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Numero do processo: 12448.901206/2010-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1003-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos carreados aos autos e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Marcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos carreados aos autos e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 12 06 /2 01 0- 69 Fl. 674DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Marcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de Acórdão nº 12- 109.312, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJO que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 230.747,27 (valor original) e determinou que se homologasse a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 863961032 (fls. 569), emitido eletronicamente em 7/6/2010, referente ao crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 22649.77266.200307.1.7.02-2021 (fls. 560/566). 2. Os valores das parcelas de composição do crédito informados no PER/DCOMP e os valores confirmados pelo Fisco foram assim discriminados no Despacho Decisório: 3. O tipo do crédito utilizado é Saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário 2004. Conforme DIPJ e PER/DCOMP, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 295.156,23. No despacho, foi reconhecido R$ 0,00. 4. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º e art. 36 da IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. 5. O detalhamento das parcelas confirmadas encontra-se no documento intitulado “Despacho Decisório - Análise de Crédito” (fls. 593/594). Fl. 675DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 6. Cientificada da decisão em 17/06/2010, conforme documento à fl. 568, apresentou manifestação de inconformidade em 14/07/2010 com suas razões de discordância às fls. 02/07. 7. Alega, em linhas gerais, que havia o crédito decorrente de saldo negativo, oriundo de retenções na fonte devidamente comprovadas, conforme documentos acostados aos autos às fls. 08/528. 8. Para comprovar a ocorrência das retenções na fonte não confirmadas no Despacho Decisório relativas às receitas de prestação de serviço, a manifestante juntou extratos bancários (Doc. 04 às fls. 328/413), cópias do Livro Diário (Doc. 05 às fls. 414/501) e Planilha com a relação de notas fiscais (Doc. 06 às fls. 502/504). E em relação às retenções na fonte relativas às receitas financeiras, a ela juntou cópia do Livro Diário (Doc. 07 às fls. 505/527). 9. Alga, também, que no processo administrativo n° 12448.901207/2010-11 a Receita Federal do Brasil reconheceu as retenções de CSLL realizadas por algumas empresas para as quais o contribuinte prestou serviço, notadamente a Nuclearás Equipamentos Pesados (CNPJ 42.515.882/0003-30) e Eletrobrás Termonuclear S/A (CNPJ 42.540.21 1/0001-67), conforme se verifica da cópia do despacho decisório exarado no aludido processo (Doc. 09 às fls. 529/531). Assim, entende que as mesmas notas fiscais que comprovaram as retenções para CSLL deveriam comprovar as retenções para o IRPJ. A 1ª Turma da DRJ/RJO entendeu por bem julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório referente ao IRPJ do ano- calendário 2004 no valor de R$ 230.747,27 (valor original). Ciente do acórdão recorrido, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo: “III. EXISTÊNCIA INEQUÍVOCA DO CRÉDITO. RETENÇÕES NA FONTE DEVI DAMENTE COMPROVA DAS. 7. O contribuinte informou em sua DIPJ do exercício de 2005 (fls. 252/327), que sofrerá retenções na fonte que somam R$ 420.366,9 6 e que apurou R$ 125.210,73 de IRPJ, gerando um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 295.156,23. 8. No entanto, o despacho decisório confirmou pequena parcela de retenção na fonte , no valor de R$ 5.152,9 9, razão pela qual não reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ passível de compensação. 9. Ao analisar a manifestação de inconformidade do ora recorrente, o v. acórdão recorrido confirmou a existência de retenções na fonte no valor de R$ 350.805,01 – somando, portanto, R$ 355.958,00 –reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 230.747,27. 10. Verifica-se da “tabela 3” constante do acórdão (fls. 599/600 ) que não foram reconhecidas, ou foram reconhecidas parcialmente, as seguintes retenções na fonte: Fl. 676DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 11. Segundo o v . acórdão recorrido, todos os valores de retenção na fonte confirmados são oriundos de informações prestadas em DI RF pelas fontes pagadoras, ainda que sob outros códigos. 12. Ou seja, o v . acórdão recorrido deixou de confirmar a integralidade das retenções sofri das pelo ora recorrente, por entender que a prova das retenções está condicionada à apresentação dos comprovantes de retenção ou dos informes de rendimento forneci dos pelas fontes pagadoras e que a apresentação de outros documentos não seria apta a comprová-las, conforme se extrai dos trechos abaixo transcritos: “26. Por oportuno, impende salientar que é ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os montantes de IRPJ foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para que a beneficiária possa deduzir o respectivo tributo quando da apuração do resultado do exercício. 27. Quanto às retenções na fonte relativas à prestação de serviço, a manifestante juntou extratos bancários (Doc. 04 às fls. 328/413), cópias do Livro Diário (Doc. 05 às fls. 414/501) e Planilha com a relação de notas fiscais (Doc. 06 às fls. 502/504). No entanto, tais documentos não são hábeis a comprovar a retenção na fonte e nem que os rendimentos foram oferecidos à tributação. (...) 34. Deste modo, verifica-se que a apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora é requisito exigido por lei para que a beneficiária dos rendimentos utilize o IRRF como antecipação do IRPJ devido ao final do período. (...) 37. Diante desses fatos, só foram comprovados os valores de retenção informados em DIRF, como apresentado na coluna "f" da tabela 3 acima.” 13. Ocorre que, ao as sim decidir, o acórdão recorrido contrariou entendimento já consolidado no CARF, externado pela Súmula nº 1431, no sentido de que o comprovante de retenção não é o único meio de prova do imposto retido na fonte: “A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” 14. Evidente, portanto, que o simples fato de as empresas INDÚSTRIAS NUCLEARES DO BR ASIL S.A - INB (CNPJ 00.322.81 8/0021-74), CENTRO TECNOLÓGICO DA MARINHA EM SÃO PAULO (CNPJ 00.394 .502/0230-04), FURNAS-CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. (CNPJ 23.274 .194/0001-19) e BANCO DO BRASIL (CNPJ 00 .000.000/4209-99) não terem declarado à RFB as retenções sofridas pelo recorrente, ou o ter em feito sob código diverso, não impede sejam as mesmas confirmadas através de outros documentos , como o fez o ora recorrente. Fl. 677DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 15. No caso, o ora recorrente, quando da apresentação da manifestação de inconformidade , anexou diversos documentos, em especial , (i) extratos bancários (fls. 328/413 ); (ii) Livro Diário (fl s. 414/501 ); (iii) Planilha com relação das Notas Fiscais (fls. 502/504); e (iv) DI PJ (fls. 252/327). 16. Não obstante , o v . acórdão recorrido afirma ter encontrado divergências entre os valores líquidos constantes dos extratos bancários e aqueles indicados pelo ora recorrente, o que estaria demonstrado na “tabela 4” (fl s. 601/603 ). 17. Inicialmente, registre-se que a referi da “tabela 4” (fls. 601/603) analisa toda a documentação apresentada pelo recorrente e não apenas a documentação pertinente às retenções consideradas não comprovadas. 18. De todo modo, verifica-se que a divergência apontada pelo v. acórdão, em todos os casos, refere-se ao fato de que os valores depositados nas contas do recorrente, conforme extratos, são inferiores aos valor es líquidos das notas fiscais, isto é , descontados o IRRF e a CSLL. 19. A divergência decorre da não consideração de outros tributos retidos na fonte , em especial PIS e COFINS. Em outras palavras, ao realizar os pagamentos , foram retidos além do IRRF e da CSLL, PIS e COFINS, o que justifica a divergência no valor líquido. 20. Evidentemente, tais divergências não infirmam a afirmação do recorrente de que recebeu tai s pagamentos líquidos dos tributos devidos. Não fosse assim, os valores depositados em suas contas seriam superiores aos valores líquidos das notas fiscais. 21. Conclui-se, assim, que as divergências apontadas na “tabela 4” (fls. 601 /603) não impedem que se confirmem as retenções sofridas pelo recorrente. 22. Ainda nesse sentido, registre-se que o acórdão reconheceu, expressamente, que os rendimentos informados em DI RF guardam relação com as receitas informadas em DI PJ, de forma que t odo o valor retido pode compor o IRPJ devido (...) 23. Não restam dúvidas, pois, que os valores informados pelo recorrente a título de receita de serviços e de receita financeira são mais do que condizentes com as retenções sofridas pelo recorrente e não confirmadas pelo acórdão, no montante de R$ 64.408,96. 24. Verifica-se, ainda, que apenas em relação à FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. nenhuma parcela das retenções sofridas foi confirmada pelo v. acórdão. 25. Quanto às demais empresas, embora tenha havido a confirmação de parte das retenções, não é possível saber em relação a quais notas fiscais t ais confirmações se referem. 26. Dessa forma, o ora recorrente reproduz os quadros apresentados com a manifestação de inconformidade, a fim de comprovar as retenções sofri das, indicando as respectivas folhas dos autos em que constam os extratos bancários e as folhas do Livro Diário: Fl. 678DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 27. Ao contrário do que entendeu o v. acórdão recorrido, a documentação apresentada, resumi da nas planilhas acima, é mais do que sufi ciente para comprovar as retenções de imposto de renda sofridas pelo recorrente. Fl. 679DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 28. Por fim, com relação às retenções realizadas pelo Banco do Brasil (n o valor de R$ 7.585,50), o v. acórdão recorrido confirmou apenas o montante de R$ 4.826 ,00, restando confirmar R$ 2.759,50, sendo certo que o recorrente apresentou, às fls. 505/527, cópia do Livro Diário que comprova as retenções. 29. Comprovadas as retenções, há de ser reconhecido integralmente o direito creditório do contribuinte. IV. PEDIDO 30. Por todo o exposto, é a presente para requerer seja provido o recurso voluntário para se reconhecer integralmente o direito creditório e homologar todas as compensações declaradas É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Delimitação da Lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal ficam restritos a argumentos em face do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 64.408,96 (R$ 295.156,23 - R$ 230.747,27, reconhecido pela DRJ), do ano-calendário de 2004 (Per/DComp nº 22649.77266.200307.1.7.02-2021, e-fls. 560/566), que, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplicam subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Análise do Direito Creditório A controvérsia nos autos cinge-se ao reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário 2004. A autoridade administrativa ao proceder a análise das retenções não conseguiu a comprovação de tais retenções, com base nas informações que constam no sistema do Fisco e reconheceu parcialmente o crédito. A DRJ manteve o despacho decisório, nos seguintes termos: “(...) 20. III - MÉRITO 21. Analisando as parcelas de retenção na fonte informadas no PERDCOMP, com base nas já confirmadas no Despacho Decisório, conforme Análise de Crédito às fls. Fl. 680DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 530/531, nas informações constante no sistema de controle das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e nos comprovantes de retenção, porventura, juntados aos autos pela manifestante no bojo dos documentos às fls. 08/528, elaborou-se a tabela abaixo com os valores totais confirmados: 22. A coluna "c" da tabela acima apresenta todos os valores de retenção na fonte indicados na Dcomp como parcela formadora do saldo negativo de IRPJ. A coluna "d" da tabela acima apresenta todos os valores de retenção na fonte que foram confirmados no Despacho Decisório, conforme Análise de Crédito às fls. 593/594. A coluna "e" da tabela acima apresenta todos os valores de retenção na fonte que NÃO foram confirmados no Despacho Decisório e que são objeto do litígio, conforme Análise de Crédito às fls. 593/594. A coluna "f" da tabela acima apresenta todos os valores de retenção na fonte que foram confirmados pela apresentação de comprovantes de retenção apresentados pela manifestante nos autos do processos ou em DIRF. A coluna "g" da tabela acima apresenta a folha do processo na qual o comprovante de retenção encontra-se anexado ou que a comprovação foi constatada em DIRF. A coluna "h" da tabela acima apresenta todos os valores de retenção na fonte que foram confirmados para poder compor o saldo negativo de IRPJ no período. A coluna "i" da tabela acima apresenta todos os valores do rendimentos relativos às retenções na fonte que foram confirmados para poder compor o saldo negativo de IRPJ no período. 23. Embora tenha sido indicado o código de retenção 6256, em sua Dcomp, foram confirmados os valores que foram informados em DIRF sob o código 6190. No entanto, como o código 6190 se referem às retenções de IR, CSLL, Cofins e PIS, apenas a parcela da retenção relativa ao IR foi considerada, uma vez que se trata de saldo negativo de IRPJ. 24. Quanto ao comprovante de retenção apresentado pela manifestante, cabe aqui relatar que foi apresentado apenas um e em relação à fonte pagadora HSBC, CNPJ 33.066.408/0001-15, código 6800, valor R$ 1.409,89 (Doc. 08 à fl. 528), que já havia sido confirmado integralmente no Despacho Decisório, conforme Análise de Crédito às fls. 530/531. Assim, não pode comprovar as retenções que são objeto da lide, quais sejam, aquelas retenções não confirmadas no Despacho Decisório e apresentadas na coluna "e" da tabela 3 acima. Fl. 681DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 25. Todos os valores de retenção na fonte confirmados são oriundos de informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, como destacado na coluna "g" da tabela 3 acima. 26. Por oportuno, impende salientar que é ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os montantes de IRPJ foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para que a beneficiária possa deduzir o respectivo tributo quando da apuração do resultado do exercício. 27. Quanto às retenções na fonte relativas à prestação de serviço, a manifestante juntou extratos bancários (Doc. 04 às fls. 328/413), cópias do Livro Diário (Doc. 05 às fls. 414/501) e Planilha com a relação de notas fiscais (Doc. 06 às fls. 502/504). No entanto, tais documentos não são hábeis a comprovar a retenção na fonte e nem que os rendimentos foram oferecidos à tributação. 28. Apenas para reforçar esse entendimento, seguem algumas considerações sobre os documentos juntados. 29. Primeiro, a manifestante se utiliza de documentos elaborados por ela própria, como uma simples Planilha relacionando as notas fiscais de serviços (Doc. 06 às fls. 502/504), além de cópia do Livro Diário (Doc. 05 às fls. 414/501). 30. Segundo, os extratos bancários apresentam valores depositados que não guardam relação direta com os valores líquidos, por ela alegados. As planilhas apresentadas pela manifestante junto aos extratos bancários apresentam valores líquidos (Total da Nota Fiscal menos tributos) divergentes dos valores indicados por ela como depositados em suas contas bancárias. 31. Elaborou-se a Tabela 4 abaixo, demonstrando essa divergência em todos os valores alegados pela manifestante: Fl. 682DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Fl. 683DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 32. Com relação às retenções na fonte relativas às receitas financeiras, a ela juntou cópia do Livro Diário (Doc. 07 às fls. 505/527). Também, seguindo o mesmo entendimento anterior, os documentos juntados aos autos não são hábeis para comprovar a retenção na fonte. 33. Vale ressaltar que o comprovante de retenção na fonte é o documento hábil estabelecido pela legislação para fazer prova a seu favor, pelo entendimento do que dispõem os art. 815 e 943 do RIR/1999 e art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004. Transcrevem-se a seguir os dispositivos legais citados: “RIR/1999. Art. 815. As pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora (Lei nº 4.154, de 1962, art.13, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 64). ........................... Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). ........................... § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Fl. 684DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 ....................... Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004. ...................... Art. 12. As pessoas jurídicas que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento comprovante anual da retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subsequente, conforme modelo constante no Anexo II. 34. Deste modo, verifica-se que a apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora é requisito exigido por lei para que a beneficiária dos rendimentos utilize o IRRF como antecipação do IRPJ devido ao final do período. 