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Numero do processo: 10640.000996/2008-37
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.200
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.000996/200837 Acórdão n.º 2801002.200 S2TE01 Fl. 59 2 Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 06/08, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (suplementar), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor total de R$ 8.059,86, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 31/01/2008. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, a autoridade fiscal efetuou a glosa do valor de R$ 13.874,61 referente a despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, conforme a seguir (fl. 07): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 13.874,61, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8°, inciso II, alínea “a”, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS: Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$13.874,61, conforme a seguir especificado: 1 UNIMED/JUIZ DE FORA: R$ 374,61, correspondente a diferença entre o valor declarado (R$ 4.764,00) e o valor comprovado (R$ 4.389,39); 2 MAURO LUCIANO DAYRELL: R$ 13.500,00, sem comprovação da efetividade do pagamento. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2005/606261991411093 o contribuinte apresentou os seguintes recibos: R$ 650,00 (22/01/2004) + R$ 990,00 (27/02/2004) + R$ 1.100,00 (25/03/2004) + R$ 860,00 (18/04/2004) + R$ 790,00 (18/05/2004) + R$ 915,00 (14/06/2004) + R$ 1.020,00 (13/07/2004) + R$ 935,00 (09/08/2004) + R$ 1.050,00 (20/09/2004) + R$ 1.895,00 (19/10/2004 ) + R$ 1.985,00 (08/11/2004) + R$ 1.335,00 (27/12/2004). Tais recibos não foram considerados suficientes para comprovação da dedução, tendo em vista que o total das despesas médicas declaradas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos tributáveis (30% do rendimento liquido) e que o emitente dos recibos, irmão do declarante, tem domicilio em Belo Horizonte. Em atendimento ao Termo de Intimação n° 209/2007, onde foi solicitada a comprovação da efetividade da entrega dos Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.000996/200837 Acórdão n.º 2801002.200 S2TE01 Fl. 60 3 recursos, o contribuinte informou que os pagamentos foram efetuados em espécie e que os saques bancários não foram feitos especificamente para tal fim, não apresentando cópia de extratos bancários. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação, às fls. 01/05, alegando, em síntese, que: reconhece o erro cometido quanto à dedução do valor de R$ 374,61 referente às despesas com plano de saúde, conforme apontado no lançamento; razão pela qual promove o recolhimento do respectivo imposto, de acordo com DARF anexado às fls. 14/15 do processo; à luz do art. 80 do RIR/99 e da jurisprudência emanada do Primeiro Conselho de Contribuintes, a apresentação dos recibos de pagamento é suficiente para comprovar a efetividade das despesas de prestação de serviços odontológicos; as razões apresentadas pela fiscalização para a glosa das despesas não encontram amparo legal, posto que o impugnante possuía disponibilidade financeira no período para a realização dos aludidos gastos, conforme registrado em sua DIRPF/2005; embora o profissional prestador dos serviços resida em Belo Horizonte e seja irmão do impugnante, tais fatos não se constituem impeditivos para que ocorram os serviços estampados em recibos hábeis e idôneos; caso as provas apresentadas sejam consideradas insuficientes, solicitou o impugnante que fosse realizada perícia a fim de que se responda sobre se os serviços descritos nos recibos foram efetivamente prestados ao contribuinte, tendo como perito o cirurgião dentista Mauro Luciano Dayrell. Ao apreciar o litígio, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora (MG), em decisão unânime, indeferiu a perícia requisitada e, no mérito, considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/JFA nº 0931.104, de 20/08/2010, às fls. 46/48. Constam da peça decisória as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. Indeferese a perícia mencionada pelo sujeito passivo, uma vez que o seu resultado não solucionaria a motivação exposta pela autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 15/10/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 50, o contribuinte interpôs, em 10/11/2010, o Recurso Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.000996/200837 Acórdão n.º 2801002.200 S2TE01 Fl. 61 4 Voluntário às fls. 51/55, reiterando a argumentação posta por ocasião da impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nessa fase recursal a discussão restringese à glosa de despesa médica no montante de R$ 13.500,00 apontada pelo recorrente em sua declaração de rendimentos como tendo sido realizada com serviços prestados no ano de 2004 pelo profissional Mauro Luciano Dayrell. Do exame dos autos, observase que a glosa em questão ocorreu sob as determinações restritivas contidas no artigo 8°, inciso II, alínea “a”, e § 2o, da Lei n° 9.250, de 1995, com a regulamentação estabelecida pelos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. O artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, assim dispõe: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.000996/200837 Acórdão n.º 2801002.200 S2TE01 Fl. 62 5 feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaque nosso) Assim, na espécie dos autos, observase que, ante ao valor expressivo declarado pela recorrente a título de dedução com despesas médicas, coube ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, conforme se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação do efetivo pagamento dos dispêndios informados pela declarante como tendo sido efetuados com profissionais da área da saúde. Neste contexto, impende salientar que a simples apresentação de recibos e declarações, por si só, não se revela como elemento hábil a comprovar valores elevados de despesas médicas, pois havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária tanto a comprovação da efetiva prestação do serviço, como também do pagamento correspondente. Este tem sido o entendimento deste Egrégio Conselho em situações similares, conforme destacado no julgado a seguir transcrito: IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1° CC 10416647/1998). (grifei) Nesse sentido, com relação à despesa que restou em debate, no valor de R$ 13.500,00, verifico que não cabe reparos à decisão recorrida, que bem analisou a questão, conforme se pode denotar de trechos do voto ali proferido, o qual peço vênia para reproduzilos a seguir: fls. 47/48 dos autos “[...], importa frisar que, no decorrer da revisão realizada, deixou o interessado de promover a comprovação do efetivo pagamento de valores declarados a título de despesas médicas, Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.000996/200837 Acórdão n.º 2801002.200 S2TE01 Fl. 63 6 tendo como beneficiário Mauro Luciano Dayrell (irmão do contribuinte),na monta de R$ 13.500,00. De igual sorte, permaneceu o contribuinte, mediante a sua impugnação, inerte no sentido da necessária demonstração dos pagamentos, porquanto os documentos que colacionou acerca da prestação dos serviços não suprem a ausência da comprovação dos pagamentos, nos termos requeridos pela autoridade revisora. A demanda ao contribuinte de documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmálos, no que tange os efetivos pagamentos desses, consiste em salvaguarda da administração, necessária, devida e, como visto, amparada pela legislação; logo, não se vislumbra vício de legalidade em relação ao determinado. Não há, por cediço, obrigatoriedade para que a satisfação de despesas médicas se dê por cheque, depósito bancário ou transferência eletrônica. Por outro lado, os pagamentos pretensamente realizados afastam a possibilidade da inexistência de suas marcas na movimentação financeira do contribuinte, cujos rendimentos declarados (fl. 23) são percebidos integralmente de pessoas jurídicas que utilizam o sistema bancário. A alegação do interessado de que dispunha de R$ 10.000,00 em mão ao término do anocalendário 2003, conforme DIRPF/2005 (fl. 24), e que tal valor se prestou para realizar a maior parte dos pagamentos ao seu irmão, não se demonstra com verossimilhança suficiente para justificar recibos emitidos de janeiro a dezembro/2004 (fls. 30/32), com valores unitários de R$ 650,00 a R$ 1.985,00, sem se olvidar que outras despesas existiram no período. [...] Ora, o perfil financeiro retro aponta que o interessado só ao seu irmão destinou mais recursos (R$ 13.500,00) do que todo o valor que lhe restaria para as demais despesas, já considerada a disponibilidade financeira do cônjuge: Impostos (IPTU, IPVA, etc); moradia (energia elétrica, água, limpeza, etc); alimentação; lazer; medicamentos; transporte, inclusive com gastos mensais para ir até Belo Horizonte/MG para o suposto tratamento; fora outros próprios do cotidiano. A situação, então, revelase incompatível com a medianamente estimada para o mister, daí a necessidade da efetiva comprovação da entrega do valor em tela, o que, repisese, não ocorreu. [...]” Como se observa nos autos, a documentação apresentada pelo contribuinte não se revela como elemento de prova hábil e suficiente a estabelecer a necessária convicção para a validação da dedução em comento, persistindo, deste modo, ausente nos autos a efetiva comprovação do desembolso da despesa médica em apreço. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.000996/200837 Acórdão n.º 2801002.200 S2TE01 Fl. 64 7 Por fim, ressaltese que, na análise de prova, à autoridade julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas no total de R$ 13.500,00, como destacado no acórdão recorrido. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10711.005327/85-96
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 1986
Numero da decisão: 303-00.084
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso, em diligência, à repartição de origem, nos termos do voto do relator; vencidos os Conselheiros Hélio Loyolla de Alencastro e Carlindo de Souza Machado e Silva.
Nome do relator: PAULO MORENO DE ALMEIDA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA OLS/CF TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ACORDÃO N.o . Recurson.o 108.407 - Processo nº 10711/005327/85-96 . .~ Recorrente AG:t:NCIAMARíTIMA. LAURITS LACHMANN S/A. Recorrid IRF - PORTO - RIO DE JANEIRO. . R ~ ~ £ ~ ~ º! O nº 303 -0.084 V I S TOS, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AG~NCIA MARíTIMA LAURITS LACHMANN S/A, R E S O L V E M os Membros da Terceira Câmara do Ter - ceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em conver- ter o julgamento do recurso, em diligência, à repartição de origem, nos termos do voto do relator; vencidos os Conselheiros Hélio Loyolla de Alencastro e Carlindo de Souza Machado e Silva. Faz'.Nacional. de 1986, Presidente - Helator HÉL VISTO EM SESSÃO DE: Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselh~i ros:SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NETO, CARLINDO DE SOUZA MACHADO E SILVA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, SIDNEY DE CAMPOS PESSOA, LUIZ CARLOS NO GUElRA e AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. RECURSO DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Nº: 303-0.933 '. SERViÇO PUBLICO FEOERAL fls. 02 MF - 32 CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO 108. 407 ~_,'c " -r ~'~d.'t ~"J nEé~~çÃOC~@~4000 RECORRENTE: AGÊNCIA MATÍTIMA LAURITS LACHMANN S/A RECORRIDO: IRF-PORTO RJ RELATOR: PAULO MORENO DE ALMEIDA. seja da correção monetária do débito apu- do imposto. AGÊNCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMANN S/A recorre tempestivamen te perante este Conselho contra decisão da autoridade singular de primeira instância, que julgou pr..ocedente"oAI 269/85 (fls. 19) la- vrado em processo de Confer~ncia Final do Manifesto 109~/86, do na- vio LLOYD ALEGRETE, entrado em 8-6-~5. Foi apurada a falta de 11 vols. da carga constante do B/L 3, do Porto de Wismar, com exig~ncia do imposto de importação e a multa do art. 106, 11, ~, do DL 37/66. Em suas razões de recurso a suplicante requer , em preliminar, que este Colegiado examine o aspecto da compet~ncia de que se inves- te a funcionária ZÉLÍA MATURINA DE LEMOS FERREIRA, Chefe-Substituta da SECTRI, para emitir a dedisãó ora recorrida, conforme declaração aposta ao carimbo de fls. 39. No mérito, considera incabivel a penalidade aplicada, tendo em vista que a lQ-7-85 ofereceu denúncia espontânea da falta, solici tando à Reparticão aduaneira o cálculo do tributo dev::bdo,,lIex vi" do art. 138 do CTN, tendo depositado a importância do I.I~devido, para garantia de instância, conforme does. de fls. 24. Insurge-se contra o cálculo do imposto, que pretende efetuado com base na taxa de câmbio vigente na data da ,,;:entEada mercadoria no territbrio nacional. Rebela-se também contra a face do depbsito do valor SERViÇO PÚBLICO FEDERAL :.:lsf'J)s.03 RecuF,so l08.4b7 Re S0J.:Úçã:o-'-0 03~O.ó~.- ou o complexo uma pessoa realizados Tendo em vista a preliminar arguida, há que se apreciar, por primeiro, a competência administrativa delegada e subdelegada, de que fala o presente processo. À luz da doutrina, da legislação especifica e da tributá- ria federal, a matéria não é complexa ou controvertida. Alguns auto- res pátrios são na essência, concordes na conceituação e definição da competência administrativa e sua delegação, v. g., A.A. Contreiras de Carvalho, "in" "Processo Administrativo Tributário", Ed. Resenha Tri- butária, são Paulo; Hely Lopes Meirelles, "Direito Administrativo Brasileiro", Ed. Revista dos Tribunais, são Paulo; e Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, "Principios ..Gerais de Direi to Administrativo", './,,' Edtora Forence, são Paul?, Vols.'"I ~ 11. . Segundo esses festejados administrativistas, competência é de poderes funcionais conferido po~ lei a cada brgão de juridica de direito público interno, para que possam ser os interesses a esta atribuidos. . A competência é delimi tada em razão das seguintes condições: da matéria, poià deve ser exercida no âmbito das atribui- ções, quanto ao objeto e conteúdo do ato; do grau hierárquico ou da organização do serviço, pois se vários brgãos ou agentes estão incumbidos da mesma matéria, distriquida_ nos diversos niveis da estrutura funcional, os poderes se d~ffistribuem entre el~s conforme sua posição relativa na escala de subordinação respeit~dos os limites das competências exclusivas ou prbprias de su- periores e subalternos; do lugar, quando a competência é exercida em frações circunscrições territoriais; e do tempo, porque deve valer no momento do respectivo exeE~ cicio, não podendo modificar o passado (efeito retroativo) e nem dis- por quanto ao futuro; mas, se a lei ~iprover que deva ser exercida em certas ocasiões, então só e quando se verificarem os pressupostos le- gais previstos. A competência administrativa é um requisito de ordem públi ca deferido aos brgãos e não às pessoas dos titulares 'queosrepresEmt~, Apurada a capacidade da pessoa juridica e a competência do brgão, faz-se necessário verificar se seu titular, pessoa natural, que age em nome e por conta deaa, cujos atos praticados lhe são impu- tados, como prbprios dela, e nos limites de sua competência, se enco~ tra regularmente investido nessa situação, como agente público e como titular do brgão a que compete,oexercicio desse poder. Além disso, , precisa estar qualificado para o ato pessoalmente, i. é~rnão se achar impedido, na espécie ou no tempo, de praticá-lo. A competêncm~comoato vinculadode todo ato..administrativo" pode ser delegada e avocada, em casos especiais, desde que o permitam as normas reguladoras da administração. Sua forma de expressão denomina- se delegação de competência, transferência de poder, ou des ocação de função. • •• SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Recurso 108.407 Reso;nlçãb"303";'O.O ,:, fls.04 • Os requisitos da delegaç~o sao, po~s: a) existência de lei que a permita; b) dois órg~os ou um órg~o e um agente da mesma pessoa ju ridica de direito p~blico indic~dos em lei, dos quat~ um seja nor- malmente competente (o delegante) e o outro eventualmente competente (o delegado); f. 