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Numero do processo: 10314.001474/00-44
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 03/12/1997
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS.
A decisão que responde à consulta fiscal vem a ser norma individual e concreta que expressa o entendimento da Administração Tributária sobre a classificação fiscal da mercadoria, num determinado período de tempo, durante o qual a Administração está plenamente vinculada aos termos de sua
conclusão; não porque a interpretação dada naquele momento seja a mais correta, mas sim porque é a interpretação legitima e legalmente instituída em nosso sistema jurídico. A Administração Tributária está autorizada a modificar a sua interpretação a respeito da matéria consultada, entretanto, os efeitos dessa nova interpretação não podem atingir os atos praticados sob os efeitos da Solução de Consulta exarada anteriormente, sob pena de
desconstituir o próprio instituto da consulta e malferir o sobre princípio da segurança jurídica e o precioso principio da moralidade administrativa.
A questão fundamental neste contencioso não é identificar qual o código TEC correto no momento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim quais são os códigos TEC corretos nos diversos momentos dos atos e fatos que alteraram a classificação da mercadoria importada pela recorrente, para se saber se, de fato, a recorrente possuía direito subjetivo à
classificação fiscal pretendida na data do pedido de restituição cumulado com compensação. Trata-se de questão eminentemente de direito intertemporal, em que os códigos corretos são alterados no tempo, de acordo com as decisões administrativas, as quais geram direitos, que uma vez exercitados passam a fazer parte do patrimônio da pessoa como direito subjetivo ou direito adquirido.
Recurso Voluntário Provido_
Numero da decisão: 3101-000.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida DRJ-FOR.TALEZA/CE ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/12/1997 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS. A decisão que responde à consulta fiscal vem a ser norma individual e concreta que expressa o entendimento d a Administração Tributária sobre a classificação fiscal da mercadoria, num determinado período de tempo, durante o qual a Administração está plenamente vinculada aos termos de sua conclusão; não porq-ue a interpretação dada naquele momento seja a mais correta, mas sim porque é a interpretação legitima e legalmente instituída em nosso sistema jurídico. A Adrninistraçã.o Tributária está autorizada a modificar a sua interpretação a. respeito da matéria consultada, entretanto, os efeitos dessa nova interpretação não podem atingir os atos praticados sob os efeitos da Solução de Consulta exarada anteriormente, sob pena de desconstituir o próprio instituto da consulta e malferir o sobreprincípio da segurança jurídica e o precioso principio da moralidade administrativa. A questão fundamental neste contencioso não é identificar qual o código TEC correto no momento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim quais são os códigos TEC corretos nos diversos momentos dos atos e fatos que alteraram a classificação da mercadoria importada pela recorrente, para se saber se, de fato, a recorrente possuía direito subjetivo à classificação fiscal pretendida na data do pedido de restituição cumulado com compensação. Trata-se de questão eminen_ternente de direito intertemporal, em que os códigos corretos são alterados no tempo, de acordo com as decisões administrativas, as quais geram direitos, que uma vez exercitados passam a fazer parte do patri A nio da. pessoa como direito subjetivo ou direito adquirido. Recurso Voluntário Provido_ -- - - -- — _ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. n. _2, vis6113Hennque Pinh Tõ es - Preçidente Corintho Oli a achado - Relator EDITADO EM: 05/11/2009 Participaram do resente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque V" alente_ Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro gra-ta até aquela fase, com as devidas adições: Do pedido de restituição e posterior compensação Trata o presente processo de manifestação de irzeonformidade contra decisão que indeferiu pedido de restituição do Imposto de Importação, acompanhado de pedido de comperzsação, no valor de R$ 24.297,98 (vinte e quatro mil duzentos e rzo-verzta e sete reais e noventa e oito centavos), conforme documentem às fls. 02/07, inerente à Declaração de Importação rz° 97/1131150-O (fls. 19/20), registrada em 03/12/1997. Consta dos autos que, através de uma outra D1, sob n° 069865, registrada em 20/06/1995, a requerente procedeu à importação da mercadoria "MYKON ATC WHITE " (1V,IVIV -,N — tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celusose sódica), classificando-a no código NCM 2922.30_90 (alíquota do II - 2%). Naquela ocasião, com base nos exantes procedidos pelo Laboratório Nacional de Análises - LABAATA (fls. 32/33), a Equipe de Classificação e Valoraçã o Aduaneira discordou do código adotado pela requerente e entendeu que o correto seria o código NCM 3823.90.90 (ahquota II - 14%). Lesta forma, em 29/05/1996, a referida equipe deu ciência ao importador do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar (fls_ 31), onde o mesmo foi intimado a apresentar _Declaração Complementar de Importação (DCI), a fim de recolher os tributos e acréscimos legais decorrentes da reclas.sificação fiscal. Em seu requerimento «is. 02/07), a peticionária informa que a partir desta autuação passou a adotar o código a_ponteadc) pela 2 _ __ Processo n° 10314.001474/00-44 S3-C1T1 Acórdão n.°3101-00.248 Fl. 194 fiscalização, e conseqüentemente, o imposto de importação passou a ser calculado e recolhido com base na aliquota de 14%. Todavia, por meio do processo administrativo n° 10880.014252/98-80, a requerente efetuou consulta fiscal com o intuito de esclarecer a classificação do produto. Como resposta, e conforme fundamentação contida na Decisão DIANA/SRRF/8" RF n°319, de 29/06/1998 (fls. 21/25), concluiu-se que o código a ser adotado é 2922.30.90, ou seja, o código adotado pela contribuinte anteriormente ao evento do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar acima mencionado. Diante disso, através do presente processo e com fundamento na IN SRF n° 21/97, a recorrente solicita restituição acompanhada de pedido de compensação de parte do pagamento do Imposto de Importação relativo à mercadoria objeto da Declaração de Importação n° 97/1131150-0 (fls. 19/20), registrada em 03/12/1997, o qual defende ter sido pago a maior. Do indeferimento do pleito Ao apreciar o pleito da interessada, o SEFIA/IRF/SP, por meio do despacho às fls. 35/36, destacou que, "ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que já havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (.) razão pela qual, entendemos configurada a hipótese de não atendimento ao art. 52, II, do Decreto 70.2 3 5/72 (PAF)", para, em seguida, concluir que "a decisão DIANA/SRRF/8" RF não se aplica ao presente caso, uma vez que, nos termos do Decreto 70.235/72 (PAF), o Decreto 2.227/85 e IN SRF 59/85, a nova classificação somente será aplicada aos fatos geradores ocorridos até a data da protocolização da consulta e aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a consulente for notificada da decisão que RESULTE EM AGRAVAMENTO DA TRIBUTAÇÃO". Em decorrência, foi proposto o encaminhamento do processo ao SESIT/IRF/SP, para apreciação. Em 08/11/2000, ao apreciar a questão, o SESIT solicitou a realização de consulta à DISIT/SRRF/8" RF, nos seguintes termos (fl. 39): "1. Qual a correta classificação tarifária a ser seguida para o produto de que trata a referida consulta ? 2. A partir de que momento a decisão de uma consulta referente à classificação tarifária produz efeitos ? 3. Uma decisão dessa natureza retroage para fins de retificação da classificação do mesmo produto já desembaraçado em situações anteriores à referida consulta ?" O processo seguiu à SAORT/IRF/SP que, nos termos da Decisão n° 090/2003 (fls. 48/49), indeferiu o pedido da interessada, não reconhecendo o direito à restituição do crédito tributário ‘1 pleiteado. Dentre outras considerações, referida decisão "I7 3 ____ _ - -snen apresenta como fundamentos para negativa da restituição o fato de que: i) em 29/01/2001, foi exarada a DECISÃO DIANA/SRRF/8°RF n° 005, tornando insubsistente a DECISÃO DIANA/SRRF/KRF n° 319, de 29/06/1998, ii) de acordo com a manifestação do SEFIA/GRED (fls. 35/3 6), foi efetuada a revisão da DI 97/1131150-0, de 03/12/97, sem resultado, não tendo sido autorizada a sua retificação, concluindo, ainda, pela inexistência de valores a serem restituídos. Da manifestação de inconformidade Cientificada do despacho decisório em 22/12/2003, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 52, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade (fis. 53/63) em 13/01/2004, por meio de representação (fls. 64/66), oportunidade em que, após um breve relato dos fatos, discordou da decisão proferida, nos seguintes termos: ao contrário do alegado na decisão impugnada, tem a requerente direito a restituição dos valores pagos a maior, diante da incorreta classificação fiscal adotada pelo agente do fisco; foi protocolizada perante a própria Secretaria da Receita Federal consulta fiscal sob o n° 10880.014252/98-80, na qual esclareceu a classificação correta do produto, que seria a 2922.30.90, incidindo alíquota de 2%; decisões do Conselho de Contribuintes demonstram restar claro o direito de restituição dos valores pagos a maior; seu direito encontra fundamento em consulta fiscal respondida pela própria Receita Federal, que afirma a correta classificação para o produto; em que pese o pedido de compensação haver sido indeferido, sob o argumento de que a Decisão n°005 de 05/04/2001 tornou nula a Decisão n°319 de 29/06/1998, esse fato não obsta o direito de restituição da requerente, uma vez que a mesma estava recolhendo o valor da alíquota a maior desde 24/05/1996 quando foi autuada e concomitantemente ao procedimento de autuação, a requerente protocolizou a consulta, que foi solucionada em 29/06/1998, permanecendo seu direito à restituição em face do lapso de tempo entre os dois procedimentos; ressalta a questão da segurança jurídica para defender que a recorrente não pode ser penalizada por cumprir dispositivo exarado pela própria Receita Federal, e, pondera ainda que, negar o pleito é o mesmo que agir de modo contrário ao princípio da retroatividade mais benigna ao contribuinte; transcreve trecho da obra de Valdir de Oliveira Rocha (Comentário ao Código Tributário Nacional, vol 2, Ed. Saraiva, p. 56), que se refere ao art. 5°, XL, da Constituição Federal ("a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar réu'); além de texto da lavra de Celso Ribeiro Bastos, onde destaca o principio expresso no art. 2°, caput, do Código Penal (Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, 4 Processo n° 10314.001474/00-44 S3-C I T I Acórdão n.° 3101-00.248 Fl. 195 cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória), princípio este que entende deva ser aplicado por analogia ao caso presente; transcrevendo ainda outras ementas de julgados do STJ e TRF/2 a1Z, e ainda, suscitando o parágrafo único do artigo 100 do CTN; destaca que na ocasião do pagamento e posterior pedido de restituição, a norma que estava em vigor era a da resposta à consulta expedida pela Decisão n° 319 de 29/06/1998, não cabendo a alegação de que a Decisão de n° 005, de 05/04/2001 retroage seus efeitos, sendo certo que a mesma somente tem validade e eficácia a partir de sua publicação datada de 19/03/2001, ou seja, a recorrente, em face do princípio da temporalidade, se encontraria protegida sob a égide do efeito da consulta fiscal n° 319/98, no período de 18/06/1998 a 19/03/2001 ; por fim, requer a restituição do Imposto de Importação pago a maior e a conseqüente reforma da decisão recorrida. Diante da manifestação de inconformidade apresentada, e após a juntada da documentação pertinente, o processo foi encaminhado em 17/03/2004 à DRJ/SPO II/SP, unidade originalmente competente para julgar a lide. Por força da Portaria SRF n° 956, de 08/04/2005, D.O. U de 12/04/2005, que transferiu a competência de julgamento, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Fortaleza. Da conversão do julgamento em diligência Submetido à apreciação desta 2" Turma da DRJ/Fortaleza, por unanimidade dos votos de seus integrantes, esta resolveu pela conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução DRJ/FOR n°531, de 19/12/2005 (fls. 83/89). Em atendimento às providências solicitadas por este órgão julgador, foram juntados aos autos os documentos de fis. 92/141, tendo sido dado ciência à interessada do resultado da diligência, conforme fls. 109/110, culminando com sua manifestação às fls. 112/118, acompanhada dos documentos de outorga de poderes ao signatário às fls. 128/129. Cabe aqui destacar a existência de outros processos (conforme numeração relacionada no cabeçalho do despacho às fis. 44/45 dos autos) onde a matéria tratada é idêntica a deste, e, como tal, em atendimento à diligência solicitada, por uma questão de economia processual, uma cópia do processo de consulta MF 10880.014252/98-80 foi juntada ao processo MF 10314.001471/00-56. Quanto à nova manifestação apresentada pela interessada, esta, em síntese, ratificou o teor de sua manifestação inicial, ressaltando, quanto aos motivos que suscitaram a anulação da DECISÃO DIANA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998, que o auto de infração já se encontrava extinto por pagamento. Frisou queI ,r 5 o pagamento objeto do pleito foi comprovado no sistema SINAL, e ao final, solicitou a restituição conforme petição inicial. Em 13/07/2007, o processo retornou a esta DRJ/FOR para prosseguimento do julgamento. DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a solicitação, alicerçando seu entendimento de acordo com a ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 03/12/1997 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado que o produto MYKON ATC WRITE (N,N,1V,N - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sódica) classifica-se no código NCM 3824.90.89; que sua correspondente alíquota do imposto de importação é igual a do código NCM aplicado no despacho aduaneiro; e que, via de conseqüência, o valor recolhido do imposto de importação coincide com o valor deste tributo inerente à da correta classificação fiscal do bem importado, não há crédito tributário a ser restituído ou compensado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/12/1997 soLuçÃo DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS. A alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta alcançará apenas os fatos geradores que ocorreram após a sua publicação ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Constatado que o fato gerador objeto do pedido de restituição ou compensação ocorreu anteriormente à Solução de Consulta tornada insubsistente e superada por uma nova orientação, que, por sua vez, não acarreta em tratamento mais favorável, incabível será a aplicação do princípio da retroatividade mais benigna. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 154 e seguintes onde reproduz os argumentos alinhavados em primeiro grau e requer a reforma da decisão recorrida. A Repartição de origem, considerando a presença do recurso voluntário, encaminhou os presentes autos para apreciação do Conselho, fl. 191. É o Relatório. Voto 6 Processo n° 10314.001474/00-44 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.248 Fl. 196 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passa-se, de plano, ao mérito do litígio. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, após diligência efetuada, esclareceu que: ii) o ato que tornou insubsistente a Decisão DIANA/SRRF/8"RF n° 319, de 29/06/1998 (processo n°10880.014252/98-80), objeto da Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 005, de 29/01/2001, não foi, tal como discorreu o despacho da SEFIA/IRF/SP às fls. 35/36, ter havido vício de forma, ou seja, pelo fato de que, (.) ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (.), e sim, em decorrência de mudança de entendimento em relação ao código TEC correto para a mercadoria em questão, tendo concluído pelo código 3824.90.89, cuja alíquota do II, à época do registro da DI 97/1131150-0, de 03/12/1997, era de 17%; Em primeiro plano, cumpre dizer o que significa, sob a ótica tributária, a resposta a uma Consulta sobre classificação de mercadorias, feita por uma sociedade empresária, pois disso depende, ao meu ver, a solução deste contencioso, na medida em que a base de sustentação do pedido de restituição/compensação, formulado pela recorrente, é a resposta a uma Consulta desse tipo. A decisão que responde à consulta fiscal patrocinada pela recorrente vem a ser uma norma individual (vale apenas para a recorrente) e concreta (acerca de mercadoria importada ou em vias de o ser) que expressa o entendimento da Administração Tributária sobre a classificação fiscal da mercadoria descrita na consulta, num determinado período de tempo, durante o qual a Administração está plenamente vinculada aos termos de sua conclusão; não porque a interpretação dada naquele momento seja a mais correta, mas sim porque é a interpretação legítima (por quem tem competência) e legalmente instituída em nosso sistema jurídico. A esse passo, releva dizer, outrossim, que a Administração Tributária está autorizada a modificar a sua interpretação a respeito da matéria consultada, entretanto, os efeitos dessa nova interpretação não podem atingir os atos praticados sob os efeitos da Solução de Consulta exarada anteriormente, sob pena de desconstituir o próprio instituto da consulta (que visa proteger o sujeito passivo diligente e cauteloso em momento de indagação ao Estado- Fisco acerca de sua interpretação autorizada sobre classificação de mercadorias) e malferir o sobreprincípio da segurança jurídica e o precioso princípio da moralidade administrativa. Não é por menos que à época dos fatos figurava na Instrução Normativa SRF n° 230/2002, os' seguintes preceitos: Art. 14. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. 7 - - - ,§* 6° Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. § 7° Na hipótese de alteração ou reforma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. Dito isso, reporto-me aos fatos significativos do processo, de forma bem sintética: Em 03/12/1997 - Registro DI 97/1131 1 50-0 - código 3824.90.90 - Aliquota II - 17%; Em 18/06/1998 - Formalização de Consulta - processo n° 10880.014252/98-80; Em 29/06/1998 - Solução de Consulta - Decisão IDIANAISRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1 998- Conclusão -> código T.EC 2922.30.90; Em 10/04/2000 - Pedido de Restituição/Compensação - Fundamentação -> código TEC 2922.30.90 (aliquota 5%); Em 29/01/2001 - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 005, de 2 9/01/2001 - Reforma o entendimento inicial - Torna insubsistente a Decisão DIANA/SRRF/8°RF n" 319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código TEC 3824.90.89 - Aliquota de 17%; Em 24/11/2003 - Unidade preparadora nega o pleito; Em 28/09/2007 - Acórdão 08-11.734, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FORTALEZA/CE mantém o indeferimento do pleito. O julgado lastreou-se no seguinte pensamento - (...) a questão fundamental a ser analisada, de modo a solucionar a presente demanda, é identificar qual é o código TEC correto para a mercadoria importada pela interessada. E neste sentido, cabe destacar a Decisão DIANA/SRRF/8°R.F n° 005, de 29/01/2001, que alicerçada em robustos fundamentos, aos quais me vinculo, concluiu como correto o código TEC 3824.90.89 (...). Com a devida vênia do entendimento expresso supra, já manifestei-me anteriormente no sentido de que a questão fundamental aqui é a significação, sob a ótica tributária, da resposta a uma Consulta sobre classificação de mercadorias, feita por uma sociedade empresária, incluindo, obviamente, os efeitos temporais dessa resposta, ou seja, o fundamental, ao meu sentir, não é identificar qual é o código TEC correto no momento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim quais são os códigos TEC corretos nos diversos momentos dos atos e fatos que alteraram a classificação da mercadoria importada pela recorrente, para se saber se, de fato, a recorrente possuía direito subjetivo à classificação fiscal pretendida na data do pedido de restituição /9 8 Processo n° 10314.001474/00-44 S3-C1T 1 Acórdão n.° 3101-00.248 Fl. 197 cumulado com compensação (momento em que o código correto era o da Solução de Consulta eficaz). Trata-se de questão eminentemente de direito intertemporal, em que os códigos corretos são alterados no tempo, de acordo com as decisões administrativas, as quais geram direitos, que uma vez exercitados passam a fazer parte do patrimônio da pessoa como direito subjetivo ou direito adquirido. Forte nas premissas acima, volto à cronologia: Em 03/12/1997 - Registro Dl 97/1131150-0 - pergunta-se: Qual o código correto? E o TEC 2922.30.90, em virtude da Solução de Consulta, e do exercício, por parte da recorrente, do seu direito à classificação de mercadorias tal como na Solução de Consulta; Em 18/06/1998 - Formalização de Consulta - o código correto é o da Solução de Consulta eficaz (7'EC 2922.30.90), pois certamente os efeitos daquela decisão aplicam-se retroativamente; Em 29/06/1998 - Solução de Consulta - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n°319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código correto é o TEC 2922.30.90; Em 10/04/2000 - Pedido de Restituição/Compensação - Fundamentação -> código correto TEC 2922.30.90 (alí quota 5%) - a recorrente exercita o seu direito à classificação de mercadorias tal como na Solução de Consulta e adquire direito subjetivo; Em 29/01/2001 - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 005, de 29/01/2001 - Reforma o entendimento inicial - Torna insubsistente a Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código correto é o TEC 3824.90.89, porém somente para fatos geradores posteriores à ciência da alteração da Solução de Consulta, por parte da recorrente ; Em 24/11/2003 - Unidade preparadora nega o pleito sem levar em consideração o direito intertemporal, pois o código correto foi alterado somente após a recorrente exercitar o seu direito à classificação de mercadorias tal como na Solução de Consulta; Em 28/09/2007 - Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FORTALEZA/CE mantém o indeferimento do pleito incidindo no mesmo equivoco da Unidade preparadora. Nessa mo1du9, vot, pelo PROVIMENTO ao recurso voluntário. ! . . , Corintho 01tv j achado f/ 9
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Numero do processo: 10909.000315/2009-23
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.069
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
SOBRESTAR o julgamento do processo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento do processo, nos termos do voto do Relator. Após a formalização da Resolução, os autos do presente processo serão movimentados à Secretaria da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF que os manterá controlados na “atividade de sobrestamento”, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O presente processo somente será incluído, novamente, em pauta após solucionada a questão prejudicial de índole constitucional, suscitada pela contribuinte nos presentes autos, dependente de decisão do Supremo Tribunal Federal, por ser objeto da Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC 18, cuja matéria já foi reconhecida de repercussão geral pela Suprema Corte, justificando, por conseguinte, o sobrestamento do presente processo adminitrativo, enquanto pendente de julgamento pelo STF da questão constitucional. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 203/223 interposto pela pessoa jurídica recorrente contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (fls. 189/195v) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento do IRPJ, da CSLL, da Constribuição para o PIS e da Cofins, anoscalendário 2005, 2006 e 2007. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl.189): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A receita bruta, base de cálculo do lucro presumido, prevista no artigo 519 do RIR/99, é aquela definida no artigo 224 e parágrafo único, compreendendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. O ICMS, integrando o preço da mercadoria ou serviço, faz parte da receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Internunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ICMS. EXCLUSÃO.BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Internunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada aquela que não foi expressamente contestada. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e o decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Quantos aos fatos imputados pelo fisco nos autos de infração e razões da impugnação, reproduzo o relatório da decisão a quo que resumiu adequadamente os principais aspectos da lide objeto dos autos (fl. 190 e 190v), in verbis: (...) Contra a Interessada foram lavrados Autos de Infração, nos quais é exigido o recolhimento das importâncias abaixo discriminadas, relativamente a fatos geradores ocorridos em 2005, 2006 e 2007: Principal juros de mora (30/01/2009) Multa de ofício (75%) Total Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 4 4 IRPJ 48.883,28 14.054,83 36.662,40 99.600,51 CSLL 210.047,87 59.722,38 157.535,85 427.306,10 PIS/Pasep 625,38 217,79 468,91 1.312,08 Cofins 2.886,91 1.005,95 2.165,07 6.057,93 No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização informa que a interessada, que tem como objeto social o comércio varejista de combustíveis, lubrificantes e seus derivados, apresentou espontaneamente as DIPJ 2006 a 2008 (relativas aos anoscalendário 2005 a 2007), todas com valores em branco, com opção pelo Lucro Presumido. Entretanto, a partir dos exames efetuados, a fiscalização concluiu que no período houve insuficiência de declaração e recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins: No confronto entre os valores registrados nos Livros de Saídas e Apuração do ICMS, dos anos de 2005, 206 e 2007, com os recolhimentos efetuados pelo Contribuinte e tendo em vista que as DIPJ e DCTF's do mesmo período foram apresentadas em branco, ou seja, com os valores "zerados", constatamos a falta/insuficiência de declaração e pagamento dos valores relativos ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, correspondentes aos períodos de apuração compreendidos nos três exercícios fiscalizados, com base nas receitas escrituradas pelo próprio contribuinte em sua escrita contábil/fiscal. Dos Autos de Infração, de seus demonstrativos e do Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte teve ciência em 16 de fevereiro de 2009. Em 13 de março de 2009, a autuada apresentou impugnação de fls. 162 a 182, contestando, apenas, a inclusão do ICMS na base de cálculo dos tributos federais. De se registrar as palavras iniciais contidas na impugnação: Nesse sentido, a Recorrente impugna a totalidade do crédito tributário apurado, pugnando desde já que o auto de infração em comento seja anulado, sendo o crédito apurado observado os critérios apresentados ao longo da presente impugnacão. (grifei) Em síntese, são os seguintes os argumentos trazidos pela impugnante contra a inclusão do ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devidos na sistemática do LucroPresumido: a inclusão do ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL representa ofensa ao art. 31 da Lei nº 8.981/95 e ao art. 110 do