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Numero do processo: 13607.000736/2004-32
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 391-00.001
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VINICIUS BRANCO
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score : 1.0
Numero do processo: 11040.001412/2003-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexistindo a obscuridade alegada no Acórdão embargado, rejeitam-se os embargos de declaração por ausência do pressuposto exigido para a sua interposição.
Numero da decisão: 3803-002.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexistindo a obscuridade alegada no Acórdão embargado, rejeitam-se os embargos de declaração por ausência do pressuposto exigido para a sua interposição.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexistindo a obscuridade alegada no Acórdão embargado, rejeitamse os embargos de declaração por ausência do pressuposto exigido para a sua interposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380301.722, prolatado por esta Terceira Turma Especial em 31 de maio de 2011, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Fl. 21DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, nos termos da petição de folhas 198 a 200. O presente processo originouse de Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI protocolizado pela Recorrida em 11 de dezembro de 2003, relativo ao crédito presumido disciplinado pela Portaria MF nº 38/1997. A repartição de origem, em despacho decisório datado de 1º de dezembro de 2004 (fl. 86), reconheceu parcialmente o crédito presumido, cujo valor, nos termos do comunicado de fl. 114, seria aproveitado para abatimento de débitos do contribuinte. A parcela não reconhecida do ressarcimento pleiteado decorreu, nos termos exarados pela autoridade administrativa de origem, (i) do decurso do prazo prescricional para se pleitear parte do pedido ressarcimento, (ii) da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e (iii) em erro na apuração do estoque inicial dos produtos (fls. 81 a 85). Submetida a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 118 a 138) à apreciação da DRJ Porto Alegre/RS, esta indeferiu a solicitação, de cuja decisão o contribuinte recorreu a este Colegiado (fls. 169 a 189). Esta Terceira Turma Especial, em em 31 de maio de 2011, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para incluir no cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de pessoas físicas, bem como para a aplicação da taxa Selic na atualização dessa parcela do crédito, reportandose à regra do art. 62A do Regimento Interno do CARF. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs embargos de declaração, alegando a ocorrência de obscuridade no acórdão embargado, considerando que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que embasara a aplicação da regra do art. 62A do RICARF ainda não havia transitado em julgado, condição essa necessária à aplicação da regra regimental, pois restavam pendentes de apreciação pela Corte embargos de declaração interpostos em face do acórdão proferido no REsp nº 993.164. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos. A par dos embargos opostos, ressaltese que, nos termos do art. 65 do RI/CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Não se vislumbra a ocorrência da obscuridade alegada, pois o argumento apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) não se enquadra nos requisitos exigidos para o recurso. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11040.001412/200368 Acórdão n.º 380302.427 S3TE03 Fl. 210 3 Ensina Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. Do restrito resumo acima efetuado dos embargos de declaração, verificase, de pronto, que o Embargante postouse assaz reativo aos fundamentos engendrados no voto condutor do acórdão proferido, pretendendo, por via oblíqua, alcançar a reapreciação da matéria litigada na mesma esfera em que decidida. Inobstante o fato alegado pelo Embargante de que o Recurso Especial (REsp nº 993.164) referenciado no voto embargado ainda não teria transitado em julgado, em razão do que não se aplicaria, necessariamente, a regra do art. 62A do RICARF, devese ressaltar que inexiste no acórdão embargado qualquer obscuridade a reclamar a interposição dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. O fato de o Recurso Especial não ter transitado em julgado não impede que o Conselheiro se reporte a ele para subsidiar sua decisão, ainda que à sua estrita observância não esteja obrigado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as funções dos embargos de declaração “são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão”, não servindo “para forçar o ingresso na instância especial” (Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo De Instrumento nº 659677, processo: 200500270696SP, Primeira Turma: 28/06/2005). É inequívoco que o objetivo dos embargos foi o de provocar o reexame dos fundamentos do acórdão embargado, uma vez que a defesa não se conformou com o entendimento que prevaleceu em relação à apuração do crédito presumido de IPI referente às aquisições de insumos junto a pessoas físicas, bem como à aplicação da taxa Selic na atualização monetária dos pedidos de ressarcimento desatendidos por oposição constante do ente estatal. Nesse contexto, não há obscuridade no Acórdão embargado a reclamar por saneamento nesta instância administrativa, em razão do que voto por REJEITAR os embargos. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004, p. 560 e ss. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11040.001412/200368 Interessada: FAZENDA NACIONAL TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VIII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.427, de 14 de fevereiro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 14 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 24DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000053/2006-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. A existência de um pedido genérico para cancelar o auto de infração não é suficiente para considerar que todas as matérias foram impugnadas, é preciso identificar a matéria, os pontos de discordância e as respectivas razões e provas.
IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL OBSCURO.
A falta de clareza no enquadramento legal feito no auto de infração evidenciada com a modificação do enquadramento realizada pelo órgão Julgador de primeira instância não condiz com a certeza que se exige do lançamento tributário, bem como a alteração da imputação fiscal na primeira instância de julgamento é uma mudança de critério jurídico igualmente vedada. Hipóteses que conjugadas implicam excluir a infração do lançamento.
IRRF. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO.
As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.
Nos lançamentos efetuados após o término do exercício, a multa isolada aplicável à fonte pagadora em decorrência da falta de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte somente é aplicável a partir de 27 de dezembro de 2001.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da autuação a infração falta de retenção de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e a multa isolada referente aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2001, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. A existência de um pedido genérico para cancelar o auto de infração não é suficiente para considerar que todas as matérias foram impugnadas, é preciso identificar a matéria, os pontos de discordância e as respectivas razões e provas. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL OBSCURO. A falta de clareza no enquadramento legal feito no auto de infração evidenciada com a modificação do enquadramento realizada pelo órgão Julgador de primeira instância não condiz com a certeza que se exige do lançamento tributário, bem como a alteração da imputação fiscal na primeira instância de julgamento é uma mudança de critério jurídico igualmente vedada. Hipóteses que conjugadas implicam excluir a infração do lançamento. IRRF. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Nos lançamentos efetuados após o término do exercício, a multa isolada aplicável à fonte pagadora em decorrência da falta de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte somente é aplicável a partir de 27 de dezembro de 2001. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da autuação a infração falta de retenção de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e a multa isolada referente aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2001, nos termos do voto do relator.
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Numero do processo: 13963.000187/2003-66
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 06/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO.
COMPETÊNCIA.
A homologação de DComp será promovida pelo titular da DRF que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo que a apresentou.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 06/05/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIALMENTE
RECONHECIDOS. DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO.
OFENSA À COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA.
Despacho decisório que não homologa compensação de débito com crédito de terceiro, oriundo de decisão judicial transitada em julgado, não ofende a coisa julgada material quando ela é formulada com base em uma determinada ordem jurídica que perde vigência ante o advento de nova lei que passa a regulamentar as situações jurídicas ainda não formadas, modificando o status quo anterior .
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 06/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO
DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inocorre homologação tácita de compensação, quando o declarante é
intimado da não-homologação antes de findo o prazo qüinqüenal.
