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Numero do processo: 10783.900019/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO.
Os pedidos de ressarcimentos de créditos da não cumulatividade de PIS, acumulados ao final de cada trimestre-calendário, deverão referir-se a um único trimestre-calendário.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. São insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPESAS COM A RUBRICA DESESTIVA/DESPACHANTE ADUANEIRO.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa de PIS pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachante aduaneiro, decorrentes de importação de mercadorias.
FRETES. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com fretes no transporte de insumos, ainda que estes sejam tributados à alíquota zero, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País, geram créditos das contribuições.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESASDEARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE.
As despesascom serviçosdearmazenagem de componentes para produção de fertilizantes são essenciaiserelevantesàatividadedocontribuinte, com crédito autorizado no inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002.
Numero da decisão: 3301-011.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa do frete sobre compras de insumos. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos serviços de desestiva/despachante aduaneiro e armazenagem. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. Os pedidos de ressarcimentos de créditos da não cumulatividade de PIS, acumulados ao final de cada trimestre-calendário, deverão referir-se a um único trimestre-calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. São insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPESAS COM A RUBRICA DESESTIVA/DESPACHANTE ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa de PIS pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachante aduaneiro, decorrentes de importação de mercadorias. FRETES. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com fretes no transporte de insumos, ainda que estes sejam tributados à alíquota zero, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País, geram créditos das contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 00 19 /2 01 2- 93 Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESASDEARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE. As despesascom serviçosdearmazenagem de componentes para produção de fertilizantes são essenciaiserelevantesàatividadedocontribuinte, com crédito autorizado no inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa do frete sobre compras de insumos. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos serviços de desestiva/despachante aduaneiro e armazenagem. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d’ Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS/Pasep não cumulativo do 3º trimestre de 2009, resultantes da não incidência desta contribuição sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. A análise do direito creditório do referido PER foi feito no Parecer de n° 74/2012, de 31/05/2012, emitido pela Delegacia de Vitória/ES. Observa-se, também, a existência de Dcomp vinculada(s) ao PER em análise, conforme demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal no tópico “Proposição” do citado Parecer. Importante consignar que foram reunidos pela DRF de origem, por apensação, 47 pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos no processo de n° 10783.900001/2012-91. Os referidos PER englobam períodos de apuração decorridos entre 1o trimestre de 2007 ao 4o trimestre de 2009 e envolvem créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Sobre esta questão, discorre a autoridade fiscal que o parecer de análise do direito creditório é válido para todos os períodos de apuração. Os processos apensados, porém, estão instruídos com o parecer de análise do direto creditório, com Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 o despacho decisório emitido pelo Delegado da DRF de origem e com o recurso interposto pela contribuinte. Assim, com base na Portaria n° 666, de 2008 (art. 1°, inciso IV), os processos foram desapensados por esta DRJ e terão análise de julgamento individualizada. A desapensação, ademais, é necessária porque três processos não serão julgados, uma vez que em relação a eles não se estabeleceu litígio por ter sido integral o crédito deferido. São eles: 10783.900001/2012-91 (PIS/Pasep - exportação do 1° trimestre de 2007, processo que contém a documentação probatória do período fiscalizado), 10783.900003/2012-81 (PIS/Pasep – mercado interno não tributado do 1o trimestre de 2007) e 15586.720005/2012-38 (Cofins – exportação e mercado interno não tributado do 1° trimestre de 2007). Observa-se ainda que sete processos abrigaram dois PER (exportação e mercado interno não tributado). São eles: 15586.720006/2012-82, 15586.720008/2012-71, 15586.720009/2012-16, 15586.720010/2012-41, 15586.720011/2012-95, 15586.720012/2012-30 e 15586.720014/2012-29. Importante consignar também que o PER e as respectivas Dcomp de Cofíns não cumulativa decorrentes de receitas de vendas não tributadas no mercado interno do 3o trimestre de 2008 foi analisado pela DRF de origem em data anterior à analise dos PER objeto do presente processo, nos autos do processo administrativo de n° 15586.001201/2010-48. Tal processo, inclusive, já foi julgado pela Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ. Os processos apensados, diga-se, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. Desse modo, neste processo será analisado tão somente o PER de n° 03898.53926.230210.1.5.10-0766, de créditos de PIS/Pasep não cumulativo do 3º trimestre de 2009, resultantes da não incidência da contribuição sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Sob o aspecto formal, cabe ressalvar, por fim, que os documentos comprobatórios, tanto aqueles gerados pela autoridade fiscal a quo, quanto aqueles trazidos aos autos pela contribuinte, foram anexados pela DRF do Rio de Janeiro/RJ ao processo de n° 10783.900001/2012-91. Entretanto, tal processo teve o crédito totalmente deferido, não tendo sido instaurado litígio sobre ele. Desse modo, por conter as provas materiais relativas a todos os períodos de apuração analisados, o processo de n° 10783.900001/2012-91 será apensado ao de n° 10783.921005/2011-22. Superada a questão formal, passa-se à análise de mérito do direito creditório realizada no parecer citado. O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/2012-91, apensado ao processo de n° 10783.921005/2011-22. Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls. 974/976 do processo de n° 10783.900001/2012-91, apensado ao processo de n° 10783.921005/2011-22. No item “I.2 - SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls. 1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/2012-91, apensado ao processo de n° 10783.921005/2011-22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 - FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1° do RIR/99), ele compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 crédito no inc. II, do §2° dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1° da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matérias-primas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias-primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matérias-primas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/2012-91, apensado ao processo de n° 10783.921005/2011-22). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 - ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8ª RF), n° 25/2009 (8ª RF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/2012-91, apensado ao processo de n° 10783.921005/2011-22). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – UREIA PECUÁRIA E EMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/2010-48 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.11-1732, referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3o trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a junho de 2008), nos montantes de R$ 160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo-se integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3° trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizando-os na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls. 5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls. 5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/2012-91, apensado ao processo de n° 10783.921005/2011-22. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. No tópico “PROPOSIÇÃO”, a autoridade fiscal propõe o reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 1.144.207,84, relativamente ao PER de n° 03898.53926.230210.1.5.10-0766 do período de apuração do 3º trimestre de 2009. Tendo sido solicitado o montante de R$ 2.193.318,78, percebe-se que as glosas totalizaram a quantia de R$ 1.049.110,94. A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre-calendário, por tributo e por tipo de crédito. Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. O referido despacho reconheceu a homologação tácita das seguintes Dcomp: (...). Cientificada em 13/06/2012, a contribuinte apresentou em 13/07/2012 a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I - DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II - DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO ANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM - PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e 12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declará-lo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferi- los findou-se em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” para fins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando-o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matéria-prima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria-prima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matéria-prima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas pré-qualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituá-lo. Fl. 560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria-prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, inicia-se todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, ou seja, insumos não apenas as matérias-primas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, deve-se considerá-las como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte Fl. 561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias-primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE - FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias-primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazená-los, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE UREIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Fl. 562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/2010-48. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre-calendario, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazê-lo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensá-lo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, de forma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3° TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecê-los apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade Fl. 563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; A 3ª Turma da DRJ/CTA, acórdão n° 06-47.506, negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. Fl. 564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior e ao final, requer: (i) homologação tácita dos créditos apurados até maio de 2007, eis que quando da notificação da Recorrente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório em decorrência do transcurso do prazo de 5 anos, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; (ii) o provimento do recurso para reversão da integralidade das glosas ou (iii) a realização de diligência ou perícia para comprovação dos fatos. Requer o julgamento em conjunto com o processo n° 10783.900001/2012-91. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente requer o julgamento em conjunto com o processo n° 10783.900001/2012-91. Ocorre que esse processo já foi julgado em 2019, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, antes da distribuição do presente a esta Relatora. Conforme relatado, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS/Pasep não cumulativo do 3º trimestre de 2009, resultantes da não incidência desta contribuição sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. A Recorrente, segundo o seu objeto social, tem como atividade preponderante a fabricação de adubos e fertilizantes, que estão sujeitos à alíquota zero (Cap. 31 da TIPI), por Fl. 565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 isso, os requerimentos tiveram como suporte os art. 16, da Lei n° 11.116/2005, art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e art. 21 e 22 da IN n° 600/2005. A fiscalização operou ajustes quanto aos dispêndios a título de insumo e ao aproveitamento de crédito extemporâneo. Passe-se a seguir à análise dos argumentos de defesa. Nulidade do despacho decisório ante a ausência de motivação da glosa de créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia e embalagem - período de jan/05 a jun/08 Os créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 foram solicitados no PER do 3° trimestre de 2008, de n° 09266.04610.101008.1.1.10-0006. A preliminar de nulidade suscitada, portanto, não diz respeito ao período ora analisado, que é relativo ao 3º trimestre de 2009. Tal questão será, em decorrência, avaliado no processo de PIS do 3° trimestre de 2008, que é o de n° 15586.720015/2012-73. Decadência do direito do fisco de indeferir o direito ao crédito de PIS apropriado até maio de 2007 Não há previsão legal para a ocorrência de “homologação tácita” ou de “decadência” de o Fisco examinar o direito creditório pedido em ressarcimento. Isso porque o art. 74, §5°, da Lei n° 9.430/1996, prescreve a homologação tácita para as declarações de compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Logo, não há como se estender a disposição à análise do direito creditório solicitado em PER. Por outro lado, a análise do direito creditório pleiteado em PER não se confunde com a atividade do lançamento, que, nos termos do art. 142 do CTN, é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. A regra decadencial do art. 150, caput e § 4º, do CTN aplica-se expressamente à cobrança de tributo. Assim, não há previsão legal de prazo para que a autoridade fiscal se pronuncie em pedido de ressarcimento, nem disposição legal que a obrigue a conceder os créditos por decurso de prazo, sem a devida verificação. Fl. 566DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 Conceito de insumo e atividade da empresa Uma das controvérsias deste processo é o aproveitamento de créditos, como insumos, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002. O conceito de insumo que norteou a auditoria fiscal dos créditos solicitados pela empresa foi o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas Instruções Normativas da Receita Federal n° 247/2002 e 404/2004, as matérias-primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Esse é o limite interpretativo para a análise neste processo. Em razão disso, deve haver a análise específica da natureza da atividade de fabricação de adubos e fertilizantes para se aferir o que é insumo no regime da não- cumulatividade das contribuições PIS e COFINS. É o que se fará a seguir. Direito ao crédito de desestiva e despachante aduaneiro Foram glosados os dispêndios com serviços de operações portuárias, desembaraço aduaneiro, arqueação, carga e descarga e serviços de despachante aduaneiro. A Recorrente aduz que os desembolsos classificados na rubrica “desestiva” (armazenagem alfandegada, carga e descarga, movimentação, despachante e a própria desestiva) são essenciais ao seu processo produtivo. Fl. 567DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 Os serviços vinculados diretamente aos insumos importados são essenciais para garantir a continuidade da atividade de fabricação dos produtos, passando pelo correto manuseio, atendimento a legislação do setor e nacionalização até que estes cheguem ao estabelecimento industrial. Por isso, a glosa deve ser revertida, pois se tratam de custos de aquisição dos insumos destinados ao processo produtivo, com direito a creditamento no art. 3°, II, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Frete na aquisição de insumos A autoridade fiscal glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, uma vez que estes, por serem matérias-primas para a produção de fertilizantes, estão sujeitos à alíquota zero. A Recorrente, com razão, sustenta que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias-primas não se estende ao custo de frete, pois este sofre a tributação normal de PIS/Pasep e de COFINS. O crédito é permitido com suporte no art. 3°, II, das Leis de regência, porquanto se trata de custo na aquisição de insumos destinados à produção dos bens, foram tributados pelas contribuições e foram pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País. A glosa deve ser revertida. Créditos das despesas de armazenagem Houve a glosa em virtude dos dispêndios com armazenagem estarem relacionados às compras de insumos e não às vendas, como impõe o inciso IX do art. 3° c/c art. 15, II, da Lei n° 10.833/2003. A Recorrente sustenta que o dispêndio está relacionado a armazenagem específica dos componentes dos fertilizantes. Assim, adquire seus insumos básicos em grandes quantidades, não sendo possível armazená-los, sempre, nas dependências da empresa: “evidentemente que ao adquirir seus insumos básicos em grandes quantidades a Defendente precisa armazená-los e nem sempre há espaço suficiente nas dependências da própria empresa, sendo necessária a contratação de empresas terceirizadas”. Entendo que as despesas com serviços de armazenagem de componentes para produção de fertilizantes são essenciais e relevantes à atividade do contribuinte, com crédito autorizado no inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002. Logo, as glosas devem ser revertidas. Serviços e bens não admitidos Sustenta a empresa que: (...) não há como prevalecer a glosa relativa aos bens e serviços utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, Fl. 568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-011.687 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900019/2012-93 utilizados no processo industrial, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pela qual merecem ser admitidos como verdadeiros “insumos”. Ora, repise-se, neste caso existe uma relação de implicação existencial na medida em que o produto (fertilizante) só existe nas exatas características que lhe são próprias ou desejadas pela Recorrente e seus clientes em razão da existência dos bens utilizados. Entretanto, não houve a efetiva associação das glosas, com a produção dos bens. Dito de outra forma, faltam a especificação da função e aplicação de cada uma das despesas com o processo produtivo. Isso porque o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do CPC/2015, art. 373. Dessa forma, as glosas devem ser mantidas. Glosa de créditos extemporâneos de PIS oriundos da aquisição de ureia e embalagem – período de jan/05 a jun/08 Como já explicitado, os créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.10-0006. Tal questão será, em decorrência, avaliada no processo de PIS do referido mês, que é o de n° 15586.720015/2012-73. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa do frete sobre compras de insumos e para reverter a glosa dos serviços de desestiva/despachante aduaneiro e armazenagem. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13502.721309/2014-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do Fato Gerador: 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo.
