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Numero do processo: 10283.005323/2003-75
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- II
Ano-calendário: 1996
ADMISSÃO TEMPORÁRIA.
Correta a exigência dos impostos proporcionalmente ao tempo
de permanência no País, quando os bens têm utilização
econômica, diante da inexistência da adoção de qualquer
medida necessária à extinção do regime de Admissão
Temporária.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-00.396
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator). Designada para redigir o voto a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Mercia Helena Trajano D' Amorim
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Recorrida DRJ - FORATLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - Ano-calendário: 1996 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. Correta a exigência dos impostos proporcionalmente ao tempo de permanência no País, quando os bens têm utilização econômica, diante da inexistência da adoção de qualquer medida necessária à extinção do regime de Admissão Temporária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator). Designada para redigir o voto a Conselheira Mércia Helena Trajou° D'Amoritn. Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 204 C/In"—GLIT JUDIT D I • • RAL MARCONDE ARMANDO Preside • '‘LA "i-lEhblAiR,AlafrAMORIM Redatora Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ricardo Paulo Rosa, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 2 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 205 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados apo, fls. 01/06 e 07/12, respectivamente, para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados nos valores totais de R$ 68.680,37 e R$ 9.877,25, respectivamente, inclusive encargos legais. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02/03 e 09/10, foi, em síntese, a seguinte: Descumprimento de Obrigações Necessárias a Permanência no Regime: O importador, por meio da DI 018962/96, registrada em 25/06/1996, submeteu ao regime aduaneiro especial de admissão temporária os bens descritos como "partes e peças para fabricação de moldes" classificável na Tarifa Externa Comum no código 8480.7100 sendo que foi concedido o prazo de 1 (um) ano para a permanência dos bens em território nacional, havendo sucessivas prorrogações, sendo a última em 03/07/99, sendo que ao seu término, deveria ocorrer a reexportação ou novo pedido de prorrogação. Ocorre que findo o prazo estabelecido, mesmo tendo requerido tempestivamente nova prorrogação, não recolheu os impostos proporcionais referente ao novo período de acordo com o Decreto 2.889, de 21 de dezembro de 1998, com regulamentação pela IN SRF 164 de 31 de dezembro de 1998. ANO/Dl/ADIÇÃO Valor Tributável II Valor Tributável IPI 96/018962/001 R$ 643.850,27 R$ 665.161,73 Enquadramento Legal (II): DECRETO 2.889 de 21 de dezembro de 1998, em seu art. 2°: 'Art. 2° os bens submetidos ao regime de admissão temporária sujeitam-se ao pagamento dos impostos federais exigidos na importação, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território nacional." INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 164 de 31 de dezembro de 1998, em seu art. 24: 3 _ Processo n°10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 206 "Art. 24. No caso de prorrogação de regime originariamente concedido antes da vigência desta Instrução Normativa, bem assim no de concessão para bens vinculados a contratos firmados até 31 de dezembro de 1998, será também exigido documento no qual o proprietário declare, de forma expressa, estar ciente de que seus bens estarão submetidos à legislação brasileira que disciplina o regime de admissão temporária. Parágrafo único. A concessão ou prorrogação do regime, nas hipóteses de que trata este artigo, dar-se-á segundo as normas estabelecidas nesta Instrução Normativa." ATO DECLARATÓRIO GOA NA n°20 de 06 de abril de 1999, em seu art. 3°: "Art. 3° os pedidos de prorrogação do prazo de vigência do regime formulados a partir de 20 de janeiro de 1999, bem como aqueles apresentados em data anterior e não resolvidos até aquela data, serão apreciados e solucionados com base nas disposições contidas na IN 164/98, inclusive no que se refere ao pagamento proporcional dos Impostos incidentes na Importação e à apresentação de documento no qual o proprietário declare de forma expressa, estar ciente de que seus bens serão submetidos à legislação brasileira que disciplina o regime." Enquadramento Legal (fPI): Artigos 29, inciso I, 55, inciso I, alínea "a", 63, inciso I, alínea "a", 112, inciso I, todos do RIPI, aprovado pelo Decreto n°87.981/82. Inconformado com a autuação acima descrita, cuja ciência ocorreu em 24/09/2003 (fls. 01 e 07), o contribuinte, através de seu procurador (instrumento às /7s. 116/118), em 28/10/2003, apresenta impugnação (fls. 40/59), alegando o seguinte: "CCE COMPONENTES DA AMAZÓNIA S/A., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no C1VPJ sob o n° 04.413.464/0001- 80, sediada nesta cidade de Manaus na Av. Açaí, 1.325 Distrito Industrial, representada neste ato por seu procurador infrafirmado, o Sr. JOSÉ AMERICO NOGUEIRA DE MATOS, brasileiro, separado judicialmente, contador, portador da Cl n° 253.357 SSP/AM e CPF n° 053.569.46287, vem respeitosamente à presença de V. Sa, apresentar, nos termos do artigo 544, parágrafo 1`, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração lavrado pela fiscalização da Alfândega do Porto de Manaus, pelos fatos e fundamentos adiante expostos: SINOPSE FÁTICA Em ação fiscal realizada por esta Secretaria no dia 22/09/2003, através de agente da fiscalização que atua na Alfândega do Porto de Manaus, a Impugnante teve lavrado contra si o Auto de Infração ora impugnado, aplicando-lhe a penalidade correspondente ao pagamento dos impostos incidentes sobre a importação acobertada pela DI n°18962/96, acrescidos de multa e juros de mora, totalizando os seguintes valores: R$ 68.680,37 4 _ _ Processo n°10283005323/2003-75 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 207 referente ao Imposto de Importação e R$ 9.877,35 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados. A referida autuação teve origem na Informação SEAVA 0864/2003, que ao analisar o processo administrativo relacionado ao regime de Admissão Temporária concedido para o bem acobertado pela Dl n° 018962 de 25706/96, considerou dentre outros aspectos, os que se seguem: "Em 01/07/97 a empresa protocolou pedido de prorrogação por mais um (01) ano, conforme demonstra expediente anexado à folha 21, o qual foi autorizado até 03/07/98 (11. 29). Em 01/07/98 a empresa protocolou novo pedido de prorrogação por um período de mais três (03) anos (lis. 32/33), tendo sido concedido prorrogação por mais um (01) ano, com prazo até 03/07/99 (Jis. 37/38). Em 28/06/99 a empresa protocolou novo pedido de prorrogação (fl. 45), sendo que a análise deste novo pedido ficou paralisada até 21/06/02, quando foi redistribuído para a AFRF Francisca da Silva (17. 47). Em 25/06/02 a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos (11. 48), tendo se pronunciado em 17/07/02 conforme demonstra expediente anexado à fis. 50/51 do presente processo, requerendo a extinção do regime via destruição dos bens, às expensas do requerente, conforme disposto no artigo 307, III do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030/85. Em 27/08/02 a AFRF Francisca da Silva, através da Informação Seana 579/2002 concluiu pela cobrança de impostos• proporcionais no período de 04/07/99 à 06/10/00 e pela autorização posterior da destruição do material como forma de extinção do regime." O REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Para uma melhor compreensão acerca desse regime tributário, utiliza-se a Impugnante do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030, de 11/03/85, que até dezembro de 1998 vinha regulamentando esse regime instituído através do artigo 75 do Decreto-Lei n° 37/66. Define o Regulamento Aduaneiro em seu artigo 290 a Admissão Temporária como sendo um regime tributariamente suspensivo aplicado a bens que devam permanecer no País a prazo fixado, na forma e condições estabelecidos no Capítulo III do Regulamento Aduaneiro. Ora, é tributariamente suspensivo porque os tributos que deveriam incidir na entrada dos bens em território brasileiro (Imposto de Importação e imposto sobre Produtos Industrializados) têm a sua cobrança suspensa, desde que a sua permanência no pais se dê dentro do prazo fixado. 5 Processo 1F 10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl 208 De se notar que essa suspensão de tributos, a exemplo do que ocorre com o regime especial da Zona Franca de Manaus, foi instituída através de Decreto-Lei (artigo 75 do Decreto-Lei n° 37/66), o qual tem força de lei em decorrência de ter sido editado sob a égide do regime politico implantado pelo "Governo Revolucionário" de 1964. E que prazo seria esse? Bem, mais uma vez o Regulamento Aduaneiro em seu artigo 298, "caput" dispõe o seguinte: "De conformidade com o Art. 250, o regime será concedido por até 1 (um) ano, prorrogável por período não superior a (um) ano". Diz ainda o artigo 250, "caput", do Regulamento Aduaneiro que "O prazo de suspensão das obrigações fiscais pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais será de até um ano, podendo ser prorrogado, a juizo da autoridade aduaneira, por período não superior, no total, a cinco anos Verifica-se, portanto, que o prazo de permanência no país para bens importados sob o regime de Admissão Temporária é de 1 (um) ano, prorrogável por mais 1 (um) ano. Mas, é possível que ele permaneça até 5 (cinco) anos, segundo permite o parágrafo 1°, do artigo 298, do Regulamento Aduaneiro, cuja redação é a seguinte: "Em situações especiais, poderá ser concedida nova prorrogação, respeitado o limite máximo de 5 (cinco) anos, salvo o disposto no parágrafo 2° do artigo anterior (equipamentos para pesquisa ou extração de petróleo ou gás natural. Conclui-se então, que a prorrogação só será concedida em situações especiais, podendo ser renovada até atingir um prazo máximo de permanência do bem no país de 5 (cinco) anos. Convém enfatizar que a legislação aduaneira não especifica quais seriam essas situações especiais, sendo que a Instrução Normativa da SRF n° 82/1989 nos fala tão-somente que tais situações precisam ser devidamente justificadas. Verifica-se, portanto, que as importações realizadas sob o regime de Admissão Temporária gozam de isenção dos impostos sobre elas incidentes (Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados), isenção esta que se efetiva sob a modalidade de sUspensão da carga tributária, sendo que quanto ao prazo, ela se classifica como isenção a prazo certo, pois está condicionada ao cumprimento do tempo máximo de permanência dos bens importados sob o referido regime, conforme a determinação da legislação tributária aplicável. A APLICABILIDADE DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA O Regulamento Aduaneiro adotou dois critérios para a aplicação do regime de Admissão Temporária, a saber: o da natureza ou qualidade do evento (artigo 292) e o da natureza do bem propriamente dito (artigo 293). 6 Processo n°10283005323/2003-75 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.396 Fl. 209 No caso especifico do bem importado pela Impugnante, o qual motivou a autuação ora atacada, a Admissão Temporária se aplicou em decorrência da sua natureza, em obediência à determinação do artigo 293, inciso XIV, do Regulamento Aduaneiro, que assim dispõe: "Art. 293 Poder-se-á aplicar também o regime aos seguintes bens: XIV) moldes, matrizes e chapas;" A CONCESSÃO DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Ressalte-se por oportuno, que a efetiva concessão do regime de Admissão Temporária está sujeita ao cumprimento das condições previstas nos artigos 291 e 295 do Regulamento Aduaneiro, que são transcritos a seguir: "Art. 291 A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: a) constituição das obrigações fiscais em termo de responsabilidade; b) utilização dos bens dentro do prazo fixado e exclusivamente para os fins previstos; c) identificação dos bens. Art. 295 Para a concessão do regime, a autoridade competente deverá observar, ainda, relativamente aos bens, o cumprimento cumulativo das seguintes condições: a) sejam importados com o caráter de temporariedade, comprovada esta condição por qualquer meio julgado idôneo; b) sejam importados sem cobertura cambial; c) sejam adequados &finalidade para a qual foram importados." Se faz importante lembrar neste momento, que anteriormente a isenção concedida ao bem importado sob o regime de Admissão Temporária já foi classificada como isenção a prazo certo, no entanto, como nos ensina Luiz Emygdio F. da Rosa Júnior, "a isenção tributária comporta diversas classificações segundo o aspecto que se queira enfocar " Luiz Emygdio F. da Rosa Júnior, Manual de Direito Financeiro & Direito Tributário, RJ, Renovar, 1999, p.620). Assim é que pelos dispositivos do Regulamento Aduaneiro acima transcritos, constata-se que quanto à sua natureza, essa isenção é onerosa, pois a sua concessão está condicionada ao cumprimento pelo contribuinte de determinadas condições, isto é, tem caráter contraprestacional. 7 Processo n°10283.00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 210 AS NOVAS REGRAS PARÁ CONCESSÃO DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Em 27/12/96, com a edição da Lei n°9.430, houve uma mudança nas regras relativas às Admissões Temporárias, que estabeleceu em seu artigo 79, que "os bens admitidos temporariamente no pais, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamenta" Todavia, a regulamentação desta Lei só se deu se 02 (dois) anos mais tarde, através do Decreto n°2.889, de 21/12/98. Esse Decreto n°2.889/98, ratificou a mudança radical do regime de Admissão Temporária, pois o seu artigo 2° nos diz que os bens submetidos a esse regime passaram a sujeitar-se ao pagamento dos impostos federais exigidos na importação, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território nacional. No tocante ao prazo de permanência, o artigo 4° desse Decreto determina que o regime será concedido pelo prazo previsto no contrato de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, prorrogável na mesma medida deste. Como se pode verificar, as regras que passaram a reger a Admissão Temporária são totalmente distintas das anteriores, pois não há mais a suspensão do pagamento dos tributos federais devidos sobre a importação. Posteriormente, foi editado o Decreto n° 3.328, de 05/01/2000, que estabeleceu em seu artigo l`o seguinte: "Art. 1° O art. 2° do Decreto n°2.889, de 21 de dezembro de 1998, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2°, renumerando- se o atual parágrafo único para § § 20 O pagamento a que se refere este artigo fica suspenso relativamente aos bens a serem utilizados por empresas que se enquadrem nas disposições do Decreto-Lei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, durante o período de sua permanência na Zona Franca de Manaus, observadas as condições estabelecidas para a vigência dos regimes." (Grifou-se). Visando o disciplinamento desse regime após a edição do Decreto n°2.889/98, a SRF expediu a Instrução Normativa SRF n° 164 de 31/12/98, sendo digno de destaque o artigo 22, que assim dispõe: "Os regimes de admissão temporária concedidos antes da edição desta Instrução Normativa regem-se pelas normas vigentes à • época de sua concessão, observado o disposto no art. 24." Por sua vez, o artigo 24 tem a seguinte redação: 1 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 211 "No caso de prorrogação de regime originariamente concedido antes da vigência desta Instrução Normativa, bem assim no de concessão para bens vinculados a contratos firmados até 31 de dezembro de 1998, será também exigido documento no qual o proprietário declare, de forma expressa, estar ciente de que seus bens estarão submetidos à legislação brasileira que disciplina o regime de admissão temporária. Parágrafo único - A concessão ou prorrogação do regime, nas hipóteses de que trata este artigo, dar-se-á segundo as normas • estabelecidas nesta Instrução Normativa." Foi com base nessa nova legislação, que o agente fiscal lavrou o Auto de Infração ora guerreado. O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA A incidência de tributos está condicionada à concretização do fato jurídico tributário e da hipótese de incidência, como corolário do principio da estrita legalidade que cerca o Direito Tributário. Não podem as autoridades públicas responsáveis pela cobrança dos créditos tributários dos Entes Públicos, "spotite propria", instituir e majorar exações. Tanto a cobrança, quanto a isenção dos tributos, devem estar definidas em Lei, como bem assevera o mestre Roosevelt Baldomir Sosa, "in verbis": 'W isenção, tanto quanto a obrigação tributária, é ex lege, isto é, decorre exclusivamente de lei, consoante o principio expresso no artigo 97, inciso VI, e artigo 176, do CT1V, ou seja, sujeitam-se ao principio da legalidade estrita." (Roosevelt Baldornir Sosa, Comentários à Lei Aduaneira, Edições Aduaneiras, SP, 1995, p. 149). Somente a Lei pode determinar isenções. Ainda quando prevista em contrato, a isenção é decorrente de Lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. É o que se depreende da leitura dos artigos 176 a 179 do Código Tributário Nacional. A INCIDÊNCIA E ISENÇÃO E O PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA Como dissemos a incidência de tributos deve guardar estrito respeito aos ditames legais. O princípio da estrita legalidade está previsto na Constituição Federal de 1988, bem como em diversos dispositivos do Código Tributário Nacional, como veremos a seguir: "Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 1-exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça." (art. 150, Ida Constituição Federal). • 9 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 212 "Somente a lei pode estabelecer: VI- as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades." (art. 97, VI, do Código Tributário Nacional). "A isenção, ainda que prevista em Contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração." (art. 176, do Código Tributário Nacional). A APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO T1UBUTÁRI4 NO TEMPO Quanto a esse tema, nos utilizamos dos esclarecedores ensinamentos do ilustre professor Edvaldo Brito, que assim nos fala: "O Código Tributário Nacional disciplina, pois, a aplicação da legislação tributária no tempo, nos seus arts. 105 e 106. Com efeito, essa matéria classifica-se em três categorias: irretroatividade, retroatividade e ultratividade. A irretroatividade é a regra no direito positivo moderno, inclusive no brasileiro: a norma nova não se aplica a fatos geradores concluídos no passado: art. 150, 11k "a", da Constituição. A retroatividade somente se aceita se for benigna: art. 106 do Código Tributário NacionaL A ultratividade consiste na aplicação residual na norma antiga, já revogada, às situações pendentes, quando elas forem concluídas, mas que tenham sido iniciadas sob o domínio dessa norma antiga: art. 105 do Código Tributário Nacional. A matéria tributária depende bastante dessa regra, porque os fatos geradores comportam classificação na ótica do momento da incidência da norma sobre a ocorrência desse fato, porque a legislação então vigente é que vai reger a relação jurídica (ef Amilcar de Araújo Falcão, "Fato Gerador da Obrigação Tributária" ?ed., p. 121). É que a realização da hipótese de incidência depende de coordenadas de tempo e lugar (cf Alfredo Augusto Becker, "Teoria Geral do Direito Tributário" ps. 301 e segs.). Essa classificação, o próprio Amikar Falcão fez, sob dois aspectos: a) estrutural: fato gerador simples e complexo; b) constituição (formação, integração) no tempo: fato gerador instantâneo e complexivo. 10 Processo n°10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão rd 3201-00.396 Fl. 213 Simples é um fato isolado, único, singelo. Complexo quando se tem em presença uma multiplicidade de fatos congregados de modo a constituir uma unidade teleológica objetiva (cf Amilcar, ob. cit. p. 122). A constituição do fato, no tempo, determina o seu efeito genético sobre a obrigação: Instantâneo ocorre num momento dado de tempo e que, cada vez que surge, dá lugar a uma relação obrigacional tributária autônoma. Complexivo ou periódico é aquele cujo ciclo de formação se completa dentro de um determinado período de tempo. A situação de importação é complexa e complexiva, porque há vários fatos que se congregam, ocorrendo sucessivamente no • tempo: há "anuência prévia, apressa em documento próprio, expedido pelo órgão governamental competente" (cf Parágrafo único do art. 2° da Portaria DECEX n° 08 de 13.05.91, 13.0.U. de 14.05.91, com alterações introduzidas posteriormente);... e para que é essa autorização oficial prévia? Para que se submetam ao regime cambial que é determinado pelo Banco Central do Brasil (art. 28 da dita Portaria), com vista à compulsória cobertura cambial, sem a qual a guia não pode ser emitida (art. 29 da referida Portaria). Portanto, o procedimento de importação é complexo e complexivo como caracterizador de uma situação de fato que somente se conclui com a entrada do produto no território nacional; a situação tem início, pois, com a anuência prévia da autoridade que objetiva a cobertura cambial, dado que o controle de moeda estrangeira é oficial. Diga-se, neste ponto, que esta é a razão de ter-se de dissecar a hipótese de incidência tributária nos vários aspectos que ela contém: pessoal que indica os sujeitos (ativo e passivo) da relação jurídica; material que indica a matéria tributável; espacial que indica o espaço onde vai ter aplicação a norma jurídica que define a incidência; temporal que indica o momento em que se completa o fato. Pois bem: guando a norma que define a hipótese de incidência estabelece que o fato somente gera obrigação quando o produto importado entra no território nacional, ela o faz para que se saiba que esse fato aí se completa e gera efeitos de o importador ser devedor do tributo e o de saber qual a legislação tributária que vai incidir. Se a legislação for a que vigia à época do início da formação, então a sua incidência está conforme o disposto no art. 105 do Código, porque ele dispõe, assim: a legislação aplicável é a vigente no inicio da ocorrência da situação pendente e não a do seu fim." (Edvaldo Brito, "Imposto sobre a Importação: Inconstitucionalidade da alteração de aliquotas. Cabimento de Mandado de Segurança Preventivo", Repertório 10B de Jurisprudência, 2° quinzena de setembro de 1995, n a 18/95, ps. 324/325). Processo n° 10283.00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão il.