Numero da decisão: 3803-001.920
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA. A homologação de DComp será promovida pelo titular da DRF que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo que a apresentou. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO. OFENSA À COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA. Despacho decisório que não homologa compensação de débito com crédito de terceiro, oriundo de decisão judicial transitada em julgado, não ofende a coisa julgada material quando ela é formulada com base em uma determinada ordem jurídica que perde vigência ante o advento de nova lei que passa a regulamentar as situações jurídicas ainda não formadas, modificando o status quo anterior . ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inocorre homologação tácita de compensação, quando o declarante é intimado da não-homologação antes de findo o prazo qüinqüenal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA. A homologação de DComp será promovida pelo titular da DRF que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo que a apresentou. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO. OFENSA À COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA. Despacho decisório que não homologa compensação de débito com crédito de terceiro, oriundo de decisão judicial transitada em julgado, não ofende a coisa julgada material quando ela é formulada com base em uma determinada ordem jurídica que perde vigência ante o advento de nova lei que passa a regulamentar as situações jurídicas ainda não formadas, modificando o status quo anterior . ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inocorre homologação tácita de compensação, quando o declarante é intimado da nãohomologação antes de findo o prazo qüinqüenal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, em razão de sua fidelidade e concisão: O estabelecimento acima qualificado apresentou, em 6 de maio de 2003, o formulário Declaração de Compensação (DCOMP), da fl. 1, e seu anexo, "Créditos decorrentes de decisão judicial", da fl. 2, e documentos das fls. 3 a 29, para compensar seu débito do IPI, no valor de R$ 33.738,99, com crédito de terceiro, no caso, de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o nº 42.147.496/000170. Segundo consta na fl. 2, o crédito oferecido em compensação decorreria do Mandado de Segurança nº 99.00.605420, da 4 Vara Federal de São João de Meriti/RJ, sem informação relativa ao trânsito em julgado da decisão favorável ao terceiro citado, bem como inexistindo, nos autos, qualquer documento de cessão desse crédito, ao requerente. Nas fls. 3 a 11, constam cópias de peças da Apelação em Mandado de Segurança nº 40852 e dos Embargos de Declaração em Embargos de Declaração na Apelação em Mandado de Segurança (sic) nº 40852, Processo nº 2001.02.01.0352326, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, no Rio de Janeiro/RJ. Tais documentos revelam a existência de decisão judicial, contra a União Federal/Fazenda Nacional, autorizando o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal, da Instrução Normativa SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, a qual se contrapunha ao direito do referido estabelecimento, de compensação de créditos do IPI, reconhecidos em ação judicial, com débitos de terceiros, não optantes pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis). A informação da fl. 30 dá conta de que o crédito decorrente de decisão judicial foi objeto de acompanhamento, no Processo nº 13746.000533/200117, tendo sido juntada, na fl. 31, a respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que cita a compensação declarada no presente processo. Em 2 de agosto de 2004, foi proferido o despacho decisório das fls. 33 a 36, com ciência em 3 de março de 2005, pelo qual a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC não homologou a compensação declarada neste Processo, encaminhandoo para cobrança dos débitos indevidamente compensados, bem como para lançamento da multa isolada, por compensação indevida, a que alude o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A ementa do referido despacho decisório diz que, a partir de lº de outubro de 2002, a legislação de regência das compensações, relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, veda, expressamente, a Fl. 337DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 380301.920 S3TE03 Fl. 324 3 compensação de débitos de um contribuinte, com créditos de terceiros, dizendo, também, a ementa do mesmo despacho, que perde o objeto a decisão proferida em mandado de segurança, quando baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. O despacho decisório das fls. 33 a 36 citou o Mandado de Segurança nº 98.00166580, em que o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio realmente conquistou créditos, bem como citou o Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, impetrado pelo mesmo estabelecimento, para compensar os seus créditos, decorrentes de decisão judicial, com débitos de terceiros, ação que subiu para o TRF da 2ª Região, onde foi julgada favoravelmente ao impetrante, tendo sido invalidada, no caso concreto, a IN SRF nº 41, de 2000, que vedava a compensação de débitos, com créditos de terceiros, por falta de suporte legal que lhe desse amparo, conforme entendimento daquela corte. O mesmo despacho decisório esclareceu que, a par da decisão judicial, favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, no sentido de autorizar a compensação de débitos, com créditos de terceiros, a compensação, com essa particularidade, declarada neste processo, não pode ser homologada, como, de fato, não foi, pela superveniência de legislação contrária à pretensão do declarante, no caso, a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Explica o despacho decisório das fls. 33 a 36 que o art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, deu a seguinte redação ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, impossibilitando, a partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo, com débitos de terceiros: "O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão". Pelo requerimento das fls. 37 e 38 e arrazoado das fls. 39 a 46, firmados por seus representantes legais e instruídos com os documentos das fls. 47 a 199, o interessado manifestou inconformidade, em 10 de abril de 2005, tempestivamente, contra a nãohomologação da DCOMP da fl. 1, alegando o que vem sintetizado a seguir. Diz o requerente que em 21 de julho de 1998 o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou o Mandado de Segurança nº 98.00166580, para, em nome do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, obter o reconhecimento de créditos desse imposto, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, nos dez anos anteriores à impetração, tendo transitado em julgado, em 18 de abril de 2001, acórdão do TRF da 2ª Região, favorável à pretensão do citado impetrante. Entende o interessado que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei nº 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN 4 Ressalta o requerente que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, em 26 de março de 2001, para impedir que a IN SRF nº 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pelo estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, acrescentando que as disposições da citada IN foram repetidas no art. 30 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Diz, ainda, que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial, em causa. Por último, o interessado requer a reforma do despacho decisório das fls. 33 a 36, para que seja homologada a DCOMP da fl. 1, com a conseqüente extinção e baixa do débito por ela compensado, com respeito ao qual requer a suspensão da exigibilidade, enquanto tramitar a sua manifestação de inconformidade. A DRJ/POA3ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1012.263, de 30 de maio de 2007, fls. 204 a 209, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo, com crédito de terceiro, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensação de débitos do requerente, com crédito de terceiro, declarada após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. Solicitação Indeferida Cuidase agora de recurso voluntário interposto pelo requerente contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 215 a 236, após resumo dos fatos relacionados com a lide, disserta sobre a coisa julgada para argumentar que, ao contrário do decidido pela DRJ, a res judicata produzida no MS nº 98.00166580 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS nº 2001.51.10.0010250 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, a época constante da Instrução Normativa SRF nº 41, de 7 de abril de 2000. Acrescenta que impedir a compensação implica em reverter o princípio da nãocumulatividade em cumulatividade. Quanto a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, por ter entrado em vigor em 1º de outubro de 2002, explica que só pode afetar créditos desde então gerados, rechaçando a aplicação retroativa dessa norma jurídica. Lembra ainda que, por solicitação do detentor do crédito, foram abertos na Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu RJ, os processos de nºs 10735.000202/99 e 10735.000001/9918, e que, por meio dos Despachos Decisórios de nºs 825/99 e 97/2000, os créditos foram homologados, permitindo a transferência para terceiros. Rechaça a competência da DRJ de Florianópolis para julgar a Manifestação de Inconformidade. Reconhece exclusivamente o Delegado da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu como autoridade competente para julgar a validade da compensação efetuada. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 380301.920 S3TE03 Fl. 325 5 Repisa os seus procedimentos relativamente ao crédito cedido, para argüir a ocorrência da homologação tácita por decurso de prazo no dia 06.09.2005, já que o processo de homologação de n° 13746.000474/200501, foi instruído em 05 de julho de 2005. Ao final, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que, reformandose o V. Acórdão de fls. 204 a 209, seja declarada homologada a compensação realizada pela Recorrente, com a conseqüente extinção e baixa dos débitos ou, alternativamente, que seja anulada a decisão proferida na DRJ de Florianópolis, dada a sua manifesta incompetência para deliberar sobre a compensação tratada no presente processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 215 a 236 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 1012.263, de 30 de maio de 2007. Preliminar de incompetência da DRJ Esclareçase ao recorrente que a DRJFlorianópolis não interveio no presente processo. Tivesse sido mais atento, perceberia que o primeiro parágrafo da decisão recorrida já alertava que a atribuição para a atuação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre estava estabelecida pela Portaria SRF nº 285, de 16 de março de 2007. Rechaçase portanto todas as levianas acusações de incompetência da DRJ. A propósito, reafirmo aqui a competência originária da DRFFlorianópolis para apreciar a Declaração de Compensação ora sub judice, nos termos do § 5º do art. 32 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, com a redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003, a seguir transcrito para maior clareza: Art. 32 (...) (...) § 5º A homologação de Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, Derat ou Deinf que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo, observado, quanto ao reconhecimento do direito creditório, o disposto no § 6º. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) (...) Nada a reparar no Despacho Decisório de fls. 33 a 36, pois o município de Cocal do Sul – SC, domicílio fiscal do sujeito passivo, ora recorrente, era (e ainda é) jurisdicionado pela DRF/FNS. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN 6 Preliminar de homologação tácita da compensação declarada. Para a verificação da argüição, inovação do recurso voluntário que não constou da Manifestação de Inconformidade, invoco o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração, para a homologação da compensação. A Declaração de Compensação de fls. 1 foi apresentada em 06/05/2003, Portanto, o prazo para a homologação expressa só findaria em 05/05/2008. Fica evidente, não há falar em homologação tácita, já que o declarante foi intimado do Despacho Decisório de não homologação, fls. 33 a 36, em 03/03/2005 (fl. 36). Mérito – Do provimento judicial obtido pela cedente do crédito Nitriflex S. A. Indústria e Comércio ajuizou, em 21 de julho de 1998, o Mandado de Segurança nº 98.00166580, visando ao reconhecimento do direito ao crédito ficto do IPI relativo às aquisições dos últimos 10 (dez) anos de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados à alíquota zero, aplicados na industrialização de resinas e borrachas, produtos finais efetivamente tributados, bem assim do direito de compensar esse crédito com débitos do próprio imposto,obtendo decisão judicial favorável, transitada em julgado, em 18/04/2001, após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Nitriflex S. A. Indústria e Comércio impetrou ainda o Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, visando a afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, obtendo sentença favorável que, em 12/09/2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. Temse notícia ainda de que a Procuradoria da Fazenda Nacional ajuizou a Ação Rescisória nº 2198, visando a desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580, obtendo êxito parcial, reduzindo o período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito em comento. Após ser proferida a sentença da ação rescisória supracitada Nitriflex S. A. Indústria e Comércio pretendeu habilitar o seu crédito junto à Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da DRFNIU proferiu o Despacho Decisório nº 70/2005 no sentido de indeferir a pretensão com fulcro no artigo 3° da Instrução Normativa SRF nº 517, de 25 de fevereiro de 2005, vigente na época o que o pedido de habilitação foi formalizado. Inconformado, Nitriflex S. A. Indústria e Comércio impetrou novo Mandado de segurança, agora sob o nº 2005.51.10.0026900, com pedido de liminar, pretendendo afastar os efeitos do despacho decisório nº 70/2005. Indeferido o pedido de liminar, o impetrante interpôs Agravo de Instrumento, sob o número nº 2005.02.01.0060450, obtendo decisão do TRF da 2ª Região, cientificada através do Mandado de Intimação nº MAN.1003.0004614/2005, que determinou à autoridade administrativa a suspensão do despacho decisório nº 70/2005, para que a agravante possa utilizar o crédito de IPI homologado no processo administrativo 10735.000001/9918, em conformidade com a decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580. A decisão foi cumprida e o crédito foi habilitado. Todavia, posteriormente à decisão do agravo, sobreveio a sentença que julgou improcedente o pedido e denegou a segurança almejada no MS nº 2005.51.10.0026900. Ou seja, atualmente continua em vigor a decisão proferida através do despacho decisório nº 70/2005 constante do Fl. 341DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 380301.920 S3TE03 Fl. 326 7 processo de habilitação nº 13746.000191/200551, que indeferiu a habilitação do crédito judicial. Do exposto, emerge a conclusão de que o crédito judicialmente reconhecido a Nitriflex S. A. Indústria e Comércio não estava habilitado administrativamente. Nada obstante, a titular do crédito, valendose do provimento obtido nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, resolveu cedêlo à ora recorrente, para que essa o aproveitasse em compensação de débitos próprios. Mérito Do direito da cessionária de aproveitar os créditos cedidos em compensação de débitos próprios Toca agora analisar se o cessionário pode aproveitar em compensação de débito próprio o crédito cedido por seu titular, conforme Declaração de fl. 2. Já relatei que a compensação foi declarada em 06/05/2003. À essa data, já vigia a nova sistemática de compensação introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. É de sabença que, nessa nova sistemática, quedou vedada a compensação de débitos de terceiros. Nesse ponto, é importante frisar que a incidência da nova redação do art. 74, no caso concreto, não é retroativa, como arguiu o recorrente. A norma incidiu sobre compensação intentada depois de sua introdução no ordenamento jurídico. O argumento recursal fundamental contra a decisão da DRJ/POA é o de coisa julgada no MS nº 2001.51100010250, que determinou o afastamento das restrições erigidas pela INSRF nº 41, de 2000, e pela INSRF nº 210, de 2002. Entendo que haveria ferimento à coisa julgada caso a autoridade administrativa tivesse refutado a compensação com base nos atos normativos expressamente arredados pelo provimento judicial, mas dentro da nova realidade jurídica, inaugurada pela MP nº 66, de 2002, não. A coisa julgada se forma pela decisão de acordo com a lei. Sucede que lei nova modificou a sistemática das compensações, vedando a compensação de débitos de terceiros. A decisão judicial não poderia deixar de ser cumprida até o advento e aplicação da lei nova. Daí em diante, se a lei anterior não mais se aplica, não há que se falar em ofensa à coisa julgada, jamais esquecendo que, a teor do art. 469 do CPC, é o dispositivo da sentença, e não sua motivação, que faz a coisa julgada. A única discussão que o impetrante poderia sustentar seria a existência de direito adquirido à cessão do crédito, mesmo na vigência da Lei nº 10.637, de 2002. Evidente, contudo, que o mandado de segurança não seria o meio processual apto a isso, dada a inexistência, nessa hipótese, de ato concreto para exporse à impetração. O Superior Tribunal de Justiça STJ já teve a oportunidade de apreciar tese semelhante à ora adotada, por ocasião do julgamento do MS 11.145/DF (Rel. Min. João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJE 3/11/2008), tendo proferido decisão no mesmo sentido que ora se defende. Eis a ementa do julgado (negrito na transcrição): "MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO APOSENTADO. LEI N. 10.475/2002. COISA JULGADA. PERCEPÇÃO DOS 26,05% DA URP DE 1989. Fl. 342DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN 8 1. Não há ofensa à coisa julgada material quando ela é formada com base em uma determinada situação jurídica que perde vigência ante o advento de nova lei que passa a regulamentar as situações jurídicas já formadas, modificando o 'status quo' anterior. 2. Segurança denegada" Portanto, inexistiu qualquer ofensa à coisa julgada quando a autoridade administrativa, invocando a novel redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não homologou a compensação declarada. Nada a reparar na decisão recorrida nesse aspecto. A propósito da aventura jurídica empreendida pelo declarante, ora recorrente, transcrevo o voto do conselheiro Hélcio Lafetá Reis por ocasião do julgamento do recurso nº 511283, cumprimentando o relator pela precisão e clareza ao tratar de situação idêntica, nos autos do processo 11610.020290/200216, em julgamento na reunião de agosto de 2011 desta 3ª TE: De início, registrese que nada há a reparar nas decisões precedentes. O pedido de compensação sobre o qual se controverte nos autos foi protocolizado pelo Recorrente em 5 de novembro de 2002, quando já se encontrava vigente a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, dada pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que, expressamente, passou a restringir a compensação a créditos e débitos próprios dos contribuintes, vedandose, por conseguinte, o feito com base em créditos de terceiros. Em casos de compensação de tributos, a legislação que se aplica é a vigente no momento da formalização do pedido pelo interessado, independentemente da data de surgimento do crédito. Conforme bem salienta Leandro Paulsen1, é “inapropriada a invocação da proteção do direito adquirido, no caso, porque acaba consagrando um direito adquirido a regime jurídico de compensação, quando é certo que o STF não reconhece direito adquirido a regime jurídico. Ademais não se pode pensar em compensação senão em face do débito a ser compensado e do momento do encontro de contas”. Dessa forma, considerando que na compensação, há a extinção de um crédito tributário – o débito –, a legislação aplicável não pode ser aquela vigente à época do crédito que surgiu no passado, pois o instituto da compensação envolve o encontro de contas simultâneo entre saldo credor e saldo devedor, não havendo que se invocar um comando legal que não mais vigia no momento do surgimento do débito. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu nesse sentido por mais de uma vez, conforme se depreende do excerto a seguir transcrito, extraído da decisão do Recurso Especial nº 492.627, julgado em maio de 2004: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. 1. (...) a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos (...) 2. No caso 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria dos Advogados, 2008, p. 1123. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 380301.920 S3TE03 Fl. 327 9 concreto, tendo em vista o regime vigente à época da postulação, deve a compensação do FINSOCIAL ser admitida apenas com parcelas da COFINS, ressalvado o direito da autora de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes. 3. Recurso especial provido. Esse mesmo entendimento consta do Embargo de Declaração no Recurso Especial nº 419.757, julgados em março de 2004, conforme se constata a seguir: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE. ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96, COM REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 10.637/02. (...) 4. A lei que rege a compensação é aquela vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data em que se efetiva o pagamento indevido. Precedentes. Constatase, portanto, que, na data da protocolização do pedido de compensação, a legislação em vigor já vedava a compensação com créditos de terceiros, não havendo suporte legal ao pedido do ora Recorrente nos termos formulados. Além disso, naquela data, a Instrução Normativa SRF nº 21/1997, de que vale o Recorrente para arguir a nulidade da decisão de piso, não mais regia o caso sob análise, pois que regulamentava dispositivos da Lei nº 9.430/1996 que foram alterados pela legislação superveniente, conforme acima abordado, esta aplicável ao caso sob comento. Logo, o disciplinamento envolvendo as jurisdições administrativas da Receita Federal, no que tange aos casos de compensação com créditos de terceiros, já havia sido revogado, dado que se encontrava incompatível com a legislação superveniente, que passou a vedar o procedimento então regulamentado pela referida Instrução Normativa. O novo disciplinamento dado por instruções normativas supervenientes, como a de número 600, de 2005, referenciada pelo contribuinte, se deu em conformidade com o novo ordenamento legal que se instaurou após as alterações legislativas acima abordadas, quando deixou de existir a figura da compensação com créditos de terceiros. Nesse novo contexto, deixou de existir a diferenciação entre repartição jurisdicionante do detentor do crédito e repartição jurisdicionante do detentor do débito, pois ambos se fundiram numa única pessoa, qual seja, o postulante à compensação. Quanto à alegação de coisa julgada, temse que, além do fato de que o trânsito em julgado favoreceria expressamente apenas a sociedade empresária Nitriflex, pois o direito foi deferido nominalmente a ela, que poderia se valer dele para proceder às compensações de seus débitos sem o entrave da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, o ora Recorrente, no presente caso, dela não se beneficia, pois, na data do seu pedido de compensação, essa Instrução Normativa não mais vigia, pois que fora revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN 10 Se coisa julgada há que possa favorecer o Recorrente, conforme ele alega, a este processo ela não se aplica, pois o fundamento legal que embasara a decisão administrativa de origem não corresponde ao agasalhado na decisão judicial. Enquanto esta afasta as condições fixadas na IN SRF nº 41/2000 para fruição do direito à compensação, a base legal do despacho decisório foi a lei vigente na data da entrega do pedido de compensação, qual seja, o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que passou a prever a vedação de compensação com créditos de terceiros, hipótese esta que veio a ser regulamentada por outra Instrução Normativa, qual seja, a de número 210/2002, esta amparada em dispositivo legal. O afastamento da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 21/1997, determinado pela decisão judicial, fundouse no fato de que tal normativo vedava a compensação com créditos de terceiros sem haver uma lei dispondo no mesmo sentido, situação essa não condizente com a sob análise, pois, repitase, no momento da formalização do pedido de compensação, já havia lei vedando a compensação nos moldes ora pleiteados. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, em razão da existência de vedação legal de compensação de débitos da titularidade do contribuinte com créditos de terceiros. É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis Relator Dos demais argumentos recursais Não se cogita atribuir ao contribuinte, sem que haja previsão legal para tanto, a tarefa de controlar (e demonstrar) o aproveitamento dos créditos de que dispõe. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 1 de setembro de 2011 Alexandre Kern Fl. 345DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 380301.920 S3TE03 Fl. 328 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13963.000187/200366 Interessada: ELIANE ARGAMASSAS E REJUNTES LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.920, de 1 de setembro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 1 de setembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 346DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911795/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA.
CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC). CONTA DE
DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO.
FATURAMENTO E RECEITA.
Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade.
Numero da decisão: 3803-002.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa OAB/SP nº 246837.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade.
