivamente exista? Deveria esse Egrégio Conselho pronunciarse sobre a inexigibilidade dos débitos, preservando os hígidos créditos para aproveitamento futuro? É notório que isso não poderia ter lugar. O que norteia o julgamento de processo de compensação é o crédito alegado, o que se constata até pelo fato de que, na investigação acerca da Seção desse Egrégio CARF competente para a apreciação de Recursos manejados em processos de compensação, a pedra de toque será a natureza do crédito, pouco importando o tributo que com ele se pretendeu compensar. Não merece acolhida, portanto, o Recurso Voluntário em apreço. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Declaração de Voto Fl. 995DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000037/201013 Acórdão n.º 1101000.970 S1C1T1 Fl. 6 9 Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente aduz, em sustentação oral, que desistiu do direito creditório em litígio, parcelou os demais débitos compensados e pretende agora, apenas, o cancelamento dos débitos de estimativas liquidados por meio das compensações aqui em litígio, ou seja, centrando suas alegações apenas no pedido sucessivo que integra seu recurso. Vislumbro a controvérsia suscitada no pedido sucessivo da recorrente sob ótica diversa do I. Relator, e assim preliminarmente manifestome favoravelmente acerca da possibilidade de apreciação da exigibilidade de débitos compensados ao longo do processo administrativo formado a partir da nãohomologação da compensação. A lide, no âmbito da compensação, circunscrevese à validade, ou não, do ato de nãohomologação, que pode estar motivado pela apreciação da existência, suficiência e disponibilidade dos créditos utilizados, mas implicitamente também expressa a exigibilidade dos débitos compensados, na medida em que determina sua cobrança quando não reconhecido direito creditório suficiente para sua extinção definitiva. Em tais circunstâncias, o sujeito passivo pode se opor à nãohomologação porque o débito compensado não existe, foi informado em duplicidade, ou em montante superior ao devido, inclusive reportandose a valores já alcançados pelo direito creditório reconhecido, e assim indevidamente extintos por parcela que deveria ter sido destinada ao débito remanescente. Em suma, ao facultar ao sujeito passivo o direito de questionar o ato de nãohomologação, o legislador permitiulhe abordar todos os aspectos envolvidos na compensação, não só no que tange à mensuração do crédito, como também em relação à liquidação dos débitos, aí incluídos os critérios de imputação e os próprios tributos considerados. Além disso, o ato de nãohomologação pode se fundamentar, apenas, na impossibilidade de compensação do débito informado pelo sujeito passivo, caso ele se enquadre em uma das hipóteses expressas ou implicitamente previstas no art. 74, §3o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada a partir da Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 996DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, mas não convertido em lei) VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, mas não convertido em lei) IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, mas não convertido em lei) [...] Em tais circunstâncias, o litígio em torno do ato de nãohomologação possivelmente nem adentrará a aspectos concernentes ao direito creditório utilizado pelo sujeito passivo, mas sim se limitará às características do débito compensado e do momento no qual a compensação foi declarada. Ressalto que no cenário assim delineado, ao manifestarse contrariamente à exigibilidade do débito vinculado à compensação, o órgão julgador poderá, eventualmente, afirmar novamente disponível parcela de crédito utilizada em compensação. Mas isto porque desfaz os efeitos de compensação equivocadamente formulada pelo sujeito passivo, fazendo prevalecer a verdade material. E, se referido crédito foi reconhecido e ainda não estiver prescrito quando se tornar definitiva a decisão administrativa acerca da compensação antes formalizada, o sujeito passivo poderá destinálo a outra compensação, ou mesmo pleitear sua restituição, caso ainda não o tenha feito. Os órgãos de julgamento exercem a função de controle da legalidade do crédito tributário mediante provocação do sujeito passivo. Assim, não podem se omitir no dever de declarar um tributo indevido, quer em sede de lançamento, quer frente a um ato de nãohomologação de compensação, dado que por meio deste a autoridade competente afirma não só a inexistência ou indisponibilidade de um crédito, mas também a existência de um débito indevidamente compensado. Por certo o debate em torno do direito creditório é mais freqüente no âmbito das compensações, na medida em que os débitos normalmente existem e para afastar sua exigibilidade a compensação é formalizada. É sob este prisma que vejo, nas normas regimentais, a escolha daquele parâmetro para definição da competência dos órgãos de julgamento. Todavia, embora admita a apreciação da exigibilidade do débito compensado, entendo que a recorrente não tem razão em sua argumentação. Em 16/02/2007 a interessada formalizou DCOMP para utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2006, e ao crédito ali informado vinculou outras declarações apresentadas de 28/02/2007 a 10/08/2007 para liquidação, dentre outros, de débitos de estimativas de IRPJ e CSLL apurados ao longo do anocalendário 2007. Em 01/03/2010 foi Fl. 997DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000037/201013 Acórdão n.