CTN; a inclusão do ICMS representa interpretação equivocada dos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95; o ICMS não representa receita bruta da impugnante, e sim receita do Estado, sendo que a impugnante atua como mero repassador desta receita; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 5 5 o ICMS é um mero ingresso contábil de um numerário que não integra o patrimônio da empresa; citando trechos de voto em processo que tramita no STF, de lavra do Min. Marco Aurélio, sustenta que o conceito de faturamento relaciona se à riqueza própria; alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devidos na sistemática do Lucro Presumido, fere o princípio da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e princípios da Ordem Econômica. Contra a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a impugnante alega que: mesmo antes das alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 20/98 e pela Lei nº 9.718/98, o ICMS não poderia sofrer incidência de PIS e Cofins; o ICMS não representa faturamento da empresa, apenas agregase ao valor da operação, que é a soma dos preços das vendas registradas nas notas fiscais; nem mesmo a revogação do inciso III do § 2º do art. 32 da Lei nº 9.718/98, tem o condão de validar a tributação pretendida, em razão de total inconstitucionalidade, pois promove ampliação indevida da base de cálculo das contribuições. Referido dispositivo previa a exclusão dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica. Ao final de sua petição, a impugnante requer que seja declarada a inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do TRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, e que os autos de Infração sejam anulados, sendo o crédito tributário apurado em novo procedimento fiscal, observada a pleiteada dedução do ICMS. (...) Irresignada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 24/08/2009 (fl. 202), a pessoa jurídica apresentou o Recurso Voluntário em 18/09/2009 de fls. 203/223, juntando ainda os documentos de fls. 225/227, reiterando as mesmas razões já aduzidas na primeira instância de julgamento. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de crédito tributário no montante de R$ 534.276,62 atinente aos autos de infração do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins, anoscalendário 2005, 2006 e 2007. Nesses anoscalendário a contribuinte estava, por opção expressamente manifestada, enquadrada no regime do lucro presumido, quanto à apuração do IRPJ e da CSLL. Ainda, quanto a esses anoscalendário a contribuinte apresentou as DIPJ e as DCTF zeradas, em branco, sem movimento. Entretanto, na escrituração contábil a recorrente registrou as receitas auferidas nesses períodos de apuração. Por conseguinte, confrontando a escrituração contábil/fiscal, o fisco constatou a falta/insuficiência de declaração e de pagamento dessas exações fiscais federais nesses períodos de apuração, implicando a lavratura dos respectivos autos de infração, os quais são objeto do presente processo. Nas razões do recurso, nesta instância de julgamento, a recorrente reitera as razões já apresentadas na primeira instância, rebelandose contra a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins, alegando que a parcela do ICMS não deveria compor a receita bruta para efeito de cálculo dessas exações fiscais, pois não seria receita própria da empresa. E conclui a contribuinte, também, alegando que a não exclusão da parcela do ICMS da receita bruta estaria ferindo dispositivo constitucional. Realmente, a questão se cabível, ou não, a exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS é, deveras, complexa e controvertida, ainda sem solução no âmbito da jurisprudência pátria. Com efeito, vale esclarecer que, antes do advento da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins era o faturamento da empresa decorrente da venda de serviços e/ou mercadorias (denominadas receitas próprias). Todavia, com a publicação da citada Lei, por força do disposto em seu artigo 3º, houve o alargamento da base de cálculo de tais contribuições, na medida em que tais exações fiscais passaram a incidir não mais apenas sobre a venda de serviços e/ou mercadorias, mas sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente de advirem de suas receitas próprias ou não próprias. Referido alargamento da base de cálculo das contribuições em tela (Lei nº 9.718/98, art. 3º, § 1º), contudo, foi declarado inconstitucional pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, em sede de Recurso Extraordinário, no controle incidental de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 7 7 constitucionalidade, produzindo efeito, destarte, somente entre as partes do processo (efeito "inter partes"). Para aquelas empresas do regime não cumulativo das contribuições e não beneficiadas pela citada decisão da Suprema Corte, houve então, na sequência, uma avalanche de ações judiciais, pleiteando a inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo somente para o período compreendido entre fevereiro de 1999 a novembro de 2002 para a Contribuição para o PIS e fevereiro de 1999 a janeiro de 2004 para a COFINS. Isso porque em 2002 e 2003 foram editadas, respectivamente, as Leis nºs 10.637 e 10.833 ampliando a base de cálculo das contribuições, já em consonância com a nova redação da Constituição dada pela Emenda Constitucional nº 20/1998. Para as empresas do regime cumulativo das contribuições (como as que optaram pelo lucro presumido) a inconstitucionalidade, em tese, permanece, pois não existe nenhuma lei posterior regulamentando o aumento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS Diante disso, e com base no entendimento firmado pela Corte Guardiã da Constituição Federal, as empresas que apuram as referidas contribuições pela sistemática cumulativa (portanto, sujeitas às disposições da Lei nº 9.718/98), passaram, por conseguinte, a buscar o Poder Judiciário para que fosse reconhecido o direito das mesmas ao recolhimento de tais exações sobre a base de cálculo advinda da venda de seus bens e serviços. Nesse contexto, aproveitandose do entendimento proferido pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, as empresa sujeitas ao regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e à Cofins fortaleceram, também, sua discussão acerca da não inclusão, no conceito de receita bruta, dos valores devidos a título de ICMS. Tal questão chegou ao Colendo Supremo Tribunal Federal por meio de recurso extraordinário (RE 240.785MG); contudo, o julgamento encontrase suspenso em razão de pedido de vista de um dos ministros integrantes daquele Pretório Excelso. Nesse passo, vale acrescentar que preocupado com o cenário desfavorável, a Fazenda Nacional propôs a ADC nº 18 (ação declaratório da constitucionalidade) para tentar obter o reconhecimento da constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, cujo mérito ainda não foi julgado. É certo, contudo, que no julgamento de questão de ordem suscitada no bojo da referida ação, o Colendo Supremo Tribunal Federal entendeu que o julgamento da ADC, por se tratar de controle concentrado de constitucionalidade, deveria preceder o julgamento do recurso extraordinário, que se consubstancia como controle concreto de constitucionalidade. Referida ADC 18, ademais, teve medida liminar deferida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal e prrorrogada diversas vezes, para o fim de suspender o julgamento das demandas que envolvem a discussão em comento até a decisão de mérito a ser proferida por aquele Pretório Excelso, levando em conta a divergência nas decisões proferidas pelos Juízes e Tribunais pátrios sobre o assunto. Não obstante, a questão da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS foi reconhecida sua repercussão geral pelo STF, em julgamento realizado, em 24/04/2008, à vista do respectivo impacto jurídicoeconômico. Ressaltese, porém, que o Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 8 8 mérito pende, ainda, de análise pela Suprema Corte, o que reclama e justifica, no caso, o sobrestamento do presente julgamento administrativo, por ser questão prejudicial de mérito. A propósito, nessa matéria colaciono o comando exarado nos autos do RE nº 574.706 que, expressamente, tratou do reconhecimento da repercussão geral, in verbis: "Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram, os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CARMEN LÚCIA Relatora." (RE 574706 RG / PR PARANÁ REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008) Como demonstrado, essa questão constitucional suscitada pela recorrente, neste processo administrativo, configura questão prejudicial de mérito. E, mais que isso, implica necessidaqde de sobrestamento do julgamento deste processo administrativo, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Logo, em face da questão constitucional suscitada nos presentes autos já ter sido reconhecida de repercussão geral pela Suprema Corte, propungo pelo sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo. Após a formalização da Resolução, os autos do presente processo serão movimentados à Secretaria da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF que o manterá registrado ou controlado na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10909.000315/200923 Resolução nº 1802000.069 S1TE02 Fl. 9 9 Assim, o presente processo somente será incluído, novamente, em pauta após solucionada a questão prejudicial de índole constitucional, suscitada pela contribuinte nos presentes autos, dependente de decisão do Supremo Tribunal Federal, por ser objeto da Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC 18, cuja matéria já foi reconhecida de repercussão geral pela Suprema Corte, justificando, por conseguinte, o sobrestamento do presente processo adminitrativo, enquanto pendente de julgamento pelo STF da questão constitucional. Por tudo que foi exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento deste processo administrativo. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001900/97-86
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2004
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE — INSTRUÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO — DEFICIÊNCIA — A admissibilidade de recurso voluntário está condicionada ao preenchimento dos requisitos contidos no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. O recurso deveria estar acompanhado do arrolamento de bens da pessoa jurídica. Constatada deficiência na instrução do recurso, tendo o contribuinte apresentado arrolamento a destempo e sem comprovação da propriedade do bem, deve ser aquele considerado inadmissível.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 108-07.888
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA
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Recorrida : 4° TURMA/DRJ — CAMPINAS/SP Sessão de : 08 de julho de 2004 Acórdão n° :108-07.888 NORMAS PROCESSUAIS — REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE — INSTRUÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO — DEFICIÊNCIA — A admissibilidade de recurso voluntário está condicionada ao preenchimento dos requisitos contidos no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. O recurso deveria estar acompanhado do arrolamento de bens da pessoa jurídica. Constatada deficiência na instrução do recurso, tendo o contribuinte apresentado arrolamento a destempo e sem comprovação da propriedade do bem, deve ser aquele considerado inadmissível. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por RESIDENCIAL CHÁCARAS SELLES S/C LTDA., ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ado DORIV • L -ADO i • 1 PR S E T 441.SÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA LATOR FORMALIZADO EM: TV KG° 200h Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÕSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARGIL MOURÃO GIL NUNES, HELENA MARIA POJO DO REGO (Suplente Convocada) e DEBORAH SABBÁ (Suplente Convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO e JOSÉ HENRIQUE LONGO. . . Processo n° :10860.001900/97-86 Acórdão n° :108-07.888 Recurso n° :136.230 Recorrente : RESIDENCIAL CHÁCARAS SELLES S/C LTDA. RELATÓRIO O processo originou-se de autos de infração do IRPJ e outros — PIS, IRF e CSL — para o ano-calendário de 1995 (fls. 02/18). Constam dos autos os seguintes elementos: 1) documentos de instrução dos lançamentos (fls. 19/64) e 2) impugnação e anexos (fls. 68/78). O Acórdão recorrido (fls. 87/92) declarou os lançamentos procedentes, estando assim resumido: "ARBITRAMENTO DO LUCRO — FALTA DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. Cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, sujeita à • tributação com base no lucro real, que não possua ou não apresente à fiscalização a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL — IRRF — PIS. A decisão proferida nos lançamentos decorrentes segue a mesma orientação decisória adotada no processo principal, dada a correlação entre os fatos imponíveis" O sujeito passivo foi intimado em 15/04/2003, conforme comprovante a fls. 95-verso. Em 13/05/2003 foi apresentado o Recurso Voluntário (fls. 098/105), pelo qual o contribuinte pleiteia a anulação os lançamentos, ou, ao menos, a redução da multa de ofício de 112,5% para 75%. 4 2 . Processo n° :10860.001900/97-86 Acórdão n° : 108-07.888 Em atendimento à intimação da repartição fiscal (fls. 108), o contribuinte apresentou (fls. 109/110), em 05/06/2003, arrolamento de bem (1/13 de fração de terreno), sem comprovar a propriedade do mesmo. Este é o Relatório. Ab. 3 • • • Processo n° :10860.001900/97-86 Acórdão n° :108-07.888 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, Relator Examino os requisitos para admissibilidade do recurso. O contribuinte apresentou recurso tempestivo, mas deixou de instrui-lo corretamente mesmo após intimação da repartição fiscal para regularizá-lo, pois não Juntou prova da propriedade do bem indicado para arrolamento. Assim sendo, entendo que, no presente caso, o recurso não preenche os requisitos para sua admissibilidade. De todo o exposto, voto, pelo não conhecimento do recurso. Eis como voto. Sala das Sessões - DF, em 08 de julho de 2004. ÊSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECAC i 4 Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.000697/94-57
