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Numero do processo: 10845.004698/98-87
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício:1996, 1997
PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MATÉRIA DEFINITIVA
Determina-se a definitividade do crédito, pela falta de alegações no recurso acerca das razões que o constituíram.
CABIMENTO DO LANÇAMENTO. FALTA DE PROVAS.
Mantém-se o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais em relação ao qual o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não faça prova em contrário, mediante documentação hábil e idônea, acerca dos fundamentos de fato e direito que suportam a autuação.
FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO.
Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.,
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER em parte do recurso voluntário, negando provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ainda reconhecer a incompetência desta Turma para processar e julgar a infração 3 (pagamentos a beneficiários não identificados), pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam para lá encaminhados para conclusão do julgamento.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 06/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício:1996, 1997 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MATÉRIA DEFINITIVA Determinase a definitividade do crédito, pela falta de alegações no recurso acerca das razões que o constituíram. CABIMENTO DO LANÇAMENTO. FALTA DE PROVAS. Mantémse o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais em relação ao qual o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não faça prova em contrário, mediante documentação hábil e idônea, acerca dos fundamentos de fato e direito que suportam a autuação. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento., Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER em parte do recurso voluntário, negando provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ainda reconhecer a incompetência desta Turma para processar e julgar a infração 3 (PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS), pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam para lá encaminhados para conclusão do julgamento. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 46 98 /9 8- 87 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 621 2 Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 06/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 652 a 660: Em decorrência da ação fiscal direta junto ao estabelecimento da empresa supra qualificada, a fiscalização apurou, no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1996, a falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre : 1) Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício: valores referentes aos honorários advocatícios e comissões de vendedores; 2) Remunerações indiretas: cotas de capital e um terreno, adquiridos pelos seus sócios, mas pagos pela própria empresa; e 3) Pagamentos a beneficiários não identificados: comissões a vendedores não identificados, bem como outros pagamentos sem identificação dos beneficiários. Em conseqüência, com fundamento nos arts. 1º, 2º, 3º e 7º, II, da Lei n.º 7.713. de 22 de dezembro de 1988; arts. 1º e 3º da Lei n.º 8.134, de 27 de dezembro de 1990, arts. 4º, 5º, par. único, 74, inciso II, da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; e arts. 7º, 8º e 61 e §§, da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, foi lavrado o Auto de Infração de fl. 01, do qual a empresa tomou ciência em 02/12//1998, para a constituição do crédito tributário correspondente, no montante de R$ 2.081.540,24 (Dois milhões, oitenta e um mil, quinhentos e quarenta reais e vinte e quatro centavos), referentes ao imposto, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/10/1998. A exigência foi objeto de impugnação tempestiva, fls. 621 a 631, na qual a autuada reconhece sua condição de responsável pela falta de retenção e recolhimento do imposto, porém insurgese contra o lançamento efetuado argumentando que as “conclusões da digna autuante não estão fundadas no bom direito, principalmente no tocante aos denominados benefícios indiretos e à aplicação açodada e equivocada do artigo 61 da Lei n.º 8.961/95, que daria respaldo à tributação dos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados”. Alega que a autuante “confundiu operações de empréstimo com remuneração indireta” e que “... os pagamentos a terceiros, em nome dos sócios, constituem genuínos empréstimos ou mútuos da pessoa jurídica em favor de seus sócios. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 622 3 Podiam até tais pagamentos serem considerados como adiantamentos por conta de lucros futuros”. Assinala que esses pagamentos não podem ser considerados como “salário indireto”, na exata definição do PN/COSIT 11/92, que § 1º do art. 61 da Lei n.º 8.981/95 “não pode mudar a natureza do negócio realizado” porque o art. 110 do CTN veda essa alteração. No tocante à exigência relativa ao IR. Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, aponta que, embora o art. 61 da Lei n.º 8.981/95 trate de tributação exclusiva na fonte, na prática ele pode atingir também a omissão de receita presente nos pagamentos não identificados”. Expõe que, “no caso vertente, o artigo 61 citado está sendo utilizado para atingir uma omissão de receita já tributada em outro auto de infração” pois, nos anos calendários de 1995 e 1996, a empresa foi autuada por omissão de receita nos seguintes valores: R$ 2.257.083,04 em 1995 e R$ 3.081.509,07 em 1996. No ano de 1995, além da tributação na pessoa jurídica de 100% da receita tida como omitida, tributouse o mesmo valor (100% da receita) na fonte à alíquota de 35%. Noticia que a receita tida como omitida foi apurada e dimensionada da seguinte forma: “no exame dos Livros Registros de Saídas constatamos que diversas Notas fiscais de venda foram registradas no referido livro em valores inferiores, caracterizando omissão de receita ...” Sublinha que as diferenças encontradas nos dois anos resultam do confronto entre as notas fiscais emitidas e os valores lançados no livro de saída. Na apuração dos valores tributados no presente auto de infração, os denominados “pagamentos a beneficiários não identificados”, ... o fisco tomou os cheques emitidos pela empresa. Afirma que a receita nãodeclarada constitui a fonte dos recursos carreados para as contas bancárias e que as duas autuações – sobre a receita omitida e sobre pagamentos não identificados – alcançam o mesmo fato, isto é, incidem sobre os valores provenientes das receitas não declaradas. Caso persista qualquer dúvida sobre esse ponto, requer a realização de diligência para colmatar as lacunas do trabalho fiscal. No que diz respeito à falta de retenção do imposto sobre trabalho sem vínculo, reconhece sua falta. Entretanto, avisa que está contatando os beneficiários dos pagamentos para saber se eles incluíram os rendimentos em suas respectivas declarações de rendimentos, protestando pela apresentação desses documentos em momento oportuno. Requer sejam acolhidas as suas razões de defesa, restando afastadas as exigências tributadas com esteio no artigo 61 da Lei n.º 8.981/95, posto ter ficado comprovado que nas duas hipóteses – benefício indireto aos sócios e pagamentos a beneficiários não identificados – o trabalho fiscal está equivocado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, retirando da base de cálculo o valor de R$2.773,46, mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 623 4 fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 Ementa: FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. RENDIMENTO DO TRABALHO SEM VÍNCULO DE EMPREGO. PAGAMENTOS S/CAUSA OU FEITOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO DE OBRIGAÇÕES DOS SÓCIOS. Sujeitamse ao imposto renda na fonte as remunerações do trabalho sem vínculo empregatício, os pagamentos sem causa ou feitos a beneficiários não identificados, bem como os referentes às obrigações dos sócios suportadas pela empresa. REAJUSTAMENTO DOS RENDIMENTOS. Se a fonte pagadora dos rendimentos assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga será considerada líquida e o tributo recairá sobre o rendimento reajustado. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 677 a 691, cujo conteúdo se resume no seguinte: INFRAÇÃO 1 FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE TRABALHO SEM VINCULO. Reconhece a Autuada que esta retenção, efetivamente, não foi efetuada. Está contatando os beneficiários dos pagamentos para saber se eles incluíram os rendimentos em suas respectivas declarações de rendimentos. Se não tiver êxito nessa empreitada, providenciará o recolhimento do imposto devido. INFRAÇÃO 2 REMUNERAÇÃO INDIRETA DOS SÓCIOS DA EMPRESA. Para enfrentar essa equivocada autuação, a lmpugnante, logo de saída, afirmou que a autuante havia confundido operações de empréstimo com remuneração indireta, uma vez que as duas operações identificadas pelo Fisco não têm nenhuma relação com qualquer tipo de remuneração, muito menos com remuneração indireta. Asseverou que os pagamentos efetuados a terceiros, em nome dos sócios, constituem genuínos empréstimos ou mútuos da pessoa jurídica em favor de seus sócios. Diante dessa lacônica apreciação, a Recorrente, certa que as razões de impugnação, acima compendiadas, são suficientes para demonstrar que os pagamentos efetuados pela empresa das quotas de capital e do terreno adquiridos pelos sócios representam efetivos empréstimos, reitera, aqui, os argumentos que as sustentam. Todavia, ainda que não fossem empréstimos, a autuação não podia ser feita no contexto das ditas remunerações indiretas por um motivo bem simples: tais operações, além de perfeitamente comprovadas, como expressamente reconhece o próprio Fisco ver a descrição da infração acima transcrita , têm causa também expressamente identificadas, o que impede o enquadramento no § 1° do artigo 61 da Lei n° 8.981/91. Confirase, a propósito, a sua redação: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 624 5 "§ 1 0 A incidência prevista no caput [IRFONTE sobre pagamento a beneficiários não identificados] aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados OU não, quando não for comprovada a operação OU a sua causa, bem como A hipótese de que trata o § 2 ° , do art. 74 da Lei n ° 8.383, de 1991." Como visto, as operações apuradas pelo Fisco estão comprovadas o registro contábil faz prova em favor da autuada e têm causas definidas. Vale dizer, a aquisição de quotas e o financiamento para a aquisição de um terreno, nas condições constantes da descrição da infração acima destacada. 0 empréstimo para aquisição do terreno, conforme constatado pelo próprio Fisco (ver a descrição contida no próprio auto de infração), está lançado na declaração de rendimentos do sócio. Não estando, portanto, configurada a vislumbrada "remuneração indireta", também essa exigência deve ser afastada. INFRAÇÃO 3 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Repisou os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. INFRAÇÃO 1 FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE TRABALHO SEM VINCULO. À fl. 691 do presente Recurso, acerca dessa infração, assim se manifestou o Recorrente: 3 FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE TRABALHO SEM VINCULO Reconhece a Autuada que esta retenção, efetivamente, não foi efetuada. Está contatando os beneficiários dos pagamentos para saber se eles incluíram os rendimentos em suas respectivas declarações de rendimentos. Se não tiver êxito nessa empreitada, providenciará o recolhimento do imposto devido Dessa forma, diante do conformismo do contribuinte acerca dessa cobrança, declaro definitiva a exigibilidade da Infração 1 no âmbito deste processo administrativo fiscal.. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 625 6 2 REMUNERAÇÃO INDIRETA DOS SÓCIOS DA EMPRESA. Insiste o recorrente que os pagamentos efetuados a terceiros, em nome dos sócios, constituem genuínos empréstimos ou mútuos da pessoa jurídica em favor de seus sócios. Ocorre que até o presente momento não encontramos nenhuma prova destes empréstimos, especialmente a devolução destas quantias, o que poderia caracterizar e provar o alegado. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Em sede de recurso, não foram apresentados elementos de prova para contestar os argumentos utilizados pelo relator do voto do acórdão da DRJ acerca da dessa infração, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese dos empréstimos e, subsidiariamente de erro no enquadramento legal. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, impedindo o cancelamento do lançamento, conforme se vê nos seguintes excertos do julgado de primeira instância que transcrevo livremente: (...) O art. 61, §1º, da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, encontrase assim redigido: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 626 7 § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei n.º 8.383, de 1991. Por sua vez, o citado § 2º do art. 74, da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, assim determina, in verbis: “Art. 74 – Integrarão a remuneração dos beneficiários: .............................. II – as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: ..................................... § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Verificase, pois, que os fatos descritos no termo de verificação enquadram se, perfeitamente, à hipótese de incidência prevista no art. 61, acima transcrito. Assim, sem a devida comprovação, não pode ser aceita a argumentação de que os tais pagamentos referentes à aquisição de quotas de capital e terreno se referem a operações de empréstimo. Dessa forma pela coadunome ao entendimento supra e pela ausência de provas dos alegados empréstimos ou mútuos, mantenho essa infração. INFRAÇÃO 3 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Essa infração de IRRF é decorrentes de processo reflexo do IRPJ, senão vejamos: Às fls. 634 a 651, constam os Acórdãos da DRJ, referentes ao processos de números 10845.004700/9827 e 10845.004699/9840 que tratam nos mesmos períodos dos lançamentos de IRPJ, Cofins, PIS e CSLL, cujas ementas indicam: Processo 10845.004700/9827 Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Data do Fato Gerador: 07/1996, 08/1996, 09/1996, 10/1996, 11/1996 e 12/1996 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a inexistência de devolução de mercadorias, contabilizadas pela empresa, fica caracterizada a ocorrência de omissão de receitas. MULTA AGRAVADA. Configurado, em tese, o evidente intuito de fraude, cabe a aplicação da multa agravada. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 627 8 PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido 0 decidido no lançamento principal deve prevalecer na análise dos lançamentos reflexos. LANÇAMENTO PROCEDENTE Processo 10845.004699/9840 Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Data do Fato Gerador: 31/01/1995, 28/02/1995,31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1.995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995,30/11/1995, 31/12/1995, 01/1996, 02/1996, 03/1996,04/1996, 05/1996, 06/1996, 07/1996, 08/1996, 09/1996e 12/1996 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Notas fiscais contabilizadas em valor menor do que o devido, caracterizam omissão de receitas. IRFON 0 tributo deve ser exigido com base na legislação em vigor. PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido 0 decidido no lançamento principal deve prevalecer na análise dos lançamentos reflexos. LANÇAMENTO PROCEDENTE Fl. 680, do Recurso: De fato, com incidência sobre os mesmos recursos financeiros, o Fisco lavrou vários autos de infração por omissão de receita, apurando a inacreditável cifra de R$ 4.637.291,14, sendo: IRPJ R$ 1.603.273,14, PIS R$ 88.677,04, COFINS R$ 258.979,99, IRFON R$ 2.031.873,63 e CSLL de R$ 654.487,34. Em outras palavras, computados todos os autos de infração ( IPPJ ,reflexos e mais o de IRFONTE do artigo 61 da Lei 8.981/95 R$ 4.637.291,14 + 2.081.540,24, respectivamente) a exigência total alcançou a absurda cifra de R$ 6.781.831,38, que supera inúmeras vezes o patrimônio da autuada. Além disso, inacreditavelmente, foram lavrados dois autos de IRFONTE: um por reflexo da exigência vinculada à omissão de receita, e outro por "pagamentos não identificados" os dois, como se verá a seguir, apresentam valores bem próximos. De outro lado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), determina: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS (...) Das Seções de Julgamento Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 628 9 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; LANÇAMENTO PROCEDENTE Ou seja, essa Turma é incompetente para processar e julgar o recurso voluntário dessa Infração 3. CONCLUSÃO Posto isso, voto para: I. INFRAÇÃO 1 FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE TRABALHO SEM VINCULO: Declarar a definitividade da exigibilidade no âmbito do processo administrativo fiscal; II. INFRAÇÃO 2 REMUNERAÇÃO INDIRETA DOS SÓCIOS DA EMPRESA: Negar provimento ao Recurso e III. INFRAÇÃO 3 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS: Reconhecer a incompetência desta Turma para processar e julgar, pois trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para as providências cabíveis de devolução deste processo para que seja redistribuído à Seção de Julgamento competente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.004698/9887 Acórdão n.º 2102002.254 S2C1T2 Fl. 629 10 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11634.000364/2007-34
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002,2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, para as quais o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO-PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS.
