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Numero do processo: 13653.000844/2008-83
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
AÇÃO FISCAL. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
A ação fiscal tem natureza de procedimento administrativo, logo não há que se cogitar, durante o seu desenvolvimento, em direito à ampla defesa, sendo tal direito constitucional exercido no âmbito do processo administrativo, que somente se inicia com a apresentação, pelo interessado, de impugnação tempestiva.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS LEGAIS.
Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na
declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação de regência.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A ação fiscal tem natureza de procedimento administrativo, logo não há que se cogitar, durante o seu desenvolvimento, em direito à ampla defesa, sendo tal direito constitucional exercido no âmbito do processo administrativo, que somente se inicia com a apresentação, pelo interessado, de impugnação tempestiva. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS LEGAIS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação de regência. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 58 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, às fls. 05/13, formalizada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 15.385,07, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (suplementar), multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 31/07/2008. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, onde foram glosadas, por falta de comprovação das despesas, as seguintes deduções pleiteadas: (i) dependentes, no valor de R$ 1.404,00; (ii) despesas médicas, no montante de R$ 21.902,92; e (iii) contribuição à previdência privada e FAPI, no valor total de R$ 6.635,30. Consta da peça de autuação a informação de que o contribuinte, embora regularmente intimado através do Edital n° 00007/2008 a comprovar tais dispêndios, não atendeu ao solicitado. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação, às fls. 01/04, alegando preliminarmente que em nenhum momento foi convocado a apresentar documentos e somente tomou conhecimento da exação fiscal quando do recebimento da Notificação, caracterizando o cerceamento ao seu direito de defesa. Quanto ao mérito, asseverou que todas as deduções pleiteadas estão comprovadas com os documentos anexados ao processo juntamente com a peça impugnativa. Solicitou, ao final, o cancelamento da exigência fiscal. Após exame do litígio, em decisão por maioria de votos, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora/MG considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte (Acórdão DRJ/JFA n° 0934.638, de 28/04/2011, às fls. 34/45), e deste modo, concluiu referido Órgão Colegiado pelo restabelecimento das seguintes deduções pleiteadas: i) com a dependente Adriana Rennó Guimarães (filha do contribuinte), no valor de R$ 1.404,00; e ii) com contribuição à previdência privada e FAPI, no total de R$ 6.635,30. Manteve, no entanto, integralmente, a glosa de despesas médicas efetuada no lançamento. Cientificado da decisão a quo em 07/06/2011, nos termos do documento à fl. 48, o contribuinte interpôs em 07/06/2011 o Recurso Voluntário às fls. 49/53, reiterando a argumentação apresentada na impugnação quanto à preliminar de cerceamento do direito de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 59 3 defesa, bem como em relação à comprovação das despesas médicas declaradas, que alega teriam sido indevidamente glosadas pela autoridade fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, manifestome quanto à alegada nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois assevera o contribuinte que não teria sido regularmente intimado para prestar esclarecimentos durante o procedimento de fiscalização. Com efeito, o recorrente, através do Edital Malha Fiscal IRPF n° 00007, de 08/05/2008, à fl. 32 dos autos, foi intimado das exigências contidas no Termo de Intimação à fl. 30, por haverem sido improfícuas as tentativas de notificação pelas vias pessoal ou postal. O dispositivo permissivo da intimação por edital é o art. 23 do Decreto 70.235/72, e alterações posteriores. No caso em análise, verificase que a intimação pela via postal restou infrutífera, não obstante as tentativas feitas pelo órgão preparador para encaminhamento do referido Termo ao contribuinte, o que resultou na intimação por edital. Atendida, portanto, a regra legislativa estabelecida para a regular intimação ao contribuinte. Ademais, ainda que alguma mácula restasse evidenciada na ciência do mencionado Termo de Intimação Fiscal, esta não teria o condão de caracterizar a nulidade do lançamento. Este Conselho já pacificou o entendimento de que não há necessidade de se intimar previamente o contribuinte nos casos em que o Fisco dispõe de elementos suficientes para realizar o lançamento de ofício. Vejamos o enunciado da Súmula CARF nº 46, que trata dessa matéria: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No mais, ressaltese que o direito à ampla defesa está previsto em lei para ser exercido durante a fase do contencioso administrativo, que se instaura com a abertura de prazo para apresentação de impugnação. Para comprovar tal assertiva é suficiente a transcrição do art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (negritei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 60 4 Portanto, no processo administrativo o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, no presente caso, o rito prescrito pelo Decreto n° 70.235/72 e alterações posteriores (norma que regula o processo administrativo fiscal) foi seguido na devida forma, vez que foi assegurado ao interessado os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, todos insculpidos no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal. E mais, na espécie em exame, observase que os fundamentos do lançamento e do julgado de primeira instância estão claramente expostos, o que permitiu ao interessado apresentar argumentos e documentos que entendeu hábeis e suficientes a desconstituir o lançamento. Assim, não obstante o inconformismo do recorrente, verificase que não restou caracterizado no presente caso o alegado cerceamento do direito de defesa. Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada na defesa. Quanto ao mérito, nesta fase recursal, a questão restringese ao exame da glosa de dedução com despesas médicas pleiteadas pelo interessado em sua declaração de rendimentos. Sobre a matéria, cumpre trazer à colação o disposto no artigo 8°, inciso II, e § 2°, da Lei n° 9.250, de 1995, “in verbis”: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2°. O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 61 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 3°. As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. Em conformidade com o artigo 11, § 3°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o contribuinte a obrigação de comprovação e justificação das deduções, até porque este é quem se aproveita de tal benefício. Nesse sentido, Antônio da Silva Cabral, em sua obra “Processo Administrativo Fiscal”, sustenta, à pág. 302, que “a) a autoridade lançadora deve provar ter o sujeito passivo omitido rendimentos; b) cabe ao sujeito passivo provar abatimentos, deduções e isenções”. No que se refere às despesas médicas em litígio, após o exame dos autos, observase que a decisão recorrida, com espeque no mesmo artigo 8°, inciso II, e § 2°, da Lei n° 9.250, de 1995 retro transcrito, manteve a glosa dos valores que haviam sido declarados pelo contribuinte, nos seguintes termos (fls. 44/45): “Conforme se depreende do dispositivo legal transcrito, cabe ao beneficiário das deduções apresentar documentos de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado como despesa, bem assim provar a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. (...) A legislação regente da matéria assim exige e, por conseguinte, devem ser fielmente observados pela autoridade fiscal (lançadora e julgadora), repisese, cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 62 6 Os documentos trazidos aos autos pelo impugnante para comprovação de suas despesas médicas são aqueles apensados às fls. 17/21, os quais serão analisados a seguir à luz dos dispositivos legais regentes da matéria e dos esclarecimentos supracitados. Os dois recibos de fls. 17, emitidos por Manoel João B. C. Girão – médico, no total de R$550,00, não identificam o beneficiário do serviço prestado, assim, pela falta de evidência da condição prevista no art. 80, § 1° II, do RIR/1999, deve ser mantida a glosa da dedução correspondente. Os dois recibos de fl. 17, emitidos por Ricardo J. Carneiro – odontólogo, no total de R$187,00, além de também não identificarem o beneficiário do serviço prestado, representam despesas não pleiteadas para fins de dedução na DIRPF/2006 revisada, devendo ser desconsiderados nos autos. Os recibos de fls. 18 e 19, emitidos por Issao Imanishi – médico, no total de R$1.450,00, não identificam o(s) beneficiário(s) dos respectivos serviços prestados, assim, pela falta de evidência da condição prevista no art. 80, § 1° II, do RIR/1999; além disso, um dos recibos de fl. 19, no valor de R$400,00, está datado de 19/01/2006, portanto imprestável para ser utilizado como dedução na DIRPF/2006 do contribuinte; deve ser mantida a glosa integral da dedução correspondente. O recibo de fl. 18, emitido por Mercadante e Gherpelli Médicos e Associados S/C Ltda., no valor de R$450,00, não é prova hábil para a comprovação da dedução, isso por se tratar a emitente de pessoa jurídica; o documento hábil nesse caso seria nota fiscal de serviços; poderia ser acatado como tal se nele houvesse a informação de estar a emitente dispensada ou isenta da emissão da NFS; além disso, não identifica o beneficiário dos serviços prestados e não foi assinado pelo profissional médico prestador do serviço; deve ser mantida a glosa da dedução correspondente. O recibo de fl. 19, emitido por Afonso Carlos da Silva – médico, no valor de R$150,00, além de não identificar o beneficiário do serviço prestado, não informa o endereço profissional, em desrespeito ao art. 80, § 1° III, do RIR/1999; deve ser mantida a glosa da dedução correspondente. O recibo de fl. 19, emitido por Renato Haddad – odontólogo, no valor de R$150,00, além de também não identificar o beneficiário do serviço prestado, indo de encontro com o art. 80, § 1° II, do RIR/1999, e não informar o endereço profissional e o CPF do emitente, em flagrante desrespeito ao art. 80, § 1° III, do RIR/1999, representa despesa não pleiteada para fins de dedução na DIRPF/2006 revisada, devendo ser desconsiderado nos autos. A nota fiscal de serviço de fl. 20, emitida por Raul Gonzalez Médicos Associados, no valor de R$200,00, não traz o carimbo atestando o respectivo recebimento: ressaltese que consta no Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 63 7 corpo da NFS que ela “não vale como recibo”; deve ser mantida a glosa da dedução correspondente. A declaração de fl. 21, emitida pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Itajubá, informa que o contribuinte utilizou, durante o anocalendário de 2005, serviços médicos e odontológicos por meio de convênios dessa associação com o Uniplan, no valor de R$19.102,92. Do confronto desse valor informado como pago ao Uniplan com os rendimentos percebidos da Universidade Federal de Itajubá (R$25.294,21), notase que aquele representa mais de 75% (setenta e cinco por cento) deste, portanto, um valor considerável, do qual se pode compreender, que o plano de saúde se destinaria não apenas para o contribuinte, mas também para benefício de outras pessoas (...) não há como aproveitar tal documento, sem que fossem oferecidos elementos com a devida discriminação dos valores pagos relativos a cada participante do plano de saúde (...).” (grifos originais) Deveras, não obstante tais observações corretamente feitas pela autoridade julgadora a quo, temse, no presente caso, o fato de que, nessa instância recursal, o interessado nada apresentou no sentido de sanar as irregularidades apontadas na decisão DRJ. Sequer logrou trazer aos autos documentação hábil e idônea a comprovar sua alegação de que “praticamente todas essas despesas médicas glosadas estariam relacionadas com o tratamento da filha maior e incapaz”. A respeito, a legislação tributária é bastante clara quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos (extratos, cópias de cheques, contratos, etc.) relacionados às informações prestadas na declaração de rendimentos, ocorridas ao longo do respectivo anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período. Portanto, inexistindo nos autos elementos de prova que possam estabelecer a necessária convicção para a validação da dedução relacionada às despesas médicas em comento, mantémse a glosa do valor de R$ 21.902,92 como efetuada no lançamento. Por derradeiro, a título de esclarecimento, cabe salientar que na legislação tributária a responsabilidade por infrações é objetiva, não se questionando sobre a vontade ou intenção do agente. Não se exige, portanto, a presença do dolo como elemento subjetivo para caracterizar se houve ou não uma infração, sendo irrelevante, portanto, o argumento do apelante de que teria agido de boa fé, sem a intenção de prejudicar terceiros ou comprometer o interesse público. Nesse sentido dispõe o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13653.000844/200883 Acórdão n.º 2801002.572 S2TE01 Fl. 64 8 Diante do acima exposto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 13018.000048/2007-55
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS CARNÊ LEÃO
Constitui omissão de rendimentos quando o contribuinte deixa de informar os valores recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13018.000048/200755 Acórdão n.º 2801002.429 S2TE01 Fl. 153 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “O contribuinte supra identificado foi notificado a recolher Imposto de Renda Suplementar (cód.2904) no valor de R$ 7.902,12 (sete mil novecentos e dois reais e doze centavos) decorrente da omissão de rendimentos recebidos por dependente no valor de R$ 10.123,88 (dez mil cento e vinte e três reais e oitenta e oito centavos), da omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de possoas jurídicas no valor de R$ 19.576,60 (dezenove mil quinhentos e setenta e seis reais e sessenta centavos) e da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (Cód. 0211) no valor de R$ 1.000,00 (mil reais). O notificado apresentou impugnação tempestiva em 24/07/2007 solicitando a revisão do lançamento fiscal sob alegação de que os valores relativos aos rendimentos de aluguéis já haviam sido recolhidos do Carnê Leão conforme documentos que anexa. Informa que foi recolhido imposto sobre aluguéis pagos pela empresa Idioma Modas e Maneiras Ltda (CNPJ nº 01.093.532/000183) M Rose Jóias Ltda (CNPJ nº 03.155.622/000187) e Donna Bella Confecções Ltda (CNPJ nº 04.530.027/000147). Informa que os valores que serviram de base para os recolhimentos montam em R$ 7.199,00 (sete mil cento e noventa e nove reais), R$ 7.152,00 (sete mil cento e cinquenta e dois reias) e R$ 5.225,60 (cinco mil duzentos e vinte e cinco reais e sessenta centavos), respectivamente. Informa que a partir de 04/2004 a empresa M Rose Jóias Ltda passou a efetuar a retenção do Imposto de Renda na Fotne sobre os valores pagos a título de aluguel. Aduz que efetuou o recolhimento dos valores recebidos das empresas em questão através do Carnê Leão e anexa comprovantes dos recolhimentos e demonstrativo dos pagamentos. Pelo exposto requer a revisão do lançamento.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF AnoCalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS CARNÊ LEÃO Constitui omissão de rendimentos deixar o contribuinte de informar os valores recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. O recolhimento do Carnê Leão constitui antecipação do Imposto de Renda e esta sujeito ao ajuste de Declaração de Rendimentos do IRPF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13018.000048/200755 Acórdão n.º 2801002.429 S2TE01 Fl. 154 3 Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conforme relatado, tratase de lançamento para cobrança de Imposto de Renda Suplementar (cód.2904) no valor de R$ 7.902,12 (sete mil novecentos e dois reais e doze centavos) decorrente da omissão de rendimentos recebidos por dependente no valor de R$ 10.123,88 (dez mil cento e vinte e três reais e oitenta e oito centavos), da omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 19.576,60 (dezenove mil quinhentos e setenta e seis reais e sessenta centavos) e da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (Cód. 0211) no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) O Recorrente reitera suas alegações de sua impugnação, solicitando que as omissões de rendimentos (aluguéis) sejam tratadas como erros formais de preenchimento, sem se opor aos demais itens do lançamento. O julgador de Primeira Instância chegou às seguintes conclusões em relação ao ponto impugnado. Vejase: Quanto a omissão de rendimentos recebidos de aluguéis no valor de 19.576,60 (dezenove mil quinhentos e setenta e seis reais e vinte e oito centavos) informados pelas fontes pagadores e não declarados integralmente pelo notificado, da análise dos documentos apresentados na impugnação nas folhas 07 e 89, observase o que se segue: a) o calor da retenção do Imposto Retido pela Empresa M ROSE JÓIAS LTDA, CNPJ nº 03.155.622/000187 no valor de R$ 5.762,28 (cinco mil setecentos e sessenta e dois reais e vinte e oito centavos) foi considerado no levantamento conforme descrição dos fatos e Enquadramento Legal (fl. 96 verso), ou seja, o notificado informou R$ 1.000,00 (um mil reais) a mais que o efetivamente retido pela fonte pagadora; b) que as empresas Idiomas Modos e Maneiras Ltda e Donna Bella Confecções Ltda não informaram qualquer retenção de imposto de Renda na Fonte; c) que os valores recolhidos pelo impugnante e comprovados através das guias de folhas 78 a 89 foram considerados pelo agente fiscal no lançamento conforme folha 97 (verso) e glosado, tão somente, o valor declarado a maior como retido pela fonte pagadora do item "a"; d) que o Carnê Leão constitui uma antecipação do Imposto de Renda Sobre rendimentos recebidos, sendo tais rendimentos e recolhimentos levados no final do exercício à Declaração de Ajuste Anual, portanto, correto o procedimento fiscal que os considerou no lançamento. Quanto aos documentos de folhas 07 a 77, comprovam o repasse de valores ao impugnante pela Imobiliária São Rafael, CNPJ nº 03.777.541/000119, referente ao pagamento de aluguéis efetuados por pessoas físicas e jurídicas e cuja comissão foi informada no campo 7 da Declaração de Ajuste Anual, o que reforça a omissão dos rendimentos recebidos de pessoas Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13018.000048/200755 Acórdão n.º 2801002.429 S2TE01 Fl. 155 4 jurídicas posto que não há documento que comprove a retenção de valores a título de comissão por serviços prestados pela imobiliária. Todos os recolhimentos e recebimentos alegados pelo impugnante foram considerados no lançamento de forma agregada. Sendo assim, correto o entendimento da decisão recorrida, uma vez que, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235/72, a defesa do contribuinte deve ser instruída com documentos que fundamentam as suas alegações. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720209/2008-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO LEGAL.
Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na
Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural.
ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO.
Para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, as áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.480
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, as áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, as áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só Fl. 200DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 191 2 produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 146/149), que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte interessada foi emitida, em 14.07.2008, a Notificação de Lançamento nº 06109/00017/2008 de fls. 27/31, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 45.021,88, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Santo Antônio das Minas Vermelhas”, cadastrado na RFB, sob o nº 1.537.0194, com área de 836,5 ha, localizado no Município de Patos de Minas/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2004 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 01/02, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao IBAMA; 2º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, Fl. 201DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 192 3 identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 9º do Decreto nº 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva particular do patrimônio natural. Em resposta, foi apresentada a correspondência, de fls. 03/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15/20. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da correspondente DITR/2004, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural, respectivamente, de 18,0 ha, 177,4 ha e 641,1 ha, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, e disto resultando o imposto suplementar de R$19.730,00, conforme demonstrado às fls. 30. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 28/29 e 31. Da Impugnação Após tomar ciência do lançamento, em 22.07.2008 (às fls. 141), a contribuinte interessada protocolou em 21.08.2008, a impugnação de fls. 33/53, acompanhada dos documentos de fls. 54, 55, 56/58, 59/61, 62, 63/66, 67/70, 71, 72, 73, 74, 75, 76/81, 82/86, 87, 88/93, 94, 95, 96, 97, 98, 99/102, 103/105, 106/134, 135, 136, 137 e 138. Em síntese, alega e solicita que: entende que deva ser declarada a nulidade do Auto de Infração pois considera que não há correlação entre os fatos narrados e o enquadramento legal e transcreve legislação citada pela autoridade fiscal; discorda do lançamento, com a glosa das áreas ambientais, ressaltando que foi desconsiderado por completo as informações prestadas, em resposta à intimação; ressalta que a atividade administrativa em questão poderia ter atendido aos princípios administrativos da busca da verdade Fl. 202DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 193 4 real e da eficiência por meio da consideração dos esclarecimentos e laudos apresentados, que demonstravam a realidade do imóvel; alega que ficou aguardando a procedência de seus esclarecimentos, sendo, pois surpreendida pela ciência da existência do Auto de Infração e tal ocorrência deu ensejo à obstrução de seu direito de defesa; cita ensinamento doutrinário para referendar tese sobre a busca da verdade real pela Administração Pública, bem como a sua capacidade de largo alcance no que diz respeito à coleta de provas e documentos ligados aos eventos pertinentes; esclarece que a aquisição das glebas, que formam o imóvel, fora realizada no escopo de manutenção das áreas preservacionistas existentes, beneficiandose da permissão de oferecer estas áreas como “reservas” (áreas preservacionistas), situada na mesma bacia hidrográfica de áreas existentes em outro município, sendo que após estudo realizado nestas áreas, os 836,6 ha, foram divididos em 18,0 ha de área de preservação permanente, 177,4 ha como área de reserva legal e 641,1 ha como área de reserva particular do patrimônio natural; esclarece que, em 21.11.2005, por força de Mandado Judicial de Retificação de Área, a área registrada na matrícula nº 13.916, fora retificada para 764,8 ha, passando a área total do imóvel para 1.038,8 ha; ressalta que a área do imóvel não se trata de área economicamente aproveitável, sendo que foi adquirida visando unicamente manter e preservar a mesma, logo não deve ser considerada como tributável; informa que em 2005 contratou empresa que elaborou laudo técnico visando a compensação das Reservas Preservacionistas existentes nestas glebas, tendo sido elaborado o projeto para formalização de criação de RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural, documento em anexo; por meio da prestação de serviço dessa empresa, foi elaborado laudo técnico visando à compensação da Reserva Legal para os imóveis rurais de sua propriedade, localizados no município de Uberlândia – MG, com processos no IEF; em setembro de 2006, após a formalização de processo junto ao IEF, toda a área do imóvel, vale dizer, 1.038,8 ha, foi cadastrada como RPPN; informa, também, que contratou a empresa Topsat Topografia e Projetos Ambientais, tendo então regularizado a criação da RPPN, bem como a compensação de reservas definidas, conforme documentação apresentada nas primeiras informações solicitadas pelo agente fiscal; Fl. 203DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 194 5 ressalta que a RPPN se trata de uma servidão administrativa criada por meio de ato volitivo do proprietário da terra, dentro de uma sistemática de incentivo do Poder Público, com o objetivo de preservar o meio ambiente; entende que houve equívoco do Agente Fiscal, que não fez um levantamento do imóvel tributado, tendo unicamente desconsiderado a declaração apresentada sob o fundamento de apresentação intempestiva do ADA e também da não averbação da área a margem do registro do imóvel; alega que comprovou documentalmente e comprova na impugnação, que o imóvel é formado unicamente de áreas preservacionistas, conforme consta na declaração, sendo certo que tais áreas podem ser excluídas da base de cálculo do ITR e cita e transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes para referendar sua tese; informa, que, na oportunidade, apresenta Laudo Técnico, firmado por engenheiro agrônomo, que comprova que a gleba possui caráter preservacionista, sendo que a mesma nunca foi antes aproveitada economicamente, para cultivos em geral, encontrandose intacta e portanto deve ser excluída da base de cálculo do ITR; quanto às glosas efetuadas, ressalta que administração, em nenhum momento, demonstra a falta de veracidade da declaração do contribuinte e apenas ressalta o disposto no art. 111 do CTN, informando que no presente caso deverá ser dada interpretação literal à legislação; a autuação desconsidera as informações prestadas pelo contribuinte e a existência das áreas de preservação permanente, reserva legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural, por entender que o contribuinte não estava acobertado como o ADA e averbação destas áreas no registro de imóveis, desconsiderando a obrigatoriedade da busca pela verdade real acerca dos fatos jurídicos tributários, em uma verdadeira contradição entre política ambiental e a tributária, com reflexos negativos na política agrícola; cita e transcreve Acórdão do Conselho de Contribuintes, Decisões Judiciais e entendimentos doutrinários sobre o tema para referendar sua tese; conclui que a impugnação deve ser julgada procedente, para reformar o auto de infração e manter a declaração do contribuinte, por pautarse na impossibilidade de glosar as áreas de reserva legal, preservação permanente e RPPN, pela falta da apresentação intempestiva do ADA e averbação de tais áreas junto ao registro de imóveis, frente ao maciço posicionamento doutrinário e jurisprudencial dominante; por fim, requer seja julgada procedente a impugnação para anular a Notificação de Lançamento, em face dos motivos expostos, e solicita que as intimações, para o presente feito, Fl. 204DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 195 6 sejam encaminhadas diretamente ao endereço dos procuradores da impugnante.” A 1a Turma da DRJ/Brasília julgou o lançamento procedente (fls. 145/158), em suma, por não vislumbrar a ocorrência de qualquer irregularidade capaz de macular a Notificação de Lançamento e, no mérito, pela ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, contendo a informação das áreas glosadas, sendo que, em relação às áreas de reserva legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), também não consta a averbação, à margem da matrícula do imóvel, na data de ocorrência do fato gerador. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/08 (fls. 162), a interessada encaminhou via postal o Recurso de fls. 163/186, reiterando as alegações expostas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima Como a data em que o recurso foi postado não está legível, consideroo tempestivo, devendo, portanto ser conhecido, por atender as demais condições de admissibilidade. Inicialmente, cumpre assinalar que não procedem as alegações acerca da nulidade da notificação de lançamento, posto que infundadas, como perfeitamente demonstrado no acórdão de primeira instância, razão pela qual peço venia para adotar como razões de decidir os fundamentos expostos no voto do relator daquele aresto, abaixo transcritos: “Antes de abordarmos as questões de mérito, cabe rebater os argumentos da contribuinte, que, em sua peça de defesa, alegou, dentre outras coisas, que o enquadramento legal leva a concluir que os textos que servem de tipificação legal à aplicação da autuação não mantém qualquer correlação entre o fato imputado e a aplicação da penalidade, sendo, portanto, nula a Notificação de Lançamento. Pois bem. O direito a ampla defesa ou ao contraditório, encontrase previsto no art. 5º, LV, da Constituição Federal, que assim dispõe: “art. 5º (...) I a LIV (...) LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...)” Fl. 205DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 196 7 O contraditório no processo administrativo fiscal tem por escopo a oportunidade do sujeito passivo conhecer dos fatos apurados pela autoridade fiscal, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, e, dentro do prazo legalmente previsto, poder rebater, de forma plena, as irregularidades então apontadas pela autoridade fiscal, apresentando a sua versão dos fatos e juntando os elementos comprobatórios de que dispuser. Em suma, é o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. No presente caso, o trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7º e 23 do Decreto nº 70.235/72, observada, especificamente, a Norma de Execução Cofis nº 003/2006, de 29.05.2006, que disciplinou os trabalhos de malha das declarações do ITR, aplicável ao exercício de 2004, retidas para efeito de verificação, análise e cobrança, se fosse o caso, além de relacionar os documentos de prova a serem exigidos para fins de comprovação dos respectivos dados cadastrais. Assim, foi a contribuinte regularmente intimada a apresentar os documentos exigidos para justificar, para fins de exclusão do ITR, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente, de reserva legal e Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, sob pena de que fosse efetuado o lançamento de ofício. Em resposta, a interessada apresentou documentos diversos, que foram juntados às fls. 03/20, tendo a autoridade fiscal, após constatar que não foram cumpridas as exigências relacionadas na intimação de fls. 01/02, decidido pela emissão da presente Notificação de Lançamento, efetuando as glosas das áreas ambientais originariamente declaradas. Importante, também, ressaltar que não compete à autoridade administrativa produzir provas relativas a as matérias tributadas, isto porque o ônus da prova – no caso, documental é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4º do art. 150, do CTN, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercício, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Também, nesse mesmo sentido, há de se observar o disposto no art. 40, do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (RITR), que estabeleceu: “Art. 40. Os documentos que comprovem as informações prestadas na DITR não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretaria da Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se referiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único)”. No caso, o procedimento de ofício está em consonância com o disposto no art. 14 da Lei 9.393/96, por ter ficado caracterizada, Fl. 206DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 197 8 no entendimento da autoridade fiscal, a hipótese de informação incorreta no respectivo DIAT, por não terem sido cumpridas as exigências previstas para exclusão das áreas de preservação permanente, de reserva legal e RPPN do ITR/2004. Ademais, verificase na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, de fls. 28/29, peça integrante da referida Notificação de Lançamento, que as glosas das áreas ambientais declaradas (preservação permanente, reserva legal e RPPN) foram devidamente justificadas e fundamentadas pela fiscalização, com base no Decreto nº 4.382, de 19.09.2002 (RITR), que consolida toda a legislação aplicada ao ITR, em consonância com o princípio do contraditório e da ampla defesa. Resta pacífico, portanto, que a infração encontrase devidamente caracterizada. Tanto é verdade, que a interessada refutou, de forma igualmente clara e precisa, as imputações que lhe foram feitas, como se observa do teor de sua impugnação, em que a autuada expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, discutindo o mérito da lide relativamente a cada matéria envolvida, no caso as áreas ambientais, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto 70.235/72, bem como apresentando a documentação que entendeu pertinente. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a requerente compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência, e, portanto, não cabe a alegação de que o enquadramento legal, contido na Notificação de Lançamento, caracterizaria inexistência de tipificação e muito menos prejuízo ao entendimento da autuada. Também não pode justificar a nulidade da presente Notificação de Lançamento o fato de a autoridade fiscal não ter acatado os documentos de prova apresentados pela requerente para comprovação das áreas ambientais do imóvel, posto que a aceitação ou não dos mesmos, depende dos critérios de avaliação utilizados na análise desses documentos, à luz da legislação de regência. Em suma, não obstante as alegações da requerente, entendo que a Notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV e principalmente aquelas necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa da autuada. Assim, não se verificou qualquer irregularidade capaz de macular a Notificação de Lançamento.” Quanto ao mérito, não há qualquer reparo a ser feito no lançamento e no acórdão recorrido, como será demonstrado a seguir. Fl. 207DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 198 9 De acordo com o “Complemento da Descrição dos Fatos” da respectiva notificação de lançamento (fls. 28/29), a área de preservação permanente foi glosada devido à ausência de ADA, e as áreas de reserva legal e de RPPN, além da ausência de ADA, por não terem sido averbadas à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, 01/01/04 para o exercício 2004. A partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que as referidas áreas não sejam tributadas pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, § 1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (destaques meus) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tais pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 208DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 199 10 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para o exercício 2004, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; III – de reserva particular do patrimônio natural; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Assim, como no presente caso a recorrente não comprovou a protocolização do ADA no Ibama relativo ao exercício 2004, não se encontra atendida uma das condições previstas na legislação para a exclusão das áreas glosadas da base de cálculo do ITR. A exigência da averbação das área de reserva legal e de RPPN, para fins de redução da base de cálculo do ITR, constitui matéria bastante controversa no âmbito deste Conselho, sendo objeto de distintos entendimentos, sendo que me alinho àquele que considera tal exigência imprescindível para exclusão da aludida área da base de cálculo daquele tributo, devendo a averbação ser feita até a data da ocorrência do fato gerador, por se tratar de ato constitutivo e não mera formalidade, haja vista o disposto no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que é o dispositivo legal que determina a averbação da respectiva área, e também ao disposto no art. 1.227, do Código Civil, que trata sobre os direitos reais sobre imóveis, abaixo transcritos: Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Fl. 209DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. 