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFICIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.519
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 13976.000617/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO BOLSA DE ESTUDOS NÃO INCIDÊNCIA
Não deve incidir contribuição previdenciária em relação à Bolsa de Estudo que vise a qualificação do funcionário, mesmo que destinada ao ensino superior, desde que haja impessoalidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.701
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO BOLSA DE ESTUDOS NÃO INCIDÊNCIA Não deve incidir contribuição previdenciária em relação à Bolsa de Estudo que vise a qualificação do funcionário, mesmo que destinada ao ensino superior, desde que haja impessoalidade. Recurso Voluntário Provido Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.021 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 105 a 119, interposto pela Recorrente – CAHDAM VOLTA GRANDE S.A. contra Acórdão nº 0713.151 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, fls. 100 a 101, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.124.5699, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada de R$ 63.302,98 (sessenta e três mil, trezentos e dois reais e noventa e oito centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, com Anexos às fls. 08 a 26, o Auto de Infração nº. 37.124.5699, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme o informado no Anexo “A” do Relatório Fiscal da Infração, nas competências 03/2004 a 07/2007: Contribuição omitida sobre pagamentos realizados a contribuintes segurados empregados; Contribuição omitida sobre pagamentos indiretos realizados a contribuintes segurados empregados; Contribuição omitida sobre pagamentos de serviços prestados por contribuintes individuais transportadores autônomos; Ainda o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06 a 07, com Anexos às fls. 08 a 26, informa que no Anexo “B” deste Relatório Fiscal da Infração, foram elencados diversos pagamentos indiretos efetuados a segurados empregados pela Recorrente, os quais constam das folhas de pagamento, mas não das GFIPs apresentadas. Esses pagamentos indiretos referemse a ressarcimento de mensalidades de cursos superiores freqüentados por trabalhadores do setor administrativo da empresa e foram considerados como integrantes do saláriodecontribuição, sendo assim, basedecálculo de contribuição previdenciária, por não estar conforme a inteligência da alínea t) do art. 28, § 9º, lei 8212/91. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista no art. 32, §5° da Lei 8212/1991 e 284, inc. II, Decreto 3.048/99, com valor mínimo atualizado pela Portaria PT/MP 142, de 11.04.2007, calculada de acordo com o Anexo "A" do Relatório Fiscal da Infração, no valor total de R$ 63.302,98. Segundo o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 27, não ficaram caracterizadas nem circunstância agravante e nem circunstância atenuante. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09414843F00 foi de 04/2001 a 07/2007, às fls. 28. O Relatório Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, às fls. 31, indica o resultado do Procedimento Fiscal realizado: TIPO PERÍODO Número Data Valor GPS 04/2007 a 04/2007 Recolhim Inicial 21/08/2007 11.400,00 AI 11/2007 a 11/2007 371245699 01/11/2007 63.302,98 LDC 04/2001 a 09/2007 371245672 01/11/2007 930.079,13 NFLD 03/2004 a 07/2007 371245680 016/11/2007 56.207,46 A ciência do Auto de Infração ocorreu em 05.11.2007, às fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo “A” do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08 a 11, é de 03/2004 a 07/2007. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 32 a 45, com Anexos às fls. 46 a 97: 1. Procuração; 2. Atos Constitutivos e última alteração contratual; 3. Termo de Compromisso dos empregados listados pelo Sr. Auditor Fiscal; 4. Manual do Colaborador (parcial); 5. Carta Circular; 6. íntegra do acórdão do julgamento do Recurso Especial nº 365.398; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.022 5 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0713.151 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, fls. 100 a 101, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2007 Auto de Infração n°37.124.5699, de 05/11/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO IN NATURA. AUXÍLIO ESCOLAR. Integra o saláriodecontribuição os valores pagos por empregados e reembolsados pela empresa a título de auxílio escolar, por se tratar de ensino superior e por não abrangerem os empregados com menos de um ano na empresa. Lançamento Procedente Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, em igual prazo. Encaminhese à ARF de São Bento do Sul/SC. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 105 a 119, onde alega em apertada síntese: Do Mérito. (i) Dos fatos. Constituem fatos geradores do presente auto de infração, as contribuições previdenciárias e respectivos acréscimos legais não declarados em GFIP em virtude da não declaração de fatos geradores lançados na NFLD 37.124.5680, qual seja, o pagamento aos seus trabalhadores do valor das mensalidades de cursos superiores realizado. Esses pagamentos foram Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 considerados como integrantes do conceito de salário de contribuição dos segurados e, em virtude disso, fazem parte da basedecálculo de contribuição previdenciária incidente. (ii) Da não configuração do salárioindireto. A ora Recorrente, desde o ano de 2004, oferece aos seus empregados o auxílio escolar, que nada mais é do que uma formação profissional incentivada, com objetivo de melhorar a qualificação profissional dos mesmos, oportunizando participarem de cursos técnicos, de nível superior e especialização (pósgraduação). Este auxílio é extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa, sem qualquer distinção. Para comprovar o alegado a ora Recorrente anexou nos presentes autos parte do Manual do Colaborador, entregue a todos os funcionários quando da sua admissão, que dispõe às fls. 8, acerca do presente auxílio. A discussão acerca da possibilidade de instituição de auxílio educação e a conseqüência de tal medida encontrase pacificada após o advento da Lei n º 10.243/2001 (DOU de 20.06.2001), que alterou a redação do artigo 458 da CLT, determinando a não integração ao salário de empregado, dentre outras, a seguinte utilidade fornecida pelo empregador: “II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos à matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático.” O artigo 28, parágrafo 9º, alínea t, da lei no 8.212/1991, é clara quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores custeados pela empresa aos seus empregados a título de auxílio educação: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins dessa lei, exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Colaciona jurisprudência no sentido da nãoincidência da contribuição social previdenciária acerca da rubrica em questão. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 120. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.023 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 120. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Do Preceito fundamental à lavratura do Auto de Infração Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Mandado de Procedimento Fiscal MPF; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF; h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.024 9 órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. Do Mérito. (ii) Da não configuração do salárioindireto. A ora Recorrente, desde o ano de 2004, oferece aos seus empregados o auxílio escolar, que nada mais é do que uma formação profissional incentivada, com objetivo de melhorar a qualificação profissional dos mesmos, oportunizando participarem de cursos técnicos, de nível superior e especialização (pósgraduação). Analisemos. A questão de mérito controversa reside no ponto de a parcela a cargo da empresa paga relativamente ao ensino superior integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da Recorrente. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, em especial, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9°, alínea V, dispõe que não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21, da Lei 9.394/1996, bem como a cursos de capacitação e qualificação profissionais desde que não utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, senão vejamos. O que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Assim dispõe a referida lei, nestas palavras: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.025 11 II educação superior. Como se depreende da simples análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. Dessa forma, curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise, portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o art. 111, I, CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não foi realizado. A Lei n° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458, CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas, exaustivamente, no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991, conforme demonstrado. A demonstração mais robusta que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas como repercussão em férias e 13º salário, é a própria Constituição Federal. Conforme expressamente previsto no art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à Recorrente, sendo, portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Como visto, é desnecessária a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, não prospera a argumentação da Recorrente. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.026 13 §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.124.5699, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.027 15 Voto Vencedor Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Redator Designado BOLSA DE ESTUDO Divirjo com relação à Bolsa de Estudo. Em relação à Bolsa de Estudo dada aos funcionários, mesmo que sejam do curso de graduação, devem ser consideradas como qualificação profissional vinculada à atividade desenvolvida, nos termos da alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbis: Art. 28 (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (grifo nosso) Conforme comprovado nos autos o referido auxílio é extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa, sem qualquer distinção. O fato de haver critérios para a concessão ou termo de compromisso não desnatura a sua finalidade que é a de garantir ao trabalhador a possibilidade de crescer profissional e socialmente. A CRB/88 em seu artigo 202 estabelece que a “educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Como direito fundamental do cidadão e dever do Estado, deve este, incentivar a colaboração da sociedade e não reduzir a interpretação de um princípio constitucional à regra. As mudanças sociais ocorridas nos últimos 10 (dez) anos na sociedade brasileira, aumentando a inclusão social e retirando da informalidade um número elevado de trabalhadores, tem como conseqüência, natural em um processo de crescimento econômico e social, o aumento da competitividade. Este aumento vai gerar nova exclusão social – daqueles que não se qualificam se especializam, enfim, se preparam – que somente poderá ser equilibrada conferindo ao trabalhador a possibilidade de buscar o aumento de sua formação. O Constituinte originário prevendo a impossibilidade do Estado em cumprir diretamente o seu dever, conferiu à própria sociedade a possibilidade de colaboração para que a educação atinja a todos. O incentivo a que fala a Constituição inclui, certamente, a concessão de benefícios àqueles que, a partir de uma responsabilidade social, investe em seu quadro funcional concedendo Bolsa Educação. A graduação e pósgraduação não podem mais serem vistas e interpretadas como uma excepcionalidade cujo acesso estava restrito, em épocas passadas e não muito distante, a uma camada da sociedade inserida em um patamar elevado da economia. Pelo contrário. A graduação e pós graduação passam a ser inserida na sociedade como uma espécie de ensino “fundamental” para o mercado de trabalho. Sua exigência já não é mais uma exceção. Passou a ser regra. Especializações acadêmicas, MBA profissionais, passam a integrar as relações sociais como uma forma direta de aumento de produção e de crescimento social. A relação público e privado não pode mais ser lida e interpretada como uma dicotomia dos tempos da modernidade. Na pós modernidade, esta relação público e privado passam a se interrelacionar, ou seja, são opostos que se complementam para a garantia dos princípios constitucionais. O STJ já se manifestou no sentido de considerar a natureza indenizatória da concessão de bolsa de estudos em recente julgado, verbis: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13976.000617/200724 Acórdão n.º 240300.701 S2C4T3 Fl. 1.028 17 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) (grifo nosso) O artigo 458 da CLT em seu parágrafo 2º, afirma que “não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador” , a “II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático”. Não comprovado a existência de qualquer fraude ou discriminação na concessão do referido auxílio, a sua concessão para os seus trabalhadores mesmo com a existência de critérios – desde que estes sigam o princípio da igualdade – deve ser considerado legal a concessão. CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO AO RECURSO para se excluir a incidência de tributação sobre bolsa de esatudos. Marthius Sávio Cavalcante Lobato Redator Designado. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVI O CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11330.000545/2007-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2001