Justifica-se a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. ALCANCE.
A dedução de despesas com instrução se restringe aos valores pagos ao estabelecimento de ensino, não contemplando, portanto, despesas com material didático e alimentação.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE -AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS OU GLOSA DE DESPESA - Somente é justificável aexigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa mesma linha, inclui-se a mera glosa de despesa médica que não tenha sido alicerçada em documento arrostado pela fiscalização.
Preliminar indeferida.
Numero da decisão: 2102-000.245
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, por maioria de votos, em DESQUALIFICAR a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (Relatora) e Rubens Maurício Carvalho que a mantinham, e, por unanimidade de votos, em ACATAR a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2001. Designado para redigir o voto vencedor o C
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Numero do processo: 13884.002613/2003-86
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Comprovado nos autos que o contribuinte efetivamente recebeu rendimentos de pessoa jurídica, não considerados na sua declaração de ajuste anual, mantém se a exigência.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO -APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula Io CC n° 14)
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Io CC n° 2).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a, onde for o caso, ao percentual de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Comprovado nos autos que o contribuinte efetivamente recebeu rendimentos de pessoa jurídica, não considerados na sua declaração de ajuste anual, mantém se a exigência. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO -APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula Io CC n° 14) ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Io CC n° 2). Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a, onde for o caso, ao percentual de 75%.
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Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.789
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Recurso negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório ANTONIO CARLOS DE JESUS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELÉM/PA que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 04/19 e 21/23, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 511.225,16, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.129.296,37. A infração quem ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origens não comprovadas. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que, como proprietário de empresa cujo objeto é o comércio de madeira e implementos agrícolas, recebia dos produtores rurais equipamentos agrícolas usados que reformava e vendia para outros produtores, de quem recebia diversos cheques prédatados, anotando que tais operações eram realizadas por sua pessoa física; que na qualidade de sócio cotista da empresa que declarava pelo regime de lucro presumido, foi beneficiário de distribuição de lucros, não possuindo outras fontes de renda. Assim, os depósitos bancários seriam resultado desses lucros e das vendas de equipamentos agrícolas, estas que poderiam ter sido realizadas em até doze meses antes. A DRJBELÉM/PA julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o lançamento com base em depósitos bancários tem previsão legal no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que exige a comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos bancários, sem o quê, resta caracterizada a omissão de rendimentos, por presunção legal. Anota que, no caso, o Contribuinte não apresentou elementos que relacionassem os depósitos com as alegadas origens; que, diferentemente do alegado, o Contribuinte declarou rendimentos de apenas R$ 14.400,00, para um total de depósitos de R$ 1.859.000,58; que como rendimentos isentos, campo em que deveriam ser declarados os lucros distribuídos, foi declarado apenas R$ 7.782,24, valor também insignificante em relação ao total dos depósitos; que, portanto, não restaram comprovadas as origens dos depósitos e, consequentemente, restando configurada a omissão de rendimentos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 22/09/2011 e, em 20/11/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual reitera as alegações quanto às origens dos depósitos. Afirma que a decisão de primeira instância não interpretou corretamente os fatos e sustenta que a tributação não poderia ser feita pelo valor total dos depósitos; que deveriam ser considerados os custos da atividade informal por ele exercida. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15540.000643/200889 Acórdão n.º 2201001.789 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários com origens não comprovadas. Inicialmente, sobre a possibilidade do lançamento com base em depósitos bancários, este procedimento tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar com documentos hábeis e idôneos, a de se presumir tratarse de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (juris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecida senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina teve por base uma presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Não se trata aqui, portanto, de confundir depósitos bancários com renda, mas de se presumir um a partir do outro e, neste aspecto o lançamento está de pleno acordo com a orientação normativa. Caberia ao Contribuinte, seja na fase do procedimento fiscal, seja na fase do contencioso comprovar as origens dos depósitos para afastar a presunção de omissão de rendimentos. E, no caso, embora o Contribuinte alegue que os depósitos tiveram origem em atividade exercida de maneira informal e ao recebimento de lucros distribuídos por empresa da qual é sócio, não acostou à defesa nenhum elemento que vincule os depósitos a tais origens. É importante ressaltar que não basta apenas a referência genérica a uma possível fonte dos Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15540.000643/200889 Acórdão n.º 2201001.789 S2C2T1 Fl. 3 5 recursos, é preciso apontar de forma individualizada a procedência dos recursos aportados nas contas bancárias. É importante frisar também que tal tarefa é de difícil realização, como às vezes querem fazer parecer alguns contribuintes. Se, como afirmado neste caso, o Contribuinte movimentava em suas contas bancárias recursos provenientes de uma atividade econômica qualquer, não deveria ter dificuldade em, ainda que parcialmente, identificar os depositantes de tais recursos e as origens dos mesmos. Nas condições deste processo penso que o Contribuinte não logrou comprovar as origens dos depósitos. As alegadas origens dos depósitos foram indicadas apenas de forma genérica, sem que nada fosse apresentado que, efetivamente, vinculasse, de forma individualizada, os depósitos a tais atividades. deve prevalecer, portanto, a presunção de omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10469.720083/2007-98
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 22009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM- ARBITRAMENTO - MULTA QUALIFICADA - IRRF - PAGAMENTOS SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - DECADÊNCIAS DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS -
Uma vez verificado pelo trabalho fiscal a existência de depósitos bancários, sem comprovação de origem, mesmo ante reiteradas intimações para tanto, e ante a prática do sujeito passivo de declarar-se inativo sucessivamente, e não apresentar qualquer registro e/ou livros fiscais/contábeis, deve-se manter a exigência tributária com a aplicação da penalidade qualificada, configurada a intenção dolosa de furtar-se ao cumprimento de obrigações tributárias.
Por outro lado, uma vez, ainda que intimada reiteradamente e concedido prazo suficiente, não comprovados os pagamentos sem causa na atividade operacional e sem identificação de beneficiário relacionado a mesma, correto o lançamento de exigência do IRRF.
Aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, para a contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos das contribuições sociais, cujas exigências devem ser limitada a esse prazo previsto no CTN.
Numero da decisão: 1202-000.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência para CSLL, PIS e COFINS exigida, no período de janeiro a novembro de 2001. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada), que além de acolherem a preliminar de decadência também reduziam a multa de ofício ao percentual de 75%., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM- ARBITRAMENTO - MULTA QUALIFICADA - IRRF - PAGAMENTOS SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - DECADÊNCIAS DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Uma vez verificado pelo trabalho fiscal a existência de depósitos bancários, sem comprovação de origem, mesmo ante reiteradas intimações para tanto, e ante a prática do sujeito passivo de declarar-se inativo sucessivamente, e não apresentar qualquer registro e/ou livros fiscais/contábeis, deve-se manter a exigência tributária com a aplicação da penalidade qualificada, configurada a intenção dolosa de furtar-se ao cumprimento de obrigações tributárias. Por outro lado, uma vez, ainda que intimada reiteradamente e concedido prazo suficiente, não comprovados os pagamentos sem causa na atividade operacional e sem identificação de beneficiário relacionado a mesma, correto o lançamento de exigência do IRRF. Aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, para a contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos das contribuições sociais, cujas exigências devem ser limitada a esse prazo previsto no CTN.
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Numero do processo: 10830.000889/2001-03
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Como o ato de exclusão da recorrente tem as características previstas na súmula nº 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, deve ser aplicado o conseqüente preceitual previsto na súmula, a saber, a decretação de nulidade do ato declaratório de exclusão do SIMPLES.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.890
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso aplicando-se a súmula número 2, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Como o ato de exclusão da recorrente tem as características previstas na súmula nº 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, deve ser aplicado o conseqüente preceitual previsto na súmula, a saber, a decretação de nulidade do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Como o ato de exclusão da recorrente tem as características previstas na súmula n° 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, deve ser aplicado o conseqüente preceitual previsto na súmula, a saber, a decretação de nulidade do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso aplicando-se a sumula número 2, nos termos do voto do relator. l Processo n° 10830.000889/2001-03 Acórdão n.° 302-39.890 CC03/CO2 Fls. 55 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), Davi Machado Evangelista (Suplente) e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausentes os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mercia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. S S Processo n° 10830.000889/2001-03 Acórdão n.° 302-39.890 CC03/CO2 Fls. 56 Relatório Adoto como parte de meu relato, o quanto relatado pela autoridade julgadora a quo: Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório 347.616, de 7 de agosto de 2003 (J1.14 em virtude de o contribuinte possuir débitos junto ao INSS. Cientificado da exclusão em 15/01/2001 (f1.19), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 30/01/2001 (fls. 01/15), alegando já ter pago parte do débito, e liquidaria o restante em 02/2001. A manifestação foi diretamente remetida pela Delegacia da Receita Federal Campinas a esta DRJ, por não se tratar de matéria decorrente de erro de fato, segundo aquela unidade (fl. 23). A DRJ em CAMPINAS/SP indeferiu o pedido da interessada, mantendo o Ato Declaratório do Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal que excluiu a empresa do Simples, e o julgado ficou corn a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Aficroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Débito Inscrito em Divida Ativa. As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Divida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 28 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação e aduz que já adimpliu os seus débitos junto ao INSS, e para tanto traz documentos, fls. 36 e seguintes. i Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para a apreciação deste Colegiado, conforme despachos de fls. 52. o relatório. 3 Processo n° 10830.000889/2001-03 Acórcliio n.° 302 -39.890 CC03/CO2 Fls. 57 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator 0 recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Segundo a recorrente, a sua situação atual é inexistência de débitos na Procuradoria da Fazenda Nacional a cargo da litigante. Nada obstante, durante a tramitação deste expediente foram editadas sete súmulas no âmbito deste Terceiro Conselho de Contribuintes (As Súmulas 3°CC n° 1 a 7 foram publicadas no DOU, Seção 1, dos dias 11, 12 e 13/12/2006, vigorando a partir de 12/01/2007), e uma delas adapta-se, à perfeição, ao caso vertente: Súmula n°2 - É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Divida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Como o ato de exclusão da recorrente, fl. 11, tem as características previstas na súmula prefalada, deve ser aplicado o conseqüente preceitual previsto na súmula, a saber, a decretação de nulidade do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. No vinco do quanto exposto, voto no sentido de PROVER o recurso, para declarar nula a exclusão do SIMPLES de que trata este processo. Sala das Sessões, ei16 outubro de 2008 1i CORINTHO OLIVE , MACHADO - Relator li 1 • • 4
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Numero do processo: 13819.001157/00-35
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/12/1990, 01/05/1991 a 31/10/1991, 01/02/1992 a 31/07/1992, 01/01/1993 a 31/03/1993, 01/05/1993 a 31/08/1993, 01/01/1995 a 28/02/1995, 01/01/1996 a 28/02/1996, 01/04/1996 a 30/04/1996
PIS. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 5 anos, como definido no art. 150, §4° do CTN, não se aplicando ao caso a norma do art. 45 da Lei n° 8.212/61.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.624
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Acompanham pelas conclusões os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Maria Teresa Martínez López, Henrique Pinheiro Torres, Antônio Carlos Atulim, Júlio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire/Gilson Macedo Rosenburg Filho e Antônio Praga
.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1990 a 31/12/1990, 01/05/1991 a 31/10/1991, 01/02/1992 a 31/07/1992, 01/01/1993 a 31/03/1993, 01/05/1993 a 31/08/1993, 01/01/1995 a 28/02/1995, 01/01/1996 a 28/02/1996, 01/04/1996 a 30/04/1996 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 5 anos, como definido no art. 150, §4° do CTN, não se aplicando ao caso a norma do art. 45 da Lei n° 8.212/61. Recurso especial negado
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Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Ementa: FINSOCIAL . DECADÊNCIA. Para os fatos geradores ocorridos
antes da edição da Lei n°8.212/91, o prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente ao Finsocial era de cinco anos, contados nos termos do Código Tributário Nacional - a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição já poderia ter sido constituído, não havendo
pagamento antecipado, ou da data do fato gerador, quando houvesse
antecipação de pagamento. Após a edição da Lei de Custeio da Previdência Social, o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo as contribuições para a seguridade social passou a ser de 10 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Recurso da Fazenda Nacional provido em parte.
