Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10425.001308/2003-96
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JERÍDICA — IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/1998,30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998
NULIDADE DA DECISÃO.
Comprovado nos autos que a decisão prolatada em primeiro grau observou todos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72, não feriu o artigo 59 do retendo diploma legal e constatando-se, ainda, incongruência nos aspectos divergentes suscitados pela contribuinte como não apreciado no julgamento com o lançamento tributário realizado, afasta-se a argüição de nulidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO.
É regular o procedimento de fiscalização que na ausência da escrituração contábil do contribuinte e verificado tratar-se de empresa irregularmente constituída procede ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n°9430/96.
ÓNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
MULTA DE OFÍCIO DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
INCONSTITUCIONALIDADE
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionandade não foi reconhecida pelo STF. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não
ao aplicador da lei.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL, COFINS e PIS.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1801-000.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200908
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JERÍDICA — IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1998,30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998 NULIDADE DA DECISÃO. Comprovado nos autos que a decisão prolatada em primeiro grau observou todos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72, não feriu o artigo 59 do retendo diploma legal e constatando-se, ainda, incongruência nos aspectos divergentes suscitados pela contribuinte como não apreciado no julgamento com o lançamento tributário realizado, afasta-se a argüição de nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que na ausência da escrituração contábil do contribuinte e verificado tratar-se de empresa irregularmente constituída procede ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n°9430/96. ÓNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. MULTA DE OFÍCIO DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionandade não foi reconhecida pelo STF. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL, COFINS e PIS. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10425.001308/2003-96
anomes_publicacao_s : 200908
conteudo_id_s : 5275961
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.085
nome_arquivo_s : 180100085_165770_10425001308200396_013.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 10425001308200396_5275961.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
id : 4612765
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932681375744
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:47:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:47:21Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:47:22Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:47:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:47:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:47:22Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:47:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:47:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:47:21Z; created: 2010-04-05T15:47:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2010-04-05T15:47:21Z; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:47:21Z | Conteúdo => SI—TEM Fl I ti:Gt" ts'• MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 = 6....sf.:55 Zzl CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10425.001308/2003-96 Recurso n° 165.770 Voluntário Acórdão n" 1801-00.085 — 12 Turma Especial Sessão de 25 de agosto de 2009 Matéria IRRT E OUTROS Recorrente JOSÉ BEZERRA FILHO Recorrida 4A — DRJ NO RECIFE - PE. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JERÍDICA — IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1998,30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998 NULIDADE DA DECISÃO. Comprovado noa autos que a decisão prolatada em primeiro grau observou todos os requisitos previstos no Decreto n" 70.235/72, não feriu o artigo 59 do retendo diploma legal e constatando-se, ainda, incongruência nos aspectos divergentes suscitados pela contribuinte como não apreciado no julgamento com o lançamento tributário realizado, afasta-se a argüição de nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que na ausência da escrituração contábil do contribuinte e verificado tratar-se de empresa irregularmente constituída procede ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n°9430/96. ÓNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. MULTA DE OFÍCIO DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCA- TÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionandade não foi reconhecida pelo STF. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL, COFINS e PIS. _41° Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do eolegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS PERNANDES - Presidente e Relatora EDITADO EM: 1\ 5 \v\ ?_OPYt5 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Pires (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres, Marcos Vinícius Barros Ottoni (Vice-Presidente) e Ana de Barros Fernandes (Presidente). Ausente, temporariamente, a Conselheira Cheryl Bemo. • 2 - Processo n" 10425.001308/2003-96 SUTE01 Acórdão n, 1801-00.085 Fl. Relatório A- fiscalização iniciou-se com a seleção do contribuinte pessoa física omisso na entrega da DIRPF relativa ao ano-calendário de 1998, mas com relevante movimentação financeira da ordem aproximada de R$ 3303.000,00. Intimado a apresentar cópias dos extratos financeiros, apresentou-os às fls. 35 a 95 (Banco Bradesco e Banco Baú) e esclareceu que, corno autônomo, transacionava veículos. O contribuinte entregou à fiscalização diversos documentos que comprovam a sua condição no comércio de veículos, mas intimado a justificar a origem de cada credito bancário, não logrou fazê-lo — fls. 119 a 233. A fiscalização intimou-o a cadastrar-se como pessoa jurídica, equiparado a esta, sob pena de ser inscrito ex officio, bem como entregar a D1RPJ correspondente ao período — fls. 234. Às fls. 235 renunciou do prazo concedido e esclareceu não ter condições de levantar as receitas do período, entendendo que deveria ter seu lucro arbitrado conforme disposto no artigo 42 da Lei n°9.430)96. Inscrito de oficio, Es. 244, procedeu-se à autuação para exigência do IRES devido, bem como CSLL, Pis e Cofias, tributação reflexa. Tudo conforme está esclarecido no Termo de Verificações de fls. 303 a 305, parte integrante dos Autos de Infração de fls. 03 a 21. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 310 a 330, que foi apreciada pela Sexta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I. O Acórdão n° 12-16.571/07 reconheceu a improcedência parcial do lançamento tributário em razão de parte das exigências fiscais terem sido alcançadas pela decadência. Também declarou a improcedência das exigências a título de Cofins e Pis quantificadas trimestralmente, ao invés de mês a mês, conforme estipulado na norma de regência. Assim restou ementado o referido acórdão: PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A PESSOA JURIDICA. São empresas individuais, equiparadas às pessoas jurídicas, as pessoas fisicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de ser por 3 homologação o lançamento do referido tributo desde o advento da Lei n°8.383, de 1991. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Configuram omissão de receita, a partir de 1997, por presunção legal relativa os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 ° de janeiro de 1997, o art. 42, da Lei n ° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. A movimentação, pelo Interessado, de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade valida a presunção legal de receita omitida, com base nos depósitos efetuados sem a prova da origem dos recursos. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar ci sua aplicação, Outros Tributos ou Contribuições TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSIL. A procedência em parte do lançamento do IRPJ implica a manutenção parcial da exigência de CSLL, dele decorrente, na medida que não há Ritos novos a ensejarem conclusões diversas. Colhi& e PIS. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Os lançamentos de oficio que aplica período de apuração trimestral para a Cofins e para o PIS ao invés do mensal, devem L . ser considerados improcedentes pela inobservância dos critérios temporal e quantitativo previstos pelo art. 142 da Lei n" 5.172/66. Portanto, ressalto que, da exigência inicial, restaram somente as parcelas de IREI c CSLL relativos ao 4° Trimestre do ano de 1998 para ser apreciada em segunda instância. 4 Processo n° 10425.001308/2003-96 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.085 (ri O contribuinte, tempestivamente, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 387 a 411 argumentando, em síntese; nulidade da decisão de primeira instância, porque não se manifestou a respeito da argumentação da contribuinte de que é mera intermediária nas transações com veículos, repassando parte do lucro a outras- duas pessoas e um valor fixo ao dono de estabelecimento comercial quando efetua as transações naquele recinto; a decisão está eivada de vícios, ainda, porque face às declarações de terceiros apresentadas junto à fiscalização, esta não se manifestou sobre as provas e nem acatou-as para reformar os valores da autuação; • a ausência de motivação é causa de nulidade; a motivação deve ser explicita, clara e congruente, conforme dispõe o artigo 50, §1°, da Lei 8.794/99; em vista das provas da atividade desenvolvida pela contribuinte, no caso extratos bancários e declarações de terceiros sobre valores repassados, a fiscalização não poderia presumir que os valores que transitavam nas contas bancárias da recorrente constituem renda; essas provas apresentadas são suficientes para descaracterizar a presunção relativa que ensejou o lançamento tributário; basta uma rápida análise dos extratos bancários para se perceber que os valores apenas transitam na conta bancaria, sendo recebidos e transferidos logo após; assim resta comprovado que os valores tributados referem-se à movimentação financeira e não renda; a receita da recorrente restringe-se às comissões recebidas em virtude das interrnediações; quanto à compatibilidade entre a movimentação financeira e a declaração do contribuinte, pois é impossível já que não espelha a receita deste; a Lei n°9.716/98 e a IN/SRF tf' 152/98dipõ em que somente a diferença entre • o custo de aquisição e o valor da revenda é que devem ser submetidos à tributação, estando a autuação realizada em flagrante descompasso com as normas; discorre sobre os dispositivos legais acima; impossibilidade de tributar-se com base em presunção simples e cita doutrina tributária que entende corroborar com sua tese; ofensa ao principio da legalidade tributária com a assunção de que depósito bancário seja renda; invoca acórdãos administrativos de julgamentos de pessoas físicas autuadas anteriormente à edição do artigo 42 da Lei n°9.430/96; por fim, insurge-se contra a aplicação da multa de oficio regular (75%) por entender que possui caráter confiscatódo. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. 5 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora Conheço do presente Recurso Voluntário, por tempestivo. Trata-se de litígio no qual se discute o cabimento da autuação com fulcro no artigo 42 da Lei nr) 9.430/96, de pessoa tisica considerada legalmente empresa individual e, para efeitos de imposto de renda, equiparada à pessoa jurídica (artigo 127 do RIR194; art. 150 RIR199), a qual confessa intermediar a compra e venda de veículos. A pessoa fisica não entregou DIRPF no período e ainda que intimada a inscrever-se no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídicas — CNPJ, dadas as suas atividades de comércio, e a entregar a DIRPJ relativa ao período e cumprir com as obrigações tributárias acessórias inerentes às pessoas jurídicas, declarou por escrito que não tinha condições de apurar as suas receitas. Até o encerramento da fiscalização e ainda durante o curso desse processo não apresentou qualquer contabilidade, por mais simples — Livro Caixa, ao menos, - que pudesse servir para quantificar os montantes tributáveis decorrentes da sua atividade, se limitando a apresentar declarações de terceiros para quem alega que repassava 40% do lucro auferido e ainda pagava RS100,00 cada vez que utilizava de estabelecimento comercial de terceiro para realizar seus negócios. Não vinculou os créditos bancários aos documentos apresentados à fiscalização, nem vinculou as operações nestes espelhadas a qualquer registro contábil. A exigência fiscal remanescente após a decisão de primeiro grau cinge-se ao IRPJ e CSLL relativos ao 4" trimestre de 1998. Salientados esses primeiros pontos, por relevantes ao deslinde da questão proposta, vejamos a preliminar aventada sobre a nulidade de decisão de primeira instância por falta de motivação ou apreciação de provas itens 'a', rb' c 'c' do relatório. Da Preliminar — Nulidade da Decisão de Primeira Instância Carece de razão a recorrente no que respeita à alegação de que as provas constantes do processo não foram verificadas/apreciadas ou que houve ausência de motivação no decisório. A autuação não se lastreou em contabilidade da empresa, aliás inexistente esta. A empresa sequer existia, embora a pessoa fisica confessadamente exercesse a atividade de comércio e foi constituída pela fiscalização em observância ao principio da verdade material dos fatos„ o que remonta ou seu benefício. Inexistindo a contabilidade, irrelevante a realização de despesas, ainda que devidamente comprovadas com documentação idônea, o que, certamente as declarações de terceiros apresentadas pela recorrente à fiscalização não constituem, por se tratarem de provas testemunhais não corroboradas por documentos. Assim é que a autuação foi erguida sobre a presunção legal de omissão de receitas conforme estabelecido no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 6 Processo a° 10425.00130812003-96 SI-TE01 Acórdão n.°1801-00,085 Fl. 4 Destarte, estabelecido a presunção de omissão de receitas, o cerne da questão a ser dirimida é a prova de que os créditos bancários não são relativos à atividade empresarial da contribuinte e não mais se havia ou não despesas realizadas nessas operações, sequer importando o custo de aquisição de cada veiculo, assunto que no mérito será abordado devidamente. E mais, a empresa foi autuada pelo arbitramento do lucro, ou seja, não são, definitivamente, considerados nestes casos, documentos, se tivessem sido apresentados, relativos às despesas, mas sim tão somente a receita bruta conhecida, vale dizer o faturamento da empresa, no caso, trimestral. E a turma julgadora apreciou com clareza e suficientemente esse tópico, faltando entendimento à recorrente sobre a matéria de Direito Tributário, no que concerne aos regimes de apuração de lucros quando ausente a contabilidade da empresa: 14. Sobre as reclamações da Interessada quanto à utilização, pelo autuante, da presunção de omissão de receita decorrente de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, vê-se que não lhe assiste razão, pois a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários sem prova da origem dos recursos se trata de presunção legal juris tantum, conforme se verifica da redação do mi. 42 da Lei n o 9.430, de 1996, ia verbis: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de •rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" O valor das receitas ou rendimentos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente • à época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: ••• 15. Com efeito, a partir do ano de 1997, co,,, o advento da Lei n 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados corno se "omissão de rendimentos fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Com os dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal que autoriza o Fisco a constituir crédito tributário decorrente de 7 ,k omissão de rendimentos. Pião logrando o titular comprovar a origem dos créditos ektuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador. Ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. 16. É evidente que nestes casos existe a inversão do ónus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 17.Como visto, a presunção ele omissão de receita criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é relativa, passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário ónus que cabe ao contribuinte, Jaz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, afoita de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência. 18.Portanto, os ataques da Interessada, em face da presunção de omissão receita, utilizada pelo autuante, caem por terra por contrariar os ditames legais referidos. 19. Quanto ao arbitramento procedido pelo autuante, impõe-se esclarecer que no caso vertente ficou perfeitamente caracterizada a ocorrência [ática da hipótese prevista no art. 47, inciso 1 da Lei n" 8.981/95 (art. 530, inciso I, do RIR/99), em virtude de a autuada não manter sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. 20.7i vista do exposto, é de se reconhecer o acerto da Fiscalização em proceder ao arbitramento do lucro retromencionado. • Esclareça-se, ainda, à recorrente que não houve tributação direta dos valores creditados em conta corrente da pessoa física, equiparada à pessoa jurídica, para efeitos de tributação, pois parece pelos seus argumentos que assim equivocadamente interpretou. Os totais creditados nas contas correntes constituem matéria tributável sobre a qual incidiu o coeficiente do lucro a ser arbitrado (9,6%) e somente sobre esse montante fina] é que recaíram as afiquotas de IRPJ c CSLL. Se a empresa houvesse observado as normas tributárias, escriturado livros fiscais e contábeis, e optado, por hipótese, pelo regime de apuração do lucro presumido, os cálculos seriam idênticos, mas o percentual para cálculo do lucro seria de 8%. Não havendo contabilidade, sendo arbitrado o lucro, dai a majoração do coeficiente, que não se confunde coma as aliquotas de tributos. Assim resta bem claro nos demonstrativos de fls. 04, 05 e 06 (IRPJ) e 13,14 e IS (CSLL). Portanto, afasto a arguição da preliminar suscitada pela recorrente de nulidade da decisão recorrida, suficientemente motivada, e por estarem as alegações da recorrente dispares com que consta do processo — ausência dc contabilidade da empresa — e pela tributação erguida — arbitramento, fatos estes também esclarecidos na autuação. f)) 8 Processo n° 10425.001308/2003-96 SI-TE01 Acórdão n." 1801-0.0_085 Fl. 5 No intuito ainda de esclarecer, a Lei n° 8.794/99 só pode ser aplicada subsidiariamente aos processos administrativos fiscais, que são regidos especialmente pelo Decreto n° 70235/72 — PAR Sobre a matéria nulidades, o PAF assim dispõe: Das Nulidades Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2' Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3" Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuizo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (grifos não pertencem ao original) Cumpre ainda destacar a lisura e tecnicidade da decisão ora atacada, pois os pontos que culminaram na improcedência parcial do lançamento foram suscitados e reconhecidos pela própria turma julgadora, por ser matéria de ordem pública, não tendo sido objeto da contestação da contribuinte — a decadência e a exigência de Pis e Cofins em bases trimestrais. Do Mérito No que respeita à autuação conforme erguida, há que se reprisar as razões já tão bem expostas na decisão de primeira instância. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilicito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa — esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa 9 jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indicio da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Novamente, nota-se a seguinte situação excepcional: uma pessoa, jurídica ou fisica, ao ser fiscalizada, possui ingressos, em conta bancária, em valores superiores àqueles informados ao fisco (ou não registrados na contabilidade). A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, que não sendo demonstrada a origem daquele numerário pressupõe-se que constitui receita omitida (o fato gerador da obrigação tributária não percebido pela recorrente). E a prova, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários — não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, ergue-se sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considera-se indicio a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados omissão de receitas; saldo credor de caixa omissão de receitas; passivo fictício omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não São absolutas (ljuris et Eljuris). São presunções legais relativas (»íris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 42 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ónus da Prova o Processo n° 10425.001308/2003-96 SI-TEU Acórdão n.° 1801-00-085 Art.924.Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 92, §22). Inversão do Ônus da Prova Art,925.0 disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o anus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei n2 ].598, de 1977,.art. 92, §32). Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecer-se qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou outro objeto, e nem tampouco verificar-se se a empresa pagava comissão ou ordenados a terceiros. • E Com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, entende-se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. Descarto, portanto, a alegação infundada de que a tributação lastreou-se em presunção simples restando abordados os itens 'ri', 'e', T, `E, `le. Com relação ao item 'g', parece ter sido retirado de outro caso semelhante, não se aplicando a esse pois o contribuinte, pessoa fisica, omitiu-se na 'entrega da DIRPF relativa ao período fiscalizado e quando intimado a entregar a DIRPJ do período, na qualidade de equiparado à pessoa jurídica, declarou não ter condições de fazê-lo. E, no que respeita às ilações sobre as disposições legais sobre as revendedoras de automóveis poderem optar por utilizar o coeficiente do lucro presumido próprio à prestadora de serviços, no caso, 32% sobre a diferença entre o custo de aquisição e a venda, preliminar é que a empresa possua todos os registros de operações realizadas, plenamente contabilizadas, o que inclui inclusive a movimentação financeira. Não é o caso e nem poderia a contribuinte ru falta com todas as obrigações fiscais, acessórias e principais, com o Município, Estado e União pretender que cabia à fiscalização realizar toda a sua contabilidade com os poucos elementos disponibilizados e nem se todos os documentos o fossem. É dever seu como contribuinte pautar-se pela legislação e cumpri-la. E a tributação das revendedoras de automóveis podem optar pelo regime de consignação; não são obrigadas. À fiscalização não restou qualquer escolha na forma de eleger a tributação em face à primariedade encontrada e a ausência do cumprimento das obrigações acessórias — a contribuinte não entregou DIREI, DCTF, não escriturou livros fiscais — Registros de Entrada, Sairia, Apuração de ICMS ou ISS, nem livros contábeis — Diário, Razão, Caixa, não emitiu 71) I I Notas Fiscais, nem apresentou DIRPF a pessoa fisica envolvida, tributando a alegaria comissão, corroborada com todos os documentos necessários etc. A única opção, em observância ao princípio da legalidade estrita, que restou foi, de fato, apurar, pela movimentação financeira espelhada nos créditos das contas correntes bancárias, a omissão de receitas presumida e arbitrar o lucro com o coeficiente de 8%, majorado em 20%, assumindo, pelo principio da verdade material dos fatos, que tratava-se pessoa jurídica irregular (de fato) que pratica o comércio de veículos. Da Multa de Oficio Quanto às contestações quanto à multa de oficio, cominada no percentual de 75%, trata-se da multa regular prevista para as autuações realizadas ex officio, pelas autoridades lançadoras, prevista na norma tributária. O contribuinte totalmente omisso, tanto no que concerne às obrigações acessórias ou principais, como acima já abordado, sequer recebeu a cominação da multa qualificada. A multa aplicada está prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 vigente e se possui caráter confiscatório é questão a ser dirimida pelo poder Judiciário que pode declarar a inconstitucionalidade das normas, pois assim definiu o Poder Legislativo ao editar a referida norma tributária. À autoridade de lançamento é vedado escolher entre aplicar ou não as normas vigentes, por ser sua atividade plenamente vinculada a essas (artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional — CTN). Invoco as súmulas editadas pelo Conselho de Contribuintes (atual Cari), extraídas de recorrentes julgados administrativos, nos quais conclui-se que à autoridade julgadora administrativa também não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Súmula PrC n" 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionaliclacle lei tributária. Nesse exato sentido preceituou a Medida Provisória n" 449/08, transformada na Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 23. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Quanto aos tributos reflexos, mantida a exigência do IRPJ, as exigências de PIS, Cotins e CSLL seguem a mesma sorte. tr) • 12 Processo n° 10425.001308/2003-96 St-TE01 Acórdão ri.' 1801-00.085 Fl, 7 CONCLUSÃO Rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ;— ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora • 13
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003776/2003-71
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS PERANTE A PGFN. REGULARIZAÇÃO, ADE. FALTA.