PREVIDENCIÁRIO. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA
Nos termos do artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91, incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98, “a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto ”.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.692
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso em razão da Súmula 01 do CARF. Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2001 PREVIDENCIÁRIO. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA Nos termos do artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91, incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98, “a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto ”. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da Súmula 01 do CARF. Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro . Carlos Alberto Mees Sringari Presidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Fl. 612DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000545/200785 Acórdão n.º 2403000.692 S2C4T3 Fl. 565 3 Relatório DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada, consolidado e notificado em 31/08/2001, no valor de R$ 267.633,08, referente ao período de 02/1999 a 07/2001. O presente lançamento, conforme Relatório Fiscal de fls. 129/130, reportase à retenção de 11% sobre o valor bruto das Notas Fiscais de Serviço conforme relação anexa, referentes a serviços que foram prestados para a Defendente, mediante cessão de mãodeobra. Esclareceu o Auditor Fiscal notificante que: "este débito foi lavrado apenas para a constituição do crédito, devendo ficar sua cobrança sobrestada, até a decisão final, tendo em vista a Medida Liminar deferida pela juíza da 26ª Vara Federal, Valéria Caldi Magalhães, datada de 25.05.99, no processo n° 99.00118235, movido pela Associação de Hospitais da Cidade do Rio de Janeiro AHCRJ." O relatório Fatos Geradores (fls. 90/120) discrimina, em cada competência, as notas fiscais de serviço que foram alvo do presente lançamento. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 134/135, acompanhada dos documentos de fls. 136/180, alegando, em síntese, que: "há medida liminar concedida pelo MM Juízo da 26ª Vara Federal desta Seção Judiciária, no âmbito do processo n° 99.00118235, autorizando que tal percentual deixe de ser retido até o julgamento final da lide. Na oportunidade alegou, em síntese: "que passa a invocar as mesmas razões defendidas judicialmente"; "necessária dedução dos valores relativos a materiais e equipamentos"; "a 'solidariedade' imposta pelo art. 30, inciso VI e art. 31 (redação da Lei 9032/95) da Lei 8.212/91, (...) possui cunho subsidiário"; e Despacho de fls. 221 consta ordem de intimação nos seguintes termos: “ ORDEM DE INTIMAÇÃO À Seção de Orientação e Gerenciamento da Recuperação de Créditos SEREC (17.4023), para cientificar o contribuinte deste Despacho, fornecendolhe a segunda via da mesma, que se encontra na contracapa destes autos, e intimálo a recolher o débito no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ciência, asseverandolhe do seguinte: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 a) Se optar por impugnar o lançamento ou aditar defesa feita anteriormente, deverá fazêlo dentro do mesmo prazo por escrito, juntando provas de suas alegações (art.37, § 1° da Lei 8.212191), de acordo com o solicitado no item 6 acima c) Decorrido o prazo sem que o contribuinte se manifeste, os autos serão encaminhados para o julgamento administrativo do processo, onde será examinada, se houver, apenas a impugnação e aditivo anteriormente apresentados. ” DO ADITAMENTO DE DEFESA Novo prazo foi reaberto e, em 16/08/2007, reiterando os argumentos da impugnação discutindo matéria de direito, procederamse o aditamento da defesa titulado por MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMISMO na forma do documento de fls. 232/263. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inferindo pela ementa do julgamento no judiciário de que parte das alegações da impugnação interposta em sede administrativa não fizeram constar daquela petição inicial transitada em julgado, quando naquela decisão se reconheceu a legalidade do fisco exigir as retenções impugnadas, o I. Julgador “ad quod ” deu curso ao processo e a 12ª Turma da Delegacia Da Receita Federal Do Brasil De Julgamento, Rio De Janeiro I (RJ) DRJ/RJOI, mediante Acórdão n° 12 15945, em 13/09/2007, julgou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando alegações que fizera em primeira instância e afirmou em preliminar que no recurso a matéria tratada é eminentemente de direito. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000545/200785 Acórdão n.º 2403000.692 S2C4T3 Fl. 566 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme despacho de fls. 563, o recurso é tempestivo. Portanto dele tomo conhecimento. DO DIREITO Às fls. 527, reiterando o que fizera na impugnação em instância “ad quod” , não tendo logrado êxito na esfera judiciária, no mérito, essencialmente, insiste em rediscutir os motivos de direito exortando, em preliminar, que a leitura do recurso trata eminentemente de direito: “ Preliminarmente, como se pode observar da leitura do recurso, a matéria tratada é eminentemente de direito, visto que consiste em saber se o contribuinte possui ou não responsabilidade pelos débitos previdenciários devidos por terceiros, além de definir se, uma vez configurada a responsabilidade, o INSS poderia exigir qualquer valor da contribuinte sem antes verificar a existência real dos débitos previdenciários.” Na contramão do disposto no artigo 16, III do Decreto 70.235/72, não contrapôs as evidências das notas fiscais que não registraram as retenções, não negou que não retivera os valores lançados e sequer apresentou provas que lhe beneficiasse. O Decreto 70/235/72,III determina que a impugnação além do direito, mencione, também, os motivos de fato, os pontos de discordância, e as provas que possuir : “Art. 16. A impugnação mencionará: ( ... ) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir . ” Desse modo, discutindo apenas o direito, direito esse negado e transitado em julgado, há que se considerar inepto o Recurso por não atender aos basilares ditames de sua interposição. Afirma ainda em preliminar que sua pretensão consiste em saber se o contribuinte possui ou não responsabilidade pelos débitos, pretensão esta, repitase já resolvida quando sucumbira na forma da ementa do Acórdão de fls. 194 : Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SER viça RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. LEI 9.711/98. As empresas contratantes de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, deverão procederá retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e recolher os valores ao INSS, em nome da empresa cedente ou prestadora de serviços, a titulo de contribuição para a Seguridade Social, com o objetivo de prevenir a sonegação. Á Lei n°9.711/98 não instituiu empréstimo compulsório, nem criou nova contribuição sobre o faturamento, alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária, a exigir lei complementar. Tãosomente modificou a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários das empresas cedentes de mãodeobra, colocando as empresas tomadoras de serviços como responsáveis tributários na forma de substituição tributária, autorizada pelos artigos 150, §7° da Constituição Federal, e 121, parágrafo único, inciso lido CTN. As Ordens de Serviço/INSS 195/98, 203/99 e 209/99, estabeleceram procedimento padrão e critérios a serem adotados na arrecadação e fiscalização da retenção e das contribuições relativas à contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou através de empreitada de mãode obra. Além disso, definiram conceitos necessários à aplicação concreta do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem ferindo os princípios da legalidade e da tipicidade tributárias.” DA DETERMINAÇÃO DE JUNTAR CÓPIA DE AÇÃO AJUIZADA Por ocasião da apresentação da defesa da então impugnante às fls. 134, em, 17/09/01, muito embora fosse salutar e materialmente eficaz, não se exigia fazer constar para instrução do processo administrativo cópia da petição inicial. Tal determinação veio somente ser imposta em 2005, incluindo o inciso V no artigo 16 do mesmo Decreto pela Lei n° 11.196: Art. 16. A impugnação mencionará: ( ... ) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.( Incluído pela Lei n 11.196, de 2005) ” A juntada da Petição Inicial teria por objeto conhecer do pedido para saber se tratavase de matéria idêntica ao fato gerador levantado. Involuntariamente respondendo a esta questão, suprindo pois a ausência material do documento supra, por oportuno, na ocasião, às fls. 134, em sua defesa a impugnante alegou : “ 3 Com efeito, há medida liminar concedida pelo MM.Juízo da 26ª Vara Federal desta Seção Judiciária, no âmbito do processo n° 99.00118235, autorizando que tal percentual deixe de ser retido até o julgamento final da lide. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000545/200785 Acórdão n.º 2403000.692 S2C4T3 Fl. 567 7 4 Desta forma, sendo a lavratura de NFLD ato administrativo plenamente vinculado, e existindo tutela antecipada autorizando que não sejam retidos os 11% (onze por cento) em favor da Seguridade Social, percebese que a ora Impugnante agiu nos estritos limites que a lei e a concessão de tutela antecipada lhe permitiram fazer. ” no Despacho de fls. 221, retro, constava ordem de intimação nos seguintes termos : “ ORDEM DE INTIMAÇÃO À Seção de Orientação e Gerenciamento da Recuperação de Créditos SEREC (17.4023), para cientificar o contribuinte deste Despacho, fornecendolhe a segunda via da mesma, que se encontra na contracapa destes autos, e intimálo a recolher o débito no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ciência, asseverandolhe do seguinte: a) Se optar por impugnar o lançamento ou aditar defesa feita anteriormente, deverá fazêlo dentro do mesmo prazo por escrito, juntando provas de suas alegações (art.37, § 1° da Lei 8.212191), de acordo com o solicitado no item 6 acima c) Decorrido o prazo sem que o contribuinte se manifeste, os autos serão encaminhados para o julgamento administrativo do processo, onde será examinada, se houver, apenas a impugnação e aditivo anteriormente apresentados. ” Por ocasião da intimação supra, vigia o artigo 16, V do Decreto 70.235/72, que determinava a juntada da cópia da petição se a matéria tivesse sido submetida à apreciação judicial.Sob esse comando, novo prazo foi reaberto e,em 16/08/2007, e procederam se ao aditamento da defesa titulado por MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMISMO na forma do documento de fls. 232/263. Relevante registrar que, compulsados os autos, minuciosa procura resultou infrutífera posto que não se verificou colacionada a PETIÇÃO INICIAL DO PROCESSO JUDICIAL intimada. Também não pode deixar de ser notado que,também, no presente Recurso Voluntário, não se observou a juntada da cópia da exordial. Aduz que descumprindo a previsão do artigo 16, V, do Decreto 70.235/72, embora intimada, a Recorrente, em prejuízo próprio, impediu a devida apreciação da matéria tornando inepto o Recurso. DO TRÂMITE EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Na condução do voto de primeira instância, às fls. 512, I. Julgador, no item 26 de sua relatoria, assim se pronunciou: Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 “26. Cumpre ressaltar que, com a apresentação da defesa, surge a necessidade de se verificar se as alegações contidas na impugnação apresentada já foram julgadas pela via judicial. Como não foi anexada ao presente processo a cópia da exordial, tal verificação restou prejudicada, restando à analise, o Acórdão de fls. 197/208, do qual trazemos à colação a Ementa: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. LEI 9.711/98. As empresas contratantes de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, deverão procederá retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e recolher os valores ao INSS, em nome da empresa cedente ou prestadora de serviços, a titulo de contribuição para a Seguridade Social, com o objetivo de prevenir a sonegação. Á Lei n° 9.711/98 não instituiu empréstimo compulsório, nem criou nova contribuição sobre o faturamento, alterou a aliquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária, a exigir lei complementar. Tãosomente modificou a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários das empresas cedentes de mãodeobra, colocando as empresas tomadoras de serviços como responsáveis tributários na forma de substituição tributária, autorizada pelos artigos 150, §7° da Constituição Federal, e 121, parágrafo único, inciso lido CTN. As Ordens de Serviço/INSS 195/98, 203/99 e 209/99, estabeleceram procedimento padrão e critérios a serem adotados na arrecadação e fiscalização da retenção e das contribuições relativas à contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou através de empreitada de mãode obra. Além disso, definiram conceitos necessários à aplicação concreta do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem ferindo os princípios da legalidade e da tipicidade tributárias. Precedentes." Aduz que a referida ementa na verdade consta às fls. 194 e tratase de uma remissão a um acórdão que se supõe seja do processo que ainda tramitava naquela instância sem o trânsito em julgado. Demonstrando isso, epigrafando a ementa registrase que o trecho estratificado é parte de um Embargo de Declaração interposto e não resultado final : “Alegando que o Acórdão de fls.534 é omisso, na medida em que não abordou suficientemente as matérias suscitadas pelo Apelante nas razões recursais, ASSOCIAÇÃO DE HOSPITAIS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO opôs os presentes Embargos de Declaração. É o relatório. Peço mesa para julgamento. SERGIO FELTRIN CORRÊA Fl. 619DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000545/200785 Acórdão n.