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Numero do processo: 10680.015260/2004-63
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO.
Restabelece-se o valor consignado a título de dedução com dependente, uma vez comprovado nos autos a relação de dependência entre o contribuinte e seu filho menor.
Somente poderão ser considerados como dependentes o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É dedutível da base de cálculo do IRPF as despesas médicas do filho menor considerado como dependente na declaração de ajuste anual.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções com o dependente Pedro Alcântara Antunes Lopes e com despesas médicas, nos valores de: R$1.105,20 (Exercício de 2002, ano-calendário de 2001) e R$ 1.309,80 (Exercício de 2003, ano-calendário de 2002), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Restabelece-se o valor consignado a título de dedução com dependente, uma vez comprovado nos autos a relação de dependência entre o contribuinte e seu filho menor. Somente poderão ser considerados como dependentes o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É dedutível da base de cálculo do IRPF as despesas médicas do filho menor considerado como dependente na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido em parte.
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COMPROVAÇÃO. Restabelecese o valor consignado a título de dedução com dependente, uma vez comprovado nos autos a relação de dependência entre o contribuinte e seu filho menor. Somente poderão ser considerados como dependentes o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É dedutível da base de cálculo do IRPF as despesas médicas do filho menor considerado como dependente na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções com o dependente Pedro Alcântara Antunes Lopes e com despesas médicas, nos valores de: R$1.105,20 (Exercício de 2002, anocalendário de 2001) e R$ 1.309,80 (Exercício de 2003, anocalendário de 2002), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 52 60 /2 00 4- 63 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 02 a 12, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF apurado nas Declarações de Ajuste Anual relativas aos exercícios financeiros de 2000 a 2003, anoscalendário de 1999 a 2002, respectivamente. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 03 a 07), foram apuradas as seguintes infrações: 001 – Omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração decorrentes de trabalho com vinculo empregatício em nome da dependente Lúcia Aparecida Antunes Lopes — CPF 582.895.34604, nos exercícios de 2000 a 2003 – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 9.105,64 – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 10.128,97 – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 8.347,33 – Exercício de 2003, anocalendário de 2002: R$ 9.354,31 002 – Dedução indevida de dependentes, por falta de comprovação: – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 1.080,00 (glosa de Denia Aparecida Godinho Antunes; – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 1.080,00 (glosa de Denia Aparecida Godinho Antunes; – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 2.160,00 (glosa de Denia Aparecida Godinho Antunes e Pedro Alcântara Antunes Lopes; – Exercício de 2003 — glosa de Pedro Alcântara Antunes Lopes e Maria Eduarda Alcântara Antunes Lopes; 003 – Dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação: – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 7.517,77 – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 13.563,91 – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 17.402,73 – Exercício de 2003, anocalendário de 2002: R$ 13.026,43 004 – Dedução indevida com despesas com instrução, por falta de comprovação; – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 1.700,00 – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 3.400,00 – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 3.400,00 – Exercício de 2003, anocalendário de 2002: R$ 3.996,00 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.015260/200463 Acórdão n.º 2802001.992 S2TE02 Fl. 123 3 005 – Dedução indevida com despesas de previdência privada/FAPI, por falta de comprovação; – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 3.267,14 – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 6.685,04 – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 9.576,90 – Exercício de 2003, anocalendário de 2002: R$ 10.073,61 Cientificado em 20/12/2004, apresentou impugnação em 18/01/2005, fls. 40/41, alegando, em síntese, que: o valor cobrado por meio do Auto de Infração é "absurdo" e incompatível com os seus rendimentos; está apresentando a documentação solicitada na intimação, com exceção dos extratos da conta de previdência privada que por falha da empresa de previdência não foi corretamente enviada; devendo contudo apresentála em dez dias; pugna pelo cancelamento da exigência fiscal. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE julgou o lançamento procedente em parte, fls. 103 a 110, tendo restabelecida a dedução dos seguintes valores: A Dedução indevida com despesas de previdência privada/FAPI: – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 3.267,00 – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 3.385,04 – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 3.762,72 – Exercício de 2003, anocalendário de 2002: R$ 4.051,96 B Dedução indevida de despesas médicas: – Exercício de 2000, anocalendário de 1999: R$ 139,01 – Exercício de 2001, anocalendário de 2000: R$ 98,15 – Exercício de 2002, anocalendário de 2001: R$ 50,94 – Exercício de 2003, anocalendário de 2002: R$ 624,01 C – Dedução indevida de dependentes: – Exercício de 2003 – Maria Eduarda Alcântara Antunes Lopes: R$ 1.272,00; Cientificado em 08/04/2008, fls. 113, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 114 a 118, mediante o qual relata os fatos que dificultaram sua situação pessoal e financeira, esclarecendo que não possui qualquer possibilidade de pagar os valores determinados na intimação em questão. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Quanto ao mérito, alega que apresenta cópia da certidão de nascimento de seu filho Pedro Alcântara Antunes Lopes. Informa que sempre custeou as despesas de instrução com sua irmã Denia Aparecida Antunes Godinho e que, por desconhecimento, não providenciou o termo de guarda judicial. Finalmente, alega que não localizou os comprovantes de despesas médicas. Requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso voluntário foi recepcionado pela autoridade preparadora proceder o correspondente registro da data de sua interposição. Diante disto, há que considerálo tempestivo. Dele, pois, tomo conhecimento. O Recorrente não contesta expressamente o lançamento relativo à apuração da omissão de rendimentos, da glosa referente às despesas com instrução e do valor remanescente da glosa da dedução relativa à contribuição previdenciária privada/FAPI. Destarte, após decisão de primeira instância, remanesce em litígio somente as matérias relativas às deduções com o dependentes Denia Aparecida Godinho Antunes e Pedro Alcântara Antunes Lopes e das despesas médicas, cujas glosas remanescem após a decisão de primeiro grau. No que diz respeito à glosa das deduções com dependentes, o Recorrente junta cópia da certidão, fls. 116, que atesta o nascimento de seu filho Pedro Alcântara Antunes Lopes, ocorrido em 1997. Portanto, há que se restabelecer os valores glosados pelo Auto de Infração em relação ao mencionado dependente Pedro Alcântara Antunes Lopes, a saber: Exercício de 2002, anocalendário de 2001, no valor de R$ 1.080,00, e; Exercício de 2003, anocalendário de 2002, no valor de R$ 1.272,00. A comprovação dessa relação de dependência aflora o direito do contribuinte à dedução das despesas médicas correspondentes ao mencionado filho, Pedro Alcântara Antunes Lopes, nos anoscalendário em que este figurou como dependente na declaração de ajuste anual. Ressaltese, ainda, que o restabelecimento da dedução dos valores a título de despesas médicas, abaixo relacionados, referemse somente àquelas não foram acatadas pela decisão recorrida, diante da não comprovação da relação de dependência, ora configurada: Exercício de 2002, anocalendário de 2001, no valor de R$ 25,20, fls. 86, e; Exercício de 2003, anocalendário de 2002, no valor de R$ 37,80 (R$ 15,12, fls. 95, mais R$ 22,68, fls. 100); Relativamente à dedução da pessoa que o contribuinte alega ser sua irmã, Denia Aparecida Godinho Antunes, a decisão de primeira instância entendeu que o contribuinte deveria ter apresentado “o comprovante da sua guarda judicial, não sendo válida a simples declaração de que foi dependente do declarante, conforme consta de fls. 51/52”. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.015260/200463 Acórdão n.º 2802001.992 S2TE02 Fl. 124 5 Com efeito, conforme o inciso V do § 1º do art. 77 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/1999, somente poderão ser considerados como dependentes o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. À falta de prova nesse sentido, não há como acatar o pleito do recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções com o dependente Pedro Alcântara Antunes Lopes e com despesas médicas, nos valores de: R$1.105,20 (Exercício de 2002, anocalendário de 2001) e R$ 1.309,80 (Exercício de 2003, anocalendário de 2002). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.015260/200463 Acórdão n.º 2802001.992 S2TE02 Fl. 125 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 22 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10925.002467/2002-96
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
1 provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaeoinelli Nunes da Silva
e Gonçalo Bonet Allage que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10925.002467/2002-96 Recurso n° 302-133.757 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.076 — 2a Turma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente HÉLIO JOÃO CARDON Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. , A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor 1 é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar 1 provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocas ? ), Moisés Giaeoinelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage que deram provimento. Desi :., ado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. i CARLOS ., : ri lkITAS B ' RRETO — Presidente \ V )0\,1 ‘1,'n . JULIO CE' ' ' "1 P ' GOMES Redator-Designado , EDITADO EM: 28 SE I , 009 k ,, , Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. 2 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 3 Relatório HÉLIO JOÃO CARDON, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação ao exercício de 1998, incidente sobre o imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob o n° 0.960.893-1, localizado no município de Água Doce-SC, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/04, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1 a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 5.952/2005, às fls. 29/35, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia r Câmara, em 18/10/2006, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 302-38.102, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZADO. No Processo Administrativo Fiscal, tanto a autoridade preparadora, quanto a autoridade julgadora, têm livre arbítrio para determinar a realização de diligências, inclusive perícias, sejam de oficio, sejam a requerimento do sujeito passivo. As perícias podem ser deferidas, se entendidas necessárias, ou indeferidas quando forem consideradas prescindíveis ou impraticáveis. Na hipótese de serem solicitadas diligências ou perícias, pelo Impugnante, o mesmo deve indicar os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, considerando-se não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos anteriormente citados. (art. 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal/utilização limitada somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, nos termos da legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO." 3 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 4 Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 74/85, com arrimo no artigo 5°, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos n's 301-33105 e 301-32972, dentre outros transcritos na peça recursal, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que impõem que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de prévia averbação tempestiva à margem da matricula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Infere que somente pequena parte da área de reserva legal não fora averbada junto à matricula do imóvel, antes da apresentação da DIAT, o que, ainda assim, não é Capaz de justificar a lavratura do presente lançamento, consoante se verifica da jurisprudência majoritária desta Corte Administrativa. Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que mesmo que o recorrente não tivesse providenciado a averbação de reserva declarada simples fato, ao contrário .do que sustentou o Acórdão, não seria suficiente para afastar o direito à isenção, por ausência de expressa previsão legal neste sentido, como observou a 2" Câmara deste 3° Conselho em decisões proferidas recentemente, entendimento que, igualmente, se presta a fundamentar o pleito da contribuinte em relação à alegada ausência do ADA. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da r Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras deçisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do iMóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho n° 302.059, às fls. 87/89. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do contribuibte, a Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões, às fls. 92/99, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. 4 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2' Câmara do 3° Conselho a divergência suscitada pelo contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que os entendimentos consubstanciados nos Acórdãos n's 303-31751 e 301-33105 dentre outros, ora adotados como paradigmas, determinam que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, não depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão do contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária especifica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1°, inciso II, e parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166/2001, nos seguintes termos: "Art. 10. A apuração e o paramento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ;$ 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a)construções, instalações e benfeitorias; b)culturas permanentes e temporárias; (\/ 5 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 6 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restricões de uso previstas na alínea anterior # 7°A declaração para fim de isen cão do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, fi 1°, deste arti2o, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 200I)" (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo a gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao reVés do entendimento constante do voto condutor do Acórdão atacado. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, cima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destina-se a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Trata-se, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte e sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis — CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada a proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em i, clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando- se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. 6 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 7 Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão recorrida e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, incisos I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6° do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta- se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurando-lhe o beneficio fiscal se comprovada a observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforça-lhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal, é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito'. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, com a devida vênia, não merece prosperar o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao compartilhar com o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a titulo elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório, ou ainda a não requisição atempada do ADA, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11° Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. 7 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 8 Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas n''s 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária especifica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência dá fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. S'eí o normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;!...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código TribUtário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Marfins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/4 1 9 que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: "Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as intruções normativo expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações vara os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos." Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Vincula cão absoluta dos atos normativos à lei. "... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos 8 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 9 presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as , leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade..." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIB . INTE E DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de 11 direito acima esposadas. Apfiffilkn iiRycardo Erf e ue Magalhães de Oliveira — Relator I , , 9 , I Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Designado Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o ,f 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § )92°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 10 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.076 IF1. 11 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n o 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de \À • averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 11 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdão o.° 9202-00.076 Fl. 12 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 12 Processo n° 10925.002467/2002-96 CS -T2 Acórdão n.° 9202-00.076 Fl. 13 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbaçã o determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, IO,sem, que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação àpermanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 13 Processo n° 10925.002467/2002-96 CSRF-T2 Acórdãp n.° 9202-00.076 Fl. 14 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no Voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. /111 , Em razão de . x ! e e, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à . ,, :O não averbada à época do fato gerador. ‘ kilLlw tir Julio Ces., Piei e emes — Redator-Designado , 14 i
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000316/2003-17
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993, 01/11/1994 a 31/12/1994, 01/01/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 28/02/1999
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF N° 15.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Numero da decisão: 3402-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993, 01/11/1994 a 31/12/1994, 01/01/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 28/02/1999 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF N° 15. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
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Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993, 01/11/1994 a 31/12/1994, 01/01/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 28/02/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Salvo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação decai em cinco anos da data da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993, 01/11/1994 a 31/12/1994, 01/01/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 28/02/1999 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF N° 15. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 03 16 /2 00 3- 17 Fl. 4443DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada nestes autos foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de crédito tributário relativo ao Programa de Integração Social (PIS) decorrente dos fatos geradores ocorridos nos períodos de janeiro a dezembro de 1993, novembro a dezembro de 1994, janeiro a novembro de 1998 e fevereiro de 1999, com os juros moratórios e a multa aplicável nos lançamentos de ofício. O lançamento, com ciência à contribuinte em 05 de abril de 2003, foi efetuado em virtude de a fiscalização ter constatado insuficiência de recolhimento dessa contribuição, na verificação das compensações feitas por força da decisão judicial favorável à contribuinte. A exigência tributária foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de ForaMG (DRJ/JFA) julgou o lançamento procedente em parte para cancelar a exigência relativa aos períodos de janeiro a dezembro de 1993 e de novembro a dezembro de 1994, bem como a multa de ofício. Inconformada com essa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, a decadência do direito de constituição do crédito tributário para os fatos geradores ocorridos até março de 1998 e o erro na apuração da base de cálculo do PIS que, sob a égide da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador, sem correção monetária. Ao final, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso para reformar a decisão recorrida e julgar improcedente o lançamento e, por conseqüência, homologar as compensações efetuadas. Na sessão de 07 de abril de 2011, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que a fiscalização refizesse os cálculos dos débitos e créditos da recorrente, com consideração da semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS. O processo retornou a este colegiado com a informação produzida na diligência, à fl. 2057, da qual transcrevese o seguinte trecho: (...) Utilizando o sistema CTSJ II, vinculamos todos os pagamentos de Pis aos valores devidos calculados de acordo com o mencionado, vide apontamentos à folha anterior. Conforme folhas 2.030 a 2.054, os pagamentos de Pis para o período considerado foram suficientes para extinção dos respectivos débitos, e os saldos dos pagamentos foram suficientes para as compensações com débitos posteriores, declarados com Fl. 4444DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13629.000316/200317 Acórdão n.º 3402002.019 S3C4T2 Fl. 4.444 3 exigibilidade suspensa por medida judicial, o que leva a considerar, caso a tese da base de cálculo como o faturamento do sexto mês anterior prevaleça, que o lançamento seria nessa circunstância improcedente. (...) Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e seu julgamento está inserto nas esfera de competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Sobre a decadência, com efeito, uma vez que a contribuição para o PIS é tributo sujeito ao lançamento por homologação e tendo havido pagamentos dessa contribuição, aplicase ao caso o disposto no art. 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), e, sendo assim, foi extinto pela decadência o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos até março de 1998, inclusive. Quanto aos períodos posteriores, por força da Súmula CARF n° 15, divulgada no Anexo I da Portaria CARF n° 52, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista os novos cálculos elaborados na diligência e a informação reproduzida no relatório supra, o crédito tributário objeto do lançamento em questão foi extinto pela compensação. Pelas razões expostas, voto pelo provimento do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 4445DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002944/2003-84
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - O direito do
contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE TERCEIROS - VEDAÇÃO - ATO SIMULADO - Não gera efeitos,
no campo tributário, ata de cisão e incorporação cujo objeto precípuo é a transferência de créditos entre empresas coligadas por flagrante violação à legislação tributária que veda essa operação tributária.
