Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10183.005410/2002-70
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS —
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES, PASSANDO O ACÓRDÃO N° 20101.00.184, DE 3 DE JUNHO DE 2009, DE PROVIDO PARCIALMENTE PARA IMPROVIDO, COM A SEGUINTE EMENTA:
"PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Não se aplica a prescrição trilei-corrente no processo administrativo fiscal.
(Súmula n"7 do 2° Conselho de Contribuintes).
DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO.
Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei n" 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação.
EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1" da Lei n° 9.36.3/96, a produção e exportação de produtos nacionais não submetidos a processo produtivo de industrialização.
AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. GLOSAS.
Não integram a base de cálculo do crédito pre Súmula n" 12 do Segundo Conselho de Contribuintes: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando; nos conceitos de matéria-prima
ou produto intermediário.
Recurso Improvido."
Embargos de Declaração Acolhidos e Providos.
Numero da decisão: 3301-000.641
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, por contradição, para retificar o Acórdão n" 20101-00.184, de 3 de julho de 2009, passando de provido parcialmente para improvido, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES, PASSANDO O ACÓRDÃO N° 20101.00.184, DE 3 DE JUNHO DE 2009, DE PROVIDO PARCIALMENTE PARA IMPROVIDO, COM A SEGUINTE EMENTA: "PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição trilei-corrente no processo administrativo fiscal. (Súmula n"7 do 2° Conselho de Contribuintes). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei n" 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1" da Lei n° 9.36.3/96, a produção e exportação de produtos nacionais não submetidos a processo produtivo de industrialização. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. GLOSAS. Não integram a base de cálculo do crédito pre Súmula n" 12 do Segundo Conselho de Contribuintes: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando; nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Recurso Improvido." Embargos de Declaração Acolhidos e Providos.
numero_processo_s : 10183.005410/2002-70
conteudo_id_s : 6181109
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-000.641
nome_arquivo_s : Decisao_10183005410200270.pdf
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10183005410200270_6181109.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, por contradição, para retificar o Acórdão n" 20101-00.184, de 3 de julho de 2009, passando de provido parcialmente para improvido, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
id : 8205637
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938199367680
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:35:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:35:27Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:35:27Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:35:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9a977cf8-7cc7-41ed-bb24-b88d8d0912dc; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:35:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:35:27Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:35:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:35:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:35:27Z; created: 2010-11-24T16:35:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-11-24T16:35:27Z; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:35:27Z | Conteúdo => 83-C3T I I 398 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10183.005410/2002-70 Recurso n" 256,686 Embargos Acórdão n" 3301-00.641 — 3° Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2010 Matéria IPI Embargante CLARION AGROINDUSTRIAL S/A Interessado DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Período de apuração: 01/01/2001 a .31/03/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES, PASSANDO O ACÓRDÃO N° 20101.00.184, DE .3 DE JUNHO DE 2009, DE PROVIDO PARCIALMENTE PARA IMPROVIDO, COM A SEGUINTE EMENTA: "PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição trilei-corrente no processo administrativo fiscal. (Súmula n"7 do 2° Conselho de Contribuintes). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS INTERESSADOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. Nos termos do art. 82, parágrafo único da Lei n" 9.430/96, a declaração de inaptidão não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, exceto na hipótese de o adquirente comprovar a efetivação da operação. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUBMETIDOS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Não gera direito ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1" da Lei n° 9.36.3/96, a produção e exportação de produtos nacionais não submetidos a processo produtivo de industrialização. AQUISIÇÕES DE. COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. GLOSAS. Não integram a base de cálculo do crédito pre Súmula n" 12 do Segundo Conselho de Co tril de cálculo do crédito presumido da Lei 1 0 9..3, combustíveis e energia elétrica uma vez ue nã direto com o produto, não se enquadraniv; no ou produto intermediário. Recurso Improvido." Embargos de Declaração Acolhidos e Providos. r o 9 363, zie no presumido de IPI, nos termos da tes: "Não integram a base 9..363, de 1996, as aquiSições de não fio consumidos em contato ne„conceitos de matéria-prima Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, por contradição, para retificar o Acórdão n" 20101-00.184, de 3 de julho de 2009, passando de provido parcialmente para improvido, nos termos do voto do relator. r Rodrigo a C*s ' essas - Presidente f\4\q/a9_,P/0 AN O IO LIS-B0 iCAR,Du O - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, José Adão Vitorino de Morais, Mauricio Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão IV 2l01-00A84, prolatada pela 1" Câmara da i a Turma Ordinária da Segunda Seção, com fulcro no art. 64, Inciso I, do Regimento Interno do CAIU, aprovado pela Portaria a' 256, de 22/06/2009, relativamente à exclusão da multa de oficio sobre os débitos declarados em DCTF. Segundo argumentos da PGFN, não consta qualquer alusão à multa nos presentes autos, pois, de acordo com a informação de fl. 180, os valores não alcançados pela compensação/restituição seriam cobrados nos autos de número 10183,005298/2003-58, E o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos, estando presentes os pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 64 e 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009 (Publicado no DOU, Seção 1, de 23/06/2009). Conforme depreende-se da informação da Seção de Orientação e Análise Tributário - SAORT da DRF de Cuiabá-MT (fi, 179), "em relação aos débitos cuja compensação foi homologada, a multa de oficio sofreu a redução de 50% já que o contribuinte Processo n" 10183 005410/2002-70 Acórdão n " 3301-00.641 S3-C3T1 Fl 399 envio a PER-DCOMP antes da data de vencimento do Auto de Infração, conforme previsto no áç 2" do art. 28 da IN SRF n" 600/2005", Desta forma, não consta qualquer alusão à multa nos presentes autos, pois, de acordo com a informação de fI. 180, os valores não alcançados pela compensação/restituição seriam cobrados nos autos de número 10183.005298/2003-58, Logo, no presente processo não houve lançamento, não havendo que se falar em multa de oficio, porquanto a multa de oficio foi aplicada no Lançamento de Oficio de coFrNs, controlado no processo n 10183,005299 2003-01. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento. Em face do exposto, voto no sentido de acolher e prover o,s_.-E1T1b rgos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com efeitos/iniiing tes, por manifesta contradição, a fim de retificar o Acórdão n° 20101-00„181de jul o de 2009, passando de "provido parcialmente" para "Improvido",. // 3
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001661/2007-11
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006
MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
LEGALIDADE DA FIXAÇÃO DO QUANTUM POR DECRETO
DENTRO DE UMA FAIXA DE VALORES PREVISTA EM LEI..
A penalidade aplicável para o caso de descumprimento da obrigação de
apresentar documentos solicitados pela fiscalização das contribuições
previdencidrias está prevista no art. 92 da Lei 8.212/91 que estabelece o valor
máximo e mínimo da multa a ser aplicada naqueles casos de infrações para as
quais não haja penalidade expressamente cominada. A lei, portanto, fixa os
limites da penalidade, deixando para o poder regulamentar apenas a tarefa de
especificar em que casos aplicamos a pena entre o grau mínimo e o grau
máximo. O RPS não comina penalidades para infrações similares As dos
autos, apenas regulamenta aquilo que a lei já havia ci iado,
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA..
RELEVAÇÃO NO CASO DE TODAS AS FALTAS SEREM SANADAS.
A multa por descurnprimento das obrigações acessórias relativas As
contribuições previdenciárias somente será relevada se o inflator for
primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovai a correção de todas
as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de
infração, artigo 291, § 1 0 do Regulamento da Previdência Social, vigente ate
a edição do Decreto n." 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por
descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as
falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigida até a data da decisão de
primeira instância. Se remanescem faltam sem correção, não é possível a
relevação. No caso concreto, a inflação, pela sua natureza, não comporta
relevação parcial.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO
LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE
P ECUN IÁRI A
O Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art. 150, IV, e é dirigido
ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a
capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fi scal aplica-la
Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da
infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade
pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto
no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC, LEGALIDADE.. SÚMULA 4 DO CARF E ART.. 34 DA LEI
8.212/91.
Em confounidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros
de mora sobre os débitos para corn a União decorrentes de tributos e
contribuiçes administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de LiqUidação e Custódia - Selic
para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic,
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.569
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSÉ SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LEGALIDADE DA FIXAÇÃO DO QUANTUM POR DECRETO DENTRO DE UMA FAIXA DE VALORES PREVISTA EM LEI.. A penalidade aplicável para o caso de descumprimento da obrigação de apresentar documentos solicitados pela fiscalização das contribuições previdencidrias está prevista no art. 92 da Lei 8.212/91 que estabelece o valor máximo e mínimo da multa a ser aplicada naqueles casos de infrações para as quais não haja penalidade expressamente cominada. A lei, portanto, fixa os limites da penalidade, deixando para o poder regulamentar apenas a tarefa de especificar em que casos aplicamos a pena entre o grau mínimo e o grau máximo. O RPS não comina penalidades para infrações similares As dos autos, apenas regulamenta aquilo que a lei já havia ci iado, MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.. RELEVAÇÃO NO CASO DE TODAS AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descurnprimento das obrigações acessórias relativas As contribuições previdenciárias somente será relevada se o inflator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovai a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1 0 do Regulamento da Previdência Social, vigente ate a edição do Decreto n." 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigida até a data da decisão de primeira instância. Se remanescem faltam sem correção, não é possível a relevação. No caso concreto, a inflação, pela sua natureza, não comporta relevação parcial. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE P ECUN IÁRI A O Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fi scal aplica-la Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC, LEGALIDADE.. SÚMULA 4 DO CARF E ART.. 34 DA LEI 8.212/91. Em confounidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para corn a União decorrentes de tributos e contribuiçes administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de LiqUidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic, Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
numero_processo_s : 10865.001661/2007-11
conteudo_id_s : 6242512
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.569
nome_arquivo_s : Decisao_10865001661200711.pdf
nome_relator_s : MAURO JOSÉ SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10865001661200711_6242512.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
id : 8376982
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938218242048
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-13T12:45:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-13T12:45:20Z; Last-Modified: 2011-09-13T12:45:20Z; dcterms:modified: 2011-09-13T12:45:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ef548f44-a0ea-4d08-884c-c67d0828447d; Last-Save-Date: 2011-09-13T12:45:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-13T12:45:20Z; meta:save-date: 2011-09-13T12:45:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-13T12:45:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-13T12:45:20Z; created: 2011-09-13T12:45:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-13T12:45:20Z; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-13T12:45:20Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl 115 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10865.001661/2007-11 Recurso n" 252.215 Voluntário Acórdão n° 2301-01.569 — 3u Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de julhode 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente ALLIANCE COMERCIO DE FRUTAS E VERDURAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIAR1A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LEGALIDADE DA FIXAÇÃO DO QUANTUM POR DECRETO DENTRO DE UMA FAIXA DE VALORES PREVISTA EM LEI.. A penalidade aplicável para o caso de descumprimento da obrigação de apresentar documentos solicitados pela fiscalização das contribuições previdencidrias está prevista no art. 92 da Lei 8.212/91 que estabelece o valor máximo e mínimo da multa a ser aplicada naqueles casos de infrações para as quais não haja penalidade expressamente cominada. A lei, portanto, fixa os limites da penalidade, deixando para o poder regulamentar apenas a tarefa de especificar em que casos aplicamos a pena entre o grau mínimo e o grau máximo. O RPS não comina penalidades para infrações similares As dos autos, apenas regulamenta aquilo que a lei já havia ci iado, MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.. RELEVAÇÃO NO CASO DE TODAS AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descurnprimento das obrigações acessórias relativas As contribuições previdenciárias somente será relevada se o inflator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovai a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1 0 do Regulamento da Previdência Social, vigente ate a edição do Decreto n." 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigida até a data da decisão de primeira instância. Se remanescem faltam sem correção, não é possível a relevação. No caso concreto, a inflação, pela sua natureza, não comporta relevação parcial. MA - Relato JULIO CE IRA GOMES — Presidente 11 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE P ECUN IÁRI A O Principio de Vedação ao Confisco esta previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, urna vez positivada a norma, é dever da autoridade fi scal aplica-la Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC, LEGALIDADE.. SÚMULA 4 DO CARF E ART.. 34 DA LEI 8.212/91. Em confounidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para corn a União decorrentes de tributos e contribuiçes administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de LiqUidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic, Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. „ ACORDAM os membros da 3" Câmara / Turma Ordinária da Segunda SeçãO de 4 ulgamento, por lanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no méi to, em negar provimento sb re n, so, nos termos do voto do(a) Relator(a). I ' Patti i[ ara do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, 'Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Darnião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). ,1 1, , 1 . 1, Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 28/07/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 141 15, deixado de apresentar dotnientos solicitados pela fiscalização, relativos ao período de 01/1997 a 03/2006, o que 1, .11 esta a em ofensa à obrigação acessória prevista no art, 33, §2° da Lei 8.212/91, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 11.568,83. I ,11 2 Os documentos não apresentados à fiscalização foram os seguintes, segundo consta do Relatório Fiscal: • o livro diário ou prova de sua dispensa, para o período de 01/01/L997 a 31/12/1.997; • as folhas de pagamento de salário dos empregados de 11/2004 e 08/2005 a 03/2006; • WIN — guias de recolhimento do FGTS e informações à previdencia social para o período de 01/1.999 a 12/1.999, 12/2.000 a 12/2.001, 01, 05 e 06/2.002,01 e 02/2.003, 02, 09, 11 • e 12/2.004 e de 03/1005 a 03/2.006; • fichas de salário família com os respectivos registros de nascimento e fichas de salário maternidade corn atestados medicos de todo period() fiscalizado. Após tomar ciência pessoal da autuação em 01/08/2006, a recorrente ,apresentou impugnação, fls. 19/40, em 16/08/2006, com o seguinte conteúdo: informando que sanou as infrações, protestando pela ilegalidade de sua exclusão cio SIMPLES, pelo efeito , • confiscatório da multa e pela inconstitucionalidade da Taxa Selic. A autoridade julgadora de primeira instância afastou os argumentos da contribuinte na Decisão-Notificação de fls.. 63/69, tendo havido ciência desta em 08/12/2006, fls. 72. 0 recurso voluntário, apresentado em 05/01/2007, contem os argumentos que resumimos a seguir na ordem que constam do documento de fls. 73/98. Inicialmente, sustenta que sua exclusão do SIMPLES foi realizada sem motivação idõnea. Informa que fatura em média cinqüenta mil reais e que passou por urna crise financeira que a levou optar por uma reestruturação e troca de sócios. Tais mudanças tumultuaram o ambiente da empresa, o que deve ter causado o erro no envio dos dados, li conforme apontado no relatório fiscal, sem que qualquer dolo pudesse ser identificado. Passa discutir a exclusão do SIMPLES por entender que a meta madimplência não seria uma infração que resultaria nessa conseqüência jurídica. Alega que em nenhum momento deixou de apresentar qualquer documento requerido pelo fisco ou apresentou corn informação diversa, apenas foi excluida sistemática do SIMPLES e recolheu os tributos de forma simplificada, sem dolo ou culpa, mas apenas com erro. Afirma que apresentou os documentos que, em parte, atendem ao fisco e requer a aplicação do art. 291, §1° do Regulamento da Previdência Social. Argumenta que a multa aplicada tern efeito contiscatório, não podendo II prevalecer pois contraria o art, 150, inciso IV da Constituição Federal. Sustenta a ilegalidade da multa, pois a fixação da multa por meio de Decreto feriria o principio da estrita legalidade que permeia todo o ordenamento jurídico tributário brasileiro. Insiste que o inciso V do art. 97 do CTN exige lei para a cominação de penalidades, 1 , o que impediria o RPS de instituir obrigações e cominar penalidades. S2-C3T1 Proms° n" 10865 001661/2007-11 Actin! 50 ri" 2301-01.569 , Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN II É o relatório. ■ ' VOW 1 Conselheiro MAURO JOSE SILVA, Relator Reconhecemos a ternpestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. , Ainda que não suscitada pela recorrente, a decadência poderia ser analisada por aOntadas'"dentro do prazo qüinqüenal anterior ao lançamento, torna-se desnecessária tal Se tratar„ de questão de ordem pública. No entanto, como existem infrações que fbram pois mesmo que afastados os período decaídos, restariam infrações que justiçariam a multa aplicada, No mérito, a recorrente limitou-se a discutir sua exclusão do SIMPLES, a egE. idade da multa e a pedir a relevação da penalidade. 11 Quanto à exclusão do SIMPLES, a interessada deve dirigir-se A autoridade competente para tanto, travando a discussão em outro processo administrativo. Aqui tratamos dOl Oançarnento veiculado pelo Auto de Infração de fls, 01 e, quanto ao conteúdo deste, a empresa protestou pela ilegalidade da multa aplicada e pediu a relevação da penalidade por ter sairodo as 1 faltas. Apresentou, também, argumentos tratando da multa confiscatória e da aplicação da Taxa SELIC. Da legalidade da multa aplicada 1 11 ,11 ' 1 Entende a recorrente que foi o RPS que criou a obrigação de apresentar dricimentos a fiscalização e estabeleceu a penalidade aplicável no caso de seu descumprimento. 0 argumento da recorrente padece de fundamento, pois, com efeito, a ,obrigação gue foi descumpricla está prevista no art. 33, §2° da Lei 8.212/91 e não diretamente no it.PS, como, erroneamente concluiu. A fundamentação da autuação neste dispositivo está presente em vários documentos dos autos, especialmente no Relatório Fiscal. „ , r No que tange A cominação de penalidades, é o art. 92 da Lei 8,212191 que esiabelece o valor máximo e mínimo da multa a ser aplicada naqueles casos de infrações para • as qu 1 ats não haja penalidade expressamente cominada. A lei, portanto, fixa os limites da penalidade, deixando para o poder regulamentar apenas a tarefa de especificar em que casos aplicamos 'a pena entre o grau mínimo e o grau máximo. Como se vê, o RPS não comina Peralidadels para infrações similares As dos autos, apenas regulamenta aquilo que a lei já havia Criado. Improcedentes, portanto, os argumentos da recorrente sobre a ilegalidade da mhlta,aplicada. R evação da multa. Impossibilidade diante da não correção de todas as faltas. 4 Processo n' 10865.001661/2007-11 AcOrdao n. 2301-01.569 S2-C3T1 1 117 Sobre a relevação da multa, a legislação aplicável ao caso determina o seguinte: RPS Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente § I" A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestado a infiação, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tivem ocorrido nenlitana circunstância agravante. Considerando o referido dispositivo do RPS e em sintonia corn as conclusões do Parecer MPS/CJ 3.19412003, entendemos que, para a relevação da penalidade, todas as faltas devem ser corrigidas até a data da decisão de primeira instancia. A recorrente alega que corrigiu as faltas, no entanto, somente encontramos nos autos copias do livro diário de 1997. Restariam sem ser apresentados outros documentos olicitados pela fiscalização, conforme consta do Relatório de fis.14/15, tais como: as folhas de Pagamento de salário dos empregados de 11/2004 e 08/2005 a 03/2006; GFIP's — guias de recolhimento do FGTS e informações A. previdência social para o período de 01/1999 a 12/1999, 12/2000 a 12/2001, 01, 05 e 06/2.002,01 e 02/2.003, 02, 09, 11 e 12/2004 e de 03/2005 a 03/2006; fichas de salário família corn os respectivos registros de nascimento e .fichas de salário maternidade com atestados medicos de todo periodo fi scalizado. Logo, remanescem faltas sem serem sanadas, o que impede que seja promovida a relevação da multa. Dada a natureza da infração, não é possível a relevação parcial, Pois se apenas um documento não for apresentado ainda teremos motivação para a manutenção da multa nos moldes que constam do auto de infração. Multa de oficio confisco 0 impugnante suscita em sua defesa o Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo corn efeito de confisco,. E descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação , estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal principio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de 'Confisco. Não observado o principio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, dever da autoridade fiscal aplica-la Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o Conceito de confisco previsto no inciso IV do art.. 150 da Constituição Federal. 11 ,Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic coma juros moratórios não pode prosperar, urna vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: ' 11 Sitnutla CARF A pat tir de 1" de abril de 1995, os flays morattitios incidentes sobre debito tributários administrados pela Secretaria da Receita &del al do Brasil silo devidos, no período de i»culimplencia, c taxa referenda! do Sistema Especial de Liquida cão e Custódia - SEL1C pat a tindos federais . Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do refedo dip orna legal prevê a aplicacao da Taxa Selic, 4 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR 4 !„ PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTARIO. ' ! ' Sala das Sessões, 08de julho de 2010 • r
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000824/2007-48
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.495
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
numero_processo_s : 10865.000824/2007-48
conteudo_id_s : 6385984
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2202-000.495
nome_arquivo_s : Decisao_10865000824200748.pdf
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10865000824200748_6385984.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 8806145
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938224533504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 705 1 704 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000824/200748 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.495 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de junho de 2013 Assunto Omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem Recorrente ARMANDO MANARIN JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 82 4/ 20 07 -4 8 Fl. 1152DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 706 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Foi iniciado procedimento de Fiscalização em nome do recorrente (fls. 31/33) em razão das receitas informadas pelo contribuinte em suas Declarações de Rendimentos estarem incompatíveis com os valores de sua movimentação financeira (fls. 555561). Por meio de termo de início de fiscalização, o recorrente restou intimado a apresentar extratos bancários relativos às contas que deram origem as suas movimentações financeiras, bem como documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que demonstrasse a origem dos recursos depositados nas referidas contas. O recorrente ofereceu resposta solicitando prorrogações de prazo para apresentação dos documentos (fls. 3437), as quais foram concedidas. Como, mesmo após o escoamento do prazo adicional, não houve cumprimento da intimação, foi emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF — ao HSBC Bank do Brasil (fls. 40 41) e ao Banco Itaú S/A (fls. 8586), solicitando a apresentação dos extratos bancários das contas do recorrente na instituição. Após envio da documentação requerida pela instituição financeira, em 21/06/06 (fls. 103/111), o recorrente foi novamente intimado a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, os quais foram relacionados individualmente. Em resposta, solicitou novamente prorrogação de prazo, ocasião em que anexou requerimentos, realizados às instituições financeiras, para ter identificados os depositantes das quantias nas contas correntes em seu nome (fls. 103111). Por fim, apresentou declaração da empresa a Manarin & Cia Ltda. (fls. 120), a qual informou a utilização de contas em nome do impugnante. Em razão da declaração prestada pela referida empresa, em 01/09/06 (fl. 129) o contribuinte foi intimado para apresentar documentação probatória, coincidentes em datas e valores, que demonstrasse que os créditos e débitos efetuados em suas contas bancárias decorriam de receitas e de despesas da empresa. Em resposta (fls. 120) o recorrente ratificou a declaração de que as suas contas foram utilizadas pela empresa e anexou a seguinte documentação para embasar as suas alegações: a) em relação à conta corrente n° 149900, ag. 0659 do Banco Itaú, anexou extratos de transferências bancárias e cópia dos cheques depositados na referida conta que, em sua grande maioria foi proveniente da empresa A Manarin & Cia Ltda; (fls. 131164); b) em relação à conta corrente nº 13180385706 do Banco HSBC, apresentou extratos de transferências bancárias dos depósitos realizados na referida conta pela empresa A Manarin Cia Ltda (fls. 178182 e 216220), pelo sócio da empresa, Armando Manarin (fls. 183184), e por José Mario de Moura Balbão (fls. 185189); Fl. 1153DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 707 3 c) relação mensal dos cheques emitidos, cuja destinação foi atribuida ao uso de pagamentos efetuados pela empresa A Manarin & Cia Ltda, (fls. 166177 e 192216); d) cópias dos cheques emitidos em favor da empresa A Manarin & Cia Ltda (fls. 221231), do Sr. José Mario de Moura Balbão (fls. 240275) e de diversos beneficiários (fls. 286554). 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 17/04/07 (fls.315), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário de 2002, 2003, 2004 apurando crédito tributário no valor de R$ 662.670,66, incluindo imposto, juros de mora e multas de 75% e 50%. As infrações imputadas foram (a) omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas (b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada (c) falta de recolhimento de IRPF devido a título de carnê leão. 3 Impugnação Inconformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 571630), esgrimindo os seguintes argumentos: a) não satisfeita a obrigação tributária, por parte do contribuinte, a Fazenda tem prazo rigidamente demarcado para proceder ao lançamento No caso, em 31 de janeiro de 2002 ocorreu um fato gerador de IRPF. A partir deste dia, por cinco anos, ininterruptos, o Fisco poderia efetivar lançamentos de oficio que entendesse cabíveis. Passado este tempo, ou seja, em 31 de janeiro de 2007, jamais poderia a fiscalização efetuar qualquer autuação contra o Impugnante. Isto porque, em lº de fevereiro de 2007, o fato gerador havido até 31 de janeiro de 2002 decaiu. Consequentemente, o mesmo ocorreu com os valores lançados referentes a fevereiro e março de 2002. Assim, como o auto de infração foi lavrado em 17/04/07, os fatos geradores relativos aos três primeiros meses de 2002 encontramse fulminados pela decadência; b) os valores classificados como recebidos de pessoas jurídicas, pessoas físicas e demais depósitos bancários, os quais serviram como base para lançamento, correspondem a valores de ingressos da empresa A Manarin & Cia Ltda, cujos sócios são Armando Manarin e Maria Aparecida Feur Manarin, ambos genitores do impugnante. Esclarece que Armando Manarin, com 89 anos de idade, nos últimos anos não se encontra em condições plenas de solucionar os mais variados problemas da empresa A Manarin & Cia Ltda. e Maria Aparecida Feur Manarin, não possui o hábito e nem experiência para se envolver nos negócios da empresa, o que invariavelmente provoca a intervenção do impugnante na quase totalidade dos negócios. Nesse contexto, o impugnante, por meio de suas contas particulares, emite cheques para pagamento dos mais variados compromissos da empresa. A movimentação bancária tem origem, assim, nos recursos da empresa para emissão de cheques. c) a própria fiscalização reconheceu diversos pagamentos da empresa pelo impugante. Não resta dúvida de que todos os depósitos que a fiscalização Fl. 1154DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 708 4 classificou como Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas são, na verdade, reembolsos de despesas da própria empresa. Infelizmente não é possível demonstrar cada depósito com valores coincidentes em datas e valores. d) conforme folha 19, considerouse como rendimento recebido de A Manarin & Cia Ltda a quantia de R$ 5.750,00 depositada em 02/01/02 no HSBC. Conforme extrato de folha 48, o valor foi sacado da conta particular do impugnante pelo cheque 290853 a quantia de R$ 5.750,00, relativo a gastos da empresa, ou seja, a quantia não corresponde a um rendimento sujeito ao Imposto de Renda das Pessoas Físicas, mas mero reembolso de despesas da própria pagadora dos rendimentos. Outros exemplos são demonstrados em anexo; e) em 2001 a soma dos bens do recorrente era de R$ 346.770,33(fl. 561), em 2002 era de R$ 346.770,33 (fl. 561), em 2003 era de R$ 366.770,33 (fl. 558) e em 2004 era de R$ 375.496,74(fl. 556). Segundo a fiscalização houve renda não declarada de R$ 516.303,73 em 2002 (fl. 11), de R$ 423.838,26 em 2003 (fl. 13) e de R$ 129.047,08 em 2004 (fl. 14). É ilógico que um contribuinte que supostamente auferiu renda maior que R$ 1.000.000,00 tenha aumento de patrimônio de aproximadamente R$ 28.000,00. f) destacase que as informações prestadas pelo contribuinte foram confirmadas pela empresa. Juntou, ainda, declaração de terceiros, confirmando a sua função na administração da empresa; g) se algum imposto é devido no que tange a movimentação financeira, a responsável é a empresa, e não o contribuinte pessoa física. Juntou jurisprudência nesse sentido; h) conforme fl. 239, os valores oriundos de depósitos de José Mário de Moura Balbão são referentes a descontos de cheques de clientes da empresa A Manarin & Cia Ltda, e em alguns casos depositados na conta particular do impugnante para custear despesas da própria Pessoa Jurídica; i) não há ganho de receita/rendimento sem despesa. Ignorando esse fato, a fiscalização simplesmente presumiu que todos os depósitos configuravam omissão de receita. Essa presunção é flagrantemente ilegal e caracteriza desrespeito ao regime de competência. Assim, a fiscalização deveria ter parametrizado os valores registrados a débito, no qual se inserem os custos e despesas, o que comprovaria que o saldo final anual do recorrente é praticamente idêntico ao inicial, uma vez que não houve acréscimo patrimonial. j) a simples soma dos depósitos para lançamento configura criação de base de cálculo não prevista em lei. k) sob qualquer ângulo que se analise o fato exposto, em caso de se considerar como válidas as irregularidades apontadas pelo Fisco, a mais justa, coerente, legal e correta abordagem a ser tomada no caso concreto, seria a equiparação da pessoa física a categoria de empresa individual e o arbitramento do lucro, Fl. 1155DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 709 5 para fins de tributação do resultado final. Juntou jurisprudência nesse sentido; l) não é válido, tampouco eficaz, lançamento efetuado com base em presunção fiscal. Juntou jurisprudência e doutrina nesse sentido. Ademais, o lançamento vai de encontro ao conteúdo esposado na súmula 182 do TFR; m) não há respaldo jurídico para aplicação da taxa SELIC; Anexou, por fim, as declarações de fls. 631633. 4. Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 7ª Turma da DRJ/SP25ª (fls. 651678 do eprocesso), mantendo o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) a partir da edição da Lei nº 8.134, de 1990, além da incidência mensal, a título de antecipação, a legislação determina que a apuração definitiva do Imposto de Renda da Pessoa Física seja efetuada na declaração anual de ajuste. Estamos diante de um fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração, em momentos distintos. Assim, o fato gerador do imposto sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual somente se aperfeiçoa no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções, ou seja, 31 de dezembro de cada ano calendário, mesmo estando o contribuinte obrigado a sofrer retenção do imposto de renda na fonte pagadora; b) o lançamento se deu por meio de presunção legal, sob fundamento do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A partir da edição da referida lei, a existência de depósitos de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo. A obrigação de comprovar a origem dos recursos é do contribuinte; c) os contribuintes devem manter sob sua guarda os documentos que digam respeito aos fatos geradores de qualquer tributo, enquanto não extinto o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário (art. 173, I, do CTN); d) as declarações apresentadas não se prestam a comprovar a origem dos depósitos; e) a utilização de dados obtidos a partir de informações da CPMF sem a correspondente autorização judicial foi autorizada por meio da LC 105/01. A Fazenda Pública, por sua vez, é obrigada a manter sigilo das informações obtidas; f) a súmula 182 do TFR está em desuso, de modo que prevalece o disposto na Lei nº 9.430/96; Fl. 1156DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 710 6 g) a atividade é administrativa é vinculada, de modo que, em existindo hipótese legal para lançamento, este deve ser realizado pela autoridade, que não possui discricionariedade; h) quanto ao requerimento de tributação pelo arbitramento e equivalência de pessoa física a jurídica, tal argumento não encontra sustentação probatória, uma vez que o recorrente não trouxe provas da assertiva que os valores movimentados em suas contas correntes foram objeto de tributação. É ônus do contribuinte comprovar que os valores omitidos a título de rendimento de pessoa física provem de atividade econômica desenvolvida pelo próprio contribuinte com fim especulativo de lucro, do mesmo modo, cabe a ele fazer prova de que não tem disponibilidade jurídica ou econômica do art. 43 do CTN. A simples alegação de que os valores movimentados pertencem a empresa não possui condão de descaracterizar a omissão de rendimentos; i) a informalidade dos negócios entre parentes não exime o contribuinte de apresentar prova efetiva das transações realizadas. Essa informalidade diz respeito a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, mas não se pode aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte não é de amigos, é formal e vinculada à lei, sem exceção. j) o lançamento de ofício relativo à omissão de rendimentos recebidos da empresa A Manarin & Cia Ltda encontrase correto, pois lançouse como rendimentos omitidos o resultado do total dos valores recebidos deduzidos aqueles que se destinaram a pagamentos de gastos da empresa, as devoluções de valores à empresa e os valores informados em Declaração de Ajuste Anual (ano de 2003) a título de rendimentos tributáveis. O mesmo raciocínio foi aplicado às omissões de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez que foi considerada como rendimentos recebidos de pessoa física a diferença entre os valores transferidos das contas correntes de Sr. José Mário de Moura Balbão e os valores devolvidos através de cheques nominais. k) é legal a cobrança de juros de mora sob indexação da taxa SELIC; l) as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, não havendo incidente processual para juntada de novos documentos. Quanto ao pedido de perícia, compete à autoridade administrativa decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas, conforme art. 18 do Decreto nº 70.235/72. 6. Recurso Voluntário Ciente em 08/06/12 (fl. 691), o recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 693700 do eprocesso), repisando os argumentos da impugnação e acrescentando: Fl. 1157DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 711 7 a) a Lei 9.430/96 tem o condão de considerar ou presumir como renda os depósitos não justificados, contudo, esse não é a hipótese fática discutida, em razão da comprovação de que os depósitos foram efetuados em nome da empresa A Manarim. Ademais, não é lógica a utilização de depósitos como presunção de renda. b) Os depósitos correspondem a valores declarados e tributados pela empresa, de modo que a glosa em nome do recorrente caracteriza tributação em duplicidade. c) Os juros moratórios visam a recomposição do patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir a obrigação. Assim, apesar de devidos, os juros devem incindir a partir da constituição do crédito tributário, nos termos do art. 161 do CTN; É o relatório. Fl. 1158DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 712 8 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização expediu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RFM) (fls 4041). A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. Fl. 1159DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 713 9 O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À Fl. 1160DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 714 10 EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) Fl. 1161DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.000824/200748 Resolução nº 2202000.495 S2C2T2 Fl. 715 11 DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, considerando tratarse de matéria de ofício, ainda que perempto o recurso voluntário, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 1162DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0820.16462.P2EP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RAFAEL PANDOLFO em 03/07/2013 18:22:33. Documento autenticado digitalmente por RAFAEL PANDOLFO em 03/07/2013. Documento assinado digitalmente por: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA em 05/08/2013 e RAFAEL PANDOLFO em 03/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/08/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0820.16462.P2EP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7CA9A9DCF523088892C612F943F9868088922A0A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10865.000824/2007-48. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720164/2012-90
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
RATEIO PROPORCIONAL DE CRÉDITOS. CÔMPUTO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA RECEITA BRUTA TOTAL
As receitas financeiras, submetidas à alíquota zero, integram o montante da receita bruta total, para fins do cálculo do percentual de rateio dos créditos entre os que podem ser ressarcidos/compensados e os que apenas se prestam a deduzir o valor a pagar, porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento da contribuição, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz, além do que sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa da contribuição as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
Numero da decisão: 9303-011.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.507, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16366.720155/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Não informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202106
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 RATEIO PROPORCIONAL DE CRÉDITOS. CÔMPUTO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA RECEITA BRUTA TOTAL As receitas financeiras, submetidas à alíquota zero, integram o montante da receita bruta total, para fins do cálculo do percentual de rateio dos créditos entre os que podem ser ressarcidos/compensados e os que apenas se prestam a deduzir o valor a pagar, porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento da contribuição, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz, além do que sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa da contribuição as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 16366.720164/2012-90
anomes_publicacao_s : 202108
conteudo_id_s : 6457783
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9303-011.517
nome_arquivo_s : Decisao_16366720164201290.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Não informado
nome_arquivo_pdf_s : 16366720164201290_6457783.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.507, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16366.720155/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
id : 8939460
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938242359296
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-09T19:10:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-09T19:10:20Z; Last-Modified: 2021-08-09T19:10:20Z; dcterms:modified: 2021-08-09T19:10:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-09T19:10:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-09T19:10:20Z; meta:save-date: 2021-08-09T19:10:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-09T19:10:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-09T19:10:20Z; created: 2021-08-09T19:10:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-08-09T19:10:20Z; pdf:charsPerPage: 2392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-09T19:10:20Z | Conteúdo => CCSSRRFF--TT33 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 16366.720164/2012-90 RReeccuurrssoo Especial do Procurador AAccóórrddããoo nnºº 9303-011.517 – CSRF / 3ª Turma SSeessssããoo ddee 16 de junho de 2021 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo COFERCATU COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 RATEIO PROPORCIONAL DE CRÉDITOS. CÔMPUTO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA RECEITA BRUTA TOTAL As receitas financeiras, submetidas à alíquota zero, integram o montante da receita bruta total, para fins do cálculo do percentual de rateio dos créditos entre os que podem ser ressarcidos/compensados e os que apenas se prestam a deduzir o valor a pagar, porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento da contribuição, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz, além do que sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa da contribuição as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.507, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16366.720155/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 01 64 /2 01 2- 90 Fl. 970DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.517 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720164/2012-90 pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão nº 3301-006.892, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF. Ao Recurso Especial, inicialmente foi negado seguimento, decisão que foi revertida, em razão de Agravo, relativamente à matéria “Inclusão da receita financeira no cálculo do rateio proporcional”. O Contribuinte apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, (inclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional) a jurisprudência desta Turma está espelhada neste recente Acórdão nº 9303-011.297, de 17/03/2021, de relatoria do ilustre Conselheiro Valcir Gassen, que adoto como razões de decidir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não-cumulativo. Voto Quanto ao mérito, a matéria objeto de conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional refere-se à possibilidade ou não do cômputo das receitas financeiras na receita bruta total para o efeito de rateio proporcional dos créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições de PIS e COFINS. Alega a Fazenda Nacional que não faz sentido incluir as receitas financeiras do Contribuinte por elas não estarem associadas a nenhum tipo de custos, despesas ou encargos que sejam comuns às demais receitas, ou seja, o posicionamento defendido pela Fazenda Nacional é no seguinte sentido: As receitas financeiras não se originam de insumos passíveis de creditamento, de modo que sua inclusão no cálculo do percentual utilizável na segregação de créditos contribuiria apenas para causar distorção no resultado obtido, afastando‑o da real proporção entre os custos, despesas e encargos e sua efetiva contribuição para cada tipo de receita auferida pela pessoa jurídica. Fl. 971DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.517 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720164/2012-90 Cabe apontar que o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional alegando que a receita financeira deve integrar os cálculos da receita bruta, uma vez que há previsão legal para tanto e que o próprio CARF já se manifestou nesse sentido. De fato, em que pese o entendimento trazido pela Fazenda Nacional, é de se verificar que uma vez que estas receitas são utilizadas para os cálculos das contribuições, elas devem ser consideradas no cômputo do rateio proporcional. Esse foi o entendimento no acórdão recorrido e que de forma precisa estabelece a correta aplicação da legislação. Assim, cita-se trecho do Acórdão nº 3202- 000.597 para reforçar o entendimento acerca desta matéria: “Merece, também, ser acolhido o recurso voluntário, quando pede que as receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero da contribuição, a partir de 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004, sejam computadas no somatório da receita bruta total para fins de rateio proporcional. Isso porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. In verbis: § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” Nesse sentido, apesar do entendimento trazido pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional, me filio a posição acima, uma vez que as receitas utilizadas para os cálculos do PIS e da COFINS devem entrar no rateio proporcional, ou seja, se as receitas financeiras integram a base de cálculo das contribuições não cumulativas, da mesma forma, não podem ser excluídas para fins de rateio proporcional, conforme o previsto no art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003. Corroborando com esse entendimento cita-se trecho da ementa do Acórdão nº 3302-006.063, de relatoria do il. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 (...) PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam- se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017)”. Fl. 972DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.517 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720164/2012-90 À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente Redator Fl. 973DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10384.003083/2007-60
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/03/2002
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente. Art. 126, da Lei nº 8.213/91, combinado com artigo 305, paragrafo 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3048/99.
Recurso Voluntario Não Conhecido
Credito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.645
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LIÉGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/03/2002 Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente. Art. 126, da Lei nº 8.213/91, combinado com artigo 305, paragrafo 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3048/99. Recurso Voluntario Não Conhecido Credito Tributário Mantido
numero_processo_s : 10384.003083/2007-60
conteudo_id_s : 6304197
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-000.645
nome_arquivo_s : Decisao_10384003083200760.pdf
nome_relator_s : LIÉGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 10384003083200760_6304197.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
id : 8572314
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938245505024
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:19:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:19:40Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:19:40Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:19:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:56dad2ed-8439-4f3f-93e7-3a0dc8ddf8db; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:19:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:19:40Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:19:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:19:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:19:40Z; created: 2011-03-10T13:19:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-03-10T13:19:40Z; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:19:40Z | Conteúdo => -TAND A — Presidente S2-C3 12 Fi I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO 1W RECURSOS FISCAIS :100fe SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" I 0384.003083/2007-60 Recurso n" 254.345 Voluntário Acórdão n" 2302-00.645 — 3" Camara / 2" Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro dc 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP FATOS GERADOR ES Recorrente PAULO IIENRIQI PAIS I AN DIM Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PRE VIDENCIÃRIA EM TERESINA/PI ASSUN lo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Period() de apuração: 01/12/2001 a 31/03/2002 Recurso voluntário não conhecido por lalta de requisitos de admissibilidade, jib que interposto iniempestivamente.Ait. 126, da Lei n"8.213/91, combinado corn artigo 305, paragrafo 1 0 do Regulamento da Previdência aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntario Não Conhecido Credit° 1iihulário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACOR DAM os membros da 3" Câmara / 2" •turina Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, CM no conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora, • 1.,ffiGE LACROIX THOMASI Relatora Participaram do presente .julgamento, os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (suplente), Arlindo Costa e Silva, Amilcar Barca Junior (suplente), thiago D'Avila -Melo Fernandes e Marco Andre Ramos Vieira (presidente). 1 Relatório frata o presente de auto-de-infração, lavrado em destavor do sujeito passivo acima identificado, cm virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5", da Lei n." 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do .Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n." 3.048/99, com. multa punitiva aplicada conforme (lisp& o artigo 32, § 5" da Lei n." 8.212/91 e artigo 284, inciso 11, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n." 3.048/99, por não ter a Secretalia. de Sande do Estado do Piaui, informado nas Guias de Recolhimento do FM'S e . Informações à Previdência Social -- (3FIP's das competências de 12/2001 a 03/2002, todos os fatos gcradores de contribuições previdenciArias, conforme relação anexa as lis 06/07 e 52/63, Após a apresentação de defesa, Decisão-Notilicação julgou a autuação j.)rocedente. Incoirfbrinado, o autuado interpôs recurso illiempestivo, alegando em síntese: a) que quando alçado ao cargo não possufa conhecimento técnico-burocrático porque o órgão tinha servidores dotados desses conhecimentos; h) que o SUS destina exatos recursos para o programa, sem cogitar consignações de qualquer natureza.; e) que o SUS se omite quanto ao esclarecimento da utilização dc recursos humanos , além da exigiiidade dc recursos postos ili disposição do orgdo Ou entidadc. Requer que seja relevada a falha e extinta a cominação imposta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil cm Teresina, informa as fls. 79/80, clue o recurso é i nlempestivo I. o relatririo Voto Conselheii a 1:11(i`F LACROIX THOMAS!, Relatora Da Admissibilidade 0 recurso 6 IN LEMPES . 11VO, razão pela qua] dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o .sujeito passivo da Decisão Administrativa de lb. 58/64, em 21/05/2007, Ils.67, o prazo para interposição de recurso, que 6 de 30 (trinta) dias, conforme o art 126, caput, da Lei n° 8.213/91, combinado com o art. 305, § I O do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n." 3 048/99, iniciou em 22/05/2007, terminando em 20/06/2007.. IMUctanto, o recurso foi interposto apenas em 21/06/2007, conforme protocolo de Ils.70, con Figurando-se, portanto, sua intempesti vidade.. Proccsso 110 10384.00308/2007-60 S2-C312 AL:6rdiio n 2302-00.645 1.1 2 Lei n°8213/91 AFL 126. Das decisaes do Instituto Nacional do Segura Social-INSS nos processos de interesse dos benefit:jai - Los e dos contribuintes da Seguridade Social cabera recurso para o Conselho dc Reelf rSaS da Previdência Social, conflirine dispuser o Regulamento.. (Reclacao dada pela Lei n" 9.528, de I997) Regulamento da Previtkncia Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisâes do instituto Nacional do Seguro Social e tia Secretaria (la Receita Previdenciória nos pi ocessos de interesse dos beneficiários e dos conttibuinte.s da seguridade social, respectivamente, caberá recurso pa 01 o Conselho de Recursos da Previdência Social ((.:RPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CR PS (Aliciado pelo Decreto n°6.032 - de 172/2007 - DOU DE 2/2/2007) § P É de trinta dias o prazo para Intel. posicao dc te cursos e para o oferecimento de contra-razõe.s, (. onlados da ciência da dectsào e da interposkao do TeCtirso, respectivamente (Redação dada pelt) Decreto n°4.729. de 9/06/2003) Pao exposto, considerando que a iecorrente não argiii a terupestividade, na peça tecursal e considerando o artigo 35, do Decreto W70.235/72, que disp6e: "Art. 35. 0 recw:so , mesmo perempto, será cicaimi,/iado ao (irgdo de segunda inshincia, que julgai ti ctpcicmpcao 7 ' Voto por não conhecer o recurso, por Jai ta de requisito pala sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instancia pro Lerida <AC-'6;• - LIEGE ,ACROIX IL HOMASI - Rei atom
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006678/2007-97
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COOPERATIVAS DE TRABALHO.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n° 9.876/1999
BASE DE CÁLCULO
Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa.
Entendo que a base de cálculo encontra-se descrita na lei, passando as Instruções Normativas apenas a definir critérios de redução da base dependendo do tipo de contrato realizado.
A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontra-se equivocada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA
ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.707
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento; e II) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COOPERATIVAS DE TRABALHO. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n° 9.876/1999 BASE DE CÁLCULO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Entendo que a base de cálculo encontra-se descrita na lei, passando as Instruções Normativas apenas a definir critérios de redução da base dependendo do tipo de contrato realizado. A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontra-se equivocada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 11516.006678/2007-97
conteudo_id_s : 6449489
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.707
nome_arquivo_s : Decisao_11516006678200797.pdf
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11516006678200797_6449489.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento; e II) negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 8928529
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938248650752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.006678/200797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.707 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS CATARINENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COOPERATIVAS DE TRABALHO. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999 BASE DE CÁLCULO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Entendo que a base de cálculo encontrase descrita na lei, passando as Instruções Normativas apenas a definir critérios de redução da base dependendo do tipo de contrato realizado. A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontrase equivocada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 66 78 /2 00 7- 97 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração, lavrado sob o n. 37.000.8456, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho, no período de 01/2001 a 12/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 40, o lançamento e referese a contribuições previdenciárias, devidas e não repassadas a Seguridade Social — INSS, constituída da contribuição de 15% (quinze) incidente sobre as faturas da prestação de serviços por cooperativas de trabalho UNIMED. 5.1 Durante a auditoria fiscal, ao serem analisados os contratos e faturas da UNIMED e os respectivos comprovantes de recolhimento da contribuição devida Seguridade Social, foi constatado que a ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS CATARINENSES deixou de recolher a integralidade da contribuição incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços e não informou tais valores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP. 5.2. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária lançada e devida, o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio da cooperativa de trabalho UNIMED GRANDE FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, relacionadas no anexo da presente notificação, denominado de "ANEXO I RELAÇÃO DE FATURAS", onde constam os dados das mesmas. Estas notas fiscais ou faturas foram lançadas na contabilidade do contribuinte nas contas 2.1.01.01.006 UNIMED, nos anos de 2001 e 2003 e 2.01.01.004 UNIMED, nos anos de 2004 a 2006. 5.3. Para definição das bases de cálculo da contribuição de quinze por cento foram analisadas as peculariedades das coberturas definidas nos contratos. 5.3.1. No presente caso, os contratos de n°s 373, 374 e 738, são contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado. Para estes, foi definido como base de cálculo o percentual de 30% do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, por se tratarem de contratos de grande risco ou de risco global. Quando da aplicação das multas, observase no relatório fiscal, que a autoridade fiscal procedeu ao comparativo entre as multas, senão vejamos: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 20/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 07/01/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 65 a 87. Foi exarada a Decisão de 1 instância, fls. 97 a 126, que confirmou a procedência ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 NFLD 37.000.8456 de 07/01/2008. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8. Aplicase, para as contribuições previdenciárias, o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, a partir da edição da Súmula Vinculante no 8 pelo Supremo Tribunal Federal, a qual declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no 8.212/91. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Incide contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 104 a 125. Em síntese, a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Alega a ilegitimidade passiva, sendo mera intermediária, pois quem utiliza os serviços prestados pelos médicos cooperados não é o recorrente e sim os associados, pessoas fisicas. Aduz que não efetua os pagamentos a UNIMED e que este é feito diretamente pela Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Desta forma não poderia ser qualificada como tomadora de serviço e deveria ser excluída do pólo passivo da / autuação. 2. Entende que a preliminar não poderia ser afastada, pois justificada apenas com base em instrução normativa, ato administrativo de competência do próprio executivo, inclusive Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 4 5 de data posterior (07/2005) a mais da metade das competências que ainda remanescem NFLD. 3. A IN não pode extrapolar a lei para definir base de cálculo, nem tampouco retroagir. Alega que a base de calculo foi estabelecida por Orientação e Instrução Normativa. Que esta fato contraria o principio da legalidade. Relata ser absurdo o fato do poder executivo fixar padrões de cobrança, uma vez que existe expressa vedação no CTN e na CF a esse respeito. 4. Destaca que no caso da contribuição para o SAT os regulamentos (Decretos, ONs e INs) têm como função apenas detalhar o • conteúdo da lei, sem, contudo, alterar qualquer dos elementos essenciais da hipótese de incidência. 36, na contribuição em apreço neste Recurso Voluntário,6 o órgão executivo que determina quem vai pagar e quanto, sem qualquer parâmetro legal. 5. Ora, que razões levaram a autarquia previdenciária a determinar que a aliquota, no presente caso, deve incidir sobre 30% (trinta por cento) do valor bruto da notafiscal ou fatura e não sobre 75 (setenta e cinco), 20 (vinte) ou 10% (dez por cento)? 6. Alega a inconstitucionalidade da hipótese de incidência. Aduz que a Lei 9.876/99 que acrescentou o inciso IV ao art. 22 da Lei 8.212/91 acabou instituindo uma nova contribuição social, sendo que para isto, nos termos do art. 195, § 4 c/c art. 154, I da Constituição Federal, seria necessária uma lei complementar. 7. Quanto a impossibilidade de apreciação de constitucionalidade, enfatiza que muito embora a decretação de inconstitucionalidade seja de • competência do STF, através do "controle concentrado", essa faculdade não afasta a de outros tribunais (não constitucionais) em negar a aplicação de preceito que contrarie a Carta Magna é o chamado "controle difuso". 8. Caso opte por não admitir a impropriedade da norma, pelo menos deverá ser sobrestado o feito até que a matéria seja julgado em definivo pelo Colendo STF. Sem dúvida, o sobrestarnento ainda nesta etapa extrajudicial é conveniente para todos, pois seu término precoce certamente implicará no ajuizamento de ação temerária: ou uma Execução Fiscal pela Fazenda Nacional ou um Mandado de Segurança pela Recorrente; os quais certamente movimentarão sem necessidade a máquina estatal, que inevitavelmente também ficará sujeita ao entendimento do E. STF. 9. Aduz, ainda, que se a remuneração dos médicos já está sendo tributada através de seus próprios recolhimentos previdenciários como autónomos, não há que se falar em pagamento pela tomadora dos serviços cooperados 10. Sem falar nos inúmeros outros Contribuintes que vêm questionando esse tributo nas esferas administrativa e judicial. Nessa última, inclusive, a quantidade de demandas e tão grande que o E. STF viuse obrigado a reconhecer a repercussão geral da matéria, a fim de que haja uniformidade no entendimento aplicável após a decisão que será proferida na Corte. 11. Requer a este Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a reforma do v. acórdão 0717.744 — 6.a Turma da DRJ/FNS, para efeito de anular/cancelar a parte remanescente da NFLD. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 12. Outrossim, na remota hipótese de indeferimento motivado de cada um dos aspectos aqui delineados, requer sejam os autos baixados em diligência para suprir deficiência relevante na instrução do feito, uma vez que indevidamente negada a produção de prova pericial, que havia sido pedida nos exatos termos da lei e que é imprescindível para comprovação de • importantes nuances da lide. 13. Subsidiariamente, na absurda conjetura de indeferimento fundamentado dos pedidos anteriores, requer, pelo menos, o sobrestamento do feito até que seja julgado o RE 595838 pelo E. STF.É o relatório. O processo foi encaminhado a este conselho para julgamento É o Relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 126. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO SUSPENSÃO DO PROCESSO ATÉ JULGAMENTO FINAL DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto a questão de sobrestamento até o julgamento definitivo da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n. 2594/DF. Afirma que tem sido esse o procedimento adotado pelo Pretório Excelso, que tem atribuído efeito suspensivo aos recursos que questionam a constitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n. 8.212/199, como se pode verificar de decisões exaradas no bojo das Ações Cautelares AC n. 805 QO e n. 9936 – QO. Adoto aqui posicionamento trazido pelo ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo em outro processo envolvendo a mesma matéria, onde deuse seguimento ao julgamento da matéria relativa a contribuição sobre a contratação de cooperativa de trabalho. Consultando as decisões nas referidas AC, verifico o STF deu provimento ao pedido das recorrentes para conferir efeito suspensivo aos Recursos Extraordinários manejados contra a exigência da contribuição incidente sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho. Como se pode ver da ementa abaixo transcrita, não há o que se falar em sobrestamento de processos pele Corte Constitucional em razão da referida ADI, a qual se encontra pendente de julgamento (conforme consulta a http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp, efetuada em 23/04/2011). EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA EM DECISÃO MONOCRÁTICA E POSTERIORMENTE REFERENDADA PELO ÓRGÃO COLEGIADO. POSSIBILIDADE DE NOVA APRECIAÇÃO DA MEDIDA. Nos termos da orientação predominante do Supremo Tribunal Federal, a ação cautelar destinada ao empréstimo de efeito suspensivo a recurso extraordinário é ato que se exaure em si mesmo, não demandando citação nem contestação. Possibilidade de reavaliação da medida concedida ou indeferida, quando há modificação do quadro fáticojurídico que lhe servira de suporte. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA COM BASE EM DECISÃO TOMADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES.MANUTENÇÃO ATÉ JULGAMENTO DE MÉRITO DA CAUSA. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ausentes novas razões relevantes ou modificação do quadro fáticojurídico, impõese a manutenção da medida cautelar concedida. AÇÃO CAUTELAR 9936 SÃO PAULO, Min. Relator JOAQUIM BARBOSA, DJe 20/10/2006). Vêse que o Acórdão acima é válido apenas entre as partes litigantes naquele processo, apenas conferiu efeito suspensivo ao RE, não tratando de sobrestamento de processos. Diante disso, podese afirmar que não existem motivos para que se proceda ao sobrestamento do julgamento, haja vista que inexiste na legislação processual tributária norma que preveja a suspensão dos processos em razão de pendência de julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade ou mesmo de Recurso Especial. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, irrelevantes os argumentos de que em sendo associação, seria ilegítima para fazer parte do polo passivo da obrigação em questão, considerando que agiria como mera intermediária na contratação. A lei 8212/91, que descreve as regras de custeio de contribuições previdenciárias, é expressa ao determinar a incidência da contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, sobre faturas/notas fiscais que, como no caso vertente, se refiram a prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho na área de saúde, como é caso da UNIMED: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 6 9 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (.) