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Numero do processo: 13710.001736/98-72
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.
Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.
Solicitação Indeferida. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.126
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Solicitação Indeferida. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 13847.000188/2007-61
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003
Ementa:
AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados às contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA MULTA ÚNICA
A multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada. A fluência do prazo decadencial para algumas competências incluídas na autuação não altera o valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003 Ementa: AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados às contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA MULTA ÚNICA A multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada. A fluência do prazo decadencial para algumas competências incluídas na autuação não altera o valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. .
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados às contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA MULTA ÚNICA A multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada. A fluência do prazo decadencial para algumas competências incluídas na autuação não altera o valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 7. 00 01 88 /2 00 7- 61 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. . Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13847.000188/200761 Acórdão n.º 2302002.337 S2C3T2 Fl. 146 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 11/07/2007, com ciência em 12/07/2007, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, por não ter apresentado à fiscalização documentos formalmente solicitados no período de 01/1997 a 12/2003. De acordo com o relatório fiscal da infração, fl.13/14, a autuada, regularmente intimada através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD fls. 10/11, não apresentou os documentos solicitados como as folhas de pagamento do período de 01/1997 a 12/1999 e o Livro Registro de Entrada de Mercadorias, bem como as notas fiscais de aquisição de produtos rurais, do período de 01/1997 a 12/2003. Após a impugnação, Acórdão de fls. 56/57, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega que a obrigação principal está prescrita, não havendo como subsistir a obrigação acessória. Por fim, requer que o advogado seja intimado da decisão a ser proferida. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. A recorrente foi autuada por não apresentar documentos exigidos pelo Fisco, como folhas de pagamento de segurados, Livro Registro de Entrada de Mercadorias e notas fiscais de aquisição de produtos rurais. Ao agir desta forma, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13847.000188/200761 Acórdão n.º 2302002.337 S2C3T2 Fl. 147 5 no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. A recorrente argúi a decadência da obrigação principal que acarreta a consequente desconstituição da obrigação acessória. O auto de infração compreende as competências de 01/1997 a 12/2003 e a ciência do mesmo se deu em 12/07/2007 e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, sendo que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acataremna: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No caso presente, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2001, inclusive esta: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas um documento em uma competência que não tivesse sido apresentado, o valor da multa se manteria íntegro. Quanto à intimação dos atos administrativos, o parágrafo 4º, do artigo 23, do Decreto n.º 70.235/72, traz que será considerado o domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10280.005095/2005-25
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001
Ementa: DITR AUDITADA CONFRONTADA COM OUTRA DITR TRANSMITIDA NO MESMO DIA - IMPROCEDÊNCIA DA AFIRMAÇÃO DE NEGATIVA DA TRANSMISSÃO DA DITR AUDITADA. Se as DITR dos exercícios precedentes e posterior têm os mesmos dados das áreas do imóvel rural da DITR auditada, não se pode acatar a afirmação de que o contribuinte não transmitiu a DITR auditada, mas somente uma DITR posterior, no mesmo dia, notadamente quando esta última contém dados diferentes do imóvel auditado em relação as DITR transmitidas em períodos antecedentes e posterior.
ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPUTAÇÃO DO ÔNUS AO ADQUIRENTE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS NO TÍTULO AQUISITIVO.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em Io de janeiro de cada ano, na forma do art. Iº da Lei n° 9.393/96. Ocorrendo alienação do imóvel após o fato gerador, o adquirente somente responde pelo tributo incidente sobre o bem se não contar do título aquisitivo a prova de sua quitação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.531
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 Ementa: DITR AUDITADA CONFRONTADA COM OUTRA DITR TRANSMITIDA NO MESMO DIA - IMPROCEDÊNCIA DA AFIRMAÇÃO DE NEGATIVA DA TRANSMISSÃO DA DITR AUDITADA. Se as DITR dos exercícios precedentes e posterior têm os mesmos dados das áreas do imóvel rural da DITR auditada, não se pode acatar a afirmação de que o contribuinte não transmitiu a DITR auditada, mas somente uma DITR posterior, no mesmo dia, notadamente quando esta última contém dados diferentes do imóvel auditado em relação as DITR transmitidas em períodos antecedentes e posterior. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPUTAÇÃO DO ÔNUS AO ADQUIRENTE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS NO TÍTULO AQUISITIVO. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em Io de janeiro de cada ano, na forma do art. Iº da Lei n° 9.393/96. Ocorrendo alienação do imóvel após o fato gerador, o adquirente somente responde pelo tributo incidente sobre o bem se não contar do título aquisitivo a prova de sua quitação. Recurso negado.
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Numero do processo: 10480.722517/2009-06
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. EXPLORAÇÃO JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis corresponde à diferença entre a arrecadação bruta do mês e a dedução das premiações pagas aos apostadores ou desistências, subtraídas, ainda, as receitas já declaradas e tributadas pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicação com base em meros indícios de utilização de interpostas pessoas. Ausência de nexo de causalidade com a infração e fraude não comprovada. Redução da penalidade para o patamar de 75%, DEMAIS OMISSÕES. Mantenho o lançamento das demais omissões de receitas apuradas, por não terem sido objeto do recurso apresentado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. O decidido para o lançamento principal deve ser estendido aos demais lançamentos reflexivos face à vinculação existente.
Numero da decisão: 1401-000.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto relator.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recorrente MCCM ENTRETENIMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. EXPLORAÇÃO JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis corresponde à diferença entre a arrecadação bruta do mês e a dedução das premiações pagas aos apostadores ou desistências, subtraídas, ainda, as receitas já declaradas e tributadas pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Joao Carlos De Figueiredo Neto Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1131.994, proferido pela Primeira Turma da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, que decidiu manter integralmente o lançamento consubstanciado nos autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 03 a 10), do Programa de Integração Social – PIS (fls. 21 a 28), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 37 a 44), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 53 a 61), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 25.412.069,25. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 72 a 101) sintetiza os trabalhos fiscais, informando que foram apuradas as seguintes infrações: (i) Omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem e da efetividade da entrega dos recursos contabilizados no caixa a título de suprimento de numerários no ano de 2004; (ii) Omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem e da efetividade da entrega dos recursos contabilizados no caixa a título de empréstimos tomados a empresas ligadas no ano de 2005; (iii) Omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem e da efetividade da entrega dos recursos contabilizados no caixa a título de empréstimos tomados dos sócios no ano de 2006; (iv) Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de receitas de prestação de serviços de revenda de recargas TIM no ano de 2007; (v) Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização e oferecimento à tributação das receitas originárias da exploração de vídeo loterias nos anos de 2004, 2005 e 2006; Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10480.722517/200906 Acórdão n.º 1401000.713 S1C4T1 Fl. 1.409 3 (vi) Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados nos anos de 2004, 2005 e 2006; (vii) Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre os pagamentos sem causa/operação não comprovada nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007; (viii) Falta de recolhimento de tributos federais devidos – diferença entre os valores declarados em DCTF e aqueles informados em DIPJ; Ainda de acordo com o TVF (fls. 101), foi lavrado auto de infração à parte para a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte. O referido auto tramita de forma autônoma, sob outro número de processo, eis que, consoante se verifica dos documentos acostados ao presente feito, tratase apenas de Autos de Infração para cobrança do IRPJ e tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS). Inconformada com os lançamentos, a Recorrente apresentou impugnação às fls. 1.287 a 1.311, alegando, em síntese, que: 1) o lançamento seria nulo, porquanto teria havido cerceamento do direito de defesa, posto que os documentos foram analisados pela autoridade lançadora não foram disponibilizados à Impugnante, ora Recorrente, em tempo hábil à confecção da defesa; 2) a incidência do IRRF e do IRPJ sobre os valores dos prêmios pagos caracterizaria bis in idem, procedimento que seria “rechaçado pelo sistema tributário nacional”. Somente a efetiva remuneração pelos serviços prestados poderia integrar a base para apuração do lucro presumido; o critério adotado pela fiscalização teria ido de encontro ao princípio da capacidade contributiva; 3) não teria havido motivo para a aplicação da multa qualificada. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE, esta houve por bem julgála improcedente e, por meio do acórdão 1131.994, manteve integralmente o lançamento. O acórdão restou assim ementado: Assunto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS. IRPJ DECLARADO E NÃO PAGO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. OMISSÃO DE RECEITA. EXPLORAÇÃO JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis abrange o valor total das apostas recebidas. Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. É cabível a aplicação de multa qualificada (150%), quando se constata o evidente intuito de fraudar o fisco por parte do contribuinte, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada do acórdão acima, a Recorrente, irresignada com o resultado do julgamento, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.347/1.399, alegando ser incorreta a base de cálculo eleita pela Autoridade Fiscal, bem como a ausência de fundamentos para a imposição da multa qualificada passa a ser apreciado por este Conselho. Ressaltase, de imediato, que não há qualquer menção, no Recurso Voluntário, acerca da omissão de receitas pela ausência de comprovação da origem e da efetividade da entrega dos recursos contabilizados a título de empréstimos dos sócios e, ainda, acerca da falta de contabilização de receitas de prestação de serviços de revenda de recargas TIM. É o relatório. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10480.722517/200906 Acórdão n.º 1401000.713 S1C4T1 Fl. 1.410 5 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1. Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. De acordo com as informações constantes do recurso voluntário, “encerrado o procedimento de fiscalização e formalizados os decorrentes lançamentos de ofício, restou notificado a Recorrente do conteúdo dos lançamentos em 11.12.2009, sem que, no entanto, fossemlhes devolvidos os documentos exigidos pelas autoridades lançadoras ou aqueles apreendidos pela Polícia Federal na execução da operação ‘Zebra’, não obstante sucessivos requerimentos dirigidos à Delegacia da Receita Federal, seja para liberação, seja para obtenção de fotocópia. (...) Até a data de 17.12.2009, a Recorrente não teve acesso aos documentos utilizados pelas autoridades lançadoras para estribar os lançamentos de ofício, ficando, deste modo impossibilitada de conferir e eventualmente contraditar as informações postas nos mencionados Autos de Infração.” A Recorrente afirma, portanto, que teve o exercício do seu direito de defesa cerceado pelo fato de os documentos necessários para realizála terem permanecido em posse das autoridades lançadoras ou da Polícia Federal até o dia 17/12/2009, sendo que o prazo para defesa iniciouse em 11/12/2009. Assim, por entender que o seu prazo para apresentar defesa foi reduzido, requer seja anulada a autuação pelo comprovado cerceamento do seu direito de defesa. Cabe notar que, embora a Recorrente sustente em seu recurso que “em face da impossibilidade da Recorrente de, no período compreendido entre 11/12/2009 a 17/12/2009, cotejar os fundamentos do lançamento com os documentos utilizados pela autoridade lançadora, depreca para que decrete esse Colendo Conselho, em preliminar, a nulidade do processo administrativo, reabrindo o prazo para impugnação”, ao fundamentar o pedido do seu recurso pleiteou a anulação da autuação pelo cerceamento do direito de defesa e, também, na parte de encaminhamento do seu recurso (fl. 1.347) informou que a nulidade do processo atinge a totalidade do crédito consubstanciado no lançamento de ofício. Pela leitura das contraposições que se apresentaram, verificase que não houve obstáculo à elaboração da defesa. Como bem mencionou a DRJ, as infrações que se constataram foram embasadas no Livros Razão e Diário e planilhas apresentadas pela própria Recorrente, sendo que os primeiros foram devolvidos antes da lavratura dos autos de infração, segundo consta do Termo de Verificação Fiscal. A Recorrente não dependia, portanto, exclusivamente do que foi apreendido pela Polícia Federal para embasar a sua defesa. Ademais, foram comprometidos somente seis dias do prazo de que dispunha para se defender. O prazo de 30 dias para impugnação é extenso justamente para que as partes tenham tempo hábil para localizar documentos, buscar novas provas, obter cópia de processos e elaborar a sua defesa. Desse modo, é de se concluir que o fato de documentos terem Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 permanecido com a Polícia Federal até o dia 17/12/2009 não operou influência na feitura da defesa. Ademais, ainda que o atraso na devolução dos documentos tivesse realmente prejudicado o exercício de defesa da contribuinte, não seria o caso de anular os lançamentos, como pretendeu a Recorrente. A nulidade em análise abrangeria tãosomente a decisão recorrida, caso ela tivesse ofendido o princípio da ampla defesa face ao não acolher o fundamento quanto à suposta exigüidade do prazo entre a devolução de documentos e a apresentação da impugnação. Contudo, ainda que fosse essa a situação, o lançamento propriamente dito não seria afetado. Assim, mesmo que a decisão em primeira instância fosse anulada, seria reaberto novo prazo de impugnação e, em seguida, outra decisão seria proferida. Os lançamentos permaneceriam intactos, não havendo que cancelálos. Por essas razões, deixo de acolher a preliminar suscitada. 2. Omissão de receitas da atividade: falta de registro de receitas decorrentes da exploração de vídeoloteria. Em decorrência da análise dos relatórios intitulados “Relatórios de Controle de Máquinas Fechamento – Todos os Representantes”, encaminhados pela Fiscalizada, no qual constava o valor total de “Valor Entrada” e “Valor Saídas” e “Resultado”, a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte a apresentar a natureza e a origem dos valores discriminados naqueles relatórios. A ora Recorrente informou que (fl. 539): (...) na vídeo loteria, a “entrada” em máquina era um crédito que apostador solicitava, e a “saída” era a desistência desse apostador na continuidade da aposta, tal como registrado no “relatório resumo para a apuração da receita” que foi anteriormente entregue a essa Fiscalização. A título de exemplo: se um apostador solicitasse R$10,00 em crédito para uma máquina, e posteriormente, desistisse de apostar com o mesmo valor em crédito na máquina, esses mesmos R$10,00 reais eram devolvidos (e registrados na máquina como saída), sem que houvesse premiação. Outro fato relevante é que quotidianamente um mesmo apostador “transferia”, total ou parcialmente, os créditos de um para outro dos equipamentos de vídeoloteria, notadamente sem que tal “retirada” consistisse em premiação. Em virtude da explicação acima, a Recorrente entendia ser tributável a diferença entre entradas e saídas das máquinas, valores estes que consistiriam na sua receita tributável. Confirase a constatação da Autoridade Fiscal (fl. 82): Através dos Relatórios de Controle de Máquinas Fechamento – Todos os Representantes, encaminhados pela fiscalizada, para os anos de 2004 e 2005, foi verificado que os valores das receitas contabilizados e declarados pela empresa em sua DIPJ Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10480.722517/200906 Acórdão n.º 1401000.713 S1C4T1 Fl. 1.411 7 corresponderam à diferença entre as Entradas de Máquinas e as Saídas de Máquinas, constantes dos citados relatórios. (Sem destaques no original) A Recorrente, todavia, apresentou apenas esclarecimentos acerca do relatório que discriminava o total de “entradas” e de “saídas” de cada máquina. E, em virtude da ausência de comprovação de que as “saídas” eram os valores correspondentes às desistências, a Autoridade Fiscal entendeu ser tributável o montante de “entradas” que constava no relatório das máquinas, sem dedução das “saídas”. Vejase (fl. 84): Voltando ao caso em tela e considerando que a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório de que as saídas de máquinas correspondessem às desistências dos apostadores e ainda que nem os valores das entradas de máquinas (supostos créditos dos apostadores) e nem os valores das saídas de máquinas (supostas desistências) foram contabilizados pela fiscalizada, tendo sido contabilizadas apenas as diferenças entre elas, concluímos que as entradas de máquinas correspondem às apostas realizadas e que as mesmas configuram a receita da exploração da atividade de jogos eletrônicos/vídeoloteria no período, haja vista que as supostas desistências não foram comprovadas nem sequer contabilizadas. É dizer: a fiscalização não admitiu que as saídas, assim por ela interpretadas como pagamento de prêmios em decorrência das apostas bem sucedidas, fossem deduzidas da base tributável, uma vez que a fiscalizada apenas alegou que as saídas correspondiam a desistência dos apostadores ou transferência dos créditos dos apostadores de uma máquina para outra. Inicialmente, antes de adentrar na base de cálculo tributável na exploração de jogos de azar, é importante tecer algumas considerações acerca do ônus da prova na constituição de crédito tributário. A respeito da utilização de indícios como meio de prova, deve ser lembrado que o direito tributário não admite que o lançamento seja efetuado com base em meros indícios isolados, sem a comprovação da ocorrência do fato gerador. O princípio da legalidade previsto no art. 150, I, da Constituição da República em conjunto com o art. 97 do CTN impõem à lei a definição de todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária. Assim, o lançamento tributário só é válido se demonstrado, durante o procedimento fiscal, a certeza da ocorrência do fato gerador, vez que o lançamento que se fundamenta em “indícios” isolados ofende aos princípios da legalidade e tipicidade. Contrariamente ao que se observa no Direito Privado, em que o julgador fundamenta seu entendimento a partir da valoração das provas trazidas aos autos pelas partes, no Direito Tributário impera a busca pela verdade material, sendo que o julgador deve verificar a comprovação da ocorrência do respectivo fato gerador, não podendo se ater a presunções das Autoridades Fiscais que não encontram amparo específico na lei. Isso porque, as presunções são resultados de análise de fatos conhecidos para apurar uma conclusão ainda desconhecida. As presunções simples não são admitidas como meio de prova hábil a constituir o crédito tributário. Já nas presunções legais a lei atribui à Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 conclusão uma certeza, que poderá ser rechaçada pelo contribuinte que fizer prova em contrário. Estas, portanto, são admitidas na constituição do crédito tributário. Ou seja: o ônus da prova que fundamenta o lançamento tributário é do Fisco, ressalvados os casos de presunções legais, onde este ônus se inverte, e passa a ser do contribuinte a incumbência de afastar o lançamento. Verificase, no presente caso, que a Autoridade Fiscal analisou as planilhas entregues pelo contribuinte e concluiu que a coluna “entradas” eram as receitas auferidas, impondo ao contribuinte o ônus de comprovar que as “saídas” eram as desistências dos jogadores. Por não realizar essa prova, a Autoridade Fiscal entendeu ser tributável o total das “entradas” e não somente a diferença “entradassaídas” que fora tributada pelo contribuinte. Percebese que a Autoridade Fiscal, com base em um único indício, presumiu que, por ausência de provas, as “saídas” não poderiam ser consideradas como “desistências” e, então, as qualificou como pagamento de prêmios. Do mesmo modo, em relação ao total das entradas, a Autoridade Fiscal presumiu que os recursos informados nos relatórios de fls. 503/519 e planilha de fl. 608 espelhariam os extratos das máquinas de apostas. Em vista das considerações iniciais, entendo que a planilha analisada pela Autoridade Fiscal pode ser considerada um indício de que a receita do contribuinte era o total de “entradas”. Todavia, para fundamentar o lançamento tributário, a Autoridade Fiscal deveria trazer aos autos um conjunto probatório que fundamentasse sua conclusão, não tão somente impor ao contribuinte o ônus de refutar sua presunção. Neste sentido, entendo não ser possível manter o lançamento tributário partindo da presunção de que as receitas auferidas pelo contribuinte eram aquelas escrituradas nas planilhas que demonstravam o relatório de máquinas, uma vez que não há qualquer outro indício que corrobore com a conclusão tirada pela Autoridade Fiscal. Além da impossibilidade de manter o lançamento fundado em um único indício, afasto o presente lançamento por entender que mesmo na hipótese de se acolher a tese da Autoridade Fiscal (de que as saídas consistem nos prêmios pagos aos jogadores), entendo que receita auferida na exploração de jogos é a diferença entre as apostas e os prêmios pagos aos jogadores. Diferentemente da Autoridade Fiscal, entendo que os prêmios não devem compor a base tributável, mesmo que o contribuinte tenha optado pelo regime de tributação do lucro presumido. A Recorrente, portanto, agiu acertadamente ao submeter à tributação apenas as receitas correspondentes à diferença entre o total das entradas e o total das saídas, sendo estas equivalentes ao pagamento dos prêmios aos seus clientes bem sucedidos em suas apostas. Esta conclusão tem embasamento no art. 43, inciso I, do Decreto nº 981/93 que, ao tratar de normas gerais sobre desportos, definiu que, do total dos recursos arrecadados em cada sorteio, 65% serão destinados para premiação, incluída a parcela do imposto sobre a renda e outros eventuais tributos. De acordo com os relatórios de fls 503/519 verificase que, na média geral, o total das saídas no período fiscalizado equivaleu a aproximadamente 65% da quantia arrecadada, variando em alguns meses para mais e em outros meses para menos. Acredito que os motivos dessa variação decorre do fato de existirem prêmios acumulados e que são pagos em competências posteriores à sua arrecadação. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10480.722517/200906 Acórdão n.