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Numero do processo: 10660.005989/2007-11
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. Observada a normalidade no expediente da repartição na data do termo inicial da ciência da decisão de primeira instância, revela-se perempto o recurso aviado após 26 de março de 2009.
No dia 25 de fevereiro do ano de 2009, uma quarta-feira de cinzas, as repartições públicas federais funcionaram após as 14:00 horas, consoante antecedente divulgação.
Numero da decisão: 1101-000.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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Observada a normalidade no expediente da repartição na data do termo inicial da ciência da decisão de primeira instância, revelase perempto o recurso aviado após 26 de março de 2009. No dia 25 de fevereiro do ano de 2009, uma quartafeira de cinzas, as repartições públicas federais funcionaram após as 14:00 horas, consoante antecedente divulgação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 59 89 /2 00 7- 11 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 72 2 Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 73 3 Relatório EMPRESA DE TRANSPORTE TRESPONTANA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu opção pelo Simples Nacional. A questão envolve a inscrição no Simples Nacional efetuada em 30/07/2007 e indeferida através do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional da Empresa de Transportes Trespontana Ltda, com o seguinte teor (fl.02) : Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) CNPJ: 42.819.177/000164 NOME EMPRESARIAL: EMPRESA DE TRANSPORTES TRESPONTANA LTDA Com fundamento no parágrafo 6° do artigo 16 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 e no artigo 8° da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional por incorrer na(s) seguinte(s) situação(Ões): Estabelecimento CNPJ: 42.819.177/000164 Atividade econômica vedada: 49221/01 Transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal, exceto em região metropolitana • Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso VI. A pessoa jurídica poderá Impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação deste Termo. A impugnação deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte e protocolada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposto nos arts. 5°, 15, 17 e 23 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. A contribuinte inconformada com a sua não migração automática para o Simples Nacional, apresentou impugnação datada de 31/10/2007 e protocolo de 19/12/2007 dirigida ao Delegado da DRF de Varginha MG, alegando que a sua não inclusão ocorreu por motivo de erro no CNAE e que, conforme consta na alteração contratual, é permitida a sua opção pelo Simples Nacional e, concluindo, pede que seja incluída no regime do Simples Nacional (fl. 01). A alteração contratual datada de 31 de maio de 2007 e registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais sob n. 3754221 de 18.07.2007, traz em sua cláusula 1ª a Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 74 4 alteração do nome da empresa, incluindo a expressão EPP e na cláusula 2ª a alteração do objeto social, conforme excerto (fl.04): (...) Cláusula 1ª) A denominação da Sociedade é EMPRESA DE TRANSPORTES TRESPONTANA LTDA EPP, com sede à Avenida Ipiranga n° 1014 A, bairro Santana em Três Pontas, MG, CEP 37190000. Cláusula 2ª ) O objetivo da empresa que antes era serviço de transporte "Coletivo de passageiro, urbano, intermunicipal e turístico de superfície de conformidade da legislação em vigor e o transporte de carga em geral, passa neste ato a ser serviço de transporte rodoviário coletivo de passageiros, urbano, municipal. (...) A SACAT – Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF Varginha – MG, emitiu Parecer DRF/VAR/SACAT N. 049/2008 em 04/03/2008 (fls. 3233), dizendo tratarse de impugnação intempestiva contra o termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. Apesar do código deste processo corresponder ao assunto IMPUGNAÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO SIMPLES NACIONAL, tratase, de acordo com os autos, de pedido de inclusão administrativa no Simples Nacional. Ante o exposto, e tendo em vista as orientações no final do item 2.3 da Nota Técnica n° 001, de 22 de outubro, anexa ao INFORMATIVO/COTEC/SIMPLES NACIONAL N° 43/2007, será este processo tratado como Pedido de Inclusão Administrativa no Simples Nacional. De acordo com a alteração contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 18/07/2007 (fls. 04 a 06), a empresa solicitante alterou o objetivo da sociedade para: "serviço de transporte coletivo de passageiros , urbano e municipal ". Verificase, de acordo com pesquisa nos sistemas da RFB, que a empresa solicitante efetuou, em 13/10/2007, a solicitação da alteração de sua CNAE preferencial para uma atividade não impeditiva ao ingresso no Simples Nacional (fl. 23), de acordo com a Resolução CGSN n° 006, de 18 de junho de 2007, anexos I e II. A nova CNAE solicitada pelo contribuinte (4921 3/01— TRANSPORTE RODOVIÁRIO COLETIVO DE PASSAGEIROS, COM ITINERÁRIO FIXO, MUNICIPAL) é compatível com o objeto social ou atividade exercida pelada empresa. Entretanto, o contribuinte solicitou a alteração de atividade econômica perante a RFB em 13/10/2007 (fl. 23), posteriormente ao prazo final para opção pelo Simples Nacional, ocorrido em 20/08/2007, de acordo com o art. 1°, da Resolução CGSN n° 019, de 13 de agosto de 2007. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 75 5 De acordo com pesquisas efetuadas no Sistemas PLENUS , verificase que a empresa em questão apresenta Débitos de Divergência GFIP x GPS (fls. 24 a 31). Ante o exposto, considerando que não houve a comprovação de erro de fato, e tendo em vista que a empresa solicitante incorre em vedação ao ingresso no Simples Nacional, prevista no inc. V, art 17, da Lei Complementar n° 123/2006 (débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa), proponho o INDEFERIMENTO da presente solicitação efetuada pelo contribuinte. O despacho decisório DRF/VAR/SACAT emitido em 04/03/2008 (fl. 34), indeferiu o pedido formulado pela requerente, nos seguintes termos: Tendo em vista o Parecer DRF/VAR/SACAT n.° 049/2008, cujo teor aprovo e, no uso da competência a mim conferida pelos artigos 1°, 2° e 4°, da Portaria DRF/VAR n° 81/2007, decido INDEFERIR o pedido formulado pela requerente neste processo. No período em que não for optante pelo Simples Nacional, o contribuinte deve efetuar o recolhimento dos tributos de acordo com a sistemática prevista para as empresas não optantes pelo Simples Nacional, sob pena de aplicação das penalidades previstas na legislação tributária, incluindo procedimentos de fiscalização. Fica ressalvada, no entanto, a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade, dentro do prazo de 30(trinta) dias, contados à partir da ciência deste Despacho Decisório, junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Dêse ciência ao contribuinte. Cientificada em 14/03/2008 (fl. 35), e inconformada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade em 14/04/2008 (proc. fls. 36 a 39) alegando que: (...) No entanto, além de a Impugnante, conforme se verifica por seu Contrato Social, desenvolver a atividade prevista inciso XIV, do §. 1°, do art. 14, da Lei Complementar n.° 123/2006, que lhe permite ingressar no Simples Nacional, temos que o impedimento citado no dispositivo da decisão impugnada não pode prevalecer, uma vez que, quando do requerimento de opção, formulado pela impugnante, esta não possuía qualquer débito que obstaculizasse o seu ingresso no Simples Nacional. As alegações aduzidas no parágrafo anterior encontram pleno respaldo no art. 7°, §§ 1°, 2° e 50 da Resolução CGSN n.° 4, de 30/05/2007. Da mesma forma, a despeito de o art. 9°, da Resolução CGSN n.° 4, de 30/05/2007, citar expressamente que seriam utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, há que se considerar, em respeito ao Princípio da Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 76 6 Verdade dos Fatos, norteadora do Procedimento Administrativo Tributário, a realidade do objeto social que consta no Contrato Social da contribuinte. Vêm as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil entendendo que na ocorrência de ERRO DE FATO há que se promover, de forma retroativa, a inclusão da solicitante na sistemática do Simples. Nesse sentido: (grifos no original) Para confirmar os argumentos, transcreve os seguintes acórdãos : 0521362 de 04 de março de 2008 – 1ª Turma DRJ Campinas; 1014909 de 16 de janeiro de 2008 – 4ª Turma DRJ Porto Alegre ; 0918237 de 14 de janeiro de 2008 – 2ª Turma DRJ em Juiz de Fora; 0918238 de 14 de janeiro de 2008 – 2ª Turma DRJ em Juiz de Fora; 0918241 de 14 de janeiro de 2008 – 2ª Turma DRJ em Juiz de Fora; 0918245 de 14 de janeiro de 2008 – 2ª Turma – DRJ em Juiz de Fora. Por fim, requer que, à vista da ocorrência do erro de fato apontado, seja dado provimento integral à impugnação, de forma que a contribuinte seja incluída retroativamente no SIMPLES Nacional. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, aduzindo que (fls. 43 a 45): No entendimento desse colegiado, a situação do CNAE, corrigida posteriormente ao prazo final para opção pelo Simples Nacional, não impediria sua inclusão retroativa, uma vez que a alteração contratual já havia sido registrada na junta comercial em data anterior ao referido limite. Já em relação aos débitos existentes, importa esclarecer que a impugnação ao indeferimento de sua inclusão no Simples Nacional foi intempestiva, como consta do parecer de fls. 32/33, e estaria encerrada, de acordo com o Decreto 70.235/1972 PAF, discussão na esfera administrativa. Entretanto, visando não prejudicar contribuintes que cometeram erro de fato quando do requerimento inicial, a administração decidiu tratar a impugnação intempestiva como pedido de inclusão retroativa. Como pedido de inclusão retroativa cabe à contribuinte provar que não incide em vedação à opção ao Simples Nacional e não pode a autoridade preparadora deferir sua inclusão retroativa se detectar qualquer impedimento ao seu enquadramento. (grifamos) A Lei Complementar 123/2006 dispõe que: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V — que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 77 7 Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) IV — na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. (...) § 2º Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Portanto, em conformidade com o dispositivo legal transcrito anteriormente, a existência de débito é impeditiva à opção pelo Simples Nacional, não podendo a autoridade acatar inclusão retroativa nessa condição. Por outro lado, comprovada regularização do débito, no prazo de 30 dias da ciência do indeferimento, caberia o deferimento de seu pedido retroativamente.(grifamos) Entretanto, a empresa, como caracterizado em sua defesa, não providenciou a regularização dentro desse prazo. (grifamos) Pelo exposto, deve persistir o indeferimento. Em sessão de 21 de janeiro de 2009, por unanimidade de votos, a solicitação foi indeferida. O acórdão 0922.192 – 2a Turma da DRJ/JFA, transcrevese a seguir: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL Se o contribuinte não providenciou a regularização das pendências existentes, dentro do prazo de 30 dias da ciência do indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional, sua inclusão retroativa deve ser recusada. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/02/2009 (fl. 48), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/03/2009 (fls. 49 a 54), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade/impugnação. Esclarece que, conforme mostra o Contrato Social, cuja alteração foi efetuada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, JUCEMG, a empresa desenvolve atividade prevista no inciso XIV, do § 1º , do art. 14, da Lei Complementar n. 123/2006, desde 18/07/2007, antes portanto da data de opção ao Simples Nacional (feita em 30/07/2007) e dentro do período legal previsto (antes de 20/08/2007), o que lhe permite ingressar no Simples Nacional. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 78 8 Que há configuração de erro de fato. Prossegue afirmando que o impedimento citado no dispositivo da decisão impugnada não pode prevalecer, uma vez que quando do requerimento da opção, formulada pela impugnante, esta não possuía qualquer débito que obstaculizasse o seu ingresso no Simples. Invoca o art. 7º, §§ 1º, 2º e 5º da Resolução CGSN nº 4 de 30/05/2007 para respaldar as alegações trazidas no recurso. Assevera que a despeito de que o art. 9º da Resolução CGSN nº 4 de 30/05/2007 dispor que seriam utilizados os códigos de atividades econômicas previstos no CNAE, informados pela contribuinte no CNPJ, deve ser considerada, em respeito ao princípio da verdade dos fatos, a realidade do objeto social que consta no Contrato Social da contribuinte, que lhe permite ser incluída no Simples Nacional. Invoca diversos acórdãos que entendem que, ocorrendo erro de fato, a inclusão da solicitante na sistemática do Simples, seria feita de forma retroativa. Por fim, requer que, à vista da ocorrência do erro de fato, seja dado provimento integral ao recurso, de forma que seja incluída retroativamente no SIMPLES NACIONAL. Em informação fiscal DRF VAR/SACAT N° 373/2009 de 07/04/2009 a DRJ Varginha, constou: A empresa acima identificada apresentou em 27/03/2009 (fls.49 a 54), recurso voluntário TEMPESTIVO contra o acórdão de n° 0922.192 da 2a Turma da DRJ/JFA (fls .43 a 45) de 21/01/2009, que trata de Pedido de Inclusão no Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/07/2007. Conforme aviso de recebimento dos correios, AR de fl. 48, verificase que o referido acórdão (cópias fls. 43 a 45) foi comunicado ao contribuinte em 20/02/2009, o que lhe facultou a apresentação da presente impugnação dentro de 30 (trinta) dias. Ante ao exposto, proponho o envio do presente ao Terceiro Conselho de Contribuintes em Brasília, para julgamento. É o relatório em apertada síntese. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 79 9 Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Preliminarmente cabe analisar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. A ciência da Decisão da DRJ 12/02/2009 foi realizada em 20/02/2009, sextafeira. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, prevê que: “Art 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." O art. 5 o do citado Decreto também determina que: "Art .5o Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A data da ciência da contribuinte ocorreu em uma sextafeira, véspera do feriado de carnaval, iniciandose a contagem no primeiro dia útil seguinte, quartafeira dia 25, de sorte que o lapso de trinta dias findou em 26 de março de 2009. O recurso voluntário apresentado não atende ao requisito de admissibilidade no que tange à regularidade temporal, assim prevista no Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, pois foi apresentado em 27/03/2009, portanto, fora do prazo legal. Há, pois, perempção. O fato do termo inicial: 25 de fevereiro de 2009 — ter recaído numa quarta feira de cinzas não altera a conclusão exposta. O referido dia do termo inicial não é considerado feriado civil ou nacional, pois assim não foi declarado em Lei. Ao contrário, desde 07 de novembro de 2008, data da publicação no Diário Oficial da União da Portaria do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão nº 525 fixouse a circunstância de normalidade do expediente do Poder Executivo após as 14:00 horas da quartafeira de cinzas, e ponto facultativo até esse horário, a ver: “MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO SECRETARIA EXECUTIVA PORTARIA Nº 525, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2008 O SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, no uso de suas atribuições e considerando o que consta da Nota Técnica nº 93/COGES/ DENOP/SRH/MP, de 30 de outubro de 2008, resolve: Art. 1º Divulgar os dias de feriado nacional e de ponto facultativo no ano de 2009, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta,autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 80 10 I 1º de janeiro, Confraternização Universal (feriado nacional); II 23 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); III 24 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); IV 25 de fevereiro, quartafeira de Cinzas (ponto facultativo até as 14 horas); V 10 de abril, Paixão de Cristo (ponto facultativo); VI 21 de abril, Tiradentes (feriado nacional); VII 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional); VIII 11 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo); IX 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional); X 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional); XI 26 de outubro, Dia do Servidor Público art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (ponto facultativo) comemoração antecipada do dia 28 de outubro; XII 2 de novembro, Finados (feriado nacional); XIII 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional); XIV 24 de dezembro, véspera do Natal (ponto facultativo após as 14 horas); XV 25 de dezembro, Natal (feriado nacional); e XVI 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (ponto facultativo após as 14 horas). Art. 2º Os feriados declarados em lei estadual ou municipal, de que trata a Lei nº 9.093, de 12 de setembro de 1995, serão observados pelas repartições da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional nas respectivas localidades. Art. 3º Os dias de guarda dos credos e religiões, não relacionados nesta Portaria, poderão ser compensados na forma do inciso II do art. 44 da Lei nº 8.112, de 1990, desde que previamente autorizado pelo responsável pela unidade administrativa de exercício do servidor. Art. 4º Caberá aos dirigentes dos órgãos e entidades a preservação e o funcionamento dos serviços essenciais afetos às respectivas áreas de competência. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. JOÃO BERNARDO DE AZEVEDO BRINGEL D.O.U., 07/11/2008 Seção 1 Desta forma, não ocorrendo encerramento do expediente antes do horário normal da jornada inexistiu impedimento para a prática do ato na data em que venceu o lapso temporal. Neste sentido, a jurisprudência colacionada: STJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO AGRG NO AG 1053302 RJ 2008/01171418 (STJ) Data de publicação: 10/10/2008 Ementa: PROCESSO CIVIL. SUSPENSÃO DO PRAZO RECURSAL NA QUARTA FEIRA DE CINZAS. INEXISTÊNCIA, ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. 1. Ainda que se cuide da quartafeira de cinzas, até prova em contrário, computase normalmente esta data para fins de contagem de prazo recursal. A comprovação da não ocorrência de expediente forense deve ser feito por certidão oficial expedida pelo tribunal de origem ou por Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 81 11 outro documento idôneo, o qual deve constar do instrumento de agravo no ato de sua interposição. É inadmissível a posterior juntada de novas peças nesta Corte especial. 2. Agravo regimental não provido TST AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA AIRR 522403320065050020 5224033.2006.5.05.0020 (TST) Data de publicação: 30/09/2011 Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. INTEMPESTIVIDADE. QUARTA FEIRA DE CINZAS. O feriado de Carnaval dáse somente na segunda e na terçafeira exegese do artigo 62 , III , da Lei n.º 5.010 /66. Cabe à parte comprovar, portanto, a ausência de expediente no Tribunal de origem na Quartafeira de Cinzas. Inexistindo nos autos prova da suspensão do curso do prazo recursal, não há como reconhecer a tempestividade do recurso. Hipótese de incidência da Súmula n.º 385 desta Corte superior. Agravo de instrumento não conhecido. Para concluir, busquemos o posicionamento externado pelos Conselhos de Contribuintes através de suas decisões, que, apesar de não se configurarem como normas complementares às leis e decretos tributários, haja vista a ausência de lei que lhes assegure essa condição, segundo exige o art. 100, II, do CTN e conclui o Parecer Normativo CST n° 390/71, ou seja, não vinculam Administração Pública Tributária Federal, servem como mais uma fonte de argumentação, pois representam a forma como julga o órgão colegiado de segunda instância administrativa: Acórdão nº 110300.057 — 1º Câmara / 3º Turma Ordinária Anocalendário: 2004 RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO QUARTAFEIRA DE CINZAS. Observada a normalidade no expediente da repartição no trigésimo dia contado da ciência da decisão de primeira instância, assim compreendida, inclusive, a não antecipação da jornada diária, revelase perempto o recurso aviado após esse marco temporal. No dia 06 de fevereiro do ano civil de 2008, uma quartafeira de cinzas, as repartições públicas federais funcionaram após as 14:00 horas, consoante antecedente divulgação. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. E, presente a prova da apresentação do recurso voluntário apenas em 27/03/2009, faltalhe requisito essencial para sua admissibilidade, razão pela qual o litígio não se instaura, o que torna o órgão julgador incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas na petição. Por todo o exposto, o presente voto é o sentido de não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.005989/200711 Acórdão n.º 1101000.951 S1C1T1 Fl. 82 12 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11070.002145/2005-51
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo da COFINS as receitas financeiras.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a exigência da Confins sobre as seguintes parcelas: I - Outras Receitas - Juros Recebidos e Descontos Obtidos sobre títulos/duplicatas no período de outubro/2001 a dezembro de 2004, II - Rendimentos de Aplicações Financeiras e de Juros sobre o Capital Próprio, auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005, III - Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável (compra e venda de ações no mercado a vista, compra e venda de opções e operações day-trade realizadas na bolsa de valores), auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (presidente da turma), Charles Pereira Nunes (suplente), Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo da COFINS as receitas financeiras. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a exigência da Confins sobre as seguintes parcelas: I Outras Receitas Juros Recebidos e Descontos Obtidos sobre títulos/duplicatas no período de outubro/2001 a dezembro de 2004, II Rendimentos de Aplicações Financeiras e de Juros sobre o Capital Próprio, auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005, III Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável (compra e venda de ações no mercado a vista, compra e venda de opções e operações daytrade realizadas na bolsa de valores), auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Flavio de Castro Pontes Presidente. Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (presidente da turma), Charles Pereira Nunes (suplente), Marcos Antonio Borges, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 21 45 /2 00 5- 51 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 12 2 Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório A Receita Federal do Brasil em Ijuí/RS lavrou auto de infração contra a contribuinte, face à apuração de valores devidos a título de COFINS relativos ao período de apuração janeiro/2001 a março/2005, decorrentes do não recolhimento da referida contribuição sobre as receitas a seguir relacionadas: 1 Outras Receitas Juros Recebidos e Descontos Obtidos sobre títulos/duplicatas no período de outubro/2001 a dezembro de 2004, 2 Rendimentos de Aplicações Financeiras e de Juros sobre o Capital Próprio, auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005, 3 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável (compra e venda de ações no mercado a vista, compra e venda de opções e operações daytrade realizadas na bolsa de valores), auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005; 4 – Tributação a menor no mês de abril de 2004 R$ 686,60 e no mês de setembro de 2004 R$ 2.475,50 a título de receita da venda de produtos do estabelecimento. As diferenças foram apuradas através do confronto entre os valores das vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS (fls. 43/ e 141) e os valores apurados pelo contribuinte e declarados através da DIPJ (fls. 63 e 68). 5 Compensações de Débitos da COFINS relativos aos meses de janeiro de 2005 R$ 11.281,11 e fevereiro de 2005 R$ 10.049,09, realizadas através de Declaração de Compensação mediante a utilização de crédito tributário objeto de discussão judicial não transitada em julgado, consideradas não declaradas pela administração com base no DESPACHO DECISÓRIO DRF/SAO, de 30 de maio de 2005 fls. 819/834. A contribuinte apresentou a impugnação onde foram expostos seus argumentos de defesa, que podem ser assim resumidos: O lançamento é nulo porque os procedimentos adotados pelo agente fiscal foram mal elaborados, ou seja, de forma induzida, dirigida, parcial e até mesmo capciosa. A fiscalização utilizou do poder que detém de forma a afrontar os parâmetros determinados por lei, agindo com parcialidade, dirigindo os termos da ação fiscal ao seu "bel prazer", tentando encurralar e constranger a contribuinte ilegalmente, havendo abuso de autoridade por parte da autoridade fiscalizadora, nada restando provado a respeito das irregularidades levantadas pela fiscalização. Disso resulta a nulidade do auto de infração, por evidente exigência de valores equivocados, ilíquidos, incertos e abusivos. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 13 3 A exigência foi formalizada com base na Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, que dispôs ser a base de cálculo da Cofins o faturamento mensal, composto pela receita decorrente da venda de bens e serviços e pelas demais receitas auferidas pela empresa. A base de cálculo estabelecida pela Lei n° 9.718, de 1998, em seu artigo 3oo,§1o., está sendo julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no RE n° 346.0846 Paraná, do qual foi transcrito o voto do Ministro Celso de Mello. A Lei n° 9.718, de 1998 é inconstitucional, pois foi editada dezoito dias antes da Emenda Constitucional n° 20, que veio a permitir a tributação do faturamento ou da receita, extrapolando o conceito constitucional estabelecido no art. 195, inciso I, letra "b", da Constituição Federal de 1988 (CF), além do art. 110, do Código Tributário Nacional (CTN), ao pretender alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado. Descabe a tributação sobre os juros recebidos, descontos obtidos, porque não representam receita operacional nem faturamento. É descabida a tributação sobre rendimentos de aplicações financeiras e juros sobre o capital próprio, porque a contribuinte teve prejuízos com essas aplicações não tendo obtido receitas nem faturamento. Não procede a tributação sobre os ganhos líquidos no mercado de renda variável, visto que a contribuinte teve prejuízo com aplicações financeiras não obtendo receita operacional nem faturamento. Não houve tributação a menor em relação aos meses de abril e setembro de 2004, porque os valores foram pagos na época de sua incidência. As compensações pretendidas nos meses de janeiro e fevereiro de 2005 são procedentes, eis que foram realizadas de acordo com a legislação competente. A multa aplicada no percentual de 75% é confiscatória, portanto, inconstitucional (art. 150, inc. IV, da CF), devendo ser reduzida para 20%, por força do disposto na Lei n° 10.932, de 1997. De acordo com o art. 161, § I o , do CTN, a aplicação dos juros de mora não pode exceder a 1% ao mês, não sendo autorizada a capitalização dos juros, entretanto, no auto de infração houve a aplicação de juros sobre juros, o que é inconstitucional. Além disso, o percentual aplicado excedeu o previsto legalmente. A exigência dos juros com base na taxa Selic é inconstitucional, por afrontar o disposto no art. 192 da CF e o disposto no art. 161 do CTN. A Delegacia de Julgamento, analisando a questão, entendeu por bem julgar procedente o lançamento fiscal, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2005 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 14 4 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua pretensão. MULTA DE OFICIO. A multa de ofício não pode ser aplicada em percentual menor que o previsto na legislação. PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade de atos legais regularmente editados é privativa do Poder Judiciário. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta são os previstos na legislação que regula o processo administrativo fiscal. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim considerada a receita bruta da pessoa jurídica. Lançamento Procedente Em seu Recurso, a contribuinte alega que o Fisco baseou sua exigência na Lei n° 9.718/98, Art. 3°, § 1°, que alargou de forma inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS, incluindo a receita bruta no conceito de faturamento e, dessa forma, ferindo o disposto no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, que previa a incidência dessas contribuições sociais apenas sobre o faturamento das empresas. Alega, ainda, o posicionamento da Corte Suprema sobre a matéria. Requer, assim, seja reconhecida a improcedência do lançamento. Esses os fatos. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando o lançamento efetuado pela Receita Federal do Brasil em Ijuí, inferese que, de fato, este foi fundamentalmente baseado no não recolhimento da COFINS sobre receitas que não correspondem ao faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias e de serviços. Apurouse, por conseguinte, a COFINS incidente sobre parcela da receita bruta da contribuinte, não levada à tributação. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 15 5 Ocorre que o § 1o., do artigo 3o., da Lei 9.718/98., que dava embasamento ao Fisco para proceder lançamentos nesses moldes, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 16 6 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, ser improcedente a exigência da COFINS sobre as seguintes parcelas, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal: 1 Outras Receitas Juros Recebidos e Descontos Obtidos sobre títulos/duplicatas no período de outubro/2001 a dezembro de 2004, 2 Rendimentos de Aplicações Financeiras e de Juros sobre o Capital Próprio, auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005, Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 17 7 3 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável (compra e venda de ações no mercado a vista, compra e venda de opções e operações daytrade realizadas na bolsa de valores), auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005 Porém, é também fato que o lançamento alcançou parcelas outras, que não as listadas acima, a saber: 1 – Tributação a menor no mês de abril de 2004 R$ 686,60 e no mês de setembro de 2004 R$ 2.475,50 a título de receita da venda de produtos do estabelecimento. As diferenças foram apuradas através do confronto entre os valores das vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS (fls. 43/ e 141) e os valores apurados pelo contribuinte e declarados através da DIPJ (fls. 63 e 68). 2 Compensações de Débitos da COFINS relativos aos meses de janeiro de 2005 R$ 11.281,11 e fevereiro de 2005 R$ 10.049,09, realizadas através de Declaração de Compensação mediante a utilização de crédito tributário objeto de discussão judicial não transitada em julgado, consideradas não declaradas pela administração com base no DESPACHO DECISÓRIO DRF/SAO, de 30 de maio de 2005 fls. 819/834. Embora o lançamento relativo a tais parcelas tenha sido impugnado, fato é que a Delegacia de Julgamento em Santa Maria/RS entendeu por bem julgálo totalmente procedente. E, sobre essa parte, o contribuinte não apresentou recurso. Assim, entendo por bem que não cabe a este Conselho revisar, de ofício, a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento que não foi objeto de irresignação pela Recorrente, razão pela qual, nesta parte, resta a decisão daquela Delegacia mantida. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário apresentado para afastar a exigência da COFINS sobre as seguintes parcelas: 1 Outras Receitas Juros Recebidos e Descontos Obtidos sobre títulos/duplicatas no período de outubro/2001 a dezembro de 2004, 2 Rendimentos de Aplicações Financeiras e de Juros sobre o Capital Próprio, auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005, 3 Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável (compra e venda de ações no mercado a vista, compra e venda de opções e operações daytrade realizadas na bolsa de valores), auferidos pelo contribuinte no período de janeiro de 2001 a março de 2005. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.002145/200551 Acórdão n.º 3801001.969 S3TE01 Fl. 18 8 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10845.001219/2005-61
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO.
Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 12 19 /2 00 5- 61 Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001219/200561 Acórdão n.º 3302002.197 S3C3T2 Fl. 1.122 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso retorno de diligência, requerida pela Resolução n. 3302 00.060, de 23 de agosto de 2020. A diligência foi requerida nos seguintes termos: “Diante desse contexto, é preciso converter o julgamento do recurso em diligência, com a finalidade de esclarecer o seguinte: “1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse ultimo caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela interessada). “2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações de compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a) a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cofins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; b) compensação de débitos da Cofins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; c) compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; d) necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PER/DCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SRF no 598, de 2005; e) elaboração de “pedidos de ressarcimento informando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao debito compensado”; f) compensações não identificadas no livro Razão; g) apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a janeiro de 2007 (Cofins); h) apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. “3) Esclarecer se a apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se se, por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001219/200561 Acórdão n.º 3302002.197 S3C3T2 Fl. 1.123 3 “Ademais, a Interessada deverá ser intimada a apresentar certidão de objetoepé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. “As questões de apresentação de documentação e provas devem ser analisadas e relatadas pela Fiscalização em termo circunstanciado. “Posteriormente, os aspectos formais e materiais das declarações de compensação devem ser analisados pela seção competente da Sacat ou seção equivalente, que também deverá lavrar relatório conclusivo, dando ciência de ambos os relatórios à recorrente, que poderá apresentar resposta no prazo de trinta dias.” Foi realizada diligência conjunta dos seguintes processos, segundo o termo de informação fiscal de fls. 561 a 640: 1. 10845.003528/200494 (CARF); 2. 10845.000524/200535 (CARF); 3. 10845.000525/200580 (CARF); 4. 10845.001219/200561 (CARF); 5. 10845.001220/200595 (CARF); 6. 1845.003161/200590 (CARF); 7. 10845.003162/200534 (CARF); 8. 10845.003414/200525 (CARF); 9. 10845.000184/200623 (DRJ); 10. 10845.000186/200612 (DRJ ); 1 1 .10845.000398/200608 (DRJ); 12. 10845.000399/200644 (DRJ). A Fiscalização deu conta de que intimou a Interessada a apresentar documentação, que lhe foi apresentada em meio magnético e analisada por amostragem. Seguiuse intimação para apresentar documentação adicional e justificar valores apurados. Ainda relatou a Fiscalização: Verificamos em relação a situação dos fornecedores da VOLCAFÉ perante o cadastro CNPJ, que alguns encontramse na situação atual de INAPTA, SUSPENSA ou BAIXADA. Em relação às aquisições de cooperativas, a Fiscalização esclareceu o seguinte: Com base em informações prestadas pelas cooperativas e/ou nas DACON's, verificase que uma parcela pequena da receita foi Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001219/200561 Acórdão n.º 3302002.197 S3C3T2 Fl. 1.124 4 oferecido a tributação do PIS e COFINS, não se podendo assegurar da inclusão dos valores relativos aos fornecimentos efetuados por estas cooperativas ao contribuinte (VOLCAFÉ). A partir daí a Fiscalização fez a apuração dos valores, analisando cada um dos adquirentes. Ainda reportouse às aquisições de pessoas físicas, a notas fiscais consideradas em duplicidade, valores contabilizados a maior, créditos não previstos em legislação (Despesas de Corretagem, Seguros (sobre transporte até o armazém, depósito em armazém e transporte do armazém ao porto), Despesas Diversas, Telefone, Taxa de Manutenção de PABX, Despesas Bancárias, Comissões Bancárias, Taxa de Entrada em Armazém e Taxa de Saída de Armazém). Na sequência, passou a tratar dos questionamentos efetuados pelo Carf e pela DRJ, explicando o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse último caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela Interessada). a) Como se pode observar do relato acima, a empresa não apresentou naquela oportunidade a composição dos créditos contabilizados (detalhado por nota fiscal). Nesta diligência, em atendimento a intimação fiscal apresentou inicialmente em CD relação compondo os valores contabilizados. Intimada a apresentar relação impressa devidamente assinada, a mesma, apresentou outras duas relações com alteração na composição. Diante disso foi diligenciado, tendo como base a primeira relação apresentada em CD, e cuja composição consta do anexo de n° 004. b) Em relação aos valores apurados pela auditoria, informamos que os valores são divergentes do apurado nesta diligência, considerandose as situações acima relatadas, com respeito a aquisições de sociedades cooperativas, créditos oriundos da aquisição de produtos em bolsa de mercadorias operadoras das negociações de estoques públicos (CONAB), aquisições de empresas com situação cadastral atual: inapta ou suspensa ou baixada, glosa de créditos presumidos nos meses de dezembro/02 e janeiro/03 (aquisições de pessoas físicas), notas fiscais em duplicidade, valores a contabilizado a maior em relação ao demonstrado pelo contribuinte e créditos calculados sobre insumos/despesas em desacordo com a legislação. 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações de compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a. A adoção de conta única para registro dos créditos de PIS e COFINS e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS. Os registros contábeis referente aos créditos de PIS e COFINS foram efetuados em contas distintas: 115040000001 Créditos Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001219/200561 Acórdão n.º 3302002.197 S3C3T2 Fl. 1.125 5 de Pis e 115040000003 Créditos da COFINS. Ocorreu que a contabilização do valor de R$ 3.518.916,04 compensado pelo contribuinte no mês de novembro/04, objeto do processo 10845.003528/2004¬94, foi efetuado na conta do COFINS, quando o correto seria parte (R$ 955.483,71) na conta do PIS e outra parte (R$ 2.563.432,33) na conta do COFINS. Diante das apurações constantes deste Relatório, este fato encontrase alterado, pois os valores dos créditos passíveis de compensação apurado pela fiscalização diferem daquele apontado no Relatório da Auditoria Externa. b. Compensação de débitos da COFINS utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP. c. Compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e sua regularização. Em relação aos itens "b" e "c", da mesma forma, diante da apuração de outros valores, estes itens encontramse prejudicados. d. Compensações não identificadas no livro Razão. Referese a período (2006 /2007) não considerado nesta diligência, conforme anteriormente relatado. e. Apropriação indevida de despesas diversas para o período de dezembro de 2.002 a janeiro de 2.007 (PIS) e fevereiro de 2.004 a janeiro de 2.007 (COFINS). f. Apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas , taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Em relação aos itens "g" e "h", os valores relativos aos créditos calculados sobre essas despesas/custos relativos estas contas, por falta de previsão na legislação, os mesmos estão sendo glosados. 3) Esclarecer se apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são f suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. Nos quadros demonstrativos de n° 006 e 007, deste Relatório encontramse demonstrados os resultados mensais de créditos de PIS EXPORTAÇÃO E COFINS EXPORTAÇÃO, passíveis de serem compensados, considerandose as glosas mencionadas neste Relatório. Em decorrência dessas glosas, os valores apurados divergem daqueles apurados pela Auditoria Externa. Em relação se os mesmos são suficientes para a compensação, cabe ao SEORT, manifestação à respeito. 4) Certidão de objeto e pé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001219/200561 Acórdão n.º 3302002.197 S3C3T2 Fl. 1.126 6 A certidão de objeto e pé referente ao processo 2008.61.04.0076581 (cautelar inominada) da 4ª Vara Federal de Santos, encontrase anexa a correspondência datada de 19/06/2012. Verificase nesta certidão, não ter havido nenhuma decisão proferida até então. A Seort elaborou o relatório de fls. 956 a 959, esclarecendo o seguinte: b) Com relação a suficiência dos créditos acima demonstrados para compensação dos débitos constantes da Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, após aplicação no programa simulador de compensações homologado pela Secretaria da Receita federal do Brasil, cujos relatórios encontramse em anexo, fls. 954 a 955, verificaramse os seguintes saldos remanescentes de débitos: •Dos R$ 595.723,17, os créditos apurados foram suficientes para abater R$ 482.490,18, restando saldo a pagar de R$ 113.232,99; •Com relação aos outros débitos, não houve crédito para suas quitações, permanecendo os valores de R$ 223.533,81 e R$ 1.629.425,85 devedores, referente a Declaração de compensação fls. 02 a 09. Intimada, a Interessada manifestouse nas fls. 1034 a 1118, em que tratou inicialmente do seu direito de ressarcimento e de compensação segundo a legislação, do direito a crédito relativo às contribuições não cumulativa. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Com a realização da diligência, várias das questões inicialmente apresentadas pela Interessada foram superadas e outras surgiram, à vista da apresentação da documentação. A situação é peculiar à vista de, inicialmente, a Interessada não haver identificado na documentação a origem dos valores que lhe confeririam o direito de crédito. Como a Fiscalização não foi clara na descrição desses fatos e a Interessada insistia em afirmar que tinha a documentação comprobatória, resolveuse converter o julgamento em diligência. Como resultado, as questões que são agora apresentadas a análise visam a apuração do crédito da Interessada, que não foi efetuada até o momento. Tratase de matéria de competência privativa da autoridade fiscal, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), art. 224. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001219/200561 Acórdão n.º 3302002.197 S3C3T2 Fl. 1.127 7 Ademais, admitindo, em tese, que a matéria pudesse ser apreciada no âmbito do Carf, haveria necessariamente supressão de instância, o que seria vedado pelas leis disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal. E, quando se falar, em “matéria” no parágrafo anterior, devese esclarecer que se trata de outra matéria em relação à originalmente apresentada no recurso da Interessada. A questão posta no recurso dizia respeito, primeiramente, à existência de prova do direito, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. Essa foi a questão que levou ao indeferimento original e que veio à discussão no recurso. Portanto, realizada a diligência, o presente processo deve ser saneado, restabelecendo o contraditório apropriadamente. Para isso, a diligência deve servir de base à unidade de origem para que emita novo despacho decisório a respeito da declaração de compensação. Tal despacho decisório não poderá desconsiderar a documentação juntada aos autos com a diligência, nem a informação fiscal da Fiscalização e a chamada “manifestação de inconformidade” apresentada pela Interessada. Do indeferimento parcial ou total do direito de crédito da não homologação das compensações, caberá direito a manifestação de inconformidade à DRJ. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir reconhecer o direito da Interessada a ter seu direito de crédito analisado com base na documentação apresentada e nas demais informações coletadas na diligência, por meio de novo despacho decisório da seção competente da unidade de jurisdição da RFB. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10650.000441/00-93
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 10/04/1990 a 14/11/1995
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PEDIDO PROTOCOLADO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DA LEI, OU À SUA VACACIO LEGIS.
As inovações introduzidas ao CTN pela Lei Complementar nº 118/05 não se aplicam retroativamente aos pedidos administrativos de restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior protocolados anteriormente a sua vigência (09.06.2005), hipótese em que se permite a incidência da cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5) relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação.
REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO.
Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância a quo para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Alessandro Mendes Cardoso 76714/MG
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto.