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa OAB/SP nº 246837. (assinado digitalmente) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Florianópolis/SC que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, consistente em alegada contribuição recolhida a maior, no valor de R$ 67.283,64, que se refere ao valor do recolhimento de R$ 50.286,73 atualizado até a data do pedido de restituição. Submetida a Declaração de Compensação (DCOMP) à apreciação da Receita Federal, expediuse despacho decisório (fls. 129) denegatório do direito pleiteado, em que se consignou que o valor recolhido e indicado como fonte do crédito já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débitos do sujeito passivo. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1 a 19), protestou pela juntada de novos documentos e pela produção de outras provas que pudessem ser consideradas imprescindíveis ao esclarecimento/comprovação da regularidade dos procedimentos adotados e requereu a homologação integral da compensação ou, alternativamente, que o processo fosse baixado em diligência à repartição de origem com vistas à confirmação da existência do direito creditório em face da não incidência da contribuição sobre os recebimentos oriundos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a fonte de seus créditos está associada à indevida consideração como receita de valores recebidos a título de "reembolso de despesas" no âmbito da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ambas geridas pela Eletrobrás; b) anteriormente, por equivocado regramento contábil, classificavamse formalmente tais recebimentos como receitas, o que fazia com que sobre eles incidissem as contribuições sociais (PIS e Cofins), sendo que, posteriormente, "após amplo e exauriente debate técnico mantido junto à ANEEL", concluiuse que tais valores têm natureza de "reembolso de despesas", o que os afastaria da incidência das contribuições regidas pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003; c) os valores devidos da contribuição foram recalculados, expurgandose os “reembolsos de despesas”, do que originou o crédito pleiteado neste processo; d) os valores vinculados às contas CCC e CDE são incluídos, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no cálculo da conta dos consumidores residentes nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste, por meio das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás, que administra tais recursos e reembolsa as empresas geradoras de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911795/200967 Acórdão n.º 380302.877 S3TE03 Fl. 171 3 energia elétrica que se utilizam de termoelétricas para atender à demanda de áreas isoladas da região Norte, dado o alto custo de geração de energia elétrica nessas condições; e) as geradoras de áreas isoladas da região Norte não arcam com os custos dos combustíveis fósseis destinados à geração da energia termoelétrica adquiridos com os recursos da CCC/CDE, os quais são rateados entre as distribuidoras e cobrados dos consumidores finais; f) os valores recebidos da CCC/CDE não podem ser considerados como receitas, pois, inobstante o fato de sua contabilização, no passado, como receitas de subvenção, tal procedimento encontravase em consonância com a redação anterior do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, que, após a constatação do equívoco pela ANEEL, foi alterado, por meio do Despacho n.° 657, de 30 de março de 2006, no sentido de classificálos em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos para produção de energia elétrica; g) também de acordo com a Nota Técnica n° 115 e a Nota Técnica n° 116, ambas da ANEEL, para as concessionárias de geração de energia elétrica, os repasses da CCC/CDE são "reembolsos de despesas"; h) a própria ANEEL esclareceu que os valores outrora contabilizados como "receitas de subvenção" deveriam ser contabilizados como "recuperação de custos", em conta retificadora dos dispêndios com matériaprima e insumos, não se integrando às receitas das concessionárias geradoras; i) de acordo com parecer emitido pelo tributarista Ives Gandra da Silva Martins, trazido aos autos, os valores oriundos da CCC não podem ser caracterizados como receitas; j) de acordo com a jurisprudência administrativa, em face do princípio da verdade material, não pode um eventual equívoco formal se sobrepor à realidade dos fatos, devendo os erros em declarações apresentadas à Administração tributária ser reparados após a demonstração da verdade real. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do Instrumento de Mandato, da documentação societária, das Notas Técnicas nº 115 e 116/2006 da ANEEL, de parecer do professor Ives Gandra da Silva Martins, de uma tabela intitulada “Memória de Cálculo”, de comprovantes de recolhimento da contribuição e do Despacho Decisório (fls. 20 a 125). A DRJ Florianópolis/SC não reconheceu o direito creditório (fls. 133 a 142), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. INCIDÊNCIA NO CASO DE TRIBUTAÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pela empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, tratam se de subvenções que integram a receita daquelas empresas, incluindose nos "resultados nãooperacionais" da atividade. Por conta disto, tais receitas devem ser incluídas nas bases de cálculo das exações que incidem sobre a receita bruta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DILIGÊNCIAS. DESCABIMENTO NO CASO DE LITÍGIO ACERCA DE QUESTÕES DE DIREITO Como as diligências são destinadas à elucidação de questões de fato não devidamente evidenciadas nos autos, não podem elas ser realizadas nos casos em que os litígios se resumem à elucidação de questões de direito. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que, de acordo com entendimentos expressos e formais da Receita Federal, “os valores arrecadados para a CCC compõem regularmente a base de cálculo do PIS e da COFINS (ou seja, são tidos como "receitas” daqueles entes), mas não dão ensejo ao creditamento de valores no âmbito do regime nãocumulativo em razão de não estarem associados a insumos adquiridos (Solução de Consulta COSIT n° 27, de 09/09/2008, Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 87, de 29/09/2004, Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 32, de 28/04/2004 e Decisão SRRF/lª RF/DISIT n° 30, de 11/09/1998)”. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911795/200967 Acórdão n.º 380302.877 S3TE03 Fl. 172 5 Ainda segundo o relator, a Solução de Consulta SRRF/2ª RF n° 11, de 22/02/2006, “aborda o tema na esfera do Imposto sobre a Renda, afirmando que "os valores relativos à Conta Consumo de Combustíveis dos Sistemas Isolados destinamse à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, tratandose de subvenção que integra a receita das concessionárias, incluindose nos 'resultados nãooperacionais' da atividade, havendo de compor, assim, o lucro real apurado para fins do Imposto de Renda e bases imponíves reflexas, nos termos da legislação tributária vigente". Na sequência, afirma que criouse “um mecanismo de equalização de custos destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos consumidores finais por intermédio de uma sistemática de rateio entre as concessionárias do sistema, com o subseqüente repasse às concessionárias termoelétricas, destinado à compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis”. (...) Os “valores relativos à CCC têm por finalidade "subsidiar" a geração de energia elétrica com o uso de combustíveis fósseis, buscando compensar os custos elevados da geração termoelétrica. Neste sentido, mostrase indubitável seu caráter de "receita" do empreendimento, e não de "recuperação de custos", como quer defender a contribuinte. E isto porque no caso da recuperação de custos, a caracterização como tal depende, em regra, de uma operação posterior entre os dois entes que efetuaram a operação negocial anterior. Em outras palavras: para a caracterização da recuperação de um custo anteriormente sofrido, deve haver uma operação posterior, entre os mesmos dois entes, que represente um estorno daquilo que havia sido previamente negociado”, o que não ocorre no presente caso, pois, aqui, “a Eletrobrás, que é a gestora da CCC, reembolsa a empresa geradora de energia elétrica pelos desembolsos destinados à aquisição de combustíveis junto às empresas fornecedoras destes combustíveis. Ou seja, não há tecnicamente recuperação de custos, pois a operação entre a empresa geradora e a empresa fornecedora de combustíveis permanece inalterada; o que ocorre é que a Eletrobrás, um terceiro naquela relação negocial, com recursos.do CCC e nos termos da lei, reembolsa a adquirente dos combustíveis”. Não satisfeito, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 145 a 168) e reitera seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, ressaltandose a ausência de análise da DCTF retificadora apresentada anteriormente à inscrição em dívida ativa e antes do início do procedimento de fiscalização, conforme exige o art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 768, de 7 de março de 2008, sem, contudo, trazer aos autos qualquer informação ou documento adicional que embase suas afirmativas. Segundo o Recorrente, a “Receita Federal do Brasil possui o dever de averiguar materialmente os fatos ocorridos, não podendo se amparar em circunstâncias formais ou fatores alheios e especulativos para determinar a ocorrência de falaciosa não homologação de compensação pelo não processamento de declaração retificadora”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 De início, registrese que o Recorrente não trouxe aos autos, em nenhuma das oportunidades em que se manifestou, qualquer elemento probatório que atestasse o valor por ele pleiteado a título de pagamento indevido, não tendo sido apresentada a escrituração contábilfiscal ou qualquer outro documento que demonstrasse de forma hábil e idônea o indébito alegado. Nem mesmo as cópias das DCTFs original e retificadora a que o contribuinte faz referência foram trazidas aos autos para embasar sua argumentação. Consta dos autos, no que tange a essa questão, apenas a afirmativa do relator a quo de que a DCTF retificadora havia sido apresentada após a ciência do despacho decisório. Trouxe o Recorrente aos autos, no que se refere a elementos materiais de prova, apenas um demonstrativo por ele elaborado, denominado de “Memória de Cálculo”, em que se registram valores relativos às bases de cálculo da contribuição, mas desacompanhado de qualquer lastro probatório referente à escrita ou à documentação fiscal. Ora, a pessoa que alega ser detentora de um direito tem o dever de comprovar a sua pretensão. A defesa genérica desprovida de provas não é apta a favorecer a tese defendida pelo ora Recorrente. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação da declaração apresentada. Referido dispositivo assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca a inobervância, por parte da Administração tributária, dos valores por ele declarados, nem a quantificação do indébito alegado, defendendose apenas quanto à matéria de direito, no que Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911795/200967 Acórdão n.º 380302.877 S3TE03 Fl. 173 7 tange aos recebimentos oriundos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O contribuinte poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório. Contudo, nada foi trazido aos autos que pudesse embasar suas meras alegações. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ainda que se abstraísse das questões processuais, como a ausência de elementos materiais de prova (escrituração e documentos fiscais), ou ainda a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório, em prol do princípio da verdade material, há que se consignar que, no mérito, não nos alinhamos com os entendimentos externados pelo Recorrente em sua defesa. Conforme apontado pelo próprio Recorrente, até 30 de março de 2006, data do despacho nº 657, a ANEEL classificava os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) sob a rubrica contábil de “receita operacional bruta”, passando, a partir daquela data, por provocação do ora Recorrente, a considerálos como “reembolsos de despesas”. Como o caso sob análise se refere a valor da contribuição devido no ano de 2005, sua tributação se encontrava em consonância com a normatização então vigente da ANEEL. Mas, mesmo que se cogitasse acerca da possibilidade de se imputar efeito retroativo às Notas Técnicas da ANEEL nº 115 e 116, ambas de 2006, há que se ressaltar que o entendimento externalizado por essa agência reguladora não se sobrepõe aos dispositivos da legislação tributária que versam sobre a incidência de tributos. Ainda que a ANEEL defina tais valores como “reembolsos de despesas”, essa titulação administrativa, de alcance restrito à área técnica regulada, qual seja, a geração e a distribuição de energia elétrica, não se sobrepõe aos fatos geradores tributários definidos na legislação de regência que dispõe sobre as hipóteses de incidência da contribuição, estas amparadas nos dispositivos constitucionais que definem a competência tributária da União para instituir contribuição social sobre o faturamento e as receitas auferidas pelos contribuintes elegidos pelo legislador constituinte. Conforme apontado pelo Recorrente, assim como pela autoridade julgadora de piso, os valores relativos às contas CCC e CDE, cobrados dos usuários das regiões Nordeste, Sudeste, Sul e CentroOeste, têm por finalidade "subsidiar" a geração de energia Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 elétrica em áreas isoladas da região Norte do País, estas abastecidas com energia oriunda da queima de combustíveis fósseis, buscandose, com o subsídio, compensar os custos elevados da geração de energia termoelétrica que oneraria desigualmente o consumo de energia elétrica nas áreas sob comento. Registrese que, de acordo com uma cartilha datada de outubro de 2008 produzida pela ANEEL, denominada “Por Dentro da Conta de Luz – Informação de Utilidade Pública”, disponível em seu sítio na internet (www.aneel.gov.br/arquivos/PDF/Cartilha_ 1p_atual.pdf), a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Conta de Desenvolvimento energético (CDE) são identificadas como destinadas a, respectivamente, “subsidiar a geração térmica principalmente na região norte (Sistemas Isolados)”, e “subsidiar as tarifas da subclasse residencial Baixa Renda”. Verificase, portanto, que se trata de subsídios destinados a equalizar o custo do consumo de energia elétrica nas diversas regiões do País, dadas as condições desiguais de sua geração. Os valores repassados às geradoras de energia elétrica de áreas isoladas vão compor o conjunto de ingressos que se agrupam sob a denominação genérica de “receita”. Não se trata, como quer fazer crer o Recorrente, em “reembolso de despesas”, pois, conforme já salientado pelo relator a quo, nesses casos, temse a recuperação de valor dispendido no passado, tendose em conta suas dimensões qualitativa e quantitativa, estornandose um valor, em sua exata medida, que havia sido contabilizado como custo ou despesa e que depois veio a ser revertido. Os custos e as despesas decorrem da geração de energia elétrica nas localidades em que disponibilizada, em que se relacionam o prestador do serviço e os usuários da região. Os repasses das contas CCC e CDE, por seu turno, decorrem da lei e têm seu dimensionamento definido, não com base em valores exatos dos dispêndios efetivamente realizados, mas de fórmulas que possibilitam, com base em previsões, a equalização pretendida entre as geradoras de áreas isoladas e as demais instaladas no território nacional. Nos casos de subsídios, os valores repassados não correspondem exatamente aos custos incorridos, podendo superálos, ser coincidentes com eles ou, ainda, ser inferiores, assim como ocorre com o faturamento, que pode suplantar em muito o total de dispêndios, do que resultarão os lucros, ou ser inferior às despesas, casos em que se configurarão os prejuízos. A tributação das contribuições sociais incidentes sobre o faturamente e sobre as demais receitas independe da ocorrência posterior de lucro ou prejuízo, pois o fato imponível se esgota no momento da entrada dos recursos decorrentes da venda de produtos ou da prestação de serviços, assim como da obtenção de outras receitas, independentemente dos desdobramentos contábeis subsequentes. A tributação de receitas não se confunde com a tributação do lucro, pois, nesta, admitese a dedução de todos os dispêndios (custos e despesas) necessários e usuais ao funcionamento da sociedade empresária. Uma vez auferida uma receita, sobre ela incidirão as contribuições para o PIS e a Cofins, independentemente de se consubstanciarem, ao final, em lucro ou prejuízo. Toda atividade empresarial envolve custos que impactarão negativamente o saldo das receitas auferidas, o que, contudo, não significa que a parcela da receita absorvida Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911795/200967 Acórdão n.º 380302.877 S3TE03 Fl. 174 9 pelos custos deixará de ser receita para fins de incidência da Cofins e da contribuição para o PIS. O critério que deve orientar a identificação de uma receita é o jurídico e não o econômico ou empresarial, pois parte significativa do que vier a ser auferido pelas pessoas jurídicas será vertida a terceiros a título de pagamento pelos serviços prestados, pelos bens adquiridos ou por outros custos e despesas incorridos. Os valores recebidos pelas geradoras de energia em áreas isoladas vêm suprir o seu baixo faturamento, dadas as condições adversas enfrentadas no desempenho de suas atividades, somandose às quantias obtidas a partir do serviço efetivamente prestado, de forma a tornar a sua atividade o mais isonômica possível em relação às das demais geradoras existentes nas demais regiões do País, privilegiandose a isonomia que deve alcançar todos os partícipes da produção nacional. Se se admitisse a redução das receitas ora analisadas em razão da parcela que será absorvida por custos ou despesas, tal procedimento deveria alcançar não apenas os repasses oriundos das contas CCC e CDE, mas, também, as parcelas do faturamento e das demais receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, pois muitas delas serão consumidas por dispêndios necessários ao desempenho da atividade do sujeito passivo, privileginadose, da mesma forma, a isonomia que deve orientar a tributação em nível nacional. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, seja em razão da ausência de comprovação do indébito pleiteado, seja por se referir a ingressos que compõem a receita do sujeito passivo no âmbito da tributação da contribuição na sistemática da não cumulatividade. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10983.911795/200967 Interessada: TRACTEBEL ENERGIA S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.877, de 26 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10980.009999/2008-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2007
COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 104 1 103 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.009999/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280201.541 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente ALESSANDRA CORDEIRO RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os presentes autos sobre lançamento decorrente da revisão de ofício da declaração de ajuste anual 2007, da qual resultou a glosa de deduções indevidas com despesas médicas no valor de R$ 17.300,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento (fls. 10/14). Apreciada a Impugnação (fls. 01/08), o crédito tributário constituído foi mantido por ocasião da decisão da 1ª instância (fls. 77/80), sob o seguinte fundamento: A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não bastando a disponibilidade de simples recibos ou declaração dos profissionais que teriam supostamente prestado os serviços. As deduções submetemse a duas condições objetivas: efetividade da prestação do serviço e onerosidade. A ausência de um desses requisitos impede a fruição do benefício fiscal Nas razões de Voluntário o Recorrente reitera os argumentos constantes na Impugnação, no sentido de que todas as despesas médicas declaradas restaram comprovadas por recibos de pagamento, atestados médicos e declarações apresentadas pelos profissionais prestadores dos respectivos serviços. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e por presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. O cerne do litígio versa sobre a não aceitação, pela fiscalização, de recibos de profissionais de saúde, declarações e atestados, desprovidos da respectiva prova inequívoca de pagamento. De acordo com a decisão recorrida: A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não bastando a disponibilidade de simples recibos ou declaração dos profissionais que teriam supostamente prestado os serviços. As deduções submetemse a duas condições objetivas: efetividade da prestação do serviço e onerosidade. A ausência de um desses requisitos impede a fruição do benefício fiscal (...) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.009999/200885 Acórdão n.º 280201.541 S2TE02 Fl. 105 3 Salientese que, mesmo sob o aspecto formal, os recibos de fls. 44 a 49 e 52 a 63, apresentados na fase preparatória do lançamento, não cumpririam os requisitos mínimos invocados, porquanto se limitam a informações genéricas e inespecíficas, não indicam o paciente, o endereço dos supostos prestadores dos serviços, e têm notórios indícios, pela similaridade de impressão e/ou de preenchimento manual, que caracterizam a emissão em série, como se o instrumento "recibo" não se prestasse justamente ao fim de retratar a correspondente entrega de numerário. Alguns recibos estão, inclusive, datados em dias não úteis (05/11/2006 domingo, fl. 46inferior; 05/08/2006 sábado, fl. 47superior;05/03/2006 domingo, fl. 49superior; 30/04/2006domingo, fl. 58inferior; 30/04/2006domingo, fl. 59 inferior; 30/09/2006 sábado, fl. 61superior; 30/12/2006 sábado, fl. 62superior; data incompleta e mesmo recibo referindose a dois meses, fl. 63). Na verdade, tratase de aspecto que não seria determinante na definição do direito em questão. Não se questiona o elemento formal, como os próprios recibos e declarações, que poderiam ser produzidos a qualquer tempo, com os dados que fossem convenientes às partes envolvidas, sem compromisso com a realidade fática. O que se discute é a comprovação material que supostos documentos estariam a indicar. Buscando comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, a contribuinte elaborou os demonstrativos de fls. 21 e 22, que afirma terem por base os extratos bancários de fls. 23 a 40. No entanto, os saques apontados não guardam qualquer relação de coincidência com os valores supostamente pagos em cada mês. Levando se em conta os recibos mensais, não é crível que a impugnante fizesse, em cada mês, saques esparsos, de pequeno valor ou mesmo de valor relevante, para reunir o montante a ser pago no final do mês, e mais, acumulando valores remanescentes para pagamento das despesas dos meses seguintes. Esse padrão de saques, em sua maioria semanais e em montantes variados, remete à prática pela qual as pessoas procuram ter dinheiro para o pagamento das pequenas despesas do diaadia, como, por exemplo, ônibus, táxi, lanches, etc. Tal padrão de comportamento é verificado em todos os meses do período. Assim, é inaceitável a tese defendida pela impugnante, de que fazia o pagamento com os saques bancários. A decisão recorrida questiona a validade dos recibos, laudos e declarações dos profissionais prestadores de serviço e da prova de pagamento apresentada pela Recorrente. Entretanto, há nos autos declarações dos seguintes profissionais: Dr. Cícero Hiromi Handa (dentista fl.15); Dra. Valdirene Julio (fonoaudióloga fl. 16); Dra. Vivian Maria Roda (fisioterapeuta fl. 17); Dra. Cintiamara Pereira Gonçalves (fisioterapeuta fl. 18) e da Dra. Marilis Prestes Soares Venturini (dentista – fl. 19). Todas as declarações contem o endereço do estabelecimento do prestador de serviço, o respectivo número da inscrição profissional (à exceção da Dra. Valdirene Júlio, sem a indicação do endereço do estabelecimento, mas cujo endereço consta nos recibos de fls. 46 a 49) e o CPF, além, é claro, da afirmação de que os serviços foram efetivamente prestados à Recorrente. Além do mais, é evidente o esforço do Recorrente em conciliar os valores pagos com relatórios, extratos bancários e saques de c/c (fls. 20 a 40). Há, também, avaliação fisioterápica da Dra. Vivian Maria Roda (fl. 5051) e atestados de fls. 66 e 67, de que a Recorrente sofre de artrite reumatóide, a justificar as despesas com fisioterapia incorridas. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Meras ilações feitas pela fiscalização e pelo órgão colegiado a quo não são suficientes para ilidir a presunção de veracidade e boafé dos documentos apresentados. Em nada prejudicam o direito à dedutibilidade de tais valores previstos na legislação e cujas disposições não exigem a prova do efetivo pagamento, a ser exigida apenas na hipótese de falta de apresentação de documentação idônea. Nesse sentido, esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 280200.402, em 27/07/2010, relatoria do insígne Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Ante o exposto, conheço e dou provimento integral ao recurso voluntário para reconhecer o direito à dedutibilidade das despesas comprovadas mediante declaração dos respectivos profissionais. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.009999/200885 Acórdão n.º 280201.541 S2TE02 Fl. 106 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10980.009999/200885 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº . 2802001.541. Brasília/DF, 31 de maio de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13637.000225/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Constado que os dados constantes dos comprovantes de rendimentos
fornecidos pela fonte pagadora são conflitantes entre si, cancela-se o lançamento.