Recurso Especial do Sujeito Passivo
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Ementa - REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
A correção monetária decorre necessariamente de lei e deve ser feita nos exatos termos em que prevista no ordenamento jurídico. In casu, pelos índices legais criados, especificamente, para tais fins, vedada a concessão dos expurgos inflacionários não autorizados por lei. Recurso Especial do Sujeito
Passivo Negado
Numero da decisão: CSRF/03-05.618
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para declarar a decadência dos fatos geradores anteriores a 25 de julho de 1991. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. 0 Conselheiro Antonio Praga acompanha o Conselheiro designado para redigir o voto vencedor pelas suas conclusões e apresenta
declaração de voto. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL . DECADÊNCIA. Para os fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei n°8.212/91, o prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente ao Finsocial era de cinco anos, contados nos termos do Código Tributário Nacional - a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição já poderia ter sido constituído, não havendo pagamento antecipado, ou da data do fato gerador, quando houvesse antecipação de pagamento. Após a edição da Lei de Custeio da Previdência Social, o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo as contribuições para a seguridade social passou a ser de 10 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Recurso da Fazenda Nacional provido em parte. Recurso Especial do Sujeito Passivo Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa - REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária decorre necessariamente de lei e deve ser feita nos exatos termos em que prevista no ordenamento jurídico. In casu, pelos índices legais criados, especificamente, para tais fins, vedada a concessão dos expurgos inflacionários não autorizados por lei. Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para declarar a decadência dos fatos geradores anteriores a 25 de julho de 1991. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. 0 Conselheiro Antonio Praga acompanha o Conselheiro designado para redigir o voto vencedor pelas suas conclusões e apresenta declaração de voto. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo.
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Recurso Especial da Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL . DECADÊNCIA. Para os fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei n°8.212/91, o prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente ao Finsocial era de cinco anos, contados nos termos do Código Tributário Nacional - a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição já poderia ter sido constituído, não havendo pagamento antecipado, ou da data do fato gerador, quando houvesse antecipação de pagamento. Após a edição da Lei de Custeio da Previdência Social, o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo as contribuições para a seguridade social passou a ser de 10 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Recurso da Fazenda Nacional provido em parte. Recurso Especial do Sujeito Passivo Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa - REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária decorre necessariamente de lei e deve ser feita nos exatos termos em que prevista no ordenamento jurídico. In casit, pelos indices legais criados, especificamente, para tais fins, vedada a concessão dos expurgos inflacionários não autorizados por lei. Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para declarar a decadência dos fatos geradores anteriores a 25 de julho de 1991. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes c%s\ .502q s;P..... Hoffmann (Relatora), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. 0 Conselheiro Antonio Praga acompanha o Conselheiro designado para redigir o voto vencedor pelas suas conclusões e apresenta declaração de voto. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo. Ant ni Praga - Presidente Susy Gomes H Otacilio Dantas rtaxo - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL e por SINDI — SISTEMA INTEGRADO DE DISTRIBUIÇÃO LTDA. 0 processo tem por objeto pedido de compensação/restituição (fls.01/178) de credito originário de pagamentos referentes à Contribuição do Fundo de Investimento Social - F1NSOCIAL, protocolizado pelo contribuinte em 26/02/1998, no tocante ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/03/1992, que foram pagos entre 11/89 e 04/92, correspondentes aos valores calculados às aliquotas superiores a 0,5%, cujas majorações foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 0 pedido de restituição/compensação foi deferido As fls. 222/226, face à decisão judicial no Mandado de Segurança n°. 92.0002444-0, que tramitou perante a 6' Vara Federal de Belo Horizonte, transitando em julgado em abril de 2004, restando consignado que a empresa estaria obrigada ao pagamento do Finsocial à aliquota de 0,5%, tendo sido declaradas inconstitucionais as majorações posteriores. A contribuinte apresentou impugnação (fls.231 a 235) alegando que a empresa recolheu o Finsocial com as majorações de aliquota, no período de setembro de 89 a abril de 1991. No período de maio de 1991 a março de 1992, a empresa nada recolheu, pois entendia indevido o tributo. E partir de abril de 1992 a empresa estava amparada por liminar concedida pelo TRF da ia Regido. 2 4/ CSRF/T03 Fls. XI- Processo n° 10680.001294/98-15 Acórdão n.° 03-05.618 Informa ainda, que deu entrada com o pedido de compensação de valores recolhidos a maior a titulo de Finsocial, com os valores recolhidos em função de COFINS, no montante de R$ 7.030.240,27 (sete milhões, trinta mil, duzentos e quarenta reais e vinte e sete centavos), conforme planilha juntada as fls. 09. Pleiteia a contribuinte a atualização monetária e juros de 1% ao mês até 31 de dezembro de 1995 e, após esta data, deve ser utilizada a taxa SELIC. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte - MG proferiu decisão (fls.245 a 250) indeferindo a solicitação, em virtude de na ação judicial não existir nenhuma referência sobre a correção monetária e o percentual da taxa de juros. Dessa forma, cabe a unidade administrativa utilizar dos indices e critérios legalmente determinados aos quais está funcionalmente obrigada. Esclarece que os recolhimentos indevidos foram atualizados de acordo com os indices estabelecidos na NE Conjunta COSIT/COSAR n°. 08, de 1997. Esse normativo determinou a correção monetária dos valores a compensar com base nos indices oficiais utilizados pela Receita Federal na exigência dos créditos tributários, bem como pelo INPC referente aos meses de fevereiro a dezembro de 1991, período para o qual não há previsão legal de atualização monetária dos tributos. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso (fls.260 a 271) alegando em síntese os seguintes fundamentos: 1) não foram consideradas diversas guias de recolhimento de Finsocial, relativas aos recolhimentos atrasados, referentes às competências de novembro de 1989, fevereiro de 1990 e novembro de 1990; 2) não foram utilizadas, para fins de atualização, os indices corretos referentes às UFIR' s de conversão; 3) o cálculo não contemplou os expurgos inflacionários corretos, limitando-se a utilizar os indices contidos na Norma de Execução n°. 8, nos termos da Resolução n°. 187 de 1997. Informa que a sistemática da correção monetária foi positivada pela Lei n'. 6.899, de 6 de abril de 1981. Por fim, alega que a Fazenda Nacional não pode cobrar os valores não recolhidos, ou seja, nos meses que se seguiram a abril de 1991, quando não mais existiram recolhimentos a titulo de Finsocial, em face da decadência. Esclarece que de acordo com o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ter sido lançado. Dessa forma, o prazo começaria a correr em 10 de janeiro de 1992, para os meses de 1991 em que não houve pagamento, e em 1" de janeiro de 1993, para os meses de 1992 na mesma situação. Em decorrência, o direito do Fisco de lançar tais débitos decaiu em 31 de dezembro de 1996 e 31 de dezembro de 1997, respectivamente. 0 Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão (fls.278 a 286) dando provimento ao recurso. Entretanto, a Terceira Câmara do 3° Conselho opôs embargos de declaração, pois houve contradição entre o voto exarado no âmbito do Processo Administrativo 3 n°. 10680.001294/98-15 e o mérito da questão descrita no relatório do acórdão. Dessa forma, C":- os embargos foram acolhidos e o processo foi novamente incluído na pauta de julgamento. No novo julgamento (fls.289 a 300) o recurso voluntário foi parcialmente provido. Primeiramente, decidiu o Nobre Relator que devem ser computados nos cálculos da compensação os recolhimentos, a maior, referentes a novembro/89, fevereiro/90 e novembro/90, pagos com atraso. Também entendeu que assiste razão ao contribuinte no que se refere à alegação de que os débitos de Finsocial em aberto, a partir de abril de 1991 até o final de 1992, já estavam abrangidos pela decadência, ou seja, para o Fisco não era mais possível o lançamento tributário, de forma que não é licito que no cálculo da compensação eles sejam considerados. Por fim, fundamenta que a atividade administrativa é plenamente vinculada, vale dizer que não é dado ao administrador tributário discricionariedade para proceder segundo critérios próprios. Dessa forma, agiu corretamente a atividade administrativa em aplicar a correção monetária dos valores a compensar com base nos indices oficiais utilizados pela SRF na exigência de créditos tributários, bem como pelo INPC referente aos meses de fevereiro a dezembro de 1991. A Unido apresentou recurso especial (fls.303 a 311), aduzindo que é de dez anos o prazo para a decadência do direito de a Fazenda Publica formalizar o lançamento das Contribuições para o Finsocial, conforme se depreende da análise da Lei n°. 8.212/91, do Decreto n°. 92.698/86 e do Decreto-lei n°. 2.049/83. 0 contribuinte também apresentou recurso especial (fls.382 a 406) requerendo seja reconhecida a correção monetária nos seguintes termos: I — a partir de 30/04/90 até 02/91, pelo IPC; II — no período de 03/91 a12/91, pelo INPC; III — no período de 02/92 a 12/95 pela UFIR e IV— e a partir de 01/01/96, pela taxa SELIC. Nas contra-razões (fls. 407 a 418) o contribuinte esclarece que o prazo decadencial do Finsocial deve ser regrado pelo CTN, isto 6, o prazo é de cinco anos, seja pela regra do art. 150, § 4°, seja pelo art. 173, inciso Ido CTN. Ê o relatório. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Os Recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o prazo decadencial para lançamento de Finsocial é de dez anos, enquanto que a empresa interpôs Recurso Especial requerendo sejam recompostos os indices de correção monetária indevidamente expurgados. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Processo n° 10680.001294/98-15 Acórdão n.° 03-05.618 A Fazenda Nacional alega que o prazo decadencial para lançar é de 10 anos, de acordo com o Decreto-Lei n°. 2.049/83 e a Lei n°. 8.212/90, em consonância com o art. 150, § 40 e 173 do Código Tributário Nacional. 0 contribuinte afirmou na impugnação que recolheu o Finsocial com as majorações de aliquota, no período de setembro de 89 a abril de 1991. No período de maio de 1991 a março de 1992, a empresa nada recolheu, pois entendia indevido o tributo. E a partir de abril de 1992, estava a empresa amparada por liminar concedida pelo TRF da la Regido. Quando do pedido de compensação, protocolado em 26/02/1998, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que tais débitos (maio/91 a março/92) não estavam abrangidos pela decadência. Dessa forma, informou que tais débitos foram compensados com os recolhimentos a maior efetuados até abril de 1991. Entretanto, no acórdão proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes foi reconhecido que as contribuições de Finsocial entre maio/91 e março/92 já estavam alcançadas pelo prazo decadencial, não podendo o Fisco efetuar o lançamento e muito menos compensar esses valores. No caso, cumpre interpretar literalmente a regra contida no art. 150, § 4°, do CTN, que define o lançamento por homologação e determina, in verbis: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4". Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulacdo". A norma é clara ao determinar que, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em relação aos quais a lei atribui ao contribuinte ou responsável o dever de calcular e antecipar seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o prazo para constituir o crédito tributário será de 05 (cinco) anos, se a lei não fixar prazo a homologação ou não restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cabe observar que, a norma fixa como regra geral, o prazo de cinco anos, contados a partir do fato gerador do tributo sujeito ao lançamento por homologação, para (1) a autoridade administrativa examinar a regularidade do pagamento antecipado, feito pelo sujeito passivo, homologando-o caso o considere suficiente e lançar de oficio eventuais diferenças apuradas e, (2) considerar definitivamente extinto o crédito tributário, caso o Fisco não tenha se manifestado sobre a atividade exercida pelo sujeito passivo, ressalvadas as hipóteses de lei especifica fixar outro prazo para a homologação do pagamento ou de ocorrência comprovada de dolo fraude ou simulação. 