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11002345 #
Numero do processo: 10865.721797/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2202-011.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Ricardo Chiavegatto de Lima (substituto [a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PEGORARO TOMAZELA

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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Ricardo Chiavegatto de Lima (substituto [a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente). Fl. 58DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.285 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721797/2011-27 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Da Notificação O processo refere-se a Notificação de Lançamento, fl(s). 23/26, relativa ao(s) ano(s)-calendário de 2007. Foi exigido o valor de R$ 26.110,21. Sem saldo de imposto a pagar declarado pelo contribuinte. O valor do imposto suplementar, sujeito à multa de ofício, é de R$ 12.515,08. Os valores foram confirmados pelo extrato de fl. 18. A notificação decorreu da Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Da Informação Fiscal O procedimento fiscal encontra-se relatado nos autos, em síntese: Constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 70.571,91 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 589,87. CNPJ/CPF - Nome da Fonte Pagadora CPF Beneficiário Rendimento Recebido Rendimento Declarado Rendimento Omitido IRRF Retido IRRF Declarado IRRF s/ Omissão 29.979.036/0001- 40 - INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL 01609128818 70.571,91 0,00 70.571,91 589,87 0,00 589,87 Complementação dos Fatos O Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010 suspendeu os efeitos do AD PGFN nº 1/2009 que considerava que o IR sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deveria reportar - se às alíquotas das épocas próprias dos rendimentos, com cálculo mensal e não global. Cumpre esclarecer que por ocasião do lançamento inexiste suspensão da exigibilidade em decorrência da Ação Civil Pública 1999.61.00.003710-0 (JFSP). Fl. 59DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.285 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721797/2011-27 3 Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 26/07/2011. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 05/08/2011, fl 18. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação de fl(s) 2 a 4 em 26/08/2011, alegando, em síntese: · O impugnante requereu administrativamente a concessão de aposentadoria. O INSS reconheceu o direito ao benefício efetuando o pagamento dos proventos em atraso de forma acumulada. · Anexos à presente, estão os comprovantes dos pagamentos efetuados pelo INSS efetivamente relativos ao ano calendário de 2007, que inclusive foram isentos de tributação. · Observa-se que a Autarquia Previdenciária somente considerou os proventos de 2007 relativos aos benefícios pagos acumuladamente, para considerar a tributação. · Com base nas informações acima, o contribuinte efetivou a sua Declaração de Isento, entendendo não ter nenhum valor à recolher à título de IR, uma vez que somente possui os proventos da aposentadoria e conforme já exposto, os valores recebidos pelo mesmo a este título pela Previdência foram isentos da tributação do imposto. · Alega não ter recebido o Informe de Rendimentos do Ano Calendário 2007 para eventual declaração do imposto, justificando que o montante recebido se referia a rendimentos isentos ou não tributáveis. OUTRAS INFORMAÇÕES Consta cópia da Declaração de Ajuste Anual às fls. 13/17. O(a) contribuinte junta documentos, fls. 6/13, para comprovar suas alegações. A DRJ negou provimento à Impugnação do contribuinte em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, é feita pelo regime de caixa, aplicando-se as tabelas e alíquotas vigentes no ano calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORME DE RENDIMENTOS NÃO FOI ENTREGUE PELA FONTE PAGADORA. Fl. 60DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.285 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721797/2011-27 4 É dever do beneficiário a obrigatoriedade de declarar à Receita Federal do Brasil os rendimentos efetivamente recebidos, ainda que a fonte pagadora não tenha entregue ao contribuinte o informe de rendimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 30/05/2014, o sujeito passivo interpôs, em 04/07/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que a tributação pelo imposto de renda não deveria se dar sobre o valor acumulado com base na alíquota mais alta, mas sim mês a mês. É o relatório. VOTO Conselheiro Andressa Pegoraro Tomazela, Relatora. Os artigos 5° e 33 do Decreto nº 70.235/1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, o recurso é intempestivo, tendo em vista que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância no dia 30/05/2014 e apenas interpôs seu Recurso Voluntário em 04/07/2014, após mais de trinta dias. Por essa razão, não conheço do Recurso Voluntário. De qualquer forma, importante mencionar que o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, com repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. Esse entendimento deve ser aplicado por este Conselho, por força do artigo 99 do Novo Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 2023. Fl. 61DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.285 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721797/2011-27 5 Dessa forma, sobre rendimentos pagos acumuladamente discutidos no processo ora analisado devem se aplicar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, a fim de permitir a incidência do imposto na fonte com base nas respectivas alíquotas progressivas e respeitadas as faixas de isenção, mês a mês (regime de competência). Como o Recurso Voluntário não foi conhecido por ser intempestivo, cabe ao contribuinte requerer a aplicação desse entendimento acima descrito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 8 de 3 de setembro de 2014. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela Fl. 62DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11002366 #
Numero do processo: 19647.017556/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. Somente podem ser acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária ao julgador da realização dos serviços e do seu efetivo pagamento. A legislação tributária não confere aos recibos valor probante absoluto, sendo permitido à fiscalização exigir elementos adicionais de prova que demonstrem a efetividade do pagamento e da realização do serviço.
Numero da decisão: 2202-011.343
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-011.287, de 23 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 19647.017555/2008-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Ricardo Chiavegatto de Lima (substituto [a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente).
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY

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CONDIÇÕES. Somente podem ser acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária ao julgador da realização dos serviços e do seu efetivo pagamento. A legislação tributária não confere aos recibos valor probante absoluto, sendo permitido à fiscalização exigir elementos adicionais de prova que demonstrem a efetividade do pagamento e da realização do serviço. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-011.287, de 23 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 19647.017555/2008-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Ricardo Chiavegatto de Lima (substituto [a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente). Fl. 109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.343 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.017556/2008-23 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou procedente o lançamento tributário para a glosa da compensação de despesas médicas para fins de imposto de renda da pessoa física. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento, houve a cobrança de imposto de renda suplementar decorrente da glosa de despesas médicas no valor de R$ 9.140,00, por falta de comprovação por parte do contribuinte. O contribuinte apresentou Impugnação, alegando que realizou os pagamentos dos serviços médicos em espécie, além de requerer a juntada do recibo e de declaração da profissional de saúde, na qual atesta o recebimento dos valores em espécie, bem como de extratos bancários que comprovam que havia saldo suficiente e que ocorreram saques compatíveis com os pagamentos. A DRJ negou provimento à Impugnação do contribuinte em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. Somente podem ser acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária ao julgador da realização dos serviços e do seu efetivo pagamento. A legislação tributária não confere aos recibos valor probante absoluto, sendo permitido à fiscalização exigir elementos adicionais de prova que demonstrem a efetividade do pagamento e da realização do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual repetiu os mesmos argumentos apresentados por ocasião da Impugnação. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.343 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.017556/2008-23 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O artigo 80 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999), vigente à época dos fatos dispõe o seguinte: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos nossos) Em complemento, o artigo 73 do mesmo diploma legal dispõe que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifos nossos) A apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o artigo 80, § 1º, III, do RIR/1999, poderia ser considerada Fl. 111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.343 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.017556/2008-23 4 suficiente, mas as autoridades fiscais podem exigir elementos probatórios adicionais, com base no artigo 73 do RIR/1999, ambos transcritos acima. Tal procedimento também é objeto de Súmula deste Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 180 Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. No presente processo, a motivação apontada pela autoridade fiscal para a glosa das despesas médicas foi a falta de comprovação do efetivo pagamento pelo contribuinte. Já a decisão de piso analisou a documentação apresentada e concluiu que a mesma foi insuficiente para tal comprovação. Por ocasião da Impugnação, o contribuinte juntou aos autos o recibo (fls. 13), contendo todas as informações da profissional (nome, endereço, CPF, CRM), extratos bancários que comprovam que havia saldo suficiente para o pagamento das consultas médicas (e saques a justificar eventual pagamento em dinheiro) (fls. 14 a 37), bem como declaração da médica atestando de que recebeu os valores em dinheiro (fls. 38). Da análise da documentação probatória acostada aos autos, entendo que não há comprovação da prestação dos serviços médicos e do efetivo pagamento. Isso porque, o valor contido no recibo médico e na declaração da médica não é o mesmo montante deduzido pelo Recorrente. Ainda, os documentos são pós- datados (de 2008, fazendo menção a consultas ocorridas em 2005). Por fim, não é possível verificar nos extratos bancários os valores pagos para a médica, nem foi feita uma correlação lógica pelo Recorrente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Redatora Fl. 112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.343 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.017556/2008-23 5 Fl. 113DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16327.720441/2015-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 ATIVO FINANCEIRO. MENSURAÇAO INICIAL. CPC. 38. VALOR JUSTO O CPC 38 estabelece regras para a mensuração inicial de ativos financeiros, sendo claro a determinação de reconhecimento inicial pelo valor justo para o caso de “Empréstimos e recebíveis”. Apenas em raras circunstâncias em que uma medida confiável do valor justo deixe de estar disponível, é permito escriturar um ativo financeiro pelo custo ou pelo custo amortizado em vez de pelo valor justo DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995 GLOSA DE DESPESAS A legislação exige que as despesas operacionais estejam devidamente suportadas por documentos hábeis e idôneos a comprovarem a sua natureza, a identidade do beneficiário, a quantidade, o valor da operação. A ausência de provas que sustentem o alegado pela defesa impõe a manutenção do lançamento em relação à glosa de despesas. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração.
Numero da decisão: 1401-007.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, negar provimento ao pedido de realização de diligência e, no mérito, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as glosas que foram destacadas na conclusão do voto pelo relator. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Claudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin
Nome do relator: FERNANDO AUGUSTO CARVALHO DE SOUZA

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MENSURAÇAO INICIAL. CPC. 38. VALOR JUSTO O CPC 38 estabelece regras para a mensuração inicial de ativos financeiros, sendo claro a determinação de reconhecimento inicial pelo valor justo para o caso de “Empréstimos e recebíveis”. Apenas em raras circunstâncias em que uma medida confiável do valor justo deixe de estar disponível, é permito escriturar um ativo financeiro pelo custo ou pelo custo amortizado em vez de pelo valor justo DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995 GLOSA DE DESPESAS A legislação exige que as despesas operacionais estejam devidamente suportadas por documentos hábeis e idôneos a comprovarem a sua natureza, a identidade do beneficiário, a quantidade, o valor da operação. A ausência de provas que sustentem o alegado pela defesa impõe a manutenção do lançamento em relação à glosa de despesas. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes Fl. 24322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 2 nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, negar provimento ao pedido de realização de diligência e, no mérito, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as glosas que foram destacadas na conclusão do voto pelo relator. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Claudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin RELATÓRIO Trata o processo de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL, relativo ao ano- calendário de 2012 que reduziu o prejuízo fiscal do IRPJ e a base de cálculo negativa de CSLL, conforme item 4 do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 18/29) Fl. 24323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 3 Foram apuradas quatro infrações consignados nos autos de infração da seguinte forma: IRPJ: 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS / INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS 2) PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS / INFRAÇÃO: INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS 3) INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO / INFRAÇÃO: ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS 4) ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL / INFRAÇÃO: CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL CSLL: Fl. 24324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 4 1) CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS / INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO COMPROVADOS 2) CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS / INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS 3) INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO / INFRAÇÃO: POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DA CSLL CAUSADA POR ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS O quadro resumo com as infrações apuradas pela fiscalização consta da folha 24: Fl. 24325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 5 Os fatos que deram origem as infrações acima descritas foram relatadas pela fiscalização através de dois tópicos no TVF: a) 2.1 – Perdas dedutíveis em operações de crédito b) 2.2 – Despesas operacionais 2.2.1 – Ágio na aquisição de créditos 2.2.2 – Despesas com terceiros No item 2.1 – Perdas dedutíveis em operações de crédito foram relatadas 03 (três) infrações: a) Glosa de R$ 119.935.773,28 – Despesas não comprovadas e exclusão indevida  O valor lançado consiste em uma divergência entre o valor declarado na linha 63 (Ficha 09B da DIPJ 2013) e os valores efetivamente comprovados, após regular intimação. Do total de R$ 424.996.045,37, a Recorrente obteve êxito na comprovação de apenas R$ 305.060.272,09 b) Glosa de R$ 1.771.742,25 – Antecipação de custos ou despesas (Inobservância do Regime de Escrituração)  Foram identificados 519 contratos que tiveram seus valores excluídos da apuração do lucro real antes do prazo previsto de 6 (seis) meses, em desacordo com o disposto no art. 9° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. c) Glosa de R$ 10.279.544,29 – Inobservância dos requisitos legais  Foram identificados 207 contratos que no valor total de R$ 10.149.949,51, e que não tiveram iniciada e/ou mantida cobrança judicial e outros 74 contratos, no valor de R$ 129.594,78, que não apresentavam informação sobre suas datas de vencimento. O item 2.2 – Despesas operacionais foi subdividido em outros dois itens: 2.2.1 – Ágio na aquisição de créditos e 2.2.2 – Despesas com terceiros A primeira análise foi referente ao ágio (item 2.2.1), a fiscalização identificou registros contábeis a débito de despesa (conta: 8.1.7.57.00.1.07-2) no valor de R$ 21.500.769,67, escriturados como “Apropriação de ágio na compra de crédito rural”. Diante da inusitada situação de ágio na compra de créditos, a Recorrente foi intimada a esclarecer os lançamentos contábeis, afirmando que baseou a escrituração na alínea “c”, do inciso I, do art. 226 do RIR/99, a qual trata de “despesas de cessão de crédito”. (fl. 194) Fl. 24326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 6 A fiscalização não aceitou a explicação afirmando que as despesas do RIR/99 são relacionadas a cessão do crédito e não na aquisição de crédito, tendo em vista que “Despesa de um é receita de outro. Dedutível para uma parte, tributável para a outra”. Em relação as despesas com terceiros, a fiscalização selecionou várias contas contábeis (8.1.7.57.00.1.07-2, 8.1.7.57.00.1.11-3, 8.1.7.57.00.2.04-0, 8.1.7.45.00.0.00-9, 8.1.7.45.00.0.02-3, 8.1.7.63.00.1.01-1, 8.1.7.63.00.1.07-3, 8.1.7.99.00.1.11-9, 8.1.7.99.00.1.30-8, 8.1.9.99.00.1-5, 8.1.9.99.00.6-0, 8.1.9.99.00.7-9, 8.1.9.99.00.9-7, e 8.1.9.52-5), exigindo mediante regular Termo de Intimação, os comprovantes que subsidiaram a escrituração contábil. a) Conta 8.1.7.57.00.1.07-2  Do total, foram glosados R$14.201.429,36, sendo R$12.927.474,76 por não comprovação e R$1.273.954,60 (fraude) por inobservância dos requisitos legais, conforme quadro abaixo. Fornecedor Valor Glosado Motivo GGS - EMPAR R$ 1.033.500,00 A NF n° 45 não fi comprovada. A GGS não foi localizada no endereço informado no CNPJ. A Recorrente declarou na DIRF2012 pagamentos totais de R$12.721.400,00 à GGS, sendo a NF 45 tomada por amostragem. ES PROFIT CONSULTORIA FINANCEIRA R$ 621.349,57 Não foi apresentada a TED da NF n° 383 para comprovar o pagamento, e há divergência de valor entre o contrato (R$3.778,20) da amostra e o valor indicado na relação das operações (R$223,65) RIBERCRED SERVIÇOS LTDA R$ 1.216.060,61 Não foram apresentadas as TED para comprovar o pagamento das NFs n° 143 (R$610.000,00) e n° 164 (R$606.060,61), e há divergência de valor entre os contratos apresentados da amostra e os valores indicados na relação das operações. ORM CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA R$ 1.558.000,00 Não foram apresentadas as TED para comprovar o pagamento das NFs n° 2012/5 e n° 2012/10, e há divergência entre o serviço indicado nas NF (intermediação em bolsas de mercadorias e futuros) e o objeto dos contratos firmados com a autuada. BRASILIA CORPORATE R$ 2.204.296,00 Não foram apresentadas as TED para comprovar o Fl. 24327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 7 FINANCE CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA pagamento das NFs n° 39 (R$600.000,00), n° 41 (R$520.000,00), n° 42 (R$584.296,00) e n° 43 (R$500.000,00). A prestadora de serviços está em região diversa daquela em que firmados os contratos e daquelas com sede das partes devedoras dos contratos. FACILITY R$ 1.386.600,00 Não foram apresentadas as TED para comprovar o pagamento das NFs n° 97 e n° 103, e não foi demonstrada a relação da prestadora de serviços com as operações listadas, tampouco a efetiva prestação dos serviços. CONSPLAN CONS. SERV. PLANEJAMENTO LTDA R$ 3.981.428,58 Não foi comprovada o a prestação de serviços, vinculando prestador e operações referente as NFs n° 301, n° 304, n° 312 e n° 317. SCI SOLUÇÃO & CRÉDITO IMEDIATO LTDA R$926.240,00 Não foi demonstrada a efetiva prestação dos serviços e não houve comprovação do pagamento dos serviços para a NF n° 260. FRAUDE R$ 1.273.954,60 Despesas contabilizadas como fraude sem comprovação dos documentos que embasaram os débitos. b) Conta 8.1.7.57.00.1.11-3  Glosa no valor de R$ 25.254.656,00, tendo em vista que não foram apresentadas comprovações do efetivo pagamento das despesas referente a 16 notas fiscais (selecionadas por amostragem) da empresa PRESTASERV PRESTADORA DE SERVIÇOS. c) Conta 8.1.7.57.00.2.04-0  Glosa no valor de R$ 1.114.589,88, tendo em vista que este item da intimação 9termo de Intimação n° 14) não foi respondido pela Recorrente. d) Conta 8.1.7.45.00.0.00-9  Glosa no valor de R$ 240.715,20, referente a brindes distribuídos à Icatu Capitalização, sendo essa despesa indedutível nos termos do inciso VII, art. 13, da Lei 9.249/95. e) Conta 8.1.7.45.00.0.02-3  Glosa no valor de R$ 21.000.000,00, referente a não comprovação de despesas com Santos Futebol Clube (R$19.000.000,00 em 12 parcelas mensais de R$1.583.333,33) e com Cruzeiro Esporte Clube (não foi apresentado o Instrumento contratual de patrocínio, nem a comprovação do efetivo pagamento do valor de R$2.000.000,00, conforme recibos). f) Conta 8.1.7.63.00.1.07-3 Fl. 24328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 8  Glosa no valor de R$ 3.729.355,35, referente a não comprovação de despesas com ALMEIDA CASTRO ADV. Não foi apresentado o contrato nem evidências da prestação dos serviços. g) Conta 8.1.7.99.00.1.11-9  Glosa no valor de R$ 2.649.000,00, tendo em vista que a Recorrente não confirmou a dedutibilidade de despesas baseadas no art. 365 do Decreto 3.000/99, que exigem requisitos adicionais para efetiva dedutibilidade h) Conta 8.1.9.99.00.7-9  Glosa de valores conforme o quadro abaixo: Fornecedor Valor Glosado Motivo CONSIST BUSINESS INFORMATION TECHNOLOGY R$ 12.628.526,04 Não foram apresentados os comprovantes de pagamento de 12 NFs, selecionadas por amostragem MOBILE COM E SERVIÇOS ELETRÔNICOS R$ 6.689.678,40 Não foram apresentados os comprovantes de pagamento de 11 NFs, selecionadas por amostragem CONSIGNUM-PROG CONTROLE E GERENC MARGEM R$ 1.133.525,60 Não foram apresentados os comprovantes de pagamento de 2 NFs, selecionadas por amostragem EMPR DE TECNOLOGIA DA INFORM DATAPREV R$ 46.316.479,30 Não foram apresentados os comprovantes de pagamento de 12 NFs, selecionadas por amostragem. Também não foram apresentados os arquivos mensais descritos na cláusula 7 do Convênio INSS- DATAPREV-BMG de modo a trazer evidências da efetiva prestação dos serviços i) Conta 8.1.9.99.00.9-7  Glosa no valor de R$ 21.637.915,96, tendo em vista que a Recorrente não apresentou os requisitos legais (§3º, art. 47 da Lei 4.506/64) para dedução de despesas referente a fraudes.  Não foram apresentados o inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou a queixa apresentada perante a autoridade policial. O registro junto à autoridade policial só foi realizado no ano de 2014, motivando a glosa por antecipação de despesas. Em seguida a autoridade fiscal descreve o enquadramento legal para autuação, relatado na decisão de piso da seguinte forma: 3. Dos enquadramentos legais Fl. 24329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 9 A fiscalizada, após sucessivas prorrogações de prazo para atendimento das intimações, não apresentou conjunto contratual completo da prestação dos serviços questionados, tampouco comprovou a efetiva prestação dos serviços, não apresentando em vários casos os pagamentos. Transferências, ainda que internas da instituição, terão registro em sistemas contábeis informatizados e envolverão subcontas do passivo da instituição financeira. A falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços e seu pagamento acarreta a impossibilidade de se demonstrar a existência da despesa, e de dedução dos valores, apurando-se as quatro infrações a seguir (enquadramento legal às fls. 27-28): 1) despesas não comprovadas: apurou-se falta de contratos e/ou de comprovação do pagamento; 2) antecipação de despesas: apurou-se inobservância do regime de escrituração, postergando o valor tributável para o caso de contratos registrados como perdas em operação de crédito antes do prazo legal, e para fraudes antes do registro policial. 3) despesas indedutíveis: deduções indevidas com brindes e com suposto ágio na aquisição de créditos. 