João Carlos Cassuli Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), João Carlos Cassuli Junior (relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 10/04/1990 a 14/11/1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PEDIDO PROTOCOLADO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DA LEI, OU À SUA VACACIO LEGIS. As inovações introduzidas ao CTN pela Lei Complementar nº 118/05 não se aplicam retroativamente aos pedidos administrativos de restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior protocolados anteriormente a sua vigência (09.06.2005), hipótese em que se permite a incidência da cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5) relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância a quo para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PEDIDO PROTOCOLADO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DA LEI, OU À SUA VACACIO LEGIS. As inovações introduzidas ao CTN pela Lei Complementar nº 118/05 não se aplicam retroativamente aos pedidos administrativos de restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior protocolados anteriormente a sua vigência (09.06.2005), hipótese em que se permite a incidência da cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5) relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário, deve o processo ser devolvido à Delegacia Regional de Julgamento DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição quanto aos períodos não decaídos, evitandose a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Do mesmo modo, reconhecido que os pedidos de compensação foram convertidos em Declaração de Compensação devem, como tal, serem julgados, devendo o processo ser remetido à Instância “a quo” para que verifique a existência de crédito líquido, certo e exigível, passível de compensação, homologando ou não as Declarações de Compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 04 41 /0 0- 93 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Alessandro Mendes Cardoso 76714/MG Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto. João Carlos Cassuli Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), João Carlos Cassuli Junior (relator), Fernando Luiz da Gama Lobo D Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Pedido de Restituição e Compensação (fls. 01/02) protocolados em 27/04/2000, em que o Contribuinte se diz credor do montante de R$ 10.384.714,76 (dez milhões, trezentos e oitenta e quatro mil, setecentos e quatorze reais e setenta e seis centavos), oriundos de recolhimentos indevidos ou maior de PIS efetuados no período de 10/04/1990 a 14/11/1995, com base nos Decretosleis n. 2.445 e 2.449, de 1988 posteriormente declarados inconstitucionais pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal , o que ensejaria o direito de compensar o saldo credor com tributos vincendos e administrados pela Secretaria da Receita Federal. A Delegacia da Receita Federal em Uberaba/MG, por meio do Despacho Decisório de fls. 429/439, deferiu parcialmente o pleito do contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 385,98 (trezentos e oitenta e cinco reais e noventa e oito centavos) relativo ao recolhimento efetuado a maior no mês de junho de 1995 (fls. 438), e indeferiu o pedido de restituição/compensação relativo aos demais períodos, sob o argumento de que “tendo a contribuinte protocolizado o pedido de restituição e/ou compensação em 27 de abril de 2000 (fls. 01/02), extinto está por decadência, o direito de repetição de eventuais valores recolhidos a maior a titulo de PIS, em data anterior a 27 de abril de 1995”(fls. 434). Destaca se a ementa: RESTITUIÇÃO PIS Período de 1990 a 1995. Pedido Formulado após Cinco Anos do Pagamento Indevido. Decadência. O direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. O art. 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, referese a prazo de vencimento do PIS, e não à existência de lapso temporal de seis meses entre base de cálculo e fato gerador. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10650.000441/0093 Acórdão n.º 3402001.953 S3C4T2 Fl. 579 3 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 10/04/2001, conforme AR de fls. 442, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 443/447) em 07/05/2001, aduzindo sinteticamente que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é de 10 (dez) anos, razão pela qual teria direito à compensação da totalidade dos valores recolhidos nos últimos dez anos, com base de cálculo no faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador (art. 6°, parágrafo único da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970). Posteriormente, de 15/5/2002 a 03/12/2008, o contribuinte voltou a se manifestar por diversas vezes no processo, conforme documentação acostada as fls. 466/519, inclusive apresentando memorial fls. 514/518, com o fito de demonstrar que desde a apresentação da impugnação da decisão que indeferiu a compensação (2001), a jurisprudência e doutrina têm se firmado favoravelmente ao contribuinte com relação ao prazo de decadência e forma de apuração da base de cálculo de PIS (faturamento do sexto mês anterior) e que, portanto, haveria necessidade de julgamento do feito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), em sessão de 20/01/2009, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 0922.163, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. PIS/Pasep. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. Tendo em vista o Ato Declaratório PGFN n.° 8, de 16/11/2006, no âmbito administrativo, impõese reconhecer que a base de calculo do PIS, até a entrada em vigor da MP n.° 1.212/1995, em março de 1996, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem a atualização monetária dessa base de cálculo. Solicitação Deferida em Parte Em resumo, a DRJ competente para o julgamento entendeu que o prazo decadencial aplicável é de 5 (cinco) anos, em conformidade com o Ato Declaratório SRF n.° 96/99 (fls. 524), mantendo como marco decadencial para pleitear a restituição dos pagamentos a data de 27/04/95. De outro lado, para recolhimentos de PIS posteriores a tal data, deferiu o direito creditório até o limite apurado com base na semestralidade (faturamento do sexto mês anterior ao ocorrência do fato gerador, sem correção monetária), a ser atualizado em conformidade com a legislação tributária de regência. DO RECURSO Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Cientificado do Acórdão supracitado em 03/02/2009, conforme AR de fls. 527v, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, protocolado em duplicidade nas datas de 05/03/2009 (fls.529/538) e 04/03/2009 (fls.555/565), com fundamentos idênticos, alegando equívoco da decisão proferida pela DRJ, ao fundamento de que inexiste a ocorrência de prescrição e decadência do direito de pleitear/compensar os créditos decorrentes do recolhimento indevido de PIS, razão pela qual afirma possuir direito adquirido à compensação plena de seus créditos relativos aos recolhimentos dos últimos dez anos, com base de cálculo no faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 578 (quinhentos e setenta e oito) – numeração autos físico, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da leitura do relatório retro transcrito, temse notoriamente que a questão processual ora posta, afixase em pedido de restituição de PIS apresentado pelo contribuinte interessado, para o qual, em julgamento de primeira instância, a DRJ entendeu que o prazo decadencial aplicável é de 5 (cinco) anos, em conformidade com o Ato Declaratório SRF n.° 96/99. Nas razões de reforma, a recorrente sustenta que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para repetir o indébito é de dez anos, ao passo que teria cinco anos para a homologação tácita do lançamento, ocasião em que se tem por extinto o crédito e tributário e, portanto, somente a partir daí começaria a fluir o prazo decadencial de cinco anos, tradução esta da conhecida tese dos “cinco mais cinco”. De mesmo modo, alega que não há que se falar em prescrição na medida em que “Não poderá ser observado o argumento trazido pela decisão recorrida, porque, diferentemente do pretendido pela Administração, no caso em tela a prescrição do pedido se faz após 5 anos do reconhecimento pelo Estado, da inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo, como bem reconhece nossa jurisprudência ao analisar os lançamentos por homologação, como o presente”, fls. 531. Reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, entendo que o prazo é de cinco anos para requerer a repetição do indébito com relação aos recolhimentos efetuados Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10650.000441/0093 Acórdão n.º 3402001.953 S3C4T2 Fl. 580 5 anteriormente a declaração de inconstitucionalidade da norma, contados a partir da publicação da Resolução do Senado nº 49, publicada em 10/10/1995. A jurisprudência deste Conselho de Contribuintes possui inúmeros acórdãos neste sentido, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que acompanho levando em conta que a recorrente não teve ação judicial que lhe reconheceu o direito à restituição ou compensação antes de 10/10/95. Assim, considerando que entre a data de publicação da Resolução do Senado nº 49 que retirou do ordenamento jurídico os Decretosleis n. 2.445 e 2.449, de 1988, em 10/10/1995, e o pedido do contribuinte em 27/04/2000, não decorreu o prazo prescricional de 5 (cinco) anos. Quanto ao período para concessão do direito ao crédito, como pleiteia o contribuinte, entendo que abrange os 10 (dez) anos anteriores à data do pedido, na medida em que não há aplicação retroativa da Lei Complementar 118/05. Nesse sentido, esclareço que independentemente do posicionamento pessoal acerca da matéria, por força do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, a solução dada ao caso deverá refletir àquela já decidida pelo Supremo Tribunal Federal em caso de repercussão geral ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, reproduzindo o entendimento pacificado pelos Egrégios Tribunais. No caso em tela, a análise quanto o prazo para pleitear a concessão do direito ao crédito ora analisado foi efetuada no recurso representativo de controvérsia de nº. RE 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Gracie. A atribuição de caráter interpretativo do artigo 3º da Lei Complementar nº. 118/2005, trazida pela redação do declarado inconstitucional artigo 4º (segunda parte) da mesma Lei, trouxe ao mundo jurídico a discussão acerca da aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário, confrontando contribuintes e Fisco na busca por seus direitos em face da consideração do princípio da segurança jurídica. Ao passo em que os tribunais de todo o país deram à LC 118/2005 a interpretação de que a redução do prazo ali estipulada era válida e aplicavase a partir da edição da lei, considerando ainda o caráter retroativo trazido pela interpretatividade de seu artigo 3º, os contribuintes consideraram ofendido o princípio da irretroatividade da norma, sendo inconstitucional o dispositivo que determinava o caráter interpretativo do artigo 3º, considerandose o prazo prescricional aquele vigente na data da ocorrência do fato gerador. Em apertada síntese, o acórdão proferido pelo Pretório Excelso considerou descaracterizado o caráter interpretativo da norma sob debate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 4º da LC 118/2005 e atribuindo ao artigo 3º da mesma LC o status de nova norma, ressalvando a aplicação da mesma à relevância das situações jurídicas já existentes. A ementa do julgado considerado como norte na solução de discussões que versem sobre mesma matéria restou assim consignada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 – DESCABIMENTO Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA – NECESSIDADE DE OBSERVANCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DE PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, §4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implico inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata as pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção e confiança e de garantia de acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08 (sic.), que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco, impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” – Grifouse À consideração do julgado ao caso dos autos, merece essencialmente a constatação de que o direito pleiteado pelo contribuinte se subsume ao entendimento exarado no Acórdão supra, na medida em que o pedido de restituição foi efetuado pelo contribuinte em 27/04/2000, portanto, anterior à publicação e entrada em vigor da LC 118/05. Dessa forma, considerando que as inovações introduzidas ao Código Tributário Nacional pela Lei Complementar nº 118/05 não se aplicam retroativamente aos pedidos administrativos de restituição anteriores a sua vigência (09/06/2005), configurada está a hipótese de incidência cumulativa do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5) relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Qual seja: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10650.000441/0093 Acórdão n.º 3402001.953 S3C4T2 Fl. 581 7 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] Assim, em sendo o pedido de restituição ora analisado, datado de 27/04/2000, temse tempestivo o exercício do direito do contribuinte interessado em pedir a restituição de valores supostamente pagos indevidamente ou a maior, quanto a recolhimentos efetivamente realizados em até 10 (dez) anos anteriores ao ingresso do pedido, de modo que podem ser objeto de análise os pagamentos indevidos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 27/04/1990, já que não se encontram fulminados pela decadência. Em face do afastamento da decadência do pedido de restituição ora reconhecido, tenho que o feito deva retornar à instância “a quo” a fim de que seja analisado o mérito do pedido quanto aos períodos não atingidos pela decadência, especificamente quanto a existência, legitimidade, montante e disponibilidade dos créditos, para então se poder afirmar se existem saldos de créditos passíveis de serem utilizados nas compensações pleiteadas ou ainda, passíveis de serem os eventuais excedentes objeto de restituições ou novas compensações. Assim, para se evitar a supressão de instância e, consequentemente, o cerceamento do direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo – que possui o direito subjetivo de ter todos os fatos analisados em duas instâncias de julgamento administrativo , tenho que o afastamento da decadência quanto aos pagamentos realizados no período de abril de 1990 a abril de 1995 (anteriormente não reconhecidos), deve conduzir ao retorno do julgamento à instância “a quo”, que pode determinar a realização dos cálculos pertinentes, se o caso, a fim de aquilatar a liquidez, certeza, exigibilidade, assim como a existência, legitimidade e montante dos créditos restituiendos. Na esteira das considerações tecidas, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a decadência e considerar tempestivo o pleito do contribuinte de restituição de valores objeto dos fatos geradores ocorridos a partir de 27/04/1990, determinando o retorno dos autos à instância “a quo” a fim de adentrar no julgamento do mérito do pedido de restituição quanto a esses períodos não decaídos. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 (assinado digitalmente) Relator João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002086/00-31
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995
PIS/PASEP. DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
Consoante jurisprudência hodierna do Superior Tribunal de
Justiça, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por
homologação, quando esta não ocorre de forma expressa por
parte das autoridade administrativas, a extinção do crédito
tributário correspondente ocorre ao cabo de 05 (cinco) anos, que,
acrescentados mais 05 (cinco) anos para exercício do direito à
restituição, perfaz o prazo total de 10 (anos) para a repetição do indébito tributário, pela conjugação dos arts. 150, § 4º; 156, VII e 168, I, todos do Código Tributário Nacional.
PIS/FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE.
Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs
2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o
PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 6º, parágrafo
único, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP
nº 1.212/95.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-12.629
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao
recurso. Vencidos os conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Odassi Guerzoni Filho e José Adão Vitorino de Morais (Suplente). Designado o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Robson José Bayerl-Redator Ad hoc
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 PIS/PASEP. DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Consoante jurisprudência hodierna do Superior Tribunal de Justiça, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando esta não ocorre de forma expressa por parte das autoridade administrativas, a extinção do crédito tributário correspondente ocorre ao cabo de 05 (cinco) anos, que, acrescentados mais 05 (cinco) anos para exercício do direito à restituição, perfaz o prazo total de 10 (anos) para a repetição do indébito tributário, pela conjugação dos arts. 150, § 4º; 156, VII e 168, I, todos do Código Tributário Nacional. PIS/FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 6º, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP nº 1.212/95. Recurso provido em parte.