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(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (destaque meu) Código Civil Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Especificamente no que tange à necessidade da averbação das áreas de RPPN no registro de imóveis competente, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a exigência em questão advém do disposto no art. 21, §1º, da Lei nº 9.985/2000, que assim dispõe: Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. § 1º O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis Por oportuno, confirase a legislação compilada no Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (RITR/2002), acerca da matéria: “Art. 13. Consideramse de reserva particular do patrimônio natural as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21). Parágrafo único. Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador.” Fl. 210DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 201 12 (grifos meus) É importante destacar que, em nenhum momento, foram apresentados documentos que comprovem que as aludidas áreas foram averbadas à margem da matrícula do Registro de Imóveis competente, mesmo em data posterior à ocorrência do fato gerador. Convém ressaltar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas declaradas. Ou seja, o declarante não é obrigado a anexar quaisquer documentos comprobatórios das informações prestadas na DITR, quando de sua entrega, todavia, se intimado a apresentar a respectiva documentação, deve atender, sob pena de glosa das referidas áreas, como no caso em pauta. Vejamos abaixo o conteúdo do dispositivo legal citado: Lei nº 9.393, de 1996 Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (destaque meu) É importante esclarecer que, para fins do benefício pretendido, fazse necessário que todos os requisitos legais estejam preenchidos, entre eles a protocolização tempestiva do ADA a partir do exercício 2001 e a averbação tempestiva das áreas de reserva legal e de RPPN. Nesse aspecto não há como nortear o julgamento exclusivamente pela verdade real, como postula a recorrente, posto que a legislação condiciona a fruição do benefício ao preenchimento de tais requisitos, não sendo suficiente para tanto somente a comprovação da existência das respectivas áreas. Vêse, portanto, que os argumentos da contribuinte não são hábeis a afastarem o acerto do lançamento e da decisão recorrida. Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por fim, quanto à solicitação de que as intimações sejam encaminhadas diretamente para o endereço de seus procuradores, tal pretensão não merece acolhida, pois não há previsão legal para esse procedimento, de acordo com o disposto no artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto acima voto por REJEITAR a preliminar suscitada e por NEGAR provimento ao recurso. Fl. 211DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720209/200870 Acórdão n.º 2801002.480 S2TE01 Fl. 202 13 Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 212DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09410.J6PY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 26/06/2012 09:24:10. Documento autenticado digitalmente por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 26/06/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 26/06/2012 e WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 26/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1019.09410.J6PY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C904AC9CE6837CD8D8BD10F9EB290B07A3E055D5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10675.720209/2008-70. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13882.000725/2001-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL — COFINS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO DE FINSOCIAL. CONVALIDAÇÃO DA COMPENSAÇÃO
EFETIVADA PELO CONTRIBUINTE.
A convalidacão efetuada pela Instrução Normativa nº 32/97, de créditos de Finsocial com débitos de Cofins alcança as compensações efetivada por contribuinte até a data da sua publicação. Inválidas as que foram efetuadas após essa data.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.379
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ...,,..,:ulk.,:i....,„:.::....,..., CONSELHO ADMINISTRATIVO RE RECURSOS FISCAIS .-.:::::JVP' TFRC1 ; IRA SuçÃo DE JULGAMENTO Processo u" 13882 000725/2001-51 Recurso n" 239 997 Voluntário Acórdão n" 3803-00.379 - 3" Turma Especial Sessão de 29 de abtif de 2010 Matéria COF1NS - A1.110 DF INFRAÇÃO Recorrente TH3FRGA 8z, FERNANDES UMA. Recorrida DRJ-CAMPINASSP ASSUNTO: COM RIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — CoFiNs Período de apuração: 01/05/1.997 a 31/12/1997 CRÉDITO DE FINSOCIAL. CONVALIDA.ÇÃO DA COMPENSAÇÃO VI+ 11VADA PEIO CON tRIBUINTL. A convalidacão efetuada pela ínstrução Normativa n" 32/97, de créditos de Finsocial com débitos de Cotins alcança as compensações efetivada por contribuinte até a data da sua publicação. Inválidas as que foram ete,tuadas após essa data.. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do (..olegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao rectas() Pr Alexandre Kern - Presidente ._ - „ __. Bele', ioilVido_de., Sousa-- -ReFãtor Partici aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Feditto, Hélci ,) Lateta Reis, Carlos Henrique Maitins de Lima e Rangel Permeei Fioi in. i Relatório Trata o presente de recurso volurnálo contra o .Acórdão de n." 05-15.773, de 12 de janeiro de 2007, da DRJ-Campinas/SP, fls. 168 a 85, que considerou o lançamento procedente em parte, em face da manifestação de inconformidade de lis. 01 a 05. O auto de infração foi lavtado em procedimento interno de auditoria de DGIT, para exigência de COHNS relativa aos per iodos de apuração maio a dezembro de 1997, para Os quais houve vinculação de pagamento parcial e de compensação sem DAR F com créditos de [-INSOCIAL. EM sua impugnação manifesta-se a interessada pela legalidade da sua compensação, amparando-se no Decreto n" 1194, de 7 de abril de 1997, regulamentado pela IN SRF n" 31/97, que dispensou a constituição dos créditos tributários de FINSOCIAL, e na SRF n" :32/97, que convalidou a compensação efetivada pelas empresas exclusivam.ente -vendedoras de mercadorias e mistas, pretendendo, ainda, demonstrar a sua correção com a escrituração do crédito a recuperar e das compensações efetuadas. A DRJ-Campinas buscando levantar a verossimilhança do procedimento da contribuinte, converte o . ..Julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em faubaté atestasse a sua correção. O resultado da diligência deu conta da existência do crédito e da sua suficiência para cobertura integral dos débitos de maio a novembro/97 e parcial do mês de dezembro/97. Sobre os dados Mibimados a DRJ proferiu sua decisão considerando o lançamento procedente em parte para cancelar os débitos na conlbrmidade do que fora apurado pela Delegacia em Taubaté e para cancelar a multa de oficio sobre o débito remanescente. O Delegado da DR,' devolve o processo à .Delegacia em Taubaté para que atualizasse o sistema SIEF efetuando o registro das compensações por ela informadas.. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário-SACA - 1 intOrma a impossibilidade de atualizar o sistema, porquanto apenas teria inCormado da existência do débito e da sua suficiência para compensação de parte dos débitos, e desapercebeu-se de enviar o processo à Seção de Análise e Orientação Tributária-SAORT -para que se manifestasse sobre a legalidade da compensação (.) desfecho da análise aponta paia a sua ilegalidade, em face da decadência do direito de repetir o indébito de FINSOCIAI- A decisão da DR.] é declarada nula e outra é proferida na linha do posicionamento da SAORT/Taubaté, Ciente em IS de fevereiro de 2007, inesignada, apresenta o presente recurso voluntário, em 05 de março de 2007, cm que argumenta que a decadência do direito de repetir o indébito perfaz ern cinco (5) anos contados da ocortência do lato gerador, acrescido de mais cinco (5) anos contados da data em que se deu a homologação tácita, interpretando o art. 1.50, § 4", do CIN.. É o ielatório. Voto 2 0`' 1.U2. 000725/2001-51 83-T E03 Acórdão " 3803-00,379 11,1 204 Consel Feiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. É de simples. deslinde a confrovérsia neste processo, eis que cinge-se a prospectar o adequado truidamento da decadência do direito de pleitear a restituição, no caso do VINSOCIAL pago a. maior, com o qual a contribuinte efetuou as compensações da COFINS de maio a dezembro/97. Para o Superior . Tribunal de Justiça., em decisão recente assentando a sua jurisprudência, permanece a tese dos cinco anos mais cinco para os fatos geradores até a edição da 1;e:1 n" 118/2005, que em seu art.. .3" preceitua expressamente que o direito de pleitear a. restituição extingue com o decurso do prazo de cinco (5) anos a contar do pagamento indevido.. Tal decisão, todavia, não vincula este Conselho, cuja jurisprudência consolidada já se eneonirava na linha do que veio a ser eslabelecido pela dita lei complem.entar. Sem embai - da disposição legal acerca da decadência do direito de pleitear a restituição estipulando o termo a quo corno o da extinção do crédito ‘ tributário, consubstanciando-se este na (lata do pagamento, indevido, a Instrução Normativa n" 32/97 convalidou as compensações que os contribuintes tivessem efetuado internamente em sua escrita fiscal, sem fixar limites ou fazer ressalvas, depreendendo-se disso que tudo o que houvera sido pago após 1989 — decorrente dos sucessivos aumentos de ai-ignotas estabelecidos pelas leis n" 7.787/89, 7 894/89 e 8.147/91.. No caso presente, no entanto, não pode prosperar a defesa da recorrente, pois a norma que bri:_;cou para .justi ficar o seu procedimento, a IN SRF n" 32/97, não a ampara. O „STC:RETÁRIO .1?1;..C.LI114 FEDERAL, no as-o de suas atribuições, lendo en7 vLsta o disposto no art. 106 da Lei n" 5 172, de 25 de aula!» o de 1966, na .tca de Introdução ao Código Civil e nos uris 3", inciso I, 7", 8" e 30 da Lei n" 8.218, de 29 de agaslo de 1991, e 63 da Lei n" 9 430, de 27 de dezembro de 1996, resolve. Ari 2" Convalidar a compensação pelo conuibuinte, c;om a c. ,ont) ¡traição para o financiamento da Seguridade, Social - COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social - recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, eom .fandamento no art. 9" da Lei a' 7 689, de 15 de dezembro de 1988, na allquoia.superior a 0,5% (meio por cento), conforme as leis 111s 7 787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembi-o de _1989, e 8 147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um dir,,cimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao evereicio de 1988, nos termos do ai 22 do Dccrelo-lei n"2.397, de 21 de derembro de 1987 A instrução normativa ao servir-se da ação verbal de "convalidar" está, noutras palavras, chancelar, a selar, a apor sinete, a atestar a legitimidade do que já estava 3\z- , feito pelo contribuinte em matéria de compensar a COHNS devida com Os créditos de FINSOCIAL.. Claríssimo é o significado do termo, a não deixar dúvida de que não estava. havendo nessa norma nenb.IIM. sentido de autorização pua procedimentos posteriores de compensação sol) este foco especifico. Essa linha de entendim.en.to quanto ao sentido da norma, a delimitar no passado o alcance desse Ato da Administração Tributaria, é -testificado por outro verbo utilizado na ementa. da instrução normativa indicando as matérias de que trata: ". legitima a compensação do.s vahnes recolhidos de .1'1NSOCIA.I. com a COFINS Noutra palavra, torna legítimo aquilo que já estava realizado. E. não é sem parâmetro legal que tal norma foi. erigida, conquanto a instrução normativa não indique qual o seu fundamento de validade h por tal fundamento jurídico não poderia regular de modo ditêtente Vejamos. A COFINIS foi instituída pela Lei (.'oniplementar n" 70/91, de 30 de dezembro de 1991 Por que razão a instrução normativa foi editada somente em 09 de abril de 1997? F por que se serve de uma ação verbal cujo significado fornece um olhar para o passado e não para o presente . ou o futuro'? O ponto de partida para responder a esta indagação se encontra no Decreto 20.910, de 06 de .janeir o de 1932, que cm seu art. :1" preceitua: Art. I" .4 dívidas pas.sira.s. da União. das Estadas e dos. MU I' I. iC p hem a..srai todo e qualquer direito ou açito contra a Fazenda federal,. estadual ou municipal, sOa qual . for a s-ria natruera, pir.s.are parn (ánco) anus, contados da data da ato OU fato do qual .se ai iginarem 11,m princípio o prazo prescricional deveria ser cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, nos termos do ar t. 168, I, do cTN, posição mais prejudicial para o contribuinte.. Posse esta a posição da instrução normativa teria que tê-lo expressado vinculando o exercício do direito pelo contribuinte aos termos do dispositivo retro. Vejo nitidamente implícito na norma veiculada pela Instrução Normativa n" 32/97 tal prazo prescricional previsto no citado Decreto, e o "fato do qual se origina (r(..)"é a exigência da COHNS noventa ruas após a sua instituição, 1" de abril de 1992, obedecendo-se a anterioridade nonagesi mal determinada na Constituição Federal de :1988 e explicitada no art.. 13 da I _C 11" 70/91, como possibilidade primeira de extingui-1a por meio de compensação com créditos de FINSOCIA h. Nisso se justifica ter sido editada em 9 de abril de 1997. O fato de a instrução normativa convalidar, legitimar os procedimentos internos de compensação do contribuinte sem delimitar um prazo para esse exercício de direito, é porque não levou em conta o prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, mas do fato de permitir compensação de cinco anos da contribuição da COHNS, desde a sua instituição. Esta norma, ao não explicitar qualquer limite para o exercício do direito, tudo estaria convalidado até a sua edição. Mais que isso extrapolaria cinco anos, a privilegiar a inércia do contribuinte, a violar o Decreto 20 9:10/32 e a ferir o princípio da segurança .juridica nele inadiado. As compensações dos débitos em exigência neste auto de iriti-ação foram efetuadas apôs a edição da citada lN n" 32/97. >4( Procs() n" 1.38 ti2 W0725/2001-51 S3-1 CO3 Acir-(kín n " 3803-00.379 II 205 ssim, ante Iodo o exposto, voto pol negar provimento ao recurso. _ MeT(--) de S-ottsa 5
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006354/2005-48
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006.