4) dedução de despesas com inobservância de requisitos legais: não observou os requisitos para registro de perdas em operações de crédito acima de R$30.000,00; para registro de fraudes e para doações a entidades sem fins lucrativos. Após a ciência do Auto de Infração, a Recorrente apresentou sua impugnação (fls. 263/307) que em vista a celeridade processual, mais uma vez valho do resumo elaborado pela autoridade julgadora de primeira instância Da Impugnação Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada em 06/12/17, a contribuinte protocolizou em 04/01/18 a impugnação de fls. 263-307, documentos anexos, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: I - A impugnação é tempestiva. II - Fatos A autuação por despesas não comprovadas, despesas indedutíveis, antecipação de despesas e deduções sem observância dos requisitos legais não merece prosperar. III - Esclarecimentos iniciais A impugnante irá recompor parcialmente o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL do ano-calendário (AC) 2012 pois: Fl. 24330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 10 i) cumprirá o art.9º da Lei nº 9.430/96, deduzindo apenas posteriormente a PDD referente às glosas do item 2.1 da autuação; ii) não registrou boletim de ocorrência antes de deduzir como perda decorrente de fraude os valores de R$1.273.954,60 (item 2.2.2, A1) e de R$21.637.915,96 (item 2.2.2, C6), mas pretendendo providenciá-los posteriormente, deduzirá a referida despesa em momento futuro; iii) se equivocou ao deduzir o montante de R$2.649.000,00 decorrente de doações à Mitra Arquidiocesana e à Fundação Benjamin, pois não apurou lucro operacional em 2012. Assim, os valores de: i) PDD: R$119.935.773,28 - glosa de despesa não comprovada e exclusão indevida R$1.771.742,25 - glosa de antecipação de custos/despesas e R$10.279.544,29 - glosa de inobservância de requisitos legais; ii) Fraude: R$1.273.954,60 - glosa de inobservância de requisitos legais, e R$21.637.915,96 - glosa de antecipação de custos/despesas, Não serão objeto dessa impugnação, sendo recompostos na parte B do Lalur para redução do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL do AC12, sendo deduzidos posteriormente conforme a legislação. Também não será apresentada defesa para as deduções relativas a doações a instituições sem fins lucrativos no valor de R$2.649.000,00 (item C1), reduzindo- se o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL. IV - Legitimidade de praticamente todas as deduções realizadas no AC12 IV.1 - Dedução do ágio na aquisição de créditos A impugnante adquiriu carteira de créditos consignados dos bancos BGN, Semear, BVA e Rural, com ágio, pois o valor despendido na compra era superior ao valor nominal dos empréstimos naquela data (doc.02). Por outro lado, o valor das parcelas desses empréstimos acrescidas de juros contratuais era superior ao despendido na compra. Não obstante tais argumentos expostos no curso da ação fiscal, a dedução da despesa foi glosada pelas razões a seguir: - o ágio na compra de crédito não é comum; - o contrato do BGN prevê desconto de 2,8%, não havendo ágio nessa compra; Fl. 24331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 11 - o ágio está adstrito a investimentos em controladas e coligadas, ou na emissão de ações, não se aplicando ao caso em tela. Todavia, o ágio gerado nessa operação decorre justamente da diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das carteiras à época da compra. O item 45 do Pronunciamento do CPC nº 38 classifica os ativos financeiros em: mensurados pelo valor justo por meio do resultado; empréstimo e recebíveis; ou mantidos até o vencimento. Os ativos classificados como empréstimos possuem: duração definida, rendimentos fixos e não têm cotação no mercado ativo. Devem ser mensurados pelo custo amortizado usando método de juros efetivos, conforme o item 46 do CPC nº 38. Nos termos do parágrafo 54-a daquela norma contábil, o ganho ou perda com ativo financeiro de vencimento fixo deve ser amortizado no resultado durante a vida remanescente do investimento mantido até o vencimento usando-se o método dos juros efetivos. Nesse sentido, a impugnante amortizou o valor da diferença paga a maior (ágio) entre o custo da transação e o valor patrimonial das carteiras de créditos adquiridas, sendo o prazo médio de amortização calculado com base na duração da carteira. Demonstrado documentalmente o ágio na aquisição das carteiras de crédito, não podem ser glosadas as deduções dessas despesas apenas pelo entendimento da fiscalização de que não seja comum haver ágio em compra de carteira de crédito. A impugnante comprou as carteiras de crédito por um valor maior que o valor presente dos empréstimos pois tinha expectativa de receber as parcelas acrescidas de juros mensais, com risco mínimo de inadimplência (empréstimo consignado). Mesmo não se tratando de ágio propriamente dito, pois não houve incorporação societária, as carteiras foram compradas por um valor superior ao que valiam no momento da aquisição. Assim, a transação foi denominada como ágio pela semelhança com esse instituto, porém tais valores foram deduzidos por se tratar de despesa operacional, eis que a compra e venda de carteiras de crédito é realizada na consecução do objeto social da empresa. Esclareça-se ainda que não houve no contrato de cessão de crédito entre a impugnante e o Banco BGN qualquer desconto de 2,8% a.a. para a compra da carteira, pois o valor nominal dos créditos na data da compra da carteira era de R$63.683.668,21, porém o BMG desembolsou R$78.237.767,06 em sua aquisição. O percentual de 2,8% não é desconto dado pelo cedente à impugnante, mas sim taxa utilizada para cálculo do valor de R$78.237.767,06, quantia superior ao valor presente dos créditos na data de sua aquisição. Fl. 24332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 12 Assim, devem ser canceladas as glosas das despesas com aquisição das carteiras de crédito dos Bancos Semear, BGN, BVA e Rural. IV.2 - Dedução de despesas com terceiros - comprovação das despesas A impugnante foi intimada a prestar esclarecimentos sobre a dedução de despesas com terceiros por meios dos Termos nº 14 a 16. Porém, apesar da documentação apresentada à fiscalização, foram glosadas algumas deduções, contestadas a seguir: IV.2.1 - Despesas de prestação de serviços (subitens A1 e A2 da autuação) A fiscalização glosou as despesas com as prestadoras de serviços listadas a seguir por não comprovação do pagamento pelos serviços e da relação dos serviços prestados: GGS Empar Empreendimentos e Participações Ltda: a nota fiscal (NF) nº 45, valor de R$1.033.500,00 demonstra que o serviço prestado e pago foi o de intermediação de negócio, tendo ocorrido um erro na classificação do serviço listada na NF. O objeto do contrato, o objetivo social da GGS, o contrato intermediado pela GGS, no montante de R$1.033.500,00, pago pela impugnante à GGS na NF nº 45, e as planilhas desses contratos comprovam o serviço de intermediação de negócios. Junta ainda cartão CNPJ e comprovante de inscrição para comprovar que a empresa GGS permanece ativa, apenas com endereço diverso ao da época da celebração do contrato de prestação de serviços com a impugnante. ORM Consultoria Empresarial Ltda: também ocorreu erro na classificação dos serviços executados pela ORM. Porém, em ambas NF nº 2012/5 e 2012/10, objeto das despesas glosadas, é descrito corretamente o serviço de "aproximação de negócios" no campo discriminação dos serviços. Da análise do contrato de prestação de serviços celebrado entre a impugnante e Adriana Lucia Bernardes, posteriormente substabelecido à ORM (doc.05), e das NF referidas, conclui-se que houve equívoco na informação das NF citadas, o que não invalida a prestação de serviços e sua dedução. Junta ainda contratos que compuseram os pagamentos daquelas NF, nos valores de R$843.000,00 e R$715.000,00. A fiscalização glosou as deduções porque não teriam sido apresentadas as TED. Entretanto, a ORM possui conta no BMG por meio da qual era transferido o pagamento pelos serviços realizados, não prosperando tal glosa. ES Profit Consultoria Financeira; Ribercred Serviços Ltda; Brasilia Corporate Finance Consultores Associados Ltda; Facility (MCF Promotora e Administradora de Créditos e Cobranças S/C); Consplan Cons. Ser. Planejamento Ltda; SCI Solução & Crédito Imediato Ltda e Prestaserv Prestadora de Serviços Ltda: as deduções também foram glosadas por não apresentação de TED. Fl. 24333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 13 Apesar disso, foram disponibilizados documentos comprobatórios relativos a todos prestadores, como NF, contratos e outros documentos, comprovando a prestação dos serviços, novamente juntados à defesa (doc.06). Ademais, todas as prestadoras de serviços receberam pagamento em 2012 por meio de conta que possuem no BMG, à exceção da Consplan que junta TED aos autos. Novamente são informados a conta, data e valor transferido a cada prestadora de serviços, além de extratos com alguns dos pagamentos pelas prestações dos serviços (fls. 284-288). O BMG está à disposição caso se entenda pela necessidade de diligência. No caso de despesas operacionais, os documentos comprobatórios variam conforme cada operação, não havendo uma forma única de comprovação, salvo se estabelecido pela legislação tributária. Para as despesas efetuadas com pessoas jurídicas, a RFB estabelece as NF emitidas por equipamentos ECF como documentos hábeis à comprovação (item 240 do Perguntas e Respostas). O objeto social e o ramo de atividade dos prestadores de serviço em tela é conhecido pelo Fisco, que acessa todas as informações dessas empresas. As atividades constantes da inscrição no CNPJ de cada empresa também denotam que as atividades exercidas por aqueles prestadores de serviços relacionam-se à atividade empresarial da impugnante (fls. 291-292). Os serviços também foram contabilizados no Razão, e comprovados mediante apresentação de NF, conta, data e valor do pagamento, contratos de prestação de serviços, concluindo-se que houve a contratação de terceiros para prestar serviços que foram pagos e deduzidos da base do IRPJ e da CSLL. Ademais, não há dispositivo na legislação tributária que determine a dedução apenas se apresentada a TED dos pagamentos pelos serviços efetuados. No caso presente, todos os serviços tomados têm ligação com o objeto social da impugnante, fato não contestado pela fiscalização, que não questionou a natureza das despesas ou a necessidade dos serviços às atividades normais da instituição. A impugnante demonstra a prestação de serviços pela SCI juntando as NF, o contrato celebrado entre ambos e a ficha cadastral de empréstimo consignado intermediado pela SCI (doc.06). Com relação à ES Profit e à Ribercred, a impugnante esclarece que as comissões repassadas a essas empresas ocorriam sobre uma operação com troco para quitação (amostras de contratos no doc.06), sendo esse troco a base para cálculo do pagamento que as prestadoras receberiam por cada contrato por elas intermediado. No exemplo a seguir (R$), a base é R$610.000,00: Fl. 24334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 14 Quanto à Consplan, os serviços prestados foram comprovados por meio de apresentação dos contratos de empréstimos por ela intermediados, juntado NF e TED (doc.6). Apesar de o contrato com a Consplan em 2001 prever uma comissão de 10%, o percentual foi reajustado sucessivamente, estando em 20% no ano de 2012, o que foi pago à Consplan. Demonstrado que foram prestados os serviços em tela, deve ser cancelada a glosa. IV.2.2 - Despesas Operacionais - Diferimento de Comissões (subitem A3) Para comprovar as deduções de diferimento de despesas com aproximação de negócios referentes à cessão de crédito com o Banco Nacional de Brasília - BNB, a impugnante junta aos autos as NF nº 18 e 715 que atestam o pagamento pelos serviços de intermediação financeira e planilha com a compra dos créditos do BNB (doc.07). IV.2.3 - Despesas: Pagamentos à Icatu Capitalização (subitem B1) A despesa operacional decorrente de pagamento à Icatu Capitalização foi glosada porque a fiscalização entendeu se tratar de brindes. Entretanto, ao contrário do que argumentou a fiscalização, os valores pagos à Icatu não são despesas com brindes, mas despesa operacional com campanha promocional visando o estímulo à produção. Conforme o 2º Termo Aditivo ao Acordo Comercial (doc.08), a impugnante adquiriu títulos de capitalização da Icatu que passaram a integrar alguns dos produtos oferecidos aos clientes da impugnante. A Icatu emitia os títulos de capitalização conforme demanda da impugnante; quando os clientes da impugnante adquiriam empréstimos consignados ou cartão de crédito BMG premiado, tinham direito a um título de capitalização a custo preestabelecido. E os clientes da impugnante que possuíam os títulos de capitalização participavam de sorteios de valores em dinheiro, conforme o produto adquirido. Então, não são brindes distribuídos pela impugnante, mas emissão de títulos de capitalização (parte do objeto social da impugnante) que garantiam aos clientes compradores de certos produtos o direito de concorrer aos sorteios. O produto neste caso é diverso do conceito de brinde para dedução no IRPJ, e conforme a Solução de Consulta (SC) Cosit nº 58/13, sorteio não é brinde, o que descaracteriza a glosa. No caso, o título de capitalização possui características contrárias àquelas da SC nº 58/13: Fl. 24335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 15 1 - oferecer o título de capitalização constitui uma das atividades operacionais da impugnante; 2 - a distribuição do título de capitalização é onerosa, conforme item 3.1 do 2º Termo Aditivo anexo; 3 - o cliente só recebe o prêmio do título se for sorteado. Ademais, o brinde não gera receita, ao contrário do que ocorre neste caso, em que o cliente só terá o título de capitalização se adquirir empréstimo consignado ou cartão de crédito do BMG, gerando receita à impugnante. IV.2.4 - Despesas - Patrocínio ao Santos Futebol Clube e ao Cruzeiro Esporte Clube (subitem B2) A impugnante patrocina diversos Clubes de Futebol, como Santos e Cruzeiro. A impugnante firmou contratos de patrocínio com o Santos, pelo qual pagará R$19 milhões em 12 parcelas mensais e consecutivas de R$1.583.333,33, vencendo a primeira em 10/01/12 e a última em 10/12/12; e com o Cruzeiro, pagando R$10 milhões em 12 parcelas mensais e consecutivas (doc.09). A fiscalização efetuou a glosa por não terem sido apresentados os contratos firmados em 11/09 e 07/12, nem os comprovantes de pagamentos dos referidos valores. Todavia, foram disponibilizados à fiscalização somente os contratos celebrados em 08/11/11 (Santos) e 08/07/10 (Cruzeiro) pois são esses que tratam do patrocínio repassado aos Clubes em 2012. As imagens de fls. 300-301 e os documentos e recibos anexados por amostragem (doc. 09) sinalizam o patrocínio feito pela impugnante aos clubes. O Santos possui conta no BMG, por meio da qual eram repassados os valores de patrocínio no ano de 2012. Comprovado por meio dos contratos e das notícias que a impugnante patrocinou o Santos e o Cruzeiro em 2012, bem como tendo sido anexados os recibos dos pagamentos feitos ao Cruzeiro, e extrato que comprova que o Santos recebia patrocínio na conta que possui no BMG, não há que se falar na manutenção da glosa. Ao menos, a fiscalização deve realizar diligência para verificar o pagamento do patrocínio aos clubes. IV.2.5 - Despesas - Pagamento ao Almeida Castro Advogados (subitem B4) As despesas pagas ao escritório Almeida Castro foram glosadas pela ausência de apresentação do contrato firmado e de evidência da prestação dos serviços. Porém a impugnante disponibilizou ao Fisco, e agora de novo, as NF e TED que comprovam a prestação dos serviços de advocacia e seu pagamento (doc.10). Fl. 24336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 16 Junta também telas de ação penal de seu interesse conduzida pelo Almeida Castro Advogados, conforme substabelecimento de fls. 6642. Apesar de o substabelecimento datar de 2014, esse escritório de advocacia não passou a representar a impugnante apenas nessa data, trata-se de substabelecimento interno do escritório, juntado para comprovar a prestação dos serviços. E o pagamento dos honorários nessa ação foi feito em 2012, quando proferida a sentença e interposta a apelação. A impugnante se coloca à disposição para eventual diligência. Não pode o Fisco exigir tantos documentos quantos entender necessários, para se convencer da prestação dos serviços. Assim, comprovada a prestação de serviços, não prospera a glosa em tela. IV.2.6 - Despesas operacionais - Pagamentos a terceiros – Apresentação TED (subitem C5) Como já dito, a NF é o comprovante de pagamento dos serviços tomados de pessoas jurídicas. Entretanto, a razão para a glosa das despesas decorrentes dos pagamentos às empresas Consist (R$12.628.526,04), Mobile (R$6.689.678,40), Consignum (R$1.133.525,60) e Dataprev (R$46.316.479,30) foi a falta de apresentação das TED, documentos que são acostados aos autos (doc.11), para comprovação das deduções efetuadas. Quanto à Dataprev, empresa pública que tarifa todos os envios de informação dos descontos mensais dos empréstimos consignados aos aposentados, frise-se a impossibilidade de juntar aos autos os relatórios mensais do ano 2012, eis que possuem milhões de linhas em decorrência do volume de serviços tarifados diariamente. Assim, é anexada parte do relatório enviado pela Dataprev em 03/12 (doc.11), ficando a impugnante à disposição para eventual diligência in loco. Comprovada a despesa, deve o auto de infração ser cancelado. V - Pedido Do exposto, requer o cancelamento integral do auto de infração pois: i) as deduções indevidamente realizadas serão recompostas para redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do AC2012; ii) as demais glosas são improcedentes conforme razões expostas nesta impugnação. Caso se entenda pela realização de diligência, a impugnante se coloca à disposição da fiscalização. Requer a juntada posterior de documentos que se façam necessários. Fl. 24337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 17 Posteriormente, em 17/07/18, a defesa protocolizou petição de fls. 23259- 23268, e documentos anexos, na qual alega, em suma, que: Item IV.2.6 - Despesas Operacionais - pagamentos a terceiros – apresentação de TED: na impugnação foram juntados alguns comprovantes de pagamentos à Dataprev (R$46.316.479,30) e dos serviços prestados (doc.11). Junta agora documentos complementares relacionados a essa operação, conforme art.38 da Lei nº 9.784/99, e demonstra como ocorre a apuração dos valores devidos a serem emitidos por nota fiscal. As NF objeto de glosa foram 12 (termo de intimação 16), listadas a seguir: A apuração dos valores devidos a serem emitidos por NF é pela quantidade de linhas que representam as parcelas pagas. No caso de operações com cartão de crédito e empréstimo parcelado, apresenta relação com o nome do arquivo por NF: Para apuração do tipo de operação, identifica-se o tipo de retorno no arquivo ("2" para empréstimo e "9" para cartão). Em função do tamanho dos arquivos, a contagem pode ser feita por SQL e Access (fls.23263). Descrição do layout utilizado, conforme definido no arquivo anexo INSSLayout.pdf, que define e padroniza a troca de informação Banco-Empresas (fls.23265-23266). Com base na contagem de fls. 23267, nos documentos juntados na impugnação e nesta petição, resta comprovado o pagamento das 12 NF à Dataprev no valor total de R$43.316.479,30 e a prestação de serviços, devendo ser cancelada a glosa. A impugnação foi considerada procedente em parte pela DRJ/SPO formalizada no Acordão n° 16-88-146, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Fl. 24338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 18 Ano-calendário: 2012 DESÁGIO EM CESSÃO DE CRÉDITOS. DEDUÇÃO PELO CESSIONÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de cessão de créditos (deságio) somente podem ser deduzidas pelo cedente, e não por quem adquiriu os créditos (cessionário). A dedução refere-se apenas ao valor do deságio praticado, não se aplicando à diferença entre o valor original do crédito e seu valor de cessão. DESPESAS COM BRINDES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. As despesas com brindes concedidos aos clientes não são dedutíveis na apuração do Lucro Real, conforme disposto na legislação em vigência. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. CANCELAMENTO DE GLOSA. Apresentados os comprovantes de efetivo pagamento das despesas, e sendo esse o único motivo do lançamento efetuado pela fiscalização, deve ser cancelada a glosa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência presta-se à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos adicionais para o deslinde da questão. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. Impugnação Procedente em Parte Sem Crédito em Litígio Apenas o valor de R$ 1.133.525,60 referente as NFs n° 2824 e n° 3011 da empresa CONSIGNUM-PROG CONTROLE E GERENC MARGEM foram aceitas, tendo em vista a apresentação dos correspondentes TEDs como comprovação do pagamento, alterando o Lucro Real e a Base de cálculo da CSLL e por consequência o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa de CSLL. Fl. 24339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 19 Importante ressaltar que boa parte das infrações não foram contestadas pela Recorrente na impugnação (R$ 157.547.930,38), não se instaurando o contencioso fiscal em relação as infrações anuídas. Irresignada com o resultado, a Recorrente apresentou o devido recurso Voluntário (fls. 23.363/23.415), juntando novos documentos (fls. 363/7.439 e 7.443 a 14.519) e posteriormente, antes do julgamento, mais uma nova juntada de documentos relativos a glosa de despesa com a Dataprev (fls. 23.259/23.270 e 23.273/23.315). O Recurso Voluntário foi objeto de deliberação por esta turma na sessão de 21 de setembro de 2022, que, após discussão, decidiu converter o julgamento em diligência através da Resolução n° 1401-000.904. Aproveito para transcrever parte do relatório do ilustre Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, no qual descreve o recurso voluntário. Na peça recursal, preambularmente, o contribuinte pugnou pelo conhecimento dos elementos probatórios juntados aos autos em 17/07/2018 (e-fls. 23259 a 23270 e 23273 a 23315). Segundo a alegação do contribuinte, a DRJ/São Paulo teria tido uma leitura restritiva das normas processuais e teria deixado de conhecer dos documentos, em afronta aos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto à glosa da despesa com ágio financeiro na aquisição de carteiras de crédito, o recorrente reiterou, em essência, os argumentos da impugnação e aduziu que a despesa é pertinente à atividade bancária e que obedeceu às normas jurídicas e contábeis atinentes à mensuração de ativos financeiros. Fl. 24340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 20 Em relação às despesas com terceiros, reiterando também as alegações da impugnação, o recorrente aduziu que os elementos probatórios juntados aos autos seriam suficientes para dar suporte às despesas que foram consideradas pela fiscalização como não comprovadas ou indedutíveis. Especificamente sobre a decisão de piso acerca da glosa das despesas não comprovadas, o recorrente argumentou: [transcreve trecho do recurso] Após essas considerações gerais, o recorrente passou a detalhar os elementos que considera relevantes para a comprovação de cada despesa glosada ora sob exame. As alegações estão suportadas pela documentação já juntada anteriormente aos autos. Tais detalhamentos serão tratados posteriormente no voto. Por fim, o recorrente pediu o acolhimento do recurso voluntário e a reforma da decisão de primeira instância. Requereu a juntada posterior de novos elementos de prova e colocou-se á disposição caso haja necessidade de diligência “in loco”. Não houve a juntada de novos elementos probatórios em sede de recurso voluntário. Após as inúmeras alterações, o relator apresenta a síntese das infrações no seguinte quadro resumo: Fl. 24341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 21 A seguir são apresentadas as considerações sobre as nulidades e mérito referente ao Recurso Voluntário, presentes na Resolução n° 1401-000.904 1) Da Divergência de Valores e Exclusão da Lide Ao proceder a comparação entre os valores constantes do Auto de Infração e os valores efetivamente presentes nos autos, o relator identificou uma discrepância entre a soma dos valores lançados na infração: “Despesas não comprovadas”, sendo apurado nos autos R$ 250.730.058,64, enquanto no Auto de Infração consta R$ 191.785.053,27. A discrepância fica evidente ao se colocar lado a lado os dois quadros resumo: O relator considerou que a divergência foi um “lapso por parte da autoridade fiscal no momento da consolidação das infrações relativas às glosas de despesas não comprovadas”, isso porque a diferença de R$ 58.945.005,37 corresponde exatamente a soma das infrações: 2.2.2 – C5 (Despesas com Consist) – R$ 12.628.526,07 2.2.2 – C5 (Despesas com Dataprev) – R$ 46.316.479,30, Ou seja, no momento da consolidação, as duas infrações não foram levadas ao auto de infração. Sendo identificado que já operava a decadência para fins de lançamento complementar e não tendo sido objeto de recurso de ofício em função do limite de alçada, restou declaradas as infrações 2.2.2 C5 (Despesas com Consist) e 2.2.2 C5 (Despesas com Dataprev) fora da lide. 2) Consolidação dos Valores Fl. 24342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 22 Após os ajustes, o Relator apresenta os valores que permaneceram sujeitos à apreciação do colegiado, consolidados no seguinte trecho da Resolução: 3) Apresentação de novas provas e exclusão da lide A DRJ não conheceu dos documentos apresentados em 17/07/2018, posterior ao prazo de impugnação, contudo aceitou o aditamento complementar de novas provas. Ao analisar o voto de primeira instância, o relator verificou que o indeferimento foi apenas para o pedido de apresentação “a qualquer tempo” de novos elementos de prova, até porque os documentos apresentados foram analisados no julgamento em primeira instância. Dessa forma, foi indeferido o pedido de cerceamento do direito de defesa no recurso voluntário. Corroborando com a decisão de primeira instância, o relator ressalta que os novos documentos estão relacionados às despesas com a Dataprev e, como descrito acima, diante do lapso no lançamento, essas despesas não foram objeto de litígio, sem que houvesse prejuízo à Recorrente. 