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Numero do processo: 11080.013546/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Embargos de Declaração. Contradição entre o Acórdão e a Parte Dispositiva do Voto. Cabimento.
Cabem embargos de declaração para eliminar desconformidade entre o conteúdo do acórdão e a parte dispositiva do voto.
DIPJ. Atraso na Entrega. Multa. Força Maior. Exclusão.
Configurada a situação de força maior, não é devida a multa por atraso na apresentação da DIPJ.
Numero da decisão: 1301-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar contradição, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no Acórdão 1103-000.803 no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 Embargos de Declaração. Contradição entre o Acórdão e a Parte Dispositiva do Voto. Cabimento. Cabem embargos de declaração para eliminar desconformidade entre o conteúdo do acórdão e a parte dispositiva do voto. DIPJ. Atraso na Entrega. Multa. Força Maior. Exclusão. Configurada a situação de força maior, não é devida a multa por atraso na apresentação da DIPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar contradição, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no Acórdão 1103-000.803 no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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CONTRADIÇÃO ENTRE O ACÓRDÃO E A PARTE DISPOSITIVA DO VOTO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para eliminar desconformidade entre o conteúdo do acórdão e a parte dispositiva do voto. DIPJ. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. FORÇA MAIOR. EXCLUSÃO. Configurada a situação de força maior, não é devida a multa por atraso na apresentação da DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar contradição, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no Acórdão 1103000.803 no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 35 46 /2 00 7- 89 Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301002.735 S1C3T1 Fl. 670 2 Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL PFN contra o Acórdão nº 1103000.803 (fls. 642 a 652), a fim de eliminar contradição entre o acórdão e a parte dispositiva do voto condutor da decisão da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. A embargante chamou a atenção para o fato de que, embora o voto condutor do acórdão embargado tenha concluído pelo provimento do recurso, a ementa e a certidão de julgamento concluíram pelo não provimento do recurso e a consequente manutenção da multa. Os embargos foram admitidos no despacho de fls. 666 a 668, do qual se extraem os seguintes trechos: Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. [...] Assim, pela excepcionalidade do caso, e como o processo administrativo busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários, voto no sentindo de dar provimento ao Recurso para excluir a cobrança da multa pela ausência da entrega da DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica referente ao ano calendário de 2004, exercício 2005, apurada no auto de infração e ratificadas pelo Acórdão n° 1038.836 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre/RS. (grifos acrescentados) A situação de contradição está apontada objetivamente. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. É o que basta relatar. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301002.735 S1C3T1 Fl. 671 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Conforme consta do despacho de admissibilidade, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, os embargos foram motivados por contradição. Existe um claro e inequívoco descompasso entre o acórdão, de um lado, e a ementa e o voto condutor da decisão, de outro, o que ficou bem demonstrado tanto na petição da PFN, quanto no despacho de admissibilidade. O erro, provavelmente, está no acórdão, já que ele se refere a uma decisão unânime que teria negado provimento ao recurso. Ocorre que, se o voto do relator era por dar provimento ao apelo do contribuinte, a eventual decisão contrária ao recurso só poderia ser tomada por maioria, nunca por unanimidade, como consta do acórdão. Ademais, nesse caso, deveria ser indicado um conselheiro para redigir o voto vencedor. Por essas razões, há de prevalecer o que consta do voto condutor da decisão. É nele que se desenvolve a argumentação jurídica, expondose os fundamentos com base nos quais se resolve a controvérsia. É precisamente da força desses fundamentos que vem a consistência da decisão proferida. A leitura do voto do Conselheiro Relator sugere que a matéria tenha sido debatida na sessão de julgamento. Do voto sobressai a seguinte afirmação: E, embora o artigo 136 do CTN seja taxativo no sentido de que a responsabilidade tributária é objetiva, a doutrina e a jurisprudência recomendam que essa regra seja interpretada com temperamento, comportando exceções de duas naturezas. Em primeiro lugar, têmse as exceções introduzidas por lei específica ao configurar uma infração tributária. O outro grupo referese às exceções que estão relacionadas à exclusão da penalidade, considerando a conduta do contribuinte. Esse é o ponto que deve ser observado no presente caso! É nesse esteio que o julgador administrativo pode “perdoar” a penalidade, considerando a conduta do contribuinte, concedendo, assim, anistia fiscal, com fundamento nos artigos 182, 108 e 112 do CTN. Essa possibilidade independe de lei específica, encontrando seu suporte de validade no art. 112 do CTN, que é categórico ao dispor que a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. É exatamente com base no artigo 112 do CTN, que defendo que a penalidade pode e deve ser graduada (e até expurgada) pelo julgador ao interpretar a lei tributária (inciso IV), principalmente no caso de dúvida quanto à natureza ou às Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301002.735 S1C3T1 Fl. 672 4 circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (inc. II). E tudo depende da conduta do agente. Mas, que circunstâncias justificariam essa redução ou cancelamento das multas por parte do julgador administrativo ou judicial? De acordo com o entendimento do STF e STJ, diante das seguintes situações poderia haver a exclusão da penalidade: a) ausência de intenção de burlar o Fisco, que pode ser evidenciada pelo fato de a operação não ser tributada; b) a regularidade fiscal do contribuinte/responsável; c) não reincidência; d) ausência de fraude ou máfé, comprovada pela não utilização de meios fraudulentos; e) aparência de regularidade do negócio; e, f) conduta ética do contribuinte, consubstanciada no reconhecimento do erro acrescido do pagamento do tributo devido. No presente caso está configurado que a Recorrente enquadrase em todos os itens acima, o que já sustentaria a exclusão da penalidade. Portanto, podese afirmar que embora a responsabilidade seja objetiva, cabe ao julgador efetuar a dosimetria das multas tributárias considerando as circunstâncias materiais que estão envolvidas no caso concreto. Assim, pela excepcionalidade do caso, e como o processo administrativo busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários, voto no sentindo de dar provimento ao Recurso para excluir a cobrança da multa pela ausência da entrega da DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica referente ao ano calendário de 2004, exercício 2005, apurada no auto de infração e ratificadas pelo Acórdão n° 1038.836 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. Considerando o conteúdo do voto condutor da decisão, a contradição apontada pela PFN se elimina corrigindose a ementa e o acórdão, que passam a ter a seguinte redação: DIPJ. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. FORÇA MAIOR. EXCLUSÃO. Configurada a situação de força maior, não é devida a multa por atraso na apresentação da DIPJ. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª, Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301002.735 S1C3T1 Fl. 673 5 Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada pela PFN. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721945/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário:2005, 2006, 2007, 2008
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até 21/12/2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam deste ano-calendário e períodos pretéritos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2005, 2006, 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar os lançamentos de multa isolada relativamente aos anos-calendário de 2005 e 2006; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à mesma infração pertinentemente aos lançamentos dos anos-calendário de 2007 e 2008, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento ao recurso para afastar os lançamentos destes períodos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário:2005, 2006, 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até 21/12/2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam deste ano-calendário e períodos pretéritos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário:2005, 2006, 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar os lançamentos de multa isolada relativamente aos anos-calendário de 2005 e 2006; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à mesma infração pertinentemente aos lançamentos dos anos-calendário de 2007 e 2008, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento ao recurso para afastar os lançamentos destes períodos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.654 1 1.653 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.721945/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.206 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria CSLL/MULTA ISOLADA/JUROS DE MORA Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NORTE COSERN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2005, 2006, 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até 21/12/2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam deste anocalendário e períodos pretéritos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005, 2006, 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar os lançamentos de multa isolada relativamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 19 45 /2 01 0- 03 Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.655 2 aos anoscalendário de 2005 e 2006; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à mesma infração pertinentemente aos lançamentos dos anoscalendário de 2007 e 2008, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento ao recurso para afastar os lançamentos destes períodos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.656 3 Relatório Tratase de retorno dos autos em face de decisão exarada pela E. CSRF em 06/04/2016 (Ac. 9101002.303 – fls. 1479/1551) que reformou decisão prolatada pela Turma a quo em relação ao mérito tratado nos autos e determinou o exame das matérias que deixaram de ser apreciadas no julgamento anterior, especificamente i) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal, ii) juros de mora sobre multa de ofício, e, iii) aplicação da taxa SELIC. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata se de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione uma situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.657 4 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Naquilo que interessa, assim se pronunciou o voto vencedor do Ac. supra (fls. 1505): “Assim, cabe ser restabelecida a autuação fiscal relativa á glosa de despesa de amortização de ágio. Enfim, em razão do resultado do julgamento da turma a quo (que afastou a prejudicial de mérito decadencial e, no mérito, deu provimento ao recurso da contribuinte para afastar a glosa de despesa de amortização de ágio), as matérias relativas a (1) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal, (2) juros de mora sobre multa de ofício e (3) aplicação da taxa SELIC para os juros de mora não foram apreciadas. Portanto, determino o retorno dos autos para a turma a quo, estritamente para julgamento destas matérias. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso da PGFN, e determinar o retorno dos autos à turma a quo para apreciação das matérias multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal, juros de mora sobre multa de ofício e aplicação da taxa SELIC para os juros de mora”. Com a extinção da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul, ou autos foram redistribuídos a este relator. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.658 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Já houve confirmação anterior da tempestividade do Recurso Voluntário, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares. Com relação ao mérito, a discussão prendese unicamente em verificar as matérias não tratadas na decisão da então 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul por ter decidido favoravelmente à contribuinte. Posteriormente, com a reforma do R. decisum pela Câmara Superior, impende ver tais pontos: 1. multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais; 2. juros de mora sobre multa de ofício; e, 3. aplicação da taxa SELIC. Em seu RV a recorrente bateuse contra os três itens, alegando sua improcedência e ilegalidade. Passo à analise de cada um deles. DA MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS MENSAIS A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.659 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.660 7 Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Nessa linha, a evolução da jurisprudência, inclusive na CSRF, conforme recentes decisões, como a abaixo reproduzida: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.661 8 correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do anocalendário. No caso em apreço, aplicase a Súmula CARF nº 105 apenas para períodos anteriores à publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007. (Ac. 9101003.307 1ª Turma Sessão de 17/01/2018 Relatora Adriana Gomes Rêgo): Dentro dessa linha de pensamento, não haveria como não validar, a princípio, os lançamentos perpetrados pelo Fisco. Ocorre, porém, que os lançamentos envolveram os anoscalendário de 2005 a 2008 (AI – fls. 2/22) e nesse contexto, há que se observar os parâmetros da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Dizendo mais claramente, após a edição da Súmula não há como chancelar lançamentos de multa isolada relativas aos anoscalendário anteriores a 2007. Desse modo, devem ser exonerados os lançamentos pertinentes aos meses de janeiro/2005 a dezembro/2006, conforme demonstrado ao final deste voto, mantendo os relativos a 2007 e 2008. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Pois bem, ressalvando, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício é questão superveniente ao presente lançamento, passase à sua apreciação, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.662 9 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.663 10 partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.664 11 Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.665 12 calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC PARA OS JUROS DE MORA A matéria já está decidida em nível deste Colegiado, posto que devidamente sumulada (Súmula CARF nº 4): Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, sem necessidade de maiores digressões, é de se NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste particular. Concluindo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para exonerar os lançamentos de multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais de CSLL relativamente aos anoscalendário de 2005 e 2006 no montante de R$ 2.440.554,35, mantendo os relativos aos períodos de 2007 e 2008, conforme abaixo demonstrado. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone DEMONSTRATIVO DOS VALORES LANÇADOS, EXONERADOS E MANTIDOS Período Lançado Exonerado Mantido jan/05 77.978,60 77.978,60 fev/05 77.978,59 77.978,59 mar/05 77.978,60 77.978,60 abr/05 77.978,59 77.978,59 mai/05 77.978,59 77.978,59 jun/05 77.978,60 77.978,60 jul/05 77.978,60 77.978,60 ago/05 77.978,60 77.978,60 set/05 77.978,59 77.978,59 out/05 77.978,59 77.978,59 nov/05 77.978,60 77.978,60 Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.666 13 jan/06 76.153,06 76.153,06 fev/06 76.153,07 76.153,07 mar/06 76.153,06 76.153,06 abr/06 76.153,07 76.153,07 jun/06 85.759,17 85.759,17 set/06 435.325,48 435.325,48 out/06 289.446,11 289.446,11 nov/06 342.214,30 342.214,30 dez/06 125.432,48 125.432,48 jan/07 106.588,93 106.588,93 fev/07 106.588,93 106.588,93 mar/07 106.588,94 106.588,94 abr/07 106.588,93 106.588,93 mai/07 106.588,93 106.588,93 jun/07 106.588,94 106.588,94 jul/07 106.588,92 106.588,92 ago/07 106.588,93 106.588,93 set/07 106.588,92 106.588,92 out/07 106.588,93 106.588,93 nov/07 106.588,93 106.588,93 dez/07 99.879,81 99.879,81 jan/08 102.808,67 102.808,67 fev/08 102.808,67 102.808,67 mar/08 102.808,67 102.808,67 abr/08 102.808,68 102.808,68 mai/08 102.767,50 102.767,50 jun/08 102.808,67 102.808,67 jul/08 102.808,67 102.808,67 ago/08 102.808,67 102.808,67 set/08 102.808,67 102.808,67 out/08 102.808,67 102.808,67 nov/08 102.808,67 102.808,67 dez/08 52.606,47 52.606,47 TOTAIS 4.896.373,07 2.440.554,35 2.455.818,72 (*) VALORES SUJEITOS À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10469.721945/201003 Acórdão n.º 1402003.206 S1C4T2 Fl. 1.667 14 Fl. 1667DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.001671/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS. OMISSÃO.
Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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TEMPESTIVIDADE DE RECURSO Embargante CONSELHEIRO DA 2ª TURMA ORDINÁRIA DA TERCEIRA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Interessado PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 16 71 /2 00 8- 61 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.965 S1C3T2 Fl. 144 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo conselheiro presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em face do acórdão nº 1302002.750, pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF que, por unanimidade de votos, acordou em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Nos embargos opostos sustentouse, verbis: O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, aplicandose o quanto foi decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual restou vinculado. Ocorre que por ocasião do julgamento, o colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara 1ª Seção do CARF, em face da própria sistemática de julgamento adotada, o colegiado deixou de examinar e se pronunciar sobre a tempestividade do recurso voluntário interposto neste processo, impondose que seja suprida a referida omissão. Ante ao exposto, tendo formalizado e assinado o referido acórdão, na condição de presidente e relator, em 02 de junho de 2018, com base no art. 65, §1º, inc. I do Anexo II do Ricarf, venho pelo presente opor os competentes embargos de declaração para que sejam devidamente admitidos e processados com vistas a sanar a omissão apontada. Como os embargos foram apresentados pelo presidente do colegiado embargado, consideramse automaticamente admitidos. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.965 S1C3T2 Fl. 145 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos foram opostos tempestivamente e atendem aos pressupostos regimentais. Assim, devem ser conhecidos. A omissão apontada nos embargos, consiste na apreciação da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo que, em face da sistemática de julgamento dos processos repetitivos, prevista no art. 47,§§ 1º, 2º e 3º do Anexo II do Ricarf, adotada para o presente processo, deixou de ser examinada. Assim, cumpre sanar a omissão. No caso concreto, a contribuinte foi cientificada do acórdão de primeiro grau em 30/04/2010 (AR, fls. 128/) e interpôs recurso voluntário em 02/06/2018 (fls. 129). Verificase, à luz da legislação processual administrativa tributária e com base nos elementos dos autos acima citados, que o recurso é intempestivo. Com efeito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que a intimação, pode ser feita por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, considerandose feita na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Já o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias contados da ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. O art. 5° do Decreto n° 70.235/72, dispõe ainda que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e que estes só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, o contribuinte teve ciência do acórdão recorrido em 30/04/2010 (sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto em 02/06/2010 (quintafeira). Deste modo, o prazo legal para a interposição do recurso voluntário expirou no dia 01/06/2010 (quartafeira). Assim, o recurso voluntário, não pode ser conhecido, por ser intempestivo. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908649/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/11/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/11/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 49 /2 00 9- 44 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 11/03/2016, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 30/03/2016, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13819.908649/200944 Acórdão n.º 1302002.862 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.725240/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral.
Numero da decisão: 3301-004.754
Decisão:
Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento para anular a decisão de primeira instância e determinar a realização de novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão de primeira instância que considerou não impugnada parcela do crédito em relação ao qual a Recorrente questionou o fundamento de forma geral. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento para anular a decisão de primeira instância e determinar a realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 52 40 /2 01 4- 49 Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.007 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 2900/2913), abaixo transcrito: Tratase de impugnação contra Auto de Infração lavrado contra a empresa em epigrafe para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no montante de R$ 11.426.746,42, inclusos multa de ofício qualificada e de juros de mora. De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização se deu para a apreciação dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento – PER de créditos de IPI relativos ao período de janeiro de 2009 a setembro de 2012, no qual o contribuinte cometeu, resumidamente, as seguintes infrações: 1 Nas Entradas (glosas de créditos): • Créditos Provenientes da Aquisição de Insumos da Zona Franca de Manaus: Descumpriu um dos requisitos exigidos no art. 237 c/c art. 95, inciso III, do RIPI 2010 (art. 95 c/c art. 82, inciso III, do RIPI 2002), qual seja, uso das matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; 2. Segundo julgados do STF (RE 353.6575 PR, RE 370682 / SC e RE 550218 ED / SP), viola o princípio da nãocumulatividade previsto no art. 153, §3º, inciso II da Constituição Federal; • Créditos Oriundos da Aquisição de Comerciante Atacadista: Aproveitou de créditos integrais nas aquisições de comerciantes atacadistas, uma vez que, para estes, o direito ao crédito somente alcança cinquenta por cento do valor da compra constante da respectiva nota fiscal de aquisição, tal como dispõe o art. 227 do RIPI/2010 (art. 165 do RIPI/2002); • Créditos Oriundos da Aquisição para Comercialização: Creditouse de mercadorias classificadas no CFOP 2102, adquiridas para comercialização, destinadas à revenda, mercadorias estas que não passaram pelo processo de industrialização, descumprindo o que preceitua o art. 4º, do RIPI/2002 e RIPI/2010; • Créditos Oriundos da Devolução de Mercadorias para Comercialização cujas saídas ocorreram sem pagamentos do IPI: Mercadorias que não passaram pelo processo de industrialização, conforme definidas no art. 4º, do RIPI/2002 e RIPI/2010, que saíram do estabelecimento industrial e posteriormente devolvidas à contribuinte. Além disso, nas saídas destas, não houve pagamentos de IPI, portanto, não as permitindo creditarse na devolução ou retorno, Fl. 4007DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.008 3 violando assim, o art. 229, do RIPI 2010 (art. 167, do RIPI 2002); 2 Nas Saídas de Produtos (lançamento de débitos): • Os resultados das comparações de valores de IPIs, entre os dados apresentados no arquivo ADE25 e os constantes no arquivo COD EX e os apurados pela DRF, apresentaram diferenças cujos valores de IPIs informados no arquivo ADE25 são menores do que os informados nos outros dois arquivos (COD EX e Apurado pela DRF), infringindo o art. 569, caput, do RIPI 2010 (art. 488, caput, do RIPI 2002); • Não houve recolhimento de IPIs nas vendas de produtos industrializados (CFOPs de nºs 5.101 e 6.101), na saída do estabelecimento, portanto, violando o art. 24, II, do RIPI 2010 (art. 24, II, do RIPI 2002); • Não foram realizadas operações de estorno nas devoluções de compras para industrialização (CFOPs 5.201 e 6.201), conforme previsto no art. 254, inciso V do RIPI/2010 (art. 193, inciso V, do RIPI/2002); • Baixas de estoque decorrentes de perda, roubo ou deterioração (CFOP 5.927) sem que tenham sido efetuados estorno do crédito na escrita fiscal, infringindo o que dispõe o art. 254, inciso IV, do RIPI/2010 (art. 193, inciso IV, do RIPI/2002); • Vendas de produção do estabelecimento em operação com produto sujeito ao regime de substituição tributária (CFOP 6.401), na condição de contribuinte substituto e não foram realizados destaques no imposto, conforme disciplina o art. 26, do RIPI/2010 (art. 26, do RIPI/2002); Em decorrência das infrações verificadas, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal, sendo o saldo devedor por período objeto de lançamentos de ofício. Regularmente cientificado da autuação, o contribuinte ingressou com impugnação, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: PRELIMINARMENTE. 1 Argumentou sobre a impossibilidade de lavratura de auto de infração ante a pendência de julgamento dos pedidos de compensação/ressarcimento, por violação expressa ao art. 74, §7°, da Lei n.° 9.430/96, bem como ao art. 37 e 59, ambos da IN 900/08; 2 – Arguiu a nulidades do mandado de procedimento fiscal por falta de ciência ao sujeito passivo das prorrogações sucessivas de prazo ocorridas, em desobediência a regra contida no art. 9º, parágrafo único da Portaria RFB n°. 11.371/07. Ora, há manifesta violação às normas que regulam o processo administrativo tributário, que implica em preterição ao direito de defesa da impugnante, além de manifesto desrespeito à legislação Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.009 4 tributária vigente. Desse modo, inevitável a conclusão de que a falta de ciência gera a nulidade do MPFF, já que não observado os requisitos legais que o regem, afrontando assim os princípios constitucionais expressamente alocados na Constituição Federal, evidenciandose a nulidade do Processo Administrativo Fiscal nos exatos termos do Art. 59, II do Decreto Lei 70.235/1972. Assim, é patente o reconhecimentoda nulidade do presente auto de infração, com o cancelamento do crédito tributário constituído em face da impugnante. NO MÉRITO. 1 A legislação pertinente aos regimes tributários dos produtos advindos da ZFM, sobretudo aqueles industrializados, confere a possibilidade de a impugnante se creditar dos valores de IPI, nos ditames do artigo 237, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010). Portanto, consoante se consubstancia dos preceitos legais supratranscritos, a impugnante tem direito ao crédito de IPI, como se devido fosse, sobre a aquisição de produtos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010. A isenção em comento condiciona que os produtos possuam dois requisitos, quais sejam: a) devem ser elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais da região amazônica; b) devem ser adquiridos de estabelecimentos industriais da Amazônia Ocidental cujos projetos tenham sido aprovados pelo SUFRAMA. O AFRFB entendeu que a impugnante não podia se valer do direito creditório tratado pelo artigo 237, do RIPI, no que se refere aos produtos adquiridos das empresas HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA e NIDALA DA AMAZÔNIA LTDA, em virtude de supostamente não se ter comprovado que estes eram elaborados com matérias primas da Região Amazônica. Nesse rumo, o AFRFB compreendeu que os laudos apresentados pela impugnante (fls. 445/475), que comprovam que essas empresas produzem a partir de "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não teriam validade na medida em que não foram expedidos por "órgãos oficiais" que tivessem competência especificamente atribuída por lei, conforme trecho do Relatório Fiscal. 2 A previsão legal apenas traz os critérios para que o contribuinte possa se creditar do IPI, mas em nenhum momento apresenta qualquer requisito formal quanto à comprovação pelo contribuinte de que atende àqueles critérios. Em outras palavras, a argumentação do AFRFB não encontra qualquer amparo nos preceitos legais por ele indicados como suporte à desconsideração dos Laudos apresentados pela impugnante, pelo que não merece prosperar. A legislação em comento condiciona o direito ao crédito do IPI a aquisição de produtos produzidos com matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais da região Amazônica, mas é omissa quanto ao ônus probatório neste quesito, entendendo a impugnante que as informações disponibilizadas a ela por seus fornecedores já lhe garante o direito ao creditamento, se cabível. Fl. 4009DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.010 5 3 Deve ser aceita toda e qualquer prova em direito admitido, cabendo à autoridade fazendária desconstituir a prova trazida aos autos ou comprovar de forma irrefutável sua nulidade. Destaca se que o AFRFB deixa claro que não apenas os certificados deviam ser emitidos por órgãos oficiais, como que tais órgãos devem ser investidos de competência específica para tanto, mediante previsão legislativa expressa. 4 Tendo isso em vista, poderia se indagar: quais seriam esses "órgãos competentes oficiais" legalmente investidos aos quais se refere o AFRFB? Com efeito, atentese que nem mesmo a autoridade fiscalizadora soube informar quais seriam esses órgãos, atendose à simples alegação genérica de que apenas eles sejam quais forem poderiam atestar a conformidade das empresas com a normativa do RIPI. 5 Por esse motivo, resta clarividente a total improcedência da hermenêutica esposada pelo AFRFB, o qual passa a exigir requisitos totalmente alheios aos diplomas legais que tratam da matéria, de forma a inviabilizar a fruição do direito creditório da impugnante em virtude de uma excessiva e injustificável formalidade que, repitase, não encontra qualquer respaldo na lei. 6 Por essa razão, merece ser reformado o auto de infração ora em comento, com o conseqüente afastamento da glosa do crédito de IPI, escriturado pela impugnante, advindo da aquisição de matérias primas advindas da região da Amazônia Ocidental. 7 Toda a documentação apresentada nos autos aponta para o fato de que as operações realizadas pela impugnante quando da aquisição de insumos provindos de fornecedoras localizadas na região da ZFM se deram em total conformidade com os preceitos legais pertinentes. Vale ressaltar, como já demonstrado no tópico anterior, que o art. 237 e o art. 95, III, ambos do RIPI/2010, não apresentam quaisquer requisitos quanto à comprovação da origem regional das matériasprimas utilizadas para fabricação dos produtos na Amazônia. Também é conveniente enfatizar mais uma vez que tanto a Resolução n.° 202/2006, quanto a posterior n.° 244/2012, ambas do Conselho de Administração do SUFRAMA (CAS), prevêem que no caso de aproveitamento dos incentivos estabelecidos no art. 6o, do Dec.Lei n.° 1.435/75, transcrito abaixo, a empresa titular do projeto a ser aprovado pelo SUFRAMA deverá apenas apresentar demonstrativo das aquisições de insumos efetuados no mercado regional. 8 Uma análise mais aprofundada dessas Resoluções, em especial a n.° 202/2006, vigente à época do procedimento fiscal, onde fica claro que a aprovação dos projetos das empresas HVR e NIDALA pelo SUFRAMA envolve também a análise do seu processo produtivo básico, bem como todas as outras condições necessárias para o usufruto dos incentivos fiscais, inclusive a isenção do IPI para os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais de produção regional. O art. 1o, da Res. CAS 202/2006, apresenta os incentivos fiscais administrados pelo SUFRAMA concedidos aos projetos Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.011 6 aprovados para industrialização de produtos na ZFM, prevendo em seu inciso IV o seguinte: Art. 1o Os incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, concedidos a projetos industriais que objetivem a industrialização de produtos na Zona Franca de Manaus (ZFM), são os seguintes: (...) IV isenção do IPI para os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; 9 Quanto ao fornecedor HVR, a impugnante traz a lume o Parecer Técnico de Projeto n.° 46/2006 (Anexo IV), da SUFRAMA, no qual resta claro (item 4) que a empresa HVR Concentrados da Amazônia Ltda. solicitou como incentivo em seu projeto a isenção do IPI para produtos elaborados com matériasprimas regionais segundo art. 6º, DL n.° 1.435/1975. Assim, através da Portaria n.