DECADÊNCIA: o direito de pleitear restituição extingue-se em 05 anos conforme artigo 168-CTN
Súmula 02 do CARF
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de nulidade do procedimento, não conhecido o recurso na parte referente ao procedimento, não conhecido o recurso na parte referente à matéria já submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (Relator). Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. O Dr. Lucas Bertinato Maron, OAB/PR nº 45.128, acompanhou o julgamento.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006. DECADÊNCIA: o direito de pleitear restituição extingue-se em 05 anos conforme artigo 168-CTN Súmula 02 do CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do procedimento, não conhecido o recurso na parte referente ao procedimento, não conhecido o recurso na parte referente à matéria já submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (Relator). Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. O Dr. Lucas Bertinato Maron, OAB/PR nº 45.128, acompanhou o julgamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:14:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:14:38Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:14:38Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:14:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4c20cf6c-b55d-43c8-bb79-4f8dce122d52; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:14:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:14:38Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:14:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:14:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:14:38Z; created: 2010-12-21T10:14:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-21T10:14:38Z; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:14:38Z | Conteúdo => BelchiorNelo .d-j-ST—)usa RecTãtokDesignado e Kern — Presidente S3-TE.0:3 F1 314 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10980.006354/2005-48 Recurso n" 261.977 Voluntário Acórdão n" 3803-00.593 — 3" Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2010 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Recorrente KRAFT FOODS BRASIL S/A Recorrida DRI-RIO DE JANEIRO - RJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006. DECADÊNCIA: o direito de pleitear restituição extingue-se em 05 anos conforme artigo 168-CIN Súmula 02 do CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do procedimento, não conhecido o recurso na parte referente ao procedimento, não conhecido o recurso na parte referente à matéria já submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (Relator). Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. O Dr. Lucas Bertinato Maron, OAB/PR n" 45.128, acompanhou o julgamento. diParticipai In da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Krne (Presidente da Turma), .: Ichior Melo de Sousa, Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima (Relatem , Héleio Lafetá Reis e Rangel Permeei Fiorin. Relatório O contribuinte apresentou pedido de restituição no valor de R$ 483.576,77, relativo a COFINS do período de 29/11/1999 a 20/11/2006, referente a compras de combustível como consumidor final (fls,01 a 41), Posteriormente apresentou as PERDCOMP's relacionadas às fls. 58/59, visando utilizar o suposto crédito para compensar débitos próprios; A DRF-Uberlândia/MG emitiu o Despacho Decisório n." 212/2007, no qual indefere o pedido de restituição e não homologa a compensação pleiteada, sob argumento de que a partir de 01/07/2000 é incabivel tal restituição por força do disposto na MP L991/2000 (fls.58 a 63); A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls,67 a 84), na qual alega que a prescrição declarada pela autoridade administrativa não ocorreu e ainda a MP 1,991/2000 seria inconstitucional por violar o §7" do artigo 150 e o artigo 246, ambos da Constituição Federal; Alega ainda que: a) a cobrança é ilegal, pois se trata de compensação feita com créditos oriundos de NF de óleo diesel emitidas pela Refinaria de Petróleo, na forma do art. 6' da IN SRL' n" 06/1999; b) a IN SM; n" 73/97 prevê que a compensação entre tributos da mesma espécie independentemente de requerimento.: A URI/Juiz de Fora refina as alegações referindo que o direito de pleitear a restituição extingue-se em cinco anos conforme 168 do CTN e não dez anos conforme alegações do conribuinte. Diz ainda que não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. Ciente da decisão em 11 de junho de 2008, irresignada, apresentou recurso voluntário em 08 de julho de 2008, em que, simplesmente, repisa o mesmo argumento da impugnação e anexa planilha dos créditos objetos da compensação. É o relatório, 2 Processo n" 10980.006354/2005-48 S3-TE03 Acórdão n " 3803-00.593 Fl 315 Voto Vencido Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço.. O presente processo versa sobre Pedido de Restituição de COFINS sobre combustíveis, Lei 9.990/2000, Foi anexado relatório de fis,17/41, onde foram simplesmente listadas e não comprovadas, notas fiscais de aquisição de óleo diesel, no período de 29/11/1999 a 20/11/2006, calculando a COFINS à alíquota de 3,00 ou 7,60 e solicitando a restituição destes valores. O pedido de restituição foi indeferido com base na determinação contida no artigo 43 da MP L991/2000 que extinguiu o sistema de substituição tributária para o PIS/Pasep e para a COFINS nas operações mercantis com combustíveis., Em relação aos fatos geradores ocorridos até 20/12/2000, listados às fls. 18/28 pelo contribuinte, temos que se crédito houvesse, estaria fulminado pelo instituto da decadência com base nos artigos 150 e parágrafo 1, 156, incisos 1 e VII, 165,1, 168 e inciso I do CIN. Portanto fica claro que também para esse período não foi reconhecido crédito. Ainda assim, cumpre esclarecer que não procede a alegação de que a prescrição nos casos de tributos lançados por homologação seria decenal, visto que o artigo 168 do CTN, c/c artigo 3' da LC 118/2005, estabelece o prazo de 05 anos.. A afirmação de que a LC 118/2005 não poderia ser aplicada retroativamente não procede já que essa é uma lei interpretativa, estando pois em consonância com o inciso J do artigo 106 do CTN, que estabelece, que a lei pode ser aplicada em ato ou fato pretérito, quando expressamente interpretativa, excluindo-se a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. A recorrente discute ainda a constitucionalidade do artigo 43 da MP 1.991/2000, que foi reeditada sucessivamente até a atual MP 2.158-35 de 24/08/2001 (artigo 42), que mantêm força legal independentemente de reedição, em face do disposto no artigo 2' da Emenda Constitucional .32/2001.. Afirma que houve aumento de carga tributária já que o valor cobrado da contribuição pennan ceu o Ir/lesmo e deixou de haver a restituição. Não cabe ll /' portanto a discussão do tema em se e di R'njstrativ a, conforme a súmula 02 do CAR. , ,. Pelo expost4 o o „ (20 "gar provimento ao recurso. C arldfil Marti 11S de Lima 3 É UOMO voto, Belchior Meio de Sousa Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Redator Designado Com efeito, materialmente não está equivocado o encaminhamento dado pelo nobre relator quanto à exclusão das receitas financeiras do cômputo da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep para os períodos de apuração de 1" de fevereiro de 1999 a 30 de novembro de 2002, Por todos os fundamentos coligidos, a maneira como conduziu o seu voto era, em tese, como haveria de ser acolhida por este Colegiado. Contudo, o mérito da controvérsia foi levado à apreciação do judiciário, cujo deslinde não se deu. Daí que, em face da concomitância, deve ser aplicada a Súmula n" 01 deste CARP. A autuação compreende também períodos de apuração que vão de 1" de dezembro de 2002 a 31 de dezembro de 2003. A Medida Provisória n" 66, de 29 de agosto de 2002, ao alterar a base de cálculo da contribuição o fez com fundamento de validade na EC n" 20/98, desprovida da força de convalidar tal alteração trazida pela Lei n" 9..718/98, e passou a abranger também as receitas financeiras. A reivindicação levada ao Judiciário não delimita período de apuração final que pretende ver contemplado com a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo e a sentença consubstanciou-se nos termos a seguir: "Ante o exposto, na Ibrina do art 269, inciso L do Código de Processo Civil, julgo procedente o pedido, concedendo a segurança, para assegurar às impetrantes o recolhimento da contribuição ao PIS na firma da Lei Complementar n" 7/70, afastando a aplicabilidade das Leis n"s 9.715/95 e 9.718/95, por contrariarem o art. 239, da Constituição Federal. Custas, na fuma da lei Indevidos honorários ach ,ocaticios, por incabíveis à espécie, a teor das Súmulas 105/STI e 512/STF P. R 10 Sentença sujeita ao reexame necessário Corno se vê foram afastadas as Leis n's 9.715 e 9.718, ambas de 1998, posto que não tinham amparo constitucional para ampliar a base de cálculo. Este mérito não cobre o período de abrangência da MP n" 66/2002, convertida na Lei n" 10,637/2002, 1" de dezembro em diante, eis que não determinado judicialmente o seu afastamento, tendo a ampará-las a EC n" 20/98. Desse modo, foi aberta a divergência para não se conhecer do recurso para os períodos de apuração de I" de fevereiro de 1999 a 30 de novembro de 2002 e para, na parte conhecida, correspondente aos períodos de apuração 1" de dezembro de 2002 a 31 de dezembro de 2003, foi negado provimento, 4
score : 1.0
Numero do processo: 13821.000047/2003-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 10/03/1997, 10/12/1997, 18/02/1998, 10/08/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO A REPETIÇÃO DO
INDÉBITO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
PRESCRIÇÃO.