º 1101000.970 S1C1T1 Fl. 7 11 editado o ato de nãohomologação das compensações por existência parcial do crédito informado, cientificado à interessada em companhia de documentos de cobrança (DARF) para recolhimento, dentre outros débitos, das estimativas que restaram exigíveis em decorrência daquele ato. Em sua defesa, aduz a interessada que apurou prejuízo fiscal no ano calendário 2007, e que é pacífica a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do correlato anocalendário. De fato, em dezembro de 2012 foi aprovada a Súmula CARF nº 82 firmando o entendimento de que após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Todavia, os paradigmas que sustentam referido enunciado invalidam atos de constituição do crédito tributário promovidos pelos agentes fiscais, e não por meio de confissão do sujeito passivo, como é o caso dos débitos indicados em DCOMP. Para além disso, a recorrente não expõe todos os aspectos de sua apuração no anocalendário 2007. Isto porque, na mesma sessão de julgamento em que este processo é apreciado, está pautado o processo administrativo nº 16306.000053/201014, no qual se discute o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007 pelo sujeito passivo. E o crédito ali indicado é composto, dentre outras deduções, pelas estimativas que a recorrente agora afirma inexigíveis. Assim, ao compensar débitos de estimativas, o sujeito passivo passa a ter a possibilidade de com elas formar novo crédito de saldo negativo e compensar outros tributos, atribuindo efeitos econômicos a uma operação que agora pretende desqualificar simplesmente porque apurou prejuízo no anocalendário 2007. Outras circunstâncias poderiam ter se verificado hipoteticamente: · O sujeito passivo poderia ter apurado saldo negativo ao final do ano calendário, composto pelas estimativas compensadas, mas sem utilizálo em compensação ou pleitear sua restituição. Em tais condições, poderia argumentar que nada lhe seria exigível, vez que não havia tributo devido ao final do anocalendário; e · O sujeito passivo poderia ter apurado tributo devido ao final do ano calendário 2007, e evitado ou reduzido seu recolhimento em razão da dedução das estimativas compensadas. Em tais condições, poderia argumentar que somente lhe seria exigível o tributo devido no ajuste anual, e não as estimativas indevidamente compensadas, vez que já encerrado o anocalendário. A questão, então, cingese ao procedimento que deve ser adotado pela autoridade fiscal quando identifica estimativas exigíveis após o encerramento do ano calendário. Como dito, a Súmula CARF nº 82 soluciona a questão relativamente às estimativas não recolhidas, ali não se cogitando de estimativas compensadas por meio de DCOMP que restem nãohomologadas. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 A Lei nº 9.430/96 é clara quanto às conseqüências em relação ao sujeito passivo que, obrigado, deixe de pagar as estimativas devidas: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] A redação estabelecida a partir da Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, segue a mesma linha: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); Fl. 999DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000037/201013 Acórdão n.º 1101000.970 S1C1T1 Fl. 8 13 V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, a argumentação contida na decisão recorrida não é integralmente válida, porque o fato de o sujeito passivo declarar em DCTF débitos de estimativas de IRPJ e CSLL não é suficiente para autorizar a imediata inscrição em Dívida Ativa para efeito de cobrança executiva, na forma do art. 5o, §2o do Decretolei nº 2.124/84. Ao menos nos casos em que esta declaração é desacompanhada de qualquer forma de quitação do débito, a lei reprime a omissão do sujeito passivo com a aplicação de multa isolada, e não com a cobrança do débito de estimativa. Contudo, cabe ao intérprete definir as conseqüências expressas na lei também se aplicam aos casos em que o sujeito passivo não se omite, mas sim promove a extinção da estimativa devida mediante a entrega de DCOMP, extinção esta que pode se tornar definitiva após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos concedido para análise da operação pela autoridade fiscal. E, neste ponto, destaco que a redação dada pela Lei nº 10.833/2003 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 (§§ 9o a 11), permitindo a interposição de manifestação de inconformidade e recurso voluntário contra o ato de nãohomologação, conferiu ao débito compensado suspensão da exigibilidade durante o contencioso administrativo, qualquer que seja sua natureza. Frente a tais circunstâncias, editado o ato de nãohomologação, a autoridade administrativa concede ao sujeito passivo a possibilidade de, espontaneamente, quitar o débito compensado, sem discutir administrativamente a compensação. Caso a interessada optasse por atender a esta recomendação, sustentaria a utilização da estimativa no correspondente período de apuração, quer para formação de outro saldo negativo, quer para reduzir o tributo verificado no ajuste anual, e tais apurações não poderiam ser questionadas sob esta ótica. Porém, como o sujeito passivo optou por interpor manifestação de inconformidade e o posterior recurso voluntário, o débito compensado passou a estar com a exigibilidade suspensa, sendo inaplicáveis as conseqüências estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em face daqueles que deixam de pagar as estimativas devidas. Eventualmente poderseia questionar qual providência seria adotada se o sujeito passivo, ao restar vencido em sua pretensão, não recolhesse as estimativas indevidamente compensadas. Poderseia argumentar que estas estimativas não seriam passíveis de cobrança executiva porque a lei assim não autoriza. Todavia, como demonstrado, a lei não aborda diretamente as providências que devem ser adotadas em face de estimativa indevidamente compensada, mormente quando Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 sua exigibilidade é restabelecida em razão da definitividade do ato de nãohomologação de compensação. Assim, caberá à autoridade administrativa competente para agir em tais circunstâncias interpretar a lei e definir os procedimentos que serão adotados. O órgão julgador, no âmbito da análise do ato de nãohomologação da compensação, é incompetente para se manifestar, antecipadamente, sobre as controvérsias que poderão surgir a partir do momento em que os débitos aqui compensados recuperarem sua exigibilidade. Nesta fase processual, os débitos de estimativa indevidamente compensados estão com exigibilidade suspensa em razão da discussão administrativa da compensação, e à época em que as compensações foram formalizadas eles eram devidos, de modo que não há razão para cancelálos. Por tais razões, acompanhando o I. Relator nos demais aspectos de seu voto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 18471.001889/2005-84
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
IRPF - DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto sobre o ganho de capital decai após cinco anos contados da data do fato gerador.
SÚMULA N° 14 - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude.