Não havendo qualquer documento comprovando a existência de Atos Declaratórios de Exclusão do SIMPLES para a recorrente, deve a mesma permanecer no SIMPLES.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Corintho Oliveira Machado votaram pela conclusão.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS PERANTE A PGFN. REGULARIZAÇÃO, ADE. FALTA. Não havendo qualquer documento comprovando a existência de Atos Declaratórios de Exclusão do SIMPLES para a recorrente, deve a mesma permanecer no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 11610.003776/2003-71
anomes_publicacao_s : 200905
conteudo_id_s : 5496817
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3102-000.274
nome_arquivo_s : 310200276_138854_11610003776200371_005.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 11610003776200371_5496817.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Corintho Oliveira Machado votaram pela conclusão.
dt_sessao_tdt : Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
id : 4614095
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932690812928
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-17T10:30:58Z; Last-Modified: 2009-11-17T10:30:58Z; dcterms:modified: 2009-11-17T10:30:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-17T10:30:58Z; meta:save-date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-17T10:30:58Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-17T10:30:58Z; created: 2009-11-17T10:30:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-17T10:30:58Z | Conteúdo => S3-CIT2 Fl. 103 sv .4:N.,10;', MINISTÉRIO DA FAZENDA 5.....,4#' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO...,,,...:,:....: „.. Processo n° 11610.003776/2003-71 Recurso n° 138.854 Voluntário Acórdão n° 3102-00.276 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2009 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrente AUTO ELÉTRICO NELCAR LTDA. Recorrida DRJ - SÃO PAULO/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS PERANTE A PGFN. REGULARIZAÇÃO, ADE. FALTA. Não havendo qualquer documento comprovando a existência de Atos Declaratórios de Exclusão do SIMPLES para a recorrente, deve a mesma permanecer no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim e Corintho Oliveira Machado votaram pela co c usão. 1 , ,p.,R__ 1\4: . CIA H LENA TR : Â * O DAMORIM - Presidente $ — LUCIANO LOPES 1, • n n ) IDA MORAES - Relator , EDITADO EM: 14 de outubro de 2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida i Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo, formalizado em 14/03/2003, de exclusão do Simples, em função da emissão, em 02/10/2000, do Ato Declaratório Executivo DRF/IRF São Paulo n° 390.604 (fls. 24 e 58), tendo por situação excludente a existência de débitos da empresa e/ou sócios junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFIV), com efeitos retroativos a 01/11/2000 UI. 58), cabendo mencionar que a interessada optou pelo regime em 01/01/ 1997. 2.Juntou-se aos autos Certidão Negativa Quanto à Divida Ativa da União, emitida em 14/03/2003 (fl. 6). 3. A DERAT/DICAT/EQCOB completou a instrução documental com a SRS original (fls. 10 a 36), na qual consta cópia simples do pedido de revisão de débito enviado à PGFN (processo 10880.214447/00-60), com data de protocolo em 31/01/2001 (fl. 16), e tela do sistema SINCOR/TRATANI, emitida em 21/10/2002 (fls. 28 e 29). 4. Inicialmente a interessada apresentou, em 31/01/2001, a SRS anexada às fls. 10 a 36, com os documentos indicados no item anterior, sem alegação na SRS ffl. 13 — verso), ocorrendo apenas ajuntada do pedido de revisão de débito enviado à PGFN. 5. A SRS foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (ti. 13 - verso), em despacho exarado em 23/10/2002, sob o argumento de que existia débito inscrito em divida ativa na PGFN, cuja exigibilidade não esteja suspensa, contrariando o disposto no art. 9°, inciso XV, da Lei 9.317/1996. 6. Tendo sido emitido comunicado acerca do resultado da SRS em 14/02/2003 (fls. 10 e 37), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho denegatório em 14/03/2003 «is. 1 a 9), na qual solicita a permanência na sistemática simplificada, alegando que não constam débitos junto à PGF1V, conforme Certidão Negativa que juntou aos autos. 7.Baixado o feito em diligência para obtenção de cópia do ADE e do registro de ciência do mesmo contribuinte, a EQCOB/DICAT/DERAT/SPO juntou tela do Sistema de Vedações e Exclusões do Simples (Sivex), com indicação de ciência em 01/12/2000 (fl. 53), e declaração da interessada de que não dispõe de cópia do mesmo em função do extravio (fl. 55). 2 Processo n° 11610.003776/2003-71 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.276 Fl. 104 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOI n° 13.030, de 11/04/2007, fls. 60/63, assim ementada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS COMA PGFN. Comprovado nos autos que as pendências para com a Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN), que motivaram a exclusão do Simples, não foram regularizadas tempestivamente, ratifica-se o Ato Declarató rio Executivo de exclusão. Solicitação Indeferida. Às fls. 641v, o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 65/81, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. Posto em julgamento o processo, é este convertido em diligência para a juntada dos Atos Declaratórios de Exclusão do SIMPLES, fls. 86/89. A diligência é realizada às fls. 93/98, sendo o contribuinte cientificado e se manifestado sobre a mesma, fls. 30/31. Às fls. 32 é realizada conclusão sobre a diligência feita e devolvidos os autos para julgamento. É o Relatório. VOO Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como se verifica dos autos, a recorrente foi excluída do SIMPLES em decorrência da existência de débitos junto à PGFN. No decorrer do processo a recorrente alegou que havia quitado o débito, juntando comprovantes de pagamento em recurso voluntário. Em pesquisa ao sitio da PGFN em 19/08/2008, se verifica a regularidade fiscal da recorrente: MINISTÉRIO DA FAZENDAProcuradoria-Geral da Fazenda NacionalSecretaria da Receita Federal do Brasil CERTIDÃO CONJUNTA NEGATIVADE DÉBITOS RELATIVOS AOS TRIBUTOS FEDERAIS E À DIVIDA ATIVA DA UNIÃO 3 Nome: AUTO ELETRICO NELCAR LTDA CNPJ: 51.036.200/0001-35 Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que não constam pendências em seu nome, relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a inscrições em Dívida Ativa da União junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Esta certidão, emitida em nome da matriz e válida para todas as suas filiais, refere-se exclusivamente à situação do sujeito passivo no âmbito da RFB e da PGFN, não abrangendo as contribuições previdenciárias e as contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive as inscritas em Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), objeto de certidão especifica. A aceitação desta certidão está condicionada à verificação de sua autenticidade na Internet, nos endereços<http://www. recei ta.fazenda. gov.br> ou <http://www.p gfn.fazenda.gov.br>. Certidão emitida com base na Portaria Conjunta PGFN/RFB 3, de 02/05/2007.Emitida às 18:18:15 do dia 19/08/2008<hora e data de Brasília>. Válida até 15/02/2009. Código de controle da certidão: A702.FA49.7F71.7611 Certidão emitida gratuitamente. Atenção: qualquer rasura ou emenda invalidará este documento. Esta mesma pesquisa se mantém em 21/04/2009, data deste voto. Questão a saber é se a referida regularização no decorrer do processo de exclusão no SIMPLES tem o condão de afastá-la. Este Conselheiro entende que sim. No momento em que a recorrente apresentou sua defesa contra a exclusão do SIMPLES, restou suspensa sua exclusão, forte no inciso III do art. 151 do CTN. Se no decorrer do processo administrativo a recorrente torna-se regular novamente, afastando o motivo de sua exclusão, correta é a sua manutenção na sistemática do SIMPLES. Não se pode ir contra a vontade demonstrada pelos contribuintes quando estes buscam solucionar as pendências existentes para manter-se naquele regime tributário em que estava inserida, nem a vontade do legislador, que instituiu o SIMPLES como forma de estabelecer um tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, nos moldes do previsto na Carta Maior de 1988. Esta é a maior consideração que se deve fazer sobre o SIMPLES, que é um incentivo constitucionalmente concedido às microempresas e empresas de pequeno porte, notórias geradoras de empregos, devendo sempre prevalecer àquele frente aos interesses meramente arrecadatórios. 4 Processo n° 11610.003776/2003-71 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.276 Fl. 105 O SIMPLES foi editado como mecanismo de defesa e auxílio contra o abuso do poder econômico, de retirar as empresas da informalidade e de capacitá-las ao desenvolvimento do próprio negócio de acordo com a respectiva capacidade econômica e técnica, gerando, desse modo, maior número de empregos. Manter um ato declaratório de exclusão do regime, cujas pendências foram regularizadas no curso do processo, é contrariar os princípios que regem a atividade econômica elencados no art. 170 da Constituição Federal. Ainda que assim não o fosse, meus pares julgam este processo com base no fato que às fls. 98 há documento constatando inexistir qualquer ADE em nome da recorrente. Se não há ADE em seu nome, como pode a mesma ter sido excluída? Sem os referidos ADE's, como verificar a situação de aplicação da Súmula n.° 2 deste Conselho: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Divida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspe a. Ante o exposto, dou prov mento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOPES D L • IDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002782/2002-95
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA
MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetida a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido anual, é passível de compensação/restituição.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A apresentação de
Manifestação de Inconformidade implica na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do § 11, do art. 74, da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo como saldo devedor negativo de CSLL relativo à DIPJ/02 o
valor de R$ 685.057,60, e reconhecendo que faz jus ao direito creditório em litígio, da ordem de R$ 44.034,93, homologando-se as compensações pleiteadas até este limite, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 'Vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto e João Bellini Júnior, que não reconheciam o direito creditório. Ausente, justificadamente a Conselheira Cheryl Berno.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetida a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido anual, é passível de compensação/restituição. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A apresentação de Manifestação de Inconformidade implica na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do § 11, do art. 74, da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10510.002782/2002-95
anomes_publicacao_s : 201001
conteudo_id_s : 5564632
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1801-000.180
nome_arquivo_s : 180100180_169491_10510002782200295_006.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Rogério Garcia Peres
nome_arquivo_pdf_s : 10510002782200295_5564632.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo como saldo devedor negativo de CSLL relativo à DIPJ/02 o valor de R$ 685.057,60, e reconhecendo que faz jus ao direito creditório em litígio, da ordem de R$ 44.034,93, homologando-se as compensações pleiteadas até este limite, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 'Vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto e João Bellini Júnior, que não reconheciam o direito creditório. Ausente, justificadamente a Conselheira Cheryl Berno.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
id : 4615698
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932696055808
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:49:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:49:57Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:49:57Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:49:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:eb1aa26a-684e-4240-aa81-3c5be9e095b5; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:49:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:49:57Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:49:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:49:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:49:57Z; created: 2010-07-13T13:49:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-07-13T13:49:57Z; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:49:57Z | Conteúdo => SI-TE01 Il. 1 NNik txk: MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10510.002782/2002-95 Recurso n° 169.491 Voluntário Acórdão n° 1801-00.180 — ia Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria CSLL Recorrente G. BARBOSA 8z. CIA. LTDA. Recorrida r TURMA - DRJ EM SALVADOR/BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetida a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido anual, é passível de compensação/restituição. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A apresentação de Manifestação de Inconformidade implica na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do § 11, do art. 74, da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo como saldo devedor negativo de CSLL relativo à DIPJ/02 o valor de R$ 685.057,60, e reconhecendo que faz jus ao direito creditório em litígio, da ordem de R$ 44.034,93, homologando-se as compensações pleiteadas até este limite, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 'Vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto e João Bellini Júnior, que não reconheciam o direito creditório. Ausente, justificadamente a Conselheira Cheryl Berno. 1 1 ...„N ANA D BARROS FERNANDES - Presidente ,,, -- RO RIO ARC A PERES - Relator EDITADO EM: '-,-, ç-v- A S. , ?Si 1 k.i P fticiparam, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Rogério Garcia Peres, João Bellini Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de compensação de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL paga a maior no ano-calendário 2001 e utilizada para compensar débitos apurados nos anos-calendário 2002 e 2003. A compensação foi parcialmente homologada pela DRF Aracatá, conforme Despacho Decisório DRF/AJU n° 1.374, de 21.12.2006 (fls. 383 a 386), que reconheceu como legítimo o crédito de CSLL no valor de R$ 641.022,67, correspondente ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2001. O Recorrente apresentou Manifestação de Inconfoiiiiidade em 12.02.2007 (fls. 392 a 398), alegando que, além do saldo negativo de CSLL no valor de R$ 641.022,67, reconhecido pela SRF, havia também um crédito de CSLL, no valor de R$ 207.517,58, relativo a pagamento a maior de estimativas mensais dos meses de setembro e outubro de 2001. Menciona ainda, que a soma dos DARF anexados é de R$ 2.834.406,53 e o valor da CSLL devida no período é de R$ 2.149.348,93. Assim, a requerente apurou um saldo negativo de CSLL passível de compensação no valor de R$ 641.022,67, devidamente homologado pelo julgador singular. Da comparação entre os valores devidos e aqueles efetivamente recolhidos verifica-se a existência de pagamento a maior de R$ 207.517,58, suficientes para compensar os débitos ora impugnados e que foram desconsiderados pelo julgador. A decisão de 1' instância (Acórdão DRJ/SDR N° 15-15.660) de 13/05/2008 (fls. 447 a 452) indeferiu a manifestação de inconformidade considerando que os valores pagos a maior referentes às estimativas mensais dos períodos de apuração setembro e outubro de 2001 devem ser tratados como saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2001, visto não ser hipótese de pagamentos indevidos, porque efetuados em conformidade com os débitos declarados em DCTF. Houve ciência da decisão em 03/07/2008, conforme "AR" afixado às fls. 459. Inconformado com a decisão referida acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário em 04/08/2008 (fls. 461 a 478), instruído com os documentos de fls. 479 a 512, sustentando, em síntese, que: Na DIPJ/2002, Ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, foi indicado no item 38 — CSLL Mensal Paga por Estimativa, o valor de R$ 2Ç'\ //,'""' ./"" Processo n° 10510.002782/2002-95 Si-TE01 Acórdão n.° 1801-00.180 Fl. 2 2.790.371,60, que resulta na apuração de saldo negativo de CSLL de R$ 641.022,67. Se tivesse sido indicado nesse item o valor total dos recolhimentos de CSLL do ano-calendário 2001, de R$ 2.834.406,53, o saldo negativo de CSLL seria de R$ 685.057,60. A diferença entre esses valores não compôs o saldo negativo de CSLL demonstrado na DIP.112002, porém, constitui pagamento de CSLL a maior passível de compensação. No mais, a) Requer seja concedido efeito suspensivo ao presente recurso, na fonna do Processo Administrativo Fiscal; b) Propugna pela reforma da decisão de primeira instância; c) Pede o reconhecimento do crédito tributário decorrente do pagamento a maior de estimativas mensais; d) Requer, caso o Conselho não reconheça o crédito em favor do contribuinte, seja o feito convertido em diligência, com o fito de constatar os créditos existentes. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES Devidamente preenchidos os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do presente recurso. De imediato, é importante mencionar, que a apresentação de manifestação de — inconformidade, a partir da vigência da Lei n° 10.833/2003, implica na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força do disposto no § 11, do art. 74, da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003, nos termos seguintes: "§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003)" A questão primordial contida na presente lide é o reconhecimento, ou não, de um crédito de CSLL referente ao ano-calendário 2001, oriundo de pagamento a maior de estimativas mensais. É certo que os valores recolhidos pelo Recorrente no ano-calendário 2001 a titulo de CSLL calculado por estimativa totalizam R$ 2.834.406,53, conforme cópias de DARF anexados às fls. 40 a 45, abaixo demonstrados. 3 Competência Código Valor Recolhido 01/2001 2484 205.745,22 02/2001 2484 235.850,52 03/2001 2484 338.727,41 04/2001 2484 320.212,27 05/2001 2484 320.237,61 06/2001 2484 350.503,00 07/2001 2484 248.047,00 08/2001 2484 228.583,30 09/2001 2484 287.893,00 10/2001 2484 85.049,00 11/2001 2484 213.558,20 Total 2.834.406,53 É certo também que a CSLL devida com base no resultado do exercício é de R$ 2.149.348,93 conforme se extrai da DIPJ/2002, Ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 39), abaixo demonstrado. CÁLCULO DA CSLL Valor Base de cálculo 23.881.654,79 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 2.149.348,93 (-) CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.790.371,60 CSLL A PAGAR -641.022,67 Veja-se que o Recorrente considerou o valor de R$ 2.790.371,60 a título de CSLL Mensal paga por Estimativa, quando deveria ter utilizado o valor de R$ 2.834.406,53 que corresponde ao total recolhido no ano-calendário 2001, conforme acima demonstrado. Caso tivesse considerado o valor total efetivamente recolhido, a DIPJ/2002 teria apresentado saldo negativo de CSLL de R$ 685.057,60, assim apurado: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 2.149.348,93 (-) CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.834.406,53 CSLL A PAGAR -685.057,60 Assim, a diferença de R$ 44.034,93 (R$ 685.057,60 — R$ 641.022,67) não está inserida no saldo negativo de CSLL relativo ao ano-calendário 2001, DIPJ/2002, porque simplesmente não foi adicionado ao valor da CSLL Mensal Paga por Estimativa, embora integre o total dos DARF de recolhimento a esse título. Na manifestação de inconformidade, o Recorrente pede o reconhecimento de um crédito no valor de R$ 207.517,58 (inexistente), porém na peça recursal considera que o procedimento correto na DIPJ/2002 teria sido indicar o valor total dos DARF recolhidos como CSLL Mensal Paga por Estimativa, que resultaria em CSLL negativa de R$ 685.057,60, conforme acima demonstrado. Por conseguinte, o Recorrente tem ainda o direito de serem homologadas compensações até o valor de R$ 44.034,93, uma vez que, comprovadamente, esse valor configura crédito decorrente de recolhimento a maior ocorrido no ano-calendário 2001. 4 Processo n° 10510.002782/2002-95 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.180 Fl. 3 A recusa à compensação da diferença de R$ 44.034,93 somente se justificaria se o Recorrente já tivesse aproveitado esse crédito em outras compensações, hipótese essa não considerada pela DRF Aracajú e, portanto, aqui descartada, porquanto a não homologação se deu ao argumento de que o saldo negativo de CSLL pode, a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, ser restituído ou compensado com débitos próprios. A Lei n° 9430/96, artigo 74, estabelece regras sobre a compensação de tributos federais e não veda a compensação de pagamento a maior efetuado em estimativa de CSLL, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) § 1°A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002)" O CTN, por sua vez, estabelece no artigo 165, que o sujeito passivo tem direito a restituição no caso de pagamento indevido, sem restringir a forma na qual tal recolhimento a maior foi gerado. "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo 4' do art. 162, nos seguintes casos: 1— cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido," No caso em questão ficou demonstrado nas provas juntadas que o pagamento indevido existe, porém a autoridade administrativa entendeu incorretamente que o pagamento a maior havia sido considerado no cálculo do saldo negativo da CSLL. Nesses termos, em virtude do principio da verdade material e da não vedação legal para se compensar pagamento indevido apurado em estimativa de CSLL, a compensação efetuada pelo Recorrente de serser h molog da, até o limite de R$ 44.034,93. 14 ROGÉ" O G ‘Á RIIÃERE - Relator • 6
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008377/2002-74
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições, pela indústria, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, fornecidos por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejarão aos adquirentes direito à fruição de crédito do IPI. IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. IMPROPRIEDADE LÓGICA. Os comerciantes varejistas não se enquadram na condição de contribuintes do IPI, não se creditando, portanto, do referido imposto. Consequentemente, não há razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos. Não se transfere crédito que inexiste. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições, pela indústria, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, fornecidos por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejarão aos adquirentes direito à fruição de crédito do IPI. IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. IMPROPRIEDADE LÓGICA. Os comerciantes varejistas não se enquadram na condição de contribuintes do IPI, não se creditando, portanto, do referido imposto. Consequentemente, não há razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos. Não se transfere crédito que inexiste. Recurso a que se nega provimento.