Numero da decisão: 9303-012.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-012.274, de 17 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.721308/2014-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Rodrigo Mineiro Fernandes
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RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-012.274, de 17 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.721308/2014-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 13 09 /2 01 4- 31 Fl. 479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações posteriores. A Fazenda Nacional suscita divergência quanto à: Necessidade de Lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF com compensação”. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho. O Contribuinte apresentou suas contrarrazões, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e caso conhecido o improvimento do recurso. É o relatório em síntese. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, devendo ser verificado se atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. A divergência suscitada diz respeito à: “Necessidade de Lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF com compensação.” Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 Foi apresentado os seguintes Acórdãos Paradigmas n.sº 1401-004.106 e 2101-00.104 No presente caso a Contribuinte teve a não homologação da compensação, sendo que o débito foi inscrito em dívida ativa e teve execução fiscal proposta, de modo que a Contribuinte, parcelou essa dívida no âmbito do Parcelamento da MP nº 470/2009, junto à PFN. No entanto, entendeu a Contribuinte que o aludido crédito tributário estava extinto pela decadência quando da sua inclusão no programa de parcelamento. Por esse motivo, apresentou o pedido de restituição, referente a pagamento efetuado indevidamente em 31/03/2010, requerido através de formulário impresso, apresentado em 14/11/2014. A Unidade de Origem emitiu Despacho Decisório no qual não reconheceu o direito creditório e indeferiu o Pedido de Restituição. Fundamentou o despacho decisório explicitando que o débito foi regular e espontaneamente declarado em DCTF e, diante da não homologação da compensação anteriormente pleiteada, o saldo a pagar informado na DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil para inscrição em Dívida Ativa, não necessitando ser objeto de lançamento de ofício; ademais, tal débito fora incluído no programa de parcelamento instituído pela MP nº 470/2009. Concluiu a autoridade fiscal que além de não se tratar de débito decaído incluído em parcelamento, é pacífico o entendimento de que o parcelamento se constitui, também, em confissão irretratável da dívida. No Acórdão Recorrido, a turma entendeu que : O Superior Tribunal de Justiça perfilha o entendimento de que quando a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF apresentada, busca liquidar os débitos mediante compensação, sustentando o declarante não haver saldo a pagar, não há reconhecimento e constituição de dívida, devendo o fisco, Fl. 481DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 necessariamente, dentro do prazo quinquenal, efetuar o lançamento do débito mediante procedimento administrativo e notificação da devedora se não admitida a referida compensação. Entende, ainda, a Corte Superior, que os débitos objeto de compensação indevida declarada em DCTF necessitam de lançamento de ofício para serem exigidos. Em especial, no que toca às DCTFs anteriores a 31 de outubro de 2003, data em que passou a vigorar o art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. No voto, o relator aplicou os fundamentos do REsp 1.205.004/SC. Aplicou também, a decisão do Acórdão n.º 9303003.506; Relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. E por fim aplicou o REsp nº 1.355.947/SP, do STJ, em sede recurso repetitivo, que teve o seguinte entendimento em relação ao direito de o contribuinte requerer a restituição de tributo que decaiu antes da adesão a parcelamento: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.” Já no Acórdão paradigma de nº 1401-004.106, o contribuinte teve as compensações informadas em DCTF como não declaradas. Veja: “Entre 2001 a 2003, a recorrente utilizou créditos de terceiros (crédito prêmio de IPI e créditos de insumos de IPI) para compensar com créditos tributários de sua responsabilidade, por força de decisões judiciais. As ditas compensações foram declaradas em DCTF. As compensações foram consideradas não Fl. 482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 declaradas pela unidade da RFB e a contribuinte recorreu administrativamente de tal decisão. Em 2009, a contribuinte desistiu dos processos administrativos de compensação e aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009. O parcelamento foi integralmente quitado.” (...) “Não é o caso dos autos. O que ocorreu foi que a contribuinte declarou nas DCTF os débitos e os vinculou a créditos decorrentes de compensações com créditos de terceiros, por força de decisões judiciais. Os créditos advindos dos processos de compensação não foram objeto de revisão interna, conforme prevê o parágrafo 1º do artigo 2º da IN SRF nº 45/98. O que houve foi a desistência, por parte da recorrente, dos créditos oriundos de compensações. Ao desistir dos processos nos quais pedia o direito aos créditos que foram usados nas DCTF, os créditos tributários declarados em DCTF passaram a ficar inteiramente em aberto, ou seja, “a pagar”. Os autos de infração somente seriam necessários caso a administração houvesse efetuado uma revisão interna e glosado os créditos nas DCTF.” (...) “Em resumo, no caso sob exame, não incide a hipótese de exigência do lançamento de ofício, pois (i) os créditos tributários foram devidamente constituídos pelo sujeito passivo e (ii) não se trata de revisão interna (ato administrativo), mas de desistência das compensações, que fez com que os débitos passassem a ficar em aberto (a pagar).” Verifica-se, portanto, a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma de nº 1401-004.106. Enquanto no presente caso houve a glosa de crédito declarado em DCTF, com a consequente não homologação da compensação, no caso analisado pelo Fl. 483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 acórdão paradigma não é identificada qualquer glosa, tendo sido a compensação considerada como não declarada, de modo que o contribuinte desistiu de seu suposto crédito. Ademais, sequer o Acórdão paradigma adentrou sobre a aplicação das decisões do STJ. Quanto ao segundo acórdão paradigma n.º 2101-00.104, trata-se de uma Declaração de Compensação apresentada, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 11/03/2003 a 20/03/2003, com crédito presumido de IPI calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 11/03/2003 a 20/03/2003, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida em Mandado de Segurança. Não foi homologada a compensação, com fundamento no art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Assim, as questões em litígio deste processo são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Sebe; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. De acordo que esse paradigma: “No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte.” Ou seja, o acórdão paradigma, entendeu que a DCTF possui efeito constitutivo, enquanto esse é justamente o objeto de análise do acórdão recorrido . Alias , tomando por base as explicações do próprio voto condutor do paradigma indicado, ao tratar sobre a DCTF: “Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida.”, igualmente se confirma a ausência de similitude fática. Inobstante a falta de similitude entre a controvérsia analisada no acórdão paradigma e recorrido, as legislações examinadas pelas decisões também são diversas. Senão veja-se. O acórdão paradigma analisa a aplicação do Decreto-Lei nº 2.124/1984, em conjunto com as Instruções Normativas da RFB nº 77/1998 e nº 14/2000, para definir a abrangência da confissão de dívida da DCTF (se atinge apenas o saldo a pagar ou a integralidade do que foi informado): Em sentido completamente diverso, o acórdão recorrido analisou os efeitos, e a interpretação, do artigo 90 da MP nº 2.158-35/2001, o qual determinava o lançamento de ofício sobre as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevidas ou não comprovadas, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o qual foi alterado tão somente com a edição da Medida Provisória nº 135/2003. Enquanto o acórdão paradigma resolve a lide com base na análise e interpretação do Decreto-Lei nº 2.124/1984, o acórdão recorrido se debruça sobre os efeitos do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 para concluir Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-012.276 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13502.721309/2014-31 pela necessidade de lançamento dos débitos compensados e declarados em DCTF durante a vigência de referido dispositivo. Diante da ausência de demonstração de interpretação de legislação divergente entre os acórdãos paradigmas e acórdão recorrido, bem como da falta de similitude fática na análise das matérias entre as decisões, não restaram preenchidos os pressupostos fundamentais para admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10950.004833/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de
pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lourenço Ferreira
do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 48 33 /2 00 9- 19 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. art. 32, inciso I, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Lei 8.212/1991, para as competências 01/2004 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 08/10), a empresa apresentou folhas de pagamento, por meio de arquivos digitais (janeiro de 2004 a dezembro de 2008) e de folhas de pagamento impressas (junho de 2006 a dezembro de 2008), sem constarem as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços. A autoridade fiscal listou (folhas 09 e 10) por competência os segurados que deixaram de ser incluídas nos aludidos documentos e os respectivos valores auferidos. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 11/12) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), cujos valores estão atualizados de acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF n° 048, publicada em 12/02/2009. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 06/10/2009 (fl. 01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 16/26) – acompanhada de anexos de fls. 27/33 –, alegando, em síntese, que: 1. os valores pagos aos prestadores dos serviços autônomos foram todos registrados e indicados à previdência social, conforme solicitada à legislação vigente. Tanto é verdade que os RPA’s foram todos emitidos, inclusive fazendo o devido registro contábil destes pagamentos. Afirma que as informações foram apresentadas em arquivos digitais (SVA); 2. não há correlação entre o fato que motivou a autuação e a capitulação legal; 3. requer seja julgado insubsistente o Processo Administrativo Fiscal, pois não teria ocorrido o descumprimento de obrigação acessória por parte da impugnante. Na seqüência, discorreu sobre princípios e pediu Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 a insubsistência do lançamento por ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba PR – por meio do Acórdão 0626.192 da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 38/40) – considerou o lançamento fiscal integralmente procedente, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 45/51), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 52). É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, a Recorrente alega que a multa aplicada, ante a sua desproporcionalidade e não razoabilidade, é confiscatória e inconstitucional. Informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamentos os valores pagos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais – nas competências 01/2004 a 12/2008. Tais valores foram devidamente registrados nas fls. 09 e 10, por competência os segurados que deixaram de ser incluídos nos aludidos documentos e os respectivos valores auferidos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e no Termo de Intimação Fiscal (TIF) – folhas 91/96 do processo 10950.004829/200942, ao qual o presente processo encontrase apensado –, constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2004 a 12/2008. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, §9o e incisos I a V: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir em folhas de pagamento os valores pagos aos segurados contribuintes individuais e empregados –, incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, §9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 5 7 Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria Interministerial MPS/MF n° Portaria Interministerial MPS/MF n° 048, de 12/02/2009, reajustou os valores da multa para R$1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Esclarecemos ainda que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004833/200919 Acórdão n.º 2402003.587 S2C4T2 Fl. 6 9 As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Por fim, é importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir as folhas de pagamentos, no prazo estabelecido por meio do TIPF e do TIF, em conformidade com os padrões e normas estabelecidos pela Lei 8.212/1991, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente, eis que ela deixou de incluir em folhas de pagamentos os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais e empregados. Pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.723006/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/10/2010 a 30/11/2010
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA
Na época dos fatos, determinava a lei que nas hipóteses de compensação indevida, quando o crédito não fosse passível de compensação por expressa disposição legal, aplicável a multa do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, quando não for o caso de aplicação da penalidade agravada. Impossibilidade de aplicação da regra da retroatividade benigna no caso em tela.