35. Embora a manifestante alegue que a Receita Federal do Brasil reconheceu as retenções de CSLL realizadas por algumas empresas para as quais o contribuinte prestou serviço, notadamente a Nuclebras Equipamentos Pesados (CNPJ 42.515.882/0003-30) e Eletrobrás Termonuclear S/A (CNPJ 42.540.21 1/0001-67), conforme se verifica da cópia do despacho decisório exarado no aludido processo (Doc. 09 às fls. 529/531), nos autos do processo administrativo n° 12448.901207/2010-11, caberia a ela comprovar que houve retenções a título de IR. Não discrimina quais seriam esses valores que foram acatados. 36. Além do que houve várias retenções na fonte que foram acatadas no presente voto, inclusive das fontes citadas acima, além das já confirmadas no Despacho Decisório. 37. Diante desses fatos, só foram comprovados os valores de retenção informados em DIRF, como apresentado na coluna "f" da tabela 3 acima. 38. Vale ressaltar que, embora a manifestante tenha informado em Dcomp o código de retenção 6256, foram confirmadas em DIRF, sob código 6190. No mesmo sentido, códigos de retenção 6800, foram confirmadas em DIRF, sob código 3426. 39. Abaixo, inserem-se as telas de pesquisa do sistema de controle de DIRF para comprovação: Fl. 685DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Fl. 686DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Fl. 687DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 40. No entanto, embora tenha sido comprovada a existência das retenções na fonte como descrito acima, ainda há que se verificar se a totalidade dos rendimentos, aos quais as retenções se referem, foram efetivamente oferecidos à tributação, para que possam ser considerados como antecipação do devido e, por via de consequência, poder compor o saldo negativo do período. 41. É importante mencionar que a apuração do saldo negativo de IRPJ é formado pela diferença entre o imposto apurado no final do período deduzido dos valores já antecipados, seja a título de retenções ou de imposto pago, pelo entendimento do art. art. 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo”(grifaram-se) 42. Nesse sentido, só pode ser deduzida a fonte sobre as receitas que efetivamente foram computadas na determinação do lucro real, que é a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas. 43. Analisando-se a DIPJ nº 0924521 transmitida em 29/06/2005, que ainda permanece ativa, em especial a Ficha 06A - Demonstração do Resultado - PJ em Geral, observa-se que a contribuinte ofereceu a tributação, a título de receita de serviços, no montante de R$ 10.542.955,51, e a título de receita financeira, no montante de R$ 96.553,78, como destacado nas telas inseridas abaixo: (...) 44. Como base nos dados da tabela 3 descrita acima, pelas retenções na fonte, deveria ter sido oferecido à tributação, a título de receita de serviços, o montante de R$ 7.471.133,17 e, a título de receita financeira, o montante de R$ 32.609,19. Fl. 688DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 45. Desta forma, quanto às receitas de serviços e financeira, os rendimentos informados em DIRF guardam relação com as receitas informadas na DIPJ. Assim, todo o valor retido, no montante de R$ 355.958,00, pode compor do(a) IRPJ devido(a) no final do período. Assim, foram confirmadas as parcelas, conforme tabela 5 abaixo: 46. Nesse sentido, o valor confirmado acima, no montante de R$ 355.958,00, deve compor o Saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário 2004, e tendo em vista que o(a) IRPJ devido(a) apurado(a) em DIPJ foi de R$ 125.210,73, apura-se o saldo negativo pela seguinte equação exposta na tabela abaixo: 47. Como já havia sido reconhecido, no Despacho Decisório (fl. 569), o valor de R$ 0,00, cabe reconhecer, aqui neste voto, a diferença do valor total reconhecido e aquele valor já reconhecido, resultando no valor de R$ 230.747,27 (R$ 230.747,27 - R$ 0,00). 48. IV - CONCLUSÃO 49. Face o exposto, voto por dar procedimento parcial à manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório referente à IRPJ do ano-calendário 2004 no valor de R$ 230.747,27 (valor original) e que se homologue a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido” Por sua vez, a Recorrente, em razões recursais, buscando a reforma do acórdão de piso, assim alegou, que em relação às parcelas não reconhecidas, o acórdão recorrido contrariou entendimento já consolidado no CARF, externado pela Súmula nº 143, no sentido de que o comprovante de retenção não é o único meio de prova do imposto retido na fonte. Sobre a questão, a Recorrente argumentou que comprovação do saldo negativo decorrente de retenções na fonte pode se dar por qualquer meio de prova, mesmo na hipótese de ausência dos comprovantes de retenção. E, que dessa forma, os (i) extratos bancários (e-fls. 328/413 ); (ii) Livro Diário (e-fls. 414/501 ); (iii) Planilha com relação das Notas Fiscais (e-fls. 502/504); e (iv) DIPJ (e-fls.252/327), anexados aos autos seriam suficientes para demonstrar o direito creditório que ampara a formação do Saldo Negativo. Neste contexto, entendo que razão assiste à Recorrente e , de fato, na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por outros meios previstos na legislação tributária, para fins de apuração de reconhecimento de direito creditório. Explique-se. Fl. 689DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Inicialmente, em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Para tanto, estão obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Fl. 690DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Neste contexto, percebe-se que o voto condutor do acórdão de piso, para a negativa do reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, considerou serem os únicos documentos hábeis para tal comprovação, a apresentação de o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Essa questão é por demais conhecida por esta Turma de Julgamento, pois ocorre com frequência a não localização das retenções nos sistemas do Fisco e a interessada não apresenta o Informe de Rendimentos que deve ser emitida pelas fontes pagadoras que efetuaram as retenções. Para ter direito a efetuar a compensação dos créditos a legislação de regência da matéria destaca a necessidade do contribuinte apresentar comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, senão vejamos o art. 55 da Lei n° 7.450/85. Por outro lado, caso a fonte pagadora não encaminhe as informações de retenção ao Fisco, o beneficiário do pagamento, e que teve as retenções, fica sujeito ao não reconhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência daquelas retenções, ficando sujeita a não homologação de eventuais compensações em que utilizar aqueles tributos retidos. É fato que é um direito do beneficiário do pagamento e um dever da fonte pagadora a emissão do Informe de Rendimentos. Contudo, forçoso reconhecer que o beneficiário do pagamento não tem gestão sobre o comportamento da fonte pagadora. Como não tem o poder de enforcement detido pelo Fisco, a Recorrente tem que comprovar as retenções por outros meios. Neste sentido, para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, aplica a Súmula CARF 143, os contribuintes podem comprovar por quaisquer meios de prova as retenções que dão sustentação à formação do crédito reivindicado, não sendo o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora como única forma de demonstrar o crédito. No caso sob exame, os documentos apresentados pela Recorrente podem e devem ser analisados objetivando à comprovação da parcela do direito creditório em litígio, especialmente em relação à INDÚSTRIAS NUCLEARES DO BRASIL S.A – INB (CNPJ 00.322.81 8/0021-74), CENTRO TECNOLÓGI CO DA MARI NHA EM SÃO PAULO (CNPJ 00.394 .502/0230-04), FURNAS-CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. (CNPJ 23.274 .194/0001-19) e BANCO DO BRASIL (CNPJ 00 .000.000/4209-99), pois o fato não de essas fontes não terem declarado à RFB as retenções sofridas pela Recorrente, ou o terem feito sob código diverso, não impede sejam as mesmas confirmadas através de outros documentos, nos termos a Súmula CARF nº 143. Além do que, ao realizar os pagamentos , foram retidos além do IRRF e da CSLL, PI S e COFINS, o que justifica a divergência no valor líquido. Fl. 691DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 Logo, o sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Destaque-se que, no caso dos autos, além dos comprovantes de recolhimento, a Recorrente também carreou aos autos, por ocasião da manifestação de inconformidade, cópia do Livro Razão Analítico da fonte pagadora, em que se constata o recolhimento e vinculação dos valores com o total do Imposto utilizado pela Recorrente na composição do Saldo Negativo do Ano-Calendário em questão. Destarte, entendo que é preciso o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora emitir novo despacho não havendo que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Havendo dúvidas em relação ao que foi juntado ou a necessidade de juntada de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, deve a Recorrente ser intimada para esclarecimentos e apresentação de documentos. Destaca-se, por fim, que não se trata de emissão de novo despacho decisório, pois o primeiro não possuía vícios e estava de acordo com as provas e informações sistêmicas até aquele momento existentes. Os autos irão retornar apenas para a continuação da análise da Fl. 692DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-003.281 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901206/2010-69 liquidez e certeza do crédito remanescente, considerando o saneamento do processo com a juntada de documentos para comprovar a existência do crédito. Ante o exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados em sede recursal e aplicação das determinações da Súmula CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 693DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13727.000248/2005-40
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE DESCRIÇÃO MINUDENCIADA DOS FATOS.
Sendo requisito essencial do lançamento, a não discriminação minudenciada dos fatos, impossibilitando a identificação dos valores e documentos efetivamente glosados pelo agente fiscal, dá causa à improcedência da infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-000.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por
unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso interposto.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: VALERIA PESTANA MARQUES
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE DESCRIÇÃO MINUDENCIADA DOS FATOS. Sendo requisito essencial do lançamento, a não discriminação minudenciada dos fatos, impossibilitando a identificação dos valores e documentos efetivamente glosados pelo agente fiscal, dá causa à improcedência da infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Paula Locoselli Erichsen, Carlos Nogueira Nicácio, Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e Valéria Pestana Marques (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 08/14, relativo ao exercício financeiro de 2001, lavrado em virtude da glosa parcial das despesas médicas pleiteadas pelo requerente na Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 2 competente declaração de rendas, alteradas que foram de R$ 17.489,41 para R$ 5.609,41, por falta de comprovação. Insurgido contra o lançamento, o peticionário apresentou a impugnação de fls. 01/02, na qual alega que do total glosado, gastos no total de R$ 10.959,00 estariam comprovados pelos documentos anexados às fls. 16/21. A autoridade recorrida ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos, mediante o acórdão de fls. 33/37, pela procedência do lançamento sintetizado pelo fragmento do voto condutor a seguir transcrito: ......................................................................................................... Da análise de tais documentos se verifica que não estão de acordo com o preceituado na legislação de regência acima transcrita. Cabe frisar que não são hábeis para comprovar as despesas médicas. Constatase que não foi provado o efetivo pagamento, não consta do recibo endereço profissional, tampouco a quem foi prestado o serviço e, além disso, a exigência de que os recibos médicos obrigatoriamente devam ser originais não foi cumprida. ......................................................................................................... Devidamente cientificado desse julgado em 19/03/2007, fl. 40, ingressa o contribuinte com recurso voluntário dirigido ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 41/45. Em sede de recurso, o litigante, em apertadíssima síntese, alega que: a) a ausência dos recibos originais nos autos não pode prosperar como razão da não aceitação destes como elementos de provas, haja vista que a juntada de cópias autenticadas, fls. 16/21, foi iniciativa de servidor da própria Receita Federal lotado na Agência de Três Rios/RJ; b) a comprovação da efetividade dos pagamentos dos valores elencados nos aludidos recibos, como condição de dedutibilidade dos respectivos gastos, não encontra amparo e que, se dúvidas existiam em contrário, constituía ônus do Fisco demonstrálas c) a falta de identificação dos beneficiários dos serviços nos recibos só pode levar a presunção que foram eles prestados ao próprio pagador da despesa e d) a existência do número do CPF nos indigitados recibos supre possíveis irregularidades quanto à falta de endereço do profissional prestador do serviço, considerando que, sob seu ponto de vista, a Receita Federal tem pleno acesso a tais dados por meio do Cadastro das Pessoas Físicas – o CPF. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Valéria Pestana Marques Relatora O recurso de fls. 41/45 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 40 e o carimbo de recepção aposto à fl. 41. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. De plano, é de se registrar que sempre que o AuditorFiscal verificar a ocorrência de um fato que constitua ilícito tributário, tal como a utilização indevida de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 13727.000248/200540 Acórdão n.º 280200.584 S2TE02 Fl. 52 3 deduções da base de cálculo do imposto, há que efetuar o lançamento, in casu, com a efetivação da glosa correspondente. Todavia, o fato que der origem a esta ou a qualquer outra exigência, salvo os casos de presunção legal autorizados, deve estar devidamente demonstrado e justificado nos autos. A fase do procedimento fiscal é o momento próprio para a coleta das provas e o lançamento, quando formalizado, já deve conter todos os elementos em que se fundamenta. Nesse sentido o art. 9º do Decreto n.º 70.235, de 1972 – balizador do processo administrativo tributário – é taxativo: Art. 9º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifei) Em assim sendo, considero que a exação consubstanciada por meio do Auto de Infração de fls. 08/14 padece de vício insanável desde sua constituição. A autoridade lançadora na peça fiscal vergastada fez constar tãosomente que a glosa efetuada decorria da falta de apresentação de parte da documentação comprobatória relativa às despesas médicas requeridas pelo requerente na declaração auditada. Como a glosa foi parcial, presumese que o contribuinte tenha sido numa fase preliminar intimado pela Fiscalização a apresentar os documentos que corroborassem as despesas médicas por ele pleiteadas. Todavia, no auto de infração litigado, não constam discriminadamente quais teriam sido as despesas não acatadas pelo Fisco e a respectiva razão da glosa. Cotejando a cópia da declaração do interessado, fls. 03/07, com o “Demonstrativo das Alterações na Declaração de Ajuste Anual” de fl. 09, não consigo vislumbrar, pelos valores dos pagamentos declarados pelo pólo passivo como efetuados, quais seriam as deduções pendentes de comprovação. Dessa forma, passou caber ao contribuinte ou as autoridades julgadoras que pudessem vir no futuro a atuar nos autos o encargo de inferir quais teriam sido, individualizadamente, os valores e documentos acatados, ou não, pelo agente fiscal. Todavia, o processo é formalizado, entre outros fins, com o objetivo de espelhar com clareza, para o contribuinte e para tantos quantos se tornem competentes para a apreciação do eventual posterior litígio, o conteúdo e o resultado do procedimento fiscal. A comprovação dos fatos investigados deve ser feita de forma tal a tornála inteligível para quem não esteve à frente do procedimento de Fiscalização, com a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 4 discriminação minudenciada da fundamentação de fato e de direito que deu azo à exação constituída. Não é o que se vê no Auto de Infração vergastado, no qual não se encontra preenchido requisito essencial à perfeita constituição do crédito tributário conforme exige o art. 142 do CTN, qual seja a discriminação minudenciada dos fatos e das infrações apuradas. In casu, a impossibilidade até mesmo pelas autoridades julgadoras da exata identificação dos valores e documentos efetivamente glosados pelo agente fiscal e de suas causas dá ensejo à improcedência da infração imputada ao interessado. Em assim sendo, só posso votar no sentido de DAR provimento ao recurso interposto, considerando desnecessário, pelas razões por mim expostas no presente voto, o enfrentamento individualizado de cada uma das razões de defesa trazidas pelo contribuinte em sede recursal. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques – Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900808/2008-15
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/04/2008
PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO
A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito.