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10120.008377/2002-74
anomes_publicacao_s : 201209
conteudo_id_s : 5167482
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3802-001.192
nome_arquivo_s : Decisao_10120008377200274.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10120008377200274_5167482.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4289883
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:44:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932701298688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 216 1 215 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.008377/200274 Recurso nº 268.388 Voluntário Acórdão nº 3802001.192 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria Ressarcimento do IPI Recorrente Combras Concreto do Brasil Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 COMPETÊNCIA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ASSUNTO RESERVADO A LEI. IMPOSSIBILIDADE DE NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO POR ALEGADO DEFEITO EM MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, como mero instrumento de controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se reveste em instrumento legal hábil para estabelecer competência, posto que tal prerrogativa é reservada exclusivamente a lei, por força da qual a autoridade competente para constituir o lançamento e praticar outros atos administrativos em caráter privativo, assim definidos, é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA PESSOAL A MANDATÁRIO COM PODERES FORMALMENTE CONCEDIDOS PARA O ATO. VALIDADE. É válida a ciência da notificação, por via pessoal, feita a mandatário que detém amplos poderes para representar a empresa perante a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 83 77 /2 00 2- 74 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições, pela indústria, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, fornecidos por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejarão aos adquirentes direito à fruição de crédito do IPI. IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. IMPROPRIEDADE LÓGICA. Os comerciantes varejistas não se enquadram na condição de contribuintes do IPI, não se creditando, portanto, do referido imposto. Consequentemente, não há razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos. Não se transfere crédito que inexiste. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 173/184), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada na parte em que a unidade de origem não homologou a compensação pleiteada pela mesma. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI de fl. 01, no montante de R$ 5.659,77, relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 2002, pleiteado em 28/10/2002, sob o amparo da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Ao ressarcimento vinculouse, em 02/03/2005, a Declaração de Compensação de fl. 20, referente a débitos da Contribuição Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10120.008377/200274 Acórdão n.º 3802001.192 S3TE02 Fl. 217 3 para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (código 2172), no montante de R$ 5.204,39, e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (código 2089), no montante de R$ 455,38. Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Goiânia, GO, por meio do Despacho Decisório nº 617/2007, às fls. 99/103, alicerçado no Relatório de fls. 87/90, deferiu em parte o ressarcimento pleiteado, com o reconhecimento do saldo credor de R$ 4.129,77. O ressarcimento parcial foi motivado por glosas decorrentes da inclusão pelo contribuinte de valores apropriados como créditos de IPI: a) calculados sobre notas fiscais de fornecedores optantes pelo Simples (R$2.679,97). Ademais, esses fornecedores eram comerciantes varejistas; b) calculados sobre notas fiscais de fornecedores comerciantes varejistas (R$327,69). Também a homologação das compensações foi parcial, porque: a) o saldo credor reconhecido de R$4.129,77 era inferior ao montante dos débitos declarados; b) na data de valoração considerada, isto é, em 28/10/2002, data da entrega do pedido de ressarcimento, os débitos declarados já se encontravam vencidos, respectivamente, em 15/02/2002, 15/03/2002, 15/04/2002 e 31/07/2002, o que determinou a exigência de multa e de juros de mora nas respectivas compensações, conforme procedimentos de compensação, às fls. 96/98. Cientificada do deferimento parcial de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 107/120, na qual apresenta as seguintes argumentações em sede preliminar e de mérito, para questionar o Despacho Decisório. Como preliminar alega: A) a nulidade do lançamento, em face da perda de eficácia do mandado de procedimento fiscal que amparou as diligências para análise da legitimidade do saldo credor pleiteado; B) que é nulo o despacho decisório cuja ciência foi dada a pessoas nãocompetentes, pois a legislação determina que: farseá a intimação pessoalmente ou por intermédio de mandatário ou o preposto, o que não ocorreu em face da incompetência das pessoas cientificadas. No mérito alega: A) que após constantes derrotas no Poder Judiciário, o governo federal publicou a Lei nº 9.779, em 19/01/1999, que, por meio de seu art. 11, veio reconhecer o direito ao crédito do IPI, mas tãosomente em relação às aquisições realizadas a partir de 01/01/1999 e exclusivamente nos casos em que a pessoa jurídica paga o IPI por ocasião das entradas; B) a partir da Lei nº 9.779, de 1999, de caráter interpretativo, não há dúvida de que há o direito de crédito ainda que a saída do produto não seja tributada. Nesse contexto legal, em razão do princípio da não cumulatividade, é imperativo que o fisco federal reconheça o direito de crédito de IPI, inclusive na aquisição efetuada por intermédio de comerciante varejista, quando outrora os insumos adquiridos foram onerados pelo pagamento do IPI. Não admitir o crédito nesses casos nada Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 mais é que anular os efeitos da concessão de isenção ou da redução da tributação à alíquota zero; C) o direito do contribuinte de computar créditos sobre insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo Simples. O art. 5º, § 5º, da Lei nº 9.317, de 1996, e os arts. 118 e 166 do RIPI/2002 ao vedarem o direito ao creditamento nessas circunstâncias ferem dispositivos legais e constitucionais. Legais porque afrontam os dispositivos do Código Tributário Nacional (art. 49) e constitucionais porque não observam o princípio da nãocumulatividade, uma vez que os optantes pelo Simples são contribuintes do IPI; D) que, de acordo com o princípio da materialidade, as aquisições foram efetuadas por empresas de porte respeitável, de monta expressiva, sem nenhuma inscrição ou denominação no documento fiscal que enseje a afirmativa de contribuinte inscrito no Simples. Outrossim, faz se necessário destacar que a Receita Federal desenquadrou muitas empresas em nossa cidade, inclusive distribuidoras de cimento (atacadistas). Segundo fomos informados, tais empresas estavam no Simples de forma irregular em razão de seu faturamento ou atividade que consiste em adquirir cimento da indústria e revendêlo aos varejistas, operando sempre como atacadistas no seguimento. Ante ao exposto, a contribuinte requereu fosse reformado o Despacho Decisório n° 617/2007 da DRF/GOI para: a) ANULAR a decisão de nãohomologação de parte do crédito por descumprimento das normas atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal; b) EXTINGUIR a decisão de nãohomologação de parte do crédito por decurso de prazo; c) REFORMAR a decisão e HOMOLOGAR o total do pedido de compensação e CONSIDERAR o valor total do crédito objeto do processo acima. d) Caso as petições acima não sejam acolhidas, sejam, então, homologados os aproveitamentos de créditos do IPI sobre os produtos adquiridos de empresas: 1) inscritas no Simples, considerandoas contribuintes do IPI e/ou o princípio da materialidade sobre a opção de forma indevida, pois que operam em grande monta na venda por atacado de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI; 2) varejistas, haja vista tratarse, de acordo com o princípio da materialidade, de atacadistas inscritas como varejistas, de forma indevida, operando na venda por atacado e de grande monta de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI. Verificado na DRF/GOI que havia erro na adoção da data de valoração das compensações declaradas, ou seja, a valoração em 28/10/2002, elaborouse novo procedimento de compensação, às fls. 122/124, com data de valoração em 02/03/2005, data da apresentação da Declaração de Compensação de fl. 20 e, conseqüentemente, o Despacho Decisório Retificador nº 138/2008, às fls. 125/128. O novo procedimento de compensação gerou a emissão da Carta de Cobrança, às fls. 148/149, com débitos tributários superiores ao do primeiro procedimento de compensação. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10120.008377/200274 Acórdão n.º 3802001.192 S3TE02 Fl. 218 5 Em resposta ao Despacho Decisório Retificador, o contribuinte alegou, às fls. 168/170, a homologação tácita das compensações declaradas, nos termos dos arts. 173 e 174 do CTN, pois a ciência do contribuinte do novo Despacho Decisório se deu em 29/05/2008, ou seja, depois de cinco anos do pedido de ressarcimento, mesmo levando em conta que a administração pode rever seus atos de ofício, em face da prescrição não mais poderia haver a mudança de procedimento, ou seja, a alteração na data de valoração das compensações. Finalmente, o contribuinte requereu fosse anulado/extinto o Despacho Decisório Retificador, por força da homologação tácita do objeto pleiteado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A apresentação a destempo da manifestação de inconformidade não instaura o contencioso administrativo, motivo pelo qual não devem ser abordadas pelo julgador administrativo as argumentações nela inseridas. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. Porque não são contribuintes do IPI, porque não há regra especial que os autorize, os comerciantes varejistas não podem repassar créditos do IPI. Solicitação indeferida. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Cientificada da referida decisão em 14/11/2008 (fls. 193 e 214), a interessada, em 04/12/2008 (fls. 196 – vol. 2), apresentou o recurso voluntário de fls. 197/211 (vol. 2), onde se insurge contra a decisão recorrida com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, requerendo, ao final, o seguinte: a) Nulidade da decisão de não homologação de parte do crédito por descumprimento das normas atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal; b) Extinção da decisão de não homologação de parte do crédito por decurso de prazo; c) Seja reformada a decisão e homologado o total do pedido de compensação e considerado o valor total do crédito objeto do processo acima. d) Caso entenda não acolher o contido no parágrafo anterior, seja: 1) Homologado o aproveitamento do crédito do IPI sobre os produtos adquiridos de empresas inscritas no simples, considerandoas contribuintes do IPI e ou o principio da materialidade sobre a opção de forma indevida, operando em grande monta na venda por atacado de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI; 2) Homologado o aproveitamento do crédito do IPI sobre os produtos adquiridos de empresas varejistas, haja vista tratarse de acordo com o principio da materialidade de atacadistas inscritas como varejistas de forma indevida, operando na venda por atacado e de grande monta de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI. O processo em tela chegou a ser devolvido para juntada, ao eprocesso, do volume que se encontrava faltante (volume I), conforme despacho datado de 23/03/2011, questão que, uma vez resolvida, tornao apto para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Da Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da arguição de nulidade por suposta deficiência do Mandado de Procedimento Fiscal É destituída de amparo legal a arguição de nulidade do lançamento em função de alegados erros formais relacionados ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, uma vez que este é um mero recurso de controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se revestindo, de forma alguma, em instrumento legal que estabeleça competência, até porque dito mecanismo de controle foi criado por portaria, enquanto a competência para o lançamento, privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, é decorrente de lei complementar, prevista especificamente no art. 142 do CTN. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10120.008377/200274 Acórdão n.º 3802001.192 S3TE02 Fl. 219 7 Assim, mesmo se vislumbrada a desconformidade de alguns requisitos formais estabelecidos nas portarias que sucessivamente tem tratado do MPF, não se poderia cogitar de nulidade do lançamento por incompetência do agente. Há que se ressaltar que as portarias que sucessivamente tem disciplinado o MPF não trazem nenhum dispositivo no sentido de considerar nulo o lançamento, ou quaisquer outros procedimentos, em decorrência da inobservância dos ditames ali disciplinados. E nem poderiam fazêlo, por absoluta impossibilidade dessa matéria, repitase, disposta em lei complementar, vir a ser tratada em simples portaria. Com efeito, a nulidade deve ser perquirida em relação à lei, porquanto é a norma legal que estabelece os requisitos essenciais para a prática do ato administrativo, inclusive no que tange à competência do agente, sancionando com a nulidade aqueles atos que não obedecem a tais preceitos. A inobservância desses requisitos acarreta reprimenda legal caracterizada pela invalidade do ato. Assim, nulidade decorre da eventual inconformidade do ato administrativo com os requisitos essenciais estabelecidos em lei. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste estágio de cognição não se vislumbra nenhuma dessas hipóteses, a não ser que se pretenda enquadrar como incompetência do agente o caso em que o MPF não está em sintonia com o ato normativo de regência. Todavia, a competência do agente fiscal é conferida diretamente pela lei e não pelo mencionado ato infralegal, de modo que a eventual inobservância de regras atinentes ao MPF não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário ou outros atos administrativos relacionados à adminstração tributária federal que tenham atendido aos ditames legais stricto sensu, notadamente os dispostos no art. 142 do Código Tributário Nacional e nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972. Como já ressaltado, no âmbito federal, a competência do agente fiscal para a fiscalização e a constituição dos créditos tributários é decorrente de lei complementar (art. 142 do CTN), sendo privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, quaisquer que sejam os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Nesse diapasão, cumpre destacar que dentre as inúmeras competências legais atribuídas à RFB para a administração dos tributos federais, quer relacionadas à atividade aduaneira, quer atinente aos tributos internos, bem como relativas ao julgamento administrativo na primeira instância, o agente que detém a competência administrativa para a execução das ações fiscais no âmbito da citada Secretaria, dentre elas àquelas relacionadas à elaboração e ao proferimento de decisões no âmbito do processo administrativo fiscal, é privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência inderrogável decorre de ato político por outorga e em benefício da sociedade, conseqüência do disposto no artigo 142 do CTN, combinado com o artigo 6º da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, com a redação dada pelo artigo 9º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007, verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) [...] (grifos nossos) A tese de nulidade em decorrência de incorreções na emissão ou execução do MPF tem sido rechaçada pelos Conselhos de Contribuintes, prevalecendo a posição majoritária de que as incorreções no MPF não maculam o lançamento, conforme ementas a seguir transcritas, cujo teor adoto como fundamento deste voto: “MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. (...)” (Acórdão nº 10706797, Data da Sessão: 18/09/2002, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Relator: Neicyr de Almeida) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10120.008377/200274 Acórdão n.º 3802001.192 S3TE02 Fl. 220 9 ditames do art. 142 do CTN. Recurso de ofício a que se dá provimento.” (Acórdão nº 10706820, Data da Sessão: 16/10/2002, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Relator: Luiz Martins Valero) “MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 10514070, Data da Sessão: 19/03/2003, Primeiro Conselho de Contribuintes, Quinta Câmara, Relator: Nilton Pess) “PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. E, por estar comprovado que o procedimento fiscal foi efetuado de forma regular.Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 10613188, Data da Sessão: 30/01/2003, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sexta Câmara, Relator: Luiz Antonio de Paula) “NULIDADE INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Preliminar rejeitada. Recurso negado.” (Acórdão nº 10807458, Data da Sessão: 02/07/2003, Primeiro Conselho de Contribuintes, Oitava Câmara, Relator: Luiz Alberto Cava Maceira) (grifos nossos) Portanto, quaisquer dados relacionados ao MPF são estranhos à definição da competência da autoridade fiscal, consistindo apenas em critérios de planejamento administrativo das atividades fiscais, o que, de fato, representa o escopo que motivou a criação do instrumento em questão. Não há, pois, que se falar em nulidade relativamente aos procedimentos adotados pelo AFRFB responsável pelo exame dos pedidos de ressarcimento e de compensação apresentados pela empresa interessada, posto que não está caracterizado nos autos nenhuma conduta que represente violação à competência atribuída por lei a referida autoridade administrativa. Rejeitase, pois, o argumento em defesa da nulidade aduzido pela recorrente. Da inexistência de vícios na ciência do despacho decisório Quanto à ciência do despacho decisório, também não houve nenhum vício que importe em nulidade. A interessada foi devidamente notificada, por via pessoal, do resultado da apreciação do pedido e da exigência para o pagamento dos débitos não compensados. A ciência em tela foi realizada por meio do Ofício no 1564/2007SRF/DRFGOI/Seort (fls. 104), que se reporta também a despachos decisórios exarados nos autos de outros quatro processos em nome da interessada. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 No referido ofício está registrada a ciência pessoal de Marciel Augusto Raimundo Lima, ao qual, nos termos do instrumento de mandato outorgado pela interessada (fls. 13), e não obstante estar consignada no mesmo a cláusula ad judicia, foram conferidos “poderes amplos, gerais e ilimitados” para acompanhar o processo, apresentar defesa, recorrer, juntar e retirar documentos, promover provas, pagar e receber, dar quitação, transigir, desistir, renunciar ao direito, firmar compromisso, substabelecer, com ou sem reserva de poderes, tudo para bom cumprimento deste instrumento de mandato, especialmente para promover PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI/ COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. Não resta nenhuma dúvida, pois, de que o sujeito passivo foi regularmente cientificado do entendimento oficial por um dos meios elencados no artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, justamente aquele de que trata seu inciso I, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifo nosso) [...] Aliás, a apresentação de robusta impugnação é prova de que a autuada fora efetivamente cientificada das razões que ensejaram o deferimento apenas parcial de seu pedido inicial, demonstrando a inexistência de vício capaz de redundar em prejuízo para sua defesa, o que afasta completamente a hipótese de nulidade por defeituosa ciência do procedimento, defendida pela reclamante. Do mérito Conforme relatado, vêse que a questão envolve discussão sobre a existência ou não de direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos moldes estabelecidos pela Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, especialmente no que diz respeito à possibilidade ou não de creditamento em relação às aquisições de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES ou de comerciantes varejistas. Até o advento da Lei nº 9.779, de 19/01/99 (antiga MP nº 1.788/98), as hipóteses de ressarcimento relacionadas ao IPI abrangiam apenas o aproveitamento dos créditos presumidos do referido imposto a título de ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituídos pela Lei nº 9.363/96, assim como aqueles decorrentes de estímulos fiscais inerentes ao tributo em questão, além da dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados. No entanto, com a publicação da Lei nº 9.779/99, as hipóteses de utilização dos créditos do IPI passaram a ser bem mais abrangentes, tendose admitido a partir de então, conforme preceitua o texto legal, o aproveitamento dos saldos credores do imposto nas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos ou tributados à alíquota zero, conforme redação de seu artigo 11, abaixo reproduzido: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10120.008377/200274 Acórdão n.º 3802001.192 S3TE02 Fl. 221 11 matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Como se vê, o dispositivo legal em comento criou uma forma de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização, saldo este que, anteriormente, era normalmente estornado em vista da isenção ou da tributação à alíquota zero das mercadorias produzidas, a menos que a indústria fabricasse outros produtos sujeitos à incidência normal do imposto, passíveis, pois, de possibilitar o encontro escritural das contas entre crédito e débito. No entanto, a novidade introduzida no ordenamento jurídico pelo artigo 11 da Lei no 9.779/99, relacionada, repitase, a nova possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI, não abrangeu nenhuma nova hipótese de creditamento do imposto além das já previstas nas normas que tratam da matéria em comento. E as normas em tela, com efeito, não autorizam o creditamento do referido imposto quando as aquisições dos insumos são realizadas de empresas optantes pelo simples ou de empresas não contribuintes do IPI, como as empresas varejistas. Relativamente às pessoas jurídicas que adquiriam produtos de empresas optantes pelo SIMPLES, a própria Lei no 9.317, de 05/12/1996 – à época em vigor –, em seu artigo 5o, § 5º, vedava a utilização de quaisquer créditos do IPI (bem como do ICMS), até porque as optantes pelo referido sistema integrado de tributação estavam impedidas de se apropriar dos créditos do imposto em comento, nos termos do referido ditame legal, abaixo reproduzido: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. (grifo nosso) Não sem razão é que o Regulamento do IPI então vigente (Decreto no 2.637, de 25/06/1998) estabelecia, em seu artigo 149, que As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 105, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Hoje essa questão vem disciplinada no artigo 178 do novo Regulamento do IPI (Decreto 7.212, de 15/06/2010), que, com fundamento no artigo 23 da Lei Complementar no 123, de 14/12/2006, manteve a vedação à apropriação e à transferência do imposto em tela às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional. Em sintonia com a exegese aqui defendida a seguinte jurisprudência administrativa e judicial: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 ADQUIRENTE DE OPTANTE PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. Nos termos do § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317/96, à empresa que adquire matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem de microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo SIMPLES Federal é vedada a apropriação de créditos do IPI, ainda que a nota fiscal do fornecedor, erroneamente, tenha o destaque o imposto. (Acórdão 340100.848, de 26/07/2010. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1a Turma Ordinária da 4a Câmara. Processo 13971.001242/0021. Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. IPI. DIREITO DE CREDITAMENTO. OPERAÇÕES ANTERIORES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MICRO E PEQUENAS EMPRESAS OPTANTES DO SIMPLES. ART. 5º, PARÁGRAFO 5º, DA LEI Nº 9.317/96. PROIBIÇÃO DA MICROEMPRESA OU EMPRESA DE PEQUENO PORTE À APROPRIAÇÃO OU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS RELATIVOS AO IPI E AO ICMS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. A opção do contribuinte pelo regime do SIMPLES encontrase dentro da sistemática adotada pela Constituição Federal na linha do art. 170, inciso IX da Constituição Federal relativa a elaboração de um tratamento simplificado e favorecido de pagamento às micro e pequenas empresas. O art. 3º, parágrafo 5º, da Lei nº 9.317/96, todavia, vedou expressamente que a microempresa e a empresa de pequeno porte creditemse do valor de IPI cobrado nas operações anteriores de aquisição de insumos para fins de compensação com a operação efetuada pela empresa. A estruturação do SIMPLES, regime diferenciado para as micro e pequenas empresas, foi desenvolvida a partir da elaboração de uma sistemática claramente benéfica em diversos sentidos, com vistas à redução dos custos com a manutenção da escrituração contábil e diminuição da carga tributária incidente, ante a unificação de diversos tributos, reduzindose o valor que seria cobrado caso fosse mantida a tributação do regime normal. As prescrições da Lei nº 9.317/96 devem ser seguidas exatamente nos moldes por ela trazidos, sob pena de, em caso contrário, estabelecerse uma terceira sistemática de tributação, de caráter híbrido, que não se sujeita nem à regra geral, nem ao SIMPLES. O ingresso ao regime do SIMPLES é opcional, voluntário, ou seja, cabe a cada empresa avaliar as vantagens ou desvantagens da sua adoção mediante a verificação da oportunidade e conveniência aplicáveis a sua realidade. Descabida, portanto, é a pretensão de criação de uma regra ainda mais benéfica, sem autorização legal, que traga hipóteses diferenciadas dentro daquilo que já é diferenciado. Apelação não provida. (TRF da 5a Região. Primeira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 200581000157599. Relator: Desembargador Federal José Maria Lucena. Decisão unânime. Data da Decisão: 08/05/2008. Publicada no DJ de 29/05/2008, p. 414) Portanto, não há alicerce legal capaz de fundamentar o reconhecido do creditamento pleiteado na parte correspondente às aquisições de insumos realizadas de empresas optantes pelo SIMPLES. Com respeito às compras realizadas de comerciantes varejistas, igualmente, não assiste à recorrente direito a creditamento do IPI decorrente das referidas aquisições, e isso porque, simplesmente, tais empresas não são contribuintes do imposto em evidência, motivo pelo qual não se creditam do mesmo. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10120.008377/200274 Acórdão n.º 3802001.192 S3TE02 Fl. 222 13 Não há, pois, razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos, posto que não se pode transferir o que não existe. Com efeito, concernente a aquisições de empresas não contribuintes do IPI, a lei possibilita apenas o creditamento do imposto relativamente a compras realizadas de comerciante atacadista. Nesse caso, o creditamento em tela deverá ser realizado utilizandose como base de cálculo o correspondente a 50% do valor do produto, nos termos do artigo 148 do Regulamento do IPI à época em vigor, abaixo reproduzido: Art 148. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (DecretoLei nº 400, de 1968, art. 6º). Claro está, pois, que o não reconhecimento do direito creditório pleiteado está alicerçado na própria lei, não havendo, portanto, nenhuma emenda a ser feita na decisão vergastada. Finalmente, no que concerne à alegada inconstitucionalidade normativa, é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional. Sobre essa questão, o caput do artigo 69 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1 veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Vale lembrar que tal restrição já estava contemplada no artigo 49 do antigo Regimento dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25/06/2007. O disposto acima também está pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula no 02 do CARF, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar os argumentos em defesa da nulidade aduzidos pela interessada, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 21 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator 1 Aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004498/2006-13
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.
FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA.
Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração.
MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS.
A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Pedido de diligência indeferido.
Numero da decisão: 1101-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, relativamente à falta de adição de provisão, por unanimidade de votos, foi REJEITADO o pedido de diligência e foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que deferiam o pedido de diligência; e relativamente aos demais aspectos, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes (Presidente)
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS. A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Pedido de diligência indeferido.
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10410.004498/2006-13
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5209867
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1101-000.795
nome_arquivo_s : Decisao_10410004498200613.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE RICARDO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10410004498200613_5209867.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, relativamente à falta de adição de provisão, por unanimidade de votos, foi REJEITADO o pedido de diligência e foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que deferiam o pedido de diligência; e relativamente aos demais aspectos, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes (Presidente) (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4556335
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932727513088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.004498/200613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.795 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria CSLL Recorrente COMPANHIA ALAGOAS INDUSTRIAL CINAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 44 98 /2 00 6- 13 Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Pedido de diligência indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, relativamente à falta de adição de provisão, por unanimidade de votos, foi REJEITADO o pedido de diligência e foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que deferiam o pedido de diligência; e relativamente aos demais aspectos, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes (Presidente) (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COMPANHIA ALAGOAS INDUSTRIAL CINAL (fls. 913/939, v. 1), em face do acórdão 1123.175, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, em 22 de julho de 2008 que (fls. 896/906), ao apreciar sua Impugnação (fls. 341/387, v. 1), a julgou procedente em parte. Consta dos autos que contra a contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 09/09, v. 1), onde se constituiu crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, em virtude da constatação das seguintes irregularidades: 2.1 — Omissão de receitas no anocalendário 2001, caracterizada pela insuficiência de contabilização de vendas identificadas por meio de circularização junto à cliente da autuada; 2.2 — Provisões não dedutíveis que não foram adicionadas ao lucro líquido para cálculo da CSLL no anocalendário 2001; 2.3 — Diferença entre o valor da contribuição escriturada e o valor declarado/pago no anocalendário 2002; 2.4 — Insuficiência de recolhimentos mensais calculados por estimativa nos anoscalendário 2001 a 2006, acarretando a exigência de multa isolada no percentual de 50%. Ao tomar ciência dos autos de infração, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 341/387, v. 1), sob os seguintes fundamentos: que a fiscalização, utilizandose de informações contidas em meras planilhas fornecidas pela empresa Trikem S/A, que apontavam valores equivocados quanto às notas fiscais de venda de mercadorias e prestação de serviços emitidas pela contribuinte no ano de 2001, concluiu que teria ocorrido suposta omissão de receita naquele ano, efetuando o lançamento de CSLL sobre a diferença apurada; que tal cobrança é improcedente, vez que, comparandose os valores consignados nas notas fiscais emitidas pela contribuinte em 2001 com os valores indicados nas planilhas referentes às entradas de mercadorias da Trikem S/A, que lastreiam o Auto de Infração, verificase que a estas apontam importâncias distorcidas, correspondendo ora ao dobro, ora ao triplo do que, de fato, está consignado nas notas fiscais; que informa que juntou aos autos demonstrativo por ela elaborado, que ilustra o descompasso entre os valores constantes das notas fiscais por ela emitidas e os valores constantes dos equivocados demonstrativos elaborados pela fiscalização; que o mencionado demonstrativo que lastreia o combatido lançamento considera que a nota fiscal 8106 contempla o valor de R$ 40.830,3 quando, em verdade, a mesma aponta metade deste valor, qual seja, R$ 20.415,15, como se pode verificar da cópia que junta aos autos; Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que na mesma trilha, as notas fiscais 8138 a 8142, 8183 a 8187, 8263 a 8267, 8269 a 8273, 8344 a 8350, 8381, 8382, 8429 a 8431, 8433 a 8437, 8446 a 8447, 8547, 8632 a 8636, 8669 a 8673, 8746 a 8749, 8751, 8864 a 8668, 8927 a 8931, 8933 a 8937, 9019, 9038 a 9042, 9037, 9068 a 9072, 9074 a 9078, 9152 a 9156, dentre outras, sofreram a duplicação do seu valor no r. demonstrativo confeccionado pela Fiscalização, conforme planilha; que a atuação considera outras tantas notas fiscais com valores triplicados, a exemplo da nota fiscal 8247, cujo valor apontado é R$ 475.568,37, quando, de fato, o valor real seria de R$ 158.522,79; que somente da análise do demonstrativo elaborado pela fiscalização, que supostamente espelha as entradas de mercadorias e serviços no estabelecimento filial da Trikem S/A, cujo CNPJ é 13.558.226/001045, vários dos documentos fiscais relativos à aquisição de mercadorias tiveram seus valores majorados, seja porque foram duplicados em alguns casos, seja porque foram triplicados noutros tantos; que das 237 notas contempladas no demonstrativo, apenas duas das notas fiscais refletem o valor real das notas emitidas pela Recorrente, sendo elas a NF’s 8925 e 8983; que as demais notas fiscais de venda de mercadorias relacionadas pela fiscalização estão com os valores distorcidos; que a majoração se mostra mais contraditória na medida em que as notas fiscais autuadas foram devidamente escrituradas pela Trikem, em seu Livro Registro de Entradas do ano de 2001, pelo seu valor real, não tendo sido duplicadas nem triplicadas naquele documento fiscal, já que a destinatária se manteve fiel à realidade, como se pode verificar das cópias do mesmo; que o aumento do valor das notas fiscais deveuse ao precipitado trabalho realizado pela fiscalização, que sequer analisou as notas fiscais que serviram de base para a atuação e o próprio Livro de Entradas da Trikem, a fim de verificar o quanto ali se encontra consignado; que a majoração dos valores detectada pela Recorrente não ocorreu somente em relação às notas fiscais de venda de mercadorias, tendo também atingido as notas fiscais de prestação de serviço que serviram de base para a atuação; que é geral a distorção que assola os valores das notas fiscais emitidas pela Recorrente no ano de 2001, estando o procedimento adotado pela fiscalização eivado de vícios, que induzem à incorreta conclusão de que ocorreu neste período suposta omissão de receita; que não houve a alegada omissão de receitas, tendo se constatado, em verdade, a impropriedade do levantamento promovido pela fiscalização, que tomou como parâmetro valores totalmente distantes da realidade; que, por isto, o lançamento realizado a título de CSLL é improcedente, já que não houve omissão de receitas por parte da Recorrente; que o Auto de Infração considerou notas fiscais de mera remessa de mercadorias, que não lhe trazem nenhuma receita, computando as quantias correspondentes na aferição de suposta omissão de receita pela Recorrente no ano de 2001; Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 4 5 que entre janeiro e dezembro de 2001, a Recorrente armazenou, temporariamente, mercadorias de propriedade da Trikem S/A, que lhes foram remetidas ao albergue de notas fiscais emitidas por aquela empresa. que resta demonstrado à saciedade a inadequação dos procedimentos adotados pela fiscalização, que se quer se deu ao trabalho de cotejar os valores provisionados pela Recorrente com os efetivamente devidos pela mesma a título de CSLL, nos estritos termos da legislação de regência de tal exação, e cujos demonstrativos, ressaltese, foram disponibilizados à fiscalização, sendo necessário concluir pela improcedência do lançamento fiscal. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância, ao apreciar a Impugnação Apresentada, decidiu pela manutenção parcial da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE PROVAS. Descabe a exigência de tributo cuja base de cálculo tenha sido apurada por método incerto, carente de elementos probantes da omissão de receita. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da contribuição, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor da contribuição sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista na Lei n° 9.430/96. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente à CSLL devida e não paga ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 CSLL. DIFERENÇA APURADA. ANOCALENDÁRIO 2002. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. A expressa aquiescência, por parte do contribuinte, quanto às infrações que lhe são atribuídas, configura ausência de litígio, tornandose definitivo o crédito tributário na esfera administrativa. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão de primeira instância e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário, onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: que a 3ª Turma da DRJ de Recife, embora compreendendo as razões expostas pela Recorrente em sua defesa, julgou improcedente o lançamento fiscal em destaque sob a justificativa de que o valor da provisão adicionada ao LALUR não coincidiria com o valor da conta contábil referente a aquisição do gás utilizado em seu processo produtivo; que embora os valores não sejam coincidentes, não se pode menosprezar o quanto alegado e cabalmente pela Recorrente. A fiscalização sustentou que a Recorrente teria deixado de adicionar ao lucro líquido apurado no anocalendário de 2001 o valor correspondente a provisões não dedutíveis, contudo, o valor de R$ 147.562,80 foi adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real em virtude de um erro acidental cometido pela Recorrente, pelo que, em razão do mesmo motivo, não poderia ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração da CSLL devida no exercício de 2001; que a Recorrente nominou de provisão indedutível em seu Lalur o que se tratava, em verdade, de custos incorridos no mês de dezembro de 2001, porém só faturados pelo fornecedor no mês de janeiro de 2002, pelo que não caberia a adição de tal despesa na apuração do lucro líquido, para fins de incidência da CSLL; que dissertar, conforme feito em sua peça Impugnatória, sobre a distinção entre provisão e custos constantes na doutrina e na legislação em vigor; Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 5 7 que no exercício de suas atividades sociais, adquire diversas matérias primas necessárias à industrialização das mercadorias que comercializa, dentre elas o gás natural; que no período autuado adquiria a matéria prima por meio de contrato de fornecimento celebrado com a empresa Gás de Alagoas – Algas, que lhe abastecia com o gás natural imprescindível à sua produção todos os meses; que o abastecimento ocorria por meio de tubovias que guarneciam suas instalações, e que a remuneração era através de leitura era realizada nos últimos dias de cada mês nos medidores instalados nas tubovias; que só tinha conhecimento dos valores devidos pelo abastecimento de gás no mês subseqüente àquele em que o consumo se realizava, quando, então, o referido fornecedor lhe emitia a Nota Fiscal para pagamento; que considerando a existência de relação jurídica obrigacional de pagar pelo gás efetivamente consumido, a Recorrente, observando o princípio contábil da competência do exercício, os registrava mensalmente, tomandose por base o consumo de gás natural verificado em sua planta industrial multiplicado pelo preço pactuado contratualmente; que ao Receber a Nota Fiscal no início do mês, procedia ao ajuste contábil das diferenças verificadas, e foi isso o que ocorreu em dezembro de 2001, quando registrou, em seu passivo, o valor de R$ 184.708,73, a título de provisão para o consumo de gás natural, o que fez a crédito na Conta 2.1.01.03.10001 – Provisão de Consumo de Gás Natural, tendo, equivocadamente, adicionado neste mês tal importância ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real; que, assim que foi emitida pelo fornecedor de gás a Nota Fiscal 3250, apontando o gasto do mês de dezembro de 2001, no valor de R$ 190.295,02, procedeu aos correspondentes ajustes contábeis, conforme se pode verificar da análise do razão das contas contábeis 2.1.01.03.10001 e 4.1.01.10011; que ainda procedeu aos ajustes na apuração do lucro real referente ao mês de janeiro de 2002, e que, neste contexto, ao analisar a natureza jurídica do gasto, é possível concluir, com especial clareza, que se trata de custo e não de provisão. Isto porque, o que registrava sob tal rubrica, em verdade, não correspondia a dispêndios meramente potenciais, com relação aos quais não tinha certeza quanto à sua realização; que naquela conta, registrava contabilmente os gastos efetivamente incorridos com a aquisição de gás natural, matéria prima imprescindível a sua produção; que tal gasto somente pode ser tido como autêntico custo suportado pela pessoa jurídica, o que fica claro ao verificarmos o lançamento contábil procedido pela Recorrente em janeiro de 2002, na Conta de Custos dos Produtos Vendidos, na Subconta 4.1.01.10011, onde o valor de R$ 184.708,73está registrado como custo; que diante da natureza jurídica de tal gasto, fica claro que o mesmo foi inadequadamente adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, pelo que não pode ser, para fins de apuração de apuração da CSLL; Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 que afirma que o extinto Conselho de Contribuinte adota tal entendimento, conforme decisões proferidas nos acórdãos 1080007394 e 103133980; que não pode subsistir a exigência consubstanciada no Item 0002 do auto de infração, já que o gasto tratase de custo suportado pela Recorrente com a aquisição de matéria prima, pelo que, nos termos da legislação de regência, é dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tendo sua classificação contábil como provisão decorrido de erro escusável cometido pela Recorrente, incapaz, por si só, de modificar sua real natureza jurídica; que reitera seu pedido no sentido de que seja julgada improcedente a infração objeto do Item 002, em vista dos argumentos lançados; que, contudo, caso os julgadores entendam pela insuficiência de provas que atestem sua natureza de custo do valor adicionado no lalur como provisão não dedutível, pede que seja determinada a realização de diligência fiscal no estabelecimento, a fim de que constate, através da análise de suas contas contábeis de provisões não dedutíveis escrituradas no Razão Contábil, a verdadeira origem do valor; que a 3ª Turma da DRJ em Recife julgou improcedente a cobrança das multas isoladas impostas pela fiscalização, referente ao anocalendário de 2001, contudo, quanto aos anoscalendários de 2002 a 2006, manteve a cobrança da indigitada multa, incidente sobre supostos recolhimentos a menor de estimativas mensais de CSLL sob o argumento de que a cobrança encontraria suporte no art. 44, da Lei 9.430/96; que ainda que se admitisse como possível e legal a cobrança de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, ou recolhidas a menor, após o encerramento do ano calendário, não seria possível o prosseguimento da cobrança em relação ao Item 004 do Auto de Infração. Isto porque, alega ter recolhido integralmente o montante apurado a título de estimativas mensais de CSLL durante os anoscalendário de 2002 a 2006, não tendo sido cometida qualquer infração à legislação de regência da aludida contribuição apta a ensejar a imposição das multas isoladas combatidas; que para a apuração dos valores supostamente não recolhidos pela Recorrente a título de estimativa mensal de CSLL, a fiscalização comparou o saldo constante na coluna “crédito” escriturado na conta contábil 2.1.05.01.006.001 – Contribuições Sociais a recolher , constante dos balancetes mensais extraídos de sua contabilidade, com os valores recolhidos a tal título através de DARF’s, mês a mês; que havendo encontrado diferenças entre os aludidos valores, a fiscalização procedeu ao lançamento de multa isolada, no percentual de 50% sobre as diferenças, sob o suposto cumprimento do que determinaria o art. 44, da Lei 9.430/96; que até poderia concluir pela precisão dos procedimentos adotados pela fiscalização, como o fez a autoridade julgadora de primeira instância, contudo, em vista de que na conta contábil do passivo intitulado como “CSLL a recolher” apenas deveria ser lançado a credito, mensalmente, a provisão da contribuição social devida, que, por sua vez, deve coincidir com o valor da contribuição recolhida no mês seguinte. Assim, o saldo de “crédito” apontado nos balancetes sintéticos deveria coincidir com os valores recolhidos pela Recorrente, somados aos valores eventualmente retidos a título de CSLL pelas suas fontes pagadoras; Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 6 9 que ocorre que, realizandose uma analise minuciosa dos procedimentos adotados durante a fiscalização, constatase o grave erro material, que contaminou o lançamento fiscal; que a fiscalização, ao invés de comparar os valores recolhidos pela Recorrente a título de estimativas de CSLL com os valores lançados a crédito mensalmente na conta de CSLL a recolher, a título de “provisão do mês” – o que poderia ser extraído do razão analítico da conta contábil 2.1.05.01.006.001 – transportou, para sua planilha “demonstrativo de diferenças apuradas pelo AFRF”, o valor correspondente a diversos lançamentos a “crédito”, que foram efetuados a cada mês, na referida conta contábil, no livro razão, sinteticamente reproduzidas nos balancetes referente ao ano de 2006, conforme planilha constante das fls. 924, v. 1; que resta claro a inexistência de diferenças no recolhimento das estimativas mensais de CSLL, durante o anocalendário de 2006, pelo que não há como dar prosseguimento à cobrança das multas isoladas objeto do item 004, do Auto de Infração; que com relação aos demais anoscalendário, embora tenha a fiscalização adotado o mesmo procedimento equivocado, a Recorrente, em razão da mudança de seu sistema operacional, não logrou localizar o razão analítico da conta contábil de “Contribuição Social a pagar”, impresso de tais anos, de modo a comprovar o verdadeiro valor provisionado a título de CSLL mês a mês e, assim, elidir a acusação que ora lhe é imputada; que, contudo, tendo em vista que a Recorrente ainda não desistiu de constituir esta prova, requer que lhe seja deferida a juntada posterior de documentos, em homenagem ao princípio da verdade material; que não entendendo desta forma os julgadores, pugna que seja determinada a realização de diligência em seu estabelecimento, a fim de que a fiscalização, mediante análise dos balancetes, declaração do imposto de renda e razão analítico da conta contábil 210501006001, todos relativos aos anoscalendário de 2002 a 2006, responda aos quesitos : 1) Os valores lançados a crédito na conta contábil do passivo de “Contribuição Social a Recolher” a título de “provisão do mês”, constante do razão analítico, coincidem com os valores utilizados pela fiscalização no demonstrativo de diferenças apuradas pelo AFRF, constante no auto de infração?; 2) Em caso negativo, realizandose os ajustes dos valores constantes na coluna “Débito Escriturado PJ” do Demonstrativo em