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluido pela Lei n° 9.876, de 1999). Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas. O argumento de que era mera intermediária na contratação da cooperativa, não a desincumbi de proceder ao recolhimento da contribuição devida face restar descrito pelo auditor ser associação a contratante da cooperativa, mesmo que no intuito de que esta prestasse serviços a seus associados. Da mesma forma, não existe respaldo para o argumento que a UNIMED não forneceria os serviços de seus cooperados diretamente, caracterizando apenas contratação de plano de saúde. O objetivo da constituição de uma cooperativa nada mais é por definição legal, do que a prestação de serviços em nome dos seus cooperados sem finalidade lucrativa. Assim, a UNIMED – Cooperativa Médica, trabalha em nome de seus cooperados prestando serviços na área médica, porém os serviços inclui a prestação de mão de obra (sobre o qual há incidência) e fornecimento de outros procedimentos. Contudo, o legislador, já vislumbrando dita possibilidade, determinou uma base de calculo diferenciada, conforme descrito n lançamento em tela. Valhome ainda, de informação descrita no sitio http://www.unimed.com.br/pct/ index.jsp?cd_canal=58672&cd_secao=58671, que descreve que atualmente o Sistema Unimed tem 32% de participação no mercado nacional de planos de saúde, atendendo 15,1 milhões de clientes. São 377 cooperativas médicas com abrangência em 74,9% do território nacional, nas quais 106 mil médicos cooperados desenvolvem suas atividades. Observase que a decisão de primeira instância rebateu ditos argumentos pontualmente, não tendo o recorrente apresentado qualquer fato novo, ou prova de que os serviços ali destacados não e referiam aos serviços médicos ou que inexistiu a contratação. Observase que a cooperativa é conceituada como uma sociedade de pessoas sem fins lucrativos, constituída com a finalidade de prestar serviços a seus associados na forma estabelecida pela Lei n° 5.764/71. A cooperativa de trabalho é uma das espécies de cooperativas previstas na legislação e tem como objetivo intermediar as relações entre seus associados e terceiros contratantes. Tratase, portanto, de mera agenciadora das atividades dos cooperados, não produzindo bens ou serviços próprios. Por não se tratar de trabalho subordinado, não se estabelece vínculo empregatício entre a cooperativa e seus cooperados, mantendo, esses últimos, a qualidade de contribuintes individuais (parágrafo único do artigo 284 da Instrução Normativa SRP n° 003/05). Portanto, a contribuição em tela incide sobre a contratação de serviços prestados por pessoas físicas, sendo este apenas intermediado pela cooperativa de trabalho. E a remuneração do segurado contribuinte individual filiado à cooperativa de trabalho decorre da prestação de serviços por intermédio da cooperativa às pessoas físicas ou jurídicas (artigo 285 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 da IN SRP n° 003/05). Ou seja, a nota fiscal ou fatura emitida pela cooperativa encontrase diretamente relacionada à remuneração do cooperado e por esse motivo, foi utilizada como base para cálculo da contribuição em tela. Assim, ao contratar e registrar contabilmente os pagamentos a cooperativa, passou o recorrente a ser sujeito passivo da obrigação que ora se lança. BASE DE CÁLCULO Quanto a base de cálculo empregada, data vênia o arrazoado trazido pelo recorrente, entendo que a base de cálculo empregada não fere o princípio da legalidade. A legislação previdenciária, definiu a alíquota a ser aplicada, bem como a base de cálculo no caso de contratação de cooperativas, que nada mais é do que o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. O que faz a Instrução Normativa é delimitar essa base de cálculo de acordo com as peculiaridades que envolvem a prestação de serviços de saúde, definindo, no valor bruto da nota fiscal ou fatura, o percentual inferior que serviria como parâmetro da mão de obra empregada. Não identifiquei por parte do recorrente , a apresentação de qualquer documento, ou mesmo argumento de que a mão de obra empregada seria inferior a definida na instrução normativa, razão porque devem prevalecer os parâmetros descritos pelo fisco previdenciário, para que se apure a contribuição devida. A base de calculo para a incidência de quinze por cento, apurada da nota fiscal ou fatura, está definida na instrução normativa SRP no 03, de 14 de julho de 2005 e anteriores, conforme transcrito: Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que asse ura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 7 11 II nos contratos coletivos por custo operacional, celebrados com empresa, onde a cooperativa médica e a contratante estipulam, de comum acordo, unia tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, a base de cálculo da contribuição social previdenciária será o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. Da leitura da legislação transcrita, depreendese que a autoridade lançadora agiu legitimamente ao lavrar a presente autuação, e identificou de forma correta o sujeito passivo da obrigação previdenciária. Conforme consta do relatório fiscal da notificação, as notas fiscais emitidas pela UNIMED fora registradas na contabilidade da impugnante, nas contas 2.1.01.006 UNIMED, nos anos 2001 e 2003 e 2.01.01.004 — UNIMED, nos anos de 2004 a 2006. Verificase que a Associação dos Magistrados Catarinense registra as faturas em sua escrita contábil e efetua os pagamento ao emissor das notas fiscais, no caso a UNIMED. As notas fiscais foram emitidas em nome da impugnante e consta planilha anexa com os valores, números da emissão e citação dos contratos a qual esta se relaciona. A impugnante não apresentou questionamento com relação a este fato, devidamente delineado nos autos. Assim, verificase que a situação fática se subsume a legislação colacionada, posto que estão presentes os requisitos necessários para a perfeita identificação do fato gerador e do sujeito passivo responsável pelo crédito tributário, que no caso concreto e a Associação dos Magistrados Catarinenses. Da mesma forma, também carece de justificativa o argumento de que a contribuição prevista no artigo 22, IV, da Lei n° 8.212, de 1991, não poderia incidir sobre os pagamentos efetuados A. Cooperativa, devido ao fato dos serviços dos médicos cooperados ser prestado aos associados pessoas físicas. Isto porque, ainda que diretamente os serviços dos médicos cooperados sejam prestados à pessoas físicas, não se pode negar que a destinatária imediata dos serviços é a Associação e que esta é efetivamente a contratante dos serviços da UNIMED. Cabe esclarecer que a UNIMED, na condição de cooperativa de trabalho, atua como mera intermediadora entre os autônomos (médicos cooperados) e o tomador de serviços. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Normalmente na contratação de cooperativas, a base de cálculo a ser considerada para fins de incidência da contribuição previdenciária é aquela destacada na nota como "ACP Atos Cooperativos Principais", que correspondem, como aqueles relativos à remuneração dos serviços médicos. Assim sendo, não estando definido os serviços propriamente, aplicase o percentual de 30% do valor bruto da fatura, sendo que tal redutor do valor da nota apenas se aplica nos casos em que não haja discriminação dos valores relativos a serviços médicos e daqueles que se destinam a custear outros procedimentos e materiais. Como já observado acima, as faturas normalmente contém um campo próprio destinado a lançar exclusivamente os valores pagos a título de remuneração aos médicos. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS E DA POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Quanto a possibilidade de órgãos administrativos manifestaremse acerca da constitucionalidade de lei discordo do posicionamento adotado pelo recorrente. No mérito o argumento do recorrente é no sentido de que a contribuição obre as notas ficais, pelo serviço prestado por cooperativa de trabalho é inconstitucional. Nesse sentido, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições pautada na lei n° 9.876/1999 institui contribuição (nova) não prevista no texto constitucional., determinando a exigência de contribuições sobre a faturas de cooperativas de trabalho, frisese que, assim ,como já defendido pela autoridade julgadora, entendo que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras previstas na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis contribuições sobre as faturas emitidas pela contratação de Cooperativas de Trabalho médico. Entendo assim, que externado pelo próprio recorrente, que a Constituição da República é clara ao definir as competências para apreciar questionamentos de constitucionalidade, seja por via de controle abstrato (concentrado), seja em via de controle concreto (difuso). E clara também a Carta Magna em reservar apenas aos órgãos do Poder Judiciário a competência para declarar a constitucionalidade ou não de atos normativos. Assim sendo, a esfera administrativa não é o foro adequado para discussões acerca da constitucionalidade das leis e dos atos normativos, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto n° 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória n° 449/2008, e posterior lei 11.941/2009, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " § 6o 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) I — que _Id tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) II— que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 8 13 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PERÍCIA Quanto ao pedido de perícia, também entendo que não existam argumentos consistentes para seu deferimento. Os dados apurados como fatos geradores, foram extraídos da própria contabilidade da associação, não tendo o recorrente rebatido com elementos fáticos, que desqualificasse o trabalho do auditor, capaz de gerar dúvidas sobre os valores apurados. Na verdade estamos diante de recurso em relação a fatos geradores , que entende o recorrente são indevidos desde a sua concepção, já que argumenta ser inconstitucional a exação que ora lhe impõem. Dessa forma, entendo não estarem presentes os requisitos para realização de perícia. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.006678/200797 Acórdão n.º 2401002.707 S2C4T1 Fl. 9 15 Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 em documentação da própria recorrente e a notificação seguiu o procedimento previsto, não reconheço sua nulidade. Pelo exposto, foi correta a aplicação do presente auto de infração pelo órgão previdenciário. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para REJEITAR a preliminar de sobrestamento e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000895/2004-83
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
IMPOSTO RENDA PESSOA FÍSICA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA NA FORMA DO ARTIGO 150, § 4° DO CTN.
O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência. A atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos
termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Considerando que a notificação deu-se em data anterior ao prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador da obrigação tributária, voto no sentido negar provimento ao recurso.
Súmula CARF N° 38 - O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 IMPOSTO RENDA PESSOA FÍSICA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA NA FORMA DO ARTIGO 150, § 4° DO CTN. O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência. A atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Considerando que a notificação deu-se em data anterior ao prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador da obrigação tributária, voto no sentido negar provimento ao recurso. Súmula CARF N° 38 - O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Recurso especial negado.
numero_processo_s : 10735.000895/2004-83
conteudo_id_s : 6234702
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-000.644
nome_arquivo_s : Decisao_10735000895200483.pdf
nome_relator_s : Moisés Giacomelli Nunes da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10735000895200483_6234702.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
dt_sessao_tdt : Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
id : 8360673
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938261233664
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:31:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:31:56Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:31:56Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:31:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:fc6ae59f-b42c-40b8-b044-c289bf65cf25; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:31:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:31:56Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:31:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:31:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:31:56Z; created: 2010-08-17T14:31:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-08-17T14:31:56Z; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:31:56Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 2"57. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS;- ' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10735.000895/2004-83 Recurso n° 144.124 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.644 — 2 Turma Sessão de 12 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente CYRO ECKHARDT ELOY Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 IMPOSTO RENDA PESSOA FÍSICA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA NA FORMA DO ARTIGO 150, § 4° DO CTN. O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência. A atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 40 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Considerando que a notificação deu-se em data anterior ao prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador da obrigação tributária, voto no sentido negar provimento ao recurso. Súmula CARF N° 38 - O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-17 calendário. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do olegiado, por nanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERT* R AS BA • • I TO- Presidente MOIS i • ..• • "" À SILVA - Relator EDITADO EM: 14 MAIO 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Confoime auto de infração de fls. 172 e seguintes,. o recorrido foi autuado em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. Foi apurado o imposto devido no valor de R$ 369.666,63. A exigência do crédito tributário deu-se com multa de 75% e juros de mora calculados até 31/05/2004, totalizando crédito tributário de R$ 840.861,19. O lançamento foi notificado ao sujeito passivo em 02/07/2004 (fl. 172). A Câmara Julgadora, por meio do acórdão de fls. 675/686, por maioria, rejeitou a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário de 1999. Neste ano, o sujeito passivo entregou declaração de ajuste anual com imposto devido de R$ 208,58 (fl. 04). Intimado, o contribuinte, tempestivamente, ingressou com o recurso de fls. 644 e seguintes, alegando a preliminar de decadência em relação ao ano base de 1999, nos telinos do §4° do artigo 150 do CTN. Sustenta que o voto condutor do acórdão recorrido estaria em confronto com o acórdão paradigma n.° 106-13.969, abaixo transcrito, julgado em 12/05/2004, cujo Relator foi o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques: IRPF — DECADÊNCIA — TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - De acordo com a jurisprudência majoritária deste Conselho, o IRPF é tributo sujeito a lançamento por homologação, razão pela qual o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 150, §4° do CTN, ou seja, tem inicio na data da ocorrência do fato gerador. O fato gerador de cada tributo vem disciplinado na Regra Matriz de Incidência Tributária, de forma que no IRPF, conforme definido 2 Processo n° 10735.000895/2004-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.644 Fl. 3 no art. 2° da Lei 7.713/88, o fato gerador ocorre à medida da percepção dos rendimentos. Preliminar acolhida. O recurso foi admitido conforme fls. 735/737, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 758 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Trata-se de exigência de crédito tributário relativo a fato gerador complexivo que se concretizou em 31/12/1999, cuja notificação ocorreu no ano de 2004, quando ainda não decorridos mais de cinco anos. Assim, pelos fundamentos a seguir expostos, correta a decisão recorrida que rejeitou a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário de 1999. I - Da decadência como forma de extinção do crédito tributário. Para que se compreenda o instituto da decadência como uma das formas de extinção do crédito tributário faz-se necessário entender a constituição deste. Não se pode falar em extinção do crédito tributário sem compreender como se dá a sua constituição. A constituição do crédito tributário está prevista no Livro Segundo, Titulo III, Capítulo II, do Código Tributário Nacional, cujo artigo 142 prevê, "in verbis:" Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O artigo 142 do CTN não pede ser interpretado como norma isolada dentro do sistema. Há que se ter presente que o Capitulo II, do Titulo III, do Livro Segundo, do CTN, é subdividido em duas seções, sendo que a Seção I, composta pelos artigos 142 a 146, trata do lançamento e a Seção II, composta pelos artigos 147 a 150, trata das modalidades de, lançamento, a saber: lançamento por declaração (art. 147); lançamento de oficio (art. 149)1é/ lançamento por homologação (art. 150). La) Das modalidades de lançamento 3 O Código Tributário Nacional, nos artigos 147, 149 e 150, prevê três modalidades de lançamento', a saber: a) lançamento por declaração; b) lançamento de oficio e c) lançamento por homologação. O lançamento por declaração, confoime prevê o artigo 147 do CTN2, dá-se quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar infoimações para que o sujeito ativo, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, apure o montante do -- imposto devido. Temos como exemplo de lançamento por declaração a sistemática de pagamento do Imposto de Renda do exercício de 1993, em que os contribuintes preenchiam a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mas não efetuavam apuração ou recolhimento do imposto devido. Para pagamento do tributo, os sujeitos passivos aguardavam o recebimento de notificação de lançamento, em que constava o valor do débito calculado pela autoridade administrativa. Caracteriza, também, lançamento por declaração o mecanismo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR empregado até 1996, no qual o proprietário infolinava a extensão de sua propriedade e a produção nela obtida em formulário (declaração) especialmente destinado a este fim, de maneira que a Receita Federal, com base nestes dados, promovia a emissão da notificação de lançamento. O lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do CTN3 , ocorre na hipótese de haver uma omissão ou inexatidão do contribuinte em relação às atividades que deveria cumprir, de maneira que a autoridade efetuará o lançamento, com a aplicação de penalidade administrativa. O CTN prevê três modalidades de lançamentos que se distinguem pela medida da participação do sujeito passivo: (1) O lançamento por declaração, no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fica a cargo da autoridade fiscal definir o montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento; (ii) O lançamento de oficio, no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal. E, por fim, (iii) o lançamento por homologação, no qual o contribuinte desenvolve toda a atividade apuratória do valor do tributo devido e realiza o pagamento, ficando a cargo da autoridade fiscal a posterior verificação dessa atividade e, se for o caso, sua respectiva homologação. 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 3 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, o omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial. 4 Processo n° 10735.000895/2004-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.644 Fl. 4 Cabe ressaltar que não há tributo cujo regime de lançamento seja o "de oficio", originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de founa residual em relação a tributos cujo regime é "por declaração" ou "por homologação" e que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa no sentido de efetuar um lançamento "complementar" em relação ao período de apuração ou a determinado fato gerador. No lançamento por homologação, de que trata o artigo 150 do CTN 4, o sujeito passivo é quem identifica e determina a matéria tributável, verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e calcula o montante do tributo devido. Neste caso, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens, rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros a não residentes no pais, IPI, ICMS, PIS e FINSOCIAL e, atualmente, o IR, entre outros. Lb) Dos elementos essenciais que caracterizam a constituição do crédito tributário e das questões relacionadas à homologação Com a identificação do sujeito passivo, a matéria tributável, a regra-matriz de incidência tributária e o cálculo do tributo devido, tem-se os elementos essenciais do lançamento. O pagamento do tributo devido não faz parte do lançamento. Não integra a sua essência e nem é condição de sua validade. O crédito tributário, resultante do lançamento por homologação, existirá ainda que o tributo não seja pago. O pagamento é ato jurídico que ocorre num segundo momento para extinguir o que foi constituído em momento anterior. Quando se fala em constituição e extinção do crédito tributário é preciso identificar o momento da sua constituição e o momento da sua extinção. a) No momento da constituição do crédito tributário, no lançamento por homologação, o sujeito passivo apura a matéria tributável, a ocorrência do fato gerador e calcula o valor do imposto devido. b) No momento da extinção do crédito tributário tem-se o pagamento 5 do tributo correspondente. Nos casos de lançamento por homologação, o lançamento se consuma quando o sujeito passivo pratica atividade tendente a apurar a ocorrência do fato gerador, identificar a matéria tributável, calcular o valor devido, com obrigação de realizar o pagamento, independentemente de intimação a ser feita pelo do sujeito ativo. 4 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 5 Além do pagamento, há outras causas de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN. Entretanto, interessa-nos, neste momento, apenas o pagamento. 5 O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ou por qualquer outra das hipóteses previstas no artigo 156 do CTN, ser extinto. Se o contribuinte, por exemplo, apresentar Declaração de Ajuste Anual com imposto a pagar, tal fato se constitui lançamento por homologação. Apresentada a Declaração de Ajuste Anual, no caso de pessoa física 6, ou DCTF no caso de pessoa jurídica, e apurado o montante do imposto devido, o lançamento está perfeito e consumado, independentemente de pagamento. Se o pagamento não for realizado, não se fará novo lançamento, pois o crédito tributário já está constituído. Em tais casos, cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional intimar o contribuinte para realizar o pagamento, sob pena de inscrição em dívida ativa e execução7. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito tributário. O artigo 150 do CTN, abaixo transcrito e grifado por nós, deixa claro que o que se homologa é a atividade (autolançamento) e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrizado, expressamente a homoloza. Para confirmar a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada a necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese em que o contribuinte, embora cumpra o dever legal de apurar o quantum 6 Encerrado o ano-calendário, a pessoa física, apura os rendimentos e as despesas dedutíveis e calcula o valor do imposto devido, informando tal fato à Receita Federal por meio da Declaração de Ajuste Anual. Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual, com imposto a pagar ou a restituir, o lançamento se consuma, tanto isto é verdadeiro que a fiscalização, para exigir o tributo não necessita lavrar auto de infração, bastando encaminhar as informações prestadas pelo contribuinte para que a Procuradoria da Fazenda Nacional proceda a inscrição em divida ativa, com posterior execução. 7 Ver artigos 47 e 74, §§ 7° e 8° da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 47. A pessoa fisica ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de inicio de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada ao artigo pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997, conversão da Medida Provisória n° 1.602, de 14.11.1997, DOU 17.11.1997). Art. 74.... § 70 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 - Ed. Extra). § 80 Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7 0 , o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 90• (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10.83 de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 - Ed. Extra). \.) 6 Processo n° 10735.000895/2004-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.644 Fl. 5 debeatur, conclui que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais e nas hipóteses de isenção, não incidência e imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IPI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei - (tais como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso) -; ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4° do art. 150, do CTN. Igualmente, existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. No caso de imposto de renda pessoa fisica, por exemplo, o sujeito passivo, ao término de cada ano-calendário, apresenta declaração de ajuste anual. Nas situações em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado. O pagamento, volto a repetir, é causa de extinção do tributo decorrente da atividade correspondente ao lançamento por homologação praticado pelo sujeito passivo. Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo eventualmente apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões, ou o prazo prescricional 8 para cobrança do que foi declarado, sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CTN, nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como pode ocorrer com o contribuinte produtor rural. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Mais, a atual jurisprudência do STJ e de parte da doutrina que o segue e entende que nos casos de crédito tributário constituído por homologação o pagamento, ainda que parcial, é fator essencial para detenninar o marco inicial do prazo decadencial, além de não resolver a situação relacionada aos casos em que o sujeito passivo apura prejuízo, também não apresenta solução para os casos em que as pessoas fisicas, por não atingirem determinados 8 Segunda Câmara Leal. "...A decadência e a prescrição apresentam um ponto de contacto, que as assemelha: ambas se fundam na inércia continuada do titular durante um certo lapso de tempo, e tem, portanto, como fatores, operantes a inércia e o tempo". (CÂMARA LEAL, Antônio Luiz da... Da Prescrição e da Decadência - atualiza / por José de Aguir Dias - FORENSE —Rio de Janeiro - 2a. Edição - número seqüencial: 00881 - pág. 114). 7 rendimentos, estão dispensadas de apresentarem declaração de ajuste anual de imposto de renda. Não há como falar em pagamento para ser homologado em tais hipóteses pois sequer a lei exige que o sujeito passivo realize atividade para apurar eventual imposto. Como falar em pagamento realizado nos casos em que o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo, sem imposto a pagar? A divergência que tenho em relação aos seguidores da atual jurisprudência do STJ está relacionada ao ponto em que esta entende que a autoridade administrativa pratica ato com a finalidade de homologar o pagamento, o que é um equívoco. O artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, ao dizer que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento" é expresso quando usa as expressões "assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". Dos comandos da regra aqui destacada tem-se que, nos casos em que o artigo 150, do CTIV, determina que o sujeito passivo realize as atividades inerentes à constituição do crédito tributário, o que a autoridade administrativa homologa são os atos praticados pelo sujeito passivo e não o pagamento realizado por este. Pode ocorrer casos, por exemplo, em que a pessoa física entrega Declaração de Ajuste Anual em 30 de abril e requer parcelamento do imposto devido. Isto, entretanto, não impede que a Fiscalização, antes mesmo do pagamento da primeira parcela, homologue a atividade praticada pelo contribuinte. Na linha das razões de decidir até aqui expostos, são dignos de destaque os fundamentos do ilustre Conselheiro Nélson Mallmann, extraído do acórdão n° 104-20.071: (.) Como, também, reflito o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sujeito sempre à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (.) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." O que é passível de ser ou não homologado é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao conhecimento da \ (3\.' 8 Processo n° 10735.000895/2004-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.644 Fl. 6 atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CT1V. Faz-se necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha a fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. I.c) Do aspecto temporal do fato gerador: Os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (ex.: imposto de renda com tributação exclusiva na fonte; ganho de capital na alienação de bens etc). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Nos fatos geradores complexivos, o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, como se fosse a linha de chegada de uma maratona. No decorrer do trajeto existem inúmeros passos, mas para efeito de conclusão do percurso, só é considerado um único passo, qual seja, o passo em que o atleta atinge a linha de chegada. No caso concreto, incidem as disposições da Súmula 38 do CARF, "in verbis": Súmula CAI?? N°38 - O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a 5 partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. C 1 9 Em síntese, considerando que o crédito tributário correspondente a este processo se encontra entre os tributos 9 cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amolda-se à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação 10, encontra respaldo no § 4° do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como temio inicial a data da ocorrência do fato gerador. Verificado que o caso dos autos tem por objeto a exigência de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição 9 IPI, ICMS, PIS, COFINS, FINSOCIAL e IR, entre outros. 10 Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Nesta linha segue doutrina de Luciano Amaro• "A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação.... Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra do artigo 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (art. 156, V, 173, 174, 195, parágrafo -único). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinitivamente o início do lapso temporal.. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não ter criado a ressalva. (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed. Livraria do Advogado, 6. Edição. Porto Alegre, 2004. p. 1010). Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem "em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da obrigação tributária do imposto sujeito a 'lançamento por homologação', a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o dies a quo do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado." (In. Liminares e Depósitos Antes do Lançamento p Homologação — Decadência e Prescrição, 2'. ed. Dialética, 2002, p. 16). 10 Processo n° 10735.000895/2004-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.644 Fl. 7 do crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, ou seja, da ocorrência do fato jurídico tributário, considerando que a notificação deu- se em data anterior ao prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador da obrigação tributária, voto no sentido negar provimento ao recurso. ISTO POSTO, nego provimento ao recurso do contribuinte, para manter a exigência do crédito tributário. É o voto. Moises lacome 1 .‘ unes da Sil à Relator 11
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720039/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
SIGILO BANCÁRIO. RMF. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido da constitucionalidade da norma veiculada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, nos termos regulados pelo Decreto nº 3.724/2001.
Na espécie, a hipótese de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF tem suporte no artigo 3º, VII, do Decreto nº 3.724/2001 c/c artigo 33, I, da Lei nº 9.430/96.
PRESUNÇÃO. VERDADE MATERIAL. COMPATIBILIDADE.
A utilização de presunções legais é compatível com o princípio da verdade material, desde que sejam presunções relativas e, portanto, seja dada oportunidade ao sujeito passivo de comprovar, no caso concreto, a inocorrência do fato jurídico tributário.
DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º DO CTN.
Aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS aplicam-se a sistemática do lançamento por homologação. Portanto, somente em duas hipóteses não incidiria o disposto no artigo 150, § 4º do CTN, que determina que o termo inicial do prazo decadencial seja fixado na data da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) inexistência de pagamentos a serem homologados; e (ii) ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. SÚMULA CARF Nº 02.
Desborda da competência dos julgadores administrativos deixar de aplicar norma legal por alegações de inconstitucionalidade, conforme previsão da Súmula CARF nº 02.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Aplicam-se aos indébitos tributários os juros moratórios calculados à taxa Selic, conforme disposição da Súmula CARF nº 04.
RESPONSABILIDADE. ARTIGOS 134, VII, E 135, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica ao caso vertente a responsabilidade de que cuida o artigo 134, VII do CTN, uma vez não se tratar de liquidação de sociedade de pessoas e não haver provas da impossibilidade do cumprimento da obrigação tributária por parte da contribuinte.
Também não se aplica o disposto no artigo 135, I, do mesmo diploma legal por não haver sido configurada a atuação com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
ELEMENTOS PROBATÓRIOS JUNTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. APREENSÃO POR ORDEM JUDICIAL. FORÇA MAIOR.
