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Numero do processo: 10768.001516/86-61
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis— cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termoS do i relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos 1 os Cons. Waldevan Alves de Oliveira (Relator), Luiz Alberto Cava Ma- ceira e Geraldo Vieira. Designado Relator para o AcOrdão o Cons. Ja- cinto de Medeiros Calmon. 1 Sala das Sessoes(DF), em 14 de abril de 1989. v.v ' URGEL PÊBEIP LOP S - PPFSIDENTE 6ie 1.2 y - JjYelAN4 MEDEIROS CALMO - ATOR DESIGNADO J1344iejnSAR GON0~- CORREA - PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: JOSÊ EDUARDO RANGEL DEALCKMIN, LOURIERDES FIUZA DOS S2NTOS7 CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, MARIAM SEIF, BENEDICTO ONOFRE EVANGE LISTA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • • i „ SEflVÇO Punico FEDERAL Pnousso No 10768/001.516/86-61 r,Ecul;so N r?: PP/106-0.031 ACORUAON 0 : CSPF/01-0.865 ItECWHEME FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: HERVAL TAROUINIO BITTENCOURT RELATÓRIO Recorre a esta Câmara Su perior deRecursos Fiscais, a FAZENDA NACIONAL, através de seu Procurador-Representante junto a Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da decisão desse Colegiado consubstanciada no acórdão n9 106-1.339, proferida em sessão realizada em 20.10.87, tendo o procurador to- mado vista em 19.11.87. Na decisão suura, aquela Câmara, por maioria de vo tos, deu provimento ao recurso inter posto uelo sujeito passivo, contra os votos dos Conselheiros Elmo Salvucci e Lourierdes Fiuza dos Santos, que negavam provimento ao recurso, cujos fundamentos se achar sintetizados na seguinte ementa: "IRPF - TRIBUTACÃO SOBRE LUCRO IYOBILIÃRIO - O imó vel residencial urbano não é da mesma espécie d5 imóvel residencial rural, portanto, a posse nãonre judica, in casu, a isenção pleiteada com base n-50 Decreto re-i n9 1.950/82: noém restrita ao disnos- to no § 39 do mesmo artigo - Recurso provido em Parta." /9 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768/0G1.516/86-61 2. AcOrdão n9-CSRF/01-0-865 O recurso da Fazenda Nacional, formulado com ba- se no artigo 39, inciso I, do Decreto n9 83.304 de 28 de março de 1979, se encontra âs fls. 9_3/94, sob a égide dos seguintes fundamentos: CCCCCCCC *******"*“*Wee ********** *0*“*"*•* "3. Entendeu aquele colegiada nos termos do voto do Relator, que o im6ve1 residencial ru- ral de propriedade do Recorrente não da mesma espãcie, de outro imOvel residencial urbano e, portanto, a posse desse não prejudica a isenção pleiteada com base no art. 12 do Decreto-lei n9 195G/82. Venia Concessa, a R. Decisão não merece prosperar conquanto ministra ã lei que concede isenção, interoretação, excessivamente elãstica, em evidente afronta ao dis posto no art. 111 do CTN. 5. Com efeito, quando o mencionado diploma legal estabelece as condições para, a fluição do benefício, ou seja, dentre outras, não possuir o contribuinte outro imOvel da mesma esnecie, não excepciona o imOvel residencial rural, não sendo, portanto, lícito ao inter prete exceder os limi- tes do comando legal, mormente em se tratando de outorga de isenção." .ks fls. 95 acha-se o despacho do Presidente da - Sexta Câmara dando seguimento ao recurso oferecido pelo Procura dor, abrindo vista ao interessado para contra-razões, o que o- correu ãs fls. 99/10G, lidas na íntegra em sessão. t o relatõriavn SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768/001.516/86-61 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.865 VOTO VENCEDOR DO'CON'S'ELHEIRO JACINTO DE MEDEIROS CAIMON Discute-se a -abrangência da expressão "não Pos- sua imóvel da resma especie", no texto do artigo 12 do Decreto lei n9 1.950, de 14 de julho de 1982, verbis: "Art. 12 - Fica isento do imposto de renda o lu- cro auferido ror pessoa física na venda de imó- veis, desde que o alienante, no prazo de um ano contado da celebração do contrato, aplique opro duto da venda na compra de imóvel residencial --e -gue, na data da amiísição, não Possua imóvel da mesma espécie." Como se ve, o aludido preceitO legal subordina a isenção que outorga ao requisito de que o alienante do imóvel, além de aplicar o produto da venda, no Prazo de um ano, na com- pra de imóvel residencial, não possua outro imóvel da mesma es- pécie na data da aquisicão. Ora, o imóvel destinado a veraneio, férias ou a fins de semana, como e o caso da propriedade gue o contribuinte• possui em Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, ainda que em zo- na rural, é ine gavelmente um imóvel residencial. •A Própria escritura de venda e conora, datada de 27 de agosto de 1965, anexada de fls, 80 a 82, assim se refere ao imóvel então adquirido: ... imóvel situado nas "Granjas Cinco Lagos",na zona rural deste 19 Distrito Municipal, axmtantq de lote de terras n9 44-A, cor: área de 8.000 m4 C...), e de una casa residencial, com sala, quar- tos (131, cozin a, •an eíro e varanda". (0 grifo é nosso) A propriedade de Vassouras constituía-se, por- tanto, como diz a Própria escritura, de imóvel residencial, em-_ r- 111 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768/001.516/86-61 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.865 bora situado em um amplo terreno de 8.000 m 2 e em zona rural; não se destinava obviamente a exploração agrícola, pois não hã rendimentos na cédula G, nem a qualquer outra finalidade a -não ser, exclusivamente, a residencial, embora em carâter transit5- rio. Como bem afirma o Parecer Normativo CST n9 16,de 7 de agosto de 1984, interpretando o artigo 12 do Decreto lei n9 1950, de 14.07.82, "deve-se considerar imóvel da mesma espé- cie a unidade construída para fins residenciais", ou seja "a e- dificaçãoque tenha sido construída com esta destinação, segundo as normas disciplinadoras da localidade em mie se situarem, in- dependentemente "da utilização que lhe tenha sido dada". Não há', ademais, no referido artigo 12 qualquer distinção entre imóvel residencial em zona urbana ou em zona rural, como pretende a decisão recorrida; o que importa, sim, e isto o que a lei enfatiza, é que o imóvel remanescente tenha finalidade residencial,e a ela se restringe a expressão "da mesma espécie". Discordamos, também do 'Toto do ilustre Relator -Dr. Waldevan Alves de Oliveira, quando afirmaqua"nãosepodecon ceituarr como da resma es pécie, um imóvel residencial na cidade do Rio de Janeiro e uma residência momentânea, em sitio portan- to, na cidade de Vassouras, na'área rural, destinada a Passar férias e descansar aos fins de semana com a sua família". argumentamos que a lei não distingue quantoao uso do imóvel residencial, seja em cat .-à:ter !Permanente ou even- tual. Não procede, também, a arguida distnção entreim§. veis residenciais que se situem em localidades ou cidades dife- ferentes.r 721 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10_768/00.1.516/86-61 5. AcOrdão n9-CSRF/01-0.865 A lei tributéria federal tem alcance em todo o territOrio nacional, e as condiçOes que ela impe devem ser en- tendidas como extensivas a tal territeirio, quando não hé ressal- va ou restrição que circunscreva a sua a plicação a um determina do local, ou ao âmbito do domicilio do contribuintes. Assim, da mesma forma que o aludido preceito li- berat8rio de tributo não restringe a compra de outro.im8vel re- sidencial aos limites da localidade ou estado em que se situa o imOvel vendido, também estende o fator condicionante da isen- ção ao âmbito do território nacional, ou se-ía, estabelece que a posse ou Propriedade de outro imOvel, em qualquer parte dopais, na data da aquisição com ao numerârío obtido na alienação imo biliâria, inibe o gozo da isenção de imposto sobre o respectivo lucro. Esta é, segundo entendo, a interpretação mais consentânea cor o elevado oronOsito social da lei, que é efeti_. vamente o de proteger o único im8vel residencial do contribuin te, no pais, possibilitando a troca, substituição ou melhoria da residência, sem anus fiscal. Se, como na hipótese dos autos, o contribuinte possui mais de uma residência, ainda que em cidades diferentes, não faz jus a isenção sobre o lucro decorrente da venda de uma delas. Assim sendo, dou provimento ao recurso. 11 Brasília-DF, em 14 de abril de 1989. / - CINTO , Ile, ni,i/e;~ i J* CINTO DE MEDEIROS CAL~ - RELATOR DESIGNADO SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768/001.516/86-61 6. Acórdão n9-CSRF/01-0.865 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA Versam os presentes autos sobre lancamento funda- do em lucro que o contribuinte teria obtido na alienação de imO vel, sobretudo no que concerne a sua isenção com base no artigo 12 do Decreto-Lei n9 1.950, que dispõe: "Art. 12 - Fica isento do imposto de renda o lu- cro auferido por ressoa física na venda de im6- vel, desde que o alienante, no prazo de um ano contado da celebração do contrato, aplique opro duto da venda na compra de imOvel residencial -é" que, na data da aquisição, não possua im6vel da mesma espécie." Como se infere do relatório, na hi pótese dos au- tos, o contribuinte alienou o imóvel situado rua Miguel Perei ra, n9 34, apt9 302, Rio de Janeiro e adquiriu, igualmente rara residir outro imóvel ã. Rua Senador Vergueiro, n9 237, também no Rio de Janeiro, beneficiando-se da isenção de que trata o dispo sitivo acima transcrito. Ao promover o lançamento suplementar, entendeu o fisco que o contribuinte não estaria sujeito ao gozo da preten- dida isenção, uma vez que não preenchia todos os requisitos in- dispensáveis a esse incentivo, haja vista possuir um imóvel na cidade de Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, considerando da mesma esnécie. O contribuinte Procura demonstrar que o citado imóvel, numa área de 8.000 m2 , distante da cidade onde reside e trabalha não pode ser considerado da mesma espécie, uma vez tra tar-se de um sitio, ou casa de campo para onde se desloca even- tualmente, nasférias e ou fins de semana. Com efeito, entendemos assistir razão ao contri- ()) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768/001.516/86-61 7. AcOrdão n9-CSRF/01-0.865 buinte. De fato, não se pode conceituar como da mesma espécie, um imOvel residencial na cidade do Rio de Janeiro e uma residén cia momentânea, um sitio portanto, na cidade de Vassouras, na área rural, destinado a passar ferias e descansar aos fins de semana com a sua família. Nesse Passo, o ilustre Relator do acOrdão recor- rido Conselheiro Braz Januârio Pinto, assim se manifestou: 0.0•••••“““•cãe e me COOOSO O..“•"0“••• n "Examinando o Processo, verifica-seque, de fato, o Contribuinte, â é poca de transaçao, pela qual adquiriu a nova residência no Rio deJa neiro CRjl, jâ possuía um imóvel rural em Vassoil ras CRJ)„ por ele e seus familiares, utilizado como casa de camno. Restaria saber, em primeiro lugar, se a posse desse imOvel impediria o gozo da isenção pleiteada e, em caso negativo, ou se- ja, inexistência do impedimento, restaria saber, por último, qual a parcela do lucro tributado es tarja isenta do imposto exigido, Porquanto .ape= nas uma parte do valor recebido pela venda doim6 vel sito ã Rua Nina Rodrigues, n9 . .4.9 (Apt9 102), no Rio de Janeiro (RJ), no montante de Cr$...... 51.890.000, foi aplicado na referida aquisição, ou seja, Cr$ 17.000_000. No que diz res peito a isenção, ã para reconhecer-se o direito do Recorrente ã mesma. O imOvel de Vassouras (RJ), não deve ser considera do no caso, de vez que, em termos estritos, n.o era residência do Contribuinte, nem antes, quan- do residia ã" Rua Miguel Pereira, n9 34, Apt9302, no Rio de Janeiro CM", nem depois, quando pas- sou a residir no im6vel adquirido, Apt9 601, a Rua Senador Vergueiro, n9 227, na mesma Capital. X época da aquisição desse im6vel onde reside, o Contribuinte não DOSSUía outro "im6vel da mesma espécie" de que fala o D.L. 1950/82, art. 12. Pa ra o Contribuinte, o imóvel que possuía em Vas- souras, na zona rural, conforme Escritura anexa- da, um sitio de 8.00G ms 2 , com uma casa residen- cial, uma casa de caseiro, etc., não é da mesma espécie de imOvel urbano onde reside, um aparta- mento na cidade do Rio de Janeiro." ., , ,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10768/001.516/86-61 8. Acórdão n9-CSRF/01-0.865 Como se vê, a decisão recorrida, _foi _proferida com base no brilhante voto, .Coarte transcrita), dando ao fato. a 1 melhor interpretação e por isso mesmo devendo permanecer malte _ rada., Pelo exnosto, nego nróvimento ao recurso. ri : i! BrasIlia-DF, em 14 de abril de 1959- 1 W \:: '\» ‘ . , À ,JA i WALDEVAN At . S Dz QLIVEIRA- - RELATOR VENCIDO's72},i‘ \I \ ' i i I 1 , : 1 I , 1 1i 1 • i I 1 1 I 1 - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.003662/2006-90
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE
Só poderá ser deduzido do imposto apurado, o valor do imposto retido na fonte, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, quando confirmada a retenção do imposto em DIRF ou quando existir comprovante dos rendimentos e da retenção pela fonte pagadora em nome do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Só poderá ser deduzido do imposto apurado, o valor do imposto retido na fonte, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, quando confirmada a retenção do imposto em DIRF ou quando existir comprovante dos rendimentos e da retenção pela fonte pagadora em nome do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (VicePresidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 36 62 /2 00 6- 90 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acorda 0113.630 2a Turma da DRJ/BEL que julgou parcialmente procedente a impugnação interposta em face do auto de infração que determinou a glosa de valores declarados pelo contribuinte em sua DAA como retidos pela fonte pagadora. Sustenta o contribuinte tratarse de valor depositado pela fonte pagadora em juízo em função de execução de sentença trabalhista. A DRJ houve por bem entender que caberia ao contribuinte em relação ao anocalendário 2004 declarar os rendimentos recebidos, sem incidência de imposto, no valor de R$ 76.908,75, sendolhe permitido deduzir deste valor os gastos com honorários advocatícios de R$ 22.106,10, devendo declarar como rendimentos tributáveis recebidos no processo trabalhista, nesse anocalendário, o valor de R$ 54.802,65. Inconformado o Contribuinte recorre reafirmando seus argumentos e confrontando analiticamente com a decisão recorrida. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. É de se notar que no presente caso duas situações se verificam, a primeira é a indisponibilidade do valor bruto que materialmente ficou retido pelo Poder Judiciário. Além disso, verificase que a fonte pagadora em vez de recolher o imposto devido aos cofres públicos efetuou depósito judicial. Temos assim duas situações em 2003 o contribuinte recebeu parte do valor incontroverso discutido na ação trabalhista sendo que somente em 2005, quando foi efetivamente liquidado o crédito trabalhista houve o recolhimento do IRRF sobre a totalidade dos rendimentos pagos no contexto da ação trabalhista. Em outras palavras, no ano calendário de 2003 não houve recolhimento sobre os rendimento recebidos e em 2005 houve o recolhimento integral sobre todas as verbas. A certidão emitida pela 6 Vara em 11/04/2006, às fls. 62 informa que o valor de imposto de renda devido calculado em 14/07/2004 importava em R$ 92.621,04 estando o exeqüente isento do INSS segurado e que os valores das contribuições fiscais ainda não haviam sido recolhidos, já que a execução ainda não havia sido concluída naquela data. Verificase nos cálculos às fls. 64 que a retenção do imposto de renda ocorreu somente no anocalendário 2006, quando foi paga a última parcela devida ao reclamante em 26/07/2006, conforme demonstrativo de cálculos às fls. 63/64, onde consta o valor bruto de R$ Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10280.003662/200690 Acórdão n.