RESTITUIÇÃO DE SALDO CONTÁBIL IRRF - INCABÍVEL - O saldo
espelhado no balanço apurado em 31/12 relativo a IRRF não constitui prova da existência desse valor a ser restituído para o contribuinte, sendo da sistemática regular da apuração do IRPI do período computar os valores retidos pelas fontes pagadoras, o que resultará em saldo a pagar ou saldo negativo ao final do período, não podendo aquele saldo ser objeto de prova, nem requerido por pedido de restituição.
Numero da decisão: 1801-000.002
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Primeira Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora, nos termos do relatório e voto que passam a
integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - O direito do contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE TERCEIROS - VEDAÇÃO - ATO SIMULADO - Não gera efeitos, no campo tributário, ata de cisão e incorporação cujo objeto precípuo é a transferência de créditos entre empresas coligadas por flagrante violação à legislação tributária que veda essa operação tributária. RESTITUIÇÃO DE SALDO CONTÁBIL IRRF - INCABÍVEL - O saldo espelhado no balanço apurado em 31/12 relativo a IRRF não constitui prova da existência desse valor a ser restituído para o contribuinte, sendo da sistemática regular da apuração do IRPI do período computar os valores retidos pelas fontes pagadoras, o que resultará em saldo a pagar ou saldo negativo ao final do período, não podendo aquele saldo ser objeto de prova, nem requerido por pedido de restituição.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA V' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4044.-.4 PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo ri° 11060.002944/2003-84 Recurso n° 157.717 Voluntário Acórdão n° 1801-00.002 - P Turma Especial Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria PerDcomp - Saldo Negativo IRPJ Recorrente PLANALTO TRANSPORTES LTDA. Recorrida ja TURMA/DAI-SANTA MARIA/RS Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - O direito do contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE TERCEIROS - VEDAÇÃO - ATO SIMULADO - Não gera efeitos, no campo tributário, ata de cisão e incorporação cujo objeto precípuo é a transferência de créditos entre empresas coligadas por flagrante violação à legislação tributária que veda essa operação tributária. RESTITUIÇÃO DE SALDO CONTÁBIL 1RRF - INCABÍVEL - O saldo espelhado no balanço apurado em 31/12 relativo a IRRF não constitui prova da existência desse valor a ser restituído para o contribuinte, sendo da sistemática regular da apuração do IRPI do período computar os valores retidos pelas fontes pagadoras, o que resultará em saldo a pagar ou saldo negativo ao final do período, não podendo aquele saldo ser objeto de prova, nem requerido por pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Primeira Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Processo n°11060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão n.°1801-00.002 A. 2 AN NI Pt A Pr idente ANA DE BARROS FERNANDES Relator Formalizado em: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni, Ana de Barros Fernandes (relatora) e Antônio Praga (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Roberto Arrnond F. da Silva. • 2 Processo n° 11060.002944/2003-84 51-TE01 Acórdão n.° 180/-00.002 Fl. 3 Relatório A empresa impetrou Declaração de Compensação — PerDcomp às fls. 01 e 02 na intenção de compensar débito tributário com saldos negativos de IRPJ dos anos-calendários de 1995, 1996, 1997 e 1998, datada de 16/12/2003. Explicou que os saldos negativos se devem à cisão parcial sofrida por coligada "Planalto Turismo Ltda" pela qual recebeu saldos contábeis de 1RRF a recuperar — • Imposto de Renda Retido pelas Fontes Pagadoras por aplicações financeiras — não aproveitados pela cindida por não apresentar lucro tributável, em vários anos. Esclareceu que entende que esses saldos recebidos em cisão, por não aproveitamento da cindida, não se sujeitam à decadência ou prescrição, podendo ser utilizados a qualquer tempo para compensar com débitos tributários vincendos. Apesar de haver só um débito especificado na PerDcomp de E. 01 para se sujeitar à compensação requerida, a autoridade competente juntou a esse processo outras cinco PerDcomp eletrônicas cujos créditos são os mesmos, pelas quais a contribuinte requer a compensação de diversos débitos tributários (vd Es. 170 a 199), vinculando todas a esse processo administrativo. O direito creditório requerido como sujeito à compensação perfaz o montante de RS 96.676,77, devendo ser ressaltado que há outro processo de interesse da empresa tratando, de igual forma, de PerDcomp, conforme informado pela contribuinte às fls. 170, processo administrativo de n° 11060.0002943/2003-30. Analisadas as retro mencionadas PerDcomp vinculadas a esse processo, a autoridade competente com base em diligência realizada pela fiscalização e nos outros esclarecimentos da contribuinte, bem como análise das cópias do Protocolo de Cisão, das DIPJ entregues pela empresa cindida (fls. 22 a 168), cópias das fls. do Lalur da empresa cindida, bem como folhas do Livro Diário (fis. 210 a 227) e DCTF da empresa (fis. 187 a 194), concluiu, em apertada síntese: Parecer DRF/STM/SAORT n° 127/06 e Despacho Decisório DRF/STM — fls. 235 a239 a) da decadência parcial do pedido, haja vista estar a se pleitear supostos créditos por saldos negativos de IR.PJ apurados nos anos-calendários de 1995 a 1997 em 16/12/2003, discorrido o prazo qüinqüenal; b) da impossibilidade jurídica de se pleitear a restituição/compensação de saldos de IRRF contabilizados como 'a recuperar', no Ativo Circulante, provenientes de aplicações financeiras, haja vista que a sistemática da apuração do Imposto de Renda, para as empresas regidas pela determinação do lucro real anual, exige que os valores relativos ao IRRF integrem os cálculos ou no imposto apurado mensalmente, ou no ajuste anual, fazendo o parecerista um oportuno histórico sobre o tratamento tributário do imposto de renda retido pelas fontes sobre aplicações financeiras, desde 1992, e quanto as compensações do saldo negativo de 1RPJ com os saldos a pagar do próprio IRPJ; d 3 Processo n° 11060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão e° 1801-00.002 Fl. 4 c) aceitar que os saldos de IRRF fossem mantidos indefinidamente na contabilidade, a recuperar, para quando a empresa bem entendesse solicitar a sua restituição também frustraria a contagem do tempo decadencial, fazendo inócua a norma tributária a respeito; • d) na verdade material a contribuinte está é a requerer a restituição dos saldos de imposto de renda na fonte assinalados na contabilidade da empresa cindida; e) pelas razões acima despendidas é que o próprio programa PerDcomp não pode ser alimentado pela requerente, já que possui travas em consonância com a legislação vigente; O os créditos de IRRF não são passíveis de restituição, conforme explanado, e nem sequer são líquidos e certos; g) sendo tais razões suficientes para a não homologação do pedido, nem se adentrará no fato de os referidos saldos de IRRF a recuperar terem sido transferidos por ato de cisão cujas circunstâncias não foram apreciadas, nem se verificaram os valores pleiteados, a efetividade das retenções alegadas, natureza dessas etc. Destarte, a contribuinte foi cientificada do despacho decisório denegatório e instada a recolher o valor dos débitos confessados nas PerDcomp em questão, os quais perfazem o montante de R$ 140.940,77, mais acréscimos moratórios. li-resignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade às fls. 248 a 255, não acatando a decisão fundamentada na ausência de previsão legal para a restituição de IRRF, por se tratar de antecipação de IRPJ só admitida sua dedução nos saldos mensais ou anual do próprio IRPJ, e, também por não entender que seu direito está fulminado pela decadência. Esclarece que não computou os valores relativos às retenções de imposto sofridas na apuração do IRPJ dos anos-calendários em questão porque não a empresa cindida não apurou lucro a ser tributado. Entende que "...não tendo ocorrido nos exercícios posteriores apuração de lucro, não se materializou a hipótese de aproveitamento do IRRF recolhido antecipadamente..." Cita dois acórdãos, sendo um flagrantemente em contrário à sua defesa, pois referente à decisão da Segunda Câmara que negou provimento ao Recurso voluntário interposto pelo fato de a contribuinte não ter comprovado que o IRRF "...objeto de compensação com o IRPJ, e assim, passível de restituição quando estas receitas tenham sido oferecidas à tributação..." Outro relativo à possibilidade de se computar na declaração entregue pela contribuinte os valores, ano a ano, nos saldos de IRPJ, dos impostos retidos pelas fontes, desde que comprovado que os rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação. Alerta, ainda, para o fato de haver declarado débitos em duplicidade, sendo que o valor correto do total é de R$ 69.622,11, solicitando a revisão dos valores tidos como confessados nas PerDcomp entregues, em formulário ou eletronicamente, caso não homologada a compensação pleiteada. 4 Processo n° I I 060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.002 Fl. 5 Às fls. 272 a 280, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria/RS exarou o Acórdão n° 18-6.710/07 indeferindo a manifestação de inconformidade e não homologando as PerDcomp. Assim pode-se resumir o voto adotado no referido julgado. Preliminar de Prescrição Mesmo que se considere o Imposto de Renda Retido na Fonte como saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, o que não é o caso, como se verá adiante, o direito de o contribuinte utilizar o crédito pleiteado já havia prescrito quando da protocolização da Declaração de Compensação em 16/12/2003. Como regra geral, pelo ditame dos artigos 165, L e 168, I, do CTN, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação total ou parcial de tributo ou contribuição pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. 11-1 MÉRITO As normas que regem os rendimentos de aplicaçõis financeiras determinam que os rendimentos devem integrar o lucro real e que o IRRF seja compensado com o imposto apurado na declaração do IRPJ, conforme se infere do art. 76, inc. L da Lei e 8.981, de 1995, que assim dispõe: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I - deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; • •• ,sç 2" Os rendimentos de aplicações de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1" de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. A legislação tributária não contempla a hipótese de diferimento do IRRF sem que este transite pelo ajuste anual, como não admite que a retenção seja mantida no ativo indefinidamente até que eventualmente seja compensado com o imposto a pagar, por ser contra a sistemática inerente à tributação pelo Lucro Real, que exige que todos os fatos juridicamente relevantes integrem de forma positiva ou negativa a apuração do resultado do ano- calendário. Processo n° 11060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.002 Fl. 6 Logo, o IRRF torna-se aproveitável apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, caso sua retenção não seja exclusiva de fonte, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Por ser considerado como antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser restituído ou compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento de cada período de apuração. É no encerramento do período de apuração que o imposto retido na fonte se transmuda para imposto de renda pessoa jurídica, se transformando em saldo negativo caso não seja apurado imposto suficiente para a sua compensação. A alternativa de restituição sempre existiu para o contribuinte, apenas não foi exercido tal direito dentro do prazo legal. Portanto, a pretensão do contribuinte não pode prosperar. Primeiro, porque, em relação aos anos-calendário de 1995 a 1997, mesmo que se considere o IRRF como saldo negativo de IRPJ, o direito de o contribuinte pleitear a restituição já havia sido alcançado pela prescrição. Segundo, porque não foram apurados saldos negativos de IRPJ nas Declarações de Informações Económico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) nos anos-calendário de 1995 a 1998 e não foi comprovado que as receitas decorrentes das aplicações financeiras tenham integrado os resultados dos respectivos anos-calendário. [..1 Tempestivamente, a empresa recorreu a esse colegiado — fls. 285 a 294, reprisando exatamente a mesma argumentação trazida na peça de defesa inicial, citando, inclusive, os já citados acórdãos, e aduzindo que: a) o único caminho a recuperar os valores retidos era a geração de lucros e futuros débitos de impostos o que não ocorreu; b) nas declarações de renda apresentadas ao fisco os valores retidos pelas fontes estavam informados o que se traduz em literal enunciação de um direito de crédito diante do fisco, não podendo se dizer que a empresa ficou passiva em reclamar seu direito; c) a possibilidade de compensar o IRRF só foi autorizada pelo Ato Declaratório SRF n° 3/93; a retenção na fonte não pode se constituir em forma a penalizar as empresas que não tenham resultados; (d) 6 Processo n° 11060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.002 Fl. 7 d) enquanto não houve suporte fático para a contribuinte deduzir os valores relativos ao IRRF recolhido não há como se falar em decadência do direito; e) a empresa não foi autuada pelo que não se pode questionar os valores do imposto de renda retido na fonte pleiteado; D requer, por fim, a homologação das PerDcomp e, alternativamente, seja recalculado o valor dos débitos inseridos em duplicidade nas mesmas em caso de não homologadas. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. 7 Processo n° 11060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão rt° 1801-00.002 EL 8 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, e passo a analisa- lo estando o direito creditário objeto do presente litígio administrativo —R$ 96.676,77 — dentro do limite de alçada para apreciação por essa Turma Especial, de acordo com o definido no inciso Ido artigo 2° da Portaria MF n° 92/08. Preliminarmente, embora ainda não abordado nesse processo até o presente momento, suscito o fato da cisão formalizada mediante os documentos apresentados pela contribuinte às fls. 12 a 19, cujo registro na Junta Comercial do Rio Grande do Sul — JUCERGS ocorreu em 17 de junho de 2003, por ferir, flagrantemente, norma que veda a transferência de créditos tributários entre terceiros, ainda que em se tratando de empresas coligadas. Resta evidenciado, de forma inequívoca, que a cisão parcial realizada teve como objetivo precipuo, senão único, o de transferir créditos tributários à ora recorrente. Ocorre que já se encontrava em vigor a vedação normativa de cessão de créditos para terceiros, o que faz o nexo causal entre o ato de cisão e a transferência dos créditos, ouso dizer, de forma totalmente simulada, juridicamente tratando. Em abril de 2000, foi editada a Instrução Normativa SRF n°41, vedando a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, transcreva-se: Art. lo É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. O Protocolo de Cisão operada entre empresas coligadas nos noticia que o objeto da cisão é a incorporação, pela recorrente, de parcela patrimonial composta dos seguintes direitos: IRRF a compensar e CSLL a compensar, no valor de RS 131.000,00, em troca de cotas da empresa beneficiada pela cisão em mesmo valor. O ato de incorporação e protocolo e justificação de cisão parcial são cristalinos no que respeita à verdadeira intenção das empresas, não tendo em si nenhum outro interesse negociai que justificasse a operação de cisão, além do aspecto fiscal. Entendo, pois, que houve uma manobra por parte das empresas para burlar a vedação da transferência de créditos entre terceiros. Todavia, a simulação jurídica embora revestida de todas as formalidades extrínsecas do ato não pode surtir efeitos contra a legislação tributária, que se vincula aos fatos em si praticados, privilegiando a verdade material dos fatos. Já disse o insigne mestre Alberto Xavier, "Se, na verdade, o Fisco tem o poder-dever de oficiosamente investigar a verdade dos fatos com vista a determinar a sua 8 Processo n° 11060.002944/2003-84 S/-TE01 Acórdão n.