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Numero do processo: 10932.000771/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 30/04/2007
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das
remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por base esses próprios documentos.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por base esses próprios documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausentes os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com base nos valores informados em folhas de pagamento e GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 30/04/2007 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa à constitucionalidade / legalidade. INCRA. ABRANGÊNCIA. BIS IN INDEM 0 INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico é devido por todas as empresas, independente do tipo de atividade. Em não havendo vedação explicita na Constituição, senão quanto aos casos de exercício da competência residual, nada obsta que mais de uma contribuição tenha a idêntico fato gerador e mesma base de cálculo. SESI/SENAI As contribuições destinadas ao SESI e SENAI foram expressamente recepcionadas pelo art. 240 da Constituição Federal e incidem sobre as remunerações dos segurados empregados. SEBRAE A contribuição destinada ao SEBRAE tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e beneficia todas as empresas, ainda que indiretamente. Em não havendo vedação explicita na Constituição, senão quanto aos casos de exercício da competência residual, nada obsta que mais de uma contribuição tenha a idêntico fato gerador e mesma base de cálculo. JUROS SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo A autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Havendo norma especifica que regule determinado tributo, como o é a Lei 8.212/91 em relação As contribuições previdencidrias, norma geral que regule todos os tributos e contribuições federais Fl. 170DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 158 3 e que contrarie àquela, deverá ser afastada em virtude da especialidade. JUROS. MULTA. CARÁTER IRRELEVAVEL. BIS IN IDEM INEXISTENTE. As contribuições sociais arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil incluídas em notificação fiscal de lançamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. A multa, por sua função punitiva em decorrência da mora do devedor, e os juros, cuja função é recompor o patrimônio estatal lesado pelo tributo não pago, não se confundem, não configurando bis in idem sua cobrança sobre as contribuições previdencidrias não recolhidas no prazo. Lançamento Procedente ... 2. O mencionado Relatório Fiscal informa que o crédito constituído por meio da referida NFLD contempla os valores de remunerações pagas a titulo de Salários e PróLabore no período de 11/2003 a 04/2007, sendo que tais valores constavam de folhas de pagamentos e estavam informados da Guias de Recolhimento do FGTS e'Informações à Previdência Social — GFIP, inclusive quanto ao Décimo Terceiro Salário dos anos de 2004 a 2006. 3. Informa, ainda, em síntese, que serviram de base para o lançamento consubstanciado no referido NFLD as Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações Previdência Social — GFIP, folhas de pagamento e Guias da Previdência Social GPS. 4. Forma considerados nos créditos constituídos pela NFLD os valores destacados em nota fiscal de prestação de serviços e declarados pela empresa em GFIP, referentes à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 7.1. Entende pela ilegitimidade da cobrança da contribuição do INCRA: ... 7.2. Concernente ao Salário Educação, analisando os argumentos contemporâneos ao crédito constituído, alega a Impugnante falta de clareza quanto materialidade do fato gerador e carência de identificação do sujeito passivo da Fl. 171DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuição, razão pela qual entende pela impossibilidade de geração de efeitos das normas mencionadas nas laudas da defesa, com base no art. 97, III do CTN; ... 7.3. Pela inconstitucionalidade da contribuição para o SEBRAE: ... 7.4. Entende por desproporcional e confiscatória a multa no percentual em que aplicada quando da cobrança do crédito tributário, entendendo como limite de aplicação daquele percentual o previsto na Lei n° 9.430/96, art. 61, parágrafo 2° (20 %), baseandose no t art. 106, II, 'c' do CTN; ... 7.5. Ao referirse à utilização pelo governo da taxa SELIC como indexador para a cobrança de juros moratórios, atevese a Impugnante a demonstrar, matematicamente, a origem e composição daquela entendendo: 7.5.1. Instituída por meio inconstitucional vez que o art. 192 da Magna Carta determina que o Sistema Financeiro Nacional será e dever sempre ser regulamentado e regulado exclusivamente por meio de Lei Complementar; É o Relatório. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 173DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas Fl. 174DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 160 7 pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que ocorreu para retificação da GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento. A alegação de que equivocadamente tenha consolidado as remunerações dos sóciosgerentes não altera o lançamento, pois em nada modifica a base de cálculo da contribuição. Não é procedente o pedido de nulidade do lançamento na hipótese de retificação da GFIP. Não se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 175DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi Fl. 176DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 161 9 objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento, sobretudo aquelas relativas às entidades e serviços autônomos e os acréscimos legais através da taxa SELIC. Todas as contribuições que fazem parte do lançamento estão sustentadas nos dispositivos legais indicados no relatório Fundamentos Legais do Débito e outros discriminativos. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos como devidas as contribuições, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 177DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Fl. 178DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10240.900461/2009-51
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.138
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 11516.000188/2011-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE
Inexiste crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL quando o próprio contribuinte apura em DIPJ tributo a pagar, descabe assim homologar a compensação de débitos pleiteada, com saldos negativos da declaração, que se revelaram inexistentes.
Numero da decisão: 1002-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Rafael Zedral
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IRPJ. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE Inexiste crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL quando o próprio contribuinte apura em DIPJ tributo a pagar, descabe assim homologar a compensação de débitos pleiteada, com saldos negativos da declaração, que se revelaram inexistentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra Acórdão da Delegacia da Receita Federal de julgamento que indeferiu a manifestação de inconformidade. Da Declaração de Compensação Trata-se de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico 06551.04109.200406.1.3.02-0212 no qual se indicou como origem do crédito saldo negativo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 88 /2 01 1- 63 Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 IRPJ referente ao 2º trimestre de 2004, no valor R$ 44.762,35 mas compensando neste DCOMP o valor de R$ 4.190,93 (e-fls. 6). Da Análise do PER/DCOMP Por meio do despacho decisório de fls. 20/21, emitido pela DRF/Florianópolis, o direito creditório não foi reconhecido e as compensações não foram homologadas, sob o fundamento de que a retenção na fonte informada no Per/Dcomp, referente à fonte pagadora CNPJ básico 76.535.764, no valor de R$ 44.762,35, não consta em DIRF, havendo retenção apenas no 1º primeiro trimestre. Além disso, foi constatado pela fiscalização que na DIPJ não houve apuração de saldo negativo de IRPJ no 2º trimestre de 2004, mas sim apuração de imposto a pagar no valor de R$ 232.732,56, e que o imposto retido na fonte não constou na DIPJ: “A retenção na fonte indicada na Dcomp não foi confirmada na DIRF apresentada pela fonte pagadora, tampouco há saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ respectiva no período de apuração sob análise.” Despacho decisório de e-fls. 21) Cientificada do despacho decisório em 02/03/2011 (comprovante à fl. 25), a interessada apresentou em 31/03/2011 a manifestação de inconformidade de fls. 38 a 50, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 38 e 51 a 160, onde alega, em síntese, que em 07/04/2004 emitiu a Nota Fiscal nº 000002, no valor de R$ 2.984.157,00, com imposto retido na fonte no valor de R$ 44.762,35, decorrente de prestação de serviços jurídicos no processo judicial nº 824/1984. Afirma que houve equívoco da fonte pagadora Brasil Telecom S.A, ao não informar em Dirf a retenção na fonte, e que já solicitou providências àquela empresa, conforme notificação extra-judicial anexada. Diz que, como os honorários advocatícios foram devidos a dois escritórios, cada um emitiu a nota fiscal de 50% dos honorários brutos (R$ 5.878.789,29 + 89.524,71) / 2), correspondendo a R$ 2.984.157,00, sendo este exatamente o valor da nota fiscal 000002, e o valor retido (R$ 44.762,36). Afirma que a retenção indicada na nota fiscal 00002 consta do despacho exarado pelo juiz. Entende que deve ser aplicado o Parecer Normativo 01/2002 que veda a cobrança de valores de quem teve o imposto retido. Diz que, de fato, na DIPJ, ficha 14A não constou a valor do IRRF no 2º trimestre, mas que na ficha 53 onde consta o demonstrativo de imposto de renda retido na fonte foi indicada a retenção realizada pela Brasil Telecom S/A no valor de R$ 75.457,45, correspondendo à soma das retenções referentes à notas fiscais 000001 (R$ 30.695,10) e 000002 (R$ 44.762,34). Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 Assevera que o erro cometido no preenchimento da DIPJ não muda a situação fática de que houve recolhimento a maior e este valor deve ser devolvido, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da administração Pública, e que é dever da autoridade fazendária verificar a verdade material em relação aos recolhimentos e retenções de 2004. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou o feito, proferindo a decisão por meio do Acórdão no qual considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório, que não homologou a compensação declarada na DCOMP. Do Recurso Voluntário O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ em 09/04/2019 (e-fls. 170), apresentou Recurso Voluntário em 17/04/2019 (e-fls. 178). Em sede de recurso, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ e repisa os argumentos já apresentados perante a DRJ, ou seja, de que no curso de uma ação trabalhista, a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de honorários no R$ 5.878.789,29, cabendo à recorrente a metade deste valor, sendo a outra metade devido a outro escritório de advogados, o qual, inclusive, faz a defesa da recorrente nestes autos. O IRRF retido na fonte pela ré Brasil Telecom somou R$ 89.524,71. Sendo assim, metade deste IRRF corresponderia aos honorários da recorrente, ou seja, R$ 44.762,35, o qual vem a ser o mesmo valor informado na DCOMP como seu crédito de saldo negativo de IRPJ. Apresenta o texto de despachos judiciais determinando os pagamentos na ação trabalhista (e-fls. 180). Perante este CARF, a recorrente admite que apurou IRPJ a pagar, o qual foi declarado em DCTF e pago em três cotas de R$ 7.577,52, mas que por um equívoco não informou em DIPJ o valor retido na fonte, o que teria provocado a apuração incorreta do tributo no valor de R$ 232.732,56. Afirma que o IRPJ no trimestre deveria ter sido apurado no valor de R$ 187.970,21 se fosse aplicado o abatimento dos R$ 44.762,35 retidos na fonte (R$ 232.732,56 - R$ 44.762,35 = R$ 187.970,21). Deste modo, teria havido pagamento a maior no valor correspondente à retenção não computada na DIPJ, ou seja, R$ 44.762,35. Discorre sobre o fato de não ter informado a retenção em campo próprio na DIPJ mas alega se tratar de erro formal, ainda que conste na ficha 53 (e-fls. 114) os valores pagos pela Brasil Telecon com retenção de R$ 75.457,45. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que seja dado provimento ao presente recurso voluntário a fim de reformar o Acórdão proferido pela DRJ, homologar a compensação declarada, reconhecer a existência do crédito e extinguir o débito tributário em face da regular compensação. Alternativamente, requer a realização de diligencia, formulando quesitos a serem respondidos pela fonte pagadora. É o relatório Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o recurso voluntário deve ser indeferido. A recorrente admite que não apurou saldo negativo de IRPJ no segundo trimestre de 2004 e alega apenas agora perante este Conselho que seu pretenso crédito seria originado de um recolhimento efetuado a maior. Alega que não computou o IRRF na apuração deste tributo. Afirma que deveria ter recolhido R$ 187.970,21 e não os R$ 232.732,56 declarados e pagos via três guias DARF (juntadas nas e-fls. 8 à 11). Portanto, o Acórdão da DRJ não merece reforma porque resta claro não ter havido apuração de saldo negativo de IRPJ, mas sim tributo a pagar. Além do mais, ainda que se admitisse a conversão do crédito de saldo negativo de IRPJ para pagamento a maior, as alegações apresentadas pela recorrente são contraditórias. Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 Afirma que a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de honorários no montante de R$ 5.878.789,29, conforme atesta cópia do despacho na e-fls. 180, e que 50% deste valor lhe pertencia. Na sua defesa apresentada perante a DRJ (e-fls. 26), a recorrente detalha o valor recebido: “5. A pesquisa, diga-se trabalhosa, efetuada nos autos da Ação Trabalhista n°. 824/84, ora no TRT-SC, foram encontrados o valor dos honorários advocatícios — R$5.878.789,29 e a respectiva retenção de R$ 89.524,71 (fls. 4708 dos autos), sendo que o escritório Silveira de Souza recebeu 50% do valor, ou seja, R$ 2.984.157,00 — CNF 00002 de 07/04/2004, sendo o restante dos honorários recebido pelo Escritório Capella & Oliveira, sócios na Ação Trabalhista n°. 824/84;” Grifei Se a recorrente de fato teve direito à metade do montante de R$ 5.878.789,29, pagos a título de honorários advocatícios, então sua receita deveria ter sido R$ 2.939.394,65 (R$5.878.789,29/2). Ocorre que os valores informados nas notas fiscais 001, 002 e 003 somam R$ 5.368.247,00, praticamente a quase totalidade dos honorários que a recorrente afirma terem sido devidos aos dois escritórios de advogados. É de ser observar que as notas Fiscais (e-fls. 62/64) não possuem aceite da Brasil Telecom. Por outro lado, o extrato da DIRF (e-fls. 15) transmitida pela Brasil Telecom (retificadora transmitida em 31/12/2010) informa apenas um pagamento à recorrente no valor de R$ 2.046.340,00, com retenção de R$ 30.695,10 no mês de Fevereiro de 2004 (1º trimestre). Ainda que se desconsidere a DIRF, e não há motivos para tanto, se a recorrente de fato recebeu no ano de 2004, como argumenta na sua defesa, o montante de R$ 5.368.247,00, correspondente à soma de R$2.046.340,00 + R$2.984.157,00 + R$337.750,00, então os honorários globais na Ação Trabalhista n°. 824/84 não poderiam ter sido de R$ 5.878.789,29, valor que a recorrente afirma em mais de uma oportunidade ter recebido apenas uma parte. E não se pode alegar qualquer engano nesta afirmação, pois a banca de advogados que teria recebido a outra parte dos honorários é exatamente a que assina o Recurso Voluntário. Assim, o recebimento de R$ 2.046.340,00 em fevereiro guarda mais coerência com o argumento da recorrente de que teria recebido uma parcela dos honorário de R$ 5.878.789,29. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O contribuinte requer diligência, com escopo obter provas em favor de suas alegações. Não há necessidade de diligência, no caso em exame. Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 O julgador deve formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências, que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, porém, é defeso utilizar-se do mencionado instrumento para produzir provas para quaisquer das partes. Cabem as partes produzir as provas que sustentam suas alegações, sendo ônus exclusivo da recorrente a produção de prova a respeito do direito creditório que alega possuir. No caso em exame, o contribuinte trouxe aos autos os elementos probatórios correspondentes e que entendeu pertinentes na defesa do seu pleito, a fim de demonstrar a liquidez e certeza do alegado direito creditório, cabendo a autoridade julgadora valorá- las segundo seu juízo para o deslinde da questão em apreciação, não significando, com isso, porém, que eventual discordância das razões sustentadas pela recorrente, configure-se perda de busca da verdade material. Portanto, rejeito o pedido de diligência. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral – relator. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.005671/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2006
Ementa:
FOLHAS DE PAGAMENTO E ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com base nos valores escriturados pela recorrente. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2006 PROVA. ÔNUS Cabe à empresa o ônus de provar de forma inequívoca que as informações fornecidas por ela à Fiscalização e que serviram de base ao lançamento estão incorretas. Lançamento Procedente ... Conforme Discriminativo Analitico do Débito (DAD, fls. 04/22) e Relatório Fiscal, fls. 124/128, na NFLD foram incluídos quatro levantamentos: a) "DAL — Diferença de Ac. Legais", devido ao fato de a Notificada ter feito recolhimentos em atraso sem ter pago os valores corretos correspondentes a multa e juros; b) "DCO — D1FERENCA DA CONTABILIDADE", relativo às competências de 02/2003 a 13/2005, e a contribuições incidentes sobre remunerações de empregados lançadas na contabilidade da Notificada mas não incluídas nas folhas de pagamento fornecidas à Fiscalização; c) "FOL — FOLHA DE PAGAMENTOS", relativo às competências de 02/2003 a 13/2005 e a contribuições incidentes sobre remunerações de empregados e contribuintes individuais, obtidas a partir das informações de folha de pagamento fornecidas em meio digital pela Notificada; d) "PRE — PREVIDENCIA PRIVADA", relativo à competência de 10/2003 e a pagamentos de Previdência Privada para os sócios. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: i) O prazo para defesa seria por demais exíguo, principalmente em função do número de processos lavrados contra a empresa e da complexidade dos mesmos, o que redundaria em prejuízo para o direito de defesa; ii) Quanto às diferenças da Contabilidade e da Folha: Fl. 177DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.005671/200778 Acórdão n.º 2402001.688 S2C4T2 Fl. 176 3 Tais diferenças entre a Contabilidade e a folha, apontadas pela Fiscalização, não resistiriam a uma análise mais aprofundada dos documentos. Especificamente quanto ao período de 07/2000 a 03/2004, tais diferenças seriam resultantes de erros nos lançamentos, pois ao contabilizar um recibo de rescisão o responsável por tal serviço lançava diretamente na conta "RESC. DE CONTRATO DE TRABALHO" o total constante do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, englobando verbas que constituem fato gerador de contribuições previdenciárias e verbas que não possuem esse caráter. Já em relação ao período de 04/2004 a 03/2006, além do relatado acima teria havido, principalmente, erros nos arquivos digitais utilizados pela Fiscalização para fazer o lançamento. O problema teria sido ocasionado pelo fato de que a partir de 04/2004 a Notificada teria passado a ter empregados nas filiais, sendo que na geração dos arquivos digitais para a Fiscalização apenas foram copiadas as informações da matriz. Isso teria ocasionado a diferença entre as informações do CD, que contém apenas os dados dos fatos geradores relativos à matriz, e as informações dos livros contábeis, que contêm dados da matriz e das filias. A Fiscalização não teria percebido tal fato e teria tomado a diferença como pagamentos omitidos; o fiscal ao receber as informações do arquivo digital poderia ter avisado a empresa, dado que a mesma não tem como conferir o conteúdo do CD gerado para certificarse de que o mesmo está correto. No Relatório Fiscal, item "c", contudo, o auditor informa quer percebeu que as informações contidas nos arquivos digitais estavam dobradas, e que em virtude disso os valores foram divididos por dois antes de serem considerados para cálculo: deveria, então, o auditor ter intimado a empresa a gerar novós arquivos digitais Somente ai36s a lavratura teria a Notificada se apercebido do referido erro e gerado novo CD, desta vez correto, que juntou à impugnação (fi. 145). É o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 179DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.005671/200778 Acórdão n.º 2402001.688 S2C4T2 Fl. 177 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As GFIP, as folhas de pagamentos e os livros contábeis foram preparados pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das Fl. 180DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente, seja em folha de pagamento ou em escrituração contábil. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. A principal alegação da recorrente é quanto a erros nos arquivos digitais e que estariam corretos os valores escriturados nos demais documentos: Todavia, a verdade real está nas próprias folhas de pagamento, rescisões, férias, com os respectivos valores, datas e assinaturas. Os arquivos digitais, CD, DVD, etc, podem conter erros que terminam por prejudicar, neste caso, de forma substancial, o contribuinte. Nada substitui a conferência com os 'próprios documentos, os quais foram, oportunamente, disponibilizados. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração dos arquivos digitais ou outros documentos caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que somente ocorreu em relação a algumas GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento e escrituração contábil. No momento que é disponibilizado a folha de pagamento em meio digital, presumese que o documento retrata a realidade. Tivesse que a fiscalização examinar o mesmo documento em meio papel de nada prestaria a criação da modalidade mais atual à tecnologia digital. Pode sim, o contribuinte demonstrar a realidade dos fatos e promover as retificações, o que não foi feito. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, Fl. 181DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.005671/200778 Acórdão n.º 2402001.688 S2C4T2 Fl. 178 7 ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 182DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 183DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 35366.000315/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004
MPF NULIDADE INEXISTÊNCIA
A intimação do contribuinte da prorrogação da ação fiscal ocorrida posteriormente ao término da vigência do MPF anterior não representa qualquer nulidade, assim como não é nulo o lançamento cientificado ao contribuinte após o término da vigência do MPF RESPONSÁVEIS LEGAIS PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES
Os representantes legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Co-Responsáveis não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária
ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso seja constatada a prática de atos com infração de leis.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
CONVERSÃO DA TOTALIDADE DAS FÉRIAS EM PECÚNIA IMPOSSIBILIDADE
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
A legislação prevê que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo à conversão em pecúnia de até 1/3 do período de férias.