questão, em vista do quanto acima esclarecido, e considerando os valores retidos a título de CSLL, pelas fontes pagadoras da Recorrente – os quais se encontram devidamente declarados em DIPJ , remanesce algum valor a ser pago pela Recorrente?; e 3) Em caso positvo, quanto?; que entende que resta demonstrado o total descabimento da cobrança perpetrada, no que toca ao item 004, do Auto de Infração em tela, pelo que deve ser julgado improcedente; que sustenta a tese utilizada em sua peça impugnatória, nos mesmos termos, da impossibilidade de aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário; que a fiscalização não poderia, especificamente com relação ao ano de 2002, ter imposto à Recorrente multa isolada, prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, juntamente com a multa de ofício sobre a CSLL, apurada ao final do anocalendário e não recolhida; Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 que fazer incidir a multa de 50% sobre o imposto devido com base na apuração do exercício e sobre os pagamentos mensais que deixaram de ser efetuados por estimativa implica em dupla incidência indevida sobre uma mesma base de cálculo; que não há lógica na cobrança da multa isolada sobre estimativas não recolhidas, caso a obrigação principal, apurada ao final do exercício, também não tenha sido integralmente cumprida, pois, nesta hipótese, caberá a cobrança do tributo devido, acrescido de juros e multa em razão do cometimento da infração consubstanciada no não recolhimento do tributo; que o tributo neste caso é um só, e as estimativas mensais nada mais representam senão a antecipação de uma parte do tributo que será devido ao final do ano, pelo que não cabe a aplicação de duas multas, no percentual de 50%, cada uma, sendo a primeira sobre uma parcela do tributo, e a segunda sobre a integralidade do mesmo; que a tese defendida encontra guarida na jurisprudência administrativa, conforme decisão proferida no acórdão 10708094; que, assim, concluise, facilmente, que a multa isolada exigida pela fiscalização sobre as estimativas mensais de CSLL supostamente não recolhidas nos anos calendário de 2002 a 2005 não podem subsistir, haja vista que: a) não restou configurada qualquer infração por parte da Recorrente, uma vez que as supostas estimativas apontadas pela fiscalização como não recolhidas foram, na verdade, equivocadamente, apuradas pelo auditor fiscal autuante; b) seja em razão da impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do anocalendário, por conta da perda de eficácia do regime de estimativa, em face do advento da obrigação principal, ou; c) pela impossibilidade de imposição dúplice de penalidades sobre uma mesma base, como aconteceu no ano de 2002; que em vista das firmes razões expendidas, pugna a Recorrente para que essa Egrégia Câmara dê provimento ao presente Recurso Voluntário, reformando a decisão recorrida para que seja julgado inteiramente improcedente o vergastado Auto de Infração tendo em vista que: (a) Com relação ao Item 002, a provisão não dedutível identificada pela Fiscalização tratase de custo incorrido no mês de dezembro de 2001, o qual não poderia ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração da CSLL; (b) Com relação ao Item 004, conforme explicitado, não foi cometida infração alguma que autorize o lançamento de multas isoladas, tendo a exigência fiscal decorrido de erro cometido pela fiscalização; (c) Não se pode lançar multa isolada sobre estimativas no período de 2002 a 2006, uma vez que: a) Os valores apurados a tal título foram integralmente quitados, pelo que não é cabível a imposição da multa isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96; (d) Após o encerramento do ano calendário, por conta da perda de eficácia do regime de estimativa, em face do advento da obrigação principal, e tendo em vista que; e (e) Que não é possível a imposição dúplice de penalidades sobre uma mesma base, como aconteceu no ano de 2002. que, por fim, requer, outrossim, com fulcro nos artigos 16, 18 e 26 do Decreto 70.235 que seja deferida a diligência solicitada, a fim de que sejam ratificadas as razões de fato aduzidas e devidamente comprovadas pela Recorrente no curso do presente processo. É o relatório. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 22/26), o lançamento decorreu das seguintes irregularidades: 1 — Omissão de receitas no anocalendário 2001, caracterizada pela insuficiência de contabilização de vendas identificadas por meio de circularização junto a cliente da autuada; 2 — Provisões não dedutíveis que não foram adicionadas ao lucro líquido para cálculo da CSLL no anocalendário 2001; 3 — Diferença entre o valor da contribuição escriturada e o valor declarado/pago no anocalendário 2002; .4 — Insuficiência de recolhimentos mensais calculados por estimativa nos anoscalendário 2001 a 2006, acarretando a exigência de multa isolada no percentual de 50%. Observase, ainda, que a decisão recorrida considerou procedente em parte o lançamento para: I Quanto à CSLL: exonerar o valor de R$ 99.762,82, relativo ao ano calendário 2001, manter o valor de R$ 294,34 (principal), relativo ao anocalendário 2001, e declarar a definitividade da exigência no valor de R$ 169.736,03 (principal), relativo ao ano calendário 2002) e II Quanto à multa isolada: exonerar o valor de R$ R$ 44.300,03, relativo aos meses de abril, maio e junho de 2001, e manter o valor de R$ 627.015,55, relativo aos demais períodos de apuração. É de se observar, que, quanto a diferença entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago — AC 2002, a contribuinte reconheceu a procedência do lançamento quanto a esta infração. Temse, assim, por definitivamente constituído o respectivo crédito tributário na esfera administrativa, no montante principal de R$ 169.736,03, não fazendo parte do litígio nesta esfera recursal. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita a realização de diligência, bem como apresenta razões de mérito sobre o lançamento efetuado. No que diz respeito ao pedido de diligência/perícia, observase que o objetivo da solicitação realizada é a de reforçar a sua defesa no sentido de convencer os julgadores de Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 que todos as irregularidades estariam justificadas, para tanto solicita a seguinte verificação: seja determinada a realização de diligência em seu estabelecimento, a fim de que o Auditor Fiscal Diligente, mediante análise dos Balancetes, Declaração de Imposto de Renda e Razão Analítico da conta contábil n° 210501006001, todos relativos aos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, responda aos seguintes questionamentos: (i) Os valores lançados a crédito na conta contábil do passivo de "Contribuição Social a Recolher" a título de "provisão do mês", constantes do Razão Analítico, coincidem com os valores utilizados pelo Auditor Fiscal Autuante no Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRF, constante neste Auto de Infração?; (ii) Em caso negativo, realizandose os ajustes dos valores constantes na coluna "Débito Escriturado PJ" do Demonstrativo em questão, em vista do quanto acima esclarecido, e considerando os valores retidos a título de CSLL pelas fontes pagadoras da Recorrente (os quais se encontram devidamente declarados em DIPJ), remanesce algum valor a ser pago pela Recorrente?; e (iii) Em caso positivo, quanto? Ora, a próprio recorrente poderia, durante o procedimento de fiscalização, ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos ao fiscal autuante, em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido do valores apurados questionados no Auto de Infração e não o fez, apresentando, na fase recursal, a documentação que julgou necessária para elidir as infrações imputadas. É de se alertar de que para um pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de um profissional capacitado a esclarecêlas, bem como entende que o ônus da prova recai sobre o contribuinte, responsável pela comprovação dos valores contestados e demais documentos. Só posso trilhar pela negativa do pedido de realização de diligência ou perícia solicitadas, já que, a princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência ou perícia de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte. Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de 1993 Processo Administrativo Fiscal diz: Art. 16 – A impugnação mencionará: (...). IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...). Art. 18 A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 8 13 § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Vêse, portanto, que o melhor momento oportunizado para o oferecimento de provas é o da impugnação, ressalvada a ocorrência de uma das condições previstas no § 4º do art. 16 do PAF, o que não foi sequer alegado pela defesa. A interessada requereu a diligência de forma genérica, sem a formulação de quesitos, desatendendo ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. Não tenho dúvidas de que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. As perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Ademais, descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal e busca de provas que são de competência exclusiva do recorrente. Ora, o que se questiona nos autos, desde o início do procedimento fiscal, é a comprovação documental dos fatos. A recorrente fez a sua parte, ou seja, anexou em abundância material que segundo ele comprovaria as irregularidades. Agora resta ao colegiado a função da verificação e análise destes documentos em função dos valores lançados. Só isto. Não há necessidade de manifestação por parte da Receita Federal, através de diligência ou perícia. Assim sendo, julgo de todo desnecessária sua realização, pois os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação de convicção e julgamento da lide. No que diz respeito às Provisões não Dedutíveis do anocalendário de 2001, é de se dizer, que de acordo com a peça acusatória, a contribuinte apurou a CSLL no Lalur (fl. 161), consignando despesas não dedutíveis no valor de R$ 9.027,88 e provisões não dedutíveis no valor de R$ 186.461,38, o que totaliza o montante de R$ 195.489,26. Entretanto, a empresa declarou em DIPJ apenas o valor de R$ 47.926,46, motivo pelo qual foi lançada a diferença no valor de R$ 147.562,80. Alega a recorrente que, por erro acidental, adicionou o valor de R$ 147.562,80 ao lucro líquido para efeito de cálculo do lucro real, pois o que denominou provisão Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 indedutível tratavase, na verdade, de custos incorridos no mês de dezembro e somente faturados pelo fornecedor em janeiro seguinte. Segundo a recorrente, a empresa registrou a crédito de seu passivo, em dezembro de 2001, "provisão para consumo de gás natural no valor de R$ 184.708,73, tendo equivocadamente adicionado tal valor ao lucro líquido na apuração do lucro real. O equívoco residiria no fato de que não se tratava de provisão, e sim de custo atinente ao gás por ela adquirido à empresa Algás, no valor de R$ 190.295,02, custo este que somente foi precisamente conhecido no princípio do mês de janeiro de 2002, ocasião em que teriam sido feitos os ajustes cabíveis. Ora, não procede a afirmação da defesa de que adicionou a provisão apenas no cálculo do lucro real, haja vista que o fez também na apuração da CSLL, conforme demonstrativo de fl. 161. A documentação acostada pela empresa (fls. 740/758) não infirma o lançamento, ante a nãocoincidência dos valores trazidos à colação. Na DIPJ, o valor adicionado como provisão indedutível foi zero. Diz a contribuinte que o valor adicionado no Lalur referese a compra realizada junto à Algás. Entretanto, o valor adicionado como provisão indedutível importou em R$ 186.461,38, enquanto a provisão a que alude a recorrente é de R$ 184.708,73. A aquisição à Algás, por seu turno, foi de R$ 190.295,02. Finalmente, a reversão promovida no Lalur, em janeiro de 2002, foi de R$ 147.957,00. Não restou provado, por conseguinte, que o valor adicionado no Lalur e não adicionado na DIPJ referese efetivamente à provisão a que alude a recorrente. Assim, deve ser mantida a exigência quanto a esta infração. No que diz respeito a aplicação da multa de ofício de isolada em razão da falta de recolhimento CSLL por estimativa, é de se dizer, alega a contribuinte que a multa isolada é improcedente tendo em vista que no final do exercício a empresa poderá apurar prejuízo, porém temos a salientar que a obrigação de antecipar o pagamento da CSLL deve, conforme a legislação já citada, ser cumprida mês a mês, podendo a contribuinte suspender ou reduzir o pagamento através da comprovação, pelo levantamento de balancetes, de que já recolheu a totalidade ou parte desta, ou mesmo não teria nada a recolher. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, sujeitase à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Observase, que a autoridade lançadora calculou a multa isolada lançada de ofício, com fundamento no artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que o contribuinte optou pela tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no lucro estimado. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 9 15 O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, estabelece: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do artigo 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado que não houver sido pago ou recolhido. Os dispositivos acima transcritos têm como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento dos tributos e contribuições sociais declarados (inciso V) ou que deixou de efetuar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma estipulada no artigo 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, recolhimento por estimativa por empresas que estavam sujeitas ao pagamento pelo lucro real. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo. Ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. No presente caso a fiscalização aplicou a multa de lançamento de oficio, isoladamente, por entender que houve a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os quais já incide multa de lançamento de ofício. A autoridade autuante reconstituiu o lucro líquido contábil em cada período base, com os ajustes correspondentes aos valores incluídos no auto de infração, e apurou o valor da CSLL que deveria ter sido pago em cada mês, com a aplicação da multa de lançamento de ofício isolada. Como se vê, foi aplicada a multa isolada sobre os valores que deixaram de ser antecipados durante o anocalendário a título de estimativa e também da multa normal de lançamento de ofício, sobre os valores considerados ainda devidos. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, do § 1°, autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 16 significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, concluise que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. A legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento do imposto por estimativa ou por balanço de suspensão/redução. Esta matéria já tem jurisprudência formada no Primeiro Conselho de Contribuintes e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de adições/exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre o mesmo fato apurado em procedimento de ofício. (Acórdão nº 10193.939, de 17/09/2002) PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em de ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. (Acórdão nº 10193.692, de 05/12/2001) PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOB BASE ESTIMADA. Incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa calculada sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (Acórdão nº 10320.475, de 07/12/2000) IRPJ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso provido. (Acórdão nº 10320.572, de 19/04/2001). Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 10 17 MULTA ISOLADA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CABIMENTO A multa isolada de lançamento de ofício só tem cabimento na existência do seu pressuposto fundamental como seja a falta de recolhimento de imposto. Não enseja assim sua aplicação a prática de qualquer ilícito, com ênfase para formal, que não denote inadimplência do sujeito passivo a qualquer obrigação principal. Recurso provido. (Acórdão nº 10320.931, de 22/05/2002) CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. (Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001) MULTA – Art. 44 da Lei nº 9.430/96. A multa de ofício, lançada pela autoridade tributária, não pode ser calculada sobre valor superior ao montante da falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. Recurso provido. (Acórdão nº 10512.986, de 09/11/1999) PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. (Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE No pagamento espontâneo de tributos, sob o manto, pois, do instituto da denúncia espontânea, não é cabível a imposição de qualquer penalidade, sendo certo que a aplicação da multa de que trata a Lei 9.430/96 somente tem guarida no recolhimento de tributos feitos no período da graça de que trata o artigo 47 da Lei 9.430/96, sem a multa de procedimento espontâneo. (Acórdão nº 10706.591, de 17/04/2002) PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário, com glosa de prejuízos compensados além do percentual permitido pela Lei nº 8.891/95, Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 18 arts. 42 e 58 na determinação do lucro real. (Acórdão nº 107 06.894, de 04/12/2002) MULTA ISOLADA. PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE BASE ESTIMADA. Não cabe a aplicação concomitante de multa de oficio proporcional à CSLL exigida e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, § 1º, do inciso IV (...) Deve ser excluída a exigência da multa isolada (...). Recurso: 143920, Sétima Câmara, Processo. 10384.000638/200479, Acórdão n° 10708094. No caso, tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Por fim, se faze necessário tecer alguns comentários sobre a multa de ofício aplicada e demais acréscimos exigidos. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 11 19 O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 20 É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10410.004498/200613 Acórdão n.º 1101000.795 S1C1T1 Fl. 12 21 No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 22 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada lançada de forma concomitante com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000222/2001-74
Data da sessão: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/10/1995 a 28/02/1996
PIS. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO.
O prazo para pleitear restituição de tributo que foi considerado pago a maior em razão de decisão judicial somente começa a correr quando da publicação da referida decisão.
RESTITUIÇÃO. MP Nº 1.212/1995 E REEDIÇÕES. ANTERIORIDADE
NONAGESIMAL. TERMO INICIAL.
A eficácia da medida provisória, reeditada no prazo de trinta dias da MP anterior, 6, mantida em relação à data da primeira publicação, para efeito da fixação do termo inicial da anterioridade nonagesimal, de forma que inexistem indébitos, relativamente As contribuições sociais recolhidas sob sua vigência.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.794
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso. Designado para
redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200710
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/1995 a 28/02/1996 PIS. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O prazo para pleitear restituição de tributo que foi considerado pago a maior em razão de decisão judicial somente começa a correr quando da publicação da referida decisão. RESTITUIÇÃO. MP Nº 1.212/1995 E REEDIÇÕES. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. TERMO INICIAL. A eficácia da medida provisória, reeditada no prazo de trinta dias da MP anterior, 6, mantida em relação à data da primeira publicação, para efeito da fixação do termo inicial da anterioridade nonagesimal, de forma que inexistem indébitos, relativamente As contribuições sociais recolhidas sob sua vigência. Recurso Especial do Procurador Negado.
