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Numero do processo: 13884.912153/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
ÔNUS DA PROVA. GUARDA E CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva demonstração e comprovação do direito creditório.
A escrituração contábil-fiscal e os comprovantes em que se lastreia deverão ser mantidos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.
DESPACHO DECISÓRIO. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Encontrando-se em conformidade com os fatos controvertidos nos autos, analisados em face do direito aplicável, afasta-se a alegação de ausência de motivação do despacho decisório e do acórdão de primeira instância.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (súmula CARF nº 11)
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
null
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para se homologar a declaração de compensação é de cinco anos contados da data de sua apresentação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
null
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. IDENTIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS.
No regime da não cumulatividade das contribuições, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo ou na prestação de serviços, bem como sobre outros bens e serviços específicos legalmente previstos, mas desde que demonstrada e comprovada a sua conexão com as atividades operacionais do contribuinte, nos termos previstos na lei.
Numero da decisão: 3201-010.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.113, de 19 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 13884.912137/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 ÔNUS DA PROVA. GUARDA E CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva demonstração e comprovação do direito creditório. A escrituração contábil-fiscal e os comprovantes em que se lastreia deverão ser mantidos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. DESPACHO DECISÓRIO. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Encontrando-se em conformidade com os fatos controvertidos nos autos, analisados em face do direito aplicável, afasta-se a alegação de ausência de motivação do despacho decisório e do acórdão de primeira instância. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (súmula CARF nº 11) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO null DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para se homologar a declaração de compensação é de cinco anos contados da data de sua apresentação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) null NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. IDENTIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS. No regime da não cumulatividade das contribuições, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo ou na prestação de serviços, bem como sobre outros bens e serviços específicos legalmente previstos, mas desde que demonstrada e comprovada a sua conexão com as atividades operacionais do contribuinte, nos termos previstos na lei.
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GUARDA E CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva demonstração e comprovação do direito creditório. A escrituração contábil-fiscal e os comprovantes em que se lastreia deverão ser mantidos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. DESPACHO DECISÓRIO. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Encontrando-se em conformidade com os fatos controvertidos nos autos, analisados em face do direito aplicável, afasta-se a alegação de ausência de motivação do despacho decisório e do acórdão de primeira instância. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (súmula CARF nº 11) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para se homologar a declaração de compensação é de cinco anos contados da data de sua apresentação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. IDENTIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS. No regime da não cumulatividade das contribuições, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo ou na prestação de serviços, bem como sobre outros bens e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 91 21 53 /2 01 1- 14 Fl. 422DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 serviços específicos legalmente previstos, mas desde que demonstrada e comprovada a sua conexão com as atividades operacionais do contribuinte, nos termos previstos na lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.113, de 19 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 13884.912137/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que não se reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à(ao) COFINS não cumulativa(o) – Mercado Interno, e, por conseguinte, não se homologaram as compensações correspondentes. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do crédito pleiteado, alegando o seguinte: a) cometera equívoco no preenchimento do Dacon retificador transmitido em 11/01/2011 quanto à vinculação do crédito ao tipo de receita, tratando-se, portanto, de mero erro formal, erro esse já corrigido por meio de novos Dacons retificadores; b) a busca da verdade material é uma obrigação do servidor público competente, conforme doutrina e jurisprudência; c) o crédito é legítimo e anterior aos débitos compensados. Fl. 423DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 Informou o então Manifestante que, naquele momento, estavam sendo juntadas aos autos cópias de (i) documentos societários, (ii) despacho decisório, (iii) PER/DComps originais e retificadores e (iv) Dacons originais e retificadores. A DRJ converteu o julgamento em diligência à repartição de origem para que fosse reapreciada a compensação declarada pelo contribuinte, à luz do Dacon retificador apresentado depois do despacho decisório, em conformidade com o item 22.c do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, para fins de se confirmar ou não a existência do direito creditório pleiteado. Por meio do Despacho Decisório de Revisão da DRF, a autoridade administrativa de origem informou a não comprovação da liquidez e certeza do crédito. Ressaltou a autoridade administrativa que, devidamente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os créditos da(o) COFINS do período, o contribuinte não apresentou os documentos comprobatórios dos gastos por ele considerados geradores de crédito, como, por exemplo, as notas fiscais e os contratos. Ainda segundo o executor da diligência, os créditos pleiteados se referiam a bens e serviços não enquadráveis nos requisitos específicos para aproveitamento de créditos, itens esses identificados como insumos de produção e beneficiamento (metinjo), combustíveis e lubrificantes, manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção de suporte de software, aluguel, bens de pequeno valor, tratamento de efluentes, energia elétrica, encargos de depreciação de computadores, ferramental, instalações, máquinas e equipamentos, móveis e utensílios e amortização de software. Destacou a autoridade que, com exceção das edificações e benfeitorias, todas as demais hipóteses ensejadoras de créditos em relação aos bens do ativo imobilizado estavam restritas aos bens adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Cientificado dos resultados da diligência, o contribuinte apresentou peça identificada como Manifestação de Inconformidade, em que arguiu o seguinte, em síntese: 1) Ele veio a ser intimado para comprovar os créditos, ocasião em que informou não mais possuir os documentos fiscais do período de apuração dos autos, sendo apresentado, então, somente o livro Razão Contábil e destacada a ocorrência de prescrição para se analisarem as declarações de compensação; 2) a pessoa jurídica é obrigada a guardar os documentos fiscais e contábeis enquanto não prescritas as ações e atividades envolvidas no período (prazo quinquenal para se analisar a declaração de compensação), o que não significa que deva manter tais documentos até a conclusão de todos os processos pendentes; 3) a Receita Federal extrapolou o prazo para proferir a decisão sobre a Manifestação de Inconformidade; depois, extrapolou o prazo de cinco anos para a homologação da Declaração de Compensação, repassando Fl. 424DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 para o contribuinte o ônus da guarda dos documentos fiscais e contábeis pelo prazo superior ao do prazo de prescrição, o que não pode ser aceito. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundando-se nos seguintes argumentos e constatações: a) o fato de a autoridade fiscal ter emitido o Despacho Decisório de Revisão em nada macula o prazo para a homologação de declarações de compensação, uma vez que a repartição de origem não detinha competência, após a apresentação da Manifestação de Inconformidade, para emitir quaisquer atos decisórios – no caso o despacho decisório de revisão – passíveis de cancelamento ou revisão de ato anterior, pois a competência para se pronunciar, naquele momento processual, era privativa da autoridade julgadora, tendo-se em conta a diligência então determinada; b) a extinção de débitos por compensação é procedimento que se enquadra dentre aqueles que obrigam o contribuinte a conservar em ordem a documentação pertinente à apuração do crédito até que seja definitivamente concluída a análise do direito creditório ou sobre a compensação incida a homologação tácita, nos termos do art. 278 do Decreto nº 9.580/2018, que revogou o Decreto nº 3.000/1999; c) em casos de restituição, ressarcimento ou compensação, exige-se a apresentação dos documentos comprobatórios da inequívoca existência do direito creditório, de sua origem e de sua natureza (registros contábeis e documentos que respaldem tais registros), como pré-requisito ao reconhecimento do direito pretendido pelo contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o acolhimento das preliminares arguidas (ausência de fundamentação legal do acórdão recorrido e ofensa à ampla defesa e ao contraditório) e, no mérito, o reconhecimento do seu direito, repisando os argumentos de defesa, sendo aduzido, ainda, o seguinte, em síntese: 1) o acórdão recorrido encontra-se destituído de motivação fático-jurídica capaz de ensejar, de forma efetiva e contundente, a decisão proferida, em afronta à jurisprudência do CARF, tendo em vista a necessidade de motivação das decisões administrativas (art. 93, inc. X, da Constituição Federal); 2) a autoridade fiscal considerara que, pela descrição dos bens e serviços indicados para o pedido de ressarcimento, alguns não geravam direito a crédito e outros dependiam de comprovação, sem indicar, contudo, quais itens supostamente não geravam créditos e quais dependiam de comprovação, o que impossibilitou até mesmo o cumprimento da diligência; 3) é raso o fundamento da DRJ para não reconhecer a ocorrência de homologação da compensação, pois não esclarece as questões trazidas Fl. 425DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 pelo interessado até então no que diz respeito ao decurso de prazo superior ao previsto na legislação de regência, em especial, pela inexigibilidade legal de guarda e conservação de documentos por período superior ao previsto na lei (art. 264 do Decreto nº 3.000/1999 – atual art. 278 do Decreto nº 9.580/2018; art. 1.194 do Código Civil; e art. 37 da Lei nº 9.430/1996); 4) no que se refere aos documentos comprobatórios, relativos ao 3º trimestre de 2008, não é razoável exigir e nem há qualquer previsão legal para a sua guarda e conservação por período que supere o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador, consoante dispõe o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN); 5) partindo da boa-fé, bem como de determinações estabelecidas em lei, o Recorrente manteve os documentos exigidos pelo prazo que se obriga (5 anos), sendo certo que sua guarda e conservação implica em ônus (custos) relevantes às empresas, seja no meio físico (arquivos, espaços, armários, etc.) seja por meios digitais (HDs, nuvem, CDs, etc.), ou seja, requerer a apresentação de “provas” após mais de uma década de sua produção é um ato que inviabiliza a defesa da parte; 6) a diligencia que solicitou, intempestivamente, documentos que sequer figuravam na discussão inicial do procedimento, mostra-se inoportuna e descabida, evidenciando-se a busca por fundamento diverso para a negativa do direito do contribuinte; 7) a tais “provas” requeridas são prescindíveis, ante o vasto conjunto probatório existente nos autos, consubstanciado nas informações inseridas nos Dacons e demais informações existentes nas bases de dados da própria Receita Federal, bem como a documentação contábil já apresentada, dada a sua presunção de veracidade, tendo em vista o mero erro de preenchimento inicial do Dacon, o qual restou afastado pela retificação, esta aceita expressamente pelo órgão julgador; 8) a fim de demonstrar sua boa-fé e cooperação processual, o Recorrente demandou esforços e conseguiu recuperar uma grande maioria de documentos relacionados às operações ocorridas no período compreendido no 3º trimestre de 2008, o que apresenta, por oportuno, juntamente com este Recurso Voluntário, a fim de comprovar, em definitivo, o direito pleiteado; 9) o § 2º do art. 38 da Lei 9.784/1999 estipula que: “somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias”; 10) no caso em debate, discute-se o direito do Recorrente acerca da compensação de tributos e, aqui especificamente, o prazo para homologação dos pedidos de compensação apresentados, prazo esse de Fl. 426DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 cinco anos contados da data do protocolo do pedido, nos termos do art. 74, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996; 11) ocorrência de prescrição intercorrente, diante do fato de que a resposta ao recurso foi exarada em desacordo com o art. 24 da Lei nº 11.457/2007, que determina a prolação de decisão pela Administração Pública em até 360 dias. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte carreou aos autos, além de documentos societários, (i) planilha demonstrativa de notas fiscais e demais informações e (ii) cópias de notas fiscais. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que não se reconheceu o direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Interno, e, por conseguinte, não se homologaram as compensações correspondentes. O Recorrente tem como objeto social a indústria aeronáutica, desenvolvendo as seguintes atividades: (a) Serviços de usinagem e controle de qualidade de peças usinadas, destinadas ao setor aeronáutico; (b) fabricação de peças usinadas e ferramentaria para a indústna aeronáutica: (c) engenharia de controle de qualidade de peças usinadas, de ferramentas industriais e ferramentas de montagem para a indústria aeronáutica; (d) prestação de serviços de inspeção, medição tridimensional; (e) prestação de serviços de desenhos técnicos e elaboração de projetos para o setor aeronáutico; (f) prestação de serviços de consultoria em engenhada mecânica para o setor aeronáutico; (g) prestação de serviços de laudo e parecer técnico de engenharia para o setor industriai e aeronáutico; (h) prestação de serviços de desenvolvimento de projetos e estratégias de processo produtivo para o setor industriai e aeronáutico; (i) prestação de serviços de programação de máquinas CNC (para produção de peças usinadas) para o setor industriai e aeronáutico; (j) compra, transformação e venda de todos os tipos de peças, partes ou componentes Standard usinados, destinados do setor aeronáutico; (k) comércio, importação e exportação de peças, matéria-prima, insumos, acessórios e todos os demais produtos e subprodutos da indústria aeronáutica e conexos às demais atividades da Fl. 427DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 empresa; e (l) locação de máquinas e equipamentos comerciais e/ou industriais. Como se verifica do acima descrito, o objeto social do Recorrente é bastante amplo, abarcando um leque extenso de atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços, merecendo destaque, desde logo, que, durante todo o trâmite destes autos, que já dura mais de 15 anos (nas palavras do Recorrente), cuja origem se funda em créditos da contribuição não cumulativa, o interessado não traçou uma linha sequer acerca do seu processo produtivo e nem mesmo da natureza e da aplicação dos bens e serviços geradores de crédito em suas atividades produtivas ou na prestação de serviços, centrando sua defesa em questões prejudiciais de mérito, como decadência, prescrição, homologação tácita, prescrição intercorrente etc. Se originalmente o Recorrente pleiteara o reconhecimento de crédito e a homologação de compensações com base em informações por ele mesmo prestadas, de forma equivocada, à Receita Federal (Dacons originais e retificadores com erros de preenchimento), fato esse por ele mesmo admitido em sua Manifestação de Inconformidade, após a reabertura da análise dos fatos proporcionada pela diligência determinada pela Delegacia de Julgamento (DRJ), ele, devidamente intimado, acrescentou muito pouco aos autos no que tange à comprovação do seu pleito. Eis um trecho do documento contendo os resultados da diligência: O contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os Créditos da Cofins – aquisição no Mercado Interno Regime Não- Cumulativa, vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno dos meses de julho a setembro de 2006 (...), com ciência postal em 11/10/2019 (...). O interessado apresentou Resposta (...) em que, em síntese, informa: 1. ser empresa pertencente ao setor aeronáutico; 2. que goza do benefício da alíquota zero do PIS e da Cofins aplicado às suas vendas de produtos mercadorias e serviços no mercado interno (art. 6º do Decreto nº 5.171/2004 combinado com o art. 28 da Lei nº 10.865/2004); 3. que também possui receitas de exportação, sobre as quais não incide o PIS e a Cofins (art. 149 da CF/88, art. 5º da Lei nº 10.637/02 e art. 6º da Lei nº 10.833/03); 4. que é optante pelo Lucro Real, aplicando assim o Regime Não Cumulativo do PIS e da Cofins; 5. que a intimação recebida deseja analisar documentos hábeis das competências de julho a setembro do ano de 2006, mais de 13 (treze) anos após o lançamento do crédito tributário, requer, a destempo, ao contribuinte que este apresente documentos hábeis e comprobatórios das referidas competências, as quais já tiveram seu prazo de revisão de lançamentos por homologação (art. 147 do CTN) extintos, nos termos do art. 149, § único do CTN; 6. que o prazo para revisão de lançamento supra, extinto, pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, é de 5 (cinco) Fl. 428DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 anos, a contar do fato gerador nos que ser refere aos tributos cujo lançamento se processam por homologação; 7. que ao pagamento, uma das modalidades de extinção do crédito tributário, se inclui a compensação, na qual se insere o ato do intimado, por meio das referidas DCOMP’s relacionadas, nos termos do inciso II, art. 156 do CTN. Da mesma forma, também extinguem os mesmos créditos, os institutos jurídicos Decadência e Prescrição, presentes no mesmo artigo, no inciso V; 8. que o termo de início de contagem “dies a quo” para a decadência é a data do fato gerador; 9. que uma vez que a declaração prestada pelo sujeito passivo constitui o crédito tributário, não há mais de falar em decadência relativa ao montante declarado nos termo da Súmula 436 do STJ; 10. que quanto a apresentação de documentação hábil, observamos o disposto no art. 37 da Lei 9.430/1996 que dispõe sobre a Guarda de Documentos (até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários) que conjugamos com o art. 173 do CTN que prescreve o prazo extintivo do crédito tributário (5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado); 11. que os pedidos de compensação, ainda que pendentes de apreciação são considerados desde o seu protocolo; 12. que o prazo para homologação da compensação declarada será de 5 anos, cotado da data da entrega da declaração e compensação (Lei nº 10.833/2003); 13. que a Receita Federal tem o prazo máximo de 360 dias para proceder ao julgamento de processos da natureza da Intimação (art. 24 da Lei nº 11.457/2007); 14. que por qualquer forma de contagem de prazo, a análise desses créditos já não mais encontra amparo legal nessa ocasião, devendo ser considerados homologados de ofício pelo decurso de prazo; e 15. apresenta RELATÓRIO EXTRA CONTÁBIL – (...) e RAZÃO CONTÁBIL de algumas contas (...), como demonstração da origem dos referidos créditos. É o relatório. Passo a análise. Conforme acima demonstrado, intimado para apresentar prova documental do crédito pleiteado, o Recorrente se manifesta somente em relação a prejudiciais de mérito (decadência, prescrição, homologação tácita etc.), nada esclarecendo sobre a natureza do direito creditório. Os documentos então apresentados à Fiscalização se restringiram a planilhas, com identificações genéricas acerca dos itens geradores do crédito (“insumos de produção”, “benef. matls compra metinjo”, “bens de peq valor – GGF”, “manut/suporte de software – GGF”, “manut. maq. equip. – GGF” etc.) e a cópia de documento identificado como Razão Analítico Individual, em que constam, da mesma forma, contas genéricas referentes a registros de entradas, sem maiores esclarecimentos. Fl. 429DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 A Fiscalização, então, executando a diligência determinada pela DRJ e valendo-se dos Dacons retificados após a prolação do despacho decisório, bem como das esparsas informações prestadas pelo Recorrente, extraiu alguns dados que pudessem levar a uma tomada de decisão, vindo a decidir, como não poderia ser diferente, pela falta de comprovação do crédito reclamado. Em sede de Recurso Voluntário, arguindo que, após busca em arquivos e em depósitos, conseguira encontrar alguns documentos, o Recorrente traz aos autos cópias de notas fiscais e planilha relacionando-as, mas não tece uma linha sequer acerca da efetiva aplicação dos bens e serviços respectivos em suas atividades operacionais. Da referida planilha, extraem-se informações registradas nos seguintes termos: “insumo prod”, “amortização uso de software – CIF”, “beneficiamento”, “deprec - computadores e per – CIF”, “deprec - ferramental – CIF” etc. Nas notas fiscais, constam dentre as aquisições, a maior parte delas com itens identificados apenas por números, produtos descritos como “Shell Tellus 45 balde plástico”, “chave Allen”, “bateria alcalina Panasonic”, “broca” etc., dados esses que nada acrescentam à incipiente defesa de mérito do Recorrente. Não se pode ignorar que o procedimento adotado pelo Recorrente de apresentar algumas poucas provas apenas em sede de Recurso Voluntário não encontra supedâneo nas exceções à regra da preclusão probatória prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 1 . Não se pode ignorar que, nos termos do art. 69 da Lei 9.784/1999, encontrando-se o processo administrativo fiscal regido por lei própria, a ele se aplicam apenas subsidiariamente os preceitos daquela lei. Nesse contexto, por falta de defesa motivada e comprovada, a análise de eventual direito a desconto de créditos da contribuição não cumulativa encontra-se prejudicada nesta instância, tendo-se em conta, ainda, o pedido final genérico formulado pelo Recorrente, desacompanhado de qualquer esclarecimento adicional acerca da matéria, pois, conforme acima relatado, a defesa se centrou em questões prejudiciais de mérito. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 430DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 Dessa forma, nega-se provimento à matéria de mérito relativa ao desconto de créditos da contribuição não cumulativa. Feitas essas considerações, passa-se à análise dos fundamentos do Recurso Voluntário: I. Acórdão a quo. Ausência de motivação. O Recorrente alega que o acórdão recorrido encontra-se destituído de motivação fático-jurídica capaz de ensejar, de forma efetiva e contundente, a decisão proferida, em afronta à jurisprudência do CARF, tendo em vista a necessidade de motivação das decisões administrativas (art. 93, inc. X, da Constituição Federal). Do voto condutor do referido acórdão, extraem-se os trechos a seguir reproduzidos: Para o conceito de compensação, pode-se afirmar ser a forma de extinção das obrigações do mesmo gênero das pessoas que são, reciprocamente, credoras e devedoras entre si, até onde as dívidas se compensem. Para que tal encontro de contas possa ocorrer no contexto tributário, é imperioso que o crédito que o sujeito passivo afirma ter em seu favor atenda aos requisitos de certeza e liquidez, condição imposta pelo citado artigo 170 do CTN, impedindo a pretensa utilização do instituto da compensação quando não se configurar, por parte do contribuinte, a condição de credor perante a Fazenda Pública. No caso em análise, a discussão se dá em torno da comprovação do crédito de Cofins, no valor de R$ 10.688,08, apurado sob o regime não cumulativo, no mercado interno, em razão das vendas com suspensão, isenção, não incidência ou alíquota zero, que remanesceram ao final do 3º trimestre de 2006. Observe-se que, se o crédito, no caso do regime não cumulativo do PIS/Pasep e da Cofins, só é conhecido após a apuração demonstrada no Dacon, a análise de sua certeza e liquidez abrange, consequentemente, a confirmação das informações prestadas nesse mesmo Dacon, mormente quando retificado após a ciência do indeferimento do crédito, não homologando as compensações declaradas. (...) Como se constata, o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, confere à autoridade fiscal o prazo de cinco anos para confirmar a homologação da compensação declarada. No caso concreto, tal prazo não foi extrapolado, uma vez que o Despacho Decisório ora em análise foi emitido no prazo de cinco anos, a contar da data da transmissão da Dcomp. Esclarece-se que o fato de a autoridade fiscal ter emitido o Despacho Decisório de Revisão DRF/SJC/Seort nº 0365 em nada macula o dito no parágrafo anterior, uma vez que a DRF/SJC não tinha competência, após a apresentação da manifestação de inconformidade da contribuinte, para emitir quaisquer atos decisórios – no caso o Despacho Decisório de Revisão - passíveis de cancelamento ou revisão de ato anterior. A competência para se pronunciar, naquele momento processual, era privativa da autoridade julgadora. À DRF/SCJ competia tão somente realizar a diligência proposta. Fl. 431DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 Ademais, não há outra previsão legal relativa ao prazo para a autoridade fiscal homologar as compensações declaradas (homologação tácita), como no caso apontado pela contribuinte - demora na apreciação da manifestação de inconformidade. Portanto, resta afastado o pedido da contribuinte de se homologar tacitamente as compensações declaradas. (...) Como exposto no tópico anterior, o §5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, confere à autoridade fazendária o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada, o que compreende a confirmação da certeza e liquidez do crédito a que o contribuinte alega ter direito e sua suficiência para extinção dos débitos apurados. Portanto, a extinção de débitos por compensação é procedimento que se enquadra entre aqueles que obrigam o contribuinte a conservar em ordem a documentação pertinente à apuração do crédito até que seja definitivamente concluída a análise do direito creditório ou sobre a compensação incida a homologação tácita. Portanto, não é o caso de um prazo indefinido: encerra-se quando concluídos todos os procedimentos relacionados ao resultado da apuração apresentada, não somente os decorrentes de iniciativa exclusiva da autoridade fiscal (lançamento de ofício), como também aqueles derivados da iniciativa do contribuinte ao utilizar o crédito apurado para extinção de débitos por compensação declarada. (...) Nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, ou seja, quando a situação se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de crédito, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Destarte, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré-requisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte. (...) Portanto, a jurisprudência administrativa e judicial trazida pela recorrente não vincula o presente julgamento. (g.n.) Conforme se depreende dos excertos supra, o julgador analisou e fundamentou sua decisão, abrangendo questões relativas (i) à prova do crédito pedido em ressarcimento/compensação (certeza e liquidez), (ii) necessidade de conferência na escrita fiscal e nos documentos que a lastreiam dos valores informados em Dacon, este apresentado após a ciência do despacho decisório, (iii) prazo de cinco anos para homologação da compensação, (iv) inexistência de outros prazos relativos à homologação tácita nos casos da espécie ora analisados, (v) obrigação do sujeito passivo de manter e conservar os documentos pertinentes à apuração de créditos e (vi) necessidade de demonstração da efetiva existência do crédito. Considerando-se a decisão supra, em contraposição aos argumentos de defesa apresentados pelo Recorrente anteriormente à prolação do acórdão recorrido, conforme acima relatado, constata-se que a decisão foi devidamente motivada, devendo-se, portanto, afastar tais alegações do Recorrente. Fl. 432DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 II. Diligência. Análise dos créditos. O Recorrente argui que a autoridade fiscal considerara que, pela descrição dos bens e serviços indicados para o pedido de ressarcimento, alguns não geravam direito a crédito e outros dependiam de comprovação, sem indicar, contudo, quais itens supostamente não geravam créditos e quais dependiam de comprovação, o que impossibilitou até mesmo o cumprimento da diligência. Constata-se que, neste item, o Recorrente se reporta ao relatório contendo os resultados da diligência determinada pela DRJ, valendo-se um trecho específico do documento para alegar cerceamento do direito de defesa, sendo que o que se apontou ali pode ser interpretado nos seguintes termos: mesmo que eventuais bens ou serviços aplicados na produção ou na prestação de serviços pudessem ser enquadrados como insumos no contexto da não cumulatividade das contribuições, inexistia prova nos autos que possibilitassem a confirmação dos créditos. Reproduz-se o referido trecho do documento contendo os resultados da diligência: Documentos 03 e 04 da Resposta do Contribuinte O interessado apresentou, Quadro Auxiliar para Apuração dos Créditos de PIS e Cofins - Doc 03 (fl. 276 a 282) e Razão Analítico de algumas contas - Doc 04 (fl. 283 a 293), desacompanhados de documentos probatórios dos efetivos gastos (notas fiscais, contratos, etc). Em uma análise apenas teórica e ilustrativa, verificamos que até mesmo a descrição dos valores dividem-se em grupos que não geram crédito ou que além da efetiva comprovação do gasto exigiriam o enquadramento em requisitos específicos para aproveitamento de crédito. O Recorrente alega, ainda, que, na diligência, solicitaram-se, intempestivamente, documentos que sequer figuravam na discussão inicial do procedimento, mostrando-se inoportuna e descabida, evidenciando-se a busca por fundamento diverso para a negativa do direito do contribuinte. Neste ponto, o Recorrente extrapola o razoável, pois a diligência somente se mostrou necessária em razão dos equívocos por ele cometidos nos documentos transmitidos à Receita Federal, sendo que, se se mantivessem os limites do procedimento original, como ele defende, além da negativa do crédito decorrente de informações desconexas, a mesma decisão deveria ser tomada por falta de provas, pois um início de prova somente se apresentou na segunda instância. Logo, afasta-se aqui também a alegação do Recorrente. III. Acórdão recorrido. Compensação. Homologação tácita. Documentos. Fl. 433DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 Segundo o Recorrente, é raso o fundamento da DRJ para não reconhecer a ocorrência de homologação da compensação, pois não esclarece as questões trazidas pelo interessado até então no que diz respeito ao decurso de prazo superior ao previsto na legislação de regência, em especial, pela inexigibilidade legal de guarda e conservação de documentos por período superior ao previsto na lei (art. 264 do Decreto nº 3.000/1999 – atual art. 278 do Decreto nº 9.580/2018; art. 1.194 do Código Civil; e art. 37 da Lei nº 9.430/1996). Conforme abordado no item I deste voto, o julgador de piso deixou claro inexistir outro prazo à homologação tácita de declarações de compensação que não aquele do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, prazo esse não transcorrido, conforme muito bem esclarecido na mesma decisão. O Recorrente transmitiu a Declaração de Compensação em 07/02/2008 e teve ciência do despacho decisório em 18/01/2012, antes, portanto, do prazo acima referenciado. Em relação ao fato de ter a Fiscalização registrado os resultados da diligência solicitada pela DRJ como “despacho decisório de revisão”, conforme destacado pelo julgador a quo, em nada influi no referido prazo, pois, se revisão do despacho decisório original tivesse havido, ela decorrera dos equívocos até então cometidos pelo interessado em seus documentos (Dacons originais e retificadores e PER/DComps originais e retificadores). Para ilustrar o contexto fático, tem-se que, junto à Manifestação de Inconformidade, o Recorrente trouxe aos autos cópias de seis PER/DComps, originais e retificadores, e nove Dacons, também originais e retificadores, o que evidencia que, se algum desencontro de informações houve, ele decorrera da atividade do próprio interessado. O Recorrente se equivoca ao remeter a prazos extintivos que alcançam apenas as hipóteses de lançamento de ofício, ou seja, de constituição de crédito tributário, intencionando aplicar tais hipóteses normativas a um caso específico e restrito de compensação. Em relação aos prazos para guarda dos documentos fiscais que dão suporte aos créditos pleiteados pelo sujeito passivo, muito bem se pronunciou o julgador, pois, conforme dito por ele, amparando-se no art. 278 do Decreto nº 9.580/2018, que revogou o Decreto nº 3.000/1999, “nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, ou seja, quando a situação se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de crédito, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Destarte, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré-requisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte”. Fl. 434DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 No presente caso, o Recorrente pleiteara em PER/DComps transmitidos em fevereiro de 2008 créditos relativos ao período de apuração do 3º trimestre de 2006, num intervalo inferior a dois anos, ciente de que tal pedido se submeteria à análise da certeza e liquidez do crédito, salvo em caso de homologação tácita, cabendo a ele o dever de manter em guarda todos os elementos comprobatórios do seu pedido, sob pena de indeferimento peremptório por falta de prova, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN, verbis: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (g.n.) A declaração de compensação constitui confissão de dívida 2 , detendo, portanto, força de constituição do crédito tributário, sendo que, enquanto suspensa a sua exigibilidade por meio da interposição de recursos no âmbito do processo administrativo fiscal 3 , não haverá a possibilidade de a Administração tributária o exigir, razão pela qual, enquanto não prescrito o direito da Fazenda Pública de cobrar o crédito tributário, o sujeito passivo deverá guardar os documentos comprobatórios respectivos, sob pena de não reconhecimento do direito por falta de prova. O Recorrente argumenta, ainda, que as tais “provas” requeridas são prescindíveis, ante o vasto conjunto probatório existente nos autos, consubstanciado nas informações inseridas nos Dacons e demais informações existentes nas bases de dados da própria Receita Federal, bem como na documentação contábil já apresentada, dada a sua presunção de veracidade, tendo em vista o mero erro de preenchimento inicial do Dacon, o qual restou afastado pela retificação, esta aceita expressamente pelo órgão julgador. Quanto a esse último argumento, remete-se ao introito deste voto, em que se demonstra a ausência de comprovação efetiva do crédito pleiteado. Também aqui se rejeitam as alegações do Recorrente. 2 Lei nº 9.430/1996 (...) Art. 74 (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 3 CTN (...) Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 435DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-010.116 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.912153/2011-14 IV. Prescrição intercorrente. Por fim, o Recorrente alega a ocorrência de prescrição intercorrente, diante do fato de que a resposta ao recurso somente foi exarada em 11/10/2019, após mais de sete anos e meio, em desacordo com o art. 24 da Lei nº 11.457/2007, que determina a prolação de decisão pela Administração Pública em até 360 dias. Trata-se de matéria sumulada neste CARF, de observância obrigatória por parte dos conselheiros, verbis: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Afasta-se também tal alegação. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 436DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10384.003070/2009-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
Numero da decisão: 2002-006.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 07/13, relativo ao ano-calendário de 2006, exercício de 2007, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 11.492,77, incluindo multa de ofício e juros de mora. As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08/11, foram: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 30 70 /2 00 9- 52 Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 Dedução Indevida de dependente: Glosa do valor de R$ 1.516,32. correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. Bárbara Vitória Viana Rebouças Dedução Indevida com Despesa de Instrução Glosa do 'valor de R$ 2.373,84, indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para.sua dedução. Glosa do valor de R$ 2.373,84(Dois mil trezentos e setenta e três reais e oitenta e quatro centavos), indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 148,54, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial: Glosa do valor de R$ 20.245,00, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa do valor de R$ 20.245,00[Vinte mil duzentos e quarenta e cinco reais], indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de previsão legal para sua dedução, uma vez que o contribuinte adicionou diversas outras despesas . Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 08/13. Inconformado com a exigência, o contribuinte, apresentou impugnação em 29/06/2009, fls. 02 e 04, com as alegações a seguir parcialmente transcritas: “(...): I - OS FATOS Glosa do valor de R$1.516,32, correspondente a dedução indevida com dependente, por falta de comprovação da relação de dependentes, conforme abaixo discriminado. Glosa do valor de R$1.516,32( Hum Mil Quinhentos e Dezesseis Reais e Trinta e Dois Centavos), correspondente a dedução indevida com a dependente Bárbara Vitoria Viana Rebouças, uma vez que sua mãe Claudia Lireda Gomes Rebouças e pensionista do contribuinte em pauta. II -O DIREITO II. 1 - PRELIMINAR Improcedente o valor desta glosa de R$1.516,32( Hum Mil, Quinhentos e Dezesseis Reais e Trinta e Dois Centavos), pois a Bárbara Vitória Viana Rebouças, é filha de Elisabete Maria Ribeiro Viana que também é pensionista do contribuinte, mais na sua ação de Reconhecimento e Dissolução de União Estável (proc.80/05) ajuizada em 15/09/2005 e Sentenciado em 26/10/2005 na sua clausula V diz que o Sr Daniel Expedito Rebouças (pai) esta obrigado a custear todas as despesas da menor, portanto existe o grau de dependência com código de dependência (21) foi colocado correto na Declaração (doc. Anexo) II 2 -MÉRITOS Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 Portanto e improcedente esta cobrança visto que foi feito dentro da legalidade, ou seja, como determina o RIR/99. Seguem anexos copia da Ação de Reconhecimento e Dissolução de Unido Estável (proc.80105 homologação e ajuizada em15/09/2005 Sentenciada em 26/10/2005 e Certidão da 2ª e vara e 4ª vara de família, em que são autores o Sr DANIEL EXPEDITO REBUÇAS e ELISABETE MARIA RIBEIRO VIANA, copia do Registro de Nascimento da menor Bárbara Vitória Viana Rebouças. (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) (...).” Aos autos o contribuinte anexou os documentos de fls. 05/98. É o relatório. A decisão de primeira instância foi proferida com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 Deduções. Despesas com pensão alimentícia judicial O valor pago a título de Pensão Alimentícia, pode ser dedutível para efeito de apuração da base cálculo do imposto de renda devido quando devidamente comprovado, conforme a legislação tributária exige, não podendo ser deduzida concomitantemente pelo mesmo contribuinte de valores pagos a título de pensão alimentícia e dos dependentes a quem se paga a pensão. Deduções. Dependentes. Para efeito de dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é necessária a comprovação da relação de dependência, contudo é vedada a dedução simultânea pelo mesmo contribuinte de valores pagos a título de pensão alimentícia e dos dependentes a quem se paga a pensão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 Matéria não impugnada. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, devendo ser declarada definitiva, na esfera administrativa, a exigência do crédito tributário lançado. Ciente do acórdão da DRJ em 17/04/2013, o(a) contribuinte, em 17/05/2013, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em apertado resumo, que: a) dedução de pensão alimentícia está comprovada pelos documentos acostados aos autos b) possibilidade de dedução de pensão alimentícia concomitante com a dedução de dependente É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 O recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Como pontuado pela decisão de piso, o contribuinte não apresentou impugnação quanto as autuações referentes a dedução com dependente e dedução indevida de despesas médicas. Ainda, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Da pensão alimentícia A dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda está prevista no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto 3.000/99) e no artigo 4º da Lei nº 9.250/1995: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º).(grifos nossos) Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; Como colacionado acima, nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. A DRJ foi precisa ao analisar o presente caso, fazendo o cotejo de toda a legislação atinente à matéria, motivo pelo qual mantenho a decisão de piso, por seus próprios fundamentos, que passo a transcrever: Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 GLOSA DA DEDUÇÃO COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL A dedução da base de cálculo do imposto de renda apurada na declaração de ajuste do valor relativo a pensão alimentícia é permitida pela Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu artigo 8°, II, alínea “f”, reproduzido no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, como segue: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais”; “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º)”. Tem-se, ainda, que citar o que está transcrito no art. 49 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001: Art. 49. Podem ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Parágrafo único. É vedada a dedução cumulativa dos valores correspondentes à pensão alimentícia e a de dependente, quando se referirem à mesma pessoa, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano calendário. Posteriormente, com a edição da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007, a dedução prevista no art. 49 da IN SRF nº 15, de 2001, foi disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 867, de 8 de agosto de 2008, a qual passou a facultar a escritura pública como Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 forma legítima para dispor sobre pensão alimentícia para fins de dedução do imposto de renda: Art. 1º Os arts. 2º e 3º da Instrução Normativa RFB nº 803, de 28 de dezembro de 2007, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 2º (...) I - as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (...). Art. 3º (...). § 1º (...). I - as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil; (...). Nos termos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, todas as deduções estão sujeitas a comprovação, senão vejamos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). Como se vê, para a dedução da despesa em tela a legislação acima transcrita exige o efetivo pagamento da importância e que este seja a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. No presente caso, o contribuinte declarou o valor de R$ 26.472,00 a título de pensão alimentícia, fl. 19. A fiscalização em revisão de ofício da Declaração de Ajuste Anual, glosou o valor de R$ 20.245,00, fl. 11. O contribuinte em sua impugnação apresentou a documentação de fls. 20/98. Inicialmente será analisada a pensão alimentícia em nome da Sra. Elisabete Maria Ribeiro Viana, a qual foi declarada no valor de R$ 14.472,00, fl. 18. No presente caso o contribuinte anexou a petição inicial do processo consensual entre o mesmo e a Sra. Elisabete Maria Ribeiro Viana, referente ao “PEDIDO DE RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DE ENTIDADE FAMILIAR DE UNIÃO Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 ESTÁVEL CONSTITUÍDA ENTRE AMBOS, E A HOMOLOGAÇÃO CONCOMITANTE DO SEU DISTRATO, NOS TERMOS DO INSTRUMENTO RESCISÓRIO ANEXO, QUE DEFINE INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA, ALIMENTOS, GUARDA DE MENOR E OUTRAS OBRIGAÇÕES”, fls. 22/32. Anexou ainda, Certidão emitida pelo Poder Judiciário da Comarca de Teresina, datada de maio de 2006, fl. 20, onde consta que a Ação de Reconhecimento e Dissolução de União Estável entre o contribuinte e a Sra. Elisabete Maria Ribeiro Viana, foi ajuizada em 15/09/2005 e sentenciada em 26/10/2005, conforme homologação transcrita na própria declaração. Observa-se que o contribuinte comprovou a obrigação de pagar pensão alimentícia a Sra Elisabete Maria Ribeiro Viana, assim como a legalidade da sua dedução, a partir do mês de outubro de 2005. Contudo deve o mesmo também comprovar a efetividade do pagamento da referida pensão, para o ano de 2006. Aos autos o contribuinte anexou os recibos assinados pela Sra. Elisabete Maria Ribeiro Viana, onde consta que a mesma recebeu durante o ano de 2006, a quantia total no valor de R$ 6.150,00, fls. 53/64. Anexou, também, os comprovantes de transferências entre conta corrente do contribuinte para a Sra. Elisabete Maria Ribeiro Viana, fls. 64/75. Assim, para o ano em questão o contribuinte logrou comprovar o valor de R$ 6.150,00, a título de pensão alimentícia em nome da Sra. Elisabete Maria Ribeiro Viana. Agora passaremos a analisar a pensão alimentícia em nome da Sra. Claudia Lireda Gomes Neto, a qual foi declarada no valor de R$ 12.000,00, fl. 18. Foi anexado a cópia da Petição Inicial de Ação de Divorcio, entre o contribuinte e Claudia Liredo Gomes Neto, fls. 34/35. Anexou ainda, Termo de Audiência datada de 2001, a qual consta homologação do acordo do divorcio litigioso em consensual, onde a guarda dos filhos Diego Gomes Rebouças, Dania Gomes Rebouças e Carla Daniela Gomes Rebouças ficou compartilhada sob a responsabilidade de ambos os cônjuges, e devido a guarda compartilhada dos filhos ambos os cônjuges contribuirão para manutenção, educação, saúde, alimentação e laser dos filhos cada um na suas possibilidades vencimentais, fl. 36. O contribuinte anexou, ainda, os recibos de fls. 41/53, onde consta que a Sra. Claudia Lireda Gomes Neto recebeu durante o ano de 2006 o valor de total de R$ 12.000,00, a título de pensão alimentícia. De acordo com a Declaração de Ajuste Anual exercício 2007, fls. 17, observa-se que o contribuinte informou como dependentes os filhos Diego Gomes Barbosa e Carla Daniele Gomes Barbosa. Contudo, de acordo com a legislação tributária, é vedado ao responsável pelo pagamento de pensão alimentícia a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência do decorrer do ano- calendário. Assim, não é permitido ao contribuinte a dedução simultânea na declaração de ajuste anual de pensão alimentícia e do dependente a quem paga pensão (no caso, os filhos). Logo, considerando que o contribuinte informou seus filhos Diego Gomes Barbosa e Carla Daniele Gomes Barbosa, com a Sra. Claudia Lireda Gomes Neto, como dependentes na sua declaração, não poderia concomitantemente deduzir o valor da pensão alimentícia. Conclui-se que a dedução no valor de R$ 12.000,00 a título de pensão alimentícia a Sra. Claudia Lireda Gomes Neto foi indevida. Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-006.993 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.003070/2009-52 Como pontuado, ou o contribuinte informa em sua declaração determinada pessoa como dependente ou como alimentando, sendo impossível a dedução de ambas as despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. Thiago Duca Amoni - Relator Fl. 163DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13864.000487/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. APROVEITAMENTO.