4) Mérito – Ágio na aquisição de créditos Ao adentrar no mérito, o Relator iniciou pela infração relacionada ao ágio na aquisição de créditos no valor de R$ 21.500.769,67, registrada na conta contábil 8.1.7.57.00.1.07- 2, classificada pela fiscalização como “despesa indedutível”. Relata que a autoridade fiscal no TVF considerou inusitado o registro contábil de ágio em negociações de aquisição de crédito por cessão, tendo em vista que nessas situações o normal é que ocorra um deságio na aquisição, conforme trecho abaixo: A autuada praticou no exercício fiscalizado várias operações de cessão de crédito, sendo cedente de vultosos valores, em sua maioria com coobrigação dos riscos cedidos. Em tais operações é esperado que o cedente aplique um deságio sobre o valor cedido, de modo a tornar a operação atrativa comercialmente ao Fl. 24343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 23 cessionário. Tal deságio é o desconto aplicado na carteira de títulos cedida e se constitui em despesa dedutível para o cedente, em vista do desconto concedido. (Griffou-se) Nos esclarecimentos prestados no curso da fiscalização, a Recorrente informa que uma taxa de desconto acordada nos contratos é aplicada no vencimento dos créditos, ou seja, devem ser acrescidos ao valor de face da carteira os juros e com isso o valor da aquisição acaba sendo superior e com isso há a formação do ágio. Foi apresentado um exemplo da forma como os valores escriturados foram compostos: Pelo exemplo acima, o valor da carteira de crédito é de R$ 63.366.009,17, contudo no vencimento o valor passará a ser de R$ 110.911.692,06, aplicando a taxa de desconto de 2,8%, o valor efetivamente pago foi de R$ 78.237.767,06, com um ágio de R$ 14.554.098,85. Para a fiscalização o valor que deveria ser registrado na contabilidade é o efetivamente pago e a diferença seria reconhecida como resultado positivo ao longo do tempo, conforme o vencimento de cada crédito. A autoridade julgadora de primeira instância manteve a glosa afirmando que o desconto na operação deve ocorrer sobre o valor de face, ou seja, aquele que representa efetivamente o crédito com todos os fatores atrelados a ele, ocorre que a Recorrente toma como partida o valor original do crédito, considerando-o como "valor presente na data da aquisição". Ainda na decisão de piso, a Autoridade Julgadora reforça seu entendimento sobre o desconto em uma operação afirmando que deve ser aplicado ao valor de face da carteira, provocando um deságio na aquisição e não um ágio, como deseja a Recorrente, sendo esse procedimento baseado na legislação (art. 226 do RIR/99, Alínea c, Inciso I), que permite apenas a dedução para quem vende (cedente) e não para quem adquiri (cessionário). Em sede recursal, a Recorrente afirma que a divergência se dá nos conceitos de “valor atual” e “valor presente”. Nesse ponto, a divergência se dá sobre a metodologia de cálculo do “valor atual” das carteiras de crédito: “valor presente”, compatível com as normas jurídicas e contábeis, ou “valor total dos empréstimos, considerando inclusive os juros Fl. 24344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 24 vincendos” – cálculo este que foi devidamente demonstrado na impugnação e sustentado por vasta documentação. A Recorrente aduz que utilizou o critério do “valor presente” por determinação da Lei n° 6.404/76, sendo o Ajuste a Valor Presente – AVP, regulamentado pela Resolução CFC n° 1.151/09. Além disso, a Recorrente afirma que seguiu o preconizado no CPC 38, notadamente no item 45 e 54, sendo o primeiro na definição de empréstimo e recebíveis e o segundo quando a sua alínea (a) determina que o ganho ou a perda deve ser amortizado no resultado até o vencimento: 45. Para a finalidade de medir um ativo financeiro após o reconhecimento inicial, este Pronunciamento classifica os ativos financeiros nas quatro categorias definidas no item 9: (a) ativos financeiros mensurados pelo valor justo por meio do resultado; (b) investimentos mantidos até o vencimento; (c) empréstimos e contas a receber; e (d) ativos financeiros disponíveis para venda (...) 54. Se, como resultado de alteração na intenção ou capacidade ou nas raras circunstâncias em que uma medida confiável do valor justo deixe de estar disponível (ver itens 46(c) e 47) ou porque os “dois exercícios sociais precedentes” mencionados no item 9 já passaram, torna-se apropriado escriturar um ativo financeiro ou passivo financeiro pelo custo ou pelo custo amortizado em vez de pelo valor justo, a quantia escriturada do valor justo do ativo financeiro ou do passivo financeiro nesta data torna-se o seu novo custo ou custo amortizado, conforme aplicável. Qualquer ganho ou perda anterior naquele ativo que tenha sido reconhecido como outros resultados abrangentes de acordo com o item 55(b) deve ser contabilizado como segue: (a) no caso de ativo financeiro com vencimento fixo, o ganho ou perda deve ser amortizado no resultado durante a vida remanescente do investimento mantido até o vencimento usando o método dos juros efetivos. Qualquer diferença entre o novo custo amortizado e a quantia no vencimento deve também ser amortizada durante a vida remanescente do ativo financeiro usando o método dos juros efetivos, semelhante à amortização de prêmio e de desconto. Se o ativo financeiro estiver subsequentemente com perda no valor recuperável, qualquer ganho ou perda que tenha sido reconhecido como outros resultados abrangentes é reconhecido no resultado de acordo com o item 67; Aduz no recurso (fl. 23.383): Fl. 24345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 25 E foi exatamente isso o que fez o Recorrente ao amortizar o valor equivalente a diferença paga a maior (ágio) entre o custo da transação e o valor patrimonial das carteiras de créditos adquiridas, sendo que o prazo médio de amortização foi calculado com base na duração da carteira. Tome-se como exemplo a compra da carteira de crédito de empréstimos consignados do Banco BGN: Ocorre que na Resolução, o relator foi cirúrgico ao apontar o equívoco da Recorrente ao obedecer ao item 45 do CPC 38, pois esse item trata de como será a contabilização de um ativo financeiro “após o reconhecimento inicial” e o presente caso trata do efetivo “reconhecimento inicial”. A mensuração inicial deve ser pelo valor justo, conforme preconizado nos itens 43 e 44 do CPC 38: Mensuração Mensuração inicial de ativos e de passivos financeiros 43. Quando um ativo financeiro ou um passivo financeiro é inicialmente reconhecido, a entidade deve mensurá-lo pelo seu valor justo mais, no caso de ativo financeiro ou passivo financeiro que não seja pelo valor justo por meio do resultado, os custos de transação que sejam diretamente atribuíveis à aquisição ou emissão do ativo financeiro ou passivo financeiro. 43A. No entanto, se o valor justo do ativo ou passivo financeiro no reconhecimento inicial diferir do preço da transação, a entidade deve aplicar o item AG76. (Incluído pela Revisão CPC 03) 44. Quando a entidade usa a contabilização pela data de liquidação para um ativo que é posteriormente mensurado pelo custo ou pelo custo amortizado, o ativo é reconhecido inicialmente pelo seu valor justo na data da negociação (ver o Apêndice A, itens AG53 a AG56). Logo o relator, conclui que, sendo operação entre partes não vinculadas, o valor justo é o que efetivamente foi pago na transação e este deveria ter sido usado na contabilização, sendo a diferença entre o valor pago e o valor futuro (no vencimento) pro rata tempore pelo prazo do contrato e dessa forma a autuação foi correta. A despeito dessa entendimento, o Relator, ao analisar a resposta ao Termo de Intimação n° 18, identificou que entre as alegações, a Recorrente apresenta um exemplo da Fl. 24346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 26 sistemática contábil adotada para o reconhecimento da cessão de crédito, onde aparenta que há o reconhecimento da receita no resultado conforme os contratos originais. Na folha 195, a Recorrente apresenta os lançamentos do contrato de cessão junto ao Banco BGN, onde inicia esclarecendo o lançamento inicial, ou seja, contabiliza o fato contábil da aquisição do crédito, sendo o lançamento à CRÉDITO para saída de caixa pelo “valor justo”, e um lançamento a DÉBITO no ativo pelo “valor presente”, a diferença é lançada a CRÉDITO em uma conta que registrará as entradas ao longo do tempo: Em seguida, ocorre a contabilização do ÁGIO na aquisição, considerada uma DESPESA ANTECIPADA, por isso registada no ativo, ressaltando que a soma das duas parcela de “saída de caixa” representa o valor desembolsado: Ao longo do tempo, os valores dos créditos vão sendo quitados, de modo que o ativo onde está registado o “valor presente” fique zerado e a diferença registrada na conta “rendas a apropriar” vai sendo zerada conforme a contrapartida de receitas advindas da quitação dos créditos: O ÁGIO acaba sendo zerado no tempo conforme os lançamentos vão registrando a baixa dos créditos pela quitação em contrapartida de uma despesa: Para o relator, uma interpretação equivocada nas regras contábeis, mas que não provoquem alteração na apuração da base de cálculo, objeto da lide, deve ser analisada Fl. 24347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 27 concretamente, pois aparentemente o procedimento contábil adotado pela Recorrente acabou levando ao mesmo resultado ou resultado próximo se houvesse escriturado da forma correta. Segue abaixo a explicação do relator: Neste sentido, penso que o processo não está maduro para ser julgado. Explico. De fato, o contribuinte deveria ter reconhecido na contabilidade os ativos pelos respectivos valores justos e apropriado os ganhos relativos aos descontos pro rata tempore ao longo do prazo das carteiras. Entretanto, aparentemente, optou por reconhecer os ativos pelo que entendeu serem os respectivos valores presentes, apropriando as receitas conforme os contratos originais e, paralelamente, deduzindo a diferença entre o “valor presente” e o “valor justo” como despesa. É possível que o procedimento adotado pelo recorrente leve ao mesmo resultado ou a um resultado próximo àquele que deveria ter reconhecido na apuração da base de cálculo de IRPJ e CSLL, caso houvesse escriturado de forma correta. Releva destacar que, ao reconhecer os ativos pelo valor presente, tal procedimento afetou não apenas o reconhecimento das despesas, que foram glosadas pela fiscalização, mas, também, o reconhecimento das receitas. Todavia, não há elementos de prova que confirmem que o contribuinte está reconhecendo as receitas conforme alegado. Ademais, não juntou qualquer prova da cessão de créditos que teria sido contratada com o Banco Rural. Sem a devida comprovação, tal despesa seria integralmente indedutível. Diante da situação, foi proposta a conversão em diligência, aceita pelos demais integrantes do colegiado, requisitando que a unidade de origem as seguintes providências: Assim, penso que o presente julgamento deva ser convertido em diligência e o processo remetido à unidade de origem da RFB para que a autoridade fiscal: (i) verifique na contabilidade se o contribuinte está efetivamente reconhecendo as receitas dos contratos de empréstimos consignados conforme alegado; (ii) intime o contribuinte a apresentar os elementos comprobatórios relativos à cessão de crédito do Banco Rural e outros elementos probatórios relativos aos contratos de cessão de créditos que entender pertinentes; (iii) apure se o resultado do reconhecimento de receitas e despesas conforme determinado neste voto e coteje com o resultado das receitas e despesas reconhecidas na escrituração contábil e fiscal, nos contratos e montantes efetivamente comprovados. (iv) a partir da apuração acima, demonstre os valores de despesa passíveis de glosa. Fl. 24348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 28 Do Relatório de Diligência A diligência foi realizada e apresentado o relatório (fls. 24.294/24.301) com o seguinte resumo dos quesitos formulados: 1) Em relação ao item “i”, foi constatado que a Recorrente realizou a apropriação das receitas na forma determinada pelas regras do Banco Central do Brasil e segundo o regime de competência; 2) Para o item “ii”, foram apresentados e anexados aos autos os elementos comprobatórios relativos à cessão de crédito do Banco Rural, bem como outras provas relacionadas aos demais contratos de cessão de créditos; 3) Para o item “iii” que requisitava informações sobre as despesas, a diligência identificou que a Recorrente utiliza duas formas de contabilização; 4) No item “iv”, a unidade de origem deixou de elaborar o cotejamento de resultados das receitas e despesas registradas na contabilidade da Recorrente nos anos de 2010 e 2011 em função das “características dos contratos, das operações de crédito, da decadência e da forma de contabilização adotada pelo contribuinte”. Em relação ao item “iii”, a Autoridade Fiscal descreve de maneira sistemática a forma de contabilização da Recorrente, aduzindo que a adoção do Sistema Price no sistema de contabilidade, permite a separação entre as parcelas correspondentes à recuperação contábil do capital investido e aos juros cobrados, sendo esses reconhecidos como receitas pelas instituições financeiras. No curso da diligência, a Recorrente foi intimada a esclarecer a fundamentação técnica para o reconhecimento da “despesa de ágio” (fl. 23.591): 7 – Apresentar a fundamentação técnica e/ou legal para o reconhecimento da “despesa de ágio” na data de aquisição das carteiras de créditos, que acarretou a inobservância do Regime de Competência e do Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis. Em sua resposta a Recorrente afirma que se trata da diferença de taxa na aquisição de crédito (fl. 23.904): Fl. 24349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 29 De acordo com informação prestada pela Recorrente, o custo da aquisição dos créditos foi contabilizado em duas contas contábeis, a primeira registrou o custo de aquisição pelo “valor presente” do contrato e outra registou o custo de aquisição pelo ágio. No decorrer do prazo, com os pagamentos das prestações, a Recorrente utiliza o regime de competência para contabilizar a recuperação de crédito do principal e quanto ao ágio a recuperação contábil apropriando de despesas mensais de forma linear, com valores constantes e períodos determinados pela administração da Recorrente. Ao final a autoridade fiscal conclui (fl. 24.299): O Princípio da Competência prescreve o reconhecimento das receitas e despesas correlatas no mesmo período, ou seja, não contempla que as receitas - de juros - sejam reconhecidas, por exemplo, em um período de 5 anos e as despesas em um período de 3 anos – “definido pela administração”, quando correlatas. A adoção de prazo médio dos contratos como base para apropriação das despesas relativas aos mesmos não atende à tecnicidade própria do regime de competência. Portanto, a utilização daquela metodologia corresponde à adoção de um regime próprio de apropriação de despesas, criado pela companhia, em desconformidade com as normas legais. (Griffou-se) Em relação ao item “iv”, a Autoridade Fiscal ressalta que o Relator no CARF, além das questões formuladas na Resolução, consignou de forma incidental, outro aspecto relacionado ao procedimento fiscal. É possível que o procedimento adotado pelo recorrente leve ao mesmo resultado ou a um resultado próximo àquele que deveria ter reconhecido na apuração da base de cálculo de IRPJ e CSLL, caso houvesse escriturado de forma correta. Isso porque no seu entendimento, poderia ocorrer a situação de que apesar da metodologia contábil equivocada adotada pela Recorrente em relação ao ágio, o processo de apuração da base de cálculo de IRPJ e CSLL levaria ao mesmo resultado ou próximo se fosse adotado o método contábil correto. Fl. 24350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 30 Ao analisar as operações em anos anteriores, a Autoridade Fiscal constatou que nos anos de 2010 e 2011 a Recorrente adotou a forma de reconhecimento das receitas de juros decorrentes de contratos de empréstimos como determinado pelo Bacen. Já no ano da autuação, 2012, houve um expressivo registro de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, de modo que a glosa das despesas de ágio antecipadas para o ano de 2012, “teria por consequência o reconhecimento dessas despesas nos anos posteriores, com a redução do lucro fiscal desses períodos de apuração”. Diante de fatores como decadência e as características dos contratos, o relatório deixou de elaborar o cotejamento de resultados das receitas e despesas reconhecidas na escrituração contábil determinado no item “iv”. É o relatório do essencial, VOTO Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza, relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Trata-se de retorno de diligência nos termos da Resolução n° 1401-000.904, na qual esta TO decidiu por unanimidade a conversão em diligência, tendo em vista que nos argumentos de defesa, a Recorrente alega em relação a glosa de “Despesas Indedutíveis”, especificamente sobre o ágio na aquisição de créditos, no valor de R$ 21.500.769,67, que estaria reconhecendo integralmente a receita proveniente da apropriação de ágio na compra de créditos. Convém nesse momento estabelecer os limites da lide, tendo em vista os inúmeros ajustes, exclusões, matérias não impugnadas. Inicialmente, não foi interposto Recurso de Ofício frente a exoneração da glosa de R$ 1.133.525,60 relativa às despesas com a CONSIGNUM. Em julgamento no CARF (Resolução n° 1401-000.904), ficou constatado um lapso por parte da autoridade fiscal na lavratura do Auto de Infração, no momento em que deixou de incluir no montante lançado de ofício as despesas com a CONSIST (R$ 12.628.526,07) e com a DATAPREV. (R$ 46.316.479,30), sendo declaradas excluídas da lide. Desta forma, serão apreciadas nesse voto as seguintes matérias: Despesas não comprovadas Item do Termo de Verificação Valor 2.2.2 A1 (Despesas com terceiros) R$ 12.927.474,76 Fl. 24351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 31 2.2.2 A2 (Despesas com Prestaserv) R$ 25.254.656,00 2.2.2 A3 (Despesas com MCF) R$ 1.114.589,88 2.2.2 B2 (Despesas com patrocínios) R$ 21.000.000,00 2.2.2 B4 (Despesas com advogado) R$ 3.729.355,35 2.2.2 C5 (Despesas com Mobile) R$ 6.689.678,40 Total R$ 70.715.754,39 Despesas indedutíveis Item do Termo de Verificação Valor 2.2.1 (ágio na aquisição de créditos) R$ 21.500.769,67 2.2.2 B1 (Despesas com brindes) R$ 240.715,20 Total R$ 21.741.484,87 PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente alega violação do Princípio da Verdade Material e da Ampla Defesa, tendo em vista que no seu entendimento, a DRJ não conheceu dos elementos probatórios juntados aos autos em 17/07/2018, ou seja, após o escoamento do prazo de impugnação. Esse ponto foi analisado na Resolução n° 1401-000.904, sendo que transcrevo abaixo a integra do voto, a qual adoto como razão de decidir por afastar a nulidade suscitada. Embora na peça de defesa o contribuinte não tenha feito um pedido explícito de nulidade da decisão recorrida, tenho que a ofensa ao princípio da ampla defesa é matéria de ordem pública e deve ser conhecida mesmo de oficio pelo julgador em qualquer etapa do processo. O cerceamento do direito de defesa é causa de nulidade da decisão administrativa nos termos do artigo 59 do decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 24352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 32 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (grifei)Entretanto, na espécie, penso que não seja o caso de acolher a tese do contribuinte. Para compreender a decisão da DRJ/São Paulo, é preciso lembrar que o contribuinte, além de apresentar complementarmente os elementos probatórios de e-fls. 23259 a 23270 e 23273 a 23315, fez um pedido genérico de apresentação posterior de elementos probatórios. Destaco o trecho da impugnação que faz tal pedido: Por fim, requer a juntada posterior de documentos que eventualmente se entender necessários, atestando o Impugnante, desde já a autenticidade dos documentos que acompanham a presente Impugnação. No acórdão ora vergastado, a DRJ/São Paulo registrou esses dois pedidos nos seguintes termos: A impugnante apresentou aditamento complementando a documentação enviada para as operações que especifica. Requer ainda a juntada posterior de documentos. Neste contexto, a DRJ/São Paulo decidiu as duas matérias. - Em relação aos elementos de prova juntados em 17/07/2018: No tocante à apresentação de provas, cabe dizer que a Lei nº 9.784/99 regula as normas básicas do processo administrativo no âmbito da Administração Federal. Por sua vez, o processo administrativo fiscal federal é regido pelas regras específicas constantes do Decreto 70.235/72, cujos arts.15 e 16, a seguir reproduzidos, regulam a impugnação ao lançamento: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos Fl. 24353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 33 referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)(...)§ 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)§ 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)§ 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)Portanto, a apresentação superveniente de provas é admitida nas hipóteses previstas no § 4º, acima reproduzido, mediante requerimento elaborado na forma prevista no §5º. No caso presente, o aditamento complementa as alegações apresentadas na impugnação, sobre a apuração dos valores emitidos pelas NF objeto de glosa. Sendo assim, cabe a análise do aditamento por se tratar de tema já em discussão na impugnação, equivalendo a uma diligência requerida pela defesa nos termos do art.18 do Decreto nº 70.235/72, com redação da Lei nº 8.748/93, a seguir exposto: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) - Em relação ao pedido (genérico) de apresentação posterior de outros elementos probatórios: Quanto ao pedido para juntada posterior de documentos, transcorrido o prazo para apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade, apenas será possível a juntada de tais elementos ao processo administrativo se, e somente se, ocorrer algum dos eventos Fl. 24354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 34 descritos nos referidos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto n 70.235/72. Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado enquadrar-se nos casos de excepcionalidade elencados no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, tem- se por prejudicado o pleito. Em síntese, a DRJ/São Paulo conheceu dos documentos juntados aos autos em 17/07/2018, mas indeferiu o pedido genérico de apresentação a qualquer tempo de novos elementos probatórios. No caso, é oportuno lembrar que os elementos probatórios juntados aos autos após o prazo de impugnação diziam respeito à glosa de despesas com a Dataprev. É o que se verifica no seguinte trecho da petição que requereu a juntada dos documentos aos autos: Na Impugnação, no item IV.2.6 (Despesas operacionais – Pagamentos a terceiros– Apresentação de TED’s), juntou-se comprovantes de pagamentos à Empresa DATAPREV (R$ 46.316.479,30), justificando-se as deduções realizadas pelo Impugnante. Todavia, em razão do volume de documentos, no momento do protocolo da Impugnação, não foi possível juntar toda documentação relacionada à operação, o que se faz no presente momento, com base no princípio da formalidade moderada e no art. 381 da Lei 9.784/99. [...] Com base na contagem supra, nos documentos já juntados e os que se junta nesse ato resta comprovado o efetivo pagamento das 12 notas fiscais nº 1876, 2050, 2128, 2544, 2697, 2823, 2957, 3054, 3184, 3316,2283 e 2392, da empresa DATAPREV, no valor total de R$43.316.479,30, bem como a efetiva prestação dos serviços, pelo que não pairam dúvidas de que as glosas em tela não merecem prosperar, devendo o Auto de Infração ser imediatamente cancelado, neste ponto. Analisando a decisão da DRJ/São Paulo, vê-se que esta faz referência expressa aos documentos ora reclamados, como se pode perceber no excerto abaixo: - Dataprev: NFS 1876, 2050, 2128, 2283, 2392, 2544, 2697, 2823, 2957, 3054, 3184, 3316. O total das TED apresentadas (R$43.672.132,90) diverge do valor total das NFS apontadas pela fiscalização e informado pela defesa na impugnação (fls.305). Por sua vez, a complementação da impugnação apresentada diverge de ambos os totais anteriores, sem que a empresa explique a razão das divergências. Saliente-se ainda que os totais relativos aos valores brutos e líquidos das 12 NFS apostos no demonstrativo do item (iii) da petição da defesa (fls.23262) divergem dos totais dessas NFS. (grifei) Não vislumbro, portanto, qualquer cerceamento do direito de defesa do contribuinte uma vez que a instância de piso conheceu e analisou os elementos probatórios questionados. Fl. 24355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 35 Ademais, conforme exposto anteriormente, não se instaurou o contencioso em relação às despesas com a Dataprev, uma vez que, apesar de a fiscalização haver considerado passíveis de glosa, não foram objeto de lançamento. Assim, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de piso. Dessa forma, voto por afastar a nulidade suscitada MÉRITO 1) ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS Início a análise do mérito sobre a despesa glosada que deu origem à Diligência através da Resolução n° 1401-000.904 Despesas indedutíveis Item do Termo de Verificação Valor 2.2.1 (ágio na aquisição de créditos) R$ 21.500.769,67 A glosa do valor ocorreu em função da identificação pela autoridade fiscal de lançamentos contábeis à DÉBITO em conta de despesa com o histórico de “Apropriação de ágio na compra de crédito rural”, devido ao fato contábil de aquisição de carteiras de créditos rurais de diversos bancos com ágio Para justificar a contabilização, a Recorrente apresenta a memória de cálculo referente ao “Ágio” no valor de R$ 14.554.098,85, pago pela carteira do Banco BGN: Fl. 24356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 36 O valor nominal da carteira do Banco BGN era de R$ 63.683.668,21, sendo que o somatório de fluxo futuro, ao final com o vencimento de todos os contratos, chegaria ao montante de R$ 110.911.692,06. A Recorrente decide pagar no ato R$ 78.237.767,06, valor obtido através de uma “taxa de desconto” de 2,8% aa pactuado entre as partes. Logo a diferença entre o valor nominal e o efetivamente pago foi de R$ 14.554.098,85 (R$ 78.237.767,06 - R$ 63.683.668,21), o que representa um ágio, no entendimento da Recorrente. Para fiscalização houve erro na contabilização, pois no seu entendimento o valor de R$ 78.237.767,06 deveria