A conversão integral das férias em pecúnia, além de não ter amparo legal, integra o salário de contribuição por não atender à regra de exceção prevista na lei
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência até a competência 12/2001, inclusive, com base no Art. 150 § 4º do CTN e acolher a preliminar quanto a co-responsabilidade para reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co-responsável” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem por si só atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004 MPF NULIDADE INEXISTÊNCIA A intimação do contribuinte da prorrogação da ação fiscal ocorrida posteriormente ao término da vigência do MPF anterior não representa qualquer nulidade, assim como não é nulo o lançamento cientificado ao contribuinte após o término da vigência do MPF RESPONSÁVEIS LEGAIS PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os representantes legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Co-Responsáveis não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso seja constatada a prática de atos com infração de leis. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal CONVERSÃO DA TOTALIDADE DAS FÉRIAS EM PECÚNIA IMPOSSIBILIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO A legislação prevê que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo à conversão em pecúnia de até 1/3 do período de férias. A conversão integral das férias em pecúnia, além de não ter amparo legal, integra o salário de contribuição por não atender à regra de exceção prevista na lei Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso seja constatada a prática de atos com infração de leis. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Fl. 620DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 614 2 Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal CONVERSÃO DA TOTALIDADE DAS FÉRIAS EM PECÚNIA IMPOSSIBILIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO A legislação prevê que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo à conversão em pecúnia de até 1/3 do período de férias. A conversão integral das férias em pecúnia, além de não ter amparo legal, integra o salário de contribuição por não atender à regra de exceção prevista na lei Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência até a competência 12/2001, inclusive, com base no Art. 150 § 4º do CTN e acolher a preliminar quanto a coresponsabilidade para reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co responsável” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem por si só atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 621DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 615 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 75/77), no transcorrer dos trabalhos de fiscalização da empresa foi constatado que esta realizava pagamentos a seus empregados sem incluir tais pagamentos na base de contribuição da folha de salários, dandolhes o tratamento de pagamento feito a trabalhador autônomo, recolhendo à Previdência Social apenas a parcela relativa à parte patronal. A constatação foi efetuada no exame da DIRF — Declaração do Imposto Retido na Fonte, na qual os pagamentos mensais feitos a cada um dos trabalhadores envolvidos nesta prática aparecem discriminados por espécie, sob os códigos 0588 pagamento a trabalhador sem vinculo empregatício e 0561 pagamento feito a trabalhador com vínculo. Posteriormente, no exame da GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social, verificouse que tais pagamentos também eram lançados neste documento discriminados sob dupla classificação : 1 trabalhador empregado e 13 trabalhador autônomo. A auditoria fiscal entendeu que sobre tais pagamentos, feitos em contraprestação por trabalhos extraordinários ou no transcurso de períodos de férias, devem também incidir as taxas relativas às demais contribuições, posto que a natureza do contrato existente entre as partes é de empregador e empregado, não se subtraindo dela no transcurso da prestação destes trabalhos características como a habitualidade, a pessoalidade e a subordinação. A notificada teve ciência do lançamento em 27/01/2007 e apresentou defesa (fls. 196/260) alegando nulidade da autuação em face da existência de interregnos entre o encerramento dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPFs e a ciência da empresa da prorrogação por meio dos Mandados de Procedimentos Fiscais Complementares. A empresa alega que somente teve ciência das prorrogações após o término de validade dos MPFs anteriores, quando já entendia que a ação fiscal havia se encerrado sem qualquer lançamento. Alega que o derradeiro Mandado de Procedimento Fiscal Complementar tinha como data de término o dia 22 de dezembro de 2006 e somente em 26/01/2007 foi postada a Notificação Fiscal com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 27/01/2007. Considera que a tese que norteou a exação fiscal é completamente equivocada, uma vez que o que ocorreu foi o pagamento a maior de contribuições previdenciárias. Fl. 622DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 616 4 Segundo a notificada os valores pagos na condição de contribuintes individuais referese ao pagamento por trabalho em férias não gozadas. Ou seja, o Segurado recebeu adiantamento de férias, com tributação de contribuições previdenciárias. Como laborou durante as férias, o pagamento do adiantamento de férias foi na verdade o pagamento dos dias trabalhados. O valor adicional recebido na condição de autônomo, constitui indenização de férias não gozadas. Alega que o parágrafo 9°, alínea “d", do artigo 28 da Lei de Custeio dispõe que não integram o salário de contribuição para os fins desta lei as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o artigo 137 da Consolidação das Leis do Trabalho, conforme redação da Lei 9.528/1997. Argumenta que houve cobrança de segurados além do limite mensal do salário de contribuição. Houve pagamento quando do lançamento de férias e agora com a NFLD. Salienta que mesmo que o pagamento não seja considerado como férias indenizadas mas como abono pecuniário de férias, não de 1/3 das férias mas de sua totalidade, mesmo assim não haveria incidência de contribuições previdenciárias, pois estas não incidem sobre abono de férias, conforme artigo 28, parágrafo § 9º, alínea “e”, da Lei nº 8.212/1991. Conclui que o espírito da lei foi atendido pela Impugnante, ela teria aplicado o direito de férias aos seus segurados, que, mercê de dificuldades financeiras, preferiram laborar durante o período, convertendo em pecúnia todo o período, não apenas 10 dias. Entende que como se trata de indenização de férias, sequer deveria ter recolhido a contribuição de 20% sobre os pagamentos como se fosse pagamento a autônomos. Assim, considera que tem direito à restituição de valores. Considera a multa aplicada confiscatória bem como a taxa SELIC inconstitucional. Alega que parte do lançamento estaria abrangido pela decadência pela aplicação das disposições do Código Tributário Nacional. Considera outro equívoco cometido pela auditoria fiscal que constitui num vicio e diz respeito à circunstância de ter sido invocada responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário, para recair também nas pessoas dos sócios e procuradores da impugnante. Pelo Acórdão nº 1720.323 (fls. 403/413) a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP), considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 417/486) onde efetua a repetição da argumentação de defesa, porém inova na alegação de que o lançamento seria nulo, tendo em vista tratarse de exação fiscal com arbitramento de contribuições de segurados contribuintes individuais e que não existiriam as condições para arbitramento, tendo em vista que sequer foi emitido auto de infração pela não apresentação de Fl. 623DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 617 5 documentos relativos a folhas de pagamento de seus resumos, bem como escrituração contábil, apresentada inclusive em meio magnético. Traz considerações a respeito do descumprimento de obrigação acessória que consiste em omitir fatos geradores em GFIP que não é objeto do presente lançamento. Entende que a notificação seria nula em razão da auditoria fiscal não ter fornecido os relatórios fiscais em arquivos digitais conforme prevê a Instrução Normativa SRP nº 03/2005. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 618 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Da leitura do recurso apresentado pela recorrente, observase que além das alegações apresentadas em defesa relativas ao lançamento em questão, a recorrente ainda inova em uma série de alegações que não são pertinentes ao caso, as quais não serão consideradas. A recorrente alega nulidade do lançamento que seria causada pelo fato de ter tomado ciência da prorrogação da ação fiscal por meio de Mandados de Procedimentos Fiscais Complementares quando o Mandado anterior já estaria vencido. Também alega que só tomou ciência do lançamento após o término do prazo previsto no último MPF emitido. Não se vislumbra a nulidade alegada. O MPF é documento emitido pela Administração para que o contribuinte, objeto de algum procedimento fiscal, seja intimado de que tal procedimento emana e será realizado por autoridade competente. O que se verifica é que o prazo previsto nos MPFs não foram suficientes para a conclusão da ação fiscal, o que levou à emissão de MPFs Complementares no sentido de prorrogar o prazo de fiscalização. A conduta de prorrogação dos MPFs é prevista na legislação e o fato de o contribuinte ser cientificado da prorrogação após terminado o prazo do MPF anterior não é razão para nulidade do lançamento. Segundo a recorrente ao término de cada MPF este imaginava que a ação fiscal havia sido encerrada sem qualquer lançamento e em seguida era surpreendida pela entrega do MPF Complementar. Ora, eventual prejuízo à recorrente decorreria da execução de uma ação fiscal não precedida de MPF, esta sim, situação que poderia ensejar nulidade. No entanto, os MPFs existem e ao recebêlos à época em que foram apresentados, a recorrente tomou ciência de que o procedimento fiscal não havia sido encerrado e permitiu que a auditoria fiscal continuasse os trabalhos de fiscalização, afastando qualquer alegação futura de prejuízo sob tal argumento. Tampouco se pode considerar que a ciência do lançamento efetuada após o prazo de encerramento do MPF seja motivo de nulidade, uma vez a finalidade de existência do MPF já teria sido cumprida. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 619 7 Ademais, há entendimentos no âmbito deste Conselho de Contribuintes no sentido de que supostas irregularidades no MPF não ensejam nulidade do lançamento, conforme se depreende do Acórdão nº 20402.502 referente ao Recurso nº 130.790, assim ementado: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO. NULIDADE. DESCABIMENTO É de ser rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento baseada em supostas impropriedades no Mandado de Procedimento Fiscal, haja vista ser este um elemento de controle da administração tributária, sem força para afastar as competências legais atribuídas às autoridades fiscais, mormente quando se trata de auto de infração regularmente formalizado A recorrente traz preliminar de decadência que deve ser acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/1998 a 12/2004 e foi efetuado em 27/01/2007, data da intimação do sujeito passivo. Fl. 626DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 620 8 O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO Fl. 627DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 621 9 INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Fl. 628DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 622 10 No caso em tela, tratase do lançamento de diferenças de contribuição, uma vez que, para tais pagamentos, a recorrente já havia recolhido a contribuição da empresa de 20%, ainda que sob o entendimento de que se tratava de pagamentos a autônomos/contribuintes individuais. Assim, não se pode dizer que não houve antecipação, devendo ser aplicado o art. 150, § 4º do CTN, para considerar que encontramse abrangidas pela decadência as contribuições até 12/2001, inclusive. No mérito, a recorrente alega que os valores pagos aos segurados empregados, mas na condição de autônomos/contribuintes individuais seriam referentes à férias não gozadas e que teriam natureza indenizatória. Considera, ainda, que sequer deveria ter recolhido a contribuição patronal de 20% como se fosse pagamentos a autônomos, tendo direito à restituição. A meu ver, a recorrente está equivocada quando alega que os valores pagos teriam caráter indenizatório. A Lei nº 8.212/1991 traz no § 9º do art. 28, as situações em que os pagamentos efetuados não estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária e a alínea “d” do citado parágrafo dispõe o seguinte. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT As férias indenizadas são devidas ao empregado que tendo sido demitido sem justa causa faria jus ao benefício, o qual não poderá mais ser gozado na vigência do contrato de trabalho que se encerrou. Assim, só é possível classificar um pagamento efetuado como indenização de férias se este foi pago em razão do encerramento do contrato de trabalho, o que não se verifica no presente caso, em que a recorrente efetuava tais pagamentos na vigência do contrato de trabalho. Também não se verifica que tais valores corresponderiam ao adicional constitucional e tampouco à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da CLT. A dobra mencionada referese à obrigação do empregador de pagar as férias em dobro se este não concedeu ao empregado o benefício dentro do prazo de doze meses subseqüentes à aquisição do direito do gozo de férias, o que não é o caso dos autos. A conversão de parte das férias em pecúnia é possibilidade colocada à disposição do empregado, a qual está prevista no art. 143 da CLT, in verbis: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no Fl. 629DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 623 11 valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes A própria CLT em seu art. 144 prevê que o abono pecuniário não integrará o salário, entendimento também adotado pela Lei nº 8.212/1991, no item 6 da alínea do § 9º, do art. 28, abaixo transcrito: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Como se vê a lei traz as hipóteses em que o pagamento do abono pecuniários está a salvo da incidência de contribuição e a lei não contempla a hipótese de o empregado converter em pecúnia os trinta dias de férias a que tem direito. Portanto, se o pagamento efetuado pela recorrente não foi efetuado dentro das hipóteses legais, integra o salário de contribuição, não havendo que se falar em direito de restituição da parte patronal paga pela recorrente que considerou, indevidamente, tais pagamentos como remuneração de autônomos/contribuintes individuais. A recorrente entendeu que foi invocada responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário às pessoas dos sócios e procuradores da impugnante. O relatório denominado de CoResponsáveis apenas elenca os responsáveis legais pela empresa sem, contudo, atribuirlhe qualquer responsabilidade, seja solidária ou subsidiária. O CORESP contém os responsáveis pela gerência da sociedade e os períodos correspondentes, dados obtidos do contrato social e alterações. Tal relatório serve para subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional – PFN na necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional art. 135, Inciso I e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5º art. 2º da lei nº 6.830/1980 que estabelece o seguinte: Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. ....................................................... § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Fl. 630DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 624 12 Portanto, não há razão no inconformismo da recorrente, uma vez que não foram incluídas no pólo passivo as pessoas físicas que foram responsáveis pela gestão da empresa no período do lançamento conforme informação do contrato social da empresa e eventuais alterações. A recorrente ainda alega que a multa aplicada teria caráter confiscatório e que a aplicação da taxa de juros SELIC seria inconstitucional. Vale dizer que tanto a multa aplicada como a taxa de juros SELIC tem previsão em dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico pátrio e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar aplicação de dispositivo legal sob o argumento de que o mesmo seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na Fl. 631DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35366.000315/200777 Acórdão n.º 2402001.715 S2C4T2 Fl. 625 13 decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 12/2001, inclusive, para acolher a preliminar quanto à corresponsabilidade para reconhecer que a relação apresentada é apenas indicativa dos sócios e sem atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 632DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 10380.006222/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2006
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL
A empresa é obrigada a efetuar o recolhimento da contribuição incidente sobre o valor pago aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-001.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive, vencido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que reconheceu a
decadência até 10/2001.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais CONTRIBUINTE INDIVIDUAL A empresa é obrigada a efetuar o recolhimento da contribuição incidente sobre o valor pago aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços Recurso Voluntário Provido em Parte
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais CONTRIBUINTE INDIVIDUAL A empresa é obrigada a efetuar o recolhimento da contribuição incidente sobre o valor pago aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 992DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 965 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive, vencido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que reconheceu a decadência até 10/2001. Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 993DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 966 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SEST, SENAT, SEBRAE e INCRA), bem como a contribuição do contribuinte individual, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 231/234), constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês aos segurados contribuintes individuais (transportadores autônomos), a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (transporte) à empresa e valores pagos aos segurados empregados a título de participação dos lucros e resultados sem que a empresa houvesse elaborado os instrumentos decorrentes da negociação coletiva. A auditoria fiscal informa que a base de cálculo pelos serviços de transporte prestados por condutores autônomos de veículos rodoviários correspondeu, para fins de incidência de contribuição previdenciária, o valor resultante da aplicação do percentual de 11,71% (até a competência 06/2001), e 20% (a partir de 07/2001) sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura ou recibo de prestação de serviços. De igual forma, a base de cálculo pelos serviços de transporte prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de transporte correspondeu, para fins de incidência de contribuição previdenciária, o valor resultante da aplicação do percentual de 11,71% (até a competência 06/2001), e 20% (a partir de 07/2001) sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura ou recibo de prestação de serviços. A auditoria fiscal lançou, ainda, diferenças de acréscimos legais. A matriz mantém convênio para recolhimento direto de contribuições para as seguintes entidades: SESI, SENAI e FNDE/SALARIO EDUCAÇÃO. A notificada teve ciência do lançamento em 24/11/2006 e apresentou defesa (fls. 272/287) onde alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do lançamento. Quanto às diferenças de recolhimento de multas no período em epígrafe, entende que sequer seria devida pela Defendente, já que os pagamentos por ela realizados se deram de forma absolutamente espontânea, ou seja, antes de qualquer procedimento fiscal. Desse modo, invoca o beneficio do artigo 138 do Código Tributário Nacional, que afasta a penalidade no caso de pagamento espontâneo do tributo. Alega a inexistência de obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária sobre os valores registrados a título de despesas com táxis e ônibus. Fl. 994DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 967 4 Argumenta que não contratou, mesmo que em caráter eventual, os taxistas, tanto que das Contas Razões apontadas, sequer se faz possível extrair a identificação dos contribuintes individuais que pretensamente prestaram serviços à Defendente. As Contas em questão, em verdade, refletem, o reembolso de despesas aos empregados da Defendente que, no curso do trabalho, tomaram táxis para se locomover. Afirma que lei é clara, a contribuição somente será devida sobre a remuneração dos contribuintes individuais que prestem serviços à empresa, não contemplando, assim, os gastos com contribuintes individuais que tenham prestado serviços a outrem, ainda que seus empregados, sem qualquer controle ou ingerência da Defendente. Entende que ocorreu equívoco quando da pretensão de tributação dos valores relativos a despesas com ônibus. A uma porque as passagens/bilhetes de ônibus, via de regra, são cobradas por uma pessoa jurídica, logo, descaracterizada a obrigação para com o contribuinte individual. A duas porque é difícil acreditar que a Defendente tenha conseguido contratar um ônibus inteiro para si pela ínfima quantia de R$ 0,15, por exemplo. As quantias lançadas com despesas de ônibus e indevidamente tributadas pelo I. Agente Fiscal levam à conclusão de que se tratam de despesas com bilhetes de ônibus. Considera inconstitucional a contribuição sobre valores pagos às cooperativas de transporte, no caso, cooperativas de táxis. Pelo Acórdão nº 1120.617 (fls. 868/875 – Vol III) a 7ª Turma da DRJ/Recife (PE) julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 882/908 – Vol IV) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Posteriormente, a recorrente apresenta pedido de desistência parcial do recurso (fls. 925/926 – Vol IV) relativamente às competências de 11/2001 a 04/2006, inclusive, a fim de incluílas no parcelamento previsto na Lei nº 11.910/2009. Em razão do pedido de desistência, o lançamento foi desmembrado, permanecendo apenas as competência de 01/1997 a 10/2001, conforme se verifica no Relatório Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls. 932/959). É o relatório. Fl. 995DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 968 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser observada. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/1997 a 10/2001, haja vista o pedido de desistência das competências posteriores apresentado, e foi efetuado em 24/11/2006, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 996DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 969 6 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 997DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 970 7 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do Fl. 998DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 971 8 CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2000, inclusive. Após o reconhecimento da decadência, restaram no lançamento as competências de 12/2000 a 10/2001. Relativamente aos levantamentos, os referentes à diferenças de acréscimos legais e participação nos lucros e resultados foram totalmente atingidos pela decadência, razão pela qual as alegações a respeito não serão argüidas. A recorrente questiona a constitucionalidade do Inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 que instituiu a contribuição de responsabilidade da empresa de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ora, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo fiscal afastar a aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico sob o argumento de que o mesmo seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível Fl. 999DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 972 9 n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente questiona a tributação sobre os valores de reembolsos a empregados referentes a pagamentos efetuados a taxistas. Segundo a recorrente a situação não tem previsão legal, uma vez que os serviços não foram prestados diretamente à recorrente, mas a seus empregados. A meu ver, não assiste razão à recorrente. O reembolso de despesas com táxis efetuadas pelos empregados caracteriza que a empresa assumiu como suas tais despesas, situação que se coaduna com a hipótese legal, pela qual incide contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. O serviço prestado no caso foi o transporte de empregados seus em decorrência do contrato de trabalho existente. Quanto às alegações de existência de valores pagos em relação a passagens de ônibus, a decisão de primeira instância tratou a matéria com o argumento de que as próprias descrições dos históricos dos lançamentos contábeis são no sentido de que se tratava de pagamentos a táxi ou mototáxi. Assim, caberia à empresa demonstrar por meio de documentos que os valores contabilizados como despesas de táxi ou mototáxi, na verdade, seriam despesa de passagens de ônibus, o que não ocorreu, logo não há razão no argumento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 1000DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006222/200747 Acórdão n.º 2402001.759 S2C4T2 Fl. 973 10 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 1001DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 10240.900449/2009-47
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.128
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 19.08.2005, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior da COFINS, apurada com base no fato gerador praticado em 30 de maio de 2004. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de COFINS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 125DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900449/2009-47 Resolução n.º 3403-00.128 S3-C4T3 Fl. 119 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de maio de 2004. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 17/21). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 33/36). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 30 de maio de 2004 (fls. 76/88) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 89). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e Fl. 126DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900449/2009-47 Resolução n.º 3403-00.128 S3-C4T3 Fl. 120 3 dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/RFB nº 900/08, cujo artigo 3 o estabelecia: “Art. 3º (...) § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900449/2009-47 Resolução n.º 3403-00.128 S3-C4T3 Fl. 121 4 A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? Fl. 128DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900449/2009-47 Resolução n.º 3403-00.128 S3-C4T3 Fl. 122 5 (b) a partir da escrituração contábil do período (maio/2004), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 129DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001036/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA CONFIRMADA POR SENTENÇA. POSTERIOR CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. PREVENÇÃO
DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da concessão de medida liminar pelo Poder Judiciário, ficando sobrestados, pelo tempo que for válida a ordem, somente os atos tendentes a cobrança do crédito. Não obstante, no caso dos autos, o lançamento foi efetuado quando sequer o contribuinte
possuía ordem válida do Poder Judiciário desobrigandoo
do recolhimento das contribuições lançadas.