'c) o ato de delegaç~o,deveráser expressojescritoe publicadO,para que conste (salvo os casos de'dele~aç~o implicita na natureza de car gos criados para desonerar outros do trabalho excessivo~p(~ubsecret~' rios, adjuntos, .:assessores'etc.). O requis~to da publ~caç~o dos atos oficiais está inscrito na tradiç~o do direito pátrio. Ele atende ao principio de legalidade É o requisito da eficácia, que convalida os atos administrativos,por isso que a administraç~o é chamada de p~blica. Publicaç~o ou publicidade é o ato ou efeito de tornar p~- blico, de divulgar, de dar conhecimento de aç~o, fato ou coisa p~bl~ ca (leis, decretos, normas reguladoras, declaratórias, orçamentos, editais de concorrência e licitaç~o, contratos negociais etc.) Hely Lopes Meirelles, !Iinopus citl!", informa que a publ~ caç~o dos atos administrativos tornou-se obrigatória desde o D.572, I de 12 de julho de 1890~ O ilustre A. diz que a publicidade é a divu! gaç~o oficial do ato para conhecimento e inicio de seus efeitos ex- ternos. Dai porque as leis, atos e contratos administrtivos, que pro duzem consequências juridicas fora dos órg~os rque~nstêrilitel)1exigem pu=- blicidade para adquirirem validade universal, i. é, perante as partes e terceiros. Colocados, sucintamente, os pressupostos doutrinários da competência administrativa e sua delegaç~o, vejamos, a seguir, o que diz a legislaç~o correspondente. A Reforma Administrativa, instituéionalizada pelo DL 200, ,1 . I'>J ,de 25-2-67, art. 12, S U N., prescreve que o ato de de"legaçaoindicara com precis~o a autoridade delegante, a autoridade delegada e os pod~ res objeto da delegaç~o. Os arts. 11 e 12 dessa lei foram regulamentados, inicial-, mente, pelo D. 62460, de 25-3-68. Esse decreto vigorou até 6-9-79, quando foi editado o D. 83937, dando nova regulamentaç~o àdelegaç~o de compência e revogando expressamente o D. 62460/68 e demai's dispos~' ções em contrário constantes de decretos, regulamentos ou atos norm~ tivos em vigor no âmbito da administraç~o direta e indireta. Eis o que estabelece definitivamente o D. 83937/79 csobre a delegaç~o de competência: "A delegaç~o de competência terá por objetivo acelerar a decis~o dos assuntos de interesse p~blico ou da própria ádministraç~o (art. 1 Q ) • O ato de delegaç~o, que será expedido a critério da auto- ridade delegante, indicará a autoridade delegada, as atribuições ob- jeto da delegaç~o e, quando for o caso, o prazo de vigência, que, na omiss~o, ter-se-á por indeterminado (art. 2Q). ~~ A delegação de competência não envolve a p~ SERViÇO PUBLICO FEDERAL Recurso 108.407 Resoluç:ã:ó:::'.3O:3~'O. 0-'(: fls. 05 • gante dos correspondentes poderes, sendo-lhe facultado, quando enten der conveniente, exercê-los mediante avocação't1ocaso, sem preju:Lzo;da validade da delegação (~,Ún.:Lnsito pelo D. 86377, de 17-9-81). A delegação poderá ser feita a autoridaderrodiretamente subor dinada ao delegante (art. 3º). I - A mudança do titular do cargo não acarret,acacessação da delegação (art. 4º). Quando conveniente no interesse da administração, as competências objeto de delegação poderão ser incorporadas, em ccaráter' permanente, aos regimentos ou normas internas dos órgãos e entidades interessados (art. 5º). O ato de delegar pressupõe a autoridade para subdelegar 1 (art. 5 º ) . 1.1' Com base no art. 12 do DL 200/67, e ainda na vigência do D. 62460/68, foi baixada a IN SRF 21, de 9-6-72, que também vigorou até a edição do D. 83937/79, que revogou todos os atos regulamentad£ res anteriores sobre a matéria. Essa instrução, que estabeleC8l&3 nor . mas para a delegação de competência, irisdrita no :Ltem 3 do art.60 di Portaria GB 18, de 23-01-69, que aprova o Regimento Interno da Secre taria da Recei ta Federal, só atingia os "atos administrativos propri~ mente,àitos, entendidos como tais os que, produzindo efeitos 'jur:Ldi-t _ cos num caso concreto, resultam da manifestaçao escrita da vontade' do administrador no exerc:Lcio do poder público e no interesse da Ad- ministração", excluiu, expressamente, (:LtemV),, "a competência de na tureza jurisdicional, legalmente atribu:Lda ~ autoridade administrat~ va para decidir'lit:Lgios ou dirimir conflitos". - O Secretário da Receita F~deral, tendo em vista os Ds. 70235,de 6-3-72, e 83937/79, baixou a IN 21, de 2-4-81, autorizando' os Delegados da Receita Federal a delegarem competência para julga- mento dos processos administrativop fiscais em primeira instância. Essa instrução revogou o :LtemV da@e nº 21/72, retrocitada. Conside- ro essa revogação parcial despici~nda, tendo em vi.sta que o ato todo foi revogado por força do D. 83937/79, aqui ééá!.:lud\idi::n. No campo da jurisprudência, tenho'~ 'mão as decisões em processos do Tribunal de Contas da União-TCU, sobre delegação de co~ petência, de nºs. TC 23836/79 ("DO" de lº-10-79), TC 006573/80 (8-4- -80) e TC 15892/80 ("DO" de 25-7-80), nas quais aquela corte firmou' o entendimento segundo o qual: a) a delegação de competência é ato administrativo, pelo qual a autoridade pública, legalmente::autorizada",transfere atribui-o ções decisórias a seus subordinado~, com vistas a assegurar maior' rapidez e objetividade ~s decisões, situando-as na proximidade dos fatos ou das pessoas a atender; consequentemente, quem delega pod~ res não os exerce; se não os exerce, não delega; b) no caso de delegação de competência, os atos de gestão orçamentária e financeira não pode~ ser simultaneamente exercidos' pela~autoridade delegante; o afastamento do ordenador de despesa, para atendimento de outros compromissos locais, não é motivo idôneo para que o substituto assuma a gestão, pois, realmente, se a cada' ausência ocasional do titular o substituto assumir, fácil é Fecurso 108.407 Resoltiç'ão 303':"6.0 :> fls.06 alternância 'SERVICO PUBLICO FEDERAL , , ~ que logo se caracterizara, pela repetiçao constante, uma indistinguível da simultan~~dade, diluindo-se a chefia e a responsa~ bilidade consequente; c) o titular de unidade só poderá ser substituído porsub~ tituto legal designado pela autoridade competente e a su~stituiç~o I poderá ocorrer em todos os impedimentos eventuais do titular em de- corrência de afastamento previsto em lei (faltas, férias e licença~. As restrições do TCU afetam a gest~o orçamentária e finan ceira da administraç~o pública direta e indireta. Entretanto, no me~ entender e salvo melhor juizo, n~o atingem os atuais ordenadores de despesa, que mantêm os numerários depositados em bancos, só os movi- mentando através de documentos orçamentários e cheques nominativos, I donde ser distinguível e identificável com precis~o a responsábilida, - de exclusiva de cada um. Antes dessa sistemática"obrigatória, quando as verbas de despesa' eram movimentadas 'através das tesourarias dos órg~os, a alternância entre delegante e,delegado, na hipótese do TCU seria indistinguível e, portanto, proibíd~~ Mas, uma parte significativa dessa situaç~o remanesce em relaç~o às chefias de material perm1àhente,',de' almoxarifado, de selos de controle fiscal, de mercadorias apr~endidas etc., valores estes' sujeitos a controles contábeis permanentes de entradas e sa~das e de estoque. Nesses casos, a restriç~oquarit'é>à alternância ind,jis:tif.1gt.l{vel da simul tani:e,idade,através da qual se poderia diluir a chefia .:e a responsabilidade, permanece válida. Em face do DL 200/67 e dos regulamentos da matéria, inclu sive os Ds. 68885, de 6-7-71 (art. 6º) e 76085, de 6-8-75 (art. 29), que d~o supedâneo à Portaria MF 653, de 16-11-77, que aprova o Reg~ mento Interno da Secretaria da Receita Fedral, todas as atividades I relativas à administraç~o tributária federal, atribuídas a esse ór- g~o central, observada a sua estrutura em sistemas funcionais,hie- rarquizada em projeções regionais, sub-regionais e locais, podem ser delegadas e sub-delegadas. Sob esses aspectos o ato delegatório ata- cado pelo recorrente n~o merece reparo. E como visto na legislaç~o ' que regula a matéria e em face da preliminar que se nos antolha, n~o é mais necessário delegar competência ao substituto titular de cargo de chefeia, porque esta já se acha implícita no ato original de del~ gaçao. É o caso de se examinar, neste processo,dado o elenco das atribuições delegadas pela Portaria 182, de 24-12-85, publicada no "Boletim de Serviço'.'da Delegacia do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro, nº 52, de 27~12-85, se a prática do ato delegado pelo chefe substituto da SECTRI se deu no impedimento ocasional e momentâneo do titular, hipótese de ocorrência da alternância indistinguível da si- muJ,t.aneidade atacada pelo TCU. Ou se tal exercício ocorreu n'avigên- cia de impedimentos eventuais do titular da delegaç~o de competência em decorrência de afastamentos previstos em lei (faltas, férias e l~ cenças). Essa'situaç~o resta ser esclarecida no processo. Entretanto, outro aspecto importante merece ser conside~. rado. É ~ publicaç~odo7ato de delegaç~o. A:lémdo)meDc;i..onadoD...57~!90,.fç)Í .ftditadoo D,l"1705;,pubicad?:.~no • • ••e "DO" de 27-10-39, que dispõe sobre as publicações nos órgãos of'i- ciais. Seu art. l~ determina que "a publicações of'iciais obedecerão às seguintes normas: I - Serão publicados na Integra: a) os decretos-leis e decretos numerados; b) as ordens, decisões, avisos e of'{cios que encerrem ' matéria de interesse geral ou constituirem resolução que fir me doutrina; - c) os editais. II - As atas dos tribunais e colégios judiciários e admi nistrativos limitar-se-ão a um registro sucinto das resolu-T ções. III - Dos demais atos publicar-se-á apenas o resumo. IV - Nos editais de concorrência pública ou administrati va observar-se-á o disposto no art. 745 do Regulamento apro:' vado pelo Decreto nº 15.783, de 8 de novembro de 1922, exce- ção f'eita do que se ref'ere às especificações do £orneciment~ Esses editais, que deverão indicar as demais especifica ções da concorrência, constarão de avulsos, distribu{dos pe:' la repartição que promover a concorrência". .,' ,. '. SERViÇO PÚBLICO FEOERAL Fls. 07 Recurso 108.407 Resolução 303-0.0 •- Esse decreto segue dispondo sobre a publicação 'das deci- sões dos Conse1hos de Contribuintes, que deve ser feita resumida- mente. Seguiu-se o D. 63347, de 2-10-68, "DOIIdo dia seguinte, cujo art. 13 dispunha sobre a publicação no !'Diário O£icialll de atos f na Integra em decorrência de leis ou decretos e que f'ixem normas' de carát er geral. O art. ll~ exclui da publicação, "excet o quando f houver expressa determinação legal, atos concernentes à vida fun- cional do servidor, tais como apostilas, elogios e licenças, ou ' as ordens de serviço e outros atos de caráter estritamente inter- no das repartições". Esses' atos do art. 14 supra são hoje publicados no nBol~ tim do Pessoal", ressalvadas as exceções legais. Ainda sobre publicações na imprensa oficial saiu a lume' o D. 84555, de 12-3-80, "DO" do dia seguinte, dispondo em seu art. l~, inciso XI" que serão inseridos na Seção I, do "Diário Oficia1!' da União "portarias, pareceres, contratos, editais, avisos, extra- tos e quaisquer outros atos administrativos, que não se refiram a servidores públic9S civis ou militaresll• A impulliThicidadesó atinge os atos administrativos que eE volvem sigilo, nos casos de segurança nacional, investigações po- liciais ou interesse superior da administração, a ser preservado' em processo previamente declarado sigiloso, nos de 6-01-77. /;Y4 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Fls. 08 Recurso 108.407 Resolução 303-0.0 A puThlicação se ~ará de modo a que os atos praticados p~ la administração, que possam ter consequência sobre o interesse , público, chegue ao coru~ecimento dos interessados. O veIculo de co 1.."~ - municação será a impre:asa o~icial, preferentemente. Finalmente, e para abreviar o capItulo da legislação so- bre a mat'ria delegação de competência, merece trazida ao debate' a L. 4965, de 5-5-66, que dispõe sobre a publicação dos atos rel~ tivos aos servidores públicos civis dos 6rgãos da administração ' centralizada e das autarqumâs, os quais somente ~erão validade j£ r!dica mediante publicação: I - No "Diário Oficial" da União, qUal"ltoaos atos de provi - mento e vacância de cargos ou ~unções; II - no Boletim de Serviço ou Boletim de Pessoal, quanto aos' ato's de concessão de vantagens pecuniárias previstas na legisla - çãoem vigor. Em 26-3-82, o Diretor-Geral do :o~partamento M:e Pessoal ' do Minist'rio da Fazenda baixou o ofIcio-Ci~cular DPHF/DF/DG 000 Jl, com o intuito de consolidar a jurisprudência existente sobre' Substituição de Cargo em Comissão (DAS), Função de Confiança (LT- DAS), Funç~o Grati:ficada (DAI) e uniformizar procedimentos s.obre' o assunto em eausa. Esse ofIcio recomenda que sejam observadas, t entre outras, as seguintes orientações: Só , permitida a substituição a titulares de cargos ou ~un - ções de direção dos grupos DAS e encargos do grupo DAI (1. Aplic~ ção, 1.1). A substituição poderá ser: a) omissis b) dependente de ato da Administração (eventual) (E.F. art.' 72) (2. Tipo~ 2.1). Substituição dependente de ato da Administração , aquela qu~ por não ter sido prevista em leis, regulamentos ou regimentos. ou prevista de modo gen'rico, necessita de ato expresso da Administ~ ção, designando o substituto eventual (3. Conceituação, 3.2). O Substituto Eventuâl será designado atrav's de Portaria,qqa deverá mencionau. Nome, Categoria Funcional, Classe e Re~er~~cia , do servidor, NQ de MatrIcula e denominação e código da função em causa (4. Designação, 4.1). As Portarias de designação de substituição, quando se tratar ~ emcomissão (DAS), o ato deverá ser PUblPiáriOI rr .. SERViÇO PÚBLICO FEOERAl Fls. 09 Recurso 108.407 Resolução 303-0.0 • Oficial. As demais Portarias relativas ao assunto deverão ser pu- blicadas no Boletim de Pessoal (5. Publicações de Portarias, 5.1). O Boletim de Serviço é a descentralização do Boletim de Pes- soal e se destina a caracterizar a publicação de atos. Atende à t jurisdição de cada D14F (Of'.-Circular DP:t<:lFnº 38/78)(65.2). No Boletim de Pessoal (BP) serão publicados os atos do Dire- tor-Geral do Departamento de Pessoal, Dirigentes dos õrgãos Cen - trais do Ministério da Fazenda, Superintendentes da Receita Fede- ral (qu~~do os atos digam respeito à região fiscal) e do Delegado do Minist~rio da Fazenda, tais como: Apostilas/Aumento por mérito/Concessão de Gratificação pela Repre sentação de GAbinete/Designação de respons~vel pelo expediente/De signação de substituto por periodo/Designação de junta m~dica/De= signação/Dispensa de substituto eventual (DAI/DAS)/Designação pa- ra grupos de trabalho/Desligamento/Editais (prova de desempenho e suf'iciência)/Grati:ficação de produtividade para PFN/Horário-espe- cial/Licença para trato de interesses particulares/Localização de servidor /Lot ação inicial-iideservidor /Hont epio civil/:r.10vimentação t interna de servidor/Portarias declaratórias/Posicionamento/Pro~-' gressão horizontal/Reposicion~ento/Retificação de atos/Suspensão de contrato de trabalho/Outros.(65.10). No Boletim de Serviço (BS) serão publicados os atos relati - vos a: Abono pecuniário/Adiantamento do l3º salário/Adicionais!Advertên- cia/Ajuda de custo/Auxilio-funeral/Auxílio-moradia/Comunicação de exercício/Contrato de trabalho (concessão, alteração e rescisão)/ Diárias (concessão, complementação e prorrogação)/Gratif'icação de produtividade excdto concessão para PFN, que deverá ser publicada em BP/Indenização de tr~~sporte-concessão e interrupção (Of.-Cir- cular DPMF nº 054, de l3-7-82)/Licença especial/Licença médica/ t Posse/Prorrogação de prazos (posse)/Retificação de atos/Salário família (cancelamento, concessão e restabelecimento)/Suprimento de fundos/Suspensão/Termo aditivo/Outros. (65.12). A delegação de competência para decidir litigios e prof~ rir decisão em processo fiscal envolve matéria jurisdicional. t ~ to misto, pois, além de atender à necessidade de descentralização dos serviços das repartições, atinge também o interesse público.' Por isse que não se encontra, salvo melhor juízo, expressamente ' mencionado entre as matérias publicáveis exclusivamente nos BF e BS, i. é, assuntos que envolvem estritamente os interesses das r~ partições e seus servidores. Assim, diante das razões de ordem legal e doutrinária e~ postas e tendo em vista a alegação da recorrente de que não teve' conhecimento da portaria de delegação de competência, à qual não teve acesso, suscitando, por isso, dúvida quanto à validade do a- to e pedindo, em consequência, a anulação da decisão recorrida, , voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligên- ~a:rtiÇãO de origem, para que seu Che~e de infor- "r- •.. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL F1s., 10 Recurso 108.407 Resolução 303-0.0 dé agosto de 1986. - Relator Sala das Sessões, em aUl0M~a mar a este Conselho se, além da mencionada publicação no BS, £oi! dado qualquer outro tipo de publicidade à matéria de que se vem ! tratando. •• 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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Numero do processo: 10983.901649/2006-81
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 3º, § 2º, III, da Lei n° 9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.076
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 3º, § 2º, III, da Lei n° 9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 13971.907485/2009-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PER/DCOMP. COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PER/DCOMP. COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido
