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Numero do processo: 10640.001852/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO
DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos, mormente quando pairam dúvidas acerca da prestação dos serviços e correspondentes desembolsos. Nessa hipótese, a apresentação tão-somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-001.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos, mormente quando pairam dúvidas acerca da prestação dos serviços e correspondentes desembolsos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001852/200806 Acórdão n.º 2801001.654 S2TE01 Fl. 0 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 13, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 a 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$7.839,29, acrescido de multa de ofício parcialmente qualificada (150%) e juros de mora. A autuação decorreu de glosa de despesas médicas, nos montantes de: a) R$3.200,00, R$3.000,00, R$5.000,00, referentes aos exercícios 2004 a 2006, respectivamente, cujo imposto suplementar decorrente foi acrescido de multa de ofício de 75%; b) R$5.000,00, R$5.000,00, R$5.000,00 e R$1.500,00, referentes aos exercícios 2004 a 2007, respectivamente, todas elas reletivas à psicóloga Flávia Amélia Ribeiro, cujo imposto suplementar decorrente foi acrescido de multa de ofício qualificada (150%). Além dessas glosas, foi apurada também omissão de rendimentos no valor de R$ 806,53, relativa ao anocalendário 2005. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 88 a 90), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 98 e 99): "1 — Já fui notificado anteriormente pela Receita Federal através das intimações de esclarecimentos e respondi satisfatoriamente anexando a documentação hábil e idônea, conforme relata o AuditorFiscal (..). 2 — Surpresa esta que mesmo o Auditor citado aceitar a documentação, glosa algumas despesas sem nenhuma explicação e ao final faz menção a um enquadramento legal que está totalmente favorável com a documentação apresentada anteriormente. Lei 9250/95, art. 8°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3°, e da IN 15/2001, arts. 43 a 48. Os documentos são comprobatórios e idôneos dos respectivos profissionais. O fato do pagamento não ter sido comprovado como diz o Auditor, pois foram todos pagos em espécie o que não estabelece a Lei Tributária que tal procedimento de pagamento é incorreto. Quanto ao comprovante de indicação de tratamento, estou ciente de que a Profissional FLAVIA AMÉLIA RIBEIRO, prestou depoimento deixando claro que seu trabalho existe um sigilo profissional, que pode ser comprovado através do Conselho Federal da Classe. O profissional LUCCA BERNARD apresentou declaração de tratamento e quanto ao profissional JORGE MANSUR BARATA não foi fornecido pelo mesmo estar ausente na época, estando à disposição para quaisquer esclarecimentos. 3 Os rendimentos tributáveis das empresas Pericial Assessoria em Saúde SC ltda; Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; Fundo Pampulha de Assistência Saúde, totalizando R$ 604,87, realmente não foram declarados por não ter recebido os informes de rendimentos talvez por serem fontes de pequeno valor. Quanto ao rendimento da PREFEITURA MUNICIPAL DE OLIVEIRA FORTES, anexo o comprovante de rendimentos (fl. 91) que recebi e lancei na minha DIRPF e também apresento cópia da DIRF retificadora da Prefeitura (fls. 92/93) na qual constata a veracidade da minha informação. Portanto aceito os rendimentos não declarados para que sejam anexados à declaração e apurar o imposto complementar devido somente destes valores." Fl. 126DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001852/200806 Acórdão n.º 2801001.654 S2TE01 Fl. 0 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4ª Turma DRJ/Juiz de Fora/MG, conforme Acórdão de fls. 96 a 103, depois de considerar matéria não litigiosa a omissão de rendimentos nos valores de R$ 604,87 de R$ 806,53, referentes ao exercício 2006, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que exonerou a interessada do imposto decorrente de omissão de rendimentos no valor de R$201,66. Quanto às despesas médicas pleiteadas, assim se posicionou (fls. 101): O volume das deduções de despesas médicas, identificado pela Fiscalização como vinculado à citada profissional, revelou importâncias de magnitudes significativas, consistentes nas montas de R$ 206.282,00; R$ 306.707,00; R$ 358.460,00; R$ 305.760,00, referentes, respectivamente, aos anoscalendário de 2003 a 2006. A ausência de verossimilhança para a ocorrência da prestação de serviços e dos correspondentes valores, estampados em recibos, determinou a consideração de que esses só seriam validados por provas adicionais, sobretudo mediante a demonstração dos efetivos pagamentos. (...) A legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos/nota fiscal, como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1°, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Não procurou a interessada, à luz do que lhe fora requerido pela autoridade fiscal, demonstrar os pagamentos, mediante a apresentação de microfilmagem de cheques, ordens bancárias, documentos de transferências, extratos bancários para observação de saques com valores e datas coincidentes com as pretensas importâncias, e outros. Dessa forma, resta a este julgador a plena convicção de que os valores utilizados como dedução de despesas médicas, por parte do contribuinte, eram indevidos, tal qual firmado pela Fiscalização. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 02/10/2008 (fls. 106), a contribuinte apresentou, em 31/10/2008, o Recurso de fls. 107 a 109, argumentando, em apertada síntese, que é descabido lhe exigir comprovação da efetividade do pagamento de despesas médicas. Se pairam dúvidas, que os profissionais emitentes dos recibos sejam fiscalizados. Instruindo o recurso constam cópia do documento de identidade da contribuinte, demonstrativo do débito em litígio e do acórdão recorrido. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 122, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001852/200806 Acórdão n.º 2801001.654 S2TE01 Fl. 0 4 É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Registrese, inicialmente, que a interessada limitase a argumentar que é descabido lhe exigir comprovação da efetividade do pagamento de despesas médicas. Ora, tal matéria não é nova neste Colegiado que a tem exaustivamente discutido e firmado o entendimento de que, em situações tais como a que se verifica nos autos, em que a há uma expressiva alegação de pagamentos de despesas direcionadas a profisionais da área de saúde por diversos contribuintes, em que pairam dúvidas acerca da efetividade da prestação de serviços e dos correspondentes pagamentos, e, ao mesmo tempo a contribuinte só tem em seu poder recibos e documentos que à semelhança dos recibos são passíveis de confecção a qualquer tempo, se faz indispensável a comprovação da efetividade dos pagamentos que a interessada alega ter efetuado para que se acate a dedução pleiteada. Afinal, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 128DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R Assinado digitalmente em 16/06/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, 20/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 18336.000386/2003-84
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.687
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10860.001445/2006-34