° 1801-00.002 Fl. 9 eventual subsunção no tipo legal, tal investigação deve abranger a verdade em todos os seus aspectos jurídicos e factuais, notadamente o de saber se a vontade declarada corresponde à vontade real ou se existem provas de que a declaração é enganosa, artificiosa, aparente ou simulada." Em assim sendo, no campo tributário, não se admitem os efeitos produzidos pela cisão com relação à transferências dos créditos acima discriminados, entre as empresas "Planalto Turismo Ltda" e "Planalto Transportes Ltda", por flagrante violação à legislação tributária vigente à época. Todavia, respeito as decisões anteriores que não adentraram nessa matéria e fundamentaram a não homologação das PerDcomp pleiteadas, em formulário ou por via eletrônica, por outras razões tão relevantes quanto à esta, ora chamada aos autos. Ao meu ver, não merecem qualquer reparo as decisões a quo. Ora, a empresa cindida, que conforme alega e reitera a sucessora dos créditos simuladamente transferidos, ao informar os impostos retidos provenientes supostamente das , aplicações financeiras nas declarações pertinentes, computou os valores na forma devida consoante explicita a legislação tributária na apuração dos saldos de imposto de renda apurados nos ajustes anuais. Conforme se verifica pelas cópias das referidas DIPJ, relativas aos anos- calendários de 1995 a 1998, apresentadas às fls. 23 a 168, a relativa ao: ano-calendário de 1995, apresentou saldo negativo de IRPJ (fls. 150) ; ano-calendário de 1996, apresentou saldo negativo de IRPJ (fls. 123); ano-calendário de 1997, apresentou saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL (fls. 87); ano-calendário de 1998, apresentou saldo zero no ajuste anual (fls. 23) Reitera, ainda, na peça recursal: "...os valores retidos na fonte foram informados nas declarações de renda da Contribuinte, sendo que nos exercícios seguintes, nunca lhe foi possível aproveitar os valores recolhidos, uma vez que não houve apuração de lucro tributável..." Se os valores antecipados pelas fontes pagadoras compuseram os saldos negativos do IRPJ da empresa cindida não é possível que fossem transferidos na forma de IRRF a recuperar' para a empresa que absorveu a parcela da cisão, já tendo sido computados os valores, o que, inequivocamente, influenciou no resultado anual não acarretando apuração de "lucro tributável" ou imposto de renda a pagar. Esse fato, confesso, só demonstra que a empresa cindida deveria ter pleiteado a restituição dos saldos negativos de IRPJ quando o direito ainda lhe socorria, antes de fulminado pelo prazo decadencial dos cinco anos, consagrado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN. 9 Processo n°1060.002944/2003-84 SI-T E01 Acórdão n." 1801-00.002 Fl. 10 De qualquer forma, ainda que não tenha sido o fundamento das decisões a quo a malsinada simulação jurídica realizada, de nada lhes serviu. E não é admissivel que a recorrente se escore em argumentação baseada na impossibilidade em se efetuar as compensações tributárias em tempos que não são sequer objeto do litígio. Já a Instrução Normativa SRF n° 21/97 estabelecia: Art. I' Os pedidos de restituição, de ressarcimento e de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. [..1 Art. 2" Poderão ser objeto de pedido de restituição, total ou parcial, o crédito decorrente de qualquer tributo ou contribuição administrado pela SRF, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: • 1 - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; Art. 5" Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2", nos incisos I é 11 do art. 3"e no art. 4". Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados de forma anual, desde 2000, poderiam ser restituídos, conforme verifica-se a seguir, pela redação do Ato Declaratório SRF n°003/00: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4" do art. 39 da Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1" e 6" da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. io Processo n° 11060.002944/2003-84 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.002 Fl. 11 (grifos não pertencem ao original) A verdade fática nos autos é que a empresa cindida, controlada pelos mesmos sócios da recorrente, perdeu o prazo hábil consagrado no Código Tributário Nacional para requerer a restituição dos valores recolhidos a maior, ou mesmo compensá-los com débitos de terceiros, encontrando no ato jurídico simulado revestido de pretensa cisão, uma forma de tentar 'renovar' os prazos e requerer o direito já sucumbido. A jurisprudência nesse órgão colegiado é remansosa no sentido da não admissão, por incabível, de pedido de restituição de IRRF, por esse constituir antecipação do IRPJ devido a ser computado no cálculo do saldo do imposto de renda. O acórdão n° 105-14108 citado pela recorrente só lhe seria aplicável se comprovasse que as retenções de imposto de renda sofridas, em aplicações financeiras, não foram declaradas oportunamente ao fisco, não sendo informadas nas declarações de rendimentos, o que, como visto, não é o caso sob análise. E, ainda assim, complemente-se, que nesses casos excepcionais Os contribuintes devem provar o erro alegado — em não ter informado os valores retidos pelas fontes pagadoras — juntando aos autos todos os informes de rendimentos, especificando qual a natureza das retenções sofridas e vinculando-as, na escrituração contábil, aos rendimentos correlatos, provando terem sido, à época, oferecidos à tributação. Equivoca-se a recorrente ao argumentar que a empresa por não ter sido objeto de ação fiscal não se pode mais inquirir sobre a legitimidade de tais retenções sofridas, pelo simples fato de que quem alega deve provar os fatos alegados. A empresa, decaído o direito da Fazenda constituir os créditos tributários, não poderá ter contra si lançado o tributo decorrente de eventuais omissões de rendimentos, mas, obviamente, também não pode pleitear restituição de rendimento não oferecido à tributação. Se a empresa alega que possui retenções sofridas pelas fontes e que essas lhe devem ser restituídas, deve fazer prova de dois fatos, cumulativamente: 1. primeiro que as retenções de imposto de renda, efetivamente, ocorreram, haja vista a DIPJ ser mero veículo de informações prestadas ao fisco, que devem ser checadas junto à contabilidade e documentos que a lastreiam; segundo, que os rendimentos foram oferecidos à tributação, pois não se pode restituir o que não foi tributado, ou o que é isento, parece óbvio. E, sucessivamente, satisfeitas as duas condições acima, deve provar, que os valores retidos, por manifesto lapso, não foram computados na apuração do saldo de imposto de renda apurado mensalmente ou no ajuste anual. Ocorrendo hipótese diversa, a contribuinte havendo considerado as retenções sofridas na apuração do imposto mensal/anual, o que está concretizado nesse litígio, conforme ela própria reitera, só há que se falar em restituição/compensação dos saldos negativos do IRPJ e/ou base de cálculo negativa da CSLL, não mais de suposta restituição de IRRF, conforme sobejamente explicado no acórdão ora vergastado. • . • ' Processo n° 11060.00294412003-84 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.002 Fl. 12 A apresentação de mera conta contábil com saldo de IRRF a recuperar, por si só, não faz qualquer prova nos autos pertinente ao suposto direito pleiteado. E, divergindo da contribuinte, a empresa cindida poderia à época, assim que encerrasse cada exercício financeiro, pedir a restituição dos valores, consoante legislação tributária vigente já esposada no referido acórdão de primeira instância. CONCLUSÃO Desta feita, pela ausência de provas do direito e fatos alegados, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, declarando decaído o pedido de restituição dos saldos negativos apurados em 1995, 1996 e 1997, para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Determino que cópia desse acórdão seja juntado ao processo n° 11060.002943/2003-30, pela Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção. Quanto à argüição da recorrente de que há débitos confessados em duplicidade nas PerDcomp que compõem esse e o outro processo, deverá a contribuinte interpor petição junto à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão responsável pela inscrição dos débitos confessados em PerDcomp na dívida ativa da União. Sala das Sessões - DF, em 07 de maio de 2009 ANA DE BARROS FERNANDES 12 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.003810/2003-05
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício. 1999
NULIDADE DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO
JUDICIAL - INOCORRÊNCIA.
Não ocorre descumprimento de decisão judicial quando o contribuinte não demonstra a alegada concomitância de objetos entre o processo judicial e o processo administrativo, a sentença trazida aos autos se refere a dispositivo legal que trata de tributo diverso e, ainda, a ação judicial que alegadamente albergaria a conduta do contribuinte havia transitado em julgado, em seu desfavor, muito antes da autuação. Inexiste, pois, nulidade no lançamento.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE.
Demonstrada a desnecessidade de diligência para a solução da lide, o pedido deve ser rejeitado.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária.
MATÉRIA PRECLUSA
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o prindpio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o
Processo Administrativo Fiscal.
Preliminar de Nulidade Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e o pedido de diligência, não conhecer da matéria preclusa, e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida 7' TURMA / DRS SÃO PAULO-I / SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - INOCORRÊNCIA. Não ocorre descumprimento de decisão judicial quando o contribuinte não demonstra a alegada concomitância de objetos entre o processo judicial e o processo administrativo, a sentença trazida aos autos se refere a dispositivo legal que trata de tributo diverso e, ainda, a ação judicial que alegadamente albergaria a conduta do contribuinte havia transitado em julgado, em seu desfavor, muito antes da autuação. Inexiste, pois, nulidade no lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. Demonstrada a desnecessidade de diligência para a solução da lide, o pedido deve ser rejeitado. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIA PRECLUSA Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o prindpio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e o pedido de diligência, não conhecer da matéria preclusa, e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. WALDI VE16.7C 470.—HA p residente e Relator EDITADO EM: 26 ABR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni, Nelson Kiehel, Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. 2 Processo n° 19515.003810/2003-05 S /-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.179 Fl. 2 Relatório CONSTRUTORA TRIUNFO S.A., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-13.857, de 21106/2007, da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - T/ SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Valho-me, a seguir, do relatório elaborado pelo ilustre relator do processo em primeira instância, por sua concisão e clareza: Em revisão da declaração de rendimentos da empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos (fls. 8/10), foi apurado pelo agente fiscal compensação indevida de prejuízos fiscais, referente ao ano-calendário de 1998, por inobservância do limite máximo de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões admitidas pelo art. 15 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. Por essa razão, foi ajustada pelo referido agente a Declaração de Informações Econômico-Fiscais-DIIn daquele ano calendário, alterando-se o total do prejuízo compensado para o limite máximo permitido (30%), apurando-se em conseqüência crédito tributário de R$ 2.079.684,14, inclusos os acréscimos legais calculados ate 30/09/03, constituído mediante o presente Auto de Infração (fls. 13115), sob o fundamento legal dos arts. 193, 196, inc. III, 197, § único, do R11t194 e art. 15, § único, da Lei n°9.065/95. Cientificada do Auto de Infração em 24/10/03 (fls.17), a contribuinte solicita o cancelamento do mesmo mediante impugnação apresentada em 25/11/03 (fls.21/32) onde, em resumo e substância, alega: que no momento do lançamento estava amparada por liminar, confirmada por sentença nos autos do processo de Mandado de Segurança n°95.0001080-1 da VF de Cuiabá/MT, onde lhe é reconhecido o direito de proceder a compensações de prejuízos fiscais sem a trava de 30%; que a MP 812 e a Lei n° 8981/95, em que se estriba a limitação dos prejuízos, são diplomas inválidos, por inconstitucionais, ao violarem diversos princípios da CF/88 como o princípio da anterioridade, da irretroatividade e da legalidade, bem como questões de hierarquia de normas. A r Turma da DRJ em São Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-13.857, de 21/06/2007 (fls. 80/84), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica —IRPJ Ano-calendário: 1998 LUCRO REAL. COMPENSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. 3 Por relevante, esclareço que a Autoridade Julgadora, em primeira instância, não considerou a concomitância de objetos entre a ação judicial referida pela então impugnante e o presente auto de infração, conforme se depreende do seguinte excerto do voto condutor do acórdão: Argúi a contribuinte existir o Mandado de Segurança autuado sob o n° 95.0001080-1 (Recurso de Apelação autuado sob o n° 96.01.06132-0) postulando a inconstitucionalidade dos limites impostos pelos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981/1995, em relação à compensação de prejuízos fiscais acumulados, conforme se depreenderia da leitura da cópia da decisão judicial (fis.68/70) exarada no curso das ações judiciais identificadas. Ocorre que, remanescendo dúvidas sobre a concomitância dos objetos do processo judicial e do administrativo, a contribuinte foi intimada a apresentar cópia da petição inicial e da certidão de objeto e pé da ação judicial (fis.76), não tendo a mesma atendido à solicitação, razão pela qual, por não ser possível aferir-se a concomitância, procederei à análise do mérito [...]. Ciente da decisão de primeira instância em 28/09/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 92, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/10/2007 conforme carimbo de recepção à folha 95. No recurso interposto (fls. 97/106), alega preliminarmente a existência de decisão judicial prévia que deve ser respeitada. Afirma que teria sido apresentada nestes autos sentença judicial vigente durante o ano de 1998 e até abril de 1999, quando foi reformada. Essa sentença garantiria seu direito de compensar prejuízos fiscais sem quaisquer limitações. Além disto, ainda que não apresentada a inicial do mandamus, o relatório da sentença apresentada indicaria, claramente, os motivos que levaram a recorrente a demandar em juízo, deixando também claros os direitos assegurados ao contribuinte. Ainda que assim não fosse, lembra que a Fazenda Nacional é parte do processo, tendo preparado e interposto o recurso de apelação que, afinal, reformou a decisão monocrática. Assim, não poderia alegar desconhecimento em processo de que é parte. Pede, então, a anulação do auto de infração, por descumprir direito garantido judicialmente à recorrente, ou, alternativamente, a determinação de diligência para que sejam indicados "quais os eventuais prejuízos posteriores ao ano-calendário de 1995 que a recorrente teria eventualmente utilizado em compensação além do limite legal". No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Insiste na tese já trazida em sede de impugnação, de que a Medida Provisória n° 812/1994 e a Lei n° 8.981/1995, em que se estriba a limitação dos prejuízos, seriam diplomas inválidos, por inconstitucionais, ao violarem diversos princípios da CF/88 como o princípio da anterioridade, da irretroatividade e da legalidade, bem como questões de hierarquia de normas. Sustenta que o autuante não teia exaurido sua função investigativa e fiscalizante, lançando de oficio tributos que julgava devidos e deixando de considerar todos os tributos recolhidos nos anos-calendário seguintes, de 2000 até o momento da autuação. Se o tivesse feito, constataria a mera postergação no recolhimento. Assim também por este motivo revelar-se-ia insubsistente a autuação. Invoca a aplicação das disposições do Parecer 4 Processo n°19515.003810/2003-05 S1-C3T1 Acórdão n.°1301-00.179 Fl. 3 Normativo COSIT n° 02/96, e transcreve as ementas do Acórdão CSRF n° 01.04375 e do Acórdão n° 108-08.395. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente insiste na existência de decisão judicial prévia, a qual deve ser respeitada, acerca da mesma matéria que conduziu à autuação, ou seja, a limitação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais anteriores, introduzida pela Medida Provisória n° 812/1994, posteriormente convertida na Lei n° 8.981/1995. O descumprimento dessa decisão levaria, por sua ótica, à nulidade do lançamento. Conforme visto no relatório que antecede a este voto, a autoridade julgadora em primeira instância considerou os elementos acostados aos autos insuficientes para formar seu juizo sobre a concomitância ou não entre os objetos da ação judicial e do presente processo administrativo. Compulsando os autos, encontro, às fls. 68/70, cópia de sentença proferida em 25/07/1995 pelo Juízo da T Vara de Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso, nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0001080-1. A leitura do relatório daquela peça processual deixa claro, logo em seu primeiro parágrafo, o objeto da ação: "[..1 para que a Impetrante possa efetuar o recolhimento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ na forma da legislação anterior, Lei n°8.541 de 23/12/92, e não consoante o disposto na Lei n°8.981 de 20/01/95, bem como lhe seja permitido compensar, sem limitações, os valores recolhidos a maior, para o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro — CSL". O relatório noticia, à fl. 69, a anterior concessão de liminar "para que a compensação dos prejuízos da requerente não leve em consideração o disposto no art. 58 daquela MP" e, ao final, concede parcialmente a segurança, "para que a Impetrante possa efetuar, sem a limitação imposta pelo art. 58 da Lei n° 8.981/95, a compenSação dos prejuízos . fiscais relativos a período-base anteriores, observando-se a lei vigente à época da ocorrência dos mesmos". Transcrevo, a seguir, o mencionado art. 58 da Lei n° 8.981/1995: "Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos-base anteriores em, no máximo, trinta por cento. Fica evidenciada a dúvida da autoridade julgadora em primeira instância sobre a concomitância ou não entre o objeto da ação judicial e do presente processo. O art. 58, acima, trata tão somente da CSLL enquanto o presente lançamento é de IREI. A sentença de fls. 68/70 não deixa claro se o mandado de segurança impetrado questiona especificamente a <- limitação na utilização de prejuízos fiscais anteriores para fins de determinação do lucro real, de que trata o art. 42 da Lei n°8.981/1995. Intimada (fl. 77) a apresentar cópias de outras peças processuais que pudessem esclarecer a dúvida suscitada, entre as quais certidão de inteiro teor, petição inicial, sentenças e recursos, a interessada não se manifestou. Encontro, ainda, às fls. 74/75, consulta processual efetuada no sitio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1 a Região, que dá conta de ter sido interposta apelação (n° 96.01.06132-0) pela Fazenda Nacional, no mandado de segurança de que aqui se cuida. Conquanto a descrição dos eventos processuais seja bastante sucinta, é possível verificar que, em 30/06/1998, "A Turma, à unanimidade, deu provimento à apelação 11..1" e que, em 05/04/1999 ocorreu o trânsito em julgado do acórdão. A conclusão a que chego, após o exame acima empreendido, é de que: Há fundadas dúvidas sobre o alcance da ação judicial interposta, peio que caberia à interessada trazer aos autos documentos capazes de demonstrar o que alega, ou seja, a concomitância de objeto entre a ação judicial e os fatos que motivaram a presente autuação. A segurança parcial, concedida mediante a sentença proferida em 25/07/995, não alcança a limitação à compensação de prejuízos fiscais de que trata o art. 42 da Lei n° 8.981/1995. Independentemente do acima exposto, por ocasião da autuação, em 24/10/2003 (fl. 17), a interessada há muito não dispunha de qualquer liminar ou sentença que a protegesse, já tendo a ação transitado em julgado em seu desfavor. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por descumprimento de decisão judicial. O pedido alternativo, de determinação de diligência para que sejam indicados "quais os eventuais prejuízos posteriores ao ano-calendário de 1995 que a recorrente teria eventualmente utilizado em compensação além do limite legal" também não merece acolhida. A limitação legal não faz distinção entre prejuízos fiscais anteriores ou posteriores ao ano-calendário 1995, aplicando-se a todos a limitação de 30% para compensação com o lucro líquido ajustado, na determinação do lucro real. É o que dispõem o art. 42 da Lei n°8.981/995 e o art. 15 da Lei n° 9.065/1995, a seguir transcritos. Lei n° 8.981/1995 - Art. 42. A partir de 1' de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejulios fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anos-calendário subseqüentes. Lei n°9.065/1995 - Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro liquido ajustado pelas Processo n° 19515.003810/2003-05 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.179 Fl. 4 adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Assim, por considerar a diligência desnecessária à solução da lide, indefiro o pedido. No mérito, a recorrente insiste na tese já trazida em sede de impugnação, de que a Medida Provisória n° 812/1994 e a Lei n° 8.981/1995, em que se estriba a limitação dos prejuízos, seriam diplomas inválidos, por inconstitucionais, ao violarem diversos princípios da CF/88 como o principio da anterioridade, da irretroatividade e da legalidade, bem como questões de hierarquia de normas. A matéria já foi adequadamente enfrentada pela instância a quo, em decisão à qual não faço reparos. Na esfera administrativa, prevalece a presunção de constitucionalidade das leis, devendo ser mencionado o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (DOU de 23/06/2009): "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CÁRF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1- que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, trago à colação a súmula n° 2 1 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, substituído funcionalmente por OBS.: As Súmulas 1° CC / a 15 foram publicadas no DOU, Seção 1, dos dias 26,27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 2S/07/2006. 7 este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A seguir, a recorrente alega que teria ocorrido mera postergação no recolhimento do imposto. Por insuficiência investigativa, a fiscalização teria deixado de considerar todos os tributos recolhidos nos anos-calendário seguintes, de 2000 até o momento da autuação, o que levaria à insubsistência da autuação. No que tange a essas considerações, cabe observar que a recorrente traz, em sede de recurso, contestação em relação a matérias que não foram objeto de impugnação. Com efeito, por ocasião da apresentação da referida peça (impugnação) a recorrente, em nenhum momento, aduziu quaisquer argumentos sobre algum dos pontos acima mencionados. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n" 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada, tornando-se preclusa. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e o pedido de diligência, não conhecer da matéria preclusa, por não questionada na fase impugnatória e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto. WALDIR VEIG OCHA - Relator
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Numero do processo: 11543.001442/00-16
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007.
A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação.
SIMPLES EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA - Não comprovado o exercício de atividade impeditiva, mantém-se a inscrição no regime simplificado.
Numero da decisão: 9101-001.376
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : SIMPLES ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. SIMPLES EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA - Não comprovado o exercício de atividade impeditiva, mantém-se a inscrição no regime simplificado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.001442/0016 Recurso nº 331.108 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.376 – 1ª Turma Sessão de 04 de junho de 2012 Matéria EXCLUSÂO DO SIMPLES Recorrente Fazenda Nacional Interessado Jatfibra Jateamento e Artefatos de Fibra Ltda ME SIMPLES ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE VEDADA Não comprovado o exercício de atividade impeditiva, mantémse a inscrição no regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001442/0016 Acórdão n.º 9101001.376 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório A Fazenda Nacional interpõe recurso especial contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 30134578, mediante a qual a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso interposto por Jatfibra Jateamento e Artefatos de Fibras Ltda., e cancelou sua exclusão do SIMPLES, que havia sido confirmada pela DRJ no Rio de Janeiro. O Acórdão combatido ostenta a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADES DE ENGENHARIA LEI COMPLEMENTAR 123/2006. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § 1°, inciso XIII, da LC 123/2006. Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea "b", do Código Tributário Nacional. SIMPLES. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA. JULGAMENTOS PENDENTES. EFEITOS. A lei nova tem repercussão pretérita aos casos pendentes de julgamento, por força do caráter interpretativo da norma jurídica impeditiva anterior, revogada pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem à regra do artigo 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Recorrente alega dissídio jurisprudencial quanto à matéria “retroatividade da Lei Complementar 123/2006”, indicando vários paradigmas, dos quais apenas os dois primeiros foram tomados para análise da admissibilidade, como autoriza o Regimento. Os paradigmas analisados são os seguintes: Acórdão 30236070: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não Poderia optar pelo Simples a pessoa jurídica que, até 31/05/2003, prestava serviços assemelhados aos de representação comercial (art. 9°, inciso XIII, da Lei n°9 9.317/96, e art. 1°, inciso IV, da Lei n° 10.034/2000, com a redação dada pelo art . 24 da Lei n° 10.684/2003, publicada em 31/05/2003). NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 Acórdão n° 30335325 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Legislação Superveniente. Inclusão Retroativa. Impossibilidade. A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso, por tempestivo e comprovado o dissídio jurisprudencial. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001442/0016 Acórdão n.º 9101001.376 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial de divergência não tem por escopo a reavaliação de provas, mas tão somente e uniformização da jurisprudência. No caso posto a exame, o contribuinte contestou sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, cuja motivação, expressa no Ato Declaratório, foi “exercício de atividades vedadas à opção pela sistemática tributária em questão, no caso, de engenheiro ou assemelhados”. As atividades constantes do contrato social do contribuinte são “fabricação de peças em fibra de vidro”, “fabricação de artefatos de concreto e cimento”, “preparação de superfícies através de jateamento”; “serviços de manutenção mecânica, elétrica e instrumentação”, e “serviços de montagem e reparos de materiais em fibra de vidro”. A DRJ manteve a exclusão do Simples sob o argumento de que "as atividades de Serviços de Manutenção Mecânica, Elétrica e Instrumentação (CNAE 74.993) e Serviços de Montagem e Reparos de Materiais em Fibra de Vidro (CNAE 74.993), são atividades típicas de engenheiro e de técnicos nas devidas especialidades". Ao iniciar o julgamento do recurso voluntário interposto, a 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por não encontrar nos autos elementos que permitissem identificar precisamente quais os serviços prestados pela contribuinte, de maneira a aferir sua complexidade, converteu o julgamento em diligência para o fim de verificar a real atividade da empresa. O relatório da diligência apresentou a seguinte conclusão: "Diante do exposto, entendemos que a empresa, embora discrimine em seu contrato social atividades que não permitem sua inclusão e permanência no simples, s.m.j., a realização dessas operações, não entendemos devidamente comprovadas.” A partir do resultado da diligência, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho deu provimento ao recurso do contribuinte nos termos do voto da Relatora, que assim se exprimiu: “Diante de tal constatação, depreendese que, na verdade, não restou devidamente comprovado que o recorrente exerce atividades que são vedadas ao Simples. Se houvesse comprovação nos autos que o recorrente exerce atividade de engenharia, essa vedação estaria conforme entendimento exarado no Ato Declaratório Executivo (fl.109), ou seja, tratavase de atividade assemelhada à prestação de serviços de engenheiro (art. 9°, inciso XIII da Lei 9.317/96). Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 6 Ocorre que o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, mudou e transformouse no SIMPLES NACIONAL, com o advento da Lei Complementar n° 123/96, que trouxe novas possibilidades em matéria de atividades que podem optar pelo SIMPLES NACIONAL. Dessa forma, a atividade de "construção de imóveis e obras de engenharia em geral" deixou de ser vedada ao SIMPLES, na forma do artigo 17 parágrafo 10 inciso XIII. Além disso, no parágrafo 2° do mesmo artigo 17, há disposição no sentido de que qualquer outra atividade poderá optar pelo SIMPLES NACIONAL, ou seja, as microempresas ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no artigo 17 e desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas na Lei Complementar 123, poderá optar pelo SIMPLES NACIONAL. Assim, não obstante as razões de recurso e os fundamentos da decisão de primeira instância recorrida, ainda que houvesse a comprovação de a atividade exercida era de engenharia, o serviço prestado pela Recorrente dentro da exegese do novo manto legal, vale dizer, LC 123 de 14/12/2006 com a redação dada pela LC 127/07, não está vedada a opção pelo SIMPLES NACIONAL. Contudo, impõese ao caso a retroatividade da lei superveniente acima citada, como atividade econômica beneficiada pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada, fato com repercussão pretérita por força do princípio da retroatividade benigna previsto no Código Tributário Nacional. Diante do exposto, e considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, "b" do Código Tributário Nacional, DOU PROVIMENTO ao recurso, mantendo a recorrente no Simples”. Quanto à divergência apontada, qual seja, retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, entendo assistir razão à Fazenda Nacional, sendo equivocada a interpretação adotada pela Câmara recorrida. O regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar 123/2006, entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispôs seu art. 88, data em que ficou revogada a Lei nº 9.317/96, conforme art. 89. O inciso II do art. 106 do CTN trata da retroatividade benigna de disposição legal em matéria de infrações, e o dispositivo legal cuja aplicação a decisão fez retroagir não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. Uma vez que a norma do art. 17 da Lei Complementar 123/2006 não se enquadra em qualquer das hipóteses previstas no art. 106 do CTN, não se presta, ela, para permitir a manutenção da interessada no SIMPLES antes de 1º de julho de 2007. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001442/0016 Acórdão n.º 9101001.376 CSRFT1 Fl. 4 7 Sobre o tema (retroatividade de dispositivo mais benéfico) vale transcrever o voto do relator, Ministro Castro Meira, no RESP 722.307, Segunda Turma, trazido a lume pela ilustre representante da Fazenda Nacional: "É cediço que, em regra, aplicase o princípio da irretroatividade das leis ao Direito Tributário. O art. 106 do Código Tributário Nacional traz as hipóteses excepcionais em que a lei tributária poderá ser aplicada a ato ou fato pretérito, consoante se constata de seu teor, a seguir transcrito: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Da leitura de seus incisos, não verifico a possibilidade de retroação da lei pela mera existência de regra mais benéfica ao contribuinte. O primeiro inciso restringese à lei expressamente interpretativa, o que não é o caso. Já o segundo inciso subdividido em alíneas, estabelece quando a lei pode retrooperar para atingir atos não definitivamente julgados. A hipótese dos autos não se enquadra em qualquer das alíneas desse último inciso. O art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, vigente no momento em que a recorrida passou a ser optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, tem a seguinte redação: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)". Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 8 Portanto, as empresas que prestassem serviços profissionais educacionais eram atingidas pela vedação imposta. Não se cuida aqui de infração ou penalidade, devendo ser afastadas, de pronto, as letras "a" e "c" do art. 106 do Código Tributário Nacional. Poderseia entender pela incidência, na espécie, do previsto na letra "b" do artigo em alusão. Ocorre que a simples leitura da parte final de tal alínea impossibilita essa conclusão, pois o fato de o recorrido ter optado pelo SIMPLES quando não era permitido certamente importou em falta de pagamento de tributo, na forma como era devido à época. O recorrido foi excluído da restrição constante da Lei nº 9.317/96 apenas com o advento da Lei nº 10.034/00, cujo art. º preceitua: "Art. 1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 92 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades:, .. creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental". Cumpre registrar, unicamente a título de informação, que o dispositivo mencionado foi alterado pela Lei nº 10.684/03, passando a viger nos moldes abaixo: "Art.1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I — creches e préescolas; II— estabelecimentos de ensino fundamental; III — centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV — agências lotéricas; V — agências terceirizadas de correios; VI—vetado VII—vetado" Assim, o aresto hostilizado merece reparos, uma vez que, somente a partir da vigência da Lei nº 10.034/00, o recorrido teve o direito de optar pelo SIMPLES, não podendo retroagir a norma em comento para alcançar atos ou fatos pretéritos." Contudo, a Câmara assentou que não restou comprovado nos autos que a empresa exercia atividade impeditiva, e a aplicação retroativa da Lei Complementar deuse a título de reforço de fundamentação, como se verifica no seguinte excerto do voto condutor: “ (...) ainda que houvesse a comprovação de a atividade exercida era de engenharia, o serviço prestado pela Recorrente dentro da exegese do novo manto legal, vale dizer, LC 123 de 14/12/2006 com a redação dada pela LC 127/07, não está vedada a opção pelo SIMPLES NACIONAL.”. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001442/0016 Acórdão n.º 9101001.376 CSRFT1 Fl. 5 9 No seu recurso, argumenta a douta PFN: “Inobstante a Douta Relatora do acórdão hostilizado tenha entendido que "não restou devidamente comprovado que o recorrente exerce atividades que são vedadas ao Simples", tem se que, permissa venia, não assiste razão à Il. Conselheira e a seus pares que acompanharam seu posicionamento. Com efeito, a decisão recorrida não encontra ressonância nas provas acostadas aos autos, tampouco foi proferida nos termos da legislação de regência.” Contudo, essas considerações não podem ser levadas em conta, eis que se não se trata de recurso especial contra de decisão não unânime, fundada em contrariedade à lei ou à prova dos autos. Nesse passo, só se abre oportunidade a esta Câmara Superior para decidir sobre a divergência jurisprudencial. Por todo o exposto, entendo correto o entendimento da D. Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de que, a alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de art. 17 da Lei Complementar 123, de 2006, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. Por outro lado, ratifico a decisão recorrida, no que se refere à manutenção da empresa no SIMPLES, por não ter restado comprovado o exercício de atividades impeditivas. Isto posto, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 04 04 de junho de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005403/2003-34
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
0 direito do contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1801-000.039
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, não reconhecer o direito creditório, por decadência do pedido; vencida a Conselheira Cheryl Berno, por adotar a tese dos dez anos (cinco + cinco) para pleitear a compensação/restituição de tributos.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11610.005403/2003-34 Recurso n° 162.404 Voluntário Acórdão n° 1801-00.039 — la Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria Per/Dcomp Recorrente PLAYCENTER S/A Recorrida QUARTA TURMA DE JULGAMENTO DA DRF EM FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito do contribuinte em pleitear o indébito tributário decai no prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, não reconhecer o direito creditório, por decadência do pedido; vencida a Conselheira Cheryl Bemo, por adotar a tese dos dez anos (cinco + cinco) para pleitear a compensação/restituição de tributos. P-> ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora Participaram da presente sessão, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes (relatora), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Marcelo Cuba Netto, Marcos Antonio Pires, Cheryl Bemo, Rogério Garcia Peres. Processo n° 1 1610.005403/2003-34 SI-TE01 Acórd5o n.' 1801-00.039 Fl. 2 Relatório A empresa em epígrafe protocolizou, em 16 de abril de 2003, Pedido de Restituição dos saldos negativos de IRPJ apurados nas DIRPJ/97 pelas empresas Playcenter S/A — atual CDMA Participações S/A - (fls. 03 a 26), RMG Campo Grande Participações Empreend. e Diversões Ltda (fls. 40 a 60) e RMG Participações e Empreendimentos Ltda, alegando serem as duas últimas empresas referidas incorporadas pela primeira — Playcenter S/A, posteriormente denominada "CDMA" , conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária e Protocolo de Cisão registrados na Jucesp em 02/07/97. Pela pesquisa de empresas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas — CNPJ, observou-se que consta registrado apenas a incorporação da empresa RMG Participações Empreendimentos e Diversões Ltda, sendo que sobre a outra empresa, RMG Participações e Empreendimentos, consta informação nos cadastros que foi extinta por liquidação voluntária — pesquisas as fls. 108 a 111. Ao apreciar o Pedido de Restituição de E. 01, a autoridade competente exarou o Despacho Decisório de fls. 115 a 118, indeferindo o pleito da empresa pela razão de que o prazo para repetição do indébito tributário é de cinco anos a contar, na hipótese de apuração anual, a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração e, na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. No caso, a empresa entregou as DIRPJ e apurou os referidos saldos negativos de IRPJ nas datas em que ocorreram: a cisão parcial (Playcenter) em agosto de 1997— fls. 112; a incorporação da empresa RMG Particips. Empreends. e Diversões Ltda, em março de 1997 — Es. 113 e, no que se refere a outra empresa, RMG Campo Grande Parts. Empreeds. e Diversões Ltda. Consta nos sistemas que entregou DIRPJ referente a cisão em março de 1997 e posterior incorporação em abril de 1997 — fls. 114. Todavia, ressaltou a autoridade fiscal que nos sistemas de controle do CNPJ da Secretaria da Receita Federal (atual RFB) não consta a cisão/incorporação dessa última empresa — "RMG Campo Grande", mas sim que houve encerramento por liquidação voluntária. Observe-se, ainda, que consta cópia da DIRPJ relativa A. referida cisão registrada nos sistemas, mas não da posterior incorporação, em abril de 1997. Não foi juntada ao processo cópia da DIRPJ da empresa "RMG". Não houve qualquer diligência para instruir o processo ou apurar os fatos, porque, a autoridade competente, em preliminar, considerou que, tratando-se todos os períodos como ocorridos no decorrer do ano de 1997, ao protocolizar o Pedido de E. 01, em 16 de abril de 2003, o direito da contribuinte já se encontrava decaído, visto que discorreram mais de cinco anos das situações nas quais constataram-se os saldos negativos de IRPJ. Destarte, o direito da contribuinte foi declarado decaído e indeferido o pedido de restituição objeto deste processo administrativo fiscal. Inconformada, às fls. 120 a 135, a empresa CDMA Participações S/A (ex- Playcenter S/A) apresentou a manifestação de inconformidade corn o indeferimento, Processo n 0 11610.005403/2003-34 SI-TE01 Acórdão 6. 0 1801-00.039 Fl. 3 defendendo que o prazo para exercer o direito á. repetição do indébito tributário 6. de dez anos, ou seja, adotando a tese defendida pelo STJ dos cinco + cinco anos, ao tratar-se de tributo cujo lançamento é realizado por homologação. Ao analisar o litígio, a Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis exarou o Acórdão n" 07-10.486/07, acompanhando a decisão da autoridade a quo entendendo, de igual forma, que o prazo decadencial para o exercício do direito é aquele preceituado no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN, conforme disposição literal do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 e, ainda, acatando o posicionamento firmado para a Administração Tributária espelhado nos Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional n"s 550/99, 1538/99 que fundamentaram o Ato Declaratório SRF IV 96/99, todos nesse sentido. Extraio trechos do referido acórdão de primeira instância: De tal sorte, como se percebe, no âmbito administrativo já lido ha possibilidade de dissensões quanto ao assunto. De se dizer que não desconhece este juizo administrativo a existência de algumas teses, veiculadas atualmente na doutrina e jurisprudência, defendendo, por diferenciados fundamentos, o alargamento do prazo para o pedido de restituição previsto de . forma literal no CTN; exemplos destas teses é aquela defendida pela contribuinte, qual seja a que pugna pelo inicio da contagem cio prazo do inciso I do artigo 168 cio CTN apenas depois da homologação tácita dO lançamento operada pelo transcurso dos cinco anos previstos no parágrafo 4." do artigo 150 do mesmo diploma legal — o que elevaria o prazo total para dez anos (cinco + cinco). Tal tese, como outras que se poderia aqui alinhal; tent merecido defesas de peso; entretanto, independentemente desta e de todas as demais inteipretações que se queira trazer discussão, verdade é que o Secretário da Receita Federal já . firmou, de modo expresso - e coin base, em especial, no retrocitado Parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional -, o entendimento a ser administrativamente adotado. aqui inacolhivel, portanto, a tese apresentada pela contribuinte, o que resulta no indeferimento de seu pedido de restituição, dado que seu pleito, formulado em 16/04/2003, busca repetir valores de estimativas que, já em 1997, haveriam se mostrado em montante maior que o do tributo devido. A empresa, in-esignada, apresentou Recurso Voluntário ao acórdão proferido, fls. 143 a 158, tempestivamente. Repete os termos de sua defesa inicial, propugnando para que seja admitida a tese esposada pelo Superior Tribunal de Justiça, no que se refere ao prazo decenal para a repetição do indébito tributário. E o relatório. Passo a analisar as razões recursais. 3 Processo n° 11610.005403/2003-34 SI-TE01 Acórdao n.° 1801-00.039 Fl. 4 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. A discussão do litígio centraliza-se na questão de poder ou não a contribuinte pleitear a restituição dos saldos negativos de IRPJ, apurados no decorrer do ano de 1997, por ocasião de atos de cisão das empresas, discorridos mais de cinco anos desses eventos, estando dentro do prazo de dez anos que firmou tese julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça. Trata-se, pois, de questão preliminar a ser debatida. Curvo-me, no que respeita essa matéria, à con -ente majoritária desse colegiado, senão já pacificada, muito bem espelhada no voto vencedor da i. conselheira Sandra M Faroni, proferido no Acórdão 101-96.505, que ora transcrevo parcialmente: A questão posta a este Colegiado se centra na determinação do termo inicial para a contagem do prazo de extinção do direito de pleitear a restituição de indébito tributário, O Código Tributário Nacional assim trata desse direito creditório: Art. 165. 0 sujeito passivo tent direito, independentemente de prévio protesto, (.1 restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,sç 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido uni face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materials cio fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se C0771 o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados.. I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Como se vê, como regra geral, em casos de pagamento indevido ou a maior, o direito de pleitear a restituição se extingue com o prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito. EM se tratando de tributos sujeitos ã modalidade de lançamento por homologação, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo extingue o crédito sob condição resolutória o que significa dizer que, .feito o pagamento, os efeitos da extinção do crédito se 4 Processo n° 11610.005403/2003-34 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.039 Fl. 5 operam desde logo, estando sujeitos a serem resolvidos se não homologado o procedimento do contribuinte, expressa ou tacitamente. Não se desconhecem as manifestações do STJ no sentido de que, t10. S casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos é a data en' que se considera homologado o lançamento (tese dos "cinco mais cinco" que predomina no STJ). Essa tese, todavia, peca pela falha de dar ã condição resolutória efeitos de condição suspensiva, elevando o prazo pam até 10 anos. A correta intopretação para ct contagem do prazo para pleitear a restituição, a meu ver, é aquela que vem sendo dada pelo Conselho de Contribuintes, traduzida na ementa do Acórdão n" 108-05.791, de 13 de julho de 1999: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN - O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o inicio de sua contagem em razão da .forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral cio sujeito passivo, calcado em situação .fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva c/a controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas C0171 eficácia erga 011117C.S', pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar cio sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo parct reconhecer ci impertinência cie exação tributária anteriormente exigida. Assim, em Siilla(ÕeS 1101711(1R; O ter1110 inicial para o prazo de cinco anos para pleitear a restituição é a data do pagamento. No presente caso, 11177a vez não alegado que o indébito se exteriorizou no contexto de situação conflituosa, o termo inicial para a contagem é a data em que se efetivou o pagamento, quando o débito foi extinto sob condição resohttória. (grifos pertencem ao original) Não possuindo a conhecida decisão do Superior Tribunal de Justiça efeito erga omnes ou vinçulante, adoto o raciocínio acima esposado para rechaçar a tese dos dez anos (cinco + cinco) de direito A restituição dos tributos federais, ditos lançados por homologação. Destarte, acompanho integralmente o decidido em primeira instancia de julgamento e mantenho o indeferimento do Pedido de Restituição formulado A fl. 01, relativo aos saldos negativos de IRPJ das empresas referidas no relatório desse julgado. 5 Processo n' 11610.005403/2003-34 SI-TE01 AcOrdao n.° 1801-00.039 Fl. 6 CONCLUSÃO Voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, declarando decaído o direito da contribuinte em pleitear a restituição forrnalizada à fl. 01. Determino que cópia deste acórdão seja juntada a processos administrativos relativos a eventuais pedidos de compensação — Dcomp, cujo crédito esteja vinculado a este Pedido de Restituição. Sala das Sessões, em 27 de julho de 2009 ANA DE BARROS FERNANDES 6
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001422/97-80
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1985 a 31/12/1999
RESTITUIÇÃO. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM PEDIDO DE DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO HOMOLOGADO.
O crédito-prêmio de IPI a ser reconhecido é aquele apurado no período compreendido entre 01/01/1981 a 30/04/1985, conforme indicado na petição inicial e na sentença transitada em julgado no Poder Judiciário.
RESTITUIÇÃO. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O STF, em matéria reconhecida como de repercussão geral, que o término do benefício fiscal denominado crédito-prêmio de IPI se deu em 05/10/1990, devendo ser este o entendimento a ser aplicado no âmbito do Carf, nos termos do artigo 62-A do seu Regimento Interno.
RESTITUIÇÃO. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. DECADÊNCIA DO DIREITO DE POSTULAÇÃO.
É de cinco anos o prazo de que dispõem os contribuintes para postular a restituição do crédito-prêmio de IPI, contados da data ou do fato em que originados (art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932).
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. MEDIANTE O APROVEITAMENTO DO CRÉDITO RECONHECIDO.
