Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10950.003403/00-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1102-000.028
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10950.003403/00-81
conteudo_id_s : 6535785
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1102-000.028
nome_arquivo_s : Decisao_109500034030081.pdf
nome_relator_s : IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 109500034030081_6535785.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
id : 9109904
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111047835123712
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-29T13:45:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-29T13:45:39Z; Last-Modified: 2011-06-29T13:45:39Z; dcterms:modified: 2011-06-29T13:45:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ef93989e-15d7-48ae-99a6-2abea583b288; Last-Save-Date: 2011-06-29T13:45:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-29T13:45:39Z; meta:save-date: 2011-06-29T13:45:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-29T13:45:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-29T13:45:39Z; created: 2011-06-29T13:45:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-06-29T13:45:39Z; pdf:charsPerPage: 899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-29T13:45:39Z | Conteúdo => SI-C1T2 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SECA() DE JULGAMENTO Processo n° 10950.003403/00-81 Recurso n° 0000000 Resolução n° 1102-00.28 — P Câmara / 2a Turma Ordinária Data 21 de fevereiro de 2010 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA GOIOERÊ LTDA Recorrida 1A.TURMA DRJ CURITIBA/PR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do relator. IV MALA IAS PESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: h Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Manoel Mota Fonseca(Suplente convocado) José Sergio Gomes (Suplente convocado) e Joao Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) Processo n° 10950.003403/00-81 SI-C1T2 Res°11195o n.° 1102-00.28 Fl. 2 Relatório: Trata-se de processo formalizado para análise de pedido de restituição de IRRF, conforme documento de fl. 01, em 28/12/2000, no valor total corrigido de R$ 272.214,75. A Contribuinte alega ter sofrido retenções na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras e não poder abatê-los nas competentes declarações de rendimentos, por ter apurado prejuízo fiscal em todas elas, resultando na apuração de saldo a pagar negativo nas importâncias de R$ 126.470,46, R$ 2.486,97, R$ 4,91 e R$ 189,64 nas declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e 1999, respectivamente. Intimação no 310/2001, A. fl. 306, da Delegacia da Receita Federal em Maringá intimou a Contribuinte a apresentar os Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos, fornecido pelas instituições financeiras, e cópias do Livro Razão, indicando as folhas do Livro Diário em que estão contabilizados os rendimentos tributáveis e o imposto de renda retido na fonte. Em atendimento à intimação, foram apresentados os documentos de fls. 310 a 605. 0 Despacho Decisório de fls. 608/610, indefere o pedido, porque, apesar de intimada, a Contribuinte deixou de apresentar os Informes de Rendimentos Financeiros Anuais fornecidos pelas fontes pagadoras. Ciente desta decisão em 04/06/2002, em 01/07/2002, há manifestação de inconformidade de fls. 617/626, argüindo , em síntese, a preliminar de nulidade do Despacho Decisório da DRF/Maringd, por preterição do direito de defesa e por desrespeito ao contraditório e ao devido processo legal.Pois apresentara os Informes de Rendimentos Financeiros Anuais fornecidos pelas fontes pagadoras, quando foi intimado para esse fim. Pede, caso seja considerado seu direito que seja superada a nulidade argüida, nos tennos do § 30 do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Quanto ao mérito transcreve o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; o art. 10 do Decreto n° 2.318, de 1997 e o art. 12 da Instrução Normativa n° 21, de 1997, que tratam da compensação de créditos a serem restituídos ou ressarcidos, para dizer da pertinência do seu pedido. O Acórdão 2181 de 26/09/2002, da l a . Tun-na DRJ Curitiba, fls. 631/636, está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - iRPJ Ano- calendário: 1995, 1996, 1997, 1999 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Preliminar de nulidade que se indefere, por não ter ocorrido o alegado cerceamento do direito de defesa. IRRF DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RESTITUIÇÃO. 2 Processo n° 10950.003403/00-81 SI-CIT2 Resolução n.° 1102-00.28 Fl. 3 O IRRF decorrente de aplicações financeiras somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir o Informe de Rendimentos Financeiros emitido em seu nome pela fonte pagadora; caso contrário, não poderá ser compensado e, por conseguinte, não poderá gerar direito à restituição. Solicitação Indeferida Ciente em 24/10/2002,fls.640, interpôs a Contribuinte o recurso voluntário em 25/11/2002, fls.641/655, onde, em síntese, aponta que ingressara com o pedido de restituição/compensação de saldos negativos de IRRF, conforme anteriormente especificado, embasando seu direito em legislação de regência bem como procedeu ao cumprimento das intimações que lhe foram solicitadas. Preliminar Embora assim procedendo as autoridades administrativas, arbitrariamente, obstaram a apreciação do seu pedido sob o frágil argumento de que não atendera h. intimação de juntada de documentos, conforme despacho citado. Informa que em cumprimento h. intimação fiscal procedeu h. juntada dos documentos solicitados, em petição protocolada em 29.08.2001, (fls. 309 a 605), mesmo assim foi surpreendida com o indeferimento do seu pedido sob o equivocado entendimento de que deixara de apresentar tais comprovantes, quando em verdade os mesmos foram apresentados, configurando flagrante desrespeito à ampla defesa e ao contraditório, bem corno ao devido processo legal. Aduz que se a autoridade entendesse necessária a apresentação de novos documentos, deveria proceder à nova intimação fiscal, conforme já sustentado, donde lhe oportunizaria apresentar os elementos julgados necessários a comprovar seu pedido. Mas ao contrário, em desatendimento aos mais basilares princípios administrativos, determinou o indeferimento do pedido, sem que tenha adentrado no mérito da discussão. Afirma que a decisão atenta contra a verdade material buscada nos procedimentos administrativos. Transcreve doutrina de JAMES MARINS. Reclama de transgressão aos princípios administrativos, o que obriga à reconsideração do despacho recorrido, para efeitos de reformar a conduta adotada pela autoridade administrativa. Diz necessário se prosseguir na analise das alegações e documentos e ao final apreciar o mérito da demanda, sob pena de caracterizar-se tipificada a norma incursa no inciso II, art. 59, do Decreto-Lei n.°70.235/72, dispositivo que reproduz. Reclama do procedimento dizendo-o viciado, o que contamina a decisão recorrida e obriga A. decretação de sua nulidade nesta instância. Pede que nesta instância se determine e anule os atos realizados na ilegalidade, em atendimento ao quanto prescreve o § 2°, do artigo 59 do Decreto-lei 70235/72, já citado. Apresenta como respaldo ao seu pedido a decisão proferida na sessão de 08/12/99,acórdão 105-13039 e acórdão 203-07737, de 17/10/2001, pede que se a Turma entender que pode superar a nulidade decidindo a favor da Recorrente, que assim o faça. Caso contrário que determine o retorno dos autos a unidade de origem para oportunizar nova intimação da contribuinte para que.junte os documentos que a administração entenda 3 Processo n° 10950.003403/00-81 SI-C1T2 Resolu0o n.° 1102-00.28 Fl. 4 necessária para o deslinde da discussão, além de todos os documentos já apresentados pela empresa, tudo, em busca da verdade material nos atos administrativos. Mérito Afirma que recolheu IRRF originado de aplicações financeiras, conforme provam os documentos anexados. Devido ao montante dos recolhimentos efetuados, tornou-se legitima credora da Unido, relativamente h. parte das importâncias retidas na fonte, uma vez que apurou prejuízo fiscal no final dos exercícios, sendo certo o direito ao ressarcimento, mediante a restituição dos valores monetariamente corrigidos. Seu pedido tern amparo na própria Lei n.°8.383/91, por força da qual lhe foi autorizada a livre compensação dos valores dos tributos ou contribuições recolhidos indevidamente ou a maior, corn os futuros recolhimentos - correspondentes a períodos subseqüentes. A Lei 9.430/96 proibe o enriquecimento ilícito do estado, como se vê da leitura do seu artigo 74, o qual transcreve. Também o decreto 2318/97 militaria a seu favor, na mesma linha da INSRF 12/97. Transcreve todos esses dispositivos e conclui que cabe o deferimento do seu pedido, sob pena de não ver restituído o valor indevidamente recolhido aos cofres públicos. Resume o pedido: "Diante do exposto a Recorrente aguarda e confia seja o presente Recurso Voluntário acolhido e julgado procedente, com a reforma das r. decisões administrativas atacadas, para o fim de que as preliminares argüidas sejam acolhidas, ou, no mérito para conceder-se o pleito formulado de concessão da compensação/restituição dos valores retidos a maior a titulo de IR]??, comprovados nestes autos, ou, corn a prevalecência do voto vencido, com a baixa dos autos para realização das diligências que V.Exas. entenderem cabíveis, ou, ao menos, para reabertura de prazo compatível a que a Recorrente possa providenciar as documentações que se considerem necessárias." Despacho de fls.658 encaminha os autos ao 1 ° .Conselho de Contribuintes, 5'• Camara. Despacho de fls. 660 encaminha o processo para a 6'. Câmara, que converte o julgamento em diligência, através da Resolução 106-01.327,de 07/12/2005,fls.662/666 nos termos seguintes: (..) Cabe salientar que o julgador Sergio Rodrigues Mendes, em declaração de voto vencido, propôs conversão da decisão em colimando averiguar as informações constantes das DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras. Cientificado da decisão em 24.10.02 (fls. 640), interpôs em 25.11.02 (fls. 641 a 655) Recurso Voluntário, no qual, além de repisar os argumentos constantes da impugnação, alega que deve prevalecer o voto vencido. 4 Processo n° 10950.003403/00-81 SI-CIT2 Resolução n.° 1102-00.28 Fl. 5 Voto Trata-se de pedido de restituição de IRRF sobre aplicações financeiras, sob fundamento de que, durante os anos-calendário em questão, foi apurado saldo negativo de IR a pagar. 0 pedido foi indeferido sob o argumento de que os documentos juntados aos autos não são hábeis a comprovar a retenção do imposto pelas fontes pagadoras, posto que não são "Informes de Rendimentos" de que trata a IN SRF n° 61/96. Entretanto, coaduno com o voto vencido do julgador de primeira instancia no sentido de que mister se faz a conversão do julgamento em diligência, para constatação, na base de dados da Receita Federal, alimentada pelas DIRF's, da efetiva retenção por parte das fontes pagadoras. Há que ser lembrado, com o fim de solucionar o presente conflito, da disposição constante do artigo 37 da Lei n° 9.784/99, in verbis: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de oficio, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Como se depreende da clara dicção do mencionado diploma normativo, a autoridade fazendciria deveria, de oficio, juntar aos autos as informações constantes da base de informações da Secretaria da Receita Federal, uma vez que, in casu, o interessado afirma que houve retenção do imposto de renda sobre aplicações financeiras. Há perfeita subsunção do fato à norma acima transcrita. - _ Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que as Autoridades Fazendárias efetuem pesquisa na base de dados da Secretaria da Receita Federal _no sentido de apurar eventuais informações sobre o pagamento de rendimentos e respectivas retenções do IRRF derivados de aplicações financeiras nos períodos de 1995 a 1999, sem prejuízo de solicitarem às instituições financeiras dos respectivos comprovantes de rendimentos, se necessário. As fls.717/8 despacho da autoridade diligenciante em cumprimento a resolução acima reproduzida, onde efetua pesquisa na base de dados da Secretaria da Receita Federal com o objetivo de apurar informações sobre as retenções do IRRF derivados de aplicações financeiras nos períodos de 1995 a 1999, cuja retida fora a Cooperativa Agropecuária Goioerê Ltda — COAGEL. Junta as informações sobre essas retenções do IRRF, encontradas nessa base de dados, As folhas 669 a 709. Discrimina as Instituições Financeiras que realizaram as retenções e infonnaram através das Declarações de Imposto Retido na Fonte — DIRF, apresentadas A administração tributária. Informação fiscal fls.717/718 aponta que nessas DIRFs foram efetuadas retenções de Imposto de Renda na Fonte, derivados de aplicações financeiras, sob vários códigos,especificos de várias receitas, dentre estas: (...) "3674 Aplicações Financeiras em Fundos de Renda Fixa 5232 Aplicações Financeiras em Fundos de Renda Variável 5273 IRRF - Operações De 5 Processo n° 10950.003403/00-81 SI-C1T2 Resoluçao n.° 1102-00.28 Fl. 6 SWAP (Art 74 L 8981/95)5598 Fundo de Investimento Financeiro - Curto Prazo 5600 Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento 6800 IRRF - Aplicações Financ F Invest Renda Fixa 6839 Fundo de Investimento "(..). Finaliza demonstrando de forma detalhada (por período, cnpj declarante, código de retenção, rendimento bruto e IRRF) folhas 710 a 716 , as retenções de Imposto de Renda na Fonte IRRF derivados de aplicações financeiras nos períodos de 1995 a 1999, tendo como beneficiária a Recorrente, no valor de R$ 133.276,73. Demonstra o resumo desses valores. Às fls.719 há despacho da 2a . Seção de julgamento encaminhando os autos I a .Seção para prosseguimento. Recebo o processo para relato. Este é o relatório. Processo n° 10950.003403/00-81 SI-CIT2 Resolução n.° 1102-00.28 Fl. 7 Voto: Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relatora Trata-se do retorno da Resolução 06-01.327,de 07/12/2005,fls.662/666, que diante do de pedido de restituição de IRRF sobre aplicações financeiras,forinulada pela Recorrente, sob fundamento de que, durante os anos-calendário de 1995, 1996, 1997, 1999 apurou saldo negativo de IR a pagar e , portanto teria direito A. restituição das retenções realizadas sobre as receitas financeiras que auferira e declarara nesses anos calendários. O pedido foi indeferido sob o argumento de que os documentos juntados aos autos não eram hábeis a comprovar a retenção do imposto pelas fontes pagadoras, posto que não eram os "Informes de Rendimentos" de que trata a IN SRF no 61/96. O voto condutor da Resolução, o i.Relator Jose Carlos Rivitti da Mata se aliou ao voto vencido do julgador de primeira instância no sentido de que mister se fazia a conversão do julgamento em diligência, para constatação, na base de dados da Receita Federal,dos valores alimentada pelas DIRF's, da efetiva retenção por parte das fontes pagadoras,nos termos do artigo 37 da Lei 9784/99. O Resultado se vê na tabela abaixo, retirada do Relatório de fis. 718: CODIGO 1995 1996 1997 1998 1999 TOTAL 0730 1.954,64 0,00 0,00 0,00 0,00 1.954,64 0924 28.752,73 0,00 0,00 0,00 0,00 28.752,72 3251 561,01 0,00 42,81 0,00 0,00 603,82 3426 97.619,90 2.674,69 13,40 15,41 189,94 100.513,34 3674 9,87 0,00 0,00 0,00 0,00 9,8" 5232 235,99 8,57 0,00 0,00 0,00 244,56 5273 0,00 30,82 4,91 0,00 0,00 35,7.: 5598 7,28 0,00 0,00 0,00 0,00 7,2E 5600 0,00 121,43 528,56 0,00 0,00 649,9S 6800 0,00 0,00 0,00 504,38 0,00 504,3E 6839 0,00 0,00 0,00 0,39 0,00 0,3S Total Global 129.141.42 2.835.51 589.68 520.18 189.94 133.276.72 Contudo há um incidente processual que necessita ser reparado. Trata-se da ciência â. Recorrente do despacho de fls. 717/718, resultado da diligência acima mencionada. Nessa conformidade sugiro aos meus pares a conversão do julgamento em diligência para que o Contribuinte seja cientificado deste resultado e se pronuncie, se assim entender necessário. Em eguida que retornem os autos para julgamento. TE MALA,QUIAS PESSOA MONTEIRO Lz 7
