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Numero do processo: 10680.017864/2003-63
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
EXERCÍCIO: 1999
IRPF - APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001
Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311/1996,
a Lei n° 10.174/2001, apenas ampliou os poderes de investigação
do Fisco, o que a toma aplicável retroativamente, por força do
que dispõe o § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional.
Precedentes do STJ, dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara
Superior de Recursos Fiscais.
IRPF - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito a lançamento
por homologação, portanto, com prazo decadencial de cinco anos
contado do fato gerador. No caso da presunção de omissão de
rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem
comprovada, considera-se que o fato gerador ocorre em 31 de
dezembro de cada ano-calendário.
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. COMPROVAÇÃO DE VALORES.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da
Lei n° 9.430/1996, autoriza o lançamento com base em depósitos
bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O
ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte e a ele cabe a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Preliminar afastada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 192-00.192
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso os termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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MINISTÉRIO DA FAZENDA t. a PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 41,,L4e49, SEGUNDA TURMA ESPECIAL Processo n° 10680.017864/2003-63 Recurso n° 156.446 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 1999 Acórdão n° 192-00.192 . Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente WALCIR ESTEVES BESSA JUNIOR Recorrida 5' TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF EXERCÍCIO: 1999 IRPF - APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001 Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311/1996, a Lei n° 10.174/2001, apenas ampliou os poderes de investigação do Fisco, o que a toma aplicável retroativamente, por força do que dispõe o § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ, dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. IRPF - DECADÊNCIA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto, com prazo decadencial de cinco anos contado do fato gerador. No caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, considera-se que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. COMPROVAÇÃO DE VALORES. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte e a ele cabe a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Preliminar afastada. Recurso negado. 0(b.f n Pretas° ft° 10680.017864/2003-63 CC01/1-92 Acórdão rt.• t9240.192 Fls. 328 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurs. os termos do voto do Relator. 11 I fit, E NA &t PESSOA MONTEIRO Pr , ident SIDNEY F0RIjARaos Relator FORMALIZADO EM: 24' 2l1.; Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURÍCIO CARVALHO e SANDRO MACHADO DOS REIS. 2 Processo n° 10680.0178642003-63 C071 /T92 Acórdão n.* 192-00.192 Fls. 329 Relatório • Com a finalidade de descrever os fatos sob foco neste processo, até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 277 a 289 da instância a quo, in verbis: "Contra o contribuinte precitado foi lavrado o Auto de Infração às fls. 5 a 9, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, ano-calendário 1998, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de RS 36.286,53, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até outubro de 2003. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores creditados em contas bancárias de titularidade do interessado, uma vez que a origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea (Termo de Verificação Fiscal às fls. 10 a 20 e documentos nele mencionados). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 21 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997. Cientificado em 05/12/2003 (fls. 5 e 236), em 05/01/2004, o contribuinte, por meio de representante (procuração à fl. 260), apresenta a impugnação às fls. 242 a 259, alegando, em síntese, que: A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços e a realidade dos fatos. O total das obras atinge o valor de R$ 100.337,16. Desse modo, os valores apurados às fls. 19 e 20 (base de cálculo: R$ 137.961,07) estão incorretos, na medida em que foi ignorado o fato de, dos valores que foram movimentados, apenas R$ 9.268,00 representam receita tributável, a qual já havia sido declarada; Na pior das hipóteses, considerando a comprovação apenas parcial dos créditos oriundos da execução dos contratos, a base de cálculo seria de R$ 37.623,91 (137.961,07— 100.337,16) e não o valor de R$ 137.961,07; Não foram consideradas deduções consignadas peto contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual; A fiscalização deveria ter observado que os fatos geradores são mensais, razão pela qual o lançamento é nulo; A utilização de informações bancárias para efetuar o lançamento relativo a fatos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei n° 10.174, de 2001, também ensejou a nulidade da exigência; Ocorreu a decadência do direito de lançar, vez que a ciência do lançamento ocorreu em 05/12/2003 e os fatos apontados remetem ao período de janeiro a novembro de 1998; Os contratos particulares apresentados devem ser aceitos pelo fisco, consoante jurisprudência administrativa. O registro em cartório não é da substância dessa modalidade de negócio jurídico. 3 • Processo 10680.017864/2003-63 C14, Acórdão n." 192-00.192 ris. 330 Ao longo da impugnação, cita doutrina e jurisprudência que entende vir ao encontro de seus argumentos e, final, postula a nulidade ou, sucessivamente, a redução da exigência." Às fls. 293/309 se vê o recurso voluntário, que reprisa as razões da inicial, e sublinha que a fitndamentação legal do acórdão recorrido (art. 1.067 do CC/1916) é equivocada, eis que pertinente ao instituto da cessão de crédito. É o relatório. Processo n" 10680.017864/2003-63 Acórdão n.° 192-00.192 Fls. 331 Voto Conselheiro SIDNEY FERRO BARROS, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Diz o § 1° do ad. 144 do CTN: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.] § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Alinho-me à tese tantas vezes expendida nesta Corte de que, ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311/1996, a Lei n° 10.174, de 2001, apenas ampliou os poderes de investigação do Fisco. Por isso, aplicável sua regra retroativamente, justamente por força do que dispõe o § I° do art. 144 do Código Tributário Nacional acima transcrito. Assim, não vejo a nulidade que pede o Recorrente, não obstante reconheça que há ponderáveis opiniões em outra linha. Também não acolho a preliminar de decadência. É cediço que o Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, com prazo decadencial para a constituição de créditos tributários de cinco anos contados do fato gerador. Segundo o entendimento majoritário desta Casa, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada o fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do art. 150, § 4°; e do art. 156, V, ambos do CTN. Ora, as exigências formuladas neste processo reportam-se a depósitos bancários efetivados nos meses de janeiro a dezembro de 1998 — portanto, na linha acima explanada, deve-se tomar como ocorrido o fato gerador em 31.12.1998. Considerada a ciência do Auto de Infração em 05.12.2003 (fl. 05), a preliminar de decadência não subsiste. Isto afaste transversamente, a alegação de que a fiscalização deveria ter observado que os fatos gerador são mensais. Os depósitos bancários foram, sim, apurados mês a mês. A apuração aru decorre de o fato gerador do Imposto de Renda ser do tipo complexivo — tanto assim é existem deduções que só são admitidas no ajuste anual. Pmcesso n° 10680.017864/2003-63 CC01/742 Acórdão n.° 192-00.192 Fls. 332 Quanto aos contratos de fls. 92 a 126: não me prendo ao formalismo do documento como um fim em si mesmo. O que busco na verificação da prova é o convencimento de que ela é servivel para elidir a imposição que o Fisco faz contra o contribuinte. Ora, o TVF (fls. 18/19) esclarece que, diante da prova apresentada, o agente da fiscalização buscou verificar sua veracidade, sem obter nada de significativo que militasse em favor do então fiscalizado. Conseqüentemente, cabia a este, em sua impugnação ou mesmo na fase recursal, trazer elementos que materialmente vinculassem os depósitos bancários não identificados aos contratos sob análise, o que não fez. Não é razoável que o contribuinte entenda que, ao juntar aos autos documentos sem nenhuma formalidade, estes sejam aceitos automaticamente, sem que nenhum esforço de convencimento dos julgadores se faça. Concordo inteiramente com a decisão recorrida quando, no voto condutor, se diz que: "Não obstante, ainda que essa exigência tivesse sido observada, e os contratos particulares às fls. 92 a 126, relacionados às fls. 14 e 15, estivessem providos das formalidades legais, não sendo passíveis de confecção a qualquer tempo, o que no caso não se verifica, não se poderia automaticamente presumir que os valores relativos aos contratos particulares foram auferidos, transitaram de fato pelas contas mantidas junto às instituições financeiras pelo interessado no período objeto da autuação e justificariam os depósitos bancários. Outros elementos seriam necessários para comprovar a transferência de numerário, isto é, os créditos dos valores correspondentes às operações nas contas indicadas, no período indicado, e o repasse dos recursos a quem de direito. Entretanto, não foi apresentado, nem durante o procedimento fiscal, tampouco por ocasião da impugnação, nenhum documento capaz de esclarecer a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias no período do lançamento." Não é demais lembrar que estamos diante de uma presunção juris tantum, passível de confrontação com fatos concretos que a elimine. Se o interessado não faz a prova — entendida como tal, in casu, meramente a identificação dos depósitos bancários, no todo ou em parte, não há como afastar a tributação. Também não há que se falar em deduções consignadas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, eis que estas foram utilizadas na determinação da base de cálculo dos valores então declarados e, assim, não podem ser reaproveitadas agora. Assim, NEGO provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das essões- 1 F, em 03 de fevereiro de 2009. SIDNEY RR• • RROS 6 Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13982.720796/2013-89
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
DECLARAÇÃO DE AJUSTE DA PESSOA FÍSICA. LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA.
O contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício dessa atividade as despesas escrituradas no livro-caixa. Incabível a dedução de despesas pela pessoa física quando estão vinculadas à receita obtida por empresa individual equiparada à pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2003-005.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, Cleber Ferreira Nunes Leite.
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DECLARAÇÃO DE AJUSTE DA PESSOA FÍSICA. LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. O contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício dessa atividade as despesas escrituradas no livro-caixa. Incabível a dedução de despesas pela pessoa física quando estão vinculadas à receita obtida por empresa individual equiparada à pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, Cleber Ferreira Nunes Leite.
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LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. O contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício dessa atividade as despesas escrituradas no livro-caixa. Incabível a dedução de despesas pela pessoa física quando estão vinculadas à receita obtida por empresa individual equiparada à pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima – Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, Cleber Ferreira Nunes Leite. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 07 96 /2 01 3- 89 Fl. 367DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.977 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13982.720796/2013-89 Contra o sujeito passivo acima identificado foi expedida notificação de lançamento referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, ano-calendário 2008, formalizando a exigência de crédito tributário de R$ 14.293,27, atualizado até 31/01/2012. As infrações apuradas foram: - Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física – Dimob, no valor de R$ 1.207,00; - Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa, no valor de R$ 28.739,63. Cientificada do lançamento a autuada apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL. A SRL foi analisada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joacaba e indeferida. A motivação do indeferimento exposta no documento foi: “A contribuinte não instruiu sua Solicitação de Retificação de Lançamento com documentos comprobatórios de que exercia, no ano-calendário de 2008, atividade não assalariada. Na SRL a contriuinte questionou somente a glosa da dedução com Livro Caixa.” Cientificado do resultado da SRL, o autuada apresentou impugnação. Em síntese alegou: É resumidamente o relatório. A decisão de piso foi parcialmente favorável à pretensão impugnatória, reduzindo a exigência de imposto suplementar ao valor de R$ 6.737,31, sobre o qual incidem multa de ofício e juros de mora (fls. 339 e ss.): - Da Infração Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física – Dimob. (R$ 1.207,00) Alegou a autuada que o valor dos rendimentos de aluguéis apontado na infração foi declarado como recebido de pessoa jurídica. Confrontando-se as informações constantes na Dimob entregue por Guerreiro Imóveis Ltda com as prestadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, constata- se, de fato, que não houve a omissão de rendimentos apontada na notificação de lançamento, mas sim erro no preenchimento da DAA. Portanto, assiste razão à impugnante: a infração apurada na notificação de lançamento não ocorreu. Cientificado da decisão de primeira instância em 08/12/2020, o sujeito passivo interpôs, em 07/01/2021, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: Fl. 368DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.977 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13982.720796/2013-89 a) os rendimentos em questão são de trabalho não assalariado, sendo que os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual 2009 pela recorrente, decorreram ou do trabalho assalariado (INSS), ou de aluguel de imóvel (Guerreiro Imóveis Ltda.), ou de pró-labore de Microempresário Individual (Luiza Arend), nos termos dos incisos I e II do §2º do art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99); b) não fica caracterizada a existência da pessoa jurídica, para os efeitos do imposto de renda , quando o prestador do serviço contrata apenas auxiliares para colaborarem na execução dos trabalhos; c) pedido de diligência para adequada conferência dos documentos apresentados pela recorrente e/ou de outros que entender-se necessários. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a possibilidade de dedução de despesas do livro caixa por rendimentos de atividade contábil. O artigo 6° da Lei n° 8.134/90 autoriza que o profissional contábil autônomo possa deduzir despesas de sua atividade profissional pelo livro caixa: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I – a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II – os emolumentos pagos a terceiros; III – as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de caixeiros-viajantes, quando correrem por conta destes; a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. Fl. 369DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.977 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13982.720796/2013-89 § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano-base, não será transposto para o ano seguinte. § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991. A pessoa física que recebe rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício dessa atividade as despesas escrituradas no livro-caixa (art. 6º, da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990). Em contrapartida, é inadmissível a dedução de despesas como trabalho não assalariado quando os dispêndios mantêm vinculação com receitas obtidas por pessoa física caracterizada como empresa individual equiparada à pessoa jurídica. O empresário individual equiparado à pessoa jurídica deve cumprir a legislação tributária aplicável a estas últimas, sobretudo critérios de apuração de receitas, despesas e lucros, escrituração contábil e obrigações acessórias (art. 150, § 1º, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época dos fatos). Há prova nos autos de que a pessoa física exerce a atividade de empresário, como se observa nas notas fiscais emitidas em nome individual, explorando habitual e profissionalmente atividade econômica com o fim de lucro, mediante a venda de serviços a terceiros, ou seja, equiparando-se à pessoa jurídica. Por outro lado, não há provas nos autos para se contrapor a conclusão em referência. Da mesma forma, com a intenção de esquivar-se do ônus probatório, o apelo recursal pretende a transferência da produção da prova para a administração tributária, a partir do pleito de requerer diligência para análise dos documentos apresentados pela recorrente, o que, a toda a evidência, não pode ser admitido. Aliás, a perícia ou a diligência não se destina a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. Igualmente prescindível a realização de diligência para elucidação dos fatos, eis que estão plenamente determinados com base na documentação que instrui os autos. Em suma, o conjunto probatório dos autos não deixa dúvidas da higidez do lançamento fiscal, tornando-se despicienda a diligência ora requerida. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa, no valor de (R$ 28.739,63). A motivação da infração, conforme descrito na notificação de lançamento, foi a contribuinte ter declarado despesas escrituradas em Livro-Caixa em valor superior ao total dos rendimentos declarados que permitiam a dedução. Fl. 370DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.977 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13982.720796/2013-89 Consoante artigos 75 e 76 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o profissional que recebeu em 2008 rendimentos do trabalho não assalariado podia deduzir na Declaração de Ajusta Anual 2009, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio pagas escrituradas em livro Caixas, necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. No caso em tela, analisando-se a documentação trazida na impugnação e mais as informações disponíveis nas DIRFs entregues à Receita Federal do Brasil, constata-se que os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual 2009 decorreram ou do trabalho assalariado (INSS), ou de aluguel de imóvel (Guerreiro Imóveis Ltda), ou de pró-labore de Microempresário Individual (Luiza Arend). Portanto, conforme legislação há pouco exposta, não era permitido qualquer dedução a título de despesas escrituradas em Livro-Caixa. Logo, a infração apurada na notificação de lançamento foi mesmo cometida. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 371DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10920.901524/2014-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3301-013.255
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.254, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10920.901523/2014-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Wagner Mota Momesso de Oliveira (Suplente Convocado) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (Suplente Convocada).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.254, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10920.901523/2014-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Wagner Mota Momesso de Oliveira (Suplente Convocado) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (Suplente Convocada).
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CRÉDITOS RESSARCÍVEIS. O saldo credor de IPI passível de ressarcimento está definido em texto legal (Artigo 11 da Lei nº 9.779/1997 e decorre da apuração de créditos oriundos da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização. Não havendo processo de industrialização, deixa o saldo credor de preencher requisito para ser considerado ressarcível, podendo ser utilizado apenas passa dedução do saldo devedor eventualmente apurado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERIFICAÇÃO FISCAL. GLOSAS. São válidas as glosas efetivadas por autoridade fiscal, em verificação de pedido de ressarcimento de crédito do IPI , quando constata que os créditos pleiteados não são ressarcíveis. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.254, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10920.901523/2014-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente), Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Wagner Mota Momesso de Oliveira (Suplente Convocado) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (Suplente Convocada). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 15 24 /2 01 4- 03 Fl. 727DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. A empresa em epígrafe apresentou pedido(s) de ressarcimento de saldo credor de IPI, formalizados através dos PERDCOMP(s). Para análise do pleito, instaurou-se procedimento fiscal, que identificou divergência entre o batimento entre os créditos informados nos PERDCOMP(s) e as totalizações do RAIPI. Da análise do pleito resultou Despacho Decisório, constante nos autos, que indeferiu integralmente o direito creditório pleiteado, deixando de homologar as compensações declaradas a ele vinculadas. Cientificado do Despacho Decisório, a Manifestação de Inconformidade foi protocolizada, na qual o contribuinte apresenta, em síntese, as seguintes alegações: I - PRELIMINARMENTE: CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (...) II - PRELIMINARMENTE: DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO (PER) E SUAS RESPECTIVAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO (DCOMP) (...) III - Dos FATOS: (...) Restou esclarecido ainda, na mesma peça à época, que em relação aos processo produtivos, que embora em outro momento possa a vir efetuar processo produtivo, a unidade ora fiscalizada, doravante aqui denominada UNIDADE JOINVILLE, devido a sua localização próxima a rodovia BR-101, atua como principal centro de apoio logístico dos demais estabelecimentos, efetuando a compra de matéria prima e material intermediário e a venda de produtos acabados. Outra razão esclarecedora, no que diz respeito à aquisição de matéria prima na referida UNIDADE JOINVILLE, insurgem-se em quesitos comerciais e tributários de esfera estadual (...) IV - DA VALIDADE E EXISTÊNCIA DO CRÉDITO: Ora, uma vez que a manifestante EFETIVAMENTE utiliza os insumos adquiridos em processos de industrialização, pois remete os mesmos a estabelecimento da mesma (Matriz), para esse fim, o primeiro e o segundo requisitos mostram-se cumpridos. Ainda, como se não bastasse, 100% (cem por cento) desse crédito pleiteado pela contribuinte, deriva da aquisição de bobinas de aço EXCLUSIVAS para aplicação em processo de industrialização dos produtos que fabrica para venda, tendo em vista que a atividade da empresa, muito menos da filial [UNIDADE JOINVILLE], NÃO envolve venda de bobinas de aço ao comércio, mas sim UNICAMENTE TRANSFERÊNCIA destas às indústrias pertencentes aos estabelecimentos da mesma Pessoa Jurídica para fabricação de produtos que posteriormente serão vendidos tanto pela matriz como pelas filiais. O terceiro e último requisito, apresenta-se no fato onde a contribuinte transfere os insumos adquiridos para os estabelecimentos industriais da mesma Pessoa Jurídica, com fim específico de industrialização, mas promove essa remessa (transferência), SEM DESTAQUE DO IPI, até mesmo porque a legislação permite a operação sem destaque do imposto (suspensão): (...) V - DA POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO, DO ERRO SUBSTANCIAL E DA RETIFICAÇÃO DA DCOMP: (...) Fl. 728DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 O texto §2° do art. 21 do RIPI é esclarecedor ao dispor que o ESTABELECIMENTO MATRIZ DA PESSOA JURÍDICA poderá requerer o ressarcimento em nome do estabelecimento que apurou, demonstrando de forma inequívoca que o procedimento quanto ao pedido de restituição/ressarcimento poderá ser feito tanto pelo estabelecimento que apurou (filial) como pelo estabelecimento matriz, em suma, a restituição/ressarcimento se dá na pessoa jurídica do contribuinte tanto para fins da compensação de ofício como no pedido de compensação do contribuinte. (...) Como se constata, houve um pequeno equívoco no preenchimento da DCOMP. especificamente em uma linha da ficha de ressarcimento - Páq. [...], onde deveria ser informado que o estabelecimento gerador do crédito não era matriz e sim filial. (...) VI - Da Não Ocorrência de Dano Ao Erário Federal: (...) VII – Da Possibilidade de Compensação (...) VIII – Do Direito (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao analisar tais razões de defesa, proferiu acórdão assim ementado : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. GLOSAS. O saldo credor de IPI passível de ressarcimento decorre da apuração de créditos oriundos da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização. Não havendo processo de industrialização, deve-se ratificar as glosas de créditos efetuadas em procedimento fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ainda inconformada, a ora recorrente apresentou recurso voluntário a este CARF, repisando as alegações trazidas em sede de manifestação de inconformidade, no seguinte formato : -DA DECISÃO A QUO (DRJ) - PRELIMINARMENTE – DA REUNIÃO E APRECIAÇÃO CONJUNTA DOS PROCESSOS: - PRELIMINARMENTE: DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO (PER) E SUAS RESPECTIVAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO (DCOMP): - DOS FATOS - DA VALIDADE E EXISTÊNCIA DO CRÉDITO: - DA POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO, DO ERRO SUBSTANCIAL E DA RETIFICAÇÃO DA DCOMP - DO DIREITO DE COMPENSAÇÃO - DO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ: - NÃO EXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO PÚBLICO - DA VERDADE MATERIAL -DA JUNTADA DE PROVAS EM RECURSO - DA DILIGÊNCIA E PERÍCIA: -DOS PEDIDOS: É o que bastava relatar. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 729DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 O recurso voluntário interposto atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF, portanto, deve ser aceito. PRELIMINAR DA REUNIÃO E APRECIAÇÃO CONJUNTA DOS PROCESSOS Solicita a recorrente que os seguintes processos sejam analisados conjuntamente por este CARF : Esclarecemos que os presentes autos (10920.901523/2014-51) se encontram classificado como paradigma dos outros três processos administrativos citados, em julgamento na mesma sessão, significando que a decisão adotada para estes autos será reproduzida nos outros três processo administrativos. MÉRITO Adotamos como razão de decidir, trecho do voto condutor do Acórdão DRJ, por sua didática : Antes de ingressar na análise do direito creditório, importante registrar que o IPI rege-se pelo princípio da não-cumulatividade, previsto constitucionalmente no art. 153, § 3º, II, da Carta Magna de 1988, normatizado por disposições constantes do art. 49 do Código Tributário Nacional, quando estabelece que referido imposto “será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. O estabelecimento industrial credita-se do IPI destacado das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados na industrialização, em razão de disposição normativa expressa no art. 1631 do RIPI/2002. Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, são deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as devidas deduções, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizá-los na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB, nos termos do art. 16, §2º2, da IN RFB nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época. Fl. 730DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 O cerne da questão é a definição se os créditos pleiteados são ressarcíveis ou não, para após esta definição, se analisarem as questões adjacentes trazidas pela recorrente, quais sejam o direito a utilização pela empresa como um todo ou pelo estabelecimento industrial isoladamente e o direito á retificação da DCOMP. A Secretaria da Receita Federal esclarece quais são os créditos ressarcíveis do IPI,na sua página na Internet (endereço eletrônico : https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao- tributaria/restituicao-ressarcimento-reembolso-e- compensacao/ressarcimento/ipi ) no seguinte tópico : Assuntos – Mais Orientações Tributárias – Restituição , Ressarcimento, Reembolso e Compensação – Ressarcimento – Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados : Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução, poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: 1. Créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363/1996, e na Lei nº 10.276/2001; 2. Créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134/1992; e 3. Créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/1989. Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante a utilização do Programa PER/DCOMP, bem como utilizá-los na compensação de débitos, relativos aos tributos ou contribuições administrados pela RFB. 1 2 Observações: 1) Os créditos de IPI transferidos só poderão ser utilizados para dedução de débitos do IPI. 2) No caso de ressarcimento o pedido deve ser formulado ao final de cada trimestre calendário. 3) São passíveis de ressarcimento: Fl. 731DF CARF MF Original https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/restituicao-ressarcimento-reembolso-e-compensacao/ressarcimento/ipi https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/restituicao-ressarcimento-reembolso-e-compensacao/ressarcimento/ipi https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/restituicao-ressarcimento-reembolso-e-compensacao/ressarcimento/ipi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9363.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9363.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10276.htm http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=14432 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/restituicao-ressarcimento-reembolso-e-compensacao/perdcomp Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 a) os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário; b) os créditos presumidos de IPI como ressarcimento da contribuição para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363/1996, e na Lei nº 10.276/2001. 4) Os créditos presumidos do IPI somente poderão ter seu ressarcimento ou compensação requerido à RFB, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestre-calendário de apuração ou do Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre- calendário de apuração, na hipótese de créditos referentes a períodos posteriores ao 3º trimestre-calendário de 2002. 5) Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre- calendário e ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre-calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. 6) É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente à pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. (grifos deste Relator) Em complemento, a Lei nº 9.779/1999, em seu artigo 11, estabelece a seguinte regra: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Os artigo73 e 74 da lei nº 9.430/1996, por sua vez, estão assim redigidos: Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 732DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9363.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9363.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10276.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art73 Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(grifos deste Relator) Portanto, existem requisitos para que os créditos do IPI possam ser utilizados em ressarcimento ou compensação. Para que um crédito do IPI seja ressarcível, este deve obedecer aos seguintes requisitos definidos em texto legal : sejam relativos a entradas de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário e que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Para que não reste dúvidas, a legislação referente ao IPI estabelece o que é industrialização , em seu Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010 : Art. 3 o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4 o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como : I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Deste modo, basta o crédito preencher tais requisitos para que seja ressarcível. No caso presente, de forma diligente e detalhada, a autoridade fiscal verificou se os créditos alegados preenchiam tais requisitos, verificando o Fl. 733DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 Livro RAIPI, os sistemas de registro disponíveis para a RFB e, ainda, efetivando visita técnica presencial ao estabelecimento da recorrente. As conclusões da autoridade fiscal foram detalhadas no Termo de Verificação e Encerramento do procedimento Fiscal, ás e-fls. 671/678 destes autos. As razões foram bem expostas pela autoridade fiscal e bem analisadas pelo I. Julgador da DRJ, como segue, que por si só já são bem esclarecedoras : Tuper S/A, estabelecimento 81.315.426/0024-22, tem como CNAE principal 4685- 1-00 Comércio atacadista de produtos siderúrgicos e metalúrgicos, exceto para construção. Como informou em resposta à intimação, "atua como principal centro de apoio logístico das demais unidades, efetuando a compra de matéria prima e material intermediário e a venda de produtos acabados". As aquisições efetuadas restringem-se a bobinas de aço classificadas nas posições 7208, 7209 e 7210 da NCM, com aliquota de In de 5% segundo a TIPI (Decreto n.° 7.660/2011). Cerca de 91% das saídas de produtos referem-se a transferências para outros estabelecimentos da mesma firma, efetuadas sob amparo da suspensão do imposto conforme art. 43, X, do RIPI/2010. Assim, o contribuinte sistematicamente acumulou saldos credores de 1PI, decorrente de entradas/aquisições com destaque do imposto e de saídas com suspensão, impondo-se a verificação de seus débitos e créditos escriturados para certificação do montante de créditos passíveis de ressarcimento. ............................................... Pai Vet ficação do c-reditamento efetuado pelo contribuinte, a auditoria baseou-se nas infonn2 prestadas nos PERDCOMPs citados (relação de notas fiscais de entrada e créditos compu,,, ' s e cada urna delas), nos Registros Fiscais da Apuração do IPI da EFD ICMS/TPI e nas not„, tis tis emitidas pelos fornecedores. O batimento entre os créditos informados nos PERDCOMPs e as totalizações do RAIPI trouxe divergência, abaixo demonstrada: Nos PERDCOMPs o contribuinte incluiu entre os créditos passíveis de ressarcimentol, no CFOP 1.120, quase a totalidade das entradas registradas no RAIPI sob CFOP 1.102, não passível de ressarcimento por não se enquadrar como MP, PI e ME, mas sim como bens para revenda. Só este fato daria azo á reclassificação de R$ 3.953.958,04 de passível para não passível de ressarcimento e conseqüente redução do direito creditório pleiteado nos PERDCOMPs. Entretanto, uma análise mais aprofundada das operações e procedimentos da empresa - contribuinte sob procedimento fiscal e os demais estabelecimentos da pessoa jurídica - tem resultado ainda mais gravoso. Fl. 734DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 Na visita técnica realizada no estabelecimento sob procedimento fiscal, acompanhada de representantes da empresa, notou-se claramente que nenhuma operação de industrialização (conforme conceitos do REPI/2010, art. 4.°) é realizada naquele local, basicamente um galpão em condomínio empresarial que, descontada a área administrativa/comercial, destina-se a estocar e movimentar perfis, chapas, tubos e telhas de aço produzidos por outros estabelecimentos da empresa, mormente os de CNPJ 81.315.426/0001-36, 81.315.426/0014-50 e 81.315.426/0027-75. Esta constatação é corroborada por diversos meios: o CNAE é de comércio atacadista; fora os 91% de transferências, outros 8% das saídas são vendas de mercadorias recebidas de terceiros. .............................................................. No Termo de Inicio solicitou-se que o contribuinte descrevesse os processos produtivos utilizados, ao que em resposta afirmou: "Em relação aos processos produtivos, se esclarece que embora em outro momento possa a vir efetuar processos produtivos, atualmente a unidade ora fiscalizada, aqui chamada Unidade Joinville, devido a sua localização próxima a rodovia BRIO], atua como principal centro de apoio logístico das demais unidades, efetuando a compra de matéria prima e material intermediário e a venda de produtos acabados. ................................................................... No caso da contribuinte, de todas as suas unidades apenas a unidade fiscalizada situada em Joinville/SC é que não possui o referido beneficio fiscal estadual, motivo pelo qual forçosamente realiza toda a compra de aço por esta unidade, transferindo na sequência para as outras unidades do grupo para transformação. Deste modo se esclarece que as operações são realizadas desta maneira por questões comerciais e tributárias estaduais. ..................................................................... O pode-se resumir o modus operandi da pessoa jurídica da seguinte forma: • concentra as compras de matérias-primas de todos os seus estabelecimentos industriais na Tuper Unidade Joinville (como a nomeia), ora sob fiscalização; • apesar de faturados contra a Tuper Unidade Joinville, estes insumos são diretamente enviados pelo fornecedor Arcelor Minai S.A. para aqueles estabelecimentos que efetivamente os utilizarão, passando apenas documentalmente pela fiscalizada, como se pode observar pelo CFOP 5.123 utilizado pelo fornecedor e o que consta no campo Local de Entrega das notas fiscais amostradas; • aqueles outros estabelecimentos da pessoa jurídica é que efetivamente fazem a industrialização dos insumos. Cerca de 8% dos bens produzidos são enviados à fiscalizada para comercialização, de resto são comercializados por aqueles estabelecimentos industrializadores. .................................................................. Assim, cabe a reclassificação total dos créditos apurados pelo contribuinte para não passíveis de ressarcimento, devendo os saldos credores apurados ser mantidos na escrita fiscal para futura utilização- em abatimento do IPI devido em suas próprias saídas. Fl. 735DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 O que se conclui de todas estas informações contidas no Relatório Fiscal, todas bem fundamentadas e ratificadas pela recorrente é que não se trata de estabelecimento industrial, a recorrente não efetua industrialização com os produtos adquiridos, pois tais servem como insumos para outros estabelecimentos da empresa e, desta forma, os créditos de IPI titularizados pela recorrente não são ressarcíveis, o que já é suficiente para o indeferimento do pedido de ressarcimento. A própria recorrente confirma que o estabelecimento em questão atua como mero “centro de apoio logístico dos demais estabelecimentos”, como se observa pelo trecho transcrito a seguir: (...) 100% (cem por cento) desse crédito pleiteado pela contribuinte, deriva da aquisição de bobinas de aço EXCLUSIVAS para aplicação em processo de industrialização dos produtos que fabrica para venda, tendo em vista que a atividade da empresa, muito menos da filial [UNIDADE JOINVILLE], NÃO envolve venda de bobinas de aço ao comércio, mas sim UNICAMENTE TRASNFERÊNCIA destas às indústrias pertencentes aos estabelecimentos da mesma Pessoa Jurídica para fabricação de produtos que posteriormente serão vendidos As outras questões adjacentes se tornam irrelevantes pois, em sendo os créditos não ressarcíveis, estes só podem ser utilizados como dedutores do IPI devido ao final do trimestre, no estabelecimento da recorrente ou em outros, desde que regularmente transferidos, nos moldes da legislação de regência do tributo. Conclui-se que os créditos ressarcíveis de IPI previstos no art. 11 da Lei 9.779/99 são apenas aqueles decorrentes da aquisição de insumos aplicados em industrialização pelo próprio estabelecimento contribuinte do IPI, não por outros contribuintes, ainda que estejam sob a mesma firma/pessoa jurídica, razão pela qual não prosperaram os argumentos apresentados pela recorrente. Por fim, as alegações de erro no preenchimento do PER/DCOMP – “onde deveria ser informado que o estabelecimento gerador do crédito não era matriz e sim filial” e que este poderia autorizar a retificação do PER/DCOMP, em função de ser este apenas um erro material,e de que não teria ocorrido dano ao erário federal também não procedem. A retificação de PER/DCOMP deve obedecer as regras estabelecidas pela RFB, por expressa autorização legal (e, portanto, a recorrente deve se socorrer nas regras estabelecidas pela RFB, amplamente divulgadas). Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 736DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.901524/2014-03 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 737DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16327.004024/2002-65
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999
Ementa: NULIDADE. PROVA ILÍCITA. REMESSA DOS EXTRATOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.