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COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 08/05/2012 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907485/200975 Acórdão n.º 3801001.151 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de apuração de setembro de 2005, no valor de R$ 931,57 (v. folha 07). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federai do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação declarada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 9 a 18, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defende a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. A contribuinte argumenta, ainda, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de diligência sobre o crédito informado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 49 a 59, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Assim, levandose em conta que a presente lide tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), e que os documentos apresentados pela recorrente eram insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para a COFINS e eventuais pagamentos a maior, em 4 de maio de 2011, através da Resolução nº 3801000.165 – 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informar se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; 2. apurar o valor devido a título de contribuição para a COFINS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de setembro/2005, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL DRF/BLU/EAC1 n°. 274/2011”, fls. 86/88, onde consta, em síntese: 1 – A interessada não propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. 2 – O valor devido a título de Cofins, referente ao período de apuração setembro/2005, é R$ 6.359,66. 3 A interessada foi regularmente notificada e não manifestouse no prazo concedido. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907485/200975 Acórdão n.º 3801001.151 S3TE01 Fl. 94 5 É o relatório. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatório acima, a interessada apresentou o PER/DCOMP n° 27788.12049.040506.1.3.044765, transmitido em 04/05/2006, fls. 02/05, informando a compensação de um débito de Cofins, período de apuração 04/2006, no valor R$ 244,45 com um crédito da mesma contribuição, referente ao fato gerador de setembro/2005, oriundo de recolhimento a maior efetuado em 14/10/2005, no valor de R$ 931,57 (v. folha 07). A recorrente explica que o valor do pagamento indevido referese ao recolhimento de COFINS sobre as receitas não operacionais obtidas. Assim, do valor total de R$ 6.442,84, declarado na DCTF do 3º trimestre de 2005, referente a setembro/2005 — recolhido mediante DARF pelo código 2172, em 14/10/2005 — o equivalente a R$ 931,57 foi recolhido indevidamente, posto que calculado sobre a receita não operacional da empresa. Por seu turno, a autoridade preparadora informa, fls. 88, que a Cofins devida referente a setembro/2005 é de R$ 6.359,66, sendo recolhido o valor de R$ 6.442,84 (em 14/10/2005) e uma compensação homologada de R$ 848,39, resultando um pagamento a maior de R$ 931,57. Assim, compulsandose as peças que compõem o presente processo e de acordo com o PER/DCOMP n° 27788.12049.040506.1.3.044765, transmitido em 04/05/2006, fls. 02/05, temse: • Valor devido de Cofins referente a 09/2005: R$ 6.359,66. • Valor recolhido de Cofins, referente a 09/2005: R$ 6.442,84 (em 14/10/2005) e uma compensação homologada de R$ 848,39 = valor total de R$ 7.291,23. • Valor recolhido a maior que o devido: R$ 931,57. • Débito de Cofins a ser compensado, período de apuração 04/2006, R$ 244,45. • Valor Original do Crédito Inicial: R$ 931,57. • Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 931,57. • Selic Acumulada: 8,93%. • Crédito Atualizado: R$ 1.014,76. • Total dos débitos desta DCOMP: R$ 244,45. • Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 224,41. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907485/200975 Acórdão n.º 3801001.151 S3TE01 Fl. 95 7 • Saldo do Crédito Original: R$ 707,16. Por conseguinte, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de Cofins em valor superior ao devido, relativamente ao PA 09/2005, sendo devido o valor de R$ 6.359,66, e recolhido o valor de R$ 7.291,23, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 931,57. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 931,57, na data de 14/10/2005, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19615.000628/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL.
Formalizada, expressamente, a desistência parcial do recurso pela Recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário em sua totalidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido em parte.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-002.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, homologar a desistência parcial do recurso voluntário e, na parte conhecida, anular a decisão recorrida; e não conhecer do recurso de ofício por perda do objeto.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL. Formalizada, expressamente, a desistência parcial do recurso pela Recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário em sua totalidade. Recurso Voluntário Não Conhecido em parte. Recurso de Ofício Não Conhecido.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL. Formalizada, expressamente, a desistência parcial do recurso pela Recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário em sua totalidade. Recurso Voluntário Não Conhecido em parte. Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, homologar a desistência parcial do recurso voluntário e, na parte conhecida, anular a decisão recorrida; e não conhecer do recurso de ofício por perda do objeto. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco contra a empresa Industrial Porto Rico S.A., referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondentes à parcela devida pela empresa, pelo SAT/RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) e a relativas a Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SENAR e SEST/SENAT), para o período de 02/2003 a 03/2006. Para este período também foram apurados as contribuições sociais incidentes sobre a comercialização da produção rural. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 97/99) informa que o fato gerador foi apurado com base nas remunerações pagas ou creditadas aos segurados que prestaram serviço para a empresa e a receita da comercialização da produção rural realizada dentro do mercado interno. As bases de cálculos estão inseridas no Relatório de Lançamentos (fls. 37/55). Os valores dessas bases de cálculos foram apurados do exame dos seguintes documentos: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), recibos de rescisão, recibos de pagamento de prólabore dos sócios da empresa, recibos de pagamentos a contribuintes individuais, planilhas contábeis da receita proveniente da produção rural e nas informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS/RAIS). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/11/2006 (fl. 96), conforme Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 102/125), acompanhada de anexos de fls. 126/205, alegando, em síntese, que: 1. preliminarmente, a nulidade dos créditos relativos aos contribuintes individuais (autônomos e administradores), à comercialização da produção rural para o mercado interno, ao salário educação e aos acréscimos legais (juros e multas), tendo em vista os mesmos terem sido incluídos no parcelamento da Lei 8.212/1991, (competências 12/2005 a 05/2006) e no REFIS III (competências 02/2003 a 11/2005), criado pela MP 303/2006, havendo, assim, cobrança em duplicidade; 2. no mérito, o adicional de 0,2% vertido ao INCRA, com suporte no art. 6o, §4° da Lei 2.613/1955 c/c o art. 3o do DecretoLei 1.146/70 e majorado pela lei complementar 11/71, é indevido, conforme foi reconhecido pelo TRF da 5a Região, no Agravo de Instrumento n.° 63.365AL; 3. o adicional de 2,5% também devido ao INCRA, com fundamento no art. 6o, caput da Lei 2.613/55 c/c o art. 2o do DecretoLei l.146/70, foi revogado com o advento da Lei 8.315/91, também reconhecido por meio do Agravo de Instrumento n.° 63.365AL; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.000628/200790 Acórdão n.º 2402002.944 S2C4T2 Fl. 2 3 4. a cobrança da contribuição para o SEST e o SENAT é ilegal, pois não há lei obrigando as empresas, não vinculadas ao setor de transporte, a recolher de forma antecipada, sobre frete pago a prestadores de serviço pessoa física, as referidas contribuições. O fundamento da cobrança é o Decreto 1.007/93, quando deveria ser lei em sentido formal; 5. são indevidos os lançamentos que tiverem por base as receitas de vendas efetuadas através de trading companies, pois estas se equiparam à comercialização no mercado externo dotadas de imunidade constitucional, consoante decidido nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n.° 2005.80.00.0057271, confirmado pelo TRF da 5a Região nos autos do AGTR n° 64.986AL; 6. a exclusão dos valores relativos ao IPI e às Vendas Canceladas da base de cálculo das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural (art. 22A da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 10.256/01). Tais valores devem ser desconsiderados para fins de incidência das contribuições, posto que não se ajustam a noção de receita dos mencionados diplomas legais. Em decorrência dessa impugnação de fls. 102/125, a Seção de Contencioso Administrativo da DRP em MaceióAL solicita esclarecimentos à Fiscalização a respeito da documentação acostada pela autuada, eis que a empresa notificada alega que equivocadamente a fiscalização deixou de incluir das bases de cálculos lançadas, referentes à comercialização da produção rural, as vendas canceladas, bem como alega que há duplicidade de lançamento para as contribuições contidas em parcelamento efetuado pela empresa. Também solicita que a auditoria fiscal emita o “De Para”, caso haja retificação a ser efetuada (fl. 211). Em atenção à solicitação, a auditoria fiscal produziu a Informação Fiscal de fl. 213 – acompanhada de planilhas de fls. 214/218 e de documentos de fls. 219/237 – e posicionouse no sentido de excluir do valor levantado na Notificação os valores confessados e parcelados pela Recorrente, relativos aos contribuintes individuais e segurados empregados. Reconheceu também a inclusão indevida dos valores relacionados às vendas para o mercado externo por intermédio da trading, tendo em vista a decisão judicial em sentido contrário. Juntou aos autos (fls. 213/237) planilhas detalhando os valores a serem excluídos, deixando de se pronunciar a respeito das vendas canceladas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife/PE – por meio do Acórdão n° 1119.523/2007 da 7a Turma da DRJ/REC (fls. 249/259) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, concluindo neste termos: “pela procedência em parte da presente Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD para: a) considerar devida a contribuição cobrada sobre a o valor total da receita bruta, incluindo na base de cálculo os valores do IPI, por não haver previsão legal em contrário; b) considerar devida a contribuição cobrada sobre o valor total da receita bruta, sem excluir os valores alegados pelo contribuinte como sendo de vendas canceladas, por não estar provada a inclusão, nem o cancelamento das mesmas na base de cálculo; c) excluir do lançamento as contribuições que foram parceladas, nos termos da planilha acostada aos autos pelo fiscal notificante, conforme explicitado nos tópicos acima.” Fl. 499DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Notificada apresentou recurso (fls. 288/306), acompanhado de seus anexos de fls. 307/363, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaceióAL encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes e informa que recurso interposto é tempestivo (fl. 365). Posteriormente, o CARF prolatou uma decisão, por meio do Acórdão nº 240200.982 da 4a Câmara/2a Turma Ordinária (fl. 378/386), em que ficou assentada em seu bojo a anulação da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “[...] CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a Decisão prolatada por meio do Acórdão n° 1119.523/2007 da 7a Turma da DRJ/REC (fls. 249 a 259), para que o sujeito passivo seja informado do resultado dos pronunciamentos fiscais (fl. 213 – acompanhada de planilhas de fls. 214 a 218 e de documentos de fls. 219 a 237), bem como seja oferecido ao mesmo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação [...]”. Em seguida, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife/PE informa que “(...) às fl. 483/484, foi juntada desistência parcial do recurso voluntário apresentada pelo sujeito passivo. Conforme carimbos de recebimento (fl. 483), a desistência do recurso foi recepcionada em 01/03/2010, pela DRF Maceió, e em 06/04/2010, pela Central de Atendimento ao Público/CARF. O acórdão do CARF não faz qualquer menção à referida desistência. Não há, nos autos, prova de ciência deste acórdão pelo sujeito passivo”. A DRJ em Recife/PE encaminha os autos ao CARF para se manifestar a respeito da desistência parcial do recurso voluntário interposto. É o relatório. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.000628/200790 Acórdão n.º 2402002.944 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No caso vertente, houve requerimento formal expresso de desistência parcial do recurso pela Recorrente (fls. 483/484), tendo ocorrido, então, aceitação do decisum do órgão julgador de primeira instância, e conseqüente renúncia parcial às alegações de direito que embasavam o recurso voluntário postulado nos autos. A manifestação da Recorrente traz dois institutos processuais distintos, ou seja, a desistência parcial da ação administrativa (quanto ao recurso) e a renúncia parcial ao direito sobre que se funda a ação. Ainda como corolário daquele ato, temse a incompetência absoluta desta Turma para apreciar, em sua totalidade, os pedidos formulados pela Recorrente anteriores à desistência parcial, pois não há mais interesse processual naquele sentido, remanescendo apenas competência para apreciar os pedidos postulados nos autos que não fazem parte da desistência parcial de fls. 483/484, o qual foi formulado por quem tem legitimidade para tanto, não havendo portanto qualquer óbice à sua análise. Portanto, sendo a desistência/renúncia um ato voluntário e unilateral pelo qual alguém abdica de um direito, coloco o processo em pauta para julgamento para HOMOLOGAR a desistência parcial, dando por extinta a pendenga concernente aos pedidos postulados na peça recursal (fls. 288/306) que são coincidentes com os pedidos postulados na peça de desistência parcial (fls. 483/484). Com relação aos pedidos postulados nos autos, por meio da peça recursal de fls. 288/306, que não fazem parte da desistência parcial de fls. 483/484, foram devidamente analisados e apreciados no bojo da decisão proferida pelo CARF por intermédio do Acórdão nº 240200.982 da 4a Câmara/2a Turma Ordinária (fl. 378/386), mantendose tal decisão parte integrante deste novo pronunciamento do CARF, em que ficou assentado na sua ementa o seguinte: “[...] Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA RELEVANTE PARA JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por Fl. 501DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado. [...]” É importante esclarecer que a desistência de parte dos pedidos postulados na peça recursal não prejudica a nulidade proferida no Acórdão nº 240200.982 da 4a Câmara/2a Turma Ordinária (fl. 378/386), eis que o pedido contido na desistência parcial não depende dos demais pedidos contidos na peça recursal (pedidos remanescentes). Isso está em consonância com o § 1o do art. 59 e art. 60 do Decreto 70.235/1972 – diploma que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF). Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: (...) § 1°. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (g.n.) CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso voluntário, e, nesta parte conhecida, ANULAR a Decisão prolatada por meio do Acórdão n° 1119.523/2007 da 7a Turma da DRJ/REC (fls. 249/259), para que o sujeito passivo seja informado do resultado dos pronunciamentos fiscais (fl. 213 – acompanhada de planilhas de fls. 214/218 e de documentos de fls. 219/237), bem como seja oferecido ao mesmo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do Acórdão nº 240200.982 da 4a Câmara/2a Turma Ordinária (fl. 378/386). E, na parte não conhecida, homologar a desistência requerida pela Recorrente, nos termos do voto. Também voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício neste pronunciamento, eis que a sua a apreciação foi realizada no bojo do Acórdão nº 240200.982 da 4a Câmara/2a Turma Ordinária (fl. 378/386), ocorrendo perda do objeto do recurso de ofício. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901861/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 30/04/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não
reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa.
COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO E DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Cláudio Santinho Ricca Della Torre - OAB/SP 268-024.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO E DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
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NULIDADE. Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Cláudio Santinho Ricca Della Torre OAB/SP 268024. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Fábio Miranda Coradini e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhida a maior no período de apuração de 31/03/2001. A DRF de Ribeirão Preto, SP, por meio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, porque o pagamento a maior ou indevido indicado no PER/Dcomp, foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. A totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição. II. É do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. III. Assim, uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Apresentou a cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre receitas operacionais e financeiras. Salientou que se a autoridade julgadora entender necessário a realização de perícia contábil os documentos contábeis da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu que seja homologada a compensação realizada e declarado extinto o crédito tributário efetivamente compensado. Solicitou ainda que nas intimações e notificações conste o nome do advogado da empresa. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 4 4 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia somente se justifica quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador ou a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A Lei n° 9.718, de 1998, constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. Decisões do STF, acerca do alargamento da base de cálculo da Cofins, proferidas incidentalmente beneficiam apenas as partes das respectivas ações: não possuem efeito erga omnes. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: Preliminar: Da nulidade da decisão recorrida. devido ao cerceamento do direito de defesa da recorrente produziu a seu favor fortes provas materiais, aptas a comprovarem que o indébito tributário, alvo de pedido de compensação, via PER/DCOMP, foi oriundo da incidência e recolhimento indevidos da contribuição "COFINS" sobre receitas não operacionais/financeiras, que jamais podem compor a base de cálculo da COFINS; a Autoridade Julgadora a quo indeferiu o pedido de perícia contábil, sob o ledo fundamento de que a sua produção, nestes autos não se justifica; e, a r. decisão de primeira instância administrativa é nula de pleno direito, em função do cerceamento ao direito de defesa da Recorrente; a Recorrente produziu a seu favor forte indício de prova material, mediante a juntada de DARF, DCTF, DIPJ e extrato de seu balancete, todos aptos e necessários para comprovar a indevida incidência e recolhimento da COFINS sobre receitas não operacionais e financeiras; que a prova pericial era indispensável na vertente demanda administrativa, uma vez que o contribuinte apresentou mais de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 5 5 40 PER/DCOMP's, tornandose impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações do contribuinte e das provas préconstituídas por este, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo Órgão Julgador Administrativo; a r. decisão administrativa de primeira instância é nula de pleno direito, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Da conversão do julgamento em diligência seja verificada a conformidade do crédito apurado pelo Contribuinte, ora Recorrente, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados, sendo imperiosa a determinação, portanto, por essa Egrégia Turma Julgadora, a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, quais a Recorrente efetivamente possui; a Recorrente reitera que todos os seus documentos contábeis estão à disposição, e requer a conversão do julgamento em diligência, para que seja produzida prova pericial pelo Fisco, no intuito de se perfilhar o correto cotejo dos livros fiscais Razão e Diário estabelecidos e regularmente preenchidos pela Recorrente, para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, indevidamente recolhidos pela Recorrente sobre a base de cálculo "receitas não operacionais e financeiras". Mérito a questão jurídica em torno da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, teve sua repercussão geral reconhecida pelo plenário do STF, que em Sessão de 10.09.2008, ao julgar questão de ordem no RE 585.235/MG, reafirmou a inconstitucionalidade do susodido dispositivo legal, e ainda, aprovou proposta de edição de Súmula Vinculante sobre o tema, como se denota pelo excerto colacionado ao recurso; seguindo o paradigma proferido pelo STF, a jurisprudência do então designado Segundo Conselho de Contribuintes, ao enfocar os efeitos da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é uníssona ao dispor que a decisão plenária definitiva do STF deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras; ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é facultado declarar a inconstitucionalidade de lei regularmente editada, entretanto, não constitui declaração de inconstitucionalidade a extensão dos efeitos de decisão do Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 6 6 plenário do excelso STF, por corresponder à ultima decisão que a matéria pode obter em qualquer instância; prosseguimento desta demanda administrativa, por anos a fio, pela simples resistência da autoridade julgadora administrativa em reconhecer o entendimento uníssono do STF sobre a questão atinente à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS, conferida pelo § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, efetivamente, macula os princípios norteadores da atividade administrativa, dentre os quais merecem destaque os princípios da legalidade, finalidade, economia, moralidade, eficiência e razoabilidade. Por fim requereu: preliminarmente, que fosse declarada a nulidade da r. decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa e a conversão do julgamento em diligência; no mérito, que fosse julgado procedente seu recurso; que fosse intimada do julgamento para apresentar sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para a apuração da correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Outrossim, solicitou se que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e informou que: a) não foi encontrada qualquer ação judicial da contribuinte relacionada a indébito da Cofins relativo ao período de apuração em pauta; b) com base no Livro Razão Analítico a base de cálculo da contribuição importa em R$ 7.674.224,01. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, todavia não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A interessada, preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento por cerceamento ao direito de defesa em face de que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa, inclusive apresentou suas razões pelas quais a produção de prova pericial era desnecessária. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o seu entendimento acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição em referência. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. Em relação ao mérito, assiste razão à recorrente. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 8 8 Como fundamentado na Resolução, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e a Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 9 9 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 10 10 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos termos da diligência fiscal. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, o contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da contribuição no valor do crédito original utilizado na DCOMP, R$ 374,18. Em remate, ficou caracterizado o direito creditório pleiteado vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo a pagamento indevido e homologar a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901861/200915 Acórdão n.º 380101.427 S3TE01 Fl. 11 11 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15956.000315/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA.
Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os
segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. SIMULAÇÃO.
O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
FNDE/SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. SESC/SENAC.
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: FNDE/Salário Educação, SEBRAE, SESC/SENAC e INCRA.
ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.891
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitas as preliminares suscitadas e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. FNDE/SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: FNDE/Salário Educação, SEBRAE, SESC/SENAC e INCRA. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS Recorrente BRASIL SALOMÃO E MATTHES ADVOCACIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 2 Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. FNDE/SALÁRIOEDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: FNDE/SalárioEducação, SEBRAE, SESC/SENAC e INCRA. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 2 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitas as preliminares suscitadas e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento parcial ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (FNDE/SalárioEducação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal (fls. 38/45) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e aos segurados caracterizados como empregados, sendo que os valores apurados foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. “Levantamento FP” FOLHA PAG SEGURADOS EMPREGADOS à referese às remunerações pagas aos segurados empregados, na rubrica "gratificações de férias – cláusula 14a, previstas em convenção coletiva de trabalho, não consideradas como incidentes de contribuições previdenciárias pela empresa. Como a convenção coletiva não tem força de lei, estes pagamentos foram considerados salário de contribuição; 2. “Levantamento NF” VALORES PAGOS ATRAVÉS DE NF à os pagamentos efetuados pela autuada para nove empresas prestadoras de serviços de advocacia, a título de "Serv Advogado", cujos sócios foram considerados empregados da autuada. Esse Relatório Fiscal informa ainda que, em relação ao “levantamento NF”, os elementos de prova considerados para caracterizar os sócios das empresas associadas como segurados empregados da Brasil Salomão foram os seguintes: 1. de acordo com o informado no site http://www.brasilsalomao.com.br/site/advogados.php, praticamente todos os sócios das empresas de advocacia associadas constam como sendo advogados da empresa Brasil Salomão e Matthes Advocacia; 2. no estabelecimento sede da empresa Brasil Salomão e Matthes Advocacia, situado na Av. Presidente Kennedy, 1255 – Nova Ribeirania Ribeirão PretoSP, existe um quadro enorme na parede externa onde são apresentados a razão social da autuada e os nomes de 64 advogados. Dentre os advogados listados estão praticamente todos os sócios das nove empresas de advocacia associadas; 3. todas as empresas associadas estão sediadas em endereços residenciais de um dos seus sócios, sendo que não há qualquer placa ou sinalização de existência de empresa no local. Em vários casos tratase de condomínios residenciais, sendo que os responsáveis pelo atendimento informaram que não conheciam nem nunca ouviram falar das empresas; que no condomínio não existiam nem poderiam existir empresas; e que tinham conhecimento que o "sócio morador trabalhava no escritório de advocacia Brasil Salomão; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 3 5 4. a maioria das notas fiscais emitidas pelas empresas associadas para a autuada ocorreu no final do mês e foram numeradas seqüencialmente, isto é, as empresas associadas trabalharam e emitiram notas fiscais somente para a empresa autuada; 5. ao se comparar os valores das notas fiscais emitidas por cada empresa associada, totalizados por trimestre, com os valores declarados por cada uma delas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (anoscalendário 2005 e 2006), constatouse que tais valores eram coincidentes; 6. não consta nos livros Razão Conta Caixa das empresas associadas quaisquer lançamentos relativos a despesas operacionais necessárias para o funcionamento de um estabelecimento, tais como água, luz, telefone e aluguel do imóvel; 7. em consulta ao banco de dados da Receita Federal, constatouse, através do cruzamento das informações declaradas pelas empresas associadas com aquelas declaradas pela autuada (Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica anos calendários 1999 a 2006) que os valores pagos pela autuada são basicamente a única fonte de receita para a quase totalidade das empresas associadas, desde a constituição das mesmas; 8. de acordo com o item I da cláusula 1a do Contrato de Prestação de Serviços, convencionouse que cabe a associada Brasil Salomão, em favor das empresas associadas, garantir, sob sua responsabilidade econômica, estrutura física e instrumental, tais como: salas de trabalho e atendimento, mobiliário destas e recursos informatizados; planejamento financeiro e contábil em relação aos resultados dos serviços a serem prestados; equipe de estagiários; equipe de colaboradores diretos ou terceirizados para suporte nos serviços de secretaria, telefonia, arquivo, expedição, transporte, biblioteca, limpeza, informática e administração; material de escritório, custeio de todas despesas necessárias ao desenvolvimento dos serviços jurídicos a serem prestados; 9. de acordo com a cláusula 3a e parágrafo único do Contrato de Prestação de Serviços, a contabilidade e a administração financeira dos serviços realizados por intermédio desta associação serão centralizados na associada Brasil Salomão, por conta de serem seus e de sua responsabilidade os clientes, sendo também seus todo e qualquer crédito proveniente da realização destes serviços, inserindo aí não só os honorários pactuados, como também as verbas sucumbências decorrentes de ganhos de causa. Apurado o lucro líquido do faturamento dos serviços desempenhados, o valor devido pela parceria em favor das empresas associadas será quantificado mensalmente com a apuração do montante e emissão de nota fiscal pelas empresas associadas à Brasil Salomão; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 6 10. de acordo com o item II da cláusula 1a do Contrato de Prestação de Serviços, convencionouse que cabe às empresas associadas, em favor da Brasil Salomão, garantido sob sua responsabilidade, e de seus sócios, o desempenho profissional perante as causas e respectivos clientes da associada Brasil Salomão; o atendimento dos procedimentos extrajudiciais e dos judiciais, dos respectivos prazos judiciais e contratuais, a observância das diretrizes da coordenação dos trabalhos administrativos e das áreas por especialização jurídica de responsabilidade da associada Brasil Salomão; 11. de acordo com a cláusula 4a do Contrato de Prestação de Serviços, é obrigação da associada Brasil Salomão orientar e coordenar, por intermédio dos sócios, a realização dos serviços a serem executados em razão desta associação; 12. de acordo com a cláusula 5a do Contrato de Prestação de Serviços, são obrigações das empresas associadas observar as coordenações e orientações passadas pela associada Brasil Salomão; observar as normas internas organizacionais da associada Brasil Salomão como um corolário lógico da utilização de seu espaço físico, funcional e instrumental; e dedicarse com exclusividade aos serviços jurídicos que lhes serão confiados; 13. de acordo com a cláusula 12a do Contrato de Prestação de Serviços, as partes reconhecem que os serviços jurídicos serão realizados apenas pelos advogados vinculados à associação, que sejam sócios das partes contratantes. O lançamento referente ao levantamento "NF" foi realizado por aferição indireta, tomandose por base as notas fiscais de prestação de serviço e respectivos lançamentos contábeis. Os valores discriminados nas notas fiscais foram divididos para cada sócio envolvido na prestação de serviço, utilizandose a distribuição de lucro como parâmetro para aferição do salário de contribuição. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/11/2009 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 49/64), alegando, em síntese, que: 1. a presente exigência decorre de suposta existência de vínculo empregatício equivocadamente ventilado pela fiscalização. Haja vista que inexistiu tal relação jurídica, o presente lançamento é improcedente. A existência de vínculo empregatício foi amplamente impugnada nos lançamentos n° 37.255.4504 e 37.255.4512, que deverão ser julgados juntamente com este; 2. SalárioEducação. É inconstitucional a fixação da alíquota do salárioeducação em 2,5% pelo artigo 3°, do Decreto 87.043/82, por conta da delegação prevista no artigo 1°, § 2° do DecretoLei 1.422/75, por violar os artigos 21, § 2°, I e 178 da CF/67. Ademais, a exigência dessa contribuição viola o artigo 25, I do ADCT, bem como os artigos 154, inciso I, 195, § 4o, e 240, todos da CF/88; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 4 7 3. INCRA. É inconstitucional a contribuição devida ao INCRA. Essa contribuição não foi recepcionada pela Constituição Federal vigente (artigo 240). A exigência desse tributo encontra óbice no artigo 149 da CF. Em relação a impugnante, essa exação possui natureza jurídica de imposto (artigo 16 do CTN), com ofensa ao artigo 167, IV da CF; 4. SESC, SENAC e SEBRAE. É inconstitucional a contribuição devida ao SEBRAE. Essa contribuição não foi recepcionada pela Constituição Federal vigente (artigo 240). A exigência desse tributo encontra óbice no artigo 149 da CF. É inconstitucional a exigência, em relação à impugnante, das contribuições devidas ao SESC, SENAC e SEBRAE, vez que tais exações possuem natureza jurídica de imposto (artigo 16 do CTN), com ofensa ao artigo 167. IV da CF; 5. Juros de mora. A taxa de juros, salvo disposição legal em contrário, deve ser de 1% ao mês, nos termos do artigo 161, § 1° do CTN. Esse é o limite máximo para a sua fixação. Ainda que assim não seja, a taxa de juros precisa estar, no mínimo, quantificada em lei, conforme exige o artigo 150, I da CF. A utilização da taxa SELIC no âmbito tributário é inconstitucional, pois o percentual dessa taxa não é definido por lei; 6. Multa de mora. A multa aplicada ofende aos princípios constitucionais da legalidade, da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco. A multa aplicada deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, de conformidade com o artigo 61, § 2° da Lei 9.430/96; 7. requer que a impugnação seja julgada procedente e o lançamento cancelado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão n° 1429.775 da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 67/69) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 74/89), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Ribeirão Preto/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 94). É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 8 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros (FNDE/SalárioEducação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2005 a 12/2006. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados caracterizados com empregados e foram devidamente delineados nas planilhas de fls. 84/87 (processo 15956.000313/200992). Para o “levantamento FP” FOLHA PAG SEGURADOS EMPREGADOS, observase que as gratificações de férias decorrem dos valores declarados em folhas de pagamento, sendo que o Fisco demonstrou que tais pagamentos às empresas prestadoras de serviços de advocacia foram verificados nas notas fiscais de prestação de serviço e nos respectivos lançamentos contábeis. Por sua vez, para o “levantamento NF” VALORES PAGOS ATRAVÉS DE NF, constatase que as remunerações pagas aos sócios das empresas prestadoras de serviços de advocacia foram obtidas pela técnica de aferição indireta, sendo que os valores discriminados nas notas fiscais foram divididos para cada segurado caracterizado como empregado (suposto “sócio”) envolvido na prestação de serviço, utilizandose a distribuição de lucro como parâmetro para aferição do salário de contribuição. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/45) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 5 9 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 38/45) e seus anexos (fls. 01/37) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 21/22), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo do Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 05/11). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL), fls. 23/27; Relatório de Documentos Apresentados (RDA), fls. 12/20; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal TIF (fls. 28/36) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 37) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 38/45. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 10 Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/45) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente a inconstitucionalidade das regras estampadas pela Lei 8.212/199 e pelas leis que disciplinam as regras tributárias da instituição e alíquotas das contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação à caracterização da relação jurídica material dos prestadores de serviço como segurado empregado, constatase que o Fisco desconsiderou o pacto associativo firmado entre o segurado e a Recorrente, e considerou o vínculo como relação de emprego. Nada há que se discutir que essa atuação representa violação à competência da Justiça do Trabalho, eis que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material (artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN), ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte entendia não haver, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 6 11 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ......................................................................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Insta mencionar ainda que, ao considerar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte entendia não haver, a fiscalização da Receita Federal do Brasil não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, nem tampouco está desobedecendo à regra estampada no art. 129 da Lei 11.196/2005 –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito trabalhista e ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo legal no artigo 229, § 2°, do Decreto 3.048/1999. Assim, a legislação previdenciária possibilita que o Fisco proceda dessa forma. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 9º. São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 12 avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (g.n.) Em decorrência do procedimento de Auditoria Fiscal realizado na Recorrente (Brasil Salomão e Matthes Advocacia), o Fisco verificou que os sócios de várias empresas que prestavam serviços de advocacia para a Brasil Salomão e Matthes Advocacia eram, na realidade, segurados empregados desta, por estarem presentes na prestação de serviços os seguintes requisitos: (i) pessoalidade; (ii) não eventualidade; (iii) subordinação; e (iv) remuneração. Esse entendimento do Fisco de que os supostos sócios das empresas associadas são segurados empregados da Recorrente está consubstanciado nos seguintes elementos fáticos probatórios, que foram delineados no Relatório Fiscal (fls. 70/83, processo 15956.000313/200992) e comprovados nos autos: 1. os sócios das empresas de advocacia associadas constavam como sendo advogados da empresa Brasil Salomão; 2. as empresas associadas estavam sediadas em endereços residenciais de um dos seus sócios, sendo que não havia qualquer placa ou sinalização de existência de empresa no local; 3. as empresas associadas trabalharam e emitiram notas fiscais somente para a Brasil Salomão, sendo que os valores pagos pela Brasil Salomão foram a única fonte de receita para a quase totalidade das empresas associadas, desde a constituição das mesmas; 4. as empresas associadas não contabilizaram quaisquer lançamentos relativos a despesas operacionais necessárias para o funcionamento de um estabelecimento; 5. a Brasil Salomão garantia, sob sua responsabilidade econômica, a estrutura física e instrumental para as empresas associadas; 6. a contabilidade e a administração financeira dos serviços realizados eram centralizados na Brasil Salomão, por conta de serem seus e de sua responsabilidade os clientes, sendo também seus todo e qualquer crédito proveniente da realização destes serviços; 7. apurado o lucro líquido do faturamento dos serviços desempenhados, o valor devido às empresas associadas era quantificado mensalmente com a apuração do montante e emissão de nota fiscal pelas empresas associadas a Brasil Salomão; 8. cabia as empresas associadas o desempenho profissional perante as causas e respectivos clientes da associada Brasil Salomão; 9. as empresas associadas eram orientadas e coordenadas pela Brasil Salomão, bem como estavam obrigadas a observar as normas internas organizacionais da Brasil Salomão e dedicarse com exclusividade aos serviços jurídicos que lhes eram confiados; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 7 13 10. os serviços jurídicos deveriam ser realizados apenas pelos advogados vinculados a associação, que fossem sócios das partes contratantes. (g.n.) Esses elementos fáticos probatórios apontados acima, no meu entendimento, caracteriza a fraude objetiva da relação empregatícia em decorrência da “pejotização” de empregados1, tal como propugnado por Mario de La Cueva, eis que presentes os requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade e alteridade – art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e arts. 2º e 3º da CLT), numa determinada prestação ou relação de trabalho, é indiferente para a relação empregatícia a presença ou não do consilium fraudis (elemento subjetivo a máfé, o intuito malicioso de prejudicar) entre as partes ou mesmo da conscientia fraudis (elemento subjetivo com a consciência ou vontade de fraudar) por parte do empregador, com o consequente afastamento dos atos fraudulentos e o reconhecimento da relação de emprego entre as partes. Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171) Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). No presente caso analisado, constatase que, por meio do processo de “pejotização”, o empregador (Recorrente) transmudou os supostos sócios, pessoas físicas, prestadores de serviços advocatícios como uma pessoa jurídica (sociedade civil de advogados), formalizandose um contrato de natureza comercial ou civil, com a consequente emissão de 1 Como elucida Célia Regina Camachi Stander, o vocábulo “pejotização” constitui um neologismo originado da sigla “PJ”, a qual é utilizada para designar a expressão “pessoa jurídica” (STANDER, Célia Regina Camachi. Fraude por meio de cooperativa e de constituição de pessoa jurídica por trabalhadores. Revista da Escola da Magistratura do Tribunal Regional do trabalho da 2ª Região, São Paulo, Ano I, n. 1, set. 2006, p. 105). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 14 notas fiscais pelos trabalhadores, não obstante a prestação de serviços revelarse como típica relação empregatícia. Tal “pejotização” dos empregados foi evidenciada em decorrência dos seguintes elementos fáticos: 1. os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados podem até exercer uma atividade específica, mas a sua especialização confunde se com as atividades finalísticas da Brasil Salomão (Recorrente), que sempre foi a prestação de serviços advocatícios, sendo este o prestador dos respectivos serviços especializados a terceiras empresas (tomadoras). Esse entendimento ficou consubstanciado pelo Fisco quando afirma “(...) em consulta ao banco de dados da Receita Federal, podese constatar, através do cruzamento de informações das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da autuada com as informações das Declarações do Imposto de Renda das empresas associadas (anoscalendário 1999 a 2006) que os valores pagos pela autuada são BASICAMENTE a única fonte de receita para a quase totalidade das empresas, desde a constituição das mesmas. Vide planilha demonstrativa (fl. 914, processo 15956.000313/200992)” (g.n.); 2. embora os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados detenham conhecimentos técnicos, o knowhow do desenvolvimento das atividades é determinado pela Recorrente, que detém todo o controle da prestação de serviços, conforme depreendese das Cláusulas 1a, 4a e 5a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992), mencionadas a seguir. Isso também foi averiguado pelo Fisco nos seguintes termos: “(...) todas as referidas empresas de advocacia estão sediadas em endereços residenciais de um dos seus sócios e de acordo com os relatórios (fls. 114/147, processo 15956.000313/2009 92) obtidos após as diligências realizadas, em cada uma das empresas de advocacia, verificouse que: Conforme os relatórios das diligências bem assim das fotos dos estabelecimentos das empresas de advocacia comprovase que efetivamente são endereços residenciais de um dos sócios das empresas; Em nenhum endereço havia qualquer placa ou alguma outra sinalização de existência de empresa no local”; 3. as empresas prestadoras dos serviços advocatícios não detinham o capital e/ou os meios materiais para a realização dos respectivos serviços, que são fornecidos pela Brasil Salomão, diretamente ou por meio das empresas tomadoras dos seus serviços, conforme ficou delineado item I da Cláusula 1a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns, nos seguintes termos (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992) “(...) fica convencionado que cabe a ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO, em favor das "empresas" ASSOCIADAS, garantindo sob sua responsabilidade econômica: estrutura física e instrumental, inserindo aí salas de trabalho e atendimento, mobiliário destas e recursos informatizados; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 8 15 planejamento financeiro e contábil em relação aos resultados dos serviços a serem prestados; equipe de estagiários, equipe de colaboradores diretos ou terceirizados para suporte nos serviços de secretaria, telefonia, arquivo, expedição, transporte, biblioteca, limpeza, informática e administração; material de escritório, custeio de todas despesas necessárias ao desenvolvimento dos serviços jurídicos a serem prestados”. Esse fato também foi constatado na contabilidade da empresa, conforme averiguação do Fisco, nos seguintes termos: “(...) conforme se observa, nos Livros Razão Conta Caixa das "empresas" ASSOCIADAS (fls.829/904, processo 15956.000313/200992), a ausência de quaisquer lançamentos referente a despesas operacionais necessárias para o funcionamento de um estabelecimento, tais como: água, luz, telefone e ainda despesa de aluguel do imóvel, ainda que, ao próprio sócio se o imóvel utilizado for de sua propriedade enquanto pessoa física” (g.n.); 4. as empresas associadas prestam serviços exclusivos para a Recorrente, com a geração de uma dependência econômica, uma vez que todos os ganhos são aferidos na condição de remuneração do labor, tendo natureza salarial, conquanto os segurados caracterizados como empregados sejam obrigados à emissão de notas fiscais. Isso está consubstanciado no momento que o Fisco afirma que “(...) a fiscalização elaborou planilhas (fls. 815/828, processo 15956.000313/200992) relativas a cada empresa, onde foram totalizados os valores das respectivas notas fiscais de prestação de serviço por trimestre e comparado os valores com os declarados pelas empresas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (anoscalendário de 2005 e 2006). Como podem ser verificados nas mencionadas planilhas, os valores declarados nas Declarações de Imposto de Renda das empresas coincidem exatamente com os totais das notas fiscais emitidas para a autuada” (g.n.); 5. as empresas associadas não possuem a assunção de riscos econômicos, pois estes estão concentrados na empresa Brasil Salomão, sendo esta que atua verdadeiramente no mercado. Fato esse evidenciado na Cláusula 3a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992): Cláusula 3a A contabilidade e a administração financeira dos serviços realizados por intermédio desta associação serão centralizados na ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO, por conta de serem seus e de sua responsabilidade os clientes, sendo também seus todo e qualquer crédito proveniente da realização destes serviços (...)”. Vejamos também decisões de nossos tribunais sobre a “pejotização” no âmbito da relação empregatícia. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 16 “FRAUDE. PJ. SERVIÇOS PESSOAIS E SUBORDINADOS, SOB A ROUPAGEM DE PESSOA JURÍDICA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO. Restou evidenciado nos autos que, para as atividades nas quais atuou o reclamante, necessitava a reclamada de um empregado típico, ou seja, não eventual, subordinado a horário, e que prestasse serviços habituais e pessoais. E foi isto exatamente o que fez a ré: contratou um autêntico empregado, ainda que sob a roupagem de "PJ" (pessoa jurídica). Ocorre que o pacto de trabalho é um contrato realidade, configurandose do desdobramento da realidade fática que envolve toda a prestação de serviços, independentemente do rótulo contratual formal. Prestigiase assim, a decisão de origem que, em face da presença dos elementos tipificadores dos artigos 2º e 3º da CLT, reconheceu o vínculo empregatício. Recurso patronal a que se nega provimento.” (TRT 2ª Região, RO, Proc. 01588.2006.070.02.00.2, 4ª T., Rel. Juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros, j. 12.2.2008, p. 22.2.2008). ......................................................................................................... “VÍNCULO DE EMPREGO. Atuação de empregado por intermédio de pessoa jurídica. Fraude caracterizada. Num contexto em que o empregado atua em serviço inerente à atividade normal da contratante, com pessoalidade, subordinação, não eventualidade, ainda que por intermédio de "pessoa jurídica" condição imposta para a continuidade da prestação do serviço fica estampada a fraude. Incidência da regra de proteção contida no art. 9º do mesmo Estatuto. Vínculo de emprego configurado. Recurso a que se dá provimento.” (TRT 2ª Região, RO – Proc. 02014.2005.067.02.00.8, Acórdão 20080868538, 10ª T., Rel. Juíza Marta Casadei Momezzo, J. 30.9.2008, p. 14.10.2008). (g.n.) Portanto, no lançamento fiscal ora analisado, o Fisco verificou as características de segurado empregado na relação jurídica material estabelecida inicialmente entre os supostos sócios das empresas prestadoras de serviços de advocacia e a Recorrente, desconsiderou o vínculo associativo pactuado e efetuou o respectivo enquadramento para o segurado na qualidade de empregado, conforme preconiza o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço [pessoalidade] de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual [habitualidade], sob sua subordinação e mediante remuneração [onerosidade], inclusive como diretor empregado; (grifos e notas pessoais acrescidas) Pelo contrário do afirmado na peça recursal, compulsando os autos do presente processo, verificamse os seguintes elementos fáticoprobatórios que caracterizam a relação empregatícia, inclusive a subordinação entre a Recorrente e os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados para fins tributários: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 9 17 1. pessoalidade, os segurados prestaram serviços e não foram substituídos por outras pessoas, tendo em vista a natureza dos serviços prestados por eles (serviços advocatícios). Isso está devidamente consubstanciada, dentre outros elementos juntados aos autos, na cláusula 12a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns, nos seguintes termos (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992): “Cláusula 12a As partes reconhecem que os serviços jurídicos, objeto deste instrumento, serão realizados apenas pelos advogados vinculados a esta associação e colaboração, que sejam sócios das partes contratantes, em conformidade com o parágrafo único do art. 4° do Provimento 92/2000, do Conselho Federal da OAB”. Além disso, o Fisco demonstrou que “(...) tanto no site http://www.brasilsalomao.com.brisiteladvogados.php quanto no quadro disposto na parede externa do estabelecimento sede da autuada, consta os nomes de praticamente todos os sócios das "empresas" ASSOCIADAS, no entanto, não consta nenhum nome das "empresas" ASSOCIADAS” (fls. 76 do Relatório Fiscal e listagem impressa nas fls. 95/112, processo 15956.000313/200992); 2. onerosidade, as pessoas elencadas na ação fiscal receberam remuneração de forma habitual, eis que houve pagamentos, efetuados pela Brasil Salomão, aos sócios das empresas associadas, em razão dos serviços de advocacia por estes prestados, conforme verificado pelo Fisco nas notas fiscais de prestação de serviço e nos respectivos lançamentos contábeis. Isso está consubstanciado na Cláusula 3a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992): “Cláusula 3a A contabilidade e a administração financeira dos serviços realizados por intermédio desta associação serão centralizados na ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO, por conta de serem seus e de sua responsabilidade os clientes, sendo também seus todo e qualquer crédito proveniente da realização destes serviços, inserindo aí não só os honorários pactuados, como também as verbas sucumbenciais decorrentes de ganhos de causa. Parágrafo Único. Apurado o lucro liquido do faturamento dos serviços desempenhados, o valor devido pela parceria em favor das "empresas" ASSOCIADAS será quantificado mensalmente com apuração do montante e emissão de nota fiscal pelas "empresas" ASSOCIADAS a ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO”. 