Numero da decisão: 3301-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, desqualificar a multa e, por consequência, ACOLHER a decadência. Vencido Eduardo Tadeu Farah (Relator). Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Assinado Digitalmente
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da Turma na Data da Formalização.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
Assinatura digital
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Redator designado.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001889/200584 Recurso nº 160.276 Voluntário Acórdão nº 3301000.043 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2009 Matéria IRPF Recorrente DELSO TEIXEIRA MENDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 Ementa: IRPF DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto sobre o ganho de capital decai após cinco anos contados da data do fato gerador. SÚMULA N° 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, desqualificar a multa e, por consequência, ACOLHER a decadência. Vencido Eduardo Tadeu Farah (Relator). Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente da Turma na Data da Formalização. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. Assinatura digital Moisés Giacomelli Nunes da Silva Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 89 /2 00 5- 84 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Delso Teixeira Mendes recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 3a TURMA/RIO DE JANEIRO II/RJ, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 62 a 67 e documentos fls. 68 a 70. Tratase de exigência de IRPF com valor total de R$ 127.110,88, relativo ao imposto, multa de ofício de 150% e juros de mora, calculados até 07/12/2005. A infração apurada pela fiscalização foi omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo à venda do imóvel da Av. Atlântica nº. 2266/1002 na cidade do Rio de Janeiro. Em decorrência da irregularidade apurada, foi protocolizado o processo de representação fiscal para fins penais de nº 18471.002136/200596. Inconformado, o autuado apresentou Impugnação, fls. 36 a 41, alegando, em resumo, que: (a) a renda auferida pelo Impugnante ocorreu especificamente no mês de janeiro de 2000, sujeitouse ao pagamento do imposto devido na forma da legislação vigente, sem prévio exame da autoridade administrativa, e a homologação tácita se consumou em 31/01/2005 (art. 150, §4º, CTN) e a extinção definitiva do crédito tributário, por via de conseqüência; (b) o preço inicial ajustado foi de R$ 400.000,00, mais as despesas de regularização e laudêmios e despesas de desmembramento no montante de R$ 373.117,15. Assim, não houve qualquer tentativa de fraude ou omissão de receita, pois o recebimento da parte do Impugnante foi efetivamente de R$ 400.000,00. A DRJ proferiu Acórdão nº 1314.054, mantendo integralmente o lançamento, que possui a seguinte ementa: DECADÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício efetuado pela Autoridade Autuante em decorrência de infração apurada com qualificação de multa de ofício por ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GANHO DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR. Uma vez comprovada a apuração de ganho de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001889/200584 Acórdão n.º 3301000.043 S3C3T1 Fl. 3 3 capital na alienação de bem imóvel, resta caracterizada a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150 %, disciplinada pelo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando ficar evidente a intenção do contribuinte em negar a existência de recursos tributáveis com o intuito de ocultar o fato gerador do Imposto de Renda. Cientificado a decisão de primeira instância, Delso Teixeira Mendes, interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: a renda auferida pelo Impugnante ocorreu especificamente no mês de janeiro de 2000, sujeitouse ao pagamento do imposto devido na forma da legislação vigente, sem prévio exame da autoridade administrativa nos cinco anos seguintes e a homologação tácita se consumou em 31/01/2005 na forma do art. 150, §4º, CTN; não ocorreram os requisitos para aplicação da multa qualificada; o ônus da prova do evidente intuito de prova compete a quem alega; o preço inicial ajustado foi de R$ 400.000,00, todavia, pagou despesas de regularização, laudêmios e desmembramento no valor de R$ 373.117,15, perfazendo o montante de R$ 773.117,15. Assim, não houve qualquer tentativa de fraude ou omissão de receita, pois o recebimento foi efetivamente de R$ 400.000,00. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente processo de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao anocalendário de 2000. Antes de se entrar no mérito da questão, insta enfrentar, de antemão, a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte. Em relação a preliminar de decadência alegada, importante observar o disposto no § 4º do art. 150 e inciso I do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) O Imposto de Renda configurase tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do caput do art. 150 do CTN. Contudo, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (§ 4º do art. 150 do CTN) há um deslocamento da norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo. Assim, tendo em vista a ocorrência de dolo, como se verá adiante, o prazo decadencial começou a fluir em 01/01/2001 e, como a ciência do lançamento ocorreu em 13/12/2005, o crédito tributário não havia sido atingido pela decadência. No mérito, alega o suplicante que de fato recebeu o montante de R$ 400.000,00, ou seja, o valor constante na escritura pública. Assevera ainda que o valor de R$ 373.117,15, referese a despesa de regularização, laudêmios e de desmembramento, razão pela qual não há qualquer ganho de capital a ser apurado. De início, deve ser esclarecido que a fiscalização seguiu fielmente a legislação vigente, não se tratando de ato discricionário da autoridade autuante. No que tange ao ganho de capital, a regra geral para o cálculo é a diferença entre o custo de aquisição e o valor da alienação do bem. Nessa conformidade, procedeu a autoridade fiscal intimação ao comprador (fls.15/16), Sr. Henrique Jorge Duarte Brandão, que declarou que o valor pago ao recorrente foi de R$ 773.117,15. Na oportunidade anexou cópia do “Contrato Particular de Compra e Venda”, datado de 17 de janeiro de 2000, que confirma toda a transação. Intimado, o recorrente alega que a diferença de R$ 373.117,15 referese a despesas de regularização, laudêmios e de desmembramento do imóvel, todavia, não junta qualquer documentação comprobatória para demonstrar a suposta despesa incorrida. Com efeito, cabe ao suplicante o ônus de comprovar e justificar as despesas que informa ter suportado. Assim, deveria, pois, carrear aos autos toda a documentação comprobatória capaz de demonstrar que a informação constante do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda” não ocorreu (fls. 18/19), segundo as cláusulas e condições ajustadas entre o comprador e o recorrente (vendedor). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001889/200584 Acórdão n.