º 1401000.713 S1C4T1 Fl. 1.412 9 As receitas da exploração da atividade de vídeoloteria são, portanto, o total das entradas, assim compreendidas como apostas, subtraídas as desistências ou prêmios pagos aos clientes. Repare que não estou a dizer que devem ser deduzidas despesas normais da atividade, tampouco desconsiderando as diferenças cruciais entre o regime de tributação pelo lucro presumido e pelo lucro real. Entretanto, não é aceitável tributar como receitas da atividade os prêmios que nada mais são do que receitas de terceiros. Em outras palavras, embora as entradas correspondam ao valor das apostas é, também, do valor das apostas que são retirados os prêmios pagos aos clientes ganhadores, não sendo razoável, desse modo, que a tributação pelo IRPJ e demais reflexos recaiam sobre o total das entradas, impedindo a dedução das saídas a títulos de prêmios. Vale ressaltar que as conclusões de que as saídas em análise são prêmios pagos aos clientes decorrem do próprio Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual a Autoridade Fiscal realizou uma presunção de que o total das receitas omitidas seriam aquelas apontadas nos relatórios apresentados pela contribuinte, bem como na planilha de fl 608, que corresponde a uma prova emprestada pela Polícia Federal. Confirase alguns trechos relevantes do TVF: “Voltando ao caso em tela e considerando que a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório de que as saídas de máquinas correspondessem às desistências dos apostadores e ainda que nem os valores das entradas de máquinas (supostos créditos dos apostadores) e nem os valores das saídas de máquinas (supostas desistências) foram contabilizados pela fiscalizada, tendo sido contabilizadas apenas as diferenças entre elas, concluímos que as entradas das maquias correspondem às apostas realizadas e que as mesmas configuram a receita da exploração da atividade de jogos eletrônicos/vídeoloteria no período, haja vista que as supostas desistências não foram comprovadas nem sequer contabilizadas. Por outro lado, considerando que a fiscalizada informou que as receitas escrituradas foram provenientes da exploração de vídeo loterias e que as informações de entradas e saídas de máquinas são provenientes do relatório de controle de máquinas, sendo as entradas de máquinas correspondentes aos créditos dos apostadores, as saídas de máquinas não podem ser consideradas desistências, uma vez que não foi apresentado nenhum documento para sua comprovação. As supostas desistências, se houveram, correspondem a uma etapa anterior à efetivação das apostas e o relatório de fechamento de máquinas corresponde aos valores efetivamente entrados e saídos da máquina, ou seja, não resta outra conclusão a não ser a de que as entradas de máquinas são as apostas e as saídas o resultado dessas apostas que se traduziram em acertos dos apostadores, isto é em premiação. Ademais e conforme acima mencionado a fiscalizada não logrou comprovar com documentação hábil e idônea que as ditas saídas de máquinas correspondessem à desistência dos apostadores. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Por outro lado, tendo em vista que a fiscalizada optou pela tributação com base no lucro presumido, temos que a receita bruta para efeito de apuração do Lucro Presumido se refere às entradas de máquinas que correspondem ao valor total das apostas recebidas” (TVF – fls. 84) Embora alegasse que as saídas de máquinas corresponderam às desistências dos apostadores, não foi apresentado qualquer documento que comprovasse tal alegação. Por outro lado, também não apresentou qualquer documento ou controle sobre os pagamentos dos prêmios decorrentes das apostas. (TVF – fls. 84) Percebese que a Autoridade Fiscal, com base em indícios, presumiu que, por ausência de provas, as “saídas” não poderiam ser consideradas como “desistências” e, então, as qualificou como pagamento de prêmios. Do mesmo modo, em relação ao total das entradas, a Autoridade Fiscal presumiu que os recursos informados nos relatórios de fls. 503/519 e planilha de fl. 608 espelhariam os extratos das máquinas de apostas. Entretanto, como exposto linhas atrás, é cediço que em matéria tributária os indícios não constituem provas e os prêmios reunidos em poder da Recorrente não significam que ela detém a disponibilidade jurídica daquela renda, não podendo ser tomados como valores representativos do total das entradas como acréscimos patrimoniais, sendo que os prêmios constituem receitas próprias de terceiros que ficam, temporariamente, em poder a Recorrente. Se o Fisco acusa a Recorrente de ter omitido receitas, é fundamental que ele também estabeleça o nexo causal entre cada documento e a suposta receita omitida, bem como comprove que a natureza de cada saída e a sua relação com o acréscimo patrimonial das entradas. Não pode o Fisco utilizarse de presunções que não decorrem de lei para estabelecer obrigações tributárias a partir de condutas que, supostamente, refletem a omissão de rendimentos. É o que ensina o r. jurista Roque Antônio Carraza, que faz interessantes considerações sobre o indevido uso de presunções e indícios por parte das Autoridades Fiscais, resultando na indevida cobrança de tributos: O que estamos pretendendo dizer é que no campo tributário a utilização de presunções deve ser feita com parcimônia – quando não com mão avara –, para que não restem desconsiderados os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade dos tributos e das sanções fiscais. A pretexto de combater a fraude ou agilizar a arrecadação, à Fazenda Pública não é dado presumir fatos para compelir os contribuintes a pagar tributos ou suportar multas fiscais. É que a liberdade e a propriedade das pessoas não podem navegar ao sabor das presunções. Muito menos, como veremos em seguida, das ficções e indícios. Os indícios não passam de começo de prova, insuficientes, em si mesmos, para fazerem nascer tributos ou penalidades. A necessidade de proteger a Fazenda Pública da eventual máfé do contribuinte não basta para permitir a utilização acriteriosa de indícios contra ele, até porque isto fatalmente atropelaria os princípios constitucionais tributários que o protegem. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10480.722517/200906 Acórdão n.º 1401000.713 S1C4T1 Fl. 1.413 11 Não havendo certeza quanto aos fatos, nem o tributo pode ser exigido, nem, muito menos, a sanção fiscal pode ser aplicada. Noutros termos, os indícios não exoneram a Fazenda Pública do onus probandi. É que os indícios possuem valor probatório mínimo, não podendo ser utilizados isoladamente. Pelo contrário, são sinais que devem ser reforçados por outras provas coligidas pelo Fisco. Sem tal corroboração não se mostram prestáveis para lançar um tributo ou impor uma penalidade fiscal. Cumpre, assim, à Administração Fazendária averiguar se por detrás dos indícios existem o suspeitado fato imponível ou a possível infração tributária. Quando desacompanhados de provas (diretas ou indiretas) não podem produzir nem contribuintes nem, muito menos, culpados. No rol dos indícios incluise a denominada “prova emprestada”, amiúde invocada pelo Fisco, consistente em informações prestadas por terceiros, estranhos ao litígio. Esta modalidade de prova tem, em rigor, o mesmo valor atribuído aos indícios, exatamente porque não resulta de procedimento contraditório, protagonizado pelas partes do processo, mas de meros atos praticados em esfera alheia à organização administrativa do ente tributante. (...) Absolutamente não é dado ao Fisco decidir, em detrimento do contribuinte, sem base em provas documentais, perícias, levantamentos contábeis, admissões de culpa e outros elementos de igual tope. Calham, a propósito, as percucientes observações de Celso Antônio Bandeira de Mello, verbis: “O Fisco não deve e não pode assumir as vestes e a psicologia do verdugo, que o administrado não é um servo do Estado – mas cidadão – nem é réu, por presunção, a quem se devam infligir castigos fiscais, só absolvíveis ante inconfutável prova de ovina inocência”. (CARRAZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 24ª Edição. São Paulo: Malheiros Editores, 2008. p. 463/467) Caso a Autoridade Fiscal tivesse algo a se opor quanto à natureza das saídas, deveria têlo feito mediante comprovação de que não se trata exclusivamente de pagamento de prêmios. Contudo, simplesmente manteve a sua presunção de que as saídas não refletem desistência, e sim, o pagamento de prêmios. Do mesmo modo, presumiu que o valor das entradas é o valor informado no relatório de fls. 503/519, sem aprofundar nas diligências a fim de averiguar a veracidade dessas conclusões. Demais disso, objeto da prestação de serviços é o jogo e a sua remuneração é o valor perdido; e não o valor apostado. Se se considerar que é o valor apostado, ou seja, o valor em risco é considerado receita, então a devolução da desistência seria despesa ou custo – o que não tem o menor cabimento. Lado reverso, sob a ótica do apostador, e seguindo a mesma lógica, se o valor apostado é receita para a empresa de jogos, é despesa para o apostador. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Assim, em caso de desistência, o valor devolvido pela casa de jogos seria despesa para a casa de jogos e rendimento da pessoa física, o que me parece, a princípio, um absurdo. Feitas essas considerações, dou provimento às alegações da Recorrente no sentido de afastar a tributação sobre o total das “entradas”, bem como entendo que a receita tributável é a arrecadação bruta deduzida das premiações pagas aos apostadores, em consonância com jurisprudência deste Conselho: IRPJ Evidenciado que a parcela destinada à premiação foi repassada aos respectivos ganhadores dos sorteios de "bingo" , há que expurgála da base considerada receita omitida. (Acórdão nº 10193.226 em 18/10/2000) BINGO A parcela destinada à premiação, repassada aos ganhadores dos sorteios de "bingo", deve ser expurgada da base tributada a título de receita tributável. Recurso voluntário conhecido e provido. (Acórdão nº 10515.849 em 26/07/2006) 3. Multa qualificada com base em indícios. Impossibilidade. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 90 dos autos) que “apesar de a MCCM possuir sócios que não participam do capital social das demais empresas do grupo, conforme seu contrato social, os elementos examinados permitem concluir que a fiscalizada faz parte do grupo econômico, pois é gerida pelos mesmos sócios gestores daquele e ainda apontam para indícios de utilização de interposição de pessoas.” Novamente na fl. 100 o Fisco menciona que foram levantados ainda, no curso da presente ação fiscal, fortes indícios de utilização de interpostas pessoas no quadro societário da fiscalizada, haja vista que foram detectados nos documentos apreendidos pela Operação Zebra relatórios em que os sócios da fiscalizada aparecem como empregados do grupo ‘Sonho Real’. Assim, concluímos que os referidos valores foram mantidos à margem da tributação ao que parece com o fito de impedir o seu conhecimento pelo fisco federal e assim reduzir o pagamento de tributos/contribuições federais, o que pode vir a se consubstanciar em crime contra a ordem tributária”. Feitas as transcrições acima, tenho que a aplicação da multa de ofício em sua modalidade qualificada (150%) não merece prosperar por duas razões principais. Primeiramente porque foi aplicada com base em meros indícios de utilização de interpostas pessoas, sem a devida comprovação de que o fato realmente aconteceu. Segundo porque a suposta utilização de interpostas pessoas, nesse caso, não comprometeu o desenvolvimento dos trabalhos fiscais ou impediu o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da omissão de receitas verificada. Não há, inclusive, nenhuma relação entre a composição do quadro societário e a questão do suprimento de caixa abordada nos autos de infração. Para se aplicar a multa qualificada é necessário provas mais robustas acerca da intenção dolosa da conduta da contribuinte, o que não se verificou na hipótese examinada. A fraude deve ser provada com elementos seguros, sendo insuficientes indícios ou meras suspeitas para autorizar a majoração da penalidade aplicada Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10480.722517/200906 Acórdão n.º 1401000.713 S1C4T1 Fl. 1.414 13 Assim, não havendo efetiva comprovação da utilização de interpostas pessoas e, ainda, não tendo sido demonstrado nenhum nexo de causalidade em que a utilização de interpostas pessoas pudesse influenciar no resultado da fiscalização, é o caso de simples omissão de receitas, não justificando a aplicação de multa qualificada, posto que a exasperação da multa só tem sentido nos casos de documentos ideologicamente falsos, materialmente falsos ou adulterados, o que não ocorreu no caso dos presentes autos. Insta ressaltar que, havendo dúvidas sobre a exatidão dos elementos que fundamentam a aplicação da multa qualificada, esta não poderá prosperar em razão do disposto no art. 112 do CTN. Desse modo, entendo que a multa de ofício deve ser reduzida ao patamar de 75%, haja vista a ausência de comprovação de evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, consoante dispõe a Súmula do CARF nº 14, segundo a qual “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” 4. Conclusões. Diante do exposto, acolho o recurso voluntário por considerar que a receita tributária, sujeita à tributação pelo IRPJ e demais lançamentos reflexos, corresponde à diferença entre a arrecadação bruta do mês e a dedução das premiações pagas aos apostadores ou desistências, subtraídas, ainda, as receitas já declaradas e tributadas pelo contribuinte. Assim, afasto o lançamento em relação à omissão de receitas correspondente à falta de registro de receitas decorrentes da exploração de vídeoloteria. Voto também no sentido de que seja reduzida multa de ofício para o percentual de 75%, tendo em vista a ausência de comprovação da interposição de pessoas bem como do nexo causal entre a composição societária e as omissões cometidas. Mantenho os lançamentos com relação às demais exigências. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 36252.000193/2007-69
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 03/09/2006
INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OU COTAS EM DÉBITO.