° 3201-00396 Fl. 214 Cabe aqui destacar que vigia no inicio da ocorrência dessa situação de importação, que fica pendente até o ingresso do navio no território, o Decreto-Lei n° 37/66, o qual garantia a suspensão dos tributos incidentes sobre a importação na concessão do regime de Admissão Temporária, bem como a sua prorrogação, podendo os bens submetidos a esse regime aduaneiro especial permanecerem no território nacional por um prazo máximo de 5 (cinco) anos. A Lei n°9.430, de 27/12/96 que deu novo disciplinamento para as Admissões Temporárias não pode alcançar a importação realizada pela Impugnante, a qual sofreu a autuação aqui combatida, até porque a sua concessão e prorrogações (até 03/07/99) já haviam se dado com a suspensão tributária prevista na legislação anterior. Por outro lado, nos casos de Admissão Temporária não há qualquer repercussão no regime cambial, que é o único motivo que justffica a interferência oficial na importação, pois tanto na legislação anterior (artigo 295, "b", do Regulamento Aduaneiro) como na atual (artigo 3°, inciso 1, da Instrução Normativa SRF n°164, de 31/12/98), a possibilidade de concessão desse regime está condicionada à inexistência de cobertura cambiaL O DIREITO ADQUIRIDO Embora não tenha sido o conceito de direitos adquiridos rigorosamente precisado pelos jurisconsultos, seu arcabouço doutrinário já foi constituído, sendo necessário, para sua configuração a concorrência de dois elementos: a) O direito tem de provir de fato idóneo; b) Esse direito deve estar integrado ao patrimônio de seu titular. Há que se verificar, portanto, a existência de direito subjetivo, o qual sobrevindo lei nova seria normalmente atingido, não fosse a formulação dos direitos adquiridos, com o seu ponto nuclear consistente na não aplicabilidade de lei novel às situações jurídicas consolidadas. É um limite à retroatividade das leis. Destarte, significa que a Impugnante é titular de direitos adquiridos, na medida em que preencheu os requisitos necessários à concessão do regime de Admissão Temporária com a suspensão dos tributos incidentes sobre à importação, sob à égide da legislação anterior que lhe outorgou esse direito subjetivo, o qual foi convertido em direito adquirido pela superveniência de lei diversa. É importante consignar aqui o ensinamento do constitucionalista Celso Bastos, in verbis: o direito adquirido consistiria na possibilidade de se extraírem efeitos de um ato contrário aos previstos, pela lei atualmente vigente, ou seja, é aquele que continuaria a gozar dos efeitos de urna norma pretérita mesmo depois de/á ter sido 12 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.396 Fl. 215 ela revogada. Implicaria o direito subjetivo de fazer valer um direito, cujo conteúdo encontra-se revogado pela lei nova. "(grifou-se). (Comentários à Constituição do Brasil, São Paulo, Saraiva, 19891. v.2, págs. 192 e 198, citado pela professora Maria Helena Diniz, em seu Lei de Introdução ao Código Civil Interpretada, Saraiva, 5° ed., 1999, p. 189). Assim, ao se conceder o regime de Admissão Temporária aos bens que adentraram no território nacional após a edição da Lei n° 9.430, de 27/12/96, segundo as disposições da legislação anterior, tal ato (o da concessão), fez nascer um direito que se incorporou ao patrimônio da Impugnante, qual seja: o de ver a referida Admissão Temporária continuar sendo regida pela legislação que garantiu a sua concessão. Dessa maneira, tal direito não pode sofrer limitações em decorrência da edição de lei nova. Com efeito, a autuação imposta à Impugnante atenta contra os princípios gerais do Direito, notadamente o da segurança jurídica, que no caso em tela se concretiza através do princípio da irretroatividade das leis. Sobre esse tema, convém lembrar a lição do ilustre Ricardo Lobo Torres, que assim nos fala: "O melhor exemplo, no direito tributário, de proibição de retroatividade em homenagem aos direitos adquiridos é o das isenções a prazo certo e condicionadas a encargos dos beneficiários (art. 178 do CD), que, uma vez reconhecidas pela Administração, não podem ser revogadas pela lei superviniente." (Curso de Direito Financeiro e Tributário, Ricardo Lobo Torres, Ed. Renovar, Rio de Janeiro, 1998, p. 100). Há de se ressaltar ainda, a importância do fato gerador no que toca à retroatividade da lei, que por sua vez é determinante à incidência dos tributos, e não tem o condão de prejudicar o contribuinte. Sendo assim, este ponto fica alicerçado sobre as seguintes razões: " Nascendo a relação jurídica tributária principal com o aparecimento concreto do fato gerador, a concretização deste mesmo fato gerador "marca este momento genetliaco", o regime jurídico pelo qual se norteará o regime tributário. Logo, aplicável à sua regência será a legislação vigente na data da concretização do fato gerador. Qualquer modificação da relação substancial, decorrente de lei ulterior, não pode ser retroativamente aplicada em detrimento do contribuinte, sob pena de violar-se disposição constitucional. Tudo isso ocorre porque com a concretização do fato gerador cria-se para o contribuinte uma situação definitivamente constituída, ou, um direito adquirido que a legislação ulterior não pode alterar em prejuízo do contribuinte." 13 Processo n° 10283.00532312003-75 93-C21/ Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 216 Destarte, totalmente incabível a autuação imposta à impugnante, pois além de fundamentada em lei nova que não poderia ser aplicada ao caso concreto, por configurar ofensa ao direito adquirido, originou-se de ato ilegal, visto que a Impugnante não obteve resposta ao seu pedido de extinção do regime, optando a Alfândega do Porto de Manaus por se omitir quanto a este pedido e lavrar o Auto de Infração, visto que somente iria decidir quando ao pedido de extinção do regime se antes a Impugnante recolhesse os impostos incidentes sobre a importação, por considerar que sobre tal Admissão Temporária se aplicava a lei nova. A IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DAS ISENÇÕES A PRAZO CERTO E ONEROSAS Já se falou antes da classificação das isenções tributárias, bem como já se demonstrou que a isenção concedida pela legislação anterior à Lei n° 9.430, de 27/12/96 às importações realizadas sob o regime de Admissão Temporária são a prazo certo e onerosas. Visando ratificar a existência do direito adquirido pela Impugnante, conforme já veementemente demonstrado, toma-se oportuno destacar os seguintes comentários de Luiz Emygdio F. da Rosa Junior, in verbis: "O art. 178 do CTN prescreve que a isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogado ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III, do art. 104. Na redação originária do art. 178 a ressalva referia-se a isenção a prazo certo ou em função de determinadas condições. Á Lei Complementar n° 14, de 7 de janeiro de 1975 substituiu o vocábulo "ou" por "e", com o objetivo de deixar claro que só é irrevogável a isenção que atender cumulativamente aos dois requisitos: ser onerosa e aprazo certo." Dai a Súmula no 544 do STF: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas." Tanto a norma do art. 178 quanto o entendimento manso e pacifico do Pretório Excelso decorrem de um principio maior estabelecido na Constituição (art. 5°. XXXVI), pelo qual a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Assim, concedida a isenção sob a condição do contribuinte desempenhar uma determinada atividade, sendo, portanto, onerosa, condicional, contratual e bilateral, o beneficio passou a integrar o seu patrimônio jurídico como direito adquirido, e, por isso, a isenção só pode ser suprimida antes do decurso do prazo se o contribuinte descumprir a condição. Essa a razão pela qual Aliomar Baleeiro leciona que: 14 Processo n° 10281005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Ft 217 "Há isenção que, pelas condições de sua outorga, conduziu o contribuinte a uma atividade que ele não empreenderia se estivesse sujeito aos tributos da época. Então, ela foi onerosa para o beneficiário. Nesses casos a revogabilidade, total OU parcial, seria um ludibrio à boate dos que confiaram nos incentivos acenados pelo Estado." Todavia, deve-se atentar que diploma legal algum pode impedir que o Poder Legislativo revogue uma lei, o que seria inconstitucional. Assim, no caso de ocorrer revogação de isenção onerosa, seja total (ab-rrogação), seja parcial (derrogação), o contribuinte tem direito à indenização pelos prejuízos que a revogação lhe causou. Nesse sentido deve ser entendida a irrevogabilidade referida no art. 178 do CM. " (Luiz Emygdio F. da Rosa Junior, ob. cit., ps. 630/631). Enfatize-se que a Impugnante não descumpriu qualquer condição prevista pela legislação para a concessão do regime de Admissão Temporária, para as suas prorrogações e para a sua extinção, assim como os motivos que levaram à sua autuação derivam unicamente da inércia da Alfândega do Porto de Manaus, que somente analisou o pedido de prorrogação daquele regime por mais um ano, protocolado em 30/06/99, três anos após esta data, ou seja, quando já havia fluido o prazo de prorrogação requerido. Além disso, omitiu-se mais vez, desta feita quanto à apreciação do pedido de extinção do regime formulado pela Impugnante, optando pela execução do termo de responsabilidade, com a conseqüente autuação. DO PEDIDO Isto posto, a Impugnante requer a V. S" que se digne receber a presente Impugnação, para o fim de eximi-Ia da aplicação da penalidade correspondente ao pagamento dos impostos incidentes sobre a importação acobertada pela DI n°18962/96, acrescidos de multa e juros de mora, resultante da infundada infração demuda no Auto de Infração ora impugnado, julgando-o improcedente e determinando-se que a Alfândega do Porto de Manaus dê seguimento ao pedido de extinção do regime de Admissão Temporária da referida DL que deverá ser deferido ante o atendimento dos requisitos legais aplicáveis ao caso, por ser medida de direito e de justiça. DOCUMENTOS EM ANEXO: - Procuração. - Informação SEANA 0864/2003." Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR n° 14.248, de 10/08/2008, fls.141/154: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário 15 Processo n° 10233.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 218 Ano-calendário: 1996 SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do 511 , sobre inconstitucionalidade da legislação. POSICIONAMENTOS DE JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida na legislação tributária nacional. Assunto: Imposto sobre a Importação - Ano-calendário: 1996 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. É cabível a exigência do imposto de importação suspenso, diante da inexistência da adoção de qualquer medida necessária à extinção do regime. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1996 IPI NA IMPORTAÇÃO. Não havendo impugnação específica relativamente a esse imposto, as mesmas fundamentações postas no julgamento do II aplicam-se mutatis mutandis ao lançamento do IP!. Lançamento Procedente. Às fls. 158 o contribuinte toma ciência da decisão, ofertando recurso voluntário de fls. 160/200 e, assim, e dado andamento ao processo. 16 Processo n° 10283.00532312003-75 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl, 219 Voto Vencido Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como se verifica dos autos, o presente processo discute o Regime de Admissão Temporária e a validade de alteração em face da modificação da legislação no decorrer de suas prorrogações. Como vemos, a recorrente requereu um Regime de Admissão Temporária de• moldes para fabricação de aparelhos de televisão, o qual se encerraria em 03/07/97. Em face de pedido de prorrogação tempestivamente interposto, foi o mesmo acatado, alterando-se a data final para o ano de 1998. Novamente a recorrente requer tempestivamente nova prorrogação, desta vez para um prazo maior. A autoridade competente defere para apenas um ano, 1999, aduzindo não ser possível deferir prorrogações em prazo superior. Novamente, tempestivamente, a recorrente requer em 28/06/99 nova prorrogação do Regime, no qual restou silente a autoridade competente até 21/06/2002. Somente nesta data a autoridade acatou a prorrogação tácita do Regime e procedeu ao lançamento, cobrando os tributos devidos no período de 04/07/99 a 06/01/00, pois após este interregno foi editado Decreto n.° 3.328/00, afastando a tributação proporcional no período em que os bens estavam em território nacional. O Regime de Admissão temporária restou finalizado com a distribuição dos moldes, sendo o debate nestes autos a possibilidade alteração dos procedimentos enquanto vigente aquele. Isto porque, como vimos, quando da concessão do referido Regime, não havia previsão legal para tributação do bem no período em que este ficava no país, somente sendo instituído em 1996, com aplicação efetiva em 1998, quando editado o Decreto regulamentador de n.° 2.889/98, relativo à Zona Franca de Manaus, como é o caso. Em suma, devemos verificar que é possível alterar o Regime de Admissão Temporária durante sua vigência, em face das prorrogações realizadas frente à novas legislações. A autoridade lançadora entende que sim. A recorrente que não. Possuo entendimento de que a recorrente detém razão neste caso. Isto porque acredito não seja possível alterar o Regime concedido quando de suas prorrogações, visto não se tratar da celebração de um novo contrato, mas sim da simples dilação de prazo do originalmente pactuado. 17 Processo n° 10283.00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.396 Fl. 220 Os princípios constantes da Carta da República e do próprio ordenamento jurídico em si são muito relevantes para o bom andamento das relações entre os cidadãos. Neste sentido, Celso Antônio Bandeira de Mello, in "Elementos de Direito Administrativo", ED. RT, 1980, ensina: O princípio é, por definição, mandamento nuclear do sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o espirito e servindo de critérios para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. Ê o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das deferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo. Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma, a desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. O principio da legalidade está contido explicitamente no art. 5° da ' Constituição Federal, nos seguintes termos: art. 5 0 - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II — ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;(...) A clareza do dispositivo legal demonstra que somente por intermédio de lei alguém poderá ser obrigado a proceder de determinada maneira. No caso, efetivamente foi editada a Lei n.° 9.430/96, a qual passou a dispor sobre o assunto: Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condiçães estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em 18 Processo ri° 10283,00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 221 relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória n°2.189-49, de 2001) Entretanto, foi somente através de Instruções Normativas que foi determinado que as prorrogações dos Regimes de Admissão temporária passariam a se reger pela nova legislação, o que não pode ser permitido. É sabido que o contrato faz lei entre as partes, desta feita, não poderia a autoridade lançadora alterar um contrato pactuado de forma unilateral, alterando significativamente o Regime concedido, por meio de mera instrução normativa, como o fez a de n.° 164/98: Art. 22. Os regimes de admissão temporária concedidos antes da edição desta Instrução Normativa regem-se pelas normas vigentes à época de sua concessão, observado o disposto no art. 24. Art. 24. No caso de prorrogação de regime originariamente concedido antes da vigência desta Instrução Normativa, bem assim no de concessão para bens vinculados a contratos firmados até 31 de dezembro de 1998, será também exigido documento no qual o proprietário declare, de forma expressa, estar ciente de que seus bens estarão submetidos à legislação brasileira que disciplina o regime de admissão temporária. Parágrafo único. A concessão ou prorrogação do regime, nas hipóteses de que trata este artigo, dar-se-á segundo as normas estabelecidas nesta Instrução Normativa. Se o acordado previa a não tributação dos bens quando do Reime de Admissão Temporária, não poderia, durante aquele, ser alterado e agora tributado. Analogicamente, Canotilho, in Direito Constitucional, Ed. Almedina, 1993, ensina que: O regulamento é uma norma emanada pela administração no exercício da função administrativa e, regra geral, com caráter executivo e/ou complementar da lei. É um acto normativo e não um acto normativo singular; é um acto normativo mas não um acto normativo com valor legislativo. Como se disse, os regulamentos não constituem uma manifestação da função legislativa, antes se revelam produtos da função administrativa (..). A lei tem absoluta prioridade sobre os regulamentos, proibindo-se expressamente os regulamentos modificativos, suspensivos ou revogatórios das leis. Mesmo que o fato narrado fosse relevado, as práticas reiteradas da administração pública são tidas como normas complementares e, por isso, devem ser seguidas, nos termos do art. 100 do CTN: Art 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 19 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2T1 Acórdão /1.° 3201-00.396 Fl. 222 1 - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas, reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas;(..) P. R. Tavares Paes em obra já citada anteriormente, diz: As práticas reiteradas da administração são normas complementares das leis, decretos, etc. (sentido do art. 100); no sentido de ser o contribuinte protegido podem ser argüidas por ele. A mudança de critério ou orientação da administração também não pode prejudicar o contribuinte. (grifo nosso) O contrato firmado pela recorrente junto à União tem de ser respeitado nos moldes em que realizado originalmente, sob pena de violação do direito adquirido inclusive. Tal ato atenta, ainda, contra a moralidade a que todos os atos administrativos devem obedecer, principio este expressamente disposto no art. 37 da Carta Maior, sob pena de locupletamento sem catisa do Estado, em franco detrimento de seus contribuintes. A Constituição Federal, ao tratar do Sistema Tributário Nacional, estabeleceu certas limitações aos Entes Federados, e à própria União, quando ao poder de tributar seus contribuintes, como segue: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (.) § 6°. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § g. (-) Na medida em que o Regime de Admissão Temporária enquadra-se no referido texto de lei, resta claro que qualquer modificação realizada em sua sistemática deverá ser feita através de lei específica, sob pena de inconstitucionalidade. Neste sentido, Paulo de Barros Carvalho, in "Curso de Direito Tributário", ed. Saraiva, 2000, ensina: Sabemos da existência genérica do princípio da legalidade, acolhido no mandamento do art. 5°, II da Constituição. Para o direito tributário, contudo, aquele imperativo ganha feição de maior severidade, como se nota da redação do art. 150 (...). 20 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C211 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 223 O veículo introdutor da regra tributária no ordenamento jurídico há de ser sempre a lei (sentido lato), porém o principio da estrita legalidade diz mais do que isso, estabelecendo a necessidade de que a lei adventícia traga no seu bojo os elementos descritores do fatojuridico e os dados prescritores da relação obrigacional. Novamente, ainda que a Lei a° 9.430/96 tenha previsto a tributação das mercadorias quando do período em que estas ficavam no pais, somente poderia ser aplicada a contratos posteriores, nunca para fatos acordados antes de sua aplicação. Na Carta Maior, a defesa do direito adquirido está prevista no art. 5°, que trata justamente dos direitos e garantias individuais dos cidadãos: Art. 5°. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;(...) (grifo nosso) Este dispositivo não é novidade no ordenamento jurídico brasileiro, pois, já nos idos de 1942, a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro assim ensinava: Art. 6°. Á lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § 1°. Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. § 2°. Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. § 3°. Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (grifo nosso) A alteração do Regime Aduaneiro em tela infringe o chamado direito adquirido, pois modifica situação já consolidada, penalizando quem já possuía uma situação jurídica definida e estável. Sobre o assunto, Celso Antônio Bandeira de Mellol aduz: Em nome da segurança e estabilidade jurídicas, valores altamente prezáveis no Direito, e a fim de evitar a álea que colocaria em permanente sobressalto as partes de um vinculo jurídico, concebe-se que em certos casos a força da lei antiga projete-se no futuro envolucrando relações constituídas - mas não encerrada - sob sua égide. Revista Trimestral de Direito Público, n.0, Editora Malheiros, 1988. 21 Processo n° 10283.00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 224 É a teoria do direito adquirido que se presta excelentemente para agasalhar o propósito de colocar a salvo da incidência da nova lei certas relações, que assim percorrem o tempo encasuladas no abrigo protetor das regras velhas. Estas sobrevivem para alem do seu próprio tempo, com o fito específico de acobertar direitos que seriam muito frágeis e inconsistentes se não existira este expediente jurídico. Da leitura de tais ensinamentos depreende-se que o princípio do direito adquirido tem como maior valor coibir mudanças repentinas da legislação, as quais poderiam subverter a ordem jurídica, fato este que agora se presencia. Ora, o contrato é todo acordo de vontades realizado livremente, criando direitos e obrigações entre os contratantes. Na medida em que o contrato é realizado de acordo com a vontade das partes, nada mais justo que o avençado torne-se lei entre as elas. Neste sentido, o Código Civil Brasileiro de 1916 já dispunha: Art. 1080. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso. O Novo Código Civil manteve esta norma: Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso. Hely Lopes Meirelles, em obra já citada, ensina: Embora típica do Direito Privado, a instituição do contrato é utilizada pela Administração Pública na sua pureza originária (contratos privados realizados pela Administração) ou com as adaptações necessárias aos negócios públicos (contratos administrativos propriamente ditos). Todo contrato - privado ou público- é dominado por dois princípios: o da lei entre as panes ('ex inter panes) e o da observância do pactuado (pacta sunt servanda). O primeiro impede a alteração do que as panes convencionaram; o segundo obriga-as a cumprir fielmente o que avençaram e prometeram reciprocamente. (grifo nosso) O Regime de Admissão Temporária ora debatido nada mais é do que um contrato firmado entre as partes. A recorrente cumpriu o acordado; a recorrida não, pois alterou o avençado de forma unilateral, o que não pode ser permitido. 