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11161375 #
Numero do processo: 10880.941105/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 1301-001.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luis Angelo Carneiro Baptista, José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: EDUARDA LACERDA KANIESKI

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luis Angelo Carneiro Baptista, José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário apresentado por TUPY FUNDIÇÕES LTDA. contra o Acórdão nº 16-72.398, da 7ª Turma da DRJ/SPO, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, para reconhecer crédito referente a duas parcelas de estimativas mensais na composição do saldo negativo do ano-calendário de 2004. Fl. 699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 2 A controvérsia tem origem no PER/DCOMP nº 08429.58564.020905.1.2.02-9826 (e- fls. 11/15), por meio do qual a Contribuinte — posteriormente incorporada por Tupy S/A em 30/11/2007 — pleiteia o reconhecimento de crédito no valor original de R$ 4.808.566,53, decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado com base em estimativas mensais, imposto de renda retido na fonte e imposto de renda pago no exterior, relativo ao ano-calendário de 2004. Em paralelo, foi transmitido o PER/DCOMP nº 08654.03901.230905.1.3.02-0378, mediante o qual a Contribuinte declarou compensação entre o referido crédito e débitos de estimativas mensais de IRPJ apuradas no ano-calendário de 2005. Conforme despacho decisório (e-fls. 2/7), a Autoridade Preparadora reconheceu parcialmente o direito creditório, limitando-o ao montante de R$ 736.401,49, homologando a compensação declarada na DCOMP nº 08654.03901.230905.1.3.02-0378 até o valor do crédito reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual suscitou preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, contestou o reconhecimento parcial das parcelas de estimativas mensais e a desconsideração do imposto de renda pago no exterior. Em síntese, alegou:  ter deduzido na DIPJ/2005 o total de R$ 10.759.529,15 a título de IR mensal por estimativa, embora apenas R$ 9.482.469,34 tenham sido informados no PER/DCOMP, por equívoco no seu preenchimento;  ter deduzido R$ 2.246.716,56 a título de imposto pago no exterior, valor que, por equívoco, não foi informado no PER/DCOMP;  que o PER/DCOMP seria mero instrumento procedimental, não podendo a ausência de indicação de parcelas impedir o reconhecimento do saldo negativo;  que a compensação declarada seria válida, desde que demonstrada a quitação das antecipações que compõem o saldo negativo. ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 3 Distribuído o feito, a 7ª Turma da DRJ/SPO, por meio do Acórdão nº 16-72.398 (e- fls. 413/436), rejeitou a preliminar de nulidade, por entender que o despacho decisório apresentava fundamentação suficiente a permitir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. No mérito, a DRJ examinou o pedido da Contribuinte quanto à inclusão, no saldo negativo, do valor de R$ 2.246.716,56 relativo ao imposto de renda pago no exterior, concluindo haver absoluta ausência de provas que demonstrassem o pagamento do imposto no exterior e a observância das formalidades indispensáveis para o reconhecimento do crédito da parcela. Nesse sentido, registrou que a simples indicação do montante na DIPJ — obrigação acessória de natureza declaratória — não supre a necessidade de juntar a documentação prevista na legislação aplicável, para fins de compensação do IR pago no exterior. Diante da inexistência de prova mínima da certeza e liquidez do crédito, manteve-se a glosa integral da parcela. Ao apreciar o pedido de inclusão, no saldo negativo, das estimativas mensais de março e maio de 2004 não informadas no PER/DCOMP, por erro de preenchimento, a DRJ constatou que: “(...) De acordo com as informações retiradas da base de dados do contribuinte, observa- se que, primeiramente, que o débito de estimativa confessado em março 2004 totalizou o valor de R$ 800.647,80 (oitocentos mil, seiscentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos). Deste montante, houve a extinção por pagamento de R$ 80,06 (oitenta reais e seis centavos). O saldo devedor remanescente (R$ 800.567,74) encontra-se vinculado a Declaração de Compensação controlada nos autos do Processo nº 11610.008318/2006-71. A compensação declarada não foi homologada, primeiramente, defronte decisão proferida pela DERAT/SP e, posteriormente, confirmada pelo Acórdão nº 16-72.152 – Sessão de 20 de abril de 2016, proferida pela 9ª Turma da DRJ/SPO (fls. 311/412). A negativa da homologação de compensação implica na sua desconsideração do cômputo do saldo negativo. Por sua vez, o débito de estimativa confessado em maio 2004 totalizou o valor de R$ 247.281,42 (duzentos e quarenta e sete mil, duzentos e oitenta e um reais e quarenta e dois centavos). Fl. 701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 4 Desta importância, houve a extinção por pagamento de R$ 247,28 (duzentos e quarenta e sete reais e vinte e oito centavos). O saldo devedor remanescente (R$ 237.034,14), originalmente, encontrava-se vinculado a Declaração de Compensação controlada nos autos do Processo nº 19679.013740/2004-01. O resultado da diligência requisitada pelo órgão de julgamento, contudo, retornou informação vertente a transferência do controle do débito para os autos do Processo nº 16152.720887/2011-13, ante a formalização de pedido de parcelamento com fundamento na MP nº 490/2009, e subseqüente extinção por pagamento. Neste contexto, razoável a inclusão das parcelas extintas dos débitos de estimativa de março (R$ 80,06) e maio (R$ 247.281,42) na composição do saldo negativo objeto do litígio. À luz desses elementos, a DRJ acolheu parcialmente as alegações da Contribuinte, para reconhecer o direito creditório oriundo das estimativas mensais de IRPJ referentes a março/2004, no valor de R$ 80,06 e maio/2004, no valor de R$ 247.281,42, ante a efetiva comprovação dos recolhimentos. Por outro lado, afastou a possibilidade de inclusão do valor remanescente de R$ 800.567,74, referente a março/2004, por estar vinculado à Declaração de Compensação controlada nos autos do Processo nº 11610.008318/2006-71, ante a não homologação pelo despacho decisório e, posteriormente, pela DERAT/SP. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão de piso, a Contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (e-fls. 445/487), renovando a preliminar de nulidade do despacho decisório e reiterando, no mérito, que: (i) todas as estimativas mensais de 2004 teriam sido devidamente quitadas, ainda que não indicadas integralmente no PER/DCOMP; (ii) o imposto de renda pago no exterior teria integrado regularmente o cálculo do saldo negativo e estaria comprovado pela DIPJ; (iii) eventual falha de preenchimento do PER/DCOMP seria vício meramente procedimental, incapaz de afastar o direito creditório; (iv) as compensações não homologadas não poderiam afastar a presunção de quitação à época de sua realização. Fl. 702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 5 DOCUMENTAÇÃO JUNTADA EM SEDE RECURSAL Registra-se que, somente em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte instruiu os autos com documentação destinada a comprovar o pagamento do imposto de renda no exterior e a disponibilização dos lucros auferidos no exterior, juntando:  demonstrativos dos lucros e imposto pago no exterior pelas controladas TAFCO, TEU e IRON, constantes das e-fls. 547–548;  comprovantes do imposto pago no exterior, acompanhados de chancela consular e traduções juramentadas, constantes as e-fls. 549–628;  Ficha 53 da DIPJ 2005 / Ano-calendário 2004, informes de rendimento e notas fiscais relativas ao imposto de renda retido na fonte (e-fls. 629/651);  Balancete Consolidado Parcial do período 01/01/2004 a 31/12/2004 (e-fls. 652/685). É o relatório. VOTO Conselheira Eduarda Lacerda Kanieski, Relatora A Recorrente foi intimada do v. Acórdão Recorrido em 22/03/2017 (e-fls. 441), tendo o prazo de 30 dias decorrido em 21/04/2017, podendo se cogitar da intempestividade do Recurso Voluntário, uma vez que protocolado em 24/04/2017. Entretanto, conforme anotado pela Contribuinte em sua peça recursal, não houve expediente administrativo no dia 21/04/2017, tendo em vista o feriado de Tiradentes (Lei nº 662/49). Assim, o Recurso Voluntário é tempestivo, e foi apresentado por de advogado regularmente habilitado por procuração acostada às e-fls. 507/510. Preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Fl. 703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 6 Conforme relatado, trata-se de Pedido de Restituição formalizado no PERDCOMP nº 08429.58564.020905.1.2.02-9826 (e-fls. 11/15), por meio do qual a Recorrente pleiteia o reconhecimento de crédito no valor original de R$ 4.808.566,53, decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado com base em estimativas mensais, imposto de renda retido na fonte e imposto de renda pago no exterior, relativo ao ano-calendário de 2004. Ocorre, contudo, que ao discriminar a composição das parcelas que formam o alegado direito creditório, a Recorrente se limitou a informar o valor de R$ 9.482.469,34, no campo “DEM. ESTIM. COMP.”. Desse montante, restou reconhecido o direito ao crédito no valor de R$ 8.939.230,65, remanescendo o valor de R$ 543.238,69, não confirmado pela Autoridade Preparadora. Considerando que o IRPJ devido no ano-calendário 2004 era de R$ 8.202.829,16, o saldo negativo disponível resultou em R$ 736.401,49, nos termos do despacho decisório (e-fls. 2/8). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (e-fls. 24/41) e documentos comprobatórios (74/184), alegando fazer jus ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 4.808.566,53, conforme declarado no PERDCOMP nº 08429.58564.020905.1.2.02-9826, embora tenha se equivocado quanto a discriminação das parcelas que o compõem. Nesse sentido, informa que “embora tenha sido detalhado, na discriminação da composição do saldo negativo de IRPJ no PER/DCOMP, apenas o montante de R$ 9.482.469,34 a título de IRPJ Mensal por Estimativa”, alega que teria apurado “(i) R$ 10.759.529,15 a título de IRPJ Mensal por Estimativa ao longo do ano-calendário de 2004; (ii) R$ 2.246.716,56 a título de IR pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital; e (iii) R$ 234.098,79 a título de IRRF, conforme se nota das Fichas 12ª e 53 da DIPJ 2005 da Recorrente.” A DRJ/SPO, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, julgou-a parcialmente procedente, para reconhecer o crédito suplementar de R$ 247.361,48, referente às estimativas mensais extintas, além do valor de R$ 736.401,49 já reconhecido pela DRF. Fl. 704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 7 Segundo a Autoridade Julgadora a quo, as estimativas de IRPJ quitadas por compensações declaradas em DCOMP’s não homologadas, ou pendentes de homologação, não poderiam compor o saldo negativo de IRPJ do período, razão pela qual manteve o indeferimento do restante do crédito. Por sua vez, a DRJ não reconheceu a parcela de imposto de renda pago no exterior, no valor de R$ 2.246.716,56, uma vez que a Contribuinte não teria comprovado o recolhimento pelas controladas estrangeiras, bem como a inclusão dos lucros correspondentes na apuração do lucro real no ano-calendário de 2004. No tocante ao Imposto de Renda Retido na Fonte, a DRJ/SPO não se manifestou acerca do alegado crédito. Em sede recursal, a Recorrente reitera que as estimativas de março, agosto e outubro de 2004 — embora vinculadas a DCOMPs não homologadas em processos administrativos autônomos — devem integrar o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004. Reitera, outrossim, o reconhecimento das parcelas referentes ao imposto pago no exterior e ao imposto de renda retido na fonte na composição do saldo negativo, acostando documentação que comprovam, em tese, o recolhimento e a inclusão das respectivas receitas na apuração do lucro real do período (e-fls. 547/628; 629/651; e 652/685). Pois bem. A legislação condiciona, para fins de reconhecimento do direito creditório, a certeza e liquidez do valor cuja restituição ou compensação se pleiteia, de modo que cabe ao Contribuinte comprovar que o crédito cumpre com tais condições. Assim, o erro de preenchimento do PER/DCOMP não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado (v.g. Acórdão nº 1003-003.857). Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 8 Superada tal premissa, cabe a este Colegiado prosseguir na análise do direito creditório pleiteado, de modo a aferir a liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ declarado no PERDCOMP nº 08429.58564.020905.1.2.02-9826, no montante de R$ 4.808.566,53. De início, cumpre registrar que as estimativas compensadas, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, devem ser consideradas no cômputo do saldo negativo, nos termos do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 02/2018. Esse entendimento foi pacificado no âmbito deste Tribunal Administrativo com a edição da Súmula CARF nº 177, cujo enunciado dispõe: Súmula CARF nº 177 (vinculante): “Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.” Precedentes das Turmas Ordinárias e da CSRF reforçam a orientação (Acórdãos 9101- 004.841; 1201-003.026; 1201-003.432; 1302-004.400; 1401-004.156; 1401-004.216; 1402- 004.226; 1402-004.337; 1401-004.371; 1302-003.890). Nesse cenário, as parcelas de estimativas não informadas, ou não reconhecidas pela Autoridade Preparadora e Julgadora, que tenham sido compensadas e confessadas mediante Declarações de Compensação (DCOMP), devem compor o saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2004. Ademais, a Recorrente anexa, em seu Recurso Voluntário, ampla documentação comprobatória, com vistas a comprovar o imposto pago no exterior, bem como o imposto de renda retido na fonte. Assim, por cautela, proponho a conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que: a) Analise a documentação acostada aos autos, e verifique a certeza e a liquidez do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2004 declarado no PERDCOMP nº 08429.58564.020905.1.2.02-9826, no montante de R$ 4.808.566,53, composto por estimativas mensais, imposto pago no exterior e Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O RESOLUÇÃO 1301-001.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.941105/2010-96 9 imposto de renda retido na fonte, intimando-se o contribuinte, se necessário, para que apresente provas complementares; b) elabore relatório circunstanciado sobre a liquidez e certeza do crédito e, sendo reconhecido, informe o valor disponível para compensação até o limite do crédito apurado; c) Intime-se a Contribuinte para se manifestar a respeito do relatório de diligência, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as determinações acima, retornem-se os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. | CONCLUSÃO Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para que proceda à verificação e confirmação do saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2004, nos termos delimitados acima. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski Fl. 707DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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11164581 #
Numero do processo: 10183.900995/2013-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/Pasep E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. SÚMULA CARF Nº 188. Os CTRCs glosados não correspondem a aquisições de mercadorias, mas a serviços de transporte regularmente tributados pelo PIS e pela Cofins. O § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 veda créditos apenas quando o bem ou serviço não sofre a incidência das contribuições, o que não abrange o frete autônomo. Aplicação da Súmula CARF nº 188. Caso concreto, em que não restou comprovada a tributação dos referidos serviços. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITOS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE ATIVOS. ART. 3º, VI, LEIS Nº 10.637/2002 E Nº 10.833/2003. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO À PRODUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O creditamento relativo à depreciação de bens do ativo imobilizado exige comprovação de sua utilização na produção de bens destinados à venda. Ausente documentação apta a demonstrar o vínculo produtivo ou critérios de segregação entre atividades produtivas e administrativas, mantém-se a glosa.
Numero da decisão: 3002-003.983
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.982, de 27 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10183.900994/2013-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Carsola Mascarenhas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).
Nome do relator: RENATO CAMARA FERRO RIBEIRO DE GUSMAO

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NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. SÚMULA CARF Nº 188. Os CTRCs glosados não correspondem a aquisições de mercadorias, mas a serviços de transporte regularmente tributados pelo PIS e pela Cofins. O § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 veda créditos apenas quando o bem ou serviço não sofre a incidência das contribuições, o que não abrange o frete autônomo. Aplicação da Súmula CARF nº 188. Caso concreto, em que não restou comprovada a tributação dos referidos serviços. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITOS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE ATIVOS. ART. 3º, VI, LEIS Nº 10.637/2002 E Nº 10.833/2003. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO À PRODUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O creditamento relativo à depreciação de bens do ativo imobilizado exige comprovação de sua utilização na produção de bens destinados à venda. Ausente documentação apta a demonstrar o vínculo produtivo ou critérios de segregação entre atividades produtivas e administrativas, mantém-se a glosa. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 2 sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.982, de 27 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10183.900994/2013-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Carsola Mascarenhas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS-PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 3 Tempestividade Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Trata-se de Recurso Voluntário interposto por contribuinte que atua no setor agropecuário e, submetida ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins (Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), acumulou créditos vinculados à receita de exportação, nos termos do art. 3º desses diplomas. Para o período em análise, a empresa apresentou pedido eletrônico de ressarcimento por meio do PER/DCOMP, bem como realizou compensações com os créditos apurados. Após exame fiscal, a autoridade administrativa proferiu despacho decisório eletrônico indeferindo a maior parte dos créditos pleiteados e não homologando parte das compensações. Contra essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, posteriormente julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/Recife, decisão da qual tomou ciência em 21/09/2020. Inconformada com os fundamentos adotados, interpõe o presente Recurso Voluntário buscando a revisão do entendimento administrativo, por considerar equivocados os motivos que embasaram o indeferimento do direito creditório. I- Da decisão II.1- Das despesas com fretes sobre compras de insumos adubos/fertilizantes. A decisão recorrida glosou créditos de PIS e Cofins sob o argumento de que a Recorrente teria se creditado indevidamente de aquisições de adubos e fertilizantes sujeitos à alíquota zero, à luz do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. Contudo, verifica-se que os documentos listados no Anexo 01 do Relatório Fiscal não correspondem a notas fiscais de aquisição de insumos, mas sim a CTRCs relativos a serviços de transporte contratados para o deslocamento desses insumos até o estabelecimento da Recorrente. Assim, a premissa da fiscalização — de que se trataria de aquisição de mercadorias tributadas à alíquota zero — não corresponde à realidade dos autos. Os serviços de frete são operações autônomas, prestadas por terceiros, e são regularmente tributadas pelo PIS e pela Cofins na receita da transportadora. Ainda que os insumos transportados estejam sujeitos à alíquota zero, o serviço de transporte não o está, razão pela qual gera Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 4 direito ao crédito na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003. Não há, portanto, amparo legal para estender ao frete a mesma vedação de creditamento aplicável à mercadoria desonerada, pois o § 2º, II, do art. 3º veda o crédito apenas sobre bens e serviços não sujeitos à contribuição, o que evidentemente não é o caso dos serviços de transporte aqui analisados. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de reconhecer o direito ao crédito de PIS e Cofins sobre fretes utilizados no transporte de insumos sujeitos à alíquota zero. O entendimento encontra-se, inclusive, consolidado na Súmula CARF nº 188, que dispõe: “É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições.” Tal verbete reflete exatamente a situação dos autos, nos quais o frete é registrado de forma autônoma por meio de CTRCs e foi efetivamente onerado pelas contribuições na etapa anterior. Também a jurisprudência do STJ, notadamente no REsp 1.215.773/RS, reforça que a interpretação do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 deve ser sistemática, de modo a assegurar o funcionamento adequado da não cumulatividade e impedir que a tributação anterior seja ignorada. A negativa do crédito, nas circunstâncias dos autos, implicaria justamente o efeito indesejado de cumulatividade, contrariando a estrutura legal da contribuição. Contudo, no caso concreto não há apresentação de documentos que comprovem que tais atividades se relacionam a atividade e que foram sujeitos à tributação, como os conhecimentos de transporte eletrônico. Inclusive, trata-se de ponto expresso indicado como razão de decidir no acórdão recorrido e não enfrentado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. Assim, embora na teoria tais créditos pudessem ser aproveitados, caberia ao contribuinte sua comprovação, ônus do qual não se desincumbiu, razão pela qual mantenho a decisão recorrida. II. 2- Dos créditos sobre encargos de depreciação. A decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que manteve a glosa dos créditos de PIS e COFINS Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 5 decorrentes da depreciação de bens do ativo imobilizado, por entender não comprovado o vínculo de tais bens com a atividade de produção de bens destinados à venda. O recorrente sustenta, em síntese, que os bens glosados — máquinas, equipamentos elétricos, veículos e ferramentas — são essenciais ao desempenho de suas atividades, de modo que, à luz do disposto no art. 3º, incisos VI e VII, e §1º, inciso III, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, teria direito ao creditamento decorrente dos encargos de depreciação. Alega, ainda, que, diferentemente do entendimento fiscal, o direito ao crédito não estaria restrito aos bens empregados diretamente na linha de produção, devendo ser estendido àqueles que, de forma indireta, contribuem para o processo produtivo. Consoante dispõe o art. 3º, inciso VI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, é admitido o desconto de créditos da contribuição com base nos encargos de depreciação de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O dispositivo legal é expresso ao condicionar o direito ao crédito à utilização do bem na produção de bens ou serviços, afastando, portanto, a aplicação dos critérios de essencialidade e relevância típicos das hipóteses de creditamento de insumos (inciso II do mesmo artigo). Essa distinção foi bem observada pela DRJ, que corretamente assentou que o creditamento em debate não se rege pela regra geral dos insumos, mas por uma hipótese específica e restrita da legislação, cuja interpretação não comporta ampliação para abarcar bens de uso administrativo ou meramente auxiliar. O entendimento adotado pela autoridade julgadora de primeira instância está em consonância com o Parecer Normativo COSIT nº 5/2018 e com a Solução de Consulta COSIT nº 270/2017, de efeito vinculante no âmbito da Receita Federal, que esclarecem: “Para a modalidade de creditamento a partir dos encargos de depreciação, não é necessário que o ativo seja utilizado diretamente na produção, bastando que contribua com sua consecução. Todavia, bens utilizados em áreas administrativas ou em atividades intermediárias da pessoa jurídica não permitem o crédito, por não serem aplicados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.” No caso concreto, a autoridade fiscal verificou que os bens relacionados pelo contribuinte — como máquinas e equipamentos elétricos, veículos e Fl. 213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 6 ferramentas — são empregados de forma compartilhada entre as atividades de produção, de comercialização e de exportação de terceiros, bem como em áreas administrativas, sendo impossível identificar a parcela efetivamente vinculada à produção de bens destinados à venda. O recorrente, por sua vez, não apresentou documentação contábil hábil nem critérios de rateio que permitissem segregar os bens produtivos daqueles empregados em atividades não creditáveis. Em observância ao disposto no art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, o ônus da prova quanto aos fatos constitutivos do direito alegado é do contribuinte, o qual, no presente caso, não logrou êxito em demonstrar, de forma clara e documental, a utilização produtiva dos bens que geraram os encargos de depreciação glosados. Dessa forma, conforme bem consignado pela DRJ, a ausência de provas aptas a assegurar a certeza e liquidez do crédito pleiteado impede o reconhecimento do direito ao creditamento pretendido. II. 3- Do estorno de créditos proporcionalmente as vendas com suspensão de PIS e Cofins. A Recorrente busca a manutenção e o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins vinculados a operações de venda com suspensão das contribuições. Sustenta que a Receita Federal do Brasil (RFB) equivocadamente exigiu o estorno desses créditos, contrariando a legislação vigente. Destaca que o art. 17 da Lei 11.033/2004 e o art. 16 da Lei 11.116/2005 asseguram expressamente que vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência não impedem a manutenção dos créditos. Afirma que a Instrução Normativa 660/2006, ao determinar o estorno, criou uma restrição não prevista em lei, violando os princípios da legalidade e da não cumulatividade. A Recorrente esclarece que os créditos foram corretamente apurados, gerando saldo credor passível de compensação ou ressarcimento, e requer a revisão de ofício dos procedimentos administrativos que determinaram os estornos, reintegrando os créditos de forma adequada. O objetivo final é assegurar o direito ao crédito de PIS e Cofins, evitando a perda indevida de valores já apurados, em conformidade com a legislação federal. II. 3.1 – Do entendimento da DRJ quanto a retificação de ofício em relação ao estorno de créditos proporcionalmente às vendas com suspensão de PIS/Cofins. Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 7 A Recorrente pleiteia a revisão dos procedimentos administrativos que resultaram no indevido estorno de parcela dos créditos de PIS e Cofins apurados, com vistas à reintegração desses valores ao seu saldo credor. Argumenta que a decisão da DRJ, ao negar a revisão de ofício, contraria o princípio da verdade material e os demais princípios que regem a administração pública, previstos no artigo 2º da Lei 9.784/99, como razoabilidade, objetividade, adequação entre meios e fins, simplicidade, motivação e interpretação da norma administrativa de modo a atender ao fim público. A Recorrente sustenta que, diante de equívocos constatados nos demonstrativos apresentados (PER/DCOMP, DACON e demais documentos), a Receita Federal deve promover a retificação de ofício, nos termos do §2º do art. 147 do CTN, considerando o saldo credor real e permitindo o aproveitamento integral dos créditos. Apoia-se em precedentes do CARF que reconhecem que erros formais no preenchimento de declarações não podem prejudicar o direito creditório, desde que comprovado materialmente o crédito, devendo ser aplicado o princípio da verdade material. Trata-se de pedido de revisão de ofício de ato praticado pelo próprio contribuinte, de forma espontânea. Considerando que a solicitação versa sobre procedimento de iniciativa do sujeito passivo e não há ato formal da administração que possa ser revisto, entendo que não há competência desta instância para apreciar o pedido. Diante disso, mantenho a decisão da DRJ. II. 4 – Previsão legal para incidência da Selic. Não tendo sido dado provimento ao Recurso, ou qualquer pretensão da interessada, resta prejudicada a questão relativa à incidência da taxa Selic para correção dos créditos. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento. Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.983 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.900995/2013-96 8 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Fl. 216DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10580.900111/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011 INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 110. Não há que se falar em intimação ao patrono, por qualquer meio de comunicação oficial. Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 3302-015.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, que se resume exclusivamente ao tópico sobre o endereçamento de intimações a procuradores e advogados, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Mário Sérgio Martinez Piccini – Relator Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca das Chagas Lemos e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Ausente o(a) Conselheiro(a) Louise Lerina Fialho.