° 175/2006 (Anexo V) da SUFRAMA, houve a aprovação do projeto industrial de implantação apresentado pela HVR, sendo lhe expressamente deferido o usufruto do benefício do art. 6°, DL n.° 1.435/1975. Devese ressaltar, ainda, o fato de que anualmente o SUFRAMA, através de seus técnicos, dirigiase ao estabelecimento da empresa HVR e, após verificar o cumprimento do PPB e de outros parâmetros constantes do projeto, nos termos do art. 23 e 27, ambos da Res. CAS 202/2006, supratranscritos, emitia os respectivos Laudo de Produção (LP) (fls. 454/465), os quais corroboram o atendimento dos requisitos necessários ao aproveitamento do benefício do art. 6o, DL n.° 1.435/1975. A empresa HVR apresentou todos os LTAIs obrigatórios, como se verifica às fls. 466/475, os quais atestam a estrita observação aoPPB, bem como o atendimento de todos os requisitos necessários para fruição dos incentivos previstos na Res. CAS 202/2006. Não fosse suficiente o que já se demonstrou até aqui, importa destacar ainda que em relação à empresa HVR. a impugnante conseguiu diversas notas fiscais (fls. 949/1.019) que demonstram de forma irrefutável a aquisição de insumos com origem local para produção da mercadoria adquirida pelo impugnante. Assim, é irrefutável o direito da impugnante de usufruir do incentivo fiscal previsto no art. 247, RIPI/2010, devendo ser afastada a glosa de crédito realizada pelo AFRFB nestes autos quanto às aquisições de insumos da ZFM. 10 Com relação à empresa Nidala da Amazônia Ltda. Não se pode ignorar os Laudos de Auditoria Independente apresentados à autoridade fazendária (fls. 451/454), pois estes documentos foram confeccionados por empresa especializada e comprovam que a Nidala utiliza em seu processo produtivo insumos regionais, atendendo ao requisito para isenção do art. 95. III, do RIR/2010. Há de se ressaltar, mais uma vez, que ao contrário do arguido pelo AFRFB, não há qualquer previsão legal para que os laudos sejam expedidos por órgão oficial competente. A Nidala também apresentava anualmente ao SUFRAMA os Laudos Técnicos de Auditoria Independente (LTAI) (Anexo VI), os Fl. 4011DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.012 7 quais atestam o cumprimento ao PPB e, outrossim, aos demais parâmetros constantes do projeto, pelo que não há dúvidas de que a empresa produz as mercadorias adquiridas pela impugnante com matériasprimas agrícola ou extrativista vegetal regional para fazer jus ao incentivo fiscal. 11 Tanto a Receita Federal do Brasil quanto a SUFRAMA realizam o controle e devem fiscalizar os estabelecimentos industriais que usufruem dos incentivos do art. 93, III, do RIPI/2010, pelo que o correto seria autuação destas empresas acaso não atendam aos requisitos legais. Ademais, as empresas fornecedoras da impugnante tiveram a devida autorização para funcionarem na ZFM (fls. 480/487), usufruindo dos incentivos fiscais previstos no art. 1o, da Res. CAS 202/2006, o que por si só já pressupõe a possibilidade de a impugnante creditarse nos termos do art. 237, do RIPI/2010, salvo se o AFRFB comprovar cabalmente que aqueles fornecedores não atendem aos requisitos necessários para usufruírem da isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/2010, o que não se verifica nestes autos. A impugnante, licitamente, utilizase das informações passadas por seus fornecedores, as quais neste caso encontramse robustamente comprovadas pelos documentos jungidos aos autos, para se creditar de IPI nos termos do art. 237, RIPI/2010, pelo que é nulo o auto de infração combatido. Assim, ante ao todo exposto, tendo em vista o princípio da verdade material, requer seja considerada todas as provas apresentadas pela impugnante, em especial os laudos de auditoria técnica que comprovam a utilização de matériasprimas agrícolas ou extrativistas vegetais da região amazônica para produção das mercadorias adquiridas das empresas HVR Concentrados da Amazônia Ltda. e Nidala da Amazônia Ltda., afastando desta forma toda a glosa dos créditos provenientes da aquisição de insumos da ZFM. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1462.485 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 2900/2913), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante. Neste caso, presumese verdadeiro o fato, deixando de ser controvertido e, portanto, deixa de ser objeto de recurso, não podendo mais ser alegado. NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento ou renovação do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.013 8 CRÉDITO INCENTIVADO INDEVIDO. CONCENTRADO PARA ELABORAÇÃO DE BEBIDAS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. O fato de o Impugnante adquirir produtos fabricados por estabelecimento localizado na Amazônia Ocidental, com projeto aprovado pela SUFRAMA, isentos por força do art. 95 do RIPI/2010, não lhe garante o direito ao crédito incentivado do IPI, ainda que permitida a saída dos mencionados bens com isenção do IPI para qualquer parte do território nacional para comercialização. Em se tratando de concessão de benefício/incentivo fiscal, a legislação tributária deverá ser interpretada literalmente, na forma do art. 111 do CTN, não admitindo a extensão a situações não contempladas pela lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 3422/3463, no qual se apresentou os seguintes pontos: · III. PRELIMINARMENTE. DA IMPUGNAÇÃO À TOTALIDADE DOS CRÉDITOS; · III.I DA IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTE A PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DOS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO; · III.II DAS NULIDADES DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPFF) POR FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DA PRORROGAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL; · III.III DA JUNTA DE PROVAS COMPLEMENTARES; · IV. DO MÉRITO · IV.1 DA GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS PROVENIENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS; · IV.I.A DO ÔNUS PROBATÓRIO DO FISCO E DA INEXISTÊNCIA DE PRECEITO LEGAL QUE LEGITIME A GLOSA REALIZADA PELO AFRFB; · IV.I.b DA VERDADE MATERIAL EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. DAS PROVAS APRESENTADAS; · i.a DO REQUISITO DE APROVAÇÃO DO PRJETO DA EMPRESA NIDALA PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA; · i.b DO REQUISITO DE COMPROVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS DE PRODUÇÃO REGIONAL; · i.c. DA HVR CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA DOCUMENTOS QUE COMPROVAM A UTILIZAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS AGRÍCOLAS OU VEGETAIS DA REGIÃO AMAZÔNICA; · i.d Da NIDALA DA AMAZÔNIA DOCUMENTOS QUE COMPROVAM A UTILIZAÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS AGRÍCOLAS OU VEGETAIS DA REGIÃO AMAZÔNICA. É o relatório. Fl. 4013DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.014 9 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre analisar inicialmente o seguinte item do Recurso Voluntário: III. PRELIMINARMENTE. DA IMPUGNAÇÃO À TOTALIDADE DOS CRÉDITOS; Defendeu a Recorrente que a decisão recorrida está eivada por "grave equívoco ao considerar que os créditos tributários lançados por meio do Auto de Infração, não foram atacados, quais sejam os créditos oriundos da aquisição de comerciante atacadista; dos créditos oriundos da aquisição para comercialização; dos créditos oriundos da devolução de mercadorias para comercialização cujas saídas ocorreram sem pagamentos do IPI e também não trouxe qualquer contestação quanto aos débitos lançados referentes as saídas de produtos, por ocasião da Impugnação, consistem em matéria não contestadas, presumindose verdadeiros os fatos, deixando de serem controvertidos". Afirmou a Recorrente que "Desse entendimento equivocado, sobreveio o desmembramento do presente procedimento administrativo, com vistas a se proceder a cobrança dos créditos supramencionados que foram considerados definitivamente constituídos" e explica que "conforme se verifica na Impugnação, a ora Recorrente apontou ilegalidades na constituição do Auto de Infração como um todo decorrentes da pendência de decisão administrativa do pedido de compensação que deu origem ao procedimento fiscalizatório, bem como da nulidade do mandado de procedimento fiscal do qual sobreveio o Auto de Infração, por falta de ciência ao sujeito passivo da prorrogação do prazo do procedimento fiscal". Concluiu a Recorrente que até que "haja trânsito em julgado das matérias preliminares" todo o crédito tributário está impugnado. Sem adentrar no mérito das questões levantadas pela Recorrente em sua Impugnação ao Auto de Infração, é de se concluir que lhe assiste razão ao defender que, em razão das preliminares em pauta, todo o crédito tributário pertinente encontrase impugnado. Diante do exposto, proponho dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno do processo à DRJ/RPO para realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 10950.725240/201449 Acórdão n.º 3301004.754 S3C3T1 Fl. 4.015 10 Fl. 4015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.921406/2009-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte.
Numero da decisão: 3002-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 14 06 /2 00 9- 55 Fl. 131DF CARF MF 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 97 dos autos: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta por Tekinox Manutenção e Montagens Industriais Ltda, CNPJ 57.521.825/000179, em contrariedade ao indeferimento integral do ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 28959.47778.030609.1.5.01.1007, referente ao saldo credor de IPI apurado no 4º trimestre de 2006, no montante de R$ 24.053,38 (vinte e quatro mil, cinquenta e três reais, trinta e oito centavos). De acordo com o despacho decisório (fl. 11), o valor pleiteado não foi reconhecido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Cientificada da decisão em 05/11/2009, a interessada manifestou a sua inconformidade em 24/11/2009. Em síntese, a sua defesa se resumiu aos seguintes termos: I – DOS FATOS A matéria debatida se funda especificamente em pedido de PER/DCOMP, por manter os créditos em sua escrita fiscal, oriundos na Lei 9.779/99. A fazenda não reconheceu os créditos, no entanto, é mister que a origem dos créditos estão devidamente comprovados, conforme documentos anexo (sic), dando suporte à totalidade do pedido. II – DAS PROVAS O Contribuinte apresenta os documentos que suportaram os seu pedido, quais sejam: • Cópias do Livro Registro de Apuração do IPI. • Cópias da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Além da documentação relatada, juntada às fls. 12/58 e 88/91, o contribuinte também juntou com sua manifestação de inconformidade (fls. 02/03): i) cartão de CNPJ (fl. 4); ii) atos de constituição e representação da Empresa (fls. 05/10); iii) Despacho decisório (fl. 11 e 87); iv) PER/DCOMP (fls. 59/86). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada, não integrando, assim, o objeto da lide. PRODUÇÃO DE PROVA. RAZÕES DA CONTESTAÇÃO. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.921406/200955 Acórdão n.º 3002000.282 S3C0T2 Fl. 132 3 Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Dessarte, não cabe à autoridade julgadora de primeiro grau, diante do conjunto de documentos apresentados na impugnação, demonstrar que cada um deles possibilita comprovar o que a defesa pretende, ainda mais se nem ao menos há alguma alegação específica do que se pretende. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls. 96/99) fundamentouse, assim, na ausência de indicação específica das discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório e na ausência de correlação, na defesa, de seu conteúdo com os documentos apresentados. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 07/12/2012 (vide Termo de ciência por decurso de prazo à fl. 102 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/12/12, Recurso Voluntário (fls. 104/118). Em seu recurso, o recorrente alega que: i) houve cerceamento de defesa por falta de fundamentação do despacho decisório; ii) tem o direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 lei 9.779/99; iii) obedeceu aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Em seus pedidos, requereu, preliminarmente, o cancelamento da decisão de primeira instancia, por inobservância do artigo 19 da IN 600/05. No mérito, a homologação do crédito pretendido. Alternativamente, pediu a devolução do processo à primeira instancia, para fiscalização da documentação referente ao crédito e realização, ou não, de sua homologação, sob pena de cerceamento de defesa. Nesta oportunidade, reapresentou a documentação de representação da empresa (fls. 119/128). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, constou do despacho decisório que o pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte fora indeferido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Fl. 133DF CARF MF 4 Em sua defesa, o contribuinte alegou, de forma genérica, que possuiria direito ao ressarcimento da integralidade do crédito tributário alegado, tendo anexado, nesta oportunidade, livro de apuração do IPI, no intuito de comprovar o alegado. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, visto que a defesa apresentada não teria indicado, de forma específica, as discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório, nem a correlação eventualmente existente entre o seu conteúdo e os documentos apresentados. Em seu recurso voluntário, então, o contribuinte alegou, resumidamente que: i) teria havido cerceamento do seu direito de defesa por falta de fundamentação do despacho decisório; ii) teria direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 Lei 9.779/99; iii) teria obedecido aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Quanto a tais argumentos, entendo que não assiste razão ao contribuinte, consoante restará devidamente analisado em sucessivo. No que tange ao argumento preliminar disposto no item i) acima, é fácil constatar que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, com a indicação das razões que levaram ao indeferimento do pleito, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Quanto à alegação disposta no item ii), de fato, é certo que o contribuinte possui o direito de requerer o ressarcimento de saldo credor que eventualmente entende fazer jus, o que não lhe foi vetado. Porém, da mesma forma que lhe é garantido o direito de petição, é dever da administração pública indeferilo quando constatar a inconsistência do pedido apresentado. E foi justamente o que ocorreu no caso vertente. No que concerne ao item iii), penso que a mera alegação de que teria obedecido aos ditames da IN 600/05 não possui o condão de afastar a fundamentação constante do despacho decisório no sentido de que o crédito já teria sido utilizado em períodos subsequentes. Competia ao contribuinte requerente comprovar o direito creditório pleiteado, o que inocorreu. Quanto ao item iv), entendo que, no momento do despacho decisório, a fiscalização não está obrigada a exigir documentação comprobatória do contribuinte, podendo este ser proferido tanto manualmente quanto eletronicamente, quando constatada a inconsistência do pleito apresentado conforme dados constantes do sistema da Receita Federal do Brasil. E é justamente por essa razão que se admite que o contribuinte inicie a fase de contraditório por meio de apresentação de manifestação de inconformidade, oportunidade em que deverá trazer aos autos, para fins de julgamento, não apenas os argumentos de defesa, como também a documentação comprobatória do seu direito creditório pleiteado. Sobre este assunto, trazse à colação esclarecimento quanto ao procedimento adotado no caso de análise eletrônica de PER/DCOMP, constante do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: 14. Como o caso em tela tem como peculiaridade a análise eletrônica do PER/DCOMP, convém descrever sucintamente como ela ocorre. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.921406/200955 Acórdão n.º 3002000.282 S3C0T2 Fl. 133 5 14.1. Primeiramente, o sujeito passivo transmite o PER/DCOMP informando os créditos aos quais julga ter direito e confessando os débitos. 