Numero da decisão: 3401-009.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Vieira Kotzias - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Não informado
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Impossibilidade de aplicação da regra da retroatividade benigna no caso em tela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos dos autos, adoto parcialmente o relatório elaborado pela DRJ/CTA, que segue transcrito abaixo (fl.108): “Trata-se de impugnação interposta contra Auto de Infração (AI) lavrado para a aplicação de Multa Isolada no percentual de 50% prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (§ 17 incluído pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010), incidente sobre os valores de compensações não homologadas por insuficiência de crédito, efetuadas entre 31/10/2010 a 30/11/2010. Compensações essas que foram glosadas por meio do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 30 06 /2 01 3- 94 Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.844 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723006/2013-94 Despacho Decisório nº 284/2012-SAORT/DRF-CASCAVEL/PR, cópia juntada às f. 74- 93. O valor desse AI, lavrado em 09/08/2013, é de R$ 99.134,76, conforme “Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada Por Compensação Não Homologada” anexo à f. 7. Inconformado com essa autuação, da qual foi cientificado em 05/09/2013 (f. 94), o contribuinte apresentou, em 25/09/2013, a impugnação de f. 96-103, com as alegações sintetizadas a seguir. - Alega que as compensações glosadas tiveram como origem de crédito Pedidos de Ressarcimentos feitos em 26/01/2009 a 27/02/2009, ou seja, anteriores ao surgimento da Lei nº 12.249/2010 que incluiu o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Não podendo, desse modo, atingir fatos já ocorridos quando do surgimento da Lei. - O Despacho Decisório foi exarado em 15/06/2012 por pura inércia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, quando decorridos 3 anos e 3 meses contando-se do protocolo do Pedido de Ressarcimento. - A Lei n° 11.457/2007, que entrou em vigor na data de 02/05/2007, trouxe o prazo máximo de até 360 dias a contar da data do protocolo para que seja obrigatoriamente proferida decisão administrativa. Assim, do último Pedido de Ressarcimento datado de 27/02/2009 a Autoridade Administrativa deveria ter analisado o processo, dentro do período de 360 dias, portanto seu prazo frente a Lei se extinguia em 27/02/2010, portanto, se houvesse cumprido a Lei, este processo teria seu Despacho Decisório exarado 3 meses e 16 dias antes do surgimento da Lei n° 12.249, que ocorreu em 11/06/2010. - Informa que: i) que esse dispositivo legal está sendo discutido no STF em sede da ADI nº 4.905 apresentada pela Confederação Nacional da Indústria; ii) os TRF da 3ª e 4ª Região já se posicionaram contra a aplicação dessa multa de 50%, para este último, ante a inconstitucionalidade dos parágrafos 15 e 17 do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, com redação conferida pela Lei n° 12.249/2010; e iii) recorreu através de Manifestação de Inconformidade contra as glosas efetuadas pela Autoridade Administrativa no Despacho Decisório n° 284/2012. - Por fim, requer a anulação do Auto de Infração, pois a penalidade da multa isolada dos §§ 15 e 17 do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996 é considerada inconstitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme as jurisprudências colecionadas na defesa. É o relatório.” Da análise da impugnação fiscal, a DRJ/CTA concluiu pela improcedência, conforme se verifica pela ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2010 a 30/11/2010 NORMA PROGRAMÁTICA. O artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é norma programática que fixa objetivos para a Administração Tributária e seu descumprimento não acarreta qualquer efeito. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com a consequente aplicação da penalidade prevista. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário repisando os termos da impugnação fiscal, enfatizando a impossibilidade de aplicação da multa isolada em razão do fato de que a modificação introduzida na Lei n. 9.430/96 que previa a aplicação de multa por pedido de ressarcimento não homologado ou indevido é posterior à apresentação dos pedidos, de modo que não poderia ser aplicado de forma retroativa. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.844 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723006/2013-94 O processo foi então encaminhado ao CARF, sendo a mim distribuído para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e reúne todos os demais requisitos legais necessários, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme indicado no relatório, trata o presente de recurso voluntário sobre multa isolada aplicada em razão da não homologação do pedido de ressarcimento realizado nos autos do PAF n. 10935.004800/2010-92. Ainda que esta turma tenha, de fato, confirmado a correição da decisão de piso que manteve a homologação parcial dos créditos pleiteados e, portanto, negando o crédito nos moldes requeridos pela recorrente, o que, via de regra, implicaria na aplicação da multa isolada de forma proporcional. Não obstante, a recorrente traz à atenção desta Turma questão específica e que deve ser avaliada, qual seja: o fato de que os pedidos de ressarcimento foram formulados e apresentados ao Fisco entre 26/01/2009 a 27/02/2009, ao passo que a previsão da multa isolada foi inicialmente inserida na Lei n. 9.430/96 apenas em 11/06/2010. Diante disso, a recorrente defende que a impossibilidade de retroatividade da penalidade para situação ocorrida anteriormente à sua previsão legal e destaca, como agravante, o fato de que, caso a fiscalização tivesse, de fato, cumprido o prazo de 360 dias para análise do pedido – o que não ocorreu – a previsão da multa sequer estaria em vigor. Ainda que os argumentos trazidos pela recorrente sejam, de fato, relevantes, existem situações fáticas que demonstram que o caso concreto é diverso do defendido. Explico: à época do PER, de fato, não existia previsão para aplicação de multa, em momento posterior – já na vigência da norma que prescreve a multa isolada para casos de não homologação – a recorrente apresentou DCOMPs vinculadas ao mesmo crédito, de forma que, por esta razão e neste contexto, a multa é devida e adequada ao caso vertente. Nestes termos, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento para afastar o lançamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.844 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723006/2013-94 Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16408.001063/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.175
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 06-13.891, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba - PR. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 749 e ss.): Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 484-494), Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 495-498 e 506-511), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 499-505), e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 512-515 e 516-522), por meio dos quais foi lançado contra a pessoa jurídica Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro — CANORP, e as pessoas físicas de Reno Ferrari (CPF n° 008.556.008-10), Renato Martin Ferrari (CPF no 099.628.938-01) e Reno Ferrari Filho (CPF n° 012.545.188-19) o crédito tributário total de R$ 18.693.185,51, incluindo juros morat6rios calculados até Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 2 2 31/08/2006, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo constante as fls. 02. Os fatos e circunstâncias determinantes do lançamento se encontram minudenciados no Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária n° 592/2006, estampado às fls. 433-444; os valores a que se referem se encontram discriminados nas planilhas que compõem seus anexos, sendo: "Anexo 01 — Demonstrativo Mensal de Apuração de Variações Cambiais — AC 2002 a 2005" (fls. 445-448); "Anexo 02 —Demonstrativo Mensal de Apuração de Variações Cambiais — AC 2002 a 2005" (fls. 449-465); "Anexo 03 — Apuração de IRPJ e CSLL ajustada com as Variações Cambiais Ativas — AC 2002 a 2004" (fls. 466); "Anexo 04 — Apuração de PIS e COFINS ajustada com as Variações Cambiais Ativas — AC 2002 a 2004"; "Anexo 05 — Extrato Resumo das Transações Registradas no SISCOMEX" (fls. 468-474); e "Anexo 06", que se propõe a descrever o esquema 'soja-papel, alem de apresentar croqui exemplificativo de operação real de 'performance de exportação' (fls. 475-483). O Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária esclarece que este lançamento tem por base de cálculo apenas as receitas financeiras advindas de variações cambiais ativas não oferecidas à tributação, demonstradas nos Anexos n° 01 e 02, e que a apuração respeita a opção formalmente manifestada pela empresa. Em avultado relato, o aludido Termo, no item "II — INEXISTÊNCIA DE FATO E DE DIREITO DE `COOPERATIVA' E DE 'ATOS COOPERATIVOS" (fls. 434-438), esmiúda as razões pelas quais o Fisco entende que a pessoa jurídica autuada não materializa, de fato e de direito, uma cooperativa, e que os atos por ela praticados não consubstanciam atos cooperativos. No item "III — SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA" (fls. 438-443), enumera as razões pelas quais as pessoas físicas nele qualificadas como sujeitos passivos solidários devem, nesta condição, também responder pelo débito. No item "IV — OBSERVAÇÕES FINAIS", esclarece que, em decorrência do entendimento fiscal de que a autuada não é de fato e de direito uma cooperativa, não se aplicam, nos autos de infração de COFINS e de PIS, as exceções previstas nos art. 32 e 59 do Decreto n° 4.524/2002. Os enquadramentos legais do lançamento se encontram discriminados no campo próprio de cada auto de infração. Tentada a intimação da autuada pela via postal, a correspondência foi devolvida com a informação de "MUDOU-SE" (fls. 527). A intimação dos sujeitos passivos solidários ocorreu pela via postal no dia 20/10/2006, conforme Avisos de Recepção de fls. 528 (Renato Martin Ferrari); fls. 529 (Reno Ferrari Filho); e 530 (Reno Ferrari). A pessoa jurídica autuada foi cientificada do lançamento por meio do Edital de fls. 539, afixado na repartição em 03/11/2006. Em 20/11/2006, foi apresentada a impugnação de fls. 544-561, subscrita apenas pela pessoa jurídica e instruída com os documentos de fls. 562-662. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 3 3 Por meio do documento de fls. 663, foi encaminhada a impugnação de fls. 665- 681, subscrita por todos os sujeitos passivos, especifica para os autos de infração de PIS e COFINS, enviada à repartição fiscal em envelope postado em 21/11/2006 (fls. 664). Por meio da Petição de fls. 684-685, subscrita por todos os sujeitos passivos e encaminhada em envelope postado também em 21/11/2006, foi apresentada "complementação ilustrativa na impugnação e defesa". Por meio da Petição de fls. 689-714, subscrita por todos os sujeitos passivos e encaminhada em envelope postado também em 21/11/2006, relativa ao auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, foi apresentada outra "complementação ilustrativa na impugnação e defesa". Em síntese apertada, as alegações vertidas nas múltiplas peças impugnatórias são as seguintes: 1 — Impugnação de fls. 544-561, apresentada com referência a "Termo de Verificação Fiscal 563/2006 — Auto Infração; Termos de Verificação 592/2006 e encerramento 649.": - aduz que os estatutos e as atas registradas demonstram que a autuada continuou a funcionar na qualidade de empresa cooperativa, e que seus associados, independentemente de quem os sejam, são pessoas ligadas ao setor agrícola, proprietários ou arrendatários, mas todos voltados à produção agrária. Acrescenta que o Fisco não pode se ater a deduções ou elucubrações para colocá-la na condição de ilegal, e que em nenhum momento agiu em desacordo com as normas do cooperativismo. Garante que as operações realizadas com terceiros não-cooperados se referem a operações no interesse da cooperativa e em proveito de seus cooperados, e que os cooperados fornecem, adquirem e se beneficiam das operações da cooperativa como um todo. Apresenta argumentação variada em contraposição às alegações vertidas no Termo de Verificação Fiscal; - argumenta que a desconsideração de cooperativa para outra qualquer, somente pode acontecer por medida judicial; - alega que não se pode olvidar seu direito, principalmente quando o direito aplicado ao caso concreto fica sempre na dependência dos legisladores, e que estes, muitas vezes por inexatidão técnica, acabam criando situações na vida prática de um operador do direito que desconheça os alicerces em que este se assenta. Na seqüência, tece considerações sobre o que seja o Direito e sua relação com o ordenamento jurídico, a pluralidade de norma, os problemas que o ordenamento apresenta, a unidade do ordenamento e suas diversas fontes, a estrutura do ordenamento e sua norma fundamental, e o problema das antinomias jurídicas; - salienta a existência de erro na capitulação das infrações fiscais e perora que os artigos utilizados detêm inequívoco caráter declaratório, razão pela qual seria impossível sua transgressão. Complementa que a suspeita lançada de que a operação mercantil realizada não correspondeu a uma efetiva circulação de mercadoria no Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 4 4 estabelecimento ou a uma transferência de propriedade de mercadoria ofende o principio constitucional da legalidade; - afirma que o Fisco considerou, acima de tudo, os efeitos econômicos dos fatos na relação jurídica, mas que não é possível afastar o negócio jurídico realizado para buscar o sentido diverso dos fatos envolvidos na relação. Argumenta que o Fisco presumiu a infração, mas que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário. Conclui, outrossim, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo; - perora que a tentativa do Fisco em transferir solidariamente a responsabilidade fiscal a sócios, dirigentes e ex-dirigente, caracteriza a teoria da despersonalização da pessoa jurídica, complementando que tal teoria se desenvolveu em face da necessidade de se coibir o abuso da finalidade de uma associação, com vistas a fins inconfessáveis, o que não seria o seu caso. Sustenta que o Código Civil confere autonomia patrimonial à pessoa jurídica, enquanto o Código de Processo Civil assegura que os bens particulares dos sócios não respondem pelas dividas contraídas pela sociedade, sendo nos casos previstos em lei; - arremata sua argumentação acerca da personalidade das pessoas jurídicas dizendo que parece correto responder que a operação praticada pela contribuinte, do ponto de vista tributário, é perfeitamente realizável ao amparo da legislação aplicável, e que o direito tributário elege como fatos geradores determinados atos ou fatos econômicos e jurídicos que se deseja que sejam praticados, mas não obriga que seja adotada aquela forma jurídica, dentre as várias possibilidades admitidas no ordenamento jurídico; - finaliza ponderando que, na hipótese de ser considerado procedente o lançamento, requer a aplicação por eqüidade, relevando-se a aplicação de qualquer penalidade. 