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Numero do processo: 10980.721869/2020-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2020
OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal.
Numero da decisão: 1003-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Márcio Avito Ribeiro Faria
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2020 OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-04-18T13:02:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-04-18T13:02:19Z; Last-Modified: 2022-04-18T13:02:19Z; dcterms:modified: 2022-04-18T13:02:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-04-18T13:02:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-04-18T13:02:19Z; meta:save-date: 2022-04-18T13:02:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-04-18T13:02:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-04-18T13:02:19Z; created: 2022-04-18T13:02:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2022-04-18T13:02:19Z; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-04-18T13:02:19Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.721869/2020-19 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-002.897 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 5 de abril de 2022 Recorrente LAVANDERIA LEMES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2020 OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Retornam os autos após realização da diligência, nos termos da Resolução n° 1003-000.337, proferida, em 5 de outubro de 2021, pela 3ª Turma Extraordinária, da 1ª Seção de Julgamento, deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim destacado: ... por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que os autos retornem à DRF de origem, para pronunciar-se de forma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 18 69 /2 02 0- 19 Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.897 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.721869/2020-19 conclusiva sobre a procedência da alegação apresentada pela Recorrente de que houve um impedimento na emissão da guia ou inclusão do débito em parcelamento, no valor total de R$ 536,04.. DO PROCESSO Regularmente notificada (data de registro 11/02/2020) do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 17, motivado pela existência de débito previdenciário cuja exigibilidade não está suspensa: Debcad n° 156948460, no valor de R$ 536,04, situação impeditiva para optar pelo Simples Nacional (Fundamentação legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V), apresentou a Manifestação de Inconformidade, julgada, por unanimidade, improcedente, nos termos do Acórdão da 3ª Turma DRJ07 nº 107-002.005, de 24.09.2020, e-fls. 35-40. DO RECURSO Cientificada do Acórdão da DRJ em 15.10.2020 (cópia de AR de fl. 42), a Recorrente apresentou o recurso voluntário, e-fls. 44-45, em 16.11.2020, assim manejado. Alega que os débitos passíveis de parcelamento e pagamento foram regularizados em tempo hábil, apenas o débito, que resultou no indeferimento não, pois não foi possível parcelar, nem incluir no novo parcelamento, bem como imprimir a guia para quitar. Até a data de hoje 12.11.2020 o mesmo não está disponível: apenas conseguimos visualizar sua existência, porém sem qualquer possibilidade de impressão da guia para quitação. Afirmar que caberia ao Fisco a liberação do débito para possibilitar sua regularização, isso se de fato existir. O contribuinte não deveria ser prejudicado por essa indisponibilidade, que acredita tratar-se de uma falha do sistema ECAC e/ou REGULARIZE, alheio a vontade do empresário. MÉRITO Segundo a Recorrente, na analise do pedido de impugnação não foi apontado porque que não teve acesso a débito, tendo em vista que o contribuinte efetuou o parcelamento e pagou a primeira parcela conforme anexado, sendo que em seu entender foi um erro de comunicação entre a secretaria e procuradoria. Além da documentação da empresa e dos pedidos do enquadramento, creio que a melhor forma de provar que merecemos um parecer positivo é fazer o acesso como usuário “contribuinte” e ver que não temos nenhum acesso a esse débito, seja para impressão da guia ou parcelamento. DA DILIGÊNCIA A diligência resultou no relatório circunstanciado Informação Fiscal SIMPMEI/EBEN/DEVAT/SRR09 Nº 2.083/2021 (fls. 85/88), com destaque para os seguintes tópicos: Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.897 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.721869/2020-19 5. O débito 156948460 trata-se de Débito Confessado em GFIP – DCG, referente aos valores declarados e não recolhidos por GPS, do período compreendido entre 11/2017 a 13/2018, conforme extrato de fls. 18/19. O DCG é o documento que consolida as divergências para que possam ser encaminhadas para cobrança, nos termos do artigo 460, inciso V, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. 6. Quando da solicitação de opção pelo Simples Nacional, o débito 156948460 encontrava-se na fase “AGUARD. RECEB. PELA P.G.F.N.”, consoante se verifica da consulta ao Sistema SICOB (Sistema de Cobrança) de fl. 18. 7. O inciso I do art. 1º da Portaria MF nº 75, de 22 de março de 2021, determina a “não inscrição na Dívida Ativa da União (DAU) de débito de um mesmo devedor com a Fazenda Nacional de valor consolidado igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais)”. Por essa razão, débitos com valores inferiores a tal limite ficam represados no âmbito administrativo. 8. Por conseguinte, tem-se que os débitos que se encontrem na situação Aguardando Recebimento pela PGFN não são recebidos automaticamente pelo Sistema da PGFN (Sistema DÍVIDA), até que atinjam o valor mínimo para inscrição. Entretanto, embora estejam em cobrança na RFB, por limitações do Sistema, não se permite a emissão de GPS nem o seu parcelamento, no âmbito administrativo, enquanto estiver em tal fase. 9. Para que se possa viabilizar a regularização na RFB, via emissão de guia para pagamento à vista ou parcelamento, o contribuinte deve comparecer a uma unidade de atendimento da RFB, para que o servidor da RFB possa desistir, manualmente, do encaminhamento para a PGFN, no Sistema SICOB. 9. No presente caso, como o contribuinte não compareceu, pessoalmente, à RFB para solicitar a regularização do débito, o mesmo permaneceu em aberto, e, por consequência, ensejou o indeferimento da solicitação de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2020. 10. Caberia ao contribuinte buscar atendimento junto à RFB a fim de solicitar desistência da remessa da cobrança à PGFN e solicitar a emissão da GPS referente ao Debcad ou sua inclusão em negociação de parcelamento (caso possível, pois há um limite mínimo de valor abaixo do qual, não é possível conceder parcelamento). 11. Caso não fosse possível buscar o atendimento presencial, seja por qualquer motivo, poderia a contribuinte emitir guia avulsa e manual e efetivar o recolhimento do valor, apontado no Relatório de Pendências (o valor apresentado ao contribuinte no relatório de pendências bem como nas irregularidades da solicitação de opção pelo Simples Nacional representa o saldo devedor consolidado, isto é, com os acréscimos legais). Tal guia poderia ser posteriormente ajustada e apropriada ao débito. 12. Importante destacar que a empresa fez a solicitação de opção pelo Simples Nacional no dia 16/01/2020, ocasião em que lhe foram apresentadas todas as suas pendências, dentre as quais constava o débito previdenciário de número DEBCAD 156948460. E mesmo sem conseguir emitir a guia para pagamento ou incluí-lo em parcelamento, o contribuinte não compareceu à RFB para tentar regularizar o débito até o prazo final para regularização das suas pendências que era o último dia útil do mês de janeiro de 2020. Ou seja, embora tivesse pleno conhecimento de que era devedor de tal débito, permaneceu inerte. Cientificado do resultado da diligência, a Recorrente apresentou declaração de fl. 93, concordando com o resultado do relatório, mas questionando a forma como deveria proceder, bem como o atendimento ineficiente da RFB. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.897 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.721869/2020-19 Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, cabendo dele conhecer. A Recorrente alega que não teria sido possível parcelar, nem incluir no novo parcelamento, bem como imprimir a guia para quitar o débito previdenciário que motivou o indeferimento do Termo de Opção pelo Simples Nacional, e até a data de 12.11.2020 ele não estava disponível, teria conseguido tão somente visualizar a sua existência e que a RFB e PFN não teriam informado o motivo de não ter tido acesso ao débito. O processo foi baixado em diligência para que a RFB se pronunciasse a respeito do alegado impedimento na emissão da guia para regularização do débito impeditivo. Pois bem. A diligência realizada esclareceu que o débito existente tem origem em divergências entre GFIP e GPS e, como se trata de débito confessado, caso não seja regularizado é automaticamente encaminhado para inscrição de Divida Ativa. No caso em tela, o débito encontrava-se “represado” (em vista do pequeno valor) aguardando para ser encaminhado para inscrição em divida, por isso não fora permitido a sua regularização imediata. E para regularizar, quer por pagamento, quer por parcelamento, o contribuinte deveria solicitar a regularização comparecendo pessoalmente a uma unidade da RFB ou efetuando o recolhimento do valor (GPS avulsa) apontado no relatório de pendencias. Contudo, no caso concreto, o contribuinte não compareceu à RFB, muito menos providenciou o recolhimento através de GPS avulsa, portanto, como não houve qualquer tentativa de regularização do débito, a sua existência ensejou o indeferimento da solicitação de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2020. Assim, em que pesem os argumentos da “ineficiência do atendimento da RFB”, os mesmos não tem o condão de afastar e/ou regularizar quaisquer débitos. Assim, sendo certo que, na data-limite de 31.1.2020, o débito impeditivo não estava regularizado, ratifica-se o Termo de Indeferimento de Opção, fundamentado no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006 e no art. 6°, §§ 1° e 2°, inciso I, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional-CGSN n° 140, de 22 de maio de 2018. Nega-se provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.897 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.721869/2020-19 Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13963.002743/2008-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário com postagem após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-002.344
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2005 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário com postagem após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário com postagem após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausência justificada do conselheiro: Marciel Eder Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 09 /2 00 9- 11 Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09093.2MRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Por economia processual e bem sintetizar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de lançamento de multa pela falta de entrega da DCTF referente ao 1o semestre de 2005, no valor de R$ 500,00 (fl. 04). Em sua impugnação, a contribuinte alega que estava desobrigada de apresentar a referida declaração, em razão de no período em referência encontrarse enquadrada no Simples Federal. Em análise às informações cadastrais (fls. 10 e 11) e às informações do Sistema de Vedações e Exclusões do Simples Sivex (fl. 12), constatouse que a contribuinte foi excluída do Simples Federal em razão de pendências junto à PGFN, com efeitos a partir de 01/11/2000. Registrese que no sistema de controle das postagens — Sucop (fl. 14) não consta comprovante da ciência à contribuinte acerca de sua exclusão do regime simplificado. Por essa razão, o processo foi baixado em diligência (fl. 15), de modo a restar esclarecido se a contribuinte fora, ou não, cientificada do ato de exclusão do Simples Federal e, na hipótese de ter sido cientificada, se manifestouse contrariamente à exclusão. Em atendimento ao quesito formulado por esta 3a Turma de Julgamento, a autoridade competente da Agência da Receita Federal do Brasil em Criciúma/SC juntou ao processo cópia do Edital GAB/DRF/FNS n° 01/2000, de 11 de outubro de 2000, onde consta o CNPJ da contribuinte ora impugnante (fls. 16 a 18). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0724.812, de 10 de junho de 2011. A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/07/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl.23, e, protocolizou em 19/08/2011 recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, (efls.28/33). A Recorrente, em sede recursal, no essencial, alega que: a exigência da multa está prescrita; é nula a citação por edital; os supostos débitos que excluíram a contribuinte do Simples Nacional foi objeto de impugnação a qual foi extinta em face de prescrição, ou seja, a sua exigibilidade estava suspensa e posteriormente extinta, não podendo gerar efeitos de exclusão do Simples. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09093.2MRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15504.020509/200911 Acórdão n.º 1802002.344 S1TE02 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0724.812, de 10 de junho de 2011, em 19/07/2011, conforme o Aviso de Recebimento (AR),fl.23. O recurso voluntário foi protocolizado em 19/08/2011. É sabido que, o prazo de trinta dias, de acordo com o critério previsto no artigo 210 do CTN e 66 da Lei nº 9.784/99, é contado excluindose o dia do recebimento da intimação e incluindose o último. Com efeito, o início da contagem do prazo recursal ocorreu em 20/07/2011 (quartafeira), porém, o recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fora apresentado somente em 19/08/2011 (sextafeira) portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo final o dia 18/08/2011 (quintafeira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto para não conhecêlo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.09093.2MRC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 03/10/2014 19:33:00. Documento autenticado digitalmente por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 03/10/2014. Documento assinado digitalmente por: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA em 06/10/2014 e ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 03/10/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0422.09093.2MRC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 970ED0F1A092C02EA4E5EA6440703C10C3D72ACC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13963.002743/2008-43. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11516.001912/2007-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
AUTUAÇÃO. FATO GERADOR. CONSTATAÇÃO. DADOS GENÉRICOS E IMPRECISOS. REFLEXO. RELAÇÃO OBRIGACIONAL.SUJEITO PASSIVO. CLASSIFICADO INDEVIDAMENTE. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
A autuação deve ter como base fatos geradores concretos, tendo em vista que o procedimento de lançamento só autoriza a lavratura de autos de infrações ou notificações fiscais de débito quando estiver concretizada a infração à legislação tributária, de modo que ficará caracterizado o fato gerador, bem como os demais elementos que formam a relação obrigacional.