Comprovado o recolhimento da contribuição em época própria, deve o mesmo ser alocado ao lançamento para aproveitamento dos valores então recolhidos a fim de abater o crédito tributário lançado.
Por outro lado, deve ser mantido o lançamento quando os recolhimentos efetuados não se mostrarem suficientes para englobar todo o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2201-010.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário lançado para a competência 05/2007.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. APROVEITAMENTO. Comprovado o recolhimento da contribuição em época própria, deve o mesmo ser alocado ao lançamento para aproveitamento dos valores então recolhidos a fim de abater o crédito tributário lançado. Por outro lado, deve ser mantido o lançamento quando os recolhimentos efetuados não se mostrarem suficientes para englobar todo o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário lançado para a competência 05/2007. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 127/139, interposto contra decisão da DRJ em Campinas/SP de fls. 101/105, a qual julgou procedente o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, destinada ao SAT/RAT, conforme descrito na NFLD nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 87 /2 01 0- 92 Fl. 258DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 37.298.764-8, de fls. 02/12, lavrado em 07/12/2010, referente às competências de 04/2007 e 05/2007, com ciência da RECORRENTE em 14/12/2010, conforme AR de fl. 46. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo possui o valor histórico de R$ 667.157,65, já inclusos juros e multa de mora e multa de ofício. De acordo com o relatório fiscal (fls. 13/17), a atividade preponderante da contribuinte é a fabricação de aeronaves, segundo a própria codificação adotada pelo mesma (CNAE fiscal 3041-5/00 – Fabricação de Aeronaves; e CNAE 55.31-9 – Construção e montagem de aeronaves), cuja alíquota RAT é de 3%. No curso da fiscalização, a contribuinte foi intimada a prestar todas as informações sobre eventuais processos judiciais que digam respeito às contribuições previdenciárias, e informou a existência de ação judicial a respeito do RAT. A autoridade fiscal constatou que, ao apresentar a GFIP, a contribuinte informou “zero” como alíquota de RAT ao invés de lançar “1%”, correspondente ao grau de risco leve, conforme explicitado em decisão judicial por ela obtida, como devidamente especificado no referido relatório fiscal e colacionado abaixo (fl. 16): II.2.3.l.l. Ação Ordinária 2005.34.0l6555-l. Segundo informações escritas prestadas pelo contribuinte e corroboradas por consulta aos acórdãos constantes nos sítios da internet dos correspondentes Tribunais, a empresa move ação judicial: Ação Ordinária 2005.34.016555-l – 2º Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal; na qual obteve Tutela Antecipada, em decisão de 17/07/2008, para “até decisão final na presente ação, suspender em relação a autora a exigibilidade da contribuição para o SAT cobrada em alíquota superior àquela fixada para o grau de risco acidentário leve no período compreendido entre 1995 e a edição do Decreto nº 6.042/2007.” Ainda conforme certidão apresentada pelo contribuinte, referendada por consulta ao sitio http://\vww.trfl.jus.br. em 06/l2/2010, os efeitos da tutela antecipada permanecem em vigor. Não houve trânsito em julgado. II.2.3.2. O presente AI apura os créditos decorrentes da aplicação da alíquota de 1% de RAT, não declarada pelo contribuinte em GFIP, uma vez que, os valores recolhidos por meio de GPS não foram suficientes para a quitação plena da contribuição devida a título de RAT (Vide DD, RDA e RADA). Quanto à multa aplicada sobre as contribuições devidas, após comparação da multa constante na legislação que estava em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores e de transmissão das GFIP’s (Lei 8.212/9l, Art. 32, §5, na redação dada pela Lei 9.528/97 e art. 35, Inc. II, alínea “a”, da Lei 8.2l2/9l, na redação dada pela Lei nº 9.876/99) com a inovação trazida pela MP 499/2008 (alterações no art. 35 e a inclusão do art. 35-A), devidamente demonstradas em tabela, à fl. 19, a fiscalização aplicou o que segue: l.5.l. Multa de mora de 24%; Aplicada sobre as contribuições devidas apuradas para a competência 05/2007; conforme determinavam as legislações em vigor quando da ocorrência dos fatos geradores e quando da apresentação das GFIP com omissões. 1.5.2. Multa de oficio de 75%, conforme determina a legislação vigente: Aplicada sobre as contribuições devidas apuradas para a competência 04/2007. l.5.3. Multa de oficio de 75%. para as contribuições devidas apuradas para a competência 04/2007 em decorrência da aplicação do princípio da retroatividade Fl. 259DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 benigna, conforme previsto no Art. 106, inc. II, alínea “c”, do CTN - Código Tributário Nacional. Por fim, a fiscalização informa que foram lavrados demais autos de infração em desfavor da RECORRENTE: Válido mencionar que o valor correspondente à diferencial de alíquota RAT (de 1% para 3%) foi objeto de outro lançamento específico (NFLD 37.298.763-0), por se encontrar sub judice (fl. 17). Ou seja, o valor objeto deste processo corresponde à alíquota RAT que seria incontroversa (1%), nos termos da decisão judicial obtida pela contribuinte. Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 55/65, mediante postagem, em 12/01/2011. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Campinas/SP, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: A impugnação apresentada de folhas 53/63 relata sumariamente a motivação do Auto de Infração e inicialmente requer a insubsistência do lançamento tendo em vista que houve o recolhimento total da parcela tida como devida pela fiscalização, para tanto elabora as planilhas demonstrativas em referência às competências envolvidas indicando os cálculos estimados pelo contribuinte. Argumenta que o lançamento não apresenta motivação suficiente que permita o prosseguimento, “haja vista o pagamento integral do valor ora cobrado” ademais o ato praticado pela fiscalização padece de falta de clareza, imprecisão e indeterminação, deixando de explicitar adequadamente os motivos que ensejaram a cobranças das referidas importâncias, por conseguinte impede a verificação adequada por parte do impugnante da realidade fática que desencadeou o ato. Infere que o lançamento não pode surtir o efeito desejado ante a nulidade de forma que o contamina, por ausência de motivação e pelo incontestável pagamento do crédito firmado. Protesta, por fim pela apresentação superveniente de novas provas e documentos. Fl. 260DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Campinas/SP julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 101/105): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2007 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, APROPRIAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. FATOS GERADORES DECLARADOS EM GFIP. PRIORIDADE. ÓNUS DA PROVA.PRECLUSÃO. No caso de lançamento de ofício dos tributos lançados por homologação os recolhimentos efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo devem ser utilizados, prioritariamente, para extinguir a parcela do crédito tributário correspondente aos fatos por ele mesmo reconhecidos como tributáveis. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações. Preclui o direito de o impugnante apresentar provas documentais em momento processual fora do prazo de impugnação, salvo as situações previstas no art. 16, § 5°, do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 02/05/2011, conforme AR de fl. 117, apresentou o recurso voluntário de fls. 127/139, mediante postagem (fl. 126), em 30/05/2011. Em suas razões, reitera parcialmente os argumentos iniciais da impugnação, ao tempo em que alega que não houve recolhimento a menor da contribuição ao RAT, que houve o pagamento integral pela Recorrente e não apenas parcial, que os documentos anexados à Impugnação comprovam o integral recolhimento do RAT e que houve apenas erro de preenchimento de GFIP, na qual a RECORRENTE informou zero a título de alíquota de RAT, quando deveria informar 1%, mas que efetuou recolhimento da contribuição do RAT nos exatos termos permitidos judicialmente, ou seja, reitera, que o valor devido a título de RAT foi corretamente expresso na GFIP, apenas a alíquota encontrava-se equivocada. Assim, concluiu que, se o valor apurado pelo Fiscal autuante a título de RAT nas duas competências foi o mesmo pago integralmente pela Recorrente e o mesmo que consta da GFIP, não há dúvidas da improcedência do presente auto de infração. Ato contínuo, inova nas argumentações ao tempo em que alega a necessidade de ser o lançamento retificado para constar sua exigibilidade suspensa e não ativa com a cobrança Fl. 261DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 de juros, nos moldes estabelecidos pela decisão judicial proferida nos autos do processo n° 2005.34.00.016555-1, a qual relata estar plenamente vigente e eficaz, momento em que colaciona trecho da liminar concedida naqueles autos para embasar seus argumentos. Dessa forma, conclui que uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não pode a Administração cobrar do contribuinte o pagamento do mesmo, incluindo juros, momento em que aproveita para alegar o não cabimento da exigência de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC em casos de suspensão de exigibilidade do crédito tributário e a configuração de confisco tributário. Por fim, requer a nulidade do lançamento. Em anexo ao recurso, apresenta: GPS e GFIP que alega comprovarem o recolhimento da contribuição ao RAT - 04 e 05/2007, bem como o resumo de Fechamento - 04 e 05/2007 (fls. 152/160). Cópia do Recurso Voluntário do Processo Administrativo n° 13864.000488/2010-37 (apenso – obrigação acessória), Auto de infração n° 31.298.165-6 (fl. 162/171). Da exclusão do DCG 37.361.625-2 no processo de nº 16062.000358/2011-17 À fl. 212, a SECAT informa que encaminhou cópia (fls. 213/218) dos documentos constantes das fls. 377/382 do processo n° 16062.000358/2011-17, DCG 37.361.625-2 (débito confessado em GFIP), tendo em vista que foi emitido o PARECER SECAT/DRF/SJC N° 16062.034/2012, bem como realizado o ajuste da GPS de 05/2007 a fim de alterar seu código de recolhimento para 2100. O valor de tal GPS não foi considerado no presente AI por ter sido recolhida com o código 2631, reconhecendo que tal ajuste foi autorizado pelo Gabinete daquela DRF e que se tal ajuste fosse considerado pela fiscalização, “não geraria o AI principal e tão somente o acessório que deverá ser mantido” (fl. 215): Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 O PARECER SECAT/DRF/SJC N° 16062.034/2012 encontra-se à fl. 217 e o Despacho Decisório dele oriundo encontra-se à fl. 218. Em razão da decisão proferida nos autos do processo nº 16062.000358/2011-17, DCG nº 37.361.625-2, a RECORRENTE apresentou nova defesa, às fls. 220/223, em 17/05/2012, relatando o que segue. Em primeiro plano a RECORRENTE reitera os fatos ocorridos até o momento da apresentação de sua defesa, bem como acerca da alegação de comprovação de recolhimento existente nos autos, integralmente pago por meio de GPS, conforme corretamente declarado em GFIP em montante idêntico ao levantado pela Autoridade Autuante, sendo certo que não houve pagamento a menor, nem informação de RAT em valor inferior ao devido, apenas menção à alíquota de forma equivocada, por erro material. Quanto a decisão proferida nos autos do processo nº 16062.000358/2011-17, relata que, com relação à competência de 05/2007 (a mesma do presente AI - contribuições destinadas ao RAT, aplicada a alíquota de 1% sobre o valor da remuneração dos empregados), a empresa apresentou cópia do pedido de ajuste da GPS para alteração do código de recolhimento de 2631 para 2100, a qual foi deferida. Assim, ressalta a identidade da divergência apurada pelo Fisco em relação à competência de RAT 05/2007 no processo 16062.000330/2011-71 - DCG 39.863.277-4, com a do presente auto de infração, que a fiscalização reconheceu o erro na informação do código da GPS (no valor de R$ 446.226,68) fazendo com que esse pagamento não estivesse vinculado a qualquer tipo de débito, e que o lançamento fiscal do presente auto de infração nº 37.298.764-8 não contemplou tais valores, o que deveria ser feito, com a sua apropriação. Assim, requer que o Fisco reconheça parcialmente a improcedência do presente lançamento, em relação à competência de 05/2007, conforme comprovam os documentos da respectiva decisão em anexo aos autos. Em anexo à defesa, apresenta documentos extraídos do processo 16062.000.330/2011-71, às fls. 229/254. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De início, entendo que não merece conhecimento o tópico III do recurso (IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA NO PERÍODO E SUSPENSÃO JUDICIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO – fls. 134 e ss) por ser argumento Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 novo trazido apenas em sede recursal, cuja análise não foi enfrentada pela autoridade julgadora de primeira instância, não havendo qualquer menção sobre tal tema na decisão recorrida. MÉRITO Da Alegação de recolhimento da Contribuição ao RAT e erro de preenchimento de GFIP A RECORRENTE alega em suas defesas que houve recolhimento da contribuição do RAT, que os documentos anexados à Impugnação comprovam tal fato, demonstrando que houve apenas erro de preenchimento de GFIP, na qual a RECORRENTE informou “zero” a título de alíquota de RAT, quando deveria informar 1%, mas que efetuou recolhimento da contribuição do RAT nos exatos termos permitidos em razão de decisão judicial. Pois bem, o presente lançamento, como devidamente descrito no Discriminativo do Débito – DD (fls. 05/06) e no relatório de lançamentos (fl.18), diz respeito aos levantamentos G1 (04/2007) e G2 (05/2007), RAT não declarado em GFIP: Em julgamento de piso, a DRJ entendeu que o contribuinte não logrou êxito na demonstração do pagamento integral do valor ora discutido. Ocorre que, após julgamento da DRJ, a SECAT encaminhou cópia (fls. 215/218), dos documentos constantes das fls. 377/382 do processo n° 16062.000358/2011-17, DCG 37.361.625-2 (lançamento de débito confessado), tendo em vista que foi emitido o PARECER Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 SECAT/DRF/SJC N° 16062.034/2012, bem como realizado o ajuste em GPS relativa à competência 05/2007, no valor de R$ 446.226,68, cujo valor não foi considerado no presente AI, mas que já poderia ser feito em razão do deferimento da alteração do código de recolhimento da GPS (de 2631 para 2100), as quais foram entendidas como corretas, havendo a exclusão do respectivo DCG, competência de RAT 05/2007, e gerado apenas o AI de obrigação acessória. Quando da apreciação do recurso hierárquico interposto pela contribuinte nos autos do DCG 37.361.625-2, a autoridade fiscal explicitou que, de fato, tal GPS de R$ 446.226,68 não foi aproveitada no presente lançamento (fls. 242/243): A GPS no valor de R$ 446.226,68, cujo aproveitamento foi deferido pela autoridade fiscal ao apreciar recurso nos autos do DCG 37.361.625-2, encontra-se à fl. 247. Neste sentido, ao contemplar tal GPS no RADA de fl. 08, verifica-se que, de fato, não há mais que se falar em diferenças a recolher em relação à competência 05/2007. Isto porque, quando do lançamento, a autoridade fiscal considerou apenas 2 GPSs para referida competência (uma de R$ 141.724,45 e outra de R$ 20.920.519,47 – conforme fl. 07) que se mostraram insuficientes para acobertar todo o valor devido pois, após alocar os respectivos recolhimentos às contribuições dos segurados e patronais, restou apenas um saldo de R$ 348.179,52 para fazer frente à contribuição destinada ao SAT/RAT, a qual foi inicialmente apurada em R$ 663.778,39, sendo a diferença (R$ 315.598,87) objeto de cobrança deste lançamento. As GPSs aproveitadas encontram-se detalhadas à fl. 07, onde se verifica não haver nenhuma no valor de R$ 446.226,68. Assim, considerando um recolhimento adicional de R$ 446.226,68, tal valor mostra-se mais que suficiente para fazer frente ao crédito tributário lançado em relação à competência 05/2007 (R$ 315.598,87). No entanto, o mesmo não se observa em relação à competência 04/2007. Conforme bem expôs a autoridade julgadora de primeira instância, o mesmo RADA de fl. 08 é claro ao apontar que os recolhimentos efetuados pela RECORRENTE por Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-010.097 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000487/2010-92 meio das 3 GPSs consideradas (detalhadas à fl. 07) não foram suficientes para fazer frente ao total de contribuições previdenciárias apuradas considerando um RAT de alíquota 1%. Assim como ocorreu em relação à competência 05/2007, na competência 04/2007 foram alocados os respectivos recolhimentos às contribuições dos segurados e patronais, e restou um saldo de R$ 561.909,00 para fazer frente à contribuição destinada ao SAT/RAT, a qual foi apurada em R$ 635.900,54, sendo a diferença (R$ 73.991,54) objeto de cobrança deste lançamento. No entanto, para a referida competência de 04/2007, não houve uma situação superveniente reconhecendo qualquer recolhimento adicional já efetuado pela contribuinte, assim como ocorreu para a competência de 05/2007. A RECORRENTE pretende afastar a cobrança ao argumento de que a GPS por ela recolhida no valor de R$ 20.099.031,98 (fl. 91) já contemplou o valor do RAT ora lançado (conforme resumo de fechamento de fl. 90). No entanto, conforme relatório de fl. 07, referida GPS já foi inteiramente aproveitada neste lançamento e, adicionalmente a outras duas GPSs (nos valores de R$ 252.021,71 e R$ 1.744.012,57), não se mostraram suficientes para fazer frente ao crédito tributário apurado. É preciso esclarecer que os recolhimentos efetuados foram alocados a outras contribuições efetivamente devidas pela contribuinte, sobre as quais não houve questionamento. Neste sentido, não há motivo para retificar o lançamento relativo à competência 04/2007. Ademais, importante esclarecer que a autoridade fiscal aproveitou os recolhimentos efetuados pelo contribuinte para abater o valor da contribuição devida ao RAT mesmo diante da ausência de indicação de alíquota em GFIP. Contudo, como exposto, tais recolhimentos não se mostraram suficientes para englobar todo o crédito tributário apurado considerando-se uma alíquota RAT de 1%. Diante disto, conclui-se que o erro no preenchimento da GFIP (informar “zero” quando deveria informar 1% a titulo de RAT) não foi o fundamento basilar para a manutenção do lançamento; este restou parcialmente mantido pela constatação de recolhimento insuficiente. Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, tendo em vista a comprovação do recolhimento total da contribuição ao RAT em relação à competência 05/2007, havendo apenas o erro de preenchimento na GFIP quanto à alíquota devida, entendo que caberia apenas o lançamento da infração referente ao descumprimento de obrigação acessória em tal competência, como bem dispõe o julgamento do processo n° 16062.000358/2011-17, DCG 37.361.625-2. No entanto, nada a modificar em relação à competência 04/2007. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas, para cancelar o lançamento relativo à competência 05/2007. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 266DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000237/2001-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica e de combustíveis, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.363/96, por força da Súmula nº 13 do Conselho de Contribuintes.
CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3302-000.408
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Relator, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: GILENO GURJÃO BARRETO
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BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica e de combustíveis, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.363/96, por força da Súmula nº 13 do Conselho de Contribuintes. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Relator, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 2672DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redatordesignado EDITADO EM: 29/09/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo G. Barbieri, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão DRJ/POA 108.946, de 13 de julho de 2006: O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei nº 9.363, de 16 de dezembro de 1996, para ressarcirse do valor das contribuições para o PIS e a Cofins, incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao 2º trimestre de 2001, no valor de R$ 170.971,69, conforme pedido da fl. 01, tendo apresentado, na fl. 404, pedido de ressarcimento complementar, no valor de R$ 177.737,67, totalizando o pedido de ressarcimento a importância de R$ 348.709,36. Apresentou pedidos de compensação, nas fls. 02 e 402. O pedido foi indeferido parcialmente pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Blumenau, fls. 1130 a 1136, em 07 de dezembro de 2005, com ciência do interessado em 15 de dezembrode 2005, (Aviso de Recebimento na fl. 1141), autorizando o ressarcimento no valor de R$ 162.978,74, fundamentado nas seguintes exclusões na determinação da base de cálculo do benefício: a) das aquisições de produtos rurais de pessoas físicas, em função da vedação contida no parágrafo 2º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, bem como as aquisições de cooperativas de produtores, que não geram direito ao crédito presumido, conforme dispõe o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 103, de 30 de dezembro de 1997; b) das aquisições de energia elétrica e serviços de industrialização por encomenda, que somente podem ser incluídas no cálculo do crédito presumido a partir da edição da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, que criou regime alternativo de apuração, à opção do contribuinte; c) das aquisições e respectivos estoques de produtos que não podem ser considerados matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) ou material de embalagem (ME), tais como Fl. 2673DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 2 3 materiais de construção, materiais de uso e consumo, cavaco, lenha, Vibatex FPT e óleo combustível, nos termos do parágrafo único do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, e à luz do disposto no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 06 de novembro de 1979; e d) dos valores correspondentes às devoluções de insumos adquiridos pela requerente, bem como das compras para comercialização. Discordando do indeferimento parcial do seu pedido de ressarcimento, como relatado acima, o requerente, representado pelo seu procurador (instrumento de mandato na fl. 1162), apresentou manifestação de inconformidade, no devido prazo, em 06 de janeiro de 2006, nas fls. 1142 a 1161, alegando, em síntese, o que segue: Inicialmente, após discorrer sobre a legislação que instituiu o ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados no processo produtivo destinado à exportação, alega a impossibilidade jurídica de instrução normativa inovar matéria disciplinada em lei, discorrendo sobre o art. 100 do Código Tributário Nacional, citando doutrinadores e dizendo que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal, em especial as de nºs 27/97, 103/97 e 419, de 10 de maio de 2004, não podem inovar a Lei nº 9.363, de 1996, sob pena de violação do princípio da Legalidade. Afirma a recorrente que não há, na Lei nº 9.363, de 1996, nenhuma vedação à utilização dos valores de compra de mercadorias advindas dos produtores rurais (pessoas físicas) e de cooperativas de produtores, bem como relativos à energia elétrica, serviços de industrialização por encomenda, óleo combustível, materiais de construção, cavaco, lenha e Vibatex FPT, por todos eles figurarem como matériasprimas ou produtos intermediários no processo de industrialização para exportação, citando julgados do STJ e do Conselho de Contribuintes, na mesma linha de argumentação defendida pelo impugnante. No que concerne às aquisições de produtos rurais de pessoas físicas e de cooperativas, diz que são matériasprimas para a produção dos artigos têxteis, tais como algodão e fios, sendo pertinente sua utilização para a apuração do montante de crédito presumido de IPI. Quanto às aquisições de energia elétrica e de serviços de industrialização por encomenda, argumenta que a Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum vedou a utilização da energia elétrica e dos combustíveis, mas tão somente silenciou, porque não havia necessidade de explicitar um insumo que já se encontrava dentro do conceito de matériaprima e de produto intermediário. Afirma que a elaboração da Lei nº 10.276, de 10 Fl. 2674DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 de setembro de 2001, veio para acabar com as dúvidas existentes e explicitar a possibilidade de ressarcimento das contribuições incidentes nas aquisições de energia elétrica, combustíveis e industrialização por encomenda, como insumos no processo de industrialização. Por último, insurgese contra a decisão que excluiu da base de cálculo do crédito presumido os valores correspondentes à aquisição de material de construção, cavaco, óleo combustível, lenha e Vibatex FTP, fazendo um relato sobre a participação desses produtos no processo de industrialização, como produtos intermediários. Com base nos argumentos apresentados, a DRJ de Porto Alegre, em 13 de julho de 2006, através do acórdão n° 108.946, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório de fls. 1130 a 1136 em sua integralidade. Considerou não ser cabível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre matéria prima adquirida de pessoas físicas e cooperativas, com base no art. 1º da Lei nº 9.363 de 1996, bem como não considerou passível de aproveitamento os demais produtos glosados pelo Despacho Decisório, tais como a energia elétrica, combustíveis, lenha, materiais de construção, entre outros utilizados pela contribuinte e já citados anteriormente, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, que dão direito ao crédito de IPI. Através do aviso de recebimento de fl. 1188, a contribuinte tomou ciência do teor do acórdão, em 03.08.06. Inconformada, em 01.09.06, a requerente interpôs recurso voluntário, no qual, preliminarmente, argüiu pela necessária observância pelos Órgãos Julgadores da Administração Fazendária aos argumentos de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das leis e atos normativos. Quanto ao mérito, após realizar considerações gerais acerca da origem e motivação para a criação do crédito presumido de IPI, questionou a utilização de instruções normativas como base para a decisão dos julgadores de 1ª instância, uma vez que tais instrumentos não poderiam se sobrepor às leis, em específico, a Lei n° 9.363/96, com base no art. 100 do CTN, que consideraria as Instruções Normativas como complementações ao texto legal, sem jamais haver a possibilidade de inovar o texto legal. Ademais, manteve os argumentos dispostos em sua manifestação de inconformidade, pleiteando e defendendo a utilização dos créditos sobre produtos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, energia elétrica, serviços de industrialização por encomenda e os demais produtos, como lenha, cavaco e óleo combustível. Pleiteou ao final de sua peça pelo integral provimento de seu recurso, reformando o acórdão recorrido no tocante à exclusão dos valores guerreados pela requerente. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator Fl. 2675DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 3 5 Cumpridas todas as formalidades processuais, de acordo com a legislação que rege a matéria e tendo o contribuinte ingressado com recurso voluntário no prazo legal, dele tomo conhecimento. I – Créditos Sobre Aquisições Junto a Pessoas físicas e Cooperativas Primeiramente, trato da questão acerca da utilização de instruções normativas como base para a decisão dos julgadores de 1ª instância, uma vez que tais instrumentos não poderiam se sobrepor às leis, em específico, a Lei n° 9.363/96, com base no art. 100 do CTN, que consideraria as Instruções Normativas como complementações ao texto legal, sem jamais haver a possibilidade de inovar o texto legal, bem como a possibilidade de tomada de crédito sobre bens adquiridos de pessoas físicas e/ou cooperativas. No que diz respeito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI, relativo a aquisições de insumos junto a pessoas físicas, a matéria está disposta na Lei nº 9.363/96, onde o art. 1º desta lei regula que fazem jus ao crédito as empresas produtoras e exportadoras, como forma de ressarcimento da contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Já o art. 2º determinou que a base de cálculo é determinada através da totalidade das aquisições, conforme citado abaixo: “Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...)”. (sem grifos no original) Como se pode depreender da leitura do referido artigo, não existe na lei instituidora do crédito a determinação de excluir determinados valores da base de cálculo do benefício. Embora a IN nº 23/97 tenha estabelecido, em seu § 2º do art. 2º, que o crédito presumido de IPI deveria ser calculado somente em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas ao PIS/Pasep e à Cofins, tais exclusões somente poderiam ser realizadas através de lei ou medida provisória, visto que as instruções normativas são apenas normas complementares, conforme o art. 100 do Código Tributário Nacional. As Instruções Normativas não são dotadas de suporte legal para modificar os textos das leis. Não podem, portanto, transpor, modificar ou inovar o texto das normas sobre as quais vieram apenas com caráter complementar. Como a Lei nº 9.363/96 não determinou exclusões referentes aos insumos, não cabe à norma administrativa fazêlo. As normas complementares não podem opor restrições a concessões de benefícios sem a existência de previsão legal hierarquicamente superior. A exclusão presente na IN nº 23/97 faz incidir sobre a operação uma carga tributária que, além de indevida, é ilegal. Corroborando este entendimento, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, no julgamento do Processo nº 10508.000203 18 (Acórdão CSRF/0201.160), através do voto do Relator, Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, decidiu que: Fl. 2676DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 "(...) No caso, entretanto, o que ocorre é exatamente o oposto, pois o crédito é calculado de forma presumida e estimada, não levando em conta os valores efetivamente recolhidos pelo produtor fornecedor a título de PIS e COFINS (...). (...) o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado, de modo que o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do crédito presumido, pena de se contrariar o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96. Tal sistemática deve ser também aplicada para o cálculo do crédito quanto a insumos adquiridos de nãocontribuintes, pois é a única que está de acordo com o espírito da Lei. Pelo exposto, tem a interessada direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS." Resta claro que o exportador tem direito de incluir na base de cálculo do aludido benefício as aquisições efetuadas de pessoas físicas, ou de pessoas jurídicas não contribuintes visto que ao adquirir a matériaprima está pagando, embutidos no valor do produto final, o PIS a Cofins (que incidem em cascata), mesmo que não tenha ocorrido tributação na última aquisição. Como mencionado anteriormente, o objetivo da criação do crédito presumido do IPI a desoneração nas exportações do valor das contribuições em tese incidentes ao longo de toda cadeia produtiva, e isto independe de o seu fornecedor direto estar ou não sujeito ao pagamento das mesmas. II – Créditos Relativos a Energia Elétrica, Combustíveis e Remessa para Industrialização No que diz respeito à inclusão da remessa para industrialização na base de cálculo do crédito presumido de IPI, a matéria ora versada já foi analisada por esta Câmara Superior, em sentido contrário ao recurso especial da Fazenda Nacional. A ementa a seguir colacionada é reproduzida em diversos outros julgados e traz a lume a síntese do entendimento deste colegiado: IPI – CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Caracterizado na nota fiscal emitida pelo executor da encomenda (contribuinte em face das contribuições sociais – PIS/PASEP e COFINS) que o produto que industrializou se identifica com um dos componentes básicos para o cálculo do crédito presumido (MP, PI e ME), a ser utilizado no processo produtivo do encomendante (empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais), fica demonstrado o direito desse insumo integrar a base de cálculo do crédito presumido e, conseqüentemente, de ser a ele incorporado o custo do beneficiamento e, também, o da mãodeobra do executor da encomenda. Recurso especial negado. Fl. 2677DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 4 7 (Acórdão CSRF/0202.087, proferido no julgamento do Recurso n° 201116158, no processo n° 11065.000020/9919, Relator o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Sessão de 17/10/2005) Ademais, devese observar que o art. 2º da Lei 9.363/96 não vedou expressamente o crédito sobre produtos remetidos para industrialização. Também não os assegurou, o fazendo, porém no tocante aos créditos relativos à matériaprima, materiais de embalagens e produtos intermediários adquiridos, ou seja, ao menos a essas três categorias, aplicadas na industrialização, estaria garantida ao contribuinte a tomada do crédito. Mas, é de se arguir se não caberia também o crédito sobre o total da industrialização, ou seja, além daquelas mercadorias enviadas, se o valor agregado pelo industrializador não poderia ser objeto de crédito. Primeiramente, pelo simples fato de que, sobre esse valor agregado, houve incidência de PIS e de COFINS. Lembrando que o crédito que ora se analisa é crédito de PIS e de COFINS, apenas compensável com o IPI. O legislador quis sempre eliminar a incidência em cascata dessas contribuições na exportação de mercadorias, e obstar isso é contrariar o espírito da lei, e sua interpretação sistemática. Interpretação sistemática que garantiu nesse Conselho inclusive o direito ao crédito sobre aquilo sobre o que não houve pagamento anterior, caso das pessoas físicas e cooperativas. Mas há outros argumentos de ordem jurídica e econômica a considerar. Primeiramente, faço referência à resposta à questão 2.7 das Perguntas e Respostas sobre o Crédito Presumido, aprovada pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX Nº 312, de 03.08.98, cujo fundamento, por sua vez, residiria no fato de que, se a operação não foi tributada, é porque não foi incorporado insumo no beneficiamento encomendado, mas apenas serviços e serviços não estão compreendidos no conceito no conceito de MP, PI e ME, que são os componentes básicos para o cálculo do crédito presumido, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363/96. De pronto, tenho como inaceitável que eventual direito da recorrente possa ser negado com base em mera presunção, já que para a glosa do benefício incumbe ao Fisco provar a sua desconformidade com a legislação de regência. Ainda mais que no caso a ausência de créditos associados às entradas dos insumos retornados após o beneficiamento, não permite inferir que o executor da encomenda não tenha utilizado na operação insumos outros que não aqueles remetidos pelo autor da encomenda. Adoto, outrossim, o entendimento do egrégio Superior Tribunal de Justiça, expresso no acórdão cuja ementa versa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DIREITO AO RESSARCIMENTO. ART. 1º DA LEI Nº 9.363/96. BENEFICIAMENTO FEITO POR OUTRA EMPRESA. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. CRÉDITOS ESCRITURAIS. ÓBICE PELO FISCO. INCIDÊNCIA. ART. 111, INCISO I, DO CTN. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS Nºs 282 E 356/STF. I De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito Fl. 2678DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. II Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI. III A jurisprudência desta Corte tem autorizado a correção monetária dos créditos escriturais do IPI quando o aproveitamento é impossibilitado por óbice imposto pelo Fisco. Precedentes: AgRg nos EREsp nº 396.330/SC, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/05 e AgRg no AgRg no Ag nº 570.583/SC, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 06/06/05. IV A Corte de origem não se debruçou sobre o tema acerca da interpretação literal da legislação tributária, prevista no art. 111, inciso I, do CTN, faltandolhe o necessário prequestionamento. Incidência das Súmulas nºs 282 e 356/STF. V Recurso especial conhecido em parte e, neste ponto, improvido. No seu voto, o relator, corretamente sustenta que “Desta forma, não há como negar que o beneficiamento da matériaprima esteve sujeito ao pagamento de PIS/COFINS, influindo no custo do produto a ser exportado. E se o objetivo da Lei 9363/96 é desonerar o PIS/COFINS do produto exportado, tal custo deve ser obviamente considerado na base de cálculo do crédito presumido do IPI, sendo totalmente irrelevante se a operação (etapa) é ou não tributada pelo IPI. Tanto é assim que a legislação que institui tal benefício fiscal (a MP 674 de 25/10/94DJ 26/10/94), previa o ressarcimento em moeda corrente. Embora a Lei 9363/96 tenha mudado a forma de compensar o produtor/exportador (alcançandolhe crédito presumido de IPI), concluir que tal crédito mantém relação direta com o fato gerador do IPI, como sugere o Boletim Central nº 147, de 04/08/98, da SRF, que fundamentou a negativa do Fisco, é exorbitar o texto legal. Como bem elucidado na sentença proferida, o artigo 1º da Lei nº 9.363/96 não exclui a possibilidade de as empresas produtoras exportadoras, atuando na condição de encomendantes, nas industrializações por encomenda, poderem se creditar do IPI incidente sobre as aquisições dos produtos intermediários para serem utilizados no processo produtivo, ou seja, no caso, para serem utilizados na industrialização do produto fina. Destarte, na presente hipótese, interpretandose o disposto no aludido art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Nessa esteira, verificase que não há qualquer restrição legal à concessão de tal crédito pelo fato de o beneficiamento de insumos ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda, mormente em tal operação ter incidido o PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração em momento posterior, independente de ter ou não incidido o IPI.” Além de obstar um incentivo antijuridicamente, do ponto de vista econômico não cabe ao julgador arraigarse em conceitos ultrapassados. Nos ensina a hermenêutica jurídica que a aplicação da legislação evolui à medida que a realidade à sua volta modificase ao longo do tempo. Vemos que as autoridades fiscais apegamse nos conceitos de industrialização do Parecer Normativo nº 65, de 1979, ou seja, de 30 anos atrás, quando a Fl. 2679DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 5 9 infraestrutura econômica brasileira e internacional sequer conhecia a atividade transnacional. Quando ainda concluíamos nosso processo de “substituição de importações”. Isso posto, é relevante citar a