Nome do relator: MARIO SERGIO MARTINEZ PICCINI

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-17T20:21:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-17T20:21:25Z; Last-Modified: 2025-12-17T20:21:25Z; dcterms:modified: 2025-12-17T20:21:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-17T20:21:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-17T20:21:25Z; meta:save-date: 2025-12-17T20:21:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-17T20:21:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-17T20:21:25Z; created: 2025-12-17T20:21:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2025-12-17T20:21:25Z; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-17T20:21:25Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10580.900111/2014-00 ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de novembro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011 INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 110. Não há que se falar em intimação ao patrono, por qualquer meio de comunicação oficial. Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, que se resume exclusivamente ao tópico sobre o Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 2 endereçamento de intimações a procuradores e advogados, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Mário Sérgio Martinez Piccini – Relator Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca das Chagas Lemos e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Ausente o(a) Conselheiro(a) Louise Lerina Fialho. RELATÓRIO Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a “Pagamento Indevido ou a Maior” da Cofins não cumulativa, código de receita 5856. 1. DO PROCEDIMENTO FISCAL A análise do Direito Creditório teve como resultado indeferimento com suporte no Auto de Infração do Processo nº 10580.731.563/2013-46. A empresa em questão entendeu que não teria aproveitado os créditos de PIS/COFINS que teria direito, procedendo a correção de suas bases contábeis e transmitindo Perdcomp´s com base em Pagamento Indevido e/ou a maior. Em batimento efetuado junto aos arquivos digitais de Notas Fiscais e a DACON, a Fiscalização detectou que não fariam jus aos descontos pretendidos, efetuando a glosa de:  Diversos bens e itens que não foram considerados Insumos;  Glosa dos créditos tidos como extemporâneos;  Glosa de possíveis serviços utilizados como Insumos;  Glosa de parte das Despesas de Energia Elétrica; Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 3  Glosa de despesas relativas a aluguéis por falta de comprovação de base legal, pois os pagamentos seriam decorrentes de construção de imóveis que ao final pertenceriam a Empresa, bem como falta de comprovação de alguns contratos;  Glosa de despesas de condomínio, fundo de promoção e propaganda e IPTU;  Inclusão na base de cálculo de PIS/COFINS das receitas referentes as supostas subvenções para investimento de crédito presumido de ICMS pelo Estado da Bahia Tal análise implicou na geração de Débitos de PIS/COFINS, consubstanciando no Auto de Infração já mencionado e consequente indeferimento e/ou Homologação Parcial da Perdcomp. 2. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a Manifestante, após discorrer sobre o conceito da não cumulatividade do PIS/COFINS e transcrever atos normativas da Receita Federal, bradando sobre a inaplicabilidade da legislação do IPI e ICMS sobre o conceito de Insumos e Prestação de Serviços. Apresentou cópias dos contratos de aluguel glosados, bem como defendeu a utilização de despesas de Condomínio e IPTU. Contestou a Glosa de Despesas de aluguel para reunião, locação de espaço para oficina da empresa, pois considera essencial reunião de avaliação de desempenho; Protestou pela exclusão do Crédito Presumido de ICMS, pois não teria cabimento a empresa comprovar a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento. Não questionou a glosa de parte das despesas de Energia Elétrica. 3. DO VOTO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO Em sua ementa a DRJ apresentou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não-cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 4 ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovado os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Incabível a utilização de créditos referentes a aquisições feitas em um período no cálculo da contribuição de período de apuração seguinte. A legislação de regência permite apenas a utilização de crédito excedente, depois de devidamente apurado em seu período respectivo. CRÉDITO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO E OUTRAS. Taxas de condomínio não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita o desconto de crédito correspondente. ALUGUÉIS. A legislação de regência permite o desconto de despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, somente quando utilizados nas atividades da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 4. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando seus argumentos da Manifestação de Inconformidade e pedindo:  Considerar insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal;  Serem incluídos os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, uma vez que, nos termos realizados pelo Fiscal, tal ato viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União;  Declarar que as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001-24, vinculados ao contrato nº 424/06 – Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS;  Declarar que as despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel;  Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; Fl. 228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 5  Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento  Por fim, requer que todas as publicações ou intimações sejam realizadas em nome de LÍCIO BASTOS SILVA NETO, OAB/BA 17.392, especificamente a intimação acerca da data do julgamento deste recurso, sob pena de nulidade processual. Em 24/04/2019, por meio de Resolução CARF a Turma resolveu sobrestar o julgamento para aguardar a decisão no processo nº 10580.731.663/2013-16 (Auto de Infração) e após a liquidação da referida decisão, esclarecer se remanesceu algum valor do Direito Creditório pleiteado no presente. 5. DO PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO Nº 10580.731.563/2013-46 O Acórdão CARF nº 3401-004.021. de 25/10/2017, reverteu as seguintes glosas:  Direito ao crédito pela aquisição de peças aplicadas na prestação de serviços;  Direito a apropriação dos créditos extemporâneos. Por meio do Recurso Especial do Procurador, foi emitido o Acórdão CSRF nº 9303- 010.080, que manteve a glosa de créditos extemporâneos. Assim, foi dado provimento parcial para reconhecer o Direito ao Crédito das contribuições sobre Partes e Peças aplicadas na manutenção dos equipamentos empregados na prestação de serviço – Saneamento e Distribuição de Água. 6. DA INFORMAÇÃO FISCAL E LIQUIDAÇÃO DO ACÓRDÃO PELA UNIDADE De posse das decisão definitiva em âmbito administrativo do Auto de Infração mencionado, a Unidade Local emitiu relatório de Informação Fiscal EQAUD/DRF/SDR nº 2.628/2000 onde concluiu que o Direito Creditório permaneceu sem alterações, conforme Termo de Verificação Fiscal, aqui reproduzido: Fl. 229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 6 Ou seja, apenas para as Perdcomp´s mencionadas foi mantido o Direito inicialmente reconhecido, permanecendo os demais indeferimentos. Não consta Manifestação da Recorrente em relação a Informação Fiscal da Unidade da Receita Federal. 7. DA DECISÃO JUDICIAL Percorrendo as informações constantes do Processo nº 10580.731563/2013-46 (Auto de Infração) verifica-se que a Recorrente impetrou Ação Ordinária com pedido de Tutela de Evidência e/ou Urgência sob nº 1037016-62.2021.4.1.3300 onde pleiteia a anulação do Lançamento pela alegação de seu regime ser de Cumulatividade e alternativamente, reversão das glosas remanescentes após decisões do CARF. Conforme informações, foi emitida decisão liminar suspendendo a exigibilidade dos créditos em cobrança. É o relatório. VOTO Conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini, Relator I – ADMISSIBILIDADE O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento parcial em função da Ação Judicial e passo a apreciar os demais itens. II – MÉRITO a. DO DIREITO CREDITÓRIO Como se depreende das informações do relatório, análise do Direito Creditório teve com arcabouço o processo nº 10580.731.663/2013-16 (Auto de Infração). Não foram aceitos pela Autoridade Lançadora os seguintes créditos: Fl. 230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 7  Diversos bens e itens que não foram considerados Insumos;  Glosa dos créditos tidos como extemporâneos;  Glosa de possíveis serviços utilizados como Insumos;  Glosa de parte das Despesas de Energia Elétrica;  Glosa de despesas relativas a aluguéis por falta de comprovação de base legal, pois os pagamentos seriam decorrentes de construção de imóveis que ao final pertenceriam a Empresa, bem como falta de comprovação de alguns contratos;  Glosa de despesas de condomínio, fundo de promoção e propaganda e IPTU;  Inclusão na base de cálculo de PIS/COFINS das receitas referentes as supostas subvenções para investimento de crédito presumido de ICMS pelo Estado da Bahia. O Acórdão CARF nº 3401-004.021. de 25/10/2017, reverteu as seguintes glosas:  Direito ao crédito pela aquisição de peças aplicadas na prestação de serviços;  Direito a apropriação dos créditos extemporâneos. Por meio do Recurso Especial do Procurador, foi emitido o Acórdão CSRF nº 9303- 010.080, que manteve a glosa de créditos extemporâneos. Assim, foi dado provimento parcial para reconhecer o Direito ao Crédito das contribuições sobre Partes e Peças aplicadas na manutenção dos equipamentos empregados na prestação de serviço – Saneamento e Distribuição de Água. Contudo, conforme se verifica a Recorrente impetrou Ação Ordinária com pedido de Tutela de Evidência e/ou Urgência, sob nº sob nº 1037016-62.2021.4.1.3300 onde pleiteia:  Anulação do Lançamento, por entender que se enquadra no Regime de Cumulatividade, conforme vários julgados colacionados ou, alternativamente  Reversão de todas as Glosas remanescentes a saber: a. Exclusão de rubricas da base de cálculo (Totalidade dos créditos de insumos e serviços necessários à operacionalização da pessoa jurídica, glosados pela Fazenda Nacional); b. Totalidade dos pagamentos realizados diretamente aos proprietários dos imóveis locados pela EMBASA, já incluídas as despesas de condomínio e IPTU, na medida em que o pagamento Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 8 integral, realizado diretamente ao proprietário, caracteriza-se como locação; c. Despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001-24, vinculados ao contrato nº 424/06 – Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe; e d. Determinar a impossibilidade de se tributar os créditos provenientes do ICMS, na medida em que existiu uma renúncia de receita pelo Estado da Bahia e não existe a necessidade de se verificar da destinação desta despesa, na medida em que, por ser tributo, não faz parte da base de cálculo do PIS e COFINS, não se tratando de faturamento Foi determinado pela Justiça por meio da Tutela de Urgência a suspensão da cobrança do Auto de Infração, com os seguintes dizeres: “para suspender a exigibilidade de todo o crédito tributário constituído em decorrência do auto de infração nº. 10580-731.563/2013-46, devendo a ré se abster de adotar medidas coativas ou restritivas tendentes à satisfação do aludido crédito, sendo autorizada a emissão de certidão positiva, com efeitos de negativa, em seu favor, relativamente aos valores que ora se discute, sob pena de imposição de multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)”, conforme decisão constante dos PAF. Considerando que todo procedimento de análise do Direito Creditório tem como base o citado lançamento, entendo estar caracterizada o disposto na Súmula CARF nº 1, com a interposição de ação judicial, com mesmo objeto: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, verificada a concomitância das matérias discutidas nas esferas administrativa e judicial, e tendo em vista a regra regimental que estabelece a obrigatoriedade na aplicação de matérias sumuladas no E. CARF, não se conhece dessa parte do presente recurso. B. INTIMAÇÕES ENDEREÇADAS A PROCURADORES E ADVOGADOS Fl. 232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 9 Sobre o pleito contido em Recursos Voluntários quanto a Intimação ser endereçada a procuradores e advogados, o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) elenca: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, Conforme apresentado, as intimações seguiram o citado arcabouço legal, sendo também pacificado no CARF, conforme Súmula nº 110, Vinculante: “No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).” Destarte, não é cabível a intimação diretamente para o patrono da empresa. III – DISPOSITIVO Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.392 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.900111/2014-00 10 Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, que se resume exclusivamente ao tópico sobre o endereçamento de intimações a procuradores e advogados, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Mário Sérgio Martinez Piccini Fl. 234DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11164299 #
Numero do processo: 15165.722415/2021-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexiste a omissão e contradição alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3102-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração propostos. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Luís Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Fábio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: FABIO KIRZNER EJCHEL

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexiste a omissão e contradição alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração propostos. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Luís Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Fábio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Fl. 3882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.021 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 2 Trata-se de embargos de declaração interpostos pela contribuinte em face do acórdão nº 3102-002.503, de 18/10/2024, apontando a existência omissão e contradição quanto às provas e conclusões da referida decisão. Realizado o exame de admissibilidade, os embargos foram admitidos, determinando-se o retorno dos autos ao colegiado para melhor esclarecer os fundamentos da decisão e/ou integrá-la. É o relatório. VOTO Os embargos tratam de alegadas contraditoriedade e omissão no acordão conforme os seguintes excertos: Contudo e com a vênia permissa, referido acórdão é contraditório. No voto, assim dispõe o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel (voto vencedor): (...) Ocorre que o voto é fundamentado no conceito da operação e define o papel do importador por encomenda e do encomendante predeterminado, nos termos dos § 1º, 2º e 3º do art. 3º da IN RFB nº 1861, de 27/12/2018: (...) Ocorre que o acórdão é contraditório: para imputar a responsabilidade solidária aos sócios das empresas autuadas, o acórdão considera os documentos e tratativas na importação por encomenda. Contudo, os desconsidera para imputar a ocultação do real adquirente. Assim, o julgador utiliza-se a permissa sobre a “IN RFB nº 1861, de 27/12/2018, norma que estabelece requisitos e condições para a realização de operações de importação por encomenda, explicita o conceito da operação e define o papel do importador por encomenda e do encomendante predeterminado”. Aduz que “os documentos acostados ao processo demonstram que COPAPE e ASTER faziam a execução e gerenciamento das compras no exterior, descaracterizando assim a típica importação por encomenda que, como visto, é aquela em que a importadora deve adquirir a mercadoria e fazer a execução e gerenciamento das compras para, aí sim, fazer a revenda para a encomendante predeterminada”. Contudo, quando a embargante, em suas razões recursais descreve e detalha como se deu as operações para demonstrar que houve sim uma importação por encomenda, sequer considera as alegações pois segundo o julgador “fora de contexto é a discussão sobre “home office” em tempos de pandemia de Covid 19. O relatório fiscal e o lançamento não trataram disso”. (...) Fl. 3883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.021 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 3 Se os presentes autos se tratam de multas impostas por suposta ocultação do real beneficiário na importação, a única forma de defesa da embargante é comprovar por fatos e documentos que a importação se deu na modalidade encomenda. Para tanto, faz-se necessário adentrar na operação e todas as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização. Não há como demonstrar a regularidade de uma operação de importação, sem discorrer sobre os fatos. (...) Portanto, a controvérsia apontada era sim matéria a ser arguida em fase recursal pois este foi um dos motivos qual ensejaram pela caracterização de ocultação do real adquirente, e a consequente aplicação da multa ora recorrida. A CONTRADIÇÃO do acórdão, portanto, resta assim demonstrada quando o julgador aduz que “os documentos acostados ao processo demonstram que COPAPE e ASTER faziam a execução e gerenciamento das compras no exterior, descaracterizando assim a típica importação por encomenda que, como visto, é aquela em que a importadora deve adquirir a mercadoria e fazer a execução e gerenciamento das compras para, aí sim, fazer a revenda para a encomendante predeterminada” mas quando o embargante, em suas razões recursais aborda tal questão, “Também fora de contexto é a discussão sobre “home office” em tempos de pandemia de Covid 19. O relatório fiscal e o lançamento não trataram disso” (...) As alegações discorridas em sede de impugnação e em fase recursal se prestam a comprovar a lisura da operação de importação por encomenda. Portanto, completamente DENTRO DO CONTEXTO, e foram completamente ignoradas no acórdão, sendo nesse sentido também OMISSO. (...) Providos os Embargos de Declaração, a fim de reconhecer a existência de CONTRADIÇÃO E OMISSÃO no acórdão, quando o mesmo imputa a manutenção da multa aduaneira pela prática de ocultação do real adquirente; contudo sequer analisa as alegações da embargante sobre a veracidade da operação de importação por encomenda. Não assiste razão à embargante. O cerne da questão está no fato do acórdão não ter tratado do assunto “home- office” discorrendo que “Também fora de contexto é a discussão sobre “home-office” em tempos de pandemia de Covid-19. O relatório fiscal e o lançamento não trataram disso”. A embargante entende que numa industrialização por encomenda tal tema é relevante. Como ela alega que faz uma industrialização por encomenda, o tema teria que ser analisado. Fundamental trazer todo o trecho do acórdão, para que a frase não seja utilizada fora do cenário geral: Fl. 3884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.021 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 4 A discussão sobre a classificação das mercadorias, envolvendo a NCM, é totalmente fora do contexto. Nas 44 folhas do relatório fiscal não há uma única referência ou questionamento sobre esse tema. Efetivamente, o enquadramento legal e a autuação não têm nada a ver com a classificação fiscal utilizada para as mercadorias. Também fora de contexto é a discussão sobre “home-office” em tempos de pandemia de Covid-19. O relatório fiscal e o lançamento não trataram disso. Então, o acórdão considerou que 2 temas estariam fora do contexto da lide: a classificação das mercadorias e o tema “home-office”. Sobre o primeiro, a embargante nem se pronunciou. Com relação ao “home-office”, o assunto foi tratado no recurso voluntário em apenas 3 únicos parágrafos, reproduzidos integralmente abaixo: Ademais é imprescindível contextualizar o momento social criado pela deflagração da pandemia pelo covid-19, que normalizou e tornou padrão uma prática de trabalho remoto que já era praticada em menor escala. A necessidade de respeito ao distanciamento social criou formas de permitir que os funcionários trabalhassem de casa, por meio de acesso remoto, e este regime remoto, o famoso “home office” foi praticado em quase todas as empresas do país. Por tal motivo, torna-se irrelevante a simples afirmação de que a recorrente possuía um funcionário em sistema remoto de trabalho. Não há qualquer implicação legal na conduta. Pelo contrário, foi prática muito estimulada visando o enfrentamento à crise sanitária que recaiu sobre o país, que nem de longe pode ser utilizada para fundamentar uma acusação de infração de ocultação na modalidade comprovada, como quer fazer crer a autoridade fiscal. Como se pode verificar, a questão foi tratada pelo próprio recurso voluntário de forma absolutamente periférica, não tendo relação com o assunto principal da discussão. A questão foi abordada exclusivamente pelo fato da empresa possuir um funcionário em sistema remoto de trabalho. O acórdão afirmou isso: que tanto a questão do “home-office” quanto a questão da “classificação das mercadorias” são questões estranhas, alheias, fora do contexto central da lide. Entrar em detalhes sobre classificação fiscal de mercadorias, a necessidade de distanciamento social em tempos de Covid-19 ou sobre a pertinência ou não de trabalho remoto não alteraria em nada a discussão, sendo periféricas no próprio recurso voluntário. Não existe, assim, contrariedade ou omissão no acórdão com relação a essas questões e nem qualquer prejuízo à defesa do contribuinte. Por fim, a embargante alega que o acórdão foi fundamentado na IN RFB nº 1.861, de 27/12/2018, que trata de operações de importação por encomenda e define o papel do Fl. 3885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.021 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 5 importador por encomenda e do encomendante. Como as operações não foram consideradas como importação por encomenda, existiria contradição na utilização de tal normativo. Nesse ponto, importante observar que um voto, acórdão ou decisão administrativa do CARF não é necessariamente fundamentado numa legislação específica. O auto de infração possui, sim, um enquadramento legal que serve como seu embasamento e é explicitado quando de sua formalização. Um acórdão do CARF não tem, contudo, essa característica. A IN RFB nº 1.861 foi citada e reproduzida em parte no voto vencedor, dentro do racional seguido pelo voto, mas não se trata do fundamento do voto. Pelo contrário, o contexto em que tal norma foi utilizado foi justamente para mostrar que as operações NÃO atendiam as condições e requisitos exigidos de uma típica industrialização por encomenda, como exposto nos seguintes trechos do acórdão: Relativamente à argumentação de que tratava-se de importação por encomenda, não procede pois todo o trabalho justamente foi o de descaracterizar as operações como importação por encomenda, mostrando que tratava-se, na verdade, de ocultação do real adquirente das mercadorias e, nesse contexto, BASOLI teria cedido seu nome para realização de operações de comércio exterior com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes. (...) Os documentos acostados ao processo demonstram que COPAPE e ASTER faziam a execução e gerenciamento das compras no exterior, descaracterizando assim a típica importação por encomenda que, como visto, é aquela em que a importadora deve adquirir a mercadoria e fazer a execução e gerenciamento das compras para, aí sim, fazer a revenda para a encomendante predeterminada. Fica, assim, caracterizada não uma importação por encomenda – mas uma ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. E BASOLI cede seu nome para efetivação dessa ocultação, cabendo, assim, a aplicação da presente multa. (negritos nossos) Então, não há contradição na menção à IN 1.861 no voto já que, pelo contrário, ela foi citada para justamente reforçar o entendimento do voto de que a norma NÃO foi obedecida, não tratando tal normativo de fundamento do voto. Conclusão Por todo o acima exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração propostos. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel Fl. 3886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.021 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 6 Fl. 3887DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12448.734873/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se o contribuinte deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. CSLL. LANÇAMENTOS CONEXOS. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado.
Numero da decisão: 1402-007.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI

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REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se o contribuinte deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. CSLL. LANÇAMENTOS CONEXOS. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.549 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.734873/2011-19 2 RELATÓRIO Trata-se de autos de infração por meio dos quais foi constituído o crédito tributário nos valores de R$ 1.388.741,38 e R$ 499.946,89, referentes, respectivamente, ao Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. A infração imputada à Recorrente foi a de exclusão indevida, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, realizada a título de “reversão de provisões não dedutíveis” , dos valores de : (a) R$ 2.818.614,41 (período de 01/01/2007 a 31/10/2007) e (b) R$ 2.736.351,18 (período de 01/11/2007 a 31/12/2007). Relatou a autoridade fiscalizadora que a Recorrente excluiu do Lucro Líquido, para fins de apuração dos resultados tributáveis dos períodos de jan/set de 2007 e out/dez de 2007 os montantes de R$ 2.818.614,41 e R$2.736.351,18, respectivamente. Ambas as exclusões foram efetivadas a título de “reversão do saldo de provisões não dedutíveis”. Apontou a autoridade fiscalizadora que as provisões indedutíveis devem ser adicionadas ao lucro líquido do período para fins de apuração do lucro Real, sendo seus valores controlados na parte B do LALUR e que no período de apuração seguinte ao da constituição da provisão, a eventual reversão do seu saldo deve refletir crédito à conta de resultado e exclusão de igual montante na apuração ao lucro real. O registro anteriormente feito na parte B do LALUR deve ser baixado para que seja feita a exclusão na parte A do mesmo livro. Fundamentou que o procedimento adotado pela empresa foi extra-contábil, uma vez que não foi encontrado, nem na contabilidade nem na DIPJ, na ficha correspondente à demonstração do resultado, a reversão das provisões em análise, feita à crédito de conta de resultado. Afirmou ainda que ao longo da ação fiscal não foi apresentada a comprovação das perdas efetivas referentes às provisões constituídas. A impugnação solicitou “diligência para execução de perícia contábil e fiscal” e alegou que é incorreta a afirmação de que os procedimentos adotados pela interessada seriam apenas extra-contábeis e que a exclusão de um valor a título de “reversão de provisão indedutível”, efetuada na Ficha 9A da DIPJ (“Demonstração do Lucro real”) não possui contrapartida na Ficha 06A -(“Demonstração do Resultado”). Defendeu que no período de 01/01/2007 a 01/10/2007 efetuou os lançamentos contábeis relativos às provisões indedutíveis especificados às fls 159/161 sintetizados (fls 162) conforme segue: Resultado Líquido do movimento das contas ( A-B) Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.549 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.734873/2011-19 3 Adições de acordo com os lançamentos devedores (A) : R$ 2.736.351,18 Exclusões de acordo com os lançamentos credores (B) : R$ 2.694.526,87 Argumentou que na DIPJ correspondente ao período de 01/01/2007 a 01/10/2007, os valores lançados como indedutíveis constam da linha 34 da Ficha 04-A - “Custo dos Bens e Serviços vendidos” (R$ 1.782.000,00) e da linha 24 da Ficha 5A – “Despesas operacionais” (R$ 954.351,18). A soma de tais quantias é de R$ 2.736.351,18 e foi registrada na parte A do Lalur, como adição, e controlada na parte “B” do mesmo livro e que na mesma DIPJ a impugnante excluiu , na ficha 9A , linha 24, o valor de R$ 2.818.614,41. A exclusão indevidamente realizada neste período de apuração foi, portanto, de apenas R$ 124.087,54, já que o valor correto da exclusão seria de R$ 2.694.526,87. Já em relação ao período de 01/10/2007 a 31/12/2007 teria efetuado os lançamentos contábeis relativos às provisões indedutíveis especificados às fls 162/163, assim sintetizados: Resultado Líquido do movimento das contas ( A-B) Adições de acordo com os lançamentos devedores (A) : R$ 12.996.485,70 – Déb. Exclusões de acordo com os lançamentos credores (B) : R$ 2.939.236,59- Créd Aduziu que também na DIPJ relativa ao período de 10/2007 a 12/2007 os valores lançados como parcelas indedutíveis constam da linha 34 da Ficha 04-A - “Custo dos Bens e Serviços vendidos” (R$ 1.470.190,37) e da linha 24 da Ficha 5A – “Despesas operacionais”(R$ 11.526.295,33), totalizando o valor a ser adicionado de R$ 12.996.485,70. Tal valor foi registrado no Lalur, parte A, e controlado na parte B do mesmo livro. Além disso, excluiu, na mesma DIPJ, na ficha 9A , linha 24, o valor de R$ 2.736.351,18. O valor correto a ser excluído seria de R$ 2.939.236,59 e não R$ 2.736.351,18, razão pela qual conclui-se que a interessada tributou indevidamente, neste período, o montante de R$ 202.885,41; Portanto, a impugnante reverteu a crédito de seu resultado, no período seguinte, as provisões constituídas, fazendo-as constar da demonstração do resultado pelo valor líquido. Por derradeiro afirmou que a documentação acostada aos autos (Razão das contas de resultado e Patrimoniais relacionadas às provisões indedutíveis, LALUR e DIPJ) serve para comprovar as alegações de defesa. A DRJ julgou improcedente a Impugnação. O Recurso Voluntário manteve os argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.549 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.734873/2011-19 4 Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo conhecido. Trata-se de autos de infração por meio dos quais foi constituído o crédito tributário nos valores de R$ 1.388.741,38 e R$ 499.946,89, referentes, respectivamente, ao Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. A infração imputada à Recorrente foi a de exclusão indevida, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, realizada a título de “reversão de provisões não dedutíveis” , dos valores de : (a) R$ 2.818.614,41 (período de 01/01/2007 a 31/10/2007) e (b) R$ 2.736.351,18 (período de 01/11/2007 a 31/12/2007). Relatou a autoridade fiscalizadora que a Recorrente excluiu do Lucro Líquido, para fins de apuração dos resultados tributáveis dos períodos de jan/set de 2007 e out/dez de 2007 os montantes de R$ 2.818.614,41 e R$2.736.351,18, respectivamente. Ambas as exclusões foram efetivadas a título de “reversão do saldo de provisões não dedutíveis”. Apontou a autoridade fiscalizadora que as provisões indedutíveis devem ser adicionadas ao lucro líquido do período para fins de apuração do lucro Real, sendo seus valores controlados na parte B do LALUR e que no período de apuração seguinte ao da constituição da provisão, a eventual reversão do seu saldo deve refletir crédito à conta de resultado e exclusão de igual montante na apuração ao lucro real. O registro anteriormente feito na parte B do LALUR deve ser baixado para que seja feita a exclusão na parte A do mesmo livro. Fundamentou que o procedimento adotado pela empresa foi extra-contábil, uma vez que não foi encontrado, nem na contabilidade nem na DIPJ, na ficha correspondente à demonstração do resultado, a reversão das provisões em análise, feita à crédito de conta de resultado. Afirmou ainda que ao longo da ação fiscal não foi apresentada a comprovação das perdas efetivas referentes às provisões constituídas. Ora, conforme é de conhecimento, as provisões reduzem o patrimônio líquido da entidade e constituem expectativas de perdas de ativos ou de valores a desembolsar, reconhecidas no lucro líquido em respeito aos princípios da prudência e da competência. Quando tais expectativas não se confirmam, a perda que havia sido levada à resultado deve ser revertida contabilmente mediante crédito correspondente. Conforme bem observou a decisão da DRJ, tratando-se de provisões não dedutíveis, tanto o reconhecimento original quanto a eventual reversão da provisão constituída devem ter como contrapartida respectiva adição e/ou dedução ao lucro real do período. Significa dizer que a toda provisão não dedutível que reduza o lucro líquido, deve haver adição correspondente, na apuração ao lucro real. Por outro lado, para toda reversão de provisão não dedutível que acresça o Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.549 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.734873/2011-19 5 lucro líquido do período poderá ser realizada exclusão, em igual montante, na apuração ao lucro real. De acordo com o auto de infração, a Recorrente, no ano de 2007, nos períodos de jan/set e out/dez, teria efetivado exclusões de R$ 2.818.614,41 e R$ 2.736.351,18, respectivamente, na apuração do lucro real, a título de “reversão de provisões indedutíveis”, mas que não teria reconhecido contabilmente, no cálculo do lucro líquido, receitas nos montantes acima, referentes à reversão de provisão. Trata-se de uma questão evidente e basilar que não carece de diligencia solicitada pela Recorrente, até porque a própria decisão da DRJ já confirmou, vez mais, a auditoria realizada nos seguintes termos, os quais adoto como razão de decidir: As conclusões acima mencionadas foram extraídas a partir das DIPJs dos períodos em foco, bem como do LALUR apresentado em função de intimação formalizada ao longo da auditoria. 6. Da lide Na impugnação apresentada, a interessada afirma que não deixou de reverter a crédito de resultado as provisões, mas que fez os registros pelo “Valor líquido”. Transcreveu, às fls 159/162 e 162/163, os lançamentos contábeis que refletiriam o tratamento dado às suas provisões indedutíveis, refletidos nas cópias do Razão que foram juntadas aos autos. Os demonstrativos apresentados parecem estar incompletos e conter algumas incoerências. Se não vejamos: O somatório dos lançamentos feitos à débito em relação ao período jan/set/2007 (fls 159/161) é de R$ 1.751.276,49 e o somatório dos lançamentos feitos à crédito para o mesmo período é de R$ 1.709.452,18. No entanto, a interessada informa, às fls 162, que a soma dos lançamentos feitos à débito seria de R$ 2.736.351,18 e o somatório dos lançamentos feitos à crédito seria de R$ 2.694.526,87. Temos, portanto, que a conclusão numérica apresentada para os lançamentos contábeis trazidos aos autos para demonstrar o tratamento conferido às provisões não reflete os próprios lançamentos. Observo ainda, em análise aos demonstrativos contábeis apresentados às fls 159/161 e 162/163, que a interessada aparentemente não diferenciou as provisões dedutíveis das não dedutíveis. A distinção seria imprescindível, uma vez que os tratamentos contábeis/fiscais são diversos e que a autuação trata, em específico, de reversão de provisões não dedutíveis. Também constato, em análise ao mesmo demonstrativo, que algumas contas (por exemplo a cta 511060101- “Provisão custo maõ de Obra e Serviços contratados” – meses de janeiro e fevereiro) registram a constituição de provisões tanto a débito quanto a crédito, o que de fato pode indicar um controle das provisões (constituição/reversão) efetuado pelo “saldo líquido”, como alegou a interessada. Tal metodologia, porém, não se generalizou, já, que em específico, no caso da conta 533020204, as reversões eram controladas a crédito desta rubrica. Do exposto esclareço que se foram adotados controles contábeis e extra-contábeis não convencionais, referentes às provisões indedutíveis, o fato, por si só, não implica infração Fl. 633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.549 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.734873/2011-19 6 à legislação desde que o método eleito permita a sua conferência, pelo fisco, e ainda, desde que não haja recolhimento a menor para o período. Esclareço ainda que a autuação trata da exclusão de valores na apuração do lucro real e da base tributável da CSLL e que é da interessada o ônus de demonstrar a legitimidade e a legalidade dos valores considerados subtrativamente nas apurações do período. No caso em tela, tal comprovação – não realizada - passaria pela inequívoca demonstração de que valores idênticos àqueles das exclusões efetuadas à título de “reversão de provisões indedutíveis” foram incorporados à apuração do lucro líquido do período, na qualidade de receitas . Neste ponto ressalto que os registros consignados na própria DIPJ dos períodos de jan/set 2007 e out/dez 2007 militam em desfavor das alegações de defesa. No primeiro dos referidos períodos a interessada declarou, na ficha 09-A “apuração do Lucro real”, linha 24 (fls 09), a exclusão no valor de R$ 2.818.614,41, a título de “reversão do saldo das provisões não dedutíveis”, não havendo oferecido à tributação receitas correspondentes à reversão dos referidos saldos na ficha 6A, linha 26 (fls 08). Procedimento análogo ocorreu em relação ao segundo período em análise (out/dez de 2007), onde a interessada excluiu na ficha 09-A “apuração do Lucro real”, linha 29 (fls 37), o valor de R$2.736.351,18, a título de “reversão do saldo das provisões não dedutíveis”, sem ter informado receita em valor correspondente na ficha 6 A, linha 28 (fls 36) da mesma declaração. Ressalto que os registros constantes do LALUR trazido aos autos apenas corroboram as informações da DIPJ, que conforme acima, não favorecem à interessada. Em especial, observo que o LALUR apresentado faz menção (fls 69 e 87), quando discrimina as exclusões feitas ao lucro real, que as deduções que são objeto desta autuação (nos valores de R$ 2.818.614,41 e R$2.736.351,18,) corresponderiam à reversão do saldo de provisões oferecidas à tributação nos anos anteriores , fato este que não se confirma como verdadeiro se observadas as DIPJs referentes àqueles anos anteriores. Diante do exposto, necessário mais uma vez esclarecer que o principal aspecto da comprovação da legitimidade da exclusão realizada a título de “reversão de provisão indedutível” diz respeito à neutralidade tributária do conjunto. A reversão de provisão indedutível é operação que inclui, por um lado, o reconhecimento da receita correspondente à baixa da provisão e, por outro, uma exclusão extra contábil que terá como efeito, justamente, anular, sob o aspecto tributário, a receita incorporada ao resultado do exercício. Por óbvio, o procedimento completo não deve possuir qualquer efeito fiscal. Assim, sua ratificação, pelo fisco, fica condicionada à prova de que de fato tenha sido reconhecida a receita correspondente à baixa da provisão. No caso concreto, a interessada apresentou, durante a auditoria e na fase impugnatória, documentos que não efetivaram a prova pretendida, ou que diretamente corroboram a infração que lhe foi imputada. Fl. 634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.549 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.734873/2011-19 7 Portanto, de fato ocorreu exclusão indevida, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, realizada a título de “reversão de provisões não dedutíveis” , dos valores de : (a) R$ 2.818.614,41 (período de 01/01/2007 a 31/10/2007) e (b) R$ 2.736.351,18 (período de 01/11/2007 a 31/12/2007), sendo que a Recorrente excluiu do Lucro Líquido, para fins de apuração dos resultados tributáveis dos períodos de jan/set de 2007 e out/dez de 2007 os montantes de R$ 2.818.614,41 e R$2.736.351,18, respectivamente. Ambas as exclusões foram efetivadas a título de “reversão do saldo de provisões não dedutíveis”. Nesse cenário, as provisões indedutíveis devem ser adicionadas ao lucro líquido do período para fins de apuração do lucro Real, sendo seus valores controlados na parte B do LALUR, sendo que no período de apuração seguinte ao da constituição da provisão, a eventual reversão do seu saldo deve refletir crédito à conta de resultado e exclusão de igual montante na apuração ao lucro real. O registro anteriormente feito na parte B do LALUR deve ser baixado para que seja feita a exclusão na parte A do mesmo livro. Diante o exposto, conheço o Recurso Voluntário a ele nego provimento. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 635DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 17095.722688/2021-14
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Dec 21 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 PASEP. AUTARQUIA PÚBLICA. BASE DE CÁLCULO. As autarquias públicas devem recolher o PASEP sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
