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10820803 #
Numero do processo: 13936.000515/2010-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. INDENIZAÇÃO. SÚMULA CARF N. 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, direta ou indireta.
Numero da decisão: 2001-007.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a] integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: WILSOM DE MORAES FILHO

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DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. INDENIZAÇÃO. SÚMULA CARF N. 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, direta ou indireta. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a] integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). RELATÓRIO Inicialmente, cumpre esclarecer que se trata de processo paradigma, nos termos do art. 87, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, motivo pelo qual os números de e-fls. especificados no Relatório e Voto se referem apenas a este processo. Fl. 53DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.540 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13936.000515/2010-81 2 A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 02-60.265 - 5ª Turma da DRJ/BHE (fls. 34 e segs.). Contra sujeito passivo acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 6 a 9, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, ano-calendário 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$7.451,57, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento reporta-se aos dados informados na declaração de ajuste anual do sujeito passivo, entre os quais foram alterados os rendimentos tributáveis de R$14.884,32 para R$67.414,43 e o imposto retido na fonte de R$0,00 para R$1.575,90. Na declaração apresentada, foi apurado inexistência de saldo de imposto a pagar ou a restituir. Ocorrida a ciência em 27/09/2010 (fl. 16), em 15/10/2010, o sujeito passivo apresenta impugnação de fl. 2 a 4, instruída com os documentos de fls. 5 a 14, na qual alega, sem síntese, que os rendimentos recebidos do DNER em decorrência da ação judicial referem- se a indenização e são isentos do imposto, conforme informado na declaração de ajuste anual. Foi proferido Acórdão nº 02-60.265 - 5ª Turma da DRJ/BHE, (fls. 34 e segs.), onde a impugnação foi julgada improcedente por unanimidade de votos. A seguir transcrevo as ementas da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Ratifica-se o lançamento com base na documentação constante dos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 23/09/2014, o sujeito passivo interpôs, em 16/10/2014, Recurso Voluntário, fls. 39 e segs, sustentando, em apertada síntese que moveu ação indenizatória contra o DNER, que resultou no valor de R$ 52.182,22, descontados R$ 1.575,90 referente ao IRRF, totalizando R$ 50.760,58; em 1999 ajuizou ação contra o DNER junto a justiça federal de Santa Catarina, a qual recebeu o nº 1999.04.01.114321-2, com o sucesso do pleito o recorrente se viu obrigado a proceder a execução da sentença que mandava a União Federal, sucessora do DNER, para satisfazer o pagamento da condenação , processo nº 85.00.09773-6/SC, que não cabe imposto sobre a renda em valores recebidos a título de indenização e que o acórdão da DRJ não considerou isso. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.540 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13936.000515/2010-81 3 VOTO Conselheiro Wilsom de Moraes Filho, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. O recorrente alega que os valores recebidos da União Federal, que sucedeu o DNER, são isentos, processo principal nº 1999.04.01.114321-2, processo de execução nº 85.00.09773- 6/SC, porém não traz nenhum documento para demonstrar a isenção. Com base no princípio da verdade real ingressei no sítio da internet da justiça federal de Santa Catarina e na busca processual não encontrei nada relativo ao processo nº 1999.04.01.114321-2, mas encontrei em relação ao processo de execução nº 85.00.09773-6/SC o seu andamento, onde consta Sentença, que diz: Os exequentes promoveram ação de indenização por desapropriação indireta, da qual resultou a requisição e o depósito dos valores devidos (...).Abaixo colaciono trecho pertinente: Sobre desapropriação indireta cabe citar a Súmula CARF nº 42, Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 08/12/2009: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 55DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.540 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13936.000515/2010-81 4 Cabe explicar que na desapropriação direta o poder público segue um procedimento e acerta uma indenização com o proprietário antes de tomar posse do bem. Já na apropriação indireta, o poder público primeiro toma posse do bem e somente acerta uma indenização com o proprietário, caso ele venha a reclamar. Como visto, apesar do adjetivo a desapropriação indireta em nada difere da direta. Trata-se de não incidência. Dessa forma não incide IRPF sobre o valor que foi considerado Omisso (R$ 53.530,11), porém no ajuste anual deve ser levado em conta o IRRF de R$ 1.575,90, que consta na infração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrente da ação da justiça federal. CONCLUSÃO Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e dou provimento. (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho Fl. 56DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4817083 #
Numero do processo: 10183.003153/90-73
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR - LANÇAMENTO - QUITAÇÃO - Desde que comprovada a quitação do tributo, como na hipótese vertente, não pode prosperar a decisão singular no sentido de gravar o contribuinte relativamente ao mesmo fato gerador. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-01.700
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Tiberany Ferraz dos Santos (justificadamente) e Sebastião Borges Taquary.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA

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10822607 #
Numero do processo: 10530.904838/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, calcadas na escrituração, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o provimento do recurso voluntário na parte comprovada. REGIME CUMULATIVO. DECISÃO DO STF. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, não excluiu as receitas das atividades empresariais típicas da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep cumulativas. PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. BONIFICAÇÃO PAGA POR FORNECEDOR. As bonificações e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas, caracterizam-se como receitas operacionais destes últimos e, como tal, integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins.
Numero da decisão: 3201-012.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o pagamento indevido da contribuição decorrente de receitas financeiras, excluídas, no caso, as receitas de atividades operacionais denominadas “bonificações” ou termo similar). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.092, de 15 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10530.903807/2011-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, calcadas na escrituração, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o provimento do recurso voluntário na parte comprovada. REGIME CUMULATIVO. DECISÃO DO STF. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, não excluiu as receitas das atividades empresariais típicas da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep cumulativas. PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. BONIFICAÇÃO PAGA POR FORNECEDOR. As bonificações e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas, caracterizam-se como receitas operacionais destes últimos e, como tal, integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o pagamento indevido da contribuição decorrente de receitas financeiras, excluídas, no caso, as receitas de atividades operacionais denominadas “bonificações” ou termo similar). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.092, de 15 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10530.903807/2011-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-02-20T14:28:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-02-20T14:28:12Z; Last-Modified: 2025-02-20T14:28:12Z; dcterms:modified: 2025-02-20T14:28:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-02-20T14:28:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-02-20T14:28:12Z; meta:save-date: 2025-02-20T14:28:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-02-20T14:28:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-02-20T14:28:12Z; created: 2025-02-20T14:28:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2025-02-20T14:28:12Z; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-02-20T14:28:12Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10530.904838/2011-09 ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 15 de outubro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE RODOBENS CAMINHOES BAHIA S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, calcadas na escrituração, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o provimento do recurso voluntário na parte comprovada. REGIME CUMULATIVO. DECISÃO DO STF. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, não excluiu as receitas das atividades empresariais típicas da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep cumulativas. PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. BONIFICAÇÃO PAGA POR FORNECEDOR. As bonificações e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas, caracterizam-se como receitas operacionais destes últimos e, como tal, integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o pagamento indevido da contribuição decorrente de receitas financeiras, excluídas, no caso, as receitas de atividades operacionais denominadas “bonificações” ou termo similar). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.092, de 15 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10530.903807/2011-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 2280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 2 Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. O processo trata de pagamento indevido ou a maior da contribuição em epígrafe fundado no alargamento indevido da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/1998. Segue parte do relatório da decisão da DRJ: De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência do crédito, o pedido de restituição foi indeferido. Como enquadramento legal citou-se: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN). (...) [A interessada se manifesta:] •Aduz não ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, em desrespeito ao art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 990, de 30/12/2008. •Nos termos do art. 142 do CTN, é dever da fiscalização ir a fundo no exame da situação concreta, a fim de que o lançamento e também as demais glosas fiscais, sejam baseados na correta aplicação da lei aos fatos efetivamente ocorridos e a ela subsumidos. •No caso, a fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, fato que impõe a reforma do despacho decisório, justamente por contrariar o ordenamento jurídico vigente. •O parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou significativamente as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ao prescrever que nelas fossem consideradas todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente o seu faturamento. Fl. 2281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 3 •Ao assim proceder, o legislador ordinário ofendeu frontalmente o inc. I do art. 195 da Constituição Federal, bem como o art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir as competências tributárias. •A discussão quanto à constitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 encontra-se superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade daquele dispositivo, por ocasião do julgamento do RE nº 390.840/MG, em 09/11/2005. •A matéria já foi considerada pelo Supremo Tribunal Federal-STF como de repercussão geral e será objeto de Súmula Vinculante, conforme Voto proferido pelo Min. Cezar Peluso no RE nº 585.235, de 10/09/2008. •Esse entendimento está de tal forma pacificado no seio da jurisprudência que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, revogou expressamente o malsinado parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. •A jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo Fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do STF. Cita jurisprudência. •O inc. I do parágrafo 6º, do art. 26-A, incluído no Decreto nº 70.235/1972 pela Lei nº 11.941/2009 determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação. •Norma de igual teor foi também prevista no Decreto nº 7.574, de 29 de novembro de 2011, que determinou, no inciso I do parágrafo único de seu artigo 59, a aplicação, pelos órgãos de julgamento da administração federal, do entendimento exarado pelo Plenário da Corte Suprema, nos casos de lei declarada inconstitucional. •O caput do art. 62-A, do RICARF (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, vincula o CARF a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, sob o regime de repercussão geral (art. 543-B do CPC), tal como ocorreu no julgamento do RE nº 585.235. •Tal dispositivo regimental reforça a demonstração de que o entendimento do STF a propósito da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve, necessariamente, ser aplicado ao caso dos autos. •Não há dúvidas de que o entendimento esposado pelo STF deve ser aplicado pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Fl. 2282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 4 •Nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins deveriam ter sido incluídos, somente, os valores correspondentes ao faturamento, ou seja, os ingressos correspondentes às receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. •O direito creditório discutido nos autos se refere a recolhimentos sobre receitas que não integram o faturamento e, por conseguinte, não são alcançadas pela hipótese de incidência das contribuições para o Pis e Cofins. •E para que não restem quaisquer dúvidas, são acostados documentos hábeis a comprovar a existência e a higidez do crédito pleiteado. •Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento à plena restituição das contribuições recolhidas sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. •Informa, ainda, que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório. Com base na Resolução de Diligência do Carf, prossegue-se relatando no recurso voluntário que: O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, tese de que (i) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição; (ii) que a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário é descabida; (iii) que o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material; (iv) que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido; (v) que estando a contabilidade lastreada em documentação idônea há prova em favor do contribuinte; (vi) que o conjunto probatório dos autos faz prova de que o valor da contribuição recolhida indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacados nos livros contábeis anexados à manifestação de inconformidade; (vii) que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (viii) que a matéria já foi decidida em sede de repercussão geral pela Suprema Corte através do RE 585.235; (ix) que a Lei 11941/2009 revogou o parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (x) defende a aplicação do art. 26-A do Decreto 70235/72 e art. 62-A do RICARF e(xi) cita jurisprudência em seu favor. Fl. 2283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 5 Na conclusão e pedido do Recurso Voluntário: Pelo exposto, a recorrente requer que o seu recurso seja conhecido e provido, reformando-se o v. acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da(o) PIS/PASEP calculada(o) sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei n, 9718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Consequentemente, devem ser integralmente homologadas as compensações efetuadas com base no referido crédito. Constatou o relator da diligência que a recorrente, além das DCTF's, apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o Livro-Razão. Apontou, também, que assiste razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Através da Resolução nº 3201-000.953, a turma decidiu pelo encaminhamento do processo em diligência, a saber: Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. As conclusões constaram do relatório conclusivo de diligência, que verificou todas as receitas financeiras e reapurou o pagamento indevido. Constatou-se que receitas de bonificações foram excluídas indevidamente pelo contribuinte. A interessada se manifestou, questionando o relatório fiscal no que respeita às bonificações. É o relatório. Fl. 2284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 6 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os autos retornaram de diligência. O relator original não mais se encontra no Carf, pelo que foi sorteado o processo a este relator. O processo retornou de diligência, devidamente cumprida, com manifestação da interessada. Um primeiro ponto do litígio, no que envolve a comprovação e retificação das declarações, já foi abordado no relatório de diligência. Em seu recurso voluntário, o contribuinte postula pela verdade material, argumentando que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido. Traz documentação contábil para lastrear o exame, argumentando que a escrituração faz prova em seu favor. Não se ignora que a apreciação e reapuração do valor devido do período sem as devidas retificações das declarações, nem mesmo realizadas após o despacho decisório, é controversa, com decisões em sentidos diversos. A decisão recorrida foi justamente fundada no ônus da prova. Na Resolução de diligência, a presente Turma, em composição anterior, já adotou um entendimento. Adota-se aqui tal abordagem. Assim restou consignado na Resolução que encaminhou os autos em diligência: No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o Livro-Razão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa-fé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. São mencionados outros processos da interessada também encaminhados em diligência. É de se ressaltar, entretanto, que a coerência das declarações é elemento de comprovação e a não retificação pode, inclusive, impedir a fiscalização, uma vez que os fatos alegados não restaram corretamente informados. Seguindo a linha já Fl. 2285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 7 adotada na diligência, considera-se inexistir impedimento absoluto para a apreciação do indébito, desde que a comprovação seja taxativa. Para prosseguir na análise, cabe breve comentário sobre as razões alegadas para o indébito, antes de examinar as rubricas do caso concreto. A inconstitucionalidade parcial da Lei 9.718/1998 foi definida nos termos do Recurso Extraordinário 585.235 julgado pelo STF em sede de repercussão geral. Segue: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator.” (...) Voto: (...) versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e, cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresarias (...) (grifou-se). A matéria era polêmica no Pleno e, apenas após as decisões por maioria nos leading cases, sobreveio a unanimidade no reconhecimento de repercussão geral no RE 585.235-1/MG, em setembro de 2008, tendo como relator o Min. Cezar Peluso. Note-se ainda que o entendimento aqui adotado é que o faturamento é o produto da venda de mercadorias e prestação de serviços, ou combinação de ambos, ou seja, o resultado da atividade empresarial. Tal corresponde, aproximadamente, ao entendimento técnico vigente já à época da Constituição, em outras áreas, como a contabilidade ou finanças. O distanciamento quanto às origens do conceito de faturamento no direito civil/comercial já era conhecido, já tendo o STF assim se manifestado no caso do Finsocial. Parece bastante seguro dizer que houve, efetivamente, uma evolução na compreensão do termo, mas esta foi no sentido de expansão, decorrente da própria realidade histórica, rompendo com os limites do conceito de direito comercial, já há muito abandonado. Desse modo, sob a égide da Lei 9.718/1998, após o julgamento, as receitas não operacionais, ou não típicas da atividade, não estão sujeitas à tributação. A PGFN definiu os parâmetros a serem adotados no Item I do Anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114/2012: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideram- se receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas Fl. 2286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 8 instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Além do mais, há previsão específica de aplicação pelo Carf dos julgados das Cortes Superiores no rito dos recursos repetitivos ou de repercussão geral no art. 99 do Ricarf (Portaria MF 1.634/2023). A unidade de jurisdição bem se desincumbiu da diligência, recalculando o valor devido a partir da exclusão das receitas tidas como inconstitucionais e aproveitando as vinculações existentes no período, de modo a chegar ao indébito. Exceção em relação ao apresentado pela empresa foram os valores percebidos a título de “bonificações”, por se verificar que não poderiam ser enquadradas como receitas financeiras, como o fez o interessado. O recorrente contestou o entendimento do relatório de diligência. Aborda o conceito de receita e a impossibilidade de incidência do PIS e da Cofins sobre recuperação de custos, citando jurisprudência. Alega, em particular: Em outras palavras, as bonificações não são receitas da Intimada, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da Intimada, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da Intimada, eis que o valor das vendas não é alterado, não há qualquer interferência desses valores na receita da Intimada, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS. As bonificações recebidas pela ora Intimada em decorrência das suas vendas são totalmente incondicionais, eis que estão apenas atreladas às vendas dos seus automóveis e camionetas. Em determinadas oportunidades, ressalte-se, representam apenas recebimento de peças gratuitamente pelas montadoras. Pois bem, no caso, constatou se tratar de “valores pagos como forma de incentivo à realização de operações de compras, estimulando o abastecimento do estoque das beneficiárias, caracterizando, portanto, uma verdadeira subvenção corrente efetuada pela montadora como forma de auxiliar no desenvolvimento das atividades de sua rede de concessionárias”. A empresa adquire automóveis e camionetas para revender no mercado e registra o preço de aquisição. Após, nas situações previstas, por vendas, por exemplo, é recebido adicional ou descontado do valor a pagar, do passivo. Por pelo menos três razões não é possível adotar a abordagem do recorrente. Primeiro, não se trata de descontos incondicionais. O conceito de descontos incondicionais e a necessidade de eles constarem na nota fiscal de venda vem de longa data, desde a Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, no seu item 4.2: 4.2 – Descontos incondicionais são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifou-se). Fl. 2287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 9 Tal orientação vem se repetindo para as empresas, o que pode ser obtido no Perguntas e Respostas para o preenchimento da DIPJ1. No mesmo sentido diversos Manuais orientadores de sociedades ou institutos tributários ou contábeis, em especial com orientações para os contribuintes. Veja-se, também o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da Fipecafi, 3ª edição, na página 501, onde se explica que: 24.2.2 Abatimentos A conta Abatimentos deve abrigar os descontos concedidos a clientes, posteriormente à entrega dos produtos, por defeitos de qualidade apresentados nos produtos entregues, ou por defeitos oriundos do transporte ou desembarque etc. Dessa forma, os abatimentos não se referem a descontos financeiros por pagamentos antecipados, que são atualmente tratados como despesas financeiras, e não incluem também descontos de preço dados no momento da venda, que são deduzidos diretamente nas notas fiscais. (...) A importância do documento fiscal está ligada, justamente, à coerência das informações, isonomia de tratamento e possibilidade de conferência. Veja-se que os efeitos financeiros não são neutros. Cita-se decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 [...] DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos (IN/SRF Nº 51/1978). (Acórdão nº 9303-011.415, de 15 de abril de 2021, Relator: Rodrigo da Costa Pôssas) Segundo, tais valores são vinculados às atividades operacionais da pessoa jurídica. Não são recebimentos compatíveis com os de ganhos financeiros, mas sim relacionados às vendas. A decisão do STF manteve à incidência sobre dispêndios decorrentes da atividade empresarial, operacional. A teor do que dispõe o art. 373 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR) vigente à época, consideram-se receitas financeiras os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. 1 Capítulo VIII, pergunta 06 para a DIPJ 2012: O que são descontos incondicionais? Somente são consideradas, como descontos incondicionais, as parcelas redutoras do preço de venda quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documentos. Fl. 2288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 10 Por fim, a despeito de já ter bem se caracterizado a hipótese de incidência, também não há hipótese de enquadramento como não tributável por recuperação de custos. Vale ressaltar que a Lei nº 4.506/1964, inclui as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões no conceito de receita bruta operacional. Eis o que dispõe o art. 44 a respeito: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I - O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria - bonificações II - O resultado auferido nas operações de conta alheia; III - As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV - As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Nesse diapasão, é de se ressaltar que, na modalidade não cumulativa, os valores adquiridos dos fornecedores são utilizados na base de cálculo dos créditos da empresa. Depois, não sendo paga a fatura pelos valores contabilizados, por exemplo, o crédito já foi apropriado. Torna-se, então, uma remuneração a cargo das montadoras por alguma condição, como atingimento de metas. É de se relembrar que, no caso de desconto incondicional, o crédito apropriado no regime não cumulativo seria menor (após o desconto). De outra parte, já foi analisada pela CSRF do Carf a situação de contrapartida paga pela montadora pelos serviços que ela (concessionária) presta aos clientes (consumidores dos produtos) para fazer frente à garantia dos produtos da fabricante. Veja-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/10/2003 REGIME CUMULATIVO. SERVIÇOS REALIZADOS EM GARANTIA. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, não excluiu da base de cálculo da Cofins e da Contribuição pra o PIS/Pasep cumulativas as receitas das atividades empresariais típicas. (Processo: 10280.901106/2012-10; acórdão: 9303-011.155; sessão: 20/01/2021; CSRF) As contrapartidas recebidas, de modo desvinculado do custo do veículo recebido, cuja nota não apresenta desconto incondicional, são, por todo já comentado, tributáveis pelas contribuições para o PIS e a Cofins. Nessa linha há posicionamento da RFB: Solução de Consulta Cosit/RFB nº 366/2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONCESSIONÁRIAS DE VEÍCULOS. BÔNUS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES REALIZADAS JUNTO A MONTADORAS DE VEÍCULOS. NATUREZA JURÍDICA. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE BONIFICAÇÃO OU RECEITA FINANCEIRA. Fl. 2289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 11 Os valores pagos pelas montadoras às concessionárias de veículos a título de bônus decorrentes de aquisições de veículos e autopeças realizadas por estas junto àquelas caracterizam subvenção corrente para custeio das atividades desenvolvidas pelas concessionárias de veículos, representando receitas próprias das concessionárias de veículos. As receitas das concessionárias de veículos decorrentes do recebimento do mencionado bônus, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep: a) não constituem receitas financeiras; b) não estão submetidas ao regime concentrado de cobrança da contribuição, previsto no art. 1º da Lei nº 10.485, de 2002, tendo em vista não decorrerem da operação de venda de veículos pela concessionária, nem integrarem a operação antecedente de compra de veículos realizada por esta; e c) estão sujeitas ao regime de apuração (cumulativa ou não cumulativa) a que está sujeita a pessoa jurídica beneficiária. Dispositivos Legais: Lei nº 10.485, de 2002, art. 1º, e art. 3º, § 2º, II; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º; Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/99) art. 373; Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964. (gn). Também o Carf já seguiu tal entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 31/07/2002 PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. BONIFICAÇÃO PAGA POR FORNECEDOR. As bonificações e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas, caracterizam-se como receitas operacionais destes últimos e, como tal, integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins. PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. SERVIÇOS REALIZADOS EM GARANTIA. Os valores pagos pela montadora de veículos à concessionária, em contrapartida pelos serviços que esta (concessionária) presta aos clientes (consumidores), em cobertura à garantia dada aos produtos pelo fabricante, são receitas provenientes da atividade empresarial típica das concessionárias e, portanto, sujeitas à incidência do PIS/Pasep e da Cofins. (processo: 10880.724600/2011-13; acórdão: 3001-002.629; sessão: 11/06/2024; 1ª Turma Extraordinária da 3ª Seção). ------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 [...] DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO. INDICAÇÃO EM NOTA FISCAL OU FATURA. Fl. 2290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.109 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.904838/2011-09 12 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos (IN/SRF Nº 51/1978). (processo: 10314.720434/2015-34; acórdão nº 9303-011.415, sessão: 15/04/2021; CSRF). Assim, o cálculo já realizado em diligência no relatório em resposta à resolução do Carf deve ser validado. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o pagamento indevido da contribuição decorrente de receitas financeiras, excluídas, no caso, as receitas de atividades operacionais denominadas “bonificações” ou termo similar. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o pagamento indevido da contribuição decorrente de receitas financeiras, excluídas, no caso, as receitas de atividades operacionais denominadas “bonificações” ou termo similar). Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 2291DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16327.720020/2021-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 AUSÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. JURISPRUDÊNCIA PERSUASIVA. EFEITOS. CÓDIGO CIVIL. SÚMULA CARF N° 169. A mera invocação de julgados anteriores (precedentes persuasivos) não tem o condão de vincular o julgador administrativo, sendo admissível a adoção pela decisão recorrida de entendimento contrário sem demonstração da existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. O art. 489, §1°, VI, da Lei n° 13.105, de 2015, não tem o condão de transmutar o Civil Law do Direito Brasileiro em um Common Law, devendo ser interpretado no sentido de versar sobre jurisprudência vinculante e precedentes vinculantes. O disposto no art. 24 do Decreto-lei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB), incluído pela Lei nº 13.655, de 2018, não se aplica ao processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. LIMITE. INSUBSISTÊNCIA. O artigo 4º da Lei nº 6.950, de 1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318 de 1986. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. NÃO OBSERVÂNCIA DO REGRAMENTO DA LEI N° 10.101, DE 2000. EFEITOS. A regra jurídica da alínea j do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, extrai seu fundamento de validade do art. 7º, XI, da Constituição, a determinar que a desvinculação da remuneração se dá “conforme definido em lei”, como estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal ao fixar a tese de repercussão geral de que a natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação e decidir que, na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 1994, houve a incidência da respectiva contribuição previdenciária sobre os valores percebidos antes da entrada em vigor desse ato normativo (RE 569.441, Tema n° 344). Como decorrência lógica do raciocínio adotado no julgamento do RE 569.441, a inobservância da regulamentação enseja igualmente a incidência da respectiva contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. ASSINATURA DO INSTRUMENTO COLETIVO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO PARÁGRAFO 7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Antes da assinatura do acordo coletivo de trabalho ou da convenção coletiva de trabalho ou do acordo estabelecido por comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato não há pactuação coletiva, não há regra de direito posta, mas negociação de regra ainda a ser fixada e a sofrer distorções pela pendência da negociação à luz do labor executado e dos lucros/prejuízos e resultados havidos durante o período aquisitivo já transcorrido, a violar a finalidade do instituto e a norma veiculada no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. O novel § 7° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, não veicula norma interpretativa, eis que não há como se admitir a alteração retroativa da natureza jurídica dos valores pagos aos trabalhadores, uma vez já ocorridos os fatos geradores ao tempo em que havia mera expectativa de positivação da norma jurídica trabalhista coletiva autônoma. Para a expectativa de direito poder gerar efeitos jurídicos tributários (princípio da legalidade), é necessária a existência de disposição legal expressa, disposição esta que surge no ordenamento jurídico tão somente com a inclusão do § 7° no art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. VALOR MÍNIMO. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO §7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. A fixação de um valor mínimo em convenções coletivas de trabalho, independentemente de lucro ou de resultado nega o instituto da participação nos lucros ou resultados, havendo violação não apenas da Lei n° 10.101, de 2000, mas da própria norma Constitucional. Vinculando-se o pagamento à produção de lucro ou resultado, uma vez atingido tal lucro ou resultado pode-se, nesse caso, estipular valor mínimo desse lucro ou resultado a ser pago como participação e ao qual pode somar-se parcela adicional por esforço adicional dos trabalhadores, segundo regras claras e objetivas firmadas coletivamente antes do início do período aquisitivo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. RECEPÇÃO DE CONTRATO INDIVIDUAL DE METAS. NECESSIDADE DA TEMPESTIVIDADE. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO §7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. A recepção pela norma coletiva mediante invocação das metas anteriormente especificadas para cada trabalhdor nos respectivos documentos apartados pode atribuir efeitos jurídicos às metas constantes dos contratos individuais de metas, mas desde que a norma coletiva seja posta antes do início do período aquisitivo. GRATIFICAÇÃO PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O diposposto no o art. 28, §9°, e, 7, da Lei n° 8.212, de 1991, não se aplica aos contribuintes individuais. ALIMENTAÇÃO. CARTÕES ELETRÔNICOS DE ALIMENTAÇÃO. A alimentação in natura, inclusive por meio de tíquetes ou congêneres, não se constitui em base de cálculo das contribuições previdenciárias e para terceiros.