lição de Marco Aurélio Grecco, que bem define insumos, no contexto em que os dispositivos legais se inserem. Para esse doutrinador, "Insumo" não é palavra de origem latina que faça parte do arcabouço básico de nossa língua. Tratase de vocábulo aqui introduzido por influência da língua inglesa ao se referir a "input" como algo que se introduz a determinado processo ou composição e, por isso, está ligado a sua respectiva existência. No uso corrente, leciona Marco Aurélio Greco, a palavra evoca três sentidos: o econômico, o físico e o funcional. Sob a perspectiva econômica, "insumo" designa os fatores de produção, conceito que abrange, basicamente, o capital (em suas diversas manifestações) e o trabalho. Da perspectiva física, "insumo" é todo e qualquer elemento material que compõe o produto final, nele se transforma ou é consumido no respectivo processo de produção (o referencial, aqui, é o produto). Do ponto de vista funcional, "insumo" é todo elemento que integra o processo de produção de mercadorias ou serviços, a abranger tudo que repercuta no processo de produção ou fabricação do qual decorrerá a receita ou o faturamento (o referencial, aqui, é a atividade). Notese, inicialmente, que as Leis de PIS/COFINS não fazem expressa remissão à legislação do IPI. Vale dizer, não há um dispositivo que, categoricamente, determine que "insumo" deva ser entendido como regulado pela legislação daquele imposto. Ademais, o regime de créditos existe atrelado à técnica da não cumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS, não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. No âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 153, § 3°, II) restringe o credito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores, o que obviamente só pode ter ocorrido em relação a algo que seja "produto industrializado", de modo que a palavra "insumo" só pode evocar sentidos que sejam necessariamente compatíveis com a idéia de algo fisicamente apreensível. Por isso, insumo, para fins de nãocumulatividade de IPI, é conceito de fundamento restrito, por a1cançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o § 11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade, o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o credito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a nãocumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. É assim hoje, foi assim quando da Lei nº 9.363/96. Para o doutrinador, “Serviços também são insumos”. As Leis de regência admitem que serviços sejam "utilizados como insumo" na produção ou fabricação de bens. Na lição de Marco Aurélio Greco, esta previsão é suficiente para mostrar ter sido adotado um sentido amplo para o termo, o qual não se limita aos bens físicos que compõem o produto ou integram etapa do respectivo processo produtivo que nele desemboca imediatamente. Fl. 2680DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Todo serviço em maior ou menor medida compõese de uma atividade exercida pelo prestador e de uma utilidade fruída pelo tomador. Não é raro existir uma dissociação física entre elas a ponto de a atividade ocorrer num local e a utilidade em outro. Ademais, a utilidade e de caráter predominantemente imaterial (intangível) e, muitas vezes, ela e que determina seu valor a justificar o respectivo preço. As Leis da nãocumulatividade prevêem expressamente que o serviço pode ser utilizado como insumo de produção ou fabricação. Um serviço será efetivamente insumo sempre que a atividade ou a utilidade inerentes a ele forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Vale dizer, quando atividade ou utilidade contribuírem para que o processo ou o produto existam ou tenham certas características. Na medida em que os serviços configuram insumos no âmbito de PIS COFINS, pois as respectivas utilidades são fruídas como tal (por condicionarem a existência ou integrarem funcionalmente o processo ou o produto), então os bens também estarão sendo utilizados como insumo na medida em que das utilidades que deles emanarem dependam a existência ou a qualidade do processo ou do produto. Isto dá sentido ao dispositivo legal ao admitir créditos relativos a combustíveis, pois estes, quase sempre, limitamse a disponibilizar uma utilidade (calor, temperatura em determinável móvel, locomoção de bens nas etapas do processo de produção ou de fabricação etc.) relevante para o processo ou para o produto, mas sem que haja agregação física neste último. Com relação à energia elétrica, lubrificantes e aos combustíveis, a questão resumese à possibilidade de os seus valores comporem ou não o cálculo do crédito presumido do IPI. Vejamos o que dispõe o art. 1º da Lei 10.276/2001, reproduzido a seguir: “Lei no 10.276/2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” Desta forma, apesar do Pedido de Ressarcimento tratar de período anterior à edição da Lei no 10.276/01, acredito que a mesma veio fortalecer o entendimento que considero correto, qual seja, o de que a Lei no 9.363/96, em seus artigos 1º e 2º, ao tratar da possibilidade das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo, comporem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, também engloba Fl. 2681DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 6 11 as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por serem estes produtos intermediários que, emboram não integrando o produto final, são consumidos no processo industrial. Esse entendimento, inclusive, encontra respaldo nos artigos 147 e 488 do Decreto no 2.637/98 (Regulamento do IPI), vigente à época do Pedido de Ressarcimento: “Decreto no 2.637/98 Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Art. 488. Consideramse bens de produção (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 4º , inciso IV, e Decretolei n.º 34, de 1966, art. 2º , alt. 1º ): I as matériasprimas; II os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; (...)” (grifos nossos) Adicionalmente, como se não bastassem os argumentos já trazidos, vejo que as referidas disposições da Lei no 10.276/01 podem ser consideradas aplicáveis no presente caso por força do art. 106, II, do CTN, verificandose assim que a interpretação da norma tributária mais benéfica ao contribuinte (lex mitior) aplicase na espécie: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 2682DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Assim também entende o ilustre Hugo de Brito Machado, em “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume II, Editora Atlas S.A., São Paulo, 2004, páginas 164 e 165, ao reforçar que: “Temos no art. 106 do Código Tributário Nacional, portanto, duas hipóteses de aplicação retroativa da lei tributária, a saber, a hipótese de lei expressamente interpretativa e a hipótese de lei punitiva mais favorável ao acusado, que denominamos retroatividade benigna. Quanto a esta última, não existem divergências dignas de nota.” Além disso, este Conselho de Contribuintes possui recentes decisões tratando a matéria. Destaco, os Recursos Voluntários 110.473, 110.474 e 110.475, de semelhante teor. Transcrevo o primeiro deles a seguir: IPI CRÉDITO PRESUMIDO EXPORTAÇÕES AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS DIREITO AO CRÉDITO Estão abrangidos no conceito de produto intermediário os produtos que, embora não se integrem ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização. Integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.363/96. Recurso Voluntário provido. (Recurso 110.473, Acórdão 20174.607, relator Cons. Serafim Fernandes Corrêa) Desta forma, também entendo, pois que a energia elétrica e os combustíveis, mesmo não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, tratandose assim de um produto intermediário. Outrossim, a Súmula 13 do antigo Conselho de Contribuintes nos impede de votar nesse sentido, nos seguintes termos: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. III – Créditos Relativos aos Demais Produtos No tocante aos demais créditos pleiteados pela requerente, vale destacar que, assim como exposto pelo acórdão ora atacado, entendo que, para fins de crédito do IPI na escrita fiscal, na hipótese em comento, o art. 147, I, do RIPI/98, fica demonstrado que se incluem no conceito de MP e PI aqueles bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. De acordo com o Parecer n° 65/79, devemos considerar, no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem no processo de industrialização, em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. No parecer, à guisa de exemplo, são mencionados lixas, lâminas de serra e catalisadores, desde que não integrem o ativo permanente. Fl. 2683DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 7 13 Exceção feita a despesas com energia elétrica, combustíveis e lubrificantes, além de remessa para industrialização, conforme toda a argumentação acima disposta. Desta forma, considerando tais determinações legais, não há, em momento algum, atentado contra o princípio da nãocumulatividade tributária, consagrado em nossa Carta Magna, muito menos um cerceamento ao direito de tomada de crédito por parte da requerente, e sim, o cumprimento de uma determinação legal para tal tomada de créditos, para que esta não seja feita de forma indiscriminada por parte dos contribuintes. Tal entendimento é compartilhado em diversos julgados deste colegiado, conforme ementas transcritas abaixo: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAPRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. RESTRIÇÃO. LEGALIDADE. Para integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI, é legítima a restrição feita às aquisições de matériaprima e produto intermediário relacionada ao consumo no processo de industrialização, nos termos do Parecer CST nº 65, de 1979. (Proc. 13678.000141/0076, Acórdão 20311488, 3ª Câmara, Relatora Sílvia de Brito Oliveira, em 07/11/2006) CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. Os conceitos de produção, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento. (Proc. 11516.004178/200711, Acórdão 20313120, 3ª Câmara, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, em 05/08/2008) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE MATÉRIA PRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. (Proc. 10670.001133/200153, Acórdão 20180742, 1ª Câmara, Relator Antônio Ricardo Accioly Campos, em 20/11/2007) Desta forma, entendo não ser passível de utilização de crédito presumido de IPI as despesas com produtos como, cavaco, lenha e o produto “Vibatex FTP”, por se constituírem produtos intermediários, exceção feita aos ditos materiais de construção, que por óbvio não fazem parte do processo produtivo. IV Conclusão Fl. 2684DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. 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(Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, redatordesignado Primeiramente, há que se esclarecer qual a matéria abordada no recurso, conforme ementa do acórdão de primeira instância: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. As compras de produtos rurais, de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, ainda que para emprego na industrialização, não se incluem no cálculo do benefício, porque não sofrem a incidência do PIS e da COFINS. Energia elétrica, materiais de construção, cavaco, óleo combustível, lenha e Vibatex FPT, ainda que sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido, os gastos com esses itens. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Matéria não contestada, expressamente, tornase definitiva na esfera administrativa. Solicitação indeferida Nesse contexto, verificase que o relator somente deu provimento ao recurso em relação à primeira matéria, que trata das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Em relação a essa matéria, discordo do entendimento do eminente Relator. No caso do crédito presumido de IPI, que é incentivo fiscal criado com uma finalidade específica (anular, ao menos em parte, o efeito indesejável da “exportação de tributos”), não se pode prescindir da interpretação teleológica. Fl. 2685DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 8 15 A lei, nesse caso, deve adequarse ao fim que se propôs a atingir. Nesse contexto, não é possível admitir que se efetue ressarcimento sobre aquilo que não lhe sirva de causa, à vista de uma pretensa interpretação literal da lei. No caso do crédito presumido, só em aparência faltou ao texto legal a distinção valorativa entre aquisições efetuadas de contribuintes da Cofins e do PIS e de aquisições de não contribuintes, uma vez que o próprio dispositivo do art. 1º referese a contribuições “incidentes sobre as respectivas aquisições”. Ademais, a valoração também somente aparenta estar ausente da disposição literal específica do art. 2º da Lei n. 9.363, de 1996, uma vez que “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem” são os mencionados no artigo anterior. Por fim, o art. 5º da Lei determina que, se houver restituição ao fornecedor de valores relativos às contribuições pagas, ele deverá ser estornado pelo adquirente, o que implica ser completamente equivocada a tese de que, para a Lei n. 9.363, de 1996, a incidência das contribuições na aquisição seria irrelevante. No Mais, Adoto, em meu voto, os fundamentos do Acórdão 20177.932, do qual foi relatora a Conselheira Adriana Gomes Rego Galvão: Inicialmente, argumenta a recorrente que a exclusão, para efeito do cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumos efetuadas a pessoas físicas foi indevida. Entretanto, discordo complemente deste seu entendimento. É que a Lei nº 9.363/96, em seu art. 1º, é muita clara ao dispor: “com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições.” (negritei) Ora, se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido, devese observar que a lei fala em “incidentes sobre as respectivas aquisições”, de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores, se, nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora, estas não incidiram. A respeito deste assunto, e já contrapondose ao argumento da recorrente de que não pode haver interpretação restritiva neste caso, destaco o Parecer PGFN nº 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda: “21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não ‘incidiram’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre Fl. 2686DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional.” E não é só a partir do art. 1º da Lei nº 9.363/96 que se pode vislumbrar este entendimento, nem tampouco em razão do que havia sido disposto pela MP nº 674/94, que foi revogado, porque, nos demais artigos da lei, também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: “24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5º da Lei nº 9.363, de 1996, in verbis: ‘Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente.” 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5º, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei nº 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebese que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduzse o art. 3º da multicitada Lei nº 9.363, de 1996: ‘Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a Fl. 2687DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 330200.408 S3C3T2 Fl. 9 17 incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.’ (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquire insumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei nº 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei nº 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS.” A propósito, no tocante à exigência de apresentação de comprovantes do recolhimento das contribuições a que se referia a MP nº 674/94, também convém trazer à tona palavras do parecer: “40. Outro argumento apresentado é no sentido de que, no sistema anterior, o incentivo seria condicionado à prova de que o fornecedor pagou o tributo, o que não ocorreria com a Lei nº 9.363, de 1996. Assim, como essa disposição não consta da referida Lei, estaria demonstrado que o novo sistema não condicionou a concessão do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumo. 41. Ocorre que a alteração legislativa nada prova em favor dessa tese. Não é cabível dizer que, em vista da revogação de uma obrigação acessória (prova do pagamento de tributos pelo fornecedor), o incentivo não estaria condicionado ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumos. 42. Da revogação do antigo sistema é possível inferir apenas que o beneficiário do crédito presumido não precisará mais provar que o fornecedor do insumo pagou as referidas contribuições. Mas isso não quer dizer que o crédito presumido surge mesmo quando o fornecedor não pagou tais tributos. Uma coisa em nada tem a ver com a outra. 43. Inclusive, tal argumento cai diante do sistema de concessão e controle do crédito presumido fixado pela Lei nº 9.363, de 1996, fundamentado inteiramente na proposição de que o fornecedor do insumo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Fl. 2688DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 44. E a forma encontrada pelo legislador para conceder um crédito ‘presumido’ que reflita a média das ‘incidências’ do PIS/PASEP e da COFINS sobre os insumos que compõem o produto exportado, sem que o incentivo acarrete o enriquecimento sem causa do beneficiário foi, claramente, condicionar o aproveitamento do crédito ao pagamento das contribuições pelo fornecedor.” Ressalto que toda essa argumentação vale para os artigos 165 e 166 do RIPI/98 (artigos 179 a 184 do RIPI/2002), já que a matriz legal desses dispositivos é justamente a Lei nº 9.363/96. Além disso, a apuração com base em custos coordenados a que se refere o § 5º do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 não se contradiz com a exclusão, no cômputo destes custos, das aquisições efetuadas a não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, como aduziu a recorrente, porque tal apuração apenas implica dizer que deve ser possível determinar, a par da escrita contábil e fiscal da pessoa jurídica, a quantidade e os valores de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, ao final de cada mês, porém levandose em conta, para efeito do cálculo, a premissa maior que é considerar as aquisições sobre as quais as contribuições incidiram. Portanto, a lei somente não é mais expressa em relação à matéria por que pouca dúvida poderia haver, em face de não haver sentido lógico na concessão de créditos sobre produtos adquiridos de não contribuintes das contribuições sociais. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 2689DF CARF MF Verso em Branco - Original Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0323.14362.CSMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Economia garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 12/05/2011 09:10:56 por JOSE ANTONIO FRANCISCO. Documento assinado digitalmente em 27/06/2011 09:54:02 por WALBER JOSE DA SILVA, Documento assinado digitalmente em 26/06/2011 17:22:30 por GILENO GURJAO BARRETO e Documento assinado digitalmente em 12/05/2011 09:12:26 por JOSE ANTONIO FRANCISCO. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/03/2023. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.0323.14362.CSMT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E3CB7AAF06E375B0A5C77798EFA92205E1F2D2A0 Ministério da Economia 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13962.000237/2001-53. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13794.720103/2019-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2019
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO
Verificada contradição no acórdão embargado, cabíveis os embargos declaratórios para alterar a ementa, de forma a eliminar a contradição com a parte dispositiva do acórdão e com o voto vencedor.
