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Numero do processo: 11030.003084/2002-72
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 1998
ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANETE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) - COMPROVAÇÃO DE TEMPESTIVIDADE DA APRESENTAÇÃO - IN/SRF 67
DE 1997 - DESNECESSIDADE.
1 - Não existe amparo legal para a recusa da fiscalização em considerar válido o Ato Declaratório Ambiental sob o argumento
de sua intempestividade em virtude do disposto na Instrução
Normativa n° 67 de 1997 (precedentes da CSRF).
ÁREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR - DESNECESSIDADE.
2 - A averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel,
nos termos do art. 16, § 8º, do Código Florestal tem a finalidade
de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das
áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se
confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de
terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência da
averbação, da data de ocorrência do fato gerador, como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na
Lei ambiental (precedentes da CSRF).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-34.281
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1998 ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANETE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) - COMPROVAÇÃO DE TEMPESTIVIDADE DA APRESENTAÇÃO - IN/SRF 67 DE 1997 - DESNECESSIDADE. 1 - Não existe amparo legal para a recusa da fiscalização em considerar válido o Ato Declaratório Ambiental sob o argumento de sua intempestividade em virtude do disposto na Instrução Normativa n° 67 de 1997 (precedentes da CSRF). ÁREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR - DESNECESSIDADE. 2 - A averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel, nos termos do art. 16, § 8º, do Código Florestal tem a finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência da averbação, da data de ocorrência do fato gerador, como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental (precedentes da CSRF). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Fls. 177 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Recorrida 11030.003084/2002-72 133.634 Voluntário IMPOSTO TERRITORIAL RURAL 301-34.281 30 de janeiro de 2008 ANTÔNIO CARLOS XAVIER QUADROS DRJ/CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1998 ITR - AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANETE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) - COMPROVAÇÃO DE TEMPESTIVIDADE DA APRESENTAÇÃO - IN/SRF 67 DE 1997 - DESNECESSIDADE. 1 - Não existe amparo legal para a recusa da fiscalização em considerar válido o Ato Declaratório Ambiental sob o argumento de sua intempestividade em virtude do disposto na Instrução Normativa n° 67 de 1997 (precedentes da CSRF). AREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO ik MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR - DESNECESSIDADE. 2 - A averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel, nos tennos do art. 16, § 8', do Código Florestal tem a finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência da averbação, da data de ocorrência do fato gerador, como pré- condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental (precedentes da CSRF). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. OTACiLIO DAN CARTAXO - Presidente ROD' GO CAR Processo n° 11030.003084/2002-72 Acárdao n.° 301-34.281 CC03/C0 1 Fls. I78 Participaram, amn , do present julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domin o, Joao Lui Fi-egonazzi, Susy Gomes Hoffmann e Patricia Wanderkoke Gonçalves (Su ente). Ausente a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. 2 Processo n° 11030.003084/2002-72 Acórdão n.° 301 -34.281 CC03/C0 I Fls. 179 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto por António Carlos Xavier Quadros contra decisão proferida pela Colenda la Turma da DRJ em Campo Grande — MS que considerou procedente o crédito tributário do Imposto Territorial Rural do exercício de 1998, expresso no Auto de Infração e documentação correlata (fls. 02/04 e 42/45), de imóvel denominado "Fazenda Pinheirinho", localizado no Município de Carzinho — RS. 0 mencionado julgado restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1998 Ementa: ato declaratório ambiental A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, da circa tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à comprovação da protocoliatção do Ato Declaratório Ambiental — ADA, no prazo de s4eis meses, contado da data fixada para a entrega da DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A área de reserva legal deve ser averbada, ci margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro competente, até a data cie ocorrência do fato gerador do Imposto. Na ausência de averbação, ou na averbação após a ocorrência do fato gerador, a circa assim declarada não pode ser excluída da incidência do imposto. LANÇAMENTO PROCEDENTE Em seu Recurso Voluntário o Recorrente alega em síntese que a exigências, para fruição do beneficio da isenção do ITR, de que o Ato Declaratório Ambiental tenha que ser protocolizado no prazo de 6 (seis) meses perante o IBAMA, bem como a existência, na data da ocorrência do fato gerador do imposto, de averbação à margem da matricula do imóvel, são ilegais por não possuírem previsão na Lei IV 9.393/96. Por fim, faz alusão ao Laudo Técnico, elaborado por engenheira florestal legalmente habilitada, acompanhado de ART, que foi juntado aos autos (fls. 33/37), comprovando a existência de 35,0 ha de Area de Preservação Permanente e 380,0 ha de Area de Reserva Legal, aos Atos Declaratórios Ambientais (fls. 22 e 38) e junta matricula do imóvel onde consta a averbação da área de Reserva Legal (fls.163/165). o Relatório. 3 Processo n° 11030.003084/2002-72 Acórdão n.° 301-34.281 CCO3 CO1 Fls. 180 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Cinge-se a presente controvérsia á. constatação da validade ou não da exigência de comprovação do cumprimento tempestivo do protocolo do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, bem como da averbação h. margem da matricula do imóvel na data da ocorrência do fato gerador do imposto, corno condições indispensáveis para a exclusão das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal da incidência do Imposto Territorial Rural — ITR. De fato, restou consignado da r. decisão da DRJ que, verbis (fl. 72): "0 motivo das glosas efetuadas, como se depreende da leitura da descrição dos fatos, fl. 03, foi a falta de cumprimento de requisitos que possibilitam a exclusão das áreas de preservação permanente e de utiliza cão limitada da incidência do imposto. Con forme descrito, os requisitos que não .foram cumpridos são, sinteticamente, os seguintes: a) o Ato Declaratório Ambiental — ADA, cópia de • 1. 22, foi protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA, apenas em 04/04/2002, após a intimação inicial cio procedimento fiscal, e fora do prazo de seis meses contados da data .fixada para a entrega da Declaração do ITR, indicanclo área de preservação permanente de 100,00 ha e nenhuma área de utilização limitada. Posteriormente, em 01/10/2002, foi apresentado novo ADA, cópia fl. 38, indicando a área de preservação permanente de 35,0 ha e área de reserva legal de 380,0 ha,- b) nil() foi averbada a reserva legal, it margem da matricula do imóvel, até a data da ocorrência do fato gerador do imposto" (fl. 111). 0 terna é bastante recorrente neste Conselho e a matéria encontra-se pacificada, inclusive no âmbito da Camara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a recusa da fiscalização em aceitar o Ato Declaratório Ambiental (ADA) sob a alegação de intempestividade, tendo em vista no disposto na IN/SRF n° 67/97, não possui amparo legal. Demais disso, é assente, ainda, que a averbação à margem da inscrição da matricula do imóvel como pré-condição ao gozo da isenção do ITR também não encontra amparo legal. A mencionada averbação, nos termos do § 8° do art. 16 do Código Florestal, tem a finalidade de resguardar — distinta do aspecto tributário — a segurança ambiental, a conservação do estado das Areas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer titulo, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. 4 Processo n° 11030.003084/2002-72 Acórdao n.° 301-34.281 CC03/C01 Fls. 181 Por fim, o § 70 do artigo 10 da Lei n° 9.393/96 dispõe que nas declarações para fim de isenção do ITR não será exigida comprovação prévia do declarante acerca das areas de Preservação Permanente e Reserva Legal, resguardado o poder de fiscalização do Estado. Sobre o tema, colaciono precedente unânime da Camara Superior de Recursos Fiscais: ITR/1997. AEA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Firmou-se na CSRF jurisprudência no sentido de que a obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a .finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penalniente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência da averba cão como pré-condição para o gozo de isencdo do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, .ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL - ADA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 6797, não tem amparo legal. Recurso especial negado. (grifou-se) Na espécie, restou comprovado pelo contribuinte, por meio dos documentos carreados aos autos, a veracidade das informações prestadas em sua DITR do ano calendário de 1998, devendo ser afastada a exigência fiscal. Com essas considerações, conheço do Recurso e lhe dou provimento. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 41. / GO CARD 11r0 if NDA - Relator ROD 5
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000539/2005-19
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.897
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 13052.000142/2007-98
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O lançamento de omissão de rendimentos deve ser mantido se não restar comprovado que constam inseridos na declaração de ajuste anual oportunamente.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO.