22 • Processo n° 10283.005323/2003-75 53-C231 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 225 $11.910 Rodrigues, in "Dos Contratos e das Declarações Unilaterais da Vontade", Editora Saraiva 1980, aduz: Uma vez ultimado, o contrato liga as partes concordantes, estabelecendo um vinculo obngacional entre elas. Algumas legislações vão aponto de afirmar que as convenções legalmente firmadas entre as partes transformam-se em lei entre as partes. Tal vínculo se impõe aos contratantes, que, em tese, só o podem desatar pela concordância de todos os interessados. E o descumprimento da avenca por qualquer das partes, afora os casos permitidos em lei, sujeita o inadimplente à reparação das perdas e danos (C&L Civ., art. 1056). Com efeito, é a lei que torna obrigatório o cumprimento do contrato. E o faz para compelir aquele que livremente se vinculou a manter sua promessa, procurando, desse modo, assegurar as relações assim estabelecidas. O contrato se aperfeiçoa pela coincidência de duas ou mais manifestações unilaterais da vontade. Se estas se externaram livre e conscientemente, se foram obedecidas as prescrições legais, a lei as faz obrigatórias, impondo a reparação das perdas e danos para a hipótese de inadimplemento. (grifo nosso) A jurisprudência pátria corrobora tal entendimento, como vemos exemplificativamente: CIVIL. CONTRATOS. RETRATAÇÃO. O rompimento unilateral do vínculo contratual implica a obrigação de indenizar as perdas e danos, pouco importando que o negócio jurídico, embora perfeito e acabado, ainda não estivesse em vias de execução. Recurso especial conhecido e provido. (STJ - 37urma - Resp n.° 173981/PE - Rel. Min. Ari Pargendler -1 2311012000) • DESCUMPRIMEIVTO DE PROPOSTA — DEVER DE REPARAR OS PREJUÍZOS DAÍ EMERGENTES. I — Nos termos do art. 1.080, ?parte, do CC, a proposta vincula o policitante. O seu descumprimento injustificado determina-lhe o dever de indenizar ao oblato pelos prejuízos dai advindos. (.) (TRF r R. — AC 90.02.10638-6 — RI— 3° 7'. — Rel. Des. Fed. Arnaldo Lima — DJU 03.09.1992) CONTRATO — FORMAÇÃO — PROPOSTA — ACEITAÇÃO. 23 — - Processo n° 10283.005323/2003-75 83-C2TI Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 226 Em regra, a proposta de contrato tem a natureza de vincula nte, apresentando-se como unilateralmente irrevogáveL(..) (TJRS — AC 589.077.106— 1° C. — Rel. Des. Tupinambá Miguel Castro do Nascimento — .1. 06.03.1990) (RJ 153/56) Por fim, ainda poderíamos utilizar o mesmo entendimento utilizado pela autoridade lançadora para afastar a autuação sofrida, a qual aplicou legislação posterior para tributar uma operação que antes não era tributada. Ora, se com o advento do Decreto n.° 3.328/00 restou afastada novamente a tributação do Regime de Admissão Temporária para os bens que fossem destinados à Zona Franca de Manaus, como é o caso, plenamente possível e viável a aplicação desta nova norma ao caso em tela. Ainda, o Novo Regulamento Aduaneiro é claro sobre o tema: Art. 376. O disposto no art. 373 não se aplica (Lei no 9.430, de 1996, art. 79, parágrafo único, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.189-49, de 23 de agosto de 2001, art. 13): I - até 31 de dezembro de 2020: a) aos bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural constantes da relação a que se refere o § lo do art. 458; e b) aos bens destinados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento ou regaseificação de gás natural liquefeito, constantes de relação a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e II - até 4 de outubro de 2023, aos bens importados temporariamente e para utilização econômica por empresas que se enquadrem nas disposições do Decreto-Lei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, durante o período de sua permanência na Zona Franca de Manaus, os quais serão submetidos ao regime de admissão temporária com suspensão total do pagamento de tributos. O que entendo é que, se é possível aplicar norma posterior para realizar um lançamento sobre um contrato de Regime de Admissão Temporária, também é possível utilizar-se do mesmo critério para afastar esta tributação, já que existente nova norma que deixa de tributar os referidos bens. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, et 04 de fevereiro de 2010 LUCIANO LOP S E ALMEIDA MORAES 24 Processo n° 10283.00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl, 227 Voto Vencedor Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Redatora O litígio versa sobre o regime suspensivo de Admissão Temporária aplicado na importação de moldes para utilização econômica, o qual foi autorizado em 25/06/1996, através da DI de n° 018962/96. Ocorreram várias prorrogações de prazo para permanência no regime e a Ultima prorrogação autorizada em 03/07/1999. Não obstante a solicitação de prorrogação de forma tempestiva quando do término do prazo, a empresa não pagou proporcionalmente os tributos referente a esse período por conta da vigência do Decreto n° 2.889, de 21/10/1998 e regulamentado pela IN SRF n° 164 de 31/12/1998, que passou a exigir o pagamento proporcional ao tempo de permanência no País, desde que os bens fossem com fins de utilização econômica. Ou seja, em: -01/07/98 a empresa protocolou novo pedido de prorrogação por um período de mais três (03) anos (fls. 32/33), tendo sido concedido prorrogação por um (01) ano com prazo até 03/07/99 (fls. 37/38). • -28/06/99 a empresa protocolou novo pedido de prorrogação (fl. 45), sendo que a análise ficou paralisada até 21/06/02, quando foi redistribuído para a AFRF Francisca da Silva (fl. 47). -Não obstante, paralisada a análise, foi acatada a prorrogação de mais um (01) ano -27/08/02 a AFRF concluiu pela cobrança de impostos proporcionais no período prorrogado e pela posterior autorização para destruição do s moldes como forma de extinção do regime de admissão temporária. Relatadas as diversas fases, a empresa argumenta que os bens em questão adentraram no País, antes da Lei n° 9.430, de 27/12/96, entrar em vigor não podendo tais importações serem reguladas por essa lei, sob pena de ofensa ao principio da irretroatividade das leis, é titular de direito adquirido, na medida em que preencheu os requisitos necessários à concessão do regime e também, conclui que a prorrogação só será concedida em situações especiais, podendo ser renovada até atingir um prazo máximo de permanência do bem no pais de 5 (cinco) anos. O art. 250 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, que vigorava, à época; que tem como base legal o art. 71 do Decreto-Lei n° 37/66, alterado pelo Decreto-lei n°2.472/88, dispee: "Art. 250 — O prazo de suspensão das obrigações fiscais pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais será de até um ano, podendo ser prorrogado a juízo da autoridade aduaneira por período não superior, no total, a cinco anos, ressalvado o disposto nos parágrafos deste artigo (grifei). 25 Processo n° 10283.00532312003-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00396 Fl. 228 Logo, não se caracteriza direito líquido e certo a prorrogação do prazo, uma vez que a lei não obriga a autoridade aduaneira a prorrogar o prazo do regime, ela estabelece que o regime "poderá ser prorrogado", mediante conveniência, necessidade e motivação para permanência do bem no regime. Quanto à alegação do não cumprimento por parte do poder público do princípio da legalidade, não é real, pois a própria recorrente afirma, em sua defesas que a exigência de tributos no caso de admissão temporária foi instituída pela n° 9.430/96 e regulamentada pelo Decreto n°2889, de 21 de dezembro de 1998. As alterações que afetaram o regime em foco estão prevista na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que em seu artigo 79, previu a exigência de tributos no caso de Admissão Temporária, in verbis: "Art 79 — Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condiçôes estabelecidos em regulamento." A regulamentação da lei acima, somente ocorreu com a publicação do Decreto n°2.889, de 21 de dezembro de 1998, ficando instituído em seu art. 2°: "Art. 2° Os bens submetidos ao regime de admissão temporária sujeitam-se ao pagamento dos impostos federais exigidos na importação, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território nacional." Por sua vez, a Instrução Normativa SR_F N° 164, de 31 de dezembro de 1998, que disciplina a aplicação do regime especial de admissão temporária, mediante a qual foi estabelecido nos artigos 22 e 24 "caput" e parágrafo único que: "Art. 22 — Os regimes de admissão temporária concedidos antes da edição desta Instrução Normativa regem-se pelas normas vigentes à época de sua concessão, observado o disposto no art. 24. Art 24 — No caso de prorrogação de regime originalmente concedido antes da vigência desta Instrução Normativa bem assim no de concessão para bens vinculados a contratos firmados até 31 de dezembro de 1998, será também exigido documento no qual o_proprietário declare. de orma • •ressa estar ciente de nie seus bens estarão submetidos à legislação brasileira que disciplina o regime de admissão temporária. (grifamos)" Parágrafo Único — A concessão ou prorrogação do regime nas hipóteses de que trata este artigo dar-se-á segundo as normas estabelecidas nesta Instrução Normativa." (grifei) 26 Processo n° 10283.005323/2003-75 S3-C2T/ Acórdão n.° 3201-00.396 Fl. 229 Conclui-se que, visto que se trata de prorrogação de regime concedido antes da vigência desse ato normativo, obriga o interessado a se adequar às novas regras, conforme determina o parágrafo único do art. 24 acima reproduzido. Tem —se que o ATO DECLARATORIO COANA n° 20 de 06 de abril de 1999, em seu art. 3°, disciplina que: "Art. 3° os pedidos de prorrogação do prazo de vigência do regime formulados a partir de 20 de janeiro de 1999, bem como aqueles apresentados em data anterior e não resolvidos até aquela data, serão apreciados e solucionados com base nas disposições contidas na IN 164/98, inclusive no que se refere ao pagamento proporcional dos Impostos incidentes na Importação e à apresentação de documento no qual o proprietário declare de forma expressa, estar ciente de que seus bens serão submetidos à legislação brasileira que disciplina o regime." Tendo em vista que o art. 307 do Regulamento Aduaneiro elenca as providências com relação aos bens a serem adotadas na vigência do regime, para a extinção do regime, quais sejam: a reexportação, entrega à Fazenda Nacional, destruição, transferência para outro regime ou despacho para consumo. Assim sendo, não extinto o regime, findo o prazo estabelecido, mesmo tendo requerido tempestivamente nova prorrogação, a recorrente não recolheu os impostos proporcionais referente ao novo período de acordo com o Decreto 2.889, de 21 de dezembro de 1998, com regulamentação pela IN SRF 164 de 31 de dezembro de 1998. Portanto, correta a exigência dos impostos proporcionalmente ao tempo de permanência no Pais, quando os bens têm utilização econômica; diante da inexistência da adoção de qualquer medida necessária à extinção do regime de Admissão Temporária. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2010 tRCl /U-CÊ 4-- ifft" 0241n--- A HELENA JANO D'AMORIM 27
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003544/2003-63
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2002
Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaram-se impedidos de votar.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2002 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaramse impedidos de votar. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 35 44 /2 00 3- 63 Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório A decisão de primeira instância assim descreveu os fatos: Tratase de recurso voluntário (fls. 258 a 277) apresentado contra o Acórdão nº 4.775, de 2004, da DRJ no Rio de Janeiro RJ, que considerou procedente o lançamento do PIS, consubstanciado no auto de infração de fls. 161 a 185, lavrado em 9/4/2003, relativamente aos períodos de fevereiro de 1999 a novembro de 2002. O auto de infração foi lavrado com suspensão de exigibilidade, em face de liminar obtida pela recorrente no Processo Judicial nº 2002.02.01.0068549, em que contesta as alterações introduzidas na base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei nº 9.718, de 1998. As infrações apuradas disseram respeito à exclusão de valores negativos dos grupos de contas contábeis 45 (receitas financeiras) e 48 (outras receitas: aluguéis e arrendamentos, recuperação e venda de ativos e ajuste de almoxarifado). Esclareceu a Fiscalização que as variações cambiais passivas foram consideradas incorretamente na apuração e que, na conta “lucro na venda de bens do almoxarifado” foram considerados valores lançados a débito. Em sessão de 19 de outubro de 2005, por maioria de votos, o julgamento do recurso foi convertido em diligência pela Resolução nº 20100.543, nos termos do voto do Relator Designado, Walber José da Silva, que abaixo reproduzo: “O recurso voluntário é tempestivo, está instruído com a garantia de instância e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Visa a recorrente, com seu recurso voluntário, reformar a decisão de primeira instância para declarar insubsistente o crédito tributário constituído a título da Cofins. A defesa adota duas linhas de argumentação: uma que a variação cambial considerada como receita financeira, para fins de inclusão na base de cálculo da Cofins, é a efetivamente auferida, e a outra é que a receita de variação cambial objeto do lançamento é receita decorrente da exportação e, portanto, imune à tributação da Cofins. Alega, ainda, que foram por ela consideradas nas bases de cálculo da Cofins as receitas efetivamente auferidas, nos exatos moldes da lei. A recorrente alega que na apuração da base de cálculo da Cofins não ofereceu à tributação valores que não correspondiam às receitas auferidas, ou seja, foram consideradas na base de cálculo da Cofins as receitas efetivamente auferidas, nos exatos moldes da lei. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.003544/200363 Acórdão n.º 9303001.432 CSRFT3 Fl. 1.393 3 Por seu turno, a Fiscalização incluiu na base de cálculo da Cofins, para todo o período autuado, o valor total dos créditos lançados na contabilidade da recorrente a título de receita de variação cambial ativa. A Medida Provisória no 1.85810, de 26/10/1999 (MP no 2.158 35, de 2001), em seus artigos 30 e 31, abaixo transcritos, estabelece que, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a variação cambial ativa equiparada a receita financeira é aquela apurada quando da liquidação da correspondente operação, fornecendo os comandos para o ajuste da base de cálculo do anocalendário de 1999: ‘Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2o A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 31. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS poderá ser excluída a parcela das receitas financeiras decorrentes da variação monetária dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, submetida à tributação, segundo o regime de competência, relativa a períodos compreendidos no ano calendário de 1999, excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada, ainda que a operação correspondente já tenha sido liquidada.’ (negritei) Ocorre que os elementos contidos nos autos não são suficientes para se constatar a afirmação da recorrente de que incluiu na base de cálculo da exação a variação cambial ativa efetivamente auferida, ou seja, o valor da variação cambial ativa correspondente ao valor apurado quando da liquidação da correspondente operação/contrato. Para que este Conselheiro possa formar convicção sobre a lide, fazse necessário que os valores incluídos pela Fiscalização na base de cálculo da exação (bem como os valores que a Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES 4 recorrente diz ter incluído na base de cálculo da Cofins pago ou declarado) sejam detalhados por contrato/operação, mês a mês, destacandose o valor da variação cambial ativa apurada quando da liquidação da operação/contrato. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: 01 intimar a recorrente a detalhar os contratos indexados em moeda estrangeira (objeto da autuação Variação Cambial) liquidados entre 01/02/1999 e 28/02/2003, informando o seguinte: 1.1 o valor da variação cambial total (ativa ou passiva), apurada entre a data da assinatura de cada contrato e a dada de sua liquidação. Informar as taxas de câmbio utilizadas; 1.2 o valor da variação cambial mensal (ativa ou passiva) de cada contrato, apurada entre a data da assinatura do contrato e o último dia de cada mês de apuração, até o mês anterior à liquidação. Informar as taxas de câmbio utilizadas. 02 para os contratos indexados em moeda estrangeira (objeto da autuação variação cambial) não liquidados até 28/02/2003, intimar a recorrente a informar o valor da variação cambial mensal (ativa ou passiva) de cada contrato, apurada entre a data da assinatura do contrato e o último dia de cada mês de apuração. Informar o valor mensal até o mês de fevereiro de 2003 e, também, as taxas de câmbio utilizadas; 03 intimar a recorrente a consolidar o valor mensal das variações monetárias ativas apuradas nas questões 01 e 02, acima; 04 informar se a empresa autuada fez a opção prevista no § 1o, do artigo 30, da Medida Provisória no 1.85810, de 26/10/1999 (MP no 2.15835, de 2001) para os anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003; 05 dar ciência à recorrente desta Resolução; e 06 prestar os esclarecimentos ou informações que julgar necessário, destes dando ciência à recorrente para, querendo, manifestarse. Concluso, retornese os autos a este Colegiado.” No tocante à diligência, foram apresentadas cópias de documentos do processo judicial em que a interessada discute a inconstitucionalidade das alterações da Lei nº 9.718, de 1998, e, quanto ao restante, a interessada apresentou demonstrativos, relativamente à escrituração das variações cambiais. Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2002 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.003544/200363 Acórdão n.º 9303001.432 CSRFT3 Fl. 1.394 5 Ementa: Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Correta a decisão de primeira instância que considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2002 Ementa: CONTRATO DE CÂMBIO DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA. MOMENTO DA APURAÇÃO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Por determinação legal e para fins de apuração do PIS, considerase receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato. No regime de competência, mensalmente ajustase a variação cambial ativa de cada contrato desde a data da contração, de modo a preservar a base de cálculo real da exação. Não existe previsão legal para excluir a variação cambal passiva da base de cálculo do PIS. PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas não se caracterizam como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da contribuição. Recurso provido em parte.. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 1327 a 1353, no qual propugna pelo restabelecimento integral da exigência fiscal. O recurso foi admitido, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 1356 a 1358. Regularmente intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão que surge do recurso apresentado pela Fazenda Nacional diz respeito à tributação da variação cambial pelo PIS. No acórdão recorrido, consignouse que se Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES 6 considerase receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato. No regime de competência, mensalmente ajustase a variação cambial ativa de cada contrato desde a data da contração, de modo a preservar a base de cálculo real da exação. Ainda segundo decidiu o Colegiado “a quo”, não existe previsão legal para excluir a variação cambal passiva da base de cálculo do PIS. Aqui restaria decidir quando se daria apropriação dessas receitas para efeitos da incidência da contribuição, se sob o regime de caixa ou se sobre o de competência. No acórdão recorrido, tornouse incontroverso que a variação cambial é receita financeira. Desta feita, não cabe aqui discutir a natureza desses ingressos, já que tal questão não é mais controvertida nestes autos. Restaria então decidir como se faria a apuração dessas receitas, para efeitos de tributação pelo PIS, se por regime de caixa ou de competência. Acontece, porém, que tal discussão tornouse prejudicada, pelas razões a seguir aduzidas. Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §1 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas de variações cambiais comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Todavia, o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Entendese que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender o alcance de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.003544/200363 Acórdão n.º 9303001.432 CSRFT3 Fl. 1.395 7 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, temse notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, fato esse que corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do SRF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo do PIS. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.637/2002, a base de cálculo do PIS voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Todavia, a partir de 1º de dezembro de 2002, por força do disposto no inciso II, do art. 68 da Lei 10.637/2002, passou a viger os artigos 1º a 6º e 8º a 11 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada do PIS/Pasep, nos termos seguintes: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de dezembro de 2002, data de vigência dos arts. 1º a 6 e 8º a 11 da Lei nº 10.637/2002, a base de cálculo do PIS/Pasep era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas oriundas de variações cambiais não integravam a base de cálculo da contribuição. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS estavam sujeitas ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Aí incluídas as oriundas de variações cambiais. Todavia, como no caso dos autos o Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES 8 lançamento referese a períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 1999 e novembro de 2002, é lícita a exclusão de tais valores da base de cálculo do PIS/Pasep. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005838/97-59
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 06/11/1996
VIOLAÇÃO AO ART. 146 DO CTN. INOCORRÊNCIA
O desembaraço aduaneiro não se confunde com a homologação do
lançamento promovido no despacho de importação, que somente se dá após a conclusão da correspondente Revisão Aduaneira ou o transcurso do prazo legal para sua realização.
Antes de tal homologação expressa ou tácita, portanto, correta é a retificação das declarações do sujeito passivo, plenamente respaldada no art. 149, IV do
Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-TI
Data do fato gerador: 06/11/1996
Ex Tarifário. Limites.