Na espécie, a recorrente demonstrou que os elementos de prova haviam sido apreendidos pelo Ministério Público e que não estavam disponíveis no momento da impugnação. Assim, incide a hipótese de exceção à regra geral de preclusão veiculada pelo artigo 16, § 4º, a, do Decreto nº 70.235/72. Os elementos probatórios juntados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário devem ser conhecidos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. DOCUMENTOS JUNTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Tendo a contribuinte comprovado que parte dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias configuravam, na verdade, recursos de terceiros que não se incorporaram ao seu patrimônio, é de se acolher parcialmente o recurso voluntário.
OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
No caso, não houve bis in idem no lançamento de ofício porque a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização por meio dos créditos bancários não escriturados tivessem origem em receitas escrituradas e declaradas. Ademais, a fiscalização teve o cuidado de excluir todas as receitas para as quais houvesse identificado a origem a partir da circularização feita junto aos clientes da fiscalizada e subtraiu do lançamento os valores de tributos declarados espontaneamente.
REGIME DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO.
No regime de caixa, incumbe à contribuinte comprovar que o valor da nota fiscal foi efetivamente recebido em período distinto daquele em que foi emitida a nota fiscal. Descabe afastar o lançamento somente com fulcro em alegações genéricas, sem quaisquer elementos de prova.
Numero da decisão: 1401-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, afastar as preliminares de nulidade dos autos de infração, conhecer dos elementos probatórios juntados após o julgamento de primeira instância, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência nos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL dos dois primeiros trimestres de 2006 e de PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a julho de 2006 e, no mérito, ajustar os valores de omissão de receitas, excluindo da base de cálculo o valor de R$22.132.501,40, conforme fundamentado no voto, e afastar o vínculo de responsabilidade solidária de Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani, Rose Mary de Paula.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: Carlos André Soares Nogueira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 SIGILO BANCÁRIO. RMF. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido da constitucionalidade da norma veiculada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, nos termos regulados pelo Decreto nº 3.724/2001. Na espécie, a hipótese de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF tem suporte no artigo 3º, VII, do Decreto nº 3.724/2001 c/c artigo 33, I, da Lei nº 9.430/96. PRESUNÇÃO. VERDADE MATERIAL. COMPATIBILIDADE. A utilização de presunções legais é compatível com o princípio da verdade material, desde que sejam presunções relativas e, portanto, seja dada oportunidade ao sujeito passivo de comprovar, no caso concreto, a inocorrência do fato jurídico tributário. DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º DO CTN. Aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS aplicam-se a sistemática do lançamento por homologação. Portanto, somente em duas hipóteses não incidiria o disposto no artigo 150, § 4º do CTN, que determina que o termo inicial do prazo decadencial seja fixado na data da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) inexistência de pagamentos a serem homologados; e (ii) ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. SÚMULA CARF Nº 02. Desborda da competência dos julgadores administrativos deixar de aplicar norma legal por alegações de inconstitucionalidade, conforme previsão da Súmula CARF nº 02. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Aplicam-se aos indébitos tributários os juros moratórios calculados à taxa Selic, conforme disposição da Súmula CARF nº 04. RESPONSABILIDADE. ARTIGOS 134, VII, E 135, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE. Não se aplica ao caso vertente a responsabilidade de que cuida o artigo 134, VII do CTN, uma vez não se tratar de liquidação de sociedade de pessoas e não haver provas da impossibilidade do cumprimento da obrigação tributária por parte da contribuinte. Também não se aplica o disposto no artigo 135, I, do mesmo diploma legal por não haver sido configurada a atuação com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 ELEMENTOS PROBATÓRIOS JUNTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. APREENSÃO POR ORDEM JUDICIAL. FORÇA MAIOR. Na espécie, a recorrente demonstrou que os elementos de prova haviam sido apreendidos pelo Ministério Público e que não estavam disponíveis no momento da impugnação. Assim, incide a hipótese de exceção à regra geral de preclusão veiculada pelo artigo 16, § 4º, a, do Decreto nº 70.235/72. Os elementos probatórios juntados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário devem ser conhecidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. DOCUMENTOS JUNTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Tendo a contribuinte comprovado que parte dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias configuravam, na verdade, recursos de terceiros que não se incorporaram ao seu patrimônio, é de se acolher parcialmente o recurso voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. No caso, não houve bis in idem no lançamento de ofício porque a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização por meio dos créditos bancários não escriturados tivessem origem em receitas escrituradas e declaradas. Ademais, a fiscalização teve o cuidado de excluir todas as receitas para as quais houvesse identificado a origem a partir da circularização feita junto aos clientes da fiscalizada e subtraiu do lançamento os valores de tributos declarados espontaneamente. REGIME DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO. No regime de caixa, incumbe à contribuinte comprovar que o valor da nota fiscal foi efetivamente recebido em período distinto daquele em que foi emitida a nota fiscal. Descabe afastar o lançamento somente com fulcro em alegações genéricas, sem quaisquer elementos de prova.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10803.720039/2011-16
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6463897
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1401-005.754
nome_arquivo_s : Decisao_10803720039201116.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Carlos André Soares Nogueira
nome_arquivo_pdf_s : 10803720039201116_6463897.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, afastar as preliminares de nulidade dos autos de infração, conhecer dos elementos probatórios juntados após o julgamento de primeira instância, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência nos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL dos dois primeiros trimestres de 2006 e de PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a julho de 2006 e, no mérito, ajustar os valores de omissão de receitas, excluindo da base de cálculo o valor de R$22.132.501,40, conforme fundamentado no voto, e afastar o vínculo de responsabilidade solidária de Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani, Rose Mary de Paula. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
id : 8960454
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938273816576
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-01T13:31:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-01T13:31:56Z; Last-Modified: 2021-09-01T13:31:56Z; dcterms:modified: 2021-09-01T13:31:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-01T13:31:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-01T13:31:56Z; meta:save-date: 2021-09-01T13:31:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-01T13:31:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-01T13:31:56Z; created: 2021-09-01T13:31:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; Creation-Date: 2021-09-01T13:31:56Z; pdf:charsPerPage: 2091; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-01T13:31:56Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10803.720039/2011-16 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401-005.754 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2021 Recorrentes EDR 3 COMUNICACAO TOTAL LTDA (RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS: DAGOBERTO TENAGLIA JUNIOR, EVANDRO LUIZ SILVA AMIDANI, ROSE MARY DE PAULA E MANOEL MARTINS DE SOUZA). FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 SIGILO BANCÁRIO. RMF. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido da constitucionalidade da norma veiculada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, nos termos regulados pelo Decreto nº 3.724/2001. Na espécie, a hipótese de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF tem suporte no artigo 3º, VII, do Decreto nº 3.724/2001 c/c artigo 33, I, da Lei nº 9.430/96. PRESUNÇÃO. VERDADE MATERIAL. COMPATIBILIDADE. A utilização de presunções legais é compatível com o princípio da verdade material, desde que sejam presunções relativas e, portanto, seja dada oportunidade ao sujeito passivo de comprovar, no caso concreto, a inocorrência do fato jurídico tributário. DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º DO CTN. Aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS aplicam-se a sistemática do lançamento por homologação. Portanto, somente em duas hipóteses não incidiria o disposto no artigo 150, § 4º do CTN, que determina que o termo inicial do prazo decadencial seja fixado na data da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) inexistência de pagamentos a serem homologados; e (ii) ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. SÚMULA CARF Nº 02. Desborda da competência dos julgadores administrativos deixar de aplicar norma legal por alegações de inconstitucionalidade, conforme previsão da Súmula CARF nº 02. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 39 /2 01 1- 16 Fl. 11466DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Aplicam-se aos indébitos tributários os juros moratórios calculados à taxa Selic, conforme disposição da Súmula CARF nº 04. RESPONSABILIDADE. ARTIGOS 134, VII, E 135, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE. Não se aplica ao caso vertente a responsabilidade de que cuida o artigo 134, VII do CTN, uma vez não se tratar de liquidação de sociedade de pessoas e não haver provas da impossibilidade do cumprimento da obrigação tributária por parte da contribuinte. Também não se aplica o disposto no artigo 135, I, do mesmo diploma legal por não haver sido configurada a atuação com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 ELEMENTOS PROBATÓRIOS JUNTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. APREENSÃO POR ORDEM JUDICIAL. FORÇA MAIOR. Na espécie, a recorrente demonstrou que os elementos de prova haviam sido apreendidos pelo Ministério Público e que não estavam disponíveis no momento da impugnação. Assim, incide a hipótese de exceção à regra geral de preclusão veiculada pelo artigo 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72. Os elementos probatórios juntados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário devem ser conhecidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. DOCUMENTOS JUNTADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Tendo a contribuinte comprovado que parte dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias configuravam, na verdade, recursos de terceiros que não se incorporaram ao seu patrimônio, é de se acolher parcialmente o recurso voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. No caso, não houve bis in idem no lançamento de ofício porque a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização por meio dos créditos bancários não escriturados tivessem origem em receitas escrituradas e declaradas. Ademais, a fiscalização teve o cuidado de excluir todas as receitas para as quais houvesse identificado a origem a partir da circularização feita junto aos clientes da fiscalizada e subtraiu do lançamento os valores de tributos declarados espontaneamente. REGIME DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO. No regime de caixa, incumbe à contribuinte comprovar que o valor da nota fiscal foi efetivamente recebido em período distinto daquele em que foi emitida Fl. 11467DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 a nota fiscal. Descabe afastar o lançamento somente com fulcro em alegações genéricas, sem quaisquer elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, afastar as preliminares de nulidade dos autos de infração, conhecer dos elementos probatórios juntados após o julgamento de primeira instância, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência nos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL dos dois primeiros trimestres de 2006 e de PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a julho de 2006 e, no mérito, ajustar os valores de omissão de receitas, excluindo da base de cálculo o valor de R$22.132.501,40, conforme fundamentado no voto, e afastar o vínculo de responsabilidade solidária de Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani, Rose Mary de Paula. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de lançamento de ofício de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) decorrentes do arbitramento dos lucros da fiscalizada do ano-calendário 2006. As bases de cálculo dos tributos apurados de ofício foram determinadas pela autoridade fiscal com esteio no somatório das receitas conhecidas (declaradas) e das receitas omitidas. As receitas omitidas correspondem às notas fiscais não escrituradas/declaradas e aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. A fiscalização atribuiu vínculo de responsabilidade aos coobrigados Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz da Silva Amidani, Rose Mary de Paula e Manoel Martins de Souza. Fl. 11468DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 De pronto, é preciso destacar que constam nos autos duas decisões de primeira instância. O Acórdão nº 16-79.980, de 20/09/2017, exarado pela 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ), revisou e complementou o Acórdão nº 16-36.549, de 08 de março de 2012, de lavra da 2ª Turma da DRJ/SP1. Tal revisão foi determinada pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF por meio da Resolução nº 1402-000.416 em função de omissão, na primeira decisão da instância de piso, acerca da impugnação da responsabilização dos coobrigados Dagoberto Tenaglia Junior e Evandro Luiz Silva Amidani. Sanada a omissão e exarada nova decisão da instância a quo, restou assim ementado o acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir de 1997, caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente notificado não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração dos valores auferidos bem como a ausência da comprovação de sua natureza caracteriza omissão de receitas e o montante omitido será considerado para o cálculo dos tributos devidos de acordo com a legislação de regência. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A contribuinte que não integrou o quadro societária da empresa bem como não exerceu qualquer ato de gestão ou administração não pode ser enquadrado na situação prevista de responsabilidade solidária nos termos da legislação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, a decisão da instância de piso manteve integralmente o crédito tributário lançado e apenas afastou a responsabilidade tributária solidária de Manoel Martins de Souza, CPF nº 252.794.403-53. Fl. 11469DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Reproduzo abaixo excerto do relatório que compõe o acórdão a quo, que bem narra as infrações apuradas pela autoridade fiscal, bem como as alegações lançadas nas impugnações: Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 22/08/2011, o Auto de Infração de fls. 03/41, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 8.039.520,12), de PIS (R$ 537.162,01), de COFINS (R$ 4.787.819,96) e de CSLL (R$ 2.369.121,62), incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/07/2011. Fundamento legal: 1) IRPJ – fls.05, 07, 08; 2) PIS – fls.25 e 27; 3) COFINS – fls.35/36 e 4) CSLL – fls.18. [...] O Termo de Verificação fiscal (fls.9.052/9.061) constatou os seguintes fatos e infrações: DOS FATOS: -se sobre a incompatibilidade entre os créditos em contas mantidas junto a instituições financeiras e a receita informada em DIPJ como base de cálculo do lucro presumido"; -se a peticionaria "comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados na realização dos créditos, relacionados no denominado 'Extrato de crédito - A examinar/comprovar', em contas mantidas junto a instituições financeiras"; tomaram serviços, junto aa contribuinte, nos anos-calendário de 2005 e 2006; operações; excluídos os créditos em contas bancárias cuja origem dos recursos foram justificadas; Movimentação Financeira (RMF), dando origem às Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira números 08.1.90.00-2010-00889-5 e 08.1.90.00-2010-00888- 7, encaminhadas ao Banco Bradesco e ao Banco do Brasil; o correspondem a nova entrada de recursos, bem como daqueles cuja origem dos recursos restou justificada com base nos documentos obtidos junto aos tomadores de serviços ficaram sem comprovação da origem o valor dos créditos relacionados no demonstrativo deste PAF; "DEMONSTRATIVO DA RECEITA TRIBUTÁVEL - AC 2006", onde é demonstrado restar caracterizado a omissão de receitas, na importância de R$ 113.939,60, linha 8 deste anexo, no mês de fevereiro de 2006, onde a contribuinte tendo informado na DIPJ, por receita bruta, a importância de R$ 101.114,73, foi constatado, com base nas notas fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços o montante de R$ 215.054,33; aqueles correspondentes a receita bruta informada pela contribuinte em DIPJ e DACON, linha 2 do Anexo VIII, e daqueles relacionados no anexo II, "DEPÓSITO EM CHEQUE BLOQUEADO, resta caracterizada a omissão de receitas, por presunção legal, Artigo 42 da Lei n- 9.430/96, créditos bancários de origem não comprovada, nas importâncias inseridas na linha 9 do anexo VIII; Fl. 11470DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 -se a imprestabilidade da escrituração inserida no livro caixa, por não conter o registro de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos em que determina o parágrafo único do Artigo 527 do RIR/99 -Decreto nº 3.000/99; constituído o crédito tributário, por Auto de Infração, com base no lucro arbitrado, na forma do Artigo 530, inciso III, alínea "a", do mencionado Decreto n° 3.000/99-RIR/99; -se por base para o arbitramento do lucro a receita bruta informada pela contribuinte em DIPJ e DACON, a receita omitida no mês de fevereiro de 2006, apurada com base em notas fiscais obtidas junto aos tomadores de serviços e, por último, os créditos bancários cuja origem dos recursos restou injustificada, tudo nos valores demonstrados no denominado Anexo VIII; Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, foram deduzidos os valores informados devidos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. DAS INFRAÇÕES: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS-LUCRO ARBITRADO: Receita omitida exteriorizada pela diferença entre o valor das notas fiscais obtidas junto aos tomadores de serviços e o montante informado por receita bruta em DIPJ, apresentada sob a forma de lucro presumido sem escrituração suficiente a identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do presente Auto de Infração; ÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA-LUCRO ARBITRADO: Créditos em contas mantidas em instituições financeiras, sem comprovação da origem dos recursos utilizados na sua realização, após regularmente intimado a contribuinte, que apresentou DIPJ sob a forma de lucro presumido, sem escrituração suficiente a identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do presente Auto de Infração; DE SERVIÇOS GERAIS-LUCRO ARBITRADO: Valor da receita bruta informada em DIPJ apresentada na forma do lucro presumido. Lucro arbitrado à falta de escrituração suficiente a identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do presente Auto de Infração. A contribuinte tendo ciência do Auto de Infração (26/08/2011 – fls. 9.063/9.067) e, sentindo-se inconformada, dele recorreu a esta DRJ com as impugnações de fls.9.083/9.119 em 26/09/2011, fls.9.187/9.222 em 23/09/2011 e fls.9.284/9.320 em 27/09/2011 com as alegações resumidas a seguir. 1) IMPUGNAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA EDR 3 COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA autorização judicial; representam lucro, faturamento ou receita. Decorrem de meros repasses de valores de terceiros, realizados por intermédio da Impugnante; Fl. 11471DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 compreendem, portanto, o valor dos prêmios a serem distribuídos e o valor dos serviços prestados, que correspondem a um percentual sobre o valor dos prêmios; prestadora de serviços, "caracterizando-se como meras entradas, pertencentes a terceiros, que transitam momentaneamente pela contabilidade da empresa, sem qualquer efeito patrimonial; verdade real, o ato administrativo (lançamento) não pode ser fruto de dúvida , ou basear-se em presunção; larecer não há nenhum impedimento na Constituição Federal para o controle da constitucionalidade das normas pelas Autoridades Administrativas. Ao contrário, a própria Carta Magna estabelece como competência de todos os Entes Públicos zelar pela sua guarda; receita da Impugnante EDR3 é, além de simplista, ilegal, na medida em que viola o princípio da busca da verdade real, que não pode apresentar os documentos hábeis que se tornaram indisponíveis por ato de apreensão judicial; de cálculo do lucro arbitrado como optante do lucro presumido, a Impugnante EDR3 adotava o regime de caixa. Dessa forma, o raciocínio desenvolvido pelo Agente Fiscal não pode prevalecer, pois, no regime de caixa, não basta a emissão da nota fiscal para tornar tributável a receita, é necessário o efetivo ingresso de recursos, o que não restou demonstrado pelo Agente Fiscal; reconhecimento do caráter confiscatório da penalidade aplicada; em relação à liquidação da sociedade de pessoas (artigo 134, VII) e tampouco terem praticado qualquer infração à lei (artigo 135, III), conforme demonstrado linhas atrás, o sócio Manoel Martins de Sousa não era integrante da sociedade Impugnante à época dos fatos, bem como sequer chegou a realizar qualquer ato de gestão na sociedade o artigo 134, VII, do CTN não se aplica in casu, pois não se trata de sociedade de pessoas e nem em sociedade em fase de liquidação; da responsabilidade pessoal. E exatamente porque a responsabilidade é pessoal é que o crédito tributário deve, necessariamente, resultar de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; 2008, ou seja, quase dois anos após os fatos descritos nesse procedimento fiscal. 2) IMPUGNAÇÃO DA PESSOA FÍSICA ROSE MARY DE PAULA -lo, ao menos que em parte, porquanto não o efetuou no prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador (artigo 150, §4°, do CTN); erifica-se a decadência do direito da Delegacia da Receita Federal promover o lançamento de ofício no tocante aos valores referentes ao período anterior a 22/08/2006 , em razão do decurso do prazo de 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, aplicando-se o artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional; Fl. 11472DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 extratos bancários da Impugnante, são imprestáveis para fundamentar a lavratura do Auto de Infração, uma vez que se revela atentatória às franquias constitucionais e legais da intimidade e preservação do sigilo bancário, não tendo sido oportunizado sequer o exercício do contraditório perfeito e à ampla defesa, em frontal violação ao devido processo legal administrativo; Solidária n° 2, bem como no Auto de Infração, não possui o condão de lhe impingir qualquer responsabilidade pelo pagamento do crédito perseguido; da Receita Federal não logrou em demonstrar que a impugnante tenha agido com excesso de poderes ou em fraude e que o débito fiscal tenha se originado do referido ato. Desta feita, a pretensão fiscal deve ser movido tão somente em face da pessoa jurídica do devedor, perseguindo bens desta para a satisfação do crédito; -se a isso o fato da impugnante ter deixado a sociedade em 15/07/2008, conforme se infere do registro protocolizado na JUCESP (Documento 01). Quando da sua retirada a impugnante transferiu suas cotas aos demais acionistas, o que impossibilita a sua responsabilização. o direcionamento da pretensão fiscal aos sócios depende de prova da sua respectiva participação na dissolução irregular da sociedade, ou prática pessoal de quaisquer outros atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (artigos 134, VII, e 135, III, CTN); ação as pessoas dos sócios e conseqüentemente do embargante, ainda assim o seu ingresso nos autos dependeria do acolhimento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica da empresa devedora, o que inexiste "in casu"; - se impossível; provas do fato gerador dos tributos apurados, tampouco da base de cálculo que os confirmariam ou infirmariam; elecimentos bancários, de modo algum, poderiam subsidiar qualquer ação fiscal, uma vez que a mácula da ilicitude os permeiam, não se revestindo de qualquer força probatória. 2) IMPUGNAÇÃO DA PESSOA FÍSICA MANOEL MARTINS DE SOUZA imento administrativo que deve se pautar pela busca da verdade real, o ato administrativo (lançamento) não pode ser fruto de dúvida , ou basear-se em presunção; responsabilização dos sócios administradores. 3) IMPUGNAÇÃO dos sócios Dagoberto Tenaglia Junior e Evandro Luiz Silva Amidani: sociedade de pessoas são responsáveis apenas até o limite do capital subscrito. Portanto, o art.134, VII, do CTN não se aplica ao presente caso. O art.135 do CTN não pode ser aplicado aos presentes sócios, pois faz menção da responsabilidade pessoal por infração a Lei, o que não ocorreu nos presentes autos. Fl. 11473DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Inconformados com a decisão da instância a quo, a contribuinte EDR3 e os coobrigados Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani e Rose Mary de Paula interpuseram os respectivos recursos voluntários, que podem ser sintetizados da seguinte forma: 1) Recurso voluntário da contribuinte EDR 3 COMUNICAÇÃO TOTAL: Preambularmente, é de se destacar que a contribuinte apresentou seu recurso voluntário original em 05 de setembro de 2012, após ter sido intimada do Acórdão nº 16-36.549. Conforme narrado anteriormente neste relatório, a DRJ/São Paulo saneou omissão da primeira decisão e proferiu o Acórdão nº 16-79.980. Em face desta nova decisão, a contribuinte apresentou novo recurso voluntário. Anexos ao recurso original, foram apresentados as planilhas e os documentos acostados às folhas 9.587 a 11.069. No relato abaixo, estão condensadas as matérias e os argumentos contidos nos dois instrumentos. Nulidade: Preliminarmente, a contribuinte alegou a nulidade do auto de infração com fulcro no argumento de que as provas utilizadas no lançamento tributário seriam ilícitas uma vez que teria havido quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Neste aspecto, a contribuinte lança dois argumentos: (i) conflita com a ordem constitucional, especialmente com o disposto nos artigos 5º, incisos X, XII e LVI, e 145, § 1º, ambos da Constituição Federal, a obtenção por parte da Administração Tributária de informações sob o manto do sigilo bancário diretamente das instituições tributárias com fundamento no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001; e (ii) teria havido inobservância dos procedimentos legais para a expedição da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira - RMF. Verdade material: argumenta a contribuinte que o procedimento fiscal deveria buscar a verdade material e não uma verdade formal. Neste sentido, não poderia o lançamento tributário basear-se em presunções ou ser fruto de dúvida. Nesta esteira, argumenta que haveria um aparente conflito entre a norma jurídica veiculada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e o disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal e que a Administração Tributária teria o dever de realizar o controle de constitucionalidade. Em sua palavras: "não poderia lei ordinária definir o que é receita tributável, especialmente com base em presunção". Ademais, em face da inconstitucionalidade da norma legal combatida, a fiscalização teria o dever de buscar as provas para concluir pela existência de receita tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional e do artigo 29 da Lei nº 9.784/1999. Justa causa para a não apresentação das notas fiscais: esta matéria é conexa com as anteriores, pois a contribuinte alega que não pode apresentar à fiscalização as notas fiscais que se prestariam a comprovar a origem dos recursos depositados em conta corrente uma vez que teriam sido objeto de apreensão judicial. Diante desse fato, a contribuinte não poderia ser penalizada pela não apresentação de documentos que não se encontravam disponíveis. Não havendo como a contribuinte apresentar os documentos fiscais, incumbiria à fiscalização, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desincumbir-se do dever se provar a existência da receita tributável. Fl. 11474DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Repasse de valores de terceiros que não caracteriza receita omitida: inicialmente, informa a contribuinte que realiza prestação de serviços de marketing de incentivo, marketing promocional, marketing direto e merchandising. Explicita que em linhas gerais, a Recorrente é contratada para desenvolver campanhas internas, com empregados, prestadores de serviços ou vendedores, estabelecendo prêmios para aqueles que atingem as metas previamente propostas [...] Implantadas as campanhas, a Recorrente recebe a indicação dos premiados e dos valores dos prêmios, que são disponibilizados por meio de um cartão eletrônico magnético (à época denominado Cartão BB). Cada premiado, com uso do cartão magnético, usufrui deste prêmio livremente no comércio em geral. Em função da atividade descrita, alega que os créditos efetuados nas contas bancárias de titularidade da contribuinte compreendem, portanto, o valor dos prêmios a serem distribuídos e o valor dos serviços prestados, que correspondem a um percentual sobre o valor dos prêmios. Assim, segundo a alegação da recorrente, grande parte dos valores que transitaram por suas contas bancárias consistiriam em meros repasses de recursos de terceiros, que não configurariam receitas para fins de apuração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Não caracterização da omissão de receitas, tendo em vista a identificação de notas fiscais e depósitos em cheque que comprovariam a origem de créditos bancários e a comprovação de pagamentos efetuados: a contribuinte reitera que transitam por sua conta bancária valores tributáveis e não tributáveis (valores de terceiros). Acerca da dificuldade de comprovar a origem dos recursos e o mero repasse de valores de terceiros, alega que a falta de coincidência de datas e valores entre notas fiscais e créditos bancários pode decorrer de diversas circunstâncias. Para dar suporte a esta matéria, a contribuinte juntou as planilhas e documentos de folhas 9.587 a 11.069. Segundo seus argumentos, os elementos demonstrariam a inocorrência da omissão de receitas baseada na movimentação financeira sem comprovação de origem, em pagamentos não comprovados e em créditos e depósitos em cheque bloqueados. Traz os exemplos a seguir. . Embora a nota fiscal tenha sido emitida em determinada data, os créditos seriam realizados pelo cliente à medida que os prêmios eram distribuídos nos cartões dos beneficiários: . O cliente da recorrente faria adiantamento de valores antes da emissão da nota fiscal: Fl. 11475DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 . O cliente faria o depósito do pagamento do serviço num determinado momento e o depósito do valor do prêmio em outro: . O cliente faria depósitos de valores complementares às notas fiscais: . Haveria, também, estornos de valores de prêmios não utilizados pelos beneficiários, que seriam creditados na conta da contribuinte: . Haveria, por fim, cheques bloqueados que foram indicados pela fiscalização como não localizados, que teriam liberação com data posterior, motivo pelo qual a fiscalização não teria logrado identificar. Fl. 11476DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Bis in idem e regime de caixa: a contribuinte alega que o lançamento incorre em bis in idem, ou seja, que teria tributado valores em duplicidade, ao utilizar como base de cálculo do lucro arbitrado (IRPJ e CSLL) e das contribuições cumulativas reflexas (PIS e COFINS) a soma dos seguintes valores: (i) declarados em DIPJ e DCTF, (ii) notas fiscais emitidas em fevereiro de 2006 e (iii) créditos bancários cujas origens não teriam sido comprovadas. Ademais, alega que, como adota o regime de caixa, não bastaria a comprovação da emissão das notas fiscais, mas, também, o efetivo ingresso dos recursos, desta forma, "a mera divergência entre o valor total das notas fiscais emitidas no mês de fevereiro e os valores declarados em DIPJ e DACON não são suficientes para caracterizar a omissão de receita tributável". Decadência: a contribuinte alega que, considerando que tomou ciência dos autos de infração em 26 de agosto de 2011, teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda de constituir de ofício os créditos tributários relativos aos dois primeiros trimestres de 2006 (IRPJ e CSLL) e aos meses de janeiro a julho de 2006 (PIS e COFINS). Alega, em síntese, que, na espécie, seria aplicável o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que teria realizado pagamentos antecipados de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e que não lhe teriam sido imputadas condutas dolosas. Caráter confiscatório da multa de ofício: segundo a contribuinte, a multa de ofício (75%) ofenderia o disposto no artigo 150, IV, da Constituição Federal por ter caráter confiscatório. 