Numero da decisão: 3803-000.951
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Os Conselheiros Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin votaram pelas conclusões
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin votaram pelas conclusões (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Henrique Martins de Lima – Relator EDITADO EM: 29/11/2010 Fl. 455DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.12401.188D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Kern (Presidente) Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima (Relator), Hélcio Lafeta Reis, Rangel Perruci Fiorin. e Belchior Melo de Sousa. Relatório Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 28847.12949.110304.1.3.045377 (fls. 74/78), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 5.092,12. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 73), fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 79 e 80), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito nãohomologado, no valor de R$ 5.092,12, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(...) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: RS 360.388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido RS 352.174,01), RS 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido RS 432.306,09), RS 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido RS 416.573,69), RS 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido RS 445.424,77), RS 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido RS 587.462,18) e RS 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido RS 560.500,02), gerando saldos credores de RS 8.214,12, RS 9.567,36, RS 5.421,76, RS 5.305,84, RS 1.019,76 e RS 1.971,19, respectivamente. (..,)" Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito de R$ 5.092,12 compensação efetuada utilizando o crédito de RS 5.421,76 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins do mês de dezembro/2003 (RS 5.092,12), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Fl. 456DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.12401.188D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.900808/200815 Acórdão n.º 380300.951 S3TE03 Fl. 2 3 Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Em sua decisão, a DRJ asseverou que o despacho decisório não homologou o PER/DCOMP pelo fato do crédito disponível ser inferior ao crédito pretendido e, portanto, com saldo insuficiente para compensar. Entendeu ainda que a contribuinte não trouxe aos autos elemento comprobatório de que houve erro material no preenchimento da DCTF, e que a demonstração de tal erro corroboraria a demonstração de créditos para quitação dos débitos alvo da compensação. A DRJ ainda entendeu que apresentar somente cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar suas alegações. Por fim, define o conceito de prova segundo Luis Henrique Barros de Arruda, colacionando também decisão da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. Conclui pela procedência do auto de infração, após dissertar que a DIPJ é mero instrumento informativo, não constituindo confissão de dívida, já que cabe à DCTF essa finalidade. A contribuinte, em seu Recurso Voluntário, reitera as alegações de sua impugnação / manifestação de inconformidade, complementandoas com a juntada de planilha por ela elaborada, bem como da DCTF retificadora, além de descrever pormenorizadamente, débito por débito, diferença por diferença e o saldo a compensar. Aduziu ainda sua preocupação em elaborar planilha de cálculo, contendo analiticamente os valores do tributo, por entender que, na atual sistemática de comunicação entre o contribuinte e o fisco, sempre por meio eletrônico, a PER/DCOMP, documento instituído pela própria RFB, contém as informações necessárias para a autoridade fiscal examine a regularidade do procedimento do contribuinte; a planilha anexada, portanto, teve o propósito de melhor esclarecer o fato, quanto a DIPJ esta teve como objetivo demonstrar a base de cálculo e ratificar a escrituração dos registros contábeis da Recorrente. Conclui requerendo a improcedência da acusação, anexando a folha do balancete do mês de JULHO de 2003, com o registro do grupo de receitas componentes da base de cálculo do COFINS, ratificando contabilmente os valores constantes da DIPJ, bem como o valor do imposto informado na DCTF retificadora. É o Relatório. Fl. 457DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.12401.188D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual passo a conhecêlo. Compulsandose os autos verifico que tratase de DCOMP não homologada em razão da inexistência dos créditos apontados para compensação. Com o Recurso Voluntário veio cópia do PER/DCOMP, DIPJ e DCTF retificadora, referentes ao período discutido. Como bem asseverado pelo Ilustre Julgador de 1ª Instância Administrativa, “ o trabalho das instâncias administrativas seria de refazer na íntegra o lançamento, fazendo nova análise de todos os documentos constantes dos autos e de outros porventura não anexados, em verdadeiro procedimento fiscal. Não é essa a função desse julgador, que deve buscar analisar as razoes e provas porventura apresentadas pelo recorrente, em confronto com as documentações e fatos que serviram de base ao lançamento”. Realmente não é esta a função do Nobre Julgador de 1ª Instância, tampouco deste Colegiado. Para o deslinde da questão, necessário se ater aos documentos juntados aos autos, que, por sinal, são os mesmos que embasaram a não homologação do pedido de compensação, ou seja, são os mesmos documentos examinados por aquele que indeferiu, eletronicamente, o pleito do contribuinte. Nesse sentido, apesar do Contribuinte em questão ter tido diversas oportunidades para a juntada de novos documentos comprobatórios, dentre elas a própria manifestação apresentada à DRJ e este Recurso Voluntário, fato é que não o fez, impossibilitando este Colegiado de seguir no sentido contrário ao quanto já julgado. Da mesma forma que a DCTF, conforme consta no julgado colacionado pela DRJ Recorrida, constitui documento hábil, líquido e certo de confissão de dívida, capaz de embasar inscrição em dívida ativa, não se pode deixar de considerar que tanto a DCTF original, quanto a sua retificadora, têm por base os livros fiscais do Contribuinte, referentes ao período questionado, e que poderiam ter sido trazidos à baila nestes autos. No caso em análise, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte aponta para a possibilidade da contribuinte ter efetuado pagamento a maior através do DARF de R$ 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido de R$ 416.573,69), o que levaria a existência de um suposto crédito no montante R$ 5.421,76 em favor da Impugnante. Esse montante teria sido totalmente utilizado para pagamento complementar da Cofins do mês de dezembro de 2003 (RS 5.092,12), acrescido dos respectivos acréscimos legais. Encontramse anexadas ao processo: • cópia da DIPJ 2004 com dados do cálculo da contribuição para a Cofins referentes à maio de 2003 (fls. 85), que demonstra que a contribuição para a Cofins apurada no período, após as deduções, foi de R$ 416.573,70; Fl. 458DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.12401.188D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.900808/200815 Acórdão n.º 380300.951 S3TE03 Fl. 3 5 • cópia da DCTF do 2o trimestre de 2003 (fls. 86/88), que demonstra a existência de um débito apurado no valor de RS 421.995,45, referente ao mês de maio de 2003, que se encontra vinculado a um pagamento efetuado por meio de DARF de mesmo valor; • planilha elaborada pela própria contribuinte (fl. 84) demonstrando as alegações feitas. No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO a pretensão aduzida no recurso voluntário. Carlos Henrique Martins de Lima Assinado Digitalmente Fl. 459DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.12401.188D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA em 19/03/2011 23:02:17. Documento autenticado digitalmente por CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA em 19/03/2011. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA em 19/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0420.12401.188D Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 98846A1E32EB992A6F0F416730F57AB3119E741D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10166.900808/2008-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10580.005224/95-31
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 303-00.733
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem para que de ciência ao Contribuinte do resultado da diligência e insista junto à Cacex no atendimento da providência solicitada na Resolução 303.689, de 21/10/97, na forma do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: SERGIO SILVEIRA MELO
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' n0S " qA MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO : 10580.005224/95-31 SESSÃO DE : 14 de abril de 1999 RECURSO N° : 118.461 RECORRENTE . DOWELANCO INDUSTRIAL LTDA RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA RESOLUÇÃO 303.733 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem para que de ciência ao Contribuinte do resultado da diligência e insista junto à Cacex no atendimento da providência solicitada na Resolução 303.689, de 21/10/97, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 14 de abril de 1999 JO 7 1, A COSTA Pr idente LUCIANA COR! EZ RüftEZ becuraaor a ea Fgzenact Naoanal Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLL MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES e IRINEU BIANCHI. Ausente Conselheiro GUINÉS ALVAREZ FERNANDES. Tme/mfms MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 118.461 303.733 DOWELANCO INDUSTRIAL LTDA DRJ/SALVADOR/BA SÉRGIO SILVEIRA MELO RELATÓRIO E VOTO Trata-se de retorno de diligência relativa a Resolução n 303-689 que decidiu converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem e A SECEX, tudo de acordo com o Relatório e Voto de fl. 353 a 369, que leio em Sessão e passa integrar este Relatório/Voto. A recorrente foi intimada (fl. 375) a apresentar livros e documentos necessários a satisfação da diligência, o que o fez conforme consta do processo. Da mesma forma a DRF em Salvador encaminhou Oficio/SEFIS/DRF/SDR/n' 25198, de 05/03/98 ao Secretário de Comércio Exterior - Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo/SECEX/RJ 1111 (fl.372), solicitando atendimento da diligencia naquilo que dizia respeito a SECEX, anexando os quesitos formulados por esta Terceira Camara, deste Terceiro Conselho de Contribuintes As fl. 390 e 392, a DRF em Salvador reiterou por duas vezes em datas de 29/06/98 e 21/10/98 os termos do oficio antes citado, sem contudo obter qualquer resposta da SECEX/RJ. O Relatório de Diligência (fl. 376 a 387) elaborado pela DRF em Salvador, solucionou em parte as dúvidas levantadas por este relator e corrigiu os erros da autuação, principalmente quanto aos indices de consumo de FENOL e MCAA utilizados na produção do produto final 2,4 —D Acido Seco. Utilizando as novas informações contidas no referido Relatório de Diligência, foi possível elaborar oito anexos, que fazem parte integrante deste Relatório/Voto, permitindo concluir se as mercadorias importadas, foram ou não exportadas em atendimento aos Atos Concessórios de Drawback. Da análise desses anexos, permite-se concluir que: a) a recorrente, de fato, exportou a totalidade da matéria-prima FENOL importada; b) a recorrente, de fato, não exportou a totalidade da matéria-prima MCAA importada, restando 1.145.841 Kg., conforme demonstrado no resumo do anexo 5. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118,461 RESOLUÇÃO : 303.733 As conclusões acima não levaram em consideração as glosas de exportações consignadas no auto de infração, referentes as seguintes GE'S: Para Fenol • 13,952-0 no valor de 355.200 Kg exportados de ácido seco devido a data do embarque ser anterior à data do desembaraço da importação do fenol. • 29.647-2 no valor de 289.920 Kg exportados de ácido seco devido a este valor ter sido considerado no ato concessório anterior. • 56-8 no valor de 9.520 Kg exportados de acido seco devido ao embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. • 6.981-9 no valor de 40.000 Kg exportados de Acido seco devido ao embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. • 12.316-3 no valor de 73.160 Kg exportados de ácido seco devido ao embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. • 525-6 no valor de 5.640 Kg exportados de ácido seco devido o embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. • 1.246-1 no valor de 193.600 kg exportados de ácido seco devido o embarque ter sido efetuado na data do desembaraço do fenol importado. • 38.345-1 no valor de 180.000 Kg exportados de ácido seco devido o embarque ter sido efetuado em data anterior ao desembaraço do fenol importado. • S MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.461 RESOLUÇÃO : 303.733 Para MCAA • 29.647-2 no valor de 289.920 Kg exportados de Acido seco devido a este valor ter sido considerado no ato concessário anterior. • 56-8 no valor de 9.520 Kg exportados de Acido seco devido o embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. • 6.981-9 no valor de 40.000 Kg exportados de acido seco devido o embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo ter sido de forma intempestiva. • 12.316-3 no valor de 73.160 Kg exportados de Acido seco devido o embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. • 525-6 no valor de 5.640 Kg exportados de Acido seco devido o embarque ter sido feito em data posterior ao limite e a prorrogação deste prazo limite ter sido feita de forma intempestiva. HA que se considerar que a comprovação para efeito do beneficio compete A CACEX, a quem por força do disposto na Portaria MY 112 36/82 cabe analisar e aceitar ou refutar o adimplemento ao programa de exportação compromissado. Em não aceitando, por força do estabelecido na mesma Portaria ME 36/82, deve a CACEX comunicar o fato a Delegacia da Receita Federal e esta calcular e cobrar os impostos devidos sobre a importação. Estas providências devem preceder a autuação e caso o contribuinte não atenda no prazo fixado promovendo o pagamento, ai então o auto deve ser lavrado para cobrança dos impostos, além da imposição das penalidades. Por outro lado, do ponto de vista material, caso a CACEX observasse a adequada aplicação dos indices de consumo de FENOL e MCAA na produção de 2,4 - D — Ácido Seco, teria ela encontrado uma falta de exportação de 1.145.841 Kg de MCAA. Considerando-se que a Resolução n° 303-689 determinou que após cumprida a Diligência, desse conhecimento A Recorrente, dando o prazo de 30 (-) dias para se manifestar, se quisesse, determinação no cumprida; 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.461 RESOLUÇÃO : 303.733 Considerando-se que a CACEX não atendeu à diligência determinada na já citada Resolução; Voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligência, para providências por parte da Repartição de Origem e da CACEX, como se segue: 1- Por parte da Repartição de Origem: a) Dar ao contribuinte ciência do resultado da diligência, fl. 376/388. 2- Por parte da CACEX: Relativamente aos Atos Concessórios n° 18-90/128-6; 18-90/338-6; 18-90/409-0; 18-90/582-6; 18-90/695-7 e 18-90/284-9. a) Qual a razão que levou a CACEX a aceitar no Relatório de Comprovação de Drawback as importações realizadas no mesmo dia das importações comprovadas e/ou em dia posterior a essas mesmas exportações? b) Qual a razão que levou a CACEX aceitar, para fins de comprovação, exportação realizada após o término do prazo previsto nos Atos Concessórios. A repartição de origem deverá cientificar o Contribuinte (Recorrente) a respeito da Diligência, e que do resultado da mesma, seja novamente cientificado, dando-se o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, se quiser. A Repartição de Origem clever* cientificar o Contribuinte (Recorrente) a respeito da Diligência no que tange aos quesitos apresentados CACEX, dando-se, da mesma forma, o prazo de 30 (-) dias para se manifestar, se quiser. Sala das Sessões, em 14 de abril de 1999 5
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001444/2005-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS/PASEP após o não reconhecendo o crédito pleiteado.
Não homologação das compensações vinculadas ao crédito.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Aplicam-se os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão.
Numero da decisão: 3803-001.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RANGEL PERRUCCI FIORIN
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS/PASEP após o não reconhecendo o crédito pleiteado. Não homologação das compensações vinculadas ao crédito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Aplicam-se os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão.
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Não homologação das compensações vinculadas ao crédito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Aplicamse os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Rangel Perruccci Fiorin Relator EDITADO EM: 27/03/2011 Fl. 259DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (presidente); Belchior Melo de Souza; Carlos Henrique Martins de Lima; Hélcio Lafetá Reis; Daniel Mauricio Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Amazônia Celular S/A contra o Acórdão que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação a acerca do pedido de restituição de crédito tributário, oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS. Os membros da 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, acordam que: a) O crédito tributário não constituído somente pelo lançamento, mas também por hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). b) Somente há que se falar em lançamento por homologação se o contribuinte tiver efetuado pagamento do tributo antes de qualquer atuação das autoridades fiscais. c) O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 determinou que "para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei". d) O artigo 4° (da mesma Lei Complementar) preconiza que seja observada a retroatividade do artigo 3°, já que se trata de dispositivo legal expressamente interpretativo. e) no caso de pedido de restituição o contribuinte é o autor da ação, e, como tal, possui o ônus de prova. f) o §4° do art. 150 é uma limitação para que o Fisco promova ao lançamento de oficio, ou seja, é uma limitação para a nãohomologação expressa. g) deferir o pedido de restituição é o mesmo que desconstituir o lançamento que ocorreu com o pagamento, podendo Fisco somente promover a restituição caso o contribuinte demonstre, por meio de documentos hábeis e idôneos, a ocorrência do indébito. h) uma declaração de compensação, apenas se submete ao prazo previsto pelo art. 74, §5°, da Lei n° 9.430/96 (cinco anos contados da data da entrega da declaração), e não ao prazo do art. 150, §4°, do CTN. i) DCTF é uma confissão do contribuinte, e não uma homologação pelo Fisco, do valor declarado. Este ponto é essencial para que se possa perceber a influência do valor declarado em DCTF na análise do pedido de restituição e da declaração de compensação. A Recorrente, em contraposição, alega que: a) no presente caso, a origem do crédito tem como base as apurações contábeis, devidamente refletidas em demonstrativos fiscais entregues ao Fisco. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001444/200530 Acórdão n.