Recuso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-001.831
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Constado que os dados constantes dos comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora são conflitantes entre si, cancelase o lançamento. Recuso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Relatório Fl. 58DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 05 a 07, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, em virtude da seguinte constatação relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 06: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$ ***********953,98, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dedução indevida: R$953,98, conforme a seguir especificado: 1 Valor declarado pelo contribuinte: R$17.901,78. 2 Valor apurado de acordo conforme comprovantes apresentados: R$16.947,80(R$7.075,16 descontado da fonte pagadora Governo do Estado de Minas Gerais + R$9.872,64 descontado da fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa). 3 Diferença glosada: R$953,98. Não se conformando com o crédito tributário constituído, o contribuinte apresentou impugnação alegando que os valores apontados como dedução de pensão alimentícia judicial em sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF/2005 foram obtidos no Quadro "Informações Complementares" (campo 6) dos Comprovantes Anuais de Rendimentos referentes ao anocalendário de 2004, fornecidos pelas fontes pagadoras mencionadas pela autoridade revisora. Diante disso, conclui que “uma vez que somente ali constavam separadamente os valores descontados em favor de cada um dos beneficiários das pensões alimentícias, enquanto no item 3 do campo 4 era informado apenas um valor, presumidamente a soma das duas pensões”. Assim, para apurar os valores pagos a título de pensão alimentícia aos respectivos beneficiários (duas pessoas distintas) e consignálos no campo próprio destinado à relação dos PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADOS, como determinava o Programa IRPF 2005, informou o impugnante que só teve um caminho a seguir: “somar os valores descontados nas duas fontes em favor de cada beneficiário que constavam somente nas Informações Complementares dos dois comprovantes”. Conclui que, se algum erro ocorreu, não cabe responsabilidade ao impugnante, mas à fonte pagadora, Universidade Federal de Viçosa, que discriminou para cada beneficiário valores divergentes do informado como pensão alimentícia em outro campo do comprovante fornecido. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, fls. 21 a 23, ao fundamento de que: (...) Equivocouse o contribuinte no preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual 1RPF/2005. 0 valor correto a ser pleiteado como dedução a titulo de "pensão alimentícia judicial" é efetivamente o valor expresso no Quadro 03 — "Rendimentos Tributáveis, Deduções e Imposto Retido na Fonte" — do documento em foco. A diferença entre o valor informado no Quadro 03 (R$ 9.872,64) e o somatório dos valores informados no Quadro 06 (R$ 10.826,80) referese à pensão alimentícia judicial aplicada sobre os rendimentos de Décimo Terceiro Salário recebidos pelo notificado. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000225/200978 Acórdão n.º 2802001.831 S2TE02 Fl. 2 3 Cumpre esclarecer, por pertinente, que a pensão alimentícia judicial incidente sobre o Décimo Terceiro Salário, não compõe o valor a ser pleiteado na dedução em epígrafe visto que os rendimentos de Décimo Terceiro Salário são "rendimentos sujeitos a tributação exclusivamente na fonte" e não integram a base de cálculo para apuração do imposto de renda devido na Declaração de Ajuste Anual. Cientificado em 23/12/2011, fls. 30, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/01/2012, fls. 32 a 35, acompanhado documentos fls. 33 a 56, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que: se houve equívoco do recorrente, como considerou a ilustre Quarta Turma da DRJ/JFA, esse se deve às informações, no mínimo incompletas (não separando ou simplesmente não desprezando os valores referentes ao décimo terceiro salário) fornecidas pela fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa e nas quais ele confiou, tendo agido, portanto, com a mais absoluta boa fé; por essa razão, insiste na tese sustentada na peça impugnatória, ou seja, a de que, se houve algum equívoco, não cabe responsabilidade a ele, mas à fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa, não sendo justo que venha a arcar com considerável ônus financeiro, em termos de multa e juros, conforme, inclusive, preceitua o Código Tributário Nacional, em seu artigo 112; o longo prazo de tramitação do presente processo vai de encontro ao art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, que assegura a razoável duração do processo, bem como de encontro ao art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que obriga que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições. As decisões dos tribunais superiores já manifestaram entendimento de que a inobservância aos princípios e diretrizes (inclusive ao princípio da eficiência) poderá implicar vícios processuais (nulidades e anulidades); requer, finalmente, que seja cancelado o débito fiscal reclamado e, tendo em vista já ter 68 anos de idade, requer e espera, também, prioridade na tramitação do seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, tratase de Notificação de lançamento que exige diferença de IRPF em virtude da glosa do valor de R$ 953,98, considerado como deduzido indevidamente a título de pensão alimentícia judicial na DIRPF/2005. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, referido valor corresponde à diferença verificada entre o valor declarado pelo contribuinte (R$17.901,78) e o valor apurado de acordo com os comprovantes apresentados: R$16.947,80 (R$7.075,16 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 descontado dos salários recebidos da fonte pagadora Governo do Estado de Minas Gerais + R$9.872,64 descontado dos recebidos da fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa). A decisão proferida pela DRJ em Juiz de Fora manteve o lançamento ao argumento de que o valor correto a ser pleiteado como dedução é efetivamente aquele expresso no Quadro 03 do COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, fornecido pelas mencionadas fontes pagadoras. Por sua vez, depreendese do voto do acórdão recorrido que esse argumento se deve ao fato de o relator haver concluído que a diferença entre o valor informado no Quadro 03 (R$ 9.872,64) e o somatório dos valores informados no Quadro 06 (R$ 10.826,80) – ambos do referido COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – referese à pensão alimentícia judicial aplicada sobre os rendimentos de décimo terceiro salário recebidos pelo notificado. Contudo, o exame dos referidos comprovantes de rendimentos revela tão somente a existência de dados conflitantes entre si. Uma vez que não se colhe dos autos nenhum elemento que evidencie que, de fato, a diferença constada referese à pensão alimentícia calculada sobre décimo terceiro salário, há que se desconsiderar a conclusão da autoridade de primeira instância, por tratarse de mera dedução. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000225/200978 Acórdão n.º 2802001.831 S2TE02 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 8 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.726260/2009-25
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003)
As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão
sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2802-000.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e , no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e , no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora. (assinado digitalmente) JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ Relator. EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. DRJ, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ (...) incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726260/200925 Acórdão n.º 280200.974 S2TE02 Fl. 148 3 pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.” Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente e o crédito tributário mantido, sob o fundamento de que as verbas recebidas a título de abono variável, pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Relator O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para fins de admissibilidade; por isso, dele conheço. Passo, então, à análise da preliminar argüida. Alega a recorrente em Voluntário, nulidade do lançamento, por não ter a fiscalização apurado corretamente a base de cálculo do imposto. Deveria a fiscalização, no entendimento da recorrente, “(...) ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de ´URV` recebido, ter ´refeito` as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da Contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores do imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos”. (fl. 109 dos autos). Sem razão a recorrente. Conforme razões expostas na decisão ora recorrida e não ilididas pelo contribuinte “(...) o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme dispõe o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009”. Na mesma toada, as alegações de que as diferenças foram tributadas isoladamente, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declaradas não merecem acolhida. Isto porque, nos respectivos anos calendários (1994 a 2001), as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte ora recorrente à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Logo, nos termos da decisão guerreada, o “imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão.” Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto à alegação de não incidência de IR sobre os juros moratórios/ compensatórios recebidos pela recorrente em virtude de decisão judicial, adoto o entendimento do STJ (REsp 1072609/SC), no sentido de que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Passo ao mérito. Com a ressalva do meu entendimento pessoal já exposto em julgados anteriores, nos quais decidi pela natureza indenizatória de tais valores, em especial pela existência de lei estadual válida, vigente e eficaz, a assim qualificálos, voto no sentido de acompanhar o entendimento desta C. Turma e do STJ em relação ao tema. Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos pela lei baiana, o C. Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido, em casos análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza remuneratória, constituindo, assim, fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007; RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 30/05/2005; RMS 27.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726260/200925 Acórdão n.º 280200.974 S2TE02 Fl. 149 5 Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 01/07/2010; ). Esse posicionamento foi reafirmado em recente julgado da Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 2. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1235069/MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00175830. j. em 24/05/2011 . DJe 30/05/2011. Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir: “8. Inferese dos autos que as quantias foram pagas em razão das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo IGPMFGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) decorrentes da implantação da URV. 9. Ora, vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. 10. Evidente, pois, que tais verbas são derivadas de benefício nitidamente salarial. 11. A incidência da tributação deve obediência estrita ao princípio da legalidade, e, conforme bem esposado pelo Exmo. Des. Relator do acórdão recorrido, a definição prevista no inciso I, do artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações. 12. Ademais, o conceito de acréscimos patrimoniais abarca salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)” Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pelo art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN e inciso I do 2 do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 6 Entretanto, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, sem incorrer em qualquer das modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste Sodalício: 10616801, 106 16360 e 19600065, cujas ementas são a seguir reproduzidas: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Na mesma toada, o C. Superior Tribunal de Justiça, ao admitir a exigência do imposto e a exclusão da multa, em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726260/200925 Acórdão n.º 280200.974 S2TE02 Fl. 150 7 RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Ante o exposto, rejeitadas as preliminares argüidas, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, apenas para excluir da multa de ofício. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726260/200925 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº.2802000.974. Brasília/DF, 27 de abril de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000627/2008-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. APLICAÇÃO.