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904914/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10166.904914/2008-78
conteudo_id_s : 6536373
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1102-000.068
nome_arquivo_s : Decisao_10166904914200878.pdf
nome_relator_s : JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 10166904914200878_6536373.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
id : 9109931
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111047910621184
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-28T17:48:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-03-28T17:48:50Z; Last-Modified: 2012-03-28T17:48:50Z; dcterms:modified: 2012-03-28T17:48:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4f9155cf-d216-4290-a116-c4a923e2bdee; Last-Save-Date: 2012-03-28T17:48:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-03-28T17:48:50Z; meta:save-date: 2012-03-28T17:48:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-03-28T17:48:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-03-28T17:48:50Z; created: 2012-03-28T17:48:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2012-03-28T17:48:50Z; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2012-03-28T17:48:50Z | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.904914/200878 Recurso nº 872.976 Voluntário Resolução nº 11020068 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 01/02/2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0337.191, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília–DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação de tributos pleiteada pela recorrente. Processo nº 10166.904914/200878 Resolução n.º 11020068 S1C1T2 Fl. 2 2 Na Declaração de Compensação apresentada, foi informado como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor original de R$ 787.500,00. De acordo com o Despacho Decisório nº 791154445 (fls. 62), não foi confirmada a existência do crédito informado, porque o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Na manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte, em síntese, o seguinte. Em abril de 2001 a BASF S/A e a recorrente celebraram transação judicial consubstanciada na Escritura Pública de Transação sob Condição suspensiva (doc. 02 da impugnação) por meio da qual a BASF se comprometeu a pagar à recorrente o montante de R$ 15.750.000,00, tendo o referido valor sido por ela contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, a BASF S/A recolheu a quantia de R$ 787.500,00 a título de imposto de renda retido na fonte, incidente à alíquota de 5% sobre o valor da indenização paga, valor este que deveria ter sido considerado como antecipação do devido no período de apuração, mas que, contudo, não o foi, por lapso no preenchimento da declaração (DIPJ/2002 – doc. 03 da impugnação), de sorte que não foi utilizado como componente do saldo negativo do imposto. A negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, vez que a receita correspondente foi tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não foi utilizado até o envio das Declarações de Compensação. A administração não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação sem se ater à verdade real contida em tais pedidos, independentemente da forma utilizada para pleitear as compensações. Ao inadmitir as declarações, com base em uma análise prefacial e rasteira, a Fazenda não cumpriu o seu dever de análise, penalizando o contribuinte, que pode vir a ser obrigado a efetuar novo pedido de compensação, tendo que se submeter aos acréscimos legais pelos quais não foi responsável. Finaliza requerendo o restabelecimento do crédito utilizado e a homologação das compensações pleiteadas, e protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. A 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que o tipo de crédito utilizado pela contribuinte para pleitear a compensação dos débitos por ela confessados no PER/DCOMP foi “pagamento indevido ou a maior”, mas que, entretanto, pelo teor das suas alegações de defesa, a origem do crédito que deveria ter sido informado no PER/DCOMP seria “saldo negativo de IRPJ”. Ou seja, o que o contribuinte estaria pleiteando, de fato, seria uma retificação das informações contidas no PER/DCOMP transmitido, no caso, no tipo de crédito informado, o que faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova, motivo Processo nº 10166.904914/200878 Resolução n.º 11020068 S1C1T2 Fl. 3 3 pelo qual não poderia tal retificação ser aceita. O procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original e a emissão de um novo PER/DCOMP com as informação corretas. A decisão está assim ementada: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito informado no PER/DCOMP faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova. Nesses casos, o procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original pela contribuinte e a emissão de outro PER/DCOMP, com as informação corretas.” Cientificada desta decisão em 28.06.2010, conforme AR de fls. 80, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 28.07.2010, fls. 87 a 109, no qual alega, em síntese, o seguinte. Contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade de que, ao final do exercício, cometeu o equivoco de não incluir como antecipação do imposto devido no 1º trimestre de 2001 o montante de R$ 787.500,00 de IRRF, ocorre que não houve nenhum erro. Isto porque, sendo a Recorrente optante pela tributação do IRPJ na modalidade de lucro presumido no ano de 2001, e não tendo mais nada a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos, não cometeu nenhum equivoco, e não deveria aquele valor ter sido considerado como antecipação do devido. Diferentemente do que supõem os ilustres julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o procedimento de utilizar o crédito como “pagamento indevido ou a maior” foi a única opção da Contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa. Não se está pleiteando, de fato, uma retificação de informações contidas no PER/DCOMP transmitido, conforme assevera o relator da decisão recorrida, uma vez que a Recorrente é ciente da legislação sobre o assunto, que não permite a retificação das declarações de compensação pela Autoridade Fazendária. A Recorrente notificou extrajudicialmente a fonte pagadora para que se pronunciasse sobre o repasse/recolhimento dos valores aos cofres da Receita Federal do Brasil. Em ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A (doc. 02 do recurso), a mesma reafirma que o valor retido foi objeto de recolhimento em 25 de abril de 2001, dentro do prazo legal, nos termos do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 25, de 28 de março de 2001, e anexa comprovante de arrecadação emitido pela Receita Federal do Brasil. Processo nº 10166.904914/200878 Resolução n.º 11020068 S1C1T2 Fl. 4 4 Ocorre que o referido comprovante de recolhimento apresenta os mesmos elementos do DARF recolhido originalmente e utilizado pela Contribuinte no seu pedido de compensação, com exceção do código de receita “5204 – IRRF – JUROS INDENIZAÇÕES LUCROS CESSANTES” que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, através de REDARF, para o código de receita “1708 – IRRF – REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA”, conforme informações complementares no comprovante (“*Registro original alterado”). A alteração procedida pela fonte pagadora penalizou a Recorrente, vez que a RFB não localizou nos seus sistemas o referido documento de arrecadação. Tal fato justifica o reexame dos pedidos com o deferimento de diligência para verificar a existência do crédito demonstrado com a consequente quitação do débito cobrado sem a incidência de nenhum encargo legal. Reprisa os demais argumentos já expostos por ocasião da inicial, e protesta novamente por todos os meios de provas admitidos em direito. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O crédito apontado no PER/DCOMP é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF. Conforme sustenta a recorrente desde a inicial, e também o comprova a cópia do DARF inicialmente anexo aos autos, a retenção se deu em virtude da indenização paga pela BASF S/A à recorrente (retenção sob o código 5204 – IRRF – JUROS E INDENIZAÇÕES POR LUCROS CESSANTES). Assim dispõe o art. 60 da Lei nº 8.981, de 1995 sobre o assunto: “Art. 60. Estão sujeitas ao desconto do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de cinco por cento, as importâncias pagas às pessoas jurídicas: I a título de juros e de indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial; Parágrafo único. O imposto descontado na forma deste artigo será deduzido do imposto devido apurado no encerramento do período base.” Portanto, inapropriado falarse em restituição de imposto de renda retido na fonte. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate não podem ser indeferidos, pura e Processo nº 10166.904914/200878 Resolução n.º 11020068 S1C1T2 Fl. 5 5 simplesmente, em razão do equívoco na formulação, e sim tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ. Esta, aliás, foi a tese da defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade. Na ocasião, sustentou a recorrente que o valor do IRRF, que deveria ter sido considerado como antecipação do devido, não o foi, por mero lapso no preenchimento da DIPJ, e asseverou que a receita correspondente fora tributada juntamente com os demais rendimentos. Entretanto, a análise da DIPJ/2002 acostada aos autos (doc. 03 da impugnação), demonstra apenas que o IRRF de R$ 787.500,00 recolhido em 25.04.2001 não foi incluído na apuração do 2º trimestre daquele ano calendário, pois a linha 25 da ficha de apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, relativa à dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte acusa valor igual a zero, mas não confirma o oferecimento da respectiva receita à tributação, na medida em que esta mesma ficha aponta valores declarados de receita neste trimestre iguais a tão somente R$1.639.361,45 (receitas submetidas a percentual de presunção do lucro) e R$13.615,88 (receitas acrescidas à base de cálculo do lucro), enquanto que o valor da indenização auferida monta a R$15.750.000,00. Em sede recursal, altera a recorrente a sua linha de defesa aduzindo que não cometeu nenhum erro de preenchimento na DIPJ, ao entendimento de que o referido imposto não deveria ser considerado como antecipação do devido, e que nada mais teria a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos, não havendo que se falar em base negativa pois estava submetida ao regime do Lucro Presumido em 2001, de sorte que sua única opção de utilização do crédito seria “pagamento indevido ou a maior”. Tais argumentos também não prosperam, na medida em que “saldo negativo” de imposto nada mais é do que outra forma de denominar o saldo de imposto a ser compensado, que aflora quando o total das retenções sofridas na fonte e outras espécies de antecipação superam o valor do imposto devido no período, sendo que tal situação pode ocorrer qualquer que seja a forma de apuração do lucro: real, presumido, ou mesmo arbitrado. Contudo, da tribuna, trouxe a patrona da recorrente fato novo. Asseverou que a receita correspondente (indenização paga pela BASF S/A à recorrente) fora na verdade apropriada contabilmente não em 2001, mas sim no ano calendário de 2000, em atenção ao regime de competência. Além das cópias de algumas folhas do livro Diário, que acompanharam o Memorial, apresentou também o livro Diário original, onde consta o lançamento que alega ser do valor daquela receita, já descontado dos honorários advocatícios. Além disto, em nova ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A, recebida somente após o protocolo da peça recursal, e anexa ao Memorial da recorrente, consta o reconhecimento, por parte da BASF S.A, de que a alteração no código do DARF, bem como a sua não inclusão em DIRF, decorreu de equívoco de sua exclusiva responsabilidade, e a informação de que ela estaria tentando junto à Receita Federal do Brasil a retificação do código de receita no DARF, bem como da DIRF. Assim, em que pese a inconsistência das teses esposadas tanto na impugnação quanto no recurso, ante as circunstâncias específicas que cercam o caso presente, conforme relatado, e em respeito ao amplo direito de defesa e ao princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: Processo nº 10166.904914/200878 Resolução n.º 11020068 S1C1T2 Fl. 6 6 1. Diligencie para apurar se a receita relativa à indenização paga pela BASF S/A à recorrente foi de fato contabilizada, bem como corretamente oferecida à tributação, no ano calendário de 2000, bem como intime a empresa a esclarecer o(s) motivo(s) de ter assim procedido e a apresentar o(s) documento(s) que lastrearam a determinação do valor do lançamento assim efetuado; 2. Diligencie para apurar se o IRRF retido, no valor de R$ 787.500,00, e recolhido em 25.04.2001, não foi objeto de dedução do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, ou mesmo de dedução do valor eventualmente lançado em auto de infração que tenha sido lavrado contra a recorrente, referente a estes anos, tendo em vista ter a patrona, também da tribuna, informado que a empresa sofrera fiscalização abrangendo tais períodos. 3. Acrescente os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2 acima, bem como outros documentos e/ou informações que considerar relevantes. O resultado final das verificações ora requeridas deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser cientificada a empresa interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, no prazo de 30 dias. Com isso, retornem os autos para o competente julgamento. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000964/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2006
IMUNIDADE.