º 380301.299 S3TE03 Fl. 221 3 b) toda a documentação suporte foi disponibilizada, comprovando a utilização de créditos nos exatos termos apurados e informados. c) cabe ao Fisco o ônus de impugnar os lançamentos ou revisar seus critérios. Se assim não procedendo, a prova de existência do crédito deverá ser feita apenas com a disponibilização fiscal em DCTF. d) O lançamento, bem assim as manifestações fiscais, tais como as decisões em processos de restituição e compensação, são atos administrativos plenamente vinculados devendo estar revestidos dos cinco requisitos que informam o ato administrativo: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. e) de acordo com a "teoria dos motivos determinantes", os motivos que determinam a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. f) a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calcou, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. g) em caso de dúvidas ou divergências quanto à documentação do particular, cabe ao Auditor Fiscal comprovar e indicar individualmente as supostas irregularidades, demonstrando o seu efeito sobre o crédito tributário. h) as declarações fiscais exigidas em lei, e não só o PER/DCOMP, trazem elementos que devem ser apreciados pelo Fisco, pois, do contrário, não teriam nenhuma valia. Em caso de divergências, cabe ao Fisco buscar a verdade material, como pressuposto à aplicação da lei fiscal. i) o Fisco desconsiderou o crédito ao seu alvedrio sem justificar tal conduta. j) A prova de eventuais inconsistências e irregularidades compete ao Fisco, como conseqüência de seu dever de homologar. Da mesma forma que não se exige do contribuinte a transcrição de seus lançamentos contábeis no momento da entrega das atuais declarações (DIPJ, DCTF, Dacon, etc.), não pode o Fisco ignorálas e nem tampouco desprezar os registros contábeis que lhes servem de fundamento ou rejeitálos, sem fundamentação precisa e válida. k) o tributo que se sujeita ao lançamento por homologação, operase o regime previsto no art. 150, § 4º do CTN, em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador. l) transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. Ao final a Recorrente pede a procedência do recurso voluntário, para que seja a solicitação deferida e reconhecido o direito creditório devidamente atualizado. [Clique aqui para iniciar o Relatório] Fl. 261DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Voto Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço e passo a votar. Litigase a da possibilidade da autoridade fazendária analisar pedidos de restituição e declarações de compensação referentes a períodos superiores ao lapso temporal de cinco anos, previsto no artigo 150,§ 4º do CTN, pelo fato de se depreender que o crédito tributário é constituído não somente pelo lançamento, mas também por hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação, como a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Assim, o cerne central do questionamento levado ao julgamento de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é se os documentos apresentados e o lapso temporal para análise do pedido de restituição se enquadram nos termos da legislação tributário e do direito aplicado. No caso em tela, a recorrente foi intimada a apresentar documentos que pudessem comprovar o direito creditório alegado. Entretanto, não o fez, prestando apenas esclarecimentos. Neste diapasão, revelase importante analisar a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que disciplina sobre a restituição e a compensação de créditos originados de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido, bem como prescreve a necessidade da apresentação de documentos comprobatórios: "Art. 411 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso sob julgamento foi oferecida a oportunidade de apresentar toda documentação exigida, sendo certo que poderia ter sido ofertada até a data da apresentação da impugnação §4º do Art. 16, do Decreto nº 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), sob pena de preclusão. Os elementos de prova servem de convicção, cabendo as partes promover suas alegações e a juntada de documentos que possam servir de alicerces ao convencimento do julgador. No direito tributário prevalece o preceito da verdade material e formal dos fatos. Poderia neste contexto, até a data da impugnação, o recorrente se utilizar de todos os meios de prova admitidos em lei. A entrega da documentação fiscal é dever do contribuinte, quando requerida pela autoridade fiscal, a fim que possa comprovar o quanto deve ser restituído. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001444/200530 Acórdão n.º 380301.299 S3TE03 Fl. 222 5 Nesse sentido, elucida Fabiana Del Padre Tomé in (A Prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2005. p. 296297): “Diante do grande número de contribuintes e da variada gama de atividades por eles praticadas, são lhes impostos o cumprimento de certos deveres, objetivando facilitar o conhecimento e quantificação dos fatos jurídicos tributários pela autoridade administrativa. São os chamados deveres instrumentais, decorrentes dos deveres de colaborar com a Administração (...) Para relativizar a dificuldade de identificar os fatos jurídicos tributários realizados pelo vasto universo de contribuintes, tem lugar a imposição dessa espécie de deveres, ficando o sujeito passivo e, até mesmo, terceiros de alguma formar relacionados com referido fato, compelidos a praticar atos que auxiliem a Administração em sua atividade fiscalizatória. (...) Aos contribuintes cabe proceder os devidos registros, os livros contábeis, dos fatos relativos à sua movimentação empresarial, sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, servindo à administração fazendária como elemento de prova.” Assim, neste quesito, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, acertadamente não homologou a compensação diante a ausência de liquidez e certeza. Arrimandose sobre o conflito de interesses entre a arrecadação e restituicao do tributo, Celso Antônio Bandeira Mello in (Curso de Direito Administrativo – 27 ed. Revisada e atualizada até a Emenda Constitucional de 4.2.2010. Ed. Malheiros . 2010. p. 115) ensina: (...) “Consistem, de uma lado, como estabelece o artigo 5°, LIV, da Constituição Federal, em que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” e, de outro, na conformidade do mesmo artigo, inciso LV, em que: “ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Estão aí consagrados, pois, a exigência de um processo formal regular para que sejam atingidas a liberdade e propriedade de quem quer que seja e a necessidade de que a Administração Pública, antes de tomar decisões gravosas a um dado sujeito, ofereçalhe oportunidade de contraditório e de defesa ampla, no que se inclui o direito a recorrer das decisões tomadas.”) Quanto a alegação de que a decadência, nos tributos submetidos ao lançamento por homologação se opera nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN, prefacialmente assinalase que o lançamento é um ato ou conjunto de atos vinculados da administração Fl. 263DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN 6 pública, que tem por escopo verificar a ocorrência do fato gerador, quem deve e o quanto é devido. Assim, mesmo entendendo, em outros processos já julgados por este conselheiro, que o prazo para a autoridade administrativa homologar a constituição do crédito não pode perdurar por tempo superior ao previsto na legislação tributária, qual seja cinco anos, sob pena de quebrar os preceitos consagrados no sistema tributário. No caso em tela, não se aplica o entendimento supra, pelo fato da não homologação expressa ou homologação tácita, por não se aplicar a regra do artigo 150, §4º, nem a do artigo 173, I, ambos do CTN, diante o pedido de restituição e compensação. Neste diapasão, de acordo com os princípios fundamentais que orientam a Administração Pública, dentre os quais o principio da legalidade, a teor do art. 37, caput, da Constituição Federal, a lei tributária deve rege as condições que autorizam a compensação e restituição tributária. A legislação infraconstitucional, na mesma batida, determina que Estado, por seus agentes, quando praticarem suas atividade não pode ultrapassar os limites traçados pelo art. 2ª da Lei 9784/99, que regula o processo administrativo federal: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. No caso em questão, entendese que tais princípios foram respeitados, uma vez que as declarações fiscais trazem elementos que devem ser apreciados para conceder a restituição do crédito tributário, quando avaliadas as provas com valores suficientes a concessão da restituição, que são estatuído pelos artigos 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Com este entendimento o legislador avençou que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo ou contribuição a maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Os artigo 150 de 156 do Código Tributário, respectivamente rezam: Fl. 264DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001444/200530 Acórdão n.º 380301.299 S3TE03 Fl. 223 7 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (…) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (…) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; Portanto, concluise que no caso de pedido de restituição devese aplicar as prescrições contidas nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional e não as hipóteses de decadência do direito de efetivar o lançamento tributário do fisco, mencionados nos artigos 150,§4º e 173,I do Código Tributário Nacional. Ademais, façase constar, que a restituição é condicionado apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão. Diante de tudo o que foi exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rangel Perrucci Fiorin Relator Fl. 265DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10283.002499/89-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: 303-00.592
Decisão: RESOVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a RO, na forma do relatório voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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ACORDA0 N! _ • Re corrente: Recor-rid SHARP DO BRASIL S/A IND. DE EQUIPAMENTOS ELETRONICOS DRF-MANAUS/AM ,. • R E S O L U C A O N. 303-592 VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. RESOVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a RO, na forma do relatório voto que passam a integrar o presente julgado. Brasllia-DF, em 05 de julho de 1994. tJ ~LANDA COSTA - Presidente SANDRA MARIA FARONI - Relatora VISTO EM - Proc. da Faz. Nac. '. 2 3 ~\A\ 1995 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA, SERGIO SILVEIRA MELO, RAIMUNDO FELINTO DE LIMA (Suplente) e CRISTOVAM COLOMBO SOARES DANTAS. Ausen- '. tes os Cons. ROMEU BUENO DE CAMARGO, FRANCISCO RITTA BERNARDINO e MALVINA CORUJO AZEVEDO LOPES. • •. . • • • • • .' • 2 MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CAMARA RECURSO N. 114.503 - RESOLUCAO N. 303.592. RECORRENTE: SHARP DO BRASIL S/A IND. DE EQUIP. ELETRONICOS EECORRIDA DRF-MANAUS/AM RELATORA SANDRA MARIA FARONI R E L A T O R I O O presente recurso foi apreciado por este colegia- do em sessão de 23/9/92, tendo seus membros resolvido con- verter o julgamento em diligência à repartição de origem, para certificar-se da tempestividade do mesmo, nos termos do relatório e voto do Conselheiro HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO, a seguir transcritos: "RELATORIO e VOTO Contra a empresa em epigrafe foi lavrado Auto de Infração , restando, assim, em face do desvio de bens im- portados com isen~ão de tributos, formalizada a exigência de crédito tributário constituido por diferen~as de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acres- cidas de juros e correção menetária, além das multas capitu- ladas nos arts. 521, inciso I, alinea "a", do Decreto n. 91.030/85 e 365, inciso I, do Decreto n. 87.981/82. Inconformada com a pretensão fiscal, a con- tribuinte ofereceu Impugna~ão (fls. 143/151), apresentando incorre~ões constatadas no levantamento efetuado pelo Fisco, na forma como ora leio em sessão . Após Informa~ão Fiscal (fls. 167/169) que re- tificou os valores inicialmente exigidos, foi lavrado novo Auto de Infração (fl.177), retificando o enquadramento legal das penalidades do RA para o art. 521, alinea c, com base na seguinte fundamenta~ão, verbis: "Com base no art. 10 inciso I a VI, art. 20 do Decreto 70.235/72 e o processo n 10283-002499/89-29, lavro o presente auto de infração complementar nos tópicos abaixo: DOS FATOS 1 - Decorre a autua~ão de fiscalização de exercicio encerrado, levada a efeito na empresa referente a 1986 no componente cinescópio de 14", 16" e 20", assim como :lI • • 3 Rec. 114.503 Res. 303-592 nos produtos acabados VC 4140 e Aparelho de Som SG12B. 2 - Na sua impugnação, a autuada concorda na maior parte com os levantamentos da ação fiscal. 3 - Ao apresentar os argumentos de sua defe- sa, a empresa fez com que a fiscalização na fase do preparo do processo, procedes- se um novo reexame dos autos, além de co- tejar os documentos contábeis e fiscais na farta documentação apresentada tanto pela fiscalização como pela impugnação. 4 - A Divisão de Tributação após analisar e concordar com o agravamento da exigência inicial (Auto de Infração n. 119/89), de- terminou a lavratura desse Auto Comple- mentar, por força do art. 20 do Decreto 70.235/72, com os valores atualizados em BTNF ... Impugnando a autuação, a defendente apontou novos equivocos nela existentes, requerendo a realização de novo levantamento contábil. A decisão singular concluiu pela procedência da ação fiscal com esteio nos fundamentos a seguir transcri- tos: "2.1 - No primeiro Auto de Infração, foi lan- çado I.I. no valor de CR$ 2.772,41 e IPI no valor de CR$ 358,10, referente a diferenças de 1.205.967 e 636 peças denominadas cinescópios, conforme de- monstrado à fls. 03, e diferenças de 268 aparelhos de som, acabados, modo SG12B,e430 unidades acabadas de video- cassete, modo VC4140, demonstrados às fls. 06. 2.2 - No segundo A.I. de n. 4235, datado de 18/12/90, os valores do primeiro Auto de Infração passaram para CR$ 2.992,60 de Imposto de Importação e CR$ 410,76 para o IPI. 2.3 - A autuada discorda dos quantitativos produzidos de cinescópios. Pela ficha de fls. 163/163v, tem razão a autuada: • • • • • 4 Rec. 114.503 Res. 303-592 a soma da produção é de 37.916 unidades como cinescópios de 14", e que reduz a zero a diferença; pela ficha de fls. 164/164v, a soma da produção é de 29.578 unidades com cinescópio de 16, o que implica numa diferença negativa, isto é, a menor, de 95 peças, tendo ra- zão o autuante quando enquadra essa di- ferença nos artigos 145 e 147 do Regu- lamento Aduaneiro pela ficha de fls. 165/165v, a soma da produção é de 40.256 unidades com cinescópio de 20", o que implica em diferença positiva, isto é, a maior de 36 peças. Portanto, essas diferenças, para mais ou para me- nos, estão sujeitas à tributação total, pois representam quantitativos importa- dos com o beneficio determinado pelo artigo 3. do DL n. 288/67, que á condi- cionada à comprovação posterior Qe seu efetivo emprego nas finalidades que mo- tivaram a concessão (art. 145 do Regu- lamento Aduaneiro), e que de acordo com o art. 147 desse mesmo Regulamento, fi- ca perdido o direito à isenção ou redu- ção quem deixar de empregar os bens nas finalidades que motivaram a concessão (diferença a menor, presume-se desvio, retirada de mercadoria, com escape aos controles, sem caracterizar irregulari- dade na importacão e sim emprego fora das finalidades; no caso de diferença para mais, a presunção é de irrregula- ridade na importação, pois o fato de existir maior número de peças do que o devido no estoque caracteriza uma maior entrada ou uma menor salda, que no caso de presunção, deve-se ficar com a maior entrada de fato, devido a escrituração constitui-se em prova das operações realizadas pela empresa). 2.3 - quanto ao levantamento de estoque do produto acabado aparelho de som, modo SG12B, a autuada, ao impugnar o A.I. , tenta demonstrar a exatidão dos seus controles, com a inclusão de 308 unida- des internadas em 1985, quando a veri- ficação se reporta aos fluxos e exis- tência de 1986; um dado obtém o consen- so, passando de 80 unidades indicadas pelo autuante para 40 unidades exporta- das. • 5 Rec. 114.503 Res. 303-592 2.4 - Não é posslvel aceitar a internação realizada em 1985 para o presente caso, porque o levantamento se reportou às ocorrências devidas em 1986. Quanto a alegação de que se encontram em outro estabelecimento, noutro estado federa- tivo, não justifica, porque a interna- ção realizada no exerclcio anterior serviu para os lançamentos contábeis e fiscais daquele exerclcio anterior e daquele momento, além do que os artigos 6. 7. do Decreto-lei n. 288/67 estipu- lam a salda da Zona Franca como o ins- tante da exigibilidade dos impostos ali apontados, quer seja na comercialização pura e simples (art. 6.), quer seja com os produtos industrializados na ZFM, não cabendo falar-se em suspensão para incidência na venda em outros pontos do paIs. 2.5 - Quanto ao vIdeocassete modo VC4140B, a impugnação faz a mesma ponderação rela- cionada no item anterior, isto é, in- ternação no ano anterior contada como estoque inicial do ano seguinte. 2.6 - Vale ressaltar que os documentos refe- rentes ao estoque inicial não foram anexados ao processo e as fichas perti- nentes a apuração do imposto de inter- nação fornece quantias diferentes para esse item. 2.7 - Assim sendo, devem ser mantido os quan- titativos e valores contidos no segundo Auto de Infração, de fl. 172/173, que lança o crédito tributário de valor equivalente a 152.396,35 BTN referente a Imposto de Importação devido pelas diferenças a maior e a menor encontra- das no levantamento procedido nos esto- ques pertinentes a 1986, e mais o IPI - vinculado, como manda o art. 220 do Re- gulamento Aduaneiro, no valor equiva- lente a 20.917,70 BTN. A esses valores devem ser somadas as multas de 100% do valor de cada imposto, por transgressão do art. 521, inciso I, letras "a" e "b", do Dec. n. 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro) e ao art. 364, inciso 11, do Dec. n. 87.981/82 (Regulamento do IPI). E devido também até o mês de janei V moratórios • -----------------------------------------------; 6 Rec. 114.503 Res. 303-592 ro/91, inclusive, os juros de 1% ao mês." Ainda irresignada, a contribuinte recorre a este Eg. Conselho, através da petição de fls. 206/224. Surge, neste passo, questão que urge ser ca- balmente dirimida antes do julgamento do apelo, porque con- cernente à condição essencial ao conhecimento do mesmo . sentação 70235/72, teressada 22.11.91, tos. E que o prazo recursal previsto para a apre- do apelo, consoante o disposto no art. do Decreto esgotava-se no dia 24.12.91, de vez que foi a in- cientificada da decisão monocrática na data de como se vê do documento acostado à fI. 205 dos au- Entretanto, o protocolo de recebimento do re- curso aponta a data de 26 de dezembro daquele ano, o que im- pele a uma análise apurada da tempestivaidade do recurso . • Proponho, desta sorte, sejacesso remetido à repartição de origem, de certifique nos autos se houve expediente 24.12.91. " o presente modo a que normal no pro- esta dia • Sala das Sessõos, em 23 de setembro de 1992. HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO - Relator Retornam, agora, os autos, restando comprovada, nos termos da informação de fI. 382, a tempestividade do re- curso. Na peça recursal a empresa faz considerações sobre o direito à ampla defesa e seu cancelamento, registra que por duas vezes solicitou e teve recusada nova inspeção, e reafirma seu pleito naquele sentido. No mérito, diz ter havido erro nas apurações efe- tuadas tanto pelo Autuante quanto pela Autuada em sua impug- nação, razão do grande número de documentos envolvidos, e junta documentos com os quais pretende comprovar não terem ocorrido as diferenças apontadas. Faz demonstrativo relativo aos cinescópios de 16" e de 20" e ao aparelho de som SG-12B. Particularmente quanto aos produtos acabados (apa- relho de som e videocassete), diz no demonstrativo feito pe- la autuante (estoque inicial + produção - internação - ex- portação - venda em Manaus = estoque final) foi utilizado o • • • 7 Rec. 114.503 Res. 303-592 da INTERNACAO como se fosse um venda, isto é, uma salda de- finitiva, mas que não é, embora assim deva ser considerado para efeito de pagamento do I.I. E que, para apura~ão do es- toque, o elemento a ser considerado é a venda. Finaliza solicitando seja dado provimento ao re- curso e reformada a decisão singular. E o relatório. ~ • 8 Rec. 114.503 Res. 303-592 v O T O Inicialmente, devo registrar que recusa ao pleito de nova inspeção não caracteriza, no caso, cerceamento de defesa. Estando demonstrado no processo os quantitativos em que se baseou o autuante para concluir pela divergência en- tre os estoques finais apurados de acordo com os documentos contábeis e o registrado no Livro Registro de Inventário, cabe ao autuado, discordando , contestá-los mediante apre- àentação dos documentos comprobatórios dos números que en- tende corretos. A recorrente junta novos elementos de quais, por força do princípio da verdade material prevalecer no processo, devem ser considerados. " prova os que deve Torna-se, todavia, necessário, para perfeita ins- trução do processo, que os demais elementos que influencia- ram a apuração e que não constam dos autos sejam juntados. Voto" pois, pela conversão do julgamento em dili- gência à repartição de origem para que: 1 - Seja a Recorrente intimada a anexar documenta- ção que comprove o quantitativo relativo à produção, no ano de 1986, dos produtos SG-12 e VC-1440. 2 - A autoridade recorrida se manifeste sobre os novos elementos coligidos (a partir do recurso), especial- mente quanto à sua autenticidade. Sala das sessões, em 05 de julho de 1994 . • À O '~___ ._---_~_v~{' &-~ SANDRA MARIA FARONI - Relatora 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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Numero do processo: 11080.908575/2009-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998
DECISÃO NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente
contestada pelo interessado.