Numero da decisão: 3004-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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AUTARQUIA PÚBLICA. BASE DE CÁLCULO. As autarquias públicas devem recolher o PASEP sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 2 Trata-se de créditos lançados pela Auditoria Fiscal em desfavor do Interessado acima identificado, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 16-22 e anexos, por intermédio da lavratura do Auto de Infração abaixo relacionado (fls. 6-14): Conforme o Relatório Fiscal, o(s) Auto(s) de Infração foram lavrados em decorrência das seguintes constatações e procedimentos adotados no decorrer da ação fiscal: I-INTRODUÇÃO 1. Este Relatório Fiscal é parte integrante do crédito previdenciário lavrado durante a ação fiscal realizada no contribuinte em epígrafe, instituída pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - Fiscalização (TDPF-F) acima identificado, para verificação do cumprimento de obrigações relativas às Contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio de Servidor Público (Pasep), conforme determinam os artigos 11 e 33, da Lei 8.212/91, de 24/07/91 combinados com o artigo 2º da lei 11.457, de 16/03/2007. II - DA ESTRUTURA DA AÇÃO FISCAL 2. Na presente ação fiscal foi lavrado auto de infração conforme a natureza das obrigações tributárias. 3. O Auto de Infração número: 17095.722.688/2021-14 relaciona-se às contribuições ao Programa de Formação do Patrimônio de Servidor Público (Pasep), conforme Lei n° 9.715/1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º. • 4. Vale esclarecer que de acordo com o Código Tributário Nacional - CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue- se juntamente com o crédito dela decorrente (Art. 113, § 1º). A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (Art. 113, §2°). 5. Logo, este Relatório Fiscal refere-se ao Auto de Infração da Obrigação Principal (contribuições ao Programa de Formação do Patrimônio de Servidor Público (Pasep), integrante do processo relacionado no demonstrativo abaixo. III - DOS FATOS Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 3 6. O IPASVAL - INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA E ASSITENCIA DOS SERVIDORES DE VALPARAISO DE GOIÁS é uma Autarquia municipal com personalidade jurídica própria e de direito público, do Município de Valparaíso de Goiás, conforme art. 12 da Lei n° 778 de 2009. 7. Por meio dos dados das receitas orçamentárias extraídas, em 22/02/2021, dos balancetes disponibilizados no portal do cidadão do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás - TCM/GO, considerando as Receitas Correntes Arrecadadas, Receitas de Transferências Correntes Recebidas e Receitas de Transferências de Capital Recebidas; deduzidas dos valores dos valores Recolhidos em Documento de Arrecadação de Receitas Federais-DARF- Código: 3703, e dos valores declarados em DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, pelo Instituto. Observa-se que o IPASVAL não procedeu a correta apuração da contribuição para o Pasep, nem pagou o valor integral da contribuição destinada ao PASEP, conforme detalhado nas planilhas do ANEXO I. 8. Os dados das receitas orçamentárias dos anos de 2018 a 2020 foram obtidos junto ao Portal do cidadão do TCM/GO, no endereço https://www.tcmgo.tc.br/pentaho/api/repos/cidadao/app/index.html. 9. Não houve declarações nas DCTF e nem pagamentos em DARF das Contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio de Servidor Público (PASEP), no período analisado. IV - DO PROCEDIMENTO FISCAL 10. O IPASVAL - INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA DOS SERVIDORES PUBLICOS DE VALPARAISO DE GOIÁS, tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TEPF) em 15/07/2021 por via postal, ocasião em que foi intimado a apresentar diversos documentos e informações, tais como: justificar as divergências encontradas entre os valores apurados e os recolhidos, conforme demonstrado na planilha do ANEXO I; a apresentar os Balancetes de Receitas Orçamentárias; os Demonstrativo de Apuração do PIS/Pasep; bem como, encaminhar os comprovantes de pagamento do Pasep feito pelo instituto, no período de 01/2018 a 12/2020. A documentação solicitada deveria ser encaminhada ao Auditor Fiscal em formato digital, juntados ao processo/dossiê de atendimento n° 10265.491525/2021-28. 11. Conforme Termo de Solicitação de Juntada datado de 02/08/2021, o instituto anexou ao Processo/Dossiê n° 10265.491525/2021-28 o seguinte documento: 12. Na RESPOSTA A INTIMAÇÃO - JUSTIFICATIVA, o IPASVAL alega que não recolheu as Contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio de Servidor Público (PASEP), fazendo várias alegações para o não recolhimento. Em síntese o contribuinte cita diversas legislações e atos normativas para justificar o não pagamento do PASEP, mas não consegue comprovar a não incidência do PASEP como versa a Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998. A integra da RESPOSTA A INTIMAÇÃO - JUSTIFICATIVA, consta do Dossiê de Comunicação n° 10265.491525/2021-28. 13. A presente fiscalização foi realizada com base nos dados das receitas orçamentárias extraídas em 22/02/2021, dos balancetes disponibilizados no portal do Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 4 cidadão do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás - TCM/GO, bem como nos dados declarados pelo contribuinte em DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. 14. Não houve declarações nas DCTF e nem pagamento em DARF das Contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio de Servidor Público (PASEP) pelo instituto, para o período analisado. 15. Na PLANILHA II (DETALHAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP) do ANEXO II deste relatório fiscal, constam todas as receitas e todas as deduções consideradas pela fiscalização na apuração da base de cálculo do PASEP. 16. No ANEXO II, constam Planilhas detalhadas com os dados consideradas pela fiscalização, para o levantamento do crédito, tais como: DETALHAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP; DADOS DOS BALANCETES ORÇAMENTÁRIOS, DETALHAMENTO DO PIS/PASEP DECLARADO EM DCTF; DETALHAMENTO DO PIS/PASEP RECOLHIDO EM DARF. V - DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 17. Segundo o inciso IV da Lei n° 10.406 de 10/801/2002, as autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I- a União; II- os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV- as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei n° 11.107, de 2005) V- as demais entidades de caráter público criadas por lei. 18. A Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998, dispõe sobre as contribuições para os programas de integração social e de formação do patrimônio do servidor público - PIS/PASEP, e dá outras providências. Já o Decreto n° 4.524 de 17 de dezembro de 2002, regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral. 19. O artigo 2º, inciso III, e artigo 7º da Lei n° 9.715/1998, assim versam sobre as contribuições ao Pasep: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. 20. Com relação à alíquota aplicável, assim dispõe o artigo 8º, inciso III, da Lei n° 9.715/1998: Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 5 Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III -um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 21. Outros fundamentos legais encontram-se discriminados no decorrer deste relatório e nos demonstrativos que são parte integrante do Auto de Infração. VI - DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS 22. A definição de obrigações principais está entabulada nos artigos 113 e 114 do CTN que assim dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. 23. Portanto, o procedimento fiscal, procedeu a apuração da contribuição para o Pasep, sobre as Receitas Correntes Arrecadadas, Receitas de Transferências Correntes Recebidas e Receitas de Transferências de Capital Recebidas. (Lei n° 9.715/1998, art. 2 º, inciso III, § 3 º e arts. 7 º e 8 º). 24. A contribuição aplica-se, entre outros, aos Municípios e suas respectivas administrações diretas (Lei Complementar 101/2000, art. 1º, § 3º). 25. As bases de cálculos são os valores mensais das: Receitas Correntes Arrecadadas; Receitas de Transferências Correntes Recebidas e Receitas de Transferências de Capital Recebidas. (Lei n° 9.715/1998, art. 8º, inciso III, e art. 7º). 26. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público. 27. A alíquota é de 1% (um por cento), aplicável sobre a Base de Cálculo da Contribuição, incidentes sobre Receitas Governamentais (Lei n° 9.715/1998, art. 8º, inciso III; Decreto n° 4.524/2002, art. 73; e Lei Complementam0 101/2000, art. 1º, § 3º). 28. O Demonstrativo de Apuração do PASEP, o detalhamento das receitas orçamentárias arrecadadas, o valor declarado em DCTF, o valor arrecadado em DARF, se encontram detalhados nas planilhas do ANEXO II, que é parte integrante deste Auto de Infração. VII - DA MULTA APLICADA 29. A legislação citada assim dispõe: Fl. 143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 6 Lei n° 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 07/12/2021, anexada às fls. 39-65, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: E, o parágrafo 6º do artigo .3° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 1.991-15, e reedições, atual Medida Provisória n° 2.113-26/2000 (Ato Declaratório COSIT N° 21, de 31 de outubro de 2000), estabelece que, além das exclusões tratadas na legislação tributária nacional, as entidades de previdência privada, abertas e fechadas, poderão deduzir da base de cálculo do PIS os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates. Por fim, a Lei Complementar n° 109/2001, que dispõe sobre o regime de previdência complementar, estabelece, no art. 69, caput, e § Io, que sobre as contribuições vertidas às entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. As entidades fechadas de previdência complementar, conforme § 1º do art. 31 da LC n° 109/01, organizar-se-ão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos; e, as abertas, são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas (art. 36). Já, a unidade gestora do regime próprio de previdência, segundo Orientação Normativa n° 02/2009, é a entidade ou órgão integrante da estrutura da administração pública de cada ente federativo que tenha por finalidade a administração, o gerenciamento e a operacionalização do RPPS, incluindo a arrecadação e gestão de recursos e fundos previdenciários, a concessão, o pagamento e a manutenção dos benefícios. Observa-se que ambas as entidades possuem a mesma finalidade, gerir os recursos previdenciários; entretanto, uma é privada e administra recursos para concessão de benefícios previdenciários de natureza complementar, não oficial; e, a outra é pública, e administra recursos públicos (dos servidores do ente federativo), para concessão de benefícios da previdência oficial funcional. Não há qualquer razão para isentar do tributo uma entidade de direito privado, que inclusive pode possuir fins econômicos, no caso da entidade aberta, em detrimento do mesmo tratamento dispensado a uma entidade pública, que faz a gerência de recursos totalmente públicos para fins sociais-previdenciários. Fl. 144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 7 Configura a tributação do PASEP sobre os recursos previdenciários de uma Autarquia Previdenciária explícita desproporcionalidade na graduação do tributo segundo sua capacidade contributiva e natureza jurídica. Outro tratamento diferenciado é verificado entre a base de cálculo das fundações públicas e das autarquias. A unidade gestora do regime próprio de previdência pode possuir a forma de autarquia, de fundação pública ou organização de sociedade civil. No caso das autarquias e fundações públicas observa-se que ambas são pessoas jurídicas de direito público interno; possuem finalidade pública; e, não lucrativas. Necessário analisar o tratamento diferenciado das entidades previdenciárias à luz do Decreto nº 4.524/02. Pelo art. 69 do regulamento, as fundações públicas contribuem para o PIS/PASEP com base na folha de salários; e, pelo art. 70, as pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/PASEP com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. A Medida Provisória n° 2.158-35/2001, que introduziu a base de cálculo do PIS/PASEP sobre a folha de salários, equiparou as fundações privadas e públicas, o que demonstra outra inconsistência da norma em relação ao princípio da isonomia e da razoabilidade e da supremacia do interesse público. Assim, o fato de uma unidade gestora da previdência dos servidores ser instituída sob a forma de autarquia ou fundação pública modificará a forma com que sofrerá a tributação, sem qualquer distinção, de fato, na personalidade jurídica ou finalidade de tais entidades. O tratamento diferenciado das receitas da União com a dos demais entes federados, prevista no § 2º do art. 2º da Lei n° 9.715/98, revela-se contrário a imposição isonômica fiscal que é cláusula pétrea na Constituição Federal: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. Resta claro que a União isenta da base de cálculo das receitas das autarquias os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social; não dispensa, no entanto, o mesmo tratamento aos recursos classificados como receitas do Tesouro Estadual ou Municipal ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social, dentre os quais, o repasse para a previdência social dos servidores públicos. A Constituição Brasileira, em seu artigo 151, inciso I, estabelece a vedação ao tratamento tributário diferenciado, salvo o tratamento para reduzir as desigualdades regionais, o que não é verificado no caso do PIS/PASEP. Não há legitimidade ou autorização constitucional que ampare a isenção prevista § 2º do art. 2º da Lei n° 9.715/98, por ser a capacidade financeira/orçamentária da União indubitavelmente maior que a dos Estados e Municípios. Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 8 Resta inconteste, pela exposição aqui realizada, que a incidência dos recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários na base de cálculo do PIS/PASEP afronta o princípio da isonomia tributária, da capacidade contributiva, da vedação ao confisco. Resumidamente, 1. A contribuição previdenciária é um tributo vinculado exclusivamente ao pagamento de benefícios previdenciários; 2. Há vedação expressa na lei de utilização das contribuições previdenciárias e recursos da compensação previdenciária para outras finalidades, que não apenas para o pagamento de benefícios previdenciários e taxa de administração da unidade gestora do RPPS. 3. As receitas de contribuições Previdenciárias, de transferência da insuficiência Financeira (déficit previdenciário), e a receita decorrente da compensação previdenciária não configuram ingresso definitivo de receita ao patrimônio do fundo ou da Autarquia Previdenciária, que faz apenas a gestão das receitas previdenciárias, por conta e ordem dos segurados. 4. Somente o valor da Taxa de Administração se incorpora ao patrimônio do Instituto como receita permanente para administração e gestão da Entidade, e está prevista legalmente em até 2% (dois por cento) dos recursos dos fundos previdenciários. 5. O fundo previdenciário e o fundo financeiro não possuem personalidade jurídica, configuram mera conta contábil e financeira destinada exclusivamente ao pagamento de benefícios previdenciários e da taxa de administração da unidade gestora. 6. Há tratamento tributário desigual e desproporcional entre as entidades previdenciárias privadas em detrimento das de natureza pública, bem como entre as unidades gestoras instituídas sob a forma de autarquia ou de fundação pública, em explícita violação ao primado da isonomia tributária. 7. A base de cálculo para aplicação de imposto sobre as aplicações financeiras é no momento do resgate, ou excepcionalmente, deverão ser compensadas as perdas de rendimento no decorrer das aplicações, conforme legislação tributária. 8. A União concede tratamento diferenciado ao isentar da base de cálculo das receitas das autarquias os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social; não dispensa, no entanto, o mesmo tratamento aos recursos classificados como receitas do Tesouro Estadual ou Municipal ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social. Em suma, há de se perceber perfeitamente que é inconstitucional a incidência da alíquota do PASEP sobre as receitas de contribuições Previdenciárias, de transferência da insuficiência financeira (déficit previdenciário), e a receita decorrente da compensação previdenciária, por não configurarem ingresso definitivo de receita ao patrimônio da Autarquia Previdenciária Estadual ou Municipal, gestoras do Regime Próprio de Previdência Social; seja pela vinculação legal exclusiva ao pagamento de benefícios previdenciários, ou Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 9 pela violação ao princípio da isonomia, da capacidade contributiva, da vedação de tratamento diferenciado e dos demais argumentos expendidos acima. Pedido O sujeito passivo requer: - A suspensão do crédito tributário referente ao Processo ora impugnado, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; - A desconstituição do crédito tributário levantado no Processo Fiscal em epígrafe, pelos fundamentos legais já demonstrados nas linhas pretéritas; - A exclusão dos de juros, de multa de mora e multa de ofício aplicados, pelos motivos demonstrados; - Requer por fim, que seja acolhida a presente Impugnação para ser decidido e deferido os pedidos conforme fatos e direitos apresentados em linhas pretéritas. A 12ª TURMA/DRJ01, Acórdão n° 101-017.195, negou provimento à impugnação: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A existência de regime próprio de previdência social para os servidores municipais e a obrigação de o Município contribuir na condição de empregador (contribuição patronal), não permite que receitas do Município, assim despendidas, sejam excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP devida pelo ente municipal por não encontrar, tal exclusão, respaldo no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998 que prevê apenas deduções de transferências efetuadas a outras entidades públicas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é determinada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A taxa SELIC se aplica aos débitos tributários, não existindo vício na sua incidência. Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 10 Em Recurso Voluntário, a Recorrente defende os exatos argumentos de sua impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Conforme relatado, contra o IPASVAL - “Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores de Valparaíso de Goiás”, autarquia municipal com personalidade jurídica própria e de direito público do Município de Valparaíso de Goiás, foi lavrado auto de infração para cobrança de PASEP, nos termos dos art. 11 e 33, da Lei n° 8.212/91, e art. 2º da Lei n° 11.457/2007. Relatou a fiscalização que não houve declarações nas DCTF, tampouco pagamento em DARF do PASEP, no período analisado. A Recorrente sustenta como argumento principal que suas receitas, por decorrem de contribuição patronal para custeio do regime de previdência próprio do município, não estão sujeitas ao PASEP. Nos termos do art. 2º da Lei Complementar nº 08/70, são contribuintes do PASEP a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I – União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II - Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 11 Quanto à base de cálculo do PASEP, observe-se o disposto na Lei nº 9.715/1998: Art. 1° Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III- pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.158-35, de 2001) (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2°, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Dessa forma, o PASEP incide sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. A Lei nº 12.810/2013, alterou a Lei nº 9.715/1998, para incluir no art. 2º o parágrafo §7º, para permitir a exclusão da base de cálculo do PASEP das transferências recebidas decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, nos seguintes termos: Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) Fl. 149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 12 § 7º Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013). O Decreto nº 4.524/2002 dispõe que: Art. 67. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III). Parágrafo único. A contribuição é obrigatória e independe de ato de adesão ao Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público. (...) Art. 70 - As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). (...) § 2º - Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Já a Lei nº 4.320/1964 prescreve que são Receitas Correntes: Art. 11 - A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. §1º - São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas jurídicas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes Assim, todas as receitas correntes arrecadadas integram a base de cálculo do PASEP, bem como as transferências correntes e de capital recebidas. E, o art. 7º da Lei nº 9.715/1998, ressalta que nas receitas correntes estão incluídas quaisquer receitas tributárias, permitindo como única dedução possível as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Logo, conclui-se que as contribuições patronais recebidas pelos RPPS se enquadram no conceito de operação intraorçamentária, devendo compor a base de cálculo do PASEP. Isso porque as contribuições são despesas intraorçamentárias para o Município de Valparaíso e receitas intraorçamentárias para o RPPS (Recorrente, IPASVAL). A decisão recorrida tratou bem da classificação dos valores da contribuição patronal como intraorçamentárias, nesses termos: Fl. 150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 13 Ademais, os repasses de contribuições patronais do Município ao RPPS são motivados por contraprestação em bens e serviços ou decorrem do pagamento de obrigação da entidade, devendo ser classificados como operações intraorçamentárias que podem implicar transferências intragovernamentais. Na mesma direção, a Portaria Interministerial STN/SOF nº 338, de 26/04/2006, expõe em seu art. 1º: Art. 1º - Definir como intraorçamentárias as operações que resultem de despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo. No caso, o Município utiliza parte de suas receitas para arcar com a contribuição patronal ao Regime Próprio de Previdência em troca de uma contraprestação para seus servidores na forma de benefícios previdenciários. Não se trata, pois, de simples transferência, mas de cumprimento de obrigação (destinar e transferir recursos referentes a contribuição patronal) para obtenção de contraprestação. E a utilização de recursos do Município para suprir suas obrigações não justifica que tais recursos sejam excluídos da base de cálculo do PASEP, ou seja, não se subsomem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Ainda invoca o Impugnante disposição do § 3º do art. 2º da Lei nº 9.715/98 de que para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. Todavia, tal previsão em nada afeta a exigência formalizada em face do Município. Reprise-se, o fato de o Município optar por constituir Regime Próprio de Previdência Social e de, em consequência, ter obrigação de com ele contribuir na condição de empregador, não permite que receitas do Município, assim despendidas, sejam excluídas da base de cálculo do PASEP por não encontrar respaldo no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998 que, como visto, prevê apenas deduções de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Em suma, com fundamento no art. 7°, da Lei nº 9.715/1998, para fins da apuração da base de cálculo do PASEP, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Nesse sentido: Fl. 151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 14 Acórdão n° 3101-003.948, j. 27 de novembro de 2024, Relator Renan Gomes Rego: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2015, 2016, 2017, 2018 PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. AUTARQUIA MUNICIPAL. PASEP. As autarquias são contribuintes do PASEP, tendo como base de cálculo o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Acórdão n° 3301-014.507 j. 21 de agosto de 2025, Relator Aniello Miranda Aufiero Junior: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2019 PASEP. AUTARQUIA. BASE DE CÁLCULO. As autarquias devem recolher a Contribuição para o Pasep sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas Com base nos mesmos fundamentos legais citados acima, também incide o PASEP sobre as receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas pela autarquia, a título de taxa de administração e a título de compensação financeira entre os regimes próprio e geral (ajuste de contas entre o Regime Geral de Previdência Social, gerido pelo INSS, e o Regimes Próprios de Previdência Social , de servidores públicos, quando houver a contagem recíproca de tempo para fins de gozo de benefícios previdenciários). Por conseguinte, é certo que eventuais exclusões da base de cálculo do PASEP só podem ser feitas caso exista legislação com tal permissão. Assim, exclusões citadas pela Recorrente não podem ser admitidas, por inexistência de previsão legal. Por fim, cito o teor da Solução de Consulta COSIT nº 305/2017, que trata da tributação das RPPS e das Autarquias Públicas: REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) (...) 25.2. As fontes de financiamento dos RPPS constituem-se notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 15 25.3. A contribuição dos servidores aos RPPS está incluída no conceito de receita corrente. Se assim não fosse, não poderia se constituir em dedução do somatório das receitas tratadas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, para fins de delimitação do conceito de receita corrente líquida. É o que se pode inferir da leitura do art. 2º da LC nº 101, de 2000, ora denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como: [...] IV - receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição. 25.4. O motivo pelo qual o legislador excluiu na alínea “c” do art. 2º supracitado a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira foi para dar um tratamento específico a ela. Isso é corroborado pelo inciso IV do art. 50 da mesma lei, que diz que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos”. 25.5. O fato de a contribuição dos servidores ao RPPS se constituir em uma receita corrente ainda é corroborado pelo próprio Ministério da Previdência Social: (…) As operações correntes dos RPPS estão contempladas nos seguintes subgrupos de contas: (a) receitas correntes: contribuições retidas dos segurados; os recebimentos de parcelamento de débitos previdenciários...(LIMA, Diana Vaz de; GUIMARÃES, Otoni Gonçalves. Contabilidade aplicada aos regimes próprios de previdência social. Brasília: MPS, 2009.). 25.6. A Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou sobre o caso. Portanto, é mais que cabível mencionar fragmento do Despacho Decisório nº 1 – SRRF01/Disit, de 12 de janeiro de 2010: 21. Em relação à contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social deve-se observar que a Lei de Responsabilidade Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 16 Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000), que define Receita Corrente Líquida como o somatório de todas as receitas correntes deduzidas: 1) As transferências constitucionais, conforme disposto na Seção VI – Repartição das Receitas Tributárias, e ainda as mencionadas nos incisos I e II do art. 195 e o art. 239 da Constituição; 2) A contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira mencionada no § 9º, art. 201 da Constituição Federal. 22. A partir dessa definição, pode-se inferir que, legalmente, a contribuição dos servidores é classificada como uma “receita corrente”, em função disso, deve também integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. 23. Aplicando-se esses conceitos ao caso concreto apresentado, tem-se que: (i) as receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos servidores e órgãos patronais constituem receitas correntes; (ii) as receitas direcionadas ao custeio e manutenção do RPPS, constituem transferências correntes; e (iii) os rendimentos das aplicações financeiras constituem outras receitas. Portanto, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.715/98, todos esses valores devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. (...) 25.7. Quanto à contribuição previdenciária patronal aos RPPS, também há posicionamento da RFB, que pode ser verificado por meio da Solução de Consulta nº 66 – SRRF04/Disit, de 10 de dezembro de 2010, que em sua ementa deixa claro que: As receitas correntes relativas à contribuição previdenciária patronal (ainda que esta seja arrecadada por outra entidade da administração pública) e dos servidores públicos, bem como os rendimentos financeiros provenientes da aplicação destas no mercado, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida, na espécie, por autarquia estadual que administra o respectivo regime próprio de previdência social. Ressalte-se, outrossim, que as autarquias não são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. 25.8. As contribuições patronais recebidas pelos RPPS são, na essência, operações intraorçamentárias, pois o ente público transfere para o fundo os recursos e em troca, espera uma contraprestação para seus servidores na forma de benefícios previdenciários. Portanto, os recursos transferidos devem ser encarados dessa forma. O MCASP (6ª edição, 2014, p. 249) vem corroborar com o enquadramento quando afirma que o pagamento da contribuição patronal constitui uma despesa intraorçamentária para o ente e uma receita intraorçamentária para o RPPS. 25.9. A classificação das demais receitas do RPPS para fins de inclusão ou não na base de cálculo da contribuição deve ser feito à luz dessa Solução de Consulta, Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.086 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17095.722688/2021-14 17 sempre tendo em vista que qualquer espécie de receita corrente compõe a base de cálculo do tributo. (...) AUTARQUIAS (...) 17.Passa-se à análise do terceiro questionamento abarcado nessa consulta, que trata da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). 18.As fontes de financiamento dos RPPS constituem-se notoriamente da contribuição patronal dos entes federativos e da contribuição dos segurados ativos, inativos e pensionistas. Outras receitas são também fonte de custeio de tais regimes, como as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais e da compensação financeira previdenciária. 19.Conforme o disposto nos itens 25 a 25.9 da Solução de Consulta Vinculante supracitada, a contribuição dos servidores e a contribuição patronal devem compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais dos RPPS. 20.A classificação das demais receitas do RPPS para fins de inclusão ou não na base de cálculo da contribuição deve ser feito à luz dos preceitos da Solução de Consulta Vinculante, sempre tendo em vista que qualquer espécie de receita corrente compõe a base de cálculo do tributo. Assim, entendo pela legalidade do crédito de PASEP constituído no auto de infração objeto deste processo, com seus consectários legais. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 155DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10660.000746/96-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 1999
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL - Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento de crédito tributário -, com idêntico objeto, impõe a renúncia, de modo definitivo, às instâncias administrativas de primeiro e segundo graus, determinando o encerramento do processo fiscal na via administrativa, sem apreciação do mérito. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 203-05.182
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Renato Scalco Isquierdo e Mauro Wasilewski.
Nome do relator: FRANCISCO SERGIO NALINI

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MINISTÉRIO DA FAZENDA u e:+leirjJ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1/4;JiLliSTO. Processo : 10660.000746/96-91 Acórdào : 203-05.182 Sessão 02 de fevereiro de 1999 Recurso : 106.237 Recorrente . A ECOA ALUMÍNIO S.A. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG NORMAS PROCESSUAIS - OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL - Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito- tributário -, com idêntico objeto, impõe a renúncia, de modo definitivo, às instâncias administrativas de primeiro e segundo graus, determinando o encerramento do processo fiscal na via administrativa, sem apreciação do mérito_ Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por. ALCOA ALUNIINIO S.A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Renato Scalco Isquierdo e Mauro Wasilewski_ Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 1999 Otacilio cantas C .rtaxo President' ncisco Sérgi Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva, João Beijas (Suplente), Osvaldo Aparecido Lobato (Suplente), Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Sebastião Borges Taquary e Henrique Pinheiro Torres (Suplente). LDSS/CF 53P? MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10660.000746/96-91 Acórdão : 203-05.182 Recurso : 106.237 Recorrente : ALCOA ALUMINIO S.A. RELATÓRIO O presente processo jáfoi apreciado por esta Câmara, na Sessão de 02 de junho de 1998_ Na oportunidade, por unanimidade de votos, ficou decidida a conversão do julgamento do recurso em diligência, com o objetivo de enriquecer a instrução do processo, tendo em vista o disposto no artigo r da Instrução Normativa SRF n° 032, de 09:04_97, e para verificar se houve a correta aplicação da sentença judicial, retomando o mesmo para a repartição de origem, a fim de que a mesma: a) CONFIRMASSE se a recorrente efetuou recolhimentos da Contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL com aliquota superior a 0,5%, exceto quanto ao adicional de 0,1% instituído pelo Decreto-Lei IP 2.397/87, cujo artigo 22 acrescentou o 115° ao artigo 1° do Decreto-Lei n° 1.940/82, e b) caso existissem créditos na situação enunciada no item anterior, INFORMASSE se tais créditos seriam suficientes para a : liquidação total ou parcial dos débitos para com a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, nas respectivas datas de vencimento, referentes aos períodos de apuração de que trata este processo. Para melhor lembrança do assunto, leio o Relatório de fls. 1921193 que compõe a Diligência de ft° 203-00.687. Em atendimento ao solicitado, o Sistema de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas - MG produziu a formação de fls. 205. É o relatório. 2 15 19• MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10660.000746/96-91 Acórdão : 203-05.182 VOTO DO CONSELHEIRO-RÉ! ATORFRANCISCO SÉRGIO NALINI O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Da leitura dos autos verifica-se que a empresa foi autuada por ter deixado de recolher a Contribuição ao FINSOCIAL no período de junho de 1991 a março de 1992. Informa a interessada, às fls. 179, que a ação que ela vinha mantendo junto ao Poder Judiciário já transitou em julgado, não tendo havido recurso da Fazenda Nacional. A Lei n.° 6.830/80, em ser artigo 38, parágrafo único, estabelece que as ações ordinárias, ao serem propostas pelo contribuinte junto ao Poder Judiciário, implicam na renúncia ao poder de recorrer á esfera administrativa, com o objetivo de evitar discussão-paralela-da mesma matéria nas duas instâncias. A primeira questão a ser enfrentada é, exatamente; a propositura, pela contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial. Neste Colegiado sedimentou-se pacifica e firme jurisprudência no sentido de que a opção pela via judicial, por parte da contribuinte litigante, implica abandono ou desistência da via administrativa em qualquer de suas instâncias, salvo nas hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatoria do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor integral do débito, nos termos do art. 38 e de seu parágrafo único da Lei n.° 6.830/80, in verbis: "Art. 38 - A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." 3 So2C) MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10660.000746/96-91 Acórdão : 203-05.182 Para melhor ordenar a análise da matéria, convém, inicialmente, assinalar que o contencioso tributário desenvolve-se em dois planos distintos: na via administrativa e na via judicial. O contencioso administrativo tem inicio com a impugnação. A partir dela desenvolve-se o Processo Administrativo Fiscal que culminará com a decisão de primeira instância, a qual pode ser objeto de recurso voluntário, que, por seu turno, se esgota com o julgamento na instância superior. Se, por acaso, o contribuinte, por qualquer motivo, não paga a divida, esta é enviada á PFN para inscrição em Divida Ativa da Fazenda Pública para execução fiscal. A execução fiscal, por parte da Fazenda Pública, dá inicio à via judicial. O contribuinte, na qualidade de executado, pode discutir judicialmente a divida através de embargos à execução, após prestar garantia suficiente ao pagamento da divida. Normalmente, o contencioso tributário desenvolve-se, em regra geral, na forma sequencial acima descrita, dentro dos limites do ordenamento legal vigente. Ocorre, entretanto, que, pela sistemática constitucional, o Ato Administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação ao Poder Administrativo, instância superior e autónoma. Superior significa que o Poder Judiciário pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo. E autónoma significa que a parte, no caso, o sujeito passivo, não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas para então ingressar em Juizo, podendo faze-to diretamente em qualquer fase processual. Todavia, o exercício desta faculdade produz um efeito processual capital, que é a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa, ou seja, "importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso por acaso interposto" (parágrafo único do art. 38 da Lei n.° 8.630/80). Destarte, desde que o contribuinte litigante ingresse em Juizo - via judicial -, tendo como objeto da ação intentada a mesma matéria contida no Processo Administrativo Fiscal, essa opção pela via superior e autónoma, ou seja, pela via judicial, importa a desistência de a parte continuar a litigar no Processo Administrativo Fiscal ou à desistência de recurso porventura interposto A Constituição Federal elegeu o principio do controle da legalidade dos atos administrativos pelo Poder Judiciário, em norma constitucional. Este principio tem como corolário a regra da prevalência que consiste na absoluta supremacia dk decisões judiciais sobre aquelas 4 SC24 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10660.000746196-91 Acórdão : 203-05.182 prolatadas pelas autoridades administrativas. A regra da prevalência veda o uso simultâneo, pelo sujeito passivo da obrigação, de procedimentos paralelos com objeto e finalidade idênticos, cujos efeitos finais revelar-se-ão inexoravelmente redundantes ou antagônicos Por isso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o Processo Administrativo Fiscal em definitivo, em qualquer fase. A desistência da via administrativa não é um ato unilateral de vontade do contribuinte, mas urna imposição legal inscrita no parágrafo único do art. 38 da Lei a° 6.830/80, que consagrou, de forma plena, a regra da prevalência derivada do principio do controle da legalidade. Nenhum dispositivo legal ou principio de direito material ou processual impede o lançam,ento do crédito tributário, cuja única fronteira legal intransponivel é a decadência ou eventualmente, ordem judicial expedida em mandado de segurança determinando que a autoridade fiscal se abstenha de lançar o crédito. Em contrapartida, a legislação pertinente estabeleceu regras claras sobre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. O Lançamento do crédito e sua exigibilidade são matérias distintas e inconfundíveis, e receberam o tratamento legal apropriado. À autoridade de. primeira instãnria, diante_ do. efeito da renUnria - por presunção legal -, cabe encerrar o processo fiscal e encaminhá-lo para inscrição na Divida Ativa. Por outro lado, se, por acaso, o processo administrativo encontra-se em grau de recurso, cabe ao julgador de segunda instância não conhecer do recurso por falta de objeto. Em ambas as hipóteses, o lançamento fica definitivamente constituído na esfera administrativa e o fitigio se transfere, por inteiro, para a órbita do Poder Judiciário, por conseguinte, conclui-se que a opção pela via judicial, ressalvadas as hipóteses legais previstas, encerra o Processo Administrativo Fiscal. Nestes termos, voto no sentido não se conhecer do presente recurso, por opção pela via judicial. É o meu voto. Sala das Sessts, em 02 de fevereiro de 1999 r 4 .0- CISCO .ERGIO NALIN1 5

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Numero do processo: 16539.720007/2023-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. Em regra, as decisões administrativas e as judiciais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INAPLICABILIDADE DIANTE DE DISPOSIÇÃO EXPRESSA. O princípio da isonomia é inaplicável quando a legislação tributária dispõe expressamente sobre o assunto, estabelecendo diferenças de tratamento para situações fáticas específicas. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de atendimento às intimações formuladas pelo Fisco, para apresentação de esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, nos termos da lei tributária federal. MULTA. CARÁTER DESPROPORCIONAL E CONFISCATÓRIO. A ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade ou legalidade de atos normativos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NULIDADE. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Inexiste nulidade por violação do disposto no art. 142 do CTN, notadamente por erro na determinação da matéria tributável, se o auto de infração ostentar os requisitos legais, com a apuração inequívoca do tributo devido e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. NULIDADE. FALTA DE CLAREZA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, devendo ser afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal têm clareza suficiente para compreensão e o sujeito passivo tem acesso aos elementos que compõem a peça de autuação, lavrada com observância aos requisitos legais, apresenta defesa em tempo hábil instaurando regularmente o contraditório e defende-se com razões de fato e de direito que entendeu ampará-lo, demonstrando perfeita compreensão dos fatos apresentados. PROCEDIMENTO FISCAL. ARGUIÇÃO DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA AUTORREGULARIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O direito do contribuinte à autorregularização subsiste somente até o início do procedimento fiscal e não há falar em prejuízo em razão de a fiscalização não a oportunizar durante o procedimento fiscal. Verificado nos autos provas de que o contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa, não cabe a alegação de nulidade por vício prejudicial. AUTOS DE INFRAÇÃO. ÚNICO PROCESSO. Os autos de infração, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste parcialidade ou cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora se manifesta sobre pedidos de ressarcimento que fazem parte do escopo do procedimento fiscal, dada a dependência direta, fática e jurídica entre os pedidos de ressarcimento e o cálculo do montante do tributo devido. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO. A produção probatória deve ser feita na impugnação, para evitar preclusão, exceto se houver situação excepcional que justifique a produção extemporânea. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia presta-se à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos adicionais para o deslinde do litígio. Havendo elementos suficientes nos autos para decidir sobre o lançamento, a perícia é prescindível. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade de PIS/Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, não há insumos na atividade de revenda de bens para fins de apuração de créditos das contribuições. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. A forma legal prioritária para a fruição dos créditos de PIS/Cofins no regime não cumulativo é o seu desconto sobre o valor apurado das mesmas contribuições. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 574.706/PR. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA POR UNIDADE DE MEDIDA. NÃO APLICABILIDADE. Em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins de que trata a decisão proferida pelo STF em sede do RE nº 574.706/PR: a) alcança somente as hipóteses nas quais o faturamento ou a receita bruta faz parte da base de cálculo do PIS/Cofins; e b) não é autorizada nas hipóteses em que a pessoa jurídica optante pelo regime especial de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, apura o valor devido dessa contribuição aplicando alíquotas específicas ou ad rem sobre volume (medido em metros cúbicos) por ela comercializado. ÁLCOOL. DISTRIBUIDOR. RECOB. ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. A pessoa jurídica optante pelo Recob deve apurar PIS/Cofins com a alíquota fixada no § 4º, II, do art. 5º da Lei 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727, de 2008, observado o coeficiente de redução fixado pelo Decreto nº 6.573, de 2008, aplicada por metro cúbico de álcool. DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. Despesas com fretes de transferências de produtos acabados não se enquadram como frete na operação de venda e não podem ser consideradas como insumo, porque elas ocorrem depois de terminado o processo produtivo. ARBITRAMENTO. HIPÓTESE. O arbitramento é remédio que possibilita o lançamento quando declarações e/ou esclarecimentos prestados, ou documentos expedidos pelo sujeito passivo sejam omissos ou não mereçam fé.