Numero da decisão: 2401-012.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos à alimentação concedida por meio de cartões eletrônicos. Votou pelas conclusões o conselheiro Matheus Soares Leite. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Elisa Santos Coelho Sarto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO

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INSUBSISTÊNCIA. O artigo 4º da Lei nº 6.950, de 1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318 de 1986. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. NÃO OBSERVÂNCIA DO REGRAMENTO DA LEI N° 10.101, DE 2000. EFEITOS. A regra jurídica da alínea j do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, extrai seu fundamento de validade do art. 7º, XI, da Constituição, a determinar que a desvinculação da remuneração se dá “conforme definido em lei”, como estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal ao fixar a tese de repercussão geral de que a natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação e decidir que, na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 1994, houve a incidência da respectiva contribuição previdenciária sobre os valores percebidos antes da entrada em vigor desse ato normativo (RE 569.441, Tema n° 344). Como decorrência lógica do raciocínio adotado no julgamento do RE 569.441, a inobservância da regulamentação enseja igualmente a incidência da respectiva contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. ASSINATURA DO INSTRUMENTO COLETIVO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO PARÁGRAFO 7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Antes da assinatura do acordo coletivo de trabalho ou da convenção coletiva de trabalho ou do acordo estabelecido por comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato não há pactuação coletiva, não há regra de direito posta, mas negociação de regra ainda a ser fixada e a sofrer distorções pela pendência da negociação à luz do labor executado e dos lucros/prejuízos e resultados havidos durante o período aquisitivo já transcorrido, a violar a finalidade do instituto e a norma veiculada no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. O novel § 7° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, não veicula norma interpretativa, eis que não há como se admitir a alteração retroativa da natureza jurídica dos valores pagos aos trabalhadores, uma vez já ocorridos os fatos geradores ao tempo em que havia mera expectativa de positivação da norma jurídica trabalhista coletiva autônoma. Para a expectativa de direito poder gerar efeitos jurídicos tributários (princípio da legalidade), é necessária a existência de disposição legal expressa, disposição esta que surge no ordenamento jurídico tão somente com a inclusão do § 7° no art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. VALOR MÍNIMO. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO §7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. A fixação de um valor mínimo em convenções coletivas de trabalho, independentemente de lucro ou de resultado nega o instituto da participação nos lucros ou resultados, havendo violação não apenas da Lei n° 10.101, de 2000, mas da própria norma Constitucional. Vinculando-se o pagamento à produção de lucro ou resultado, uma vez atingido tal lucro ou resultado pode-se, nesse caso, estipular valor mínimo desse lucro ou resultado a ser pago como participação e ao qual pode somar-se parcela adicional por esforço adicional dos trabalhadores, segundo regras claras e objetivas firmadas coletivamente antes do início do período aquisitivo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. RECEPÇÃO DE CONTRATO INDIVIDUAL DE METAS. NECESSIDADE DA TEMPESTIVIDADE. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO §7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. A recepção pela norma coletiva mediante invocação das metas anteriormente especificadas para cada trabalhdor nos respectivos documentos apartados pode atribuir efeitos jurídicos às metas constantes dos contratos individuais de metas, mas desde que a norma coletiva seja posta antes do início do período aquisitivo. GRATIFICAÇÃO PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O diposposto no o art. 28, §9°, e, 7, da Lei n° 8.212, de 1991, não se aplica aos contribuintes individuais. ALIMENTAÇÃO. CARTÕES ELETRÔNICOS DE ALIMENTAÇÃO. A alimentação in natura, inclusive por meio de tíquetes ou congêneres, não se constitui em base de cálculo das contribuições previdenciárias e para terceiros.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 AUSÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. JURISPRUDÊNCIA PERSUASIVA. EFEITOS. CÓDIGO CIVIL. SÚMULA CARF N° 169. A mera invocação de julgados anteriores (precedentes persuasivos) não tem o condão de vincular o julgador administrativo, sendo admissível a adoção pela decisão recorrida de entendimento contrário sem demonstração da existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. O art. 489, §1°, VI, da Lei n° 13.105, de 2015, não tem o condão de transmutar o Civil Law do Direito Brasileiro em um Common Law, devendo ser interpretado no sentido de versar sobre jurisprudência vinculante e precedentes vinculantes. O disposto no art. 24 do Decreto-lei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB), incluído pela Lei nº 13.655, de 2018, não se aplica ao processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. LIMITE. INSUBSISTÊNCIA. O artigo 4º da Lei nº 6.950, de 1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318 de 1986. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. NÃO OBSERVÂNCIA DO REGRAMENTO DA LEI N° 10.101, DE 2000. EFEITOS. A regra jurídica da alínea j do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, extrai seu fundamento de validade do art. 7º, XI, da Constituição, a determinar que a desvinculação da remuneração se dá “conforme definido em lei”, como estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal ao fixar a tese de repercussão geral de que a natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários Fl. 2032DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 2 depende de regulamentação e decidir que, na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 1994, houve a incidência da respectiva contribuição previdenciária sobre os valores percebidos antes da entrada em vigor desse ato normativo (RE 569.441, Tema n° 344). Como decorrência lógica do raciocínio adotado no julgamento do RE 569.441, a inobservância da regulamentação enseja igualmente a incidência da respectiva contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. ASSINATURA DO INSTRUMENTO COLETIVO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO PARÁGRAFO 7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Antes da assinatura do acordo coletivo de trabalho ou da convenção coletiva de trabalho ou do acordo estabelecido por comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato não há pactuação coletiva, não há regra de direito posta, mas negociação de regra ainda a ser fixada e a sofrer distorções pela pendência da negociação à luz do labor executado e dos lucros/prejuízos e resultados havidos durante o período aquisitivo já transcorrido, a violar a finalidade do instituto e a norma veiculada no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. O novel § 7° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, não veicula norma interpretativa, eis que não há como se admitir a alteração retroativa da natureza jurídica dos valores pagos aos trabalhadores, uma vez já ocorridos os fatos geradores ao tempo em que havia mera expectativa de positivação da norma jurídica trabalhista coletiva autônoma. Para a expectativa de direito poder gerar efeitos jurídicos tributários (princípio da legalidade), é necessária a existência de disposição legal expressa, disposição esta que surge no ordenamento jurídico tão somente com a inclusão do § 7° no art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. VALOR MÍNIMO. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO §7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. A fixação de um valor mínimo em convenções coletivas de trabalho, independentemente de lucro ou de resultado nega o instituto da participação nos lucros ou resultados, havendo violação não apenas da Lei n° 10.101, de 2000, mas da própria norma Constitucional. Vinculando-se o pagamento à produção de lucro ou resultado, uma vez atingido tal lucro ou resultado pode-se, nesse caso, estipular valor mínimo desse lucro ou resultado a ser pago como participação e ao qual pode somar-se parcela Fl. 2033DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 3 adicional por esforço adicional dos trabalhadores, segundo regras claras e objetivas firmadas coletivamente antes do início do período aquisitivo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. RECEPÇÃO DE CONTRATO INDIVIDUAL DE METAS. NECESSIDADE DA TEMPESTIVIDADE. PERÍODO ANTERIOR AO ADVENTO DO §7° DO ART. 2° DA LEI N° 10.101, DE 2000. A recepção pela norma coletiva mediante invocação das metas anteriormente especificadas para cada trabalhdor nos respectivos documentos apartados pode atribuir efeitos jurídicos às metas constantes dos contratos individuais de metas, mas desde que a norma coletiva seja posta antes do início do período aquisitivo. GRATIFICAÇÃO PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O diposposto no o art. 28, §9°, e, 7, da Lei n° 8.212, de 1991, não se aplica aos contribuintes individuais. ALIMENTAÇÃO. CARTÕES ELETRÔNICOS DE ALIMENTAÇÃO. A alimentação in natura, inclusive por meio de tíquetes ou congêneres, não se constitui em base de cálculo das contribuições previdenciárias e para terceiros. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos à alimentação concedida por meio de cartões eletrônicos. Votou pelas conclusões o conselheiro Matheus Soares Leite. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Elisa Santos Coelho Sarto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 2034DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 4 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 1755/1879) interposto em face de decisão (e- fls. 1684/1744) que julgou improcedente impugnação contra Auto de Infração (e-fls. 815/825) de Contribuições Previdenciárias da Empresa/Empregador, relativas ao Código de Receita 2141 - CP PATRONAL (infrações sobre: ALIMENTAÇÃO A EMPREGADOS, PLR DE DIRETORES EMPREGADOS - EM AÇÕES, PLR DE EMPREGADOS - EM ESPÉCIE e GRATIFICAÇÃO DE ADMINISTRADORES - EM AÇÕES) e ao Código de Receita 2158 - CP RISCOS AMBENTAIS/APOSENTADORIA ESPECIAL (infrações: GILRAT SOBRE ALIMENTAÇÃO, GILRAT SOBRE PLR DE DIRETORES EMPREGADOS - EM AÇÕES e GILRAT SOBRE PLR DE EMPREGADOS - EM ESPÉCIE) e contra Auto de Infração (e-fls. 826/836) de Contribuições para os Terceiros FNDE (Código de Receita 2164) e INCRA (Código de Receita 2249), a envolver infrações SOBRE ALIMENTAÇÃO, PLR DE DIRETORES EMPREGADOS - EM AÇÕES e PLR DE EMPREGADOS - EM ESPÉCIE, ambos a versar sobre as competências 01/2016 a 12/2016, cientificados em 22/01/2021 (e-fls. 1010/1015). O Relatório Fiscal consta das e- fls.837/907, transcrevo: 3.1 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas as seguintes remunerações, sobre as quais não foram recolhidas as devidas contribuições sociais: a) pagas aos segurados empregados a propósito de “Participação nos Lucros ou Resultados”, em espécie e por meio de ações, em desacordo com a legislação específica; b) pagas aos segurados contribuintes individuais a título de “Gratificação”, por meio de ações, e c) pagas aos segurados empregados correspondentes a benefícios relativos à alimentação, sob a forma de Auxílio Refeição e de Auxílio Cesta Alimentação, concedidos por meio de cartões eletrônicos (Cartão Refeição e Cartão Alimentação). (...) 4. Da Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados (...) 4.14 Foram encontrados na contabilidade da empresa em epígrafe (contas nº 89700000000001 – PLR, 89710200000028 – PLR Adicional, 89710200000087 - PLR Benefícios em Ações - 1 Sem 2013, 89710200000095 - PLR Benefícios em Ações - 2 Sem 2013, etc.), bem como em suas folhas de pagamento (rubricas 0472 – PLR Adicional, 0515 – Antecipação PLR Adicional, 0527 – PLR Sindical e 0528 – PLR Programa Próprio), pagamentos de verbas a título de PLR aos seus empregados. 4.15 Esses pagamentos, cujos montantes por beneficiário e rubrica são apontados na planilha de PLR apresentada pelo contribuinte em meio eletrônico em Fl. 2035DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 5 24/08/2020, foram realizados com base nos subsequentes instrumentos de negociação, conforme informações prestadas pela empresa: a) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2015, datada de 03/11/2015, celebrada entre, de um lado, a CONTRAF - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e outras entidades e, de outro lado, a Federação Nacional dos Bancos - FENABAN e outras entidades; b) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos – Exercícios 2016 e 2017, datada de 13/10/2016, celebrada entre, de um lado, a CONTRAF - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e outras entidades e, de outro lado, a Federação Nacional dos Bancos - FENABAN e outras entidades; c) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2015, datada de 03/11/2015, celebrada entre, de um lado, a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul e outras entidades e, de outro lado, a Federação Nacional dos Bancos e outra entidade; d) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos – Exercícios 2016 e 2017, datada de 13/10/2016, celebrada entre, de um lado, a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul e outras entidades e, de outro lado, a Federação Nacional dos Bancos e outra entidade; e) Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participações nos Lucros e Resultados Exercício de 2015, datada de 28/08/2015; f) Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados Exercício de 2016/2017, datado de 16/12/2016 e g) 1º Termo Aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados Exercício de 2016/2017, datado 14 de dezembro de 2017. (...) 4.22 No caso em tela, verifica-se que todas as Convenções Coletivas de Trabalho que tratam da PLR (doravante denominadas Convenções Coletivas de PLR, Convenções Coletivas ou simplesmente CCT), arroladas nas alíneas “a” a “d” do item 4.15, possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaboradas antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. 4.23 A cláusula que dispõe sobre a vigência dessas Convenções Coletivas assim dispõe: »- Convenções Coletivas celebradas em 03/11/2015 (com redação idêntica) Cláusula 5ª - VIGÊNCIA Fl. 2036DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 6 A presente Convenção Coletiva de Trabalho terá a duração de 1 (um) ano, de 01 de setembro de 2015 a 31 de agosto de 2016. »- Convenções Coletivas celebradas em 13/10/2016 (com redação idêntica) Cláusula 7ª - VIGÊNCIA A vigência da presente Convenção Coletiva de Trabalho terá a duração de 2 (dois) anos, entre 1º de setembro de 2016 e 31 de agosto de 2018. 4.24 Por sua vez, o preâmbulo dessas mesmas CCT, assim estabelecem: »- Convenções Coletivas celebradas em 03/11/2015 (redação idêntica) (..) firmam a presente CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO para estabelecer a PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, doravante designada “PLR”, relativa ao exercício de 2015, nos seguintes termos: (...) »- Convenções Coletivas celebradas em 13/10/2016 (redação idêntica) (..) firmam a presente CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO para estabelecer a PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, doravante designada “PLR”, relativa aos exercícios de 2016 e de 2017, nos seguintes termos: (...) 4.25 Observa-se que há um paradoxo entre o preâmbulo das CCT e suas cláusulas que tratam da vigência das mesmas. O que importa no entanto, é que, de fato, as Convenções Coletivas que tratam da PLR relativa ao exercício de 2015 só foram assinadas em 03/11/2015 e as que tratam da PLR relativa ao exercício de 2016 só foram assinadas em 13/10/2016, ou seja, todas foram celebradas no último trimestre do ano base a que se referem. (...) 4.27 O mesmo raciocínio vale para os Acordos Coletivos de Trabalho dos Programas Próprios de Participação nos Lucros e Resultados (doravante denominados de Acordos Coletivos de PLR, Acordos Coletivos ou simplesmente ACT) celebrados em 28/08/2015 e 16/12/2016. O início de validade de tais Acordos Coletivos e o consequente conhecimento das regras por parte dos empregados só ocorreram quando já transcorrido mais da metade do ano em 2015 e já quase findo o ano de 2016. (...) 4.37 Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por intermédio dos instrumentos arrolados no item 4.15, que por sua vez não atendem à exigência legal de prévia negociação entre as partes, foram considerados como integrantes do salário de contribuição por terem sido efetuados em desacordo com a lei específica. (...) Fl. 2037DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 7 4.41 Iniciando nossa análise pelas Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos, de 03/11/2015 e e 13/10/2016 (...) 4.42 Por sua vez, para os mesmos períodos abrangidos pelas Convenções Coletivas, temos a vigência de Acordos Coletivos de Trabalho do Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados (...) 4.43 Da leitura dos dispositivos transcritos acima, resta evidente que os valores pagos com base nos Acordos Coletivos de Trabalho dos Programas Próprios de PLR não são compensados com os valores estabelecidos nas Convenções Coletivas relativas à PLR, e, ainda que o fossem, só o seriam parcialmente, uma vez que há uma parcela de valor fixo não-compensável prevista nas próprias Convenções Coletivas de Trabalho que tratam da PLR. (...) conforme esclarecimento prestado pela empresa, os valores de PLR pagos com base nas Convenções Coletivas não foram compensados com quaisquer outros instrumentos. 4.46 Claro está, portanto, que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia, sabe-se que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se distribui lucros/resultados por intermédio de um Plano Próprio pactuado entre comissão de empregados e empresa ou através de Convenção Coletiva ou através de Acordo Coletivo. Havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmo período, deve haver compensação entre eles. (...) 4.52 Em face da similaridade dos textos das Convenções Coletivas de PLR relativas aos exercícios de 2015 e 2016, datadas respectivamente de 03/11/2015 e 13/10/2016, transcrevemos (...) 4.53 Da leitura dos dispositivos da CCT transcritos acima, verifica-se que o pagamento da PLR é composto de duas parcelas (parcela referente à Regra Básica e parcela referente ao Adicional), as quais devem ser pagas até 01/03/2016. Há ainda a previsão de pagamento de antecipação da PLR, que também é composto de duas parcelas (antecipação da Regra Básica e antecipação do Adicional), que deverão ser pagas em até 10 (dez) dias da assinatura da presente Convenção, ou seja, até 13/11/2015. 4.54 Tanto na Regra Básica da PLR quanto na Regra Básica da Antecipação da PLR, é estipulado o pagamento de um valor fixo de R$ 2.021,79 e R$ 1.213,07, respectivamente. Sendo assim, sempre o empregado receberá uma quantia referente à PLR prevista na CCT de PLR. (...) Fl. 2038DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 8 4.58 Ademais, verifica-se que o único critério adotado por tais Convenções Coletivas de PLR é a admissão do empregado antes do início do ano base a que se refere o pagamento da PLR (ou no decorrer deste) e/ou estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano. (...) 4.61 Em continuidade, trataremos das disposições dos Acordos Coletivos de PLR arrolados no item 4.15. 4.62 No corpo dos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados não existe uma regra sequer quanto à fixação dos direitos dos empregados, tanto quanto à índices de lucros, quanto a metas individuais, ou outros. Não há menção de como o empregado seria aferido para o eventual recebimento da PLR. 4.63 Com relação ao contrato de metas os Acordos Coletivos de Trabalho do Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados são bem similares, trataremos como exemplo (...) 4.64 Observa-se que a única regra clara constante dos Acordos Coletivos em tela é a obrigatoriedade de negociação individual de cada empregado com sua chefia, de maneira bilateral, sem a participação do sindicato, até mesmo porque os acordos são celebrados muito posteriormente aos contratos de metas. Lembrando que são duas negociações individuais por ano (contratos de metas), no início de cada semestre. 4.65 Ademais, os Acordos Coletivos mencionam metas quantitativas e qualitativas sem defini-las. E em relação à ponderação dessas metas dentro dos contratos de metas individuais, os programas se limitam a dizer que podem variar dentro das especificidades de cada área. 4.66 Em relação ao aferimento das metas, os acordos rezam que as metas quantitativas poderão receber o percentual máximo de atingimento de até 130% e as metas qualitativas poderão receber o percentual máximo de atingimento de até 100%. Entretanto, novamente sem mencionar em que casos as mesmas poderão, ou não, atingir esses percentuais. Novamente somos remetidos para as negociações individuais, as quais não estão entre as possibilidades contempladas pela Lei nº 10.101/2000. (...) 4.71 Além disso, os Acordos Coletivos de Trabalho do Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados estabelecem que, independentemente do cargo ocupado pelo empregado e ainda que o percentual de atingimento de metas por este obtido seja zero, é assegurado um valor fixo mínimo de PLR, o que corrobora o fato de não existir qualquer nexo entre os valores ganhos pelos empregados a título de PLR e os lucros ou resultados da empresa. (...) Fl. 2039DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 9 (...) preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pelo banco, como será elucidado. 4.76 Do exame das folhas de pagamento, há diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, excede em diversas vezes o valor do salário mensal do próprio empregado, como pode ser observado, no Demonstrativo – PLR x Salário-Paradigma. Há situações, por exemplo, em que o valor da PLR excede em mais de vinte vezes o salário do funcionário. (...) 4.78 É possível notar a existência de diferentes "castas" de empregados no que tange ao recebimento da PLR devido a uma grande diferença de valores recebidos. 4.79 Em relação aos pagamentos ocorridos durante o ano de 2016, verifica-se que a porcentagem de PLR em relação ao salário-paradigma mensal vai de 1% a 3.870%. 4.80 Há que se observar ainda o montante altíssimo pago a determinados beneficiários. Há diversos casos em que os valores apontam a mais de 2000% de seus salários mensais, apesar de já termos visto que a PLR não deve substituir ou complementar a remuneração dos empregados. 4.81 Nítidos aqui o caráter retributivo e a substituição de parcela salarial, devido à existência de pagamentos de PLR em valores bastante elevados em relação à remuneração mensal percebida, sem a incidência de contribuições previdenciárias. É evidente que tais pessoas não estão prestando serviços por conta do salário "oficial" que recebem e sim pelos valores exorbitantes disfarçados de participação nos lucros ou resultados. 4.82 Além disso, vimos que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma. (...) pagamentos de PLR por meio da entrega de ações aos administradores, conforme informação prestada pela empresa, ocorreram com base no Plano de Remuneração de Administradores do Banco ABC Brasil S.A., (de agora em diante denominado também de Plano de Administradores ou simplesmente de Plano), datado de 28/08/2012, o qual estabelece (...) 4.90 A empresa foi intimada a esclarecer se efetuou o pagamento em dinheiro equivalente ao valor dos dividendos e dos juros sobre capital próprio, relativos ao período de diferimento, consoante disposto na cláusula 4.3.3.5. do Plano de Remuneração de Administradores do Banco. Em 29/10/2019, a empresa informou que não foram pagos dividendos e em 30/06/2020 informou que foram pagos os valores correspondentes aos juros sobre o capital próprio (JCP). Os valores de JCP foram pagos em espécie, a título de PLR, conforme previsto no Plano de Fl. 2040DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 10 Remuneração de Administradores, tendo sido registrados na rubrica 0528 – PLR Programa Próprio - da folha de pagamento e, portanto, já estão contemplados juntamente com os demais valores de PLR pagos em espécie aos empregados, no Demonstrativo – PLR Paga em Espécie – Empregados. 4.91 Da leitura dos dispositivos do Plano e de seu aditamento, percebe-se claramente que se tratam de documentos elaborados unilateralmente e exclusivamente pela empresa, sem qualquer participação dos empregados nem do sindicato da categoria dos mesmos e tampouco o instrumento foi devidamente registrado e arquivado na competente entidade sindical como exige a lei. Além disso, não consta qualquer assinatura ou qualificação/identificação do instrumento, não sendo possível, portanto, comprovar sequer que foi celebrado de fato e quem foram as partes e seus representantes legais. (...) 4.94 No caso em tela, o Plano em questão não é válido e portanto, não pode ser considerado, porquanto não restou comprovada a participação efetiva dos empregados (ainda que por meio de representantes) em sua elaboração nem houve a obrigatória participação do sindicato na elaboração do mesmo, em afronta direta à exigência legal. Tampouco houve comprovação de seu registro e arquivamento na competente entidade sindical, como estabelecido no art. 2º, em seu § 2º, da Lei nº 10.101/2000. (...) 4.97 E quanto à necessidade do instrumento que trata de PLR ser arquivado na entidade sindical, também já se pronunciou o CARF a respeito. (...) (...) as regras do Plano só são extensíveis aos diretores estatutários (empregados ou não) e membros do Conselho de Administração (CA). Na prática, verificamos que só o Vice-Presidente do CA e diretores estatutários (empregados e não empregados) foram beneficiados com os pagamentos de PLR em espécie e em ações previstos no Plano. 4.100 Por sua vez, a cláusula 4.3.1.1. do Plano de Administradores assim dispõe: 4.3.1.1. A Remuneração Variável compreende os valores fixados e pagos com base no Plano de Participação nos Lucros e Resultados ("PLR"). Este Plano é parte integrante do PLR. 4.101 Ora, não basta a mera menção no documento de que ele “é parte integrante do PLR” se de fato ele não o é, pelos motivos já expostos. E é muito importante ressaltar que nenhuma das Convenções Coletivas que tratam da PLR nem no Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de PLR datado de 28/08/2015, sequer há previsão de pagamento de PLR por meio da entrega de ações. 4.102 O único instrumento coletivo que menciona a possibilidade do pagamento da PLR ser por meio de ações é o Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados Exercício de 2016/2017, datado de Fl. 2041DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 11 16/12/2016, instrumento que não pode ser aceito em razão de estar eivado de vícios já comentados nesse Relatório Fiscal e, principalmente, por ter sido elaborado já quase findo completamente o período de apuração a que se refere. (...) 4.103 E mais, na prática, verificou-se que, dentre todos os empregados da empresa, apenas os diretores estatutários empregados fizeram jus ao recebimento da PLR por meio de ações. (...) 5. Das Gratificações dos Administradores 5.3 Denota-se que a legislação previdenciária ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou, para definir o conceito de salário de contribuição para o contribuinte individual, um critério amplo, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. 5.4 Verificou-se que a empresa efetuou pagamentos por meio da entrega de ações, a título de gratificação, a administradores (segurados contribuintes individuais). 5.5 Dessa forma, estando contido no conceito de remuneração paga a qualquer título, o pagamento de gratificação é, portanto, parte integrante do salário de contribuição, o que não foi considerado pela empresa com relação aos pagamentos de gratificação, realizados por meio da entrega de ações em 02/2016, aos Srs. Anis Chacur Neto e Tito Enrique da Silva Neto. Na impugnação (e-fls. 1020/1121), foram abordados os seguintes tópicos: (a) Nulidade do Auto de Infração - AI de Contribuições para Terceiros. (b) Participação nos Lucros e Resultados. (c) Gratificações pagas aos administradores. (d) Fornecimento de Alimentação. Posteriormente, a recorrente apresentou complemento à impugnação (e-fls. 1548/1552), reiterando argumentos e carreando aos autos documentos. A seguir, transcrevo do Acórdão de Impugnação (e-fls. 1684/1744): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO. APLICAÇÃO. O lançamento reporta-se à data da ocorrência dos fatos geradores da obrigação e rege-se pela legislação então vigente, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 2042DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 12 ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR. IMPOSSIBILIDADE. No lançamento do crédito tributário, é correta a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor das contribuições apuradas, capitulada no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, ao qual remete o artigo 35-A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, bem como a aplicação de juros moratórios, previstos na legislação, não podendo ser excluídos do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA A EMPREGADOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica, integra o salário-de-contribuição. PLR. METAS PACTUADAS PREVIAMENTE E FORMALMENTE. INEXISTÊNCIA. A Lei n° 10.101/00 exige que existam mecanismos de aferição e de acompanhamento de forma que os empregados sejam estimulados a melhorar a produtividade e buscar os cumprimentos das metas que devem ser pactuadas previamente e formalmente. PLR. ANTECIPAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO. Descumprido o pacto celebrado nos termos da Lei n° 10.101/00, tem-se por violada a própria lei, pois esta condiciona a não incidência à negociação nos seus exatos termos e, consequentemente, ao cumprimento do quanto pactuado. PLR. OBEDIÊNCIA A LEI 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA. A Lei n° 10.101/00 exige que os instrumentos decorrentes da negociação de participação nos lucros ou resultados ostentem regras claras e objetivas, com especificação expressa de quais as metas a serem atingidas pelos empregados da empresa. PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ALCANCE DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado ao alcance de qualquer meta ou resultado para o recebimento da PLR, caracteriza parcela remuneratória, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GRATIFICAÇÕES. INEXISTÊNCIA PAGAMENTOS EVENTUAIS. A previsão isentiva no art. 28, § 9º, “e”, 7, da Lei nº 8.212/91 não alcança pagamentos previamente pactuados, combinados ou prometidos. Eventual é aquilo que é acidental, aleatório, inesperado, imprevisto, ocasional, contingente, fortuito e casual. Fl. 2043DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 13 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Para que o auxílio alimentação das empresas não sofra a incidência de contribuições previdenciárias, conforme a legislação vigente à época dos fatos geradores, é necessário que o mesmo seja fornecido “in natura”. O auxílio alimentação fornecido pelo empregador em espécie, ou mediante cartões até 10/11/2017, integra o salário-de-contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 não integram o salário-de-contribuição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. LIMITE PREVISTO NO ART. 4º DA LEI Nº 6.950/1981. INAPLICABILIDADE. O artigo 4º da Lei nº 6.950/1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318/86. Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, uma disposição acessória com a finalidade apenas de explicar ou excepcionar a disposição principal contida no caput. Não é possível subsistir em vigor o parágrafo estando revogado o artigo correspondente. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Acórdão foi cientificado em 01/06/2021 (e-fls. 1746/1752) e o recurso voluntário (e-fls. 1755/1879) interposto em 29/06/2021 (e-fls. 1753/1754), em síntese, alegando: (a) Tempestividade. Intimada em 01/06/2021, o recurso é tempestivo. Fl. 2044DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 14 (b) Nulidades do Acórdão. A decisão recorrida deixou de apreciar os fundamentos normativos apresentados na impugnação, em especial o art. 4° do Decreto n° 05/91 e os arts. 8° e 10 da Portaria n° 03/02, a permitir convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, inclusive mediante cartões eletrônicos ou impressos. Logo, houve preterição do direito de defesa, vício insanável. Além disso, a decisão recorrida é nula por não apreciar os precedentes que convalidam o direito do recorrente, não podendo a decisão administrativa deixar de seguir jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção ou superação do entendimento aduzido (Lei n° 13.105/2015, arts. 489, §1°, VI, 926 e 927, III). A motivação de os precedentes não serem vinculantes não afastar os precedentes invocados, havendo desrespeito ao devido processo legal, ao sistema de precedentes e à segurança jurídica, bem como ao dever de os atos administrativos serem motivados (Decreto n° 70.235/72, arts. 50, I, §1°, e 59, II; Lei n° 9.784/99, art. 2°; e Lei n° 13.105/2015, art. 489, II), ainda mais em face do art. 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB. (c) Nulidade do Auto de Infração - AI de Contribuições para Terceiros. O art. 4° da Lei n° 6.950/1981 subsiste a impor o limite máximo do salário-de-contribuição de 20 salários-mínimos para as contribuições destinadas a terceiros, havendo revogação apenas em relação às contribuições previdenciárias devidas pelo empregador, conforme jurisprudência. (d) Participação nos Lucros e Resultados. Vigência retroativa dos Acordos e Convenções Coletivos de Trabalho. A data de assinatura das normas coletivas de trabalho não invalidada a legitimidade do ato, uma vez que é mera formalização a refletir negociações anteriores documentadas inclusive por notícias publicadas e a revelar o início das tratativas muito antes das datas de asssinatura, bem como antes da data do respectivo início de exercício, havendo até mesmo paralizações e greves cujas pautas também diziam respeito à definição de metas e à participação nos lucros ou resultados. Além disso, não se pode exigir conduta diversa, pois a recorrente não tem ingerência sobre a negociação das convenções coletivas e é praxe do setor assinar acordos coletivos apenas no 2° semestre de cada ano, devendo a Lei n° 10.101/00 ser considerada diante da realidade, marcada pela demora e complexidade das negociações. A decisão recorrida inclusive reconhece a existência de elementos a demonstrar o conhecimento prévio pelos empregados. Os próprios Acordos fazem referência ao complexo processo de negociações, bem como ao fato de os empregados já terem conhecimento de suas respecitivas metas, por participarem de sua elaboração, inclusive conforme Contrato de Metas a envolver empregado e respectiva chefia. Observe-se ainda a semelhança ou identidade dos critérios e condições dos intrumentos de PLR, a revelar seu Fl. 2045DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 15 anterior conhecimento. De qualquer forma, a Lei 10.101/00 exige um procedimento de prévia pactuação, mas não de prévia assinatura, devendo a negociaçao anteceder ao pagamento (jurisprudência), o que foi observado pela recorrente. Não cabe ao fisco atribuir prazo temporal não exigido pela lei, devendo nesse cenário ser considerada a inclusão do §7° ao art.