ter sido contabilizado no ATIVO e a diferença entre o valor futuro de R$ 110.911.692,06, que seria efetivamente o DESÁGIO seria reconhecido ao longo do vencimentos dos contratos. Outro aspecto apontado no relatório fiscal é que se foi aplicado um DESCONTO, não há que se falar em ÁGIO, muito menos um ágio que se torna despesa dedutível. O próprio contrato apresentado pela autuada deixa claro em sua cláusula 4.1 que foi aplicado um desconto à taxa efetiva de 2,8%a.a. Ora, se foi pactuado desconto aplicado pelo cedente, não há que se falar em ágio do cessionário, muito menos ágio que constituísse despesas dedutível para fins tributários A justificativa da Recorrente usada no curso da fiscalização pelo uso da alínea “c”, do inciso I, do art. 226 do RIR/99, não prosperou junto a autoridade fiscal, pois para ela, o racional do artigo esta relacionado as despesas do cedente no desconto aplicado na cessão de crédito, concluindo que “trata-se de despesas na cessão do crédito, e não na sua aquisição”. Art. 226. As pessoas jurídicas de que trata a alínea "b" do inciso II do § 1º do art. 223 poderão deduzir da receita bruta (Lei nº 8.981, de 1995, art. 29, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º): I - no caso das instituições financeiras, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, e sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários: (...) Fl. 24357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 37 c) as despesas de cessão de créditos; Os argumentos apresentados na impugnação foram considerados insuficientes pela DRJ que manteve a glosa, ressaltando no voto a existência de um deságio e não um ágio na aquisição da carteira: Portanto, o desconto referido no contrato apresentado pela empresa se aplica ao valor de face da carteira, o que significa que houve um deságio em sua compra, e não um ágio, sendo improcedente a tese da defesa (Griffou-se) Além disso, afirma que pelo contrato social da Recorrente essa despesa não se justifica como operacional, pois é desnecessária ao seu funcionamento. Em sede recursal, a Recorrente discorre sobre a sistemática contábil adotada, alegando que efetuou os registros contábeis dos créditos pelo “valor presente” conforme artigo 183 da Lei n° 6.404/76, seguindo os ajustes do valor presente nos termos da Resolução CFC n° 1.151/09, em consonância com o CPC 38. Rebate os termos do Acordão de primeira instância, alegando que toda receita proveniente dos créditos adquiridos foi incluída na receita bruta da atividade, sem que houvesse prejuízo para o fisco. Essa alegada ausência de prejuízo ao fisco foi que gerou o motivo para diligência através da Resolução CARF n° 1401-000.904. O colegiado entendeu que a escrituração contábil ocorreu de forma equivocada em relação ao CPC 38, pois o reconhecimento e mensuração inicial dos ativos financeiros obtidos na negociação pelo VALOR JUSTO e apropriado os ganhos relativos aos descontos pro rata tempore ao longo do prazo das carteiras, sendo que a Recorrente registrou pelo VALOR PRESENTE apropriando as receitas conforme os contratos originais e, paralelamente, deduzindo a diferença entre o “valor presente” e o “valor justo” como despesa. Com isso o resultado na apuração da base de cálculo de IRPJ e CSLL seria o mesmo com procedimentos diferentes, pois o que “aparentemente” ocorreu foi que a Recorrente trouxe para escrituração contábil um instrumento extracontábil exigido pelo BACEN através do inciso II do artigo 4° da Resolução BACEN nº 3533, de 31/01/2008: Art. 4º Para o registro contábil da venda ou da transferência de ativos financeiros classificada na categoria operações com transferência substancial dos riscos e benefícios, devem ser observados os seguintes procedimentos: I - pela instituição vendedora ou cedente: a) o ativo financeiro objeto de venda ou de transferência deve ser baixado do título contábil utilizado para registro da operação original; b) o resultado positivo ou negativo apurado na negociação deve ser apropriado ao resultado do período de forma segregada; Fl. 24358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 38 II - pela instituição compradora ou cessionária, o ativo financeiro adquirido deve ser registrado pelo valor pago, em conformidade com a natureza da operação original, mantidos controles analíticos extra-contábeis sobre o valor original contratado da operação. Parágrafo único. No caso de venda ou de transferência de título ou valor mobiliário classificado pelo vendedor ou cedente na categoria títulos disponíveis para venda, deve ser observado o disposto no art. 2º, § 2º, da Circular nº 3.068, de 8 de novembro de 2001. (Griffou-se) Diante da possibilidade de a escrituração contábil adotada pela Recorrente conter controles extracontábeis incluídos na escrituração regular, de modo que ao final fossem atingidos os mesmos resultados em relação à IRPJ e CSLL, decidiu-se encaminhar a unidade de origem requisitos para serem sanados via diligência. No item (i), a autoridade fiscal afirma que a Recorrente efetuou a apropriação das receitas na forma determinada pelas regras do Banco Central do Brasil e segundo o regime de competência O item (ii) foi cumprido ao ser anexados aos autos os elementos comprobatórios relativos à cessão de crédito do Banco Rural apresentados pela Recorrente no curso da diligência. Para o item (iv), a unidade de origem deixou de elaborar o cotejamento de resultados das receitas e despesas reconhecidas, em face das características dos contratos, das operações de crédito, da decadência e da forma de contabilização adotada pelo contribuinte e pela não existência de créditos tributários relativos às operações de crédito adquiridas nos anos de 2010 e 2011, ou a possibilidade de seu lançamento. Por fim, o item (iii) transcrito abaixo: (iii) apure se o resultado do reconhecimento de receitas e despesas conforme determinado neste voto e coteje com o resultado das receitas e despesas reconhecidas na escrituração contábil e fiscal, nos contratos e montantes efetivamente comprovados A autoridade fiscal interpretou o trecho do item acima: “reconhecimento de receitas e despesas conforme determinado neste voto”, como sendo o adequado cumprimento do Regime de Competência. O art. 9° da Resolução CFC 750/93, quando trata do Regime de Competência, determina o reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas deve ocorrer no período em que ocorre a sua geração. A Recorrente esclareceu que no reconhecimento inicial da aquisição dos créditos, decidiu (equivocadamente) usar o valor presente, contabilizando a chamada “despesas com ágio” como uma Despesa Antecipada (fls. 24.225/24.226) Fl. 24359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 39 As despesas com ágio foram registradas na conta Cosif nº. 1.9.9.10.00-2 - DESPESAS PAGAS ANTECIPADAMENTE, que tem a função de registrar a aplicação de recursos em pagamentos antecipados, de que decorrerão, para a instituição, benefícios ou prestação de serviços, em períodos seguintes. Como o dispêndio ocorre no ato da compra, há um registro de despesas antecipadas no ativo, e o critério de amortização normalmente ocorre de acordo com as rendas apropriadas no período. As operações de empréstimos realizadas por instituições financeiras, o reconhecimento contábil das prestações é dividido em duas partes, sendo uma delas referente a recuperação do capital e a outra parte referente aos juros, sendo essa última parcela transitando pelo resultado se enquadram perfeitamente ao Princípio da Competência do art. 9° supracitado: A autoridade fiscal constatou que a Recorrente utilizou corretamente o Regime de Competência para a escrituração dos valores originais das carteiras (VALOR PRESENTE) referente ao pagamento das prestações mensais (PMT), contudo o custo ÁGIO, chamado pela Recorrente de “DIFERENÇA DE TAXA NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITO”, foram apropriados em parcelas mensais de FORMA LINEAR, em total descumprimento ao Regime de Competência, pois não estavam proporcionais a amortização do principal. A conclusão da diligência no ponto foi a seguinte: O Princípio da Competência prescreve o reconhecimento das receitas e despesas correlatas no mesmo período, ou seja, não contempla que as receitas - de juros - sejam reconhecidas, por exemplo, em um período de 5 anos e as despesas em um período de 3 anos – “definido pela administração”, quando correlatas. A adoção de prazo médio dos contratos como base para apropriação das despesas relativas aos mesmos não atende à tecnicidade própria do regime de competência. Portanto, a utilização daquela metodologia corresponde à adoção de um regime próprio de apropriação de despesas, criado pela companhia, em desconformidade com as normas legais. (Griffou-se) Pois bem, Estamos diante de uma situação em que a Recorrente descumpriu por completo as regras contábeis do CPC 38, contudo, em contrapartida, seguiu a legislação do BACEN (Resolução BACEN nº 3533/2008 que trata das cessões de crédito, permitindo “controles analíticos Fl. 24360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 40 extrafiscais”, e no entendimento da Recorrente, esse procedimento não afetaria o resultado da apuração de IRPJ e CSLL, sem que houvesse prejuízo à fazenda pública. A decisão pela diligência foi no sentido de que a Autoridade Fiscal pudesse identificar se a Recorrente escriturou o supracitado “controles analíticos extrafiscais”. A Resolução BACEN nº 3533/2008 estabelece procedimentos para classificação, registro contábil e divulgação de operações de venda ou de transferência de ativos financeiros, que são classificados em 03 (três) categorias: I - operações com transferência substancial dos riscos e benefícios; II - operações com retenção substancial dos riscos e benefícios; III - operações sem transferência nem retenção substancial dos riscos e benefícios. A aquisição de direitos creditórios operou-se com transferência substancial dos riscos e benefícios, enquadrando-se no item I acima, dessa forma o registro contábil para empresa que compra, caso da Recorrente, deve seguir o art. 4° da Resolução BACEN nº 3533/2008: Art. 4º Para o registro contábil da venda ou da transferência de ativos financeiros classificada na categoria operações com transferência substancial dos riscos e benefícios, devem ser observados os seguintes procedimentos: (...) II - pela instituição compradora ou cessionária, o ativo financeiro adquirido deve ser registrado pelo valor pago, em conformidade com a natureza da operação original, mantidos controles analíticos extracontábeis sobre o valor original contratado da operação. (Griffou-se) Ainda no mesmo tema de ativos financeiros, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, através do Pronunciamento Técnico CPC n° 38 estabelece os princípios para reconhecer e mensurar ativos financeiros, passivos financeiros e alguns contratos de compra e venda de itens não financeiros. Os instrumentos financeiros são divididos em 04 (quatro) categorias, com sua definição estabelecida no item 9 do supracitado CPC n° 38: a) Ativo financeiro ou passivo financeiro mensurado pelo valor justo por meio do resultado; b) Investimentos mantidos até o vencimento; c) Empréstimos e recebíveis; d) Ativos financeiros disponíveis para venda. Os direitos creditórios obtidos pela Recorrente enquadram-se na categoria de “Empréstimos e recebíveis”, com a seguinte definição no CPC: Fl. 24361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 41 Empréstimos e recebíveis são ativos financeiros não derivativos com pagamentos fixos ou determináveis que não estão cotados em mercado ativo, exceto: (a) os que a entidade tem intenção de vender imediatamente ou no curto prazo, os quais são classificados como mantidos para negociação, e os que a entidade, no reconhecimento inicial, designa pelo valor justo por meio do resultado; (b) os que a entidade, após o reconhecimento inicial, designa como disponíveis para venda; ou (c) aqueles com relação aos quais o detentor não possa recuperar substancialmente a totalidade do seu investimento inicial, que não seja devido à deterioração do crédito, que são classificados como disponíveis para a venda. Um interesse adquirido num conjunto de ativos que não seja empréstimo nem conta a receber (por exemplo, participação em fundo mútuo ou em fundo semelhante) não é empréstimo nem recebível. O CPC ainda estabelece regras para a mensuração inicial de ativos no seu item 43, sendo claro a determinação de reconhecimento pelo VALOR JUSTO para o caso de “Empréstimos e recebíveis”: Mensuração Mensuração inicial de ativos e de passivos financeiros 43. Quando um ativo financeiro ou um passivo financeiro é inicialmente reconhecido, a entidade deve mensurá-lo pelo seu valor justo mais, no caso de ativo financeiro ou passivo financeiro que não seja pelo valor justo por meio do resultado, os custos de transação que sejam diretamente atribuíveis à aquisição ou emissão do ativo financeiro ou passivo financeiro. (Griffou-se) Após o reconhecimento inicial, a entidade deve proceder a mensuração posterior pelo custo amortizado usando o método de juros efetivos, nos termos do item 46: 46. Após o reconhecimento inicial, a entidade deve mensurar os ativos financeiros, incluindo os derivativos que sejam ativos, pelos seus valores justos sem nenhuma dedução dos custos de transação em que possa incorrer na venda ou em outra alienação, exceto quanto aos seguintes ativos financeiros: (a) empréstimos e contas a receber conforme definidos no item 9, que devem ser mensurados pelo custo amortizado usando o método dos juros efetivos; Em sua defesa a Recorrente alega que cumpriu o CPC n° 38, pois ao amortizar no resultado pelo método de juros efetivos o valor equivalente da diferença paga a maior (ágio) entre o custo da transação e o valor patrimonial das carteiras de créditos adquiridas, usando o prazo Fl. 24362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 42 médio da duração das carteiras, seguiu o determinado no item 54 (a), conforme trecho abaixo de sua peça recursiva: Nos termos do item 54 (a) da referida norma contábil, no caso de ativo financeiro com vencimento fixo, o ganho ou perda deve ser amortizado no resultado durante a prazo remanescente do ativo até o vencimento, usando o método dos juros efetivos. Qualquer diferença entre o novo custo amortizado e a quantia no vencimento deve também ser amortizada durante a vida remanescente do ativo financeiro usando o método dos juros efetivos. E foi exatamente isso o que fez o Recorrente ao amortizar o valor equivalente a diferença paga a maior (ágio) entre o custo da transação e o valor patrimonial das carteiras de créditos adquiridas, sendo que o prazo médio de amortização foi calculado com base na duração da carteira. Ocorre que a Recorrente descarta em sua análise para aplicação do item 54 (a), deveria seguir o caput do item com a restrição nas “raras circunstâncias em que uma medida confiável do valor justo deixe de estar disponível”, ou seja, a aplicação do item 54 (a) deve ocorrer nos casos em que o valor justo não está disponível, o que não foi o caso do presente processo. Outra inconsistência na aplicação das regras contábeis pela Recorrente, consta de sua resposta ao Termo de Intimação, já no procedimento de diligência, ao ser questionada sobre os critérios de apropriação de rendas e despesas (fl. 24.217): 1 - Esclarecer os critérios de apropriação de rendas e despesas em relação a evolução das carteiras de créditos adquiridas e situações fáticas que justifiquem os valores apresentados nas tabelas acima (quanto às 5 aquisições) Em sua resposta (fl. 24.225) a Recorrente alega que o Plano COSIF determina que “As receitas e despesas devem ser reconhecidas pro rata temporis considerando-se o número de dias corridos”, sendo que, em cumprimento à Resolução BACEN nº 3533/2008, adotou o art. 7°, contudo, como descrito acima, este artigo não se enquadra na transação dos direitos creditórios sob fiscalização, mas sim o art. 4° O equívoco no reconhecimento inicial já estava consignado na Resolução n.º 1401- 000.904 Fl. 24363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 43 Penso que o contribuinte cometeu um equívoco ao afirmar que a mensuração do ativo deveria obedecer o disposto no item 45 do CPC 38. Este item trata da mensuração de “um ativo financeiro após o reconhecimento inicial”. No presente caso, trata-se do reconhecimento inicial dos ativos na contabilidade do contribuinte. O reconhecimento inicial do ativo financeiro na contabilidade do recorrente deve ser feito pelo Valor Justo e não pelo Valor Presente, embora estes valores possam coincidir. É o que se depreende do disposto no Pronunciamento Técnico CPC 38, conforme redação em vigor no momento da ocorrência dos fatos jurídicos tributários: Este relator entende que o fato acima já seria suficiente para fulminar a pretensão da Recorrente em desfazer a glosa da despesa, contudo a realização da Diligência só veio a corroborar a correta ação da fiscalização. Nenhum tipo de “controles analíticos extrafiscais” justificado pela legislação do BACEN (Resolução BACEN nº 3533/2008) foi constatada na diligência que pudesse ensejar algum tipo a apuração de tributos em dissonância com a legislação contábil-fiscal. Os esforços da Recorrente em tentar demonstrar que o procedimento adotado na escrituração contábil não gerou prejuízo para os cofres públicos tornam-se inócuos perante o descumprimento de regras contábeis. Referendar procedimentos contábeis em desacordo com a regras vigentes sob o argumento de que o resultado no processo de apuração de tributos seria igual ou semelhante tornaria o sistema um “vale tudo”, cabendo a administração fazendária estabelecer limites e parâmetros arrecadatórios que justificassem procedimentos de auditoria, sobre contribuintes que poderiam adotar a sistemática contábil mais conveniente. Dessa forma, proponho a manutenção da glosa referente ao Ágio na aquisição de créditos no valor de R$ 21.500.769,67 (Item 2.2.1 do TVF) 2) DESPESAS COM BRINDES Seguindo na análise do mérito, ainda dentro das despesas consideradas indedutíveis, consta a glosa de R$ 240.715,20. Despesas indedutíveis Item do Termo de Verificação Valor 2.2.2 B1 (Despesas com brindes) R$ 240.715,20 Para a fiscalização o débito escriturado na conta contábil 8.1.7.45.00.0.00-9 com histórico: “ICATU HARTFORD CAPITALIZAÇÃO S/A” foram considerados brindes e dessa forma dedutíveis, nos termos do inciso VII, art. 13, da Lei 9.249/95. Fl. 24364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 44 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) VII - das despesas com brindes. A Recorrente obteve junto à Icatu Capitalização títulos de capitalização que permitiam a participação em sorteios, sendo essa possibilidade ofertada a alguns clientes conforme adquirissem produtos da Recorrente, como cartão de crédito ou empréstimos consignados. Com essa informação, a fiscalização entendeu que essa despesa se caracterizou com um “mero brinde de direito a concorrer em sorteios como forma de promoção comercial”. A Recorrente se socorre da SC Cosit n° 58/13, alegando que os requisitos básicos para se caracterizar um brindes não estariam presentes na despesa com os títulos de capitalização obtidos juntos à Icatu Capitalização, conforme trecho abaixo: A SC COSIT nº 58/13 também traz os requisitos básicos considerados pela própria Receita Federal como imprescindíveis para caracterização de um brinde, são eles: 1 – o brinde não pode constituir a atividade da empresa; 2 – a distribuição deve ser gratuita; 3 – o objetivo da distribuição do brinde deve ser promover a empresa; 4 – a forma de contemplação do brinde é instantânea. Pois bem, no caso concreto, conforme já afirmado em impugnação, o título de capitalização tido como “brinde” pela Fiscalização possui características exatamente contrárias às estabelecidas na Solução COSIT nº 58/2013: 1 – o oferecimento de título de capitalização constitui uma das atividades operacionais do Recorrente, instituição financeira; 2 – a distribuição do título de capitalização é onerosa, conforme se depreende do item 3.1 do 2º Termo Aditivo anexo aos autos; 3 – o cliente só receberá o prêmio do título de capitalização, se for sorteado. A decisão recorrida, com a qual coaduno, foi precisa ao ressaltar que a glosa não ocorreu sobre os valores eventualmente recebidos pelos clientes após sorteio, mas sim recai sobre a despesa dispendida para aquisição de títulos de capitalização, sendo transferidos de forma gratuita aos seus clientes a possibilidade de participação nos sorteios. Ou seja, não há dúvida que o brinde oferecido pela Recorrente foi a possibilidade de participação em sorteio, oferecida a alguns clientes de forma gratuita após aquisição de determinados produtos, e sem nenhuma controvérsia, a realização de sorteios não faz parte do objeto social da Recorrente. Fl. 24365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 45 Em que pese a promoção do sorteio com a possibilidade de ganhar recursos possa contribuir para a divulgação da marca da empresa, tais dispêndios têm sua dedutibilidade expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim, existindo vedação legal expressa, é correta a glosa das despesas com brinde e sua adição à base de cálculo do IRPJ. Ante ao exposto, rejeito as alegações da recorrente neste ponto e voto pela manutenção da glosa de R$ 240.715,20 (2.2.2 B1 do TVF) 3) DESPESAS NÃO COMPROVADAS Convém relembrar que do “Quadro Resumo de Infrações” (fl. 24), em relação a infração de Despesas não comprovadas, nem todas permaneceram para julgamento: Dessa forma, ao final, restou a análise do mérito apenas as despesas abaixo: Despesas não comprovadas Item do Termo de Verificação Valor 2.2.2 A1 (Despesas com terceiros) R$ 12.927.474,76 2.2.2 A2 (Despesas com Prestaserv) R$ 25.254.656,00 2.2.2 A3 (Despesas com MCF) R$ 1.114.589,88 2.2.2 B2 (Despesas com patrocínios) R$ 21.000.000,00 2.2.2 B4 (Despesas com advogado) R$ 3.729.355,35 2.2.2 C5 (Despesas com Consist) R$ 12.628.526,07 2.2.2 C5 (Despesas com Mobile) R$ 6.689.678,40 Total R$ 70.715.754,39 3.1) DESPESAS COM TERCEIROS Fl. 24366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 46 Através do Termo de Intimação n° 14 (fls. 169/184) a autoridade fiscal requisitou esclarecimentos e apresentação de documentos relativos a conta contábil 8.1.7.57.00.1.07-2, sendo glosado o valor de R$ 12.927.474,76 devido a não comprovação. Despesas não comprovadas GGS Participações NF n°45 no valor de R$ 1.033.500,00 ES Profit NF n° 383 no valor de R$ 621.349,57 Ribercred NFs nº 143 e 164 no valor de R$ 1.216.066,61 ORM Consult NFs n° 2012/5 e 2012/10 no valor total de R$1.558.000,00 Facility NFs n° 97 e 103 no valor de R$1.386.600,00 SCI Soluções NFs n° 260 no valor de R$926.240,00 CONSPLAN NFs n° 301, 304, 312 e 317, no valor total de R$3.981.428,58 Brasília Corporate NFs n° 39, 41, 42 e 43 no valor total de R$2.204.296,00 Total R$ 12.927.474,76 a) Despesas com Terceiros – GGS Participações- R$ 1.033.500,00 A autoridade fiscal identificou que a NF n°45 não foi devidamente comprovada, pois constavam divergências quanto a descrição do serviço, falta de efetiva comprovação do pagamento e, adicionalmente, através de uma Diligência Fiscal, constatou-se que a GGS não se encontrava no endereço constante do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). A NF n° 45 foi selecionada por processo de amostragem, tendo a Recorrente declarado pagamentos totais de R$ 12.721.400,00 à GGS no ano de 2012. Na impugnação a Recorrente alega erro na classificação do serviço na NF e apresenta o contrato intermediado pela GGS no montante de R$1.033.500,00, que foi objeto da NF nº 45. A DRJ examinou a documentação apresentada, verificando o seguinte e ao final manteve a glosa pela não comprovação: - o contrato de cessão de crédito entre o BMG e a empresa ABB não menciona a empresa GGS, tampouco seu papel na intermediação do negócio; - as comunicações do BMG ao devedor da ABB, empresa Abengoa Construção Brasil Ltda, e da ABB à Abengoa nada mencionam a respeito da GGS; - os documentos internos do BMG "espelho de operações" e "boleto de cagir/hot" para o cliente Abengoa também nada mencionam a respeito da GGS; Fl. 24367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 47 - o contrato de prestação de serviços entre BMG e GGS (contratada) estabelece em sua cláusula segunda que a contratada teria que prestar os devidos esclarecimentos e orientações sobre a forma e condições da operação, preenchendo toda a documentação necessária à formalização do empréstimo, colhendo as assinaturas exigidas, quando for o caso, encaminhando em seguida ao BMG para aprovações e liberações dos recursos. Entretanto, nenhum formulário com vistas à concessão de empréstimos preenchido pela GGS foi apresentado; - o contrato de prestação de serviços entre BMG e GGS (contratada) estabelece em sua cláusula terceira, parágrafo primeiro que a contratada promoverá, em sua sede, em painel afixado em local visível ao público, contendo informações que explicitem, de forma inequívoca, a sua condição de simples prestadora de serviços. Todavia, intimada no curso da ação fiscal no endereço constante do CNPJ, a GGS não foi localizada; - apesar de alegar erro na NF, a defesa não apresenta a correspondente carta de correção para o documento, nos termos do Ajuste do Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-Fiscais - Sinief, do Conselho Nacional de Política Fazendária -Confaz, nº 01/07, para regularização do alegado erro. As demais NF apresentadas pela impugnante, apesar de não glosadas, confirmam a divergência apontada entre o serviço prestado e o discriminado; - conforme histórico de alterações cadastrais no endereço da GGS no CNPJ, a seguir, à data da intimação da fiscalização (08/08/17, fls. 150-152), o endereço informado pela empresa era o mesmo constante no cabeçalho da intimação: Av. Ataulfo de Paiva, 341, sl.703, Leblon, RJ, somente sendo alterado no ano seguinte. Diferentemente da autoridade de primeira instancia, entendo que os documentos apresentados são suficientes para comprovação da despesa, constando do Contrato de Prestação de Serviços, a Nota Fiscal e o Recibo TED Fl. 24368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 48 