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DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Consoante jurisprudência hodierna do Superior Tribunal de Justiça, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando esta não ocorre de forma expressa por parte das autoridade administrativas, a extinção do crédito tributário correspondente ocorre ao cabo de 05 (cinco) anos, que, acrescentados mais 05 (cinco) anos para exercício do direito à restituição, perfaz o prazo total de 10 (anos) para a repetição do indébito tributário, pela conjugação dos arts. 150, § 4º; 156, VII e 168, I, todos do Código Tributário Nacional. PIS/FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 6º, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP nº 1.212/95. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Odassi Guerzoni Filho e José Adão Vitorino de Morais (Suplente). Designado o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, para redigir o voto vencedor. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Redator Ad hoc Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente), Eric Moraes de Castro e Silva, Sílvia de Brito Oliveira e Mauro Wasilewski (Suplente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que move a empresa epigrafada em face do Acórdão nº 10.960/2005 (fls. 144/152), da 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ, que nos termos do despacho decisório da DRF deste município, indeferiu o pedido de ressarcimento com compensação visado pela contribuinte. Em momento prévio à análise do retro citado recurso, convém empreendermos um relato dos atos e fases processuais até então já vencidas. Pois bem. A Recorrente protocolou, em 19/07/2000, pedido de restituição de valores recolhidos a título de Contribuição destinada ao PIS, correspondente ao período de janeiro/1994 a setembro/1995, em razão da inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, reconhecida pela Resolução do Senado Federal nº 49, de 09.10.1995. Em data posterior solicita a compensação dos créditos apontados com débitos oriundos da mesma contribuição e da Cofins. Ao apreciar comentado pleito, a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, mediante despacho decisório, o indeferiu, sob o argumento da decadência do direito da Recorrente, em relação aos créditos até julho/2005. No que se refere ao saldo de credor remanescente, consta ainda de aludida decisão denegatória da pretensão do contribuinte, que a semestralidade do PIS, fundamento que daria esteio a alegação de pagamento indevido, haveria sido revogada por diplomas posteriores aos decretos declarados inconstitucionais. Irresignada, a empresa contribuinte apresentou competente manifestação de inconformidade, quando defendeu, inicialmente, o prazo decenal para a decadência do direito a pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tal qual a contribuição ao PIS, para tanto suscitando uma interpretação sistêmica dos artigos 150, § 4º, e 168, ambos do Código Tributário Nacional. No mérito, se insurgiu contra a tese de que a semestralidade haveria sido revogada por diplomas posteriores à declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445 e 2.449, de 1988, vez que não teriam revogado o art. 6º, da Lei Complementar nº 7/70, que dispunha que para fins da definição da base de cálculo do PIS, adotar-se-ia o faturamento do 6º (sexto) mês anterior. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.002086/00-31 Acórdão n.º 203-012.629 CC02/C03 Fls. 638 _________ 3 Quando da apreciação da empresa contribuinte em sua manifestação de inconformidade, a DRJ do Rio de Janeiro/RJ, conforme já esposado em momento anterior, manteve o indeferimento do pedido de restituição, assim o fazendo pelas mesmas motivações da instância singular. Em sede de recurso voluntário que ora é objeto de análise, a contribuinte devolve a questão a este Órgão Colegiado, nos exatos termos já postos perante a instância de julgamento a quo. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Relator Conforme esclarecido no relato empreendido logo acima, a questão que deverá ser resolvida diz respeito ao pronunciamento desta Câmara quanto ao prazo decadencial do direito de repetir os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tal qual o PIS, assim como a vigência do regime da semestralidade desta contribuição em relação aos períodos de apuração compreendidos em relação aos meses de agosto e setembro de 1995. Para a hipótese desses autos, tenho que o prazo prescricional qüinqüenal deve ser contado (e observado) a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado Federal, aliás, como vem sendo acertadamente decidido por este Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda 1 . Para o equacionamento da questão da decadência, de índole preliminar, há de ser abordado tanto o seu prazo quanto o marco para sua contagem. No que tange ao prazo para o pedido de restituição, refuto à proclamada tese dos 5 + 5 anos, decorrente da interpretação de que o prazo de cinco anos previsto no art. 168 do CTN só teria início após o decurso dos cinco anos que teria a o Fisco para homologar o pagamento feito pelo contribuinte (CTN, art. 150, § 4º), uma vez que só aqui o crédito restaria extinto. E isto porque entendo forçosa a tese que conclui que a extinção do crédito somente se implementaria pela homologação expressa ou tácita do lançamento, mesmo porque o próprio §1º do já citado art. 150 do CTN é elucidativo ao externar que “ O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” (sublinhamos). 1 “O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, pela via indireta.” Recurso Voluntário nº 120.616, Conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt, Acórdão nº 202-14.485, publicado no DOU, I, de 27/8/2003, pág. 43. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 A tese contrária se firma exatamente nas interpretações decorrentes da sentença “ (...) sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.”, que levaria o momento da extinção ao 5º aniversário do recolhimento do tributo. Neste particular, faço uso do conceito de “condição resolutória” de De Plácido e Silva, para quem: “Condição resolutória (...) ocorre quando a convenção ou o ato jurídico é puro e simples, exerce sua eficácia desde logo, mas fica sujeito a evento futuro e incerto que lhe pode tirar a eficácia, rompendo a relação jurídica anteriormente formada.” (grifo acrescido) (DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico, vol. I e II, Forense, Rio de Janeiro, 1994, pág. 497). Sendo assim, partindo da premissa de que a extinção do crédito tributário se opera desde logo com o pagamento antecipado, cabendo ao Fisco apenas lançar de ofício eventuais diferenças no prazo do §4º, do art. 150, do CTN, afasto, assim, a tese que conclui pela decadência decenal da restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Aliás, segue a sempre abalizada doutrina de Aliomar Baleeiro: “Pelo art. 150, o pagamento é aceito antecipadamente, fazendo-se o lançamento a posteriori: a autoridade homologa-o, se exato, ou faz o lançamento suplementar, para haver a diferença acaso verificada a favor do Erário. É o que se torna mais nítido no § 1º desse dispositivo, que imprime ao pagamento antecipado o efeito de extinção do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação. Negada essa homologação, anula-se a extinção e abre-se oportunidade a lançamento de ofício”. (grifei) (Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 10ª ed., 1993, pág. 521). Sendo assim, entendo para o pleito de restituição nos casos de recolhimento indevido de contribuição ao PIS é de 05 (cinco) anos, nos termos do caput do art. 168 do Código Tributário Nacional. Bem. Ultrapassada a questão do prazo decadencial, há de se definir o termo a quo da sua contagem. Neste particular, tais marcos temporais estão relacionados nos incisos do art. 168 do CTN, que, no entanto, são deslocados para outros momentos, conforme já assentou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do arresto abaixo transcrito: “DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeitos erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributos; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.002086/00-31 Acórdão n.º 203-012.629 CC02/C03 Fls. 639 _________ 5 c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.” (Acórdão CSRF/01-03.239, de 19/03/2001) Ante ao exposto, somente havendo a Recorrente empreendido seu pedido de restituição em julho/2000, quando já alcançado tal direito, em parte, pela decadência, logo, quando já decorridos os cinco anos a contar da citada resolução do Senado Federal, voto no sentido de declarar decaído o direito de a recorrente pleitear a restituição dos pagamentos reputados como indevidos até o mês de julho de 1995. No que diz respeito aos supostos pagamentos efetuados indevidamente nos meses de agosto e setembro de 1995, somo remetidos à questão da semestralidade no cálculo do PIS defendida pela Recorrente, tese a qual entendo a esta assistir razão, com fundamento, inclusive, na reiterada jurisprudência desse Segundo Conselhos de Contribuintes e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sobre o assunto, convém pontuar que muito embora a celeuma criada com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e da edição da Resolução do Senado Federal que suspendeu suas eficácias erga omnes, com várias correntes defendendo interpretações diversas do que viria a ser a base de cálculo da contribuição ao PIS, nenhuma outra lei, a aqui sem necessidade de adentrar em argüição de incompatibilidade com a LC nº 7/1970, chegou a modificar a base imponível de aludida contribuição, que somente veio a ser efetivamente modificada com a Medida Provisório nº 1.212/1995, cujos efeitos ficaram prostrados até sua entrada em vigor em 1º.03.1996. Assim, descabe-se falar em introdução de nova sistemática de apuração da contribuição ao PIS pela Lei nº 7.691/88, ou mesmo pelas Leis nºs 7.799/89 e 8.218/91, que somente dispuseram sobre novo prazo de pagamento, sem qualquer revogação da base de cálculo, e assim, da semestralidade. Como já dito outrora, este tem sido o entendimento da CSRF, seguindo o voto da Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, relatora do RE nº 144.708/RS, (1997/0058140-3), de 29/05/2001, conforme dão cabo os julgamentos abaixo colacionados: “PIS - Compensação de créditos de Pis/semestralidade. A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos Decretos-Leis nos 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando essa sistemática de cálculo (semestralidade). A compensação dos créditos apurados na forma preconizado neste acórdão, não enseja glosa por parte do órgão fazendário.” (Acórdão CSRF/02-01.695; Recurso nº 112.628; Relator Henrique Pinheiro Torres; Data da Sessão: 11/05/2004). “PIS - SEMESTRALIDADE. Já pacificado que até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento ocorrido seis meses antes do fato gerador sem correção monetária.” (Acórdão CSRF/02-01.499; Recurso nº 109.809; Relator Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva; Data da Sessão: 10/11/2003). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Neste contexto, é procedente o pleito da Recorrente quando propugna que para a apuração da contribuição ao PIS, haveria o autuante de ter levado em consideração a sistemática disposta pela Lei Complementar nº 07/1970, que considera a base de cálculo do referido tributo o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento, isto até 1º de março de 1996, data em passou a ser observada a base disposta na Medida Provisória nº 1.212/95. Posto isto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para NEGAR-LHE PROVIMENTO em relação aos pedidos de ressarcimento referentes aos supostos pagamentos indevidos efetuados até julho de 1995, e DAR PARCIAL PROVIMENTO em relação aos eventuais pagamentos indevidos realizados nos meses de agosto e setembro de 1995, para que seja observada a semestralidade, homologando-se as compensações até os respectivos limites dos valores a ressarcir. Sala das Sessões, em 12 de dezembro de 2007. Luciano Pontes de Maya Gomes Voto Vencedor Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator- Designado, Relator-Designado, p/ Conselheiro Robson José Bayerl, Redator ad hoc Preambularmente, cumpre registrar que, tendo em conta o fato de o conselheiro designado originariamente não haver apresentado o competente voto vencedor à Secretaria da Quarta Câmara desta Terceira Seção de Julgamentos, designou-me o presidente para providenciar a sua redação, objetivando formalizar o acórdão 203-012.639, julgado na sessão de 11/12/2007, conforme despacho. Feito o angusto intróito, passo ao exame da preliminar de mérito argüida pelo recorrente. Diversamente do entendimento exposto pelo nobre Conselheiro relator, quanto à equivocidade da tese do prazo decenal para restituição de indébito, este colegiado majoritariamente tem entendido que seu respaldo advém da conjugação dos arts. 150, § 4º, 156, VII c/c 168, I, todos do Código Tributário Nacional, porquanto a extinção do crédito tributário, no caso de tributos sujeitos ao denominado lançamento por homologação, quando não houver homologação expressa, ocorre ao final do interregno de 05 (cinco) anos da ocorrência do fator gerador, sendo que o prazo quinquenal para repetição do indébito correspondente tem como dies a quo justamente o término daquele lapso temporal, de tal sorte que o prazo efetivo para restituição de valores recolhidos indevidamente nestas hipóteses, como no caso dos autos, é de 10 (dez) anos. Acentue-se que este raciocínio foi acolhido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça, cognominada como “tese 5 + 5”, conforme assentado, por todos, no EREsp 435.835/SC, que reproduzo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.002086/00-31 Acórdão n.º 203-012.629 CC02/C03 Fls. 640 _________ 7 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. 3. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Embargos de divergência rejeitados, nos termos do voto.” No caso vertente, à luz desta compreensão, a integralidade do crédito vindicado não teria sido colhida pela decadência, haja vista abranger o período de apuração janeiro/1994 a setembro/1995, cujo protocolo do pleito ocorreu em 19/07/2000. Com estas considerações, dá-se provimento parcial ao recurso voluntário para que, ultrapassada a alegação de decadência, examine-se as demais condições do pedido de restituição e as compensações formalizadas. Robson José Bayerl – Redator ad hoc Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13963.000260/2003-08
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. MATÉRIA PACIFICADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO E DO PODER JUDICIÁRIO, EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS NOS TERMOS DO ART. 543-B, DO CPC. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF (art. 62-B do RICARF). HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO APURADO.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Helder Massaaki Kanamaru e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente)..
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. MATÉRIA PACIFICADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO E DO PODER JUDICIÁRIO, EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS NOS TERMOS DO ART. 543B, DO CPC. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF (art. 62B do RICARF). HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO APURADO. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 02 60 /2 00 3- 08 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 166 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Helder Massaaki Kanamaru e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).. Relatório Adoto o relatório da DRJ, que assim resumiu os fatos discutidos no presente processo: O interessado em epígrafe declarou a compensação dos débitos confessados à f1.01 com o direito creditório que adviria do ressarcimento do crédito presumido pleiteado no processo n° 13963.000103/200394. Conforme consta no Despacho Decisório, o pedido de ressarcimento foi concedido apenas em parte, pois foram glosadas, do cálculo do crédito presumido, as aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Assim, por já ter se esgotado o crédito remanescente, em outras compensações, a compensação não foi homologada. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o processo n° 13963.000103/200394 ainda estava sendo discutido no contencioso administrativo e que são ilegais as restrições feitas através de Instruções Normativas, relativas às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados, além de se referir à não cumulatividade do PIS/COFINS. Encerrou requerendo a homologação da presente DCOMP. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não homologando as compensações declaradas, em razão de ter sido indeferido o pedido de ressarcimento de IPI (suposto indébito) nos autos do processo nº 13963.000103/200394, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n° 1416.016 – 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 13 de junho de 2007 Interessado AGROAVÍCOLA VÊNETO LIDA. CNPJ/CPF 01.153.928/000179 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 167 3 DCOMP. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida Às fls. 163/164 (do arquivo digitalizado), consta o despacho datado de 16/03/2009, do Conselheiro Maurício Taveira e Silva, com a seguinte conclusão: Portanto, tendo em vista o caráter de prejudicialidade deste em relação ao processo n° 13963.000103/2003 94, encaminhe se à Secretaria da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, para: 1) solicitar à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que seja dado tratamento prioritário ao mesmo, para que este processo possa ser adequadamente apreciado e julgado; 2) aguardar decisão final relativa ao processo n° 13963.000103/200394, juntandose, posteriormente, cópia dessa decisão aos presentes autos e, finalmente, devolvendoo a esta relatoria. No processo nº 13963.000103/200374, no qual se discutiu os créditos da Recorrente, inicialmente este Conselho foi contrário ao pleito da Contribuinte, através do Acórdão nº 20179.523, que tratou exatamente de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, em razão de tratarse de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Na sequência, em 14/03/2003, a 2ª Turma da CSRF, através do Acórdão nº 930300464, julgou parcialmente procedente o recurso da interessada, reconhecendo o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, afastando a correção pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende as formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente processo cuida de declaração de compensação de Cofins (código 2172) protocolada em 15/05/2003 (fl. 3), sendo informado o crédito de IPI Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 168 4 relativo ao pedido de ressarcimento de IPI, objeto do processo nº 13963.00010310394, decorrente das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, que ao final foi confirmado pela colenda CSRF, através do Acórdão nº 930300464, não sendo reconhecido apenas o direito à atualização dos créditos pela Taxa Selic, no valor de R$116.958,41 (utilizado na compensação) e saldo remanescente e saldo remanescente de R$52.834,54. De fato, outra decisão não poderia ser, senão o reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos de IPI decorrente da aquisição de insumos de não contribuintes, no caso, pessoas físicas e cooperativas, conforme reiterada jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça, inclusive em sede de recursos repetitivos, a que se refere o art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, conforme sintetiza a ementa do REsp 993164/MG, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 169 5 cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 170 6 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 171 7 REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Assim sendo, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões do STF e do STJ, proferidas em sede da sistemática da repercussão geral (art. 543B do CPC) ou de acordo com os recursos repetitivos (543C do CPC), devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar as compensações declaradas até o limite dos créditos apurados nos autos do processo nº 13963.00010310394, através do Acórdão nº 930300464, da CSRF, relativo às aquisições de insumos de não contribuintes (pessoas físicas e cooperativas). Sala das Sessões, em 24 de outubro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13963.000260/200308 Acórdão n.º 3301002.105 S3‐C3T1 Fl. 172 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000999/2005-09
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC.
