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Numero do processo: 10166.721453/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/07/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO. NÃO CABIMENTO
A relevação prevista no art. 291 §1º do decreto 3.048/99, revogado pelo art. 1º do decreto nº 6.727, de 13 de janeiro de 2009, somente é aplicável quando da implementação das condições até 12 de janeiro de 2009.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSEAS COIMBRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO. NÃO CABIMENTO A relevação prevista no art. 291 §1º do decreto 3.048/99, revogado pelo art. 1º do decreto nº 6.727, de 13 de janeiro de 2009, somente é aplicável quando da implementação das condições até 12 de janeiro de 2009. Recurso Voluntário Negado
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Obrigação Acessória Recorrente ASSOCIAÇÃO DE POUPANÇA E EMPRÉSTIMO POUPEX Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO. NÃO CABIMENTO A relevação prevista no art. 291 §1º do decreto 3.048/99, revogado pelo art. 1º do decreto nº 6.727, de 13 de janeiro de 2009, somente é aplicável quando da implementação das condições até 12 de janeiro de 2009. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721453/200981 Acórdão n.º 280300.820 S2TE03 Fl. 1.312 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721453/200981 Acórdão n.º 280300.820 S2TE03 Fl. 1.313 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, pela não apresentação das GFIP´s 13/2005 e 13/2006. Foi aplicada a multa de acordo com a lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.951/09, uma vez que demonstrado ser mais benéfico ao contribuinte conforme planilhas de fls 11. A DecisãoNotificação – fls 1256 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto lavrado para reduzir o valor da multa de R$ 134.147,18 para R$ 132.918,00. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte : • A Recorrente não deixou de informar, mensalmente, ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por meio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e demais informações de interesse daquele. As informações relativas ao 13° salário pago no ano de 2005 foram prestadas nas GFIP's das competências 11/2005 e 12/2005. O mesmo ocorreu com as informações relativas ao 13° salário pago no ano de 2006. A mera (e equivocada) inclusão das informações relativas ao 13° salário pago nos anos de 2005 e 2006, nas GFIP's das competências 11 e 12 daqueles anos, sob nenhuma hipótese possui o condão de configurar o descumprimento do indigitado dever instrumental. • A relevação da multa é direito da recorrente, porquanto penalidade mais favorável a mesma. • Pugna pelo provimento do recurso, com a consequente extinção do presente Processo, por absoluta insubsistência e nulidade do Auto de Infração e, no mérito, a relevação da multa aplicada, consoante o disposto no parágrafo 1°, do art. 291, do Regulamento da Previdência Social.. É o relatório. Voto Conselheiro Oséas Coimbra A partir da competência 13/2005, tornouse obrigatória a apresentação de GFIP específica para os valores referentes a 13º salário, consoante Instrução Normativa MPS/SRP Nº 9, de 24 de novembro de 2005. Sua não apresentação justifica a autuação lavrada. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721453/200981 Acórdão n.º 280300.820 S2TE03 Fl. 1.314 4 O Auditor autuante informa que a falta foi corrigida, sendo que o contribuinte requer que seja aplicada a relevação prevista no art. 291 §1º do decreto 3.048/99, revogado pelo art. 1º do decreto nº 6.727/09. Sobre a relevação pleiteada, tenho que a mesma não se confunde com a multa lavrada, sendo aplicada após esta e sob condições. Era medida que visava estimular a correção da falta cometida. Para seu deferimento, o marco temporal deverá a ser observado, deve ser o preenchimento das condições para o favor legal, se implementadas antes do decreto nº 6.727, publicado em 13.01.2009, aplicase a relevação. No caso concreto, a falta foi corrigida após fevereiro de 2009, o que afasta a aplicabilidade da relevação pleiteada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000006/2007-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006
INTEMPESTIVIDADE.
Uma vez constatada a intempestividade do Recurso não se conhece suas razões.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-000.905
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, em razão da sua intempestividade.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE. Uma vez constatada a intempestividade do Recurso não se conhece suas razões. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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FATOS GERADORES Recorrente SERVICE COMERCIAL E DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE. Uma vez constatada a intempestividade do Recurso não se conhece suas razões. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, em razão da sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15922.000006/200737 Acórdão n.º 280300.905 S2TE03 Fl. 184 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração contra o contribuinte supracitado por descumprimento ao artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social —GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, deixando de informar os valores pagos a segurados a título de premiação (campanha de aumento de performance e produtividade), conforme planilha anexa com as notas fiscais da empresa Salles, Adan & Associados Marketing Ins. S/C Ltda, conforme consta do "Relatório Fiscal da Infração", fl. 13. Em decorrência da infração foi aplicada a penalidade prevista no art. 32, inciso IV, § 5o, da Lei n° 8.212/91, e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, atualizada de acordo com o artigo 102 da referida lei. Consta do "Relatório Fiscal da Aplicação da Multa", fl. 14, que a multa corresponde a cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores constantes da tabela do artigo 32, inciso IV, § 4o, da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados a serviço da empresa, período de 05/2005 a 12/2006, conforme discriminativo à folha nº 15. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 04/04/2007, fl. 03, inconformado o contribuinte apresentou impugnação, fls. 92/111, acompanhada de anexos. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal deu provimento à autuação, fls. 128/133. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte tomou ciência da decisão em 26/12/2007, fls. 135, inconformado interpôs recurso voluntário em 01/02/2008, fls. 136/157, alegando em síntese: os valores apurados e "supostamente" entendidos como devidos pelo INSS não estão de acordo com a legislação vigente, por conseqüência, a multa objeto do presente Auto de Infração, resultando na total nulidade da autuação em debate. Não havendo obrigação principal, não há obrigação acessória; a base de cálculo das contribuições previdenciárias é o valor das remunerações habituais, destinadas a retribuir o trabalho. Logo, qualquer quantia endereçada ao empregado que não tenha as características da habitualidade bem como da retributividade, não podem ser tomadas como base de incidência, que é exatamente a situação vivenciada pelas empresas que oferecem premiações através do marketing de incentivo. O mesmo se pode dizer Fl. 184DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15922.000006/200737 Acórdão n.º 280300.905 S2TE03 Fl. 185 3 dos valores entregues a terceiros, apenas se configurarem retribuição do serviço prestado é que serão tidas por remuneração, de modo que, ausente a retributividade, não há que se falar em incidência das contribuições bem como de obrigações destas decorrentes, como escrituração destes recolhimentos nos livros contábeis da empresa, objeto da lavratura do presente Auto de Infração; no caso dos prêmios decorrentes de campanhas de incentivo, sua finalidade não é retribuir qualquer espécie de trabalho prestado. A premiação depende do cumprimento de metas, servindo aquelas quantias não como remuneração, mas como recompensa, incentivando o colaborador. Depende de suas características pessoais, tais como talento, competência e dedicação, sendo os prêmios concedidos de maneira aleatória, em razão do desempenho, sem qualquer habitualidade; É evidente a inconstitucionalidade no caso presente da Lei nº 8.212/91, que em seus art. 11, 20 e 22, inciso I, estenderam os limites estabelecidos no artigo 195, I, "a" e inciso II da Carta Magna, ampliando o campo de incidência da contribuição social, pelas empresas, à premiação percebida pelos empregados, os quais, como à exaustão ficou demonstrado, não constituem base de cálculo da contribuição previdenciária segundo os incisos I, "a" e II, do artigo 195, da Constituição Federal, o que evidencia a total ilegalidade da cobrança apresentada, bem como demonstrado nos argumentos legais apresentados na impugnação; por fim, requer a extinção do crédito tributário. O recorrente apresentou petição complementar, em 06/04/2009 (fls. 175/180), requerendo a aplicação da retroatividade benigna da multa com base na Medida Provisória – MP nº 449, de 03/12/2008, que introduziu o art. 32A na Lei nº 8.212/91. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é intempestivo, fls. 174, visto que foi protocolizado em 01/02/2008 (fls. 136) sendo que a ciência da decisão ocorreu em 26/12/2007 (fls. 135). DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO A tempestividade constitui requisito indispensável à admissibilidade do recurso. O prazo para recurso é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n º 70.235/72. Destarte, o recurso não pode ser conhecido em razão da sua intempestividade. O Decreto n º 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal, regulamenta matéria pertinente, nos termos: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15922.000006/200737 Acórdão n.º 280300.905 S2TE03 Fl. 186 4 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Do que consta dos autos, temos que o Aviso de Recebimento AR foi enviado ao endereço eleito pelo contribuinte, trazendo o nome do recebedor. Ante a situação posta, não há como afastar o que consta da norma retrocitada. Aplicabilidade de súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O contribuinte não trouxe fatos novos em relação aos argumentos apresentados na impugnação de primeira instância administrativa. Ademais, as Turmas de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vêm entendo que a premiação de incentivo a produtividade dos segurados empregados e contribuintes individuais tem natureza remuneratória e integra o salário de contribuição. RETROATIVIDADE BENIGNA NA APLICAÇÃO DA MULTA Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15922.000006/200737 Acórdão n.º 280300.905 S2TE03 Fl. 187 5 Quanto à multa aplicada na autuação fiscal em comento, há que se observar à retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212/91, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3odeste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes a todos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15922.000006/200737 Acórdão n.º 280300.905 S2TE03 Fl. 188 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de ofício, aplicar a menor multa por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento para os atos não definitivamente julgados. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso em razão da sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 36624.001201/2007-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF.
Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, CTN
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2803-000.208
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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EMPRESAS EM GERAL. Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA DE SAO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, CTN Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, ern dar provimento ao recurso, nos termos do relatório votos que integram o presente julgado OiluCkl:/IfIctild(40(44 CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Junior, Gustavo ,Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). jl i )11 Re I Ir ! Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito decorrente do instituto da solidariedade entre a empresa tomadora/contratante" de serviços (UNILEVER BRASIL LTDA) e a prestadora/contratada (Berlitz Centro de IdiOrnas S/A), cujo fato gerador é a contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, nos termos da Lei 8,212/91 e demais normas previdenciarias, o que culminou na exigência de credito tributário pele suposto não recolhimento das contribuições previdencidrias devidas. Em sua peça impugnatéria, a contribuinte Unilever Brasil Ltda. alega, pre tminannente, que: I (a) é parte ilegítima, pois não pode ser aplicada a teoria da desconsideração ersonalidade jurídica; (b) é inaplicável a taxa Selic na apuração do crédito tributário; (c) ocorreu a decadência, pois os fatos geradores tem origem há mais de cinco anos, sendo que a NFLD em questão s6 poderia tratar dos impostos cujos fatos geradores ocorreram .após o mês dez/2000, visto a extinção dos créditos tributários relativos aos fatos geradores anteriores, e considerando que a Lei 8.212/91 é uma Lei Ordinária, não podendo tr IkIi. de Matéria relativa a decadência do credito previdencidrio, visto que tal situação é expressamente reservada à Lei Complementar; I 1 1 (e) a NFLD é nula, pois o agente fiscal ultrapassou o prazo do MPF; (f) houve cerceamento de defesa, uma vez que a contribuinte possuía apenas dias para apresentai suas impugnações relativas a várias autuações; (g) houve cerceamento de defesa, também em virtude da aplicação de multas quinze , progressivas. No mérito, sustenta, em síntese, que: (a) não há solidariedade passiva, devendo a Unilever responder, no máximo, subsidiariamente; (b) a responsabilidade da empresa cedente de mão-de-obra não foi levantada pela fiscalização, que preferiu imputar h impugnante toda a responsabilidade pelo destaque, retenção e'recolhimento da exação originalmente de responsabilidade direta da cedente; il (c) houve efetivo cumprimento das obrigações previdencidrias por parte das I I I empresas, e a autoridade fiscal não logrou êxito em provar o contrário; (d) a tegra de decadência constante da Lei 8.212/91 s6 se aplica para as corltribuições previdenciarias propriamente ditas, não se estendendo para as contribuições aos terceiros, sendo que ainda que fosse mantida a ilegal imposição contributiva, deveriam ser retiradas da mesma todas as parcelas destinadas a terceiros, nas competências anteriores a deZ/2000; ,1 2 S2-T E03 Processo n* 36624 001201/2007-19 1"Acórdiio n ° 2803-00.208 I 2 (d) a aliquota da contribuição previdencidria deve ser fixada por lei, de , acordo com o principio da estrita legalidade, devendo ser utilizada a aliquota de 11%, referente a prestação de serviço, corn base no artigo 31 da Lei 8.212/91; e (e) a impropriedade do arbitramento do tributo devido, por ter sido desconsiderada a correta base de cálculo das contribuições previdenciarias, não tendo a 'autoridade fiscal esgotado os meios de que dispunha para apurar o crédito tributário. Embora devidamente cientificada, a empresa Berlitz Centro de Idiomas S/A não apresentou defesa. Ao analisar a impugnação apresentada pela Unilever Brasil Ltda., a Delegacia da Receita Previdencidria em São Paulo, As fls. 221/232, ressaltou que ha olidariedade passiva, conforme previsão legal (art. 13 da Lei 8.620/93); que a extinção do Prazo de validade do MPF não enseja a nulidade do processo nem dos atos praticados, já que a 'autoridade responsável por sua emissão pode determinar a emissão de novos MPFts que estenderão o prazo do original, conforme exposto no parágrafo 1 0 do art, 587 da Instrução Normativa n° 03/2005; que foi emitido MPF complementar em 17/11/2005, o qual convalidou todos os atos praticados após o decurso do prazo MPF inicial; que os prazos para apresentação ! de defesa em processo administrativo são definidos por lei, assim como o estabelecimento de multas; que a autoridade fiscal não decaiu de seu direito de cobrar o tributo, pois o prazo é de 10 anos, ante os termos do art. 45 da Lei 8.212/91 e do art. 150, parágrafo 4 0 do CTN; que a taxa Selic foi corretamente utilizada; que a responsabilidade solidária encontra-se prevista no art. 124 do CTN e no art. 31 da Lei 8,212/91; que «beneficio de ordem é vedado; que o lançamento foi realizado em consonância corn a lei; e que o contribuinte não comprovou o 'recolhimento das contribuições previdenciárias. Por fim, o pedido de perícia e sustentação oral 1 foi indeferido. 1! 1! Ern seu Recurso Voluntário (fls. 257/299), a Recorrente Unilever Brasil Ltda. . alegou, preliminarmente, a ocorrência da decadência e cerceamento de defesa, por conta do ! prazo reduzido para apresentar defesa. No mérito, sustentou que apresentava a documentação referente ao recolhimento das contribuições previdenciarias pela empresa prestadora de serviços, ou seja, todas as guias de recolhimento; que não há solidariedade passiva, devendo a Unilever responder, no máximo, subsidiariamente; que a base de calculo foi indevidamente iitilizada; que não hi previsão legal para fixação de base de cálculo a ser utilizada por arbitramento; e que outro vicio insanável é a não aplicação do beneficio de ordem . Em comprovação as alegações trazidas nos autos, a Recorrente apresentou os documentos de fls. 306/1.237. Com vistas a cumprir a exigência prevista no art. 126 da Lei 8.212/91, a Recorrente efetuou o depósito recursal, corno se confirma As fls.. 303, Contrarrazões apresentadas As fis. 1 241/1.247. o relatório. 3 Voto Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Rela ora , Antes de se adentrar h. análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, faz-se necessAtio examinar se os tributos lançados na NFLD em questão podem ser exigidos do cOntribuinte. A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos previdenciários foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante dèb 8, nos seguintes termos: , "Sumula Vinculante n" 8"Siio inconstitucionais os parágrnfo único (lo al tigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrigão e decadência de crédito tributário" Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal de 1988, o entendu-nen o sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os oità:Os' da A:dininistração Pública, inclusive para este Conselho: „ "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa ()tidal, terá ehito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e it administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei." pr,evista no art. VinCulante n" 8, Nacional, 1(11 Nestes termos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese 45 da Lei ri &212/1991, em razão do entendimento contido na Súmula há que se analisar a questão à luz das regras previstas no Código Tributário Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão regulados pelo art. 150 d Código Tributário Nacional. Consoante o que estabelece o § 4° do mencionado dispositivo legal, havendo pagamento antecipado do tributo devido, considera-se extinto o créditO tributário com a homologação expressa ou tácita, que se dará com o decurso do prazo de cinco anos contados cio fato gerador. Todavia, caso não haja o pagamento antecipado, der-se-á 'observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que determina que o prazo para a cOrAtitiliçãO dos créditos tributários é de cinco anos, contados do primeiro dia útil do ano subsequente Aquele no qual poderia ter havido a sua exigência. Su Esse, inclusive, o entendimento que vem nor Tribunal de Justiça: sendo adotado pelo Colendo 4 "TR1BUTARIO, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCM. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR 1101110LOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO INCIDENCIA DO ART. 173, INC. I, DO CT1V, INCONS'T17'UCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8 212/91, SÚMULA VINCULANTE N 8 DO STF'. S24E03 Processo n" 36624.001201/2007-19 Acórdão n ° 280.3-00.208 I Fl 3 , 1! 1, 0 Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, cam este teor: "são inconstitucionais O parágrola único do artigo 5," do Decreto-Lei a 1.569/1977 e os tangos 45 e 46 da Lei 11. 8.212/1991, que frownu de preset kilo e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo -sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art. 173, inc. 1, do Código Tributário Nacional (CTN) Isso porque a disciplina do art 150, 4", do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fuv, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiada pelo regime c/a Lei n" 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introdiciu o ai t 543-C do CPC, reafirmou-se tal posicionamento 3.. Recurso especial não provido." (REsp 1090021 /PE, Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJ 05/05/2010) A NFLD foi lavrada em 15/12/2005 para exigir os créditos tributários relativos As competências de 02/1996 a 12/1998. Nestes termos, corn fundamento no que 'diSpõe o art. 173, 1, CTN, em razão de não ter havido o pagamento antecipado do tributo Idevido, verifica-se que houve a decadência do direito do Fisco de promover a constituição do 'Crédito tributário apurado no período fiscalizado. Em razão disso, resta prejudicada a análise das demais questões trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, pela impossibilidade de exigência de qualquer valor relativo a fatos geradores que tenham sido praticados em período já atingido pela decadência. E como voto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurs() Voluntário interposto pelo sujeito passivo, para reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo ao período de 02/1996 a 12/1998. U/Wi .P.411/164/(atAdadki CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE — Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 13738.000617/94-98
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.063
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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LTDA. : DRJ/SALVDORJBA RESOLUÇÃO N'303-01.063 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANELISE DAUDT PRIE Presidente 9 NJETON I4Or BARTOLI Xelator Formalizado em: 28 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Marciel Eder Costa, Tardsio Campelo Borges e Davi Machado Evangelista (Suplente). Ausente o Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza. tmc Processo n° : 13738.000617/94-98 Resolução n° : 303-01.063 RELATÓRIO Tem inicio o presente processo em informação do contribuinte, juntada As fls. 01, de que sofrera cobrança indevida relativa ao PIS e FINSOCIAL, uma vez que supostos débitos já haviam sido quitados por meio de compensação com créditos de Finsocial, decorrentes de procedimento judicial. 0 pedido do contribuinte é de que seja cancelada a cobrança indevida, já que os débitos encontram-se quitados. Instruem sua informação cópia das sentenças judiciais. De acordo com a informação fiscal de fls. 20, houve desmembramento de processo, seguindo o presente com relação ao PIS e o de n° 13738.000689/94-07 para a cobrança do Finsocial. Em atendimento A intimação fiscal de fls. 60, manifesta-se o contribuinte As fls. 62, apresentando relatório de base de cálculo do PIS, relativo ao período de janeiro/93 A dezembro/94. De acordo coin o relatório de fls. 63, com base nas informações prestadas pelo contribuinte As fls. 62, foi recalculado o PIS, aplicando-se a aliquota de 0,75% sobre o faturamento mensal, segundo as regras da Lei Complementar n° 7/70 e alterações posteriores ainda válidas, e da MP n° 1.110/95 e suas reedições, de onde restou apurado diferença a ser lançada. Levantou-se ainda que a ação judicial informada de inicio pelo contribuinte teve sua petição inicial indeferida, conforme extrato juntado As fls. 68, e que outros dois procedimentos judiciais também informados não dizem respeito ao presente processo, conforme consta As fls. 72. Intimado a apresentar documentos, conforme fls. 79, manifesta-se o contribuinte As fls. 94/118, juntado aos autos planilhas de apuração de crédito e de compensação dos créditos a titulo de Finsocial e PIS. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 134/135, "não persiste, no presente processo, qualquer discussão acerca do mérito do pleito de compensação de fls. 01, considerando que, como reconhece o próprio interessado, o alegado direito creditório exauriu-se integralmente em períodos diversos, na quitação de parcelas devedoras de débitos da mesma espécie, em procedimento que prescindia da prévia anuência da Secretaria da Receita Federal." 2 Processo n° : 13738.000617/94-98 Resolução n° : 303-01.063 Ato continuo foi prolatado Despacho Decisório pela Delegacia da Receita Federal em Niterói, nos termos da seguinte ementa: "COMPENSAÇÃO — Como reconhece o próprio interessado, o crédito pleiteado foi utilizado em procedimento de compensação com débitos da mesma espécie, no período de abril/1998 a abril/1999, independentemente de prévio requerimento, conforme a sistemática prevista pelo art. 14 da IN SRF n° 21/1997 c/c art. 2° da IN SRF n°32/1997. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA." Em tempestiva manifestação de inconformidade, alega o contribuinte, em suma, que: I. possui créditos suficientes para que as compensações sejam realizadas com débitos da COFINS e do PIS em 1993 e 1994, assim como, entre abril de 1998 e abril de 1999, pelo que, seguindo os dispositivos legais aplicáveis à espécie, compensou os valores recolhidos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, já declarados inconstitucionais pelo STF, com os débitos de COFINS e do PIS exigidos na presente cobrança; II. efetuou a compensação com base na legislação vigente à época, qual seja, a Lei n° 8.383/91, Decreto 2.138/97 e Instrução Normativa SRF no 21/97, pela qual, restou comprovada a liquidez e certeza dos créditos utilizados, estando a compensação efetivada com débitos da COFINS, convalidada sob a égide da Instrução Normativa n° 32/1997, não havendo, portanto, qualquer débito; III. a SRF não pode indeferir compensação permitida pela IN n° 210/2002, pela qual restou autorizada a compensação do PIS e da COFINS com créditos oriundos do recolhimento indevido do Finsocial. Por fim, aduz que os valores a serem compensados ou restituidos devem ser acrescidos de juros de 1% ao mês a partir do pagamento indevido, conforme prevê o artigo 161 do CTN, até a edição da Lei n° 9.250/95 e, a partir de então, ser aplicada a taxa Selic. Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, foi indeferida a solicitação do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: i Colacionando jurisprudência em favor de seus argumentos, requer pela reforma da decisão recorrida. 