Observa-se que o valor da TED já esta reduzido do valor da retenção na fonte de R$ 15.502,50 a título de IRRF, sendo transferido a GGS o valor líquido de R$ 1.017.997,50, comprovado pelo recibo TED acima. Desta forma, voto pelo cancelamento da glosa. b) Despesas com Terceiros – ES Profit / Ribercred / ORM Consult / Facility / SCI Soluções Para fiscalização, não houve a comprovação do pagamento: 1) NF n° 383 – R$ 621.349,57 – ES Profit 2) NFs: nº 143 e 164 – R$ 1.216.066,61 – Ribercred 3) NFS nº 2012/5 e 2012/10 - R$1.558.000,00 – ORM Consult 4) NFS nº 97 e 103 - R$1.386.600,00 – Facility, 5) NFS nº 260 - R$926.240,00 – SCI Soluções, Basicamente a acusação fiscal recaia sobre a falta de apresentação do recibo TED e de uma divergência no valor do contrato apresentado e o valor da operação: Fl. 24369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 49 A defesa afirma que as a ausência do recibo TED se dá porque as empresas possuem contas bancárias na própria instituição, sendo os valores repassados através de transferências As NFs, contratos, planilhas e outros documentos foram apresentados, bem como trechos do extrato bancário, comprovando o pagamento, de modo que o conjunto probatório se mostra robustos e deve ser acatado como comprovação para desfazer a glosa efetivada pela fiscalização. Desta forma, voto pelo cancelamento da glosa. c) Despesas com Terceiros – Brasília Corporate Não houve a comprovação do pagamento da NFS nº 39 (R$600.000,00), 41 (R$520.000,00), 42 (R$584.296,00) e 43 (R$500.000,00), além da identificação prestador estar em região geográfica diversa da qual foram firmados os contratos A Recorrente alega que os pagamentos foram feitos em conta no próprio BMG, apresentado partes de extratos com alguns pagamentos, sendo que os valores não são coincidentes em função de retenções de tributos, conforme trecho da peça recursal: Importante notar que os comprovantes de pagamento juntados obviamente não refletem o valor bruto das notas fiscais autuadas, isso porque o Recorrente desconta as retenções federais e o ISS devido antes de pagar seus prestadores. A título de exemplo, vamos considerar a Nota Fiscal nº 41, juntada à fl. 17655, referente ao pagamento pela prospecção de negócios por parte da Brasilia Corporate Finance. O preço definido do serviço foi R$ 520.000,00, como corroborado pelo Acórdão Recorrido. Contudo, o BMG precisou deduzir R$ 33.800,00 a título de ISS e IRRF, de modo que o valor líquido pago foi R$ 486.200,00. Fl. 24370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 50 Da mesma forma, entendo que o cruzamento entre as notas fiscais e os comprovantes de pagamento são suficientes para comprovação da despesa, devendo ser cancelada a glosa. d) Despesas com Terceiros – CONSPLAN A fiscalização alega que não houve a comprovação do pagamento da NFS 301, 304, 312 e 317., no valor total de R$ 3.981.428,58, e divergência entre o percentual de comissão do contrato apresentado (10%) e o efetivamente pago (20%) Em sua defesa são apresentadas as planilhas de cálculo e as transferências de valores, tendo em vista que a empresa possui conta no próprio BMG Entendo que houve a juntada de provas suficientes para comprovar a despesa, notadamente a cópia das transferências de recursos, devendo a glosa ser cancelada: CONCLUSÃO – 3.1) Despesa com Terceiros Ao final e ao cabo, voto para que TODAS as glosas de despesas com terceiros, referente ao item 2.2.2 do TVF (fl. 20), no valor total de R$ 12.927.474,76 sejam canceladas em função da comprovação pela Recorrente DESPESAS COM TERCEIROS Empresa Termo de Intimação 14 Valor GGS Item 1.b1 R$ 1.033.500,00 ES Profit Item 1.b5 R$ 621.349,57 Ribercred Item 1.b6 R$ 1.216.060,61 Fl. 24371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 51 ORM Consult Item 1.b7 R$ 1.558.000,00 Brasília Corporate Item 1.b8 R$ 2.204.296,00 Facility Item 1.b9 R$ 1.386.600,00 Consplan Item 1.b11 R$ 3.981.428,58 SCI Solução Item 1.b12 R$ 926.240,00 TOTAL R$ 12.927.474,76 3.2) PRESTASERV PRESTADORA DE SERVIÇOS - A fiscalização selecionou 16 NFs por amostragem totalizando R$ 25.254.656,00 de um total de R$ 82.923.107,02 de despesa escriturada na conta contábil 8.1.7.57.00.1.11-3 Ao ser requisitada a apresentar a documentação, a Recorrente apresentou apenas planilhas eletrônicas em Excel, sem a comprovação do efetivo pagamento das despesas escrituradas: Em sede recursal, a Recorrente reafirma que os pagamentos ocorreram diretamente em conta bancária mantida pela empresa no próprio BMG, juntando o Contrato de Prestação de Serviço, reapresentando as planilhas: Diferentemente dos casos acima tratados, entendo que os documentos apresentados não são suficientes para devida comprovação da despesa escriturada, não houve um diálogo com a decisão recorrida, sendo apenas reapresentados os mesmos documentos. Dessa fora, sem reparo na decisão de primeira instância e a manutenção da glosa de R$ 25.254.656,00 referente a PRESTASERV, escriturada na conta contábil 8.1.7.57.00.1.11-3 Fl. 24372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 52 3.3) DESPESA MCF – DIFERIMENTO DE DESPESA- A glosa ocorreu tendo em vista que não houve esclarecimento para comprovar a escrituração da despesa de R$ 1.114.589,88 na conta contábil 8.1.7.57.00.2.04-0. Na sua impugnação foram juntadas as NFs n° 18 e 715, referente ao diferimento de despesas com aproximação de negócios referente à cessão de crédito com o Banco Nacional de Brasília (BNB). Ao analisar a documentação a DRJ identificou que os documentos apresentados não se estavam relacionados aos 12 débitos de R$ 92.882,19, no total de R$ 1.114.589,88, apontados pelo termo de intimação fiscal (fl. 126). Ocorre que os esclarecimentos prestados em sede recursal foram satisfatórios, pois consta efetivamente detalhes da transação, conforme trecho abaixo: A explicação para isso é simples: as Notas Fiscais dizem respeito à operação de cessão de créditos que foram adquiridos pelo Banco, as despesas deduzidas, por outro lado, se referem ao pagamento pela intermediação do negócio realizada pela MCF, correspondente ao montante de 20% do valor total dos créditos. Por uma simples conta é possível aferir que a soma das duas notas fiscais leva ao montante total de R$ 5.572.949,47, de modo que a comissão pela intermediação foi de 20% do valor dos créditos, o que corresponde a R$ 1.114.589,88, valor que foi deduzido como despesa operacional. Entendo que os documentos apresentados são suficientes para comprovação da despesa, devendo ser cancelada a glosa. 3.4) DESPESA PATROCÍNIO (SANTOS E CRUZEIRO) A glosa ocorreu em função da não comprovação do efetivo pagamento de 12 parcelas mensais de R$ 1.583.333,33 (total de R$ 19.000.000,00) referente ao patrocínio junto ao Santos Futebol Clube (item 2.a1 do Termo de Intimação 15) e a não comprovação do efetivo pagamento do valor de R$2.000.000,00.referente ao patrocínio junto ao Cruzeiro Esporte Clube (item 2.a2 do Termo de Intimação 15). Fl. 24373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 53 A Recorrente apresenta os contratos de patrocínio e alega que o Santos Futebol Clube mantinha contas bancárias no próprio BMG, de modo que a transferência de recursos ocorreu diretamente nas contas, sendo apresentado a ficha cadastral de cada clube e os depósitos. Para o Cruzeiro Esporte Clube, foi apresentado o contrato (fl. 12.335/12.338) e dois recibos de pagamento no valor de R$ 2.000.000,00. Entendo que os documentos apresentados são suficientes para comprovação da despesa, devendo ser cancelada a glosa. 3.5) DESPESAS COM ADVOGADO A fiscalização glosou a despesa de R$ 3.729.355,35 com histórico de ALMEIDA CASTRO ADV (item 4.a3 do Termo de Intimação 15), escriturada na conta contábil 8.1.7.63.00.1.07-3, sendo apresentados notas fiscais e TED referente aos pagamentos (fls. 12.399/12.420). A DRJ ressalta que os pagamentos não foram contestados pela fiscalização, mas a “a efetiva prestação dos serviços ou forma de cálculo dos R$ 3.729.355,35 declarados pagos a título de honorários” Fl. 24374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 54 Os esclarecimentos e documentos, juntamente com uma acusação é frágil e não lastreada em provas, são suficientes para o cancelamento da glosa. 3.6) DESPESAS MOBILE As despesas escrituradas na conta contábil 8.1.9.99.00.7-9 foram objeto de questionamento pela fiscalização no Termo de Intimação n° 16, sendo a acusação exclusivamente de falta de comprovação do efetivo pagamento A Recorrente junta ao processo – Doc. 11 (fls. 12.424/ 12.434) os pagamentos referente a MOBILE , contudo a Autoridade de primeira instância, a analisar a documento constatou que os comprovantes de pagamento, anexados aos autos, não faziam referências as Notas Fiscais questionadas pela fiscalização, bem como a soma dos valores divergem do valor total. No recurso voluntário, a Recorrente aduz que se o valor total não é alcançado, a decisão deveria ser pelo cancelamento parcial, aproveitando os valores comprovados. O Acórdão recorrido entendeu que as Notas Fiscais e Comprovantes de Pagamento apresentados não são relacionados, no sentido de que os valores somados não batem, e não há referência de um no outro, de modo que as despesas continuam sem serem comprovadas. Ocorre que o argumento não subsiste, pois o Recorrente anexou todos os comprovantes em seu poder, de modo que se o valor integral realmente não é alcançado, a única decisão possível da Autoridade seria cancelar a autuação de forma proporcional às despesas que foram efetivamente comprovadas. (Griffou-se) A decisão de primeira instância foi precisa ao indicar o motivo da manutenção da glosa, e tendo a oportunidade de anexar maiores informações e esclarecimentos, a Recorrente apenas faz uma “sugestão” para que fossem aproveitas as despesas de forma proporcional. O recurso nesse particular é absolutamente inepto na medida em que não dialoga com a decisão recorrida Nesse ponto sobre a questão da prova, oportuno reproduzir trecho do voto I. Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes no Acórdão 103-23.534, sessão de 13/08/2008, citando Fabiana Del Padre Tomé: Fl. 24375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 55 Não resta dúvida que a Recorrente deveria, diante da negativa da impugnação, trazer aos autos outras provas e documentos de modo a comprovar o valor pago, contudo não fez. Desta forma, oriento meu voto pela manutenção da glosa DILIGÊNCIA A Recorrente repete na peça recursiva uma suposta necessidade de “diligência “in loco”. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado CONCLUSÃO Desta forma, a final, o quadro consolidado do julgamento das questões apreciadas nesse voto é o seguinte: Despesas não comprovadas JULGAMENTO Item do Termo de Verificação Valor 2.2.2 A1 (Despesas com terceiros) R$ 12.927.474,76 Cancelada Glosa 2.2.2 A2 (Despesas com Prestaserv) R$ 25.254.656,00 Mantido Lançamento 2.2.2 A3 (Despesas com MCF) R$ 1.114.589,88 Cancelada Glosa 2.2.2 B2 (Despesas com patrocínios) R$ 21.000.000,00 Cancelada Glosa 2.2.2 B4 (Despesas com advogado) R$ 3.729.355,35 Cancelada Glosa Fl. 24376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.531 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720441/2015-73 56 2.2.2 C5 (Despesas com Mobile) R$ 6.689.678,40 Mantido Lançamento Despesas indedutíveis JULGAMENTO Item do Termo de Verificação Valor 2.2.1 (ágio na aquisição de créditos) R$ 21.500.769,67 Mantido Lançamento 2.2.2 B1 (Despesas com brindes) R$ 240.715,20 Mantido Lançamento Ante o exposto, conduzo meu voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para: I) REJEITAR a preliminar suscitada; II) REJEITAR a realização de diligência; e III) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, cancelando glosas, conforme quadro consolidado de valores. É como voto Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza Fl. 24377DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10240.721388/2015-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à peça impugnatória, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de impugnação e conhecida pelo julgador recorrido, em homenagem aos princípios retromencionados. DEDUÇÃO. DEPENDNTES. PAIS. Podem ser considerados dependentes os pais, avós ou bisavós, desde que não tenham rendimentos, tributáveis ou não, que ultrapassem o limite de isenção mensal. Comprovada a condição deve ser aceita a dedução. DEDUÇÕES. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF as despesas com plano de saúde, realizadas em favor do próprio contribuinte e de dependente declarado na Declaração de Ajuste Anual – DAA, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-009.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar parcial provimento para restabelecer a dedução com os dependentes OVIDIO MARCIANO DA COSTA e VALDOMIRA GOMES DA SILVA e restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 7.142,40. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Carlos Marne Dias Alves (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (substituto[a] integral), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL

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PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à peça impugnatória, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de impugnação e conhecida pelo julgador recorrido, em homenagem aos princípios retromencionados. DEDUÇÃO. DEPENDNTES. PAIS. Podem ser considerados dependentes os pais, avós ou bisavós, desde que não tenham rendimentos, tributáveis ou não, que ultrapassem o limite de isenção mensal. Comprovada a condição deve ser aceita a dedução. DEDUÇÕES. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF as despesas com plano de saúde, realizadas em favor do próprio contribuinte e de dependente declarado na Declaração de Ajuste Anual – DAA, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. ACÓRDÃO Fl. 99DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.563 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10240.721388/2015-00 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar parcial provimento para restabelecer a dedução com os dependentes OVIDIO MARCIANO DA COSTA e VALDOMIRA GOMES DA SILVA e restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 7.142,40. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Carlos Marne Dias Alves (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (substituto[a] integral), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o(a) contribuinte, já qualificado(a) nos autos, foi lavrada Notificação de Lançamento pela DRF/Porto Velho/RO, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 14.972,53, atualizado até 31/08/2015. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – Retificadora, entregue pelo(a) interessado(a) em 13/03/2014, relativa ao exercício financeiro de 2013, quando foram constatadas, conforme a Descrição dos Fatos, as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de dependentes – R$ 5.924,16 – a saber: Fl. 100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.563 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10240.721388/2015-00 3 2) Dedução indevida de despesas médicas – R$ 21.427,20, por falta de comprovação, a saber: O(A) notificado(a), por intermédio de procurador habilitado, apresentou impugnação, instruída por elementos, os quais, no seu entender, comprovam as deduções glosadas pela autoridade fiscal, argumentando o que segue: A DRJ, ao apreciar a impugnação ofertada pelo sujeito passivo, decidiu por julgar procedente em parte, restabelecendo em parte a dedução com a dependente Sofia Rates Dondoni, no valor de R$ 1.974,72. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/10/2017, o sujeito passivo interpôs, em 22/11/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) a dedução de dependente está comprovada nos autos b) as despesas médicas estão comprovadas nos autos É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Carlos Eduardo Avila Cabral - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre dedução indevida de pais do contribuinte como dependentes e dedução indevida de despesas médicas por ausência de comprovação. O Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, além de ser informado pelo princípio da verdade material, deve atender formalidade moderada, com adequação entre os meios e os fins, assegurando-se aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardando-se o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam a exigência legal. Fl. 101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.563 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10240.721388/2015-00 4 Ademais, é o próprio decreto, mais precisamente no § 4º de seu art. 16, que autoriza o recepcionamento de novas provas nas hipóteses ali elencadas. Assim, considerando que a documentação trazida aos autos com o recurso possui o condão de se contrapor aos fundamentos da decisão recorrida, admito as provas carreadas acima elencadas. Decidiu a DRJ, quanto a dedução indevida dos pais do contribuinte como dependentes o seguinte: Mediante sua Carteira de Identidade (fl. 6), o requerente comprova que Ovídio Marciano da Costa e Valdomira Gomes da Costa são seus pais. Todavia, para o declarante fazer jus à respectiva dedução haveria de estar comprovada, também, a condição estabelecida no inciso VI, do § 1º, do art. 77, do RIR/99, anteriormente transcrito, o que no caso não ocorreu. Mantém-se, portanto, a glosa procedida pela Fiscalização. Estabelece o dispositivo legal acima mencionado pela DRJ: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Assim, fundamentou a DRJ que a manutenção da glosa seria pela ausência de comprovação de que os dependentes não teriam auferido rendimentos acima do limite de isenção mensal. Para contrapor o alegado, o recorrente juntou aos autos comprovantes de rendimentos relativos ao ano-calendário de 2012, referente à OVIDIO MARCIANO DA COSTA e VALDOMIRA GOMES DA SILVA, genitores do contribuinte, emitidos pelo INSS (fls. 93 e 94). Em relação à OVIDIO MARCIANO DA COSTA o documento atesta que o rendimento total do ano de 2012 foi de R$ 7.387,00 e em relação à VALDOMIRA GOMES DA SILVA foi de R$ 8.086,00. Assim, restou comprovado, ao meu sentir, a condição estabelecida no inciso VI, § 1º, do art. 77, do RIR/99, vigente a época. Devendo desta forma ser restabelecida a dedução com os dependentes OVIDIO MARCIANO DA COSTA e VALDOMIRA GOMES DA SILVA. Já em relação a glosa de despesas médicas, especificamente as despesas com plano de saúde no valor de R$ 21.427,20, a DRJ entendeu o seguinte: Fl. 102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.563 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10240.721388/2015-00 5 Tal documento, por si só, não basta para a comprovação necessária, nos termos exigidos no art. 80, §1º, II, do RIR/1999. Com efeito, a falta de identificação individual dos beneficiários impede as autoridades fiscal e julgadora de saber se as despesas médicas foram em favor do(a) próprio(a) contribuinte, de seus dependentes para fins tributários ou de terceiros. Vale lembrar que uma pessoa pode se enquadrar como dependente para fins do plano de saúde e não o ser para fins tributários. Daí a correta a exigência a que se fez referência. Nenhum documento e/ou demonstrativo fornecido, na espécie, pela Unimed/Uniodonto, foi trazido pelo interessado, objetivando dirimir a situação em comento. Mantém-se, pois, a glosa no valor de R$ 21.427,20. Contra tal fundamentação o contribuinte apresentou a declaração de fl. 92, onde consta os valores discriminados do contribuinte e de seus dependentes para fins de plano de saúde. Dentre os valore lá discriminados, só os valores despendidos com o próprio sujeito passivo e a dependente SOFIA RATES DONDONI podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPF. Os demais dependentes para fins de plano de saúde discriminados na declaração não figuram como dependentes na DAA do sujeito passivo, o que torna impossível a sua dedução. A mencionada declaração apresenta para o sujeito passivo o valor de R$ 3.571,20 e para a dependente constante da DAA, SOFIA RATES DONDONI, o valor de R$ 3.571,20. Com isso, entendo comprovado os valores com despesas médicas em relação ao sujeito passivo e a dependente SOFIA RATES DONDONI. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dou parcial provimento para restabelecer a dedução com os dependentes OVIDIO MARCIANO DA COSTA e VALDOMIRA GOMES DA SILVA e restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 7.142,40. (documento assinado digitalmente) Carlos Eduardo Avila Cabral Fl. 103DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11003382 #
Numero do processo: 10380.728832/2012-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RESTITUIÇÃO INDEVIDA. Deve ser mantido o lançamento quando restar comprovado que o sujeito passivo não fazia jus à restituição recebida. REGIMENTO INTERNO DO CARF - PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21/12/2023 - APLICAÇÃO DO ART. 114, § 12, INCISO I Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
Numero da decisão: 2002-009.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Carlos Marne Dias Alves (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (substituto[a] integral), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL

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Deve ser mantido o lançamento quando restar comprovado que o sujeito passivo não fazia jus à restituição recebida. REGIMENTO INTERNO DO CARF - PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21/12/2023 - APLICAÇÃO DO ART. 114, § 12, INCISO I Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Fl. 150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.530 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.728832/2012-62 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Carlos Marne Dias Alves (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo Valverde Ferreira da Silva (substituto[a] integral), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Do Lançamento Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de Notificação de Lançamento – Restituição Indevida de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, referente ao Exercício 2012, ano-calendário 2011 (fl. 05), emitida em 30/07/2012, por meio da qual se exige o crédito tributário conforme quadro abaixo: Da Impugnação Cientificado, o sujeito passivo apresentou impugnação em 13/08/2012 (fl. 02), por meio da qual alega o que se segue: · José Belchior Silva veio a óbito dia 31/03/2011, conforme Atestado de óbito em anexo. · Rita Maria Silva Belchior, na condição de viúva de José Belchior Silva, tornou-se Pensionista do Banco do Brasil, passando a receber, portanto, todos os rendimentos e descontos em seu nome. · Destarte, 21 de março do corrente ano, a Declaração de Imposto de Renda de José Belchior Silva, o qual era isento de pagar imposto retido na fonte por motivo de doença (CID -C61), fora declarada, por técnico de contabilidade, totalmente equivocada, haja vista que os rendimentos da Viúva, ora Pensionista, foram atribuídos à declaração do de cujus. · Ademais, o imposto restituído, no valor de RS$ 3.510,24, fora transferido ao Banco do Brasil, Agência 2793-6, porém não foi creditado em nenhuma conta, encontrando-se, portanto, este crédito, disponível na Agência supracitada. · Informa, por oportuno, que a Declaração de Imposto de Renda de José Belchior Silva já fora devidamente retificada, retirando todos os rendimentos e descontos, que ora são da Requerente. Fl. 151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.530 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.728832/2012-62 3 Ao final, requer o cancelamento da presente Notificação. É o relatório. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/05/2017, o sujeito passivo interpôs, em 02/06/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) inexistência de restituição indevida a devolver, sendo o lançamento improcedente, conforme demonstrado pelos documentos juntados aos autos É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Carlos Eduardo Avila Cabral - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre restituição indevida de IRPF. Verificado que os argumentos apresentados no recurso voluntário são, em essência, iguais aos argumentos aduzidos na impugnação, bem como que a decisão recorrida não merece reparo, com fundamento no art. 114, § 12, inciso I do RICARF, declaro minha concordância com os fundamentos da decisão recorrida, especialmente os pontos que a seguir destaco. Da Restituição Indevida Em sede de impugnação, alega-se que a Declaração de Ajuste Anual 2012 Original de José Belchior Silva fora transmitida equivocadamente com os rendimentos do cônjuge e que a restituição resultante não fora creditada em nenhuma conta. Nos sistemas da Receita Federal, conforme tela abaixo, verifica-se que ficou disponibilizado ao contribuinte imposto a restituir no valor de R$ 3.571,31 (com juros) com base nos dados bancários informados em sua Declaração de Ajuste Anual 2012 Original: Assim, caberia à impugnante comprovar sua alegação por meio de extratos bancários da conta corrente 59019-3, no período de disponibilidade do crédito, de 15/06/2012 a 17/06/2013, ou mesmo por meio de declaração da instituição financeira que atestasse o não resgate da restituição. Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.530 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.728832/2012-62 4 Do exposto, comprovado que o sujeito passivo não fazia jus à restituição recebida no ano-calendário 2011, deve ser mantido o lançamento. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Eduardo Avila Cabral Fl. 153DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11001861 #
Numero do processo: 10670.720484/2016-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DOCUMENTOS E ALEGAÇÕES. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. Alegações de defesa e documentação comprobatória devem ser apresentadas no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior e também devidamente comprovadas. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quando há provas nos autos sobre o recolhimento antecipado das contribuições, aplicar-se a contagem de prazo conforme art. 150, § 4°, do CTN.