Súmula CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 26/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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GOMES COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 99 /2 00 5- 09 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. 1. Trata o presente processo de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e respectivas partes integrantes (fls. 04/11), lavrado contra o contribuinte acima identificado, exigindolhe o crédito tributário no valor total de R$ 680.063,59, incluindo encargos legais, assim discriminado: R$ 333.354,27 a título de contribuição (Cofins); R$ 96.693,66 de juros de mora, e R$ 250.015,66 de multa proporcional, conforme discriminação constante em campo próprio da aludida peça impositiva (fls. 04). 2. Referida exigência originouse em função de ter sido detectada, conforme Auto de Infração da Cofins, a seguinte irregularidade, cujo teor da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal aplicados à matéria, transcrevese abaixo: 2.1 – Cofins – Falta/Insuficiência de Recolhimento da Cofins 2.1.1 Falta/Insuficiência do pagamento da Cofins caracterizado por divergências verificadas entre os valores declarados ao Fisco e os valores escriturados no Livro Razão, conforme Auto de Infração – Cofins e respectivos anexos, cujos fatos geradores, valores tributáveis a multa de ofício, abrangendo os períodos de apuração de jan./2003; a dez/2003, encontramse discriminados às fls. 05 dos autos; 2.1.2 Enquadramento Legal: arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02 (fls. 06); 2.1.3 Sobre a contribuição decorrente da infração discriminada no item 2.1.1 supra, aplicouse a multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 (fls. 10). 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 04/10/2005 (AR, fls. 91) o contribuinte ingressou em 28/10/2005 (fls. 93/119), com impugnação contra o lançamento. Alega, em síntese, que: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10325.000999/200509 Acórdão n.º 3102001.971 S3C1T2 Fl. 3 3 3.1 não pode prosperar a autuação, uma vez que a Lei nº 9.718/98, ao alterar a alíquota de 2% para 3%, nos termos do seu art. 8º agrediu o art. 194 da Constituição Federal, bem como os princípios constitucionais da isonomia (art. 150, II) e da capacidade contributiva (art. 145, § 1º); 3.2 a referida Lei, ao limitar a compensação da CSLL ao valor de até um terço da Cofins efetivamente paga, prejudica as empresas de menor porte ou menos lucrativas que tendo um valor a menor ou não tendo CSLL a pagar, não podem compensar o valor referente ao adicional da Cofins, de 1%, tendo que contribuir, assim, mais que as empresas de lucratividade maior, que podem compensar com a CSLL e continuarem a pagar os mesmos 2% de Cofins, o que afronta e inverte o princípio da capacidade contributiva, fazendo com que quem ganhe mais, pague menos; 3.3 com efeito, somente quem poderá deduzir da CSLL e compensar todo o valor a título do adicional da Cofins o contribuinte que apurar em cada período um lucro superior a aproximadamente 10% (dez por cento) da receita bruta, o que não se verificou no caso em tela, já que o lucro situouse no percentual de 9,6% desta; 3.4 assim, admitir como constitucional o dispositivo legal em referência seria afrontar não só os princípios da Equidade, Isonomia, Capacidade Contributiva e Vedação do Confisco, bem como a própria política tributária nacional, na medida em que desestimula as atividades produtivas e beneficia as empresas de maior lucratividade, em detrimento daquelas que têm pouco lucro ou que apresentem prejuízos, onerandoas ainda mais; 3.5 nesse sentido, se duas empresas encontramse no mesmo ramo de atividade, não se pode admitir que a que tenha maior lucratividade, ou seja, maior capacidade contributiva, seja mais beneficiada do que aquela que possui menor capacidade contributiva, dado que se estaria admitindo tratamento desigual a contribuintes que se encontram em pé de igualdade, o que é expressamente vedado pelo art. 145, § 1º da Constituição Federal; 3.6 além disso, argúi, o malsinado aumento da alíquota da Cofins tem natureza confiscatória, porquanto as empresas que apurarem lucro líquido inferior a 10% (dez por cento), e sobretudo as empresas que tiverem prejuízo, terão a nova exigência de aumento da alíquota da Cofins recaindo diretamente sobre o seu patrimônio, dilapidandoo, o que caracteriza o confisco, vedado pelo art. 150, IV, da Carta Magna; 3.7 o aumento da alíquota da Cofins, de 2% para 3%, instituído pela Lei nº 9.718/98, uma lei ordinária, fere o princípio da hierarquia das leis, dado que a matéria relativa à base de cálculo e respectiva alíquota da referida contribuição somente poderiam ser disciplinadas por meio de lei complementar; 3.8 nesse sentido, tendo sido a Cofins instituída pela Lei Complementar nº 70/91, que fixou, entre outras, o seu fato gerador, sua base de cálculo e sua alíquota (2%), somente poderia ser alterada por outra lei de mesmo nível hierárquico, portanto, uma lei complementar e não por uma lei ordinária, como foi o caso da Lei nº 9.718/98; 3.9 embora a Emenda Constitucional nº 20/98, tenha alterado o art. 195, inciso I, alínea “b”, incluindo o termo “receita” no dispositivo constitucional, não tem a referida Emenda o poder de convalidar norma infraconstitucional que ao tempo de sua edição estava e continua eivada de inconstitucionalidade; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 3.10 a multa aplicada sobre o valor do imposto, de 75% (setenta e cinco por cento), é indevida por ser claramente inconstitucional, dado que viola o direito de propriedade e a vedação de instituição de tributo com efeito confiscatório, infringindo, neste caso, o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 3.11 em face da nova realidade econômica, sobretudo após a implantação do Plano Real, em que a inflação se encontra abaixo de 10% (dez por cento) ao ano, bem como em virtude do legislador ter reconhecido a onerosidade da multa moratória prevista para os particulares no Código de Defesa do Consumidor, reduzindoa de 10% (dez por cento), para 2% (dois por cento), entende que tal redução deveria abranger também as multas moratórias previstas pelo não recolhimento de tributos, porquanto sempre foram exorbitantes, chegando ao absurdo de 75% (setenta e cinco por cento), como no presente caso; 3.12 com efeito, sendo o valor da obrigação tributária devido de R$ 333.354,27 e a multa aplicada de R$ 250.015,66, este gravame implica em grave prejuízo ao patrimônio da impugnante, caracterizandose em verdadeiro confisco a imposição desta multa moratória (sic), em face à sua excessiva onerosidade frente à atual situação econômicofinanceira do país, reforçando tal entendimento à luz dos ensinamentos do Professores Celso Ribeiro Bastos e Ives Gandra da Silva Martins (fls. 98); 3.13 a despeito da alíquota da Cofins não ser confiscatória, o mesmo não se dá com a multa de 75%, porquanto aplicada neste percentual representa gravame ilegal e inconstitucional, por caracterizarse meio indireto de se confiscar bens particulares, afrontando, neste aspecto, o direito de propriedade assegurado pelo art. 5º, inciso XXII, da Lei Maior, conforme lição dos eminentes constitucionalistas supracitados, a teor dos itens 31 a 33 da impugnação (fls. 98); 3.14 com a aplicação da multa de 75%, de natureza eminentemente confiscatória, violouse claramente o seu sagrado direito de propriedade, porquanto está tendo o seu patrimônio expropriado sem qualquer processo legal ou justa indenização, ressaltando inclusive que a imposição de tal gravame afronta também disposições da ordem econômica, a qual tem por finalidade assegurar a todos, existência digna, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, devendo ser obedecidos vários princípios, dentre os quais o da propriedade privada, à luz, neste particular, do art. 170, II, da Constituição Federal de 1988; 3.15 traz à colação, nesse sentido, Julgados do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujas Ementas traduzem o entendimento quanto à natureza confiscatória das multas aplicadas nos casos apresentados, impondo sua exclusão do débito, conforme itens 37 e 38 da defesa (fls. 99/100); 3.16 insurgese também contra a exigência dos juros de mora calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, instituída pela Circular do Banco Central (Bacen) nº 466/79, que aprovou o Regulamento da taxa Selic, posteriormente revogada pelas Circulares Bacen nºs 1.594/90, 2.311/93 e 2.671/96, conferindo natureza remuneratória à referida taxa, caracterizada como um autêntico meio de remuneração do capital, sendo calculada com base na variação do custo do dinheiro no mercado de capitais, sofrendo, portanto, a influência das flutuações da economia de mercado; 3.17 não obstante o fato de a taxa Selic ter sido materializada via lei ordinária com características de juros moratórios e de incidir sobre débitos tributários, tal gravame não possui essa natureza, porquanto traduz fenômeno monetário de pagamento pelo uso do dinheiro, com caráter eminentemente remuneratório, evidenciado pela fórmula como é calculada e manipulada pelo Banco Central, não dispensando à mesma a indispensável credibilidade para que seja usada como juros Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10325.000999/200509 Acórdão n.º 3102001.971 S3C1T2 Fl. 4 5 de mora para reajustar débitos fiscais, afrontando, assim, o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional e o art. 192, § 3º, da Constituição Federal, entendimento esse reforçado pela opinião da Profª Maria Helena Diniz, segundo a qual “Os juros moratórios consistem na indenização pelo retardamento da execução do débito.” (impugnação, itens 41 a 44, fls. 100/101); 3.18 com efeito, assevera, tendo a taxa Selic natureza remuneratória, não pode ser utilizada como taxa de juros moratórios para os créditos fiscais federais, conforme pretende a Lei nº 9.065/95, dada a conceituação jurídica e econômica entre juros moratórios e juros remuneratórios, pois enquanto os primeiros destinamse a recompor o patrimônio lesado, com índole indenizatória, os últimos são mais onerosos porquanto visam remunerar o capital, havendo, neste caso, acréscimo patrimonial; 3.19 embora pelo § 1º do art. 161 do CTN haja a previsão, via lei ordinária, para que os juros moratórios sejam alterados, não pode o legislador vincular tais gravames à taxa Selic, de natureza remuneratória, porquanto o que permite este dispositivo legal é que o legislador ordinário possa adotar nova fórmula de cálculo para os juros de mora, observados, no entanto, os conceitos jurídicos e econômicos, e não atrelálos a uma taxa remuneratória a ser paga pelo uso do capital, eis que tal uso já vem sendo condenado pela jurisprudência, sob o fundamento de violação ao citado dispositivo do CTN, com inobservância, também, ao limite de 12% (doze por cento) estabelecido no art. 192, § 3º da Constituição Federal (defesa, itens 46 a 51, fls. 101/102); 3.20 assim, tendo o Fisco cobrado juros moratórios acima do realmente devido e que não representam uma indenização da mora, mas sim verdadeira remuneração e acréscimo patrimonial, instituiu imposto que está incidindo sobre o patrimônio da requerente, aliado ao fato de que, mesmo que fossem superáveis os argumentos supra expendidos, ainda assim não seria devido o valor cobrado, porquanto a base de cálculo da Cofins deveria ser apenas o lucro bruto da impugnante e não o seu faturamento; 3.21 requer também, invocando os princípios da isonomia e da igualdade tributária (CF/88, art. 150, II) o mesmo tratamento tributário concedido às instituições financeiras, às sociedades cooperativas e às empresas revendedoras de veículos usados, alegando, nesse sentido, que tais empresas foram beneficiadas com exclusões ou deduções da base de cálculo não deferidas as demais empresas que podem com base em tais princípios serem concedidas à impugnante ; 3.22 faz alusão, nesse sentido, aos dispositivos legais e/ou atos normativos que concedem tais benefícios às referidas empresas, destacandose, neste particular, o art. 3º, § 6º, item I, alíneas “a” a “e” da Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as deduções permitidas para as empresas do setor financeiro (bancos, caixas econômicas, corretoras, etc.), salientando, inclusive que tais empresas recolhem a Cofins com base no lucro bruto, privilégio esse não concedido à impugnante; 3.23 ressalta também o fato de tal benefício ter sido concedido às sociedades cooperativas, nos termos da Instrução Normativa nº 145, de 09 de novembro de 1999, salientando ao mesmo tempo que o mesmo privilégio foi concedido às revendedoras de veículos usados, nos termos do art. 5º da Lei nº 9.716/98, c/c a Instrução Normativa nº 152, de 16 de dezembro de 1998; 3.24 assim, com base no princípio da isonomia, defende a tese segundo a qual deveria receber o mesmo tratamento tributário, reforçando tal entendimento à luz Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 das opiniões dos eminentes tributaristas Hugo de Brito Machado e Roque Antonio Carraza (fls. 106); 3.25 ainda quanto ao princípio da isonomia, traz à colação casos análogos de instituições financeiras em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL), cujos julgados do Tribunal Regional Federal da 3ª Região dão esse entendimento, ou seja, com base no princípio da isonomia ou igualdade previstos na Constituição Federal (arts. 5º e 150, II), , encontrandose tais empresas nas mesmas condições, não pode haver tratamento diferenciado entre elas; 3.26 com base no princípio da capacidade contributiva, entende que o Fisco não pode utilizarse do mesmo para imputarlhe tal gravame, uma vez que as Contribuições Sociais a título de PIS e Cofins, as quais possuem finalidades sociais específicas, não se atrelam à observância do mesmo, já que tal princípio, segundo comando constitucional próprio (art. 145, § 1º) dirigese apenas aos impostos, não contemplando, assim, as contribuições, sobretudo as contribuições sociais, dado que estas não têm como base as condições pessoais do contribuinte; 3.27 nesse sentido, assevera, se se admitisse a ofensa ao princípio da isonomia para conceder privilégios a pessoas jurídicas que se encontram na mesma situação fática, o correto seria conceder tais benefícios a empresas que necessitam de apoio governamental, caso da impugnante e não às instituições financeiras, cujos privilégios e a boa saúde financeira são notórios; 3.28 com efeito, havendo tratamento diferenciado no tocante ao pagamento de contribuições para pessoas jurídicas de direito privado que se encontram em situação equivalente, ocorre ofensa ao princípio constitucional da isonomia, o que deve ser evitado de imediato, sob pena de causar prejuízos financeiros irreversíveis para os contribuintes desfavorecidos, além do que a aplicação do princípio da isonomia propicia, conforme argumentos expostos, legislação e doutrina citadas, a realização da justiça fiscal (impugnação, itens 85 a 100, fls. 110/113); 3.29 em reforço a esse entendimento, traz à colação julgados do Supremo Tribunal Federal (STF), nos quais foi reconhecido com base no princípio da isonomia o mesmo tratamento tributário para contribuintes que se encontravam em situações equivalentes (defesa, itens 101 a 109, fls. 113/117); 3.30 nos itens 110 a 116 da defesa, resume todos os argumentos expostos na impugnação, para ao final, requerer: a) nulidade do Auto de Infração ora impugnado, haja vista ser indevida a exigência da Cofins a alíquota de 3% sobre o faturamento, pela inconstitucionalidade da multa moratória aplicada e a ilegal cobrança de juros moratórios com base na taxa Selic, por seu caráter remuneratório e estar acima do limite constitucionalmente previsto; ou ainda b) porque a base de cálculo da Cofins foi o faturamento, quando deveria ser o lucro bruto, ou caso não se dê tal entendimento que se determine o recolhimento da referida contribuição com a aplicação da alíquota de 2%, com a exclusão da malsinada multa aplicada, de 75%, bem como exclusão dos juros moratórios calculados com base na Taxa Selic; ou c) pelo menos que se reduza a multa moratória a um percentual condizente com a situação econômicofinanceira do país e reduza os juros moratórios observandose o limite máximo de 12% (doze por cento) ao ano, ou ainda determinese o cálculo da Cofins utilizando como base de cálculo o lucro bruto. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10325.000999/200509 Acórdão n.º 3102001.971 S3C1T2 Fl. 5 7 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 Falta/Insuficiência de recolhimento da Cofins: Diferença apurada entre os valores declarados e os escriturados no livro Razão Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores da Cofins declarados e os valores escriturados no Livro Razão, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. Multa de Ofício: Natureza não Confiscatória Não tem caráter confiscatório a multa de ofício aplicada sobre o valor da contribuição apurada, quando o percentual da referida multa, como acessório do principal, for compatível com o gravame tributário, inclusive no tocante a graduação do ilícito fiscal praticado pelo contribuinte. Juros de Mora: Taxa Selic Os juros de mora calculados com base na Taxa Selic são perfeitamente legais e constitucionais, dado que utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a título de tributos e contribuições federais, tendo, portanto, natureza compensatória e não remuneratória. Inconstitucionalidade de Lei Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, as empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assevera que a Constituição Federal em seu art. 150, inciso IV, veda a utilização de tributos com efeitos confiscatórios. Que, em face da redução dos índices inflacionários observados desde a implantação do Plano Real, o legislador reduziu a multa moratória entre particulares de 10% para 2%, iniciativa que precisa ser estendida às multas moratórias pelo não recolhimento de tributos. Resume, Ora, sendo o valor da obrigação tributária devido pela Requerente equivalente a quantia de R$ 333.354,27 e a multa aplicada no valor de R$ 250.015,66, verifica se que esta implica em grave prejuízo ao patrimônio da Requerente, sendo verdadeiro confisco a imposição desta multa moratória, face a sua excessiva onerosidade diante da atual situação econômicofinanceira do país. Que “com a aplicação da absurda penalidade (multa de 75%) violouse nitidamente o sagrado direito de propriedade da Recorrente, que estão tendo o seu patrimônio expropriado sem qualquer processo legal ou justa indenização [...]”