Numero da decisão: 3101-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Ramon Silva Cunha e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. Em regra, as decisões administrativas e as judiciais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INAPLICABILIDADE DIANTE DE DISPOSIÇÃO EXPRESSA. O princípio da isonomia é inaplicável quando a legislação tributária dispõe expressamente sobre o assunto, estabelecendo diferenças de tratamento para situações fáticas específicas. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de atendimento às intimações formuladas pelo Fisco, para apresentação de esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, nos termos da lei tributária federal. MULTA. CARÁTER DESPROPORCIONAL E CONFISCATÓRIO. A ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade ou legalidade de atos normativos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NULIDADE. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Inexiste nulidade por violação do disposto no art. 142 do CTN, notadamente por erro na determinação da matéria tributável, se o auto de infração ostentar os requisitos legais, com a apuração inequívoca do tributo devido e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. NULIDADE. FALTA DE CLAREZA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, devendo ser afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal têm clareza suficiente para compreensão e o sujeito passivo tem acesso aos elementos que compõem a peça de autuação, lavrada com observância aos requisitos legais, apresenta defesa em tempo hábil instaurando regularmente o contraditório e defende-se com razões de fato e de direito que entendeu ampará-lo, demonstrando perfeita compreensão dos fatos apresentados. PROCEDIMENTO FISCAL. ARGUIÇÃO DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA AUTORREGULARIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O direito do contribuinte à autorregularização subsiste somente até o início do procedimento fiscal e não há falar em prejuízo em razão de a fiscalização não a oportunizar durante o procedimento fiscal. Verificado nos autos provas de que o contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa, não cabe a alegação de nulidade por vício prejudicial. AUTOS DE INFRAÇÃO. ÚNICO PROCESSO. Os autos de infração, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste parcialidade ou cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora se manifesta sobre pedidos de ressarcimento que fazem parte do escopo do procedimento fiscal, dada a dependência direta, fática e jurídica entre os pedidos de ressarcimento e o cálculo do montante do tributo devido. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO. A produção probatória deve ser feita na impugnação, para evitar preclusão, exceto se houver situação excepcional que justifique a produção extemporânea. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia presta-se à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos adicionais para o deslinde do litígio. Havendo elementos suficientes nos autos para decidir sobre o lançamento, a perícia é prescindível. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade de PIS/Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, não há insumos na atividade de revenda de bens para fins de apuração de créditos das contribuições. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. A forma legal prioritária para a fruição dos créditos de PIS/Cofins no regime não cumulativo é o seu desconto sobre o valor apurado das mesmas contribuições. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 574.706/PR. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA POR UNIDADE DE MEDIDA. NÃO APLICABILIDADE. Em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins de que trata a decisão proferida pelo STF em sede do RE nº 574.706/PR: a) alcança somente as hipóteses nas quais o faturamento ou a receita bruta faz parte da base de cálculo do PIS/Cofins; e b) não é autorizada nas hipóteses em que a pessoa jurídica optante pelo regime especial de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, apura o valor devido dessa contribuição aplicando alíquotas específicas ou ad rem sobre volume (medido em metros cúbicos) por ela comercializado. ÁLCOOL. DISTRIBUIDOR. RECOB. ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. A pessoa jurídica optante pelo Recob deve apurar PIS/Cofins com a alíquota fixada no § 4º, II, do art. 5º da Lei 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727, de 2008, observado o coeficiente de redução fixado pelo Decreto nº 6.573, de 2008, aplicada por metro cúbico de álcool. DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. Despesas com fretes de transferências de produtos acabados não se enquadram como frete na operação de venda e não podem ser consideradas como insumo, porque elas ocorrem depois de terminado o processo produtivo. ARBITRAMENTO. HIPÓTESE. O arbitramento é remédio que possibilita o lançamento quando declarações e/ou esclarecimentos prestados, ou documentos expedidos pelo sujeito passivo sejam omissos ou não mereçam fé.

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DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. Em regra, as decisões administrativas e as judiciais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INAPLICABILIDADE DIANTE DE DISPOSIÇÃO EXPRESSA. O princípio da isonomia é inaplicável quando a legislação tributária dispõe expressamente sobre o assunto, estabelecendo diferenças de tratamento para situações fáticas específicas. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de atendimento às intimações formuladas pelo Fisco, para apresentação de esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, nos termos da lei tributária federal. MULTA. CARÁTER DESPROPORCIONAL E CONFISCATÓRIO. A ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, configurando- se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Fl. 2355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade ou legalidade de atos normativos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NULIDADE. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Inexiste nulidade por violação do disposto no art. 142 do CTN, notadamente por erro na determinação da matéria tributável, se o auto de infração ostentar os requisitos legais, com a apuração inequívoca do tributo devido e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. NULIDADE. FALTA DE CLAREZA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, devendo ser afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal têm clareza suficiente para compreensão e o sujeito passivo tem acesso aos elementos que compõem a peça de autuação, lavrada com observância aos requisitos legais, apresenta defesa em tempo hábil instaurando regularmente o contraditório e defende-se com razões de fato e de direito que entendeu ampará-lo, demonstrando perfeita compreensão dos fatos apresentados. PROCEDIMENTO FISCAL. ARGUIÇÃO DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA AUTORREGULARIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O direito do contribuinte à autorregularização subsiste somente até o início do procedimento fiscal e não há falar em prejuízo em razão de a fiscalização não a oportunizar durante o procedimento fiscal. Verificado nos autos provas de que o contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa, não cabe a alegação de nulidade por vício prejudicial. AUTOS DE INFRAÇÃO. ÚNICO PROCESSO. Os autos de infração, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Fl. 2356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 3 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste parcialidade ou cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora se manifesta sobre pedidos de ressarcimento que fazem parte do escopo do procedimento fiscal, dada a dependência direta, fática e jurídica entre os pedidos de ressarcimento e o cálculo do montante do tributo devido. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO. A produção probatória deve ser feita na impugnação, para evitar preclusão, exceto se houver situação excepcional que justifique a produção extemporânea. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia presta-se à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos adicionais para o deslinde do litígio. Havendo elementos suficientes nos autos para decidir sobre o lançamento, a perícia é prescindível. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade de PIS/Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, não há insumos na atividade de revenda de bens para fins de apuração de créditos das contribuições. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. A forma legal prioritária para a fruição dos créditos de PIS/Cofins no regime não cumulativo é o seu desconto sobre o valor apurado das mesmas contribuições. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 574.706/PR. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA POR UNIDADE DE MEDIDA. NÃO APLICABILIDADE. Em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins de que trata a decisão proferida pelo STF em sede do RE nº 574.706/PR: a) alcança somente as hipóteses nas quais o faturamento ou a receita bruta faz parte da base de cálculo do PIS/Cofins; e b) não é autorizada nas hipóteses em Fl. 2357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 4 que a pessoa jurídica optante pelo regime especial de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, apura o valor devido dessa contribuição aplicando alíquotas específicas ou ad rem sobre volume (medido em metros cúbicos) por ela comercializado. ÁLCOOL. DISTRIBUIDOR. RECOB. ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. A pessoa jurídica optante pelo Recob deve apurar PIS/Cofins com a alíquota fixada no § 4º, II, do art. 5º da Lei 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727, de 2008, observado o coeficiente de redução fixado pelo Decreto nº 6.573, de 2008, aplicada por metro cúbico de álcool. DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. Despesas com fretes de transferências de produtos acabados não se enquadram como frete na operação de venda e não podem ser consideradas como insumo, porque elas ocorrem depois de terminado o processo produtivo. ARBITRAMENTO. HIPÓTESE. O arbitramento é remédio que possibilita o lançamento quando declarações e/ou esclarecimentos prestados, ou documentos expedidos pelo sujeito passivo sejam omissos ou não mereçam fé. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Ramon Silva Cunha e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 2358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 5 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 110-012.289, de 14 de agosto de 2024, da 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 10, que manteve o Infração da Cofins, lavrado em face da Noroeste Distribuidora de Combustíveis Ltda (doravante denominada NOROESTE), sociedade que tem por atividade econômica principal o comércio atacadista de combustíveis (distribuidora de combustíveis). O lançamento compreendeu fatos geradores dos períodos de apuração janeiro a dezembro de 2020. O crédito tributário lançado é no montante de de R$ 179.084.287,85 (cento e setenta e nove milhões, oitenta e quatro mil, duzentos e oitenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). Houve imposição de multa agravada no percentual de 112,50%, nos termos do art. 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. A circunstância agravante decorreu do não atendimento de intimação, no prazo marcado. Ementa do Acórdão Recorrido: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. Em regra, as decisões administrativas e as judiciais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INAPLICABILIDADE DIANTE DE DISPOSIÇÃO EXPRESSA. O princípio da isonomia é inaplicável quando a legislação tributária dispõe expressamente sobre o assunto, estabelecendo diferenças de tratamento para situações fáticas específicas. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de atendimento às intimações formuladas pelo Fisco, para apresentação de esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, nos termos da lei tributária federal. MULTA. CARÁTER DESPROPORCIONAL E CONFISCATÓRIO. A ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 2359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 6 A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade ou legalidade de atos normativos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NULIDADE. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Inexiste nulidade por violação do disposto no art. 142 do CTN, notadamente por erro na determinação da matéria tributável, se o auto de infração ostentar os requisitos legais, com a apuração inequívoca do tributo devido e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. NULIDADE. FALTA DE CLAREZA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, devendo ser afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal têm clareza suficiente para compreensão e o sujeito passivo tem acesso aos elementos que compõem a peça de autuação, lavrada com observância aos requisitos legais, apresenta defesa em tempo hábil instaurando regularmente o contraditório e defende-se com razões de fato e de direito que entendeu ampará-lo, demonstrando perfeita compreensão dos fatos apresentados. PROCEDIMENTO FISCAL. ARGUIÇÃO DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA AUTORREGULARIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O direito do contribuinte à autorregularização subsiste somente até o início do procedimento fiscal e não há falar em prejuízo em razão de a fiscalização não a oportunizar durante o procedimento fiscal. Verificado nos autos provas de que o contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa, não cabe a alegação de nulidade por vício prejudicial. AUTOS DE INFRAÇÃO. ÚNICO PROCESSO. Fl. 2360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 7 Os autos de infração, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste parcialidade ou cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora se manifesta sobre pedidos de ressarcimento que fazem parte do escopo do procedimento fiscal, dada a dependência direta, fática e jurídica entre os pedidos de ressarcimento e o cálculo do montante do tributo devido. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO. A produção probatória deve ser feita na impugnação, para evitar preclusão, exceto se houver situação excepcional que justifique a produção extemporânea. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia presta-se à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos adicionais para o deslinde do litígio. Havendo elementos suficientes nos autos para decidir sobre o lançamento, a perícia é prescindível. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. A atividade de distribuição atacadista de combustíveis e biocombustíveis não se confunde com atividade produtiva para fins de creditamento da contribuição. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade de PIS/Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, não há insumos na atividade de revenda de bens para fins de apuração de créditos das contribuições. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. A forma legal prioritária para a fruição dos créditos de PIS/Cofins no regime não cumulativo é o seu desconto sobre o valor apurado das mesmas contribuições. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 574.706/PR. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA POR UNIDADE DE MEDIDA. NÃO APLICABILIDADE. Em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins de que trata a decisão proferida pelo STF em sede do RE nº 574.706/PR: a) alcança somente as hipóteses nas quais o faturamento ou a receita bruta faz parte da base de cálculo do PIS/Cofins; e b) não é autorizada nas hipóteses em que a pessoa jurídica Fl. 2361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 8 optante pelo regime especial de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, apura o valor devido dessa contribuição aplicando alíquotas específicas ou ad rem sobre volume (medido em metros cúbicos) por ela comercializado. ÁLCOOL. DISTRIBUIDOR. RECOB. ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. A pessoa jurídica optante pelo Recob deve apurar PIS/Cofins com a alíquota fixada no § 4º, II, do art. 5º da Lei 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727, de 2008, observado o coeficiente de redução fixado pelo Decreto nº 6.573, de 2008, aplicada por metro cúbico de álcool. DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. Despesas com fretes de transferências de produtos acabados não se enquadram como frete na operação de venda e não podem ser consideradas como insumo, porque elas ocorrem depois de terminado o processo produtivo. ARBITRAMENTO. HIPÓTESE. O arbitramento é remédio que possibilita o lançamento quando declarações e/ou esclarecimentos prestados, ou documentos expedidos pelo sujeito passivo sejam omissos ou não mereçam fé. Impugnação Improcedente A recorrente, em seu recurso voluntário repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação, de forma que reproduzo o relatório da decisão recorrida que ilustra os capítulos recursais do presente recurso, verbis: 4.1 SÍNTESE DOS AUTOS A defesa apresenta síntese do procedimento fiscal, destacando que, embora haja identidade de procedimento, houve lavratura de autos de infração em processos distintos. Menciona valores lançados e relaciona as acusações fiscais. 4.2 PRELIMINARES 4.2.1 TEMPESTIVIDADE Refere a tempestividade da peça impugnatória: recebimento dos autos de infração no dia 13/11/2023, cujo prazo de trinta dias para impugnação findou no dia 13/12/2023. A impugnação é tempestiva porque foi protocolizada no dia 11/12/2023, dentro do prazo previsto. 4.2.2 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL E REGULARIZAÇÃO Indica a representação processual, pugnando pelo reconhecimento das procurações eletrônicas ou procurações de assinatura eletrônica e dispensa do reconhecimento de firma. Requer intimação no caso de eventual alegação ou constatação de irregularidade na representação processual. 4.2.3 FALTA DE JUNTADA E ESCLARECIMENTO SOBRE DIFICULDADE DE ACESSO E PREJUÍZO EM PRAZOS Fl. 2362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 9 Menciona dificuldades em acessar o dossiê digital de comunicação. Aduz que somente em 08/08/2023 teve acesso ao inteiro teor dos autos. Junta resposta do agente fiscal e capturas de telas de e-mails. Refere que o número do procedimento que aparecia era outro e que, inobstante, também não tinha acesso. Argumenta ter havido repetição do bloqueio em 28/09/2023. Cogita que o procedimento foi aberto como sigiloso, o que impossibilitava o acesso ao inteiro teor e protocolo/resposta dos termos de intimação. Ressalta que há documentos inerentes e relevantes ao procedimento que não foram juntados em face de perda de prazo e não atendimento, sem menção da dificuldade e impossibilidade de acesso ou devolução de prazo de ofício. Defende que isso lhe causou preterição do direito de defesa, sendo nulos os atos lavrados. Também, o procedimento afronta o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/72 - PAF. 4.2.4 PREJUÍZO POR NÃO OPORTUNIZAÇÃO DE AUTORREGULARIZAÇÃO - COMPETÊNCIA FUNCIONAL E DEVER ESPECÍFICOS - VIOLAÇÃO AO PROCEDIMENTO FISCAL Aduz que estava sujeita à competência da Delegacia de Maiores Contribuintes; logo, tinha expectativa de receber orientação e promoção à conformidade tributária pela autorregularização oportunizada, o que não houve. Como não exerceu seu direito, houve prejuízo; logo, há vício material nos autos de infração. 4.2.5 FATIAMENTO DO PROCEDIMENTO EM PROCESSOS DISTINTOS Houve indevido fatiamento do procedimento fiscal em autos separados e distintos, cujos autos de infração são controlados em dois processos, o que contraria normas internas da Receita Federal. Assim, há vício material que contamina o lançamento. Menciona doutrina que assinala que tal fato implica em cerceamento de defesa e redução de chances de êxito na esfera administrativa, causando insegurança jurídica. Demais, fere a legalidade diante da previsão existente. 4.2.6 FALTA DE CLAREZA - ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO (VENDA ATACADISTA) OU REVENDA (VAREJISTA) Argumenta que houve falta de clareza por parte da fiscalização ao tratar as atividades da contribuinte no tocante à distinção entre atividade de revenda e distribuição (atacadista), cuja regulamentação, por parte da ANP, se dá em normas distintas. 4.2.7 FALTA DE CLAREZA NO FUNDAMENTO - REGIME BIFÁSICO OU MONOFÁSICO Sustenta haver falta de clareza por parte da fiscalização quando afirma ora estar submetida ao regime bifásico, ora afirma na mesma operação que seria submetida ao regime monofásico. Se houvesse clareza na premissa (em relação ao produto Etanol), haveria profunda alteração na acusação. Fl. 2363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 10 4.2.8 ERRO NO FUNDAMENTO PROBATÓRIO E FALTA DE CLAREZA DA FUNDAMENTAÇÃO Reclama de dificuldade de compreensão porque “constou do TVF a afirmação de que foram consideradas no presente procedimento fiscal ‘as últimas Escriturações Fiscais Digitais - EFD-Contribuições transmitidas, relativas ao período de 01/2020 a 12/2020’; mas, relaciona escriturações de 01/2019 a 12/2019”. Por conseguinte, há vício material, já que não restou claro quais são as escriturações que deveria analisar para se defender. 4.2.9 OPINIÃO SOBRE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - OUTRO CERCEAMENTO DE AUTORREGULARIZAÇÃO Aduz ser descabida a opinião sobre indeferimento de pedidos de ressarcimento no bojo de autos de infração, o que se traduz em parcialidade da autoridade lançadora. Se há irregularidade, há que haver oportunização de autorregularização, conforme consta no PN Cosit nº 2/2015. Assim, há cerceamento do direito de defesa. 4.2.10 FUNDAMENTO EM PROCESSO NÃO DISPONIBILIZADO AO CONTRIBUINTE - FALTA DE ACESSO A PROVA E FUNDAMENTO QUE EMBASAM A ACUSAÇÃO Menciona que o TVF faz referência a provas e documentos que não constam dos autos e não são acessíveis: o dossiê 13113.338.552/2023-67 não é sequer visível ao contribuinte. Reproduz telas do e-CAC onde mostra que tal processo não está listado entre os processos acessíveis, tampouco consta dos autos. Assim, há cerceamento de defesa. 4.3 MÉRITO 4.3.1 AUTOS DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Reproduz os termos do auto de infração em litígio. 4.3.2 ACUSAÇÃO DE GLOSA DE CRÉDITOS SEM DÉBITO DE CONTRIBUIÇÃO - CONSTITUIÇÃO INDEVIDA? Diz não ser possível compreender tal acusação, tampouco seu cálculo no lançamento. Refere que a descrição no auto de infração é insuficiente e remete ao título V do TVF, que trata dos pedidos de ressarcimento. Infere que a fiscalização lançou valores de crédito (como estorno) que afirmou indevidos. Menciona que foram inseridos no lançamento valores de créditos que sequer foram ressarcidos, que ainda estão em análise, sem decisão por parte da autoridade competente. Caso houvesse decisão, seria passível de recurso. Repisa que deveria ter sido intimada à autorregularização, o que não aconteceu. Prossegue, dizendo que os fundamentos legais da acusação sequer fazem sentido. Reproduz os artigos das normas constantes no auto de infração e, na sequência, o teor dos dispositivos. Reporta que a mesma situação ocorre na próxima acusação constante do auto de infração: não é possível compreender a relação com o lançamento, que reporta ao título VII do TVF, exclusão do ICMS da base de cálculo Fl. 2364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 11 da contribuição. Sustenta que o valor da alíquota ad rem leva em conta o preço do combustível no varejo, que engloba o valor de ICMS. Cita doutrina que diz corroborar sua linha argumentativa. Aduz que o Ministério da Economia já confirmou que as alíquotas ad rem dos combustíveis (Etanol, Gasolinas e Óleo Diesel) são equivalentes à aplicação das alíquotas ad valorem: o poder público calculou alíquota ad rem dos combustíveis, tanto do PIS e Cofins, de forma a alcançar o mesmo valor da modalidades de alíquota ad valorem, ambas possuindo a mesma base de cálculo: o preço médio que engloba o tributo ICMS. Lembra constar nas exposições de motivos da MP nº 413/2008 que a tributação ocorreria de forma monofásica no produtor ou importador, com alíquota zero nas demais etapas subsequentes (o que inclui a distribuição e a revenda varejista). Assim, não prospera a alegação de que o ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições, tanto pela alíquota ad valorem como pela alíquota ad rem. Consigna que o Ministério de Minas e Energia publicou boletim em setembro de 2008, em que demostra a formação do preço do etanol hidratado incluindo o ICMS, inclusive considerando alíquotas específicas. Por conseguinte, tais acusações não se sustentam, devendo ser afastadas. 4.3.3 ACUSAÇÃO DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA - CONTRIBUIÇÃO FIXADA POR UNIDADE DE PRODUTO Reporta vício de ausência de clareza na acusação, que engloba infrações de insuficiência de recolhimento (álcool) e omissão de receita (álcool). Quanto à omissão de receita, aduz que a fiscalização filtrou somente notas fiscais de saída emitidas. Contudo, na mesma medida que a contribuinte deixou de escriturar as notas de saída emitidas, igualmente deixou de escriturar as notas fiscais de entrada, ou seja, não computou os créditos que tem direito. A fiscalização, embora tivesse acesso, deixou de fazê-lo, criando distorção no lançamento. Assim, requer perícia para que sejam incluídos tais créditos. No tocante à acusação de insuficiência de recolhimento, não conseguiu exercer a defesa com base nos valores que aparecem no auto de infração, havendo vício no lançamento. Argumenta que a fundamentação legal constante no auto de infração não possui qualquer base legal para apuração e lançamento de ofício. Reporta erro nos demonstrativos criados pela autoridade lançadora, que devem ser periciados, sob mácula material do lançamento. Apresenta demonstrativos que, a título exemplificativo, diz demonstrar equívocos no cálculo: inclusão de notas fiscais que não representam volume de vendas emitidas para ajuste de preço, cujo volume foi considerado vendido, caracterizando duplicidade com notas principais, que foram complementadas. 4.3.4 VÍCIOS MATERIAIS DE PROVA, DESCRIÇÃO E FUNDAMENTO DOS AUTOS Fl. 2365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 12 Refere falta de descrição dos fatos geradores no auto de infração, cujos apontamentos referenciam documento externo, em afronta ao art. 10, inc. III, do PAF. Aduz que tal fato configura vício material porque impede adequada defesa dos fatos pela ausência de clareza no entendimento. Reclama que as provas juntadas pela fiscalização não correspondem ao valor do auto de infração, não podendo ser admitidas como base do lançamento, porque contém vício material. Acosta julgados administrativos que diz se subsumirem a sua linha argumentativa. Discorre sobre vícios materiais e insanáveis. Cita artigos do Código Tributário Nacional – CTN. Fala sobre arbitramento. Defende que em havendo impossibilidade de comprovação direta da base de cálculo, o arbitramento deve ser aplicado. Acosta doutrina do professor Alberto Xavier. Reporta haver erro no critério jurídico de aplicação dos tributos exigidos porque o regime não cumulativo não foi aplicado. Dessa forma, a exigência fiscal deve ser cancelada. 4.3.5 IMPROCEDÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PAUTADO EM PRESUNÇÕES Segundo NOROESTE, os autos de infração foram lavrados “com base em presunções, sob a justificativa de que a impugnante não teria comprovado gastos e despesas, bem como que teria omitido receita por meio de passivo fictício. Assim, lavrou-se os autos de infração com base em meras presunções/indícios”. Contudo, é incabível infração tributária baseada em presunções ou indícios. Logo, o lançamento é insubsistente. Menciona doutrina e julgados administrativos que diz se subsumirem a sua linha argumentativa. 4.3.6 CRÉDITOS DE PIS/COFINS NOROESTE aduz que: Na apuração efetuada pela autoridade lançadora, foram desconsiderados valores de créditos a que tem direito a empresa contribuinte; além da acusação ter efetuado lançamento de créditos (estorno de créditos) que sequer foram ainda decididos em processo de PER, bem como sequer houve a intimação para oportunizar a regularização/desistência de tal pedido de ressarcimento, ainda tem-se (sic) créditos adicionais que não foram considerados, quando do lançamento referente a débitos de PIS/COFINS. Argumenta que a perícia requerida constatará diversos equívocos no lançamento, que resultará em cancelamento de parcela representativa das exigências fiscais. Refere possuir créditos não considerados no montante de R$ 11.727.394,06 de PIS e de R$ 59.418.796,56 de Cofins. Trata-se de insumos essenciais e relevantes, abrangidos no conceito de insumo firmado pelo STJ em tese de repetitivos. Menciona parecer jurídico proferido por tributarista que reitera o entendimento que o álcool adquirido dá direito a crédito. Refere que a tributação monofásica do etanol hidratado é premissa falsa, pois há incidência na produção/importação e na distribuição. Menciona parecer de outro tributarista que diz ser possível a apropriação de créditos na aquisição de bens para revenda. Pede que os fretes tomados sejam levantados e computados para creditamento. Expõe julgados Fl. 2366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 13 judiciais e administrativos que diz se subsumirem a sua linha argumentativa. Sustenta que o CARF concede créditos sobre produtos acabados e produtos adquiridos para revenda. 4.3.7 AFRONTA À ISONOMIA DA CARGA TRIBUTÁRIA Reporta que deve haver isonomia em relação a créditos de entrada entre produtor que venda diretamente para um varejista (sujeito ao regime cumulativo e regime especial), que se credita da alíquota da atividade de distribuidora e o distribuidor. Cita SC Cosit nº 327/2017. 4.3.8 MÉRITO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS DE PIS/COFINS - NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DA APURAÇÃO DOS PERÍODOS AUTUADOS - CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE Aduz que, em prevalecendo a exigência fiscal, deverá ser recomposta a apuração para computar créditos da não cumulatividade. 4.3.9 DESOBEDIÊNCIA DO LANÇAMENTO À NORMA LIMITADORA DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL - PREÇO MÉDIO DO VAREJO Sustenta que, tanto as alíquotas do regime não cumulativo quanto do regime especial (Lei nº 9.718/1998, com limitações de coeficientes pelo Poder Executivo), não poderão resultar em alíquotas superiores a 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins do preço médio de venda do varejo. Aduz que há excedente aos limites legais no demonstrativo que consta na autuação. Reporta a levantamentos anexos. Pugna pelo cancelamento do lançamento ou perícia para averiguar a conformidade do lançamento aos limites citados. 4.3.10 MÉRITO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS DE PIS/COFINS - EXCLUSÃO DO ICMS DAS SUAS BASES DE CÁLCULO Defende a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, com base no julgamento do RE nº 574.706 do STF, em sendo mantido o lançamento. 4.3.11 NECESSIDADE DE PERÍCIA Indica perito e formula quesitos. 4.3.12 PROTESTO PELA JUNTADA DE PROVAS - VERDADE MATERIAL E NÃO PREJUÍZO À DEFESA Protesta pela posterior juntada de documentos em face do relato confuso, juntada de diversos documentos e prazo exíguo para análise. 4.4 MULTA E JUROS Argumenta que não houve apontamento do inciso legal, ou seja, qual é a hipótese de agravamento/majoração da multa aplicada. 4.4.1 NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 2367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 14 Refuta a cobrança de juros sobre a multa lançada e pugna pela declaração de ilegalidade da taxa Selic para atualização dos valores cobrados. 4.4.2 APLICAÇÃO DE SÚMULA CARF E DA IMPOSSIBILIDADE DO AGRAVAMENTO DA MULTA NOS PRESENTES AUTOS Sustenta que o agravamento da multa não procede à luz das súmulas CARF nº 96 e 133. Refere que não teve acesso ao dossiê digital de comunicação, então não poderia haver majoração. 4.4.3 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 112,50% E OFENSA AO ART. 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Aduz que a multa aplicada no percentual de 112,5% é confiscatória. Requer o seu afastamento e, caso seja mantida, requer limitação ao percentual de 20%. 