Numero da decisão: 1002-002.608
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar contradição existente e ratificar a decisão contida no Acórdão nº 1002-001.850, de 03 de dezembro de 2020, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar contradição existente e ratificar a decisão contida no Acórdão nº 1002-001.850, de 03 de dezembro de 2020, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 72 01 03 /2 01 9- 61 Fl. 52DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.608 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13794.720103/2019-61 A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua Procuradora, interpôs Embargos de Declaração (e-fls. 43/44) em face do Acórdão n° 1002-001.850, de 03 de dezembro de 2020, às e-fls. 37/41 deste processo, alegando contradição, a seguir explicitada. A embargante se reporta ao referido Acórdão requerendo o acolhimento dos Embargos para sanar a incorreção entre o texto contido na Ementa em que consta substratos que deixaram a entender que o Acórdão indeferiu o pleito de opção pelo SIMPLES, enquanto que a conclusão do acórdão se deu no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário diante da inexistência dos motivos que ensejaram o indeferimento da contribuinte em ingressar ao Sistema do Simples Nacional, nos seguintes termos, in verbis: Trecho da ementa: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2019 SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Subsistindo os motivos que ensejaram o indeferimento de inclusão da contribuinte ao Regime Tributário do Simples Nacional, ratificar o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é medida que se impõe.” Conclusão do Acórdão: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. ... Posto isso, inexistindo os motivos que ensejaram o indeferimento da contribuinte em ingressar ao Sistema do Simples Nacional, há motivos para a reforma do acórdão da DRJ. Dessa forma, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte, retificando a decisão da Delegacia de Julgamento.” Sendo assim, mediante o Despacho de e-fls. 48/49, o Sr. Presidente desta Segunda Turma Extraordinária acolheu os Embargos para a análise da contradição nos seguintes termos: Conclusão Em síntese e conclusão, por todo o exposto, e com fulcro no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos de declaração interpostos, a fim de que seja analisada a ocorrência de contradição suscitada pela Fazenda Nacional. Tendo em vista que o relator original do acórdão não mais integra este Colegiado, encaminhem-se os autos à Dipro/Cojul, para sorteio de novo relator, no âmbito desta turma, para apreciação dos embargos e posterior inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.608 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13794.720103/2019-61 Voto Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Relator. Admissibilidade Inicialmente, destaco que a análise da tempestividade dos presentes Embargos de Declaração já fora analisada pelo Presidente desta Turma por ocasião do Despacho de encaminhamento, razão pela qual os tenho como tempestivos e, para além disso, preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, pois deles tomo conhecimento. Mérito No que diz respeito ao mérito dos Embargos, ao cotejar o acórdão recorrido e as razões dos embargos, constatamos a existência de contradição entre a ementa e o decidido no voto. A ementa do acórdão recorrido é expressa no sentido de que haveria o indeferimento da opção do simples pelo recorrente, citando que subsistem motivos para a manutenção do indeferimento e que supostamente que seria seu ônus comprovar os motivos que fundamentam o seu pedido, in verbis: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2019 SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Subsistindo os motivos que ensejaram o indeferimento de inclusão da contribuinte ao Regime Tributário do Simples Nacional, ratificar o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é medida que se impõe.” (grifo nosso) Em contrapartida, o voto do acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para reformar o Acórdão recorrido, com entendimento de que a opção do simples deve ser deferida, uma vez que inexistem motivos para o indeferimento do contribuinte. Sendo assim, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para fins de que se procedam as seguintes modificações na ementa do Acórdão n° 1002-001.850, de 03 de dezembro de 2020, ratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos. Seja excluído o seguinte trecho de ementa: “SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Subsistindo os motivos que ensejaram o indeferimento de inclusão da contribuinte ao Regime Tributário do Simples Nacional, ratificar o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é medida que se impõe.” Fl. 54DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.608 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13794.720103/2019-61 E seja acrescido, ao final da ementa do acórdão, o seguinte trecho, naquela se incorporando: “SIMPLES. DEFERIMENTO DA OPÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIZAÇÃO NO PRAZO LEGAL. Inexistindo os motivos que ensejaram o indeferimento de inclusão do contribuinte ao Regime Tributário do Simples Nacional, retificar o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é medida que se impõe” Conclusão Voto em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, com a retificação do acórdão condutor para que neste se faça constar as alterações indicadas no voto. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa Fl. 55DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13963.001323/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/07/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. MULTA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICABILIDADE
RECONHECIDA PELO STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.965
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). O Conselheiro Oséas Coimbra Junior votou pelas conclusões.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. MULTA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STF. Recurso Voluntário Negado.
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Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Recorrente LIBRELATO IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS E RODOVIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. MULTA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SELIC. APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). O Conselheiro Oséas Coimbra Junior votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 167DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 148 2 . Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.237.6002, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores segurados obrigatórios – empregados e contribuintes individuais, relativamente a parte descontada destes (contribuição pessoal), que prestaram serviços à autuada, conforme Relatório Fiscal da Auto de Infração de Obrigação Principal – REFISC do AIOP, de fls. 17 a 44, com período de apuração de 01/2005 a 06/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 45 a 50. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 23/11/2009, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 23/12/2009, as fls. 54 a 65, estando acompanhada dos documentos, de fls. 66 a 125. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 127. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0720.448 5ª Turma da DRJ/FNS, em 09/07/2010, fls. 128 a 131. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento deste decisório, em 18/08/2010, AR, de fls. 133. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, as fls. 135 a 144, onde alega em síntese. • Que as contribuições referentes a parte descontada do trabalhadores foi declarada em GFIP da empresa DL. Ind. Transp. Ltda – EPP, como substituto tributário; • Que o fisco entende que a recorrente e a DL. Ind. Transp. Ltda – EPP são a mesma empresa, mas faz distinção quanto ao recolhimento, desconsiderando os pagamentos efetuados e as obrigações acessórias cumpridas pela D.L; • Que o relatório fiscal não demonstra a ocorrência de outros fatos geradores nem a existência de outros empregados, mas apenas que tais empregados estão registrados na empresa do Sistema Simples, porém tal empresa recolhe a título de contribuição previdenciária de seus trabalhadores igual a uma empresa normal; • Que deve ser cancelado o presente crédito, obrigação acessória e multa, uma vez que entregue a GFIP e recolhida a contribuição; Fl. 168DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 149 3 • Que o não confisco vale tanto para a multa como para o lucro arbitrado, atentando contra a propriedade e segurança jurídica; • Que multa de 100% é imprópria e inconstitucional, pois configura confisco; • Que a taxa SELIC não se presta a aplicação no campo tributário, pois criada por resolução do BC, a lei apenas manda aplicála, ferindo a legalidade tributária a segurança jurídica e aumentando tributos sem lei que o determine, sendo inconstitucional, faltando a este consistência, significado, conteúdo e forma de cálculo; • Finalizando pede: a) recebimento, conhecimento e provimento do recurso; b) cancelamento do presente crédito; c) cancelamento da obrigação acessória; d) cancelamento da multa; ou alternativamente, e) afastamento da multa de 100% por confiscatória; f) afastamento da taxa SELIC como correção. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, fls. 145 e 146. Os autos subiram ao CARF/MF, fls. 146. É o Relatório. Fl. 169DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 150 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme, AR, de fls. 133, datado de 18/08/2010, e carimbo de recepção do Recurso, de fls. 135, datado de 17/09/2010, a tempestividade, também, foi reconhecida, as fls. 145 e 146. Superado o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. No caso em tela o negócio jurídico encartado entre a DL. Ind. Transp. Ltda – EPP e a recorrente é que foi desconsiderado e não a personalidade jurídica da empresa DL. Mas sim e tão somente, o registro da mão de obra de contribuintes individuais e trabalhadores, na condição de empregados, como atuantes e desenvolvedores de suas atividades da DL, enquanto na realidade tais atividades eram desenvolvidas e beneficiavam a recorrente Librelato Implementos Agrícolas e Rodoviários Ltda. Aliás, como admite a recorrente em sua correspondência remetida à Receita Federal do Brasil, datada, de 06/09/2009, transcrita, as fls. 37. Desta forma, o devedor das contribuições é o efetivo empregador dos trabalhadores, pois é que tem o dever jurídico de promover o desconto e recolher as contribuições nos termos da legislação. A lei permite que terceiro pague a divida de outrem, mas no caso em tela a DL é terceiro não interessado, pois não tem relação com o fato gerador, pois os trabalhadores em verdade trabalham para a Librelato. Assim, o pagamento feito em seu próprio nome não aproveita ao devedor, podendo esta apenas se reembolsar, nos termos do artigo 305, da Lei 10.406/2002, é o que acontece aqui. Mutatis Mutandis. Aliás, a doutrina, assim, se posiciona sobre o tema. A outro giro. Se o terceiro nãointeressado efetiva o pagamento em seu próprio nome, terá direito de reembolso, sem que isto importe em subrogação legal (art. 305 do CC), pois inexiste vínculo entre o solvens e o devedor. Vale dizer, o terceiro não vai incorporar a qualidade creditória e os privilégios e garantias do credor originário, pois não havia qualquer motivação jurídica para ter efetivado o pagamento.1 Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsarse do que pagar; mas não se subroga nos direitos do credor. O presente Auto de Infração não decorre de descumprimento de dever instrumental, desta forma nada tem a ver com obrigação acessória.O crédito ora guerreado foi 1 Farias, Cristiano Chaves; Nelson Rosenvald. Direito das Obirgações. Lumen Juris Editora. 5ª Edição 2011 pág. 416. Fl. 170DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 151 5 constituído para exigir a contribuição previdenciária propriamente dita e não recolhida em época própria. Assim, é irrelevante a declaração dos fatos geradores em GFIP em relação a estes autos, se é que tal declaração foi feita, o que aqui não se reconhece, pois tal situação não é objeto do presente lançamento. No que tange, ao pagamento o lançamento do crédito demonstra que tal evento não ocorreu e não há provas nos autos de que a Librelato tenha promovido tal recolhimento, o que impede o reconhecimento da extinção do crédito. Inexiste confisco no auto que almeja apenas receber a contribuições não adimplidas, embora acrescidas com os devidos encargos legais. Muito menos há violação ao direito de propriedade e da segurança jurídica. A uma, porque a propriedade de tais valores não é do contribuinte, mas do fisco, pois se está exigindo a contribuição pessoal descontado do trabalhador pelo empregador e que deve ser entregue ao fisco, portanto, tal valor não lhe pertence e nunca pertenceu, pois sai do trabalhador direito para o fisco, apenas sendo intermediário o empregador. A duas, porque a obrigação de descontar e recolher está prevista em lei é uma obrigação legal, não pode ser violadora da segurança jurídica, pois legal e jurídica foi sua instituição. Nos presentes autos não há multa de 100%, basta ver, as fls. 41, do REFISC que diz que a multa é de 24% e 75%. A propósito o judiciário, assim, já se pronunciou. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio).(AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação Fl. 171DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 152 6 à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação.(AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) (grifos meus). No que tange a taxa SELIC tal material está Sumulada no CARF. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além do que, esta é plenamente aceita pelos tribunais como aplicáveis aos créditos tributários, senão vejamos. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. JUROS. LIMITAÇÃO. ARTIGO 192, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. A controvérsia relativa à aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários reside no âmbito infraconstitucional, circunstância que impede a admissão do recurso extraordinário. 2. O Pleno deste Tribunal já decidiu que o artigo 192, § 3º, da Constituição do Brasil, que limita as taxas de juros em 12% ao ano, necessita de regulamentação [ADI n. 4, Relator o Ministro Sydney Sanches, DJ de 25.6.93]. Agravo regimental a que se nega provimento.(AIAgR 713488, EROS GRAU, STF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO INATACADOS. SÚMULA 283/STF. NULIDADE DAS CDAs. SÚMULA 07/STJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃOCONFIGURAÇÃO. SELIC. LEGALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. 6. É devida a Taxa Selic no cálculo dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. 7. A apuração do caráter confiscatório da multa tributária depende da interpretação da norma prevista no artigo 150, V, da Constituição Federal, o que refoge ao âmbito do recurso especial. 8. Agravo regimental não provido.(AGA 201001365825, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 23/11/2010) TRIBUTÁRIO. CDA. EXAME DE REGULARIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA. ART. 261 DO CPC. ALEGAÇÃO EM PRELIMINAR DE CONTESTAÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. Fl. 172DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 153 7 LEGALIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO. 5. É pacífico na jurisprudência do STJ que é possível utilização da Taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários. (AGEDAG 201001476055, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 09/11/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. (AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifos meus). Por fim o STF no julgamento da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, considerou cabível tal índice, conforme sua página de notícias. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista Fl. 173DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13963.001323/200921 Acórdão n.º 2803000.965 S2TE03 Fl. 154 8 nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Desta forma, inexiste motivos para acatamento dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, CONHEÇO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, tendo em vista que as alegações do contribuinte não encontram respaldo na legislação e nos fatos. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. . Fl. 174DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.1019.11503.DQRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE OLIVEIRA em 22/09/2011 16:50:51. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE OLIVEIRA em 22/09/2011. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 25/09/2011 e EDUARDO DE OLIVEIRA em 22/09/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 14/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.1019.11503.DQRC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9BDF53B1E4831506427551E29D1D5EBF656CD977 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13963.001323/2009-21. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15586.720072/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL.
Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa.
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR.
Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PROFISSIONAIS DE SAÚDE. SUS. REMUNERAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO PELO ENTE PÚBLICO.
A legislação previdenciária impõe ao Ente público integrante do SUS, responsável pelo pagamento ao contribuinte individual, a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição devida pela empresa (patronal).
Numero da decisão: 2402-011.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Júnior, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Thiago Duca Amoni (suplente convocado), que deram-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL. Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PROFISSIONAIS DE SAÚDE. SUS. REMUNERAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO PELO ENTE PÚBLICO. A legislação previdenciária impõe ao Ente público integrante do SUS, responsável pelo pagamento ao contribuinte individual, a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição devida pela empresa (patronal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Júnior, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Thiago Duca Amoni (suplente convocado), que deram-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 72 /2 01 3- 33 Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.008 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720072/2013-33 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente da contribuição patronal devida. Auto de Infração e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 12-60.557 - proferida pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I - DRJ/RJ1 - transcritos a seguir (processo digital, fls. 165 a 168): [...] 2. No relatório fiscal de fls. 11/16 a fiscalização informou, em síntese, que: 2.1. Verificou que o contribuinte realizou pagamentos a profissionais de saúde autônomos com recursos do SUS, mediante empenho e crédito bancário na conta-corrente dos contribuintes individuais; 2.2. O contribuinte recebe recursos do governo federal para a contratação e pagamento de profissionais de saúde, os quais são contabilizados em contas de resultado de sua contabilidade, beneficiando-se, inclusive, do IRRF incidente sobre valores pagos aos contribuintes individuais. 3. A Impugnante apresentou defesa, às fls. 102/109, aduzindo, em síntese, que: 3.1. A impugnação é tempestiva; 3.2. Os profissionais são credenciados pelo SUS, profissionais autônomos que prestam serviços ao SUS e não ao Município, que é mero repassador de recursos, não existindo qualquer vínculo que gere a obrigatoriedade de recolhimento da contribuição previdenciária; 3.3. Os juros à taxa selic e a multa de 75% configuram excesso de exação. Julgamento de Primeira Instância A 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, por unanimidade, julgou improcedente a contestação da Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 165 a 168): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PROFISSIONAIS DE SAÚDE. SUS. REMUNERAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO PELO ENTE PÚBLICO. A legislação previdenciária impõe ao Ente público integrante do SUS, responsável pelo pagamento ao contribuinte individual, a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição devida pela empresa (patronal). Impugnação improcedente (Destaque no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, ratificando os argumentando apresentados na impugnação, o qual, em síntese, traz de relevante para a solução da presente controvérsia (processo digital, fls. 173 a 176): Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.008 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720072/2013-33 1. Manifesta que os profissionais prestam serviços diretamente ao SUS, e não à Prefeitura, que é mera repassadora de recursos. 2. Aduz que a multa e os juros cobrados são inconstitucionais, porque ferem os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 30/10/2013 (processo digital, fl. 171), e a peça recursal foi interposta em 26/11/2013 (processo digital, fl. 173), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Princípios constitucionais Ditos princípios caracterizam-se preceitos programáticos frente às demais normas e extensivos limitadores de conduta, motivo por que têm apreciação reservada ao legislativo e ao judiciário respectivamente. O primeiro, deve considerá-los, preventivamente, por ocasião da construção legal; o segundo, ulteriormente, quando do controle de constitucionalidade. À vista disso, resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa, sob o pressuposto de se vê tipificada a invasão de competência vedada no art. 2º da Constituição Federal de 1988. Nessa perspectiva, conforme se discorrerá na sequência, o princípio da legalidade traduz adequação da lei tributária vigente aos preceitos constitucionais a ela aplicáveis, eis que regularmente aprovada em processo legislativo próprio e ratificada tacitamente pela suposta inércia do judiciário. Por conseguinte, já que de atividade estritamente vinculada à lei, não cabe à autoridade tributária sequer ponderar a conveniência da aplicação de outro princípio, ainda que constitucional, em prejuízo do desígnio legal a que está submetida. Por oportuno, o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária prevista no artigo 113 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, à luz do art. 142, § único, do mesmo Código, trata-se de atividade legalmente vinculada, razão por que a fiscalização está impedida de fazer juízo valorativo acerca da oportunidade e conveniência da aplicação de suposto princípio constitucional, enquanto não traduzido em norma proibitiva ou obrigacional da respectiva conduta, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.008 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720072/2013-33 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do exposto, concernente aos argumentos recursais de que tais comandos foram agredidos, supostamente em face da multa e juros apurados ferirem os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, manifesta-se não caber ao CARF apreciar questão de feição constitucional. Nestes termos, a Medida Provisória n.º 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009, acrescentou o art. 26-A no Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual determina: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ademais, trata-se de matéria já pacificada perante este Conselho, conforme Enunciado nº 2 de súmula da sua jurisprudência, transcrito na sequência: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do exposto, improcede a argumentação da Recorrente, porquanto sem fundamento legal razoável. Mérito Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] Fl. 195DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10522.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art40 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.008 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720072/2013-33 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, a Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, nestes termos: [...] 7. O Impugnante se insurge contra a exigência da contribuição previdenciária, mas para arrecadar o IR retido dos profissionais considera que estão sendo remunerados pelo Município, do contrário não poderia reter, mas para recolher a contribuição previdenciária se diz mero repassador. 8. Inobstante a contradição apontada, a legislação tributária tratou dessa hipótese, expressamente, no artigo 206 da Instrução Normativa nº 206/2009: Art. 206. A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, para atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do SUS, com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. § 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS, ou de outro sistema de saúde, ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. § 2º Comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, o crédito previdenciário será lançado: I com base nos valores registrados nas contas de receitas e de despesas de sua escrituração contábil; II mediante arbitramento quando for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil. 9. A fiscalização constatou que o Impugnante pagou diretamente os profissionais de saúde que prestaram serviços na Secretaria Municipal de Saúde, com verbas do SUS, portanto, é o responsável pela arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo segurado e a cargo da empresa (patronal). (Destaques no original) Conclusão Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada no recurso interposto e, no mérito, nego-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 196DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722868/2012-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Feb 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
EMENTA
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. DISCREPÂNCIA ENTRE AS EXPRESSÕES UTILIZADAS NO TERMO DE INTIMAÇÃO (AMPLAS OU VAGAS) E NA MOTIVAÇÃO (ESPECÍFICAS OU BEM IDENTIFICADAS). ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO DECISÓRIO DETERMINANTE. IMPOSSIBILIDADE. RESTAURAÇÃO DA DEDUÇÃO PLEITEADA.