Numero da decisão: 2101-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos documentos de fls. 685/842, 845/963, 966/1134, 1137/1334, 1337/1574, 1577/1772, bem como do argumento da existência de CNPJ do Município e do Fundo Municipal de Saúde, em razão da preclusão, e na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de janeiro a setembro de 2011. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

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MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. Alegações de defesa e documentação comprobatória devem ser apresentadas no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior e também devidamente comprovadas. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 99. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos documentos de fls. 685/842, 845/963, 966/1134, 1137/1334, 1337/1574, 1577/1772, bem como do argumento da existência de CNPJ do Município e do Fundo Municipal de Saúde, em razão da preclusão, e na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de janeiro a setembro de 2011. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 582/682) interposto pelo Município de Salinas em face do Acórdão nº. 14-65.329 (e-fls. 574/577) que julgou a Impugnação improcedente, mantendo o lançamento consubstanciado pelo Auto de Infração. Em sua origem, trata-se de processo administrativo de lançamento de contribuições previdenciárias do Município, inclusive SAT, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas em GFIP, apuradas via diferença de valores entre a GFIP e a Folha de Pagamento. Fl. 1776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 3 As bases de cálculo do lançamento foram as diferenças entre os valores das remunerações pagas aos empregados declarados em GFIP e aqueles fornecidos pelo Município em meio digital das folhas de pagamento. O Município foi cientificado do Auto de Infração em 20/10/2016 e apresentou Impugnação, em 21/11/2016, por meio da qual trouxe os seguintes argumentos, aqui sintetizados pela decisão de piso: - O Município de Salinas, por força da Lei Municipal n° 684/73, é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a servidores que se tornaram inativos enquanto o ente federativo ainda não vertia suas contribuições previdenciárias ao INSS, como comprova documento anexo [não foram anexados à impugnação tais documentos!]. - os servidores cumpriram os requisitos necessários para aposentadoria, porém o Município não contribuiu para o INSS nem criou regime próprio, logo o Município foi obrigado a adimplir aposentadorias e pensões a estes servidores, criando um regime próprio em extinção; - não declarou em sua GFIP as remunerações pagas aos servidores inativos, pensionistas e afastados para aposentadoria, bem como servidores faltosos e sem remuneração a receber; - destaca a situação dos conselheiros tutelares que são incluídos na folha de pagamento, contudo na GFIP são considerados trabalhadores da categoria 13 - os cálculos apresentados no Auto de Infração em epígrafe não são analíticos, não contêm clara explicitação dos parâmetros utilizados, de modo a permitir o entendimento direto pelo homem médio, sem a necessidade de inferências ou deduções; também não esclarecem numericamente e nem trazem os dados necessários para permitir a constatação de quais são os elementos formadores do débito, impossibilitando que o Município utilize do seu direito de realizar uma impugnação pormenorizada, limitando, assim, seu direito constitucional de contraditório e ampla defesa; - destaca que o montante global relativo a pessoal empenhado e enviado ao Tribunal de Constas do Estado para análise, sem qualquer tipo de deduções, é inferior ao valor apontado pelo auditor fiscal neste Auto de Infração. Conforme antecipado, os autos foram a julgamento, tendo sido proferido o Acórdão nº. 14-65.329 (e-fls. 574/577) assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS DE PROVA. A impugnação deve ser instruída com eventuais documentos em que se fundamenta. Fl. 1777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 4 IMPUGNAÇÃO. PONTOS DE DISCORDÂNCIA. A impugnação deve especificar com precisão os pontos de discordância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recorrente foi cientificado pela via postal, conforme Aviso de Recebimento (e-fls. 579), em 12/05/2017, tendo apresentado o Recurso Voluntário, em 09/06/2017, com os seguintes argumentos: Preliminar | o recorrente alega que teria disponibilizado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Montes Claros, juntamente com a Impugnação, documentos listados conforme e-fl. 568 e que estes não teriam sido juntados aos autos, o que representaria um cerceamento do seu direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 e requer a juntada dos documentos nesta fase do processo e a nulidade da decisão de piso; Decadência | o recorrente alega parte do crédito teria sido alcançada pela decadência (01/01/2011 a 20/10/2011), tendo em vista que o recorrente foi cientificado do lançamento em 20/10/2016 e o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN; Mérito | o recorrente reitera os argumentos apresentados na Impugnação, de que é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a servidores que se tornaram inativos enquanto o ente federativo ainda não vertia suas contribuições previdenciárias ao INSS; que não declarou em sua GFIP as remunerações pagas aos servidores inativos, pensionistas e afastados para aposentadoria, bem como servidores faltosos e sem remuneração a receber; destaca a situação dos conselheiros tutelares que são incluídos na folha de pagamento, contudo na GFIP são considerados trabalhadores da categoria 13 e por fim, destaca que o montante global relativo a pessoal empenhado e enviado ao Tribunal de Constas do Estado para análise, sem qualquer tipo de deduções, é inferior ao valor apontado pelo auditor fiscal neste Auto de Infração. Multa | requer o cancelamento da penalidade. Juntamente com o Recurso Voluntário foram juntados os seguintes documentos:  e-fls. 685/842: Folha de pagamento, Planilha Março 2012, Protocolo de envio de arquivos conectividade social, Relação trabalhadores SEFIP março 2012, Planilha Fevereiro 2012, Planilha Janeiro 2012,  e-fls. 845/963: Folha de pagamento, Planilha 13º salário 2012, Protocolo de envio de arquivos conectividade social, Relação trabalhadores SEFIP, Planilha Dezembro 2012, Planilha Novembro 2012, Fl. 1778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 5  e-fls. 966/1134: Folha de pagamento, Planilha Junho 2011, Protocolo de envio de arquivos conectividade social, Relação trabalhadores SEFIP, Planilha Maio 2012, Planilha Julho 2012,  e-fls. 1137/1334: Folha de pagamento, Planilha Março 2011, Protocolo de envio de arquivos conectividade social, Relação trabalhadores SEFIP, Planilha Fevereiro 2011, Planilha Julho 2011,  e-fls. 1337/1574: Folha de pagamento, Planilha Maio 2011, Protocolo de envio de arquivos conectividade social, Relação trabalhadores SEFIP, Planilha Setembro 2012, Planilha Abril 2012,  e-fls. 1577/1772: Folha de pagamento, Planilha Outubro 2011, Protocolo de envio de arquivos conectividade social, Relação trabalhadores SEFIP, Planilha Setembro 2011. Os autos foram encaminhados para análise e julgamento do Recurso Voluntário pelo CARF. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. 2. Novos documentos apresentados extemporaneamente e nulidade da decisão de piso Antes de adentrar nos argumentos apresentados no Recurso Voluntário, é necessário analisar a possibilidade de conhecimento dos documentos e argumentos apresentados extemporaneamente, com a apresentação do Recurso Voluntário. Tal análise é necessária uma vez que os artigos 16 e 17 do Decreto nº. 70.235/72 determinam que a Impugnação deve apresentar todos os argumentos de fato e de direito, ou seja, é ela que instaura o litígio administrativo e portanto, documentos e argumentos apresentados após a Impugnação podem estar sujeitos à preclusão. O recorrente argumenta que teria apresentado documentos com a Impugnação, conforme lista de e-fl. 568 e que estes não teriam sido juntados aos autos pela Delegacia da Receita Federal de Montes Claros, o que representaria um cerceamento do seu direito de defesa, Fl. 1779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 6 nos termos do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Requer a juntada dos documentos nesta fase do processo bem como sua análise, e a nulidade da decisão de piso. Para melhor análise da questão, oportuna a reprodução do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) O comando do normativo acima reproduzido preceitua que a prova deve ser aduzida por ocasião da impugnação, sendo preclusa sua apresentação em outro momento processual. São ressalvadas as situações especificamente previstas nas alíneas do reproduzido parágrafo, quais sejam: a) impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, devidamente comprovada; b) fato ou direito superveniente; e c) contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O contribuinte alega que teria apresentado a documentação listada ao final da Impugnação e que esta não teria sido juntada pela Delegacia da Receita Federal de Montes Claros. Contudo, não há nenhuma prova de que o equívoco tenha sido cometido pela Delegacia e não pelo próprio contribuinte. Vê-se que, além da petição de Impugnação, foi juntada uma “Relação de documentos disponibilizados à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF – Montes Claros” (e-fls. 568), e foi juntada a Procuração (e-fl. 569/560). Na sequência, foi expedido Despachos de Encaminhamento (e-fl. 571/573) não tendo sido identificado qualquer documento que não tenha sido entregue pelo contribuinte e rejeitado pela Delegacia. Ora, o fato de o contribuinte ter listado os documentos ao final da petição não quer dizer que os tenha protocolado juntamente com a Impugnação. Ainda mais se se considerar que a lista não indica que os documentos estão sendo juntados com a Impugnação e sim que foram disponibilizados à Delegacia. Assim, entendo que a decisão de piso não é nula, pois realmente não tinham sido apresentados aos autos os documentos que comprovaram as diferenças entre GFIP e Folha de Pagamentos Mensais, e que embasaram as alegações do Município, no sentido de que as diferenças deveram-se à existência dos servidores inativos, aposentados e pensionistas na folha de pagamento que fazem parte do regime próprio em extinção. Fl. 1780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 7 Como bem destacado pela decisão de piso: Observa-se que nos resumos das folhas de pagamento apresentado pela fiscalização não há segregação entre servidores que fazem parte do regime em extinção daqueles que fazem parte do Regime Geral do INSS. Se o Município tinha conhecimento das divergências de suas Folhas de Pagamentos com as GFIPs, deveria ter cuidado de comprovar à fiscalização e esclarecer a situação. A fiscalização agiu corretamente na lavratura do Auto de Infração ao identificar as inconsistências e a decisão de piso não tinha como decidir de outra forma, uma vez que as alegações trazidas não foram suportadas por comprovação. A decisão de piso não cerceou o direito de defesa do recorrente. Não foi identificado qualquer impedimento à apresentação de defesa e vê-se que o Município apresentou defesa fundamentada, mostrando-se conhecedor das razões que levaram à lavratura do Auto de Infração, contudo, deixou de apresentar documentos que comprovassem suas alegações. Ademais, em sede de Recurso Voluntário, o recorrente ainda pretende trazer argumento novo, que não foi aventado na Impugnação e por esta razão não foi apreciado pela decisão de piso. O recurso alega, em sede de mérito, que há dois CNPJs, do Município de Salinas e um CNPJ filial do Fundo Municipal de Saúde e que as folhas de pagamento e GFIPs são elaboradas por CNPJ, o que teria sido desconsiderado pela fiscalização que considerou apenas as GFIPs da Prefeitura e não do Fundo Municipal de Saúde, o que teria resultado em inconsistência da apuração das diferenças dos recolhimentos. Destaca que os lançamentos do Fundo Municipal de Saúde estão devidamente comprovados nas e-fls. 238 a 289 dos autos e que a fiscalização não teria tratado de tais recolhimentos. Constata-se assim que, o contribuinte pretende a análise de documentos pré- existentes, apresentados em momento processual atípico e sem a caracterização das situações especificamente previstas no dispositivo supra mencionado e ainda de argumento que não foi trazido em sede de Impugnação. Era dever do contribuinte, já no ensejo da apresentação da impugnação, momento em que se inicia a fase litigiosa do processo, municiar sua defesa com os elementos de fato e de direito que entendesse fundamentar sua defesa, bem como, os documentos que respaldassem suas afirmações. Assim deveria, sob pena de preclusão, instruir sua impugnação apresentando todos os motivos e provas que entendesse fundamentar sua defesa. É o que disciplina os dispositivos normativos pertinentes à matéria, artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil Brasileiro, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos documentos de fls. 685/842, 845/963, 966/1134, 1137/1334, 1337/1574, 1577/1772, trazidos aos autos pela recorrente com o recurso voluntário, bem como do argumento da existência de CNPJ do Município e do Fundo Municipal de Saúde, posto que preclusos. Fl. 1781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 8 3. Prejudicial de mérito: decadência Apesar de o questionamento da decadência não ter sido trazido em sede de Impugnação, tendo sido apresentado apenas com o Recurso Voluntário, por ser matéria de ordem pública, não está sujeito à preclusão, sendo cognoscível, inclusive, ex officio na seara tributária. Isto porque a decadência está umbilicalmente atrelada à questão de viabilidade do próprio executivo fiscal, dentre as quais estão a liquidez e exigibilidade do título, bem como o preenchimento de condições da ação e pressupostos processuais. Trata-se de comando estabelecido pelo art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo Código de Processo Civil – CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, nestes termos: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: [...] II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição. É reiterada a jurisprudência pátria no que diz respeito ao reconhecimento da decadência como matéria de ordem pública. A título ilustrativo, destaca-se alguns julgados do STJ e do CARF a respeito: Decisões do STJ AgInt no AREsp 786.109/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 06/03/2017: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. OFENSA AO ART. 32 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] REsp 1.239.257/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.3.2011: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA ARGUIDA NAS RAZÕES DA APELAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APENAS COM A INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO. PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL DE MODO EXTEMPORÂNEO. INADMISSIBILIDADE. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] Decisões do CARF: Fl. 1782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 9 Acórdão nº. 2402-010.958 - 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 6 de dezembro de 2022. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2003 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE.] A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo. Acórdão nº 9202-009.552 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 26 de maio de 2021: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Acórdão nº 9202-008.676 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 17 de março de 2020: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, não podendo a autoridade julgadora dela conhecer, salvo nos casos expressamente previstos em lei. Tratando-se de matéria dita de ordem pública, pode a autoridade julgadora, considerada as circunstâncias do caso concreto, conhecer, ou não, de ofício. Acórdão nº 9101-004.256 - CSRF / 1ª Turma – Sessão de 9 de julho de 2019: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. (grifos acrescidos) Passo, portanto, à análise da ocorrência da decadência parcial alegada. O Supremo Tribunal Federal, ao editar a Súmula Vinculante de nº 8, resolveu definitivamente a controvérsia, ao chancelar a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que trazia prazo decenal para a aferição da prescrição e decadência dos créditos previdenciários, de modo que os prazos Fl. 1783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 10 decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias deverão seguir as mesmas regras previstas para os demais tributos, conforme disposições do Código Tributário Nacional. Trata-se de entendimento também perfilhado com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetida ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...] [...] 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994;[...] [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (sem grifos no original) Em obediência ao comando do artigo 981 do RICARF, há de serem observados os entendimentos vinculantes firmados pelas Cortes. 1 Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 1784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 11 Assim considerado, o sujeito ativo dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para constituir referido crédito tributário mediante lançamento (auto de infração ou notificação de lançamento), variando conforme as circunstâncias, apenas, a data de início da referida contagem. É o que se vê nos arts. 150, § 4º, e 173, incisos I e II e § único, do CTN, nestes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Analisando os supracitados preceitos deduz-se que o legislador dispensou tratamento diferenciado àquele contribuinte que pretendeu cumprir corretamente sua obrigação tributária, apurando e recolhendo o encargo que supostamente entendeu devido. Nessa perspectiva, o CTN apresenta (i) a regra de aplicação exclusiva quando o lançamento se der por homologação (art. 150, § 4º) ou seja, e quando houver início de recolhimento e (ii) a regra aplicável a todos os tributos e penalidades, conforme as circunstâncias, independentemente da modalidade de lançamento (art. 173, inciso I), ou em caso de comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 1785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 12 Lavrado o Auto de Infração, foi o ora recorrente cientificado apenas em 20/10/2016 (e-fl. 208), contendo exigência das contribuições previdenciárias, nas competências de 01/01/2011 a 13/2012. O recorrente alega que teria ocorrido a decadência dos lançamentos do período entre 01/01/2011 e 20/10/2011. Analisando o Relatório Fiscal, vê-se que a fiscalização analisou as folhas de pagamento e as GFIP, tendo elaborado as planilhas comparativas, chegando a diferença de quantidade de empregados, e consequentemente, tendo chegado à base de cálculo para lançamento da diferença de valores devido (e-fls. 22/23): 7.3. Em comparativo entre o total de segurados empregados constantes da folha de pagamento apresentada em meio digital e as informações constantes da última GFIP válida apresentada pelo contribuinte constamos que o quantitativo informado em GFIP é inferior ao número constante da folha de pagamento conforme demonstrado na planilha abaixo: (...) 7.4. Na apuração das bases de cálculo constantes dos resumos de folha de pagamento e arquivo digital elaboramos a planilha abaixo onde consta comparativo entre as bases de cálculo declaradas em GFIP e as bases de cálculo apuradas em folha de pagamento: (...) 7.5. Os valores constantes da coluna “DIFERENÇA FOLHA X GFIP” foram lançados como base de cálculo não declarada em GFIP para cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, reconhece-se que houve declaração em GFIP de parte dos empregados e das contribuições devidas, tendo sido lançado apenas a diferença. Na planilha de e-fls. 23, verifica- se que só não houve base de cálculo declarada para a competência 13º/2011. Dessa forma, a própria fiscalização identificou que o Município teria recolhido parte das contribuições devidas, senão, não teria lançado apenas a diferença de valores. Nessa perspectiva, a contagem do prazo decadencial deverá se dar, para as competências de janeiro a setembro de 2011, pelo artigo 150, §4º do CTN, a contar do fato gerador, nos termos da Súmula CARF nº. 99: Súmula CARF nº 99 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 09/12/2013 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 1786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 13 Sendo assim, verifico que as competências de janeiro a setembro de 2011 teriam sido alcançadas pela decadência. Vale ressaltar que, diferente do que requerido pelo Município, a contagem da decadência se dá pela competência mensal, e não por dia. Portanto, reconheço a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de janeiro a setembro de 2011. 4. Do Mérito O recorrente reitera os argumentos apresentados na Impugnação, de que é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a servidores que se tornaram inativos enquanto o ente federativo ainda não vertia suas contribuições previdenciárias ao INSS; que não declarou em sua GFIP as remunerações pagas aos servidores inativos, pensionistas e afastados para aposentadoria, bem como servidores faltosos e sem remuneração a receber; destaca a situação dos conselheiros tutelares que são incluídos na folha de pagamento, contudo na GFIP são considerados trabalhadores da categoria 13 e por fim, destaca que o montante global relativo a pessoal empenhado e enviado ao Tribunal de Contas do Estado para análise, sem qualquer tipo de deduções, é inferior ao valor apontado pelo auditor fiscal neste Auto de Infração. Reitera as planilhas apresentadas em sede de Impugnação e reforça que elas demonstrariam que as divergências apuradas se referiam a servidores que não deveriam ser considerados na GFIP. Entendo que tal argumento fica prejudicado pela falta de comprovação de que as diferenças indicadas pela fiscalização se referiam exatamente a estes funcionários, e pela falta de comprovação da real situação dos mesmos. Da leitura da decisão de piso é possível verificar-se que o recorrente não comprovou efetivamente seus argumentos: O Município alega que as diferenças entre valores declarados de remuneração em GFIP e valores de remuneração nas folhas de pagamento deve-se ao fato que existem servidores inativos, aposentados e pensionistas na folha de pagamento que fazem parte do regime próprio em extinção. A alegação não merece prosperar. Isso porque o Município não apresentou documentos que embasassem suas alegações. A fiscalização apresentou a quantidade de empregados declarados mensalmente em GFIP e informados nas folhas de pagamento, bem como as bases de cálculo das contribuições previdenciárias. Apresentou também as folhas de pagamento mensais e o Relatório de Enquadramento de Rubricas. Observa-se que nos resumos das folhas de pagamento apresentado pela fiscalização não há segregação entre servidores que fazem parte do regime em extinção daqueles que fazem parte do Regime Geral do INSS. Fl. 1787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.169 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.720484/2016-43 14 Ora, caberia ao Município apresentar a relação de servidores incluídos nas folhas de pagamento e que não foram declarados em GFIP que fazem parte do regime próprio em extinção, de tal forma que justificasse a diferença entre os valores de remuneração declarados em GFIP e informados nas folhas de pagamento. O artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 tratam do assunto: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.[grifei] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;[grifei] Porém o Município não apresentou qualquer documento que fizesse prova de suas alegações. Assim, tal alegação não merece mesmo prosperar. Diante do exposto e pela falta de comprovação dos argumentos apresentados, entendo pela higidez do lançamento em questão. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos documentos de fls. 685/842, 845/963, 966/1134, 1137/1334, 1337/1574, 1577/1772, trazidos aos autos pela recorrente com o recurso voluntário, bem como do argumento da existência de CNPJ do Município e do Fundo Municipal de Saúde, em razão da preclusão, e na parte conhecida, dou-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de janeiro a setembro de 2011. É como voto. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 1788DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10983.907192/2013-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1001-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Jose Anchieta de Sousa, o conselheiro(a) Paulo Elias da Silva Filho.
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Jose Anchieta de Sousa, o conselheiro(a) Paulo Elias da Silva Filho.

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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva Fl. 664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 2 (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Jose Anchieta de Sousa, o conselheiro(a) Paulo Elias da Silva Filho. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 14-104.579 (e-fls. 602/616), proferido pela 13ª Turma da DRJ/RPO que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Contribuinte afirmou que transmitiu a PER/DCOMP nº. 21539.18944.300709.1.3.02-9321, com a utilização de saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2006, no valor total de R$ 159.362,20. Após a análise dos documentos apresentados pela Recorrente, a DRF homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº. 21539.18944.300709.1.3.02-9321 no valor total de R$ 16.786,04 a título de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2005. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Afirmou a Contribuinte que recebeu o Despacho Decisório com o n° de rastreamento 068622034, datado de 04/12/2013, referente a Per/Dcomp n° 21539.18944.300709.1.3.02-9321, não homologando totalmente a Dcomp em questão, sob o argumento de inexistir crédito suficiente para compensação do débito informado na Per/Dcomp. Asseverou que no tocante à fonte pagadora inscrita no CNPJ sob o n° 58.160.789/0001-28, cuja retenção na fonte restou parcialmente comprovada, resultando num saldo de R$ 9.861,67 não confirmado, se tratou de equívoco no preenchimento, sendo o valor representativo da provisão do IR e não o valor efetivamente retido, razão pela qual deixou de contestar a glosa deste valor. Aduziu que em relação as demais retenções não confirmadas, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade já que referidos valores foram retidos, sendo legítima a sua compensação. Pontuou que as retenções ocorreram sob o código de receita 1708 e se referem à retenção instituída pela Medida Provisória n° 232/04, de vigência temporária já que posteriormente revogado pela Medida Provisória n° 243/05, a qual determinava a obrigatoriedade de retenção no pagamento de serviço de transporte. Salientou que para comprovar o alegado juntou todos os conhecimentos de transporte que tiveram a retenção do IR, bem como, relação por cliente indicando o n° dos conhecimentos de cada cliente e o valor da retenção sofrida. Fl. 665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 3 Esclareceu que no próprio conhecimento de transporte rodoviário de carga, consta o valor total do frete, os valores retidos de CSLUPIS/COFINS e o do IRRF, apontando ao final o valor líquido da prestação a ser pago pelos contratantes, ficando estes responsáveis pela retenção e repasse dos valores a Receita Federal, na qualidade de responsáveis tributários, o que demonstra que efetivamente a empresa sofreu o desconto do Imposto de Renda. Defendeu que uma vez demonstrada a procedência dos créditos relativos as retenções do IR sobre a prestação de serviço de transporte, cuja compensação foi regularmente requerida através da entrega das Declarações de Compensação, nos termos do art. 74, da lei n° 9.430/96, não pode persistir o indeferimento parcial da compensação, devendo ser extintos os débitos na forma do art. 156, II, do CTN. Pleiteou que seja recebida a impugnação; que seja realizada a intimação das fontes pagadoras cujas retenções não foram confirmadas para que seja informado os serviços de transportes contratados neste período e o valor da retenção de Imposto de Renda sofrida, determinando, se for o caso, a retificação da DIRF por parte das tomadoras do serviço; que seja reconhecido a existência de crédito a restituir, bem como que sejam acatadas as compensações efetuadas pela empresa com base no saldo negativo do Imposto de Renda e que seja cancelado parcialmente o presente despacho em relação as retenções comprovadas mediante a apresentação dos Conhecimentos de Transporte. DO ACÓRDÃO PROLATADO PELA DRJ/RPO Nº. 14-104.574 A 13ª Turma da DRJ/RPO analisou a manifestação de inconformidade julgando-a improcedente, mantendo o crédito tributário e-fls. 602/616. A Contribuinte interpôs recurso voluntário nos seguintes termos, cuja síntese segue abaixo (e-fls. 623/627): EXCELENTÍSSIMO SENHORES CONSELHEIROS DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF PROCESSO Nº 10983.907192/2013-47 COLORMINAS COLORIFÍCIO E MINERAÇÃO LTDA. – EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu procurador, com fulcro no art. 33, do Decreto nº 70.235/72, apresentar RECURSO VOLUNTÁRIO, pelos fatos e fundamentos que passa a expor: I – DOS FATOS E DO DIREITO Em face da recorrente houve despacho decisório com o número de rastreamento 068622034, datado de 04/12/2013, referente à Per/Dcomp n° 21539.18944.300709.1.3.02-9321, não homologando totalmente a Dcomp em Fl. 666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 4 questão, sob o argumento de inexistir crédito suficiente para compensação do débito informado. Referida Per/Dcomp origina-se de crédito de Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2006, no valor de R$ 159.362,20, cuo valor, porém o sistema de análise confirmou a parcela equivalente a R$ 142.699,17, restando um saldo de R$ 16.663,03 de valor não confirmado, assim sintetizado no referido despacho decisório: (...) Em relação à fonte pagadora inscrita no CNPJ sob o n° 58.160.789/0001-28, cuja retenção na fonte foi parcialmente comprovada, resultando num saldo de R$ 9.861,67 não confirmado, trata-se de equívoco no preenchimento, sendo o valor representativo da provisão do IR e não o valor efetivamente retido, razão pela qual a recorrente deixou de contestar a glosa deste valor. Já em relação às demais retenções não confirmadas, a recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, porque referidos valores foram retidos, sendo legítima a sua compensação. Então foi proferida decisão, em 21.05.2020, pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, acórdão nº 14.107.133, entendendo que parcela do IRRF deveria ser reconhecida (R$ 3.083,33), inclusive com oferecimento da respectiva receita à tributação. Os autos então foram encaminhados à DRF de origem, posteriormente foram apensados ao processo administrativo nº 10983.907371/2013-84, que também trata do direito creditório ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005. No processo administrativo 10983.907371/2013-84, em sessão realizada em 29.01.2020, acórdão nº 14.104.579, a 13ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, entendeu pela inexistência de comprovante de retenção ou valores em DIRF, e que nenhuma parcela do IRRF deveria ser reconhecida. Portanto, o crédito foi definitivamente constituído. Em decorrência desta divergência entre os julgados, em 14.04.2021, foi proferido novo acórdão, pela 30ª Turma de Julgamento da DRJ/08, anulando o acórdão nº 14.107.133, permanecendo válidos os efeitos do Acórdão nº 14.104.579, proferido pela 13ª Turma da DRJ/POR, em 29.01.2020. Então, permaneceu o entendimento do julgamento improcedente da manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório pleiteado, sob o argumento de que o imposto retido na fonte só poderia ser compensado se o contribuinte possuísse comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora, todavia, no presente caso, não restaria documentalmente comprovada a existência deste crédito. Tal decisão, no entanto, merece reforma. As retenções ocorreram sob o código de receita 1708 e referem-se à retenção instituída pela Medida Provisória n° 232/04, de vigência temporária já que Fl. 667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 5 posteriormente revogado pela Medida Provisória n° 243/05, a qual determinava a obrigatoriedade de retenção no pagamento de serviço de transporte: (...) Para comprovar o alegado, a recorrente juntou anexo à manifestação de inconformidade todos os conhecimentos de transporte que tiveram a retenção do IR, bem como, relação por cliente indicando os números dos conhecimentos de cada cliente e o valor da retenção sofrida. lmportante observar que no próprio conhecimento de transporte rodoviário de carga, consta o valor total do frete, os valores retidos de CSLL/PIS/COFINS e o do IRRF, apontando ao final o valor líquido da prestação a ser pago pelos contratantes, ficando estes responsáveis pela retenção e repasse dos valores a Receita Federal, na qualidade de responsáveis tributários, o que demonstra que efetivamente a requere sofreu o desconto do lmposto de Renda. Vale citar, a título de amostragem, dois conhecimentos que mostram o procedimento adotado em todos os demais: (...) Da mesma forma, todos os conhecimentos emitidos no período de vigência da MP 232/04 sofreram a retenção do IR sendo legítimo o direito da recorrente em deduzir tais valores do seu Imposto de Renda a recolher, o que fez com que a empresa acabasse gerando saldo negativo de imposto de renda, conforme autorização do art. 231, II, do RIR/99: (...) Não pode a recorrente ser penalizada por eventual erro no preenchimento da DIRF por parte dos contratantes do serviço de transporte, sendo que a negativa ao crédito caracterizaria verdadeiro confisco, pois a recorrente já sofreu a retenção dos valores, tendo recebido pela prestação de serviço um valor menor (Líquido das retenções), tributando integralmente o valor da receita sem possibilidade de abatimento dos valores já antecipados. Assim, uma vez demonstrada procedência dos créditos relativos as retenções do IR sobre a prestação de serviço de transporte, cuja compensação foi regularmente requerida através da entrega das Declarações de Compensação, nos termos do art. 74, da lei n° 9.430/96, não pode persistir o indeferimento parcial da compensação, devendo ser reformada a decisão proferida em primeira instância, para declarar extintos os débitos na forma do art. 156, II, do CTN. III – DO PEDIDO Ante o exposto, requer-se seja dado provimento ao presente recurso para reconhecer a existência de crédito a restituir, com o consequente acatamento das compensações efetuadas pela empresa com base no saldo negativo do Imposto de Renda, cancelando-se parcialmente o presente despacho em relação às Fl. 668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 6 retenções comprovadas mediante a apresentação dos Conhecimentos de Transporte. PEDE DEFERIMENTO. Criciúma (SC), 14 de junho de 2022. (...)”