3 Processo n° : 13738.000617/94-98 Resolução n° : 303-01.063 "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: CRÉDITOS LiQUIDOS E CERTOS Não tendo sido comprovado que a empresa possuía créditos suficientes que pudessem ser objeto de compensação, cabe o indeferimento da manifestação de inconformidade. Solicitação Indeferida." Irresignado com a decisão singular, o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos e pedidos apresentados em sua peça impugnatória, aduzindo, ainda, que: I. os créditos que deram origem A compensação decorrem do processo judicial n° 2000.51.05.000016-9, o qual, embora não tenha se referido aos débitos de PIS que foram compensados com créditos de Finsocial, não prejudicou a compensação, já que esta se tornou possível com a edição de Instruções Normativas pela Secretaria da Receita Federal, bem como por Leis e Decretos pelo Governo Federal; II. a conseqüência direta da declaração de inconstitucionalidade das aliquotas do Finsocial que excederam a 0,5% está em terem as empresas sujeitas a este tributo pago mais do que era licito ao fisco exigir, gerando então o direito inequívoco A devolução do respectivo indébito, que deverá corresponder A diferença entre o que foi pago A época com base em aliquota inconstitucional e o que deveria ter sido pago com base na única aliquota considerada constitucional, qual seja, 0,5%; III. é fácil vislumbrar o crédito decorrente do recolhimento indevido do Finsocial pois com a declaração de inconstitucionalidade da referida exação, juntamente com a guia comprobatória do recolhimento a maior, o que a empresa recolheu indevidamente será convertido em crédito liquido e certo, sendo possível a sua compensação com débitos vencidos e vincendos da COFINS e do PIS; IV. a vedação da compensação antes de ter transitado em julgado a respectiva decisão judicial aplica-se aos casos de tributos pagos indevidamente (quer por erro ou por inconstitucionalidade/ilegalidade da lei) a partir da entrada em vigor da Lei Complementar n° 104/01; V. ainda que sejam consideradas diferentes as espécies de contribuições tratadas no presente, não há que prosperar a decisão, pois a Lei n° 8.383/91, o Decreto n° 2.138/97, 4 Processo n° : 13738.000617/94-98 Resolução n° : 303-01.063 Instrução Normativa n° 32/97, a Lei n° 10.637/02 e a Instrução Normativa n° 210/02, prevêem a possibilidade de compensação entre tributos de diferentes espécies e destinações constitucionais; VI. quanto A ação declaratória interposta, aduz que na mesma discute apenas o direito de se utilizar do crédito do Finsocial através do instituto da compensação, respeitada a prescrição de 10 anos, pois este lapso temporal envolve os valores que foram compensados. Requer pelo provimento de seu recurso a fim de que seja cancelada a autuação fiscal que lhe foi imposta. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário apresenta arrolamento de bens, conforme documentos de fls. 213/214 e 216/217. Não foram os autos encaminhados A Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, tendo em vista o disposto na Portaria MF n° 314, de 25/08/1999. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro constando numeração até As fls. 221, última. É o relatório. e 5 i Processo n° : 13738.000617/94-98 Resolução n° : 303-01.063 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Da análise dos autos, constata-se que a matéria A que versa o presente processo é apuração de diferença a ser recolhida a titulo de PIS, conforme consta da informação de fls. 20 e planilha de cálculos juntada As fls. 63, o que se confirma pela informação fiscal de fls. 134/135. Note-se que a Recorrente aduz que supostos débitos encontram-se quitados por meio de compensação com créditos de Finsocial, não obstante, o cerne da questão é a diferença apurada quanto ao recolhimento do PIS, como faz constar a informação de fls. 20. É de se ressaltar que a matéria atinente ao Finsocial é de competência deste Conselho, nos termos do artigo 9°, XVII do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Contudo, dos autos apura-se que não se trata de aplicação de legislação que diga respeito ao Finsocial, simplesmente, mas sim de apuração e cobrança de débitos de PIS, calculados As fls. 63. Ressalte-se ainda que os débitos apurados quanto ao Finsocial encontram-se exigidos por meio de lançamento de oficio nos autos do Processo 13738.000689/94-07. Nestes termos, em que pese a alegação do contribuinte de que procedeu a compensação entre os débitos apurados e créditos relativos ao Finsocial, a matéria em questão, Contribuições para o Programa de Integração Social e de Formação do Servidor Público - PIS, é de competência do Segundo Conselho de Contribuintes, como dispõe o artigo 8°, inciso III, também do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Desta feita, cabe ao Segundo Conselho de Contribuintes apreciar o Recurso Voluntário em questão, pelo que, voto por declinar da competência para apreciar a matéria pertinente aos autos em apreço. Sala das Sessões, enyF1 de agosto de 2005 yl2TON L IZ BART 7J - Relator 6
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Numero do processo: 17883.000299/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Oct 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LEGITIMIDADE PASSIVA.
O sujeito passivo da obrigação tributária relativa a omissão de receita ou de rendimento, caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, é o titular da conta com capacidade jurídica para movimentá-la, salvo quando comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, o uso da conta por terceiros
Numero da decisão: 2301-008.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LEGITIMIDADE PASSIVA. O sujeito passivo da obrigação tributária relativa a omissão de receita ou de rendimento, caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, é o titular da conta com capacidade jurídica para movimentá-la, salvo quando comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, o uso da conta por terceiros
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LEGITIMIDADE PASSIVA. O sujeito passivo da obrigação tributária relativa a omissão de receita ou de rendimento, caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, é o titular da conta com capacidade jurídica para movimentá-la, salvo quando comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, o uso da conta por terceiros Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 99 /2 00 9- 53 Fl. 2867DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-008.194 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000299/2009-53 Relatório Trata de Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 e 2006, anos calendário 2004 e 2005, por ter o contribuinte incorrido na seguinte infração : - Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, onde alegou o seguinte, de acordo com o relatório do acórdão recorrido: Cientificado do Auto de Infração em 30/11/2009, o Contribuinte apresentou, em 28/12/2009, a impugnação de fls. 1052/1054, instruída somente com a procuração conferida a seu representante legal, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Narra os fatos ocorridos no curso da ação fiscal. Em seguida, afirma desconhecer as contas bancárias nº 07587 e 42684, ambas no Credrio, indicadas na autuação. Aduz que vários créditos registrados nos extratos do Credrio representam movimentação de transferência entre contas, promovidas pelas instituições bancárias, e não depósitos efetuados pelo impugnante. Cita, em especial, a “transferência cooperados”. Alega que o lançamento efetuado com base no artigo 42 da Lei no 9.430/96, não observou o disposto no §5º do mesmo dispositivo legal, o qual dispõe que “quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento”. Aduz que no caso dos autos houve erro de identificação do sujeito passivo. Afirma que os valores creditados em seu nome, pessoa física, não podem ser atribuídos a ele, mas sim ao Posto Costa Barbosa Ltda. Afirma que todos os documentos mencionados na autuação e em sua defesa constam do processo administrativo fiscal. Ao final, requer o cancelamento da autuação. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde “reitera todos os argumentos que foram expendidos na impugnação” É o relatório Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. Fl. 2868DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-008.194 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000299/2009-53 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade Tendo em vista que são coincidentes as razões recursais e as deduzidas ao tempo da impugnação, a análise do recurso pode ser feita utilizando-se da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF, mediante transcrição do voto do acórdão recorrido, por guardar pertinência com as questões recursais ora tratadas: O lançamento do crédito tributário compreendeu a autuação com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários, suporte legal da presente autuação, passou a reger-se pelos ditames do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a alteração introduzida pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante Fl. 2869DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-008.194 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000299/2009-53 divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluídopela Lei n° 10.637, de 2002) (Grifei) Desta forma, o legislador estabeleceu a partir da referida data uma presunção legal condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Neste contexto, depreende-se que, para desfazimento da presunção, o ônus da prova é do sujeito passivo, que após ser regularmente intimado deverá comprovar a origem dos recursos utilizados em operações de depósito ou crédito em conta mantida junto à instituição financeira, sob pena de ver constituído o crédito tributário por lançamento de ofício. A Fiscalização cumpriu sua função: comprovou o crédito dos valores e intimou o interessado a apresentar documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Ressalte-se que, para a comprovação da origem dos depósitos, é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos. A princípio, a movimentação bancária pertence ao titular da conta bancária, pois é quem tem a capacidade jurídica para tanto. Mas pode acontecer de a movimentação pertencer a terceiros. É exatamente o que o Contribuinte alega nesses autos. Sustenta que a movimentação bancária verificada em suas contas pertence ao posto Costa Barbosa. Tal possibilidade está prevista na legislação acima reproduzida, no §5 o do artigo 42, citado pelo contribuinte em sua impugnação. Mas, conforme grifado, esse fato deve estar devidamente comprovado nos autos. Nesse sentido, também dispõe a Súmula n° 32 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF n° 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.(Grifei) Ressalte-se que, já no curso da ação fiscal, o contribuinte apresentara essa alegação, e, por falta de comprovação do alegado, a autuação foi feita em seu nome, conforme relata a autoridade lançadora no Termo de Constatação Fiscal. Em sua impugnação, o contribuinte não apresenta qualquer documento, limitando-se a afirmar que os documentos já estão anexados ao processo. Da mesma forma que a autoridade autuante, entendo que os documentos constantes dos autos não comprovam a origem dos depósitos ocorridos em suas contas ou que pertencem à pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio. Fl. 2870DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-008.194 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000299/2009-53 Constam dos autos cópias dos livros diários dos anos de 2004 e 2005 (293/422 e 423/509, respectivamente). Cumpre notar que as cópias apresentadas não estão registradas na Junta Comercial, exigência contida no artigo 258 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999), não constituindo, por conseqüência, documento hábil a fazer prova a seu favor. Ademais, ainda que se tratasse de documento contábil hábil, a simples juntada aos autos, desacompanhada de explicações e de outros elementos, não o socorre. Cabe ao contribuinte demonstrar a vinculação entre as transações da empresa e a movimentação de suas contas bancárias. Ou seja, apresentar documentos que revelem a que operações das empresas estão associadas as movimentações em suas contas. A análise do livro Diário não permite essa sistematização com exatidão, carecendo de comprovação a alegação do contribuinte. Como já dito, compete ao contribuinte e não ao Fisco provar a origem de cada um dos depósitos questionados, se quiser eximir-se da exação. Não basta alegar de forma genérica, como fez o contribuinte. Cabe a ele comprovar documentalmente o alegado, apresentando documentos hábeis pertinentes, tais como escrituração contábil (além do livro Diário, o razão, por exemplo), notas fiscais de venda, fazer a vinculação entre a atividade da empresa e as receitas em questão. Assim, se os depósitos decorrem de pagamentos recebidos de clientes, deveria ele comprovar, de maneira direta, as vendas e associá-las aos depósitos. O contribuinte junta inúmeras notas de compra de fornecedores, quando, na verdade, caberia a ele comprovar as vendas. Ou seja, fazer a vinculação de cada um dos depósitos a operações concretas dessa intermediação (faturas, notas fiscais, recibos, contratos, com valores e datas coincidentes com os ingressos nas contas). Ainda que a movimentação das contas possa estar vinculada às empresas das quais é sócio, faltou o contribuinte apresentar documentação hábil e idônea, que comprovasse o fato. Diante de meras alegações, não há que se falar em ilegitimidade passiva, já que não restou demonstrado que o contribuinte, titular das contas bancárias objeto do lançamento, não tinha relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. Nesse mesmo sentido, segue ementa de julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE ATIVIDADE COMERCIAL DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL O RECORRENTE É SÓCIO - NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DOS DEPÓSITOS À ATIVIDADE ECONÔMICA-FINANCEIRA DA PESSOA JURÍDICA - INOCORRÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COMPROVADA - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - Não havendo qualquer liame entre os depósitos bancários imputados ao contribuinte e os valores faturados pela pessoa jurídica que, pretensamente, seria a proprietária dos depósitos bancários em foco, deve-se manter intocada a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96. De outra banda, os depósitos de origem comprovada devem ser excluídos da base de cálculo do imposto lançado. (Acórdão 106-17254, de 05/02/2009) Fl. 2871DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-008.194 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000299/2009-53 O contribuinte reclama ainda de valores lançados, que não decorrem de depósitos efetuados por ele, mas de transferências promovidas pelas instituições bancárias. Menciona, em especial, as transações com o histórico "Transferência Cooperados". Cabe esclarecer que o lançamento recai sobre valores creditados em conta bancária do contribuinte, que ele, regularmente intimado, não comprova a origem. Assim, o lançamento pode recair sobre transferências, depósitos, ou qualquer outra operação, que represente crédito na conta do contribuinte. Nos extratos, verificam-se alguns créditos com o histórico "Transferência Cooperados". Embora não seja um depósito, trata-se de operação que gerou um crédito em sua conta. Como já explicitado acima, para ver esses depósitos excluídos da tributação, caberia a ele apresentar documentação comprobatória da origem de cada um deles ou de que provém de contas de sua titularidade. Assim, diante da ausência de qualquer comprovação, deve ser mantida a tributação desses valores. No recurso (fls 1075-1093) e em petição ( fls 1811-1817), são apresentados os seguintes documentos: - Documentos CREDIRIO 4268 Contas Correntes Relatório de Saldos por data, referente a 03/2006, Poupança Verde, Regulamento e Estatuto do Fundo Garantidor, Relatório de Saldo de março/2006. Documentos referentes à Fiscalização do Banco Central, nos quais consta a extrapolação do limite de crédito por cliente, incluindo o recorrente, Termo de Conferencia de Caixa, fls 1094 a 1243 - Notas Fiscais emitidas por Posto Costa Barbosa, fls 1246-1432 - Notas Fiscais de Compra de Mercadoria/Duplicata e boleto de pagamento (1433- 1617) - DARF e GPS 1618-1645 do posto Costa Barbosa - Extratos de Contas Correntes do Recorrente - Cheques emitidos pelo recorrente a diversos fornecedores e empresas de factoring 1839-2628 Também foi apresentado um novo pedido (fls 2641-2643), onde requer que a presente petição e seus anexos sejam adimitidos e considerados pelo CARF, com a apresentação de novos documentos ( fls 2644-2809), onde constam cheques emitidos pelo recorrente e notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica, Posto Costa Barbosa. Consta ainda, nas fls 2644 a 2809, planilha, onde o recorrente afirma que “ligando a nota ao seu respectivo comprovante de pagamento (espelho de cheque) ou ao movimento de saída informado nos extratos fornecidos pelo banco.”