5 5.2 €_- Assim, ocorrido o fato gerador do tributo e efetuado o seu pagamento na forma prevista na lei, o Fisco tem o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o pagamento realizado e confirmar ou não a sua regularidade. A homologação confirma a regularidade do pagamento e supre a necessidade de um lançamento de oficio por parte do Fisco. Na verdade, verifica-se no presente caso que no presente caso não houve qualquer lançamento do Fisco, pois o que o fisco fez foi glosar do pedido de compensação os valores devidos no período que a contribuinte nada recolheu aos cofres públicos a titulo de finsocial, mas o fez sem ter feito o lançamento devido. Assim, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DO PROCURADOR, por entender que está extinto o direito de lançar em vista da ocorrência da decadência. DA CORREÇÃO MONETÁRIA No Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, ele alega que o cálculo não contemplou os expurgos inflacionários corretos, limitando-se a utilizar os indices contidos na Norma de Execução conjunta SRF/COSIT/COSAR n°. 08, nos termos da Resolução n°. 187/1997. Dessa forma, requer a atualização monetária de acordo com os seguintes indices:a partir de 04/90 até 02/91 — IPC; 03/91 a 12/91 — INPC; 01/92 a 12/95 — UFIR; a partir de 01/01/96 — TAXA SELIC; Ressalta-se que na decisão judicial não foi determinado o critério de correção monetária, nem o percentual de juros a incidir sobre os valores pagos indevidamente. Primeiramente, cumpre esclarecer que a correção monetária não constitui um "plus". Dessa forma, trago os termos do parecer da Advocacia Geral da Unido n°. 01, de 11.06.96 (DOU 18.01.96) que autoriza a aplicação da correção monetária. Refiro os itens 29, 30 e 39 do indigitado Parecer, que transcrevo, para o perfeito entendimento do direito deferivel: 29. Na verdade, a correção monetária não constitui um 'Plus" a exigir expressa previsão legal. E, antes, a atualização da divida (devolução da quantia indevidamente cobrada a titulo de tributo), decorrência natural da retenção indevida; constitui expressão atualizada do quantitativo devido. 30. 0 principio da legalidade, no sentido amplo recomenda que o Poder Público conceda administrativamente, a correção monetária de parcelas a serem devolvidas, uma vez que foram indevidamente recolhidas a titulo de tributo, ainda que o pagamento (ou o recolhimento) indevido tenha ocorrido antes da vigência da Lei n°. 8.383/91. E com ele, outro principio: o da moralidade, que impede a todos, inclusive ao Estado, o enriquecimento sem causa, e que determina ao "beneficiário" de uma norma o reconhecimento do mesmo dever na situação inversa. 6 CSRF/T03 Fls. 5 ,5 .9 Processo n° 10680.001294/98-15 Acórdão n.° 03-05.618 39. Podemos concluir este Parecer invocando os princípios constitucionais informadores e conformadores do sistema jurídico brasileiro;podemos conclui-lo pela existência implícita, nas leis vigentes, da regra que determina a incidência da correção monetária sempre que procedimento inverso beneficiar o agente violador da norma (não cobrar indevidamente); podemos dizer, como o Ministro Leitão de Abreu (voto no ERE n°. 77.698- SP, RTJ 75/810), que a alegada "lacuna não constitui, assim, lacuna verdadeira, porém lacuna meramente aparente, integrável ou suprível mediante interpretacdo"; podemos afirmar que a atualização se compreende no dever de restituir, para que a restituição seja completa; podamos acrescentar, ainda, que não se constituindo um plus, a correção integra o principal; podemos deixar claro que a restituição no momento em que for efetuada, compreende o valor pago ou recolhido na data em que tal fato ocorrer, com a atualização, que lhe preserva o valor aquisitivo, o poder de compra; podemos deixar ressaltado o valor moral a ser preservado (o não enriquecimento ilícito do ente público que coercitivamente impôs a cobrança indevida. Fixaremos, desta forma, a interpretação das leis, na forma do inciso X, do artigo 4' da Lei Complementar n°. 73/93. No caso sob exame, vimos que a jurisprudência há muito tempo se pacificou. Nos últimos anos, não ha um só julgado que, em hipótese como a tratada nestes autos, tenha deixado de reconhecer a incidência da correção monetária. Com a unanimidade dos Tribunais e Juizes decidindo no mesmo sentido, persistir a Administração em orientação diversa, sabendo que, se levada aos tribunais, terá de reconhecer, porque existente, o direito invocado, é agir contra o interesse público; é desrespeitar o direito alheio, e valer-se de sua autoridade para, em beneficio próprio, procrastinar a satisfação de direito de terceiros, procedimento incompatível com o bem público para cuja realização foi criada a sociedade estatal e da qual a Administração, como o próprio nome diz, é a gestora. A Administração não deve, desnecessária e abusivamente, permitir que, com sua ação ou omissão, seja o Poder Judiciário assoberbado com causas cujo desfecho todos já conhecem. 0 acúmulo de ações dispensáveis ocasiona o emperramento da máquina judiciária, prejudica e retarda a prestação jurisdicional, provoca, enfim, pela demora no reconhecimento do direito, injustiças, pois, como, na célebre Oração aos Mops, disse Rui Barbosa, 'justiça atrasada não 6 justiça, sendo injustiça qualificada e manifesta." (edição da Casa de Rui Barbosa, Rio, 1956, p. 63). E, para isso, o Poder Público não deve e não pode contribuir. Em conseqüência, tendo em vista o sistema jurídico brasileiro, a doutrina e a jurisprudência dos tribunais Superiores, outra conclusão nos resta, sendo proclamar que: "Na repetição do indébito tributário, é devida atualização monetária, calculada desde a data do pagamento ou recolhimento indevido até a data do efetivo recebimento da importeincia reclamada." Neste sentido, é o acórdão proferido no Processo n°. 10735.000173/98-92, pelo Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer, Recurso n°. 203-116520, abaixo transcrito: "CORREÇÃO MONETÁRIA - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO - PRINCIPIO DA MORALIDADE - CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - ST,I - 1990 - IPC - PRECEDENTES - Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos indices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de indices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao principio da ss\ 7 330 moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado.Recurso provido". Ainda neste sentido, temos os seguintes acórdãos: "RESTITUIÇÃO/COMPENSA(Áb DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. SELIC. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Incidindo a Taxa SELIG sobre a restituição, nos termos do artigo 39, ,§ 4" da Lei n". 9.250/95, a partir de 01/01/96". (Recurso 134.392, Processo n°. 11060.002207/99-61, Cons. Luis Antônio Flora) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. DECRETO-LEI 2.295/86. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. OPÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. TAXA SELIC. Aplica-se os expurgos pacificados no seio da jurisprudência, quais sejam, 42,72% Oan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90) e 21,87% (fev/91), bem como é devida a aplicação da taxa SELIC, a partir de 1" de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 40, da Lei n". 9.250/95 ". (Recurso 133.392, Processo n°. 13767.000208/00-28, Cons. Nilton Luiz Bartoli) "INDÉBITO TRIBUTÁRIO — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária não constitui aumento ou acréscimo, mas sim, a recomposição do valor da moeda que fora corro Ido pelo processo inflacionário, sendo devida a correção monetária efetiva sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública". (Recurso 127.831, Processo 10920.001654/98 -46, Cons. Julio Cezar da Fonseca Furtado) "RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR — ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO — ÍNDICE DE CORREÇÃO A devolução de tributo inconstitucionalmente exigido haverá de ser feita ao sujeito passivo sob os indices que melhor reflitam o poder de corrosão da moeda brasileira. A Norma de Execução -qk 8 CSRF/T03 Fls. 5. g3 Processo n° 10680.001294/98-15 Acórdão n.° 03-05.618 Conjunta COSIT/COSAR n". 08/97 não atende e não reflete a desvalorização da moeda no período por ela compulsado ". (Recurso 107-128.955, Processo n°. 13896.000873/00-46, Cons. Victor Luis de Sal les Freire) Com a finalidade de corroborar com todo o exposto, trago à baila a Resolução do Conselho da Justiça Federal n°. 561, de 02 de julho de 2007, a qual aprovou o Manual de Orientação de Procedimentos para cálculos na Justiça Federal. Em suas diretrizes gerais para liquidação de sentença, Capitulo IV do referido Manual, assim está disposto acerca da correção monetária: 1.2. CORREÇÃO MONETÁRIA Será tratada nas seções seguintes e contemplará cada tipo de liquidação, exceto quanto às notas e itens abaixo. NOTA I: Incide correção monetária ainda que omisso o pedido inicial ou a sentença NOTA 2: Efetuando-se mera atualização de cálculo original, já aceito pelas partes, deve-se seguir a mesma metodologia do cálculo anterior. 1.2.1 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devem-se considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integral, já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: - jan/89 = 42,72%; - fev/89 = 10,14% - mar/90 a fev/91 = IPC/IBGE em todo o período. E no item 4, do mesmo capitulo, especifico para cálculos de indébitos tributários, assim dispõe o Manual: 4. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO 4.1. CORREÇÃO MONETÁRIA INDEXAD ORES Observar regras gerais no item 1.2 deste capitulo. Caso não haja decisão judicial em contrário, utilizar os seguintes indexadores: - de 1964 a jev/86, ORTN; 9 5- 3 2 - de mar/86 a jan/89, OT1V, observando-se que os débitos anteriores a jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17; - jan/89, IPC/IBGE, de 42,72% (expurgo, em BTN); - fev/89, IPC/IBGE, de 10,14% (expurgo, em BTN); - de mar/89 a mar/90, BTN; substituição ao substituição ao - de mar/90 a fev/91, IPC/IBGE (expurgo, em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91); - de mar/91 a nov/91, INPC - em dez/91, IPCA série especial (artigo 2", § 2', da Lei le. 8.383/91); - de jan/92 até jan/96, utilizar a UFIR (Lei n°. 8.383/91); - a partir de jan/96, taxa SELIC e 1% na data do pagamento — artigo 39, § da Lei ". 9.250, de 26.12.95. As determinações do Conselho Nacional de Justiça estão em consonância com natureza jurídica da correção monetária, que não se constitui em um plus, mas em mera recuperação do valor do indébito, permitindo a integral devolução do tributo pago a maior, e inibindo o enriquecimento ilícito do Fisco. Por essa singela razão é que, a todo momento, determina o Manual a recomposição dos indices pelos valores expurgados, destacando incidir correção monetária ainda que omisso o pedido inicial ou a sentença, e ressalvando apenas quando houver decisão judicial em contrário. Assim, devem ser aplicados os seguintes indices, a saber, 1) a partir de 04/90 até 02/91 - IPC; 2) 03/91 a 11/91 - INPC; 3) 12/91 - IPCA; 4) 01/92 a 01/96 - UFIR e a partir de 01/96 -TAXA SELIC. Por estas razões DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte. Em conclusão e diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo a decisão da 3 ' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar o FINSOCIAL relativo ao período de maio/91 a março/92, e DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo Sistema Integrado de Distribuição, para aplicar a correção monetária na compensação/restituição. como voto. Voto Vencedor 1 0 Processo n° 10680.001294/98-15 AcOrddo n.° 03-05.618 Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Redator Designado Como consignado no voto da Relatora, as questões devolvidas a este Colegiado cingem-se à do prazo de decadência para constituir crédito tributário de Finsocial — Recurso Especial da Fazenda Nacional — e A. dos expurgos inflacionários na repetição de indébito — Recurso Especial apresentado pelo Sujeito Passivo. Do Recurso cia Fazenda Nacional — Prazo de decadência do Finsocial. Essa Contribuição, embora não seja tributo em sentido estrito, é uma exação que guarda natureza tributária, sujeita ao lançamento por homologação. Para fatos geradores ocorridos em data anterior a 25 de julho de 1991 — antes da edição da Lei n°. 8.212 -- é pacifica a posição deste Colegiado, no sentido de que o prazo decadencial é de cinco anos, contado de acordo com as regras do Código Tributário Nacional. O CTN dá duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas, o termo de inicio deve coincidir com a data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo a quo é o 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, independe de ter havido ou não pagamento. No acórdão recorrido, integrado, pelos embargos de declaração, consignou-se que, 26/02/1998, data da apresentação do pedido de compensação objeto destes autos, a Fazenda Nacional não mais poderia compensar os débitos em aberto, pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de abril de 1991 até o final de 1992, pois encontravam-se extintos pelo decurso de prazo decadencial. Segundo entendeu o Colegiado a quo, o prazo decadencial é de 5 anos, contados nos termos do inciso I do art. 173, ou do §4° do art.150, todos do CTN, como preconizado linhas acima. a Relatora do voto vencido encampou a tese da Camara recorrida. Desse entendimento, divirjo, parcialmente, pois, até a entrada em vigor da Lei 8.212/1991, a decadência das contribuições para a seguridade social era regida pelo CTN, todavia, a novel legislação trouxe novo prazo para constituição do crédito tributário desses tributos, qual seja, o dos dez anos, contados nos termos do art. 45 dessa Lei. Por conseguinte, para fatos geradores ocorridos antes da vigência dessa Lei, o prazo decadencial é o preconizado no CTN, entretanto, após a entrada em vigor' do referido art. 45, o prazo passou a ser decenal, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Diante do exposto, deve-se reconhecer que somente os débitos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a data da vigência da referida lei, isto 6, 25 de julho de 1991, é que se encontravam decaidos. Do Recurso Especial Apresentado pelo Sujeito Passivo — Expurgos inflacionários. 