º 2403000.692 S2C4T3 Fl. 568 9 RELATOR VOTO DESEMBARGADOR FEDERAL SERGIO FELTRIN CORRÊA (Relator) Conforme relatado, ASSOCIAÇÃO DE IIOSPITAIS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO opôs os presentes Embargos de Declaração, apontando omissão no Acórdão de fis.534, de seguinte teor : ” É muito relevante observar que no citado Embargo, é a própria Embargante quem alega que “que o Acórdão de fls.534 é omisso, na medida em que não abordou suficientemente as matérias suscitadas pelo Apelante nas razões recursais ”. Como se vê , mesmo diante das peças originais alegam os autores que as matérias não foram suficiente analisadas. Assim, por óbvio, sem conhecer conteúdo, o I. Julgador inferiu, pela simples leitura da ementa do Acórdão embargado, que parte das alegações da impugnante não fizeram parte daquele julgado razão pela qual deveria o processo tramitar e analisar as tais distintas impugnações por ele elencadas. Ressaltese que a norma exige que se colacione a cópia da exordial para que esta seja confrontada. A síntese da ementa seguramente não permite contemplar o pedido na sua integralidade. Como se observa o Julgador, no uso da prerrogativa do livre convencimento e, seguramente, no afã de proceder a ampla defesa e o contraditório, na verdade não despertou para a real circunstância e também para a norma que determinava juntar cópia da PETIÇÃO INICIAL da Ação Judicial. Apenas por amor ao argumento, na hipótese de se considerar válido o critério de inferir utilizado, entendo que o ponto de partida, em virtude da liminar de autorização obtida, seria supor que o objeto da petição teria sido o pedido para não efetuar as retenções que a Recorrente ora combate em virtude de ter sido autuada. Portanto, a Notificação de Lançamento de Débito – NFLD, de fato, foi lavrada justamente pelo fato da empresa não vir retendo os valores. Tanto as impugnações, quanto o Recurso Voluntário têm como escopo o mesmo objeto da Ação judiciária ou seja discutir a legalidade/constitucionalidade da sistemática de arrecadação e fiscalização das retenções das contribuições relativas à contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou através de empreitada de mãode obra afirmado que o fisco não poderia proceder a autuação. Visto desse ângulo seria lícito e compulsório concluir que tanto a ação ajuizada quanto o lançamento ora impugnado tratam da mesma matéria. DA IDENTIDADE DOS OBJETOS Sobre a identidade de pedidos, neste sentido, é oportuno destacar que, em ambas esferas, administrativa e judiciária, o objeto da recorrente e ver prosperar a alegação de que não procede a obrigação de efetuar a retenção. No relatório do voto em comento, às fls. 510, o próprio Relator evidencia que na impugnação então analisada a Recorrente alegou em síntese, que: "há medida liminar Fl. 620DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 concedida pelo MM Juízo da 26ª Vara Federal desta Seção Judiciária, no âmbito do processo n° 99.00118235, autorizando que tal percentual deixe de ser retido até o julgamento final da lide. A questão de fundo é a procedência ou não do lançamento cuja notificação foi lavrada em razão de a empresa não ter efetuado as retenções motivo de ambos recursos administrativo e judicial entendidas como devidas pelo fisco. Uma vez assente que a empresa não logrou êxito no plano judiciário é até mesmo despiciendo prosseguir no administrativo. Cumpre notar que tanto em sede de impugnação, às fls. 232, quanto em fase recursal, às fls. 525, a ora recorrente, reiteradamente, declara que ajuizou ações de mesma identidade com os autos e assim se pronuncia: “Fls 232. : Como é do conhecimento de V S., a contribuinte ajuizou ação anulatória, pretende a contribuinte anular as NFLDs 35.102.70680 35.102.7076, lavrados por V. S., ou, subsidiariamente, anular parcialmente o mencionado lançamento em virtude do mesmo fato gerador objeto da presente, pelo que passa invocar as mesmas razões defendidas judicialmente pela contribuinte” “A contribuinte já ajuizou ação anulatória, pretendendo a contribuinte anular as NFLDs 35.102.7068 e 35.102.7076, lavrados com o mesmo objetivo, ou, subsidiariamente, anular parcialmente o mencionado lançamento em virtude do mesmo fato gerador objeto da presente, pelo que passa invocar as mesmas razões defendidas judicialmente pela contribuinte. Cabe registrar que também já ajuizou outras ações, processo n. 2005.51.01.0071618 2ª. VF anulatória da NFLD 35.102.704 1, e processo n. 2004.51.01.0166467 10ª VF anulatória da NFLD 35.102.7050, inconformada com respectivas autuações, e que em um dos processo a contribuinte foi vitoriosa, tendo sido dado provimento ao seu recurso por unanimidade perante ao egrégio TRF.” Também não pode deixar de ser notado que quando da reabertura de novo prazo, em16/08/2007, não se procederam à juntada da cópia da exordial no aditamento da defesa titulado na forma do documento de fls. 232/263 por MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMISMO.Também não o fizeram no presente Recurso Voluntário. Desse modo, a Recorrente descumpriu a intimação de folhas 221 notificada conforme fls. 225, e, também, a determinação do comando do artigo 16, V do Decreto 70.235/72, que impõe colacionar cópia da petição se a matéria tiver sido submetida à apreciação judicial. Aduz que descumprindo a previsão do artigo 16, V, do Decreto 70.235/72, embora intimada, a Recorrente, em prejuízo próprio, impediu a devida apreciação da matéria tornando inepto o Recurso DA RENÚNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA Embora o Decreto 70.235/72 só tenha vindo se manifestar a respeito somente em 2004, alhures, nos termos do art. 126, § 3° da Lei n° 8.213/91 a norma legal já preceituava que importava em renúncia ao contencioso administrativo : Fl. 621DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.000545/200785 Acórdão n.º 2403000.692 S2C4T3 Fl. 569 11 “Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n 9.528, de 1997). (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.( Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98)“ Considerando que contrariando o entendimento da instância “ad quod” a própria Recorrente declara que ajuizou ação anulatória invocando as mesmas razões defendidas em virtude dos mesmos fatos geradores e , ainda, em face da frágil motivação baseada na ementa em que se pautou o Ilustre Relator para concluir em sede de impugnação que as alegações não eram de mesmo teor da Ação Judicial interposta pela Recorrente, entendo que tal procedimento, em razão de tudo que foi exposto, leva a caracterizar – compulsoriamente a desistência da instância administrativa na exegese dos artigos 126, § 3° da Lei n° 8.213/91. Pesa também nesta decisão a falta da juntada da cópia da petição como determina o artigo 16, V do Decreto 70.235/72. Assim, por tudo que foi trazido à lume, há que se reformar a decisão “ad quod” dado que a desistência da esfera administrativa ficou plenamente caracterizada em razão de ação no judiciário com objeto idêntico o que importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. CONCLUSÃO Em virtude de toda a exposição acima, nos termos do artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91, a empresa renunciou ao direito de recorrer na esfera administrativa. Considerando ainda o despacho de fls. 219, do então Contencioso Fiscal Procuradoria Geral Federal Órgão Arrecadação da ex Receita Previdenciária/RJ, de que ocorrera o trânsito em julgado na instância judiciária, determino que se proceda a execução dos créditos ora em comento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10850.904710/2009-08
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.052
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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(assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Tratase o presente processo de diversas Dcomp, em que os créditos, nelas declarados são oriundos de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, exercício de 2003, no montante de R$ 44. 647,77. No despacho decisório a não homologação das Dcomp. se deu em virtude do crédito reconhecido ser insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. No despacho refere que: “• Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 44.674,77. • Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 44.674,77. • IRPJ devido: R$ 0,00 • valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 38.720,77. • Estimativas confirmadas: R$ 44.674,47 • Valor do saldo negativo disponível" (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) (Utilizações em compensações anteriores) R$ 5.953,70. Nas fl. 83 e 84, consta a análise do crédito, sendo informado o seguinte: • Estimativas compensadas na contabilidade com saldo negativo de períodos anteriores Anocalendário de 2000= R$ 34.357,97 •Parcelas confirmadas parcialmente não confirmadas Mai/2002 créditos dos anos calendários de 1998 e 2001 valor confirmado: R$ 903,34 valor não confirmado –RS 0,30. • Estimativas de Out/2002, Nov/2002 e Dez/2002 compensadas com o PER/Dcomp 13866.000059/200311 = R$ 9.213,46. •Saldo negativo utilizado em compensações anteriores à transmissão da Dcomp "Saldo negativo" informado no PER/Dcomp =R$ 44.674,77. "Crédito original na data de transmissão" informado no PER/Dcomp= RS 5.954,00 Compensações com anos anteriores à transmissão da Dcomp= 44.674,77 5.954,00= R$ 38.720,77” Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 3 3 Devidamente cientificada a recorrente apresentou manifestação de inconformidade e juntou documentação. A autoridade de primeira instância ao apreciar o feito, reconheceu a homologação tácita das Decomp. de n° 13900.09037.260204.1.3.028605 transmitida em 26/02/2004, 357856289.310304.1.3.027900 transmitida em 31/03/2004; 13713.15991.120504.1.3.022085 transmitida em 12/05/2004; 28151.02446.310504.1.3.02 5068 transmitida em 31/05/2004, em função do decurso de prazo, disposto no artigo 74, §5°, da Lei 9.430/96, vez que a ciência do Despacho Decisório ocorreu após 5 anos das datas de transmissão. No mérito, a autoridade julgadora a quo entendeu que, em conformidade com a ficha 12 A da DIPJ/2003, o saldo negativo da recorrente seria de R$ 44.674,77 e decorre de estimativas de IRPJ, contudo, o Despacho Decisório reconheceu um saldo negativo de R$ 44.674,47, decorrente da confirmação das estimativas, assim, somente R$ 0,30 não foi reconhecido. No referido Despacho Decisório, consta que houve utilizações do crédito em outras compensações anteriores à transmissão dos PER/Dcomp no montante de R$ 38.720,77, o que reduziria o saldo disponível para a compensação para o valor de R$ 5.953,70, seguindo informações da própria recorrente constante na Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987. Tal fato resultou na homologação somente desta Dcomp, não restando crédito para as compensações expressas nas demais declarações. Atenta a autoridade que a recorrente, em sua manifestação de inconformidade, a apresentou os seguintes: cópia de contrato social, cópia de DCTF, cópia de Despacho Decisório proc. 13866.000059/200311 e demonstrativos. Quanto as DCTF, verificase que os dados declarados foram utilizados no cálculo do crédito pela SRFB, ou seja, o crédito apurado baseouse nas informações da recorrente, não restando qualquer controvérsia. Ainda, salienta o julgador que com relação ao Despacho Decisório relativo ao proc. 13866.000059/200311, verificase que o crédito concedido se refere aos anoscalendário de 2000 e 2001 e já foram considerados na apuração do crédito em análise, conforme consta na "Análise do Crédito" (fl. 83 e 84). Prossegue: quanto aos demonstrativos de fl. 40 a 81, há que se considerar que são documentos produzidos pela própria recorrente, não tendo qualquer valor probante e entende que a empresa deveria apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse que não utilizou em compensações anteriores o crédito de R$ 38.720,77 e que a diferença de R$ 0,30 na apuração do saldo negativo de IRPJ era realmente seu crédito, o que não ocorreu, posto que conforme sua compreensão a documentação apresentada não serve para tal finalidade. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a empresa recorrente apresenta recurso voluntário de forma tempestiva em que argumenta, em apertada síntese, o que segue: Inicialmente apresenta, a recorrente, a demonstração da apuração e quitação do saldo credor do IRPJ apurado na ficha 12 A da DIPJ anocalendário 2002, exercício 2003, no valor de R$ 44.674,77 e explica que a diferença de R$ 0,01 apurada a maior nos meses de 09/02 e 12/02 na ficha 11 da DIPJ de 2003/2002 para o valor calculado pela empresa para o recolhimento foi ocasionada pelo ajuste de calculo do próprio programa da DIPJ. Prossegue demonstrando as quitações do saldo credor do IRPJ apurado na DIPJ ano calendário 2002, exercício 2003 por ter sido apurado prejuízo fiscal. Salienta que para efetuar a quitação do I.R.P.J. apurado por estimativa no ano calendário de 2002, primeiramente foi utilizado parte do saldo credor do I.R.P.J. constante da ficha 12 A, da DIPJ exercício 2002, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 4 4 ano calendário 2001, no valor de R$ 81.378,17, o qual, foi devidamente corrigido mensalmente pela taxa Selic e compensado nos vencimentos conforme se apurava os IRPJ por estimativa, a partir de janeiro de 2002 até agosto de 2002, com exceção de parte do IRPJ apurado por estimativa no mês maio de 2002 no valor de R$ 903,34, restando após as atualizações do crédito e compensações em 17/03/2003 um saldo atualizado no valor de R$ 61.345,74, sendo R$ 51.438,65 do valor original e R$ 9.907,09 do valor dos juros acrescidos pela taxa Selic. Observa a empresa recorrente que o controle para as compensações foi efetuado em planilhas elaboradas pela empresa recorrente, obedecendo as normas legais estabelecidas pela legislação (junta cópia) e que não podem ser descartas, como citado no acórdão, posto que para o período em questão ainda não havia os PER/Dcomp, e os créditos e débitos apurados eram informados para a Receita Federal através das DCTF e da DIPJ, e estes documentos foram entregues pela recorrente (junta cópia), comprovando os valores questionados. Aduz que a empresa se via na obrigação de elaborar estas planilhas para poder efetuar as devidas atualizações, compensações e contabilização. Refere que em 17/03/2003, após as compensações já mencionadas e como restava ainda um saldo atualizado no valor de R$ 61.345,74, referente ao saldo credor no valor original de R$ 81.378,17 apurado na DIPJ exercício 2002, ano calendário 2001, a empresa recorrente, através de exigência da própria Receita Federal, ingressou com o processo administrativo para compensação de tributos sob o n°. 