º 3301000.043 S3C3T1 Fl. 4 5 Dessarte, não se constatando nos autos provas documentais contrárias, correta a tributação dos valores relativos ao ganho de capital. Quanto à multa de oficio qualificada, melhor sorte não socorre o contribuinte. Em verdade, a qualificação da multa se deu em razão do disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, que preceitua, in verbis: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez o art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. As provas constantes nos autos nos levam à convicção de que o contribuinte não fez constar em sua declaração o valor total da alienação com o objetivo de não pagar imposto, tanto assim que não deu entrada em sua declaração do valor correspondente. Não se trata, no caso, de mera declaração inexata. A redução do valor da operação na escritura, devidamente comprovada, evidencia o intuito do sujeito passivo em sonegar o efetivo ganho de capital. Nesse entendimento, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Ressaltese, ainda, que não procede a alegação do recorrente de que a fiscalização utilizou a presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 (fl.63), para a constituição da exigência. Em verdade, o lançamento baseouse na documentação coligida para concluir pela omissão de ganho de capital. Ante o exposto, VOTO por REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Redator designado Passo analisar a alegação de impossibilidade de qualificação da multa em face de omissão de rendimentos sobre o ganho de capital apurado na alienação de bens e direitos. Em conformidade com o artigo 44, I e II da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Medida Provisória n° 351, de 22.01.2006, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata: (redação atribuída pela n° 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra. II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 20 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001889/200584 Acórdão n.º 3301000.043 S3C3T1 Fl. 5 7 No caso dos autos, a qualificação da multa deuse em virtude de divergências de informações entre o comprador e o recorrente (vendedor do imóvel). Conforme destacou o ilustre conselheiro relator a ação revelouse, em seu entender, conduta dolosa com a finalidade de sonegar o tributo devido. Com a devida do eminente relator, ouso divergir. No caso dos autos, restou claro que a diferença de informações, ocorreuse em razão de despesas de regularização e laudêmios e despesas de desmembramento no montante de R$ 373.117,15. Verificase que sem essas despesas não era possível a comercialização do imóvel. A aplicar a tese do voto vencido de que a divergência de informação caracteriza conduta dolosa do contribuinte, restaria sem aplicação a Súmula 14, que assim dispõe: SÚMULA 14 A SIMPLES APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTOS, POR SI SÓ, NÃO AUTORIZA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO, SENDO NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DO SUJEITO PASSIVO. Com base nos fundamentos acima expostos, com a devida vênia do conselheiro relator, em atenção ao Enunciado da Súmula 14 do 1°. Conselho de Contribuintes, voto no sentido de afastar a multa qualificada. Em decorrência da desqualificação da multa de ofício, devese reconhecer a decadência do imposto de renda sobre ganho de capital, pois tratase de lançamento por homologação, ou seja, o contribuinte declara a renda recebida, apura o quantum devido e paga respectivo valor, portanto, a decadência contase da data do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. Assim, notificado do lançamento em 13/12/2005 (fl. 23), a apuração de ganho de capital na alienação de bens e direitos ocorrida em janeiro de 2000, já havia sido atingido pela decadência, o que reconheço e acolho. ISSO POSTO, voto no sentido de DESQUALIFICAR a multa e ACOLHER a preliminar de decadência. Sala das Sessões DF, em 05 de março de 2009. Assinado Digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 18471.001889/200584 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 330100.043. Brasília/DF, 20 de março de 2014 Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da Turma na Data da Formalização Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11128.003468/2006-30
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/01/2004
RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA_
O art. 37, § 1º, do Decreto-Lei nº 37/66 responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.689
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/01/2004 RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA_ O art. 37, § 1 0, do Decreto-Lei n" 37/66 responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de deseumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Luis Marcelo- Guerra de Castro - Presidente _ Beatriz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 20/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para lançamento de multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10,833/03. De acordo com a autoridade fiscal, as mercadorias descritas na Declaração de Exportação (DDE) n° 2040051375/7 foram desembaraçadas em 20/01/2004 e embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo "5SZI24175" em 24/01/2004. No entanto, a empresa responsável pelo transporte das mercadorias só informou os correspondentes dados de embarque, conforme extrato do Siscomex (na fl. 12), em 03/02/2004. Assim, teria sido ultrapassado o prazo legal de 24 (vinte e quatro) horas após o embarque para a prestação de informações, conforme Cientificado da lavratura do auto de infração, o Contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou que a multa seria inaplicável, porque o Contribuinte teria sanado o equívoco, apresentando as informações exigidas tão logo percebeu o erro Incidiria, assim, o beneficio da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. Por outro lado, haveria ofensa ao principio da legalidade tributária, na medida em que a multa estaria regulamentada por instrução normativa, e não por lei em sentido estrito. Isso porque a Instrução Normativa SRF n° 28/94 definiu que o simples atraso na declaração no SISCOMEX de embarque da mercadoria seria ato que causa prejuízo à fiscalização tributária, criando infração à lei. Examinando os autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fl. 50): ASSUNTO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador,' 25/01/2004 MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMA ÇAO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA, Cabível a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alinea "e" do DL n° 37/66, com a redação dada pelo art, 77 da Lei n° 10 833/03 No caso, o registro dos dados do embarque marítimo da carga foi efetuado no Siscomex após o prazo de 7 (sete) dias, estabelecido no art. 37 da IN SRF ri° 28/94, com a redação dada pela IN SRF 112 510/2005. Impugnação Improcedente Processo n" 11128 003468/2006-30 53-C112 Acórdão n ° 3102-0O689 Fl 2 Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário às tis, 81 e seguintes, no qual argumenta: a) ilegitimidade passiva, na medida em que a empresa Maersk Brasil Brasmar Ltda não é o transportador, mas sim agente de navegação; b) Nulidade do lançamento, por enquadramento legal inadequado. De acordo com o Contribuinte, ora recorrente, a descrição da autuação coaduna-se com a infração tipificada na alinea "e" do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66. No entanto, o auto de infração foi lavrado mencionando expressamente a alínea "c" do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66. c) Aplicação do beneficio da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatara - Preliminar de ilegitimidade passiva Conforme relatado, o Contribuinte argumenta que a empresa Maersk Brasil Brasmar Ltda não é o transportador, mas sim agente de navegação. Por isso, não poderia responder pela multa lançada. Ao assim argumentar, o Contribuinte deixa de observar o art. 37, § 1°, do Decreto-Lei II' 37/66, que expressamente responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. § 10 O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2° Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo.. § 3° A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participai' . da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei n° 5,025, de 10 de junho de 1966. § 4° A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput Portanto, nego provimento ao recurso voluntário quanto à preliminar de ilegitimidade passiva, por aplicação do art. 37, § 1', do Decreto-Lei n° 37/66. - Nulidade do lançamento, por enquadramento legal inadequado Argumenta o Contribuinte, ora recorrente, que a descrição da autuação coaduna-se com a infração tipificada na alinea "e" do art. 107 do Decreto-Lei if 37/66.. No entanto, o auto de infração foi lavrado mencionando expressamente a alínea "c" do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66. Por isso, o auto de infração seria nulo. O art 107, inciso IV, encontra-se assim redigido: Art. 107, Aplicam-se ainda as seguintes multas. - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais» a) por ponto percentual que ultrapasse a margem de 5% (cinco por cento), na diferença de peso apurada em relação ao manifesto de carga a granel apresentado pelo transportador marítimo, fluvial ou lacustre; b) por mês-calendário, a quem não apresentar &fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos' em boa guarda e ordem; c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de .fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; d) a quem promover a saída de veiculo de local ou recinto sob controle aduaneiro, sem autorização prévia da autoridade aduaneira; e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e )9 por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; ( .) (destacou-se) Entendo que a conduta descrita na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n" 37/66 é mais específica para o enquadramento da hipótese em exame. Processo n° 11128 003468/2006-30 83-C1T2 Acórdão n ° 3102-00..689 Fl. 3 A conduta descrita na alínea "c" consiste em "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Trata-se, portanto, de previsão de aplicação de multa pelo silêncio ou atraso na apresentação de resposta à procedimento fiscal em matéria aduaneira, seja qual for a natureza dos esclarecimentos solicitados pela autoridade A conduta ilícita descrita na alínea "e" do art, 107, por sua vez, consiste em "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Essa sanção seria aplicável não apenas à empresa de transporte internacional, mas também ao agente de carga, conforme expressa previsão legal dessa alínea "e". Portanto, a conduta da alínea "e" do inciso IV do art, 107 do Decreto-Lei n° 37/66 expressamente indica a informação sonegada (sobre veículo ou carga transportada), prevê a possibilidade de aplicação de multa quando a informação é apresentada a destempo e, ainda, estabelece a legitimidade passiva do agente de carga para responder pelo seu pagamento. Trata-se da hipótese em exame, na qual o Contribuinte, agente de carga, deixou de apresentar no prazo legal informação sobre embarque de mercadorias. Consta do auto de infração que o Contribuinte teria cometido a conduta irregular descrita na alínea "e" do inciso IV do art, 107 do Decreto-Lei n° 37/66. Assim, uma vez adequada a descrição e o enquadramento legal conferidos à hipótese, deve ser mantido o lançamento. - Denúncia espontânea. Por fim, entendo inaplicável ao caso em exame o art. 138 do CTN, na medida em que a denúncia espontânea afasta a exigibilidade das multas aplicadas por descumprimento da obrigação tributária principal. O art. 138 do CTN não pode incidir sobre multas por descumprimento de obrigações acessórias. Há diversos julgados deste Conselho nesse sentido: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário:- 2004 Multa isolada por atraso na entrega da DCTF. É cabível a multa por entrega extemporânea da DCTF, a teor da norma contida no artigo 7. 0, 1, da Lei n," 10.426/2002. Denúncia espontânea. Responsabilidade tributária. Não se considera espontânea a denúncia apresentada em .face de descunzprimento de obrigação acessória, formal, consistente na perda de prazo para apresentação de declaração. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a hipótese de incidência tributária e a obrigação tributária principal, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Recurso n" 338.762, Processo n" 10730.003872/2005-51, 1" cá inata do Terceiro Conselho de Contribuintes, data da sessão 11/12/2008, acórdão n°301-34902) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARA ÇAO DIPJ A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo, Recurso Voluntário Negado, (CA.RF; Recurso 154,878, Processo n°13708.001533/200.5-14, 1° Câmara, data da sessão 25/01/2008, Relator: Cons. Valmir Sandri, acórdão n°101-96551) Não acolho, portanto, os argumentos do Contribuinte acerca da aplicação do art. 138 do CTN. - Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Beatriz Veríssimo de Sena 6
score : 1.0
Numero do processo: 11080.017271/2002-48
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL COM SITUAÇÃO CADASTRAL DE EMPRESA INAPTA INAPLICABILIDADE. SÚMULA 44.
Descabe a aplicação da multa prevista no art. 88, inciso II, da Lei n°. 8.981, de 1995, quando ficar comprovado que a empresa na qual o contribuinte figura, como sócio ou titular, se encontra na situação de inapta, por omissão contumaz, desde que não se enquadre em nenhuma das demais hipóteses de obrigatoriedade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Júnior
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL COM SITUAÇÃO CADASTRAL DE EMPRESA INAPTA INAPLICABILIDADE. SÚMULA 44. Descabe a aplicação da multa prevista no art. 88, inciso II, da Lei n°. 8.981, de 1995, quando ficar comprovado que a empresa na qual o contribuinte figura, como sócio ou titular, se encontra na situação de inapta, por omissão contumaz, desde que não se enquadre em nenhuma das demais hipóteses de obrigatoriedade. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 10183.006010/2005-24
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR
Exercício: 2001
Ementa: 1TR, IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
SEM FINS LUCRATIVOS. Ainda quando objeto de arrendamento rural,
per permanece imune ao ITR o imóvel pertencente às entidades indicadas no artigo 150, VI, "c", da Constituição, desde que a receita assim obtida seja integralmente aplicada nas atividades essenciais de tais entidades.
Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2101-000.619
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício: 2001 Ementa: 1TR, IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. Ainda quando objeto de arrendamento rural, per permanece imune ao ITR o imóvel pertencente às entidades indicadas no artigo 150, VI, "c", da Constituição, desde que a receita assim obtida seja integralmente aplicada nas atividades essenciais de tais entidades. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Recurso Provido.