º 2201001.858 S2C2T1 Fl. 117 3 154.001,50 que deduzido do imposto de renda de R$ 96.735,57 resultou no valor líquido a pagar ao reclamante de R$ 57.265,93 Desta forma, em 2003 não houve imposto a compensar ao passo que em 2005 houve imposto a maior a restituir. Desta forma, não há como reconhecer o direito creditório para o exercício de 2004, mas tão somente para 0 exercício de 2006 Ante o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Cámara Superior de Recursos Fis cais, por maioria de votos, dar provimento, em parte, ao recurso es pecial, para ajustar a decisão recorrida ao decidido no Ac. CSRF/ 01-01.182, de 30.08.91, nos termos do relateirio e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Cons. João Dias Neto e Juarez de Morais, que proviam integralmente o recurso. :ala ,ias SessOes (1)F1, em 30 de agosto de 1991. MAR /À PRESIDENTE MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS - RELATOR IRAR Dr- rIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONALt Participaram, ainda, dQ pxesente julgamento os. seguintes Conselhei- ros: JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKM,/N, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, MAR CIO RACHADO CALDEIRA, BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA, AQUILES RODRI-1 GUES Da OLIVEIRA, CARLOS WALB.RTO CHAVES ROSAS, DICLER DE ASSUNÇÃO ' ( CSUPLENTE CONVOCADO 1 e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRA ,$),4 ,,r140 • • NI, 1 8" SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N° la6807000.893/88-12 RECURSO N9 : RP/105-0.156 ACORDA° O: CSRF/011.183 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: BMG CORRETORA S/A RELATõRI O A Fazenda Nacional, por sua Procuradora junto à Quinta Cara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais da decisão consubstanciada no Acórdão n9 105-3.876, de 09-11.89, que se sintetiza naseguintê erren ta: "REFLEXO - PIS-Dedução - Estende-se ao proces- so reflexo a decisão prolatada no processo ma- triz do qual decorre." Trata-se, POtS-, de tributação reflexa de ou- tro processo instaurado contra a mesma contribuinte, na àrea do im posto de renda -• pessoa jurídica, circunscrevendo-se o recurso es- pecial ã parte relativa ã correção monetãria de bens ativãveis. Como raz6e$ do recurso especial, a Douta PXQ- curadora reedita os fundamentos apresentados no processo principal Cfls. 125Y. O recurso foi admitido pela ilustre Presidenta da Câmara recorrida, nos termos do despacho de fls. 1264À 4 74N j SERVIÇO PUBLICO FEDERAL pROCESSO N? 10.68Q/a(10.893J88 -12 3. AcôrdÃo n?-C$RFAI1,a1,183 Tliti.ImadA f, A contbuj:nte nÃo, Qfereoeu cQntra-rA z8e$:, É: o re1ort8ro, ,„, / 64,- 1:4 , Imprensa Nacional . . ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 1(168Q/OW,89_3/88-12 4., AcOrdâo n?-CSRr/(11-0.1.183 -V-O-T-0 _ Conselheiro MANOEL ANTONr0 GADELHA DIAS., relator, Conforme evidenciado no relat6rio, està em causa a cobrança da Contribuigâo ao Programa de rntegraçâo Social - PW /DEDUÇÃO f em decorrência de exigência,de correção monet -Ária de bens que deveriam integrar O atí:Y01110b-IPzadOcla:emp~,consowiteproce, dimento fiscal instaurado contra a contribuinte ,„ na 4rea do Imposto de Renda , Pessoa Jurídica, Tratando-se de tributação reflexa, O Seu suporte VÃ-tico ê o mesmo que emaasou a exigência procedida no processo prin__. cipal, não comportando, por isso mesmo, uma apreciação desvinculada da levada a efeito naquele processo. Tal fato juatifica-se pelosfun.... damentoa explicitados em diverso votos proferidos nesta instância e que se encontram sintetizados na ementa a seguir transcrita, COn",- substanciada no Acôrdão n? lal-,-72.0,41/81, prolatado pela C. primei- ra Câmara do 19 Conselho de Contribuintes; "O decidido no processo da pessoa jurrdica, quan to a matêria que„ por sua natureza ou decorrên- cia de lei acarrete reflexo na tributação das pessoas flk..si=cas ou na fonte, faz coiaajulgadanos processos decorrentes, eia que houvesse possibi- liklAde de novo Pronunciamento sobre o mesmos fa-. tos Poder-se-iam estabelecer eventuais contradi.- t8rios desaconsell4veis sob o ponto de vista So- cial e legal," / Como o processo principal foi objeto de delibera çÃo deste Colegiado, em Sessão realizada em 30-(18.91, no cabe nes- tes autos retomar o exame quanto a existência OU insiabsistência do suporte fã.tico da presente exigência fiScal, una vez que a matéria j5: foj examinada na men c i: on .d a- ocasiâo , i. iir--4 )4¡\:11 N‘ " n te) Im p rensa Nacional - , , k ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 1(16.80~,03/8812 5., . AcrdÃO n?,caRp/a1,a1,183 . , AS:g 1-4, consj:derando a deci2sÃO prolatada no pro- cesso pri:ncpal, formali;:z,ada no Ae8rdio n9 caRF_jaia1I82, de 30,a8.91, em que. esta Camara, Pex PAI:orj=s, de votos, deu provento pAiciAl Ao Recurso Especl RR/10_5-41,155 f, Apresentado peiA Fazenda NaconAl f ¡Sual deci2sÃo Se 43rip8e 'nesta oportuni:dade,-rAzÃo porque dou proi=mento pArcAl Ao recurso espec j?al sob exame, RrAS1341A --D,F.,7 £3.1de agosto de lgal. :1e.../ í MANOEL ANTONr0 GADELHA DIAS. - RELATOR 14 k 4 r ta o , „„,,,,,, •,i , „ , , • ., ,,, Imnrensa Naninna I __. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Isenção do Decreto-lei 1.944/82.Não -se caracteriza desvio de finalidade o uso de Kombi de motor a ãlcool, adquiri da com a isenção do Decreto-lei 1944/827 no transporte de escolares ou como lota çao. Nega-se provimento ao recurso espe -__ cial. . Vistos, relatados e disdutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial, nos temes do relatório e voto que passará - a integrar o presente julga do / 4 / gv, Sala das Sé qié,e$/(DF), 09 de junho de 1986.f .--7-L----7 Y, - AMADOR O ' d -"- idi 17PRNANDEZ - PRESIDENTE r .),":1 )5EBAÉPORfpES P .,:_Ç AR — RELATOR .)1 LUIZ FERNANDOTEIR. DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN- DA NACIONAL,, Participaram, ainda, do presente julgamento OS seguintes Conselheiros: HAROLDO BRAGA LOBO, SÉRGIO GOMES VELLOSO, HAMILTON DE SÃ DANTAS, JOSÉ -- FAÇANHA MAMEDE, ROBERTO BARBOSA DE CASTRO, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. ..i.— '(;) _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13062/000.049/84-43 RECURSON9: RP/202-0.008 ACÓRDÃO N9: CSRF/02-0.218 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: OSMAR GONÇALVES DA SILVA RELATÓRI O O auto de infração (f is. 01) foi lavrado emabril de 1984, noticiando que o ora Sujeito Passivo adquiriu em março de 1983 um veículo da marca VOlkswagen tipo Kombi, motor a álcool, com, isenção de IPI, porém, sem atender os requisitos e condições do in ,'_ ciso 1 do art. 19 do Decreto-lei n9 1.944/82, eis que: a) - o adquirente não e taxista, mas motorista de lotação escolar, conforme registrado pela Prefeitura Municipal de Condor, Estado do Rio Grande do Sul; b) - que o adquirente usa esse veículo Kombi no transporte de escolares e, por isso também, não é condutor autôno- mo de veículos de passageiros (táxi). O autuado apresentou sua defesa (f is. 10/11) e o fis_ cal autuante replicou, pela informação de fls. 17/20, ambos, pela ordem, sustentando a improcedência e procedência da peça básica. A decisão singular (f is. 23/25) julgou procedente a — ação fiscal e manteve a exigência, aos fundamentos constantes des- ta ementa: , , 25 42 DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 : sumco pünwEDERAL PROCESSO N9 13062/000.049/84-43 2. Acórdão n9-CSRF/02-0.218 II " - Interpreta-se literalmente à legislação tributá ria que dispõe sobre outorga de isenção (CTN art. 111 inciso II). - A isenção prevista no Dl. n9 1-944/82 abran- ge veículo movido a álcool quando adquirido por mo- torista-profissional que exerça a atividade de con- dutor autônomo de passageiros, desde que se destine o automóvel à utilização nessa atividade, na catego ria de aluguel (táxi)." Contra essa decisão, veio o recurso voluntário, de fls. 29 a 31, postulando a reforma desse julgado, ao fundamento de que o veículo está sendo usado como táxi e a certidão oficial não 7 pode ser inquinada de falsa, nem se lhe pode negar validade, sem umaanálise previa e atenciosa. Esse recurso voluntário foi julgado pela 2 .., Câmara, tendo como presidente e relator o então conselheiro Tereso de Je- sus Torres, que proferiu o voto majoritcário, na sessão de 08 de novembro de 1984, ficando vencidos os conselheiros Elio Rothe, Jo_se Lopes Fernandes e Eugenio Botinelly Soares, no entendimento que se reduziu nesta ementa: "IPI - ISENÇÃO DO D.L. n9 1.944/82. A utiliza- ção do veículo no transporte escolar não implica des cumprimento do requisito contido no inciso I do ar:- tigo 19 do D.L. n9 1.944/82, relativamente à desti- nação do produto. Recurso provido. Com guarda do prazo legal, veio o recurso especial, de fls. 42/44, postulando a reforma da decisão da Instância a queo para restabelecer a da de 19 grau, ao fundamento de que o acórdão recorrido dera interpretação ampla e abrangente à norma legal, o que lhe era defeso, inclusive, na opinião de Carlos Maximiliano e Bernardo Ribeiro de Moraes, que transcreveu a fls. 43. Isso, por que, no entendimento da Fazenda Nacional, não se pode ,considerar como táxi a Kombi utilizada em transporte de escolares. O recurso especial invoca em seu prol, transcrevendo, o voto da conselheira Selma Santos Salomão Wolszczak (fls. 43/44). - A24// SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13062/000.049/84-43 3• Acórdão n9-CSRF/02-0.218 Esse recurso especial foi contrariado pelo Sujeito Passivo, que apresentou suas contra-razões, a fls. 51/52, subindo Nr,, /no feito a esta Câmara Superior, pelo R. despacho de fls. o relatório. SERVIÇO PUBLICO PROCESSO N9 13062/000.049/84-43 3. Acórdão n9-CSRF/02-0.218 VOTO Conselheiro SEBASTIÃO BORGES TAQUARY, relator. Verifico, dos autos, que a certidão, passada pela Prefeitura Municipal de Condor-Rs, está no sentido de que o ora Sujeito Passivo H exerce e exercia em 15.06.82 a ati- t vidade de condutor autônomo de passageiros, na cate '\ goria de automóvel de aluguel, táxi, estando habil' \ )1 - \ tado ã aquisição de veículo movido a álcool, de Con I - , formidade com o Decreto-lei n9 1.944, de 15 de ju- nho de 1982." E do Decreto-lei n9 1.944/82, que instituiu a isen- ção de IPI, nas condições nele descritas, não fez qualquer restri _ ção ao uso do veículo tipo Kombi como táxi, nem que se equiparas- se ou fosse mesmo táxi esse tipo de veiculo, empregado no trans- porte de escolares. O artigo 19, daquele Decreto-lei quanto ao tipo de veículo, diz que ele hádeserautomóvel de passageiros com motor a álcool, com até 100 (cem) cavalos-vapor de potência bruta e há de ser adquirido por motorista profissional, que, efetivamente, exer ça e já exercia a atividade de taxista em 16.06.82. Pois bem: no caso em exame, o Sujeito Passivo e mo- torista profissional, exerce e já exercia a atividade de taxista em 16.06.82; o veículo Kombi é um dos tipos de automóveis de pas- sageiros, com menos de 100 (cem) cavalos-vapor de potência bruta e é de motor a álcool. Aliás, isso éincontroverso nos autos. Então, considero que o venerando acórdão recorrido não incorreu em qualquer elasterio, quando admitiu a Kombi do Su- jeito Passivo como veículo usado no transporte de passageiros, alu guel, para deferir a isenção de I pI prevista naquele Decreto- e' C) , , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13062/000.049/84-43 4. Acórdão n9-CSRF/02-0.218 E razão assiste ao voto vencido, transcrito a fls. 38/40, do eminente conselheiro Lino de Azevedo Mesquita, destacan do que o taxímetro não caracteriza automóvel de aluguel, com base no Parecer n9 CST/DET n9 1.388, de 16.06.83, transcrito a fls.39/ /40. E não se caracteriza como desvio de finalidade o uso dessa Kombi como transporte escolar ou como lotação de passageiros, eis que nessas atividades o veículo estã em aluguel. Por tais fundamentos e por tudo mais que dos autos consta, nego provimento ao recurso especial Brasília D.F., 09 de junho d 2 1986. o , „ JÉBASTIA0 SOMES TAOLJAR/ - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Sessão de 25 DE AGOSTO DE 1997 Acórdão n° CSRF/03-2.682 'VISITA ADUANEIRA - APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - INFRAÇÃO - Não se caracteriza a infração punível com a multa estabelecida no art. 522, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, a não apresentação, no ato da visita aduaneira, de Conhecimentos de transporte originais. Nega-se provimento ao Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - " ISON P l' RODRIGUES PRESIDE 1TE NILT e' LU or BARTÁLI ' -ATOR FORMALIZADO EM: -1 G r) ti T 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Moacyr Eloy de Medeiros, Fausto de Freitas e Castro Neto, Henrique Prado Megda, e João Holanda Costa. MINIS IÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RECURSO N° : RP/302 -0 .581 ACÓRDÃO N° : CSRF/O 3-0 2 . 682 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 2a. CÂMARA DO 3° C. CONTRIBUINTES INTERESSADA : IBERIA LINEAS AÉREAS DE ESPASTA RELATOR CONS. : NILTON LUIS BARTOLI RELATÓRIO A empresa autuada - Ibéria Lineas Aéreas de Espafia - foi autuada pela Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo - SP, por ter ficado constatado que 26 volumes não se faziam acompanhar da regular documentação, incorrendo assim, na falta prevista no inciso III do artigo 522 do Regulamento Aduaneiro. Em Recurso Voluntário argumentou, em síntese, que o Manifesto de Carga e seus respectivos Conhecimentos foram devidamente entregues à fiscalização, no SETrARc-, juntamente com a FCC, no dia 09/10/92, referente ao vôo de que se trata; que à época dos fatos não era exigência da fiscalização que os documentos de carga fossem entregues no ato da visita aduaneira e sim no SETCARG no ato da abertura do Termo de Atracação, tanto assim que foi aberto o Termo n° 8057-0, ocasião em que foram entregues os documentos. Apresentou, em anexo, farta documentação sobre a carga envolvida. Ao decidir sobre o mérito da questão a Colenda Câmara recorrida, em seu Acórdão n° 302-32.713, assim retrata tal Decisão: "VISITA ADUANEIRA - DOCUMENTAÇÃO EXIGÍVEL. A falta de apresentação pela Transportadora, no ato da visita, do Conhecimento Aéreo ou mesmo cópia deste, não caracteriza infração punível com a penalidade prevista no art. 522, inciso III, do Regulamento Aduaneiro. A apresentação da Folha de Controle de Carga (F.C.C.), que eqüivale ao Manifesto de Carga, é suficiente para elidir tal penalidade. Recurso a que se dá provimento". ‘) 2 MTNISIÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RECURSO N° : RP/302-0 .581 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-0 2 . 