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Correta a imposição, quando da ação fiscal resulta a apuração de omissão de rendimentos, constatada pelas informações contidas na DIRF, não sendo elidida por prova em contrário.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-001.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Correta a imposição, quando da ação fiscal resulta a apuração de omissão de rendimentos, constatada pelas informações contidas na DIRF, não sendo elidida por prova em contrário. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 91 1 90 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.001445/200634 Recurso nº 170.659 Voluntário Acórdão nº 2801001.606 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente ILTON DE FERRARI NOVISKI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Correta a imposição, quando da ação fiscal resulta a apuração de omissão de rendimentos, constatada pelas informações contidas na DIRF, não sendo elidida por prova em contrário. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, e Sandro Machado dos Reis. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001445/200634 Acórdão n.º 2801001.606 S2TE01 Fl. 92 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 13/20, relativo à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, decorrente de omissão de rendimentos recebidos das empresas NVK Techpub Publicações Técnicas S/C LTDA ME e Prestem Recursos Humanos, conforme Demonstrativo de fls. 16, tendo sido apurado um imposto suplementar de R$ 4.748,48 mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/02, juntamente com os documentos de fls. 13/20, acatada como tempestiva, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 57/58): que no ano de 2001 não teve nenhum rendimento proveniente da empresa NVK Techpub Publicações Técnicas S/C LTDA ME, pois estava em licença não remunerada; que no ano de 2001 trabalhou para SERCO Cooperativa de Serviços de Engenharia (CNPJ 009.663.306/000105), na Espanha, para onde viajou em 19/11/2000 e só retornou em 19/05/2001, conforme comprovam os documentos anexos; que, ao retornar ao Brasil, foi admitido na empresa PRESTEM Recursos Humanos LTDA, CNPJ 60.861.382/000170, na qual tinha carga horária semanal de 48 horas, o que impedia de exercer atividade em outra empresa; que a empresa NVK Techpub Publicações Técnicas SC LTDA ME emitiu declaração, anexada aos autos, na qual assume o erro que originou a referida diferença de valores; ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Brasília julgou o lançamento procedente (fls. 56/59), sendo oportuno transcrever trecho do voto do relator do respectivo acórdão que fundamentou a decisão: Em relação aos valores supostamente pagos por NVK Techpub Publicações Técnicas, em que pesem as alegações de defesa, não restou comprovado que os valores declarados em DIRF pela empresa não foram pagos ao autuado, vejamos: Fl. 102DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001445/200634 Acórdão n.º 2801001.606 S2TE01 Fl. 93 3 O fato de o contribuinte ter mantido vínculo empregatício com outra empresa e ter estado fora do país no período compreendido na DIRF não impedem que o mesmo tenha recebido rendimentos da empresa NVK Techpub Publicações Técnicas. Não existe óbice ao vínculo assalariado e a prestação de serviços concomitantemente a duas empresas. A declaração de fls. 12 também não é suficiente para afastar a força probante da DIRF, inicialmente porque emitida sem as necessárias formalidades para comprovar sua autenticidade, tais como reconhecimento da firma do signatário e documentos que comprovem sua vinculação com a empresa, em segundo lugar, porque a forma correta de a empresa declarar a Receita Federal as informações referentes aos rendimentos sujeitos ao IRPF é a DIRF, e não em declarações informais. É de ressaltar que, apesar de a empresa afirma na declaração de fls. 12 que estaria providenciando a correção do erro na DIRF, não consta nos sistemas da Receita Federal que isso tenha ocorrido, conforme documento de fls. 53/54, lembrando que, à época, a correção da DIRF pela empresa era possível. Sendo assim, diante da ausência de outros elementos que pudessem comprovar a declaração do autuado de que não recebeu os valores declarados em DIRF pela empresa NVK Techpub Publicações Técnicas, não há como acatar essa alegação, devendo o lançamento ser mantido em sua integralidade. Ressaltouse, no acórdão da DRJ, que o contribuinte não impugnou a omissão de rendimentos relativa à fonte pagadora Prestem Recursos Humanos. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 11/08/08, fls. 65, o interessado apresentou, em 08/09/08, o Recurso de fls. 66/68, juntamente com os documentos de fls. 69/86, alegando que: a) concorda com a omissão de rendimentos relativa à fonte pagadora Prestem Recursos Humanos, razão pela qual não a contestou em sua impugnação; b) que não recebeu rendimentos da empresa NVK Techpub Publicações Técnicas S/C LTDA ME em 2001, pois se encontrava em licença sem remuneração de 01/01/2001 até 01/07/2003, tendo solicitado ao sócio proprietário que solucionasse o problema, decorrente da sua inclusão na DIRF daquela empresa, tendo lhe sido fornecida a declaração de fls. 12; Fl. 103DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001445/200634 Acórdão n.º 2801001.606 S2TE01 Fl. 94 4 c) não tem, na qualidade de exempregado da empresa, condições de obrigar a empresa a cumprir com suas obrigações fiscais no tocante à entrega da DIRF ou de qualquer outro documento; d) não é justo nem correto que pague imposto sobre uma renda que não auferiu, e se houve erro na elaboração de documentos fiscais da empresa e este erro não foi corrigido pelo empregador, ressaltando que não tem poderes para corrigilo; Junta cópia autenticada da declaração prestada pelo sócio proprietário empresa (fls. 80), anteriormente juntada às fls. 12, porém sem autenticação, e do contrato social daquela pessoa jurídica e respectivas alterações (fls. 81/87) para provar a vinculação entre o signatário da declaração e a referida empresa. Diante do exposto acima requer a exclusão do lançamento em discussão. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A discussão gira em torno somente da omissão de rendimentos da empresa NVK Techpub Publicações Técnicas S/C LTDA ME, posto que o interessado admite, em seu recurso, que assiste razão à fiscalização quanto à omissão de rendimentos relativa à fonte pagadora Prestem Recursos Humanos. O recorrente afirma não ter recebido rendimentos da empresa NVK Techpub Publicações Técnicas S/C LTDA ME em 2001 por se encontrar em licença sem remuneração no período de 01/01/2001 até 01/07/2003, todavia não apresenta quaisquer documentos expedidos à época do ocorrido comprovando essa assertiva, limitandose a apresentar declaração fornecida pela empresa em 27/10/06 (fls. 12 e 80). O fato de ter se ausentado do país durante um período do ano de 2001 não constitui óbice para o recebimento de rendimentos de pessoa jurídica sediada no Brasil. Da mesma forma a alegação de que trabalhava em período integral para a empresa Prestem Recursos Humanos a partir de maio de 2001 não impede o recebimento de recursos de outra pessoa jurídica no mesmo período. O documento por meio do qual a pessoa jurídica presta informações à Receita Federal sobre os rendimentos pagos a seus empregados, bem como o imposto de renda retido na fonte, é a Declaração Sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, não cabendo sua substituição por quaisquer outros documentos ou declarações particulares, exceto se houver previsão legal nesse sentido. No presente caso a declaração fornecida pelo sócio proprietário da empresa NVK Techpub Publicações Técnicas S/C LTDA ME (fls. 12 e 80) não tem o condão de alterar, anular ou retificar as informações anteriormente prestadas por meio da DIRF (fls. 35), exceto se corroborada por DIRF retificadora, o que o recorrente não comprova ter Fl. 104DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001445/200634 Acórdão n.º 2801001.606 S2TE01 Fl. 95 5 ocorrido. Dessa forma os dados contidos na DIRF de fls. 35 permanecem válidos e, por conseguinte, o acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Por tais razões voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 105DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 18336.000546/2003-95
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.657
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO
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Numero do processo: 18471.000744/2006-47
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2004
ACÓRDÃO. NULIDADE. ELEMENTO DE PROVA EXTEMPORANEAMENTE
JUNTADO. NÃO EXAME.