1. O descumprimento de obrigação principal ou acessória é motivo para justificar o lançamento, bem como sua manutenção.
2. Na aplicação das multas previstas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, a autoridade administrativa deve se ater às recentes mudanças legislativas, observando, inclusive, a possibilidade de aplicação da regra mais benéfica de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A autoridade administrava incumbida da cobrança do valor devido deverá observar as novas disposições legislativas acima referidas, em especial, sendo o caso, as do art. 106, c, do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
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CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. APLICAÇÃO. 1. O descumprimento de obrigação principal ou acessória é motivo para justificar o lançamento, bem como sua manutenção. 2. Na aplicação das multas previstas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, a autoridade administrativa deve se ater às recentes mudanças legislativas, observando, inclusive, a possibilidade de aplicação da regra mais benéfica de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A autoridade administrava incumbida da cobrança do valor devido deverá observar as novas disposições legislativas acima referidas, em especial, sendo o caso, as do art. 106, c, do CTN. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 56 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vetoratto, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 57 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (obrigação principal) lavrado em desfavor do contribuinte acima referenciado, relativamente às contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade social, correspondentes a contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados sobre a remuneração do 13º salário de 2005. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 16 / 17), a empresa não efetuou o recolhimento do referido valor, bem como também não efetuou a declaração desses fatos geradores em GFIP. O Contribuinte foi notificado do lançamento em 23/05/2008 e apresentou defesa tempestiva em 24/06/2008 (fls. 22 / 23). A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2008, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 Auto de Infração n° 37.159.7579 1. EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. 2. MULTA. A multa de mora aplicada às contribuições não recolhidas no prazo legal possui caráter irrelevável. 3. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. É de nenhum efeito para fins de aplicação da norma de incidência tributária, os motivos que levaram o contribuinte a deixar de satisfazer a obrigação principal. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em síntese, a decisão que a Recorrente pretende ver modificada, reconheceu que a MULTA de MORA aplicada possui caráter irrelevável; quanto ao FATO GERADOR é de nenhum efeito para fins de aplicação da norma de incidência tributária, os motivos que levaram o contribuinte a deixar de satisfazer a obrigação principal. É muito simples para o Julgador decidir em desfavor do contribuinte, por que "é de nenhum efeito, para fins de aplicação da norma de incidência tributária", os motivos, isto é, as dificuldades em que se encontra, e alegadas de boafé pelo Contribuinte. Contrariamente ao que é alegado para fundamentar a decisão da instância inferior, mesmo que se tenha por confissão o fato de existirem as GFIPS, é possível sim levar Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 58 4 em conta as razões da inadimplência eventual, mesmo porque se assim não fosse, não estaríamos diante de uma situação em que o lançamento depende de homologação da Autoridade Tributária, seja de forma expressa ou seja de forma tácita, mediante o decurso do prazo. A confecção da folha de pagamento e demais documentos, não há de ser nenhuma heresia dizerse que se trata de aspecto formal, meramente. O aspecto material, a falta de numerário é algo concreto, não se trata de nenhuma abstração, a justificar sim a compreensão pelo julgador da inegável impossibilidade do cumprimento da obrigação, seja ela principal ou acessória. Ao final, requer o recebimento e processamento do presente Recurso Voluntário, na forma da lei; no mérito, a reforma da decisão da instância inferior e declarada a anulação do Auto de Lançamento. Seja, ainda, em face do presente Recurso, determinada a manutenção da suspensão da exigibilidade do eventual crédito tributário decorrente do Auto de Lançamento a ser anulado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 59 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Às fls. 40 do acórdão ora recorrido consta que: O presente crédito decorre do descumprimento da obrigação principal de recolher as contribuições dos segurados empregados, não havendo que se confundir com a obrigação acessória prevista no inciso IV do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, relativa às informações a serem prestadas em documento GFIP. A multa de mora aplicada ao presente lançamento encontra previsão na alínea "h" do inciso II do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, sendo esta de caráter irrelevável, não havendo, portanto, como ser atendida a pretensão da impugnante. As alegações concernentes a dificuldades que o contribuinte enfrenta (descritas no relatório acima), não são motivos que devem ser levados em consideração na hora da aplicação da lei. Aliás, a estrita observância da lei é matéria que a autoridade administrativa não tem como se desincumbir. Neste ponto, a autoridade administrativa deve se ater aos comandos do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com se pode observar dos autos, tanto a fiscalização, como também a autoridade julgadora de primeira instância, pautaram seus trabalhos em estrita obediência à legislação tributária em vigor. O lançamento está perfeito e deve ser mantido. No entanto, para efeito das multas do art. 35 da Lei nº 8.212/91, como é a situação destes autos, observarseá as disposições do art. 35A do mesmo diploma legal, artigo esse acrescentando pela MP 449, de 03/12/08, convertida na Lei nº 11.941/09, in verbis: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 60 6 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Na situação vertente, portanto, conforme dispõe o novel art. 35A da Lei nº 8.212/91, na hora de efetuar o cálculo do valor devido, a autoridade competente deverá aterse às regras do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 61 7 V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Nada obstante à inovação legislativa em matéria previdenciária, deverá a autoridade administrativa, quando da elaboração do cálculo final do valor devido, prestar atenção às regras do art. 106, c, do Código Tributário Nacional – CTN, sendo ele, obviamente, mais benéfico ao contribuinte, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 62 8 I – em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à interpretação dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) Quando deixe de definilo como infração; b) Quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) Quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Vêse, pois, como bem observado pelo julgador de primeira instância, que a impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário, como também a multa de mora aplicada às contribuições não recolhidas no prazo legal, essas possuem caráter irrelevável. De outra parte, não tem nenhum efeito para fins de aplicação da norma de incidência tributária, os motivos que levaram o contribuinte a deixar de satisfazer a obrigação principal. Não resta dúvida, portanto, que o descumprimento de obrigação principal ou acessória é motivo para justificar o lançamento, bem como sua manutenção. Na aplicação das multas previstas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, a autoridade administrativa deve se ater às recentes mudanças legislativas, observando, inclusive, a possibilidade de aplicação da regra mais benéfica de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A autoridade administrava incumbida da cobrança do valor devido deverá observar as novas disposições legislativas acima referidas, em especial, sendo o caso, as do art. 106, c, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13016.000627/200807 Acórdão n.º 280300.995 S2TE03 Fl. 63 9 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10480.005721/00-14
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2000
Ementa: Tempestividade da impugnação.
Tendo sido constatado que uma das datas de recepção apostas na impugnação está acompanhada de assinatura e CPF de funcionária que não faz parte do corpo funcional, deve ser considerada a outra data do protocolo, aposta pela Receita Federal. Destarte, a
impugnação, apresentada após transcorridos 30 dias, é intempestiva.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 303-34.827
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2000 Ementa: Tempestividade da impugnação. Tendo sido constatado que uma das datas de recepção apostas na impugnação está acompanhada de assinatura e CPF de funcionária que não faz parte do corpo funcional, deve ser considerada a outra data do protocolo, aposta pela Receita Federal. Destarte, a impugnação, apresentada após transcorridos 30 dias, é intempestiva. Recurso Voluntário Negado.