682 O Voto que norteou tal Sentença, de lavra do Nobre Conselheiro Sérgio de Castro Neves - Relator Designado, adota Voto proferido em outro processo, sobre idêntica situação, de autoria do Ilustre Conselheiro Ricardo Luz de Barros Barreto, que está assim redigido: "É de se ressaltar, inicialmente, que o processo fiscal em questão chega a este Conselho para julgamento precariamente instruído pela Repartição aduaneira de origem, pois que sua constituição limita-se, exclusivamente, o Auto de Infração de fls. 01. Os demais documentos anexados por cópias (F.C.C.s, Conhecimentos, etc.) foram trazidos aos autos pela própria Recorrente juntamente com suas Petições de Impugnação e Recurso Voluntário. Ainda assim, a descrição dos fatos feito no campo 10 do mesmo Auto de Infração é singela, não contendo subsídios nem comprovação da efetiva ocorrência de infração. Diz o autuante em tal descrição que foi feita conferência dos documentos que compõem o Termo de Entrada e Folha de Controle da Carga (FCC) n. 7168-6 de "10.09.92". Examinando a cópia da F.C.C. mencionada, anexada aos autos pela Recorrente às fls. 05, constata-se ser a mesma do dia "09.09.92". A referida descrição não informa outros detalhes necessários à caracterização da infração, dentre os quais o prefixo da aeronave transportadora; os ns. Dos Conhecimentos Aéreos envolvidos, a data do vôo, etc. Não infonna, também, qual ou quais documentos estavam faltando (Manifesto, documento equivalente, Conhecimento, Declaração quanto a carga, todos ? ). Feitas estas considerações, passemos ao exame do mérito. A infração indicada na Autuação está capitulada no art. 522, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, que assim estabelece: \,1) 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RECURSO N° : RP/302-0 .581 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-0 2 . 682 "Art. 522 - Aplicam-se ainda as seguintes multas (Decreto- lei n. 37/66, artigo 107 - alterado pelo artigo 5 do Decreto- lei n. 751/69, I, V, VI e VII): I - omissis. II - omissis. III - de Cr$ 75,00 (setenta e cinco mil cruzeiros) a Cr$ 144.00 (cento e quarenta e quatro mil cruzeiros), por volume, pela falta de manifesto ou documento equivalente ou ausência de sua autenticação, ou, ainda, falta de declaração quanto a carga". Na autuação foi dito apenas que "em ato de conferência dos documentos que compõem o Termo de Entrada e Folha de Controle de Carga n. 7168-6 de 10.09.92, constatou-se que 12 (doze) volumes não se faziam acompanhar de "regular documentação", enquanto que na Decisão é acrescentado que esse "ato de conferência" ocorreu por ocasião da visita aduaneira. Forçoso se torna reconhecer, portanto, que já no ato da visita aduaneira foi apresentada a Folha de Controle de Carga questionada, documento esse anexado por cópia às fls 05 e que, a meu ver, é documento equivalente ao Manifesto de Carga, uma vez que discrimina os ns. Dos Conhecimentos dos volumes de cada Conhecimento, a procedência e o destino da carga, a empresa transportadora, o n. e data do vôo, bem como o prefixo de identificação da aeronave. A apresentação desse documento no ato da visita aduaneira, por si só, no meu entender, descaracteriza a infração capitulada no citado art. 522, inciso III, do Regulamento Aduaneiro. Mais adiante, na Contestação Fiscal o Autuante alega que procedendo à verificação do referido Termo de Entrada, constatou que apenas o Conhecimento n. 075-68413693 estava incluído em sua via original, razão pela qual propôs 4 MINISIÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RECURSO N° : RP/302-0 .581 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-0 2 . 682 a exclusão da penalidade sobre os 4 (quatro) volumes cobertos por tal Conhecimento. Dai concluir-se que a falta de "regulamentar documentação" descrita no campo n. 10 do Auto de Infração, que caracterizou a infração no entender do Autuante foi, de fato, a falta da juntada ao Termo de Entrada e à F.C.C. n. 7168-6, das vias originais dos Conhecimentos respectivos, por ocasião da visita aduaneira. Acontece, entretanto, que tal exigência não está prevista no mencionado art. 522 - inciso III, do Regulamento Aduaneiro, como antes indicado. Em assim sendo, não vejo como prosperar a penalidade aplicada pela Repartição Aduaneira de origem, razão pela qual dou provimento ao Recurso ora em exame." Em Recurso Especial a esta Câmara Superior, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional pretende a reforma da Decisão "a quo", argumentando que: "...Foi demonstrado no processo que a falta foi constatada no ato da visita aduaneira atestando a inobservância da norma estabelecida pela legislação de regência e, salvo por disposição expressa de lei a responsabilidade da infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN)". Regularmente cientificada, a Interessada não apresentou contra-alegações ao Recurso Especial de que se trata. É o Relatório. L 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RECURSO N° : RP/302-0 .581 ACÓRDÃO N° : CSRF/0 3-0 2 . 682 VOTO Como esclarecido no Relatório ora formulado, a transportadora aérea antes indicada foi considerada infratora, por ter deixado de apresentar, no ato da visita aduaneira, os originais dos Conhecimentos de Transporte da carga vinda em sua aeronave. Como tal, foi intimada a recolher o débito lançado, constituído da penalidade prevista no art. 522, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, combinado com o art. 3 0 da Lei 8383/91, que instituiu a Unidade Fiscal de Referência - UFIR. Parece-me, s.mj., que a R. Decisão recorrida está perfeita, não merecendo qualquer reparo. Com efeito, a legislação mencionada não obriga, de forma alguma, que o transportador aéreo apresente, quando da visita, ou em qualquer outra ocasião, os Conhecimentos de Transporte, em seus ORIGINAIS. E esta não exigibilidade é mais que óbvia, haja vista que tais documentos - Conhecimentos Originais - são, na realidade, títulos de propriedade das mercadorias, ficando, "ipso facto", de posse e guarda dos Consignatários das mesmas cargas, ou de pessoa por Eles designadas. A obrigação do transportador, tal qual definida na norma invocada, é de apresentação do Manifesto ou documento equivalente, autenticado, ou de qualquer declaração quanto à carga. No caso, foi apresentada a "Folha de Controle de Carga" que corresponde, nada mais nada menos, ao Manifesto de Carga. Ainda que não houvesse sido apresentado tal documento, o que aqui se admite apenas "ad argumentandum", mesmo assim não poderia ter 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RECURSO N° : RP/3 02-0 . 58 1 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-0 2 . 682 sido aplicada a penalidade antes mencionada, pois que, como visto, a carga estava amparada por Conhecimento de Transporte o qual, sem dúvida alguma, é o documento de maior valor, sob qualquer aspecto. Ficou demonstrado, à saciedade, que a carga foi regularmente transportada, devidamente documentada, não se caracterizando a infração imputada à transportadora pela fiscalização. Diante do exposto, não vejo como prosperar a ação fiscal de que se trata, razão pela qual nego provimento ao Recurso Especial interposto, confirmando a Decisão recorrida. Sala das Sessões, em 2 5 de agosto de 1997. esà NILTON LUIS BARTOLI Reraíor. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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III- Caracterizado embarque da mercadoria no exterior antes de emitida a GI e não importação sem GI ou documento equi valente. Infração punida na forma do inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. IV Negado provimento ao Recurso da Pro- curadora da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar opresente julgado. :ala .as S-s=aes (DF), em 27 de setembro de 1991. ".`" Ájc,-dor" MA' gy,0,7r - PRESIDENTE Arev - n - 11.s 't' 4 MAR V:17RA COSTA - RELATOR IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA N* CIONAL DAMEFP/OF- SECOS N9 084/90 4.H. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOSÉ. ALVES DA FONSECA, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e SE- BASTIÃO RODRIGUES CABRA. . P44 . 4 , r-r?v) runt.tr-r) r-FnEnAL PROCESSO N 2 10283/002742/90-89 RECURSO N 2 RP/ 303-1.012 ACÓRDÃO CSRF/ 03-01.936 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3 2 CÂMARA DO 3 2 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A RELATÓRIO A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a de cisão proferida pelo Conselho de Contribuintes nos autos do processo em refer 'éncia, interpôs o presente recurso especial para ver restabe lecida a aplicação da penalidade prevista no inciso II do art. 526, do RA, posto ter a recorrida, mesmo acolhendo a infração descrita nos autos, desclassificado tal sanção para a prevista no inciso VI do mesmo dispositivo legal. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido contraria as disposições constantes do inciso II do já mencionado art. 526, uma vez que a empresa autuada importou insumos diversos antes de emitida a respectiva Guia de Importação. Lembra a peticionária que a autuada contestara a autua- ção alegando que a G.I., emitida pela CACEX, não é documento consti- tutivo de seu direito de importar, o qual é garantido pela aprovação de projeto pela SUFRAMA. Quanto a isso, defende a recorrente não ser a G.I. um do cumento meramente declaratório do direito de importar, caracterizan do-se num documento essencial ao despacho de importação e, no caso da Zona Franca de Manaus, sua essencialidade é verificada no art. 35 do DL n 2 1455/76, regulamentado pela Portaria Interministerial n2 192/76 que estipula em seu item I: "as importações efetuadas através da Zona Franca de Manaus ficam sujeitas à obtenção de Guia de Impor- tação, previamente ao embarque das mercadorias no exterior." Faz menção à IN-SRF n 2 89/83 que, normatizando o assun- to, interpreta que a emissão da Guia de Importação após o embarque das mercadorias não exclui os benefícios fiscais previstos no D.L. n 2 288/67 o que, porém, não prejudica a aplicação das penalidades previstas. A emissão da G.I. após o ingresso das mercadorias no álbsaís, prática esta normatizada pela Port. n 2 222/81, visa dar cober ! Ikr 11) I , pROCR$$.0 N9 10283/002.742/90-89 3. qr-rn ,it ,-.0 r n .'nt r—rs.) r F" L)r. 1-2/, 1._. tura à formalização do despacho aduaneiro, mas nem por isso tem o condão de elidir a infração já configurada. Sendo assim, à semelhança do que decidiram os acórdãos 303-25.264 e 303-25.182, não há como eximir a empresa do pagamento da multa exigida no auto de infração, uma vez que importou mercado- rias ingressadas no país anteriormente à emissão da G.I. O contribuinte, paralelamente à apresentação de suas contra-alegações, dirigiu a esta Câmara Superior, recurso especial, o qual não foi objeto do despacho do Presidente da Câmara recorrida, previsto no art. 5 2 da Portaria n 2 434/79. Contraditando as razões da recorrente, expõe o sujeito passivo que, se realmente a infração tivesse sido cometida, consis tina esta na emissão tardia da G.I., à qual corresponde a penalida- de descrita no inciso VI do art. 526, e não na importação sem guia a que se reporta o inciso II desse mesmo artigo. Assim, prossegue, o entendimento não pode ser outro se- não o de que o processo administrativo de importação já estava con- cluído, restando apenas a emissão da guia para bem formalizar o ato, praticado em razão de projeto aprovado pela SUFRAMA. É o relatório. d. Ohl l'irl, ,,,, ,, , ,,, , „ 4. sFnviço runueo rripErnt_ Proc. n 2 10283-002742/90-89, Ac. CSRF/03-01.936 VOTO A mercadoria foi embarcada, no exterior e descarre- cada em território nacional, antes que tivesse sido emitida a cor- respondente g uia de importação. A autoridade julgadora local, em primeira instância, entendeu que com a entrada da mercadoria se ca ... racterizara uma importaçao sem Gi ou documento equivalente, razao pela qual exigiu da empresa o pagamento da multa de que trata o inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. O Recurso Especial t ínterposto contra a decisão não .. o- 'unanime da douta 3a. Camara do 3 g Conselho de Contribuintes i mani - festa o mesmo entendimento da digna autoridade administrativa local. Peço vênia para discordar da douta Procuradora da Fazenda Nacional. Com efeito, o simples fato de haver descarregado a mercadoria não configura ainda em sua plenitude o conceito de im . portaçãO para os efeitos da legislação específica. Deve-se salientar, como consta dos autos, que a im- portadora não se descuidara da obtenção do documento mas estavam . em curso suas gestães junto às autoridades governamentais competen tes (SUFRAMA e CACEX), com razoável antecedência, de modo que fi- cara ela a depender de autorizaçães cujo desfecho dependia to sn de decisoes unilaterais desses órgãos sem que ela pudesse exercer qualquer interferencia. Ademais, nesse ínterim, a transaçao comer- cial com o exportador estrangeiro estava em curso e foi concluída, , sendo a mercadoria sob encomenda afinal posta para embargue nos por tos estrangeiros, submissa às des pesas normais de armazenagem e capatazia, etc. A demora na expediçao do documento admita-se como normal, não vindo a justificar para a importadora tenha determina do o embarque no exterior, por sua conta e risco, ciente de que co - metia uma infraçao, já que no obtivera ainda a CI. O que acima se relata, como está nos autos, serva - , - para demonstrar que "importaçao” no se resume no mero ato de fazer ingressar a mercadoria no territOrio nacional, mas percorre toda uma tramitaçao, fase por fase, sob pena de se tornar um descaminho. Acrescente-se ainda que essa tramitação, alám do pedido de licencie L . mento, prossegue com outros procedimentos da iniciativa do impor- [ o Ok,, 4 ( I , 5. Proc. N 2 10283-002742/90-89 rH Hça runt rQFrA Ac. CSRF/03-01.936 tador, junto 'ás autoridades portuárias no porto de descarga e peran te a administração aduaneira. Nesses procedimentos, o contribuinte vai manifestar a sua intenção e seu interesse de dar continuidade .à sua importação ate obter o desembaraço aduaneiro, condição para afi nal receber sua carga. Não á demais lembrear ainda que o contribuinte tem que cumprir prazos para promover o despacho das mercadorias ou dar- -lhe continuidade, sob risco de vir a cometer a infraçao de aban - dono cuja pena será a declaraçao específica a que se segtte o proces so para aplicação da pena de perdimento, em favor da Fazenda Nacio- nal. No caso desta importação, está comprovado que, final mente, a CACEX expediu a GI (ou GIs) em data anterior 'à do registro da declaração de importação, momento esse que se deve ter como aque le em que, formalmente, ocorreu o fato gerador do imposto de impor- tação (art. 23 do Decreto-lei n g 37/66). Como bem admite a Fazenda Nacional, no seu Recurso, a GI atende a formalizaçao do despacha a- duaneiro, o que induz à convicção de que, na espécie, completado o despacha aduaneiro com a existância da GI, a infração que restou a descoberto foi a do embarque antes da emissao da GI ou documento e- quivalente, conforme previsto no inciso VI do art. 526 do RA. A penalidade do inciso II do mesmo art. 526 está re- servada à infraçao descrita como: "importar mercadoria do exterior sem guia de im portaçao ou documento equivalente...." A previsão é para os casos em que não tenha sido emi tida a GI até o momento do registro da DI. O caso mais comum á o da divergância de mercadoria, isto 6, entre a licenciada na GI e aquela que se verifique em conferencia física, divergencia usualmen te atestada através de laudos laboratoriais. No caso em foco, existe (m) a(s) guia (s) de impor- tação, emitida (s) especificamente para a(s) mercadoria(s) constan- te (s) do despacho de importacao. Por entender que a decisão da 3a. Câmara do 3Q Conse lho da Contribuintes foi exarada cm os melhores fundamentos de di reito, voto para negar provimrnto a10 Recurso Especial. Sala das Sess.esr e, 27 de setembro de 199 1 anta Itamar Vieirà da Costa - Relator ' Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10920.002677/2008-10
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização.