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. 15. Caso o contribuinte não tenha seu pedido deferido ou a compensação integralmente homologada, está garantido seu direito de manifestar inconformidade sob o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com esteio no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 1996. Na hipótese de discordância da análise preliminar acima referida, concluindo o sujeito passivo ser incabível a retificação de declarações ou o cancelamento do PER/DCOMP no prazo Fl. 135DF CARF MF 6 a ele conferido para autorregularização, é por ocasião da manifestação de inconformidade que deve apresentar justificativas ou documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Ademais, é válido destacar que o art. 19 da IN 600/05 confere à autoridade fiscal a faculdade de, caso entendam necessário, requerer a produção de provas complementares para fins de julgamento da demanda. Notese que o referido dispositivo legal possui em sua redação o verbo "poderá". Ocorre que, no presente caso, diante da completa inexistência de argumentos de combate ao teor do despacho decisório proferido, por falha do próprio contribuinte, não houve como a DRJ sequer identificar qual a matéria objeto de defesa, tendo concluído pela desnecessidade de produção de novas provas. Ao assim proceder, entendo que tampouco cerceou o direito de defesa do contribuinte, visto que a realização de diligência para este fim é apenas uma faculdade, a depender da avaliação acerca da sua necessidade. Por fim, no que compete ao item v), penso que a mera juntada do livro de apuração de IPI, sem que seja feita qualquer conciliação entre a documentação apresentada com os fatos que pretende o contribuinte comprovar, ou mesmo com os fatos indicados no despacho decisório que pretende combater, não surte os efeitos pretendidos pelo contribuinte. Da leitura da peça recursal apresentada, verificase que o contribuinte insiste na mesma falha já constante da sua manifestação de inconformidade, limitandose a repisar que teria direito à integralidade do direito creditório alegado, contudo, não tendo se insurgido de forma específica acerca das razões constantes do despacho decisório, em especial no que tange à afirmativa de que já teria utilizado o saldo credor em períodos subsequentes. Ainda que a documentação acostada aos autos fosse apta a comprovar a integralidade do saldo credor alegado pelo contribuinte, é certo que este determinado crédito poderia ter sido utilizado pelo contribuinte posteriormente, o que sequer foi refutado pelo contribuinte nos presentes autos. Nesse contexto, concordo com a fundamentação constante da decisão da DRJ no sentido de que o contribuinte não trouxe aos autos elementos suficientes a se contrapor ao conteúdo do despacho decisório. Até porque, é cediço que o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de ressarcimento e/ou compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de ressarcimento) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Sobre o assunto, trazse à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10830.921406/200955 Acórdão n.º 3002000.282 S3C0T2 Fl. 134 7 Nessa mesma linha de raciocínio, reproduzse Ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No caso dos presentes autos, portanto, uma vez que o contribuinte não realizou qualquer tipo de conciliação entre a documentação acostada aos autos apta a se contrapor ao conteúdo do despacho decisório, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida. Não resta dúvidas que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática alegada (direito ao crédito). Da conclusão Diante das razões acima expostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001020/2006-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ausentes, no caso concreto, circunstâncias que permitam afirmar o comportamento doloso por parte da contribuinte, não se há de
cogitar o deslocamento do termo inicial para a contagem do prazo
decadencial, nos termos do art. 173, I, do referido Código.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, IRREGULARIDADES. NULIDADE_ INOCORRÊNCIA
O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, mormente quando não constadas as irregularidades alegadas pelo sujeito passivo.
LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO, INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE.
A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao princípio da inetroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de
sua entrada em vigor. Aplicação da Súmula CARF n° 35, OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PROCEDÊNCIA.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DE LUCROS, FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS OBRIGATÓRIOS.
Configurada a hipótese legal de arbitramento dos lucros mediante a falta de apresentação dos livros obrigatórios, e admitida pela própria fiscalizada a impossibilidade de escriturá-los, correto o arbitramento dos lucros levado a efeito pelo Fisco.
COMPENSAÇÃO. DARF/SIMPLES, Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos pagamentos comprovadamente efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, obedecida a repartição de receitas do art 23 da
Lei ri° 9 317/1996.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO, QUEBRA DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUI IVA,
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n° 2,
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL, MULTA QUALIFICADA.
Tendo sido as receitas tidas por omitidas apuradas por presunção legal, e inexistentes outras circunstâncias que permitam afirmar a conduta dolosa por parte da contribuinte, mostra-se inaplicável a qualificação da multa.
Numero da decisão: 1301-000.379
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAIVIENTO, por maioria de votos, acolher a decadência para os fatos geradores de IRPI e CSLL ocorridos até o segundo trimestre de 2001 no que se refere ao lançamento original, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou pela aplicação do prazo estabelecido no inciso I, do art,173, do CTN;e, por unanimidade de votos, reconhecer a caducidade sobre fatos geradores do IRPI e CSLL ocorridos até o primeiro trimestre de 2002 no que tange ao lançamento complementar; e sobre fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos até o mês de agosto de 2001. No mérito, por unanimidade de votos, reduzir a multa qualificada
ao patamar de 75% e reconhecer o direito à dedução do montante recolhido na sistemática do SIMPLES durante o período em discussão, devidamente comprovados, e limitados, em cada
período, ao percentual destinado a cada um dos tributos objeto de lançamento, estabelecido pelo art. 23 da Lei n° 9.317/1996.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:06:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:06:34Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:06:40Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:06:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:632add28-556e-483c-9303-247224078f8c; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:06:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:06:40Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:06:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:06:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:06:34Z; created: 2010-12-21T10:06:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2010-12-21T10:06:34Z; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:06:34Z | Conteúdo => DF CA.R.F EL 1 S1-C3T1 Fl. 1.144 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13851,001020/2006-22 Recurso n" 167533 Voluntário Acórdão n° 1301-00.379 — 3° Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 1 de setembro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente CAT - COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA- Recorrida 1 TURMA / DRJ RIBEIRÃO PRETO / SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ausentes, no caso concreto, circunstâncias que permitam afirmar o comportamento doloso por parte da contribuinte, não se há de cogitar o deslocamento do termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos termos do art. 173, I, do referido Código. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, IRREGULARIDADES. NULIDADE_ INOCORRÊNCIA O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, mormente quando não constadas as irregularidades alegadas pelo sujeito passivo. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO, INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao princípio da inetroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Aplicação da Súmula CARF n° 35, OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PROCEDÊNCIA. Assinado digitalmente em 06109/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA. 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/09/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20110/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CARI: M.F El. 2 Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ARBITRAMENTO DE LUCROS, FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS OBRIGATÓRIOS. Configurada a hipótese legal de arbitramento dos lucros mediante a falta de apresentação dos livros obrigatórios, e admitida pela própria fiscalizada a impossibilidade de escriturá-los, correto o arbitramento dos lucros levado a efeito pelo Fisco. COMPENSAÇÃO. DARF/S1MPLES, Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos pagamentos comprovadarnente efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, obedecida a repartição de receitas do art 23 da Lei ri° 9 317/1996. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO, QUEBRA DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUI IVA, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n° 2, OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL, MULTA QUALIFICADA. Tendo sido as receitas tidas por omitidas apuradas por presunção legal, e inexistentes outras circunstâncias que permitam afirmar a conduta dolosa por parte da contribuinte, mostra-se inaplicável a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 1' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAIVIENTO, por maioria de votos, acolher a decadência para os fatos geradores de IRPI e CSLL ocorridos até o segundo trimestre de 2001 no que se refere ao lançamento original, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou pela aplicação do prazo estabelecido no inciso I, do art,173, do CTN;e, por unanimidade de votos, reconhecer a caducidade sobre fatos geradores do IRPI e CSLL ocorridos até o primeiro trimestre de 2002 no que tange ao lançamento complementar; e sobre fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos até o mês de agosto de 2001. No mérito, por unanimidade de votos, reduzir a multa qualificada ao patamar de 75% e reconhecer o direito à dedução do montante recolhido na sistemática do SIMPLES durante o período em discussão, devidamente comprovados, e limitados, em cada período, ao percentual destinado a cada um dos tributos objeto de lançamento, estabelecido pelo art. 23 da Lei n° 9.317/1996. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente Assinado digitalmente em 06/00/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA . 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO AutenlIewie digitalmente em 06/00/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20110/2010 pelo Ministério da Fazenda 2 DF (..‘,A.R„F MI" Fl. 3 Processo n" 13851 001020/2006-22 S1-C3T1 Acórdão n '130140379 Fl. 1 145 WALDIR VEIGA ROCHA - Relator P.1.( ; O Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CAT - COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão tf 14- 17947, de 18/12/2007, da l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do minucioso relatório elaborado quando do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente de autos de infração concernentes ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica — IRPJ (fls. 456/510) ` , à contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 511/528), à contribuição para financiamento da seguridade social — Cofms (fis.529/536) e à contribuição social sobre o lucro CSL (fls. 537/551), lavrados em decorrência da apuração de receitas omitidas no decorrer dos anos-calendário 2001 a 2004. Conforme "descrição dos fatos" (fis 552/558), ora sintetizada, a contribuinte, optante pela apuração do IRPJ/CSLL com base no lucro real no ano-calendário 2001 e pelo Simples nos anos-calendário 2002 a 2004, não comprovou a origem de créditos bancários em contas de sua titularidade, situação que caracteriza omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Seguindo textualmente o relatado pelo autor do feito, "com a apuração da omissão de receitas constante na planilha de fl 63, recompondo a receita bruta acumulada da empresa para o período (2001 a 2004) constatou-se que a fiscalizada atingiu valor anual de receita bruta superior ao limite permitido na legislação para permanência no Simples..." "Em função de tal . fato, a empresa foi excluída do Simples, conforme ADE n° 16, de 30/08/2006...," Assim, dada a não apresentação dos livros obrigatórios pela fiscalizada, arbitrou-se o lucro para apuração do 1RPJ e da CSL com base nas somas mensais de receita (demonstrativo - fl. 63) , lançando também o PIS e Cotins com base nessas receitas mensais. Atinge o crédito tributário o montante de R$ 1.489.147,83, incluídos multa de oficio de 150% (pelo entendimento do autor do procedimento da existência de dolo Na verdade, 496/510 Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA. 20110/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Aulenlicado digitalmente em 06/0912010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 polo Ministério da Fazenda 3 DF CARI MI' .F1 4 na atuação do sujeito passivo) e juros de mora calculados até 31/08/2006, assim distribuídos: R$ 369,363,11 PIS R$ 154.035,35 Cofins R$ 710.936,35 CSL R$ 254.813,02 Cientificada em 11/09/2006, apresenta a interessada impugnação de fis, 567/586 (e demonstrativos que a acompanham), recebida em 11/10/2006, na qual alega, entre outras razões, que o lançamento não poderia subsistir pois o autuante ignorou o montante dos tributos recolhidos pela empresa com base nas declarações apresentadas, subsistindo dois lançamentos distintos para mesmo fato gerador (um com base lucro real e outro com base no lucro arbitrado para o ano-calendário 2001; Simples e lucro arbitrado para os anos-calendário 2002 a 2004). Por intermédio da Resolução DRI/RPO n" 765, de 29 de janeiro de 2007, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: De plano, esclareço que deixo por enquanto de relatar e analisar os demais argumentos apresentados pelo impugnante, para fazê- lo em posterior decisão, já que verifico haver nos autos situação que demanda imediata conversão do julgamento em diligência Examinando a legislação pertinente, em especial o art. 537 do RIR/99, cuja base legal é o art 24 da Lei n' 9249, de 1995, verifica-se que uma vez apurada omissão de receita, o montante omitido deverá ser computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. Portanto, em conformidade com a legislação, a receita omitida detectada pela fiscalização deveria ser somada à receita declarada e, o resultado constituiria a receita bruta conhecida, base para a apuração do lucro arbitrado, nos termos do ar t, 532 do R1R/1999. Veja-se que o art, 219 do RIR/1999 estabelece claramente que a base de cálculo do IRRI, determinada segundo a lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, é o lucro real, presumido ou arbitrado, não havendo porque subsistir bases de cálculo distintas para o mesmo período de apuração. Acrescente-se, que relativamente ao ano-calendário de 2001, para fins de verificação do limite máximo de receita bruta para adesão ao Simples, motivo de exclusão da empresa do sistema, foram devidamente somados os valores apurados da receita omitida com aqueles declarados pelo sujeito passivo„ Desse modo verifica-se claramente equivoco na apuração da base de cálculo utilizada para lançamento do IRPJ e da CSL, erro que, se por um lado não causou prejuízo à interessada, de outro motiva a necessária revisão/complementação do lançamento Tendo em vista que desta revisão poderá haver agravamento da exigência, o que impede que esta autoridade julgadora o faça, VOTO pelo retorno do processo à repartição Assinado digitalmente em 06/09/2010 por VVALD1R VEIGA ROCHA . 