Não há quebra de sigilo bancário, nem ofensa aos princípios constitucionais, a transferência do sigilo à SRF, quebrado por ordem judicial provocada pelo Ministério Público Federal, que remete os extratos para análise e apuração de eventual cometimento de ilícito tributário, matéria de ordem pública, função atinente ao seu exercício, como custos legis e representante dos interesses do Estado.
NULIDADE. ANTERIOR LANÇAMENTO FISCAL. MESMO EXERCÍCIO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL DIVERSA.
Não é nula, ou improcedente, a autuação posterior no mesmo contribuinte, cujo período já fora objeto de fiscalização, quando realizada por determinação do Delegado da Receita Federal e a autoridade fiscal não incluir na base de cálculo a matéria tributável anteriormente considerada. Trata-se de complementação da exigência fiscal, lavrado o Auto de Infração complementar devido a fatos novos conhecidos após o término da ação fiscal anterior e que justificam o reexame do período.
DECADÊNCIA.
Para o exercício financeiro de 1997, ano-calendário de 1996, a opção do contribuinte pelo regime de apuração do lucro só se tornava definitiva quando da entrega da declaração, razão pela qual este é o termo de início para contagem do prazo decadencial. Observado pelo auditor fiscal o prazo qüinqüenal, não há que se falar em decadência do lançamento.
ARBITRAMENTO.
Na falta de escrituração da movimentação financeira praticada pela contribuinte e dos registros contábeis de apropriação das receitas, da não apresentação dos documentos contábeis e fiscais que fundamentam a contabilidade, ausência de assinatura dos responsáveis pelos Livros e ausência de registro do Livro Diário no órgão próprio, constata-se a hipótese descrita no inciso II do artigo 47 da Lei nº 8.981/95, legitimando o arbitramento do lucro.
FACTORING. ÍNDICES PUBLICADOS. ENTIDADE RECONHECIDA DA ATIVIDADE DA EMPRESA.
Regular o procedimento fiscal que aplicou os índices de fatores de compra mensais publicados pela ANFAC aos somatórios mensais dos créditos bancários espelhados nos extratos bancários de factoring, apurando a base de cálculo para arbitramento do lucro, antes da edição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL.
É regular o procedimento de fiscalização que, após solicitar a escrituração contábil do contribuinte, examina os extratos bancários para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
Numero da decisão: 191-00.030
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1) Pelo voto de qualidade,REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Roberto Armond Ferreira da Silva, que acolhia contando o prazo na forma do art. 150 do CTN; o conselheiro Antonio Praga acompanha a relatora pelas conclusões, contando o prazo decadencial na forma do art. 173 do CTN. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares. 3) No mérito, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANA BARROS FERNANDES
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: NULIDADE. PROVA ILÍCITA. REMESSA DOS EXTRATOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Não há quebra de sigilo bancário, nem ofensa aos princípios constitucionais, a transferência do sigilo à SRF, quebrado por ordem judicial provocada pelo Ministério Público Federal, que remete os extratos para análise e apuração de eventual cometimento de ilícito tributário, matéria de ordem pública, função atinente ao seu exercício, como custos legis e representante dos interesses do Estado. NULIDADE. ANTERIOR LANÇAMENTO FISCAL. MESMO EXERCÍCIO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL DIVERSA. Não é nula, ou improcedente, a autuação posterior no mesmo contribuinte, cujo período já fora objeto de fiscalização, quando realizada por determinação do Delegado da Receita Federal e a autoridade fiscal não incluir na base de cálculo a matéria tributável anteriormente considerada. Trata-se de complementação da exigência fiscal, lavrado o Auto de Infração complementar devido a fatos novos conhecidos após o término da ação fiscal anterior e que justificam o reexame do período. DECADÊNCIA. Para o exercício financeiro de 1997, ano-calendário de 1996, a opção do contribuinte pelo regime de apuração do lucro só se tornava definitiva quando da entrega da declaração, razão pela qual este é o termo de início para contagem do prazo decadencial. Observado pelo auditor fiscal o prazo qüinqüenal, não há que se falar em decadência do lançamento. ARBITRAMENTO. Na falta de escrituração da movimentação financeira praticada pela contribuinte e dos registros contábeis de apropriação das receitas, da não apresentação dos documentos contábeis e fiscais que fundamentam a contabilidade, ausência de assinatura dos responsáveis pelos Livros e ausência de registro do Livro Diário no órgão próprio, constata-se a hipótese descrita no inciso II do artigo 47 da Lei nº 8.981/95, legitimando o arbitramento do lucro. FACTORING. ÍNDICES PUBLICADOS. ENTIDADE RECONHECIDA DA ATIVIDADE DA EMPRESA. Regular o procedimento fiscal que aplicou os índices de fatores de compra mensais publicados pela ANFAC aos somatórios mensais dos créditos bancários espelhados nos extratos bancários de factoring, apurando a base de cálculo para arbitramento do lucro, antes da edição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL. É regular o procedimento de fiscalização que, após solicitar a escrituração contábil do contribuinte, examina os extratos bancários para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1) Pelo voto de qualidade,REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Roberto Armond Ferreira da Silva, que acolhia contando o prazo na forma do art. 150 do CTN; o conselheiro Antonio Praga acompanha a relatora pelas conclusões, contando o prazo decadencial na forma do art. 173 do CTN. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares. 3) No mérito, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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Recorrida 8a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: NULIDADE. PROVA ILÍCITA. REMESSA DOS EXTRATOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Não há quebra de sigilo bancário, nem ofensa aos princípios constitucionais, a transferência do sigilo à SRF, quebrado por ordem judicial provocada pelo Ministério Público Federal, que remete os extratos para análise e apuração de eventual cometimento de ilícito tributário, matéria de ordem pública, função atinente ao seu exercício, como custos legis e representante dos interesses do Estado. NULIDADE. ANTERIOR LANÇAMENTO FISCAL MESMO EXERCÍCIO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL DIVERSA. Não é nula, ou improcedente, a autuação posterior no mesmo contribuinte, cujo período já fora objeto de fiscalização, quando realizada por determinação do Delegado da Receita Federal e a autoridade fiscal não incluir na base de cálculo a matéria tributável anteriormente considerada. Trata-se de complementação da exigência fiscal, lavrado o Auto de Infração complementar devido a fatos novos conhecidos após o término da ação fiscal anterior e que justificam o reexame do período. DECADÊNCIA. Para o exercício financeiro de 1997, ano-calendário de 1996, a opção do contribuinte pelo regime de apuração do lucro só se tomava definitiva quando da entrega da declaração, razão pela qual este é o termo de início para contagem do prazo decadencial. Observado pelo auditor fiscal o prazo qüinqüenal, não há que se falar em decadência do lançamento. ARBITRAMENTO. • • " Processo n° 16327.004024/2002-65 CCO l/T9 I Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 695 Na falta de escrituração da movimentação financeira praticada pela contribuinte e dos registros contábeis de apropriação das receitas, da não apresentação dos documentos contábeis e fiscais que fundamentam a contabilidade, ausência de assinatura dos responsáveis pelos Livros e ausência de registro do Livro Diário no órgão próprio, constata-se a hipótese descrita no inciso II do artigo 47 da Lei n°8.981/95, legitimando o arbitramento do lucro FACTORING. ÍNDICES PUBLICADOS. ENTIDADE RECONHECIDA DA ATIVIDADE DA EMPRESA. Regular o procedimento fiscal que aplicou os índices de fatores de compra mensais publicados pela ANFAC aos somatórios mensais dos créditos bancários espelhados nos extratos bancários de factoring, apurando a base de cálculo para arbitramento do lucro, antes da edição do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL. É regular o procedimento de fiscalização que, após solicitar a escrituração contábil do contribuinte, examina os extratos bancários para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1) Pelo voto de qualidade,REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Roberto Armond Ferreira da Silva, que acolhia contando o prazo na forma do art. 150 do CTN; o conselheiro Antonio Praga acompanha a relatora pelas conclusões, contando o prazo decadencial na forma do art. 173 do CTN. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares. 3) No mérito, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 2 , Processo n° 16327.00402412002-65 CCOliT91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 696 /A/An0 PRA A Presidente Akt1:---)E BARROS FERNANDES Relatora FORMALIZADO EM: 20 0111 2006 • vaé Relatório A empresa foi autuada a recolher IRPJ e tributos reflexos — CSLL, PIS e COFINS -, relativos aos anos-calendários de 1996, 1997, 1998 e 1999. Da leitura do Termo Conclusivo de Ação Fiscal, parte integrante dos referidos Autos de Infração, constante às fls. 515 a 542 deste processo, verifica-se o que segue. A empresa para o ano-calendário de 1996 optou pelo Lucro Presumido para forma de apuração do IRPJ, nos anos-calendários de 1997 e 1998, apurou o IRPJ pelo Lucro Real e, no ano-calendário de 1999, entregou declaração como se estivesse "Inativa", apesar de estar em atividade. No procedimento fiscal verificou-se que a empresa já sofrera fiscalização, a qual abrangeu o período de 1994 a 1996, e fora autuada, formalizando-se o processo administrativo fiscal n° 10830.003411/98-24, atualmente na Procuradoria da Fazenda Nacional. Esclarece o Auditor Fiscal que a autuação decorreu da falta de escrituração contábil e fiscal e, ainda, Livro Caixa. Naquele procedimento arbitrou-se o lucro da contribuinte com base nos depósitos bancários realizados em conta bancária mantida no Banco Brasileiro Comercial — BBC, abatidas taxas de descontos correspondentes. Tanto a ação fiscal anterior, como a objeto desse litígio administrativo fiscal, decorreram de trabalhos de investigação do Ministério Público Federal, que repassou os extratos bancário obtidos por via judicial ao fisco, para que esse procedesse às verificações de ordem tributária. Ocorreu que, após o encerramento da ação fiscal anterior, o fisco recebeu extratos bancários de contas mantidas em outras instituições financeiras, a saber: á 3 • • . Processo e 16327.004024/2002-65 CCOlfr91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 697 HSBC — Banco Bamerindus - período de janeiro de 1996 a junho de 1999; BBC* — período de janeiro de 1997 a abril de 1998; Unibanco — c/c 127.920-4 - período de março a setembro de 1997; Fundo (FOV 103)/FAC UBB OVER CP — período de junho de 1996 a fev/97; Unibanco — c/c 125.925-5 — período janeiro de 1996 a abril de 1998 Os extratos bancários vindos do BBC, salientou a autoridade fiscal, são da mesma conta objeto da ação fiscal anterior, porém se referem a outro período, posterior ao ano- calendário de 1996, não se tratando, pois, de exame fiscal em duplicidade. Alerta, ainda, que o reexame do período objeto da outra ação fiscal, no que se refere ao ano-calendário de 1996, foi devidamente autorizado pelo Delegado da Receita Federal — DEINF/SP mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, que determina a execução da ação fiscal (fl. 01). Iniciado o procedimento fiscal, a empresa entregou os balancetes de verificações mensais e Livros "Diário" e "Razão", relativos aos anos de 1997 e 1998, sem registro na JUCESP, cujas cópias se encontram nas fls. 17 a 117. Intimada a empresa, e reintimada, a se manifestar sobre os créditos bancários havidos nas contas bancárias mantidas no Banco HSBC — Bamerindus e BBC nos anos de 1997 a 1999 (fls. 183 a 192), após solicitação de prorrogação de prazo de trinta dias, limitou-se a responder que já havia entregue os documentos solicitados no Termo de Início de Fiscalização e que não podia responder às presentes por ter falecido o sócio-administrador da empresa à época dos fatos e também o contador responsável (fls. 197 e 198). Pelo Termo de Intimação Fiscal n° 047/2002, a fiscalizada foi intimada a esclarecer a origem dos créditos recebidos nas duas contas mantidas no Unibanco, no período compreendido entre janeiro de 1996 e abril de 1998. Respondeu à intimação esclarecendo, apenas, que as movimentações dos períodos solicitados já eram objeto do processo administrativo fiscal n° 10830.003411/98-24 e que, por falecimento do sócio administrador e contador responsável, não tinha condições de atender à Intimação Fiscal (fls. 486/487). A fiscalização procedeu, então, à intimação para saber os fatores mensais de compra de créditos utilizados pela empresa "Nova Era", para o ano de 1996 e manifestação sobre os referidos fatores fixados pela Associação Nacional de Factoring — ANFAC (fls. 488 a 490). Novamente respondeu que os fatos referentes ao ano-calendário de 1996 já haviam sido objeto de outra ação fiscal e que o falecimento das pessoas responsáveis pela administração da empresa já haviam falecido, ficando impossibilitada de atender à intimação. Destaca-se nesse relatório que: 4 , • . • , Processo n°16327.004024/2002-65 CC01/T91 Acórdão o.° 191-00.030 F1s. 698 a) ainda que os Livros Diários não estivessem registrados, nem assinados pelos sócios ou contador responsável, a fiscalização procedeu à auditoria contábil, constatando que somente a conta bancária mantida no Banco Bamerindus, n° 1352-02966-07, no que se refere ao ano-calendário de 1997, fora devidamente contabilizada; b) com relação aos demais períodos e demais contas bancárias, não houve registro das movimentações financeiras; c) com referência aos anos de 1996 e 1999 a empresa não apresentou nem Livros, nem quaisquer documentos contábeis ou comerciais, apesar da grande movimentação financeira espelhada nos extratos bancários; d) a empresa, com relação ao ano-calendário de 1999, estava obrigada a apresentar declaração no regime de apuração do Lucro Real, por força da norma tributária, mas, apesar da expressiva movimentação financeira, entregou como "Inativa". Na continuidade da ação fiscal, lavrou os Autos de Infração ora responsáveis pelo litígio instaurado, do exame dos quais se depreende: • A fiscalização procedeu à soma dos depósitos havidos nas contas correntes mantidas nas seguintes instituições e períodos, respeitada a devida conciliação bancária: Banco Bamerindus — c/c 1352.02966-07 — janeiro de 1996 a fev/99; Banco BBC — c/c 004959-0 — janeiro de 1997 a junho de 1997; Unibanco — dc 127.920-4 — março de 1997 a agosto de 1997; Unibanco — c/c 125.925-5 —janeiro de 1996 a fevereiro de 1997. • Dos valores de cada banco, procedeu à consolidação mensal (fls. 537); • Em face à imprestabilidade da contabilidade apresentada, com fulcro no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda vigente — RIR/99 ( art. 47 da Lei n° 8.981/95), arbitrou o lucro da empresa no percentual de 38,4%, considerando como base de cálculo a seguinte receita omitida: para o ano-calendário de 1996 os totais de depósitos mensais, aplicado os índices da ANFAC denominados fatores de compra; e, para os demais anos, procedeu segundo disposto no artigo 42 da Lei n°9.430/96. • Procedeu-se à autuação, também, dos tributos reflexos — CSLL, PIS e COFINS. Apresentada a impugnação à autuação às fls. 587 a 601, a empresa autuada se defendeu nos seguintes termos: . . • ' Processo rr 16327.004024/2002-65 CCOI/T91 Acórdão o.° 191-00.030 Fls. 699 a) Nulidade da autuação fiscal por a Secretaria da Receita Federal não ter promovido a quebra de sigilo bancário, consistindo a obtenção dos extratos bancários remetidos pelo Ministério Público Federal, que obteve a quebra judicial, em prova ilícita, conforme dispõe o parágrafo 1° do art. 38 da Lei n° 4.595/64, c/ o art. 5 0, inciso LVI, da Carta Magna; b) Decadência do lançamento fiscal no que se refere ao ano-calendário de 1996, aplicando-se como termo inicial do prazo 01/01/97, consoante dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN; c) Nulidade da autuação no que respeita o ano-calendário de 1996, por já haver sido objeto de fiscalização, formalizada no processo administrativo fiscal n° 10830.003411/98- 24; d) No mérito, a exigência fiscal com base no somatório de créditos bancários não encontra respaldo no ordenamento jurídico, pois não constitui presunção de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza, contrariando o artigo 43 do CTN; não foi estabelecida a lógica de vínculo entre os indícios e o ganho ou acréscimo de patrimônio, dado que não foi provada a origem dos depósitos bancários pela fiscalização; essa base de cálculo não imponível aos lançamentos da CSLL, PIS e COFINS, pelas mesmas razões; e) cita alguns julgados administrativos e judiciais anteriores à vigência do artigo 42 da Lei n°9.430/96; O a base de cálculo do PIS não pode ser considerada a sua receita bruta, pois inaplicável o art. 3°, '19', da Lei Complementar n° 7/70, visto ter sido assemelhada à instituição financeira; g) não cabe o arbitramento, pois a contribuinte optou pelo Lucro Presumido, com a entrega da declaração de rendimentos, em 1996; se o fisco admite a exigência com base em extratos, não pode arbitrar e sim deve apurar o lucro real. A Oitava Turma da DRJ de São Paulo — I exarou o acórdão n° 16-11.073 mantendo na integra o lançamento fiscal, conforme se verifica às fls. 650 a 664. Vale destacar os seguintes trechos do extenso decisório: 12. Portanto, dadas as atribuições do Ministério Público estabelecidas na CF e na Lei Complementar 75/93, não há como caracterizar como ilícito, como pretende o autuado, o procedimento daquela instituição de encaminhar ao Fisco, através dos Oficios PR/CAMP n° 1789/2001, de 01/10/2001, e PR/CAMP 1463/2002, de 09/05/2002 (fls. 119 e 199), para as providências cabíveis, os mencionados extratos bancários, obtidos com a quebra do sigilo bancário decretada pelo Juízo da 10 Vara Federal de Campinas, nos autos do processo judicial 97.0601009-2. Portanto, nesse aspecto, o presente lançamento fiscal, baseado nos citados extratos bancários, possui plena legitimidade. 6 . . • • . Processo n° 16327.004024/2002-65 CC01T91 Acórdão n.• 191-00.030 Fls. 700 15. Também não assiste razão ao autuado na questão da decadência dos fatos geradores do ano-calendário de 96.... Isto porque a Lei n° 8.541/95, em seu artigo 13, parágrafo 2°, a seguir transcrito, estipulava que a opção pelo lucro presumido somente seria definitiva mediante a entrega de Declaração a ser feita até o último dia do mês de abril do ano seguinte, o que, por conseqüência, obrigava o Fisco a aguardar a decisão do contribuinte, até abri1/97, para proceder ao reexame de sua escrita fiscal de 96, e efetuar eventual lançamento dai decorrente. Tempestivamente, às fls. 678 a 689, a autuada, irresignada, interpôs Recurso Voluntário, submetendo o litígio à apreciação desse colegiado. Reprisa a argumentação já exposta na impugnação, como se verifica, assim iniciando: 1. Assim, procedeu a fiscalização ao somatório dos depósitos/créditos contidos em extratos bancários, formalizando um quadro denominado "Depósitos/Créditos — Resumo Mensal, sobre o qual foram aplicadas "Taxas Médias Mensais", uma vez que a fiscalização entendeu que as atividades da ora Recorrente são típicas do sistema financeiro, determinando assim as exigências ora questionadas. Tratam-se de operações supostamente ocorridas nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999. 2. várias vezes salienta que a matéria objeto dessa autuação é a mesma discutida no processo n° 10830.003411/98-24; 3. a recorrente foi assemelhada à instituição financeira e por isso indevida a autuação do PIS; 4. não é justificável o arbitramento; 5. as taxas médias que a fiscalização aplicou é tributação sobre capital, portanto incabível, visto não constituir renda; 6. o simples registro a crédito em conta bancária não constitui renda e no montante há valores que não guardam relação com os fatos alegados; 7. a Secretaria da Receita Federal é ilegítima para ter acesso à quebra do sigilo bancário judicial; 8. cita novamente jurisprudência administrativa e judicial de situações anteriores à edição do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. É o relatório. Passo a proferir meu voto. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, e passo a analisá-lo estando o crédito tributário objeto do presente litígio administrativo — tributo + multa R$ à" 7 Processo n° 16327.004024/2002-65 CC01/1"91 Acórdão n.° 191-00.030 fls. 701 69.531,27 —, dentro do limite de alçada para apreciação por essa Turma Especial, de acordo com o definido no inciso I do artigo 2° da Portaria MF n° 92/08. Das preliminares. I. A primeira preliminar a ser apreciada é a questão de decadência da autuação cujo período objeto foi o ano-calendário de 1996. Para esse ano, entendo ser aplicável o artigo 173, inciso I, do CTN, com o termo de início, para a contagem do prazo decadencial, na entrega da DIPJ/97, já que, como salientado pela DRJ, nos exercícios financeiros antes da edição da Lei n° 9.430/96, o fisco teria que esperar a opção do contribuinte para exercer a função fiscalizadora (vd. item '15' citado no relatório, reproduzido do acórdão da DRJ). Assim dispõe o artigo 13 da Lei n°8.541/92: Art. 13. Poderão optar pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas cuja receita bruta total, acrescida das demais receitas e ganhos de capital, tenha sido igual ou inferior a 9.600.000 Ufir no ano-calendário anterior. ,f 2° Sem prejuízo do recolhimento do imposto sobre a renda mensal de que trata esta seção, a opção pela tributação com base no lucro presumido será exercida e considerada definitiva pela entrega da declaração prevista no art. 18, inciso IV, desta lei. (grifos não pertencem ao original) Por conseguinte, rejeita-se a preliminar de decadência suscitada. II. A outra preliminar, ainda condizente com o ano-calendário de 1996, diz respeito à duplicidade de autuação cuja auditoria focalizou o mesmo período. Tal fato foi ressaltado por diversas vezes pelo auditor fiscal no Termo de Conclusão Fiscal, que assinalou não estar se valendo da mesma matéria tributada na autuação anterior, objeto do litígio manifestado no processo administrativo fiscal n° 10830.003411/98- 24, Acórdão n°107-07.636. Com efeito, extrai-se do referido acórdão: Do Relatório: 11—ACUSAÇÃO. De acordo com o Auto de Infração de fls. 02/05, 59/77, Termo Conclusivo da Ação Fiscal, às fls. 06/13, e as planilhas de fls. 02/ 05, 14/58, o crédito tributário — litigioso nessa esfera - lançado e exigível nos anos-calendário de 1994 a 1996, decorre de: 01. omissão de receita — nos anos-calendário de 1994 a 1996 - , por falta de reconhecimento dos rendimentos dos capitais aplicados ( empréstimos a terceiros, evidenciado pela movimentação saques/cheques/débitos ) e depositados em conta bancária não- escriturada ( BBC — Banco Brasileiro Comercial S/A — Ag. ,[Y , . Processo n° 16327.004024/2002-65 CCO I/T91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 702 Campinas/SP. ). Note-se que os juros foram cobrados quando do retomo dos empréstimos, movimentados pelos depósitos/créditos. A exigência fundou-se em imposição de juros diários ( conversão das taxas de juros do período de aplicação em taxas médias ponderadas mensais ( Capital x taxa mês ), a partir das anotações dos juros praticados nos respectivos borderds ( Anexos 04 e 05). considerando- se no cálculo das respectivas taxas mensais a influência do volume de capital). Impds-multa majorada com agravamento. Enquadramento legal: arts. 197- parágrafo único, 225, 226, 227, 195- inciso II, e 230, do RIR/94. 02. Arbitramento de Lucros no ano-calendário de 1996, tendo em vista que a empresa optara pela apuração com base no lucro presumido. Do voto: IV — DO INDEVIDO ARBITRAMENTO DOS LUCROS DO ANO- CALENDÁRIO DE 1996. A par da prevalência indiscutível das atividades sobranceiras — não autorizadas - exercidas l, similarmente ficara assente, conforme Termo Conclusivo da Ação Fiscal, às fls., 08, subitem 12, que o arbitramento se fez tendo em vista que a empresa não dispunha de Livro Caixa devidamente escriturado, requisito previsto no inciso I, art. 534, do RIR194. E mais: não ofertara, igualmente, escrituração completa com base nas leis comerciais e fiscais que pudessem suprir a lacuna pela ausência da escrituração do seu movimento financeiro, não obstante as reiteradas intimações perpetradas, com prorrogação de prazo concedida pelo Termo Fiscal de 23.12.1997. A empresa utiliza-se de meios magnéticos, como se intuiu. É consabido que, para apresentação dos arquivos em meio magnéticos, o prazo prescrito, a teor do art. 62 da Lei n.° 8.383/91, ficará a critério da Autoridade Fiscal. Não sendo cumprida a exigência até o trigésimo dia subseqüente ao grafado pelo Fisco, admitir-se-á o arbitramento dos lucros, sem prejuízo da aplicação das multas prescritas pela Lei n." 8.218/91, artigo P. A recorrente alega, em sua defesa que, se o fisco presume válida a exigência com base em extratos bancários, não pode alegar que os mesmos elementos impedem a apuração pela base do lucro real. Equivoca-se a defendente. As empresas de factoring não são instituições financeiras; todavia, se praticarem operações que não se enquadrem no conceito legal de factoring e que caracterizem Art 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam-se às instituições financeiras as pessoas fisicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. Art 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no Pais mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, guando forem estrangeiras. cj- 9 , . . •• Processo n° 16327.004024/2002-65 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 703 operações privativas de instituição financeira, na forma da Lei n/" 4.595/64, art. 17, constitui, por essa norma, não só ilícito administrativo (Lei n." 4.595/64) como criminal (Lei n." 7.492/86), além de sujeitar o contribuinte às cobranças dos tributos incidentes sobre instituições financeiras ( pois a essência é prevalecente frente à forma). O arbitramento se cristalizou com supedâneo estrito nas verbas declaradas pela contribuinte, vazado nas razões já desfiadas. Não foi além. E os extratos bancários serviram como meio probante ou indiciário convergente das omissões. A esse se deu o tratamento de omissão de receitas, com exigência especifica. Nenhuma anomalia ou contradição nesse procedimento se vislumbra. Item que se nega provimento. (grifos não pertencem ao original) Desta forma, verifica-se que, com relação ao ano-calendário de 1996, de fato, o retro processo administrativo discutia exigência fiscal de IRPJ, calculado por arbitramento de lucros, mantido na esfera administrativa por esse colegiado, mas, como a autoridade fiscal alertou, sobre os depósitos havidos na conta bancária mantida no Banco Brasileiro Comercial S/A - BBC, valores que não foram incluídos no cômputo da presente autuação, eis que o Ministério Público Federal não havia ainda disponibilizado os demais extratos bancários, remetidos por aquele órgão somente após encerrada a ação fiscal. Como dito também, pelo próprio contribuinte, e verificado pelo cotejo das alegações em um e outro processo, a ação fiscal ora debatida nada mais é do que continuidade da anterior. Nessa autuação que ora se analisa, no que respeita à sua legalidade e legitimidade e, especificamente, ao ano de 1996, a matéria tributável se limitou a considerar os créditos tributários realizados nas contas mantidas no Unibanco e no Banco Bamerindus — HSBC. Em assim sendo, não há que se falar em bi-tributação de valores, consistindo a atual autuação em mera complementação da anterior, à qual reabriu-se prazo para a contribuinte impugnar e exercer plenamente seu direito de ampla defesa e do contraditório. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada, aduzindo ao tópico, que faço coro com o auditor fiscal no entendimento esposado de que a determinação para proceder a ação fiscal formalizada no MPF de fl. 01, exarada pelo Delegado da Receita Federal, supre a exigência legal do artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda vigente — RIR/99. III. Por última preliminar, cabe apreciar a argumentação de que a Secretaria da Receita Federal não é parte na quebra de sigilo bancário promovida pelo Ministério Público Federal e por decorrência os extratos remetidos por aquele órgão não poderiam servir de prova para fundamentar a autuação fiscal. Reitero as razões pelas quais o colegiado de primeira instância rejeitou essa preliminar, e acrescento ainda a seguinte argumentação. 10 Processo n° 16327.00402412002-65 CC01/191 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 704 Ora, é cediço que as funções do Ministério Público Federal é a de custos legis e que é órgão que representa o Estado na defesa de seus interesses de ordem pública. Nada mais coerente que ao exercer sua função primordial, ao investigar fatos relevantes, encaminhe ao órgão, igualmente estatal destaque-se, os elementos obtidos por via judicial, para que sejam verificados ilícitos tributários, igualmente, ainda, de ordem pública. Em recente julgado, expus em voto breve explanação sobre a inteligência do artigo 38 da Lei n°4.595/64 e as demais normas que regularam a matéria do sigilo bancário e a Receita Federal, transcrevendo o seguinte trecho daquele: Vários pontos devem ser abordados no que respeita o assunto, afim de obtermos uma conclusão lógica e coerente com o sistema jurídico como um todo, não se atendo a peculiaridades de cada texto legal de forma isolada, ou mesmo a julgados cujos casos não se conhece em profundidade. Em primeiro lugar, há que se analisar o texto do artigo 38 e seus §§, da Lei n° 4.595/64, vigente à época dos fatos ora analisados, considerada a norma que norteou e regulamentou o Sistema Financeiro Nacional: Art. 38 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1" As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em Juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. § 2" O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3" As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação (art. 53 da Constituição Federal e Lei n" 1579, de 18 de março de 1952), obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. 4" Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 50 Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras C:; I I Processo n° 16327.00402412002-65 CCOUT91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 705 às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames serem conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. § 7" A quebra do sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, aplicando-se, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. (Revogado pela Lei Complementar n°105. de 10.1.2001) (Vide Lei n° Lei 6.385, de 1976) Observa-se da leitura do dispositivo supra reproduzido que o legislador, ao regular as operações financeiras, observando boa técnica legislativa, no caput, protegeu o sigilo das operações financeiras admoestando as instituições financeiras de seu caráter privado. Todavia, ao redigir os §§, submissos ao caput, foi abrindo exceções à regra, denotando-se, sempre, o cuidado em deixar claro que somente se excepcionaria o sigilo às autoridade públicas, no interesse do Estado — caso das CPI (§§ 2°, 30 e 49, dos agentes tributários (55 50 e 6') e do próprio Poder Judiciário, vedando-lhe a publicidade das informações que o acesso aos documentos bancários privados que possibilitaria (517 Ao 7" deixou a função de cominar a pena aos infratores do artigo, como um todo. A razão do cuidado do legislador ao tratar de assunto tão polêmico é balizar o interesse privado e o interesse público, sendo inquestionável, pela doutrina ou pela jurisprudência, a supremacia desse em detrimento ao outro. Dai a preocupação do legislador, que primeiro regulou o assunto, de deixar claro que só quando há relevante motivo autoriza-se o Estado, seja representado pelo Poder Judiciário (51"), pelo Poder Legislativo (55 2", 3' e 4') ou pelo Poder Executivo (neste caso restrito às autoridades tributárias - 55 5" e 6, alertando-os, repetidamente, que também estão sob o dever de guardar o sigilo funcional já inerente às suas funções. Afinal, o sigilo bancário é apenas compartilhado e o dever de guardá- lo transferido, data venha àqueles que entendem de forma diversa, nunca 'quebrado' nos casos em que a Lei determina que as autoridades públicas também tenham acesso e sejam, por esta mesma ou outra norma, obrigados a perpetuar o sigilo. Quanto à releváncia que a norma sob análise exige, para que haja esta transferência ou compartilhamento de informações sigilosas, a própria norma confere à autoridade administrativa, mas não por um critério subjetivo, pessoal, e sim explicitando que, no caso das CPI, há que passar pelo crivo do plenário e, no caso das autoridades tributárias, há que haver processo de fiscalização, vale dizer, um interesse institucional devidamente formalizado — evitando-se, desta forma, subentende-se, mera especulação ou 'bisbilhotice' que poderia haver por agentes tributários isolados. (negrito não pertence ao original) Entendo perfeitamente legitimo, e necessariamente funcional, o Estado investigativo — Ministério Público Federal — encaminhar as provas fornecidas pelo Estado juiz — Poder Judiciário — para análise ao Estado que detém a competência para zelar pela Ordem à'2 Processo n° 16327.004024/2002-65 CCOI/T91 Acórdão n." 191-00.030 F. 706 tributária nas funções próprias e privativas de fiscalização — Secretaria da Receita Federal, ressaltando o interesse público uníssono e a continuidade do dever da guarda do sigilo bancário do ser privado. Rejeitada essa preliminar, também. Do mérito. I. No que respeita às alegações do sujeito passivo de que a exigência fiscal com base no somatório de créditos bancários não encontra respaldo no ordenamento jurídico, pois fere o estabelecido no artigo 43 do CTN e, ainda, da necessidade fática do nexo causal entre os valores depositados e sua origem, há que se diferenciar a presente tributação quanto aos momentos, traçando um limiar antes e após a edição do artigo 42, da Lei n° 9.430, vigente a partir de 1996. I.a) Inversamente, analisamos os exercícios posteriores ao referido dispositivo — anos-calendários de 1997, 1998 e 1999 —, para esclarecer, de pronto, à recorrente a profunda modificação advinda por aquela norma tributária, no que respeita os créditos bancários detectados nas contas mantidas pelos contribuintes. Assim dispõe o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, reproduzido no art. 849 do RIR/99: Art.849. Caracterizam-se também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n2 9.430, de 1996, art. 42). § IlEm relação ao disposto neste artigo, observar-se-ão (Lei n2 9.430, de 1996, art. 42, ,§.§12 e 22): I-o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; II-os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 522Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados (Lei n2 9.430, de 1996, art. 42, §32, incisos I e II, e Lei e 9.481, de 1997, art. 49: 1-os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II-no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Cfr 13 • . Processo n° 16327.004024/2002-65 CCOUT91 Acórdão n.° 191 -00.030 Fls. 707 §32-fratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira (Lei n2 9.430, de 1996, art. 4254°). (grifos não pertencem ao original) O retro transcrito dispositivo legal cuida de uma presunção legal. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa — esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 transcrito. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Novamente, nota-se a seguinte situação excepcional: uma pessoa, jurídica ou física, ao ser fiscalizada, possui ingressos, em conta bancária, em valores superiores àqueles informados ao fisco. A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, que não sendo demonstrada a origem daquele numerário pressupõe-se que constitui receita omitida. E a prova, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários — não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, ergue-se sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considera-se indicio a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados omissão de receitas; saldo credor de caixa omissão de receitas; passivo fictício omissão de receitas, e assim por diante. 14 . . Processo n° 16327.004024/2002-65 CC01/1"91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 708 As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris a Djuris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ónus da prova (pertinente ao fisco). Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ónus da Prova Art.924.Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 92, §29. Inversão do Ónus da Prova Art.925.0 disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 92, §39. Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, no lançamento tributário, estabelecer-se nexo causal entre os créditos havidos nas contas bancárias da recorrente e a identificação da sua origem, ou com o faturamento da empresa, ou qualquer outro objeto. E com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade provêm de recursos de terceiros ou que não constituem receita é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Lb) No que concerne à autuação levada a efeito no ano-calendário de 1996, a• autoridade fiscal não manteve o mesmo critério utilizado no outro processo administrativo já citado, embora note-se que a defesa se valeu da mesma argumentação naquele traçada. — '...formalizando um quadro denominado "Depósito/Créditos — Resumo Mensal', sobre o qual foram aplicadas "Taxas Médias Mensais", uma vez que a fiscalização entendeu que as atividades da ora recorrente são típicas do sistema financeiro, determinando assim as exigências ora questionadas.' No processo anterior, assim consta sobre a forma de se apurar a base de cálculo dos tributos: Relatório Note-se que os juros foram cobrados quando do retorno dos empréstimos, movimentados pelos depósitos/créditos. A exigência fundou-se em imposição de juros diários ( conversão das taxas de juros do período de aplicação em taxas médias ponderadas mensais ( Capital x taxa mês ), a partir das anotações dos juros praticados nos respectivos borderôs ( Anexos 04 e 05), considerando-se no cálculo das respectivas taxas mensais a influência do volume de capital ). Impôs-multa majorada com agravamento. à 15 Processo n° 16327.004024/2002-65 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 709 VOIO No caso presente, o Fisco trabalhou com fundamento não em uma amostra, mas com o universo possibilitado ou viabilizado pelas anotações das taxas de juros praticadas nos bordarás de emissão da própria recorrente, assim como nos extratos bancários plenos e não contabilizados, onde as taxas de juros praticadas mês-a-mês e ano-a- ano minimizaram as possíveis distorções. Eis, de forma iniludível, o vínculo válido, não obstante contestado. Na ausência do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que regulou posteriormente a matéria, atribuindo a presunção legal ao fato, o agente fiscal ao constatar a relevante movimentação financeira da empresa totalmente dispare do que se encontrava precariamente contabilizado, buscou os índices publicados pela ANFAC — Associação Nacional das empresas de factoring, como é o caso da autuada. Saliente-se, daquele julgado, ainda: Ora, como abdicar do movimento bancário não ingressado na escrituração da empresa, conforme bem percebera a decisão prévia, se, v.g., a contribuinte reconhecera na escrituração, em janeiro de 1996, verba atinente à receita operacional na ordem de R$ 200,00, em sendo o valores registrados a crédito na conta bancária marginal na órbita de RS 1.849.816,03? (grifos não pertencem ao original) Na presente autuação, a fiscalização buscou, para quantificar a base de cálculo, os referidos índices da ANFAC, após a interessada ter sido intimada a fornecer os fatores de compra de títulos negociados e não o fazendo; observe-se do trecho retirado do termo de Conclusão Fiscal — lis. 540: DA RECEITA OMITIDA 30 — No ano-calendário de 1996, a receita omitida corresponde à aplicação dos fatores de compra de créditos sobre os depósitos bancários efetuados nas contas correntes de n° 1352-02966-07, agência 1352, do Banco Bamerindus, e na conta corrente n°125.925-5, agência 006, do UNIBANCO. A associação Nacional de "Factoring"— ANFAC indica diariamente o fator de compra como parámetro para orientação de suas associadas. Desta forma, considerando a impossibilidade da AFL FACTORING em fornecer os fatores mensais de compra (item 14), utilizamos os indicadores da ANFAC constantes no endereço eletrônico: ~V. anfic.cons.br correspondentes à média do mês; [..] 31 — No demonstrativo, a seguir, relacionamos o total dos depósitos bancários em cada mês do ano-calendário de 1.996 (contas correntes n° 1352-02966-07, agência 1352, do Banco Bamerindus, e n° 125.925- X 1!) 16 • • . Processo n°16327.004024/2002-65 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 710 5. agência 006, do UNIBANCO), os fatores de compra indicados pela ANFAC e as correspondentes receitas omitidas. Irretocável, a meu ver, a forma de apurar a base de cálculo para o cálculo do lucro arbitrado, com relação ao ano-calendário de 1996, na ausência do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que não guarda relação com o processo anterior. II. Com relação à autuação do PIS: em momento algum, nessa autuação, a fiscalização equiparou a empresa à instituição financeira, pelo que descabe, in :atum, a argumentação de não ser correta a exigência do PIS — reflexo, lançado nos estritos moldes legais vigentes — tal argumentação foi feita no outro processo e, de igual forma, rechaçada, por, naquele, ter se comentado sobre a factoring estar praticando operações privativas dos bancos. III. Por fim, sobre a indignação da contribuinte pelo arbitramento do lucro. Ora, no presente processo infindáveis são as razões que autorizam o arbitramento do lucro. Reproduzo parte do relatado, enfatizando nos grifos os pontos nevrálgicos da imprestabilidade da escrituração, se é que assim pode ser chamada, apresentada pela fiscalizada à autoridade fiscal: Destaca-se nesse relatório que: a) ainda que os Livros Diários não estivessem registrados, nem assinados pelos sócios ou contador responsável, a fiscalização procedeu à auditoria contábil, constatando que somente a conta bancária mantida no Banco Bamerindus. te 1352-02966-07. no que se refere ao ano-calendário de 1997. fora devidamente contabilizada; b) com relação aos demais períodos e demais contas bancárias, não houve registro das movimentações financeiras; c) com referência aos anos de 1996 e 1999 a empresa não apresentou nem Livros nem quaisquer documentos contábeis ou comerciais. apesar da grande movimentacão financeira espalhada nos extratos bancários; d) a empresa, com relação ao ano-calendário de 1999, estava obrigada a apresentar declaração no regime de apuração do Lucro Real, por força da norma tributária, mas, apesar da expressiva movimentação financeira, entregou como 'inativa O dispositivo que disciplina as hipóteses de arbitramento do lucro assim dispõe: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei ne 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. P9: I- o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; ofr 17 Processo n°16327.004024/2002-65 CCO I/T91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 711 11- a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III- o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Flagrante, nos presentes autos, a ocorrência da hipótese elencada no inciso II do artigo 530 acima transcrito. Reproduzo os fundamentos da DRJ sobre o assunto — fls. 660, alicerçando o meu voto em não dar provimento à recorrente: 19. Pelo que consta dos autos, o autuado ostenta, em sua escrita comercial e fiscal, todas as insuficiências descritas no artigo da lei acima reproduzido(*), nos anos-calendários de 96 a 99, o que torna obrigatório o arbitramento do lucro. Conforme consigna a autoridade fiscal, contrastando com a grande movimentação financeira constatada, livros contábeis do autuado não registram apropriação de receitas, além de não estarem assinados pelo sócio responsável, nem pelo técnico contábil, e • nos Livros Diários apresentados não constar a autenticação pelo órgão competente do Registro de Comércio. Os extratos bancários mostram expressiva movimentação financeira, sem que tenham sido apresentado pelo autuado os documentos comerciais e contábeis comprobatórios das operações envolvidas, chegando até o autuado a se declarar como empresa INATIVA, em 99. Esses elementos justificam a descaracterização da escrituração contábil, por imprestável, configurando a hipótese de arbitramento de lucro, consoante prevê a legislação de regência. (*artigo 47, da Lei 8.981/95) Desta forma, no presente processo não restam dúvidas sobre o correto procedimento da fiscalização em arbitrar o lucro nos anos objetos do procedimento fiscal, havendo iniciado seus trabalhos com o exame dos Livros escriturados pela empresa que não se revestiram nem das formalidade extrínsecas exigidas pela lei, muito menos intrínsecas, pois não lhe foram apresentados nenhum dos documentos pertinentes, sempre sob a alegação de que o sócio-administrador e contador responsável à época dos fatos faleceram, tomando-se impossível atender à fiscalização. Não cabe, pelas mesmas razões, invocar-se a súmula 182 do extinto TER. 18 . - Processo n° 16327.004024/2002-65 CCOUT91 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 712 CONCLUSÃO Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência — ano de 1996 — suscitadas, para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2008 ANALbilE—BARROS FERNANADES 19 Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.720719/2019-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período base de incidência.