A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.209
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O lançamento de omissão de rendimentos deve ser mantido se não restar comprovado que constam inseridos na declaração de ajuste anual oportunamente. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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O lançamento de omissão de rendimentos deve ser mantido se não restar comprovado que constam inseridos na declaração de ajuste anual oportunamente. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13052.000142/200798 Acórdão n.º 280102.209 S2TE01 Fl. 44 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 3.510,10, referente ao exercício de 2004. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que os valores tidos como omitidos estariam incluídos no campo “DEMAIS RENDIMENTOS E IMPOSTO PAGO DO TITULAR.” A 4ª Turma da DRJ/STM/RS julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 22/25, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabível o lançamento relativo a rendimentos percebidos e não declarados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO ANUAL. Os rendimentos tributáveis recebidos a esse titulo comporão a base de cálculo do imposto, na declaração de ajuste anual.. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 26/11/2009 (fl. 30), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 31/35, em 23/12/2009. Em sua defesa, sustenta que já houve houve a devida incidência da tributação sobre os valores tidos como omitidos, uma vez que os rendimentos recebidos do Unibanbo AIG Previdência S/A eBrasilprev Seguros e Previdência S/A, sem a retencão de imposto de renda na fonte, foram informados no campo “DEMAIS RENDIMENTOS E IMPOSTOS PAGO DO TITULAR”. Ressalta que os elementos de prova já acompanharam a impugnação apresentada, sendo que não há como apresentar outro elemento de prova a respeito. Aduz, ainda, que é possível ao contribuinte retificar sua declaração de imposto de renda quando essa tiver sido apresentada de forma equivocada. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13052.000142/200798 Acórdão n.º 280102.209 S2TE01 Fl. 45 3 Cuida o presente litígio da inconformidade do recorrente em relação à omissão de rendimentos recebidos a titulo de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI do Unibanco AIG Previdência S/A, CNN n° 46.665.139/000155, no valor de R$ 1.000,00, e (2) também da omissão de rendimentos do Trabalho com e ou sem Vinculo Empregaticio, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, CNPJ no 27.665.207/000131, no valor de R$ 6.222,11. O contribuinte alega que tais rendimentos estariam incluídos no campo “DEMAIS RENDIMENTOS E IMPOSTOS PAGO DO TITULAR” de sua DIRPF/2004. Sobre essa questão, assim se pronunciou a decisão recorrida: Analisandose todas as peças que compõem o processo não se encontra indicio ou prova alguma da afirmação do reclamante. Como o impugnante desenvolve atividades como profissional liberal (compõe a banca Bassegio e Mallmann, conforme fls. 12 a 17), poderia apresentar como elemento a seu favor, um livro caixa demonstrando analiticamente a composição de sua receita no ano calendário, o que poderia auxiliar na formação da convicção deste julgador de que os rendimentos omitidos, estes recebidos de pessoas jurídicas, estariam, embora inadequadamente, incluídos dentre os R$38.120,00, (fl. 08) na rubrica da sua declaração dc ajuste e denominada "Total dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa fisica/exterior". Como isso não aconteceu, a afirmação do reclamante deve ser considerada como recurso retórico da defesa, haja vista a total ausência de provas, portanto, não deve ser levado em conta nem produzir maiores conseqüências para a solução da lide. Em sede de recurso o contribuinte sustenta que os valores em questão foram declarados como no campo “DEMAIS RENDIMENTOS E IMPOSTOS PAGO DO TITULAR”(rendimentos tributáveis recebidos de pessoa fisica/exterior), mas não traz elementos probatórios capazes de demonstrar tal inclusão. O ônus de provar, salientese, é do sujeito passivo, não sendo meras alegações, desacompanhadas de provas cabais, suficientes para confirmar seus argumentos. Observese que o contribuinte manifestou a vontade de retificar a declaração sob exame tãosomente após a constatação da omissão de rendimentos pela fiscalização. Ou seja, após ter sido iniciado o procedimento de fiscalização, não tendo, contudo, demonstrado erro de fato em seu preenchimento. Portanto, não configurado o erro que possibilite a retificação da declaração e afastada a espontaneidade do pleito, não há como acolher a pretensão do recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 49DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13052.000142/200798 Acórdão n.º 280102.209 S2TE01 Fl. 46 4 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 03/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N
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Numero do processo: 10240.000082/2005-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.997
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. 4116."'N OTACÍLIO DA' . AS CARTAXO Presidente SUSY ES MANN R ora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi e Valdete Aparecida Marinheiro. Processo n.° 10240.000082/2005-36 Resolução n.° 301-1.997 CC03/C01 Hs. 85 RELATÓRIO Trata o presente processo do auto de infração através do qual se exige do contribuinte, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2000, no valor original de R$ 1.012.566,69, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Escalerita", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 5.368.842-2, localizado no Município de Candeias do Jamari — RO. 0 Contribuinte informou não possuir o ADA, porém, apresenta comprovante de entrega As fls. 14, bem como declaração do INCRA/RO As fls. 13, cujo conteúdo esclarece que a Area da fazenda Escarelita faz parte da zona 4 do Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico de Rondônia. 0 contribuinte então, apresentou impugnação (fls.35/41) alegando em síntese: 1) que a Fazenda Escalerita integra Zona da Lei de Zoneamento Ecológico do Estado de Rondônia (LC 52/1991) e é totalmente de preservação permanente, sem pastagens, sem benfeitorias; 2) que o Fisco Federal aceitou a Lei Estadual do Zoneamento do Planafloro e o lançamento foi "a pretexto da ausência de simples e dispensáveis acessórios, tais como: Ada-Ato Declaratório Ambiental e o Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta Manejada"; 3) que fora penalizado duas vezes, sendo uma pela proibição de exercício de qualquer atividade na área total de sua fazenda e, outra por haver sido autuado por não possuir o ADA; junta comprovante de entrega do ADA datado em 14.10.2003; 4) requer ao final, seja a impugnação julgada procedente, para que se determine a anulação do auto de infração e impugna o Termo de Arrolamento de Bens, posto que "desatualizado, unilateral e inconstitucional". A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls.48/59) proferiu acórdão julgando o lançamento procedente, pois para efeito de apuração de ITR a Area de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento dela pelo IBAMA, mediante o ADA ou comprovação do protocolo de seu requerimento, no prazo de seis meses, contados da entrega da DITR. Quanto A alegação de inconstitucionalidade do Termo de Arrolamento de Bens, esclarece que a DRJ não é competente para este julgamento. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 64/71) reiterando praticamente os mesmos argumentos trazidos com a impugnação, apresentando relação de bens arrolados como garantia do recurso, As fls. 72/74. Em síntese, é o relatório. 2 Processo n.° 10240.000082/2005-36 Resolução n.° 301-1.997 CC03/C01 Fls. 86 VOTO Conselheira Susy Gomes Hoffrnann, Relatara 0 presente recurso 6 tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Com efeito, como consta dos autos, o contribuinte apurou o ITR de 2.000 valendo-se da exclusão total da área da Fazenda Escarelita, NIRF 5368842-2 como sendo de Preservação Permanente. Entretanto, entendo que as alegações apresentadas pelo Recorrente apesar de ter inicio de prova, ainda não estão totalmente comprovadas, assim, voto para que o julgamento seja convertido em diligência, a fim de que a repartição de origem oficie a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Rondônia a fim de que preste as seguintes informações: a) Se a área objeto deste processo efetivamente está inserida em Area de zoneamento sócio-econômico-ecológico de Rondônia, nos termos da Lei Complementar Estadual 52/1991. b) Indicar qual a dimensão da área que eventualmente está inserida neste zoneamento. c) Indicar qual a classificação da area no zoneamento, indicando se a classi ficação refere-se a área de preservação permanente, de reserva legal, de utilização limitada, e neste caso, se é de interesse ecológico, nos termos da Lei Federal 9.393/96, em especial, na classificação do artigo 10 0 . d) Se houver possibilidade de exploração se há plano de manejo ou equivalente pelo contribuinte no ano indicado, isto 6, 2.000. e) Trazer demais informações que julgar necessárias. Após a manifestação da Secretaria Estadual, deve ser intimado o contribuinte para se manifestar sobre as informações/documentos apresentados. como voto. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2008. SUSY E HOFF - Relatora 3
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Numero do processo: 10831.012169/2001-72
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.972
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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DRJ/FORTALEZA/CE Processo n° Recurso n° Assunto Resolução no Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Joao Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffiriann. Processo n.° 10831.012169/2001-72 Rescind° n.° 301-1.972 CC03/C01 Fls. 298 RELATÓRIO Trata-se de lançamento efetuado pela fiscalização que entendeu ter sido inadimplido o compromisso assumido pela Recorrente no Ato Concessório de Drawback n'. 1227-94/004-0 e aditivos. A Fiscalização constatou que os Registros de Exportação apresentados para comprovar o Ato Concessório não estão vinculados à importação beneficiada pelo Drawback — Suspenção. Inconformada a contribuinte protocolou Impugnação de fls.108/119, a qual foi indeferida pela DRJ — Fortaleza/CE, pelos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: "Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligencia, quando esta providencia revelar-se prescindível para instrução e julgamento do processo. A concessão de prazo adicional para correção de supostos erros no Registro de Exportação não justifica a realização de diligência, por ser possível a impugnante carrear ao processo a prova documental da pretendida retificagilo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 24/05/1994 a 03/06/1994 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. Tratando-se de importação efetuada ao amparo do regime de Drawback, modalidade suspensão, o termo de início do prazo clecadencial para lançamento dos impostos corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão do Relatório Final de Comprovação do regime. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 24/05/1994 a 03/06/1994 Ementa: DRAWBACK COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. Compete er Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime Drawback e fiscalização dos tributos, compreendendo o lançamento do crédito tributário e a verificação do regular cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Somente serão aceitos para fins de comprovação do adimplemento do regime Registros de Exportação vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Lançamento Procedente." 