2) Recurso voluntário dos responsáveis solidários Evandro Luiz Silva Amidani e Dagoberto Tenaglia Junior: Da mesma forma que a contribuinte, os coobrigados Evandro Luiz Silva Amidani e Dagoberto Tenaglia Júnior apresentaram recursos voluntários em face da primeira decisão de piso e voltaram a se manifestar após o Acórdão nº 16-79.980. Os argumentos dos recursos versam basicamente sobre o vínculo de responsabilidade e podem ser sintetizados da seguinte forma. A fiscalização atribuiu aos coobrigados responsabilidade tributária solidária com fulcro na aplicação combinada dos artigos 134, VII, e 135, III, ambos do CTN. Contudo, alegam os coobrigados Evandro Luiz Silva Amidani e Dagoberto Tenaglia Júnior que (i) além de não ter sido demonstrada a impossibilidade de cumprimento da obrigação principal pela sociedade de pessoas, os sócios não agiram de forma comissiva ou omissiva em relação à liquidação de pessoas (artigo 134, VII) e (ii) tampouco praticaram qualquer infração à lei (artigo 135, III). Segundo suas alegações, a responsabilidade dos sócios com fundamento no artigo 134, VII, do CTN exigiria a comprovação da impossibilidade de cumprimento da obrigação principal pela sociedade de pessoas e a sociedade estar em fase de liquidação. Na espécie, tratar- se-ia de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, na qual o sócio responde tão somente até o limite do capital subscrito. Argumenta que a sociedade não estaria em fase de liquidação e, também, que não haveria demonstração de que a sociedade estivesse impossibilitada de adimplir a obrigação tributária ora combatida. Fl. 11477DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Em relação à aplicação do artigo 135, III, do CTN, alegam que o simples não recolhimento ou recolhimento a menor não constitui hipótese de infração à lei que justifique a responsabilidade tributária solidária de que cuida o dispositivo. Neste sentido, destacam que a autoridade lançadora não invocou a ocorrência de fraude e que não houve a qualificação da multa. Ademais, repisam o argumento da contribuinte de que não teria ocorrido omissão de receitas tributáveis. Conforme a alegação dos recorrentes, incumbiria à fiscalização a prova dos fatos constitutivos do direito da Fazenda, nos termos do artigo 373 do Código de Processo Civil. Ao final, o pedido da contribuinte e dos coobrigados Evandro Luiz Silva Amidani e Dagoberto Tenaglia Júnior é o conhecimento do recurso e seu provimento para julgar insubsistentes os autos de infração. 3) Recurso voluntário da responsável solidária ROSE MARY DE PAULA: Inicialmente, é oportuno ressaltar que o recurso voluntário da coobrigada Rose Mary de Paula foi apresentado em face do acórdão nº 16-36.549. Mesmo tendo sido intimada em 06/10/2017 do acórdão nº 16-79.980, que saneou omissão do anterior, não voltou a se manifestar. Suas alegações podem ser resumidas da seguinte forma. Decadência: alega a coobrigada que seria mensal a tributação da receita omitida apurada com base em créditos bancários sem comprovação da origem. Alega, também, que na espécie, deveria ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, uma vez que a contribuinte teria efetuado pagamentos antecipados dos tributos e que não teria ocorrido a imputação de condutas dolosas por parte da autoridade lançadora. Merece destaque um ponto desta matéria: inicialmente, a contribuinte alega que "tomou ciência do auto de infração em 18/04/2012" mas, no final deste tópico, afirmou que a autuação ocorreu "apenas em 26/08/2011". Não obstante a discrepância de datas, pugna pelo reconhecimento de que todos os períodos mensais teriam sido alcançados pela decadência. Falta de comprovação da responsabilidade do sócio: segundo a recorrente, não se aplicaria ao caso concreto o disposto no artigo 134, VII, do CTN uma vez que não se trata de sociedade de pessoas. Ademais, a Autoridade Lançadora não teria logrado demonstrar a atuação da recorrente com excesso de poderes ou em fraude e que o débito teria se originado do referido ato. O mero inadimplemento de tributo não configuraria a responsabilidade do artigo 135 do CTN. Afinal, não caberia à recorrente fazer prova negativa de que teria agido em desacordo com a lei e/ou contrato social. Adiciona que sua retirada da sociedade em 15/07/2008, com a transferência de suas quotas para os demais sócios, impediria a sua responsabilização. Nesta esteira, arremata que o artigo 1.003, parágrafo único, do Código Civil limita temporalmente a imputação de responsabilidade do sócio retirante ao prazo de 02 anos após sua saída. Desconsideração da personalidade jurídica da empresa devedora: argumenta a recorrente que, mesmo que fosse verificada a hipótese de redirecionamento da cobrança da contribuinte para a devedora solidária, tal feito dependeria de acolhimento de pedido de desconsideração de personalidade jurídica da empresa devedora, o que inexistiria in casu. Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária: alega a recorrente que o Termo de Sujeição Passiva Solidária é nulo porque a identificação de responsável solidário seria Fl. 11478DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no exercício de sua competência de promover a execução fiscal. Como a responsabilidade seria subsidiária, apenas no caso de inadimplemento da contribuinte é que eventuais responsáveis poderiam ser chamados, pela PFN, para responder pelo crédito tributário. Tratar-se-ia de matéria de ordem pública que poderia ser conhecida de ofício, mesmo não tendo sido submetida à apreciação do julgamento de primeira instância. Argui, também, a nulidade com fulcro na doutrina que interpreta a responsabilidade de que trata o artigo 135 do CTN como responsabilidade exclusiva, em substituição à contribuinte. Não seria o caso, portanto, de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124 do CTN. Aduz, por fim, que o Termo é eivado de nulidade por não indicar o direito de recorrer, pagar ou parcelar. Utilização irregular de provas - quebra de sigilo bancário: a recorrente repisa os argumentos anteriormente citados que dizem respeito à (in)constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Multa manifestamente confiscatória: no mesmo diapasão dos argumentos anteriormente citados, a recorrente alega a inconstitucionalidade da multa de ofício (75%) por se configurar confiscatória. Juros moratórios: alega a recorrente que seria inconstitucional a utilização da Taxa Referencial Selic, instituída pelo artigo 13 da Lei nº 9.065/95, para cálculo de juros de mora no caso de inadimplemento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Prevaleceria, nesta situação, a taxa prevista no artigo 161, § 1º, do CTN, ou seja, 1% ao mês. Ao final, a recorrente pede que o recurso seja conhecido e provido para que seja cancelado o auto de infração, no mérito seja afastada a responsabilidade e anulado o Termo de Responsabilidade Solidária e extinto o crédito tributário, na forma da fundamentação. Vale destacar que, ao ingressar nesta segunda instância administrativa, o processo foi sobrestado conforme Resolução nº 1102-000.129 da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em decisão proferida em 05/12/2012, com fulcro no artigo 62-A do Anexo II do RICARF e no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. O processo voltou a tramitar somente em 16/07/2014. Conforme citado no início deste relatório, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 14/02/2017, resolveu devolver os autos à DRJ para complementação da primeira decisão de piso. Antes de ser distribuído para esta Turma Ordinária, houve duas devoluções por impedimento de conselheiros relatores. Na primeira oportunidade para julgamento da lide, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 1401-000.626, de 24/01/2019 para que a autoridade administrativa pudesse examinar e se manifestar acerca dos elementos probatórios juntados pela contribuinte no recurso voluntário (fls. 9.687 a 11.069). A diligência foi determinada nos seguintes termos: Diante do contexto, voto por converter o presente julgamento em diligência para encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a Autoridade Administrativa: (i) verifique, se possível, se os documentos fiscais foram objeto de apreensão judicial e se estavam indisponíveis para a contribuinte no período da fiscalização e durante o Fl. 11479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 prazo de impugnação; (ii) verifique, se possível, se, no processo judicial mencionado acima, houve decisão acerca da idoneidade dos documentos apresentados; (iii) intime a contribuinte a apresentar contratos, relatórios e outros elementos que entender necessários para verificar se os extratos de notas fiscais, os Recibos Provisórios de Serviços e as Notas Fiscais Eletrônicas são hábeis e idôneos para comprovar a origem dos recursos dos créditos bancários que fundamentaram o lançamento por omissão de receitas. Neste tópico, especial atenção deve ser dada aos clientes INGRESSO COM S/A, CNPJ nº 00.860.640/000171, DIAGEO DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 62.166.848/000142 e ABA MOTORS COML IMP PEÇAS SERVIÇOS, CNPJ nº 01.294.425/000113, de forma a verificar se estes efetivamente tomaram os serviços em 2006; (iv) coteje os valores não tributáveis escriturados nos extratos de notas fiscais com contratos, relatórios, extratos bancários e outros elementos que entender necessários para verificar se efetivamente se trata de valores de terceiros, que tenham sido aplicados nas premiações alegadas pela contribuinte e não tenham passado a integrar seu patrimônio; (v) se for o caso, emita relatório detalhando os valores cuja origem tenha sido eventualmente comprovada pelos documentos apresentados pela contribuinte, segregando os valores tributáveis e não tributáveis e destacando os montantes de receitas omitidas que permaneçam hígidos; (vi) intime a contribuinte a se manifestar acerca das conclusões da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, conforme o disposto no art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. A diligência poderá ser realizada por amostragem, a critério da Autoridade Administrativa. A autoridade diligenciadora inicialmente, a partir dos elementos de prova juntados aos autos, elaborou quadro de valores comprovados e não comprovados e intimou a contribuinte a se manifestar sobre suas constatações, bem como sobre os itens da Resolução desta Turma. A contribuinte juntou elementos de prova acerca da apreensão de documentos e limitou-se a mencionar que os demais elementos de prova sobre a comprovação dos valores encontravam-se acostados ao processo nº 10803.720039/2011-16. Após a manifestação da recorrente, a autoridade administrativa elaborou relatório consolidando os valores considerados comprovados e não comprovados e refazendo a apuração das bases de cálculo dos tributos lançados de ofício. Reproduzo parte de suas conclusões: Entendo, s.m.j., que, considerados os procedimentos adotados na ação fiscal, na análise da justificativa da origem dos créditos em contas bancárias, se apresentados, oportunamente, teria sido adotado aos documentos que instruem o recurso os mesmos procedimentos adotados durante a ação fiscal. Isto, diante da semelhança entre os documentos ora apresentados e aqueles obtidos junto aos tomadores de serviços durante a fiscalização e de não se constatar indícios que poderiam culminar com a não validação dos mesmos. Tal qual demonstrado no documento que acompanhou o Termo de Diligência e de Intimação de 25 de junho de 2019, fls. 11300 a 11303, denominado “VALORES COINCIDENTES”, fls. 11305 a 11325, onde estão demonstrados as datas e valores dos créditos em conta bancária, as folhas do processo onde se encontram os documentos apresentados com o recurso, seu número, data e valores identificados por “NÃO TRIBUTADO” e “TRIBUTADO”, totalizados por mês, aqueles não integrantes e estes Fl. 11480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 integrantes do patrimônio do sujeito passivo, referidos créditos teriam sido considerados de origem justificada e não se constituiriam em omissão de receitas no procedimento fiscal, como “CRED BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS(1)” nos montantes inseridos no demonstrativo de fls. 120. Por outro lado, os valores denominados “TRIBUTADOS”, indicados naqueles documentos de fls. 11305 a 11325, teriam sido, durante a ação fiscal, adicionados àqueles indicados no mesmo documento fls. 120 por “R.B. COMPROVADA – ANEXO VII (2)” e comparados a “RECEITA BRUTA DIPJ”, para determinação da “R.B. COMPROVADA OMITIDA”. Na constituição do crédito tributário teriam sido consideradas tributadas as importâncias abaixo, conforme demonstrativo anexo, denominado “ANEXO IX RECONSTITUÍDO”: De todo o exposto, o crédito tributário, quando da sua constituição se limitaria, com base na receita bruta acima, aos valores abaixo demonstrados, podendo, s.m.j. e a critério do I. Relator da Resolução nº 1401-000.676, da 1ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do E. Conselho Administrativo de Cursos Fiscais, considerar justificada a origem dos créditos em contas bancárias relacionados às fls. 11305 a 11325: Após a diligência, os autos retornaram para julgamento. Era o que tínhamos a relatar. Fl. 11481DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Conhecimento Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos legais. Assim, deles tomo conhecimento. Quanto ao recurso de ofício, apesar deste não estar consignado na decisão de piso, tenho que deve ser conhecido pela autoridade julgadora de segunda instância, pois decorre diretamente de previsão legal, como se observa no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (grifei) Penso ser descabido, em função do princípio da eficiência, que rege toda a Administração Pública, bem como do princípio da formalidade moderada, que rege o processo administrativo fiscal, ter que encaminhar os presentes autos para a autoridade julgadora de primeira instância para que esta possa observar a formalidade de consignar o recurso de ofício em sua decisão. Considerando que o valor do crédito tributário supera o limite de R$ 2.500.000,00 estabelecido na Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, e que houve a exoneração em relação a um dos corresponsáveis, considero ocorrida a hipótese de recurso de ofício e dele tomo conhecimento. Delineamento da questão controvertida. Antes de adentrar no exame das causas de pedir e dos pedidos da contribuinte e dos coobrigados nos respectivos recursos voluntários, bem como das rationes decidendi do acórdão a quo e do recurso de ofício, vale sintetizar a essência do procedimento fiscal e do lançamento. No mérito, não se trata de matéria de alta complexidade, que pode ser exposta em três passos, a saber: (i) Sendo a contribuinte optante pelo regime do Lucro Presumido, tem o dever jurídico de manter escrituração contábil ou Livro Caixa que contenha toda a movimentação Fl. 11482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 financeira. A fiscalização demonstrou que o Livro Caixa apresentado não continha toda a movimentação bancária. Sendo imprestável o Livro Caixa para o Lucro Presumido, restaria à contribuinte apresentar a Contabilidade, na forma da legislação de regência. Não tendo a contribuinte apresentado a Contabilidade, impossível a apuração conforme a opção pelo Lucro Presumido ou a aplicação da regra geral, o Lucro Real. Assim, a fiscalização apurou o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Arbitrado. (ii) O arbitramento tomou como base as receitas conhecidas e omitidas. Assim, para a apuração das bases de cálculo de cada período, foram somadas as receitas declaradas (conhecidas), as receitas omitidas apuradas diretamente por meio das notas fiscais obtidas nas circularizações realizadas junto a terceiros (somente no mês de fevereiro) e as receitas omitidas apuradas por presunção legal, por meio dos créditos bancários sem origem comprovada. (iii) para evitar o bis in idem, a fiscalização tomou dois cuidados, a saber: (iii.a) cotejou mensalmente as notas fiscais com as receitas declaradas e lançou apenas o mês de fevereiro, em que a soma de notas fiscais superou a receita declarada. Realizou, também, um amplo trabalho de verificação das origens dos recursos dos créditos bancários, especialmente com base nas notas fiscais obtidas nas diligências junto a terceiros. (iii.b) Em relação à apuração dos créditos tributários, efetuou os ajustes necessários ao compensar nos autos de infração os montantes declarados espontaneamente pela contribuinte. Apreciação das matérias dos recursos voluntários e de ofício. Recursos voluntários. Serão apreciadas em conjunto as matérias contidas nos recursos voluntários, conforme síntese feita no relatório acima. Nulidade do lançamento devido à utilização de provas ilícitas. A questão inicial dessa matéria é a alegação de quebra de sigilo bancário ao arrepio da ordem constitucional. Os recorrentes alegam que é inconstitucional o dispositivo do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que prevê o acesso da Administração Tributária aos dados de movimentação financeira diretamente junto às instituições financeiras, independentemente de decisão judicial, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente. É cediço que descabe o exame de constitucionalidade de normas legais por parte deste Conselho. É neste sentido a determinação da Súmula CARF nº 2, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, seria vedado ao CARF deixar de aplicar norma legal por alegação de inconstitucionalidade. Fl. 11483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Todavia, impende destacar que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou em definitivo sobre a constitucionalidade da norma em comento ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.859/DF, que restou assim ementada, na parte que interessa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO CONJUNTO DAS ADI Nº 2.390, 2.386, 2.397 E 2.859. NORMAS FEDERAIS RELATIVAS AO SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DECRETO Nº 4.545/2002. EXAURIMENTO DA EFICÁCIA. PERDA PARCIAL DO OBJETO DA AÇÃO DIRETA Nº 2.859. EXPRESSÃO “DO INQUÉRITO OU”, CONSTANTE NO § 4º DO ART. 1º, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. ACESSO AO SIGILO BANCÁRIO NOS AUTOS DO INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. ART. 5º E 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E SEUS DECRETOS REGULAMENTADORES. AUSÊNCIA DE QUEBRA DE SIGILO E DE OFENSA A DIREITO FUNDAMENTAL. CONFLUÊNCIA ENTRE OS DEVERES DA CONTRIBUINTE (O DEVER FUNDAMENTAL DE PAGAR TRIBUTOS) E OS DEVERES DO FISCO (O DEVER DE BEM TRIBUTAR E FISCALIZAR). COMPROMISSOS INTERNACIONAIS ASSUMIDOS PELO BRASIL EM MATÉRIA DE COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. ART. 1º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 104/2001. AUSÊNCIA DE QUEBRA DE SIGILO. ART. 3º, § 3º, DA LC 105/2001. INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS À DEFESA JUDICIAL DA ATUAÇÃO DO FISCO. CONSTITUCIONALIDADE DOS PRECEITOS IMPUGNADOS. ADI Nº 2.859. AÇÃO QUE SE CONHECE EM PARTE E, NA PARTE CONHECIDA, É JULGADA IMPROCEDENTE. ADI Nº 2.390, 2.386, 2.397. AÇÕES CONHECIDAS E JULGADAS IMPROCEDENTES. [...] 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. [...] 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias Fl. 11484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 processuais da contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários.- grifei. Não há, portanto, segundo o Supremo Tribunal Federal, inconstitucionalidade na norma legal que deu suporte ao procedimento fiscal. Nesta matéria, lança a contribuinte um segundo argumento: não seria imprescindível para o procedimento fiscal a obtenção das informações de movimentação financeira diretamente junto às instituições financeiras por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF. Também não lhe assiste razão. As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da LC 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no seu art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Ademais, impende destacar que a decisão do STF acima mencionada ressalta a importância dos termos em que o acesso às informações sob sigilo bancário foi regulamentado no Decreto nº 3.724/2001. Tanto é assim que, para serem consideradas constitucionais, eventuais normas estaduais e municipais devem trazer regulamentações análogas. É que, considerando o disposto no artigo 3º, VII, do Decreto nº 3.724/2001 c/c art. 33, I, da Lei nº 9.430/96, a contribuinte, ao ser intimada a fornecer os seus extratos bancários e deixar injustificadamente de apresentá-los, deu fundamento à fiscalização para a emissão de RMF diretamente à instituição financeira. Na espécie, era flagrante a indispensabilidade da obtenção das informações de movimentação financeira, tendo em vista a quantidade e os valores que deixaram de ser registrados na escrituração do Livro Caixa. Nesta matéria, de nulidade dos autos de infração por ilicitude das provas relativas à movimentação financeira obtidas diretamente das instituições financeiras por meio de RMF, voto por negar provimento. Nulidade por infração ao Princípio da Verdade Material. Nessa alegação, defende a contribuinte que não poderia a fiscalização limitar-se à verdade formal, aplicando uma presunção que, segundo a sua argumentação, seria inconstitucional, restando à Autoridade Lançadora o dever de buscar as provas da efetiva ocorrência da receita omitida. Para arrematar, argumenta a contribuinte que havia uma justa causa para a não apresentação das notas fiscais que poderiam comprovar a origem dos créditos bancários questionados. Novamente, sob o argumento de que não poderia ser prejudicada pelo fato de ter sofrido uma apreensão judicial de documentos, aduz que a fiscalização deveria se desincumbir do dever de buscar as provas. Não há como acolher os argumentos da contribuinte. Fl. 11485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 À partida impende relembrar, nos termos anteriormente citados, que este Conselho não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de leis. Portanto, descabe qualquer consideração acerca da constitucionalidade da norma jurídica veiculada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que prevê a hipótese de presunção legal de omissão de receitas quando houver créditos bancários cuja origem o sujeito passivo, regularmente intimado, deixe de comprovar a origem dos respectivos recursos. Trata-se de presunção relativa e incumbe à fiscalização (i) comprovar o fato presuntivo, ou seja, a existência de depósitos bancários para os quais os documentos disponíveis não comprovem a origem dos recursos e (ii) intimar o sujeito passivo a comprovar a origem dos recursos. A intimação para comprovar as origens dos recursos não deve ser genérica e deve identificar de forma específica cada lançamento questionado. Diante da presunção legal e cumpridos os requisitos por parte da fiscalização, incumbe à contribuinte a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da não ocorrência do fato presumido no caso concreto. No caso sob análise, foram cumpridas as exigências legais para incidência da hipótese de presunção da ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Em 17/02/2010, (doc. fls. 1411 a 1414) fiscalização demonstrou, a partir dos extratos bancários obtidos por meio de RMF, que um grande número de lançamentos a crédito não estava registrado no Livro Caixa e intimou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos dos lançamentos bancários relacionados em planilha que os identifica perfeitamente. Ademais, a fiscalização não se limitou aos elementos de prova apresentados pela contribuinte e realizou ampla circularização de informações junto aos clientes (tomadores de serviço), de forma a buscar o máximo possível levantar de ofício informações que pudessem comprovar a origem dos citados créditos bancários. As presunções legais relativas em matéria tributária não são incompatíveis com o Princípio da Verdade Material que rege o processo administrativo tributário. As presunções relativas podem ser interpretadas de duas formas, a saber, como meios de prova ou como mecanismos processuais que invertem o ônus da prova. Particularmente, adoto o entendimento de que as presunções nada mais são que meios de prova de fatos que não precisam ou não podem ser provados diretamente. No caso dos créditos bancários sem comprovação de origem, a lei determina uma forma própria de comprovação da ocorrência da omissão de receitas: uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não logre comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem de determinados créditos bancários, está provada a omissão de receitas. Não obstante a controvérsia doutrinária, a jurisprudência desta Turma é firme no sentido da aplicação das presunções legais, inclusive do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, como se pode ver nas seguintes ementas: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Fl. 11486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. (Acórdão nº 1401-002.683, de 13/09/2018, relator Daniel Ribeiro Silva) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. (Acórdão nº 1401-002.958, de 17/10/2018, relator Abel Nunes de Oliveira Neto). A verdade material está atendida na medida em que a contribuinte dispõe de todos os meios de prova admitidos no direito para demonstrar que, no caso em concreto, não ocorreu o fato presumido. Veja-se o caso sob análise: a contribuinte alegou prestar serviços de marketing e que, por força das promoções com a utilização de cartões eletrônicos, transitariam em suas contas valores de terceiros, que não configurariam receitas próprias. Ora, nesses casos, o Livro Caixa, se tivesse sido corretamente preenchido e fosse suportado corretamente pelos respectivos documentos, serviria para identificar individualmente cada operação. Mas, como visto, a contribuinte não cumpriu seu dever jurídico de escrituração e apresentação dos documentos contábeis e fiscais. Mas, mesmo sem o registro na escrituração, seria possível comprovar o alegado. É inerente à prestação de serviço descrita pela contribuinte um controle detalhado dos valores recebidos, dos prêmios distribuídos. Não apenas a contribuinte disporia de notas fiscais e contratos, como de controle financeiro pormenorizado e de relatórios para cada cliente, cada promoção, cada beneficiário. Tais elementos seriam hábeis a demonstrar efetivamente eventuais recursos de terceiros conforme alegado. Nesta matéria, portanto, voto por não acolher as alegações de infração ao Princípio da Verdade Material e de inconstitucionalidade da norma de presunção de omissão de receitas veiculada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Decadência. É oportuno relembrar que os fatos jurídicos tributários sob exame ocorreram no ano-calendário 2006 e que os autos de infração foram lavrados em 22 de agosto de 2011, tendo sido encaminhados por via postal para a contribuinte e para os responsáveis solidários. Não há, nos autos de infração, menção à aplicação do disposto no artigo 173, I, do CTN, que prevê o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento como termo inicial para a fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda de promover o lançamento de ofício. Contudo, ao examinar a matéria, a instância de piso fundou-se, por maioria de votos, nesse dispositivo para decidir pela não incidência da hipótese de decadência. Não acolho a razão de decidir adotada pela DRJ. É cediço que aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS aplicam-se as normas atinentes à sistemática do lançamento por homologação. Fl. 11487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 São duas as hipóteses que afastariam a aplicação do disposto no artigo 150, §4, do CTN: a ausência de pagamento a ser homologado ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Compulsando os autos, vê-se que restou incontroverso que a contribuinte realizou pagamentos parciais dos tributos. Embora se possa ponderar que os pagamentos teriam sido muito inferiores aos valores apurados de ofício, eles têm o condão de atrair a aplicação da sistemática do lançamento por homologação e o início da contagem do prazo decadencial para a data da ocorrência do fato jurídico tributário, exceto se houvesse sido caracterizada a conduta dolosa. Essa é a inteligência da norma veiculada pelo artigo 150, § 4º, do CTN. Acerca da matéria, já me manifestei nos seguintes termos: Uma vez que o sujeito passivo foi obrigado a efetuar o pagamento antecipadamente, sem que a autoridade administrativa procedesse previamente ao exame do fato jurídico tributário, a norma, em atendimento ao princípio da segurança jurídica, estabelece um tempo razoável para que o sujeito ativo exercite o direito de homologá-lo ou não. Conforme a dicção do artigo 150, § 4º, do CTN, o direito do sujeito ativo de homologar o pagamento efetuado pelo sujeito passivo deve ser exercido dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato jurídico tributário. É de se observar que, a partir do momento em que o sujeito ativo toma conhecimento do pagamento antecipado, já tem o direito de proceder ao exame com vistas à sua homologação. Se já pode proceder ao exame, nada mais natural que flua o prazo decadencial correspondente. O prazo decadencial de cinco anos contados da data da ocorrência do fato jurídico tributário é uma exceção à regra geral de decadência prevista no artigo 173, I, do CTN, que tem como termo inicial “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. [...] A decadência do direito de homologar significa, também, a caducidade do direito de efetuar eventual lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de infração à legislação tributária, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. [...] Falta, enfim, tratar da norma atinente à conduta do sujeito passivo, quando há dolo, fraude ou simulação, em atendimento à parte final do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. Trata-se de norma primária sancionadora que tem no antecedente a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada e, no conseqüente, a mutilação completa do antecedente da norma especial de decadência mencionada no item 3.2.3 supra (parte inicial do art. 150, § 4§, CTN). Não se aplica, portanto, a norma que mutilaria parcialmente o antecedente da norma geral de decadência. A norma jurídica do artigo 173, I, do CTN volta a ser aplicada em toda a sua extensão. Dito de outra forma, quando há dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 11488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 É imperioso destacar que a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada não pode ser presumida. Há que ser descrita em linguagem competente e provada pela autoridade administrativa. Não bastassem os direitos fundamentais à presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF/88), ao devido processo legal (art. 5º, LIV, CF/88) e ao contraditório e à ampla defesa dos litigantes (art. 5º, LV, CF/88), o próprio texto do artigo 150, § 4º do CTN exige a comprovação do ato antijurídico que dá azo à mutilação da norma especial de decadência.