ç 2° da Lei n° 10.101/00. Pagamentos simultâneos a decorrer de mais de um instrumento e inexistência de compensação. Não há vedação legal expressa para pagamentos com base em acordo e também em convenção coletivos de trabalho, não sendo obrigatória a compensação prevista no §3° do art. 3° da Lei n° 10.101/00, entendimentos respaldados pela jurisprudência e pela inclusão do interpretativo §5° no art. 2° da Lei n° 10.101/00, sendo equivocada a aplicação da teoria do conglobamento e o art. 620 da CLT. Ausência de caráter substantivo/complementar de remuneração. Não admitir que a PLR supere o valor do salário pago nega o direito constitucional à percepção de PLR aos profissionais do mercado financeiro, eis que são expressivos os valores atingidos pelas instituições financeiras a serem partilhados. Além disso, não há nos autos prova de que os pagamentos tivessem objetivo de substituir ou complementar a remuneração devida e nem de que os salários seriam inferirores aos de mercado ou irrisórios, sendo da fiscalização o ônus probatório. Legislação e jurisprudência não limitam o valor máximo a ser pago a título de PLR. Mera presunção não pode afastar o fixado nos intrumentos de PLR, sendo os valores pagos em razão dos esforços e responsabilidades pessoais dos empregados a recebê-los, de modo a aumentar a produtividade e compartilhar a riqueza gerada pela empresa. Possibilidade de valor mínimo. A lei não impede que resultados financeiros modestos justifiquem o pagamento de PLR, sendo ao pagamento mínimo objeto da negociação e não competindo à autoridade fiscal o exame de mérito da pertinência dos critérios e condições pacutadas e nem a adoção de interpretação teleológica da norma para supostamente avaliar se a fixação de valor fixo para uma das parcelas incentivaria ou não a produtividade ou integração entre capital e trabalho. De qualquer forma, no máximo, há mera presunção, sem qualquer demonstração, tendo a recorrente sempre auferido lucros expressivos, estando o valor fixo mínimo intrinsecamente correlacionado ao cumpriment de metas e resultados, mesmo que globais, entendimento este respaldado por julgamento efetuado em face da recorrente para o período de 2013 a 2014 (Acórdão n° 2202- 005.192). Existência de critérios nas Convenções Coletivas (fl. 28 do Relatório Fiscal). As CCTs dos exercícios de 2015 e 2016/2017, fls. 462/497, estabelecem os montantes a serem distribuídos aos trabalhadores, a título de PLR, com base no resultado alcançado pelo banco no período, o qual é determinado por meio de índices de lucratividade, observando a Lei n° 10.101/00. A própria decisão Fl. 2046DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 16 recorrida destaca que “nos acordos coletivos constam metas quantitativas e qualitativas”. A apenas seguiu-se entendimento validado pelo CARF em face da recorrente (Acórdão n° 2201-003.550, processo n° 16327.721115/2017-45), bem como por sua jurisprudência. Existência de Metas/Regras Claras e Objetivas no Acordos Coletivos (fls. 498/532). A suposta ausência de regras claras e objetivas dos ACTs decorre da negociação dos empregados com seus respectivos superiores e consignação em instrumentos apartados/individuais, com base nas coordenadas estabelecidas nos ACTs, tendo os trabalhadores amplo conhecimento das metas global e individual, esta inclusive por ter sido negociada pelo próprio empregado. A celebração foi precedida da formação de comissão de negociação eleita pelos empregados, comprovando, que, desde então, se estabeleceram as tratativas acerca das metas e do sistema de avaliação, que se estenderam ao longo do ano, demonstrando o prévio conhecimento de seu teor. Não se imputou a falta de acesso a essas informações ou de não terem sido efetivamente representados, logo, por estarem cientes, não há que se falar em ausência dessas regras nos instrumentos, além de não haver alteração significativa das regras ao longo dos anos. A própria fiscalização reconhece o conhecimento prévio das metas gerais e individuais, já que afirma que estas foram negociadas pelos empregados por meio dos contratos de metas no início de cada semestre. O mesmo contrato de Metas é aprovado há anos como meio hábil para aferição do PLR, não havendo espaço para dúvidas quanto à clareza e objetividade do plano de metas. Não cabe conjectura, como faz a decisão recorrida, que mudanças poderiam ser introduzidas e que não se poderia prever se as condições anteriormente estabelecidas seriam ou não mantidas, pois tais conjecturas são dotadas de subjetivismo e definições incertas, não cabendo ao julgador estabelecer premissas indefinidas. É certo que não houve alteração, sendo incontestável a presença de clareza e objetividade do plano de metas e o conhecimento prévio, reforçado pelos Comunicados Gerais enviados aos empregados. Não há proibição legal para a especificação mais detalhada das regras e metas por meio de ato próprio, como o correu nos contratos de metas estabelecidos individualmente entre empregado e superior, havendo avaliação a partir de critérios objetivos e subjetivos componentes da respectiva meta. Os requisitos de clareza e a objetividade não se destinam ao Fisco, mas ao Banco e seus empregados, sendo atendidos pela celebração dos Acordos, não tendo o Fisco poder ou competência para avaliar tais requisitos. O §6° do art. 2° da Lei n° 10.101/00 foi acrescido para esclarecer que as metas se destinam às partes e não ao interesse da fiscalização tributária, posição já defendida pela jurisprudência e a revelar a ausência de inovação de critério jurídico. Há pelo menos 27 anos são estabelecidos acordos de PLR e, ao invés de se assegurar a Fl. 2047DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 17 eficácia do direito social, são efetivadas sucessivas autuações, ano após ano, contra diversas empresas do setor, ao invés de se respeitar as manifestações das partes envolvidas nas negociações feitas em conformidade com a lei. Plano de Remuneração de Administradores. O Plano de Remuneração de Administradores do Banco ABC Brasil S.A. e seu respectivo Termo de Aditamento e Consolidação ao Plano de Remuneração de Administradores ("Plano"), colacionados às fls. 538/561, são partes integrantes dos programas de PLR da recorrente, conforme Cláusula 4.3.1.1 do respectivo instrumento. A entrega de ações (remuneração variável) não se trata de instrumento autônomo, distinto e independente de regulamentação da participação nos lucros ou resultados. A análise conjunta dos documentos revela a existência de regras claras e objetivas no programa de PLR, como também são específicas e individualizadas, tendo cada administrador assinado um respectivo instrumento de “Remuneração Variável de Administradores – Contrato Bilateral”, fls. 562 e seguintes. Isso porque, conforme acordo assinado entre Confederação, Federação, Sindicatos e a recorrente, as partes negociantes convencionaram estabelecer “programas próprios” anexos às regras pertinentes aos direitos substantivos e as regras adjetivas e o Plano em comento, relativo aos administradores, é um desses exemplos. Logo, não há que se falar em subsistência autônoma, mas de programa de metas integrantes dos Acordos Coletivos. Não prospera a alegação de falta de prova da efetiva negociação dos supostos programas próprios com as entidades sindicais, pois são anexos dos ACTs, tendo sua negociação integrado a desses acordos. Conforme consta da própria redação do instrumento, o Plano foi instituído em atenção à Resolução n° 3.921, de 25/11/210, do Conselho Monetário Nacional, que determina que parcela da remuneração variável dos administradores (no caso, empregados equiparados) deve ser diferida para pagamentos futuros. Pelo acordo levado à apreciação dos Sindicatos, é possível o pagamento em ações a depender do cargo do empregado, bem como a possibilidade de o pagamento ocorrer de forma diferida, sendo mera participação nos lucros diferida ao logo de 3 anos subsequentes ao ano-base, de acordo com determinações e práticas do mercado financeiro. Ao invés de buscar a verdade material, diante da dúvida de os empregados terem participado ou não da elaboração do Plano, a decisão recorrida valeu-se de elementos indefinidos e incertos para julgar a impugnação improcedente, merecendo ser reformada. (e) Gratificações pagas aos administradores. Não há incidência de contribuição sobre gratificações (entrega de ações) eventuais pagas a administradores (Lei n° 8.212/91, art. 28, §9°, e, 7; e jurisprudência). Efetuou-se um pagamento apenas aos Srs. Anis e Tito, não tendo a fiscalização indicado política ou Fl. 2048DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 18 instrumento formalizado a determinar o pagamento das gratificações, de modo a indicar a não eventualidade. (d) Fornecimento de Alimentação. Os valores pagos a título de Vale Refeição (“VR”), Vale Alimentação (“VA”) e Cesta Alimentação (“CA”) no âmbito do PAT (inscrito desde 18/08/2008 até a presente data de interposição do recurso) não constituem base de cálculo por se tratarem de pagamento “in natura”, ainda que pagos mediante “Cartões Alimentação” e “Cartão Refeição”, tendo a recorrente celebrado Contrato de Prestação de Serviços e Emissão e Gestão dos cartões Alelo Alimentação e Refeição da Companhia Brasileira de Soluções e Serviços, especificamente de cartão do tipo “refeição”. A jurisprudência reconhece que o pagamento em moeda não afeta a natureza não salarial do benefício, tendo natureza indenizatória e ausente a retributividade por se tratar de pagamento para o trabalho fixado em convenção coletiva. A Receita Federal alterou seu entendimento acerca da incidência das contribuições sobre o auxílio-alimentação pago em tiquetes ou cartões. Logo, há ofensa aos arts. 144 e 146 do CTN, aos princípios da segurança jurídica, da legalidade estrita, da impessoalidade e eficiência da Administração Pública e ao art. 24 da LINDB ao se aplicar o novo entendimento retroativamente. De qualquer forma, ao cumprir as normas vigentes ao tempo do fornecimento da alimentação, deve ser reconhecida ao menos a impossibilidade de imposição de penalidade, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo, tal como determina o art. 100, I e III, do CTN. Em 22/03/2022, (e-fls. 1958/1959), a recorrente peticionou noticiando o advento do Parecer n° 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU e requerendo sua aplicação (e-fls. 1960/1969). É o relatório. VOTO Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 01/06/2021 (e-fls. 1746/1752), o recurso interposto em 29/06/2021 (e-fls. 1753/1754) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Nulidades do Acórdão. Perde objeto a alegação recursal de nulidade da decisão recorrida por não apreciação de argumentos pertinentes aos valores apurados à título de alimentação a empregados, diante do Ato Declaratório PGFN nº 3/2011 e do Despacho do Presidente da República a aprovar o Parecer nº BBL - 04, de 16 de fevereiro de 2022, do Advogado-Geral da União, que adotou, nos termos estabelecidos no Despacho do Consultor-Geral da União nº 00041/2022/GAB/CGU/AGU, o Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU da Fl. 2049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 19 Consultoria-Geral da União, publicado no D.O.U. em 23/02/2022, seção 1, página 15, conforme será tratado em sede de mérito. No que toca à alegação de nulidade do Acórdão de Impugnação por afastar julgados invocados pela recorrente com base no fundamento de não serem vinculantes e, por conseguinte, não terem o condão de infirmar o entendimento contrário esposado pelo voto condutor da decisão recorrida, fundamento que, no entender da recorrente, significaria desrespeito ao devido processo legal, ao sistema de precedentes e à segurança jurídica, bem como ausência de uma verdadeira motivação, a violar o dever de os atos administrativos serem motivados e os arts. 15, 489, §1°, VI, 926 e 927, III, da Lei n° 13.105, de 2015 (Decreto n° 70.235/72, art. 59, II; Lei n° 9.784/99, arts. 2°, 50, I, §1°, e 69; e Lei n° 13.105/2015, arts. 15 e 489, II), devemos ponderar que a argumentação em tela não prospera, porque a mera invocação de julgados anteriores (precedentes persuasivos) não tem o condão de vincular o julgador administrativo, sendo admissível a adoção de entendimento contrário sem demonstração da existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Isso porque, o art. 489, §1°, VI, da Lei n° 13.105, de 2015, não tem o condão de transmutar o Civil Law do Direito Brasileiro em um Common Law1, logo deve ser interpretado no sentido de versar sobre jurisprudência vinculante e precedentes vinculantes (Ag Inst no REsp 2.099.200-RJ; e REsp 1.698.774-RS), não sendo aplicável ao processo administrativo fiscal, conforme jurisprudência vinculante (Súmula CARF n° 169), o disposto no art. 24 do Decreto-lei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB), incluído pela Lei nº 13.655, de 2018. Nulidade do Auto de Infração - AI de Contribuições para Terceiros. O artigo 4º da Lei nº 6.950, de 1981, que estabelecia limite para a base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), foi integralmente revogado pelo artigo 3º do Decreto-Lei nº 2.318 de 1986, sendo o parágrafo único do art. 4° da Lei nº 6.950, de 1981, de natureza manifestamente acessória ao se reportar ao "limite a que se refere o presente artigo". No mesmo sentido, ver Acórdão de Recurso Voluntário n° 2401-011.568. Inteligência respaldada pela tese fixada no Tema Repetitivo 1.079 do STJ, estando pendentes ainda o EREsp nº 1898532 e o EREsp nº 1905870. Participação nos Lucros e Resultados. Vigência retroativa dos Acordos e Convenções Coletivos de Trabalho. Para que se cumpra a finalidade de ser efetivo instrumento de integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade, tal como define o art. 1° da Lei n° 10.101, de 2000, com lastro no art. 218, §4°, da Constituição da República, há que se exigir que a participação nos lucros ou resultados tenha pactuação prévia ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros ou resultados. 1 Da mesma forma, o art. 24 da LINDB não tem tal condão, como assevera o voto vencedor do Acórdão n.º 1201- 002.982, precedente da Súmula CARF n° 169. Fl. 2050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 20 A assinatura do instrumento coletivo2 antes do início do período aquisitivo, além de ser uma decorrência lógica da definição legal de participação nos lucros ou resultados, é exigência expressamente evidenciada no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 20003. Não se trata de uma mera faculdade, mas de requisito inerente à natureza do instituto da participação nos lucros e/ou resultados. Somente a assinatura do acordo coletivo de trabalho ou da convenção coletiva de trabalho ou do acordo estabelecido por comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato encerra a negociação coletiva. Antes disso, não há regra, mas expectativa de regra. Por ser expectativa, não se trata de regra objetiva enquanto norma jurídica trabalhista autônoma posta, ou seja, ainda que se tome a expectativa por regra pressuposta a aflorar da negociação pendente, ela não será objetiva, na medida em que não foi posta em instrumento coletivo de trabalho. Ainda que se tome a expectativa por regra, ela não será clara, pois obscurecida pela possibilidade de modificação e pela percepção subjetiva de cada trabalhador quanto à firmeza da expectativa. É irrelevante que os trabalhadores tenham tido conhecimento do andamento das tratativas, inclusive via negociação individual entre trabalhador e respectiva chefia (contrato de metas), e que a imprensa tenha noticiado as negociações coletivas, inclusive greves, bem como é irrelevante haver semelhança das regras efetivamente fixadas ao longo do tempo, no transcorrer de sucessivos acordos e convenções coletivos, pois, antes da assinatura não há pactuação coletiva, não há regra de direito posta, mas negociação de regra ainda a ser fixada e a sofrer distorções pela pendência da negociação à luz do labor executado e dos lucros/prejuízos e resultados havidos durante o período aquisitivo já transcorrido, a violar a finalidade do instituto e a norma veiculada no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. A demora e a complexidade da negociação coletiva, a ter por atores os sindicatos das categorias econômica e profissional ou o sindicato da categoria profissional e a empresa ou os integrantes da comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato, e a invocada praxe adotada pelo setor econômico e profissional não têm o condão de afastar a incidência da Lei n° 10.101, de 2000, sendo exigível da recorrente a conduta de recolher as contribuições previdenciárias e para terceiros decorrentes do pagamento de valores à título de 2 O instrumento coletivo pode se materializar em acordo coletivo de trabalho, em convenção coletiva de trabalho ou em acordo estabelecido por comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato, este também a instituir norma jurídica coletiva e autônoma a reger a participação nos lucros ou resultados. 3 Lei n° 10.101, de 2000 Art. 2° (...) § 1 o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 2051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 21 PLR sem a observância do regramento traçado na Lei n° 10.101, de 2000, por força do disposto na alínea j do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. A regra jurídica da alínea j do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, extrai seu fundamento de validade do art. 7º, XI, da Constituição, a determinar que a desvinculação da remuneração se dá “conforme definido em lei”, como definido pelo Supremo Tribunal Federal ao fixar a tese de repercussão geral de que a natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação e decidir que, na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 1994, houve a incidência da respectiva contribuição previdenciária sobre os valores percebidos antes da entrada em vigor desse ato normativo (RE 569.441, Tema n° 344). Como decorrência lógica do raciocínio adotado no julgamento do RE 569.441, a inobservância da regulamentação enseja igualmente a incidência da respectiva contribuição. Antes do advento do § 7° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, incluído pela Lei nº 14.020, de 20204, havia jurisprudência que admitia a possibilidade de flexibilização do rigor da norma veiculada no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, diante da avaliação do caso concreto. Considero, contudo, que esse entendimento era equivocado, pois desconsiderava o fato de não haver norma jurídica coletiva até a assinatura do acordo ou da convenção coletivos de trabalho ou do acordo estabelecido por comissão paritária integrada por representante indicado pelo sindicato, mas mera expectativa de regra, passando a expectativa de regra a gerar efeitos jurídicos tão somente com o surgimento do § 7° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, incluído pela Lei nº 14.020, de 2020. Note-se que o novel § 7° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, não veicula norma interpretativa, eis que não há como se admitir a alteração retroativa da natureza jurídica dos valores pagos aos trabalhadores, uma vez já ocorridos os fatos geradores (Lei n° 5.172, de 1966, art. 144) ao tempo em que havia mera expectativa de positivação da norma jurídica trabalhista coletiva autônoma. Para a expectativa de direito poder gerar efeitos jurídicos tributários (princípio da legalidade), é necessária a existência de disposição legal expressa, disposição esta que surge no ordenamento jurídico com a inclusão do § 7° no art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, pela Lei nº 14.020, de 2020, sendo os presentes fatos geradores (02/2016, 08/2016 e 11/2016) anteriores ao seu advento. Por fim, ressalte-se que o presente fundamento é suficiente para a manutenção integral do lançamento e que, para período e instrumento coletivo de trabalho anterior, o motivo 4 Lei n° 10.101, de 2000. Art. 2° (...) § 7° Consideram-se previamente estabelecidas as regras fixadas em instrumento assinado: (Incluído pela Lei nº 14.020, de 2020) I - anteriormente ao pagamento da antecipação, quando prevista; e (Incluído pela Lei nº 14.020, de 2020) II - com antecedência de, no mínimo, 90 (noventa) dias da data do pagamento da parcela única ou da parcela final, caso haja pagamento de antecipação. (Incluído pela Lei nº 14.020, de 2020) Fl. 2052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 22 em tela restou julgado no âmbito desse Conselho em face da própria contribuinte como igualmente suficiente para a caracterização da incidência das contribuições, tendo o Acórdão de Recurso Voluntário n° 2202-005.192, inicialmente favorável à tese da autuada, sido revertido pelo Acórdão de Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte n° 9202-010.6205, integrado, sem efeitos infringentes, pelo Acórdão de Embargos n° 9202-011.135. Pagamentos simultâneos a decorrer de mais de um instrumento e inexistência de compensação. A conjugação do disposto no art. 2°, caput e incisos I e II, como o disposto no art. 3°, §3°, da Lei n° 10.101, de 2000, revela a admissão da coexistência simultânea de instrumento previsto no inciso I com instrumento previsto no inciso II do caput do art. 2°, tendo o legislador confirmado o entendimento em questão no inciso I do §5° do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, acrescido pela Lei n° 14.020, de 2020, e o ampliado por força do novel inciso II do §5° do art. 2° para quebrar a exigência de alternatividade entre programa estabelecido por acordo coletivo e programa estabelecido por convenção coletiva ao admitir a adoção de múltiplos programas, a partir da vigência da Lei n° 14.020, de 2020, mas desde que observada a periodicidade estabelecida pelo §2° do art. 3° da Lei n° 10.101, de 2000. Logo, ao tempo dos fatos geradores objeto do presente lançamento, não se admitia a coexistência de programa estabelecido por acordo coletivo com programa estabelecido por convenção coletiva. No caso concreto, irrelevante perquirir sobre a aplicação ou não da teoria do conglobamento, eis que todos os instrumentos coletivos de trabalho foram assinados antes do início do período aquisito, fundamento suficiente para a manutenção integral do lançamento. Ausência de caráter substantivo/complementar de remuneração. Pagamentos que superam em muito o salário do trabalhador, em divesos casos mais de 2000%, geram convicção de terem o caráter de complementação da remuneração, mesmo trantando-se de profissionais do mercado financeiro, ainda mais no contexto das demais transgreções ao regramento da Lei n° 10.101, de 2000, evidenciadas pela fiscalização. A presunção hominis constitui-se em meio de prova admitido em direito, inclusive na esfera do processo administrativo fiscal. Cabia à recorrênte o ônus da prova em contrário, não tendo apresentado qualquer prova. 5 Processo nº 16327.721115/2017-45 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202-010.620 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2023 Recorrentes BANCO ABC BRASIL S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 (...) PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). ASSINATURA DO ACORDO APÓS INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no salário de contribuição. Fl. 2053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 23 Possibilidade de valor mínimo. Existência de critérios nas Convenções Coletivas. A fixação de um valor mínimo em convenções coletivas de trabalho, independentemente de lucro ou de resultado nega o instituto da participação nos lucros ou resultados, havendo violação não apenas da Lei n° 10.101, de 2000, mas da própria norma Constitucional. Logo, os montantes pagos a título de valor mínimo vinculados tão somente ao fato de ser empregado não tem natureza jurídica de participação nos lucros ou resultados. Vinculando-se o pagamento à produção de lucro ou resultado, uma vez atingido tal lucro ou resultado pode-se, nesse caso, estipular valor mínimo desse lucro ou resultado a ser pago como participação e ao qual pode somar-se parcela adicional por esforço adicional dos trabalhadores, segundo regras claras e objetivas firmadas coletivamente antes do início do período aquisitivo. No caso concreto, há previsão nas convençoes coletivas de trabalho (e-fls. 462/497) de valor minimo vinculado à existência de lucro líquido e a ser patilhado segundo as regras previstas nas normas coletivas, mas, como as convenções coletivas foram firmadas após o início do período aquisitivo, há incidência das contriubições. Existência de Metas/Regras Claras e Objetivas nos Acordos Coletivos. A recorrente reconhece que os acordos coletivos de trabalho não fixam metas globais e individuais, argumentando em seu favor terem os acordos coletivos acolhido metas anteriormente estabelecidas em negociação individual entre cada empregado e sua chefia, a revelar conhecimento prévio de cada um dos empregados, sendo os contratos de metas elaborados segundo modelo fixado no Anexo I dos acordos coletivos, havendo aferição periódica a revelar conhecido dos empregados sobre o sistema de avaliação. No seu entender, a reiteração da sistemática ao longo do tempo (27 anos e apesar das autuações) e a complementariedade entre acordos coletivos e contratos de metas, bem como a existência de Comunicados Gerais, traria aos trabalhores uma percepção clara e objetiva das regras do plano de metas, sendo subjetiva qualquer conjectura sobre a possibilidade de sua alteração, diante da constatação da reiteração e não sendo as metas destinadas ao intresses da fiscalizção, como revelaria a jurisprudência e o advento do §6° ao art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000. Como já dito, a assinatura do acordo coletivo tem de se operar antes do início do período aquisitivo, sendo pertinentes as ponderações constantes do tópico “Vigência retroativa dos Acordos e Convenções Coletivos de Trabalho” do presente voto, de modo a afastar a argumentação da recorrente. Acrescente-se que a leitura dos acordos coletivos de trabalho (e-fls. 498/532) revela a ausência de regras claras e objetivas sobre metas globais e individuais, havendo mera referência genérica a que as metas deverão ser de natureza quantitativa e/ou qualitativa, inclusive quando se considera o disposto no Anexo I (e-fls. 511 e 527). Contudo, paralelamente, os acordos coletivos recepcionaram expressamente regras formalizadas em documentos apartados (contratos de metas), no que toca aos períodos de apuração pertinentes ao lançamento de ofício. Devemos ponderar, entretanto, se tal recepção foi tempestiva ou não. Ressalve-se que houve delegação de Fl. 2054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 24 competência pura e simples6 para alterações dos contratos de metas recepcionados, desde que não prejudiciais aos trabalhadores (e-fls. 500 e 515), sendo a recepção de contratos individuais de metas já firmados tempestiva apenas em relação ao período aquisitivo de 2017 (ACT 2016/2017 foi firmado em 16/12/2016). Porém, o presente lançamento não versa sobre pagamento referente ao período aquisitivo 2017 e a fiscalização não imputou o exercício de tal competência delegada em relação ao período aquisitivo pertinente ao segundo semestre de 2015. Destarte, abstraindo- se a ressalva em tela, ou seja, considerando-se estritamente o que importa aos presentes Autos de Infração (competências 02/2016 e 08/2016, e-fls. 908/968), não houve exercício de competência delegada, pois os próprios acordos coletivos de trabalho – ACT expressamente recepcionam as regras formalizadas em documentos apartados resultantes de anterior negociação individual (contratos de metas). Destarte, em relação aos períodos aquisitivos objeto de lançamento, os acordos coletivos não delegam competência para que metas sejam posteriormente fixadas por negociação individual, uma vez que recepcionam, sob o seu manto de instrumento coletivo, o anteriormente fixado individualmente (período aquisito - 2º semestre de 2015, ACT firmado em 28/08/2015, a respaldar pagamento de 02/2016; e período aquisitivo - 2016, ACT firmado em 16/12/2016, aditado em 14/12/2017, e a respaldar a antecipação paga na competência 08/2016). A recepção, contudo, foi intempestiva (posterior ao início do perído aquisitivo) e a negociação individual, em face do disposto na Lei n° 10.101, de 2000, não tem, por si só, força para gerar efeitos jurídicos. A recepção pela norma coletiva mediante invocação das metas anteriormente especificadas para cada trabalhdor nos respectivos documentos apartados poderia atribuir efeitos jurídicos às metas constantes dos contratos individuais de metas, mas desde que a norma coletiva fosse posta tempestivamente, ou seja, que a recepção fosse firmada antes do início do respectivo período aquisitivo. No caso concreto, entretanto, a intempestivadade é manifesta, porque os acordos coletivos a recepcionar expressamente os documentos apartados (contratos de metas) foram assinados por empresa e sindicado posteriormente ao início do período aquisitvo. Plano de Remuneração de Administradores. A previsão constante do próprio Plano de Remuneração de Administradores (cláusula 4.3.1.1), firmado unilateralmente pela empresa (e- fls. 538/561), não tem o poder de gerar sua integração aos programas de participação nos lucros e resultados previstos nos acordos coletivos de trabalho e nas convenções coletivas de trabalho, sendo irrelevante a invocação da Resolução n° 3.921, de 25.11.2010, do Conselho Monetário Nacional. Além disso, o Plano de Remuneração de Administradores foi unilateralmente estabelecido pela empresa em 28/12/2012 e aditado em 2013 (e-fls. 538/561). Por outro lado, o instrumento individual intitulado “Remuneração Variável de Administradores – Contrato Bilateral” (e-fls. 562/591) resulta de negociação individual, não tendo o condão de atribuir aos pagamentos a natureza jurídica de participação nos lucros e resultados, em face do disposto no art. 2°, caput e incisos I e II, da Lei n° 10.101, de 2000. As convenções coletivas (e-fls. 462/497) apenas adimitem a compensação de valores com planos próprios. Não se pode de tais disposições extrair a autorização para criação unilateral de planos próprios e em violação ao regramento da Lei n° 6 Sobre delegação de competência, ver voto vencedor do Acordão de Recurso Voluntário n° 2401-011.535. Fl. 2055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 25 10.101, de 2000, e muito menos recepção do Plano de Remuneração de Administradores instituído unilateralmente pela empresa em 28/12/2012 e aditado em 2013 (e-fls. 538/561). Os acordos coletivos (e-fls. 498/532) também não veiculam qualquer autorização para a criação de programa próprio paralelo e unilateral e nem recepcionam o Plano de Remuneração de Administradores instituído unilateralmente pela empresa em 28/12/2012 e aditado em 2013 (e- fls. 538/561) como participação nos lucros ou resultados, não tendo a disposição constante do Acordo Coletivo de Trabaho de 2016/2017 (e-fls. 513/532) no sentido de se autorizar o pagamento da participação nos lucros por ele instituída mediante ações o condão de transmutar os valores devidos por força do anterior Plano de Remuneração de Administradores, como sendo os valores advindos do Programa Proprio de PLR estabelecido no ACT de 2016/2017, sem previsão expressa. A norma posta unilateralmente pelo empregador não atribui a natureza de participação nos lucros e resultados ao Plano de Remuneração Administradores e nem o contrato bilateral firmado entre empresa e trabalhador. De qualquer forma, os valores pagos por força do Acordo Coletivo de Trabaho de 2016/2017 não possuem natureza de participação os lucros e resultados, como já definido no presente voto. Diante desse quadro, não há como prosperar o inconformismo da recorrente. Gratificações pagas aos administradores. A recorrente sustenta que a entrega de ações para contribuintes individuais a título de gratificação não se constitui em salário-de- contribuição por serem ganhos eventuais, conforme determina o art. 28, §9°, e, 7, da Lei n° 8.212, de 1991, e jurisprudência, especificamente o Acórdão n° 2202-003.379, não tendo a fiscalização nem indicado a não eventualidade. De plano, devemos ponderar que o dispositivo legal em questão se refere aos segurados empregados, tanto que qualifica o ganho eventual como o expressamente desvinculado do salário. Além disso, o Acórdão n° 2202-003.379, invocado pela recorrente, no que toca à gratificação se referia a segurados empregados, não tendo acolhido o argumento em relação aos segurados contribuintes individuais, conforme revela o seguinte excerto extraído de seu voto condutor: 4. Gratificações A recorrente alega a falta de habitualidade na concessão da gratificação e que a mesma só é paga a alguns funcionários. Ainda, que em alguns casos o referido pagamento decorreu por indenização por conta de rescisão contratual. (...) Diante disto, compreendo que os pagamentos realizados sem habitualidade, ainda que por mera liberalidade do empregador, não sofrem a incidência de contribuição previdenciária por não comporem o salário-de-contribuição, o que se fundamenta pelo disposto no art. 28, § 9°, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, por este não integrar o salário-de-contribuição. 5. Pagamentos a contribuinte individual. A recorrente estendeu toda a argumentação expendida em relação às verbas previamente tratadas aos pagamentos aos contribuintes individuais. A decisão da DRJ foi no sentido que os pagamentos a terceiros, por serviços prestados, constituem base de cálculo das contribuições, independentemente da denominação atribuída. Fl. 2056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.114 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720020/2021-91 26 Não vislumbro razões para alterar a decisão da DRJ, haja vista que o recorrente não apresentou elementos suficientes para possibilitar a reforma do acórdão recorrido. Salienta-se que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim, não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos. Não prospera, destarte, o inconformismo da recorrente. Fornecimento de Alimentação. A fiscalização imputa a incidência das contribuições sobre benefícios fornecidos a segurados empregados a título de “alimentação, sob a forma de Auxílio Refeição e de Auxílio Cesta Alimentação, concedidos por meio de cartões eletrônicos (Cartão Refeição e Cartão Alimentação)”. Diante disso, há que se acolher a argumentação da recorrente, eis que respaldada pelo Ato Declaratório PGFN nº 3/2011 e do Despacho do Presidente da República a aprovar o Parecer nº BBL - 04, de 16 de fevereiro de 2022, do Advogado-Geral da União, que adotou, nos termos estabelecidos no Despacho do Consultor-Geral da União nº 00041/2022/GAB/CGU/AGU, o Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU da Consultoria-Geral da União, publicado no D.O.U. em 23/02/2022, seção 1, página 15. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para cancelar as contribuições apuradas sobre alimentação concedida por meio de cartões eletrônicos. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 2057DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12045.000653/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2001 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. NORMAS GERAIS. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte. ALEGAÇÃO PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. As decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, de modo que apenas na falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte é que devem ser consideradas nulas nos termos do que determina o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235 de 1972.
Numero da decisão: 2201-011.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2001 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. NORMAS GERAIS. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte. ALEGAÇÃO PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. As decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, de modo que apenas na falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte é que devem ser consideradas nulas nos termos do que determina o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235 de 1972.