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 13956.000222/2001-74
anomes_publicacao_s : 200710
conteudo_id_s : 5557914
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : CSRF/02-02.794
nome_arquivo_s : 40202794_13956000222200174_200710.pdf
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : Antonio Carlos Atulim
nome_arquivo_pdf_s : 13956000222200174_5557914.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2007
id : 4612167
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932736950272
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-26T19:34:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2015-03-26T19:34:01Z; Last-Modified: 2015-03-26T19:34:01Z; dcterms:modified: 2015-03-26T19:34:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7fdcdd82-5a2e-4c10-888d-48c0b62f0e2c; Last-Save-Date: 2015-03-26T19:34:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-03-26T19:34:01Z; meta:save-date: 2015-03-26T19:34:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-26T19:34:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-03-26T19:34:01Z; created: 2015-03-26T19:34:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2015-03-26T19:34:01Z; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-26T19:34:01Z | Conteúdo => CSRI:fro2 1 . 1s. 228 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA 13956.000222/2001-74 201-125.517 Especial do Procurador PIS - RESTITUIÇÃO 02-002.794 15 de outubro de 2007 FAZENDA NACIONAL PASTOREIO COMÉRCIO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS LTDA. Processo Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/1995 a 28/02/1996 PIS. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O prazo para pleitear restituição de tributo que foi considerado pago a maior em razão de decisão judicial somente começa a correr quando da publicação da referida decisão. RESTITUIÇÃO. MP No. 1.212/1995 E REEDIÇÕES. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. TERMO INICIAL. A eficácia da medida provisória, reeditada no prazo de trinta dias da MP anterior, 6, mantida em relação à data da primeira publicação, para efeito da fixação do termo inicial da anterioridade nonagesimal, de forma que inexistem indébitos, relativamente As contribuições sociais recolhidas sob sua vigência. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto. Antonio Praga - Presidente tCht.-t• arlos Atulim -'Relator W,/4)/- -eto - Redator Designado Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Antonio Bezerra Neto, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan,lio César Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. • Relatório " Ern 26/10/2001 o contribuinte formulou pedido de restituição cumulado corn compensação por ter recolhido no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 o PIS corn base na MP n2 1.212/95. Por meio do Acórdão d- 201-78.231, de 23 de fevereiro de 2005, a Primeira Câmara cio Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer não só a existência de indébito de PIS a favor do contribuinte no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, mas também que o prazo de decadência deve ser contado a partir de 16/08/1999, data da publicação do acórdão do STF proferido na ADIN n 2 1.417. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial com base no art. 32, I, do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, alegando que tal decisão violou os artigos 165 e 168 do CTN, pois o prazo para o pedido de restituição é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. P r meio do despacho IV. 201-357 (fls. 210/212) foi dado seguimento ao recurso especial. Cientificado do Acórdão n 201-78.231, do recurso especial do Procurador e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte não apresentou contra-razões. o Relatório. ik/ Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto. dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos o motivo alegado para a inexistência do indébito foi a declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da MP n 2 1.212/91. 2 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo n" 13956.000222/2001-74 Ac.Ora° n." 02 -002.794 CS IZ FT I-02 17 1s. 229 No tocante ao prazo de decadência para pedir restituição de tributos declarados inconstitucionais, filio-me ao entendimento lançado pelo Ministro Luis Rix no voto proferido no julgamento do RESP N 2 511.279, que transcrevo a seguir: VOTO Todavia, mister enfrentar a questão a luz da eficácia du declaração de inconstitucionalidade 1111111 e 1101111'0 Caso. No sistema adotado pelo Brasil, apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado 1é111 efeitos erga onmes. Neste sentido, u lição do ilustre constimcionalista José Afonso du Silva: "A declaração de inconstitucionaliduck, na via indireta, não anula a lei Hem a revoga; teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, ate que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos termos do all. 52, X; a declaração na via direta tent efeito diverso, importa em suprimir a eficácia e aplicabilidade da lei ou ato, cow° veremos nas distinções feitas em seguida. Em primeiro lugar, temos que discutir a eficácia da sentença que decide a inconstilucionalidade na via da exceção, e que se resolve pelos princípios processuais. Nesse caso, a argüição da inconslitucionalidade é questão prejudicial e gera ton procedimento' incicknler 1(111111111, que busca a simples verificação da existência ou não do vicio alegado. E a sente/iça é declaratória. Faz coisa julgada no caso e entre as parks. Mas, no sistema brasileiro, qualquer que seja o tribunal que a proferiu, não faz eta coisa julgada em relação et lei declarada inconstitucional, porque qualquer tribunal ou juiz, el/- princípio, poderá aplicá-la por entendê-la constitucional, enquctnto o Senado Federal, por resolução, não suspender sua executoriedade, conto vimos." (Curso de Direito Constitucional. São Paulo, Malheiros, 2001, p. 53/54) Ora, se a declaração de inconstitucionalidade no controle &Aso apenas tem efeitos inter parks, forçoso concluir que o reconhecimento da incon.stitucionalklack da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito, qucmdo efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, mesmo no controle difuso, qucmclo da edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos ergo onmes àquela declaração (CF, art. 52, X). Nesse mesmo sentido, o entendimento de Mat-co Aurelio Greco e Helenilson Cunha Pontes: declaração de inconstitucionalidade pode advir de um julgamento incidenter &Mum proferido em processo de outro contribuinte. Ou seja, 11111 contribuiu/e, por discordar da exigência, ingressa com algum tipo de processo) judicial (suponhamos que antes do prazo de cinco anos do pagamento efetuado) e °Wm êxito, a ponto de, naquele processo, ser declarada a inconstilucionalickde du lei. Olhemos da perspectiva dos demais contribuintes. Ent relação a estes, esta declaração de inconstitucionalidade tem o efeito de deflagrar a fluência do prazo prescricional? A rigor, u pergunta não é exatamente 3 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA eta, Mas sim sobre um dado anterior, qual seja, saber se essa decisão tem o efeito de alterar a situação jurídica subjetiva de quem não foi parte naquele processo. Ulna resposta possível é a de que a decisão Mcidenter tannini não produz efeitos em relação a terceiros. Portanto, numa primeira interpretação, pode-se sustentar que a declaração inch/enter tantum 11 .e10 • altera a situação jurídica subjetiva do contribuinte que pagou , aquele tributo, mas não participou do processo em que houve a resP ectiva declaração de inconstitucionalidade. situação dos denials contribuintes somente será alterada se vier a ser editado inn dentre outros dois tipos de atos jurídicos que apresentam eficácia geral e, portanto, atinjam todos os contribuintes, mesmo os que não participaram do processo especifico. No âmbito federal, pode haver: al ulna Resolução do Senado suspendendo a execução da lei, nos ternià s do inciso X do artigo 52 da CF/88; ou b) uni ato de caráter geral que reconheça a inconstitucionalidade e estenda, a todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação, oS efeitos do julgamento que a declarou. E o caso de Decreto do Presidente da República, de Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e de Súmula da Advocacia Geral da Unido." (Inconstitucionalidade da Lei Tributária - Repetição do Indébito. São Dialética, 2002, p. 71/72) Definidos os limites do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal nO cinitrole &fits° e no concentrack subjaz ainda unia questão a ser analisada: tendo em vista que a Ação Direta de Inconstitucionalidade imprescritível ('Súmula 360 do STF), e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X da CF/88, ficariam as ações de repetição do indébito tributário sujeitas a reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido? OS que defendem esta tese sustentam: a) não haver a lei regulando a prescrição da ação para pleitear a restituição de tributo inconstitucional, uma vez que os arts. 168 e 169 do CTN não se refeririam à ação com fundamento na inconstitucionalidade da lei; b) a presunção de constitucionalidade das leis impediria cm afirmação da existência do direito à restituição do indébito antes da declaração da inconstitucionalidade da lei em que se funda a cobrança do tributo. Ora, a inconstitucionalidade da lei, no controle djft,so, é causa petendi, ,e por isso o CTN a ela não se refere, mas tão-somente à ação de repetição, qualquer que seja a sua razão de ser. Por outro lado, a presunção de constitucionalidade das leis não é absoluta. Deveras, num sistema como o brasileiro, ein que se admite o controle difuso, inúmeras são as ações em que os contribuintes pleiteiam a repetição sob a invocação incidemer tantuni da inconstitucionalidade. Aliás, na hipótese vertente a declaração foi objeto de controle difuso em Recurso Extraordinário, conseqüentemente, no 110SSO sistema, não é necessário aguardar ulna ação direta de inconstitucionalidade para repetir-se o tributo indevido. Eni sendo possível discutir no controle difuso a legalidade do tributo, a declaração de il1C017Stitucionalidade posterior e em controle vLo Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA CSIZF/IO2 Fls. 230 Processo IV 13956.000222/2001-74 Acórdao rt.' 02 -002.794 concentrado não tem o condão de reabrir prazos superados. A seguir esse raciocínio, vinte CMOS depois de incorporado o tributo ao erário, e satisfeitos necessidades coletivas C0171 esses fundos, o Estado ver-se-ia instado a devolver as quantias sem que a contraprestação também ocorresse, gercmcio situação de enriquecimento por parte do cidadão em detrimento do Estado. Não é demais lembrar que a segurança jurídica opera-se pro et contra o cidadão e a Achninistração Pública. Esposando O entendimento acima delineado, afirmo ii Eurico Marcos de &Mil que: "A máquina do tempo instalada no interior do direito não permite que seu operador navegue para o passado que quiser, o passado do direito é repleto de cavidades obstruidas pelo fluir do tempo que se tornam inacessíveis pelo próprio direito. Quando tornado como fato jurídico, o lell1p0 cristaliza a trajetória de pasitivação no presente e consolida juridicamente o passado. No direito tributário, a segurança jurídica garante a consolidação cio passado impondo cio Legislativo, que produz cis leis, o limite da irretroativickkie da lei: ao Executivo, que produz was administrativos, o limite da decadência e ao Judiciário, que produz sentenças e acórdãos, o limite cia prescrição. A segurano jurídica, portanto, promove a legalidade, garantindo o passado do lei, sem deixar de assumir a trajetória da lei 170 presente e os seus efeitos, ainda que 170 futuro essa lei deixe tie ser lei. Como ensina GERALDO ATALIBA, os efeitos garantidos pela segurança jurídica são a coisa julgada não sujeita a recurso ou ação rescisória,. o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Assim hinibém entende RICARDO LOBO TORRES, quando diz que: invalidade da lei declarada genericamente opera de imediato, anulando o presente os efeitos dos atos praticados 770 passado, salvo com relação et coisa julgada, ao ato jurídico perfe ito, ao direito adquirido ou, o que é a mesma coisa, opera ex 11111C relativamente a certos atos como, por exemplo, a sentença penal; no can ipo tributário, especificamente, isso significa que a declaração cie inconstitucionctlidade não atingirá a coisa julgada, o lançamento definitivo, os créditos prescritos Por isso, o controle da legalidcule não é absoluto, exige o respe ito cio presente em que a lei foi vigente. Dai surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o cito jurídico perfeito e o direito adquirido. (..) Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos ckcorrentes de lei cuja constitucionctlidctde climb não foi apreciacla, ficctrhtin sujeitas à rectbertura do prazo c/c prescrição, por tempo inckfinido. Assim, clisseminaria-se ci imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionaliciade du lei seja objeto cie Controle pelo STE. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante cio coinrole direto de constilucionalidack, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. ( Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA A. deeadênCia e a prescrição rompem o processo de positivação do direito; determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos p-otegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdeio . em AD1N que declarar a inconstitucionalidade da lei • tributária . serve de fundamento para configurar juridicamente o , conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito • : do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de ,decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tern o efeito . . .de reabrir ,os prazos de decadência e prescrição. • Descabe, portanto, justificar que, com o transito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se da em razão do principio da actio nata. Trata-se de repetição de principio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. 0 acórdão em • ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da • • , imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do • contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (Decadência Prescrição no Direito Tributário. São Paulo, Editora Max Limonad, 2000, p. 271/277) . luz . destes argumentos, conclui-se que nem a declaração de inconstituCiorialidade no controle eoncentrado, nem a Resolução do Senado no controle difuso, e tampouco um ,ate■ de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o condão de ressuscitar direitos patrimoniais prescritos segundo as regras do CTN. Entendimento em sentido contrário, conduziria à iniqüidade de conferir privilégio aos contribuintes que permaneceram inertes em relação àqueles que ingressaram em juizo atacando a lei inconstitucional, uma vez que os primeiros poderiam recuperar tudo o que pagaram sob o império da lei inconstitucional, enquanto que os segundos somente recuperariam o que recolheram no qüinqüênio imediatamente anterior à propositura das respectivas ações. Portanto, a publicação da decisão do STF na ADIN n 2 1.417 quando muito serve de fundamento para justificar a existência de um indébito, mas não interrompe prazos e nem faz ressurgir direitos patrimoniais atingidos pela decadência ou prescrição. Em virtude destas razões o Secretário da Receita Federal revogou o Parecer Normativo Cosit n 2 58/1998, editando o Ato Declaratório SRF n 2 96/1999 que fixou a interpretação de que a decadência do direito à repetição de indébito ocorre em 5 anos contados da extinção do crédito tributário. Estabelecido que a declaração de inconstitucionalidade não faz renascer direitos patrimoniais atingidos pela decadência ou pela prescrição, resta verificar quando ocorre a extinção do crédito tributário referida no art. 168, I do CTN. 0 STJ acolheu a tese do Professor Hugo de Brito Machado, no sentido de que no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, referida no art. 168, I do CTN, ocorre corn a combinação do pagamento antecipado e a homologação do lançamento, referidas no art. 156, VII CTN. Segundo este entendimento, caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4 2 do CTN começa a fluir a partir da 6 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA CS1(171•02 1 2 1s. 231 Processo IV 13956.000222/2001-74 Acórdão n." 02 -002.794 data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência, contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 4 2 do CTN. Com o devido respeito ao Professor Hugo de Brito Machado e ao tribunal, corn esta tese não posso concordar. 0 art. 156, VII do CTN estabelece que: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: VII- o pagamento antecipado e a homologaçáo do lançamento nos termas do disposto 170 art. 150 e seus ,sç,ss' 1°c 4°. (grifei) 0 dispositivo realmente exige a conjugação de dois fatos que são a ocorrência de um pagamento antecipado, ainda que parcial, e a homologação do lançamento, que pode ser tácita ou expressa. Entretanto, esta interpretação não levou em conta que o art. 150, § 12 Consigna que (...) 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.(grifei) Por sua vez, o art. 127 do Novo Código Civil deixou claro que quando a condição é resolutiva o ato jurídico tern eficácia deste o momento de sua constituição, ao estabelecer que (..) Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.(...) (grifei). Por outro lado, o disposto nos §§ 22 e 3 2 do art. 150 do CTN permite concluir que mesmo no caso do pagamento antecipado ser parcial, o valor pago será descontado do que for apurado posteriormente pelo fisco. Em outras palavras, isto significa que o pagamento antecipado, ainda que em montante menor do que o devido, gera efeitos jurídicos a partir do momento em que é efetuado, urna vez que o sujeito passivo passa a ser titular de direitos mesmo antes da homologação tácita ou expressa. Corn efeito, uma vez efetuado o pagamento antecipado, o contribuinte não precisa aguardar que sobrevenha a homologação tácita ou expressa para requerer certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN, pois este direito surge, no momento do pagamento que extingue o crédito sob condição resolutória da: ulterior homologação. Re força este argumento o fato de a homologação não ter sido incluída no art. 206 do CTN entre as hipóteses em que a certidão positiva tem efeitos de negativa. Além disso, a teor dos §§ 2 2 e 32 do art. 150 do CTN o valor' antecipado parcialmente não gera efeito sobre a obrigação tributária, mas gera efeito em relação ao crédito tributário, urna vez que deverá ser descontado do que porventura for apurado em momento posterior pelo fisco. Isto demonstra que pelo menos urna parte do crédito tributário foi extinto na data em que ocorreu a antecipação do pagamento. 7 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Ora, se o pagamento antecipado efetuado a menor gera efeitos até em relação obtenção de certidão negativa, como se pode dizer que não ocorreu a extinção, ainda que parcial, do crédito tributário? ; :POrtanto; não tenhO a menor dúvida de que a homologação do lançamento, seja ela tácita outeXpressa, tem efeitos ex tune, retroagindo à data em que foi feito o pagamento antecipado. A tese do Professor Hugo de Brito Machado seria válida se o art. 150 § 1 2 do CTN extinguisse «crédito sob condição suspensiva da ulterior homologação do lançamento, mas corno o legislador estabeleceu que a condição é resolutória, a extinção definitiva do crédito tributário ocorre no momento da antecipação do pagamento e somente em relação ao montante anteCipado. Os lefeitos da homologação ou da não-homologação para o fim de exigir- se eventuais diferOnças, retroagem à data do pagamento. Desse modo, como o art. 168, I do CTN fixa como dies a quo do prazo de decadência a data da extinção do crédito tributário, considero que o prazo para pleitear restituição ou compensação, em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue-se corn o dectirso de cinco anos, contados da data do pagamento indevido e não da data da homologação. Este entendimento foi chancelado pelo legislador por meio de interpretação autêntica no art.' 3 2 da Lei Complementar n2 118, de 09/02/2005, no qual ficou estabelecido que para os efeitos do disposto no art. 168, I do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1 2 da referida lei. Tratando-se de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do CTN, que tem caráter imperativo. Considerando que no caso dos autos o pedido foi formulado em 26/10/2001, o contribuinte decaiu do direito de pedir restituição do indébito relativo a pagamentos efetuados antes de 26/10/1996. Com essas considerações, voto no sentido dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para declarar extinto o direito à restituição dos pagamentos indevidos efetuados até 26/10/1996, o que abrange o periodo de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, cuja restituição havia sido concedida acórdão recorrido. Zet614 1 Antonio Carlos Atuiin 8 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo n° 13956.000222/2001-74 Acórdão n.° 02-002.794 CSIZI:Tro2 Fls. 232 Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto, Redator Designado Ouso discordar do eminente Relator no que diz respeito ao prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a titulo de PIS relativos aos períodos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Para tanto utilizo-me dos argumentos da Conselheira Dra. Adriana Gomes Rego Galvão no voto vencedor da instancia a quo. 0 pronunciamento do STF de que a Medida Provisória n° 1.212/95 somente se aplicava a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de março de 1996 e que, portanto, aos fatos geradores compreendidos de outubro de 1995 até fevereiro de 1996 ainda se aplicava a Lei Complementar n° 7/70 e alterações posteriores, ocorreu inicialmente por força de uma liminar deferida em 7/3/1996 e publicada em 24/5/1996, fl. 35, porem, esta apenas foi confirmada em decisão exarada em 2/8/1999, cuja publicação ocorreu em edição estar circulada no' dia 16/8/1999. Até então, nenhum contribuinte que pleiteasse tal compensação ou restituição teria o seu direito reconhecido pela Secretaria da Receita Federal. Aliás, a Receita Federal somente se pronunciou sobre este entendimento em 19 de janeiro de 2000, quando, por meio da Instrução Normativa no. 6/2000, vedou a constituição dos créditos tributários referentes as alterações introduzidas pela MP n° 1.212/95, relativa aos fatos geradores ocorridos no período acima mencionado. , Logo, em minha opinião, não há o que se .falar ew contagen do prazo prescricional a partir do fato gerador ou do pagamento, mas sim da data m.que this valores poderiam ser efetivamente compensados ou restituidos, ou seja, quando eles foram como pagamentos indevidos, o que somente ocorreu em 16/8/1999, de forma que a prescrição para se pedir tal aproveitamento deu-se em 16/8/2004. Portanto, se o pedido foi formalizado em outubro de 2001, foi feito tempestivamente e deve ser analisado, salientando-se que deve ficar assegurada 4 Secretaria da Receita federal o direito de conferir a certeza e liquidez dos créditos objeto do, presente pedido, considerando, para efeito de correção monetária, as regras dai Norma, de, Execução conjunta SRF/Cosit/Cosar n ° 8/97. Deve ainda ficar ressalvado que nos termos do voto do Relator a quo, como a Medida Provisória n° 1.212/95 só se aplica aos fatos ocorridos. a partir de :março de 1996, os eventuais créditos existentes devem ser calculados de acordo com a Lei Complementar n°.7/70 e alterações posteriores, considerando-se corno base de cálculo aquela do sexto mês anterior, de acordo com a jurisprudência unânime deste colegiado e do próprio STJ. . , [ . I. Neste sentido, manifesto-me por negar provimento parcial ao recurso no sentido de que se admita o pedido de restituição/compensação postulado dentro do prazo que se entende L) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA legal, porém, ressaltando que tal direito creditório deve ser calculado nos termos do voto do Relator a quo, complementado com o acima exposto. 10 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA
score : 1.0
Numero do processo: 36200.001793/2005-98
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004
AFERIÇÃO INDIRETA
É possível o lançamento de contribuições sociais utilizando-se o procedimento da aferição indireta , com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, quando o contribuinte não apresenta documentação idônea e hábil requerida pela fiscalização para a verificação do cumprimento da legislação previdenciária.