13866.000059/200311, o qual informava os valores dos débitos sem a devida atualização e em 13/02/2004 foi entregue os PERD/COMP retificando os valores dos débitos a serem compensados e se efetuou compensação dos valores dos IRPJ apurados por estimativas a partir de setembro de 2002 na seguinte ordem: “Em 17/03/2003, compensou os IRPJ apurados por estimativa nos meses de outubro de 2002, novembro de 2002, dezembro de 2002 e janeiro de 2003; Em 02/04/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa no mês de fevereiro de 2003; Em 08/05/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa no mês de março de 2003; Em 22/07/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa nos meses de abril de 2003, maio de 2003 e junho de 2003; Em 11/11/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa nos meses de julho de 2003, agosto de 2003 e setembro de 2003; Em 13/02/2004, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa nos meses de setembro de 2002, outubro de 2003 e parte do IRPJ apurado por estimativa no mês 11/2003, onde ficou totalmente compensado o credito apurado na DIPJ2002/2001” Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 5 5 Observa a recorrente que como comprovação, segue em anexo ao presente processo, planilhas demonstrando as devidas atualizações e compensações do saldo do crédito mencionado, a qual, obedece as regras previstas para este procedimento, acompanhada de cópia do processo administrativo n°. 13866.000059/200311 e da cópias dos PERD/Comp considerados nas compensações. Salienta que para a compensação de parte do IRPJ apurado por estimativa no mês de maio de 2002, no valor de R$ 903,34, foi utilizado para a compensação do mesmo, parte do saldo credor do IRPJ apurado na ficha 13 A da DIPJ exercício 2000, ano base 1999, no valor original de R$ 36.148,78, compensação esta, que está sendo comprovada pela planilha de controle da empresa (anexada), a qual obedece as normas da legislação para as atualizações e compensações dos créditos e também através das cópias das DCTF (anexada), pois, não havia PER/Dcomp para o período. Assim, como no ano de 2002, a empresa apurou prejuízo fiscal, o crédito de R$ 44.674,77 constante da FICHA 12 A, da DIPJ2003, foi constituído pelos IRPJ apurado por estimativa no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2002 e quitados conforme as compensações efetuadas com os créditos apurados em anos calendários anteriores, conforme as explicações constantes deste documento e comprovações em anexo. Por essa razão entende a recorrente que diante das comprovações, não se justifica o não reconhecimento de parte do crédito no valor de R$ 0,30 pelo Despacho Decisório constante do mérito do acórdão de primeira instância, pois, o mesmo não demonstra e nem deixa esclarecido o motivo do seu não reconhecimento. A empresa depois de explanar sobre a constituição do crédito no valor de R$ 44.674,77, passa a expor e provar como não utilizou o mesmo em outras compensações anteriores à transmissão dos PER/Dcomp no montante de R$ 38.720,77, onde segundo o Despacho Decisório reduziria o saldo do crédito disponível para R$ 5.953,70. baseado na Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987. Refere: “Ao analisar o saldo credor apurado na Ficha 12 A, da DIPJ exercício 2002, ano calendário 2001, no valor de R$ 81.378,17, verificouse que o mesmo foi utilizado para as compensações dos IRPJ apurados por estimativa referente aos meses de janeiro a dezembro de 2002, com exceção de parte o IRPJ apurado por estimativa no mês 05/2002 no valor de R$ 903,34 e também para as compensações dos IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro de 2003 outubro de 2003 e parte do mês 11/2003 para se zerar o saldo credor daquele ano calendário, conforme comprovações em anexo. Esta colocação se faz necessária para demonstrar que este saldo credor em pauta foi suficiente para compensar os IRPJ apurados durante o ano de 2002 e quase que a totalidade do IRPJ apurados em 2003, e assim a empresa só passou a se utilizarse do crédito apurado na ficha 12 A, da DIPJ/2003, no valor de R$ 44.674,47, em 13/02/2004 para a compensação de parcial do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro de 2003 e o valor integral do IRPJ apurado por estimativa no mês de dezembro de 2003, momento em que elaborou o PER/Dcomp 34875.12879.130204.1.3.029870 com incorreções, o qual, foi retificado em 29/11/2004 pelo PER/Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987, sendo que neste PER/Dcomp consta corretamente os valores dos créditos constituídos durante o ano calendário de 2002, no valor original de R$ 44.674,77, e as Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 6 6 compensações dos débitos originais, sendo R$ 2.111,08 referente parte do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro de 2003 e R$ 3.842,92 referente ao IRPJ apurado por estimativa no mês de dezembro de 2003, totalizando a compensação no valor original no valor de R$ 5.954,00, conforme discriminação a seguir: SALDO ORIGINAL DO CRÉDITO DIPJ/2003........................................................... R$ 44.674,77 () COMPENSAÇÃO VALOR ORIGINAL PARTE IRPJ 11/2003.............................................................. (R$ 2.111,08) () COMPENSAÇÃO VALOR ORIGINAL PARTE IRPJ 12/2003 ...........................................................................(R$ 3.842,92) SALDO ORIGINAL DO CRÉDITO APÓS A COMPENSAÇÃO............................................... R$ 38.720,77” A empresa recorrente conclui que após a transmissão deste PER/Dcomp um saldo no valor original de R$ 38.720,77, para ser utilizado em compensações futuras o que ocorreu conforme cópia da planilha de atualizações e compensações e cópias dos PER/Dcomp elaborados por ela para compensar o valor dos IRPJ apurados por estimativa no período de janeiro de 2004 a outubro de 2004 e parte do IRPJ apurado por estimativa no mês 11/2004 e também um pequeno saldo remanescente do IRPJ apurado no mês de dezembro de 2003, onde se zerou o saldo deste crédito apurado no ano calendário de 2002. Aduz que a empresa somente utilizou os créditos das DIPJ de anos calendários anteriores, conforme já demonstrados anteriormente e só passou a utilizar este crédito no valores de R$ 44.674,77, em 13/02/2004, a partir da entrega do PER/Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987. Contrapõese a empresa recorrente quanto ao fato do Despacho Decisório tão somente mencionar, mas não comprovar em que períodos e com quais débitos a empresa já teria utilizado anteriormente o saldo deste crédito no valor de R$ 38.720,77 com outras compensações. De igual modo, esclarece que o motivo das compensações se deu pelo fato da empresa em anos calendários bem anteriores ao ano calendário em pauta, apurou e recolheu os IRPJ por estimativa e como foi apurado prejuízo fiscal naquele ano e nos anos posteriores o crédito apurado em um ano era usado para compensar os IRPJ apurados por estimativas nos meses do anos posteriores e como nestes anos também se apurou prejuízos fiscais os valores dos IRPJ compensados tornavamse créditos na DIPJ e assim sucessivamente. É o relatório Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 7 7 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, O sujeito passivo apresentou Pedido de Restituição e Declaração de Compensação indicando um saldo credor na quantia de R$ 44.674,77 a titulo de saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, apurado na Ficha 12 A da Declaração do Imposto de Renda do períodobase de 2002, exercício de 2003, com o objetivo de compensar vários débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto São Paulo, reduziu o crédito informado na Declaração de Compensação – DCOMP, arguindo que o sujeito passivo já havia utilizado parte do total do crédito de R$ 44.674,77 em outras compensações anteriores à transmissão das presentes Declarações de Compensações no montante de R$ 38.720,77. Reduziu, assim, o crédito indicado na DCOMP de R$ 44.674,77 para um saldo de crédito disponível de apenas R$ 5.953,70. O sujeito passivo argui que não utilizou o crédito no montante de R$ 38.720,77 em outras compensações anteriores à transmissão dos presentes PER/Dcomp nos seguintes termos que transcrevo: Ao analisar o saldo credor apurado na Ficha 12 A, da DIPJ exercício 2002, ano calendário 2001, no valor de R$ 81.378,17, verificouse que o mesmo foi utilizado para as compensações dos IRPJ apurados por estimativa referente aos meses de janeiro a dezembro de 2002, com exceção de parte o IRPJ apurado por estimativa no mês 05/2002 no valor de R$ 903,34 e também para as compensações dos IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro de 2003 a outubro de 2003 e parte do mês 11/2003 para se zerar o saldo credor daquele ano calendário, conforme comprovações em anexo. Esta colocação se faz necessária para demonstrar que o saldo credor em pauta foi suficiente para compensar os IRPJ apurados durante o ano de 2002 e quase que a totalidade do IRPJ apurados em 2003, e assim a empresa só passou a se utilizarse do crédito apurado na ficha 12 A, da DIPJ/2003, no valor de R$ 44.674,47, em 13/02/2004, para a compensação parcial do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro de 2003 e o valor integral do IRPJ apurado por estimativa no mês de dezembro de 2003, momento em que elaborou o PER/Dcomp nº 34875.12879.130204.1.3.029870 com incorreções, o qual, foi retificado em 29/11/2004 pelo PER/Dcomp 5376.35290.291104.1.7.02 2987, sendo que neste PER/Dcomp consta corretamente os valores dos créditos constituídos durante o ano calendário de 2002, no valor original de R$ 44.674,77, e as compensações dos débitos originais, sendo R$ 2.111,08 referente a parte do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro de 2003 e R$ 3.842,92 referente ao IRPJ apurado por estimativa no mês de dezembro de 2003, totalizando a compensação no valor original no valor de R$ 5.954,00, conforme discriminação a seguir: Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 8 8 SALDO ORIGINAL DO CRÉDITO DIPJ/2003 ...............R$ 44.674,77 () COMPENSAÇÃO VALOR ORIGINAL PARTE IRPJ 11/2003 (R$ 2.111,08) () COMPENSAÇÃO VALOR ORIGINAL PARTE IRPJ 12/2003 (R$ 3.842,92) SALDO ORIGINAL DO CRÉDITO APÓS A COMPENSAÇÃO R$ 38.720,77 Feita esta explicação, concluise que a empresa ainda possuía após a transmissão deste PER/Dcomp um saldo no valor original de R$ 38.720,77, para ser utilizado em compensações futuras o que ocorreu conforme cópia da planilha de atualizações e compensações e cópias dos PER/Dcomp elaborados pela empresa para compensar o valor dos IRPJ apurados por estimativa no período de janeiro de 2004 a outubro de 2004 e parte do IRPJ apurado por estimativa no mês 11/2004 e também um pequeno saldo remanescente do IRPJ apurado no mês de dezembro de 2003, onde se zerou o saldo deste crédito apurado no ano calendário de 2002. Assim, com base nas explicações contidas neste documento, como também, com base em toda documentação aqui citada, as quais, segue cópias em anexo, concluise que no mérito do acórdão em pauta, onde consta que de acordo com Despacho Decisório, a empresa só teria um crédito no valor de R$ 5.953,70 e que a mesma já teria utilizado anteriormente o valor do crédito no montante de R$ 38.720,77, este fato não se comprova, pois, a mesma só utilizou anteriormente os créditos oriundos das DIPJ de anos calendários anteriores, conforme já demonstrado anteriormente e só passou a utilizar este crédito no valor de R$ 44.674,77, em 13/02/2004, a partir da entrega do PER/Dcomp nº 25376.35290.291104.1.7.022987, fato este, já demonstrado e comprovado anteriormente neste documento. Diante do narrado, o colegiado assentou o entendimento de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa, do domicilio fiscal do sujeito passivo, demonstre em que períodos a empresa já havia utilizado parte do crédito, no valor de R$ 38.720,77, indicando as compensações anteriores e informando os débitos que teria utilizado anteriormente às presentes declarações de compensações, e, bem assim, a verificação da atualização realizada pelo contribuinte dos saldos negativos do período de 2002 e períodos anteriores, com base na SELIC. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10850.904710/200908 Resolução n.º 1803000.052 S1TE03 Fl. 9 9 Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 12466.000386/94-05
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.514
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 11516.001463/2003-56
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
Processo administrativo fiscal. Recurso intempestivo.