Ao intimar o sujeito passivo para comprovar o custeio das despesas médicas cuja dedução fora pleiteada, a autoridade lançadora utilizou expressões amplas, gerais, capazes de indicar múltiplas formas de solução, como, e.g., a apresentação de recibos, declarações, prontuários médicos etc. Porém, ao glosar tais despesas, a autoridade lançadora reduziu todo o espectro de potencialidade a um único emissor qualificado, pois exigiu que entidade financeira (i.e. banco) certificasse a operação de transferência de titularidade dos valores, ou, então, que ela certificasse a entrega de moeda em espécie suficiente à quitação da dívida, em período coincidente ou próximo à data de vencimento.
A modificação do critério decisório determinante da rejeição das deduções é, em regra, proibida (arts. 142, par. ún, 145 e 146 do Código Tributário Nacional) e, portanto, leva ao restabelecimento do direito pleiteado.
MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DECISÓRIOS DETERMINANTES DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. RESTAURAÇÃO DA DEDUÇÃO PLEITEADA.
A expressão utilizada no termo de intimação projeta ao sujeito passivo expectativa legítima sobre como orientar racionalmente sua conduta para atender à legislação tributária, de modo que modificação superveniente, por ocasião da formalização do lançamento, torna a respectiva defesa impossível ou muito difícil (art. 59, II do Decreto 70.235/1972). Em consequência, deve-se restabelecer as deduções glosadas com base nessa modificação de entendimento.
Numero da decisão: 2001-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. DISCREPÂNCIA ENTRE AS EXPRESSÕES UTILIZADAS NO TERMO DE INTIMAÇÃO (AMPLAS OU VAGAS) E NA MOTIVAÇÃO (ESPECÍFICAS OU BEM IDENTIFICADAS). ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO DECISÓRIO DETERMINANTE. IMPOSSIBILIDADE. RESTAURAÇÃO DA DEDUÇÃO PLEITEADA. Ao intimar o sujeito passivo para comprovar o custeio das despesas médicas cuja dedução fora pleiteada, a autoridade lançadora utilizou expressões amplas, gerais, capazes de indicar múltiplas formas de solução, como, e.g., a apresentação de recibos, declarações, prontuários médicos etc. Porém, ao glosar tais despesas, a autoridade lançadora reduziu todo o espectro de potencialidade a um único emissor qualificado, pois exigiu que entidade financeira (i.e. banco) certificasse a operação de transferência de titularidade dos valores, ou, então, que ela certificasse a entrega de moeda em espécie suficiente à quitação da dívida, em período coincidente ou próximo à data de vencimento. A modificação do critério decisório determinante da rejeição das deduções é, em regra, proibida (arts. 142, par. ún, 145 e 146 do Código Tributário Nacional) e, portanto, leva ao restabelecimento do direito pleiteado. MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DECISÓRIOS DETERMINANTES DO LANÇAMENTO. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. RESTAURAÇÃO DA DEDUÇÃO PLEITEADA. A expressão utilizada no termo de intimação projeta ao sujeito passivo expectativa legítima sobre como orientar racionalmente sua conduta para atender à legislação tributária, de modo que modificação superveniente, por ocasião da formalização do lançamento, torna a respectiva defesa impossível ou muito difícil (art. 59, II do Decreto 70.235/1972). Em consequência, deve-se restabelecer as deduções glosadas com base nessa modificação de entendimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 28 68 /2 01 2- 78 Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 3/7, em 07/08/2012, referente ao exercício 2008, ano-calendário de 2007, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 18.965,64, atualizado até 31/08/2012. Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2008, ano-calendário de 2007, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, ano-calendário 2007. Valor: R$ 31.421,04. Motivo da glosa: Glosados valores declarados como pagos a Sociedade Beneficente Israelita Hospital Albert Einstein (R$ 11.372,05), a RG Serviços Médicos (R$ 6.550,00) e a Sociedade de Oncologia Clínica Ltda (R$ 13.498,89). Os enquadramentos legais encontram-se na referida notificação. Conforme documento de fls 52, o contribuinte foi cientificado do lançamento em 16/08/2012. Em 17/09/2012, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 2), na qual alega, em síntese: - Os documentos anexados comprovam saques e disponibilidade financeira para pagamento das despesas médicas glosadas. Os autos foram enviados para a DRF de origem, para intimação do impugnante a apresentar relatório de reembolsos dos planos de saúde. Cumprida a diligência, os autos retornaram para julgamento. A impugnação atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972 e dela se toma conhecimento para apreciar as razões de defesa. Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, veja-se o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas e da dedução de despesas médicas: DEDUÇÕES Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (..........) Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (..........) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. A comprovação a ser feita compreende basicamente o pagamento do serviço médico, a ser feito pelas formas indicadas no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999 e o beneficiário ser o contribuinte ou seus dependentes. Para tanto, é necessário que o recibo ou nota fiscal, a depender se o documento foi emitido por pessoa física ou jurídica, contenha o nome completo do prestador dos serviços, o CPF ou CNPJ do prestador, o endereço no qual foram prestados os serviços, a pessoa beneficiária dos serviços e a discriminação do tipo de serviço. Ressalte-se que a importância da discriminação dos serviços é tanto maior quanto mais elevadas forem as despesas, a fim de permitir que a Autoridade Fiscal verifique o cabimento e plausibilidade dos documentos apresentados. No presente caso, o contribuinte teve glosadas as despesas médicas declaradas como pagas a Sociedade Beneficente Israelita Hospital Albert Einstein (R$ 11.372,05), a RG Serviços Médicos (R$ 6.550,00) e a Sociedade de Oncologia Clínica Ltda (R$ 13.498,89). Para comprovar as despesas pleiteadas, o impugnante apresentou notas fiscais, recibos, faturas de cartão de crédito e extratos bancários. Entretanto, em relação aos reembolsos recebidos das seguradoras de saúde, não há comprovação suficiente de que as despesas pleiteadas não tenham sido, ainda que parcialmente, reembolsadas. É de esclarecer que na DIRPF sob comento a contribuinte pleiteou a dedução do valor integral das despesas realizadas, não tendo informado valor algum de reembolso. A informação dos reembolsos só veio aos autos em razão de diligência. Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Os documentos demonstram que a contribuinte possuía, no ano em questão, dois planos de saúde, com a seguradora Omint e com a Itaúseg Saúde. O relatório da empresa Omint (fls. 65 a 68) abrange todo o ano calendário de 2007, demonstrando que não há valores reembolsados além daqueles informados. Já os documentos da Itauseg Saúde (fls. 70 a 72) são demonstrativos parciais, e não abrangem o ano de 2007 por completo. Sendo assim, não há como se concluir que não existiram outros reembolsos, inclusive das diferenças não reembolsadas pela Omint. Portanto, considerando que os demonstrativos da Itauseg Saúde são parciais, não resta clara a totalidade do valor reembolsado no ano para a contribuinte, devendo ser mantida a infração de glosa de despesas médicas. Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito lançado. Assinatura Digital Raquel de Carvalho Relatora – Matrícula 1.368.090 A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/03/2016, o sujeito passivo interpôs, em 04/04/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que os documentos apresentados cumprem com os requisitos legais e são hábeis a comprovar as despesas médicas, pois houve a prestação dos serviços e o seu efetivo pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o sujeito passivo comprovou o pagamento das despesas médicas cuja dedução é pleiteada. Conforme expõe o i. CONS. HONÓRIO ALBUQUERQUE DE BRITO: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún.do CTN) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 26/10/2010, DJe-230 DIVULG 29-11-2010 PUBLIC 30-11-2010 EMENT VOL-02441-02 PP-00430), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela busca da chamada “verdade material”. A propósito, “por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva” (RE 599194 AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/09/2010, DJe-190 DIVULG 07-10-2010 PUBLIC 08-10-2010 EMENT VOL-02418-08 PP- 01610 RTJ VOL-00216-01 PP-00551 RDDT n. 183, 2010, p. 151-153) Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: a) Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; b) Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; c) Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; d) Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); e) Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. AGUSTÍN GORDILLO faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: “Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria explicitado” (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1- Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 2- Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo: 10680.005472/2008-66 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão: 2201-002.503 Numero do processo: 13162.000079/2009-12 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo: 10510.004826/2007-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Numero do processo: 13748.001852/2008-98 Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Câmara: Primeira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do processo:10850.000104/2008- 22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 decisão:2202-004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007- 10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Ademais, a singela ausência de distinção entre fonte pagadora e beneficiário é insuficiente para manter a glosa. O modo menos ambíguo e vago para identificação dos elementos essenciais do pagamento consiste na aposição de rótulos às informações. Contudo, a prática empresário-comercial de emissão de documentos nem sempre é padronizada de modo otimizado, nem observa a máxima cautela. Afinal, a linguagem natural utilizada no cotidiano tende a ser fluida (cambiante), atécnica e subordinadas às particularidades regionais. Em alguns momentos, o Direito acaba por juridicizar a prática (e.g., art. 673, 3 da Lei 556/1850). Assim, ausentes outros obstáculos, pode-se inferir que a fonte pagadora é também o beneficiário, pois essa é a prática adotada na elaboração de documentos simplificados ou padronizados. De fato, a própria SRFB reconhece essa circunstância, como revela consulta ao art. 97, II da IN 1.500/2014, textualmente: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: [...] II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário CASO seja pessoa diversa daquela; (grifamos). Em sentido semelhante, a simples e isolada ausência de indicação do endereço não justifica a glosa, ante a possibilidade de identificação desse dado de outro modo, inclusive com consulta aos bancos de dados disponíveis à autoridade fiscal: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) (grifamos). Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada. Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Extraordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). No caso em exame, a autoridade lançadora rejeitou a dedução de três despesas médicas, todas por ausência de comprovação do efetivo pagamento 1 , assim discriminadas (fls. 04): Seq . . CPF/CNPJ Nome / Nome Empresarial Co d. • Declarado . Reembolsado Alterado 01 60.765.823/0001- 30 SOCIEDADE BENEF ISRAELITABRAS H 020 11.372,06 0,00 0,00 02 02.704.404/0001- 91 R.G. - SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. 020 ' 6.660,00 i 0,00 0,00 03 ' 04.739.202/0001- 00 SOCIEDADE DE ONCOLOGIA CLINICA 020 13.498,99 0,00 0,00 Porém, de modo alheio e dissonante, o órgão de origem manteve a glosa por entender que o sujeito passivo não comprovara a ausência de reembolso de tais despesas, na 1 Lê-se à fls. 05: "CONTRIBUINTE INTIMADO, NÃO COMPROVOU A EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS FEITOS A SOCIEDADE BENEF. ISRAELITA BRAS HOSPITAL ALBERT EINSTEIN (R$11.372,05), A RG SERVIÇOS MEDICOS LTDA (R$6.550,00) E A SOCIEDADE DE ONCOLOGIA CLINICA LTDA (R$13.498,89) ATRAVÉS DE CHEQUES NOMINATIVOS COINCIDENTES EM DATAS E VALORES AOS RECIBOS APRESENTADOS OU PROVA DA DISPONIBILIDADE FINANCEIRA VINCULADA AOS PAGAMENTOS NA DATA DA REALIZAÇÃO DOS MESMOS , NÃO PERMITINDO A VERIFICAÇÃO INEQUÍVOCA DO NEXO CAUSAL ENTRE OS RECIBOS APRESENTADOS E OS PAGAMENTOS EFETUADOS, É DE SE GLOSAR O MONTANTE DE R$ 31.421,04.(EXIGÊNCIA EM CONFORMIDADE ' COM O ARTIGO 73 DO RIR). OBS: CONFORME REITERADOS ACÓRDÃOS,D0 1g CONSELHO DE CONTRIBUINTES, PARA SE GOZAR DO ABATIMENTO PLEITEADO COM BASE EM DESPESAS MÉDICAS, NÃO BASTA A DISPONIBILIDADE DE UM SIMPLES RECIBO, SEM VINCULAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO, AINDA QUE OS EMITENTES TENHAM CONFIRMADO O ATENDIMENTO DO CONTRIBUINTE E DE SEUS 'DEPENDENTES. A PROVA IRREFUTÁVEL DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS SERIA POSSÍVEL MEDIANTE A APRESENTAÇÃO DE CÓPIAS DE CHEQUES OU EXTRATOS BANCÁRIOS, NOS QUAIS CONSTATASSE OS SAQUES EFETUADOS, COINCIDENTES EM DATAS E VALORES COM OS RECIBOS APRESENTADOS. ALÉM DISSO, O CONTRIBUINTE DEVE TER EM' CONTA QUE O PAGAMENTO DE • DESPESA MÉDICA CASO HAJA INTENÇÃO DE SE BENEFICIAR DA DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS NÃO ENVOLVE APENAS ELE E O PROFISSIONAL DE SAÚDE, MAS TAMBÉM O FISCO E, POR ISSO, DEVE SE ACAUTELAR NA GUARDA DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DO SERVIÇO, AINDA MAIS QUANDO O VALOR DO PAGAMENTO É ALTO EM COMPARAÇÃO AO QUE MEDIANAMENTE SE OBSERVA. A EMISSÃO DE RECIBO DE PAGAMENTO SERVE MUITO BEM PARA QUITAR UM DÉBITO E FAZER PROVA CONTRA O CREDOR, MAS NÃO PARA COMPROVÁ-LO JUNTO A TERCEIROS INTERESSADOS." Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 medida em que ele contratara dois planos de saúde complementar, mas apenas um deles informara a ausência de reembolso. A propósito, lê-se no acórdão-recorrido, verbatim: Os documentos demonstram que a contribuinte possuía, no ano em questão, dois planos de saúde, com a seguradora Omint e com a Itaúseg Saúde. O relatório da empresa Omint (fls. 65 a 68) abrange todo o ano calendário de 2007, demonstrando que não há valores reembolsados além daqueles informados. Já os documentos da Itauseg Saúde (fls. 70 a 72) são demonstrativos parciais, e não abrangem o ano de 2007 por completo. Sendo assim, não há como se concluir que não existiram outros reembolsos, inclusive das diferenças não reembolsadas pela Omint. Portanto, considerando que os demonstrativos da Itauseg Saúde são parciais, não resta clara a totalidade do valor reembolsado no ano para a contribuinte, devendo ser mantida a infração de glosa de despesas médicas. Conforme observa-se ao longo da fundamentação, a motivação do lançamento projeta os critérios decisórios determinantes do lançamento, de modo a fixar as razões que implicam a rejeição das deduções pleiteadas. Tal fundamentação compõe o objeto da impugnação, e o órgão revisor não pode adita-la, tampouco inovar os critérios decisórios para corrigir o lançamento com o desejo de mantê-lo. Ao exigir do sujeito passivo comprovação da ausência de reembolso das despesas médicas, e não se ater ao único critério decisório determinante adotado pela autoridade lançadora para glosa das deduções pleiteadas, o órgão de origem inovou o quadro fático-jurídico, o que é vedado e leva à reversão do julgamento, com o restabelecimento do direito pleiteado. Dito de outro modo, Conforme observa-se, a expressão utilizada pela autoridade fiscal para intimar o sujeito passivo são gerais e vagos (conotação), de modo a suportar uma série indefinida de elementos componentes (denotações). Ao utilizar uma expressão vaga, a autoridade fiscal projetou ao sujeito passivo a expectativa legítima de que haveria mais de um modo idôneo e hábil à comprovação do custeio das despesas médicas. Porém, no momento de formalização do lançamento, o critério decisório determinante foi preciso e restritivo: apenas um documento emitido por terceiro, instituição financeira, atenderia à comprovação. Esse critério decisório determinante restritivo dessume-se da exemplificação, cuja referência é a movimentação financeira. Inicialmente, houve a modificação do critério decisório determinante do lançamento, na medida em que um espectro amplo foi artificialmente reduzido a posteriori, de modo a contrariar o art. 142, par. ún., 145 e 146 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, no momento em que um modo específico de comprovação foi eleito como determinante, apesar de a intimação ser genérica, dificultou-se a defesa do sujeito passivo, cuja expectativa legítima tenderia a frustrar-se diante da estreiteza do critério efetivamente adotado, face à vacuidade da amplitude de critério originalmente comunicada. Essa variação tornou a orientação racional do sujeito passivo as observância da legislação impossível ou muito difícil de concretizar-se. Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2001-005.352 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.722868/2012-78 Reconhecida a alteração do critério decisório determinante empregado na motivação da glosa, bem como o comprometimento do direito de defesa, deve-se restabelecer a dedução pleiteada. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOU-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 116DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000256/2005-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003
DIF-PAPEL IMUNE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA.
A não apresentação ou a apresentação intempestiva da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF-Papel Imune) sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída em lei pelo descumprimento da obrigação acessória.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUJEITO PASSIVO.
A obrigação acessória decorre da legislação tributária, que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto, definidas na legislação tributária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003
PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Reduz-se a penalidade aplicada em decorrência da edição posterior de norma penal mais benigna.