Se o contribuinte deixa de justificar, nos moldes previstos na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, a apresentação extemporânea de elementos de prova, é cabível que as autoridades julgadoras de primeira instância os rejeitem, inexistindo nulidade no acórdão proferido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Devem ser excluídos do rol da presunção legal de omissão de rendimentos os depósitos bancários cuja origem dos recursos restar comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-001.489
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada para o exercício 2002, o valor de R$16.500,00, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2004 ACÓRDÃO. NULIDADE. ELEMENTO DE PROVA EXTEMPORANEAMENTE JUNTADO. NÃO EXAME. Se o contribuinte deixa de justificar, nos moldes previstos na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, a apresentação extemporânea de elementos de prova, é cabível que as autoridades julgadoras de primeira instância os rejeitem, inexistindo nulidade no acórdão proferido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Devem ser excluídos do rol da presunção legal de omissão de rendimentos os depósitos bancários cuja origem dos recursos restar comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADE. ELEMENTO DE PROVA EXTEMPORANEAMENTE JUNTADO. NÃO EXAME. Se o contribuinte deixa de justificar, nos moldes previstos na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, a apresentação extemporânea de elementos de prova, é cabível que as autoridades julgadoras de primeira instância os rejeitem, inexistindo nulidade no acórdão proferido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Devem ser excluídos do rol da presunção legal de omissão de rendimentos os depósitos bancários cuja origem dos recursos restar comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada para o exercício 2002, o valor de R$16.500,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente em Exercício e Relatora. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e José Evande Carvalho Araujo. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 204 a 221, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002, 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$298.814,72, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários efetuados em contas de titularidade do contribuinte em relação aos quais o interessado regularmente intimado não logrou esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 219 a 224), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 253): Defende que diversos depósitos levantados pela fiscalização ainda não haviam sido liberados pelos bancos no momento em que foram considerados, e por isso não poderiam ser apontados como fato gerador do IRPF, já que não se tinha certeza de que estes depósitos se tornariam efetivas disponibilidades para o impugnante. Apresenta tabela não exaustiva dos lançamentos incluídos nesta situação. Requer a nulidade do Auto por incerteza na determinação da base de cálculo. Alega que, em virtude de suas atividades profissionais como líder de projetos em comunidades carentes, tinha a função de centralizar e direcionar a aplicação de recursos obtidos com terceiros que também estavam envolvidos no financiamento e evolução dos referidos projetos. Acrescenta que permitiu o uso de suas contas para agrupar as colaborações de terceiros e que fez inúmeras saídas para cumprir os destinos daqueles valores. Quanto à origem dos depósitos, afirma ter anexado ao processo uma "tabela de origens" com os respectivos documentos comprobatórios obtidos junto aos bancos. Entende, no entanto, que o termo "origem" utilizado pelo art. 42 da Lei 9.430/96 diz respeito somente à proveniência dos valores, ou seja, uma vez comprovada a origem dos recursos, cabe ao Fisco investigar e demonstrar que esses depósitos referemse a rendimentos não tributados. Por fim, comprometese a juntar provas e argumentos na medida em que eles cheguem ao seu conhecimento. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 18471.000744/200647 Acórdão n.º 280101.489 S2TE01 Fl. 272 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 6ª Turma DRJ Rio de Janeiro II/RJ, conforme Acórdão de fls. 251 a 256, julgou procedente o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 17/06/2008 (fls.264), o contribuinte apresentou, em 15/07/2008, o Recurso de fls. 265 a 269, argumentando, em síntese, que o acórdão recorrido foi proferido com claro cerceamento do direito de defesa, eis que os elementos de prova juntados após o prazo para impugnação não foram apreciados. Pondera que a apresentação tardia dos documentos se deu em virtude do prazo gasto pelos estabelecimentos bancários para fornecêlos. No mérito, pede que os argumentos da impugnação sejam apreciados, bem como que sua condição de coordenador de projetos sociais financiados por terceiros seja considerada. Solicita que os cheques apresentados para demonstrar a percepção de prêmios de bingo (R$10.000,00, em 08/08/2001, e R$5.000,00, em 13/08/2001) sejam considerados para justificar a origem de recursos utilizados em depósitos bancários. Invoca, ainda, o cheque de R$1.500,00, de emissão de GR Escola de Samba União do Parque Curicica., depositado em 17/12/2001. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 270, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa em sede de julgamento de primeira instância, essa não merece acolhida. Registrese que as autoridades julgadoras consignaram nos fundamentos do voto as hipóteses previstas nos §§4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que justificariam a apresentação e apreciação de elementos de prova extemporaneamente trazidos aos autos. No caso, tais hipóteses não restaram observadas naquela ocasião. Sendo assim, não há vício no acórdão recorrido apto a tornálo nulo. Quanto ao mérito, o contribuinte protesta pela apreciação dos argumentos expendidos na impugnação. Relativamente à alegação de que diversos depósitos levantados pela fiscalização ainda não haviam sido liberados pelos bancos no momento em que foram considerados, examinando o demonstrativo não exaustivo do contribuinte (fls. 221 e 222), os extratos bancários (fls. 51 a 58, 61 a 71 e 132), os levantamentos da autoridade lançadora (fls. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 4 194 a 199, 202 e 203) e confrontandoos com o disposto na legislação de regência, verificase que o argumento do recorrente não merece acolhida. Não obstante nas descrições das operações bancárias esteja a referência a depósitos bloqueados (“DP BLQ”), o certo é que os valores ingressaram nas contas bancárias do contribuinte nas datas consideradas pela autoridade lançadora. Prossegue o contribuinte argumentando que suas contas teriam sido utilizadas para agrupar colaborações de terceiros para projetos sociais que administra, tendo efetuado inúmeras saídas para cumprir os destinos daqueles valores. Frisese que ainda que restasse inequivocamente comprovado que o destino dos valores que ingressaram nas contas do autuado foi a manutenção de projetos sociais, tal fato em nada alteraria a presunção estabelecida no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Por outro lado, seria indispensável que o contribuinte comprovasse que os depósitos tiveram origem em colaborações de terceiros destinadas aos mencionados projetos sociais, conseguindo vincular cada depósito ao colaborador respectivo. Essa cautela, entretanto, não teve o contribuinte, razão pela qual meros argumentos não ilidem a infração apontada. Invoca o interessado depósitos oriundos de Barra Bingo Promoções e Eventos Ltda. e de GR Escola de Samba União do Parque Curicica. Frisese que durante a fiscalização o contribuinte informou que o depósito de R$10.000,00, no Unibanco, em 08/08/2001, seria referente a prêmio de Bingo recebido de Barra Bingo Promoções e Eventos Ltda. e apresentou cópia de cheque nominal (fls. 174). A autoridade lançadora entendeu que seria indispensável a apresentação de documentos que comprovassem que o valor em questão tratavase, efetivamente, de prêmio de bingo. Tal posicionamento foi sustentado no julgamento de primeira