Numero da decisão: 3803-001.378
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998 DECISÃO NÃO CONTESTADA. Considerarseá não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1024.227, de 4 de março de 2010, da DRJPorto Alegre/RS, fls. 23 a 24, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 A nãohomologação da compensação declarada fundamentase na falta de comprovação do pagamento indicado na declaração de compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada a interessada: a) defende que não seria devido qualquer valor a título de contribuição para o PIS desde a edição da Medida Provisória n° 1212/1995 até a promulgação da Lei n° 9.715/1998; b) fundamenta este entendimento na suspensão da eficácia da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de outubro de 1995", constante do artigo 17 da dita medida provisória, pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 14170; c) afirma que a referida suspensão aplicase a todas as reedições sucessivas da MP n° 1212/1995, sendo válida a cobrança da contribuição apenas a partir da promulgação da Lei n° 9.715/1998; d) sustenta que estaria configurada, em decorrência dessa decisão judicial, uma vacatio legis no período compreendido entre a Resolução do Senado n° 49/1995 e a promulgação da Lei n° 9.715/1998. No seu ponto de vista, nenhum valor seria devido a título de contribuição para o PIS no período de outubro de 1995 até a promulgação da Lei n° 9.715/1998. Em seu julgamento DRJ/Porto Alegre levou em conta a falta de comprovação do pagamento indicado para declarar a impossibilidade de homologar a compensação declarada por violação ao art. 170 do Código Tributário Nacional. Apenas a título de esclarecimentos, fez considerações sobre a tese de vacância legal durante a vigência da medida provisória n° 1212, de 1995 e suas reedições, até sua conversão na Lei 9.715, de 1998. Serviuse do julgado no RE 232.896/PA e a Instrução Normativa n° 06, de 19 de janeiro de 2000, para sustentar a sua eficácia a partir de 90 dias da edição, tendo vigência no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 o disposto na Lei Complementar n° 7, de 1970, e n° 8, de 1970. Por fim, surpreendeuse com o pagamento indicado na DComp, que teria ocorrido há mais de 5 anos após o vencimento do tributo sem a incidência de qualquer acréscimo moratório, e com um percentual de correção (taxa selic) bastante elevado para uma compensação que teria ocorrido poucos meses após o alegado recolhimento indevido. Cientificada da decisão em 05 de maio de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 35 a 44, em 21 de maio de 2010, em que não se contrapõe à decisão recorrida, mas busca alcançar por meio do recurso outro fim, nos termos como registra a seguir o seu pedido: “antes de adentrar (mos) aos fatos do presente recurso fazse necessário deixar claro que a empresa não busca a reforma da decisão que manteve a decisão de não homologação dos créditos tributários, exarada pela Delegacia da Receita.”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Fl. 151DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908575/200992 Acórdão n.º 3803001.378 S3TE03 Fl. 140 3 O recurso é tempestivo, porém não atende a todas as condições de admissibilidade. À guisa de esclarecimento Registro que a nobre relatora da decisão de primeira instância não compreendeu o preenchimento da DComp, ao enxergar o pagamento a maior indicado pela contribuinte efetuado quase oito (8) anos após o vencimento sem o acréscimos da multa de mora e dos juros Selic, e excesso de juros sobre o débito para uma compensação que teria ocorrido poucos meses após o alegado recolhimento indevido, dados extraídos do despacho decisório de fl. 12. A elucidação desses dados deve ser feita no contexto da reivindicação da contribuinte. Como segue: O pagamento que a contribuinte efetuou sob a égide da LC nº 07/70 foi tido, posteriormente, pela então declarante como indevido, decorrente do seu entendimento de ter ocorrido a vacatio legis atrás referida. A transmissão da DComp eletrônica não se faria se fosse registrado pagamento com mais de cinco (5) anos. Daí, a falsa informação prestada pela declarante de que o pagamento teria se dado na própria data da DComp, 31 de outubro de 2005, para burlar o aplicativo PerdComp. Quanto aos juros excessivos, não foram indicados pela contribuinte, como pensou a nobre relatora, mas calculados pelo aplicativo do Sistema de Controle de CompensaçãoSCC, tendo em vista a cobrança do débito não homologado. Tratase da sua incidência sobre o débito vencido em outubro de 2005, que a contribuinte pretendeu quitar com base em toda a falácia que trouxe aos autos, para pagamento até 30 de abril de 2009, mês de emissão do despacho decisório eletrônico. Portanto tais juros são representativos do acúmulo de mais de quarenta meses de incidência da Selic. Da impertinência do pedido no recurso No requerimento de fl. 25, dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, a empresa informa que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n.°11.941/2009, que se deu em 21 de setembro de 2009. A Agência da Receita Federal em Guaíba, órgão jurisdicionante da contribuinte, atendendo o recomendado pelo SEORT/DRF/Porto Alegre intimou a requerente do resultado do seu pleito de desistência de interpor recurso voluntário, para confirmar a adesão no dito parcelamento, nos termos abaixo: Informar, que referente a Desistência do direito a interpor Recurso Voluntário, protocolada em 19/03/2010, não há de se considerar, tendo como base a Portaria Conjunta PGFN/RFB n o 13, de 19 de novembro de 2009, Art. 29 que determina: "Os prazos para desistência de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial de que batam o caput do art 13e o § 40 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFI3 No 6, de 2009, ficam prorrogados para 28 de fevereiro de 2010." Fl. 152DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Informar, ainda, que é facultado à interessada, no mesmo prazo de 30 dias da intimação, o direito de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. [grifos do original] A recorrente expressamente declara que não contesta a decisão de primeira instância, que não homologou as compensações, e o que almeja – completa: e sim pretende ver CONSOLIDADA SUA ADESÃO AO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI 11.941/09, inobstante não ter havido protocolo de petição de desistência dos recursos administrativos dentro do prazo estipulado pela Portaria Conjunta n°. 13/2009, pelas razões de fato e de direito que passa a expor. Na linha do que enuncia o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.”, o recurso voluntário permite a continuidade do litígio na esfera de julgamento de segundo grau, vale dizer, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim deixa claro o art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, litteris: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. No mesmo diapasão do art. 17, que estabelece: que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), matéria que não houver sido expressamente contestada na decisão de piso, será considerada não recorrida. Não é escopo deste processo decidir acerca da inclusão ou não de débitos em programa de parcelamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 02 de março de 2011 Belchior Melo de Sousa Fl. 153DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908575/200992 Acórdão n.º 3803001.378 S3TE03 Fl. 141 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080.908575/200992 Interessada: SINALIZADORA RODOVIÁRIA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.378, de 02 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 02 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 154DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10909.720245/2011-48
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 22/10/2010
MERCADORIA DENOMINADA BUTYL TAPE - TIRA DE BORRACHA BUTILICA, PARA VEDAÇÃO ENTRE-TELHAS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto BUTYL TAPE - TIRA DE BORRACHA BUTIL1CA, PARA VEDAÇÃO ENTRE-TELHAS, nos termos deste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3214.10.10 - Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques.
II. RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA.
Efetuada reclassificação tarifária dos produtos importados, obriga o contribuinte ao pagamento da diferença dos tributos vinculados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
Os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE.
Aplica-se a multa proporcional de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM, tipificada no artigo 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Súmula CARF nº 161.
Numero da decisão: 3003-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/10/2010 MERCADORIA DENOMINADA BUTYL TAPE - TIRA DE BORRACHA BUTILICA, PARA VEDAÇÃO ENTRE-TELHAS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto BUTYL TAPE - TIRA DE BORRACHA BUTIL1CA, PARA VEDAÇÃO ENTRE-TELHAS, nos termos deste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3214.10.10 - Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques. II. RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Efetuada reclassificação tarifária dos produtos importados, obriga o contribuinte ao pagamento da diferença dos tributos vinculados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE. Aplica-se a multa proporcional de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM, tipificada no artigo 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Súmula CARF nº 161.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto BUTYL TAPE - TIRA DE BORRACHA BUTIL1CA, PARA VEDAÇÃO ENTRE-TELHAS, nos termos deste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3214.10.10 - Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques. II. RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Efetuada reclassificação tarifária dos produtos importados, obriga o contribuinte ao pagamento da diferença dos tributos vinculados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE. Aplica-se a multa proporcional de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM, tipificada no artigo 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Súmula CARF nº 161. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 02 45 /2 01 1- 48 Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados, às fls. 02/35, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 4.543,39, referente a diferenças de Imposto de Importação - II, PIS - Importação e COFINS - Importação, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora; bem como a multa regulamentar por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). 2. Conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07/19), a contribuinte procedeu ao registro da Declaração de Importação (DI) 10/1874379- 2, em 22/10/2010, para o desembaraço de produto de procedência estrangeira, constante da adição 001, classificado pelo importador no código NCM 4002.31.00 - Borracha de isobutenoisopreno (butila) (IIR). 3. No curso do despacho aduaneiro da DI 10/1874379-2 foi solicitada assistência técnica para possibilitar a correta identificação das mercadorias descritas como tiras de borracha butílica para fins de classificação fiscal. 4. A seguir estão enumeradas algumas das perguntas com as respectivas respostas. Ressalte-se que os asteriscos *, **, *** se referem às Notas 4, 3 e 9 do Capítulo 40 e o **** à Nota Explicativa (NESH) da posição 3214 : “Quesito 1 - Trata-se de borracha sintética* ou borracha artificial, derivada dos óleos, em formas primárias** ou em chapas, folhas ou tiras ***, na acepção das notas a seguir? Resposta - Não Quesito 2 - Trata-se de borracha de isobuteno-isopreno (butila) (IIR)? Resposta - Não (...) Quesito 5 - Trata-se de mástiques****, na acepção da nota a seguir? Resposta - Sim (...) Quesito 7 - Descreva detalhadamente a mercadoria, sua utilização, nome vulgar e demais características de forma a permitir sua correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul. Resposta - A amostra apresenta-se como mástique à base borracha elastômero, contendo elevada carga de carbonato de cálcio (filler). O produto é utilizado em vedação e calafetação. Teor de Carga (Carbonato de Cálcio): 69,57% Teor de Elastômero (Borracha butílica): 23,47% Outros óxidos: 6,96%” 5. No caso em questão verifica-se que, conforme resposta do “quesito 1”, a mercadoria, no estado em que se encontra, foi descaracterizada do conceito de borracha sintética, conforme segue: "Quesito 1 - Explicar detalhadamente o motivo por ter descaracterizado as mercadorias como sendo borrachas sintéticas? Resposta – 1°) O produto periciado não se enquadra como Forma Primária visto apresentar-se como produto acabado (pronto para uso), de geometria regular, com frisos laterais e papel de proteção em uma das faces, apresentando elevado teor de carga, cujo componente majoritário é o carbonato de cálcio (69,57%). Vide foto em anexo I. Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 2°) O produto periciado não se enquadra como Borracha Sintética visto que seu comportamento não obedece a alínea ‘a’ da Nota 1. As demais alíneas da presente Nota, não correspondem ao produto declarado. 3°) A análise de espectrometria de infravermelho (FTIR) na amostra no estado em que se encontra, apresenta bandas de absorção na região do infravermelho não característico de borracha de isobuteno-isopreno (borracha butílica). Tais bandas são características de carbonato de cálcio. Vide anexo II. 4°) O produto periciado não se enquadra como chapas, folhas tiras na acepção da nota do capítulo 40 da NESH, visto ter sofrido processo de beneficiamento pela inserção de cargas, frisos laterais (com aprox. 0,6 cm de espessura), o que denota claramente não ser um simples trabalho à superfície (vide foto).” 6. Em vista disto, a auditoria fiscal entendeu como correta a classificação fiscal do produto no código NCM 3214.10.10 – Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) n° 1 (textos das Notas 1, 3, 4, 5a e 9 do Capítulo 40 e da posição 3214), RGI/SH n° 6 (texto da subposição 3214.10), com a Regra Geral Complementar n° 1 (RGC-1), e com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH. DA IMPUGNAÇÃO 7. A contribuinte, cientificada pessoalmente, em 22/06/2011 (fls. 61), da lavratura dos autos de infração, apresenta impugnação em 20/07/2011 (fls. 70/80), alegando, em síntese, que: Da classificação das Tiras de Borracha Butílica 7.1. No ano de 2004, através da Secretaria da Receita Federal, Alfândega da Receita Federal no Porto de São Francisco do Sul - SC, Seção de Controle Aduaneiro –SAANA, foi solicitada uma Assistência Técnica, com fundamento no Regulamento Aduaneiro, para que fosse feita análise da Tira de Borracha Butílica para vedação entre telhas e do Selante de Poliuretano Monocomponente utilizado em juntas de Dilação e Vedações, ou seja, das mesmas mercadorias objeto do Auto de Infração, em epígrafe; 7.2. A análise foi efetuada através de espectroscopia de infravermelho (FTIR), cujos espectros obtidos para as amostras foram reproduzidos no laudo, sendo que a perícia técnica concluiu que, quanto à mercadoria em conferência aduaneira, trata-se de Borracha de Isobuteno Isopropeno (Butila); 7.3. Assim, de acordo com o Laudo da Receita Federal, as mercadorias supra referidas foram classificadas junto à Tarifa Externa Comum sob o código NCM 4002.31.00 — Borracha de Isobuteno; 7.4. A conduta do fisco viola o Princípio da Segurança Jurídica, pois a impugnante tem um laudo da própria Receita Federal de 2004 reconhecendo que a classificação usada para tais mercadorias está correta, tendo pautado todas as suas importações de acordo com a tributação incidente sobre a mesma, sendo surpresa esta mudança de entendimento da Receita Federal; 7.5. O contribuinte teve sua conduta pautada pela boa-fé e confiança, pois realizou a importação das mercadorias ao longo dos anos na classificação reconhecida pela Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 Receita Federal em Laudo realizado em 2004, tendo sido a presente autuação realizada em afronta aos princípios constitucionais da razoabilidade e da segurança jurídica, pois não se verifica harmonização tributária dentro da própria Receita Federal; Da contradição dos Laudos 7.6. O Laudo Pericial adotado pelo fisco para lavratura do Auto de Infração mostrou-se contraditório, consoante argumentos abaixo: a) o Laudo Técnico elaborado pelo Perito Ângelo Adolfo Ruzza asseverou que se tratava de Mástiques, mas o Laudo Laboratorial realizado pela Química Eliane de Oliveira Tabalipa anexo pelo mesmo perito, que realizou a análise de “pico” da mercadoria (Espectro Infravermelho) referiu que se tratava de “Borracha de Isobuteno-Isopreno — IIR”, ou seja, “Borracha Butílica”. b) o Laudo Pericial apresentado pelo Perito Químico Ângelo Adolfo Ruzza entendeu que a mercadoria submetida à análise, não se tratava de borracha butílica (Quesito 01) e sim, de mástiques (Quesito 05). No entanto, em resposta ao Quesito 07 refere que se trata de borracha butílica e a análise por Espectroscopia de Infravermelho realizada na mercadoria pela Assistente do Perito, como referido acima, concluiu que se tratava de “Borracha de Isobuteno-Isopreno (IIR)”, ou seja, “Borracha Butílica”; c) o Laudo apresentado pela Impugnante demonstra científica e tecnicamente que as mercadorias importadas devem ser consideradas “borracha butílica” e não “mástiques”, uma vez que os Mástiques se apresentam em consistência pastosa, endurecem após a aplicação e são aplicados por pistolas ou espatulados, conforme dados retirados da NESH SEÇÃO VI CAPÍTULO 32; ao passo que a Borracha Butílica possui grande elasticidade e mantém a mesma forma depois de utilizada, ao contrario do Mástique, que endurece após a aplicação; d) a Impugnante contestou as respostas aos Quesitos de nos 01, 02, 04 e 05 do Laudo Pericial; e) a Impugnante apresentou outros três Laudos Técnicos que comprovam que a Classificação fiscal (NCM) adotada esta correta, sendo um deles emitido pela própria Receita Federal no ano de 2004. Da Exclusão da Multa 7.7. Para lhe ser atribuída a responsabilidade pelo pagamento da suposta penalidade, a Impugnante deveria ter cometido o suposto ato ilícito, o que não ocorreu na espécie, já que a mesma estava importando os produtos de acordo com a classificação anterior, que fora atribuída pela Receita Federal no ano de 2004 (laudo anexo), ou seja, uma situação já consolidada; 7.8. Trata-se de imputação totalmente indevida, pois a mesma terá que efetuar o pagamento da diferença dos tributos, acrescida de multa, quando agiu sem dolo ou culpa, o que atenta contra os princípios constitucionais de legalidade, dignidade da pessoa humana e presunção de inocência, eis que sua conduta estava baseada em orientação anterior da própria Receita Federal; 7.9. A multa deve ser afastada, por contrariar o princípio da legalidade, contido nos arts. 5°, II; 37, caput e 150, I da Constituição Federal; 7.10. A multa aplicada contraria os princípios da Dignidade da Pessoa Humana (art. 1°, III, CF), da Presunção de Inocência (art. 5°, LVII, CF) e da responsabilidade pessoal do agente, assegurando que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (art.5°, XLV, CF), pois o Direito Tributário tem por finalidade limitar o poder de tributar e proteger os cidadãos contra os abusos desse poder, devendo ser considerado que no presente caso, a empresa realizava as importações de acordo com a classificação dada pelo fisco; Violação aos Princípios Constitucionais e necessidade de Redução da Multa de 75% 7.11. As multas foram aplicados no percentual de 75% sobre o valor do tributo supostamente devido, possuindo nítido caráter arrecadatório e indo de encontro aos Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 princípios constitucionais do direito de propriedade (arts. 5°, XXII e 170), razoabilidade e proporcionalidade (art. 5°, LIV e § 2°), capacidade contributiva (art. 145, § 1°) e não- confisco (art. 150, IV); 7.12. A redução da penalidade deve ser aplicada no caso em apreço, por força do disposto no art. 112 do CTN, que refere que a interpretação da norma deve ser realizada de modo mais favorável a Impugnante; Exclusão da Multa Regulamentar do Imposto de Importação 7.13. Deve ser excluída a multa pela classificação supostamente equivocada da mercadoria, na importância de R$ 500,00, aplicada com fulcro no art. 84, inciso I, da MP 2158- 35/2001, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n° 10.833/03, pois a mesma não pode ser aplicada conjuntamente com a multa de oficio decorrente do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Do Pedido 7.14. Requer o provimento da presente Impugnação Administrativa, para o fim de desconstituir o crédito tributário ora impugnado, posto que completamente indevido, eis que a classificação atribuída pela Impugnante na DI 10/1874379-2 está correta; 7.15. Caso não seja acolhido o pedido anterior, requer seja determinada a realização de perícia técnica, eis que necessária ao esclarecimento dos fatos, haja vista a existência de laudo anterior da Receita Federal atribuindo a mesma classificação dada pela Impugnante (quesitos e assistente técnico indicados no ANEXO 01); 7.16. Seja julgada procedente a impugnação apresentada para fins de determinar a exclusão das multas aplicadas; 7.17. Não sendo acolhido o pedido anterior, requer seja reduzida a multa aplicada de 75% para 20%, em atenção ao princípio da razoabilidade, proporcionalidade, direito de propriedade, capacidade contributiva e vedação ao confisco, nos termos do art. 61, § 2° da Lei 9.430/96; bem como requer a exclusão da multa regulamentar; 7.18. A produção de todos os meios de prova em direito admitidas em consonância ao art. 332 do Código de Processo Civil, reiterando o pedido de prova pericial, bem como a apresentação de quesitos complementares. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/10/2010 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal de mercadorias importadas, tornam-se exigíveis as diferenças de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação, bem como a multa regulamentar por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. A imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. É defeso à Administração trazer ao âmbito interna corporis os efeitos de decisões judiciais e administrativas das quais a impugnante não é parte. REQUERIMENTO DE NOVA PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas em lei, ex vi do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº. 70.235/1972, incluído pela Lei nº 9.532/1997. DO PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando esta se mostrar prescindível. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual, em síntese, repisa as alegações da impugnação quanto à correção da classificação fiscal adotada, sustentando ainda a desproporcionalidade das multas aplicadas, aventando afronta aos princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Como relatado, a recorrente, na qualidade de importador. procedeu ao registro da Declaração de Importação (DI) 10/1874379- 2, em 22/10/2010, para o desembaraço de produto de procedência estrangeira, constante da adição 001, classificado pelo importador no código NCM 4002.31.00 - Borracha de isobutenoisopreno (butila) (IIR). Por seu turno, a autoridade fiscal, baseando-se em Laudo de Análises da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), concluiu que a mercadoria deveria ser classificada na NCM 3214.10.10 – Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) n° 1 (textos das Notas 1, 3, 4, 5a e 9 do Capítulo 40 e da posição 3214), RGI/SH n° 6 (texto da subposição 3214.10), com a Regra Geral Complementar n° 1 (RGC-1), e com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH. Tendo em vista a reclassificação tarifária do produto, foi lavrado auto de infração para cobrança da diferença dos tributos e demais acréscimos legais devidos e da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro prevista no Art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2158-35/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n° 10.833/03, conforme Auto de Infração às fls. 02/35. Em relação ao produto informado na adição 01 da DI n° 10/1874379- 2, descrito como BUTYL TAPE # - TIRA DE BORRACHA BUTIL1CA, PARA VEDAÇÃO ENTRE- TELHAS, o contribuinte classificou na NCM 4002.31.00, cujo texto da posição é o seguinte: 40.02 - Borracha sintética e borracha artificial derivada dos óleos, em formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras; misturas dos produtos da posição 40.01 com produtos da presente posição, em formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras. 4002.3 - Borracha de isobuteno-isopreno (butila) (IIR); borracha de isobuteno-isopreno halogenada (CIIR ou BIIR): 4002.31.00 -- Borracha de isobuteno-isopreno (butila) (IIR) O Laudo Pericial (fls. 44/53), em resposta aos quesitos formulados, informa que: 1- Trata-se de borracha sintética* ou borracha artificial, derivada dos óleos, em formas primárias** ou em chapas, folhas ou tiras***na acepção das notas a seguir? Especificar. R - Não, pois: a) O produto periciado não se enquadra como Forma Primária por apresentar- se como produto acabado (pronto para uso), de geometria regular, com frisos laterais e papel de proteção em uma das faces, apresentando elevado teor de carga, cujo componente majoritário é o carbonato de cálcio (69,57%). b) O produto periciado não se enquadra como Borracha Sintética visto que seu comportamento não obedece a alínea "a" da Nota 1. As demais alíneas da presente Nota, não correspondem ao produto declarado. Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 C) Conforme análise de espectrometria de infravermelho (FTIR) apresentada no laudo anterior, apenas a fração minoritária (extraída com solvente), foi caracterizada como borracha de IIR. Ensaio realizado na amostra no estado em que se encontra (não incluso no parecer técnico original), apresentou bandas de absorção na região do infravermelho não característico de borracha de isobuteno-isopreno (borracha butilica). Por apresentar o carbonato de cálcio como componente majoritário na formulação, as bandas são características deste composto. Vide anexo II. d)O produto periciado não se enquadra como chapas, folhas, tiras na acepção da notado capítulo 40 da NESH, visto de ter sofrido processo de beneficiamento pela inserçãode cargas, frisos laterais (com aprox. 0,6mm de espessura), o que denota claramentenão ser um simples trabalho à superfície. Vide foto em anexo. 2- Trata-se de borracha de isobuteno-isopreno (butila)(IIR)? R-Não. 3-Trata-se de borrachas ou misturas de borrachas, adicionadas, antes ou após acoagulação, de: Aceleradores, retardadores, ativadores ou outros agentes de vulcanização (exceto os adicionados para preparação do látex pré-vulcanizado); Pigmentos ou outras matérias corantes, exceto os simplesmente destinados a facilitar a sua identificação; Plastificantes ou diluentes (exceto óleos minerais no caso das borrachas distendidas por óleos), matérias de cargas, inertes ou ativas, solventes orgânicos ou quaisquer outras substancias. R - Não trata-se de borracha ou mistura de borrachas por conter elevado teor de materia de carga (>69%). O produto também não obedece a instrução da nota 4. a) do presente capítulo que cita: O presente Capítulo não compreende: "às matérias sintéticas não saturadas que possam transformar-se irreversivelmente, por vulcanização pelo enxofre, em substâncias não termoplásticas, as quais, a uma temperatura compreendida entre 18°C e 29°C, possam, sem se romper, sofrer uma distensão de três vezes o seu comprimento primitivo e que, depois de terem sofrido uma distensão de duas vezes o seu comprimento primitivo, voltem, em menos de 5 minutos, a medir, no máximo, uma vez e meia o seu comprimento primitivo * O produto também não obedece a Nota 5. a) do presente Capítulo,que cita: "... as posições 40.01 e 40.02 não compreendem as borrachas ou misturas de borrachas adicionadas, antes ou depois da coagulação, de aceleradores, retardadores ou de ativadores de vulcanização (com exceção dos adicionados para a preparação de látex pré-vulcanizado). de pigmentos ou de outras matérias corantes, exceto os simplesmente destinados a facilitar a sua identificação, de plastificantes ou de diluentes (exceto óleos minerais no caso das borrachas distendidas por óleos), de matérias de carga, inertes ou ativas, solventes orgânicos ou de quaisquer outras substâncias, exceto as admitidas pela alínea b) da Nota 5." 4-Trata-se de borrachas e misturas de borrachas contendo as substancias indicada aseguir, desde que essas borrachas e misturas de borrachas conservem ascaracterísticas essenciais de matéria em bruto? Emulsificantes e agentes antiaglutinantes; Pequenas quantidades de produtos de decomposição dos emulsificantes; Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 Agentes termossensiveis (utilizados, em geral, para obter látices eletropositivos), antioxidantes, coagulantes, agentes desagregadores, agentes anticongelantes, agentes peptizantes, conservadores, estabilizantes, agentes de controle da viscosidade e outros aditivos especiais análogos em quantidades muito reduzidas. R - Não. 5- Trata-se de mástiques**** na acepção da nota a seguir? R - Sim. 6- Trata-se de colas ou adesivos preparados*****na acepção da nota a seguir? Se positivo, informar à base de que material e se o peso liquido é superior ou inferior a lkg. R-Não. 7-Descreva detalhadamente a mercadoria, sua utilização, nome vulgar e demaiscaracterísticas de forma a permitir sua correta classificação na Nomenclatura Comumdo Mercosul. R - A amostra apresenta-se como mástique à base de elastômero, contendo elevada carga de carbonato de cálcio (filler). O produto é utilizado em vedação e calafetação. Teor de Carga (Carbonato de Cálcio): 69,57% Teor de Elastômero (Borracha de isobutileno) e aditivo: 23,47% Outros óxidos: 6,96% 8-Anexar laudo laboratorial que fundamentou as respostas apresentadas.R- Segue em anexo. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para o produto é a NCM 3214.10.10, cujo texto da posição é o seguinte: Capítulo32 Extratos tanantes e tintoriais; taninos e seus derivados; pigmentos e outras matérias corantes; tintas e vernizes; mástiques; tintas de escrever. 32.14 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outras mástiques; indutos utilizados em pintura; indutos não refratários do tipo utilizado em alvenaria. 3214.10.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outras mástiques A recorrente alega que em 2004, a Alfândega da Receita Federal no Porto de São Francisco do Sul - SC, através de Seção de Controle Aduaneiro - SAANA, solicitou Assistência Técnica, para que fosse feita análise da Tira de Borracha Butílica para vedação entre telhas (NCM/SH: 4002.3100), sendo que a perícia técnica concluiu que quanto à mercadoria em conferência aduaneira, tratava-se de Borracha de Isobuteno Isopropeno (Butila) IIR. Além disso, o laudo pericial é veemente contestado pela Eng. Química da Impugnante (cópia em anexo), em que a mesma demonstra que a mercadoria importada não pode ser considerada mástiques: Discorda-se do perito, pois segundo a NESH, Capítulo 32, posição 3214, Nota I que trata de: EXTRATOS TANANTES E TINTORIAIS; TANINOS E SEUS DERIVADOS; PIGMENTOS E OUTRAS MATÉRIAS CORANTES; TINTAS E VERNIZES; MÁSTIQUES; TINTAS DE ESCREVER, mástiques são substâncias de composição não Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 definida (variável), apresentando-se frequentemente sob forma pastosa e endurecendo após aplicação. Mástiques são aplicados por pistola ou espatulados. As Tacky Tapes não podem ser consideradas mástiques, pois: •Mástiques são substâncias de composição não definida (variável): Tacky I Tapes possuem composição definida, comprovada em análise de espectroscopia de infravermelho e análise termogravimétrica. •Mástiques apresentam consistência pastosa: Tacky Tapes possuem forma e medidas definidas, não podendo ser classificadas como pastosas. Mástiques endurecem após aplicação: Tacky Tapes não endurecem (nem curam) após aplicação, mantendo a consistência original até o fim de suas vidas úteis. Mástiques são aplicados por pistolas ou espatulados: Tacky Tapes são fitas, sendo aplicadas manualmente sem a necessidade de nenhuma ferramenta. Mástiques à base de borracha são utilizados APÓS ADIÇÃO DE ENDURECEDORES: Tacky Tapes são à base de borracha butílica (isobuteno-isopreno IIR), e não utilizam nenhum tipo de endurecedor durante ou após aplicação. Mástiques à base de borracha PODEM CONSISTIR EM DISPERSÃO AQUOSA: Tacky Tapes são sólidas, e não se encontram em dispersão aquosa. Em suma, conclui a Impugnante que ao longo dos anos importou a referida mercadoria com a classificação fiscal determinada pela Receita Federal e que no último ano alterou o seu entendimento, passando a entender que se tratavam de mástiques. No entanto, as mercadorias importadas não podem ser consideradas Mástiques, pois estes se apresentam em consistência pastosa, endurecem após a aplicação e são aplicados por pistolas ou espatulados, conforme dados retirados da NESH SEÇÃO VI CAPÍTULO 32; ao passo que a Borracha Butílica possui grande elasticidade e mantém a mesma forma depois de utilizada, ao contrário dos Mástiques, que endurece após a aplicação. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) fornecem esclarecimentos e interpretam o Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura, auxiliando no correto enquadramento do produto. Vejamos as Notas de Capítulo e posição da classificação adotada pela recorrente: Nota do capitulo 40: Borracha e suas obras Notas. 1.- Ressalvadas as disposições em contrário, a denominação “borracha” abrange, na Nomenclatura, os produtos seguintes, mesmo vulcanizados, endurecidos ou não, ainda que regenerados: borracha natural, balata, gutapercha, guaiúle, chicle e gomas naturais análogas, borracha sintética e borracha artificial derivada dos óleos. (...) 3.- Nas posições 40.01 a 40.03 e 40.05, a expressão “formas primárias” aplica-se apenas às seguintes formas: a) Líquidos e pastas (incluindo o látex, mesmo pré-vulcanizado, e outras dispersões e soluções); b) Blocos irregulares, pedaços, fardos, pós, grânulos, migalhas e massas não coerentes semelhantes. 4.- Na Nota 1 do presente Capítulo e no texto da posição 40.02, a denominação “borracha sintética” aplica-se: a) Às matérias sintéticas não saturadas que possam transformar-se irreversivelmente, por vulcanização pelo enxofre, em substâncias não termoplásticas, as quais, a uma temperatura compreendida entre 18 °C e 29 °C, possam, sem se romper, sofrer uma Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 distensão de três vezes o seu comprimento primitivo e que, depois de terem sofrido uma distensão de duas vezes o seu comprimento primitivo, voltem, em menos de 5 minutos, a medir, no máximo, uma vez e meia o seu comprimento primitivo. Para a realização deste ensaio, permite-se a adição de substâncias necessárias à retificação, tais como ativadores ou aceleradores de vulcanização; também se admite a presença de matérias indicadas na Nota 5 B), 2º) e 3º). No entanto, não é admitida a presença de quaisquer substâncias não necessárias à retificação, tais como diluentes, plastificantes e matérias de carga; (...) 5.- A) As posições 40.01 e 40.02 não compreendem a borracha ou misturas de borracha, adicionadas, antes ou após a coagulação, de: 1º) Aceleradores, retardadores, ativadores ou outros agentes de vulcanização (exceto os adicionados para a preparação do látex pré-vulcanizado); 2º) Pigmentos ou outras matérias corantes, exceto os simplesmente destinados a facilitar a sua identificação; 3º) Plastificantes ou diluentes (exceto óleos minerais no caso da borracha distendida por óleos), matérias de carga, inertes ou ativas, solventes orgânicos ou quaisquer outras substâncias, exceto as admitidas pela alínea B) abaixo; B) A borracha e misturas de borracha que contenham as substâncias indicadas a seguir permanecem classificadas nas posições 40.01 ou 40.02, conforme o caso, desde que essa borracha e misturas de borracha conservem as características essenciais de matéria em bruto: 1º) Emulsificantes e agentes antiaglutinantes; 2º) Pequenas quantidades de produtos de decomposição dos emulsificantes; 3º) Agentes termossensíveis (utilizados, em geral, para obter látices termossensíveis), agentes de superfície catiônicos (utilizados, em geral, para obter látices eletropositivos), antioxidantes, coagulantes, agentes desagregadores, agentes anticongelantes, agentes peptizantes, conservadores, estabilizantes, agentes de controle da viscosidade e outros aditivos especiais análogos, em quantidades muito reduzidas. (...) 9.- Na acepção das posições 40.01, 40.02, 40.03, 40.05 e 40.08, consideram-se “chapas, folhas e tiras” apenas as chapas, folhas e tiras, bem como os blocos de forma regular, não recortados ou simplesmente cortados em forma quadrada ou retangular (mesmo que esta operação lhes dê a característica de artigos prontos para o uso), desde que não tenham sofrido outra operação, senão um simples trabalho à superfície (impressão ou outro). (...) Formas primárias (posições 40.01 a 40.03 e 40.05) A expressão “formas primárias” está definida na Nota 3 do presente Capítulo. Saliente- se que o látex pré-vulcanizado é expressamente abrangido pela definição de “formas primárias” e que, assim, deverá ser considerado não vulcanizado. Dado que as posições 40.01 e 40.02 não abrangem a borracha nem as misturas de borrachas adicionadas de um solvente orgânico (ver a Nota 5), a expressão “outras dispersões e soluções”, constante da Nota 3, aplicar-se-á apenas à posição 40.05. Chapas, folhas e tiras (posições 40.01, 40.02, 40.03, 40.05 e 40.08) Estes termos estão definidos na Nota 9 do presente Capítulo e compreendem os blocos de forma geométrica regular. As chapas, folhas e tiras podem ser trabalhadas à superfície (impressas, gofradas, estriadas, caneladas, com ranhuras, etc.), ou simplesmente recortadas em forma quadrada ou retangular (mesmo que esta operação lhes dê a característica de artigos prontos para o uso), mas não cortadas em formas diferentes da quadrada ou retangular, nem trabalhadas de outra forma. Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 Nota de posição 4002: 40.02 - Borracha sintética e borracha artificial derivada dos óleos, em formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras; misturas dos produtos da posição 40.01 com produtos da presente posição, em formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras. (...) 