2 Processo n.° 10831.012169/2001-72 Resolução n.° 301-1.972 CCO3 COI FIN. 299 A Recorrente foi intimada da decisão supra em 24/04/2006, protocolou Recurso Voluntário em 24/05/2006 alegando em suma que: a) preliminarmente o processo deve ser convertido em diligencia para que seja realizada urna "auditoria de produção" sob pena de cerceamento de defesa; b) ocorreu a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, uma vez que, a data do fato gerador do tributo é a data do Registro da Declaração de Importa cão, em consonância corn o artigo 150, §40 do CTN; c) apresentou o Relatório de Comprovação perante o Banco do Brasil, órgão eleito para a emissão, controle e fiscalização do Regime de Drawback, e que sendo esses aceitos e deferidos, entende que houve a concordância tácita corn as exportações, posto que não foi notificada em momenta algum por inadimplência dos Atos Concessários; d) a decisão não contesta as exportações realizadas e ainda foram apresentados documentos e informações que não foram questionadas pela Fiscalização, tais como o efetivo embarque da totalidade das mercadorias, bem como os relatórios de comprovação que demonstram os re. dos REs, a data do embarque, a quantidade, o valor e principalmente o n". do Ato Concessório, documento esse recebido e analisado pela Secex; e) não foi analisado o Resultado Cambial da operação, devendo ser analisado para ser considerada a verdade material e não apenas a ausência da vinculagdo física dos RE's, até porque a intenção do Regime é beneficiar a exportação; fi a ausência do n" do Ato Concessário no RE e a falta do Código da Operação (81101) não podem ser fatores determinantes para a desconsideração do mesmo, a comprovação física e material da exportação pode se dar através dos dados constantes do RE, sendo que tais dados para a comprovação de quantidade e valor, não foram analisados pela Fiscalização, caracterizando cerceamento de defesa; o relatório. 3 Processo n.0 10831.012169/2001-72 Resolução n.° 301-1.972 CC.03/C0 I Fls, 300 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Trata-se de exigência de crédito tributário decorrente da desconsideração dos Registros de Exportação que não fizeram constar a vinculação com o Ato Concessário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, para fins de adimplemento compromisso de exportação. Entendo que, independentemente dos dados que formalmente o exportador venha a infonnar nos registros de exportação, para fins de se admitir como procedente a glosa dos mesmos, desconsideração do regime, e conseqüente exigência dos tributos suspensos e acréscimos legais, deverá se levar em conta a verdade material. Assim, comungando do entendimento do Ilustre Julgador de primeira instância, Luis Carlos Cerqueira, adoto as razões ali proferidas, conforme segue: "(..) 11. Tornando mais objetivo o raciocínio, transcrevo conforme a seguir, parte do meu entendimento já expressado em julgamentos anteriores: Cumpre destacar que, ao tratarmos de situações fciticas ocorridas em épocas passadas, talvez a única forma para se elucidar a verdade material seja através da constatação documental, porém, o que vier a ser ali constatado se configurará uma presunção júris tantum, ou seja, uma presunção relativa ou condicional, e que, embora estabelecida pelo Direito como verdadeira, admite prova em contrário. Com efeito, embora o registro de exportação seja um elemento capaz de demonstrar, ainda que de forma documental, a vincula ção entre o produto objeto de exportação e os insumos importados relativos ao ato concessário, ele não é o único elemento de prova admitido. New ha norma que estabeleça que a prova da vinculaglio ficará restrita às informações constantes no registro de exportação, ou, em outras palavras, que nenhum own) elemento de prova admitido no Direito poderá ser considerado. Dai que, em nome da verdade material, poder- se-6 valer de outros elementos de provas admitidos no Direito para que se verifique se nos produtos exportados constam os insumos importados sob a guarida do regime drawback. Levando-se em conta o pensamento do insigne Julgador Francisco José Barroso Rios, o qual, me filio, e retomando o conceito de vincula ção, vislumbra-se a esta um sentido mais amplo, albergando todo o seu alcance e força, um sentido que não se limita a simples fi2lta de informação ou informação diversa do regime estudado, mas também, e principalmente, considerando o seu aspecto material. Em termos, a vinculagdo estaria patente diante da constatação material. Neste diapasão, destaco a existência de quatro hipóteses passíveis de constata cão, ou seja, duas, onde a realidade documental se coaduna a verdade material, e outras duas, onde há uma dissonância entre realidade documental e verdade material: 4 Processo n.° 10831.012169/2001-72 Resolução n.° 301-1.972 A — Realidade documental: Drawback Verdade material: Drawback B — Realidade documental: Drawback Verdade material: Não Drawback C - Realidade documental: Não Drawback Verdade material: Drawback D - Realidade documental: Não Drawback Verdade material: Não Drawback As hipóteses A e D indicam situações coerentes entre a realidade documental e a verdade material, ou seja, no primeiro caso está registrado na documentação que se trata de drawback, e, de fato, é uma operação de drawback No segundo caso, não está registrado na documentação que se trata de drawback, e, de fato, não é uma operação de drawback. São situações que refletem a realidade dos fatos. As hipóteses B e C indicam situações incoerentes entre a realidade documental e a verdade material, ou seja, no primeiro caso está registrado na documentação que se trata de drawback, e, de fato, não é uma operação de drawback. No segundo caso, não está registrado na documentação que se trata de drawback, e, de fato, é uma operação de drawback. Sao situações que não refletem a realidade dos fatos. Admitindo-se que na documentação inerente cis exportações (registros de exportação) não há indicação de código de operação de drawback, pode-se concluir que as hipóteses possíveis aplicáveis ao caso concreto são as hipóteses C ou D. Isso significa dizer, que, enquanto a realidade documental indica não se tratar de uma operação de drawback, a verdade material se divide em duas alternativas, ou, de fato, não se trata de uma operação de drawback, ou, na verdade, trata-se de uma operação de drawback, e que, por um erro ou equivoco, o exportador deixou de assim indicar na documentação, distorcendo a realidade dos fatos. Considerando-se a possibilidade da ocorrência de erros de preenchimentos ou falhas diversas, o que, diga-se de passagem, tipificaria a ocorrência de infração as normas operacionais, portanto, passível de sanção caso esta esteja prevista no ordenamento jurídico, é razoável que tais erros ou falhas sejam levados em conta, de inodo a preservar sempre a verdade material, o que, a despeito das várias interpretações possíveis, deverá se sobrepor ei realidade documental constatada, visando a correta aplicação da norma. Desta forma, diante da inconsistência documental verificada, e ainda, o fato da impugnante haver alegado que a vincula ção tísica foi respeitada, as exportações realizadas, e que a fiscalização não provou que os insumos deixaram de ser utilizados para os .fins a que foram importados, estando assim a autuação desvinculada da realidade, entendo que o caminho mais adequado para que se conheça a verdade material seja a realização de unia auditoria de produção tomando por base os livros e documentos especificas de controle de produção e CC03/C01 Fls. 301 5 Processo n.° 10831.012169/2001-72 Resolução n°301-1.972 CCO /COI Fls. 302 estoque, entradas e saídas, em especial, os que se referem aos insumos importados sob o regime de drawback. Esclareça-se, que a opção pela realização cie uma auditoria de produção, com vistas ci elucidação da verdade material, decorre do fato de não se poder aceitar para comprovação do regime de drawback-suspensão, registros de exportação que não se encontrem devidamente vinculados ao correspondente ato concessário, estando assim, em consonância corn o teor do artigo 37 da Portaria SECEX 004/1997, dos itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado DECEX n' 21/1997 e item 9.1 do Parecer COSIT n" 53/1999." (negritei) 12. Ressalte-se que no caso concreto a impugnante defende que ocorreram simples erros formais; que não foi considerado a quebra legalmente admitida de 5% (cinco por cento) decorrentes do processo produtivo em que passa a matéria prima importada; que não foram considerados os resultados cambiais das operações; fatos estes que suscitam uma auditoria de modo a se analisar a verdade material a partir dos lançamentos contábeis, dos documentos fiscais emitidos e de fechamentos de câmbio, além de outros documentos constantes da contabilidade da imptignante. 13. Em face do exposto, e seguindo a mesma linha já adotada, entendo que o caminho a ser trilhado para a solução da lide é a realização de uma Auditoria de Produção, de modo a elucidar se a falta das informações nos registros de exportação traduz _fielmente que os produtos exportados não se vinculam aos insurnos importados no referido regime, sem a qual, não há como concluir se a realidade documental verificada se coaduna com a verdade material. 14. Ademais, é importante se ter em mente que nem sempre as informações prestadas no Siscomex correspondem ci operação efetivamente realizada, sendo humanamente possível a hipótese da existência de erros, o que, em sendo este o caso, cabível será a aplicação de penalidades, e não a desqualificação do regime. Corroborando com o presente argumento, chamo atenção ao disposto no artigos 10 e 11 da Portaria SCE n" 02, de 1992, in verbis; "Art. 10— 0 Registro de Exportação no SISCOMEX — RE é o conjunto de informações de natureza comercial, financeira e fiscal que caracterizam a operação de exportação de uma mercadoria e definem o seu enquadramento. Art. 11 — O exportador .ficará sujeito as penalidades previstas na legislação em vigor, na hipótese de as informações prestadas no Siscomex não corresponderem à operação realizada". Diante do exposto, VOTO PELA CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGENCIA para que sejam adotados os seguintes procedimentos: a) A realização de uma AUDITORIA DE PRODUÇÃO, onde, a partir de uma análise nos lançamentos contábeis, dos documentos contábeis e fiscais emitidos e de fechamentos de câmbio, além de outros documentos constantes da contabilidade da impugnante, se possa 6 Processo n. 0 10831.012169/2001-72 Resolução n.° 301-1.972 CC03/C0 Fls. 303 verificai- a regularidade e adimplemento do regime especial de drawback,. b) Juntar aos autos os documentos considerados na auditoria solicitada, ou qualquer outro documento e/ou esclarecimento que a autoridade lançadora julgar necessário a instrução do processo e consequente julgamento da lide. Concluida a diligência, dê-se ciência do objeto da presente Resolução e dos seus resultados ao Recorrente, para querendo manifestar-se, com o fim de atender As formalidades processuais voltadas a garantir o amplo direito de defesa por parte do recorrente. .i esi 18irni oft Sala das S sm • de 08 LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10831.000949/86-98
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 1986
Numero da decisão: 303-00.096
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar arguida, de ofício pelo Sr. Procurador da Fazenda Nacional, de não conhecimento do recurso, por ter sido o apelo firmado por firma de despacho aduaneiro, vencidos os Conselheiros Moacyr Eloy de Medeiros e Afonso Celso Mattos Lourenço; por maioria de votos, em acolher a preliminar de' conversão do julgamento em diligência a repartição de origem, vencido o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros.