instância, eis que a interpretação dada ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 foi de que a comprovação da origem dos recursos deve contemplar não somente a procedência, mas também a natureza dos depósitos apurados. Ocorre que, consoante vem sendo discutido neste Colegiado, a presunção legal de omissão de rendimentos em comento não se sustenta quando o contribuinte logra identificar a origem dos recursos depositados em suas contas. Identificada o origem, caberia à fiscalização aferir se a natureza alegada está comprovada e, não estando, lançar a omissão de rendimentos correspondente, mas não mais ao abrigo do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim dos documentos carreados aos autos e da legislação específica aplicável ao caso. Portanto, considerando o princípio da verdade material, as justificativas trazidas pelo contribuinte em sede de recurso voluntário para a apresentação extemporânea dos documentos de fls. 227 a 245, entendo que devam ser excluídos do lançamento os valores depositados no Banco Unibanco, em 08/08/2001 (R$10.000,00, fls. 172 a 174), em 13/08/2001 (R$5.000,00, fls. 229 a 231) e em 17/12/2001 (R$1.500,00, fls. 232 e 235), perfazendo o montante de R$16.500,00. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada para o exercício 2002, o valor de R$16.500,00. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 288DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 18471.000744/200647 Acórdão n.º 280101.489 S2TE01 Fl. 273 5 Fl. 289DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003053/2001-18
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PRAZO RECURSAL – INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE.
- Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação.
- O termo inicial de que tratam o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972 se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil seguinte.
- Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 102-47.968
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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I _ _ 0.fijUOI MINISTÉRIO DA FAZENDA - - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA Processo n° 11610.003053/2001-18 Recurso n° 149.359 Voluntário Matéria IRPF - Ex.: 1999 Acórdão n° 102-47.968 Sessão de 18 de outubro de 2006 Recorrente JAUMENO CARVALHO DE SOUZA Recorrida 3' TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF Ementa: PRAZO RECURSAL — INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE. - Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5 0 do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação. - O termo inicial de que tratam o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972 se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil seguinte. - Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. Recurso não conhecido. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO Presidente it a Processo n.° 11610.003053/2001-18 Acércl5o n.° 102-47.968 Fls. 2 MOISES GIACOMELLI NUNE A SILVA RELATOR FORMALIZADO EM: 14 NOV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI KARAM, ANTÔNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. ofr Processo n." 11610.003053/2001-18n Acórdão n.° 102-47.968 Fls. 3 Relatório Em 09 de agosto do ano de 2001 o contribuinte anteriormente identificado foi notificado do auto de infração de fl. 04 a 08 que lhe exige o crédito tributário de R$ 11.619,11, sendo R$ 5.606,06 de imposto; R$ 4.204,54 a titulo de multa de oficio e R$ 1.808,51 juros de mora calculados até março de 2001. • A autuação, segundo demonstrativb de fl. 05, deu-se em virtude dos seguintes fatos: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de vínculo empregaticio, constante em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF, porém não declarado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, assim identificados: - R$ 49.760,00 do Banco Nacional S/A, em liquidação e IRRF de R$ 13.324,00. - R$ 32.461,96 do Banco Santander S/A e IRRF de R$ 700,21 (valores parciais). (ii) omissão de rendimentos recebidos a titulo de resgate de contribuições à Previdência Privada, conforme DIRF, porém não declarado na DIRPF, assim identificado: - R$ 68.585,88 da ICATU HARTFORD SEGUROS S/A, e IRRF de R$ 14.923,60. Na declaração de ajuste anual de fls. 37 a 39, ano-calendário 1998, o contribuinte declarou rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ • 223.313,02 e IRRF no valor de R$ 37.343,39. , Todavia, ao descrever as fontes pagadoras • relacionou somente o Banco Santander com pagamento de R$ 72.505,18 e IRRF de R$ 8.395,59 (fl. 39v). Ao apresentar a impugnação de fls. 01 a 02 o contribuinte alega os seguintes fatos: (i) que a omissão de rendimentos no valor de R$ 49.760,00 recebido do Banco • Nacional S/A, em Liquidação Extrajudicial, e IRRF no valor de R$ 13.234,00 ocorreu porque o referido Banco atrasou o envio do Informe de Rendimentos daquele exercício; • (li) que o valor referente aos rendimentos no valor de R$ 32.461,88 e IRRF de • R$ 700,21, recebido do Banco Santander, proveniente à rescisão do seu contrato de trabalho, encontra-se somado ao informe de rendimentos no valor de R$ 70.505,18 com IRRF de R$ 8.395,58. • (iii) que a omissão de rendimentos no valor de R$ 68.585,88 e IRRF no valor de • R$ 14.923,60, recebido da Icatu Hartford Seguros ocorreu por falta de recebimento do • competente informe de rendimentos. (iv) sustenta o recorrente ' que , mesmo considerando os valores acima especificados, com as respectivas retenções, realizou duas simulações, sendo que a simulação • Processo n.° 11610.003053/2001-18 Acórdão n.° 102-47.968 Fls. 4 de fls. 16 a 19 demonstra que teria a receber o valor de R$ 5.544,10 e a simulação de fls. 20 a • , 23 demonstra que teria direito a receber restituição no valor de R$ 6.526,18. Junto com a impugnação o contribuinte apresentou os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda de fls. 14 e 15, fornecidos, respectivamente, pelo Banco Nacional e pelo Banco Santander, onde constam os pagamentos e as retenções anteriormente referidas. No decorrer da instrução o contribuinte apresentou a petição de fls. 29 informando que ao verificar que o Banco Santander lhe apresentou comprovante de rendimentos tributáveis no valor de R$ 72.505,18 (fl. 15) e a Receita Federal considerou o valor de R$ 104.967,14, entrou em contato com o Banco que lhe esclareceu que a diferença de R$ 32.461,88 se trata de verbas pagas na rescisão de contrato a titulo de férias vencidas e proporcionais não gozadas, cuja exigibilidade do imposto de renda foi afastada através de liminar concedida na ação civil pública ajuizada no ano de 1996, cuja certidão narratória consta • da fl. 32 dos autos. Em face dos dados especificados no processo judicial acima referido, em 25/08/2003 o Banco Santander entregou nova Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF, corrigindo a informação (fls. 30), sendo que desta forma o total de rendimentos tributáveis, no ano-base, passa a ser de R$ 190.851,06 e a contribuição à previdência privada e , FAPI recalculada para R$ 22.902,13, gerando um direito à restituição de R$ 6.526,18, conforme item 4 da impugnação de fl. 01. O acórdão de fls. 51 a 55, decidiu pela (i) procedência do lançamento para manter a infração decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Banco Nacional e do katu Seguros Hartford, a título de resgate de contribuições de previdência privada; (ii) não conhecer da impugnação no que se refere aos vencimentos recebidos do Banco Santander • Brasil S/A, quando da rescisão do contrato do trabalho, a titulo de férias vencidas/proporcionais não gozadas, por haver concomitância do processo judicial e • administrativo versando sobre a mesma matéria, devendo, o órgão de origem observar que o lançamento destes rendimentos é definitivo na esfera administrativa até decisão em contrário, se proferida pelo Poder Judiciário. • Em 10 de fevereiro de 2005, o contribuinte, por procurador constituído pela . procuração de fl.57, deu-se por intimado (fl. 59) do acórdão de fls. 51 a.55 e em 14 de abril de • 2005 protocolou o recurso de fl. 63 afirmando que não há como concordar com a tributação dos valores recebidos, quando da rescisão de contrato de trabalho, a titulo de férias vencidas/proporcionais não gozadas. Afirma que tal verba está afastada de tributação pela liminar concedida no processo n°. 