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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. NORMAS GERAIS. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte. ALEGAÇÃO PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. As decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, de modo que apenas na falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte é que devem ser consideradas nulas nos termos do que determina o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235 de 1972. Fl. 12047DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso de oficio (fl. 11.999 e pág. PDF 1.132 da parte 5) e de recurso voluntário (fls. 12.018/12.030 e págs. PDF 1.151/1.163 da parte 5) interpostos contra decisão no acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – (fls. 11.998/12.009 e págs. PDF 1.131/1.142 da parte 5), que julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário formalizado na NFLD (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito) - DEBCAD 35.415.176-2, consolidada em 14/08/2001, no montante de R$ 2.082.251,01, já incluídos multa e juros, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor dos serviços contratados, constantes em notas fiscais de cessão ou empreitada de mão de obra, a título de retenção, no percentual de 11% (fls. 02/21 da parte 1), acompanhada do Relatório Fiscal (fls. 29/30 da parte 1) e de demonstrativos de retenções (fls. 31/135 da parte 1). Do Lançamento Fl. 12048DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 3 Utilizo para compor o presente relatório o resumo constante no acórdão recorrido (fls. 11.999/12.000 e págs. PDF 1.132/1.133 da parte 5): (...) Ressalte-se, inicialmente, que todas as referências às folhas que compõem o presente processo utilizarão a numeração digitalizada atribuída pelo sistema e- processo. Considere- se, também, que, em razão do desentranhamento constante às fls. 14.376, realizado devido à duplicidade de volumes digitalizados, ocorrida quando da digitalização do processo, o sistema numerou a primeira página do primeiro volume como sendo a folha de número 2.428. Assim, não existe, para o presente processo, a numeração digital correspondente às folhas de números 01 até 2.427. Feito este esclarecimento, passo à redação do relatório. Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Debcad nº 35.415.1762, lavrado contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 2.082.251,01 (dois milhões, oitenta e dois mil duzentos e cinquenta e um reais e um centavo), consolidada em 14/08/2001, relativo às contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, referente ao período de débito de 03/1999 a 12/2000. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 2.456/2.457, os valores levantados são relativos às contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor dos serviços contratados, constantes em notas fiscais de cessão ou empreitada de mão de obra, a título de retenção, no percentual de 11%. Segundo a autoridade lançadora a contratante não fez a retenção prevista no art. 31 da Lei 8.212/91 e, quando fez, não obedeceu às diretrizes emanadas da Ordem de Serviço 203, de 29 de janeiro de 1999 (itens 14, 17 e 20), que vigorou para o período de 01/02/1999 a 31/05/1999, e da Ordem de Serviço 209, de 20/05/1999 (itens 17 e 18), para os serviços prestados a partir de 01/06/1999. (...) Da Impugnação e Da Diligência Fiscal Cientificado pessoalmente do lançamento em 24/08/2001 (fl. 03 da parte 1), o contribuinte apresentou impugnação em 10/10/2009 (fls. 139/142 da parte 1), acompanhada de documentos (fls. 143/148 da parte 1) com os argumentos abaixo, consoante resumo no acórdão da DRJ (fls. 12.000/12.003 e págs. PDF 1.133/1.136 da parte 5): (...) DA IMPUGNAÇÃO Fl. 12049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 4 No prazo regulamentar a notificada impugnou o lançamento, fls. 2.566/2.569, alegando, em síntese: - que é impossível se defender com todas as provas no ínfimo tempo que a lei lhe faculta, sendo curto o prazo de 15 (quinze) dias para a defesa, comparando- se com a duração da fiscalização; - que numa rápida leitura da Notificação podem-se constatar falhas na indicação do correto enquadramento dos dispositivos legais, bem como na apresentação dos valores constantes das planilhas apresentadas pela fiscalização, uma vez que, embora a impugnante não tenha feito tais retenções, provará que os valores foram devidamente recolhidos pelas empresas contratadas, não existindo nenhum débito a ser quitado. Protesta pela juntada posterior de maiores argumentações fáticas e jurídicas, bem como pela juntada de provas documentais que, por certo, irão ilidir de vez todas as argumentações de existência de fatos geradores de contribuições lançadas nos autos. Requer, ainda, que seja declarada a insubsistência da presente notificação. DA DECISÃO-NOTIFICAÇÃO Em 14 de maio de 2003, foi emitida Decisão-Notificação (DN) 08.401.4/146/2003 (fls. 2.583/2.585) julgando procedente o lançamento fiscal, contudo, considerando que não foi analisada a impugnação complementar da Impugnante, fls. 2.589/2.599, apresentada em 05/02/2002 e, portanto, em data anterior à emissão da referida DN, foi emitida nova Decisão-Notificação (DN 08.401.410357/2003), em 04/08/2003, fls. 4.462/4.468, reformando a DN anterior, porém, mantendo o crédito lançado. Na reforma da DN foram analisadas as demais argumentações da defendente, apresentadas em sua impugnação complementar, quais sejam: - que de acordo com art. 195, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal, a tributação das contribuições previdenciárias deverá ser sobre a folha de pagamento de salários. Assim, as antecipações exigidas sob a forma de retenção na fonte estão dissonantes da matriz constitucional. E, além disso, tal exigência, sem a análise das folhas de salário, acabam por exigir uma antecipação muito superior ao valor efetivamente devido pela prestadora de serviços, de forma compulsória, ilegal e contraditória, o que demonstra a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei n.° 8.212/91; Fl. 12050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 5 - que, além da impropriedade da base de cálculo, há a retenção de valores muito acima daqueles efetivamente devidos ao INSS, caracterizando confisco; - que algumas notificações e lançamentos de débitos passaram a exigir do c ontribuinte uma alíquota em torno de 31% sobre o faturamento das prestadoras de serviço; - que está trazendo ao processo cópias de Notas Fiscais, além de partes de folhas de pagamento e guias de recolhimento, para comprovar que houve o correto recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados por parte das empresas prestadoras de serviços, visando elidir a responsabilidade solidária de acordo com o §30 1 (sic) do art. 31 da Lei 8.212/91 e do § 30 2 (sic) do art. 220 do Decreto 3.048/99 e, por isso, requer a exclusão das prestadoras de serviços das NFLD, da imputação de débitos e da responsabilidade solidária da tomadora de serviços. Por fim, pediu a Impugnante a anulação da NFLD pela insubsistência da Fundamentação legal frente à Constituição Federal, e que fosse deferida a prorrogação de novos prazos para a juntada de documentos complementares das demais prestadoras de serviços. Face aos efeitos da DN 08.401.410357/2003 que, mesmo reformando a DN 08.401.4/146/2003, decidiu manter o crédito lançado, a empresa apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em 05/01/2004 (fl. 4.479/4.485), e anexou aos autos documentos para demonstrar que, nas notas fiscais de prestação de serviços, a fiscalização deixou considerar os materiais e equipamentos utilizados e devidamente discriminados nestes documentos, fazendo a retenção incidir sobre o valor bruto das notas fiscais, em vez de fazê-la incidir apenas sobre o valor dos serviços constantes nos documentos. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do INSS em Goiânia, antes de enviar o recurso para o CRPS, solicitou que a fiscalização informasse o motivo de terem sido considerados somente os valores brutos das notas fiscais (fls. 4.677/4.678), uma vez que, de acordo com diversas notas fiscais apresentadas pela Impugnante, constava, no corpo destes documentos, a discriminação dos valores de materiais e equipamentos utilizados. A Autoridade Lançadora, então, apresentou planilhas corrigindo os valores lançados no Auto de Infração (fls. 4.692/4.801). 1 Correto é § 3º. 2 Correto é § 3º. Fl. 12051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 6 Ante a apresentação das novas planilhas a Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Goiânia emitiu a Reforma de Decisão Notificação - RDN nº 08.401.4/0160/2005 (fls. 4.805/4.818), alterando o valor consolidado em 14/08/2001 de R$ 2.082.251,01 para R$ 1.638.921,69 (sendo que o valor originário – valor sem considerar os acréscimos legais –- passou de R$ 1.497.896,89 para R$ 1.177.799,33). A empresa, então, apresentou recurso ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 4.847/4.851). Por meio do Acórdão nº 240201.118 (fls. 4.852/4.858) de 20 de setembro de 2010, da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, foi anulada a decisão de primeira instância, uma vez que não constavam nos autos provas de que a empresa tivesse sido notificada do resultado da diligência fiscal, acarretando, consequentemente, cerceamento do direito de defesa. Em razão disso, a Delegacia da Receita Federal em Goiânia reabriu o prazo para que a empresa se manifestasse a respeito da diligência fiscal. A empresa apresentou manifestação, fls. 4.867/4.880, alegando, em síntese: - que a fiscalização não se atentou para o fato de que os valores discriminados nas notas fiscais continham materiais e equipamentos, sendo que a Autoridade Lançadora fez incidir, indevidamente, a retenção sobre o valor bruto destas notas; - que a modalidade feita em relação às contratadas foi de empreitada global, com previsão contratual para aquisição de materiais e uso de equipamentos e veículos; - que a retificação feita pela fiscalização levou em conta somente as notas fiscais apresentadas pela impugnante, porém, tais notas foram anexadas somente a título exemplificativo, tendo em vista a quantidade de documentos a serem anexados (1.169 processos de pagamentos); - que a diligência é necessária para que se busque a verdade dos fatos, pois a verdade material é um dos princípios que norteiam o Processo Administrativo Fiscal; - que a Ordem de Serviço nº 209, no item 17.3, ressalta que, quando há o uso de equipamentos mecânicos, mesmo que não haja previsão contratual, o percentual relativo aos serviços não poderá ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) do valor bruto da nota fiscal; - que os contratos não prevêem valores exatos com gastos de equipamentos, veículos e materiais, haja vista a impossibilidade de tal previsão, pois não há como calcular o estrago que uma rede elétrica sofrerá, pois os danos podem ser decorrentes desde atos de vandalismos a estragos da própria natureza (chuvas e temporais); Fl. 12052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 7 Requer, em razão do exposto, a realização de diligência fiscal para comprovar o alegado e, também, a revisão dos valores apurados pela fiscalização, considerando os valores discriminados nas notas fiscais, em consonância com o item 17.3 da Ordem de Serviço 209/1999, aplicando-se o percentual mínimo de 35% para incidência da retenção dos 11%. DA DILIGÊNCIA FISCAL Tendo em vista as alegações da Impugnante e os milhares de documentos comprobatórios que foram anexados pelo contribuinte para comprovar suas alegações (fls. 6.635/17.211), e levando-se em consideração a retificação efetuada pela fiscalização na diligência anterior, o que comprovou a necessidade de revisão dos valores lançados, e em obediência ao princípio da verdade material, os autos foram baixados novamente em diligência (fls. 17.213/17.217) para que o Auditor Fiscal autuante analisasse todas as provas juntadas pela Impugnante. Em atendimento à diligência solicitada a fiscalização elaborou Informação Fiscal, constante às fls. 17.223/17.224, onde informa os valores que deverão ser retificados As planilhas detalhadas elaboradas pela fiscalização, e que ensejaram a retificação acima, encontram-se às fls. 17.227/17.253. A fiscalização abriu prazo para manifestação do contribuinte, conforme fls. 17.224 tendo o contribuinte sido cientificado por meio de Aviso de Recebimento (fls. 17.225/17.226), mas não se manifestou. (...) Da Decisão da DRJ A 5ª Turma da DRJ/BSB, em sessão de 18 de março de 2014, no acórdão nº 03- 59.704, julgou a impugnação procedente em parte (fls. 11.998/12.009 e págs. PDF 1.131/1.142 da parte 5), conforme ementa abaixo reproduzida (fls. 11.998 e pág. PDF 1131 da parte 5): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2001 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo à autoridade administrativa afastar a incidência da lei. Fl. 12053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 8 ALEGAÇÕES GENÉRICAS E SEM COMPROVAÇÃO. As alegações genéricas e desacompanhadas de provas são incapazes de desconstituir lançamento regularmente efetuado em conformidade com a legislação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos da legislação previdenciária. O recolhimento sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não sendo lícito alegar omissão para se eximir desta responsabilidade, ficando diretamente responsável pela importância que deixo u de arrecadar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por se tratar de exoneração de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), houve a interposição de recurso de ofício, nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 03 de 03 de janeiro de 2008, DOU de 07/01/2008 (fl. 11.999 e pág. PDF 1.132 da parte 5). Do Recurso Voluntário O contribuinte tomou ciência do acórdão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), perante a RFB, por decurso de prazo, em 24/04/2014 (fl. 12.016 e pág. PDF 1.149 da parte 5) e interpôs recurso voluntário em 12/05/2014 (fls. 12.018/12.030 e págs. PDF 1.151/1.163 da parte 5), acompanhado de documentos (fls. 12.031/12.040 e págs. PDF 1.164/1.173 da parte 5), com os argumentos sintetizados nos tópicos abaixo: I- PRELIMINARMENTE - Da Tempestividade II— DOS FATOS III — DO DIREITO - Da Nulidade da Autuação — Cerceamento de Defesa e Insegurança Jurídica IV - DO PEDIDO Ante todas as alegações apresentadas a Vossa Senhoria, requer-se a apreciação pormenorizada do presente Recurso, culminando com o consequente julgamento de insubsistência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora guerreada, ficando a Recorrente isenta da aplicação de qualquer penalidade, determinando- se, ainda, o arquivamento deste processo administrativo. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora. Fl. 12054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 9 É o relatório. VOTO Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. Da Admissibilidade do Recurso de Ofício. A Portaria MF n° 2 de 17 de janeiro de 2023 revogou a Portaria MF n° 63 de 9 de fevereiro de 2017 e majorou o limite da alçada para a interposição de Recurso de Ofício para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). A verificação do "limite de alçada" em face de decisão da DRJ favorável ao contribuinte ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observando-se a legislação da época e, o segundo, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, aplicando-se o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula CARF nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2014 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Inicialmente convém reproduzir o seguinte excerto do acórdão recorrido (fls.12.007/12.008 e págs. PDF 1.140/1.141 da parte 5): (...) Das Retificações dos Valores Lançados Alega a Impugnante que a fiscalização não se atentou para o fato de que o s valores discriminados nas notas fiscais continham materiais e equipamentos, sendo que a Autoridade Lançadora fez incidir, indevidamente, a retenção sobre o valor bruto dessas notas. Em razão desta alegação, e das provas trazidas aos autos, foi solicitada diligência à fiscalização, para que se manifestasse sobre as alegações e provas aduzidas. A Autoridade Lançadora, então, apresentou planilhas corrigindo os valores lançados no Auto de Infração (fls. 4.692/4.801)3. Ante a apresentação das novas planilhas a Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Goiânia 3 Fls. 2.265/2.374 da parte 1. Fl. 12055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 10 emitiu a Reforma de Decisão Notificação - RDN nº 08.401.4/0160/2005 (fls. 4.805/4.818)4, alterando o valor consolidado em 14/08/2001 de R$ 2.082.251,01 para R$ 1.638.921,69 (sendo que o valor originário - valor sem considerar os acréscimos legais passou de R$ 1.497.896,89 para R$ 1.177.799,33)5. O contribuinte apresentou manifestação, fls. 4.867/4.880 6 , discordando dos valores retificados, e apresentando milhares de notas fiscais e de guias de recolhimento. Tendo em vista as alegações da Impugnante e dos milhares de documentos comprobatórios que foram anexados pelo contribuinte para comprovar suas alegações (fls. 6.635/17.211), e levando-se em consideração a retificação efetuada pela fiscalização na diligência anterior, o que comprovou a necessidade de revisão dos valores lançados, e em obediência ao princípio da verdade material, os autos foram baixados novamente em diligência (fls. 17.213/17.217) 7 para que o Auditor Fiscal autuante analisasse todas as provas juntadas pela Impugnante. Em atendimento à diligência solicitada a fiscalização elaborou Informação Fiscal, constante às fls. 17.223/17.2248, onde informa os valores que deverão ser retificados. De acordo com a fiscalização, os valores a serem alterados são: Competência Valor após 1ª Retificação Valor retificado (...) Total 1.177.799,33 56.784,03 Foi aberto prazo para que a empresa se manifestasse quando às alterações acima, mas não houve manifestação por parte da Impugnante. Assim, consideram-se corretos os novos valores apresentados pela Autoridade Lançadora, uma vez que não houve discordância por parte da Impugnante. (...) Da reprodução acima extrai-se que, no caso em apreço, o valor total do crédito tributário exonerado, no montante de R$ 1.658.983,30, correspondente à soma do principal e da multa, conforme demonstrado na tabela abaixo, é inferior ao estabelecido no artigo 1º da referida Portaria MF nº 2 de 2023, impondo-se o não conhecimento do Recurso de Ofício: Instrumento Data Valor 4 Fls. 2.378/2.387 da parte 1. 5 Fls. 2.388/2.391 da parte 1. 6 Fls. 2.440/2.453 da parte 1. 7 Fls. 11.952/11.956 e págs. PDF 1.085/1.089 da parte 5. 8 Fls. 11.962/11.963 e págs. PDF 1.095/1.096 da parte 5. Fl. 12056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 11 Principal Multa Excluído (Principal + Multa) NFLD - DEBCAD 35.415.176-2 14/08/2001 R$ 1.497.896,89 R$ 224.684,54 Reforma de Decisão Notificação- RDN nº 08.401.4/0160/2005 28/04/2005 R$ 1.177.799,33 R$ 176.669,93 R$ 368.112,17 Acórdão 0359.704 5ª Turma da DRJ/BS 18/03/2014 R$ 56.784,03 R$ 6.814,10 R$ 1.290.871,13 Total Excluído (Principal + Multa) R$ 1.658.983,30 Em vista dessas considerações, conclui-se que o recurso de ofício não deve ser conhecido tendo em vista ser o valor exonerado inferior ao novo limite de alçada. Requisitos de Admissibilidade do Recurso Voluntário. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Em suas razões recursais pretende o Recorrente o cancelamento da Notificação de Lançamento Fiscal de Débito, reformando-se a decisão recorrida que manteve parte da exigência fiscal relativa à apuração de contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor dos serviços contratados, constantes em notas fiscais de cessão ou empreitada de mão de obra, a título de retenção, no percentual de 11%. A defesa está consubstanciada na alegação de que a decisão de 1ª instância não merece prosperar, com a consequente anulação da autuação, por cerceamento de defesa e insegurança jurídica, em razão: (i) do órgão administrativo não ter verificado adequadamente a existência do crédito reclamado, não ter apontado com precisão a infração do contribuinte, não ter agido com o cuidado e o zelo a que está condicionada a administração pública, o que, sem sobra dúvidas, fez nascer insegurança jurídica tamanha, capaz de ensejar na nulidade da mencionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Prova disto foi a retificação, por duas vezes, dos valores apontados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos - de R$ 2.082.251,01 para R$ 1.177.799,33 e de R$ 1.177.799,33 para R$ 56.784,03 - reduzindo-se o lançamento para um percentual de 2,72% do seu valor originário da NFLD e (ii) da negativa do ente público, após reiterados pedidos de diligência na empresa para que toda a documentação disponível — e capaz de comprovar a realização da retenção em comento da forma devida — fosse cuidadosamente analisada. Inicialmente, mostra-se sem razão a alegação da nulidade do ato produzido pela autoridade que a seu ver seria irregular, posto não trazer a clareza necessária para sua validade. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 1966 (CTN)9, 9 Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Denominado Código Tributário Nacional. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 12057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 12 exige do Fisco a estreita observância à legislação de regência, de forma que todo o procedimento fiscal instaurado abarque os requisitos legais exigidos. Não é menos certo, que a inobservância a legislação que rege o lançamento fiscal, ou ainda de seus requisitos, implica invariavelmente em nulidade do procedimento administrativo, eis que na maioria das vezes sugere cerceamento do direito de defesa, impondo o seu reconhecimento pela própria Administração. Ocorre que não é o caso do lançamento em análise, já que se reveste de todas as formalidades legais. A ampla defesa não se mostra agredida, na medida em que o procedimento fiscal traz em seu bojo todos os elementos necessários para a perfeita compreensão do débito, sua origem e seus fundamentos legais. Os anexos que constam dos autos, mostram os percentuais adotados para efeito dos cálculos e indicam o caminho e o critérios seguidos pela fiscalização, bastando para se confrontar e afastar as arguições recursais. Em verdade, o lançamento encontra-se satisfatória e exaustivamente fundamentado, tanto pelos motivos fálicos quanto de direito, conforme se pode aferir do anexo denominado Fundamentos Legais do Débito, que traz toda a legislação que apoia e autoriza a postura da fiscalização, não restando omisso em nenhum ponto. De outra ótica, a memória de cálculos e as origens do débito estão perfeitamente detalhadas nos autos, não havendo qualquer imprecisão ou inexatidão a ser reconhecida. No âmbito do processo administrativo fiscal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Pelo que se observa, enquanto a regra constante do inciso I se refere a pressuposto subjetivo (agente competente) de atos processuais (atos, termos, despachos e decisões), a regra Fl. 12058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 13 insculpida no inciso II atende a pressuposto processual de ato decisório, porquanto a obediência ao princípio constitucional da ampla defesa é mandatória em todo o processo administrativo fiscal O que interessa efetivamente para o deslinde da questão que ora se analisa é verificar que o inciso II cuida da nulidade decorrente do cerceamento do direito de defesa, que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é garantido pela Constituição Federal, sendo essa a razão pela qual as decisões administrativas devem sempre ser proferidas em respeito aos princípios do contraditório e ampla defesa, sob pena de serem consideradas nulas em decorrência da falta de elemento essencial à sua formação. A nulidade prevista no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235 de 1972 consubstancia-se na falta de apreciação de argumento defesa do contribuinte, sendo que, no caso concreto, a autoridade julgadora de 1ª instância bem analisou os argumentos e documentos trazidos pelo ora Recorrente, razão pela qual o crédito tributário formalizado originalmente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), com as duas retificações efetuadas em decorrência da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, foi reduzido substancialmente, como foi mencionado pelo Recorrente – de R$ 2.082.251,01 para R$ 1.177.799,33 e de R$ 1.177.799,33 para R$ 56.784,03. Convém ressaltar que, ao contrário do alegado pelo Recorrente, na impugnação o contribuinte não fez o alegado pedido de diligência, mas apenas solicitou “a prorrogação de novos prazos para juntada de documentos complementares das demais prestadoras de serviços, até na fase recursal, se necessário for, bem como protesta por todos os meios de provas em direito permitidos” (fl. 172 da parte 1). Por sua vez, em razão das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, por meio do Despacho nº 61, de 14/07/2011 (fls. 11.952/11.955 e págs. 1.085/1.088 da parte 5), a autoridade julgadora de primeira instância resolveu baixar os autos em diligência, conforme se depreende do excerto abaixo reproduzido (fl. 11.955 e pág. PDF 1.088 da parte 5): (...) DA DILIGÊNCIA FISCAL Tendo em vista as alegações da Impugnante, bem como a retificação efetuada pela fiscalização na diligência anterior, o que comprova a necessidade de revisão dos valores lançados, e em obediência ao princípio da verdade material, sugiro sejam os autos baixados em diligência para que o Auditor Fiscal autuante analise as notas fiscais objeto do lançamento e apresente parecer conclusivo quanto à procedência das alegações; e, caso seja necessária a alteração do crédito lançado, efetue a devida planilha de retificação. Ressalte-se que, no plano jurídico, o contraditório traduz-se na faculdade de a parte manifestar sua posição sobre fatos ou documentos trazidos ao processo pela Fl. 12059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 14 outra parte. É o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. Assim, após a impugnação, tendo sido dada oportunidade para a autoridade lançadora manifestarse a respeito dos documentos trazidos aos autos, bem como de retificar o lançamento, é inafastável a necessidade de o sujeito passivo ter igual oportunidade para contra-argumentar a informação prestada pelo agente público. Por sua vez, a decisão administrativa proferida sem respeito ao contraditório e à ampla defesa é considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação. É o que determina o art. 27, inciso II, da Portaria RFB 14.875, de 200711-07. Art. 27. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Em relação a essa diligência fiscal solicitada pela autoridade julgadora, constou do acórdão recorrido a seguinte informação (fl. 12.008 e pág. PDF 1.141): (...) Foi aberto prazo para que a empresa se manifestasse quando às alterações acima, mas não houve manifestação por parte da Impugnante. Assim, consideram-se corretos os novos valores apresentados pela Autoridade Lançadora, uma vez que não houve discordância por parte da Impugnante. (...) Pelo que se observa, a autoridade julgadora de piso concluiu que, com base nos documentos apresentados, os quais, frise-se, foram devidamente analisados, não foram suficientes para o cancelamento da NFLD, como pretendido pelo Recorrente. Assim, cabia ao contribuinte em sede recursal apresentar documentos que pudessem atestar a regularidade de todas as retenções constantes em notas fiscais de cessão ou empreitada de mão de obra, objeto do lançamento discutido nos presentes autos. A propósito, note-se que o julgador apreciará a validade das alegações a partir do exame da consistência do conjunto de relatos linguísticos trazidos para sua comprovação, sendo que a versão dos fatos acolhida pelo julgador, no entanto, em razão das inevitáveis limitações que o conhecimento dos fatos padece no momento em que se quer verificar o que efetivamente sucedeu, dificilmente terá atingido a verdade absoluta, aquela que tem a pretensão de ser universal. Em síntese, a conclusão baseada apenas nas provas trazidas aos autos retrata tão somente um juízo de probabilidade sobre o que ocorreu. Fl. 12060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.978 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12045.000653/2007-36 15 É nesse sentido que o artigo 29 do Decreto nº 70.235 de 1972 dispõe que a autoridade julgadora formará livremente sua convicção quando da apreciação da prova e poderá determinar as diligências que entender necessárias: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Trata-se do princípio do livre convencimento motivado do julgador segundo o qual a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos deve ser realizada de forma livre, não se cogitando da existência de critérios prefixados de hierarquia de provas, os quais, aliás, poderiam acabar determinando quais provas apresentariam maior ou menor peso no julgamento da lide. Com base em tais fundamentos, entendo por rejeitar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, uma vez que não houve no acórdão recorrido, a preterição ao direito de defesa nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235 de 1972, porquanto a autoridade julgadora de 1ª instância não deixou de apreciar quaisquer argumentos de defesa do contribuinte e, além do mais, bem analisou as provas trazidas aos autos com base no livre convencimento motivado do julgador insculpido no artigo 29 do referido Decreto nº 70.235 de 1972. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se no sentido de não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, em não acolher a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos Fl. 12061DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10640.002108/2004-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2002 a 31/08/2002, 31/10/2002 a 31/05/2003, 31/07/2003 a 30/11/2003, 31/01/2001 a 31/12/2001 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Os recursos de oficio, da mesma forma que aqueles voluntariamente apresentados, devem atender a certos requisitos de admissibilidade, especialmente o limite de alçada. Recurso de Oficio Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-000.259
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Lígia Maria Botelho de Melo. OAB/MG n° 122468.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Os recursos de oficio, da mesma forma que aqueles voluntariamente apresentados, devem atender a certos requisitos de admissibilidade, especialmente o limite de alçada. Recurso de Oficio Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a D? Lígia Maria Botelho de Melo. OAB/MG n° 122468. Antonio Carlos Aikáiym - Pr:sidente Robson e e : ayerl — 'delator EDITADO EM 26/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Cuida-se de auto de infração para lançamento de multa de oficio isolada em função da realização de recolhimentos de Contribuição para Financiamento de Seguridade Social — COFINS extemporâneos sem o acréscimo da multa moratória, com fulcro nos arts. 43, 44, §1°, II e 61, §§ 1° e 20 da Lei n° 9.430/96. Impugnando o lançamento o contribuinte sustentou que ocorrera, na hipótese, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, vez que o recolhimento fora efetivado antes de qualquer providência, por parte da Administração Tributária, no sentido de verificar a sua regularidade fiscal. Demais disso, a aplicação de consectário em tão elevado percentual revelaria caráter confiscatório, o que, se admitido, violaria o ordenamento jurídico. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgou o lançamento improcedente e recorreu de oficio desta decisão, em julgado que restou assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001 Ementa: COFINS. MULTA ISOLADA. DÉBITOS RECOLHIDOS COM ATRASO SEM MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Entre as penalidades excluídas pela denúncia espontânea não se inclui a multa moratória, não apenas porque inadimplemento não é infração tributária, mas também em razão da interpretação sistemática do Código Tributário Nacional que, a par de prever o instituto da denúncia espontânea em seu artigo 138, determina, em seu artigo 161, a imposição de penalidades cabíveis paras as hipóteses de crédito tributário não integralmente pago no vencimento. MULTA ISOLADA. ART. 44 LEI N° 9.430/1996. NOVA REDAÇÃO. LEI N°11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA PARA SUPRESSÃO DA MULTA DE OFICIO. Aplica-se retroativamente a lei nova que vise excluir penalidade, por força do art. 106, II, 'c' do CTN, para cancelar a multa isolada exigida, em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430/1996 pela Lei n°11.488/2007." É o relatório 2 Processo n° 10640.002108/2004-97 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.259 Fl. 2 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Com o advento da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n° 03, publicada no DOU de 07/01/2008, o limite de alçada para o reexame necessário foi alterado para R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), de modo que o recurso de oficio ora examinado não atenderia este requisito de admissibilidade. Consoante lição de Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez Lopes, esta remessa oficial é considerada pressuposto para propagação dos efeitos da decisão proferidal , o que, enquanto não se verificado, impede a formação da coisa julgada administrativa (rectius decisão administrativa in-eformável), donde se poderia reconhecer -verdadeira condição objetiva de exequibilidade. Em sendo assim, a aferição do limite de alçada deve ser feito quando do exame do recurso pelo órgão julgador ad quem, com observância das normas que regem a legislação processual, segundo a qual a lei nova (em sentido lato) alcança os procedimentos ainda não definitivamente julgados, preservando-se a validade dos atos já praticados, noinia esta que vem estampada no art. 2° do Decreto-Lei n° 3.689/41 (Código de Processo Penal), de tal forma que, no caso sub examine, mesmo vigorando indigitada portaria em data posterior à formalização da remessa necessária, a nova regra aplica-se de imediato, quando do exame de sua admissibilidade por este colegiado. Com estas considerações, voto por não conhecer do recurso de oficio apresentado. Robson ose Bayer 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2' edição. Ed. Dialética. São Paulo: 2004. pág. 386 3

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Numero do processo: 15374.000151/00-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. RECURSO DE OFICIO. Comprovado equivoco na apuração das bases de cálculo, em razão dos balanceies mensais da contabilidade terem sido elaborados de forma cumulativa, correta a decisão de primeira instância que determinou a retificação do lançamento para considerar apenas as receitas auferidas em cada período de apuração. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECEITAS FINANCEIRAS. Constatada a inclusão de valores relativos à correção monetária de créditos do contribuinte nas bases de cálculo da contribuição, correta a exclusão determinada pela decisão de primeira instância, à luz do que estabelece o art 2° da LC n° 70/91. DCTF. CONFISSÃO DE DIVIDA. Devem ser imputados no demonstrativo de apuração para o lançamento de oficio os saldos a pagar da contribuição confessados em DCTF que foram apresentadas em situação de espontaneidade. Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3403-000.224
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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ERRO NA APURAÇÃO. RECURSO DE OFICIO. Comprovado equivoco na apuração das bases de cálculo, em razão dos balanceies mensais da contabilidade terem sido elaborados de forma cumulativa, correta a decisão de primeira instância que determinou a retificação do lançamento para considerar apenas as receitas auferidas em cada período de apuração. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECEITAS FINANCEIRAS. Constatada a inclusão de valores relativos à correção monetária de créditos do contribuinte nas bases de cálculo da contribuição, correta a exclusão determinada pela decisão de primeira instância, à luz do que estabelece o art 2° da LC n° 70/91. DCTF. CONFISSÃO DE DIVIDA. Devem ser imputados no demonstrativo de apuração para o lançamento de oficio os saldos a pagar da contribuição confessados em DCTF que foram apresentadas em situação de espontaneidade. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Antonio Carlos Atulim -Presidente e Relator EDITADO EM 10/03/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Carlos Alberto Donassolo (Suplente), Ivan Alegetti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de auto de infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, períodos de apuração: janeiro de 1994 a dezembro de 1995 e fevereiro de 1996 a dezembro de 1998, com exigência da Cotins acrescida de multa de oficio e juros de mora até a data do lançamento. As irregularidades fiscais encontram-se descritas no Termo de Verificação Fiscal de fl. 18, e têm fundamento legal nos arts. 1° e 20 da Lei Complementar n° 70/91, a seguir resumidas: a) exclusão indevida da base de cálculo da contribuição de valores referentes a subcontratações ou subempreitadas de obras e serviços; b) exclusão indevida da base de cálculo relativa à atualização monetária de créditos recebidos; c) glosa do diferimento do pagamento da Cofins, por falta de comprovação de receitas não recebidas, relacionadas com o contrato de empreitada ou fornecimento de bens e serviços a entidades governamentais; e d) falta de inclusão na base de cálculo da contribuição dos valores relativos à venda de imóveis. Inconformada com o feito fiscal, a contribuinte apresentou a impugnação, que se encontra às fls. 339/487, na qual traz suas alegações de defesa, individualizada, para cada item autuado e acresce que a autoridade fiscal não se apercebeu de que: - as receitas e despesas constantes dos balanceies mensais apresentavam valores cumulativos, fato decorrente da mudança na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, a partir do exercício de 1995; - não foram infonnados pelo autuante nos dvntonstrativos de imputação diversos valores quitados, gerando cobrança em duplicidade às fls. 372/373. Relata os pagamentos havidos e não considerados pela fiscalização, relativos a recolhimentos da própria contribuição ou em processos de parcelamento. Requer, ao final, a juntada a posteriori de outros documentos para a correta decisão do litígio. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, por intermédio da Resolução DRJ/ILIO/SERCO N° 24, de 23 de março de 2000, fls. 489/490, determinou a realização de diligência para averiguar: eventual erro na apuração da base de cálculo, em face das seguintes alegações: a) utilização de balanceies cumulativos; b) se os imóveis vendidos se referiam a bens do ativo permanente ou da atividade operacional da empresa; c) a existência de processo de parcelamento prévio; d) a razão da não-consideração dos pagamentos de fls. 472/479 nos demonstrativos de imputação, reabrindo-se prazo de trinta 2 Processo rç 15374.000151/00-89 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.224 Fl. 2 dias para que a interessada, querendo, aditasse a defesa inicial ou apresentasse nova impugnação. Da diligência realizada foram trazidos aos autos os documentos de fis. 494/1382, acompanhados do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 138211385, no qual a autoridade fiscal consignou, em resumo, que: - eliminando a cumulatividade inserta nos balancetes sintéticos mensais, os valores apropriados a título de Receita Bruta, conforme inseridos nos Livros Diário e balancetes mensais, são coincidentes com os constantes das Declarações de Rendimentos — Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — DIRPJ e das planilhas de fls. 495/499; - a empresa, durante os anos-calendários de 1994 a 1998, efetuou vendas esporádicas de imóveis próprios (oito imóveis), contabilizados em conta de ativo circulante, não se caracterizando atividade habitual da pessoa jurídica; - acerca do pedido de parcelamento, considerando os dados inseridos nas planilhas preenchidas pela contribuinte como contribuição devida, conciliados com os declarados nas DIRPJ, os valores lançados em DCTF são suficientes para a cobertura do crédito remanescente, acaso excluídos os valores mencionados nos dois itens anteriores; • - quanto aos recolhimentos não imputados, uma vez que os valores lançados em DCTF são suficientes para sua cobertura, torna-se desnecessária sua consideração; - o crédito declarado em DCTF, por se tratar de confissão de divida, da mesma forma que o parcelamento, deve ser excluído da autuação fiscal. Cumprindo o prazo estabelecido para pronunciar-se sobre a diligência, a contribuinte, às fls. 1388/1389, manifestou-se declarando, em síntese, que a diligência efetuada ratificou seus argumentos de impugnação antes apresentados. Posteriormente, a DRJ/RJO/DIRCO expediu a Intimação n° 343/2000, datada de 16/11/2000, para a contribuinte apresentar, no prazo de dez dias, memória de cálculo dos valores lançados a crédito da conta 3.1.1.002.01.01.0001 — Receitas de Obras por Empreitada Concluídas — Indenização do Governo do Estado do Paraná, constantes das Fichas Razão de fis.17/24, demonstrando cabalmente que se referem a atualizações monetárias das indenizações determinadas em sentenças judiciais das ações de que se fazem referência às fls. 1074/1382. Após atendimento do pedido de prorrogação para prestar os esclarecimentos, a interessada apresentou as informações de fls. 1400/1401, acompanhadas dos documentos de fls. 1402/1411. Por meio do despacho de fls. 1414, os autos foram enviados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por força do disposto no art. 2°, "d", da Portaria MF n°416, de 21 de novembro de 2000 (DOU 23/11/2000). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba apreciou as razões de defesa da impugnação, bem assim dos termos de diligência e as informações prestadas pela interessada, decidindo pela procedência em parte do lançamento, por meio do Acórdão n°305, de 23 de março de 2001, que recebeu a ementa transcrita a seguir: 3 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1995, 01/02/1996 a 31/12/1998 Ementa: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS. IMPOSSIBILIDADE. Valores repassados a outras pessoas jurídicas, ainda que referentes à subcontratação ou subempreitada de obras e serviços, não podem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RECEITA FINANCEIRA. NÃO- INCIDÊNCIA. Até o período de apuração de janeiro de 1999, a Cotins não incide sobre a receita financeira relativa à atualização monetária de créditos. DIFERIMENTO NO PAGAMENTO DA COFINS. EMPREITADA OU FORNECIMENTO A ENTIDADES GOVERNÁVIENTAIS. COMPROVAÇÃO MATERIAL. O exercício do direito subjetivo de diferir o pagamento da Cofins relativa à receita não recebida de empreitada ou fornecimento de bens e serviços a entidades governamentais deve ser materialmente comprovado pela contribuinte. VENDA DE IMÓVEIS. ATIVIDADE OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. Em empresas que tenham por atividade operacional, dentre outras, a venda de imóveis, as receitas decorrentes dessa operação sujeitam-se à incidência da Cojins. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE". Tendo em vista que a parcela do crédito tributário que foi exonerada em primeira instância estava sujeita a recurso de oficio, o crédito tributário mantido pela DRJ em Curitiba foi transferido para o processo n° 10768.006532/2001-21, ficando a parte sujeita ao recurso de oficio neste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso de oficio preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido pelo Colegiado. Conforme se verifica nas fls. 1443 a 1479, a decisão de primeira instância exonerou parte do crédito tributário em razão da não incidência da contribuição sobre atualização monetária (receitas financeiras); excluiu das bases de cálculo os valores computados cumulativamente em razão da metodologia utilizada pela contribuinte na confecção dos balanceies mensais e excluiu do auto de infração os valores que foram declarados e confessados em situação de espontaneidade. 01\ 4 Processo n°15374.000151/00-89 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.224 Fl. 3 1. Não incidência da contribuição sobre receitas financeiras Conforme se verifica nos parágrafos n°31 a 51 do voto condutor da decisão de primeira instância, foram excluídos das bases de cálculo da contribuição os valores da correção monetária dos créditos decorrentes da indenização obtida do Estado do Paraná em decorrência da:construção da Estrada de Ferro Central do Paraná pelo fato desses valores não serem tributáveis pela Cofins (conta contábil 3.1.1.002.01.01.0001). O voto condutor da decisão de primeira instância aplicou corretamente o direito ao caso concreto. O relator daquela decisão demonstrou lucidez ao distinguir entre correção monetária dos direitos de crédito (receitas financeiras) e o reajuste contratual de preço de serviços prestados (considerado receita de serviços). Somente a receita da prestação de serviços podia ser tributada pela Cotins na época em que ocorreram os fatos geradores. No caso concreto, a DRJ em Curitiba excluiu os valores que estavam inequivocamente contabilizados na conta 3.1.1.002.01.01.0001 como correção monetária dos direitos de crédito, que por serem receitas financeiras, não podiam integrar a base de cálculo da Cofins à luz do art. 2° da Lei Complementar n° 70/91. Em contrapartida, com as informações disponíveis nos autos à época daquele julgamento, foram corretamente mantidos os valores contabilizados sob o histórico "VLR. REF CRÉDITOS DOS DIREITOS DE INDENIZAÇÕES JUNTO AO GOVERNO DO PARANÁ", pelo fato deles estarem consignados em conta de receita e também pelo fato da contribuinte não ter comprovado cabalmente que eles tinham a natureza de receitas financeiras. 2. Valores computados cumulativamente na base de cálculo No tocante ao erro cometido pelo fisco ao computar nas bases de cálculo da contribuição a receita já tributada em período de apuração anterior, verifica-se que a DRJ em Curitiba eliminou esta cumulatividade baseada nas informações coligidas na diligência que fora solicitada à fiscalização. Na fl. 1384 o Auditor encarregado da diligência informou que realmente as bases de cálculo foram superestimadas porque a empresa confeccionava seus balanceies de forma cumulativa, ou seja, em determinado mês a receita bruta era obtida por meio da receita do próprio mês adicionada das receitas dos meses anteriores. O cotejo dos demonstrativos 165/176 e 260/307 com os dados das DIPJ de fis. 54, 97, 125 e 767, corroboram a informação da diligência, revelando que realmente a alegação do contribuinte tinha procedência. Portanto, não merece reparo a decisão de primeira instância na parte em que eliminou a cumulatividade na apuração das bases de cálculo. 3. Exclusão de valores declarados e confessados No que concerne aos valores confessados em DCTF, os parágrafos 110 a 114 da decisão de primeiro grau revelam que o critério utilizado pelo julgador foi o de excluir do lançamento de oficio apenas os valores confessados em DCTF em situação de espontaneidade. A decisão está correta, pois segundo o art. 5' do Decreto-lei n°2124/84 a DCTF e legalmente considerada confissão de divida e se constitui em instrumento hábil à exigência do crédito tributário independentemente do lançamento de oficio. Logo, os saldos a pagar confessados espontaneamente à repartição fiscal prescindem do lançamento de oficio para serem exigidos. Entretanto, as DCTF que foram apresentadas após o inicio do procedimento fiscal, não foram e realmente não podem ser consideradas para fins de imputação no demonstrativo de apuração, pois o contribuinte passou a se sujeitar à multa do lançamento de oficio sobre os valores informados após o inicio da fiscalização. Em face do- -xpo e, considerando que a decisão de primeira instância bem aplicou o direito vigen e ao caso con eto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. - 626 Antonio Carlos Atulim

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Numero do processo: 10183.721447/2019-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2015 a 30/06/2015 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. Não cabe a pretensão de ato de ofício para sanear ausência ou deficiência de provas que deveriam ser trazidas ao processo pelo pleiteante do direito.