A empresa em débito para com a Seguridade Social é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal
ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.101
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou-se a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2006 INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OU COTAS EM DÉBITO. A empresa em débito para com a Seguridade Social é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-15T15:37:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-15T15:37:37Z; Last-Modified: 2009-10-15T15:37:37Z; dcterms:modified: 2009-10-15T15:37:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-15T15:37:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-15T15:37:37Z; meta:save-date: 2009-10-15T15:37:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-15T15:37:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-15T15:37:37Z; created: 2009-10-15T15:37:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-10-15T15:37:37Z; pdf:charsPerPage: 1325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-15T15:37:37Z | Conteúdo => S2-C4T2 Fl. 142 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS tk Z11. é SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36252.000193/2007-69 Recurso n° 143.618 Voluntário Acórdão n° 2402-00.101 — 4a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DÉBITO Recorrente KLIN PRODUTOS INFANTIS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2006 INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OU COTAS EM DÉBITO. A empresa em débito para com a Seguridade Social é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 211 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou- se a decadência das contribuições a ,ur... . • LIVEIRA Presidente e Relator Processo n° 36252.000193/2007-69 S2-C4T2 Acórdão n." 2402-00.101 Fl. 143 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. 2 . • Processo n° 36252.000193/2007-69 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.101 Fl. 144 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Araçatuba/SP, fls. 091 a 095, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 04 a 06, a autuação refere-se a infração ao dispositivo previsto no II, Art. 52, da Lei 8.112/1991, combinado com o II, Art. 280, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Segundo o Fisco, a recorrente, em débito para com a Seguridade Social, distribuiu bonificação ou dividendo a acionista ou deu cota ou participação nos lucros a sócio- cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, o que é vedado pela legislação. A comprovação do débito da recorrente foi por sua declaração em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/1999 a 08/1999, fls. 004. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 03/09/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 067. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 068 a 070, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 099 a 0100, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1.A recorrente corrigiu a falta; e 2.Solicita provimento ao recurso. Posteriormente, foram emitidas contra-razões, fls. 0137 a 0141, onde, em síntese, mantém a decisão proferida, enviando o processo ao Conselho. É o Relatório. 1(9? 3 Processo n°36252.000193/2007-69 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.101 F1.145 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Quanto às preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. Os motivos da autuação estão descritos no RF: dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento, em débito com a Seguridade Social. O débito foi apurado no período de 01/1999 a 08/1999. Primeiramente, cabe esclarecer que a autuação foi motivada por descumprimento de obrigação acessória tributária. A finalidade do ato é que define a regularidade da obrigação imposta pela Administração aos administrados. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V, do art. 156 do CTN. 4 Processo n°36252.000193/2007-69 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.101 Fl. 146 A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, ou na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 30.. Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém ,(2considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 5 Processo n° 36252.000193/2007-69 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.101 Fl. 147 ,¢ 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenci ári as. Ocorre que, no caso em questão, a autuação foi efetuada em 09/2006, data da ciência, e os motivos de sua existência (período da infração) ocorreram entre as competências 01/1999 a 08/1999, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. Ou seja, no período motivador da infração, por qualquer regra quanto a prazo decadencial, a recorrente não estava em débito com a seguridade social. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Sala das Sessões es ' ; de agosto de 2009 /4•10117 kft e e V IRA - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000620/99-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/04/1989 a 31/03/1990
Ementa: FINSOCIAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
É de 05 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o prazo para a Fazenda Nacional constituir, de ofício, o crédito tributário relativo ao FINSOCIAL.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.164
Decisão: Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fez sustentação oral o advogado Vinicius Branco, OAB/SP – 77.583.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/04/1989 a 31/03/1990 Ementa: FINSOCIAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. É de 05 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o prazo para a Fazenda Nacional constituir, de ofício, o crédito tributário relativo ao FINSOCIAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Numero do processo: 17460.000124/2007-55
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/05/2006
OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS -DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência..
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II), no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2000 a 31/05/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS -DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/05/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 01 24 /2 00 7- 55 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II), no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000124/200755 Acórdão n.º 2401002.517 S2C4T1 Fl. 153 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo a contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a remuneração não descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais, a cota patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, no período de 07/2000 a 05/2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 96/106, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados da empresa Teones Laurindo Fernandes Plástico, discriminadas nas folhas de pagamento, nos termos de rescisão de contrato de trabalho e nos recibos de férias, relativos ao período de 07/2000 a 12/2003; 04/2004; 06/2004 a 01/2006 e 05/2006. Informa ainda o RF que, consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome". Inconformada com a decisão de fls. 147 a 151 que julgou procedente o lançamento a empresa recorre à este conselho alegando em síntese: Em sede preliminar pugna pela decadência do lançamento. Aduz que, nas contribuições previdenciária o lançamento é por homologação, se não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, evidente que não havia como registrar as contribuições. Afirma que para a mesma competência existem 5 (cinco) outras notificações pelo mesmo fato gerador, flagrantemente em "bis in idem" e ainda que outros 04(quatro) AI são aplicações de multas pelos mesmos fatos geradores. Continua alegando o seguinte: “Há que se ressaltar que a empresa passa por dificuldades financeiras, somente não foi baixada, mas não está em funcionamento, posto que, para dar baixa na mesma, existem valores a ser pagos e esta não os possui. Algumas irregularidades sem a vontade livre e consciente de causar prejuízo ao erário configuram inexigibilidade de conduta diversa, eis que de todas as formas tenta manter seu quadro de funcionários, sem ter de proceder demissões. (...) a indisponibilidade de recursos da empresa para honrar os compromissos fiscais da empresa no período correspondente ao vencimento das obrigações, torna impossível à ora Impugnante agir de outra forma. Não há dolo em não pagar, não há crime ou desejo de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 causar prejuízo ao erário. Há sim necessidade de manter a empresa e os empregos. Nunca os sócios buscaram causar prejuízo ao fisco, que Federal, Estadual ou Municipal. O que ocorre é que para manter a empresa funcionando e isto possui o lado social, pois esta empresa cumpre sua função social, às vezes necessário se faz deixar de pagar algumas coisas, neste caso foram os tributos. “ Conclui: “Assim, é lícito entender por inculpável o sujeito, ,diante da inexigibilidade de outra conduta que, por se tratar de hipótese não.descrita na lei, configurase em uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade.” Por fim, sustenta a impossibilidade de cumulação da taxa SELIC com juros de mora, citando jurisprudência acerca do assunto. Requer o provimento do recurso, julgando improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000124/200755 Acórdão n.º 2401002.517 S2C4T1 Fl. 154 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A irresignação da recorrente merece acolhimento,consubstanciado nos atuais entendimentos administrativos e jurisprudenciais. DAS PRELIMINARES A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento parcial. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em abril de 2007, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições lançadas referemse às competências intercaladas entre 07/2000 a 05/2006, o que fulmina parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 173, I do CTN, em face da apropriação indébita, devendo ser excluídas do lançamento as contribuições lançadas até a competência 11/2001. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 DO MÉRITO Embora a recorrente afirme que no período do lançamento não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, razão pela qual não havia como registrar as contribuições, temos que, conforme consta no Relatório Fiscal, a presente autuação fora lavrada em nome da recorrente em face da empresa Teones Laurindo Fernandes Plástico em face a constatação de fraude. Vejamos o contido no Relatório: “...consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome" Tal fato, em nenhum momento fora questionado pela recorrente, seja na defesa de primeira instância, seja no recurso ora sob análise, o que implica em aceitação tácita da imputação à ela feita pela fiscalização. Sobre as manifestações acerca da situação financeira da empresa, que justificaria a falta de recolhimentos das obrigações previdenciárias, este conselheiro não deve tecer maiores comentários sobre o assunto. Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal, o que no presente caso, também não foi rebatido pela recorrente. No mais, entende o contribuinte que deva ser afastada a incidência de Juros e a Multa SELIC cumulativamente por ser ilegal e inconstitucional. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais. Sobre este aspecto, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º do Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000124/200755 Acórdão n.º 2401002.517 S2C4T1 Fl. 155 7 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Federal “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, Acolher a preliminar de decadência parcial até a competência 11/2001 e no mérito Negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 10120.720207/2006-95
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
Ementa:
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INICIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81.
Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a
desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA.
Considerando-se que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este Sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota-se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área.
Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte
comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010.
Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação.
Recurso proido.
Numero da decisão: 2101-000.482
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INICIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81. Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específicO de permitir a redução da . base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Considerando-se que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este Sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota-se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo,' pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. Processo n° 10120.72020712006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 204 Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. t-- • CAIO MARCOS CAND O restderite—' ALE • DRE NAOKI NISHIOKA Relator EDITADO EM: 13 JUN 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Conselheira convocada), Odmir Fernandes (Suplente convocado), Alexandre Naoki Nishioka, Caio Marcos Cândido e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 76/81) interposto em 11 de abril de 2008 contra o acórdão de fls. 65/70, do qual o Recorrente teve ciência em 24 de março de 2008 (fl. 75), proferido pela i a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 01/04, lavrado em 20 de setembro de 2006, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2004, decorrente da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental, para efeito de comprovação da área de reserva legal. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: 2 - Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-CIT1 • Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 205 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ABA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação peimanente. Lançamento Procedente" (fl. 65). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 76/81, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório. Voto ' Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISE110KA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que a exigência do ADA não possui suporte legal. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in _verbis: . "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por • natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município". Sem adentrar_ especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do 1TR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a 1 ,, , .\\) 3 Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 206 respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental especifica, disso não decorre a consideração de que - referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5° da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5°, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. zia ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não- incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do lIR, considerar-se-á: [---] II - área tributável a área total do imóvel menos as áreas: ã de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo especifico, na foima indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada "área de preservação permanente" (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.° 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: 4 Processo n° 10120.720207/2006-95 82-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 207 "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de - largura;. 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a ._ 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; - e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; . g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; - h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as 2R-- compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões 6 metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os, princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais fornias de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; -"N\e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou‘ "stórico; I: 5 Processo n° 10120320207/2006-95 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 208 f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as "florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica" (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5' ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação peimanente, consoante esclarece o disposto pelo §1° do art. 3°, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo - I - oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7' deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras• • fornias de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e 7 IV - vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1" O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 22 A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as 6 Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 209 hipóteses previstas no § 3' deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3' Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4' A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I - o plano de bacia hidrográfica; II - o plano diretor municipal; - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5' O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6' Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação peimanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso Ido § 2' do art. I'. § 72 O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 62. § 8' A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desme , bramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. 7 • Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 210 § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, fumado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (- .-) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5' e 6°, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1 Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2° A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3' A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4' Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no- inciso III. § 5' A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deVerá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente e pode ser 8 Processo n° (0120.72020712006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 211 implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44-B. (...)" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supressão Ide florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.° 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das nomias relativas às áreas de preservação pemianente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua ._ localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na foima do §40 do art. 16 da Lei n.° 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei n.° 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.° 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.° 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida \\\( 9 Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 212 determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal n.° 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1' A utilização do ABA para efeito de redução do valor a pagar do ITR opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterou-se a redação do §1° do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-0. (--) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR O é obrigatória." Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81, para à fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida \\\\\çdeclaração no órgão competente. 10 Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C IT1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 213 • No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81. Analisando-se, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, pode-se inferir que a mudança de paradigma deveu- se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizando-se, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, pode-se afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n." 2. Belo Horizonte, jul/dez-2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de policia do IBAMA. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Quer-se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da reduçã da base de 11 Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 214 cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressalte-se, não é o caso. Nesse esteio, recorrendo-se à analogia para o preenchimento de referida lacuna, deve-se recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações filmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendo-se sempre em vista o escopo da noinia inserida no texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir , praticabilidade à apuração da área tributável, verifica-se que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o inicio da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verifica-se que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa "0 específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo • tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem rcztio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. _ À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do cru 1 a omissão Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 171. 215 do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplica-se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.189-49/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou-se anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: "Em virtude da impossibilidade de proceder-se à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores — por não haver retroatividade —, recomenda-se que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA — Exercício 2007 tornou-se ANUAL. , E necessário, também, munir-se de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao lbama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural — pela não apresentação do ADA no Exercício devido —, à ela deverão ser apresentados." Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: ". Ato Declaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertapor Floresta 13 Processo n° 10120.720207/2006-95 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.482 Fl. 216 Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do lbama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; • Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Páblica, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. Diante de todo o exposto, verifica-se que, no presente caso, o Recorrente, conforme se infere da análise dos presentes autos, não apresentou o ADA. Não obstante, comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, mediante a apresentação de cópia da matricula do imóvel com a respectiva averbação em 2001 (primeiro na matricula 7.050 e posteriormente na matricula 374— fl. 114, verso, e fls. 117, verso, e 118), do "Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta" (fl. 129), do memorial descritivo (fls. 133/134) e do mapa do INPE (fls. 38 e 147/148), na forma dos documentos exigidos no Manual de Perguntas e Respostas do ADA editado pelo IBAMA. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, .e para que seja considerada a área de reserva legal declarada pelo contribuinte (39.109,7 ha.). Sala das Sessões-DF, em 14 de abril de 2010:'_ - _ - - , - Alexanee Naoki\lisiiioka 14
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000700/99-39
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO.
A homologação da apuração e dos pagamentos realizados a titulo de
FINSOCIAL é suficiente para determinar a base de cálculo para apuração da parcela paga a maior em virtude da majoração de alíquotas declarada inconstitucional, mediante simples "regra de três " para encontrar. o valor a ser restituído/compensado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.386
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de voto, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Corinth Oliveira Machado (Relator) e Ricardo Paulo Rosa. Os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro votaram pela conclusão. Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO II/RJ ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO. A homologação da apuração e dos pagamentos realizados a titulo de FINSOCIAL é suficiente para determinar a base de cálculo para apuração da parcela paga a maior em virtude da majoração de aliquotas declarada inconstitucional, mediante simples "regra de três " para encontrar. o valor a ser restituído/compensado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de voto, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Corinth° Oliveira Machado (Relator) e Ricardo Paulo Rosa. Os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro votaram pela conclusão. Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. étéra el na Trajapb Amo Daryas-A.1- rim - Presidente 1. J Corintho Oliveirgilyach do - Relator Luciano Lopes de fi1réiâ Moraes — Redat r Designado EDITADO EM: 19/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorirn, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Reporto-me ao relato de fls. 603 e seguintes, por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, e adotado quando da conversão do julgamento em diligência por este Colegiado, que culminou no seguinte dispositivo: Assim é que, após análise de todas as peças e atos deste contencioso, oriento melt voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora da unidade de origem (DEINF/RJO) tome as seguintes providências: a) relativamente aos créditos aqui afirmados como havidos pela recorrente (planilha de fls. 67 constante do Anexo I), verifique, in loco, na escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica ora litigante, se existe lastro para as bases de cálculo da contribuição em tela, e se as aludidas compensa coes foram escrituradas, elaborando despacho conclusivo ao final; b) intime a recorrente do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se, no prazo de trinta dias, no sentido de prestigiar o contraditório e a ampla defesa; Após a efetivação da diligência, retornem os autos a esta Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes para julgamento. Levada a efeito a diligência determinada, fls. 611 e seguintes, veio aos autos o despacho conclusivo de fls. 624/625, dizendo que apesar de solicitar prazo maior para atender a solicitação de apresentação de livros e documentos, e sendo o prazo elastecido, corno solicitado, a recorrente nada apresentou. Intimada do despacho conclusivo de fls. 624/625, manifesta-se a recorrente, fls. 626 e seguintes, dizendo que o pedido de compensação já fora devidamente instruido com os documentos que provam o crédito da recorrente (cópias de decisões judiciais, DARFS, declarações de rendimento e planilhas explicativas). Aduz que as bases de cálculo constam das declarações de rendimento, e se essas não foram impugnadas pelo Fisco, a questão está superada. Ato seguido, subiram os autos para apreciação deste Colegiado. o Relatório. 2 Processo n° 13707.000700/99-39 S3-C I T2 Acórdão n.° 3102-00.388 Fl. 631 Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator 0 recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em virtude de não haver preliminares, passa-se, de plano, ao mérito da lide. Cumpre rememorar que a conversão do julgamento em diligência, neste Colegiado, ocorreu porque a i. relatora, à época, entendeu que os elementos constantes do processo não eram suficientes para comprovar o crédito aqui pretensamente compensado. Nesse sentido, outros elementos foram requeridos por este Colegiado, para poder lastrear a compensação pleiteada. Entendo que não cabe A. recorrente, nesse momento processual, fazer juizo de valor a respeito da deten -ninação exarada por esta Câmara, e sim cooperar corn os trabalhos desta Casa, da melhor maneira possível, justamente porque o ônus de provar o credito a compensar é de quem pede, e não de quem aprecia o pedido. Pois bem, após o resultado da diligência determinada, vieram aos autos dois documentos (o despacho conclusivo, elaborado pela auditoria-fiscal, e a manifestação da recorrente) que mostram não so a in -esignação da recorrente, relativamente ao que fora acordado na Resolução que entendia não estar comprovado, de plano, o seu direito, mas também a sua resistência em colaborar corn este Colegiado, no seu mister de buscar a verdade objetiva para a solução do caso apresentado. Nessa moldufa, voto por DESPROVER o presente recurso voluntário. I Corintho O 43/did Machado Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes - Redator Designado Como podemos verificar dos autos, a recorrente formulou pedido de compensação do crédito tributário decorrente de pagamento a maior de FINSOCIAL corn débitos da COFINS. A RFB entendeu .não poder acolher o pedido da recorrente, porque não haveria comprovação dos valores pagos. Entendo que a decisão deve ser revista, isto porque a discussão travada se deu em relação à majoração de aliquota do FINSOCIAL recolhido pela empresa. Se estes pagamentos foram homologados pela RFB, ficou entendido que estavam corretos, não sendo mais este o momento cabível para discutir sua constituição. 3 Assim, mera regra de três é suficiente para apurar o valor a ser repetido/compensado, já que — afastado o meio por cento devido -, a diferença deve ser devolvida à empresa, já que configurada como pagamento a maior. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lope r e meida Moraes 4
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004606/2007-13
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. MERA CÓPIA AOS ARGUMENTOS DA
IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO PER RELATIONEM.