No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-011.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período base de incidência. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, dar-lhe provimento, devendo a unidade de origem da RFB, por ocasião da execução do presente julgado, avaliar a aplicação do art. 15 da Lei 14.689, de 2023. Não votaram em relação ao conhecimento os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros, Mário Hermes Soares Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, em razão do julgamento ter sido proclamado na sessão de 27/09/2022. No mérito, não votou a conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, em razão de voto proferido pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho na sessão de 27/09/2022 (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Marcelo Milton da Silva Risso, Mário Pereira de Pinho Filho, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Mario Hermes Soares Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 19 /2 01 9- 36 Fl. 2130DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 (suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (suplente convocada), Eduardo Newman de Mattera Gomes, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Na origem, cuida-se de lançamentos para cobrança do IRPJ e CSLL e de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais, em razão de falta de adição na determinação da base de cálculo do montante relativo à amortização de ágio oriundo da compra pela Liberty International Brasil Ltda, CNPJ: 01.367.211/0001-20 da empresa Indiana Seguros S.A, CNPJ: 61.100.145/000-59. Os créditos originais e principais, somados às multas isoladas, perfazem a monta de R$ 34.912.386,43. O relatório fiscal encontra-se à fl. 1132/1170. Impugnado o lançamento às fls. 1184/1215, a Delegacia da Receia Federal de Julgamento em Belo horizonte/MG julgou-o procedente em parte, para ajustar o crédito lançado após as compensações do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, ate o limite legal de 30% do lucro apurado (fls. 1577/1589). Cientificado da decisão de primeira instancia, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 1601/1634. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário e razões ao recurso de ofício ás fls. 1670/1713. De sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, após negar provimento ao recurso de ofício, deu provimento ao recurso do sujeito passivo por meio do acórdão 1301-002.239 - fls. 1730/1740. Inconformada, a União interpôs Recurso Especial às fls. 1742/1764, pugnando, ao final: (a) fosse conhecido o recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF; (b) fosse dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, nos quesitos objeto da presente insurgência; e (c) fosse determinado o retorno dos autos à Turma a quo, para que se analise as demais matérias consideradas prejudicadas pelo acórdão recorrido, em decorrência do restabelecimento da autuação. Em 22/5/17 - às fls. 1768/1771 - foi dado seguimento ao recurso da Fazenda Nacional para que fosse rediscutida a matéria “Possibilidade da exigência legal de confusão patrimonial envolver empresas-veículos”. Cientificado do acordão de recurso voluntário, do recurso da União, bem como do despacho que lhe deu seguimento, o autuado apresentou suas contrarrazões às fls. 1777/1792 propugnando pelo desprovimento do recurso. Fl. 2131DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 O Recurso Especial foi julgado pela 1ª Turma da 1ª Seção na sessão plenária de 7/3/18, ocasião em que lhe foi dado provimento e determinado o retorno ao colegiado a quo para o julgamento das demais matérias consideradas prejudicadas pela acórdão recorrido – acórdão nº 9101-003.468 às fls. 1861/1905. Cientificado do resultado do julgamento, o autuado opões Embargos de Declaração às fls. 1920/1927, suscitando omissões e contradições no acórdão de recurso especial, mas que foram rejeitados pelo Presidente Substituto da CSRF às fls. 1937/1940. Às fls. 1969/2006, foi acostada a peça inaugural da ação anulatória proposta pelo sujeito passivo, na qual fez constar, no tópico destinado a descrever o objeto da ação, que: 1. A presente Ação Anulatória visa ao cancelamento dos débitos de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (“IRPJ”) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSL”) lançados nos autos do Processo Administrativo 16327.721121/2014-50, juntamente com a penalidade de ofício (75%) e juros. 2. Desde já a Autora esclarece que, apesar de esse lançamento ter sido formalizado para também exigir penalidade isolada (50%) de forma concomitante à multa de ofício, essa parcela específica, assim como os juros exigidos sobre multas, não serão objeto deste caso, por se tratar de matérias ainda pendentes de análise pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), conforme consignado em despacho da própria Receita Federal do Brasil na Intimação Dicat/Ecob nº 1.064/2018, de 27.12.2018 (doc. nº 3): “Deverá ser aguardado o julgamento, pela turma a quo, das matérias referentes à aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada e dos juros sobre a multa.” (não destacado no original) 3. Por esse motivo, a presente ação anulatória refere-se somente à discussão acerca da exigibilidade dos valores de IRPJ e CSL decorrentes da glosa de despesas de amortização fiscal de ágio que foram deduzidas pela Autora nos anos-calendários de 2009 a 2012, com os respectivos juros de mora sobre principal e multa de 75%. A Autora não renunciou à discussão administrativa no que diz respeito à multa isolada de 50% e aos juros sobre multas, que ainda aguarda julgamento pelo CARF. Em cumprimento ao contido no acórdão de recurso especial, aquele mesmo colegiado ordinário, julgando os demais pontos do recurso voluntário, negou provimento ao recurso de ofício e deu parcial provimento ao voluntário para afastar a incidência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas – acórdão nº 1301-004.378 – às fls. 2028/2034. Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração às fls. 2036/2041, alegado contradição e obscuridade nesse novo acórdão de recurso voluntário, mas que também foram rejeitados pelo Presidente da Turma às fls. 2045/2051. Cientificada da rejeição, a União interpôs Recurso Especial às fls. 2053/2078, requerendo, além do conhecimento do recurso, seu provimento para que fosse restabelecida a multa isolada. Em 22/5/20 - às fls. 2082/2086 - foi dado seguimento ao recurso da Fazenda Nacional para que fosse rediscutida a matéria relativa à “cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício proporcional para fatos geradores ocorridos após 2007”. Cientificado do acordão dos recursos voluntário e de ofício, do recurso da União, bem como do despacho que lhe deu seguimento em 8/6/20 (fl. 2094), o autuado apresentou em 17/6/20 suas contrarrazões tempestivas às fls. 2097/2115 propugnando pelo mão conhecimento do recurso e, sucessivamente, pelo seu desprovimento. Fl. 2132DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 É, finalmente, o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator Antes de adentrarmos ao mérito, cumpre registrar que o recorrido atravessou petitório, reiterado pelo patrono da tribuna, no sentido de que fossem aplicados ao caso as disposições da novel legislação que passou a tratar do “voto de qualidade”, notadamente a exclusão da multa forte no parágrafo 9º-A do artigo 25 do Decreto 70.235//72, com a redação dada pela Lei 14.689/23 c/c artigo 15 desse último diploma, que assim dispõem: Decreto 70.236/72 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008 [..] § 9o Os cargos de Presidente das Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, das câmaras, das suas turmas e das turmas especiais serão ocupados por conselheiros representantes da Fazenda Nacional, que, em caso de empate, terão o voto de qualidade, e os cargos de Vice-Presidente, por representantes dos contribuintes. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9º-A. Ficam excluídas as multas e cancelada a representação fiscal para os fins penais de que trata o art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese de julgamento de processo administrativo fiscal resolvido favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade previsto no § 9º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Lei 14.689/23 Art. 15. O disposto no § 9º-A do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplica-se inclusive aos casos já julgados pelo Carf e ainda pendentes de apreciação do mérito pelo Tribunal Regional Federal competente na data da publicação desta Lei. Todavia, considerando que há nos autos notícias de interposição de ação anulatória de débito relacionada ao processo 16327.721121//2014-50, decidido favoravelmente à Fazenda Nacional pelo voto de qualidade em 7/3/18, e que pode, eventualmente, já ter ocorrido julgamento de mérito pelo TRF, competirá à unidade de origem da RFB, por ocasião da execução do presente acórdão, avaliar e aplicar a este julgado, se for o caso, os efeitos jurídicos decorrentes das alterações e inovações legislativas acima citadas. Feito o registro, prossigamos. A Fazenda Nacional tomou ciência (presumida) do despacho que rejeitara seus embargos tempestivos em 22/5/20 (processo movimentado em 22/4/20 (fl. 2052) e apresentou seu recurso tempestivamente em 28/4/20, consoante se denota de fl. 2079. Passo, com isso, à análise dos demais pressupostos para o seu conhecimento. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria relativa à “cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício proporcional para fatos geradores ocorridos após 2007”. Fl. 2133DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D2562.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D2562.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art64 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/449.htm#art23 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/449.htm#art23 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art83. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14689.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14689.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art25%C2%A79a Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 O acórdão guerreado foi assim ementado, naquilo que foi devolvido à apreciação deste Colegiado: MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do tributo, devendo subsistir, nesses casos, apenas a multa de ofício. A decisão foi no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, na parte devolvida ao colegiado em razão de decisão da 1ª Turma da CSRF, em: (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que votaram por manter essa exigência. Do conhecimento. Como já anunciado, a discussão dos autos cinge-se em determinar se pode haver, ou não, cobrança da multa de ofício a que alude o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, conjuntamente àquela prevista na alínea “b” do inciso II do mesmo dispositivo. Veja-se a redação dada pela Lei 11.488/07: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. As estimativas que serviram de base de cálculo para a exigência da multa foram aquelas apuradas em função do procedimento de ofício, conforme se extrai do fragmento do relatório fiscal a seguir: 34 A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos; 35 No caso sob exame, conforme cópias da DIPJ, nas fichas 11 (estimativas IRPJ), ficha 16 (estimativas de CSLL) e, da escrituração do contribuinte relativa ao ano-calendário 2009 a 2012 (Livros de Apuração do Lucro Real e Demonstrativos da Base de Cálculo da CSLL), evidencia-se que o contribuinte apurou, em todos os meses, as estimativas com base em balanço ou balancete de suspensão. Em vista das infrações apuradas neste lançamento e fazendo as devidas adições na apuração da base de calculo do IRPJ e CSLL apurou-se as estimativas devidas como antecipação dos valores devidos no ajuste anual. Fl. 2134DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 O colegiado a quo decidiu por afastar a multa isolada, por concluir ser ela inaplicável em concomitância com aquela proporcional calculada sobre o valor do tributo lançado ao final do período de apuração. Para tanto, após assentar o entendimento de que a multa isolada somente seria aplicada aos casos em que os contribuintes, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixam de recolher as estimativas mensais, sugerindo devidas apenas quando e quanto à apuração efetuado pelo próprio sujeito passivo e não em razão de procedimento de ofício, o colegiado ainda concluiu que a multa de ofício proporcional absorveria aquela aplicada isoladamente, pois se assim não o fosse, seria uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Confira-se: A multa isolada não se destina a apenar omissão de receitas e tampouco infrações como dedução indevida de despesas, exclusão não autorizada ou falta de adição ao lucro líquido. Para tais infrações aplica-se a multa de ofício, cobrada juntamente com o tributo, do qual ela é acessório. Trata-se, portanto, de multa vinculada ao tributo, diferente da outra que se exige de forma isolada. A multa isolada, diferentemente da multa de ofício, foi instituída para punir os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixam de recolher as estimativas mensais. Isso porque, encerrado o ano base, já não é juridicamente viável exigir as estimativas, pois elas têm natureza de antecipação do tributo apurado no final do período. Encerrado o período de apuração, o Fisco só pode exigir o valor efetivamente devido, e não mais as antecipações apuradas por estimativa. [...] Até o advento da multa isolada, a norma que determinava o recolhimento das estimativas mensais àqueles que optassem pelo lucro real anual não era, na prática, obrigatória, pois destituída de sanção específica para seu descumprimento. Por isso, o recolhimento das estimativas se tornara mera recomendação, a qual o contribuinte atendia se lhe conviesse, porque o descumprimento não tinha qualquer consequência. É nesse contexto que surgiu a figura da multa isolada, cujo propósito específico é apenar o descumprimento da norma que impõe, aos que optaram pelo lucro real anual, o recolhimento mensal por estimativa ou, opcionalmente, o levantamento de balancete de verificação, visando suspender ou reduzir a estimativa do mês. Essa, em linhas gerais, é a finalidade da multa isolada. Para tais situações foi concebida. Aplicá-la a casos de omissão de receita ou de glosa de despesas, além de ser um desvio, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal para tanto. A par dessas razões, existe ainda um entendimento de que a aplicação da multa vinculada afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E. Superior Tribunal de Justiça - STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a proferida no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS. Do voto condutor da decisão, da lavra do eminente Ministro Herman Benjamin, se pode extrair o trecho abaixo: Já a recorrente, após indicar os acórdãos de nº 9101-003.002 e 9101-002.745 como paradigmas a demonstrar a divergência jurisprudencial, sustentou que ambas as multas deveriam se mantidas hígidas, já que tratar-se-iam de diferentes hipóteses de incidência. De sua vez, a recorrida sustentou que o recurso não deveria ser conhecido, eis que, segundo sua percepção, a decisão recorrida teria se fiado em entendimento manifestado em súmula vinculante deste CARF, a saber, a de nº 82. Ainda sustentou que haveria diferenças nas fundamentações adotadas, aqui e lá. Aqui, segundo insiste, o colegiado recorrido teria definido um limite temporal para a imposição da multa isolada, que seria até o encerramento do período de apuração, consoante o Fl. 2135DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 entendimento sumulado (Sum. 82), enquanto que nos paradigmáticos, o fundamento teria sido a inaplicabilidade da Súmula CARF 105 para períodos posteriores a 2007. Não é bem assim. Esclareça-se, de plano, que a Súmula CARF 82 não trata da cobrança de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, mas sim da cobrança das próprias estimativas. Ou seja, encerrado o período de apuração, não é mais dado ao Fisco o direito de cobrar as estimativas eventualmente não recolhidas ao longo do período de apuração, já que passam a integrar o valor do tributo ao final apurado. É essa, inclusive, a sua dicção: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nesse sentido, o esclarecimento acima já seria suficiente a rechaçar a alegação de que a decisão recorrida teria sido fundamentada no entendimento dessa súmula. O mesmo se aplica à percepção que sujeito passivo expressa no sentido de que o colegiado a quo teria definido um limite temporal para a imposição da multa. Veja-se, o fundamento que se extrai-se do voto condutor do recorrido é no sentido de que as estimativas apuradas pelo próprio contribuinte e não recolhidas, não poderiam ser mais cobradas após o encerramento do período, forte na sumula acima citada, mas apenas objeto de multa isolada. Seria uma espécie de “compensação”: já que não se pode cobrar as estimativas, cobra-se a multa isolada nos casos em que o próprio contribuinte as apura e não as recolhe. Já nos casos de estimativas apuradas pelo Fisco, em razão de infrações identificadas no procedimento de ofício, o entendimento da turma recorrida foi no sentido de que somente a multa de ofício proporcional seria devida. É o que se extrai, com clareza, da análise dos dois parágrafos do voto condutor a seguir, com destaques meus: A multa isolada não se destina a apenar omissão de receitas e tampouco infrações como dedução indevida de despesas, exclusão não autorizada ou falta de adição ao lucro líquido. Para tais infrações aplica-se a multa de ofício, cobrada juntamente com o tributo, do qual ela é acessório. Trata-se, portanto, de multa vinculada ao tributo, diferente da outra que se exige de forma isolada. A multa isolada, diferentemente da multa de ofício, foi instituída para punir os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixam de recolher as estimativas mensais. Isso porque, encerrado o ano base, já não é juridicamente viável exigir as estimativas, pois elas têm natureza de antecipação do tributo apurado no final do período. Encerrado o período de apuração, o Fisco só pode exigir o valor efetivamente devido, e não mais as antecipações apuradas por estimativa. Reforçam o entendimento acima, os esclarecimentos prestados pelo presidente da turma a quo, quando decidiu rejeitar os embargos da Fazenda Nacional, nos seguintes termos: a) O trecho citado pela Embargante constitui apenas parte de um dos dois fundamentos adotados pelo Colegiado recorrido para afastamento da aplicação da multa isolada. O que se constata, ao se considerar o inteiro teor do voto acima, é que o primeiro dos fundamentos do embargado é no sentido de impossibilidade de aplicação da multa isolada a infrações como dedução indevida de despesas, exclusão não autorizada ou Fl. 2136DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 falta de adição ao lucro líquido após o encerramento do ano-calendário (período de apuração). b) Destarte, é neste contexto da fundamentação constante do voto condutor do recorrido, qual seja, de impossibilidade de aplicação da multa isolada após o encerramento do respectivo período de apuração, que devem ser interpretados o trecho e a ementa citados pela Embargante em seu recurso. [...] Por fim, quanto ao outro fundamento autônomo deduzido pelo recorrido para afastamento da aplicação da multa isolada (aplicação do princípio da consunção), deixo de me manifestar, por não ter sido objeto de qualquer manifestação da Embargante no recurso em tela. Nesse rumo, o que importará para se determinar a divergência jurisprudencial é se o paradigma tratará de lançamento de multa isolada em razão de estimativas não recolhidas, efetuado em relação a fatos geradores pós 2007 e após o encerramento do período de apuração; e se essas estimativas não recolhidas decorreram de infrações apuradas em procedimento de ofício, no qual se cobrou, ainda, a correspondente multa de ofício proporcional. Pois bem. Analisando-se o paradigma de nº 9101-003.002, resta-me patente a divergência de interpretação. O anos calendários envolvidos são 2010 e 2011, logo, posteriores a 2007. As estimativas não recolhidas foram apuradas em procedimento de ofício, resultantes de ajustes promovidos na base de cálculo dos tributos e, como centro das discussões, houve o lançamento concomitante da multa de ofício proporcional. Com efeito, vejo que basta a análise desse paradigma para identificar a divergência a ser dirimida por este colegiado, tal como demonstrado pela recorrente. A menção à Súmula CARF nº 105 se deu apenas a título de reforço argumentativo, quando a redatora daquele voto vencedor passou a discorre sobre a evolução legislativa relacionada ao tema e concluiu que as infrações cometidas depois das alterações promovidas pela MP 351/2007 não devem observância a ela. Assim sendo, ratifico o seguimento dado previamente ao recurso, encaminho para dele conhecer e já passo à análise de mérito. Do mérito. Quanto ao mérito, não se trata de matéria nova nesta Turma, que por maioria de votos, em julgamento de minha relatoria, deu provimento ao recurso da União ao admitir a concomitância das multas em relação a fatos geradores ocorridos após a edição da Medida Provisória 351/2007. Refiro-me ao acordão 9202-010.722, prolatado na sessão de 27.4.23. Confira-se as razões por mim declinadas naquela oportunidade, ora reiteradas: Cumpre destacar, de início, que a opção pelo Lucro Real como forma de tributação do IRPJ, impõe a que o contribuinte apure, em regra, trimestralmente seu resultado tributável. Definiu o artigo 1º da Lei 9.430/96, que as apurações deveriam ser encerradas nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário Todavia, à sua opção, o contribuinte poderia apurar seu Lucro Real em 31 de dezembro de cada ano, desde que o imposto fosse antecipado, mensalmente, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos§§1ºe2º do art. 29e nos arts. Fl. 2137DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 30 a 32,34e35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Note-se, até aqui, a preocupação do legislador em que o sujeito passivo recolhesse o imposto ou antecipasse parcela dele ao longo do ano. Trimestralmente, a partir da apuração do Lucro Real; ou mensalmente, a partir de uma apuração que em tudo se assemelha a do Lucro Presumido. Com isso, procurou garantir o legislador o fluxo constante de ingresso de recursos e foi nesse contexto é que se instituiu a multa isolada pelo não recolhimento dessas antecipações que são caras à composição do orçamento público. Afora a hipótese de se suspender ou reduzir o recolhimento dessas antecipações prevista no artigo 35 da Lei 8.981/95 1 , o ponto é que uma vez apurado o valor a ser antecipado, não havia outra alternativa que não o seu recolhimento por parte do contribuinte, sob pena de lhe ser imposta a multa de 50% sobre essa parcela não antecipada. Referido valor (a antecipação) poderia ser utilizado na apuração em 31 de dezembro, reduzindo o montante do IR apurado a ser recolhido ou lhe garantido, como crédito, saldo negativo restituível/compensável devidamente corrigido pela Selic. Uma vez apurado o IRPJ em 31 de dezembro por meio do procedimento de oficio, haverá a imposição da clássica e frequente multa de oficio proporcional a que alude o incido I do artigo 44 da Lei 9.430/96. Nesse contexto, dada à sistemática de apuração das estimativas (antecipações) não se pode garantir, nem de longe, que uma vez apuradas, haveria, também, a apuração do IR devido ao final do período anual de apuração. Não é por outro motivo que o legislador estabeleceu a aplicação dessa multa, ainda que viesse a ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, o que revela sua preocupação com a manutenção do fluxo financeiro do ingresso de recursos ao Erário. Por mais razão ainda pode-se dizer da hipótese em que o sujeito passivo não antecipou mensalmente os valores, mas recolheu, sponte propria, o valor do IR devido ao final do período de apuração anual. Por mais que não haja a cobrança da multa de oficio proporcional do artigo 44, I da Lei 9.430/96, tampouco a cobrança das próprias estimativas, forte na Súmula CARF nº 82, ainda assim o sujeito passivo estará sujeito à multa pela sua não antecipação, com fulcro no artigo 44, II, “b” do mesmo diploma. 1 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano- calendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano-calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 2138DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Registre-se que a expressão “...ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa...”, contida na alínea “b” do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, é o bastante para compreender que a multa isolada é de ser aplicada após o encerramento do período de apuração. Note-se, com isso, que não há uma dependência ou uma subordinação absoluta e abstrata entre as condutas. É dizer: não ter declarado e recolhido o IRPJ apurado em 31 de dezembro não significa dizer – automaticamente - que também não houvera o recolhimento das antecipações; da mesma forma, não ter recolhido as estimativas não nos autoriza – por si só - a afirmar que o IRPJ apurado em 31 de dezembro não fora recolhido. Nesse sentido, não se pode dizer que há uma íntima e automática relação entre a multa pela não antecipação das estimativas e aquela em função do não recolhimento do IR ao final do período de apuração anual, sequer que uma conduta seja preparatória ou complementar a outra, assim penso eu. São duas e distintas as condutas que se pretende reprimir – o que tende a afastar eventual alegação de bis in idem - e que, uma vez não praticadas, darão azo à aplicação de distintas penalidades e com incidência em momentos diversos 2 . Uma pelo descumprimento da obrigação principal de declarar e recolher o tributo devido, sujeita a agravamento e majoração; outra pelo descumprimento da obrigação de antecipar valor devido e em percentual fixo, o que se pode comparar, mutatis mutandis, ao descumprimento de uma obrigação acessória. É bem verdade que uma vez recolhidas as estimativas, eventual valor de IRPJ apurado de ofício ao final do exercício, delas será deduzido, implicando uma multa de ofício proporcional em valor menor em relação àquele que, nas mesmas condições, não recolheu as estimativas. Essas diferentes conclusões, no que toca ao valor da multa proporcional, estão relacionadas à sistemática de apuração do tributo e não a qualquer reconhecimento de que uma penalidade, em função de uma conduta, estaria sendo absorvida por outra, em decorrência de uma outra conduta. Abre-se aqui um parêntese para registrar que a discussão aqui em tela guarda certa semelhança com o que se tem para o mesmo imposto de renda, quando devido, todavia, pelas pessoas físicas. Estou a me referir à concomitância na aplicação da multa de oficio e daquela pelo não recolhimento do carnê-leão, discussão aquela hoje pacificada em razão do enunciado de Súmula CARF nº 147 editado por esta 2ª Seção. Confira-se: Súmula CARF nº 147 Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). Feito o registro, penso não ser essa a praxe do sistema, qual seja, a de uma multa ser absorvida por outra, ainda que se relacionem na apuração de um dos tributos. Veja-se, por exemplo, o que dispõe o § 5º do artigo 344 do RIR/99, que estabelece: 2 O STJ tem manifestado o entendimento de que o princípio da consunção não pode ser aplicado quando os crimes de porte ilegal de arma e disparo de arma de fogo são praticados em momentos diversos, em contextos distintos. Fonte: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2016/2016-08-29_11- 30_Principios-da-consuncao-e-da-insignificancia-entre-os-novos-temas-da-semana.aspx Fl. 2139DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Art.344.Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). [...] §5ºNão são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, §5º). Perceba-se, no lançamento de oficio, por exemplo, de COFINS e IRPJ, a multa de ofício no lançamento da COFINS não impactará a apuração do Lucro Real e, consequentemente, não influirá no eventual lançamento do IRPJ e da correspondente multa de ofício. Com isso, tenho, data maxima venia, que qualquer interpretação que se dê aos dispositivos legais, tornando letra morta a previsão contida naquela alínea “b” do inciso II do artigo 44, para, ao fim e ao cabo, concluir pela inaplicabilidade da multa isolada, acabará por afrontar o espírito da lei que procurou garantir o fluxo financeiro de ingresso de recursos ao Erário. Especificamente no que toca à aplicação do princípio da consunção ou absorção no âmbito do Direito Tributário e no contencioso administrativo, trazido de empréstimo do Direito Penal, tenho forte resistência à sua aceitação, ainda que reconheça ter sua aplicabilidade já admitida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Tenho muita dificuldade em compreender a aplicação de princípio próprio de determinado ramo do Direito (Penal, no caso) em relação ao qual o Direito Tributário se mostra, a rigor, autônomo. Por mais que efetivamente haja uma lógica sistêmica no estudo do Direito e que sua segregação se dê por questões didáticas, o fato é que os bens jurídicos que se tutelam ou que se relativizam impõem, imagino, que a aplicação do Direito deva se dar sob diferentes medidas, sob diferentes olhares e com a aplicação de critérios distintos. Vale dizer, penso que a preocupação dispensada pelo aplicador do Direito não deva ser sempre a mesma em todos os casos. Diga-se, apenas como exemplo, que enquanto no Direito Penal as condutas típicas são, em regra, apenadas observando-se seu elemento subjetivo (a intenção do agente); no âmbito do Direito Tributário, em regra, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Note-se que estando - ambos – inseridos no ramo do Direito Público não é difícil identificar sua significativa importância para o conjunto da coletividade. Enquanto que através do Direito Penal se busca garantir, proporcionar ou viabilizar a convivência civilizada e pacífica em sociedade; por meio do Direito Tributário espera-se prover o Estado de recursos necessários às politicas públicas que conduzirão, é o que se espera, ao bem estar de seu povo. Todavia, não se descuidou o legislador constituinte de proteger os direitos individuais fundamentais contra uma atuação estatal que, a pretexto de se estar protegendo um direito coletivo, venha se afigurar – a seus olhos – desmedida/desarrazoada. Pode-se dizer que no Direito Penal cuidou o legislador de também olhar para o direito à liberdade (em sentido mais estrito), à vida e à dignidade humana daquele que cometera o ato penalmente reprovável; no Direito Tributário, o direito à propriedade (liberdade em sentido mais amplo) daquele obrigado a recolher o tributo e dos que assim não o fizeram. Fl. 2140DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Penso que a lógica constitucional foi a de não conferir, até mesmo aos direitos fundamentais de primeira geração 3 , proteção absoluta. Todavia, procurou estabelecer limites ou condições para a sua preservação. No âmbito das penas, têm-se como exemplos o disposto nos incisos XLVII e XLIX do art. 5º da CRFB/88. Já no que toca ao direito à propriedade, os incisos XXII e XXIII do mesmo artigo, além dos artigos 150 a 152 da nossa Constituição da República, em especial no inciso IV daquele artigo 150. Vejo, com isso, que a lógica de se admitir, no âmbito do Direito Penal, a consunção ou a absorção dos crimes está sobremaneira mais alinhada às diretrizes constitucionais voltadas à proteção dos direitos fundamentais do apenado, como por exemplo e a depender do caso, o da proibição de penas de caráter perpétuo; do que, na seara do Direito Tributário, em relação à garantia do não confisco ou à salvaguarda do direito à propriedade, que inclusive deve atender à sua função social. Em outras palavras: penso que todos os dispositivos, princípios ou regras em geral que venham a, de uma forma ou de outra, reduzir a pena que seria imputada ao criminoso – e aí são alguns os exemplos – estão alinhados à preocupação do constituinte originário em também não se admitir penas de caráter perpetuo, sobretudo nos casos que a depender da soma das penas cominadas acabe-se por inviabilizar o retorno do apenado à liberdade, à vida em sociedade – antes de sua morte. De outro giro, não vejo esse mesmo e necessário alinhamento na aplicação desse princípio, notadamente pelo julgador administrativo, a pretexto de se proteger a propriedade privada em face das normas de Direito Tributário, sobretudo quando o próprio CTN prescreve em seu artigo 97 que somente a lei poderá estabelecer, dentre outras, as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Vale mencionar, para fins de mera reflexão, a aplicabilidade do princípio da bagatela ou insignificância no âmbito do Direito Penal. A grosso modo e observados alguns requisitos estabelecidos pela jurisprudência, entende-se que a depender do delito, das circunstâncias do caso concreto, por mais que se reconheça a tipicidade formal da conduta, é comum que se declare a sua não tipicidade material, com espeque, dentre outros, no princípio da intervenção mínima do Direito Penal, o que resultaria no desinteresse do Estado em sancionar a conduta do agente. Do lado do Direito Tributário podem-se destacar a não inscrição em Dívida Ativa da União de valor inferior a R$ 1.000,00 e o não ajuizamento de executivo fiscal de valor abaixo de R$ 20.000,00, estabelecidas na Portaria MF 75/2012 4 . 