. Em 30 de Março de 2023, a Contribuinte colacionou aos autos o pedido de Adesão à Transação Tributária do Programa de Redução de Litígio Fiscal (e-fls. 657/659). Em 08 de Novembro de 2023, a 3ª Turma Extraordinária da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência à DRF de Origem para que a autoridade preparadora se manifestasse, confirmando ou não, o suposto pedido de transação controlado no DDA nº 13031196783202305. Em 22/novembro/2024 o processo foi devolvido ao CARF com a seguinte informação: “Tendo em vista a não conclusão da transação, encaminhe-se ao CARF-MF para continuidade do julgamento”. Posteriormente, em 18/dezembro/2024 o processo foi encaminhado a minha relatoria para o prosseguimento do julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Delimitação da lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal fica restritos a argumentos em face do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2005 que, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplicam subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Fl. 669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 7 Análise do Direito Creditório A controvérsia nos autos cinge-se ao reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário 2005. A autoridade administrativa ao proceder a análise das retenções não conseguiu a comprovação integral de tais créditos, com base nas informações que constam no sistema do Fisco, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos (e-fls. 595/600): “(...) Conclusão Face o exposto, decido negar provimento à manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório pleiteado, tendo em vista não restar documentalmente comprovada a existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública”. Em sede recursal, a Recorrente alegou que o direito creditório em discussão deveria ser reconhecido, no entanto não colacionou a peça recursal documentos comprobatórios que os rendimentos não reconhecidos foram levados a tributação. Assim, deveria ter a Recorrente dialogado com o acórdão de origem e apresentado conjunto probatório robusto de suas alegações, já que o procedimento de apuração do crédito não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 170 do Código Tributário Nacional). De fato, instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir nos autos provas de suas alegações detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Recorde-se, que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 373 do Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 8 Assim sendo, para a Recorrente comprovar o seu alegado direito ao crédito seria imprescindível que fosse juntada aos autos sua escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos idôneos, o que não se deu também em sede de recurso voluntário. O embasamento para a exigência de tais documentos está no Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (Decreto-Lei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º). De fato, a Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que comprovem o direito ao crédito alegado. Mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, em sede recursal a Recorrente não juntou provas documentais no recurso voluntário e os documentos constantes no processo foram devidamente analisados pela DRJ, que os consideraram insuficientes para comprovar o crédito. Por outro lado, homologar a compensação pleiteada sem a comprovação adequada do suposto crédito - não é observar ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos. Afinal, a prova insuficiente impossibilita o reconhecimento do crédito a consequente homologação da compensação apresentada. Destaca-se que os documentos constantes no processo foram devidamente analisados pela DRJ, que os considerou insuficiente para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório em sua integralidade, conforme art. 170 do CTN, de modo que não deve ser alterada a decisão recorrida. Sendo assim, infere-se, pois, que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisava ter produzido um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis e documentos contratuais, Fl. 671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.967 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10983.907192/2013-47 9 que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Dispositivo Ante o exposto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 672DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 14747.720094/2018-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 EXCLUSÃO DO REGIME DO SIMPLES. QUESTÃO JÁ DISCUTIDA EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. A questão referente à exclusão da empresa do regime SIMPLES NACIONAL de tributação por já ter sido discutida em procedimento administrativo próprio, não deve ser novamente analisada nas autuações que buscam constituir o crédito tributário decorrente desta exclusão. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA POR QUITAÇÃO DO DÉBITO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do recurso, que não será conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2101-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 EXCLUSÃO DO REGIME DO SIMPLES. QUESTÃO JÁ DISCUTIDA EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. A questão referente à exclusão da empresa do regime SIMPLES NACIONAL de tributação por já ter sido discutida em procedimento administrativo próprio, não deve ser novamente analisada nas autuações que buscam constituir o crédito tributário decorrente desta exclusão. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA POR QUITAÇÃO DO DÉBITO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do recurso, que não será conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 EXCLUSÃO DO REGIME DO SIMPLES. QUESTÃO JÁ DISCUTIDA EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. A questão referente à exclusão da empresa do regime SIMPLES NACIONAL de tributação por já ter sido discutida em procedimento administrativo próprio, não deve ser novamente analisada nas autuações que buscam constituir o crédito tributário decorrente desta exclusão. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA POR QUITAÇÃO DO DÉBITO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do recurso, que não será conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Fl. 1713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 2 Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 1594/1607) interposto por SECULUS COLÉGIO E CURSO LTDA. em face do Acórdão nº. 06-62.705 (e-fls. 1555/1579), que julgou a Impugnação improcedente. O presente processo administrativo decorre da exclusão de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresa de Pequeno Porte (Simples Nacional), a partir de 01/01/2013, por meio do Ato Declaratório nº 15, de 2017, por descumprimento das exigências previstas nos incisos I e VIII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de acordo com a Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional (cópia às fls. 65 a 87), por ter ultrapassado o limite de receita bruta de R$ 3.600.000,00, previsto na referida Lei Complementar, nos anos-calendário de 2012 a 2015, bem como em razão de ter apresentado os Livros-Caixa, relativos a esse período, com omissão de grande parte das “Receitas de Mensalidades Escolares”, não permitindo, assim, a identificação de toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Dessa forma, foi lavrado o Auto de Infração que exige as contribuições previdenciárias devidas (parte patronal – 20%), inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT – 1%), referentes ao período de 01/01/2013 a 31/12/2015, inclusive 13º salário, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais. Fl. 1714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 3 Foi ainda constituído o PTA nº. 14747.720094/2018-55, que também está sendo julgado nesta oportunidade. Foram incluídos como responsáveis solidários outros dois colégios: Honório Dantas & Cia Ltda – EPP (CNPJ: 01.573.657/0001-00) e MJ Ensino Infantil, Fundamental e Médio LTDA – EPP (CNPJ: 18.595.095/0001-07). Em 04/01/2018, o recorrente e os responsáveis solidários foram regularmente cientificados do encerramento da ação fiscal e dos lançamentos, por via postal, conforme Aviso de Recebimento – AR (e-fl. 1442, 1443/1446 e 1447/1450), tendo apresentado Impugnações, em 05/02/2018, cujos argumentos foram assim resumidos pela decisão de piso: a) é tempestiva a impugnação apresentada em 05/02/2018; b) “A ciência do ato administrativo da exclusão foi realizada em 04/01/2018, portanto, não poderia a fiscalização ter se baseado em dados do ano de 2012, para concluir pela exclusão do Simples já em janeiro de 2013. É que já teria se concretizado a decadência do direito de constituir qualquer exigência por ter transcorrido mais de 5 (cinco)anos do fato gerador”; c) afirma que, no caso presente, “sequer o fiscal especificou qualquer fato que tipificasse crime contra a ordem tributária na ‘Descrição dos Fatos’ que integra o auto de infração e nem na Representação Fiscal para fins Penais, formalizados em processos distintos”, mostrando-se evidente que “a fiscalização não logrou embasar o auto de infração com os fatos de cunho doloso da conduta do autor que justificariam a caracterização de crime tributário. Inconteste no enquadramento a ausência do elemento subjetivo que integra o fato típico nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64”. Ademais, não se admite “a presunção de dolo, exigindo-se a prova, mediante análise do comportamento do contribuinte e das circunstâncias concretas que envolvem a autuação”, e “não se encontrando demonstrado nos autos o dolo, fraude ou conluio, não há como caracterizar em conduta tipificada como crime contra a ordem tributária, que deve ser provado e não presumido”; d) sustenta a não caracterização de grupo econômico por entender que “Não restou comprovado nos autos do processo a ocorrência de ‘confusão patrimonial’, nem de ‘caixa único’, muito menos a existência de hierarquia ou subordinação em que uma empresa exerce o poder de dominação em face das demais, não se provou que as empresas envolvidas estão sob a direção, controle ou administração de uma empresa principal, nem que uma empresa principal dirige as empresas subordinadas determinando o que fazer e como elas devem exercer as suas atividades, não restou comprovado pela fiscalização que uma empresa principal controla as empresas subordinadas, decidindo os rumos a serem tomados ou das diretrizes a serem observadas pelas empresas subordinadas ou que a empresa principal administras as atividades das empresas subordinadas e organiza o modo de atuarem nº mercado”. Também “a mera identidade de sócios Fl. 1715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 4 não caracteriza o grupo econômico”, sendo necessários outros requisitos. “Ademais não houve prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, nem abuso da personalidade jurídica [...] e nem atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não autorizando o procedimento de considerá-las como pertencentes a um grupo econômico, portanto, não passíveis de responsabilização solidária”; e) em relação “à eventual violação do artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, discute-se a legitimidade passiva da Impugnante para fazer parte do polo passivo da exigência tributária constituída contra as duas outras empresas acima citadas”. Também “Não há como se declarar a responsabilidade solidária da Impugnante com base na existência de grupo econômico de fato, ao sustentar a existência de interesse comum que constitua fato gerador da obrigação principal entre as instituições”, uma vez que “na esteira de decisões do STJ, se tem estabelecido que o simples fato das empresas exercerem a mesma atividade não justifica a existência de interesse comum para efeitos tributários, exigindo-se a premissa de serem sujeitos passivos da relação jurídica que fundamenta a exigência fiscal. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador”; f) transcreve decisões do STJ acerca da expressão “interesse comum”, a qual, para o referido Tribunal, “implica que as empresas mesmo sendo formalmente do mesmo grupo econômico, para serem solidariamente responsáveis, devem ser sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível, pois feriria a lógica jurídico-tributária a inclusão, no polo passivo da demanda, de alguém que não tenha tido participação na ocorrência do fato gerador da obrigação, mesmo que faça parte de grupo econômico beneficiado economicamente”; g) no entendimento do STJ, “o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”, ressaltando a interessada que não é o que ocorre no caso concreto, dada “a inexistência de relação entre a Impugnante e o fato gerador do tributo referente às demais pessoas jurídicas, visto que cada empresa contratou seus empregados e que cada uma, individualmente, prestou os serviços pertinentes às suas atividades econômicas”; h) “A Impugnante se utiliza da marca ‘Século Colégio e Curso’ que corresponde ao nome fantasia da instituição, existindo um contrato de licenciamento de marca com outras empresas”, cujas cláusulas contratuais são claras ao estipularem que “o uso da marca Século Colégio e Curso, não implica obrigações outras pelo contratado, a não ser aquelas que dizem respeito somente ao uso da marca”. Trata-se de pacto exclusivamente comercial, pois não há ingerência no processo Fl. 1716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 5 de administração, de modo que “não se pode falar em responsabilidade solidária de uma empresa por outra ou a formação de grupo econômico em razão do contrato de licenciamento da marca Século Colégio e Curso”; i) “Não poderia o autuante ter proposto a exclusão com base na receita bruta da Impugnante somada as receitas brutas de mais duas pessoas jurídicas, ao entendimento de formação de grupo econômico de fato sem que tenha se configurado tal formação”. Na verdade, “a Impugnante não ultrapassou o limite de receita bruta nos anos apontados”, conforme consta do próprio “Relatório Fiscal dos Autos de Infração” (valores das mensalidades conforme TCIF 1). Defende que “O limite só ultrapassou devido ao fato do autuante ter somado as receitas das 3 (três) empresas”, contudo não resta dúvida de que não se trata de grupo econômico, inexistindo motivo para exclusão do referido regime; j) “o agente fiscal extrapolou os motivos pelos quais o contribuinte tem de fato de direito gerir sua empresa, demonstrando no livro caixa de cada uma que não tem relação com o fato gerador uma das outras, não ferindo dessa forma os motivos de Exclusão do Simples Nacional por Ofício ou por comunicação elencados em seu Artigo 29, Incisos I ao XII Lei Complementar 123/2006”. k) em relação à cobrança de multa por descumprimento da obrigação acessória – “não exibição de documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas” – sustenta não ser razoável, pois, no caso, “o contribuinte apresentou todos os documentos solicitados pelo agente fiscal como consta nos autos cumprindo assim com todas as finalidades exigidas pelo fisco”; l) “as empresas do Simples Nacional, independente do Anexo da Lei Complementar nº 123/2006 em que estejam enquadradas estão dispensadas do recolhimento das contribuições para outras entidades e fundos (terceiros)”. Da mesma forma, “a empresa não estava obrigada ao pagamento da contribuição de risco ambiental e aposentadoria especial nos anos fiscalizados. Além disso, “a autoridade fiscal não apurou corretamente a base de cálculo da exigência e nem aplicou corretamente as alíquotas previstas na legislação de regência, resultando na nulidade dos lançamentos”; m) “a base de cálculo da contribuição previdenciária patronal mostra que ela deve ser composta apenas por aquelas verbas destinadas a retribuir o trabalho, ou seja, não se incluem aí as verbas indenizatórias e compensatórias”. Portanto, “a cobrança de contribuições previdenciárias sobre verbas trabalhistas de natureza indenizatória, inclusas na folha de salários, é vista como inconstitucional, sem qualquer tipo de amparo jurídico e, até mesmo, não se coadunando com a curial regra matriz de incidência, precedentes amplamente pacificados pelos STJ e STF”; n) ressalta que o STF, por unanimidade, apreciando o tema 20 da repercussão geral – alcance da expressão “folha de salários” – conheceu do recurso extraordinário e negou-lhe provimento, fixando a tese da não incidência de contribuições previdenciárias “sobre verbas indenizatórias, não incorporáveis ao Fl. 1717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 6 salário, uma vez que não previstas no artigo 195 da Constituição Federal nem tampouco no artigo 22 da Lei 8212/91 e demais legislações”. E, analisada a autorização constitucional, “é possível concluir que a base de cálculo da contribuição previdenciária tem por objeto, exclusivamente, as verbas de natureza salarial pagas aos empregados, devendo ser excluídos de referida base de cálculo os demais valores pagos que não tenham por objetivo a retribuição pelo trabalho realizado, de modo que não poderá incidir sobre as verbas pagas pela Impugnante a título de auxílio alimentação, auxílio creche, auxílio doença (quinze primeiros dias), auxílio acidente (quinze primeiros dias), vale transporte, aviso prévio indenizado, férias gozadas e terço constitucional de férias, porquanto não possuem natureza de salário”; o) a Lei nº 8.212, de 1991, “não deixa dúvidas quanto à integração do 13º salário ou Gratificação Natalina ao Salário-de-Contribuição do mês, bem como que ambos sofrem a incidência da Contribuição Previdenciária que deve ocorrer sobre a base de cálculo composta, ou seja, única”. Logo, não poderiam os Decretos nº 612/1992 (art. 37, § 7º) e nº 3.048/1999 (art. 214, § 7º), “sob pena de ultrapassar as divisas do poder regulamentar, determinar a incidência em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina mediante aplicação das alíquotas previstas nas tabelas que albergam”. Portanto, é de se concluir pela “não incidência da Contribuição Previdenciária sobre bases distintas (salário de contribuição e 13º salário)”; p) ao final, requer sejam reconhecidas a inexistência de configuração de grupo econômico e a não caracterização de sujeição passiva solidária, como também, “A improcedência do Ato Declaratório Executivo expedido para efeito de exclusão do SIMPLES Nacional”. Requer, ainda, a exclusão das “exigências da contribuição previdenciária relativas a contribuição empresa/empregador, a entidades e fundo, contribuição a título de risco ambiental/aposentadoria especial e multa previdenciária”, bem como “da multa regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória [...] e a produção posterior de todas as provas em direito admitidas, inclusive aditamento à impugnação”. Razões apresentadas pelos sujeitos passivos por responsabilidade tributária 6. As empresas M J ENSINO INFANTIL, FUNDAMENTAL E MÉDIO LTDA. – EPP e HONÓRIO DANTAS & CIA LTDA. – EPP, não se conformando com a caracterização de grupo econômico e a consequente responsabilidade solidária em relação aos lançamentos constituídos contra a empresa autuada, apresentaram impugnação, respectivamente às fls. 1517 a 1533 e às fls. 1535 a 1551, em 05/02/2018. Após breve relato dos fatos, repisam os argumentos já expostos pela Contribuinte, requerendo, ao final, seja reconhecida a inexistência de configuração de grupo econômico e a não caracterização de sujeição passiva solidária quanto às exigências das contribuições previdenciárias objeto destes autos, bem como a produção posterior de todas as provas em direito admitidas. Fl. 1718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 7 Sobreveio o julgamento das Impugnações, e foi proferido o Acórdão nº. 06-62.705 (e-fls. 1555/1579), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, à exceção das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES. Somente são permitidas as exclusões do salário de contribuição expressamente elencadas na legislação e desde que atendidos todos os requisitos normativos previstos. ALEGAÇÕES DE DEFESA. FORÇA PROBANTE. O ato administrativo goza da presunção de veracidade, cabendo ao impugnante estribar suas alegações de defesa em documentos que deem a elas força probante. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 8 O contribuinte principal foi cientificado do resultado do julgamento pela via postal, em 07/06/2018, conforme Aviso de Recebimento (e-fls. 1586) e apresentou seu Recurso Voluntário (e-fls. 1594/1607), em 09/07/2018. O Recurso traz comprovantes de parcelamento dos débitos e afirma que apenas teria a intenção de discutir apenas responsabilidade solidária, contudo, requer a esse Colegiado que reforme a decisão de primeira instância, declarando a ineficácia do ato administrativo (ADE) de exclusão do SIMPLES expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal de João Pessoa (PB), fazendo remissões às razões apresentadas em Impugnação. Juntamente com o Recurso foram juntadas Guias DARF que seriam referentes ao parcelamento dos débitos. (e-fls. 1608/1611). Os responsáveis solidários foram cientificados do resultado de julgamento em 13/07/2018 (e-fls. 1612/1613) e não apresentaram recursos. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Em 18/12/2019, foram juntados aos autos Requerimento apresentado pela empresa Honório Dantas e Cia solicitando retificação de DARFs referente a PIS e COFINS. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, porém, não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235/72, de modo que não deve ser conhecido. Primeiramente, o recurso informa ser parcial, e já na descrição dos fatos traz a seguinte afirmação: Antes de mais nada, o contribuinte acima vem esclarecer que já efetuou o parcelamento do crédito tributário composto por este Auto de Infração. Restando a não concordância com a Manutenção do Grupo Econômico. Juntamente com o Recurso foram juntadas Guias DARF que seriam referentes ao parcelamento dos débitos. (e-fls. 1608/1611). De acordo com o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023, em seu Art. 133, §§ 2º e 3º, o pagamento Fl. 1720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 9 extingue o débito e, por consequência, denota a desistência do recurso, o qual não deve ser então conhecido. Veja-se: Art. 133. O recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Quando houver decisão desfavorável ao sujeito passivo, total ou parcial, sem recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento: I - se a desistência for parcial, os autos serão encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, retornem ao CARF para seguimento quanto à parcela da decisão que não foi objeto de desistência; e II - se a desistência for total, os autos serão encaminhados à unidade de origem para as providências de sua alçada, sem retorno ao CARF. § 5º Quando houver decisão favorável ao sujeito passivo, total ou parcial, com recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento, e a desistência for total, o Presidente de Câmara declarará a definitividade do crédito tributário, tornando-se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. § 6º Após iniciado o julgamento, a definitividade do crédito tributário, e a insubsistência de eventuais decisões favoráveis ao sujeito passivo, serão declaradas pelo Colegiado. Diante do exposto, por ter promovido o parcelamento dos débitos entendo que o Recurso não deve ser conhecido, pois o parcelamento resulta na desistência do recurso. Outra razão impede o conhecimento do Recurso Voluntário, a matéria nele trazida não pode ser rediscutida pois já foi analisada em processo próprio de exclusão do Simples Nacional. O recorrente transcreve os argumentos apresentados na peça impugnatória de que não estaria caracterizado o Grupo Econômico e consequentemente deveria ser excluída a responsabilidade solidária das empresas Honório Dantas & Cia Ltda -EPP – CNPJ nº 01.573.657/0001-00 e MJ Ensino Infantil, Fundamental e Médio LTDA -EPP – CNPJ 18.595.095/0001-07. Traz argumentos de que as empresas apenas usavam a mesma marca, e prossegue sustentando que a exclusão do Simples Nacional teria sido indevida. Fl. 1721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 10 As razões recursais foram assim descritas: 3.2.2 – As RAZÕES RECURSAIS agora interpostas Tratando-se de matéria de direito, para evitar a tautologia, em primeiro plano, a recorrente remete para tudo quanto argumentou na peça impugnatória, e que, para facilitar a análise, transcreveu anteriormente. Demonstrando claramente que não há em hipótese alguma “Grupo Econômico”, visto que não foi configurado pelo agente fiscal os critérios: a) Confusão patrimonial; b) Hierarquia subordinada; c) Caixa único; d) Sócias de ambas as empresas. e) Uso da mesma marca. Ressalta-se aqui que a marca era licenciada conforme demonstrado e comprovado através de contratos e recibos de pagamentos. A exclusão neste caso não pode ser efetuado pelo limite ultrapassado, pegando como base o faturamento de todas as empresas, pois não existe Grupo Econômico no caso em lide como bem demonstrado e sem fundamentações utilizadas pelo agente fiscal. Pede, formalmente, seu reexame. Sendo assim, apesar de ter promovido o parcelamento dos débitos, o recorrente insiste na defesa de que não deveria ter sido excluído do Simples Nacional em razão da caracterização de grupo econômico e em razão de ter excedido o limite de faturamento previsto na norma. A discussão sobre o procedimento de exclusão do Simples Nacional deve ser realizada via processo próprio, e não nestes autos, que versam sobre a cobrança de contribuições previdenciárias devidas em razão da referida exclusão. Ademais, vale ressaltar que o recorrente já teve o seu processo devidamente analisado pelo CARF, nos autos do PTA nº. 14751.720316/2017-90, julgado em 12 de maio de 2021, no qual foi proferido o Acórdão nº. 1003-002.387, que restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO-CAIXA. A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante que incorrer em falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório. Fl. 1722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 11 GRUPO ECONÔMICO IRREGULAR. Tem-se que não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica de pessoa jurídica, a qual existe apenas formalmente, uma vez que inexiste autonomia patrimonial e operacional. Nesta hipótese, a divisão de uma empresa em diversas pessoas jurídicas é fictícia. A direção e/ou operacionalização de todas as pessoas jurídicas é única. O que se verifica nesta hipótese é a existência de um grupo econômico irregular. Tal decisão foi questionada por meio de Recurso Especial, e não pode ser reanalisada nestes autos. Ressalta-se, por oportuno, que o voto analisou todos os argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário, que foram comuns aos argumentos aqui trazidos em sede de Recurso e confirmou a existência do Grupo Econômico com a manutenção da decisão de exclusão e da responsabilidade solidária. O trecho abaixo evidencia o enfrentamento de todos os pontos alegados: Tem-se que foi produzido pela autoridade fiscal um acervo fático-probatório robusto que comprova que a Recorrente incorreu no ilícito tributário a ele imputado e que deu causa ao procedimento de exclusão da sistemática por “fala de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária”; (...) Por conseguinte, o Ato Declaratório Executivo DRF/João Pessoa/PB nº 15, de 15.12.2017, com efeitos a partir de 01.01.2013, e-fl. 1373, deve ser mantido circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório robusto produzido nos autos. Grupo Econômico Irregular A Recorrente argui resumidamente que a solidariedade passiva pela formação do grupo econômico prevista no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) deve ser afastava por que “pelo simples fato das empresas terem o mesmo nome fantasia, não quer dizer que pertencem a um grupo econômico” como também “não restou comprovado nos autos do processo a ocorrência de “confusão patrimonial”, nem de “caixa único”, muito menos a existência de hierarquia ou subordinação em que uma empresa exerce o poder de dominação em face das demais”. (...) No presente caso, pode-se constar que a Representação Fiscal para Exclusão no Simples Nacional, e-fls. 02-24 indica: Honório Dantas & Cia Ltda. – EPP, Unidade I, CNPJ 01.573.677/0001-00 está formalizada no processo nº 14751.720315/2017- 45, Seculus Colégio e Curso Ltda. – EPP, Unidade II, CNPJ 07.295.724/0001-59, Fl. 1723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 12 está formalizada no processo nº 14751.720316/2017-90 e MJ Ensino Infantil Fundamental e Médio, Unidade III, CNPJ 18.595.095/0001-07 está formalizada no processo nº 14751.720317/2017-34, e-fls. 1523-1528. Tem-se que: a) Unidade I - Honório Dantas & Cia Ltda. – EPP tem como objeto social Educação Infantil – Pré-Escola, Ensino Fundamental e Médio; b) Unidade II - Seculus Colégio e Curso Ltda. – EPP tem como objeto social Ensino Médio com Contratação de Profissionais Regulamentados; c) Unidade III - MJ Ensino Infantil, Fundamental e Médio Ltda.– EPP tem como objeto social Escola de Ensino Infantil - Pré-Escola, Ensino Fundamental e Ensino Médio com contratação de Profissionais Regulamentados. d) as Unidades I e II exercem atividade de ensino em um mesmo endereço físico tendo em comum os serviços de recepção e de recursos humanos; e) a Sra. Maria José da Silva é sócia das Unidades II e III; f) a sócia Lidiane Bezerra de Souza, sócia da Unidade II, já foi empregada da Unidade I até 2007; g) as Unidades I, II e III compartilham o mesmo sítio na internet “Século Educação para o SER” com “Espaço Integral”, Educação Infantil”, “Ensino Fundamental I”, Ensino Fundamental II” e “Ensino Médio”; h) as Unidades I, II e III se identificam com a mesma fachada predial; e i) os Termos de Intimação Fiscal e de Retenção de Documentos das Unidades I, II e III foram assinados pelo mesmo representante, Sr. Dorlei Braz Ribeiro. A despeito do teor de cláusulas contratuais, para os efeitos tributários, do exame do conjunto de fatos cabalmente provados no presente processo infere- se a efetiva demonstração da subsunção do fato à norma que tem como consequência a confirmação de que há interesse jurídico comum a atrair a responsabilidade solidariedade tributária pela formação de grupo econômico irregular. A contestação aduzida pela Recorrente, por essas razões, não pode ser sancionada. (grifos acrescidos) Ademais, sequer seria possível conhecer do recurso voluntário interposto pelo recorrente para questionar a responsabilidade solidária, em razão do entendimento constante da Súmula CARF nº. 172: Súmula CARF nº 172 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 1724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.168 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14747.720094/2018-55 13 Sendo assim, diante da informação de que o débito foi parcelado e considerando que a decisão em processo próprio que tratava da exclusão do Simples Nacional já foi proferida, e diante da impossibilidade de reapreciação das razões, entendo que o presente recurso não deve ser conhecido. 2. Conclusão Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 1725DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10670.721492/2016-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2014, 2015 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo o recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância.