(NOGUEIRA, Carlos André Soares. Normas jurídicas e decadência no lançamento por homologação. In: Revista da Receita Federal: estudos tributários e aduaneiro. volume 01. número 01. Brasília: agosto/dezembro 2014. Disponível em <http://idg.receita.fazenda.gov.br/publicacoes/revista-da-receita-federal/revista-de- estudos-tributarios-e-aduaneiros-da-receita-federal>). Elementos não faltariam para caracterizar a conduta da contribuinte como dolosa. Afinal, vultosos ingressos de valores em contas bancárias distintas foram reiteradamente omitidos na escrituração do Livro Caixa ao longo dos anos de 2005 e 2006. Veja-se que, no ano de 2006, a movimentação bancária cuja origem não foi comprovada durante o procedimento fiscal, segundo a apuração da Autoridade Lançadora, chegou à casa dos R$ 36 milhões de reais. Apenas para ilustrar, basta ver que, em janeiro de 2006, o Livro Caixa (fls. 660 a 784) registra apenas quatro entradas de recursos no Caixa (dias 06, 10, 13 e 31). As entradas escrituradas somaram apenas R$ 16.134,81. No mesmo período, a movimentação financeira cuja origem foi questionada pela fiscalização somou R$ 2.090.106,91. A reiteração, a grande quantidade de operações e a vultosa proporção dos valores não escriturados levariam à inescapável conclusão de que o Livro Caixa não apenas é imprestável, mas foi fraudado com a omissão da maior parte da movimentação financeira que deveria estar lá registrada. Contudo, não foi essa a caracterização feita pela Autoridade Lançadora, a quem cabe determinar a matéria tributável e realizar o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN. É à Autoridade Lançadora que incumbe o dever de fixar a pretensão da Fazenda ao descrever o fato jurídico, que deve ser retratado a partir das provas colhidas no procedimento de ofício, e constituir o crédito tributário. Neste sentido, é oportuno mencionar a lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão) é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (Michels, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) Assim, não havendo sido caracterizada, no momento oportuno, pela pessoa competente, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se ao caso concreto o disposto na parte inicial do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, a contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da data da ocorrência do fato jurídico tributário. Fl. 11489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 No caso do IRPJ e da CSLL, que foram determinados de ofício com base no lucro arbitrado, o período de apuração é trimestral, conforme determinam os artigos 1º e 28 da Lei nº 9.430/96. Os fatos jurídicos tributários que importam para a incidência da norma decadencial ocorreram em 31/03/2006 e 30/06/2006. No caso das contribuições PIS e COFINS, a apuração dos tributos é mensal conforme o artigo 2º da Lei nº 9.715/98 e artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. O período que aqui importa compreende os fatos jurídicos ocorridos de janeiro a julho de 2006. Por tudo exposto, neste ponto, voto por acolher a preliminar de decadência para excluir os lançamentos de IRPJ e CSLL no primeiro e no segundo trimestres de 2006 e para excluir os lançamentos de PIS e COFINS nos meses de janeiro a julho de 2006. Vencidas as matérias preliminares relativas ao crédito tributário, passo ao exame do mérito. Destaco que as arguições específicas acerca da atribuição de responsabilidade solidária dos coobrigados serão apreciadas após a decisão de mérito, pois esta é potencialmente prejudicial àquelas. Mérito. A contribuinte lançou as seguintes matérias no questionamento de mérito do lançamento: justa causa para a não apresentação das notas fiscais; repasse de valores de terceiros que não caracteriza receita omitida; não caracterização da omissão de receitas, tendo em vista a identificação de notas fiscais e depósitos em cheque que comprovariam a origem de créditos bancários e a comprovação de pagamentos efetuados; Bis in idem e regime de caixa. Justa causa para a não apresentação das notas fiscais. O artigo 16, §§ 4º, a, e 5º, do Decreto nº 70.235/72 prevê a possibilidade de juntada de documentos após a impugnação quando "fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior". Na espécie, penso que a hipótese normativa está caracterizada e os elementos probatórios juntados no recurso voluntário devem ser conhecidos. Explico. Conforme relatado anteriormente, esta Turma, por meio da Resolução nº 1401- 000.626, determinou o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para que a autoridade administrativa pudesse examinar os elementos probatórios juntados pela contribuinte no recurso voluntário. Dentre os procedimentos, a autoridade diligenciadora deveria verificar se os documentos haviam sido apreendidos e se estavam indisponíveis na época da impugnação. A fiscalização intimou a contribuinte a se manifestar. Em resposta, esta apresentou o Auto de Exibição e Apreensão emitido pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Neste, pode-se verificar que efetivamente os documentos (ou pelo menos parte deles) efetivamente foi apreendida no cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão. É o que se pode observar no seguinte trecho: Fl. 11490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 De acordo com o Termo de Restituição nº 260/2011, os documentos somente teriam sido devolvidos à contribuinte em 18/10/2011: Considerando que os sujeitos passivos foram intimados do lançamento de ofício em 08/2011, no momento em que os documentos foram devolvidos pelo Estado à contribuinte o prazo de impugnação já havia escoado inteiramente. Fl. 11491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Portanto, penso que a apresentação a posteriori dos elementos probatórios está acobertada pela exceção à regra geral de preclusão e estes devem ser conhecidos e considerados neste julgamento de segunda instância. Neste ponto, então, dou provimento ao recurso voluntário para conhecer dos elementos de prova. Repasse de valores de terceiros que não caracteriza receita omitida. Neste tópico, a contribuinte repete as alegações lançadas no momento da impugnação. O cerne da alegação é que transitariam pelas contas bancárias da contribuinte valores de terceiros. A razão estaria na atividade especifica de marketing para seus clientes, na qual a contribuinte disponibilizaria prêmios a empregados, prestadores de serviços e vendedores desses clientes. A contribuinte apresenta, neste ponto, algumas justificativas genéricas que não relacionam determinado valor a determinado contrato ou a determinada nota fiscal e que não trazem qualquer elemento de prova hábil e idôneo que efetivamente relacione um determinado crédito na conta bancária com a respectiva origem de forma a demonstrar que se trate efetivamente de valores de terceiros a ser excluído da base de cálculo dos tributos. É nesse contexto que se pode dizer que a instância de piso acertou na decisão de mérito de manter o lançamento. Todavia, na atual etapa do processo administrativo fiscal, impende analisar este tópico em conjunto com o próximo, que trata dos novos elementos de prova trazidos aos autos somente no recurso voluntário. Não caracterização da omissão de receitas, tendo em vista a identificação de notas fiscais e depósitos em cheque que comprovariam a origem de créditos bancários e a comprovação de pagamentos efetuados. Para dar suporte a esta matéria, a contribuinte juntou as planilhas e documentos de folhas 9.587 a 11.069. Segundo seus argumentos, os elementos demonstrariam a inocorrência da omissão de receitas baseada na movimentação financeira sem comprovação de origem, em pagamentos não comprovados e em créditos e depósitos em cheque bloqueados. Analisando os elementos probatórios que constam dos autos, é de se acolher parcialmente suas razões, conforme passo a expor. Os documentos estão organizados da seguinte forma: (i) Pagamentos não comprovados (fls. 9.587 a 9.590); (ii) Créditos bancários não localizados (fls. 9.591 a 9.634); (iii) Cheques Bloqueados e créditos bancários não localizados (fls. 9.635 a 9.686); e (iv) Extrato de crédito - origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea (fls. 9.687 a 11.069). De pronto, é de se ver que as três primeiras planilhas apresentadas pelo contribuinte não afetam a apuração realizada pela Autoridade Lançadora. Os valores de pagamentos não comprovados, créditos bancários não localizados e cheques bloqueados não Fl. 11492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 compuseram a apuração dos montantes omitidos com fulcro na movimentação bancária sem comprovação de origem. Segundo o demonstrativo de fls. 120 (Anexo IX, Demonstrativo da Receita Tributável - ano 2006), os Pagamentos Não Comprovados (anexo V), os Créditos Não Localizados (Anexo VI) e os Depósitos em cheque/créditos não localizados (Anexo VIII) foram subtraídos dos Créditos Bancários Não Comprovados para apuração da receita omitida (linha 8 do demonstrativo). Para confirmar a informação do demonstrativo do Anexo IX dos autos de infração, passo a cotejar, por amostragem, cada planilha apresentada pela contribuinte no recurso voluntário com o EXTRATO DE CRÉDITO - origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea (doc. fls. 8860 - 8901), que baseou a apuração de ofício da omissão de receitas por presunção legal. Na tabela PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS (Anexo V do Recurso Voluntário), a contribuinte apresenta apenas dois lançamentos. No primeiro, a contribuinte alega que a nota fiscal nº 196, emitida em favor de Ultrafarma Saúde Ltda em 11/01/2006, estaria vinculada a um crédito na conta do Banco do Brasil (ag. 3320-0, c/c 5188-8) em 11/01/2006. Entretanto, na data, não há nenhum crédito cujo valor coincida com o valor da nota fiscal. O total da nota fiscal seria de R$ 10.647,38, sendo R$ 394,73 tributáveis (comissão) e R$ 10.252,65 não tributáveis (valores de terceiros). Na tabela EXTRATO DE CRÉDITO - origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea, têm-se os seguintes lançamentos a crédito na conta do Banco do Brasil: O mesmo acontece no segundo lançamento na planilha elaborada pela contribuinte. Neste lançamento, a contribuinte relaciona a nota fiscal nº 677, emitida em 02/05/2006 em favor de Logistech Energia Eng e Logística, no valor de R$ 2.665,13 (R$ 77,63 de comissão e R$ 2.587,50), com um lançamento a crédito na conta do Banco do Brasil em 11/10/2006. Novamente, não há menção a valor do lançamento bancário. Novamente, consultando a tabela EXTRATO DE CRÉDITO - origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea, verificamos que a fiscalização questionou a origem dos seguintes os lançamentos a crédito na conta do Banco do Brasil em 11/01/2006: Fl. 11493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Nenhum lançamento bancário coincide em valor com a citada nota fiscal. Nos dois casos, vê-se que não há nenhuma relação entre as notas fiscais citadas e os lançamentos bancários questionados pela fiscalização. Não há nenhuma coincidência de data (entre a emissão da nota fiscal e o lançamento bancário) ou de valor. Outro ponto importante é que os históricos dos extratos não permitem identificar a origem dos recursos (de quem o valor foi recebido). E a contribuinte não juntou qualquer documento bancário que suprisse essa omissão. Passo a examinar a planilha CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO LOCALIZADOS (Anexo VI ao Recurso Voluntário). Nesta, a contribuinte apresenta cerca de 40 lançamentos em que pretende vincular notas fiscais a créditos bancários. De saída, é de se destacar que esta segunda planilha padece do mesmo vício da anterior, ou seja, aponta apenas a conta e a data em que o crédito teria sido feito, mas, em quase todos os lançamentos, não aponta o valor individualizado do crédito que pretende comprovar. Novamente, os lançamentos não coincidem em valores e os históricos não permitem verificar de quem teria sido recebido cada valor. Veja-se, por exemplo: Nota fiscal nº 258 emitida em 27/01/2006 em favor de Industria e comércio de carnes Minerva, no Valor de R$ 11.815,70 (R$ 288,19 tributáveis e R$ 11.527,51 não tributáveis). Na planilha, a contribuinte relaciona com um lançamento na conta do Banco do Brasil em 31/01/2006. Neste dia, os créditos questionados pela fiscalização são: Nota fiscal nº 387 emitida em 03/03/2006 em favor de Industria e comércio de carnes Minerva, no Valor de R$ 110.463,17 (R$ 2.694,22 tributáveis e R$ 107.768,95 não tributáveis). Na planilha, a contribuinte relaciona com um lançamento na conta do Banco HSBC (ag. 956, c/c 04640-90) em 08/03/2006. Não há nenhum crédito bancário do HSBC questionado na planilha EXTRATO DE CRÉDITO - origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea. Nota fiscal nº 577, emitida em favor de Pernambuco Serv Autom Ltda, em 30/10/2006, no valor de R$ 25.900,93 (R$ 742,18 tributáveis e R$ 25.158,75 não tributáveis). Na planilha, a contribuinte relaciona com um lançamento na conta do Banco do Brasil em 06/10/2006. Neste dia, os créditos questionados pela fiscalização são: Fl. 11494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Em síntese, as três primeiras planilhas anexas ao recurso voluntário não se prestam a provar o que a contribuinte alega. Não houve a juntada de nenhum contrato, de nenhum controle financeiro, de nenhum documento bancário que pudesse comprovar que qualquer dos créditos bancários tivesse como origem a pessoa beneficiária da nota fiscal. Nenhum elemento que justificasse - individualmente - o descompasso entre as datas de emissão das notas fiscais e os alegados ingressos nas contas bancárias. Não há sequer coincidências de valores entre as notas fiscais e qualquer dos créditos bancários questionados pela fiscalização. Situação diferente é a que se observa na planilha Extrato de Crédito - origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea (fls. 9.687 e ss), na qual a contribuinte parte dos créditos bancários questionados pela fiscalização e os vincula individualmente a notas fiscais específicas. Todavia, impende ressaltar que todos os documentos apresentados referem-se exclusivamente a créditos bancários na conta mantida no Banco do Brasil Os documentos não se referem aos créditos bancários apurados no Banco Bradesco. É oportuno destacar que a comprovação da origem dos recursos, em especial a comprovação de que os valores são, na verdade, recursos de terceiros, deve ser feita com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valores. É firme a jurisprudência neste Conselho, conforme se pode ver nos seguintes julgados: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Nos termos da lei, caracteriza-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. (Acórdão nº 1201-002.507, de 20/09/2018, relator Luis Henrique Marotti Toselli). CRÉDITOS BANCÁRIOS Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. (Acórdão nº 1301-002.965. de 11/04/2018, relatora Amélia Wakako Morishita Yamamoto). OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE DOCUMENTOS. DINHEIRO EM CAIXA A comprovação hábil a elidir a presunção legal de omissão de receita em face de depósitos de origem não comprovada se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, com os créditos bancários. Alegações desprovidas de provas não afastam a presunção da lei. A existência de saldo de dinheiro em espécie no início do ano-calendário não é suficiente para a comprovação da origem dos créditos bancários. Sendo, a presunção, relativa, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, fazer prova da regularidade dos depósitos. (Acórdão nº 2301-005.310, de 05/06/218, relator João Maurício Vital.) Os elementos probatórios relativos a este tópico foram submetidos ao exame da autoridade administrativa por meio da diligência mencionada anteriormente. Fl. 11495DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 No procedimento fiscal, a autoridade administrativa elaborou dois demonstrativos: “Valores Coincidentes” e “Valores não coincidentes e/ou sem justificativa”. No primeiro demonstrativo, identificou os valores de depósitos bancários que, no seu entendimento, haviam sido comprovados, separando os valores não tributados (valores de terceiros) e tributados (receita própria omitida). No segundo, relacionou os créditos bancários para os quais não foram apresentados elementos probatórios e aqueles para os quais os documentos apresentados não eram hábeis a provar a origem dos recursos. Os resultados apurados pela fiscalização na planilha “Valores Coincidentes” podem ser sintetizados na tabela abaixo: Valor Mês Valor do crédito bancário Não tributado (terceiro) Tributado (receita omitida) jan/06 R$1.292.149,15 R$1.258.932,56 R$33.216,59 fev/06 R$451.891,19 R$435.295,92 R$16.595,27 mar/06 R$1.353.142,03 R$1.318.616,04 R$34.525,99 abr/06 R$1.591.676,04 R$1.543.889,34 R$47.786,70 mai/06 R$1.207.856,57 R$1.168.599,98 R$39.256,59 jun/06 R$2.078.324,55 R$2.020.502,38 R$57.822,17 jul/06 R$1.538.150,69 R$1.484.111,49 R$54.039,20 ago/06 R$2.059.419,10 R$1.985.191,24 R$74.227,86 set/06 R$2.716.166,00 R$2.636.571,24 R$79.594,76 out/06 R$2.623.391,97 R$2.543.752,21 R$79.639,76 nov/06 R$2.047.022,78 R$1.975.123,95 R$71.898,83 dez/06 R$3.885.221,23 R$3.761.915,05 R$123.306,18 Total R$22.844.411,30 R$22.132.501,40 R$711.909,90 A partir do resultado acima, é possível excluir das bases de cálculo dos tributos lançados de ofício – em relação aos créditos bancários sem comprovação de origem – os valores comprovadamente de terceiros, conforme o seguinte demonstrativo: Valor Mês Receita omitida (procedimento fiscal) Valor exonerado (terceiros) Valor mantido jan/06 R$2.007.426,48 R$1.258.932,56 R$748.493,92 fev/06 R$1.080.152,43 R$435.295,92 R$644.856,51 mar/06 R$1.921.375,51 R$1.318.616,04 R$602.759,47 abr/06 R$3.610.428,13 R$1.543.889,34 R$2.066.538,79 mai/06 R$2.765.410,84 R$1.168.599,98 R$1.596.810,86 jun/06 R$3.628.656,06 R$2.020.502,38 R$1.608.153,68 jul/06 R$2.638.754,50 R$1.484.111,49 R$1.154.643,01 ago/06 R$3.761.024,92 R$1.985.191,24 R$1.775.833,68 set/06 R$4.201.385,90 R$2.636.571,24 R$1.564.814,66 out/06 R$3.085.946,59 R$2.543.752,21 R$542.194,38 nov/06 R$3.029.154,51 R$1.975.123,95 R$1.054.030,56 dez/06 R$4.499.456,29 R$3.761.915,05 R$737.541,24 Total R$36.229.172,16 R$22.132.501,40 R$14.096.670,76 Fl. 11496DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 É imperioso destacar que o critério adotado neste voto, que resultou no demonstrativo acima, difere daquele adotado pela autoridade diligenciadora. Em sua apuração, a autoridade da RFB excluiu das receitas omitidas os valores integrais comprovados (valores de terceiros + receitas tributáveis) e reclassificou os valores tributáveis como valores omitidos a partir das notas fiscais que exacerbam as receitas declaradas. Tenho que não cabe tal reclassificação. Em meu entendimento, a comprovação de que parte dos valores configurava recursos de terceiros apenas reforça o fato – comprovado por meio da presunção – de que parte das receitas auferidas pela contribuinte não haviam sido escrituradas na contabilidade. A contribuinte não trouxe nenhum elemento de prova que demonstre que essas receitas correspondessem àquelas escrituradas e declaradas. Tal comprovação, em função da presunção relativa anteriormente mencionada, incumbe à fiscalizada. Impende lembrar, também, que a demonstração acima de valores exonerados e mantidos deve ser conciliada com a decisão anterior de acolher parcialmente a alegação de decadência. Assim, neste ponto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir das bases de cálculo de IRPJ e reflexos os valores comprovadamente de terceiros que ingressaram na conta bancária da recorrente, conforme tabela acima. Bis in idem e regime de caixa. Neste tópico, a contribuinte alega que a fiscalização, ao somar os valores declarados com os valores omitidos, teria incorrido em bis in idem, pois a Autoridade Lançadora não teria comprovado que os valores considerados omitidos não teriam também constituído os valores declarados em DIPJ. Não acolho sua argumentação. Conforme observado no início deste voto, a fiscalização tomou os cuidados necessários para que não houvesse bis in idem. Primeiramente, a apuração das receitas omitidas com base em notas fiscais obtidas junto a clientes resultou expressamente da subtração das receitas mensais declaradas do total de notas fiscais obtidas junto aos clientes. É por esse motivo que houve esse lançamento somente no mês de fevereiro. Em relação aos créditos bancários, também não ocorre bis in idem. Para explicar, é preciso retomar a reflexão sobre a presunção legal. Uma vez incidindo a norma presuntiva, conforme já exposto anteriormente, incumbe exclusivamente à contribuinte demonstrar que parte das receitas consideradas omitidas teria composto as receitas declaradas ou a receita omitida no mês de fevereiro (apurada nas notas fiscais). É oportuno lembrar que a fiscalização, ao realizar o procedimento fiscal, atuou de forma diligente e não se limitou a relacionar todos os créditos bancários e intimar a contribuinte a justifica-los todos. A fiscalização efetuou uma busca de notas fiscais junto aos clientes e Fl. 11497DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 excluiu de ofício aqueles valores cuja origem estavam comprovadas pelos documentos que obteve. Quem não se desincumbiu do ônus probatório foi a contribuinte. Em verdade, as alegações sobre bis in idem são genéricas, mais a título de retórica, pois não demonstram efetivamente que tenha havido uma sobreposição, ou seja, que um mesmo valor tenha sido lançado como receita declarada e, ao mesmo tempo, como receita omitida. No que diz respeito ao regime de caixa, a contribuinte também faz alegações genéricas de que os valores poderiam ter sido efetivamente recebidos em outros meses, mas não faz nenhuma prova do alegado. Novamente, apela para o Princípio da Verdade Material no sentido de dizer que a fiscalização deveria ter buscado provar que a contribuinte teria recebido esses valores no próprio mês de fevereiro. Não é de se acolher. A comprovação do momento do efetivo recebimento dos valores, para fruição do regime de caixa, é de responsabilidade da contribuinte. A lei lhe faculta tributar somente no momento do efetivo recebimento dos recursos, em contraposição ao regime de competência. Mas, a contribuinte não escriturou o Livro Caixa de forma a refletir minimamente suas operações. No Livro Caixa, deveriam estar registradas todas as operações, de forma individualizada, com históricos que permitissem identificar, por exemplo, a nota fiscal que deu origem a cada recebimento. Passado todo o tempo do procedimento fiscal e do processo administrativo fiscal, a contribuinte não produziu prova de que efetivamente houvesse recebido os valores em meses diferentes. Neste tópico, voto por não acolher as alegações de bis in idem e de infração ao regime de caixa na apuração das bases de cálculo dos tributos com fundamento nas receitas conhecidas e omitidas. Caráter confiscatório da multa de ofício e inconstitucionalidade do uso da taxa Selic para fins de juros moratórios. Nestes dois aspectos, não se acolhe os argumentos da contribuinte e dos coobrigados, tendo em vista a impossibilidade de manifestação desta instância administrativa acerca de alegação de inconstitucionalidade de normas legais, nos moldes da Súmula CARF nº 02, já explicitados anteriormente. Ademais, a matéria relativa aos juros moratórios já está pacificada no seio deste Conselho Administrativo, conforme dicção da Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Neste ponto, voto por indeferir os pleitos nos recursos voluntários. Passo, em seguida, a apreciar as questões relativas ao vínculo de responsabilidade solidária, que dizem respeito aos recursos voluntários dos corresponsáveis e ao recurso de ofício. Fl. 11498DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 Recursos voluntários. Conforme o relatório supra, a Autoridade Lançadora atribuiu, com base no disposto nos artigos 134, VII e 135, I, do CTN, responsabilidade solidária pelos créditos tributários às seguintes pessoas: Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani, Rose Mary de Paula e Manoel Martins de Souza. No julgamento de primeira instância, a DRJ manteve o vínculo dos três primeiros coobrigados e afastou a responsabilidade de Manoel Martins de Souza. Os coobrigados Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani e Rose Mary de Paula apresentaram recursos alegando que não se lhes aplica a norma do artigo 134, VII, do CTN, que trata da responsabilidade dos sócios somente no caso de liquidação de sociedades de pessoas, e, também, a norma do artigo 135, I, do CTN, que exigiria ato doloso. É de se acolher as alegações dos coobrigados. De fato, a fiscalização embasou o vínculo de responsabilidade no art. 134, VII, em razão da inexistência de bens em nome da sociedade suficientes para garantir o crédito tributário, e no art. 135, I, pela prática de infração à lei. Entretanto, o disposto no artigo 134, VII, é mesmo inaplicável ao caso concreto, pois não se trata de sociedade de pessoas e também não há nenhuma indicação de que a sociedade estivesse em liquidação. No que diz respeito ao disposto no art. 135, haveria elementos suficientes para concluir pela ocorrência de infração à lei, conforme demonstrado anteriormente neste voto, no tópico que tratou da decadência. Não se trata aqui de mera inadimplência, como fizeram parecer as defesas dos coobrigados, mas de procedimentos reiterados de omissão de vultosas receitas nos livros e declarações a que está obrigada a pessoa jurídica. Mas, em que pese o minucioso trabalho de levantamento de provas e criteriosa apuração dos fatos jurídicos tributários, não foi assim que a fiscalização caracterizou as condutas e as enquadrou na hipótese normativa. Neste aspecto os coobrigados poderiam responder pelos créditos tributários na forma do disposto no artigo 135, III, do CTN, ou seja, como administradores da pessoa jurídica e não como sócios, ainda mais se tratando de sociedade empresária e não de sociedade de pessoas. Seria preciso que a fiscalização houvesse caracterizado os poderes de gestão, bem como a relação entre os poderes e atos com as infrações apuradas, para a correta aplicação da responsabilidade pessoal de que trata o artigo 135 do CTN. Assim, em relação aos recursos voluntários, voto por acolher integralmente as alegações e afastar as responsabilidades solidárias de Dagoberto Tenaglia Junior, Evandro Luiz Silva Amidani e Rose Mary de Paula. Recurso de ofício. Fl. 11499DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 1401-005.754 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10803.720039/2011-16 A DRJ, na decisão de piso, afastou a responsabilidade solidária de Manoel Martins de Souza, tendo em vista que este não era sócio da contribuinte no momento da ocorrência dos fatos jurídicos tributários. O recurso de ofício deve ser negado pelos mesmos fundamentos esposados pela DRJ, acrescidos dos argumentos acima, que afastam a responsabilidade solidária dos demais coobrigados. Conclusão. Diante do exposto, em relação aos recursos voluntários, voto por afastar as preliminares de nulidade dos autos de infração, por conhecer dos elementos probatórios juntados após o julgamento de primeira instância, por dar provimento parcial para reconhecer a decadência nos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL dos dois primeiros trimestres de 2006 e de PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a julho de 2006 e, no mérito, para ajustar os valores de omissão de receitas com base nos créditos bancários, conforme exposto no voto, e para afastar o vínculo de responsabilidade solidária dos coobrigados. Em relação ao recurso de ofício, voto por negar provimento. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Fl. 11500DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014030/2005-83
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF.
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - PRESUNÇÃO LEGAL - MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido.
IRPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96).