Por outro lado, autuações realizadas com base em suposições, dados genéricos , imprecisos e abstratos, refletem negativamente na relação tributária, que, terá algum dos elementos eivados de vícios. No caso em tela, o erro na constatação do fato gerador identificou indevidamente o sujeito passivo, que, na visão da auditoria, possuía relação empregatícia, para fins previdenciários, com seus alunos bolsistas, motivo
pelo qual o lançamento é improcedente e impedido de ser revisto por nova fiscalização.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2403-000.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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FATO GERADOR. CONSTATAÇÃO. DADOS GENÉRICOS E IMPRECISOS. REFLEXO. RELAÇÃO OBRIGACIONAL.SUJEITO PASSIVO. CLASSIFICADO INDEVIDAMENTE. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. A autuação deve ter como base fatos geradores concretos, tendo em vista que o procedimento de lançamento só autoriza a lavratura de autos de infrações ou notificações fiscais de débito quando estiver concretizada a infração à legislação tributária, de modo que ficará caracterizado o fato gerador, bem como os demais elementos que formam a relação obrigacional. Por outro lado, autuações realizadas com base em suposições, dados genéricos , imprecisos e abstratos, refletem negativamente na relação tributária, que, terá algum dos elementos eivados de vícios. No caso em tela, o erro na constatação do fato gerador identificou indevidamente o sujeito passivo, que, na visão da auditoria, possuía relação empregatícia, para fins previdenciários, com seus alunos bolsistas, motivo pelo qual o lançamento é improcedente e impedido de ser revisto por nova fiscalização. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11516.001912/200790 Acórdão n.º 2403000.808 S2C4T3 Fl. 244 3 Relatório Tratase de recurso de ofício da Fazenda Nacional apresentado em face da decisão de 1 instância, proferida pela 5 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls.2149 a 2164), que julgou NULO o lançamento da NFLD 37.001.1600, exonerando o contribuinte, ora recorrido, da quantia de R$ 20.122.901,11 (vinte milhões, cento e vinte e dois mil e novecentos e um reais e onze centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 72 a 92, a cobrança referese às contribuições sociais da empresa e do empregado, destinadas à Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAE e SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos a título de bolsa de pesquisa e extensão, pagas a alunos dos cursos de graduação e pósgraduação da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (Rúbricas: empresa, segurados, SAT/RAT, terceiros). A atividade preponderante da Fundação é incentivar e apoiar a realização de projetos de pesquisa,. ensino e extensão no interesse da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mediante celebração de convênio e contratos com órgãos de fomento à ciência e tecnologia e entidades públicas e privadas, no Brasil e no exterior, em conformidade com os objetivos estabelecidos em seu estatuto. Para a consecução de seus objetivos, a Fundação precisa de recursos financeiros, os quais são obtidos, geralmente, através da remuneração pelos serviços prestados na captação e gestão de projetos de pesquisa e extensão realizados no âmbito da UFSC, em especial nas áreas tecnológicas. No caso em tela, a recorrida foi submetida à fiscalização, a qual constatou que esta trabalhava com projetos de pesquisa e extensão que eram pagos adiantadamente e que a mesma concedia bolsas de estudo a alunos da graduação e pósgraduação, os quais ficariam envolvidos nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional. Assim, entendeu a fiscalização que as resoluções internas que regulavam as concessões dessas bolsas não têm o condão de afastar a incidência da contribuição previdenciária, estando a concessão de bolsa desamparada legalmente. A autoridade lançadora informou ainda que só há isenção de valores relacionados às contribuições sociais se há previsão legal for taxativa, e deu como exemplo as lições das alíneas “i”e “u” do parágrafo 9, do art.28 da Lei n 8.212/91, motivo pelo qual considerou os alunos como segurados empregados da fundação, destacando os requisitos do art.3 da CLT (pessoalidade, subordinação jurídica, não eventualidade e onerosidade na execução das atividades por parte dos alunos). Desse modo, os valores recebidos a título de bolsa de estudos e pesquisa/extensão, foram considerados remuneração para fins de composição de base de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 cálculo de contribuição previdenciária, tendo a auditoria identificado esse fato gerador através do levantamento BAL (BOLSA DE ALUNOS). Às fls.93 a 585, consta pagamentos de bolsas de graduação e pósgraduação efetuados. Desta autuação, a recorrida foi notificada em 05/12/2006 e apresentou impugnação às fls. 642 a 653 alegando que: A notificação fiscal encontrase eivada de vícios, razão pela qual deve ser julgada nula, tendo em vista que julgar pela procedência do lançamento sobre bolsas de estudo é macular os preceitos celetistas; Há situações diferentes que devem ser analisadas atentamente (empregados – realizam trabalhos habitualmente e estão ligados à atividade fim da entidade; autônomos – realizam serviços eventuais, não subordinados; e bolsistas – realizam projetos ligados à uma especialidade/linha de pesquisa); Deve ser feita uma interpretação multifacetária do Direito do Trabalho; Inexiste qualquer vínculo de emprego entre bolsistas da graduação e pós graduação com a Fundação; Os projetos realizados pelos alunos possuem finalidade pedagógica e são aproveitados pela UFSC; Os projetos elaborados, em face de seu alto custo, precisam de financiamento (público ou privado), função esta exercida pela recorrida; Que a fiscalização, ao lançar o crédito, deveria ter comprovado cabalmente as circunstâncias reais para submeter a Fundação à tributação; Não ter sido comprovada a habitualidade; Que o estágio, por ser passível da concessão de bolsas, deve ser trazido à baila; Por fim, requereu o deferimento do pedido de ampla produção de provas. Nos autos consta ainda outros documentos, encontrandose dentre esses os requerimentos de bolsa e aditivos realizados, bem como declarações e demais documentos. Além disso, a recorrida requereu diligência com o objetivo de obter alguns esclarecimentos (fls.1745 a 1756). Às fls.2126 a 2127 houve a resposta dos quesitos formulados pela recorrida. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 5° Turma da DRJ/Florianópolis/SC proferiu acórdão (n° 0715.290) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11516.001912/200790 Acórdão n.º 2403000.808 S2C4T3 Fl. 245 5 RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. Não há prova do vínculo empregatício existente entre as partes, haja vista, não restarem demonstrados os requisitos de subordinação e não eventualidade na concessão de bolsas de pesquisa, suas características básicas e essenciais. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.° 8.958/94, aplicase somente no caso do beneficiário ser servidor de instituição federal de ensino superior, não abrangendo os alunos desta. ESTAGIÁRIOS. NÃO ATENDIMENTO DO DISPOSTO NA LEI 6.494/77. Para a caracterização das bolsas de estudo/pesquisa como estágio previsto na Lei 6.494/77 e Decreto 87.497/82, mister a comprovação de celebração de termo de compromisso entre o estudante e a parte concedente do estágio, intermediação da instituição de ensino, comprovação de concessão de seguro de acidentes pessoais, bem como identificação entre as tarefas executadas pelo estagiário com aquelas próprias de sua formação curricular. NULIDADE É nulo o lançamento fiscal que descreve os fatos de forma insuficiente, não prova as alegações, não faz o devido enquadramento legal, e compromete a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário, incidindo em preterição ao direito de defesa. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/ 91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante n° 8, de 12/ 06/ 2008, publicada no DOU de 20/ 06/ 2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal qüinqüenal. Lançamento Nulo. Irresignada com a decisão supra, a recorrente (Fazenda Nacional) interpôs recurso de ofício, tendo em vista que a decisão de 1 instância exonerou o sujeito passivo de uma quantia acima de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), obrigando o fisco a postular o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 reexame necessário do decisum, em respeito ao Regulamento da Previdência Social combinado com a Portaria do Ministério da Fazenda n 03 de 03/01/2008. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11516.001912/200790 Acórdão n.º 2403000.808 S2C4T3 Fl. 246 7 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA DECADÊNCIA PARCIAL: Com relação à aplicação da decadência quinquenal, vale destacar que esse instituto foi aplicado ao caso em tela quando da apreciação da matéria pela 1 instância (5 Turma DRJ de Florianópolis), que, sabiamente, reconheceu, com base no art.150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional, a decadência das competências 01/2000 a 11/2001, considerando a notificação em 05/12/2006., entendimento do qual corroboro. II – DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS: A grande discussão no caso em tela é a caracterização, pela auditoria, de alunos bolsistas de graduação e pós graduação da Fundação de Ensino, ora recorrida, como segurados empregados desta, o que ensejaria o pagamento de contribuição previdenciária sobre os valores por eles recebidos à título de bolsa, parcela que foi considerada pela fiscalização como remuneração. Antes de entrarmos no mérito da causa, percebi e acho de grande relevância destacar que a Fundação trabalha em 3 situações: Há os empregados que realizam trabalhos habitualmente e estão ligados à atividade fim da entidade; há os autônomos, que realizam serviços eventuais e não são subordinados; e há os bolsistas, que realizam projetos ligados à uma determinada especialidade/linha de pesquisa e não trabalham com uma habitualidade. No caso em tela, esses alunos bolsistas foram caracterizados empregados por entender a fiscalização que estes prestam serviços nos moldes do art.3 da CLT (em caráter não eventual, oneroso, com subordinação e com pessoalidade). Vejamos o que a legislação previdenciária entende como segurado empregado: Lei n 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Pelo exposto, para um trabalhador ser considerado segurado empregado para fins previdenciário deve ele prestar serviço a uma empresa em caráter não eventual, sob a subordinação desta, recebendo, para isso, uma contraprestação pecuniária (remuneração). Analisando o presente caso, diante da documentação acostada, verifiquei que os alunos bolsistas não têm a mínima possibilidade de serem enquadrados como empregados para fins previdenciários. O entendimento exarado em 1 instância foi no sentido de não reconhecer como presente os requisitos da subordinação e da habitualidade, o que impossibilita a completa caracterização dos alunos como segurados empregados da Fundação, tendo em vista que os alunos deveriam preencher todas as características para serem enquadrados como segurados. Assim, ratifico o entendimento acima, pois entendo também, após verificação da documentação acostada, que não há como ser identificada a subordinação destes à pessoa da Fundação recorrida, nem a frequência com a qual os serviços são realizados, bem como a natureza destes, motivo pelo qual a conclusão da auditoria com relação a esses requisitos não poderá prosperar e deve ser afastada para que não seja realizada cobrança indevidamente ao contribuinte fiscalizado. Além disso, não há como ser identificada a exata atividade prestada pelos alunos bolsistas nem como esta acontece, pois estes podem realizar as pesquisas em um ambiente propício ao estudo, como a sua própria residência, biblioteca, ou seja, em local diferente das dependências da recorrida e podem ainda organizar a carga horária do modo que acharem conveniente, não ficando adstritos às ordens da Fundação, o que dificulta ainda mais caracterizar a subordinação e a habitualidade nesse vínculo. Quando intimada acerca de qual seria a natureza dos serviços prestados pelos bolsistas, a autoridade fiscal respondeu às fls.2127 que a natureza do serviço prestado e o curso frequentado não modificam a forma de contratação, não implicando na isenção das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados. Entretanto, não há como essas informações serem descartadas.Ora, os serviços prestados, bem como a natureza destes são imprescindíveis para caracterizar os requisitos da relação de emprego ou para diferenciar esse vínculo de outro qualquer, motivo pelo qual entendo que a fiscalização lançou a presente NFLD com base em suposições, o que não pode acontecer face à sua atuação estar plenamente vinculada à lei, que só lhe autoriza a lançar crédito quando for constatada com dados concretos a infração tributária (descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória). Vale destacar ainda que a Fundação visa captar e gerir projetos de pesquisa, ensino e extensão, principalmente na área tecnológica no âmbito da UFSC, ou seja, tem como objetivo o fomento de novos rumos para essa área da ciência, tendo, em muitas dessas pesquisas, o apoio financeiro de instituições de renome nacional, tais como o CNPQ e FINEP, as quais concedem bolsas aos estudantes que se dedicarem exclusivamente ao estudo de alguma linha de pesquisa, não possuindo esses valores natureza salarial, haja vista serem caracterizados como doação. Sendo assim, só é possível constatar a presença da pessoalidade e onerosidade. Aquela é cristalina, tendo em vista que somente recebe a bolsa o aluno que prestar o serviço de pesquisa através da Fundação, estando também, com o pagamento dessa contraprestação, caracterizada a onerosidade. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11516.001912/200790 Acórdão n.º 2403000.808 S2C4T3 Fl. 247 9 Além disso, não há possibilidade de tentar enquadrar a concessão dessas bolsas com a hipótese de bolsa em razão do estágio, hipótese em que a parcela estaria isenta de tributação nos moldes do art.28, parágrafo 9, alínea “i” da Lei n 8.212/91, tendo em vista que o modo pelo qual essa contraprestação é realizada desrespeita a Lei do Estágio (não há intermediação entre instituição de ensino e o estagiário, não há previsão de seguro contra acidentes, de férias etc). Desse modo, percebese que não há como os alunos bolsistas serem enquadrados como segurados empregados da recorrida, razão pela qual a conclusão da auditoria deve ser afastada pela ausência de provas que conseguissem demonstrar a ocorrência do fato gerador, qual seja, a tributação sobre remuneração de empregados. Sendo assim, considerando que os alunos bolsistas não podem ser classificados como empregados, entendo que a autuação deve ser considerada improcedente e não nula, como foi declarada em 1 instância, tendo em vista que o vício constatado no caso em tela é material, o qual afeta a relação obrigacional e não está ligada a um simples erro no procedimento (característica própria do vício formal), razão pela qual fica impossibilitada uma nova fiscalização para o caso em tela, nos termos do Decreto n 70.235/72, in verbis: Art. 59. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Destacouse. Portanto, julgo improcedente o lançamento da NFLD 37.001.1600 por conter vício material insanável, qual seja, a caracterização indevida de segurado para fins previdenciários. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722226/2009-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.878