2 — Impugnação de fls. 665-681, apresentada com referência a "AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS — Termo de Verificação 592/2006": - aduz que a fiscalização lastreou suas argumentações e interpretações em elementos emprestados de relatório alienígena, imprestável para fundamentar as infrações, e que, como dito na impugnação complementada, o relatório emitido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo se apresenta eivado de vícios de origem, produzido sobre coisa podre, e que foram declaradas judicialmente nulas as atitudes e procedimentos fiscais que deram origem àquele relatório; - argumenta que o Termo de Verificação Fiscal se apresenta de formas contrapostas por atribuir a contribuinte omissão de receita, ao mesmo tempo que qualifica de inidôneos e questiona a efetividade dos negócios de exportação da contribuinte. Diz que, no mesmo ato em que o Fisco suscita a inexistência de operação de exportação, lavra o auto de infração por pretensa omissão de receita. Garante que omissão de receita não houve, porque as operações foram lastreadas em Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 5 5 fornecimentos para o exterior, caracterizando-se, ai, a não-incidência das contribuições pretendidas; - argúi que, na dicção do art. 14 da Medida Provisória n° 1.858, de 30/06/1999, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º/02/1999, são isentas da COFINS e do PIS as receitas de exportação de mercadorias para o exterior. Prossegue, em detalhado escorço histórico, digressionando sobre a evolução da legislação alusiva à. isenção dessas contribuições sobre receitas de exportação. Argumenta que o Superior Tribunal de Justiça já livrou duas cooperativas da incidência do PIS e da COFINS sobre as operações decorrentes de atos cooperativos, e que o Ministro Relator, Luiz Fux declarou em seu voto que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria; - diz estar patente no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração que o resultado operacional levantado refere-se exclusivamente a operações para o mercado exterior; - argumenta que, para subsistir a responsabilidade de diretores e ex- diretores da cooperativa haverá necessidade, primeiramente, de se desconstituir a personalidade jurídica da sociedade, o que não se admite de oficio, pela via administrativa. Argumenta que, A luz do art. 135 do CTN, para que se configure a responsabilidade fiscal dos administradores, pelo não-pagamento do tributo originariamente devido pela sociedade, é necessária a comprovação de que os atos por eles praticados o foram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; Adiciona que a questão da responsabilidade não é simplesmente objetiva, exigindo a comprovação do ato doloso ou culposo para induzir a responsabilidade pessoal dos que exercem a administração da sociedade. Enfatiza que o simples não-pagamento de tributo ou a ausência de bens da empresa passíveis de penhora, de per si, não caracterizam infração lei, suficiente a ensejar a responsabilidade pessoal do sócio-gerente, e que a hipótese do art. 135 se funda na conduta dolosa ou culposa especificamente apontada pelo legislador. 3 — Impugnação de fls.684-685, apresentada com referencia a "AUTO DE INFRAÇÃO BASE DE CÁLCULO — Termo de Verificação 592/2006": - reitera a alegação de vicio pela utilização de relatório emitido pela SEFAZ do Estado de São Paulo; - argúi que os autuantes não levaram em conta tratar-se de operações voltadas para a exportação, o que modifica violentamente o conceito tributário. Adiciona que, por força da Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que dá enfoque especial aos procedimentos de exportação, os encargos inerentes às operações financeiras e comerciais, necessariamente, têm que se adaptar ao texto constitucional vigente, sob pena de ver-se implantado o reverso da legalidade; 4 — Impugnação de fls.689-714, apresentada com referência a "AUTO DE INFRAÇÃO - CSLL — Termo de Verificação 592/2006": Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16408.001063/2006-34 Resolução n.º 1201-000.175 S1-C2T1 Fl. 6 6 - reitera a alegação de vicio pela utilização de relatório emitido pela SEFAZ do Estado de São Paulo; - reportando-se à legislação de regência, reforça a argumentação de que as operações relativas a exportação, são merecedoras do beneplácito da isenção tributária. Aduz que a Emenda Constitucional n" 33, de 11/12/2001, criou verdadeira regra de imunidade, para eliminar qualquer possibilidade de criação ou manutenção de ônus tributário sobre as receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, estendendo assim, para o universo das contribuições sociais, a regra que já havia para a Cofins, o PIS e a Contribuição Social devida pela Agroindústria, criada pela Lei ri° 10.256, de 09/07/2001; - aduz que as contribuições para a COFINS, para o PIS e para a contribuição previdenciária já possuem regras especificas na legislação ordinária definindo sua exoneração fiscal sobre as receitas de exportação e que, entretanto, para a CSLL, não há ainda qualquer norma na legislação ordinária, mesmo recente, que permita a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL. Adiciona que, com freqüência, a Secretaria da Receita Federal vem se pronunciando contrariamente à aplicação da imunidade neste caso. Acrescenta que se defende nos meios tributários a retirada das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, e que essa pretensão já está sendo objeto de demandas judiciais. Na seqüência, tece vasta argumentação sustentando essa tese. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedente o lançamento. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 788 e ss.) e, ademais, requer sejam recebidos os documentos apresentados (fl. 813 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Examinando os autos do processo verifico que, apesar de haverem impugnado o lançamento, e de haverem sido mantidos como responsáveis tributários pela DRJ de origem, os Srs. Reno Ferrari, CPF n° 008.556.008-10, Renato Martin Ferrari, CPF nº 099.628.938-01, e Reno Ferrari Filho, CPF n° 012.545.188-19, não foram cientificados da decisão de primeiro grau. Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que as pessoas acima indicadas sejam intimadas a pagar o crédito tributário ou a interpor recurso voluntário no prazo de 30 dias da ciência da intimação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16327.000744/2003-32
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1201-000.018
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência para que a unidade de origem preste informações sobre a situação do crédito discutido no processo de N° 16327.000885/2001-93, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos santos Mendes (Relator) e Marcelo Cuba Neto, que prosseguiam no
julgamento e negavam provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO-Redator Ad hoc
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem preste informações sobre a situação do crédito discutido no processo de N° 16327.000885/2001-93, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos santos Mendes (Relator) e Marcelo Cuba Neto, que prosseguiam no julgamento e negavam provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc.
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Arrendamento Mercantil Recorrida 8a Turma/DRJ-São Paulo/SP-I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem preste informações sobre a situação do crédito discutido no processo de N° 16327.000885/2001-93, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos santos Mendes (Relator) e Marcelo Cuba Neto, que prosseguiam no julgamento e negavam provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Ad hoc.. GwAlflr4/i -f.vatel"--ies ego - idente Antonio Carlos Guidoni Filho - Redator designado EDITADO EM: 0//04320/1/ Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os Conselheiros Adriana Gomes Rego), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Cheryl Berno (Suplente Convocada), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente de Turma). 1 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolucào n.° 1201-00.018 Fl. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em decorrência de compensação considerada não declarada no processo apenso 16327.003826/2002-58, foi lavrado auto de infração de CSLL, bem como a multa de 75% e juros. 0 sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 12 a 17. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata-se de impugnação (fis. 12 a 17) apresentada por LEASING BMC S. A. ARRENDAMENTO MERCANTIL, supra qualificado, contra Auto de Infração Ns. 02 a 06) relativo a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, referente ao ano calendário de 2002. 2. Na seção "Descrição dos fatos e enquadramento legal" (11. 03), o Auditor Fiscal autuante informa que o contribuinte não efetuou o recolhimento da CSLL, e o lançamento é decorrente de pedido de compensação indeferido no processo 16327.003953/2002-57, conforme preconizado pela IN SRF n° 210/2002. 2.1. 0 valor do crédito tributário constituído foi de R$ 45.517,94, já incluídos a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 28/02/2003. 2.2. Como enquadramento legal, a autoridade fiscal cita o artigo 2° e parágrafos, da Lei n° 7.689/88; art. 1°, da Lei n° 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6°, da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições; art. 6°, da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. 3. Tendo tomado ciência do lançamento em 20/03/2003 (A. R. fl. 11), o contribuinte, representado por seu Diretor Superintendente (fls. 18 a 21 e 56) apresentou injj,iugnação, em 03/04/2003, relatando e alegando o que segue. 2 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 S I-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 3 3.1. Após fazer um breve relato sobre o Auto de Infração, discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. 3.2. Alega que o tributo já estaria devidamente pago com o procedimento (legitimo, no seu entender) de compensação, realizado no âmbito de pedido de restituição, não podendo ser exigido até decisão final do correspondente processo de restituição. 3.3. Em seguida, passa a descrever e comentar as bases de seu pedido de restituição, concluindo: "Não obstante o escorreito procedimento do Impugnante, entendeu o Sr. Chefe do DIORT/DEINF/SPO que o Impugnante havia decaído de seu direito de repetição, já que, segundo seu entendimento, o prazo decadencial para a repetição de tributo declarado inconstitucional conta-se da data de seu respectivo pagamento. Traz como fundamento para sua decisão, o conteúdo do artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, combinado com os termos do Ato Declaratório 96/99, do Secretário da Receita Federal, suportado pelo Parecer da PGFN/CAT n° 1.538/99." 3.4. Prossegue, informando que não conformado com o entendimento da Autoridade Administrativa apresentou eni 06 de novembro de 2002 sua manifestação de inconformidade com relação ao Despacho Decisório que denegou seu pedido de restituição. 3.5. Acredita que em virtude dessa sua manifestação a exigibilidade do crédito tributário objeto do Auto de Infração está suspensa. 3.6. Passa a investir contra a aplicação da taw SELIC como indexador no cálculo dos juros de mora, discorrendo sobre a natureza jurídica dessa taxa em contraposição à natureza da mora. 3.7. Encerra, requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado até que seu dir çto a restituição pleiteada seja definitivamente reconhecido. 3 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 63 a 70) negou provimento A. defesa, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2002 Ementa: SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. 0 indeferimento de pedido de restituição de crédito tributário invalida qualquer pretensão do contribuinte utilizar desse pretenso direito creditório para compensar seus débitos tributários. Em o fazendo, a suspensão da exigibilidade não protegerá o crédito tributário que se pretendeu compensar. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 0 sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 74 a 84. Segundo seu entendimento: 0 mérito deste auto de infração está diretamente vinculado ao reconhecimento do pedido de restituição formulado pela LEASING, nos autos do PAF no. 16327.000885/2001-93. Por ter adotado essa premissa, teceu uma serie de razão para defender o seu suposto direito de crédito. Aduz ainda que apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que indeferiu seu pedido de restituição formulado no referido processo 16327.000885/2001-93. Questiona ainda a aplicação da taxa SELIC em razão de sua suposta inconstitucionalidade. É o relatório. 4 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro Relator, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Apensado ao presente feito, está o processo 16327.003826/2002-58. Nele, A. fl. 01, podemos constatar que o formulário de compensação foi apresentado em 04/11/2002. As fl. 04 a 12, consta copia do despacho denegatório da restituição, cuja ciência foi realizada em 13/09/2002. Dessarte, a declaração foi formulada após a denegação da restituição. Aparenta- me evidente que o objeto deste processo não é o pedido de restituição formulado nos autos do processo 16327.000885/2001-93, o que nos impede de enfrentar as questões aduzidas pela defesa acerca da repetição do indébito. 0 ponto é saber se, após o indeferimento administrativo, mesmo passível de recurso, o administrado ainda fazia jus a formular declaração de compensação com o alegado indébito tributário. Se não possuía tal direito, ainda que ao final obtenha êxito quanto à restituição, a compensação não poderá prosperar. Do contrário, se possuía tal direito, a constituição, ao menos da sanção pecuniária será indevida. Quanto à regularidade da constituição do tributo, sera ainda necessário verificar os efeitos da apresentação do formulário de compensação, ou seja, se ele possui o caráter constitutivo do crédito ou não. Para tal análise, reproduzimos abaixo o artigo 74 da Lei 9.430/96, que disciplina a compensação de tributos administrados pela Receita Federal, bem como as suas posteriores modificações. Mantivemos ainda os dispositivos revogados com sua dicção original, mas marcados por um traço. Art. 71. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito ern julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) ,¢ 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluido pela Lei n° 10.637, de 2002) 5S 20 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua z14terior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) 5 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA §-4° Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de • , o S. ; ! Processo n° 16327.000744/2003-32 S I-C2TO Resolu(do n.° 1201-00.018 Fl. 6 ,sç 30 Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1°: [Redação dada pela Lei n°10.833, de 2003) I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da Unido; (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; c (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; [Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto dc compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal - SHE, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) ,sS' 40 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) §-5 -̀' A Secretaria da Receita Federal disciplinará o 6 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA II - em que o crédito: (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) 7 Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resoluçdo n.° 1201-00.018 Fl. 7 § 5' 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n°10.833, de 2003) § 6' A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 7Q Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9'. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7', apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o . „ : : • declarações de compensação e dos pedidos dc restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de • • .1 I § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) I - previstas no § 3' deste artigo; (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resoluçao n.° 1201-00.018 Fl. 8 b) refira-se a "crédito-prémio" instituído pelo art. 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969; [Incluída pela Lei n°11.051, de 20041 c) refira-se a titulo público; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF, (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) § 13. 