Recurso voluntário interposto com inobservância do trintidio legal extingue a relação processual por inércia do sujeito passivo da obrigação tributária principal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-000.263
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestivo.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recurso intempestivo. Recurso voluntário interposto com inobservância do trintidio legal extingue a relação processual por inércia do sujeito passivo da obrigação tributária principal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. (.erri.., Henrique Pinheiro Torres - PreV7lek 1 Tarásio—Campeloláorgeâ - Relator EDITADO EM 09/11/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão da Terceira Turma da DRJ Porto Alegre (RS) que, por unanimidade de votos, rejeitou manifestação de inconformidade l da interessada contra (1) nulidade declarada pelo delegado substituto da DRF Florianópolis (SC) em face dos despachos proferidos nos versos das folhas 1 e 2 pelo delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) do Rio de Janeiro e (2) não-homologação da compensação declarada pela ora recorrente, em abril de 2003, às folhas 1 e 2. Nas declarações de folhas 1 e 2, para quitar seus débitos do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro * líquido (CSLL), PEDRA BRANCA LTDA. havia oferecido crédito-prêmio de IPI reconhecidos em favor da sociedade empresária REFINADORA CATARINENSE S.A. por sentença judicial sem trânsito em julgado que facultava o uso desse crédito para compensação com débitos de terceiros. Indeferido o pedido pela Delegacia da Receita Federal competente 2, a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 38 a 49, cuja síntese tomo de empréstimo do relatório do acórdão recorrido: Preliminarmente, o interessado alega nulidade do Despacho Decisório, dizendo que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis não tem competência para anular os despachos do Delegado de Administração Tributária do Rio de Janeiro. Cita e transcreve legislação que julga pertinente. Reportando-se à IN SRF n' 21, de 1997, cuja observância afirma decorrer das decisões judiciais no Mandado de Segurança n°- 2001.5101006335-5, o requerente sustenta que ingressou com pedidos de compensação, na Derat no Rio de Janeiro, porque essa era a repartição jurisdicionante do estabelecimento detentor dos créditos, sendo que, na repartição - que jurisdicionava o titular dos débitos (DRF em Florianópolis), seria protocolada apenas uma via do pedido, com o caráter exclusivo de comunicado. Passando ao mérito da contestação, o requerente argumenta que, para dar cumprimento às decisões judiciais proferidas no Mandado de Segurança n' 2001.5101006335-5, a Derat no Rio de Janeiro quantificou os créditos do estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, nos Processos 13706.000714/2001-10 e 13706.000745/2002-43, inclusive glosando valores que entendeu indevidos, e autorizou as compensações, com débitos do interessado. Diz a manifestação de inconformidade que a decisão judicial não perdeu sua eficácia, após a edição da Medida Provisória n' 66, de 2002, porque não foi modificada pela autoridade judicial que a prolatou, nem por outra de instância superior, estando em pleno vigor, inclusive no que tange à liminar, que impede a autoridade fiscal de promover qualquer Manifestação de inconformidade acostada às folhas 38 a 49. 2 Indeferimento do pedido às folhas 35 e 36. \\V\ 2 Processo n° 11516.001463/2003-56 S3-C1T1 Acórdão n° 3101-00.263 Fl. 169 ato coativo ou impeditivo do direito do impetrante, em razão da medida deferida. Na seqüência, o interessado defende o cabimento dos créditos de que tratam os arts. 1 0 e 5° do Decreto-lei e 491, de 1969, e também a sua compensação com débitos de terceiros, sob pena de os referidos dispositivos virarem letra morta. Alega o requerente que, quando da entrada em vigor da alteração promovida pela Medida Provisória 1-12 66, de 2002, o detentor dos créditos já possuía direito adquirido, no que se refere à compensação do seu crédito-prêmio, com débitos de terceiros, acrescentando que a lei restritiva de direitos só pode alcançar fatos pretéritos nas hipóteses previstas no art. 106 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que não se verificam nos autos. Por último, o interessado requer (a) o julgamento deste processo em conjunto com o Processo n' 11516.002596/2004-21, relativo à impugnação do lançamento da multa isolada por compensação indevida, (b) a decretação da nulidade do despacho decisório hostilizado, ou, alternativamente, (c) o cancelamento desse despacho. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DISPOSIÇÃO LEGAL IMPEDITIVA DE COMPENSAÇÕES COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. Desde 1 2- de outubro de 2002, por força da Lei n' 10.637, de 2002, não é admitida a compensação de débitos do sujeito passivo, com créditos de terceiros, ficando prejudicadas as compensações declaradas a partir daquela data, mesmo que com suporte em decisões judiciais provisórias, que haviam admitido compensações da espécie, contrariamente à proibição da IN SRF n° 41, de 2000, decisões que, para piorar a situação do declarante das compensações, foram recentemente reformadas pelo Poder Judiciário. Solicitação Indeferida Ciente, em 26 de julho de 2007, quinta-feira, do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Porto Alegre (RS), recurso voluntário foi interposto às folhas 116 a 147, no dia 28 de agosto de 2007, terça-feira. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Por despacho da então presidente do outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes, foram acostados aos autos os documentos de folhas 169 a 189 (Oficio DRF/FNS/Seort 274, de 3 de outubro de 2008, e seus anexos). 3 Antes disso, a autoridade competente havia dado por encerrado o preparo do processo e encaminhado para a segunda instância administrativa 3 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 189 folhas. É o relatório. 3 Despacho acostado à folha 116 determina o encaminhamento dos autos para o para o outrora denominado Segundo Conselho de Contribuintes que promoveu o encaminhamento para o então Terceiro Conselho de Contribuintes. . _ 4 Processo n° 11516.001463/2003-56 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.263 Fl. 170 Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Relator Preliminarmente, entendo extinta a relação processual porque apresentada a destempo a peça recursal. Em conformidade com o Aviso de Recebimento (AR) da decisão de primeira instância administrativa e a data da interposição do recurso voluntário, documentos de folhas 115 e 116, a interessada foi intimada do acórdão recorrido em 26 de julho de 2007 [4], quinta-feira, no entanto somente interpôs recurso voluntário no dia 28 de agosto imediatamente subsequente, terça-feira, um dia 5 após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 [6] combinado com o artigo 5' [ 7], ambos do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Com essas considerações, não conheço do recurso voluntário. -ert—'- Tarasio Campe o-Borges 4 Diferentemente do alegado no primeiro parágrafo das razões do recurso voluntário, a ora recorrente não foi intimada da decisão de primeira instância administrativa no dia 31 de julho de 2007. O Aviso de Recebimento (AR) colado à folha 115, comprova essa ciência em 26 de julho de 2007. 5 De 26 de julho a 28 de agosto transcorrem trinta e três dias. Ajustada a contagem em face do sábado no trigésimo dia, ainda assim o trintídio é ultrapassado em um dia. 6 Decreto 70.235, de 1972, artigo 33, caput: Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7 Decreto 70.235, de 1972, artigo 5°: Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. (Parágrafo único) Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 5
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Numero do processo: 15983.000973/2007-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. SIMPLES NÃO COMPROVADO. MULTA DE MORA.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
A mera alegação de enquadramento no SIMPLES, não exime da obrigação de recolher as contribuições previdenciárias.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.696
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade
de votos, em reconhecer a decadência no período compreendido entre: 04/1999 a 11/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN. No mérito; Por unanimidade de votos em, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, da Lei
8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. SIMPLES NÃO COMPROVADO. MULTA DE MORA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. A mera alegação de enquadramento no SIMPLES, não exime da obrigação de recolher as contribuições previdenciárias. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. SIMPLES NÃO COMPROVADO. MULTA DE MORA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. A mera alegação de enquadramento no SIMPLES, não exime da obrigação de recolher as contribuições previdenciárias. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência no período compreendido entre: 04/1999 a 11/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN. No mérito; Por unanimidade de votos em, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Marthius Savio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15983.000973/200784 Acórdão n.º 240300.696 S2C4T3 Fl. 239 3 Relatório DA AUTUAÇÃO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD lavrada contra o contribuinte acima identificado para a cobrança das contribuições previdenciárias e de terceiros conveniados, a cargo da empresa, devidas e não recolhidas em época própria. De acordo com o relatório fiscal de fls. 99/103, constitui fato gerador a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. A autoridade administrativa acrescenta que o contribuinte indevidamente informou em Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social código de optante pelo SIMPLES, aduzindo que esta foi excluída do referido sistema mediante Ato Declaratório n°0135920 com efeito a partir de 01/04/1999. A presente notificação atingiu o montante de R$ 167.030,82 (cento e sessenta e sete mil, trinta reais e oitenta e dois centavos) consolidada em 18/12/2007 e notificada em 19/12/2007. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou defesa nos termos do instrumento de fls. 108, em que essencialmente alega ser optante do SIMPLES no período do débito e a que a partir de 01/07/2007 é optante do SIMPLES NACIONAL e que não recebeu notificação de seu desenquadramento. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da impugnante, a 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II – SP DRJ/SPOII, emitiu o Acórdão n° 1724.184, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 224), com os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.52/53, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15983.000973/200784 Acórdão n.º 240300.696 S2C4T3 Fl. 240 5 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Tratase de NFLD lavrada em razão das contribuições previdenciárias concernentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e às destinadas a terceiros. O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pois, da análise dos itens “6.1.1.” e “9” do Relatório Fiscal, nas fls. 100 e 101, respectivamente, verificase que houve pagamento parcial de contribuições previdenciárias. O período de apuração compreendeu a competência 04/1999 a 06/2007. A notificação ocorreu em 19/12/2007. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre: 04/1999 a 11/2002 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. DO MÉRITO A recorrente foi autuada por não ter recolhido as verbas destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE). A recorrente alega que no período autuado estava enquadrada no SIMPLES e recolhendo devidamente todos os seus impostos, assim como não recebeu nenhuma notificação informando eventual desenquadramento. Ocorre que a recorrente não apresentou nenhum documento comprovando a sua inscrição no SIMPLES. Ao contrário da Fazenda Nacional que, não obstante a presunção de veracidade que os atos administrativos dispõem, apresentou o documento de fl. 217, comprovando que a recorrente aderiu ao SIMPLES Nacional a partir de 01/07/2007, bem como a inexistência de adesão ao SIMPLES em períodos anteriores. Por essas razões, não devem prosperar as alegações da recorrente, vez que não comprovou o alegado. MULTA DE MORA Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência parcial do lançamento no período de 04/1999 a 11/2002, com base nos critérios estabelecidos no art.150, § 4º, CTN, bem como determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15983.000973/200784 Acórdão n.º 240300.696 S2C4T3 Fl. 241 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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