. Conforme dito anteriormente, para a comprovação da origem dos depósitos, é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos. Fl. 2872DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-008.194 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000299/2009-53 No caso da planilha apresentada, o recorrente vinculou para cada nota fiscal emitida pelo fornecedor de combustível, Dínamo Petróleo, um cheque , ou mais de um, por ele emitido e nominais à mesma, comprovando apenas a aplicação dos recursos e não a origem. Também apresentou planilha com as respectivas notas fiscais de fornecimento de bebidas, no entanto as notas não foram emitidas em nome do Posto Costa Barbosa. Da analise dos novos documentos apresentados, verifica-se que os mesmos não são aptos a comprovarem que os depósitos efetuados nas contas correntes do recorrente pretenciam à pessoa juridica, pois apenas demonstarm despesas efetuadas pela mesma. Do exposto, voto por rejeitar a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 2873DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907938/2009-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/07/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de novembro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907938/200960 Acórdão n.º 3803003.002 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (21/11/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 14/12/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZEM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e a COFINS sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907938/200960 Acórdão n.º 3803003.002 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de novembro de 2004, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722355/2008-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Fl. 65DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Trata o presente de notificação de lançamento relativa ao imposto sobre a renda, exercício 2006, anocalendário 2005 (fls.3/6), por meio do qual formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$753,16, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros (R$60.319,40), os quais foram declarados como isentos e não tributáveis, em razão de que os documentos apresentados pelo Contribuinte não foram conclusivos quanto à existência de cardiopatia grave e nem determinaram a data de início da doença. Insurgese o recorrente contra decisão da 3ª Turma da DRJ Salvador que não considerou o laudo médico apresentado para fins de isenção do imposto de renda sobre proventos recebidos por portador de moléstia grave. A decisão recorrida: fundamentase na assertiva de que o interessado não apresentou documento compatível com essa exigência, pois o laudo médico anexado (fls.16) não pode ser considerado laudo pericial oficial por não consta que o emitente estivesse no exercício de cargo que o autorizasse a se manifestar em caráter oficial em nome de qualquer serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, sem qualquer indicação do cargo ou delegação de competência que autorize o profissional emitente a representar a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia em caráter oficial, o que impossibilita distinguir o laudo médico de um atestado particular emitido em um simples receituário, disponível a qualquer profissional médico que preste serviços à instituição que nele consta, sem a representar oficialmente. Ciência do acórdão em 02/06/2010 e recurso voluntário apresentado em 11/06/2010. Em sua peça recursal o recorrente apresenta laudo médico emitido pelo mesmo profissional, no intuito de comprovar que é portador de cardiopatia grave , desde 04/05/2001, e que o signatário do laudo a que se referiu a DRJ é representante do Estado. O recorrente informa, ainda, que não apresentou esse laudo antes por ter entendido ser desnecessário tendo em vista que a isenção já havia sido reconhecida pela fonte pagadora com base nos mesmos documentos que apresentara na impugnação. Requer prioridade de tramitação do processo com base no Estatuto do idoso. O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722355/200899 Acórdão n.º 280200.878 S2TE02 Fl. 66 3 O cerne do litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (a exigência do laudo médico oficial foi acrescentada pelo caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Aqui já não se discute o cumprimento do primeiro requisito: proventos aposentadoria ou reforma. Cabe averiguar se foi cumprido o segundo dos requisitos, qual seja a comprovação da doença com laudo expedido por serviço médico oficial. O óbice apontado pela DRJ é a falta de comprovação de que o emitente do laudo apresentado pelo impugnante estava habilitado a assinar em nome do Órgão, uma vez que sequer constou no laudo o seu cargo, mas apenas a indicação de cardiologista. O recorrente fez aportar aos autos, juntamente como a peça recursal, novo laudo emitido pelo mesmo médico, Raimundo PereiraCRM 7075, desta vez com o carimbo de identificação o qual indica que o médico é Coordenador de Emergência do Hospital Geral Roberto Santos – HGRS, uma unidade médica do Estado da Bahia (fls. 55). Esse laudo identifica que o recorrente é portador de cardiopatia grave , desde 04/05/2001, conforme exames especificados no laudo. Entendo suprida a falta apontada pela DRJ. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 68DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722355/200899 Acórdão n.º 280200.878 S2TE02 Fl. 67 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.722355/200899 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802000.878. Brasília/DF, 01/07/2011 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 69DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 70DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13896.907995/2009-92
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/01/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA.
INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que,
abstendo-se de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendo-se de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 30 de agosto de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da contribuição para o PIS efetuado a maior, no montante de R$ 5.445,31, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 5.043,31. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação, mas que, até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, para que o perito informasse, com base no exame da escrituração contábil e fiscal, o valor correto da base de cálculo da contribuição para o PIS no período sob análise, bem como o valor correto da contribuição devida e o montante do indébito decorrente do pagamento a maior, este devidamente atualizado até a data da compensação, detalhandose as explicações referentes a eventuais divergências apuradas entre os valores escriturados e os declarados em DCTF e/ou DIPJ. Indicou o Manifestante como seu assistente técnico o Sr. Waldir Luiz Bulgarelli e requereu a suspensão da exigibilidade de todo e qualquer débito discutido nos autos. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 380303.462 S3TE03 Fl. 281 3 Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. 0 pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a ocorrência de força maior, fato novo ou superveniente. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias encontramse nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho e requer o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o julgamento da Manifestação de Inconformidade foi realizado de forma açodada, com indeferimento da pericia postulada que garantiria um mínimo de instrução ao feito; b) nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; c) direito à compensação da contribuição recolhida a maior, relativamente a receitas financeiras, na vigência da Lei nº 9.718/1998, à luz da jurisprudência deste Egrégio Conselho e da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF); d) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria, retirando do ordenamento jurídico o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, fazendo cessar, desde então, a eficácia do preceito, precipuamente para as pessoas jurídicas que permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições, mesmo após as edições das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e) o art. 53 da Lei nº 11.941/2009 introduziu no ordenamento tributário o dever fazendário de reconhecer de ofício a prescrição, reiterando a preocupação do legislador em prover maior eficiência à Administração tributária, evitandose desnecessárias inscrições de débitos já extintos, bem como os prejuízos decorrentes do ônus da sucumbência; f) os valores recolhidos foram apurados com base na totalidade das receitas, abarcando as operacionais e as não operacionais, estas últimas submetidas à tributação somente a partir da vigência das Medidas Provisórias nº 65/2002 e 135/2003, convertidas, respectivamente, nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 g) “a preclusão do direito à dilação probatória não pode prevalecer sobre a finalidade do lançamento, que é constituir o crédito tributário efetivamente devido, e nem pode ser oposto ao contribuinte porque, a rigor, o laudo técnico a ser apresentado a esta Eg. Corte substitui a perícia negligenciada pela d. Delegacia de Julgamento”; h) “é dever da Administração Pública privilegiar a adoção de formas simples, suficientes para propiciar o grau de certeza e segurança que o lançamento exige”, sendo “os obstáculos temporais à dilação probatória em circunstâncias como estas (...) inoponíveis; i) “na remota hipótese de restarem dúvidas quanto à acurácia dos trabalhos periciais ou quanto à imparcialidade do “expert”, ainda assim restará a esta Egrégia Corte a opção de conversão do julgamento em diligência (...) de modo a permitir que auditoria fazendária analise a escrita fiscal da empresa e confirme, a um só tempo, a natureza das operações descritas no laudo técnico e a precisão dos números informados pelo perito assistente da empresa”. Ao final, o Recorrente requer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do RE 609.096, em que o STF discute a constitucionalidade da incidência da Cofins e da contribuição para o PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, por se tratar de um “leading case”, que passará a ser obrigatoriamente reproduzido pelos Conselheiros, por força do contido no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente traz aos autos cópias do documento de identificação do causídico, dos acórdãos do RE 346.084 e 390.840 (inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo), do E.M. Ministerial nº 161/2008 – MF/MP/MAPA/AGU, de 3 de outubro de 2008, do estatuto social, de alteração contratual, dentre outras. Posteriormente, o Recorrente traz aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Afirma, ainda, que, segundo entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o PIS e a Cofins não incidem sobre juros sobre o capital próprio recebidos durante a vigência da Lei nº 9.718/1998 (REsp 1.104.184). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 380303.462 S3TE03 Fl. 282 5 Quanto à preliminar de nulidade da decisão a quo arguida pelo Recorrente, por cerceamento do direito de defesa, esclareçase, de pronto, que referida decisão se deu em conformidade com as regras previstas no Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo sido justificada com base nos elementos fáticos presentes nos autos, assim como fundamentada na legislação tributária de regência, com observância do amplo direito de defesa e do contraditório. O pedido de perícia, nos termos do art. 18 do PAF, subordinase a avaliação da autoridade julgadora de primeira instância, que pode indeferilo quando considerálo prescindível ou impraticável, tendo o julgador de piso fundamentado a sua decisão denegatória no fato de se tratar de provas que o próprio sujeito passivo enfrentava dificuldades em sua obtenção, conforme ele mesmo arguira, encontrandose o pedido de perícia formulado de forma genérica, em dissonância com o teor do despacho decisório, este baseado no DARF e na DCTF apresentada pelo sujeito passivo. Afastase, portanto, a preliminar de nulidade arguida. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos relativos ao pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses documentos ou mesmo do pagamento efetuado, se referente, por exemplo, à receita bruta decorrente da prestação de serviços ou a outras receitas, não havendo qualquer informação quanto à razão desencadeadora da ocorrência do respectivo indébito, mas apenas a informação de que houvera um recolhimento de tributo a maior, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados, ou, alternativamente, a realização de perícia, sem, contudo, pronunciarse sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao indébito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho, tendo permanecido controvertida nos autos apenas a possibilidade de apresentação de documentos comprobatórios após a manifestação de inconformidade e a existência ou não de um pagamento a maior. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, “constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento” 1. Nem mesmo o DARF correspondente ao alegado pagamento indevido foi trazido aos autos na fase de impugnação, tendo havido tão somente a afirmativa de que os 1 Conforme já decidiu o então Segundo Conselho de Contribuintes, quando do proferimento do acórdão nº 203.09143, em 9 de setembro de 2003. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 elementos probatórios seriam documentos antigos de difícil localização, decorrendo daí o pedido de prorrogação do prazo para a sua apresentação. O Recorrente, somente após a interposição do Recurso Voluntário, trouxe aos autos um “laudo técnico” que, segundo ele, comprovaria o indébito, sem, contudo, lastreálo com os documentos hábeis e idôneos comprobatórios das informações nele contidas. Dessa forma, a questão relativa à possibilidade de apreciação de provas trazidas a destempo não merece acolhida nesta instância, pois, além da ocorrência de preclusão temporal, as provas que devem ser apresentadas pelo interessado são aquelas previstas na legislação tributária, como por exemplo, a escrituração contábilfiscal e as notas fiscais de venda de mercadorias ou serviços. Documentos particulares, como o referido “laudo técnico”, ainda que elaborados por profissionais competentes, não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhadas dos documentos a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização analise a escrita fiscal da empresa e confirme a natureza das operações descritas no laudo técnico e a precisão dos números informados pelo perito assistente da empresa. No que se refere ao pedido de sobrestamento do presente processo até o julgamento final do RE 609.096, em que o STF discute a constitucionalidade da incidência da Cofins e da contribuição para o PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, tem se que a matéria discutida no referido RE não coincide com a matéria controvertida nestes autos, não se subsumindo, portanto, à previsão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme anteriormente afirmado, as razões de direito do alegado indébito não serão objeto de apreciação neste Conselho em decorrência da preclusão, dado que não foram objeto de análise na primeira instância administrativa em face da ausência de postulação no momento processual devido. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação da declaração apresentada, esta baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 380303.462 S3TE03 Fl. 283 7 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca o direito pleiteado. Ele poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica desprovida de elementos probatórios e manifestamente orientada à inversão do ônus da prova não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.907995/200992 Interessada: SND DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.462, de 23 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 23 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 287DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10943.000020/2008-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/12/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS.
VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA, CONTRADITÓRIO E DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA. RELATÓRIO E LANÇAMENTO. CLAROS, PRECISOS E FUNDAMENTADOS. SANÇÃO E MULTA PUNITIVA PREVISTOS EM LEI. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS PRESENTES E COMPROVADOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.875
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS. VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA, CONTRADITÓRIO E DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA. RELATÓRIO E LANÇAMENTO. CLAROS, PRECISOS E FUNDAMENTADOS. SANÇÃO E MULTA PUNITIVA PREVISTOS EM LEI. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS PRESENTES E COMPROVADOS. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS. VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA, CONTRADITÓRIO E DEVIDO PROCESSO LEGAL. INEXISTÊNCIA. RELATÓRIO E LANÇAMENTO. CLAROS, PRECISOS E FUNDAMENTADOS. SANÇÃO E MULTA PUNITIVA PREVISTOS EM LEI. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS PRESENTES E COMPROVADOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 86 2 Relatório Tratase no presente processo de Auto de Infração – AI CFL.81 DEBCAD 35.553.7877, decorrente de apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita a informação verdadeira. O período de apuração do crédito é outubro/1995 a junho/2002, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06. O crédito fiscal foi constituído, em 18/12/2002, data em que o contribuinte tomou conhecimento do lançamento, conforme consta à Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, recebimento pessoal, fls. 01. O contribuinte apresentou a impugnação, em 02/01/2003, fls. 12 a 26, acompanhada dos documentos, de fls. 27 a 40. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 41 e 42. O órgão julgador a quo prolatou a DecisãoNotificação DN 21.434 4/0227/2003, fls. 43 a 45, na qual julgou procedente o Auto de Infração. O contribuinte foi cientificado deste decisório, em 31/07/2003, AR, fls. 47. A empresa apresentou petição de interposição de Recurso Voluntário, em 15/08/2003, fls. 49, e razões recursais, as fls. 50 a 63. As razões recursais estão assim resumidas. • Que o agente fiscal fugiu as suas atribuições, autuando a empresa com justificação ridícula, estapafúrdia e mentirosa, com relatório fiscal impreciso e obscuro; • Que o relatório fiscal tem a função de informar, noticiar e dar ciência ao contribuinte da infração e da sanção, porém o agente autuante levou em consideração sua convicção pessoal, narrando fatos de forma aleatória e inverdades, empregado meras palavras de maneira maldosa para prejudicar a empresa de forma grotesca e com ardil; • Que a fiscalização diz que a empresa violou o artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/91, mas as palavras do relatório fiscal são infelizes e contraditórias e põe em dúvida a intenção do agente; • Que o auto e o relatório fiscal não respeitam a lei, pois os fatos são narrados de forma genérica e imprecisa, sendo meras alegações infundadas, tendo sido o auto elaborado de forma vaga e obscura, querendo fazer crer que a empresa não exibiu um só documento dos que foram solicitados e disponibilizados à fiscalização; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 87 3 • Que o próprio agente autuante atesta a idoneidade da empresa desde sua fundação, pois diz que não existe registro de auto de infração anteriores imposto à empresa; • Que a assertiva do fiscal de que os fatos geradores divergem dos valores constantes das GPS são meras alegações, pois não comprovados, sendo infundados e desprovidos de verdade; • Que não é verdade que a empresa elaborou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com informações diversas da realidade, referente aos recolhimentos, sendo repudiado e fulminada, pois desprovida de provas e de amparo; • Que o próprio fiscal diz que a empresa é idônea e que nunca praticou este tipo de conduta, que nunca desmereceu a fiscalização e que sempre foi prestativa, porque agora agiria ela diferente? • Que o fiscal teve o despautério de aplicar absurda multa de R$ 8.278,51, de forma covarde, pois ele informa que a empresa permitiu o acesso as suas dependências, exibiulhe os documentos, sendo que o fiscal não provou os fatos, furtandose ao se dever funcional; • Que não é verdadeira a afirmação de que a empresa não forneceu as GRPS/GPS, pois facultou a entrada do fiscal em suas dependências, forneceulhe toda a documentação solicitada, caso este não as tenha analisado foi por decisão própria, descumprindo seu dever, sendo injusta e arbitraria a aplicação de sanção, pelo descumprimento de suas funções; • Que da leitura do relatório fiscal concluise pela inviabilidade do auto e pela ilegalidade das exigências; • Que falta elemento básico, essencial e indispensável ao auto o relatório fiscal, o que não possibilita examinar, conferir e contestar a substância da acusação, necessitando a defesa de mais informações para não haver seu cerceamento; • Que o relatório fiscal apresentado é obscuro, assim como o auto, sendo aquele mal elaborado, desprovido de documentos elucidativos, de informações precisas, que possa propiciar defesa, ferindo o artigo 229, § º1º, do RPS, pois exige a necessária análise de todas os documentos embasadores da autuação; • Que só ao contribuinte que se recusa a colaborar com o fisco é que se deve aplicar penalidade, o que não é o caso; • Que a penalidade imposta a recorrente não merece guarida, pois ilegal e que a multa aplicada de maneira injusta deve ser atribuída a contribuintes que agem com tipicidade penal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 88 4 • Que o relatório fiscal que não atenda a determinação legal, viola o direito do contribuinte e implica a violação de outros preceitos, tais como a ampla defesa e o contraditório; • Que o auto deve ser claro e preciso quanto a infração e infrator, que o presente auto pune a recorrente, pois lastreado em mentiras, que foram facilmente comprovadas pelas afirmações e assertivas do recurso. O auto é obscuro, confuso, tumultuado e falta ordem e método, visando apenas dificultar a defesa do contribuinte, buscando trazer enriquecimento sem causa aos cofres públicos, violando a ampla defesa e o contraditório, bem como a ordem jurídica e moral, passa a transcrever De Plácido e Silva e Edgar Silveira Bueno Filho; • Que o relatório fiscal e a documentação que o acompanha são insuficiente, nebulosos, incompreensíveis, o que não possibilita a ampla defesa e o contraditório e que o fiscal não indicou os parâmetros de aplicação da penalidade e valor da multa; • Que a empresa cumpriu sua parte facultando a entrada do fiscal e fornecendolhe os documentos, mas o fisco não fez o mesmo, pois não juntou provas do alegado, a empresa forneceu os documentos, sendo que o fiscal não os analisou por que não quis ou esqueceu, não podendo com isso querer impor multa a quem sempre agiu de forma justa, correta e idônea; • Que o auto é nulo por falta de provas, transcreve Aliomar Baleeiro e Pontes de Miranda; • Que não há provas da acusação imposta a recorrente, pelo contrário que os documentos fornecidos provam sua regularidade, sendo ardilosa as pretensões do fiscal; • Que o próprio fiscal coloca dúvidas sobre o auto, pois as palavras se contradizem e os documentos verificados contrariam os fatos narrados, faltando credibilidade a um trabalho mal feito; • Que o auto é um ato administrativo inconstitucional e nulo, pois desprovido da disposição legal infringida, da penalidade aplicada e das provas em que baseia, atentando contra a ampla defesa, o devido processo legal e o contraditório; • Que o ato administrativo prescinde de cinco requisitos, faltando um deles o ato é nulo na origem; • Que a multa aplicada é imotivada, pois a empresa deu livre acesso ao fiscal as suas dependências, entregandolhe toda a documentação solicitada, recebendoo muito bem, sendo verdadeira covardia a penalização da recorrente, pois agiu na forma da lei; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 89 5 • Que a motivação e a forma são requisitos do ato administrativo, sendo formalidade essencial ao ato acusatório inaugural, podendo o contribuinte exigilos com lastro na ampla defesa e legalidade, passa a transcrever Hely Lopes Mirelles; • Que os requisitos da forma e motivo não estão presentes no AI contestado e que os tribunais não admitem lavratura de auto que não contenha motivação, transcreve o RESP 52.5748; • Por último pede: a) anulação do AI por violação aos princípios da legalidade, ampla defesa, contraditório e do artigo 229, § 1º, do RPS; b) julgando improcedente a acusação e as demais exigências fiscais e c) cancelandose o AI por ilegalidade e inconstitucionalidade. O contribuinte não realizou o depósito recursal e, também, não está amparado por decisão liminar em MS 2003.61.14.0051973, fls. 71 e 72. O contribuinte foi cientificado do não seguimento do recurso ao CRPS em razão da deserção, ausência de depósito recursal, fls. 76 e 77. O crédito foi encaminhada à Procuradoria Federal do INSS para inscrição em dívida ativa, fls.78. As fls. 82, consta despacho da Senhora Procuradora Chefe da Seção de Dívida Ativa do Órgão de Arrecadação em SBCampo, que determina a devolução dos autos físicos e reversão da fase no sistema para viabilizar a apreciação do Recurso Administrativo em face de decisão judicial no MS 2003.61.14.0051973, contudo não consta dos autos tal decisão. Entretanto, em pesquisa ao site do TRF3 encontrei a decisão de apelação em voto vencedor, assim, certificado. CERTIDÃO Certifico que a Egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Segunda Turma, por maioria, deu provimento ao recurso nos termos do voto da Sra. Desembargadora Federal Cecilia Mello que foi acompanhada pelo voto do Sr. Desembargador Federal Peixoto Júnior. Vencido o Sr.Desembargador Federal Relator que negava provimento ao recurso. Votaram os(as) DES.FED. CECILIA MELLO e DES.FED. PEIXOTO JUNIOR. _______________________________________________ MARTA FERNANDES MARINHO CURIA Secretário(a) (grifo meu). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 90 6 O recurso foi considerado tempestivo, fls. 84, sendo este remetido ao 2° Conselho de Contribuintes. Entretanto, por conta da edição da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 a competência de julgamento é exercida, hoje, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 91 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira O recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que o contribuinte foi comunicado da decisão de primeiro grau, em 31/07/2003, AR, de fls. 47, tendo sido apresentado o Recurso Voluntário, em 15/08/2003, conforme protocolo, fls. 49. O depósito recursal foi dispensado pelo Acórdão de apelação em MS 2003.61.14.0051973, conforme certidão transcrita no relatório. Inicialmente, registrese que lamentavelmente a peça recursal, não atende ao parágrafo 2º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, sendo ela agressiva, descortês, desrespeitosa, irrefletida e muito mais. A defesa de direitos seja na via administrativa ou judicial prescinde de meio vil, enodoado e maculoso à honra de terceiros para ter valor, basta demonstrar o direito violado. Não é isso que faz a peça recursal nos presentes autos. A leitura do Relatório Fiscal do Auto de Infração REFISC, de fls. 02, e seu anexo, de fls. 03, é bastante ilustrativa, didática, clara e precisa em suas constatações e apurações, sendo de fácil compreensão o seu conteúdo, sendo verdadeira luz ao entendimento do auto. O agente fiscal autuante demonstrou de forma simples e evidente que as informações registradas nos livros que especificou, não retratavam a realidade dos fatos, pois vários fatos ou atos contábeis, referentes ao pagamento de contribuições previdenciárias, não tinham suporte documental. Basta observar, ler e compreender, que via Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls. 08, o agente solicitou diversos documentos entre eles as GRPS/GPS, tornando a repetir a solicitação por meio do TIAD, de fls. 09, com a seguinte descrição “GRPS/GPS SUPORTARAM LANCAMENTOS CONTÁBEIS A DEBITO(PAGAMENTO)”, que não foram fornecidos, pois a empresa não prova sua entrega, bem como tais valores constantes da contabilidade não estão registrados no contacorrente da empresa, nos sistemas do INSS, conforme cita o REFISC. Desta forma, o REFISC atingiu o fim colimado sem nenhuma dificuldade e o agente registrou um fato da vida e não convicção pessoal. A capitulação da infração, sua descrição, sua comprovação pelo agente fiscal é clara, objetiva e transparente e demonstra com precisão sua intenção atender ao artigo 37, caput, da CF/88 c/c o artigo 142, da Lei 5.172/66. A retórica recursal da vaguidão, obscuridade, imprecisão do auto está devidamente refutada e demonstrada. Em realidade vago, imprecisos e desmistificados são os argumentos da recorrente que não passam de verborragia escrita sem provas. O agente fiscal apenas consignou, nos presentes autos, que as GRPS/GPS não foram apresentadas e nada mais, basta ver que no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, de fs. 10, ele registra de forma clara e objetiva os documentos analisados Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 92 8 O agente fiscal não registra a idoneidade da empresa como diz a recorrente, mas apenas diz que não existem autos anteriores, o que só isso significa e nada mais, pois a existência de autuação anterior permite a exacerbação da multa nos termos do artigo 291 e 292, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, sendo sua obrigação fazer tal registro para demonstrar a razão da gradação ou não da multa. Em momento algum o fiscal disse que o fato gerador divergia do valor da GPS. Até porque isto é impossível, pois fato gerador é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, nos termos do artigo 114, da Lei 5.172/66 e o valor da GPS é apenas o resultado dos critérios quantitativos da exação, base de cálculo e alíquota e não se confundem. O que está registrado no REFISC é que lançamentos feitos na contabilidade não estão confirmados documentalmente e nada mais, conforme abaixo transcrito. Em ação fiscal na empresa, constatouse que a mesma elaborou os Livros Diários e os Livros Caixa, abaixo discriminados, contendo informações diversas da realidade quanto ao recolhimento de contribuições previdenciárias. Foram registrados pagamentos de contribuição previdenciária, com lançamentos a débito da conta "INSS a Recolher", e a crédito da conta "Caixa", que não constam alguns até a presente data, e outros, em data diversa da informada na contabilidade no ContaCorrente da empresa/Sistema de Arrecadação MPAS/INSS. Nestes autos o agente autuante nada falou sobre GFIP, sendo irrelevante tal assertiva, pois não se refere a situação dos autos. Ficou consignado linhas atrás que o fiscal não reconheceu a idoneidade da empresa e muito menos disse ele que ela nunca praticou este tipo de infração, que nunca desmereceu a fiscalização, e que foi prestativa, está não é sua função ele apenas consignou não haver infração anteriores e nada mais. Isto não significa entretanto que a empresa não possa ter infringido a lei tributária antes da visita do agente fiscal ou voltar a infringila depois. Aliás, a recorrente desmereceu o trabalho e ao próprio agente com sua peça recursal, isto mostra do que ela é capaz. A empresa permitir o acesso do fisco, entregar, prestar esclarecimentos e etc, nada mais são do que deveres legais de qualquer contribuinte sob pena de sanção. No entanto, não são só estas condutas e fatos que permitem a atuação da empresa por descumprimento de deveres instrumentais, a lei, traz outras obrigações que se desrespeitadas ensejam a punição foi o que ocorreu, basta ler o artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 233, parágrafo único, do RPS. O valor da multa está estipulado nos termos do artigo 92 c/c o 102, da Lei 8.212/91 e divulgado pela PT/MPS Nº 525/2002, conforme Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, de fls. 04. O fato da empresa facultar a entrada do fisco, não significa atender as suas solicitações as GRPS/GPS foram solicitadas em dois momentos distintos por dois TIAD’s, fls. 08 e 09, sendo este último específico só para tais documentos. A empresa não demonstra que os entregou ao agente fiscal apenas alega e cumpre a ela provar o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do autor, pois o fisco provou o fato constitutivo. O agente apenas atendeu à lei. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 93 9 Novamente, trazemos, a leitura do Relatório Fiscal do Auto de Infração REFISC, de fls. 02, e seu anexo, de fls. 03, é bastante ilustrativa, didática, clara e precisa em suas constatações e apurações, sendo de fácil compreensão seu conteúdo, sendo verdadeira luz ao entendimento do auto. A retórica recursal da vaguidão, obscuridade, imprecisão do auto está devidamente refutada e demonstrada. Em realidade vago, imprecisos e desmistificados são os argumentos da recorrente que não passam de verborragia escrita sem provas. Não há violação do artigo 229, § 1º, do RPS. A uma, porque é este parágrafo é uma obrigação dirigida ao contribuinte e não ao agente fiscal. A duas, porque o agente demonstrou que pediu e não recebeu os documentos e a empresa não provou que entregou os documentos solicitados. A lei atribui aos contribuintes determinados deveres instrumentais de observação obrigatória e seu não atendimento, resulta em aplicação de multa punitiva – sanção – por desrespeito e descumprimento de obrigação legal. Foi o que aqui aconteceu. Para o caso de contribuinte que agem com tipicidade penal a sanção é a possibilidade de cadeia, para a simples ilegalidade que não é ilicitude, aplicase multa tributária, basta ler a lei. A violação da lei pelo contribuinte ficou claramente demonstrada nos autos elaborado pelo agente fiscal, desta forma não há enriquecimento sem causa do fisco, pois praticada uma anticonduta legal, nasce a sanção. A possibilidade plena de defesa ficou demonstrada ante a clareza e precisão do que comprovado, como dito, anteriormente, o REFISC e seu anexo são elucidativos e descrevem de forma objetiva e simples os fatos verificados e comprovados pelos TIAD’s. Todos os elementos da falta praticada estão descritos nos autos os documentos – GRPS/GPS foram solicitados em duas oportunidades e não foram apresentados, os lançamentos contábeis de pagamentos supostamente efetuados e descritos no REFISC, não estão registrados no conta corrente da empresa junto ao INSS. Desta forma, mais que comprovado está o fato o que afasta por completo a alegação de nulidade dos autos. Como asseverado pela julgador de primeiro grau é aqui repetido o dispositivo legal infringido, descrição sumária da infração, os fundamentos legais da multa aplicada e o valor da multa, constam da Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01, como abaixo, transcrito. A sanção esta detalhada e discriminada no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa – REFISC, fls. 04, basta ler o auto. Nos termos do artigo 33 da Lei no. 8.212, de 24/07/91, e do artigo 293 do Regulamento, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, lavro o presente AI por ter o autuado incorrido na seguinte infração: DESCRIÇÃO SUMARIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa, o servidor de órgão publico da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, documento ou livro que n6o atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 21 e 31, da Lei nº 8.212/91, c/c Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 94 10 art. 233, parágraf0 único, do Regulamento da Previdência Social Dec. 3.048/99. FUNDAMENTOS LEGAIS DA MULTA APLICADA Art. 283, inciso II, "j", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. VALOR DA MULTA: R$ 8.278,51 OITO MIL DUZENTOS E SETENTA E OITO REAIS E CINQUENTA E UM CENTAVOS. (grifo meu). Assim, não há ofensa aos princípios legais e constitucionais, pois todos os elementos estão presentes nos autos basta pôlos a disposição do contribuinte, entendêlos pela simples leitura e utilizálos ou não é prerrogativa do contribuinte. Mas seu oferecimento elide qualquer mácula a ampla defesa, contraditório e devido processo legal. A simples leitura dos relatórios que compõe o crédito demonstra de forma cristalina e inexorável que todos os requisitos do ato administrativo estão presentes ao lançamento. A competência é atribuída pelas Lei 8.212/91 e 10.593/2002. A Finalidade é proteger o erário via lançamento tributário. A Forma escrita com processo formalizado e instruído com provas. O Motivo vinculado aplicação de sanção tributária em razão de desrespeito à lei pelo contribuinte. O Objeto comprovar a pratica de infração à lei, por falta de cumprimento de dever instrumental que está determina ao contribuinte. Assim, todos os requisitos estão presentes. Desta forma, presente todos os requisitos do ato administrativo as alegações do recorrente nesta seara são impertinentes, ficando todas afastadas. O arrazoado da recorrente não passa de verborragia, ilógica, desmedida, antijurídica, irracional e desprovida de supedâneo fático e jurídico, pois seus argumentos não se sustentam diante das provas constantes dos autos. CONCLUSÃO: Destarte, com esses argumentos expostos acima voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, tendo em vista a falta de suporte fático e jurídico das temerárias e irrazoáveis alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10943.000020/200850 Acórdão n.º 280300.875 S2TE03 Fl. 95 11 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10783.920815/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR. CRÉDITOS BÁSICOS E CRÉDITO PRESUMIDO. DEVER DE ESCRITURAR.
O saldo, credor ou devedor, diz respeito ao confronto entre débitos e créditos, básicos e presumidos, na escrita fiscal do contribuinte, em cumprimento à característica fundamental, constitucional do tributo IPI, que é estar submetido ao princípio da não-cumulatividade. Quando se apura saldo credor surge o direito ao ressarcimento, mas sem dúvida deve ser antecedido pela apuração que se dá no âmbito da escrituração fiscal do contribuinte, que tem o interesse e a obrigação de provar o direito, mediante escrituração regular, amparada em documentação hábil e idônea para tal fim (art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e art. 164, inc. I, do RIPI/2002, art. 190, do RIPI/2002).
Numero da decisão: 3302-009.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR. CRÉDITOS BÁSICOS E CRÉDITO PRESUMIDO. DEVER DE ESCRITURAR. O saldo, credor ou devedor, diz respeito ao confronto entre débitos e créditos, básicos e presumidos, na escrita fiscal do contribuinte, em cumprimento à característica fundamental, constitucional do tributo IPI, que é estar submetido ao princípio da não-cumulatividade. Quando se apura saldo credor surge o direito ao ressarcimento, mas sem dúvida deve ser antecedido pela apuração que se dá no âmbito da escrituração fiscal do contribuinte, que tem o interesse e a obrigação de provar o direito, mediante escrituração regular, amparada em documentação hábil e idônea para tal fim (art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e art. 164, inc. I, do RIPI/2002, art. 190, do RIPI/2002).