de cinco anos, contados a partir da data do pagamento antecipado, o prazo para pleitear a repetição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/1997, 10/12/1997, 18/02/1998, 10/08/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO A REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. de cinco anos, contados a partir da data do pagamento antecipado, o prazo para pleitear a repetição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que passam a integrar o presente julgado. Alexan re Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Héleio Lafetd Reis, Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Pen-ucci Fiorin. Relatório Trata-se de declaração de compensação, fls. 1 e 2, dos valores recolhidos a titulo de PIS, no importe de R$ 2.150.88, com débito do SIMPLES administrado pela Secretaria da Receita Federal, sob a alegação de que tais recolhimentos foram indevidos b. vista Fl. 147DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17028.ZH14. Consulte a página de autenticação no final deste documento. da ADIn 1417-0, que declarou inconstitucional o art. 17 da Medida Provisória. n 2 1.212, de 28 de novembro de 1995, e reedições, e da Instrução Normativa SRF n 2 6 de 19 de janeiro de 2000, que vedou a constituição de credito tributário e determinou o cancelamento de lançamentos baseados na aplicação do disposto nessa MP, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 10 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996. A DRF-Araçatuba/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 61 a 63, não homologou a compensação declarada porque julgou inexistente o direito creditório, sob o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade mencionada aludia apenas ao efeito retroativo imprimido à vigência da Contribuição para o PIS na parte final do art. 15 da MP n 2 1.212, de 1995, e ao prazo de 90 dias após a edição da mesma. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 79 a 91, julgada improcedente pela la Turma da DRJ-Ribeirão Preto, nos termos do Acórdão n 2 10.845, de 6 de março de 2006, fls. 94 a 100, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/03/1997, 10/12/1997, 18/02/1998 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de se pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de declaração de compensação (Dcomp), depende da comprovação da certeza e liquidez dos indébitos fiscais utilizados por ele. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/1997, 31/05/1997, 30/11/1997, 31/01/1998 Ementa: FUNDAMENTO LEGAL. A partir de 1" de março de 1996, a contribuição para o PIS passou a ser devida de conformidade com a Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, que elegeram como base de cálculo dessa contribuição o fatummento mensal da pessoa jurídica. Solicitação Indeferida Cuida-se agora de recurso (fls. 106 a 131) interposto pelo contribuinte contra a referida decisão de primeira instância, defendendo as razões a seguir resumidas. 0 recorrente discorre sobre o direito à compensação de indébitos tributários, para argumentar que não se aplica o lapso prescricional previsto no art. 168 da Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional - CTN, que diria respeito tão-somente ao direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente. Segundo a recorrente, o direito à 2 Fl. 148DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17028.ZH14. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 13821.000047/2003-11 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.567 Fl. 140 compensação independe da vontade de outrem e pode mesmo dar-se à revelia da vontade da Fazenda Pública. Aduz que a lei não exige que se trate de créditos líquidos e certos. Na continuação, digressiona sobre as modalidades de lançamento previstas no CTN, para pugnar pela aplicação da tese que ficou conhecida como "5+5" para a apuração do prazo prescricional para a compensação de tributos lançados pelo regime de homologação. 0 recorrente faz então um apanhado da evolução da legislação da contribuição e das polêmicas levadas ao conhecimento do poder judiciário, mencionando a declaração da inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto-Lei n2 2.449, de 21 de julho de 1988; e a tese da semestralidade da base de cálculo. Refere-se ainda a um "acórdão anulado anteriormente" (fl. 124), para rechaçar a tese de que o termo inicial do prazo prescricional seja a data da publicação da Resolução n 2 49 do Senado Federal, em 1995. Retoma a discussão sobre o seu direito de compensar e de seu fundamento constitucional, para concluir que o mesmo não se extinguiu pelo tempo. Pede provimento para seu recurso, para o efeito de homologação da compensação declarada. o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 104 a 130 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão n° 10.845, de 6 de março de 2006, da DRJ/RPO-1 a Turma, fls. 94 a 100. 0 prazo para pleitear a restituição de pagamento indevido é tratado no art. 168 do CTN, que assim estabelece: Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Ili na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Ora, da literalidade das disposições acima transcritas infere-se que o prazo de decadência em questão é qüinqüenal e seu termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A polêmica incitada pela peça recursal diz respeito então ao marco temporal dessa extinção, defendido pelo recorrente como sendo o momento em que se resolve a condição referida no art. 150, § 1 0, acima transcrito, pela homologação do lançamento. Sendo assim, na hipótese de homologação tácita, esse marco temporal ocorreria no quinto ano do fato 3 Fl. 149DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17028.ZH14. Consulte a página de autenticação no final deste documento. gerador correspondente ao pagamento efetuado, em consonância com o § 4 0 desse mesmo art. 150. Para fixar o termo inicial do prazo em questão, o art. 168 do CTN diferenciou apenas hipóteses de indébito tributário, não fazendo distinção entre extinção do crédito tributário sem condição e sob condição. Ocorre, porém, que, ao tratar da extinção do crédito tributário, o art. 156 desse mesmo Código estabeleceu, ipsis litteris: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; (.) VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1°c 4'; (.) Observe-se, pois, que o art. 156 do CTN, em seus incisos I e VII, caracterizou e bem diferenciou o mero pagamento, concernente aos tributos em geral, e o pagamento antecipado, intrinsecamente relacionado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para definir o momento em que ocorre a extinção do crédito tributário. Ora, na redação do referido inc. VII, utilizou-se do conectivo "e" para afirmar a necessidade de concorrência de duas condições para se operar a extinção do crédito tributário na hipótese de lançamento por homologação, quais sejam, o pagamento antecipado e a homologação do lançamento. Destarte, à luz apenas dessas disposições do CTN, poder-se-ia dizer que assiste razão à recorrente relativamente à defesa do prazo decenal, contado a partir do fato gerador, para repetição de indébito sujeito ao lançamento por homologação, na hipótese em que tratar-se de homologação tácita. Entretanto, não se pode olvidar que a Lei Complementar n° 118, de 2005, estabeleceu que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, conforme dicção do seu art. 3°, que assim dispõe: Art. 3 2 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § lo do art. 150 da referida Lei. Cabe também sublinhar a cláusula de vigência desse mesmo diploma legal assim formulada no seu art. 4° que prescreve: Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Ora, o art. 106, inc. I, do CTN trata exatamente da aplicação retroativa de lei, com a seguinte dicção: Art. 106. A lei aplica-se a ato oufato pretérito: 4 Fl. 150DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17028.ZH14. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 13821.000047/2003-11 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.567 FL 141 I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade a infração dos dispositivos interpretados; (.) Quanto a eventuais aduções de ilegalidade da Lei Complementar no 118, de 2005, não cabe ao órgão julgador administrativo exercer o controle de constitucionalidade das leis, que é atividade exclusiva do Poder Judiciário, devendo o Poder Executivo, em face da estrita vinculação legal de sua atividade, aplicar as leis vigentes enquanto nab afastadas do ordenamento jurídico pelo Poder competente. No caso concreto, tratando-se de pedido protocolado em 17/04/2003, o direito em questão já havia prescrito, relativamente aos pagamentos indevidos ou a maior efetuados antes de 17/04/1998, o que engloba todos os recolhimentos objeto da pretensão, A exceção dos efetuados em 10/07/1998 e 30/03/2001. Nada obstante, em que pesem as digressões entabuladas na peça recursal, quedou controvertida, exclusivamente, a matéria atinente A. prescrição do direito de pleitear restituição. 0 recorrente silenciou quanto A. materialidade de seu direito ereditório, refutado expressamente pela decisão de piso, fls. 99 e 100, motivo pelo qual tenho a questão como definitivamente julgada. Coin efeito, a decisão a quo defendeu o entendimento de que, no julgamento da ADIn n2 14170, o STF declarou a inconstitucionalidade apenas da retroação dos efeitos da MP n2 1.212, de 1995, em face da ofensa do principio da irretroatividade das leis e de que, ao contrário do entendimento do requerente, ora recorrente, nos meses de competência de março de 1996, em diante, a contribuição para o PIS era devida nos termos da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, posteriormente, convertidas na Lei n° 9.715, de 1998, posteriormente alterada pela Lei no 9.718, de 1998. Dessa forma, a contribuição apurada e recolhida por ele, nos termos destes diplomas legais, era devida e não constitui indébito tributário. Contra esse entendimento, o recorrente não se insurgiu. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por que se negue provimento ao recurso. 44..k. Ale andre Kern 5 Fl. 151DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 4 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17028.ZH14. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE em 15/02/2012 17:54:58. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE em 15/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0420.17028.ZH14 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 77BCB6632A8D67F81FCC0F61ECB01F0084EB7FDF Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13821.000047/2003-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11030.000885/2001-03
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO.
Não se incluem na base de calculo do beneficio as aquisições de matérias-primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins.
DECISÃO ADMINISTRATIVA INTEMPESTIVA NORMA
PROGRAMÁTICA AUSÊNCIA DE CONSEQÜÊNCIA
O descumprimento do prazo legal de trinta dias pela decisão colegiada não resulta em reconhecimento tácito do pedido do contribuinte, por absoluta falta de previsão legal, sendo programática a norma que o estipula, posto não conter sanção ou o beneficio pretendido, em seu conteúdo, nem ser complementada ou integrada por outra norma veiculadora dessas conseqüências.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.685
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin, que reconhece o direito ao direito ao crédito presumido nas aquisições de insumos a pessoas físicas.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Não se incluem na base de calculo do beneficio as aquisições de matérias-primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. DECISÃO ADMINISTRATIVA INTEMPESTIVA NORMA PROGRAMÁTICA AUSÊNCIA DE CONSEQÜÊNCIA O descumprimento do prazo legal de trinta dias pela decisão colegiada não resulta em reconhecimento tácito do pedido do contribuinte, por absoluta falta de previsão legal, sendo programática a norma que o estipula, posto não conter sanção ou o beneficio pretendido, em seu conteúdo, nem ser complementada ou integrada por outra norma veiculadora dessas conseqüências. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOS TO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Não se incluem na base de calculo do beneficio as aquisições de matérias- primas de pessoas fisicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. DECIS 'AO ADMINISTRATIVA INTEMPESTIVA NORMA PROGRAMATICA_ AUSÊNCIA DE CONSEQÜÊNCIA O descumprimento do prazo legal de trinta dias pela decisão colegiada não resulta em reconhecimento tácito do pedido do contribuinte, por absoluta falta de previsão legal, sendo programática a norma que o estipula, posto não writer sanção ou o beneficio pretendido, em seu conteúdo, nem ser complementada ou integrada por outra norma veiculadora dessas conseqüências. Recurs() Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rangel Petrucci Fiorin, que reconhece o direito ao direito ao crédito presumido nas aquisições de insumos a pessoas fisicas. Belchio Mera-de-Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Tun -na), Belchior Melo de Sousa (Relator), Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima, Helcio Lafetd Reis e Rangel Perrucci Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de IV 10-17.792, de 20 de novembro de 2008, da DRJ-Porto Alegre/RS, fis. 232 a 235-v, que indeferiu a solicitação de inclusão na base de cálculo do CP: a) das compras que não foram gravadas com as contribuições da COFINS e do PIS/PASEP a que o beneficio visa a ressarcir, estas as aquisições de pessoas tisicas; e b)dos valores das vendas consideradas pelo contribuinte como sendo receita de exportação, relativo a produtos que não sofreram nenhum processo de industrialização no estabelecimento exportador, tratando-se estas de revenda de mercadorias. Não foi objeto de impugnação a exclusão da base de cálculo do CP do valor do IPI destacado no custo de aquisição e das aquisições: a) que não dão direito a crédito, por não se subsumirem ao conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem definido pela legislação do 1P1; b) de produtos importados; c) consideradas em duplicidade no cálculo. O crédito apurado refere-se a todo o ano-calendário de 1996 e alcança o valor de R$ 18.674,20. Desse valor, a fiscalização concluiu, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 151/152, que o requerente teria direito a apenas parte do ressarcimento pleiteado, no valor de R$ 9.908,44 (nove mil, novecentos e oito reais e quarenta e quatro centavos), e do débito de CSLI, vencido em 30 de outubro de 2001 de mesmo valor do pedido de ressarcimento, fl. foi compensado o valor do direito creditório reconhecido, A DRI-Porto Alegre, no que respeita As exclusões dos valores correspondentes As aquisições de produtos de pessoas fisicas, interpreta a legislação de regência do crédito presumido do IPI, e assenta que somente as aquisições de matérias-primas (MP), produtos intermediários (13 1) e materiais de embalagem (ME.), que tenham sofrido a incidência das contribuições para o PIS e a Cofias, podem ser incluídos no cálculo do beneficio, como se depreende da redação do art. 10 da Lei n.." 9..363, de 1996, Quanto As aquisições para revenda, consigna a DIU que "se que são dois requisitas cumulativos para se alcançar o beneficio: produzir e exportar as aquisições para revenda não podem ser computadas na base de cálculo do crédito presumido, já que não passaram por qualquer etapa de industrialização no estabelecimento do eyportador" Suplementarmente, a DIU aponta para a inexistência do direito ao crédito deste contribuinte pelo fato de o produto elaborado pelo interessado se encontrar fora do campo de incidência do IP1 (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado-NESH da posiçiio 7103 e subposiçdo Processo n" 11030.000885/2001-03 S3-1E03 Acordtio €1" 3803-001685 Fl 2 7103 10 da TIPI, classificado no código 7103.10.10 da TIN, cuja notação é NT [Nilo-Tributadol), não mais podendo revisar o deferimento feito pela Delegacia em Passo Fundo já transpor o prazo de cinco anos, sendo, porém, motivo para não conceder o complemento a que julga ter direito a mp ugnante O pedido de compensação não chegou a ser apreciado pela DRJ/Porto Alegre pelo fáto de a decisão da Delegacia em Passo Fundo ser anterior ti modificação da natureza dos pedidos de compensação em declaração de compensação, portanto quando as decisões não eram sujeitas ao rito do Processo Administrativo Fiscal. Cientificada da decisão em 04 de dezembro de 2008, irresignada, apresenta o recurso voluntário de fls. 278 a 296, em 26 de dezembro, argüindo, em síntese: a) que, em prestigio ao principio da legalidade, definido em lei o incentivo exportação não cabe ao órgão julgador interpretações que restrinjam ou suprimam o alcance da norma constitucional ou infraconstitueional b) que é incontroverso o seu direito à inclusão dos valores das matérias- primas adquiridas de produtores rurais, pessoas fisicas, no calculo do crédito presumido, eis porque: b.1 . este ressarcimento visa a cobertura de todas as fases da cadeia produtiva; b.3. não ha previsão legal para a sua exclusão, nem vedação pelo Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados -RIP I; 1).4. este 6 o entendimento recentissimo do Superior . Tribunal de Justiça.. c) a industrialização, segundo o RIPI, caracteriza-se pela modificação da natureza, funcionamento, acabamento apresentação ou finalidade do produto aperfeiçoando-o para consumo reconhecendo como estabelecimento industrial quem execute qualquer destas operações. Somente após três etapas distintas, típico processo de industrialização, modificando a natureza das pedras, que estas serão comercializadas no mercado interno ou externo. Logo, patente o processo de industrialização realizado pela Recorrente no exercício de suas atividades sociais d) a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre-RS detinha um prazo de 30 (trinta) dias, para realizar o julgamento dos recursos administrativos interpostos, e, "além de não fazê-lo neste prazo, não o fez, também, no lapso temporal de 05 (cinco) anos, ensejando o reconhecimento integral da pretensão deduzida pela Recorrente, forte na exegese do art, I" do Decreto n°20.910/32." o Relatório, 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço Crédito presumido. Aquisições de pessoas físicas Ofensa ao principio da estrita legalidade, do direito tributário. A matéria em discussão trata do beneficio fiscal instituído pela Medida Provisória IV 948/95, convertida na Lei IV 9..363/96, que fixou as bases do crédito presumido de IPI, concedido a estabelecimento produtor exportador como ressarcimento da contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo, É de pouco consenso a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do valor das aquisições de pessoas fisicas, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens, resultando, comumente, em decisões não-unânimes, vezes negando, outras dando provimento aos recursos, sem notória preponderância para um dos lados. Não é sem razão este histórico de decisões, porquanto, a meu sentir, a lei mesma, em sua linguagem textual, oferece matéria-prima para o conflito., Sua aparente antinomia, ou contradição interna, é o nó górdio, ora a desatar, que fornece base a que cada uma das teses conflitantes encontre nela a clareza de que precisa para moldar o entendimento que almeja, porém, não sem a ferramenta do método interpretativo que abraçam.. A MP n° 674, de 1994, instituiu o beneficio, corn a denominação de "crédito fiscal", calculado à alíquota de 2,65%, vinculado à comprovação, pelo exportador, dos recolhimentos das contribuições devidas pelo seu fornecedor imediato. Esta sistemática permaneceu em vigor até a MP IV 905, de 1995. Corn a modificação do instituto por meio da MP n" 948/95, vigendo assim até a edição da MP n° L484-27, convertida na Lei n° 9.363/96, o crédito, que era fiscal passa a ser presumido, e a alíquota é elevada para 5,37%, não mais exigindo a norma a comprovação do pagamento das contribuições pelo seu fornecedor imediato. O indigitado nó inicia no fato de que a aliquota inequivocamente assimila a incidência em cascata das contribuições, tendo o legislador permitido o ressarcimento, como elegeu, do que incidira apenas em duas fases, na formação do produto exportado, [2 x 2,65% + (2,65% x 2,65%) = 5,37%].. Na busca da vontade da lei, quem se tem servido da interpretação histórica e teleolágica enxerga que a nova realidade do beneficio constitui uma presunção jure et de jure, implicando isto que mesmo que o exportador possa comprovar que houve mais de duas incidências, a fórmula não deixará de ser a que a lei determina , E resultante dessa configuração o fato de não mais ser exigido do exportador comprovar o pagamento das contribuições devidas pelo seu fornecedor imediato. Logo, nesta ótica, não se há de obstar a inclusão do "valor total das aquisições", como o indica o texto legal (art. 2"), independentemente do ultimo fornecedor sofrer ou não a incidência das contribuições. 