3 Direitos de Primeira Geração Os direitos fundamentais de primeira geração ou dimensão são os direitos individuais com caráter negativo por exigirem diretamente uma abstenção do Estado, seu principal destinatário. Alguns exemplos de direitos fundamentais de primeira geração são o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à liberdade de expressão, à participação política e religiosa, à inviolabilidade de domicílio, à liberdade de reunião, entre outros. Fonte: https://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/geral/direitos-fundamentais-de-primeira-segunda-terceira-e-quarta- geracao 4 Editada pelo Minsitro da Fazenda no uso da atribuição que lhe confere o parágrafo único, inciso II, do art. 87 da Constituição da República Federativa do Brasil e tendo em vista o disposto no art. 5º do Decreto-Lei nº 1.569, de 8 Fl. 2141DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Note-se que por mais que possa haver, em ambos os casos, uma análise da relação de custo-benefício entre a atuação estatal e o fim almejado, penso, todavia, que isso se dá sob diferentes enfoques. Enquanto no Direito Penal a preocupação do Estado se volta precipuamente a não intervir na liberdade individual do agente em função de uma conduta de tudo não reprovável pela sociedade e cuja sanção se mostraria desarrazoada; no Tributário a intenção da norma seria, assim entendo, a de não movimentar a máquina pública para a persecução de valor que não viesse a justificar o custo desprendido para tal objetivo, tal como ocorre, também, na não emissão de DARF em valor inferior a R$ 10,00. E diga-se que o § 2º do artigo 108 do próprio CTN estabelece que “o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido”. Ou seja, ao se aplicar referido princípio (absorção), próprio do Direito Penal, penso que a pretensão residiria na salvaguarda da propriedade privada do contribuinte fora das hipóteses previstas nos artigos 150 a 152 da CRFB/88 (que são voltadas ao legislador) ou mesmo em descompasso com aquele artigo 97, em detrimento do interesse público que justificaria a tributação pelo Estado e, neste caso, a aplicação de sanção pelo não recolhimento de valor legalmente devido. Assim procedendo, imagino que não se está plicando diretamente a legislação tributária, mas sim a interpretando, valendo-se de princípio próprio do Direito Penal, com vistas a deixar de exigir crédito tributário em hipótese não prevista no CTN. Com essa mesma conclusão, adiciono às minhas razões, as da Conselheira Adriana Gomes Rêgo externadas no voto vencedor do acórdão 9101-003.002, proferido na sessão de 8/8/2017. Nelas há importantes considerações acerca da alteração legislativa que deu novo sentido à multa isolada prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, além de descrever o ambiente normativo em que foi editado o enunciado da sumula CARF 105. Confira-se 5 : [...] “No mérito, outra questão a ser dirimida no recurso da contribuinte diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observe-se: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. de agosto de 1977; no parágrafo único do art. 65 da Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989; no § 1º do art. 18 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; no art. 68 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e no art. 54 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 5 As Notas de Rodapé encontram-se no original. Fl. 2142DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II – dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III – do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV – do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Vê-se, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazê-lo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitando-se, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Como se vê no auto de infração de CSLL (efls. 3 e ss), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais desse tributo, referente ao ano calendário 2010 e 2011, teve fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007. Sobre o assunto, há aqueles que alegam que as alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, não teriam afetado, substancialmente, a infração sujeita à aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de cálculo e mantendo a vinculação da base imponível ao tributo devido no ajuste anual. Nesse sentido, muitas vezes, invocam a própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351, de 2007, que limitou-se a esclarecer que a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. E, ainda que se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, para essas pessoas subsistiria o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que imporia o afastamento da penalidade menos gravosa. Ora, a vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do ano calendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resulta falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de Fl. 2143DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, esta penalidade foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual, ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%, e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Veja-se: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V - isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) [...] A redação original do dispositivo legal resultou, assim, em punições equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre este conflito, a jurisprudência administrativa posicionou-se majoritariamente contra a subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta. Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do ano calendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observe-se: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 2144DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). As consequências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 910100.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Daí porque despropositada a decisão recorrida que, após reconhecer expressamente a modificação da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007, e transcrever os mesmos dispositivos legais acima, abruptamente conclui no sentido de que (efls. 236): Portanto, cabe excluir a exigência da multa de ofício isolada concomitante à multa proporcional. Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por omissão, interpostos pela Fazenda Nacional contra aquela decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (efls. 247): Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas. Isso porque é sabido que um dos fatores que levou à mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte [das] disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: [...]. Fl. 2145DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do ano calendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir, no parágrafo § 1º, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornou-se um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Veja-se a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II –de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Destaque-se, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do ano calendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre data em que a estimativa deveria ser Fl. 2146DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 paga e o encerramento do ano calendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do ano calendário, sujeita-se a outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do ano calendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. Explico. O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado pelo Pleno da CSRF, e mesmo pela 1ª Turma da CSRF. Veja-se, abaixo, os verbetes submetidos a votação de 2009 a 2014: PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 2009 [...] ANEXO I I – ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DO PLENO: [...] 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº : Até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. [...] PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2012 [...] ANEXO ÚNICO [...] II – ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 1ª TURMA DA CSRF: [...] 17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnê leão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 340100078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/10/ 2011. [...] III – ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 2ª TURMA DA CSRF: [...] 22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Fl. 2147DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnê leão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 340100078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/10/ 2011. [...] PORTARIA Nº18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2013 [...] ANEXO I I – Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF: [...] 9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001261, de 22/11/11; 9101001203, de 22/11/11; 9101001238, de 21/11/11; 9101001307, de 24/04/12; 1402001.217, de 04/10/12; 110200748, de 09/05/12; 1803001263, de 10/04/12. [...] PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2014 [...] ANEXO I [...] II – Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF: [...] 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 1101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. [...] É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração legislativa. De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de infrações cometidas a partir do novo contexto legislativo ainda não apresentava densidade suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado. Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da CSRF, rejeitou, por três vezes, nos anos de 2009, 2012 e 2013, o enunciado contrário à concomitância das Fl. 2148DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 penalidades até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007. As discussões nestas votações motivaram alterações posteriores com o objetivo de alcançar redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental. Com a rejeição do enunciado de 2009, a primeira alteração consistiu na supressão da vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, substituindo a, como marco temporal, pela referência à data de sua publicação. Também foram separadas as hipóteses pertinentes ao IRPJ/CSLL e ao IRPF, submetendo-se à 1ª Turma e à 2ª Turma da CSRF os enunciados correspondentes. Seguindo-se nova rejeição em 2012, o enunciado de 2009 foi reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado. Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007", ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades a partir das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, apesar de a jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido. Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 2014 foi redigido de forma direta, de modo a abarcar, apenas, a jurisprudência firme daquele Colegiado: a impossibilidade de cumulação, com a multa de ofício proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Omitiu-se, intencionalmente, qualquer referência às situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os efeitos sumulares10 à parcela do litígio já pacificada. Assim, a Súmula CARF nº 105 tem aplicação, apenas, em face de multas lançadas com fundamento na redação original do art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007, e ainda que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%, dado que tal providência não decorre de nova fundamentação do lançamento, mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Neste sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da súmula reportam-se, todos, a infrações cometidas antes de 2007: Acórdão nº 9101-001.261: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 9101-001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2149DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOS CALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Acórdão nº 9101-001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA. ANO CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101-001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano Calendário: 1998 [...] MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1402-001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] Acórdão nº 1102-000.748: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 Ementa: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 2150DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. [...] Acórdão nº 1803-001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 [...] APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Frente a tais circunstâncias, ainda que precedentes da súmula veiculem fundamentos autorizadores do cancelamento de exigências formalizadas a partir da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, não são eles, propriamente, que vinculam o julgador administrativo, mas sim o enunciado da súmula, no qual está sintetizada a questão pacificada. Digo isso porque esses precedentes têm sido utilizados para se tentar aplicar outra tese no sentido de afastar a multa, qual seja a do princípio da consunção, exposta pelo relator. Ora se o princípio da consunção fosse fundamento suficiente para inexigibilidade concomitante das multas em debate, o enunciado seria genérico, sem qualquer referência ao fundamento legal dos lançamentos alcançados. A citação expressa do texto legal presta-se a firmar esta circunstância como razão de decidir relevante extraída dos paradigmas, cuja presença é essencial para aplicação das consequências do entendimento sumulado. Da mesma forma que faz o i. Relator, há quem argumente que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Sustentam os adeptos dessa tese que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveito-me, inicialmente, do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a Fl. 2151DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, reveste- se de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido converte-se em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicam-se às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual pode-se concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante Fl. 2152DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somar-se outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2º da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2º da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, infere-se que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaram-se no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma Fl. 2153DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que trata-se, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos11 e exigidas de forma isolada. Sob esta ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, §2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos. Veja-se, aliás, que as manifestações do Superior Tribunal de Justiça acima citadas expressamente reconhecem este ônus como decorrente de uma opção, e distinguem a antecipação do pagamento do pagamento em si, isto para negar a aplicação de juros a partir de seu recolhimento no confronto com o tributo efetivamente devido ao final do ano calendário. É certo que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça já consolidou seu entendimento contrariamente à aplicação concomitante das penalidades em razão do princípio da consunção, conforme evidencia a ementa de julgado recente proferido no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. Todavia, referidos julgados não são de observância obrigatória na forma do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Além disso, a interpretação de que a falta de recolhimento da antecipação mensal é infração abrangida pela falta de recolhimento do ajuste anual, sob o pressuposto da existência de dependência entre elas, sendo a primeira infração preparatória da segunda, desconsidera o prejuízo experimentado pela União com a mora subsistente em razão de o tributo devido no ajuste anual sofrer encargos somente a partir do encerramento do ano calendário. Favorece, assim, o sujeito passivo que se obrigou às antecipações para apurar o lucro tributável apenas ao final do ano calendário, conferindo-lhe significativa vantagem econômica em relação a outro sujeito passivo que, cometendo a mesma infração, mas optando pela regra geral de Fl. 2154DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 apuração trimestral dos lucros, suportaria, além do ônus da escrituração trimestral dos resultados, os encargos pela falta de recolhimento do tributo calculados desde o encerramento do período trimestral. Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[15 Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Compete-lhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, ser-lhe-ão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI – Da Infração Administrativa] ser-lhe-ão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[16 Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando observada Fl. 2155DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade. No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delito meio ou delito fim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...] Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornou-se um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Veja-se a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II –de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderando-se todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação Fl. 2156DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação alterada não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescente-se que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do ano calendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Neste sentido, aliás, são as considerações do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressalte-se que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. [...] Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, além dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnê leão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação Fl. 2157DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondo-se igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Tais circunstâncias são totalmente distintas das que ensejam a aplicação de multa moratória ou multa de ofício sobre tributo não recolhido. Nesta segunda hipótese, sim, a base fática é idêntica, porque a infração de não recolher o tributo no vencimento foi praticada e, para compensar a União o sujeito passivo poderá, caso não demande a atuação de um agente fiscal para constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, sujeitar-se a uma penalidade menor. Se o recolhimento não for promovido depois do vencimento e o lançamento de ofício se fizer necessário, a multa de ofício fixada em maior percentual incorpora, por certo, a reparação que antes poderia ser promovida pelo sujeito passivo sem a atuação de um Auditor Fiscal. Imprópria, portanto, a ampliação do conteúdo expresso no enunciado da súmula a partir do que consignado no voto condutor de alguns dos paradigmas. É importante repisar, assim, que as decisões acerca das infrações cometidas depois das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não devem observância à Súmula CARF nº 105 e os Conselheiros têm plena liberdade de convicção. Somente a essência extraída dos paradigmas, integrada ao enunciado no caso, mediante expressa referência ao fundamento legal aplicável antes da edição da Medida Provisória nº 351, de 2007 (art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996), representa o entendimento acolhido pela 1ª Turma da CSRF a ser observado, obrigatoriamente, pelos integrantes da 1ª Seção de Julgamento. Nada além disso. De outro lado, releva ainda destacar que a aprovação de um enunciado não impõe ao julgador a sua aplicação cega. As circunstâncias do caso concreto devem ser analisadas e, caso identificado algum aspecto antes desconsiderado, é possível afastar a Aplicação da súmula. Veja-se, por exemplo, que o enunciado da Súmula CARF nº 105 é omisso acerca de outro ponto que permite interpretação favorável à manutenção parcial de exigências formalizadas ainda que com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste sentido é a declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1302001.753: A multa isolada teve em conta falta de recolhimento de estimativa de CSLL no valor de R$ 94.130,67, ao passo que a multa de ofício foi aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual no valor de R$ 31.595,78. Discute-se, no caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105 de seguinte teor: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Os períodos de apuração autuados estariam alcançados pelo dispositivo legal apontado na Súmula CARF nº 105. Todavia, como evidenciam as bases de cálculo das penalidades, a concomitância se verificou apenas sobre parte da multa isolada exigida Fl. 2158DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 por falta de recolhimento da estimativa de CSLL devida em dezembro/2002. Importa, assim, avaliar se o entendimento sumulado determinaria a exoneração de toda a multa isolada aqui aplicada. A referência à exigência ao mesmo tempo das duas penalidades não possui uma única interpretação. É possível concluir, a partir do disposto, que não subsiste a multa isolada aplicada no mesmo lançamento em que formalizada a exigência do ajuste anual com acréscimo da multa de ofício proporcional, ou então que a multa isolada deve ser exonerada quando exigida em face de antecipação contida no ajuste anual que ensejou a exigência do principal e correspondente multa de ofício. Além disso, pode-se interpretar que deve subsistir apenas uma penalidade quando a causa de sua aplicação é a mesma. Os precedentes que orientaram a edição da Súmula CARF nº 105 auxiliam nesta interpretação. São eles: [...] Observa-se nas ementas dos Acórdãos nº 9101001.261, 9101001.307 e 1803001.263 a abordagem genérica da infração de falta de recolhimento de estimativas como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, e que por esta razão é absorvida pela segunda infração, devendo subsistir apenas a punição aplicada sobre esta. Sob esta vertente interpretativa, qualquer multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas sucumbiria frente à exigência do ajuste anual com acréscimo de multa de ofício. Porém, os Acórdãos nº 9101001.203 e 9101001.238, reportam-se à identidade entre a infração que, constatada pela Fiscalização, enseja a apuração da falta de recolhimento de estimativas e da falta de recolhimento do ajuste anual, assim como os Acórdãos nº 1402001.217 e 1102000.748 fazem referência a aplicação de penalidades sobre a mesma base, ou ao fato de a base de cálculo das multas isoladas estar contida na base de cálculo da multa de ofício. Tais referências permitem concluir que, para identificação da concomitância, deve ser avaliada a causa da aplicação da penalidade ou, ao menos, o seu reflexo na apuração do ajuste anual e nas bases estimativas. A adoção de tais referenciais para edição da Súmula CARF nº 105 evidencia que não se pretendeu atribuir um conteúdo único à concomitância, permitindo-se a livre interpretação acerca de seu alcance. Considerando que, no presente caso, as infrações foram apuradas de forma independente estimativa não recolhida em razão de seu parcelamento parcial e ajuste anual não recolhido em razão da compensação de bases negativas acima do limite legal e assim resultaram em distintas bases para aplicação das penalidades, é válido concluir que não há concomitância em relação à multa isolada aplicada sobre a parcela de R$ 62.534,89 (= R$ 94.130,67 R$ 31.595,78), correspondente à estimativa de CSLL em dezembro/2002 que excede a falta de recolhimento apurada no ajuste anual. Divergência neste sentido, aliás, já estava consubstanciada antes da aprovação da súmula, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 120100.235, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: [...] O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela Fl. 2159DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72: R$ 631.537,55 [...] A observância do entendimento sumulado, portanto, pressupõe a identificação dos requisitos expressos no enunciado e a análise das circunstâncias do caso concreto, a fim de conferir eficácia à súmula, mas não aplica-la a casos distintos. Assim, a referência expressa ao fundamento legal das exigências às quais se aplica o entendimento sumulado limita a sua abrangência, mas a adoção de expressões cujo significado não pode ser identificado a partir dos paradigmas da súmula confere liberdade interpretativa ao julgador. Como visto, no caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida para fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo ambas as multas devidas. Com relação ao segundo argumento apresentado pela Contribuinte, de que a multa isolada "também deve ser afastada pela impossibilidade de se exigir esta multa após o encerramento do ano calendário", cumpre esclarece que evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do ano calendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Nestes termos, a lei afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do ano calendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Assinale-se, por fim, que a conjugação dos argumentos contrários à aplicação da multa isolada depois do encerramento do ano calendário e favorável à adoção do princípio da consunção resultaria em cenário no qual a falta de recolhimento de estimativas somente seria punida se a infração fosse constatada antes do encerramento do ano calendário, interpretação que praticamente nega eficácia ao dispositivo legal e confere significativa vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável.” Diante do exposto, VOTO por CONHECER do recurso para DAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 2160DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 9202-011.059 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720719/2019-36 Fl. 2161DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13839.003409/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTUDO. REMUNERAÇÃO INDIRETA.
Constitui salário indireto a concessão de bolsas de estudo custeada pela empresa em benefício dos dependentes de seus empregados, sendo considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
APLICAÇÃO DA MULTA DO ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REVOGAÇÃO DA SÚMULA 119 DO CARF. RETROATIVIDADE BENIGNA DA MULTA. PERCENTUAL MÁXIMO DE 20%. Com a revogação da súmula nº 119, DOU 16/08/2021, o CARF alinhou seu entendimento ao consolidado pelo STJ. Deve-se apurar a retroatividade benigna a partir da comparação do devido à época dos fatos com o regramento contido no atual artigo 35, da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, mesmo em se tratando de lançamentos de ofício.
Numero da decisão: 2201-011.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação da retroatividade benigna, mediante a a comparação entre as multas de mora previstas na antiga e na nova redação do art. 35 da lei 8.212/91.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernando Gomes Favacho - Relator
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Luciana Matos Pereira Sanchez (suplente convocado(a)), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO
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REMUNERAÇÃO INDIRETA. Constitui salário indireto a concessão de bolsas de estudo custeada pela empresa em benefício dos dependentes de seus empregados, sendo considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. APLICAÇÃO DA MULTA DO ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REVOGAÇÃO DA SÚMULA 119 DO CARF. RETROATIVIDADE BENIGNA DA MULTA. PERCENTUAL MÁXIMO DE 20%. Com a revogação da súmula nº 119, DOU 16/08/2021, o CARF alinhou seu entendimento ao consolidado pelo STJ. Deve-se apurar a retroatividade benigna a partir da comparação do devido à época dos fatos com o regramento contido no atual artigo 35, da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, mesmo em se tratando de lançamentos de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação da retroatividade benigna, mediante a a comparação entre as multas de mora previstas na antiga e na nova redação do art. 35 da lei 8.212/91. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 34 09 /2 00 8- 32 Fl. 666DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003409/2008-32 (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Luciana Matos Pereira Sanchez (suplente convocado(a)), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o Auto de Infração DEBCAD: 37.096.2554 (fl. 02), com cientificação em 15/07/2008, de Contribuições da Empresa sobre a remuneração de empregados, relativo ao período de 01/2004 a 12/2004. Conforme Relatório Fiscal (fls. 130 a 136) as contribuições destinadas à Seguridade Social correspondem à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), constatadas em ação fiscal. Trata o relatório sobre bolsas de estudo concedidas a dependentes de funcionários da empresa, devido à constatação de ausência de registro na contabilidade, não tendo a Contribuinte incluído nas folhas de pagamento e GFIPs os valores nesse período, sem consequentemente declarar as contribuições incidentes sobre estes valores. Para a fiscalização os valores a título de bolsas de estudo configuram remuneração indireta, é dizer, ganhos habituais sob a forma de utilidades, pelo que incide contribuição previdenciária. Na Impugnação (fls. 139 a 161) a Contribuinte contesta os seguintes temas: 1) Que por se tratar de empresa cujo objeto social é a prestação de serviços educacionais, disponibiliza até duas bolsas de educação aos professores que emprega. 2) Que a educação não integra o conceito salário, ou de prestação in natura previsto no artigo 458 da CLT e não se trata de pagamento em contra prestação por trabalho prestado. 3) Que, diversamente do alegado pela fiscalização, cobra uma mensalidade dos professores, pelas aulas que ministra aos filhos dos mesmos, sendo que esta corresponde, apenas, ao custo econômico despendido para a prestação dos serviços, visto que a SIGMA não objetiva obter lucro sobre os professores. 4) Requer prazo de trinta dias para juntar os boletos bancários que estão em poder da instituição financeira. 5) Questiona a legalidade das contribuições devidas ao SESC e SENAC alegando, inclusive, que por ser prestadora de serviços não está listada em nenhum sindicato filiado à Confederação Nacional do Comércio, que enumera. Fl. 667DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003409/2008-32 6) Questiona a legalidade das contribuições devidas ao SEBRAE uma vez que não está autorizada à prática de comércio. 7) Questiona a legalidade das contribuições devidas ao INCRA, pois, dentre outras alegações, diz não ser contribuinte do ITR, e as respectivas contribuições ao órgão não constam em nenhuma parte do corpo da Lei 8.212/91. 8) Que a taxa SELIC não pode ser exigida por não ter sido instituída por lei, transcrevendo decisão. O Acórdão n. 05-27.571 da 9ª Turma da DRJ/CPS (fls. 630 a 640) julgou a impugnação improcedente. Inicialmente, esclarece que o oferecimento das bolsas aos filhos de empregados da empresa configura ganho efetivo, motivo pelo qual integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não podendo considerar a excludente que trata a alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Além disso, considera que o fornecimento das bolsas representa acréscimo patrimonial, dado que sua suspensão acarretaria em ônus aos trabalhadores, que seriam obrigados a desembolsar de seu salário o valor das bolsas recebidas, já que os benefícios são concedidos frequentemente. Quanto aos boletos anexados pela ora impugnante, na tentativa de demonstrar o custeio parcial por parte dos empregados pelas bolsas de estudo recebidas, julgou-se que os valores são insuficientes para retificar o lançamento, dado que já haviam sido subtraídos do lançamento em relação ao valor total das bolsas. Evidenciou-se, também, que nos boletos anexados não consta a origem da cobrança, não havendo identificação a que se destinam. Com relação às contribuições destinadas a terceiros (SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE) dispõe o Acórdão que os diplomas legais estão evidenciados no rol de fundamentos legais que compõem o auto de infração, inclusive por período a que se referem. Quanto aos acréscimos legais e a taxa SELIC, esclareceu-se que a utilização é decorrente da lei n. 8.212/1991, em seu artigo 34. E, ainda, que a aplicação da taxa na cobrança de tributos em atraso possui caráter moratório, visando recompor o patrimônio do Ente Federativo. Tratando das ilegalidades apontadas pela defesa, considera que as discussões em torno de inconstitucionalidade de lei são estranhas ao processo administrativo. Por fim, julgou-se que deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, ainda que não tenha impugnado em impugnação, conforme o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), no momento do pagamento do débito. Cientificada em 11/12/2009 (fl. 642) a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 643 a 654) em 11/01/2010 (fl. 656). Nele, defende que as bolsas de estudos não integram o salário dos empregados e que não são concedidas em caráter habitual, pois, é limitada ao período de duração do curso. Fl. 668DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003409/2008-32 Baseada na verdade material também defende que os boletos anexados anteriormente devem ser acolhidos, vez que se destinam à cobrança dos empregados pela bolsa de estudos, não havendo outro motivo para a cobrança. Por fim, contesta, mais uma vez, a legalidade da taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. Admissibilidade Inicialmente, atesto a tempestividade da peça recursal. Cientificada em 11/12/2009 (fl. 642) a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 11/01/2010 (fl. 656). Bolsas de estudo. Remuneração Indireta. Alega a Recorrente que, diferente do alegado pela fiscalização, as bolsas educacionais não integram o salário dos empregados, seja pela inadequação no conceito de salário estabelecido pela CLT seja pela não habitualidade do benefício. Além disso, requer que sejam considerados os boletos como comprovação de que não custeava a integralidade do valor das bolsas, embasada no princípio da verdade material. A Decisão de primeira instância pontuou que, para efeito de incidência das contribuições previdenciárias, é o art. 28, I da Lei n. 8.212/1991 que conceitua salário de contribuição. Com base nos dizeres da norma, aduz que se trata de educação básica de seus empregados vinculados ao trabalho. Em que pese a concessão das bolsas aos dependentes, e não aos empregados diretamente, não é possível seguir qualquer excludente legal. Além disso, considera que há ganho efetivo por parte dos funcionários, representando acréscimo patrimonial. Considerando que não há a demonstração do pagamento parcial por parte dos empregados, tampouco da ausência de habitualidade, restringe-se a defesa da Recorrente em afirmar que o benefício se limita ao período de duração dos cursos, mantenho o entendimento de piso quanto ao tema. Ainda que se considerassem os boletos anexados anteriormente, de forma que a empresa demonstrasse que não custeava integralmente os cursos, a concessão das bolsas educacionais possui caráter salarial, vez que não se vincula às atividades desenvolvidas na empresa por seus funcionários. Logo, integra a base de cálculo das contribuições. Aplicação da Taxa SELIC. Em sede recursal a Contribuinte contesta a aplicação da Taxa SELIC, vez que em matéria tributária, no que se refere aos juros e à correção monetária, não poderia ser aplicada outra norma que a constante no CTN. Fl. 669DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003409/2008-32 Razão aqui também não se encontra ao lado da Recorrente, vez que, em consonância com a pacífica jurisprudência deste Conselho, a aplicação da taxa Selic tem a sua legalidade assegurada por sua plena conformação com os termos do artigo 161, §1º, do CTN. O assunto resta inclusive sumulado. Vide Súmula CARF n. 4, aprovada pelo Pleno em 2006: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da multa mais benéfica. Ainda que a Recorrente não tenha se manifestado sobre o tema, em que pese o julgamento de primeira instância, é importante mencionar as alterações que favorecem a Contribuinte. Há multa no Auto de Infração por falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, o que implica na multa do art. 35 da Lei 8.212/1991. Assim consta a nova redação do art. 35, dada pela Lei n. 11.941/2009: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E assim consta na nova redação da Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Com a revogação da súmula n. 119, o CARF alinhou seu entendimento ao consolidado pelo STJ. Deve-se apurar a retroatividade benigna a partir da comparação do devido à época dos fatos com o regramento contido no artigo 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, mesmo em se tratando de lançamentos de ofício. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para determinar a aplicação da retroatividade benigna, mediante a comparação das multas de mora previstas na antiga e na nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991. (documento assinado digitalmente) Fl. 670DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003409/2008-32 Fernando Gomes Favacho Fl. 671DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10660.722683/2010-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, as despesas médicas pagas em benefício do contribuinte titular ou de seus dependentes, quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea na forma da legislação de regência.
MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-006.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução da despesa médica no valor de R$ 2.580,36. Vencido o conselheiro Wilderson Botto, que dava provimento integral.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO
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São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, as despesas médicas pagas em benefício do contribuinte titular ou de seus dependentes, quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea na forma da legislação de regência. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução da despesa médica no valor de R$ 2.580,36. Vencido o conselheiro Wilderson Botto, que dava provimento integral. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 26 83 /2 01 0- 10 Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 04/07, relativo ao ano-calendário de 2005, exercício de 2006, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 6.271,63, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 05, foi Dedução Indevida com Despesas Médicas no valor de R$ 10.280,36. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 05/07. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 06/08/2010, fl. 65, a contribuinte apresentou impugnação em 17/08/2010, fl. 02, alegando, em síntese, que estava anexando documentos que comprovam a efetividade das despesas médicas glosadas. A contribuinte anexou aos autos os documentos de fls. 03/46 A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas, próprias ou com dependentes, somente podem ser dedutíveis para efeito de apuração da base cálculo do imposto de renda devido quando devidamente comprovadas. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/10/2013, o sujeito passivo interpôs, em 14/11/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os documentos apresentados são idôneos e refletem pagamentos realizados em dinheiro; b) a legislação apenas exige emissão de nota ou cupom fiscal, mas recibos, e o ônus da prova da sua invalidade é da autoridade fiscal; c) anexa os contracheques para comprovar o desconto da coparticipação no plano de saúde (CABERJ), totalizando R$ 2.695,15. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 O litígio recai sobre a regularidade da comprovação materializada nos recibos apresentados para dedução de despesas médicas (efetivo pagamento). A decisão de piso reconhece a dedução apenas a dedução da despesa médica relativa ao profissional Hélio de Paula Lemes, no valor de R$ 2.600,00, remanescendo o debate acerca da glosa no valor de R$ 7.680,36: No presente caso para comprovar a efetividade das despesas médicas declaradas e posteriormente glosadas pela fiscalização, a contribuinte anexou os recibos, cópias de cheques e cópia do seu extrato bancário, onde se confirma o pagamento ao profissional Hélio de Paula Lemes no valor de R$ 2.600,00, no ano de 2005. Quanto à dedução de despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). No caso das deduções do Imposto de Renda Pessoa Física, o ônus da prova é do contribuinte, que é quem se beneficia da redução da base de cálculo do imposto, e, não o fazendo, deve este assumir as consequências legais, resultando no não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas. Ou seja, com isso o legislador deslocou para o contribuinte o ônus probatório, uma vez que ele pode ser instado a comprovar ou justificar suas deduções. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Nos presentes autos, verifica-se que foi solicitada a comprovação efetiva dos dispêndios realizados (fls. 4/6), conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento. A ausência de comprovação do efetivo pagamento e execução dos serviços ora caracterizam-se como pontos fulcrais motivadores do lançamento, mas o interessado não se desincumbiu de tal obrigação ao longo de toda a lide. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugere-se: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais Impende, neste momento, a citação da Súmula deste Egrégio Conselho, de número 180, de cristalino enunciado para esclarecimento final da questão: Súmula CARF nº 180 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. Em relação à despesa com coparticipação no plano de saúde (CABERJ), totalizando R$ 2.580,36, a decisão de piso sustenta que a recorrente não apresentou comprovante da referida despesa: Com relação a despesa médica glosada com a CABERJ no valor de R$ 2.580,36, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a referida despesa. Entendo que os contracheques de fls. 87/92 da CABERJ que totalizam R$ 2.695,15, supre a falta de comprovação inquinada na decisão de piso. Assim, Vale salientar que o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF/88), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando-o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pelo Recorrente. Assim, é de se admitir a juntada extemporânea dos documentos de fls. 87/92 em homenagem ao Princípio da Verdade Real e formalismo moderado, conforme jurisprudência deste E. Tribunal. Neste particular, é de se restabelecer a dedução da despesa médica com CABERJ, no valor de R$ 2.580,36. Por outro lado, em relação às deduções relativas a Maria Inez Barreto Furtado Melo e Maria Helena Furtado dos Santos, o fato é que, apesar de reafirmar seu inconformismo por meio de recurso voluntário, remanesce a falta de atendimento a todos os requisitos legais para seu aceite como prova contundente da assunção do pagamento das despesas médicas, por não comprovarem o seu efetivo pagamento, como já indicado corretamente pela DRJ. Verifica-se, portanto, que, apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida, a qual, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, passa a compor as razões de decidir da presente: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2005, exercício 2006, relativo à infração de dedução indevida com despesas médicas. Em sua impugnação, a contribuinte alega, em síntese, que estava apresentando documentos que comprovam a efetividade das despesas médicas glosadas. Nesse passo, deve-se observar os dispositivos da legislação tributária que regulam a matéria: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Não há dúvidas que a legislação de regência acima transcrita estabelece que na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos no ano-calendário a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindo-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativo ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Tal dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu (inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Com relação aos recibos médicos e notas fiscais emitidos por profissionais/clinicas, temos que esclarecer que a Lei nº 9.250, de 1995, no §2°, III, do mesmo artigo 8°, reforça, ainda, que a possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limita- se a pagamentos comprovados e logo a seguir enumera os requisitos formais dos quais estes comprovantes devem ser revestidos, como nome do emitente, endereço, CPF ou CNPJ. Ressalta-se quanto ao inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999, é equivocado entender- se que basta para comprovação de despesas médicas/odontológicas a apresentação de recibo contendo o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo legal. A indicação refere-se aos dados que devem constar na declaração de ajuste, relacionados dentre os pagamentos efetuados, que devem estar baseados em documentação idônea. A tônica do dispositivo é a especificação e comprovação tanto dos serviços prestados quanto dos pagamentos, tanto que se admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo essa forma de prova pode estar sujeita à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois a prestação do serviço ao contribuinte ou a seus dependentes, aliada ao pagamento, é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995. É regra geral no Direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Nesse sentido, como já mencionado anteriormente, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar com comprovantes as despesas e que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. As deduções, no caso, são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 Em princípio, admite-se como prova hábil de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, outras provas podem ser solicitadas. De acordo com a Notificação de Lançamento as despesas médicas foram glosadas conforme abaixo discriminadas: · Maria Inez Barreto Furtado Melo – R$ 3.550,00 – falta do efetivo pagamento; · Maria Helena Furtado dos Santos – R$ 1.550,00 – falta do efetivo pagamento; (...) Para os valores de R$ 1.550,00 e R$ 3.550,00, com as profissionais Maria Helena Furtado e Maria Inez Barreto Furtado, respectivamente, a contribuinte apresentou declarações das mesmas confirmando que receberam os valores acima mencionados. Foram anexados aos autos, cópias dos extratos bancários do ano de 2005, tendo sido grifados valores sacados, para comprovar os pagamentos em espécie com as profissionais Maria Helena Furtado e Maria Inez Barreto Furtado. Porém, em análise aos referidos extratos não existe correlação entre os valores e datas de saques com valores e datas constantes nos recibos emitidos pelas profissionais. Frise-se que a referidas despesas foram glosadas por falta da comprovação do efetivo pagamento. Para se beneficiar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do efetivo pagamento, ainda que os emitentes tenham confirmado o atendimento do contribuinte e/ou de seus dependentes. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica, caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos, não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também o fisco e, por isso, deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. A emissão de recibo de pagamento serve muito bem para quitar um débito e fazer prova contra o credor, mas não para comprová-lo junto a terceiros interessados. O julgador administrativo não está adstrito a uma pré-estabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo estabelecer sua convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem, desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar- lhe parcial provimento para restabelecer a dedução da despesa médica no valor de R$ 2.580,36. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-006.202 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.722683/2010-10 Fl. 104DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925764/2017-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 1003-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo de Oliveira Machado- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 57 64 /2 01 7- 51 Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de Acórdão nº 108- 021.531, proferido pela 25ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A DERAT de São Paulo- SP emitiu o Despacho Decisório eletrônico nº. 128365009 no dia 01 de dezembro de 2017, cujo teor transcrevo em síntese (e-fls. 58/67): “O crédito em análise corresponde ao valor necessário para compensação dos débitos declarados. Valor do débito em análise: R$ 77.113,20 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 CARACTERÍSTICAS DO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP (...) A partir do DARF informado para os PER/DCOMP objeto dessa análise, foram localizados um ou mais pagamentos, com a seguinte utilização: (...) Entretanto, a análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal do Brasil e integram este despacho. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/12/2017. PRINCIPAL- R$ 0,00 MULTA- R$ 189.405,40 JUROS- R$ 94.456,43”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 267DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 Afirmou a Contribuinte que ingressou com o pedido de compensação através do PER/DCOMP nº. 27119.40874.250713.1.3.04-0754, utilizando-se de crédito oriundo de pagamento a maior, no montante de R$ 913.610,10 para quitação de alguns DARFs que somam a quantia de R$ 94.702,72, como listados na declaração de compensação. Asseverou que embora o valor do crédito oriundo ao ano calendário 2010, seja bem superior ao montante dos tributos, foi intimado pela Receita Federal nos autos do Processo nº. 16692.722946/2015-12 para que o mesmo comprovasse o direito à redução de 75% do Imposto de Renda e Adicionais não Restituíveis no Ano Calendário 2010. Informou que juntou com a manifestação de inconformidade, o Laudo e o Parecer Técnico que comprovam cabalmente o benefício de redução de 75% no IRPJ a mesma, em vigor na época dos fatos. Pugnou que seja suspenso o presente objeto impugnado; que seja acolhida a manifestação de inconformidade para que seja reconhecida a higidez do crédito originário de pagamento a maior apurado no exercício de 2010, bem como que seja homologada a compensação formalizada através do PER/DCOMP nº. 27119.40874.250713.1.3.04-0754. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 108-021.531- DRJ/08 A DRJ analisou a manifestação de inconformidade julgando-a improcedente (e- fls. 70/75). Inconformada com a decisão da DRJ, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que (e-fls. 83/260): “ENERPEIXE S.A., devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, por seus procuradores (instrumento de mandato anexo- doc. 01), com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, apresentar o presente RECURSO VOLUNTÁRIO em face Acórdão nº 108-027.531, de 25/08/2022 (e-fls. 70/75), proferido pela 25ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil- DRJ08, o que faz pelos fundamentos de fato e de direito a seguir aduzidos. 1. TEMPESTIVIDADE 1. A ora Recorrente foi intimada do acórdão proferido pela DRJ08 por meio de comunicado enviado à Caixa Postal do seu Domicílio Tributário Eletrônico (e- CAC), Fl. 268DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 cuja ciência se deu em 06/09/2022 (terça-feira), conforme “Termo de Ciência por Abertura de Documento” juntado à e-fl. 79. 2. Considerando que os prazos administrativos são “contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento”, sendo certo, ainda, que “só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato” (art. 5º do Decreto nº 70.235/72) e diante do recesso do dia da Independência (07 de setembro), constata-se que o termo inicial para a interposição deste Recurso Voluntário será em 07/10/2022 (sexta-feira), restando demonstrada, portanto, a sua tempestividade. 2. BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO FÁTICA 3. A Recorrente é concessionária de serviço público de serviço público de geração e transmissão de energia elétrica, explorando o potencial hidráulico do Rio Tocantins por meio da Usina Hidrelétrica (UHE) de Peixe Angical (Contrato de Concessão nº 130/2001- ANEEL), localizada no Município de Peixe, no Tocantins. 4. No período de 2007 a 2017, a empresa fazia jus à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto sobre a Renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração, nos termos do art. 1º da Medida Provisória (MP) nº 2.199-14, de 24/08/2001 (na redação conferida pela Lei nº 11.196/2005), e arts. 1º e 2º do Decreto nº 4.212/2002. 5. De fato, conforme atestado pelo Parecer nº 118/2006e declarado pelo Laudo constitutivo nº 122/2006 (emitidos em 23/11/2006 e 20/12/2006, respectivamente, pela Gerência Executiva de Promoção de Investimentos da Agência de Desenvolvimento da Amazônia- GEPIN/ADA), a UHE de Peixe entrou em operação no ano de 2006 e, como foram atendidas as condições e requisitos exigidos pela legislação de regência, a ENERPEIXE S/A passou a usufruir do beneficio fiscal em referência a partir do ano- calendário de 2007 e até 2017, conforme previsto no § 3º do art. 1º da MP 2.199/2001. 6. Pois bem. No ano de 2010 (ou seja, ainda dentro do período de validade do benefício fiscal), ao realizar a apuração da estimativa de IRPJ referente ao mês de dezembro (regime de tributação com base no lucro real- art. 15 da Lei nº 9.249/95), a empresa acabou apurando e declarando erroneamente o imposto devido em todo o ano-calendário (e não apenas no período de apuração em destaque), pago em 31/01/2011, por meio de DARF no valor de R$ 5.454.536,33 (número de identificação do pagamento: 5460789392). 7. Constatado o equívoco, a Recorrente transmitiu DCTF retificadora em julho de 2013 (bem antes do despacho decisório), ajustando o valor do IRPJ devido na competência de dezembro de 2010, qual seja: R$ 4.540.926,23. 8. Tal procedimento gerou um crédito de R$ 913.610,10, decorrente do pagamento a maior realizado em 31/01/2011 (R$ 5.454.536,33 - R$ 4.540.926,23), passível de compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 9. A Recorrente, então , transmitiu o PER/DCOMP nº. 27119.40874.250713.1.3.04-0754, indicando parte do aludido crédito para a extinção de alguns débitos (multa/juros) devido em junho de 2013, perfazendo um total de R$ 94.702,72: Fl. 269DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 (...) 10. Em 03/02/2015, a Delegacia de Administração Tributária de São Paulo (DERAT/SP) instaurou o PAF nº 16692.722946/2015-12 (cópia integral anexa- doc. 02), a fim de conferir as informações declaradas pela Recorrente. 11. Embora os documentos juntados naqueles autos (e-fls. 6/8- telas extraídas dos próprios sistemas da SRFB) tenham confirmado (i) os valores das estimativas mensais declaradas em DCTF, (ii) os respectivos pagamentos e (iii) a existência de um “Saldo Disponível” de R$ 913.610,10, relativo ao DARF quitado em dezembro, a DERAT- SP expediu Termo de Intimação Fiscal (e-fls. 54) para que a empresa apresentasse os documentos capazes de comprovar que “tinha direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e Adicionais não Restituíveis no Ano-Calendário de 2010”. 12. Na justificativa constante na e-fl. 57, a autoridade fiscal afirmou que, como “a contribuinte não apresentou qualquer documento ou pedido de prorrogação do prazo”, motivo pelo qual “não foi possível confirmar a existência de pagamento indevido ou a maior relacionado a PERDCOMP 27119.40874.250713.1.3.04-0754”. 13. Com base nesse único fundamento (ausência de comprovação do direito de fruição do benefício previsto no art. 1º da MP 2.199/2001), a DERAT-SP emitiu o Despacho Decisório nº 128365009, que não homologou a compensação declarada. 14. Diante da justificativa apresentada para a rejeição do crédito reclamado, a Recorrente instrui a Manifestação de Inconformidade apresentada em 10/01/2018 (e- fls. 21/23) com cópias do Laudo Constitutivo nº 122/2006 e do Parecer GEPIN nº 118/2006 (e-fls. 36/40), que, como já visto, atestam que a ENERPEIXE S/A faz jus à redução do Imposto sobre a Renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, para o período de 2007 a 2017. 15. Ao apreciar as alegações de defesa, porém, a 25ª Turma da DRJ08 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base em fundamento inédito, qual seja: “o Darf pago em 31/01/2011, no código 2362, no valor de R$ 5.454.536,33 referente á estimativa de dezembro/2010 e apontado como origem do crédito, foi recolhido no exato valor do débito de estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2010, demonstrada na DIPJ do período entregue pelo contribuinte”. 16. Oram, nota-se facilmente que houve alteração do critério jurídico pela DRJ para manter a não homologação da compensação. 17. Afinal, apesar de reconhecer que o Despacho Decisório apontou a existência de “saldo disponível do pagamento (efetivado em 31/01/2011) e que “a fiscalização indeferiu o pleito do contribuinte em razão do não atendimento da intimação para apresentação dos documentos referentes à redução de 75% do imposto de renda”, o Acórdão nº 108-027.531 alterou o critério jurídico utilizado pela DERAT- SP na análise do direito creditório, refutando os argumentos da Recorrente com base em supostas inconsistências identificadas a partir do confronto entre a DCTF de dezembro e os dados declarados na Ficha 11 da DIPJ 2011 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”). 18. Todavia, por diversos argumentos, amparados na jurisprudência do próprio CARF, a decisão da DRJ não merece prosperar, devendo este CARF reformá-la ou, ao menos, anulá-la e determinar a baixa do presente processo à Receita Federal do Brasil, que Fl. 270DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 deverá reanalisar os documentos, solicitar esclarecimentos e promover a homologação da compensação outrora feita. 3. RAZÕES PARA A REFORMA 3.1. Crédito (Indébito) inicialmente reconhecido pela fiscalização 19. Inicialmente, é importante destacar que, conforme se extrai das “Informações Complementares da análise do Crédito” (e-fls. 60/61), a autoridade fazendária não contestou o valor do IRPJ devido em dezembro de 2010 e indicado na DCTF (retificada em julho de 2013) reconhecendo que parte do pagamento realizado em janeiro de 2011 foi alocado para a extinção desse débito, existindo um “Valor Disponível” de R$ 913.610,10, que somente não foi aceito pelas razões já expostas. É o que extrai dos dados constantes nos itens 2.2 e 2.3 do documento em referência, senão confira-se: (...) 20. Como visto, apesar de atestar a existência de saldo disponível e reconhecer que a Recorrente apresentou “os documentos referentes ao incentivo fiscal de dedução do imposto que haviam sido solicitados pela fiscalização”, a Turma Julgadora julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base nos seguintes fundamentos: (...) 21. Logo nos primeiros parágrafos do excerto acima transcrito, na parte em que afirma que o “valor de R$ 21.737.576,62, aparentemente, está incluído na linha 05 da DIPJ, deduzindo o IRPJ calculado por estimativa no mês de dezembro”, verifica-se que o acórdão recorrido está fundado em meras presunções, evidenciando a insuficiência da sua fundamentação e, por conseguinte, a sua nulidade. 22. Além disso, cumpre esclarecer que o benefício previsto no art. 1º da MP 2.199- 14/2001 é calculado sobre o lucro de exploração, sendo deduzido do montante final do IRPJ devido no ano-calendário, apurado a partir do Lucro Real. Já as estimativas mensais são determinadas pela aplicação de percentuais de presunção sobre a receita bruta do período, sem qualquer dedução, revelando o equívoco da afirmação de que a importância de R$ 21.737.576,62 teria sido deduzida da estimativa de dezembro. 23. Pelo contrário: essa constatação somente demonstra que houve erro no preenchimento nos campos da DIPJ 2011 referente ao mês de dezembro, o que é corroborado pelo simples confronto com os dados indicados para os outros meses: (...) 24. Os dados corretos estavam na DCTF retificada em 2013. 25. De se notar que, enquanto na competência de novembro não houve qualquer dedução a título de “Incentivos Fiscais”, “Imp. De Renda Devido em Meses Anteriores” e “Imp. De Renda Retido na Fonte”, em dezembro a empresa indicou nas Linhas 07 e 08 a soma das estimativas recolhidas no ano e das retenções realizadas na fonte, bem como aplicou o benefício de redução de 75% (linha 05), evidenciando que, na realidade, houve um equívoco no preenchimento desses campos, na medida em que foram considerados os dados de todo o exercício, e não apenas do mês de dezembro. Fl. 271DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 26. Ou seja, a ficha de dezembro engloba a apuração de todo o exercício de 2010, não se trata de simples estimativa mensal. 27. Por conseguinte, os valores indicados na Ficha 12 A da DIPJ (“Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real- PJ em Geral”) da DCTF retificada seriam os corretos: (...) 28. Enfim, os dados da própria DIPJ que indicam os valores de estimativas mensais pagos ao longo de 2010 atestam que não era possível haver o pagamento da estimativa de R$ 5,4 milhões em dezembro e, em seguida, um outro pagamento de R$ 4,5 milhões de IRPJ a título de ajuste anual. 29. O que ocorreu foi o pagamento a maior de R$ 913 mil, cujos dados foram retificados na DCTF, verdadeira declaração capaz de constituir o crédito tributário. 3.2. Prova da Compensação: confronto entre DCTF x DIPJ- Súmula 92 do CARF. 30. Por outro lado, importante destacar que, por força do princípio da verdade material, é dever da fiscalização realizar a conferência de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativamente aos créditos/débitos informados no PER/DCOMP, não bastando a simples conferência de uma ou outra declaração. 31. Com o devido respeito, além de estar apoiada em premissas manifestamente equivocadas, o posicionamento adotada na origem não tem como prevalecer, na medida em que as informações constantes na DIPJ não podem ser analisadas de forma isolada, nem prevalecem sobre aquelas indicadas na DCTF. 32. As declarações de caráter eminentemente informativo (DIPJ, DACON e DIRF, por exemplo) apenas descrevem as operações realizadas pelo contribuinte, não possuindo o condão de constituir o crédito tributário nem configurando instrumento de confissão de dívida, nos termos da Súmula n. 92 do CARF: (...) 33. Dessa forma, sem a realização de auditoria interna ou de diligência fiscal específica, a Turma Julgadora não poderia ter dado prevalência às informações constantes na DIPJ, em detrimentos dos dados declarados na DCTF retificadora, esse sim documento que possui força jurídica para a constituição do crédito. 34. Na falta de outros dados, a DRJ deveria ter dado prevalência às informações constantes na DCTF, motivo pelo qual sua decisão merece reforma. 35. Na pior das hipóteses, a DRJ deveria ter baixado o processo para a fiscalização analisar os documentos apresentados a respeito da apuração do benefício do lucro de exploração- única justificativa para a não homologação da compensação e de expedição do despacho decisório- e, sendo o caso, requer a diligência para atestar e esclarecer a eventual divergência das informações entre DCTF e DIPJ. 36. O que não poderia ter ocorrido foi o simples desprovimento da manifestação de inconformidade com amparo em argumento distinto do indicado no despacho decisório. 37. Portanto, constatada a impossibilidade de alteração do critério jurídico adotado na análise do PER/DCOMP em análise, caso não seja possível a reforma do acórdão da DRF, tal decisão deve ser anulada com o objetivo de se determinar a realização de Fl. 272DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 diligência fiscal com o objetivo de se apurar os valores efetivamente devidos a título de IRPJ e a correta retificação da DCTF em 2013. 38. Esse é aliás, o entendimento do CARF sobre o tema, conforme restou consignado nos Acórdãos 3301-009.520, 3301-007.321 e 3401-002.668, merecendo destaque a seguinte passagem desse último: (...) 4. PEDIDOS 39. Ante o exposto, considerando: (i) Que a própria DERAT-SP atestou a existência de “saldo disponível” de mesmo valor do crédito informado no PER/DCOMP 27119.40874.250713.1.3.04-0754 (R$ 913.610,10); (ii) Que a documentação acostada com a Manifestação de Inconformidade afastou o único fundamento indicado no despacho decisório para o indeferimento do direito creditório reclamado; (iii) A impossibilidade de alteração de critério jurídico da decisão que indefere a compensação; (iv) Que a DCTF (e, não, a DIPJ) é o instrumento hábil a constituição do crédito tributário; a Recorrente pugna pelo conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário para reformar o Acórdão nº 108-027.531 e reconhecer a totalidade do crédito indicado no aludido PER/DCOMP, com a consequente homologação integral da compensação declarada e extinção dos débitos em exigência. 40. Subsidiariamente, a Recorrente requer a anulação da decisão da DRJ com o retorno do processo para a RFB de origem, cabendo à fiscalização analisar os documentos apresentados a respeito da apuração do benefício do lucro de exploração- única justificativa para a não homologação da compensação e de expedição do despacho decisório- e, sendo o caso, promover a diligência necessária para atestar e esclarecer a eventual divergência das informações entre DCTF e DIPJ, de modo a homologar a compensação dos débitos declarados. 41. Pede-se, por fim, que antes do julgamento desse recurso, seja determinada a realização de diligencia fiscal pela Unidade de Origem, a fim de que a contribuinte tenha a oportunidade de demonstrar a procedência do direito invocado, uma vez que mero erro no preenchimento da DIPJ 2011 não extingue nem afasta o seu direito ao crédito apurado, por força do princípio da verdade material. 42. A Recorrente informa, na oportunidade, que pretende apresentar documentos comprobatórios de seu crédito com amparo no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, tendo em vista que a matéria fática que se tornou controvertida (divergência entre DCTF e DIPJ) apenas surgiu com a decisão da DRJ, não tendo tipo tempo hábil para recuperar a memória de cálculo da apuração e documentos contábeis do período de 2010/2011 para apresentar juntamente com o recurso voluntário. Fl. 273DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 Termos em que, pede deferimento. Belo Horizonte, 06 de outubro de 2022. (...)”. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Anulação do Acórdão Recorrido A Recorrente pleiteou a anulação da decisão da DRJ alegando que “o Acórdão nº. 108-027.531 alterou o critério jurídico utilizado pela DERAT- SP na análise do direito creditório, refutando os argumentos da mesma com base em supostas inconsistências identificadas a partir do confronto entre a DCTF de dezembro e os dados declarados na Ficha 11 da DIPJ 2011”. Pois bem. O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, inclusive com base no princípio da persuasão racional previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. Fl. 274DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Análise do Direito Creditório Conforme já relatado, o presente processo versa acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte no PER/DCOMP nº. 27119.40874.250713.1.3.04-0754, utilizando-se de crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ referente ao ano calendário de 2010 no valor de R$ 5.454.536,33. Por meio do Despacho Decisório, e-fls. 58/61, a referida compensação não foi homologada sob a alegação de que “a partir do DARF informado para os PER/DCOMP objeto dessa análise, foram localizados um ou mais pagamentos. Entretanto, a análise do crédito Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 resultou em reconhecimento inferior ao saldo disponível do pagamento. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado”. Ao tomar ciência da não homologação da compensação, a Recorrente alegou em suas razões de defesa que “(...) ingressou com o pedido de compensação através do PER/DCOMP nº. 27119.40874.250713.1.3.04-0754, utilizando-se de crédito oriundo de pagamento a maior, no montante de R$ 913.610,10 para quitação de alguns DARFs que somam a quantia de R$ 94.702,72, como listados na declaração de compensação”. Asseverou que “embora o valor do crédito oriundo ao ano calendário 2010, seja bem superior ao montante dos tributos, foi intimado pela Receita Federal nos autos do Processo nº. 16692.722946/2015-12 para que o mesmo comprovasse o direito à redução de 75% do Imposto de Renda e Adicionais não Restituíveis no Ano Calendário 2010”. A DRJ apreciou a manifestação de inconformidade, porém, não reformou o despacho decisório, sob a fundamentação abaixo destacada (e-fl. 70/75): “(...) O IRPJ a pagar apurado no ajuste anual não se confunde com a estimativa do mês de dezembro, que é mera antecipação, e, inclusive tem código de recolhimento 2430, distinto do código 2362 utilizado nos recolhimentos do IRPJ mensal. Para ficar clara esta distinção, transcrevo os arts. 221 e 222 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): (...) Além disso, o valor do IRPJ apurado no ajuste anual não foi declarado em DCTF e nem recolhido pelo contribuinte. Nestas condições, o Darf pago em 31/01/2011, no código 2362, no valor de R$ 5.454.536,33 referente à estimativa de dezembro/2010 e apontado como origem do crédito, foi recolhido no exato valor do débito de estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2010, demonstrado na DIPJ do período entregue pelo contribuinte. Assim, embora a manifestante tenha apresentado os documentos referentes ao incentivo fiscal de dedução do imposto que haviam sido solicitados pela fiscalização, entendo que não restou comprovado a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, conforme art. 170 do CTN: (...) Portanto, não há como reconhecer qualquer direito creditório a favor do contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 De todo o exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, e não homologar as compensações sob litígio”. Por sua vez a Recorrente, em seu recurso voluntário, ratificou as informações e argumentos constantes na manifestação de inconformidade destacando que “(...) No ano de 2010 (ou seja, ainda dentro do período de validade do benefício fiscal), ao realizar a apuração da estimativa de IRPJ referente ao mês de dezembro (regime de tributação com base no lucro real- art. 15 da Lei nº. 9.249/95), a empresa acabou apurando e declarando erroneamente o imposto devido em todo o ano-calendário (e não apenas no período de apuração em destaque), pago em 31/01/2011, por meio de DARF no valor de R$ 5.454.536,33 (número de identificação do pagamento: 5460789392)”. Ressaltou ainda que “constatado o equívoco, a mesma transmitiu DCTF retificadora em julho de 2013 (bem antes do despacho decisório), ajustando o valor do IRPJ devido na competência de dezembro de 2010, qual seja R$ 4.540.926,93. Tal procedimento gerou um crédito de R$ 913.610,10, decorrente do pagamento a maior realizado em 31/01/2011 (R$ 5.454.536,33- R$ 4.540.926,23), passível de compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Pois bem. Insta destacar, que para provar que a DCTF retificadora foi preenchida com erro era necessário que a contribuinte trouxesse aos autos documentação hábil, da apuração do crédito declarado no PERDCOMP, para que se possa verificar a sua correção. Por outro lado, a retificação da DCTF ocorreu antes da prolação do Despacho Decisório e não caracteriza óbice à análise do direito creditório em discussão desde que o erro seja comprovado. A comprovação, portanto, é condição para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, suprimiu tributo. Em verdade, salvo exceções legais, verifica-se que a retificação da DCTF, não impede que o direito creditório discutido no Per/Dcomp seja comprovado por outros meios. No entanto, a Contribuinte não dialogou com o acórdão de piso, não apresentando documentação hábil em sede recursal para demonstrar a probabilidade da existência do crédito pleiteado no momento do envio do pedido de compensação e que deva ser apreciada pela autoridade de origem. Destaca-se ainda, que os documentos colacionados aos autos foram devidamente analisados pela DRJ que constatou a inexistência do crédito para a compensação pleiteada. Dessa forma, repise-se, mesmo após a ciência do despacho decisório, a discussão sobre inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório, no entanto é indispensável a comprovação do erro cometido, o que não se deu in casu. Compensação- Certeza e Liquidez do Crédito Fl. 277DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 Insta destacar, que cabe ao contribuinte demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos para a compensação, valendo-se de todos os meios de provas necessários para tanto. No entanto, a Recorrente trouxe apenas alegações de seu crédito, sem comprovar a certeza e a liquidez do mesmo, descumprindo a inteligência do art. 170 do CTN. Cabe destacar, que a Contribuinte não trouxe aos autos documentos contábeis e fiscais capazes de demonstrar a liquidez e a certeza de seu crédito, como escrita fiscal e documentos contábeis, o que não foi feito em sede de manifestação de inconformidade e tampouco em sede recursal. Vale elucidar, que é de total interesse da Recorrente, em pedido de compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Argumentos sem nenhum suporte documental, como os livros contábeis não são suficientes para evidenciar a liquidez e a certeza de seu crédito. É entendimento pacífico deste E. CARF no sentido de que nos pedidos de compensação o ônus da prova da existência do crédito é da contribuinte não a tendo a mesma se desincumbido de tal tarefa. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº. 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia comprovação. (Processo nº. 10880.674831/2009-54, Data da Sessão: 13/06/2018, Acórdão: 3002-000.234)”. Dispositivo Isto posto, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 278DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-004.083 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.925764/2017-51 (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado Fl. 279DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10380.723319/2010-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DEDUÇÃO. DEPENDENTES.
Apenas podem ser dependentes as pessoas elencadas na legislação de regência da matéria, restando incabível dedução a título de dependente que não se enquadre nas hipóteses previstas em lei.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Apenas é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada que diga respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e aos de seus dependentes, nos termos da legislação de regência da matéria.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução a título de pensão alimentícia judicial apenas resta cabível se trazidos aos autos a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como o correspondente pagamento ou retenção pela fonte pagadora, mantendo-se a glosa em caso de ausência de comprovação nos referidos termos.
Numero da decisão: 2003-005.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Apenas podem ser dependentes as pessoas elencadas na legislação de regência da matéria, restando incabível dedução a título de dependente que não se enquadre nas hipóteses previstas em lei. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Apenas é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada que diga respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e aos de seus dependentes, nos termos da legislação de regência da matéria. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução a título de pensão alimentícia judicial apenas resta cabível se trazidos aos autos a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como o correspondente pagamento ou retenção pela fonte pagadora, mantendo-se a glosa em caso de ausência de comprovação nos referidos termos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.