4002.31 -- Borracha de isobuteno-isopreno (butila) (IIR) (...) A presente posição abrange: 1) A borracha sintética, tal como definida na Nota 4 do presente Capítulo (ver abaixo). Esta expressão aplica-se ao látex de borracha sintética, mesmo pré-vulcanizado, e à borracha sintética apresentada noutras formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras. É igualmente classificada na presente posição a borracha sintética que tenha sido submetida a tratamentos próprios para permitir o seu transporte e conservação ou conferir-lhe algumas características que facilitem o seu uso ou melhorem a qualidade dos produtos acabados. No entanto, esses tratamentos não devem modificar a sua característica essencial de matéria-prima dos produtos tratados. Em particular, não devem conter qualquer adição de substâncias não admitidas pela Nota 5 A) do presente Capítulo. Entre os produtos adicionados de outras substâncias não excluídos da presente posição, em virtude das disposições da Nota 5 do presente Capítulo, devem citar-se, por exemplo, as borrachas sintéticas distendidas pelos óleos que contenham até cerca de 50% de óleo adicionado ao látex. (...) Excluem-se da presente posição: a) Os elastômeros que não satisfaçam às condições estipuladas na Nota 4 do presente Capítulo (em geral, Capítulo 39). b) Os produtos da presente posição que hajam sido misturados, antes ou depois da coagulação, com matérias não admitidas pela Nota 5 A) do presente Capítulo (posições 40.05 ou 40.06). (...) Conforme consta no Laudo Pericial requisitado pela fiscalização e não contraditado pela recorrente, o produto contem elevado Teor de Carga (Carbonato de Cálcio): 69,57%, o que impossibilita a sua classificação nessa posição, conforme Nota de capítulo 5.A não se enquadrando nas exceções admitidas pela alínea B pela sua quantidade. Poderia se pensar como classificação fiscal alternativa na posição 40.05 por se tratar de produto à base de borracha, em chapas, folhas ou tiras, trabalhadas à superfície (impressas, gofradas, estriadas, caneladas, com ranhuras etc.), misturado com matérias não admitidas pela Nota 5 A) do Capítulo 40. Porém a Nota de posição 4005 trata de excluir os produtos utilizados como mástiques ou indutos (posição 32.14), o que se verá a frente como classificação mais adequada: Nota de posição 4005: 40.05 - Borracha misturada, não vulcanizada, em formas primárias ou em chapas, folhas ou tiras. (...) Excluem-se também da presente posição: Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 (...) b) Os produtos à base de látex ou outro tipo de borracha, que se apresentem mais ou menos pastosos, utilizando-se como mástiques ou indutos (posição 32.14). A autoridade fiscal, por sua vez, concluiu que a mercadoria deveria ser classificada na NCM 3214.10.10 – Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques. Vejamos as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH relativas a essa posição: Nota de posição 3214: As mástiques e indutos da presente posição são preparações de composição muito variável, que se caracterizam essencialmente pela sua utilização. Estas preparações apresentam-se frequentemente sob forma mais ou menos pastosa, endurecendo, geralmente, após sua aplicação. Algumas delas apresentam-se sob forma sólida ou pulverulenta, e são tornadas pastosas no momento da aplicação, quer por tratamento térmico (fusão, por exemplo), quer por adição de um líquido (água, por exemplo). Em geral, as mástiques e indutos aplicam-se por meio de pistola, de espátula, de trolha, de desempenadeira ou de ferramentas semelhantes. I.- MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO (MASSA DE VIDRACEIRO), CIMENTOS DE RESINA E OUTRAS MÁSTIQUES As mástiques utilizam-se especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Diferem das colas e de outros adesivos porque se aplicam em camadas espessas. Convém todavia notar que este grupo de produtos abrange igualmente as mástiques utilizadas sobre a pele dos pacientes em volta dos estomas e das fístulas. Este grupo compreende, entre outros: (...) 11) As mástiques à base de borracha, constituídas, por exemplo, por um tioplástico adicionado de matérias de carga (grafita, silicatos, carbonatos, etc.) e, em alguns casos, de um solvente orgânico. Utilizam-se, por vezes, depois de se lhes adicionar um endurecedor, na fabricação de revestimentos protetores maleáveis, suscetíveis de resistir aos agentes químicos e aos solventes, e em calafetagem. Estas mástiques podem, também, consistir em uma dispersão aquosa de borracha adicionada de matéria corante, plastificantes, matérias de carga, aglutinantes ou de antioxidantes. São utilizadas para fechar hermeticamente latas. Os Laudos Periciais juntados atestam que o produto é à base de borracha butílica (isobuteno-isopreno IIR), o que lhe permite conservar as características essenciais da matéria tais como a elasticidade, porém adicionado de elevado teor de matéria de carga (Carbonato de Cálcio). Conforme consta no site da recorrente (https://www.hard.com.br/wp- content/uploads/2022/06/Catalogo_Tacky-Tape.pdf), o produto apresenta consistência Pastosa (não escorre) e, segundo descrição do catálogo, o produto HARD TACKY-TAPE é uma fita à base de borracha butílica de grande elasticidade, especialmente desenvolvida para selar emendas longitudinais e transversais de telhado, rufos e duto de ar condicionado, impedindo a entrada de água, umidade e poeira. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI determinam: Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b)Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetua-se conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4.As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. (...) 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1. (RGC-1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, “mutatis mutandis”, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Pelo que se depreende da Nota de posição 3214, as mástiques são preparações de composição muito variável, que se caracterizam essencialmente pela sua utilização. Apesar das divergências apontadas quanto a forma e consistência após aplicação, que é apresentada de Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3003-002.301 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720245/2011-48 forma geral, entendo que a característica essencial para a classificação seria a sua utilização para vedação ou estanqueidade, conforme descrição da própria recorrente. Assim, pelas conclusões aportadas no Laudo Pericial e com base nas RGI 1, 3 a e 3 b e RGC-1, a classificação correta é na subposição na NCM 3214.10.10 – Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques, razão pela qual deve ser mantida a reclassificação do produto adotada pela fiscalização. Portanto, apurada a diferença de tributos decorrente da reclassificação tarifária dos produtos importados, cabível é o lançamento de ofício pela autoridade administrativa da diferença dos tributos e demais acréscimos legais devidos, modalidade de lançamento a qual, por seu turno, atrai para si a aplicação da multa pecuniária de 75%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. É devida ainda a multa lançada por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, tipificada no art. 84 da MP n.° 215835/2001, que se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF nº 161: Súmula CARF nº 161 O erro de indicação, na Declaração de Importação, da classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, por si só, enseja a aplicação da multa de 1%, prevista no art. 84, I da MP nº 2.158-35, de 2001, ainda que órgão julgador conclua que a classificação indicada no lançamento de ofício seria igualmente incorreta. Quanto às alegações de desproporcionalidade das multas aplicadas, aventando afronta aos princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade, respeita a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciar-se sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB, estando pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF nº 2, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 203DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721000/2017-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2015
EMENTA
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES RECURSAIS E PEDIDOS QUE CONCORDAM COM A GLOSA CUJA VALIDADE ERA DEBATIDA. PERDA DE OBJETO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário cujas razões recursais e respectivo pedido concordam com a glosa em litígio, por perda superveniente de objeto.
PEDIDO PARA QUE DESPESA MÉDICA ATÉ ENTÃO DESCONHECIDA SEJA CONSIDERADA NO CÁLCULO DO TRIBUTO. PAPEL VICÁRIO. INCOMPETÊNCIA DESTE COLEGIADO.
Este Colegiado não tem competência para revisão por dever de ofício do lançamento, tampouco para conhecer de matéria até então ausente do quadro fático-jurídico (em litígio, tal como fixado pelo lançamento, pela impugnação e pelo acórdão-recorrido).
Inexiste permissão para que o Colegiado substitua a dedução reconhecida como indevida por outra, até então inédita nos autos.
Neste momento do processo administrativo, eventual exame do fato jurídico capaz de alterar o cálculo do imposto devido, e que não faz parte da matéria litigiosa, porquanto nóvel e inédito, somente poderia ocorrer (a) mediante revisão de ofício pela autoridade fiscal competente (arts. 142, caput e par. ún, 145, III e 149, VIII do Código Tributário Nacional), (b) por provocação administrativa originada do sujeito passivo, com base do direito de petição (em processo próprio), ou (c) com base em determinação judicial.
Numero da decisão: 2001-005.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 EMENTA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES RECURSAIS E PEDIDOS QUE CONCORDAM COM A GLOSA CUJA VALIDADE ERA DEBATIDA. PERDA DE OBJETO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário cujas razões recursais e respectivo pedido concordam com a glosa em litígio, por perda superveniente de objeto. PEDIDO PARA QUE DESPESA MÉDICA ATÉ ENTÃO DESCONHECIDA SEJA CONSIDERADA NO CÁLCULO DO TRIBUTO. PAPEL VICÁRIO. INCOMPETÊNCIA DESTE COLEGIADO. Este Colegiado não tem competência para revisão por dever de ofício do lançamento, tampouco para conhecer de matéria até então ausente do quadro fático-jurídico (em litígio, tal como fixado pelo lançamento, pela impugnação e pelo acórdão-recorrido). Inexiste permissão para que o Colegiado substitua a dedução reconhecida como indevida por outra, até então inédita nos autos. Neste momento do processo administrativo, eventual exame do fato jurídico capaz de alterar o cálculo do imposto devido, e que não faz parte da matéria litigiosa, porquanto nóvel e inédito, somente poderia ocorrer (a) mediante revisão de ofício pela autoridade fiscal competente (arts. 142, caput e par. ún, 145, III e 149, VIII do Código Tributário Nacional), (b) por provocação administrativa originada do sujeito passivo, com base do direito de petição (em processo próprio), ou (c) com base em determinação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES RECURSAIS E PEDIDOS QUE CONCORDAM COM A GLOSA CUJA VALIDADE ERA DEBATIDA. PERDA DE OBJETO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário cujas razões recursais e respectivo pedido concordam com a glosa em “litígio”, por perda superveniente de objeto. PEDIDO PARA QUE DESPESA MÉDICA ATÉ ENTÃO DESCONHECIDA SEJA CONSIDERADA NO CÁLCULO DO TRIBUTO. PAPEL VICÁRIO. INCOMPETÊNCIA DESTE COLEGIADO. Este Colegiado não tem competência para revisão por dever de ofício do lançamento, tampouco para conhecer de matéria até então ausente do quadro fático-jurídico (“em litígio”, tal como fixado pelo lançamento, pela impugnação e pelo acórdão-recorrido). Inexiste permissão para que o Colegiado “substitua” a dedução reconhecida como indevida por outra, até então inédita nos autos. Neste momento do processo administrativo, eventual exame do fato jurídico capaz de alterar o cálculo do imposto devido, e que não faz parte da matéria litigiosa, porquanto nóvel e inédito, somente poderia ocorrer (a) mediante revisão de ofício pela autoridade fiscal competente (arts. 142, caput e par. ún, 145, III e 149, VIII do Código Tributário Nacional), (b) por provocação administrativa originada do sujeito passivo, com base do direito de petição (em processo próprio), ou (c) com base em determinação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 10 00 /2 01 7- 11 Fl. 47DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o(a) contribuinte acima identificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento de f. 04-09, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2015, reduzindo o Imposto a Restituir Declarado de R$ 7.782,95 para o Saldo de Imposto a Restituir de R$ 7.227,95, por ter sido apurada a Dedução Indevida de Despesas Médicas no montante R$ 3.700,00. O(a) autuado(a) foi cientificado(a) do lançamento em 27/04/2017 (f. 15) e apresentou a impugnação em 28/04/2017 (f. 02), alegando que o montante glosado se refere a suas despesas médicas com anestesista e instrumentadora, apresentando os recibos que conseguiu junto ao cirurgião apenas em 26/04/2017. A impugnação é tempestiva e parcial e preenche os requisitos legais e dela conheço. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (f. 06/07) o motivo da glosa de R$ 2.600,00 com Everardo Abramo de Oliveira Filho foi a falta de comprovação e a glosa de R$ 1.100,00 com Patrícia de Souza Lucena foi por falta de previsão legal. A contribuinte trouxe recibo (f. 10-11) comprovando a regularidade da dedução de R$ 2.600,00 com o anestesista Everardo Abramo de Oliveira Filho. A glosa deve ser cancelada. Quanto à glosa de R$ 1.100,00 com Patrícia de Souza Lucena, a contribuinte trouxe os recibos de f. 12-13. A profissional é instrumentadora, não é médica e nem exerce alguma das profissões especificadas na alínea "a" do art. 8º da Lei nº 9.250/99, que é taxativa. As despesas com instrumentadora somente podem ser deduzidas se integrarem a conta do hospital e estiverem inseridas na nota fiscal emitida pelo hospital. Esta glosa deve ser mantida. Pelas razões expostas e considerando tudo mais que consta dos autos, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, reconhecento o Imposto a Restituir Ajustado de R$ 7.617,95, que deverá ser pago com as cautelas e atualizações de praxe, conforme acima demonstrado. DRJ em Campo Grande/MS, em 11 de janeiro de 2018. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 Vedaçao de Ementa. Fl. 48DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 Hipótese de vedação de ementa, segundo Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/02/2018, o sujeito passivo interpôs, em 23/02/2018, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas médicas estão comprovadas pelos documentos anexos ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo, porém, não comporta conhecimento, por ausência de competência deste Colegiado para retificação do lançamento por hipótese alheia à matéria “litigiosa”. A questão de fundo passível de ser devolvida ao conhecimento deste Colegiado consistiria em decidir-se se o sujeito passivo comprovou o pagamento das despesas médicas cuja dedução é pleiteada. Conforme expõe o i. CONS. HONÓRIO ALBUQUERQUE DE BRITO: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. Fl. 49DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún.do CTN) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 26/10/2010, DJe-230 DIVULG 29-11-2010 PUBLIC 30-11-2010 EMENT VOL-02441-02 PP-00430), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela busca da chamada “verdade material”. A propósito, “por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva” (RE 599194 AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/09/2010, DJe-190 DIVULG 07-10-2010 PUBLIC 08-10-2010 EMENT VOL-02418-08 PP- 01610 RTJ VOL-00216-01 PP-00551 RDDT n. 183, 2010, p. 151-153) Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: a) Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; b) Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; c) Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; d) Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); e) Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. AGUSTÍN GORDILLO faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: Fl. 50DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 “Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria explicitado” (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. Fl. 51DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1- Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 2- Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo: 10680.005472/2008-66 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Fl. 52DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 Numero da decisão: 2201-002.503 Numero do processo: 13162.000079/2009-12 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo: 10510.004826/2007-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Numero do processo: 13748.001852/2008-98 Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Câmara: Primeira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Fl. 53DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do processo:10850.000104/2008-22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da decisão:2202- 004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007-10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. Fl. 54DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Ademais, a singela ausência de distinção entre fonte pagadora e beneficiário é insuficiente para manter a glosa. O modo menos ambíguo e vago para identificação dos elementos essenciais do pagamento consiste na aposição de rótulos às informações. Contudo, a prática empresário-comercial de emissão de documentos nem sempre é padronizada de modo otimizado, nem observa a máxima cautela. Afinal, a linguagem natural utilizada no cotidiano tende a ser fluida (cambiante), atécnica e subordinadas às particularidades regionais. Em alguns momentos, o Direito acaba por juridicizar a prática (e.g., art. 673, 3 da Lei 556/1850). Assim, ausentes outros obstáculos, pode-se inferir que a fonte pagadora é também o beneficiário, pois essa é a prática adotada na elaboração de documentos simplificados ou padronizados. De fato, a própria SRFB reconhece essa circunstância, como revela consulta ao art. 97, II da IN 1.500/2014, textualmente: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: [...] II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário CASO seja pessoa diversa daquela; (grifamos). Em sentido semelhante, a simples e isolada ausência de indicação do endereço não justifica a glosa, ante a possibilidade de identificação desse dado de outro modo, inclusive com consulta aos bancos de dados disponíveis à autoridade fiscal: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) (grifamos). Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Extraordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). No caso em exame, o sujeito passivo deseja apresentar um novo fato jurídico deflagrador da dedução, consistente no pagamento de honorários a anestesista, vicário ao pagamento das despesas com instrumentação cirúrgica. A propósito, lê-se na nas razões recursais, verbatim (fls. 37): Eu, ALZIRA MARIA VINHAS DE FIGUEIREDO, [...], não me conformando com a interpretação de "Dedução Indevida de Despesas Médicas", venho apresentar Recibo Médico de Anestesiologista, emitido pelo Dr. Everardo Abramo Filho, comprovando despesa médica realizada à época, que foi motivo de glosa, ao mesmo tempo em que concordo com a não aceitação do recibo emitido pela Instrumentadora, Sra. Patrícia de Souza Lucena, haja vista tratar-se de despesa não aceita e considerada, pela Receita Federal, para fins restitutivos. Ocorre que o julgamento de recurso voluntário não é sucedâneo de retificação da Declaração de Ajuste Anual, tampouco da Declaração do Imposto de Renda devido pela Pessoa Física. Ademais, neste momento do processo administrativo, eventual exame do fato jurídico capaz de alterar o cálculo do imposto devido, e que não faz parte da matéria litigiosa, porquanto nóvel e inédito, somente poderia ocorrer (a) mediante revisão de ofício (arts. 142, caput e par. ún, 145, III e 149, VIII do Código Tributário Nacional), (b) por provocação administrativa originada do sujeito passivo, com base do direito de petição (em processo próprio), ou (c) com base em determinação judicial. Nenhuma dessas três providências é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja latitude cognitiva circunscreve-se às questões postas na impugnação e debatidas pelo órgão de origem. De fato, o único objeto admissível, qual seja, a glosa das deduções relativas à instrumentação cirúrgica, desapareceu com a desistência manifestada nas razões recursais. Não obstante, cabe o destaque e a exortação à autoridade fiscal competente para que tome conhecimento do pedido formulado para consideração das despesas com anestesista e proceda nos termos da legislação aplicável, como entender de direito. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-005.139 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.721000/2017-11 Fl. 57DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10768.720595/2007-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI. EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA.