4 Processo n" 11030..000885/2001-03 S3-1E03 " 3803-00.685 Fl 3 A apertar o nó esta a ótica da interpretação literal, segundo a qual, sendo o credito presumido para "ressarcimento das contribuições incidentes" não sobre quaisquer outras, mas sobre as "respectivas aquisições", 6 mister que o fornecedor imediato do exportador tenha sofrido a incidência das contribuições, excluindo-se, com isso, as aquisições de pessoas fisicas. respeitável a construção jurídica feita em nome da interpretação teleológica, para reconhecer o direito do contribuinte de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas fisicas, e, dada a força dos argumentos, não 6 sem dificuldade que a refuto, Não, também, sem deixar de consignar meu desapreço 6. interpretação literal para se alcançar o sentido, alcance e conteúdo de urna norma, para se sustentar o entendimento contrário à inclusão dos ditos valores apenas corn base na expressão acima, constante do art. 1' da Lei n°9363/96. Corn efeito, apreendo que a lei IV 9.363/96, art. 1 0, ao reger que "o crédito presumido [...1" 6 para "ressarcimento das contribuições incidentes sabre as respectivas aquisições", aparenta estar em contradição com a aliquota de 5,37%, estabelecida para abranger a incidência ocorrente em transação anterior, Tal aparência se acentua quando na nova moldura do beneficio passou-se a não exigir a comprovação, pelo fornecedor imediato do exportador, do pagamento das contribuições. A meu ver, promover o desate do nó e sanear a contradição (aparente), no caso concreto, não deve conduzir à conclusão a que chegam os que declaram servir-se da interpretação teleológica, mesmo que se encontre urna lógica marcante no que deduzem. Por cuidar a lei em foco desta única matéria, crédito presumido de IPI, em todos os seus artigos, a non -na que se busca no texto do art. I', deve ser dessumida, em exercício judicioso, à luz dos regramentos que permeiam os textos dos diversos artigos, tendente a harmonizar idéias aparentemente contrastantes. Qualquer inferência lógica ou análise finalistica, só é aplicável para o cotejo do entendimento assim capturado, ou para suprir flagrante imprecisão dos textos que impeça urna construção clara e coerente. Seguir este circuito, é não contemporizar corn uma interpretação meramente literal, mas, induvidosamente, tomd-la como ponto de partida e de chegada; é não perquirir a mente do legislador, mas a vontade da lei. Seguindo esta trilha, ressalte-se, primeiramente, que o termo "respectivas" não esta em excesso, nem em contradição com a aliquota, e, portanto, esta a exigir a atuação do seu próprio significado: que o crédito presumido 6, a principio, para ressarcir o que incidiu nas aquisições do próprio exortador. E como a partir da MP n" 905/95 a norma ai contida passa a reconhecer a incidência ern cascata das contribuições, ao atribuir a aliquota de 5,37%, por questão mecânica de administração tributária o crédito deixa de ser fiscal para ser presumido, e, como tal, a inexigir a comprovação de pagamento. At .r A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fin -6' jus ao crédito presumido do bnposto sabre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilizaoo no processo produtiva. (sublinhei na transcrição) 5 6 A medida provisória original ressarcia apenas o que incidira "sobre o valor das matérias sobre o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo." Como o crédito era fiscal, exigindo-se comprovação dos pagamentos das contribuições pelo fornecedor, dizer "„,que incidirem sobre o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo.", em nada comprometia o entendimento de que a incidência era sobre a respectiva aquisição. Não havia necessidade do uso do termo "respectivas". No entanto, colocar esta mesma frase no contexto da Lei n" 9,363/96, do crédito presumido, em que não mais se exigia a comprovação dos pagamentos, generalizaria o sentido do termo "incidentes" na expressão "incidentes sobre as [ respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" , a permitir a conclusão de que se trata de toda e qualquer incidência, não importando sua ordem ou fase, e dai, a possibilidade de se entender pela inclusão das aquisições de não-contribuintes das contribuições. Complementando a visão, registre-se que a lei n° 9.363/96 não deixou de dar importância ao que foi pago na última etapa do fornecimento dos insumos. Isto está claro no teor do art, 3 0, ao referir que a "respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador" é a base para a apuração do "valor total das aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem", constante do art, 2°, verbis: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art la, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. [g 11] Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total dirc aquisições de in as, produtos intermediários e material de embalagem referidas- no artigo anterior, do percentual correspondente Cl relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Ao arrepio desta leitura, os que entendem servir-se da interpretação teleolágica quer fazer crer que a inclusão das aquisições de pessoas fisicas se explica, também, pela expressão "sobre o valor total das aquisições", aduzindo que se a lei não faz exclusões, não cabe ao intérprete fazê-lo . Esta percepção aproxima o entendimento da interpretação literal. Mais, o art. 5' sedimenta a visão de que não a Lei n° 9.363/96 não implicitamente, a exigência de que o último fornecedor seja contribuinte das contribuições, ao prever o imediato estorno, do incentivo a que faz jus o produtor-exportador, do valor correspondente a restituição ou compensação da contribuição para o PIS e para a Cofins relativos As aquisições de fornecedor, Processo 11030,000885/2001-03 S3-1' E03 Acórdfio n " 3803-00.685 Fl 4 Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foi-lhe, posteriormente, restituida, não se pode utilizar., no calculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não area com o ônus tributário, Aduz a recorrente que "o percentual de 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete décimos por cento) previsto na Lei 11" 9.363/96 visa ressarcir de todo custo tributário impregnado nas aquisições Akin do equivoco técnico de sua informação, de que o ressarcimento alcança a totalidade do custo tributário, sendo esta a sua visão, como pretender ressarcimento do que não sofreu incidência, pela inclusão dos valores das aquisições de pessoas fisicas? Enfim, por estes fundamentos inclino-me pela inexistência deste direito reclamado, sem oconência de ofensa ao principio da legalidade, vez que a extensão do direito é dimensionado pela própria lei if 9.363/96, não tendo sido objeto de restrição pelas normas regulamentadoras. Das aquisições de mercadorias para revenda Sobre as aquisições para comercialização, não submetidas a qualquer processo de industrialização pelo exportador (revenda de mercadorias), a falta de manifestação no recurso voluntário pacifica a controvérsia, nada havendo, pois,a acrescentar. Das Saídas de Bens em Estado Bruto dispensável tecer apreciação de toda a argumentação da recorrente quanto a esta ponto, com respeito a esclarecer e justificar sua atividade como um processo produtivo contrapondo ao destaque dado pela DRJ, pois que, em primeiro plano a glosa do ressarcimento não se deu por este motivo, do que ele, não foi alvo de impugnação e, assim, não compõe a controvérsia, Efetivamente, as glosas se deram pelas duas razões intituladas acima, Da efetividade do direito pleiteado em razão da demora da decisão Argumenta a recorrente que dado não ter sido a decisão da DRJ proferida em 30 (trinta) dias da instrução do processo administrativo, como determina o art. 49 da Lei n° 9.784/99, e nem ainda no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias do protocolo do pedido, como determina o art. 24 da Lei n° 11,457/2007, teria havido "prescrição do fundo de direito", nos termos do art. 1 0 do Decreto n° 20,910/32, considerando que ultrapassou o prazo de 5 (cinco) anos, e como decorrência o seu direito ao crédito presumido deve ser reconhecido integralmente da forma como pleiteado. Relativamente ao prazo estabelecido na Lei 11.457/2007, pode-se ver que este diz respeito As decisões que devam ser proferidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Já em relação A Lei n" 9.784/99, com efeito, assiste A recorrente o direito de dispor de decisão administrativa no prazo de 30 (trinta) dias, correspondente ao dever de a Administração provê-la no prazo ali previsto, 7 Da simples leitura pode-se ver que o art. 49 da Lei IV 9,784/99 é urn dispositivo legal que não traz em seu bojo uma sanção, vale dizer, urna conseqüência especifica contra a Administração ou seu dirigente, ou em favor do contribuinte para a não-prestação. Mas um dispositivo e a norma que lhe subjaz não silo a mesma coisa, A esclarecê-lo fiquemos corn o ensino de Lourival Vilanova: "a norma jurídica, reduzida proposição em sentido lógico, tem uma .forma. Gramaticalmente, a linguagem do direito positivo exprime a norma em multiforme variedade. E nem sempre está a proposição normativa em toda a sua integridade num só artigo de lei ou decreto; nem sempre toda uma norma se encontra presente num dispositivo da constituição ou de um estatuto de ente publico ou provado," Logo, se a sanção não esta no dispositivo pode ou não encontrar-se noutro texto de lei. Pelo olhar da escola kelseniana sempre estará, pois não ha norma sem sanção. Em dissenso desta tese evoquemos o dizer de Sacha Calmon ao apontar para a possibilidade de o ordenamento comer normas desprovidas de sanção: "toda norma, como tal entendida a prescrição de um dever Jurídico 6, pelo menos em principio, dotada de sanção, embora nem todos os dispositivos legais estabeleçam sanção especificamente para a sua inobservância. Por isto é que, mesmo os autores que se referem a classificação das leis em perfeitas e imperfeitas, dizendo serem desta (llama categoria aquelas desprovidas de sanção, deixam clot() que se estão referindo ausência de sanção especifica." Coin efeito, nesta linha, parece não existir no ordenamento nenhum comando normativo que exclua o poder-dever da Administração de prover decisões após expirado o prazo de 30 (trinta) dias, tendo corno resultante o reconhecimento tácito de tudo o quanto o contribuinte pleiteie perante a Administração. Houvesse a consequência, estar-se-ia tratando de prazo decadencial o que teria na lei ordinária o instrumento inadequado para a estipulação. Logo, (Id para se concluir tratar-se de uma norma programática a balizar um dever para a Administração, não cabendo a conclusão a que chega a recorrente, para requerer seja declarado o reconhecimento integral dos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis n° 9,363/96 e 10,276/01), Nenhum cabimento ao caso o art, 1 0 do Decreto 20.910/32, para que dele surja o direito A integralidade do valor pleiteado na ausência de decisão no prazo de cinco anos — no caso presente a decisão da Delegacia de Julgamento porquanto este trata da prescrição das dividas passivas da União [...]. Finalmente, na existência de alguma impossibilidade legal de a DR,J se manifestar no prazo de cinco anos, este óbice significaria a sua impossibilidade de revisar (reformar) a decisão existente, a da DRF/ Passo Fundo, que haveria de prevalecer . E esta negou a solicitação da contribuinte. POT todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso . Belc or Melo de Sousa 8
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003810/2005-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.640
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10283.003810/200565 Acórdão n.º 2801002.640 S2TE01 Fl. 272 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 29.526,52, referente ao exercício de 2001. A autuação decorreu da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar que são provenientes de rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte os recursos utilizados nas transação financeira do quantitativo de US$30.000,00, em 13/07/2000, conforme documentos enviados pela COFIS, oriundos da Justiça Federal, 2ª Vara Criminal de Curitiba, referentes às operações financeiras realizadas através do Banco Chase de Nova York, por meio da conta/subconta Beacon Hill Service Corporation BHSC. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: • Requerse a nulidade do PAF em razão do manifesto cerceamento do direito de de defesa por não ter tido acesso a todos os documentos que justificaram a autuação ou, subsidiariamente, seja lhe garantido o acesso a todos os anexos referidos no laudo de exame econômico financeiro 1258/04, constante nos autos de Inquérito 2003.70000303334 (2ª Vara Criminal Federal de Curitiba COFIS), bem como qualquer documento que tenha justificado a autuação ora impugnada, com a conseqüente devolução do prazo para impugnação; • Afirma que do Fisco se utilizou de prova ilegal decorrente de quebra de sigilo bancário injustificada, ressaltando que não foi parte na ação 2003.70.000303334 da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, na qual houve a quebra do sigilo fiscal; • Pretende seja considerada a sua disponibilidade financeira no inicio do anocalendário de 2000, constante da Declaração de Ajuste Anual Simplificada, no valor de R$ 34.260,00; • A documentação traduzida da Escritura de Compra e Venda dos lotes de um terreno em Taiwan, República da China, apresentada à Fiscalização comprova a origem dos recursos utilizados na operação financeira questionada; • Defende que, em procedimento de oficio efetuado com base em depósitos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei no. 9.430/96, é imperiosa a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; • Aduz que não se pode utilizar a taxa de referência Selic como taxa de juros moratórios para os créditos fiscais, como pretende a lei, já que a esta, conforme definido pelo seu regulamento, não possui característica de indenização, própria dos juros moratórios. É um meio de remuneração e não de indenização. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10283.003810/200565 Acórdão n.º 2801002.640 S2TE01 Fl. 273 3 A 2ª Turma da DRJ/BEL/PA considerou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fls. 216/224, que restou assim ementado: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os rendimentos omitidos, apurados ' através de acréscimo patrimonial a descoberto, não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados. JUROS SELIC. As autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis. Regularmente cientificado daquele acórdão em 28/12/2007 (fl. 227/v), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 229/255, em 25/01/2008. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação, sustentando que os procedimentos fiscalizatórios que deram origem ao auto de infração encontramse eivados de nulidades insanáveis, de modo que devem ser desconsiderados para constituição de qualquer crédito tributário, É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento imputa ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, que foi identificada durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que as autoridades brasileiras tomaram conhecimento da existência da empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Do exame dos documentos constantes dos autos, principalmente do Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 164/165, verificase que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal no mês de julho de 2000, foi evidenciado pela operação de remessa de recursos ao exterior, no valor de US$ 30.000,00 (13/07/2000), em que o contribuinte figura como ordenante. Ressaltese que a remessa de recursos para o exterior, por si só, não comprova que o contribuinte beneficiouse dela, seja por consumo, gastos ou aquisição patrimonial. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67, que abaixo se transcreve: “Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10283.003810/200565 Acórdão n.º 2801002.640 S2TE01 Fl. 274 4 a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.” (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou consumo da renda. Portanto, resta cancelar o auto de infração, tornandose, por conseguinte, desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000708/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL COM IDÊNTICO OBJETO. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N. 01.