MANDADO DE SEGURANÇA. ESFERA ADMINISTRATIVA.
RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa.
Súmula CARF n. 01.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Recorrente ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DOS SERVIDORES DO SENAI AGASE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA CONFIRMADA POR SENTENÇA. POSTERIOR CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da concessão de medida liminar pelo Poder Judiciário, ficando sobrestados, pelo tempo que for válida a ordem, somente os atos tendentes a cobrança do crédito. Não obstante, no caso dos autos, o lançamento foi efetuado quando sequer o contribuinte possuía ordem válida do Poder Judiciário desobrigandoo do recolhimento das contribuições lançadas. MANDADO DE SEGURANÇA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa. Súmula CARF n. 01. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente Substituta Fl. 155DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 2 Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A Processo nº 12269.001036/200995 Acórdão n.º 2402001.721 S2C4T2 Fl. 144 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DOS SERVIDORES DO SENAI, em face de acórdão que manteve a integralidade da multa lançada por meio do Auto de Infração 37.076.4897, por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados por intermédio de Cooperativas de Trabalho Médico (UNIMED e UNIDONTO RIO GRANDE DO SULRS) A multa lançada compreende o período de 03/2000 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/11/2007 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 103/108), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 112/132, através do qual sustenta: 1. que impetrou o Mandado de Segurança n. 2000.71.00.0135463, na justiça federal de Porto alegre obtendo medida liminar, confirmada por sentença de mérito que a desobrigava do recolhimento da contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91, bem como determinava a abstenção da Fazenda nacional em tomar quaisquer medidas tendentes a cobrança da contribuição decorrente dos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalhos médicos; 2. que a sentença de mérito fora cassada pelo TRF da 4a Região, contudo, a recorrente obteve a concessão de efeito suspensivo no Recurso Extraordinário interposto contra referido acórdão, no julgamento do mérito da AC 1.236, junto ao Supremo Tribunal Federal; 3. que por tais motivos, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração combatido, pela inobservância do disposto no art. 151, IV do CTN; 4. que o art. 1° da Lei n° 9.876/99 ao inserir o inciso IV ao art. 22 da Lei 8.212/91(contribuição sobre serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho), instituiu uma nova fonte de custeio da seguridade social, ofendendo ao disposto no art. 195, I, "a" da Constituição Federal, por representar tributação de pagamentos efetuados a outra pessoa jurídica (cooperativa), quando o dispositivo constitucional prevê que tal exação só se legitima na ocorrência de vínculo jurídico com pessoa física e que feriu também o art. 154, I, por força do § 4°, do inciso II do art. 195 da Constituição Federal, pois a nova fonte de custeio deveria ter sido elaborada por meio de lei 5. que é inconstitucional o art. 22, IV, da Lei 8.212/91 e, portanto, a imposição da multa pela ausência de declaração dos fatos geradores em GFIP; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de defesa do objeto do recurso voluntário, o contribuinte defende que o Auto de Infração de vê ser anulado em razão da impetração de Mandado de Segurança Preventivo, sob o argumento de impossibilidade de lançamento em face daquilo o que disposto no art. 151, IV do CTN. Da verificação dos documentos juntados no Mandado de Segurança impetrado no ano de 2000, percebese que a liminar concedida o foi ainda no ano de 2000. A sua confirmação por sentença de mérito deuse em 2003. Já o ano de 2004 O TRF deu provimento a apelação da União e à Remessa Oficial, reformando a sentença antes favorável à recorrente para declarar a exigibilidade das contribuições em agosto de 2004. Foi apresentado RE em 2005, o qual fora devidamente admitido e está atuado no STF sob nº..... A parte impetrou, ainda, MC junto ao STF (AC 2136) a qual foi provida no sentido de conferir efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário impetrado, somente em setembro de 2008. Tal situação demonstra que no momento em que fora levado a efeito a efeito o lançamento (2007), a recorrente não possuía nenhuma ordem emanada do Poder Judiciário que determinasse à Fazenda Nacional que se abstivesse de tomar quaisquer medidas de cobrança do crédito, ou mesmo quaisquer medidas tendentes a não prevenirse dos efeitos da decadência. Logo, não haviam empecilhos para que o crédito tributário objeto do presente Auto de Infração fosse lançado. Ademais, mesmo que assim não o fosse, ou seja, caso se entendessem válidos os efeitos da liminar e da concessão do efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário impetrado, resta claro da jurisprudência pátria que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas apenas a sua cobrança, que no caso dos autos somente poderá ser levada a efeito após decisão definitiva no recurso Extraordinário impetrado pela empresa e que aguarda julgamento do Supremo Tribunal Federal. Confirase a propósito, recente julgado do Eg. Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE. CAUSAS SUSPENSIVAS DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e Fl. 158DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A Processo nº 12269.001036/200995 Acórdão n.º 2402001.721 S2C4T2 Fl. 145 5 penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedente: EREsp 572.603/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJ 05/09/2005. 2. O lançamento do ISS referente aos meses de Janeiro a Setembro de 1991 somente ocorreu em 27 de junho de 2001. A liminar conferida em Mandado de Segurança, anteriormente impetrado pelo contribuinte, com a finalidade de ver reconhecida isenção quanto ao tributo não impede a fluência do prazo decadencial, apenas obstando a realização de atos de cobrança posteriores à constituição. Nesse sentido: REsp 1.140.956/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/12/2010, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Recurso especial provido. (REsp 1129450/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011, DJe 28/02/2011) Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida. MÉRITO O presente caso tratase de lançamento de multa em razão da recorrente não ter deixado de informar em GFIP os valores pagos a cooperativas de trabalho médico, infração esta, que em momento algum, sustentou o contribuinte não ter cometido. Assim, a sua ocorrência é incontroversa nos autos. Ademais, ainda considerando a impetração do Mandado de Segurança Preventivo, verifico de sua petição inicial que o contribuinte formula os seguintes pedidos: (fls 107): a) A concessão de medida liminar, inaudita altera parte, nos termos docpedido, visando o sobrestamento, ainda que provisório, dos efeitos do incido IV, do artigo 22, da Lei nº. 8.212/91, introduzido pela Lei nº. 9.876/99, e, ato contínuo, decretar a inexigibilidade da contribuição social de que trata o dispositivo inquinado, até decisão final de mérito do presente mandamus; c) Sejam, afinal, no mérito, acolhidos os fundamentos de fato e de direito aqui alinhados, julgando procedente a presente ação mandamental, com a concessão definitiva de segurança reclamada, nos termos do pedido, declarando, incidenter tantum, a inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da Lei nº. 8.212/91 e, ipso facto, da multicitada contribuição social de que trata o incidso IV, desobrigando a impetrante do recolhimento daquela exação, em face da relação jurídica que mantém com a UNIMED, isto é, de pessoa jurídica para pessoa jurídica, com efeito, a segurança normativa, então ofendida. Verifico também, que os contratos que ensejaram a cobrança das contribuições que pretende o contribuinte sejam declaradas inconstitucionais, pelo Poder Judiciário, foram realizadas com a UNIMED PORTO ALEGRE – SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA e UNIDONTO/RS – FEDERÇÃO DAS Fl. 159DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 6 COOPERATIVAS ODONTOLÓGICAS DO RIO GRANDE DO SUL LTDA, ou seja, os mesmo contratos que deram ensejo aos fatos geradores da multa objeto do presente Auto de Infração. Além do mais, toda a matéria trazida a discussão nos autos do Recurso Voluntário são exatamente as mesmas objeto do Mandado de Segurança Preventivo, de modo que a discussão levada a efeito nas duas esferas de julgamento é idêntica, o que atrai a incidência da Súmula CARF nº 01, a seguir: Súmula CARF nº. 01 – Importa renuncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objetivo do processo administrativo. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000107/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2006
VALORES LANÇADOS EM DUPLICIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Os fatos alegados em defesa, comprovados por documentação hábil e confirmados pela autoridade lançadora após diligência fiscal ensejam a revisão do lançamento.