1 25 de julho de 1991. Sala d Otacilio D 47- es, em 25 de fevereiro de 2008. s Cartaxo 5- 3 Cf Pleiteia o sujeito passivo a correção do indébito com base nos indices oficialmente expurgados. Nessa matéria, também peço vênia h nobre relatora para divergir de seu posicionamento, pelas razões a seguir aduzidas: No entender do Colegiado recorrido, a coffee -do dos valores a restituir deve ser feita com base nos percentuais estabelecidos pela Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar n" 08, que prevê a utilização do IPC2 para os períodos compreendidos entre janeiro de 1988 a fevereiro de 1990; do BIN para março de 1990 a janeiro de 1991 e, do INPC, para fevereiro de 1991 a dezembro desse ano. Para os períodos seguintes utiliza-se a UFIR, e, posteriormente a Selic. Já a relatora do voto vencido entendeu que a atualização do indébito devia ser feita com aplicação dos indices oficialmente expurgados. A meu sentir, razão assiste à reclamante e, pois a correção monetária decorre necessariamente de lei e deve ser feita nos exatos termos em que prevista no ordenamento jurídico. In casu, pelos indices legais criados, especificamente, para tais fins. IPC até fevereiro de 1991, INPC a partir da promulgação da Lei n° 8.177/1991 até dezembro de 1991 e a UFIR a partir de janeiro de 1992, conforme previsto na Lei 8.383/1991. A utilização de outros indices vai de encontro A. legislação, fato que não se pode conceber na esfera administrativa, sob pena de se infringir um dos pilares do estado democrático de direito, que é à vinculação de todos os atos da administração à lei. Aqui cabe esclarecer que ao Poder Judiciário foi dada competência para fazer Justiça, mesmo que para tal, tenha que se afastar leis do ordenamento jurídico. Aos órgãos judicantes da administração não foi estendida essa prerrogativa. Tentar exercê-la, ao arrepio da lei, é tão ou mais injusto do que a injustiça que se tenta coibir. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência relativo a fatos geradores ocorridos a partir de 25 de julho de 1991, inclusive, e de negar provimento ao recurso do sujeito passivo. 2 0 IPC relativo ao mês de janeiro de 1989, no percentual de 70,28% foi expurgado, inclusive, do reajuste da OTN. 12
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Numero do processo: 15983.000769/2007-63
Data da sessão: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. INOCORRÊNCIA.
O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. Ademais, no caso concreto não foram constatadas as irregularidades alegadas.
NULIDADE. AGENTE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADES E ILEGALIDADES. INOCORRÊNCIA.
Não se há de acolher alegações genéricas de ilegalidades e inconstitucionalidades. Ademais, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO DE LUCROS. MEDIDA EXTREMA.
O arbitramento dos lucros é medida extrema, que só deve ser adotada quando demonstrada a impossibilidade da apuração do lucro pela forma tempestivamente adotada pelo contribuinte, no caso, o lucro presumido. O fato de não constarem do Livro Caixa as receitas financeiras auferidas em operações de renda fixa e parcela significativa das notas fiscais emitidas confirma que as receitas correspondentes foram subtraídas à tributação, mas não enseja, de plano, a rejeição do Livro Caixa, nem obriga o contribuinte à apresentação da escrituração contábil completa. Nessas condições, o
arbitramento se revela precipitado, e o lançamento deve ser desconstituido.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NAO
COMPROVADO. DESCABIMENTO.
Deve ser reduzida a multa aplicada para o percentual de 75%, quando não restar comprovada nos autos a conduta dolosa do contribuinte, em especial pela informação à administração fazendária, mediante apresentação de DIPJ, da totalidade das receitas auferidas.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA.
A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidades; acolher a argüição de decadência cru relação ao PIS e COFINS para os fatos geradores ocorridos até setembro de 2002, inclusive e; no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL e reduzir ao percentual de 75% a multa de oficio sobre a exigência do PIS e da COFINS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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CIA LTDA. Recorrida 4TURMA / DRJ SÃO PAULO-I / SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. Ademais, no caso concreto não foram constatadas as irregularidades alegadas. NULIDADE. AGENTE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADES E ILEGALIDADES. INOCORRESCIA. Não se há de acolher alegações genéricas de ilegalidades e inconstitucionalidades. Ademais, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CSLL. ARBITRAMENTO DE LUCROS. MEDIDA EXTREMA. O arbitramento dos lucros é medida extrema, que só deve ser adotada quando demonstrada a impossibilidade da apuração do lucro pela forma tempestivamente adotada pelo contribuinte, no caso, o lucro presumido. O fato de não constarem do Livro Caixa as receitas financeiras auferidas em operações de renda fixa e parcela significativa das notas fiscais emitidas confirma que as receitas correspondentes foram subtraídas à tributação, mas não enseja, de plano, a rejeição do Livro Caixa, nem obriga o contribuinte à apresentação da escrituração contábil completa. Nessas condições, o arbitramento se revela precipitado, e o lançamento deve ser desconstituido. • MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NAO COMPROVADO. DESCABIMENTO. Deve ser reduzida a multa aplicada para o percentual de 75%, quando não restar comprovada nos autos a conduta dolosa do contribuinte, em especial pela informação à administração fazendária, mediante apresentação de DIPJ, da totalidade das receitas auferidas. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; acolher a argüição de decadência cru relação ao PIS e COFINS para os fatos geradores ocorridos até setembro de 2002, inclusive e; no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL e reduzir ao percentual de 75% a multa de oficio sobre a exigência do PIS e da COFINS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LEONARDO erowk, kk/ fta,,t, CAL DE ANDRADE COUTO_ - Presidente WALDIR VEIG CHA - Relator 15 MAR 2010 EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n95953:000769/2007 =63 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00205 F1-2 Relatório REINALDO DE VIVO & CIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-17.637, de 27/06/2008, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - 1 / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica OREI — fl. 07) e reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL — fl. 14), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS — fl. 28) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fl. 21), por fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2002. O total da exação alcança R$ 369.143,48, ai incluídos multa de oficio de 150% e juros moratórios, conforme discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 06). A ciência do contribuinte se deu por via postal, em 31/10/2007 (Aviso de Recebimento à fl. 527). As infrações apuradas pelo Fisco, descritas minuciosamente no Termo de Verificação Fiscal (fls. 515/526) foram, em apertada síntese: (i) Divergências entre os valores dos tributos declarados em DCTF e aqueles que seriam efetivamente devidos, diante das receitas auferidas, obtidas pela fiscalização mediante cotejo com as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas e escrituradas no Livro de Registro de Prestação de Serviços, além de informadas na DIPJ. (ii) Não oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa. Constam ainda do mencionado Termo os fatos ocorridos durante a fiscalização, dos quais ressalto: O contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, apresentou ao Fisco seu livro Caixa, no qual foram constatadas diferenças significativas entre as receitas ali escrituradas (a menor) e aquelas que constavam da D1PJ 2003. As diferenças se confirmaram quando da apresentação das notas fiscais emitidas e do Livro de Registro de Prestação de Serviços. A fiscalização concluiu que o livro Caixa apresentado não representava toda a movimentação financeira da empresa, pelo que o contribuinte teria perdido a prerrogativa de escrituração com base no livro caixa, exclusivamente. Ato seguinte, o sujeito passivo foi intimado a apresentar sua escrituração contábil completa, nos termos da legislação comercial. Apresentados os livros Diário e Razão, o Fisco passou ao seu exame. Os dois parágrafos a seguir transcritos (fl. 520) bem ilustram o apurado: O resultado desses testes demonstrou que a empresa não reconheceu em sua escrita contábil as receitas financeiras (rendimentos com aplicações financeiras); o imposto de renda retido na fonte sobre tais receitas; as despesas com taxas e juros bancários; as retenções de contribuições para a seguridade social sobre as prestações 3 de seus serviços e outros lançamentos não menos importantes. A inexistência desses lançamentos e a falta de conta especifica representativa de conta corrente bancária, na escrita contábil (Bancos c/movimento), deu indícios de que a conta "caixa" (fls. 409/422) poderia não representar a totalidade das movimentações financeiras da empresa. Assim, a apuração da base de cálculo do imposto de renda, com base no lucro presumido, ficou prejudicada, pelo fato de a escrituração do fiscalizado ter revelado evidentes indícios de fraudes e conter vícios, erros ou deficiências que a tomou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Diante disso, a apuração do imposto de renda passou a ser com base nas regras do lucro arbitrado (art. 530, inciso II, aliena "a", do RIR199 — Decreto 3.000/99). O arbitramento do lucro foi feito a partir da receita bruta conhecida pelos assentamentos do Livro Registro de Prestação de Serviços n o 02 e Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas. À base de cálculo foram acrescidos os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, confomie informados em DIRF pelo Banco liai) S A As retenções do imposto de renda na fonte, bem assim os recolhimentos espontaneamente efetuados de 1RPJ, CSLL, PIS e COFINS foram considerados na apuração do montante de cada exação. O Fisco entendeu que a conduta do contribuinte foi deliberada, no sentido de ocultar a ocorrência dos fatos geradores tributários, pelo que aplicou ao lançamento a multa qualificada de 150 0%,. Foi considerado relevante o fato de que o livro Caixa registrou faturamento anual de R$ 202.759,71, e que as DCTFS entregues se basearam nesse montante. Em contrapartida, as informações da DIPJ, as notas fiscais emitidas e escrituradas no Livro de Registro de Prestação de Serviços levaram a um faturamento anual de R$ 1.004.910,97. O parágrafo a seguir transcrito (tl. 524) bem dá conta da conclusão da Autoridade Fiscal: A manutenção, sob controle contábil paralelo, de fatos econômicos não devidamente contabilizados, levada a efeito por uma conduta reiterada, no , transcorrer do ano calendário de 2002, compõe um quadro no qual revela o intuito doloso da contribuinte, haja vista a existência de uma atitude com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazenclária, da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições. Cientificado das exigências e com elas irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 531/573), com argumentos que foram assim resumidos pelo diligente relator do processo em primeira instância: 03.01. o lançamento deve ser anulado de pronto, face aos vícios de que padece, desde seu nascedouro. Viola direitos básicos do contribuinte e nega vigência a preceitos constitucionais basilares, entre eles o de pleno direito à defesa e ao devido processo legal. Além de que, a infração relativa ao pagamento de imposto inexiste. 03.02. Por preliminar, prega pela nulidade do lançamento, por violar legislação de regência, quais sejam as Portarias SRF 1265/99 e 3007/01. A inércia verificada na condução do presente é corroborada pelas sucessivas prorrogações do MPF respectivo; 03.02.01, e tal determinação, por experimentar decurso de prazo, extinguiu-se, na forma do art. 15, II, da Portaria SRF 3007/01. E, muito embora exista a possibilidade de emissão de MPF substitutivo, também previsto pelo mencionado Ato (art. 16), é vedada a indicação do mesmo AFRF, como ocorrido. E, não só foi mantido o mesmo Auditor, violando dispositivos da citada Portaria, como concluiu seus trabalhos, autuando a Impugmante; /1171 4 Processo n° 15983.000M9.1007=6 Si-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.205 F13 03.0201.01. além de que, a conclusão do IVIPF respectivo ocorreu fora de seu prazo de validade, que era cru 30/10/2007 @ela Ultima prorrogação datada de 31/08/2007), enquanto que seu término deu-se em 31/10/2007. Dessa forma, maculados o procedimento administrativo, bem como as instruções que o normatizam, requer a nulidade do lançamento. 03.03. Também liminarmente, diz que o Auto de Infração não pode subsistir, em razão de o autuante não ser Contador habilitado regularmente junto ao CRC/SP. Isto, em razão de que a auditoria e tarefa privativa daquele profissional, habilitado e, em dia para com o Conselho respectivo. O exercício de tais atividades privativas, por pessoas não habilitadas, fere o principio da reserva legal (CF/88, art. 5°, incisos II e XIII), além de lei federal que regulamenta a profissão; 03.03.01. como conseqüência da incapacidade jurídica do agente, seu trabalho resta sem eficácia administrativa e sem validade jurídica (arts. 82 e 145-V, do Código Civil). Compete, portanto, à Administração, retirar os atos que forem praticados por seus agentes, contra a lei ou que contenham ilegalidade. Assim procedendo, a Fazenda Pública não adquire direito, bem como não obriga o contribuinte. No caso presente, o autuante, por não ser Contador, não tem poderes para elaborar Auto de Infração, em desrespeito as normas pertinentes. 