. Além de requerer a exclusão da penalidade de multa imposta, protesta contra a incidência de juros pela Taxa Selic. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Insurgese “contra o tratamento diferenciado concedido às instituições financeiras e outras pessoas jurídicas de direito privado, o qual não se beneficiou, fundamentandose no Princípio da Isonomia e da Igualdade Tributária”. O que se verifica, portanto, é que o beneficio constante das deduções nas bases de cálculo do PIS e da COFINS não levam em conta peculiaridades das instituições financeiras, das cooperativas ou das revendedoras de veículos usados, razão pela qual o privilégio deve ser objetivamente concedido também à Requerente. Ou seja, sob nenhum aspecto, é possível burlar a garantia universal de tratamento igualitário entre contribuintes que se encontrem na mesma situação jurídica. Vejamos como se posiciona a melhor e unânime doutrina pátria: (...) Referese à capacidade contributiva para demonstrar que as Contribuições para o PIS e a Cofins “possuem finalidades sociais específicas e que para serem instituídas levouse em consideração a necessidade das categorias sociais a que se destinam os benefícios. Deste modo, o seu dimensionamento dáse com base neste parâmetro e não com base na capacidade contributiva dos contribuintes”, razão pela qual não poderia a Lei 9.718/98 instituir “bases de cálculo diversas para pessoas jurídicas que se encontram em igual situação”. Pugna pela por tratamento semelhante ao que é concedido às instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de veículos usados para que seja feita justiça fiscal. Explica que não se trata de declarar a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 6º da Lei 9.718/98, “mas apenas a aplicação do mesmo parâmetro de tributação à Recorrente”. Dito princípio [referindose ao princípio da isonomia] tem hierarquia constitucional, de modo que a sua utilização nada mais significa do que colocar em prática o instrumento da interpretação sistemática, que a doutrina constitucional hodierna faz de forma unânime, apologia. Cita doutrina e jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. A leitura do inteiro teor da contestação apresentada pela parte não deixa dúvidas de que as razões de defesa não compreendem nenhum tipo de objeção de natureza fática às apurações levadas a efeito pela Fiscalização Federal, mas, tão somente, questões de cunho principiológico, direcionadas à impertinência dos critérios adotados pelo legislador ordinário na graduação da tributação imposta à empresa, principalmente quando comparados com outras pessoas jurídicas que atuam em outros segmentos de mercado. A conclusão natural é a de que a empresa reconhece que, como acusa o Fisco, deixou de pagar as Contribuições Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10325.000999/200509 Acórdão n.º 3102001.971 S3C1T2 Fl. 6 9 com base na receita efetivamente realizada, reduzindo a base de cálculo que respaldou as informações prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. Nestas condições, pouco resta ao julgador administrativo pronunciar. Como é de amplo conhecimento, no que se refere às argüições de desrespeito a princípios constitucionais, o fato é que falece competência a este Tribunal Administrativo para deixar de aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. E nem se diga que não se trata de declarar a inconstitucionalidade da lei, mas apenas de graduála por um mesmo parâmetro com base em preceitos constitucionais. Uma vez que os elementos necessários à apuração do crédito (base de cálculo, alíquota, fato gerador, data do vencimento etc) estejam definidos no texto legal, nenhuma disposição constitucional ou princípio por ela protegido poderá ser alegado como razão para que se deixe de aplicar lei em pleno vigor, sob pena de infringência do comando estabelecido no Regimento Interno deste Conselho. Melhor sorte não assiste à Recorrente no que diz respeito à multa de ofício aplicada e juros de mora exigidos no Auto de Infração. Deve ser mantida a multa de ofício exigida, por expressa previsão legal – artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e alterações posteriores. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Ao contrário de como desejaria a parte, não houve redução da multa tal como aconteceu com a multa de mora exigida entre particulares. Aliás, a multa que lhe foi aplicada não é a de mora, mas a de ofício, em percentual significativamente superior ao percentual da multa de mora. Quanto aos juros de mora, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10325.000999/200509 Acórdão n.º 3102001.971 S3C1T2 Fl. 7 11 patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De se observar que tanto a Súmula CARF nº 4, quanto a Lei 9.430/96 (texto a seguir), que dá redação atual à incidência, referemse, a primeira, aos débitos tributários e a segunda aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, conceitos nos quais também se inclui a multa de ofício. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998). .VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 20 de agosto de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10909.005429/2007-06
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA OU NÃO. DEMONSTRAÇÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Ausentes quaisquer um desses pressupostos, os embargos de declaração apresentados devem ser rejeitados.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2301-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não conhecer os embargos de declaração, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que votou em admitir os embargos e conferir efeitos infringentes, dando provimento ao recurso. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA OU NÃO. DEMONSTRAÇÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão, contradição ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Ausentes quaisquer um desses pressupostos, os embargos de declaração apresentados devem ser rejeitados. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não conhecer os embargos de declaração, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que votou em admitir os embargos e conferir efeitos infringentes, dando provimento ao recurso. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 54 29 /2 00 7- 06 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 371 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 372 3 Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte SEARA ALIMENTOS S.A. (sucessora de BRASKARNE COMÉRCIO E ARMAZÉNS GERAIS LTDA.) com fundamento no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, contra o Acórdão n° 2803002.773 (fls. 304/313), lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2007 PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. NÃO PROVIMENTO. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). A multa e os juros de mora não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito judicial. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.” 2. Consta do relatório da fiscalização (fls. 42/43) que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD objeto deste processo destinouse a efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias sobre o valor pago a cooperativa UNIMED em razão dos serviços prestados por seus cooperados no período de 01/2002 a 07/2007. Além disso, a autoridade fiscal assinala que o lançamento promovido pretendia prevenir a decadência do crédito tributário. 3. Em primeira instância, foi reconhecida a ocorrência de decadência em relação ao período de 01/2002 a 10/2002, eis que deveria ser observado o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, em detrimento daquele decenal disposto no art. 42 da Lei nº. 8.2212/91, conforme pacificado pelo STF no verbete da Súmula nº. 81. Restaram, contudo, mantidas as exigências de multa de mora e juros sobre o período não decaído (11/2002 a 07/2007), bem como se reconheceu a vinculação da exigência do crédito ao resultado da ação judicial nº. 2000.72.08.0007217 (atual RE 346.321), na qual a contribuinte promoveu o depósito integral do montante. 4. Em sede de recurso voluntário, restou reconhecida a inocorrência de juros e multa moratórios, bem como da multa de ofício, uma vez que o lançamento se deu apenas para prevenir a decadência. O acórdão, entretanto, deixou de analisar a questão da exigência da contribuição, em virtude da arguição de inconstitucionalidade promovida pela contribuinte. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 373 4 5. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida em relação ao recurso voluntário em 12/08/2014, conforme despacho de fl. 328, tendo apresentado Embargos de Declaração em 18/08/2014, dentro do prazo legalmente previsto. 6. Em seus embargos declaratórios, a contribuinte suscita fato superveniente ao acórdão (o julgamento do RE 595.838, no qual houve a declaração de inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, em sede de repercussão geral, cuja ata do julgamento foi publicada em 07/05/2014), postulando seja cancelado o lançamento fiscal de modo a dar observância ao artigo 62A do Regimento Interno do CARF. 7. Conforme Despacho nº 2803149 (fl. 368), os Embargos foram acolhidos pelo Presidente da Turma para que se esclareça a exigibilidade ou não da contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 374 5 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Os embargos de declaração são tempestivos e preenchem os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço e passo a análise de seu mérito. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES 2. Estabelece o art. 37 do Dec. nº 70.235/1972, na redação da Lei nº 11.941/2009, que “o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF far seá conforme dispuser o regimento interno.” 3. Nesse contexto, em relação aos embargos de declaração os mesmos estão previstos no Regimento Interno do CARF, em seu artigo 65 e são manejados para os casos de omissão, obscuridade e contradição. Certo é que, em regra, o efeito de sua decisão é integrativo, ou seja, apesar de tratarse recurso, como entende a melhor doutrina processualista, ele não tem o condão de reformar ou anular a decisão anterior, pois se presta a resolver algum vício. 4. Apesar do conceito clássico dos embargos de declaração, não se pode olvidar que e a doutrina e jurisprudência, tanto do Judiciário, quanto deste Conselho, têm admitido os embargos com efeitos infringentes, que modificam a decisão embargada, o que, portanto, comporta a meu ver o caso ora discutido. 5. Vejase que, no processo em apreço, foi prolatado acórdão dando parcial provimento ao pleito recursal sob o argumento que o CARF não é competente para analisar a constitucionalidade das normas, estando adstrito ao princípio da legalidade, conforme disposto no art. 62 de seu Regimento, bem como cristalizado em sua jurisprudência por meio da Súmula nº 2. 6. Na oportunidade, quando da interposição do recurso voluntário, a recorrente alegou que o “texto maior não prevê em seu corpo a possibilidade de instituição de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos à cooperativas, eis que (i) o serviço não é prestado por pessoa física, ocorrendo real negócio jurídico entre pessoas jurídicas distintas, e (ii) o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços não representa a real remuneração do trabalho (...).” 7. Registrese que a sessão de julgamento em que se apreciou o recurso interposto pela contribuinte deuse em 16 de outubro de 2013. No entanto, em 23 de março de 2014, cinco meses após a decisão proferida por esta Corte Administrativa, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 595.895/SP, no qual foi reconhecida a repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/1991, e como foi em sede de controle difuso de constitucionalidade, não foi atribuído efeito modulante. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 375 6 8. É inegável que a declaração de inconstitucionalidade de uma norma consiste no reconhecimento de sua invalidade e tem por fim paralisar a sua eficácia, em honra aos princípios da Supremacia da Constituição e da rigidez constitucional, que eleva a Carta Superior a mais alta posição hierárquica dentro do sistema normativo, uma vez que a Constituição Federal Brasileira é do tipo rígida. 9. Uma norma eivada de inconstitucionalidade representa uma patologia, a qual se reveste de incompatibilidade com todo o corpo jurídico, razão pela qual deve ser do sistema vigente extirpada. 10. A Suprema Corte, em sua função de guardiã da Constituição declarou a inconstitucionalidade da norma que fundamentava o lançamento tributário e que foi aplicada ao caso dos autos, em atenção ao princípio da legalidade. Sendo assim, uma vez que a hipótese de incidência tributária foi retirada do mundo jurídico, é imperioso reconhecer a nulidade do lançamento, de forma a gerar efeitos ex tunc, liberando o contribuinte do recolhimento do tributo, bem como seus encargos legais. 11. O entendimento ora exposto possui supedâneo no art. 62A do Regimento Interno desta Corte Administrativa, que dispõe nos seguintes termos: “Art. 62 – A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” 12. Sendo assim, observando o disposto na norma que rege esta Casa, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade da cobrança de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, não há como manter o acórdão da DRJ, reformando, inclusive, o acórdão embargado é medida que se impõe. CONCLUSÃO 13. Por todo exposto, acolho os embargos de declaração com efeitos infringentes para dar total provimento ao recurso voluntário, tornando insubsistente o lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente). Natanael Vieira dos Santos Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 376 7 Voto Vencedor O então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época em que os embargos de declaração forma opostos, em seu art. 65, prevê o seguinte: rt. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.§ 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} I por conselheiro do colegiado; {2} II pelo contribuinte, responsável ou preposto; {2} III pelo Procurador da Fazenda Nacional; {2} IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; {2} V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Da leitura do dispositivo regimental depreendese que as funções dos embargos de declaração, por sua vez, são afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão. Por sua vez, o art. 535 do Código de Processo Civil, , dispõe que: "cabem embargos de declaração quando: I houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; II for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar se o juiz ou o tribunal". Em comentário a esse último dispositivo legal, o doutrinador Luis Guilherme Aidar Bondioli, citando outros renomados processualistas, ainda menciona os "erros evidentes" sanáveis pela via dos embargos e os raríssimos erros de julgamento embargáveis. Transcrevemse, por oportunos, os seguintes trechos de sua obra doutrinária: "Existem diversas categorias de erro. O erro material não chega a ser uma anomalia do juízo, mas sim de sua expressão (supra, n. 23). O chamado error in procedendo é um vício de atividade, uma desatenção do juiz para com as disposições do ordenamento jurídico que regulam o processo e o seu modo de atuar na condução do feito. É o caso, por exemplo, das sentenças extra ou ultra petita (CPC, art. 460) ou do acórdão que se pronuncia sobre pretensão não devolvida pela apelação (CPC, art. 515). (...) Como é cediço, a lei não prevê dentre as hipóteses de cabimento dos embargos declaratórios a sanação de erro material. Muitas espécies de errores in procedendo também não são contempladas pelo art. 535 do Código de Processo Civil (p. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 377 8 ex., sentença extra ou ultra petita). E nenhum erro de julgamento é arrolado dentre os defeitos dos pronunciamentos judiciais sanáveis via embargos de declaração. Todavia, a celeridade, segurança, adequação e efetividade dos embargos declaratórios para a sanação de imperfeições existentes nas decisões judiciais fez com que a jurisprudência estendesse o mecanismo para outras situações além das previstas no Código de Processo Civil. Como conseqüência disso, todo erro material passou a ser corrigível por meio de embargos de declaração (supra, n. 23). E determinados errores in judicando e errores in procedendo não abarcados pelo art. 535 do Código de Processo Civil, em condições especialíssimas, passaram também a contar com os embargos declaratórios para a sua extirpação do ato decisório. (...) Sentenças ultra ou extra petita têm sido corrigidas pela via dos embargos declaratórios, por se consubstanciarem em erro evidentes. Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda elogia essa iniciativa: 'a lei não se refere à decisão fora do que se tinha de decidir, mas seria absurdo que se pudesse recorrer com embargos de declaração tendo sido omissivo o julgado, e não se pudessem opor embargos de declaração contra a decisão que, devendo aterse a x, decidiu x e y'. Devem ser abertas as portas, ainda, para a correção em sede de embargos de acórdãos proferidos em dissonância com a regra tantum devolutum quantum appellatum (CPC, art. 515), por tratarse igualmente de manifesto equívoco." (Embargos de Declaração, Coleção Theotônio Negrão / coordenação José Roberto Ferreira Gouvêa, São Paulo: Saraiva, 2005, pp. 141 a 142, 144, e 151 a 152)” A omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser relevante ao ponto de tornar fortemente comprometida a decisão recorrida. Analisando o fundamento do ED, entendo, data venia, que não há quaisquer dos pressupostos para acolhimento do recurso. Ressalto, por oportuno, que compartilho do entendimento apresentado pelo i. Conselheiro Relator quanto à matéria de mérito, entendo que, neste instante, não há como afastar o enunciado da Súmula CARF n. 2, que reza: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diferentemente da leitura realizada pelo i. Conselheiro Relator, entendo, com todas as vênias, que o art. 62, do RICARF apenas permite ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei – no caso a 8.212/91 , sob o fundamento de inconstitucionalidade apenas quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10909.005429/200706 Acórdão n.º 2301004.177 S2C3T1 Fl. 378 9 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Entendese por decisão definitiva aquela que não caiba mais recurso, ou seja, que já houve trânsito em julgado. No caso, o Acórdão do Plenário no RE 595.838 foi publicado em 08/10/2014, tendo sido oposto ED pela Fazenda Nacional em 20/10/2014. logo, ainda não houve o trânsito em julgado. Portanto, não demonstrados os pressupostos para a oposição, voto por REJEITAR os ED apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente). Manoel Coelho Arruda Júnior – Redator. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Ass inado digitalmente em 30/10/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 14041.000424/2007-87