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INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. Ainda quando objeto de arrendamento rural, permanece imune ao ITR o imóvel pertencente às entidades indicadas no artigo 150, VI, "c", da Constituição, desde que a receita assim obtida seja integralmente aplicada nas atividades essenciais de tais entidades. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiadopor unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatoí - CAIO MARCOS C DIDO - Presidente Á Ao - JOSÉ RAI '.."--11;11,4 STA SANTOS — I EDITADO EM: 24 SE T 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes, Goncalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka e Ana Neyle Olimpio Holanda, JOSÉ RAI STA SANTOS — Relator Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n a 04-11,880, proferido pela i a Turma da DR.T Campo Grande (fls. 137/144), que, por unanimidade de votos, rejeitou o pedido para realização de perícia e, no mérito, julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo do auto de inflação e documentos correlatas de fis 02 a 07, através do qual se exige o Imposto Territorial Rural – ITR, no valor original de RS208.540,00, acrescido de juros moratórias e multa de oficio, do exercício de 2001, referente ao imóvel rural denominado "Gleba Brasília 1", Número do Imóvel – NIRF 6.040 965-7, localizado no município de Vila Rica - O cálculo do imposto está demonstrado à fl. 02. O procedimento fiscal iniciou-se com o termo de fis 14 e 15, através do qual a entidade foi intimada a comprovar a imunidade declarada na DITR, mediante apresentação dos documentos ali indicados, e, no caso de não comprovação satisfatória, a apresentar dados e documentos necessários para preencher o Documento de Informação e Apuração do 1TR – DIAT, principalmente no que toca ao valor da terra nua. A entidade apresentou os documentos de fls. 18 a 48, que foram analisados pela autoridade fiscal, após o que esta lavrou auto de infração, com o fundamento de que não foi comprovado o desenvolvimento, no imóvel, de atividades ligadas à finalidade essencial da entidade, Esclarece ainda a peça fiscal que o imóvel foi avaliado de acordo com as informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal, conforme Lei n° 9.393/96, art 14 e relatório de fl. 17. Foi apresentada impugnação, fls. 54 a 62, através da qual a entidade, após qualificar- se, apresenta sua defesa com os seguintes fundamentos: I – Sua condição de entidade de assistência social, depoimentos e auditoria que a comprovariam: "1. Antes de tudo, cumpre esclarecer que a impugnante é instituição filantrópica de utilidade pública federal, inspirada nos ideais de valorização da pessoa humana, que presta serviços sociais gratuitos a mais de três milhões de pessoas carentes, como se confere de seu Estatuto Social (. 2. Apenas para se ter uma idéia da gama de serviços que presta, a impugnante realizou no ano de 2004 nada menos que 3. 503..908 (três milhões, quinhentos e três mil, novecentos e oito) atendimentos sociais, assim descriminados. a) Criança — Futuro no Presente: 496.206 atendimentos; b) Ronda da Caridade Ronda da Cidadania. • 1 .190..553 atendimentos; c) Jovem — Futuro no Presente: . 2.264 atendimentos; d) SER Mulher 65.175 atendimentos; e) Educação Básica. 1,274,404 atendimentos; J) Lar e Parque da LBV (regime residencial): 33.580 atendimentos; g) Lar da Terceira Idade (regime residencial): 41.245 atendimentos; h) Biblioteca Comunitária: 75.600 atendimentos.. 2 Processo n" 10183.006010/2005-24 Ac6rd5o n "' 2101-000419 S2-C11-1 Fl 237 .3. A utilidade pública federal da impugnante é reconhecida pelo Ministério da Justiça (..), e seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS reconhecido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (..), 4.. A importância de suas atividades é chancelada por depoimentos insuspeitos de autoridades e políticos 'O carinho, o Amor e a dedicação da LBV com essas crianças .faz com que possamos acreditar que o Brasil e o mundo têm jeito, que é possível acabar com a miséria, com o analfabetismo, com a pobreza absoluta.. Eu passo também a divulgar o trabalho que é feito pelos companheiros da LBV (...) Não sei se é Legionário, se é militante.... Só sei que essa Obra é para entusiasmar qualquer Ser Humano, (..) Por isso, saio daqui embevecido com o trabalho feito por todos vocês. Saio da LBV com a certeza de que a palavra Solidariedade ainda pode ser uma das palavras-chaves para a gente recuperar o nosso Brasil e transformá-lo num país justo e fraterno, num país em z que as pessoas vivam com muito mais Amor. A Legião da Boa Vontade é um exemplo de vida.' (Luiz Inácio Lula da Silva — Presidente da República do Brasil). 'Fico muito feliz com isso; é o resultado do trabalho inegável de Paiva Netto, que merece ser reconhecido no País e no Exterior.. Quero abraçar o Paiva Netto e dizer que estarei ao seu lado pelo trabalho que faz pela população. Ele trabalha para o povo, sem nenhum interesse pessoal, e, isso, é zuna demonstração rara de homens públicos brasileiros. (Antônio Carlos Magalhães — Senador), 'Estou profundamente ligado à LBV Venho acompanhando ao longo do tempo toda a ação social que vem sendo feita pela LBV, meus parabéns pelo trabalho, principalmente ao Paiva Netto.' (José Sarney — Senador). 'A LBV ganhou em ACM Neto um verdadeiro amigo para todas as horas e para todas as lutas Eu sou uni admirador do trabalho de Paiva Netto.' (Antônio Carlos Magalhães Neto — Deputado Federal). 5, Portanto, é incontestável a natureza educacional e assistencial sernfins lucrativos da impugnante. 6. E para comprovar a efetivação na prestação de todos estes serviços assistenciais, basta verificar as auditorias independentes realizadas pela empresa 'Walter Heuer Auditores Independentes' " – Impossibilidade de exigência do ITR, por haver isenção legal e imunidade constitucional que lhe são aplicáveis: "7 Pois bem, trata-se de auto de infração lavrado em 29/11/2005 em desfavor da impugnante objetivando receber desta, a título de Imposto sobre Propriedade Territorial Rural - ITR, o importe de R$ 517.137,49 (quinhentos e dezessete mil, cento e trinta e sete reais e quarenta e nove centavos), referente à Gleba Brasília, localizada no município de Vila Rica ( ..). 8. Em que pese a exigência fiscal grafada no Termo de Intimação em comento, fato é que o mesmo deve ser desconsiderado porque não lhe assiste qualquer razão . 9. Isso porque o auto de infração impugnado consubstancia imposto da qual a impugnante possui isenção legal e imunidade constitucional. 10. De fato, pelo que determinam o artigo 150 da Constituição Federal, os artigos 9 e 14 do Código Tributário Nacional e o artigo 12 da Lei n° 9.532/97, a impugnante não pode ser compelida ao recolhimento do ITR. É o que se verá: 3 11. Determina a alínea 'c' do inciso VI da Constituição Federal: (transcreve o dispositivo mencionado) 12 A norma constitucional epigrafada é repetida na alínea 'e' do inciso VI do artigo 9° do Código Tributário Nacional, in verbis: (transcreve o dispositivo mencionado) 13, O artigo 14 do Código Tributário Nacional dispõe: (transcreve o dispositivo mencionado) 14, Finalmente, preceitua o artigo 12 da Lei n° 9.532/97, que regula a imunidade constitucional albergada pela alínea 'c' do inciso VI do artigo 150 da Lei Maior: (transcreve o dispositivo mencionado) 15. Essas são as normas legais e constitucional que garantem à impugnaste a isenção/imunidade tributária do 1TR. 16. O professor Hugo de Brito Machado trata do assunto com sabedoria peculiar 'Como instituição de assistência social devemos entender todas as instituições que se dediquem a auxiliar as pessoas de várias formas para que possam tiver melhor -) Tem o sentido de instituição que ajuda e presta auxilio, e o qualificativo social indica que assistência social deve ser comunitária ou grupai. Gozam de imunidade tributária as instituições de assistência social, sem fins lucrativos'. Ori Comentários ao Código Tributário Nacional, Volume I, Atlas, São Paulo, 2003, p 197) 17. E o jurista Sacha Calmon Navarro Coelho leciona: 'A imunidade das instituições de educação e assistência social as protege da incidência dos impostos sobre as suas rendas, patrimônio e serviços, quer sejam as instituições contribuintes de dure ou de ,fato.. A imunidade em tela visa a preservar o patrimônio, os serviços e as rendas das instituições de educação e assistenciais porque os seus .fins são elevados, nobres e, de uma certa maneira, emparelham com as finalidades e deveres do próprio Estado: proteção e assistência social, promoção da cultura e incremento da educação lato sensit (in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Editora Forense, Rio de Janeiro, 1999, p. 205/206).. 