LANÇAMENTO. RELATÓRIOS FISCAIS. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste vício de nulidade no lançamento tributário cujos relatórios típicos descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes votaram por conhecer do recurso. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a fluência do prazo decadencial com base no disposto pelo artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2000, inclusive, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Fabio Pallaretti Calcini, que entenderam aplicar-se ao caso o artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização. LANÇAMENTO. RELATÓRIOS FISCAIS. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste vício de nulidade no lançamento tributário cujos relatórios típicos descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 26 77 /2 00 8- 10 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes votaram por conhecer do recurso. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a fluência do prazo decadencial com base no disposto pelo artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2000, inclusive, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Fabio Pallaretti Calcini, que entenderam aplicarse ao caso o artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/1997 a 31/03/2006 Data da lavratura da NFLD: 30/05/2006. Data da ciência da NFLD: 30/05/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da NFLD nº 35.763.9855, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 431 3 creditadas aos segurados empregados e sobre o pro labore dos Diretores, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 148 e nos demais relatórios que integram o vertente lançamento. Relata a Autoridade Lançadora que os créditos previdenciários ora notificados tem como fato gerador a prestação de serviços remunerados por parte de pessoas físicas contratadas pela empresa e seus diretores, e referemse à parte patronal (empresa, SAT e terceiros) que deixaram de ser recolhidos ao INSS na época própria. Tais fatos geradores houveramse por apurados diretamente das informações contidas nas GFIP, Folhas de Pagamentos de Salários e RAIS. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 158/170. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau /SC lavrou Decisão Notificação a fls. 208/216, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30/08/2006, conforme documento de Intimação e Recibo a fl. 220. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 230/256; respaldando sua resistência ao lançamento em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Prescrição quinquenal; · Nulidade da Notificação, pelo descumprimento das exigências mencionadas nos incisos II, III e V do art. 10 do Decreto nº 70.235/72; · Que está sendo exigido que a Recorrente recolha contribuições, cujas competências encontramse quitadas, dai considerarse ilegal tal exigência fiscal dado o caráter duplo da incidência arrecadatória, caracterizando assim, bis in idem; · Que a fundamentação fática constante da notificação fiscal é absolutamente improcedente, pois os fatos geradores da contribuição social estão prejudicados em seus fundamentos de validade; · Que mesmo que devida fosse a dita contribuição social, ainda assim, não poderia tal notificação embasar cobrança futura, por absoluta nulidade nos termos em que foi firmada. Ao fim, requer a declaração de nulidade/improcedência da Notificação Fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/08/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que lhe está sendo exigido o recolhimento de contribuições, cujas competências encontramse quitadas. A empresa considera ilegal tal exigência fiscal, dado o caráter duplo da incidência arrecadatória, caracterizando assim, bis in idem. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal questionamento não foi, nem mesmo indiretamente, abordado pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 432 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderá ser conhecida por este Colegiado em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 433 7 Alega o Recorrente a prescrição (rectius decadência) parcial do direito do Fisco de constituir o crédito tributário ora em debate. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sujeitamse também ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que, em relação a tal lançamento, não há que se falar em “pagamento antecipado do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa”, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 434 9 De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos que, em favor das rubricas objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias desde a competência agosto/1999. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito, não consta qualquer crédito a favor do Notificado. Tal conclusão é corroborada pelo fato de no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados constar, tão somente, recolhimentos mediante GPS até a competência julho/99, Mais nenhum. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências empresa em questão é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ter sido apurados, evento que atrai à espécie a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN em relação aos fatos geradores ocorridos a contar da competência agosto/99, inclusive. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 435 11 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2000 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2002, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2006, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 30 dias do mês de maio de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 01/04/1997 a 31/03/2006, não demanda áurea mestria concluir que se encontram finadas pela decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, devendo ser excluídas do presente lançamento aquelas relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive, assim como as relativas ao décimo terceiro salário desse mesmo ano. 2.2. DA ALEGADA NULIDADE Defende o Recorrente a declaração de nulidade da Notificação, pelo descumprimento das exigências mencionadas nos incisos II, III e V do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Razão não lhe assiste, todavia. Antes de adentrarmos o debate acerca das alegações trazidas à balha pela empresa, cabe iluminar ao Recorrente, eis que este demonstrou total desconhecimento, que o lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Fl. 440DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. Dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo do lançamento há que ser interpretado e digerido com o olhar clínico que o seu propósito finalístico assim demanda. Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de cunho eminentemente jurídico, nada mais natural e exigível que os termos que o compõem obedeçam à lógica e ao jargão jurídico. Tal característica, logicamente, não o invalida. Ao contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance. Fosse um documento médico, de literatura, ou de engenharia, exigíveis seriam os jargões médico, literário ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico. No presente caso, mediante o desenvolvimento de ação fiscal nas dependências da empresa notificada houvese por constatada violação a obrigação tributária principal, consistente no não recolhimento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados da empresa e sobre o pro labore de seus diretores, não recolhidas aos cofres da Previdência Social na forma de nos prazos previstos na legislação, e cujas bases de cálculo houveramse por apuradas diretamente pelo exame das folhas de pagamento, das GFIP e da RAIS. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas na Folha de Rosto da NFLD, a fl. 02, no Relatório Fiscal a fl. 148, no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 08/66, no Relatório de Lançamentos a fls. 92/122, no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, a fls. 124/128, e nos demais relatórios que integram o lançamento sub examine, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. Os Relatórios Fiscais suso referidos informam de maneira clara e precisa a matéria tributável e as bases de cálculo da exação em apreço. Informam igualmente os documentos analisados e os fatos geradores apurados, as bases de cálculo e as alíquotas correspondentes a cada uma das contribuições sociais ora lançadas, destacando, ainda, os valores de dedução legal considerados, assim como os códigos de levantamento associados. A folha de rosto da NFLD assinala o número do Documento Fiscal de constituição do crédito tributário, a qualificação e endereço fiscal do Notificado, o valor atualizado do crédito tributário (Principal + multa de mora + juros de mora), a data e o local da lavratura da Notificação Fiscal, a assinatura do auditor fiscal autuante, com a fiel indicação de seu cargo e o número de matrícula, assim como a indicação dos relatórios fiscais que integram o lançamento em formalização, tudo em perfeita sintonia com o art. 11 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 436 13 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. As informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS eventualmente recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE em que se enquadra a empresa recorrente. O Relatório de Lançamentos relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental. Ele registra de forma discriminada por estabelecimento, competência e levantamento, dentre outras informações, a natureza jurídica dos fatos geradores e o montante absoluto da base de cálculo do tributo lançado, o código e natureza da contribuição, assim como as deduções a que faz jus o contribuinte. O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA realiza a exposição de como os créditos em favor do contribuinte, constituídos segundo os seguintes documentos: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos), foram apropriados (pelo sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil) pelos diversos documentos de constituição de crédito tributário lavrados pela fiscalização (autos de infração e notificações de lançamento) durante a ação fiscal. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 130/142. Há que se registrar que o relatório Fundamentos Legais do Débito é elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Fl. 442DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendo lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito, por vezes, se revela amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. O relatório intitulado Instruções para o Contribuinte – IPC tem por objetivo orientar o sujeito passivo da obrigação tributária quanto ao pagamento da exigência fiscal, indicando o prazo e o valor da multa de mora aplicada, a qual é variável em função da fase processual em que o crédito tributário for adimplido. O Relatório Fiscal acima citado tem por meta, igualmente, instruir o sujeito passivo quanto ao oferecimento de impugnação ao lançamento então operado, discorrendo sobre o Direito de Defesa do Notificado, bem como o prazo, a forma e locais para a sua apresentação, além dos elementos essenciais à instrução da defesa. Da análise conjunta dos Relatórios Fiscais acima mencionados avulta a improcedência das alegações do Recorrente. A folha de rosto da NFLD indica o local e a data da lavratura da Notificação Fiscal; o Relatório Fiscal em conjunto com o Discriminativo Analítico de Débito e o Relatório de Lançamentos descrevem os fatos geradores objeto do lançamento e o Instruções para o Contribuinte em conjunto com a folha de rosto da NFLD contêm a determinação da exigência fiscal e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias. Recomendamos ao Recorrente uma nova leitura dos termos do Decreto nº 70.235/72, para que não se confunda alhos com bugalhos. Tal releitura é recomendável pois o Recorrente arrolou como condição de validade da notificação fiscal (documento de constituição de crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação principal) os elementos obrigatórios do Auto de Infração, que é o documento de constituição de crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Estes se encontram previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, aqueles, no art. 11 do mesmo Diploma Legal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 437 15 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Por tais motivos, rejeitamos a preliminar de nulidade equivocadamente esboçada pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. A matéria atinente à inadmissibilidade do depósito recursal de 30% também não será apreciada por esta Turma, em razão da perda de seu objeto. 3.1. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES O Recorrente alega que a fundamentação fática constante da notificação fiscal é absolutamente improcedente, pois os fatos geradores da contribuição social estão prejudicados em seus fundamentos de validade. Aduz que mesmo que devida fosse a dita contribuição social, ainda assim, não poderia tal notificação embasar cobrança futura, por absoluta nulidade nos termos em que foi firmada. A razão não lhe sorri. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 A uma porque, conforme demonstrado, inexiste qualquer nulidade no procedimento levado a efeito pela Auditoria Fiscal. A duas, porque os fatos geradores e a motivação do lançamento encontramse perfeitamente descritos nos relatórios que integram o vertente lançamento, os quais, reiterese, devem ser lidos e assimilados em seu conjunto, e não isoladamente, e por alguém que entenda do assunto. Não se mostra verborrágico enfatizar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 438 17 Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Em curta e superficial digressão acerca dos meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da Carta de 1988, concluise ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, nossas retinas são expostas ao preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Código de Processo Civil Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 439 19 Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a não fidedignidade dos assentamentos em realce. Tais conclusões não discrepam do entendimento esposado pelo Mestre Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995), ad litteris et verbis: “Os atos administrativos (...) nascem com a presunção de legitimidade (...). A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade, os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuide se de arguição de nulidade do ato, por vício formal, ou ideológico, a prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante e, até sua anulação, o ato terá plena eficácia”. Diante desse quadro, tratandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. No caso específico, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em julgamento promove o lançamento tributário de contribuições previdenciárias decorrentes de fatos geradores apurados na empresa ora recorrente, mediante o exame das informações Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 440 21 contidas nas GFIP, Folhas de Pagamentos de Salários e RAIS, documentos esses gerados pelo próprio Recorrente, sob sua responsabilidade e domínio, fulgurando os assentamentos registrados nos diversos relatórios fiscais que integram a vertente NFLD como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pelo Fisco. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, que não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo da Notificação Fiscal em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. No caso sub oculi, o Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em sua Decisão, apreciando as argumentações de defesa e os elementos de prova constantes nos autos, já havia refutado tais alegações de impugnação e rechaçado as pretensões formuladas pelo Recorrente, ratificando o crédito tributário na forma originaria do lançamento. O Recorrente, em grau de Recurso Voluntário, retorna à carga formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos aduzidos pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, sem acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão para refutar a negativa de abrigo ao pedido do Contribuinte. A prática de se “ganhar no grito” conheceu sua primazia nas partidas de futebol realizadas fora dos estádios, conhecidas coloquialmente como “peladas de várzea”, nas quais o time da casa, ou aquele cujos jogadores eram dotados de um volume mais avantajado de bíceps e tríceps, impunha na partida o regramento e/ou a interpretação das ocorrências de jogo que mais lhe convinham, mesmo que contrários às regras oficiais do futebol estatuídas pela International Football Association Board da FIFA. Mas no Processo Administrativo Fiscal a Charanga toca num tom diferente. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do PAF cujo mecanismo de contradita às autuações do Fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Na oportunidade em que teve para se manifestar nos autos do processo, em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância para o não acatamento de suas pretensões de defesa. Limitouse a deduzir singelas alegações de nulidade, banalizando o fenômeno processual, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de Direito que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe pesava e lhe era avesso, nem, tampouco elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo dos Autos de Infração em debate. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.002677/200810 Acórdão n.º 2302002.489 S2C3T2 Fl. 441 23 Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2000 e nas competências anteriores a essa, bem como àqueles relativos ao 13º salário desse mesmo ano, eis que fulminadas pela fluência do prazo decadencial. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10640.000118/85-28
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
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LUCRO LIQUIDO - ADIÇÕES - LUCRO INFLACIO,NA- RIO REALIZADO - Adiciona-se ao lucro líqui- do, na determinação do lucro real, a parce- la correspondente ao lucro inflacionário rea lizado no exercício. Se essa adição, no en- tanto, foi realizada após a lavratura do au to de infração, não se caracteriza a espon- taneidade e hão se configura hipótese de me. ra postergação do imposto correspondente pa ¡ ra se cobrar apenas juros e multa de mora, _t além da correção monetária, pois a infração ! ficou caracterizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis = cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, noS termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga dc4/1- n ' Sala, das Sésgork 1 (DF), 20 de junho de 1986. -/ ffi ,if Als4AIOR OU ERNÁNDEZ - PRESIDENTE , r) Ik l+WIO DA "" t Á . . r :RAL - RELATOR :/0,1 AM LUIZ FERNANDO oLIVEIR DE MORAES- PROCURADOR DA FAZEN — DA NACIONAL v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento os Seguintes Conselhei- ros: RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, MARINHO MENDES DOMENI- CI, CARLOS AGOSTINHO ALÉSSIO OLIVETO, JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVA- LHO, LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. u~, • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSON9 10640/000.118/85-28 RECURSO N9: RP/105-0.028 ACÓRDÃO N9: CSRF/01-0.681 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: TRANSPORTADORA GOMES LTDA. RELATÓRI O A Procuradoria da Fazenda Nacional junto â. 5 Câma ra do 19 Conselho de Contribuintes, não se conformando com a deci- são prolatada no Acórdão n9 105-1.598, de 04.12.85, recorre a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com base no art. 39, inciso I, do Decreto n9 83.304, de 28.03.79, solicitando a reforma desse aresto. A empresa em questão sofreu autuação, com relação ao exercício de 1983, por ter efetuado de maneira incorreta o cál- culo do lucro inflacionário do exercício. A repartição elaborou o cálculo de fls. 26, como segue: Lucro real apurado na declaração 5.602.968 (-) Lucro inflacionário realizado declarado 3.286.227 (+) Lucro inflacionário realizado correto 8.110.162 (.) Lucro real correto 10.426.90k DMF DF /19 C-C Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PlAWCO FEDERAL Processo n9 10640/000.118/85-28 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.681 Entendeu a fiscalização que se o lucro realizado do exercício foi da ordem de Cr$ 8.110.162 e a empresa só consi- derou Cr$ 3.286.227, significa que foram omitidos Cr$ 4.823.935. Em razão dos cálculos levados a efeito às fls. 24/25, chegou a repartição à conclusão de que o lucro inflacioná rio acumulado alcançou a cifra de Cr$ 11.980.162. Ora, como a realização do ativo, no exercício, foi de 67,696%, significa que, aplicando-se este índice sobre o lucro inflacionário acumulado obter-se-ia o valor do lucro inflacionário realizado no valor de Cr$ 8.110.162. Ora, como se disse, tendo a empresa considerado co mo lucro inflacionário realizado apenas Cr$ 3.286.227, compreen- de-se por que a fiscalização chegou ao lucro inflacionário reali- zado de Cr$ 4.823.935. No recurso voluntário, a empresa alegou que, após ter sido notificada a recolher aos cofres públicos 497,15 ORTN, em lançamento feito em julho de 1984, por diferença de lucro in- flacionário oferecido à tributação a menor, elaborou novo cálcu- lo, oferecendo à tributação, no exercício de 1984, conforme apura !- ção feita em 31.12.84 a importância de Cr$ 2.810.064, que tinha ^ sido omitida à tributação, e a importância de Cr$ 40.145.976, no exercício de 1985, restando, ainda, nesse exercício de 1985, como lucro inflacionário diferido, o valor de Cr$ 9.695.269. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso, por maioria de votos, e sua ementa diz o seguinte: "LUCRO LIQUIDO - ADIÇÕES - LUCRO INFLACIONA- RIO REALIZADO - Adiciona-se ao lucro líqui- I do,na determinação do lucro real, a parce- la correspondente ao lucro inflacionário rea lizado no exercício‘, - Comprovado que a parcela deste lucro foi espontaneamente adicionada ao lucro líquido, na determinação do lucro real do exercício posterior, fica caracterizada a postergação do imposto correspondente, em razão do que caberia apenas a exigência dos respectivos juros e multa de mora e correção mon ária relativos ao período da postergação." . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. Processo nQ. 10640/000.118/85-28 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.681 Entendeu o Relator desse acórdão que a empresa compusera o valor do lucro inflacionário realizado no exercício fiscal de 1983 e objeto do lançamento suplementar, no valor de Cr$ 4.823.935, com o oferecido espontaneamente pela empresa nas declarações dos exercícios de 1984 e 1985, nos valores de Cr$ 2.810.064 e Cr$ 40.145.976, respectivamente. Adotou o Relator os cálculos levados a efeito pe la então recorrente e verificou que, no exercício de 1985, o sal do do lucro inflacionário a realizar era de Cr$ 9.695.269. Tomou esta quantia e deflacionou-a para o exercício de 1984, mediante a aplicação do índice 2,1527, obtendo, assim, um lucro inflacio- nário a realizar, em 1984, no valor de Cr$ 4.503.771, quantia es ta que, por sua vez, dividida pelo índice de 1,5657, levaria ao saldo de lucro inflacionário a realizar de Cr$ 2.876.522. Ora, como o fisco apurara para o exercício de 1983 a importância de Cr$ 4.823.935, impunha-se retirar o valor que estivera sendo calculado a maior. Daí o cálculo: 4.823.935 - 2.876.522 = 1.947.413 Essa a razão pela qual a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso para o fim de excluir da tributa- ção a importância de Cr$ 1.947.413. O recurso do Procurador da Fazenda Nacional se baseou em dois fundamentos para provar que a decisão da Câmara ofendeu a lei. Em primeiro lugar, ao admitir como se espontâneo fosse, procedimento do sujeito passivo levado a efeito após a no tificação do lançamento suplementar. Em segundo lugar, só se po- de pensar em postergação de imposto com relação às situações existentes no ato do lançamento, a teor do disposto no §, 19 do art. 171 do RIR/80. Isto significa que, uma vez efetuado o lança mento de ofício, este se torna definitivo quanto à matéria tribu tária, somente passível de alteração mediante instauração da fa- se litigiosa do procedimento. No caso, a matéria tributada, isto é, a diferença de lucro inflacionário realizado, não foi sequer contestada, mas, ao contrário, foi confirmada por este j }-- Ir SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10640/000.118/85-28 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.681 Nas contra-razões de fls. 92 a empresa nega ter aceito simplesmente os cálculos do fisco, tanto assim que pediu o cancelamento da exigência. Além do mais, seu procedimento, com pensando, nos exercícios de 1984 e 1985, o que não foi ofereci- do à tributação, é previsto na legislação, pois o próprio CTN prevê o instituto da compensação. Ë o relatório. VOTO_ Conselheiro ANTONIO DA SILVA CABRAL - Relator Trata-se, no caso em julgamento, de hipótese em que a fiscalização apurou diferença no cálculo do lucro inflacio nário realizado e do lucro inflacionário acumulado, na declara- ção de rendimentos referente ao exercício de 1983. Estabelece o art. 363 do RIR/80, a respeito do lucro inflacionário realizado: "Em cada período-base considerar-se-á reali zada parte do lucro inflacionário acumulado- proporcional ao valor, realizado no mesmo período, do ativo permanente e, se o contri buinte tiver optado pela correção monetária das unidades em estoque, dos imóveis desti- nados à venda." Para chegar ao lucro realizado no exercício de 1983, que motivou o lançamento suplementar, deve-se ter em consi deração que a fiscalização fez um demonstrativo do lucro infla- cionário realizado e do lucro inflacionário que seria diferIvel com relação aos exercícios de 1979 a 1981, mediante ação fiscal procedida no estabelecimento da empresa em que se acha no proces so 0640-052.275/81-13. Os valores retificados, nos exercícios de 1979, 1980 e 1981, se acham, neste processo, às fls. 24. Se comparados estes valores com os que a empresa escriturou no LALUR, conforme doc. de fls. 17 a 21, ver-se-á que diferem dos(/:,, dr) //://2 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10640/000.118/85-28 5. Acórdão n9-CSRF/01-0.681 apurados pela fiscalização e que foram objeto do Termo Complemen tar lavrado pela fiscalização às fls. 68/70 do mencionado proces so n9 0640/052.275/81-13. No presente processo, a fiscalização elaborou os cálculos para os exercícios de 1982 e 1983, e que se acham às fls. 22/23, que demonstram ter a empresa oferecido à tributação, nos exercícios de 1982 e 1983, valores a menor. Assim, examinan do-se a declaração de rendimentos da empresa, referente ao exer- cício de 1982, vê-se que o lucro inflacionário desse exercício foi igual a zero e que a empresa realizou a importância de Cr$ 754.837 do lucro inflacionário acumulado. No exercício financeiro de 1983, o lucro infla- cionário do exercício foi novamente igual a zero, sendo que o lu cro inflacionário diferido, proveniente de exercícios anteriores, era igual a Cr$ 6.057.930. Se considerarmos que a correção mone- tária desse valor foi igual a Cr$ 5.922.232, verificaremos que o lucro inflacionário acumulado foi igual a Cr$ 11.980.162. Acontece que, de acordo com a declaração de ren- dimentos da empresa, para o exercício de 1983, o percentual da realização do ativo foi 67,6966%. Aplicando-se este índice sobre o lucro inflacionário acumulado, veremos que o lucro inflacioná- rio realizado foi de Cr$ 8.110.162 (11.980.162 x 67,6966). Como a empresa declarara que o lucro inflacionário realizado fora de apenas Cr$ 3.286.227, segue-se que o lucro inflacionário realiza do foi declarado a menor, no montante de Cr$4.823.935. (8.110.162 - 3.286.227). Esta foi a realidade dos fatos. O acórdão recorrido deu outra versão a esses mes mos fatos. Partiu o Relator do valor apurado pela empresa para o exercício de 1985. Assim, nesse exercício o saldo do lucro in- flacionário a realizar seria de Cr$ 9.695.269, que, deflacionado ao índice de 2,1527, indicaria que no exercício de 1984 o lucro N- inflacionário a realizar seria de Cr$ 4.503.771, que, por su SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo 11Q- 10640/000.118/85-28 6. Acórdão n9-CSRF/01-0.681 vez, deflacionado pelo índice de 1,5657, resultaria em Cr$2.876.582. Ora, como o fisco encontrara um lucro inflacionário no valor de Cr$ 4.823.935, fazia-se necessário diminuir o valor do lucro a ser tributado ou seja: 4.823.935 - 2.876.522 Cr$ 1.947.413 Como se vê, o Relator do acórdão recorrido teve como correto o cálculo realizado pela empresa, sem, ao menos, di- zer por quê este cálculo estava correto. Não se deve perder de vista que o cálculo do fisco não foi aleatório. Foi fruto do pro- cesso em que se analisou exercício por exercício e a empresa con- cordou com os cálculos feitos pela fiscalização com relação aos exercícios fiscalizados. Por outro lado, os exercícios de 1984 e 1985 não estão em julgamento. O equívoco do acórdão recorrido está, outrossim, na circunstância de ter reconhecido a possibilidade de o contri- buinte refazer sua escrituração e espontaneamente oferecer ã tri- butação valores que antes omitira, após iniciada a ação fiscal. Determina o § 19 do art. 79 do Decreto n9 70.235/72: "O início do procedimento exclui a esponta- neidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de inti mação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas." No recurso de fls. 32, a empresa afirmara textual mente: "Notificada para recolher aos cofres da Fa- zenda Nacional, em julho de 1984, por lança- mento suplementar, importância corresponden- te a 17.125.982 - ORTN's, também por diferen - ça de Lucro Inflacionário realizado a me- nor, dirigiu-se por intermédio de sua conta- bilista a essa Repartição, coletou dados que não eram de seu conhecimento, e procedeu a uma revisão dos cálculos efetuados a partir do Exercício de 1982 - Ano-base de 1981, cons tatando que realmente havia uma diferença a L ser realizada de lucro inflacionário, proce- dendo o acerto na "Declaração de Rendimentos" ¡ Exercício de 1985, ano-base 1984" (grifou-se SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10640/000.118/85-28 7. Acórdão n9-CSRF/01-0.68l A própria empresa, portanto, reconheceu que erra_ ra. Após a notificação, por outro lado, não mais seria possível o oferecimento espontãneo à tributação de quantia já apurada pe lo fisco como omitida pelo contribuinte. Outro aspecto a merecer raparo no Acórdão recor rido foi a aplicação do art. 69, § 59, do Decreto-lei n91.598/77, o qual diz que a inexatidão referente a um período-base de es_ crituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reco nhecimento de lucro somente constitui fundamento para lançamen_ to de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou mui ta, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para o exercício posterior ao em que seria devido, ou a redução inde_ vida do lucro real em qualquer período-base. Atente-se para a ' circunstância de o § 69 do art. 69 do Dec.