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DEPENDENTES. Apenas podem ser dependentes as pessoas elencadas na legislação de regência da matéria, restando incabível dedução a título de dependente que não se enquadre nas hipóteses previstas em lei. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Apenas é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada que diga respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e aos de seus dependentes, nos termos da legislação de regência da matéria. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução a título de pensão alimentícia judicial apenas resta cabível se trazidos aos autos a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como o correspondente pagamento ou retenção pela fonte pagadora, mantendo- se a glosa em caso de ausência de comprovação nos referidos termos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 33 19 /2 01 0- 13 Fl. 145DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2008, ano-calendário 2007, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 14.336,99. De acordo com a Descrição dos Fatos, às fls. 62/66, e os Demonstrativos às fls. 67/68, foram constatadas as seguintes infrações: - omissão de rendimentos recebidos a título de benefícios ou resgates de planos de seguro de vida (VGBL), no valor de R$ 660,33. Na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 93,37; - dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 1.584,60, relativo a Francisca Bernardino de Sousa, por não ter sido feita prova de incapacidade física ou mental; - dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 23.394,68. A autoridade fiscal esclarece que a pensão alimentícia no valor de R$ 14.232,08, referente ao INSS, foi paga somente no ano de 2009, conforme documento apresentado pelo contribuinte, de forma que deveria ser declarada no exercício de 2010, o que motivou a glosa de tal valor; e - dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 1.021,20, relativo ao plano de saúde HAPVIDA, em razão de não ter sido comprovada a incapacidade física e mental, além da curatela, no que tange à beneficiária do plano. Cientificado do lançamento em 23/07/2010 (AR à fl. 70), ingressou o contribuinte, por sua procuradora (fls. 20/22), em 18/08/2010, com sua impugnação (fls. 02/17), e respectiva documentação. Em síntese: - elabora síntese fática do lançamento; - no que tange à dedução com dependentes, transcreve legislação sobre a matéria e alega que a sra. Francisca Bernardino de Sousa é tia do contribuinte, conta com 74 anos de idade e somente percebe como aposentada o valor de um salário mínimo, sendo ressaltado que a referida senhora reside com o contribuinte e com sua irmã, bem como que o mesmo paga efetivamente o plano de saúde de sua tia, que no ano de 2007 foi no montante de R$ 1.021,20, com menção a valor da prestação e tabela de salários mínimos, concluindo que a dedução é devida, sendo injustificada a glosa; - no que diz respeito às despesas médicas, transcreve legislação sobre a matéria e destaca que pagou o plano de saúde Unimed de Fortaleza em favor de sua mãe, sra. Maria Odete Ferreira, no total, em 2007, de R$ 2.946,61, concluindo que a dedução de despesas médicas com sua mãe resta comprovada, sendo injustificada a glosa; - ratifica, quanto ao plano de saúde HAPVIDA – Assistência Médica Ltda., que o mesmo foi pago pelo interessado em favor de sua tia, sra. Francisca Bernardino de Sousa, sendo injustificada a glosa; - na parte atinente à pensão alimentícia, transcreve legislação sobre a matéria e salienta que, não obstante o INSS somente em 2009, através da Carta de Concessão / Memória de Cálculo, com data de 14/02/2009, ter cumprido a decisão judicial, motivo pelo qual descontou o valor relativo à pensão com data retroativa 10/2007 a 01/2009, no valor total de R$ 14.232,08, fato é que sempre cumpriu a sentença do dia 10.09.2007, prolatada pela meritíssima juíza da 10ª Vara de Família da Comarca de Fortaleza/CE; - transcreve o Termo de Audiência com Sentença e Mandados de Inscrição e Averbação e afirma que em outubro de 2007 o sr. Francisco Milton Ferreira, contribuinte, começou a entregar em mãos do ex-cônjuge virago, sra. Jocilene Lopes Ferreira, o valor relativo a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, a título de pensão alimentícia, por cumprimento da sentença colacionada, já que o INSS não fez o desconto que deveria; Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 - quanto aos valores referentes à pensão alimentícia judicial - 40% da Fundação Atlântico de Seguridade Social – fundida na Fundação SISTEL de Seguridade Social – e 30% de seus vencimentos e vantagens junto à RM Engenharia Ltda., alega que os mesmos foram devidamente descontados pelas referidas empresas; - afirma que em março de 2009 a sra. Jocilene Lopes Ferreira devolveu os valores recebidos indevidamente pelo INSS e descritos na Carta de Concessão / Memória de Cálculo, já que desde 10/2007 vinha recebendo do sr. Francisco Milton Ferreira, em mãos, o valor referente à pensão alimentícia junto ao INSS; - informa que tal recebimento, pelo período de 2007 e também de 2008, foi declarado na Declaração de Ajuste Anual da sra. Jocilene Lopes Ferreira, com menção à cópia dos recibos destas Declarações; - conclui que, face à documentação apresentada, as deduções a título de pensão alimentícia são devidas, já que efetivamente pagou os valores referentes a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, por cumprimento de sentença, período de 10/2007 a 02/2009, já que o INSS não fez o desconto que deveria fazer, tendo este órgão, somente em 14/02/2009, colocado à disposição os valores, no total de R$ 14.232,08; - por fim, requer o acolhimento da defesa administrativa, face à comprovação, por meio de documentação, de que as deduções realizadas pelo impugnante foram devidas, sendo, por conseqüência, indevidas, as glosas efetuadas pelo Auditor Fiscal. A decisão de piso foi desfavorável à pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido contestada pelo contribuinte. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Apenas podem ser dependentes as pessoas elencadas na legislação de regência da matéria, restando incabível dedução a título de dependente que não se enquadre nas hipóteses previstas em lei. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Apenas é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada que diga respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e aos de seus dependentes, nos termos da legislação de regência da matéria. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução a título de pensão alimentícia judicial apenas resta cabível se trazidos aos autos a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como o correspondente pagamento ou retenção pela fonte pagadora, mantendo-se a glosa em caso de ausência de comprovação nos referidos termos. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/06/2014, o sujeito passivo interpôs, em 21/07/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) quanto à dedução indevida com dependentes, faz a comprovação da relação de dependência da Sra. Francisca Bernardino de Sousa; b) em relação à dedução indevida com despesas médicas de Plano de Saúde, sustenta o recorrente que foram pagamentos em favor da sua tia, Sra. Francisca Bernardino de Sousa, sua dependente. Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 c) quanto à dedução indevida com pensão alimentícia, sustenta que sempre cumpriu a sentença prolatada e começou à entregar, em mãos da ex-cônjuge, o valor relativo a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, a título de pensão alimentícia, já que o INSS não fez o desconto que deveria. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a dedução indevida com despesas médicas de Plano de Saúde, pensão alimentícia, dependentes e despesas com instrução. Dedução indevida com dependentes Em relação à dedução indevida dependentes, o recorrente sustenta que coabita com tia e paga seu plano de saúde: Vale ressaltar ainda que a Sra. Francisca Bernardino de Sousa reside com o seu sobrinho, Sr. Francisco Milton Ferreira, e conforme documentação n. 2 conta com 74 anos , consoante cópia da carteira de identidade e CPF e somente percebe como aposentada o valor de um salário mínimo, consoante extrato. Vale ressaltar ainda que a Sra Francisca Bernardino de Sousa reside com o seu sobrinho, Sr Francisco Milto Ferreira, e com sua irmã, Sra. Maria Odete Ferreira. 3.5. Assim, o Sr. Francisco Milton Ferreira promove o sustento de sua tia, tendo-a por dependente, razão pela qual indevida a glosa. A decisão de piso sustenta que a legislação não permite a dependência em relação à sua tia (art. 35, da Lei nº 9.250, de 1995): Dependentes Do valor de R$ 4.753,80, declarado a título de dependentes (fl. 80), a fiscalização rejeitou R$ 1.584,60, relativo a Francisca Bernardino de Sousa, por não ter sido feita prova de incapacidade física ou mental. A respeito do tema dedução de dependentes, faz-se oportuno transcrever o art. 35, da Lei nº 9.250, de 1995, que assim dispõe: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Por sua vez, no que tange às despesas com dependentes, a alínea “c”, do inciso II, do art. 8º, da já referida Lei 9.250/95, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.482, de 2007, aplicável ao ano-calendário de 2008, objeto de autuação, estabelece o que se segue: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: ................................................................................................................... II – das deduções relativas: ................................................................................................................. c) à quantia de R$ 1.655,88 (mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e oito centavos) por dependente; (...)” No caso, o interessado, na impugnação, esclareceu que a sra. Francisca Bernardino de Sousa, informada com dependente na DAA/2008 (ver fls. 80/81), vem a ser sua tia, condição esta que não encontra amparo na legislação de regência da matéria, salientando-se que não existe a figura do dependente econômico, mas apenas os dependentes para fins tributários, que não abarcam a hipótese em tela. A destacar que, tendo sido a relação de dependência informada sob o código 51 (pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curador), fato é que também não restou comprovada a condição de incapacidade, nos termos da legislação, e nem a condição de tutor ou curador por parte do contribuinte. Assim, concluo que deve ser mantida a glosa de dedução com dependentes, no valor de R$ 1.584,60. Não assiste razão ao recorrente. Alinho-me à interpretação esposada pela decisão de piso no que concerne à inexistência de fundamento legal para dedução pela relação de dependência com Francisca Bernardino de Sousa. Dedução indevida com despesas médicas O recorrente sustenta que a dedução com despesas médicas relacionadas à Unimed em favor de sua tia, Sra. Francisca Bernardino de Sousa, devem ser restabelecidas 3.11. Observa-se que no tópico “DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESAS MÉDICAS”, foi glosado o valor de R$ 1.021,20 por falta de comprovação para sua dedução. 3.9. Quanto ao Plano de Saúde – HAPVIDA, cumpre informar que o mesmo também foi pago, inclusive no ano de 2007, pelo Sr Francisco Milton Ferreira em favor da sua tia, Sra. Francisca Bernardino de Sousa. (...) 3.12. Assim, o Sr Francisco Milton Ferreira pagou efetivamente o Plano de Saúde de sua tia e durante o ano de 2007 efetuou todos os pagamentos, devendo ser afastada a glosa de R$ 1.021,20. Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 O recorrente sustenta que a dedução com despesas médicas relacionadas à Unimed em favor de sua tia, Sra. Francisca Bernardino de Sousa, devem ser restabelecidas 3.11. Observa-se que no tópico “DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESAS MÉDICAS”, foi glosado o valor de R$ 1.021,20 por falta de comprovação para sua dedução. 3.9. Quanto ao Plano de Saúde – HAPVIDA, cumpre informar que o mesmo também foi pago, inclusive no ano de 2007, pelo Sr Francisco Milton Ferreira em favor da sua tia, Sra. Francisca Bernardino de Sousa. (...) 3.12. Assim, o Sr Francisco Milton Ferreira pagou efetivamente o Plano de Saúde de sua tia e durante o ano de 2007 efetuou todos os pagamentos, devendo ser afastada a glosa de R$ 1.021,20. Tendo em vista que o recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Despesas Médicas O tema da dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (grifei) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifei) Nesse mesmo sentido, o disposto nos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, bem como no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n. º 3.000, de 26 de março de 1999. Por sua vez, o “caput” do artigo 73, do RIR/1999 estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual - DAA, conforme estatui a legislação pertinente citada. Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual, conforme estatui a legislação pertinente citada. No presente caso, não obstante os documentos juntados às fls. 25/33, fato é que as despesas com o plano de saúde HAPVIDA – Assistência Médica Ltda., no total de R$ 1.021,20, não podem ser acatadas para fins de dedução dos rendimentos tributáveis, uma vez que dizem respeito à sra. Francisca Bernardino de Sousa, tia do impugnante, cuja dependência tributária restou afastada por falta de amparo legal, como já exposto neste Voto. A destacar que, apesar de constar da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 65/66, uma glosa de R$ 763,13, relativo ao plano de saúde Unimed – Fortaleza, tem-se que o único valor efetivamente glosado foi de R$ 1.021,20, referente ao plano de saúde HAPVIDA – Assistência Médica Ltda. (já analisado), como se pode observar, inclusive, do “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (fl. 67), em que o somatório das glosas de deduções indevidas montou em R$ 26.000,48 (R$ 1.584,60 com dependentes, R$ 23.394,68 com pensão alimentícia e, por conseqüência, R$ 1.021,20 com despesas médicas). Assim, e tendo em vista que apenas podem ser deduzidos pagamentos a título de despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao dos seus dependentes, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização, no valor total de R$ 1.021,20 Dedução indevida com pensão alimentícia O recorrente sustenta que sempre cumpriu o dever de prestar alimentos desde a prolação da sentença e começou à entregar, em mãos da ex-cônjuge, o valor relativo a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, já que o INSS não fez o desconto que deveria: 3.10. Observa-se que no tópico “DEDUÇÃO INDEVIDA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL”, foi glosado o valor de R$ 23.394,68 por falta de comprovação para sua dedução e “tendo em vista a Pensão Alimentícia no valor de R$ 30.511,32, referente ao INSS haver sido paga somente no ano de 2009, conforme documento apresentado pelo contribuinte, a mesma deveria ser declarada no exercício 2010. Por esse motivo foi glosado o aludido valor”. (...) 3.21. Cumpre salientar que, não obstante o INSS somente em 2009, através da Carta de Concessão / Memória de Cálculo com data de 14/02/2009, ter cumprido a decisão judicial, motivo pelo qual descontou o valor relativo à pensão com data retroativa 10/2007 até 01/2009, no valor total de R$ 14.232,08, o Sr. Francisco Milton Ferreira sempre cumpriu a Sentença do dia 10.09.2007, prolatada pela Meritíssima Juíza, Dra. Valeska Alves Alencar Rolim, da 10º Vara de Família da Comarca de Fortaleza/CE. 3.22. Desta forma, em outubro de 2007, o Sr. Francisco Milton Ferreira começou à entregar em mãos da ex-cônjuge virago, Sra. Jocilene Lopes Ferreira, o valor relativo a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, a título de pensão alimentícia, por cumprimento da Sentença, acima colacionada, já que o INSS não fez o desconto que deveria. 3.23. Este recebimento pelo período de 2007 e também pelo período de 2008 foi declarado na Declaração de Ajuste Anual da Sra. Jocilene Lopes Ferreira, consoante cópia das mencionadas Declarações com recibo pela Receita Federal, respectivamente, em 29/04/2008 às 14:20:46 nº 05.19.20.53.95-14 e em 29/04/2009 às 23:38:55 nº 07.62.29.49.25-63. 3.24. De maneira a demonstrar tais pagamentos, uma vez que foram os únicos que permaneceram glosados, o Recorrente apresenta cópia dos recibos de pagamento fornecidos pela beneficiária da pensão alimentícia durante o periodo em que pagou diretamente a essa, de maneira a demonstrar o pagamento conforme narrado. Conclusão Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 3.25. Assim, dúvidas não pairam, face documentação em anexo (Sentença do Divórcio, Carta de Concessão/Memória de Cálculo do INSS datado em 14/02/2009, Declaração de Ajuste Anual ano calendário 2008, Declaração de Ajuste Anual ano calendário 2008, RG e CPF da Sra. Jocilene Lopes Ferreira), de que as deduções realizadas pelo Impugnante são devidas a título de pensão alimentícia e que a glosa pelo Auditor é indevida, já que efetivamente o Sr. Francisco Milton Ferreira pagou os valores referente a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, a título de pensão alimentícia, por cumprimento da Sentença, período de 10/2007 a 02/2009, já que o INSS não fez o desconto que deveria fazer, tendo este órgão somente em 14/02/2009 colocado à disposição os valores no total de R$ 14.232,08. Inclino-me à interpretação dada pela decisão de piso no sentido da ausência de comprovação do efetivo pagamento da pensão alimentícia e utilizo, como razão de decidir, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, o voto da decisão de 1ª instância: Pensão Alimentícia Judicial No que tange à matéria, a legislação do imposto de renda permite a dedução, na declaração de rendimentos, das importâncias pagas a título de pensão alimentícia judicial dos alimentandos, desde que tal obrigação se dê em virtude de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, obedecidos os limites previstos na legislação tributária, como se observa dos arts. 4º e 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: (...)II- das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Nesse mesmo sentido, o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (grifei) (...) Da legislação antes transcrita, extrai-se que são requisitos para a dedutibilidade em tela: a) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; b) que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e c) que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e reste devidamente comprovado por meio de documentação hábil. (...) Entretanto, no que tange aos pagamentos, o contribuinte resumiu-se a meras alegações, não constando dos autos qualquer documento que comprove que o interessado, desde Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 outubro de 2007, teria pagado, em mãos, à ex-cônjuge virago, sra. Jocilene Lopes Ferreira, o valor relativo a 40% de seus proventos de aposentadoria junto ao INSS, em razão deste órgão não ter procedido ao desconto que deveria. Note-se que não consta dos autos sequer recibo, assinado pela referida senhora, atestando os recebimentos. É de se salientar, quanto à alegação de que o recebimento da pensão foi informado na Declaração de Ajuste Anual da sra. Jocilene Lopes Ferreira (cópia da DAA/2008 às fls. 45/49), que tal fato não tem o condão de comprovar os gastos a título de pensão. Com efeito, é certo que em contrapartida ao direito de um contribuinte de deduzir os valores pagos, existe o dever do alimentado de oferecer à tributação os valores recebidos (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). No entanto, deve ser reconhecido o direito de um contribuinte deduzir em sua declaração de ajuste os valores pagos a título de pensão alimentícia independentemente de como tenha agido o beneficiário dos rendimentos. Isto porque o contribuinte não pode ser prejudicado em função de eventual não cumprimento das obrigações tributárias de terceiros. Entretanto, do mesmo modo, um determinado valor pago pelo contribuinte não é dedutível em sua declaração pelo simples fato de ter sido submetido à tributação pelo beneficiário do pagamento. É preciso que o direito à dedução esteja expressamente previsto na legislação tributária. Considera-se, por exemplo, que quando o contribuinte paga valores superiores ao definido na decisão ou acordo judicial, o faz por liberalidade, e o montante pago a maior não pode ser deduzido a título de pensão judicial na Declaração de Ajuste Anual, por falta de previsão legal, independentemente do tratamento tributário que este tenha recebido na Declaração de Ajuste Anual do beneficiário da pensão. Note-se, ainda, que da cópia da DAA/2008 juntada às fls. 45/49, não há rendimento algum oferecido à tributação, mas tão-somente rendimento isento ou não-tributável por acidente em serviço ou moléstia grave. Prosseguindo, também não há prova de que em março de 2009 a sra. Jocilene Lopes Ferreira teria devolvido os valores recebidos indevidamente pelo INSS e descritos na Carta de Concessão / Memória de Cálculo de fl. 50. É de se ressaltar que é dever do contribuinte instruir a impugnação com os elementos necessários e suficientes à comprovação do direito que pleiteia, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir; Em verdade, relativamente ao INSS, do documento denominado “Carta de Concessão / Memória de Cálculo”, emitido em 14/02/2009 e anexado à fl. 50, apenas se depreende que foi concedida pensão alimentícia a Jocilene Lopes Ferreira. Tal documento também demonstra que a pensão era devida desde outubro do ano de 2007 (10/2007), sendo que os valores em atraso foram discriminados mensalmente até janeiro de 2009 (01/2009), totalizando R$ 14.232,08 e disponibilizados à beneficiária a partir de 03/03/2009. Inclusive, a pensão alimentícia passou a ser consignada em Dirf apenas a partir do mês de abril de 2009 (fl. 82), quando, também, descontos mensais no valor de R$ 752,13 passaram a ser feitos nos proventos do contribuinte, que era, em março de 2009, de R$ 2.507,13, em consonância com o constante na Carta de Concessão. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2003-005.997 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.723319/2010-13 (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 154DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10925.721990/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO.
Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços.
CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIA. SACOLAS. PAPEL ONDULADO E CREPE. COMBUSTÍVEIS. FERRAMENTAS/MATERIAIS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SODA CÁUSTICA. TERRA CLARIFICANTE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção, com sacolas jersey, folhas de papel ondulado e crepe, com combustíveis (GLP, óleo de xisto e hexano), e com soda cáustica e terra clarificante se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL.
Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para a COFINS.
CUSTOS/DESPESAS. PALLETS. FRETES COM TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE DESINFECÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com pallets, com fretes na transferência de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos e com materiais de limpeza e de desinfecção, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. REVERSÃO
Tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, , deve o entendimento já adotado ser replicado.
CUSTOS/DESPESAS. LINHA 3/FICHAS 6 E 16 DO DACON. LANÇAMENTOS EQUIVOCADOS. FALTA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon se destina exclusivamente ao lançamento de custos/despesas incorridos com serviços; assim, o aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com bens utilizados como insumos está condicionado à retificação do Dacon e/ ou a demonstração e comprovação de que tais bens constituem insumos do processo de produção do contribuinte.
CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. DETERMINAÇÃO.
Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA E OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO.
Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços.
CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIA. SACOLAS. PAPEL ONDULADO E CREPE. COMBUSTÍVEIS. FERRAMENTAS/MATERIAIS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SODA CÁUSTICA. TERRA CLARIFICANTE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção, com sacolas jersey, folhas de papel ondulado e crepe, com combustíveis (GLP, óleo de xisto e hexano), e com soda cáustica e terra clarificante se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL.
Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS.
CUSTOS/DESPESAS. PALLETS. FRETES COM TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE DESINFECÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com pallets, com fretes na transferência de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos e com materiais de limpeza e de desinfecção, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. REVERSÃO
Tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, , deve o entendimento já adotado ser replicado.
CUSTOS/DESPESAS. LINHA 3/FICHAS 6 E 16 DO DACON. LANÇAMENTOS EQUIVOCADOS. FALTA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon se destina exclusivamente ao lançamento de custos/despesas incorridos com serviços; assim, o aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com bens utilizados como insumos está condicionado à retificação do Dacon e/ ou a demonstração e comprovação de que tais bens constituem insumos do processo de produção do contribuinte.
CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. DETERMINAÇÃO.
Súmula CARF nº 157
O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA E OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 3402-011.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de voto, para (i.1) conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, (i.2) afastar as preliminares suscitadas pela defesa, e (i.3) admitir o crédito em relação: (i.3.1) aos combustíveis, exceto óleo Diesel; (i.3.2) às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; (i.3.3) à soda cáustica e à terra clarificante; (i.3.4) às despesas com indumentária, sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado; (i.3.5) pallets; (i.3.6) fretes de insumos e produtos em elaboração entre seus estabelecimentos; (i.3.7) materiais de limpeza e desinfecção; e, (i.3.8) ao crédito presumido da agroindústria com base na natureza dos produtos industrializados e vendidos, conforme apurado pela empresa, e (ii) por maioria de voto, para dar provimento em maior extensão, para reverter as glosas sobre fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, por entenderem pela aplicação obrigatória dos Acórdãos nºs 3302002.026 e 3302002.027, 9303009.657 e 9393009.660, julgados definitivamente. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo (relator), que entendia pela possibilidade de análise da matéria, negando provimento neste ponto. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marina Righi Rodrigues Lara.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
(documento assinado digitalmente)
Marina Righi Rodrigues Lara - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Ricardo Piza di Giovanni.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIA. SACOLAS. PAPEL ONDULADO E CREPE. COMBUSTÍVEIS. FERRAMENTAS/MATERIAIS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SODA CÁUSTICA. TERRA CLARIFICANTE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção, com sacolas jersey, folhas de papel ondulado e crepe, com combustíveis (GLP, óleo de xisto e hexano), e com soda cáustica e terra clarificante se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para a COFINS. CUSTOS/DESPESAS. PALLETS. FRETES COM TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE DESINFECÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets, com fretes na transferência de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos e com materiais de limpeza e de desinfecção, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. REVERSÃO Tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, , deve o entendimento já adotado ser replicado. CUSTOS/DESPESAS. LINHA 3/FICHAS 6 E 16 DO DACON. LANÇAMENTOS EQUIVOCADOS. FALTA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon se destina exclusivamente ao lançamento de custos/despesas incorridos com serviços; assim, o aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com bens utilizados como insumos está condicionado à retificação do Dacon e/ ou a demonstração e comprovação de que tais bens constituem insumos do processo de produção do contribuinte. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. DETERMINAÇÃO. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA E OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIA. SACOLAS. PAPEL ONDULADO E CREPE. COMBUSTÍVEIS. FERRAMENTAS/MATERIAIS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SODA CÁUSTICA. TERRA CLARIFICANTE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção, com sacolas jersey, folhas de papel ondulado e crepe, com combustíveis (GLP, óleo de xisto e hexano), e com soda cáustica e terra clarificante se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS. CUSTOS/DESPESAS. PALLETS. FRETES COM TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE DESINFECÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets, com fretes na transferência de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos e com materiais de limpeza e de desinfecção, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. REVERSÃO Tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, , deve o entendimento já adotado ser replicado. CUSTOS/DESPESAS. LINHA 3/FICHAS 6 E 16 DO DACON. LANÇAMENTOS EQUIVOCADOS. FALTA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon se destina exclusivamente ao lançamento de custos/despesas incorridos com serviços; assim, o aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com bens utilizados como insumos está condicionado à retificação do Dacon e/ ou a demonstração e comprovação de que tais bens constituem insumos do processo de produção do contribuinte. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. DETERMINAÇÃO. Súmula CARF nº 157 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA E OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
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DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIA. SACOLAS. PAPEL ONDULADO E CREPE. COMBUSTÍVEIS. FERRAMENTAS/MATERIAIS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SODA CÁUSTICA. TERRA CLARIFICANTE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção, com sacolas jersey, folhas de papel ondulado e crepe, com combustíveis (GLP, óleo de xisto e hexano), e com soda cáustica e terra clarificante se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para a COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 19 90 /2 01 1- 14 Fl. 1698DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 CUSTOS/DESPESAS. PALLETS. FRETES COM TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE DESINFECÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets, com fretes na transferência de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos e com materiais de limpeza e de desinfecção, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. REVERSÃO Tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, , deve o entendimento já adotado ser replicado. CUSTOS/DESPESAS. LINHA 3/FICHAS 6 E 16 DO DACON. LANÇAMENTOS EQUIVOCADOS. FALTA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon se destina exclusivamente ao lançamento de custos/despesas incorridos com serviços; assim, o aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com bens utilizados como insumos está condicionado à retificação do Dacon e/ ou a demonstração e comprovação de que tais bens constituem insumos do processo de produção do contribuinte. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. DETERMINAÇÃO. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) Fl. 1699DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA E OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CUSTOS/DESPESAS. INDUMENTÁRIA. SACOLAS. PAPEL ONDULADO E CREPE. COMBUSTÍVEIS. FERRAMENTAS/MATERIAIS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SODA CÁUSTICA. TERRA CLARIFICANTE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com indumentária (uniformes/EPIs) fornecidos aos empregados do setor de produção, com sacolas jersey, folhas de papel ondulado e crepe, com combustíveis (GLP, óleo de xisto e hexano), e com soda cáustica e terra clarificante se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1700DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS. CUSTOS/DESPESAS. PALLETS. FRETES COM TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE DESINFECÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets, com fretes na transferência de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos e com materiais de limpeza e de desinfecção, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. REVERSÃO Tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, , deve o entendimento já adotado ser replicado. CUSTOS/DESPESAS. LINHA 3/FICHAS 6 E 16 DO DACON. LANÇAMENTOS EQUIVOCADOS. FALTA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon se destina exclusivamente ao lançamento de custos/despesas incorridos com serviços; assim, o aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com bens utilizados como insumos está condicionado à retificação do Dacon e/ ou a demonstração e comprovação de que tais bens constituem insumos do processo de produção do contribuinte. CUSTOS. PRODUTOS DESONERADOS (ALÍQUOTA ZERO). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos (produtos) tributados à alíquota zero da contribuição é expressamente vedado pela legislação que instituiu o regime não cumulativo para o PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. DETERMINAÇÃO. “Súmula CARF nº 157 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Fl. 1701DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA E OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de voto, para (i.1) conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, (i.2) afastar as preliminares suscitadas pela defesa, e (i.3) admitir o crédito em relação: (i.3.1) aos combustíveis, exceto óleo Diesel; (i.3.2) às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; (i.3.3) à soda cáustica e à terra clarificante; (i.3.4) às despesas com indumentária, sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado; (i.3.5) pallets; (i.3.6) fretes de insumos e produtos em elaboração entre seus estabelecimentos; (i.3.7) materiais de limpeza e desinfecção; e, (i.3.8) ao crédito presumido da agroindústria com base na natureza dos produtos industrializados e vendidos, conforme apurado pela empresa, e (ii) por maioria de voto, para dar provimento em maior extensão, para reverter as glosas sobre fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, por entenderem pela aplicação obrigatória dos Acórdãos nºs 3302002.026 e 3302002.027, 9303009.657 e 9393009.660, julgados definitivamente. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo (relator), que entendia pela possibilidade de análise da matéria, negando provimento neste ponto. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marina Righi Rodrigues Lara. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Marina Righi Rodrigues Lara - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Wagner Mota Fl. 1702DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Momesso de Oliveira (suplente convocado), Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Ricardo Piza di Giovanni. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata-se o presente processo de impugnação a Auto de Infração apresentada pela empresa em epígrafe. O Auto de Infração tem por objeto os tributos Contribuição ao PIS, no valor de R$ 1.944.386,94, e Cofins, no valor de R$ 8.955.964,22, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros do mora, referentes ao período de apuração de 01/08/2006 a 30/09/2006. O lançamento decorre de insuficiência no recolhimento das contribuições devidas, decorrentes da apropriação de créditos no regime da não cumulatividade utilizados para desconto em valor superior ao que a contribuinte possuía direito. Foram glosados créditos referentes a aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos, quais sejam uniformes e equipamento de proteção de empregados, materiais de limpeza, embalagens utilizadas para transporte, combustíveis e ferramentas, bem como outras aquisições cuja utilização no processo produtivo não foi detectada, como soda cáustica e terra clarificante. Foram ainda glosados aquisições de produtos não tributados pela Contribuição ao PIS e pela Cofins, declarados como aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos da própria Sadia e notas fiscais requisitadas e não apresentadas. Em relação a serviços declarados como insumos e incluídos na linha 3 das fichas 6A e 16A do Dacon, foram glosados créditos referentes a aquisições de bens, itens sem a descrição do insumo e serviços que não se enquadram no conceito de insumo. No que tange aos créditos declarados como sendo decorrentes de despesas com energia elétrica, foram glosadas despesas que não possuem esta natureza, como aquisições de serviços de comunicação (CFOP 1.303), bem como despesas de energia elétrica referentes a junho de 2006. Algumas notas fiscais solicitadas e não apresentadas também tiveram seus créditos glosados. No tocante a despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, foram glosados aluguéis pagos a pessoas físicas, despesas incluídas em duplicidade, comprovantes requeridos e não apresentados e despesas incorridas fora do período de apuração. Quanto a despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, foram glosados créditos referentes a despesas que não possuem esta natureza, aquisições de pessoas físicas e notas fiscais solicitadas e não apresentadas. Em relação a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, foram glosados créditos referentes a bens adquiridos em data anterior a 1º/05/2004, a bens pertencentes do ativo diferido e a bens importados. Foram também glosados créditos referentes a bens que não são edificações nem benfeitorias e não são utilizados na produção de bens destinados à venda, tais como automóveis, transformadores, Fl. 1703DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 sistemas de climatização, condensadores, notebooks, armários, cadeiras, manutenções, computadores, softwares. Quanto aos créditos presumidos de atividades agroindustriais, foram glosadas as diferenças decorrentes da aplicação incorreta do percentual de 60%, e não do percentual de 35% previsto na legislação, bem como as aquisições que não se enquadram no conceito de insumo, tais como carimbos, fretes, rolamentos. Foram também glosados créditos referentes a aquisições sem a descrição do material adquirido. A contribuinte, irresignada, apresentou impugnação ao lançamento com os argumentos abaixo expostos. Afirma que o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento é nulo em decorrência da violação ao princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Argumenta que houve a glosa de inúmeros itens da impugnante, culminando no lançamento de ofício. O relatório fiscal do auto de infração, todavia, não descreveria nem e motivaria um crédito sequer glosado, fazendo apenas remissão aos processos autônomos e distintos de ressarcimento de PIS e Cofins. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento de inúmeros créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da impugnante. Após a alegação de nulidade do ato, a contribuinte expõe acerca do seu entendimento sobre o regime da não cumulatividade das contribuições em tela. Afirma, em síntese, que a não cumulatividade, a partir da Emenda Constitucional 42/2003, constitucionalizou-se no art. 195 da CF/88, e com a constitucionalização, restringiu claramente a liberdade do legislador para aplicação, bem como ao intérprete. Informa que o regime não cumulativo adotado pela legislação foi o subtrativo indireto, com algumas ressalvas, e que a não cumulatividade para o PIS e a Cofins deve estar vinculada à receita e não ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS), possuindo, assim, uma maior amplitude para a obtenção de créditos. Conclui que, valendo-se do princípio da supremacia da Constituição, há de se interpretar não cumulatividade (princípio ou regra) em relação ao PIS e Cofins, nos termos do art. 195, § 12. Em razão disso, entende que resta impossível à legislação infraconstitucional restringir os créditos de PIS e Cofins. Salienta que a glosa de diversos créditos da impugnante se deu pelo fato de que o Fisco adota uma interpretação evidentemente rígida e com o intuito de mera arrecadação, fundada especificamente nas Instruções Normativas da SRF nº 247, 358 e 404. Tais atos normativos restringem a interpretação e aplicação do regime não cumulativo de PIS e Cofins e, consequentemente, a noção de insumos e os créditos decorrentes. Entende que o regime não cumulativo para o PIS e Cofins deve ter como pressuposto de fato a noção de receita (sentido amplo) e não produto industrializado ou mercadoria. Aduz que as noções de não cumulatividade, créditos e insumos de IPI e ICMS podem contribuir, com ressalvas, para fins de PIS/Cofins, quando estivermos diante de Fl. 1704DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 industriais e comerciantes, sendo de evidente falta de pertinência em se tratando de prestador de serviços. Sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio ou serviços) visando à obtenção de receita. Portanto, não se restringiria a alguns itens vinculados tão somente ao desgaste físico para fins de produção, mas também aqueles fatores econômicos onerados pelas contribuições e que contribuam = direta ou indiretamente para a obtenção de receita (insumo sob critério funcional, físico e econômico). Salienta que o critério utilizado pela Receita Federal e claramente utilizado no lançamento é de evidente equívoco, a ponto de ser caracterizado como ilegal. Isto porque as Instruções Normativas da SRF nº 358/2003 e 404/2004, ao buscar explicitar o que seria caracterizado como insumo, nos termos da lei, incorre em grave equívoco ao empregar como critério as noções advindas do regulamento de IPI, o qual traz em seu cerne a idéia de insumo no sentido físico. Conclui que as instruções normativas citadas e a própria fiscalização no presente auto de infração, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei, e tal fato violaria o princípio da legalidade (art. 5º, inc. II e 37, caput, da Constituição Federal). Em relação as glosas, entende ser necessário analisar o caso concreto, com especial atenção à atividade desenvolvida pela impugnante, de produção de alimentos para o consumo humano, para se avaliar a existência de insumos como crédito para abatimento de PIS e Cofins. Aduz que esta atividade merece maior controle e cuidado do que este e isto, por conseguinte, exigiria um critério diferenciado e distinto de outras atividades para se avaliar o que é relevante e importante para o exercício da atividade a fim de obter receita. Afirma ainda que as exigências de órgãos do poder público não podem ser desconsideradas pelo Fisco. Em relação à glosa de despesas com uniformes, artigos de vestuários, equipamento de proteção de empregados e materiais de uso pessoal, entende que tais materiais na atividade da impugnante não podem ser desconsiderados como insumos, uma vez que são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, contribuindo para a elaboração do produto industrializado e a obtenção de receita. Isto porque, mais do que equipamentos de segurança para os empregados, exigidos em lei, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. No tocante à glosa de despesas com materiais de limpeza/desinfecção, salienta que a Portaria SVS/MS nº 326/1997 estabelece as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos, indicando procedimentos obrigatórios. Tais custos e despesas seriam inerentes à específica e peculiar atividade da impugnante, por determinação de regramentos de órgãos públicos, além de permitir a fabricação do produto (alimento) com qualidade. Fl. 1705DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Em decorrência de tais aspectos, todos os bens adquiridos que tenham por finalidade a higiene, limpeza, desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação dos órgãos públicos de controle, deveriam ser considerados inerentes e essenciais à atividade econômica e, assim, qualificados como insumo, em especial, aqueles exemplificativamente citados na glosa (detergente, desinfetante, sabonete, vassoura). Quanto à glosa de créditos referente aos produtos de movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte, concorda que tais produtos não se incorporam aos alimentos fabricados pela impugnante, todavia entende que isto não significaria que inexiste direito ao crédito. Tais produtos, em seu entendimento, são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na industrialização (emprego para movimentar as matérias-primas a serem utilizadas), armazenagem de matérias-primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril, armazenagem de produto industrializado a ser comercializado, e armazenagem durante o ciclo de industrialização. Defende ainda que mesmo que não se acolha a interpretação de que se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3°, inciso das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins), que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria. Quanto à glosa de despesas com combustíveis, exemplificativamente, hexano, óleo de xisto, GLP e diesel, defende que tais combustíveis são empregados no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. No tocante a glosa de despesas com a aquisição de ferramentas e materiais utilizados em máquinas/equipamentos, em especial, lubrificantes, faca, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula, entende que a simples descrição dos produtos e materiais glosados permite reconhecer a utilidade, inerência e relevância no processo produtivo da impugnante, no processo produtivo de industrialização. Aduz que a faca trata-se de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes, descartar partes da matéria-prima a ser inutilizada, entre outras funções. Significa dizer, assim, que é um equipamento inerente e essencial no próprio processo de fabricação dos alimentos pela impugnante. O mesmo se aplicaria aos lubrificantes, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. Isto porque seriam peças e materiais destinados à manutenção de máquinas e equipamentos da impugnante empregados em sua atividade econômica, em especial, do processo de industrialização. Entende ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, uma vez estão vinculados à atividade econômica e produtiva da impugnante, caracterizando como insumo, de modo que são legítimos em especial os lubrificantes, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. Fl. 1706DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Em relação às aquisições cuja utilização no processo produtivo não foi detectada, quais sejam soda cáustica e terra clarificante, esclarece que a soda cáustica é utilizada na indústria de alimentos para diversas finalidades como no refino do, óleo animal e vegetal, na remoção de ácidos graxos e para descascar batatas, frutas e vegetais, limpeza de equipamentos e maquinas dó processo fabril, entre outras funções. Já a terra clarificante seria um produto utilizado normalmente pelo setor alimentício. por sua função de branqueamento ou clarificação na produção de alimentos. Destarte, entende serem produtos empregados no processo de fabricação de alimentos e, por conseguinte, qualificados juridicamente como insumos, o que outorgaria à impugnante o direito de crédito. Quanto à glosa de despesas com embalagens, aduz que apesar do fato de que as embalagens não se incorporarem ao produto final, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito. Isto porque as embalagens estariam vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade. Aduz que determinações da ANVISA demonstram que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final, pois as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. Em relação a glosa de despesas com o frete entre estabelecimentos da impugnante, entende que a atividade de industrialização dos alimentos a serem comercializados pela impugnante demanda um ciclo de produção complexo, onde o frete também seria peça fundamental. Afirma que todas as transferências, desde o ingresso da matéria-prima básica (por xemplo, grãos) até o produto industrializado acabado e com destino ao consumidor (frete por meio de veículos específicos segundo regras da ANVISA) decorrem de uma participação ativa no processo produtivo, sendo essenciais e inerentes a sua atividade econômica. Já no tocante aos fretes glosados em decorrência da não localização da NF 2715 da Grigio Transportes e NF 232726 da Triângulo Alimentos, a impugnante sustenta sua legitimidade, uma vez que os livros e lançamentos contábeis fazem prova em seu favor. Requer que seja realizada diligência perante tais pessoas jurídicas, por força do devido processo legal e verdade material, visando confirmar a legitimidade das informações e do crédito utilizado. Em relação à glosa da aquisição de diversos produtos sob alegação de não serem tributados, em especial, ovo, fungo, farinha de milho, cebola desidratada, cloreto de colina, leite em pó, requeijão, pinto de um dia, mata mosca, champignon, bentonita sódica, fosfato granulado, terra ativada, ácido fólico, teronina, tomate, batata em cubos, mandioca palito congelada, digluconato de clorexidina, brócolis congelado, queijo prazo, queijo mussarela e ricota, afirma que diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei n. 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas. Cita entre eles cebola desidratada, tomate, tomate cubo congelado, tomate granulado, manjericão, batata em cubos, brócolis, alho desidratado em pó, alho em escamas, alho porro em flocos, cenoura desidrata em pó, cenoura em cubo, champignon, cebola, espinafre fatiado, entre outros. Aduz ainda que, tratando-se de aquisição de produtos agropecuários, o crédito deveria ser mantido, ao menos, no sentido de outorgar aquele presumido previsto nas operações do art. 8º da Lei n. 10.925/2004. Fl. 1707DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Por fim, entende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, violaria o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Em relação a glosa de serviços (alínea 3 da fichas 06A e 16A da Dacon), sob a alegação de não se tratar de serviços, mas aquisições de bens, a impugnante defende a nulidade devido a cerceamento de defesa, pois não existiria esclarecimento exato acerca desta glosa. Entende que o não acolhimento dos créditos decorre de simples rigor formal, ou seja, a alínea da Dacon foi preenchida como serviços embora fossem aquisições de bens que permitem o crédito. Assim, seria de rigor afastar o exacerbado formalismo e considerar tais aquisições de bens como crédito, mesmo que tenham sido incluídas na alínea equivocada da Dacon, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade e boa fé (Lei n.9.784/99). De outro lado, constata nas planilhas a glosa de serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, que dão direito ao crédito. Quanto às glosas relacionadas a despesas com energia elétrica, afirma que as despesas com a TELEMAR, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas a titulo de creditamento, uma vez que a telecomunicação também é insumo necessário e inerente ao exercício de sua atividade empresarial. Em relação às despesas de energia elétrica do mês de junho de 2006, o crédito deveria ser reconhecido uma vez que se trata de simples crédito extemporâneo e não prescrito. Por fim, no tocante às despesas de energia com NFs faltantes (NFs 5290, 5727 e 6190, 2191, 2518 da CEMIG), requer a juntada nesta impugnação, reconhecendo-se o direito ao crédito. No tocante à glosa de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, entende que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contribuinte, deveria ser mantido o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Quanto à duplicidade, defende que não houve efetiva comprovação e descrição pelo Fisco permitindo a ampla defesa da impugnante, de maneira que a glosa seria improcedente. Quanto às alegações de que, por amostragem, não se referem à locação de imóveis, entende que há improcedência na glosa, em especial, por nulidade e cerceamento de defesa, uma vez que não constaria claramente quais seriam tais negócios que glosou, permitindo a plena defesa do contribuinte. Já em relação à NF 806 da Concorde Administração de Bens, entende pela legitimidade do crédito, eis que este documento fiscal seria suficiente para comprová-lo. Por fim, em relação à despesa incorrida fora do trimestre, tratar-se-ia de simples crédito extemporâneo e não prescrito, razão pela qual impossível se torna a negativa pelo simples fato de não ser do trimestre em discussão. Lembra que os art. 3º, § 4º das Leis nº10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes.". Ou seja, se não houve o aproveitamento em junho, não estaria impedido o aproveitamento nos meses subseqüentes. Em relação às glosas de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, entende que deve ser desconsiderada a glosa decorrente dos créditos terem sido lançados erroneamente na linha indevida da Dacon, pois os créditos são legítimos. Defende que a glosa de frete quando a aquisição for de insumo de pessoa física é improcedente, pois a legislação veda o crédito de bens ou serviços adquiridos de pessoas físicas, inexistindo vedação legal para se restringir o frete na aquisição de Fl. 1708DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 insumo, mesmo que seja de pessoa física, desde que serviço de transporte seja prestado por uma pessoa jurídica domiciliado no país. Ressalta que no setor da impugnante há crédito presumido para aquisições de insumos de pessoas físicas, de maneira que o creditamento do frete se tornaria ainda mais evidente, sendo de rigor a sua manutenção. Quanto à NF 388 Sol Logística e Representações, o crédito seria legitimo, pois a escrituração fiscal faz prova em favor do contribuinte. Na dúvida, deveria ser expedida diligência no sentido de confirmar a prestação de serviço de logística (frete) pela empresa citada. No que tange à glosa de crédito quanto ao encargo de depreciação de bens do ativo imobilizado e edificações e benfeitorias, entende que o fato de os bens do ativo, edificações e benfeitorias terem sido adquiridos em data anterior ao dia 01/05/2004 não veda o creditamento, pois o art. 3º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, em seu inciso VI, permite crédito de "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços". De outra parte, o § 1º, III, de referido artigo enuncia que o " crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor" quanto aos "encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês". Deste modo, seria possível notar que a expressão aquisição somente traz à tona a exigência de que tenha havido uma operação onerosa para que se possa obter crédito de PIS/Cofins. Já a utilização do crédito se fará mensalmente ("incorridos no mês"), ou seja, em seu entendimento, se a impugnante já havia adquirido o bem para o ativo antes de 01/05/2004, a única conseqüência ele será legítimo de maneira proporcional (e não quanto ao custo total de aquisição) e será utilizado da partir desta data para frente até o esgotamento. De outro lado, quanto ao ativo diferido, ressalta a nulidade, pois não constaria a motivação clara, explícita e congruente a fim de permitir a plena defesa do contribuinte. Entende que a glosa se torna improcedente por dois fatores: (i) o antigo ativo diferido permitia o crédito, pois compunha o ativo permanente, tendo semelhanças com o imobilizado, de maneira que a amortização destas despesas a título de abatimento de PIS/Cofins é legal; (ii) caso não se assemelhe ao imobilizado, mesmo assim, é possível a manutenção. de tais despesas uma vez que são vinculadas à atividade econômica da impugnante, sendo possível o seu crédito por meio da noção ampla de insumo já assinalada, uma vez que inexiste vedação legal a este aproveitamento e está totalmente em conformidade com a idéia de não cumulatividade. No tocante aos bens do ativo imobilizado glosados porque não se aplicavam diretamente ao processo de industrialização, sofrendo desgaste, como automóveis, transformadores, sistema de climatização, condensadores, notebooks, armários, cadeiras, manutenções, computadores, softwares, entende ser inaplicável a noção de insumo do IPI para avaliar os créditos de PIS e Cofins. Defende ainda ser improcedente a rejeição de créditos decorrentes de bens importados, devido ao previsto no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Entende ser viável o crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que a Lei n. 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Cofins na importação, permitiu o emprego de tais Fl. 1709DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins). Em relação à glosa do crédito presumido da atividade agroindustrial, entende, baseado em uma interpretação histórica, teleológica, lógica e sistemática, que o cômputo quanto à alíquota deve ser feito em face do produto fabricado e não em decorrência da aquisição. Quanto á glosa de créditos por inclusão na ficha equivocada e não ser insumo serviços como o frete e materiais como rolamentos e carimbo, defende que tais serviços e bens são passíveis de creditamento, de maneira que a simples irregularidade em alocar em ficha equivocada da Dacon não impediria a fiscalização de manter o crédito. Deste modo, o frete, rolamento, carimbos, entre outras aquisições são legitimas. Já em relação à glosa sob argumento de que são aquisições sem descrição do material adquirido, aduz que caberia ao Fisco, a fim de permitir a ampla e lídima defesa do contribuinte, descrever no despacho decisório que onde constam exatamente da contabilidade a fim de permitir o devido processo legal administrativo. Como nada consta neste sentido, deveria ser desconsiderada referida glosa por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da improcedência do lançamento. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindo-se o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material Ato contínuo, a DRJ-FLORIANÓPOLIS (SC) julgou a impugnação do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não cumulatividade, consideram-se insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS COM AQUISIÇÕES DE PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. Fl. 1710DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DACON. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO. A utilização dos créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, apurados na sistemática da não cumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 1711DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da não cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não cumulatividade, consideram-se insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS COM AQUISIÇÕES DE PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Fl. 1712DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DACON. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO. A utilização dos créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, apurados na sistemática da não cumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da não cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 30/09/2006 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário (fls. 1.456 a 1.483) pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na impugnação quanto à matéria autuada. Fl. 1713DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Conforme explicado pelo Relator originário do processo, os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fizeram parte da verificação de ofício dos PER/Dcomp, bem como das bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS apuradas pela ora Recorrente, no terceiro trimestre de 2006. Como conseqüência do procedimento de ofício foi recomposta a apuração das bases de cálculo (débitos e créditos) de PIS e COFINS dos períodos fiscalizados em dois atos distintos: (1) os despachos decisórios, nos quais foram analisados os créditos de PIS e COFINS apurados pela contribuinte; e (2) os autos de infração, por meio dos quais foram constituídos de ofício os créditos tributários relativos aos débitos que não foram declarados ou foram omitidos pelo Contribuinte. Devido às normas procedimentais, esses atos, embora tratem da mesma matéria fática e sejam suportados pelos mesmos elementos de prova, foram acostados em processos administrativos apartados: o presente processo tratou dos Autos de Infração lavrados; os processos 10925.905144/2010-66 e 10925.905143/2010-11 trataram da análise dos créditos. Os processos 10925.905143/2010-11 e 10925.905144/2010-66 foram julgados pela 2ª Turma Ordinária da 3ªCâmara desta Seção de Julgamento em 23 de abril de 2013 (Acórdãos nº 3302002.026 e 3302002.027, respectivamente), que deram provimento parcial ao Recurso Voluntário. Entretanto, foram interpostos Recursos Especiais pela Fazenda Nacional em 19 de junho de 2013, e os referidos processos encontravam-se na Câmara Superior de Recursos Fiscais aguardando sua análise. Em, vista dessa relação de vinculação entre os processos, o Colegiado, por meio da resolução nº3101000.372, da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, resolveu determinar o sobrestamento do julgamento até a juntada das decisões administrativas definitivas relacionadas aos processos nº10925.905143/2010-11 e nº10925.905144/2010-66. Cumprida a Diligência solicitada, com a juntada das decisões definitivas, o processo foi a mim sorteado, tendo em vista que o Relator originário, Conselheiro Rodrigo Mineiro, deixou esta Turma Colegiada para assumir a função de Conselheiro Julgador da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de autos de infração de PIS COFINS não cumulativos do período de 01/07/2006 a 30/09/2006, decorrentes de créditos descontados indevidamente identificados em análise de pedidos de ressarcimentos dessas contribuições. Vale salientar que o relatório do auto de infração remete aos despachos decisórios, os quais, de forma breve, após transcrever a legislação vinculada à matéria; os créditos e as razões da glosa do pedido de ressarcimento são: Fl. 1714DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 (i) - Insumos (art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002): aplicou o conceito restrito de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando os seguintes créditos: a. uniformes, artigos de vestuários, equipamento de proteção de empregados, materiais de uso pessoal: luva, respirador, bota, botina, protetor auricular,.máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete, japona; b. materiais de limpeza/desinfecção; detergente, desinfetante, sabonete, vassoura; c. produtos de movimentação de cargas / embalagens utilizadas para transporte: pallet, sacola Jersey; d. combustíveis: hexano, óleo de xisto, GLP, diesel; e. ferramentas e materiais utilizados em máquinas/equipamentos: lubrificantes, faca, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula; e f. outras aquisições cuja utilização no processo produtivo não ,foi detectada: soda cáustica, terra clarificante. (ii) - Insumos (art. 3 o , II, da Lei nº10.637/2002): dentro do conceito restrito de insumo, também glosou os seguintes créditos: a) embalagens: os acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorize o produto e, por fim, acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela que o produto é . comumente vendido; b) fretes na entrada por amostragem, notou que os fretes eram entre estabelecimentos da Recorrente, daí porque glosou sua plenitude. Além disso, não localizou as NFs~2706 e 2715 da Grigio Transportes e NF 232726 da Triângulo Alimentos; c). aquisições de produtos não tributados: ovo, fungo, farinha de milho, cebola desidratada, cloreto de colina, leite em pó, requeijão, pinto de um dia, mata mosca, champignon, bentonita sódica, fosfato granulado, terra ativada, ácido fólico, teronina, tomate, batata em cubos, mandioca palito congelada, digluconato de clorexidina, brócolis congelado, queijo prazo, queijo mussarela e ricota; d) serviços (alínea 3 da fichas 06A e 16A da DACON); (iii) energia elétrica (art. 3 o , IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito neste item: a) Despesas que não eram de energia elétrica, mas em tese comunicação (NFs 235775; 235766 e 235711 da Telemar); b) Despesas de energia elétrica de junho de 2006; e c) Despesas de energia com NFs faltantes: NFs 5290, 5727 E 6190, 2191, 2518 da CÉMIG. (iv) - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3 o , IV, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito neste item: Fl. 1715DF CARF MF Original http://artigos.de/ Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 a. a. alugueis pagos a pessoas físicas; b. lançamento em duplicidade de despesas; c. Despesas que por amostragem não se referem à locação de imóveis e ausência de prova quanto à NF 806 da Concorde Administração de Bens); d. Despesa incorrida no mês fora do trimestre (NF 1461). (v) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3°, IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito neste item: a. Despesas que não se referem à armazenagem e frete na venda, exemplificativamente,. energia elétrica e fretes, na compra; b. Aquisições de insumos de pessoas físicas; c. Não localização da NF388 Sol Logística e Representações). (vi) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e edificações e benfeitorias (Art. 3 o , VI e Vil, da Lei n 10,637/2002), houve glosa dos seguintes bens: a. adquiridos em data anterior ao dia 01/05/2004; b. compondo o ativo diferido; c. não utilizados na produção: automóveis, transformadores, sistema de climatização, condensadores, notebooks, armários, cadeiras, manutenções, computadores, softwares; d aquisições mediante importação (vii) - crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8° da Lei n. 10.925/2004): a. aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8 o , § 3 o , I, da Lei n. 10.925/2004); b. inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo, tais como frete, rolamento, carimbos. c. aquisições sem descrição do material adquirido. A instância de julgamento a quo deu parcial provimento ao recurso de impugnação nos termos da decisão. Feitas essas considerações iniciais necessárias para o melhor entendimento do caso, passa-se à análise das questões preliminares e mérito suscitadas pela Recorrente quanto aos itens glosados. Preliminares Nulidade do Acórdão Recorrido Por Cerceamento do Direito de Defesa em vista do indeferimento do pedido de perícia Argui a Recorrente que teria havido nulidade do acórdão recorrido visto que foi indeferido seu pedido de diligência, que tinha por objetivo demonstrar que fazia jus aos créditos glosados pela Fiscalização da Secretaria da Receita. De plano, rejeito a preliminar suscitada, isso porque a Autoridade Julgadora a quo considerou que a documentação constante dos autos era suficiente a formação da sua convicção Fl. 1716DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 quanto aos créditos glosados de insumos, o que tornou prescindível a realização de diligência para o deslinde da lide quanto a esse ponto. O Julgador pode determinar a realização das diligências que entender necessárias, quando da apreciação da prova para a formação da sua livre convicção sobre a matéria, indeferindo as que considerar prescindíveis, com fundamento no art. 18 do Dec. 70.235/72 Tal temática foi abordada suficientemente no acórdão recorrido, com a explicitação dos motivos que levaram a manutenção do decidido no despacho decisório, sobretudo com relação a aplicação do conceito restrito de insumo, disposto nas INs nº247/2002 e 404/2004, vigentes à época, mas declaradas ilegais posteriormente pelo STJ. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Nulidade do Auto de Infração- Da Ausência de Fundamentação Para a Glosa dos Créditos Da mesma forma, não prospera a preliminar de nulidade do auto de infração, alegada pela Empresa, sob o pretexto de que as glosas de créditos padecem de falta de fundamentação e detalhamento, isso porque no despacho decisório dos processos de compensação, parte integrante dos autos, encontra-se a fundamentação para a autuação, o detalhamento de cada glosa e as planilhas anexas. Tais documentos constituem fundamentação e detalhamento adequado à ação fiscal e à defesa da Recorrente. Assim, rejeito essa preliminar. Nulidade do Auto de Infração em Virtude da Omissão Relacionada a Diversos Itens Glosados Neste tópico, a Recorrente aduz que há cerceamento de defesa da Recorrente, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório, utilizado para embasar a autuação, foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento de inúmeros créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente. Em relação ao despacho decisório, como já se disse em outro tópico, houve motivação adequada, uma vez que todo o procedimento foi baseado no levantamento específico dos bens e serviços que geraram os créditos que a Interessada aproveitou. O despacho, em cada um dos tipos de insumo, expôs claramente as razões das glosas. Pelo fato de se tratar de uma lista numerosa de itens, a defesa, é claro, não é fácil, uma vez que, para contestar cada glosa é preciso justificar a razão porque o item respectivo deveria ser considerado insumo. Daí o longo recurso apresentado pela Interessada, que abrangeu todos os itens e apresentou as razões, em relação a cada tipo de glosa, por que as glosas seriam indevidas. Dessa forma, rejeita-se também essa preliminar. Mérito Conforme informado nos autos, o direito creditório indicado nas PER/DCOMPs foi objeto de procedimento fiscal que redundou na lavratura nos presentes autos de infração de PIS e COFINS, de glosa de créditos e consequente insuficiência de recolhimento das contribuições referentes ao período de 01/06/2006 a 30/09/2006. Fl. 1717DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Conforme acima relatado, os fatos apreciados no presente processo encontram-se vinculados ao direito creditório apreciado nos processos 10925.905143/2010-11 e 10925.905144/2010-66, que foram julgados pela Câmara baixa do CARF e de forma definitiva na Câmara Superior de Recursos Fiscais nos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e Contribuinte. Nos julgamentos realizados nessas instâncias, foi afastado o conceito restritivo de insumos presente nas INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004 na análise das diversas glosas efetuadas. Dessa forma, adoto como fundamentos e razões de decidir para o presente processo o mesmo entendimento dos votos proferidos na câmara baixa (acórdãos nº 3302002.026 e 3302002.027, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 23 de abril de 2013) e CSRF (acórdãos nº 9303009.657 e 9393009.660 – 3ª Turma, sessão de 16 de outubro de 2019), naquilo que se aplica às glosas relacionadas ao direito creditório ora analisado, excetuando-se as glosas de “Fretes nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos”, por possuir entendimento divergente do voto vencedor: Acórdãos nº 3302002.026 e 3302002.027, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 23 de abril de 2013 VOTO VENCIDO As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3°, II, tratam dos insumos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) Referido dispositivo refere-se a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Matéria-prima é o insumo que dá origem ao produto; produto intermediário, um produto obtido no meio do processo de fabricação; material de embalagem, aquele utilizado no acondicionamento do produto. Enquanto que, relativamente ao material de embalagem, a única controvérsia resume-se à diferenciação do Ripi entre embalagens para transporte e de apresentação, em relação aos produtos intermediários é que se formou uma grande discussão. Fl. 1718DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Como o Regulamento dispõe que, para ser considerado produto intermediário, não precisa haver incorporação do bem ao produto acabado, desde que o bem também não se destine ao ativo permanente, abriu-se margem à interpretação de que seriam essas as únicas condições para caracterização do conceito. Entretanto, a Receita Federal emitiu o entendimento, pelo Parecer CST n. 65, de 1979, de que seria necessário o consumo imediato e direto. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp n° 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito presumido de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164,1, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente'.. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (destaque original) Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessume-se da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de Fl. 1719DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que - além de não se destinarem ao ativo permanente - ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Portanto, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Tratando-se de PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja "utilizado" na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Não é necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Entretanto, tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante. Ademais, a legislação permite, ao contrário do IPI, o creditamento relativo aos encargos de depreciação e amortização, que representam, indiretamente, o creditamento diferido do ativo imobilizado. Entretanto, tal creditamento também sofre restrições, a começar pela de que somente os bens adquiridos a partir de 1° de maio de 2004 podem gerar os créditos. Consequentemente, os bens adquiridos anteriormente à data mencionada e as partes e peças de máquinas que devam ser registradas no ativo fixo, como aquelas que aumentem a vida útil do bem em mais de um ano (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999), não podem gerar crédito diretamente. Ainda sobre essa matéria, cabe lembrar que o Supremo Tribunal Federal, no RE599.316, declarou a sua repercussão geral (<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.asp7pro nunciame nto=3269787>). Entretanto, conforme prevê o art. 62-A, § 1°, do Ricarf, anteriormente citado, o sobrestamento do recurso na via administrativa somente deve ocorrer quando o Fl. 1720DF CARF MF Original http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.asp7pronunciamento=3269787 http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.asp7pronunciamento=3269787 Fl. 24 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 próprio STF houver sobrestado os recursos extraordinários que tratem da matéria, o que não ocorreu no caso em questão. Portanto, a constitucionalidade do dispositivo não pode ser apreciado. Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. No exame das matérias de fato, deve-se observar, inicialmente, que a Interessada apresentou na manifestação de inconformidade e no recurso algumas alegações genéricas, afirmando serem os produtos empregados na produção. Entretanto, deixou de demonstrar várias alegações, como a de que haveria contato entre determinados insumos e os bens produzidos. O Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, é dividido em duas fases: uma oficiosa, de ação da fiscalização, que tem por objeto a apuração de fatos que servirão à conclusão (despacho de homologação ou não homologação da compensação ou auto de infração); outra litigiosa, que tem origem com a apresentação da impugnação de lançamento ou da manifestação de inconformidade art. 14 do Decreto n. 70.235, de 1972). Nesse contexto, as premissas adotadas na fase oficiosa podem redundar na desnecessidade de certas verificações nessa fase. No caso em exame, notadamente o conceito de insumo adotado pela Fiscalização difere bastante do adotado pela Interessada e da anteriormente descrita no presente voto. O fato de a Fiscalização deixar de efetuar as verificações específicas quanto ao que seria ou não insumo no entendimento da Interessada não implicaria, como já afirmado anteriormente, nulidade do procedimento, uma vez que a contestação do conceito adotado pela Fiscalização é objeto da manifestação de inconformidade, cuja apresentação inicia o procedimento litigioso. Dessa forma, devem-se distinguir duas situações quanto ao ônus de prova. Em relação às matérias que a Fiscalização simplesmente apurou como não provadas ou demonstradas na fase oficiosa, caberia ao impugnante, com base no art. 16 do Decreto n. 70.235, de 1972, haver apresentado a prova no momento da impugnação (ou manifestação de inconformidade). Mas em relação àquelas matérias que não foram objeto de verificações específicas, à vista da adoção de conceito distinto de insumo, se a realização de diligência fosse necessária para dirimir dúvidas que surjam à vista do conceito adotado na decisão, certamente tal medida teria de ser adotada. Ademais, seria incabível atribuir à Interessada o ônus da prova em relação a questões levantadas posteriormente ao despacho decisório e que não demandem a produção de prova por diligência. Esclareça-se que não há, entretanto, irregularidade no procedimento da Fiscalização, no despacho decisório da autoridade de origem ou no acórdão de primeira instância, uma vez que o conceito de insumo adotado nas respectivas decisões não demandaria a realização de diligência para apurar a existência do direito de crédito. Dessa forma, devem-se adotar os fundamentos do acórdão de primeira instância em relação ao ônus da prova, apenas em relação às matérias que digam respeito aos fatos apurados pela Fiscalização como não demonstrados ou não provados, em que tal verificação Fl. 1721DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Em relação às aquisições que, no entendimento da Recorrente, caracterizar-se- iam como insumos, trata-se de uniformes, vestuário, EPI e material de uso pessoal; material de limpeza e desinfecção; produtos para movimentação de cargas e embalagens de transporte; combustíveis; ferramentas e materiais utilizados em equipamentos e máquinas. Quanto ao vestuário, conforme já demonstrado, não é o fato de ser despesa obrigatória que o torna insumo, de forma que não gera créditos. Em relação ao material de limpeza e desinfecção, da mesma forma, não se trata de insumos utilizados na produção. Tais conclusões já foram suficientemente justificadas anteriormente. Quanto aos produtos para movimentação e embalagens de transporte (pallets, sacolas "jérsei", folhas de papel crepe e de papel ondulado), considerou-se não se tratar de insumos. A Interessada alegou que tais produtos, especialmente os pallets, seriam utilizados em quatro diferentes fases da produção: industrialização, armazenagem de matérias-primas, armazenagem de produtos a serem comercializados e armazenagem durante o ciclo de produção. Nessa matéria, aplica-se o mesmo raciocínio para definição de insumo utilizado na produção. A armazenagem não representa etapa do ciclo de produção e, portanto, os custos nela incorridas não representam custos de insumos. A movimentação, por sua vez, pode representar etapa do ciclo, se realizada dentro do parque de produção. Mas, no que diz respeito às sacolas, não se vislumbra que representem insumos ou que sejam utilizadas nesse processo. Os pallets, entretanto, podem ser utilizados antes, durante e depois da produção, conforme a própria Interessada descreveu em seu recurso. Da mesma forma, podem ser utilizados no processo de produção ou depois dele os demais materiais de embalagem. Nesse contexto, seria preciso haver uma discriminação dos valores relativos às etapas de produção e às demais. Note-se, ainda, que a caracterização ou não de tais produtos como insumos não se altera pelo fato de a Interessada produzir alimentos, uma vez que o transporte ou embalagem durante o processo de produção poderia ocorrer com qualquer outra atividade de produção. Repita-se que o fato de, no caso particular da Interessada, a necessidade de adequação das embalagens ou dos meios de movimentação às normas sanitárias não altera a natureza do bem ou serviço para se enquadrar no conceito de insumo, conforme anteriormente já explanado. Portanto, em relação aos produtos para movimentação de cargas e às embalagens de transporte, que, em regra, não são utilizados como insumos de produção, não há que se reconhecer o direito ao crédito. Seria o caso de, relativamente aos bens utilizados na produção, haver demonstração específica de tal uso, o que não ocorreu no caso dos autos, uma vez que a Interessada defendeu a tese de que todos os referidos custos gerariam direito de crédito. Fl. 1722DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Ademais, não se acatam aqui as alegações da Interessada quanto ao direito de crédito por armazenagem, pois, conforme demonstrado nos autos e exaustivamente analisado pelas instâncias anteriores, a previsão específica do art. 3°, IX, das leis instituidoras das contribuições não-cumulativas não se aplica ao caso. Em relação aos combustíveis (hexano, óleo de xisto, GLP, Diesel), a lei somente permite o crédito em relação ao utilizado na produção, não abrangendo combustíveis empregados em outros fins. Alegou a Interessada que seriam empregados no processo industrial de fabricação dos alimentos, máquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. A razão da glosa não foi especificada no despacho decisório e, ao contrário do que ocorreu com o item anterior, não se pode presumir que combustíveis como hexano, óleo e xisto e GLP sejam utilizados em veículos de transporte. No caso do óleo Diesel, entretanto, ficou demonstrado nos autos que a "recorrente afirma que adquire o óleo diesel que será usado no abastecimento dos veículos de transporte de terceiros por ela contratados, e, a partir dai, os insumos são transportados aos seus estabelecimentos industriais e as mercadorias industrializadas são transportadas aos seus destinos". Dessa forma, trata-se de gastos com transporte fora da produção. Como a legislação considera que combustíveis e lubrificantes utilizados na produção representam insumos, não há como fazer prevalecer a glosa em relação aos outros combustíveis. Quanto às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos (lubrificantes, faca, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula), não se pode aplicar às contribuições não cumulativas o mesmo conceito de IPI. Como anteriormente explanado, no caso do IPI, somente matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem geram direito a crédito, enquanto que, no caso das contribuições, são os insumos utilizados na produção que geram tal direito. De fato, as ferramentas e os materiais utilizados em máquinas enquadram-se no conceito de insumo, pois são componentes do processo e nele são utilizados. A questão impeditiva do direito que se poderia cogitar nesse caso seria se tais bens se incorporam ou não ao ativo permanente, pois, nesse caso, a legislação prevê que as despesas de depreciação é que geram o direito de crédito. Entretanto, pela descrição dos produtos constante dos autos, não se trata de bens ativáveis. Assim, não tendo a Fiscalização adotado tal critério para a glosa, não se pode cogitar da alteração da fundamentação legal para mantê-la. Dessa forma, deve-se reconhecer o direito a crédito decorrente de ferramentas e de materiais utilizados em máquinas e equipamentos de produção. Em relação à soda cáustica e terra clarificante, o despacho denegatório considerou "não detectado" o uso no processo produtivo. Entretanto, não se tem, de fato, uma justificativa motivada para essa glosa, considerando que, pela descrição fornecida pela Interessada, os produtos seriam utilizados no processo produtivo. Fl. 1723DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Não houve, entretanto, descrição suficiente quanto ao ácido peracético e terra ativada. Da mesma forma, o direito de crédito deve ser reconhecido. Em relação às embalagens utilizadas no transporte, a razão da manutenção da glosa já foi justificada anteriormente. No tocante ao frete na entrada, trata-se de frete entre estabelecimentos da empresa e de fretes cujas notas fiscais não foram localizadas. O frete é um serviço que, em regra, não ocorre durante o processo de industrialização, uma vez que a movimentação durante o ciclo é efetuada pela própria empresa. O frete entre estabelecimentos não diz respeito ao ciclo de produção e a legislação, conforme já ressaltada pelas instâncias pretéritas, somente admite o crédito relativo ao frete na operação de venda. As alegações da Interessada quanto às normas da Anvisa já foram analisadas em itens anteriores e raciocínio semelhante aplica-se neste caso, destacando-se que seria especial em relação ao processo de produção da Interessada a refrigeração, por exemplo, e não o frete propriamente dito. Vale dizer, é possível entender que a manutenção dos produtos em temperaturas baixas ou em outro estado exigido pela legislação represente etapa da produção, mas não é essa a despesa que a Interessada alegou gerar o direito de crédito e, sim, o transporte. No caso, a refrigeração tornaria o transporte possível, que não é um procedimento da produção. Portanto, não se admite, neste caso, que o frete seja considerado insumo utilizado na produção. Finalmente, em relação às notas fiscais não localizadas, cabe razão às instâncias anteriores, uma vez que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, desde que lastreada em documentação hábil e idônea. A falta da documentação fiscal impede, assim, o direito ao crédito. Quanto às aquisições de alíquota zero (ovos, antifungo, farinha de milho, cebola, mata mosca, champignon, tomate, batata em cubos, mandioca palito congelada, etc.), conforme ressaltado pela Primeira Instância, a Lei n. 10.865, de 2004, expressamente desautorizou o creditamento. Discorda-se do entendimento da Interessada quanto aos insumos de alíquota zero, uma vez que a disposição legal citada mencionou "bens não sujeitos ao pagamento" e não "bens não sujeitos à incidência" da contribuição. De fato, os insumos de alíquota zero não se sujeitam ao pagamento, embora se sujeitem à incidência das contribuições. Ademais, não se pode concluir que a não cumulatividade das contribuições seja de "base sobre base", uma vez que a legislação prevê exclusões da base de cálculo, mas também prevê créditos a serem excluídos dos débitos apurados e, nesse caso, exige que o insumo se tenha sujeitado ao pagamento das contribuições. Além disso, as aquisições de pessoas físicas não geram direito de crédito, pelas mesmas razões. O direito ao crédito presumido será analisado posteriormente. Quanto aos produtos que teriam alíquota positiva, a Interessada alegou que vários deles não se enquadrariam na disposição do art. 1° da Lei n. 10.925, de 2004, como cebola desidratada, tomate congelado, tomate granulado, manjericão, batata em Fl. 1724DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 cubos, brócolis, alho desidratado, alho em escamas, alho em flocos, alho em pastas, caldo de galinha, tempero para carne, cenoura desidratada, champignon, cebola, espinafre fatiado, "dentre outros". Entretanto, observou a Primeira Instância no Acórdão DRJ/FNS n. 0726.783, de 25 de novembro de 2011: A contribuinte alega que alguns produtos cujas aquisições foram glosadas, especificadamente cebola desidratada (0712.20.00), tomate (0702.00.00), tomate cubo congelado (0702.00.00), tomate granulado, manjericão (12.11), batata em cubos (0701.90.00), brócolis (0704.10.00), alho desidratado em pó (0712.90.10), alho em escamas (0703.20.90), alho porro em flocos (0712.90.90), cenoura desidrata em pó (0712.90.90), cenoura em cubo (0706.10.00), champignon (0709.59.00), cebola (0703.10.19), espinafre fatiado (0709.70.00), entre outros, não se tipificariam nas classificações fiscais descritas no artigo 1° da Lei n. 10.925/2004. Em que pese o alegado, observa-se que o artigo 28, inciso III, da Lei n° 10.865/2004, estabelece que ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição ao PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de produtos hortículas e frutas classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07 da TIPI: Dessa forma, inexiste direito ao crédito. No tocante aos bens incluídos na Dacon nos campos relativos a serviços e aos serviços que não gerariam crédito (linha 3 das fichas 6 a e 16 a ), a relação constou de CD no dossiê físico e a Interessada alegou que teria havido cerceamento de defesa, uma vez que a referida linha teria sido preenchida, na realidade, com dados relativos a aquisição de bens que geraria créditos. Em relação a tal matéria, o despacho decisório considerou o seguinte: Já em relação aos serviços (linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON), foi verificado que o contribuinte inseriu, na memória de cálculo, várias aquisições de bens. Ora, na linha 03 do DACON somente é permitido o lançamento de serviços utilizados como insumos. Nenhum bem pode ser lançado nessa linha. Ademais, muitos desses bens não se enquadrariam como insumos, de acordo com o que já foi explanado. Além disso, há diversos itens sem a descrição do insumo, o que impossibilita a verificação do enquadramento da aquisição, e há serviços que não se enquadram no conceito de insumo, pois não preenchem os requisitos legais já expostos. São, normalmente, despesas operacionais que, sem dúvida, são necessárias às atividades do contribuinte, mas que não podem ser utilizadas para gerar crédito de PIS e COFINS. Assim, foram glosadas, da memória de cálculo apresentada para a Linha 03 do DACON, aquisições que não se enquadram como serviços e, também, serviços que não se enquadram no conceito de insumo. A planilha contendo os itens da Linha 03 glosados se encontra gravada em mídia digital (CD) no dossiê físico. No que diz respeito aos serviços que não se enquadram como insumos (passíveis de gerarem créditos), sua análise já foi realizada. Em relação aos bens que foram indevidamente lançados na referida linha (que só pode referir-se a serviços), a Fiscalização entendeu que tal fato seria suficiente a justificar a glosa. A DRJ reforçou o entendimento, considerando que não caberia à autoridade tributária admitir a inclusão dos referidos bens no campo própria do Dacon. Entretanto, tratar-se-ia apenas de um ajuste de valores, que não resultaria em valor de crédito maior do que o devido. Esse fato, por si só, não motivo suficiente para simplesmente glosar a totalidade de bens lançados no referido campo, uma vez que nada obstaria à verificação da natureza de cada bem e à análise de se poderia ou não gerar crédito. Fl. 1725DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Ressalte-se que não se trata de um assentimento da autoridade julgadora, mas do julgamento de se a autoridade fiscal poderia proceder à glosa por mero erro da Interessada, escusando-se de analisar o direito material de crédito. Portanto, os valores de bens lançados nos referidos campos do Dacon devem ser considerados, em sua integralidade, para apuração do crédito. No item "despesas com energia elétrica", o que foi glosado foram outras despesas, como frete e serviços de consultoria e gerenciamento e despesas com energia elétrica do ano de 2005. No recurso, a Interessada defendeu o direito de crédito em relação à energia do ano de 2005 e aos serviços de consultoria e gerenciamento atrelados ao consumo de energia elétrica. Em relação à energia do ano anterior, descabe razão à Interessada por não se tratar de despesa incorrida no mês, conforme previsão legal (art. 3°, III, § 1°, II). Os serviços atrelados ao consumo não representam gastos com energia elétrica e, assim, não podem gerar crédito. Com referência às despesas de aluguéis, aplica-se a mesma restrição legal anteriormente mencionada em relação ao ano de 2005. Em relação ao ativo imobilizado, a própria lei estabeleceu que os créditos seriam aqueles relativos a "bens e direito de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1° de maio", não havendo margem para discussão da matéria. As diversas matérias constitucionais levantadas pela Interessada não podem ser levadas em conta para afastar a aplicação da lei, conforme já esclarecido anteriormente. Ademais, apenas os bens utilizados na produção é que geram o crédito em relação à depreciação. Entretanto, ao contrário do alegado pela Interessada, as glosas relativas a automóveis, transformadores, climatização, condensadores, notebooks, armários etc. não foram efetuadas apenas por não haver desgaste no processo de produção, mas por não fazerem parte do processo. Os notebooks, por exemplo, podem ter uso administrativo. Em relação ao ativo diferido, descabe também razão à Interessada, uma vez que não se confunde com o ativo imobilizado. Ademais, também ao contrário do alegado, não se trata de bens utilizados na produção, ainda mais por que, se fossem, a Interessada os teria creditado diretamente e não somente sua depreciação. Em relação aos ajustes positivos de créditos, o despacho decisório observou que, "Na memória de cálculo apresentada para justificar os créditos relativos a este item, percebe-se que o contribuinte utilizou esta rubrica do DACON para se creditar da suposta diferença entre a alíquota integral de PIS/COFINS e uma alíquota presumida, que fora utilizada no ano de 2005 para crédito em aquisições de fretes." Entretanto, citando o dispositivo legal apropriado, concluiu que "apenas poderiam gerar créditos não-cumulativos do PIS/PASEP e da COFINS os valores decorrentes de aquisições ou devoluções de bens e serviços efetuadas dentro de cada mês." A Interessada repetiu as alegações já reproduzidas anteriormente, descabendo- lhe razão, à vista de se tratar de restrição específica prevista em lei, não havendo margem para a interpretação pretendida. Em relação ao crédito presumido de agroindústria, a Fiscalização concluiu que o percentual adotado para cálculo estaria incorreto (60% adotado pela Interessada contra 35% previsto na lei) e que teria havido inclusão indevida de algumas aquisições (bens Fl. 1726DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 que não representariam insumo, como suíno reprodutor, e serviços, como "pagamentos de parcerias, fretes, consertos, pinturas, serviços de 'motoboy'"). A Interessada, em seu recurso, apenas alegou que a Fiscalização efetuou uma interpretação equivocada da lei, o que não corresponde à verdade, uma vez que os bens adquiridos não se enquadram nas posições da tabela que ensejariam a aplicação do percentual de 60%. Quanto ao percentual de apuração do crédito presumido, reproduz-se parte do dispositivo legal: § 3 o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2 o das Leis n- 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2 o das Leis n oos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Nota-se que o dispositivo é claro ao mencionar que o percentual é aplicado "sobre o valor das mencionadas aquisições". Portanto, ao se referir aos "produtos de origem animal classificados nos Capítulos [...]", o inciso I claramente trata das aquisições e não dos produtos fabricados, que é do que trata o caput. Assim, o entendimento do que seja "produto fabricado" ou "insumo" deve ser feito pela análise do dispositivo e não a partir de uma tentativa de sistematização de nomenclatura genérica como pretendeu a Interessada. Em outras palavras, nem sempre quando a legislação menciona "produto" está referindo-se ao produto fabricado, como no caso em questão. Não se pode olvidar tratar-se de um crédito presumido exatamente sobre os insumos adquiridos, a fim de dar efetividade à não cumulatividade de PIS/Cofins. Portanto, a intenção é descontar do valor devido na saída um valor presumido apurado na entrada, o que somente poderia ser feito sobre os valores dos "insumos", não havendo razão para se estabelecer percentuais e alíquotas a partir dos produtos fabricados. Tanto é assim que a mensagem de veto n o 443, de 23 de julho de 2004, disse o seguinte sobre o inciso VIII do art. 1° (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2004/Msg/Vep/VEP-443-04.htm): Razões do veto O inciso I do § 3 o do art. 8 o do projeto de lei de conversão concede crédito presumido, destinado a compensar, na sistemática da não-cumulatividade, a incidência das referidas contribuições sobre os insumos, incluídos os produtos relacionados no inciso VIII do art. 1 o , equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor dos produtos de origem animal, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, classificados nos Capítulos 2 a 4, a serem utilizados como matéria-prima para a produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, e a 35% (trinta e cinco por cento) do valor dos produtos de origem vegetal (sic) com idêntica destinação. Registre-se que a sistemática do crédito presumido visa compensar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre os insumos agropecuários utilizados por pessoas físicas produtoras e fornecedoras, à indústria de alimentos, de produtos de origem animal ou vegetal. Assim, na forma acordada entre o Governo Federal, parlamentares e representantes dos mais diversos segmentos do agronegócio brasileiro, na produção de alimentos de Fl. 1727DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- Fl. 31 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 origem vegetal, seus insumos mais importantes teriam alíquota zero, enquanto no de origem animal o mesmo não ocorreria, em razão da diferença entre os percentuais de crédito presumido. É mais cristalino que a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins para as rações, mantendo-se os percentuais de crédito presumido inalterados e diferenciados provoca grave desequilíbrio no setor, tornando-se tecnicamente inconsistente e politicamente inadequada. Ademais, a redução a zero das referidas alíquotas e a manutenção do crédito presumido no elevado e injustificado patamar de 60% (sessenta por cento) pode vir a configurar concessão de subsídio, prejudicando a política de exportação do País, além de gerar perda de arrecadação da ordem de R$ 900 milhões anuais. De fato, os percentuais foram fixados em função dos insumos porque cada um deles tem certo número de etapas de produção, o que independe do produto ao qual são aplicados. Não há, assim, razão lógica ou jurídica para se estabelecerem os percentuais a partir dos produtos em que são empregados os insumos. Veja-se que a última tese que tentava emplacar tal forma de apuração foi a de créditos de insumos de alíquota zero, que restou considerada improcedente pelo Supremo Tribunal Federal. À vista do exposto e adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o crédito em relação aos combustíveis, exceto óleo Diesel, às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, aos bens incluídos linha 3 das fichas 6 e 16 do Dacon, à soda cáustica e à terra clarificante. Voto Vencedor Fui designado para redigir o voto vencedor relativamente às matérias citadas nos subitens 1.1 e 1.2 do resultado do julgamento, nas quais o Relator foi vencido. Com relação às demais matérias, a Turma de Julgamento acompanhou o Ilustre Conselheiro Relator, Dr. José Antonio Francisco. Razão pela qual ratifico os fundamentos do voto do Relator e as suas conclusões. Concordo com a recorrente quando afirma que a indumentária é um produto intermediário, necessário ao processamento da carnes de aves, de suínos, etc., por força de exigência de autoridade sanitária. A indumentária usada pelos operários na manipulação de carnes não se confunde com fardamento ou uniforme, que são de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Fardamento/uniforme não é insumo, mesmo que utilizado por operários na linha de produção. Por evidente, alguns operários da recorrente, que não manipulam carne na linha de produção, podem usar fardamento ou uniforme e, neste caso, tais bens não se enquadram no conceito de insumo, não fazendo jus ao crédito do PIS e da Cofins não cumulativos os gastos com a sua aquisição. Por evidente, é impossível a recorrente efetuar a industrialização (ou processamento) de carnes sem o uso de indumentária especial exigido pela autoridade sanitária. São, pois, estas insumos empregados na industrialização de carnes, com direito ao crédito básico de PIS e de Cofins não cumulativos. Com relação às despesas com sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado, entendo que tais materiais se enquadram no conceito de embalagem a que se refere a legislação do IPI, posto que se destinam a tal. A natureza destes produtos nos leva a esta conclusão. Fl. 1728DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Como bem disse o Ilustre Relator, o conceito de insumo, utilizado pela legislação do PIS e da Cofins, é mais amplo do que os conceitos de matéria-prima, material de embalagem e produtos intermediários (juntos), utilizados pela legislação do IPI. Disto conclui-se que todo material de embalagem é insumo, para fins de apuração de crédito no PIS e na Cofins não cumulativos. Claro que, também, dão direito ao crédito básico do IPI. No caso dos autos, concordo com a recorrente quando afirma que as sacolas jérsei, as folhas de papel crepe e o papel ondulado se destinam ao acondicionamento dos produtos fabricados por ela. Não há nos autos prova de que tais produtos sejam utilizados em outras atividades da recorrente (administrativa, por exemplo). Com relação aos pallets entendo que os mesmos somente podem ser considerados material de embalagem quando incorporados ao produto, ou seja, quando fica definitivamente associado ao produto por meio de cintas, cordas, arames, parafusos, etc. É o caso dos pallets usados em máquinas ou equipamentos grandes e pesados. Como instrumento de manipulação de produtos embalados, não vejo como enquadrar os pallets como material de embalagem. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recursos voluntário nos seguintes termos: (i) para reconhecer o direito ao crédito básico das despesas com indumentária, sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado; (ii) para manter as conclusões do voto do relator, quanto às demais matérias suscitadas no recurso voluntário. O acórdão transcrito foi parcialmente reformado, em julgamento de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e Contribuinte na CSRF. No da Fazenda para reestabelecer as glosas quanto ao aproveitamento indevido de créditos sobre os custos/despesas dos bens lançados na linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon e no do Contribuinte para reconhecer o direito dele aproveitar créditos sobre os custos/despesas com: a) pallets; b) fretes entre seus estabelecimentos; c) materiais de limpeza e desinfecção; e, d) apurar o crédito presumido da agroindústria com base na natureza dos produtos industrializados e vendidos. Transcreve-se a decisão: Acórdão nº9303-009.657 - CSRF/3ª Turma Os recursos apresentados atendem aos pressupostos de admissibilidade previstos no art. 67, do Anexo II, do RICARF; assim, devem ser conhecidos. Ambos discutem o conceito de insumos para fins de aproveitamento de créditos da contribuição para o PIS, passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. A Lei n° 10.637/2002, que instituiu o regime não cumulativo para a Contribuição para o PIS/PASEP, vigente na data dos fatos geradores, objetos do PER/DCOMP em discussão, assim dispunha: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...); Fl. 1729DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...); IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (...). § 1° O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor: (...); II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; (...). § 2° Não dará direito a crédito o valor: (...); II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...). § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes. (...). Já a Lei n° 10.925/2004 que recriou o crédito presumido da agroindústria assim dispunha: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...). § 1° O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;) (...). § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; Fl. 1730DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Segundo o inc. II do art. 3°, de ambas as leis, os bens e serviços utilizados como na prestação de serviços ou na fabricação de bens e produtos destinados à venda geram créditos das contribuições. (...) No julgamento do REsp n° 1.221.170, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, que devem ser considerados insumos, nos termos do inc. II do art. 3°, da Lei n° 10.833/2003, os custos/despesas que direta e/ ou indiretamente são essenciais ou relevantes para o desenvolvimento da atividade econômica explorada pelo contribuinte. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insinuo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, no julgamento daquele REsp, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) expediu a Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN- MF, autorizando seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre insumos, nos termos definidos naquela decisão, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Com fundamento nos referidos dispositivos legais e na decisão do STJ no referido REsp, passemos à análise e julgamento de cada um dos recursos especiais. A Fazenda Nacional suscitou a divergência jurisprudencial, em relação às seguintes matérias: 1) indumentária de uso obrigatório; 2) sacolas "jersey", folhas de papel crepe e de papel ondulado; 3) combustíveis, exceto óleo diesel; 4) ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; 5) soda cáustica e terra clarificante; e, 6) bens lançados na linha 3 das fichas 6 e 16 do Dacon. No presente caso, o contribuinte é uma empresa agroindustrial que tem como objetivo, dentre outras, as atividades econômicas seguintes: a) exploração de atividades ligadas aos setores agrícola, industrial e comercial de alimentícios em geral; b) exploração de matadouros, curtumes, frigoríficos, fábricas de conservas, enlatadas, ou não, de carnes, gorduras e laticínios, industrialização de óleos vegetais, bem como, a exploração de entrepostos frigoríficos com operação de depósito, conservação, armazenamento e classificação de carnes; c) exploração de carnes em geral, produtos derivados e carnes selecionadas. A realização dessas atividades econômicas exigem, inclusive, por normas legais e sanitárias, a higienização dos ambientes de processamentos e de industrialização dos produtos fabricados e rígidos controles de qualidade. Assim, os custos/despesas incorridos com os referidos materiais e serviços, com exceção do item 6, bens lançados na linha 3 das fichas 6 e 16 do Dacon, tornam-se imprescindíveis e relevantes para o desenvolvimento das atividades econômicas do contribuinte e, consequentemente, se enquadram como insumos, nos termos do inc. II do art. 3° da Lei n° 10.637/2002. A indumentária de uso obrigatório é fornecida aos empregados do setor industrial de processamentos de alimentos destinados à alimentação humana; as Fl. 1731DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 sacolas "jersey", folhas de papel crepe e de papel ondulado são embalagens utilizadas nos produtos fabricados/vendidos; os combustíveis correspondem aos gastos com GLP, hexano e óleo de xisto utilizados no processo de industrialização da produção; as ferramentas e materiais são destinados às máquinas e equipamentos utilizados na produção; a soda cáustica e a terra clarificante são utilizados como insumos no processamento dos produtos destinados à alimentação humana para refino e clareamento de gordura animal e óleo vegetal. Assim, estes custos/despesas se enquadram no conceito de insumos definido pelo STJ no referido REsp. Assim, por força do disposto no § 2° do art. 62 do Anexo II, do RICARF, adota- se, para os referidos custos/despesas, o mesmo entendimento do STJ no julgamento do REsp n° 1.221.170, para reconhecer o direito de o contribuinte apurar créditos sobre eles. Especificamente, quanto ao item 6, bens lançados na linha 3 das fichas 6 e 16 do Dacon, a Fiscalização glosou os créditos sob o fundamento de que, naquela linha devem ser lançados somente os custos/despesas com serviços. Contudo, equivocadamente o contribuinte lançou custos/despesas com aquisições de bens que teriam sido utilizados como insumos. Além disto, segundo a Fiscalização, tais bens não se enquadrariam como insumos utilizados na produção/processamento dos produtos vendidos. No recurso voluntário, o contribuinte não se deu ao trabalho de demonstrar que tais bens foram utilizados como insumo no processamento e/ ou produção dos produtos processados e industrializados por ele. Dessa forma, a DRJ manteve a glosa dos créditos aproveitados por ele sobre os bens lançados equivocadamente na linha 3 das fichas 6 e 16 do Dacon, sob o mesmo fundamento. Nas contrarrazões apresentadas por ele, ao recurso especial da Fazenda Nacional, sequer fez menção àqueles bens. Portanto, demonstrado o erro no Dacon e a não apresentação do retificador e, principalmente, pelo fato de o contribuinte, em nenhuma fase recursal, ter identificado e demonstrado que tais bens, de fato, foram utilizados no seu processo de industrialização dos bens fabricados e/ ou processados, a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização deve ser mantida. Quanto ao recurso especial do contribuinte, a divergência oposta, nesta fase recursal, refere-se ao direito de ele aproveitar créditos sobre os custos/despesas incorridos com: a) produtos para movimentação de carga e embalagens de transporte - pallets; b) produtos à alíquota zero; c) frete entre os estabelecimentos; d) produtos agropecuários - adquiridos de pessoas jurídicas com suspensão/crédito integral; e) materiais de limpeza e desinfecção; e, f) energia elétrica de anos anteriores. a) produtos para movimentação de carga e embalagens de transporte - pallets. Os pallets são utilizados nos setores de armazenagem de insumos, no setor industrial e no setor de vendas dos produtos fabricados/vendidos. Assim, são relevantes e imprescindíveis ao desenvolvimento de suas atividades, enquadrando-se no conceito de insumos dado pelo STJ, na decisão do julgamento do REsp n° 1.221.170/PR, e, consequentemente, dão direito a créditos. b) produtos à alíquota zero. O direito de se aproveitar (descontar) créditos sobre os custos dos insumos desonerados da contribuição (alíquota zero, não tributados e imunes), é expressamente Fl. 1732DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 vedado nos termos do inc. II do § 2° do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002, citados e transcritos anteriormente. Segundo aqueles dispositivos, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dão direito a créditos. c) frete entre os estabelecimentos. Os fretes entre estabelecimentos sejam para o transporte de insumos sejam para o transporte de produtos em elaboração ou acabados são imprescindíveis ao desenvolvimento das atividades econômicas do contribuinte. Assim, se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no referido REsp consequentemente, dão direito a créditos. d) produtos agropecuários - adquiridos de pessoas jurídicas com suspensão/crédito integral Ao contrário do que consta do recurso especial do contribuinte, conforme se verifica dos autos, mais especificamente do Despacho Decisório, item 2.3.6 às fls. 37- e/38-e, a Fiscalização não glosou créditos básicos (alíquota de 7,6%) aproveitados sobre insumos (produtos agropecuários) adquiridos de pessoas jurídicas com suspensão da exigência da contribuição. De fato, houve glosa parcial do crédito presumido da agroindústria, pelo fato de sido determinado, no percentual de 60,0 % da alíquota da base (1,65 %), quando o correto seria 35,0 %. Também, no acórdão recorrido, o Colegiado analisou e julgou o percentual utilizado pela Fiscalização, conforme comprova sua ementa e o voto condutor. No acórdão recorrido, o Colegiado da Câmara Baixa decidiu que o percentual da alíquota da contribuição para se determinar o montante do crédito presumido deve ser calculado em função dos insumos utilizados para a obtenção dos produtos fabricados/vendidos, mantendo-se o percentual utilizado pela Fiscalização que foi calculado sob esse mesmo entendimento, ou seja, deve ser determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados/processados. A determinação do percentual da alíquota de cálculo do crédito presumido da agroindústria para o PIS constitui matéria sumulada pelo CARF, nos termos da Súmula n° 157 que assim dispõe: Súmula CARF n° 157 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-la. Dessa forma, por força do disposto no art. 72, caput, do RICARF, aplica-se ao presente caso essa súmula. e) materiais de limpeza e desinfecção; Os custos/despesas com materiais de limpeza e desinfecção são imprescindíveis ao desenvolvimento das atividades econômicas do contribuinte, inclusive por força de normas sanitárias, para a higiene das instalações e segurança alimentar. Assim, tais custos/despesas se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no referido REsp, na decisão do REsp n° 1.221.170/PR e, portanto, dão direito a créditos. f) energia elétrica de anos anteriores. O aproveitamento de créditos sobre os custos/despesas com energia elétrica está previsto no inc. IX do art. 3° da Lei n° 10.637/2002. Contudo, conforme consta Fl. 1733DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 expressamente do inc. II do § 1°, deste mesmo artigo, os créditos devem ser descontados sobre os gastos incorridos no mês em que a energia foi consumida. O art. 74 da Lei n° 9.430/1996, assim dispõe quanto ao ressarcimento/compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (...) Por sua vez a IN SRF n° 600, de 28/12/2005, que disciplinou o ressarcimento/ compensação do saldo credor das contribuições do PIS e da COFINS, ambas com incidência não cumulativa, assim dispõe: Art. 1° A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: (...). § 1° A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sê-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: - custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; - custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência; ou (...). Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4° do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre-calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. (...). § 3° Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário. Fl. 1734DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Ora, segundo estes diplomas legais, o créditos da contribuição para o PIS devem ser apurados mensalmente e deduzidos do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Já o crédito não aproveitado no mês, poderá sê-lo no meses seguintes, sendo que o saldo credor trimestral poderá ser objeto de ressarcimento/compensação, mediante a transmissão de PER/DCOMP. O instrumento legal para se apuara os créditos da contribuição é o Dacon mensal que deve ser preenchido e transmitido a RFB pelo contribuinte. Já a IN SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, assim dispõe: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1° O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindo-o integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) § 4° A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Assim, nos casos em que se deixa de apurar créditos relativos a determinados meses, ou seja, deixa de apropriá-los, é necessário retificar o DACON relativo ao período em que o crédito não foi apropriado, a fim de incluí-lo na apuração. A apuração extemporânea de créditos só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No presente caso, foram glosados créditos aproveitados indevidamente sobre custos/despesas com energia elétrica incorridos em meses anteriores, sem a devida retificação dos Dacon. O ressarcimento/compensação de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS é possível, desde que retificados os respectivos Dacon e as DCTF. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional apenas e tão somente, quanto ao aproveitamento indevido de créditos sobre os custos/despesas dos bens lançados na linha 3 das Fichas 6 e 16 do Dacon, mantendo-se a glosa efetuada pela Autoridade Administrativa e mantida pela DRJ, e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial do contribuinte para reconhecer o direito de ele aproveitar créditos sobre os custos/despesas com: a) pallets; b) fretes entre seus estabelecimentos; c) materiais de limpeza e desinfecção; e, d) apurar o crédito presumido da agroindústria com base na natureza dos produtos industrializados e vendidos. No presente voto, apenas não devem ser acolhidas as conclusões definitivas dos acórdãos transcritos a respeito do item “Fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos”, conforme motivação a seguir. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i) na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Fl. 1735DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; ii) nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii) o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. Desta feita, o transporte de produtos acabados para outros estabelecimentos da empresa não se enquadra em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus do frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias- primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja Fl. 1736DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega Fl. 1737DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. (negritos nossos) Assim, com base nessa motivação, devem ser mantidas as glosas dos fretes nas transferências de produtos acabados para outros estabelecimentos da empresa. A Recorrente questionou também em sua defesa a legalidade da aplicação da taxa SELIC para a correção do crédito tributário lançado. Aduz que deveria ser aplicada a taxa de 1% ao mês. Não procede a alegação da Recorrente, uma vez que a aplicação da taxa SELIC nos débitos para com o Fisco Federal encontra-se atualmente previsto pelo §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (grifei). Ademais, a questão se encontra pacificada neste Colegiado por meio da Súmula CARF nº 4 que é de observância obrigatória pelos seus membros, in verbis: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. De forma subsidiária, ainda pugna a Recorrente pela improcedência da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por absoluta ausência de previsão legal. Essa questão também já foi pacificada nas turmas do CARF por meio da Súmula nº108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Fl. 1738DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art552 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art5%C2%A73 http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 42 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 Por fim, a Recorrente aduz que a multa aplicada no auto de infração ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na Constituição Federal. Essas argumentações por se constituírem matérias que somente o Poder Judiciário é competente para julgar, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º, não podem ser analisadas pelas turmas deste colegiado. Nesse sentido, inclusive, a Súmula CARF nº2 determina que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Como se sabe, as Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito em relação: i) aos combustíveis, exceto óleo Diesel; ii) às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; iii) à soda cáustica e à terra clarificante; iv) às despesas com indumentária, sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado; v) pallets; vi) fretes de insumos e produtos em elaboração entre seus estabelecimentos; vii) materiais de limpeza e desinfecção; e, viii) ao crédito presumido da agroindústria com base na natureza dos produtos industrializados e vendidos, conforme apurado pela empresa. É como voto. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto Vencedor Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, Redatora designada. Na sessão de julgamento, este Colegiado, por maioria dos votos, divergiu do ilustre Conselheiro Relator especificamente a respeito da glosa sobre fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Naquela oportunidade, fui designada para redigir o voto vencedor. Em síntese, conforme relatado anteriormente, trata-se o presente processo de Autos de Infração, por meio dos quais foram cobradas contribuições ao PIS e à Cofins, referentes ao período de 01/07/2006 a 30/09/2006. As referidas contribuições teriam sido insuficientemente recolhidas, em razão da apropriação de créditos no regime da não cumulatividade, utilizados para desconto em valor superior ao que a contribuinte possuiria direito. Os referidos créditos de PIS e COFINS foram apurados pela contribuinte em PER/Dcomp e analisados também nos autos dos processos 10925.905143/2010-11 e 10925.905144/2010-66. Assim, como exposto pelo ilustre Conselheiro, os fatos apreciados no Fl. 1739DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 3402-011.156 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.721990/2011-14 presente processo são exatamente os mesmos examinados naqueles autos, já tendo sido julgados de forma definitiva por este Conselho. No entanto, o ilustre Relator, apesar de adotar como fundamentos e razões de decidir para o presente processo o mesmo entendimento dos votos proferidos naqueles autos, por possuir entendimento divergente quanto às glosas de “Fretes nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos”, entendeu por afastar o decidido nesse ponto, mantendo a referida glosa. Este Colegiado, porém, por maioria, divergiu desse entendimento, por concluir pela aplicação obrigatória dos Acórdãos nºs 3302002.026 e 3302002.027, 9303009.657 e 9393009.660, julgados definitivamente. É que, por estarem os processos fundamentados exatamente sobre os mesmos fatos, havendo decisão administrativa definitiva sobre a matéria objeto dos presentes autos, não seria possível a sua rediscussão nesta sede. Deve-se, nesses casos, em nome do princípio da segurança jurídica, buscar a homogeneidade do tratamento jurídico de controvérsias com identidade de objeto e partes, evitando decisões conflitantes ou contraditórias sobre os mesmo fatos. Dessa forma, tendo a glosa referente aos gastos com fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos sido objeto de análise e julgamento definitivo no âmbito deste Conselho, deve o entendimento adotado nos autos dos processos 10925.905144/2010-66 e 10925.905143/2010-11 ser aqui replicado. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que seja também revertida a glosa dos créditos relativos aos fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos. (documento assinado digitalmente) Marina Righi Rodrigues Lara Fl. 1740DF CARF MF Original
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