0 disposto nos §§ 2' e 5° a 11 deste artigo não se aplica as hipóteses previstas no § 12 deste artigo. [Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) ,sç' 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto afixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) relevante destacar que a previsão relativa A. compensação não declarada de formulários apresentados após o indeferimento administrativo só foi introduzida em 2004 pela lei 10.051/04, no inciso VI do § 3 0, ou seja, após a data da apresentação do formulário relativo ao presente feito. Pela leitura deste dispositivo, poderíamos, a contrário senso, afirmar que, antes da veiculação desta disposição, não havia tal vedação, ou seja, a compensação poderia ser realizada mesmo após o indeferimento administrativo. Nada obstante, nem sempre a lei tem a finalidade de modificar a ordem jurídica posta. Amiúde o legislador edita diplomas normativos apenas com a finalidade de fixar de forma mais clara e explicita regras que já podiam ser aferidas com base nos diplomas anteriores, regras estas inclusive já aplicadas pelos órgãos de julgamento. No caso, não podemos perder de vista que o CTN assim dispõe, desde 1966: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (nosso destaque). Ora, só são passíveis de compensação "créditos líquidos e certos". Foi essa a razão de o legislador ordinário federal ter incluído no rol expresso de hipóteses de declarações não formuladas os formulários apresentados após o interessado ter tido ciência do indeferimento do pleito administrativo de sua restituição. Nesse caso, ainda que tenha direito ao recurso administrativo, seu pretendido crédito não mais goza de certeza e liquidez, ou melhor, não goza sequer de presunção de certezaA liquidez, qualidade essencial que deve possuir o indébito para ser objeto de compensação. 8 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 9 Entendemos que o regime jurídico da compensação, bem como a natureza dos créditos de ambos os sujeitos da relação jurídica, devem ser verificados na data do encontro de contas. Desse modo, como na data da apresentação do formulário, o crédito não mais gozava de presunção de certeza e liquidez, a compensação foi indevida, o que legitimaria a autoridade a realizar o lançamento. Não há também relação de prejudicialidade entre o presente feito e o pedido de restituição, pois, mesmo que lhe seja posteriormente reconhecido o direito ao indébito, tal fato não implicaria o reconhecimento da certeza e liquidez na data da apresentação do formulário de compensação. Já, em relação aos efeitos da apresentação do formulário em relação ao crédito do Fisco, foi só a partir da introdução do § 6° pela MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que tal documento adquiriu o caráter constitutivo. Desse modo, a apresentação em 04/11/2002 não produziu o efeito de constituir o crédito tributário, o que impõe ao Fisco promover o presente lançamento. Em relação às alegações atinentes A. taxa Se lic de juros, delas deixo de tomar conhecimento e aplico a Súmula abaixo transcrita em razão de sua força vinculante: "Stimuli' 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Guilh&ffie Adolfo dos Santos Mendes e 9 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 16327.000744/2003-32 SI-C2TO Resolução n.° 1201-00.018 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho - Redator designado Trata-se de procedimento administrativo instaurado para exigência de crédito tributário constituído pela "falta de recolhimento da contribuição social sobre o lucro (financeiras)", nos anos-calendários de 2001 e 2002, em decorrência do "indeferimento do pedido de restituição e compensação" (fls. 02). A relação de dependência entre o lançamento impugnado e o citado pedido de restituição encontra-se mencionada pela própria Fiscalização no auto de infração (fls. 06). Em análise desses autos, constata-se que não há condições de conhecer com segurança do pleito do contribuinte, visto que não solucionado definitivamente (na esfera administrativa) o procedimento administrativo do qual este é decorrente. Referido procedimento encontra-se em trâmite perante o Primeiro Conselho de Contribuintes, para exame de recurso voluntário interposto pela Interessada, em fase "retorno de resolução". E conveniente que o julgamento deste recurso se dê após o exame do Processo Administrativo n. 16327.000885/2001-93, pelo intuitivo risco de decisões contraditórias de mesmo grau de jurisdição administrativa. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligencia para que a unidade de origem pre 'te informações sobre a situação do crédito discutido nos processos de n° 163 00I85/ q01-93, retornando-se os autos ao Con elho Administrativo de Recursos Fisces .. . j lga e -0--após o cumprimento da diligência. Antoni 10 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA
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Numero do processo: 10380.005171/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1201-000.057
Decisão: Resolvem os membros desta Turma Julgadora, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.005171/200574 Recurso nº 502553 Resolução nº 1201000.057 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de agosto de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LIDUINA BENIGNA COSTA SOUZA Resolução Resolvem os membros desta Turma Julgadora, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra do contribuinte IRPJ e CSLL do ano calendário de 2003, em razão de suposta ausência de declaração de receitas auferidas, escrituradas nos livros de apuração do ICMS e nas Guias GIEFs, contudo não declaradas para fins de IRPJ e CSLL na DIPJ/2004. Além da exigência fiscal, fora cobrada também do contribuinte multa de ofício de 75% do valor do tributo, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, além dos juros Selic. Não foram lavrados os Autos de Infração das contribuições a título de PIS e Cofins, tendo em vista que tais contribuições são de responsabilidade do substituto tributário, conforme assinalado na folha de continuação ao Auto de Infração — IRPJ. A contribuinte tem como atividade a comercialização de combustíveis, recolhendo ICMS sob o regime de substituição tributária. Devidamente intimada dos lançamentos em 28.06.2005, a contribuinte apresentou impugnação em 27.07.2005, alegando em síntese: a) o Auto de Infração foi lavrado por suposta omissão de receitas em face da Fiscalização ter entendido que a contribuinte escriturou e declarou receitas da venda de combustíveis a menor. Discorda, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 2 2 entretanto, da autuação, uma vez que não cometera as ilicitudes que lhe forma imputadas no aludido Auto de Infração; b) depreendese do Auto de Infração que a autoridade fiscal atribuiu à defendente o recolhimento a menor do IR e da CSLL, após fazer comparativo com as declarações por ela prestadas para o Estado do Ceará, por meio das GIEFs, tendo constatado por meio dos referidos documentos que a base de cálculo do ICMS é em valor a maior e que apuradas as diferenças, mês a mês, resulta na importância de R$ 408.631,69, sobre a qual foram calculados os tributos federais; c) aduz que não houve supressão de tributos (IR e CSLL), uma vez que estes foram pagos em sua totalidade. Esclarece, nesse sentido, que efetivamente o que ocorreu é que para o recolhimento do ICMS computouse todas as devoluções de compra efetuadas ao longo do ano pois à luz da legislação do ICMS as Notas Fiscais de devoluções compõem a base de cálculo deste imposto, apurandose, assim, sem dúvida, uma base de cálculo a maior; d) assevera, porém, que é notório que a base de cálculo dos tributos federais é o lucro, expresso pelo resultado das vendas (faturamento) subtraído das compras e despesas; e) assim, pelo citado motivo, houve erro na lavratura do Auto de Infração, conforme pode ser verificado por meio das Notas Fiscais de devolução, em anexo; f) da mesma forma que não houve a supressão do pagamento de tributos, não incide sobre o principal a obrigação acessória (75% de multa), calculada na forma da legislação supramencionada. Isto porque não houve inexatidão da declaração, pois o contribuinte calculou os tributos na forma da legislação pertinente, de modo que é absolutamente injurídica a cobrança de multa no patamar pretendido pelo Fisco; g) entretanto, resulta demonstrado que o Agente Fiscal, no procedimento fiscal em apreço, não arrimouse no Princípio da Verdade Material, segundo o qual a Administração Tributária deve ter uma postura proativa no sentido de não se satisfazer somente com as provas trazidas aos autos, devendo empenharse na busca da verdade substancial ou à verdade material tributária,à exatidão legal do tributo; conforme lição nesse sentido prestada pelo mestre Adelmo da Silva Emerenciano, em sua obra Procedimentos Fiscalizatórios (Editora Copola, p. 177, 202/203), que traz à colação (fls. 37); h) aduz que foi justamente o que ocorreu no presente caso, pois o fiscal não perquiriu acerca da real base de cálculo do ICMS, que é diferente do IR e da CSLL, satisfazendose pela análise superficial dos documentos, acoimandoos de inexatos, para em conseqüência lavrar o Auto de Infração ora impugnado; i) além de inconsistente, conforme demonstrado, inferese que o lançamento em questão é improcedente, não devendo, portanto, prosperar, porquanto decorrente de pressuposto errado, já que não houve cometimento de qualquer infração; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 3 3 j) requereu que julgado improcedente o Auto de Infração, por ser medida que se impõe em homenagem a mais pura e louvável justiça, por ter plena convicção de que este órgão julgador, em suas decisões sempre se espelha no binômio "esmero" e "isenção"; k) permitido à impugnante a prova dos fatos alegados por todos os meios admitidos em Direito, notadamente se for necessária a juntada posterior de documentos, perícias, e tudo o mais que se faça necessário, ficando desde já requerido; l) dada a interpretação mais favorável ao sujeito passivo, em caso de dúvidas ou de ausência de disposição expressa, conforme dispõem os arts. 108, 109, 110 e 112 do Código Tributário Nacional. Na decisão da DRJ houve a manutenção do lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Lucro Real Omissão de Receitas (Receita Escriturada e Não Declarada). Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores apurados do cotejo entre as vendas registradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e os valores declarados ao Fisco federal na DIPJ12004. A alegação da defesa, de que, parte dos valores tributados diria respeito a valores que não representariam vendas efetivas, não surte nenhum efeito jurídico no sentido de infirmar o Auto de Infração, quando a legislação tributária pertinente, não contemplar a operação de devolução de compra realizada pela impugnante como exclusão da base de cálculo do IRPJ. Tributação Reflexa: CSLL Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado ao Auto de Infração reflexo. Lançamento Procedente Devidamente intimada da decisão da DRJ em 19.05.2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em apertada síntese que: a) A base de cálculo considerada para recolhimentos do ICMS é maior que a base de cálculo para o recolhimento do IRPJ e da CSLL, e que apuradas as diferenças, mês a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 4 4 mês e somadas, constatase um valor de R$ 408.631,69 sobre a qual calculouse os tributos federais. b) O que ocorreu efetivamente é que para o recolhimento do ICMS, computou se todas as devoluções de compra efetuada ao longo do ano, pois na legislação do ICMS as notas fiscais de devolução compõem a base de cálculo deste imposto; c) Não havendo supressão do pagamento do IRPJ e da CSLL, pois a base de cálculo desses tributos é o Lucro, não incide sobre o principal a multa de 75%; d) Nesse sentido, requereu o cancelamento do Auto de Infração, através do provimento ao Recurso. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Não havendo matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. Quanto ao mérito, entendo que a decisão da DRJ merece reparos. Primeiramente é fato incontroverso que as bases de cálculo incidentes no IRPJ/CSLL e ICMS são distintas, tendo como preceitos iniciais em ambos os casos a receita bruta. Logicamente que o ICMS estará pautado no faturamento, incluindo sobre sua base de cálculo as devoluções, visto que a saída é tributada, ou seja, as mercadorias devolvidas integraram a base de cálculo do tributo estadual, ao passo que no IRPJ/CSLL a receita bruta, segundo o entendimento da decisão recorrida não teria legislação apta reconhecendo tal exclusão expressamente quando da apuração da base de cálculo dos tributos federais. Contudo, a despeito das referidas peculiaridades receita bruta é receita bruta, logicamente diferente do faturamento, como bem reconhecido inclusive pelo STF. O que temos que investigar aqui é se para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, as devoluções teria algum impacto de valores excludentes quando da apuração da base de cálculo desses tributos federais. Para o PIS e Cofins, a Lei n° 9.718/98, em seu artigo 3°, prevê expressamente essa exclusão das vendas canceladas, que possui identidade ou similaridade com as devoluções, visto que o efeito econômico é o mesmo: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 5 5 I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; A distinção entre vendas canceladas e devoluções foram tratadas pela Receita Federal no passado: A distinção principal é que o cancelamento significa a não saída do estoque, enquanto a devolução representa a saída e o conseqüente retorno para o estoque de um fornecimento efetuado. Na devolução o bem saiu do estabelecimento vendedor, chegou ao estabelecimento adquirente que o recusou. Para o vendedor as devoluções de vendas significam o retorno por inconformidade de produtos ou mercadorias. Podem caracterizar desfazimento de negócio ou não. O bem devolvido poderá ser reposto em igual quantidade e espécie. As vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços. Eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de vendas ou de rescisão contratual não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas devem ser computados nos resultados operacionais. (Instrução Normativa SRF nº 51/1978). Nestes termos, a zona cinzenta entre as vendas canceladas e as devoluções está no fato de que no segundo caso poderá haver reposição do bem devolvido em igual espécie e quantidade. Contudo, para efeitos de ICMS, tal procedimento é tratado com rigor, procedimentos e escrituração. Assim, na hipótese da fiscalização investigar documentos do contribuinte e certificar que as devoluções não foram repostas, ou se repostas resultaram na tributação do IRPJ e da CSLL quando da reposição, entendo que seria passível de exclusão da receita bruta os valores das devoluções para fins de Pis e Cofins. Da mesma forma, precisamos investigar se o referido tratamento acima seria aplicável no caso do IRPJ e da CSLL, visto são esses os tributos envolvidos. Em termos contábeis, as devoluções das vendas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta no próprio período de apuração. O Regulamento do IR tratou de forma expressa apenas das vendas canceladas: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10380.005171/200574 Resolução n.º 1201000.057 S1C2T1 Fl. 6 6 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º). Já a Instrução Normativa n° 93/97, em vigor, dispõe sobre as devoluções de forma expressa, como excludente da receita bruta: Art. 5º A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, observandose que: (...) § 1º Da receita bruta serão excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais concedidos. Portanto, entendo que a DRJ deixou de investigar os conceitos e efeitos da venda cancelada e das devoluções de vendas, sendo omissa inclusive na menção o disposto no artigo 5°, § 1°, da IN n° 93/97. Nesse sentido, entendo pela necessidade da baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização: a) analise e aponte todas as devoluções mencionadas pelo contribuinte no ano calendário de 2003, investigando inclusive se tais devoluções foram devidamente registradas nos livros fiscais e contábeis do contribuinte; b) analise e aponte se houve ou não reposição dos bens e se sobre essas reposições houve tributação sobre a receita bruta para fins de IRPJ e CSLL. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO – Relator (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS – Presidente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900131/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de Molejo, classifica-se no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE.
Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste.
Numero da decisão: 3301-011.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.331, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.725113/2011-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de Molejo, classifica-se no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE. Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE. Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.331, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.725113/2011-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 01 31 /2 01 1- 30 Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI, Per/Dcomp, o qual foi indeferido/deferido parcial, e não homologada/homologada em parte a compensação declarada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em razão da reclassificação dos produtos para nova alíquota de IPI. O contribuinte adotou classificação fiscal incorreta em toda uma série de produtos produzidos a partir de fios de arame de aço. Os produtos descritos genericamente como “MOLEJO”, “ALMOFADA” e “BORDAS” para confecção de colchões e almofadas para sofás e poltronas classificados, pelo contribuinte, no código 9404.29.00 descrito como “COLCHÕES DE OUTRAS MATÉRIAS” (que não borracha alveolar ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos – descrito no subitem anterior 21.00) e cuja alíquota de IPI é zero; A simples observação dos produtos mostra claramente que não se tratam de colchões ou almofadas e sim de artefatos de arames (fios) de aço (vendidos à empresas de fabricação de colchões, como se observa nas notas de saída), que ainda precisam de tratamento industrial para se tornarem colchões e que são compostos exclusivamente de fios de aço, exceção dos molejos cujas molas são encapsuladas umas às outras através dessas cápsulas de “não tecidos”, formando um “molejo” que possui características próprias e pouco distintas dos demais molejos, mas que são essencialmente iguais e não se enquadram na classificação pretendida, pois não se tratam de colchões; Cientificada da decisão a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Não deve prosperar o despacho decisório, pois o meio próprio para a fiscalização lançar estes créditos seria através de auto de infração. Ao indeferir parcialmente a compensação, o que a autoridade pretende é exigir indiretamente o IPI supostamente devido referente às saídas ocorridas no período; [ A empresa discorda da classificação adotada pelo auditor fiscal, pois o produto em tela, “molejo” é a parte essencial do colchão; todas as características de um colchão dependem do tipo de conjunto de molejos que é utilizado. É a parte fundamental do colchão; O auditor fiscal não soube utilizar corretamente a RGI “2a” que determinaria a classificação do produto como colchão inacabado ou incompleto, pois o molejo contém ‘no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado”; O auditor fiscal também desconsiderou as notas explicativas da posição 9404 (B) que afirma que deverão ser incluídos nessa posição os colchões “cuja característica essencial seja estarem providos de molas”; O auditor fiscal desconsiderou e não aplicou a IN SRF nº 807, de 11 de janeiro de 2008, a qual expressamente determina que a posição 94.04 abrange os suportes elásticos para camas; Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Sendo assim, o "molejo" contém um sistema de molas bastante complexo que é, como afirma a nota da posição 9404, característica essencial do colchão, sendo suficiente para classificar o "molejo" como colchão inacabado ou incompleto; Voltando a RGI 2a, o produto inacabado deve ser classificado na posição do produto acabado se contém suas características essenciais, assim a correta classificação do molejo é no código 9404.29.00, sendo inconsistente as alegações do auditor fiscal; A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada, a contribuinte apresentou recurso, no qual são apresentas questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente contesta a classificação adotada pela fiscalização para o produto “molejo”. Argumenta que este produto tem a característica essencial do colchão e como tal deve ser classificado, obedecendo à Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 2A, apropriada para classificação dos produtos incompletos ou inacabados. Também afirma que as consultas fiscais mencionadas na decisão de piso não são aplicáveis ao caso. A Recorrente traz laudo pericial (fl. 152 e seguintes), laudo judicial (fl. 286 e seguintes) e decisões judiciais sobre a classificação fiscal em pauta aplicada a tributo estadual. Será apreciada neste voto a lide levada à DRJ e por esta analisada, a saber: a matéria relativa à classificação fiscal do produto designado genericamente de “molejo”, classificado no código NCM 9404.29.00, com alíquota 0%, e reclassificados pela fiscalização para o código NCM 7326.20.00, com alíquota de 5%. Mesmo considerando os laudos apresentados pela Recorrente e também as decisões judiciais, concordo com a decisão recorrida. Destaco que a função dos laudos, diversamente do que se verifica às fls. 186, não é classificar a mercadorias, para apresentar subsídios para que a autoridade fiscal ou julgadora tenha elementos para classificar. Anoto também que a decisão judicial, relativo ao mesmo contribuinte mas pertinente a tributo estadual não se aplica ao presente caso. Assim, em vista do disposto no § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reproduzo os fundamentos da decisão de primeira instância e os faço minha razão de decidir: Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Nessa matéria, é fundamental atentar que, no âmbito do Sistema Harmonizado, a correta classificação fiscal de qualquer mercadoria no nível da subposição apropriada só pode ser alcançada depois de ter sido previamente, e devidamente, identificada a respectiva posição de enquadramento. Na posição 9404, adotada pela contribuinte, estão incluídos: “Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos.” Note-se que a classificação pretendida pela contribuinte não coloca como parte essencial do colchão a sua confecção mediante utilização de molas, mas apenas diz que se classificam como colchões aqueles elementos ainda que equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias. Logo, o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Neste caso, vale observar que o produto será “colchão” independente de ser guarnecido com molas ou quaisquer outros elementos (espumas ou penas). Na verdade, esta é apenas uma qualidade do colchão. Assim, possuir molas não é característica essencial que importe classificar o colchão no código 9404.29.00. Os colchões de mola são classificados na posição 9404, mas o texto dessa posição não autoriza que as partes do colchão devam ser também classificadas nessa posição. Verifica-se, portanto, que a RG 2A não se aplica ao caso concreto, pois o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Assim, no sentido de conferir a correta classificação fiscal, reproduzo a descrição realizada pelo autuante no relatório fiscal por considerálas adequadas para a classificação fiscal do produto “molejo” no código 7326.20.00: “As regras de classificação fiscal são determinadas por acordo realizado no âmbito da ONU através do GATT (General Agreement on Tariffs and Trade –Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) e regemse pelas REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO – RGISH, transcritas abaixo, aprovadas pelo Decreto 97.409/88: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificam-se com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2. (RGC2) As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1. (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendo-se que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Em acordo com a primeira regra aprovada e levando em consideração que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em sua norma NBR 15413, regula o assunto, definindo Colchão de Mola nos seguintes termos: “bem de consumo durável, para o repouso humano, constituído por quatro principais componentes: molejo, isolante, estofamento e revestimento.” Grifei. O molejo é apenas uma das quatro partes do colchão de mola, e, como tal não pode ser entendido e não apresenta característica essencial do colchão, sendo impossível dormir sobre o mesmo. Descartada a possibilidade dos produtos se enquadrarem na posição formalizada pelo contribuinte de acordo com a regra 2a (2 A Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Grifo nosso.) e visto que os molejos não possuem as características essenciais do produto acabado, passouse à 2b, que afirma que “qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria”, como os produtos são compostos essencialmente por fios e molas de aço, nos remetemos à seção XV (Metais comuns e suas obras), capítulo 73 (Obras de ferro Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 fundido, ferro ou aço, grifos nossos) determinando então a posição. Vencida essa etapa partimos para a determinação da subposição e encontramos as seguintes possibilidades: Ressalto que concordo plenamente com as observações constantes da decisão de piso no sentido de que a classificação pretendida pela Recorrente não coloca como parte essencial do colchão a sua confecção mediante utilização de molas, mas apenas diz que se classificam como colchões aqueles elementos ainda que equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias. Logo, o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Ou seja, conforme a descrição da classificação almejada não inclui molas para colchão, mas inclui colchões ainda que com molas. Ou seja, conforme se concluiu na decisão de piso, ter molas “é apenas uma qualidade do colchão”, “possuir molas não é característica essencial que importe classificar o colchão no código 9404.29.00. Assim, parece-me absolutamente correta a conclusão de que o s colchões de mola são classificados na posição 9404, mas o texto dessa posição não autoriza que as partes do colchão devam ser também classificadas nessa posição Da mesma forma, sigo na linha de observação de que a RG 2ª, mencionada pela Recorrente, não se aplica ao caso concreto, pois o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Dessarte, concluo com a decisão de piso pela correição da classificação proposta pela fiscalização. Assim, afastada a classificação fiscal proposta pela Recorrente, continuo transcrevendo a decisão recorrida, com o propósito de verificar a correta classificação. Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 A regra 3 determina que quando houver possibilidade de classificação em duas ou mais posições da tabela devemos considerar as três formas nela estabelecidas que determinam – resumidamente que (a) a prevalência da mais específica sobre as genéricas; (b) pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial; (c) pela posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração e, por fim, de acordo com as notas explicativas do Sistema Harmonizado – NESH que é determinante da classificação fiscal, e que trazem as seguintes determinações quanto aos produtos incluídos: 73.20 Molas e folhas de molas, de ferro ou aço. Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 7320.10 Molas de folhas e suas folhas 7320.20 Molas helicoidais 7320.90 Outras Incluemse na presente posição as molas de ferro ou aço de qualquer espécie, dimensão ou aplicação, exceto as molas para relógio da posição 91.14. Designam-se por “molas” as peças metálicas que se apresentam em folhas, fios ou barras, dispostas de modo a poderem sofrer deformações consideráveis, graças a sua confecção apropriada e à elasticidade da matéria que as constitui, e suscetíveis de retomar a forma primitiva sem prejuízo da sua resistência. Esta posição compreende os seguintes tipos de molas: A) As molas de folhas, simples ou sobrepostas, principalmente empregadas para constituir suspensões elásticas de várias espécies de veículos (locomotivas, vagões, automóveis e outros veículos). B) As molas helicoidais, das quais as mais comuns são: 1) As molas de espirais (helicoidais) (de compressão, tração e torção, entre outras), constituídas por fios ou barras de seção circular ou retangular, utilizadas principalmente em material de transporte, máquinas, etc. 2) As molas em voluta, formadas por fios, barras ou chapas de seção retangular ou oval, enroladas em espirais cônicas ou troncônicas, utilizadas principalmente como amortecedores ou parachoques nos engates de vagões, em tesouras de podar, máquinas de tosquiar e em artefatos semelhantes. C) As molas espirais planas e as molas planas, utilizadas em dispositivos de corda, em fechaduras, etc. D) As molas em forma de disco ou anel (do tipo das utilizadas em parachoques de ferrovias, etc.). As molas podem encontrar-se providas de braçadeiras (sobretudo as molas de folhas), de pinos ou pernos e de outros dispositivos de ligação. Incluem-se também aqui as folhas separadas para molas de folhas. Excluem-se desta posição: a) As molas para hastes ou cabos de guardachuvas ou de guardasóis (posição 66.03). b) As arruelas (anilhas*) abertas e outras com função de mola (posição 73.18). c) As molas transformadas em fechos automáticos de portas (posição 83.02), em órgãos de máquinas (Seção XVI) ou de aparelhos e instrumentos dos Capítulos 90 e 91, por exemplo. d) Os amortecedores e barras de torção da Seção XVII. 73.25 Outras obras moldadas, de ferro fundido, ferro ou aço. 7325.10 De ferro fundido, não maleável 7325.9 Outras: 7325.91 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7325.99 Outras Classificam-se nesta posição todas as obras moldadas de ferro fundido, ferro ou aço não especificadas nem compreendidas em outras posições. Entre as obras incluídas nesta posição, citam-se: os artefatos para canalizações (alçapões para caixas de visita, grades e chapas de esgotos, etc.), marcos, tampas ou chapas para hidrantes (bocas de incêndios*), chafarizes (marcos fontanários*), marcos de correio (marcos postais*), marcos de chamada de socorro e semelhantes, cabeços de amarração, carrancas e goteiras de telhado, vigas de mina, esferas para moinho, cadinhos sem dispositivos mecânicos ou térmicos, contrapesos para suspensões, imitações de flores e folhagem (com exclusão dos artefatos da posição 83.06) e botijões de ferro fundido para transporte de mercúrio. Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 A presente posição não inclui as obras moldadas que constituam artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (por exemplo, partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos), nem as obras moldadas não acabadas que necessitem de um trabalho suplementar, mas que já apresentem as características essenciais destes artefatos acabados. Excluem-se, também, da presente posição: a) As obras deste gênero obtidas por outros processos, tais como a sinterização (posição 73.26). b) As estátuas, vasos, urnas e cruzes de ornamentação (posição 83.06). 73.26 Outras obras de ferro ou aço (+). 7326.1 Simplesmente forjadas ou estampadas: 7326.11 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7326.19 Outras 7326.20 Obras de fios de ferro ou aço 7326.90 Outras Classificam-se nesta posição as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de torno, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura. Incluem-se na presente posição, entre outros: 1) As ferraduras, ferragens para saltos (tacões*) e protetores para calçados (mesmo com pontas), ganchos e grampos para subir às árvores, portinholas de ventilação não mecânicas, estores (venezianas) formados por lâminas metálicas, arcos para pipas, ferragens para linhas elétricas (braçadeiras, suportes, consoles, etc.), dispositivos de suspensão ou de fixação para cadeias de isoladores (balanceiros, manilhas, alongas, olhais ou anéis com haste, ballsockets, terminais de suspensão, terminais de amarração, etc.), esferas para rolamentos não calibradas (ver a Nota 6 do Capítulo 84), estacas para vedações, cercas e tendas, estacas para prender animais, arcos para canteiros e ruas de jardim, etc., tutores para plantações, esticadores e tensores para fios de vedações, telhas (com exceção das utilizadas na construção, posição 73.08) e goteiras, braçadeiras para prender tubos flexíveis a elementos rígidos, tais como tubos, torneiras, etc., braçadeiras e flanges para suporte de tubulações (com exclusão das braçadeiras e outros dispositivos semelhantes especialmente destinados a reunir os elementos tubulares ou outros da construções metálicas, posição 73.08), medidas de capacidade (decalitros, litros, etc., que não sejam os simples recipientes graduados de uso doméstico da posição 73.23), dedais, cravos denominados “pregos” para demarcação de estradas (faixa para pedestres (peões*)) ganchos forjados, porta mosquetões para qualquer uso, escadas moldador da posição 73.17) e imitações de flores e folhagem de ferro ou aço forjado (com exclusão dos artefatos da posição 83.06 e da bijuteria da posição 71.17). 2) Os artefatos de fio, tais como armadilhas, alçapões, ratoeiras, gaiolas, atilhos para forragens, feixes e semelhantes, aros para pneus, fios para liços de tecelagem formados por dois fios justapostos e soldados um ao outro, anéis para focinhos de animais, ganchos metálicos para suportes elásticos de camas, ganchos para açougue, ganchos para ardósias e semelhantes, bem como os cestos para papéis. 3) Certas caixas e estojos, tais como caixas ou escrínios de ferramentas, que não tenham sido especialmente concebidos ou preparados no interior para receber ferramentas específicas, com ou sem os seus acessórios (ver a Nota Explicativa da posição 42.02), caixas para botânicos e semelhantes, cofres para joias, caixas para pó-de-arroz ou cosméticos, cigarreiras, charuteiras, tabaqueiras, bomboneiras, etc. (com exclusão dos recipientes da posição 73.10, das caixas de uso doméstico da posição 73.23 e dos artefatos de ornamentação da posição 83.06). Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Também se incluem aqui os dispositivos para fixação de ventosa constituídos por armação, um cabo, uma alavanca destinada a criar uma depressão e discos de borracha destinados a serem adaptados momentaneamente a um objeto (especialmente vidro) para o deslocar. A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essenciais de artefatos acabados. Também excluem-se da presente posição: a) Os artefatos da posição 42.02. b) Os reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes das posições 73.09 ou 73.10. c) As obras moldadas de ferro fundido, ferro ou aço (posição 73.25). d) Os objetos de escritório, tais como bibliocantos (aparalivros*), tinteiros, descansos para canetas, mataborrões, pesapapéis (pisapapéis*), porta carimbos (posição 83.04). e) As estátuas, vasos, urnas e cruzes ornamentais (posição 83.06). f) As prateleiras de grandes dimensões, destinadas, depois de montadas, a fixaremse em estabelecimentos comerciais, oficinas e em outros locais onde se armazenem mercadorias (posição 73.08), bem como outras prateleiras e etageres da posição 94.03. g) As armações para abajures (quebraluzes) (posição 94.05). (Grifos nossos) A NESH dos itens pesquisados demonstra que a posição 73.20 englobaria as molas em geral inclusive as utilizadas para se fazer os molejos, mas como não cita os conjuntos de molas e os molejos incluem partes que não são molas (os grampos e os arcos que os envolvem e fazem o perímetro das peças, por exemplo), continuei a pesquisa e me deparei com a posição 7325, que poderia incluir tais artefatos (outras obras moldadas de ferro ou aço), mas são excluídos por determinação de “não especificadas ou compreendidas em outras posições” e como já podia enquadrar em molas (que seria a mais específica) da posição 7320, continuei a pesquisa e cheguei a posição seguinte 7326, que generaliza as obras de aço, mas especifica as obras de fios de ferro ou aço e então pude realmente chegar a uma conclusão, visto que a posição, 7326.20.00, engloba uma vasta gama de artefatos construídos com fios de aço e satisfaz todos os itens da regra 3ª. Na pesquisa realizada para a classificação fiscal das mercadorias foi observado que houve consultas a respeito do mesmo material – por contribuinte diverso do fiscalizado – tanto na 6ª região fiscal (em anexo), quanto na Organização Mundial de Aduanas – OMA (Pareceres de Classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da OMA internalizados pela IN RFB nº 873/2008 – que pode ser acessado pelo link: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Ins/2008/AnexoUnicoINR FB873.pdf, na página 67 ) e que chegaram a mesma conclusão: as mercadorias descritas foram classificadas no código 7326.20.00 da TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, publicada no DOU de 29 de dezembro de2006 e retificada no DOU de 8 de janeiro de 2007 e cuja alíquota de tributação pelo IPI é de 5% (cinco por cento), estabelecida pelo DECRETO No. 4.542 DE 26 de dezembro de 2002, permanecendo até a data de hoje.” Assim, diante da análise detalhada do enquadramento do produto “molejo”, realizada pelo fiscal diligente, com fundamento nas regras interpretativa do Sistema Harmonizado, resta comprovada a Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 correta classificação adotada pela fiscalização na posição TIPI 7326.20.00. Desta forma, a fiscalização, após constatar o cometimento de irregularidades, reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte e apurou saldo devedor ao final do período de apuração do 3º trimestre de 2009, no valor de R$ 57.780,35, fl. 103. Assim, inexistindo saldo credor ao final do trimestre calendário objeto do Per/Dcomp em tela,não há que se falar em ressarcimento ou compensação de crédito. Ressalto que o entendimento da Receita Federal sobre a matéria, expresso em diversas soluções de consulta, inclusive colacionadas pela fiscalização nos presentes autos, evidência a correta classificação adotada pela fiscalização para o produto “molejo”, código 7326.20.00, com alíquota de 5%. Sobre os diversos atos, trazidos como sustentação de tese da classificação fiscal utilizada pelo autuado, deve-se esclarecer que a RFB, por intermédio de seus auditores fiscais, tem autonomia para estabelecer a classificação fiscal de produtos, inclusive emitir soluções de consulta sobre a matéria. Aliás, a classificação fiscal de produtos mereceu destaque no Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que no seu art. 64 prescreveu: “Art. 64. Os laudos e os pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres (Decreto no 70.235, de 1972, art. 30, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos”. Nessa matéria, os argumentos científicos que municiam laudos ou perecer técnico não prevalecem sobre as regras lógicoracionais intrínseca do Sistema Harmonizada, servem apenas subsidiariamente para instruir o processo a ser examinado e decidido pela autoridade competente, nomeada na Lei. Na posição 9404, adotada pela contribuinte, estão incluídos: “Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos.” Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.335 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.900131/2011-30 Dessa forma, entendo, na mesma linha da decisão recorrida e tendo-a como fundamento, que a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal para o produto em pauta está correta. Ou seja, o produto deve ser classificado no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001968/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1201-000.080
Decisão: Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente), Rafael Correia Fuso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Darci Mendes de Carvalho Filho, João Carlos de Figueiredo Neto e André Almeida Blanco. Relatório A empresa, mediante Ato Declaratório Executivo n° 22 de 11 de março de 2005, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES em razão de excesso de receita bruta no anocalendário de 1999, em relação ao limite estabelecido no inciso do art. 9° da Lei n° 9.317/1996 (microempresa). O efeito da exclusão foi a partir de 01/01/2000. Inconformada com a exclusão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 12 a 20, protocolizada em 06/05/2005, na qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 63 2 Nas alegações ressalta que o solicitante não havia declarado todas as receitas oriundas da revenda de mercadorias (produtos hortifrutigranjeiros), partindo de suas constatações descritas no Termo de constatação e dos Demonstrativos dos Depósitos Bancários na conta corrente 7369x, agência 2879 do Banco do Brasil e conta corrente 1119.02203213 agência 1119Maracanaú do HSBC Bank Brasil S.A., relativos ao ano calendário de 1.999 ocorrendo desta feita os efeitos da exclusão considerados à partir da data de 01/01/2000, em obediência ao disposto no art.15, inc.IV da Lei 9.317/96. Ocorre ilustre Julgador singular, que a impugnante jamais ou tempo algum deixou de ser optante do simples, e que os termo de constatação é um grande equívoco, haja vista que efetivamente a empresa não ultrapassou os valores de R$1.200.000,00 (Um milhão e duzentos mil reais) à época do ano base de 1999 até 2000, e sim ocorrera um grave equivoco, sendo portanto à época realmente optante do simples, e como tal, neste deve ser tratada fiscalmente. Pelo que se assevera a Lei 9.317/96, não poderia a Impugnante ser excluída do simples na forma que se deu, tão pouco ser autuada da mesma forma, haja vista que o princípio da ampla defesa ainda está em vigor na nossa legislação (Carta Magna) e não poderá arcar com o anus de elevada autuação pela exclusão de certa forma arbitrária. Em momento algum ocorreu omissão de receitas, e a dedução do ilustre fiscal que culminou no ato ora guerreado está eivado de equívocos quanto a este fato inicial. Ademais, a empresa jamais teve livros contábeis, até pela sua condição de optante do simples, portanto sempre foi optante e pelo regime do SIMPLES. Senão vejamos a seguir. O Ato declaratório e conseqüentemente a lavratura do Auto de Impugnação deramse pelos motivos supra informados. No entanto referidos atos ocorreram por conclusões precipitadas e deduções ilógicas, haja vista que o agente do fisco caracterizou como agente passivo da obrigação tributária a Impugnante N R DA SILVA. Ou seja, esta difere totalmente daquela constante nos extratos bancários, pois o titular da contas correntes é a pessoa física Nascimento Raimundo Silva portador do CPF 250.001.79072 e não a pessoa jurídica N R DA SILVA, inscrita no CNPJ sob número 02.243.401/000106. É FATO. Em momento algum, a pessoa jurídica pode ser confundida com a pessoa física, pois ambas tem natureza jurídica e objetivos diferentes, seus patrimônios não se confundem, nem tampouco suas obrigações. Não se pode imputar uma obrigação tributária a uma entidade, em que não se configura a materialização do possível fato gerador do tributo ou do possível ato de infração a legislação tributária. É uma afronta aos princípios constitucionais, fiscais, tributários, previdenciários, enfim, evidentemente violadores a qualquer ramo do direito a que se apresente. Os motivos que o levaram esta douta delegada a decretar o Ato declaratório e concomitantemente acatar o Auto de Infração ora discutido, está eivado de vícios. Vícios estes que por si só, anulam o auto ali lavrado e por via de conseqüência, o ato declaratório. Ou seja, agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois, os extratos de contas correntes, únicos elementos, que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação de juízo para a decretação do Ato Declaratório de exclusão, e o auto de Infração ora guerreado não pertencem ao contribuinte AUTUADO. Ou seja, se ocorreu a "pretensa" omissão de receita, deveria o agente fiscal observar os livros de caixa e inventário, Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 64 3 vez que se tratava de empresa inscrita no SIMPLES, ocasionando assim absoluto equívoco passível da mais ampla nulidade. Ora, ilustre julgador, se o lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstanciais e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Desta forma, face as conseqüências que poderão advir em face aos atos praticados (Auto de infração e Ato Declaratório), e os efeitos deste, merece absoluta revisão e justiça a serem aplicadas. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas preliminares apresentadas de absoluta nulidade. A movimentação bancária pode representar indício de capacidade/contributiva, mais indícios não é a realidade. Uma pessoa física que em suas declarações afirma receber rendimentos anuais equivalentes a "X" mais movimenta no mesmo período "Y" possivelmente possui capacidade contributiva superior aquela pela qual esta sendo tributada, pode ter omitido rendimentos em sua declaração. O que não é o caso. Não se pode dizer porém, que o "Y" movimentados sejam todos, rendimentos tributáveis, a serem onerados pela Receita Federal. É comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente na mesma conta, transferirem valores de uma conta para outra; sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com retorno integral dos valores para a conta correspondente, etc. (Hugo de Brito). Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como "rendimentos", para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado realmente equivale a um rendimento omitido na respectiva declaração. É de se ressaltar, porém, que uma Lei não pode mudar a necessidade de fundamentação concreta e comprovada da ocorrência do fato gerador, pois essa exigência decorre da própria natureza da fundamentação do ato administrativo, e ainda dos elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte. E mais, como será adiante desenvolvido essa exigência decorre da natureza do lançamento tributário que é atividade privativa da administração. Isso reforça a contestação de que, ainda que a Lei n° 9.430/96 afirmasse que a mera existência de um depósito bancário sem outro dado exterior que comprove omissão de rendimentos, autoriza a tributação pelo Imposto de renda e transfere o ônus de prova em contrário para o contribuinte, essa norma seria inválida. Isso porque o fato meramente alegado ou cuja ocorrência não é demonstrada, simplesmente não tem o condão de obrigar o contribuinte aqui autuado. Desta forma, demonstrando absoluta e incompreensível inconformação, com o Auto de Infração aplicado, vem a Impugnante requerer justiça haja vista acreditar que não deva subsistir a autuação defendida, tão pouco a exclusão aqui guerreada face a flagrante nulidades ali apontadas, as próprias alegações do agente fiscal e justificação da Impugnante. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 65 4 Não merece prosperar o Auto de Infração por completamente insubsistente, pois jamais poderia o auditor fiscal equiparar o solicitante ( Pessoa Jurídica à Pessoa Física, e ainda basear toda a autuação em depósitos bancários de outra personalidade jurídica e por fim com isto efetivar tamanhos equívocos e iminentes prejuízos incalculáveis. Em face de todo o exposto requer que se digne de tornar insubsistente o presente auto de infração, como prática da mais lídima justiça, é o que requer. A DRJ manteve a exclusão do Simples , conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1999 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado que a receita auferida supera o limite legal estabelecido para usufruir do Simples, impõese a exclusão do referido sistema a partir do anocalendário subseqüente. Solicitação Indeferida. Algumas questões de fato e de direito foram importantes para a DRJ manter a exclusão, segundo consta do voto proferido em sede de primeira instância administrativa: A primeira delas decorre do fato do próprio contribuinte ter apresentado os extratos bancários; A segunda delas é o fato da informação trazida nos autos de que o Sr. Nascimento Raimundo da Silva ter declarado textualmente nos autos que a movimentação financeira das contas bancárias ser oriunda de movimentação financeira da empresa excluída do Simples; Por fim, em razão do contribuinte não ter conseguido justificar as origens das movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da pessoa física, considerou que a receita pertence à pessoa jurídica, e aplicou a inversão do ônus da prova nos termos do artigo 42 da Lei n°. 9430/96. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, de forma tempestiva, alegando em síntese os mesmos fundamentos trazidos na impugnação quanto à nulidade, acrescido da questão da interposição de pessoa, que à época dos fatos geradores não havia ocorrido a alteração na legislação tributária aplicada ao caso concreto, não podendo haver retroatividade. Vejamos: O agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois, os extratos de contas correntes, ÚNICOS ELEMENTOS, que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação do juízo para a lavratura do Auto de infração, não pertencem ao contribuinte AUTUADO., vez que há época do fato gerador NÃO Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 66 5 EXISTIA DETERMINAÇÃO LEGAL QUE EVIDENCIASSE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA, na forma do parágrafo 5. do art. 42 da Lei 9.430/96 incluído pela Lei 10.637/2002. Ora, ilustres Julgadores, se o lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstâncias e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas PRELIMINARES supra apresentadas de absoluta NULIDADE. Destacase que o processo conexo com este, qual seja Processo n° 10380.012387/200413, mencionado inclusive no relatório fiscal e no recurso da contribuinte, fora julgado pelo Conselho de Contribuintes, em 15 de março de 2009, tendo como desfecho a manutenção da cobrança do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, em razão da mesma receita omitida na Pessoa Jurídica. Nestes outro processo é que aparentemente há a suposta declaração do Sr. Nascimento Raimundo da Silva quanto à imputação da movimentação bancária à pessoa jurídica, conforme narrado na decisão da DRJ. No relatório e voto do ilustre Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz, que julgou o Recurso Voluntário nos autos do Processo n° 10380.012387/200413, considerandoo intempestivo, não há menção dessa confissão. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Antes de se proceder a análise das preliminares de nulidade e adentrar à questão de mérito, cumpre destacar que uma questão de fato precisa ser esclarecida nos autos, especificamente se há ou não no Processo n° 10380.012387/200413, às fls. 64, declaração do contribuinte afirmando que os valores decorrentes de movimentações bancárias realizadas em suas contas de pessoa física são receitas da pessoa jurídica, visto que tanto na impugnação quanto no recurso apresentado nos autos em julgamento o contribuinte afirma que os valores constantes das contas bancárias pertencem à pessoa física. No acórdão da DRJ há menção desse documento, contudo, não se encontra nos autos ora julgado. Com isso, é possível que tal página informada pelo órgão julgador de primeira instância esteja se referindo à fls.64 dos autos do Processo n° 10380.012387/200413. Vejamos as transcrições da DRJ: Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei n° 9.43011996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de conta bancária com expressiva Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10380.001968/200501 Resolução n.º 1201000080 S1C2T1 Fl. 67 6 movimentação não declarada pela impugnante, intimoua a comprovar a origem de créditos/depósitos efetuados em conta bancária. No presente caso, a conta bancária com movimentação incompatível não era de titularidade da pessoa jurídica e sim de seu titular, Sr. Nascimento Raimundo da Silva, que declara textualmente às fls. 64 que a movimentação financeira das c/c nas Ag. Banco do Brasil e HSBC em seu nome é de fato oriunda da movimentação financeira da Empresa autuada, N. R. da Silva. Nestes termos, considerando a informação acima mencionada, que se trata de prova imprescindível para o julgamento do Recurso Voluntário interposto, requerse a baixa dos autos em diligência, para que seja disponibilizado a essa Colenda Turma Julgadora o documento de fl. 64 dos autos do n° 10380.012387/200413, considerando o fato de que o referido processo encontrase no arquivo da PGFN do Estado do Ceará, desde 04/08/2010, segundo informações extraídas no comprot. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 11613.000217/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF 126)
AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE.
O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea e do Decreto-Lei 37/66. (Súmula CARF 185)
RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA.
Não tem lugar o instituto da retroatividade benigna quando instrução normativa que repete o quanto descrito em lei é revogada, quando esta última (a lei) não o é.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA. INEXISTÊNCIA.
A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37/66. (Súmula CARF 186)
Numero da decisão: 3401-010.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.261, de 25 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10907.722411/2013-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF 126) AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea e do Decreto-Lei 37/66. (Súmula CARF 185) RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA. Não tem lugar o instituto da retroatividade benigna quando instrução normativa que repete o quanto descrito em lei é revogada, quando esta última (a lei) não o é. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA. INEXISTÊNCIA. A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37/66. (Súmula CARF 186)
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.261, de 25 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10907.722411/2013-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-02-04T20:44:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-02-04T20:44:24Z; Last-Modified: 2022-02-04T20:44:24Z; dcterms:modified: 2022-02-04T20:44:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-02-04T20:44:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-02-04T20:44:24Z; meta:save-date: 2022-02-04T20:44:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-02-04T20:44:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-02-04T20:44:24Z; created: 2022-02-04T20:44:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2022-02-04T20:44:24Z; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-02-04T20:44:24Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11613.000217/2010-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-010.264 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2021 Recorrente FERTIMPORT S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF 126) AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. (Súmula CARF 185) RETROATIVIDADE BENIGNA. INEXISTÊNCIA. Não tem lugar o instituto da retroatividade benigna quando instrução normativa que repete o quanto descrito em lei é revogada, quando esta última (a lei) não o é. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA. INEXISTÊNCIA. A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66. (Súmula CARF 186) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.261, de 25 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10907.722411/2013-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 17 /2 01 0- 16 Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.264 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11613.000217/2010-16 (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração para aplicação de sanção por informação extemporânea sobre carga transportada. Para tanto narra a planilha que acompanha o auto de infração que a Recorrente 1) incluiu carga após o prazo legal (atracação 12/07/2010, informação 18/06/2010) e 2) retificou mercante após o prazo legal (atracação 22/01/2011, informação 27/12/2010). Intimada, a Recorrente apresentou Impugnação em que alega, em síntese: . Denúncia espontânea; . Atipicidade do fato por ilegitimidade do Agente Marítimo; . Simples retificação de informações. A DRJ negou provimento à Impugnação da Recorrente, porquanto: “É entendimento reiterado das autoridades fiscais, confirmado no auto de infração em pauta, que a prestação de informação incompleta ou incorreta configura a conduta de “deixar de prestar informação”, prevista no tipo infracional em tela”; “A autuada é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de Agente Marítimo, é a agência responsável pela prestação de informações prevista no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-lei nº 37/66”; Inaplicável a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigações acessórios aduaneiras. Ainda inconsolada, a Recorrente busca guarida nesta Casa reiterando o quanto descrito em Impugnação somado à tese de exclusão de sanção por retroatividade benigna por revogação dos artigos 45 a 48 da IN SRF 800/2007 e, em parte, por aplicação a SCI COSIT 02/2016. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.264 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11613.000217/2010-16 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: De saída, esta Casa sumulou entendimento no sentido de ser inaplicável a DENÚNCIA ESPONTÂNEA (Súmula 126) ao caso em voga (a qual, acolho por obrigação regimental) e da LEGITIMIDADE DA AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO (Súmula 185) (a qual, acolho por concordar com seu conteúdo, em especial ante o disposto no artigo 95 do Decreto-Lei 37/66). Inaplicável ao presente caso o instituto da RETROATIVIDADE BENIGNA uma vez que a sanção é (era, e continua a ser) imposta por Lei (art. 107, inciso III, alínea e do Decreto-Lei 37/66), sendo indiferente alterações em instruções normativas. Por fim, por força de outra Súmula CARF (186) – com a qual concordo em absoluto – afasto a aplicação da sanção por retificação de informação; retificação esta constatada pela própria fiscalização, diga-se: Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital
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