4.5 PEDIDOS Requer que sejam reconhecidos os vícios e nulidades suscitados para cancelamento da autuação, cancelamento ou improcedência do lançamento, ou subsidiariamente sua redução em virtude de erros no lançamento, casos em que deve ser deferida a perícia ou auditoria. Em todo caso, que seja afastada multa majorada ou seja limitada ao patamar legal (20%) e os juros reduzidos, além de deferidos os demais pedidos, impugnando-se a autuação na inteireza. O processo foi sorteado a este relator, nos termos regimentais. Este é o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Admissibilidade O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme mencionado, o recurso voluntário é uma cópia da impugnação, com alguns poucos comentários, em cada capítulo recursal, sobre a decisão recorrida. Diante desse quadro, por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, utilizarei sua ratio decidendi como se minha fosse para fundamentar a decisão, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e do art. 2º, § 3º Fl. 2368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 15 do Decreto nº 9.830, de 10 de junho de 2019 e do § 12 do art. 114 do RICARF, e tratarei cada insurgência que efetivamente combata a decisão recorrida. Falta de juntada e esclarecimento sobre dificuldade de acesso e prejuízo em prazos. A defesa menciona que “há documentos inerentes e relevantes ao procedimento que não foram juntados pela r. autoridade lançadora. Isso porque há menções a perda de prazo e não atendimento, sem que mencionasse a dificuldade e impossibilidade de acesso e/ou qualquer devolução de prazo de ofício” (grifo no original). Justifica, dizendo que a falta de acesso ao Dossiê Digital de Comunicação – DDC nº 13113.163989/2023-31 implicou em dificuldades para atender intimações e perda de prazo. Alega que, ao não juntar os documentos apresentados, os atos posteriores são nulos porque eivados de preterição do direito de defesa. Nada colhe a arguição. A autoridade lançadora instruiu estes autos com todos os elementos necessários para a instauração da fase processual: auto de infração (fls. 2-13); TVF (fls. 14-59); arquivos não pagináveis que contêm demonstrativos de apuração, créditos glosados, débitos lançados e ajustes de redução (fls. 60-66); termos de início de procedimento fiscal, de intimações e de reintimações; pedidos de prorrogações de prazos; termo de constatação; termos de solicitação de juntada de documento e resposta à intimação (fls. 67-173). O TVF contém a descrição completa do procedimento fiscal, indicando a legislação aplicável, o entendimento da Receita Federal do Brasil acerca da matéria tributável, o escopo da auditoria dos créditos e documentos de suporte, ajustes promovidos e infrações cometidas, com referências a demonstrativos (arquivos não pagináveis) que fazem parte do TVF e do Auto de Infração. Dessa forma, deve ser afastada a alegação de preterição do direito de defesa e de nulidade de atos administrativos que culminaram com o lançamento combatido. Neste capítulo, a recorrente afirmou que não foi enfrentada a questão que versou sobre a dificuldade de acesso pelo sujeito passivo aos autos e a falta de devolução de prazo de ofício. Não concordo com a recorrente. No título “Das Preliminares”, a decisão recorrida tece argumentos sólidos que demonstram que o litígio só se instaura no momento da interposição da impugnação pelo sujeito passivo, que transforma o procedimento inquisitório em processo, passando a incidir os princípios do processo administrativo tributário, quais sejam: devido processo legal; contraditório; ampla defesa; ampla instrução probatória; duplo grau de cognição; julgador competente; ampla competência decisória e razoável duração do processo. Utilizou como fundamento a Súmula CARF nº 162, para afastar eventual nulidade na fase instrutória pela falta do contraditório e ampla defesa. Demonstrou que na fase processual Fl. 2369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 16 não houve vício no procedimento que ensejasse o cerceamento do direito de defesa, de forma que possibilitou ao sujeito passivo contestar todos os motivos determinantes do lançamento tributário. Segundo Marins, o procedimento fiscal é dividido em duas partes: fase procedimental e fase processual. A fase procedimental, que é a fase formalizadora do tributo, é permeada pelo princípio da inquisitoriedade. Nessa fase pode haver participação do contribuinte em decorrência do princípio do dever de colaboração. Isso acontece, por exemplo, mediante apresentação de respostas a intimações exaradas pela autoridade fiscal: o contribuinte comparece ao procedimento para esclarecer esta ou aquela conduta ou procedimento fiscal que tenha adotado na sua atividade privada. Após esta etapa, que pode se mostrar mais ou menos complexa, praticado o ato de lançamento e, portanto, formalizada a pretensão fiscal do Estado, abre-se ao contribuinte a oportunidade de insurgência, onde se instaura a fase litigiosa (processual) mediante a apresentação da impugnação acompanhada de documentos de prova (se assim desejar), nos termos do art. 14 do PAF. Nesse sentido, a partir da impugnação tempestivamente apresentada é que se tem por transformado o procedimento em processo, passando a incidir, no iter administrativo, os princípios do processo administrativo tributário: devido processo legal; contraditório; ampla defesa; ampla instrução probatória; duplo grau de cognição; julgador competente; ampla competência decisória e razoável duração do processo. Assim, externada a linha divisória entre a fase procedimental e a fase processual, não há falar em vícios que eivariam a fase procedimental de nulidades capazes de invalidar o Auto de Infração lavrado. Quanto à fase processual, a arguição de nulidade do Auto de Infração deve ser analisada à luz dos art. 59 e 60 do PAF: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Fl. 2370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 17 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O Auto de Infração foi lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal. Não há falar em preterição do direito de defesa porque foi dado ao sujeito passivo direito de apresentar impugnação. Tampouco, houve ato que impedisse apresentação de argumentos e comprovantes contrários ao lançamento na impugnação, não tendo sido feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. O PAF, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN, preceitua os requisitos formais para a lavratura do auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Conforme se pode verificar, o Auto de Infração atende a todas as formalidades elencadas. Ressalte-se que o detalhamento da descrição dos fatos relacionados às infrações e os valores apurados pela autoridade fiscal podem ser verificados no TVF e nos demais demonstrativos, termos e anexos que integram o Auto de Infração. No processo administrativo fiscal, o litígio é instaurado a partir da impugnação ao Auto de Infração, conforme disposto no art. 14 do PAF: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. [...] No mesmo sentido, dispõe a Súmula CARF nº 162: Súmula CARF nº 162 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). (grifo no original) Fl. 2371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 18 Nesse contexto, não há falar em preterição do direito de defesa, quando há nos autos prova de que a impugnante foi regularmente cientificada da autuação, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório que a impugnante se utilizou desta prerrogativa. Analisando-se as alegações minuciosas e detalhadas de mérito contidas nas oitenta páginas da impugnação, é possível perceber que ela compreendeu as circunstâncias que teriam levado à glosa de créditos, à insuficiência de recolhimento da contribuição e à omissão de receita. Dessa forma, não se justificam as alegações de cerceamento do direito de defesa e do contraditório porque o sujeito passivo pôde se defender perfeitamente. Inclusive, juntou onze espécies de documentos relacionados no relatório que diz provar o direito que alega possuir. Diante da perspectiva posta, não vejo prejuízo ao direito a ampla defesa do sujeito passivo, nem omissão acerca de qualquer alegação da recorrente. Prejuízo por não oportunização de autorregularização - competência funcional e dever específicos - violação ao procedimento fiscal A impugnante afirma que teria direito a receber orientação e promoção à conformidade tributária por meio da autorregularização. Este procedimento não foi observado, o que lhe causou prejuízos que implicam na nulidade do Auto de Infração. Não assiste razão à impugnante, pois não existe regramento que obrigue o oferecimento da autorregularização ao sujeito passivo. A oportunidade de autorregularização é política discricionária da administração tributária, que tem a faculdade de eventualmente estabelecer programas de autorregularização, de caráter geral (e não individual), previamente à instauração de procedimentos fiscais, com o objetivo de reduzir o universo de contribuintes em situação irregular e direcionar o aparato fiscal para os que remanescerem em situação irregular após o esgotamento do prazo estabelecido. Entretanto, mesmo nessa situação, uma vez instaurado o procedimento fiscal, o pagamento espontâneo não é mais possível. É o que se depreende da leitura atenta do artigo 138 do CTN, que determina expressamente que, uma vez instaurado o procedimento fiscal com o fito de investigar a infração, cessa a possibilidade de se realizar a autorregularização: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Fl. 2372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 19 Assim, considerando que não houve a regularização da situação antes do início do procedimento fiscal, não merecem prosperar os argumentos apresentados pela impugnante neste quesito. Neste capítulo a recorrente alegou: Como não existe regramento, se são expressas as portarias - PORTARIA ME Nº 284, DE 27 DE JULHO DE 2020 e PORTARIA RFB Nº 4888, DE 07 DE DEZEMBRO DE 2020 – sobre a promoção da autorregularização e conformidade? A própria Receita Federal anuncia aos quatro ventos que promove alertas para autorregularização: Então a “Receita Federal envia aviso de cobrança a 6,5 milhões de contribuintes e alerta para importância da autorregularização”, mas nada para a Recorrente que estava ainda sob específica supervisão da DEMAC?! É evidente que houvesse a Receita promovido seu papel perante a contribuinte, a autuação poderia ter sido evitada, e certamente as multas aplicadas também! Daí que urge reforma o Acórdão também nesse ponto. Ao meu sentir, a recorrente não apresentou razões de fato ou de direito que poderiam alterar a decisão da instância a quo, simplesmente demonstrou insatisfação com a decisão. Logo, mantenho a decisão pelos seus próprios fundamentos. Fatiamento do Procedimento em Processos Distintos Segundo a impugnante, o fatiamento do procedimento fiscal em dois processos distintos (um para PIS/Pasep e um para Cofins) enseja vício material que contamina o lançamento. Aduz que, segundo doutrina de Eduardo Soares de Melo, o fatiamento do procedimento implica em cerceamento de defesa ao autuado e redução de chances de êxito na esfera administrativa, causando insegurança jurídica. Demais, fere a legalidade diante da expressa previsão legal. Reproduz art. 9º do PAF, Maproc e artigos da Portaria RFB nº 48/2021. As alegações não prosperam. Veja-se que a referência ao art. 9º, § 1º, do PAF não acolhe o pleito, porque consta na lei reguladora do processo administrativo fiscal que “os autos de infração [...], formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova” (grifo nosso). O verbo mencionado é “poder” e não “dever”; logo, a autoridade lançadora possui o poder discricionário de finalizar o procedimento fiscal por meio de um ou mais processos. Fl. 2373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 20 Quanto à menção ao Maproc e à Portaria RFB nº 48/2021, que determinam que os autos de infração sejam objeto de um único processo quando se referem a um mesmo sujeito passivo e formalizados com base nos mesmos elementos de prova, é de concordar que a reunião dos dois autos de infração em um único processo seria desejável porque contribuiria para a economia processual. Contudo, a falta de reunião dos dois autos de infração em um único processo em nada obstaculizou o direito de defesa, tampouco reduziu as chances de êxito aventadas. Acresça-se que ambos serão julgados na mesma sessão e pela mesma turma de julgamento. Portanto, não deve ser acatado o argumento de nulidade do auto de infração combatido porque ele não foi reunido ao outro auto de infração controlado no processo de Cofins. Quanto a esse capítulo, mais uma vez a recorrente não apresentou razões de fato ou de direito que poderiam alterar a decisão da instância a quo. Se limitou a alegar descumprimento da letra normativa. Neste quadro, mantenho a decisão pelos seus próprios fundamentos. Falta de clareza - atividade de distribuição (venda atacadista) ou revenda (varejista). A impugnante reclama que a autoridade fiscal, ao indicar a legislação aplicável (item III do TVF), mencionou que a atividade exercida pela NOROESTE consiste na revenda de combustíveis (que é regida pela Resolução ANP nº 41/2013). Contudo, a atividade é de distribuição (que é regida pela Resolução ANP nº 58/2014). Isso implicaria em falta de clareza porque a autoridade fiscal deveria ter feito tal diferenciação para recortar a legislação aplicável. Compulsando o item II do TVF, onde é apresentada a atividade empresarial, a autoridade fiscal esclarece que a atividade da NOROESTE: Consiste, essencialmente, em adquirir produtos prontos [combustíveis derivados de petróleo e etanol] das refinarias e, através de uma complexa rede de bases de armazenamento e distribuição, fazê-los chegar aos consumidores e varejistas mais distantes dessas fontes produtoras, em decorrência da alta capilaridade do mercado de combustíveis no território nacional. Quanto à menção no primeiro parágrafo do item III do TVF de “atividade de revenda de combustíveis”, é evidente que se trata de atecnia que em nada prejudica o “recorte” da legislação aplicável às empresas distribuidoras de combustíveis. A NOROESTE é distribuidora de combustíveis, como restou evidenciado no item II do TVF. A título de esclarecimento, a revenda varejista de combustíveis automotivos é uma atividade de utilidade pública, regulamentada pela Lei nº 9.847/1999, e exercida por postos revendedores que tenham a correspondente autorização Fl. 2374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 21 expedida pela ANP, conforme os termos da Resolução ANP nº 41, de 5 de novembro de 2013. Por outro lado, os requisitos necessários à autorização para o exercício da atividade de distribuição de combustíveis líquidos e a sua regulamentação são estabelecidos na Resolução ANP nº 58, de 17 de outubro de 2014. No voluntário, a recorrente afirmou que o vício de relato é um vício material de fundamentação, pois a autuação deve ser clara e precisa. A decisão recorrida já enfrentou a questão, demonstrando que não houve o perseguido vício no auto de infração. Mantenho a decisão pelos seus próprios fundamentos. Falta de clareza no fundamento - regime bifásico ou monofásico. Outra reclamação trazida à baila pela impugnante é em relação às menções de que ora determinada operação se submeteria ao regime bifásico, ora ao regime monofásico. Indica, como exemplo, fls. 20 e 31 dos autos (fls. 7 e 18 do TVF). Aduz que o produto em comento é o etanol, que teria incidência não monofásica. Compulsando o TVF, na fl. 7 (item III, “DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL”) é indicada tributação bifásica na comercialização do álcool, concentrada no produtor/importador e no distribuidor: “tributando-se os dois primeiros elos da cadeia de produção e comercialização, reduzindo-se a zero a alíquota incidente sobre a receita bruta auferida na venda do produto pelo comerciante varejista”. Na fl. 18 (item V, “DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO”), consta tributação monofásica no que se refere à gasolina e ao óleo diesel (cuja tributação é monofásica), não havendo menção ao álcool (este, com tributação bifásica). Seguindo a leitura deste item, o álcool é tratado a partir da fl. 19. Demais, o escopo do item V é verificar a certeza e liquidez dos créditos que foram objeto de pedidos de ressarcimento. Dessa forma, a reclamação não se sustenta, porque não restaram evidenciadas as contradições que levariam à alteração nas acusações imputadas à NOROESTE. A título de esclarecimento, os termos monofásico ou bifásico não constam da lei que disciplina a matéria. No entanto, eles são utilizados, inclusive pelo fisco, para facilitar o entendimento. A bem da verdade, trata-se de produtos sujeitos a tributações diferenciadas, pois, além de nem sempre serem sujeitos ao regime monofásico, para cada grupo ou tributo há suas especificidades. A recorrente mantém a alegação de falta de clareza, sem contudo, rechaçar a ratio decidendi da decisão recorrida que afastou o vício arguido. Mais uma vez, mantenho a decisão pelos seus próprios fundamentos. Erro no fundamento probatório e falta de clareza da fundamentação. Fl. 2375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 22 A impugnante reporta que houve menção no TVF de que as Escriturações Fiscais Digitais – EFD-Contribuições transmitidas são do ano de 2020; entretanto, as relacionados são do ano de 2019. Tal fato implicaria em vício material porque ela não saberia qual documento de prova analisar. Nada colhe a arguição. O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF-F nº 07.1.85.00-2023- 00098-2 delimita o procedimento fiscal em relação às operações ocorridas no período de 01 de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2020; logo, as EFD-Contribuições utilizadas necessariamente deverão ser desse período (2020) e não de outro (2019). Haveria vício material se o conteúdo analisado fosse do ano de 2019. A menção equivocada do ano na relação das EFD- Contribuições indicadas, embora indesejável, por si só não macula o procedimento. Para melhor entendimento, reproduzo a tabela em pauta (constante às fls. 11-12 do TVF): Compulsando o sistema informatizado, percebe-se que, embora tenha havido menção ao ano de 2019 na tabela que consta no TVF, as demais informações se referem às EFD-Contribuição do ano de 2020: As datas e horas de transmissão do arquivo que contém a EFD-Contribuições, bem como o nº do HASH (recibo) são exatamente os mesmos e, na tela acima que demonstra as informações constantes no sistema informatizado, há referência aos períodos das escriturações que são exatamente os mesmos daqueles do escopo do procedimento fiscal: 01/01/2020 a 31/12/2020. Fl. 2376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 23 Por conseguinte, o equívoco na menção do período a que se refere as escriturações não constitui vício que macularia o procedimento fiscal. A recorrente alegou que: O vício está evidente no caso, vez que a descrição contida nos autos: (a) torna nebuloso o alcance da ação fiscal – sequer apresentou as provas respostas do RMF, e este teve como alegado fundamento de emissão tão somente anos 2018 e 2019; (b) não deixa claro o modus operandi dos supostos envolvidos – tratando em conjecturas, hipóteses e descrevendo fatos que não permitem pontuar as infrações tampouco responsabilizar terceiros como o fez a autoridade lavradora; (c) não traça uma subsunção e correlação entre as alegações do relato (já confusas) e os dispositivos legais apontados como infringidos; (d) não deixa explícita a metodologia utilizada na apuração do lançamento (incluindo base de cálculo e alíquota) conforme demonstrativos, inclusive por deficiência de fundamento legal. Esta deficiência nas justificativas que sustentam o lançamento permitem concluir pelo vício de motivação que aponta diferentes fatos geradores e apurações, afetando o conteúdo do ato, traduzindo-se em vício material. O Acórdão, por sua vez, mostra que a autoridade Julgadora adotou o papel de autoridade Lançadora, defendendo o erro – um vício material de motivação –, que, por si só, e ainda mais quando aliado aos demais, demonstra a incerteza que o relato causou urgindo sua reforma. Discordo da recorrente, pois nas 46 páginas do Termo de Verificação Fiscal estão descritos, com muita clareza, o alcance do procedimento fiscal, a legislação aplicada e como foi feita a subsunção dos fatos às normas. A argumentação da recorrente neste capítulo não representa os fatos constantes nos autos. Tendo por base os elementos constantes nos autos, afasto as alegações da recorrente. Opinião sobre pedido de restituição - outro cerceamento de autorregularização. Segundo a impugnante, opinião sobre indeferimento de pedidos de ressarcimento no bojo de autos de infração acarreta parcialidade da autoridade lançadora. Argumenta que as irregularidades nos pedidos ensejariam oportunidade de autorregularização. No ponto de vista da NOROESTE, essas reclamações implicariam em cerceamento do seu direito de defesa. As queixas são improcedentes. Consta no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 67-70) que “a análise dos Pedidos de Ressarcimento – PER abaixo relacionados, bem como das Declarações de Compensação – Dcomp eventualmente a eles vinculadas, está abrangida pelo escopo do procedimento fiscal”. Dessa forma, é pertinente que a autoridade lançadora se manifeste acerca do deferimento dos pedidos, já que a fiscalização engloba a apuração das Fl. 2377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 24 contribuições do período, onde necessariamente os créditos informados nos pedidos de ressarcimento deverão ser auditados. Ressalte-se que somente a competência decisória dos pedidos de ressarcimento é de autoridade fiscal diversa; não há óbice para que a autoridade lançadora efetue a análise deles. Portanto, correto o procedimento efetuado no sentido de encaminhamento para que outra autoridade fiscal decida sobre o indeferimento proposto. Em relação à reclamação de que não houve oportunização de autorregularização, tal matéria já foi enfrentada e refutada no item 4.2, não havendo fundamentação que dê guarida às queixas trazidas a lume. Fundamento em processo não disponibilizado ao contribuinte - falta de acesso a prova e fundamento que embasam a acusação. A impugnante alega que o TVF, que compõe a acusação, refere documentos e provas que não constam nos autos e que ela não tem acesso a eles. Acosta excerto da fl. 59 dos autos (fl. 46 do TVF): Por fim, cientificado o sujeito passivo dos Despachos Decisórios relativos aos referidos PER, juntar-se-á o presente TVF, acompanhado de todos os demonstrativos fiscais e documentos comprobatórios utilizados no procedimento fiscal, ao processo de guarda nº 13113. 338.552/2023-67. Aduz que não tem acesso ao processo de guarda, que sequer é visível no Portal e- CAC. Dessa forma, há cerceamento do seu direito de defesa. Nada colhe a reclamação. Conforme já mencionado, a autoridade lançadora analisou a certeza e liquidez dos créditos que foram objeto de pedidos de ressarcimento (que compuseram o escopo do procedimento fiscal). Contudo, a competência decisória sobre os pedidos é de autoridade fiscal diversa (que emitirá despacho decisório, que é o ato administrativo que contém decisão da autoridade administrativa sobre assunto submetido a sua apreciação, no caso, os pedidos de ressarcimento). Nesse sentido, é mencionado ao final da redação do TVF que, tanto os despachos decisórios quanto os documentos que compõem os autos de infração (TVF, demonstrativos fiscais e documentos comprobatórios - fls. 14 a 173 destes autos), serão juntados ao processo de guarda nº 13113.338.552/2023-67. Dessa forma, não se vislumbra o cerceamento do direito de defesa invocado porque os documentos produzidos pela autoridade lançadora e que são suficientes para comprovação das infrações imputadas à NOROESTE constam destes autos, que são acessíveis à elaboração da impugnação. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para afastar a nulidade da decisão recorrida, bem como do auto de infração, objeto desse processo administrativo. Mérito Fl. 2378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 25 Acusação de glosa de créditos sem débito de contribuição - constituição indevida NOROESTE contesta as duas primeiras acusações do auto de infração. Para cada uma delas constam no auto de infração: resumo da infração (cujo detalhamento é feito no TVF), fatos geradores e enquadramento legal. Primeira infração: glosa de créditos sem débito de contribuição - crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente Em relação à “glosa de créditos sem débito de contribuição: crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente”, a impugnante justifica a discordância dizendo não ser possível compreender a acusação e o cálculo apresentados. Refere que a indicação ao título V do TVF remete aos pedidos de ressarcimento, que não foram analisados; que teria direito à autorregularização e que os fundamentos legais não fazem sentido. Analisando as razões de defesa, percebe-se que a impugnante não entendeu que os pedidos de ressarcimento fazem parte do escopo do procedimento fiscal. Nesse sentido, a autoridade fiscal analisou os créditos informados nos pedidos, cuja origem foi de despesas com aquisição de produtos para revenda, e constatou que eles são improcedentes, apresentando robusta fundamentação. Registrou também que, caso os créditos fossem procedentes, necessariamente deveriam ter sido utilizados para desconto da contribuição devida, o que não aconteceu. Somente após o desconto, em havendo crédito remanescente, o ressarcimento poderia ser pleiteado. Dessa forma, a autoridade fiscal procedeu à glosa dos créditos escriturados nos registros M100/M500 das EFD-Contribuições, que deram origem aos pedidos de ressarcimento. Tal glosa não implica cobrança da contribuição, apenas respaldará o indeferimento dos pedidos de ressarcimento por autoridade fiscal diversa. A inexistência de cobrança de tais valores glosados no auto de infração pode ser comprovada pela verificação da contribuição lançada no montante de R$ 74.311.169,82, composta pela soma das seguintes infrações: (i) terceira (insuficiência de recolhimento – álcool) no montante de R$ 24.757.083,49 e (ii) quarta (omissão de receita – álcool) no montante de R$ 50.946.890,69; e pela subtração dos valores declarados em DCTF no montante de R$ 1.392.804,36. Em relação à autorregularização, esta já foi enfrentada e afastada neste voto. Quanto aos valores dos pedidos de ressarcimento, o montante requerido mensalmente é o mesmo que consta como primeira infração (glosa) no auto de infração. A título de esclarecimento, compulsando o sistema informatizado, verifica-se que os pedidos de ressarcimento foram analisados e indeferidos. Os Despachos Decisórios foram emitidos pela autoridade competente e cientificados à NOROESTE nas seguintes datas: Fl. 2379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 26 Per Nº Comunicação Dt Emissão DD Ciência 16336.09229.041022.1.1.19- 1003 3766305 13/12/2023 14/12/2023 21834.86608.041022.1.1.19- 2197 3766307 06/12/2023 07/12/2023 19702.86523.041022.1.1.19- 0958 3766309 06/12/2023 07/12/2023 20741.60882.041022.1.1.19- 4007 3766311 13/12/2023 14/12/2023 A NOROESTE concordou com o indeferimento dos créditos pleiteados porque não apresentou manifestação de inconformidade. Segunda infração: glosa de créditos sem débito de contribuição infração - ajuste da contribuição reduzido indevidamente Quanto à “glosa de créditos sem débito de contribuição infração: ajuste da contribuição reduzido indevidamente”, a impugnante diz que não consegue compreender a relação com o lançamento e com os demonstrativos. Há remetimento ao título VII do TVF, que trata de ajustes de redução indevidos pela discordância da autoridade fiscal com a exclusão do ICMS da base de cálculo. Sustenta que pode excluir o ICMS da base de cálculo quando alíquotas ad rem são aplicadas. Na mesma linha da primeira infração, esta segunda infração trata de glosa dos ajustes de redução oriundos de ação judicial: não há cobrança de valores no auto de infração, apenas glosa sem débito de contribuição. Efetuado o destaque, analiso o mérito. A autoridade fiscal aduz que, embora a NOROESTE tenha mencionado o processo nº 5025343-91.2018.4.03.6100 da 6ª Vara Cível Federal nos registros M220/M620 da EFD-Contribuições, nenhuma informação consta no bloco 1010, onde deveria ser detalhado o teor da referida ação judicial. O bloco 1010 foi transmitido em branco para todos os períodos de apuração do ano 2020. A NOROESTE foi intimada a comprovar o fato constitutivo do direito alegado, mas não se manifestou. Então, a autoridade fiscal compulsou as decisões proferidas no processo judicial e constatou que se trata de ação ordinária peticionando o direito de excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições. Inobstante o trânsito em julgado da ação judicial, em 22/09/2022, e reconhecida a procedência do pleito após decisão colegiada da 3ª Turma do TRF03, os ajustes de redução levados a efeito pela NOROESTE não se sustentam porque utilizada alíquotas específicas (ad rem) sobre bases de cálculo comercializadas. Fl. 2380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 27 Como dito, a impugnante discorda do entendimento da fiscalização. Sustenta que pode excluir o ICMS da base de cálculo quando alíquotas ad rem são aplicadas. Contudo, nada colhe a arguição. Como mencionado pela autoridade fiscal no TVF, a RFB já se manifestou sobre o assunto por meio da Solução de Consulta Cosit nº 177/2019. Reproduzo excertos da referida solução de consulta que iluminam o debate: 14. Nesses termos, ‘a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições’ de que trata a decisão em análise alcança somente as hipóteses nas quais o faturamento faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 15. Assim, não faz sentido a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando esse imposto sequer chegou a fazer parte de referida base de cálculo. (...) 20. Assim, a decisão proferida pelo STF em sede do RE 574.706/PR não autoriza a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas hipóteses em que a pessoa jurídica optante pelo regime especial de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, apura o valor devido dessas contribuições aplicando alíquotas específicas ou ad rem sobre volume (medido em metros cúbicos) por ela comercializado. Não há, portanto, como “apurar e quantificar aquelas contribuições nos termos do comando judicial concedido” ou “como proceder à exclusão do ICMS” relacionada a citada decisão. Conclusão 21. Diante do exposto, soluciona-se a presente consulta respondendo à consulente em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata à decisão proferida pelo STF em sede do RE nº 574.706/PR: 21.1. alcança somente as hipóteses nas quais o faturamento ou a receita bruta faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; e 21.2. não é autorizada nas hipóteses em que a pessoa jurídica optante pelo regime especial de que trata o § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, apura o valor devido dessas contribuições aplicando alíquotas específicas ou ad rem sobre volume (medido em metros cúbicos) por ela comercializado. Acresça-se que a sentença judicial exarada em 01/02/2019 (Ação nº 5025343- 91.2018.4.03.6100 - 10ª Vara Cível Federal de São Paulo), que transitou em julgado em 22/09/2022, não fez ressalva quanto ao regime das contribuições a que a interessada está submetida: Diante do exposto JULGO PROCEDENTE O PEDIDO E EXTINGO O PROCESSO, com resolução do mérito, nos termos do artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil para determinar a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição ao Fl. 2381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 28 PIS e da COFINS e condenar a União Federal à compensação de valores recolhidos a maior no período compreendido entre a vigência da Lei 12.973/14 até o último recolhimento de PIS e COFINS com a inclusão de ICMS em sua base de cálculo, acrescidos da SELIC, que abrange juros e correção monetária, a partir da data do pagamento indevido. (grifo no original) Nesse cenário, não há qualquer reparo a ser feito no procedimento fiscal. Conclui- se pela manutenção das glosas. Acusação de incidência não cumulativa - contribuição fixada por unidade de produto. NOROESTE novamente reporta dificuldade de compreensão por ausência de clareza para defesa do lançamento em relação à terceira infração: insuficiência de recolhimento – álcool. O auto remete ao título VI do TVF. Aduz que a autoridade fiscal efetuou levantamento de notas fiscais de saída que não foram escrituradas. Contudo, deixou de levantar as notas fiscais de entrada, ou seja, não computou os créditos que teria direito, cujas razões serão apresentadas em outro tópico. Reclama (i) que o montante lançado para a infração no auto de infração é de R$ 5.383.510,70, mas o somatório dos demonstrativos que compõem a acusação somam R$ 2.795.405,93; (ii) do enquadramento legal; (iii) de notas fiscais que foram consideradas e que não representam volumes de venda; (iv) de soma de litragem indevida. Pede perícia. Pois bem, as seguintes inconsistências restaram evidenciadas em relação a este tópico no TVF: 1. Parte das notas fiscais de venda emitidas pela NOROESTE, extraídas do Sped/NF-e, não foi registrada no Bloco C das EFD-Contribuições e, por conseguinte, sua receita ou, no caso, quantidade vendida, não oferecida à tributação no Bloco M; 2. Notas fiscais de revenda de ETANOL HIDRATADO e de ALCOOL ETILICO HIDRATADO ONU 1170 não registradas nas EFD-Contribuições emitidas com o tratamento tributário de isenção fiscal, CST 7; 3. Parte das operações de revenda de ETANOL HIDRATADO foi registrada, nos registros C100 e filho C170, com o CST 4 – alíquota zero – monofásico das contribuições; 4. A todas as operações de revenda de ALCOOL ETILICO HIDRATADO ONU 1170 registradas foi atribuído o tratamento de isenção fiscal, CST 7; 5. Erro de cálculo na apuração dos valores das contribuições referentes à parte das operações de revenda de ETANOL HIDRATADO registradas com o CST 3 – tributável por unidade de medida do produto. Fl. 2382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 29 Por meio de robusta e consistente fundamentação, a autoridade fiscal discorre sobre as inconsistências e a constituição dos créditos tributários. Nesse sentido, elaborou demonstrativos (B, C, D e E) que fazem parte do auto de infração, onde relaciona operações, se elas influenciam ou não nos cálculos da contribuição lançada, as incorreções nos cálculos de litragens vendidas e valores ajustados. Compulsando os Demonstrativos C, D e E, que apresentam a composição dos créditos tributários constituídos, encontra-se o valor de R$ 5.383.510,68 frente ao valor lançado de R$ 5.383.510,70, mediante soma das seguintes colunas: Demonstrativo C: planilha “Valores Mensais_CST 4” → coluna “Valor COFINS Ajuste Fiscal” (R$ 480.935,12) Demonstrativo D: planilha “Valores Mensais_CST 7” → coluna “Valor Cofins Ajuste Fiscal” (R$ 786.315,35) + planilha “CST 7_Demonstrativo B” → coluna “Valor da COFINS” (R$ 24.860,73) Demonstrativo E: planilha “Valores Mensais_CST 3” → coluna “Valor COFINS Ajuste Fiscal” (R$ 23.464.972,27) Acresça-se que a autoridade fiscal elaborou demonstrativo intitulado “Apuração Fiscalização” que contém treze planilhas. A décima planilha apresenta a apuração ajustada e a décima segunda planilha contém o resumo do lançamento fiscal. Dessa forma, infere-se que a defesa teve dificuldades no manejo dos demonstrativos em cotejo com o auto de infração e o TVF, apontando inconsistência que não se confirmam quando da análise conjunta. Nesse sentido, o pedido de perícia não se sustenta. Segundo Neder e López2, “a perícia não se constitui direito subjetivo do autuado [...] é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico”. Pelo exposto, não se trata de interpretação dos fatos, mas de dificuldade de manejo dos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal. 5.3 VÍCIOS MATERIAIS DE PROVA, DESCRIÇÃO E FUNDAMENTO DOS AUTOS NOROESTE reclama que o relatório foi produzido unilateralmente pelo auditor- fiscal; que a falta de relato adequado no auto de infração impede a defesa dos fatos; que há vício material dos autos; que os demonstrativos produzidos unilateralmente não correspondem ao valor do auto de infração e não pode ser admitido como base do lançamento, entre outras queixas. Discorre sobre arbitramento, aponta erro no critério jurídico de apuração dos tributos exigidos, que o regime não cumulativo deveria ter sido aplicado. Assim, deve haver o cancelamento integral das exigências fiscais. Nada colhe a arguição. Nos tópicos anteriores deste voto já foram enfrentadas parte das reclamações aqui invocadas, as quais não foram acatadas. Passo a analisar as demais acusações. Fl. 2383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 30 Quanto ao arbitramento, a própria impugnante o afasta do presente litígio com sua linha argumentativa quando refere a doutrina do Prof. Baleeiro (fl. 51 da impugnação): o arbitramento, em síntese, é “remédio que viabiliza o lançamento, em face da inexistência de documentos ou imprestabilidade dos documentos e dados fornecidos pelo próprio contribuinte ou por terceiro legalmente obrigado a informar”. Ora, no caso dos autos, o procedimento fiscal foi efetuado com base nas escriturações fiscais digitais transmitidas pela NOROESTE. Compulsando os documentos produzidos pela autoridade fiscal, não há menção de imprestabilidade de tais escriturações. Logo, não há falar em arbitramento. Quanto à alegação de erro no critério jurídico de apuração dos tributos exigidos por não ter sido aplicado o regime não cumulativo, o motivo subjacente de tal acusação é decorrente do não aproveitamento dos supostos créditos que NOROESTE alega possuir. Como bem fundamentado pela autoridade fiscal no TVF, inexiste previsão legal para tal aproveitamento. O auto de infração ostenta as fundamentações de fato e de direito. O procedimento fiscal culminou com a lavratura do TVF que, parte integrante da descrição dos fatos do auto de infração, esquadrinha todos os atos praticados e articula por completo as teses de acusação fiscal. Em momento algum, ao contrário do alegado pela impugnante, houve dúvida na capitulação ou falta de indicação do arcabouço legal aplicável ao caso. As infrações e os dispositivos legais infringidos estão amplamente consignados no auto de infração. Logo, não há que ser acatados os vícios aqui invocados, não havendo que falar em máculas que demandariam reparos no procedimento fiscal. Improcedência de auto de infração pautado em presunções. Segundo a NOROESTE, “a Autoridade Administrativa lavrou os autos de infração com base em presunções, sob a justificativa de que a impugnante não teria comprovado gastos e despesas, bem como que teria omitido receita por meio de passivo fictício”. Alega que os autos de infração foram lavrados com base em meras presunções/indícios. Discorre sobre o assunto, traz doutrina do prof. Barros Carvalho e junta precedentes do CARF e da CSRF. Refere que o ônus da prova é da fiscalização. As alegações são improcedentes. Pelo teor das alegações, denota-se que é matéria estranha ao litígio, no contexto de lançamentos de outro(s) tributo(s), descontextualizado do escopo do procedimento fiscal aqui tratado. Compulsando os autos, nos documentos produzidos pela autoridade fiscal não há menção que o lançamento tenha sido efetuado com base em presunções, tampouco foi imputada a acusação de que NOROESTE não tenha comprovado gastos e despesas, bem como que ela teria omitido receita por meio de passivo fictício. Apenas restou evidenciado o não atendimento de intimações. Créditos de Pis/Cofins Fl. 2384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 31 A impugnante pugna pelos créditos que diz possuir; em sendo acolhidos, reduzirão os valores lançados. Refere a decisão do STJ que ampliou o conceito de insumos (critérios da essencialidade e relevância) e o parecer de tributarista que conclui que o álcool adquirido por ela dá direito ao crédito. Aduz que é possível apropriar-se de créditos das contribuições na aquisição de bens para revenda. Requer os créditos sobre as despesas com fretes. Refere precedentes judiciais e administrativos que diz se subsumirem a sua linha argumentativa. DA GASOLINA C E DO ÓLEO DIESEL B Quanto à gasolina C e o óleo diesel B, a Solução de Consulta Cosit nº 3, de 01/03/2021, vinculante para a administração tributária, ao tratar da questão esclareceu: (...) 