Tratando-se hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode ser beneficiada com "ex" tarifário a mercadoria que corresponder exatamente à descrita no ato que concede o beneficio. Aplicação do art. 111, II do CTN,
jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.650
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Luiz Marcelo Guerra de Castro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10830.005838/97-59 Recurso n° 344.793 Voluntário Acórdão n° 3102-00.650 — 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria Ex Tarifário Recorrente CIA CAMPINEIRA DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/11/1996 VIOLAÇÃO AO ART. 146 DO CTN. INOCORRÊNCIA O desembaraço aduaneiro não se confunde com a homologação do lançamento promovido no despacho de importação, que somente se dá após a conclusão da correspondente Revisão Aduaneira ou o transcurso do prazo legal para sua realização. Antes de tal homologação expressa ou tácita, portanto, correta é a retificação das declarações do sujeito passivo, plenamente respaldada no art. 149, IV do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-TI Data do fato gerador: 06/11/1996 Ex Tarifário. Limites. Tratando-se hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode ser beneficiada com "ex" tarifário a mercadoria que corresponder exatamente à descrita no ato que concede o beneficio. Aplicação do art. 111, II do CTN, jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 41111Ia L • - ce "r- uerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 21/05/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A empresa interessada submeteu a despacho, mediante a Declaração de Importação de n° 130916, de 06111/96, a mercadoria descrita como: FORNO TERMO ESTABILIZADADO COM 64 PLACAS DE COCÇÃO PARA PRODUÇÃO DE BISCOITOS WAFFERS. ALIMENTADO POR GÁS NATU.RA,. MARCA HEBENSTREIT. AUTOMÁTICO, COMPLETO E COMPOSTO DE: PREPARADOR DE CALDA COM DOIS RESERVATÓRIOS DE ESTOCAGEM E DOSADOR AUTOMÁTICO; SISTEMA DE PREPARAÇÃO, HOMOGENEIZAÇÃO E PRECIRCULAÇÃO DE CREME, REPROCESSADOR DE WAFFERS; FORNO EM MÓDULOS DESMONTADOS COM 64 PLACAS DUPLAS DE COCÇÃO TIPO BAC B; DISPOSITIVO DE CONTROLE DE DEFEITOS, COM EJETOR; REFRIGERADOR EM ARCO DAS PLACAS DE WAFFERS, DESVIADOR DE PLACAS APÓS COCÇÃO; CREMEADEIRA, DISPOSITIVO DE CONTROLE E REGULAGEM DE PESO DOS BLOCOS, MARCA GARVENS; REFRIGERADOR VERTICAL DE BLOCOS ACOPLADA A UNIDADE DE REFRIGERAÇÃO E SECAGEM DO AR; DETETOR DE METAIS; CORTADOR DE BLOCOS, ESTRUTURA EM AÇO CARBONO E FECHAMENTO EM CHAPAS DE AÇO INOXIDÁVEL. EQUIPAMENTO MOTORIZADO DE TRAÇÃO E RETORNO; PORTAS DE INSPEÇÃO REVESTIDAS EM AÇO INOXIDÁVEL; QUADRO DE CONTROLE E COA/L1NDO COM PLC (CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL), MARCA SIEMENS, COMPLETO COM SENSORES, VENTILADORES, QUEIMADORES, MOTORES, MANGUEIRAS, BOMBAS E CONEXÕES; BANCADA TRANSPORTADORA DE ALIMENTAÇÃO E DE SAIDA EM "Y"; PREDOMINANTEMENTE EM AÇO INOXIDÁVEL; EQUIPAMENTO DESMONTADO PARA FACILIDADE DE TRANSPORTE. Conforme mencionado no quadro 05, anexo II, Adição n° 01, dessa DI, foi pleiteado o "Ex —001, criado pela Portaria MF n° 313/95, que alterou para zero por cento, a aliquota do Imposto de Importação incidente: Processo n° 10830.005838/97-59 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.650 Fl. 145 "8417.20.00 — "Ex" 001 — Forno Termo Estabilizado com 64 placas de cocção para produção de biscoito waffers, alimentado por gás natural." No estabelecimento do contribuinte, e, à vista do Laudo Técnico Pericial emitido pelo engenheiro credenciado junto a SRF, em 15/07/1997, concluiu a fiscalização que embora agregados e trabalhando em conjunto com o "Forno Termo Estabilizado para a Produção de Biscoitos Waffers", o "Túnel de Refrigeração Vertical acoplado a Unidade de Refrigeração e secagem do ar", e, o "Cortador de Lâminas" importados e declarados na mesma adição da Dl n° 0130916/96, são equipamentos com funções próprias de refrigerar e de cortar, E NÃO ESTÃO descritos na Portaria MF n°313, NÃO PODENDO desta forma gozar do beneficio da redução de 0% (zero por cento) prevista na mesma, que ampara, ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE, as partes que compõe o "Forno Termo estabilizado com 64 placas de cocção para a produção de biscoitos Waffers, alimentado por gás natural", e, que são necessárias a esta atividade. Ressaltou ainda que, conforme mencionado no Laudo Pericial, os blocos de waffers, já estão prontos quando entram no "Túnel de Refrigeração Vertical acoplado a Unidade de Refrigeração e Secagem de Ar", passando na seqüência para o "Cortador de Lâminas Fixas".(gnfos da fiscalização) Resumiu que se pode dizer que a máquina analisada no contribuinte é composta de 04 (quatro) partes/fases de produção distintas, sendo que, somente a primeira parte/fase esta mencionada na Portaria MF n° 313/95, e, portanto tem direito a redução na aliquota do imposto de importação. As partes/fases de produção são as seguintes Destacou ainda que as partes/fases de produção são as seguintes: PRIMEIRA: o "Forno de Produção de Waffers" de onde os blocos de Waffers, já prontos, saem ainda quentes; SEGUNDA: o "Túnel e a Unidade der Refrigeração", onde os blocos de waffers são esfriados TERCEIRA: o "Cortador de Lâminas", onde os blocos de waffers são cortados; QUARTA: a "Embaladeira", onde os biscoitos são embalados — SALIENTOU QUE A EMBALADEIRA, ERA MÁQUINA JÁ EXISTENTE NO CONTRIBUINTE, NÃO SENDO PARTE DESTA IMPORTAÇÃO). (grifei) Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 18, de 11 de agosto de 1997, para a formalização da exigência do II, incidentes sobre os valores CIF, do "Túnel de Refrigeração Vertical Acoplado a Unidade de Refrigeração e Secagem do Ar" e, sobre o "Cortador de Lâminas". Considerou que estes equipamentos não tem a mesma classificação tarifária que o "Forno", assim o Túnel de Refrigeração Vertical Acoplado a Unidade de Refrigeração e Secagem do Ar, recebeu a classificação no cód. 8418610000, e o "Cortador de Lâminas" classificou no cód. TAB 8461500200 que é a classificação tarifária especifica para as cortadeiras, sendo que em ambas a aliquuota do Imposto de Importação era de 18% à época da importação, e, o IPI-vinculado era isento. Resultou um crédito tributário no valor de 51.523,68, incluídos aí juros de mora e multa do Art° 4°, inciso I, da Lei 8.218/91 c/c art. 44, inciso Ida Lei 9.430/96 e art° 106, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66. Regularmente notificada em 11/08/97, em 0109/97, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 52/64 onde alega: • Não deve prosperar, como demonstrará "as irregularidades cometidas e a sanção imposta", citadas na "Parte I" do Termo de Verificação Fiscal lavrado. • O art. 149 do CTN enumera nove incisos, onde constam as hipóteses em que o lançamento pode ser efetuado ou previsto pela autoridade administrativa. Nenhuma das hipóteses previstas no artigo 149 do CIN ocorreu na autuação em tela. • As irregularidades apontadas na autuação decorrem de uma mudança de interpretação das normas jurídicas, mais especificamente, das regras de classificação de mercadorias, portanto, uma mudança de critério jurídico. • A mercadoria importada através da DI 130916/96 foi examinada documentalmente e fisicamente por um agente do Fisco Federal da Alfândega do Porto de Santos. Procedeu-se, então, ao desembaraço aduaneiro, autorizando a nacionalização da mercadoria, logo, considerando-se corretamente declarada. Se assim não fosse, deveria ter sido efetuada a exigência fiscal naquele momento. • Posteriormente, a mesma mercadoria importada é novamente vistoriada e, desta vez, o agente do Fisco da Delegacia da Receita Federal em Campinas entende que houveram irregularidades na classificação fiscal, alterando-a ex-officio. • O Laudo Técnico n° 10830/SEFIS-012/97, a pedido da Delegacia da Receita Federal em Campinas, no tocante ao quesito n° 02, constata que a máquina é: "sim, um forno termo estabilizado completo, com 64 placas de cocção alimentado com gás natural e composto de 4d/ Processo n° 10830.005838/97-59 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.650 Fl. 146 vários equipamentos para a fabricação de biscoitos waffers. Exceção do túnel de refrigeração vertical com a respectiva unidade de refrigeração e secagem do ar e o cortador que são equipamentos necessários à finalização do processo de fabricação, mas que pelas suas características não fazem parte do mesmo". Observa-se que o próprio engenheiro credenciado pela Receita Federal afirma em seu Laudo que tanto o túnel de refrigeração vertical com a respectiva unidade de refrigeração e secagem do ar como o cortador "são equipamentos necessários à finalização do processo de fabricação". • Afirma que o entendimento da Fiscalização não tem amparo nos critérios definidos nas NESH, notadamente na Seção XV? Nota 4. • De forma alguma poderia classificar o refrigerador vertical de blocos acoplada a unidade de refrigeração, e secagem de ar e o cortador de blocos em posição distinta, pois sem estes equipamentos não seria possível fabricar os biscoitos tipo waffers e, além disso, isoladamente não teriam função nenhuma na empresa. • Requer a improcedência do Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/11/1996 Ementa: INDICAÇÃO INDEVIDA DE DESTAQUE "EX". O "Forno Termo Estabilizado com 64 placas de cocção para produção de biscoito waffers, alimentado por gás natural" está amparado pela Portaria MF313/95 que estabeleceu o "Ex" com alíquota zero para o Imposto de Importação. Entretanto, essa aplicação não pode ser extensiva aos agregados importados: "Túnel de Refrigeração Vertical acoplado a Unidade de Refrigeração e secagem do ar", e, o "Cortador de Lâminas" Incabível a multa do art. 44, inciso Ida Lei n°9.430/96, por não ter havido declaração inexata nos termos do ADN 10/97. Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão recorrida em 10/11/2008, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 10/12/2008, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Reitera, portanto, que após o desembaraço aduaneiro de mercadoria submetida a conferência documental e física o Fisco não mais teria o poder de rever a 5 classificação fiscal na declaração que instruiu aquele despacho de importação, salvo de comprovada fraude. Aduz, noutro giro, que após o desembaraço aduaneiro de mercadoria submetida ao canal vendelho, sequer seria autorizada a retificação da declaração de importação. Trouxe à colação jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e de Delegacias da Receita que ratificariam essas alegações. Reitera, ademais, que, de acordo com o laudo técnico, os bens importados são equipamentos necessários à finalização do processo de fabricação e, por essa razão, são acessórios do forno que goza do Ex Tarifário. Nessa condição, aproveitam o beneficio fiscal a ele inerente. Consequentemente, não se poderia empregar a tais produtos classificação fiscal diversa da do forno distinta da do forno, uma vez que, sem os mesmos, não seria possível fabricar os biscoitos tipo waffers. É o Relatóril Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Conforme se extrai do relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário está focado em dois pontos: a impossibilidade de se proceder a revisão da declaração de importação após o desembaraço aduaneiro, eleita como matéria preliminar, e o cabimento da aplicação do ex tarifário a equipamentos que, no seu sentir, fariam parte do produto que fazia jus ao beneficio tributário concedido pela Portaria MF n° 313/95. Analiso separadamente tais alegações. 1 - Desembaraço aduaneiro e Mudança de Critério Jurídico. Não vejo, como imputar o efeito pretendido ao desembaraço aduaneiro. Em sentido diverso do alegado, tal medida de controle longe está de homologar as declarações prestadas pelo sujeito passivo. Afirmar isso seria tornar letra morta o art. 54, constante da Seção II, do Capítulo III, do Título II, do Decreto-Lei n° 37, de 1966, que, após sua alteração pelo Decreto- lei n° 2.472, de 1988, assim restou redigido: Seção II Conclusão do Despacho Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo 6d Processo n° 10830.005838/97-59 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.650 Fl. 147 importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto- Lei. tRedação dada pelo Decreto-Lei n° 2.472, de 01/09/1988) Como é possível perceber, o lançamento promovido no curso do despacho aduaneiro só e definitivamente homologado após a correspondente revisão aduaneira, daí o título da Seção: Conclusão do Despacho. Por outro lado, a hipótese debatida nos autos longe está de representar violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional, na medida em que, apesar da negativa da recorrente, há efetivamente a prestação de informações com inexatidão, circunstância apta a atrair a aplicação do art. 149, IV do mesmo diploma! e afasta, consequentemente, a arguição de "mero" erro de direito. Com efeito, quando da elaboração da declaração de importação, o sujeito passivo pleiteou a aplicação do correspondente ex tarifário alegando que os equipamentos descritos como Túnel e Unidade der Refrigeração e Cortador de Lâminas fariam parte do equipamento descrito como Forno Termo Estabilizado com 64 placas de cocção para produção de biscoito waffers, alimentado por gás natural e essa informação, pelo menos segundo a opinião do Fisco, estava equivocada. Confira-se a descrição assentada na declaração (destaquei): FORNO TERMO ESTABILIZADO COM 64 PLACAS DE COCÇÃO PARÁ PRODUÇÃO DE BISCOITOS WAFFERS. ALIMENTADO POR GÁS NATURA,. MARCA HEBENSTREIT. AUTOMÁTICO, COMPLETO E COMPOSTO DE: .... REFRIGERADOR VERTICAL DE BLOCOS ACOPLADA A UNIDADE DE REFRIGERAÇÃO E SECAGEM DO AR;... CORTADOR DE BLOCOS, Outro ponto relevante é que o alegado equívoco não poderia ser detectado enquanto a unidade de máquinas, importadas desmontadas, não estivesse em condição de ser posta em marcha. • Ou seja, a meu ver, seria impossível homologar ou simplesmente ratificar uma informação que, no curso do despacho, não poderia ser aferida já que, naquele momento, não se sabia qual era a função de cada um dos equipamentos. Ademais, ainda que configurado o pré-falado erro de direito, conforme já assentado em pródiga doutrina, não se confunde tal hipótese com a mudança de critério jurídico, vedada pelo art. 146 do mesmo CTN. Veja-se, por exemplo: O art. 146 do CTN, que veda a revisão do lançamento tributário em razão de mudança de critérios jurídicos, não se aplica ao 1 Art. 149. O lançamento e efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; 7 — erro de direito, porquanto se tratam de fenômenos distintos: o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação desta seja notória e indiscutível, enquanto a mudança de critério jurídico ocorre, basicamente, com a substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta (MACHADO, Hugo de Brito. Temas de direito tributário. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1993, p. 107.) "Não importa ao exercício da atividade administrativa de revisão do lançamento a circunstância de se tratar de lançamento eivado de erro de fato ou de direito, porque em qualquer hipótese sempre deverá prevalecer a supremacia da lei sobre o ato administrativo viciado" (MAIA FILHO, Napoleão Nunes. Competência para retificação do lançamento tributário. Revista Dialética de Direito Tributário, no 43, São Paulo: Dialética, julho de 1999, p. 59.) Rejeito, portanto a preliminar de nulidade. 2- Alcance do Ex Tarifário Não vejo, por outro lado, como estender o ex tarifário pleiteado a produto que não se identifique com a descrição da portaria ministerial que concedeu o beneficio, ainda que se destine a, juntamente com o produto beneficiado, formar uma determinada linha de produção. Ou seja, se os bens descritos como túnel e Unidade der Refrigeração e Cortador de Lâminas, não fazem parte do produto beneficiado, não há base legal para lhes estender o tratamento diferenciado, ainda que importados para serem acoplados àquele produto. Cabe aqui relembrar o norte hermenêutico do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985, que, regulamentando o art. 111, II do CTN, dispôs: Art. 129. Interpretar-se-á literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do imposto de importação (Lei No 5.172/66, art. 111, II). Não custa reforçar que tal literalidade encontra apoio na remansosa jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extinto Conselho de Contribuintes. Confira-se: -Acórdão CSRF n° 03-06.081, de 08/09/2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - Exercício: 1995 O Ex-tarifário é uma redução de Imposto de Importação de caráter geral. A descrição prevista em um "EX" especifico deve corresponder exatamente com a mercadoria que é importada. 8,"/ Processo n° 10830.005838/97-59 S3-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.650 Fl. 148 Aplica-se ao Ex-tarifário a disposição contida no art. 111, inciso II, do CTN. - Acórdão CSRF /03-04.441 de 08/08/2005 — CLASSIFICAÇÃO 'EX" TARIFÁRIO. - A interpretação da legislação que outorga beneficio fiscal deve ser feita de forma literal. - Acórdão no. 303-29555 de 04/12/2000 - IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - "EX" TARIFÁRIO. Para ter direito à tributação pela alíquota reduzida do Imposto sobre a Importação prevista para um determinado "ex" tarifário, instituído por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, o produto importado deverá ter uma perfeita identidade com o descrito na norma concessiva do beneficio... - Acórdão 301-30309 de 20/08/2002. BENEFICIOS FISCAIS. EX "TARIFÁRIO. iVão restando devidamente comprovado que o equipamento importado exerce as funções previstas no "ex" tarifário, não está o mesmo amparado pela alíquota reduzida, devendo sujeitar-se o contribuinte ao recolhimento dos impostos calculados sob a alíquota estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, bem como ao recolhimento das multas e acréscimos legais. 3- Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. elo Guerra de Castro 9
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Numero do processo: 11128.008181/2006-04
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 04/11/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BENTONE. Segundo laudo técnico laboratorial, o produto Bentone é uma argila montmorilonita tratada com Alquilamônio, um derivado orgânico de argila, de constituição química não definida. Atesta o laudo que não se trata de argila naturalmente ativada, esta tem como principal características poder adsortivo, enquanto o produto em questão tem caráter oleofílico (hidrofóbico). O referido produto não é uma materia mineral natural ativada e assim, com base na RGI nº 1 do SH, deve ser classificado na posição 3824.90.89.
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-01.224
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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BENTONE. Segundo laudo técnico laboratorial, o produto Bentone é uma argila montmorilonita tratada com Alquilamônio, um derivado orgânico de argila, de constituição química não definida. Atesta o laudo que não se trata de argila naturalmente ativada, esta tem como principal características poder adsortivo, enquanto o produto em questão tem caráter oleofílico (hidrofóbico). O referido produto não é uma materia mineral natural ativada e assim, com base na RGI nº 1 do SH, deve ser classificado na posição 3824.90.89. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ São Paulo II SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1740.024, proferido em 15 de abril de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de autos de infração lavrado para exigência de: (1) imposto de importação, juros de mora, multa de ofício de setenta e cinco por cento, aplicada por recolhimento fora do prazo legal, prevista no art. 44, I da Lei 9430/96, multa de trinta por cento do valor aduaneiro, aplicada pela exigência de novo licenciamento de importação, prevista no art. 169, I, b do Decretolei 37/66, e multa de um por cento do valor aduaneiro, aplicada por classificação incorreta de mercadoria, prevista no art. 84, I da MP 215835 c/c art. 69 e 81, IV da Lei 10833/03; (2) imposto sobre produtos industrializados, juros de mora, multa de ofício de setenta e cinco por cento, aplicada por recolhimento fora do prazo legal, prevista no art. 80, I da Lei 4502/64, com a redação do art. 45 da Lei 9430/96. Tal cobrança se faz em face de reclassificação fiscal das mercadorias denominadas BENTONE 34, BENTONE 27, BENTONE 27V, DF 1760 POLIOL MODIFICADO e RHEOLATE 350 POLIOL DE POLIÉSTER. Os laudos técnicos identificaram as mercadorias BENTONE 34, BENTONE 27 e BENTONE 27V como argila montmorilonita tratada com alquilamônio, uma organoargila, produzida pela reação de cátions orgânicos (amônio quartenário) com uma bentonita (montmorilonita). Em razão dos laudos, a fiscalização entendeu correta a classificação 3824.90.89, relativa a peróxidos de ácidos. As mercadorias DF 1760 POLIOL MODIFICADO e RHEOLATE 350 POLIOL DE POLIÉSTER, descritas pela interessada como também foram objeto de laudos e de nova classificação fiscal. Cientificada do auto de infração, a interessada protocolizou impugnação, alegando, em síntese, que: com relação às mercadorias DF 1760 POLIOL MODIFICADO e RHEOLATE 350 POLIOL DE POLIÉSTER, somente entende incorreta a multa do controle administrativo das importações, alegando que irá recolher o restante dos créditos lançados; as argilas montmorilonitas ativadas classificamse no código 3802; a posição específica prevalece sobre a genérica; não importou mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente; requer o cancelamento do crédito tributário; protesta por diligência pericial. A DRJ assim se manifestou no acórdão recorrido: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.008181/200604 Acórdão n.º 310201.224 S3C1T2 Fl. 265 3 A interessada protesta por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial através de perícia técnica. O artigo 16 do Decreto no. 70.235/72 prevê o momento da impugnação para a apresentação de provas que demonstrem suas alegações e argumentos. No tocante à nova perícia requerida pelo impugnante consideroa desnecessária, pois as respostas aos novos quesitos nada acrescentariam às informações já constantes dos autos. Foram elaborados laudos das amostras retiradas dos produtos importados, sendo que não há divergência entre a Fiscalização e a Impugnante no tocante à perfeita identificação da mercadoria. Ambas entendem tratarse do mesmo produto. Entende a fiscalização que o produto importado classificase no código NCM 3824.90.89 — Outras produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições, enquanto o contribuinte declarou o código NCM 3802.90.40 — Outras argilas e terras ativadas. A interessada utilizou a classificação 3802.90.40 relativa a minerais ativados (outras argilas e terras). Para a FUNCAMP, o produto não é ativado, não se tratando de argilas e terras ativadas, tratase de um Complexo argila Alquilamônio (Complexo Organo Argiloso). Utilizando as regras de classificação, os textos das NESH e das posições chegase a classificação adotada pela fiscalização como correta. Consta no campo da descrição detalhada efetuada pelo contribuinte na DI apenas o nome comercial das mercadorias. Portanto, a descrição do produto não está completa com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação. As multas de ofício sobre o Imposto de Importação e sobre o IPI estão sendo exigidas por ter ficado caracterizado a falta de pagamento e a declaração inexata, infração prevista no art. 44, inciso I, e art.45 da Lei n° 9.430/96. Verificase que o produto importado pela Impugnante não está declarado corretamente na respectiva Declaração de Importação. A fiscalização aplicou a multa por falta de Licenciamento de Importação prevista no inciso I, "h" do artigo 169 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, no percentual de trinta por cento sobre o valor aduaneiro, pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Observase que os produtos importados pela Impugnante não estavam declarados corretamente na DI, e em decorrência deste fato, foram reclassificados para outros códigos tarifários. Portanto, a LI emitida anteriormente referiase às descrições e às mercadorias e códigos tarifários informados pelo contribuinte, entretanto, não acobertam as mercadorias efetivamente importadas e constadas na ocasião do despacho aduaneiro de importação. Entendo perfeitamente aplicável ao caso a multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme previsão legal do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória no. 215835 de 24/08/2001. A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 204 e sgs, onde em síntese solicita: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 1. a produção de prova pericial, em prol do contraditório e da ampla defesa, e que sejam consideradas as provas judiciais produzidas na ação anulatória nº 2000.61.014.0022996, referente a matéria correspondente a que é discutida neste processo; Isso porque, para a Recorrente, a referida mercadoria importada consiste em uma argila ativada em função do tratamento com alquilamônio, enquanto a Administração Fazendária de Federal, acatando as conclusões do laudo n°.1764.01, considera que o produto não é ativado, e sim um complexo argilaalquilamônio. Portanto, o cerne da questão em debate relacionase à investigação do resultado do tratamento com alguilamônio; ou seja, afigurase necessário constatar se o tratamento com alquilamônio torna ou não 'ativada' uma argila. 2. Apresenta alegações, baseadas na NESH e regras de interpretação do Sistema Harmonizado de Codificação de Mercadorias para afirmar que a correta classificação é a que foi declarada pela recorrente, ou seja, 3802.90.40; 3. Não deve prosperar a multa ao controle administrativo imposta nos autos por ter apresentado a licença de importação por ocasião do despacho aduaneiro. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, estando de acordo com o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Preliminar Da produção de novo laudo técnico. Insiste a recorrente, em sede de preliminar, na alegação de nulidade do processo em razão de suposta ofensa ao princípio do devido processo legal, já que o seu pedido de diligência fora indeferido em primeiro grau de jurisdição administrativa, configurando cerceamento de defesa. A meu ver, entendo que não assiste razão à recorrente, não havendo o que se falar em cerceamento de defesa, pois o indeferimento da realização da perícia foi devidamente fundamentado. Consta da decisão recorrida argumentos, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a alegada contradição do produto. Também este entendimento corrobora minha decisão de não acatar o pedido de produção de provas, juntada de novos documentos, perícia técnica e conversão do julgamento em diligência. A um que já está superada a fase de apresentação de provas, conforme inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93. A dois que nos autos já constam documentos suficientes para a tomada de decisão. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.008181/200604 Acórdão n.º 310201.224 S3C1T2 Fl. 266 5 Do recebimento das provas constantes do Processo Judicial nº 2000.61.014.0022996. Não há impedimento à aplicação no processo administrativo do instituto da prova emprestada, a teor da norma contida no art. 30, § 3.º, do Decreto n.º 70.235/1972, alterado pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997. Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. [...] § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. O Laudo Técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para outras importações, desde que se trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, em conformidade com o artigo 30, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, desde que não esteja em pauta a discussão sobre o produto em si, mas apenas sobre a sua classificação fiscal. Entendo que os documentos apresentados não são determinantes para a decisão final, mas apenas um aditivo na formação do convencimento do julgador. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.(PAF) Também entendo que o recebimento destes documentos nesta fase processual não prejudicará o contraditório e a ampla defesa, pois os documentos não trazem fatos novos, mas laudos técnicos sobre o mesmo produto, realizados em importações diferentes. Mérito Da Classificação da Mercadoria. Antes de adentrarmos especificamente no problema relacionado à adequada classificação do produto objeto da lide, convém sejam tecidos rápidos comentários atinentes à classificação fiscal de mercadorias no que importa para a incidência tributária. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Como se sabe, a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias – NBM está alicerçada na sistemática de códigos e nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas (hoje, Organização Mundial das Alfândegas – OMA): a Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ou, simplesmente, Sistema Harmonizado – SH (daí a sigla NBM/SH), constituído por 6 dígitos. A convenção internacional relativa ao Sistema Harmonizado foi, no Brasil, ratificada pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23/12/1988. A partir de 1º/01/1997, por força do artigo 2º do Decreto nº 2.092/96, a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (com 8 dígitos) – decorrente do Tratado de Assunção – passou a constituir a nova Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH), para todos os efeitos previstos no artigo 2º do DecretoLei nº 1.154, de 1º de março de 1971, dentre os quais “na cobrança dos impostos de exportação, importação e sobre produtos industrializados” (nos termos de seu inciso III). Com respeito ao Imposto sobre as Importações – II, até 31/12/1994 vigorava a Tarifa Aduaneira do Brasil – TAB, equivalente à NBM/SH acrescida das alíquotas do reportado imposto. A partir de 1º/01/1995 foi adotada a Tarifa Externa Comum – TEC, que tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (com 8 dígitos), decorrente do Tratado de Assunção. Conforme mencionado, a dúvida reside em saber qual a classificação adequada para o produto BENTONE 34, BENTONE 27 e BENTONE 27V, já que o sujeito passivo utilizou o código NCM 3802.90.40, enquanto a fiscalização entendeu ser específico para o composto em questão o código 3824.90.89. Os produtos foram assim classificados na DI nº 03/01806009: Adição /Item Descrição na DI CLM LAUDO FUNCAMP A 001/001 BENTONE 34 ADITIVO REOLOGICO DE ARGILA ORGANICA. ARGILA BENTONITE MODIFICADA. UTILIZACAO EM SISTEMA AROMATICO E ALIFATICO DE BAIXA POLARIDADE. 3802.90.40 OUTROS ARGILAS E TERRAS ATIVADAS 1764.01 B 001/002 BENTONE 27 ADITIVO REOLOGICO DE ARGILA MODIFICADA. UTILIZACAO EM SISTEMA AROMATICO E OXIGENADO DE ALTA POLARIDADE 3802.90.40 OUTROS ARGILAS E TERRAS ATIVADAS 1764.02 C 001/003 BENTONE 27 ADITIVO REOLOGICO DE ARGILA MODIFICADA. UTILIZACAO EM SISTEMA AROMATICO E OXIGENADO DE ALTA POLARIDADE 3802.90.40 OUTROS ARGILAS E TERRAS ATIVADAS 1764.03 Nos termos do laudo do FUNCAMP, extraído do Auto de Infração, fl. 04 : 1) Laudos 1764.01; 1764.02; 1764.03: CONCLUSÃO: Tratase de uma Argila Montmorilonita tratada com alquilamônio. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de Outras Argilas e Terras Ativada. Tratase de uma Argila Montmorilonita tratada com Alquilamônio, um produto gelificante, um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.008181/200604 Acórdão n.º 310201.224 S3C1T2 Fl. 267 7 Tratase de um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Segundo Referências Bibliográficas, mercadorias desta natureza são utilizadas como agente Tixotrópico e antisedimentante em adesivos, cosméticos, tintas de impressão, tintas e vernizes à base de óleo, graxas lubrificantes, etc. 4. Segundo Referências Bibliográficas (cópia anexa), a mercadoria tratase de uma organoargila, produzida pela reação de cátions orgânicos (Amônio Quaternário) com uma Bentonita (Montmorilonita).., A fiscalização então alterou a CLM das mercadorias da adição 001, objeto do presente recurso voluntário, para a NCM 3824.90.89. De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, “para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo”. Contempla, também, referida Regra Geral, a utilização de regras interpretativas adicionais (regras 2, 3, 4 e 5), mas desde que estas “não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”. Portanto, a Regra Geral nº 1 dá ampla importância à descrição dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo para fins de classificação da mercadoria, aplicandose as demais regras apenas em caráter subsidiário, ou seja, diante da insuficiência da Regra nº 1 para a classificação do produto. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6. A NBM/SH traz os seguintes textos relacionados às posições de interesse, a informada pelo importador e a definida pela fiscalização aduaneira: 38.02 Carvões ativados; matérias minerais naturais ativadas; negros de origem animal, incluído o negro animal esgotado. [...] 38.24 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições. Também reproduzi os seguintes trechos das Notas de seção e de capítulo, abaixo: Seção VI PRODUTOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS [...] Capítulo 38 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 Produtos diversos das indústrias químicas 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: [...] A recorrente definiu as características da mercadoria importada assim: “o tratamento com Alquilamônio tornou as argilas ativadas” e informou a descrição da mercadoria na Declaração de importação: Bentone 34 aditivo reológico de argila orgânica. argila bentonite modificada. utilização em sistema aromático e alifático de baixa polaridade. Bentone 27 aditivo reológico de argila modificada. utilização em sistema aromático e oxigenado de alta polaridade Já o laudo técnico identificou a mercadoria como uma Argila Montmorilonita tratada com alquilamônio e que não se trata de Outras Argilas e Terras Ativada. Pela aplicação da RG1 devemos analisar qual a posição é a mais adequada para o produto. Vamos então buscar a definição do que é uma matéria mineral ativada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, NESH, que são um elemento subsidiário para a correta classificação das mercadorias. A NESH para a Posição 3802 assim dispõe: MATÉRIAS MINERAIS NATURAIS ATIVADAS Um carvão ou uma matéria mineral consideramse como ativados quando a sua estrutura superficial é modificada por tratamento apropriado (térmico, químico, etc.), de forma a tornálos aptos para determinadas utilizações, tais como descoramento, adsorção de gás ou de umidade, catálise, permuta ônica, filtração. Estes produtos podem incluirse em dois grupos: I) [...] II) Produtos que geralmente têm uma superfície específica pouco elevada (da ordem de 1 a 100 m2 por grama). Embora tenham uma densidade de carga elétrica, em geral, elevada, estes produtos não possuem uma capacidade acentuada de adsorção e, conseqüentemente, não são descorantes. Em contrapartida, quando em suspensão na água, são suscetíveis de estabelecer interações eletrostáticas intensas com os colóides, facilitando ou inibindo a sua coagulação e tornandoos assim aptos para serem utilizados como agentes filtrantes. Em geral, os produtos deste segundo tipo também se obtêm por tratamento térmico adequado, podendo a presença de matérias alcalinas durante a sua calcinação favorecer, às vezes, a formação de cargas superficiais. Entre os produtos compreendidos nesta posição, podem citarse os seguintes: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.008181/200604 Acórdão n.º 310201.224 S3C1T2 Fl. 268 9 [...] b) As matérias minerais naturais ativadas, tais como: [...] 3) As argilas e as terras ativadas, consistem em argilas coloidais ou em terras argilosas, selecionadas, ativadas, consoante a sua utilização, por meio de um agente alcalino ou ácido, secas e trituradas. Ativadas por um agente alcalino, são emulsificantes, agentes de suspensão e aglomerantes, que se empregam, especialmente, para a fabricação de produtos de polimento, de limpeza e, em virtude do seu elevado poder de intumescimento, para beneficiamento das areias de moldação utilizadas em fundição e nas instalações de perfuração. Ativadas por um ácido, usamse sobretudo para descoramento de óleos, gorduras ou ceras, de origem mineral, vegetal ou animal. [...] Esta posição não compreende: a) As matérias minerais naturais ativas por sua própria natureza (por exemplo: terras de pisão (terras de fuller)), desde que não tenham sido submetidas a qualquer tratamento que modifique a sua estrutura superficial (Capítulo 25). b) Os produtos químicos ativados, tais como a alumina ativada (posição 28.18), o gel de sílica ativado (posições 28.11 ou 38.24), as zeólitas artificiais permutadoras de íons (posição 28.42 ou, caso contenham aglutinantes, posição 38.24) e os carbonos sulfonados permutadores de íons (posição 38.24). c) Os carvões ativados que tenham características de medicamentos (posições 30.03 ou 30.04) ou acondicionados para venda a retalho como desodorantes para refrigeradores (frigoríficos*), automóveis, etc. (posição 33.07). d) Os catalisadores constituídos por um produto químico (óxido metálico, por exemplo) fixado sobre matéria ativada (carvão ativado ou diatomita ativada, por exemplo) que desempenha a função de suporte (posição 38.15). e) A perlita expandida, que se apresenta em grânulos leves de forma esferoidal (posição 68.06). No laudo técnico temos a informação que tratase de uma Argila Montmorilonita tratada com Alquilamônio, um produto gelificante, um produto diverso das Indústrias Químicas. E segundo Referências Bibliográficas, mercadorias desta natureza são utilizadas como agente Tixotrópico e antisedimentante em adesivos, cosméticos, tintas de impressão, tintas e vernizes à base de óleo, graxas lubrificantes, etc. A mercadoria tratase de uma organoargila, produzida pela reação de cátions orgânicos (Amônio Quaternário) com uma Bentonita (Montmorilonita). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Então, segundo a NESH uma matéria mineral considerase ativada quando a sua estrutura superficial é modificada por tratamento apropriado e no caso das argilas, elas são ativadas por meio de um agente alcalino ou ácido. No laudo técnico foi identificada a presença de alquilamônio e argila Montmorilonita. E segunda a literatura técnica apresentada juntamente com o laudo técnico, o Betone é um complexo argilacomposto orgânico, cuja principal propriedade é ter caráter hidrofóbico, diferente das argilas ativadas que tem no poder adsortivo a propriedade mais importante. As argilas são originadas da decomposição e alteração de rochas contendo além do argilomineral principal, geralmente outros minerais acessórios como quartzo, feldspatos, micas, etc. Elas não possuem a nível comercial, uma composição química definida. A obtenção das mercadorias do tipo Bentone é realizada pelo tratamento de argilas montmoriloniticas sódicas com sais de amônio quaternário onde, par um mecanismo de troca iônica, os íons sódio são substituídos por grupos orgânicos, acompanhado pela perda de suas propriedades hidrofílicas, conferindo ao produto final suspensabilidade em líquidos orgânicos. Tal procedimento, essa troca antiiônica não deve ser considerado ativação pois não afeta a estrutura argilomineral da mesma forma que ocorre nos processos de ativação térmica ou química, onde há destruição parcial do argilomineral ou mudanças cristalográficas, conferindo ao produto final poder adsortivo em função do aumento na área específica e porosidade das partículas da argila. Logo, o produto em análise não pode ser classificado na posição 3802 como quer a recorrente, por não ser uma matéria ativada. Deve seguir a classificação adotada pela fiscalização aduaneira, classificandose, por aplicação da 1º. RGI/SH, na posição 3824 “Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições”, e por conseguinte no subitem 3824.90.89 Da Multa ao Controle Administrativo. A multa administrativa, por falta de licença de importação, prevista no art. 526 do RA vigente à época, Decreto n° 91.030/85, era assim descrita: "Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (DecretoLei n° 37/66, artigo 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, artigo 2°): [...] II importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multas de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria;" Na época da ocorrência dos fatos vigorava a Portaria Secex/MDIC nº 21/96 que definia que o licenciamento das importações deveria ocorrer de forma automática ou não automática. Nesta portaria também estava disposto que o Decex, órgão vinculado ao Secex, divulgaria, por meio de Comunicado, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais. A Decex então publicou o Comunicado nº 37/97 onde definia em seus anexos I e II os produtos sujeitos a licenciamento não automático. Logo os produtos que não estivessem listados estavam sujeitos a licenciamento automático pelo Siscomex. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.008181/200604 Acórdão n.º 310201.224 S3C1T2 Fl. 269 11 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291,de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático. Pelos autos concluise que nenhuma das duas classificações constavam do Anexo II do Comunicado Decex nº 37/97, portanto estavam sujeitas a licenciamento automático. O licenciamento das importações é um controle administrativo que está afeito a política econômica do país. Os produtos são sujeitos a análise para sua importação ou exportação, licenciamento não automático, dependendo do plano econômico do governo. Se a grande maioria dos produtos estão sujeitos a licenciamento automático, é porque o governo assim definiu, e busca com isto alcançar outros objetivos, quais sejam o incremento da indústria nacional, a celeridade dos trâmites burocráticos, a geração de empregos e melhoria do comércio. Neste caso o controle que é feito por meio do licenciamento automático é apenas estatístico, com vistas ao controle da balança da pagamentos do país. A Egrégia Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo 10907.000430/200161 (Acórdão 30237.985, de 19/09/2006), manifestou entendimento que se aplica à hipótese versada nos autos: "COMÉRCIO EXTERIOR. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA RELATIVA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Sendo o produto descrito na DI/LI o mesmo efetivamente importado, havendo divergência apenas quanto a sua classificação fiscal, não há que se aplicar a multa capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (...)." Também a matéria foi objeto de pronunciamento pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 30335361, em 21/05/2008, a qual formalizou entendimento no sentido de que a revisão da classificação fiscal empregada pelo importador não dá ensejo à aplicação da multa do controle administrativo: MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. "Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. (...)". Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a aplicação da multa prevista no art. 526, II do Decreto nº 91.030/85, por falta de licenciamento da importação. Mara Cristina Sifuentes Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/11/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 10240.720010/2004-28
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. GLOSA NAS RETENÇÕES POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. PRECLUSÃO DA PROVA. VERDADE MATERIAL.
O processo administrativo é informado pelo princípio da verdade material. Deve este prevalecer, quando sopesado com a regra da preclusão da prova, uma vez admitida a circunstância que impossibilitou sua juntada na impugnação.
Numero da decisão: 3803-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.495,37 (um mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e trinta e sete centavos), autorizando sua restituição em espécie, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente Ad Hoc
Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. GLOSA NAS RETENÇÕES POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. PRECLUSÃO DA PROVA. VERDADE MATERIAL. O processo administrativo é informado pelo princípio da verdade material. Deve este prevalecer, quando sopesado com a regra da preclusão da prova, uma vez admitida a circunstância que impossibilitou sua juntada na impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.495,37 (um mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e trinta e sete centavos), autorizando sua restituição em espécie, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
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COMPENSAÇÃO. GLOSA NAS RETENÇÕES POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. PRECLUSÃO DA PROVA. VERDADE MATERIAL. O processo administrativo é informado pelo princípio da verdade material. Deve este prevalecer, quando sopesado com a regra da preclusão da prova, uma vez admitida a circunstância que impossibilitou sua juntada na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.495,37 (um mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e trinta e sete centavos), autorizando sua restituição em espécie, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente Ad Hoc Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 00 10 /2 00 4- 28 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720010/200428 Acórdão n.º 3803000.267 S3TE03 Fl. 478 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 018.553, de 25 de junho de 2007, da DRJBelém/PA, fls. 110 a 112, que desproveu a manifestação de inconformidade, fls.67 a 72. Despacho decisório da DRFPorto Velho/RO indeferiu a parcela de R$ 2.964,64 do total do crédito de Cofins, de R$ 220.581,71, referente ao período de apuração maio/2003, utilizado na compensação da mesma contribuição, dos períodos de apuração junho e julho/2003, conforme DComp de fls. 01 a 05. Cotejados e afirmados os créditos passíveis de dedução da contribuição apurada naquele mês, conforme demonstração que faz a auditoria, à fl. 57, foi efetuada a glosa na retenção por órgãos públicos, tendo sido considerado o valor constante do sistema SIEF/DIRF, de R$ 12.331,66, e não a importância de R$ 15.296,30, contabilizada no Livro Razão/p. 125, à fl. 82, juntamente com relatório individualizado das retenções, por fatura. Assim relatou a DRJ/Belém: “O contribuinte apurou PIS a pagar de R$ 1.011.951,59 e créditos de R$ 1.231.345,19 e R$ 1.188,11. Do encontro de contas requereu o saldo.. Cópia da ficha 21, linha 36, permite inferir que o contribuinte também compensou naquele mês de 05/2003 o montante de R$ 15.296,30 de COFINS que teria sido retida por órgãos públicos (fl. 17). Mas, o sistema Sief/Dirf da Secretaria da Receita Federal, para 05/2003, atesta que as retenções (fls. 18/40) efetuadas somaram R$ 12.331,66. Desta forma o valor a ser restituído/compensado ficou diminuído de R$ 2.964,64.”.[g.n.] E nessa linha confirmou o despacho decisório, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 VALORES 1NDEVIDAMINTE COMPENSADOS. Deveria a impugnante não só dispor de sua escrituração Como de documentos fiscais que comprovassem o alegado: o faturamento, com as correspondentes retenções. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão em 24 de agosto de 2007, apresenta recurso voluntário, fls. 192 a 196, em 26 de setembro de 2007, no qual inicia o mérito transcrevendo o art. 64 da Lei nº 9.430/96, que trata da obrigatoriedade e da forma de retenção dos tributos e contribuições pelos órgãos públicos. Argumenta apenas que emite as faturas de energia aos órgãos públicos da administração federal fazendo constar os código de barra para pagamento o valor líquido a Fl. 478DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720010/200428 Acórdão n.º 3803000.267 S3TE03 Fl. 479 3 pagar deduzido das retenções, tendo procedido às deduções no mês de maio/03, conforme art. 64, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430/96. Informa que solicitou aos órgãos públicos os comprovantes de rendimentos para o exercício de 2003, mediante correspondência CT/CIRC/FGC/067/2006, de 21 de novembro de 2006, que, recebidos, comprovam o total de retenções de R$ 13.095,06. Ao fim, pede a juntada dos ditos comprovantes, e que seja conhecido o presente recurso e provido, para reformar a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Extraise do relatório que a controvérsia neste processo resumese em que da importância a restituir decorrente do pagamento a maior efetuado no mês de maio de 2003, foi efetuada a glosa no valor da contribuição retida por órgãos públicos, dedução feita pela contribuinte, da qual, caso não se comprove, resultou Contribuição a Pagar a menor, conforme os valores da ficha 26A, da DIPJ/2004, fl. 16 e 17. No exame deste recurso estarseia, a princípio, diante da situação de sopesar entre uma regra e um princípio, ambos a nortearem o processo administrativo: a regra da preclusão da prova e o princípio da verdade material, em virtude de a pretensa efetiva comprovação documental fazerse apenas no presente recurso. A primeira questão, a preclusão, exsurge do fato de a Delegacia da Receita Federal em Porto Velho, não dispondo de provas coligidas pela contribuinte que infirmassem os valores informados pelas fontes pagadoras, por meio das DIRFs, considerou os que constam destas declarações. Em sua defesa contra o despacho decisório a impugnante anexa relatórios individualizados elaborados pela contabilidade da empresa, por fatura, e sua contabilização pelo total, no Razão, porém foram tidos como insuficientes meios meio de prova, tendo a DRJ/Belém indeferindo a solicitação da impugnante. A segunda questão, o princípio da verdade material, porque vem agora a recorrente movida pelo revés sofrido em sua pretensão na primeira instância , anexando um semnúmero de documentos, acerca dos quais afirma comprovar a quase totalidade da dedução escriturada, induzindo, sem afirmar, não dispor deles ao tempo da impugnação, posto não terem sido enviados por todas as fontes pagadoras. Podese ver, pela menção feita por algumas fontes pagadoras, fl. 110, que sua carta circular solicitando os comprovantes de recolhimento das retenções data de três meses após a ciência do despacho decisório. Registrese que o exercício da ampla defesa não deve ser o mote sempre suficiente para se mitigar a qualquer custo a regra do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, Fl. 479DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720010/200428 Acórdão n.º 3803000.267 S3TE03 Fl. 480 4 segundo a qual a prova deve acompanhar a impugnação, ainda que tal regra seja flexibilizada pelo art. 38 da Lei nº 9.784/98, que, segundo a leitura da boa doutrina, vê este prazo dilargado até a decisão de primeira instância. Contudo, o dilema acima esvaece, primeiramente, após o cotejo de cada um dos comprovantes anexados. Verifico que a maior parte dos documentos apresentados não diz respeito ao período de apuração de que aqui se trata. E o que resta, apenas repete o que já havia sido considerado pela auditoria fiscal, exceção apenas para o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte emitido no SIAFI pela fonte pagadora Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, fl. 344. Estabelecida a verdade material desta prova e considerando o fato de ser documento emitido pela fonte pagadora – documento este inacessível ao fornecedor via este mesmo sistema, o SIAFI, conquanto seja nele cadastrado, e que se constitui em obrigação acessória cuja cópia é devida ao fornecedor a tempo de sua emissão, mas entregue em momento posterior ao prazo final para impugnação , afasto a aplicação do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, para admitir como verossímil o valor retido de Cofins, no mês de maio de 2003, de R$ 1.495,37, conforme planilha de fl. 343, e, conseqüentemente, cancelar a glosa efetuada. Considerada a glosa a DRF/Porto Velho reconheceu o direito creditório no valor de R$ 217.617,07, que o aplicou na compensação dos débitos do presente processo, Cofins dos meses de junho e julho/2003, conforme se vê dos termos do despacho decisório a seguir, fl. 58: O Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Porto VelhoRO, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 140, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 030, de 25 de fevereiro de 2005, das competências que lhe foram delegadas pela Portaria DRF/PV0 n° 72, de 20 de setembro de 2002, e tendo em vista as conclusões e os fundamentos legais reproduzidos no PARECER/SAORT N° 097/2006, que aprova, decide reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado à folha 02 referente ao recolhimento da Cofins de maio de 2003, no valor de R$ 217.617,07, conforme Tabela 02 transcrita no referido Parecer e homologar as compensações dos débitos da Cofins de junho e julho de 2003 junto ao Per/Dcomp nº 36567.56954.120803.1.3.043128, até o limite do direito creditório reconhecido.[g.n.] Determinar o encaminhamento do presente processo à equipe de compensação e restituição da DRF/PVO/Saort, para que dê ciência desta decisão ao contribuinte, esclarecendo que cabe manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias, Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém — PA, e para adotar as providências cabíveis, observando as normas contidas na Instrução Normativa n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Como se vê do PROFISCExtrato do Processo, de fl. 63/65, mesmo com a glosa efetuada na dedução da Cofins apurada no mês de maio/2003, o crédito remanescente, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720010/200428 Acórdão n.º 3803000.267 S3TE03 Fl. 481 5 valorado em 12/08/2003 para R$ 224.319,67, foi suficiente para homologar as compensações, como o comprova o Extrato de Encerramento do PROFISC de fl. 65: Não mais havendo débito em aberto para aproveitamento de crédito, deve o crédito ser entregue à contribuinte, com os acréscimos legais pertinentes Gizese, para o fim de se estar coerente com outros julgamentos, neste aspecto, que o meio escorreito de exigir a dedução indevida haveria de ser o lançamento de ofício, com seus consectários. Entretanto, no caso presente, mitigo o rigor da forma para decidir pela a impossibilidade da restituição na totalidade pleiteada, apoiado na conjunção de fatores: a) a decadência do direito da Fazenda de lançar, já na presente data; b) ter disposto a recorrente de inconteste extensão de tempo para carrear as provas de que efetivamente sofrera a retenção que reclama, bem assim de ter exercitado amplamente sua defesa, não logrando ilidir o feito da auditoria nem motivar a reforma da decisão combatida; c) o único mérito que haveria de ser discutido em processo de determinação e exigência de crédito tributário ter sido inteiramente exaurido neste processo, não se estando aqui neste processo a confirmar a cobrança (isto é, a glosa em sua restituição) daquilo de que a contribuinte não pôde se defender. Pôde, sim, amplamente; d) o desfecho deste processo não resultar na exigência da contribuição devida e não paga, o que resultaria em óbice intransponível, pela falta da constituição formal, mas na restituição do que teria sido pago a maior; e) a verdade que se estabelece de ser efetivamente devida a contribuição que deixou de ser recolhida, por dedução indevida na apuração da contribuição a pagar; f) a irrisória importância a inviabilizar uma ação fiscal; g) enfim, a indisponibilidade do interesse público, que ora se manifesta no dever de não se restituir tributo devido, inobstante não formalmente constituído; Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.495,37, e determinar a sua entrega ao contribuinte, sem prejuízo da compensação de ofício, consoante a previsão do art. 49 da IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Sala das Sessões, em 19 de novembro de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 481DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720010/200428 Acórdão n.º 3803000.267 S3TE03 Fl. 482 6 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001996/2001-44
Data da sessão: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
DECADÊNCIA. LEI Nº 8212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
É certo que, atualmente, a expedição da Súmula nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário já é suficiente para o cancelamento da autuação dos débitos referentes aos fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a cinco anos de sua ciência. Não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal. Todavia, a aplicação do artigo 45 e 46 às contribuições sociais, antes mesmo desta declaração de inconstitucionalidade, não poderia ser realizada em virtude da interpretação sistemática de nosso ordenamento jurídico.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento do recurso.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 18/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, José Antonio Francisco, Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 DECADÊNCIA. LEI Nº 8212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL É certo que, atualmente, a expedição da Súmula nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário já é suficiente para o cancelamento da autuação dos débitos referentes aos fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a cinco anos de sua ciência. Não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal. Todavia, a aplicação do artigo 45 e 46 às contribuições sociais, antes mesmo desta declaração de inconstitucionalidade, não poderia ser realizada em virtude da interpretação sistemática de nosso ordenamento jurídico. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento do recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 18/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, José Antonio Francisco, Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes.