Numero da decisão: 2302-004.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2025. Assinado Digitalmente Carmelina Calabrese – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: CARMELINA CALABRESE

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Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo o recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2025. Assinado Digitalmente Carmelina Calabrese – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). Fl. 890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 09-063.256 - 5ª Turma da DRJ/JFA, cuja decisão foi proferida em sessão de 10 de maio de 2017, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. PROCEDIMENTO FISCAL Por sua clareza e precisão, adoto trechos do relatório da decisão de primeira instância para descrever o procedimento fiscal e a manifestação de inconformidade: O presente processo trata da exclusão da empresa do regime tributário instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006 – Simples Nacional, através do Ato Declaratório Executivo nº 24 de 06 de dezembro de 2016, formalizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Coronel Fabriciano-MG. O Auditor Fiscal relata na Representação Para Exclusão do Simples Nacional que a empresa tinha como objeto social "(...) Prestação de serviços de vigias e guardas noturnos, diurnos, segurança diária, cobranças, e limpeza pública e domiciliar em geral" (CNAE - 8011101 Atividades de vigilância e segurança privada), em 19/05/2016 alterou atividade econômica da sociedade para"(...) Limpeza em Prédios e domicílios, Atividades de Limpeza não especificadas anteriormente, e Outras atividades de Serviços de segurança." (CNAE - 8121-4-00 Limpeza em prédios e em domicílios), tendo como atividade secundária "8129-0/00 Atividades de limpeza não especificadas anteriormente" e "8020-0/02 Outras atividades de serviços de segurança". A Autoridade Tributária aduz verificou que os cargos ocupados pelos trabalhadores, conforme a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), e a lotação corroboram com a atividade econômica preponderante exercida pela empresa. Conclui que: “Em razão da atividade econômica exercida pela Vigilaço, a legislação que rege o SIMPLES NACIONAL a sujeita à tributação na forma do inciso VI do § 5°-C do art 18 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, ou seja, as atividades de serviço de vigilância, limpeza ou conservação devem ser tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis.” Fl. 891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 3 Afirma que a fiscalizada já foi incluída no simples nos anos de 2012 e de 2014 a 2016 e excluída de ofício do SIMPLES NACIONAL em 2013. Entretanto, apresentou declaração de débitos e efetuou pagamentos em DAS (Documento de Arrecadação do SIMPLES NACIONAL) como optante pelo SIMPLES NACIONAL, inclusive no ano 2013. Complementa arguindo que a fiscalizada não apurou e não recolheu a CPP (Contribuição Patronal Previdenciária), apesar de intimada a prestar esclarecimentos a respeito do critério adotado pela empresa para o fim de apuração e recolhimento da CPP, nenhum esclarecimento foi formalmente prestado. A empresa declarou a GFIP inibindo o cálculo da contribuição patronal, ou seja, apurou as contribuições pela sistemática do SIMPLES NACIONAL na forma do Anexo III da Lei Complementar n° 123/2006 e recolheu os valores incorretamente apurados em DAS. O Auditor Fiscal esclarece que intimou a empresa a apresentar arquivos digitais MANAD da Contabilidade, Folha de Pagamento, Livro Caixa ou a escrituração contábil, em especial do Livro Diário e do Livro Razão. A fiscalizada apresentou apenas o MANAD da Folha de Pagamento, e não houve manifestação, por escrito, a respeito da não apresentação dos arquivos e livros contábeis, não foram apresentados também os Plano de contas; Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado; Relação de veículos integrantes do Ativo Imobilizado; Cópia de eventual processo judicial ou administrativo contra a Receita Federal do Brasil relacionados a contribuições previdenciárias ou contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos. O Senhor Eliton Honório da Silva, ao comparecer a delegacia da Receita Federal em Montes Claros, afirmou que a empresa não dispõe de escrituração contábil e/ou fiscal. O Auditor Fiscal verificou que houve omissão, de forma reiterada, na folha de pagamento da empresa e na GFIP de segurados empregados que lhe prestaram serviço durante o período fiscalizado. A empresa, descumpriu, portanto, de forma reiterada, a legislação do SIMPLES NACIONAL. Desta forma, conclui que os fatos que excluem a empresa do SIMPLES NACIONAL são: a. embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que está obrigada. b. falta de escrituração do livro-caixa. c. omitir segurado de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou da GFIP. Afirma que a prática das infrações implica exclusão e produz efeitos a partir do mês em que foram incorridas as infrações, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos-calendário Fl. 892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 4 seguintes, nos termos dos incisos II, VIII e XII do caput do art. art. 29 da Lei Complementar n° 123/2006, combinado com o §1° do referido art. 29 da Lei Complementar n° 123/2006. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE I -TEMPESTIVIDADE E ADMISSIBILIDADE O contribuinte afirma que a Manifestação de Inconformidade é tempestividade, não sendo causa de nulidade, a ausência de indicação do lote a que se refere o ADE, uma vez que foi enviado pelos correios. II- PRELIMINARMENTE A defendente assevera que não teve a intenção de omitir a entrega de toda a documentação solicitada, entretanto o contribuinte não tem acesso ao Inquérito Policial que está na Delegacia da Polícia Federal em Governador Valadares, envolvendo funcionário da Contabilidade terceirizada. III-MÉRITO A empresa argui que houve cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, ofensa ao artigo 5º, inc. LV da CF/88, quando o Auditor Fiscal, mesmo após os esclarecimentos prestados pela Impugnante, não solicitou cópia do Inquérito Policial, no qual fica demonstrado que a fiscalizada não estava envolvida com as atitudes ilícitas praticadas por um funcionário da Contabilidade terceirizado, os nomes sonegados em folha de pagamento são objeto da fraude praticada por terceiro. Sendo assim, ao contribuinte, o máximo o que pode ser imputado é uma infração administrativa. Complementa, afirmando que houve não houve negativa de entrega dos documentos, mas os documentos não espelhavam a realidade, visto que o funcionário terceirizado incluía dados na GFIP e depois os eliminava dos relatórios de folhas de pagamento. As pessoas sonegadas em folha de pagamento são resultado da fraude. Segundo o contribuinte “ao analisar cada alegação, percebe-se que supostamente cada uma delas foi, em tese praticada uma única vez, portanto, descabida a aplicação de pena de impedimento de se optar pelo regime diferenciado e favorecido da Lei complementar 123 pelos próximos três anos”. Argui que o Procedimento Fiscal teve como fundamentação sobras de recolhimentos, a impugnante foi vítima de uma operação fraudulenta, não podendo ser penalizado por essa razão. Além disso, o fato da empresa ser excluída e depois aderir à sistemática fere o princípio da segurança jurídica. IV- DO DIREITO Fl. 893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 5 A defendente destaca o princípio da segurança jurídica e a Súmula do STF nº 439, afirmando que em “não restou demonstrado que a não apresentação do livro caixa ou de qualquer outro da escrituração contábil influenciaria na fiscalização, que versava acerca de sobras de recolhimentos. A documentação apresentada, bem como a que se constitui de obrigações tributárias acessórias foram integralmente cumpridas”. V- DOS PEDIDOS Por fim, a defesa pede: a) o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, procedendo o cancelamento do Ato Declaratório Executivo; b) que seja declarado nulo o Ato Declaratório Executivo de exclusão do simples; c) A manutenção da empresa no SIMPLES NACIONAL; d) A suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes dos processos administrativos 10670-721.559/2016-11 e do processo administrativo 10670- 721.560/2016-38, decorrentes exclusões da empresa do Simples Nacional, nos termos do artigo 151, III do CTN. DO ATO DECLARATÓRIO O Ato Declaratório Executivo nº 24 de 06 de dezembro de 2016 foi emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Coronel Fabriciano/MG, através do qual a empresa foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2012, em razão de haver infringido artigo 29, II, VIII e XII, §1º, §3º e §9º, I da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA O julgamento foi realizado em 10 de maio de 2017, quando foi proferido o Acórdão nº 09-063.256 - 5ª Turma da DRJ/JFA, e-fls. 852 a 862, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, conforme decisão assim ementada: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. A empresa será excluída do Simples Nacional quando oferecer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública. Fl. 894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 6 SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada em relação ao ato declaratório de exclusão do contribuinte do Simples não impede a sua imediata fiscalização e lançamento do crédito tributário. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade na data de 14/06/2017, e-fls. 864, o Contribuinte postou, via correios, na data de 18/07/2017, e-fl. 887, Recurso Voluntário, e-fls. 1360 a 1369, recorrendo do Acórdão, por meio do qual, citando doutrina e jurisprudência, alega e requer, em apertada síntese: Nulidade do Acórdão por cerceamento de ampla defesa e do contraditório aduzindo que “... ao rechaçar a nulidade do ato Declaratório, consta que o Inquérito Policial não se reveste de prova para determinar a existência de fraude praticada por terceiro”. Acrescenta que: ...se o referido procedimento não tem o condão de fazer prova, deduz o contribuinte então que o ônus da prova é do Sujeito Ativo, ônus do qual não se desincumbiu, pois não apresentou contraprova da inserção de dados fictícios nas GFIPS do contribuinte. Logo eivado de vicio insanável o Auto de Infração que deu origem ao Ato Declaratório de Exclusão.” Discorre sobre o ônus da prova no processo administrativo e afirma que o princípio da verdade material impõe à autoridade que examina os elementos de provas trazidos aos autos e considere a possiblidade e ter havido erro nos documentos por ele próprio elaborados. Quanto a presunção de veracidade dos atos administrativos, afirma ser evidente que ela não impede que a própria Administração procure confirmar se os fatos sobre os quais se fundamenta o ato impugnado realmente ocorreram, ainda que diante da defesa apresentada pelo contribuinte desacompanhada das provas. Alega que a autoridade fiscal não demonstrou que o contribuinte agiu com o intuito de fraudar, omitir ou postergar o pagamento de tributo. Que a simples omissão de receita não autoriza a qualificação de multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Afirma, ainda, que: I- Não há embaraço à fiscalização, nem falta de escrituração do livro caixa, apenas não foi apresentado ante a justificativa de que a formação do livre convencimento do auditor já se fez presente na primeira incursão, antes da apresentação de qualquer documentação; II- Não houve despesa superior em mais de 20% do ingresso de recursos para o período de 2007; Fl. 895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 7 III- A empresa não foi criada de forma simulada por outra sociedade empresarial para fim de usufruto indevido do Simples Nacional, mesmo porque não existe outra sociedade empresarial. Que, em atenção aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, deve-se deferir o direito da realização de perícia contábil; Solicita a suspenção do procedimento para aguardar o inquérito policial em curso, pois após o resultado daquele, parte expressiva do Auto de Infração será esclarecida. Requer, o cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional, por conter nulidade ao ponto de cercear a defesa do contribuinte e caso seja mantida a referida ação fiscal que seja concedida a relaxação de perícia contábil. É o relatório. VOTO Conselheira Carmelina Calabrese, Relatora. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os artigos 5º e 33, do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A tempestividade é um pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. No presente caso, a Recorrente tomou ciência da decisão de piso em 14/06/2017, e-fls. 864. O dia seguinte à ciência, dia 15/06/2017, foi feriado nacional de Corpus Christi, tendo, portanto, iniciado a contagem no dia 16/06/2017, finalizando os 30 (trinta) dias em 15/07/2017. Em virtude de ser sábado, a data fatal para a interposição do recurso voluntário passou a ser na segunda feira, 17/07/2017. A Recorrente postou, nos correios, seu recurso voluntário em 18/07/2017, conforme e-fls. 887, logo, o recurso é intempestivo. Fl. 896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.058 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721492/2016-15 8 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. É como voto. Assinado Digitalmente Carmelina Calabrese Fl. 897DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10670.721167/2016-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRECLUSÃO LÓGICA E CONSUMATIVA. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de não ter exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quando há provas nos autos sobre o recolhimento antecipado das contribuições, aplicar-se a contagem de prazo conforme art. 150, § 4°, do CTN. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12, INCISO I, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ÓRGÃO PÚBLICO. Considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços. Para os órgãos do Poder Público, considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa.
Numero da decisão: 2101-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer o argumento relacionado à restituição e compensação, e na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de 01/2011, 02/2011, 05/2011, 07 e 09/2011. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

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A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de não ter exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quando há provas nos autos sobre o recolhimento antecipado das contribuições, aplicar-se a contagem de prazo conforme art. 150, § 4°, do CTN. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12, INCISO I, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ÓRGÃO PÚBLICO. Fl. 499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 2 Considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços. Para os órgãos do Poder Público, considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer o argumento relacionado à restituição e compensação, e na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de 01/2011, 02/2011, 05/2011, 07 e 09/2011. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Mario Hermes Soares Campos(Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 483/496) interposto pelo Município de Salinas em face do Acórdão nº. 14-66.019 (e-fls. 473/476) que julgou a Impugnação procedente em parte. Em sua origem, trata-se de processo administrativo assim descrito pelo Relatório Fiscal: Fl. 500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 3 Este Relatório é parte integrante Auto de Infração n° 10670-721.167/2016-44 referente a contribuições sociais da parte patronal e às contribuições sociais destinadas a Outras Entidades ou Fundos – Terceiros arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e destinadas ao financiamento da Seguridade Social, devidas pelo Contribuinte acima qualificado, incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra, apurada através das informações de notas de empenho apresentadas em meio digital, referente aos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestaram serviços e não declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social. O Município foi cientificado do Auto de Infração em 20/10/2016 e apresentou Impugnação, em 21/11/2016, por meio da qual trouxe os seguintes argumentos, aqui sintetizados pela decisão de piso: Competência do ano 2012 - A divergência apurada para o código 13 foi de R$ 1.914,00 (um mil, novecentos e quatorze reais) e não R$ 13.786,25 (treze mil, setecentos e oitenta e seis reais vinte e cinco centavos) apresentado pela RFB, sendo apurado um valor devido de R$ 382,80 (trezentos e oitenta e dois reais).; - para o código 15, a divergência apurada foi de R$ 2.540,89 (dois mil, quinhentos e quarenta reais e oitenta e nove centavos) e não R$ 2.986,29 (dois mil, novecentos e oitenta e seis reais e vinte e nove centavos), sendo apurado um valor devido de R$ 508,17. (...) Competência do ano 2011 - o valor apurado no código 13 foi de R$8.188,20, diferente do relatório emitido pela RFB foi de R$15.723,00; portanto o valor apurado devido conforme documentos comprobatórios anexos, é de R$1.637,64 (8.188,20 x 20%); - o valor apurado para o código 15 foi de R$1.921,39, diferente do relatório da Receita que apurou o valor base de cálculo de R$2.986,29; portanto o valor apurado conforme documentos comprobatórios anexos, é de 384,28(1.921,39 x 20%). (...) Conforme antecipado, os autos foram a julgamento, tendo sido proferido o Acórdão nº. 14-66.019 (e-fls. 473/476) assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ÓRGÃO PÚBLICO. Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 4 Considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços. Para os órgãos do Poder Público, considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O crédito foi parcialmente mantido, nos termos do voto, em razão da comprovação de regularidade de uma das notas de empenho. Vale a leitura: Em relação às notas de empenhos anuladas, a autuada comprovou a anulação da nota de empenho 09104-5 (anexada na folha 453). O valor da despesa bruta dessa nota de empenho totaliza R$ 1.420,00, representando uma base de cálculo de R$ 284,00(conforme folha 59). Assim, a diferença entre a base de cálculo declarada em GFIP e a base de cálculo dos empenhos cai para R$ 68,98. Portanto a base de cálculo da competência 12/2012 do FPAS 6200 deve ser retificada para R$ 68,98 (R$ 352,98 – R$ 284,00) e o valor devido deve ser retificado de R$ 70,59 para R$ 13,80. O recorrente foi cientificado pela via postal, conforme Aviso de Recebimento (e-fls. 480), em 30/05/2017, tendo apresentado o Recurso Voluntário, em 29/06/2017, com os seguintes argumentos: Decadência | o recorrente alega parte do crédito teria sido alcançada pela decadência (competências 01, 02, 05, 07 e 09/2011), tendo em vista que o recorrente foi cientificado do lançamento em 20/10/2016 e o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN; Mérito | o recorrente reitera os argumentos apresentados na Impugnação, justificando a correção dos valores das competências 04/2012, 05, 11 e 12/2012, 05/07 e 12/2011, 12/2012 (categoria 15), 12/2012 (categoria 13) e pede a extinção total dos autos Da Restituição e Compensação | argumenta que o Município teria efetuado pagamento de contribuições previdenciárias em momento em que não havia ocorrido o fato gerador presumido pela IN nº. 971/2009, que deve ser considerado como indevido e restituído. Lista os valores que entende ter direito à restituição. Multa | requer o cancelamento da multa; Juros | requer a incidência dos juros sobre valores ajustados. Os autos foram encaminhados para análise e julgamento do Recurso Voluntário pelo CARF. Fl. 502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 5 Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende parcialmente aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235/72. Portanto, deve ser parcialmente conhecido. É que no Tópico III.1 do Recurso Voluntário, o Município apresenta questionamento sobre direito à restituição e compensação. Argumenta que o Município teria efetuado pagamento de contribuições previdenciárias em momento em que não havia ocorrido o fato gerador presumido pela IN nº. 971/2009, e que portanto, tais valores deveriam ser considerados como tributo indevido e restituído ao contribuinte. O recurso apresenta lista dos valores recolhidos indevidamente. Tal argumento não foi sequer mencionado em sede de Impugnação, e portanto, encontra-se precluso, nos termos do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de não ter exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Era dever do contribuinte, já no ensejo da apresentação da impugnação, momento em que se inicia a fase litigiosa do processo, municiar sua defesa com os elementos de fato e de direito que entendesse fundamentar sua defesa, bem como, os documentos que respaldassem suas afirmações. Assim deveria, sob pena de preclusão, instruir sua impugnação apresentando todos os motivos e provas que entendesse fundamentar sua defesa. É o que disciplina os dispositivos normativos pertinentes à matéria, artigos 151 e 162 do Decreto nº 70.235, de 1972, 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 503DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 6 bem como o disposto no inciso I, do art. 3733 do Código de Processo Civil Brasileiro, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer o argumento relacionado à restituição e compensação em razão da preclusão. 2. Prejudicial de mérito: decadência Apesar de o questionamento da decadência não ter sido trazido em sede de Impugnação, tendo sido apresentado apenas com o Recurso Voluntário, por ser matéria de ordem pública, não está sujeito à preclusão, sendo cognoscível, inclusive, ex officio na seara tributária. Isto porque a decadência está umbilicalmente atrelada à questão de viabilidade do próprio executivo fiscal, dentre as quais estão a liquidez e exigibilidade do título, bem como o preenchimento de condições da ação e pressupostos processuais. Trata-se de comando estabelecido pelo art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo Código de Processo Civil – CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, nestes termos: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: [...] II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição. É reiterada a jurisprudência pátria no que diz respeito ao reconhecimento da decadência como matéria de ordem pública. A título ilustrativo, destaca-se alguns julgados do STJ e do CARF a respeito: Decisões do STJ AgInt no AREsp 786.109/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 06/03/2017: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. OFENSA AO ART. 32 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 504DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 7 REsp 1.239.257/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.3.2011: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA ARGUIDA NAS RAZÕES DA APELAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APENAS COM A INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO. PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL DE MODO EXTEMPORÂNEO. INADMISSIBILIDADE. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] Decisões do CARF: Acórdão nº. 2402-010.958 - 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 6 de dezembro de 2022. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2003 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE.] A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo. Acórdão nº 9202-009.552 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 26 de maio de 2021: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Acórdão nº 9202-008.676 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 17 de março de 2020: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, não podendo a autoridade julgadora dela conhecer, salvo nos casos expressamente previstos em lei. Tratando-se de matéria dita de ordem pública, pode a autoridade julgadora, considerada as circunstâncias do caso concreto, conhecer, ou não, de ofício. Acórdão nº 9101-004.256 - CSRF / 1ª Turma – Sessão de 9 de julho de 2019: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. Fl. 505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 8 A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. (grifos acrescidos) Passo, portanto, à análise da ocorrência da decadência parcial alegada. O Supremo Tribunal Federal, ao editar a Súmula Vinculante de nº 8, resolveu definitivamente a controvérsia, ao chancelar a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que trazia prazo decenal para a aferição da prescrição e decadência dos créditos previdenciários, de modo que os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias deverão seguir as mesmas regras previstas para os demais tributos, conforme disposições do Código Tributário Nacional. Trata-se de entendimento também perfilhado com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetida ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...] [...] 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994;[...] [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (sem grifos no original) Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 9 Em obediência ao comando do artigo 984 do RICARF, há de serem observados os entendimentos vinculantes firmados pelas Cortes. Assim considerado, o sujeito ativo dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para constituir referido crédito tributário mediante lançamento (auto de infração ou notificação de lançamento), variando conforme as circunstâncias, apenas, a data de início da referida contagem. É o que se vê nos arts. 150, § 4º, e 173, incisos I e II e § único, do CTN, nestes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 4 Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 10 Analisando os supracitados preceitos deduz-se que o legislador dispensou tratamento diferenciado àquele contribuinte que pretendeu cumprir corretamente sua obrigação tributária, apurando e recolhendo o encargo que supostamente entendeu devido. Nessa perspectiva, o CTN apresenta (i) a regra de aplicação exclusiva quando o lançamento se der por homologação (art. 150, § 4º) ou seja, e quando houver início de recolhimento e (ii) a regra aplicável a todos os tributos e penalidades, conforme as circunstâncias, independentemente da modalidade de lançamento (art. 173, inciso I), ou em caso de comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lavrado o Auto de Infração, foi o ora recorrente cientificado apenas em 20/10/2016 (e-fl. 417), contendo exigência das contribuições previdenciárias, nas competências de 01/01/2011 a 12/2012. O recorrente alega que teria ocorrido a decadência dos lançamentos referentes às competências 01, 02, 05, 07 e 09/2011. Analisando o Relatório Fiscal, vê-se que a fiscalização analisou as folhas de pagamento e as GFIP, tendo identificado que foram feitos lançamentos relativos aos contribuintes individuais. Vale o destaque: 6.4. O contribuinte apenas declarou em GFIP parte das remunerações pagas a Contribuintes Individuais. Identificamos em sua contabilidade diversos lançamentos relativos a serviços prestados por este tipo de segurado. 6.5. No relatório anexo, denominado “Relação de Empenhos por Data de Liquidação”, discriminamos todos os empenhos apresentados, em meio digital, pelo contribuinte que foram identificados como pagamentos a segurados Contribuintes Individuais da Previdência Social – Regime Geral. No referido relatório também consta a classificação efetuada com relação à categoria de segurado. 6.6. Para efetuar o lançamento efetuamos o comparativo entre o total de base de cálculo relativa a contribuintes individuais, por categoria, apurada através da análise das notas de empenho apresentadas em meio digital e os totais das bases de cálculos declaradas em GFIP. Na planilha abaixo resta demonstrado o comparativo efetuado: (...) 6.7. As diferenças de contribuições incidentes sobre as bases de cálculo não declaradas foram objeto do presente lançamento. Há que se destacar que ocorreram recolhimentos e declarações para os segurados servidores nos autos do PTA nº. 10670.72116/2016-44, que também está sendo julgado nesta oportunidade. Dessa forma, ocorreram recolhimentos para o período de 01 a 09/2011, de modo que a contagem do prazo decadencial deverá se dar a partir do fato gerador. Assim, para as competências de 01/2011, 02/2011, 05/2011, 07 e 09/2011, pelo artigo 150, §4º do CTN, a contar do fato gerador, nos termos da Súmula CARF nº. 99: Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 11 Súmula CARF nº 99 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 09/12/2013 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Sendo assim, verifico que os lançamentos referentes às competências 01/2011, 02/2011, 05/2011, 07 e 09/2011 teriam sido alcançadas pela decadência. 3. Mérito No mérito, o recurso voluntário apenas reitera os argumentos e afirmações apresentadas em sede de Impugnação, que foram devidamente analisados pela decisão de piso. Dessa forma, com base no artigo 1145, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 2023), abaixo transcrito, confirmo e adoto integralmente a decisão da primeira instância julgadora administrativa, pelos seus próprios fundamentos. A autuada alega que as bases de cálculo de lançamento das competências 05 e 11/2012 e 05, 07 e 12/2011 não estão corretas, uma vez os valores das notas de empenho emitidas pelo município foram declaradas nas GFIP das respectivas competências anteriores. A alegação não procede. Isso porque, o fato gerador de contribuição previdenciária deve ser declarado na GFIP da competência de sua ocorrência, ou seja, no mês em que a remuneração for paga, devida ou creditada. Para órgão públicos, a remuneração considera-se paga na data da liquidação do empenho, conforme disposto no §2º do art. 52 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, verbis: Art. 52. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: [...] III - em relação à empresa: [...] b) no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços; 5 Art. 114. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.170 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721167/2016-44 12 § 2º Para os órgãos do Poder Público considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa. Portanto, agiu de forma correta a fiscalização, ao adotar a data de liquidação dos empenhos como a data de ocorrência dos fatos geradores. Em relação às demais diferenças de lançamento, a autuada não justificou porque a nota de empenho liquidada não deveria ser lançada. Vê-se que os argumentos do recorrente foram devidamente analisados pela decisão de piso, que apenas reconheceu a comprovação de anulação da nota de empenho 09104-5 (anexada na folha 453). Vale o destaque: Em relação às notas de empenhos anuladas, a autuada comprovou a anulação da nota de empenho 09104-5 (anexada na folha 453). O valor da despesa bruta dessa nota de empenho totaliza R$ 1.420,00, representando uma base de cálculo de R$ 284,00(conforme folha 59). Assim, a diferença entre a base de cálculo declarada em GFIP e a base de cálculo dos empenhos cai para R$ 68,98. Portanto a base de cálculo da competência 12/2012 do FPAS 6200 deve ser retificada para R$ 68,98 (R$ 352,98 – R$ 284,00) e o valor devido deve ser retificado de R$ 70,59 para R$ 13,80. No que diz respeito aos demais levantamentos, não vejo reparos a fazer na decisão de piso. 4. Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer o argumento relacionado à restituição e compensação, e na parte conhecida, dou-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência do direito de a Administração lançar os débitos referentes às competências de 01/2011, 02/2011, 05/2011, 07 e 09/2011. É como voto. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 510DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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