18, E, sem dúvida alguma, o papel da impugnante, que há mais de 50 anos se dedica a promover a assistência social aos mais necessitados, 19: E basta um passar de olhos nos artigos 34, 35 e 36 do estatuto social da Legião da Boa Vontade — LBV, transcritos a seguir, para se verificar que ela cumpre integralmente o que preceitua o artigo 14 do C7711: 'Ari, 34—A LBV APLICA SUAS RENDAS, SEUS RECURSOS E EVENTUAL RESULTADO OPERACIONAL INTEGRALMENTE NO TERRITÓRIO NACIONAL e na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Parágrafo único — Os recursos advindos dos poderes públicos serão aplicados dentro do estado ou municio concessor desses recursos. Art, 35 — Em virtude de ser a LEGIÃO DA BOA VONTADE uma sociedade civil, de caráter . filantrópico, e, conforme dispõe o Artigo 3° destes Estatutos: sem, ..finalidade lucrativa, nela não haverá, em conseqüência, qualquer distribuição de 4 Processo if 10183.006010/2005-24 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-000.619 Fl. 238 resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela do seu patrimônio, sob nenhuma forma.. Art. 36— Na LEGIÃO DA BOA VONTADE, toda a escriturarão, das receitas e despesas, é .feita em registro revestido das .formalidades regulamentares, capares de comprovar-lhes a exatidão.. 20, Como se vê, pelos .fatos e fundamentos aqui narrado, e, principalmente, pelo que determinam as normas que regem a matéria, a impugnante preenche os requisitos da lei e, portanto, ..faz jus à isenção legal e à imunidade constitucional do recolhimento de Imposto sobre Propriedade Territorial Rural – Por fim, requer: "1 – seja reconhecida a isenção/imunidade de 1TR a que faz jus a entidade inzpugnante, vez que se trata de instituição filantrópica assistencial de utilidade pública federal; II – seja declarado nulo o presente auto de infração, operando-se todos os efeitos pertinentes; 111 – alternativamente, em sendo diverso o entendimento de Vossa Senhoria, protesta pela produção de provas periciais que comprovarão que a impugnante cumpre com todas as determinações do art. 14 do Código Tributário Nacional." Foram juntados os documentos de fls. 63 a 117 e 121 a 124.. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunta- Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício. 2001 IMUNIDADE DO ITR.. A imunidade do ITR abrange apenas os imóveis rurais, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, que sejam vinculados às suas finalidades essenciais, devendo essa condição ser obrigatoriamente comprovada nos autos. PERiCIA O pedido de perícia deve conter exposição dos motivos que a justifiquem, a .formulação de quesitos referentes aos exames desejados e o nome, endereço e qualificação profissional do perito. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender a esses requisitos. Lançamento Procedente O recurso voluntário interposto (fls. 150/168) e aditivo ao recurso, às fls. 201/204, repisam e aprofundam as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a gila. Alega em preliminar cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido para realização de perícia, a fim de comprovar que cumpre as disposições do artigo 14 do CTN, cuja observância é essencial para a aplicação do artigo 90 do mesmo código. Reitera o pedido para a realização de pericial contábil. 5 No mérito, discorre acerca da imunidade tributária aplicável às entidades de assistência social, transcreve legislação e entendimento doutrinário a respeito do tema. Reafirma que a entidade não possui fins lucrativos, aplicando nas 65 unidades que mantém em todo o País o resultado que obtém, fato que poderia ser facilmente comprovado pela análise do seu estatuto social e de seus livros fiscais, através da perícia que foi indeferida. Segundo alega, a Secretaria da Receita Federal jamais suspendeu o gozo da sua imunidade, o que comprova ter cumprido os requisitos da lei. Colaciona jurisprudência para robustecer a sua tese. Junta aos autos Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social e Certidão de Utilidade Pública Federal. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade. Inicialmente, entendo desnecessária a realização de perícia, tendo em vista que os elementos de prova dos autos são suficientes à solução do litígio e a jurisprudência pacífica deste Colegiado em relação à matéria em exame. Pacífico também o entendimento desta Câmara de que o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícia, conforme se constata à fi. 144, não implica em cerceamento do direito de defesa. O auto de infração diz respeito à exigência do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural denominado "Gleba Brasília-2", localizado no município de Vila Rica (MT), do exercício 2001, conforme Demonstrativo de Apuração à fl, 02. A proprietária do imóvel rural é entidade de assistência social e entende estar acobertada pela imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, c, da Carta Constitucional: Art 150, Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à Unilio, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outras; b) templos de qualquer culto; c) atrp.......~,...má=~ dos partidos políticos, inclusive suas findaçóes, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos atendidos os re uisitos da lei' (destaques da transcrição) A fiscalização manifestou-se no sentido de que, embora a associação se encontre acobertada pela imunidade sobre o patrimônio, a renda e os serviços, a não incidência do ITR está condicionada ao uso do imóvel rural às finalidades essenciais da instituição, 6 OSTA SANTOSrosÉ Processo n° 10183006010/2005-24 82-CIT1 Acórdão 2101-00,619 Fl 239 observando-se os requisitos previstos no artigo 14 do Código Tributário Nacional (CTN), artigo 12, §§ 2' e 3° da Lei n°9.532, de 10/12/1997, e artigo 10 da Lei n°9.718, de 27/11/1998, o que não teria sido comprovado pela autuada. Em recente voto proferido pela Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda (Recurso n° 142,818) — acompanhada à unanimidade por esta Câmara — a seguir transcrito, restou pacificado o entendimento de que não procede a exigência tributária em exame, sem a prova pela fiscalização de que houve desvio de finalidade, na mesma linha adotada no Despacho Decisório à fl. 174. Confira-se: "O beneficio veiculado no artigo 150, inciso VI, c, da Constituição Federal encontra balizamento no § 4 0 daquele dispositivo constitucional, que restringe o gozo da imunidade somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal (STF), em matéria referente ao imposto sobre a propriedade territorial urbana (IPTU), cuja incidência se dá sobre o patrimônio, como no 1TR, impostos sobre o patrimônio, definidos no Capítulo M do Código Tributário Nacional, tem decidido no sentido de que não deverá o imóvel de propriedade de entidade imune ser submetido ao tributo, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais. Neste sentido, o voto do ministro Sepúlveda Pertence proferido no Tribunal Pleno por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário 237.718-SP, aos 29/03/2001, cujo entendimento foi pacificado no enunciado da Súmula 724 da Corte Suprema, litteris: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 1.50, VI, "c", da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades. Com efeito, seguindo-se o entendimento do STF, a imunidade das instituições das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, desde que atendidos os requisitos da lei, deve ser estendida ITR, como já enfatizado, imposto sobre o patrimônio. Na espécie, impende observar que não foram apresentados elementos que comprovem a aplicação de recursos financeiros da entidade com desvio de finalidade." Em face ao exposto, dou provimento do recurso. Sala das Sessões, em 29 de julho de 2010 7
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Numero do processo: 10380.727160/2012-78
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
COMPETÊNCIA. DECLINAR.