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LTDA. Recorrida DRJ-RECIFE/PE Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2000 Ementa: Tempestividade da impugnação. Tendo sido constatado que uma das datas de recepção apostas na impugnação está acompanhada de assinatura e CPF de funcionária que não faz parte do corpo funcional, deve ser considerada a outra data do protocolo, aposta pela Receita Federal. Destarte, a impugnação, apresentada após transcorridos 30 dias, é intempestiva. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (25,44., ELISE DAUDT PR ETO Presidente e Relatora • Processo n.° 10480.005721/00-14 02,03/CO3 Acórdão n.° 303-34.827 Fls. 128 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Zenaldo Loibman, Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campeio Borges, Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Luis Marcelo Guerra de Castro e Marciel Eder Costa. NP • • Processo n.° 10480.005721/00-14 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.827 Fls. 129 Relatório Em 26 de abril de 2007 esta Câmara, ao apreciar o recurso do contribuinte, resolveu converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem se manifestasse sobre a tempestividade do mesmo, bem como sobre a assinatura aposta na parte superior da fi. 32, dos autos, uma vez que o contribuinte afirma pertencer a uma funcionária do Serviço Público da União, que havia recebido a sua manifestação de inconformidade e, depois, a encaminhou à Receita Federal. Os fatos dos autos estão descritos no relatório e voto proferidos por ocasião da referida resolução e que transcrevo a seguir: "Em 16 de junho de 2005 esta Câmara, por meio do Acórdão n° 303- 32.102, decidiu declarar a nulidade do processo a partir do despacho de • fl. 36-v, conforme relatório e voto que transcrevo a seguir. 'O presente processo trata de pedido de compensação de créditos de Finsocial decorrentes de majorações indevidas de aliquotas, assegurados por meio de ação ordinária. O pleito foi negado pela Delegacia da Receita Federal em Recife, que aduziu a falta de ciência do Delegado para o cumprimento da decisão judicial, o que implicaria em que os valores passassem a ser objeto de liquidação de sentença por meio de precatório (fl. 27). Cientificada da decisão, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 32/35, peça esta que foi considerada intempestiva conforme despacho de fl. 37, proferido pelo AFRF chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária - SEORT da Delegacia da Receita Federal em Recife. Aduz a autoridade que o contribuinte tomou ciência do indeferimento • em 25/01/2002 (sexta-feira) e que só apresentou manifestação de inconformidade em 27/02/2002 (quarta-feira), depois de encerrado o prazo final, em 26/02/2002 e que não apresentou fatos novos que possibilitassem a aplicação do artigo 149 do C.T.N. Consta da fl. 38 Aviso de Recebimento de correspondência encaminhada pelo SEORT da DRF em Recife, no endereço da empresa, em 20/03/02. Em 01/09/2003 a empresa foi cientificada de intimação para recolher aos cofres da Fazenda Nacional, dentro de prazo de 30 dias, os débitos do SIMPLES relativos a este processo. Em 05/09/2003 apresentou recurso voluntário aduzindo que foi cientificada da rejeição da manifestação de inconformidade em 01/09/2003. Portanto, a questão dos autos, nesta fase, está adstrita à tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade e, quiçá, do próprio recurso voluntário. 7QYlf Processo n.° 10480.005721/00-14 CCO3/CO3 Mórdio n.• 303-34.827 Fls. 130 Porém, considero que o despacho de fls. 37 foi proferido por pessoa incompetente. Com efeito, o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal aprovado pela Portaria MF 259/2001, vigente à época, estabeleceu ser competência privativa dos colegiados de Delegacia de Julgamento o julgamento de processos. É o que se depreende do previsto no artigo 203, inciso I, c/c artigo 204 da referida norma. Poder-se-ia argumentar que não foi instaurado o litígio e que, então, não seria também competência das turmas da DRJ o julgamento da questão. Contudo, por meio do Ato Declaratório Normativo n° 15, de 12/07/1996, o Coordenador-Geral do Sistema da Tributação da própria Secretaria da Receita Federal exarou o entendimento de que "expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada • ou suscitada a tempestividade, como preliminar." No presente caso, a empresa aduz ter recebido o Despacho Decisório SESIT em 28/01/2002. Neste caso, a manifestação de conformidade seria tempestiva. Portanto, seu argumento mereceria apreciação pela DRJ. Assim, está configurada a nulidade prevista no artigo 59, inciso II, primeira parte, do Decreto n° 70 235/72 Em decorrência, declaro nulo o processo a partir do despacho de fl. 37." Encaminhado o processo à Delegacia de Julgamento de Recife/PE, esta proferiu a decisão de fls. 63 a 66, não conhecendo a impugnação, por intempestiva, conforme ementa a seguir: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1989 a 30/04/1992 • DESPACHO ANULADO PELO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Há de ser proferido acórdão relativamente a processo administrativo cujo despacho da SESIT/DRF foi anulado pelo Conselho de Contribuintes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Considera-se intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Impugnação não Conhecida" Justificou, assim, a sua decisão: "(...) Conforme ciência constante da fl. 28, folha que corresponde ao citado Despacho Decisório SESIT/IRPJ de 28 de março de 2001, vê-se que a tkjÁ2 . Processo n.°10480.005721/00-14 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.827 Fls. 131 contribuinte foi cientificada da referida decisão em 25 de janeiro de 2002. Verifica-se que a assinatura aposta na ciência corresponde a do procurador da empresa, cujo instrumento foi anexado à fl. 30 e identidade à fl. 31 frente e verso. Assim, efetuando-se a contagem do prazo de 30 (trinta) dias, a partir da referida data, excluindo-se a data de inicio e incluindo-se a data de vencimento, o prazo final para o sujeito passivo ter apresentado a manifestação de inconformidade seria a data de 26 de fevereiro de 2002, já que a contagem para os trinta dias iniciou-se na segunda-feira (dia 28 de janeiro de 2002) e os prazos só se iniciam ou vencem no dia e expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato (parágrafo único do art. 5° do Decreto n° 70.235/1972). Verifica-se, porém, que a manifestação de inconformidade foi apresentada em 27 de fevereiro de 2002 (fl. 32), após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias estipulado pelo art. 15 do Decreto n° S 70.235/1972, configurando-se, portanto, a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. À luz, pois, do art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, a intempestividade da manifestação de inconformidade não instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento. "... expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar." (grifei) Com efeito, a manifestação de inconformidade, embora apresentada por parte legitima, é intempestiva, dela, pois, não tomo conhecimento. Do Mérito Pela incompatibilidade entre a questão preliminar apreciada, constatando-se a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, fica-se impedido de julgar o mérito, conforme dispõe o art. 28 do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n°8.748/1993. Face ao exposto, voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por intempestiva." À fl. 69 consta unia intimação datada de 02 de fevereiro de 2007, mas não há data da ciência da decisão. Em 13/03/2007 a contribuinte interpôs uma peça recursal, informando que recebeu a Intimação Fiscal dando ciência do acórdão da DRJ em 17/02/2007 e explanando novamente o seu inconformismo com relação à declaração de intempestividade de sua manifestação de inconformidade. Segundo ela, a sua manifestação de inconformidade foi recebida no dia 25 de fevereiro de 2002, junto ao Serviço Público da /seF Processo n.° 10480.005721/00-14 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.827 Fls. 132 União, pela funcionária Márcia Roberta Santana - CPF ti0 044.348.994- 73 (o mesmo nome e o mesmo CPF lançados a caneta na fi. 32), que só depois a encaminhou à Receita Federal, não se justificando a alegada intempestividade. Requer, ao final, o deferimento das compensações efetuadas, determinando-se, desde já, a expedição da Certidão de Quitação de Tributos Federais. Em seguida, o processo retomou a este Conselho para julgamento.' VOTO 'Ao apreciar a impugnação da contribuinte, a r Turma da DRJ em Recife, por meio do Acórdão n° 11.16.757, de 28 de setembro de 2006, decidiu não tomar conhecimento, por intempestiva. À fl. 69 dos autos, consta uma intimação fiscal da DRF em Recife • datada de 02/02/2007, dando ciência do acórdão e concedendo prazo para o sujeito passivo recolher os débitos relacionados no demonstrativo anexo, que a recorrente afirma ter recebido em 17/02/2007. Todavia, não há data de postagem nem mesmo AR que confirme tal recebimento. Ante o exposto, resolvo converter o julgamento do recurso em diligência para que a repartição de origem se manifeste sobre a tempestividade do recurso. Por outro lado, discute-se neste processo a tempestividade, ou não, da manifestação de inconformidade interposta pela contribuinte. Embora conste do Despacho Decisório de fl. 28 que a contribuinte tomou ciência do indeferimento do pedido de restituição/compensação em 25/01/2001, pode-se inferir que se trata de um equivoco, tendo em vista que tal Despacho está datado de 28/03/2001. Portanto, considera- se que a ciência se deu em 25/01/2002. • Com relação à interposição da manifestação de inconformidade, consta carimbo de protocolo da repartição de origem com data de 27/02/2002, na parte inferior da 1° folha. No entanto, na parte superior da mesma folha consta a data de 25/02/2002, que a contribuinte, em seu recurso, alega ser de uma funcionária do Serviço Público da União que a recebeu e depois enviou para a Receita Federal, uma vez que os dois órgãos funcionam no mesmo prédio Neste caso, resta saber qual a data da efetiva interposição da manifestação de inconformidade. Então, por economia processual, que a repartição de origem se manifeste, também, sobre a data e assinatura apostas na parte superior da fi. 32 dos autos e que a contribuinte afirma ser de uma funcionária do Serviço Público da União'." Encontra-se à fl. 119 um Aviso de Recebimento, encaminhado a este Conselho por meio do Memo. n° 55/2007 datado de 11/05/2007, dando conta de que o recebimento da teP • Processo n.• 10480.005721/00-14 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.827 Fls. 133 decisão de primeira instância, que o contribuinte afirma ter sido em 17/02/2007, deu-se no dia 09/02/2007. Retornando o processo à origem, esta se manifestou à fl. 126, quanto à data e assinatura apostas na parte superior da fl. 32 dos autos. Eis a informação: "Atendendo o disposto no Voto de fl. 115, procedeu-se a diversas pesquisas no sentido de se verificar a origem funcional do signatário no documento de fl. 32. Em resposta, verifica-se que não foi localizado registro algum a respeito do signatário do doc. às fls. 32, Márcia Roberta de Santana CPF 044.348.994-73, concluindo-se que a mesma não faz e nem fazia • parte do corpo funcional destes órgãos. Em seguida, o processo retomou a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Avir 1111 • Processo n.° 10480.005721/00-14 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.827 Fls. 134 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora Com relação à tempestividade do recurso voluntário foi resolvida a pendenga, uma vez que a repartição de origem encaminhou documento comprobatório (AR), que se encontra à fl. 119 dos autos, dando conta de que a data de recebimento da manifestação de inconformidade foi 09/02/2007, uma sexta-feira. Como o recurso foi protocolado no dia 13/03/2007, estava dentro dos trinta dias exigidos pelo art. 33 do Decreto 70.235/72, verbis: "Art.33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão" Assim, conheço do recurso, por preencher os requisitos determinados pela legislação de regência. • Resta, então, resolver a questão da tempestividade da manifestação de inconformidade do contribuinte. Conforme documento de fl. 28 dos autos, a ciência do indeferimento se deu no dia 25/01/2002. O carimbo de recepção da repartição de origem de fl. 32 comprova que a manifestação de inconformidade só foi protocolada no dia 27/02/2002, portanto, após trinta dias da ciência. No entanto, em seu recurso, o contribuinte afirma que protocolou a referida peça no dia 25/02/2002 e que a assinatura e o CPF apostos na parte superior da fl. 32 são de uma funcionária do Serviço Público da União, que a recebeu e depois a encaminhou à Receita Federal. Atendendo à Resolução n° 303-01.309, de 26/04/2007, deste Colegiado, a repartição de origem empreendeu vários esforços para localizar a referida funcionária, todavia, sem obter êxito. Diante disso, à fl. 126, manifestou-se, com a conclusão de "que a mesma não faz e nem fazia parte do corpo funcional destes órgãos." • Pelo exposto, não tendo sido comprovado que a manifestação de inconformidade do sujeito passivo tenha sido apresentada dentro do prazo, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 18 de o tubro de 2007 eier,„„ir ELISE DAUDT PRIETO — Relatora Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1
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