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, "caput", da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, "caput", da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Fl. 935DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ausentes o conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza), o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva) e o conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 936DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722226/200972 Acórdão n.º 2403000.878 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, 0339.349 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento. O lançamento referese à contribuição para terceiros e foi assim descrito no relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal AIOP DEBCAD 37.232.9438, lavrado contra o DEPÓSITO AVATAR LTDA., no valor de R$64.062,41 (sessenta mil sessenta e dois reais e quarenta e um centavos), consolidado em 29/10/2009, relativo a contribuições devidas pela empresa aos Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), no período de 01/2005 a 12/2005, inclusive 13º/2005. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 28/39, o fato gerador do crédito previdenciário foi o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, não informadas em GFIP e não recolhidas em época própria. Acrescenta que os valores lançados foram apurados por meio das folhas de pagamento fornecidas pelo contribuinte em meio digital, com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD aprovado pela IN/MPS/SRP – nº 12/2006, além das folhas de pagamento e recibos de pagamento de vale transporte em meio físico. A empresa declarou em GFIP ser optante pelo SIMPLES. Cita o relatório Fiscal que os sistemas informatizados do Fisco registram a exclusão desde 01/01/2002. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, cerceamento de defesa por não ter sido notificada da exclusão do SIMPLES, requer a juntada do processo que resultou na exclusão do SIMPLES e que quanto ao auxílio alimentação houve o fornecimento in natura da alimentação, do que resulta não integrar o salário de contribuição. É o Relatório. Fl. 937DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. SIMPLES Consta do processo documento registrando a exclusão da empresa do SIMPLES, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo 0497207, em 26/01/2005, com efeito retroativo a 01/01/2002. Destaco o registro da ausência de contestação. Tal documento foi assim apresentado na decisão ora recorrida. Observase, entretanto, pelo documento de fl. 108 – Consulta Histórico da empresa – Sistema SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples da Receita Federal, que a ora impugnante foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n. 0497207, em 26/01/2005, com efeito retroativo a 01/01/2002 – SEM CONTESTAÇÃO. Com base nesse documento considero superada a questão da exclusão do SIMPLES. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO Quanto ao auxílio alimentação, registra o relatório Fiscal que a empresa não é inscrita no PAT. A inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 938DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722226/200972 Acórdão n.º 2403000.878 S2C4T3 Fl. 3 5 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Fl. 939DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 940DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.002403/85-96
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 1985
Numero da decisão: 301-00.121
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, encaminhar o recurso
à Egrégia 3ª Câmara, visto tratar-se de matéria de sua competência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: AGOSTINHO SERRANO DE ANDRADE
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Sessão de 1J/nQVernbrQ de 19 ..85 . • Recurso n.o Recorrente Recorrid a 107.754 MARAZZI FRITAS DRF - SANTOS - ACORDÃO N.' . Processo nº 10845/002403/85-96. LTDA. SP. R E S O L U ç Ã O N º 301~121 Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, encaminhar o recurso à Egrégia 3ª Câmara, visto tratar-se de matéria de sua competência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. --- - Relator. . , 13 de novembro de 1985. AGOSTINHO • 0lliv6 (jP.~Wtjv I ~ - ~àor ~IIAYERDA SILVEI roc. da Fazenda Nacional. HA TOR articiparam,ainda do presente julgamento os seguintes Conselheir s: VISTO EM SESSÃO DE: , . I FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, RAIMUNDO JOSÉ A!LVES GONÇALVES, MILTON DE SÁ DANTAS, HÉLVIO ESCOVEDO BARCELLOS, SADY D'ASSUlVIPÇÃO RES FILHO e JOÃO HOLANDA C,OSTA. I'• • -2- SERViÇO PÚflUCO rrOERAl lViF .- 3Q CONSEHIODE CONTRIBUINTES• RECURSONQ107.754 - BESOLUÇÃONQ301-121. Rr~ORREHTE;Mi,HAZZIFRITASLTDA. RECOHRIDA Rb"'LATOR DRF- SJÜ',TOS-SP. AGOSTINHOSERRANODEANDRADE. . - .. • • Coma Declaração de Importação nQ '2.761, de 21. 01. 85, IVJar's.z2.iFritE.s Ltda. submeteu a despacho 61.000 Kg de BORATODE SÓDIONATURi,L,no código TAB25.30.03.00 com alíquota zero por se tratar de mercadcria proveniente de país membro da ALADI/Tra tado de I.1ontevidéo. Solicitado eXa.':nedo material, emitiu o LAI1A: NAo Laudo Peric:i.al nº 420/85 sr'gundo c qc;.al a amo:c:,traexaJr:inade. demorstrou tratar-se de ULEXITA- Borato duplo de c2lcio e sódio naturaJ .. Foi lavrado, em conseqtiênc ia, auto de infração I,ara atr.:1: buir nova classifi,cação, no código 25.3'0.99.00; denegar o ped:ido de alíquota negociada e exigir o pagamento do imposto de import9: ção (alíqv,ota de 30%) e d2.8 multas calculadas na forma d.cs arts. 10B e 106, incisc 11, do :Lecreto-lei nQ 37/66 e art. 2º, inc;iso I, da Lei nQ 6.562/78 (30%). Na impugnação, a importadora diz recorulécer ter sido cometido erro quanto à natureza e à clazsificação télrifária da mercadcria mas que havia tomado a devida providênc:ia j'lmto à CA ,CEXpexa 8 obtenção do Aditivo nQ 52-85/431-7 à Guia de Impcrt~ ção nQ 52-84/5524-0; datado de 06.02.85. Recusa-se, porém,a scei tar a eXigência do crédito tributário, tendo em,,ista Que o mat~ rial efetivamente vindo tarr,bémgoza do benefício da alíqvota ne gociadà, e a docurrentação trazida dá-lhe cobertura. A autoridade de primeira instância juJECU,procec:ente a açaofiscal, mantendc a exigência de iJIlIoe.to c multas. Emseu apelo dirigido a este Cor.selho, assim se mani festou a impcTtadora: a) or,tivsra, inicialmente, Gl para ,a importação de borato duplo de sódio e cálcio natural G.l. nQ 52-84/6472-0; b) diante da comunicação feita pelo exportador perua no d,,,, total ímpc.ssibilidade de ser embarcarlo' este produto mas de que IJodETia remeter o barato de sódio natural, pelo mêsrno preço de US~\llO.OO/ton<" Uêa, foi prcvidenciada junto à CACEXnova GI q~l.;';; '~omou o número 52-84/5524;"'6 r-ara o produto P03to • • REC. 107.754- Res. 301-121 SERVIÇO PÚBLICO fEDERAL no código'25.30.0.05 N,UG/AL.UJCj c) r(üativos a esta importação, foram obtidos o cer tificado de ori,sem Ilº 84072551 (boro.x n8.tuxal), a fatuTa n2 115 e o conhecimento marítimo; d) de form". :imprevista, entretanto, recebeu ela nova comunicação do Exportador de q~e havia embarcado o borato duplo de sódio e cálcio - ulexita, sem aI teração do preço; e) em face deste novo dado é que foi providenciado junto à CACEXo aditivo que retorrmv2. ao p.roduto ini.cüllmente combinado e eE;te aditivo loi emitido, enquanto novos docuro.entos peruanos trunbém eram remetià os pelo exportador peruano: certif:i cado de origem (fIs.lO), não tendo havido tempo hábil pa raserem efetuadas as correções no processamentodõ despacho aduaneiro j . 1') por força do Tratado de Montevidéo. os do código 25.30.03.00 têIl;' total au~ência mes í'iscais; produtos de grav~ •• • g) nao houve qualquer má-fé por parte darecorrentej h) quanto à classificaçãG do r:rcduto de. TAl), não tem a interessada q~alquer impugnaçãG a fazer; i) pede seja conE-:'-deradoplenamente justificado.o en gano cometido, para efeito de não ser anulado o direi to que lhe assiste à éüí'1uota negociada • t O HHATÓRIO- v O T O Esclareça-'se, inicj.a~mente, que o litígio não versa 1!obre classificação de rr.ercadoria mi N13M/TAE.A recorrente, ex pressamente, reconheceu o engano cCLletido no despacho e sr, con formoL;,co.a:a ação fiscal, nesta parte. O apelo ora dirigido a este Colegiado visa somente à reforma dE"dscisãc de primeiI'e', instância, com relação à deneg~ ção do pedido de aplicação da alíquota zern negociada junto' à AI,ADI, tanto pa:ra o produto do código NAB/AJ:,ALC25.30.0.05 qual?: • ~para o d~ código 25. .30.0.99. • • • Rec. 107.754 Res. 301-12+-4- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Trata-se, portanto, de matéria fora da área de com petência desta ?rimeira Câmsxa, incluída, porém, na competência privativa da douta Terceira cârne.raà qual 11roponho seja o proces so remetido. I Sala das Sessões, em 12 de novembro de 1 AGOSTH1HO SERRANO DE ANDRADE - Relator • , . 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000099/2005-24
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: Processo administrativo fiscal. Nulidade.
Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa.
As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nula é a decisão maculada com
vicio dessa natureza.
Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive.
Numero da decisão: 303-34.543
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do
processo a partir do Acórdão recorrido, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: Processo administrativo fiscal. Nulidade. Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nula é a decisão maculada com vicio dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESVt; TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10840.000099/2005-24 Recurso n° 135.950 Voluntário Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Acórdão n° 303-34.543 Sessão de 05 de julho de 2007 Recorrente BOILERS INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO SC - ME Recorrida DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP • Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: Processo administrativo fiscal. Nulidade. Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do • direito de defesa. Nula é a decisão maculada com vicio dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive. o- 1. re Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n.° 10840.000099/2005-24 CCO31CO3 Acórao n.°303-34.543 Fls. 31 • ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do processo a partir do Acórdão recorrido, nos termos do voto do relator. ANELISE D UDT PRIETO Presidente TARÁSIO CAMPEIO BORGES • Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa e Zenaldo Loibman • Processo n.° 10840.000099/2005-24 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.543 Fls. 32 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Ribeirão Preto (SP) que julgou irreparável o ato administrativo de folha 29, expedido no dia 2 de agosto de 2004 pela unidade da SRF competente para declarar a ora recorrente excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 10 de janeiro de 2002 [ 1 ] sob a denúncia de exercício de atividade econômica vedada: instalação, reparação e manutenção outras máquinas e equipamentos de uso gera12. Regularmente intimada da improcedência da Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS)3 , a interessada instaurou o contraditório às folhas 1 a 4. Nas suas razões iniciais a exclusão não é contestada: todos os argumentos expendidos têm como meta demonstrar apenas a impossibilidade de retroação dos efeitos do ato declaratório executivo de • folha 29. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. As empresas que desenvolvem atividades de montagem industrial, manutenção, instalação de equipamentos, presta serviços de usinagem e assistência técnica no seguimento, por ser atividades especificas de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida • Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Ribeirão Preto (SP), recurso voluntário foi interposto às folhas 24 a 27. Nessa petição, preliminarmente, assevera que a primeira instância administrativa decidiu às "avessas, em manifesta contrariedade e omissão às razões [...] apresentadas"4. No mérito, reitera as razões iniciais ipsis litteris. I Data da opção pelo Simples: 21 de março de 2001. 2 Então equiparada à prestação de serviços profissionais de engenheiro (inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996). 3 Despacho indeferimento SRS acostado à folha 14. 4 Recurso voluntário, antepenúltimo parágrafo da folha 25. Processo n.° 10840.000099/2005-24 CCO3/CO3 AcórdÉto n.° 303-34.543 Fls. 33 A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa s os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 29 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. ! •É o Relatório. SksEST. • • 5 Despacho acostado à folha 28 determina o encaminhamento dos autos para este Terceiro Conselho de Contribuintes. • Processo n.° 10840.000099/2005-24 CCO3/CO3 Acenda° n.°303-34.543 Fls. 34 Voto Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço o recurso voluntário interposto às folhas 24 a 27, porque tempestivo e atendidos os demais pressupostos processuais. Versa o litígio, conforme relatado, sobre manifestação de inconformidade contra os efeitos retroativos de ato administrativo expedido no dia 2 de agosto de 2004 para declarar a ora recorrente excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 1 0 de janeiro de 2002, matéria não apreciada no julgamento de primeira instância administrativa. Portanto, em sede de preliminar, entendo a falta de exame do litígio pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento como supressão de instância, fato caracterizador 111 de cerceamento de direito de defesa. Com essas considerações, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição e amparado em precedentes deste colegiado°, voto pela declaração de nulidade do processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, para que o órgão judicante a quo enfrente as razões da controvérsia. Sala das Sessões, em 05 de julho de 2007 OrG • TARASIO CAMPELd BORGES - Relator 41, 6 Precedentes relacionados com a observância ao princípio do duplo grau de jurisdição. Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721862/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. DEDUTIBILIDADE. LIMITE.
Nos termos do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 1996, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Imprestável, como meio de prova do referido registro, extrato que, ainda que emitido pelo Banco Central do Brasil, não revela características essenciais do acordo pactuado.
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio, supostamente incorrido na aquisição de participação societária de pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode ser transferido por meio de aumento de capital e quitação dívida.
CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO.
Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limita-se à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há que se reduzir o percentual correspondente
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação.
Numero da decisão: 1302-000.834
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer os créditos tributários constituídos, reduzindo a multa de 150 para 75% e, por
voto de qualidade, determinar a aplicação de juros de mora de 1% sobre multa de ofício, vencidos os Conselheiros Diniz Raposo da Silva e Guilherme Polastri Gomes da Silva que afastavam os juros de mora aplicados sobre a multa de ofício.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. DEDUTIBILIDADE. LIMITE. Nos termos do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 1996, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Imprestável, como meio de prova do referido registro, extrato que, ainda que emitido pelo Banco Central do Brasil, não revela características essenciais do acordo pactuado. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio, supostamente incorrido na aquisição de participação societária de pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode ser transferido por meio de aumento de capital e quitação dívida. CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limita-se à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há que se reduzir o percentual correspondente MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação.