96.0038597-1, tendo inclusive a fonte pagadora retificado a DIRF considerando tributável somente o valor de R$ 72.505,18. Retificada a DIRF, a fiscalização não pode utilizar como parâmetro a DIRF errada para exigir o tributo. Quanto à alteração do valor deduzido a título de contribuições à previdência, sustenta o recorrente que também não procede o auto de infração. Por tais fundamentos, o recorrente pede provimento ao seu recurso para cancelar a exigência tributária e reconhecer seu direito de restituição de R$ 6.526,19, já demonstrado nos esclarecimentos de fl. 29. Processo n." 11610.003053/2001-18 Acórdão n.° 102-47.968 Fls. 5 Após o recurso, o contribuinte foi intimado para apresentar certidão de objeto e pé atualizada da não judicial, diligência esta que atendeu juntando aos autos os documentos de • fls. 68 a 82, dentre os quais destaco a decisão judicial de fl. 81, com ,o seguinte conteúdo: "...A liminar concedida às fls. 114/117, foi no sentido de impedir que a Ré exigisse o tributo (IR) incidente sobre as verbas indicadas. No entanto tal decisão não pode impedir a União Federal de promover o lançamento do tributo a fim de evitar o perecimento do direito de apurar o crédito tributário. Não há exigência do tributo com a simples notificação do auto de infração. O contribuinte pode e deve oferecer a defesa que entender cabível. Ao final do procedimento, no entanto, o débito lançado não poderá ser exigido, por força da liminar, se ela ainda estiver produzindo seus efeitos É o Relatório. • • Processo n.° 11610.003053/2001-18 • Acórdão n.° 10247.968 Fls. 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator Segundo as regras contidas no artigo 210 do CTN, artigo 66 da Lei n° 9.784, de • 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcritos, os prazos são contados segundo a sistemática "dies a guo non computator in término", ou seja, desconsidera- se o "dies a guo", conta-se o "dies ad quem", sendo que nenhum deles pode iniciar ou acabar em dia não útil ou sem expediente normal. A contagem dos prazos fixados no CT1V. "Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento." "Parágrafo único. Os prazos só se • iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." A contagens dos prazos disciplinados na Lei n° 9.784, de 2001. • "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento." "§ 1°. Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte • se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal." "§ 2°. Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo." "§ 3°. Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês." A contagens dos prazos disciplinados no Decreto n° 70.235, de 1972. "Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o • dia do início e incluindo-se o do vencimento." "Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." O artigo 210 do CTN, diferentemente de diversos outros dispositivos do Código Tributário Nacional (e.g.: arts. 116, 120, 161, § 1°), não admite disposição em contrário. Ou seja, não se trata de mera norma de aplicação subsidiária, a ser utilizada na falta de dispositivo especifico nas legislações federais, estaduais e municipais. Obriga a todos, de modo que a legislação — qualquer que seja — que dispuser em sentido contrário não terá validade. Processo n•° 11610.003053/2001-18 g • • • Acórdão n.° 102-47.968 Fls. 7 O artigo 5°. do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que "os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento". A expressão "prazos contínuos" prevista no artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, quer dizer em dias corridos, sem interrupção pelos domingos e feriados. Em síntese, o prazo recursal de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972 começa a fluir no primeiro dia útil subseqüente a intimação do interessado, sendo que esta, conforme disposições do artigo 23 do, pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos o recorrente, conforme termo de ciência de fl. 59, foi intimado do acórdão em 10-02-2005 e, sem apresentar qualquer motivo de força maior (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001), protocolou seu recurso em 14 de abril de 2005, quando já havia precluído seu direito de recorrer. ISSO POSTO, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso por intempestivo. Sala das Sessões - DF, em 18 de outubro de 2006. Moises iacomelli
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Numero do processo: 10735.001810/2004-84
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.699
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 14120.000643/2005-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-001.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Jose Evande Carvalho Araujo. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 175.925,16, referente ao exercício de 2000, a título de imposto (R$ 50.748,62), Fl. 117DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 acrescido da multa de ofício qualificada a 150% do valor do tributo apurado (R$ 76.122,93), além de juros de mora (R$ 49.053,61). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua impugnação, a contribuinte alegou que: • lançamento foi constituído quando já havia expirado o prazo decadencial; • Não recebeu qualquer intimação que solicitasse esclarecimentos antes da lavratura do auto de infração, bem como desconhece as pessoas que receberam as intimações fiscais (fls. 05 a 11), informando que já não residia no aludido endereço desde 2002; • O valor de R$ 190.000,00, depositado na sua conta corrente n° 026.7126, agência 04300, não lhe pertencia. O depósito foi feito por Armando Ferreira da Silva., pois, inocentemente e agindo de boa fé, emprestou sua contacorrente para que ele depositasse e movimentasse a aludida quantia; • Não tinha consciência de que o depósito lhe causaria sérios aborrecimentos com o Fisco e até mesmo com o Poder Judiciário. Se tivesse consciência de que poderia ser chamada para dar explicação da origem do numerário, não teria permitido que fizessem uso de sua conta; • Devem ser verificadas suas alegações para a confirmação de que não fez uso pessoal do dinheiro, sendo a sua situação patrimonial a mesma, negativa, já que tem acumulado dívidas correntes de inúmeros empréstimos contraídos com instituições financeiras, sendo que sua conta corrente também apresenta saldo negativo, por fazer uso do limite de crédito rotativo, disponibilizado pelo banco; • Pretende demonstrar que todos os fatos ilícitos são improcedentes por meio de provas orais e ainda mediante ajuntada ulterior de novos documentos; • É insubsistente a autuação, devendo, portanto, ser cancelada a exigência e chamado o Sr. Armando Ferreira da Silva para prestar os devidos esclarecimentos. A 2ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS, conforme Acórdão de fls. 89/98, julgou procedente em parte o lançamento para desqualificar da multa de ofício aplicada ao lançamento, exigindoa no patamar de 75%. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 20/10/2008 (fl. 105), a interessada, representada por seu advogado (fl. 72), interpôs recurso voluntário de fls. 107/112, em 08/12/2005, no qual aduz que a decisão recorrida indeferiu o pedido de produção de provas, ceceando, assim, o seu direito de defesa. Sustenta que lançamento foi constituído quando já havia expirado o prazo decadencial. Repete os argumentos da impugnação no sentido de defender que os recursos do depósito objeto da autuação pertenciam ao Sr. Armando Ferreira da Silva. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 14120.000643/200514 Acórdão n.º 280101.495 S2TE01 Fl. 116 3 É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente suscita em preliminar a decadência do lançamento. De plano, importa salientar que a imposição de multa de oficio qualificada para a exigência formalizada no presente lançamento foi afastada pela decisão recorrida. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 119DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, tendo em vista que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 14120.000643/200514 Acórdão n.º 280101.495 S2TE01 Fl. 117 5 No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado, conforme registrado na DIRPF/2000 da contribuinte, à fl. 50, cujo resultado é de imposto a restituir no valor de R$ 69,27. Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31 de dezembro de 1999. Ora, se somente em 08/12/2005 (fl. 52) a contribuinte foi notificada do auto de infração, resta cancelar o lançamento por força da decadência. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 121DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13502.001009/2009-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA.