Compete à Autoridade preparadora do processo a tarefa de identificar a alegada existência de débitos prescritos, débitos cobrados em duplicidade, débitos cuja quitação se deu mediante adesão a programas especiais de parcelamento etc., porquanto o apensamento, seguido de desapensamento de processos, os pedidos de desistência de Recurso Voluntário em relação a centenas de débitos relacionados a dezenas de processos, inviabilizam que tal tarefa seja realizada por este Colegiado.
EXPURGOS NOS VALORES DOS DÉBITOS EXSURGIDOS POR CONTA DO NÃO RECONHECIMENTO INTEGRAL DO CRÉDITO PLEITEADO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS.
Pedidos de reconhecimento de direito, baseados em supostos pagamentos a maior de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, decorrentes do não reconhecimento do crédito-prêmio de IPI que fora utilizado nas respectivas compensações devem ser postulados em procedimentos específicos, autônomos, de forma a seguirem o rito determinado pelas instruções que se seguiram ao regramento das compensações instituído pelo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Matéria que não se conhece.
Recurso Voluntário não conhecido em parte, e, na parte conhecida, dado provimento parcial.
Numero da decisão: 3401-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário na parte em que relacionado à matéria estranha aos autos, e, na parte conhecida, dar provimento parcial para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito-prêmio de IPI apurado entre 1o de abril de 1981 e 30 de abril de 1985, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Fez sustentação oral pela recorrente Dr Breno Kingma, OAB/SP 154182.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM PEDIDO DE DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO HOMOLOGADO. O créditoprêmio de IPI a ser reconhecido é aquele apurado no período compreendido entre 01/01/1981 a 30/04/1985, conforme indicado na petição inicial e na sentença transitada em julgado no Poder Judiciário. RESTITUIÇÃO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O STF, em matéria reconhecida como de repercussão geral, que o término do benefício fiscal denominado créditoprêmio de IPI se deu em 05/10/1990, devendo ser este o entendimento a ser aplicado no âmbito do Carf, nos termos do artigo 62A do seu Regimento Interno. RESTITUIÇÃO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. DECADÊNCIA DO DIREITO DE POSTULAÇÃO. É de cinco anos o prazo de que dispõem os contribuintes para postular a restituição do créditoprêmio de IPI, contados da data ou do fato em que originados (art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932). COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. MEDIANTE O APROVEITAMENTO DO CRÉDITO RECONHECIDO. Compete à Autoridade preparadora do processo a tarefa de identificar a alegada existência de débitos prescritos, débitos cobrados em duplicidade, débitos cuja quitação se deu mediante adesão a programas especiais de parcelamento etc., porquanto o apensamento, seguido de desapensamento de processos, os pedidos de desistência de Recurso Voluntário em relação a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 14 22 /9 7- 80 Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 centenas de débitos relacionados a dezenas de processos, inviabilizam que tal tarefa seja realizada por este Colegiado. EXPURGOS NOS VALORES DOS DÉBITOS EXSURGIDOS POR CONTA DO NÃO RECONHECIMENTO INTEGRAL DO CRÉDITO PLEITEADO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Pedidos de reconhecimento de direito, baseados em supostos pagamentos a maior de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, decorrentes do não reconhecimento do créditoprêmio de IPI que fora utilizado nas respectivas compensações devem ser postulados em procedimentos específicos, autônomos, de forma a seguirem o rito determinado pelas instruções que se seguiram ao regramento das compensações instituído pelo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Matéria que não se conhece. Recurso Voluntário não conhecido em parte, e, na parte conhecida, dado provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário na parte em que relacionado à matéria estranha aos autos, e, na parte conhecida, dar provimento parcial para reconhecer o direito ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI apurado entre 1o de abril de 1981 e 30 de abril de 1985, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Fez sustentação oral pela recorrente Dr Breno Kingma, OAB/SP 154182. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.687 3 Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Relatório Recorro ao relatório constante da decisão da DRJ para dar início ao histórico dos fatos deste julgamento: “A interessada protocolizou, em 23/10/1997, pedido de restituição de crédito prêmio de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de fl. 01, de que trata o Decretolei n° 491, de 05 de março de 1969, art. 1o. O pleito foi objeto de ação ordinária declaratória, processada sob o n° 87.00006718, com decisão passada em julgado. Há uma planilha às fls. 385/582 que indica que o período do pleito seria de dezembro de 1981 a dezembro de 1997 e o valor total de R$ 437.056.408,57, com atualização monetária, incidência de juros de mora e honorários de sucumbência. Outra planilha foi juntada ao processo posteriormente: mesmo período e com montante de R$ 316.352.242, 64 (fls. 730/917). Há nos autos os pedidos de compensação de fls. 05/07, depois substituídos pelos de fls. 724/726. Em 12/05/1999, foi exarado o Despacho Decisório n° 286/99, de fls. 957/962, pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo, SP, com o indeferimento do pedido. Em face da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada (fls.967/1.000), houve o julgamento da causa pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, SP, por meio da Decisão DRJ/SPO n° 782, de 29/02/2000 (fls. 1.034/1.048), em que, basicamente, foi deferida em parte a solicitação e considerado sem efeito o despacho decisório, vale dizer, anulado, com a determinação de que o órgão de origem calculasse os valores referidos pelo juiz como medida preliminar na ação de execução e que analisasse o pleito relativamente ao período não abrangido pela sentença judicial. Posteriormente, outra planilha foi incluída nos autos, com o mesmo período já aludido e com o montante de R$ 503.640.204,12, computadas a atualização monetária e os juros de mora (fls. 1.839/2002). Finalmente, foi encetada, em 2004, diligência no âmbito da DEFIC em São Paulo, SP, para a definição do valor referente à ação judicial, tendo resultado a planilha de fls.2.257/2.279, com o montante global de R$ 38.387.758,46 relativo ao período de dezembro de 1981 a abril de 1985, e o relatório de fls. 2.281/2.286. Conforme proposto no precitado relatório de diligência, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional fora consultada e emitiu o Ofício PFN/DF n° 927/2005, de fls.2.303/2.308, com a recomendação de que, em face das decisões judiciais proferidas, este processo administrativo fosse extinto, com o indeferimento de todas as compensações efetuadas. Com fulcro em parte das determinações contidas na decisão oriunda da DRJ/SPO e na diretriz estabelecida pela PGFN, em 19/07/2005, foi proferido o despacho decisório de fls. 2.317/2.338 pelo titular da Equipe de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.688 5 DERAT, em São Paulo, SP, com o indeferimento do pedido administrativo pelas razões abaixo expostas: 1) No tocante ao período abrangido pela sentença judicial (dezembro de 1981 a abril de 1985), em virtude de processo de execução em curso e da inexistência de liquidez e certeza no que concerne aos créditos controvertidos como pressuposto para compensações, fica caracterizada a impossibilidade de fazer as compensações requeridas neste processo ou a ele atreladas, sob pena de enriquecimento ilícito da interessada, com supedâneo no pronunciamento da PGFN e na IN SRF n° 21, de 10 de março de 1997, art. 17, § 2o; 2) No tocante ao período não abrangido pela sentença judicial (maio de 1985 em diante): a) ainda que o beneplácito fiscal não tivesse sido extinto a partir de 01/05/1985., acatada a tese da inconstitucionalidade do Decretolei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, art. 1o , haveria a extinção do benefício em 30/06/1983, de acordo com o teor do Decretolei n° 1.658, de 24 de janeiro de 1979, conforme pronunciamento do TRF da 3A Região; b) o benefício em questão, a partir de 1981, não podia ser escriturado nos livros do IPI, com a previsão somente de que fosse creditado em conta bancária do beneficiário (Portarias MF n° 89JT981 e n° 292/1981); c) a restauração do "CréditoPrêmio" violaria tratado internacional de suma importância (Acordo do GATT, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 22, de 5 de1 dezembro de 1986, com cumprimento determinado pelo Decreto n° 93.962, de 22 de janeiro 'de 1987); d) a atualização monetária de saldos credores do imposto é vedada (Parecer COSIT n° 122/1996); e) prescrição dos créditos anteriores a 23/10/1992, considerada como termo inicial a data de embarque (Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932, art. 1o Parecer Normativo CST n° 515/71). Insatisfeita com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 23/09/2005, por via postal, conforme aviso de recebimento nos autos, a interessada ofereceu, em 21/10/2005, a manifestação de inconformidade, de fls. 2.367/2.428, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica, Dr. Luiz André Nunes de Oliveira, Dr3 Maria Cecília do Rego Macedo, Dr. Breno Ladeira Kingma, Dr3 Priscila Bertoldi C. Silva e Dr. Augusto Fiel Jorge D'01iveira, qualificados na cópia do instrumento legal de fl. 2.431, instruída com a documentação de fls. 2.432/2.629 e recebida por força de medida liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0228113 (fls. 2.492/2.493), e em que aduz, em síntese, que: 1) Sobre o teor do despacho decisório: a) a empresa pretende, por meio deste pedido, relativamente ao período de 1981 a 1997, obter da autoridade fazendária a quantificação do direito reconhecido judicialmente; com a certeza final do montante, consideradas as compensações já feitas, poderá haver diferença a favor da contribuinte ou a favor do Fisco; b) a interessada não quer se locupletar, apenas deseja que seja feito o confronto do crédito (já calculado pela fiscalização em R$ 38.387.758,46, apesar da discordância com o método de cálculo utilizado) com os débitos compensados, para efetuar a desistência da execução judicial; c) a DRJ de São Paulo já havia decidido, ao anular o despacho decisório anterior, que a desistência da execução judicial não era necessária para pedido relativo a períodos futuros, a ser examinado administrativamente; d) é incabível, pela autoridade administrativa, a análise do mérito do incentivo fiscal para períodos posteriores a 1985, objeto de sentença transitada em julgado favorável à interessada, e, por meio deste pedido, deve ser reconhecido o crédito, com a homologação definitiva das compensações efetuadas; e) a documentação do programa BEFIEX, garantia de direito ao crédito pós1985, juntado pela requerente, não foi examinada na decisão; f) quanto à prescrição invocada na decisão, houve a respectiva interrupção com a propositura da ação judicial e não pelo pedido administrativo; g) há direito a Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 correção monetária dos créditos, uma vez que a respectiva utilização é impedida pelo Fisco, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça; 2) O créditoprêmio de IPI não se encontra extinto, pois, em virtude de inconstitucionalidade declarada pelo STF, tomaramse sem efeito o art. 1oo do Decretolei n° 1.724/1979 e o inciso I do art. 3 o do Decretolei n° 1.894/1981; como a inconstitucionalidade atinge somente o inciso I do referido Decretolei, a reinstituição do benefício no inciso II, sem prazo de validade, continua em vigor, sendo inócua a redução escalonada prevista no Decreto lei n° 1.658/1979, utilizado por muitos como justificativa para a extinção do benefício em 1983; isso foi confirmado pelo STJ, além de que, não há repristinação no Direito Pátrio; ademais, a questão dos acordos do GATT não afeta o direito da requerente, pois o crédito prêmio não se trata de incentivo de natureza setorial; 3) A decisão administrativa contraria ação transitada em julgado, ao negar o cumprimento de julgado e privar a requerente de seu direito; a requerente nunca pretendeu utilizar o crédito que consta do pedido no âmbito judicial e administrativo: somente o crédito do período de 1981 a 1985 está sendo executado judicialmente e este pedido traz o pleito pela quantificação do respectivo montante para que o Juízo seja informado, como também quanto ao período de 1986 a 1997; nenhum valor foi recebido judicialmente; por se tratar de relação jurídica continuativa, a declaração de inconstitucionalidade abarca o período posterior a 1985, ou seja, está abrangido pelos efeitos da coisa julgada material; 4) A empresa era detentora, até 1998, do programa BEFIEX, o que já fora demonstrado no âmbito do processo de auto de infração n° 19020.000455/9612, de acordo com as cópias do Acórdão do Conselho de Contribuintes às fls. 11/18 e 680/689, sendo desnecessária nova comprovação, mas para evitar dúvidas remanescentes, foi apresentada nova cópia do contrato do programa BEFIEX como anexo VIII; 5) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao elaborar o parecer, frustrou os objetivos da consulta ao não responder as questões formuladas pelo órgão da SRF, dando uma versão do processo marcada por equívocos e sensacionalismo, incluída a falácia de que a empresa estaria impossibilitada de requerer administrativamente a apuração do valor do créditoprêmio devido e de efetuar compensação; a empresa não está obrigada a executar os valores por meio de execução judicial, podendo, enquanto aguarda a apuração final dos valores (homologação), realizar o encontro de contas (crédito/débito); 6) O pedido administrativo foi formalizado dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado da decisão judicial, sendo que a prescrição havia sido interrompida em 19/12/1981, conforme pronunciamento judicial; portanto, não se pode aventar a prescrição para os créditos constantes do pedido; 7) A correção monetária dos valores é necessária, pois o impedimento à fruição dos créditos foi criado pelo Fisco sob a justificativa de que não há previsão legal para tal correção no caso de créditos escriturais requeridos extemporaneamente; conforme posição do Poder Judiciário e do Conselho de Contribuintes, deve haver correção monetária dos créditos por índices que reflitam a desvalorização da moeda no período (índices expurgados por diversos planos econômicos, além de 1% ao mês de juros, até 31/12/1995, e taxa Selic desde 01/01/1996); 8) Há vários autos de infração e pedidos de compensação que aguardam o julgamento da manifestação de inconformidade apresentada neste processo, que deve ser recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo em relação às cobranças recebidas; há cobranças em duplicidade de valores declarados em DIPJ e DCTF Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.689 7 (discriminação às fls. 2.413/2.414) como compensados e em Declarações de Compensação e os respectivos valores não podem ser exigidos antes da decisão final neste processo; além disso, há valores compensados há mais de cinco anos que já estariam homologados; também, a aplicação equivocada da multa de 75% a débitos declarados em DCTF, sendo que o correto seria a multa de mora de 20% (autos de infração de DCTF especificados às fl. 2.419/2.425); para os autos de infração apensos, deveriam ser proferidas decisões de primeira instância, com a análise dos fundamentos das impugnações, sob pena de nulidade das cobranças; alguns valores cobrados já haviam sido pagos (parcelamento processo n° 10909.001.436/9770; cópia de guia de pagamento à fl.2.609); 9) Os valores discutidos nos autos não podem mais ser cobrados pela União Federal tendo em vista a superveniência da prescrição, já que os valores haviam sido informados em DCTF há mais de cinco anos, como confissão de dívida, conforme o Decretolei n° 2.124, de 1984, art. 5o , o CTN, art. 174, e entendimento do STJ; 10) Foi ajuizado o Mandado de Segurança n° 1999.00.0462533 (fls.2.611/2.624) para que nenhuma cobrança dos débitos compensados fosse exigida previamente ao exame da manifestação de inconformidade, independentemente de qualquer desistência de execução judicial; 11) Por derradeiro, é requestada a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento dos seguintes tópicos: a) a imediata compensação do valor do crédito do período de 19/12/1981 a 30/04/1985, já admitido e calculado pela fiscalização, com a faculdade de a requerente continuar a discutir eventuais diferenças; b) a homologação das compensações atreladas ao crédito posterior a 1985, depois do cálculo final dos valores, incluída a correção monetária; c) sendo mantidas as cobranças, por absurdo, devem ser excluídos os valores em duplicidade e os valores das compensações já homologadas; deve ser reduzida a multa de 75% para 20% nos casos indicados; devem ser julgadas as impugnações ofertadas nos processos de auto de infração; e devem ser canceladas as cobranças já quitadas.” Referida decisão da DRJ de Ribeirão PretoSP, proferida pela 2ª Turma em 30/05/2007, foi assim ementada: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/05/1985 a 29/12/1997 CRÉDITOPRÊMIO. RESSARCIMENTO. O créditoprêmio, benefício fiscal de natureza financeira, vigorou somente até 30/06/1983, em conformidade com a legislação tributária aplicável; é incabível a solicitação de ressarcimento de valores do incentivo alusivos a exportações realizadas depois da referida data. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/1981 a 30/04/1985 EXECUÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Estando em fase de execução judicial o direito creditório confirmado judicialmente por decisão transitada em julgado nos autos de ação ordinária, somente pode haver a compensação administrativa do respectivo montante, ainda controvertido, ou seja, sem liquidez e certeza, se a requerente comprovar a desistência da execução do título judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Período de apuração: 01/05/1985 a 29/12/1997 CRÉDITOPRÊMIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic, ou de outros índices, sobre os montantes pleiteados. DIVIDA PASSIVA DA UNIÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme a legislação tributária Solicitação Indeferida.” No Recurso Voluntário a Recorrente resumiu os tópicos de seu inconformismo contra os termos da decisão da DRJ, a seguir reproduzidos: “1°) A desistência de execução judicial não é condição para que se proceda a compensação imediata do montante incontroverso (R$ 38.387.758,46). Assim que a Receita Federal admitir tal compensação, a Recorrente irá desistir imediatamente dessa parte da execução junto ao juiz do processo; 2°) A decisão judicial transitada em julgado abrange o período posterior a maio de 1985; 3°) O CréditoPrêmio não foi extinto em 1983; 4°) Ao contrário do que menciona a Recorrida, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhece, ao menos, a vigência do crédito até 1990; 5°) O Supremo Tribunal Federal, órgão competente pela interpretação do art. 41 do ADCT da Constituição Federal de 1988, ainda não se pronunciou sobre a vigência do benefício após 1990; 6°) A Recorrente apresentou sim cópia do seu BEFIEX (cf fls. 10011007 dos autos). Esse fato, por si só e independentemente da decisão do STF, garante a fruição do crédito até o fim do acordo (1999). Ocorre que mais uma vez tal fato não foi analisado pela Receita Federal; 7°) O CréditoPrêmio de IPI não foi revogado pelo Acordo GATT ou pela Lei n° 9.363/96 que institui o créditopresumido de IPI; 8°) O direito à restituição do crédito não prescreveu ou decaiu; 9°) O crédito dever acrescido de correção monetária plena e juros SELIC; 10°) A decisão não analisou diversos argumentos da Manifestação de Inconformidade, a saber: duplicidade de cobranças; multas de 75% ao invés de 20%; homologação de compensação e prescrição de cobranças (sendo que em alguns casos já há decisão judicial reconhecendo tal situação); ausência de decisões administrativas em relação a autos de infração regularmente impugnados; e pagamentos efetuados; 11°) Posteriormente ao protocolo da Manifestação de Inconformidade, foi proferida decisão definitiva em processo judicial do Recorrente que reconheceu a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e COFINS em relação às suas receitas não operacionais e determinou expressamente que tais valores não lhe podem ser exigidos. Dessa forma, não se pode cobrar da Recorrente tais montantes, tal como pretende a Recorrida por meio das intimações ora enviadas; Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.690 9 12°) Na remota hipótese de o crédito não ser reconhecido, haverá a necessidade de se expurgar do débito os tributos pagos no passado em razão do reconhecimento/ativação do créditoprêmio de IPI na contabilidade da empresa ("efeito repique"). Em 28/05/2008, a Recorrente protocolou requerimento [fls. 2.908/2.912] junto ao então denominado Conselho de Contribuintes, no sentido de que fosse reconhecido “fato novo no processo”, qual seja, o seu pedido de desistência da execução judicial envolvendo o créditoprêmio de IPI que lhe havia sido reconhecido pelo Poder Judiciário em decisão com trânsito em julgado, correspondente ao período de “1981 a 1985”. Em 03/06/2008, formalizou a entrega de novo documento, desta feita dando conta da homologação de seu pedido de desistência da “Execução Judicial nº 2000.34.00.0264298”. [fls. 2.919/2.920] Despacho monocrático proferido pelo então Conselheiro responsável pela relatoria do presente processo junto ao Carf, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, abriu vista para que a PFN se manifestasse sobre esses dois novos documentos acostados pela Recorrente ao processo. [fl. 2.926] Em sua manifestação de fls. 2.930/2.939, a Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio da Dra. Clara da Mora Santos, assim concluiu no documento firmado em 04/09/2008: “[...] V Conclusão 30. Primando pela busca da objetividade, a fim de evitar um prolongamento exaustivo do processo administrativo e de discussões já pacíficas no Conselho de Contribuintes, este arrazoado permite que sejam extraídas as seguintes conclusões: i) a decisão judicial proferida na ação n . 87.00006718 restringe a condenação do ressarcimento de créditoprêmio ao período que vai de dezembro de 1981 a abril de 1985. Este foi o pedido formulado pela contribuinte junto ao Poder Judiciário; ii) a própria contribuinte, em sua petição inicial no processo n . 87.00006718, admite que o créditoprêmio não teve sobrevida para além do ano de 1985; iii) a sentença judicial é mais favorável à contribuinte do que seria a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, uma vez que, nesta esfera administrativa, majoritariamente se apregoa a extinção do benefício fiscal já nos idos de 1983; iv) nada há a ressarcir além daquilo que transitou em julgado na ação manejada pela contribuinte; v) tendo sido apresentada desistência da execução judicial, removese o óbice encartado no art. 17 da IN SRF nº 21/97. Salvo melhor juízo, a partir de agora é possível o ressarcimento administrativo (execução) da quantia deferida na sentença do processo n. 87.00006718; vi) urge que se examine se o agravo n. 96.01.019529 não contempla impedimento de ordem judicial para a execução administrativa da ação n. 87.00006718; Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 vii) a fiscalização já apontou em diligência o valor devido pelo período de 1981 a 1985, todavia é imprescindível que, na decisão a ser exarada por esta Terceira Câmara, se determine a exclusão dos valores já utilizados pela contribuinte para abater o débito do processo administrativo n°. 10920.000455/9612 e de outros processos administrativos de lançamento em igual situação. A diligência não exaure de modo definitivo o valor exato a ser ressarcido, impondose, quando do cumprimento do acórdão deste colegiado, o acertamento entre os créditos titularizados pela contribuinte e aquilo que ela já auferiu em outras circunstâncias; viii) o único valor em tese passível de ressarcimento é aquele compreendido pela decisão judicial, o qual abrange o lapso que vai de 1981 a 1985. Quanto aos períodos não abrangidos pela decisão judicial, temse que não subsiste verba alguma a ser ressarcida, pois o créditoprêmio de IPI não mais estava em vigor; ix) ainda que se cogitasse a possibilidade de o créditoprêmio ter vigorado além de 1983, o que, notadamente, é descabido, como o pedido da ação judicial apenas abarcou o período de 1981 a 1985, prescreveu a pretensão relativa ao ressarcimento dos períodos de maio 1985 a outubro 1992, haja vista que a contribuinte contentouse em pleitear judicialmente o ressarcimento até 1985, e, quanto aos demais períodos, quedouse inerte até 22/10/1997. x) é despiciendo tecer comentários sobre a viabilidade da pretensão para o período posterior 1992, pois, a esta altura, já em plena década de noventa, é absolutamente descabido ressuscitar o créditoprêmio; xi) como não existe nenhum valor a ser ressarcido além daquele determinado na decisão judicial, não há que se discutir com profundidade a correção monetária dos créditos. Para os períodos tratados pela sentença, aplicase o que foi determinado pelo Poder Judiciário; e, quanto aos demais, na hipótese remota de esta Câmara entender que algo deve ser ressarcido, temse que é indevida a correção monetária, por falta de previsão legal. O entendimento já é assente no âmbito dos Conselhos de Contribuintes; xii) a decisão desta Câmara deve resguardar a possibilidade de a unidade de origem conferir os créditos e analisar débito a débito da contribuinte, examinando e imputando os créditos auferidos nos lançamentos e cobranças já em curso. 31. A União encerra o seu arrazoado reiterando que a sentença na ação judicial da nº 87.00006718 apenas autoriza o ressarcimento do créditoprêmio de IPI quanto ao período que vai de dezembro de 1981 a abril de 1985, sendo certo que nada além disso poderá ser deferido à contribuinte. Ante os argumentos e fatos explicitados, a União requer que sejam acolhidas as observações elencadas nos tópicos anteriores. “ Em 07/01/2010, a Derat em São Paulo encaminhou à Terceira Câmara do então denominado Segundo Conselho de Contribuintes documentos para serem anexados ao processo, documentos esses que consistiam em “Requerimentos de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo”, a saber: a) desistência parcial da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.001422/9780, listando vários débitos. 23/11/2009 [fl. 2.959/2.960]; b) desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.002381/200122*. 19/11/2009 [fl. 2.981] Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.691 11 c) desistência parcial da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.002382/200177, listando três débitos. 23/11/2009 [fl. 3.000]; d) desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.000144/9743. 19/11/2009 [fl. 3.018]; e) desistência parcial da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.002380/200188, listando três débitos. 23/11/2009 [fl. 3.037]; f) desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.000146/9779*. 19/11/2009 [fl. 3.055]; g) desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.001088/200229*. 19/11/2009 [fl. 3.099]; h) desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.001089/200273*. 19/11/2009 [fl. 3095]; e i) desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.001090/200206*. 19/11/2009 [fl. 3.130]. (*) processos desapensados deste processo em setembro de 2010. Em 14/07/2010 o Presidente da Terceira Seção da Quarta Câmara do Carf encaminhou para a Derat em São Paulo o processo em face dos vários requerimentos expressos de desistência de Recurso Voluntário interpostos pela Recorrente, consoante documentação acostada às fls. 2.940/3.146. À fl. 3.149, consta novo pedido expresso de desistência total da impugnação ou do recurso interposto no processo nº 10920.002537/200256, formulado em 19/11/2009. Este processo também foi desapensado dos presentes autos. Despacho da Derat de 21/09/2010, fl. 3.165, informa que os processos para os quais foi requerida a desistência apenas parcial do recurso tiveram seus débitos transferidos para outro processo administrativo, o de nº 10920.720342/201000, mantendose apensados os processos em que não houve a desistência, tendo sido apensados novos processos, conforme relação de fls. 3.163/3.164. Despacho da Secretaria da Quarta Câmara da Terceira Seção do Carf, datado de 14/09/2011, remeteu o presente processo à Derat em São Paulo, “para separar matéria de desistência”. [fl. 3.177] Documento rerratificando aquele de fls. 2.959/61 [relação de débitos para os quais houve a desistência do Recurso Voluntário em face de adesão a programa especial de Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 parcelamento] foi apresentado pela Recorrente em 13/10/2011 e se encontra às fls. 3.616/3.622 [pdf]. Despacho da Equipe de Parcelamento da Derat São Paulo em 15/12/2011, elabora um quadro definitivo contendo todos os débitos para os quais houve o pedido de desistência da Recorrente dos recursos então interpostos, fazendo ajustes na relação dos débitos que efetivamente foram incluídos no programa especial de parcelamento e que estão atrelados às compensações postuladas neste processo. [fls. 3.630/3.644, pdf]. No essencial, é o Relatório. Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.692 13 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade. A controvérsia principal gira em torno do período deve ser considerado na tarefa de apurar, dentre as exportações realizadas, o montante do créditoprêmio de IPI a ser reconhecido, visto não haver dúvida que a Recorrente obteve uma decisão judicial com trânsito em julgado reconhecendo o seu direito à “restituição” do referido favor fiscal. Questões adjacentes a serem dirimidas versam sobre a caducidade do direito de obtenção do crédito, sua atualização monetária, seu aproveitamento na quitação de débitos mediante compensação, bem como sobre a existência de cobrança de débitos em duplicidade e/ou prescritos. CréditoPrêmio de IPI – ação judicial c/trânsito em julgado1 Para a instância ora recorrida, o créditoprêmio de IPI vigorou apenas até 30/06/1983 e, mesmo diante do reconhecimento judicial para a devolução dos valores a esse título até 30/04/1985, haveria de ter sido comprovado nos autos a desistência da execução judicial, o que, até então, não ocorrera. Para a Recorrente, a decisão judicial que transitou em julgado em seu favor, além de condenar a União à devolução dos créditos do período de 1981 a 1985, teria declarado a inconstitucionalidade da extinção do créditoprêmio em 1985, ou seja, o benefício estaria em vigor para ela [em razão da força da coisa julgada e da inexistência de inconstitucionalidade temporária] até o fim do Programa Befiex da empresa [1999], ou, pelo menos, até outubro de 1990, neste caso por conta do disposto no art. 41 do ADCT da Constituição Federal/88 e a teor de decisões do STF. a) créditos apurados no período de 01/04/1981 a 30/04/1985 A DRJ fundamentou o indeferimento do pleito na determinação do TRF, contida na ação ordinária intentada pela ora Recorrente, para que o crédito reconhecido nesse período fosse executado apenas judicialmente, de forma que estaria vedada a compensação. Todavia, após a decisão da DRJ e após a interposição do presente Recurso Voluntário, esse obstáculo foi removido pela própria Recorrente ao ver homologado junto ao Poder Judiciário o seu pedido de desistência da referida execução judicial. O pedido da interessada está fundado unicamente no provimento judicial que obteve, de modo que é nele que devemos encontrar os limites a serem observados. Para tanto, reproduzo trechos da petição inicial da ação ordinária e da sentença judicial. 1 Informação da recorrente à fl. 2.698, de que ocorreu em 13/09/1993. Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 à trechos da petição inicial: [...] A autora é empresa exportadora e, como tal fez jus ao Crédito Prêmio IPI, incentivo fiscal criado pelo art. 1º do Decreto Lei nº . 491 de 05 de março de 1969, no período (posterior à sua suspensão pelo Dec. Lei 1.724/79 e Portaria 960/79), em que este ainda vigorou, ou seja, desde 1º de Abril de 1981 até 30 de Abril de 1985. [...] Pretende, pois, a autora obter o ressarcimento complementar do citado incentivo sobre as exclusões determinadas ilegal e inconstitucionalmente por força das citadas Portarias e suas alterações (e do Dec. Lei 1.724/79 que pretensamente estaria a autorizar tais reduções no seu direito, relativamente às exportações que efetuou dentro do período de vigência do estímulo em que ocorreram as diminuições da base de cálculo em questão, ou seja, entre 1º de Abril de 1981 e 30 de Abril de 1985, conforme será explanado a seguir. [...] À vista do exposto, requer a Autora dignese V. Excia. mandar citar a União Federal, na pessoa de seu representante legal, para contestar a presente ação, a qual deve ser julgada procedente para efeito de ser condenada a União a ressarcir as diferenças de base de cálculo reclamadas, possibilitando à Autora usufruir integralmente do incentivo fiscal previsto no art. lºi do Dec. Lei 491/69 sobre o montante das exportações realizadas dentro do período descrito nesta peça, com respectivos acréscimos financeiros pedidos. (grifei) à trechos da decisão judicial: [...] Isto posto, julgo procedente a ação para condenar a ré a restituir à autora o total do créditoprêmio do IPI, referente ao período de suspensão, acrescido de correção monetária a partir da vigência da Lei nº . 