20110/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente ern 06/00/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 poio Ministério da Fazenda 4 DF CARI' MF Fl. 5 Processo tf 13851.001020/2006-22 S1-C31-1 Acórdão n 1301-00379 Fl. 1.146 de origem para que, se entender cabível, proceda à revisão do lançamento. Ressaltando-se que a reformulação/complementação dos valores exigidos não significa nulidade do valor já lançado, dê-se, após, ciência à interessada com reabertura de prazo para aditamento à impugnação. Realizadas as providências pela DRF de origem, sobreveio autos de infração complementares, concernentes ao 1RPJ (fls. 796/818) e à CSL (lucro arbitrado- fls. 819/841) e cujos montantes atingem: R$ 98.610,39 CSL. .R$ 54.981,07 Tais valores compreendem imposto (IRPJ) e contribuição (CSL) complementares relativos aos períodos dos anos calendário 2001 a 2004, acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 30/04/2007 Conforme relatado na "descrição dos fatos" (fls. 842/847), o lançamento complementar consiste em diferenças de 1RPI/CSLL que não foram lançadas anteriormente em virtude de não ser considerado no lançamento anterior, para fins de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado, as receitas declaradas pela fiscalizada nas DIPT e DAS (declarações simplificadas). Esclarece-se que pelo fato de não haver recolhimento de IRRI/CSLL no período de 2001 em virtude de apuração de prejuízo fiscal, não há valores a serem deduzidos no presente lançamento. Transcreve posicionamento visando demonstrar que não teria havido decadência no lançamento. Cientificada do lançamento complementar em 18/05/2007, apresenta a interessada impugnação de fis 886/942, na qual se alega, em síntese, que: a) o IVUPF teria sido emitido apenas para análise do IRPJ, sem haver mandado específico para CSL, PIS e Cofins, não havendo perpetuação no tempo do mesmo, e deveria ter sido emitido outro MPF para a continuidade da autuação, pelo que defende a sua nulidade; b) sustenta que teria havido decadência no lançamento, nos termos do art. 150 do CTN; c) alega que houve cerceamento do direito de defesa na fase do procedimento suplementar, pois entre a notificação do início da fiscalização suplementar e ciência do auto de infração passou-se o prazo de apenas 29 dias, exageradamente exíguo para "reavaliar questão de alta complexidade", d) insurge-se contra o arbitramento para lançar o crédito tributário (cita doutrina e critica o uso de presunção, por absoluta ausência de valoração quantitativa e qualitativa); e) acrescenta que não ficou comprovada a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e que créditos em conta bancária não são suficientes para lançamento do imposto sobre a renda (transcreve jurisprudência do antigo TFR); aduz que também não ficou demonstrado acréscimo patrimonial e que inexiste base de cálculo para aplicação da aliquota correspondente (cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes); Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA. 20/1012010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 polo Ministério da Fazenda 5 DF (-ARE ME El 6 f) que para identificar determinado valor como receita necessariamente deve estar atrelado a um negócio jurídico de venda de mercadoria ou serviço e a receita bruta identificada revelam a presença de valores que nada tem a ver com receita para fim de arbitramento; g) discorre sobre a ausência dos elementos do fato gerador e sobre a inexistência de fato gerador presumido (volta a discursar acerca da necessidade de valoração qualitativa e quantitativa); h) contesta as multas de oficio aplicadas, alegando confisco, quebra da proporcionalidade e razoabilidade; violação ao princípio da capacidade contributiva; i) em relação ao alegado anteriormente (primeiro lançamento), a impugnante contestou, ainda, que a exclusão do Simples não levou em consideração aplicação retroativa de limites de receita mais favoráveis ao sujeito passivo e que não foram considerados os valores já recolhidos pelo Simples; j) contesta especificamente a aplicação da multa qualificada de 150%, pois depósito de origem não comprovada constitui presunção e, se além disso, aplicar-se uma presunção de dolo ou fraude, seria uma prática discricionária imperdoável A 1 a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão if 14-17,947, de 18/12/2007 (tis 1020/1036), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A movimentação de conta bancária sem a prova da origem dos valores utilizados, valida a presunção legal de receita omitida apurada com base nos créditos efetuados LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL A ausência de apresentação de escrituração regular dos livros comerciais e , fiscais durante a ação fiscal autoriza o arbitramento do lucro, COMPENSAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A TÍTULO DE SIMPLES Incabível a redução dos tributos lançados de oficio pela utilização de valores pagos a título de Simples, porque em se tratando de recolhimentos indevidos, decorrentes da exclusão do regime, eles só poderão ser considerados por meio de compensação com o crédito tributário lançado e após aval da autoridade local da Secretaria da Receita Federal Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSL, PIS, COFINS. Assinado cligUaWriente em 06109/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA, 20110/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente cru 06109/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Errilido ern 20/10/2010 pelo Ministerio da Fazenda 6 DF CARI MI Fl 7 Processo n" 13851 001020/2006-22 S1-C3T1 Acórdão n." 1301-00.379 F1 1 147 Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRP.1 pela íntima relação de causa e efeito existente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário.- 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, DECADÊNCIA. Esta modalidade de lançamento se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se .falar em homologação, restando o lançamento de oficio, cujo prazo de decadência conta-se de acordo com o art. 173, 1 do CTN. Idêntica situação se verifica na existência de dolo, fraude ou simulação, Como parte do lançamento, relativo ao 4 trimestre do ano-calendário 2001, somente poderia ser realizado a partir do início do ano- calendário 2002, o prazo decadencial de 05 anos somente se inicia a partir do I° dia do exercício seguinte (2003) e findaria em 31/12/2007 DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, O prazo decadencial vigente para as contribuições que custeiam a Seguridade Social, incluindo a CSL, a Cotins e a Contribuição para o PIS, é de dez anos nos termos do art. 45 da lei n° 8212/1991. DOLO,. PRÁTICA REITERADA. MULTA QUALIFICADA, O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática da contribuinte, consistente na prática de atos que impliquem em evasão tributária ilícita. Esclareço, por oportuno, que a procedência parcial do lançamento se deveu ao reconhecimento da decadência do direito de efetuar o lançamento suplementar de 1RPJ, por fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2001. Ciente da decisão de primeira instância em 12/03/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1060, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/04/2008 conforme carimbo de recepção à folha 1062. No recurso interposto (11s. 1063/1128), alega preliminarmente os pontos que se seguem: o Como prejudicial de mérito, alega a ocorrência da decadência para todos os tributos (1RPJ, CSLL, PIS e COFINS) objeto de lançamento, com base no art. 150, § 4 0, do CTN. Considera inaplicáveis à matéria as disposições do art. 45 da Lei rf 8.212/1991 e igualmente as do art, 173, 1, do CTN. Colaciona doutrina e jurisprudência, judicial e administrativa, em favor de sua tese. Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROClik 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Aulenticado digltalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda 7 DF CARI' .N.1F Fl. 8 * Reafirma os argumentos anteriormente trazidos no sentido da não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal que autorizasse a fiscalização e lançamento de CSLL, COFINS e PIS. Transcreve dispositivos da Portaria SRF n° 1,265/1999, e reclama que não teria sido cientificada de MPF autorizando a continuidade do procedimento fiscal, pelo que o prazo do MIT original estaria esgotado, co Reclama da impossibilidade, por sua ótica, de exclusão retroativa do SIMPLES. Afirma que, ressalvadas as exceções do art, 106 do CIN, inaplicáveis ao caso concreto, a lei nunca poderia retroagir, Assim, conclui que "a quebra do sigilo bancário de relações ocorridas em época anterior à norma jurídica contrasta com o princípio da h-retroatividade da lei ou não-retroprojeção". No mérito, a recorrente traz os argumentos abaixo sintetizados: 4* Retoma os argumentos trazidos na fase impugnatória, insurgindo-se contra o arbitramento para lançar o crédito tributário (cita doutrina e critica o uso de presunção, por absoluta ausência de valoração quantitativa e qualitativa). * Acrescenta que não ficou comprovada a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e que créditos em conta bancária não são suficientes para lançamento do imposto sobre a renda (transcreve jurisprudência do antigo TFR); aduz que também não ficou demonstrado acréscimo patrimonial e que inexiste base de cálculo para aplicação da alíquota correspondente (cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes). Argumenta que para identificar determinado valor como receita necessariamente deve estar atrelado a um negócio jurídico de venda de mercadoria ou serviço e a receita bruta identificada revela a presença de valores que nada têm a ver com receita para fins de arbitramento, o Discorre sobre a ausência dos elementos do fato gerador e sobre a inexistência de fato gerador presumido (volta a discursar acerca da necessidade de valoração qualitativa e quantitativa). • Contesta as multas de ofício aplicadas, alegando confisco; quebra da proporcionalidade e razoabilidade; violação ao princípio da capacidade contributiva. • Relaciona sete "pontos importantes que tornam nulo o lançamento efetuado" às fis, 1114/1115 (7A a 7,7), os quais teriam sido desconsiderados pelo Auditor-Fiscal e nem ao menos enfrentados pelo acórdão guerreado. * Contesta especificamente a aplicação da multa qualificada de 150%, "com base em alegação infundada de intuito defraude". É o Relatório, Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Assinado digitalmente em 06109/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA , 20/1012010 pw LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/0912010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20110/2010 pelo !Mistério da Fazenda a DE CARF vlF El 9 Processo n° 13851.001020/2006-22 SI-C3TI Acórdão n ° 1301-00.379 Fl. 1.148 Deixo para me manifestar sobre a decadência ao final do voto, visto que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial poderá ser alterado em face da presença, ou não, de intuito doloso na conduta da contribuinte. No que tange ao Mandado de Procedimento Fiscal, a interessada traz duas supostas irregularidades, capazes, por sua ótica, de macular o lançamento. A primeira seria a falta de um Mandado de Procedimento Fiscal que autorizasse a fiscalização e lançamento de CSLL, COFINS e PIS. À época do procedimento, encontravam-se em vigor as disposições da Portaria SRF n° 6.087/2005, dispondo sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecendo normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Compulsando os autos, verifico à fl, 01 que o MPF n° 08,1,22.00-2005-00436-4 contemplava o IRPJ, no ano-calendário 2001, e os tributos abrangidos pelo SIMPLES, nos anos calendário 2002 a 2004. À fi, 02, o MPF-C n° 08122.00-2005-00436-4-1 incluiu o IRPJ para os anos-calendário 2003 e 2004. E à fl. 03 o MPF-C n" 08.1.22,00-2005-00436-4-2 incluiu o IRP.1 para o ano-calendário 2002. Não restam dúvidas, portanto, sobre esse tributo e, de fato, os questionamentos da recorrente incidem sobre os demais tributos objeto de fiscalização e lançamento. Sobre esse ponto, é pertinente a transcrição do art. 9° da supracitada Portaria: Art. 92 Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados inclzddos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. É exatamente esse o caso. A infração de omissão de receitas, apurada pelo Fisco com relação ao IRPJ, se configura também em infração às contribuições CSLL, PIS e COFINS, ditas reflexos tributários, tudo com base nos mesmos elementos de prova, Desta forma, tais contribuições são tidas por incluídas no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. A segunda hipotética irregularidade apontada pela recorrente é de que o prazo para execução dos procedimentos fiscais se teria expirado, sem a emissão de MPF complementar a prorrogá-lo ou, ao menos sem que ela houvesse sido cientificada. Também aqui não lhe assiste razão. Conveniente transcrever os arts. 12 e 13 da Portaria SRF if 6.087/2005: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: 1- cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; II - sessenta dias, no caso de MPF-U Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de .fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Assinado digitalmente em 06/00/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA, 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 00/00/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/1012010 polo Ministério da Fazenda DF CA.RF vtF Fl § 1-2 A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 72, inciso VIII Como se vê, o prazo inicial máximo de 120 dias poderia ser prorrogado por meio eletrônico, sem a necessidade de emissão de MPF complementar (o que era exigido por legislação pretérita, já então superada), e a infbrmação sobre as prorrogações estaria à disposição do contribuinte na internet, mediante o uso da senha que lhe foi fornecida no inicio do procedimento Compulsando os autos, verifico à fl. 01 que o prazo inicial para a execução dos procedimentos do MPF era até 28 de março de 2006. À fl. 04 encontro demonstrativo das prorrogações eletrônicas da validade do instrumento, sucessivamente até 27/05/2006, 26/07/2006 e 24/09/2006 Desde que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 11/09/2006, nenhuma irregularidade há, sob este aspecto. No que toca ao segundo lançamento, dito lançamento complementar, encontro à fl. 786 o MPF no 08A22.00-2007-00124-9, cuja ciência do contribuinte se fez juntamente com o Termo de Inicio de Fiscalização de fl. 790, por via postal, mediante o AR de fl. 787. Como o prazo desse novo MPF se estendia até 26/07/2007, e tendo sido o lançamento complementar cientificado ao sujeito passivo em 18/05/2007, também aqui nenhuma irregularidade existe, Ainda que assim não fosse, o que admito apenas como hipótese argumentativa, é assente que o MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a proCedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. A matéria tem sido discutida no âmbito dos extintos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais e as decisões, de forma reiterada, apontam nesse sentido. Os acórdãos cujas ementas transcrevo a seguir bem ilustram essa linha de entendimento, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF, NULIDADE Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de .fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/02-02.543, de 22/01/2007) NULIDADES AUSÊNCIA DE MPF - A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público (Acórdão CSRF/02-02.898, de 28/01/2008, Relatar Cons. Antônio Carlos ~In, Na mesma linha o acórdão CSRF/02-02 899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MPF - O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do Assinado digitalmente em 06/09/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA, 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda 10 L)F CÁi.F Mf Fl. 11 Processo n0 13851.001020/2006-22 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00379 Fl. 1. 