-Lei n9 1.598/77 con_ solidado, atualmente, no § 19 do art. 171 do RIR/80, determinar: "O lançamento de diferença de imposto com fun damento em inexatidão quanto ao período-base- de competência de receitas, rendimentos ou de duçOes será feito pelo valor liquido, depoi -s- de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período-base a que o contribuinte ti ver direito em decorrência da aplicaçãododi—s_ posto no parágrafo único do art. 154." n evidente que tal atitude só se compreende quan do a empresa espontaneamente corrige sua situação. No caso de ter ocorrido lançamento de oficio, desaparece a espontaneidade. Aliás, cumpre assinalar que a questão referente à diferença de lucro inflacionário realizado, que foi suporte fático da tribu_ tação, nunca foi posta em questão pela empresa. A parcela de lu cro inflacionário realizado no exercício, embora adicionada ao lucro líquido, para a determinação do lucro real de exercício posterior, não caracteriza a postergação de imposto, para efei tos de apenas se cobrarem juros e multa de mora mais correção 1 monetária, pois a empresa perdera a espontaneidade em razão do lançamento de ofício.0 - -1, /2 . 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. Processo n9 10640/000.118/85-28 8. AcOrdão n9-CSRF/01-0.681 Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Naciona4 (t4 Bra-ilia-DP. em 20 de junho de 1986 ANT ,iNIO DA SILVA CABRAL - RELATOR • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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ACORDÃO N° .WRF/.(13mQ .221 Recurso n°- RP/303-0.059 Recorrente- FAZENDA NACIONAL Recorrido - TERCEIRA CÂMARA DO 39 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIA MARITIMA SINÁRIUS S.A. FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTA DA: apuração em ato de confereAcia fi- nal de manifesto (parágrafo único do art. 19, combinado com o parágrafo Único do art. 23, do Decreto-lei n9 37, de 18 de novembro de 1966. Toma-se como referen- , cia para cálculo do tributo devido a ti tulo de indenização pelo responsável (conversão da taxa de cãmbio e aplica- ção de aliquotas tarifárias) a data da apuração da falta. Não aplicação do Ato DeclaratOrio n9 0800-125/75,da S.R.R.F. na 8a. Região, a fatos geradores ocorri dos apôs sua -automática derrogação pelo item IV do Parecer Normativo C.S.T. n9 56/77, de efeito "ex-tun.c", por se tra tar de norma interpretativa da legisla:: ção tributária, de hierarquia superior. ACRÊSCIMO DE VOLUMES AO MANIFESTO: lega lidade da aplicação da multa fixa pre- vista no art. 107, inc. VI, do Decreto- -lei n9 37/66 (com a nova redação do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), em seu valor atualizado anualmente pela au toridade competente, por força de pre-.. visao legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM osMembros da Câmara Superior de Recursos Fi v.v. cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Randolfo Henriquede Souza Neto, Enila Leite de Freitas Chagas e Wilfrido Augusto Marques. Sala das -s 6eig' (DF) , em 14 de abril de 1981. / /144 /, hf\ AMADOR • d FE r 1 .Ã.N9t1 PRESIDENTEr I I •, DTgALDO .37A7 LVIA RELATOR , ,/ ADHEMILSON BOTOS /DE C VALHO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julq famento, os seguintes Conselheiros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, PAULO' DE/ALMEIDA e SEBASTIÃO RODRIGUES CA- BRAL. , iteP ? SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 0845/050.677/80 RECURSO N.° : - RP/303-0.059 ~o N.°: CSRF/03-0.221 RECORRENTE: - FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIA MARÍTIMA STNARIUS S.A. • RELATÓRIO ... Em ato de conferencia final de manifesto do navio "SERRA AZUL", aportado em Santos a 16/08/75, apurou o órgão fis- cal da jurisdição faltas e acréscimos de mercadorias estrangei- ras importadas, sendo responsabilizada pelas ocorrências a em- presa transportadora, da qual se exige, nos termos do art. 60 e seu parágrafo único do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66, a devida indenização do valor do Imposto de Importação correspondente, e respectiva penalidade prevista no art. 106, inc. II, alínea "d", do mesmo Decreto-lei, além da multa fixa do art. 59, inc. VI, do Decreto-lei n9 751/69 (que deu nova redação ao art. 107 do Decre to-lei n9 37/66), por volume acrescido ao manifesto. A responsabilizada reconhece e confirma os extra- vios e acréscimos apurados, mas discorda da autoridade aduanei- ra quanto à forma de cálculo e determinação do valor do tributo devido, que entende deva ter por base os valores fiscais - taxa de conversão e allquota tarifárias - em vigor à época da impor- tação, pretendendo, ainda, seja aplicada aos acréscimos a pena- lidade fixa, mas em seu valor também vigorante naquela data. Dai o apelo à 3a.Cámara do Egrégio 39 Conselho de Contribuintes, provido por maioria de votos pelo Acórdão n9 19.542 , de 23/10/80 (fls., 34/36), em que ficou decidido, com fundamento no AD n9 0800-125/75, da S.R.R.F. na 8a. Região, "que d-2,257 O M F - R.1/1.° C - C - Secgra1 - 1600/75-, . , _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 3- Acórdão n9 CSRF/03-0.221 , no momento do desembaraço aduaneiro da mercadoria manifestadas remanescente, a repartição aduaneira competente conhece dos fa- tos e dos acréscimos porventura ocorridos, através das Declara- çaies de Importação referidas, sendo que a D.I. pró-forma discri- mina a totalidade da mercadoria manifestada. Nos termos do dis_ positivo legal supracitado (art. 23, parágrafo único, do De- creto-lei n9 37/66) ocorre, nesse momento, o fato gerador do tributo aser indenizado pelo transportador." Dessa r. decisão recorre, com guarda de prazo, o Sr. Procurador da Fazenda Nacional junto àquele órgão. Em suas -- razões de fls. 37/55, que leio na Integra em plenário (lê), in- voca as decisOes desta Cãmara Superior consubstanciadas em rei- terados acórdãos, considerando como data de referência para cál- culo dos tributos, na espécie, a da representação prevista no art. 25. § 19, do Decreto n9 63.431/68, que regulamenta a mate- _ ria, para sustentar, ao final, que a apuração das faltas só ocor --_ reu com a aludida conferência final de manifesto, somente ai es tando a Fazenda Nacional habilitada a quantificar a obrigação tributária e a qualificar o sujeito passivo, nos termos do pará- grafo único ao art. 23 do Decreto-lei n9 37/66. - De referência à multa isolada, por acréscimo de volumes, prevista no art. 107, inc. VI, do citado Decreto-lei n9 37/66, na nova redação do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69, en- tende o ilustre recorrente deva ser mantida, porque sua atuali- zação corresponde à correção monetária instituída pela Lei n9 4.357/64, além de ter amparo nos arts. 105 do C.T.N. e 110 do De creto-lei n9 37/66. Cientificado regularmente, o sujeito passivo não apresentou contra-raz5es . . Pelo provimento do recurso da Fazenda Nacional, ma - nifestou-se às fls. 58 a digna Procuradoria do Contencioso Ad- n ( ministrativo, ressaltando que a matéria jã mereceu numerosas de10- 7/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 4- Acórdão nQ CSRF/03-0.221 . cisões desta Egré.gla Cãmara Superior, erigindo-se em "leading ! case" o Acórdão n9 CSRF 03.0-003, prolatado em sessão de27/11/'794h 2 relatório. .84/7 . ' , , . . . , .. . _ _ , . .....: ...,'--.. ° , ! , . , . , ;,,„ . ,, , , .. , - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 5- Acórdão n9 CSRF/03-0.221 VOTO_ _ _ Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, RELATOR: Ressalte-se, de inicio, aue o sujeito passivo em nenhum momento contesta a ocorrência das faltas e acréscimos apu-_ rados, ou sequer sua responsabilidade por tais eventos. C±nge-se o litígio, portanto, exclusivamente ao critério adotado pela Fiscalização, para a determinaçãO da base de cálculo do tributo e aplicação das respectivas aliauotas tributárias, em caso de "fal- ta" ou "extravio" de mercadorias, e ã cominação da penalidade res_ pectiva, em caso de "acréscimo" de volumes. Em numerosas e reiteradas decis5es, esta Câmara Su— perior já firmou o entendimento de que, na hi pótese de serem co- nhecidas e apuradas, no ato formal e regulamentar de "conferência final de manifesto", faltas e acréscimos de mercadoria que cons- tar como tendo sido importada (parágrafo único ao art. 19 do De- creto-lei n9 37/66), é de ser tomada como referência, para cálcu- lo e determinação do valor do tributo devido, a data da aludida conferência, através da qual são apuradas tais ocorrências (pará- grafo único ao art. 23 do mesmo Decreto-lei). A "conferência final de manifesto" é um dos proce- dimentos legais de apuração de faltas e/ou arréJcimos de mercado ria estrangeira importada, infraçOes ou irregularidades essas qua . se sempre de responsabilidade do transportador, que fica assim obrigado a indenizar a Fazenda Nacional pelos tributos não reco-- lhidos, na condição de responsável lega'. É atividade fiscal de rotina, prevista no art. 39, § 19, do Decreto-lei n9 37/66, e re- gulamentada pelo Decreto n9 63.431/68, precisamente com a finali- dade de apurar irregularidades havidas nas descargas. Nesta Egrégia Câmara Superior e no Colendo 39 Con- '', selho de Contribuintes é pacífico o entendimento da plena compati / :?/ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 6- AcOrdão n9 CSRF/03-0.221 bilidade do art. 23 do Decreto-lei n9 37/66 com o art. 19 do Códi go Tributário Nacional, pertinentes ao fato gerador do Imposto de Importação, este último reproduzido pelo art. 19, "caput", do Decreto-lei n9 37/66. Também o Egrégio Tribunal Federal de Recur sos, em memorável sessão plenária de 10.08.78, já fixou em defini tivo sua posição nesse sentido, no julgamento de Incidente de Uniformização de Jurisprudência" na Ap . em M.S. n9 79.950-SP (v. Revista "RT Informa, no 233/234). Num ligeiro retrospecto das disposições legais ci- tadas, temos: Código Tributário Nacional: "Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada desses no Território Nacional". Decreto-lei n9 37/66: "Art. 19. O imposto de importação incide so- bre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no território nacional. Parágrafo único - Considerar-se-á entrada no território nacional, para efeito de ocorrên- cia do fato gerador, a mercadoria que cons - tar como tendo sido importada e cuja fal- ta venha a ser apurada pela autoridade adua- neira. Art. 23. Quando se tratar de mercadoria des pachada para consumo, considera-se ocorrido - o fato gerador na data do registro, na re- partição aduaneira, da declaração a que se refere o art. 44. Parágrafo único - No caso do parágrafo único do ext. 19, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autori- dade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento." Das disposições transcritas, e em harmonia com o decidido pelo Egrégio Tribunal Federal de Recursos e pelo 39 Con- // SERVIDO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 7- Acôrdão n9 CSRF/03-0.221 selho de Contribuintes, conclui-se que, nos casos de falta de mer cadoria, a ser apurada pela autoridade aduaneira, o elemento mate rial, espacial, do fato gerador do Imposto de Importação é defini do pela presunção jurídica "Considerar-se-á entrada no territOrio nacional, etc." (parágrafo único ao art. 19 do Decreto-lei n9 37/66) e, completando a uremissa, o elemento temporal, final e dado pela regra legal especifica - "a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apu rar a falta ou dela tiver conhecimento" ( parágrafo único ao mesmo artigo). Tal é, aliás, a posição de há muito adotada nela -- 2a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes, Orgão titular da com- petência regimental de julgamento da matéria, em numerosas deci- s6es, na verdade não unânimes, face ã fixação de ponto de vista dos nobres Conselheiros que ali representam os contribuintes, pe- la não aplicação, ao caso, da disPosição especifica do parágrafo único ao aludido art. 23. Em recente ac6rdão(n9 25.807 de11.12.80), teve aquela Câmara oportunidade de examinar, discutir e decidir sobre o assunto. Do voto do ilustre relator, Conselheiro Levy lerio de Oliveira, que estudou aprofundadamente a matéria, achei oportuno transcrever o seguinte e ex pressivo trecho: "A falta de mercadorias pode ser constatada a través de VISTORIA ADUANEIRA ou de CONFERÊNCIA NAL DE MANIFESTO. O primeiro Procedimento é, geralmente, con- temporâneo ao desembaraço da mercadoria, Quase sem Dre individualizado, apurando AVARIAS ou FALTAS 7 que podem resultar em responsabilidade do transpor tador ou do depositário. O segundo, que, na espécie, é o importante,e feito geralmente quando o veiculo já abandonou o morto e as mercadorias já foram desembaraçadas, a- •brangendo o total do manifesto, apurando FALTAS e/ ou ACRÉSCIMOS que, em 99,9% dos casos, SÃO DE RES- PONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. A autoridade da administração portuária, com a presença de um pre posto do transportador, geral- mente sem a presença da autoridade aduaneira, acom Panha o desembaraue das mercado- ( "as, fazendo anota çOes em Folhas de Descarga. n( , "?"