MULTA.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004 AFERIÇÃO INDIRETA É possível o lançamento de contribuições sociais utilizando-se o procedimento da aferição indireta , com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, quando o contribuinte não apresenta documentação idônea e hábil requerida pela fiscalização para a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 36200.001793/2005-98
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180154
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.668
nome_arquivo_s : Decisao_36200001793200598.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 36200001793200598_5180154.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4433460
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932741144576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36200.001793/200598 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 2403001.668 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ELCOM ELETRO COMERCIO E MONTAGENS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004 AFERIÇÃO INDIRETA É possível o lançamento de contribuições sociais utilizandose o procedimento da aferição indireta , com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, quando o contribuinte não apresenta documentação idônea e hábil requerida pela fiscalização para a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 0. 00 17 93 /2 00 5- 98 Fl. 9629DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 9630DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36200.001793/200598 Acórdão n.º 2403001.668 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 35.590.7119, lavrado em face de ELETROREDE COM. DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA, no valor de R$ 338.625,14 (trezentos e trinta e oito mil seiscentos e vinte e cinco reais e quatorze centavos). Segundo a autoridade fazendária a autuação se deu pelos motivos constantes no Relatório Fiscal, com trecho abaixo transcrito: Este Relatório e parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito (NFLD) de contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados correspondentes a: parte do empregado, parte da empresa, as destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (ate 06/1997), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (de 07/1997 a 12/1999) _e, as relativas a Terceiros (SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA e SALARIO EDUCACAO); e, as incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores autônomos e administradores (considerados, respectivamente, segurados autônomos e segurados empresários, de 05/1996 a 11/1999, à cargo da empresa. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 483/9487. DA DILIGÊNCIA FISCAL Em atenção à solicitação de diligência constante na fl. 9.521, em resposta à alegação do contribuinte, a Receita Federal informou: 1. A alegação do contribuinte quanto a natureza do serviço prestado e sobre a necessidade da utilização de maquinário para sua realização é procedente; 2. Em razão de os serviços serem prestados com a utilização, sobretudo de veículos, os montantes lançado referemse apenas aos valores destacados nas notas fiscais como base de calculo para a retenção de 11% (mão de obra destacada),assim, os percentuais relativos a utilização de equipamentos já estão excluídos. Por essa razão, o percentual de 40% adotado para o arbitramento da base de calculo das Contribuições Previdenciárias esta correto. 3. Anexamos, a titulo de exemplo, a memória de calculo relativa ao exercício de 2001, onde se vê claramente a diferença valores lançados como base de calculo e os totais das Notas Fiscais emitidas por competência. 4. Os documento apresentados na defesa são cópia dos mesmos documento analisados durante a Ação Fiscal, não alterando quaisquer dos motivos que levaram a adoção do arbitramento. Fl. 9631DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA PRIMEIRA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária em Palmas (TO) – Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário – SECAP prolatou DecisãoNotificação n. 28.401.4/0008/2005, cuja ementa segue abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. A decadência tributária relativa às contribuições para a Seguridade Social é decenal, nos termos do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 e da interpretação combinada dos arts. 150 parágrafo 4º e 173, I, do CTN. LANÇAMENTO PROCEDENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E JULGAMENTO PELO CARF Inconformada com a decisão anteriormente prolatada, a recorrente havia interposto recurso voluntário nas fls. 9532/9539, em 23 de dezembro de 2005. A Previdência social em resposta apresentou contrarrazões nas fls. 9541/9545, os quais foram submetidos à julgamento pela Segunda Seção de Julgamento em 28 de abril de 2010, Acórdão 240101.187 – 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, fls. 9547/9551, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 PREVIDENCIÁRIO. FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. DECISÃO RECORRIDA NULA. Em razão do julgamento acima, o contribuinte foi intimado da diligência fiscal, tendo se manifestado nas fls. 9565/9566. DA DECISÃO DEFINITIVA DA DRJ Após a manifestação do contribuinte, a DRJ/BSB, em 15 de março de 2011, prolatou acórdão de n. 0342.099 – 5ª Turma, julgando da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004 Fl. 9632DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36200.001793/200598 Acórdão n.º 2403001.668 S2C4T3 Fl. 4 5 DECADÊNCIA. Quando se verifica a antecipação de pagamento, mesmo que parcial, por parte do contribuinte, aplicase o prazo decadencial previsto no Parágrafo Quarto do art. 150 do CTN. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Apenas para elucidar o alcance do acórdão vale a transcrição do dispositivo do voto da relatora: VOTO no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, RETIFICANDOSE o crédito lançado, no que se refere à decadência, no período de 01/1999 a 02/2000, conforme DADR em anexo. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso em 11 de julho de 2012, de fls. 9606/9612, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Não há que se falar em correta aplicação do índice de 40% sobre os valores constantes nas notas fiscais somente relativos à mão de obra, por ferir o disposto no inciso V, do art. 623 da Instrução Normativa n. 100 de 18/12/2003, vigente à época do lançamento, quando deveria ser de 14% em obediência aos princípios norteadores da Administração Pública e por terem os serviços sido realizados com utilização de equipamentos; Ao final requer a reforma da decisão para ver a mudança na aplicação da multa de 40% para 14% sobre o valor bruto referente à mão de obra, inclusive os serviços realizados com a utilização de equipamentos constantes nas notas fiscais e por último, requer a compensação do valor total de R$ 109.424,16 pago/depositado antecipadamente a título de depósito recursal, na data de 28/12/2005, com os devidos acréscimos legais. DEMAIS INFORMAÇÕES Despacho de encaminhamento datado de 23/04/2012, pela RFB/SRRF08/DRF SANTO ANDRÉ, fl. 1225. Distribuição à Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF para sorteio, fl. 1226. Sorteio em 22/06/2012, ao Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Novo sorteio em 15/08/2012 pois o Conselheiro anteriormente designado não mais integra o colegiado da turma, fl. 1228/1229. É o relatório. Fl. 9633DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator. DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 1225, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Quanto ao índice aplicável ao caso, assiste razão ao fiscal e a DRJ quando de seu julgamento. Isso se dá, pois a aplicação do índice de 14%, constante na Instrução Normativa n. 100/2003 tratava de aplicação de percentuais diferenciados sobre o valor bruto das notas fiscais. Ocorre que o fiscal ao analisar a documentação da empresa percebeu diversas irregularidades em sua contabilidade, conforme pode se perceber de trecho do relatório fiscal, fl. 65, a seguir transcrito: 3. Das razões do levantamento dos créditos previdenciários 3.1. Em ação fiscal na empresa, ao serem examinados os documentos relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, Contratos de Prestação de Serviços, informações colhidas junto a tomadores de serviços e na Justiça do Trabalho, foi constatado que a contabilidade não registrou a totalidade das remunerações dos segurados empregados, registrou despesas sub faturadas em um período e despesas superfaturadas em outro período, também não registrou o movimento real de seu faturamento (serviços prestados), bem como não escriturou o movimento da (s) conta (s) bancária (s) inclusive as despesas referentes a tarifas bancárias e a CPMF. E mais à frente destaca a forma pela qual foram apuradas as contribuições: 3.5. Diante de todo o exposto, a contabilidade da empresa não foi considerada como elemento de prova em favor do contribuinte, tendo em vista que, comprovadamente, não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e despesas. Foram, portanto, apuradas por aferição indireta, as contribuições devidas no item “4” do presente relatório. A apuração se deu dentro dos parâmetros da legalidade, especificamente, no art. 33, parágrafo 2º da Lei n. 8.212/93, que rezava à época dos fatos geradores: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do Fl. 9634DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36200.001793/200598 Acórdão n.º 2403001.668 S2C4T3 Fl. 5 7 parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Dessa mesma forma, esta seção já decidiu pela legalidade da atuação do fiscal em oportunidades anteriores, conforme o exemplo a seguir transcrito: LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA É possível o lançamento de contribuições sociais utilizandose o procedimento da aferição indireta , com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, quando o contribuinte não apresenta documentação idônea e hábil requerida pela fiscalização para a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. SAT Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumularia. SÓCIOS. CORESP. A inclusão dos nomes dos sócios no anexo CORESP não significa a sua responsabilização solidária ou sujeição passiva com relação aos valores lançados na NFLD. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (CARF 2a. Seção 2a. Turma da 4a. Câmara Decisão, Processo n° 35564.004161/200675, Recurso n° 151.246 Voluntário, Acórdão n° 240200.353 4' Câmara ir Turma Ordinária , Sessão de 1 de dezembro de 2009) Fl. 9635DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Dassarte, não tendo demonstrado o erro na autuação por parte da fiscalização, não merece acolhimento o pleito do recorrente. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 9636DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36200.001793/200598 Acórdão n.º 2403001.668 S2C4T3 Fl. 6 9 Fl. 9637DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005226/2005-61
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício. 2002
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ATIVIDADE RURAL:
Compensam-se os prejuízos de exercícios anteriores das demais atividades comprovadamente existentes nos assentamentos da Secretaria da Receita Federal, limitando-se a compensação a 30% do lucro líquido ajustado, decorrente da atividade rural, conforme inteligência do § 3°, art. 2° da Instrução Normativa 39/96.
PROVA DAS ALEGAÇÕES. RETIFICAÇÃO DIPJ. DECADÊNCIA.
O contribuinte deve trazer aos autos, corroborando as suas alegações, prova robusta assentada em sua escrituração contábil e fiscal, desconstituindo as informações contidas em suas declarações de exercícios anteriores, não retificadas até a data do lançamento de oficio e não atingidas pelo lapso decadencial.
Numero da decisão: 1803-000.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$8.132,87, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2002 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ATIVIDADE RURAL: Compensam-se os prejuízos de exercícios anteriores das demais atividades comprovadamente existentes nos assentamentos da Secretaria da Receita Federal, limitando-se a compensação a 30% do lucro líquido ajustado, decorrente da atividade rural, conforme inteligência do § 3°, art. 2° da Instrução Normativa 39/96. PROVA DAS ALEGAÇÕES. RETIFICAÇÃO DIPJ. DECADÊNCIA. O contribuinte deve trazer aos autos, corroborando as suas alegações, prova robusta assentada em sua escrituração contábil e fiscal, desconstituindo as informações contidas em suas declarações de exercícios anteriores, não retificadas até a data do lançamento de oficio e não atingidas pelo lapso decadencial.
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10680.005226/2005-61
anomes_publicacao_s : 200907
conteudo_id_s : 5257388
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.109
nome_arquivo_s : 180300109_163252_10680005226200561_007.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Walter Adolfo Maresch
nome_arquivo_pdf_s : 10680005226200561_5257388.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$8.132,87, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
id : 4621019
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932762116096
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:30:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:30:40Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:30:41Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:30:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:30:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:30:41Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:30:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:30:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:30:40Z; created: 2009-09-03T12:30:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-09-03T12:30:40Z; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:30:40Z | Conteúdo => SI-TE03 Fl. 175 " MINISTÉRIO DA FAZENDA i:Vt1 '71hn:45?1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4c., ;I ?J. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.005226/2005-61 • Recurso n° 163.252 Voluntário Acórdão n° 1803-00.109 — 3 Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2009 ' Matéria IRPJ Recorrente AGROPECUÁRIA TAPIRAt LTDA Recorrida r TURMA DA DRJ BELO HORIZONTE/MG ASS1UNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2002 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ATIVIDADE RURAL: Compensam-se os prejuízos de exercícios anteriores das demais atividades comprovadamente existentes nos assentamentos da Secretaria da Receita Federal, limitando-se a compensação a 30% do lucro líquido ajustado, decorrente da atividade rural, conforme inteligência do § 3°, art. 2° da Instrução Normativa 39/96. PROVA DAS ALEGAÇÕES. RETIFICAÇÃO DIPJ. DECADÊNCIA. O contribuinte deve trazer aos autos, corroborando as suas alegações, prova robusta assentada em sua escrituração contábil e fiscal, desconstituindo as informações contidas em suas declarações de exercícios anteriores, não retificadas até a data do lançamento de oficio e não atingidas pelo lapso decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$8.132,87, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FERREIRA DE MORAES - Presidente falte t2r WALTER ADOLFO MA EStCH - Relator — Processo n° 10680.00522612005-61 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.109 Fl. 176 EDITADO EM: 27 AGO 2009- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice- presidente), Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Benedicto Celso Benício Júnior, Márcia Miranda Gomes Clementino. Relatório AGROPECUÁRIA TAPIRAI LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela r Turma da DRJ BELO HORIZONTE (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 a 05, exigindo-lhe o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 78.078,83, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de oficio e juros de mora. Referido feito originou-se de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao exercício financeiro de 2002, ano-calendário 2001, que resultou na constatação da irregularidade assim descrita: 01 — GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INEXISTENTES. Glosa de valores compensados na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, a título de prejuízo fiscal apurado em período base anterior, tendo em vista a insuficiência de saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 224.790,85 75 Foram citados como enquadramento legal os artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR199. Ciente em 29 de abril de 2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) fl. 77, a interessada apresentou em 25 de maio de 2005 sua impugnação de fls. 83 a 86, alegando em síntese, que: A autuada alega que a empresa sempre possuiu prejuízo fiscal devido a sua atividade econômica, exclusivamente rural, ser deficitária, equivocando-se a fiscalização ao ......__declarar que a empresa não possuía prejuízos fiscais compensáveis no de 2001. Processo o° 10680.005226/2005-61 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.109 Fl. 177 Diz ainda, que no Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais, anexado aos autos, fls. 14/20, houve outros equívocos, uma vez que consta que a empresa possui, desde o ano de 1996 até o ano de 2001, acúmulo de prejuízos fiscais a compensar, oriundo de atividades em geral no montante de R$ 4.474.949,91 e de saldo de prejuízos fiscais em 31/12/2000, decorrentes de atividade rural no valor de R$ 33.376,79. A impugnante destaca que, desde a sua abertura, a Agropecuária Tapiraí Ltda., atua, única e exclusivamente, no ramo de atividade rural, o que pode ser evidenciado através da documentação anexada aos autos, onde se pode verificar, no Contrato Social da empresa e em todas as subseqüentes alterações que a empresa tem como objetivo a exploração de atividade agropecuária. Dessa forma, é impossível contestar que os resultados (lucros ou prejuízos) no decorrer dos exercícios fiscais pela exploração das atividades operacionais da empresa decorram do setor rural. Cita os artigos 512 e 510 do RIR/99, que tratam da compensação de prejuízos fiscais, argumentando que o legislador definiu que o saldo de prejuízos acumulados em exercícios anteriores para a atividade rural não tem limite máximo de compensação, face ao lucro do exercício corrente, podendo, assim, a empresa furtar-se de recolhimento do imposto de renda no ano calendário 2001, haja vista, possuir saldo de prejuízos acumulados de exercícios anteriores em montante superior ao lucro apurado no exercício citado e, com isso zerando a base de cálculo do referido imposto, não resultando em nenhum recolhimento devido naquele ano. Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista que a empresa sempre e somente desempenhou atividade rural e assim só poderia obter resultados positivos ou negativos, no ramo da atividade rural e não em atividade em geral. A DRJ BELO HORIZONTE (MG), através do acórdão n°02-14.209 de 17 de maio de 2007 (fls. 134/137), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2002 PREJUlZ0 DA ATIVIDADE RURAL. A caracterização inequívoca nos autos de prejuízos fiscais da atividade rural, passíveis de compensação com a base tributável, pressupõe a apuração, a demonstração e a declaração tempestiva desses prejuízos. LIMITE DE COMPENSAÇÃO. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas que exploram atividade rural, somente poderão ser compensados, nos períodos subseqüentes ao de sua apuração, com lucros de mesma natureza, observado o limite de redução do lucro de, no máximo, trinta por cento. Inconformado o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 142 a 148, repetindo os argumentos da inicial, de que sempre exerceu atividade agropastoril, devendo — Processo n° 10680.005226/2005-61 si-TE03 Acórdão n." 1803-00.109 Fl. 178 os prejuízos anteriores ser compensados sem o limite de 30% existente apenas para as demais atividades. É o relatório. Voto Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Trata o presente processo de lançamento IRPJ relativo ao ano calendário 2001, pela compensação indevida de prejuízos de exercícios anteriores, face a insuficiência de prejuízos decorrentes exclusivamente da atividade rural e com inobservância da trava de 30% em relação as demais atividades. Afirma a recorrente em apertada síntese de que sempre exerceu atividade rural, sendo os prejuízos de exercícios anteriores, exclusivamente da atividade rural, não se lhe aplicando a "trava" legal de 30% aplicável apenas às demais atividades. Assiste parcialmente razão à interessada. Com efeito, conforme consta dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (fls. 08 a 20), a recorrente somente possuía até o ano calendário 1996, com base nas declarações por ela mesma entregues, prejuízos fiscais da atividade geral, não havendo qualquer segregação de atividades ou de resultados conforme comando da Lei n° 8.021/90. Cabia-lhe portanto, comprovar com elementos robustos e à vista da sua escrituração fiscal e contábil, de que os resultados dos anos anteriores se referiam efetivamente a exploração da atividade rural, já que suas declarações de imposto de renda, não refletem as suas afirmações. Embora comprove a contribuinte que em seu contrato social, sempre constou como objeto social a exploração agrícola, florestal e pecuária, é imprescindível que a apuração do lucro decorrente da atividade agropastoril, seja evidenciada através de sua escrituração contábil e fiscal, acompanhada da correta demonstração na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Conforme a decisão de primeira instância enfatizou, tratando-se de prejuízos relativos a períodos já atingidos pelo lapso decadencial, não é possível efetuar qualquer revisão sobre os mesmos, sendo definitivas as informações contidas nas declarações. No entanto, forçoso reconhecer que existindo robusto saldo acumulado de prejuízos fiscais das demais atividades, não é razoável pressupor como demonstra o sistema SAPLI (fls. 14/20), que a contribuinte tenha compensado exclusivamente prejuízos fiscais da atividade rural (apurados somente a partir de 1996), deixando totalmente intacto o prejuízo fiscal das demais atividades. • Processo ir 10680.005226/2005-61 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.109 Fl. 179 Considerando que a contribuinte não segregou os saldos de prejuízos, mesmo após ter iniciado a apuração segregada da atividade rural na DIPJ de 1996, deve ser reconhecida a partir desta data a compensação dos lucros apurados na atividade rural, com prejuízos das demais atividades, limitada esta compensação à "trava" de 30%, conforme determina o art. 2° da Instrução Normativa SRF 39/96: (verbis) Art. 20 À compensação dos prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural, com lucro real da mesma atividade, não se aplica o limite de trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° O prejuízo fiscal da atividade rural a ser compensado é o apurado na demonstração do Livro de Apuração do Lucro ReaL § 2° O prejuízo fiscal da atividade rural apurado no período- base poderá ser compensado com o lucro real das demais atividades apurado no mesmo período-base, sem limite. § 3° À compensacão . dos prejuízos fiscais das demais atividades, assim como os da atividade rural com lucro real de outra, apurado em período-base subseqüente. aplica-se o disposto nos arts. 35 e 36 da Instructio Normativa n°11. de 21 de fevereiro de 1996. gnfamos Diante do exposto, deve-se adotar para os anos calendários precedentes (1996 a 2000), o mesmo método adotado pelo lançamento de oficio tratado neste processo, compensando-se inicialmente o prejuízo fiscal das demais atividades, limitado a 30%, conforme segue: Ano/atividade Saldo Prejuízos lucro/prejulzo (-) Compensação SALDO PREJ 1996 ativ geral 4.474.949,91 4.474.949,91 1996 ativ rural 0,00 -132.704,10 132.704,10 1997 ativ geral 4.474.949,91 4.474.949,91 1997 ativ rural 132.704,10 -6.756,29 139.460,39 1998 1 trim geral 4.474.949,91 6.925,29 4.468.024,62 1998 1 trim rural 139.460,39 23.084,30 16.159,01 123.301,38 1998 2 trim geral 4.468.024,62 4.468.024,62 1998 2 trim rural 123.301,38 -21.939,65 145.241,03 1998 3 trim geral 4.488.024,62 32.409,23 4.435.615,39 1998 3 trim rural 145.241,03 108.030,76 75.621,53 69.619,50 1998 4 trim geral 4.435.615,39 4.435.615,39 1998 4 trim rural 69.619,50 -592,34 70.211,84 1999 ativ geral 4.435.615,39 4.435.615,39 1999 ativ rural 70.211,84 -52.115,11 122.326,95 2000 ativ geral 4.435.615,39 14.884,69 4.420.730,70 2000 ativ rural 122.326,95 49.615,64 34.730,95 87.596,00 2001 ativ geral 4.420.730,70 110.643,27 4.310.087,43 2001 ativ rural 87.596,00 368.810,91 87.596,00 0,00 Destarte, com base no quadro em epígrafe, o lucro real deve ser adequado conforme segue: ..zWv.,1. Lucro real AC 2001 antes compensação — RS 368.810,91 str Processo n° 10680.005226/2005-61 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.109 EL 180 2. Compensação prej. Atividade geral R$ 110.643,27 3. Compensação prej. Atividade rural R$ 87.596,00 4. Lucro real sujeito à tributação R$ 170.571,64 5. Imposto lançamento de oficio R$ 33.718,62 6. Imposto revisto R$25.585,75 7. Parcela exonerada de imposto R$ 8.132,87 Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso, para exonerar a parcela de R$ 8.132,87 à título de imposto de renda pessoa jurídica, relativo ao ano calendário 2001. • TIMA;Es-e-4 WALTER ADOLFO SCH - Relator 6 tf Processo n° 10680.005226/2005-61 SI-TE03 Acórdão n.• 1803-00.109 Fl. 181 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 30, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ 1 apenas com ciência; • [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ 7 Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002934/2007-29
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/09/2006
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.° DA LEI N,'
8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "j" DO RPS, APROVADO PELO
DECRETO N.° .3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração,
o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na
administração previdenciária.
Inobservância do artigo .33, § I' da Lei n.° 8,212/91 c/c artigo 283, II, 1" do
RPS, aprovado pelo Decreto n,' 3.048/99.
Nos termos do art. 291, § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro
do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for
primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância
agravante. Em não restando demonstrada a correção de todas as faltas,
incabível a relevação.
A apresentação de determinadas documentos apenas em sede de recurso
importa preclusão do direito, não devendo os mesmos serem apreciados.