Estando o produto emulsão asfáltica sujeito à alíquota do IPI, na Tabela de incidência de IPI (TIPI), instituída por meio de Decreto, esta deve ser aplicada, salvo disposição em contrário.
IPI INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, conforme Súmula CARF nº 20.
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
A possibilidade de ressarcimento dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, não se estende aos produtos classificados como não tributados NT ou imunes.
RESSARCIMENTO DE IPI. ÔNUS DA PROVA.
Em sede de pedido de ressarcimento compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA. Estando o produto emulsão asfáltica sujeito à alíquota do IPI, na Tabela de incidência de IPI (TIPI), instituída por meio de Decreto, esta deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. IPI INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, conforme Súmula CARF nº 20. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de ressarcimento dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, não se estende aos produtos classificados como não tributados NT ou imunes. RESSARCIMENTO DE IPI. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
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EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA. Estando o produto emulsão asfáltica sujeito à alíquota do IPI, na Tabela de incidência de IPI (TIPI), instituída por meio de Decreto, esta deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. IPI INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, conforme Súmula CARF nº 20. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de ressarcimento dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, não se estende aos produtos classificados como não tributados NT ou imunes. RESSARCIMENTO DE IPI. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 05 95 /2 00 7- 80 Fl. 284DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Em análise no presente processo a Declaração de Compensação - DCOMP Eletrônica n° 42012.40959.270804.1.3.01-8052 [fls. 04/47], baixada para tratamento manual no presente processo, por intermédio da qual o estabelecimento matriz do contribuinte retro identificado pretendeu a extinção de débito(s) no valor de R$ 15.504,67, tendo por lastro crédito decorrente de Ressarcimento de Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 3°/2003, apurado pelo estabelecimento detentor do crédito 34.274.233/0361-23 [localizado no município de Duque de Caxias-RJ, fl. 52], com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Da verificação da legitimidade do pleito resultou o Parecer/Despacho Decisório N° 407/2009, do Seort, fls. 60/61, que indeferiu o direito creditório e não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que a falta de entrega dos documentos comprobatórios do direito creditório pelo contribuinte [solicitados por intermédio do Termo de Intimação n° 495/09, prejudicou a análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Esclareceu, ainda, o referido ato decisório, que "a intimação em questão não foi cumprida, pois todos os documentos entregues eram referentes ao estabelecimento CNPJ 34.274.233/0001-02, quando é sabido que por ocasião de apuração do IPI, a mesma deve ser feita por cada estabelecimento ". Cienti ficada do despacho decisór io em 21/08/2009 [fl s. 62/63] mani festou a interessada a sua inconformidade por meio do arr azoado de fls. 64/67 no qual alega demonst r ar o di r ei to aos cr édi tos plei teados por meio dos documentos fi scai s que compõem o dossiê anexado aos autos; relaciona as notas fi scai s de ent rada que dão lastro aos mencionados cr éditos; r equer a produção de prova documental suplementar e di ligência fiscal ; pede o efeito suspensivo da man i fes taçã o de inconformidade e, a o fi na l , a h omol oga çã o da compens a çã o declarada. 4 ) o Acompanha a referida manifestação os documentos de fls. 75/151, atinentes a cópias dos seguintes documentos : notas fiscais de entrada , Registro de Apuração do IPI; Registro de Entradas e Registro de Saídas , referentes ao estabelecimento que apurou os créditos em análise. Ante a documentação apresentada, entendeu a Relatora do processo à época, pela necessidade de retorno dos autos à unidade de origem para verificação dos créditos alegados, por entender que aqueles documentos "em princípio, parecem comprovar o direito aos créditos informados na DCOMP" [fls. 153]. Em cumprimento à diligência solicitada foi expedido pelo Seort/DRF Nova Iguaçu/RJ, a Informação N° 048/2011 [fls. 157/158], que, em resumo: i) relata que os elementos especificados nos itens 1 e 2 da intimação 495/09 permanecem não atendidos após a documentação juntada à manifestação de inconformidade; ii) informa que o contribuinte apresenta histórico de processos indeferidos com base no mesmo direito creditório, com decisão mantida por esta DRJ, a exemplo dos processos 10768.720102/2007-10, 10768.720101/2007-67 e 10768.720086/2007-57, por intermédio dos quais se pode verificar direito a crédito; iii) destaca a informação originária da manifestação de inconformidade apresentada nos processos indicados, no sentido de impetração, pelo SINDICON [entidade à qual é filiada], do mandado de segurança n° 2007.34.00.031011-8/DF, objetivando garantir o direito ao crédito do IPI relativo a insumos aplicados em produtos imunes; iv) informa que resta prejudicada a análise Fl. 285DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 administrativa quanto ao mérito em razão da discussão judicial da matéria e destaca os art.s 25 e 70 da IN RFB n° 900/2008 que vedam o ressarcimento e a compensação de crédito objeto de discussão judicial; v) conclui que em face do não atendimento das exigências; do histór ico do contr ibuinte quanto aos créditos pleiteados e o curso de ação judicial tratando da mesma matér ia no âmbito judicial, deve ser mantido o indeferimento do pleito vi) propõe seja cientificado o contribuinte e reaberto prazo para manifestação. Cientificados os estabelecimentos matriz e filial 0361 da referida informação em 30/03/2011 [fls. 159/161], foram apresentadas Razões Adicionais de Defesa por intermédio do arrazoado de fls. 162/169, acompanhado dos documentos de fls. 170/173, no qual, em síntese: a informa estar juntando aos autos documentos que comprovam o atendimento aos itens 1 e 2 da Intimação 495/2009, mediante comprovação da entrega de livros fiscais e arquivos magnéticos e de notas fiscais, que espelham fielmente a fidedignidade das informações solicitadas; C--> esclarece que não há demanda judicial discutindo a qualidade do crédito em questão; a pondera que nas decisões proferidas nos processos mencionados a RFB tenta descaracterizar o direito ao crédito em sua integralidade em razão de suposta tributação do produto final [emulsões asfálticas], que, na verdade, por ser derivado de petróleo é abrangido pela imunidade constitucional; argumenta que embora a TIPI apresente para a posição 27.15.00.00 a alíquota de 5%, a emulsão asfáltica permanece com as respectivas características e destinações, devendo o direito ao crédito na entrada tributada de insuetos ser mantido, uma vez que este não se vincula à saída do produto; q conclui que "o fato de o contribuinte ter dado saída de produtos apontados como tributados não implica na inviabilidade do crédito do IPI referente à entrada de insumos tributados no seu estabelecimento. Com efeito, o fisco tem meios de fiscalização para depurar se o contribuinte agiu adequadamente nas suas saídas, conforme no presente caso, sendo certo que no âmbito da homologação de créditos essa discussão não é formalmente adequada, inviabilizando-se a vedação de crédito constitucionalmente garantido "; C:> e pede, ao final, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação da compensação declarada. Em face dos argumentos trazidos nas razões adicionais de defesa e após o confronto com as informações prestadas na DIPJ processada [fls. 1811 ter se constatado que o estabelecimento 0361 [que apurou os créditos em análise] industrializa, essencialmente, os produtos classificados na TIPI nos códigos 2713.20.00 e 2715.00.00, ambos tributados às alíquotas de 4% e 5%, respectivamente, e, que a empresa não promoveu a sua tributação nas saídas em virtude do seu entendimento de que embora constem na TIPI com alíquota positiva seriam produtos imunes [derivados de petróleo], entendeu a Relatora do processo à época, após as considerações que entendeu per tinentes, pela necessidade de novo retorno do processo à unidade de origem, por intermédio do Despacho de Diligência de fls. 182/184, solicitando à Fiscalização: a) que verifique se, de fato, os produtos industrializados pelo estabelecimento 34.274.233/0361-23 são classificados nas posições 2713.30.00 e 2715.00.00 (produtos tributados); b) se comprovada a situação da alínea "a", proceder, ainda que de forma aproximada, à apuração dos débitos não destacados nas saídas desses produtos e, posteriormente, proceder à reconstituição da apuração do imposto relativa ao trimestre em apreço (...); Fl. 286DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 c) verifique se a ação judicial citada trata especificamente dos produtos genericamente denominados emulsões asfálticas , tendo em vista que não possuem a notação NT na TIPI; d) forneça outros esclarecimentos que entender necessários. Em atendimento à solicitação foi elaborada a planilha de fls. 186/189, seguida da Informação Seort 031/2012 [fls. 190/191] para resposta aos questionamentos propostos, nos seguintes termos, em síntese: a) os produtos industrializados pelo estabelecimento 0361 tratam-se de emulsão asfáltica [classificação 2715.00.00, alíquota 5%]; asfalto diluído [classificação 2715.00.00, alíquota 5%] e cimento asfáltico [classificação 2713.20.00, alíquota 4%]; b) "Analisando as informações pertinentes ao IP1 na DIP.I, constata-se que o contribuinte se equivocou no pleito ao `considerar 0, 00% a alíquota de IPI incidente na saída de seu produto pois na DIPJ o contribuinte informa altos valores das saídas para produtos TIPI 2715.00.00 (fls. 181). Também se encontra em anexo planilha com demonstrativo de algumas notas fiscais de saída e valor total do débito referente às mesmas que deveria ter sido declarado «is. 186/189). Constata- se não apenas a inexistência do saldo credor de IPI pleiteado , mas também a necessidade de lançamento do IPI sobre as saídas dos produtos em questão , totalizando débitos de R$ 130.867,34. Como o prazo para lançamento dos respectivos débitos já ocorreu, ocorrerá somente o indeferimento do pedido de ressarcimento. Na remota hipótese do pleito do contribuinte obter sucesso, os débitos em questão devem ser abatidos do valor pleiteado de R$ 224.420,14, totalizando um direito creditório de R$ 93 .552,80"5- c) A ação judicial " visa de modo genérico assegurar o estímulo do Art. 11 da Lei 9.779/99 (compensação utilizando saldo credor do IPI) e compensar com débitos de outros tributos federais arrecadados pela Receita Federal, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96 e declarar a invalidade do ADI/SRF N° 05/06 que prevê que o disposto na Lei n° 9.779/99 não se aplica aos produtos imunes , classificados na TIPI como "NT" (não tributados) e excluídos do conceito de industrialização pelo regulamento do IPI. A ação ainda está em andamento , mas a decisão até o momento é contra o contribuinte". Cientificado o contribuinte da Informação Seort n° 031/2012, em 01/10/2012, conforme AR fl. 192, ele não mais compareceu aos autos para apresentação de razões adicionais de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração : 01/07/2003 a 30/09/2003 FALTA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A anexação , aos autos , de cópia das notas fiscais de entrada que amparam o valor creditado e a demonstração da sua escrituração nos livros fi scais Registro de Entradas e Registro de Apuração do IPI, por si só, não garante a legi timidade do crédito no que tange a se tratar de crédi to passível de ressarcimento . Some nte as MP, PI e ME confe rem ao IPI incidente nas respectivas entradas , a possibilidade de ressarcimento , na forma do art. 11 da Lei n° 9.779/ 99, restando ser indeferido o direito creditório, pela Fl. 287DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 impossibilidade de lhe conferir legitimidade , na hipótese de falta de discriminação , pelo contribuinte , das MP , P1 e ME utilizados na industrialização de seus produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração : 01/07/2003 a 30/09/2003 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez constatada a inexistência do saldo credor passível de ressarcimento indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da(s) DCOMP(s) em análise, cabe a não- homologação da(s) compensação (ões) sob exame. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual, em síntese, repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Os pontos contestados no presente recurso cingem-se ao atendimento à intimação da fiscalização para comprovação do crédito e a possibilidade do aproveitamento do correspondente crédito de IPI pela ora recorrente em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de emulsão asfáltica, supostamente abrangida pela imunidade, mas que se encontrava classificado na TIPI como produto tributado à alíquota de 5% . Com base na documentação juntada na manifestação de inconformidade e razões adicionais de defesa houve a conversão do julgamento em diligência pela Instância a quo com retorno dos autos a unidade de origem. Conforme concluiu a decisão recorrida, não houve o atendimento ao requerido pela fiscalização quanto à discriminação, pelo contribuinte, das MP, PI e ME utilizados na industrialização de seus produtos, o que acarretaria, por si só, o indeferimento do direito creditório, pela impossibilidade de lhe conferir legitimidade. A Lei n. 9.779, de 1999, no seu artigo 11, de fato, estabelece que somente são passíveis de ressarcimento os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, escriturados no trimestre-calendário, in verbis: Art. 11 . O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal - SRF, do Ministério da Fazenda. Em sede de pedido de ressarcimento/restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Dessa forma, já restaria prejudicada a atribuição de certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Alega ainda a recorrente a possibilidade de manutenção dos créditos de IPI advindos de aquisições tributadas e saídas do produto final emulsão asfáltica, cuja imunidade estaria prevista no art. 155, § 3º, III, da Constituição Federal. Entendo que não assiste razão à recorrente. Estando o produto emulsão asfáltica sujeito à alíquota positiva do IPI na TIPI (aprovada pelos Decretos nºs 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002), de 5% vigente à época, ela deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 Assim acompanho a decisão recorrida ao concluir, portanto, que as emulsões asfálticas, para fins tributários, não são alcançadas pela imunidade de que trata o §3° do art. 155 da Constituição, regulamentado pelo §3° do art . 18 do RIPI, sujeitando-se, assim, às alíquotas do IPI previstas na TIPI para as respectivas posições. Ainda que se assim não fosse, prevalecendo a tese preconizada pelo contribuinte que a emulsão asfáltica seria albergada pela imunidade, é induvidoso que nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 somente é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1° de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, ou melhor, dentro do campo de incidência do IPI, o que também inclui os isentos e os sujeitos à alíquota zero, a teor do art. 10 da Lei n° 9.493/1997 . A priori, estariam excluídos da regra geral tanto os produtos não-tributados quanto os imunes, pois estes também se enquadrariam pelo regramento positivo do IPI como NT. Sabe-se que quanto a glosa no aproveitamento dos os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados, tal questão se encontra sumulada no âmbito do CARF devendo ser observada pelos membros desse conselho, conforme abaixo: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. O texto da referida Súmula não faz qualquer diferença entre os produtos classificados na TIPI como “NT”, logo significa que, com base no art. 195, § 2º, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/2002), ela alcança todos os produtos com a anotação “NT” na citada Tabela, incluindo, os produtos imunes ao citado imposto. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 2º do Decreto nº 4.544/02, que remete ao art. 6º da Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). (grifos não originais) A simples leitura do citado preceito legal revela que todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI estão fora do campo de incidência do imposto. E como a norma não fez qualquer exceção, certamente, não cabe ao intérprete fazê-lo, especialmente, para fins de obtenção de benefício fiscal, que exige lei específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988. No mesmo sentido, o entendimento manifestado no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, que segue transcrito: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5ºdo Decreto-lei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 I com a notação "NT" (não tributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuam-se do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. De acordo com o citado ADI, em relação aos produtos amparados pela imunidade, o direito de apropriação de créditos do IPI, assegurado no art. 11 da Lei 9.779/1999 (matriz legal do art. 195, § 2º, do RIPI/2002, citado pela recorrente) restringe-se aos produtos tributados na TIPI, que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que vem reconhecendo a vedação do aproveitamento de créditos de sobre insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ao IPI, conforme decisão consubstanciada nos acórdãos de nº 9303-004.581 e 9303006.516, em processo similar do mesmo contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos imunes, não tributado (NT) ou sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT (Súmula CARF nº 20). Esse entendimento está em conformidade com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002 e reflete a firme jurisprudência deste Conselho, explicitada por meio da Súmula CARF nº 20, já reproduzida, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF. No âmbito do Judiciário, também podemos citar o entendimento do STJ nessa matéria: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. (...)4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de não-tributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. (...)7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destina-se a permitir a Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-002.294 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.720595/2007-80 aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais não-tributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. (...)9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, tem-se a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observando-se a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. (REsp 1.015.855/SP – Relator: Ministro José Delgado – Primeira Turma) Por fim, vale ressaltar que no atendimento à diligência da DRJ a fiscalização apurou que não haviam sido destacados pelo contribuinte nas saídas dos seus produtos do estabelecimento industrial os valores do IPI referente às alíquotas positivas sob a justificativa de que tais produtos tratam-se de derivados de petróleo e, portanto, imunes, conforme alegou no recurso, sendo que na reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo devedor de IPI em todos os trimestres, não tendo assim, o contribuinte, direito ao pleiteado ressarcimento/compensação. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No concernente ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, essa se dá “ex vi legis”, sem a necessidade de declaração dos órgãos julgadores. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 292DF CARF MF Original
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