149 lançamento, (Acórdão 10.5-15 706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF - O lançamento de oficio está vinculado à Lei, Assim, torna-se imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário., Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art, 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70..235/72 (PAF), Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária, (Acórdão 107-09,036, de 24/05/2007, Relator Cons, Luiz Martins Valero). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFICIO - O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não le111 o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a una Portaria,. (Acórdão 202- 1í834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 202-15,833). Rejeito, assim, por duplo fundamento, a preliminar de nulidade por alegadas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal. A seguir, a recorrente reclama da impossibilidade, por sua ótica, de exclusão retroativa do SIMPLES. Afirma que, ressalvadas as exceções do art, 106 do CTN, inaplicáveis ao caso concreto, a lei nunca poderia retroagir. Assim, conclui que "a quebra do sigilo bancário de relações ocorridas em época anterior à norma jurídica contrasta com o principio da irretroatividade da lei ou não-retroprojeção". Como se vê, seus argumentos, apesar de se dirigirem inicialmente contra a exclusão do SIMPLES e dos efeitos retroativos desse ato, na verdade são contra a utilização retroativa da norma jurídica que permitiu o acesso do Fisco à movimentação bancária da recorrente e a subsequente apuração do excesso de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Trata-se, por certo, da controvérsia envolvendo a Lei n° 10.174/2001. Para analisar a matéria, necessário se faz breve retrospecto das alterações legislativas ocorridas, envolvendo essa lei e sua aplicação. A Lei Federal n° 9,311, de 24/10/1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), disciplinou também a fiscalização e a utilização dos dados relativos à arrecadação dessa contribuição social em seu artigo 11, a seguir transcrito (grifo não consta do original): Assinado digitalmente em 06109/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA. 2011012010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmenle. em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 polo Ministério da Fazenda 11 DF C ARF ME Fl_ 12 Art, 11 Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação, § l u No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias § 20 As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3 0 A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. § 40 Na falta de informações ou insuficiência de dados necessários à apuração da contribuição, esta será determinada com base em elementos de que dispuser a fiscalização. Posteriormente, outra Lei Federal, a de n° 10.174, de 09/01/2001, deu nova redação ao parágrafo 3' acima, que passou a vigorar da seguinte forma (grifo não consta do original): § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9,430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Observa-se que a alteração passou a permitir à Receita Federal a utilização de informações decorrentes da fiscalização e arrecadação da CPMF com o fim de instauração de procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais créditos tributários de outros tributos, como, por exemplo, o imposto sobre a renda. Em outras palavras, as infbrmações da CPMF passaram a servir como parâmetro para a fiscalização de outros tributos. De pronto, o órgão fiscalizador começou a utilizar tão valioso instrumento para procedimentos fiscais abrangendo os períodos ainda não atingidos pelo prazo decadencial, vale dizer, períodos anteriores à alteração legislativa introduzida pela citada Lei ri° 10.174/2001. Seu entendimento foi de que se tratava de norma procedimental ou formal, de aplicabilidade imediata, nos termos do artigo 144, § 1°, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Sua aplicação se fez, na maior parte dos casos, de forma conjugada com as disposições do art. 6° da Lei Complementar n" 105/2001, rigorosamente conforme ocorreu no presente caso, Muitas foram as vozes que se levantaram contra a aplicação da Lei n° 10.174/2001 para apuração de crédito tributário referente a períodos anteriores à sua vigência, atribuindo-lhe conteúdo material e não meramente procedimental. Em assim sendo, não se aplicaria o disposto no art, 144, § 1°, do CTN, mas sim o art, 105 do mesmo diploma legal, o Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA . 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA 12 Emitido em 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CARI' ME FI, 13 Processo e 13851,001020/2006-22 S1-C3T1 Acórdão n " 1301-00379 Fl 1 150 qual veda a aplicação retroativa.. Essas vozes se materializaram em ações judiciais, que foram, afinal, apreciadas pelo STJ. A partir do inicio de 2004, aquela corte vem decidindo de forma reiterada, com o conteúdo a seguir transcrito (os grifas não constam do original): I. 1 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. A exegese do art. 144, ,s.ç 1 0 do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 60 da Lei Complementar 105/2001 e 10 da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributo cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. O trecho transcrito é da ementa de acórdão prolatado pelo STJ no Recurso Especial n° 623,929-PR (DJ 30/08/2004). Com idêntico teor, acórdãos nos seguintes processos, entre muitos outros: RESP n° 498,354-SC (DJ 16/02/2004); RESP n° 506,232-PR (DJ 16/02/2004); RESP n° 576.304-PR (DJ 22/03/2004); RESP n° 608,274-PR (DJ 31/05/2004); RESP n° 617,092-PR (DJ 22/11/2004), Relatar: Min, Luiz Fux. Embora o foco da discussão no STJ tenha sido a possibilidade de aplicação retroativa da Lei n° 10,174/2001, e não propriamente a constitucionalidade do art. 6 0 da Lei Complementar n° 105/2001 (nem poderia ser, pois a competência para tal é deferida ao STF), o ponto 7 da ementa acima transcrita admite a aplicação conjunta dos dois dispositivos, sem qualquer restrição ou ressalva. Exatamente esse é o meu entendimento: por se tratar de norma de caráter procedimental, a qual amplia os poderes de investigação das autoridades administrativas, a aplicação da Lei n° 10.174/2001 é imediata ao lançamento. De se observar que é outra a lei material que autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Trata-se do art. 42 da Lei IV 9,430/1996, com vigência a partir de 1997, que não está em questão aqui. Sobre o assunto, cabe ainda mencionar o Acórdão CSRF 04-00108, de 22/09/2005, cuja ementa transcrevo abaixo, para bem ilustrar o entendimento já pacificado na esfera administrativa: Assinado digitalmente era 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA, 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/0912010 par WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda 13 DF CART' MT' Fl. 14 LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3' do ar!. 11 da Lei n° 9311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Finalmente, a lançar a pá de cal sobre a matéria, é suficiente a transcrição da Súmula CARF n° 35:2 Súmula CAIU N2 35 — O art, 11, § 3 2, da Lei N2 9311/96, com a redação dada pela Lei N2 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Diante do exposto, rejeito também essa preliminar. No mérito, a recorrente retoma os argumentos trazidos na fase impugnatória, insurgindo-se contra o arbitramento para lançar o crédito tributário e criticando o uso de presunção, por absoluta ausência de valoração quantitativa e qualitativa_ Ainda, reitera os reclamos contra a presunção de omissão de receitas, seja porque não teria ficado comprovada a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, seja por não haver restado demonstrado acréscimo patrimonial. Reporta-se também à súmula 182 do extinto TFR. Argumenta que para que determinado valor seja identificado como receita seda necessário que estivesse atrelado a um negócio jurídico de venda de mercadoria ou serviço, e que a receita bruta identificada pelo Fisco revelaria a presença de valores que nada têm a ver com receita para fins de arbitramento. Como se vê, os argumentos acima podem ser resumidos a ataques a dois aspectos centrais do lançamento, a saber: (i) a apuração das receitas omitidas, por presunção legal, com base em depósitos bancários de origem não comprovada; e (ii) o arbitramento de seus lucros. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n ó 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física Ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2 As súmulas CARF constam da Portaria CARF n 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22112/2009. Assinado digitalmente em 0G/0912010 por WALDIR VEIGA ROCHA 20/1012010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitatmenle em 00/09/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 pelo Ministário da Fazenda 14 FL 15 SI-C3T1 Fl.. 1.151 DF CAIU Mf Processo n" 13851 001020/2006-22 Acárt1110 n o 1391-00.379 § 1 0 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2' Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- as decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa .fisica ou jurídica; - no caso de pessoa tísica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ L000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12,000,00 (doze mil reais). § 4' Tratando-se de pe,ssoafisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira ssç .5" Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.. § Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Trata-se, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a contribuinte poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas-correntes. A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplica-se, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido ou optantes pelo SIMPLES. Assinado digitalmente em 0G/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA. 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 00/09/21110 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 peto Ministério da Fazenda IS15 DF CARI M.E Fl. 16 O Fisco não descuidou de verificar se a movimentação bancária estaria escriturada e amparada documentalmente. À fl, 26 encontro o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, datado de 25/07/2006, mediante o qual a então fiscalizada foi intimada a apresentar, entre outros itens, o seguinte: I --- Comprovai ., mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos creditados nas citadas contas-correntes, conforme discriminados no DEMONSTRATIVO DE VALORES CREDITADOS EM CONTA-CORRENTE (2001 A 2004) (anexo); Diante da falta de atendimento, a solicitação foi reiterada, nos mesmos termos, no Termo de Reintimação Fiscal (fl. 58) de 23/08/2006. A resposta da contribuinte foi veiculada como segue (fL 60): 1- Os valores creditados conforme o demonstrativo em coma corrente no período de 2001 a 2004, não há como serem comprovado, através de documentos uma vez que os mesmos não foram lançados. Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contas-correntes, Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. A interessada protesta ainda que haveria vícios na identificação de sua receita bruta, mediante a inclusão de valores que se tratariam, na verdade, de empréstimos junto às instituições financeiras. Mas não aponta quais seriam esses valores entre aqueles tidos por depósitos sem comprovação de origem, muito menos junta documentos que comprovem suas alegações, as quais, por isso mesmo, não podem ser acolhidas. Resta, afinal, claramente demonstrada a inaplicabilidade ao caso em tela da Súmula 182 do extinto TRF, o qual se refere a legislação pretérita àquela que ernbasou a presente autuação. Corretamente apurada a omissão de receitas, há de se verificai a seguir de que modo deve ser apurado o tributo devido. No ano-calendário 2001, a contribuinte apresentou sua declaração de rendimentos pelo lucro real. Nos anos-calendário 2002, 2003 e 2004, optou pelo SIMPLES. Como regra geral, o lançamento deveria seguir a forma de apuração adotada pelo contribuinte. No entanto, no caso concreto, isso se revelou impossível, como se verá. No que toca aos anos-calendário 2002, 2003 e 2004, o contribuinte foi excluído do regime simplificado de pagamentos 3 de forma retroativa, a partir de 1° de janeiro de 2002, e não consta neste processo que tenha sido interposta manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, como lhe seria facultado. De se ressaltar o art. 16 da Lei ri' 9.317/1996, que assim dispõe: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, ás normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, 3 Processo Administrativo re 13851.000989/2006-86, Ato Declaratório Executivo DRF/AQA tf 16, de 30/08/2006, publicado no DOU de 04/09/2006, cópia às fis, 353/354 desde processo. Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDUR VEIGA ROCHA . 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 00/09/2010 por VVAIDIR VEIGA ROCHA 16 Emitido em 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda El 17 81-C3T1 Fl 3 152 DE CARI' M.F Processo n" 13851 001020/2006-22 Acórdão n 1301-00.379 A partir do ano-calendário 2002, pois, o contribuinte deveria apurar seu lucro por uma das três formas previstas na legislação de regência, a saber, o lucro real, presumido ou arbitrado. Desde logo, exclui-se o lucro presumido, por se tratar de forma de apuração que depende de opção tempestiva, o que não mais seria o caso. O lucro real seria então a regra, lembrando, ainda, que no ano-calendário anterior (2001) a DII 3.1 do contribuinte já adotava essa forma de apuração. No entanto, a apuração do lucro real exige a manutenção de escrituração completa, o que não foi atendido pelo contribuinte, apesar de a tanto intimado e reintimado. No documento intitulado Descrição dos Fatos (fls. 552/558), o Auditor- Fiscal autuante descreve em detalhes os procedimentos, intimações, reintimações, e todas as oportunidades que foram dadas à então fiscalizada para que apresentasse os livros contábeis, inclusive os alertas para a determinação legal de arbitramento dos lucros, em caso de não apresentação, e me eximo de transcrevê-lo integralmente. Contento-me em registrar que, à fl. 26 encontro o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, datado de 25/07/2006, mediante o qual a então fiscalizada foi intimada a apresentar, entre outros itens, o seguinte: 11 - Livros Diário e Razão relativos ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001, 111) - Livro Caixa relativo ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004; IV) - Livro de Registro de Inventário relativo ao período de 01/01/2001 a 31/12/2004. Diante da falta de atendimento, a solicitação foi reiterada no Termo de Reintirnação Fiscal (fl. 58) de 23/08/2006, sendo então solicitados: 2-Livros Diário e Razão relativos ao período de 2001; .3-Livro de Registro de Inventário relativo ao período de 2001 a 2004; 4-Livro Caixa relativo ao período de 2002 a 2004 ou (livros Diário e Razão) A resposta da contribuinte foi veiculada como segue (fl. 60): 2- Os Livros Diários e Relação (sie) referente ao período de 2001, também deixam de ser apresentados pois não foram escriturados, e não há como fazê-la 3- O Livro de Registro de Inventário relativo ao período de 2001 a 2004, também não foram escriturados e não há como fazê-lo, 4- O Livro Caixa relativo ao período de 2002 a 2004, (livros e razão), igualmente aos demais não pode ser apresentado pois não foi escriturado e não há como fazê-lo. Diante disso, ao restar perfeitamente configurada a hipótese do inciso III do art. 5.30 do RIR/99, nenhum outro caminho restava ao Fisco senão o arbitramento dos lucros nos anos-calendário de 2001 a 2004. Observo, ainda, que é a lei que, ao estabelecer os percentuais de arbitramento, assume que o lucro do contribuinte