A existência de apenas uma falta é suficiente para manutenção da autuação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-01193
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/09/2006 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.° DA LEI N,' 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "j" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° .3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo .33, § I' da Lei n.° 8,212/91 c/c artigo 283, II, 1" do RPS, aprovado pelo Decreto n,' 3.048/99. Nos termos do art. 291, § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Em não restando demonstrada a correção de todas as faltas, incabível a relevação. A apresentação de determinadas documentos apenas em sede de recurso importa preclusão do direito, não devendo os mesmos serem apreciados. A existência de apenas uma falta é suficiente para manutenção da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
numero_processo_s : 11618.002934/2007-29
conteudo_id_s : 5171596
numero_decisao_s : 2401-01193
nome_arquivo_s : 240101193_145916_11618002934200729_011.PDF
nome_arquivo_pdf_s : 11618002934200729_5171596.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
id : 4296071
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:44:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932765261824
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T12:17:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T12:17:04Z; Last-Modified: 2010-09-02T12:17:05Z; dcterms:modified: 2010-09-02T12:17:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:998081a4-9bc7-4580-816b-a0fc33a467c8; Last-Save-Date: 2010-09-02T12:17:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T12:17:05Z; meta:save-date: 2010-09-02T12:17:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T12:17:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T12:17:04Z; created: 2010-09-02T12:17:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-09-02T12:17:04Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T12:17:04Z | Conteúdo => S2-C4T1 Fl. 872 MINISTÉRIO DA FAZENDA .*3' • • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11618.0029.34/2007-29 Recurso tf 145,916 Voluntário Acórdão n" 2401-01.193 — 4° Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INSTITUTO EDUCACIONAL CULTURAL, EDUCATIVO E ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENC1ÁRIA SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/09/2006 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.° DA LEI N,' 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "j" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° .3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo .33, § I' da Lei n.° 8,212/91 c/c artigo 283, II, 1" do RPS, aprovado pelo Decreto n,' 3.048/99. Nos termos do art. 291, § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Em não restando demonstrada a correção de todas as faltas, incabível a relevação. A apresentação de determinadas documentos apenas em sede de recurso importa preclusão do direito, não devendo os mesmos serem apreciados. A existência de apenas uma falta é suficiente para manutenção da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / l n Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. aI év' ELIAS SA . PAIO FREIRE — Presidente . , ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria da Glória Faria (Suplente). 2 Processo rf 11618 002934/2007-29 S2-C4T1 Acórdão ri 2401-01,193 Fl. 873 Relatório Trata o presente auto-de-infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2° e 3° da Lei n° 8212/1991 c/c art., 283, "j" do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3,048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente: 1. Apresentou os livros diários referentes aos exercícios 1999 a 2001 com rasuras nas datas dos Termos de Abertura e Encerramento, além de apresentarem os livros com violação das .folhas n° 000140 a 000151 (Diário de 1999), 0131 a 0142 (2000) e 0126 a 0138 (2001), com indícios inclusive de trocas de folhas, conforme documentos anexados por amostragem. 2. Ademais os livros Diários de 2004 e .2005 entregues a ,fiscalização após T1AD não obedecem as .formalidades extrínsecas de sua apresentação. Observa-se, ainda a ausência de assinaturas do Contador e da Diretora-Presidente no Balanço, na Demonstração do Resultado e Demonstrações Financeiras. Assim, ,-estou demonstrado que o 10EAS não possuía contabilidade regular para esses anos. 3. Que o Balanço Patrimonial , a DRE, a DMPL e as Notas Explicativas constantes do Livro Diário de 2003 não continham a assinatura da Diretora Presidente, nem registro ou carimbo do Cartório. 4. A ICEAS apresentou a relação dos alunos bolsistas dos anos de 1998 a 2003 somente com o nome do aluno e o valor da bolsa, ou seja, sem conter todos os dados exigidos pela legislação (qual seja .filiação, endereço, telefone, CFP dos responsáveis, custo e percentual da bolsa. 5.. Não apresentou ,ficha cadastral, parecer com peijil sócio económico dos alunos bolsistas no período de 1998 a 2003, bem como apresentou pareceres, referentes aos exercícios de 2004 e 2005 somente de parte dos alunos bolsistas, solicitados por intermédio do TIAD.. 6, Não apresentou registro de todos os empregados, conforme solicitado por meio de TIAD. Importante, destacar que a lavratura do AI deu-se em 18/09/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/09/2006. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fis, 49 a76. Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fis, 203 a 214, (--fr 3 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 219 a 271, Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: A recorrente, é urna pessoa jurídica de direito privado, sem fins econômicos, de caráter religioso, voltada para educação da pessoa e promoção de assistência social, sendo detentora de diversos certificados e declarações de utilidade pública, o que a qualifica como entidade beneficente. A decisão notificação toma por base alegações de supostas anomalias contábeis que em verdade se baseiam em meras minúcias, detalhes técnicos e vícios burocráticos, que em momento algum apontam qualquer prova irrefutável de violação da legislação afeita, ou mesmo das normas infralegais. Conforme o embasamento legal para autuação, observa-se que somente o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, pautado com todo o amiúde relatado pelo auditor. Quanto a suposta rasura no diário de 1999, observa-se facilmente que houve tão somente uma pequena Correção no ano de abertura, não prejudicando sua compreensão ou validade. Diga-se que essas correções foram realizadas antes do registro dos livros no cartório. Os mesmos argumentos devem ser utilizados em relação as folhas do livro diário, que de forma nenhuma se encontram violadas por serem parte inclusa dos documentos cujo registro restou firmado. O que ocorreu foi o desgaste natural pelo manuseio para tirar cópias solicitadas pelo próprio agente fiscal, Requer perícia para comprovar o alegado, comprovando não ter havido qualquer adulteração dos livros. As cópias dos livros encontram-se inclusive arquivadas no cartório. Quanto aos livros de 2004 e 2005, razão novamente não assiste a autoridade fiscal, visto que a recorrente trouxe prova cabal dos registros dos documentos. Antes que se alegue as páginas dos livros não são mais rubricadas, sendo guardadas cópias das páginas para maior segurança. Quanto ao questionamento de ausência de assinatura trata-se de formalismo ao extremo. O objetivo das determinadas assinaturas na legislação é tão somente declinar os responsáveis legais pelas informações contábeis e assegurar que não haverá qualquer mudança nos dados ali transcritos. Ademais, os"responsáveis já haviam assinado o termo de abertura e de encerramento do livro diário, se responsabilizando pelas informações ali contidas, Observa-se na verdade que se ataca somente a formalidade prevista no art. 1183 do Código civil, vez que não se fez qualquer prova de que os livros não refletem a realidade, inclusive, porque a entidade publica seu balanço em jornal de grande circulação. A empresa realizou auditoria externa, onde não se constatou qualquer irregularidade quanto a contabilidade da empresa. Sendo assim, se corrigidos todos os formalisrnos apontados pela auditoria, que nunca chegaram a gerar qualquer tipo de prejuízo, é questão de direito a relevação da multa e a declaração da atual correção de tais documentos, Processo n° 11618 002934/2007-29 s2-0111 Acórdão o ° 2401-01.193 Fl. 874 Quanto ao fato de que a empresa não apresentou a relação de alunos contemplados com gratuidade/bolsas, nem fichas cadastrais/pareceres com o perfil dos alunos dos anos de1998 a 2003, ressalte-se que a exigência quanto a ficha cadastral apenas nasceu com a In100/2003, não podendo seus efeitos retroagir. Ressalte-se ainda acerca da apresentação de Fichas Socioeconômicas dos beneficiários, que não existe legislação que respalde dita exigência. Quanto a suposta falta de registro de empregados, quando da solicitação foi informado ao auditor fiscal que alguns dos registros requeridos encontravam-se no arquivo morto, pela longa data, contudo o auditor quedou-se inerte em prestar mais informações sobre o procedimento a ser tomado ou a relegar prazo suplementar para apresentação, tendo de imediato lavrado o respectivo AI. Ressalte-se que na impugnação o recorrente apresentou as fichas solicitadas Face o exposto, restando comprovado os inúmeros vícios destacados no AI, deve o mesmo ser anulado e por conseguinte a multa relevada em razão dos preenchimentos dos requisitos previstos no art. 291 do RPS. Na pior das hipóteses requer a redução da multa proporcionalmente À correção inimpugnável de conduta relativa aos anos de 2004 a 2005, conforme descrito no recurso, A Receita Previdenciária encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contra-razões. É o relatório. 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 869. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Observa-se que o lançamento em questão foi pautado pela não apresentação de diversos documentos durante o procedimento fiscal, documentos estes devidamente destacados no Relatório Fiscal da Infração. Contudo, identifica-se de pronto que a atuação encontra-se pautada não em apenas uma infração, mas em diversas, sendo que basta apenas uma para ser considerada procedente a autuação. Conforme descrito na DN e não refutado pelo recorrente existiu a efetiva rasura (dita pelo recorrente "correção" das datas, o que demonstra a sua existência, ou seja, durante o procedimento restou constatado a rasura quanto as datas de abertura e encerramento) Com relação aos argumentos de que não existiria a suposta troca de folha, ressalto que entendo pertinente a alegação fiscal (considerando o manuseio dos documentos), de que se trata de suposta troca, visto não existir uniformidade no desgaste das folha. Entendo pertinente a demonstração da autoridade fiscal, contudo inaplicável sua apreciação visto só poder ser constatada na análise pessoal dos documentos, ou constatado mediante perícia. Como no auto de infração em questão não se observa apenas essa falta, e que o valor da multa, independe do número de infrações, ultrapasso essa falta em princípio para ater-me a análise dos demais,. Quanto ao argumento de que inexigível o livro Diário em se tratando de entidade beneficente, entendo que razão novamente não assiste ao recorrente. À fls. 208 a autoridade julgadora demonstra de forma cabal a possibilidade de exigência do Livro Diário, conforme descrito abaixo. Quanto a alegação de que o Fiscal utilizou-se de dispositivos do Código Comercial para sustentar a pratica de violação de obrigações acessórias contábeis, quando tais embasamentos legais não se aplicam a impugnante, pois não ha como confundir a representada com uma empresa comercial, pois trata-se de uma entidade beneficente, sem fins econômicos, verificamos que a partir da competência 11/91, o Livro Diário e exigível para toda entidade em gozo de isenção, mesmo que dispensada dessa obrigação perante a legislação tributaria federal, o Livra Diário e o documento hábil que permite a pessoa fia ídica isenta demonstrai a . fidedignidade dos valores aplicados em gratuidade. 10 1 Dessa forma, o Parecer/Cf n.o 1193/98, elucida que a imunidade tributária não alcança a obrigação tributária acessória, aduzindo que o INSS e um dos usuários da informação Processo n° 11618 002934/2007-29 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.193 F1 875 contábil e não pode limitar ação fiscal a dados quanto a liquidez dos recursos da entidade (fluxo de caixa) e afirmando que sem o Livro Diário, e impossível a edição de Balanço Patrimonial, concluindo que as Entidades Beneficentes de Assistência Social estão obrigadas a escrituração, de acordo com a legislação vigente, com as Normas Brasileiras de Contabilidade e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade (CM). 11. Uma vez obrigadas a apresentar os Livros Diário, tais documentos devem obedecer as .formalidades extrínsecos de sua apresentação, de modo que quanto aos Livros dos exercícios de 2004 e 2005, verificamos, através das cópias apresentadas as .fl. 14, 17 e 18, que não ha nenhuma indicação do registra na repartição competente, ou seja, no Cartório de Registra de Títulos e Documentos, como também não ha prova na defesa da devida autenticação, 11,1, Assim, para serem reconhecidas como Entidades Beneficentes de Assistência Social (EBAS), fazerem jus ao Certificado de Entidade Beneficentes de Assistência social (CEAS), ao Titulo de Utilidade Publica Federal (UPF) e a Isenção de contribuic6es para a seguridade social, prevista na Carta Magna de 1988 (art. 195, ,§ 7°), as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos necessitam atender exigências relativas a sua escrituração contábil, estabelecidos na legislação ordinária, bem como respeitar os princípios e as normas aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 11,2. Dessa forma, a Norma Brasileira de Contabilidade,- NBC T 10.19 - Entidades Sem Finalidade de Lucrativos, aprovada pela Resolução CFC n] 877, de 2000, com alterac6es Resolução CFC n.. 926, 19 de dezembro de 2001, abaixo reproduzida, estabelece a forma do registro e das demonstrac6e,s contabéis das EBAS, conforme se verifica: "NBC T -10.19- ENTIDADES SEM FINALIDADE DE LUCROS 10_19,1 - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 10.19,1.1 - Esta norma estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, de registros dos componentes e variações patrimoniais e de estruturação das demonstrações contábeis, e as informações mínimas a serem divulgadas em nota explicativa das entidades sem finalidades de lucros 10.19,1.7 - Por se tratar de entidades sujeitas aos mesmos procedimentos contábeis, devem ser aplicadas, no que couber, as diretrizes da NBC T 10,4 Fundações e NBC T 10.18 - Entidades Sindicais e Associações de Classe, 10.19.2,1 - As receitas e despesas devem ser reconhecidas, niensalmente, respeitando os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da Competência 7 10.19.1.2 - Destina-se, também, a orienta o atendimento as exigências legais sobre procedimentos- contábeis a serem cumpridos pelas pessoas jurídicas de direito privado sem finalidade de lucros, especialmente entidades beneficentes de assistência social (Lei Orgânica da Seguridade Social), para emissão do Certificado de Entidade de Fins Filantr6picos, da competência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Ti 10.19.1 6 - Aplicam-se as entidades sem finalidade de lucros os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem como as Normas- Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade No caso das Entidades Beneficentes de Assistência Social, a escrituração.-será mantida em registros permanentes, com obediência a NBC 11019, aos preceitos da legislação ao societária e aos princípios fundamentais de contabilidade, devendo observar métodos e critérios contábeis uniformes no tempo, como a rubrica de todas as paginas por funcionário do Cartório, com competência para este .fim, a encadernação com costura e Termo de abertura, contendo o nome da Entidade a que pertença o instrumento de escritura ção,o município da sede ou filial, a .finalidade a que se destina o instrumento de escrituração, o numero de ordem do instrumento de escrituração, a quantidade de páginas, se numeradas no anverso e verso, .fotogramas, se microficha.s, e registros, se livro digital e o numero da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, administrado pela Secretaria da Receita Federal, e no Termo de Encerramento, com o nome da Entidade,o . fim a que se destinou o instrumento escriturado, o período a que se refere a escrituração o numero de ordem do instrumento de escrituração, a quantidade de paginas, se numeradas no anverso e verso, fotogramas, se niicrofichas; e registros, se livro digital os termos de abertura e de encerramento, ainda serão datados e assinados pelo administrador de sociedade empresarial ou procurador e por contabilista legalmente habilitado, com indicação do numero de sua inscrição no Conselho Regional de Contabilidade CRC e dos nomes completos dos signatários e das respectivas !Unções (art 7°, Decreto n. 64.,567169). É obrigat6ria a assinatura do contador legalmente habilitado e do responsável pela Entidade, no Balanço Patrimonial e de Resultados, conforme artigo 1.184 do C6digo Civil: Portanto, ao contrário do que argumenta o recorrente entendo cabível a exigência quanto a apresentação e formalidades a serem observadas na elaboração do documento, inclusive para conferir veracidade as informações seja a empresa entidade beneficente ou com fins estritamente lucrativos., Os esclarecimentos prestados pela autoridade julgadora deixam clara a previsão legal para tanto. Ressalte-se que o próprio recorrente reconhece o descumprimento de normas, que ensejaram a infração, quando argumenta serem abusivas as exigências e que as mesmas não trouxeram nenhum prejuízo ao recorrente Quanto a não apresentação das relações descritivas das bolsas concedidas entendo, novamente que razão não assiste ao recorrente. Tanto a IN 66/2002, como 8 Lg Processo n 11618002934/2007-29 S2-C4T1 Acórdão n 0 2401-01.193 F I . 876 a IN 100/200.3, respaldam a exigência, assim como não cumpriu a recorrente a exigência de apresentação do perfil econômico dos alunos atendidos pelas referidas bolsas, visando demonstrar o cumprimento das exigências descritas no art. 55, 111 da Lei 8212/01. Ressalte-se que na esfera recursal, anexou o recorrente diversos documentos que visam comprovar a correção de dita falta, contudo ,não existe qualquer prova de que apresentou durante o procedimento fiscal, ou mesmo na fase de impugnação, razão porque entendo que não devam os mesmos ser apreciados, face ocorrido a preclusão do direito. Quanto a diminuição da multa face o cumprimento da obrigação, novamente vale ressaltar-se que a existência de um única falta é suficiente para respaldar a manutenção da obrigação. Não apresentou o recorrente, dentro do prazo da impugnação a correção da totalidade das faltas, razão porque entendo cabível a manutenção da autuação. Conforme prevê o art. .3.3, § 2 0 da Lei n ° 8212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar-, fiscalizar-, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição,' e à Secretaria da Receita Federal — compete arrecadar, ,fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art II, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 9/07/2001) 1 § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A Auditora-Fiscal agiu de acordo com a norma aplicável, emitido, inclusive os correspondentes TIAD. e não poderia deixar de fazê-lo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não apresentação da documentação durante o procedimento fiscal acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Conforme devidamente demonstrado pelo auditor, não se trata de apenas uma falta, mas um conjunto, para a qual não conseguiu o recorrente demonstrar o cumprimento. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. á.'/ 9 Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2 0 do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória, § 1" A obrigação principal surge com a ocorrência do .fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão prevideneiário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n° 8212/1991. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa., Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048/1999: Art 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade . julgadora competente. § I" A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infiator . fbr primário, tiver corrigido a filha e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante,§ 2" O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamenta 3" A autoridade que atenuar ou relevai- multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acorda com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Processo tf 11618002934/2007-29 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01,193 El 877 Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Portanto, a que de se falar em meros duscumprimentos sem qualquer prejuízo ao fisco. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir, CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de março de 2010 • ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora át. ti
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001001/2007-31
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2004
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2401-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11853.001001/2007-31
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5176534
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2401-002.769
nome_arquivo_s : Decisao_11853001001200731.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11853001001200731_5176534.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4403575
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:44:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932770504704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 712 1 711 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11853.001001/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.769 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VEST CON EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 10 01 /2 00 7- 31 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Trata o processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.588.7878, lavrada para exigência das contribuições dos segurados e patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, e as destinadas a outras entidades e fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 42/45, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram obtidos na declaração da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, a exceção dos valores referentes ao 13.º salários, que foram extraídos das folhas de pagamento. Afirmase ainda que foram deduzidas na apuração os recolhimentos efetuados. A empresa ofertou impugnação, fls. 51/68, na qual aduziu, em apertada síntese, que adquiriu, mediante aporte de capital, ativos financeiros oponíveis à União e suas entidades autárquicas, cuja validade foi reconhecida por decisão judicial. Após os mencionados ativos terem sido escriturados na contabilidade da notificada, afirma que passou a compensar os créditos com as contribuições previdenciárias devidas, extinguindo a relação jurídica obrigacional tributária consubstanciada na NFLD questionada, com amparo na Decisão proferida nos autos do processo judicial tombado sob o n.º 2001.35.00.0068982, em trâmite na 3a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás. Foram acostadas a defesa, os seguintes documentos: a) atos constitutivos; b) comprovação da cessão de crédito; c) cópia de sentença judicial autorizando a incorporação dos créditos ao patrimônio da empresa; d) declaração técnico contábil; e) cópia das guias compensadas; e f) cópia de ação, onde requer a exclusão da relação jurídicotributária. O órgão de primeira instância declarou procedente o lançamento, por entender que não é possível a compensação de crédito tributário com títulos da dívida pública. Sustentouse na decisão que os títulos apresentados já estariam prescritos, além de que não há lei autorizando o INSS a recebêlos para quitação de contribuições previdenciárias (ver fls. 343/348). Fl. 713DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11853.001001/200731 Acórdão n.º 2401002.769 S2C4T1 Fl. 713 3 A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 353/369, alegando que o crédito tributário deverá ter sua exigibilidade suspensa até o desfecho das ações judiciais por ela impetradas. Sustenta que o próprio Conselho de Contribuintes reconhece a sua incompetência para apreciar a questão da presente demanda, conforme se vê de jurisprudência acostada. Afirma que ingressou em juízo com Ações Declaratórias de Extinção de Relação Jurídica Obrigacional Tributária com o objetivo de obter a tutela jurisdicional para ver declarado o acertamento da relação jurídica compulsória outrora existente entre a Fazenda Pública Federal e a Autora. Afirma que o ajuizamento das ações se deram antes da constituição do crédito, assim encerrouse a competência da Administração para se manifestar sobre a matéria. Advoga que o depósito para seguimento do recurso não encontra amparo no ordenamento pátrio. É o relatório. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Embora preencha os requisitos de tempestividade e legitimidade, o recurso não merece conhecimento. É que no bojo das Ações Declaratórias de Extinção de Relação Jurídica Obrigacional n.º 2004.34.00.0055321 (fls. 555 e segs.) e n.º 2004.34.00.02264483 (fls. 588 e segs.) o sujeito passivo trata da extinção de competências envolvidas no crédito tributário sob enfoque, mediante a compensação com apólices da dívida pública. Sobre essa matéria, tema central da lide, não deve esse Tribunal Administrativo lançar pronunciamento, uma vez que é questão que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Conclusão Voto por não conhecer do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 715DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