O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos
apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontra-se em conformidade com as disposições legais aplicáveis.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA
TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência
tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Correto o lançamento efetuado após a entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos, sendo a responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída a este, a quem cabe oferecê-los à tributação do imposto de renda por ocasião do ajuste anual, ainda que não tenha havido a tributação
destes rendimentos na fonte.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
Em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Constatada a infração à legislação tributária, o imposto deve ser exigido com a multa do lançamento de ofício e com a aplicação dos juros de mora, expressamente previstos na legislação de regência.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2801-001.543
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontra-se em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Correto o lançamento efetuado após a entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos, sendo a responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída a este, a quem cabe oferecê-los à tributação do imposto de renda por ocasião do ajuste anual, ainda que não tenha havido a tributação destes rendimentos na fonte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Constatada a infração à legislação tributária, o imposto deve ser exigido com a multa do lançamento de ofício e com a aplicação dos juros de mora, expressamente previstos na legislação de regência. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.
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OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontrase em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Correto o lançamento efetuado após a entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos, sendo a responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída a este, a quem cabe oferecêlos à tributação do imposto de renda por ocasião do ajuste anual, ainda que não tenha havido a tributação destes rendimentos na fonte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 245 2 Constatada a infração à legislação tributária, o imposto deve ser exigido com a multa do lançamento de ofício e com a aplicação dos juros de mora, expressamente previstos na legislação de regência. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às fls. 17/25, onde está o fisco a exigir do recorrente o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 119.780,59, sendo R$ 55.477,11 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), além de R$ 41.607,81 de multa de oficio, e R$ 22.695,67 de juros de mora, estes calculados até 30 de setembro de 2009. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada nas declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte, relativas aos exercícios 2005, 2006, e 2007. Asseverou a autoridade fiscal que o autuado classificou indevidamente, nestas declarações, rendimentos tributáveis como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais valores foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. O autuante destacou que estas diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, e deste modo, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Esclareceu ainda a autoridade lançadora que na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias (conversão de férias), em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ n° Fl. 263DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 246 3 2.140/2006. O cálculo efetuado no lançamento também obedeceu ao disposto no Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 26/10/2009, conforme fl. 26 dos autos, o contribuinte apresentou em 06/11/2009, por meio de representante legal, a impugnação às fls. 28/103, juntamente com a documentação às fls. 104/142. Em sua defesa, alegou que: o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse Fl. 264DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 247 4 motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3° da Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de oficio e juros moratórios; de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado Fraudador da Legislação se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de oficio e juros de mora; a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; Fl. 265DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 248 5 o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13° salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Na seqüência, após análise dos autos, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Salvador (BA) decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo, assim, a exigência do crédito tributário (Acórdão DRJ/SDR nº 15 21.855, de 02/12/2009, às fls. 145/148). Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 25/02/2010, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 151, o contribuinte, interpôs, em 10/03/2010, o Recurso Voluntário às fls. 154/239. Em sua defesa, argumenta o recorrente, preliminarmente, que a decisão recorrida não enfrentou as questões suscitadas na impugnação relativas aos seguintes pontos: i) falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e ii) quebra da capacidade contributiva do contribuinte, o que representaria uma negativa ao seu direito de petição, assegurado na Constituição Federal (artigo 52, XXXIV). Neste sentido, afirma o recorrente que referida omissão caracterizaria supressão da instância administrativa, em ofensa ao seu direito ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, assegurados constitucionalmente a todos, inclusive no âmbito administrativo. Diante disso, sustenta o recorrente que a solução correta para o caso seria fazer voltar o processo à instância originária, para que o recorrente possa formular e ver decidida, em cada uma delas, suas alegações contra o lançamento efetuado. No entanto, requer que, caso assim não entenda essa instância superior, ao menos que enfrente a questão, concluindo pela mesma compreensão da defesa, reiterada na peça recursal. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 249 6 Assevera ainda que a decisão guerreada desconsiderou totalmente a boafé do recorrente, indo em direção contrária à jurisprudência pátria e ao ordenamento jurídico nacional. Quanto ao mérito, reiterou os argumentos apresentados na impugnação, relativamente às seguintes questões: caráter indenizatório das parcelas referente às diferenças da URV; violação ao princípio constitucional da isonomia; isenção pela resolução do STF e lei estadual no exercício da competência residual; erro no cálculo apresentado em razão dos valores terem sido tributados isoladamente sem levar em conta as deduções cabíveis, alíquotas incorretas, tributação efetivada sobre férias indenizadas e 13º Salário; responsabilidade tributária da fonte pagadora e boafé do contribuinte; exclusão da multa de ofício e dos juros de mora lançados. Ao final, requer o contribuinte seja acolhido e totalmente provido o seu recurso, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e na hipótese de ser mantida a ação fiscal, que leve em consideração os argumentos lançados precedentemente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. De início cumpre apreciar a preliminar de cerceamento do direito de defesa arguida na peça recursal. Sustenta o defendente que a decisão de primeira instância não teria se pronunciado sobre questões suscitadas na impugnação relativas aos seguintes pontos: i) falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e ii) quebra da capacidade contributiva do contribuinte. A respeito, cabe destacar inicialmente que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada, o que ocorreu no presente caso. Dessa forma não constitui omissão a ausência de manifestação acerca da alegada quebra da capacidade contributiva do contribuinte. Quanto à questionada legitimidade da União para exigir o Imposto de Renda, verifico que aquela decisão faz menção clara ao fato de que a cobrança do referido tributo tem Fl. 267DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 250 7 como base legislação federal, no meu entender, suficiente a refutar a argumentação do recorrente, porquanto somente a União tem a competência constitucional para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, inciso III, da CF). Neste sentido, os excertos do aludido acórdão a seguir reproduzidos: (...) Quanto ao art. 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, deve se observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei especifica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6°, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis, conforme abaixo transcrito: Art.55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, §4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, §2°, inciso IV, e 70, §3°, inciso I): .... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (...) (destaquei) Ademais, quanto a essa questão, mostrase desnecessário maior debate, pois como dito, a Constituição Federal, norma maior a qual todas as outras se vinculam obrigatoriamente, em regras e princípios, define a competência sobre o tributo em apreço: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; (grifei) Fl. 268DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 251 8 Assim, a distribuição da renda arrecadada com outros entes da federação não altera a competência da União quanto ao Imposto sobre a Renda, conforme o preceito contido no art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 6º. A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. (destaquei) Cabe frisar que as atribuições de arrecadar e fiscalizar o Imposto de Renda, compreendidas na competência tributária, jamais foram transferidas pela União aos Estados ou Municípios, ocupando aquela, indubitavelmente, a posição de sujeito ativo nas relações que versam sobre o tributo em comento. Observase, portanto, que não houve qualquer prejuízo ao interessado que o impedisse de apresentar suas razões de defesa, haja vista que o mesmo foi devidamente intimado da lavratura do lançamento que compõe a lide, tendo apresentado sua impugnação, e posteriormente o recurso, ora em análise, alegando tudo o que entendeu cabível, tendo novamente a possibilidade de trazer à colação documentos que pudessem elidir a exigência fiscal. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que a decisão da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Salvador (BA) se pautou nos elementos de prova que foram trazidos aos autos, mediante a lavratura do auto de infração, bem como naqueles acostados pelo contribuinte por ocasião da apresentação de sua impugnação, não havendo que se cogitar em ofensa ao princípio constitucional do devido processo legal. Assim, a contrariedade do recorrente com a fundamentação esposada no acórdão guerreado não constitui qualquer vicio capaz de incorrer em sua desconsideração, até porque, tal decisão obedeceu a todos os ditames da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72). Frisese, ainda, que não se verifica na espécie a alegada ofensa ao princípio da capacidade contributiva, posto que referido princípio constitucional é dirigido ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a lei, presumidamente sancionada com respeito aos preceitos constitucionais. Rejeitase, portanto, as preliminares suscitadas pelo recorrente. No mérito, com relação ao alegado caráter indenizatório dos valores recebidos, ressaltese que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar Fl. 269DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 252 9 controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia. Segundo o interessado, tais importâncias recebidas seriam isentas de imposto de renda, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08/09/2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 12/12/2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, o contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com Fl. 270DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 253 10 fulcro na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08/09/2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal exegese. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem verter expressamente do texto legal, em respeito ao princípio contido no art. 111, do citado CTN. Assim, descabe na hipótese dos autos atribuir aos rendimentos recebidos pelo recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que inexiste lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Deveras, segundo a legislação de regência, o interessado estava obrigado a informar na declaração de ajuste, independente da existência de retenção, todos os seus rendimentos, sendo que a tributação da renda das pessoas físicas é feita essencialmente em bases anuais. A tributação mensal não exclui a anual. Em verdade, o valor do imposto devido que prevalece é o apurado na declaração de ajuste anual, que tem por base todos os rendimentos do anocalendário. Os valores pagos pelo contribuinte durante o ano, inclusive mediante retenção na fonte, são meras antecipações do imposto calculado na declaração (art. 8º e inciso II do art. 15 da Lei n° 8.383, de 1991, inciso III do art. 16 da Lei nº 8.981, de 1995). Havendo diferença entre o pago e o devido, esta diferença deve ser recolhida aos cofres da União, no prazo fixado em lei (inciso III do art. 15 e art. 17 da Lei nº 8.383, de 1991 e art. 17 da Lei nº 8.981, de 1995). Destarte, a própria sistemática do regime de fonte e de declaração de ajuste anual confere ao Fisco Federal o poder de exigir do contribuinte o imposto devido sobre rendimentos tributáveis, mesmo que não retido anteriormente pela fonte pagadora. Há, com isso, mero deslocamento temporal do gravame a ser suportado pelo contribuinte, que deixa de ser o momento da percepção dos rendimentos e passa a ser o do vencimento do imposto devido na declaração. A jurisprudência firmada neste Conselho Administrativo quanto à matéria, após prolongado estudo e debate, firmouse no sentido da legitimidade da exigência na figura do contribuinte pessoa física. Transcritas a seguir algumas ementas: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO OBRIGATORIEDADE DE INCLUSÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de rendimentos, já que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o anocalendário da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, Fl. 271DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 254 11 beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. (Ac 10418928) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — AÇÃO FISCAL INICIADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS — EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO — Sendo o imposto de renda na fonte tributo devido mensalmente pelo beneficiário do rendimento, cujo "quantum" deverá ser informado na Declaração de Ajuste Anual para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas, e se a ação fiscal desenvolveuse após a ocorrência do fato gerador e data da entrega da Declaração de Ajuste Anual, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda pessoa física, se for o caso, há que ser efetuado em nome do sujeito passivo direto da obrigação tributária, ou seja, o