Nome do relator: SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NETO
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ACORDÃO N.o.~ ~ , . Recurso n.O Recorrente Recorrid 108 625 - Proc. 10831/000949/86-98 PLAYCENTER N~REENDIMENTOS E COMÉRCIO LTDA. IRF - VIRACOPOS - SP R E S O L U º Ã O - - - - -- Nº. 303.0.096 Procurador da Fazenda Nacional - Presidente outubro de 1986. ALEXANDRE ;:s:;~ -C- SALUSTIANO DE PINH " '8 DUr 1986 VISTO EM SESSÃO DE: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PLAYCENTER ~REENDIMENTOS E COMÉRCIO LTDA. .• RESOL3lEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Co~ selho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a prelimi- nar arguida>, de ofício' pelo Sr. Procurador da Fazenda Nacional, ,de não conhecimento do recurso, por ter sido o apelo firmado por firma de despacho aduaneiro, vencidos os Conselheiros Moacyr Eloy de Mede~ ros e Afonso Celso Mattos Lourenç o; por maioria de votos, em ~"aco- lher a preliminar de'conversão do julgamento em diligência a reparti ção de origem, vencido o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros. - Participaram, ,ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: AFONSO CELSO 1~TTOS LOURENÇO, CARLINDO DE SOUZA MACHADO E SILVA, LUIZ CARLOS NOGUEIRA, SIDNEY DE CAMPOS PESSOA, MOACYR ELOY DE MEDEIROS e WILFRIDO ÀUGUSTO MARQUES. RECURSO DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Nº: 303-0.934 Recurso: 108.625 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO TIE CONTRIBUINTES RESOLUÇÃO Nº 303.0.096 RECORRENTE: PLAYCENTER EMPREENTIIMENTOS E COMÉRCIO LTDA. RECORRITIA IRF - VIRACOPOS - SP RELATOR SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NETO R E L A T Ó R IeO E V O TOS Contra a firma Playcenter Empreendimentos e Comér cio Ltda. foi lavrado o Auto de Infração de Fls. 1, por haver submetido a registro a TITA, modo 1, nº 247/86, relativa a partes e peças para aparelhos de diversões, ao invés de dois (2) apare- .lhos lançadores de bolas (completos), marca "BOWLER-ROLLERS", o que constatado com o exame fíSico da mercadoria, após a abertura dos volumes. A autuada apresentou a impugnação de fls. 15/20, onde só concordou com a penalidade relativa ao embarque da merc~ doria importada antes da emissão da GI, negando que tenha havido subfaturamento e as outras infrações levantadas pela fiscaliza- çao. Na contestação de fls. 31/38, a autuante refuta as alegações da autuada e mantem o Auto de Infração, para salva- guardar os interesses da Fazenda Nacional.- A autoridade singular, com base no Relatório e Pa recer do Setor de Preparação e Julgamento, julgou o processo pro cedente em parte, para não cobrança da importância referente a multa do art. 521, I, "c" do RA. Inconformada, a autuada recorreu,tempestivamen- te, para este Conselho, se valendo das argumentações alegadas na impugnação inicial. As petições de fls. 15/20 e 56/60 foram firmadas por quem não possuia habilitação legal para fazê-lo, uma vez que os poderes outorgados à TIEICMAR HANIEL S/A -TIESP. ADUANEIROS ASSESSORIA-TRANSPORTES, se restringem às atividades relacionadas com o despacho aduaneiro. A representação em processo fiscal, jun to às repartições da Receita Federal, só poderá ser exercida, di retamente pela parte, representada por pessoa com poderes para tanto ou advogado, credenciado através de mandato, constante da procuração hábil, como prescreve a legislação inerente à Ordem dos Advogados do Brasil. Face ao exposto, proponho, preliminarmen~e o Recurso: 108.625 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Resolução nº 303.0.096 processo seja convertido em diligência, para que a repartição de origem intime a recorrente para fazer a regularização da '.repre- sentação processual e reratificar os atos praticados pelo Despa- chaJ}.te"Aduaneiro, acima indicado. Sala das Sessões, em 15.de outubro de 1986. ~ ..--c::. C- "..~ ~~ SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NE~Relator 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001541/99-67
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.896
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10880.088607/92-54
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR - CORREÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA - VTN - Descabe, neste Colegiado, apreciação do mérito da legislação de regência, manifestando-se sobre sua legalidade ou não. O controle da legislação infra-constitucional é tarefa reservada a alçada judiciária. O reajuste do Valor da Terra Nua utilizando coeficientes estabelecidos em dispositivos legais específicos fundamenta-se na legislação atinente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - Decreto nr. 84.685/80, art. 7, e parágrafos. É de manter-se lançamento efetuado com apoio nos ditames legais. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-01.972
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Tiberany Ferraz dos Santos (Relator), Mauro Wasilewski e Sebastião Borges Taquary. Designado o Conselheiro Osvaldo José de Souza para redigir o Acórdão.
Nome do relator: OSVALDO JOSE DE SOUZA
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Recorrida : DRF em São Paulo - SP _ ITR - CORREÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA - VTN - Descabe, neste Colegiado, apreciação do mérito da legislação de regência, manifestando-se sobre sua legalidade ou não. O controle da legislação infra-constitucional é tarefa reservada a alçada judiciária. O reajuste do Valor da Terra Nua utilizando coeficientes estabelecidos em dispositivos legais específicos fundamenta-se na legislação atinente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - Decreto a 84.685/80, art. 7. ' , e parágrafos. É de manter-se lançamento efetuado com apoio nos ditames legais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COTRIGUAÇU COLONIZADORA DO ARIF'UANÃ S.A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conse- lheiros Tiberany Ferraz dos Santos (Relator), Mauro Wasilewski e Sebastião Borges Taquary. Designado o Conselheiro Osvaldo José de Souza para redigir o Acórdão. Sala das Sessões, ,em 07 de dezembro de 1994. /..;:-- OS -VaIdó José de SO-u-za =Presidente e Relator-Designado a art.. %'tÁajtinizit 'rçeocuradora-Representante daillIkÁ/Í2V Fazenda Nacional VISTA EM SESSÃO DE ? 6 iv; g, ; , ,Q G :--; • i , .., ,., Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues, Maria Thereza Vasconcellos de Almeida, Sérgio Afanasieff e Celso Angelo Lisboa Galhicci. FIR/mdm/CF/GB i/•" W,, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- — Processo n.° 10880.088607192-54 Recurso ri.° : 94.395 Acórdão n.° : 203-01.972 Recorrente : COTRIGUAÇU COLONIZADORA DO ARIPUANÃ S.A RELATÓRIO A exigência impugnada nestes autos refere-se a lançamento do ITR/92, relati- vamente a gleba pertencente a recorrente no Município de Aripuanã-MT. Com a Impugnação, na qual argumenta ser altíssimo o valor atribuído ao Valor da Terra Nua-V1N e consequentemente o imposto lançado, trouxe copia da tabela de valores venais baixados pela municipalidade de Aripuanã, para os exercícios de 1991 e 1992 (fls.04/05). A decisão recorrida está assim ementada: "1rit192 - O lançamento foi corretamente efetuado com base na legislação vigente. A base de calculo utilizada, valor minimo da terra nua, está prevista nos parágrafos 2.° e 3.° do art. 7.° do Decreto n.° 84.685, de 6 de maio de 1980 Impugnação Indeferida." Em seu recurso, fundamenta suas razões, reiterando que o VTN em seu município foi fixado com lastro na Instrução Normativa SRF n.° 119, de 18.11.92, em valores acima do mercado da região, pautado pela municipalidade para a imposição do TT13I local, diz, ainda, que o julgdor singular absteve-se de apreciar suas razões de m.Zrito expendidas na peça impugnatória, por faltar-lhe competência para avaliar e mensurar os VTNm constantes da IN SRF n.° 119/92; finaliza pedindo a revisão e retificação do lançamento do tributo. É o relatório. 2 v- MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10880.088607192-54 Acórdão n.° : 203-01.972 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS Recurso tempestivo e em condições de admissibilidade; dele conheço. O presente processo, como outros em trâmite nesta Câmara, nos finais figura no pólo passivo a mesma contribuinte/recorrente, tem objeto idêntico aos demais em referência, particuistrmente ao respectivo Recurso sob o n." 94.565, recentemente julgado por esta Colenda Terceira Câmara, sendo relatado pelo Ilustre Conselheiro Dr. Mauro Wasilewski, de cujo voto e de seus próprios fundamentos partilhei e por isso os adoto, como se minhas fossem as razões de decidir. Com efeito, diz textualmente o voto em tela, que: "O cerne da quaestio gira em torno do fato de a Secretaria da Receita Federal - SRF ter cometido um terrível equivoco ao estabelecer, através da IN a' 119/92, o VTN relativo às áreas rurais do município do imóvel da Recorrente. Tal equivoco fica plenamente evidenciado ao se comparar o VIN do exercício anterior (1991) de Cr$ 3.283,79 com o ora discutido (1992), que é de Cr$ 635.382,00, ou seja, uma variação de 19.349% entre os dois exercícios, quando naquele período o índice inflacionário não ultrapassou a 2.700%, o que é inadmissível, em vista, inclusive, de o mesmo ser infinitamente superior ao valor de mercado, cujo parâmetro inicial pode ser a pauta do M3I da Prefeitura local. Todavia, reconhecendo o erro, a SRF diminuiu não só em termos reais, mas, também, em temos nominais; fato digno de nota, em face dos altos índices inflacionários à época, o valor do V1N relativo as áreas rurais em questão, no exercício subsequente (1993). Para uma melhor visualização do problema, ao transformar o valor das VIN (1992 e 1993) em UFIR, verifica-se o seguinte: 1992 (IN n.° 119/92) . VTN = 164,30 UFIR 1993 (IN n.° 86/93) : VTN = 4,59 UFTR 3 - • MINISTÉRIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10880.088607192-54 Acórdão n.