A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a determina. Os requisitos para o gozo da imunidade prevista no §7° do artigo 195 da Constituição Federal estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Por se norma especial, prevalece sobre o art. 14 do CTN.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis
– CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2006 IMUNIDADE. A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a determina. Os requisitos para o gozo da imunidade prevista no §7° do artigo 195 da Constituição Federal estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Por se norma especial, prevalece sobre o art. 14 do CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis – CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18108.000964/2007-08
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 5065336
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-002.223
nome_arquivo_s : 2402002223_18108000964200708_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 18108000964200708_5065336.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4745862
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111047990312960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 523 1 522 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.000964/200708 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402002.223 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente CENTRO ACADÊMICO XI DE AGOSTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2006 IMUNIDADE. A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a determina. Os requisitos para o gozo da imunidade prevista no §7° do artigo 195 da Constituição Federal estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Por se norma especial, prevalece sobre o art. 14 do CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 561DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.000964/200708 Acórdão n.º 2402002.223 S2C4T2 Fl. 524 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 17/10/2007. O lançamento constitui crédito sobre os valores pagos a contribuintes individuais e segurados empregados, ambos omitidos das folhas de pagamento, segunda a fiscalização. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e do acórdão recorrido: Relatório Fiscal: 1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.° 37.010.1715 sobre contribuições devidas A. Seguridade Social, não retidas, débito • correspondente a parte Empregados Professores/ Trabalhadores não registrados no período e não constantes na folha de pagamento/recibos de pagamento apresentados do mesmo período, pagamentos estes registrados em Livros Diário, na forma prevista na letra "c" de parágrafo único do artigo 11 e na letra "a" do inciso I do artigo 30 ambos da Lei n° 8.212 de 24/07/91 e a partir do mês 04/2003, através da Medida Provisória n.° 83 de 12/12/02, convertida em Lei n.° 10.666 de 08/05/03, contribuições não retidas referentes também sobre a remuneração registrada em Livros Diário de Autônomos Diversos; contribuições devidas A Seguridade Social correspondente a parte da Empresa, Seguro Acidente de Trabalho (SAT) e Terceiros (FNDE, INCRA,SESC e SEBRAE)(1), na forma prevista na letra "a" de parágrafo único do artigo 11; nos incisos I, II e III do artigo 22 e no inciso II do artigo 27, todos da Lei n.° 8.212 de 24/07/91, alterada pela Lei n.° 9.876 de 26/11/99 e Lei Complementar n ° 84 de 18/01/96, considerando a não comprovação destes recolhimentos. Acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2006 Origem: NFLD no 37.010.1715, de 17/10/2007 DECADÊNCIA SUMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. A partir da Súmula vinculante n° 8 do STF que declarou inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, os prazos para a constituição e para a cobrança do crédito tributário relativo As contribuições sociais previdenciárias são regulados pelo art. 173, I do CTN. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. "ISENÇÃO". A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência A determinada matéria. Os requisitos para o gozo da "isenção" prevista no § 7 Fl. 563DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.000964/200708 Acórdão n.º 2402002.223 S2C4T2 Fl. 525 5 0, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Inaplicabilidade do art. 14 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado empregado e do contribuinte individual a seu serviço (a partir da vigência do art. 4° da Lei n° 10.666/03), descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo e sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos mesmos. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. O Relatório de Representantes Legais não tem como escopo incluir os sócios/administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas Micas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do §3 do artigo 4 2 da Lei n 6.830/80. Lançamento Procedente ... 1.1. As contribuições apuradas foram formalizadas nos seguintes levantamentos: "PP" — referese as contribuições incidentes sobre a remuneração paga a professores não registrados (que prestavam serviço de forma habitual, sob subordinação e mediante remuneração), sendo a base de cálculo apurada com base nos Livros Diários apresentados uma vez que tais valores não constavam em folhas de pagamento. 0 Anexo "Relação de Lançamentos Contábeis — Parte A" (fls. 81/98) discrimina, por segurado, o salário –decontribuição, a alíquota correspondente A faixa salarial (art. 20, art. 21 e art. 28 da Lei no 8.212/91) e o valor da contribuição do segurado, no período de 01/2002 a 06/2005; "AA" — referese a contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a diversos autônomos (contribuintes individuais) que prestaram serviços A notificada, sendo os valores apurados com base nos lançamento contábeis dos Livros Diários, no período de 01/2002 a 11/2006, conforme discriminado no Anexo "Relação de Lançamentos Contábeis — Parte B" (fls. 98/122). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: Defende que as atividades desenvolvidas são de assistência social nos termos do artigo 203 da Constituição Federal e da LOAS; 2.8. contesta, em síntese, a inconstitucionalidade formal e material da Lei n o 8.212/91 e do Decreto n° 2.536/98, insurge se contra o prazo decadencial de 10 anos (art. 45 da Lei no 8.212/91) e requer a exclusão dos diretores e exdiretores do pólo passivo. Vejamos com mais vagar: Fl. 564DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 2.9. destaca que a impugnante é entidade beneficente, constituída sem quaisquer finalidades lucrativas, com atuação nas Areas de educação, assistência social e cultura, prestando serviços judiciários gratuitos, defesa de direitos, da democracia e consolidação da cidadania, de forma totalmente gratuita, em especial à população carente; 2.10. alega que, pela própria natureza de suas atividades, e, por cumprir todos os requisitos dispostos pelo art. 14 do CTN, a notificada faz jus à imunidade prevista no art. 195, §7 da CF, que afasta a exigência da contribuição patronal, e, que, no entanto, foi lavrada a presente NFLD cobrando tais contribuições; 2.11. discorda da exigência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, previsto no inciso II do art. 55 da Lei n ° 8.212/91 e disciplinado pelo art. 30 do Decreto n° 2.536/98, justificando que tais dispositivos inovam e extrapolam em relação ao art. 14 do CTN, maculando o presente lançamento pela inconstitucionalidade formal e material; 2.12. destaca que o art. 195, §7° da CF trata da imunidade tributária e que as limitações ao poder de tributar devem ser disciplinadas por lei complementar (art. 146, II da CF), no caso, o art. 14 do CTN que, conforme alega, é cumprido pela impugnante. Transcreve doutrina e jurisprudência; 2.13. aponta que, além da inconstitucionalidade formal — vez que a matéria de imunidade é reservada à legislação complementar o lançamento também está eivado de inconstitucionalidade material na medida em que o art. 55 da Lei n° 8.212/91 e o art. 3 ° do Decreto n° 2.536/98 impõem requisitos que só as pessoas jurídicas exclusivamente filantrópicas poderiam cumprir; 2.14. cita decisão liminar proferida nos autos das Ações Diretas de Inconstitucionalidade no 20285 e n° 20366, onde o STF fixa o entendimento de que as entidades beneficentes não englobam, apenas, as pessoas jurídicas cujo objeto social seja destinado, exclusivamente, A. filantropia mas também outras; 2.15. conclui que a legislação que impõe restrições, tais como a do inciso II do art. 55 da Lei no 8.212/91, nos termos regulamentados pelo Decreto n ° 2.536/98, é inconstitucional, pois viola o conceito de entidade beneficente constante do art. 195, §7 ° da CF; 2.18. discorda da inclusão dos diretores e codiretores na relação de coresponsáveis, alegando que não existem razões legais para que se indique os mesmos como coresponsáveis ou responsáveis solidários, e, fundamenta, que se trata de pessoas distintas do contribuinte que só poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) nas hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN; 2.19. alega que não havendo adequação do caso concreto àquelas hipóteses legais (arts. 134 e 135 do CTN) e que não restando configurado o inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa (art. 13 da Lei n ° Fl. 565DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.000964/200708 Acórdão n.º 2402002.223 S2C4T2 Fl. 526 7 8.620/93), não há que se falar em responsabilização solidária. Transcreve jurisprudência; 2.20. conclui que, independentemente do meio processual utilizado pela Auditora Fiscal para deduzir sua pretensão. creditória, a cobrança de quaisquer valores em face dos diretores e exdiretores está condicionada a ocorrência das hipóteses expressamente previstas na legislação tributária em vigor. É o Relatório. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 567DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.000964/200708 Acórdão n.º 2402002.223 S2C4T2 Fl. 527 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Coresponsáveis Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Fl. 568DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; Fl. 569DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.000964/200708 Acórdão n.º 2402002.223 S2C4T2 Fl. 528 11 c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. Assim, voto pela rejeição da preliminar de co responsabilidade. Decadência O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando o presente caso, em que não houve pagamento de parte das contribuições devidas, deve ser aplicado o artigo 173, I do CTN. Resultando daí que não há período alcançado pela decadência. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Insurgese a recorrente defendendo sua imunidade. Não contesta o enquadramento dos segurados considerados pela fiscalização. Reconhece também que não possui o CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, mas que não haveria necessidade tendo em vista o artigo 14 do CTN não exigilo. A Constituição Federal de 1988 previu no §7° do artigo 195 a possibilidade de as entidades beneficentes de assistência social gozarem da isenção da contribuição previdenciária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. O Supremo Tribunal Federal decidiu que a norma constitucional não exigiu lei complementar para sua regulamentação. A Lei n.º 8.212/91, dispôs no seu artigo 55, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.732/98, quais são os requisitos para gozo da imunidade: Art.55 Fica isenta das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 570DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; * Inciso III com redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/1998 (DOU de 14/12/1998, em vigor desde a publicação). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. E considerando que a entidade não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), faltalhe requisito essencial para o gozo do direito que alega possuir. Segue transcrição de decisão do STF (mandado de injunção 616SP, de 17/06/2002): RECURSO EXTRAORDINÁRIO MATÉRIA FÁTICA INVIABILIDADE — DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5 Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folha 46 a 55, assim resumido: "TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. 1. O §7° do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei n°8.212/91. 2. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. 3. Ocorre que, in casu, há regra especifica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, §7°, Ft mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à "lei", não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. 4. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na citada lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Fl. 571DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.000964/200708 Acórdão n.º 2402002.223 S2C4T2 Fl. 529 13 5. Apelação improvida." 2. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional a luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacifica a respeito, devendose ter presente o Verbete n°279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fálicos estranhos decisão atacada, buscandose, em: última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em: quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folha 49). 3. Conheço do agravo e o desprovejo. No mais, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 572DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 35096.000024/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS CONTÁBEIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE.