9. Em termos objetivos, a presente consulta busca esclarecer se as atividades de obtenção de gasolina “C” (mistura de gasolina “A” e etanol anidro combustível nas proporções definidas pela legislação em vigor) e de óleo diesel “B” (óleo diesel “A” adicionado de biodiesel no teor estabelecido pela legislação vigente) integram as atividades características da etapa de distribuição de combustíveis líquidos ou se caracterizam atividade de produção de combustível (industrialização). (...) 16. Verifica-se, então, que não procede a alegação da Consulente no sentido de que a atividade por ela exercida é “diferentemente das demais empresas que operam no mercado de simples compra e venda de combustíveis”, já que, conforme demonstrado nos itens anteriores, todos os distribuidores exercem as mesmas atividades. 17. Também não se confundem a atividade de formulação de combustíveis, que é a produção de gasolina “A” e de óleo diesel “A” exclusivamente por mistura mecânica de correntes de hidrocarbonetos líquidos, com as atividades desenvolvidas pelo distribuidor, que se resumem à mistura de gasolina “A” e etanol anidro combustível, para obtenção da gasolina “C”, e à adição de biodiesel ao óleo diesel “A” para a obtenção do óleo diesel “B”. 18. Destaca-se, ainda, que não é permitido ao Distribuidor exercer a atividade de formulação, visto que as distribuidoras de combustível não foram incluídas na permissão contida art. 15 da Resolução ANP nº 5, de 2012, in verbis: Art. 15. As refinarias de petróleo e centrais de matéria-prima petroquímica com suas atividades autorizadas pela ANP poderão exercer a atividade de formulação de combustíveis. 19. Em contrapartida, também é vedado ao produtor de combustíveis o exercício da atividade de distribuição, visto que não é permitido a ele efetuar vendas para varejistas, conforme se verifica das transcrições abaixo: (...) Fl. 2385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 32 20. Da análise dos itens 18 e 19, verifica-se que a regulamentação do setor isolou as atividades de distribuição de combustíveis das atividades de produção de combustíveis. Não sendo possível, portanto, que as atividades desenvolvidas pela consulente sejam consideradas produção de combustíveis. 21. Quanto à alegação de que “a Consulente realiza uma nítida atividade produtiva, nos termos definidos pelos arts. 3° e 4° do Decreto n.º 7.212/2012”, cabe destacar que o referido decreto “Regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI”, não se aplicando ao caso em tela, que possui regulamentação específica. (...) Conclusão 29. Com base nos fundamentos expostos, responde-se à consulente que A mistura de gasolina “A” com etanol anidro (álcool) para obtenção de gasolina tipo “C” e a mistura de biodiesel ao óleo diesel tipo “A” para obtenção de óleo diesel tipo “B” não se equiparam à produção de combustíveis. Dessa forma, não é permitida a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep com relação às aquisições de combustíveis derivados de petróleo para mistura e posterior revenda por parte das pessoas jurídicas distribuidoras de combustíveis. Como se vê, em que pese a argumentação trazida à baila, a atividade de distribuição atacadista de combustíveis e biocombustíveis em geral, exercida pela NOROESTE, não se confunde com atividade produtiva para fins de creditamento da contribuição PIS/Pasep e Cofins. Assim, não há falar em apropriação de créditos sobre insumos visto que, nos termos dos art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, “do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a [...] bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Ora, se a impugnante é empresa que se dedica precipuamente à atividade de distribuição atacadista de combustíveis e biocombustíveis em geral, ela não produz ou fabrica bens ou serviços destinados à venda. Portanto, não pode se apropriar dos créditos previstos nos supracitados dispositivos legais. Ademais, se a impugnante fosse de fato fabricante dos produtos gasolina C e óleo diesel B (equiparando-se então às refinarias) ela deveria apurar as contribuições em comento pelas alíquotas concentradas, de acordo com o art. 4º da Lei n° 9.718/1998: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: Fl. 2386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 33 I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita brutadecorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) (grifo nosso) Porém, o procedimento fiscal evidenciou que se trata de uma empresa distribuidora atacadista. Logo, não há falar em créditos sobre a atividade comercial que a impugnante desenvolve. DO ÁLCOOL COMBUSTÍVEL Quanto ao álcool, por meio de extensa e robusta fundamentação no TVF, a autoridade fiscal consigna que a tributação é disciplinada pela Lei nº 9.718/1998 e alterações, sendo concentrada no produtor/importador e no distribuidor (regime bifásico, reduzindo-se a zero a alíquota incidente nas vendas do produto pelo comerciante varejista). A NOROESTE optou pelo regime não cumulativo das contribuições. Nesse sentido, é admitida opção pelo Recob, com alíquotas específicas (ad rem). A referida lei autorizou que o Poder Executivo fixe coeficientes de redução das alíquotas específicas e que os coeficientes possam ser diferentes entre produtor/importador e distribuidor. Tais coeficientes são definidos pelo Decreto nº 6.573/2008, com alterações. Em relação ao desconto de créditos, a autoridade fiscal consignou no TVF: A Lei nº 11.727/2008, ao incluir o § 13 ao artigo 5º da Lei nº 9.718/1998, o acolheu, inicialmente, nesses termos: § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. (g.n.) O creditamento, quando possível, corresponde aos valores da Contribuição para o PIS e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação (artigo 5º da Lei nº 9.718/1998): § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Logo, é a tributação a que o vendedor está sujeito na etapa anterior que definirá as alíquotas aplicáveis ao cálculo do crédito pelo adquirente, a fim de garantir que o crédito concedido não seja superior ao valor recolhido na etapa anterior da cadeia econômica. Fl. 2387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 34 Retornando à análise do § 13 do artigo 5º da Lei nº 9.718/1998, a Medida Provisória nº 613/2013, convertida na Lei nº 12.859/2013, trouxe relevante alteração para excluir o termo “distribuidor” de sua redação, de modo a não mais permitir, a partir de 08/05/2013, que o distribuidor se credite quando da aquisição de álcool para revenda. Confira-se a atual redação: § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (g.n.) Assim, com o advento da Medida Provisória nº 613/2013, os distribuidores passaram a não mais poder tomar créditos na aquisição de álcool para a revenda, a exemplo dos demais contribuintes da cadeia de produção e circulação que não sejam produtores ou importadores. Vale ressaltar que, conforme as Tabelas acima, o Decreto nº 7.997/2013, ao alterar o Decreto nº 6.573/2008, concentrou toda a tributação do álcool no produtor e no importador, uma vez que majorou suas alíquotas ao mesmo passo que reduziu a zero as alíquotas específicas a cargo do distribuidor. Dessa forma, não havia crédito na aquisição pelo distribuidor, tampouco débito em sua revenda do produto. Acontece que os Decretos nos 9.101 e 9.112/2017, ao modificarem o Decreto nº 6.573/2008, voltaram a exigir as contribuições do distribuidor na revenda de álcool. Inobstante, e embora a partir de 21/07/2017 as distribuidoras estejam novamente sujeitas a alíquotas específicas na revenda de álcool, não se lhes admitia o desconto de crédito na sua aquisição, em razão da redação limitativa do § 13 do artigo 5º da Lei nº 9.718/1998. É que a redação do referido §13 permaneceu inalterada mesmo após a vigência dos Decretos nos 9.101 e 9.112/2017. Como já fora assinalado, o dispositivo acolhe a tomada de créditos apenas pelo produtor e importador. Foi somente com o advento da Medida Provisória nº 1.063, de 11/08/2021, depois convertida na Lei nº 14.292, de 03/01/2022, pela qual se incluiu o §13-A no artigo 5º da Lei nº 9.718/1998, que os distribuidores puderam novamente descontar créditos da aquisição do etanol anidro para adição à gasolina: § 13-A. O distribuidor sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá descontar créditos relativos à aquisição, no mercado interno, de álcool anidro para adição à gasolina. (Incluído pela Lei nº 14.292, de 2022) Antes disso, como já dito, não havia previsão legal para a tomada de crédito pelo distribuidor na aquisição de álcool para revenda. Ressalte-se que a redação do §13 Fl. 2388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 35 do artigo 5º da Lei nº 9.718/1998 permaneceu inalterada, mesmo após a publicação da Lei nº 14.292/2022. O modelo de incidência das contribuições na comercialização do álcool, conforme disciplinado no artigo 5º da Lei nº 9.718/1998, foi devidamente recepcionado pela sistemática não cumulativa de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, instituída pelas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, nos seguintes termos: Lei nº 10.833/2003 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010)6 § 1º-A Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Assim, em que pese as razões de defesa, os distribuidores não podem descontar créditos da aquisição do etanol anidro para adição à gasolina no período abrangido pelo procedimento fiscal (01/01/2020 a 31/12/2020). DOS FRETES SOBRE PRODUTOS ACABADOS A transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa (centro de distribuição ou simples filial) não geram créditos, nos termos do art. 176, § 2º, inc. V, da IN RFB nº 2.121/2022, e de maneira alguma pode ser considerada como operação de venda prevista no art. 3º, inc. IX, da Lei nº 10.833/2003 (Cofins) e art. 15, inc. II, do mesmo diploma legal (PIS/Pasep): IN RFB nº 2.121/2022: Art. 176 (...) § 2º Não são considerados insumos, entre outros: (...) V - serviços de transporte de produtos acabados realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica; Lei nº 10.833/2003 Fl. 2389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 36 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; A operação de venda é tão somente aquela na qual se transporta o produto do estabelecimento da empresa vendedora até o da adquirente. Logo, não há falar em aproveitamento de créditos sobre despesas com fretes nas transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Afronta à isonomia da carga tributária A impugnante alega que “postos revendedores varejistas podem adquirir combustível diretamente de distribuidor, mas também de produtor ou importador, bem como transportador retalhista (equiparado a varejista), além de cooperativa de produtores (equiparada a produtor)” e que eles podem tomar créditos do regime não cumulativo. Assim, em respeito à isonomia, deve ser garantido o direito aos créditos das aquisições aos distribuidores. Não merece acolhida a tese de que, pela aplicação de um pretenso princípio isonômico, o tratamento tributário seria atribuído à comercialização de combustíveis por outros agentes econômicos da cadeia de combustíveis brasileira. O CTN define a forma de interpretação da legislação tributária, e estabelece, em seu art. 108, que a analogia, os princípios gerais de direito tributário e de direito público e a equidade são utilizados apenas na ausência de disposição expressa. Além disso, o art. 109 do CTN estabelece que os princípios gerais de direito privado se utilizam para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Assim, a existência de dispositivos legais que estabelecem, de forma expressa, diferenças de tratamento tributário entre agentes econômicos da cadeia de combustíveis brasileira, para fins de apuração e aproveitamento de créditos de PIS e Cofins do regime não cumulativo, impede a aplicação dos princípios isonômicos demandados pela impugnante, não cabendo, sequer, a discussão em sede administrativa sobre a aplicação dos eventuais princípios constitucionais. Havendo diploma legal formalmente sancionado, promulgado, publicado e vigente, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade Fl. 2390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 37 objetiva que informa o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Como bem ensina o mestre Seabra Fagundes3, “administrar é aplicar a lei de ofício”. Mérito da cobrança dos débitos de pis/cofins - necessidade de recomposição da apuração dos períodos autuados - créditos da não cumulatividade A impugnante pugna pela consideração dos créditos da não cumulatividade, havendo recomposição da apuração dos períodos. Contudo, tais alegações já foram enfrentadas no tópico “5.5 CRÉDITOS DE PIS/COFINS”, não tendo sido dada procedência às razões de defesa. Desobediência do lançamento à norma limitadora da matéria tributável - preço médio do varejo A NOROESTE aduz que a aplicação das alíquotas do regime não cumulativo quanto do regime especial e limitações de coeficientes previstos na legislação de regência não poderá resultar em alíquotas superiores a 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins do preço médio de venda no varejo. Refere que há amostragem oficial de preço médio efetuado pela ANP. Alega que, no lançamento, há excedentes aos limites legais de PIS que soma R$ 8.160.270,72, e de Cofins em R$ 37.668.384,65 com base no preço médio de varejo. Assim, o auto de infração deve ser cancelado porque eivado de ilegalidade. Pugna por perícia. A NORESTE apresenta uma análise peculiar da lei que rege a matéria. Argumenta que há excedentes calculados com base no § 10 do art. 5º da Lei nº 9.718/1998: Art. 5º (...) § 11. O preço médio a que se refere o § 10 deste artigo será determinado a partir de dados colhidos por instituição idônea, de forma ponderada com base nos volumes de álcool comercializados nos Estados e no Distrito Federal nos 12 (doze) Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Vide Medida Provisória nº 1.157, de 2023) (...) § 10. A aplicação dos coeficientes de que tratam os §§ 8o e 9o deste artigo não poderá resultar em alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins superiores a, respectivamente, 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) do preço médio de venda no varejo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). Contudo, há que se ler o parágrafo acima transcrito de forma conjunta com o parágrafo seguinte (§ 11 do art. 5º da Lei nº 9.718/1998) para entendimento do alcance da interpretação: Art. 5º (...) Fl. 2391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 38 § 11. O preço médio a que se refere o § 10 deste artigo será determinado a partir de dados colhidos por instituição idônea, de forma ponderada com base nos volumes de álcool comercializados nos Estados e no Distrito Federal nos 12 (doze) meses anteriores ao da fixação dos coeficientes de que tratam os §§ 8o e 9o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) As alíquotas do PIS/Cofins ad rem para o etanol são calculadas para buscar a arrecadação de 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins, pois este é o limite legal permitido, conforme disposto no § 10 acima transcrito. O valor que é utilizado para a determinação das alíquotas é o preço médio de venda no varejo ponderado com base nos volumes de álcool comercializado nos Estados e no Distrito Federal nos doze meses anteriores, conforme disposto no § 11 acima transcrito. Ou seja, o preço médio é considerado para fins de parâmetro de fixação dos coeficientes para redução das alíquotas, as quais poderão ser alteradas, para mais ou para menos, em relação a classe de produtores, produtos ou sua utilização (§ 8º do art. 5º da Lei nº 9.718/1998), cujos coeficientes estabelecidos para o produtor e o importador poderão ser diferentes daqueles estabelecidos para o distribuidor (§ 9º do art. 5º da Lei nº 9.718/1998). Acresça-se que a própria impugnante utilizou em seu favor a argumentação que agora contesta, quando defendeu a possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, conforme se depreende da leitura das fls. 32-33 da impugnação: 76) O próprio Ministério da Economia já confirmou que as alíquotas ad rem dos combustíveis (Etanol, Gasolinas e Óleo Diesel) são equivalentes à aplicação das alíquotas ad valorem – ou seja, de que o poder público calculou alíquota ad rem dos combustíveis, tanto do PIS e COFINS, de forma a alcançarem o mesmo valor da modalidades de alíquota ad valorem, ambas possuindo a mesma base para cálculo, qual seja, o preço médio (que engloba o tributo ICMS): ‘Os coeficientes de que tratam os § 8º e 9º, citados no § 10, são coeficientes de redução previstos na lei para que o poder público possa ajustar o valor das alíquotas específicas de PIS e de COFINS incidentes sobre o etanol, com o objetivo de que tais alíquotas não ultrapassem o resultado da aplicação das alíquotas gerais, ad valorem (1,65% e 7,6%), sobre o preço médio nacional do combustível, buscando, assim, a manutenção da equivalência entre a aplicação das duas modalidades de tributação. 3. No que diz respeito às alíquotas ad valorem e ad rem de PIS/COFINS aplicadas às gasolinas, exceto de aviação, e ao óleo diesel, objeto do pedido de esclarecimento do interessado, informa-se que os percentuais para a tributação ad valorem dos dois combustíveis estão previstos no art. 4º, incisos I e II, da Lei 9.718/1998, como citado no pedido do requerente, e os valores fixos das alíquotas ad rem para as gasolinas e o diesel estão descritos no art. 23, incisos I e II, da Lei10.865/2004. Assim como no caso do etanol, o legislador previu a aplicação de coeficientes de redução para o ajuste das alíquotas específicas de Fl. 2392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 39 PIS/COFINS destes derivados de petróleo, conforme consta no § 5º desse artigo 23. 4. Tendo em vista essa analogia de tratamento para os três combustíveis (etanol, gasolinas e óleo diesel), pode-se concluir, respondendo às indagações do requerente, que o PIS e a COFINS ad rem incidentes sobre a gasolina e o diesel têm por objetivo, assim como no caso do etanol, garantir que a arrecadação em toda a cadeia produtiva destes combustíveis seja equivalente à aplicação de suas alíquotas ad valorem.’ (grifos no original) Logo, nada colhe as arguições da impugnante quando pugna dedução dos valores calculados pela autoridade fiscal, a título de excedente aos limites legais, do importe de R$ 8.160.270,72 (PIS) e de R$ 37.668.384,65 (Cofins). MÉRITO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS DE PIS/COFINS - EXCLUSÃO DO ICMS DAS SUAS BASES DE CÁLCULO As alegações de defesa em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições já foi enfrentada e afastada neste voto. Por conseguinte, o pedido de recálculo da contribuição lançada, com a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, deve ser indeferido. DO PEDIDO DE PERÍCIA A defesa requer perícia com a justificativa que os autos estão eivados de vícios e erros. Indica perito e formula quesitos, nos termos do PAF. A realização de perícia deve ser indeferida, pois o procedimento fiscal contém todos os elementos necessários ao seu prosseguimento, sendo prescindível qualquer procedimento pericial, visando a dirimir dúvidas técnicas. Demais, não se busca o esclarecimento de dúvidas que exijam conhecimento técnico específico, mas suprir a omissão da impugnante na produção de provas, cuja obrigação já existia antes da fase litigiosa do procedimento. DO PROTESTO PELA JUNTADA DE PROVAS: VERDADE MATERIAL E NÃO PREJUÍZO À DEFESA A defesa pede juntada de documentos após a apresentação da impugnação. Justifica, dizendo que o relato é confuso, houve juntada de diversos documentos e prazo exíguo para análise. A prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, sem demonstrar: motivo de força maior; fato ou a direito superveniente; haver fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Se requerer a juntada após a impugnação, urge demonstrar a ocorrência de uma destas três condições. Nesse sentido, o CARF se manifestou: Nº Acórdão 3001-002.118 Data da Sessão: 19 de novembro de 2021 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 40 Ano-calendário: 2007 (...) PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. (...) O art. 57, § 4º, do Decreto nº 7.574, de 2011, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas com a impugnação, sob pena de preclusão. Impõe-se a declaração da preclusão probatória porque não foi demonstrada qualquer hipótese que justifique não apresentar provas com a impugnação. Demais, o pedido em questão perde objeto em face da ausência de manifestação posterior da impugnante. DA MULTA E DOS JUROS A impugnante apresenta os fundamentos legais para as multas aplicadas e encargos, bem como os textos das leis mencionadas nos fundamentos. Menciona que não houve apontamento do inciso que teria fundamentado o agravamento da multa: o agravamento para o percentual de 112,50% constou como sendo fundamentado no art. 44, inc. I e § 2º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, no entanto, o § 2º contém três incisos e nenhum deles foi mencionado. Para melhor entendimento, reproduzo o texto legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito, e tem como suporte fático a constatação, pela autoridade administrativa competente, de falta de Fl. 2394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 41 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata de imposto ou contribuição. No caso dos autos, houve ainda o agravamento da multa, nos termos do § 2º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acima transcrito. Conforme TVF, o agravamento se fez necessário em virtude de a contribuinte, regularmente intimada e reintimada, não ter apresentado a documentação e os esclarecimentos solicitados. A falha apontada na indicação do inciso não justifica a anulação do feito, pois ficou esclarecido no TVF (que faz parte do Auto de Infração), que a majoração da multa se deveu à “a postura omissa contumaz da NOROESTE no curso de todo o procedimento fiscal” ao não atender as intimações. Diante da descrição inequívoca do fato motivador do agravamento, a impugnante teria plena condição de se defender da imputação que lhe foi feita. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A NOROESTE não concorda com a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. Pugna pela declaração da ilegalidade da utilização da taxa Selic para a atualização dos valores cobrados. Pois bem, os tais juros de mora sobre a multa de ofício não fazem parte do lançamento, no qual consta indicação de juros de mora apenas sobre o valor principal. Portanto, não constituem matéria litigiosa, haja vista que somente se cogita de sua incidência após o vencimento. O lançamento de ofício se completa a partir da ciência do Auto de Infração, constituindo-se, então, o crédito tributário da União. À luz do art. 113, § 1º5, combinado com o art. 1396, ambos do CTN, o crédito tributário compreende os valores do imposto, da contribuição e da multa de ofício proporcional. Quando nasce a obrigação tributária não nascem automaticamente os juros de mora. Os juros não decorrem do fato gerador, como a obrigação principal, mas da impontualidade. A exigibilidade dos juros de mora está prevista no art. 161 do CTN, que impõe a sua cobrança sempre que o crédito tributário for pago após o vencimento: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. [...] A multa de ofício é parte integrante do crédito tributário, que tem seu vencimento no prazo de trinta dias contados da ciência do Auto de Infração. Transcorrido esse prazo sem que o crédito tributário tenha sido adimplido, passa a incidir sobre ele os juros de mora, conforme previsto no art. 161 do CTN, que Fl. 2395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 42 determina a incidência sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, ao julgar o Agravo Regimental no REsp nº 1.335.688-PR, firmou o entendimento de que os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Ocorrendo o inadimplemento no pagamento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive sobre a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. No âmbito administrativo já se encontra pacificada incidência de juros moratórios sobre multa de ofício. Nesse sentido, há súmula do CARF sobre a matéria, de observância obrigatória por parte deste órgão colegiado: Súmula CARF nº 108 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). (grifos no original) Portanto, como a multa faz parte do crédito juntamente com o tributo, a ela são aplicados os mesmos critérios de cobrança, devendo sofrer incidência de juros no caso de pagamento após vencimento. O pedido de declaração de ilegalidade da utilização da taxa Selic para a atualização dos valores cobrados não prospera. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicabilidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. – STF. Já se manifestou o STF no RE 582.461-SP, na sessão realizada em 18/5/2011, no sentido da legitimidade da taxa Selic para atualização de débitos tributários: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Fl. 2396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 43 Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. Administrativamente também é inquestionável sua incidência como encargo moratório tributário: Súmula CARF nº 4 Aprovada pelo Pleno em 2006 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não há falar que houve cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício exigida em conjunto com o tributo, bem como deve ser indeferido o pedido de declaração da ilegalidade da utilização da taxa Selic para a atualização dos valores cobrados. APLICAÇÃO DE SÚMULA CARF E DA IMPOSSIBILIDADE DO AGRAVAMENTO DA MULTA NOS PRESENTES AUTOS De início, a impugnante aduz que as Súmulas CARF nº 96 e 133 são aplicáveis ao litígio, o que implicaria na improcedência do agravamento da multa aplicada: Súmula CARF nº 96 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 09/12/2013 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Súmula CARF nº 133 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2019 A falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos. Nada colhe as razões de defesa. Tais súmulas não se subsomem ao caso concreto analisado nestes autos. Não se trata de arbitramento (Súmula CARF nº 96), tampouco o lançamento foi amparado em presunções (Súmula CARF nº 133). O agravamento da multa deu-se em decorrência da postura omissa contumaz da NOROESTE no curso do procedimento fiscal, robustamente fundamentada no TVF. Houve lavraturas de dois termos de intimação que foram recebidos, mas não foram atendidos. Então, autoridade fiscal diligentemente expediu termo de Fl. 2397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 44 constatação fiscal onde “apresenta um relato cronológico dos atos do processo, mencionando datas de lavratura dos termos fiscais e de suas respectivas ciências via DTE, enfatizando a postura omissa contumaz da NOROESTE no curso de todo o procedimento fiscal”. Mencionou também que: Inobstante as concessões de prazo extra solicitados, registra-se que a NOROESTE permanece omissa, com relação a todos os termos fiscais mencionados, até a data de lavratura do presente Termo de Constatação (20/07/2020). Constou, de todos os TIFs mencionados, a determinação legal sobre o ônus que recai sobre o sujeito passivo, o de comprovar a existência do fato constitutivo do seu direito alegado, fato jurídico a dar fundamento aos descontos por ele procedidos na apuração dos valores devidos das contribuições na EFD- Contribuições, conforme dispõe o artigo 373 da Lei nº 13.105/15 – CPC, neste caso aplicada subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72, bem como o artigo 40 da Lei nº 9.785/99 e o artigo 161 da IN/RFB nº 1.717/17 (integralmente reproduzido pelo artigo 156 da IN/RFB nº 2.055, de 08/12/2021), no caso das análises dos Per/Dcomp. Por todo o exposto, para dar continuidade ao procedimento fiscal em exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, com amparo no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) em epígrafe e no que dispõe os artigos 949, 956, 971 e 972 do Decreto n.