6.899/81, após a conversão dos valores da moeda estrangeira em moeda nacional, levandose em conta os valores da época em que o créditoprêmio deveria ter sido reconhecido à autora acrescido também de juros de mora no percentual de meio por cento ao mês, na forma do art. 1.062, do Código Civil, e contados a partir da citação. O ressarcimento do crédito prêmio é devido ao período de 01.04.81 a 30.04.85, nos termos do pedido. Condeno também a ré a restituir as custas antecipadas pela autora e a pagar verba honorária, que arbitro em 10% sobre o valor da condenação. Deixo de condenar a ré em juros compensatórios por serem indevidos na espécie. (grifei) Resta claro, portanto, que a Recorrente pediu para que lhe fosse reconhecido o direito ao créditoprêmio de IPI apurado nas exportações que realizou dentro do período especificado de 01/04/1981 a 30/04/1985, sendo exatamente esse o período reconhecido pelo Poder Judiciário como aquele a gerar o incentivo fiscal; nada mais, nada menos. Quanto ao valor, de se tomar aquele apurado pela própria Delegacia de Fiscalização de São Paulo quando da realização de diligência realizada com a finalidade precípua de definição do valor a ser reconhecido por conta da decisão judicial, ocasião em que admitira a existência de um crédito no montante de R$ 38.387.758,462. Quanto à atualização monetária, de se observar a determinação contida na decisão judicial. 2 Vide planilhas de fls. 2.257/2.279 e relatório de fls. 2.281/2.286. Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.693 15 b) créditos apurados nos períodos posteriores a abril de 1985 A Recorrente argumenta que a questão envolvendo a validade do incentivo fiscal do créditoprêmio de IPI para os períodos posteriores a abril de 1985 também fora analisada pelo Poder Judiciário em sua ação própria e que este declarara a inconstitucionalidade de sua extinção. Além disso, que, tanto o STJ, quanto o STF, teriam admitido a validade do benefício fiscal, pelo menos, até o ano de 1990. Reclamou ainda a Recorrente que a instância de piso não teria analisado os documentos que juntara às fls. 1.001/1.007 e 2.161/2.167 [Programa Befiex], os quais seriam suficientes para assegurarlhe o direito ao crédito para os períodos posteriores a 1985 até o fim do programa, em 1999. b.1) créditos apurados nos períodos 01/05/1985 a 04/10/1990 De se lembrar que, em face de nosso julgamento no item “a” acima, passamos a tratar de créditos postulados apenas na via administrativa, isto é, não contemplados na decisão judicial. O tema “Termo final de vigência do créditoprêmio de IPI instituído pelo DecretoLei nº 491/69”, catalogado pelo STF como o de nº 63 dentre os demais considerados como de “Repercussão Geral”, teve sua decisão de mérito proferida por aquela Corte no sentido de que referido benefício vigeu até 05/10/19903. Eis a ementa da decisão, proferida no RE 561.485, Relator Ministro Ricardo Lewandowski: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e negou provimento ao recurso extraordinário. Deliberou, ainda, o Tribunal a aplicação do artigo 543B, do Código de Processo Civil, vencido no ponto o Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes.Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Falaram, pela recorrente, o Dr. Carlos Mário da Silva Velloso e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 13.08.2009. EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de 3 http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/publicacaoBOInternet/anexo/temasrg.xls Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. A partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não obstante a existência de tal comando, haveremos considerar que, em se tratando de crédito originado das exportações havidas entre 01/05/1985 e 05/10/1990, cujo pedido de ressarcimento foi entregue à Autoridade Fazendária somente em 23/10/1997, ocorreu a decadência do referido direito, conforme, aliás, estabelece a regra contida no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que fixa um prazo de cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. A Recorrente entende que o prazo de cinco anos deva ser contado da data em que transitou em julgado a decisão judicial que lhe fora favorável e não a data do embarque das exportações. Todavia, conforme deliberado acima, a ação judicial compreendeu apenas os créditos originados das exportações havidas entre 01/04/1981 e 30/04/1985, devendo ser esse, portanto, o período ensejador do créditoprêmio de IPI a ser reconhecido, restando atingidos pela decadência os créditos originados no período entre 01/05/1985 e 22/10/1992. b.2) créditos apurados nos períodos posteriores a 05/10/1990 Em tendo havido um pedido administrativo complementar ao que fora postulado na esfera judicial, haverá de ser tomada como data limite de vigência do incentivo aquela fixada pelo STF, qual seja, 05/10/1990, consoante, aliás, deliberamos acima. De todo modo, para rechaçar as alegações da Recorrente quanto ao Programa Befiex, valhome de julgado do STJ proferido no AgRg nos EDcl no REsp 896434/PR, de 03/02/2009, excertos da ementa transcritos abaixo: [...] 5. O BEFIEX era um programa de estímulo à exportação, por meio do qual grandes empresas se comprometiam com a União em manter um fluxo constante de vendas para o exterior e, em troca, recebiam benefícios fiscais previstos no contrato, além daqueles ditados pelo DL 1.219/72. 6. A premissa fixada no aresto regional de que não constou do contrato qualquer outro benefício além das isenções do IPI e do Imposto de Importação não pode ser revista em recurso especial, em razão do óbice ditado pela Súmula 7/STJ. 7. O art. 9º do Decretolei 1.219/72 não assegurou às empresas que aderiram ao BEFIEX o gozo do créditoprêmio do IPI, até porque já estava em vigor, à data em que publicado esse diploma legal, o art. 1º do DL 491/69, que assegurava a qualquer empresa exportadora a utilização desse benefício, independentemente de adesão ao Programa BEFIEX. 8. O art. 9º cuidou, apenas, de possibilitar ao exportador a transferência a terceiros, também inseridos no BEFIEX, dos créditos tributários instituídos pelo art. 1º do DL 491/69, quando não pudessem ser utilizados pelo próprio estabelecimento titular. 9. O art. 1º do DL 1.219/72, ao assegurar às empresas que aderissem ao BEFIEX o gozo dos demais benefícios previstos nesse diploma legal, garantiu, nos termos do art. 9º, apenas a Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.694 17 transferência de créditos a terceiros, e não o aproveitamento do próprio crédito prêmio. 10. Assim, não há que se falar em aproveitamento do créditoprêmio de IPI para além de outubro de 1990, quer por ter sido extinto por força do disposto no art. 41 do ADCT, quer pela não inclusão, contratual ou legal, desse benefício no âmbito do BEFIEX. De se não admitir, portanto, o reconhecimento de créditos relacionados ao Programa Befiex, apurados em data posterior a 05/10/1990. Compensações A Recorrente reservou um tópico específico em seu Recurso Voluntário para listar uma série de “omissões” na decisão da DRJ, quais sejam: duplicidade de cobranças, prescrição de valores, multas equivocadas, ausência de decisões administrativas em face de autos de infração regularmente impugnados. Na verdade, a DRJ argumentou que tais temas deveriam ser tratados pela Autoridade preparadora do processo quando da execução do Acórdão. No que agiu corretamente! Ora, conforme listado no Relatório deste voto, o presente processo possui ligação estreita com mais de uma dezena de outros processos administrativos [autos de infração, declarações de compensação de centenas de débitos, pedidos de desistência de Recurso Voluntário, adesão a programa especial de parcelamento etc.], de sorte que somente a Autoridade preparadora terá condições de, diante de todas essas informações, vislumbrar e executar os procedimentos de compensação de débitos mediante o aproveitamento do crédito ora reconhecido neste julgamento. Em outras palavras, este Colegiado não possui condições de “visualizar” todos os débitos que estão ligados ao presente processo de maneira a identificar – e expurgar – aqueles tidos como “cobrados em duplicidade”, “prescritos” etc. Essa tarefa, repitase, ficará a cargo da Autoridade preparadora. Expurgos nos débitos de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins. A Recorrente argumenta que, na hipótese de o crédito não lhe ser reconhecido, “haverá a necessidade de se expurgar do débito cuja compensação não foi homologada os tributos pagos no passado em razão do reconhecimento/ativação do crédito prêmio de IPI na contabilidade da empresa (‘efeito repique’).” Referese a Recorrente ao IRPJ e a CSLL calculados sobre o lançamento levado a efeito no ativo da empresa quando do reconhecimento do créditoprêmio de IPI na época em que apurado. Tais tributos teriam sido quitados mediante compensação com o aproveitamento do créditoprêmio de IPI. No mesmo diapasão, entende que os valores de PIS/Pasep e de Cofins que alegou terem sido quitados mediante a utilização de créditoprêmio de IPI, e que exsurgiram a partir do reconhecimento como “receitas” [neste caso, invoca o tema “alargamento da base de cálculo”]dos valores desse benefício, deveriam ser expurgados da cobrança que se fará, na hipótese, repete, de não ter sido reconhecido o seu direito no presente processo. Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Dito de outra forma e resumindo os dois pedidos, deseja a Recorrente que este Colegiado profira decisão adicional neste processo sobre IRPJ e CSLL e PIS/Pasep e Cofins, supostamente “recolhidos” a maior quando do encontro de contas realizado nos procedimentos de compensação que realizara mediante o aproveitamento de parcelas do créditoprêmio de IPI. Com a devida vênia, esses pedidos são completamente estranhos à matéria que se discute neste processo. Ora, se a Recorrente entende que “recolheu” a maior IRPJ e CSLL e PIS/Pasep e Cofins, por ter incluído nas respectivas bases de cálculos o valor do créditoprêmio de IPI que acabou por não lhe ser reconhecido, deve valerse dos instrumentos adequados para esse tipo de situação, os quais, como se sabe, podem ser encontrados nas disposições do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não há sentido algum e tampouco previsão legal para que se façam ajustes – eu diria, verdadeiros remendos – nos valores dos débitos exsurgidos a partir de uma compensação não homologada, especialmente porque a motivação para tanto [alegação e provas de recolhimento a maior, para definição de sua liquidez e certeza, verificação da ocorrência de decadência etc.] sequer foi levada ao crivo, quer da Autoridade administrativa regimentalmente eleita para apreciála, no caso a DRF, quer da primeira instância de julgamento. De não se conhecer, portanto, essa matéria. Conclusão Pelo exposto, voto pelo não conhecimento da matéria considerada estranha aos autos e, na parte conhecida, por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao créditoprêmio de IPI originado no período compreendido entre 01/04/1981 e 30/04/1985, conforme levantamento contido na planilha de fl. 2.257/2.279 e 2.281.2.286. A Autoridade executora do presente Acórdão deverá atentar para a recomendação contida no documento exarado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no seus itens “15” e “17”, às fls. fl. 2.934 e 2.9354. 4 15. [...] É imperioso que se comprove que efetivamente o agravo nº 96.01.019529 nao constitui à fruição dos créditos em processo administrativo. ..... 17. Entretanto, um importante aspecto não foi abordado pela diligência, o que pode acarretar a majoração indevida do valor a ser ressarcido à contribuinte. De acordo com a documentação constante nos autos, a Tupy Fundições S/A já obteve a vitória em outro processo administrativo de lançamento, registrado sob o nQ. 10920.000455/9612 (fls. 1.458/1.469). Os créditos suscitados naquele feito advinham justamente da citada ação judicial Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.001422/9780 Acórdão n.º 3401002.022 S3C4T1 Fl. 3.695 19 Odassi Guerzoni Filho Relator n8 . 87.00006718. Importa, diante disso, que a decisão a ser proferida nesse processo determine a exclusão do valor equivalente ao auto de infração ne . 10920.000455/9612 e não simplesmente defira o ressarcimento da quantia indicada na diligência. Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 37139.000664/2007-06
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 31/10/2005
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.155
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/10/2005 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido
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Dirigente Recorrente VALTON LUIZ ARAGÃO Recorrida DRP/FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/10/2005 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. t i Processo n° 37139.000664/2007-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.155 Fl. 282 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. 1,i, • LI , É.9 'E L .,. e_ HOMASIP i 411, 40000 ...1110~2 Ai ,W->-, "riViww,r6-. VIEIRA• Relator • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieir. Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). , \ ,,,à k. n 2 Processo n°37139.000664/2007-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.155 Fl. 283 - Relatório Refere-se o presente a auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude de na condição de dirigente da Câmara Municipal de Itapema, ter deixado de declarar em GFIP, referente às competências janeiro de 1999 a dezembro de 2000 todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, fls. 11 a 15. Inconformado, o autuado apresentou impugnação na forma das fls. 25 a 32. Foi emitida a Decisão-Notificação (DN), fls. 254 a 260, mantendo a autuação em sua integralidade. O autuado não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 264 a 278. Contra-razões apresentadas pelo órgão previdenciário à fl. 280. A unidade da SRP mantém a autuação em virtude de o recorrente não apresentar elementos novos capazes de refutar o lançamento. É o relatório. Processo n° 37139.000664/2007-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.155 Fl. 284 •Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, fl. 279, pressuposto superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "h" do CTN. A Medida Provisória n ° 449, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato com descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Basta uma análise singela, cas a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, nã poderia fazê-lo em função justamente da MP n ° 449. Assim, em relação ao dirigente a MP sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após referida MP não cabe tal autuação. sé 4 Processo n°37139.000664/2007-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.155 Fl. 285 Além do mais, a MP n ° 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juizo de valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 _ A%-dier goltred40014 O IEIRA - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000778/2001-39
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.208
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que deram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial negado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS4-4.10 Processo n° 10240.000778/2001-39 Recurso n° 302-135.159 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.208 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente S. M. CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nun 1. da Silva, Ry. ardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram p ivimento. CARLOS ALB T ' ITAS : ARRETO — Presidente di ELIAS SA"AIO F • IRE — R; ator EDITADO EM: 8 SEI 2039 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em virtude de o acórdão recorrido ter exigido a averbação da reserva legal para fins de não incidência do ITR, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões clamando pelo desprovimento do recurso. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. De feito, a questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. Inicialmente, há de se esclarecer que o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 ,sç' 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Processo n° 10240.000778/2001-39 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.208 Fl. 3 - a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) 3 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o osto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. 414 Elias Sampaio "reire - Relator 4
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