Numero da decisão: 3402-012.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 19 de setembro de 2024. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral (Presidente). Ausente(s) a(s)Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta.
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL

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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. Não cabe a pretensão de ato de ofício para sanear ausência ou deficiência de provas que deveriam ser trazidas ao processo pelo pleiteante do direito. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 19 de setembro de 2024. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral (Presidente). Ausente(s) a(s)Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta. Fl. 399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.314 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721447/2019-97 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 101-017.574, proferido pela 13ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 01, que por unanimidade julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em litígio. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do Acórdão recorrido: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento formalizado em 25/01/2019 por meio do formulário fls. 5 a 7, referente a crédito presumido de COFINS não cumulativa - Mercado Interno, apurado no 2º trimestre de 2015, no valor de R$ 573.417,17. O valor refere-se especificamente a saldo de crédito presumido apurado sobre a aquisição de leite in natura utilizado na industrialização de produtos para alimentação de humanos e animais, independentemente da pessoa jurídica de estar habilitada junto ao Programa Mais Leite Saudável, previsto no artigo 9-A da Lei n£' 10.925/2004, introduzido pelo artigo 4£' da Lei nº 13.137/2015, combinado com o art. 33, inc. II, do Decreto n° 8.533/2015. Para a verificação dos créditos pleiteados pelo sujeito passivo foi realizado o procedimento de análise, cuja documentação consta no dossiê de atendimento nº 10265.047304/2020-35. O resultado desse trabalho foi consolidado na Informação Seort/DRF-Cuiabá/MT N£' 53/2020, de 05 de março de 2020, anexada às folhas 256 a 263, concluindo pelo indeferimento do pedido. O sujeito passivo, ao tomar ciência do Despacho Decisório nº 155/2020-SEORT/DRF-CUIABÁ/MT, apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 271 a 285) contestando a decisão, requerendo o reconhecimento integral dos créditos pleiteados, a correção monetária dos créditos, a produção de provas e a realização de diligência e perícia. Apresenta quesitos e indica seus peritos. É o relatório. Da análise da Informação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório (e-fls 256 a 263), extraio os seguintes trechos de interesse: Inicialmente, cabe informar que na análise do crédito pleiteado pelo contribuinte foram utilizadas as informações fiscais, referentes ao período em análise, já anteriormente disponibilizadas à Receita Federal do Brasil. O contribuinte foi intimado a encaminhar planilha com a relação de notas fiscais de compra de leite in natura, bem como apresentar as cópias (em formato PDF) das notas fiscais de produtor agropecuário que deram origem às notas fiscais de entrada emitidas pela cooperativa, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 13/2020. Uma vez intimado a apresentar os elementos necessários à análise dos supostos créditos apurados, o contribuinte encaminhou planilha com a relação de notas fiscais de entrada das aquisições de leite in natura (fl. 407), e em relação às cópias de notas fiscais de produtor agropecuário informou o seguinte (fl. 404):Desta forma destaca-se que foram glosados os períodos do outubro e novembro de 2010; janeiro e fevereiro de 2011; e janeiro de 2012, foram glosados por prescrição, e as demais glosas decorreram da impossibilidade de confrontar os registros contábeis com as respectivas notas fiscais. (...) Em análise à legislação apresentada pelo contribuinte, percebe-se que a LC nº 570/2015 impõe para que o estabelecimento rural fique dispensado da emissão da nota fiscal a exigência de algumas obrigações acessórias, conforme dispõe os artigos 3º e 4º, parágrafos 1º e 2º: (...) Ora, o fisco estadual pode dispensar, mas não proíbe o estabelecimento rural de emitir a nota fiscal. Ademais, o transporte do leite cru do estabelecimento do produtor rural com destino à cooperativa deverá ser acobertado pelo documento chamado de “Controle de Coleta de Leite Cru”, conforme as exigências legais acima transcritas. Fl. 400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.314 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721447/2019-97 3 Deve-se destacar que os interessados em obter créditos para efeito de ressarcimento nos regimes não-cumulativos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devem ter o cuidado de obter documentos hábeis e idôneos para comprovar seus custos com a aquisição de leite in natura, com o objetivo de dar suporte à emissão de suas notas fiscais de entradas. Portanto, considerando que o aproveitamento de crédito presumido pelo sujeito passivo se deu apenas com base em suas notas fiscais de entrada, e que não há documentos fiscais válidos para serem confrontados com essas notas fiscais, os valores relativos a créditos presumidos decorrentes da aquisição de leite in natura devem ser integralmente glosados. Assim decidiu a Autoridade Julgadora de Primeira Instância: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/06/2015 NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. O sujeito passivo deve manter controle sobre todas as operações (nas formas de documentos, memórias de cálculos e esclarecimentos) que amparam a apuração das contribuições e os créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos. A recepção do arquivo digital da EFD- Contribuições não implicará reconhecimento da veracidade e legitimidade das informações prestadas, nem homologação da apuração das contribuições efetuada pelo contribuinte. (Instrução Normativa RFB nº 1387/2013) ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. A escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, de acordo com a sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância no dia 29 de agosto de 2022 e apresentou Recurso Voluntário no dia 26 de setembro de 2022. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente argumenta que o ônus da prova seria da Autoridade Tributária, e que adquire o leite in natura de pequenos produtores rurais que são dispensados da emissão de notas fiscais, com base na Lei Complementar Estadual nº 570/2015, e afirma que junto notas fiscais e registros da EFD Contribuições, e que realizou os lançamentos no SPED Contábil. Alega que emite notas fiscais de entrada que supririam a ausência de notas fiscais dos produtores rurais, e que os lançamentos contábeis destes documentos fiscais constam do SPED Contábil, além dos respectivos pagamentos aos produtores rurais. Requer que seja realizada perícia e diligência. Requer que os valores pleiteados sejam corrigidos monetariamente pela aplicação do art. 24, da Lei nº 11.457/2007, e por fim, apresenta o seguinte pedido: Ante ao exposto, requer-se: I. o recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; II. seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para o fim de que, seja reformando o Despacho Decisório nos termos das razões de pedir; III. por conseguinte, homologar os créditos requeridos, e, ato contínuo, homologar as compensações declaradas, decidir pela atualização dos créditos com aplicação da SELIC desde a data do protocolo dos pedidos, decidir pela expedição da ordem bancária e decidir sobre o depósito na conta bancária informada no pedido de ressarcimento; IV. postula-se, desde já, a produção de prova, por todos os meios admitidos em direito. Nestes termos, pede deferimento. Fl. 401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.314 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721447/2019-97 4 Este é o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Luís Cabral, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Da preliminar do ônus da prova O ônus da prova é matéria tratada no artigo 333, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, o Código de Processo Civil (CPC), revogada pelo novo Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, o qual em seu artigo 373, reproduz inteiramente os incisos I e II, da Lei revogada. “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.” A questão fundamental para se determinar o ônus da prova é a autoria da proposição da ação. É comum a afirmação de que à parte que acusa cabe a incumbência de provar suas alegações. De fato, é o que ocorre no lançamento tributário, quando a autoridade tributária, quer por notificação de lançamento, quer por auto de infração, figura como autor da pretensão de direito e, portanto, precisa incumbir-se do ônus probatório. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, é bem claro neste sentido, na medida em que expressa este conceito no seu artigo 9º, como podemos ver reproduzido a seguir: “Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” O mesmo encontramos no Decreto nº 7.574, de 29 de dezembro de 2011, que regula a determinação e exigência de créditos tributários da União, nos seus artigos 25 e 26. “Art. 25. Os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito ( Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º , com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). Fl. 402DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art9.. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.314 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721447/2019-97 5 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais ( Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º , § 1º ) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º , § 2º )” Vemos ainda que a escrituração regular faz prova a favor do sujeito passivo, desde que os fatos nela registrados sejam comprovados por documentos hábeis, conforme o caput do artigo 26, acima, e novamente a responsabilidade de provar cabe ao autor da ação, conforme previsto no seu parágrafo único, neste caso a autoridade fiscal, quando assim se configurar. A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que trata do Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e é de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, reproduz o mesmo conceito, como podemos notar pela reprodução dos seus artigos 36 e 37, a seguir: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. No entanto, no caso em questão não se trata de fato constitutivo do direito da Fazenda Pública, mas sim da Recorrente, que pleiteia o ressarcimento de valor pagos indevidamente a maior de IPI, neste caso, ela própria figurando como autora e, portanto, suportando o ônus da prova. É necessário também ressaltar que, no que diz respeito a prova a favor do contribuinte em razão da manutenção de contabilidade regular, seus registros precisam estar de acordo com os documentos fiscais comprobatórios, o que vale dizer que cabe a autoridade tributária verificar se os registros escriturais refletem adequadamente notas fiscais e outros documentos ficais, especialmente em relação aos seus montantes, aspectos formais e natureza das operações a que se refiram. Por fim, caberia à autoridade tributária suprir apenas dados registrados em documentos existentes na própria Administração Tributária da União, quando assim declarados pela autora. Também não cabe a pretensão de que a Autoridade Preparadora, ou Julgadora, saneiem de ofício o processo na ausência de apresentação de documentos. Sem razão à Recorrente. Mérito A questão gira em torno da aquisição de leite in natura como insumo da Recorrente que produz produtos lácteos. Ocorre que por disposição de Lei Complementar Estadual que dispensaria a emissão de notas fiscais por produtores de leite, pessoas físicas e em outras situações determinadas na Lei Complementar Estadual. Fl. 403DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art9%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art9%C2%A72 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.314 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721447/2019-97 6 Vemos que a Recorrente junta registros de Notas Fiscais e de registro no EFD Contribuições, no entanto, não há no processo nenhuma demonstração do pagamento das aquisições, ou mesmo do recebimento dos insumos, salvo as notas fiscais de entrada, que pretendem suprir a ausência de documentação fiscal que suporte as operações de aquisição de insumos. Assim, entendo que não há elementos de prova no processo que suportem as alegações da Recorrente, e também que cabe a quem pleiteia o direito em prová-lo. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral Fl. 404DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10823074 #
Numero do processo: 10580.007283/90-66
Data da sessão: Fri Jun 18 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 203-00.112
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA THEREZA VASCONCELOS DE ALMEIDA

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FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PrOC(£lSSO ng= Sess'ollo df2 :: Recurso ng:: Reco •.•.ente:: Reco •.•.ida :: 10580.007283/9()-66 113 (je .:il~I'~I'l(Jele 1993 U9 .•:-;:~9(.~ ~TASMIN DISTRIBUIDORA DE: COSI'IETICOS L.TDA. DRF EM SALVADOR - BA D I I... I G e: 1'1 C I A l-.jg 203-00.112 d (.:.? 1" E:oc ti. I" S [) L.TDA .. Vist()s~ v'platado1; e inte"posto po•.JASMIN cliS;ClAtidos ()s presentes aLltos; DISTFaBUIDORA DE: COSME:TICOS • Cnn ~:;E~:I.ho d (7~julgament.o V'E'.1. <.:'t tOI" (:\" F~ES()l_VE~1 ()s; Mefnbv'c)s; (ia 'I'el"c:eiv"a (:~~mara(Jo ~3egur)clo Contl'":i.bu:i.ntE'1:;:, por unanimidi:\de de V(:)tos!, converter- o do I"E.~CUFSO em diliçJência:, nD1;; tf::I"mo1:; cio voto di:\ • •• MINIST~RIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ: 10580.007283/90-66 Recurso Diligência Recorrente nQ: 89.294 nQ: 203-00.112 : JASMIN DISTRIBUIDORA DE COSMETICOS LTDA. R E L A T O R I O A efnpresa epigra'f:ada impugna (flsh 16/j.7 e anexos) lan~amento decorrente de autua~~o sofrida (flsH 02 e anexos) em 24/10/90" Re"fer'j,ndo-se à exig@ncia aos exercícios de 1987 e 1988:, vel'"i'fj,ca-se <ia clescr:l~~o (ias fato1s -ter havi(io infra~:~o ao artigc) 39, al111ea b, da I_.si Cornplernen'tar' nQ 7/70, (:/c C) artigo 19~1 ~)arág. dnico (ia Lej. Cc)m~)lementar nQ j,7/73 e l'ítul0 5, Capitulo 1~ Se~~:) 2, alínea b!l itells I e 11, do Regulamento do PIS/PASI~P, ~pr'ova(~(J pela F)ortar'ia'-MF 11Q 142/~32, com lall~amento de PIS/FATURAMENTO, no valor de 4.270,30 (quatro mil, duzentos e setellta j.nteir"()s e Cirl(~~enta (:entésj.me)s)de BOnus do Tesour(:) Nac:iorlal f~j,~;(:al- B'T'I~F,além dos acr'éscinlo~; :Legais cab1veis, q\j8 e],evaraol (J (:rédi't() tri!Jlj'táv'io IJara o total (je ~3"1()7,45 (oito mi:I., (::entc)e s;ete in.te:lF(JSe quaFenta e cinco (::en'té~;imos) de B6nus do 'fes;our() Nac:~(Jrlal Fj.scal ....BT~IF!I ~)r()Venj.el'l'tes (je al.tera~~J ela I"(~,~c(:-~:i.ti:\ bl'"Ut-i:\!1 c:on~:;c)an't.(~~t-,uto d(,:~In'fl"a~:~XD do Ifllpo~:;tD c1(-:,~F:':E~nd-i:\ F'es~;oa Jl~I'"1dica, C(:)lls;tante (j() 1~1'"(Jces;so 119 ],0580"O()72f31/90-31,. A IJe~:a vestj,IJu:Lal" (ja :i.fnIJljgllallteveio aos autos (:Ie '1:ClI"(ll(":"\ "!:.E'ill P(.:.~~:;t :i, V 1;\ m(,:.~d:i, an t(.:,~ PI"o t"I'"C)(J (':\~i?(o d (.:,~ P I" a 1. C) ~I P l€~i t€~ad i:\ (~.~ de1:er'icla ('f:l,s. j.5)., :1.h(-~ C:O\.l b(,:.:' q u(.:,~I" I" (,:.~~:l.d (':\:1 H{';\ :i. inPU(,:.In 1;\~~:\'O:I a au tu.(;\d 1;\ l"(':'~P01" ta"-'~::.e (\ (':\U tua ç;'Kn qU(':'~ 11() 1:)I"C)c:eSi~~;(:)ele) IF~F:'J, (::(Jfl!:;:i.del"arlCi(:) a exigúrl(::ia!1 (Jra e:o(no (:!e(::c)lrl"érl(::i,a de) roencj,c)na(jo ~)ro(:ess;On (:::(]n~::.:i,df::'~lrandoa cDncli~;:~XD l,"(,:,~'flc.~xadD PI"DC:(':'~~:;~:;()(.:,~m exame, a~~;~severa(~ue I:)v'oc:eclel'"á a(J 1"o(:(J:LI'lifoerlto (jo F:']:~3/FA'rURAMI~NT(]:1 1'10 (:I\~O (:(:)fl(:OI"fle à f)arc:e].a .ta(~t)énl (::C)fl~;j.clera(ja devj.(ja!1 (:onfc)l",ne cie",t",c:",do no ":i.Ü"'" 11 .... do UB,JETU I',IA'U 1...1TIl3Im;;u DO ,o,UTO DE II ....IFF~Açr.'in" ri (':'~:i. In puq na ~:~~o~';\c:o~:>tl;\d tl /;\C)~:; ~';\Ut,c)~:i (:10 p 1'''0 CC::!~~;SD''''rn{':"l.t I" i:?: " A:l.ega ,:il.lf~.tav' (::ó~)j,as; (j(JS (:IC)(::t.l~lef)t(J~S(:Il,le ates.tam o lreC(:):l.t)j,rnel'~'t()rl~etl(::i()fla(:I(:)1:)81"a (~ue 'f:a~;a(o r)I"(JVa,. ÚU tD I" :i. d Etc! f~ ~:;Ol"t(,:.~ cio qU(-:'~!1 POt" mél":i. tD (.:.~ E\ m(,:,~~:;mEl Iyl(,:,~nc::i. on a o [.~ x {:\fnF:.\ cl o [,,\(':\ In'fDI"m(':\~j:~XD F':i.~:;c,:\l ('fl!:;" (::Dr)~~;:i,der'a(jevol" .tel" (:)~)roc:e~s!so (j:i.~;(:l,t.ti(:I(J, IJI"OCesso''''(oa'tl'':iz (j() IRI:~J, (jo (:Il,lal c!ec:ov'v'Ol.l" :i. mpn~:;:i. ~::tc) :I.(':'~(I~':"~:I.d f'~VC'~ ';~;C~1" (,:,~~:;tc~ ú\ p 1"';':.~C :i. (':\dC) ~l i;\ pó~:;. dc~c::i,s~:XDdo PI"DC:['!~:;~:;[) do qU-i:\l 'fluiu" •• o • ~__4""~;:".u._' __ .:..t,~. -:.... ." •. __ • ~ ._' _.•••...:.l.:.:.:~_..L.4..;;:;."- .• '''''C' ,," __ . _ .. MINIST£RIO OA ECONOMIA, FAZENOA E PLANEJAMENTO SEGUNOO CONSELHO OE CONTRIBUINTES . Processo nQ: _Dj,ligência no: 10580.007283/90-66 203:-00.ug .. . _ o julqadol" monocl'-át:ir.:c) entendeu da mesma--=-fGlrmae, louvand()-se no pronl.ln ci,amento do Audi tmr, con cluiu por (considerar qLl<:'~se trc:.-l. tando de .:t.r!!HJ.:t~S;~Q.r~f!.g.~~ (1:15.. <!)3), ao que 'fol'" (jecidiclo no processo-matriz~ atrela-se o destir,o da matéria questionadi:\ no1':; pr(~sent(.?sautos .. • inst~-tnciaementa:: A ~';\~~o fiscal!1- dto? ~':,col"do com C) decisum de 1.f~ foi julgada plPocedente em parte, merecendo a seguinte "COI'ITRIBUIÇr-ro F'ARA() PIS/FATUF(AI'IENTO....A decis1!\o do litígio decorrente de lan~ament() reflexo deve obS~:'~I"val"~no qLlf.?1~e I'"ei:elre t:\ base de cálculo o qL\(~'~ 'f'Clr' decid ido I'l() plrr.)c(~~;SO(flc"lri z AÇr-rO FISCAL I"FWC"DEI'ITE EM PAFal:" " • No I~ecurso interposto (flsd 72/74), onde manifesta seu inconformis(RO, a requerente considera que sendo a decis~J recorrida r'eflexo da pro.t:erida no processo do IRPJ, e confiand(:) '1a reforma dessa dltima, aspira o meS~lOdestirlo seja dado a (':\UtUt":\çg'o f..~md:1. SC:US;5~\"O nestes au t()!:> • I:: D I"eli:\téll":i.o .• •• MINIST~RIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . Processo Diligência nQ= nQ-:- 10580.007283/90-66 203-00.112--- VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA •• "T"ra"ta-se'o presente processocClntriiJui.l;;'Cl 1'."1'.,, Cl F'IS/FATUI~AI'\EI>lTO, sCliJn;) motivaram lan~amento de Imposto de I~enda ( :U:W;.l) • de exigéncia da fatos que tambérn Pes~:;()c':' \JUI":1.di Cc':\ A exigêrlcia (je IRF)J é, na maioria (jos casos~ (::hamc"\c1a de llpr'c)c<:.",:,sso fIli:\tl"iz", (.:~nq\.\anto qU(':':- C) da (.:.~xi9(,itncia da con t,..j, bl.li. ,:~'~(), do mesmo mbdo:, é d(.:~n()minado d~~ ti d(.?'COI"I"(.?nt(.:~" ou 1i I"(.:.~'f:l(,.~xo II !' cI(-::5 iq n c':\ ~eJ(o:~~) essa~) que (;,\1"\ t.e-?11d C) :i. n ael (-:.:quad C,.m(.?n te.:-: (.:J(-:~n(.:.~t'"r.\l:i.z(:H:las, pois qU(~~:;:"1. j.nci(:I(.~~ncii:\<:Ia ct1ntt":ibui~;:;-{Ol' como no CE\st)!1 :iond(-?pf:.;.nd(~~di:\ ~;;Dlu~:::\'Ddada ao lan ~amt-:-~nto d(~~I RP":T:' .:i á que n~?\() está cOlldicionac!a a selr () ,nesmo clevido, nem !;e constituindo C) m(~~~;m(]f.,~mba~;(-:-:od(~~ cálculD di.:\C:(Jntr-:iobu:io~i:::?(C).. Embol"c\ E'nt(~,~nda qU(~ i':\!.; c:lf.o~c:i.se;(,2'Sd(0:.;.~3t(-":~ Pl"OC:E.~~;;~;;onZ\D estejam Ilecessa~iamente yjonculadas às que 'fo~em p~ofer:i.das f1(:) dito r'pr()c:esso (na'tl"iz'l, també(n venho entenclelldo cl~Ae, r1a Inaioria dos casos, os elemento~5 (jes~5e ~ltimo con'tlrilllAem pavoa e:) esclarecimento e de5lil'l<:le da flla'télria aqllj, 'tvoatada" l~~:ntl,oe esses elemel'l'tos, :i.nc:L\Ai--~;e a decis~) de ~ltjoma j,nsot~llcia administrativa 1'10 p~o(:esso de exigência de IRPJ:, con~:;ubs-l:,anc:i,i:\d(':\no C:(]lrl'O(,:,~~:;pondC:.~nt(o:,~(-;"'CÓlrd~(odo Plrim(,:o~:i,I"(]Con~;(-:-~lho e1e-:-:' Con t 1,0 :i, bu :i,n t(,:-~s" Assj,(I~ ~;erlcl(], flOS 'terOmc)s elo par'ág~afo ~)ºdo arotig() 17 do vjogerlte Regj.menoto :[Iltern() e1este Segul'l(jo Corl~;eltlo (je COI""It Ir:iobtl:ion i:o(':'~s:,pr'opDn!"in iO;\ ba :i,x i:\ d C) PI'°C)C(-:o:'sso(,:,~mDI LI Gr::~I\ICI A c~\ l'OE~ pa I" t :i, ~i:~~'\O cIf.0~ DI" :io q ('2'm:1 pi:\ I" iO:\ q U(~~ (':\ m(::.'~:;mi.:\~:;(-":~d :i, 9n(~-~ df:~~, ti.'!\o 1DÇJo cli. ~:;pon ha d Df:; 1'°f:":~Of(,:o~ir:i.d C)~:; (0":~:I.(-?fll(-":~nt,DS :' :i,11c:I.u S:i.y(-:-~d i":\ cI(-:~c::i.~5-~K(] cIC) l~rj,meilro l:eJI'lSelllo de (:Oll'tv'joIJlAjonte~;,IJroovjoc!encj,ar ~;~Aaal'lexa~ro) ae:) presen'te pvO()cesso ~)Olr cópia, palra a já menc:joc)na(1a 1:irlalidade!1 c1E'Volv(.;.I"ldo'-o!1(-:,:-fn~:;(~9U:i,d;:\:1(':\PstE.~ C()n~:;e,:~lhD.. 00000001 00000002 00000003 00000004

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10823778 #
Numero do processo: 10925.901577/2014-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. BENS PARA REVENDA E INSUMOS PROVENIENTES DE ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE.No regime não cumulativo das contribuições, as sociedades cooperativas de produção agroindustrial podem apurar créditos na aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos adquiridos de não associados, sendo vedado o creditamento em relação a bens e serviços provenientes de associados. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO. INDÚTRIA DE ALIMENTOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção e conservação do produto durante o transporte, como plástico, papelão e filmes stretch, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em vista dos requisitos da essencialidade ou relevância e especificidade desse ramo de atividade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO.VEDAÇÃO.O art. 3º , § 2º, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS COM SUSPENSÃO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos adquiridos com suspensão das contribuições geram direito a crédito para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ATIVO IMOBILIZADO.Necessidade de identificação de máquinas e equipamentos e sua vinculação ao processo produtivo para enquadre-se como insumo. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. ART. 54 DA LEI 12.350/2010. VIGÊNCIA. 20 DE DEZEMBRO DE 2010. A partir de 20 de dezembro de 2010 as operações descritas no artigo 54 da Lei 12.350 gozam de suspensão das contribuições, encontre-se esta suspensão descrita ou não em Nota Fiscal. A inscrição em nota fiscal deve ser entendida aqui como “novos critérios de apuração ou processos de fiscalização” para os quais o artigo 143 § 1° do CTN permite a vigência retroativa. TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021.POSSIBILIDADEDeve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos.