para fins tributáveis será o resultado da aplicação desses percentuais sobre a receita, e que o arbitramento somente é feito, como foi o caso, diante da impossibilidade da apuração do lucro real ou, em outras palavras, da confrontação entre receitas e custos/despesas, a revelar de modo mais acurado o acréscimo patrimonial e o lucro. Assinado digitalmente em 00/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA, 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 00/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda 17 DF CARF MF Fl. 18 Em síntese, por todo o exposto, rejeito os argumentos da interessada contrários à apuração de suas receitas com base em presunção legal e ao arbitramento de seus lucros, e não faço reparos à decisão recorrida quanto a estes pontos. A esta altura, devem ser apreciados os sete "pontos importantes que tornam nulo o lançamento efetuado", relacionados pela recorrente como itens 7.1 a 7.7, às 11s, 1114/1115 de seu recurso. Os itens 7.1 e 7.2 se referem aos alegados vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, matéria já tratada neste voto em sede de preliminares. O item 7.3 se refere à apuração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A contribuinte alega que se os depósitos "foram efetuados por meio de cheques não se pode falar em falta de origem, ou seja, bastaria apenas ao auditor requisitar ao banco as microfilmagem para saber exatamente a origem". Conforme anteriormente esclarecido, a presunção legal inverte o ônus da prova, ou seja, compete à interessada, e não ao Fisco, comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, de tal forma a afastar a presunção de omissão de receitas. No item 7,4 a contribuinte reclama que não teria sido analisada a "realidade empresarial notória" de que, em seu ramo de atividades (comércio de equipamentos de informática), as margens de lucro são reduzidas. Quanto a este ponto, se a interessada entende que opera com estreitas margens de lucro, caberia a ela apurar seus resultados com base no lucro real, confrontando receitas aos custos e despesas efetivamente incorridos e comprovados mediante documentação hábil e idônea e escrituração contábil completa. Se assim não procedeu, deve se submeter ao coeficiente de arbitramento, estipulado em lei, aplicável de forma geral à atividade comercial (9,6%), não cabendo ao Fisco qualquer análise ou procedimento em sentido diverso. Nos itens 7.5 e 7.6 a interessada se queixa de que teria sido desprezada a existência, nos autos, de guias de recolhimento, e de que esses valores não teriam sido utilizados para promover os devidos abatimentos para apuração de base impartível. Refere-se, ainda, à Tabela 5 e a 61 DARFs ignorados, "fazendo com que se gerasse dois lançamentos para um único fato gerador". Compulsando os autos, encontro, à fl. 591, a Tabela 5, referida pelo contribuinte, anexada à impugnação aos autos de infração originalmente lavrados. Encontro também, às fls. 596/620, diversas cópias de DARFs representativos de recolhimentos de PIS (código 8019, meses do ano-calendário 2001), COFINS (código 2172, meses do ano-calendário 2001) e SIMPLES (código 6106, meses dos anos-calendário 2002, 2003 e 2004). No que tange aos pagamentos de PIS e COFINS, no ano-calendário 2001, é de se ressaltar que os autos de infração se restringiram à incidência sobre as receitas omitidas. Não houve lançamento sobre as receitas declaradas, sendo certo que os autos de infração complementares, que buscaram alcançar as receitas originalmente declaradas, se restringiram ao IRPJ e à CSLL. Desta forma, não vislumbro, aqui, "dois lançamentos para um único fato gerador". Os pagamentos apontados pela recorrente se destinam a extinguir os créditos tributários correspondentes aos tributos declarados e não poderiam mesmo servir a reduzir os créditos tributários resultantes do lançamento de oficio sobre receitas omitidas. Assinado digitalmente em 06/09/2010 par WALDIR VEIGA ROCHA , 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/00/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA Emitido orn 20/10/2010 pelo Ministério da Fazenda 18 DECAIU.' ME FT, 1.9 Processo o" 13851 001020/2006-22 Acórdão o.' 1301-N379 Fl. 1 153 A situação se afigura diferente no que toca aos pagamentos efetuados sob o código 6106 (SIMPLES) e, neste particular, não há como negar razão à recorrente. É que, à luz das disposições contidas no art. 3 0 da Lei n° 931711996, a adesão ao SIMPLES implica pagamento unificado dos diversos tributos ali especificados, entre eles IRPJ, CSLL, COF1NS e PIS, objeto dos Autos de Inflação aqui discutidos. Assim, em cada um dos pagamentos feitos sob o código do SIMPLES, há um percentual destinado a cada um dos referidos tributos, conforme dispõe o art. 23 da mencionada Lei n° 9.317/1996. Não se trata, como entendeu a Turma Julgadora em primeira instância, da compensação com valor indevidamente recolhido, mas de reduzir o valor lançado mediante a confrontação com valor devida e previamente recolhido. Nesse sentido vinha decidindo o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, cabendo destacar, a titulo exemplificativo, as seguintes decisões: COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS SIMPLES — LANÇAMENTO DE OFICIO — Estando provado nos autos o recolhimento de tributo na modalidade de SIMPLES relativo aos nwsmos períodos fiscalizados, há de ser reconhecido o direito do contribuinte em compensar os valores assim determinados, de acordo com cada rubrica de destinação, com os créditos tributários constituídos em lançamento de oficio, (Ac. 105- 14.097, de 13/05/2003, DOU 07/07/2003, processo 10315.001145/2001-27, Rel. Cons. Álvaro Barros Barbosa Lima). COMPENSAÇÃO — DARF/SIMPLES. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuiçães das Microempre,sas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. (Ac. 105-16.664, de 13/09/2007, processo 13362.000159/2004-07, Rel. Cons. Waldir Veiga Rocha Com o mesmo teor e na mesma data o Ac. 105-16.665) Este argumento, pelo exposto, merece acolhida para reconhecer à recorrente seu direito à redução dos valores lançados pelos montantes recolhidos na sistemática do SIMPLES durante o período em discussão, devidamente comprovados, e limitados, em cada eríodo ao iercentual destinado a cada um dos tributos ob'eto de lan amento IRPJ CSLL PIS e COFINS) pelo art. 23 da Lei n° 9.317/1996. No item 7.7 a recorrente se manifesta de forma pouco clara: 7.7 — O fisco reconhece que os livros não haviam sido escriturados, contudo, optou por considerar as contas correntes bancárias, sem observar que cometei com isso exagero, mormente, no ao desprezar que tais contas na realidade representavam o caixa da empresa; De fato, os livros não foram escriturados, o que é reconhecido, não só pelo Fisco, mas pela própria contribuinte, e por esse motivo, corretamente, se procedeu ao arbitramento dos lucros. Também o Fisco considerou, sim, as contas correntes bancárias, e não havia como não considerá-las, desde que abrigavam movimentação financeira significativa e não contabilizada. A partir dessa movimentação, especificamente dos depósitos cujas origens não foram comprovadas, se materializou a presunção legal de omissão de receitas, A recorrente Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA, 20/1012010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06109/21110 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/1012010 polo Ministério da Fazenda 1919 DF CARI' Ml F1 20 afirma que "tais contas na realidade representavam o caixa da empresa". Aqui, provavelmente, a expressão caixa deva ser compreendida em seu sentido mais amplo, representando as disponibilidades que, em outros casos, são referidas como caixa/bancos, por onde circulavam os recursos financeiros da contribuinte. Se assim é, carece de maiores esclarecimentos o "exagero" que teria sido cometido, em que consistiria ou que provas haveria nesse sentido. Nesse contexto, a alegação perde consistência e não pode ser considerada. No que toca às multas de oficio aplicadas, a interessada apresenta duas linhas argumentativas. Na primeira delas, alega confisco, quebra da proporcionalidade e razoabilidade, além de violação ao princípio da capacidade contributiva. Trata-se de questionamentos sobre alegadas violações de princípios constitucionais, cuja análise escapa à competência deste Conselho, vide Súmula CARF n° 2, abaixo transcrita.4. Súmula CARF 1\12 2 — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por outra vertente, a recorrente contesta especificamente a aplicação da multa qualificada de 150%, "com base em alegação infundada de intuito de fraude". Em primeira instância, a Turma Julgadora assim fundamentou sua decisão de manter a multa qualificada: Nos presentes autos há um conjunto de elementos, extraídos do comportamento reiterado do contribuinte, que permite inferir um único resultado: seu evidente intuito doloso de praticar a evasão tributária ilícita, Isso se dá pela sistemática e contínua omissão de receitas declaradas junto a SRF, sem qualquer informação nas declarações correspondentes A omissão de receitas a que se refere o excerto acima é exatamente aquela que motivou o lançamento ora discutido. E, desde que se trata de receitas omitidas, por certo não constariam das declarações correspondentes. Ainda que se considere que as omissões ocorreram ao longo de quatro anos, é de se ressaltar que a apuração se deu por presunção legal, inexistindo prova direta do fato. E não encontro, aqui, elementos que permitam convicção acerca do dolo, como, por exemplo, a utilização de interpostas pessoas, a declaração de percentuais diminutos e pré-estabelecidos de receita, entre outros. Diante disso, e à luz do que dispõe a Súmula CARF n 25 5, considero que a multa qualificada deva ser reduzida ao percentual de 75%. Súmula CARF N2 25 — A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts, 71, 72 e 73 da Lei n 2 4502/64. Resta, afinal, examinar as alegações da recorrente sobre a ocorrência da decadência. 4 As súmulas CARF constam da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 5 As súmulas CARF constam da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA 20110/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Aulenticado digRafrnenie ern 0610912010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20110/2010 polo Ministério da Fazenda 20 DE CARI' ME EL 21. Processo n" 13851.001020/2006-22 Sl-C3T1 Acórdão n 1301-00379 Fl. 1 154 Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso 1, do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; I- Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art, 150, O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto aos tributos exigidos no presente processo, entendo submeterem-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A regra do inciso 1 do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do 1PTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa, É essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte e levada ao conhecimento do Fisco, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Em primeira instância, a Turma Julgadora entendeu que o dispositivo aplicável seria o inciso 1 do art, 173, por duplo fundamento. Em primeiro lugar, diante da presença do dolo e considerando-se a ressalva expressa ao final do § 4° do art, 150 do CTN. Esse fundamento já não existe mais, visto que a qualificação da multa foi afastada Assinado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA, 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA 21 Emitido orn 20/10/2010 polo Ministério da Fazenda DF CARF MF Fi. 22 anteriormente neste voto, exatamente por não restar claramente configurado o intuito doloso na conduta da contribuinte. Em segundo lugar, pela na ausência de pagamento 6 . Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento e devo divergir, muito embora reconhecendo que há bons argumentos em seu favor. Ainda, em primeira instância a Autoridade Julgadora, valendo-se do art. 45 da Lei if 8.212/1991, que estabelecia prazo decenal para a decadência das contribuições sociais de que tratava, negou a ocorrência da decadência para o PIS, a COPINS e a CSLL. Sobre a matéria, trago à colação o entendimento do Supremo Tribunal Federal, consubstanciado na Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU. do dia 20/06/2008, com a seguinte redação: Súmula vinculante n 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-Lei n° L569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8 212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Diante da manifestação definitiva e expressa da Corte Suprema e, ainda, à luz do art. 103-A da Constituição em vigor 7 e do que dispõe o Decreto n° 2,346/1997, não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art, 45 da Lei n° 8,212/1991. Assim, aos tributos aqui discutidos devem ser aplicadas as disposições do art 150, § 4°, do CTN, o que implica a necessidade de rever a decisão a quo. No ano-calendário 2001, o lançamento foi feito por períodos de apuração trimestrais, para o IRPJ e a CSLL. Consumando-se os fatos geradores tributários no último dia de cada trimestre civil, e tendo o lançamento ocorrido em 11/09/2006 (lançamento original, fl. 496), constato que a decadência atingiu os créditos tributários do IRPJ e da CSLL correspondentes aos dois primeiros trimestres de 2001 Já o lançamento complementar ocorreu em 18/05/2007 (AR à fl. 851), e a decadência alcançou os créditos tributários do IRPJ e CSLL por fatos geradores ocorridos até o primeiro trimestre de 2002, 8 No que toca ao PIS e à COFINS, cujos fatos geradores são mensais, aplicando-se o mesmo raciocínio acima, chega-se à conclusão de que se operou a decadência para os fatos geradores ocorridos até o mês de agosto de 2001, inclusive. Em conclusão, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo acolhimento parcial do recurso voluntário para: a) Reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários: (i) sobre fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos até o segundo trimestre de 2001 (lançamento original); (ii) sobre fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorridos até o primeiro trimestre de 2002 (lançamento complementar); e (iii) sobre fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos até o mês de agosto de 2001. 6 Esclareço que foram identificados nos autos pagamentos de PIS e COFINS no ano-calendário 2001 Nesse mesmo ano não f oram identificados pagamentos de IRPJ e CSLL, em face do prejuízo fiscal apurado pelo contribuinte. Nos anos calendário 2002, 2003 e 2003 foram identificados nos autos pagamentos sob o código de recolhimento do SIMPLES 7 Art, 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Obs, Em primeira instância, já havia sido reconhecida a decadência para o lançamento complementar do IRPJ, até o terceiro trimestre de 2001. Assinado digitalmente em 06109/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA . 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/09/2010 por WALDIR VEIGA ROCHA 22 Emitido em 20,10/2010 pelo Mtnistário da Fazenda 1i 23 81-C3T1 Fl 1 155 DF CARI' MI' Processo n 13851001020/2006-22 Acórdão n 1301410.379 b) Reduzir a multa qualificada ao patamar de 75%. c) Reconhecer o direito da recorrente à redução dos valores lançados pelos montantes recolhidos na sistemática do SIMPLES durante o período em discussão, devidamente comprovados, e limitados, em cada período, ao percentual destinado a cada um dos tributos objeto de lançamento (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) pelo art 23 da Lei n° 9.317/1996. Sala das Sessões, em 1 de setembro de 2010 WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 06/09/2010 por VVALDIR VEIGA ROCHA, 20/10/2010 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Autenticado digitalmente em 06/0912010 por WALDIR VEIGA ROCHA Emitido em 20/10/2010 polo Ministério da Fazenda 23
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Numero do processo: 11020.001116/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/05/2005 a 31/05/2007, 30/11/2008 a 31/12/2009
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PISOS PLÁSTICOS PARA SUINOCULTURA..