Demonstrada a existência de ação judicial já transitada em julgado que reconheceu a isenção, para fins de IRPF, dos rendimentos objeto do lançamento, tal implica em renúncia à via administrativa. Não cabe mais manifestação por esta instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por renúncia à instância administrativa, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL COM IDÊNTICO OBJETO. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N. 01. Demonstrada a existência de ação judicial já transitada em julgado que reconheceu a isenção, para fins de IRPF, dos rendimentos objeto do lançamento, tal implica em renúncia à via administrativa. Não cabe mais manifestação por esta instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por renúncia à instância administrativa, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 07 08 /2 00 8- 11 Fl. 136DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.10593.5X3J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13643.000708/200811 Acórdão n.º 2801003.173 S2TE01 Fl. 137 2 Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, sem saldo de imposto a pagar. Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que “constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregaticio, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 33.952,64 recebido(s) pelo titular (...) do Governo do Estado de Minas Gerais. Omissão de Rendimentos Tributáveis recebidos do Governo do Estado de Minas Gerais, CNPJ 05.461.142/000170, conforme DIRF e comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte (cópias no dossiê).”. Recebida em 04/11/2008, a Notificação de Lançamento foi impugnada, sendo conhecida e tratada pela DRJJuiz de Fora/MG nos seguintes e resumidos termos: “Da análise do texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos e indissociáveis, indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia ali tipificada. Após leitura da justificativa do trabalho fiscal, anteriormente transcrita, concluise que foi reconhecido pela autoridade fiscal que os rendimentos, cuja isenção é pretendida pelo declarante, são oriundos de aposentadoria. Argüiuse apenas a validade do laudo médico apresentado, o qual, segundo a Fiscalização, não foi emitido por serviço medico oficial. Sendo assim, somente essa questão será aqui objeto de análise. (...) O documento de fl. 11, em que pese ser um formulário da Secretaria Municipal de Saúde de Senador Firmino — MG — SUS, portanto, órgão oficial, tratase de um atestado médico, e não de laudo pericial, cujo teor foi reproduzido anteriormente. O relatório medico de fl. 12 tratase de um documento particular, para o qual cabem as mesmas explicações retro. Seria desnecessário, mas importa dizer que resta prejudicado, por óbvio, o pedido do contribuinte 'quanto a data de inicio da moléstia, pois tal informação deve estar contida no laudo médico fornecido por órgão oficial, documento esse que não foi trazido aos presentes autos. Ressaltese que a legislação do imposto de renda exige, para validade do laudo médico, que tal instrumento seja fornecido por serviço médico de órgão oficial e se revista do detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes para tornarse um meio capaz de formar a convicção da autoridade lançadora/julgadora,.... Fl. 137DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.10593.5X3J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13643.000708/200811 Acórdão n.º 2801003.173 S2TE01 Fl. 138 3 (...) Considero, dessa forma, que não restou comprovado, na forma exigida na legislação tributária, o direito do contribuinte ã isenção contemplada no art. 39, XXXIII, do RIR/1999.”(grifei) Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde assim manifesta, em apertada síntese, sua insatisfação: O v. acórdão entendeu que a simples afirmativa do Recorrente de que é portador de moléstia grave desacompanhada de laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e/ou dos Municípios, não ilide o lançamento. Aduz que, não obstante o entendimento do v. acórdão, bem como a documentação comprobatória da moléstia colacionada na impugnação, o Recorrente foi submetido, posteriormente a apresentação da referida impugnação, a perícia médica do competente órgão do Estado de Minas Gerais, que emitiu BOLETIM DE INSPEÇÃO MÉDICA BIM, cuja cópia anexa; Por fim, requer que seja declarado nulo e insubsistente o lançamento, bem como a exigência do crédito tributário constante da notificação; e que seja declarado o direito à isenção pretendida, nos termos do inciso XIV, do artigo 60, da Lei no 7.713/88, em face da Cardiopatia Grave da qual é portador o Recorrente, com diagnóstico da doença em maio de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 11/12/2009 (fl. 76) e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 30/12/2009. Preliminarmente, observo que, após a protocolização do recurso voluntário, na data acima destacada, vieram aos autos documentos anexados pelo Recorrente e também encaminhados à Unidade preparadora pelo Exmº Juízo de Direito da Primeira Vara de Feitos Tributários do Estado Comarca de Belo HorizonteMG, dando conta da Ação de Repetição do Indébito n° 0024.09.481.770.7, que José Sérvulo de Carvalho moveu contra o Estado de Minas Gerais. Verificase que em 06 de março de 2012 a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, à unanimidade, confirmou a sentença proferida em 1ª instância Em seu Voto, o e. Desembargador assim delimitou a questão: “Cuidase de reexame necessário e apelação interposta pelo ESTADO DE MINAS GERAIS da sentença de fl. 200/205 destes autos de ação declaratória c/c repetição de indébito movida por JOSÉ SÉRVULO DE CARVALHO contra o recorrente, que julgou procedente o pedido inicial, declarando que o autor faz ¡us â isenção do Imposto de Renda, desde 1°/07/2002, determinando ao réu que se abstenha de descontar dos proventos Fl. 138DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.10593.5X3J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13643.000708/200811 Acórdão n.º 2801003.173 S2TE01 Fl. 139 4 da aposentadoria do autora aludido tributo na fonte. Outrossim, a sentença condenou o réu a restituir à parte autora os valores descontados desde 1°/07/2002, atualizados monetariamente pela tabela da CorregedoriaGeral de Justiça, desde a data de cada pagamento indevido, e acrescidos de juros de mora de 1% ao.mês, a partir do seu trânsito em julgado.” (fl.127)(grifei, sublinhei) (...) Inicialmente, cumpre ressaltar que o Estado de Minas Gerais é legitimado passivo para a ação que visa à declaração de isenção do Imposto de Renda e á repetição de indébito de valores eventualmente cobrados indevidamente, porquanto tais quantias, retidas, são devidas aos EstadosMembros, conforme dispõe o art. 157, I, da Constituição da República. (...) É induvidoso, portanto, que o autor faz jus isenção pleiteada, pois esta provada, de forma cabal, através dos relatórios médicos e resultados de exames juntados aos autos, a doença da qual é portador, sendo incompreensível a resistência do réu em reconhecer tal direito. (...) Por outro lado, o autor faz jus a restituição dos valores descontados de seus proventos desde 1°/07/2002, data do mais antigo relatório medico que atesta a doença, nos termos do art. 50, § 2°, Ill, da Instrução Normativa n° 15/2001 da Secretaria da Receita Federal. Ressalto que foi determinado que se observe a prescrição qüinqüenal (...) Com essas considerações, confirmo a sentença, no reexame necessário e julgo prejudicado o recurso voluntário. Tendo tomado conhecimento da ação judicial, através dos documentos aqui tratados, a Presidência da 2ª Seção de Julgamento deste CARF determinou que se verificasse a concomitância com o recurso administrativo e que fosse dada a prioridade devida, em virtude da idade do Recorrente (fls. 112 e 113) Não restam dúvidas que os objetos do Recurso Administrativo e da Ação Declaratória c/c Repetição do Indébito movida junto ao Poder Judiciário de Minas Gerais tratam do mesmo objeto, ou seja, o reconhecimento de que o contribuinte é portador de moléstia definida legalmente como grave, para fins de isenção do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas. O Tribunal mineiro inclusive, ao declarar o reconhecimento da condição, fixou sua data de início, que também se discutia nestes autos, qual seja 1º/07/2002. Fl. 139DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.10593.5X3J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13643.000708/200811 Acórdão n.º 2801003.173 S2TE01 Fl. 140 5 Assim, a teor da Súmula CARF nº 1, abaixo transcrita, entendo que não se deve tomar conhecimento do presente recurso, por ser matéria já decidida pelo Judiciário, devendo apenas a Unidade de origem dar fiel cumprimento ao estabelecido por aquele Poder. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Face ao exposto, voto por não conhecer do presente recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 140DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.10593.5X3J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA em 16/09/2013 09:32:54. Documento autenticado digitalmente por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA em 16/09/2013. Documento assinado digitalmente por: TANIA MARA PASCHOALIN em 22/09/2013 e MARCIO HENRIQUE SALES PARADA em 16/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1019.10593.5X3J Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 61BEA42B5D44D5B10FD5D63AD13F2B225AD40FEE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13643.000708/2008-11. 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Numero do processo: 10166.003608/2005-70
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – COOPERATIVA DE TRABALHO – SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA PELOS COOPERADOS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – O valor do IRF incidente sobre o pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada que, ao longo do ano de retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos cooperados ou associados poderá ser objeto de pedido de restituição após o encerramento do referido ano-calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-16.154
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão n°. 10166.003608/2005-70 152.143 IRF - Ano(s): 2002 TELECÓOP COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DE TELEMATICA 48 TUR~A/DRJ em BRAsíLIA - DF 1° DE MARÇO DE 2007 106-16.154 ' I IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - COOPERATIVA DE TRABALHP - SERViÇOS PRESTADOS A_PESSOA JURíDICA PELOS COOPERADOS - PEDIDO DE RESTITUIÇAO - O valor do IRF incidente sobre o ppgamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profission~is ou assemelhada que, ao longo do ano de retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRF incidente sobre os pagamentos efetuados laos cooperados ou associados poderá ser objeto de pedido de restituiçãol após o encerramento do referido ano-calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos e contribuiçoes administrados pela SRF. ! Recurso P1rovidO. Vistos, rEil,atados e discutidos os presentes autos de recurso interposto porTELECOOP - COOPE1RATIVA DOS PROFISSIONAIS DE TELEMÁTICA. ; ACORDA~ os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanin;lidade de yotos, DAR provimento ao recurso; nos termos do I I relatório e voto qU~1' a integrar o presente julgado. . JOSÉRI6A 'i/BARROS PENHA PRESIDEN E I .,t.,...= f\JlkQ.LO-Q:~W~~~t "'ANA NE~lE OLlMPIO~OLANDA v-'-=-- RELATOFRA I I, FORMALIZADO EM: O2 ABR 2007 I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, LUIZ ANTONIO DE PAULA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ISABEL APARECIDA STUANI (suplente convocado) e GONÇAL9 BONET ALLAGE. Fez sustentação pela recorrente a Sra. Leliana Maria Rolin de Póintes Vieira, OAB/DF 12.051. I . I JI COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DE Processo n° Acórdão nO Recurso nO Recorrente I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA C~MARA 101'$6.003608/2005-70 106-16.154 152.'143 TELECOOP TEL~MÁTICA : RELATÓRIO O suj~ito passivo acima identificado, constituído sob a forma de I cooperativa de trabalho, por meio do pedido de fls. 01 a 05, datado de 07/04/1995, instruído com os docu~entos de fls. 06 a 11, solicitou a restituição de imposto sobre a renda retido na fonte (IRF), incidente sobre pagamentos a ela efetuados por pessoas jurídicas por prestação ~e serviços pelos cooperados, e que não foram compensados com o IRF incidente SObre!os rendimentos repassados aos cooperados, referente ao ano- calendário 2002. i 2. A Dele@acia da Receita Federal em Brasília (DF) indeferiu o pedido, por meio de despacho decisório, sob o argumento de que, conforme o artigo 652, 99 1° e 2° I do Decreto nO3.000, d$ 1999 - Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, o sujeito passivo não faz jus à restituição do IRF incidente sobre os pagamentos recebidos em , virtude de serviços prestados por seus cooperados, pois o seu valor, de R$ 461.446,72, i não excedeu o do IRF incidente sobre os rendimentos pagos aos cooperados, que foi de R$ 1.317.922,18, e d~veria ter sido compensado em sua totalidade no próprio ano- I calendário 2002, por ocasião da retenção do IRF sobre o pagamento as verbas pagas aos cooperados. 3. Intimado em 23/06/2005, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade em 19/07/2005. 