Numero da decisão: 2202-008.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (Presidente em exercício), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz e Diogo Cristian Denny (suplente convocado). Ausente o conselheiro Ronnie Soares Anderson, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2006 VALORES LANÇADOS EM DUPLICIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Os fatos alegados em defesa, comprovados por documentação hábil e confirmados pela autoridade lançadora após diligência fiscal ensejam a revisão do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (Presidente em exercício), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz e Diogo Cristian Denny (suplente convocado). Ausente o conselheiro Ronnie Soares Anderson, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-11T19:18:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-11T19:18:33Z; Last-Modified: 2021-11-11T19:18:33Z; dcterms:modified: 2021-11-11T19:18:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-11T19:18:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-11T19:18:33Z; meta:save-date: 2021-11-11T19:18:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-11T19:18:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-11T19:18:33Z; created: 2021-11-11T19:18:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-11-11T19:18:33Z; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-11T19:18:33Z | Conteúdo => S2-C2T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15922.000107/2010-11 Recurso De Ofício Acórdão nº 2202-008.763 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de outubro de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDUSTRIA BRASILEIRA DE ARTEFATOS DE CERAMICA - IBAC - LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2006 VALORES LANÇADOS EM DUPLICIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Os fatos alegados em defesa, comprovados por documentação hábil e confirmados pela autoridade lançadora após diligência fiscal ensejam a revisão do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (Presidente em exercício), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz e Diogo Cristian Denny (suplente convocado). Ausente o conselheiro Ronnie Soares Anderson, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de recurso de ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), em razão de ter exonerado crédito tributário (principal e multas) relativo a contribuições sociais previdenciárias em valor superior, à época da decisão da DRJ, ao limite de alçada estipulado pela legislação então vigente, conforme acórdão à fl. 471: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 01 07 /2 01 0- 11 Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.763 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000107/2010-11 Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento n° 35.889.695-9 mantendo o crédito tributário remanescente no valor de R$ 13.077.452,78(Treze milhões setenta e sete mil quatrocentos e cinqüenta e dois reais e setenta e oito centavos) consolidado em 09.06.2006 conforme DADR - Discriminativo Analítico do Débito Retificado e nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Tendo em vista que o valor exonerado de R$ 4.032. 968,37(quatro milhões trinta e dois mil novecentos e sessenta e oito reais e trinta e sete centavos) atinge o limite de que trata o artigo 1°, da Portaria MF Nº 03/03. 01.2008, submete-se o acórdão à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força de recurso necessário, de acordo com o art. 25, II, do Decreto `n° 70.235/72, na redação da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A decisão restou assim ementada: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PRAZO DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SEBRAE. INCRA. SAT. GRATIFICAÇÃO NATALINA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SELIC. MULTA DE MORA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - RETIFICAÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. O prazo de vencimento das contribuições sociais no período lançado foi disciplinado em leis constitucionais. A contribuição para o SEBRAE é devida por todas as empresas que contribuem para o SESI e SENAI. A contribuição destinada ao INCRA é devida por todas as empresas, quer urbana quer rurais. A contribuição destinada ao SAT, por incidir sobre a folha de salários, está prevista no artigo 195 da Constituição Federal. Por este motivo, pode ser disciplinado em lei ordinária. O pagamento de gratificação natalina a segurados empregados é fato gerador das contribuições sociais em apreço. As contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos a autônomos, administradores e avulsos foram instituídas pela Lei n° 9.876/99, a qual tem supedâneo na redação do artigo 195 da Magna Carta dada pela Emenda Constitucional n° 20/98. Os fatos alegados em Defesa comprovados através dos documentos juntados aos autos e após diligência fiscal, prestam-se à revisão do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante do valor exonerado, o julgador de piso apresentou recurso de ofício, em atenção ao disposto no inciso I do art. 34, do Decreto nº 70.235, de 1972. Intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.763 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000107/2010-11 O recurso foi apresentado em observância ao disposto no art. 34, I, do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, que traz a seguinte disciplina: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Nos termos da Súmula CARF nº 103, de observância o obrigatória pelos membros deste Colegiado, “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.” O limite a que se referem os atos acima citados encontra-se atualmente estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. À fl. 15 é possível verificar que o valor exonerado pela decisão de piso foi de R$ 2.510.342,60 de principal, e de R$ 301.241,06 de multa, portanto superior ao limite de alçada, de forma que o recurso deve ser conhecido. Um dos argumentos apresentados pelo contribuinte quando da impugnação do lançamento foi que parte das competências lançadas já teriam sido objeto de lançamento em fiscalização anterior, conforme documentos comprobatórios que apresentara. Nesse sentido, consta do relatório da DRJ (fl. 476): DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA FISCAL Diante do argumento de que “parte das competências aqui verificadas já foram fiscalizadas e autuadas em outra fiscalização" e dos documentos acostados aos autos, o processo administrativo fiscal foi encaminhado ao Auditor Fiscal, que se posicionou em despacho conclusivo pela retificação do débito, às folhas 441/442, a qual transcrevemos: “Após a análise dos valores constantes da Notificação Fiscal, anterior, cuja cópia encontra-se às folhas 417 a 437 e, confrontando-os com os valores apurados na presente NFLD, pudemos concluir, de maneira inequívoca, que tais valores deixaram de ser abatidos do crédito previdenciário levantado neste processo” “Diante de tal fato, a seção julgadora deverá emitir despacho decisório excluindo, da presente notificação os valores apurados nas competências 02/2003 a 02/2004 exclusivamente no levantamento denominado “FPG - Folha de Pagamento Declarado em GFIP”,bem como promover as retificações pertinentes nos sistemas informatizados em virtude de tais valore de tais valores já terem sido oportunamente levantados, evitando assim cobrança em duplicidade.” DA SEGUNDA DILIGÊNCIA FISCAL A 8ª Turma da DRJ/CPS por meio da Resolução 1586/05. 09.2007, converteu o julgamento em diligência tendo em vista que em relação às competências 11/03 e 12/03, não se obteve certeza de quais os valores a serem retirados, posto que os lançados nesta ação fiscal eram significativamente maiores que os lançados na ação fiscal anterior. Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.763 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000107/2010-11 O Auditor Fiscal às folhas 451/461, responde à diligência fiscal, no Item II Esclarecimentos do Auditor Fiscal Notificante, nos seguintes termos: Que a empresa apesar de regularmente intimada no decorrer da ação fiscal por meio dos TIADS de folhas (252 a 255), não apresentou vários documentos entre eles as GFIP'S do período de 2003 a 2006, motivo inclusive de autuação. Com a negativa do contribuinte a fiscalização obteve os valores das remunerações pagas aos segurados empregados nos sistemas informatizados da Previdência Social e discriminados por estabelecimento no anexo I de folhas 284 a 288 e confirmados nos autos pelas telas CNIS - Totais de Vínculos Massa Salarial - GFIP, de folhas 456/460. Desta forma, os valores declarados nas competências 11/03 a 12/03, tal qual foram apresentados são os que compõem o lançamento, posto que o contribuinte se negou a apresentar as GFIP’S, ademais, não contestou os valores lançados e não foram juntados aos autos outros elementos probatórios que permitam ao Auditor Fiscal confrontar os valores. Conclui que em não havendo elementos de prova suficientes para a exclusão total dos valores lançados, nas competências citadas, mantém as diferenças entre os valores lançados nas duas ações fiscais. Às fls. 481/482, o julgador de piso traz o capítulo DA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO, onde relata Diante da constatação das inexatidões apontadas pelo impugnante em sua peça de defesa e da juntada dos documentos comprobatórios das suas razões, resta a este colegiado a correção dos valores lançados. ... A retificação deve se processar em todos os levantamentos FPG - Folha de Pagamento Declarado em GFIP, no período de 02.03 a 02.04, sendo que nas competências 02/03 a 10/03, 01 e 02/04, as respectivas competências serão zeradas porquanto que na ação fiscal anterior foram lançados valores maiores do que os lançados nesta notificação, exceto nas competências 11/03 e 12/03, pelos motivos acima expostos. Diante de tais relatos, não restam dúvidas que a exoneração de parte do crédito tributário lançado se deu em razão de lançamento em duplicidade e correta a retificação promovida pela decisão recorrida, que resultou em exoneração de parte do crédito tributário lançado. Conclusão Ante o exposto, voto NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11634.001103/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Súmula CARF nº 171.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, exceto quando constatado dolo, fraude ou simulação, ou ausente o pagamento antecipado ou a confissão de débitos, quando a referida contagem se dá na forma do art. 173, inciso I do CTN.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando se comprova o evidente intuito de fraude.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Numero da decisão: 1302-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente
Assinado Digitalmente
Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Súmula CARF nº 171. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, exceto quando constatado dolo, fraude ou simulação, ou ausente o pagamento antecipado ou a confissão de débitos, quando a referida contagem se dá na forma do art. 173, inciso I do CTN. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando se comprova o evidente intuito de fraude. LANÇAMENTO DECORRENTE. 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Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Assinado Digitalmente Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 11 03 /2 01 0- 37 Fl. 838DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 06-28.371 – 1ª Turma da DRJ/CTA, de 24 de setembro de 2010. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS, Cofins), devidos nos anos-calendários 2005 e 2006, em função da exclusão da empresa do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005. A exigência tributária totalizou R$ 158.041,83, incluídos principal, multa de ofício (75% e 150%) e juros moratórios, distribuídos da seguinte forma: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ 107.747,94 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL 50.293,89 TOTAL 158.041,83 Segue o relato dos da autuação e da impugnação apresentada, extraídos da decisão recorrida: Os eventos que ensejaram a feitura dos lançamentos encontram-se historiados no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 534-558, que também relata fatos e circunstâncias referentes a lançamentos de PIS e COFINS, cujos autos de infração originalmente constavam deste, mas que foram trasladados para outro PAF. Limitada a análise aos tributos cujos autos de infração ainda persistem neste PAF (IRPJ e CSLL), tem-se que: - a contribuinte foi intimada a apresentar os documentos e livros contábeis e fiscais relativos ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, tendo solicitado quatro dilações de prazo; - em relação ao ano-calendário de 2004, no PAF nº 11634.000052/2009- 92, foi efetuado lançamento, a título de omissão de receita, no importe de R$ 13.818.429, pelas regras do SIMPLES, e também se procedeu à exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005; - em relação aos anos-calendário de 2005 e 2006, a contribuinte apresentou Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica - SIMPLES (MI - SIMPLES) e recolheu o SIMPLES nelas declarado; - no ano-calendário de 2005, segundo a contabilidade apresentada durante o procedimento fiscal, a receita bruta da contribuinte totalizou R$ 32.896.840,29. Contudo, declarou em sua declaração simplificada receitas de apenas R$ 276.914,90, conforme quadro demonstrativo de fls. 547. O lançamento relativo ao A/C 2005 foi formalizado tendo por base o lucro real constante da aludida escrituração apresentada durante a ação fiscal, deduzidos os valores correspondentes incluídos no recolhimento pelo SIMPLES; Fl. 839DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 - no ano-calendário de 2006, segundo a contabilidade apresentada durante o procedimento fiscal, a receita bruta da contribuinte totalizou R$ 40.055.834,83. Contudo, declarou em sua declaração simplificada receitas de apenas R$ 476.933,80, conforme quadro demonstrativo de fls. 552-553. O lançamento relativo ao A/C 2006 foi formalizado tendo por base o lucro real constante da aludida escrituração apresentada durante a ação fiscal, deduzidos os valores correspondentes incluídos no recolhimento pelo SIMPLES; Foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, e também foi lavrada representação fiscal para fins penais, pelos fundamentos expostos às fls. 557. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 29/04/2010 (fls. 564) e apresentou tempestivamente, em 27/05/2010, a impugnação de fls. 578-640, veiculando alegações contra todos os lançamentos resultantes da ação fiscal. Contudo, tendo em vista que os autos de infração de PIS e COFINS passaram a compor PAF distinto, adiante se encontram sintetizadas apenas as alegações que dizem respeito aos lançamentos que permanecem neste PAF (IRPJ e CSLL): - argumenta que a multa foi lançada no percentual correto de 50%, conforme atual redação do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, mas que foi equivocadamente cobrada no percentual qualificado de 150%. Em defesa do percentual que considera correto, argumenta que existe contabilidade escriturada, apuração escriturada e DCTF transmitida, todos nos exatos valores contabilizados; - em item destinado a delimitar a extensão da impugnação (fls. 582), esclarece que a impugnação quanto ao IRPJ e CSLL - únicas exações que permanecem tratadas neste PAF - tem por objeto " estritamente da nulidade por falta de mandado de procedimentos fiscal válido e multa erroneamente cobrada de 150%": - suscita a nulidade do lançamento por falta de Mandado de Procedimento Fiscal válido. Argumenta que foi cientificada do lançamento fora do prazo do respectivo MPF. Afirma que as únicas ciência pessoais ocorreram em 17/04/2008, quando tomou ciência do termo de início de ação fiscal, e em 11/02/2010, quando teve ciência de continuidade da fiscalização até 25/03/2010; - argumenta que, a teor da legislação tributária, a emissão do MPF, com a devida ciência do contribuinte, é condição de procedibilidade para a ação fiscal, uma vez que dá conhecimento ao sujeito passivo da relação tributária de realização de procedimento fiscal contra si intentado. Transcreve dispositivos legais relativos ao MPF e conclui afirmando que a ciência de alterações do MPF, inclusive prorrogação do prazo, deve ser dada pessoalmente e por escrito ao contribuinte, conforme art. 70, § 2°, do Decreto n° 70.235, de 1972. Adiciona que quando vence o prazo do MPF-F e não sendo feita a continuação válida da fiscalização, e se pretende continuar a ação fiscal, deve ser indicado outro Auditor-Fiscal para o caso. Apresenta excertos doutrinários em sustentação de sua tese. - apesar da delimitação da extensão já referida, a impugnante suscita a decadência do IRPJ e da CSLL com relação aos fatos geradores anteriores a 29/04/2005, ao argumento de que o lançamento ocorreu e foi pago mensalmente por meio de DARF pelo SIMPLES Federal; - argumenta que a multa de 150% é improcedente por ser imprecisa, não concordante com a legislação invocada e não mencionar expressamente se foi intuito de fraude, definido nos art. 71, 72 c 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Defende a aplicação da multa de 50% definida no Inciso II do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 840DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Pelo princípio da eventualidade, argumenta que, no máximo, a multa seria de 75%. Argumenta que, para a redução da multa, Por determinação desta DRJ (despacho às fls. 731), os lançamentos relativos a PIS e COFINS foram apartados destes autos para PAF específico. A DRJ analisou a Impugnação apresentada e decidiu por rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, por manter integralmente a exigência do crédito tributário. Segue a ementa do Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS - VICIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) materializa mero instrumento de controle. Assim, eventual constatação de alguma irregularidade formal no MPF após o encerramento de ação fiscal encetada por AFRFB competente, desde que não tenha havido qualquer prejuízo para o fiscalizado, não implica nulidade do lançamento. CONDUTA PAUTADA POR DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA E MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada e ininterrupta de evitar o recolhimento dos tributos devidos mediante o expediente de se enquadrar e permanecer indevidamente no SIMPLES e declarar e oferecer à tributação apenas uma parcela ínfima das receitas, evidencia dolo e determina que o lustro decadencial seja contado pela regra do art. 173 do CTN, e também a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão em 22/10/2010 o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 17/11/2010 (fls. 773 a 822). Em um longo arrazoado, a contribuinte reitera as razões apresentadas em sua Impugnação. Em suma, apresenta os seguintes argumentos: a) Dos fatos. Faz um resumo dos fatos, destacando que os presentes autos tratam apenas das exigências de IRPJ e de CSLL e sintetiza pontos abordados no recurso (MPF, multa de ofício na alíquota de 150% e “decadência dos meses de janeiro a abril de 2005”. b) Preliminar de Nulidade. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Defende a nulidade dos lançamentos em função de irregularidades presentes no MPF. c) Decadência. Lançamentos anteriores a 29/04/2005. Aponta que deveria ter sido considerado o prazo previsto no Art. 150, § 4º ao invés do art. 173, I, ambos do CTN. Transcrevo alguns trechos do recurso: O Contribuinte realiza o auto-lançamento, cabendo à autoridade fiscal dentro do qüinqüênio contado a partir do fato gerador, sob pena de, se não o fizer, operar-se a decadência do direito. Fl. 841DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Para que não seja aplicado este prazo prescricional de 5 (cinco) anos deve ser comprovada o dolo, fraude ou simulação, o que não ocorreu no caso em tela. O que se não pode admitir é direito patrimonial incaducável. (...) No caso em tela não há que se falar que ocorreu fraude, haja vista, que toda contabilidade e apuração de tributos e declarações (obrigações acessórias) foram realizados com autorização da própria autoridade fazendária, logo, foi contabilizado, apurado Tributos e declarado o faturamento cheio! Registre-se, a Recorrente entregou à RFB tempestivamente os seguintes documentos solicitados pelo Auditor Fiscal: (...) Registre-se, o Auditor Fiscal além de receber toda documentação acima indicada, em seu lançamento fiscal de IRPJ e CSLL reproduziu as apurações realizadas e transmitidas pelo Recorrente em seus exatos valores. Ora, se o próprio fisco reproduziu em seu auto de infração os exatos valores apurados a título de IRPJ e CSLL, como falar em fraude? No caso de fraude, o fisco deveria fazer as suas próprias alterações, o que não ocorreu, razão pela qual, uma vez aceito os valores apurados pelo contribuinte em sua integralidade não há que se falar em fraude. (...) d) Multa de Ofício. alega que a multa deveria ter sido aplicada no percentual de 50%, em função da alteração do art. 44, II da Lei 9.430/1996, efetuada pela Lei nº 11.488, de 2007 (retroatividade benigna); alternativamente, defende que deveria ter sido aplicado o percentual de 75%, previsto no inciso I, tendo em vista que não ficou caracterizado dolo em sua na conduta; cita princípios constitucionais (capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade e não-confisco). Ao final, requer: Ante o exposto, requer-se seja reformada intergalmente (sic) a decisão monocrática para o fim de: PRELIMINARMENTE A) A nulidade do Auto de Infração por falta de MPF-F válido, pois não foram dadas ciências de continuidade da Fiscalização pessoalmente ao Impugnante. Ademais, uma vez vencido o MPF-F, não poderia a ação fiscal ter dado continuidade pelo mesmo Auditor Fiscal. NO MÉRITO A) QUANTO A MULTA DE 150% E A DECADÊNCIA - IRPJ, CSLL, PIS e COFINS 1) Seja julgado improcedente o auto de infração em apreço com relação única e exclusiva da multa de 150%; 2) Decadentes os lançamentos anteriores a 29/04/2005, vez que a ciência do AI ocorreu em 29/04/2010; Registre-se a existência de lançamento por homologação anteriormente; Fl. 842DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 3) seja cancelada a multa de 150°/o, tendo em vista que a penalidade não existe mais no art. 44, II da Lei 9.430/96, face a alteração introduzida pela Lei n. o 11.488, de 15 de junho de 2007; 4) vencido o pedido acima, o que não se espera, requer-se a Improcedência do Auto de Infração com relação a multa de 150% por: a) ser impreciso - legislação atual do art. 44, II, da Lei 9.430/96 trata de multa de 50%; e consta no Auto de Infração 150%; b) sem concordância com a legislação invocada - não existe nenhuma ressalva temporal feita pelo Auditor Fiscal quanto o art. 44, II, da Lei 9.430/96, que atualmente trata de 50% de multa; c) em nenhum momento o Auditor Fiscal menciona qual a razão da aplicabilidade de multa de 150%, ou seja, não tipifica a conduta do Recorrente, não define o tipo doloso presente nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964; d) o Impugnante se defende dos fatos, e não foi em nenhum momento indicado pelo Auditor Fiscal os fundamentos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, para configurar ato doloso. 5) Superado os pedidos acima, o que não se espera, seja aplicada a multa de 50% conforme legislação atual, vez que, não foi ressalvada a questão temporal pelo Auditor Fiscal em seus fundamentos de fato e de direito; 6) Superado os pedidos acima, o que não se espera, seja aplicada a multa de 75% por inexistir nos fundamentos de fato e de direito do Auditor Fiscal os tipos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 10 4.502, de 30 de novembro de 1964, para configurar ato doloso; 7) Superado os pedidos acima, o que não se espera, seja reduzida a multa para 10%, face os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade e não confisco; 8) Protesta pela sustentação oral. 9) seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário com fundamento no art. 151, III do CTN. 10) que todas as intimações sejam feitas na pessoa do procurador judicial, o Dr. Shiguemassa Iamasaki, OAB/PR 35.409, na Av Centenário 419, Maringá-PR. É o relatório. Voto Conselheira Andréia Lúcia Machado Mourão, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a contribuinte concentra seus argumentos em três pontos: a) nulidade das autuações em função de irregularidade no MPF; b) decadência dos lançamentos anteriores a 29/04/2005; e c) aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Fl. 843DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Pedidos. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Intimação para Sustentação Oral. Expedição das Intimação em nome dos patronos. Inicialmente, cabe analisar uma série de pedidos formulados pela recorrente. A respeito do pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio, trata-se de medida desnecessária, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal (art. 151, inciso II do CTN), independentemente de manifestação desta instância administrativa. Quanto ao pedido para que seja intimada para realizar sustentação oral, deve ser destacado que não existe previsão regimental relativa a este pleito. Publicada a pauta de julgamentos, o direito à realização de sustentação oral poderá ser exercido por meio de preenchimento de formulário específico contido no sítio do CARF. Em relação ao pedido para que as intimações sejam feitas na pessoa do advogado da empresa, não é cabível esta opção, em consonância com o enunciado da Súmula CARF nº 110, de cumprimento obrigatório pelas turmas de julgamento deste conselho, que assim dispõe: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, indefiro os pedidos formulados. Preliminar de Nulidade. Existência de vícios no MPF. Inocorrência. Em seu recurso, a contribuinte discorre longamente sobre eventuais vícios relacionados ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que levariam a nulidade da autuação. Os argumentos podem ser sintetizados, com base nas próprias palavras da interessada (fls. 820), da seguinte forma: Ante o exposto, requer-se seja reformada intergalmente (sic) a decisão monocrática para o fim de: (...) A) A nulidade do Auto de Infração por falta de MPF-F válido, pois não foram dadas ciências de continuidade da Fiscalização pessoalmente ao Impugnante. Ademais, uma vez vencido o MPF-F, não poderia a ação fiscal ter dado continuidade pelo mesmo Auditor Fiscal. Deve ser destacado que esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, com a publicação da Súmula CARF nº 171, cujo enunciado dispões que o MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não acarretando nulidade do lançamento eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Confira-se: Súmula CARF nº 171 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade. Fl. 844DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Prejudicial de Mérito. Decadência. Lançamentos anteriores a 29/04/2005. Inocorrência. Em sua defesa, a contribuinte aponta que a situação em análise trata de lançamento de tributos sujeitos a homologação e defende que deveria ter sido aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Uma vez que a ciência dos autos de infração ocorreu em 29/04/2010, entende que teria ocorrido a decadência dos lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a 29/04/2005, A decisão recorrida enfatizou a prática reiterada da contribuinte ao deixar de informar a totalidade das receitas auferidas em suas declarações e concluiu que sua conduta foi pautada pelo dolo, o que impede a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 150, §4º, devendo prevalecer a regra do art. 173, I, ambos do CTN. Assim, como os lançamentos poderiam ter sido lavrados no curso do ano-calendário de 2005, o termo inicial da decadência seria 01/01/2006, findando em 31/12/2010, o prazo para a constituição do crédito tributário. Levando-se em conta que a ciência do lançamento se deu em 29/04/2005, decidiu que não havia decaído o direito ao lançamento. A discussão sobre o prazo decadencial que deve ser aplicado no lançamento por homologação foi pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça por meio do julgamento do Resp n° 973.733/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009), julgado sob a sistemática do artigo 543-C, do antigo CPC (recursos repetitivos). A ementa da decisão encontra-se parcialmente transcrita a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o DF CARF MF Fl. 1360 Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.624 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001741/2003-97 lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008" Portanto, conforme se extrai do julgado acima, a aplicação do prazo previsto no § 4º do art. 150, mesmo para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, depende da existência de requisitos objetivos: 1) a ausência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; 2) a existência de pagamento antecipado, ainda que parcial; e 3) a declaração prévia do débito. Fl. 845DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Também deve ser destacado que se trata de entendimento de observância obriga- tória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Esta matéria foi, inclusive, objeto de duas súmulas do CARF: Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 101 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No caso dos autos, ficou bem configurada a conduta dolosa do contribuinte, que ensejou, inclusive, a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal: Para elidir o pagamento integral do Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, devidos sobre a sua atividade econômica, a contribuinte, impropriamente declarou pelo Sistema Integrado de Pagamentos e Contribuições - SIMPLES, de que trata a Lei n° 9.317/96 e alterações posteriores, apenas 0,84% (R$ 276.914,90 x 100 : R$ 32.896.840,29) e 1,19% (R$ 476.933,80 x 100 : R$ 40.055.834,83) das vendas que auferiu e registrou em sua contabilidade nos anos- calendário de 2005 e 2006 respectivamente, como se vê pelos relatado e demonstrado nos subitens "7.2" c "8.2" deste Termo, cuja tributação integral (100%) dos resultados daqueles anos-calendário a mesma deveria ter realizado pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Real, consoante a legislação aplicável ao caso. E essa elisão fiscal, na forma em que foi realizada, caracteriza, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária, definido pelos artigos 1°, inciso I, e 2°, inciso I, ambos da Lei n° 8.137/90. Assim, em cumprimento ao determinado pelo artigo 1° da Portaria RFB n° 665/2008, estamos formalizando a Representação Fiscal para Fins Penais que será apensada no processo de exigência do crédito tributário, do qual este Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal é parte integrante. Também cabe ressaltar, conforme já mencionado, que ficou caracterizada a prática reiterada da contribuinte, ao deixar de declarar a integralidade das receitas auferidas por meses consecutivos, conforme análise feita no Acórdão da DRJ. Segue transcrição de trechos da decisão: No caso presente, verifica-se às fls. 547 que a contribuinte, tendo auferido receitas vultosas em cada um dos meses do ano de 2005, declarou e ofereceu à tributação - na modalidade do SIMPLES - receitas em média inferiores a 0,5% (meio por cento) das receitas verdadeiras, como se vê no demonstrativo abaixo: Fl. 846DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 Como se vê, ao promover os recolhimentos mensais pelo SIMPLES, a impugnante omitiu, em média, 99,58% (noventa e nove virgula cinquenta e oito por cento) de suas receitas. Assim, os recolhimentos que teriam sido homologados incidiram sobre menos de 0,5% (meio por cento) das receitas verdadeiras da impugnante. Fica claro, portanto, que eventual homologação diria respeito a recolhimento na modalidade de SIMPLES, que a contribuinte efetuou fraudulentamente, buscando evitar o recolhimento integral de seus encargos tributários. Não pode agora vir procurar se beneficiar de sua própria torpeza, pretendendo que os recolhimentos implementados dolosamente na modalidade do SIMPLES impeçam a exigência dos valores que são verdadeiramente devidos. Sabendo-se que o mesmo procedimento ocorreu durante todos os meses dos anos-calendário de 2005 e 2006, período em que a contribuinte se manteve enquadrada no SIMPLES em flagrante conflito com a legislação de regência, emerge a conclusão inequívoca de que se trata de um artifício continuado que a impugnante utilizou para ocultar do Fisco o verdadeiro montante de suas receitas, de sorte que pudesse persistir recolhendo apenas fração insignificante dos tributos devidos e conseguir - como conseguiu - que essa "economia" se tornasse definitiva com a decadência do direito de lançar que se materializou com relação a todos os exercícios anteriores ao ano-calendário de 2004, que não puderam ser lançados. Essa conduta amolda-se à perfeição à hipótese descrita no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, verbis: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" (Grifei). Está evidente que, nos doze meses dos anos-calendário de 2005 e 2006, permanecer indevidamente enquadrada no SIMPLES e declarar ao Fisco receitas inferiores a meio por cento do verdadeiro montante que auferia, a impugnante obrou deliberadamente, buscando reduzir, de forma ilícita, seus encargos tributários mensais. Fraudou, portanto, deliberadamente, a Fazenda Pública. Portanto, com base nos elementos constantes dos autos, ficou configurada fraude na conduta da recorrente, de modo que deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN. Logo, no momento da lavratura dos autos de infração, ainda não havia decaído o direito ao lançamento do crédito tributário. Mérito. Multa de Ofício qualificada. Percentual de 150%. Quanto à multa de ofício, a recorrente alega que esta deveria ter sido aplicada no percentual de 50%, em função da alteração do art. 44, II da Lei 9.430/1996, efetuada pela Lei nº 11.488/2007 (retroatividade benigna). Alternativamente, defende a incidência do percentual de 75%, previsto no inciso I do mesmo artigo, tendo em vista entender que não ficou caracterizado dolo em sua na conduta. Para reforçar seus argumentos, cita, ainda, princípios constitucionais (capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade e não-confisco). Primeiramente deve ser destacado que a multa no percentual de 50%, prevista na redação atual do art. 44, II da Lei 9.430/1996, dada pela Lei nº 11.488/ 2007, não se aplica ao caso em discussão. Esta multa, exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal, visa punir o contribuinte pelo descumprimento de uma obrigação e é cobrada independentemente de ser devido o imposto. Fl. 847DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 A multa de ofício, prevista no indico I do art. 44 da Lei 9.430/1996, por sua vez, é exigida quando o Fisco apura o não recolhimento do tributo, lavrando auto de infração para cobrança do imposto, no percentual de 75% sobre o valor devido. Na situação em análise, foi duplicado o percentual da multa para 150%, em função de ter ficado configurada dolo na conduta do contribuinte, em conformidade com a hipótese prevista no § 1º do mesmo artigo (redação dada pela Lei nº 11.488/ 2007). Fazendo um breve histórico das alterações no art. 144 da Lei nº 9.430/1996, para fatos geradores ocorridos no período em análise, anos-calendários 2005 e 2006, a qualificação da multa, com aplicação do percentual de 150%, estava prevista no art. 44, inciso II da Lei n 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 10.892, de 2004): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) (...) II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) Na redação atual da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº Lei nº 11.488, de 2007, permanece a previsão da aplicação do percentual de 150% para a multa de ofício, no caso de comprovação de sonegação, fraude ou conluio na conduta da contribuinte, conforme se depreende pelo disposto no art. 44, § 1º: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No presente caso, conforme já tratado, ficou evidente a configuração da conduta fraudulenta da recorrente, ao omitir valores significativos das receitas informadas em suas declarações, o que levou à exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2005 e à lavratura dos autos de infração ora em análise. Como a aplicação da multa está em conformidade com a legislação tributária, não compete ao órgão de julgamento administrativo deixar de aplicar o disposto em lei, utilizar discricionariedade, nem examinar o caso a luz dos princípios constitucionais invocados pela interessada (capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade e não-confisco). Assim, ainda que a Primeira Seção de Julgamento do CARF detenha competência para apreciar as matérias questionadas, não é possível julgar de forma diversa da prescrita em lei, Fl. 848DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-005.788 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001103/2010-37 nem se pronunciar a respeito de seus dispositivos, conforme determina o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e a Súmula CARF nº 2: Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser mantida a aplicação do percentual de 150% para a multa de ofício, nos períodos em que se aplica. Do lançamento reflexo. Nos termos do § 2º da Lei Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da CSLL. Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2 o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, deve ser mantido o lançamento efetuado. Conclusão Diante do exposto, VOTO por rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente ANDRÉIA LÚCIA MACHADO MOURÃO Fl. 849DF CARF MF Documento nato-digital
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