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JUROS. DEDUTIBILIDADE. LIMITE. Nos termos do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 1996, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Imprestável, como meio de prova do referido registro, extrato que, ainda que emitido pelo Banco Central do Brasil, não revela características essenciais do acordo pactuado. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio, supostamente incorrido na aquisição de participação societária de pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode ser transferido por meio de aumento de capital e quitação dívida. CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limitase à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há que se reduzir o percentual correspondente. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.458 2 MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer os créditos tributários constituídos, reduzindo a multa de 150 para 75% e, por voto de qualidade, determinar a aplicação de juros de mora de 1% sobre multa de ofício, vencidos os Conselheiros Diniz Raposo da Silva e Guilherme Polastri Gomes da Silva que afastavam os juros de mora aplicados sobre a multa de ofício. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.459 3 Relatório A 5ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, tendo exonerado o crédito tributário constituído em desfavor de CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) glosa de despesas de juros, consignadas como decorrentes de operação de emissão de Fixed Rate Notes, mas que, para a autoridade autuante, representou operação de mútuo entre pessoas jurídicas vinculadas, com taxa superior ao permitido pela legislação; b) glosa de dedução de ágio em razão da ausência de observância dos requisitos legais. A autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%, por entender que a conduta adotada pela contribuinte revelou planejamento das operações com o intuito de reduzir a base tributável das exações objeto de lançamento (IRPJ e CSLL). Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a já citada 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por meio do acórdão nº. 1631.907, de 07 de junho de 2011, julgou improcedentes os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR FIXED RATE NOTES CONTRATOS FIRMADOS ATÉ DEZEMBRO DE 1999. Exonerase o lançamento relativo a preços de transferênciajuros, quando a fiscalizada comprova, documentalmente, o registro do contrato no BACEN, exigindo a remessa de juros semestrais. INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. A legislação fiscal admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controlada por sua controladora, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, e a incorporação tenha sido realizada observando os ditames da legislação societária. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.460 4 Se não é evidente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que justificasse a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o lançamento efetuado, exonerase o acréscimo correspondente, mantendose a multa de oficio de 75% se houver lançamento mantido. O voto condutor da decisão de primeira instância, acolhido por unanimidade pela Turma Julgadora, apresenta como suporte para exoneração do crédito tributário constituído os seguintes elementos: REMESSA DE JUROS 1. a análise da documentação apresentada na impugnação, bem como dos demais documentos apresentados posteriormente pela fiscalizada antes do julgamento do processo (documentos do BACEN), permitiu verificar que a contribuinte possuía uma autorização Banco Central do Brasil (nº 241/33955, de 31 de outubro de 1997) para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00; 2. inexiste no Brasil diploma legal que vede a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes; 3. o §1º do art. 1º da Lei nº 9.959/2000, garantiu que a isenção de imposto de renda retido na fonte para remessa de juros desse tipo de contrato, prevista no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.481/1997, na redação da Lei nº 9.532/1997, continuaria valendo para contratos em vigor em 31/12/1999; 4. inexiste também qualquer vedação para que uma coligada da empresa no exterior readquira os títulos anteriormente em posse de terceiros, sendo importante para o Banco Central, apenas, que o numerário relativo às Fixe Rate Notes, tenha entrado no prazo autorizado e somente seja remetido ao credor ao término do contrato; 5. a coligada no exterior permaneceu com os títulos por apenas dois anos, de 2005 a 2007, quando então os repassou novamente; 6. a remessa de juros glosada está registrada no Banco Central que, necessariamente, autorizou a operação, não podendo a Fiscalização descaracterizar a operação e tributála pela regra dos preços de transferência para remessas sem contrato à controladas ou coligadas no exterior. ÁGIO 1. no presente caso, consideradas as características do negócio realizado, é indevida a utilização da expressão “empresaveículo”, como reforço da argumentação de ocorrência de planejamento tributário; 2. a controladora da fiscalizada (Camargo Correa S.A. – CCSA) realmente pagou pela aquisição das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 com ágio, sendo tal ágio determinado por meio de relatório de rentabilidade futura elaborado pelo banco Goldman Sachs, tendo ocorrido, inclusive, um ligeiro desconto no valor pago; Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.461 5 3. por serem grupos econômicos distintos, a CCSA teria o máximo empenho em pagar o menor valor possível, e não ao contrário, como é feito em “criação de ágio” entre empresas do mesmo grupo econômico; 4. a argumentação da Fiscalização no sentido de que o Grupo Econômico buscou adquirir empresas com o intuito único de transferir ágio é descabida; 5. a manifestação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais referenciada pela Fiscalização diz respeito a incorporações com ágio efetuadas através de empresasveículo, dentro de um mesmo grupo econômico, não sendo aplicável ao presente caso; 6. a indagação da Fiscalização no sentido de que, no caso sob apreciação, a contribuinte teria pago algum ágio ou teria tido um ganho de capital, é absurda, pois, ao que parece, esqueceuse que ganho de capital em transações de compra e venda só existe para a vendedora que venda o bem com um preço maior que a avaliação histórica dele na contabilidade (o lucro na venda constitui o ponto de partida para o cálculo do ganho de capital a ser pago pela vendedora do bem); 7. ágios em aquisição de bens são legais e podem ser amortizados, tanto que os arts. 385 e 386 do RIR/99 autorizam expressamente essa amortização; 8. o legislador deixou para os contribuintes a escolha de qual fundamento de ágio seria utilizado, não obrigando de maneira alguma que a avaliação fosse feita pelo fundo de comércio, podendo perfeitamente utilizar como fundamento de ágio o valor de rentabilidade da controlada com base em previsão de resultados futuros; 9. a Fiscalização declara e a contribuinte confirma que o fundamento para a apuração do valor do ágio foi o relatório efetuado pelo banco Goldman Sachs, com base em previsão de exercícios futuros, não havendo contestação, por parte da Fiscalização, desse relatório; 10. a descrição dos fatos apurados revela contradição, pois, nos parágrafos 2.2.3.8 a 2.2.3.17, afirmase em dado momento que o fundamento do ágio deveria ser a expectativa de rentabilidade futura, enquanto em outro desprezase essa avaliação em favor da avaliação do fundo de comércio, esquecendose com isso que a avaliação de fundo de comércio faz parte integrante do valor calculado com base em previsão de resultados futuros; 11. a argumentação sobre fundo de comércio não invalida o relatório do Banco Goldman Sachs, pois a Fiscalização não comprovou que os valores apresentados no referido relatório seriam falsos ou estariam errados; 12. a Fiscalização utilizou parte do estudo do valor das empresas Gaby 1, Gaby2 e Gaby3 encomendado pela contribuinte à KPMG Corporate LTDA para descaracterizar a avaliação feita pelo banco Goldman Sachs, porém, o que está dito apenas confirma que a avaliação foi feita à época da transação e que os valores não foram criados em 2010 por ocasião do estudo, que manteve os valores apurados anteriormente, servindo apenas para formalizar, no Brasil, o mesmo estudo feito pelo banco americano; 13. a argumentação tecida pela Fiscalização no sentido de que a contribuinte teria procurado obter o maior valor possível de ágio para aproveitarse da amortização, não é Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.462 6 coerente, pois seria muito mais vantajoso para o grupo Camargo Correa pagar o menor preço possível pela aquisição, e não o contrário; 14. as afirmações da Fiscalização só fariam sentido se a transação tivesse ocorrido entre empresas do mesmo grupo econômico, com aquisições “pagas” em ações da empresa “compradora”, em que haveria interesse em criar o maior ágio possível, para ser amortizado posteriormente por ela ou pela sua incorporadora; 15. relativamente ao fato, destacado pela Fiscalização, de que a adquirente das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 foi a CCSA, inexistindo suporte legal para repasse à Fiscalizada da despesa de ágio, deve ser esclarecido que a CCSA não descontou qualquer ágio decorrente da aquisição e não incorporou as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, pois utilizou essas empresas para aumentar o capital da fiscalizada por conferência de ações, juntamente com o valor do pagamento de dívida que a CCSA tinha com uma controlada da fiscalizada, a empresa Cauê; 16. a empresa CCSA não reavaliou o valor das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, tendo transferido o controle dessas empresas pelo custo de aquisição, ou seja, não gerou qualquer ágio por essa transferência de controle das empresas; 17. somente quando as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 passaram ao controle da fiscalizada é que foram incorporadas e, a partir daí, o ágio gerado começou a ser amortizado; 18. o ágio somente é dedutível após a incorporação da controlada ou coligada, adquirida com ágio, conforme determina o art. 386 do RIR/99; 19. a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago, e uma vez que a CCSA não amortizou o ágio pago pelas empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e tendo a fiscalizada recebido e posteriormente incorporado as três empresas e desdobrado o custo de aquisição, tem ela (a fiscalizada) o direito de descontar o ágio nas condições preconizadas pelo o art. 386 do RIR/99; 20. não cabe a aplicação do art. 389 do RIR/99 para o presente caso como alega a Fiscalização, assistindo razão à contribuinte quando alega a aplicação indevida do artigo; 21. o artigo 389 trata de ágios e deságios obtidos em aquisições efetuadas por empresas, situadas no exterior, que sejam coligadas ou controladas de empresas situadas no país, consignando que o resultado de investimentos em coligadas ou controladas no exterior não pode se refletir na apuração do lucro real da empresa controladora ou coligada situada no país; 22. o artigo 389 do RIR/99 trata da proibição de refletir no resultado da apuração do lucro real da empresa no Brasil as contrapartidas de ajuste do valor dos investimentos ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição de investimentos efetuados por sociedades coligadas ou controladas, situadas no exterior, não se aplicando portanto ao caso em comento; Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.463 7 23. a Fiscalização limitouse a tomar como base de cálculo para o lançamento valores que a própria fiscalizada informou em resposta à intimação recebida (fls. 106), não se preocupando sequer em confirmar a exatidão das informações prestadas. MULTA QUALIFICADA 1. não restou comprovado o evidente intuito de fraude que justificasse a aplicação da multa de 150%; 2. a constatação da fraude exige que reste provada a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que esta quis os resultados que o art. 72 da Lei nº 4.502/1964 elenca como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos; 3. a redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, que estava em vigor à época dos fatos, falava em “evidente intuito de fraude”, o que exige que os elementos de prova utilizados em sua caracterização sejam facilmente identificáveis nos autos; 4. a Fiscalização limitouse a apresentar suas idéias, sem qualquer comprovação do alegado; 5. o que está declarado nos documentos acostados ao processo realmente ocorreu e a contribuinte não se negou a prestar qualquer informação, nem colocou obstáculos ao procedimento fiscal. É o Relatório. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.464 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Por atender os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Com base no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.070/1.091, extraio as infrações imputadas à contribuinte pela autoridade fiscal e aprecio as razões de decidir da Turma Julgadora de primeira instância. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA JUROS A contribuinte fiscalizada é a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, CNPJ nº 62.258.884/000136. A contribuinte emitiu, em 1997, FIXED RATES NOTES, em um único lote de US$ 150.000.000,00, objetivando captar recursos. A citada operação foi devidamente registrada no BANCO CENTRAL DO BRASIL. Conforme documentação apresentada, a fiscalizada é detentora de 100% da pessoa jurídica CAUÊ FINANCE LIMITED, que, no anocalendário de 2005, detinha as referidas FIXED RATES NOTES (FRN). A contribuinte remeteu juros para a sua subsidiária no exterior (CAUÊ FINANCE LIMITED). Para a autoridade autuante, “a intenção do contribuinte era a transferência de recursos para a sua subsidiária no exterior, mediante o pagamento dos juros, o que produz os mesmos efeitos de um contrato de mútuo, apesar de revestido de outra forma (emissão de FRN)”. Entendeu a Fiscalização que, como a detentora das FRN era a própria subsidiária da contribuinte, a captação de recursos objetivada não poderia acontecer, restando claro o intuito de reduzir o resultado mediante o pagamento dos juros, e, ainda, com uma taxa superior a que se praticaria com uma operação de mútuo comum. Assim, desconsiderando a operação de lançamento de FRN, a Fiscalização caracterizou o negócio como uma operação de mútuo entre pessoas vinculadas e, amparandose nas normas relativas a preços de transferência, glosou parte das despesas de juros apropriadas pela contribuinte fiscalizada. Relativamente a esse item, o lançamento tributário foi promovido com base nas disposições dos artigos 22 e 23, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzidas. ... Art. 22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.465 9 para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. § 1º No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor apurado segundo o disposto neste artigo. § 2º Para efeito do limite a que se refere este artigo, os juros serão calculados com base no valor da obrigação ou do direito, expresso na moeda objeto do contrato e convertida em reais pela taxa de câmbio, divulgada pelo Banco Central do Brasil, para a data do termo final do cálculo dos juros. § 3º O valor dos encargos que exceder o limite referido no caput e a diferença de receita apurada na forma do parágrafo anterior serão adicionados à base de cálculo do imposto de renda devido pela empresa no Brasil, inclusive ao lucro presumido ou arbitrado. § 4º Nos casos de contratos registrados no Banco Central do Brasil, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada. Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: ... IV a pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja caracterizada como sua controlada ou coligada, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; Em sede de impugnação (fls. 1.098/1.167), a contribuinte assinalou: ... Ocorre que, antes do vencimento e necessário resgate, a Cauê Finance decidiu adquirir tais títulos, mediante a prorrogação da data de vencimento, a qual foi acertada para 22 de julho de 2035. Vale dizer que a taxa de juros praticada mantevese a mesma após a mencionada aquisição e prorrogação da data de vencimento, conforme se pode verificar pela Escritura de Fideicomisso Alterada e Consolidada (documento anexo). Destaquese, desde já, que essa operação foi devidamente registrada no BACEN, tendo sido realizado o Registro de Operações Financeiras (“ROF”), fazendo constar todas as condições dessa renovação dos títulos, conforme extrato ora apresentado (documento anexo). (GRIFEI) ... Às fls. 126/132, de fato, identifico registro e autorização do Banco Central do Brasil relativo à operação de empréstimo mediante lançamento de Fixed Rates Notes, tendo CAMARGO CORREA INDUSTRIAL S/A (antiga denominação da fiscalizada) como devedora e CHASE MANHATTAN INTERNATIONAL LTD. como credora. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.466 10 À impugnação, a contribuinte anexou o CERTIFICADO DE REGISTRO Nº 241/33955 (fls. 1.314/1.317) emitido pelo Banco Central do Brasil, relativo ao empréstimo acima referenciado, do qual releva, agora, transcrever as seguintes informações (adicionais): Características da Operação: Natureza – empréstimo em moeda, mediante lançamento de “FIXED RATES NOTES” no mercado externo, em regime de “PUBLIC PLACEMENT” – circular nº 2384, de 26.11.93; Objetivo – refinanciamento da aquisição da CIMENTO CAUÊ e capital de giro; Valor: US$ 150.000.000,00; Data do Ingresso das Divisas no País: 22.07.97 ( autorização prévia nº 101 97, de 07.07.97); Observações: ... 2) O Banco Central do Brasil não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a prévia autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas das nele consignadas. Também anexados aos autos, constam os documentos de fls. 1.318/1.322 e fls. 1.416/ 1.424, o primeiro emitido em 17 de julho de 2007 e o segundo em 27 de julho de 2005, em que releva destacar os seguintes elementos: NATUREZA: Registro de Operação Financeira; MODALIDADE DA OPERAÇÃO: Renovação; VALOR: US$ 150.000.000,00 TITULARES: DEVEDOR – CAMARGO CORRÊA CIMENTOS; AGENTE DE PAGAMENTO – JP MORGAN TRUST BANK LIMITED; AGENTE DE LANÇAMENTO/EMISSÃO – MORGAN STANLEY & CO INC; CONDIÇÕES DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL: uma parcela, com carência de 360 meses; ROF1 de Origem: SA000897 Destaco que a norma aplicada pela Fiscalização, de índole notoriamente objetiva, estabelece limite na apropriação de despesas com juros quando presentes as seguintes circunstâncias: i) juros pagos ou creditados no exterior; ii) juros pagos ou creditados a pessoa vinculada; e iii) juros decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil. Inexiste, no presente caso, controvérsia em relação ao fato de que os juros glosados dizem respeito a pagamento, no exterior, a pessoa vinculada. 