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SALDO CREDOR. CRÉDITOS BÁSICOS E CRÉDITO PRESUMIDO. DEVER DE ESCRITURAR. O saldo, credor ou devedor, diz respeito ao confronto entre débitos e créditos, básicos e presumidos, na escrita fiscal do contribuinte, em cumprimento à característica fundamental, constitucional do tributo IPI, que é estar submetido ao princípio da não-cumulatividade. Quando se apura saldo credor surge o direito ao ressarcimento, mas sem dúvida deve ser antecedido pela apuração que se dá no âmbito da escrituração fiscal do contribuinte, que tem o interesse e a obrigação de provar o direito, mediante escrituração regular, amparada em documentação hábil e idônea para tal fim (art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e art. 164, inc. I, do RIPI/2002, art. 190, do RIPI/2002). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 08 15 /2 01 1- 61 Fl. 399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 Relatório Por bem esclarecer a lide, adoto o relato da decisão recorrida: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI - PER, combinado com DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – DCOMP, abaixo relacionados, relativos ao 3º trimestre do ano-calendário de 2005, composto por créditos básicos e pelo crédito presumido de IPI, segundo os documentos abaixo relacionados: (...) Para determinar o saldo credor a que fazia jus o requerente, foi instaurado procedimento fiscal amparado pelo MPF nº 0720100.211.01892-5. Em 16/01/2012, houve a notificação do contribuinte para apresentação de livros fiscais e outros documentos necessários à análise do pedido de ressarcimento. Do exame documental resultou o indeferimento dos créditos básicos e do crédito presumido de IPI. A justificativa para a denegação dos créditos básicos no valor de R$20.523,66 foi a falta de escrituração destes créditos nos livros Registro de Entradas e Registro de Apuração do IPI do estabelecimento matriz, impedindo a apuração de alegado saldo credor, definido conforme o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Como regulamentadores da escrituração foram citados os arts. 190, 195, 313, 378, 399 e 518, inc. IV, do RIPI/2002. No que diz respeito às formalidades legais inerentes aos Livros de Registro de Entradas e Registro de Apuração do IPI foram citados os arts. 372 e 373 do RIPI/2002. Outro ponto observado pela fiscalização foi a não apresentação de notas fiscais que pudessem legitimar a escrituração de créditos ou identificar suas naturezas de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, conforme art. 164, inc. I, do RIPI/2002, e Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Sobre o crédito presumido, de R$148.310,30, cuja apuração se deu sob o regime da Lei nº 9.363, de 1996, a fiscalização observou que: 1) o contribuinte não apresentou, para a verificação do atendimento ao disposto no art. 164, inc. I, do RIPI/2002, a relação das notas de aquisições de MP, PI, ME e suas aplicações no processo de industrialização; 2) a receita de exportação foi dada na forma de um amontoado de notas fiscais, sem a requerida relação de exportações realizadas. Assim, a receita foi calculada pela fiscalização com base nas notas fiscais de exportação apresentadas pelo contribuinte, considerando as exportações relativas a produtos industrializados, excluindo as exportações de produtos não tributados, tais como blocos, chapas de brutas, e exportações de produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização e os produtos adquiridos com o fim específico de exportação. A receita de exportação foi apresentada na Planilha de Apuração da Receita de Exportação; 3) não houve apuração de estoques no fim de cada período de apuração do crédito presumido. Somente foram apresentados os registros de inventário dos estabelecimentos 0002, 0007 e 0008. Com esses livros a fiscalização verificou que não houve escrituração de estoques de MP, PI e ME nos estabelecimentos 0002 e 0007. Não há Livro Registro de Inventário para o estabelecimento matriz. Na PLANILHA DE APURAÇÃO DE ESTOQUE, a fiscalização demonstrou de forma sintética o crédito presumido para o estabelecimento 0008; 4) A falta de apresentação de notas fiscais e a respectiva relação, tornou inviável a apuração dos insumos adquiridos para o trimestre; Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 5) a receita operacional bruta considerada foi a utilizada pelo contribuinte na memória de cálculo e no DCP; 6) a apuração do crédito presumido se tornou impossível em face das falhas apresentadas na escrituração, conforme art. 16 da IN SRF nº 419, de 2004, da ausência de informação sobre a aquisição de MP/PI/ME e da falta de formalidades legais do RAIPI. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 139/159, para alegar que: a) apresentou toda a documentação suficiente para comprovar a existência do crédito solicitado; b) fabrica dois tipos de produto: 6802.83.90 (antes 6802.23.00), tributado, e 2612.68.02, não tributado; c) é essencialmente exportadora e comercializa no mercado interno os produtos não tributados; d) quase nunca gera débitos de IPI, sendo a única hipótese de geração de débitos, raríssima, a venda no mercado interno de produtos tributados, conforme demonstra o simples exame perfunctório do RAIPI do mês de agosto 2006, quando houve o débito de R$62,73; e) o fiscal confirma que foram apresentadas 145 pastas com notas fiscais. Além disso, o fiscal dispunha, no sistema da RFB, da DIPJ, da DCTF e de todas as declarações prestadas pelo contribuinte, o que possibilitava apurar a veracidade dos fatos e o crédito presumido de IPI; f) o fiscal não enviou outro termo solicitando informações acerca do crédito para auxiliá-lo na apuração ou se dirigiu ao estabelecimento para entender seu processo produtivo; g) o argumento de denegação com base na falta de escrituração do crédito é pífio e frágil porque o fiscal tem acesso ao sistema da RFB e pode verificar todos os pedidos de ressarcimento transmitidos pelo contribuinte; h) a escrituração é falha, mas não inexistente. O contribuinte viveu muitos anos uma má fase operacional e administrativa, com falta de mão de obra contábil qualificada para escriturar livros corretamente. Ainda que o RAIPI não esteja escriturado na maneira esperada pelo fiscal, devem ser consideradas as notas fiscais apresentadas que ensejam o crédito; i) outra nuance não observada pelo fiscal foi a solicitação de créditos realizada extemporaneamente, ou seja, em 2007. Assim foram escriturados no RAIPI de 2007, que nunca foi requerido pelo fiscal; j) é prerrogativa do fiscal no curso da fiscalização chamar o contribuinte para esclarecer qualquer dúvida e poderia ainda pedir ao contribuinte para reescrever o RAIPI sem nenhum prejuízo para o fisco; k) o contribuinte não pode ficar a mercê do excesso de formalismo do fiscal, que prefere indeferir totalmente o crédito sem analisar a lista de notas fiscais anexadas ao pedido; l) ocorre que as notas fiscais de aquisição foram apresentadas, cerca de 20.000, conforme assinalado pelo próprio fiscal no item 24, possibilitando a identificação das MP, PI e ME; m) segundo o princípio da “essência sobre a forma” a essência econômica e jurídica de um fato não deve prevalecer sobre sua forma. No caso concreto, o crédito de IPI, presumido ou básico, existe e esta é a essência ser considerada, na contabilidade e no direito. O objetivo do princípio é também orientar a atuação valorativa do julgador, que deve interpretar as normas tributárias levando em conta a sua finalidade, o seu significado econômico e a evolução das circunstâncias, impedindo que a obrigação tributária seja evitada ou diminuída mediante o abuso de formas; Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 n) se faz necessária a análise do crédito para se chegar à verdade dos fatos (verdade material), o que será possível perante uma diligência ou perícia, com base nos arts. 16, inc. IV, e 17 do Decreto 70.235, de 1971. A autoridade administrativa tem o poder- dever de apreciar todas as informações e documentação que possa dizer respeito à matéria tratada para que não haja injustiça ou inverdade com o administrado, como in casu; o) a não correção monetária dos créditos acarreta um grande prejuízo em face da corrosão que a inflação carreta no valor nominal da moeda. O Decreto nº 2.138, de 1997, resolve qualquer dúvida quanto à possibilidade de correção monetária dos pedidos de ressarcimento. A interpretação teleológica e sistemática do referido decreto, combinada com o art. 39, §4º, da Lei nº 9.250, de 1995, impede qualquer interpretação que não a que determine a correção monetária dos créditos pleiteados pela taxa Selic. Em 23/05/2014, a DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. CRÉDITOS BÁSICOS E CRÉDITO PRESUMIDO. DEVER DE ESCRITURAR O saldo, credor ou devedor, diz respeito ao confronto entre débitos e créditos, básicos e presumidos, na escrita fiscal do contribuinte, em cumprimento à característica fundamental, constitucional do tributo IPI, que é estar submetido ao princípio da não-cumulatividade. Quando se apura saldo credor surge o direito ao ressarcimento, mas sem dúvida deve ser antecedido pela apuração que se dá âmbito da escrituração fiscal do contribuinte. Dele é o interesse, dele é a obrigação de provar o direito, mediante escrituração regular, amparada em documentação hábil e idônea para tal fim (art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e art. 164, inc. I, do RIPI/2002, art. 190, do RIPI/2002). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2005 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. É o julgador de primeira instância competente para denegar a diligência ou perícia prescindível, assim também entendida aquela que não afetará a solução do litígio, em razão de já haver já nos autos motivo suficiente para a formação de sua convicção e denegação do pleito do contribuinte (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 Intimado da decisão, em 27/06/2014, consoante Aviso de Recebimento constante dos autos, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 18/07/2014, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual basicamente reprisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer a procedência do recurso voluntário, para que seja determinada a baixa do processo para análise manual, que os agentes fiscais realizem a fiscalização de forma correta, eis que os dados necessários foram dispostos, e demonstrada a existência do crédito, sejam homologadas as compensações com o reconhecimento da taxa selic corrigindo o crédito. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. Com respeito à desnecessidade de escrituração do RAIPI, apresentação de créditos extemporâneos em 2007, e o pedido de diligência, por conta do princípio da verdade material e correção monetária dos créditos pela taxa Selic, nada de novo veios aos autos, sendo repetida a versão apresentada em manifestação de inconformidade. Corolário disso, cumpre prestigiar as razões de decidir da decisão recorrida, nos moldes do art. 50, § 1º, da Lei n° 9.784/00 e art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF: (...) Para o contribuinte, houve excesso de formalismo na análise fiscal, pois apresentou toda a documentação solicitada pela fiscalização e que as notas fiscais, documentos essenciais para a verificação de seus créditos, foram-lhe sim apresentadas. Faltou ou boa vontade ou expertise, pois com esses documentos poderia o fisco apurar o real montante de seu crédito, identificando as matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Sobre sua escrituração alegou que era falha, mas existente. Que durante anos esteve sob uma má fase operacional e administrativa, com falta de mão de obra contábil qualificada para escriturar livros corretamente. Ainda que o RAIPI não esteja escriturado na maneira esperada pelo fiscal, devem ser consideradas as notas fiscais apresentadas que ensejam o crédito. Apesar das deficiências da escrituração, alegou que segundo o princípio da “essência sobre a forma” a essência econômica e jurídica de um fato deve prevalecer sobre sua forma. No caso concreto, o crédito de IPI, presumido e/ou básico, existe e esta é a essência a ser considerada, na contabilidade e no direito. O objetivo do princípio é também orientar a atuação valorativa do julgador, que deve interpretar as normas tributárias levando em conta a sua finalidade, o seu significado econômico e a evolução das circunstâncias, impedindo que a obrigação tributária seja evitada ou diminuída mediante o abuso de formas. Acrescentou ainda que Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 outra nuance não foi observada pelo fiscal, pois a solicitação de créditos foi realizada extemporaneamente, ou seja, em 2007. Assim foram escriturados no RAIPI de 2007, que nunca foi requerido pelo fiscal. Destacada, no meu entender, as principais alegações do contribuinte em defesa do saldo credor do trimestre que montou R$168.833,96, composto por créditos básicos de R$20.523,66 e por crédito presumido de R$ R$148.310,30. Entretanto, apesar da extensa argumentação do contribuinte, a legislação tributária não abona o ressarcimento de IPI embasado apenas em notas fiscais de aquisição. Isso