Classificam-se sob o código 3918.90.00 artefatos plásticos para pavimentos confeccionados em forma de painéis vazados, dotados de encaixes laterais, próprios para cobertura de superfícies planas, cuja principal finalidade consiste em permitir o escoamento de dejetos provenientes da suinocultura.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
Numero da decisão: 3302-005.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/05/2005 a 31/05/2007, 30/11/2008 a 31/12/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PISOS PLÁSTICOS PARA SUINOCULTURA.. Classificam-se sob o código 3918.90.00 artefatos plásticos para pavimentos confeccionados em forma de painéis vazados, dotados de encaixes laterais, próprios para cobertura de superfícies planas, cuja principal finalidade consiste em permitir o escoamento de dejetos provenientes da suinocultura. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
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PISOS PLÁSTICOS PARA SUINOCULTURA.. Classificamse sob o código 3918.90.00 artefatos plásticos para pavimentos confeccionados em forma de painéis vazados, dotados de encaixes laterais, próprios para cobertura de superfícies planas, cuja principal finalidade consiste em permitir o escoamento de dejetos provenientes da suinocultura. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 11 16 /2 01 0- 24 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 461 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, em razão de erro na classificação fiscal do produtos pisos para suinocultura, classificados pela recorrente no código 3925.20.00, enquanto a autoridade fiscal os reclassificou para o código 3918.90.00, por aplicação das Regra Geral 1 e Regra Geral 6. Em impugnação, a recorrente alegou que o produto é de encaixe com estrutura de madeira ou metal, cuja classificação mais acertada é Caixilhos Plásticos para Suíno, no código 3925.20.00, por aplicação da nota 11 do Capítulo 39, pede a aplicação do artigo 112, arguiu que a posição adotada é mais específica, que a reclassificação fiscal fere os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, a falta de incentivos do Governo Federal à suinocultura e a intervenção negativa do Estado ao reclassificar seu produto, a inaplicabilidade da taxa Selic, a natureza confiscatória da multa de ofício de 75%, pede a aplicação do ADN nº 10/1997 e pugna pela redução da multa a 30% em consonância com entendimento do STF. Por sua vez, a Terceira Turma da DRJ em Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/05/2007, 30/11/2008 a 31/12/2009 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PISOS PLÁSTICOS PARA SUINOCULTURA. ART. 16 DO DECRETO N. 4.544, DE 2002. Consoante art. 16 do Decreto n. 4.544, de 2002 Regulamento do IPI, a classificação de mercadorias no âmbito da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM é realizada com o emprego das seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI, como também das duas Regras Gerais Complementares RGC e das Notas Complementares NC. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos destas subposições e das notas de subposição respectivas, entendendose que apenas são Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 462 3 comparáveis subposições de mesmo nível. Classificamse sob o código 3918.90.00 artefatos plásticos para pavimentos confeccionados em forma de painéis vazados, dotados de encaixes laterais, próprios para cobertura de superfícies planas, cuja principal finalidade consiste em permitir o escoamento de dejetos provenientes da suinocultura. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/2005 a 31/05/2007, 30/11/2008 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTS. 471 E 488, I, DO DECRETO N. 4.544, DE 2002. Em obediência ao art. 471 do Decreto n. 4.544, de 2002, sobre os débitos relativos ao IPI, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, incidem juros de mora calculados à taxa referencial do Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o último dia do mês anterior ao do recolhimento, e de um por cento no mês de recolhimento. A multa de ofício resta imposta por meio do art. 488, I, do precitado Decreto, segundo o qual a falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte à multa de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória. Às autoridades administrativas, de seu turno, não é dado apreciar questões que importem na negação da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Constituição da República, de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE EXCLUSÃO. ATO NORMATIVO DECLARATÓRIO COSIT N. 10, DE 1997. Limitase o Ato Normativo Declaratório Cosit n. 10, de 1997, à aplicabilidade, no curso do despacho aduaneiro, das penalidades de que trata o art. 4.º da Lei n. 8.128, 1991, e o art. 44 da Lei n. 9.430, 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação. Na forma regimental, o recurso foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 463 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O litígio reside na classificação de pisos plásticos para suínos (nome vulgar), ou piso plástico para suíno, piso creche, piso maternidade, piso vitasui (nome comercial) ou piso elevado para suínos (nome científico), conforme descrição técnica apresentada pela recorrente. A fiscalização utilizou as RG1 e a RG6 para classificar os produtos, ou seja, o texto da posição 3918 e o texto da subposição 3918.90. A classificação de mercadorias é efetuada a partir das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, da regra geral complementar relativa à classificação em âmbito regional (Mercosul) e ainda da regra geral complementar da TIPI, abaixo transcritas, conforme artigo 161 do Decreto nº 4.544/2002: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma 1 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 464 5 delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 465 6 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. Abaixo transcrevemse os textos relativos às duas classificações: 39.18 Revestimentos de pavimentos (pisos), de plásticos, mesmo auto adesivos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes ou de tetos, de plásticos, definidos na Nota 9 do presente Capítulo. 3918.10.0 0 De polímeros de cloreto de vinila 5 3918.90.0 0 De outros plásticos 5 39.25 Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições. 3925.10.0 0 Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros 0 3925.20.0 0 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 0 3925.30.0 0 Postigos, estores (incluídas as venezianas) e artefatos semelhantes, e suas partes 5 3925.90.0 0 Outros 5 Por sua vez, as notas explicativas para a posição 39.19 mencionam: "A primeira parte desta posição abrange os plásticos dos tipos normalmente utilizados como revestimentos de pavimentos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de placas. Deve notarse que os revestimentos para pavimentos autoadesivos classificamse nesta posição." Já na posição 39.25, está disposto que: Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 466 7 "A presente posição abrange unicamente os artigos referidos na Nota 11 do presente Capítulo." A referida nota 11 é alegada pela recorrente como fundamento para classificação dos pisos, ao considerar que seriam caixilhos. A nota 11 dispõe: 11. A posição 39.25 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) Reservatórios, cisternas (incluindo as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 l; b) Elementos estruturais utilizados, por exemplo, na construção de pisos (pavimentos), paredes, tabiques, tetos ou telhados; c) Calhas e seus acessórios; d) Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras; e) Gradis, balaustradas, corrimões e artigos semelhantes; f) Postigos, estores (incluindo as venezianas) e artefatos semelhantes, suas partes e acessórios; g) Estantes de grandes dimensões destinadas a serem montadas e fixadas permanentemente, por exemplo, em lojas, oficinas, armazéns; h) Motivos decorativos arquitetônicos, tais como caneluras, cúpulas, etc.; ij) Acessórios e guarnições, destinados a serem fixados permanentemente em portas, janelas, escadas, paredes ou noutras partes de construções, tais como puxadores, maçanetas, aldrabas, suportes, toalheiros, espelhos de interruptores e outras placas de proteção. A recorrente classifica o produto no código 3925.20.00, cujo texto é "Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras, descrição contida na alínea "d" da nota 11. Porém, defende em seu recurso que o produto corresponde a elementos estruturais utilizados na construção de pisos. Nem um nem outro. Em primeiro lugar, os caixilhos a que se referem são armações de portas e janelas e não se referem a pisos. Em segundo lugar, as estruturas referidas na alínea "b" não seriam classificadas no código adotado pela recorrente de alíquota zero, mas no código 3925.90.00 de alíquota 5%, como fora classificado após 11/06/2006. Constatase, de fato, que o produto objeto da lide são estrados de plástico ou pisos de plástico, descritos corretamente pela autoridade fiscal nos seguintes termos: "Tratase de revestimentos de plástico, para pavimentos apresentado na forma de painéis vazados, dotados de encaixes nas laterais, próprios para a cobertura de superfícies planas, com a finalidade de permitir o escoamento de líquidos, sujeiras e detritos, tais como os existentes em vestuários, saunas e na suinocultura, deixando o piso limpo e seco. Segundo informações Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 467 8 do sujeito passivo (fl. 78) estes produtos são conhecidos pelos nomes "Piso plástico para suínos, estrados para suínos, piso plástico para leitão", comercialmente denominado "piso vitasui, piso plástico para suíno, piso creche, piso creche light e piso maternidade" e nome cientifico de "Piso elevado para suínos". Composto por 93,0% de polipropileno copolimero (plástico), 5,0% de carga mineral (carbono de cálcio CaCo3) e 2,0% de pigmento (corante) (fl. 82). A descrição corresponde ao texto da posição 39.18, classificandose no código 3925.90.00 por não se tratar de polímeros de cloreto de vinila. Não se tratam de estruturas estruturais utilizados na construção de pisos, mas dos próprios pisos, que utilizam sim elementos estruturais de suporte, mas de metal ou madeira, como exposto nas peças recursais (efls. 317,425). Portanto, correta a classificação fiscal. Concernente à alegação da natureza confiscatória da multa de ofício e de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, reiterase a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 80 da Lei nº 4.502/642, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. No que tange à aplicação do ADN nº 10/1997, tal ato foi revogado pelo ADI SRF nº 13/2002, retirando a expressão "classificação tarifária errônea" das hipóteses de exclusão da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9430/96. Além disso, sua aplicação restringese ao despacho aduaneiro ou ao ato de revisão aduaneira, não sendo o caso destes autos, como se depreende de seu conteúdo: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução 2 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 468 9 Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso 1, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. 3. Ficam revogados os Atos Declaratórios (Normativos) COSIT n°s 38, de 24 de junho de 1994, e 36, de 5 de outubro de 1995. Por fim, quanto à utilização da taxa Selic como juros moratórios, prevista no artigo 61, §3º4 da Lei nº 9.430/1996, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11020.001116/201024 Acórdão n.º 3302005.695 S3C3T2 Fl. 469 10 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 468DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900707/2008-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 71 1 70 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.900707/200896 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.097 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 11 de julho de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente T M INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 70 7/ 20 08 -9 6 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 72 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.767 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇAO. CREDITO INEXISTENTE. DCOMP. NAO HOMOLOGAÇAO. Comprovado nos autos que 0 crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 73 3 tributária (...) o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 74 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 75 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 76 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 77 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 78 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 79 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900707/200896 Resolução nº 3001000.097 S3C0T1 Fl. 80 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725439/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
PRAZO PARA RECURSO VOLUNTÁRIO. TRINTA DIAS. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É perempto e não deve ser conhecido, o recurso apresentado intempestivamente.
Numero da decisão: 2402-006.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.725439/201232 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.534 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente EDUARDO BRANDAO DE AZEREDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 PRAZO PARA RECURSO VOLUNTÁRIO. TRINTA DIAS. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É perempto e não deve ser conhecido, o recurso apresentado intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 54 39 /2 01 2- 32 Fl. 235DF CARF MF 2 Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo aos exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011, no importe de R$ 35.283,77, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracterizada pelo não tributação dos valores de "ajuda de custo" recebidos duas vezes por ano no referido período. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DO IMPOSTO COM JUROS E MULTA DE MORA. O recolhimento do imposto apurado em procedimento de ofício, com juros e multa de mora, configura extinção do litígio administrativo em relação a estas matérias, por falta de objeto, ficando o litígio restrito à aplicação da multa de ofício de 75%. NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos na Declaração de Ajuste Anual DAA, para efeitos de tributação. Verificada a falta de retenção após a data fixada para entrega da declaração, serão exigidos do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso não tenha submetido os respectivos rendimentos à tributação na DAA. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Nos procedimentos de ofício, a legislação tributária confere à Autoridade Fiscal competência para lançar o imposto devido, com juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%, se não constatada a intenção dolosa. A aplicação das multas de ofício decorre de expressa disposição legal. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Irresignado, apresentou Recurso Voluntário às fls. 191/219, por meio do qual questionou a natureza remuneratória da verba recebida, bem como a incidência da multa de ofício sobre a exação. É o relatório. Voto Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10680.725439/201232 Acórdão n.º 2402006.534 S2C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 07.11.2013 e apresentou extemporaneamente seu Recurso Voluntário no dia 26.12.2013. Consoante assentado na decisão de piso, após a extinção parcial do crédito tributário por pagamento, a discussão acerca do mérito do lançamento do imposto teria perdido o objeto, permanecendo o litígio, todavia, adstrito à multa de ofício lançada. Em seu recurso, o autuado não tece um parágrafo sequer acerca de sua tempestividade. O despacho de encaminhamento dos autos a este Colegiado fls. 234 consignou a intempestividade do recurso apresentado. Confirase: Com efeito, com fulcro nos artigos 33 e 35 do Decreto 70.235/72, 1 o reconhecimento da perempção tocante ao recurso voluntário de fls. 191/219 é um imperativo. Forte no acima exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso apresentado. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 237DF CARF MF 4 Fl. 238DF CARF MF
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