1 Registro de Operação Financeira Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.467 11 Penso, também, que não existe dúvida de que os pagamentos feitos pela contribuinte à sua subsidiária tiveram por base contrato de mútuo entre elas pactuado, ainda que lastreado em títulos. Supondo sejam os documentos de fls. 1.318/1.322 e 1.416/1.424 os elementos considerados pela contribuinte (e pela autoridade julgadora de primeira instância) como comprobatórios do registro da alegada repactuação, justificadores do pagamento dos juros à sua subsidiária no exterior, eis que na peça impugnatória fazse menção a “documento anexo”, enquanto no voto condutor da decisão de primeiro grau inexiste indicação expressa nesse sentido, penso que eles não reúnem condições para que possam ser considerados hábeis, eis que, com a devida permissão, nos extratos em questão não constam, como afirmou a contribuinte, “todas as condições dessa renovação dos títulos”. Considerados os elementos reunidos ao processo, entendo, na linha da descrição trazida pela autoridade autuante, que, para fins tributários, estamos diante de dois negócios absolutamente distintos, sendo o primeiro, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, firmado pela contribuinte em 1997, em que ela captou recursos no exterior por meio de lançamento de Fixed Rates Notes; e o segundo, representativo de mútuo entre a contribuinte e sua subsidiária integral, conforme ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA (fls. 1.227/1.313). Observese que, nos termos da observação 2 constante do registro da operação financeira realizada em 1997, restou assinalado pelo Banco Central do Brasil que ele não reconheceria qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrariasse ou modificasse as condições (características) constantes do certificado que, na ocasião, estava sendo registrado. Aditou, ainda, o BACEN, que seria necessária uma prévia autorização dele para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas naquele documento ou em condições diversas das nele consignadas. Entretanto, tomandose por base a ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA, verificase que: i) a contribuinte pactuou (expressão contida no referido documento) com sua subsidiária integral no exterior “a prorrogação da Data de Vencimento das Notas e a alteração de determinados outros termos das Notas”. Por ser digno de destaque, transcrevo, a seguir, excerto do item 1 (COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO À FIDUCIÁRIA) da citada ESCRITURA. ... Em conexão com a compra por uma subsidiária integral da emitente de 100% das Notas na Data de Vencimento ou antes dela e de acordo com a Seção 7.1 da Escritura de Fideicomisso, pelo presente solicitamos que V. Sas. dispensem as disposições estabelecidas em: (i) Condição 5(f) que exige que quaisquer Notas resgatadas ou compradas pela Emitente sejam canceladas, de forma que as Notas não sejam canceladas e permaneçam em circulação após a Data de Vencimento; e (ii) Condição 5 (e) que proíbe que a Emitente ou quaisquer de suas subsidiárias, na condição de Titulares das Notas, votem em quaisquer reuniões dos Titulares das Notas, de forma que a Emitente ou quaisquer de suas subsidiárias, na medida em que detenham coletivamente 100% das Notas, possam votar em quaisquer reuniões de Titulares das Notas (ou celebrem uma Resolução por Escrito em vez de uma reunião de Titulares das Notas). Além disso, solicitamos que V. Sas. dispensem quaisquer Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.468 12 exigências de notificações para convocar ou votar em uma reunião de Titulares das Notas. Solicitamos ainda pela presente que, quando a Fiduciária receber a comprovação ou confirmação de que a Cauê Finance Limited, uma subsidiária integral da Emitente, tem a titularidade de 100% das Notas na Data de Vencimento ou antes dela, a Fiduciária efetive a alteração e a consolidação da Escritura de Fideicomisso e as demais alterações determinadas na Resolução por Escrito da Cauê Finance Limited, juntada à presente como ANEXO A. Destaco que JP MORGAN TRUSTEE AND DEPOSITARY COMPANY LIMITED, como fiduciária, estabeleceu condições para aceitar as solicitações formalizadas pela contribuinte (item 2 – CARTA DO JP MORGAN). Chama atenção na documentação aportada ao processo pela contribuinte o fato de a ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA (traduzida por Tradutor Público) apresentar itens com a expressão “INTENCIONALMENTE OMITIDO”. Ainda que as alterações promovidas pela contribuinte no instrumento de captação de recursos no exterior tenham sido aceitas pelos demais intervenientes, penso que, mesmo desconsiderando outras modificações, a compra de 100% das notas emitidas por parte da sua subsidiária integral, revelou circunstância que, à luz do ordenamento jurídico pátrio, trouxe implicação tributária, qual seja, a de que a repactuação do empréstimo, dada a taxa de juros acordada, fosse devidamente registrada no Banco Central do Brasil, revelandose imprópria para tal a simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento. Observo, também, que o registro colacionado aos autos pela contribuinte, ao descrever as condições de lançamento da operação financeira, assinala que as NOTAS são listadas em BOLSA, tendo como praça a BOLSA DE VALORES DE LUXEMBURGO e como mercados de colocação a Europa e os Estados Unidos da América, representando, assim, uma OFERTA PÚBLICA de títulos. Com a devida vênia, tais condições não guardam qualquer relação com o que foi proposto e acordado na alteração promovida na ESCRITURA DE FIDEICOMISSO. O fato de o empréstimo tomado pela contribuinte contemplar sua repactuação não significa dizer que, alterada a sua característica essencial (captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral), tal “inovação” não deva ser adequadamente registrada no Banco Central do Brasil, de modo a satisfazer a exigência da lei tributária. Inexiste, como alegou a contribuinte, vedação legal quanto a quem deve ou pode adquirir FIXED RATES NOTES no exterior, porém, quando resta configurada uma efetiva modificação na forma de obtenção do empréstimo, traduzida pela reunião de todos os títulos emitidos na titularidade de sua subsidiária integral no exterior, fica evidente que, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. A contribuinte, por meio da peça impugnatória, afirmou que o Banco Central analisou e aprovou a repactuação em debate, tendo, por meio da transmissão do Registro da Operação Financeira, lhe comunicado a respeito. Contudo, aos autos, só foi trazido o extrato Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.469 13 correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. O argumento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que, considerados os documentos apresentados, foi possível verificar que a contribuinte possuía uma autorização Banco Central do Brasil (nº 241/33955, de 31 de outubro de 1997) para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00, não é digna de reparo. Porém, o que não restou comprovado foi o registro, nos termos da lei, do contrato representativo do mútuo pactuado com a sua subsidiária integral. De fato, como alega a decisão combatida, não existe no Brasil diploma legal que vede a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes, contudo, existe lei que fixa limite à dedução dos juros no caso em que essa repactuação não é registrada no Banco Central do Brasil. Rejeito, pois, com o devido respeito, os fundamentos utilizados pela Turma Julgadora de primeiro grau para exonerar o sujeito passivo do crédito tributário em questão, motivo pelo qual dou provimento ao recurso relativamente a este item. ÁGIO A autoridade fiscal relata os seguintes fatos: 1. no primeiro semestre de 2005, a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A, CNPJ nº 01.098.905/000109, controladora da autuada, manteve negociações com pessoas físicas e jurídicas visando adquirir o controle da pessoa jurídica LOMA NEGRA CIA S/A.; 2. para a concretização do negócio, foram constituídas três pessoas jurídicas (GABY 1, GABY 2 e GABY 3); 3. em 30 de junho de 2005, por meio de contrato de COMPRA E VENDA DE AÇÕES, a CAMARGO CORRÊA S/A adquiriu as ações das pessoas jurídicas GABY 1, GABY 2 e GABY 3, passando a deter indiretamente 100% das ações da pessoa jurídica HOLDTOTAL S/A e 93,43% das ações da pessoa jurídica LOMA NEGRA; 4. em 30 de novembro de 2005, a CAMARGO CORRÊA S/A transferiu a titularidade das suas ações das pessoas jurídicas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 para a fiscalizada, sua controlada, por meio de aumento de capital e pagamento de uma dívida que tinha com a pessoa jurídica CAUÊ INVESTIMENTS LIMITED, transferida para a fiscalizada por meio de subrogação; 5. ao adquirir GABY 1, GABY 2 e GABY 3, a CAMARGO CORRÊA S/A pagou um ágio de R$ 1.571.603.219,37, e, ao transferir a titularidade das citadas empresas para a fiscalizada, o fez transferindo, também, o referido ágio; 6. em 1º de dezembro de 2005, a fiscalizada incorporou as empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3, passando a amortizar o ágio referenciado. Diante de tais fatos, a autoridade fiscal, destacando que o procedimento fiscalizatório envolvia tãosomente os atos praticados pela empresa CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, concluiu pela ilicitude da dedução. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.470 14 Para tanto, serviuse, em apertada síntese, dos seguintes argumentos: a) na dedução do ágio, a fiscalizada não observou as condições impostas pela legislação (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997); b) os documentos apresentados pela fiscalizada mencionam que o ágio teve por fundamento econômico o valor de rentabilidade da empresa LOMA NEGRA, com base em previsão de resultados de exercícios futuros, desprezando, com isso, o FUNDO DE COMÉRCIO da referida empresa; c) o ágio foi efetivamente pago pela empresa CAMARGO CORRÊA S/A, e não pela fiscalizada, inexistindo, na legislação, norma que autorize transferência da referida despesa em momento posterior a aquisição da participação; d) sendo as empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 sociedades estrangeiras que não funcionaram no país, resta impossibilitada a amortização do ágio e, por conseqüência, a redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ex vi do disposto no parágrafo 1º do art. 389 do RIR/99. Como se vê, a autoridade autuante serviuse de quatro fundamentos para sustentar a autuação. Tenho, pois, que dois desses fundamentos não procedem. Com efeito, a discussão acerca do fundamento econômico ágio só se apresentaria relevante se não estivesse em discussão, também, a própria titularidade do dispêndio (ágio). Penso que as razões descritas nas letras “a” e “c” acima se complementam, mas, conflitam com a referenciada pela letra “b”, ou seja, se o ágio não é passível de amortização em virtude de a contribuinte não se enquadrar nas disposições da lei, vez que não foi ela quem suportou a despesa com ágio, perde relevância discutir o fundamento econômico desse mesmo ágio. Não obstante o acima considerado, creio que alguns aspectos relatados pela autoridade fiscal no contexto das observações feitas em relação ao fundamento econômico do ágio merecem destaque. Afirma a Fiscalização que a CAMARGO CORRÊA S/A, pessoa jurídica que efetivamente apurou o ágio, contratou a empresa KPMG CORPORATE FINANCE LTD. para realização de um ESTUDO DE VALOR DAS EMPRESAS GABY1 HOLDING LLC, GABY2 HOLDING LLC e GABY3 HOLDING LLC, estudo esse que só foi apresentado em 18 de junho de 2010, isto é, quase cinco anos após a efetivação do negócio. Relata também a autoridade fiscal que, à época do início da realização da transação envolvendo a aquisição das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3, estudo realizado pelo BANCO GOLDMAN SACHS, que assessorou a CAMARGO CORRÊA S/A financeiramente, indicou que o valor atualizado de tais empresas, isto é, desconsiderandose Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.471 15 eventuais rentabilidades futuras, era maior que o valor pago na transação, o que levou à Fiscalização indagar se, no caso, ao invés de ágio, teria ocorrido ganho de capital na operação2. No que diz respeito ao disposto no parágrafo 1º do art. 389 do RIR/99, penso que a disposição ali estabelecida seja merecedora de nova interpretação, haja vista a introdução, no Brasil, da tributação em bases universais (Lei nº 9.249/95, art. 25). Apreciando, contudo, os fatos e a legislação a eles aplicada, inclinome a acolher a tese expendida pela autoridade fiscal no sentido de que não encontram presentes circunstâncias capazes de autorizar a amortização do ágio em questão. Com efeito, considerado o disposto no caput do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, descabe falar em apropriação de ágio por parte da CAMARGO CORRÊA CIMENTOS, a fiscalizada, quando resta indiscutível que quem incorreu no suposto sobrepreço foi a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A e que a transferência das participações, dela para a fiscalizada, se deu em razão de aumento de capital e quitação de dívida. Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): ... Alinhome, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; ... Registro que a única transferência de ágio albergada pela legislação vigor, condenada, digase de passagem, por robusta doutrina3, é a prevista no inciso II do parágrafo 6º do art. 386 do RIR/99, que em nada se assemelha à situação sob exame. 2 Nesse particular, discordo da apreciação feita em primeira instância acerca da referida indagação, eis que, salvo melhor juízo, não resta dúvida de que aquele que paga por um ativo montante inferior ao que este efetivamente representa no ato de aquisição, tem efetivamente um GANHO DE CAPITAL. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.472 16 Considerado o relato feito pela autoridade autuante, parece que a própria empresa CAMARGO CORRÊA S/A tinha conhecimento da impossibilidade, face a ausência de previsão legal, da transferência do ágio em questão, eis que, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor “cheio”, ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio líquido e ágio. Apesar de concordar com a decisão de primeiro grau no sentido de que não restam configurados nos autos circunstâncias que indiquem a constituição de “empresa veículo” no âmbito de um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago. Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Diante do exposto sou, também, por dar provimento ao recurso relativamente a este item. MULTA QUALIFICADA A rigor, parte dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para qualificar a multa aplicada podem ser extraídos dos fragmentos abaixo transcritos, retirados do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.070/1.091. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL DE JUROS – EMPRÉSTIMOS RECEBIDOS DE PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR ... 3 Jorge Vieira da Costa Junior, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e Eliseu Martins, da Universidade de São Paulo, em A INCORPORAÇÃO REVERSA COM ÁGIO GERADO INTERNAMENTE: CONSEQUÊNCIAS DA ELISÃO FISCAL SOBRE A CONTABILIDADE, trabalho pulicado na internet (www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/), assinalam: "Concluise que o surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico, ainda que respaldado em diploma legal. Suas conseqüencias são negativas para a Contabilidade. Há margem para se pavimentar um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Propõese que órgãos reguladores de governo e entidades representativas da profissão contábil e de auditoria atentem para a questão; e que eventualmente revejam posicionamentos adotados e/ou manifestemse prontamente na disciplina da matéria, de tal sorte que a Contabilidade, na sua finalidade mais nobre, que é a de servir como um sistema de informações relevantes e úteis para julgamento e para tomada de decisão, não seja prejudicada". Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.473 17 A empresa fiscalizada, sabendo que suas FRN haviam sido adquiridas por sua controlada no exterior, continuou enviando juros para fora do país a uma taxa superior à permitida para operações entre vinculadas e por isso deve sujeitarse ao disposto no art. 44, inciso I, par. 1º, da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): ... O intuito fraudulento tornase evidente quando se verifica que a controlada da empresa fiscalizada poderia ter enviado recursos financeiros, através de um aumento de capital ou até mesmo de um contrato de mútuo, com encargo financeiro bem menor do que os valores lançados pela empresa, o que ocasionou a redução indevida do resultado do exercício. ... Relativamente à AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, a autoridade fiscal serviuse dos seguintes fundamentos: planejamento de operação entre empresas de um mesmo Grupo visando à amortização; intuito evidente de criação de despesas; inexistência de sentido econômico na rentabilidade futura das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3; existência efêmera das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3; criação de empresasveículo para facilitação das negociações com a empresa CAMARGO CORRÊA S/A; o fato de a empresa CAMARGO CORRÊA S/A, efetivamente, se basear no valor do fundo de comércio para concretizar o negócio, e não na rentabilidade futura; ausência de motivação para a transferência do ágio; descumprimento das disposições do parágrafo 1º, art. 389, do RIR/99. Observase, pois, que os fundamentos para a qualificação da penalidade aplicada encontramse consubstanciados, basicamente, nos mesmos elementos que serviram de suporte para a imputação das infrações. Nesse diapasão, em convergência com o expendido na decisão de primeira instância, não creio que aos autos tenham sido reunidos elementos capazes de traduzir a conduta tipificada pela autoridade autuante. Ainda que existam indícios na direção de que a contribuinte tinha conhecimento de que os extratos de fls. 1.318/1.322 e 1.416/ 1.424 não poderiam servir de suporte para comprovar o registro, no BACEN, do mútuo pactuado com a sua subsidiária no exterior, e que não existia previsão legal para a transferência de ágio efetuada, não identifico nos autos elementos capazes de criar a convicção de que tanto a apropriação de juros acima do Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.474 18 limite legal permitido como a amortização de ágio tida como não prevista em lei decorreram de intuito deliberado de reduzir a incidência das exações lançadas. Sou, pois, pela redução da multa aplicada de 150% para 75%. A contribuinte, em sede de impugnação, alegou ainda ilegalidade na cobrança de juros sobre a multa. Quanto a essa questão, acompanho o entendimento esposado no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003, que teve como relatora a ilustre Conselheira Sandra Maria Farone. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1o do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.475 19 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1º do art. 161 do CTN. [...] Assim, considerando tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de ofício interposto para, restabelecendo os créditos tributários constituídos, reduzir a multa aplicada para o percentual de 75% e determinar que na execução do ora decidido seja cobrado, sobre a multa de ofício que remanescer, juros de mora de 1% ao mês, nos exatos termos do disposto no parágrafo primeiro do art. 161 do Código Tributário Nacional. Sala das Sessões, em “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 130200.834 S1C3T2 Fl. 1.476 20 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.006673/84-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 1985