IMPOSSIBILIDADE.
O recorrente deve expressamente trazer as razões da insurgência no recurso voluntário, por aplicação analógica do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante), não sendo possível a argumentação per relationem, como feita pelo recorrente, a impingir o ônus ao relator para compulsar as defesas deduzidas na primeira instância, extraindo aquelas que eventualmente fossem compatíveis com o julgado recorrido e o recurso voluntário. Ora, é ônus do recorrente apontar
expressamente os pontos para os quais pretende que a Turma julgadora aprecie, não sendo viável a mera cópia aos argumentos da impugnação.
SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM COMPROVADA. MÚTUO.
Comprovada a existência de mútuo, não incluídos no fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, retifica-se o lançamento na proporção das origens comprovadas.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
GANHO DE CAPITAL. REAVALIAÇÃO DE BENS.
A única permissão legal para reavaliação de bens na declaração de
rendimentos foi aquela dada pelo art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991, que vinculava tal prerrogativa à Declaração de Rendimentos do exercício de 1992, ano-calendário de 1991.
IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS.
A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o montante de R$ 26.765,54 da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. MERA CÓPIA AOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO PER RELATIONEM. IMPOSSIBILIDADE. O recorrente deve expressamente trazer as razões da insurgência no recurso voluntário, por aplicação analógica do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante), não sendo possível a argumentação per relationem, como feita pelo recorrente, a impingir o ônus ao relator para compulsar as defesas deduzidas na primeira instância, extraindo aquelas que eventualmente fossem compatíveis com o julgado recorrido e o recurso voluntário. Ora, é ônus do recorrente apontar expressamente os pontos para os quais pretende que a Turma julgadora aprecie, não sendo viável a mera cópia aos argumentos da impugnação. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM COMPROVADA. MÚTUO. Comprovada a existência de mútuo, não incluídos no fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, retifica-se o lançamento na proporção das origens comprovadas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. GANHO DE CAPITAL. REAVALIAÇÃO DE BENS. A única permissão legal para reavaliação de bens na declaração de rendimentos foi aquela dada pelo art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991, que vinculava tal prerrogativa à Declaração de Rendimentos do exercício de 1992, ano-calendário de 1991. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte
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MERA CÓPIA AOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO PER RELATIONEM. IMPOSSIBILIDADE. O recorrente deve expressamente trazer as razões da insurgência no recurso voluntário, por aplicação analógica do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante), não sendo possível a argumentação per relationem, como feita pelo recorrente, a impingir o ônus ao relator para compulsar as defesas deduzidas na primeira instância, extraindo aquelas que eventualmente fossem compatíveis com o julgado recorrido e o recurso voluntário. Ora, é ônus do recorrente apontar expressamente os pontos para os quais pretende que a Turma julgadora aprecie, não sendo viável a mera cópia aos argumentos da impugnação. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM COMPROVADA. MÚTUO. Comprovada a existência de mútuo, não incluídos no fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, retificase o lançamento na proporção das origens comprovadas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 325 2 GANHO DE CAPITAL. REAVALIAÇÃO DE BENS. A única permissão legal para reavaliação de bens na declaração de rendimentos foi aquela dada pelo art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991, que vinculava tal prerrogativa à Declaração de Rendimentos do exercício de 1992, anocalendário de 1991. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o montante de R$ 26.765,54 da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 29/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 284 a 295 da instância a quo, in verbis: Trata o processo de auto de infração de fls. 236/243, exigindo R$ 219.801,32 de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF e multa de ofício de 75 % fundamentada no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora. 2. A autuação referese a: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 326 3 a. Omissão de rendimentos dada a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto apurada nos meses de 03, 04 e 08 a 12/2003, base legal nos arts. 1º a 3º e §§ da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1º e 2º da Lei nº 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 55, XIII e parágrafo único, 806 e 807 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); art. 1º da Medida Provisória nº 22, de 8 de janeiro de 2002 (convertida na Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002); b. omissão de ganhos de capital decorrente da realização parcial do crédito contra a Soalgo – Sociedade Algodoeira Paranaense Ltda, do qual o autuado é detentor de 50% dos valores, tendo sido os demais 50% lançados no sujeito passivo Carlos Henrique Ribeiro Belli, irmão do autuado; fato gerador em 31/08/2003; enquadramento legal nos arts. 1º a 3º e §§, 16, 18 a 22 da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º e 2º da Lei nº 8.134, de 1990; arts, 7º, 21 e 22 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 17, 23 e §§ da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR, de 1999. 3. No “Termo de verificação fiscal” TVF, fls. 227/235, o autuante historia os fatos e descreve as razões da autuação, em detalhe; à fl. 226, Demonstrativos de Variação Patrimonial do anocalendário 2003. 4. Cientificado em 01/10/2007, fl. 248, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 249/271, por meio de seu representante legal, fl. 272, em 30/10/2007. 5. Acerca da autuação de omissão de ganhos de capital, relata que arrematou judicialmente em 13/08/2003, 50%, em parceria com seu irmão, 21 lotes rurais em ação judicial, pelo valor total de R$ 1.512.603,29, em processo de execução de título extrajudicial movido originalmente pelo Banco do Estado do Paraná S/A, contra a empresa SoalgoSociedade Algodoeira Paranaense Indústria e Comércio Ltda e outros, adquirindo a titularidade ativa junto com o irmão pelo valor total de R$ 1.100.000,00, sendo que o crédito nominal era de R$ 14.515.666,39, ou seja, o crédito integral foi adquirido por R$ 1.100.000,00, sendo R$ 550.000,00 a sua parte, e tendo sido a arrematação judicial no valor de R$ 1.512.603,29 (50% do autuado), correspondente a 10,42% do valor do crédito. 6. Sendo R$ 57.310,00 a exata proporção de 10,42% da parte do autuado na referida arrematação, o contribuinte registrou esse valor como o de aquisição em sua declaração de ajuste anual. 7. Mas a fiscalização entendeu que houve ganho de capital na referida arrematação, apurado entre o valor de aquisição corrigido e o valor da arrematação, o que não é correto porque não existe ganho de capital na aquisição de imóvel, mas somente se e quando o imóvel for alienado, e invoca o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de Outubro de 2001; ressalta que não há lucro na aquisição de imóveis, portanto, não há capacidade contributiva a justificar pagamento de IRPF sobre ganho de capital. 8. Lembra que o princípio da capacidade contributiva do art. 145, III, § 1º da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, é cláusula pétrea que impede que haja exação tributária sem que o contribuinte tenha capacidade para suportar o tributo; no caso, o contribuinte nada alienou, nada transferiu, mas adquiriu imóveis rurais, portanto, mão tem capacidade contributiva para responder pela exigência autuada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 327 4 9. Acerca dos acréscimos patrimoniais a descoberto, autuados, não concorda. 10. Afirma que a fiscalização simplesmente desconsiderou o empréstimo de R$ 368.000,00 que o contribuinte recebeu, declarado por ele e pelo mutuante, Sr. Carlos de Oliveira Belli; explica que foi efetuado em dinheiro e cheques de terceiros, já que se trata de empréstimo de pai para filho, não tendo transitado os recursos pela rede bancária; afirma ser pueril o argumento fiscal da inexistência de comprovante de depósitos bancário coincidente em data e valor, ao considerar não comprovado o empréstimo, o que é absurdo dado que em negócios de gado normalmente é pedido prazo para efetuar o pagamento e boa parte do dinheiro é mantida em caixa, para saldar despesas correntes, além de que, inexiste lei que obrigue o contribuinte a depositar todos os valores recebidos em banco, e no mesmo dia, e a totalidade do valor recebido; não é proibido manter dinheiro em espécie. 11. Destaca que o mutuante, seu pai, tinha caixa suficiente para efetuar o empréstimo que declarou e acusa que a autuação baseouse na mera presunção de que o empréstimo não se efetivou, o que impede a autuação de prosperar pois a exigência tributária não corresponde a renda auferida pelo contribuinte, mas a valores recebidos a título de empréstimo, devidamente declarados; aduz que o empréstimo não foi efetivado de uma só vez, mas que o pai lhe foi adiantando valores paulatinamente, na exata medida da necessidade do autuado; conclui que a presunção é um absurdo praticado pelo fisco, em detrimento das garantias fundamentais do contribuinte. 12. Destaca que o signo presuntivo de riqueza que gera a obrigação de recolher IRPF é auferir renda, conforme o art. 43 e incisos do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e conforme autor que cita, para que haja renda, deve haver um acréscimo patrimonial, sendo que, no presente caso, o autuado recebeu um empréstimo, que foi declarado e o qual deverá restituir ao mutuante, sendo que pagará IRPF sobre a renda que deverá auferir a fim de quitar o empréstimo; transcreve acórdão do TRF 1ª RF no sentido de que a movimentação bancária e eventuais sinais exteriores de riqueza outros não consubstanciam, per si, prova de elevação patrimonial e omissão de receita nas declarações anuais para fins de IR. 13. Reiterando que os recursos recebidos em empréstimo foram declarados ao fisco, pelo mutuário e mutuante, lembra que o art. 118, I, do CTN, determina que o fisco não pode desconsiderar ou imiscuirse nas relações entre os particulares, nem modificar a natureza jurídica dos contratos por eles celebrados. 