porque o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, a lei mestra do ressarcimento, determina que: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal - SRF, do Ministério da Fazenda. Ao iniciar o artigo 11 pela expressão “O saldo credor”, quis o legislador que se confrontasse valores de débitos e de créditos, porque é dessa maneira que se torna possível apurar o saldo credor de IPI, em cumprimento à característica fundamental, constitucional do tributo IPI, que é estar submetido ao princípio da não-cumulatividade. É no princípio da não cumulatividade que se estriba toda a legislação do tributo, inclusive o art. 164 do RIPI/2002, então vigente: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Creditar-se significa escriturar, registrar para apurar saldo credor ou devedor em cada período de apuração. Não é colecionar ou entregar à fiscalização uma quantidade de notas fiscais para que ela, a fiscalização, se incumba de relacioná-las, organizálas e por fim determinar um saldo credor em favor do contribuinte. O ressarcimento é um direito que se materializa a partir de uma confrontação entre créditos e débitos na escrituração do contribuinte. Dele é o interesse, dele é a obrigação de provar o direito. Não tem a fiscalização o poder/dever de executar tarefas que pertencem à vida diária das empresas, escriturando-lhe os livros, apurando-lhe com esse feito possível direito creditório. Confunde-se o contribuinte. Poder/dever tem o fisco de constituir o crédito tributário, exigindo dos administrados o tributo devido. Jamais advogar causa do contribuinte, como esse fora seu poder/dever. Tal proceder é incompatível com a função pública. Não é sem causa que ao regulamentar as leis concernentes ao creditamento e o ressarcimento de IPI, dispõem os atos normativos que: RIPI/2002: Art. 190 Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista dos documentos que lhes confirma legitimidade. Art. 195 Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 Art. 378 O Livro Registro de Entradas, modelo 1, destina-se à escrituração das entradas de mercadorias a qualquer título. ... VI- nas colunas sob o título “IPI-Valores Fiscais” e “Operações Com Crédito do Imposto”: ... b) Coluna “Imposto Creditado” montante do IPI Art. 399. O Livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, destina-se a consignar, de acordo com os períodos de apuração fixados neste Regulamento, os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entradas e saídas, extraídas dos livros próprios atendido o CFOP. IN SRF 33, de 04/03/1999 Art. 2º Os créditos de IPI relativos à matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem )ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal. §2º No caso de permanecer saldo credor [...] II- ao final de cada trimestre calendário, permanecendo saldo credor, este poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação [...] IN SRF nº 600, de 2005 Art. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados escriturados na forma da legislação específica [...] .... Também quando se considera o crédito presumido, não se exime o contribuinte de escriturá-lo, pois o incentivo, em se tratando de estabelecimento matriz contribuinte do IPI, compõe o saldo credor. Forçosamente, a apuração de saldo credor se faz na escrita fiscal. Além do mais, as dificuldades encontradas pela fiscalização foram gritantes. Para bem esclarecê-las importante reproduzi-las: DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS. 14. Inicialmente cabe destacar que o contribuinte não apresentou a relação das notas fiscais das aquisições de MP, PI e ME utilizados e suas aplicações no processo de industrialização, para que pudéssemos identificar se atendiam ao conceito de MP, PI e ME, conforme disposto no art. 164, I, do Decreto n° 4.544/002. 15. Quanto a receita de exportação, o contribuinte apresentou somente um amontoado de notas fiscais, não tendo sido apresentada a relação de exportação solicitada. 16. O contribuinte, por opção, adotou para apuração de possíveis créditos presumidos, o conceito e a sistemática da Lei 9.363/96, o que excluí da apuração as aquisições de combustíveis, energia elétrica e prestações de serviços de encomenda. A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. 17. A receita de exportação foi apurada pela fiscalização com base nas notas fiscais de exportação apresentadas pelo contribuinte, considerando as exportações efetuadas, relativas a produtos industrializados, excluindo os produtos não tributados como blocos, chapas brutas e exportações de produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 de industrialização pelo contribuinte e produtos adquiridos com fim específico de exportação. 18. Os valores constam da PLANILHA APURAÇÃO RECEITA EXPORTAÇÃO, com o CFOP correspondente à exportação (7.101/7.127) e a identificação dos produtos exportados, sendo CP - chapa polida, LAD - Ladrilho. ESTOQUE 19. O contribuinte não apresentou a apuração do estoque ao final de cada período de apuração do crédito presumido, com as informações de MP, PI, ME, e os valores de MP, PI e ME incorporados nos produtos acabados e não vendidos e nos produtos em produção. Quanto aos produtos em estoque e em produção, informou ser impossível a sua apuração. 20. Somente foram apresentados os Livros Registros de Inventário dos estabelecimentos com CNPJ n° 00.450.220/0002-06, 00.450.220/0007-02 e 00.450.220/0008-93, não apresentando o Livro Registro de Inventário para o estabelecimento 00.450.220/0001-17. 21. De posse dos livros apresentados a fiscalização apurou que no ano calendário 2005 o contribuinte escriturou estoque de MP, PI e ME, nos estabelecimentos com CNPJ n° 00.450.220/0002-06 e 00.450.220/0007-02. No estabelecimento com CNPJ n° 00.450.220/0008-93 a fiscalização, apurou na conta insumos industriais os valores discriminados na PLANILHA APURAÇÃO ESTOQUE, e relacionado de forma sintética na apuração do crédito presumido. C - MATÉRIA PRIMA (MP), PRODUTO INTERMEDIÁRIO (PI) E MATERIAL DE EMBALAGEM (ME) ADQUIRIDOS. 22. Como informado no item 14, o contribuinte não apresentou as notas fiscais ou relação dos insumos adquiridos no 2o trim/2005. Desta forma, ficou inviável a apuração do valor dos insumos adquiridos para este trimestre. D- RECEITA OPERACIONAL BRUTA 23. Na apuração do crédito presumido será considerado o valor da receita operacional bruta utilizado pelo contribuinte na memória de cálculo apresentada e também utilizado no Demonstrativo do Crédito Presumido. E - APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. 24 - Para apuração do crédito presumido devem ser considerados os valores de Receita Operacional Bruta, Receita de Exportação e Insumos Utilizados no Processo Produtivo (MP, PI, ME). 25- Como o contribuinte não possuía custo coordenado e integrado com a escrituração comercial, a apuração da quantidade de MP, PI e ME utilizado será feita somando-se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês. 26. Como não foi possível apurar o valor das MP, PI e ME adquiridos, conforme descrito no item "C", ficou inviável apurarmos o valor de MP, PI e ME utilizados na industrialização. 27. Ocorre, também, que o contribuinte, contrariando o disposto no art. 16 da IN/SRF n° 419/2004, não registrou o crédito presumido apurado em sua escrita Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 fiscal, especificamente, no Livro de Registro e Apuração do IPI - RAIPI, no campo "Outros Créditos". 28. O registro do crédito no RAIPI é necessário, pois, serve, dentre outros motivos, de controle da utilização do crédito, impedindo que sejam apresentados diversos pedidos de ressarcimento com os mesmos valores. 29. Ocorre, também, que os Livros de Registro e Apuração do IPI do estabelecimento matriz, com CNPJ n° 00.450.220/0001-17 e do estabelecimento filial com CNPJ n° 00.450.220/0008-93, apresentados pelo contribuinte, não foram assinados e nem constam com o devido registro determinado no art. 299 do Decreto 4.544/02. 30-Assim sendo, pela inconsistência da escrituração fiscal do contribuinte e falta de escrituração do crédito presumido no RAIPI, torna-se improcedente o pedido de ressarcimento apresentado para este crédito. Ora, não se tratou, principalmente em relação ao crédito presumido, de simples falta de escrituração do incentivo, o que ocorreu de fato foi a impossibilidade de averiguar o valor pleiteado pelo contribuinte. Ora desde a instituição da Lei nº 9.779, de 1999, art. 15, o crédito presumido é apurado de forma centralizada e abrange toda movimentação da empresa. Com essa determinação legal, as matérias primas, a receita operacional bruta, os estoques, como todos os itens necessários à determinação do incentivo são computados em conjunto e abrangem todos os estabelecimentos pertencentes à pessoa jurídica. Se não são oferecidos à fiscalização todos os livros e dados de todos os estabelecimentos que compõem a empresa, a certeza e a liquidez do crédito ficam prejudicadas, o que inviabiliza o seu deferimento. O próprio contribuinte assume as deficiências da escrituração ao expor que: Em relação à escrituração que o fiscal diz ser inexistente nos livros de apuração do IPI, o que não é verdade porque ela apenas é falha, o contribuinte viveu muitos anos uma má fase operacional e administrativa, na qual lhe faltou mão de obra contábil qualificada para escriturar os livros corretamente. Contudo, ainda que o livro RAIPI não esteja escriturado da maneira esperada pelo fiscal, devem ser consideradas todas as notas fiscais apresentadas, nas quais ensejam o crédito devido. Numa outra passagem, afirma o contribuinte que: Outra nuance que não foi analisado pelo fiscal é que os créditos foram requeridos extemporaneamente, ou seja, em 2007, assim sendo, foram escriturados no livro RAIPI de 2007 (cópia anexa), que nunca foi requerido pelo fiscal. As declarações do contribuinte sobre a escrituração dos livros fiscais dão a medida certa da falta de credibilidade do livro RAIPI e dos PER/DCOMP apresentados. A sistemática de requisição de ressarcimento, mediante PER/DCOMP, definem como períodos de apuração aquele em que os créditos são escriturados. Sendo assim, se houve escrituração de créditos em trimestres-calendário de 2007, esse deveria ser a referência da petição do contribuinte: determinado trimestre do ano-calendário de 2007, porque a informação contida no PER/DCOMP deve espelhar o que está registrado no RAIPI. Se não são obedecidas as regras para a petição de ressarcimento/compensação, os PER/DCOMP transmitidos estão incorretos e não espelham a intenção do contribuinte. A orientação contida no parecer fiscal que desencadeou a emissão do despacho decisório com a denegação do pleito do contribuinte foi respaldada em atos legais, leis e atos normativos, aos quais os julgadores estão vinculados, a teor do disposto na Portaria MF nº 341, de 2011: São deveres do julgador: [...] IV- cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V- observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 normativos. Assim sendo, não há como acatar as alegações de existência de saldo credor defendida pelo contribuinte, em face da inexistência deste cálculo, bem como do registro de operações indispensáveis ao cálculo do crédito presumido de IPI, condições sine quae nom para o deferimento do pleito. Em face do exposto, torna-se também prescindível a perícia ou a diligência solicitadas, uma vez que realizá-las não traria modificação no entendimento expresso no presente voto. Conforme disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, “A autoridade julgadora de primeira instância determinará de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28 in fine.” Especialmente em relação à perícia, de pronto, não seria acatada tendo em vista a falta de requisitos para deferi-la, tais quais, a indicação de perito e a formulação de quesitos, conforme definições trazidas pelo inc. IV do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Negadas, portanto, a perícia e a diligências requeridas. Sobre a correção monetária de saldo credor, uma vez que não reconhecido crédito no presente voto, incabível a aplicação de atualização monetária sobre créditos inexistentes. Mas, a título de esclarecimento, diga-se de pronto, que a legislação tributária não admite a atualização monetária de ressarcimento de IPI, notadamente a IN SRF nº 600, de 2005, §5º, art. 52, vigente à época da formulação do pedido de ressarcimento/compensação: § 5 º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Sobre a necessidade de escrituração do RAIPI, vale a pena trazer o entendimento atual da CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. CORRETA ESCRITURAÇÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. REQUISITO Para a devida apuração do crédito presumido de IPI e seu eventual ressarcimento, é condição que o mesmo tenha sido devidamente escriturado nos livros fiscais com os respectivos estornos de créditos empregados na industrialização de produtos. Acórdão nº 9303-008.520 de 17/04/2019. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-009.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.920815/2011-61 Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital
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