No caso de litígios referentes à cobrança do IPI, decorrentes de procedimentos conexos e/ou reflexos aos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, da CSLL e do PIS/COFINS, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPETÊNCIA. Recorrente INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ARTEFATOS PLÁSTICOS S/A IBAP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COMPETÊNCIA. DECLINAR. No caso de litígios referentes à cobrança do IPI, decorrentes de procedimentos conexos e/ou reflexos aos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, da CSLL e do PIS/COFINS, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 71 60 /2 01 2- 78 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10380.727160/201278 Acórdão n.º 3202001.587 S3C2T2 Fl. 262 2 Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculados por meio de autos de infração (efls. 2/ss), para a exigência do IPI, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 9.366.363,36, em decorrência da saída do estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal – omissão de receita (passivo fictício). A empresa apresentou impugnação (efls. 151) onde aduz, dentre muitas outras alegações, que “o lançamento impugnado iniciase com o auto de infração de IRPJ, com reflexo às contribuições sociais, CSL, PIS e Cofins, e também de IPI”. A 3ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0126.282, em 14 de maio de 2013 (e folhas 181/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Assumo: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A apuração de saldo credor de caixa, após a desconsideração de lançamentos a débito sem comprovação documental, autoriza presunção de omissão no registro de receita. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizase como omissão no registro de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A existência de registro no passivo de obrigação cuja exigibilidade não seja comprovada ou já se encontre quitada autoriza a presunção de omissão de receita, mormente se o sujeito passivo, na fase litigiosa, não apresenta provas capazes de desfazer a presunção legal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado que o estabelecimento industrial não recolheu o Imposto sobre Produtos Industrializados apurado no livro de Registro de Apuração do IPI nos períodos Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10380.727160/201278 Acórdão n.º 3202001.587 S3C2T2 Fl. 263 3 indicados, e tampouco o informou na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), impõese a constituição do crédito tributário em procedimento de ofício, por ser o lançamento ato vinculado e obrigatório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 Ementa: IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, cuja não apresentação enseja a desconsideração dos argumentos pelo julgador administrativo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do voto condutor da decisão recorrida a seguinte informação relevante para o deslinde deste processo: A presente autuação é decorrente da mesma ação fiscal (MPF 03.1.01.002011007610) que resultou no lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por constatação de omissão de receitas devido à apuração de saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos não comprovados. Foi constatada, também, falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado. Em sua impugnação, a contribuinte traz, além de alegações específicas em relação ao IPI, os mesmos argumentos expostos em relação aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim, esta decisão ficará restrita às matérias objeto deste processo (lançamento relativo ao IPI). A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido (efolha 206), interpôs Recurso Voluntário (efls. 208/ss), onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, reiterando a informação de que “o lançamento abrange o IRPJ, com reflexo às contribuições, CSL, PIS e Cofins” e “abrangendo também, como reflexo, o IPI”. Em preliminares assevera que em atendimento aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa “não é possível ‘fatiar’ o processo”, de modo que por se tratar de uma suposta omissão de receitas, com repercussão no IRPJ, CSL, PIS, Cofins e IPI, todos os autos de infração lavrados deveriam ser apreciados e julgados pelos mesmos órgãos de julgamento. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10380.727160/201278 Acórdão n.º 3202001.587 S3C2T2 Fl. 264 4 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, entretanto não deve ser conhecido por esta 3º Seção de Julgamentos pelos motivos que passamos a expor. Como visto, o presente processo trata de lançamento de ofício para a exigência do IPI, multa de ofício e juros moratórios, pelo fato da Recorrente supostamente ter dado saída do estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal, em decorrência de suposta omissão de receitas (passivo fictício). Como relatado, a constatação da suposta omissão de receitas por parte da Recorrente deu ensejo à constituição do crédito tributário em relação a diversos tributos (IRPJ, CSL, PIS, Cofins e IPI). Pois bem. A meu ver, os fatos e circunstâncias que levaram à autuação do IPI são conexos e reflexos daqueles que também levaram à autuação do IRPJ, da CSLL e do PIS/COFINS (formalizados no processo nº 10380.727157/201254). Deste modo, entendo que matéria em discussão neste processo é conexa e reflexa àquela tratada no processo nº 10380.727157/201254 (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS), e assim sendo, em cumprimento ao disposto no artigo 2º, inciso IV, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, deve ser declinada a competência para o julgamento deste processo à Primeira Seção, verbis: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos, quando os procedimentos sejam conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração pertinente à tributação do IRPJ. Diante do exposto, proponho o encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamentos do CARF para prosseguimento, por tratar de matéria conexa/reflexa daquela constante do processo nº 10380.727157/201254. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10380.727160/201278 Acórdão n.º 3202001.587 S3C2T2 Fl. 265 5 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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