Numero da decisão: 301-00.047
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento
em diligência à CST e após à Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: HELVIO ECOVEDO BARCELOS
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RESOLUÇÃO Nº 301-047 ACORDÃO N.' . •• Recurson.' 107.251 Processo nº 10:,80/006673/84-15 RecorrenteHUGHES TOOL DO BRASIL EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida DRF - SALVADOR - BA • Converte-se o julgamento em diligência a CST e após a Rep~ tição de origem. • Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à CST e após à Repartição de origem, na forma do relató rio e voto que.passam a integrar o presente julgado. seguintes da Fazenda Nacional . elator. , ainda, do presente julgamento os 18 de junho ~L Participa Conselheiros. • •• AGO O SERRANO DE ANDRADE, FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, HA- ILTON DE SÁ DANTAS, JOÃO HOLANDA COSTA, RAIMUNDO JOSÉ ALVES GONÇAL- VES e SADY D'ASSUMPçAO TORRES FILHO. • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO Nº 107.251 RESOLUÇÃO Nº 301-047 RECORRENTE: HUGHES TOOL DO BRASIL EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. RECORRIDA RELATOR DRF - SALVADOR - BA HÉLVIO ESCOVEDO BARCELLOS R E L A T 6 R I O '. • • •• • Por bem descrever a matéria' sob exame, adoto e trans- crevo, a seguir, o relatório que compõe a decisão singular defu. 60/63, através da qual o Sr. Delegado da Receita Federal em Sal- vador - BA, julgou procedente o Auto de Infração de fls. 01/02,~ vrado contra a ora recorrente: "Contra a firma acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fl.Ol, pelo Grupo de Fiscalização de Operação de Importação, por falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado ao Imposto de Importação no valor original de Cr$ . 1.336.772 face à modificação operada na adição nº 001 da DI(DAS) nº 0500784 de 19.09.83 resultante da clas- sificação incorreta dos produtos importados no Código 84.23.90.99 alíquota de 5% ao invés do Código . 84.48.01.99 alíquota de 8% tendo a firma infringidorn arts. 29 e 107 do RIPI aprovado pelo Decreto nº 87.981 /82. Regularmente intimada a interessada apresentou defesa, no prazo legal, alegando imutabilidade do lançamento, sendo nulo o Auto de Infraçe.o vez clue o lançamento tri butário não pode ser revisto alterado ou modificado de acO}..docom o estabelecido nos arts. 145 e 146 do CTN que decorre dos ~ 3º e 29º do art. 153 da CF, ajuntan do que após a conferência física do material importa= do e o exame da. DI os agentes fiscais autorizaram o desembaraço dos volumes aprovando a classificação ta- rifária adotada pela impugnante e o pagamento dos tri butos incidentec-)na operação e depoiE" em segundo mo- mento, em revisão da DI, lavraram o Auto de Infração não se bm3eando a cobrança em revisão calcada em erro de fato mas em mudança de critério jurídico utilizado por ocasião da conferência e classificação de produ- tos importados, alegando ainda, a defendente,ausência de p:r'8SSUpostosjurídicos quanto à imposição de encar gos legais, não podendo aceitar a imr,osi.ção relativa aos juros de mora, multa e correção monetária já que havia consulta prévia cuja resposta da.da pelo CPA es- tá datada de 24.04.84 com recebimento em 09.05.84 se~ do nulo o Auto de Infração de acordo com o art. 48 in • ,. • • • • Rec.l07.251 Res. 30l.,.{)47 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL ciso I do Decreto nQ 70.235/72 afirmando que a capita lação tarifária indicada no Auto de Infração é incor= reta, reconhecendo que tendo adotado posiç8,otarifá- ria contrária à orientação do CPA teria que recolher até o 30Q diasubseqtlente _à datei da ciência do ofício do CPA nQ 219/84 a diferença do IPI, seus encargos le gais, solicitando o parcelameuto do :pagamento espont~ neo do IPI, com nulidade do Auto de Infração, reque- rendo que seja apensado o processo de consulta nQ 53.268/79 atinente à classificação tarifária dos ob- turadores e suas partes e peças. Informando o processo a autuante esclarece que se trá ta do produto mandril e não obtÚTador embora aquele coparticipe para o funcionamento da peça e que pela discriminação no corpo da DI, Anexo 11 quadro 11 e o~ tros documentos que a acompanham, conclui-se que man- dril seja um porta-ferramenta destinado à fabricação e montagem, expressão que interpretada ao pé da mtia, desvia-se dos termos "partes e peças"(grifado pela i!:!: formante) compoLentes de máquinas e aparelhos, caben- do a classificação noÓódigo 84.48.01,99 não tendo s~ do discutido na defesa o funcionamento de mandris e sim de obturadores e no tangente aosDAS'S é preciso que se esclareça a empresa que o "regime especial" os dispensa do exame documental prévia, subordinando-os a uma ou sucessivas revisões no decorrer de cinco anos (Lei nQ 5.172/66, I.N. 40/74 e art. 54 do Decreto-lei nQ 37/66) - propõe a manutenção do feito." Não se conformando com a condenação sofrida, a empre- sa apresentou recurso a este Conselho(fls. 69/83), onde, além de repetir os argumentos já apresentados quando da impugnação, alega que o crédito fiscal exigido já estaria cancelado, por força do disposto no ~t. 4Q do Dec.-lei nQ 2.227/85. É O RELATÓRIO . , Rec. 107.251 Res. 301-047 SERViÇO PÚDLICO FEDERAL v O T O '0 Decreto-lei nº 2227/85, que dispõe sobre o processo de consulta, determina, no seu art, 4º, que estão cancelados os débitos tributários relativos a impostos incidentes até a data éLq publicação desse di.plomalegal e resultcmtes de errônea classificação de produ tos na NBM. '. A INSRF 40/85, esclarecendo o alcance dessedefine os casos em que o cancelamento daqueles débitosnao se verifica. dispositi.vo,tributári.os • •• • Nos presentes autos, de possível aplicação da remissão de débito i.nsti.tuída pelo aludido art. 4º, faltam i.nformações pelas quais este colegiado se certifique de que o caso não está abrangido pelas exceções contio.asnas letras "a", "b" ou "c" do item 2 da cita da Instrução Normativa 40/85. Isto posto,'voto no sentido de converter o julgamento em diligência, primeiro à esr e, após, se necessári.o, à reparti.ção de origem, para que,sejam respondi.das as seguintes indage,ções: a) pela esr, 1 - se foi dada ciência ao reCorrent c, em data ante rioràpromulgação do DL 2227/85, de decisão da S~ cretaria da Receita Federal, irreforma.vel na esfe ra administrativa , proferida em processo de con sulta, que haja alterado a classificação adotac~ pelo contribuinte para o produto em que[;tão; 2 - se há Parecer Normati.vo da es~, anterior à autua ,ção, definind.oa classificação do mesmo produto; b) pela repartição de origem, se a autuação se deu após o encerramento, na esfera administrativa, seja pelo pag<::!:. mento do débito, seja pelo trânsito em julgado da deci são, de ação fiscal que haja alterado a classificação a dotada pelo sujeito passivo para o mesmo produto em ca sos anteri.ores ao do pres te julgado. Relator. I • 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004896/2003-50
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 01/01/1999
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DRAWBACK. DECADÊNCIA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou o entendimento que a contagem do prazo decadencial no Drawback inadimplido é regulada pelo art. 173, inciso I, do CTN (Acórdão n° 9303- 00.147), inclusive aplicável o entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça (REsp 973733/SC) segundo o qual, não havendo antecipação do pagamento nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é deslocado para o art. 173, inciso I, do CTN. EMBARGOS PROVIDOS PARA SUPRIR A OBSCURIDADE
Numero da decisão: 3101-001.035
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e aclarar a obscuridade acerca do fundamento do voto condutor do acórdão.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/01/1999 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DRAWBACK. DECADÊNCIA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou o entendimento que a contagem do prazo decadencial no Drawback inadimplido é regulada pelo art. 173, inciso I, do CTN (Acórdão n° 9303- 00.147), inclusive aplicável o entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça (REsp 973733/SC) segundo o qual, não havendo antecipação do pagamento nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é deslocado para o art. 173, inciso I, do CTN. EMBARGOS PROVIDOS PARA SUPRIR A OBSCURIDADE
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/01/1999 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DRAWBACK. DECADÊNCIA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou o entendimento que a contagem do prazo decadencial no Drawback inadimplido é regulada pelo art. 173, inciso I, do CTN (Acórdão n° 9303 00.147), inclusive aplicável o entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça (REsp 973733/SC) segundo o qual, não havendo antecipação do pagamento nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é deslocado para o art. 173, inciso I, do CTN. EMBARGOS PROVIDOS PARA SUPRIR A OBSCURIDADE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e aclarar a obscuridade acerca do fundamento do voto condutor do acórdão Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo; e eu, Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Fl. 354DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0120.11472.EAWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte no qual aduz que o Relator , ao tratar da decadência, não fundamentou as razões para aplicação do prazo decadencial com base no art, 173, inciso I do CTN, limitandose ao que segue: "Inicialmente, no que concerne A ocorrência da decadência, sem maior embargos de argumentação e em que pese meu entendimento contrário da questão, tem sido pacifico neste Conselho, em especial a Camara Superior de Recursos Fiscais que o termo "a quo" do prazo decadencial em caso de drawback deve ser contado a partir do primeiro dia útil ao ano seguinte da data do recebimento do relatório de comprovação de drawback, aplicandose ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN (...) em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do beneficio". Aduz que, desta forma, resta omisso o acórdão, requerendo seja aplicado ao caso o art. 150, § 4o, do CTN, por tratarse de lançamento por homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por ser tempestivo. Cabe razão à Recorrente quando aduz que o Acórdão não explicitou os fundamentos para deslocar o prazo decadencial do art. 150, §4o, para o art. 173, inciso I, do CTN. Ocorre que, a par de minha opinião pessoal, a questão da decadência nos casos de descumprimento de DRAWBACK já foi pacificado pela CSRF, No Acórdão n° 930300.147, de 11 de agosto de 2009, cujo voto condutor foi do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, colho os fundamentos da aplicação do regime jurídico da decadência com base no art. 173, inciso I: “A primeira questão que se apresenta a debate diz respeito à decadência para lançamento do crédito tributário quando o sujeito passivo encontrase ao abrigo de regime aduaneiro especial em que o lançamento fiscal não pode ser feito enquanto durar o RAE. Aqui, não se pode falar em homologação de pagamentos ou de atos preparatórios efetuados pelo sujeito passivo, pois, na vigência do regime, não há lançamento ou atos preparatórios a serem praticados. Desta feita, o § 4° do art. 150 não se aplica ao caso em discussão, o qual é regido pelo disposto no inciso I do Fl. 355DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0120.11472.EAWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.004896/200350 Acórdão n.º 3101001.035 S3C1T1 Fl. 346 3 artigo 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, temse que, nas hipóteses de drawback, modalidade suspensão, o lançamento não pode ser efetuado na data da importação vinculada ao ato concessório, em virtude da suspensão, mas, tãosomente, a partir do momento em que se encerra o regime, posto que, até essa data, o sujeito passivo poderia adimplir as condições, e, com isso, resolver a pertinente obrigação tributária. Já no caso de drawback isenção, o prazo da Fazenda tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do registro da Declaração de Importação. Assim, como os registros das declarações de importação ocorreram nos dias 29 (DIs n° 9703433456, 9703432719 e 9703433170) e 30 de abril (DIs n° 9703486827, 9703487130 e 9703492070) e 2 de maio de 1997 (Dl n° 9703506500), fl. 293, o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1998 e o final, 1° de janeiro de 2003. Compulsandose os autos, verificase que a ciência do lançamento foi dada em 20 de dezembro de 2002, portanto, antes de exaurido o prazo decadencial. Esclareçase, por oportuno, que a exigência do tributo ora em comento refere se a fatos geradores ocorridos quando da entrada no território aduaneiro das mercadorias estrangeiras acobertadas pelas DIs listadas no parágrafo precedente, que foram registradas nas datas anotadas linhas acima. As importações foram realizadas sob o regime de drawback, modalidade isenção. Não se está aqui tratando das importações de mercadorias desembaraçadas com pagamentos de tributos e que, supostamente, foram utilizadas na fabricação de produtos que vieram a ser exportados pela reclamante, e, por conseguinte, habilitaram a reclamante a pleitear o ato concessório do aludido drawback isenção. Assim, não se pode pretender, como o fez a reclamante, que o termo inicial da decadência seja contado da data do registro das Dls das mercadorias desembaraçadas com tributação normal, posto que os tributos que se está exigindo nestes autos não são os incidentes nessas importações mais remotas (realizadas com pagamento dos impostos aduaneiros), mas sim, nas mais recentes (desembaraçadas com isenção). Inobstante, o STJ já pacificou o entendimento acerca da contagem do prazo decadencial, quando o contribuinte não antecipa o pagamento, como é o caso: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 356DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0120.11472.EAWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) e Fl. 357DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0120.11472.EAWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.004896/200350 Acórdão n.º 3101001.035 S3C1T1 Fl. 347 5 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. INADIMPLEMENTO DO REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE SUSPENSÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. NÃOOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA. OMISSÃO QUANTO À PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. 1. Não há omissão deste Tribunal Superior quanto à verificação da ocorrência de prescrição para a cobrança do crédito tributário se, ao interpor o recurso especial, o contribuinte limitase a indicar violação e interpretação divergente do art. 173, I, do CTN (que estabelece o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito), requerendo, ao final, o conhecimento e provimento do recurso "a fim de que seja reconhecida a decadência". 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 658.404/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 13/03/2006, p. 198) Diante do exposto, dou provimento aos Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para ratificar o Acórdão recorridoe suprir a obscuridade acerca do fundamento para aplicação do art. 173, inciso I, do CNT, na apreciação da decadência. Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 358DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0120.11472.EAWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIZ ROBERTO DOMINGO em 20/03/2012 19:40:02. Documento autenticado digitalmente por LUIZ ROBERTO DOMINGO em 20/03/2012. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 15/06/2012 e LUIZ ROBERTO DOMINGO em 20/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/01/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0120.11472.EAWR Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 37DBE257313CD843D3F29940BDB904983F52FD51 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.004896/2003-50. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18108.001296/2007-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. INCRA.SESC SENAC SEBRAE. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT.