Constitui infração deixar a empresa de apresentar livros ou documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS CONTÁBEIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar livros ou documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35096.000024/2006-25
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4807008
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-002.241
nome_arquivo_s : 2402002241_35096000024200625_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 35096000024200625_4807008.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4747945
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111048110899200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 73 1 72 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35096.000024/200625 Recurso nº 263.772 Voluntário Acórdão nº 240202.241 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente CARTEL COMERCIAL DE AUTOMÓVEIS TRÊS LAGOAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS CONTÁBEIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar livros ou documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35096.000024/200625 Acórdão n.º 240202.241 S2C4T2 Fl. 74 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei no 8.212/1991, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei no 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 12) – embora formalmente solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 07/08 –, a empresa deixou de apresentar os Livros contábeis (Diário e Razão), referentes às competências 01/1995 a 07/2005. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 11) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei no 8.212/1991, c/c art. 283, inciso II, alínea “j”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$11.017,50 (onze mil, dezessete reais e cinquenta centavos). Não foram configuradas circunstâncias agravantes nem atenuantes, previstas nos arts. 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/12/2005 (fls. 01 e 109, processo 35096.000027/200669), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20/28) – acompanhada de anexos de fls. 29/43 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu a nulidade do Auto de Infração por falta de discriminação precisa dos fundamentos legais e dos motivos de fato que ensejaram o lançamento, o que afronta o contraditório e a ampla defesa, o art. 37 da Lei 8.212/1991, citando decisões administrativas de primeira instância do INSS e do Conselho de Contribuintes, parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social e doutrina; 2. há inocorrência da infração porque não deixou de atender a intimação contida no TIAD, tendo colocado à disposição do fiscal todos os seus documentos, inclusive os livros Diário e Razão, tendo o próprio INSS reconhecido que todos os documentos foram devidamente apresentados, com exceção dos livros Diário e Razão, motivo pelo qual não ficou caracterizada nenhum circunstância agravante; 3. Pedidos: acatamento da preliminar de nulidade ou a declaração da improcedência. Requer a oitiva das testemunhas Jaime Pereira Dias Fl. 76DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 (gerente financeiro) e Melita Campos Rocha (auxiliar de contabilidade). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande/MS – por meio do Acórdão no 0412.569 da 3a Turma da DRJ/CGE (fls. 47/52) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 57/69), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Campo Grande/MS encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) para processo e julgamento (fls. 71/72). É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35096.000024/200625 Acórdão n.º 240202.241 S2C4T2 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Cumpre esclarecer que, nos termos do art. 113 do CTN, a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta no art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. O cerne do recurso, apresentado pela Recorrente, repousa em alegação de que ao procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Verificase que a Recorrente, para as competências 01/2000 a 07/2005, deixou de apresentar os Livros contábeis (Diário e Razão), relacionados com as contribuições sociais previdenciárias previstas na Lei no 8.212/1991. Com essa conduta a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Esse art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei no 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 232 e art. 233, parágrafo único: Do Exame da Contabilidade (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n.) Fl. 79DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35096.000024/200625 Acórdão n.º 240202.241 S2C4T2 Fl. 76 7 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente, ao não apresentar ao Fisco ao Livros contábeis (Diário e Razão), referentes às competências 01/2000 a 07/2005 – devidamente solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) –, incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Frisamos que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei no 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966: Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei no 10.406/2002: Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 11/12). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/19) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no Fl. 80DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 07/08) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fl. 10) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 11/12. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/19) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35096.000024/200625 Acórdão n.º 240202.241 S2C4T2 Fl. 77 9 É importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir os documentos e livros contábeis em conformidade com a legislação vigente, não cabendo ao fisco analisar os motivos subjetivos da sua não apresentação. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Embora a Recorrente tenha juntado ao processo no 35096.000028/200611 (NFLD 37.125.9520) cópias de folhas dos Livros Diários, exercícios contábeis de 2002 a 2004, (fls. 815/897 daqueles autos), estas cópias, por si só, não servem como prova porque os documentos juntados foram produzidos sem observância das formalidades extrínsecas, afastandolhes a presunção de validade. Logo, não procede a alegação da Recorrente de que não houve dolo ou simulação, assim como não procede a mera alegação de que os documentos foram colocados disposição do INSS, eis que ela não apresentou ao Fisco os Livros contábeis (Diário e Razão), em sua plenitude, para as competências 01/2000 a 07/2005. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/19) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/12/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13654.000131/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CÂMARA MUNICIPAL – APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO – POSSIBILIDADE – De acordo com o art. 15 da Lei nº 8.212/1991, o órgão
público de maneira geral se equipara à empresa com todos os seus deveres e prerrogativas. Deve ser conhecida a defesa apresentada pela Câmara Municipal se a ação fiscal foi desenvolvida e os fatos geradores ocorreram no âmbito desta. Representaria cerceamento de defesa, vir a exigir que a defesa de contra um lançamento efetuado nestas condições fosse apresentada pelo
prefeito ou procurador do Município.
Decisão Recorrida Anulada
Numero da decisão: 2402-002.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CÂMARA MUNICIPAL – APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO – POSSIBILIDADE – De acordo com o art. 15 da Lei nº 8.212/1991, o órgão público de maneira geral se equipara à empresa com todos os seus deveres e prerrogativas. Deve ser conhecida a defesa apresentada pela Câmara Municipal se a ação fiscal foi desenvolvida e os fatos geradores ocorreram no âmbito desta. Representaria cerceamento de defesa, vir a exigir que a defesa de contra um lançamento efetuado nestas condições fosse apresentada pelo prefeito ou procurador do Município. Decisão Recorrida Anulada
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13654.000131/2009-91
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4806868
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-002.235
nome_arquivo_s : 2402002235_13654000131200991_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13654000131200991_4806868.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4747933
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111048201076736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 82 1 81 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13654.000131/200991 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 2402002.235 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente MUNICÍPIO DE POUSO ALTO CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CÂMARA MUNICIPAL – APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO – POSSIBILIDADE – De acordo com o art. 15 da Lei nº 8.212/1991, o órgão público de maneira geral se equipara à empresa com todos os seus deveres e prerrogativas. Deve ser conhecida a defesa apresentada pela Câmara Municipal se a ação fiscal foi desenvolvida e os fatos geradores ocorreram no âmbito desta. Representaria cerceamento de defesa, vir a exigir que a defesa de contra um lançamento efetuado nestas condições fosse apresentada pelo prefeito ou procurador do Município. Decisão Recorrida Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase infração pelo descumprimento da Lei 8.666, de 21.06.93, art. 29, IV, na redação dada pela Lei 8.883, de 08.06.94 e na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 47, I, “a” e alterações posteriores, combinado com o art. 257, I, “a” e parágrafo 7º e art. 263, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, que consiste em deixar o servidor, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir Certidão Negativa de Debito CND, da empresa, quando da licitação, da contratação com o poder público, ou no recebimento de benefícios ou de incentivo fiscal ou creditício concedidos por ele. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 16), embora devidamente intimada, a autuada não apresentou CND na contratação das seguintes empresas: • Rita de Cássia Soares CNPJ 02.229.028/000120 • Liz e Gomes Advoc e Consultoria Ltda CNPJ 04.266.521/000146 A autuada teve ciência do lançamento em 06/03/2009 e apresentou defesa (fls. 33/37). Pelo Acórdão nº 0927.046 (fls. 49/52) a 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (MG) não conheceu da defesa apresentada sob o argumento de que teria sido oferecida por parte ilegítima, sem personalidade e capacidade jurídicas. Menciona o art. 12, inciso II, do CPC que dispõe que o Município será representado em juízo, ativa e passivamente, por seu Prefeito ou procurador. Segundo a decisão de primeira instância, a Câmara Municipal não tem legitimidade e capacidade jurídica para representar o Município e ainda não goza de personalidade jurídica. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 55/589) onde manifesta seu inconformismo diante do não conhecimento da defesa apresentada. Entende que a Câmara Municipal é parte legítima para apresentar impugnação e que a capacidade tributária possui conceito distinto da capacidade jurídica. Argumenta que o próprio Código Tributário Nacional, em seu artigo 126, dispõe que a capacidade tributária independe da capacidade civil das pessoas naturais (inciso I) e de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional (inciso III). Aduz que a Câmara Municipal é o órgão que representa na vida concreta o Poder Legislativo do Município e que o acórdão recorrido demonstra um desconhecimento crasso ao classificar a Câmara como um mero "departamento" do Município. Lembra o que dispõe o artigo 2º da própria Constituição Federal no sentido de que são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13654.000131/200991 Acórdão n.º 2402002.235 S2C4T2 Fl. 83 3 Alega que dada esta independência garantida pela Constituição, a Câmara Municipal possui autonomia administrativa e financeira, exercendo por meios próprios a administração de seu pessoal, de seus recursos financeiros, de suas compras e de sua Contabilidade. Não possui qualquer relação de subordinação ao Prefeito, chefe do Poder Executivo, dado o primado político fundamental da independência dos Poderes. Possui CNPJ próprio, diferenciado do Município (vide comprovantes em anexo), recolhe separadamente as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento de seus agentes, e apresenta também separadamente à Previdência Social e a Receita Federal as declarações exigidas por lei. Assim sendo, é considerada pela Receita Federal como contribuinte, possuindo claramente capacidade tributária autônoma. Por isso mesmo, a ação fiscalizatória da RFB foi executada sobre a Câmara Municipal, como contribuinte, e sobre atos praticados pelos seus agentes. E, ao receber a notificação, o Presidente tratou tempestivamente de apresentar a devida impugnação, demonstrando o equivoco da autuação. Assim, solicita a anulação da decisão de primeira instância com a devolução dos autos para que seja conhecida a defesa apresentada. No mais, efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão foi efetuado contra o Município de Pouso Alto relativamente a à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória ocorrida no âmbito da Câmara Municipal. A ação fiscal foi desenvolvida junto à Câmara Municipal e após o envio do Auto de Infração por via postal, foi apresentada defesa pela Câmara Municipal de Pouso Alto. A defesa não foi conhecida em julgamento de primeira instância sob o argumento de que a Câmara Municipal não teria legitimidade e capacidade jurídica para representar o Município e ainda não gozaria de personalidade jurídica. Argumenta o relator do acórdão recorrido que o Município deve ser representado em juízo, ativa e passivamente, por seu Prefeito ou procurador, conforme dispõe o art. 12, inciso II, do CPC, abaixo transcrito: Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) II o Município, por seu Prefeito ou procurador; A recorrente, por sua vez, manifesta seu inconformismo contra tal decisão, por entender que é parte legítima para apresentar impugnação, que possui capacidade tributária, cujo conceito é distinto da capacidade civil. Argumenta, ainda, que a Câmara Municipal possui independência em relação ao Poder Executivo Municipal, além de possuir autonomia administrativa e financeira e CNPJ próprio. A meu ver, assiste razão à recorrente. Asseverese que toda a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da Câmara Municipal de Pouso Alto, os fatos geradores são pagamentos efetuados a seus servidores e esta detém a responsabilidade pelo pagamento dos tributos devidos, entrega de GFIP e cumprimento das demais obrigações acessórias previstas na legislação. Além disso, a autuação foi encaminhada à Câmara Municipal, conforme se observa na cópia do AR – Aviso de Recebimento (fls. 33). Dispõe o inciso I do art. 15 da Lei nº 8.212/1991, o seguinte: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Fl. 88DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13654.000131/200991 Acórdão n.