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LEI Nº 8212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL É certo que, atualmente, a expedição da Súmula nº 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” já é suficiente para o cancelamento da autuação dos débitos referentes aos fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a cinco anos de sua ciência. Não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal. Todavia, a aplicação do artigo 45 e 46 às contribuições sociais, antes mesmo desta declaração de inconstitucionalidade, não poderia ser realizada em virtude da interpretação sistemática de nosso ordenamento jurídico. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento do recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 19 96 /2 00 1- 44 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13708.001996/200144 Acórdão n.º 3302000.062 S3C3T2 Fl. 3 2 FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 18/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, José Antonio Francisco, Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de Pedido de Restituição/Compensação protocolado em 11/12/01, em que se pleiteia créditos decorrentes do recolhimento indevido de PIS no período de apuração de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Conforme esclarecido pela decisão de primeira instância administrativa, nos termos de seu relatório, a solicitação foi indeferida, verbis: “A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fls. 45/47), sob o argumento de que ocorreu a decadência, uma vez que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário, com base nos artigos 165, I e 168, I, da Lei nº 5.172 e no Ato Declaratório SRF nº 96/99. O interessado contestou o despacho decisório que indeferiu seu pleito (fls. 53/59), argumentando, em síntese, que: a) O PIS se enquadra na categoria dos tributos cujo lançamento se dá por homologação ou autolançamento. Sendo assim, equivocouse o digno julgador ao aplicar o Ato Declaratório nº 96/99 para indeferir o pleito; b) O prazo para restituição/compensação dos tributos pagos indevidamente ou a maior do que devidos é decenal (dez anos) por se tratar de autolançamento, e não qüinqüenal (cinco anos) como sustentado na decisão impugnada; c) Por não haver na decisão tomada nenhuma consideração sobre mérito, ou sobre cálculo de aplicação de juros e correção monetária, considera estes itens homologados na íntegra pelo órgão, ficando a impugnação destinada a discutir o motivo do indeferimento, que é a alegação do fisco da decadência do direito de repetição de indébito; d) O pagamento só extingue o crédito em caso de lançamento de ofício. No caso de antecipação, ou seja, de autolançamento, fica claro e literal a condição resolutória para a extinção definitiva. A morosidade e a inércia do fisco resultam em homologação Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13708.001996/200144 Acórdão n.º 3302000.062 S3C3T2 Fl. 4 3 tácita, explicando, mas não justificando a elasticidade temporal de 10 (dez) anos. Nesse sentido, junta julgados do STJ; e) Assim, deve ficar sobrestada a cobrança representada pelos supostos créditos oriundos deste processo até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo, vedada a inserção de qualquer restrição ou qualquer ato tendente à cobrança, até que definitivamente julgadas as discussões.” Após analisar as razões de inconformidade da Recorrente, a Quarta Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Rio de Janeiro, proferiu, em 04.03.05, o acórdão nº 7840 (fls. 61/64), por meio do qual manteve o indeferimento de seu pedido, a saber: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 Ementa: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário.” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 70/85, no qual reiterou as alegações trazidas em sua impugnação, principalmente a tese de que o pedido foi anterior à Lei Complementar 118/05 e que ao caso se aplica a tese dos 5 + 5. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. As questões que ainda permanecem em discussão referemse à ocorrência de decadência e à possibilidade de constituirse o principal acrescidos de juros moratórios, mesmo que a exigibilidade do tributo esteja suspensa. Por ser matéria prejudicial, tratemos inicialmente da decadência. Reclama a Recorrente o reconhecimento da total decadência do auto de infração, ou seja, dos fatos geradores de outubro/1995 a fevereiro/1996. Neste ponto discutese acerca da possibilidade da Lei 8.212/91 alterar o dispositivo do Código Tributário Nacional – CTN – que amplia o prazo decadencial das contribuições sociais de 5 para 10 anos. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13708.001996/200144 Acórdão n.º 3302000.062 S3C3T2 Fl. 5 4 inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento do presente auto de infração. Não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Todavia, registro meu posicionamento de que, antes mesmo desta declaração, a aplicação do artigo 45 e 46 às contribuições sociais não poderia ser realizada em virtude da interpretação sistemática de nosso ordenamento jurídico, explico. É a própria Constituição Federal, bem como, na esfera do processo administrativo fiscal a legislação (em especial a Lei nº 9.784/99), que estabelece critérios aptos a resolver a contrariedade de dispositivos normativos. No ordenamento jurídico brasileiro, alguns princípios são essenciais à solução de controvérsias legislativas, como, por exemplo, o princípio da especificidade, da anterioridade, e, no que tange ao presente caso, o princípio de hierarquia entre os textos legais. Neste sentido, para evitar conflitos, é preciso que o intérprete busque a interpretação sistemática de cada norma dentro do sistema jurídico. As contribuições sociais são tributos e, em razão deste fato, devem seguir as regras tributárias que versam sobre os prazos de decadência e prescrição, as quais estão dispostas no Código Tributário Nacional. Visando sedimentar tal orientação constitucional, o Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido de que as contribuições sociais são espécie de tributo e, por assim ser, devem obediência ao artigo 146, III, da Constituição Federal, em especial no que tange à determinação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Nesse sentido, dispôs o Exmo. Ministro Carlos Velloso, verbis: “A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, “b”). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146, III, b, art. 149). (Recurso Extraordinário nº 148.7542/RJ, excerto do voto do Ministro Carlos Velloso, junho/1993).” No julgamento do Recurso Extraordinário nº 138.2848/CE, decidido à unanimidade de votos pelo Plenário em 1º de julho de 1992, o ministro Carlos Velloso, relator, quanto à natureza da norma para a disciplina do instituto da prescrição consideradas as contribuições sociais, expressamente consignou: “[...] Todas as contribuições, sem exceção, sujeitamse à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, III, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13708.001996/200144 Acórdão n.º 3302000.062 S3C3T2 Fl. 6 5 ex vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há a exigência no sentido de que os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes estejam definidos na lei complementar (art. 146, III, a). A questão da prescrição e da decadência, entretanto, pareceme pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, “b”). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146, III, b; art. 149). [...] Esse entendimento veio a ser novamente ressaltado pelo Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 396.2663/SC, também relator o ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 2004. Assim restou assentado: [...] As contribuições do art. 149 da C.F., de regra, podem ser instituídas por lei ordinária. Por não serem impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, a). No mais, estão sujeitas às regras das alíneas b e c do inciso III do art. 146, C.F. Assim, decidimos, por mais de uma vez, como, v.g., RE 138.284/CE por mim relatado (RTJ 143/313), e RE 146.733/SP, Relator o Ministro Moreira Alves (RTJ 143/684). [...] Realmente, descabe concluir de forma diversa.” Dessa maneira, tendo em vista o caráter tributário das Contribuições Sociais, no que tange ao prazo para constituição e cobrança do crédito tributário, devese observar os dispositivos do Código Tributário Nacional, o qual foi recepcionado pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. Outro aspecto importante a ser analisado é o método de apuração do tributo em análise. O Código Tributário Nacional adotou três modalidades distintas de apuração de tributos, sendo elas: modalidade por declaração (artigo 147), modalidade de ofício (artigo 149) e modalidade por homologação (artigo 150). A sistemática de apuração por homologação – que é a mais utilizada nos dias atuais é regida pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, o qual, em seu parágrafo 4º, impõe à Autoridade Administrativa o prazo de 5 (cinco) anos para homologação dos procedimentos adotados pelo particular. No silêncio do Fisco, uma vez decorrido o prazo em questão, os lançamentos serão tacitamente homologados. É inquestionável o fato de que o PIS é tributo e está sujeito à apuração por homologação, sendolhe aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13708.001996/200144 Acórdão n.º 3302000.062 S3C3T2 Fl. 7 6 Firmamse, então, as premissas para análise da questão da decadência trazida ao presente caso: o PIS é Contribuição Social e deve respeito ao artigo 195 da Constituição Federal, na medida em que destinada à Seguridade Social. Da interpretação sistemática da Lei Maior, verificase, ainda, que o artigo 149 da Constituição Federal enquadra o PIS na categoria de tributo, devendo obediência às disposições do Código Tributário Nacional, Lei Complementar que determina as normas gerais de aplicação tributária no país, inclusive ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a autoridade administrativa analisar os procedimentos adotados pelo contribuinte, na constituição do crédito tributário, cabendo a ela homologálos ou não. A não aplicação, portanto, do prazo decadencial de 10 anos previsto na Lei nº 8212/91, já se justificava desde antes do reconhecimento de sua inconstitucionalidade, posto que contrário às demais normas do ordenamento jurídico que versam sobre as contribuições, como bem asseverou o Conselheiro Natanael Martins, em voto proferido nos autos do Recurso nº 145.124, verbis: “Não se trata, aqui, como já de início asseverado, de negar aplicação a dispositivo vigente de lei ainda não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, por via de conseqüência, de negar vigência à Portaria MF 103/2002 que delimitou a competência dos Conselhos de Contribuintes, mas, sim, de eleger, entre dois dispositivos de lei, aquele que mais se adapta ao ordenamento vigente. (...)” No sentido de prevalência do Código Tributário Nacional também já se pronunciou a C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões assim emetadas, verbis: “CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, ‘b’, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, ‘b’, da Constituição Federal.” (Recurso Especial nº107133.941, Acórdão nº CSRF/0105.473, sessão de 19.06.06) Portanto, tendo em vista a linha argumentativa exposta acima, respaldada nas decisões do Supremo Tribunal Federal e da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, é de se ressaltar que ainda que estivessem válidos os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, deveria ser Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13708.001996/200144 Acórdão n.º 3302000.062 S3C3T2 Fl. 8 7 afirmada a aplicabilidade da norma correta ao caso sob análise, qual seja o Código Tributário Nacional. Portanto, seja pela aplicação da Súmula vinculante nº 8, seja pela impossibilidade de, realizando a interpretação sistemática das normas de nosso ordenamento jurídico, manter a aplicação dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8212/91, entendo que no presente caso houve a decadência do direito do Fisco de lançar os valores relativos aos fatos geradores dos períodos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, estando extinto o crédito tributário a eles relativos, por força do disposto nos artigos 150, §4º e 156, inciso V, ambos do CTN. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado em razão de entender pela decadência do direito do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 128DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11128.007556/2005-20
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/07/2004
VISTORIA ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A responsabilidade pela falta de mercadorias será de quem lhe tiver dado causa. A identificação do sujeito passivo, em tais casos, deve ser formada por meio de um quadro probatório robusto e contundente, ainda que indiciário. Inexistente tal quadro probatório, não há como se responsabilizar o depositário pela falta da mercadoria.
Recurso de Ofício negado
Numero da decisão: 3202-001.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 12/07/2004 VISTORIA ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA. A responsabilidade pela falta de mercadorias será de quem lhe tiver dado causa. A identificação do sujeito passivo, em tais casos, deve ser formada por meio de um quadro probatório robusto e contundente, ainda que indiciário. Inexistente tal quadro probatório, não há como se responsabilizar o depositário pela falta da mercadoria. Recurso de Ofício negado
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TECONDI TERMINAL PARA CONTAINERS DA MARGEM DIREITA S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/07/2004 VISTORIA ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA. A responsabilidade pela falta de mercadorias será de quem lhe tiver dado causa. A identificação do sujeito passivo, em tais casos, deve ser formada por meio de um quadro probatório robusto e contundente, ainda que indiciário. Inexistente tal quadro probatório, não há como se responsabilizar o depositário pela falta da mercadoria. Recurso de Ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 75 56 /2 00 5- 20 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de exigência dos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, das contribuições para o Pis e Confins e das respectivas multas de ofício, além da multa regulamentar sobre o imposto de Importação, aplicável nos casos de extravio de mercadorias e da multa por infração administrativa ao controle das importações aplicáveis nos casos de importação desamparada de Licença de Importação. Os fatos narrados no auto de infração, datado de 12/07/2004, bem como os demais elementos constantes do processo, dão conta de que em 07/07/2004 atracou em porto brasileiro embarcação de cuja carga foi desembarcado, para fins de baldeação, contêiner destinado aos portos de Montevideo e Buenos Aires,o qual foi armazenado em recinto da autuada pelo período necessário ao seu reeembarque. Em 12/07/2004, a fiscalização procedeu à abertura do contêiner e se deparou com saco de areia em lugar da carga manifestada. Sobre esse procedimento consta dos autos o Termo de Abertura de Container de fl. 89, do qual poderseia extrair informações relativas às condições apresentadas pelo lacre de origem, caso isso tivesse sido circunstanciado. Todavia, desse Termo consta apenas que, submetido à verificação por amostragem, o contêiner apresentavase carregado com areia. Nada mais foi dito sobre as condições em que o volume foi encontrado, tendo sido a integridade do lacre de origem objeto apenas de menção na autuação. Do Termo de Avaria, de fls. 79 e 80, foi indicada a presença de outros lacres, porém não houve registro de violação ou qualquer outra ocorrência relacionada ao lacre de origem. Fotos reproduzidas às fls. 90 e 91 indicam a presença de trava na porta do contêiner e marca de reparo nos parafusos da porta esquerda. Diante da substituição da carga manifestada, o importador nomeou representante legal, que solicitou vistoria aduaneira, a qual, realizada em 11/01/2005, possibilitou a retirada de amostra do material depositado no contêiner, de cujo exame resultou o laudo Funcamp, de fls. 89 e 90, o qual não foi conclusivo no que respeita à origem do material examinado. Em 29/04/2005, foi autorizada nova retirada de amostra da areia depositada no volume vistoriado que, entregue ao representante legal da seguradora da carga perante o exportador, teria sido por este encaminhada ao Instituto de Pesquisa Tecnológica – IPT para fins de identificação da origem do material encontrado. Consta dos autos que este Instituto teria indicado, em informação técnica, tratarse de areia proveniente de RegistroSP. Todavia, não se encontra nos autos essa informação técnica. Estranha aos autos a intimação juntada à fl. 150. Tempestivamente, a autuada pugna pela desconsideração da alegada origem da mercadoria, enquanto prova de sua sujeição passiva. Alega também a ilegalidade do lançamento do Impostos sobre Produtos Industrializados, em face da inocorrência de seu fato gerador, bem como das multas aplicadas cumulativamente, em face da falta de previsão legal para a sua exigência. Em prol de sua causa, carreia para os autos jurisprudência que se opõe à exigência de tributos sobre mercadorias que estejam de passagem pelo território nacional.” A DRJFlorianópolis/SC julgou nulo o lançamento fiscal (efls.267/269), em decisão cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre a ImportaçãoII Data dói Fato Gerador: 12/07/2004 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.007556/200520 Acórdão n.º 3202001.291 S3C2T2 Fl. 540 3 Ementa: VISTORIA ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. A responsabilidade pelo extravio de mercadorias será de quem lhe tiver dado causa e sua apuração depende de um conjunto de provas que, mesmo indiciárias, dirima as dúvidas surgidas. Lançamento nulo. Chegaram os autos a este Colegiado em razão de recurso de ofício, em razão de o valor do crédito tributário exonerado pela DRJ ser superior ao seu limite de alçada. Em sessão realizada em 08/12/2010, esta Turma julgadora, por meio da Resolução nº. 320200.023 (efls. 278/282) decidiu converter o julgamento em diligência para que: i. fossem juntadas cópias: (a) do Relatório Técnico 80 774205, do INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS – IPT, (b) do processo nº. 11128.006676/200429, no qual constava a notícia da comunicação do roubo do conteúdo da unidade de carga armazenada no container objeto desta lide, ii. fosse oficiada a companhia seguradora “Crawford Brasil Reguladora de Sinistros S/C Ltda”, para que trouxesse alguma informação aos autos sobre o resultado de apuração porventura realizada no âmbito daquela empresa quanto ao extravio das mercadorias. Cumprida a diligência requerida, retornam os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Cuida a lide de Auto de Infração lavrado em 12/07/2004, contra a contribuinte TECONDI TERMINAL PARA CONTAINERS DA MARGEM DIREITA S/A (doravante “Tecondi”), para exigência de crédito tributário referente ao II, IPIvinculado, PIS/PASEP Importação, COFINS Importação, multa de ofício de 75%, multa regulamentar do II aplicável nos casos de extravio de mercadorias e multa do controle administrativo por falta de licenciamento, no valor total de R$ 1.113.146,08, em razão do extravio do conteúdo de um container recebido no terminal do depositário. A carga, procedente do Porto de Cristobal/Panamá, foi desembaraçada no porto de Santos, em 07/07/2004, para fins de baldeação, com destino aos portos de Montevideo e Buenos Aires, tendo sido armazenada no recinto da interessada para posterior desembarque. Aberto o container GDLU 0306856 pela autoridade fiscal, em 12/07/2004, para verificação por amostragem do seu conteúdo, foram encontrados sacos de areia no seu interior, em lugar das mercadorias esperadas. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A autoridade fiscal imputou a responsabilidade pela falta das mercadorias ao depositário “Tecondi”, em razão dos seguintes elementos: Considerando que o depositário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeita a controle, no período em que essas lhe estejam confiadas e que devem zelar pela integridade das mesmas; Considerando que o efeito do ocorrido era possível evitar ou impedir, já que não houve tempo hábil entre a descarga do contêiner e sua entrada no terminal, que após a constatação do roubo pela equipe do SEOPE, o Depositário não registrou o fato na Polícia através de Boletim de Ocorrência, e que, confirmado pelo Laudo do IPT de que a areia encontrada no contêiner é nacional, concluímos que a troca da mercadoria pela areia ocorreu dentro do terminal do TECONDI; Considerando o TERMO DE RESPONSABILIDADE, assinado por ocasião da concessão do serviço público, em que declarou assumir para todos efeitos legais, a condição de fiel depositário das mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, objeto de operações de carga, descarga, movimentação, armazenamento ou passagem e, nessa condição assumiu a responsabilidade pelos tributos e demais encargos decorrentes, apurados em relação a extravio, avaria ou acréscimo de mercadorias sob sua custódia, assim como danos a elas causados, nas operações realizadas por seus prepostos; Considerando que a lei define depositário qualquer pessoa incumbida da custódia da mercadoria sob controle aduaneiro; Considerando o Relatório Técnico 80 774205, do INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS – IPT, atestando a procedência da areia; Considerando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº. 12/2004; Considerando tudo o mais que deste processo consta (...) (grifos do original) À fl. 116 consta o email remetido em 10/01/2005 à TECONDI, pela empresa Smera Adovogados Associados & Comissários de Avarias (fl. 116), cujo teor é o seguinte: Os Seguradores do exportador da carga – AIG Seguros – dizem que a quadrilha que efetuou esse furto no Panamá foi presa em flagrante, cometendo o mesmo tipo de delito em carga similar, destinada ao Paraguai via Santos. Há forte possibilidade de que a areia contida no container seja a mesma apreendida pela polícia federal panamenha. É muito importante realizar uma perícia mineralógica, eis que seus resultados poderão comprovar a origem do ato delituoso como sendo estrangeira (panamenha) Fl. 544DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.007556/200520 Acórdão n.º 3202001.291 S3C2T2 Fl. 541 5 O Laudo Técnico elaborado pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP , em 15/02/2005, ao analisar a areia que foi coletada do container, quando da realização da vistoria aduaneira, assim se pronunciou: CONCLUSÃO: Tratase de Areia Siliciosa RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Tratase de Areia Siliciosa, um Produto Mineral. A composição química encontrase nos Resultados das Análises. 2. O produto analisado apresenta composição química semelhante de areias destinadas a construção civil. Não apresenta características de areias provenientes de praia. No entanto, não é possível determinar a caracterização da localidade da extração da mercadoria (grifo não constante do original) Já o Relatório Técnico nº 80 774205, elaborado pelo Instituto de Pesquisas TecnológicasIPT (efls. 289/301), em julho de 2005, mostrase mais detalhado, e tem como objetivo não a identificação da mercadoria, como parece ser o caso do Laudo da Funcamp, mas sim a identificação da procedência da areia encontrada no container aberto em Santos GLDU 0306856, sendo possível afirmarse que, de longe, traduz maior especificidade para o caso em questão. Explico melhor: entendo que, enquanto o primeiro laudo (da FUNCAMP) mostrase focado na identificação do material em si, o segundo laudo (do IPT) demonstra ter como foco a identificação da procedência do material, o que se mostra de extrema relevância na apuração da responsabilidade pela falta da mercadoria. O predito Relatório do IPT assim se manifesta: Este relatório apresenta o estudo realizado em amostras de areias, com a finalidade de identificar possíveis origens geográficas de areia encontrada em contêiner (GLDU 030685 6), visando determinar os prováveis locais da troca da carga. Os resultados obtidos indicaram que a areia encontrada no container GLDU 0306856 apresenta mineralogia e granulometria muito semelhante à da amostra entregue a este laboratório em 29.11.2004, proveniente do contêiner TCKU 936649. Como indicado anteriormente, no Relatório Técnico IPT N° 75420205, a areia encontrada no contêiner TCKU 936649 tem sua origem no Município de Registro —SP, e por similaridade, a areia encontrada no contêiner GLDU 0306856, possui mesma origem. Verificouse ainda que a areia encontrada no contêiner GLDU 0306856, não possui semelhança com as areias comerciais adquiridas no Município de Santos — SP. Não foi possível determinar o local exato da troca de carga, porém como a areia encontrada no contêiner GDLU 0306856 tem sua origem em Registro, — SP, e é sabido que grande parte Fl. 545DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 da areia consumida na Baixada Santista tem mesma origem, inferese que a troca de carga ocorreu nessa região.” (destaquei) Prova indiciária, antes mesmo de ser indiciária, é prova, e tem o mesmo valor probatório que se confere a qualquer outro tipo de prova. A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de fatos secundários, indiciários, a existência ou a inexistência do fato principal. Para que ela exista, fazse necessária a presença de indícios, a combinação dos mesmos, a realização de inferências indiciárias e, finalmente, a conclusão dessas inferências. 1 Pela simples leitura da conclusão a que chegou o Relatório do IPT, verifica se que, de fato, ele não é conclusivo, não é prova cabal, mas, em conjunto com todos os elementos constantes deste processo, contribui para a formação de um quadro probatório indiciário. A questão que se deve perquirir é saber se os indícios probatórios constantes destes autos são robustos o suficiente para levar à convicção de que a “Tecondi” foi a responsável pela “substituição” das mercadorias pela areia que foi em seu lugar encontrada. A Fiscalização afirmou: Considerando que o depositário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeita a controle, no período em que essas lhe estejam confiadas e que devem zelar pela integridade das mesmas; Considerando que o efeito do ocorrido era possível evitar ou impedir, já que não houve tempo hábil entre a descarga do contêiner e sua entrada no terminal, que após a constatação do roubo pela equipe do SEOPE, o Depositário não registrou o fato na Polícia através de Boletim de Ocorrência, e que, confirmado pelo Laudo do IPT de que a areia encontrada no contêiner é nacional, concluímos que a troca da mercadoria pela areia ocorreu dentro do terminal do TECONDI; Considerando o TERMO DE RESPONSABILIDADE, assinado por ocasião da concessão do serviço público, em que declarou assumir para todos efeitos legais, a condição de fiel depositário das mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, objeto de operações de carga, descarga, movimentação, armazenamento ou passagem e, nessa condição assumiu a responsabilidade pelos tributos e demais encargos decorrentes, apurados em relação a extravio, avaria ou acréscimo de mercadorias sob sua custódia, assim como danos a elas causados, nas operações realizadas por seus prepostos; Considerando que a lei define depositário qualquer pessoa incumbida da custódia da mercadoria sob controle aduaneiro; Considerando o Relatório Técnico 80 774205, do INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS – IPT, atestando a procedência da areia; 1 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. Ed. Quartier Latin, 2ª edição. p.91. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.007556/200520 Acórdão n.º 3202001.291 S3C2T2 Fl. 542 7 Considerando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº. 12/2004; Considerando tudo o mais que deste processo consta, foi imputada a responsabilidade pela falta das mercadorias e consequentemente, por sua colocação no mercado nacional, o depositário TECONDI TERMINAL DE CONTÊINERS, de acordo com o art. 591, conforme Termo de Constatação de Ocorrência, e que deverá recolher a crédito tributário demonstrado no DAAF DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE AVARIAS E/OU FALTAS DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS ANEXO V. (grifos não constantes do original) Pergunto: em que momento o Relatório do IPT, ou até mesmo o da FUNCAMP, confirmou que a areia encontrada era, de fato, nacional? No meu entender, em nenhum momento. Pela leitura dos trechos acima grifados do Relatório do IPT, tenho que este tãosomente informou que a areia encontrada no container GLDU 0306856 apresentava mineralogia e granulometria semelhante à areia encontrada em outro container, sendo que esta outra areia do outro container tinha sua origem no Município de Registro/SP e que, por isso, a areia do container GLDU seria originária do mesmo lugar. Ora, semelhança não é igualdade. E, mesmo semelhante, não se questionou ao laudista se esta mesma areia, que tem características que o levou a inferir ser procedente do Município de Retiro/SP, também poderia guardar semelhanças com areias provenientes do Panamá. Demais disso, no meu entender, o fator mais relevante de todo o quadro indiciário formado neste processo, é o fato de que não foi apurada violação/divergência do lacre do container. Vejase o que informa o Auto de Infração: Quando do recebimento do contêiner pelo TECONDI, foi lavrado o Termo de Avarias nº 57217/2004, onde consta o peso de 4.740 kg., e as avarias de praxe (amassado,enferrujado, etc.) e com divergência de lacre, no entanto, neste mesmo termo consta o lacre de origem (075127), portanto não havia divergência de lacre. O Termo de Avaria de Contêiner consta à efl. 103 e diz o seguinte: Contêiner(s) avariado(s) ou com indício de violação. Avarias: contêiner amasssado, arranhado e enferrujado; divergência de lacre. Entretanto, ali também consta: Lacre Manifestado: 075127. Lacre verificado: (...)075127. A mesma observação consta do Termo de Constatação de Ocorrência nº 80/05, lavrado pela Alfândega do Porto de Santos (efl.155): Quando do recebimento do contêiner pelo TECONDI, foi lavrado o Termo de Avarias nº. 57217/2004, onde consta o peso de 4.740kg., e as avarias de praxe (amassado, enferrujado, etc) e com divergência de lacre, no entanto, neste mesmo termo consta o lacre de origem (075127), portanto, não havia divergência de lacre. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Sendo assim, como bem salientou a autoridade aututante, não houve divergência de lacre. O lacre utilizado para “selar” o container continuou ali, no mesmo container, sem sinais de violação (ou, pelo menos, isso não está registrado em lugar nenhum dos autos), mesmo após a substituição das mercadorias pela areia. Como posso, então, afirmar que a troca da mercadoria pela areia se deu em Santos, depois de o container ter sido lacrado lá no Panamá? Seria possível trocar a mercadoria em Santos sem danificar o lacre? Sim, provavelmente isso seja possível, e até pode ser algo fácil de ser feito, mas o que me parece é que, para se determinar a responsabilidade do depositário, no caso, teria sido necessário um maior trabalho investigativo por parte da autoridade fiscal, devendo ter sido elaborada uma perícia para verificar detalhes que indicariam a existência ou não de violação do lacre ou da possibilidade de substituição da mercadoria sem que este lacre fosse violado, formando, desta forma, um quadro probatório indiciário mais consistente. Por último, comungo do entendimento manifestado pela autoridade julgadora a quo quando esta assim assevera: Na espécie, sequer foi registrada a condição em que se encontrava o lacre de origem presente no container. Presume se, pelo Termo de Avaria lavrado pela depositária, que esse lacre se encontrava intacto, todavia não se sabe como estava quando o contêiner foi pela fiscalização aberto para verificação física. Se intacto permanecia, então se presume que a violação do contêiner tenha ocorrido anteriormente à sua entrega para o depósito, o que afasta a ora impugnante do pólo passivo da presente exigência. Se,ao contrário, esse lacre estivesse violado, a responsabilidade pelo extravio se presumiria da depositária que, não tendo produzido provas excludentes dessa responsabilidade, seria automaticamente conduzida do pólo passivo da exigência. Outro aspecto a ser observado referese às fotos reproduzidas às fls. 90 e 91 que indicam a presença de trava na porta do contêiner e marcas de reparo nos parafusos da porta esquerda. Essas marcas poderiam corresponder a simples obra de restauração necessária, todavia, de uma adequada perícia poderia, eventualmente, resultar provas importantes para a correta indicação do responsável pelo extravio constatado Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11065.003396/2006-11
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1988 a 01/02/1996
DILIGÊNCIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIAIS. ERROS MATERIAIS. SANEAMENTO.
Deve ser provido o recurso na parte em que forem verificados erros materiais na apuração dos créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado, saneados mediante diligência.
Numero da decisão: 3803-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 3.715,46.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1988 a 01/02/1996 DILIGÊNCIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIAIS. ERROS MATERIAIS. SANEAMENTO. Deve ser provido o recurso na parte em que forem verificados erros materiais na apuração dos créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado, saneados mediante diligência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1988 a 01/02/1996 DILIGÊNCIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIAIS. ERROS MATERIAIS. SANEAMENTO. Deve ser provido o recurso na parte em que forem verificados erros materiais na apuração dos créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado, saneados mediante diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 3.715,46. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 33 96 /2 00 6- 11 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de processo com retorno de diligência. Dado isso, reproduzo relatório e voto consignado na Resolução nº 3803000.168, de 23 de maio de 2012, desta Terceira Turma Especial: Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão nº 189.877, de 14 de novembro de 2008, da DRJ/Santa Maria RS, fls. 853/862, que indeferiu a solicitação de homologação integral das compensações declaradas. O presente processo foi formalizado para analisar e acompanhar crédito proveniente do Mandado de Segurança n° 97.00050696, no qual a contribuinte pretendia fosse declarada a inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento do PIS nos moldes dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1998, com o reconhecimento do direito de efetuar a compensação dos valores pagos a maior, corrigidos monetariamente desde a época dos efetivos pagamentos, com tributos da mesma espécie. Com base no Parecer SACAT/DRF/Novo Hamburgo n° 633/2006, de 09 de janeiro de 2007, foi proferido o Despacho Decisório DRF/NHO, fls. 758/760, em que foi reconhecido o direito creditório em favor da empresa no valor de R$ 277.893,73, atualizado até 01/01/1996, devendo, a partir daquela data, incidir juros equivalentes à taxa SELIC, conforme determinado na decisão judicial. Com esse crédito foram homologadas compensações no valor de R$ 861.339,86 fl. 813. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 825/840, e Interessada, mencionou o manejo da ação judicial acima referida e alegou que: a) a ação foi julgada procedente, com o reconhecimento da inexigibilidade do PIS na forma dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, no período compreendido entre o mês de outubro de 1988 até outubro de 1995, mantendose a exigência nos termos das LCs n° 07/70, e 17/73; b) restou declarado o direito à compensação dos valores pagos a maior com parcelas do próprio PIS, com aplicação de expurgos inflacionários; c) no TRF da 4ª/R, restou decidida a prescrição das verbas pagas antes de 05/10/1988 e com a determinação da correção monetária da base de cálculo do PIS; d) decisão no recurso especial deu parcial provimento para reformar a decisão do TRF da 4ª/R, com o afastamento da correção monetária da base de cálculo do PIS e fixação dos índices a serem utilizados na correção monetária do crédito; Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.003396/200611 Acórdão n.º 3803004.735 S3TE03 Fl. 1.047 3 e) a União interpôs recurso extraordinário e agravo de instrumento, sendo que ambos restaram desprovidos; f) com o trânsito em julgado, em 23 de junho de 2005, a empresa ingressou com pedido de habilitação do crédito junto à RFB. Não obstante o reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 277.893,73, o órgão fiscal equivocadamente deixou de homologar, na integralidade, os pedidos de compensação; g) deixaram de ser computados no crédito da empresa os valores correspondentes às competências de outubro de 1988 a dezembro de 1989. DARFs juntados às fls. 135/169. Para o mesmo período foram computadas pela autoridade fiscal somente os débitos, no Demonstrativo de Apuração de Débitos, fls. 740 a 746 h) os valores das bases de cálculo correspondem ao faturamento bruto, sem as deduções ou exclusões previstas em lei, uma vez que extraídas dos sistemas da RFB, obtidas das DIPJs, o que também contribuiu para a indevida redução do crédito da empresa; i) na apuração do crédito da empresa deixou de ser computada a integralidade do período reconhecido na decisão judicial, qual seja, de outubro de 1988 a outubro de 1995; j) dos demonstrativos de cálculos realizados pela RFB, fls. 53 a 755 extraise que a primeira competência indicada na coluna relativa ao mês de pagamento foi abril de 1990; k) deve ser analisada a planilha de cálculos trazida às fls. 753/755, a fim de que se verifique a coluna relativa os valores pagos, que deveriam ser equivalentes aos valores efetivamente recolhidos por meio de DARFs, fls. 135/169; l) houve compensação efetuada a maior a título de IRPJ no mês de janeiro de 2007, no valor de R$ 27.793,07, e postula a juntada de guia comprovando o recolhimento a esse título, acostada à manifestação de inconformidade, no valor de R$ 34.710,76, atualizado até junho de 2007 m) pediu que seja realizada perícia para convalidar o valor dos créditos compensados, tendo em vista a interpretação errônea que fez a DRF de origem no que tange ao provimento judicial obtido. Descreveu, conforme transcrito abaixo os quesitos e indicou como perito o Sr. Cláudio Giglio da Silva: 1) se no cálculo da apuração do crédito de PIS, realizado pela autoridade fazendária, foi afastado o período Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 compreendido entre fevereiro/1989 e março/1990, desconsiderando a determinação judicial e as guias DARF comprovantes dos efetivos recolhimentos trazidas tanto no processo judicial, quanto no presente processo administrativo às fls. 135/169?; 2) se haverá majoração do crédito apurado pela SRF, considerando como base de cálculo o faturamento líquido, ou seja, as deduções e exclusões previstas no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002?; Os pontos sobre os quais discorreu a DRJ/Santa Maria, em julgamento da lide, estão adequadamente espelhados na ementa, cujo teor reproduzo abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1988 a 29/02/1996 ASSERTIVA. AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. A apreciação de eventual afronta a princípio constitucional, contida em ato administrativo, está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide indefere se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/1988 a 29/02/1996 SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. OBEDIÊNCIA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. Tendo o Órgão de origem implementado os cálculos dos valores de PIS passíveis de compensação com estrita obediência às determinações judiciais, não pode a autoridade julgadora determinar a sua reformulação Cientificada da decisão em 07 de janeiro de 2009, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 873 a 894, em 05 de fevereiro de 2009, em que: a) reclama de falhas no processo já que ausentes documentos comprovadamente protocolados, além do fato de que as intimações não constam dos autos. O processo administrativo de homologação das compensações, portanto, não foi devidamente instruído, o que prejudica a Recorrente, pela ausência de exame das provas, com afronta ao contraditório e à ampla defesa; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.003396/200611 Acórdão n.º 3803004.735 S3TE03 Fl. 1.048 5 b) pede a conexão deste processo com o processo administrativo nº 13053.000312/200562, de habilitação do crédito. c) contrapõese à declaração da Delegacia de Julgamento, segundo a qual ‘a contribuinte não se preocupou em apresentar qualquer espécie de demonstrativo ou planilha onde constassem as bases de cálculo entendidas como adequadas’, afirmando sua inverdade; d) sustenta que os pagamentos dos períodos de apuração outubro/1988 a dezembro/1989 não foram considerados na apuração; e) há diferenças entre os valores efetivamente pagos mediante os DARFs e os considerados na planilha de pagamentos de fls. 753/755; f) reclama pelas exclusões da base de cálculo, segundo os termos da Lei nº 10.637/2002; g) foi desconsiderado no cômputo dos créditos, para fins de homologação das compensações, o valor de R$ 34.710,76 (trinta e quatro mil, setecentos e dez reais e setenta e seis centavos), vinculado ao processo n. 11065.003396/200611, pago através do DARF de fl. 849, em 06 de junho de 2007. Afirma a Recorrente que o saneamento da apuração tendo em consideração essas divergências redundará em crédito suficiente para a homologação das compensações. Em julgamento do presente recurso voluntário, o voto condutor da Resolução consignou: Conexão destes autos com o processo nº 13053.000312/200562 A conexão existe, mas não justifica a apensação dos processos, posto que o citado processo serviu apenas para habilitar o crédito para ser utilizado nas compensações. Para aquele processo não apreendi que foram carreados documentos que sejam indispensáveis e que completem a instrução do presente, porquanto foi neste processo que o montante do crédito foi apurado, segundo o informe da Autoridade Administrativa quando da emissão do despacho decisório, fl. 758: Constatada a existência do Despacho SACAT/DRF/NHO n° 72/2006 no processo administrativo n° 13053.000312/200562, concluindo pela habilitação do crédito oriundo da ação judicial n° 1999.71.08.0088790, para transmissão de PERDCOMP, foi formalizado o processo administrativo n° 11065.003396/200611 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 a fim de proceder ao cálculo do valor do crédito tributário a ser compensado pelo contribuinte. Logo, é neste processo que estão concentradas as provas da existência e medida do crédito. Pelo que, rejeito o pedido de apensação dos autos. Pagamentos não considerados na apuração Nos termos a seguir, a Recorrente registra a sua queixa: [...] compulsando os autos do processo administrativo em epígrafe, verificase às folhas números 135/169, que foram efetuados pagamento a maior, pela ora Recorrente, inclusive, no período compreendido entre janeiro/1989 até marco/1990. Todavia, dos demonstrativos de cálculos realizados pela SRF às fls. 753 a 755 extraise que a primeira competência indicada na coluna relativa ao mês de pagamento foi abril de 1990. Ou seja, os recolhimentos efetuados anteriormente a essa data, a partir de janeiro/1989, que foram reconhecidos como pagos a maior por meio de decisão judicial transitada em julgado não foram incluídos no cômputo do crédito em favor da requerente.[g.n.] Parece ter razão a Recorrente. A decisão recorrida registrou que os pagamentos no intervalo de tempo de janeiro.1989 a março/1990 foram considerados. E essa informação está correta. Contudo, justificou que o fato de estarem sem saldo disponível se deve a sua integral utilização. Aqui, afirmo que os dados do aplicativo utilizado pela Administração para a feitura dos cálculos Demonstrativo de Apuração de Débitos – Semestralidade/8109 PIS Faturamento, fl. 740 em confronto com os DARFs anexados, fls. 135/169, não espelham como realidade essa conclusão e não sustentam esta afirmação do julgador a quo. Registrou ele: c) ao contrário do que entende a contribuinte, a autoridade administrativa de origem considerou, sim, na feitura de seus cálculos, os pagamentos efetuados a título de PIS a partir de 10/1988, conforme a determinação judicial, consoante se depreende da análise do Demonstrativo de Pagamentos inserido às fls. 748/752. Ocorre, no entanto, que para determinados períodos de apuração, dentre eles 10/1988 a 12/1989, não foram encontrados saldos disponíveis para utilização no cálculo, conforme se pode perceber da Última coluna — Saldo Total do Darf— que se encontram zerados. Isto quer dizer que da comparação do valor devido (com observação da correta base de cálculo e alíquota) com aquele efetivamente recolhido, não restou qualquer saldo possível de aproveitamento no cálculo; Em apreciação desse elemento que serviu de sustentação do feito fiscal, podese reparar que há diferenças visuais Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.003396/200611 Acórdão n.º 3803004.735 S3TE03 Fl. 1.049 7 entre os valores dos débitos apurados e os dos DARFs, denotando a existência de crédito em favor do Contribuinte também relativo ao período outubro/1988 a dezembro/1989. Por exemplo: para o PA outubro/1988 o débito apurado foi de Cz$ 171.125,86, fl. 740; e o valor do DARF foi de Cz$ 813.050,73, fl. 748 (moeda de referência: Cruzado). Para o PA dezembro/1989 o débito foi de NCz$ 2.828,63, fl. 748; e o DARF foi de NCz$ 67.142,00, fl. 748 (moeda de referência: Cruzado Novo). As diferenças positivas estão presentes nesse interregno de tempo, outubro/1988 a dezembro/1989. Como se pode ver, em vista dessas enormes diferenças, em aparência favoráveis à Reclamante, o aplicativo da RFB não indica que tenha havido a utilização integral dos pagamentos desse período para quitação dos respectivos débitos apurados. Em consequência, afigurase plausível a afirmação da Recorrente de que a decisão de piso “tampouco considerou a integralidade do período do crédito fixado na decisão judicial transitada em julgada.”. Diferenças de valores entre o efetivamente pago e os considerados na planilha de pagamentos. Outro ponto de discordância diz respeito à transposição dos valores dos pagamentos constantes dos DARFs com os consignados nas planilhas de fls. 753/755, segundo a queixa da Recorrente abaixo: Além disso, com fito de obter reformado o respeitável Acórdão sob comento, a Recorrente mantém o pedido para que seja analisada em diligência/perícia a planilha de cálculos trazidas às fls. 753/755, a fim de que ocorra a verificação da coluna relativa aos "Valores Pagos", os quais, deveriam ser equivalentes aos valores efetivamente recolhidos por meio de guias DARF, juntadas às fls. 135/169 do processo sob comento. Aqui afirmo que a Recorrente não entendeu a composição do demonstrativo de fls. 753/755. Os valores que essa planilha registra como pagos não são os dos DARFs; mas os valores resultantes do encontro de contas entre o que fora pago sob a égide dos já citados decretosleis e os débitos apurados com base na LC nº 07/70 (alterada pela LC nº 17/73), gerando estes tais valores como pagamentos a maior e, assim, utilizados nas compensações. Os valores dos DARFs encontramse corretamente alocados no aplicativo, às fls. 748/752. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Exclusões da base de cálculo Quanto às exclusões da base de cálculo não assiste razão à Recorrente, posto que pretende aplicação da Lei nº 10.637/2002, por analogia, ao período de apuração dos seus créditos, que se estendem até fevereiro de 1996. O pedido é impertinente e a Recorrente sabe que o seu pedido é inaplicável ao caso dos presentes autos, segundo o afirma no transcrito abaixo, pelo que, deve ser mantida a decisão recorrida neste ponto: Embora inaplicável à espécie dos autos, a Lei 10.637/2002, para a fundamentação das exclusões ou descontos previstos nessa legislação, não há como ser afastado o direito à tais exclusões/deduções na apuração da base de cálculo do PIS, considerando as determinações dispostas na própria Lei Complementar 07/70, no que tange à base de cálculo — faturamento do sexto mês anterior. Pagamento em DARF para quitar as compensações É por demais obscuro este pedido, pois efetua pagamento de IRPJ, do período de apuração julho/2007, em agosto/2007, com acréscimo de multa e juros de mora, vincula no campo “referência”o presente processo e pede a sua consideração na extinção do saldo devedor neste processo. A listagem de débitos do aplicativo utilizado pela DRF/Novo Hamburgo na compensação indica como remanescentes débitos de IRPJ, do PA dezembro/2006, no valor de R$ 55.792,71, e mais dois débitos de CSLL dos PAs novembro e dezembro/2006, respectivamente, nos valores de R$ 12.374,77 e de R$ 21.441,50. O pedido não pode ser objeto de apreciação neste processo, eis que o crédito que o originou estes autos é o de PIS decorrente da já citada decisão judicial, devendo restringirse a ele o presente julgamento. Cabe à DRF/Novo Hamburgo, na execução deste julgado, anotar o que ora se consigna, averiguar a situação de disponibilidade do pagamento, e, ocorrente esta hipótese, efetuar, de ofício, o REDARF, observada a legislação pertinente, para ajustar o período de apuração, proceder à alocação ao débito da mesma espécie, e cobrança do saldo devedor. Conclusão Com efeito, não está claro nos autos a razão da inexistência de saldo credor da Contribuinte, relativamente aos pagamentos dos PAs outubro/1988 a dezembro/1989 (Demonstrativo de Pagamentos, fls. 746/748), ante a visível possibilidade de existência crédito. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.003396/200611 Acórdão n.º 3803004.735 S3TE03 Fl. 1.050 9 Ante o exposto, proponho, com base no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo: a) justifique de que forma foram esgotados os aludidos pagamentos nos débitos dos respectivos períodos; b) na hipótese de incorreção, proceda ao recálculo dos créditos e sua utilização nas compensações que constituem este processo. A Interessada deverá ser cientificada do resultado da diligência e do prazo regulamentar para que sobre ele se pronuncie, devendo os autos, ao final, ser devolvidos a esta 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. Em retorno da diligência DRF/Santa Cruz do Sul expediu a Informação Fiscal de fls. 1038 a 1041, em que esclarece os critérios adotados na execução da decisão judicial no tocante aos pagamentos efetuados no período outubro/1988 a dezembro/1989, efetua os ajustes que julgou necessários e informou o saldo final credor em favor da Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Retomase, aqui, os tópicos em que se estruturou a defesa da Recorrente: Pagamentos não considerados na apuração Induvidosamente, resta demonstrado, pelos esclarecimentos prestados pela DRF/Santa Cruz, na Informação Fiscal de fls. 1.038/1.041, que: a) os pagamentos relativos ao período outubro de 1988 a dezembro de 1989, constam do Demonstrativo de Pagamentos de fls. 752/753, porém, de fato, não haviam sido considerados pela Auditoria na planilha de cálculos de fl. 758, que resultou na soma parcial deferida de R$ 64.223,05. Este valor adicionado ao outro parcial de R$ 213.660,68, da planilha de fl. 759, resultou no valor final deferido pela Autoridade administrativa de R$ 277.893,73, conforme Demonstrativo de Correção de fl. 761. b) agora, com a anexação do Demonstrativo de Amortização, fls. 982/1037, os DARFs de tal período foram considerados, sendo 89 a quantidade total de DARFs trabalhados nesse aplicativo. O aplicativo registra a existência de saldos credores em cada um dos DARFs dos meses deste período (outubro de 1988 a dezembro de 1989), após a alocação Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 em cada respectivo débito a que originariamente se referia cada pagamento. Atesto que todos os saldos credores foram rigorosamente imputados no abatimento de débitos supervenientes; c) os cálculos dos créditos levaram em conta o critério da semestralidade; d) os cálculos e ajustes efetuados em resultado da diligência adicionou o crédito no valor de R$ 3.715,46, ampliando o total a que faz jus a Recorrente a soma de R$ 281.609,19. Diferenças de valores entre o efetivamente pago e os considerados na planilha de pagamentos. Reitero a posição anteriormente já pontuada, segundo a qual foi afirmado que a Recorrente não entendera a composição do demonstrativo de fls. 753/755. Os valores que essa planilha registra como pagos não são os constantes dos DARFs; mas os valores resultantes do encontro de contas entre o que fora pago sob a égide dos já citados decretosleis, e constantes dos DARFs, e os débitos apurados com base na LC nº 07/70 (alterada pela LC nº 17/73). Assim, a planilha registra os pagamentos a maior que geraram os créditos reclamados e a cujo direito foi obtido judicialmente, e, por fim, utilizados nas compensações. Os valores dos DARFs encontramse corretamente alocados no aplicativo, às fls. 748/752. Nesta questão não há razão à Recorrente. Exclusões da base de cálculo Aqui, reitero o que já consignado no voto condutor da Resolução, pois a Recorrente pretende exclusões da base de cálculo por aplicação da Lei nº 10.637/2002, analogicamente, ao período de apuração dos seus créditos, que se estendem até fevereiro de 1996. O pedido é impertinente e a Recorrente sabe que o seu pedido é inaplicável ao caso dos presentes autos. Pagamento em DARF para quitar as compensações Também reiterese o que já destacado, que o pedido de inclusão de pagamentos indevidos de DARFs no cômputo dos créditos aqui tratados. Portanto, o pedido não pode ser objeto de apreciação neste processo, eis que o crédito que o originou estes autos é o de PIS decorrente da já citada decisão judicial, devendo restringirse a ele o presente julgamento. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer Recorrente o direito ao crédito adicional de R$ 3.715,46, para utilização nas compensações que remanesceram não homologadas. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.003396/200611 Acórdão n.º 3803004.735 S3TE03 Fl. 1.051 11 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13677.000159/2007-06
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Limitando-se o Contribuinte a manifestar de forma genérica a discordância quanto ao Acórdão recorrido sem pontuar nenhum fato ou ponto específico, e considerando estar o crédito tributário objeto de litígio remido, deve ser improvido o recurso.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2802-001.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas e Mello - Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Limitando-se o Contribuinte a manifestar de forma genérica a discordância quanto ao Acórdão recorrido sem pontuar nenhum fato ou ponto específico, e considerando estar o crédito tributário objeto de litígio remido, deve ser improvido o recurso. Recurso a que se nega provimento.