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro
de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano calendário 1999.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto, que mantinham a qualificação da multa de oficio. Quanto à decadência ficaram vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF. Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - PRESUNÇÃO LEGAL - MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. IRPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96). O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano calendário 1999. Recurso especial negado.
numero_processo_s : 10980.014030/2005-83
conteudo_id_s : 6133088
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-000.632
nome_arquivo_s : Decisao_10980014030200583.pdf
nome_relator_s : Gonçalo Bonet Allage
nome_arquivo_pdf_s : 10980014030200583_6133088.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto, que mantinham a qualificação da multa de oficio. Quanto à decadência ficaram vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
id : 8093938
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938285350912
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T17:48:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T17:48:41Z; Last-Modified: 2010-06-16T17:48:42Z; dcterms:modified: 2010-06-16T17:48:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T17:48:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T17:48:42Z; meta:save-date: 2010-06-16T17:48:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T17:48:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T17:48:41Z; created: 2010-06-16T17:48:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2010-06-16T17:48:41Z; pdf:charsPerPage: 2271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T17:48:41Z | Conteúdo => CSRET2 E1 784 s(88--, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .ie.:17 1ti CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAISienetée-e§ Processo n° 10980.014030/2005-83 Recurso n° 150.602 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.632 — r Turma Sessão de 12 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADIR DOMINGOS SCREMIN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FtSICA - IRRÉ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - PRESUNÇÃO LEGAL - MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, -á época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatorios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. IRPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96). O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4' e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano- calendário 1999. e1 Processo o 10980.014030/2005-83 CSRE-T2 Acórdão rã° 9202-00.632 F1. 785 Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto, que mantinham a qualificação da multa de oficio. Quanto à decadência ficaram vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior., Elias Samp io Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto. i ri --, ' CARLOS ALBERTO F * 1 AS BA RETO- Presidente d'"Itir ( GONÇALO B4114. 4 ALL • GE — Relator EDITADO EM: 1 i• MAIO 2B10 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Adir Domingos Scremin foi lavrado o auto de infração de fls. 304-315 (Volume II), para a exigência de imposto de renda pessoa fisica, exercícios 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de oficio qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra-se sintetizado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 283-284, de onde extraio as seguintes assertivas com relação à penalidade aplicada: Está sendo aplicada a multa de 150% prevista no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, por ter o contribuinte movimentado as importâncias de R$ 185.474,33, no ano-calendário 1999, de R$ 536408,26, no ano-calendário 2000, de R$ 187.744,19, no ano-calendário 2001, de RS 522.196,61, no ano-calendário 2002 e de R$ 299.529,74, no ano- calendário 2003 (11. 07) e se declarado isento da apresentação da declaração de ajuste de imposto de renda pessoa física nesses anos (fl. 08), o que evidencia a intenção de ocultar do fisco os s 2 Processo n° 10980.014030/2005-83 CSR.F-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 786 rendimentos que deram origem aos depósitos cuja origem não logrou comprovar. Tendo demonstrado que ocorreram veementes indícios de que o contribuinte agiu com dolo ao ocultar do fisco os rendimentos que deram origem dos depósitos não comprovados, está sendo lançado tributo do ano calendário 1999, conforme artigo 902 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Houve ciência pessoal do lançamento em 1411212005 (fls. 310, Volume II). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) considerou o lançamento procedente (fls. 322-327, Volume II). Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, após diligência realizada, proferiu.. o acórdão n° 106-16.945, que se encontra às fls. 733-754 (Volume IV), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 Ementa: IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU simuLÁÇÃo - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTIV. A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo deeadencial tem seu inicio na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, L do CTN O lançamento que não respeita o prazo decctdencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n'9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idónea. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. DEPÓSITOS INDIVIDUALMENTE IGUAIS OU INFERIORES A RS 12.000,00. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, somente não devem ser considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a RS 12.000,00, desde que o seu somatório, gdentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 3 Processo ti° 10980.014030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 787 80.000,00, em relação a todas as contas bancárias movimentadas pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO — MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito defraude. Recurso voluntário parcialmente provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio e acolheu a decadência do lançamento referente ao ano-calendário 1999, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Relatora) e Rubens Mauricio Carvalho (Suplente Convocado), sendo Redator Designado o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. No mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para: i) cancelar o lançamento dos anos-calendário 2001 e 2003; e ii) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos anos-calendário 2000 e 2002, os valores de R$ 19.353,25 e R$ 59.244,17, respectivamente. Portanto, restaram como base de cálculo da exigência os valores de R$ 272.261,94 e de R$ 299.266,69, respectivamente, para os anos-calendário 2000 e 2002 (11s. 778, Volume IV). Intimada do acórdão em 21/10/2008 (fls. 756, Volume IV), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 759- 773, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido desqualificou a multa de oficio e acolheu a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano- calendário 1999, vencidos, em ambos os aspectos, os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Rubens Mauricio Carvalho; b) O julgado contrariou o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (atual artigo 44, inciso I, § I°, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.488/2007) e, também, o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, além da prova dos autos; c) Analisando detidamente os autos, observa-se que não se trata de mera hipótese de omissão de rendimentos. O contribuinte declarou-se isento nos anos-calendário sob exame, quando, em verdade, movimentou quase R$ 800.000,00 em conta corrente de sua titularidade; Processo n° 10980.014030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 738 d) Tal conduta não extemou, repita-se, uma simples hipótese de apuração de omissão de rendimentos, mas ao contrário, uma inexatidão intencional e reiterada, caracterizadora de presença da subjetividade no ato infracional e motivo bastante para a penalidade de maior ônus; e) A afirmação de que não há prova da conduta dolosa do contribuinte e do seu evidente intuito de fraude é por demais descabida, não podendo prosperar, pois forte é o procedimento intencional do autuado; I) A atividade ilícita do autuado consistiu na prática sistemática de, nos anos- calendário 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003 sonegar vultosas quantias, em atividade dolosamente repetida, evidenciada pela flagrante desproporeionalidade entre os rendimentos declarados e os apurados de oficio nos quatro anos-calendário. Tais práticas reiteradas revelaram evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada; g) Demonstrado o cabimento da multa qualificada em decorrência da atitude fraudulenta do contribuinte, toma-se forçoso o afastamento da decadência, tendo em vista a aplicação ao caso do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; h) O artigo 150, § 4°, do CTN, não se aplica em casos de dolo, fraude ou simulação ou quando , o contribuinte não antecipa o pagamento do tributo, conforme ocorre neste caso; i) Considerando que o auto de infração foi lavrado dentro do disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, não ocorreu a decadência do direito de lançar. j) Por tais motivos, deve ser reformado o acórdão recorrido. Admitido o recurso por meio do Despacho n° DEF106150602_449 (fis. 774- 776, Volume IV), o contribuinte foi intimado e deixou de se manifestar. É o Relatório. Ê. 5 Processo n" 10980.014030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 789 Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre reiterar que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio e acolheu a decadência do lançamento do ano-calendário 1999 e, por unanimidade de votos: i) cancelou o lançamento dos anos-calendário 2001 e 2003; e ii) excluiu da base de cálculo do lançamento relativo aos anos-calendário 2000 e 2002, os valores de R$ 19.353,25 e R$ 59.244,17, respectivamente. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de oficio é justificada pela omissão sistemática de rendimentos por cinco anos-calendário, aliada à desproporção entre os rendimentos declarados e aqueles apurados de oficio. Com isso e considerando que não houve pagamento antecipado de tributo, a decadência referente ao ano-calendário 1999 deve ser afastada, pois a ciência do lançamento ocorreu em 14/12/2005 e aplica-se ao caso a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Eis as matérias em litígio. A multa qualificada para a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 • A autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: .11— 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, • de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71,72 e 73 da Lei n°4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fizzendária: 6 • Processo n° 10980.014030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 790 / — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11— das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos uns. 71 e 72. Ressalto, novamente, que no Termo de Verificação Fiscal de fls. 283 .-284, a autoridade lançadora justificou a exasperação da penalidade no montante dos rendimentos omitidos e na reiteração da conduta do contribuinte. Segundo penso, a qualificação da multa não se vincula ás importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, cru razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basear-se, sim, na conduta adotada pelo sujeito passivo em relação à infração. Se revelado o dolo, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou ínfimos os valores discutidos. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob . pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Tenho como inaceitável presumir-se o evidente intuito de fraude nos casos da presunção legal de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. Devo trazer à colação, adotando-as como razões de decidir, as colocações . feitas pelo Redator Designado do acórdão recorrido, Conselheiro Giovanni Christian Nunes• Campos (fls. 749-751): Verifica-se que o montante dos rendimentos omitidos e a reiteração da conduta em mais de um ano-calendário são a base em que se funda a manutenção da qualificação da multa de oficio no voto vencido. Inicialmente, deve-se evidenciar que, à unanimidade, a Câmara cancelou a exação dos anos-calendário 2001 e 2003, 7 Processo n3 10980.0 /4030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 791 remanescendo, apenas, os anos-calendário 1999, 2000 e 2002, o que diminui a amplitude da tese da reiteração da conduta. Entretanto, o entendimento prevalente no âmbito dos Conselhos para a situação aqui em debate, como se verá a seguir, rejeita a qualificação da multa de oficio, quando a infração é alicerçada em presunção legal de omissão de rendimentos, pois a sonegação, a fraude e o conluio não podem ser presumidos, mas minuciosamente demonstrados nos autos. Ainda, irrelevante a reiteração da conduta presumida °missiva ou os montantes envolvidos. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicava-se a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n ó 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos vis. 71 (sonegação), 72 (fraude), 73 (conluio) da Lei n°4.502/1964. Não se pode dizer que houve conluio, ou seja, que ocorreu o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando sonegar ou fraudar o fisco. Nos autos, não se comprovou tal conduta. Igualmente não se comprovou a fraude, na forma do art. 72 da Lei n° 4.502/64, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Como antes dito, houve, apenas, uma presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Não se especificou uma ação ou omissão dolosa a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que e toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do Jato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta - bancária era movimeniada pelo recorrente, sem nenhuma Processo n° 10980.014030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n°9202-00.632 Fl. 792 interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimas conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumida Como exemplo, acata- se a qualificação da multa de oficio nas seguintes hipóteses: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação da conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 104- 20.7)3, sessão de 19/05/2005, relato,- o Conselheiro • Remis Almeida Estol; Acórdão n° 104-22.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann); • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (acórdão n° 102-47.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheiro Savana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiros para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 106-16.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberto de Azeredo Ferreira Pagetti); • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 101-93.865, sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez); • utilização de meio fraudulento para comprovar a origem dos depósitos bancários (Acórdão n° 102-48,266, sessão de 01/03/2007, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). No caso dos autos, não ocorreram quaisquer das hipóteses acima. Simplesmente, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a- origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetê-los às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Na espécie, ocorreu apenas uma omissão de rendimentos, ãestribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a .. 9 Processo n" 10980.01403012005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 793 multa, mister comprovar com elementos hábeis e idóneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Dessa forma, incabível a aplicação da multa de oficio qualificada. As circunstâncias dos autos podum subsumir-se à presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Adir Domingos Scremin, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes era firme nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: (.) IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6' da Lei n°8,021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, 12 da Lei n' 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular n" 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito defraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE - AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO - DESCABIMENTO — Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, deve-se desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. Is Processo n° 10980.014030/2005-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 794 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS — ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, deve-se manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 148.837, Acórdão n°106-17.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Presume-se a existência de renda • omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. INCONSTITUCIONALIDADE - Súmula 1° CC n°2 - O Primeiro Conselho cle Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionaliclade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem o evidente intuito defraude. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso n° 152.024, Acórdão n° 102-49.094, Redatora Designada Conselheira Nizbia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁMOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N''. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁMOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - • Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de I° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÓNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as Processo n° 10980.014030/2005-83 CSRF.T2 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 795 quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ânus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n o. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150/4 prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n`. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso n° 155.366, Acórdão n° 104-22.619, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 13/09/2007) Tal qual concluiu a decisão recorrida, tenho como plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes (atual Súmula CARF n° 14), segundo o qual "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Ademais, o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (..) ii — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (..) IV — à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Com esses fundamentos, voto no sentido de manter a decisão recorrida, na medida em que deve ser afastada a qualificação da multa de oficio aplicada. A decadência Pois bem, como rega geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica é complexivo e tsán seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, contando-se, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários. Tal raciocínio aplica-se ao caso em comento, haja vista que os rendimentos presumidamente omitidos pelo contribuinte, quando submetidos a lançamento de oficio, embora apurados mês a mês, conforme previsão do artigo 2' da Lei n° 7.713/88, sujeitam-se à tributação apenas na declaração de ajuste anual. Inteligência dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso 1, do referido texto normativo. Processo n° 10980.01403012005-83 CSRF-12 Acórdão n.° 9202-00.632 Fl. 796 Embora tenha inc posicionado por alguns anos no sentido de que o fato gerador do imposto de renda das pessoas fisicas, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, é mensal, passei, a partir das sessões de setembro de 2008, a seguir a jurisprudência amplamente majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, segundo a qual, também neste caso, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de dezembro do ano-calendário. Tal entendimento, atualmente, encontra-se consubstanciado no Enunciado de Súmula CARF n° 38, cuja redação prevê que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Seguindo essa linha de raciocínio, os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, ai sim se apurando o total de imposto devido no ano- calendário. Assim, com relação à infração verificada no ano-calendário 1999, o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1999. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacifica desta Corte Administrativa, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 13 Processo n° 10980.01403012005-83 CSRE-T2 Acórdão n." 9202-00.632 Fl, 797 O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, un razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica (relativamente ao ano-calendário 1999) ocorreu em 31/12/1999 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 14/12/2005 (fls. 310, Volume II), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento no que se refere a tal período. Na visão deste julgador, como houve a desqualificação da penalidade, que restou reduzida de 150% para 75%, não se está diante de dolo, fraude ou simulação e, portanto, inexiste andamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Sob minha ótica, para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência oü não de pagamento antecipado é irrelevante. Entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recur" so da Fazenda Nacional. .0 im Gonçalo Bonet Ilage - Relator 14
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720089/2006-06
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL.
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Neste contexto, a legislação fiscal não veda a dedução, para formação de saldo negativo de IRPJ no período, das retenções na fonte correspondentes às receitas financeiras diferidas.
Numero da decisão: 9101-005.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: Não informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 08:47:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202109
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Neste contexto, a legislação fiscal não veda a dedução, para formação de saldo negativo de IRPJ no período, das retenções na fonte correspondentes às receitas financeiras diferidas.
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10580.720089/2006-06
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6489934
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-005.745
nome_arquivo_s : Decisao_10580720089200606.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Não informado
nome_arquivo_pdf_s : 10580720089200606_6489934.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
id : 9000580
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076938290593792
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-28T17:51:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-28T17:51:43Z; Last-Modified: 2021-09-28T17:51:43Z; dcterms:modified: 2021-09-28T17:51:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-28T17:51:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-28T17:51:43Z; meta:save-date: 2021-09-28T17:51:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-28T17:51:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-28T17:51:43Z; created: 2021-09-28T17:51:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2021-09-28T17:51:43Z; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-28T17:51:43Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.720089/2006-06 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9101-005.745 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 02 de setembro de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAPEBI GERAÇÃO DE ENERGIA S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Neste contexto, a legislação fiscal não veda a dedução, para formação de saldo negativo de IRPJ no período, das retenções na fonte correspondentes às receitas financeiras diferidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 89 /2 00 6- 06 Fl. 931DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 Relatório A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) recorre a esta 1ª Turma da CSRF em face do Acórdão nº 1103-00.719, que deu provimento ao Recurso Voluntário da contribuinte ITAPEBI GERAÇÃO DE ENERGIA S.A. nos termos da seguinte ementa e dispositivo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá se objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Trata-se de processo administrativo formalizado para análise de uma série de Declarações de Compensação (DCOMP) apresentadas pela contribuinte ao longo dos anos de 2003 a 2006, por meio das quais ela pretendeu compensar débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anos-calendário de 2003 a 2004, com saldo credor de IRPJ apurado no ano-calendário 2002. Despacho Decisório de 28/11/2006 (fls. 590-593) expôs que o crédito pleiteado (cujo valor totalizava R$ 16.254.187,58) já havia sido objeto de análise em outro processo administrativo, de nº 10580.001247/2003-74, sendo indeferido em razão de as receitas financeiras auferidas pela contribuinte em sua fase pré-operacional não terem sido oferecidas à tributação, o que impossibilitaria a utilização do respectivo imposto de renda retido na fonte na composição de saldo negativo de IRPJ naqueles períodos de apuração. Tendo em vista que o art. 74, § 3º, VI, da Lei nº 9.430/1996 veda que se aponte como objeto de compensação valor objeto de pedido de restituição ou ressarcimento já indeferido, o despacho decidiu por considerar não homologadas as DCOMP transmitidas até 30/12/2004 (início da vigência da Lei nº 11.051/2004, que introduziu o inciso VI no § 3º do citado art. 74) e não declaradas as transmitidas após esta data (em conformidade com o inciso I do § 12 do mesmo art. 74). Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em apertada síntese: não se pode falar na aplicação do art. 74, § 3º, VI, da Lei nº 9.430/1996 ao caso porque à época da transmissão das DCOMP objeto do presente processo (com exceção de cinco delas) a contribuinte ainda não havia sido cientificada do Parecer SEORT nº 571/2004, que não reconheceu o saldo Fl. 932DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 credor de IRPJ relativo ao ano-calendário 2002 no processo nº 10580.001247/2003-74, o que só veio a ocorrer em 03/12/2004; o princípio constitucional da irretroatividade das leis também impossibilita a aplicação do art. 74, § 3º, VI, da Lei nº 9.430/1996 ao presente caso, uma vez que o dispositivo somente foi introduzido na legislação pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004, data posterior ao envio da grande maioria das DCOMP tratadas no processo; até janeiro de 2003, a contribuinte encontrava-se em fase pré-operacional, percebendo apenas receitas e despesas pré-operacionais, relacionadas à implantação dos ativos necessários à efetivação de suas atividades, que foram contabilizadas, em conformidade com o art. 179, IV, da Lei nº 6.404/1976, em conta do Ativo Imobilizado; para resguardar-se de possíveis variações cambiais no período pré- operacional, a contribuinte realizou diversas operações no mercado financeiro, que geraram receita e despesas financeiras, igualmente registradas em contas do Ativo Imobilizado, conforme orientação de abalizada doutrina e com suporte em normas da Comissão de Valores Mobiliários; considerando a vinculação entre os juros e os encargos financeiros incorridos pela contribuinte com a construção de bens de seu Ativo Imobilizado, nada mais correto do que registrá-los como custo de aquisição dos bens construídos e, no mesmo sentido, registrar as respectivas receitas financeiras em conta redutora do referido custo; a despeito do afirmado no Parecer SEORT nº 571/2004 e acatado pelo Despacho Decisório do presente processo (as receitas financeiras não teriam sido oferecidas à tributação por não serem registradas em contas de resultado do ano-calendário 2002), as receitas e despesas financeiras do período seriam sim lançadas ao resultado, só que da forma que lhes é própria, qual seja, a depreciação (art. 183, § 2º, da Lei nº 6.404/1976); o registro no Ativo Permanente das receitas e despesas pré-operacionais, aí incluídas as de natureza financeira, encontra respaldo na jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes; não tendo a contribuinte apurado base de cálculo de IRPJ ao término do ano-calendário no período pré-operacional, por força do art. 165 do CTN e do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não lhe resta outro caminho senão pleitear a restituição do IR pago sobre aplicações financeiras, já que o valor correspondente a esse tributo, por se tratar de mera antecipação do IRPJ devido ao fim do ano-calendário, passa a ser considerado tributo pago a maior do que o efetivamente devido; ainda que adotada a sistemática defendida pelo Parecer SEORT nº 571/2004 e referendada pelo Despacho Decisório questionado Fl. 933DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 (lançamento das receitas e despesas financeiras em contas de resultado no próprio período de auferimento/incorrência, integrando a apuração do lucro real), a contribuinte teria apurado prejuízo fiscal no ano-calendário 2002 (no valor de R$ 16.660.238,40), o que, da mesma forma, lhe garantiria o direito de pleitear a restituição e/ou compensação do saldo credor de IRPJ desse mesmo período; Ainda que não se admitam os demais argumentos apresentados, não pode prosperar a cobrança de juros moratórios mediante a utilização da Selic, uma vez que esta taxa: (i) foi criada pelo Banco Central do Brasil para fins remuneratórios, premiando o capital investido em títulos da dívida pública federal, e não como sanção pelo atraso no cumprimento de uma obrigação; e (ii) foi criada não por lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central, fazendo com que sua utilização para fins tributários ofenda o princípio constitucional da legalidade e o art. 161, § 1º, do CTN. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação ali formulada, sob o entendimento de que devem ser “oferecidas à tributação todas as receitas, a que título for, em estrita obediência ao regime de competência, e, conforme previsto no art. 270 do RIR/1999, ainda que forem diferentes dos lançamentos da escrituração comercial”. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao qual foi dado provimento pelo Acórdão nº 1103-00.719 (fls. 848-863), nos termos da ementa e do dispositivo já transcritos no início deste relatório. O processo foi encaminhado à PGFN em 30/08/2012 (fl. 866) e a Procuradora da Fazenda Nacional responsável declarou-se ciente do acórdão em 25/09/2012 (fl. 864). Em 27/09/2012, foi interposto Recurso Especial tempestivo (fls. 867-874), por meio do qual a Fazenda Nacional contestou o entendimento da decisão em relação à matéria “possibilidade de diferimento de receitas financeiras auferidas em fase pré-operacional”, com os efeitos daí decorrentes sobre a utilização do IRRF relativo a tais receitas na composição de saldo negativo de IRPJ passível de utilização em compensação tributária. Por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 886-890, a matéria foi admitida, nos seguintes termos: Cientificada do Acórdão em 25/09/2012, a Fazenda Nacional, ora recorrente, interpôs recurso especial em 27/09/2012 (fls. 864/885 – numeração digital), sendo, portanto, tempestivo, no qual bate-se contra a decisão recorrida no que se refere ao entendimento dado acerca da possibilidade da compensação do IRPJ com valores de IRRF, cuja receita não teria sido oferecida à tributação, inexistindo, assim, saldo negativo do IRPJ no ano calendário de 2002. [...] Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou paradigma abaixo, cuja ementa, no que é pertinente, está assim redigida: ● Acórdão nº 1201-00.180, da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF Fl. 934DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 FASE PRÉ-OPERACIONAL — RECONHECIMENTO DE RECEITAS FINANCEIRAS Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento de receitas financeiras. São os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidos. Isso decorre do princípio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores : (i) o da realização da receita e GO o do confronto das despesas. As despesas só são reconhecidas quando confrontadas às respectivas receitas e não o contrário. Dessarte, os dispêndios que vejam a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É em razão deste primado que há a previsão do diferimento de despesas na fase pré-operacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. Estas devem ser reconhecidas no período de sua realização. Desse modo, mesmo na fase pré-operamonana-qual-a-entidade-ainda-não-obteve-receitas- decorrentes-de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as não-operacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte na fase pré-operacional, se as respectivas receitas não foram declaradas. No RE manejado disserta a recorrente: “Nesse sentido, analisando situação fática similar, a colenda 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, no âmbito do Acórdão 1201- 00.180, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada â lei tributaria (cópia anexa), entendeu que, na fase pré- operacional, se a empresa obteve receitas decorrentes de outras origens como as financeiras, elas só devem ser reconhecidas quando realizadas, não cabendo devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte nesta fase, se as respectivas receitas não foram declaradas e computadas na apuração do lucro real”. Já o Acórdão combatido, por sua Relatoria, consignou: i) “...para determinação do saldo do Imposto sobre a Renda que a pessoa jurídica poderá compensar, só pode ser deduzido do imposto devido, o imposto de renda pago ou aquele retido na fonte incidente sobre as receitas computadas no lucro real. ii) (...) iii) O importante, no caso, é que sejam oferecidas à tributação todas as receitas, a que título for, em estrita obediência ao regime de competência e, conforme previsto no artigo 270 do RIR/1999, ainda que forem diferentes dos lançamentos da escrituração comercial. iv) No entanto, a Coordenação Geral de Tributação – COSIT, por meio da Solução de divergência n.º 32, de 21 de julho de 2008, que teve por objetivo, uniformizar o entendimento a respeito do tema, especificamente, na divergência entre a Superintendência da Receita Federal da 9ª região fiscal (SRRF 09) e as SRRF 01 e a SRRF 04, resolveu de modo diferente. v) (...) Fl. 935DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 vi) A COSIT pela Solução de divergência 32 dispôs (ementa): “As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício.” vii) (...) viii) Do acima exposto, concluo que não há mais óbice para o diferimento das receitas financeiras. Este era a divergência. Portanto, a administração tributária decidiu que pode diferir tais receitas. ix) Em assim sendo, no que diz respeito ao IRRF não há outra alternativa a não ser e ser conceder a compensação, pois, a postergação do mesmo poderia levar a uma situação de prescrição contra os créditos da contribuinte. x) Por todo o exposto, voto por homologar a compensação pedida, até o limite da utilização do IRRF levando em conta a existência de outros processos de compensação usando a mesma origem de créditos a exemplo do processo nº 10580.001247/200374, dando provimento ao recurso”. De outro eixo, o paradigma traz esta posição: “Nada obstante, ainda que o interessado não tivesse iniciado suas atividades operacionais no mês da obtenção das receitas financeiras, estas deveriam ter sido levadas à apuração do resultado e, conseqüentemente, à determinação do lucro real e do imposto de renda da pessoa jurídica, pois concordamos com o entendimento da decisão recorrida. Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento do reconhecimento de receitas. São os recursos aplicados “em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social”, nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 1 1.63 8/2007), que devem ser diferidos. Isso decorre do princípio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores : (i) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só podem ser reconhecidas no período da realização das receitas em relação as quais contribuíram para a sua obtenção [Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, a qual foi adotada inclusive pela CVM]. (...) Ou seja, os dispêndios que vejam a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É em razão deste princípio que há a previsão do diferimento de despesas na fase pré-operacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. As receitas devem ser reconhecidas como tais no período de sua realização. Desse modo, mesmo na intitulada fase pré-operacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as não-operacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento”. (negritou-se) Fl. 936DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 Pois bem, sem necessidade de maiores digressões, resta patente que a divergência se materializou no confronto entre os dois Acórdãos, o recorrido dispondo não ser obrigatória a tributação das receitas que geraram o IRRF utilizado na compensação e o paradigma adotando posição reversa, pela forçosa imposição tributária, se se pretender utilizar o imposto retido para compor o saldo negativo do IRPJ. Assim, vê-se que o dissenso restou estampado. [...] No mérito, requer a Fazenda Nacional a reforma do acórdão recorrido, com o consequente restabelecimento da decisão proferida em primeira instância, ou seja, no sentido de que somente pode compor o saldo negativo de IRPJ, ainda que em fase pré-operacional, o IRRF relativo a receitas financeiras que tenham sido oferecidas à tributação no próprio ano de seu auferimento. O processo foi encaminhado à unidade de origem em 13/08/2015 (fl. 891) para que a contribuinte fosse cientificada do Acórdão nº 1103-00.719, do recurso especial da Fazenda Nacional e de sua admissão. Antes mesmo de sua intimação formal, a contribuinte deu-se por intimada em 24/05/2017 (fl. 898) e apresentou, em 08/06/2017 (fl. 899), as Contrarrazões de fls. 901-916. Embora o documento mencione “demonstração das razões pelas quais o Recurso Especial não deve ser conhecido”, verifica-se que somente foram abordadas questões de mérito, em razão das quais a contribuinte requer, ao final, que seja mantida a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 937DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 CONHECIMENTO O Recurso Especial é tempestivo. Conforme relatado, a contribuinte foi intimada e apresentou Contrarrazões ao Apelo Especial interposto pela Fazenda Nacional. Apesar de o documento declarar que seriam apresentadas razões pelas quais o Recurso não poderia ser conhecido, não foram identificadas alegações a este respeito. De toda forma, manifesto minha concordância quanto ao que foi disposto no Despacho de Admissibilidade de fls. 886-890, no sentido de que foi demonstrada pela Fazenda Nacional a existência de divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o Acórdão paradigma nº 1201-00.180. Verifica-se que o Acórdão nº 1103-00.719, ora recorrido, concluiu pela possibilidade do diferimento da tributação sobre receitas financeiras auferidas na fase pré- operacional e, como consequência, pela possibilidade de restituição ou compensação do saldo negativo decorrente da retenção do imposto de renda sobre tais receitas financeiras, absorvidas pelas despesas pré-operacionais. Já o Acórdão nº 1201-00.180, único paradigma indicado pela recorrente, efetivamente abraça entendimento divergente daquele, por considerar que: (i) as receitas, entre elas as financeiras auferidas em fase pré-operacional, somente podem ser reconhecidas quando realizadas; e (ii) se tais receitas não foram declaradas e computadas na apuração do lucro real, as respectivas retenções de IRRF não podem ser incluídas cálculo de saldo negativo de IRPJ passível de compensação. Assim, por concordar com o aludido Despacho de Admissibilidade e com fulcro no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, encaminho meu voto pelo CONHECIMENTO do Recurso Especial. 2 MÉRITO A matéria sob julgamento no presente contencioso não é nova e já foi apreciada por este Colegiado em algumas ocasiões. Na sessão de julgamento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nos autos do processo administrativo tributário nº 10768.015971/2002-14, tive a oportunidade de manifestar minha concordância com o posicionamento exposto pela i. Conselheira Edeli Pereira Bessa. Naquele julgamento, que culminou na prolação do Acórdão nº 9101-005.223, a maioria dos membros desta 1ª Turma da CSRF votou com a Relatora (Conselheira Lívia de Carli Fl. 938DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 Germano) pelas conclusões, no sentido de negar provimento ao recurso especial fazendário. Os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros foram, então, expostos na Declaração de Voto redigida pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Na Declaração de Voto em questão, a conselheira faz extensas referências ao voto condutor de outra decisão, o Acórdão nº 9101-004.482, em que atuou como Relatora. Aquele acórdão também decidiu por negar provimento a Recurso Especial por meio do qual a Fazenda Nacional contestava o entendimento de Turma Ordinária que reconhecera o direito do contribuinte a diferir a tributação de receitas financeiras auferidas em fase pré-operacional e, também, de utilizar, em compensação tributária, o saldo credor de IRPJ calculado a partir da dedução do IRRF referente àquelas receitas não oferecidas à tributação no mesmo ano da retenção do imposto em fonte. O voto condutor do Acórdão nº 9101-004.482, examinando situação fática semelhante à enfrentada nos presentes autos, em que o contribuinte teve, em ano-calendário situado em sua fase pré-operacional, despesas financeiras em valor superior ao das receitas financeiras, delimitou da seguinte forma a controvérsia: O acórdão recorrido está pautado, basicamente, na Solução de Divergência COSIT nº 32, de 05 de agosto de 2008, assim referida no seu voto condutor: Tal como evidenciado no relatório acima elaborado, a recorrente apresentou DCOMP, indicando crédito referente ao ano-calendário 2008, argumentando que inaugurou sua unidade industrial em 16 de novembro de 2009, encontrando-se, até então, em fase pré-operacional, asseverando que durante o período que precedeu o início de suas atividades, incorreu em despesas pré-operacionais e financeiras, todas relacionadas à sua atividade fim, bem como teria auferido receitas decorrente de aplicações financeiras. Por tais razões é que sustentou que ao longo do ano-calendário 2008, suportou a retenção na fonte do imposto sobre a renda, os quais foram devidamente registrados e contabilizados em ativo diferido, na forma da legislação então vigente, concluindo, destarte, que ao final do referido ano-calendário, apurou crédito decorrente de saldo negativo de imposto de renda, no montante total de R$ 2.054.188,51. Tanto o Despacho Decisório quanto a decisão recorrida, entenderam que tendo em vista que as receitas financeiras não foram computadas na apuração do lucro real, não é possível a dedução do respectivo IRRF, não existindo, em consequência o saldo negativo indicado pela interessada. Necessário, portanto, relembrar o que dispõe a solução de divergência COSIT nº 32 de 05.08.2008, cuja ementa é a seguinte: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Ora, verifica-se pelo entendimento da própria Administração que não há razão para se concluir que o resultado financeiro positivo obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, visto que a legislação comercial, que consagra o princípio da Fl. 939DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 competência, inclusive no que se refere ao ativo diferido e cuja observância é determinada pela legislação tributária, estabelece que devem ser registrados no ativo diferido, o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo, sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas, devendo haver tributação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas pré-operacionais. [...] O que se tem nos autos, é que a recorrente apurou despesas pré-operacionais no montante de R$ 9.073.927,29, despesas financeiras no total de R$ 12.596.375,27 e receitas financeiras do período de R$ 9.470.059,35, resultando em um saldo de Ativo Diferido de R$ 12.200.243,20, sendo que o saldo líquido negativo no valor de R$ 3.126.315 registrado sob a rubrica “despesas e receitas financeiras líquidas”, corresponde a diferença entre o valor das despesas financeiras e as receitas financeiras, de sorte que o correspondente saldo do Ativo Diferido em 31/12/2008, registrado na Linha 58 da Ficha 36A, da DIPJ, representa o saldo das despesas financeiras, já deduzidas as receitas financeiras. Sendo as despesas financeiras maiores que as receitas financeiras, conforme evidenciado acima, e tendo sido declaradas no ativo diferido, na existência de saldo negativo de IRPJ, apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. A PGFN defende que, nos termos do art. 2º, §4º, inciso III da Lei nº 9.430, de 1996, somente são dedutíveis na determinação do saldo de IRPJ a pagar ao final do ano- calendário o imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. A legislação tributária, de outro lado, toma como referência o lucro líquido apurado segundo as disposições da legislação comercial e também impõe a observância dos princípios contábeis da realização das receitas e da competência (art. 218 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99), porém o art. 179, V da Lei nº 6.404, de 1976 e o art. 325, inciso II do RIR/99 permitem o diferimento, apenas, das despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, razão pela qual não cabe ao intérprete concluir que, para fins da incidência do imposto de renda, os rendimentos financeiros auferidos nesse período pudessem ter o mesmo tratamento, mormente tendo em conta que o art. 76, §2º da Lei nº 8.981, de 1995 é contundente no sentido de que os rendimentos de aplicações financeiras devem ser reconhecidos no período em que foram auferidos, independentemente, de a empresa encontrar-se em fase pré- operacional. Acrescenta que o lucro real tem como ponto de partida o lucro líquido do exercício, ajustado por adições, exclusões e compensações, e conclui que, ainda que a contabilização dos rendimentos financeiros, em conta redutora de ativo diferido, seja permitida, é inadmissível que, na apuração do lucro real, a contribuinte não os ofereça à tributação e, além disso, queira compensar o imposto retido no ano-calendário de 2008. A recorrente, portanto, não discorda do diferimento das despesas pré-operacionais. Apenas defende que as receitas financeiras submetidas a retenções na fonte, por imposição do art. 76, §2º da Lei nº 8.981, de 1995, devem ser adicionadas ao lucro real e, sem esta providência, o sujeito passivo não pode deduzir as retenções sofridas na apuração do saldo negativo de IRPJ do período. Já o paradigma sequer vislumbra a possibilidade de as receitas financeiras serem escrituradas em conta redutora do ativo diferido, interpretando que o art. 179, inciso V da Lei nº 6.404, de 1976 (em sua redação anterior à Lei nº 11.638, de 2007) somente autorizava o registro das despesas pré- operacionais em ativo diferido, além de a Resolução CFC nº 750, de 1993 impor que as receitas sejam reconhecidas no período de sua realização, ainda que em fase pré- operacional. Fl. 940DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 (destaques no original) Na sequência, o voto analisa especificamente o Acórdão nº 1201-00.180, paradigma indicado pela Fazenda Nacional tanto no Recurso Especial interposto naquele processo (nº 10835.720298/2009-55) quanto na insurgência objeto do julgamento ora em andamento. Da análise, observa que o paradigma, ao contrário do acórdão recorrido, não admite a possibilidade de uma empresa em fase pré-operacional computar no ativo diferido o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras auferidas/incorridas no período: Assim está expresso o voto condutor do paradigma nº 1201-00.180: Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento do reconhecimento de receitas. São os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidos. Isso decorre do princípio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores : (i) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só podem ser reconhecidas no período da realização das receitas em relação as quais contribuíram para a sua obtenção. Abaixo, transcrevemos a ementa relativa a este último princípio, que foi veiculado pela Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, a qual foi adotada inclusive pela CVM: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem... " Ou seja, os dispêndios que vejam a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. E em razão deste princípio que há a previsão do diferimento de despesas na fase pré-operacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. As receitas devem ser reconhecidas como tais no período de sua realização. Desse modo, mesmo na intitulada fase pré-operacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as não-operacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, se os juros foram obtidos em razão de uma aplicação financeira num certo ano, é neste ano que devem ser reconhecidos como receitas financeiras, ainda que não recebidos e mesmo que a entidade não esteja também obtendo receitas da sua atividade operacional. Destaque-se, mais uma vez, que as despesas só são reconhecidas como tais quando confrontadas às respectivas receitas e não o contrário. Não cabe restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos financeiros, mas apenas o saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica decorrente de tais retenções. Estas, porém, só podem ser reconhecidas na Fl. 941DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 declaração se as respectivas receitas financeiras compuseram o resultado do exercício, o que não ocorreu. [...] Observa-se nos argumentos deduzidos no acórdão recorrido e no paradigma que a divergência entre eles se estabelece, inicialmente, pela desconsideração, no paradigma, da possibilidade de a pessoa jurídica em fase pré-operacional computar no ativo diferido o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras daquele período. A Lei nº 6.404, de 1976, de fato, apenas dispunha, em sua redação original, que: Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. § 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: [...] c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobilizado e ativo diferido. [...] Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: [...] V - no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. [...] Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] VI - o ativo diferido, pelo valor do capital aplicado, deduzido do saldo das contas que registrem a sua amortização. [...] § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: [...] b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; [...] § 3º Os recursos aplicados no ativo diferido serão amortizados periodicamente, em prazo não superior a 10 (dez) anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios deles decorrentes, Fl. 942DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 devendo ser registrada a perda do capital aplicado quando abandonados os empreendimentos ou atividades a que se destinavam, ou comprovado que essas atividades não poderão produzir resultados suficientes para amortizá-los [...] Art. 185. Nas demonstrações financeiras deverão ser considerados os efeitos da modificação no poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do exercício. (Revogado pela Lei nº 7.730, de 1989) § lº Serão corrigidos, com base nos índices de desvalorização da moeda nacional reconhecidos pelas autoridades federais: (Revogado pela Lei nº 7.730, de 1989) a) o custo de aquisição dos elementos do ativo permanente, inclusive os recursos aplicados no ativo diferido, os saldos das contas de depreciação, amortização e exaustão, e as provisões para perdas; [...] (negrejou-se) (destaques no original) A partir da dualidade de entendimentos posta, o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa passa à análise jurídica da controvérsia, que acolho como minha no presente voto: Contudo, o Decreto-lei nº 1.598, de 1977 veio dispor que: Art. 17 - Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Parágrafo único - Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas: a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, a correção monetária prefixada e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata tempore , nos exercícios sociais a que competirem; b) os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e pré-operacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. (negrejou-se) Ante a permissão de diferimento dos encargos financeiros verificados na fase pré- operacional, a Secretaria da Receita Federal firmou entendimento em favor do diferimento do saldo negativo verificado entre despesas e receitas financeiras pertinentes àquele período, assim estipulando ao disciplinar a correção monetária das demonstrações financeiras por meio da Instrução Normativa SRF nº 54, de 1988: “ 2. EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL 2.1 Durante o período que anteceder o início das operações sociais ou a implantação do empreendimento inicial a pessoa jurídica deverá apurar o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado líquido da correção monetária do balanço, o qual terá o seguinte tratamento: Fl. 943DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 a) se devedor, será acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, do ativo diferido; b) se credor, será diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base. 2.2 Caso o saldo conjunto credor, referido no subitem anterior, exceda o total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base, o excesso deverá compor o lucro líquido do exercício e poderá ser totalmente diferido como lucro inflacionário.” Recorde-se que, à época, receitas e despesas financeiras representavam repercussões inflacionárias cuja tributação poderia ser diferida após sua conjugação com o resultado da correção monetária de balanço, assim constituindo lucro inflacionário, na forma do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 1994 – RIR/94: Art. 416. Considera-se lucro inflacionário, em cada período-base, o saldo credor da conta de correção monetária ajustado pela diminuição das variações monetárias e das receitas e despesas financeiras computadas no lucro líquido do período-base (Lei nº 7.799/89, art. 21). § 1º O ajuste será procedido mediante a dedução, do saldo credor da conta de correção monetária, de valor correspondente à diferença positiva entre a soma das despesas financeiras com as variações monetárias passivas e a soma das receitas financeiras com as variações monetárias ativas (Lei nº 7.799/89, art. 21, § 1º). § 2º Lucro inflacionária acumulado é a soma do lucro inflacionário do período- base com o saldo de lucro inflacionário a tributar transferido do período-base anterior (Lei nº 7.799/89, art. 21, § 2º). § 3º O lucro inflacionário a tributar será registrado em conta especial do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e o saldo transferido do período-base anterior será corrigido monetariamente, com base na variação da Ufir diária entre o dia do balanço de encerramento do período-base anterior e o dia do balanço do período-base da correção (Lei nº 7.799/89, art. 21, § 3º). Art. 417. Em cada período-base considerar-se-á realizada parte do lucro inflacionário acumulado proporcional ao valor, realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária (Lei nº 7.799/89, art. 22). [...] A primeira questão que se coloca, portanto, diz respeito à subsistência desta orientação normativa depois da extinção da correção monetária de balanço. O caso sob análise evidencia despesas financeiras superiores às receitas financeiras do período, cujo saldo foi acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, do ativo diferido, na forma do item 2.1, letra “a”, da Instrução Normativa SRF nº 54, de 1988. Esta 1ª Turma já se manifestou contrariamente ao entendimento defendido pela recorrente ao proferir o Acórdão nº 9101-001.052, na sessão de 28 de junho de 2011, assim ementado: IRPJ. Fase Pré-operacional. O saldo líquido negativo decorrente de despesas financeiras superiores às receitas financeiras incorridas durante a fase pré- operacional deve ser lançado a débito da conta de ativo diferido, para futuras amortizações. O IRRF incidente sobre tais receitas financeiras - absorvidas pelas despesas financeiras durante a fase pré-operacional - se constitui em dedução do imposto devido e poderá gerar imposto de renda a restituir ou compensar. Fl. 944DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 Do voto condutor do ex-Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior extrai-se: A questão posta, para ser dirimida por este Colegiado, prende-se unicamente em saber, primeiramente, qual o tratamento previsto pela legislação fiscal para a receitas financeiras auferidas durante a fase pré-operacional da contribuinte e, em segundo, se o IRRF incidente sobre tais receitas devem ser lançados como deduções do imposto devido no cálculo do imposto a pagar/restituir. A contabilização de gastos na fase pré-operacional foi objeto de análise nos Pareceres CST nº 376/71, 72/75 e 110/75. Note-se que, embora todos esses pronunciamentos sejam anteriores à Lei nº 6.404/76 e ao DL 1.598/77, interpretam norma tributária ainda hoje em vigor, qual seja, o art. 58, § 3º, alínea “a”, da Lei nº 4.506/64, in verbis: Art. 58. Omissis. [...] § 3º Poderão ser também amortizados, no prazo mínimo de 5 (cinco) anos: a) a partir do início das operações as despesas de organização pré- operacionais ou pré-industriais; [...] Os referidos pareceres, ao interpretar tal dispositivo legal, deixam ainda mais claro que as despesas pré-operacionais devem ser registradas no ativo diferido, para posterior amortização no prazo mínimo de 5 anos a contar do momento em que se iniciar a fase operacional. A questão que se coloca é outra e não foi, até hoje, exaustivamente tratada pela legislação tributária nem pelos atos infralegais do Fisco, qual seja, qual o tratamento que deve ser dado às receitas auferidas na fase pré-operacional, inclusive às receitas financeiras. A recorrente, muito a propósito, cita e transcreve a posição da doutrina contábil, mas precisamente do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações de autoria dos renomados professores Sérgio Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Gelbcke. Realmente, sob o ponto de vista puramente contábil, esses ilustres autores não deixam dúvida de que as receitas devem estar em conta específica à parte, classificada como redução das despesas pré-operacionais, pois só não são tratados como redução do ativo diferido, os resultados derivados de fatores não relacionados com a implantação das condições de funcionamento da contribuinte. Todavia, a recorrente omitiu passagem importante da mesma obra, quando assim professam os aludidos autores (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª edição, Atlas, SP, 2008, p. 239 a 241): “As considerações anteriores baseiam-se no conceito contábil do problema. Todavia, deve-se conhecer o entendimento fiscal, também, o qual apresenta algumas divergências em relação ao conceito contábil. ........................................................................................................ Entretanto, para o Fisco, não existe a figura do saldo líquido. O inciso II do art. 325 do Regulamento do Imposto de Renda só aceita o diferimento de custos, encargos ou despesas, enquanto seu art. 373 exige a tributação Fl. 945DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 das receitas financeiras, independente de se referir ou não a empreendimentos pré-operacionais. Por outro lado, o Fisco, de acordo com o art. 418 do Regulamento do Imposto de Renda, considera tributáveis os ganhos ou perdas de capital, isto é, o lucro ou prejuízo com a venda de bens integrantes do ativo permanente, o que inclui até mesmo o veículo usado administrativamente em fase pré-operacional. .................................................................................................................. Diante dessas colocações, o correto seria que uma empresa, obtendo saldo credor de resultado em suas atividades pré-operacionais, fizesse o registro como resultado (tanto financeiro como de capital ), somente para fins fiscais, no Livro de Apuração do Lucro Real. De qualquer forma, tais situações tendem a ser raras.” A conclusão de que as receitas financeiras e os ganhos de capital independemente de se referirem ou não a empreendimentos em fase pré- operacional, devam ser tributados imediatamente não decorre de disposição expressa de lei, se não vejamos como dispõe o art. 373 do RIR/99: “Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º).” Ora, as leis tributárias são silentes com relação ao tratamento das receitas auferidas durante a fase pré-operacional, diga-se que não somente com relação às receitas financeiras e aos ganhos de capital. Todavia, isso não quer dizer necessariamente que tais receitas devam ter o tratamento contábil ordinário que a legislação prevê para as receitas auferidas na fase operacional da empresa, como parece ter sido a conclusão dos doutos contadores. Aliás, nesse ponto vale trazer à colação excerto do Parecer CST no 110/75, in verbis: “9. Resultado de transações extra-operacionais 9.1 – O resultado – positivo ou negativo – de operações extra- operacionais, comuns durante a fase pré-operacional, devem ser apurados como transações eventuais em conformidade com o que determina o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75. ...os resultados líquidos de transações eventuais serão demonstrados pela escrituração da empresa, feita de acordo com as prescrições legais, destacadamente do lucro operacional. 9.2 – A apuração deve ser feita no mesmo período-base de sua ocorrência e o respectivo resultado incluído na declaração de rendimentos do exercício financeiro correspondente ou, em caso de prejuízo, acumulável para posterior compensação com lucros” Assim, correto o procedimento da contribuinte em calcular o resultado pré- operacional em apartado do lucro operacional. Da mesma forma, correto o lançamento do saldo líquido negativo (despesas financeiras superiores às receitas financeiras incorridas durante a fase pré-operacional) a débito da conta de ativo diferido, para futuras amortizações. Tal entendimento já vinha sendo sustentado Fl. 946DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 desde 1978, quando, ao interpretar o art. 17 do DL nº 1.598/77, a Portaria nº 475/78, do Ministro de Estado da Fazenda assim já sustentava. Posteriormente, a Instrução Normativa SRF nº 54/88 veio reforçar o entendimento, quando assim dispôs: “ 2. EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL 2.1 Durante o período que anteceder o início das operações sociais ou a implantação do empreendimento inicial a pessoa jurídica deverá apurar o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado líquido da correção monetária do balanço, o qual terá o seguinte tratamento: a) se devedor, será acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, do ativo diferido; b) se credor, será diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base. 2.2 Caso o saldo conjunto credor, referido no subitem anterior, exceda o total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base, o excesso deverá compor o lucro líquido do exercício e poderá ser totalmente diferido como lucro inflacionário.” Não obstante a IN 54/88 tratasse de normas de correção monetária para os empreendimentos em fase pré-operacional, as disposições acima transcritas transcediam a matéria central, pois o tratamento dado às despesas e receitas financeiras não era decorrente da lógica do sistema de correção monetária de balanços, mas da interpretação da legislação tributária aplicável ao contexto, ou seja, ao contribuinte em fase de pré-operação. Por outro lado, é verdade que a IN 54/88 foi revogada pela IN SRF 79/00, mas isso se deve unicamente ao fim da correção monetária de balanço – a matéria central da IN. Ademais, durante os fatos geradores em tela (1997, 1998 e 1999), a IN 54/88 estava em vigor. Ad argumentandum, se as receitas financeiras auferidas na fase pré-operacional devessem ser levadas a resultado, também, deveriam ser as despesas financeiras, sob pena de ofensa ao princípio do confronto das despesas e receitas. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais devemos ativar despesas pré-operacionais para confrontá-las no futuro com as receitas ainda não geradas nesta fase. Ora, no caso em tela, se levássemos as receitas e despesas financeiras a resultado dos exercícios, seriam apurados prejuízos contábeis e, consequentemente, fiscais, já que não haveria ajustes aos resultados dos períodos de 1997 a 1999. Ou seja, conforme demonstrado e não contestado nos autos, as despesas financeiras superaram as receitas financeiras nos períodos em tela, assim sendo, a contribuinte teria prejuízo fiscal nos anos-calendários de 1997 a 1999, logo, o IRRF incidente sobre as receitas financeiras passariam, da mesma forma, a ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal. Assim sendo, seja contabilizando corretamente as despesas e receitas financeiras no ativo diferido ou, erroneamente, lançando-as em resultado do exercício, a contribuinte não teria imposto devido e, consequentemente, o IRRF que incidiu sobre tais receitas financeiras geraria IRPJ a restituir/compensar. Por último, então, há que se perquirir se o IRRF sobre as receitas financeiras são deduções do imposto devido ainda que a contribuinte não tenha apurado Fl. 947DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 resultado e, consequentemente, que as receitas financeiras não tenham sido computadas na apuração do lucro real do período. [...] O art. 2º, § 4º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, ao dispor que será dedutível do IRPJ devido o IRRF incidente sobre receita computada na determinação do lucro real, não cria nenhum óbice à dedutibilidade de IRRF sobre receita financeira auferida na fase pré-operacional. Primeiramente, o dispositivo não impõe expressamente que o IRRF seja dedutível no mesmo período em que a receita financeira foi computada no lucro real. Na verdade, essa é a regra para situações ordinárias. Todavia, a fase pré- operacional é situação, além de transitória, excepcional, onde há um descasamento entre as despesas e receitas, tanto que há necessidade, em respeito ao princípio do confronto entre receitas e despesas, que ativemos as despesas para futura amortização quando as receitas começarem a ser geradas. Ora, no caso em tela, pelo procedimento contábil-fiscal retro demonstrado, as receitas financeiras entrarão no cômputo do lucro real à medida que o saldo negativo (valor das despesas financeiras que as suplantaram) começar a ser amortizado. Assim, no caso de pessoa jurídica em fase pré-operacional, o IRRF será dedutível em período diferente daquele em que a receita respectiva deverá entrar cômputo do lucro real. [...] O entendimento aqui exarado encontra esteio em decisões da própria Administração tributária, como, por exemplo, na Solução de Consulta nº 44, de 1º de fevereiro de 2008, da 8ª Região Fiscal (DOU de 06/03/2008, seção 1, p. 21), a qual encontra-se assim ementada: “No caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração e, eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré- operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB.”. Posto isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte, para reconhecer o seu direito creditório referente ao IRRF incidente sobre receitas financeiras auferidas durante a fase pré-operacional– anos- calendários 1997, 1998 e 1999. Neste sentido também são as diversas Soluções de Consulta citadas pela Contribuinte desde a impugnação: [...] Retomando a questão, tem-se que o art. 58, §3º, alínea “a” da Lei nº 4.506, de 1964, incorporado ao art. 325, II, alínea “a” do RIR/99, e o art. 17, parágrafo único do Decreto nº 1.598, de 1977, base legal do art. 374, inciso II do RIR/99, permitem o registro em ativo diferido das despesas financeiras incorridas em fase pré-operacional. Neste contexto, compartilha-se do entendimento expresso no voto condutor do Acórdão Fl. 948DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 nº 9101-001.052 de que o art. 373 do RIR/99 – que dentre outros dispositivos legais, tem por fundamento o art. 76, §2º da Lei nº 8.981, de 1995, invocado pela recorrente – não impõe o cômputo, no lucro real, das receitas financeiras auferidas em período pré- operacional, por não disciplinar expressamente a matéria, e também porque concluir em sentido diverso ofenderia o princípio do confronto das despesas e receitas. Acrescente-se que as circunstâncias fáticas aqui presentes são semelhantes àquelas analisadas no Acórdão nº 9101-001.052, pois, no período em questão, as despesas financeiras também superaram as receitas financeiras em R$ 3.524.245,55. Logo, se afastada a possibilidade de diferimento dos resultados financeiros depois da extinção da correção monetária de balanço, a apropriação no lucro tributável das receitas e despesas financeiras registradas pela Contribuinte resultaria em prejuízo fiscal e na conversão integral das retenções sofridas em saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2008. (destaques no original) Conclui-se, portanto, em linha com o precedente exibido, que inexiste óbice legal ao diferimento das receitas financeiras logradas durante a fase pré-operacional, que é plenamente justificável diante da transitoriedade e da excepcionalidade da referida fase. Tampouco veda a legislação tributária a utilização do imposto retido sobre tais receitas financeiras na apuração de saldo negativo de IRPJ no próprio ano-calendário das retenções. A este respeito, acrescento a pertinente observação feita pela conselheira Edeli Pereira Bessa na Declaração de Voto integrante do Acórdão nº 9101-005.223: Assim, também aqui, se a empresa estiver em atividade pré-operacional, ela deve ser compensada pelo desembolso da retenção sobre receitas financeiras que ainda não se sujeitam à tributação por conta do diferimento antes admitido. A incidência sobre estas receitas financeiras, porque auferidas em fase pré-operacional, fica diferida para o início das atividades da pessoa jurídica, quando a empresa não mais contará com as retenções na fonte para reduzir o IRPJ incidente sobre o resultado fiscal onerado com a amortização do ativo diferido em montante reduzido pelas receitas financeiras nele apropriados. Logo, a permissão de dedução das retenções neste contexto de atividade pré-operacional presta-se a desfazer os efeitos financeiros da retenção sofrida em período anterior ao de incidência sobre a receita auferida. Diante de todo o exposto, reconheço o direito da contribuinte a pleitear crédito relativo a saldo credor de IRPJ apurado com a utilização de IRRF incidente sobre receitas financeiras auferidas em fase pré-operacional e diferidas. Esclareço, contudo, que a manutenção da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1103-00.719 demanda o retorno dos autos à unidade de origem para o exame da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado, inclusive porque o saldo credor de IRPJ apurado pela contribuinte no ano-calendário 2002 também foi indicado como crédito nas compensações objeto do processo administrativo nº 10580.001247/2003-74. Assim, encaminho meu voto por negar provimento ao seu Recurso Especial interposto pela PGFN, mantendo-se a decisão recorrida. Fl. 949DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-005.745 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10580.720089/2006-06 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 950DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