VALE-TRANSPORTE. TAXA SELIC.ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA MAIS
BENÉFICA.INCONSTITUCIONALIDADE
Não ocorre a decadência com a extinção do direito se o titular proceder seu exercício dentro prazo legalmente prefixado.
Inexiste cerceamento de defesa quando o lançamento fornece ao sujeito passivo todos os fatos e fundamentos legais necessários a sua compreensão e análise.
Os lançamentos efetuados demonstrando claramente os fatos geradores e os fundamentos legais, gozam de presunção relativa de legitimidade e veracidade cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário A contribuição destinada ao Salário Educação
está de acordo com o ordenamento, jurídico pátrio e a matéria encontra-se sumulada pelo Supremo Tribunal Federal.
A contribuição ao destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho tem amparo legal e constitucional.
A contribuição destinada ao INCRA é devida indistintamente tanto por empresas urbanas e rurais.
As empresas vinculadas à Confederação Nacional do Comércio estão
obrigadas ao recolhimento das destinadas ao SESC e ao SENAC, previstas, em normas regularmente editadas.
O pagamento de auxílio alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, integra o salário de contribuição, com incidência de contribuições, previdenciárias.
Sobre os pagamentos do vales-transporte em pecúnia, na forma do Recurso Extraordinário 478.410/SP, não incidem contribuições para a Previdência Social. Em que pese haver a distribuição de Embargos de Declaração sobre o referido Recurso pendente de julgamento, não há como deixar de observar que houve uma decisão plenária do STF nesta questão. Assim, como a decisão plenária do STF alcança o disposto no Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, este Conselho é
compulsado a observar tal decisão. É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se
observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei
9.430/96 e compará-lo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.797
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalência da multa mais benéfica para ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Por unanimidade de votos, em excluir a tributação do Vale Transporte. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da tributação do PAT Vencidos os
Conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto, na tributação do PAT.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHOSAT. INCRA.SESC SENAC SEBRAE. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT.VALETRANSPORTE. TAXA SELIC.ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA MAIS BENÉFICA.INCONSTITUCIONALIDADE Não ocorre a decadência com a extinção do direito se o titular proceder seu exercício dentro prazo legalmente prefixado. Inexiste cerceamento de defesa quando o lançamento fornece ao sujeito passivo todos os fatos e fundamentos legais necessários a sua compreensão e análise. Os lançamentos efetuados demonstrando claramente os fatos geradores e os fundamentos legais, gozam de presunção relativa de legitimidade e veracidade cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário A contribuição destinada ao SalárioEducação está de acordo com o ordenamento, jurídico pátrio e a matéria encontrase sumulada pelo Supremo Tribunal Federal. A contribuição ao destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho tem amparo legal e constitucional. A contribuição destinada ao INCRA é devida indistintamente tanto por empresas urbanas e rurais. As empresas vinculadas à Confederação Nacional do Comércio estão obrigadas ao recolhimento das destinadas ao SESC e ao SENAC, previstas , em normas regularmente editadas. 2 O pagamento de auxílio alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, integra o salário de contribuição, com incidência de contribuições, previdenciárias. Sobre os pagamentos do valestransporte em pecúnia, na forma do Recurso Extraordinário 478.410/SP, não incidem contribuições para a Previdência Social. Em que pese haver a distribuição de Embargos de Declaração sobre o referido Recurso pendente de julgamento, não há como deixar de observar que houve uma decisão plenária do STF nesta questão. Assim, como a decisão plenária do STF alcança o disposto no Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, este Conselho é compulsado a observar tal decisão. É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalência da multa mais benéfica para ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Por unanimidade de votos, em excluir a tributação do Vale Transporte. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da tributação do PAT Vencidos os Conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto, na tributação do PAT. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 198 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. 4 Relatório A Delegacia de Julgamento, em primeira instância, produziu relatório, que compulsei e corroboro, onde assim se manifestou: “ Tratase de crédito da Seguridade Social, no valor de R$148.595,51 ( cento e quarenta e oito mil , quinhentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e um centavos), composto de contribuições de segurados empregados e da empresa, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados: alíquota de 20% (vinte por cento), a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e contribuições destinadas a Terceiros Salário Educação, INCRA, SESC/SENAC e SEBRAE, bem como contribuições incidentes sobre valores pagos a título de cesta básica / alimentação e valetransporte. O Relatório Fiscal (fls. 43/52) esclarece que o lançamento decorre de valores apurados na contabilidade da empresa, nas seguintes contas de despesa: 4.1.1.04.00016 — Cesta básica 4.1.1.04.00007 — Despesas valetransporte 4.1.1.04.00008 — Despesas c/ refeição funcion. 462.0666 — Despesas com alimentação 462.0313 — Valetransporte 54210 — Despesas com cesta básica 51208 Despesas com ticket refeição 51207 — Despesas com valetransporte Os valores relativos a cesta básica / alimentação foram pagos em pecúnia, e a empresa não comprovou sua inscrição no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador. Igualmente pagos em pecúnia os valores relativos a transporte, em descumprimento da Lei n.°7.418/85.0 Relatório Fiscal acrescenta que tais valores não foram declarados em GFIP. A contribuição devidas pelos segurados empregados foi arbitrada pela alíquota mínima, de 8%, em razão de a empresa não ter apresentado as informações, solicitadas mediante TIAD, que permitiriam sua individualização. A Empresa tomou ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em 26/11/2007, por intermédio do sóciogerente Sr. Luiz Alexandre Cavalari Caetano. Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 199 5 DA IMPUGNAÇÃO Em 20/12/2007, a Notificada apresentou impugnação de fls. 56 a 102, acompanhado dos documentos de fls. 103 a 108, alegando, em síntese, que: Foi autuada em razão de a Fiscalização ter entendido que deixou de efetuar o recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores contabilmente escriturados como despesas de valerefeição, cesta básica e valetransporte, bem como a dos segurados empregados, arbitrada em oito por cento. Não foram observados os princípios fundamentais da atuação da administração pública, não podendo o auditorfiscal impor um quantum a ser pago pela empresa. Sua ação deve limitarse a propor, cabendo ao órgão judicante a decisão. O excessivo rol de atos legais que fundamentariam o lançamento constitui cerceamento de defesa, pois impede que a Impugnante conheça exatamente o que lhe está sendo exigido. No presente caso ocorreu a decadência do crédito tributário para as competências 01/2002 a 10/2002, em razão do que dispõe o Código Tributário Nacional CTN. Considerando o regramento estabelecido por esse diploma legal, a Lei n.° 8.212/91 pode trazer disposição diferente, do que decorre ser inaceitável o prazo decadencial de cinco anos. Cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e "se o Fisco emitiu um ato de lançamento sem coletar e produzir as provas que demonstrassem a subsistência dos pressupostos legais com base nos quais os atos foram emanados, o ato é nulo de pleno direito." Quanto à contribuição destinada a Salárioeducação, nossos tribunais têm anulado débitos a ela relativos. "(...) o bom empregador, responsável socialmente e ciente da importância do incentivo à educação para a sociedade brasileira, não deve ser desestimulado,através da taxação previdenciária, devendo assim ser julgada improcedente e nula." Ilegal a cobrança de contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT, pois não foi obedecida a forma de lei complementar para sua instituição, acrescendose defeitos na definição da base de cálculo e o fato de que o decreto regulamentador extrapolou os ditames da lei no que se refere à definição dos graus de risco. Não cabe cobrar de empresas urbanas a contribuição destinada ao INCRA, tendo em vista a ausência de contraprestação. Pela mesma razão, é descabida a cobrança de contribuições para SEST, SENAT e SEBRAE. 6 O valealimentação pago pela empresa não pode ser considerado saláriodecontribuição, pois se trata de parcela indenizatória e não salarial. Invoca o art. 28, §9°, "c", da Lei n.° 8.212/91, para afirmar que se constitui em ajuda de custo que, por não exceder a cinqüenta por cento do salário do empregado, não o integra. Quanto ao valetransporte, ressalta que o Decreto n.° 4.840/2003 trouxe implícito o reconhecimento de que o vale transporte pode ser pago em dinheiro sem por isso compor o salário do empregado. Seu caráter é indenizatório e a MP n.° 280/2006, em seu art. 4°, autoriza o pagamento em pecúnia. Por essa razão, deve ser excluído do lançamento o período posterior à referida MP. A multa moratória cobrada na NFLD está acima da prevista em lei. O Decreto n.° 3.265/99 estabelece em 12% o percentual da multa a ser aplicada nos casos de valores declarados em GFIP, e na presente NFLD está sendo cobrado 15%. Acrescenta que, por força do art. 106, II, "c", do CTN, a multa de 12% é a mais benéfica e deve prevalecer. Inadmissível a cobrança de juros com base na taxa SELIC, devendo prevalecer o disposto no art. 161, §1°, do CTN. Aduz que os juros de mora não podem ultrapassar 1% ao mês, haja vista o disposto no art. 192, §3°, da Constituição Federal. Requereu a anulação da NFLD.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 10 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SPOII, emitiu o Acórdão n ° 17 24.677, em 05 de maio de 2008, fls. 112, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 200 7 Voto Conselheiro Ivacir Julio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 196, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA A alegação de cerceamento de defesa é incabível, uma vez que a NFLD encontrase revestida de todos os requisitos legais, a constituição do crédito foi descrito no Relatório Fiscal, com o fornecimento de todos os fatos necessários a sua compreensão e análise. Alega constar da NFLD excessivo rol de leis, o que implicaria cerceamento de defesa. Ao contrário, o relatório Fundamentos Legais do Débito de fls. 30 a 33 não constitui excesso de informações. O rol de atos normativos ali descrito, vincula cada situação encontrada na empresa. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Dos fatos geradores As contribuições sociais, inclusive as de seguridade social, dentre estas as previdenciárias, com o advento da Constituição Federal de 1988, ganharam tratamento constitucional tributário, aplicandolhes toda a sistemática reservada aos tributos pela Carta Magna (CF, art. 145 e seguintes combinado com o art. 195 e seguintes), do supra exposto, se observa que o tributo denominado contribuição previdenciária é constituído de inúmeros fatos geradores. A Lei n° 5.172/66, que vem a ser o Código Tributário Nacional CTN , define em seu artigo 150 o lançamento por homologação : “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” É pacífico que a jurisprudência entende que a natureza jurídica da contribuição previdenciária é um tributo de lançamento por homologação. Referindome ao artigo 150 do CTN, é relevante notar o legislador ao classificar o que seria o lançamento por homologação não se referiu a fatos geradores mas sim aos tributos : 8 “ lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento...” Em razão da lógica acima desenvolvida, restando provado em eventual processo administrativo que ocorrera qualquer pagamento parcial do tributo, em face da circunstância de este contemplar inúmeros fatos geradores que o contribuinte esteja obrigado a recolher na forma da inteligência do artigo 150 em comento, entendo que faz caracterizar pagamento antecipado. Aduz que o citado artigo 150 do CTN não fala de quitação antecipada da obrigação e assim, tendo havido pagamentos do tributo anteriores à ação fiscal a lavratura do lançamento de crédito quer significar diferenças a pagar do tributo como um todo. Desse modo, se ao final de uma ação fiscal tendo restado adimplidas as obrigações de recolher valores resultado da incidência tributária sobre diversos outros fatos geradores não vejo como dar tratamento isolado a eventual fato gerador inadimplido para considerálo individualmente como se fosse um tributo isolado e não parte de uma obrigação tributária previdenciária total de empresa. Às fls. 43, item 2.2 do Relatório Fiscal consta registrado que no presente processo a empresa fora autuada por inadimplir as seguintes rubricas : “ 2.2 Serviram de base para esse levantamento os seguintes elementos: Os valores contabilizados nas contas de despesa: 4.1.1.04.00016 CESTA BASICA; 4.1.1.04.00007 DESPESAS VALE TRANSPORTE; 4.1.1.04.00008 DESP C/ REFEICAO FUNCION. ; 462.0666 DESPESAS COM ALIMENTACAO; 462.0313 VALE TRANSPORTE; 51210 DESPESAS COM CESTA BÁSICA; 51208 DESPESAS COM TICKET REFEICAO; 51207 DESPESAS COM VALE TRANSPORTE, e levados ao resultado do exercício em sua totalidade. ” Entretanto, às fls 45 , item 7, registra , também, que a empresa foi autuada por inadimplir demais obrigações : “ 7. DOCUMENTOS LAVRADOS Nesta data foram lavrados os seguintes documentos: I — NFLD 37.116.5350, relativa às contribuições sociais dos segurados empregados e contribuinte individual descontadas e não repassadas a Previdência Social. Declaradas em GFIP; II — NFLD 37.116.5369, relativa às contribuições sociais correspondentes á parte da empresa. Declaradas em GFIP; Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 201 9 III — Auto de Infração — AI n° 37.116.5385 Codigo de Fundamentação Legal 68; IV — Auto de Infração — AI n°37.116.5393 Codigo de Fundamentação Legal 38; V — Auto de Infração —AI n°37.116.5407 Codigo de Fundamentação Legal 35; VI — Representação Fiscal para Fins Penais, referentes aos fatos levantados na NFLD 37.116.5350 que, em tese, configuram o crime de Apropriação Indébita Previdenciária prevista no artigo 168A, parágrafo 1° Inciso I, do Código Penal,acrescido pela Lei 9983100.” Isto posto, observada a súmula n°8 do STF e a Lei Complementar 128, art. 13, I, não há como capitular a decadência na forma do artigo 150, §4° do CTN. Assim, em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/01/2002 a 31/12/2006; que nos Discriminativos Analíticos dos Débitos – DAD’s de fls. 04/15, não constam créditos apropriados; que a empresa fora notificada em 26/11/2007 ; e que na forma do Termo de encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fls.41 as demais autuações sofridas pela empresas demonstram não ter havido recolhimento antecipado, então, na forma do artigo 173, I do CTN, NÃO HÁ FALAR EM DECADÊNCIA. OS FATOS GERADORES /ÔNUS DA PROVA A empresa alega que não cabe à Recorrente adivinhar porque está sendo autuada e que o lançamento foi feito sem coletar e produzir as provas que demonstrassem a subsistência dos pressupostos legais com base nos quais o ato foi emanado. O Relatório Fiscal de fls. 43, registra claramente os fatos geradores na medida em que informa que o lançamento decorreu de valores apurados na contabilidade da empresa, nas seguintes contas de despesa: “4. DOS FATOS GERADORES Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, os valores pagos em pecúnia a título de ValeTransporte, Vale Alimentação e fornecimento de Cesta Básica presentes nos lançamentos contábeis da empresa. 