beneficiário e titular da disponibilidade jurídica e econômica do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. A falta de retenção do imposto de renda na fonte pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual. Esta inclusão deverá ser efetuada pelo sujeito passivo direto da obrigação tributária ou, "exofficio", pela Autoridade Fiscal. (Ac. 10245717 e 10245379). (grifos nossos) Acrescentese que esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula nº 12, em vigor desde de 22/12/2009: Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mais, verificase que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pelo contribuinte, como também foram excluídas da base de cálculo do tributo as parcelas incidentes sobre férias indenizadas e 13° salário, procedendo ainda acertadamente a decisão recorrida quanto à citação ao art. 136 do CTN, que estabelece, salvo disposição de lei em contrário, ser a responsabilidade por infrações tributárias objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente ou do responsável. Na esteira das considerações precedentes, concluise que, no caso vertente, não há embasamento legal para se considerar os rendimentos em causa como isentos ou não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos Fl. 272DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 280101.543 S2TE01 Fl. 255 12 tributáveis, devendo a autoridade administrativa basearse na legislação tributária vigente, em consonância com o princípio da estrita legalidade estabelecido na Constituição Federal. E assim, uma vez constatada a infração à legislação tributária, o imposto deve ser exigido com a multa do lançamento de ofício e com a aplicação dos juros de mora, expressamente previstos na legislação tributária. Por fim, quanto às jurisprudências e doutrinas citadas, cumpre registrar que essas não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Isto posto, VOTO por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 273DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10209.000262/2004-23
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.717
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Formalizado em: 1 0 NOV Z006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Jose Luiz Novo Rossari, Valmar Fons8ca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. Estiveram presentes os advogados Ruy Jorge, OAB/DF n° 1.226 e Micaela Dominguez Dutra, OAB/RJ n° 121.248. CCS Processo n° : 10209.000262/2004-23 Resolução n° : 301-1.717 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra decisão prolatada pela DRJ-FORTALEZA/CE, que manteve lançamento de Imposto de Importação — II, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: "Processo Administrativo Fiscal. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIACÃO DE PAIS NA -0 SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. Incabível a aplicação de preferência tarifária no caso de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, bem como quando o produto importado, é comercializado por terceiro pais não signatário de acordo internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no artigo 44, inciso I, da lei n° 9.430 de 27 de Dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importa cão, de reconhecimento de preferência percentual negociada ern acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários 'a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. FATURA COMERCIAL. A apresentação da fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares sujeita o importador et multa prevista na legislação. JUROS DE MORA. A TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência a autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas gerais. Lançamento Procedente em Parte." 2 Processo n° : 10209.000262/2004-23 Resolução n° : 301-1.717 Intimado da decisão de primeira instância, em 06/12/2004, a Recorrente interpôs tempestivo Recurso Voluntário, em 05/01/2005, no qual alega que não ocorreu qualquer irregularidade, a fatura comercial PIFSB-504/99, expedida pela Petrobras International Finance Company — PFICO, que instruiu o despacho aduaneiro, trouxe a mesma descrição do produto contida no Certificado de Origem, que atesta a origem venezuelana do produto importado. A Recorrente afirma a operação triangular entre as empresas PDVSA produtora sediada na Venezuela (pais membro da Comunidade Andina (ALADI)), Petróleo Brasileiro S.A. — Petrobrds importadora sediada no Brasil e Petrobras Finance Company- PFICO sediada nas Ilhas Cayman exportadora/interveniente; já era admitida, no âmbito da própria Resolução ALADI n°.: 78, e que a intervenção não prejudica a real origem da mercadoria,nem o direito a isenção ou redução prevista no acordo. Ainda afirma que os produtos sequer passaram pelo território das Ilhas Cayman e não foi objeto de comércio ou uso deste pais. Afirma não ser devida a multa de mora aplicada pela DRJ- Fortaleza/CE, pois a referida sanção sequer fez parte da constituição do credito tributário proveniente do Auto de Infração, e a turma julgadora não tem poderes para constituir novo crédito tributário ou complementar já constituído. Inaplicável a taxa Selic que foi instituída por instrumento não hábil, bem como não foi instruída para remunerar mora e sim uma taxa que objetiva a remuneração do capital investido e na verdade não constitui juros de mora para penalizar pagamento em atraso, mas verdadeira atividade de financiamento. Em seu pedido requer, em suma: seja dado provimento ao Recurso Voluntário. o relatório. 3 Processo n° : 10209.000262/2004-23 Resolução n° : 301-1.717 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. A questão trazida pela Recorrente não é nova e conta com diversos julgados que ratificam a preferência tarifária, se e quando: (i) houver a interveniência de terceiro de pais não signatária do Acordo Internacional, mas a mercadoria foi remetida diretamente do pais produtor para o Brasil, e (ii) os documentos demonstrem a triangulação de forma regular. Entendo que a Certificação de Origem, como o próprio nome diz é documento que atesta a origem da mercadoria, sua nacionalidade ou procedência primária. 0 privilégio dado pelo Acordo Internacional não é pessoal, mas objetivo, ou seja, d6.-se preferência a atos comerciais que tenha por objeto mercadorias originárias dos países signatários, o que permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. E esse foi o objetivo das exceções criadas pelo art. 4°, da Resolução ALADI/CR n° 78 — Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto n° 98.836, de 1990, o de tratar das circunstâncias em que se mantém a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, pelo menos, quando é possível comprovar a preservação da origem. 0 que pode ser verificado nestes autos é que a Recorrente realizou uma operação triangular, pois os documentos juntados indicam que a mercadoria importada foi remetida para o pais interveniente somente para viabilizar a operação de financiamento internacional. Para deslinde da questão e em homenagem ao principio da verdade material, mediante a confirmação de que a mercadoria foi remetida diretamente para o Brasil, percebe-se que há indícios de que a operação foi regular, sendo que, conforme jurisprudência pacifica das Câmaras deste Conselho, a rasteabilidade dos documentos substituiria a declaração juramentada do importador (coisa que, segundo as normas vigentes no Brasil, tenho convicção, seria suprida por declaração firmada pelo próprio importador sob as penas da lei). Diante disso, CONVERTO 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA repartição de origem para que intime a Recorrente para que traga aos autos cópia da Invoice 62389-0 de emissão da PDVSA referida no documento juntado de fls. 22 e a fatura da Importadora originária para a PFICO. Concluída a diligencia, intime-se o 4 Sala e saes, e 7 d uttib de 2006 LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator Processo n° . : 10209.000262/2004-23 Resolução n° : 301-1.717 contribuinte para, querendo manifeste-se acerca das informações prestadas, voltando os autos para julgamento. h •
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