Numero da decisão: 3102-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: a) por unanimidade, em conhecer do recurso e no mérito dar-lhe provimento parcial nos seguintes itens: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência(e-fls.9.027 a 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4)reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref.limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 6) reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; 7) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 8) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 9) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 10) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 -Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 -Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 -Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm; 11) reverter a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 12) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado à maior (diferença entre 60% e 35%); 13)determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 14) aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; e b) por voto de qualidade, para manter as glosas de parte do material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e parte dos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, atinente à lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento em maior extensão para reverter a glosa em sua totalidade de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e em relação aos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, para alcançar a lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Sala de Sessões, em 17 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes e Pedro Sousa Bispo (Presidente).Ausentes os conselheiros Karoline Marchiori de Assis e Fabio Kirzner Ejchel.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-02-13T18:39:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-02-13T18:39:28Z; Last-Modified: 2025-02-13T18:39:28Z; dcterms:modified: 2025-02-13T18:39:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-02-13T18:39:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-02-13T18:39:28Z; meta:save-date: 2025-02-13T18:39:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-02-13T18:39:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-02-13T18:39:28Z; created: 2025-02-13T18:39:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 67; Creation-Date: 2025-02-13T18:39:28Z; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-02-13T18:39:28Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10925.901577/2014-76 ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de dezembro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. BENS PARA REVENDA E INSUMOS PROVENIENTES DE ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE. No regime não cumulativo das contribuições, as sociedades cooperativas de produção agroindustrial podem apurar créditos na aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos adquiridos de não associados, sendo vedado o creditamento em relação a bens e serviços provenientes de associados. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO. INDÚTRIA DE ALIMENTOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção e conservação do produto durante o transporte, como plástico, papelão e filmes stretch, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em vista Fl. 5706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 2 dos requisitos da essencialidade ou relevância e especificidade desse ramo de atividade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO.VEDAÇÃO. O art. 3º , § 2º, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS COM SUSPENSÃO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos adquiridos com suspensão das contribuições geram direito a crédito para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ATIVO IMOBILIZADO. Necessidade de identificação de máquinas e equipamentos e sua vinculação ao processo produtivo para enquadre-se como insumo. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. ART. 54 DA LEI 12.350/2010. VIGÊNCIA. 20 DE DEZEMBRO DE 2010. Fl. 5707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 3 A partir de 20 de dezembro de 2010 as operações descritas no artigo 54 da Lei 12.350 gozam de suspensão das contribuições, encontre-se esta suspensão descrita ou não em Nota Fiscal. A inscrição em nota fiscal deve ser entendida aqui como “novos critérios de apuração ou processos de fiscalização” para os quais o artigo 143 § 1° do CTN permite a vigência retroativa. TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021.POSSIBILIDADE Deve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: a) por unanimidade, em conhecer do recurso e no mérito dar-lhe provimento parcial nos seguintes itens: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência(e-fls.9.027 a 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4)reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref.limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 6) reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; 7) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 8) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 9) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 10) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo Fl. 5708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 4 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 -Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 -Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm; 11) reverter a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 12) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado à maior (diferença entre 60% e 35%); 13)determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 14) aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; e b) por voto de qualidade, para manter as glosas de parte do material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e parte dos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, atinente à lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento em maior extensão para reverter a glosa em sua totalidade de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e em relação aos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, para alcançar a lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Sala de Sessões, em 17 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes e Pedro Sousa Bispo (Presidente).Ausentes os conselheiros Karoline Marchiori de Assis e Fabio Kirzner Ejchel. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante no acórdão recorrido, com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do deferimento parcial de Pedido de Ressarcimento de n° 33557.81855.200112.1.1.11-2063), no valor de R$ 2.220.753,85, de créditos de Cofins não cumulativa vinculada a receitas de vendas no mercado interno não tributadas realizadas no 1° trimestre de 2011. Foi deferido à interessada o Fl. 5709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 5 montante de R$ 776.739,39, que foi utilizado para compensar débitos declarados em Dcomp vinculada ao PER, tendo-lhe restado o montante de R$ 221.546,93, que lhe foi ressarcido. Na Informação Fiscal (fls. 2.986/3.017), o Auditor Fiscal disserta sobre a legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativa, discorre sobre o ônus da prova em pedidos de ressarcimento e do procedimento de auditoria. Explica que Cooperativa Central Aurora Alimentos desenvolve as atividades como a fabricação de produtos de carne, abate de suínos, comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados, criação de suínos, fabricação de alimentos para animais, abate de aves, produção de pintos de um dia, produção de ovos, preparação de leite, entre outros. Relata que detectou diversas inconsistências na apuração do crédito pleiteado. Informa que, a partir das informações repassadas pela fiscalizada, realizou glosas nas seguintes rubricas do Dacon: 1. bens para revenda (listados no Anexo I): • aquisições de mercadorias adquiridas de empresas cooperadas; • aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03) com suspensão de pagamento das contribuições; • dispêndios com frete sobre transferência de produtos acabados e fretes dobre transferência; 2. bens e serviços utilizados como insumos (listados nos Anexos II e III): • Material de embalagens e etiquetas; • Material de uso e consumo; • Peças de reposição e serviços gerais; • Material de segurança; • Conservação e limpeza; • Fretes entre estabelecimentos da Cooperativa Central Aurora para envio/retorno de industrialização/armazenagem/venda, como frete sobre transferência produto acabado, frete sobre transferência de insumos, frete sobre parcerias aves, frete sobre parcerias ração, entre outros; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM, de pessoa física ou com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificado no código 0504, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; Fl. 5710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 6 • Aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, como sêmen suíno, hortícolas e frutas, classificadas nos capítulos 7 e 8, calcáreo calcítico, entre outros; • Aquisições de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, com suspensão de pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos de cooperados pessoas jurídicas; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 8 a 12, 15, 1701 e 23, da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificados no código 2309.90 da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de combustíveis e derivados: Óleo Combustível, lubrificantes, graxa, gás GLP a granel, lincomicina (NCM correta: 3004.20.410), que não geram créditos de PIS/Cofins, em virtude de compra de produto com incidência monofásica e de não se enquadrarem no conceito de insumo; • Aquisições de serviços que não se agregam ao produto; • Diferença de créditos entre o batimento dos valores declarados no Dacon e os arquivos digitais apresentados. 3. armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (Anexo IV): • remessa de vasilhame ou sacaria; • transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro; • remessa em doação, bonificação ou brinde; • outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados; • remessa por conta e ordem de terceiros em venda ordem ou armazém geral; • remessa para industrialização por encomenda; • glosa de valores que foram informados a maior no Dacon, em relação aos arquivos digitais apresentados. 4. encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (Anexo V): • encargos de depreciações sobre importações de bens; • itens sem a informação nos campos "número de nota fiscal", "nome do fornecedor" e "CNPJ do fornecedor"; e • encargos de depreciação de suínos reprodutores, em desacordo com a IN/SRF n° 162/1998, ou amparado por laudo técnico idôneo, conforme art. 310, do Decreto n° 3.300/99. 5. encargos de amortização de edificações e benfeitorias (Anexo VI): Fl. 5711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 7 • itens sem o preenchimento dos campos "N° Nota Fiscal", "Fornecedor" e "CNPJ Fornecedor" ou o campo "Fornecedor" com a seguinte informação: "dvs notas ficais e dvs fornecedores". 6. crédito presumido – atividades agroindustriais: • créditos alocados indevidamente nos campos “Não tributada no Mercado Interno” e de “Receita de Exportação”; • aplicação incorreta do percentual de 60% do inciso I do §3° do art. 8o sobre os insumos adquiridos como: 0103.10.00 (animais vivos da espécie suína - reprodutores de raça pura), 0103.91.00 (animais vivos da espécie suína - de peso inferior a 50 KG); 0103.92.00 (animais vivos da espécie suína - de peso igual ou superior a 50 KG); 0105.94.00 (animais vivos - galos e galinhas); 1005.90.10 (milho - em grãos); 4401.10.00 (lenha em qualquer estado); 4401.30.00 (serragem); 4402.90.00 (carvão vegetal - outros). 7. Créditos a descontar na importação: aquisição de produtos importados que não se enquadram na categoria de insumos. Por fim, faz um resumo das glosas realizadas e demonstra o crédito deferido. Cientificada em 16/09/2016, a contribuinte apresentou em 17/10/2016 a manifestação de inconformidade fls. 3/101, a seguir sintetizada. Primeiramente, faz um resumo dos fatos e das glosas realizadas. No tópico "Aquisições de bens para revenda", diz que as glosas foram efetuadas sob três fundamentos: mercadorias adquiridas de cooperados, mercadorias adquiridas com suspensão e frete sobre transferência de produtos acabados. Relativamente à glosa de aquisições de cooperados, diz que as notas fiscais glosadas são as constantes do "Anexo I - Aquisição Para Revenda de Suínos Reprodutores de Cooperados", realizadas com base nos incisos I e II do art. 23 da IN RFB n° 635/2006. Aduz que os arts. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 não trazem tal vedação, razão pela qual o citado ato normativo ofende o princípio da legalidade. Argumenta, ainda, que as saídas desses suínos para revenda são normalmente tributados nos fornecedores. Salienta, ademais, que adquiriu suínos para revenda de pessoas jurídicas não associadas no valor de R$ 2.450,00, conforme Anexo II, cuja importância também foi glosada sob o argumento de que se trata de venda com suspensão da incidência do PIS/Pasep e de Cofins. Aduz, todavia, que os suínos destinados à revenda são integralmente tributados pelas citadas contribuições. No que tange à glosa de aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03), esclarece que elas foram efetivadas porque aplica-se a suspensão de pagamento das contribuições aos produtos adquiridos, nos termos da Lei n° 12.350/2010 e arts. 2° e 16, da IN/RFB n° 1.157/2011. Diz que os documentos glosados estão indicado no "Anexo II - Aquisição Para Revenda de Suínos Reprodutores" e que, em relação às mercadorias destinadas à revenda, não se Fl. 5712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 8 aplica a suspensão do pagamento das contribuições, prevista no art. 54, III, da Lei n° 12.350/2010. Informa que, no caso, trata-se de animais de alto valor genético que não se destinam à produção das mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, e sim, à revenda, de modo a gerar o crédito pretendido. No que se refere à glosa de fretes relativos a transferências de produtos acabados entre os estabelecimentos da cooperativa, diz que os documentos glosados estão relacionados no "Anexo III - Transferências de Produtos Acabados Entre os Estabelecimentos da Cooperativa". Relata possuir unidades produtoras localizadas em diversos Estados da Federação e que os produtos são transferidos das unidades produtoras para as filiais comerciais. Entende que o valor do frete integra o custo das mercadorias, nos termos do art. 289, § 1°, do RIR/1999. No tópico "material de embalagem e etiquetas", aduz que a legislação não faz qualquer distinção entre embalagem de apresentação e transporte. Entende que qualquer embalagem utilizada no processo produtivo gera direito ao crédito, pois não há normas que vedam tal crédito. Diz que a tese da fiscalização já foi rechaçada pelo CARF. Reclama que o conceito de insumos do IPI é de aplicação inadequada ao PIS/Pasep e à Cofins. Alega que não é devida a glosa do crédito sobre as embalagens, que são de apresentação dos produtos destinados à venda. Relata, ainda, que dada a natureza das mercadorias - alimentos congelados para consumo humano - é irrecusável reconhecer que as embalagens, mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores, cumprem a função relevante de conservação do produto, de modo que a preservação das propriedades do alimento constitui utilidade adicional e complementar à mera função de transporte do conteúdo, razão pela qual tem direito ao crédito sobre tais embalagens. Relativamente ao "Material de Uso e Consumo, Peças de Reposição e Serviços Gerais, Material de segurança e material de conservação e limpeza", alega que a fiscalização glosou créditos relativos a valores de despesas classificadas como insumos, em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Diz que a glosa foi perpetrada em decorrência da aplicação do conceito restritivo de insumos trazido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Entende que o conceito de insumos deve ser feito com base no conceito de custos dado pela legislação do IRPJ. Sustenta que a legislação do IPI é inapropriada a fornecer o conceito de insumos utilizado pela fiscalização. Esclarece, com base em doutrina, que "o termo insumo utilizado deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI)". Conclui que todas os bens glosados são utilizados diretamente no seu processo produtivo, razão pela qual requer a reversão das glosas efetivadas. Fl. 5713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 9 Alega que os materiais de uso e consumo, as peças de reposição e serviços gerais, o material de segurança, material de limpeza e conservação, assim nomeados pela autoridade fiscal, tratam-se na verdade de bens e serviços utilizados e necessários para a atividade industrial de fabricação de carnes e derivados, estando albergadas na definição de insumo, como reconhecido pela Solução de Consulta n° 8.002, de 07 de março de 2016. Relativamente ao "material de segurança", explica como as aquisições de EPI, materiais de segurança e uniformes são contabilizadas, com o fim de demonstrar que tais gastos integram os custos dos produtos que fabrica. Entende que, por estarem relacionados ao processo produtivo, geram o direito a crédito na condição de insumos. No que refere às glosas de "produtos de conservação e limpeza de máquinas e equipamentos", repete as alegações acima aduzidas, esclarece como são utilizados no seu processo produtivo, tece considerações sobre como são contabilizados e, por fim, requer o crédito na condição de insumos. Relativamente a gastos com bens utilizados na "manutenção predial", explica que as glosas ocorreram em relação a bens e serviços utilizados na manutenção predial, serviços de pintura e construção civil realizados nos estabelecimentos fabris (unidades industriais), bem como no caso das aquisições dos itens utilizados nas referidas manutenções. Repete as considerações acima já aduzidas e requer o crédito dos bens glosados sob essa justificativa, alegando que eles são insumos de seu processo produtivo. No que tange às "aquisições de calcário", afirma que a autoridade glosou as aquisições desses bens, alegando se tratar de gastos com manutenção predial. Esclarece, entretanto, que são bens destinados à fabricação de ração, ou seja, são insumos de seu processo produtivo. Informa que sua utilização como insumo pode ser verificada pelas contas contábeis em que tais dispêndios são controlados. Por fim, relata que os bens glosados sob os argumentos de que são bens de uso e consumo, peças de reposição, serviços gerais, material de segurança e materiais de conservação e limpeza estão relacionados no Anexo IV, que trouxe aos autos. No que tange à "glosa de encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado", relata que a fiscalização realizou diversas glosas sob as seguintes justificativas: • glosa de créditos de bens que não são utilizados na produção de mercadorias destinados à venda; • glosa de créditos de bens importados; • itens sem informações necessárias à verificação do crédito; e • encargos de depreciação de suínos reprodutores "em desacordo com a IN/SRF 162/1998, ou amparado por laudo técnico inidôneo". Fl. 5714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 10 Entende que as glosas estão equivocadas, uma vez que a fiscalização aplica o conceito restritivo de insumos. Apresenta, a fim de demonstrar a pertinência dos bens com o processo produtivo, o Anexo V. Diz que selecionou alguns dos bens glosados, em relação aos quais carreia aos autos a nota fiscal, o razão contábil que demonstra o registro do bem em conta do ativo imobilizado e laudo técnico detalhando a finalidade do bem e sua utilização no processo produtivo. Aduz que, igualmente, é indevida a glosa do crédito sobre os encargos de depreciação relativos a bens importados. Alega ser incorreto afirmar que o direito ao crédito se aplica exclusivamente aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, pois a Lei n° 10.865/2004 é clara em autorizar o crédito também sobre os bens importados. Argumenta que o despacho decisório recorrido nega vigência às disposições contidas no inciso V do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, razão pela qual deve ser reconhecido o crédito sobre os documentos constantes no Anexo VI. Em relação aos itens sem a informação nos campos "número de nota fiscal", "nome do fornecedor" e "CNPJ do fornecedor", afirma que os bens em questão são por mais de um documento fiscal, tendo apresentado à autoridade fiscal a composição detalhada dos respectivos bens. Reclama que a fiscalização se limitou à análise de apenas parte da informação apresentada, sob o pretexto de, por falta de informações, glosar o crédito. Apresenta no Anexo VII a relação detalhada dos bens adquiridos e que têm origem em mais de um documento fiscal. Aduz que tal relatório permite identificar todas as informações relevantes para legitimar o crédito pleiteado. Requer, por fim, a reversão das glosas relativas aos encargos de depreciação dos suínos reprodutores, conforme valores indicados no Anexo VIII. Diz que se creditou de PIS/Pasep e de Cofins sobre a depreciação de "Suínos Reprodutores", cujo encargo foi calculado a uma taxa anual de 40%, que tem amparo em laudo técnico, segundo o qual, a vida útil dos "suínos reprodutores" é de 30 meses. Assevera que a taxa de depreciação diferente daquelas estabelecidas pela RFB tem amparo legal no §1° do art. 310 do RIR/99, razão pela qual não pode se falar em contrariedade com a Instrução Normativa SRF n° 162/1998. Argumenta, outrossim, que ainda que o laudo técnico não atendesse aos requisitos estabelecidos, no mínimo, deveria ter sido aplicada a taxa de 20% ao ano, nos termos do contido no art. 1° da IN n° 162/1998, fato que não ocorreu, visto que a fiscalização simplesmente excluiu os bens da base de créditos do período. No tópico "glosa de encargos de amortização de edificações e benfeitorias", informa que a fiscalização glosou créditos informados nesta rubrica sob a justifica de que as planilhas demonstrativas do créditos eram incompletas. Esclarece que as edificações e benfeitorias realizadas, regra geral, são operações que envolvem diversos documentos fiscais. Diz que uma edificação ou benfeitoria leva tempo para ser construída e nelas são empregados vários materiais que são adquiridos de diversos fornecedores e que enquanto a edificação ou a benfeitoria estiver na Fl. 5715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 11 fase de construção, todos os gastos com materiais, mão de obra, serviços em geral, encargos tributários, etc., são registrados em conta específica pertencente ao grupo "obras em andamento" do ativo imobilizado. Expõe que ao fim da obra apura-se o custo da mesma, valor que é transferido para o ativo imobilizado e constitui o valor do bem a ser incorporado ao imobilizado da empresa. Aduz que, desse modo, é natural que o custo de uma edificação ou benfeitoria é composto por "diversas notas fiscais" relativas a todos os materiais empregados, assim como os materiais podem ter sido adquiridos de "diversos fornecedores". Entende que tal circunstância não inviabiliza a verificação dos documentos que deram origem a determinado item do imobilizado. Traz aos autos o Anexo IX, a fim legitimar o crédito pleiteado. No tópico “crédito presumido – atividades agroindustriais”, afirma que o crédito presumido foi, inicialmente, previsto no art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, mas que, posteriormente, passou a ser disciplinado pelo art. 8o da Lei n° 10.925/2004. Diz que a RFB negou o direito ao ressarcimento, sob a alegação de que o art. 5o da Lei n° 10.637/2002 e o art. 6o da Lei n° 10.833/2003, ao tratarem da compensação ou ressarcimento, referem-se exclusivamente aos créditos apurados na forma de seu artigo 3o das citadas leis, de modo que o crédito presumido definido pelo art. 8o da Lei n° 10.925/2004 só poderia ser utilizado para dedução do PIS/Cofins devidos nas operações do mercado interno. Aduz que tal entendimento inviabiliza a possibilidade de recuperação do tributo, pois, se suas receitas provierem exclusivamente de operações de exportação, os créditos presumidos ficarão sem qualquer serventia dada a impossibilidade de compensação com outros tributos ou devolução em dinheiro. Alega que a interpretação literal dos arts. 5o e 6o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 podem dar sustentação ao entendimento fazendário, mas essa não é a única maneira de se interpretar tal norma. Salienta que os créditos presumidos deixaram de figurar nas disposições do artigo 3o das citadas leis pela simples necessidade de adequá-los à realidade da não cumulatividade das contribuições. Afirma que não se justifica no modelo não cumulativo apuração de créditos presumidos na ordem de 70% (PIS) e de 80% (Cofins) que eram os créditos que existiam nos tempos da incidência cumulativa. Entende que essa é a razão da revogação dos §§ do artigo 3o daquelas leis. Argumenta que tal mudança jamais teria objetivado impedir a compensação ou ressarcimento de créditos presumidos. Assevera que, mesmo na vigência da Lei n° 10.925/2004, os créditos presumidos são passíveis de compensação ou de ressarcimento, como previsto nos arts. 5o e 6o das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, em razão de que o §1o desses artigos regula a utilização dos créditos apurados na forma do respectivo art. 3o e não dizem que são exclusivamente aos créditos relacionados no artigo 3o de ambas as leis. Entende que tanto os créditos ordinários como os presumidos Fl. 5716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 12 vinculam-se à forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3o das referidas leis, sendo, por isso, passíveis de ressarcimento. Reclama que apenas reconhecer a manutenção dos créditos sem possibilitar sua utilização implica exportar produtos onerados pelo PIS/Cofins, em razão da incidência presumida dessas contribuições nas etapas de circulação dos bens utilizados como insumos na produção do produto exportado, fato que afronta os objetivos estabelecidos pelo legislador, que é o de não se exportar tributos. Alega, outrossim, que o crédito presumido do PIS e da Cofins constitui uma forma de subvenção, que é definida pelo art. 12, § 3o, da Lei 4.320, de 1964. Com base em doutrina, afirma que o crédito presumido em debate funciona como estímulo financeiro para reduzir o impacto tributário existente sobre a produção. Conclui que deve ser autorizado o ressarcimento do crédito presumido na proporção da receita de vendas no mercado interno não tributadas. Relativamente ao "percentual da alíquota do credito presumido sobre a aquisição de suínos, leitões, aves para abate, milho, milho quebrado e lenha", aduz que calculou o referido crédito com base no percentual de 60% sobre as alíquotas do PIS/Cofins, mas que fiscalização entendeu que o percentual é de 35%, glosando a diferença de valores. Explica que esses bens são insumos, os quais são empregados na produção de mercadorias de origem animal classificados nos capítulos 2 (cortes resultantes do abate de suínos e aves) e 16 (embutidos) e que, para tais produtos, o crédito presumido é de 60%. Assevera que se o §10 do art. 8° da Lei n° 10.925/2004 determina que, para efeitos de interpretação do §3°, o direito ao crédito no percentual de 60% abrange os insumos aplicados nos produtos ali referidos, de modo que a glosa realizada representa insubordinação à lei. Aduz que, mesmo se entendesse que o § 10 da lei não tem caráter interpretativo, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, pelo menos em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate o percentual estabelecido é de 60% sobre o valor da aquisição. No que se refere ao "crédito presumido sobre as aquisições de milho inteiro e quebrado", requer, de igual modo, que seja reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base a alíquota de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. Aduz que o mesmo deve se dizer em relação à aquisição de lenha, que é utilizada como combustível no processo de fabricação dos produtos derivados de suínos e aves. Conclui que não é cabível a aplicação do percentual de 35% para a determinação do crédito presumido sobre os insumos de origem vegetal e animal, suínos (NCM 0103.10.00 e 0103.92.00), leitões para terminação (NCM 0103.91.00), aves para abate (NCM 0105.94.00), milho (NCM 1005.90.10), lenha (NCM 4401.10.00 e 4401.30.00) e carvão para lenha (NCM 4402.90.00), haja vista que referidos Fl. 5717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 13 insumos foram utilizados na produção de bens dos capítulos 2 e 16, destinados à venda. Destaca, ainda, que há erros no cálculo desenvolvido para a determinação do limite de crédito passível de utilização. Diz que, pelo que pôde compreender do "Demonstrativo de Apuração de Créditos PIS/Cofins" da fiscalização, que, a pretexto de aplicar a limitação na utilização do crédito presumido prevista no art. 9° da Lei n° 11.051/2004, desprezou o saldo do crédito presumido da contribuição acumulado em períodos anteriores. Alega que a disposição é clara, no sentido de que a limitação no cálculo do crédito presumido previsto se aplica exclusivamente aos bens recebidos de cooperados, de modo que os créditos de bens adquiridos de não cooperados (terceiros) não possuem a limitação no cálculo do crédito presumido. Explica que adquiriu bens de cooperados e de não cooperados, conforme arquivo digital disponibilizado à fiscalização, mas que esta aplicou a limitação em relação a todas as aquisições, o que contraria a lei. Pede a revisão do cálculo da limitação do crédito presumido agroindustrial efetuado, quer pelo fato de ter incluído no cálculo do limite aquisições de não cooperados, quer pelo fato de ter considerado outras exclusões que não as previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. No que concerne à "glosa de créditos sobre insumos importados", reclama que a fiscalização glosou créditos calculados sobre bens importados, com o argumento de que eles não se agregam aos produtos produzidos. Aduz que os bens tratados são utilizados diretamente no processo produtivo. Informa que os bens glosados são bens utilizados como embalagens, insumos para ração e peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo. Trata novamente sobre o conceito de insumos. Traz aos autos o Anexo X, o qual contém relação dos bens glosados. No que se refere à "glosa de fretes entre estabelecimentos da empresa, frete sobre sistema de parcerias, frete sobre compra de suínos/aves e fretes sobre produtos acabados, discorre sobre os créditos em relação aos serviços de transporte e sobre o arts. 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99. Entende que a interpretação que se extrai das normas legais é o de que o valor do frete integra o custo de aquisição dos bens e, nesta condição, compõe a base de cálculo dos créditos do PIS/Pasep e da Cofins. Requer o direito de deduzir créditos de PIS/Pasep e Cofins calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados para os seguintes serviços de transporte: fabricação de bens destinados à venda; contribuinte ou não; uportado do vendedor. Fl. 5718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 14 Na sequência, discorre sobre o direito ao crédito sobre "fretes sobre transferência de produtos acabados", que são transporte de bens entre as unidades produtoras e as filiais comerciais. Argumenta que tais dispêndios são custos que se agregam ao produto final. Assevera que tais gastos se revestem da característica de serviços utilizados como insumos na fabricação dos produtos destinados à venda. Informa que o Anexo XIV demonstra o crédito pretendido. No que toca aos "fretes sobre transferência de insumos de produção", explica que se referem a serviços de transporte de produtos semi-elaborados, como por exemplo, peito, coxa e sobre-coxa desossados de frango, pele de frango, pernil, paleta, sobre-paleta, retalhos e toucinho de suínos, carne mecanicamente separada de frango, barriga suína, entre outros, que são transferidos entre unidades produtoras com o de compor um novo produto acabado. Aduz que tais gastos compõem o custo de produção dos bens da unidade de destino. Apresenta no Anexo XIII para comprovar o crédito pleiteado. Explica que o "frete sobre sistema de parceria (insumos)" é relativo a transporte de suínos, aves e rações em operações vinculados ao sistema de parceria. Informa que os respectivos conhecimentos de fretes estão relacionados no Anexo XII. Explica o sistema de parceria e que a criação de suínos e aves nesse sistema demanda grande volume de serviços de transporte nas suas diversas etapas. Esclarece que os "frete sobre parcerias aves" são transporte de pintinhos que se dá entre seus incubatórios e as propriedades rurais dos produtores cooperados, para criação em sistema de parceria. Explica como contabiliza tais gastos e conclui que tais fretes são custos do frigorífico, caracterizando insumo de produção. Discorre sobre os "fretes sobre parcerias suínos", que se referem a transporte de "leitões creche", "leitões para terminação" e "suínos para abate". Informa que concluído o processo de engorda dos suínos, estes são enviados às unidades industriais para o abate. Entende que tal frete é parte integrante do custo de produção dos suínos e que, assim, são insumos de seu processo produtivo. Diz que a fiscalização também glosou gastos com fretes relativos a transporte das rações utilizadas na alimentação das aves e suínos, alojados nas granjas dos cooperados integrados, os quais são posteriormente remetidos para abate nas unidades industriais, constituindo-se na principal matéria-prima dos frigoríficos. Explica o processo de contabilização de tais gastos, demonstrando que eles são identificados como custos de produção, atendendo ao conceito de insumo. Relata, por fim, que a autoridade fiscal glosou fretes sobre o transporte de aves e suínos vivos para abate, os quais constituem insumo indispensável que integra o custo do bem transportado. Aduz se tratar de fretes sobre compras e que os documentos listados no Anexo XI comprovam o crédito pretendido. No que tange à "glosa de aquisição de cortes de aves e suínos, de insumos vegetais (milho 10.05 e farelo 23.04), de insumos para ração, de insumos classificados na NCM 2309.90 - suspensão da Lei n° 12.350/2010, art. 54", alega Fl. 5719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 15 que a glosa é indevida em relação aos fatos geradores ocorridos em data anterior a 17 de maio de 2011, data de publicação da IN/RFB n° 1.157/2011, por meio da qual a RFB estabeleceu as condições para a aplicação da suspensão do art. 54 da Lei n° 12.350/2010. Entende que os insumos adquiridos no período foram tributados, pois a execução da lei dependia da edição da instrução normativa, o que somente ocorreu em maio de 2011. Requer a reversão das glosas em relação às aquisições acima indicadas. No que tange à "glosa de aquisições de tripas e de insumos classificados nos códigos 8 a 12 da NCM, com suspensão do pagamento do PIS e Cofins (art. 9° da Lei n° 10.925/2004)", aduz que também foram objeto de glosa as tripas de bovinos (NCM 0504.0011), tripas de suínos (NCM 0504.0013) e aquisição de produtos classificados nos códigos 8 a 12, 15, 1701 e 23 da NCM. Alega que a glosa é indevida porque aos produtos adquiridos não se aplica a suspensão do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, pois os seus fornecedores não se enquadram entre as hipóteses previstas nos arts. 8° e 9° da Lei n° 10.925/2004. Relata, ainda, que os fornecedores não declararam nas notas fiscais que as vendas foram efetuadas com suspensão, que os fornecedores não são cerealistas e que a tripa não é um produto agropecuário. Relaciona os fornecedores de tripa, demonstrando que não são empresas cerealistas ou que exercem atividade agropecuária. Informa que o Anexo XV prova o alegado. Em relação aos produtos classificados na NCM 8 a 12, 15, 1701 e 23, aduz que as glosas também devem ser revertidas, pois os fornecedores de tais insumos não exercem atividade agropecuária, razão pela qual não se aplica a suspensão de que trata o art. 9° da Lei n° 10.925/2004. Anexa aos autos o Anexo XVI, a fim de demonstrar a pertinência das alegações suscitadas. Relativamente à "glosa de aquisições de produtos tributados à alíquota zero", afirma que são indevidas as glosas dos seguintes produtos listados no Capítulo 29 da NCM: Afirma que tais produtos não estão sujeitos à alíquota zero. Registra que o Decreto n° 5.821/2006 foi revogado pelo Decreto n° 6.426/2008, o qual, no art. 1°, determina que somente os produtos do capítulo 29 da TIPI e constantes no Anexo I estão sujeitos à alíquota zero. Aduz que os produtos listados não estão especificados no Anexo I. Diz se tratar de produtos tributados, os quais foram empregados como insumos nos seus processos produtivos da indústria de lácteos. Informa que o Anexo XVIII demonstra o crédito pretendido. Fl. 5720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 16 No que tange aos "Produtos do Capítulo 30 da TIPI, Não Sujeitos à Alíquota Zero", aponta que foram glosados créditos sobre diversos produtos, sob o argumento de que estariam sujeitos à alíquota zero. Explica que a fiscalização indicou como fundamento legal o art. 2° do Decreto n° 5.821/2006, que foi revogado pelo Decreto n° 6.426/2008. Aduz que tal norma não se aplica ao caso concreto, pois os produtos glosados foram adquiridos no mercado nacional. Explica que o art. 2° do Decreto n° 5.821/2006 reduziu a zero as alíquotas do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação, mas que nas vendas internas tais produtos são tributados integralmente. Argumenta que, no Decreto n° 6.426/2008, os produtos em questão não foram contemplados com a redução a zero das alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins. Informa que os bens glosados não são produtos farmacêuticos, mas material intermediário utilizados na produção de derivados lácteos. Ressalta que os fornecedores tributaram os citados produtos, conforme demonstram as notas fiscais acostadas no Anexo XVIII. Em relação à "glosa de aquisições de produtos (insumos) de associados pessoas jurídicas", relata que foram glosados créditos sobre aquisições de bens utilizados como insumos de cooperativas filiadas. Diz que os insumos adquiridos foram utilizados na fabricação de rações (milho, soja e farelo de soja) e nas unidades produtoras de suínos. Alega que é indevido o fundamento utilizado pela fiscalização, qual seja, a de que os incisos I e II do art. 23 da IN/SRF n° 635/2006 somente permitem a apropriação de créditos se as aquisições de insumos forem feitas de fornecedores não associados. Aduz que as Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer restrição em relação ao crédito sobre insumos utilizados no processo produtivo provenientes de associados. Argumenta que a instrução normativa não pode invadir a competência legal, concluindo que as glosas são ilegais. Informa que traz aos autos o Anexo XIX para comprovar o crédito pretendido. No que toca à "glosa de aquisições de combustíveis e derivados", afirma que as glosas foram realizadas sob o argumento de que tais produtos estariam sujeitos à incidência monofásica e não se enquadram no conceito de insumo. Assevera, entretanto, que os itens glosados são utilizados como insumos de produção, descrevendo a utilização de alguns deles em seu processo produtivo. Conclui que os itens são indispensáveis ao mesmo e integram o custo de fabricação dos produtos destinados à venda, gerando o direito ao desconto de créditos da não cumulatividade. Afirma, outrossim, que, em relação aos combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção de bens ou produtos destinados à venda, há previsão legal expressa contida no art. 3° das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaca que a Cosit, na Solução de Consulta n° 126 e Solução de Divergência Cosit n° 12, de 25/01/2017, já se manifestou a respeito da possibilidade de crédito do PIS/Pasep e de Cofins sobre combustíveis e lubrificantes empregados no processo de produção de bens e serviços. Fl. 5721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 17 Alega, ademais, que, na incidência monofásica, ocorre o pagamento das contribuições. Informa que o Anexo XX relaciona as notas fiscais glosadas. No tópico "frete no transporte de resíduos industriais, lavagem de uniformes, limpeza, etc.", narra que a fiscalização glosou créditos de PIS/Pasep e Cofins sobre as aquisições de serviços, sob a justificava de que não se agregam ao produto, como é o caso da coleta de lixo/resíduo, conserto máquinas e equipamentos, lavação de roupas e uniformes, limpeza, zeladoria, manutenção de máquinas e equipamentos. Repete as considerações já aduzidas a respeito do conceito de insumos. Informa que o Anexo IV demonstra o crédito pretendido. Por fim, pede a atualização do crédito pela Selic, com base no § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/1995. Requer a procedência da manifestação de inconformidade. Ato contínuo, a DRJ-CURITIBA (PR) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. MATERIAL DE USO COMUM. MATERIAL DE MANUTENÇÃO PREDIAL. MATERIAL DE SEGURANÇA. PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA. SERVIÇOS DE COLETA DE RESÍDUOS. SERVIÇOS DE LAVAÇÃO DE UNIFORMES. Os valores gastos com os bens e serviços acima identificados não geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS/Pasep e da Cofins, pois não se enquadram na categoria de insumos e por não haver disposição legal expressa autorizando tal creditamento. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INSUMOS. Fl. 5722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 18 Os combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas e equipamentos de produção e para o aquecimento de caldeiras industriais são considerados insumos, gerando créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. COOPERATIVAS. BENS PARA REVENDA. NÃO ASSOCIADOS. As cooperativas somente pode descontar créditos calculados em relação a bens para revenda adquiridos de não associados. BENS PARA REVENDA. SUSPENSÃO. PROIBIÇÃO É vedada a venda com suspensão do PIS/Pasep e da Cofins a pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, no caso de aquisição de suínos destinados à revenda. CRÉDITOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. Comprovado o erro de fato na glosa de créditos relativos a bens que não estão sujeitos à alíquota zero ou à suspensão do PIS/Pasep e da Cofins na saída do fornecedor, revertem-se as glosas realizadas sob essa fundamentação. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e se sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens se esses forem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, se forem incorporadas ao ativo imobilizado e se estiverem diretamente associadas ao processo produtivo de bens destinados à venda ou à produção de serviços. CRÉDITO. FRETES. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep devida. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS. Fl. 5723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 19 Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. A alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/Pasep e de Cofins a que as agroindústrias têm direito, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus dos sujeitos passivos requerentes a comprovação da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito alegadas na Manifestação de Inconformidade, repetindo as mesmas argumentações. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 27 de setembro de 2022, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte a esclarecer alguns questionamentos postos pelo Colegiado e apresentasse laudo técnico sobre os dispêndios considerados como insumos. O Contribuinte, devidamente cientificado, manifestou-se sobre os resultados da diligência fiscal. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim devolvido para ser incluído em sessão de julgamento. Fl. 5724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 20 É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de pedido de ressarcimento de Cofins não-cumulativo vinculado à receita no mercado interno de produtos tributados à alíquota zero do 1º trimestre de 2011, com pedidos de compensação atrelados, que foi indeferido parcialmente pela Unidade de Origem uma vez que se identificou a exclusão indevida de créditos sobre diversos custos/despesas e sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero na apuração da contribuição, conforme os itens abaixo discriminados: 1. bens para revenda (listados no Anexo I): • aquisições de mercadorias adquiridas de empresas cooperadas; • aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03) com suspensão de pagamento das contribuições; • dispêndios com frete sobre transferência de produtos acabados e fretes dobre transferência; 2. bens e serviços utilizados como insumos (listados nos Anexos II e III): • Material de embalagens e etiquetas; • Material de uso e consumo; • Peças de reposição e serviços gerais; • Material de segurança; • Conservação e limpeza; • Fretes entre estabelecimentos da Cooperativa Central Aurora para envio/retorno de industrialização/armazenagem/venda, como frete sobre transferência produto acabado, frete sobre transferência de insumos, frete sobre parcerias aves, frete sobre parcerias ração, entre outros; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM, de pessoa física ou com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificado no código 0504, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, como sêmen suíno, hortícolas e frutas, classificadas nos capítulos 7 e 8, calcáreo calcítico, entre outros; Fl. 5725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 21 • Aquisições de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, com suspensão de pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos de cooperados pessoas jurídicas; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 8 a 12, 15, 1701 e 23, da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificados no código 2309.90 da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de combustíveis e derivados: Óleo Combustível, lubrificantes, graxa, gás GLP a granel, lincomicina (NCM correta: 3004.20.410), que não geram créditos de PIS/Cofins, em virtude de compra de produto com incidência monofásica e de não se enquadrarem no conceito de insumo; • Aquisições de serviços que não se agregam ao produto; • Diferença de créditos entre o batimento dos valores declarados no Dacon e os arquivos digitais apresentados. 3. armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (Anexo IV): • remessa de vasilhame ou sacaria; • transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro; • remessa em doação, bonificação ou brinde; • outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados; • remessa por conta e ordem de terceiros em venda ordem ou armazém geral; • remessa para industrialização por encomenda; • glosa de valores que foram informados a maior no Dacon, em relação aos arquivos digitais apresentados. 4. encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (Anexo V): • encargos de depreciações sobre importações de bens; • itens sem a informação nos campos "número de nota fiscal", "nome do fornecedor" e "CNPJ do fornecedor"; e • encargos de depreciação de suínos reprodutores, em desacordo com a IN/SRF n° 162/1998, ou amparado por laudo técnico idôneo, conforme art. 310, do Decreto n° 3.300/99. 5. encargos de amortização de edificações e benfeitorias (Anexo VI): • itens sem o preenchimento dos campos "N° Nota Fiscal", "Fornecedor" e "CNPJ Fornecedor" ou o campo "Fornecedor" com a seguinte informação: "dvs notas ficais e dvs fornecedores". 6. crédito presumido – atividades agroindustriais: Fl. 5726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 22 • créditos alocadas indevidamente nos campos “Não tributada no Mercado Interno” e de “Receita de Exportação”; • aplicação incorreta do percentual de 60% do inciso I do §3° do art. 8o sobre os insumos adquiridos como: 0103.10.00 (animais vivos da espécie suína - reprodutores de raça pura), 0103.91.00 (animais vivos da espécie suína - de peso inferior a 50 KG); 0103.92.00 (animais vivos da espécie suína - de peso igual ou superior a 50 KG); 0105.94.00 (animais vivos - galos e galinhas); 1005.90.10 (milho - em grãos); 4401.10.00 (lenha em qualquer estado); 4401.30.00 (serragem); 4402.90.00 (carvão vegetal - outros). 7. Créditos a descontar na importação: aquisição de produtos importados que não se enquadram na categoria de insumos. A manifestação de inconformidade foi parcialmente provida em relação às seguintes matérias: Bens para revenda – aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03); Aquisições de produtos classificados no código 0504 da NCM (suspensão); Aquisições de produtos do Capítulo 30 da TIPI, não sujeitos à alíquota zero; Aquisições de produtos com suspensão do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos da Lei nº 10.925/2004; Aquisições de produtos do Capítulo 29 da TIPI (alíquota zero). Inicialmente, cabe esclarecer que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, constituída na forma de cooperativa, que atua no ramo alimentício, e tem como atividade precípua a industrialização de alimentos resfriados, congelados ou industrializados derivados de suínos e aves e laticínios No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas integralmente pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, o qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como, principalmente, com base no julgamento realizado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no RE nº 1.221.170/PR, o qual definiu que o conceito insumo está vinculado à essencialidade ou relevância dos dispêndios em relação à atividade econômica do contribuinte. Para melhor compreensão da matéria envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Fl. 5727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 23 Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando Fl. 5728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 24 contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões Fl. 5729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 25 específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF1, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 2 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. 1 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 2 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 5730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 26 Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observou-se que o Auditor Fiscal e o acórdão recorrido aplicaram integralmente o conceito mais restritivo aos insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB (Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004), já declarados ilegais pela decisão do STJ sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015). Assim, em face da superveniência do REsp nº 1.221.170/PR, careciam os autos da comprovação do eventual enquadramento dos itens glosados no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 5731DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 27 Em sessão realizada em 27/09/2022, esta Turma Colegiada acolheu a proposta do Relator de baixar o processo em diligência para que a Autoridade Fiscal e Contribuinte providenciassem os seguintes elementos: 1. Intime a Recorrente, dentro de prazo razoável, a apresentar laudo técnico com a demonstração detalhada da utilização de cada um dos bens e serviços glosados entendidos como insumos no processo produtivo desenvolvido pela empresa, nos termos do REsp nº 1.221.170/PR. Nesse item, a recorrente deverá discriminar em planilha as despesas/custos incorridos glosados separados por natureza e juntar toda a documentação que sirva para lastrear as suas afirmações; 2. Intime a Recorrente, dentro de prazo razoável, a justificar porque considera que cada um dos bens e serviços do item anterior são essenciais ou relevantes ao seu processo produtivo, do qual resulta o produto final destinado a venda ou serviço prestado, em conformidade com os critérios delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, anteriormente citado; 3. Especificamente quanto às glosas de “peças para manutenção de máquinas e equipamentos” e “materiais de manutenção elétrica”, informar em laudo em quais ativos imobilizados (indicando a utilização destes na atividade da empresa) tais peças e materiais foram aplicados e se eles foram ou não incorporados ao respectivo imobilizado; 4. Quanto aos “serviços de manutenção de máquinas”, relacionar e informar os serviços envolvidos nessa glosa, bem como demonstrar em laudo a sua vinculação com o seu processo produtivo; 5. Quanto a glosa de créditos na locação de equipamentos, relacionar a despesas nessa modalidade, bem como indicar em laudo a utilização do equipamento no processo produtivo da empresa; 6. Que a Recorrente seja intimada a comprovar, por meio dos arquivos fiscais (notas fiscais/conhecimentos de transporte), se cada nota fiscal relacionada está, de fato, vinculada ao respectivo conhecimento de transporte informado, constante da glosa denominada “Glosa de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda – Linha 07, Fichas 06-A E 16-A do DACON –Documentos relacionados no anexo IV (ITEM 2.3.3, P. 18 e 19, do Relatório Fiscal)”. Bem como, que a Recorrente informe mensalmente em planilha a parcela do valor do frete que cabe a cada nota fiscal, por natureza da operação fiscal (CFOP), dentro de um mesmo conhecimento de transporte; 7. Que a Recorrente seja intimada a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea (laudo, notas fiscais de saída, etc), que os referidos insumos, quais sejam, (0103.10.00 (animais vivos da espécie suína – reprodutores de raça pura), 0103.91.00 (animais vivos da espécie suína – de peso inferior a 50 KG); 0103.92.00 (animais vivos da espécie suína – de peso igual ou superior a 50 KG); 0105.94.00 (animais vivos – galos e galinhas); 1005.90.10 (milho – em grãos); 4401.10.00 Fl. 5732DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 28 (lenha em qualquer estado); 4401.30.00 (serragem); 4402.90.00 (carvão vegetal – outros), são aplicados na produção de mercadorias de origem animal classificados nos Capítulos 2 (cortes resultantes do abate de suínos e aves) e 16 (embutidos) para fazer jus ao crédito presumido de 60% das alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins (art. 8°, § 3°, inciso I, Lei n° 10.925/2004 e Súmula Carf nº157); 8. Que a Autoridade Fiscal explique de que forma foram calculados os limites de aproveitamento mensal do crédito presumido agropecuário da contribuição, sobretudo informe se aplicou a limitação em relação a todas as aquisições, isto é, de cooperados e de não cooperados, bem como informar se na apuração do valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos pela recorrente depois de efetuadas as exclusões previstas, foram excluídas somente a do art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; ou se também foram excluídas a do art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; e do art. 1º da Lei nº 10.676, de 22 de maio de 2003, conforme alega a Recorrente. Elaborar planilha demonstrando os limites de aproveitamento calculados, de acordo com o que determina o art.9º da Lei nº11.051/2004; 9. Que a Autoridade Fiscal elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestando-se sobre os fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento de cada bem e serviço do período de apuração no conceito de insumo delimitado no Parecer Normativo Cosit nº05/2018 e Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF); Em atendimento ao solicitado, a Fiscalização analisou os documentos constantes nos autos e outros apresentados no decorrer da diligência, levando em consideração nas reanálises das glosas o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018 e voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB(Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF), atendendo ao solicitado na Resolução nº 3402-003.433 da 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária. No termo de informação fiscal, a Autoridade Fiscal informa que, em consonância com os critérios da essencialidade e relevância, devem ser revertidas parcialmente as glosas relativas a: parte dos materiais de uso geral; parte das peças de reposição e serviços gerais e armazenagem; parte dos materiais de segurança; parte dos materiais de conservação e limpeza; parte das glosas nas aquisições de matérias primas; parte dos fretes – bens e serviços utilizados como insumos; parte dos fretes nas operações de venda e reversão da glosa que reduziu de 60% da alíquota do crédito presumido para 35%, sobre o valor das aquisições dos insumos citados, foi revertida. As reversões de glosas foram demonstradas nas pastas de trabalho: “AUDIT_Item 1 e 2 - Relacao de Insumos_2011_1º trim”, “AUDIT_Item 6 - Fretes_2011_1º trim, “Item 2_Detalhamento NFs com Cred_Presumido” e “Item 3_Exclusoes Coops”, anexas ao processo, como arquivo não paginável. 92. Também, em virtude da nova análise dos créditos pleiteados e glosados, as respectivas, manutenções de glosas e as reversões de glosas (Insumos – Nova Fl. 5733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 29 legislação e Fretes – Nova legislação), foram demonstradas pelo auditor nas tabelas de e-fls.5527 e 5.530, constante do relatório fiscal da diligência. Como se observa, a reanálise da documentação, com base nos critérios da essencialidade e relevância firmado pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, ocasionou alterações das glosas referente ao 1º trimestre de 2011. Dessa forma, o resultado da diligência deve ser acolhido no presente julgamento (e- fls.5.527 e 5.530), para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas acima citadas, restando controversas e em discussão, quanto aos bens e serviços utilizados como insumos, apenas os itens remanescentes citados pela Recorrente no recurso voluntário. Feitas essas breves considerações, passa-se à análise dos itens glosados ainda controversos. Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados Observa-se pela leitura da peça recursal que o ponto central da lide diz respeito a incidência, ou não, das contribuições em comento, especificamente, sobre os atos cooperativos de venda da produção dos cooperados com a fiscalizada. A definição de ato cooperativo pode ser encontrada no art.79 da Lei nº5.764/1971, in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. De acordo com dispositivo, encontram-se dois tipos de atos praticados pelas sociedades cooperativas: a) os atos cooperativos (típicos, internos ou próprios), celebrado entre a cooperativa e o cooperado ou ainda entre a cooperativa e outra cooperativa a ela associada, para a consecução dos objetivos sociais; e b) atos não cooperativos (atípicos, externos ou impróprios) aqueles praticados com terceiros (não cooperados ou associados), ainda que para a consecução dos objetivos sociais. O parágrafo único do art. 79 em comento, deixa claro que somente o ato cooperativo não implica operação de mercância, o que, em regra, garante-lhe um adequado tratamento tributário, conforme previsto no art. 146, III, “c”, da CF/1988, não havendo a incidência das contribuições nesses casos. Por outro lado, o ato não cooperativo, tem natureza de operação de mercado porque envolve uma obrigação de dar ou fazer a um terceiro não associado da cooperativa, o que, em regra, submete-o a normal tratamento tributário. Fl. 5734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 30 Nessa direção, há previsão legal de exclusão, da base de cálculo das contribuições, das receitas pelos produtos entregues pelo associado à cooperativa, com base no art. 15, I, da MP nº 2.158-35/01: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; (...) O Superior Tribunal de Justiça também confirmou esse entendimento no sentido de que não são tributados, pelo PIS e pela Cofins, os “atos cooperativos”, por meio dos Recursos Especiais nºs 1.164.716/MG e 1.141.667/RS, na sistemática de recursos repetitivos, cuja ementa se reproduz: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp 1164716/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Fl. 5735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 31 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6.Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp 1141667/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Com as decisões expostas, a jurisprudência do STJ se consolidou sobre a matéria no sentido de considerar que os atos cooperativos, como aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) e vice e versa, na busca dos seus objetivos sociais, não estão sujeitos à incidência das contribuições. O ato cooperativo sequer pode ser considerado operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Como se sabe, as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme previsto no RICARF/2023. Por consequência, tais aquisições de associados para revenda não dão direito a creditamento, por causa da vedação constante do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e Fl. 5736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 32 10.833/2003, para a constituição de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, como no presente caso: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Por fim, cumpre ressaltar que a IN 635/2006, em seus incisos I e II, ao vedar o direito ao crédito de bens adquiridos para revenda de associados, nada mais fez do que consolidar a determinação prevista no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 que, veda o direito ao crédito no caso de pagamento de mão de obra a pessoa física e no caso da aquisição de bens que não sejam sujeitos ao pagamento das contribuições, inexistindo, assim, extrapolação de competência normativa. Com essas considerações, constata-se que há vedação legal de tributação dos atos cooperativos típicos, até mesmo com a permissão para exclusão das receitas da base de cálculo das contribuições, sendo correta, portanto, a glosa operada pela autoridade fiscal. Glosa do Crédito sobre Fretes Relativos a Transferência de Produtos Acabados entre os Estabelecimentos da Cooperativa A requerente esclarece que possui diversas unidades produtoras (frigoríficos de aves e suínos e indústria de laticínios) localizadas nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Parte dos produtos fabricados é transferida das unidades produtoras para as filiais comerciais, localizadas nos grandes centros consumidores. A fiscalização glosou da base de créditos os fretes relativos à transferência de produtos acabados transferidos das unidades produtoras para os estabelecimentos comerciais por entender que inexiste amparo legal. A recorrente se insurge contra a conclusão da fiscalização afirmando que, na verdade, o frete da transferência do produto acabado já faz parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora, e de produção, por óbvio. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a venda direta. Assim, com base no inciso IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, a glosa deve ser revertida. Fl. 5737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 33 Sem razão a Recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i)na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; ii)nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii)o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. No caso concreto, observa-se, pelos documentos juntados, que as despesas com fretes tratam em parte do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para outros estabelecimentos da empresa não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do Fl. 5738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 34 ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Fl. 5739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 35 Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferências dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. (negritos nossos) Fl. 5740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 36 Assim, com base nessa motivação, deve ser mantidas as glosas de fretes no transporte de produtos acabados. Material de Embalagem e Etiquetas (Item 2.3.2, “a”, p. 12, do Relatório Fiscal) Explica a Recorrente que a Fiscalização glosou créditos de aquisições de material de embalagem e etiquetas. Diz que se trata de embalagens com acabamento sofisticado, contendo estampas, rótulos e indicações de função promocional, cujo material empregado nitidamente tem o objetivo de valorizar o produto. Além disso, em sua maioria, são embalagens de capacidade inferior a vinte quilos e correspondem, exatamente, à forma como a requerente entrega os seus produtos aos clientes, considerando que a mesma não efetua vendas a consumidor final. Com razão à recorrente. Com relação a esse tipo de embalagem de etiquetas e rótulos citada, não resta dúvidas que restou caracterizado nos autos que elas têm função promocional e apresentação, sendo permitido o seu creditamento como insumo, com base nos art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003. Esse mesmo entendimento é expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014): 3.A questão que se analisa é se as etiquetas - feitas de metal, de plástico, de papel, de tecido, de couro, ou de qualquer outra matéria - aplicadas no produto fabricado para sua identificação ou prestação de informações das mais diversas ao cliente, atendendo ou não a exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos e até mesmo com fins promocionais, enquadram-se em alguma das categorias de insumos para industrialização que, assim sendo, gerariam direito ao crédito do imposto na sua aquisição. 4.Nos termos do art. 226, I, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi/2010), os estabelecimentos industriais poderão creditar-se do imposto relativo a matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo imobilizado. 5.A etiqueta não tem a função de acondicionamento do material de embalagem e também não entra na composição do produto final em si, fugindo portanto ao conceito estrito de matéria-prima, mas a ele se integra - seja diretamente, seja pela aposição na sua embalagem - podendo, assim, mais propriamente, ser tida como produto intermediário, para os efeitos em estudo. Fl. 5741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 37 6.E se mostra induvidoso que a operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas. (negrito nosso) No que concerne aos materiais de embalagens denominados filme stretch, fita de arquear, caixa de papelão, caixa de papelão fundo, caixa de papelão tampa e outros, em vista da especificidade do ramo alimentício exercido pela recorrente, tais materiais são essenciais no processo produtivo da empresa, uma vez que são utilizados para a proteção e conservação do produto transportado, visando manter a integridade e das produtos fabricados, normalmente perecíveis, sendo utilizadas como condição fundamental para manter a sua qualidade. Nesse mesmo sentido, é a jurisprudência das turmas do CARF, destacando-se os seguintes julgados: CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade das matérias-primas e dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. (Acórdão nº 3301-004.056 do Processo 10983.911352/2011-91, sessão realizada em 27 de setembro de 2017) EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito (Acórdão nº 3201-011.616 – 3ª seção/2ª câmara/1ª turma ordinária do, sessão realizada em 20 de março de 2024, relatoria do conselheiro Mateus Soares) O STJ também reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253), tal como ocorre no presente caso. Abaixo, reproduz-se a ementa sintetizadora do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR Fl. 5742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 38 ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N.10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. (negritos nossos) Em conclusão, os gastos com embalagens de acondicionamento, a exemplo dos filme stretch, fita de arquear, caixa de papelão, caixa de papelão fundo, caixa de papelão tampa e outros, devem ser considerados essenciais ao processo produtivo, em consonância com os conceitos de essencialidade ou relevância da despesa no voto da Ministra Regina Helena Costa, proferido no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, uma vez que contribuem para integridade do produto fabricado. Em consequência, devem ser considerados insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS. Por tais motivos, devem ser revertidas as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento. Material de Uso e Consumo/Peças de Reposição e Serviços Gerais (Item 2.3.2, “b” e “c”, p. 12, do Relatório Fiscal) No tocante às peças para reposição de máquinas e equipamentos, aos materiais de manutenção elétrica e e serviços gerais, em bora a decisão recorrida tenha reconhecido que os mencionados bens, quando utilizados na linha de produção atendem ao conceito de insumo e, por consequência, geram direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, manteve a glosa do crédito sobre bens - peças e materiais empregados na manutenção de máquinas, equipamentos e instalações industriais - e, sobre serviços de manutenção, pois “a interessada não demonstrou, em relação às glosas especificamente feitas, se e quais os bens são partes e peças de reposição utilizadas na manutenção de equipamentos industriais que produzem mercadorias destinadas à venda, assim como não provou que os créditos pretendidos dizem respeito a bens que não foram incorporados ao ativo imobilizado da empresa”. Na realização da diligência fiscal determinada pelo colegiado, a fiscalização demonstrou em planilha que reverteu parte das glosas em vista da nova legislação do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 e IN RFB nº 2.121/2022 e manteve as demais sob o fundamento de que tratar-se de custos/despesas não essenciais ou relevantes ao processo produtivo da empresa Fl. 5743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 39 ou são itens que não podem ser classificados como despesas operacionais e devem ser ativados, conforme prediz a legislação. Em sua manifestação dos resultados da diligência, a recorrente aduz que a própria denominação dos subgrupos glosados descreve por si só que se referem a itens utilizados pela contribuinte em seu processo produtivo, dada a sua natureza de indústria alimentícia, do ramo agroindustrial, tais como: “Bacias – Monoblocos e Paletes)”, “Vasilhames/lacres/brincos e barbantes/fios/fitas/grampos e colas”. Da mesma forma, argui que se enquadram na condição de “insumo” os itens vinculados aos subgrupos de: ✓ “Conexões, mangueiras, válvulas e engates”: adaptadores, buchas, conexões, válvulas, joelhos, luvas, mangueiras, niples, registros, tampões, tubos, etc.; ✓ “Ferramentas e utensílio mecânicos”: alicates, brocas, cadeados, chaves, escovas, fitas, lixas, martelos, pistolas, pincéis, etc.; ✓ “Materiais para Construção civil”: arames, azulejos, cortinas, dobradiças, fechaduras, ferros, lonas, massas, pregos, rejuntes, silicones, tábuas, telhas, conserto de máquinas, locação de guindaste, serviços de muck, serviços de retroescavadeira, serviços de concretagem, etc.; ✓ “Material elétrico e eletrônico”: adaptadores, blocos, baterias, blocos, bombas, botões de comandos, cabos, conectores, conduletes, controladores, disjuntores, fios magnéticos, fontes, fusíveis, interruptores, lâmpadas, leds, luminárias, manoplas, plugs, reatores, resistências, sensores, tomadas, etc.; ✓ “Material mecânico, uso geral, filtros”: abraçadeira, anéis, arruelas, barras, bicos, borrachas, buchas, cabos, chapas, correntes, eixos, parafusos, pinos, placas, polias, ponteiras, porcas, rebites, rodas dentadas, rodízios, suportes, travas, tubos, colas, molas, etc.; ✓ “Produtos para Laboratório”; ✓ “Peças para balanças”; ✓ “Peças para grampeadeiras; ✓ “Peças para máquinas importadas”; ✓ “Peças para máquinas nacionais”; ✓ “Rolamentos, retentores, correias e mancais”; ✓ “Peças sobressalentes”; ✓ “Aparelhos de Medição”; ✓ “Medicamentos veterinários” Fl. 5744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 40 Sem razão a recorrente. Como se sabe, nos termos dos artigos 3.º, inciso II, da Leis n.º 10.833/03 e 10.637/2002, simplificadamente, dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, há que se demonstrado que a aplicação do bem ou serviço foi aplicado na produção ou fabricação do produto destinado a venda. No caso em apreço, o colegiado determinou, por meio da resolução nº 3402- 003.433 que a recorrente providenciasse as seguintes informações: 1. apresentasse laudo técnico com a demonstração detalhada da utilização de cada um dos bens e serviços glosados entendidos como insumos no processo produtivo desenvolvido pela empresa, nos termos do REsp nº 1.221.170/PR. Nesse item, a recorrente deverá discriminar em planilha as despesas/custos incorridos glosados separados por natureza e juntar toda a documentação que sirva para lastrear as suas afirmações”; 2. Especificamente quanto às glosas de “peças para manutenção de máquinas e equipamentos” e “materiais de manutenção elétrica”, informar em laudo em quais ativos imobilizados (indicando a utilização destes na atividade da empresa) tais peças e materiais foram aplicados e se eles foram ou não incorporados ao respectivo imobilizado; 3. Quanto aos “serviços de manutenção de máquinas”, relacionar e informar os serviços envolvidos nessa glosa, bem como demonstrar em laudo a sua vinculação com o seu processo produtivo; No entanto, como se percebe nos autos, inexiste essas informações solicitadas e em sua manifestação do resultado da diligência a recorrente limita-se a afirmar que as descrições dos materiais descrevem por si só que se referem a itens utilizados pela contribuinte em seu processo produtivo, desprovida de lastreio em qualquer prova. Tampouco, trouxe qualquer prova quanto a necessidade de imobilização ou não dos glosados, a fim de infirmar as conclusões da fiscalização. Nunca é demais lembrar que é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil 2015(Lei nª13105/15), adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (negrito nosso) Fl. 5745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 41 A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. No caso em apreço, a recorrente não logrou êxito em comprovar que a empresa faz jus ao crédito sobre as aquisições de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais. Em vista do exposto, mantém-se a glosa. Material de Segurança (Item 2.3.2, “d”, p. 12, do Relatório Fiscal) Quanto a este item, observa-se que o auditor reconheceu a pertinência da reversão da glosa para considerar esse tipo de despesa como insumo, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados que deve ser mantida. A exceção citada pela fiscalização já foi abordada no tópico “Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados”, devendo-se utilizar a mesma fundamentação a fim de manter a glosa. Desta feita, reverte-se a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados. Produtos e Serviços Utilizados na Conservação e Limpeza (Item 2.3.2, “e”, p. 12, do Relatório Fiscal) Da mesma forma, a fiscalização em diligência reconhece a essencialidade e relevância desse tipo de gasto, indicando a reversão da glosa de parte desses materiais, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados. Aqui também a exceção citada pela fiscalização já foi abordada no tópico “Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados”, devendo-se utilizar a mesma fundamentação a fim de manter a glosa. Fl. 5746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 42 Ademais, a fiscalização manteve a glosa de serviços não enquadráveis como insumos, por tratar-se de custos/despesas não essenciais ou relevantes ao processo produtivo da empresa. Serviços, tais como: lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumetária e serv. ref. limpeza e higienização de toalhas, não se enquadram como conservação e limpeza. Com fundamento no inciso VI, § 2º, art. 176, da IN RFB nº 2.121/2022, manteve a glosa desses itens: § 2º Não são considerados insumos, entre outros: ... VI - despesas destinadas a viabilizar a atividade da mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de saúde e seguro de vida; Com razão a fiscalização quanto a este ponto. Tais despesas claramente se dão fora do processo produtivo. Embora sejam importantes na atividade da empresa, não são aplicadas diretamente ou sequer indiretamente no processo produtivo. Devem ser revertidas as glosas assim das despesas com materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumetárias e serv. ref. limpeza e higienização de toalhas. Aquisições de Calcário Utilizado como Matéria-Prima na Fabricação de Ração (Item 2.3.2, “4”, p. 14-16, do Relatório Fiscal) A fiscalização glosou os créditos relativos â "aquisições de calcáreo", sob a justificativa de que são bens utilizados na manutenção predial, a manifestante, por sua vez, afirma se tratar, na verdade, de insumos destinados à fabricação de ração, ou seja, são insumos de seu processo produtivo., conforme demonstram suas contas contábeis. Com razão à recorrente. Por oportuno, transcreve-se o dispositivo legal que estabelece alíquota zero para o produto em comento: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] IV - corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; (Grifo nosso). Fl. 5747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 43 Como se observa, a venda de produtos do capítulo 25 da TIPI apenas beneficiam aqueles que se destinam a aplicação como corretivo de solo. No caso dos autos, no entanto, a recorrente comprovou que utiliza o calcário calcítico como ingrediente de ração animal. Há de se concluir, portanto, que o referido dispositivo legal não beneficia o produto adquirido pela recorrente com a finalidade de utilização na alimentação animal. Corrobora com essa afirmação as notas ficais trazidas no anexo IV dos autos nas quais se demonstra que os próprios fornecedores tributaram integralmente os referidos produtos na venda para a recorrente, uma vez que consta nas referidas notas fiscais a utilização de código CST 01, que corresponde a “operação tributável com alíquota básica”. Ademais, como é cediço, a legislação que dispõe sobre benefícios fiscais determina, em seu art. 111 do CTN, que a esse tipo de legislação deve ser interpretada literalmente: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como o referido produto tem utilização como insumo do produto fabricado (ração), não resta dúvida a pertinência de ser considerado insumo sob a ótica dos critérios de essencialidade ou relevância. Desta feita, deve ser revertida a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”. Glosa de Fretes entre Estabelecimentos da Empresa, Relativos a Envio/Retorno de Industrialização, Armazenagem/Venda, como Frete sobre Transferência de Produto Acabado, sobre Transferência de Insumos, sobre Parcerias Aves, sobre Parcerias Ração, Entre Outros (Item 1, p. 13-14, do Relatório Fiscal) Parcerias sobre aves, suínos, rações, entre outros Conforme explicado pela recorrente, a atividade de parceria se constitui em um sistema integrado de produção de animais para abate e processamento/ industrialização, a indústria frigorifica fornece os animais para os produtores rurais fazerem a criação/terminação. Todos os custos de produção dos animais, tais como dos animais para terminação, da ração e dos medicamentos veterinários, do transporte de entrega dos animais e das coletas para o abate são bancados pela indústria frigorífica. Os produtores rurais são responsáveis apenas pelos serviços de criação pelos quais são remunerados. No caso em apreço, a recorrente, fornece os pintinhos e leitões para a criação e engorda dos frangos e suínos pelos seus cooperados (pessoas físicas/jurídicas), arcando com os custos de transporte para entrega dos animais aos produtores, da ração para os animais e demais insumos, bem como de suas coletas para o abate. Fl. 5748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 44 As aves e suínos constituem, portanto, a matéria-prima básica da produção dos bens destinados à venda, produzidos pela recorrente. Por consequência, os custos com fretes incorridos com o sistema integrado compõem o custo da matéria-prima e dão direito ao crédito integral das contribuições, ainda que o produto transportado esteja sujeito à alíquota zero. Isenção, suspensão, monofasia ou crédito presumido, como se verá mais adiante. Deve ser revertida a glosa, portanto. Frete na transferência de insumos Explica a recorrente que os gastos com frete de insumos de produção, referem-se a serviços de transporte de suínos vivos, lenha, ração, condimentos, embalagens, produtos semielaborados, como por exemplo: peito, coxa e sobrecoxa desossados de frango, pele de frango, pernil, paleta, sobrepaleta, retalhos e toucinho de suínos, carne mecanicamente separada de frango, barriga suína, entre outros, que são transferidos de uma unidade produtora para outra unidade também produtora, a fim de compor um novo produto acabado. A fim de evitar repetições, valem aqui as mesmas considerações do tópico anterior “Glosa do Crédito sobre Fretes Relativos a Transferência de Produtos Acabados entre os Estabelecimentos da Cooperativa” para reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva, haja vista que o custo desse transporte também se constitui insumo da atividade produtiva pelo critério da essencialidade. Frete na Transferência Produto Acabado Valem aqui também as mesmas considerações do tópico “Glosa do Crédito sobre Fretes Relativos a Transferência de Produtos Acabados entre os Estabelecimentos da Cooperativa” para manter a glosa operada pela autoridade fiscal. Fretes sobre Compras de Suínos e Aves para Abate Sobre o frete sobre compras de suínos e aves para abate, a decisão recorrida decidiu que, quando contratado com pessoa jurídica e suportado pela adquirente dos bens, pode, em princípio, gerar créditos do PIS e da Cofins, de vez que, nessa situação, ele integra o valor de aquisição das mesmas. A possibilidade de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete deve ser determinada, no entanto, em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados, ou seja, nem toda despesa com frete é capaz de gerar crédito a ser deduzido na apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, mas somente o frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis também de creditamento. Neste tópico, a Fiscalização não reconheceu o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem sujeito à alíquota zero, conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de Fl. 5749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 45 1999. Portanto, estando a mercadoria sujeita à alíquota zero o frete a ela vinculado não gera direito a crédito em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) Observa-se que o dispositivo transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de vedação de creditamento de serviços sujeitos à tributação incorridos com bens não sujeitos a tributação (que é o caso do presente processo). Tem-se, assim, por insubsistente a subsunção efetuada pela Auditoria Fiscal no sentido de que o fato do produto transportado não ser onerado pelas contribuições, o frete, por compor o custo do produto adquirido, seguiria o mesmo regime dele, não permitindo, dessa forma, créditos dos serviços a ele associados. Trata-se o transporte de operação autônoma que compõe o custo de aquisição da mercadoria e, se devidamente tributada, enseja o creditamento. Dessa forma, tratando-se o serviço de transporte de um insumo essencial ao processo produtivo, conclui-se que, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições, as despesas com frete oneradas pelas contribuições devem ser apropriadas no regime da não cumulatividade, na condição de serviços utilizados também como insumos essenciais ao processo produtivo. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme as ementas parciais de alguns acórdãos, abaixo reproduzidos: FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. (Acórdão nº 3302005.813– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 24 de setembro de 2018, de relatoria do Conselheiro Raphael Madeira Abad) CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Fl. 5750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 46 Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (Acórdão nº 3302004.890 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 25 de outubro de 2017, de relatoria do Conselheiro José Renato Pereira de Deus) Confirmando esse entendimento, recentemente, também foi aprovada e publicada a súmula CARF nº188 permitindo o creditamento nesses casos: “É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições”. Assim, deve ser cancelada a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188. Glosa de encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado – documentos relacionados no anexo v (item 2.3.4, p. 19 e 20, do relatório fiscal) Neste tópico, as glosas operadas pela fiscalização tiveram as seguintes motivações:  glosa de créditos de bens que não são utilizados na produção de mercadorias destinados à venda;  glosa de créditos de bens importados;  itens sem informações necessárias à verificação do crédito; e  encargos de depreciação de suínos reprodutores "em desacordo com a IN/SRF 162/1998, ou amparado por laudo técnico inidôneo, conforme art. 310, do Decreto n° 3.000/99". No que concerne a primeira glosa, a recorrente se defende afirmando que a fiscalização e a DRJ levaram em conta o conceito restritivo de insumo previsto no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a” da IN/SRF nº 404/2004, considerando como geradores de crédito, exclusivamente, os itens que têm contato direto com o produto fabricado, ou que o integram fisicamente. Ocorre que a glosa operada pela fiscal nesse tópico não diz respeito ao conceito de insumo, mas sim se o bem está apto a gerar crédito por meio da depreciação, no caso de ser utilizado no setor produtivo. Por oportuno, transcreve-se a legislação que prevê o cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre encargos de depreciação: Lei 10.833/2003: Fl. 5751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 47 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...)” Lei 10.637/2002: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...)” Lei 10.865 / 04: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Observa-se pela legislação transcrita que os bens que podem gerar créditos de depreciação precisam ser utilizados na produção de bens ou à prestação de serviços. Conforme consta no relatório fiscal a recorrente calculou créditos sobre bens (bens móveis e utensílios, máquinas e equipamentos)que não são utilizados no processo produtivo, a Fl. 5752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 48 exemplo de: aerador, amarradeira, analisador de atividades da água, antena parabólica, aparelho de solda, armário para vestiário, armário em aço, arqueadeira, arquivo de aço, balança, balcão, bancada, bebedouro, bomba diversas, cadeira, calha, câmera digital, carrinho em aço, carro hidráulico, climatizador, complemento de valor, compressor, computador, contrasete, despesas de importação, detector de metais, elevador Becker, elevador de canecas, empilhadeira, envolvedora de pallets, estação de trabalho, estante, esteira, estrutura metálica, exaustor, evaporador de teto, gaiola, gaveteiro, lavador de botas, licença de uso, lixeira, máquina de colar e grampear, máquina de lavar louças, máquina de limpeza, máquina embaladora, mesa, monitor de vídeo, nivelador hidráulico de doca, nobreak, porta, prateleira, rosca transportadora, saveiro, seladora, sistema de armazenagem, transformador, transpaleteira, ventilador, entre outros. Como se vê, tais bens, em sua maioria constituído de móveis e utensílios, não têm a sua utilização no setor produtivo da empresa, tais como armários, arquivos de aço, estação de trabalho, estante, etc. Da mesma forma, tem-se maquinas e equipamentos que não tem utilização no processo produtivo, tais como: transformador, antena parabólica, aparelho de solda, câmera digita, etc No entanto, tendo em vista o laudo técnico trazido pela recorrente no seu recurso, no qual se demonstra a utilização do bem no processo produtivo da empresa, entendo que os seguintes bens e seus semelhantes devem ser considerados aptos a gerar crédito de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm. Quanto aos demais bens, a recorrente não trouxe maiores informações, quanto a utilização de cada bem, que pudessem vinculá-los exclusivamente ao seu processo produtivo e infirmar as conclusões da fiscalização. Desta forma, devem ser revertidas as glosas sobre os seguintes bens depreciáveis: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ Fl. 5753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 49 PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm. No tocante a glosa do crédito sobre a depreciação de bens importados, a DRJ/CTA reconheceu que há previsão legal para o cálculo de créditos sobre essa rubrica, mas manteve a glosa porque a recorrente não apresentou a “demonstração do crédito pretendido”, como fez o cálculo do crédito da depreciação, a utilização do bem no processo produtivo, sequer trouxe o valor das notas fiscais”. No recurso voluntário, p patrono defende que que em se tornando insubsistente o fundamento utilizado pela fiscalização de que não havia previsão legal para o creditamento sobre depreciação de bens importados, não haveria necessidade das informações indicadas pela DRJ. Não assiste razão à recorrente. Como é cediço, nos casos de processos de restituição e ressarcimento é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (CPC/2015, art. 373, I), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art.373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;, vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. Conforme restou atestado pelo acórdão recorrido, também entendo que a recorrente deixou de demonstrar o seu crédito pleiteado, não apresentando prova hábil nesse sentido nos autos. Fl. 5754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 50 Da mesma forma quanto às glosas de depreciação por existirem “itens sem informação nos campos ‘número da nota fiscal’, ‘nome do fornecedor’ e ‘CNPJ do fornecedor’”. A recorrente trouxe planilha (anexo VII) informando os tais campos faltantes dos itens, mas da mesma forma da glosa anterior, a recorrente defende que em se tornando insubsistente o fundamento utilizado pela fiscalização de que a fata desses dados em alguns itens para o creditamento sobre depreciação de bens importados, não haveria necessidade de se comprovar que os bens em comentos são utilizados na atividade produtiva da empresa. A fim de evitar repetições, valem aqui as mesmas considerações da glosa anterior sobre o ônus da prova em casos de pedido de restituição e ressarcimento . Por fim, no que se refere à glosa do crédito de PIS/Pasep e de Cofins sobre os encargos de depreciação dos suínos reprodutores, observa-se que a turma julgadora recorrida, em decisão bem fundamentada, concordou com os argumentos da defesa, porém deixou de conceder o crédito pleiteado porque constatou que o “Laudo Técnico Contemplando a Definição de Vida Útil dos Suínos Reprodutores”, reportado na defesa, não foi anexado aos autos. No entanto, em sede de recurso voluntário, a recorrente informa que o laudo técnico consta nos autos. Com razão a defesa. Verifica-se no citado laudo que foram expostas as razões contábeis e fisiológicas para a alteração da vida útil dos suínos reprodutores, expedidas por especialistas desses ramos de atividade contábil e médico-veterinário, constando no documento, inclusive, a assinatura do contador e médico-veterinário. Desta feita, entendo que o laudo juntado aos autos é hábil e atende a exigência constante na legislação a fim de alterar o prazo de vida útil do bem depreciado, qual seja, que fica assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (§ 1º, art. 310, caput, do RIR/1999), para considerar que os suínos reprodutores tem taxa de depreciação de 40%, ao invés daquela de 20% prevista na a IN SRF nº 162, de 1998. Deve ser revertida, portanto, a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores. Glosa de encargos de amortização de edificações e benfeitorias – documentos relacionados no anexo vi (item 2.3.5, p. 20 a 21, do relatório fiscal) A fiscalização glosou da base de créditos de PIS/Pasep e de Cofins, informada na Linha 11, Fichas 06-A e 16-A do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon, valores relativos a encargos de amortização de edificações e benfeitorias, uma vez que na memória de cálculo apresentada foram detectados “itens sem preenchimento dos campos “Nº Fl. 5755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 51 Nota Fiscal”, “Fornecedor” e “CNPJ Fornecedor” ou campo “Fornecedor” com a seguinte informação: “dvs notas fiscais e dvs fornecedores”. Em vista dessa constatação, a autoridade fiscal glosou o crédito sobre esses itens sob a justificativa de que “a ausência de dados inviabiliza a correta identificação e análise do direito creditório”. A recorrente se defendeu, inicialmente, explicando como se dá a formação desse imobilizado: É preciso remarcar que no patrimônio da recorrente existem diversos bens, cujo custo de aquisição, construção ou montagem é composto por mais de uma nota fiscal e, por vezes, também por notas fiscais de diversos fornecedores. É o caso, por exemplo, das “construções em andamento”. Nesse caso, a edificação ou benfeitoria leva certo tempo para ser construída, e nelas são empregados vários materiais, que na maioria das vezes, são adquiridos de diversos fornecedores. É da técnica contábil que, enquanto a edificação ou a benfeitoria estiver na fase de construção, na terminologia contábil “em andamento”, todos os gastos com materiais, mão de obra, serviços em geral, encargos tributários, etc., são registrados em conta específica pertencente ao grupo “obras em andamento” do “ativo imobilizado”. Quando a obra for concluída, apura-se o custo da mesma, o qual corresponde ao somatório dos gastos despendidos para a sua construção ou montagem. O montante do valor gasto na obra de edificação ou benfeitoria, é transferido para conta própria do ativo imobilizado e constitui o valor do bem a ser incorporado ao imobilizado da empresa. Portanto, é natural que o custo de uma edificação ou benfeitoria seja composto por “diversas notas fiscais” relativas a todos os materiais empregados, assim como os materiais podem ter sido adquiridos de “diversos fornecedores”. Aduz que juntou aos autos, anexo IX, duas planilhas com a especificação das notas fiscais de cada benfeitoria objeto de amortização, denominados de “DETALHAMENTO SINTÉTICO DOS BENS DA LINHA 11 FICHA 06” e “DETALHAMENTO COMPLEMENTAR BENS LINHA 9 E 11 FICHA 06A_ LINHA 0”, nas quais estariam especificadas todas as notas fiscais ligadas a cada benfeitoria objeto de glosa por insuficiência na informação das notas fiscais. Ao analisar o potencial dos documentos juntados para a comprovação do crédito, a DRJ teve a seguinte conclusão: O Anexo IX (fls. 1.890 e ss.) não tem o condão de provar o alegado, pois não é possível identificar os materiais sobre os quais a contribuinte apurou o crédito pretendido. A contribuinte traz uma extensa relação de valores sobre os quais se creditou, mas conceder o crédito nessa condição seria confiar cegamente nas informações apresentadas. Não há o menor indício de que tal creditamento esteja Fl. 5756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 52 correto. Lembre-se que o ônus da prova em processos de ressarcimento é da contribuinte. Assiste razão à recorrente. Entendo que nas referidas planilhas é possível se estabelecer uma correlação entre todos os bens objeto de glosa por insuficiência de informação das NF e a relação de notas fiscais apresentadas pela recorrente em recurso. Observa-se na primeira planilha sintética a especificação dos bens glosados com data da ativação, descrição do bem, valor do bem, depreciação, campo notas fiscais sem especificação, etc. Na segunda planilha, denominada “DETALHAMENTO COMPLEMENTAR BENS LINHA 9 E 11 FICHA 06A_ LINHA 0”, pode-se correlacionar com a primeira por meio do número do bem glosado, bem como são mostrados são apresentados em bloco lançamentos contábeis com a relação de notas fiscais que formaram o valor do bem. Além do mais, em ambas as planilhas são mostradas a depreciação do bem com a taxa de depreciação, vida útil, depreciação acumulada, encargo de depreciação, etc. Pelo exposto, deve ser revertida a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias. Glosa de créditos de PIS incidentes sobre insumos importados – documentos relacionados no anexo vii (item 2.3.7, p. 24 e 25, do relatório fiscal) Neste tópico discute-se a glosa de peças de reposição sobressalentes importadas a serem utilizadas em máquinas. As glosas foram realizadas porque a autoridade fiscal entendeu que diversos bens importados não se enquadram no conceito de insumos. A recorrente, por sua vez, diz que na glosa o auditor aplicou o conceito restritivo de insumos, quando, na verdade, em se tratando de máquinas, equipamentos e outros bens utilizados na produção de bens destinados à venda, há de se considerar todos os bens utilizados de forma direta e indireta no processo produtivo. A DRJ manteve o conteúdo do despacho decisório porque a empresa interessada não teria provado em quais máquinas as peças sobressalentes teriam sido aplicadas. Em seu recurso voluntário, aduz primeiramente que a autoridade julgadora não se ateve ao que lhe cabe, ou seja, usurpou-se, mais uma vez, da competência da autoridade fiscal, vez que manteve o conteúdo do despacho decisório sob a alegação de falta de prova da identificação das máquinas nas quais foram aplicadas aas peças. Em segundo lugar, diz que a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins no regime não cumulativo, não exige, nem implicitamente, que se comprove, como condição para o direito ao crédito, “em que máquina foi utilizada a peça importada”. Para legitimar o crédito basta que o insumo seja utilizado no processo produtivo. Fl. 5757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 53 Sem razão à recorrente. Como já se disse alhures, em processos de restituição e ressarcimento cabe ao solicitante provar o direito creditório pleiteado. Assim, não basta que a recorrente afirme que o suposto insumo seja aplicado no processo produtivo, isso deve ser provado nos autos. No caso em apreço, constata-se que o contribuinte apresentou a planilha constante do anexo X, na qual mostra dados das peças sobressalentes importadas, mas não há qualquer informação sobre a aplicação ou utilização da peça no processo produtivo, sobretudo quanto a máquina onde será aplicada e setor de atividade da empresa onde a máquina é utilizada. Ademais, não há informação sobre se o referido bem foi agregado ao imobilizado aumentando a sua sua vida útil. Tais informações, ao meu sentir, são fundamentais para a avaliação do insumo se atende os critérios da essencialidade e relevância e análise do direito creditório pleiteado pela recorrente no sentido de comprovar a sua certeza e liquidez. Conclui-se com relação a este tópico que a Empresa não cumpriu com a sua obrigação de comprovar o direito creditório pleiteado por meio de documentação hábil e suficiente. Com efeito, a apresentação de elementos de prova que não são hábeis e suficientes para comprovar o erro na apuração da contribuição leva a não comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e, consequentemente, ao indeferimento do crédito por insuficiência probatória, devendo-se manter a decisão recorrida que não confirmou a homologação da compensação. Com tais fundamentos, deve ser mantida a glosa. Glosa de crédito presumido – atividades agroindustriais (item 2.3.6, p. 21-24, do relatório fiscal) Discute-se neste tópico dois temas, quais sejam: a) Que os valores creditados a título de crédito presumido referentes às aquisições de aves, suínos, milho, leite e lenha, foram alocadas, indevidamente, no campo de Receita de Exportação e Não Tributado no Mercado Interno, o que geraria o direito ao ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins, contrariando as disposições contidas no art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, segundo o qual os créditos somente poderiam ser utilizados para fins de dedução da contribuição e não restituição; e b) Que a requerente aplicou o percentual de 60% sobre os insumos adquiridos como suínos (NCM 0103.10.00 e 0103.92.00), leitões para terminação (NCM 0103.91.00), aves para abate (NCM 0105.94.00), milho (NCM 1005.90.10), lenha (NCM 4401.10.00 e 4401.30.00) e Fl. 5758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 54 carvão para lenha (NCM 4402.90.00), quando deveria ter aplicado o percentual de 35%. Assim, foi glosado o valor calculado à maior (diferença entre 60% e 35%). Com relação ao primeiro tópico, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, vez que afirma que a fiscalização apenas adotou o que determina a legislação no sentido de vedar a restituição ou ressarcimento do crédito presumido, permitindo apenas a compensação com a própria contribuição. Reproduz-se as razões de decidir do acórdão recorrido, com as quais concordo: A fiscalizada, por sua vez, aduz que adotou o critério de alocá-los na proporção das receitas tributadas, não tributadas no mercado interno e de exportação. Entende que possui, por força do princípio da não cumulatividade e da legislação infraconstitucional, possui o direito ao ressarcimento sobre tais créditos presumidos. Todavia, não assiste razão à interessada. Primeiro, porque como sabido, é de se observar que o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, foi absolutamente claro ao estabelecer que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente poderia ser deduzido do valor devido da Cofins e do PIS não cumulativos, não havendo a possibilidade de efetivarse ressarcimento dos mesmos. Desse modo, a alocação dos créditos realizada pela fiscalização apenas reflete um comando legal, evitando que esse crédito seja indevidamente ressarcido. Em síntese, conceder o direito ao ressarcimento do crédito presumido em discussão seria violar expresso dispositivo legal, o que é vedado ao julgador administrativo. No que concerne à segunda temática, que diz respeito a utilização incorreta de alíquota para cálculo do crédito presumido, percebe-se que a autoridade fiscal reconheceu a correção da alíquota utilizada pela empresa, em vista da IN RFB nº 2.121/2022 e a Súmula Carf nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Assim, não havendo mais controvérsia sobre a alíquota a ser utilizada, deve ser revertida a glosa do valor supostamente calculado à maior (diferença entre 60% e 35%). Erros no Cálculo Para Determinação do Limite da Utilização do Crédito Presumido – Art. 9º da Lei nº 11.051/2004 A recorrente solicita neste tópico a revisão do cálculo da limitação do crédito presumido agroindustrial efetuado, quer pelo fato de ter incluído no cálculo do limite aquisições de não cooperados, quer pelo fato de ter considerado outras exclusões que não as previstas no Fl. 5759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 55 art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, conforme determina o art. 9º da Lei nº 11.051/2004: Lei nº 11.051/2004 Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. § 1º. O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004. § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. (negrito nosso). Além disso, afirma que a fiscalização, a pretexto de aplicar a limitação na utilização do crédito presumido prevista no art. 9º, da Lei nº 11.051/2004, simplesmente desprezou o saldo do crédito presumido que excedeu o valor do débito de PIS/Pasep do mês. Em outras palavras, o saldo do crédito presumido de um trimestre não foi transportado para o trimestre seguinte. Em vista da dúvida quanto a correção dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal, o colegiado baixou o processo em diligência para que fossem esclarecidos os seguintes fatos no item 08 da resolução: 8. Que a Autoridade Fiscal explique de que forma foram calculados os limites de aproveitamento mensal do crédito presumido agropecuário da contribuição, sobretudo informe se aplicou a limitação em relação a todas as aquisições, isto é, de cooperados e de não cooperados, bem como informar se na apuração do valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos pela recorrente depois de efetuadas as exclusões previstas, foram excluídas somente a do art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; ou se também foram excluídas a do art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; e do art. 1º da Lei nº 10.676, de 22 de maio de 2003, conforme alega a Recorrente. Elaborar planilha demonstrando os limites de aproveitamento calculados, de acordo com o que determina o art.9º da Lei nº11.051/2004; Atendendo a solicitação do colegiado, a autoridade fiscal fez as seguintes considerações a respeitos dos esclarecimentos solicitados: 79. Em relação ao procedimento nº 08, da Resolução do Carf, após ser intimado e reintimado a apresentar memórias de cálculos, conforme as aquisições de cooperados e não cooperados, explicitando a forma do cálculo e os respectivos Fl. 5760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 56 percentuais, para o cálculo dos limites de aproveitamento dos créditos presumidos, conforme determina o art. 9º da Lei nº 11.051/2004, a requerente apresentou as pastas de trabalho “Item 2_Detalhamento NFs com Cred_Presumido” em que demonstra, por meio de 14 planilhas, a apuração do crédito presumido, e “Item 03 – Exclusões Coops” em que relaciona todas as receitas auferidas, segregadas por tipo de atividade e as exclusões da base de cálculo na apuração da base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. 80. No entanto, referida resposta não atendeu plenamente ao solicitado, principalmente, em demonstrar os limites de aproveitamento, em relação a proporcionalidade das aquisições de cooperados e não cooperados e o seu impacto nos saldos dos créditos presumidos, nas planilhas: “7. Demons. Vlres CP 60%” ou “11. Composição EFD”, da pasta de trabalho: “Item 2_Detalhamento NFs com Cred_Presumido”, sendo que tais informações são justamente um dos argumentos da impugnação das glosas realizadas no processo. 81. Apesar da oportunidade de apresentar os dados percentuais das aquisições, assim como, o limite do crédito presumido a que infere ter direito, para embasar os seus argumentos, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário. A requerente optou por não apresentar as respectivas informações e demonstrativos evidenciando, com números e cálculos, a limitação à utilização do crédito presumido e assim manter apenas alegações genéricas. 82. Conforme § 4º, art. 575, da IN RFB nº 2.121/2022 que consolida as normas de apuração, a cobrança, a fiscalização, a arrecadação e a administração para o PIS e a Cofins, o valor do crédito presumido relativo a produtos agropecuários recebidos de cooperados, exceto o leite in natura, utilizados como insumos, limita-se ao saldo a pagar da Contribuição para o PIS e Cofins devidas em relação à receita bruta decorrentes da venda de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 317: § 4º No caso de sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial, o valor do crédito presumido relativo a produtos agropecuários recebidos de cooperados, exceto o leite in natura, utilizados como insumos, limita-se ao saldo a pagar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrentes da venda dos produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 317 (Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, § 5º, e art. 15, § 5º; e Lei nº 11.051, de 2004, art. 9º, com redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015, art. 5º). 83. Por sua vez, o art. 317, assim dispõe: Art. 317. Sem prejuízo das exclusões aplicáveis a qualquer pessoa jurídica de que tratam os arts. 26 e 27, as sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 5.764, de 1971, art. 79, parágrafo único; Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17): Fl. 5761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 57 - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos perante instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; - as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício; e - os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da comercialização pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária. 84. Lembrando que o art. 300, da IN RFB nº 1.911/2019, em conjunto com o art. 292, também refletem a mesma disposição em limitar o valor do crédito presumido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões previstas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; na Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17. 85. Em tempo, depreende-se que, em qualquer dos tipos de pedido ou declaração(Dacon ou EFD – Contribuições), a responsabilidade pela demonstração do direito creditório compete ao sujeito passivo ou pessoa autorizada requerente, portanto o ônus da prova recai sobre a pessoa interessada. Entenda-se por ônus da prova a apresentação de memórias de cálculo, documentos e esclarecimentos necessários à comprovação da existência e natureza do direito creditório pleiteado. 86. Além disso, cabe ressaltar que a comprovação da interessada deve estar baseada em documentos, cálculos e esclarecimentos verídicos e precisos, objetivando explicitar e explicar claramente os valores apresentados em demonstrativos, pedidos e declarações. Não ocorre essa comprovação quando há simplesmente a exibição de listagens desacompanhadas dos respectivos esclarecimentos e documentos, ou o fornecimento de dados e informações genéricos. 87. Assim, nos processos de direito creditório relativos à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, a existência e a natureza do crédito requerido pela empresa devem ser mantidas sob controle, estar demonstradas no Dacon ou EFD - Contribuições e ser comprovadas pela empresa interessada. 88. Em relação aos questionamentos do item 08, informo que a limitação do saldo do crédito presumido, conforme os dados apresentados pela contribuinte, foi aplicada a todas as aquisições, isto é, de cooperados e de não cooperados, em Fl. 5762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 58 virtude da não apresentação por parte da requerente dos cálculos solicitados para verificação da pertinência e conformidade da apuração do respectivo saldo. 89. Em relação ao limite de utilização do crédito presumido, o valor utilizado pela fiscalização foi o valor apurado pela requerente e informado na Dacon, em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após exclusões previstas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; na Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17, conforme pasta de trabalho: “Item 3_Exclusoes Coops”. 90. Nesse sentido, em virtude da não apresentação das informações e demonstrativos do cálculo que a requerente alega ter direito, sendo que referidas informações foram solicitadas por meio de intimação e reintimação, e em consonância com o que prediz a legislação, mantém-se os valores calculados originalmente em relação ao saldo do crédito presumido. Como se observa a auditoria manteve a forma do cálculo original, haja vista que, por meio de intimação e reintimação, não obteve por parte da recorrente elementos suficientes para as verificações necessárias solicitadas pelo colegiado. A recorrente, neste ponto, não se manifestou sobre os resultados da diligência fiscal. Sobre a alegação de que o saldo do crédito presumido de um trimestre não foi transportado para o trimestre seguinte, entendo que o direito ao crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n.º 10.925/2004, calculado sobre insumos de bens recebidos de cooperados, limita- se ao valor devido de PIS/Pasep e de Cofins e não há na norma nada que determine que, caso o valor do referido crédito calculado em determinado período de apuração supere o montante das contribuições a pagar, o valor excedente possa ser transposto para o período seguinte. Eis o conteúdo da norma: Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (Vigência) (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 1º . O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Fl. 5763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 59 No que concerne às exclusões para efeito de calcular o limite, fiscalização confirma na informação fiscal da diligência que limitou o valor do crédito presumido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões previstas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; na Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17. Ocorre que o texto da lei que estabelece esse limite, acima transcrito, é claro ao estabelecer que a única exclusão a ser realizada a receita bruta das vendas é a prevista no art.15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Não há qualquer referência no dispositivo a também se excluir da receita bruta as rubricas citadas pelos caput do art. 1º, § 1º , da Lei nº 10.676, de 2003 e art. 17, da Lei nº 10.684, de 2003. Assim, deve ser recalculado o limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Quanto a alegação de que a fiscalização teria incluído no cálculo do limite aquisições de não cooperados, restou comprovado, por meio da diligência fiscal, que a empresa não apresentou documentação suficiente para proceder a segregação necessária entre aquisições de cooperados e não cooperados, apesar de ter sido intimada e reintimada durante a realização da diligência. Como já informado, a recorrente não se manifestou sobre essa conclusão tomada pela autoridade fiscal na diligência. Vale repetir que em casos de processos de restituição e ressarcimento é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (CPC/2015, art. 373, I), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art.373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;, vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito Fl. 5764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 60 passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. Glosa de Aquisições de Produtos com Suspensão do Pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos da Lei nº 12.350/2010 (p. 52-53, do Acórdão Recorrido) Conforme restou relatado, foram glosados créditos vinculados às aquisições de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, com suspensão de pagamento de PIS/Cofins obrigatória, conforme inciso I, e caput do art. 54 da Lei 12.350/2010 e inc. II do art. 2° da IN/RFB 1.157/2001. Em seu recurso, a recorrente sustentou que a glosa desses créditos é indevida em relação aos fatos geradores ocorridos em data anterior a 17 de maio de 2011, data da publicação da IN/RFB nº 1.157/2001, através da qual a Secretaria da Receita Federal do Brasil estabeleceu os termos e condições para a aplicação da suspensão prevista no art. 54 da Lei nº 12.350/2010. O referido art. 54 da Lei n° 12.350/2010 assim dispõe sobre a suspensão: Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I – insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos: a) para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; b) para pessoas jurídicas que produzam preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; e Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I – não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II – aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (negrito nosso). E a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa n° 1.157 de 16/05/2011, visando a explicitar os termos e condições para usufruir da suspensão. Há até uma inviabilidade técnica para essa norma retroagir, visto que já haviam ocorrido os fatos geradores do PIS/Pasep e da Cofins relativos as operações realizadas no período de 01/01/2011 a 31/03/2011, sendo certo que nesse período todos os contribuintes tributaram integralmente as suas operações, finalizaram as suas apurações, apresentaram o Dacon à Receita Federal e, certamente, recolheram as contribuições apuradas, posto que a suspensão do Fl. 5765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 61 pagamento das contribuições prevista no art. 54, da Lei nº 12.350/2010 ainda não era aplicável, pois dependia de regulamentação, o que ninguém duvida e, aliás, é fato incontroverso nos presentes autos. Bem como, também é inviável, pois nesse período era impossível cumprir as próprias disposições da instrução normativa, notadamente o disposto no § 2º do art. 2º, segundo o qual, “Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente”. Sem razão a recorrente. Essa matéria foi bem analisada em voto proferido pelo conselheiro Oswaldo Goncalves De Castro Neto, acórdão nº 3401-010.578, referente a mesma pessoa jurídica, cujos fundamentos também comungo e os transcrevo a seguir: 2.15. Em 20 de dezembro de 2010 a Lei 12.350 criou, em seu artigo 54, nova hipótese de suspensão das contribuições para o agronegócio: Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I – insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos: (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência)a) para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; b) para pessoas jurídicas que produzam preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; e c) para pessoas físicas; II – preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III – animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I – não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II – aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 2.15.1. Como se nota da dicção acima, o inciso II do parágrafo único da norma fixa na Receita Federal competência para estabelecer termos e condições de aplicação do regime. Fl. 5766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 62 Estes termos e condições vieram a lume com a edição da IN 1.157/10, mais especificamente com o artigo 2° da norma regulamentar: Art. 2º Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I - insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II - preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III - animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM; e IV - produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM. IV - produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1346, de 16 de abril de 2013). § 1º A aplicação da suspensão de que trata o caput observará as disposições dos arts. 3º e 4º desta Instrução Normativa. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. § 3º Aplica-se o disposto neste artigo, também, à receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, dos bens referidos nos incisos do caput, quando estes tiverem sido importados, observado o disposto no art. 18. 2.15.2. Embora referida instrução tenha sido publicada em 17 de maio de 2011, estabeleceu vigência retroativa, a partir de 1° da janeiro de 2011, e é aqui que fisco e Recorrente divergem. Para a Recorrente a INSTRUÇÃO NORMATIVA 1.157/2011 NÃO PODERIA FIXAR VIGÊNCIA RETROATIVA, eis que não se enquadra dentre as hipóteses descritas no artigo 106 do CTN. Ademais, a Instrução fixa como requisitos de gozo da suspensão, a informação em nota fiscal e, até maio de 2011, várias notas foram emitidas e contabilizadas pela Recorrente com o pagamento dos tributos. Em contraponto, a DRJ limita-se a afirmar (e talvez lamentar) a sua vinculação às Instruções Normativas. 2.15.3. Sem prejuízo das lamúrias da DRJ (e dos ótimos argumentos da Recorrente), este julgador, em inúmeros precedentes envolvendo crédito presumido do agronegócio, decidiu que é a Lei quem cria hipóteses de suspensão de tributos, na escorreita lição do artigo 141 do CTN: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Fl. 5767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 63 Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. 2.15.4. Assim, a suspensão não é afetada, em uma vírgula, pela publicação da Instrução Normativa, ou seja, a partir de 20 de dezembro de 2010 as operações descritas no artigo 54 da Lei 12.350 gozam de suspensão das contribuições, encontre-se esta suspensão descrita ou não em Nota Fiscal. A inscrição em nota fiscal deve ser entendida aqui como “novos critérios de apuração ou processos de fiscalização” para os quais o artigo 143 § 1° do CTN permite a vigência retroativa. 2.15.5. Apenas para afastar eventual alegação de contradição. Linhas acima ficou dito que não tratamos de lançamento, mas sim de processo de crédito, logo é possível a alteração de critério de glosa, salvo reformatio in pejus. Agora, se utiliza norma que dispõe claramente sobre lançamento e não sobre processo de crédito. É que os novos critérios de apuração ou processos de fiscalização (leia-se, emissão a nota fiscal) são utilizados para aferir se a venda efetuada para a Recorrente goza de suspensão ou não, i.e., o que se analisa com os dados da nota é o lançamento anterior, do fornecedor da Recorrente, decorrente da venda. Se o fornecedor da Recorrente recolheu tributos na operação (e aparentemente sim), ele (e não a Recorrente) tem direito a pleitear a restituição do indébito. Conclui-se, assim, que é a lei que estabelece as hipóteses de suspensão, existindo lei em vigor que preveja situação fática de suspensão, esta deve ser aplicada. A publicação de IN posterior estabelecendo novos critérios de apuração ou processos de fiscalização não tem o condão de suspender a aplicação da lei que estabeleceu hipótese suspensiva das contribuições publicada anteriormente. Forte nos fundamentos apresentados no voto transcrito, mantém-se a glosa de créditos vinculados às aquisições de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, com suspensão de pagamento de PIS/Cofins obrigatória, conforme inciso I, e caput do art. 54 da Lei 12.350/2010 e inc. II do art. 2° da IN/RFB 1.157/2001. Glosa de Aquisições de Produtos de Cooperados Pessoas Jurídicas (P. 59-60, Acórdão Recorrido) Conforme o despacho decisório, Item 6, p. 16, a fiscalização glosou da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, valores relativos a aquisições de bens utilizados como insumos, oriundos de cooperados pessoas jurídicas. Segundo o despacho decisório, a glosa se deu sob o fundamento de que, nos termos dos incisos I e II do art. 23 da IN/SRF nº 635/2006, seria vedado o crédito em relação a bens para revenda e de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de cooperados. Fl. 5768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 64 A DRJ recorrida manteve a glosa do crédito sob a alegação de que não há amparo na legislação para credito sobre as aquisições para a revenda e bens utilizados como insumos oriundos de cooperados pessoas jurídicas. Entendo que não assiste razão à recorrente. A matéria aqui tratada neste tópico tem similaridade fática e jurídica com aquela discutida no tópico “Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados”, devendo ser utilizados os mesmos fundamentos lá explicitados, a fim de evitar repetições. Desta feita, mantém-se a glosa. Frete no transporte de resíduos industriais (coleta de lixo), lavagem de uniformes, limpeza, etc. (item 10, p. 17, do relatório fiscal) Nesse tópico, a fiscalização glosou créditos de PIS/Pasep e Cofins sobre as aquisições de serviços, sob a justificava de que não se agregam ao produto, como é o caso da coleta de lixo/resíduo; conserto máquinas e equipamentos, lavação de roupas/uniformes, limpeza, cons/zeladoria, manutenção de máquinas e equipamentos. Em sua defesa, a empresa repete os seus argumentos quanto ao novo conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e relevância para solicitar a reversão da glosa. Por fim, informa que o anexo IV demonstra o crédito pretendido. Não assiste razão à recorrente. Como antes já colocado, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos. Sabe-se que a análise da possibilidade de creditamento de cada bem ou serviço adquirido deve aferida de forma casuística no sentido de ser identificada a utilização do insumo no contexto do processo produtivo ou prestação de serviços da empresa. Nesse sentido, entendo que não foi demonstrada de forma detalhada nos autos a utilização dentro do processo produtivo dos serviços adquiridos. Apenas a apresentação da planilha constante no anexo IV com a descrição do material e a unidade da empresa adquirente, sem a especificação da utilização do material/serviço no processo produtivo, não é hábil para comprovar caracterizar o material ou serviço como insumo dentro dos critérios da essencialidade e relevância. Vale repetir que, em casos de processos de restituição e ressarcimento, é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (CPC/2015, art. 373, I). Fl. 5769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 65 Dessa forma, mantém-se a glosa. Correção pela taxa SELIC Essa correção, recentemente, foi admitida pela Secretária da Receita Federal, por meio da Nota Codar nº 22/2021, que trata da aplicação da Selic aos pedidos de ressarcimento e não compensação de ofício de débitos parcelados a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, conforme trecho abaixo transcrito: O SIEF Processos passa também a aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. Desta feita, o Contribuinte faz jus à correção pela SELIC nos termos estabelecidos na Nota Codar nº 22/2021. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de reconhecer do recurso voluntário e no mérito para dar-lhe provimento parcial nos seguintes aspectos: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência (e-fls. 9.027 e 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4) reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref. limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 6) reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; Fl. 5770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 66 7) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 8) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e aquisições de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 9) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 10) reverter revertida a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 11) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado à maior (diferença entre 60% e 35%); 12) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm. 13) Determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 14) Aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; É como voto. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Fl. 5771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.794 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901577/2014-76 67 Fl. 5772DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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