4.1.1.04.00016 — Cesta básica 4.1.1.04.00007 — Despesas valetransporte 4.1.1.04.00008 — Despesas c/ refeição funcion. 462.0666 — Despesas com alimentação 462.0313 — Valetransporte 54210 — Despesas com cesta básica 10 51208 Despesas com ticket refeição 51207 — Despesas com valetransporte” Complementando o acima, às fls. 31/33 se registram, pormenorizadamente, os fundamentos legais reclamados. Assim, restam impertinentes as alegações da recorrente Aduz que a empresa não contestou em sede de impugnação e nem em grau de recurso, os registros dos valores por ela mesma informados em sua contabilidade. Desse modo, desviando o foco e aludindo de forma improcedente a ausência do fatos geradores, evitando combater o principal e não contestando o Relatório Fiscal no que concerne aos aspectos supra elencados tomados como base do lançamento dos DISCRIMINATIVOS ANALÍTICOS DE DÉBITOS – DAD’s, fls.04/15, implica constatar que se trata o presente recurso de instrumento procrastinatório. Mantendo a estratégia traçada a Recorrente passa a questionar a constitucionalidade da utilização dos valores lançados sob as rubricas SAT e terceiros alegando não ser cabível cobrar as contribuições destinadas ao VALEALIMENTAÇÃO, SALÁRIO EDUCAÇÃO, ao INCRA, que também é descabida a cobrança de contribuições para SEST, SENAT e SEBRAE. Cumpre ressaltar que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO – SAT Conforme Relatório Fiscal de fls. 43,item 1.2, não contestado : “1.2 O objetivo da empresa, conforme contrato social é a exploração do ramo de comercio varejista de derivados de petróleo, óleos combustíveis, produtos de mini mercado, cigarros, bebidas em geral, lavagem e estadia de autos.” Pesquisa no sitio da Receita Federa do Brasil, página, http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/CNPJ, revela que o código e descrição da atividade da empresa em tela é : CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 47.31800 Comércio varejista de combustíveis para veículos automotores CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 45.20005 Serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 202 11 52.23100 Estacionamento de veículos A notificação é datada de 26/11/2007. Nesta ocasião na forma da legislação vigente, o enquadramento no SAT ocorria observandose o anexo I do ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e o ANEXO V do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 que determinava, segundo o objeto da empresa, qual o CNAE bem como qual a alíquota se aplicaria como grau de risco para aquela atividade desenvolvida. Na forma do acima, a legislação, no capítulo RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTE GRAU DE RISCO, determinava que para a atividade “ COMÉRCIO A VAREJO DE COMBUSTÍVEIS” atividade desenvolvida pela recorrente o código seria 50.504 com grau de risco 3. Assim a determinação do grau de risco e a cobrança do tributo é legal e não se trata de ato discricionário produzido pelo Auditor Fiscal agente da Ação fiscal pois não fora praticado com liberdade de escolha de seu conteúdo, do seu destinatário, da conveniência, da oportunidade ou da forma de sua realização. A contribuição patronal destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT tem previsão no art. 22, II, da Lei 8.212/91: “II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave.” O Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, I; art. 5º, II ; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. 12 Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido”. (RE 343.4462/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) DO SESC / SENAC Embora a Impugnante refirase aos Terceiros SEST E SENAT, a jurisprudência que traz à colação em sua defesa trata de SESC e SENAC, contribuições estas efetivamente lançadas na presente NFLD. As contribuições devidas ao SESC/SENAC tem suporte no art. 3.° e seu parágrafo 1.°,do DecretoLei n.° 9.853, de 13 de setembro de 1946, alterado pelo art. 23 da Lei n.° 5.107, de 13 de setembro de 1966, que rezam, respectivamente: DecretoLei n.° 9.853/46 Art. 3.° Os estabelecimentos comerciais enquadrados nas entidades sindicais subordinadas à Confederação Nacional do Comércio (art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho aprovada pelo DecretoLei n.° 5.452 de I.° de Maio de 1943), e os demais empregadores que possuam empregados segurados no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social do Comércio, para custeio dos seus encargos. § I.° A contribuição referida neste artigo será de 2% (dois por cento) sobre o montante da remuneração paga aos empregados. Servirá de base ao pagamento da contribuição a importância sobre a qual deva ser calculada a quota de previdência pertinente à instituição de aposentadoria e pensões à qual esteja filiadaLei n.° 5.107/66 (.) Art. 23. Fica reduzida para 1,5% (um e meio por cento) a contribuição devida pelas empresas ao Serviço Social do Comércio e ao Serviço Social da Indústria e dispensadas estas Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 203 13 entidades da subscrição compulsória a que aluda o art. 21 da Lei n.° 4.380, de 21 de agosto de 1964.” A Impugnante é estabelecimento comercial enquadrado em entidade sindical subordinada à Confederação Nacional do Comércio, nos termos do art. 577 da CLT e, portanto, não paira dúvida sobre o fato de ser sujeito passivo das contribuições destinadas ao SESC/SENAC. SEBRAE Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. No mesmo sentido, entende o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005 : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 14 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Relevante registrar, também, o contido na ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) INCRA Quanto à improcedência de contribuição ao INCRA, o Supremo Tribunal Federal entende ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches). Tanto o Superior Tribunal de Justiça, quanto o Supremo Tribunal Federal têm entendimento consolidados: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 204 15 INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). DO PAGAMENTO DE ALIMENTAÇÃO /CESTA BÁSICA Analisei os argumentos de primeira instância e considerei irretocáveis. Neste sentido não há motivo para proferir nova decisão com argumentos idênticos. Portanto os reitero: Em que pese o entendimento contrário da notificada, o fornecimento de alimentação aos empregados da empresa, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), constitui fato gerador de contribuição previdenciária. O artigo 28, I, da Lei n°8.212/91 dispõe que: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; O art. 28, §9°, "c", da Lei n° 8.212/91 e art. 214, §9°, III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, apresentam rol exaustivo de parcelas da remuneração 16 que não integram o saláriodecontribuição para efeitos de contribuição para a Seguridade Social: Art. 28. (..) . § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, . exclusivamente: (...) c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; Art. 214. (...) §9°, Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) IIIa parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei re 6.321, de 14 de abril de 1976; A Lei n°6.321/76, por sua vez, estabelece sobre o assunto: Art. 1° As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do Imposto sobre a Renda, dobro das despesas comprovadamente realizadas no períodobase, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o Regulamento desta Lei. (...) Art. 3° Não se inclui colho salário de contribuição a parcela paga in natura pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho O Decreto n° 5, de 14/01/91, que regulamenta a Lei n.° 6.321/76, assim determina: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da alíquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 205 17 (...) § 4.° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 6° Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga in natura pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifouse) No caso em tela, a Fiscalização verificou que a empresa efetuou despesas com alimentação de seus empregados sem, no entanto, estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Considerando que o fornecimento de alimentação foi feito em desacordo com a legislação, este deve ser compreendido no conceito de remuneração, por força de lei, devendo sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Neste sentido é o pensamento do Superior Tribunal de Justiça, conforme acórdão a seguir transcrito: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCLÁRIA. EMPREGADORNÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AOTRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTEDE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃOINCIDÊNCIA.TAXA SELIC. I. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos beneficias fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário natura, e, por isso, Como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacifico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legitima a incidência, tanto na cobrança de divida fiscal, quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 18 4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 476194 / PR ; RECURSO ESPECIAL 2002/01454530 DJ 23.08.2004 p.00121TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRM AUXILIO ALIMENTAÇÃO PAGO MEDIANTE VALEREFEIÇÃO. ENUNCIADO IV.° 241/TST. I. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PA T, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. 2. Ao revés, quando o auxilio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes da Primeira Seção. 3. Integrando o valerefeição a remuneração do empregado, e não estando a empresa contribuinte inscrita no PAT, o auxilio alimentação passa a compor a base de cálculo da aludida contribuição dado o caráter salarial da ajuda. Inteligência do Enunciado n. 24 I/TST. 4. Recurso especial improvido. (REsp 826173 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2006/00492607; Segunda Turma, Relator Ministro Castro Meira; DJ 19.05.2006, p. 207) A Impugnante alega que "(...) constituise em verdadeira ajuda de custo, que, por não exceder cinqüenta por cento do salário do empregado, não o integra, nos termos do artigo 457, §2° da CLT." Ressaltese que existe uma confusão entre o beneficio em comento, ajuda de custo e o pagamento de diárias para viagem, ao qual se aplica o raciocínio exposto na impugnação, conforme dispõe o art. 28, §9°, alínea "h", da Lei n.° 8.212/91.” DO PAGAMENTO DE TRANSPORTE O art. 28, §9°, ,f, da Lei n°8.212/91, estabelece que não integram o salário decontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria. De acordo com as informações constantes do Relatório Fiscal o contribuinte pagou, em dinheiro, o valor relativo a transporte. O valetransporte é beneficio instituído pela Lei n° 7.418/85, regulamentado pelo Decreto n°95.247/87, sendo devido a todo empregado que utilizar transporte público no deslocamento residênciatrabalho e viceversa. Referida legislação dispõe: Lei n°7.418/85 Art. 3" O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 206 19 a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou, de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Art. 4°0 Sem prejuízo da dedução como despesa operacional, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente à aplicação da ai (quota cabível do imposto de renda sobre o valor das despesas comprovadamente realizadas, no períodobase, na concessão do ValeTransporte, na forma em que dispuser o regulamento desta Art. 5° A concessão do beneficio ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValeTransporte necessário aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar Parágrafo único. O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Decreto n°95.247/87 Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento,ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Art. 9°. 0 ValeTransporte será custeado: 1 pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder a parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente do beneficiário que exercer o respectivo direito, ó valor da parcela de que trata o item 1deste artigo. Art. 10. O valor da parcela a ser suportada pelo beneficiário será descontada proporcionalmente a quantidade de Vale Transporte concedida para o período a que se refere o salário 20 ou vencimento e por ocasião de seu pagamento, salvo estipulação em contrário, em convenção ou acordo coletivo de trabalho, que favoreça o beneficiário. Art. 11. No caso em que a despesa com o deslocamento do beneficiário for inferior a 6% (seis por cento) do salário básico ou vencimento, o empregador poderá optar pelo recebimento antecipado do ValeTransporte, cujo valor será integralmente descontado por ocasião do pagamento do respectivo salário ou vencimento.(grifouse) O texto legal não deixa dúvidas: o valetransporte, quando concedido nas condições e limites definidos na lei, possui natureza indenizatória, não incorporando a remuneração para quaisquer efeitos. Observar as condições e limites definidos em lei significa dizer que o vale transporte deverá ser fornecido em vale, "ticket" ou bilhete, devendo ser custeado em parte pelo empregado, mediante o desconto de 6% de seu salário. O pagamento do valetransporte em espécie é vedado pelo Decreto 95.247/87, que, em seu art. 5°, prevê a impossibilidade de concessão do beneficio em dinheiro, salvo na hipótese de falta ou insuficiência dos respectivos vales, o que não se aplica ao presente caso. Desse modo, a inobservância da legislação especifica transforma o pagamento do valetransporte em dinheiro em verba salarial que se incorpora à remuneração do empregado para todos os fins e efeitos. Ocorre que o Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II observa que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifo nosso) Compulsado pelo Regimento supra, destaco o RE 478.410/SP, de relatoria do Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, que em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 207 21 dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição em sua totalidade normativa: “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário, vencidos os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente, a Dra. Maria Leonor Vieira e, pelo recorrido, o Dr. Bruno de Medeiros Arcoverde, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 10.03.2010. ” 22 Em que pese haver a distribuição de Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário 478.410/SP, pendente de julgamento, não há como deixar de observar que houve uma decisão plenária do STF nesta questão Assim, como a decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se vincula ao disposto no Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, temos então que no presente processo, o lançamento dos créditos das parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de valetransporte não têm natureza salarial. DOS JUROS TAXA SELIC A questão encontrase pacificada com a edição da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Tudo isto visto, resulta que não assiste razão à recorrente na total abrangência de suas alegações. DO MÉRITO DA MULTA Consta registrado no Relatório dos Fundamentos Legais, às fls.33., na rubrica “ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA” que o cálculo do valor da multa moratória obedecera ao previsto no artigo 35,I, II e III da Lei 8.212/91, na redação dada pela lei n° 9.876, de 26/11/99. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Processo nº 18108.001296/200728 Acórdão n.º 2403000.797 S2C4T3 Fl. 208 23 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso para no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o cancelamento dos lançamentos de créditos referentes aos valores pagos pela Recorrente, em pecúnia, a título de vales transportes, bem como o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. 24 Ivacir Júlio de Souza
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