3. caráter não eventual é aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Ficou demonstrado que os segurados executaram os serviços durante vários meses seguidos, (período de 01/2005 a 12/2006); 4. subordinação, o Fisco identificou, ao longo da prestação dos serviços de advocacia, os seguintes fatos: (i) os horários e locais das atividades eram fixados pela Recorrente (Brasil Salomão); (ii) a clientela a ser Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 18 atendida era determinada pela Brasil Salomão; (iii) os créditos decorrentes da prestação de serviços eram da Brasil Salomão; (iv) a contabilidade e a administração financeira dos serviços realizados eram centralizados na Brasil Salomão; e (v) a estrutura física e instrumental para a prestação de serviços era garantida pela Brasil Salomão. O trabalhador age sob a direção da empresa, podendo ser comprovada pelas Cláusulas 1a, 4a e 5a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992), abaixo mencionadas. Estes elementos demonstram que os prestadores de serviço não agiam com autonomia, mas estavam submetidos ao direcionamento e ao comando da empresa, não havendo, assim, dúvidas em relação à subordinação. As Cláusulas 1a, 4a e 5a do Instrumento Particular de Associação para Prestação de Serviços Advocatícios e o Cumprimento de Interesses Comuns (fls. 915/935, processo 15956.000313/200992) dispõem o seguinte: “[...] Item II da Cláusula 1a Fica convencionado que cabe as "empresas" ASSOCIADAS, em favor da ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO, garantindo sob suas responsabilidades, e de seus sócios, o desempenho profissional: perante as causas e respectivos clientes da ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO; o atendimento dos procedimentos extrajudiciais e dos judiciais, dos respectivos prazos judiciais e contratuais, a observância das diretrizes da coordenação dos trabalhos administrativos e das áreas por especialização jurídica de responsabilidade da ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO. ......................................................................................................... Cláusula 4a São obrigações da ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO: a) viabilizar, na sua sede, estrutura física para instalação de salas de trabalho e atendimento, auditório, arquivo, recepção e demais dependências necessárias para o exercício da atividade advocatícia das "empresas" ASSOCIADAS; b) custear equipe de funcionários e estagiários, bem como prestadores de serviços para as funções de: secretárias, arquivistas, expedição, escriturários, transporte, biblioteca, limpeza e demais necessários para o cumprimento dos serviços jurídicos; c) manter estrutura organizacional de recursos humanos, departamento financeiro, contabilidade e administrativa, para consecução dos serviços a serem realizados; d) orientar e coordenar, por intermédio dos seus sócios, a realização dos serviços a serem executados em razão desta associação; ......................................................................................................... Cláusula 5a São obrigações das "empresas'' ASSOCIADAS: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 10 19 a) Observar as coordenações e orientações passadas pela ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO; b) Assumir, por intermédio do comprometimento pessoal de seus sócios, o reconhecimento de que os clientes que lhes são confiados compõem a carteira da ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO, não lhes sendo permitido, inclusive por conta do provimento nr. 16 da OAB, captar para si tais clientes ou desviá los numa eventual rescisão do presente instrumento de saída de sócios; c) Observar as normas internas organizacionais da ASSOCIADA BRASIL SALOMÃO como um corolário lógico da utilização de seu espaço físico, funcional e instrumental; d) (...) e) Dedicarse com exclusividade aos serviços jurídicos que lhes serão confiados; f) Zelar pela boa conservação da estrutura física e instrumental do escritório; (g.n.) [...]”. Entendo que a subordinação jurídica foi devidamente materializada pelo Fisco e vislumbro que, de acordo com os documentos acostados nos autos (fls. 01/985, processo 15956.000313/200992), há também uma subordinação estrutural ou objetiva2, conforme o ensinamento de Maurício Godinho Delgado3, eis que os segurados caracterizados como empregados pelo Fisco estão subordinados à Recorrente quando seu trabalho integra as atividades que fazem parte do objeto da empresa4. Dessa forma, ao contrário do alegado pela Recorrente, entendo que foram apontados elementos suficiente a caracterização do vínculo descrito pela auditoria fiscal, qualificando os segurados como empregados para fins tributários. Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal (fls. 74/89) e na peça de impugnação (fls. 49/64), não estão consubstanciadas em documentos probatórios e sim em meros relatos que a relação estabelecida entre ela e os segurados seria não empregatícia. As alegações da Recorrente, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem, por si só, elementos de prova. Além disso – 2 Mauricio Godinho Delgado ensina que “A subordinação objetiva, ao invés de se manifestar pela intensidade de comandos empresariais sobre o trabalhador (conceito clássico), despontaria da simples integração da atividade laborativa obreira nos fins da empresa. Com isso reduziase a relevância da intensidade de ordens, substituindo o critério pela idéia de integração aos objetivos empresariais.” 3 DELGADO, Mauricio Godinho. Direitos Fundamentais na Relação de Trabalho, Revista do Ministério Público do Trabalho, Brasília, ano XVI, n. 31, mar. 2006, pág. 45. Disponível para download em: http://www.anpt.org.br/site/download/revistampt31.pdf. 4 Capitulo II do estatuto social da empresa Brasil Salomão – DOS OBJETIVOS SOCIAIS – Cláusula 2a – "A sociedade tem como objeto, exclusivamente, o exercício da advocacia em todos os ramos do direito. A sociedade, no exercício de suas atividades praticará apenas os atos indispensáveis as suas finalidades assim compreendidos, dentre outros, os de sua administração regular, a celebração de contratos em geral para representação, consultoria, assessoria e defesa de clientes por intermédio de advogados de seus quadros. Os atos privativos de advogados poderão ser exercidos pelos sócios ou por advogados vinculados à sociedade quer como associados, quer como empregados, mesmo que os resultados revertam para o patrimônio social." Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 20 visando comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios do pacto associativo firmado entre as empresas e a Recorrente, exposta na sua tese de defesa –, caberia à empresa Brasil Salomão apresentar documentos, contemporâneos à prestação de serviços, contábeis e fiscais que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como relação empregatícia. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal (fls. 70/83, processo 15956.000313/200992) e nos documentos acostados aos autos de fls. 84/985 (processo 15956.000313/200992) –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Assim, independentemente da figura contratual adotada pelas empresas associadas e a Recorrente, uma vez ausente a autonomia organizacional do trabalho dos prestadores de serviços advocatícios, com o exercício da sua atividade laboral de forma pessoal e sob a direção do tomador, e sem assunção ativa (propriedade dos meios de produção) e passiva (responsabilidade pelos riscos do empreendimento), estáse diante de típica relação de emprego, o que invoca a aplicação dos artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN, combinados com o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação empregatícia não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude na constituição das empresas associadas ao sujeito passivo, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Na peça recursal de fls. 74/89, a Recorrente alega que o Fisco não pode desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadores de serviços advocatícios, que foram legalmente constituídas, e apurar pretensas contribuições sociais previdenciárias. Tal argumento é impertinente ao presente processo, eis que restou demonstrado nos autos que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo que a apuração das contribuições lançadas decorre dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e da realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços, estes caracterizados como segurados empregados. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 11 21 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional tributária previdenciária objetiva – prevista no art. 136 do CTN, susomencionado –, registrase que a regra do art. 129 da Lei 11.196/2005 – ao estabelecer que a prestação de serviços intelectuais, para fins fiscais e previdenciários, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas – não tem o condão de afastar a realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços advocatícios, eis que tal regra deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária –, não possuindo o arrimo de afastar o reconhecimento do vínculo de emprego entre o trabalhador, contratado sob o manto de pessoa jurídica, e o empregador. Lei 11.196/2005: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. Esse entendimento de que a regra do art. 129 da Lei 11.196/2005 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro é extraído das lições de Alice Monteiro de Barros que registra: “[...] O fato de o trabalho executado ser intelectual não descaracteriza o liame empregatício, pois ele consistirá sempre na exteriorização e no desenvolvimento da atividade de uma pessoa em favor de outrem. Por outro lado, inexiste incompatibilidade jurídica, tampouco moral, entre o exercício dessa profissão e a condição de empregado. Isso porque a subordinação é jurídica, e não econômica, intelectual ou social; ela traduz critério disciplinador da organização do trabalho, sendo indispensável à produção econômica”. (BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2005, p. 256) (g.n.) Com o mesmo entendimento esposado anteriormente, cumpre esclarecer que não há espaço jurídico para a aplicação isolada das regras estampadas nos artigos 37 e 39 do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), eis que a realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços advocatícios com a Recorrente direciona para uma relação empregatícia. Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lei 8.906/1994 – Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil: Art. 37. Os advogados podem reunirse, para colaboração profissional recíproca, em sociedade civil de prestação de serviços de advocacia, regularmente registrada no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede ......................................................................................................... Fl. 115DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 22 Art. 39. A sociedade de advogados pode associarse com advogados, sem vínculo de emprego, para participação nos resultados. Parágrafo único. Os contratos referidos neste artigo são averbados no registro da sociedade de advogados. Com efeito, o Fisco tem competência para afastar os efeitos de negócios jurídicos formalizados com aparência de licitude tributária, quando, de acordo com os elementos fáticos evidenciados no procedimento de auditoria fiscal, revelarem que foram celebrados com o objetivo de não possibilitar a incidência das contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, haja vista que relativamente ao plano da eficácia, tais negócios não são oponíveis ao Fisco. Nesse sentido, deve o auditor fiscal efetuar o lançamento, constituindo o crédito tributário, como determinam os artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN, combinados com o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF : “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91.NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". Fl. 116DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 12 23 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. No mesmo sentido, as contribuições destinadas ao SESC/SENAC estão previstas em leis específicas, afastandose também a alegação de ilegalidade da sua instituição. Não merece ser acolhida a alegação da ilegalidade da cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE, eis que esta contribuição foi criada pela Lei 8.029/1990, com nova redação dada pela Lei 8.154/1990, com a finalidade de atender a política de apoio às micro e pequenas empresas, em que a competência para cobrálas seria do INSS, sendo que a sua incidência se dará sobre a mesma base de cálculo das contribuições ao SESC/SENAC, SESI/SENAI, caracterizando um adicional sobre as contribuições já existentes. Apesar de o SEBRAE ter como objetivo o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, a contribuição é recolhida também pelas empresas de médio e grande porte, em virtude do principio da solidariedade social, nos termos do art. 195 da Constituição Federal. Frisamos ainda que a contribuição destinada ao SEBRAE caracterizase como uma espécie tributária de intervenção no domínio econômico, não pressupondo qualquer ligação entre contribuintes e beneficiários. Nesse sentido tem decidido o Poder Judiciário, abaixo transcrito: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SEBRAE. LEI COMPLEMENTAR. A cobrança da contribuição social ao SEBRAE, por incidir sobre a folha de salários, encontra seu fundamento no art. 195, I, da Constituição da República, podendo ser viabilizada por lei ordinária. Desnecessária, pois, lei complementar. O que fez o legislador, ao criar o SEBRAE, foi instituir um adicional à contribuição já existente. Não se trata aqui de contribuição de interesse de categoria econômica a exigir a filiação do sujeito passivo, mas de contribuição de intervenção no domínio econômico que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado. (TRF 4a Região; Agravo de Instrumento no 2000.04.01.0357476; DJU em 06/09/2000; p. 152).” Com isso, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo procedente a exigência da contribuição para o SEBRAE. Quanto à argumentação da inconstitucionalidade/ilegalidade da contribuição social destinada ao SalárioEducação/FNDE, registramos que o Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à CF/1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 24 Inicialmente, a contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE, por força do Decreto 87.043/1982, foi fixada a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei 9.424/1996 também disciplinou a matéria no art. 15, in verbis: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à Constituição Federal de 1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Diante disso, vejamos o teor do enunciado da Súmula 732 do STF: Súmula 732 STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Por sua vez, a Lei 9.766/1998 estabeleceu que a contribuição social destinada ao SalárioEducação deverá obedecer os mesmos prazos e condições estipulados para as contribuições sociais devidas Seguridade Social. Lei 9.766/1998 Art. 1o. A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá ás mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (g.n.) Com isso, afasto a alegação de ilegalidade da contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 345 da Lei 8.212/1991. 5 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 13 25 Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN6, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. 6 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 26 outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 357 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 21/22), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: 7 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 14 27 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 28 Declaração de Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, no que tange à caracterização da relação jurídica dos prestadores de serviço como segurado empregado, notadamente no que tange à interpretação dada ao art. 129 da Lei nº 11.196/05, peço licença para divergir do exposto acima. Compulsando os autos, verificase que o presente caso versa sobre a desconsideração da personalidade jurídica das sociedades advocatícias associadas à Recorrente, com o objetivo de enquadrar os advogados associados como segurados empregados e, consequentemente, exigir as contribuições previdenciárias correspondentes. Inicialmente, cumpre destacar que os serviços prestados pelos advogados são enquadrados como decorrentes de uma profissão intelectual, a qual deve ser entendida como sendo a atividade realizada por pessoa humana, decorrente da sua capacidade criadora, na produção de serviços inerentes às profissões regulamentadas, bem como de obras literárias, artísticas, inventivas e científicas. Notase que, pela própria forma com que os serviços de advocacia são prestados, não há como o serviço ser prestado sem que haja atuação dos sócios, além do fato de que a responsabilidade pelo serviço prestado recai diretamente na pessoa destes, mesmo que eles, eventualmente, não estejam diretamente envolvidos na execução de determinado trabalho. O legislador, visando impedir as diversas autuações que estavam sendo lavradas em face das sociedades prestadoras de serviços intelectuais, em atenção ao princípio constitucional da livre iniciativa, insculpido no art. 170, caput, da CF/88, editou o art. 129 da Lei nº 11.196/05, nos seguintes termos: “Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil.” De acordo com o aludido dispositivo legal, as sociedades prestadoras de serviços intelectuais devem se sujeitam apenas à legislação aplicável às pessoas jurídicas, para fins tributários e previdenciários. Notase que a regra é clara em atingir apenas os efeitos tributários e previdenciários a que uma sociedade profissional poderia estar sujeita, caso sua estrutura jurídica fosse desconsiderada. Assim, cumpre destacar que, independentemente de eventuais vínculos de ordem trabalhista que possam ser configurados nas relações firmadas pelas sociedades profissionais, na seara tributária e previdenciária, especificamente, não haverá que se aplicar Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 15 29 outras legislações, senão àquelas aplicáveis às pessoas jurídicas (leiase, neste caso, “sociedades advocatícias”). A única exceção trazida pelo comando legal é de que continua aplicável a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o art. 50 do Código Civil, in verbis: “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.” De acordo com as regras previstas em tal dispositivo legal, caracterizado o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, é possível que haja a desconsideração da personalidade jurídica para fins fiscais ou previdenciários. Em que pese não ter sido verificado no presente caso qualquer abuso da personalidade jurídica, cabe salientar que, de acordo com o artigo mencionado acima, somente o juiz pode proceder à desconsideração da personalidade jurídica. Ou seja, com o advento da regra trazida no art. 129 da Lei nº 11.196/05, não cabe mais à autoridade administrativa buscar os elementos fáticos que seriam necessários à desconsideração da personalidade das sociedades que prestam serviços intelectuais com o fim específico de exigir contribuição previdenciária, como se a relação jurídica firmada entre as partes decorresse do binômio Pessoa Jurídica + Pessoa Física. Esclarecido esse ponto, peço vênia para discordar do voto proferido pelo i. Cons. Relator, no sentido de que o art. 129 deveria ser interpretado sistematicamente para permitir que as sociedades que prestam serviços intelectuais sejam desconsideradas. Transcrevese abaixo trecho do voto: “Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional tributária previdenciária objetiva – prevista no art. 136 do CTN, susomencionado –, registrase que a regra do art. 129 da Lei 11.196/2005 – ao estabelecer que a prestação de serviços intelectuais, para fins fiscais e previdenciários, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas – não tem o condão de afastar a realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços advocatícios, eis que tal regra deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária –, não possuindo o arrimo de afastar o reconhecimento do vínculo de emprego entre o trabalhador, contratado sob o manto de pessoa jurídica, e o empregador.” Isto porque, qualquer interpretação sistemática que se dê para desconsiderar a personalidade jurídica das sociedades profissionais resultará, indubitavelmente, na negativa de vigência ao art. 129 da Lei nº 11.196/05, o que não se admite. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 30 Nesse sentido, destacase abaixo os comentários de Ives Gandra da Silva Martins8, enfatizando sua preocupação em não ver aplicada a regra inserida no art. 129 da Lei nº 11.196/05: “O TST, inclusive, apenas desconsidera sociedades cuja formação é imposta ao trabalhador, ou seja, quando este não quer constituílas. Ainda recentemente, o Ministro Ives – meu filho – prolatou voto que veio a ser vencedor no sentido de que as sociedades de profissionais ou empregados são legais, desde que surjam por decisão do trabalhador, e não por imposição do empregador. E, neste particular, reside o ponto de maior polêmica. Se o art. 170, parágrafo único, da CF permite a ampla criação de sociedades, sem interferência do Poder Público, a não ser quanto à capacitação dos profissionais (sociedades de advogados tem de ser com advogados), não pode um agente fiscal impor limites que a Constituição Fiscal não impôs. Preocupame muito, nos tempos atuais, essa contínua negação de justiça tributária, por parte do governo, e essa insistência em agir como se o art. 129 da Lei 11.196/05 não existisse, como se fosse “letra morta”, como se fosse essa a norma que necessitasse regulamentação, e não a Lei Complementar 104/01. Infelizmente, a justiça tributária perde terreno, de mais em mais, para a desesperada política de mera arrecadação.” Posto isso, entendo que o art. 129 da Lei nº 11.196/05 deve ser respeitado, de modo a impossibilitar que as contribuições previdenciárias sejam exigidas da Recorrente, como se esta fosse a efetiva empregadora dos advogados associados às sociedades contratadas. Não obstante o exposto acima, fazse imprescindível esclarecer as dúvidas existentes sobre a possibilidade de se dar um caráter interpretativo ao art. 129 da Lei nº 11.196/05, para fins de aplicação retroativa da Lei com base no art. 106, inc. I, do CTN. Quanto a este ponto, destacase que, em que pese a contratação de serviços de natureza intelectual, científica, artística ou cultural, sempre ter sido admitida em nosso ordenamento jurídico, mesmo antes do advento da Lei nº 11.196/2005 o que poderia ensejar num caráter interpretativo desta norma , tal dispositivo legal introduziu nova regra no ordenamento jurídico, haja vista que impossibilitou que as autoridades administrativas desconsiderassem as legislações aplicáveis às pessoas jurídicas, para exigir tributos incidentes sobre relações que envolvem pessoas físicas, nos casos de sociedades prestadores de serviços intelectuais. Assim, ainda que a exposição de motivos do Projeto de Lei de Conversão – PLV nº 23/2005, que levou à inclusão do art. 129 na Lei nº 11.196/2005, mencione que, com “o crescimento da demanda por serviços de natureza intelectual em nossa economia requer a edição de norma interpretativa que norteie a atuação dos agentes da Administração e as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, esclarecendo eventuais controvérsias sobre a matéria”, simplesmente não há como uma norma editada para nortear a atuação dos agentes da administração pública, levando estes, inclusive, a adotarem conduta diversa do que era realizado anteriormente, possuir caráter meramente “interpretativo”. 8 MARTINS, Ives Grandra da Silva, in Revista Dialética de Direito Tributário nº 141. p. 107. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15956.000315/200981 Acórdão n.º 2402002.891 S2C4T2 Fl. 16 31 Em vista disso, não há que se falar na aplicação retroativa, com base no art. 106, inc. I, do CTN, do art. 129 da Lei nº 11.196/05. Nesse sentido, este Conselho Administrativo já pacificou o entendimento de que o art. 129 da Lei nº 11.196 não pode ser aplicado retroativamente: “ (...) CARÁTER INTERPRETATIVO DE LEI AUSÊNCIA O artigo 129, da Lei n° 11.196, de 2005, não tem efeito interpretativo, razão pela qual não pode ser aplicado a fatos geradores pretéritos. Na verdade, tratase de um novo regime jurídico de tributação. (...)” (CARF, PAF nº 10680.007401/200555, Cons. Rel. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23/05/2007) “(...) APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR—AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO — Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. (...)” (CARF, PAF nº 10980.008215/200478, Cons. Rel. Nelson Mallmann, Sessão de 24/05/2006). Desta forma, considerando que o art. 129 da Lei nº 11.196/05 entrou em vigor apenas em 22/11/2005, conforme exposto no seu art. 132, inc. VIII, é mister que apenas os valores exigidos no “Levantamento NF” no período de 12/2005 a 12/2006 sejam excluídos do lançamento. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que os valores exigidos no “Levantamento NF”, no período de 12/2005 a 12/2006, sejam excluídos do lançamento. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Ass inado digitalmente em 18/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000094/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales refeição, conforme jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça e entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.888
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales refeição, conforme jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça e entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 614 1 613 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.000094/200933 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240202.888 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO: AUXÍLIOALIMENTAÇÃO SEM PAT Recorrente ARC ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e valesrefeição, conforme jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça e entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.000094/200933 Acórdão n.º 240202.888 S2C4T2 Fl. 615 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 06/01/2009 com base nos valores não declarados em GFIP; porém todos devidamente contabilizados e extraídos das folhas de pagamentos e outros documentos do contribuinte. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e da decisão recorrida: Relatório Fiscal: 5.5. DOS LANÇAMENTOS Os valores relativos às contribuições apuradas foram classificados mediante o levantamento: : ALI correspondente aos valores pagos ou creditados aos segurados empregados sob o titulo de Alimentação. SF correspondente aos valores pagos aos segurados empregados sob o titulo de Salário Família em desacordo com a norma legal considerados como Base de Cálculo de Contribuição. FP — discrimina os valores declarados pela Empresa em Folha de Pagamento. Decisão recorrida: FNDE. INCRA. SENAI. SESI. SEBRAE. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3°, da Lei n.° 11.457, de 2007. SALÁRIO IN NATURA. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM 0 PAT. INCIDÊNCIA. Fornecimento de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) configurase salário in natura e, por extensão, fato gerador de contribuições sociais previdenciárias SALÁRIO FAMÍLIA EM DESACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição o salário família pago em desacordo com as normas legais. APROPRIAÇÃO DE GPS. As GPS devem ser apropriadas nos valores lançados correspondentes ao mesmo estabelecimento ou obra de construção civil. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.000094/200933 Acórdão n.º 240202.888 S2C4T2 Fl. 616 5 JUROS CALCULADOS A TAXA DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTÓDIA (SELIC). É licita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. MULTA DE MORA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. Sobre as contribuições sociais em atraso incide multa de mora de caráter irrelevável. Para o cálculo da multa de mora deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB no 14, de 04/12/2009. ... Segundo Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 64/74, o presente lançamento referese a contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos ou creditados pela empresa aos segurados empregados, correspondentes as rubricas alimentação/refeição, sem convênio com o Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT, sobre os valores referentes ao saláriofamília, pagos em desacordo com a norma legal, não considerados pela empresa como salário contribuição e sobre os valores que constavam da Folha de Pagamento, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP ... ALI correspondente aos valores pagos ou creditados aos segurados empregados sob o titulo de Alimentação, não declarados nas últimas GFIP apresentadas antes do inicio do procedimento fiscal, datadas de 21/02/2006. Para o cálculo das contribuições devidas foram utilizados como bases de cálculo os valores que constavam das Folhas de Pagamento, elaboradas pela empresa, sob o titulo "Alimentação", sendo deduzidos os valores descontados dos segurados empregados. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Alimentação parcela não integrante do salário de contribuição (ALI). A parcela da alimentação in natura não pode ser Fl. 618DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 considerada como salário de contribuição. Vale ressaltar que o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT define algumas modalidades de concessão de alimentação, estando entre elas a manutenção de refeitório próprio e a concessão através de documento de legitimação. Ao fazer integrar a referida parcela à base de cálculo da contribuição previdenciária, a Receita Federal despreza o principio constitucional da valorização social do trabalho, ignora o objetivo central do PAT, e atua sem respaldo legal e de forma desproporcional. A finalidade do PAT é eminentemente social. Sua instituição visou primordialmente a saúde e o bem estar do trabalhador. Como beneficio à adesão ao PAT, o legislador concedeu as empresas alguns incentivos como a dedução do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda do dobro das despesas comprovadamente gastas durante o período base em programas de alimentação do trabalhador, bem como a não incidência de contribuição previdenciária sobre esses valores. A Receita Federal do Brasil tem entendimento firmado no sentido de que a ausência da formalidade de inscrição no PAT é suficiente para descaracterizar a natureza da aludida parcela, ou até mesmo alterar o objetivo central do programa e da norma previdenciária. Essa interpretação absurda não tem amparo em Lei, mas sim na IN n° 03/2005, a qual extrapola os limites impostos pela Lei. Nesse passo, a Receita Previdenciária privilegia aqueles que optam em manter um simples formulário preenchido e penaliza aqueles que fornecem alimentação adequada aos seus empregados com vistas à preservação da saúde e qualidade de vida. A simples inscrição no PAT não significa dizer que a empresa não cumpriu as regras do programa. Considerar o custo da alimentação como salário de contribuição por mera ausência de critério formal, como a inscrição no PAT, a qual se (id através de simples preenchimento de formulário, não é suficiente para alterar a natureza da parcela de alimentação concedida in natura. Por todos os argumentos expostos, resta claro que a parcela da alimentação in natura fornecida aos empregados da Defendente não pode ser considerada como salário de contribuição. Salário Família. É ilegal a imputação de natureza salarial à parcela de salário família paga. A imputação de natureza salarial à parcela de salário família paga é ilegal. Negar a possibilidade de custeio pela Previdência Social do beneficio, por falta de apresentação de requisitos formais, não significa reconhecer na parcela natureza remuneratória. O salário família pago não perde a sua natureza pelo fato da Previdência Social entender que deve glosar o beneficio em razão de aspectos formais. Ele não muda de natureza jurídica, continua sendo beneficio previdenciário. Modificar, por via da autuação administrativa, a natureza jurídica da parcela paga ofende os seguintes dispositivos legais: art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; art. 33, parágrafo terceiro, da Lei 8212, de 1991; art. 884, do Código Civil; e art. 5°, da Constituição Federal (principio da legalidade). O beneficio previdenciário é um direito do segurado contra a Previdência Social. Para a empresa, o beneficio é um ônus social. Trata a empresa de terceiro que tem de gerenciar e administrar obrigação do Estadoprevidenciário. Logo, é visível a falta de justificativa ética para a pretensão de ter que devolver Fl. 619DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.000094/200933 Acórdão n.º 240202.888 S2C4T2 Fl. 617 7 o dinheiro pago e ser condenado em integrar a parcela ao salário .... Das diferenças de folhas de pagamento. Os valores recebidos pelos segurados empregados encontramse alocados nas GFIP das obras de matriculas CE! n° 31.590.02627/75 e 44.090.00307/78. A fiscalização não considerou os créditos recolhidos por meio das GPS anexas. Ao contrário do alegado pela Fiscalização, os valores recebidos pelos segurados empregados encontramse alocados na GFIP. Porém, estão alocados nas matriculas CEI da obra: n°31.590.02627/75 e 44.090.00307/78. A fiscalização não visualizou os valores recebidos, pois, não levou em consideração o local correto onde estes estavam alocados, qual seja a matricula CEI. Conforme se observa dos documentos em anexo (Doc. 02), em 2004, os empregados já estavam alocados, e as GPS correspondentes já haviam sido pagas, pelo que não há falar em valores não alocados nas GFIP. A fiscalização não considerou os créditos recolhidos por meio das GPS anexas. Observe, inclusive, que já existem valores de divergências cobrados administrativamente nas CET, conforme documento anexo (Doc. 03), pelo que não é possível vislumbrar a cobrança de tais valores mediante o Auto de Infração em questão. Inconstitucionalidade da taxa SELIC. Requer a autuada seja declarada a inconstitucionalidade da taxa SELIC para fins tributários, determinando seja o crédito tributário executado corrigido com base nos juros moratórios previstos no art. 161 do CTN. Colaciona diversos julgados no STJ que vem declarando a inconstitucionalidade e ilegalidade deste encargo. Multa não é juros. Sua imposição não guarda nenhuma relação com o tempo que o contribuinte leva para satisfazer a obrigação tributária. Não hi que se cobrar multa além do percentual mínimo previsto no art. 239 do Decreto le 3.048, de 1999. A multa é majorada em razão do tempo de atraso no pagamento da contribuição, o que evidentemente não é critério razoável de majoração da multa. Ora, multa não é juros. Sua imposição não guarda nenhuma relação com o tempo que o contribuinte levar para satisfazer a obrigação tributária, pois não objetiva a remuneração ou a reposição de qualquer patrimônio (como os juros remuneratórios ou moratórios), mas sim a punição do sujeito passivo por uma infração cometida. Na hipótese de o fato típico ter sido realizado e dar ensejo h. punição respectiva, não há espaço para se tornar a multa como juros, como se a infração cometida fosse outra, à medida em que os dias passam. A desobediência à Lei foi uma só, e ocorreu no passado. Já foi devidamente caracterizada e punida. Assim, não há que se cobrar a multa em tela além do percentual mínimo previsto no art. 239 (8%) do Decreto n° 3.048, de 1999, sob pena de desnaturação do instituto em questão. É o Relatório. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 621DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.000094/200933 Acórdão n.º 240202.888 S2C4T2 Fl. 618 9 III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito AuxílioAlimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados empregados em espécie através da folha de pagamento, sendo que a recorrente não se inscreveu no programa de alimentação do trabalhador – PAT. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Sobre esse matéria, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ de que, independentemente de inscrição no PAT, não incide contribuição previdenciária sobre o auxílioalimentação, desde que pago in natura ou valesrefeição: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Sendo que no presente caso o recorrente ofereceu o benefício através da folha de pagamento o que, independentemente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, há incidência de contribuição previdenciária. Demais parcelas A escrituração contábil e as folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Quanto a suposta inscrição dos segurados em estabelecimento identificado por matrícula CEI e pagamento das contribuições correspondentes na matrícula, não trouxe a recorrente qualquer documento que comprovação suas razões, nem durante a fiscalização, nem na impugnação e nem no recurso voluntário. Igualmente desprovida de contraprovas é a alegação de que não incidiria contribuição sobre os valores de saláriofamília pagos além daquele fixado por lei. Apenas argüi a recorrente a ausência em tese da hipótese de incidência sem adentrar ao fato em si. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os eventuais recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34, 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras Fl. 623DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.000094/200933 Acórdão n.º 240202.888 S2C4T2 Fl. 619 11 para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. SELIC Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não Fl. 624DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Quanto as demais alegações, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 625DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.000094/200933 Acórdão n.º 240202.888 S2C4T2 Fl. 620 13 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.722758/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL.