° : 203-01.972 A SRF reconheceu, tacitamente, seu erro ao corrigir tal valor, todavia., só o fez com referência ao exercício posterior e não tomou qualquer providência quanto ao exercício de 1992, o que é de se estranhar, eis que a Administração Pública tem a obrigação de corrigir seus equívocos, principalmente quando se trata de um ato que redundará em confisco e, por via de conseqüência, em enriquecimento ilícito da União, o que é defeso em lei. Em resumo, o absurdo erro contido na IN n.° 119/92 arrepiou frontalmente o art. 7.°, caput e seu § 3.° do Decreto n.° 84.685/80, eis que o VTN estabelecido é dezenas de vezes superior ao real valor dos imóveis rurais daquela Região da Amazônia Legal. Por outro lado, esta Colenda Câmara tem guardado, unanimemente, a posição de que incabe aos tribunais eiou conselhos administrativos pronunciarem-se sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias vigentes, posto tratar-se de matéria de competência privativa do Poder Judiciário. Todavia, na espécie vertente, o problema vai além de uma mera interpretação ou discussão jurídica, trata-se de UM ERRO CRASSO da Secretaria da Receita Federal., admitido tacitamente, pela mesma, ao fixar o VTN do exercício subseqüente (1993); ou seja, não se trata apenas de anstliwir a legalidade da predita Instrução Normativa-IN, mas fazer com que o Estado repare o grave erro que cometeu. Como exemplos definitivos, citamos os Municípios de São Paulo, Osasco-SP, Uberlândia-MG e Juiz de Fora-MG, entre outros, cujo VIN fixado é inferior ao do município do imóvel rural em tela, o qual fica encravado no longínquo e praticamente desabitado coração da floresta amazônica, ou seja, urna verdadeira heresia. Assim, a Única alternativa, nesta esfera, é socorrer-se de dois dos princípios basilares do processo contencioso fiscal, o da informalidade e o da verdade material, eis que não adianta, sob pena de a União arcar com o ônus da sucumbência em todos os processos idênticos, ser mantida uma decisão administrativa que não tem a menor chance de prosperar na esfera do Poder Judiciário. Assim, cabe recomendar, caso este e os demais processos idênticos não possam ter, em face de aspectos procedimentais, mesmo na Egrégia Câmara Superior, uma decisão oompativel com o mínimo de justiça que se espera da Administração Pública, a qual, em face dos preditos princípios (informalidade e verdade material), o caso seja submetido à alta 4 1\ A `9 . . . -_ -:,-:' '''j•-,i''.;--, MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ,..,.r1n:,- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10880.088607192-54 Acórdlo n.° : 203-01.972 direção da Secretaria da Receita Federal, visando, independentemente de providências que possa adotar, a que a mesma tenha, oficialmente, conhecimento do impasse. Diante do exposto e, máxime, por não se tratar de mero exame de legalidade, de instrução normativa, mas a constatação de um lamentável ERRO por parte da Administração Pública que, tacitamente, o reconheceu em exercício posterior." Acrescento, destarte, que a IN SRF n.° 119/92 é posterior ao lançamento obje- to do litígio, vez que o ato normativo foi expedido em 18.11.92 e publicado no DOU em 19.11.92, entrando em vigor na data de sua publicação. Todavia, o aviso de lançamento objeto dos autos foi emitido em data de 14.11.92 (fia. 03), antes, repita-se da referida instrução normativa; aspecto que demonstra, e bem, a ausência de critério técnico e respaldo jurídico à sua validade. Pelos fundamentos fáticos e jurídicos acima declinados, dou provimento inte- gral ao Recurso, para o fim de anular o lançamento objeto destes autos, determinando-se ao órgão lançador competente, que outro seja elaborado, em valores reais e equivalentes ao VTN fixado pela legislação vigente á sua época. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 1994. _1 / . - 4 já I'•T Y â1 DOSO S O. . - .- - ' . 41 iht0 S v , • t MINISTÉRIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO 11.r4. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10880.088607/92-54 Acórdão n.° : 203-01.972 VOTO DO CONSELHEIRO OSVALDO JOSÉ DE SOUZA, RELATOR-DESIGNADO Conforme relatado, entende-se que o inconformismo da ora recorrente prende- se, de forma precipua, aos valores estipulados para a cobrança da exigência fiscal em discussão. Considera insuportável a elevação ocorrida, relacionando-se aos exercícios anteriores. Analisa como duvidosos e discutíveis os para'metros concernentes à legislação basilar, opinando que são injustos e descabidos, confrontados aos valores atribuídos a áreas mais desenvolvidas do território pátrio. Traz à baila o fato de que o lançamento louvou-se em instrumento normativo não vigente por ocasião da emissão da cobrança. Vê, ainda, como descumprido, o disposto nos parágrafos 2.° e 3. 0, art. 7.°, do Decreto a° 84.685/80 e item I da Portaria haterministerial n.° 1.275/91. No mérito, considero, apesar da bem elaborada defesa, não assistir razão à requerente. Com efeito, aqui ocorreu a fixação do Valor da Terra Nua, lançado com base nos atos legais, atos normativos que limitam-se a atualização da terra e correção dos valores em observância ao que dispõe. ° Decreto n.° 84.685/80, art. 7.° e parágrafos. Incluem-se tais atos naquilo que se configurou chamar de "normas comple- mentares", as quais assim se refere Hugo de Brito Machado, em sua obra "Curso de Direito- Tributário", verbis: As normas complementares são, formalmente, atos administrativos,' mas materialmente são leis. Assim se pode dizer, que são leis em sentido amplo e estão compreendidas na legislação tributária, conforme, alias, o art. 96 do C1N determina expressamente. (Hugo Brito Machado - Curso de Direito Tributário - 5.' edição - Rio de Janeiro - Ed. Forense 1992). - - X IV) ". *:/•1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10880.088607192-54 Acórdão n.° : 203-01.972 Quanto a impropriedade das normas, e matéria a ser discutida na área jurídi- ca, encontrando-se a esfera administrativa cingida à lei, cabendo-lhe fiscalizar e aplicar os instrumentos legais vigentes. O Decreto n.° 84.685/80, regularnentador da Lei n.° 6.746/79, prevê que o aumento do ITR será calculado na forma do artigo 7.° e parágrafos. É, pois, o alicerce legal para a atualização do tributo em função da valorização da terra. Cuida o mencionado Decreto de explicitar o Valor da Terra Nua a considerar como base de calculo do tributo, balizamento preciso, a partir do valor venal do imovel e das variações ocorrentes ao longo dos penodos-base, considerados para a incidência do exigido. A propósito, permito-me aqui transcrever Paulo de Barros Carvalho 'que, a respeito do tema e no tocante ao critério espacial da hipótese tributária, enquadra o imposto aqui discutido, o ITR, bem como o 1PTU, ou seja, os que incidem sobre bens imóveis, no seguinte tópico: "a) b) hipótese em que o critério espacial alude a áreas especificas, de tal sorte que o acontecimento apenas ocolici á se dentro delas estiver geograficamente contido; (Paulo de Barros Carvalho - Curso de Direito Tributário - 5 - São Paulo; Saraiva, 1991). Vem a calhar a citação acima, vez que a ora recorrente, por diversas vezes, rebela-se com o descompasso existente entre o valor cobrado no município em que se situam as glebas de sua propriedade e o restante do Pais. Trata-se de disposição expressa em normas especificas, que não nos cabe apreciar - são resultantes da politica governamental. Mais urna vez, reportando ao Decreto a° 84.685/80, depreende-se da leitura do seu art. 7• 0, parágrafo 4.°, que a incidência se dá sempre em virtude do preço corrente da terra, levando-se em conta, para apuração de tal preço, a variação "verificada entre os dois exercícios anteriores ao do lançamento do imposto". Vê-se, pois, que o ajuste do valor baseia-se na variação do preço de mercado da terra, sendo tal variação elemento de cálculo determinado era lei para verificação correta do imposto, haja vista suas finalidades. _ . . ; MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10880.088607192-54 Acórdão n.° : 203-01.972 Não há que se cogitar, pois, em afronta ao principio da reserva legal, insculpi- do no art. 97 do CTN, conforme a certa altura argúi a recorrente, vez que não se trata de majo- ração do tributo de que cuida o inciso II do artigo citado, mas sim atualização do valor monetário da base de cálculo, exceção prevista no parágrafo 2.° do mesmo diploma legal, sendo o ajuste periódico de qualquer forma expressamente determinado em lei. O parágrafo 3.° do art. 7.° do Decreto n.° 84.685180 é claro quando menciona o fato da fixação legal de VTN, louvando-se em valores venais do hectare por terra mia, com preços levantados de forma periodica e levando-se em conta a diversidade de terras existentes em cada município. Da mesma forma, a Portaria Interministerial n.° 1.275/91 enumera e esclarece, nos seus diversos itens, o procedimento relativo no tocante a atualização monetária a ser atri- buída ao VTN. E, assim, sempre levando em consideração o já citado Decreto n.° 84.685180, art. 7.° e paragrafos. No item I da Portaria supracitada está expresso que: f/ I- Adotar o menor preço de transação com terras no meio rural levantado referencialraente a 31 de dezembro de cada exercício financeiro em cada micro-região homogénea das Unidades federadas definida pelo IBGE, através de entidade especializada, credenciada pelo Departamento da Receita Federal como Valor Mínimo da Terra Nua, de que trata o parágrafo 3.° do art. 7.° do citado Decreto; Assim, considerando que a fiscalização agiu em consonância com os padrões legais em vigência e ainda que, no que respeita ao considerável aumento aplicado na correção do "Valor da Terra Nua", o mesmo está submisso à política fundiária imprimida pelo Governo, na avaliação do patrimônio rural dos contribuintes, a qual aqui não nos é dado avaliar; conheço do Recurso, mas, no mérito, nego-lhe provimento, não vendo, portanto, como refor- mar a decisão recorrida. Sala de Sessões s e. - e dezembro de 1994. O S • • _ e -en zA
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Numero do processo: 13629.001138/2002-61
Data da sessão: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL, MOTIVAÇÃO E
FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE REDUZ O
DIREITO DE CRÉDITO. ART. 50, § 1' DA LEI 9.784/99.