03.04. Fala, ainda em sede de preliminares, ser inconstitucional e ilegal o lançamento, visto chocar-se contra o principio da legalidade estrita, ou tipicidade fechada. É que a imposição tributária só se pode dar através de procedimento especificamente delineado e absolutamente fiel (sie) ao fato gerador da obrigação tributária.; 03.04.01. as divergências entre as declarações (espontâneas) do contribuinte não podem ser consideradas, a priori, como demandantes do arbitramento, nem ser a absurda base de cálculo sobre a nota seca (de sub-empreitada, pasme-se) parâmetro para incidência do 1RP.T. Até porque, há que ser levada em conta que a receita liquida tributável pelo IRPJ tem necessariamente de considerar as deduções e abatimentos a que o contribuinte faz jus; 03.04.02. não se pode querer transformar em fato gerador do tributo, o mero desatendimento a intimações para apresentação de livro caixa. Assim como, lançar tributo com base em sinais exteriores de riqueza, cuja aferição depende de critérios absolutamente subjetivos, não descritos tipicamente em lugar algum, pelo que o procedimento não se adequa ao principio da legalidade estrita já citado. 04. Já, em relação ao mérito, a interessada pugna no sentido de que o arbitramento (ou lançamento???) com base, apenas, nas notas fiscais de prestação de serviços, não deve prevalecer, visto que tais documentos não são fato gerador do IRPJ. Além de que, as informações relacionadas à sua movimentação, que poderiam demonstrar aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, não foram utilizadas, para que se realizasse uma investigação mais profunda, antes de proceder- se ao arbitramento. E a fiscalização dispunha de instrumentos para trazer tais dados aos autos, como a RMF, já permitida em relação ao ano-calendário de 2002, de maneira a que fosse dispensado o arbitramento; 04.01. as ilegalidades prosseguem, visto que uma base de cálculo de (sie) considera mais de 40% do valor da nota é de todo absurdo, principalmente se de serviço de sub-empreitada de mão de obra, que para fins de comparação apenas, na seara previdenciária, tem como parâmetro de custo de folha outros 40% do valor da nota!!! 04.02. Além do que, há que se falar no aspecto punitivo da multa de 150% aplicada sobre fatos geradores objeto de declaração espontânea errónea em DCTF, mas correta na DIEJ, demonstrando claramente erro, equívoco, confusão, mas nunca dolo de subtração ou sonegação, pois quem deles se incumbe declara a menor em todos os formulários, e procura não errar para não despertar suspeitas. E essa espontaneidade referente à DIPJ (que consolida o exercício e as provisórias declarações trimestrais) elidiria até mesmo a multa, daí porque incabível multa confiscatória sobre os valores objeto de declaração em DIPP. É o que diz a jurisprudência trazida; 04.02.01. como, por igual, descabida a multa sobre a totalidade dos valores, inclusive aqueles retidos à previdência e ao município, sendo que na remota hipótese de validade do procedimento fiscal deveria a multa incidir apenas sobre os depósitos sem origem. É o que se extrai da leitura do art. 44 da Lei n° 9.430/96. 04.03. Outro aspecto tratado pela defesa diz respeito a que os fatos geradores apontados como ocorridos até 31/10/2002, devem ser desconsiderados, visto alcançados pela decadência. Isto porque o prazo para a constituição do credito tributário é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador respectivo; 04.03.01. em casos como o presente, de declaração pura, e principalmente levando-se em linha de conta a desconstituição da declaração do contribuinte e o abstruso arbitramento em cima de notas fiscais, o termo inicial do prazo é a ocorrência do fato gerador, ou seja, a aquisição da disponibilidade econômica. 04.04. Requer, ao fim, a apreciação e manifestação, devidamente fundamentadas, sobre a íntegra de sua defesa, declarando nulo, por seus vícios, o lançamento ou, em hipótese remota, sejam escoimados os valores relativos aos fatos geradores ocorridos até outubro/2002. A zla Turma da DRJ em São Paulo - 1 / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-17.637, de 27/06/2008 (fls. 582/599), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÉNCIA. Somente serão considerados como nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelo art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.23511972. Ausentes, não há que se falar em nulidade do lançamento. Preliminar rejeitada. PRELIM7NAR. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AGENTE COMPETENTE. DESNECESSIDADE DE SER CONTADOR. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de Contador. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE LEIS E/OU DISPOSITIVOS LEGAIS. NÃO APRECIAÇÃO. Descabe à instância administrativa a apreciação de alegações no sentido de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis e/ou dispositivos legais, competência essa exclusiva do Poder Judiciário. e Processo—n' 13933.000169/2007 ,63 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.205 Fl. 4 PoELOescriLtuUraC v1:00 PRESUMIDO LIVROS CAIXA, DIÁRIO E RAZÃO COM INCORREÇÕES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Sendo o contribuinte optante pelo lucro p MÉRITO. presumido, deveráráTRImBaU teNTr, Ealtem°P alternativamente,vamTe nte, u regular segundo as leis comerciais ou, livro Caixa, onde escriturada toda a sua movimentação, inclusive financeira. Ainda que apresentados tais elementos, os mesmos trazem uma série de incorreções a não lhes atribuir a devida credibilidade. Deve a apuração se dar segundo os critérios definidos em lei, mediante o arbitramento do lucro. Em se apurando a receita bruta do contribuinte, esta servirá como base de cálculo ao referido arbitramento. Correto o método utilizado pelo autuante. DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DOS TRIBUTOS DECLARADOS EM DCTE E AQUELES QUE DETERIAM REALMENTE O SER, FACE ÀQUELES CONSTANTES DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. OMISSÃO DE RECEITAS. DOLO. Correta a exigência, quando apuradas divergências entre os valores dos tributos declarados em DCTFs, e aqueles efetivamente devidos, apurados mediante o confronto das importâncias constantes das Notas Fiscais de Serviços emitidas pelo contribuinte, tratadas como omissão de receitas. A prática sistemática de tal procedimento caracteriza a intenção do contribuinte em eximir-se dos recolhimentos, integrais, dos tributos pelos quais é responsável. MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. DOLO. CORREÇÃO. Correta a exigência da multa de oficio, em percentual agravado, face o procedimento, doloso, adotado pelo contribuinte. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O procedimento, doloso, abraçado pelo contribuinte, faz deslocar o inicio da contagem do prazo decadencial, para aquele previsto pelo art. 173 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito, que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os dele reflexos. Ciente da decisão de primeira instancia em 11/08/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 612, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/0912008 conforme carimbo de recepção à folha 613. No recurso interposto (fls. 614/622), reitera, nos mesmos termos, os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. 7 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. Passo a apreciar as nulidades suscitadas em preliminares. Não merece acolhida a alegação de nulidade por descumprimento da legislação de regência do Mandado de Procedimento Fiscal, a saber, as Portarias SRF n° 1.265/99 e n° 3.007/01. Ao contrário do que afirma a recorrente, encontro nos autos (fls. 01/05) os MPFs emitidos e cientificados ao sujeito passivo, bem assim o demonstrativo das prorrogações levadas a efeito eletronicamente, informação tarfibém disponível ao contribuinte pela internei, mediante o uso do código que lhe foi comunicado. Não verifico interrupção na validade dos mandados, que pudesse conduzir ao impedimento do Auditor-Fiscal Adriano Ferrari de continuar a conduzir os trabalhos de fiscalização. Ademais, ainda que irregularidade houvesse, o que admito apenas para fins de argumentação, é jurisprudência assente no extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais que o MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Os acórdãos cujas ementas transcrevo a seguir bem ilustram essa linha de entendimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazé-lo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, Mio acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/02-02.543, de 22/01/2007) NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF - Á eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão CSRF/02-02.898, de 28/01/2008, Relatar Cons. Antônio Carlos Atulim. Na mesma linha o acórdão CSRF/02-02.899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MPF - O MPF instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. (Acórdão 105-15.706, de 24/05/2006, Relatar Cons. José Carlos Passuelo), 477( 8 Processo n° F5993.000769/2007-63 81-C3T1 Acórdão o.' 1301-00205 N. 5 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF - O lançamento de oficio está vinculado à Lei. Assim, torna-se imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art. 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao clescumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária. (Acórdão 107-09.036, de 24/05/2007, Relatar Cons. Luiz Martins Valera). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO - O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 202- 15.834. de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 202-15.833). Acerca da competência para o lançamento, é de se destacar a Lei n° 2.354/1954, art. 7°; o Decreto-Lei n°2.225/1985; e a Lei n°10593/2002, artigos 5° e 6°, com as modificações legislativas supervenientes. Não se há de admitir, pois, que atos infralegais, a exemplo de Portarias, possam reduzir ou limitar a competência deferida por lei aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. E exatamente por essa competência ter base legal é que se há de rejeitar a segunda preliminar argüida, de nulidade por terem sido lavrados os autos por pessoa não habilitada como Contador pelo CRC/SP. Não há necessidade de maiores considerações sobre a matéria, cabendo tão somente invocar a súmula n° 8 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sucedido funcionalmente por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e ainda aplicável por força do § 4° do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria ME n° 256/2009: Súmula 1°CC n° 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Melhor sorte não assiste às alegações de ilegalidade e ineonstitucionalidade. Além de genéricas, tais alegações esbarram na súmula n° 2 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeitadas as preliminares, passo a examinar as razões de mérito trazidas pela recorrente, diga-se de passagem, bastante confusas. Entretanto, de sua argumentação, pode-se yke7 9 • extrair sua irresignação com o arbitramento de seu lucro. Entende a recorrente que o Fisco disporia de meios para dar aprofundamento às investigações antes de proceder ao arbitramento, de tal sorte que este pudesse mesmo vir a ser dispensado. Assim, devem ser examinadas as circunstâncias fáticas que levaram a fiscalização ao arbitramento do lucro, e se tais circunstâncias se amoldam às disposições legais pertinentes. Compulsando os autos, constato que, no ano-calendário 2002, o contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido, fato incontroverso. Desta forma, deveria cumprir o estabelecido pelo art. 527 do Decreto n o 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199): Art, 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n2 8.981, de 1995, art. 45): 1- escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II - Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano-calendário; - em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam• pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal especifica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso .1 deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano-calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n2 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). De se observar que a escrituração obrigatória é a contábil completa, nos termos da legislação comercial, admitida, alternativamente, a escrituração do Livro Caixa, desde que inclua toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Do exame dos autos, depreende-se que o contribuinte havia escolhido, inicialmente, a alternativa prevista em lei, ou seja, escriturou o Livro Caixa. No entanto, nesse livro foram escrituradas receitas a menor, em relação às Notas Fiscais emitidas e registradas no Livro de Registro de Serviços Prestados. Também não incluíam as receitas financeiras auferidas em aplicações financeiras de renda fixa, pelo que se depreende que a movimentação bancária não estaria ali consignada. Feitas essas constatações, entendeu o Fisco que o contribuinte teria perdido a prerrogativa de escrituração pelo livro Caixa, e passou a intimá-lo para apresentar a escrituração contábil completa. Dos sucessivos pedidos de prorrogação, pode-se depreender que a empresa não possuía esses livros, vindo a elaborá-los para atendimento à exigência do Fisco. Finalmente, foram apresentados os Livros Diário e Razão em 27/09/2007. Embora ali já estivesse contabilizada a totalidade das notas fiscais emitidas, também nesses livros foram encontrados os erros e divergências descritos no relatório que antecede a este voto, pelo que entendeu o Fisco não existir outro caminho senão também desconsiderá-los e arbitrar o lucro da então fiscalizada. Entendo que o Fisco se precipitou ao desconsiderar a escrita do contribuinte. Verificadas irregularidades na escrituração do Livro Caixa, deveria ter sido dada a io Process uti 