º 9.580, de 22 de novembro de 2018 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2018), serão lavrados Termos de Reintimação Fiscal - TRIF, ao fim de reiterar todas as exigências fiscais formalizadas por meio do TIPF e dos TIFs 01 e 02, face à omissão da NOROESTE. Inobstante expedição de reintimações, somente o terceiro Termo de Intimação Fiscal (TIF03) foi atendido. Contudo, a autoridade fiscal ressalva que “em sua resposta ao TIF03, a NOROESTE não se manifestou sobre o fundamento da forma de fruição dos créditos de se valeu, ao arrepio da lei”. Na sequência, a impugnante repisa a menção que não foi apontado qual inciso do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 seria o motivo do agravamento da multa aplicada. Tal alegação já foi enfrentada e afastada neste voto. Por fim, aduz ter havido omissão que, até a reintimação, não tinha sequer acesso ao dossiê de comunicação nº 13113.163989/2023-31. Nesse sentido, compulsando as cópias das comunicações eletrônicas trazidas aos autos pela impugnante na impugnação (fls. 285/362), percebe-se que a mesma dificuldade que ela alega ter sobre entendimento dos demonstrativos, teria ocorrido em relação ao acesso do referido dossiê e encaminhamento de respostas (respostas que não foram apresentadas, à exceção da resposta ao TIF03). As comunicações eletrônicas deram-se entre representante da NOROESTE (advogado) e a autoridade fiscal responsável pelo procedimento fiscal. Há comunicação onde a autoridade fiscal orienta sobre como resolver as dificuldades reportadas pelo advogado (fl. 298): Fl. 2398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 45 Peço por gentileza que o Dr. retorne tua atenção para o primeiro print de tua mensagem original. O procedimento 35545235 consta da primeira linha da página 'Comunicados e Intimações'. É justamente clicando sobre o ícone com o número do procedimento que o Dr. terá acesso ao inteiro teor do dossiê 13113.163989/2023-31 Ocorre que, por uma questão de proteção de dados sigilosos, somente a NOROESTE tem acesso ao dossiê, na figura de seus representantes legais e prepostos. Essa é a mensagem que consta da caixa de diálogo aberta pelo sistema, também no primeiro print pelo Dr. colado à sua mensagem original. É a NOROESTE quem precisa lhe dar acesso às informações do dossiê, que são de propriedade legal dela. Opcionalmente, algum representante ou preposto indicado pela NOROESTE pode obter a extração integral dos documentos e atos do dossiê e lhe repassar. À fl. 298 consta mensagem eletrônica onde a autoridade fiscal informa ao advogado que: Uma vez realizado o login no e-CAC, o dossiê 13113.163989/2023-31 deve estar relacionado e disponível para a NOROESTE em 'Meus Processos / Comunicados e Intimações'. É possível que, na interface do sistema e-Processo disponível para os contribuintes, por uma questão de segurança de dados, o dossiê seja relacionado pelo número do respectivo procedimento fiscal, neste caso 35545235. De qualquer forma, os anexos aos quais o Dr. se refere em sua mensagem são os Anexos do Termo de Intimação Fiscal 002 - TIF02, de cuja ciência a NOROESTE já tomou em 12/06/2023, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem Por outro lado, no que se refere à suposta impossibilidade de responder às intimações fiscais, creio que a NOROESTE saiba como fazê-lo, uma vez que, em três oportunidades neste mesmo procedimento fiscal, a NOROESTE protocolou pedido [de prorrogação de prazo do] Termo de Início de Procedimento e aos TIFs 01 e 02. Todos esses pedidos de prorrogação foram protocolados no dia 19/06/2023, no bojo do dossiê 13113.163989/2023-31 e em resposta aos seus correlatos termos fiscais. Se ainda houver alguma dúvida, sinta-se à vontade para se comunicar por este endereço funcional. Pela resposta acima transcrita, denota-se que a impugnante tinha acesso ao dossiê, tanto que protocolou pedido de prorrogação de prazo para atender a termos de intimação fiscal (embora os pedidos tenham sido deferidos, a impugnante não atendeu às intimações, conforme consignado no TVF). Inclusive, consta comunicação onde a autoridade fiscal entra em contato para confirmar se Fl. 2399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 46 o representante conseguiu acessar os documentos do dossiê: “fazendo contato para confirmar se o Dr. conseguiu acessar os documentos do dossiê 13113.163989/2023-31 (procedimento 35545235)”, fl. 312. Por fim, há comunicação que denota espanto por parte da autoridade fiscal, fl. 332: Esse caso da Noroeste, de impossibilidade de acesso às intimações fiscais, tem me intrigado. Tenho vários outros procedimentos simultâneos, em outros contribuintes, e este é o único que apresenta tal dificuldade. Todos os meus dossiês de trabalho têm a mesma configuração de sigilo. Enfim, como a empresa já teve acesso ao documento da intimação, conforme "Termo de Ciência por Abertura" lavrado pelo sistema com data de ontem, vou abrir o sigilo novamente. Uma boa noite para o Dr. PS: favor confirmar o acesso ao teor do dossiê. Nas comunicações apresentadas, não há nenhuma delas que contenha resposta do advogado às solicitações da autoridade fiscal para que ele confirmasse o acesso ao dossiê. Dessa forma, restou evidenciado que, inobstante as supostas dificuldades de acesso ao dossiê de comunicação, havia canal institucional de comunicação entre a autoridade fiscal e o representante da NOROESTE. Logo, não prospera a argumentação que supostas dificuldades de acesso ao dossiê de comunicação implicariam em cancelamento do agravamento da multa. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 112,50% E OFENSA AO ART. 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A NOROESTE argumenta que (i) a multa aplicada no percentual de 112,5% é confiscatória; (ii) os fundamentos para aplicação da multa confiscatória são inexistentes; (iii) o percentual máximo de multa seria de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Pugna pelo afastamento da multa confiscatória fixada no percentual de 150% e, sendo mantida, que seja limitada ao percentual de 20%. Preliminarmente, para que haja clareza acerca do percentual de multa aplicada, esta foi imputada no percentual de 75%, agravada em 50%, que implicou num percentual de 112,5% e não no percentual de 150% mencionado na fl. 78 da impugnação (fl. 2173 dos autos). A alegação de que a multa é confiscatória é arguição de violação ao direito subjetivo constitucional. Nesse sentido, declaração de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei ou atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, conforme preceitua o art. 26-A, do PAF, introduzido pela Lei nº 11.941/2009: Fl. 2400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 47 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. A jurisprudência administrativa é pacífica quanto à incompetência da autoridade administrativa para afastar a aplicação de norma vigente a pretexto de vícios de inconstitucionalidades. Tanto é assim que o CARF editou a Súmula CARF nº 2, aprovada pelo Pleno em 2006: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, lei cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelo Poder Judiciário surtirá efeitos enquanto vigente e será obrigatoriamente observada pela autoridade administrativa. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador. Depois de formulada a norma, sua aplicação se impõe de forma objetiva, sem espaço para juízos discricionários por parte de quem a ela deve obediência. O que se pode e deve se fazer no âmbito do julgamento administrativo é verificar se o lançamento está restrito aos limites legais, corrigindo eventuais excessos. A autoridade fiscal tem sua atividade pautada no princípio da estrita vinculação à lei tributária, de modo que, sendo a hipótese legal subsumida ao caso concreto sob análise, não há que se alegar, em sede de julgamento administrativo, afronta a princípio constitucional referido na peça de defesa. Portanto, pedidos ou alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. Fl. 2401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3101-004.183 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16539.720007/2023-16 48 142, parágrafo único, do CTN), somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário, cabendo aos interessados o exercício de suas prerrogativas de submeter a matéria ao controle jurisdicional. A alegação que os fundamentos para aplicação da multa confiscatória são inexistentes já foi enfrentada e afastada em tópico anterior deste voto. Por fim, a menção que a multa aplicada deveria ser pautada pelo art. 61 da Lei nº 9.430/96 não passa de retórica, porque não se trata de multa de mora no caso dos autos, mas de multa de ofício, cuja fundamentação é prevista em artigo diverso da mesma lei: art. 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de indeferir o pedido de perícia, por prescindível; de indeferir o pedido de juntada posterior de documentos e de declarar a preclusão probatória e, no mérito, de julgar improcedente a impugnação. Diante de todo exposto e em virtude de a interessada não ter apresentado argumentos para contrapor a ratio decidendi do acórdão de impugnação e por consequência, anular ou reformar a decisão de piso, mantenho a decisão a quo pelos seus próprios fundamentos. Sendo assim, conheço do recurso, afasto as preliminares de nulidade, indefiro o pedido de perícia e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 2402DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15746.725199/2023-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 31/01/2018 a 31/12/2019 NULIDADE POR INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163. Súmula CARF Nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-011.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA

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INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163. Súmula CARF Nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Fl. 1289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 2 Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos até o julgamento de piso, transcrevo abaixo trecho do acórdão recorrido: Conforme o Auto de Infração, os valores acima decorrem da apuração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada de que trata o Artigo 42, da Lei 9.430/96, tudo conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal. Regularmente intimado(a) do lançamento em 28/09/2023 (AR às fls. 1016), o(a)contribuinte apresentou Impugnação em 30/10/2023 (fls. 1019), alegando, em síntese, que: 1) Haveria erro na apuração da base de cálculo pois diversos valores relativos a cheques devolvidos não foram abatidos do valor dos créditos apurados; 2) A atividade econômica desenvolvida pela autuada está de acordo com o que foi declarado por ela em suas Declarações de Ajuste Anual, sendo que a totalidade dos valores que circularam em suas contas não representa a real base de cálculo do imposto de renda da pessoa física; 3) O lançamento não respeita o conceito de renda na apuração da base de cálculo do tributo ferindo a determinação do art. 142 do CTN, apurando como renda valores totalmente diversos da realidade; 4) O lançamento fere os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da capacidade contributiva; 5) Requer o arbitramento do lucro de sua atividade face a ausência de escrituração contábil de suas operações e não a aplicação da presunção de que trata o Artigo 42, da Lei 9.430/96; 6) Requer seja diligenciado ao Banco Bradesco para que forneça microfilmagem da frente e verso dos cheques depositados em sua conta bancária naquela instituição a fim de comprovar suas alegações; 7) Requer perícia na apuração da base de cálculo feita pela Fiscalização, para o que apresenta quesitos e indica seu perito. (fl. 1240) Fl. 1290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 3 Sobreveio o acórdão nº 109-022.789, proferido pela 14ª TURMA/DRJ09, que entendeu pela improcedência da impugnação (fls. 1238-1258), nos termos abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 31/01/2018 a 31/12/2019 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A falta de indicação da origem dos recursos depositados em contas de depósito ou de investimento implica na presunção relativa de omissão de rendimentos. PRESUNÇÃO, APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ERROS NO LEVANTAMENTO A indicação de que houve erro na apuração da base de cálculo nº procedimento fiscal deve ser inequívoca e comprovada mediante juntada de provas capazes de formar o convencimento do julgador pela necessidade de alteração do lançamento regularmente intimado ao contribuinte. ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA PELA CONTRIBUINTE. PROVA. A prova do exercício de atividade econômica pela contribuinte deve ser feita por meio de provas inequívocas que demonstrem a natureza das atividades e as operações desenvolvidas que a demonstrem. DO CONCEITO DE RENDA, PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS E A PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. A aplicação pela Fiscalização de presunção legal relativa de omissão de rendimentos não macula o conceito de renda nem tampouco viola princípios tributários eis que se trata de aplicação direta da prescrição normativa ao caso concreto. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO POR MEIO DE PRESUNÇÃO SEGUIDA DE ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão normativa que possibilite a aplicação sucessiva de presunção pela e arbitramento para fins de apuração da base de cálculo do tributo relativamente á apuração de depósitos bancários sem origem comprovada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2018 a 31/12/2019 PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE A instrução probatória tem como intuito formar o livre convencimento do julgador a quem cabe avaliar a necessidade e oportunidade da realização de diligências ou perícias, não constituindo a sua negativa justificada cerceamento de defesa. Fl. 1291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fl. 1238-1239) Cientificada em 14/11/2024 (fl. 1264), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/12/2024 (fls. 1266), em que defende:  Que houve cerceamento de defesa pela não autorização para realização de perícia;  Que a fiscalização não considerou as devoluções de cheques evidenciadas nos próprios extratos bancários utilizados para constituição do crédito tributário;  É necessário realizar diligência para que seja possível validar as informações declaradas pela Recorrente;  As declarações de terceiros corroboram com o cenário e comprovam a atividade exercida pela Recorrente.  Apresenta arquivos não pagináveis em que realiza cotejo dos extratos. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Destaco que a Recorrente cita entendimentos administrativos que supostamente convalidariam seu pleito, razão pela qual destaco que apenas entendimentos vinculantes do Poder Judiciário e Súmulas Administrativas são de reprodução obrigatória nesta esfera de julgamento. A lide devolvida ao colegiado diz respeito a lançamento de IRPF pela constatação de depósitos de origem não identificada. A Recorrente alega que houve nulidade pela não realização de perícia, que não foram excluídos os cheques devolvidos e não foi considerada a atividade mercantil de compra de títulos que realizava, comprovada por meio de declarações dos cedentes e que ensejaria na necessidade de realização de diligência para aferir a real base de cálculo do lançamento. Fl. 1292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 5 Com relação ao pedido de diligência, o indefiro por entender que esta não se presta a suprir prova que deveria ter sido produzida pela Recorrente, sobretudo considerando que o dever de apresentação dos cheques microfilmados era de sua responsabilidade, bem como a demonstração da insuficiência dos elementos da acusação para sustentar o lançamento. Somente na apresentação de conjunto probatório que traga dúvida ao julgador é cabível a realização de diligências, não sendo este o caso. Nulidade por indeferimento de prova técnica Embora a Recorrente alegue que seria nula a decisão de piso por ter indeferido a realização de prova técnica, o que se verifica, em verdade, é que a DRJ enfrentou de forma analítica tal pedido formulado pela Recorrente, o que pode ser evidenciado sinteticamente no trecho abaixo: Veja-se, as planilhas anexadas à Impugnação, como já foi indicado, apontam valores correspondentes a alguns lançamentos, mas dali não se pode aferir a quais lançamentos especificamente se está considerando, eis que há inúmeros casos em que há mais de um cheque de mesmo valor nas listagens da Fiscalização, sendo impossível saber, apenas pelo valor do cheque, a quais deles a indicação feita pela contribuinte se refere. Além disso, como também acima já se disse, aplicar a presunção do Artigo 42, da Lei 9.430/96 para, em seguida, aplicar arbitramento do lucro como pretende a defesa relativamente à comprovação da atividade de factoring não possui embasamento legal Dessa forma, indefiro os pedidos de realização de diligência e de produção de prova pericial por entender que são, no caso, desnecessários no caso concreto. (fl. 1258) Inclusive, a própria DRJ adiantou que o indeferimento desta não configuraria preterição do seu direito de defesa com base na Súmula CARF nº 163, abaixo colacionada: Súmula CARF Nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Dessa forma, entendo pela rejeição deste capítulo recursal. Da tributação dos depósitos bancários de origem não identificada Fl. 1293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 6 Conforme destacado no acórdão nº 2202-009.936, de Relatoria da Conselheira Sonia Accioly, a questão relativa à tributação dos depósitos bancários possui raízes na década de 1990, em que a Lei nº 8.021, de 1990, previu a possibilidade de se tributar rendimentos presumidamente auferidos pelo contribuinte, nos termos do artigo 6º, abaixo transcrito: Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1.º. Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2.º. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3.º. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4.º. No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. §6.º. Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Veja-se que seria possível apurar com base em sinais exteriores de riqueza rendimentos omitidos, embora os depósitos bancários consistissem em instrumento para a realização do arbitramento. Apenas em 1997, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, é que os depósitos bancários passaram a ser, em verdade, a evidência da renda presumida, conforme se verifica nos termos abaixo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 7 Cabe adicionar que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, quando do julgamento do RE 855.649, afetado como Tema de Repercussão Geral nº 842, nos termos da ementa abaixo: DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. LEI 9.430/1996, ART. 42. CONSTITUCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. 1. Trata-se de Recurso Extraordinário, submetido à sistemática da repercussão geral (Tema 842), em que se discute a Incidência de Imposto de Renda sobre os depósitos bancários considerados como omissão de receita ou de rendimento, em face da previsão contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. Sustenta o recorrente que o 42 da Lei 9.430/1996 teria usurpado a norma contida no artigo 43 do Código Tributário Nacional, ampliando o fato gerador da obrigação tributária. 2. O artigo 42 da Lei 9.430/1996 estabelece que caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 3. Consoante o art. 43 do CTN, o aspecto material da regra matriz de incidência do Imposto de Renda é a aquisição ou disponibilidade de renda ou acréscimos patrimoniais. 4. Diversamente do apontado pelo recorrente, o artigo 42 da Lei 9.430/1996 não ampliou o fato gerador do tributo; ao contrário, trouxe apenas a possibilidade de se impor a exação quando o contribuinte, embora intimado, não conseguir comprovar a origem de seus rendimentos. 5. Para se furtar da obrigação de pagar o tributo e impedir que o Fisco procedesse ao lançamento tributário, bastaria que o contribuinte fizesse mera alegação de que os depósitos efetuados em sua conta corrente pertencem a terceiros, sem se desincumbir do ônus de comprovar a veracidade de sua declaração. Isso impediria a tributação de rendas auferidas, cuja origem não foi comprovada, na contramão de todo o sistema tributário nacional, em violação, ainda, aos princípios da igualdade e da isonomia. 6. A omissão de receita resulta na dificuldade de o Fisco auferir a origem dos depósitos efetuados na conta corrente do contribuinte, bem como o valor exato das receitas/rendimentos tributáveis, o que também justifica atribuir o ônus da prova ao correntista omisso. Dessa forma, é constitucional a tributação de todas as receitas depositadas em conta, cuja origem não foi comprovada pelo titular. 7. Recurso Extraordinário a que se nega provimento. Tema 842, fixada a seguinte tese de repercussão geral: “O artigo 42 da Lei 9.430/1996 é constitucional". (RE 855649, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 03-05-2021, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-091 DIVULG 12-05-2021 PUBLIC 13-05-2021) Fl. 1295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 8 Destaca-se, por oportuno, que a presunção que lastreia este lançamento é relativa e poderia ter sido infirmada pela defesa. Isso, pois a administração, ao se valer de uma presunção relativa, prova um fato (depósito de origem não comprovada) que passa a ter efeitos tributários (presunção de receita omitida), trata-se de signo da existência do fato jurídico tributário, como ensina Leonardo Sperb de Paola: As presunções legais relativas oferecem um posto de apoio para o administrador, descrevendo os fatos que, uma vez provados, são considerados, pelo legislador, suficientes para caracterizar a existência de um fato jurídico tributário. Já vimos que, ao contrário do que se dá com as presunções absolutas, o fato mencionado na norma que dispõe sobre a presunção legal relativa não é, ele mesmo, quando configurado, um fato jurídico tributário. Seu valor está em servir como signo da existência do fato jurídico tributário. (PAOLA, Leonardo Sperb. Presunções e ficções no Direito Tributário. Belo Horizonte: Del Rey, 1997. p. 112) Uma vez que se trata de presunção relativa, cria-se uma inversão do ônus probatório, como nos lembra Sonia Accioly com base em Luiz Bulhões Pedreira: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas – JUSTEC-RJ-1979 - pg. 806) Dessa forma, cabe ao contribuinte refutar a presunção da omissão de rendimentos por meio de documentação hábil e idônea, comprovando que tais valores tiveram origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva e/ou já tributados na fonte, sob pena de sujeitar os depósitos à tributação. Sobre a questão, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF aprovou a Súmula nº 26, DOU de 22/12/2009, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 26. A presunção estabelecida no art. 42, da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 1296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 9 Veja que todo o arcabouço normativo e jurisprudencial caminha no sentido de exigir do contribuinte a comprovação da origem do rendimento imputado como omitido após a verificação de signo presuntivo de riqueza consubstanciado pelos depósitos bancários. Neste particular, a Recorrente alega que realizava atividade de factory, de modo que adquiria títulos com deságio para posterior cobrança, o que demandaria a exclusão dos cheques devolvidos da base de cálculo do lançamento. Ocorre que a Recorrente tenta demonstrar com base nos extratos que cheques de mesmo valor e oriundos do mesmo beneficiário, nas hipóteses em que houve devolução de igual valor, seria prova suficiente de que se trataria do mesmo cheque sendo depositado uma segunda vez. Primeiro ponto que deve ser ressaltado é que a fiscalização já havia indicado ter considerado os cheques devolvidos na apuração, nos termos do trecho abaixo: Registre-se que esta fiscalização elaborou e a contribuinte recebeu uma lista detalhada dos depósitos de origem não comprovada para fins de comprovação (2023 05 05 Termo de Intimacao N2 GISLAINE.pdf). A lista foi elaborada depósito a depósito, de forma individualizada, já excluídos estornos, encargos, resgates de aplicações financeiras, conforme determina o inciso I do §3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Alega a fiscalizada que parte dos depósitos foram feitos a título de Compra de Direito Creditório (vide item J.1.), porém, sem apresentar provas que embasassem a justificativa. Os depósitos não identificados foram analisados, nos termos do inciso II do §3º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 (desconsideração dos depósitos inferiores ou iguais a R$ 12.000,00, por ano-calendário, cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00), resultando em R$ 7.089.213,63 (2018) e R$ 10.823.071,20 (2019), ultrapassando assim o limite legal, razão pela qual tais valores SERÃO CONSIDERADOS PARA FINS DE LANÇAMENTO COMO RECEITA OMITIDA. (fls. 609-610) A DRJ entendeu que a comprovação da Recorrente seria insuficiente para comprovar a existência de devoluções não consideradas, dado que não indicam qual planilha a que se referem (se vinculadas ao demonstrativo 1 ou 2), nos termos abaixo: Como se pode ver, ao descrever a apuração feita após as diversas intimações e respostas dadas pela fiscalizada, a autoridade administrativa indica claramente não apenas que questionou a autuada a comprovar os cheques efetivamente devolvidos e constantes dos relatórios que lhe foram apresentados, como também, após as respostas dadas pela autuada, que procedeu à apuração da base Fl. 1297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 10 de cálculo “...já excluídos os estornos, encargos, resgates de aplicações financeiras, conforme determina o inciso I do §3º do artigo 42 da Lei nº 9430/1996.” Quando confrontamos a planilha não paginável trazida pela Impugnação com os demonstrativos elaborados pela Fiscalização para demonstração da base de cálculo do lançamento verificamos uma série de inconsistências que não nos permitem acolher a prova produzida como eficaz para o fim desejado, ou seja, alteração do lançamento. De início, os arquivos não pagináveis anexados aos autos indicam em uma de suas colunas o número da linha em que o respectivo lançamento poderia ser encontrado nos demonstrativos elaborados pela Fiscalização para apuração da base de cálculo, porém não indica a qual dos demonstrativos elaborados se refere. Isso por si só é relevante pois o Demonstrativo de fls. 614 a 797 lista todas as operações apuradas, dividindo-as quanto à operação bancária a que se referem. Já o demonstrativo de fls. 798 a 1008 lista apenas os depósitos de origem não comprovada que foram utilizados como fonte para a apuração da base de cálculo no presente lançamento. Assim, de pronto, é preciso saber se a indicação da planilha da Impugnação se refere ao Demonstrativo 1 ou ao Demonstrativo 2. Considerando que a base de cálculo do lançamento decorre do Demonstrativo 2, pode-se presumir que a indicação das planilhas da contribuinte também a ele se refira, porém, quando comparamos os dados de uma com a outra planilha vemos que não há correspondência entre as linhas indicadas e as linhas do demonstrativo 2, vejamos alguns exemplos aleatórios: (...) Como se pode ver, as indicações da Impugnação não batem com o Demonstrativo da base de cálculo, o que coloca em dúvida a fidedignidade dos demonstrativos elaborados pela defesa. Em contraponto a essa constatação, temos a informação prestada pelo Termo de Verificação Fiscal e acima já reproduzida quanto à exclusão dos cheques devolvidos da apuração da base de cálculo apurada. Aliada a essa informação, vemos no Demonstrativo de fls. 614 a 797, que a Fiscalização indica diariamente o estorno de valores de cheques devolvidos, comprovando não apenas que essa circunstância foi observada no levantamento fiscal, quanto que os valores relativos aos cheques devolvidos foram sim excluídos da apuração da base de cálculo. De posse dessas constatações, é preciso lembrar que uma das consequências da aplicação do Artigo 42, da Lei 9.430/96 é justamente inverter o ônus da prova da origem dos depósitos bancários apurados pela Fiscalização em conta corrente do fiscalizado. Fl. 1298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 11 Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente representa a planilha e informa que se refere ao demonstrativo 2, mas que todos os lançamentos haviam sido identificados, o que permitiria a análise de operação por operação que não teria sido considerada pela fiscalização. Tenho que a planilha da Recorrente deve ser analisada de forma diversa da realizada pela DRJ, dado que o que ela informa é que cheques devolvidos devidamente identificados nos extratos não teriam sido considerados pela fiscalização, cotejo que passa-se a realizar. Pela análise dos primeiros lançamentos realizados no RMF, notadamente com relação ao “Extrato” em formato .txt inserido à fl. 586, tem-se em 03/01/3018, foram devolvidos 18 “cheques depositados”, nos termos da planilha abaixo: DATA DOC HISTÓRICO AG VALOR D/C 03/01/2018 5 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $3.000,00 D 03/01/2018 35 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $3.000,00 D 03/01/2018 85 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $1.136,00 D 03/01/2018 87 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $2.260,00 D 03/01/2018 88 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $2.222,18 D 03/01/2018 96 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $ 400,00 D 03/01/2018 106 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $2.500,00 D 03/01/2018 111 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $4.110,00 D 03/01/2018 134 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $1.795,93 D 03/01/2018 142 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $5.000,00 D 03/01/2018 519 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $1.475,93 D 03/01/2018 562 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $4.713,88 D 03/01/2018 696 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $ 327,89 D 03/01/2018 1471 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $ 520,11 D 03/01/2018 8535 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $ 702,00 D 03/01/2018 300443 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $3.000,00 D 03/01/2018 850004 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $ 400,00 D 03/01/2018 850460 DEVOL.CHEQUE DEPOSITADO* 118 $2.660,00 D Soma: $39.223,92 Fl. 1299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 12 Veja-se que estes valores são coincidentes com os que a fiscalização informa ter considerado na apuração, que não teriam sido incluídos no demonstrativo 2. A Recorrente alega que os referidos depósitos teriam sido imputados como lançamentos do mês anterior, notadamente com relação às ocorrências em que indica linhas da exigência em duplicidade: Evento Número Valor Duplicidade Dev Chq Depos* 0000005 -3.000,00 Dev Chq Depos* 0000035 -2.100,00 Dev Chq Depos* 0000085 -1.136,00 Dev Chq Depos* 0000087 -2.228,10 Dev Chq Depos* 0000088 -2.228,10 linha 11 Dev Chq Depos* 0000096 -400,00 linha 1 Dev Chq Depos* 0000106 -2.500,00 Dev Chq Depos* 0000111 -4.118,02 linha 12 Dev Chq Depos* 0000138 -1.490,00 linha 69 Dev Chq Depos* 0000142 -5.000,00 linha 28 Dev Chq Depos* 0000519 -2.735,93 Dev Chq Depos* 0000562 -4.718,08 Dev Chq Depos* 0000696 -327,00 linha 53 Dev Chq Depos* 0001471 -520,11 linha 52 Dev Chq Depos* 0008535 -702,00 linha 45 Dev Chq Depos* 0300443 -300,00 linha 60 Dev Chq Depos* 0850004 -400,00 Dev Chq Depos* 0850460 -2.660,00 Na ordem indicada pela Recorrente, abaixo realizo um cotejo de quais linhas do demonstrativo 2 ela se refere para que possa ser verificada a identidade destes lançamentos com os estornos: Linha Data Evento Número Valor Fl. 1300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 13 11 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 88 $ 2.228,10 1 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 96 $ 400,00 12 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 111 $ 4.118,02 69 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 138 $ 1.490,00 28 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 142 $ 5.000,00 53 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 696 $ 327,00 52 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 1471 $ 520,11 45 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 8535 $ 702,00 60 02/01/2018 DEPOSITO EM CHEQUE 300443 $ 300,00 Soma $15.085,23 Embora pudesse existir uma plausibilidade em abstrato na alegação da Recorrente de que os depósitos teriam sido considerados em duplicidade com base apenas no valor coincidente entre o estorno e o ingresso, tenho que a Recorrente não desincumbiu de comprovar que os depósitos originais foram de fato correspondentes aos valores estornados, dado que apenas identifica o número do evento do estorno que consta do RMF sem realizar um cotejo com o evento do depósito, dado que não há identidade destes no RMF. É dizer, a plausibilidade se dá apenas pela identidade do valor do depósito considerado no dia 02/01/2018 pela fiscalização com estornos realizados no dia 03/01/2018, dado que não há outro elemento probatório que corrobore com esta conclusão. Não se olvida que é comum que essa verificação ocorra em 24-48h do depósito do cheque e o estorno seja realizado logo após, o que fortaleceria a tese da Recorrente de que estes valores poderiam ser coincidentes, mas tenho que a comprovação deve ser inequívoca, sobretudo considerando que a Recorrente realizava esse tipo de operação de forma reiterada, sendo certo que é possível a existência de múltiplos títulos com mesmo valor relativos a meses subsequentes, de modo que sua alegação deveria ser acompanhada com a microfilmagem dos referidos cheques para que fosse possível assegurar de forma inequívoca que se referiam ao mesmo título, ou mesmo outros documentos que comprovem de forma cabal a identidade entre e o depósito e o estorno. Isso, inclusive porque não há tal informação nos extratos por ela apresentados em que são identificados os estornos, dado que não consta nenhum registro dos depósitos no dia anterior, o que impossibilita a correlação das informações dos eventos mencionados nos extratos para aferir inequivocamente a identidade do estorno com o ingresso considerado em duplicidade, como se verifica à fl. 1051-1052 com relação a estes lançamentos. Fl. 1301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.677 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.725199/2023-31 14 Importante apenas destacar que os extratos merecem fé, mas não comprovam de forma individualizada que os estornos indicados pela Recorrente seriam dos mesmos títulos depositados no dia anterior, dado que os documentos eram apresentados diversas vezes, como consta em outras operações identificadas no extrato, e que não há no dia 02/01/2018 qualquer referência de depósito dos títulos em questão no próprio extrato apresentado pela Recorrente. Assim, ante a ausência de comprovação, com base nos extratos, de que se trata da mesma operação considerada em duplicidade, sobretudo por não contemplar todos os lançamentos, tenho que não merece acolhida este capítulo recursal. Por fim, com relação à necessidade de que se considere que os depósitos são vinculados a contratos verbais de faturização, tenho que o desfecho adotado pela DRJ não merece reparos razão pela qual adiro aos seus argumentos como autorizado pelo artigo 114, § 12, inciso I, do RICARF, nos termos do trecho abaixo: A norma do Artigo 42, da Lei 9.430/96 não diz que todos os depósitos apurados em conta corrente do contribuinte devem ser considerados omissão de rendimentos, a própria norma prescreve diversas exclusões que, como vimos, a Fiscalização observou na apuração do presente feito. Ocorre, entretanto, que a informalidade das operações da contribuinte é de tamanha ordem que ela não consegue fornecer ao Fisco demonstrações elementares sobre a sua real disponibilidade de renda face aos seus negócios e, por isso mesmo, havendo expressa previsão legal de que a falta dessa comprovação implica na presunção de omissão de rendimentos resta imperativa ao menos até que se comprove que há nos levantamentos mais valores a serem excluídos além daqueles que já o foram. (fl. 1254) Com isso, entendo pela improcedência do Recurso Voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 1302DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10340.721071/2023-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018, 2019, 2020, 2021 APURAÇÃO DE LUCRO REAL Incabível a exclusão, no cômputo do lucro real, de reduções de base de cálculo, isenções e diferimentos do ICMS sobre a comercialização de produtos, quando tais benefícios visam à redução do preço da mercadoria, de forma a beneficiar o consumidor final, e não transitaram pelo resultado contábil, não se aplicando a tais casos o tratamento dado ao crédito presumido, não bastando a mera formação de reserva de lucros para justificar a exclusão indevida.