4. Os me~mbros da 48 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) acordaram por indeferir a solicitação, resumindo o seu entendimento nos termcls da ementa a seguir transcritai, ,:t- I 2 Processo n° Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA I . 10166.003608/2005-70 I : 106-"16.154, Assun(o: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-c~/endário: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementk: Restituição - IR-Fonte incidente sobre Pagamento a Cooperativa de Trabalho - Impossibilidade O imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento por pessoa jurídica à Cooperativa de Trabalho e Associações Profissionais ou Assemelhada, relativo a serviços profissionais que lhes forem prestados por a~sociados destas ou colocados à disposição pode ser objeto de pedidd de restituição, desde que a cooperativa comprove, relativamente a cada ~no-calendário, a impossibilidade de sua compensação, ou seja, desde :que haja saldo credor em favor da cooperativa quando comparado com Ó ivalor retido por esta na ocasião do pagamento feito à pessoa física do cooperado. Solicit~ção Indeferida. 5. Intimado em 03/05/2006, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, I tempestivamente, recirso voluntário, onde apresenta os seguintes argumentos de defesa: I - o qireito a julgamento unificado de todos os processos que tratam de pedido de restituição de seu interesse, em nome do princípio da economia processual; 11 - plr lapso do contador da entidade, não foi compensado o IRF que fora retido pelas pe1ssoas jurídicas beneficiárias dos serviços prestados por seus cooperados com aquele devido quando do pagamento das verbas aos cooperados, ocasionando o recol~imento do valor total do IRF sobre o referido repasse aos prestadores dos serviJos; 111 -I por tais fatos, o montante que fora retido pelas empresas I beneficiárias dos se~iços passaram a se constituir em indébito, cuja identificação I somente ocorreu apos o encerramento do ano-calendário, o que impossibilitou a compensação com o IRF sobre o referido repasse aos prestadores dos serviços; IV - sem a possibilidade de tal compensação, há que ser empreendida a restituição do indébit,a, com base no que determina o artigo 165, 1 e 11, do Código Tributário NaCiOna} 3 I I, I : I i I MINISTÉRIO dA FAZENDA PRIMEIRO CdNSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTACÂMA~ I Processo n° : 10166.003608/2005-70 Acórdão nO : 106-16.1'54 6. Ao final, reJuer seja concedido o direito ao crédito pleiteado, atualizado pela taxa SELlC. ;I , I E o relatóriO:~l f I I I 4 Processo n° Acórdão nO , I I MINISTÉRIO ,DA FAZENDA PRIMEIRO CbNSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 10166.OP3608/2005-70 106-16.154 I VOTO I , Conselheira ANA NEYLE OLlMPIO HOLANDA, Relatora. I O recurso I preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Versa o I presente processo administrativo fiscal sobre pedido de restituição de imposto sotDre a renda retido na fonte (IRF) incidente sobre pagamentos I efetuados à interessada por pessoas jurídicas, em virtude de prestação de serviços pelos seus cooperados, e quJ não foram compensados com o IRF incidente sobre os , rendimentos repassados abs cooperados, referente ao ano-calendário 2000. A recorre~te é interessada em outros processos administrativos fiscais cujo objeto é o pedido d~ restituição do tributo versado nos presentes autos, que se referem a outros anos-calendário. ! Por isso, preliminarmente ao mérito, a recorrente pleiteia a reunião de i todos esses processos, em observância ao princípio da economia processual. I Nesse seritido, o artigo 17 do Regimento Interno os Conselhos determina: I ' i I Art. 17. qs recursos serão ordinariamente distribuídos, por sorteio, na ordem cronológica de seu ingresso na Câmara, ressalvada a preferência: I I - determinada pelo Ministro de Estado ou requerida pelo Secretário da Receita Federal; e /I - detetminada pelo Presidente, em função do valor do litígio, da semelhança ou da conexão de matéria ou ainda de pedido justificado de recorrente, Conselheiro ou do Procurador da Fazenda Nacional. I Dessarte, :permite o dispositivo legal que o recorrente, mediante pedido justificado ao Presidente de Câmara, obtenha a reunião de todos os recursos em seu ! 5 ~ j ,I 1, Processo n° Acórdão nO I , I I; i I MINISTÉRIO :DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA I I 10166.003608/2005-70 106-16. ~54 I 6 nome, em que haja sem~lhança ou conexão de matéria, com esteio no princípio da economia processual, que:deve nortear os atos da Administração Pública. i Na espécie, foi observada a reunião pleiteada pela recorrente. I i Ultrapassqda a preliminar, cabe agora a análise do pedido da recorrente, i no sentido de que seja determinada a restituição do valor ora pleiteado. I I A tributação por meio do IRF a que foi submetida a recorrente encontra I base legal no artigo 45 da Lei nO8.541, de 1992, com a redação dada pelo artigo 64 da Lei nO8.981, de 20/01/1995: I Art. 64. ~ art. 45 da Lei nO 8.541, de 1992, passa a ter a seguinte redação: I I Art 45. £stão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota tle 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas ;urídicas la cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. I S 1° O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamerito dos rendimentos aos associados. S 2° O irr'lposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição. desde que a cooperativa. associação ou assemelhada comprove. relativamente a cada ano-calendário. a impossibilidade de sua compensação. na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro lia Fazenda.(destaques da transcrição) I I i O 9 1° do excerto legal invocado veicula a possibilidade de que o imposto I retido por pessoas jurídipas de cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas! a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à 8isposição, seja compensado por tais entidades com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. : j i I I I I , I I i I I ! II Processo n° Acórdão nO I' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 10t66.003608/2005-70 10Q-16.154 Na e~pécie, a cooperativa deixou de operar tal compensação no momento oportuno, efetuando,: a retenção e o recolhimento do imposto incidente sobre os rendimentos pagos qOS associados pelo valor total, razão pela qual pleiteia a restituição do valor retido pelas; pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços pessoais prestados por seus associados. O fi~co entende pela impossibilidade da repetição pretendida, sob o fundamento de que ,O 9 2° da norma acima enfocada determina que o imposto em questão somente poderá ser objeto de pedido de restituição se a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação. Sob esse pórtico, não mais haveria como o sujeito passivo corrigir o erro cometido por ter pago tributo acima do devido, já que a única oportunidade para a compensação do valor retido com aquele a pagar deveria se dar na época do pagamento. Aqui cabe que se indague o que deve ser feito com o valor do tributo que fora entregue aos: cofres públicos em montante maior que o devido? N,'ãopermitir a restituição do que fora pago a maior seria colaborar para o enriquecimento ilícito do Estado, o que contraria todas as normas de Direito Público. A interpretação da norma tributária nunca pode permitir para que sejam erigidas situaçõ~s que afrontem o Estado de Direito. , A meu sentir, o comando da norma em questão deve ser tomado em sua interpretação lit~ral para os casos em que não tenham ocorrido circunstâncias fáticas capazes de miti:gar a sua aplicação. ,, ! Na espécie, ocorreu erro de fato, quando a entidade deixou de compensar o tributo retid~ pelas empresas beneficiárias dos serviços dos seus cooperados com aquele devido no repasse do numerário aos mesmos cooperados. ! O erro cometido pelo contador da entidade, quando da apuração do , tributo a ser Irecolhido, não deve dar azo a que a Administração Tributária deixe de restituir tributq que efetivamente foi recolhido a maior que o devido. I : 7' ...1-- I ,I, Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 10166.003608/2005-70 106-16.154 Embora tratando da constituição de crédito tributário, o Tribunal Regional Federal da 1a IRegião, em questão envolvendo o assunto, assim se posicionou no julgamento da Apelação Cível nO 93.01.24840-9/MG, em eu foi Relator o Juiz Nelson Gomes da Silva, 4a Turma, datada de 06/12/93, DJ de 03/02/94, p. 2.918, cuja ementa a seguir se transcreve: EMENTA: I - Os erros de fato contidos na declaração e apurados de ofício pelo Fisco deverão ser retificados pela autoridade administrativa a quem competir a revisão do lançamento. Não o sendo, pode o contribuinte prová-lo, por perícia, em juízo, para afastar a execução da diferença lançada, suplementarmente em razão do erro em questão. Também no mesmo sentido, o posicionamento do 1° TACiv/SP, 2a Câmara, Relator Juiz Bruno Netto (RT 607/97): Afastada a existência de dolo, se o lançamento tributário contiver erro de fato, tanto por culpa do contribuinte, como do próprio fisco, impõe-se que se proceda à sua revisão, ainda que o imposto já tenha sido pago, já que em tal hipótese, não se pode falar em direito adquirido, muito menos em extinção da obrigação tributária~ Na espécie, não se aceitando a circunstância do erro de fato, esta.r-se-á exigindo tributo além do devido, cabendo às instâncias julgadoras administrativas, a quem cumpre o controle da legalidade dos atos administrativos, na sua forma mais ampla, com esteio nos princípios da Administração Pública, não permitir tal situação. A corroborar esse entendimento, está a manifestação da Secretaria da Receita Federal, órgão administrador do tributo em questão, no artigo 33, S 1°, da Instrução Normativa SRF nO600, de 28/05/2005, que determina: Art. 33. O crédito do IRRF incidente sobre o pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada poderá ser por ela utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRR incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou assOCiadO} 8 Processo n° Acórdão nO MI~ISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA I .1 10166.003608/2005-70 106-16.154 I& 1°. O crédito mencionado no caput que, ao longo do ano de retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRRF incidente sobre os ,pagamentos efetuados aos cooperados ou associados poderá ser objeto GJepedido de restituição após o encerramento do referido ano-calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos I é contribuições administrados pela SRF. (destaques da transcrição) I Oa exegese da norma do S 10 supra referido exsurge que a não utilização do valor em quebtão, a qualquer título, e não apenas como excesso da compensação com ! o IRF devido 'na operação de pagamento aos cooperados, dará azo a pedido de restituição. Entretanto, as retenções na fonte do imposto sobre a renda reclamado pela recorrente !se deram no período de agosto a dezembro de 2000 e a sua devolução sujeita-se à análise do atendimento ao prazo estipulado para que seja reclamada a restituição do inpébito, pois, todo direito tem prazo definido para o seu exercício, vez que o tempo atua atingindo-o e exigindo a ação de seu titular. ; ~ contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de possíveis ! tributos pagos a maior deve obedecer às regras do artigo 168, I, do Código Tributário , Nacional, que assim dispõe: I Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do I prazo de 5 (cinco) anos, contados: / - nas hipóteses dos incisos I e " do art. 165, da data da extinção do crédito tributário . . 10 caso em análise enquadra-se, exatamente, na hipótese prevista no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, que trata do "pagamento espontâneo de tributo indeJ;do ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circwnstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido ...". I J 9 , , I. Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA .1 PRIIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SE~TA CÂMARA 10166.003608/2005-70 106-16.154 I Sendo o IRF tributo cujo lançamento dar-se por homologação, é de se aplicar, por exp~~ssa determinação legal, o disposto no artigo 150 do Código Tributário I Nacional, no que diz respeito à extinção do crédito tributário, litteris: ~rt. 150. O lançamento por homOlogação, que ocorre quanto aos tributos buja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o p'agamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ~to em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade ~ssim exercida pelo obrigado expressamente a homologa. ~ 1°. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo ~xtingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. II gmpreendendo-se uma interpretação integrada das duas normas trazidas à colação, rest~ que o prazo pata pleitear a restituição de valores pagos indevidamente, quando se trat~1 de tributos lançados por homologação, .extingue-se com o decurso do prazo de cinco ,nos contados da data da extinção do crédito tributário, que é a data do pagamento do tributo. !Destarte, em 07/04/2005, data em que foi protocolizado o pedido objeto do presente re~~rso, ainda não houvera se passado o lapso temporal de cinco anos das datas em que foJam recolhidos os tributos reclamados. Ilforte no exposto, voto pelo provimento do recurso. Isala das Sessões - DF, em 10 de março de 2007. !Ln.uiLOi . ~~ --ANA NE¥LE OL~ HOLANDA I i i 10 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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