A instância adequada para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do SIMPLES.
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A retificação das GFIP para ajustá-las às bases de cálculo da folha de pagamento evidencia a correção do lançamento que teve por base esse último documento.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação à prejudicialidade no exame do enquadramento no SIMPLES, acolher em parte da preliminar para que este processo, após sua decisão definitiva, seja sobrestado na origem até a tramitação
final dos processos de exclusão do SIMPLES e em rejeitar as demais preliminares suscitadas; no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL. A instância adequada para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do SIMPLES. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A retificação das GFIP para ajustá las às bases de cálculo da folha de pagamento evidencia a correção do lançamento que teve por base esse último documento. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação à prejudicialidade no exame do enquadramento no SIMPLES, acolher em parte da preliminar para que este processo, após sua decisão definitiva, seja sobrestado na origem até a tramitação final dos processos de exclusão do SIMPLES e em rejeitar as demais preliminares suscitadas; no mérito, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722758/201024 Acórdão n.º 240202.937 S2C4T2 Fl. 160 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 23/08/2010 para constituição de crédito em benefícios de entidades e fundos ditos “terceiros” com base nos valores declarados em GFIP e devidamente contabilizados. O lançamento decorreu de ato executivo de exclusão do SIMPLES. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. SIMPLES. LANÇAMENTO FISCAL. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. MULTA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo. O contribuinte não optante Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, deve recolher as Contribuições Previdenciárias como as empresas em geral. A pendência de sentença judicial ou de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do SIMPLES Federal não impede a constituição do crédito tributário decorrente daquela exclusão. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. ... De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 14/17), o crédito é referente a Contribuições para a Outras Entidades e Fundos (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SESC e SENAC), correspondentes à parte patronal, incidentes sobre pagamentos creditados ou efetuados a empregados. Consta ainda no mencionado relatório de fls. 14/17: que os valores lançados foram apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP e; que no período de 01/2006 a 06/2007 o sujeito passivo não estava incluído no SIMPLES. A ação fiscal foi precedida do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF (cópia de fls. 18/19), do qual foi dada ciência ao Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuinte por via postal no dia 27/07/2010 (conforme assinatura à fl. 19). A documentação para realização do Procedimento Fiscal foi solicitada por meio do mencionado TIPF. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de observar princípios gerais do direito e a legislação vigente; que também deixou de considerar que em 04/11/2004 o sujeito passivo propôs ação tributária declaratória perante a 18a Vara Cível da Justiça Federal em Belo Horizonte (MG), processo n° 2004.38.00.046.4497, onde expressamente questionou ato declaratório executivo da DRF BH que excluiu a empresa do SIMPLES Federal; que conforme demonstrado nos autos do processo judicial referido, fora julgado procedente o pleito formulado tendo o magistrado da 18a Vara Cível Federal cancelado o desenquadramento do sujeito passivo do SIMPLES Federal; que são totalmente indevidas as cobranças ora levadas a efeito no presente Auto de Infração; que inconformada a União Federal com a sentença de procedência prolatada nos autos do processo mencionado procedeu a interposição de Recurso de Apelação, estando atualmente os autos do processo em julgamento perante a 8a Turma Cível do Tribunal Regional Federal da Primeira Região; que portanto, estando a matéria "sub judice", não existe fundamento jurídico para o seguimento da presente cobrança administrativa devendo a mesma ser suspensa ou imediatamente cancelada; que todos os recolhimentos foram efetuados não havendo qualquer pendência perante o INSS o que pode ser comprovado pela documentação anexada nesta ocasião; que deve ser respeitado o Princípio da Segurança Jurídica devida em razão da vitória judicial em primeira instância; que requer a anulação ou suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do processo judicial; que o resultado do presente julgamento seja comunicado ao procurador constituído nos autos quanto diretamente a sede da empresa requerente. É o Relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722758/201024 Acórdão n.º 240202.937 S2C4T2 Fl. 161 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Exclusão do SIMPLES A preliminar enfrentada diz respeito à discussão no presente processo do enquadramento da recorrente no SIMPLES. O processo onde se discute a exclusão do SIMPLES está em tramitação e, de fato, ainda não há decisão definitiva sobre a matéria. Acrescentase que a recorrente ajuizou ação (processo n° 2004.38.00.046.4497, Tribunal Regional Federal da Primeira Região) para discussão de seu enquadramento no SIMPLES. Em consulta, constatei que o processo continua em tramitação por força de apelação da Fazenda Nacional. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722758/201024 Acórdão n.º 240202.937 S2C4T2 Fl. 162 7 Como já salientado, o lançamento teve como finalidade inicial a prevenção da decadência, uma vez que não há previsão legal para sua suspensão ou interrupção nessas hipóteses. De fato, não se nega a correlação e dependência deste ao processo através do qual se discute especificamente o enquadramento no SIMPLES, uma vez que esse último, sendo favorável ao recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários sobre as contribuições abrangidas pelo SIMPLES. Como a recorrente discute em juízo seu enquadramento no SIMPLES, houve renúncia da discussão da matéria no processo administrativo fiscal, que prosseguirá com o exame das demais questões: Lei nº 6.830, de 22/09/1980: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES, mantenho a decisão recorrida no sentido de não conhecer da matéria; no entanto, que até o trânsito da sentença judicial sobre a exclusão do SIMPLES fique sobrestada a execução do crédito. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Parcelas incontroversas As GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Portanto, não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que ocorreu para retificação da GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os eventuais recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento nos termos acima. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.722758/201024 Acórdão n.º 240202.937 S2C4T2 Fl. 163 9 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.000855/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/10/2007
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis - CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT).
O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá por estabelecimento e não pela atividade preponderante da empresa como um todo (Parecer PGFN nº 2.120/2011).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-002.841
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/10/2007 CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá por estabelecimento e não pela atividade preponderante da empresa como um todo (Parecer PGFN nº 2.120/2011). Recurso Voluntário Provido Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000855/200830 Acórdão n.º 240202.841 S2C4T2 Fl. 310 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 29/12/2008, relativo a reenquadramento da atividade econômica de estabelecimento do recorrente para cobrança da diferença de alíquota correspondente aos graus de risco grave e leve. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GILRAT. CNAE. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ALÍQUOTA. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. MULTA. LEI N° 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerase preponderante a atividade econômica da empresa que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. Aplicase a alíquota correspondente ao CNAE da atividade preponderante para o cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Inexiste vicio formal quando o sujeito passivo deixa de informar A fiscalização a alteração de sua razão social, ocorrida no curso da ação fiscal. Aplicase a retroatividade benigna, para limitar a aplicação da multa, ao crédito pendente de julgamento. ... 2.4. Em relação ao estabelecimento de CNPJ n° 27.251.974/001095, nas competências compreendidas entre 05/2007 e 10/2007, no que se refere as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, recolheu valores correspondentes a alíquota de 1%, quando o correto seria 3%. A partir da competência 12/2007 passou a declarar na GFIP e recolher a alíquota de 3%. O processo foi encaminhado para diligência, do que resultou relatório com as seguintes conclusões: 5.1. Tinha conhecimento de que havia um processo de reestruturação da CST, mas que na data de 17/10/2008, quando intimou a empresa para apresentação de documentos, questionou sobre o seu andamento e foi informada de que não se havia concluído, por morosidade na Junta Comercial de Minas Gerais. Naquela ocasião recebeu do procurador da CST, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 procuração datada de 17/01/2008, constando como outorgante a Companhia Siderúrgica de Tubarão, com a logomarca da Arcelormittal; 5.2. Os nomes Arcelor Brasil, ArcelorMittal, AecelorMittal Tubarão e a logomarca ArcelorMittal apareciam em documentos da empresa, desde muito antes da reestruturação, fato que levou a fiscalização a indicar, no relatório fiscal, que o nome ArcelorMittal Tubarão era de fantasia; 5.3. Até a emissão e entrega dos Autos de Infração, em 29/12/2008, a fiscalização não havia sido informada pela CST, da conclusão da sua reestruturação, motivo pelo qual não sabia que havia ocorrido a cisão parcial e alteração do nome para ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A; 5.4. Num prazo de 5 meses o nome da ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A foi instituído, 29/02/2008, quando da cisão parcial da Veja do Sul S/A; foi extinto, em 30/06/2008, quando da incorporação total pela CST; e ressuscitado em 01/09/2008, quando da cisão da CST, porém, nenhum destes documentos foram apresentados A fiscalização que se desenvolvia na empresa; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: 3.2. O CNPJ autuado pertence a uma empresa que tem sede em São Paulo e o nome referese a uma empresa que não mais existe, portanto, caberia a decretação da nulidade por vicio formal, pois, não se consegue saber quem é o real sujeito passivo do crédito tributário; 3.3. A ARCELORMITTAL BRASIL S/A, incorporadora por cisão parcial da CST, e ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S/A, empresa que resultou do mesmo processo de cisão parcial, entendem que a incorporadora deve arcar e assumir eventuais passivos, portanto, apresentam a presente impugnação, em conjunto, para que não sofram qualquer prejuízo de defesa. 3.4. Houve vicio formal na qualificação do sujeito passivo, eis, na lavratura do AI a fiscalização errou o nome da autuada e que não consegue saber quem é o real sujeito passivo para se defender. 3.5. Houve a inclusão indevida de diretores da empresa como coresponsáveis pelo débito. ... 3.7. A fiscalização ignorou a Súmula n° 351 do STJ, de 18/06/2008, que reconhece a aferição do risco em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pela atividade preponderante quando houver apenas um registro. 3.8. A Impugnação deve ser julgada procedente e cancelado o AI, pelo vicio formal, pelo arrolamento coercitivo dos dirigentes e pela jurisprudência pacificada. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000855/200830 Acórdão n.º 240202.841 S2C4T2 Fl. 311 5 ... 6.3. Caso não se conclua pela anulação do auto de infração por vicio formal entende a Impugnante que a ARCELORMITTAL BRASIL S/A é quem deve figurar no pólo passivo da autuação substituindo a que consta atualmente. Conseqüentemente, os autos devem ser enviados para julgamento perante a DRF de Julgamento em Belo Horizonte, sede da incorporadora; É o Relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 314DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000855/200830 Acórdão n.º 240202.841 S2C4T2 Fl. 312 7 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Quanto à identificação como sujeito passivo de empresa incorporada ao invés da incorporadora, ARCELORMITTAL BRASIL S/A, entendo que o vício foi oportunamente sanado antes da decisão recorrida, o que afasta a declaração de nulidade. Conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, é possível o saneamento de incorreções no lançamento, até mesmo quando a correção implique agravamento da exigência. O que é importante, no caso, é a observância do direito de manifestação do contribuinte sobre as modificações promovidas após o lançamento, o que foi observado: Art. 18. (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 315DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. No mérito Responsabilidade dos representantes legais Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais Fl. 316DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000855/200830 Acórdão n.º 240202.841 S2C4T2 Fl. 313 9 coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. Atividade econômica preponderante Discutese no processo o dissenso sobre o enquadramento de estabelecimentos da empresa nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve ou médio não podem ser reenquadrados no grau de risco grave. Sobre esse matéria, após o Parecer nº 2.120/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011, que acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. ... 5. Sobre a matéria, a Lei nº 8.212/91, em seu inciso II, com redação conferida pela Lei nº 9.732/98, estabelece as alíquotas de 1% (um por cento), 2% (dois por cento) ou 3% (três por cento) conforme o grau do risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave. Regulamentando o dispositivo, o Decreto nº 3.048/99, em seu art. 202, reproduziu o disposto no art. 26 do Decreto nº 2.173/97, o qual previa como critério para identificação da atividade preponderante, o maior número de segurados da empresa como um todo. Convém mencionar que, anteriormente, o Decreto nº 612/92 estabelecia como o critério para aferição da atividade preponderante o maior número de empregados por estabelecimento. No entanto, com a sua revogação pela superveniência do Decreto 2.173/97, a verificação de risco da atividade preponderante passou a ser feita considerando a empresa como um todo, o que foi mantido pelo Decreto nº 3.048/99. ... 16. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas ações promovidas contra a Fazenda Nacional, oriundas de causas de natureza fiscal, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, face ao disposto no art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993; e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. ... ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000855/200830 Acórdão n.º 240202.841 S2C4T2 Fl. 314 11 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Assim, voto pelo provimento ao recurso voluntário reconhecendo a aplicação ao caso em exame da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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