/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 8- Acórdão n9 CSRF/03-0.221 - No porto de Santos, especificamente, a Delega cia da Receita Federal recebe, da entidade portuál f ria, uma INFORMAÇÃO DE DESCARGA, noticiando POSS1- VEIS IRREGULARIDADES, com relação a FALTAS e/ou A- CRÉSCIMOS DE MERCADORIAS, na descarga de um deter- minado navio. Essa Informação de Descarga e, via de regra , de data bastante próxima à da atracação do navio. A autoridade aduaneira é quem decide, de acor do com suas prioridades e disponibilidade de pes- soal, EM QUE DATA VAI APURAR SE, REALMENTE, OCORRE RAM AS FALTAS E/OU ACRÉSCIMOS APONTADOS NA INFORMA CÃO DE DESCARGA, nos termos do art. 25 do Decreto n9 63.431/68 e seus parágrafos, que regulamenta o § 19 do art. 39 do Decreto-lei n9 37/66. --- É nesta data (da apuração das faltas) que se completa o fato gerador do Im posto de Importação nos casos de Conferência Final de Manifesto, deven do a autoridade fiscal constituir o credito tribu71 tário, atraves da formalização da exigência, con- substanciada em Auto de Infração ou Notificação Fis cal". , . . No presente processo, entretanto, surgiu um fato novo, ou seja,o de que, quando da chegada do navio ao porto de Santos, já estava ali em vigor o Ato DeclaratOrio n9 0800-125, de 06.06.75, da S.R.R.F. na 8a. Região Fiscal, ato esse que criou,na D.R.F. em Santos, o setor de Controle de Manifestos e implantou nesse serviço, o processamento eletrônico de dados, e que -- ale- ga-se -- não teria sido observado, no caso, pela autoridade fis -_ cal. Dispunha o item 6.2 do citado Ato Dealaratório: "6.2 - Para efeito de cálculo do aue deva ser cobrado na conferência final de manifestos, o FTF encarregado de sua execução.baSear-se-á nos valo - res constantes das Declarações de Importação e na pró-forma prevista neste item". Estabeleceu ainda referido Ato DeclaratOrio, em - _ seu item 9: "9. O presente ato entrara em-vigor na data de sua publicação e abrangerá as DI referentes a navios entrados no porto de Santos 'Partir do dia 23 de junho de 1975, inclusive." ,,h h1)7' -/v2 /7 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 9- Acórdão n9 CSRF/03-0.221 t Ora, relativamente aos fatos geradores , (apuraçOes de falta,-;) ocorridos durante a vigência daquele Ato Declarateirio, a D.I. "pré- -forma" seria, por força do estabelecido em seu item 6.2, a manei ra de dar a conhecer .ã. autoridade fiscal as faltas porventura o- , corridas. Mas, no caso em exame, a autoridade administrativa só veio a apurar as faltas por ocasião da rotineira conferência fi-_ nal de manifesto do navio transportador, iniciada com a Represen- tação de fls. 03 , ou seja, quando já não mais vigorava por intei ro o questionado Ato DeclaratOrio n9 0800-125/75, derrogado que fora, nessa parte, por critério internretativo diverso, adótadope lo órgão normativo de hierarquia,superíor, com jurisdição em todo -- o território nacional - a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, através do seu Parecer Normativo n9 56/77, de 24.08.77 (D.O. de 31.08.77),de inegável efeito "ex-tunc", por se tratar de norma de caráter interpretativo da disposição do Parágrafo único ao art. 23 do Decreto-lei n9 37/66, da mesma forma que o era a regra adotada Pelo questionado Ato DeclaratOrio n9 0800-125, em seu item 6.2, supratranscrito. Assim, no caso "sub judice", não posso concordar com o argumento central que serviu de respaldo â decisão da douta Câmara recorrida - o de que "o fato gerador remonta "a época do estabelecimento de controles pela administração aduaneira, pelos Quais toma conhecimento dos fatos imputáveis". Isto porque e fora de dúvida que a falta em questão sé foi apurada pela repartição aduaneira (primeira das alternativas do parágrafo único ao citado art. 23) no ato formal da aludida conferência, ocasião em que se lavrou a Representação de fls. 03 , como previsto no art. 25 do Decreto n9 63.431/68, que regulamenta a espécie, e que em seu §39, prevê a hipOtese de nada ser a purado e conseqüente arquivamento do manifesto. A taxa de conversão (dólar fiscal) e as aliquotas ta_ rifãrias aplicáveis, para efeito de cálculo da indenização tribu- tária prevista no art. 60 e seu parágrafo único do Decreto-lei n9 37/66, hão de ser as vigorantes nessa ocasião, por força do dispos to no citado art. 23, parágrafo único, do mesmo diploma legal, con -_ forme o entendimento firmado por esta Câmara Superior. Com relação à multa fixa, por volume acrescido ao i v' , SERVIÇO pueuco FEDERAL Processo n9 0845/050.677/80 10- Acórdão n9 CSRF/03-0.221 manifesto, prevista no art. 107, inc. VI, do Decreto-lei n9 37/66 (na nova redação dada pelo art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), en- tendo-a bem e legalmente aplicada, uma vez que, à época do respec tivo lançamento, pelo Auto de Infração e Notificação Fiscal de fls. 1, o seu valor já se achava atualizado monetariamente, pela Porta_ ria n9 39/79, ao Sr. Ministro da Fazenda, que estabeleceu os no- vos valores desse tipo de multa (fixada em cruzeiros), destinados a vigorar durante o exercício de 1980, nos precisos termos do disposto no art. 110 do Decreto-lei n9 37/66, e art. 99 da Lei n9 4.357/64. Isto posto, (Rou provimento ao recurso especial, pa ra que, no cálculo do tributo devido, se tomem por base os valo_ res -- taxa de conversão da moeda estrangeira e aliquotas tarifa- rias -- vigorantes à data da Representação de fls. 03 (27/ 1/79) restabelecida a multa referente aos volumes acrescidos /a 4( Este o meu voto. , ,,,,EDWALDO REIS DA S 'VA - RELATOR. , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA RECORRIDA 6a. CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA : FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE 08 DE JULHO DE 1996 ACÓRDÃO N°. CSRF/ 01-01.984 NULIDADE DE ACÓRDÃO - É nulo o acórdão que não delimita toda a matéria litigiosa e, por conseguinte, deixa de apreciar as razões de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, declarar a nulidade do acórdão recorrido, e devolver os autos à Câmara a quo para apreciação do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Celso Alves Feitosa, Antônio de Freitas Dutra, Maria Ilca de Castro Lemos Diniz, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Edison Pereira Rodrigues. - SON PE ' !' • RODRIGUES - ' SIDENTE - MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS - RELATOR FORMALIZADO EM: 4G0 709c), rk MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS < PROCESSO N° 10850-000.330/90-69 RECURSO N° RD/106-0 156 RECORRENTE RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N° C SRF/01 -01 984 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO,DIIVIAS RODRIGUES DE OLIVEIRA WILFRIDO AUGUSTO MARQUES e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA77D. 2 ro MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10850-000 330/90-69 RECURSO N° RD/106-0,156 RECORRENTE . RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N° . C SRF/01-01 984 RELATÓRIO RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA, recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais da decisão consubstanciada no Acórdão n° 106-4.265, de 25/02/92, assim ementado- "IRPJ - NORMAS PROCESSUAIS - PROVA - A prova, qualquer que seja, vale pelo seu valor intrínseco, pelo seu poder de convicção, não cabendo atacá-la sem atacar os fatos a que se refere. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - PROVA EMPRESTADA DO FISCO ESTADUAL - Merece fé pública a prova produzida pelo Fisco Estadual, cabendo ao Fisco Federal, que a utiliza, decidir, por sua conta e risco, se a mesma é completa e conclusiva Recurso não provido" O recurso especial foi admitido em 18/03/93, por despacho da então presidente da C Sexta Câmara, que entendeu caracterizado o dissídio jurispnidêncial à vista dos acórdãos trazidos a confronto pela recorrente, dentre eles se destacando o de n° 101-78.799, de 20/06/89, cuja ementa é a seguinte "PROVA EMPRESTADA - OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL - O fato de haver o contribuinte recolhido o crédito tributário exigido pelo fisco estadual, por si só não implica omissão no registro de receitas, mormente se a autoridade lançadora não se aprofundou nas investigações com vistas a caracterizar, 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° : 10850-000330/90-69 RECURSO N° RD/106-0 156 RECORRENTE . RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA. ACÓRDÃO N° C SRF/01-01. 984 adequadamente, a matéria tributável A prova emprestada, em certos casos, deve servir como indicador da irregularidade e não como fato incontestável, sujeito à incidência do imposto de renda. Recurso conhecido e provido" A douta procuradoria ofereceu contra-razões às fis. 134/136, protestando preliminarmente pelo não conhecimento do recurso, por entender que a decisão contestada não deu à lei tributária interpretação divergente No mérito, defende a Fazenda Nacional a posição adotada pela maioria dos membros da C Sexta Câmara, por estar em sintonia com o que já decidiu esta E Câmara Superior no Acórdão n° CSRF/01-01 123, de 26/06/91 c) É o Relatório 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N°. 10850-000.330190-69 RECURSO N° RD/106-0 156 RECORRENTE : RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LIDA. ACÓRDÃO N° - C SRF/01-01 984 VOTO CONSELHEIRO, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS - Relator Conforme constou do relato, trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte contra decisão da C Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes O presente recurso, contudo, não está em condições de ser apreciado, posto que o acórdão recorrido não primou pelo cuidado de delimitar corretamente a matéria em litígio, deixando de se pronunciar sobre parte significativa da matéria tributável, impossibilitando o contribuinte de exercer, em sua plenitude, o direito de interpor recurso especial e, em consequência, o exame deste. Então, vejamos O auto de infração (fls. 49-verso) assim descreve a matéria tributável "1 1 - omissão de receita operacional caracterizada por saída de mercadoria desacompanhada de nota fiscal, conforme autuação efetuada pelo fisco estadual, cujos AIIMs ficam fazendo parte integrante do presente, a saber ano/base/ex AIIM data omissão de receita 5 7 # 10 raz_ MINISTÉRIO DA FAZENDA Y CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10850-000.330/90-69 RECURSO N° . RD/106-0 156 RECORRENTE : RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N° CSRF/01-01. 984 86/87 066874 11 86 CZ$ 3048,00 87/88 083702 04.87 CZ$ 12 350,00 2 1 - apropriação indevida de custos através de documentos fiscais inidôneos, conforme apurado no AIIM 076853, anexo. A/B N Fisc data emissão atribuída valor CZ$ custo indevido 86/87 0324 11.86 Ser. M Grosso Ltda., 122.640, 0320 11.86 Ser M Grosso Ltda 112.420, 2472 12.86 Mad. Flor Mata Ltda 147.189, 382.249,00 2.2 - apropriação indevida de custos através de documentos fiscais inidemeos, cuja irregularidade o contribuinte sanou junto ao fisco estadual, efetuando o recolhimento espontâneo do crédito devido, conforme guias anexas. A/EX N Fiscal data emissão atribuída valor CZ$ custo indevido 86/87 2468 12.86 Mad Flor Mata Ltda 160.800, 00 2470 12.86 Mad Flor Mata Ltda 172 800,00 322 12.86 Ser Mato Grosso Ltda 164 160,00 321 12.86 Ser.Mato Grosso Ltda 154 929,00 652.689," O julgador singular considerou procedente a exigência, conforme se extrai da ementa da decisão de fls.. 68: "D ECISÃ 0/CONT. N° 10850/494/90 Imposto de Renda Pessoa Jurídica Exercício de 1987 e 1988, anos-base 1986 e 1987 Omissão de receita operacional e apropriação indevida de custos. Constitui expediente meramente protelatório a apresentação de impugnação alegando simplesmente dificuldades financeiras da empresa. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE " (grifei) 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10850-000 330/90-69 RECURSO 1\1° RD/106-0 156 RECORRENTE RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA. ACÓRDÃO N° C SRF/01-01 984 O sucinto relatório constante do acórdão recorrido afirma, equivocadamente, às fls. 101 "A autuação se deu por omissão de receita operacional caracterizada por saída de mercadoria desacompanhada de nota fiscal, conforme autuação efetuada pelo fisco estadual relativa aos exercícios de 1987 e 1988 " (grifei) O Conselheiro relator por sorteio, em seu voto vencido, destacou às fls. 104 "Trata-se de exigência baseada exclusivamente em prova emprestada de lançamento tributário efetivado pelo Fisco Estadual." (grifei) O Conselheiro relator designado, por seu turno, no voto vencedor, também se limita à análise da validade da acusação de omissão de receitas Primeiro, quando faz remissão ao voto do relator por sorteio às fls. 102- "4. Neste processo, nem a defesa nem o ilustre Conselheiro - relator fazem qualquer análise da prova produzida" Depois, quando afirma às fls 103 "7 Tivesse a Fiscalização Federal examinado a escrita/estoque da empresa, iria examinar o já examinado pela Fiscalização Estadual e iria, obviamente, chegar ao mesmo levantamento. Está conclusão advém do posicionamento adotado pela fiscalização em face de autuação estadual. O Auto Estadual foi pago, sem contestação. E se ele não foi contestado, o LEVANTAMENTO FISICO também não foi contestado e é prova mais que suficiente para embasar a autuação do Fisco Federal - autuação cujo mérito não é contestado pela contribuinte," (grifei) 7 I 7 - ,k MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N°. 