º 2402002.235 S2C4T2 Fl. 84 5 Como se vê, o legislador na legislação específica que trata da contribuição previdenciária equipara à empresa os órgãos públicos de maneira geral, ou seja, não há qualquer especificação de que somente poderiam ser considerados empresas o ente dotado de personalidade jurídica. Assim, a Lei nº 8.212/1991 ao equiparar o órgão público à empresa também atribuiu a este todas as obrigações e direitos inerentes às empresas no que concerne às contribuições previdenciárias. O Relator da decisão recorrida apresenta como argumento para o não conhecimento da defesa o art. 12 inciso II do CPC, segundo o qual o Município será representados em juízo, ativa e passivamente, pelo Prefeito ou Procurador Entendo que os dispositivos do CPC podem ser utilizados subsidiariamente no âmbito do contencioso administrativo fiscal, porém, como já argüido a legislação de regência equipara à empresa, com todos os seus deveres e prerrogativas, os órgãos públicos, situação em que se enquadra perfeitamente a Câmara Municipal. Além disso, se verifica verdadeiros cerceamento de defesa executar a totalidade da ação fiscal no âmbito da Câmara Municipal, relativamente a fatos geradores ocorridos quando do pagamento de segurados desta, enviar a autuação para a sede da Câmara Municipal e, posteriormente, exigir que a defesa fosse apresentada pelo Prefeito Municipal ou Procurador. O cerceamento de defesa se verificaria até pela dificuldade ou até mesmo impossibilidade de que o Prefeito Municipal, chefe de um Poder autônomo e independente, pudesse apresentar a defesa contra o lançamento de um crédito tributário do qual não teve qualquer participação ou relação. Aliado a isso, não custa lembrar que alguns Municípios sequer possuem uma Procuradoria constituída, o que dificultaria ainda mais a defesa da recorrente. O tratamento igualitário e independente dado pela fiscalização previdenciária aos órgãos públicos objeto de ação fiscal pode ser observado, por exemplo, quando da vigência do ora revogado art. 41 da Lei nº 8.212/1991, que dispunha o seguinte: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Quando da verificação do descumprimento de obrigações acessórias no âmbito dos órgãos públicos fiscalizados, a auditoria fiscal sempre efetuou a autuação pelo descumprimento das obrigações acessórias contra o dirigente do órgão como, por exemplo, presidentes de Câmaras Municipais. Portanto, entendo que o dispositivo CPC apontado na decisão recorrida não deve ser considerado no âmbito do contencioso administrativo fiscal pelas fundamentos apresentados. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Diante do exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 90DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000036/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS E AUDITADOS EM NOTAS FISCAIS. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. FALTA DE PROVAS DE SUA DESCARACTERIZAÇÃO
Caracteriza omissão de receita divergência entre os valores informados em DIPJ, em montante inferior aos apurados pela fiscalização, com base em notas fiscais fornecidas à autoridade tributária pelos tomadores de serviço da autuada. Na hipótese de a divergência entre os valores ter sido motivada no regime contábil de competência e de caixa, cabe ao contribuinte, especialmente porque foi intimado a apresentar escrituração contábil no curso da fiscalização, demonstrar, na contabilidade, a data dos efetivos recebimentos das receitas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2006
COFINS REFLEXO. APURAÇÃO MENSAL E NÃO TRIMESTRAL. CORREÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. CABIMENTO
Não constituiu novo lançamento tributário, mas simples alteração em razão da sistemática natural do sistema contraditório do processo, a redução de valores dos lançamentos de PIS/COFINS, em razão de o auto de infração ter realizado o lançamento com base no trimestre, quando o correto seria o mês de competência. Não cabe, nestes casos, o cancelamento integral dos lançamentos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2006
PIS REFLEXO. APURAÇÃO MENSAL E NÃO TRIMESTRAL. CORREÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. CABIMENTO
Não constituiu novo lançamento tributário, mas simples alteração em razão da sistemática natural do sistema contraditório do processo, a redução de valores dos lançamentos de PIS/COFINS, em razão de o auto de infração ter realizado o lançamento com base no trimestre, quando o correto seria o mês de competência. Não cabe, nestes casos, o cancelamento integral dos lançamentos.
Numero da decisão: 1302-005.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Fabiana Okchstein Kelbert, que davam provimento parcial ao recurso, apenas para cancelar as exigências relativas à Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleucio Santos Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: CLEUCIO SANTOS NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202111
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS E AUDITADOS EM NOTAS FISCAIS. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. FALTA DE PROVAS DE SUA DESCARACTERIZAÇÃO Caracteriza omissão de receita divergência entre os valores informados em DIPJ, em montante inferior aos apurados pela fiscalização, com base em notas fiscais fornecidas à autoridade tributária pelos tomadores de serviço da autuada. Na hipótese de a divergência entre os valores ter sido motivada no regime contábil de competência e de caixa, cabe ao contribuinte, especialmente porque foi intimado a apresentar escrituração contábil no curso da fiscalização, demonstrar, na contabilidade, a data dos efetivos recebimentos das receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2006 COFINS REFLEXO. APURAÇÃO MENSAL E NÃO TRIMESTRAL. CORREÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. CABIMENTO Não constituiu novo lançamento tributário, mas simples alteração em razão da sistemática natural do sistema contraditório do processo, a redução de valores dos lançamentos de PIS/COFINS, em razão de o auto de infração ter realizado o lançamento com base no trimestre, quando o correto seria o mês de competência. Não cabe, nestes casos, o cancelamento integral dos lançamentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 PIS REFLEXO. APURAÇÃO MENSAL E NÃO TRIMESTRAL. CORREÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. CABIMENTO Não constituiu novo lançamento tributário, mas simples alteração em razão da sistemática natural do sistema contraditório do processo, a redução de valores dos lançamentos de PIS/COFINS, em razão de o auto de infração ter realizado o lançamento com base no trimestre, quando o correto seria o mês de competência. Não cabe, nestes casos, o cancelamento integral dos lançamentos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 16832.000036/2010-11
anomes_publicacao_s : 202112
conteudo_id_s : 6537800
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1302-005.985
nome_arquivo_s : Decisao_16832000036201011.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : CLEUCIO SANTOS NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 16832000036201011_6537800.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Fabiana Okchstein Kelbert, que davam provimento parcial ao recurso, apenas para cancelar as exigências relativas à Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
id : 9113210
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111048463220736
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-14T20:33:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-14T20:33:48Z; Last-Modified: 2021-12-14T20:33:48Z; dcterms:modified: 2021-12-14T20:33:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-14T20:33:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-14T20:33:48Z; meta:save-date: 2021-12-14T20:33:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-14T20:33:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-14T20:33:48Z; created: 2021-12-14T20:33:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-12-14T20:33:48Z; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-14T20:33:48Z | Conteúdo => S1-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16832.000036/2010-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-005.985 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2021 Recorrente ESFEROVAL REPRESENTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS E AUDITADOS EM NOTAS FISCAIS. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. FALTA DE PROVAS DE SUA DESCARACTERIZAÇÃO Caracteriza omissão de receita divergência entre os valores informados em DIPJ, em montante inferior aos apurados pela fiscalização, com base em notas fiscais fornecidas à autoridade tributária pelos tomadores de serviço da autuada. Na hipótese de a divergência entre os valores ter sido motivada no regime contábil de competência e de caixa, cabe ao contribuinte, especialmente porque foi intimado a apresentar escrituração contábil no curso da fiscalização, demonstrar, na contabilidade, a data dos efetivos recebimentos das receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2006 COFINS REFLEXO. APURAÇÃO MENSAL E NÃO TRIMESTRAL. CORREÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. CABIMENTO Não constituiu novo lançamento tributário, mas simples alteração em razão da sistemática natural do sistema contraditório do processo, a redução de valores dos lançamentos de PIS/COFINS, em razão de o auto de infração ter realizado o lançamento com base no trimestre, quando o correto seria o mês de competência. Não cabe, nestes casos, o cancelamento integral dos lançamentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 PIS REFLEXO. APURAÇÃO MENSAL E NÃO TRIMESTRAL. CORREÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. CABIMENTO Não constituiu novo lançamento tributário, mas simples alteração em razão da sistemática natural do sistema contraditório do processo, a redução de valores dos lançamentos de PIS/COFINS, em razão de o auto de infração ter realizado o lançamento com base no trimestre, quando o correto seria o mês de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 36 /2 01 0- 11 Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.985 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000036/2010-11 competência. Não cabe, nestes casos, o cancelamento integral dos lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Fabiana Okchstein Kelbert, que davam provimento parcial ao recurso, apenas para cancelar as exigências relativas à Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de DRJ que manteve, em parte, autuação contra a empresa ora recorrente. Em síntese, o caso versa sobre auto de infração lavrado contra a empresa indicada acima, em que foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL e PIS/COFINS reflexos, nos termos do auto de infração de fls. 66/88, referente ao ano calendário 2006. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 62/65, a empresa teria entregue DIPJ do período autuado, ano calendário 2006, indicando valor de receita inferior ao que foi apurado pela fiscalização, mediante auditoria sobre notas fiscais de seus tomadores de serviço. Segundo o TCF, a empresa declarou na DIPJ exercício 2007, ano calendário 2006, uma receita de R$ 640.650,71 e da análise das notas fiscais emitidas pela autuada a seus tomadores de serviços, encontrou-se o valor de R$ 2.521.491,36 referente a receita de prestação de serviços. Considerando que a empresa recorrente era optante do lucro presumido, foi autuada pelo não recolhimento dos tributos mencionados acima, sobre a diferença entre as receitas, o que resultou na constituição do crédito tributário de R$ 506.793,72, tendo sido descontado o IRRF e aplicada apenas multa de ofício de 75% e juros legais. Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.985 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000036/2010-11 A empresa impugnou o auto de infração, alegando que a fiscalização se equivocou quanto a metodologia para apuração da citada omissão de receita. Isso porque, a recorrente teria optado pelo regime de caixa para apuração da base de cálculo dos tributos lançados e a fiscalização adotou o regime de competência. Assim, entre a data do faturamento dos serviços prestados e do pagamento das faturas, havia lapso temporal que justificaria as divergências de valores declarados na DIPJ e os auditados sobre as notas fiscais. Alegou também que a fiscalização não compensou o IRRF do segundo, terceiro e quarto trimestres de 2006, o que macularia o lançamento tributário. Quanto ao PIS/COFINS, sustentou que o auto de infração calculou o respectivo crédito tributário por trimestre, quando o correto seria apuração mensal. Isso implicaria no cancelamento do auto de infração, pois teria a autoridade tributária deslocado indevidamente a data de ocorrência do fato gerador de tais contribuições. A DRJ acolheu em parte os argumentos da recorrente para retificar o auto de infração quando ao IRRF e regime de apuração do PIS/COFINS, conforme se depreende da ementa da decisão, reproduzida abaixo (fls. 128/140): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano- calendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. ESCRITURAÇÃO: REGIME DE CAIXA x REGIME DE COMPETÊNCIA. MANUTENÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. A mera indicação na DIPJ da opção pelo regime de caixa como forma de escrituração das operações da pessoa jurídica, sem a devida apresentação dos registros contábeis e fiscais, não tem o condão de afastar a acusação de omissão de receitas apurada pela Fiscalização pelo regime de competência, proveniente de serviços prestados de representação não oferecidos à tributação. SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO. DEDUÇÃO DO IRRF NA APURAÇÃO DO IRPJ. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Na apuração do IRPJ devido é cabível a dedução, em cada trimestre, do IRRF incidente sobre os serviços de representação prestados no decorrer do ano calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. MANUTENÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. LANÇAMENTO MANTIDO. Aplicam-se ao lançamento da CSLL, tido como reflexo, as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que do exame dos autos conclui- se pela manutenção integral da base tributável da exigência do IRPJ. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2006 PIS. COFINS. APURAÇÃO MENSAL. REDUÇÃO DA BASE Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.985 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000036/2010-11 TRIBUTÁVEL APURADA TRIMESTRALMENTE. RETIFICAÇÃO DOS LANÇAMENTOS. A legislação tributária dispõe que a apuração do PIS e da COFINS é mensal. Se a Fiscalização apura trimestralmente ambas as contribuições, impõe-se a retificação dos lançamentos a partir da redução da base tributável correspondente ao último mês de cada trimestre do ano calendário fiscalizado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 153/161, alegando que se equivocou a DRJ ao decidir que eventuais divergências entre regime de caixa e de competência como justificativa para a diferença entre os valores declarados em DIPJ e os apurados pela fiscalização, deveriam ser comprovados com documentação contábil. Isso porque, sustenta a recorrente, nunca foi intimada no curso do procedimento fiscal para realizar essa prova. Quanto ao reconhecimento pela DRJ de que o lançamento tributário de PIS/COFINS trimestral foi incorreto, pois deveria ter sido mensal, alega que o auto de infração deveria ser cancelado em sua integralidade e não somente retificado neste ponto específico pela decisão recorrida. O feito foi inicialmente distribuído ao Conselheiro Nelson Kichel e redistribuído para mim, por sorteio, em razão da dispensa do mandato, a pedido, do mencionado conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Cleucio Santos Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. A recorrente não argui preliminares, de modo que o apelo poderá ser apreciado diretamente no mérito. Quanto ao mérito, a recorrente se insurge contra a manutenção do auto de infração no tocante à omissão de receita e alega que, apesar de a DRJ ter reconhecido que a apuração feita pela autoridade lançadora do PIS/COFINS no regime trimestral ser incorreta, deveria ter cancelado o auto de infração neste ponto e não simplesmente recalcular os valores. Sobre o primeiro ponto, a DRJ sustentou que a impugnação do contribuinte não procedia. Isso porque, a recorrente justificou as discrepâncias entre os valores declarados em DIPJ e os que foram apurados com o exame das notas fiscais de seus tomadores de serviços, em razão de sua opção pelo regime de caixa. Assim, alega que a fiscalização apurou omissão de receita, pois considerou como o momento de recebimento dos valores constantes das notas fiscais, as datas das respectivas emissões. A recorrente sustenta que, em razão da opção legal Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.985 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000036/2010-11 pelo regime de caixa, as receitas teriam sido efetivamente recebidas posteriormente, daí o motivo das divergências de valores. Argumentou a decisão recorrida que, no caso, cabia à recorrente comprovar contabilmente o momento em que os recebimento se deram de fato. Ocorre que a empresa não apresentou nenhuma prova que justificasse as divergências. Ressaltou também a decisão recorrida, que a maioria das notas fiscais mencionaram que os pagamentos seriam realizados à vista. As demais, por sua vez, previram pagamentos no mesmo mês de emissão. Assim, cabia à recorrente demonstrar por meio de escrituração contábil ou extratos bancários que os pagamentos ocorreram em datas diferentes das mencionadas nas notas fiscais. No entanto, a empresa não juntou nenhuma prova com a impugnação que dessem respaldo às suas alegações. No recurso voluntário, sustenta que não foram juntadas tais provas por que nunca foi intimada a fazê-lo no curso do procedimento fiscal. Este argumento não procede. Em 20/05/2009, data do início da fiscalização, a recorrente foi intimada para apresentar: 1. Cópia do cartão CNPJ, Contrato Social e alterações, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; 2. Relação dos fornecedores durante o ano de 2006; 3. Livros fiscais e contábeis (fls. 13). Posteriormente, 07/12/2009, foi intimada da continuação do procedimento fiscal, oportunidade em que constou do Termo a seguinte exigência: 1-Contrato Social e posteriores alterações;2-Livros Diário, Razão e de Invemtirio.3-Extratos bancários das contas-correntes da empresa. É de se ver que a recorrente foi intimada para apresentar sua documentação contábil e fiscal, mas não o fez, o que ensejou a intimação de suas fornecedoras para que apresentassem as notas fiscais de serviços prestados pela recorrente às suas tomadoras de serviços (fls. 16/20). Com base nas notas fiscais fornecidas, foi possível constatar a divergência entre as receitas informadas na DIPJ e as que teriam sido pagas por suas clientes. Além disso, realmente, cabia à recorrente, na medida em que sustentou como argumento de defesa para esse ponto que as diferenças de valores decorriam da opção pelo regime de caixa, seria esperado que juntasse as provas contábeis ou outros meios de prova, de que recebeu efetivamente os valores em datas diferentes do regime de competência. Teve a oportunidade de fazê-lo com a impugnação e, ainda que excepcionalmente, no recurso voluntário. No entanto, insiste na tese de que as divergências decorrem dos lançamentos realizados sob o regime de caixa, mas não trouxe nenhuma prova que atestasse esse fato. A simples alegação não é suficiente para afastar a presunção de que as receitas foram recebidas nas datas informadas nas notas fiscais. Assim, nada a prover sobre esta alegação. Sobre o outro ponto, a recorrente impugna o fato de a DRJ ter retificado o lançamento tributário para apurar as contribuições reflexas PIS/COFINS no regime mensal e não trimestral, conforme o auto de infração. Argumenta que, no caso, houve um deslocamento do momento de ocorrência do fato gerador de tais tributos, o que levaria ao cancelamento integral dos lançamentos, e não apenas à sua retificação. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.985 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000036/2010-11 De acordo com o art. 145, do CTN, tem-se o seguinte: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Verifica-se que, no caso dos autos, tendo a recorrente impugnado a forma de apuração de tais contribuições e a primeira instância acolhido tal manifestação, é lícita a alteração do lançamento. Note-se que a DRJ não realizou um novo lançamento, mas tão somente reduziu os valores lançados originalmente no auto de infração para ajusta-los à legislação de regência. Assim, é de se considerar, igualmente, improcedente a alegação da empresa. Diante do exposto, conheço do recurso e voto em negar provimento. (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001036/2001-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.098
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13819.001036/2001-27
conteudo_id_s : 6536876
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1102-000.098
nome_arquivo_s : Decisao_13819001036200127.pdf
nome_relator_s : ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13819001036200127_6536876.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 9110593
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111048506212352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.001036/200127 Recurso nº Voluntário Resolução nº 110200.098 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de diligência Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de retorno de diligência, determinada conforme Resolução nº 1401 00.007, de 13.05.2009, cujo resultado da mesma foi cientificado à contribuinte, tendo sido apresentada manifestação por parte da interessada. A contribuinte apresentou o pedido de restituição de fls. 1, em 14.05.2001, onde pleiteia a restituição do saldo negativo do imposto de renda, do anocalendário de 2000, no valor de R$ 14.072.854,66, e simultaneamente, apresentou pedido de compensação no valor de R$ 25.009.972,14, que foi corrigido pela autoridade administrativa para R$ 14.072.854,66 (débito da cofins, vencto. 15.05.2001). Nesse anocalendário a contribuinte apurou prejuízo fiscal. Junto com o pedido de restituição inicial, apresentou informes de rendimentos de aplicações financeiras. Também foram juntados aos autos a DIPJ de fls. 76/85, retificadora, que aponta o saldo negativo de R$ 17.557.681,63. Em 30.10.2002, foi apresentado pedido de compensação no valor de R$ 3.263.321,11, para compensação com o débito, código 2484, vencimento em 31.10.2002; O pedido de restituição foi indeferido, por falta de comprovação de que as receitas financeiras que geraram as retenções na fonte, foram oferecidas à tributação, mas a compensação no valor de R$ 14.072.854,66 foi homologada tacitamente, em razão do despacho decisório ter sido proferido após o prazo de cinco anos da protocolização do pedido de compensação. A compensação, cujo pedido foi formulado em 30.10.2002 não foi homologada Pelo doc. de fls. 101 o rendimento bruto é de R$ 70.450.244,59 e o valor do imposto retido é de R$ 16.544.976,96. Consta no Termo de diligência fiscal de fls. 102, de 08.09.2004, que foram conferidas a efetividade da retenção do imposto de renda pelas instituições financeiras, conferindo os valores pleiteados com os valores declarados como retidos pelas mesmas, nas respectivas DIRFs (fls. 70/75), confirmando como efetivamente retido o montante de R$ 16.544.976,96 (fls. 99/101). Na DIPJ a contribuinte declarou outras receitas financeiras de R$ 64.735.801,34. Consta no despacho decisório às fls. 132/134, que o valor pleiteado como restituição advém unicamente do IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras. Em 07.11.2006 foi apresentada a retificação do pedido de restituição para R$ 17.557.681,63. Apresentada manifestação de inconformidade, a Turma Julgadora não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Transcrevo do relatório da Resolução nº. 140100.007, de 13.05.2009, a síntese do recurso voluntário: A ciência da decisão foi dada em 24.07.2007 e o recurso foi apresentado em 22.08.200. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 3 3 A recorrente aduz que o indeferimento ignora a homologação tácita do lançamento do IRPJ do anocalendário e 2000, apurado e declarado em DIPJ. Diz que como o prejuízo fiscal apurado foi tacitamente homologado e houve prova de que as retenções de IRRF foram realizadas, o acórdão recorrido não poderia deixar de reconhecer a legitimidade da compensação. Entende que se aplica o § 4° do art. 150 do CTN. Entende que a homologação tácita produz efeitos jurídicos, dentre os quais, de tornar definitivo e imutável o lançamento tal como realizado, não podendo ser objeto de revisão que tenha por finalidade alterálo, mesmo que para exigir tributos em períodos que ainda não foram atingidos pela decadência. Argumenta que na tentativa de descaracterizar o instituto da decadência, tentou o julgador transportar o fato tributário para setembro de 2002, aduzindo que a exigência fiscal referese ao débito de CSLL, cuja compensação com saldo negativo do IRPJ de 2000 não foi homologada pela autoridade competente. Entende que, todavia, o fato com o qual efetivamente não se conformou a fiscalização não se refere ao ano de 2002, mas sim ao não de 2000, no qual foi apurado o prejuízo fiscal e gerou os recolhimentos a maior. Alega que pretendese com essa conclusão alterar dados contidos na escrituração contábil de 2000 (prejuízo fiscal apurado), já homologados e atingidos pela decadência, para gerar efeitos em outros anos posteriores. Afirma que a DRJ desvia a atenção do ponto central em discussão. Não se trataria de afirmar que seria necessário um lançamento de oficio para não aceitar um direito de credito do contribuinte. Mas, sim que houve a apuração de prejuízo fiscal, não revertido pela administração dentro do prazo decadencial. Entende que a administração não poderia desconsiderar esse prejuízo para o fim de negar o crédito do contribuinte, pois deveria partir do prejuízo fiscal, aceito por ela em razão da homologação tácita. Argumenta que a legislação não atribui competência para que a autoridade responsável por examinar o pedido de restituição/compensação afirme que, a seu ver, haveria imposto a recolher pela recorrente em 2000, como motivo suficiente para indeferir o pleito, ignorando a homologação tácita do lançamento que tornou definitiva a apuração do prejuízo fiscal no período examinado. Afirma que não há sequer manifestação expressa da administração contestando o cálculo do IRPJ apurado pela recorrente em 2000, seja antes ou após a homologação tácita, o que tornaria ainda mais frágil a fundamentação da decisão recorrida para negar o direito a compensação pleiteada. Mesmo que se admitisse que a administração teria demonstrado que haveria IRPJ a pagar referente ao anocalendário de 2000, o que admite a titulo de argumentação, ainda assim não poderia ser aceita a motivação exposta na decisão recorrida para indeferir a compensação, porque não houve lançamento de oficio alterando a declaração inicial e impondo a exigência do suposto IRPJ a recolher, único modo por meio do qual poderia contestar o prejuízo apurado, conforme art. 142 do CTN. Assim, ao contrário do afirmado pelo acórdão recorrido, não Fl. 418DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 4 4 havendo lançamento de oficio que tenha alterado o procedimento adotado e o prejuízo fiscal apurado, o que se tem é o lançamento inicial feito pela recorrente, definitivamente homologado com o transcurso do prazo decadencial. Cita jurisprudência que entende que adota posição firmada pela impossibilidade de a administração desconsiderar os dados e efeitos constantes de lançamentos definitivamente homologados, a fim de impor exigência fiscais em períodos posteriores. Em síntese, com a homologação tácita do lançamento do IRPJ do ano de 2000 indicando a apuração de prejuízo fiscal e a existência efetiva das retenções de IRRF, deveria ser reconhecido o direito à restituição/compensação dos valores pleiteados, sob pena de violação as normas decadenciais que têm por finalidade garantir certeza e definitividade às relações jurídicas. Também argüi a ausência de demonstração de equívocos na determinação do resultado tributável em relação à contabilização da receita auferida no ano de 2000. Ressalta que o despacho decisório não asseverou que a recorrente teria deixado de recolher IR no ano de 2000, mas apenas indicou que há dúvidas quanto ao oferecimento de receitas à tributação, motivo que considerou suficiente para concluir que não é seguro reconhecer o crédito oriundo de sal do negativo de IRPJ a pagar. Aduz que não é possível admitir que a administração fundamente suas decisões, restringindo direitos dos contribuintes, em considerações hipotéticas de que o crédito pleiteado não existiria. Para que pudesse indeferir a restituição/compensação, seria necessário demonstrar, em tempo hábil, que haveria imposto a recolher, o que não foi feito. Alega que seguindo esse entendimento, o acórdão recorrido por um lado afirma que deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, já que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, citando artigo do CPC para fundamentar a sua conclusão. Posteriormente, admite a Complexidade da prova a ser efetuada, que envolve a tributação de rendimentos de aplicações financeiras, auferidas por mais de um período de apuração e somente resgatadas no anocalendário de 2000. Ademais, ao contrário do afirmado no acórdão, entende que efetivamente comprovou o direito creditório pleiteado. Afirma que para indeferir o pleito, a administração teria que demonstrar que o cálculo do resultado tributável tal como apurado não estaria correto. Não fazer isso e afirmar somente que o resultado tributável apurado eventualmente não estaria correto, representa restrição indevida de direito que a recorrente entende ter a faculdade de usufruir. Argüiu ainda a impossibilidade da cominação da multa de mora, face aos efeitos do § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96 que determina que o recurso ora apresentado tem os mesmos efeitos do art. 151, III, do CTN, ou seja, se a exigibilidade do crédito tributário está suspensa não pode haver exigência de multa, seja de mora ou de oficio. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 5 5 Entende ter demonstrado que: a) Com o decurso do prazo decadencial, houve a homologação tácita do IRPJ do ano de 2000, como apurado pela recorrente, tornandose imutável o prejuízo fiscal formado, o que impõe como conclusão necessária o reconhecimento de o IRF pago em 2000 deve ser restituído; b) A administração não comprovou que o resultado tributável da recorrente no ano de 2000 não teria sido corretamente apurado; c) Deve ser cancelada a multa de mora cominada com o DARF recebido com o acórdão da DRJ; d) Por esses motivos, os créditos do IRF devem ser reconhecidos como indevidos no ano de 2000, sendo por isso deferido o pleito de compensação formulado, que é o que requer, sendo cancelada a cobrança dos valores em discussão. Em 22.01.2009, a contribuinte apresentou petição e laudo realizado por empresa de auditoria externa (Ernest & Young) que foram cientificados à Procuradoria da Fazenda Nacional, a qual argüiu que não haveria como ser permitida a juntada de documentação e que a verdade material não poderia ser levada a patamar que anulasse por completo as regras para o correto desenvolvimento do processo administrativo. A PFN requereu o desentranhamento dos documentos acostados aos autos, dada sua juntada intempestiva e que fossem suas informações desconsideradas e/ou reconhecidas como inaptas a fundamentar qualquer decisão neste caso, em razão de ofensas à regra jurídica mencionada e em pleno vigor (art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/72). O colegiado julgou que o laudo deveria permanecer no processo, em razão de, apesar do dever da contribuinte de trazer as provas aos autos anteriormente, tratandose de comprovação de receitas financeiras que originaram as retenções do imposto de renda, em que a própria Turma Julgadora, na decisão, reconhece a complexidade da prova a ser efetuada, que envolve a tributação de rendimentos de aplicações financeiras, auferidas por mais de um período de apuração e somente resgatadas no anocalendário de 2000, com base nos princípios da verdade material e da boafé, conheceu a documentação apresentada em 22.01.2009. Também entendeu o colegiado que não havia impedimento para que na análise do pleito de restituição se verificasse se os rendimentos de aplicações financeiras que geraram as retenções na fonte foram declaradas. Entretanto, tendo em vista que o laudo somente foi juntado ao processo posteriormente, não sendo do conhecimento da autoridade administrativa, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal com base no laudo apresentado e com base nas diligências que entendesse necessárias, se pronunciasse quanto à efetiva comprovação da contabilização e o oferecimento à tributação das receitas que originaram as retenções na fonte. Às fls. 374 encontrase o Termo de Encerramento de diligência, onde consta que ficou demonstrada a contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 6 6 Transcrevo da manifestação da interessada à conclusão da diligência o seguinte trecho: Assim sendo, resta demonstrado que não houve omissão de receita (receita não contabilizada), premissa inicialmente adotada pelo Fiscal Autuante para indeferir o pleito de compensação/restituição ora em comento, tendo em vista que os resultados das operações realizadas pela ora Requerente foram contabilmente escriturados, conforme demonstra o laudo já anexado, o que foi corroborado pelo Relatório de Diligência Fiscal supra transcrito (de 19/05/2011), o qual atestou a efetiva contabilizacão de todos os valores. Diante de todo o exposto, pede e espera a Requerente, reafirmando tudo quanto já foi aduzido nos presentes autos e tendo em vista a expressa anuência e concordância da Fiscalização com o procedimento efetuado pelo contribuinte, sejam os créditos de IRF reconhecidos como pagamentos indevidos no anobase de 2000, sendo por isso deferidos os pleitos de compensação formulados, com o cancelamento da cobrança dos valores em discussão. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de pedido de restituição de saldo negativo de R$ 17.557.681,63 (retificado), do anocalendário de 2000, declarado na respectiva DIPJ retificadora, apresentada em 22.02.2006, e pedidos de compensação com débitos, sendo que a autoridade administrativa homologou tacitamente parte do valor pleiteado de compensação (R$ 14.072.854,66), em razão do despacho decisório ter sido proferido após cinco anos do primeiro pedido de compensação, e a contribuinte compensou, sem processo, parte do saldo negativo para liquidar seu débito de estimativa de IRPJ do período de apuração de maio de 2002, no valor de R$ 872.704,32. Não foi homologada a compensação de débito da CSLL, no valor de R$ 3.263.321,11 do mesmo período de apuração, cujo crédito não foi reconhecido pela Turma Julgadora, por falta de comprovação de que as receitas financeiras que geraram as retenções na fonte foram oferecidas à tributação. Nesse anocalendário, a contribuinte apurou prejuízo fiscal. Após a apresentação do recurso voluntário, a contribuinte juntou laudo produzido por empresa de auditoria externa, cuja documentação foi cientificada à PFN, que requereu o desentranhamento dos documentos dada sua juntada intempestiva, sendo que a 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13.05.2009, conforme Resolução nº 140100.007 julgou que o laudo deveria permanecer no processo, dada a complexidade da prova (que envolve a tributação de rendimentos de aplicações financeiras, auferidas por mais de um período de apuração e somente resgatadas no anocalendário de 2000), e determinou que a autoridade fiscal com base no laudo apresentado e com base nas diligências que entendesse necessárias, se pronunciasse quanto à efetiva comprovação da contabilização e oferecimento à tributação das receitas que originaram as retenções na fonte. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 7 7 A autoridade fiscal que realizou a diligência, conforme documento de fls. 374, assim se manifestou: Em cumprimento ao RPF — Diligência acima citada, programado para PERÍCIA conforme demanda do "CONSELHO DE CONTRIBUINTES", referente ao Processo n° 13819.001.036/200127 de 14/05/2001, que em suma determina: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. AC 2000. R$ 17.557.681,63.SALDO NEGATIVO IRPJ ORIUNDO DE IRRF S/RESGATE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. DEFERIMENTO PARCIAL DA RESTITUIÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE AS RECEITAS FINANCEIRAS FORAM OFERECIDAS TRIBUTAÇÃO. CONTRIBUINTE APRESENTOU LAUDO (AUDITORIA INDEPEND.) APÓS RECURSO VOLUNTÁRIO. CONVERSÃO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PARA ANÁLISE, COM BASE NO LAUDO, QUANTO À EFETIVA COMPROVAÇÃO DA CONTABILIZAÇÃO DAS RECEITAS QUE ORIGINARAM AS RETENÇÕES NA FONTE"; constatamos o seguinte: A empresa atendendo ao "Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos" de 23/12/2010, apresentou demonstrativos do saldo negativo de R$ 17.557.661,63 de IRPJ, na linha 13 da Ficha 12 A da DIP.1 AC 2000, em 17/03/2011, apresentou informações complementares (anexado ao processo). Portanto, ficou demonstrado a contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras, os quais foram confirmados. Das amostragens, constatamos contabilização dos rendimentos das aplicações financeiras sujeitas à retenção de IRRF, conforme Laudo apresentado pelo sujeito passivo, (registros da apropriação "a Credito" na Conta de Resultado dos valores oriundos de aplicação financeira Renda Fixa — ACAV, folhas 17/21). Verificamos também os documentos apresentados em anexo, de 03/03/2011, parte "anexo 3" referentes a registros contábeis: Razão de Aplic. Finan. — Conta Contábil n° 27012095 — Rend. Aplic. Financ. Fundo CP — ASSOBRAV, todos lançamentos referentes a rendimentos financeiros. Face ao exposto, encaminhamos a presente Informação Fiscal e, documentos anexos ao SEORT para seguimento. Ê o que tenho a informar. Conforme relatório de diligência que foi determinada pela autoridade administrativa, somente se apurou retenções do imposto de renda na fonte no valor de R$ 16.544.976,96 (fls. 99/101), sendo que no recurso, a contribuinte, apesar de pedir a restituição no valor de R$ 17.557.661,63, não trouxe aos autos qualquer informe de rendimentos relativos às demais retenções não apuradas pela autoridade fiscal. Com a apresentação do laudo elaborado por empresa de auditoria externa, se tem conhecimento das modalidades de retenção que teriam originado o saldo negativo do imposto de renda, conforme tabela abaixo: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13819.001036/200127 Resolução nº 110200.098 S1C1T2 Fl. 8 8 Tipo de rendimento Retenções de IRRF conforme informes – R$ Retenções de IRRF conforme contabilidade Aplicações financeiras 16.544.968,50 16.528.190,97 Rendimentos de prestação de serviços 154.357,22 212.509,49 Outros rendimentos (mútuos) 692.157,75 764.012,09 Outros rendimentos (faturamento ao governo) 5.777,44 53.204,99 A autoridade que realizou a diligência somente se manifestou sobre a efetiva contabilização das receitas financeiras, talvez porque a motivação principal da diligência estivesse centrada na comprovação da contabilização e oferecimento das receitas financeiras à tributação. Assim, voto por converter o julgamento novamente em diligência para que a autoridade fiscal se pronuncie em relação aos documentos juntados com o laudo referentes às demais retenções relativas a rendimentos de prestação de serviços e a outros rendimentos (mútuos e faturamento ao governo), especialmente, quanto à confirmação das retenções na fonte a que se referem os informes de rendimento das fontes pagadoras, bem como, sobre a contabilização e oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. Após, deve ser elaborado relatório conclusivo que deverá ser cientificado à interessada que poderá se manifestar se entender necessário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 423DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000007/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.084
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16832.000007/2010-59
conteudo_id_s : 6536680
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1102-000.084
nome_arquivo_s : 110200084_16832000007201059_201204.pdf
nome_relator_s : JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 16832000007201059_6536680.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4597423
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111048530329600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 49 1 48 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000007/201059 Recurso nº 913.498 Resolução nº 110200.084 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de abril de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida IRMAOS AZEVEDO COSTA OFICINA MULTIMARCAS LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16832.000007/201059 Resolução n.º 110200.084 S1C1T2 Fl. 50 2 Relatório Trata o presente processo de exclusão do regime simplificado com efeitos a partir de 01/01/2006, efetuado por meio do Ato Declaratório Executivo – ADE Derat/RJO n° 000027, de 26 de fevereiro de 2010, por prática reiterada de infração à legislação tributária. Pelos elementos que constam dos autos, verificase que, em razão da exclusão efetuada, teria havido lançamento de ofício dos tributos devidos, relativos a este ano calendário, pela modalidade do lucro arbitrado. Dito lançamento encontrase formalizado no processo administrativo fiscal nº 16832.000236/201073. Em apertada síntese, contestou o contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade (fls. 19 a 26), a sua exclusão do Simples, alegando não ter a administração, em momento algum, demonstrado qual seria a reiterada infração à legislação tributária que teria sido por ela praticada, além de não ter sequer esclarecido a motivação de sua exclusão a partir de 01/01/2006, posto que, para serem reiteradas, tais supostas infrações haveriam de ter ocorrido em 2005. Por outro lado, apenas por amor ao debate, alegou que, acaso a suposta infração reiterada tenha alguma coisa a ver com o auto de infração lavrado referente ao ano calendário de 2006, ou seja, que a sua exclusão do Simples tenha sido devida a reiteradas infrações apuradas em auto de infração, no âmbito do processo nº 16832.000236/201073, então a sua exclusão somente poderia ter sido efetivada após o trânsito em julgado do processo relativo à mesma autuação. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 julgou procedente a manifestação de inconformidade interposta. Observou a DRJ que o fato de a motivação do contestado ADE apresentarse excessivamente genérica seria causa de nulidade do mesmo, contudo, deixou de pronunciála, ante o entendimento favorável, no mérito, ao contribuinte. Consignou aquela autoridade julgadora que a não apresentação de DSPJ – Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, o não pagamento de tributos, e a apresentação dos Livros Diários e Razão em backup, sob a alegação de extravio da documentação, fatos estes que estariam na origem/fundamentos do ato ora litigado, consoante se depreende da Representação Fiscal de fls. 01, não caracterizam, em momento algum, a reiteração da mesma infração, pelo que deve ser cancelado o ADE em questão. O Acórdão 1236.368, fls. 43 a 46, está assim ementado: “EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Descumprimento de obrigações principal e acessória não implicam no conceito de prática reiterada de infração à legislação tributária, para efeitos de exclusão do SIMPLES, uma vez que o conceito implica na repetência de infração de mesma natureza.” Em que pese a inexistência de crédito tributário em litígio no presente processo, o Presidente da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 recorreu desta decisão, de ofício, ao CARF, em razão de sua correlação de causalidade com o processo nº 16832.000236/201073. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16832.000007/201059 Resolução n.º 110200.084 S1C1T2 Fl. 51 3 É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé À época da expedição do Ato Declaratório Executivo ora contestado, e da lavratura dos respectivos autos de infração, já vigia a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, cujo artigo 1º assim está vazado: “Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente;” O objetivo do referido artigo é evidente. Havendo a relação de conexão direta entre os referidos fatos, atende à boa técnica processual, bem como ao princípio da eficiência, mantêlos reunidos sob um mesmo processo, para que sejam julgados conjuntamente. Aliás, na própria capa do presente processo encontrase expressa menção à Portaria SRF nº 6.129, de 2 de dezembro de 2005, anterior à Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, e por ela revogada, mas que também já dispunha neste sentido. Entretanto, ainda assim a exigência de ofício dos tributos restou formalizada em processo distinto, em desacordo com as normas processuais citadas, não possibilitando o pleno conhecimento de todos os fatos e circunstâncias específicas que permearam o procedimento fiscal executado no contribuinte ao longo de 2009 e 2010, do qual resultaram tanto a expedição do contestado ADE, quanto o lançamento de ofício controlado no processo nº 16832.000236/201073. Em consulta à página eletrônica do CARF, não há registro de entrada do referido processo. Em consulta à página eletrônica do sistema de controle e acompanhamento dos processos administrativos no âmbito do Ministério da Fazenda (http://comprot.fazenda.gov.br), consta o mesmo como “em andamento”, tendo como última movimentação a data de 01/04/2011, para registrar o seu encaminhamento do Serviço de Controle e Julgamento da DRJ/RJ1 para a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/RJ2. Assim, como forma de evitar a adoção de decisões contraditórias acerca dos mesmos fatos, bem como de assegurar o pleno conhecimento dos fatos envolvidos, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora adote uma das seguintes providências: a) Acaso o processo nº 16832.000236/201073 tenha sido objeto de recurso de ofício e/ou voluntário, encaminhe o mesmo ao CARF, já com proposta de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16832.000007/201059 Resolução n.º 110200.084 S1C1T2 Fl. 52 4 que seja ele distribuído a este mesmo relator, a fim de que seja julgado concomitantemente com o presente feito, dandose assim cumprimento, por outro meio, ao que expressamente prevê a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008; b) Acaso o referido processo não tenha sido objeto de recurso, dele extraia cópia integral e anexe ao presente feito. Com isto, retornem os autos para o competente julgamento. É a sugestão que, neste ato, submeto aos meus pares. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.005098/99-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1101-000.061
Decisão: Por unanimidade de votos, foi DECLINADA a competência em favor da 3ª Seção de Julgamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Manoel Mota
Fonseca.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13807.005098/99-99
conteudo_id_s : 5369052
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1101-000.061
nome_arquivo_s : Decisao_138070050989999.pdf
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 138070050989999_5369052.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, foi DECLINADA a competência em favor da 3ª Seção de Julgamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Manoel Mota Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
id : 5567317
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.005098/199999 Recurso nº Voluntário Resolução nº 110100.061 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de outubro de 2012. Assunto Incompetência Recorrente INDUTIL INDÚSTRIA DE TINTAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos etc. Cuida o presente processo de Pedidos de Restituição e de Compensação, amparados em Ação Declaratória autuada sob o nº 94.00134207, pertinentes a direito creditório composto de recolhimentos indevidos de Contribuição para o Finsocial, tocantes aos anoscalendários de 1989, 1990 e 1991. Ao compulsar os autos, notei, de pronto, que a matéria veiculada foge à competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Precisamente, a análise dos pleitos de restituição e de compensação de créditos atinentes à extinta Contribuição para o Finsocial estão postos, indubitavelmente, na alçada da Terceira Seção de Julgamento deste conselho, a rigor dos artigos 4º, inciso II, e 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256/2009: “Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL);” (g.n.) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13807.005098/199999 Resolução n.º 110100.061 S1C1T1 Fl. 2 2 “Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção.” (g.n.) Assim, em face das razões acima articuladas, determino a remessa destes autos à Terceira Seção de Julgamento, para a pertinente redistribuição do Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 04 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
_version_ : 1720111048675033088
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002268/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2004
ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e em reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Dec 25 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2004 ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 18108.002268/2007-28
conteudo_id_s : 6535056
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-002.225
nome_arquivo_s : Decisao_18108002268200728.pdf
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 18108002268200728_6535056.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e em reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
id : 9105455
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 25 09:48:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1720111048756822016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C4T2 Fl. 391 1 390 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.002268/200728 Recurso nº 271.923 Voluntário Acórdão nº 240202.225 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. OUTROS DADOS Recorrente SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2004 ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 401DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14319.S54H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e em reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 402DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14319.S54H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18108.002268/200728 Acórdão n.º 240202.225 S2‐C4T2 Fl. 392 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa no valor de R$ 8.126,00 em razão da Recorrente ter apresentado GFIP’s com informações inexatas sobre dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 08/2004. Conforme consta no Relatório Fiscal (fl. 16), a Recorrente informou nas GFIP’s o código de terceiros como sendo 114, enquanto o correto seria 003, bem como informou o código FPAS como sendo 515, enquanto o correto seria 523, totalizando, assim, 2 campos inexatos por competência. A multa aplicada foi de 5% do valor mínimo (R$ 1.195,13) por ocorrência, conforme determina o art. 32, inc. IV, parágrafo 6º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 284, inc. III, do Decreto nº 3.048/1999. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 27/86) requerendo seja reconhecida a decadência de parte dos débitos exigidos e a improcedência da quantia restante. A d. DRJ em São Paulo, ao analisar o processo (fls. 123/133), julgou o lançamento parcialmente procedente, sob o argumento de que a empresa corrigiu durante o procedimento fiscal parte das infrações, bem como que o prazo decadencial é de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 139/388) alegando que: (i) o lançamento deve ser anulado por vício formal; (ii) possui imunidade tributária, por ser uma entidade de assistência social; (iii) os créditos tributários estão decaídos; (iv) a infração não causou qualquer prejuízo quanto às contribuições devidas; e (v) é impossível corrigir as GFIP’s. É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14319.S54H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega, preliminarmente, que o presente lançamento deve ser anulado por vício formal, haja vista que foi constituído para exigir contribuições previdenciárias de uma entidade de assistência social beneficiária da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988. No entender da Recorrente, a disciplina infraconstitucional da regra imunizante só pode ser tratada por meio de Lei Complementar, conforme determina o art. 146, inc. II, da CF/1988, razão pela qual somente pode ser aplicado ao presente caso o art. 14 do CTN e não o art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Nesse sentido, pontua que perfaz todos os requisitos previstos em tal norma. No entanto, não compete a este Conselho afastar a incidência do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 sob o argumento de que o mesmo viola o art. 146, inc. II, da CF/1988, por ausência de competência funcional para tanto. Inobstante, discutir sobre eventual imunidade neste processo é totalmente infrutífero, haja vista que a imunidade não se estende às penalidades por descumprimento de obrigações acessórias não relacionadas com os fatos geradores das contribuições. Não há, portanto, razão no argumento da Recorrente. A Recorrente defende ainda que parte dos créditos tributários estão decaídos. Com a exclusão parcial dos débitos pela d. DRJ, a discussão que remanesce no processo é quanto aos débitos relativos ao período de 01/1999 a 12/2002 e 09/2003. Considerando que o lançamento foi constituído em 12/2007 (fl. 01), notase que transcorreram mais de 5 anos entre a data da ocorrência de parte dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 404DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14319.S54H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18108.002268/200728 Acórdão n.º 240202.225 S2‐C4T2 Fl. 393 5 os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Sendo assim, cabe ressaltar que, em se tratando de aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, deve ser aplicada a regra geral de decadência prevista no art. 173, inc. I, do CTN3. Desta forma, deve haver a extinção dos créditos tributários compreendidos nos períodos de 01/1999 a 11/2001 pela decadência. No mérito, a Recorrente sustenta que a presente infração não causou qualquer prejuízo quanto às contribuições devidas pela empresa. No entanto, tal argumento não tem o condão de baixar a penalidade imposta, haja vista que a aplicação da penalidade independe da consequência e extensão de seus efeitos, nos termos do art. 136 do CTN. Outrossim, como bem exposto na r. decisão recorrida, a informação equivocada do código FPAS e de terceiros implica no recolhimento indevido das contribuições a outras entidades e fundos, o que prejudica a atividade da fiscalização. Destarte, constatase que a Recorrente não trouxe aos autos prova tendente a invalidar a infração ora imposta, motivo pelo qual deve ser mantida a penalidade remanescente. Não obstante, cabe esclarecer que o presente caso abrange penalidade não mais vigente em nosso ordenamento, tendo em vista que o art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 foi revogado pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Com o advento da referida lei, a infração de que trata o presente processo passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19914. 3 A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica neste sentido: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DECADÊNCIA: O prazo decadencial para realização de lançamento com vistas à cobrança de multa regulamentar somente tem início no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência da infração.” (CARF, PAF nº 10980.007811/200511, Recurso nº 336.813, 3ª Câmara, Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro, Sessão de 27/03/2008) “Multa pelo atraso na entrega da DITR. Decadência. O CTN disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 4o, específico para tributos pagos sem prévio exame da autoridade administrativa; e no artigo 173, inciso I, que alcança o lançamento das penalidades.” (CARF, PAF nº 10680.007018/200416, Recurso nº 334.722, 3ª Câmara, Rel. Tarásio Campelo Borges, Sessão de 23/05/2007) Fl. 405DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14319.S54H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (20 reais para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não a aplicação do percentual de 5% sobre o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/1991. Sendo assim, em respeito à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a presente multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Ante todo o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência dos créditos tributários relativos ao período de 01/1999 a 11/2001, bem como para determinar que a penalidade remanescente seja recalculada com base no atual art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/1991 (com redação dada pela Lei nº 11.941/2009), em vista do instituto da retroatividade benigna previsto no art. 106, inc. II, “c”, do CTN. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues 4 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 406DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0819.14319.S54H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES em 04/11/2011 15:56:37. Documento autenticado digitalmente por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES em 04/11/2011. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR VIEIRA GOMES em 24/11/2011 e NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES em 04/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0819.14319.S54H Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F301681B0E7C0B8F48674E3759ABEDFB216AC9E4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18108.002268/2007-28. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