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 01/01/2007
DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO REFORMADO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer a decadência das contribuições 04/2000 a 06/2002.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente CONDOMÍNIO SQSW 305 BLOCO D. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 01/01/2007 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO REFORMADO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer a decadência das contribuições 04/2000 a 06/2002. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 24 /2 00 7- 87 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.000424/200787 Acórdão n.º 2803002.130 S2TE03 Fl. 442 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.050.1683, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias em decorrência da realização de obra de construção civil cadastrada com o CEI 38.720.01942/77, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 65 a 68, com período de apuração de 04/2000 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 56 a 59. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 26/06/2007, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 405 a 407, estando acompanhada dos documentos, de fls. 408 a 415. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 416 e 417. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0324.075 5ª Turma da DRJ/BSA, em 12/02/2008, fls. 418 a 423, no qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/06/2008, AR, de fls. 428. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 429 e 430, recebida, em 16/07/2008, acompanhado dos documentos, de fls. 431 a 438, onde alega em síntese, o que a seguir consta. · que tendo o crédito sido lançado, em 30/06/2007, data em que a recorrente tomou conhecimento da notificação e conforme artigo 150, §4º, do CTN, todos os fatos geradores até 06/2002 estão extintos pela decadência, consoante SV STF Nº 08; · Requer, por fim: a) a procedência do recurso, com a admissão da decadência e extinção do crédito. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 440. Os autos foram remetidos ao 2º Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.000424/200787 Acórdão n.º 2803002.130 S2TE03 Fl. 443 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado No que tange a única alegação do recurso de ocorrência da decadência é necessário que se aborde certa matéria que a esta antecede e que poderia alterála por ter forte influência. A confissão do débito para fins de parcelamento representa lançamento e reconhecimento da dívida e assim a decadência deixa de operar para passar a operar se for o caso a prescrição. Assim sendo, a decadência não pode ser reconhecida de plano, tendo em vista que o próprio contribuinte reconhece e alega que parcelou a dívida. Na sua impugnação, isto é, na defesa de primeiro grau, as fls. 405 e 406, o condomínio ora recorrente alegou que parcelou a dívida espontaneamente, observese a transcrição. Por força do trabalho realizado pela fiscalização, foi aplicada uma multa correspondente a R$27.875,25 (vinte e sete mil, oitocentos e setenta e cinco reais e vinte e cinco centavos), que a impugnante entende indevida, já que fora confessado o débito espontaneamente em pedido de parcelamento protocolado na agência da Previdência Social em Brasília na data de 06 de novembro de 2003 sob o nº 37313.003875/200309 (documento anexo). Por diversas vezes, procurando um resultado por parte da Previdência Social quanto ao pedido de parcelamento, após idas e vindas , não se manifestou, razão pela qual a impugnante ficou impedida de proceder ao pagamento do débito. Todavia a Administração Tributária no Acórdão Nº 0324.075 5ª Turma da DRJ/BSA, em 12/02/2008, fls. 418 a 423, nos trechos a seguir transcritos deixa claro que não existe parcelamento para o débito em questão e que o protocolo apresentado, as fls. 408, é simplesmente um Documento de Regularização de Obra – DRO, observese as passagens do acórdão. Inicialmente, cumpre ressaltar que, da análise do documento apresentado pelo contribuinte (cópia de protocolo — fl 408), não é possível concluir que o mesmo se trata de pedido de parcelamento de débito, ainda mais se atentarmos para a descrição do assunto que indica tratarse de pedido de regulamentação de obra. Ademais, em pesquisa realizada no sistema informatizado de cobrança deste órgão arrecadador (SICOB), realizada tanto no Fl. 885DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.000424/200787 Acórdão n.º 2803002.130 S2TE03 Fl. 444 4 CNPJ do Condomínio (03.687.568/000110) quanto na matricula CEI da obra (38.720.01942/77), constatouse a inexistência de qualquer processo ou pedido de parcelamento em nome do sujeito passivo, conforme copias em anexo. (grifos meus). Feito estes esclarecimentos passo a análise da alegação de ocorrência de decadência. O contribuinte se equivoca em relação à data de lançamento, pois conforme consta, as fls. 01, Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito o contribuinte tomou conhecimento pessoal do lançamento e da notificação, em 26/06/2007, e não, em 30/06/2007, como alega. Inicialmente, é necessário averiguar qual a regra decadencial as ser aplicada artigo 150, § 4º ou artigo 173, I, ambos, da Lei 5.172/66. Tudo a depender da existência de antecipação do pagamento ou não. No caso em vergasta a regra aplicável é a do artigo 150, § 4º, tendo em vista que de acordo com o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, de fls. 37 e 38, consta pagamentos para o CEI 38.720.01942/77, de 04/2000 a 06/2002, incluindo o 13º/2000 e 13º/2001, nos termos do que já decidido pelo STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Desta forma, devem ser excluídas desta notificação as competências 04/2000 a 05/2002, uma vez que existindo pagamento aplicase a regra do artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66 e como o lançamento se deu, em 26/06/2007, todas as competências com ocorrência de pagamento e que se venceram até 27/06/2002 estavam decadentes na ocasião do lançamento. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.000424/200787 Acórdão n.º 2803002.130 S2TE03 Fl. 445 5 Evidente fica que as competências 06/2002, que venceu, em 10/07/2007, bem como as competências 07/2002 e 04/2003 que são posteriores ao fim da decadência, estão hígidas e aptas a cobrança. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, reconhecendo a decadência das contribuições 04/2000 a 06/2002. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11543.001185/2007-33
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - COMPROVAÇÃO - Devem ser excluídos da autuação os rendimentos que comprovadamente pertence a outra pessoa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 85 /2 00 7- 33 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, FÁBIO PIMENTEL PEREIRA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 251.865.90720, com domicílio fiscal na cidade de Vitória, Estado Espírito Santo, à Rua José Alexandre Buaiz, nº 190 – Sala 305 – Bairro Enseada do Sua, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 40/45, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 52/53. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 30/04/2007, a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 02/05), com ciência por AR, em 14/05/2007 (fl.26), exigindo se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 11.094,16 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, correspondente ao ano calendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 18.035,63, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Infração capitulada nos arts. 1º a 3º e §§, 8º e 9º, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1º a 3º, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 5º, 6º e 33, da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 1º e 15, da Lei n° 10.451, de 2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53, do Decreto n° 3.000/99 — RIR/1999; 2 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Glosa do valor de R$ 2.381,45, indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) informado pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995; §§ 1º e 2º do art. 7º e § 2º do art. 87, inciso IV, do Decreto n° 3.000/99 – RIR/1999. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 30/05/2007, a sua peça impugnatória de fl. 01, instruído pelos documentos de fls. 06/25, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11543.001185/200733 Acórdão n.º 2202002.445 S2C2T2 Fl. 3 3 solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que analisando minha DIRPF, constatei que não existem as divergências apontadas pelo AFRF, conforme demonstrado nos documentos que deu origem ao preenchimento da mesma; que existem diferenças em relação aos documentos fornecidos pelas fontes pagadores e as informações prestadas pelas mesmas a SRF, motivo das divergências encontradas no imposto a recolher; que estou anexando para analise mais detalhadas pelo AFRF, cópias de minha declaração e todos os documentos que deram origem aos lançamentos; que em razão do exposto acima, solicito que seja feito diligencias nas fontes pagadoras para corrigirem o erro que elas cometeram dando informações erradas para a SRF, após confirmar os valores que declarei, cancelar a notificação de lançamento. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, concluíram pela manutenção, em parte, do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do Julgador, o que não é o caso dos presentes autos; que o contribuinte informa dispor das provas necessárias à comprovação da veracidade dos dados informados na Declaração do exercício 2005, que correspondem aos Comprovantes de Rendimentos juntados à defesa. Os documentos apresentados foram analisados e aceitos como verídicos nessa Decisão; que dessa forma, considerando que as provas necessárias à solução do litígio encontramse nos autos, a diligência se torna prescindível, razão pela qual indeferese o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio; que o contribuinte nada alegou em relação à fonte pagadora acima e a DIRF/2005 da fonte pagadora permanece com a informação de rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no valor de R$ 10.800,00 (fl. 39). Desta forma, será mantida a tributação dos rendimentos; que o Comprovante de Rendimentos de fl. 17 confirma a omissão de rendimentos no valor de R$ 0,05, que deve ser mantida; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 que o Comprovante de Rendimentos de fl. 18 contém valores idênticos aos lançados pelo contribuinte na DIRPF/2005, além de informar que a diferença apurada pela fiscalização (R$ 500,00) corresponde a rendimentos isentos, por força da Lei n° 10.996, de 2004; que o contribuinte agiu corretamente ao informar somente o valor de R$ 20.220,00 no campo "Rendimentos Tributáveis" e o restante do valor, R$ 500,00, no "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis". Os rendimentos no valor de R$ 500,00 serão excluídos de tributação; que o contribuinte apõe no Comprovante de Rendimentos de fl. 12 uma mensagem manuscrita de que era portador de doença grave desde 01/01/2004. O Oficio n° 1027/GEXVIT/Agência da Previdência Social Vitória, juntado à fl. 13, comprova que ele era portador de doença especificada em lei (cardiopatia grave), desde 01/01/2004; que considerando que os rendimentos pagos pelo INSS decorriam da aposentadoria por tempo de serviço, é de se concluir que correspondiam a rendimentos isentos e nãotributáveis. Logo, devem ser excluídos de tributação os rendimentos de R$ 6.735,58; que o Comprovante de Rendimentos de fl. 07, emitido pela Unimed Vitória, faz prova da retenção de Imposto, sofrida pelo contribuinte, no valor de R$ 2.722,18. Assim, fica cancelada a glosa de Imposto. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA (PARCIAL). Verificado que parte dos rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foi integralmente oferecida à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento da parte não tributada. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a retenção pela fonte pagadora do Imposto no valor informado na Declaração, tem direito o contribuinte à compensação do montante retido, recaindo, exclusivamente, sobre a fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento do valor. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/10/2009, conforme Termo constante à fl. 51, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (29/10/2009), o recurso voluntário de fls. 52/53, instruído pelo documento de fls. 54/66, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11543.001185/200733 Acórdão n.º 2202002.445 S2C2T2 Fl. 4 5 que analisei minha declaração e constatei que não existia qualquer diferença de preenchimento, simplesmente as fontes pagadoras haviam passado para a RFB dados diferentes dos fatos acontecidos no período, inclusive informações de rendimentos de bens que já transferi para terceiros em anos anteriores; que os Srs. Julgadores analisaram os documentos anexados a defesa, aceitaram a veracidade das informações anexas, com exceção do seguinte valor e fonte pagadora: Fonte pagadora: Comercial Mercador Ltda.; Valor dos rendimentos: R$ 10.800,00; que inconformado com a manutenção da tributação sobre o valor mencionado acima, venho esclarecer que, o imóvel que deu origem ao rendimento foi transferido para a Empresa SPASSO PROJETOS E DECORAÇÕES LTDA. CNPJ n° 27.241.7441000154, que foi a verdadeira beneficiária do aluguel; que entramos em contato com os locadores e locatários do imóvel e solicitamos a retificação da DIRF e da DIMOB, para que seja corrigido as informações passadas para a, RFB em relação aos rendimentos imputados em minha declaração como se fosse de minha responsabilidade. Esta Câmara em outubro de 2012, decidiu converter o processo em diligência para que para que a Repartição Origem para tomasse as seguintes providências: 1 – Junte aos autos cópia integral da DIRF Retificadora, relativa ao ano calendário de 2004, apresentada pela empresa Comercial Mercador Ltda.; 2 – Intime a empresa Comercial Mercador Ltda., a esclarecer o equívoco ocorrido, juntando cópias dos registros contábeis que demonstram que os pagamentos a título de aluguel foram realizados para a empresa Spasso Projetos e Decorações Ltda. – CNPJ 27.241.744/000154; 3 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 4 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento Após a realização da diligência, a autoridade fiscal indica que em consulta aos sistemas da RFB, verificamos que a empresa Comercial Mercador LTDA, retificou sua declaração em 26/10/2009, a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fontes, onde não consta mais informado o CPF do contribuinte como beneficiário dos rendimentos de aluguéis, no ano calendário 2004, como constou anteriormente. Verificamos também que não há, nos sistemas da RFB, Declaração de Informações Imobiliárias (Dimob), para o CPF do contribuinte em relação aos citados rendimentos de aluguéis. Retificada a Dirf ficou claro o equivoco cometido pela Comércial Mercador Ltda, quando informa a RFB, através de DIRF, rendimentos de aluguéis não recebidos pelo contribuinte, no anos calendário de 2004. Nesse contexto o entendeu a autoridade recorrida que não havia mais necessidade de realizar a diligência junto a fonte pagadora. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise das conclusões expressas no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 84 e 85, notase que o recorrente faz jus a que seja excluído o rendimento relativo a Fonte pagadora: Comercial Mercador Ltda., valor dos rendimentos: R$ 10.800,00. Registrese que, diante das conclusões da diligência, reconhecido pela autoridade lançadora é de se acatar os argumentos do recorrente. Afastando do lançamento o rendimento que pertence a outra pessoa. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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