10850-000.330/90-69 RECURSO N° - RD/106-0.156 RECORRENTE : RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N° . C SRF/01-01 984 Finalmente, quando o relator designado destaca na própria ementa do acórdão recorrido (lis 100) apenas" IRPJ - NORMAS PROCESSUAIS - PROVA" e "IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - PROVA EMPRESTADA DO FISCO ESTADUAL" (grifei). Ora, a exigência fiscal diz respeito também a apropriação indevida de custos, em face da utilização de documentos fiscais considerados inidemeos pelo Fisco do Estado de Mato Grosso do Sul. Este item da autuação foi desmembrado pela autoridade autuante em duas parcelas A primeira delas corresponde à glosa de três notas fiscais emitidas por Serraria Mato Grosso Ltda. e Madeireira Flor da Mata Ltda, em razão de a recorrente ter sido autuada pelo Fisco do Estado de São Paulo, por crédito indevido de ICM, face a inidoneidade dos documentos fiscais. A segunda parcela diz respeito à glosa de quatro outras notas fiscais, emitidas pelas mesmas empresas citadas, em razão de a suplicante ter recolhido espontaneamente o ICM correspondente ao crédito indevido No recurso voluntário protestou a contribuinte contra este item da autuação, argumentando que os recolhimentos efetuados em razão de crédito indevido do ICM apenas permitem concluir que os documentos fiscais utilizados não preenchem as condições previstas no RICM para dar validade à transmissão do crédito do ICM. Situação diversa é afirmar-se que as mercadorias não entraram no estabelecimento da empresa, e imputar-se, em consequência, a muita de oficio de 150%, por entender-se caracterizado o evidente intuito de fraude Nada disso foi apreciado pela C Sexta Câmara, que limitou-se a analisar a validade da prova emprestada no caso de apuração de omissão de receita caracterizada por saída de 6-/a 8 : MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10850-000.330/90-69 RECURSO N° RD/106-0 156 RECORRENTE . RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA. ACÓRDÃO N° CSRF/01-01 984 mercadoria desacompanhada de nota fiscal, quando, curiosamente, este item da autuação corrrespondente a menos 0,5% (meio por cento) do total do crédito tributário. A essa constatação também chegou a suplicante em seu recurso especial, quando afirma (fis 116/117) "1,5 - Acresça-se que, no caso "sub examine" a prova emprestada pelo Fisco Estadual foi um auto de infração por crédito indevido de ICM, com um atestado (que merece fé pública) de que a mercadoria entrou no estabelecimento; o auto em julgamento acusa a recorrente de ter considerado custo indevido, e o acórdão recorrido a condena por omissão de receita 1.6 - A impressão que se tem, "data vênia", é a de que o v. acórdão foi proferido à vista de outros autos provas, porque entre as três situações acima apontadas não há qualquer ligação lógica Por certo, a douta Procuradoria, ao exercer o controle de legalidade, não deixará passar tamanho desacerto, que só o equívoco poderá explicar. "(grifei) À evidência trata-se de caso de nulidade absoluta porque decorre de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato. É que o acórdão deve conter os mesmos elementos da decisão proferida em julgamento de primeira instância, previstos no art 31, "caput", do Decreto n° 70.235/92, especialmente: relatório, fundamentos legais e conclusão. Importa em nulidade absoluta, portanto, o acórdão que não contém relatório fiei aos fatos, omitindo parte significativa destes, e, em consequência, mantém exigência fiscal sem a devida fundamentação legal, posto que estes elementos (relatório e fundamentos legais) são da essência da decisão. Tominho Filho (in Processo Penal, Bauru, Ed Jalovi, vol. III capítulo 38), abordando o caso de nulidade absoluta por falta da sentença no processo penal, ensina 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° : 10850-000.330/90-69 RECURSO N° RD/106-0.156 RECORRENTE RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N.') C SRF/01-01 984 "É evidente que a lei, ao falar em nulidade, ante a ausência da sentença, não se refere, propriamente, à omissão daquele ato processual Não se concebe uma condenação ou absolvição senão por meio de uma sentença O Juiz não pode julgar uma lide, a não ser pela sentença Então, é claro que ela deve existir Mas, muitas vezes, falta-lhe uma formalidade tal que a mutila, de tal sorte que a desfiguração equivale à sua própria ausência Assim, uma sentença sem motivação; quando houver contradição entre o decisum, isto é, parte conclusiva da sentença e a motivação; a ausência de relatório; a falta de autenticação; a falta de fundamentação no aplicar a pena etc." Discorrendo sobre o momento para a argüição da nulidade, Tourinho Filho concluiu "Se a nulidade for absoluta, não obstante deva ser levantada num daqueles instantes fixados no art. 571, por questão de economia processual, nada impede que seja em qualquer outro momento, salvo se ficarem preclusas as vias impugnativas e a decisão for absolutória Entretanto, se condenatória, ainda será possível a arguição, seja por meio da revisão, seja pelo habeas corpus . . . . . ... . Enfim- se se tratar de nulidade absoluta (cujo prejuízo é presumido), poderá ser arguida fora daqueles momentos referidos no art. 571. E se a decisão for condenatória, nem mesmo o trânsito em julgado impedirá sua arguição, seja meio de habeas corpus - art. 648, VI, do CPP - seja pela via revisional (CPP, art. 626) Não assim, se houver sentença absolutória, em face da proibição, entre nós, da revisão "pro societate " Poderá o Tribunal, em grau de apelação, decretar a nulidade? Se houver arguição pelo apelante, nada obsta. E se não houver? Em face do princípio devolutivo que informa os recursos, notadamente o de apelação, o lógico seria permitir-se, pois, conforme ponderação ) 10 111-4 :.s r;) MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° : 10850-000.330/90-69 RECURSO N° RD/106-0 156 RECORRENTE : RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N° CSRF/01-01 984 de Calamandrei, o juizo da apelação deve ter a mesma liberdade e amplitude de decisão conferidas ao juizo de primeiro grau, em face de ambas as partes, não podendo ele se encontrar em frente à controvérsia em condição diversa da que se encontrava o juizo de primeiro grau, pois, do contrário, não haveria efeito devolutivo(cf Studi sul processo civile v 3, p 43-53) Será crível não possa o Tribunal anular o processo, sem provocação, se, malgrado sua absolvição, não foi o réu interrogado nem se ouviram as testemunhas de acusação? Valendo-nos de uma passagem de Florian, podemos traduzir o espírito sumular as nulidades referentes ao atos de maior significação devem ser conhecidas, com ou sem provocação da parte; as que digam respeito aos demais atos devem ficar subordinados à impugnação da parte interessada (cf Elementos, cit, p. 125) Se cabe ao órgão Jurisdicional prover à regularidade do processo de molde propiciar-lhe o exame de mérito, é induvidoso que, se o ato essencial foi omitido, ou então, praticado com flagrante desrespeito à sua tipicidade, nada obsta que o Tribunal, ex officio venha a proclamar-lhe a nulidade." (os grifos não são do original). A vista dessas considerações, voto no sentido de se anular os atos processuais praticados a partir do acórdão de fls. 100/108, inclusive, e devolver os autos à Câmara a quo para apreciação do recurso voluntário de fis 73/81 Registre-se, por oportuno, que não convém, nesta instância especial, a análise do mérito da exigência com vistas a uma possível decisão favorável ao sujeito passivo, por se tratar de recurso especial sujeito ao atendimento de rígidos pressupostos de admissibilidade, 11 .; MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° : 10850-000330/90-69 RECURSO N°. : RD/106-0 156 RECORRENTE . RVZ INSTALAÇÕES COMERCIAIS LTDA ACÓRDÃO N° : C SRF/01-01.984 consoante estabelece o art 5°, parágrafo 1°, do Regimento Interno desta Câmara Superior. Não há pois, na nulidade declarada, qualquer ofensa ao principio da economia processual É o meu voto Sala das Sessões -DF, em 08 de julho de 1996 MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS - RELATOR 12 SW, ip„, C /41 g .,f, ,,,v c.;Nos,50- Processo : 10850/000.330/90-69 Recorrente : RVZ - INSTALAÇOES COMERCIAIS LTDA Recorrida : FAZENDA NACIONAL Recurso : ESPECIAL Relator • MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS. Voto Divergente - Conselheiro Celso Alves Feitosa 1. Embora deva confessar que a decisão recorrida não encontraria de minha parte sua sustentação tivesse participado do julgamento da Câmara, nos termos em que prevaleceu, entendo que a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja produzida, como pretendido pelo ilustre relator, antes do exame de mérito há que ultrapassar os pressupostos de admissibilidade do recurso especial. 2. A legislação de regência impõe para exame do recurso especial, Regimento Interno da CSRF, em seu artigo 4Q, II, que para sustentá-lo, que outra tenha sido a conclusão de uma das demais Câmaras do Conselho de Contribuintes, sobre o tema recorrido. 3. O recurso especial assim se fundamenta a fls. 117: I I, ... o auto em julgamento acusa a //I recorrente de ter considerado custo indevido; e o acórdão recorrido a condena por omissão de receita. 1.6. A impressão que se tem, "data vênia", é a de que o v. acórdão foi proferido à vista de outros autos, outras provas , porque ente \/ as três situações acima apontadas não há qualquer ligação lógica. 0,,Q.1), 8 UP4 0 PROCESSO N9 10850/000.330/90-69 g° g Acórdão n9-CSRF/01-1.984 /frOS 1 4 Por certo, a doutra Procuradoria, ao exercer o controle da legalidade, não deixará passar tamanho desacerto, que só o equívoco poderá explicar. H 4. A meu ver está o recurso especial dizendo que é nulo o Acórdão recorrido porque a sua conclusão não embasada nas premissas maior e menor que devem sustentar qualquer raciocínio, pelo menos lógico. 5. Em questões semelhantes às reclamadas no processo já tive ocasião de fixar-me da seguinte forma: " Pelo enunciado da decisão recorrida já se constata ser ela nula, que sequer justifica- se para concluir, omitindo-se sobre os temas lançados na defesa. Longe de se constituir em uma decisão, resulta em chancela de lançamento. Pudesse prevalecer como posta, poder-se-ia dizer ser falsa a afirmação de que, na esfera administrativa, há exame da legalidade do lançamento. Nula é a decisão administrativa sem fundamento, isto porque com infração ao disposto no artigo 458 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que estabelece: " 458. São requisitos essenciais da Q0 ARA ,ve, PROCESSO n9 10850/000.330/90-69 I 7,51 Acórdão n9-CSRF/01-1.984 47/ • sentença: II. os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito", enquanto preleciona Hely Lopes Meirelles: " O julgamento é a decisão proferida pela autoridade ou órgão competente sobre o objeto do processo. O essencial é que a decisão seja motivada com base na acusação, na defesa e na prova não sendo licito à autoridade julgadora argumentar com fatos estranhos ao processo ou silenciar sobre as razões do acusado, porque isto equivale a cerceamento de defesa e conduzirá à nulidade do julgamento, que não é discricionário, mas vinculado ao devido procedimento legal." ( Direito Administrativo Brasileiro - pág. 644 ) ,/ 6. Mesmo o Conselho de Contribuintes já teve oportunidade de decidir pela nulidade de decisão não devidamente fundamentada do julgador singular, verbis: " IRPJ - NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA „,,"-e 41;1,94 PROCESSO N9 10850/G00.330/9U-69 sit?/4f_, Acórdão n9-CSPF/01-1.984 o o %IÇO INSTANCIA - ABRANGENCIA NA APRECIAÇÃO DOS FATOS E PROVAS A decisão de primeira instância deve apreciar circunstanciadamente todos os fatos e desdobramentos contidos nas imputações feitas e objeto de resistência pelo contribuinte, como argumentos equivalentes, remissão a provas, demonstrativos, etc. de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Decisão que não enfrenta os fatos, argumentos e provas levantados com a impugnação, em extensão e profundidade pertinentes, é nula” Acórdão n. 103.09.849, sessão de 4.12.89 - Imposto de Renda - Resenha Tributária - Fev.92 ) 7. O Poder Judiciário, sobre a questão tem a seguinte posição: " Nula é a sentença em que, pelo exame de sua fundamentação, se verifica que o juiz decidiu outra ação, e não a que estava afeta ao seu pronunciamento (RJTJERGS 167/98) " É nula a sentença cuja conclusão está em flagrante divergência com a exposição " (TRF - 3_4 Turma, AC 109.619-RS - DJU 9.4.87) " Sentença ou acórdão que decide questão totalmente diversa da proposta é !- Clir 7 4i PROCESSO N9 10850/000.330/90-69 ,• -y. Acórdão n9-CSRF/01-1.984 (,-' Í P -b,\a, inexistente" ( - RTJ 128/950 - ) " É nulo o acórdão que, por não examinar claramente as questões envolvidas na lide, gera perplexidade (CPC, art. 458, II)" (STJ - lã Turma - REsp. 12.174-0-RJ - DJU 12.4.93) 8. Diante do quadro apresentado fica a questão: qual o tema a ser atacado pelo recurso especial: o da nulidade da v, acórdão, ou a questão de que tendo o mesmo se embasado na prova emprestada - do Fisco Estadual -, tomada pelo Fisco Federal, imprestável o critério? 9. O primeiro envolve tema de cunho eminentemente processual, o segundo diz respeito ao mérito, tanto assim que o recurso cuida de investigação probatória, elementos indiciários, pagamento na esfera estadual do tributo exigido, etc. 10. Se levado com rigor o Regimento Interno deste CSRF, há de se concluir pelo não atendimento aos pressupostos de adminissibilidade do recurso especial, já que nenhuma decisão paradigma foi trazida para os autos para declaração de nulidade do Acórdão recorrido, por faltar à decisão a devida sustentação dos fatos e direito aplicável. / '/ / 11. Poder-se-á argumentar com o fato de que lrtendo alegado a Recorrente que o Acórdão atacado se refer° /ãr a outro processo, tal autorizaria um reconhecimento 1 automático nesta instância superior, independentemente da forma, da declaração de ofício da nulidade, tomado o aquele como inexistente, nos termos de uma das decisões judiciais apontadas. Contudo, examinando a denominada segunda divergência, já se constata que foi possível à Recorrente /72) PROCESSO N9 10850/000.330/90-69 17/Acórdão n9-CSRF/01-1.984 V-TA discutir o tema da valoração das provas realizadas, as quais, com correção ou sem, foram enfocadas no julgado. Portanto, não se trata no caso de julgamento nulo que pode ser declarado de ofício, porquanto a denominada primeira divergência, reclama do critério adotado quando do lançamento pelo Fisco, a envolver maior ou menor circulo de sua ação, isto é, do agente lançador, não do julgamento extra autos, ultra ou citra petita. Ou se entende que o acórdão recorrido decidiu, bem ou mal a questão de fato e de direito, dai se admitir o recurso especial para questionar se a prova emprestada se presta para sustentar o lançamento, ou se há que se exigir, para a declaração de sua nulidade, como pretendido no voto do ilustre relator de quem me atrevo divergir, que se demonstre presentes os paradigmas quanto à nulidade do acórdão por falta de fundamento ou divórcio entre a acusação e a decisão. Assim, conheço do recurso se tomado como demonstrada a divergência para exame de mérito nesta CSRF. Por outro lado, se para determinar a nulidade do acórdão recorrido, não conheço do recurso - especial por não ter atendido o recurso especial' os pressupostos de admissibilidade do mesmo. Se examinado o mérito nego provimento ao recurso, vez que entendo, pelo o que dos autos consta a fls. 35/48 e 61, que o Fisco Federal não embasou a sua acusação tão só no trabalho do Fisco Estadual. As respostas dadas aos Fiscos pela Recorrente, mais o recolhimento do valor lançado pelo Estado, me levam à convicção de que não merecem fé as notas fiscais que tiveram os valores nelas declarados como custo, pouco significando tenham ou não dado entrada no estabeleciemento as mercadorias, que, seaconteceu, pelo que emerge dos autos, decorreram de operações com outras pessoas, suficiente para glosa dos valores e quantidades indicadas. o PROCESSO N9 10850/000.330/90-69 Acórdão n9-CSRF/01-1.984 w''.3 ( ;', . N. 0 Mesmo a omissão de receita reclamada não mereceu atenção da defesa, que só apresentou documentos de suas operações em grau de_ - .rso, inovando de forma incompleta, já que não se/sabe - quem pagou, contrariando mesmo o firmado a fls. 48 .' É C e; .2/ V,;., ;Ig . ''/ --- ' t ., Ce . - ve itosa RVz , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1
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