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RECURSO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Limitandose o Contribuinte a manifestar de forma genérica a discordância quanto ao Acórdão recorrido sem pontuar nenhum fato ou ponto específico, e considerando estar o crédito tributário objeto de litígio remido, deve ser improvido o recurso. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas e Mello Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 7. 00 01 59 /2 00 7- 06 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fls.12 e 17, respectivamente), os quais apuraram supostas irregularidades (fl. 14 e 18, respectivamente) em virtude das revisões das declarações de rendimentos – DIRPF, do exercício 2001, ano calendário 2000, por deduções indevidas (a) com dependentes; (b) a título de despesas com instrução e (c) de despesas médicas; e do exercício 2003, anocalendário 2002, por (a) omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica e (b) dedução indevida de imposto retido na fonte. Em relação ao exercício 2001, consigna o auto de infração, a título de fundamentação, para a glosa de dedução indevida com dependente e com despesas de instrução, a falta de comprovação da dependência de Natália Natiele Alves Damasceno e, para a dedução indevida de despesas médicas, a ausência da exibição de qualquer documento comprobatória, malgrado intimado para tanto o contribuinte. Em relação ao exercício 2003, aponta a omissão de rendimentos do trabalho recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil e a dedução indevida de imposto retido na fonte referente a imposto depositado em juízo. O Contribuinte foi cientificado (fls.29 e 30, respectivamente). Inconformado, apresentou tempestivamente as impugnações de fls. 01 e 02, respectivamente, alegando ter obtido ganho de causa em ação judicial, embora não informe em suas impugnações a matéria versada em tais processos e anexando aos autos comprovante de dependência de Natália Natiele Alves Damasceno. Em julgamento, a 8ª Turma da DRJ/BHE, em sessão realizada no dia 21/07/2009, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão n.º 0223.035. Quanto ao exercício 2001, a DRJ restabelece a dedução com dependente, em razão do comprovante de fl.05, qual seja o termo judicial de entrega sob guarda e responsabilidade de menor, mantendose o lançamento quanto aos demais aspectos (deduções indevidas de despesas com instrução e despesas médicas) ao fundamento da falta de exibição de comprovantes das referidas despesas. Quanto ao exercício 2003, decidiu a DRJ estar prejudicada a análise da impugnação, de vez que o contribuinte discute perante a Justiça matéria objeto da autuação, o que implica em renúncia à via administrativa. Porém, considerou, de ofício, o lançamento procedente em parte, por ser indevida a multa de ofício sobre compensação indevida de imposto retido na fonte, mantendose, quanto aos demais aspectos, o lançamento. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 40, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 34, atacando a decisão exarada pela DRJ e Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13677.000159/200706 Acórdão n.º 2802001.523 S2TE02 Fl. 122 3 alegando à época falta de instruções específicas da parte da Receita e da fonte pagadora, quanto ao preenchimento da DIRPF, quanto a seu caso particular e informando dados que considera corretos, relativos ao exercício 2003, bem como afirmando não dispor de dados referentes ao exercício 2001, acrescendo ainda considerações sobre a DIRPF exercício 2008, que não é objeto do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – Relator. Analisando os autos, verifico que o Contribuinte não se insurge contra a parte da decisão que se refere ao exercício de 2001. Ao contrário, o mesmo até concorda com a conclusão de que deve incidir na espécie a Lei nº 11.941/09. Outrossim, no que se refere ao exercício de 2003, objeto de declaração de concomitância, o mesmo sequer é mencionado no recurso. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003896/2003-97
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
CUSTOS - DEDUTIBILIDADE - PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo, visto que trata-se de hipótese quando se utiliza o cálculo por mais de um dos métodos previstos em lei.
Numero da decisão: 9101-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso com retorno à câmara a quo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Esteve presente a advogada Mônica Cilene Anastácio OAB/SP nº 147.556.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente). Ausentes justificadamente os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias e José Ricardo da Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 CUSTOS - DEDUTIBILIDADE - PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo, visto que trata-se de hipótese quando se utiliza o cálculo por mais de um dos métodos previstos em lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso com retorno à câmara a quo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Esteve presente a advogada Mônica Cilene Anastácio OAB/SP nº 147.556. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente). Ausentes justificadamente os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias e José Ricardo da Silva.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 CUSTOS DEDUTIBILIDADE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo, visto que tratase de hipótese quando se utiliza o cálculo por mais de um dos métodos previstos em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso com retorno à câmara a quo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Esteve presente a advogada Mônica Cilene Anastácio OAB/SP nº 147.556. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 38 96 /2 00 3- 97 Fl. 3766DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente). Ausentes justificadamente os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias e José Ricardo da Silva. Fl. 3767DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o acórdão nº 10709.412, de 25 de junho de 2008, proferido pela Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (fls.3.237/3.280), interpôs recurso especial com fundamento no art.7º, I, do Regimento Interno da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/07: "Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (...)." A discordância da PGFN foi unicamente quanto à interpretação de que seria obrigatório à fiscalização empregar o método de apuração de preço de transferência que fosse mais favorável ao contribuinte. O acórdão recorrido, quanto à questão, recebeu a seguinte ementa: " [...] DOS MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E DOS EVENTUAIS AJUSTES. Mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência, os auditores fiscais encarregados da verificação deverão utilizar o método mais favorável ao contribuinte ou demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização nas operações praticadas [...]." Para a recorrente, quanto ao cálculo dos preços de transferência, inexistiria na matriz legal, mais precisamente no art.18 da Lei nº 9.430/96, determinação ao Fisco para utilização do método mais favorável ao contribuinte, de forma que, na falta de indicação durante o procedimento fiscal, poderia a fiscalização realizar os cálculos por meio de qualquer método cabível ao caso concreto, como, inclusive, dispõe o art.39, parágrafo único da Instrução Normativa SRF nº 38/97, e decisões da Primeira e Terceira Câmaras do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Em despacho de fls.3.293/3.294, a então Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, deu seguimento ao recurso especial. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls.3.299/3.314), aduzindo, em preliminar, que o recurso especial não poderia ser admitido, vez que: (a) a “pretensão recursal não está amparada no entendimento do voto vencido”; (b) teria como objeto matéria decidida de forma unânime; (c) a ofensa seria a dispositivo infralegal, e não à lei propriamente dita. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: (a) de acordo com os artigos 18, §4º, e 19, §5º, c/c art.112, incisos I e II, do Código Tributário Nacional, deveria ser aplicado Fl. 3768DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 5 4 pela fiscalização o método de cálculo de preço de transferência mais favorável ao contribuinte; (b) apenas quando aplicados todos os métodos, a fiscalização estaria apta a concluir que os preços praticados pelo contribuinte seriam ou não adequados, conforme entendimentos doutrinários. É o relatório. Fl. 3769DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator Dos pressupostos de admissibilidade Para o contribuinte, a matéria recorrida não estaria amparada no entendimento do voto vencido; pois a divergência limitarseia à inaplicabilidade do método PRL pela fiscalização sem demonstração da impossibilidade de aplicação do método PIC. A divergência pode ser visualizada no resultado do julgamento, assim formalizado: “ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por maioria de votos, DAR provimento aos recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima e Albertina Silva Santos de Lima, que negavam provimento com relação à inaplicabilidade do método PRL pela fiscalização sem demonstração da impossibilidade de aplicação do método PIC”. Consta do relatório do acórdão recorrido, que a fiscalização, diante da ausência de controle de preços de transferência por parte do contribuinte, valeuse do método PRL com relação aos produtos importados para revenda no anocalendário 1998; importados no anocalendário 1997 e revendidos no anocalendário 1998; e importados no anocalendário 1998 e revendidos no anocalendário 1999. Tal procedimento foi afastado pela Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sob o argumento de que, havendo outro método passível de teste, poderiam os cálculos ter sido realizados com base no método PIC – Preços Independentes Comparados. In verbis: “Os mecanismos da sistemática dos preços de transferência não são ferramentas que o fisco deva utilizar para, como objetivo primordial, apurar renda tributável. Ao contrário, são parâmetros para testar a adequação dos negócios à justa tributação da riqueza produzida no pais, claramente inspirados em princípios internacionalmente aceitos. É tarefa árdua, sem dúvida, mas é atividade inseparável no exercício do poderdever que a Lei atribuiu à fiscalização tributária, em perfeita consonância com o primado da boafé que se exige da administração. A eventual inércia do contribuinte é punida com a aplicação das multas de oficio previstas na legislação, caso a fiscalização apure ajustes a serem feitos. Fl. 3770DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 7 6 Por isso o §4° do art. 18 e o §5° do art. 19, ambos da Lei n° 9.430/96, devem ser entendidos no sentido de que, dentre os métodos possíveis de serem aplicados, o contribuinte sempre fará jus à aplicação daquele que mais lhe favoreça e desde que não ser furte ao dever geral de colaboração para com a fiscalização. Jamais pode o fisco, mesmo na ausência de escolha do método por parte do contribuinte ou na desqualificação do método por ele utilizado, por incompatível ou por ausência de elementos probantes, lançar mão de método mais gravoso, existindo outro também passível de teste. [...] a obrigação do fisco de determinar o método mais favorável ao contribuinte, entre os possíveis de serem aplicados, repitase, não está explicitada na Lei, mas é decorrente dela e, principalmente, do principio constitucional segundo o qual a administração tributária deve agir sempre de boafé. ..... Não vislumbro dos autos justificativa plausível para a não aplicação do PIC às importações de produtos de revenda ou a demonstração de que a utilização do PRL atendeu ao direito do contribuinte de ter os ajustes efetuados pelo método que lhe seja mais favorável. Neste ponto entendo que a Instrução Normativa SRF n° 38/97 extrapola a Lei, ao permitir que a fiscalização escolha um método em detrimento de outros passíveis de aplicação ao caso concreto. Fico com o principio da Lei. Assim, os ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apurados a partir da utilização do PRL para os produtos importados para revenda não contem os requisitos de liquidez e certeza, imprescindíveis para sustentar exigências tributárias.” E foi exatamente esta possibilidade de cálculo dos ajustes por outro método, no caso pelo PIC, que implicou na não unanimidade apontada pela PGFN no recurso especial, conforme o resultado do acórdão, acima transcrito, de forma que não há se falar em discordância quanto à matéria unânime, estando satisfeito, portanto, este primeiro pressuposto de admissibilidade. Quanto à suposta inexistência de infração à lei, igualmente não pode ser acolhida a alegação do contribuinte. Para fins de admissibilidade do recurso especial, basta a indicação do dispositivo legal infringido pelo acórdão recorrido, no qual se baseou. No caso concreto, conforme visto acima, inexiste dúvida de que tal decisão também se ancorou diretamente em dispositivo legal, mais precisamente no art.18 da Lei nº 9.430/96. Por tais razões, confirmase a admissibilidade do recurso especial, dele se tomando conhecimento. Fl. 3771DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 8 7 Do mérito A matéria recorrida cingese à possibilidade de o Fisco apurar os ajustes de preços de transferência por quaisquer dos métodos previstos na lei, a partir de documentos que dispuser. Tal discussão não é nova no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apesar de o acórdão recorrido afirmar que a jurisprudência administrativa prestigiaria a necessidade de a fiscalização efetuar os ajustes pelo método mais favorável ao contribuinte, há inúmeros julgados, inclusive desta Primeira Turma, que permitem ao Fisco realizar os cálculos por qualquer método, na ausência de indicação pelo contribuinte. Exemplificativamente: “(...) AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 9101 00.487, de 25/01/2010, nº 40105.932, de 11/08/08, nº 401 05.782, de 04/12/07). “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não há prioridade de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. Recai sobre o contribuinte o ônus de evidenciar, por um ou por mais de um desses métodos, a sua regularidade fiscal. Já o Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 40106.014, de 14/10/08, Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima) “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2000 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODOS DE AJUSTE Se o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta as memórias de cálculo do preço parâmetro apurado, a autoridade fiscal tem o direito de, com os elementos que dispuser, determinar o referido preço, não ficando obrigada, nesse caso, a verificar, dentre os métodos legalmente previstos, aquele que mais favorece o sujeito passivo (...)”. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10516.711, de 17/10/07, Rel. José Clóvis Alves) PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. A Lei 9.430/96 não cria qualquer restrição para escolha do método de cálculo do preçoparâmetro. PROVA DO PREÇO MÉDIO A fiscalização não está adstrita a provar o preço médio na forma prevista no artigo 21. Mas tem o ônus de provar que o preço por ela Fl. 3772DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 9 8 levantado não está distorcido. (1ºCC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10194.888, de 17/03/05, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni) “(...) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ESCOLHA DO MÉTODO MENOS GRAVOSO DESNECESSIDADE Rejeitado por motivos legais o método de ajuste escolhido pelo contribuinte, pode o Fisco utilizar qualquer outro método previsto em lei, não havendo a necessidade de garantir que se trata do menos gravoso (...)” (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10517.103, de 26/06/08, Redator Designado Cons. Waldir Veiga Rocha) No voto condutor no acórdão nº 10194.888, por exemplo, destacase a seguinte passagem: “(...) Da mesma forma que a lei faculta ao contribuinte a adoção de qualquer dos métodos e, na hipótese de utilização de mais de um deles, a opção por adicionar ao lucro líquido o menor dos valores obtidos, a lei não prioriza qual o método a ser adotado pelo fisco na apuração de ofício do preço de transferência, nem obriga o fisco a determinar qual o método é mais favorável ao contribuinte.” (destaquei) De fato, o art.18 da Lei nº 9.430/96 não impõe ao Fisco a obrigatoriedade de determinar a apuração do preço de transferência por um método que supostamente resulte em ajuste menos gravoso ao contribuinte. Vejamos: "Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 3773DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 10 9 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. §1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. §2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. §3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. §6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. §7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. §8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração,ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. §9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente." (destaquei) Na realidade, o supracitado parágrafo quarto, bem como os demais dispositivos, voltamse inicialmente ao contribuinte, a quem cabe primeiramente realizar os Fl. 3774DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 11 10 devidos ajustes, sendolhe facultado escolher o método mais favorável. Assim, quando estiver sob procedimento fiscal, a autoridade fazendária deve obrigatoriamente indagálo sobre qual método utilizou, bem como requerer a documentação de suporte. Esse era o comando da IN SRF nº 32/97: "Art. 39. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional AFTN, encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo, observado o disposto nos arts. 33 a 35. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFTN encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos referidos nesta Seção." Tal procedimento, permanece na Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa." Portanto, caso não indique o método – no caso concreto, a Kodak deixou de efetuar o controle de preços de transferência nas operações de importação de mercadorias – a fiscalização não tem outra alternativa, senão apurar os ajustes por qualquer método aplicável à situação. Tal interpretação é a que permite o necessário controle de preços de transferência adotado pelo país, a cargo do Fisco, que não poder ficar a mercê dos contribuintes para apurálos. Por isso, à vista da documentação que lhe for disponibilizada, basta apurar os ajustes por algum dos métodos, respeitandose a respectiva metodologia estabelecida na legislação. A premissa, posta pela maioria do colegiado, de que seria possível à Administração Fl. 3775DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 16327.003896/200397 Acórdão n.º 9101001.341 CSRFT1 Fl. 12 11 tributária coletar do Sistema de Controle do Comércio Exterior – SISCOMEX dados que lhe permitisse aplicar o método PIC, além de desprovida de provas concretas, sequer serve para demonstrar que a apuração pelo método PRL mostrouse mais gravosa ao contribuinte. Sendo assim, à míngua de previsão legal que imponha ao Fisco o cálculo do ajustes por mais de um método, para só então decidir pelo que resulte em menor acréscimo à base de cálculo tributária, não merece prosperar a decisão recorrida quanto à questão. Considerando que o acórdão recorrido, por ter decidido pela inaplicabilidade do método PRL, não apreciou as alegações veiculadas no recurso voluntário (itens 78 a 134), quanto a supostas impropriedades na determinação dos ajustes por aquele método, não se pode nesta CSRF, sob pena de supressão de instância, adentrar em tal mérito. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, devendo o processo ser devolvido à Primeira Seção de Julgamento do CARF para apreciação das razões de mérito relacionadas à aplicação do método PRL. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 3776DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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