14. Faz uma exposição acerca do instituto da presunção, que representa uma prova indireta partindose de ocorrências de fatos secundários, indiciários, que apontam para o fato principal, desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido, e sobre a utilização perigosa da presunção em matéria tributária, sendo que, pelo menos no tocante às pessoas físicas, esta inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura, o que é corroborado pela jurisprudência e objeto da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos – TFR; cita autor no sentido de que a caracterização do sinal de riqueza depende de vários requisitos, que os depósitos bancários por si sós não satisfazem a perfeita identificação do sinal, a fixação da renda tributável relacionada com o sinal, a demonstração da natureza tributável do rendimento nem a demonstração de que tal renda já não foi tributada.; que o sinal de riqueza – depósitos bancários, que evidenciariam a renda auferida ou consumida pelo contribuinte – deve ser o marco inicial da investigação, não podendo ser aceito como Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 328 5 marco final; por isso, conclui que o fisco errou ao não considerar o empréstimo devidamente declarado ao fisco, tanto pelo autuado como pelo mutuante, para tributar os valores decorrentes desse empréstimo como omissão de receita; afirma que é diabólico exigir que o contribuinte prove que o valor mutuado esteja documentado em cada centavo, com coincidência de datas e valores, simplesmente desconsiderando os documentos apresentados, especialmente em se tratando de operação entre pai e filho. 15. Conclui que cabe ao fisco o ônus de provar a omissão, dado que não há prova por presunção, nem presunção equivale a prova. 16. Acusa que, dada a incerteza decorrente da presunção que embasa o crédito lançado, tratase de um caso de tributação que afronta o princípio constitucional da vedação do confisco, ferindo o direito à propriedade e os princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade. 17. Reconhece que a penalidade administrativa tem sentido reparador e visa proteger o crédito tributário, estando ligada ao mesmo a fim de desestimular os contribuintes de se omitirem ou sonegarem, mas defende que a penalidade não pode destruir o sujeito passivo, não pode tornálo inviável , assim, o exorbitante percentual de 75% aplicado deve ser reduzido ao patamar de 30% como já ocorreu em numerosos acórdãos do Supremo Tribunal Federal – STF; que o percentual de multa aplicado também vulnera os princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade, capacidade contributiva e o direito à propriedade do autuado e pleiteia que a administração o ajuste aos princípios constitucionais, dado que mesmo previsto em lei, tratase de lei inconstitucional; e requer a supressão da penalidade de 150% aplicada sobre o valor da dívida. 18. Requer que lhe seja permitida a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a juntada de documentos novos, perícias e oitiva de testemunhas e demais provas que o contraditório dos autos exigir. 19. O presente processo se compõe de 2 volumes e apensado se encontra o processo nº 10950.004607/200768 de Representação Fiscal para Fins Penais – IRPF, constituído de um volume. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que é devido a apuração de ganho de capital na reavaliação de títulos públicos adquiridos com deságio, conforme o Decreto n°3.000, de 1999 (RIR/1999), art. 418 e que não foram devidamente comprovadas as origens de recursos para justificar o APD apurado, especialmente, pela falta de provas dos empréstimos alegados (mútuo), resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 329 6 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. Para que os recursos oriundos de empréstimos sejam considerados na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, a simples consignação do empréstimo nas declarações do mutuante e do mutuário não pode ser considerada, por si só, meio suficiente de prova, devendo o contribuinte comproválo, mediante provas inequívocas da efetiva transferência do numerário tomado emprestado. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. GANHO DE CAPITAL. Apuramse ganhos de capital tributáveis na realização de direitos de crédito adquiridos com deságio e posteriormente reavaliados. REALIZAÇÃO DE DIREITOS DE CRÉDITO. Ocorre quando há redução do saldo do crédito a receber, equivalente ao valor do pagamento de lotes de terra que haviam sido hipotecados em garantia do mesmo crédito, arrematados pelo próprio detentor desse direito de crédito. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. NOVAS PROVAS. As provas devem ser apresentadas junto com a impugnação, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos PERÍCIA. QUESITOS. Considerase não formulado pedido de perícia genérico, sem formulação de quesitos específicos nem indicação de perito. OITIVA DE TESTEMUNHAS. Indeferese o pedido para oitiva de testemunhas, no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 330 7 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 299 a 322, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repetindo exatamente os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. ALIENAÇÃO DE BENS DE CAPITAL”. Que na arrematação judicial dos imóveis, a apuração de ganhos de capital, entre o valor da aquisição (devidamente corrigido) e o valor da arrematação não é correta. Isto é, não existe ganho de capital na aquisição de imóvel. Haverá ganho de capital para o Recorrente, se e quando o imóvel for por ele alienado. É de se ver, nesse passo, que todas as formas previstas no inciso 1, do Art. 30, da citada Instrução n° 84 da SRF, prevê apenas formas de alienação de bens, isto é, de transferência de propriedades a terceiros, apurandose lucro na venda, e não na aquisição do imóvel. É que quem compra, não "realiza" o capital, nada recebe, nada tem de lucro. Na aquisição dos imóveis não há lucro imobiliário, não há ganho de capital, o que só existirá quando referidos imóveis forem alienados. Não há ganho de capital, e, por isso, capacidade contributiva para pagamento do IRPF sobre o ganho de capital. E, se não há capacidade contributiva, eis que, de fato, o Recorrente nada alienou, mas ao contrário, adquiriu patrimônio imóvel, não há exação a ser exigida. Ressalta que essa exigência é uma afronta constitucional ao Princípio da Capacidade Contributiva. II. O "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO". Em primeiro lugar, é de se ver que o Fiscal Autuante simplesmente desconsiderou o empréstimo recebido pelo Recorrente, no valor de R$ 368.000,00, devidamente declarado na declaração de ajuste anual do Recorrente e também na declaração de ajuste anual do mutuante (Sr. Carlos de Oliveira Belli). Referido empréstimo foi efetuado em dinheiro e cheques de terceiros, já que se trata de empréstimo de pai para filho, não passando pela rede bancária. Contudo, o fiscal Autuante simplesmente se recusou a aceitar a existência do referido empréstimo ao simples e pueril argumento de que não há depósito bancário — coincidente em datas e valores comprovando o mesmo, o que é um absurdo, eis que nem sempre é depositado no sistema financeiro o valor integral dos negócios rurais efetuados, principalmente nos negócios de gado, uma vez que normalmente, pedese alguns dias para efetuar o pagamento e, no mais das vezes, boa parte do dinheiro é mantido em caixa, para saldar despesas correntes; III. Calha lembrar, nesse passo, que não há lei obrigando o contribuinte a depositar todos os valores por ele recebidos em banco, ainda mais, depositar no mesmo dia e, nos mesmos valores recebidos. Não há lei que proíbe manter dinheiro em espécie. Ora, o Fiscal Autuante presumiu como ocorrido o fato imponível, ou seja, como tendo o contribuinte auferido "renda", no tocante aos valores por ele movimentados e declarados como sendo oriundo de empréstimo recebido de seu pai, eis que simplesmente presumiu não existente recebido empréstimo. Em razão dessa alegada presunção, apresenta argumentos, jurisprudência e doutrina acerca de questões de presunções nas situações de lançamentos tributários com base em depósitos bancários. IV. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA PROIBIÇÃO DO CONFISCO. Conforme se verifica da inicial executiva, a União pretende receber do Recorrente a quantia Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 331 8 de R$ 242.846,82, conforme consubstanciado na autuação, valor este composto pela tributação e mais uma multa exorbitante de 75%. É inegável que a penalidade administrativa tem sentido reparador e visa proteger o crédito tributário e com ele mantém liame lógico e inafastável, desestimulando os contribuintes de omitir ou mesmo sonegálo. Restando claro que na esteira dos julgados e de acordo com o art. 150, IV da CF188, a imposição de multa pecuniária indenizatória (por atraso no pagamento ou decorrente inclusive de processo sonegatório), na área administrativa, no patamar de superior a 30% do tributo devido, configura medida confiscatória e eventuais disposições infraconstitucionais que vierem a ultrapassar este limite plausível na penalidade, são inconstitucionais, impondose a supressão da penalidade de 150% aplicada sobre o valor da dívida. Desta forma, medida que se impõe é a redução da multa fiscal aplicada pelo Fisco, a fim de se atender a um sistema de tributação justo Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Destaco inicialmente que em seu Recurso o contribuinte repetiu exatamente as mesmas razões da impugnação, impugnando somente as questões postas durante a auditoria fiscal e em nenhum momento enfrentando as razões e argumentos do voto do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorrido. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Em sede de recurso, não foram apresentados novos elementos de prova para contestar os argumentos utilizados pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese que a origem dos recursos para cobrir as suas despesas teriam como razão empréstimos pessoais com o seu pai Carlos de Oliveira Belli. Nesse sentido, cumpre observar o seguinte: Nas Declarações de Rendimentos do IRPF tanto do pai com o filho constam realmente valores registrados destes empréstimos, senão vejamos: DIRPF de João Paulo R. Belli, fl. 09, entregue em 28/12/2004, Quadro 10. Dívidas e Ônus Reais, diferença entre 31/12/2003 e 31/12/2002: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 332 9 R$ 777.424,00R$ 510.374,00 = R$ 267.050,00. DIRPF de Carlos de O. Belli, fl. 279, entregue em 27/04/2004, Quadro 9. Declaração de Bens e Direitos, diferenças entre 31/12/2003 e 31/12/2002 dos pagamentos e empréstimos registrados a João Paulo R. Belli: Isso implica no seguinte saldo de valores emprestados ao filho João Paulo: R$ 409.424,00R$ 510.374,00+R$ 368.000,00 = R$ 267.050,00. Ora, vemos que os valores assentados nas respectivas DIRPF batem exatamente e que a realidade dos fatos postas nos autos mostra que o pai e filho tinham vários negócios entre si, especialmente, no ramo da atividade rural onde esse tipo de empréstimo é notoriamente usual, particularmente entre pai e filho. Entendo dessa forma que devese acatar a alegação de mútuo entre eles no montante de R$ 267.050,00 informado nas respectivas DIRPF. Contudo, devese observar que a autoridade fiscal na Descrição dos Itens do Demonstrativo da Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal – Item 11, fl. 218, já considerou valores de empréstimos no valor de R$ 240.284,46. Dessa forma, o valor a ser considerado como origens de mútuo deve ser de R$ 26.765,54, resultante da diferença entre R$ 267.050,00 e R$ 240.284,46. Ainda, levandose essa origem de recurso ao Fluxo Financeiro Mensal de fl. 215, temos os seguintes apurações Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD): jan fev mar abr mai jun Recursos 119.158,02 74.081,90 27.338,43 2.853,55 59.790,44 43.831,74 Aplicações 72.326,08 54.341,55 44.085,97 4.525,69 32.636,77 6.486,07 Saldo/ (APD) 46.831,94 19.740,35 (16.747,54) (1.672,14) 27.153,67 37.345,67 Diferença Carf 1 26.765,54 Saldo/ (APD) Carf 10.018,00 8.345,86 jul ago set out nov dez Recursos 110.930,75 820.741,46 2.829,00 40.579,00 33.539,88 96.528,63 Aplicações 49.319,94 842.065,39 118.913,24 25.168,12 176.557,43 215.692,60 Saldo/ (APD) 61.610,81 (21.323,93) (116.084,24) 15.410,88 (143.017,55) (119.163,97) Diferença Carf 1 Diferença de mútuo de Carlos O. Belli considerada nesse julgamento conforme indicado acima.Observo que não havendo informação para precisar o momento dessa entrada de recurso, consideramos a mesma em janeiro. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 333 10 Saldo/ (APD) Carf (12.978,07) (116.084,24) (143.017,55) (119.163,97) Além dessa retificação, após análise dos demais aspectos dessa infração, concluo não merece outros reparos o lançamento do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Sobre os argumentos, jurisprudência e doutrina acerca de questões de presunções nas situações de lançamentos tributários com base em depósitos bancários, aclaramos que se trata de tema estranho ao objeto que ora se julga e inaplicável ao caso em debate. O cálculo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto apurado foi minuciosamente apresentado ao contribuinte, fls. 213 a 222, para a sua defesa, contudo, o interessado preferiu não se justificar ao não se manifestar diante da intimação. Não há qualquer cabimento nesse caso em se falar que o lançamento foi baseado em presunção. APURAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL Toda descrição dos fatos que ensejaram o apuração e lançamento da infração de Ganhos de Capital, está detalhadamente explicada no Termo de Verificação Fiscal, item 02.2. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL, às fls. 231 a 234. A DRJ bem resumiu esse detalhamento da seguinte forma, fls. 288 a 290: Às fls. 229/235, no TVF, o fiscal explicou que foi autuada a omissão de ganhos de capital decorrente da realização parcial do crédito, adquirido com deságio (posteriormente reavaliado), que detém contra a Soalgo – Sociedade Algodoeira Paranaense Ltda e Carlos de Oliveira Belli e Sueli Ribeiro Belli, e crédito esse do qual o autuado é detentor de 50% do valor; em outras palavras, o contribuinte recebeu 50% do valor de R$ 1.512.603,29, que é recebimento parcial do crédito que havia adquirido com deságio e ao qual se atribuiu na ação judicial o valor total atualizado de R$ 14.515.666,39, por 50% de R$ 1.100.00,00. Os pais do contribuinte, Carlos de Oliveira Belli e Sueli Ribeiro Belli, são os únicos sócios da Soalgo Sociedade Algodoeira Paranaense Ind E Com Ltda, CNPJ: 77.547.289/000198, fls. 277/278, desde 01/02/1978 e 23/01/0987, respectivamente, sendo ele o sócio administrador responsável. Em 09/12/1994, a fim de assegurar o cumprimento das obrigações que assumiu para a Soalgo como representante da empresa, relativas a limite de crédito Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 334 11 em conta corrente no valor de R$ 6.974.565,61, com vencimento em 09/03/1995, mais encargos incidentes, recebidos pela Soalgo do Banco do Estado do Paraná S/A, Carlos de Oliveira Belli e cônjuge ofereceram em garantia de hipoteca de 1º grau, entre outros, os seguintes bens integrantes do patrimônio comum dele e da esposa: lotes de terras situados no município e comarca de Alto Piquiri/PR, área total de 362,4 hectares, conforme Escritura Pública de Abertura de Crédito em Conta Corrente Garantido por Hipoteca de fls. 180/189 A Soalgo não honrou a obrigação e como conseqüência da inadimplência da empresa o banco promoveu ação de execução do título de crédito, no Juízo de Direito da Primeira Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas da Comarca de Curitiba/PR sob os autos nº 34.012/1996, fls. 59/69. Posteriormente, o então Banco Banestado S/A, em 28/12/2000, cedeu o referido crédito à Rio Paraná Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros, fl 73, e esta, por sua vez, em 10/12/2002, conforme fls. 72/77, os vendeu, por R$ 1.100.000,00, ao autuado Carlos Henrique Ribeiro Belli e ao irmão João Paulo Ribeiro Belli, filhos de Carlos de Oliveira Belli e cônjuge; o autuado e o irmão, em 10/12/2002, fls. 78/80, requereram a substituição processual do pólo ativo da ação e se subrogaram na totalidade do crédito do cedente; e em 19/12/2002, fls. 81/89, peticionaram à justiça a atualização do débito em consonância com a sentença judicial proferida nos autos da Ação revisional nº 31.719/96, que na época importaria em R$ 14.515.666,39 e requereram o prosseguimento da ação de execução, com expedição de cartas precatórias, entre outras, para a comarca de Alto Piquiri/PR; devido à carta precatória expedida, os lotes rurais localizados em Alto Piquiri/PR, que haviam sido oferecidos por Carlos de Oliveira Belli e cônjuge como garantia do crédito da Soalgo, foram leiloados e arrematados pelos próprios credores, ou seja, pelo autuado Carlos Henrique Ribeiro Belli e pelo seu irmão João Paulo Ribeiro Belli, filhos Carlos de Oliveira Belli e cônjuge, pelo valor de R$ 1.512.603,29, pago na forma de dedução da dívida total, em 13/08/2003, fls. 90/96. Em resumo, a autuação por omissão de ganhos de capital não é porque o litigante arrematou em hasta pública, lotes de terra que haviam sido hipotecados como garantia de um crédito, ou seja, não é por ter adquirido lotes rurais como argumenta. O lançamento por omissão de ganhos de capital foi porque o contribuinte adquiriu, com deságio, um crédito por 50% de R$ 1.100.000,00 (os demais 50% foram adquiridos pelo irmão); esse crédito foi reavaliado, ou atualizado para 50% de R$ 14.515.666,39 e, em 13/08/2003, o litigante realizou 10,42% do valor do crédito, que é o percentual de realização do direito de crédito correspondente aos 50% de R$ 1.512.603,29 que recebeu, provenientes do leilão em hasta pública de lotes de terra que haviam sido hipotecados em garantia desse empréstimo; portanto teve um ganho resultante da diferença entre 10,42% do valor do crédito de 50% R$ 14.515.666,39 e 10,42% do custo de aquisição de 50% de R$ 1.100.000,00, ou seja, o ganho de capital foi de 50% R$ 1.512.603,29 menos 50% de R$ 114,620,00, ou 50% de 1.397.977,92, cabendolhe R$ 698.988,96. Em outras palavras, o litigante adquiriu direitos de crédito por R$ 550.000,00, com deságio, cujo valor foi avaliado judicialmente em R$ 7.257.833,20, ou seja, o contribuinte teve um ganho nessa operação, caracterizado como ganho de capital, porém o IR só será exigido no momento da realização desse ganho; em 13/08/2003, o contribuinte arrematou em leilão lotes de terra pelo valor em que estes haviam sido avaliados judicialmente, R$ 756.301,65, e os pagou mediante abatimento do valor do crédito a receber, ou seja, nesse momento ocorreu a realização de 10,42% (R$ Fl. 11DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 335 12 756.301,26 são 10,42¨% de R$ 7.257.833,20) do total do crédito de que é detentor, resultando na obrigatoriedade de apuração do ganho de capital sobre essa parcela do direito de crédito realizada. Transcrevese, por ser pertinente,a Solução de Consulta SRRF/1ª RF/Disit nº 23 de 6 de fevereiro de 2002: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: AQUISIÇÃO DE TÍTULOS PÚBLICOS COM DESÁGIO. INCIDÊNCIA. Nas operações de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, em permuta por títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional ou por créditos decorrentes de securitização de obrigações da União deve ser apurado o ganho de capital resultante da diferença positiva entre o valor de alienação desses títulos ou créditos e seu custo de aquisição, obedecendose a forma de tributação utilizada pela pessoa jurídica. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), art. 418. O Termo de Verificação Fiscal, assim concluiu, fl. 234: Face ao exposto, constatase ter ocorrido ganho de capital, decorrente da realização parcial do crédito contra a Soalgo — Sociedade Algodoeira Paranaense Ltda, conforme abaixo: Valor Realizado R$ 756.301,64 ( ) Custo de Aquisição R$ 57.310,00 ( = ) Ganho de Capital Apurado R$ 698.991,64 O que merece destaque é que o fato gerador da tributação não é a aquisição do bem (lotes de terra) mas sim a sua reavaliação que surtirá efeito numa possível venda futura onde o custo de aquisição será maior do que foi na aquisição com deságio. Se não houvesse a reavaliação, não se falaria em Ganho de Capital. Esse entendimento é esposado por vasta jurisprudência desse Conselho, ex vi:. REAVALIAÇÃO DE BENS NA INCORPORAÇÃO. ADIÇÃO. GANHO DE CAPITAL NA INCORPORAÇÃO DE CONTROLADA. EXTINÇÃO DE AÇÕES Haverá ganho de capital quando o valor recebido pelo acervo líqüido da sociedade incorporada se apresentar superior àquele pelo qual as ações extintas estavam contabilmente registradas no ativo permanente da sociedade incorporadora, mesmo na hipótese prevista no artigo 259, I e II e seus parágrafos Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto n° 85.450, de 1980. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10193.777) De outro lado, lembro que a única reavaliação de bem imóvel isenta da tributação permitida na legislação dada pelo art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991 No exercício financeiro de 1992, anocalendário de 1991, o contribuinte apresentará declaração de bens na qual os Fl. 12DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 336 13 bens e direitos serão individualmente avaliados a valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992 , que não se aplica no caso em tela. DECLARAÇÃO DE BENS REAVALIAÇÃO DE BENS IMÓVEIS A única permissão legal para reavaliação de bens na declaração de rendimentos foi aquela dada pelo art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991, que vinculava tal prerrogativa à Declaração de Rendimentos do exercício de 1992, anocalendário de 1991. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA PROIBIÇÃO DO CONFISCO. MULTA DE OFÍCIO. MULTA. CONFISCO A vedação ao confisco, expressamente contida no art. 150, IV, da Constituição da República, restringese aos tributos, não é extensiva às multas. Sobre o tema, ensina objetivamente Hugo de Brito Machado2: “Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do princípio do nãoconfisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art.150, inciso IV, referese apenas aos tributos. O elemento teleológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas é exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógicosistêmico, a seu turno, não leva a conclusão diversa, posto que a nãoconfiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocarse qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude.” Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Com fundamento legislação regente indicada e aplicável ao fato julgado, não há possibilidade legal para se considerar a exclusão ou redução da multa no lançamento impugnado. Pelo exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, para reduzir o montante de R$ 26.765,54 da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. 2 “Os Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988”, Dialética, 4ª edição, página 107. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.004606/200713 Acórdão n.º 2102001.461 S2C1T2 Fl. 337 14 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/12/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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