A decisão que homologa apenas parcialmente a compensação tem de indicar a motivação dos fatos e os fundamentos de direito que justificam a redução do crédito do contribuinte, Estas razões, no entanto, podem estar contidas em um parecer ou diligência fiscal anterior, existente nos mesmos autos, ao qual a decisão deve fazer referência. Inteligência do artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.093
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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MINISrfÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13629.001138/2002-61 Recurso n" 140.696 Voluntário Acórdão n" 3803-00.093 — 3" Turma Especial Sessão de 10 de agosto de 2009 Matéria CREDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente KAPARAO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LIDA Recorrida DRI-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSIO SOBRE PRODUTOS INDI ISTRIALIZADOS - TH Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL, MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE REDUZ O DIREITO DE CRÉDITO. ART. 50, § 1' DA LEI 9784/99. A decisão que homologa apenas parcialmente a compensação tem de indicar a motivação dos tatos e os fundamentos de direito que justificam a redução do crédito do contribuinte, Estas razões, no entanto, podem estar contidas em um parecer ou diligência fiscal anterior, existente nos mesmos autos, ao qual a decisão deve fazer referência. Inteligência do artigo 50, § 1" da Lei IV 9, 784/99, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3". TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DF, JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. — (..- . ND' ERN - Presidente ii. . IVA \ , \i, ..1H GRET-1 - Relator\,4 Particiam, linda, do presente julgamento, Os Conselheiros Bechior Melo de Souza, Hélcio Lfetá Re's, D nlel ; lauricio Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima.. V 1 Relatório Trata-se de pedido de compensação no qual a contribuinte apresenta como créditos valores de créditos presumidos IPI (Lei n° 9..363/96), que teriam sido gerados no primeiro trimestre de 2002 (janeiro/2002 a março/2002). A compensação foi homologada parcialmente pelo Despacho Decisório no 152, de 22 de novembro de 2006 (fis.. 157/159), O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.. 141/142) insurgindo-se contra. a consideração, na determinação dos débitos, de juros e multa entre a data de vencimento dos tributos pagos por meio da compensação e a data da apresentação da compensação, ao argumento de que os créditos que utilizou teriam surgido anteriormente aos débitos que foram extintos por meio da compensação, e que por isso não seriam aplicáveis os referidos acréscimos.. A DM de Juiz de Fora/MG manteve em parte a decisão de homologação parcial, por meio do Acórdão 09-16M33, de 16 de abril de 2007 (fls. 145/150), cuja ementa é a seguinte: Assunto. Imposto sobre Produtos Industrializados - 11'1 Período de apuração.. 01/0112002 a 31/03/2002 MATÉRIA NÂO IMPUGNADA.. EFEITOS. A ausência de contestação expressa dc fatos apontados no proces.so, pressupõe-.se a cvneordância da interessada em relação à parte não impugnada, tornando-se indiscutível no âmbito do processo administrutivo.. COMPENSAÇÃO DATA DE VALORAÇÃO. A comperisaçiio objeto de pedido de compensação deferido ou de Declaração de Compensação apresentada é SRF até 27 de maio de 2003 será efituada considerando-se a data do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado é compen.sação com débito vencido Solicitação Indeferida. O deferimento foi parcial apenas para ajustar o erro do sistema infOrmatizado em relação à data em que tbi efetivamente apresentada a compensação, ajustando-a para o dia 16/10/2002 (fl. 149). O contribuinte interpôs então recurso voluntário (fls. 158/160), argumentando em síntese que "a decisão que reduziu o crédito de presumido de 'PI de 30.7 19,94 para 29.557,14, não há qualquer fundamentação. Conseqüentemente, se não há fundamentação/motivação, ocasiona-se para o contribuinte/recorrente um cerceamento de defesa, uma vez que o naesmo fica impossibilitado de resistir contra o que está oculto. E assim, tem-se que, diante do visível cerceamento de defesa, obrigatoriamente a matéria passa a ser de conhecimento obrigatório do jul tador maior" (ti. 160) É o relatório. 2 Processo n0 13629 001138/2002-6 I S3-TE03 Acórdão n ' 3803-0W093 1I . I 63 Voto Conselheiro IVAN ALLEGRETTI, Relator O recurso voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. O recorrente alega que a decisão que reduziu o seu direito de crédito seria nula, por faltar-lhe motivação jurídica para tanto. Entendo que esta alegação de nulidade, embora tenha sido argüida apenas na interposição do recurso voluntário, deve ser enfrentada por referir-se a questão de ordem pública, envolvendo condição de validade do ato administrativo, e por isso podendo ser conhecida em qualquer tempo. A.o decidir quanto ao direito do contribuinte, o Despacho Decisório ri° 152, de 22 de novembro de 2006 (fis. 157/159) limitou-se a replicar os dados numéricos correspondentes à redução do direito de crédito do contribuinte. Tudo o que diz o Despacho 'Decisório é que "No tocante às demais questões, constata-se que, relativamente ao crédito presumido de IPI do período de apuração de 01/01/2002 a 31/03/2002 (1" trimestre/2002), utilizado na DCOMP tratadas neste processo, o contribuinte pleiteou o ressarcimento de R$ 30.719,94, tendo sido apurado, conforme diligência fiscal realizada, crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 29.557,14" (ft 158). Como visto, a decisão não contém em si mesma a motivação de fato e de direito que justificariam a redução do direito do contribuinte, mas fez referência a uma diligência fiscal anterior, sendo que a única existente nos autos é o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 70/77, o qual trata de todo o conjunto de pedidos e declarações de compensação apresentados pela contribuinte, composto por diversos processos administrativos que envolvem tanto créditos originados de créditos básicos de IPI como de créditos presumidos de ..IPI„ Dentre os períodos e tipos de créditos analisados, é possível identificar que em relação aos "anos-calendários de 2000 a 2003" apurou-se que "a contribuinte passou a incluir entre os custos com o direito a crédito as compras de matéria-prima (couro bovino) efetuadas de cooperativas. Entretanto, as compras feitas desses fornecedores, de acordo com o art. 2" da. IN SRF IV 103/97, não geram direito ao crédito presumido de IPI, razão pela qual foram excluídas do total das compras autorizadas a produzir tal crédito" (fi. 76), inclusive fazendo-se, logo a seguir, referência precisa ao presente processo administrativo. A possibilidade de referência dos fundamentos em relação a um parecer anterior á amparada pelo artigo 50, § 1 0, da Lei n" 9184/99, verbis.: Art 50. Os atos- administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando.- 1 - neguem, limitem ou 4ii-lem direitos ou interesses; 11 - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções,- 3 , III - decidam proceSSOS administrativos de concurso Ou seleção pública, IV - ifispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V - decidam recursos administrativos,. VI - decorram de reexame de ofício; VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais, VIU - importem anulação. , revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. IQ A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordãncia com fandamentos de anteriores pareceres, infirrmações, deci,sãe.S ou propostas, que, neste caso, .serão parte integrante do ato. Neste caso concreto, embora a decisão tenha feito apenas uma referência genérica à diligência fiscal, tendo em vista que nos autos há apenas uma única diligência fiscal e esta diligência fiscal identifica com precisão as razões de lato e de direito relacionadas ao .presente processo administrativo, entendo que não houve cerceamento de defesa ao contribuinte. ()Ni"' li)E c: no. . . • ..".. • 1 - , '' IV \. h 'TTI l ,, \ \, \----._ 4
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000789/2007-34
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário:
2001, 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, havendo pagamento antecipado, aplica-se a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, o prazo decadencial encerra-se após transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador.
AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 27.
É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-001.974
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário 2001, excluindo da exigência tributária o valor de R$ 20.370,90 (e respectivos
acréscimos legais) lançado a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, bem como a multa isolada por falta de recolhimento
de IRPF devido a titulo de carnê-leão no valor de R$ 982,50.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, havendo pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, o prazo decadencial encerrase após transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 27. É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 840 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência em relação ao ano calendário 2001, excluindo da exigência tributária o valor de R$ 20.370,90 (e respectivos acréscimos legais) lançado a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, bem como a multa isolada por falta de recolhimento de IRPF devido a titulo de carnêleão no valor de R$ 982,50. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração às fls. 06/15, relativo à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 342.980,56, sendo R$ 102.398,65 a título de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 153.597,97 referente à multa proporcional (150%), R$ 982,50 de multa exigida isoladamente, e R$ 86.001,44 de juros de mora, estes calculados até 31 de outubro de 2007. O lançamento referese aos anoscalendários 2001 e 2002, com base nas seguintes infrações apontadas na peça de autuação e no Termo de Verificação Fiscal às fls. 725/736 dos autos: i) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e iii) falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, referente aos meses de janeiro a junho de 2001. A fundamentação do lançamento encontrase demonstrada nos trechos a seguir transcritos: Omissão de ganhos de capital – fls. 729/730 “(...) 34. Em atendimento ao Termo de Constatação Fiscal e ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13/09/2007, no intuito de comprovar a origem dos depósitos efetuados em 25/06/2001 e em 18/07/2001, de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) e de R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais), respectivamente, a fiscalizada apresentou: a) Esclarecimentos, por escrito, acerca desses depósitos (fls. 660/676); b) Cópia de escritura de venda e compra traslada do livro n.° 990, fls. 274 do 26° Cartório de Notas do Município de São Paulo, referente ao imóvel localizado Fl. 457DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 841 3 na rua Ubatuba n.° 333, Consolação, São Paulo SP, em que a fiscalizada comprova a compra do referido imóvel, em 05/12/1986;c) Cópia de Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra (fls. 682/686), em que a fiscalizada comprova a venda do imóvel localizado na rua Ubatuba n.° 333, Consolação, São Paulo SP, pelo valor de R$ 510.000,00 (quinhentos e dez mil reais), tendo recebido, no ato da assinatura do contrato, R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) em dinheiro; e R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais) restantes, quando da apresentação das certidões (fls. 683); d) cópia do depósito de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), em dinheiro, efetuado em 25/06/2001 (fls. 687); e) cópia do depósito efetuado em 12/07/2001, referente aos R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais), em cheques administrativos (fls. 697); f) cópias de cheques administrativos, cuja soma perfaz o montante de R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais) e de Comprovante de Identificação de Crédito (fls. 698/701); g) cópia de Escritura Pública de Venda e Compra, traslada do livro n.° 1.974, fls. 107, do 2° Tabelião de Notas do Município de São Paulo/SP, onde consta a informação de que a fiscalizada vendeu, em 12/07/2001, o prédio e seu respectivo terreno, situado na rua Ubatuba, n.° 333, Consolação, São Paulo/SP, a Katty Andréa Pacheco Alvarez, CPF n.° 218.345.58883, pelo valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), sendo R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), em dinheiro; e R$ 200.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais)”sic” em cheques administrativos (fls. 688/690); h) cópia de comprovante de pagamentos de custos com expedição de certidões (fls. 692); e i) cópia de recibo emitido por Camargo Dias Imóveis Ltda., no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por conta de pagamento efetuado pela fiscalizada referente a honorários e assessoria pela intermediação na venda do referido imóvel (fls. 693); 35. Com base nas informações apresentadas e nos documentos apresentados em 31/10/2007, foi apurado pela fiscalização que a contribuinte auferiu Ganho de Capital na alienação do prédio e de seu respectivo terreno, situado na rua Ubatuba, n.° 333, Consolação, São Paulo/SP. 36. O ganho de capital é conceituado como a diferença positiva entre o valor de alienação de cada bem ou direito e o seu custo de aquisição. 37. Admitindose como custo de aquisição o valor declarado pela fiscalizada, na declaração de bens e direitos, do citado imóvel, ou seja, R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), chegase ao valor de R$ 260.000,00 (duzentos e sessenta mil reais) a título de ganho de capital. 38. Tendo em vista que o imóvel fora adquirido, em 05/12/1986, aplicouse o percentual de redução do ganho de capital previsto no art. 26 da IN SRF n.° 84/2001, que nesse caso é de 15% (quinze por cento).” Fl. 458DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 842 4 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – fls. 731 “Decorridos os prazos estabelecidos no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13/09/2007 (fls. 618/619) e no Termo de Constatação Fiscal (fls. 622/648), sem que a fiscalizada apresentasse manifestações ou esclarecimento/elementos acerca dos depósitos especificados na planilha seguir, foram apuradas omissões de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada, tendo em vista que a fiscalizada, depois de regularmente intimada, não apresentou elementos que justificassem a origem dos depósitos/créditos efetuados em sua conta corrente bancária n.° 054465, junto ao Banco Itaú S.A., agência 2944.” (vide planilha às fls. 731) Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, referente aos meses de janeiro a junho de 2001 – fls. 731/732 Para esta última infração foi aplicada a multa isolada (50%), face o disposto no art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07, convertida na Lei n° 11.488, de 2007; c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei n° 5.172/66. Em relação à omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, e à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, concluiu a fiscalização que restou caracterizado o evidente intuito de fraude, razão pela qual sobre os valores exigidos de imposto foi aplicada a multa de ofício de 150%. Notificada da exigência em 12/11/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 739, a contribuinte apresentou impugnação em 05/12/2007, às fls. 749/777, assinada por procurador, onde, após um breve relato dos fatos, apresentou argumentos jurídicos relacionados ao questionamento das provas apresentadas e supostamente não consideradas pela fiscalização. Ressaltou que apresentou documentos que demonstravam existirem recursos originários de transferência de seu esposo, bem como de venda de imóvel, recebimento de seguros e entradas de caixa face aos saques no banco. Reclamou que a autoridade fiscal não teria elaborado um fluxo de caixa no qual consideraria tais recursos, conforme relacionados em fls. 756/759. E mais: destacou ser impossível o lançamento com base exclusivamente em extratos bancários, uma vez que depósitos bancários não são, por si só, prova de acréscimo patrimonial, e deste modo, o lançamento realizado estaria em ofensa ao art. 43 do CTN, pois não demonstrou a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda entendida como acréscimo patrimonial; sustentou que não poderia o lançamento ter sido baseado em meras presunções, pois isto estaria em conflito com o art. 142 do CTN, e tal preceito legal exige que o fisco faça prova direta de suas alegações; Fl. 459DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 843 5 com relação à exigência atinente ao ganho de capital, alegou ter ocorrido a decadência do fisco efetuar o lançamento, pois o fato gerador ocorreu junho e julho de 2001 e o lançamento foi cientificado em novembro de 2007; protestou contra a aplicação de penalidade, por entender que esta só pode ser aplicável se viesse a prevalecer a cobrança do imposto; ao final, ainda que após encerrados os pedidos da peça de defesa, a impugnante pugnou pela decadência em relação aos fatos geradores do ano de 2001, conforme fl. 777. Após apreciar o litígio, a 5a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), em decisão unânime, julgou procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SPOII n° 1732.542, de 10/06/2009, às fls. 782/793. Decidiu aquele Colegiado por: i) acolher a decadência em relação à parcela do lançamento referente à omissão de ganho de capital (vencimento junho e julho de 2001), exonerando a contribuinte da exigência do imposto lançado no tocante a essa infração; ii) manter a exigência da parcela da autuação relacionada à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, anos calendários 2001 e 2002, bem como a multa exigida isoladamente (50%) referente ao ano calendário 2001; iii) desqualificar a multa de ofício aplicada, reduzindoa do percentual de 150% para 75%. Transcritas, a seguir, as ementas constantes do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001, 2002 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL E GANHO DE CAPITAL. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser feito, conforme previsto no art. 173, I do CTN. No caso de ganho de capital, o início do prazo decadencial é tomado como o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 460DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 844 6 MULTA DE OFÍCIO DE 150%. LANÇAMENTOS COM FATOS GERADORES ATÉ JANEIRO/2007. NECESSIDADE DE SE DEMONSTRAR O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. O lançamento de multa qualificada, em autos lavrados sobre fatos geradores até janeiro/2007, exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da Lei n° 4.502/64 prevê como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Manutenção da multa qualificada somente na presença e elementos de prova nos autos que caracterizam tal situação. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/08/2009, conforme documento à fl. 796, a interessada, interpôs, em 21/09/2009, por meio de seu procurador, o Recurso Voluntário às fls. 802/821, em que: preliminarmente, alega que a prevalecer a circunscrição territorial, o procedimento Fiscal deveria ser de titularidade da Receita Federal em Piracicaba/SP, residência e domicílio da contribuinte/recorrente, assim, postula que seja reconhecida a nulidade absoluta em razão do lugar, extinguindose o feito como medida de Direito e Justiça; se o fato gerador ocorrera em 2001, quando a contribuinte recorrente seguiu para os Estados Unidos da América, retornando no mesmo ano ao Brasil, e reconhecido a decadência relativa a esse exercício fiscal (2001), quedam injustificáveis autuações nos anos de 2002 e 2003; como restou evidenciado nos autos, todos os valores, além de justificados documentalmente a origem, estavam isentos de tributação, dos quais se destaca os relacionados a seguro de vida e à venda do imóvel, valores comprovados nos autos, como fartamente demonstrado nesse recurso; não obstante os esclarecimentos prestados em ocasiões anteriores, assevera que se inegavelmente detinha valores em seu poder, tais valores poderão ser, como o foram, objeto de depósitos bancários e, assim, cumprido os requisitos previstos na lei de regência, cumprida a comprovação de origem dos recursos utilizados para os depósitos, conforme demonstrado na movimentação bancária explicitada nos itens “a” a “h” do item 17 da peça de defesa (fls. 808/809 dos autos); argumenta que, se a fiscalização reconhece o total recebido pela venda do imóvel, cujo ganho de capital estava precluso no que se refere à exigência do tributo, deveria ter considerado tal recurso como disponível para a requerente para suporte de suas transações bancárias; ressalta que trata o presente caso de contas patrimoniais, e que o resultado de um exercício transferese para o outro, portanto, se tributarmos os pretensos depósitos sem comprovação de origem, de um determinado exercício, é claro que aquele recurso deverá ser Fl. 461DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 845 7 subtraído, visto que eventual tributo estaria sendo pago, sob pena de se exigir o mesmo tributo duas vezes o que não é permitido pela Carta Magna vigente; diz que aquele recurso reconhecido pelo próprio fisco, mas que encontrava se agasalhado pela causa extintiva do Art. 156, inciso V do CTN, terá que ser considerado disponível para que dê suporte às movimentações financeiras da recorrente; reafirma que os depósitos tiveram como origem a venda de imóvel, o recebimento de prêmio de seguros, além de resgate de aplicações, e que tudo isto foi informado durante as diligências; não existe nenhuma proibição de que o contribuinte tenha em seu poder cheques, em lugar de dinheiro, e da mesma maneira, se é efetivado o depósito de numerário que estava em seu poder, declaradamente para o fisco, ainda que por depósitos parciais e, da mesma forma, as retiradas por meio de cheques emitidos e correspondente escrituração nos extratos bancários, tais valores ou parte deles, quando depositados, constituem valores com origem comprovada; por ser a constituição de crédito tributário uma atividade vinculada não pode o lançamento se apoiar em suposições, conjecturas, tampouco em presunções, como se extrai da redação do artigo 142 do CTN. No mesmo sentido, doutrina e jurisprudência citados; destaca que os tribunais pátrios já se manifestaram em várias oportunidades, para consagrar não ser legítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado apenas com base em extratos de depósitos bancários, tendo sido editada a Súmula 182 do antigo TFR, mas não se está pretendendo que se aplique as normas legais daquela época, aos casos atuais, face à característica dinâmica do direito, todavia, como se infere da torrencial jurisprudência administrativa e judicial, não se pode cogitar do lançamento com base exclusivamente em extratos bancários, pois, na essência, a esse respeito, nada foi alterado com a edição da Lei n° 9.430/96; não sendo procedente a exigência do imposto, inexistente a multa aplicada, pois não houve falta de recolhimento do tributo. Ao final, requer a interessada seja acolhido o seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe ressaltar que nessa fase recursal a discussão posta nos autos restringese à exigência do imposto de renda apurado sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (fatos geradores nos anos calendários 2001 e 2002), bem como em relação à multa isolada por falta de recolhimento de IRPF devido a titulo de carnêleão (fatos geradores no anocalendário 2001), vez que o Fl. 462DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 846 8 julgamento a quo decidiu por acolher a decadência em relação à parcela do lançamento referente à omissão de ganho de capital, e ainda, por desqualificar a multa de ofício aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. Passamos, então, a analisar a preliminar de decadência suscitada na peça recursal em relação à parcela mantida do lançamento, todavia, neste caso, considerando que a multa de oficio lançada foi desqualificada, repisese, conforme decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância. Assim, é pacífico, com o advento das Leis n°s 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, que se materializa “ex vi” das normas do artigo 150 do CTN, dado que atribuise ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento. Sobre o assunto, ilustra Alberto Xavier em sua obra Do Lançamento. Teoria Geral do Ato. Do Procedimento e do Processo Tributário. Forense, 1977: O artigo 150, parágrafo quarto pressupõe um pagamento prévio, e daí que ele estabeleça um prazo mais curto, tendo como dies a quo a data do pagamento, dado que este fornece, por si só, ao fisco, uma informação suficiente para que permita exercer o controle. O artigo 173, ao contrário, pressupõe não ter havido pagamento prévio, e daí que alongue o prazo para o exercício do poder de controle, tendo como dies a quo não a data da ocorrência do fato gerador, mas o exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 463DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 847 9 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 464DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 848 10 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, a exigência fiscal em litígio abraça os anoscalendários 2001 e 2002. Observase que houve antecipação do pagamento do imposto mediante retenção na fonte tanto em 2001 como em 2002 (DIRPF – informação às fls. 87/88 dos autos), sendo o dia inicial da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento a data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário (art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN). Assim, relativamente ao anocalendário 2001, o prazo decadencial deve ter como termo inicial 31/12/2001 e como termo final 31/12/2006, visto que, nos termos da decisão recorrida, no presente caso não restou demonstrado o evidente intuito de fraude. O auto de infração em apreço foi cientificado à contribuinte em 12/11/2007, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 739, portanto, quando já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Entretanto, no tocante ao anocalendário de 2002, não há que se falar em decadência, posto que a ciência do lançamento se deu antes de 31/12/2007, este o termo final para constituição do crédito tributário relativamente a esse ano. Desse modo, acolho a preliminar de decadência tãosomente para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001, sendo improcedentes as exigências relativas à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no valor de R$ 20.370,90 e respectivos acréscimos legais, e à multa isolada por falta de recolhimento de IRPF devido a titulo de carnêleão no valor de R$ 982,50. No mérito, a questão que resta à discussão referese à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada apontada para o anocalendário 2002. Tal matéria tem como fundamentação legal o art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 849 11 §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (vide art. 4° da Lei n° 9.481/1997) §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Como se vê, no dispositivo legal retrocitado o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, em que o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos e informações/esclarecimentos com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. Fazse necessário, portanto, reforçar que a presunção criada pela Lei n° 9.430/96 é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal Fl. 466DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 850 12 obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. Cabe aqui salientar que o entendimento esposado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, no sentido de ser ilegítimo o lançamento arbitrado, apenas, em extratos ou depósitos bancários, restou inteiramente superado em função da entrada em vigor da Lei n° 9.430/96. No mais, nessa fase recursal, a recorrente insiste em seus argumentos, mas, novamente, deixa de trazer em seu auxílio documentação hábil e idônea a comprovar, de forma individualizada, a origem dos depósitos questionados que constituíram a base de cálculo do lançamento. Relativamente às alegações de que depósitos bancários, por si só, não representam fato gerador do IRPF e de que a autoridade fiscal não comprovou acréscimo patrimonial a descoberto ou enriquecimento que pudesse ser demonstrado pelas movimentações bancárias da contribuinte, cabe destacar, a seguir, o disposto na Súmula CARF nº 26, que afasta a argumentação apresentada na peça recursal: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Deveras, não há dúvidas de que a Lei n° 9.430/96 definiu que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, tais valores sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3°, § 4°, da Lei n° 7.713, de 1988. Portanto, não comprovada pela litigante a origem desses depósitos mantidos em suas contas bancárias, no ano de 2002, é de se manter a presunção de omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Quanto às posições doutrinárias e jurisprudenciais invocadas, destaquese que, excetuandose as Súmulas CARF aprovadas e as decisões judiciais que vinculam este Órgão, que não foram trazidas à colação, tais posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Por fim, quanto à alegada nulidade do feito sob a justificativa de que o procedimento Fiscal deveria ter sido conduzido pela unidade da Receita Federal em Piracicaba/SP, lugar de residência e domicílio da fiscalizada, ressaltese que não assiste razão à recorrente. De ver que os agentes do Fisco que lavraram o auto de infração são os mesmos que foram indicados a conduzir, e efetivamente conduziram a ação fiscal (fls. 01/04 dos autos). Deste modo, restou preventa e prorrogada a sua competência, a teor do disposto no art. 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 9º. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis Fl. 467DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 15983.000789/200734 Acórdão n.º 280101.974 S2TE01 Fl. 851 13 à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Esse é também o entendimento deste Egrégio Conselho, estabelecido em sua Súmula nº 27, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 27 É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” Portanto, a atuação dos auditores fiscais não é restrita à circunscrição da Delegacia da Receita Federal do Brasil onde se encontram lotados, ao contrário, a autuação dos mesmos pode se dar em todo o território nacional, o que é usual, bastando haver interesse da Administração. Face ao acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 2001, excluindo da exigência tributária o valor de R$ 20.370,90 (e respectivos acréscimos legais) lançado a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, bem como a multa isolada por falta de recolhimento de IRPF devido a titulo de carnêleão no valor de R$ 982,50. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 468DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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