5983.000769I2007-3 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.205 Fl 6 oportunidade ao contribuinte de refazê-lo, e não obrigá-lo à apresentação dos Livros Diário e Razão. Quando muito, o Livro Razão apresentado posteriormente poderia ter sido examinado pelo Fisco como uma espécie de "Livro Caixa ampliado", com o que as irregularidades contábeis nele apuradas seriam bastante mitigadas. Ressalto também a seguinte afirmação do Fisco, no Termo de Verificação Fiscal à fl. 520 (grifos não constam do original): "... a falta de conta específica representativa de conta corrente bancária, na escrita contábil (Bancos c/movimento), deu indícios de que a conta 'caixa' (fis. 409/422) poderia não representar a totalidade das movimentações financeiras da empresa". Entretanto, mesmo diante desses indícios, a fiscalização não intimou o contribuinte a apresentar os extratos de suas contas-correntes bancárias de tal forma que, mediante seu cotejo com a escrituração, pudesse confirmar ou não os indícios levantados. Observe-se que, àquela altura da fiscalização, já se encontravam disponíveis todos os elementos necessários para o lançamento e comprovação das receitas omitidas, quais sejam, as notas fiscais emitidas e escrituradas no Livro de Registro de Serviços Prestados e as informações prestadas em DIRF pela instituição financeira, acerca dos rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa. Se essas receitas não se encontravam escrituradas no Livro Caixa, isso vem apenas reforçar que foram omitidas, para fins de tributação. Mas não vejo justificativa para que se abandonasse o lucro presumido, forma de tributação pela qual o contribuinte tempestivamente optou, e se passasse ao arbitramento do lucro. É nesse sentido que deve ser compreendida a reiterada jurisprudência dos extintos Primeiro Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que o arbitramento é medida extrema, e somente deve ser levado a efeito após esgotados todos os meios possíveis para apuração do lucro de acordo com a forma previamente adotada pelo contribuinte, seja o lucro real ou, como no caso sob exame, o lucro presumido. Pelo exposto, concluo que devem ser integralmente afastadas as exigências de IRPI e CSLL, feitas com base no lucro arbitrado. O raciocínio acima desenvolvido não se aplica aos lançamentos de PIS e COFINS, pelo que os argumentos de defesa devem continuar a ser apreciados. Observo que o contribuinte não nega as receitas auferidas, consubstanciadas nas notas fiscais emitidas e escrituradas no Livro de Registro de Serviços Prestados, nem as receitas de aplicações financeiras, conforme informadas à Administração Tributária em DIRF pela instituição financeira. Assim, tenho por incontroversas as diferenças apontadas entre os valores apurados pelo Fisco e aqueles declarados em DCTF e pagos, pelo que o lançamento, sob este aspecto, deve subsistir. No que toca à multa qualificada de 150%, vejo que também aqui andou mal o Fisco. O enquadramento legal para a cominação da penalidade foi o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, que reproduzo abaixo, com a redação vigente à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, cakularlas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo ,m„ II de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte,' 11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Havia, então, o percentual de 150%, aplicável como exceção somente às situações em que fosse observado o evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964; e o percentual de 75%, aplicável às demais situações. Posteriormente, a redação do art. 44 veio a ser modificada, passando a constar como segue: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) § P O percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei re 11.488, de 2007) De particular interesse para o deslinde da situação sob análise são os arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964, acima referidos: Ar:. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impósto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ora, não consigo encaixar a conduta da recorrente no tipo legal. Ressalto que, apesar de não ter escriturado a totalidade de suas notas fiscais no livro Caixa, nem as receitas financeiras auferidas, e de ter calculado os tributos devidos, informados em DCTF, com base nesses valores reduzidos, a contribuinte apresentou espontaneamente DIPJ na qual constava a 12 • Piccessifn 15983:000769/2007-63 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.205 a 7 totalidade das receitas. Muito embora a DIPJ tenha caráter meramente informativo, não constituindo confissão de divida, é certo que a Administração Tributária teve conhecimento prévio à instauração do procedimento fiscal, por iniciativa do próprio sujeito passivo, de que receitas haviam sido auferidas em montante superior ao que constava da DCTF. Assim, não vejo de que forma se possa imputar à recorrente a conduta dolosa de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador tributário. Concluo, pois, que a multa de oficio deve ser reduzida para 75%. Resta, finalmente, apreciar as alegações acerca da decadência. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. L.1 § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto ao PIS e à COFINS, exigidos no presente processo e ainda em discussão, entendo submeterem-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. Entendem alguns que a regra de contagem estabelecida no § 4 0 do art. 150 do CTN não trata de decadência, mas tão-somente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita. E mais, que a decadência se refere sempre ao lançamento de oficio, independentemente da modalidade de lançamento a que o tributo normalmente está sujeito. Por esse raciocínio, a decadência seria regida pelo art. 173, inciso I, do CTN. Com a devida vênia dos que compartilham desse pensamento, entendo que as regras de decadência aplicáveis devem seguir a sistemática de apuração de cada tributo. A AV 13 regra do inciso Ido art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do 113111, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. O mesmo raciocinio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática, e a atividade exercida pelo contribuinte, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a presença ou ausência de pagamento. É precisamente o caso dos tributos exigidos no presente processo. De se observar, ainda, que tendo sido afastada a qualificação da multa, por falta de comprovação do intuito doloso, não se há de cogitar o retomo à regra geral do art. 173, inciso I. Estabelecido, como foi, que o termo inicial para contagem do prazo decadencial deve ser a ocorrência do fato gerador do tributo, o próximo passo deve ser questionar quando teria ocorrido esse fato gerador. Para o PIS e a COFINS, os fatos geradores são mensais, encerrando-se no último dia de cada mês. Tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 31/10/2007 (fl. 527), concluo que foram atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até setembro/2002, inclusive. Em conclusão, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar integralmente as exigências de IRPJ e CSLL, reduzir a multa ao patamar de 75% e reconhecer a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento do PIS e da COFINS por fatos geradores ocorridos até o mês de setembro/2002. WALDIR VEIGNJOCflA • 14
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Numero do processo: 11065.002881/2007-40
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido são vedadas as deduções de despesas com brindes. (Lei n º 9.249, de 1995, artigo 13, VII). PAGAMENTOS DE CONSULTORIA. VALORES EXCEDENTES AO CONTRATO. LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Valores relativos a “Ajustes Extra-Contratuais” incluídos, indevidamente, em cálculo de remuneração determinada em contrato, devem ser considerados como pagamentos por mera liberalidade e, nessas condições, são indedutíveis do lucro líquido para apuração do lucro real e da CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.132
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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INDEDUTIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido são vedadas as deduções de despesas com brindes. (Lei n º 9.249, de 1995, artigo 13, VII). PAGAMENTOS DE CONSULTORIA. VALORES EXCEDENTES AO CONTRATO. LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Valores relativos a “Ajustes ExtraContratuais” incluídos, indevidamente, em cálculo de remuneração determinada em contrato, devem ser considerados como pagamentos por mera liberalidade e, nessas condições, são indedutíveis do lucro líquido para apuração do lucro real e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou procedentes as exigências consubstanciadas no presente processo. Histórico. Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 365.880,69, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2004, relativas a glosa de despesas indedutíveis (fls. 1.059/1.098). De acordo com o relato constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.074/ 1.098), ao analisar os custos e despesas que teriam reduzido o lucro líquido do período, para fins de apuração do lucro real, a auditoria se deparou com despesas escrituradas a título de “Direito de Uso Sistema (Software)” e constatou que, na verdade, por se tratarem de valores que influenciariam em resultados de exercícios futuros, tais gastos deveriam ter sido ativados para posterior dedução. Aplicou, então, uma taxa anual de amortização calculada proporcionalmente resultando na glosa dos valores de R$ 16.527,07 e R$ 63.986,66 (fls. 1.075/.1.078). A auditoria verificou a apropriação de dedução de gastos com brindes representados por eletrodomésticos distribuídos a representantes comerciais, lojistas e clientes – “Campanha Premiasom”; “Campanha Sol e Som”, distribuição de camisetas e outros brindes e considerouos atos de mera liberalidade, fora do conceito legal de brinde e, por conseqüência, indedutíveis tais despesas. Constatou, também, que valores apropriados a título de despesas com “feiras e eventos” foram sacados contra sua subsidiária no exterior – Selenium Loudspeakers, mas não teriam sido apresentados documentos comprobatórios a fim de amparar a dedução nos termos da legislação, determinando, assim, a sua glosa. Foram, ainda, considerados como despesas indedutíveis valores apropriados a título de “despesas não recorrentes” relativas à remuneração por EBIT da AGC Turnaround, que passou a controladora da fiscalizada – e “descontos concedidos”. No anocalendário 2004 as glosas perpetradas pela auditoria fiscal totalizaram R$ 718.538,92, conforme tabela à fl. 1.095. O valor das infrações foi utilizado na recomposição dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL resultando nos valores de R$ 125.744,30 a título de IRPJ e R$ 45.267,95 a título de CSLL. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.002881/200740 Acórdão n.º 180101.132 S1TE01 Fl. 1.056 3 Cientificada das exigências apresentou a contribuinte impugnação (fls. 1.100/1.108). Nas razões de defesa a empresa deixou de contestar os valores de R$ 86.479,20, relativo aos itens “2” e “4.1” do TVF e R$ 83.980,80 relativo aos itens “3.1” e “3.3” do TVF, num total não impugnado de R$ 170.460,00 que foi transferido para outro processo administrativo para a competente cobrança. A empresa manifestou sua inconformidade com as seguintes glosas: 1) “despesas com brindes”, no montante de R$ 143.410,97 (item 3.2), argumentando que as despesas seriam necessárias ao desenvolvimento normal de suas atividades e que as mercadorias teriam sido efetivamente distribuídas visando a promoção dos seus produtos, incremento das vendas e divulgação da marca; 2) “pagamentos por liberalidade”, no valor de R$ 404.667,95 (item 3.4), aduzindo que os pagamentos teriam sido efetuados nos estritos termos contratados e que seria uma interferência indevida da fiscalização, nos negócios da empresa, a recomposição do EBIT em desacordo com o contratado. A 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, julgou os lançamentos procedentes e manteve as exigências formalizadas nos autos de infração (fls. 1.126/1.129). Notificada da decisão, em 21/07/2009, conforme cópia do AR à fl. 1.132, a interessada apresentou, em 17/08/2009, o recurso voluntário de fls. 1.133 e ss. Em sua defesa pondera, quanto à glosa de despesas com brindes, que a auditoria fiscal teria se posicionado no sentido expresso pelo Parecer Normativo CST n º 15/76, de que brindes são objetos de diminuto valor comercial distribuídos gratuitamente com a finalidade de promoção social da empresa e que os produtos por ela distribuídos se enquadraria em tal definição e, portanto, seriam dedutíveis. Considerou também, no que se refere ao conceito e composição do EBIT, que a auditoria fiscal pretendeu interferir em seus negócios privados para tributar valores evidentemente indevidos sobre honorários pagos em estritos termos contratados. Pugnou, ao final, pelo acolhimento do recurso e conseqüente reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O litígio se limita à glosa de “Despesas com Brindes”, item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal e “Pagamentos por Liberalidade”, item 3.4 do Termo de Verificação Fiscal, valores esses considerados como despesas indedutíveis pela auditoria fiscal. Despesas com Brindes A auditoria fiscal promoveu a glosa, considerando indedutíveis gastos realizados pela empresa com a aquisição de “portaCD”, “protetores solares”, “camisetas”, dentre outros destinados à distribuição gratuita a título de brindes com objetivo promocional. A recorrente alega que as despesas devem ser consideradas dedutíveis, pois se referem a gastos operacionais intrinsecamente necessários a alavancar as suas atividades, mas admite trataremse de gastos com brindes, como se verifica do seguinte trecho de sua peça de defesa (fls. 1.137): O que se tem para todos os casos analisados é, efetivamente, ações de distribuição de "brindes" relacionadas diretamente, à promoção dos produtos da Recorrente. Compulsando as notas fiscais de aquisição dos produtos constatase que os produtos destinados à distribuição a título de brindes possuem os seguintes valores unitários: “portaCD” – preço unitário de R$ 2,69 (fls. 322/325) camisetas – preço unitário de R$ 6,25 (fls. 326/328) protetor solar – preço unitário de R$ 2,38 (fl. 329 freesbee” preço unitário de R$ 1,58 (fl. 330) camisetas pólo preço unitário que varia de R$ 6,00 a R$ 15,00 (fls. 340/346). A fiscalização reconheceu que, nas condições em que foram adquiridos e destinados, os produtos se enquadrariam no conceito de “brindes” erigido pelo Parecer Normativo CST n º 15/76, como se observa do seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal: Por oportuno, salientamos que a definição de brindes consta do Parecer Normativo CST n° 15/76. De acordo com esse dispositivo normativo, brindes são objetos de diminuto valor comercial distribuídos gratuitamente com a finalidade de promoção da empresa. Os produtos em tela distribuídos pela fiscalizada enquadramse totalmente nessa definição: a) São objetos de diminuto valor comercial (valor unitário entre a R$ 1,8 e R$ 6,25); b) Foram distribuídos gratuitamente pela fiscalizada aos clientes em geral, representantes e lojistas; c) Tinham por finalidade a promoção dos produtos da empresa. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.002881/200740 Acórdão n.º 180101.132 S1TE01 Fl. 1.057 5 Entretanto, como observado pela auditoria fiscal, o referido Parecer Normativo CST n º 15, data de 1976. A partir de 1995, com a promulgação da Lei n º 9.249, a dedução de despesas com brindes deixou de ser permitida: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: ... VII das despesas com brindes. Diante do comando cogente da Lei deve ser mantida a indedutibilidade de tais gastos. Pagamentos Considerados Mera Liberalidade A recorrente celebrou contrato com a empresa AGC Turnaround International Consultants, para prestação de serviços de consultoria e administração, conforme cópia acostada às fls. 181 a 187. Na cláusula “B” do referido contrato encontrase descrita a “Remuneração e Forma de Pagamento” pelos serviços contratados. Nela consta que o valor a ser pago pela contratante – CLIENTE (recorrente), à AGC TI será composta: (i) de um valor fixo mensal de R$ 55.000,00 e, (ii) de um valor variável. Este valor variável terá como base para cálculo um percentual sobre o denominado “EBIT Earnings Before Interest and Taxes”. Vejamos, a propósito, o que consta do contrato. No item “B.5” consignouse que: “Entendese por EBIT, para os efeitos desta remuneração, o “resultado positivo das operações, observado o regime de competência, excluídos todos os lançamentos relacionados com ganhos ou despesas financeiras, lançamentos não recorrentes, provisões para o imposto de renda e contribuição social”. E no item “B.7” os lançamentos não recorrentes foram assim definidos: “Entendese por “lançamentos não recorrentes” as receitas ou despesas de atividades extraordinárias que tiveram origem anterior ou durante os trabalhos da AGC International, mas que em nada se relacionem com as atividades do período abrangido por este contrato, inclusive ganhos ou perdas decorrentes de alienação de bens do ativo permanente. Não serão considerados por "lançamentos não recorrentes" as indenizações incorridas no ajuste do quadro de funcionários, representantes comerciais e distribuidores, bem como os honorários de que trata a Cláusula B.1. e B.2.” Consoante o definido nos itens “B.6” e “B.9” do referido contrato, a remuneração obedeceria a seguinte gradação: Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 a) Se o EBIT for até 10% da receita líquida, a remuneração será 5% deste; b) Se o EBIT for maior que 10% e até 20% da receita liquida, a remuneração será 7,5% deste; c) Se o EBIT for maior que 20% e até 30%, a AGC receberá 10% deste. A contribuinte apresentou planilhas indicando as rubricas contábeis e respectivos saldos mensais que foram utilizados no demonstrativo do cálculo do EBIT, onde constatouse que para encontrar o lucro operacional, base de cálculo do EBIT, foram acrescentados montantes sob a rubrica Ajustes ExtraContratuais. Analisando, justamente, esses valores relativos a “Ajustes Extra Contratuais”, que compuseram a parte variável da remuneração paga à AGC, o Auditor Fiscal considerou que tais gastos não se enquadrariam em “lançamentos não recorrentes”, e teriam sido incluídos, indevidamente, no cálculo do percentual EBIT. Em razão dessas inclusões indevidas de valores teria havido pagamento em excesso, além do previsto no contrato firmado entre as partes, caracterizando, o pagamento desse excedente, mera liberalidade da fiscalizada não passível de dedução para apuração do lucro real. A recorrente, ao seu turno, afirma que os pagamentos se deram nos estritos ditames contratuais e que a auditoria, ao recompor o “EBIT”, teria interferido indevidamente nos seus negócios. Entendo, entretanto, que a auditoria fiscal, ao contrário do que afirma a defesa, se ateve aos estritos ditames do contrato celebrado entre a recorrente e a AGC ao analisar as parcelas que de fato compuseram o EBIT calculado pela empresa, e as parcelas que corretamente deveriam ter composto o EBIT como previsto em contrato considerando, como resultado de toda essa análise, que as parcelas denominadas de Ajustes ExtraContratuais não se enquadrariam no conceito de lançamentos não recorrentes. E justificou, minuciosamente, no Termo de Verificação Fiscal, a razão de tais valores não se enquadrarem no conceito de lançamentos não recorrentes. Por relevante, reproduzo as justificativas: Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N° 013 (fls. 749 a 753), o contribuinte apresentou esclarecimentos acerca das referidas despesas não recorrentes (fls. 754 a 757). Todavia, analisando as despesas em tela, verificamos que parcela delas não pode ser enquadrada no conceito de lançamentos não recorrentes definido no item B.7 do Contrato, conforme descrevemos a seguir: a) Amortização do Diferido: no que tange a esse item, a fiscalizada apresentou o razão da conta de resultado "04.01,01.02.01 Amortização Investimentos/Ordens de Produção" em que estão registrados lançamentos a seguinte título (fls. 758 a 960): a.l) Acerto de horas de retrabalho: A equipe de assessoria contábil da fiscaliza da informou que os referidos lançamentos referiamse "a parcela referente a realização de horas de retrabalho devido a problemas de qualidade nos componentes Cones, Calotas, Suspensão, entre outros. A valorização dos itens fabricados é efetuada através de ordens de produção. Estas ordens recebem movimentos de requisição de materiais e horas trabalhadas conforme as fichas técnicas dos produtos a serem produzidos, proporcional à quantidade. Resumindo, a ordem deve receber a seguinte movimentação: Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.002881/200740 Acórdão n.º 180101.132 S1TE01 Fl. 1.058 7 a) Requisição de material b) Digitação de horas trabalhadas c) Informação de volume produzido Obrigatoriamente nessa ordem e dentro do mês. Assim o produto receberá o custo referente ao somatório de material mais mãodeobra. Quando ocorre algum desperdício, seja de material ou horas de mãodeobra direta é acrescentado na respectiva ordem" (fls. 1046 a 1047). Através do Termo de Intimação Fiscal N° 014 (fls. 1048 a 1051), a fiscalizada foi intimada a se manifestar em relação a essas informações apresentadas pela área contábil, apresentando em caso de discordância os esclarecimentos que julgasse necessários, acompanhados de documentação comprobatória. Em resposta apresentada em 11/1007, a fiscalizada não apresentou qualquer ressalva às informações em tela (fls. 1052 a 1055). Verificase portanto que se trata de despesas relacionadas às atividades normais da empresa, não se caracterizando como “despesas não recorrentes". a2) Amortização de Projetos encerrados com o lançamento de produtos: relativamente a esses valores, a fiscalizada apresentou relatório mensal em que discrimina os projetos que resultaram em lançamento de produtos e a respectiva amortização mensal. Para definirmos se a despesa em tela pode ser expurgada da base de cálculo do EBIT, fazse necessário repisar a definição de despesa não recorrente que são, conforme reza o contrato, “aquelas que tiveram origem anterior e ou durante os trabalhos da AGC International, mas que em nada se relacionem com as atividades do período abrangido por este contrato”. Ora não é razoável afirmar que as despesas de amortização do desenvolvimento de um produto que foi lançado e, portanto, está gerando receita “não se relacionam em nada com as atividades do período abrangido pelo contrato”. Assim, a Fiscalização rejeita a tese do contribuinte de que as despesas com amortização de projetos que geraram o lançamento de novos produtos seja não recorrente. a.3) Depreciação: a equipe de assessoria contábil da fiscalizada informou que "na verdade, o histórico da conta esta incorreto, pois referese à amortização dos projetos que foram aprovados e que estão sendo executados. Informou ainda que o lançamento a débito na conta "0094.1120.12025 Amortização Investimento/ordens de produção teve como contrapartida um crédito na conta "0001:3320.02854 Amortizações despesas préoperacionais "(fls. 1046 a 1047). Através do Termo de Intimação Fiscal N° 014 (fls. 1048 a 1051), a fiscalizada foi intimada a se manifestar em relação a essas informações apresentadas pela área contábil, apresentando, em caso de discordância, os esclarecimentos que julgasse necessários, acompanhados de documentação comprobatória. Em resposta apresentada em 11/10/07, a fiscalizada não apresentou qualquer ressalva às informações em tela (fls. 1052 a 1055). Ora, se se tratam de projetos que estão sendo executados, não é correto supor que tais despesas não estão relacionadas às atividades da empresa no período em tela. Assim, não se pode considerar que tais despesas sejam não recorrentes. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 a4) Baixa por Amortização de Projetos Obsoletos : tratase de amortização de valores registrados no Ativo Diferido e que não implicaram resultados para a empresa. Assim, considerando que tais valores foram despendidos em períodos anteriores e não geraram resultados no período de vigência do contrato, é factível que sejam considerados despesas "não recorrentes”. Portanto, a Fiscalização aceita a exclusão no cálculo do EBIT das despesas com a amortização de projetos obsoletos no montante de R$ 97.558,85 (fls. 784 e 787) e R$ 289.341,61 (fls. 809, 812 e 813) relativamente aos meses de janeiro e maio de 2004, respectivamente. b) Consultoria AGC: a fiscalizada classificou como despesas não recorrentes os valores da remuneração contratual à AGC Turnaround. É aceitável que a despesa relativa à remuneração sobre o EBIT seja considerada uma despesa não recorrente, todavia a remuneração mensal contratada, por expressa previsão contratual, não pode ser considerada como tal. Assim, a Fiscalização aceita a exclusão da base de cálculo do EBIT exclusivamente relativas às notas fiscais de n° 87, 242 e 246 no valor de R$ 44.263,16 cada, cujos valores estavam incluídos nas despesas relacionadas de março a maio de 2004 (planilha a 748). Destarte, são indevidas a exclusão da base de cálculo do EBIT dos seguintes valores mensais relativos a despesas com remuneração da AGC no período de janeiro a agosto de 2004: R$ 58.882,00; R$ 58.827,00; R$ 60.865,19; R$ 59.605,84; R$ 67.745,84; R$ 60.056,90, R$ 58.516,00 e R$ 63.594,00. c) Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa: relativamente a esse item, o contribuinte apresentou planilha em que demonstra ter calculado a referida provisão, levando em consideração a Receita Bruta do Mercado interno auferida no mês (fls. 961 a 968). Assim, novamente, não há como aceitar que tais despesas não se relacionem com as atividades da empresa no período abrangido pelo contrato. d) Custos com Engenharia do Produto: em atendimento a nossa intimação, a fiscalizada apresentou planilha em que constam os saldos mensais das contas de resultado integrantes do "Grupo 04.02.01.10 Gastos com Engenharia" que deixaram de ser considerados na determinação da base de cálculo do EBIT. Analisando o título das rubricas em tela (fls. 969 a 987), verificase que são despesas rotineiras de qualquer empresa que tenha como foco a produção industrial. Novamente não é razoável considerar tais despesas como não recorrentes, considerando a definição contratual. e) Honorários Pagos ao Conselho: no que tange a este item, a fiscalizada informou tratarse de honorários pagos ao Conselho de Administração, conforme relatórios da folha e pagamento apresentados (fls. 988 a 1045). Ora, como se sabe, as atividades de um Conselho de Administração fazem parte da rotina de uma sociedade anônima, como é o caso da fiscalizada. Assim não se pode considerar que as despesas de remuneração desse órgão ou da diretoria sejam dispêndios sem vínculo com as atividades da empresa no período abrangido pelo contrato. Destarte, a Fiscalização rejeita a classificação dessas despesas como "não recorrentes". Contra todas essas constatações a recorrente limitouse a argumentar que seria ingerência indevida da auditoria fiscal a recomposição do EBIT. Mas não se pronunciou especificamente em relação a um único item ou argumento deduzido pela fiscalização, razão pela qual considero deva ser mantido o entendimento da auditoria fiscal e, consequentemente, a caracterização de pagamentos por mera liberalidade, não passíveis de dedução. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.002881/200740 Acórdão n.º 180101.132 S1TE01 Fl. 1.059 9 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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