Numero da decisão: 3803-002.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 DIF-PAPEL IMUNE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A não apresentação ou a apresentação intempestiva da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF-Papel Imune) sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída em lei pelo descumprimento da obrigação acessória. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUJEITO PASSIVO. A obrigação acessória decorre da legislação tributária, que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto, definidas na legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Reduz-se a penalidade aplicada em decorrência da edição posterior de norma penal mais benigna.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 DIFPAPEL IMUNE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A não apresentação ou a apresentação intempestiva da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune) sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída em lei pelo descumprimento da obrigação acessória. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUJEITO PASSIVO. A obrigação acessória decorre da legislação tributária, que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto, definidas na legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Reduzse a penalidade aplicada em decorrência da edição posterior de norma penal mais benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 12 a 15) lavrado para se exigir crédito tributário relativo à multa regulamentar, aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, relativa à Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune) entregue em atraso. Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 21 a 50) e requereu o cancelamento do auto de infração ou a redução do valor lançado, alegando o seguinte: a) encontrase sujeita à imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, por ter por objeto a editoração, compra, venda e circulação de livros e obras intelectuais ou artísticas; b) o auto de infração é nulo por versar sobre matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário pela Cãmara Brasileira do Livro, da qual é associado, em cujo processo judicial se discute acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade das exigências contidas na IN nº 71/2001, inclusive no que se refere à apresentação da DIFPapel Imune; c) de acordo com o dispositivo que deferiu a liminar, as obrigações acessórias decorrentes da citada instrução normativa ficaram sem efeito; d) com a alteração da IN SRF n° 71/01 pela IN SRF n° 101/2001, foi revogada a exigência relativa aos antecedentes fiscais, o que fez com que a sentença prolatada naquela ação decidisse, equivocadamente, pela extinção do processo por perda de objeto da ação. Entretanto, como a referida ação também combateu a exigência das reportadas declarações, a impetrante ingressou com embargos declaratórios em face da sentença, "visando a sanar tal equívoco do MM. Juízo Federal"; e) foi ainda interposto recurso de apelação contra a sentença, "de sorte a garantir ainda o prosseguimento da ação e manutenção dos efeitos da liminar inicialmente concedida". E para garantir o recebimento do recurso com efeito suspensivo, ingressou com Medida Cautelar, "a qual ainda pende de julgamento"; f) "a lavratura do auto de infração acerca de matéria pendente de apreciação definitiva pelo poder judiciário nos autos do referido Mandado de Segurança e respectiva Medida Cautelar consubstancia inequívoca lesão ao princípio do devido processo legal"; g) no mérito, não se aplica a seu caso a penalidade prescrita no art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.15834, conforme remissão do artigo 12 da IN SRF 71/2001, dado que atendeu ao solicitado na intimação fiscal, no prazo que lhe fora concedido, não tendo, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19515.000256/200568 Acórdão n.º 380302.489 S3TE03 Fl. 198 3 assim, deixado de apresentar "informações ou esclarecimentos SOLICITADOS pelo Fisco". E, sendo assim, "importa respeitosamente aduzir que o I. Fiscal Autuante atribui ao artigo 505, do Decreto n° 4.544/2002 (e, por conseguinte, ao artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15834) interpretação diversa de sua literal redação"; h) é absurda a forma de cálculo da multa. Isto porque, "apesar do suposto atraso no cumprimento de obrigação acessória ser um ato uno, ou seja, tratase apenas de um ato de atraso no cumprimento de obrigação acessória, POR ABSURDO a multa isolada de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) foi aplicada repetidas vezes, de sorte que a presente atuação remonta no ABSURDO VALOR de R$ 510.000,00 (quinhentos e dez mil reais). O que vale dizer que, a mesma multa ISOLADA foi aplicada 102 vezes sobre um único ato de atraso no cumprimento de obrigação acessória que, destaquese, prejuízo algum causou ao Fisco"; i) a multa é "arbitrária e totalmente desproporcional em relação ao dano causado ao erário, que no caso foi nenhum", contrariando a intenção do legislador constituinte de "minimizar o ônus público que recai sobre as empresas do ramo editorial". E, ademais, "o valor cobrado a título de multa por mero atraso no cumprimento de obrigação acessória (R$ 510.000,00), representa boa parte do faturamento anual da Impugnante, bem como parcela significativa de seu patrimônio, razão pela qual sua absurda cobrança pode conduzir, de fato, à destruição da contribuinte"; j) a multa deve ser relevada, a teor do art. 112, II, do CTN, uma vez que não agiu de forma dolosa, fraudulenta ou simulada e não causou prejuízos ao Fisco pela falta de pagamento de impostos. E "no caso em questão não há sequer dúvida quanto à natureza e a circunstância em que se deu a autuação, tratase de pessoa jurídica imune, a qual tem a obrigação acessória de apresentação de DIF Papel Imune, sendo certo que o atraso no cumprimento deste dever instrumental não revela prejuízo algum ao FISCO"; k) a multa aplicada viola a vedação constitucional ao confisco, conforme já assentado na melhor doutrina, assim como na jurisprudência judicial. E, por ser confiscatória, também viola o princípio da moralidade, estatuído no art. 37 da Constituição Federal; 1) "a imposição de multa deve atender aos critérios de individualização da pena, prescrito no art. 5º, XLVI, "c" da Carta Magna", como também já se posicionou a melhor doutrina e a jurisprudência judicial. Isto porque a imposição tributária "não indica de forma precisa qual a pena base, quais as causas de aumento ou diminuição de pena, limitandose apenas a fixar o valor da multa pelo descumprimento da obrigação"; m) devese atentar para a graduação da pena, os limites que esta pode alcançar. Se o comando legal que instituiu a penalidade não for claro, "quanto a quaisquer de seus requisitos, tais como, a pena base e as causas de seu aumento ou diminuição, devese atentar para a razoabilidade e aplicar o que determina o já citado artigo 112 do CTN, interpretandose a lei de maneira mais favorável ao contribuinte". Neste caso, "a aplicação de pena exacerbada, não prevista em lei, ataca diretamente o artigo 112 do CTN, sendo mais um motivo para a desconsideração de sanção tão absurda". A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento procedente (fls. 151 a 163), tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. MÉRITO. Rejeitase preliminar de nulidade que, em verdade, ataca o mérito do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 DIF PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. MEDIDA LIMINAR. A decisão liminar argüida, posteriormente revogada pela sentença, não afastou a obrigatoriedade de entrega das DIFs Papel Imune. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mêscalendário de atraso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Lançamento Procedente Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 171a 180) e requer a reforma da decisão a quo, alegando o que se segue: a) “Ao contrário do que foi afirmado pela DRJ, observase da Medida Liminar acostada aos autos, que as obrigações acessórias instituídas pela Instrução Normativa 71/01, ficaram sem efeito a partir da concessão da medida, razão pela qual a Impugnante não pode ser constrangida pelo període(em que deixou de apresentar as DIFs sobre o respaldo da referida decisão judicial)”; b) “o processo administrativo deve ser baixado em diligência para que a D. Autoridade Fiscal, recalcule os valores, excluindo os períodos em que a liminar permaneceu vigente; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19515.000256/200568 Acórdão n.º 380302.489 S3TE03 Fl. 199 5 c) “o valor total cobrado a título de multa, oriundo da aplicação por mês de atraso é demasiadamente oneroso e desproporcional à infração cometida (falta de entrega das declarações), não condizendo com os primados constitucionais do nãoconfisco e da capacidade contributiva”; d) “deve ser acolhida o pedido, para fins de incidência da multa, por declaração não entregue, e não por mês de atraso na entrega, cumprindo assim a referida multa com o seu papel de penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória, sem configurar o confisco tributário”; e) “De acordo com o inciso II do art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida quanto, entre outros, à extensão dos seus efeitos”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de multa aplicada em decorrência da entrega em atraso da declaração DIFPapel Imune. De pronto, devese ressaltar que, inobstante o fato de o contribuinte requerer a baixa dos autos à repartição de origem para recálculo do valor da multa, excluindose o período em que a liminar permaneceu vigente, ele, na sequência, reduz seu pedido ao cálculo da multa “por declaração não entregue, e não por mês de atraso na entrega, cumprindo assim a referida multa com o seu papel de penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória, sem configurar o confisco tributário” (fl. 176). No que tange à possibilidade de não conhecimento do recurso por desistência da via administrativa, dada a existência de ação judicial, conforme afirmado pelo Recorrente, temse que, conforme já ressaltou o relator de piso, o contribuinte não comprovou que é associado à Câmara Brasileira do Livro, que é a entidade autora do mandado de segurança coletivo. Além do mais, o que se pretendeu com a ação judicial foi o afastamento da exigência constante da Instrução Normativa SRF n° 71, “impondo como requisito e condição para o gozo da imunidade tributária preconizada no assinalado artigo da C.F., a inexistência de pendências tributárias dos estabelecimentos que operam com os bens imunes, bem como dos seus sócios, diretores, gerentes, administradores e procuradores” (fl. 82), conforme consta da petição inicial. Questionase, precipuamente, na ação, a exigência da Instrução Normativa SRF n° 71/2001, relativa à inscrição no registro especial por parte dos estabelecimentos que realizam operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, com a Fl. 205DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 condicionante de inexistirem antecedentes fiscais, sob pena de privação do exercício das atividades mercantis (fl. 88). A liminar, posteriormente cassada, foi deferida nos seguintes termos: “Pelo exposto e transcrito, DEFIRO O PEDIDO DE LIMINAR para, apenas e tãosomente, determinar à autoridade impetrada que se abstenha 'de praticar qualquer ato emergente da Instrução Normativa n° 71/2001, susceptível de embaraçar ou de impedir a livre fruição, pelos associados da Impetrante, da imunidade tributária assegurada pelo art. 150, inciso VI, letra 'd", da Constituição Federal, nas operações que vierem a realizar com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, especialmente o previsto no artigo 10 da assinalada Instrução Normativa TM, tal como posto no item "b" do pedido” (fl. 105). O art. 10 da IN SRF nº 71/2001 acima referenciado é justamente o que exige a apresentação da DIFPapel Imune pelas instituições com operam com esse insumo, mas, conforme afirmado pelo contribuinte quando da apresentação da peça impugnatória, a sentença exarada na ação mandamental decidiu pela extinção do processo sem julgamento do mérito, em face da perda de objeto. O Recorrente, em sede de Recurso, pede que, pelo menos, se considere o período em que a liminar obtida pela associação esteve vigente para fins de reduzir o valor da multa, mas, conforme se verá na sequência, essa questão se tornou prejudicada em razão das alterações legislativas que modificaram a forma de cálculo da multa, que passou a ser por evento e não mais pela quantidade de meses de atraso na entrega da declaração. De início, devese registrar que a atuação vinculada da autoridade fiscal a impende, obrigatoriamente, a cumprir as normas aplicáveis de Direito Tributário, precipuamente aquelas que versam sobre obrigações acessórias, dado que o Código Tributário Nacional (CTN) estipula que a lei que versa sobre dispensa do cumprimento de obrigações acessórias deve ser interpretada literalmente, de forma que, inexistindo comando legal exonerando o contribuinte da obrigação tributária da espécie, a ele se impõe o dever de observar, ipsis litteris, a norma extraída dos dispositivos legais. O fato de o Recorrente ser imune a impostos não o exime de prestar ao Fisco as informações de interesse fiscal relativas a suas atividades ou a atividades de terceiros com quem mantém relacionamentos empresariais ou institucionais. As entidades imunes, nos termos do parágrafo único do art. 194 do CTN, encontramse obrigadas a observar a legislação tributária reguladora da competência e dos poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização, ainda que se refira a informações relativas a imposto abarcado pela imunidade. Ora, as obrigações acessórias não se confundem com os tributos a que se referem, pois apenas documentam a incidência ou a não incidência de forma a viabilizar a atividade da Fiscalização. A obrigação acessória, não obstante seu caráter instrumental, é autônoma em relação à obrigação tributária principal, sendo estipulada para fins de atender ao interesse da Administração tributária. Tanto é assim que o parágrafo único do art. 175 do CTN delimita que a isenção ou a anistia não dispensam o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação cujo crédito tributário foi excluído. O Código Tributário Nacional (CTN) prevê que a obrigação acessória decorre da legislação tributária, que, por sua vez, é definida, no art. 96 do mesmo diploma Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19515.000256/200568 Acórdão n.º 380302.489 S3TE03 Fl. 200 7 legal, como abrangendo “as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”. Dessa forma, diferententemente da estipulação de penalidade, a instituição de uma obrigação acessória não é prerrogativa de lei, podendo ser veiculada por ato normativo da Administração tributária. Consoante o CTN, o art. 16 da Lei nº 9.779/1999 prescreve que compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Para análise do mérito, tornase necessário averiguar o conteúdo dos dispositivos normativos que regem a matéria, in verbis: LEI Nº 9.779, DE 19 DE JANEIRO DE 1999. (...) Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. (...) MEDIDA PROVISÓRIA No 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. (...) Art 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. (...) LEI Nº 11.945, DE 4 DE JUNHO DE 2009. Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (Produção de efeitos). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. (...) § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. DECRETO Nº 4.544, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2002. (...) Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). (...) DECRETO Nº 7.212, DE 15 DE JUNHO DE 2010. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19515.000256/200568 Acórdão n.º 380302.489 S3TE03 Fl. 201 9 (...) Art. 588. O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 2o do art. 328 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades (Lei no 11.945, de 2009, art. 1o, § 4o): I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso I); e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso II). Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 5º). (...) INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 71, DE 24 DE AGOSTO DE 2001 Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. A par dos comandos insertos nos dispositivos supra, concluise que, no caso de apresentação em atraso da DIFPapel Imune, o infrator sujeitavase à imposição da multa de R$ 5.000,00 por mêscalendário, salvo se optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que tem a penalidade reduzida em 70%. O contribuinte, por iniciativa própria, protocolizou o pedido de registro especial para operar com papel imune, tendo obtido junto à Receita Federal, por meio de ato declaratório executivo, a concessão requerida, após o que passou a se vincular ao cumprimento de todas as obrigações tributárias correlatas. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 A obrigação acessória é instrumental e objetiva fornecer ao Fisco as informações relativas à atividade do contribuinte, independentemente de haver ou não operações no período, pois a DIFPapel Imune visa ao controle inclusive dos períodos em que os contribuintes, detentores de registro especial, permanecem inoperantes. Contudo, a Medida Provisória n° 451, de 16 de dezembro de 2008, restringiu a aplicação da multa por evento e não mais por mêscalendário de atraso. Com o advento da Lei nº 11.945/2009, art. 1º, § 4º, II, referida multa restou definida como sendo de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais, restringindo a sua aplicação, conforme já previa a Medida Provisória n° 451/2008, por evento e não mais por mêscalendário de atraso. No presente caso, não se trata de empresa optante pelo Simples, tendo sido o cálculo da penalidade efetuado considerandose o valor R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso. Nesse contexto, tendo em vista o contido no Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, “c”, que autoriza a retroação de norma penal mais benigna, a multa lançada deve ser reduzida ao valor de R$ 5.000,00 por evento, o que, pelo fato de se referir a 4 (quatro) declarações, totaliza R$ 20.000,00. Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTEo recurso voluntário, para reduzir a multa aplicada com base no princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, “c”, do CTN), conformandoa aos ditames do inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, o que a reduz ao valor de R$ 20.000,00, dado se referir a quatro declarações entregues em atraso pelo Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19515.000256/200568 Acórdão n.º 380302.489 S3TE03 Fl. 202 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 19515.000256/200568 Interessada: PEARSON EDUCATION DO BRASIL LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VIII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.489, de 15 de fevereiro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 15 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 211DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19740.000187/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-002.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso quanto à inconformidade do Recorrente em relação à ocorrência de concomitância, atestada pela autoridade julgadora de primeira instância, entre o presente processo e o processo judicial e em não conhecer do recurso quanto à exigência de multa de mora, em face da referida concomitância, nos termos do voto do relator.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à inconformidade do Recorrente em relação à ocorrência de concomitância, atestada pela autoridade julgadora de primeira instância, entre o presente processo e o processo judicial e em não conhecer do recurso quanto à exigência de multa de mora, em face da referida concomitância, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 151 a 162) interposto em face de decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ (fls. 136 a 140) que, em parte, não conheceu da Impugnação apresentada pelo contribuinte em razão da renúncia à esfera administrativa, dada a concomitância entre o processo administrativo e o judicial, e, em outra parte, deu provimento à Impugnação para cancelar os juros de mora lançados. A controvérsia se originara da lavratura do auto de infração em que se exigira multa de mora e juros Selic em razão do pagamento em atraso do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) relativo ao anocalendário de 2004 . Em sua Impugnação (fls. 1 a 2), ao requerer a declaração de improcedência do auto de infração, o contribuinte alegou que os valores das multas se encontravam depositados judicialmente em contas vinculadas à ação declaratória nº 99.00115821 e, portanto, com exigibilidade suspensa, ação essa em que se discutia acerca do cabimento de multa de mora nos casos de pagamento espontâneo após o vencimento, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), e que os juros de mora haviam sido declarados no campo errado da DCTF. A autoridade julgadora a quo deixou de apreciar a matéria relativa à multa de mora em razão da sua discussão na esfera judicial, o que impedia a sua apreciação na via administrativa. Quanto aos juros de mora lançados, foram eles considerados indevidos, em face da comprovação de seu recolhimento. Não resignado com referida decisão, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fls. 151 a 162) e requer a exoneração da exigência fiscal, alegando que inexiste renúncia à esfera administrativa pelo fato de que a ação transitou em julgado sem análise do mérito e que a norma inserta no art. 138 do CTN exclui a incidência de multa de mora, conforme já assentado na doutrina e na jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço em decorrência das razões a seguir expostas. Remanesce controvertida após a decisão de primeiro grau apenas a parcela do lançamento de ofício relativa à multa de mora. De início, verificase que a matéria já foi objeto de apreciação na esfera do Poder Judiciário, tendo havido o trânsito em julgado, bem como a determinação judicial de conversão dos depósitos em renda da União, em razão do que se conclui pela ocorrência de concomitância da discussão da materialidade posta nos autos nas esferas judicial e administrativa, o que denota, conforme bem consignou a autoridade julgadora de piso, renúncia à apreciação do mérito no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19740.000187/200791 Acórdão n.º 380302.536 S3TE03 Fl. 201 3 judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Mesmo que o processo judicial tenha se encerrado sem apreciação do mérito, ainda assim, temse por configurada a renúncia, pois esta se caracteriza pela simples iniciativa do interessado em buscar a tutela jurisdicional. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à inconformidade do Recorrente em relação à ocorrência de concomitância, atestada pela autoridade julgadora de primeira instância, entre o presente processo e o processo judicial e por NÃO CONHECER do recurso quanto à exigência de multa de mora em face da referida concomitância. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19740.000187/200791 Acórdão n.º 380302.536 S3TE03 Fl. 202 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 19740.000187/200791 Interessada: SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.536, de 16 de fevereiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 16 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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