Numero da decisão: 1102-001.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Pires McNaughton, Gustavo Schneider Fossati e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Pires McNaughton, Gustavo Schneider Fossati e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Fl. 4515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que confirmou o lançamento de IRPJ e CSLL, para os anos-calendário 2018, 2019, 2020, 2021. Assim dispôs o Relatório da decisão recorrida: Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 2 a 43 e de fls. 45 a 82, que lhe exigem o pagamento de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), como se vê abaixo: O lançamento de IRPJ, de que deriva o de CSLL, decorreu da verificação do cumprimento de obrigações tributárias por parte da interessada, durante a qual se apurou o que se relata no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 87 a 143, que a seguir se resume. Informam os Autores do feito haverem apurado infrações à legislação tributária consistentes na [...] exclusão indevida, na apuração do Lucro Real, de supostas subvenções governamentais NÃO RECEBIDAS, concedidas a título de redução de base de cálculo, isenção e diferimento do ICMS sobre a comercialização de determinados produtos agropecuários, notadamente sementes de soja para plantio, cujos valores indevidamente excluídos pela fiscalizada no período somaram mais de R$ 164 milhões [...]. 3 Para os ACs 2018 e 2021 a fiscalizada apurou o IRPJ/CSLL de forma anual com recolhimento das estimativas mensais e para os ACs 2019 e 2020 a forma de tributação e apuração adotada foi o lucro real trimestral. Sob o título “4.1 DA EXCLUSÃO INDEVIDA E FRAUDULENTA DE INCENTIVOS FISCAIS DE ICMS NAS BASES DE CÁLCULO DO LUCRO REAL”, escrevem os Autores do feito que, na “apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos períodos de apuração de 2018, 2019, 2020 e 2021, informada na Escrituração Contábil Fiscal (ECF)”, a interessada realizou exclusões na parte A do e-Lalur e do e-Lacs, a título de “Doações e Subvenções para investimentos”, correspondentes a “Isenções, Reduções de Base de Cálculo e Diferimento de ICMS concedidos pelos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul”. Na realidade, tratar-se-ia de simulação de “recebimento de valores que seriam decorrentes de isenções, diferimentos e reduções de base de cálculo de ICMS sobre a comercialização de produtos agropecuários, notadamente sementes de soja para plantio”, valores estes que, por um artifício contábil reconhecido pela própria interessada (fls. 162 a 185), jamais “compuseram o resultado (Lucro Contábil) na forma de Receitas que, na apuração do Lucro Real, poderiam ser excluídas para fins de apuração das bases de cálculo tributáveis”. Reproduzem-se em parte os “registros M300 – Demonstração do Lucro Real e M350 – Demonstração da Base de cálculo da CSLL”, relativos aos anos-calendário de 2018 a 2021. Fl. 4516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 3 Analisando-se a Escrituração Contábil Digital (ECD) da interessada, constatou-se o uso de “duas contas de resultado redutoras da Receita Bruta, que receberam lançamentos a débito, relacionadas ao ICMS: a conta nº 61501001 – ICMS” (que recebia lançamentos a débito do efetivo ICMS a recolher) e “a conta nº 61501005 – ICMS – CONVÊNIO 100/9712” (que recebia lançamentos a débito das despesas fictícias com ICMS caso não houvesse os benefícios fiscais de isenção, redução de base de cálculo e diferimento do ICMS), além de outra “conta relacionada ao ICMS que recebeu lançamentos a crédito, anulando os débitos da conta nº 61501005: trata-se da conta nº 61501006 – SUBVENÇÃO PI INVEST.- LEI COMPL 160/201713” (ver tabela abaixo). Examinando-se as ECF transmitidas pela interessada, constatou-se que as contas 61501001 e 61501005 haviam sido vinculadas à conta referencial 3.01.01.01.02.03 e que a conta 61501006 foi vinculada à conta referencial 3.01.01.05.01.13, exceto durante o ano- calendário de 2020, quando “a suposta receita de subvenção, não recebida, foi reconhecida dentro da própria conta de despesas de ICMS, reduzindo seu saldo devedor”. Assim, a interessada excluiu em sua apuração do lucro real os valores creditados na conta 61501006 a título de “Subvenção para Investimentos – LC 160/17” e debitou os mesmos valores na conta 61501005, ficando inalterado seu resultado contábil. Sob o título “4.2 DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS PELA FISCALIZADA”, reiteram os Autores do feito que a interessada “jamais apurou receitas referentes ao benefício fiscal de diferimento, isenção e redução de base de cálculo do ICMS”, porque tal benefício seria concedido “ao produto visando a redução do preço na comercialização ao consumidor final, este sim, o verdadeiro beneficiário do incentivo fiscal”. Assim, os “registros da fiscalizada visaram tão somente simular um suposto recebimento de subvenção almejando única e exclusivamente sua posterior exclusão na apuração do lucro real”. Os Autores do feito chamam atenção para o fato de que a interessada, em resposta a intimação, descreveu seu modus operandi, o mesmo exposto acima, e declarou expressamente que “o efeito de ambos os lançamentos no resultado contábil é nulo, haja vista o crédito e débito no mesmo valor dentro do resultado do período”, levando os Fl. 4517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 4 Autores do feito a deduzir que “as exclusões efetuadas no e-Lalur e no e-Lacs não têm origem no benefício fiscal em análise, mas derivam de outras receitas normais da atividade da fiscalizada, sendo, portanto, indevidas”. Intimada também a apresentar “os atos de concessão dos benefícios fiscais do ICMS”, a interessada afirmou: (a) que os Regulamentos do ICMS dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul não preveriam a necessidade de celebração de Termo de Acordo para fruição do benefício fiscal de ICMS; (b) que tais estados haveriam instituído os benefícios sem exigência de requisitos como aquisição de imobilizado ou geração de empregos; e (c) que o artigo 9º da Lei Complementar (LC) nº 160, de 7 de agosto de 2017, que alterou o artigo 30 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, trata os benefícios fiscais de ICMS como subvenção para investimentos desde que mantidos em reservas de lucros. Quanto a isto, ressalvam os Autores do feito que “uma das condições para exclusão dos benefícios fiscais de ICMS, previstas no art. 30 da Lei nº 12.973/2014, é que a subvenção para investimento seja concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico”, entendimento este “ratificado pela RFB por meio da Solução de Consulta COSIT nº 145/2020”. Os Autores do feito transcrevem trechos do Convênio ICMS nº 100 – CONFAZ, de 4 de novembro de 1997, e assinalam que ele, em sua cláusula quinta, inciso II, “autorizou que os Estados exigissem dos vendedores a redução do preço da mercadoria nos montantes do ICMS dispensado”, o que revelaria a inexistência de “ganho econômico para a fiscalizada em se tratando de redução de base de cálculo, isenção ou diferimento”. Acrescentam que “essa redução deveria ser demonstrada nas respectivas Notas Fiscais”; entretanto, nas “NF-e analisadas por amostragem, não há destaque do valor reduzido da mercadoria vendida com a dispensa do ICMS”, o que leva à conclusão de que “o valor total da NF-e representa o valor final cobrado do adquirente, já deduzido do benefício fiscal concedido”. A interessada citou (fls. 1.886 a 1.897) o artigo 261, inciso I, do Regulamento do Imposto Sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 9.580, de 2018 (RIR/2018), considerando que este autorizaria a exclusão desses benefícios fiscais. Quanto a isto, ponderam os Autores do feito que [...] a vinculação que a fiscalizada tenta fazer com o inciso I do art. 261 do RIR/18 não faz sentido porque esses valores jamais existiram para a fiscalizada, não fazem parte de seu resultado, não geraram nenhuma mutação em seu patrimônio, e não há, no Regulamento do Imposto de Renda, autorização para esse tipo de exclusão no lucro real. Trata-se de registros contábeis simulados que tentam dar aparência de uma receita de benefício fiscal, que nunca existiu para a fiscalizada, e dessa forma buscar atender ao disposto no art. 30 da Lei nº 12.973/2014 que autorizaria sua exclusão do Lucro Real. Definitivamente, o inciso I do art. 261 do RIR/2018 não acoberta a exclusão de receita fictícia de subvenção fiscal, como mais à frente será ainda mais detalhada, pois nem o Estado do Mato Grosso do Sul e nem o do Paraná concederam assistência governamental para a FISCALIZADA, pois ela não é a destinatária de incentivo ou benefício fiscal decorrente de desoneração do ICMS por meio de isenção, redução de base de cálculo, redução de alíquota ou diferimento do fato gerador, já que essas espécies tributárias, no presente caso, NÃO GERAM VANTAGEM ECONÔMICA PARA O CONTRIBUINTE DO ICMS E, SIM, PARA O CONSUMIDOR FINAL, como mais à frente é determinado, bastando para isso constatar que a fictícia receita de subvenção foi anulada por uma fictícia despesa de ICMS na escrituração comercial. A fictícia receita de subvenção fiscal é excluída na apuração do Lucro Real e da BC da CSLL, mas a fictícia despesa de ICMS não é adicionada!!! Fl. 4518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 5 Examinando planilha eletrônica encaminhada pela interessada, constataram os Autores do feito que [...] os benefícios fiscais de ICMS que a fiscalizada simulou ter recebido nos anos de 2018 a 2021, para que pudesse realizar a exclusão no lucro real, decorreram de incentivos dados de forma objetiva a certos produtos agropecuários por ela comercializados, notadamente sementes de soja certificadas para plantio [...]. Em sequência, intimou-se a interessada a “quantificar e demonstrar a existência de efetivo benefício econômico auferido, decorrente dos benefícios fiscais de ICMS, e que teria impactado seu resultado contábil, o que em tese, permitiria sua exclusão no Lucro Real”. Em sua resposta, a interessada afirmou que [...] se trata de raciocínio similar aos benefícios fiscais que implicam redução dos débitos do ICMS, tais como as isenções, diferimento e reduções de base de cálculo: seu efeito de receita no resultado está implícito no débito, calculado em montante inferior àquele que seria devido caso não existisse o incentivo e, via de regra, contabilizado na forma líquida. Ou seja, apesar de tais créditos não serem demonstrados em lançamento específico – como os créditos presumidos, que são chamados, impropriamente, de “grandezas positivas” em discussões de viés jurídico – sua natureza de receita é incontestável, visto que representam aumento do resultado contábil da sociedade, ponta de partida para apuração do Lucro Real. Diante disto, conclui-se que, em que pese representem uma redução do débito do ICMS, os créditos apurados a título de Redução, Isenção e Diferimento no Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul foram utilizados pela Bela Sementes para exclusão a título de subvenções de investimento, uma vez que incólume sua natureza de receita (ainda que implícita na contabilização da despesa líquida do Imposto), desde que preenchidos os requisitos aplicáveis às subvenções. À vista disso, entendem os Autores do feito que a interessada não demonstrou nem quantificou “seu benefício econômico auferido com os ditos incentivos fiscais de ICMS”, limitando-se a afirmar que [...] os benefícios fiscais de isenção, redução de base de cálculo e diferimento de ICMS dizem respeito a uma redução dos débitos do ICMS, que o efeito na receita estaria implícito no débito calculado em montante inferior, e que esses valores não estariam demonstrados em lançamento específico. Reiteram os Autores do feito que “o ICMS não é suportado pelo contribuinte fiscalizado já que é repassado ao consumidor final, de forma que qualquer diminuição ou dispensa dessa despesa tributária não resulta em nenhum ganho a ele” e salientam: Vale ressaltar que no ICMS o ônus jurídico e econômico do tributo é arcado pelo contribuinte de fato (em geral, o consumidor final), uma vez que o imposto é cobrado do adquirente embutido no preço por força da Lei Complementar (LC)nº 87, de 13 de setembro de 1996, e em função do regime da não cumulatividade, a eliminação da despesa correspondente pela norma de desoneração fiscal por meio de isenção, redução de base de cálculo, redução de alíquota ou diferimento do fato gerador, sem implicar crédito para a etapa subsequente, NÃO GERA VANTAGEM ECONÔMICA PARA O CONTRIBUINTE DO ICMS, pois ela é compensada com o decréscimo também decorrente da lei, em mesmo valor, da parte do imposto que integrava a receita de vendas. Assim, o imposto que não é mais devido pelo contribuinte do ICMS (o vendedor da mercadoria ou prestador do serviço) também deixa de ser cobrado do adquirente. Fl. 4519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 6 Logo, por não auferir qualquer vantagem econômica, ele não é destinatário de incentivo ou benefício fiscal decorrente de uma norma de desoneração do ICMS por uma dessas espécies. Ressaltam os Autores do feito que labora em erro a interessada ao afirmar que “a natureza de receita desses benefícios [seria] incontestável, visto que representam aumento do resultado contábil da sociedade”, tanto porque “a própria fiscalizada afirmou mais de uma vez (respostas de fls. 162 a 185 e de fls. 1.886 a 1.897) que os procedimentos de registro desses benefícios resultaram em efeito nulo em seu resultado contábil” quanto porque, “na sistemática contábil, o ICMS integra a receita bruta já que faz parte do preço de venda da mercadoria, mas dela é deduzido, de modo que em nada afeta o resultado da empresa”. Portanto, “qualquer eventual aumento de receita líquida pela empresa vendedora não tem natureza de benefício fiscal”, vez que “o ICMS não afeta o seu resultado” nem é suportado pelo vendedor, por ser “cobrado do adquirente embutido no preço da mercadoria”. Sob o título “4.3 DA BASE LEGAL RELACIONADA ÀS SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO”, os Autores do feito salientam a “impossibilidade de exclusão, nas bases de cálculo de IRPJ/CSLL apuradas com base no Lucro Real, dos valores relativos a incentivos e benefícios fiscais de ICMS [...], porque concedidos de forma incondicional”, considerando que as “exclusões verificadas são incompatíveis com os requisitos do art. 30 da Lei nº 12.973/2014”, salientando que as “deduções indevidamente utilizadas pela fiscalizada” a) Não geram receitas na fiscalizada, não resultando numa mutação patrimonial real, ou seja, originando ativos ou passivos na fiscalizada; b) Sua escrituração contábil serve apenas e tão somente para dar formalidade aparente a Subvenções não recebidas efetivamente e, desta forma, simular o direito à dedução nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL; c) Os benefícios fiscais em questão não coincidem, de forma alguma, com aqueles concedidos a título de Crédito Presumido de ICMS. Examina-se o artigo 30 da Lei nº 12.973, de 2014, atualizado pelo artigo 9º da LC 160, de 2017, destacando-se que, “a partir do advento da LC nº 160/2017 os benefícios fiscais de ICMS são considerados Subvenção para Investimento indistintamente”, mas, segundo o caput do mesmo artigo 30, “tais subvenções somente poderão ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e CSLL quando forem concedidas pelos Estados e/ou DF como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e sejam registradas em reserva de incentivos fiscais”, o que tornaria “indispensável ato específico do ente concedente que defina os benefícios fiscais concedidos à empresa, de forma individualizada, e os requisitos necessários ao seu gozo”, além de evidenciar “a intenção do Estado concedente em estimular a implantação e expansão de empreendimento econômico”. À vista disso, enfatizam os Autores do feito que as “isenções, redução de base de cálculo ou diferimento de ICMS” deduzidas pela fiscalizada “não são Subvenções para Investimento, porque não foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, mas sim a consumidor final, de forma geral e irrestrita”, com vistas a “reduzir o preço dos produtos agropecuários”. Mais adiante, lembrarão eles que o “beneficiário do incentivo fiscal [...] foi o adquirente das sementes, que teve seu ônus tributário reduzido”. Voltam a salientar que “o resultado contábil (Receitas menos custos e despesas)” e o patrimônio não foram afetados e, portanto, não se poderia “constituir Reservas de Lucros [nem se poderia absorver] prejuízos ou aumentos de capital”. Por fim, destacam que a interessada segregou os “registros contábeis realizados [...] nas contas de Patrimônio Líquido – Reservas de Incentivos Fiscais [...] do lucro normal das operações”, Fl. 4520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 7 os quais serviram apenas “para dar aparência formal de recebimentos de benefícios que não foram efetivamente auferidos. Com o objetivo de reduzir tributos devidos, simulam eventos e mutações contábeis que, de fato, não ocorreram”. Tendo a interessada se reportado ao item 38E do Pronunciamento Técnico CPC 07 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, salientam os Autores do feito que, de acordo com tal Pronunciamento, “somente podem ser consideradas ‘assistências governamentais’ os benefícios concedidos a uma entidade ou grupo de entidades que atendam a critérios estabelecidos”, tratando-se de “benefícios subjetivos”, enquanto os benefícios objetivos, “concedidos indistintamente a todos os contribuintes, em caráter geral, [...] sem nenhuma exigência para a obtenção do benefício, [...] não são subvenções governamentais“. Ainda de acordo com o mesmo Pronunciamento, é indispensável que “o benefício ou incentivo fiscal do ente público tenha como destinatário a entidade em questão, aumentando efetivamente seu patrimônio”, o que não teria ocorrido no caso vertente, já que o “ônus do ICMS não era suportado pela fiscalizada”. Prosseguindo, apontam eles que o “item 38E do CPC 07 [...], combinado com o item 38D, trata especificamente da contabilização da subvenção governamental de imposto de renda devido por pessoa jurídica que construa e explore empreendimento econômico em área incentivada, como por exemplo, zonas francas”. Recordam jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de que “o ICMS não compõe a receita da empresa vendedora, já que o valor do tributo cobrado do adquirente (contribuinte de fato) pelo vendedor (contribuinte de direito) apenas circula em sua contabilidade”. Dessarte, se “o valor recebido pelo vendedor relativo a tributo cobrado não se incorpora a seu patrimônio”, mais descabido seria “afirmar que o valor que não foi recebido pelo vendedor em razão de tributo que deixou de ser cobrado (por isenção, redução de base de cálculo ou diferimento, como no caso da fiscalizada) se incorpora ao patrimônio” da pessoa jurídica. Ilustram os Autores do feito: Caso, por hipótese, fosse aceita a tese da fiscalizada de que teria direito à exclusão das bases do IRPJ/CSLL de valores de benefícios fiscais decorrentes de isenções, reduções de base de cálculo e diferimentos de ICMS, poderíamos chegar a uma situação esdrúxula de que as exclusões acumuladas ao longo de toda uma cadeia de comercialização de sementes superariam, em muito o valor do ICMS desonerado para o produto. Por exemplo, no caso de uma alíquota padrão de 17% na comercialização de sementes cujo Estado isentou de tributação, teríamos: numa venda a consumidor final de, digamos, R$ 1.000,00, o ICMS desonerado em toda a cadeia seria de R$ 170,00, visto que não haveria crédito entre as etapas. Se cada pessoa jurídica da cadeia desse produto entendesse ter o direito a excluir esse valor das bases do IRPJ/CSLL, o valor total excluído seria muito superior aos R$ 170,00. Digamos que a fiscalizada BELA SEMENTES venda uma quantidade de sementes para um atacadista por R$ 400,00; o atacadista revenda esse mesmo produto a uma distribuidora por R$ 600,00; a distribuidora revenda para um varejista por R$ 800,00; e este último venda as sementes ao agricultor, que é o consumidor final por R$ 1.000,00. Se cada uma dessas empresas entender ter direito à exclusão de ICMS nas bases do IRPJ/CSLL, haveria uma exclusão total de R$ 476,00 = (R$ 400 x 0,17)+ (R$ 600 x 0,17) + (R$ 800 x 0,17) + (R$ 1.000 x 0,17), ao invés dos R$ 170,00 que foram desonerados na cadeia de comercialização desse produto. Sob o título “4.4 DA AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NA FISCALIZADA”, os Autores do feito ressaltam que a interessada realizou lançamento “que não altera quantitativamente o lucro contábil antes das apurações do IRPJ e CSLL, ou seja, Fl. 4521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 8 não gera acréscimo patrimonial nenhum na empresa”, o que implica o descabimento da “exclusão de receita decorrente desse tratamento tributário, até porque inexiste custo ou despesa correspondente à parcela do ICMS que não é devida”, ou seja, não há como “como fazer surgir uma despesa ou uma receita passível de exclusão nesse caso, nem contabilmente, nem por direito”, mencionando jurisprudência do STF. Reiteram os Autores do feito que “o imposto que não é mais devido pelo contribuinte do ICMS (o vendedor da mercadoria ou prestador do serviço) também deixa de ser cobrado do adquirente”, ou seja, o vendedor não aufere qualquer vantagem econômica e “não é destinatário de incentivo ou benefício fiscal decorrente de uma norma de desoneração do ICMS por meio de isenção, redução de base de cálculo ou diferimento”, sendo o adquirente final da mercadoria o destinatário da vantagem econômica. Logo, o ICMS “é suportado jurídica, financeira e economicamente pelo adquirente da mercadoria ou tomador do serviço (não-contribuinte do ICMS), mas passa a ser devido pelo vendedor ou prestador (contribuinte do ICMS)”. Simetricamente, “os benefícios econômicos de natureza fiscal resultantes são difusos, porque direcionados aos consumidores”, com o objetivo de “redução dos preços praticados no mercado, como por exemplo itens essenciais da cesta- básica e produtos agropecuários”. Assinalam os Autores do feito que, se “o imposto estadual desonerado não deu causa direta a incremento no resultado econômico da fiscalizada (lucro líquido)”, a pretensão de “excluir do cômputo das bases de cálculo do IRPJ/CSLL algo que não está computado implica em ofensa ao art. 30 da Lei nº 12.973/14”. Em resumo, “as reduções de ICMS em caráter geral não podem ser excluídas do Lucro Real para a apuração do IRPJ/CSLL devidos” porque “não representam receita para a empresa” e, inexistindo “acréscimo patrimonial decorrente do incentivo, o que se estaria excluindo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seria o resultado operacional decorrente da atividade normal da empresa”. Sob o título “4.5 DA AFRONTA AO PRINCÍPIO FEDERATIVO”, os Autores do feito discorrem a respeito da “repartição das competências entre as entidades (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) que compõem a Federação”, com base na Constituição da República, recordando jurisprudência do STF no sentido de que “não seria lícito à União tributar, como renda ou lucro, créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados”, situação diversa da verificada no caso vertente. Pontuam eles que Aceitar todo e qualquer NÃO exercício do poder de tributar dos Estados envolvendo o ICMS, como é o caso, como sendo subvenção para investimento não sujeita a incidência do IRPJ e da CSLL, também constitui afronta ao princípio federativo. Isso porque, impor à União a desoneração de beneficiários das políticas tributárias dos Estados implicaria avançar sobre a sua competência tributária, resultando em violação do princípio federativo. Além disso, se o não exercício do poder de tributar do Estado, manifestado nas reduções de base de cálculo e isenções do ICMS autorizadas de forma genérica e sem encargos para os beneficiários, for considerado como sendo subvenção para investimento, poderemos ter Estados da Federação onde nenhuma empresa pagará IRPJ e CSLL. Isto porque os entes federados poderão manipular artificialmente a calibragem das alíquotas e bases de cálculo do ICMS, "criando" subvenções para investimento e, consequentemente, "isentando" as empresas ali instaladas do IRPJ e da CSLL, tributos de competência da União, em clara e inconstitucional afronta ao princípio federativo. Sob o título “4.6 DA DECISÃO DO STJ ENVOLVENDO AS SUBVENÇÕES (TEMA 1.182)”, apresenta-se jurisprudência da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em julgamento de recursos repetitivos (Tema 1.182), considerou “não ser Fl. 4522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 9 possível excluir os benefícios fiscais relacionados ao [ICMS] da base de cálculo [do IRPJ e da CSLL], salvo quando atendidos os requisitos previstos no art. 10 da Lei Complementar 160/2017 e no artigo 30 da Lei nº 12.973/2014”, sendo inaplicáveis “a esses benefícios o entendimento fixado no EREsp 1.517.492, que excluiu o crédito presumido do ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Transcrevem-se as teses fixadas pela Primeira Seção: 1. Impossível excluir os benefícios fiscais relacionados ao ICMS – tais como redução da base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, entre outros – da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, salvo quando atendidos os requisitos previstos em lei (artigo 10 da Lei Complementar 160/2017 e artigo 30 da Lei 12.973/2014), não se lhes aplicando o entendimento firmado no EREsp 1.517.492, que excluiu o crédito presumido das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. 2. Para a exclusão dos benefícios fiscais relacionados ao ICMS – tais como redução de base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, entre outros – da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não deve ser exigida a demonstração de concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. 3. Considerando que a Lei Complementar 160/2017 incluiu os parágrafos 4º e 5º nº artigo 30 da Lei 12.973/2014 sem entretanto, revogar o disposto no seu parágrafo 2º, a dispensa de comprovação prévia, pela empresa, de que a subvenção fiscal foi concedida como estímulo à implantação ou à expansão do empreendimento econômico não obsta a Receita Federal de proceder ao lançamento do IRPJ e da CSLL se, em procedimento fiscalizatório, for verificado que os valores oriundos do benefício fiscal foram utilizados para finalidade estranha à garantia da viabilidade do empreendimento econômico. Entendem os Autores do feito que, no caso vertente, não há “receita/valores envolvidos (tese nº 3), sendo comprovado [...] que a realidade se revela como sendo uma ‘criativa’ manobra contábil com o intuito de criar receita não tributável” a ser excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo, portanto, “atribuição do fisco apurar se houve acréscimo patrimonial oriundo do benefício fiscal” e confrontá-lo “com a sua utilização”. Em não havendo “cumprimento dos requisitos previstos em lei (tese nº 1), tanto formal quanto materialmente falando”, faz-se “impossível reconhecer a validade da exclusão dos benefícios fiscais de ICMS, classificados como subvenções para investimento, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Reproduz-se “trecho do REsp 1.945.110 (Tema 1.182), que cita o voto do Ministro Mauro Campell no REsp 1.968.755/PR, onde versa sobre a exclusão de valores que jamais foram receitas da contribuinte”: Como bem versou o Ministro Mauro Campbell Marques no REsp 1.968.755/PR, cujos fundamentos me convenceram da distinção entre a hipótese ali julgada e aquela abordada no ERESP 1.517.492/PR: [...] No julgamento dos EREsp. n. 1.517.492/PR (Primeira Seção, Rel. Ministro Og Fernandes, Rel. p/ Acórdão Ministra Regina Helena Costa, DJe 01/02/2018) este Superior Tribunal de Justiça entendeu por excluir o crédito presumido de ICMS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ao fundamento de violação do Pacto Federativo(art. 150, VI, "a", da CF/88), tornando-se irrelevante a discussão a respeito do enquadramento do referido incentivo / benefício fiscal como "subvenção para custeio", "subvenção para Fl. 4523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 10 investimento" ou "recomposição de custos" para fins de determinar essa exclusão, já que o referido benefício / incentivo fiscal foi excluído do próprio conceito de Receita Bruta Operacional previsto no art. 44, da Lei n. 4.506/64. Já o caso concreto é completamente diferente do precedente mencionado. Aqui a CONTRIBUINTE pleiteia excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL valores que jamais ali estiveram, pois nunca foram contabilizados como receita sua (diferentemente dos créditos presumidos de ICMS), já que são isenções e reduções de base de cálculo do ICMS por si devido em suas saídas. Pela lógica que sustenta, todas as vezes que uma isenção ou redução da base de cálculo de ICMS for concedida pelo Estado, automaticamente a União seria obrigada a reduzir o IRPJ e a CSLL da empresa em verdadeira isenção heterônoma vedada pela Constituição Federal de 1988 e invertendo a lógica do precedente desta Casa julgado nos EREsp. n. 1.517.492/PR (Primeira Seção, Rel. Ministro Og Fernandes, Rel. p/ Acórdão Ministra Regina Helena Costa, DJe 01/02/2018), onde se prestigiou a proteção do Pacto Federativo, ou seja, o exercício independente das competências constitucionais entre os entes federativos. [...] Nesse ponto, julgo pertinente o fundamento do fisco no sentido de que: [...] autorizar a impetrante a retirar da base de cálculo algo que jamais fez parte, faz com que se criem de forma artificial créditos a partir de valores que sequer algum dia foram contabilizados. Nesse ponto, manifesta-se, a propósito, a mais grave violação à matriz tributária do IRPJ e da CSLL, na medida em que a exclusão dos demais benefícios de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL está a resultar na criação artificial de créditos em valor equivalente aos incentivos estaduais, importando em danosa distorção tributária, pois o desconto de tais créditos não contabilizados poderá transformar o lucro efetivo da empresa em prejuízo fiscal [...]” Sob o título “4.7 DOS REGISTROS CONTÁBEIS FICTÍCIOS REALIZADOS PELA FISCALIZADA”, enfatizam os Autores do feito serem “irrelevantes e ineficazes perante o Fisco os lançamentos contábeis que não representam a realidade dos fatos econômicos” e detalham o modus operandi da interessada, já descrito linhas acima, sob o título “4.1 DA EXCLUSÃO INDEVIDA E FRAUDULENTA DE INCENTIVOS FISCAIS DE ICMS NAS BASES DE CÁLCULO DO LUCRO REAL”. Acrescentam que, no caso vertente, a “criação das Reservas de Incentivos Fiscais foi viabilizada com a destinação dos lucros econômicos de suas operações normais com vistas a simular a condição prevista na lei para a obtenção indevida de desoneração fiscal”, reservas estas a que foi destinado “todo o lucro contábil apurado no período de 2018 a 2021”. Sublinham ainda que “não foram apresentados quaisquer documentos que comprovem a obrigatoriedade da expansão ou implantação de empreendimento econômico, como definido no art. 30 da Lei nº 12.973/2014”. Apontam que, em planilha eletrônica, a interessada “relaciona as NF-e com o valor do ICMS destacado (efetivo) e o pretenso valor do benefício fiscal de ICMS devido (última coluna em destaque) caso não houvesse a isenção, redução de base de cálculo ou diferimento”, observando que o “pretenso benefício fiscal não encontra lastro nos Fl. 4524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 11 documentos fiscais, já que a fiscalizada emite as NF-e com destaque do ICMS efetivo incidente na operação”. Ressaltam: Não resta dúvida que o valor do ICMS destacado nas NF-e de saída é o “valor líquido efetivo”, ou seja, não leva em conta a suposta subvenção. No momento em que a fiscalizada registra nas contas 61501005 – ICMS – CONVÊNIO 100/97 (despesa) e 61501006 – SUBVENÇÃO P/INVEST. – LEI COMPL 160/2017 (receita) a diferença de ICMS como se devido fosse caso não houvesse o benefício fiscal, ela está criando uma ficção jurídica e contábil, pois a diferença entre o ICMS “cheio” e o efetivamente destacado nas NF-e jamais existiu ou foi uma despesa incorrida ou receita recebida. Salientam os Autores do feito que “quando se analisam os documentos fiscais de venda que dão suporte aos registros dos fatos contábeis fica evidente que não possuem lastro contábil para reconhecimento dessas receitas e despesas”. Sob o título “4.8 ILUSTRAÇÃO DE LANÇAMENTOS CORRETOS E OS EFEITOS DA SIMULAÇÃO”, expõem-se “como subvenções devem ser contabilizadas de forma a demonstrar mutações patrimoniais de fato ocorridas na empresa” e “os erros intencionais da fiscalizada e seus efeitos ilusórios na apuração do resultado (Lucro Contábil) e do Lucro Real”, como se vê a seguir: Para efeitos ilustrativos, tomaremos como fato econômico uma única venda de produto e detalharemos os lançamentos contábeis necessários para hipóteses de benefícios fiscais de Crédito Presumido de ICMS, Isenções, Redução de Base de Cálculo e diferimento de ICMS. Ao mesmo tempo comparamos com a forma realizada pela fiscalizada. Assim, a partir da hipótese de que o total das vendas de produtos comercializados pela fiscalizada, alcançados pelos benefícios fiscais concedidos pelos estados do PR e MS, se restringem à uma única operação de venda no valor de R$ 100,00 (cem)reais, livre (antes) da incidência de ICMS à uma alíquota de 17% (também hipotética), listamos os lançamentos contábeis que, corretamente, demonstram a operação e seus efeitos. Para facilitar a compreensão adotaremos somente lançamentos de primeira fórmula (um débito e um crédito). Iniciemos com a hipótese de comercialização de um único produto com preço de venda sem imposto (ICMS) no montante de R$ 100,00. Todos os custos e despesas são iguais a 0 (zero) numa operação sem benefícios fiscais quaisquer (Crédito Presumido, Isenções, reduções de Base de Cálculo ou diferimento). Fl. 4525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 12 A segunda hipótese simula a existência de um crédito tributário real, contido nº valor da mercadoria ou serviço e que dá origem a um Crédito Presumido de ICMS efetivo. Na terceira hipótese, demonstrada a seguir, simulamos uma operação real com benefício fiscal de isenção, redução de base de cálculo ou diferimento de ICMS efetiva nos moldes (equivocadamente) alegados pela fiscalizada. Agora, demonstramos como a BELA SEMENTES contabilizou o suposto benefício fiscal que teria recebido: Fl. 4526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 13 Sob o título “4.9 DA CONSTITUIÇÃO DA RESERVA DE LUCROS, INTITULADA RESERVAS DE INCENTIVOS FISCAIS”, reiteram que os “lançamentos existem, mas não existem Receitas reais e Variação Patrimonial do Ativo” e prosseguem nos desdobramentos dos exemplos dados no título 4.8. Sob o título “5. DOS SALDOS NEGATIVOS DO IRPJ E DA CSLL APURADOS PELA FISCALIZADA”, os Autores do feito consignam que deixaram de “deduzir de ofício, nos autos de infração lavrados, os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados pela fiscalizada” que “foram objeto de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação – PERDCOMP, transmitidos à RFB pela fiscalizada”. Sob o título “6. DAS COMPENSAÇÕES DE OFÍCIO DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL, LIMITADAS A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO”, informa-se que foram compensados “os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL apurados pela fiscalizada nos períodos fiscalizados, quando cabíveis, e de saldos existentes de períodos anteriores, limitados à 30% do lucro líquido ajustado”, na forma dos artigos “579 e 580 do RIR/2018 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995”. Sob o título “7. DA MULTA ISOLADA SOBRE AS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL”, recorda-se que a interessada “optou, nos períodos de apuração dos anos- calendário de 2018 e 2021, pelo regime tributário de apuração do IRPJ e da CSLL de forma anual, ou seja, com pagamentos mensais por estimativa”, valendo-se para tanto de balancetes de redução ou suspensão. Dadas as infrações acima relatadas, foram recalculadas as “bases mensais de apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que afetaram os resultados dos balancetes mensais de suspensão ou redução elaborados pela FISCALIZADA”, verificando-se que [...] para os meses de setembro e outubro de 2018 e, abril, agosto, setembro e outubro de 2021, a BELA SEMENTES deixou de recolher aos cofres públicos valores relativos a antecipações obrigatórias do IRPJ e da CSLL quando calculadas sobre o balancete de suspensão/redução ajustado pelas infrações, o que acarreta a aplicação da multa isolada por recolhimento a menor, prevista no inciso II, alínea "b", do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. Sob o título “8. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA”, informam os Autores do feito que “foram aplicadas multas de ofício qualificadas no percentual de 100% (cem por cento), conforme previsão contida no inciso I e § 1º inciso VI, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007 e Lei nº 14.689/2023”, acrescentando que a “infração Exclusões Indevidas com Subvenções para Investimento Não Recebidas está vinculada à uma simulação contábil detalhadamente descrita nos tópicos anteriores”, visto que “todos Fl. 4527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 14 os registros contábeis estão relacionados a fluxos e mutações patrimoniais inexistentes, fictos, servindo exclusivamente para deduções indevidas nas Bases de Cálculo do IRPJ e CSLL”. Assim, “as práticas do sujeito passivo enquadram-se como sonegação e fraude, segundo disposições dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64”, bem como “as circunstâncias agravantes e qualitativas provadas nos autos e definidas nos § 1º e 2º do art. 68 da Lei nº 4.502/64”. Sob os títulos 9 e 10, os Autores do feito abordam a cobrança de “juros SELIC determinados pelo art. 997 do Decreto nº 9.580/2018 -RIR/2018 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, caput, inciso I, e § 1º; Lei nº 9.065, de 1995, art. 13; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º)” e a representação fiscal para fins penais. IMPUGNAÇÃO Ciente em 16 de novembro de 2023 (fl. 3.468), a interessada apresentou, em 18 de dezembro de 2023 (fl. 3.472), a impugnação de fls. 3.474 a 3.540, alegando o que a seguir se resume. De fls. 3.474 a 3.479, resume o feito fiscal e, a seguir, protesta sua tempestividade e declara impugnar os lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL. Sob o título “II.2 – MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec. 70.2358/72)”, diz haver oferecido “densa documentação com o detalhamento e cuidado necessário ao tema questionado”, a qual foi “validada pelo Fisco por meio do exame das informações constantes da Escrituração Contábil Digital (ECD), da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), Escrituração Fiscal Digital (EFD ICMS IPI)e Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e)”, além de “respostas, documentos e esclarecimentos trazidos pela IMPUGNANTE no bojo das intimações lavradas no curso do procedimento de fiscalização”. Revisita o TVF, considerando “verdadeiramente ultrapassada” a interpretação dos Autores do feito ali exposta. Considera que a “atenção dada à temática da ‘vantagem econômica individualizada’ tão reforçada em sede de TVF” constituiria “verdadeiro artifício do Fiscal para levar qualquer interpretação ao erro a partir da constituição – diga-se, CONTRADITÓRIA – de requisitos que a própria legislação brasileira não prevê”, acrescentando que “o Agente Fiscal se utiliza [...] de falácias buscando construir suposta conduta ilícita da IMPUGNANTE capaz de se enquadrar nos tipos penais de FRAUDE e SONEGAÇÃO, com o único fito de atenuar [textual] a penalidade da multa de ofício”. Afirma que não tentou [...] impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, resta demonstrada a CONDUTA DE BOA-FÉ ora mencionada da BELA SEMENTES, sendo que toda a justificativa arguida pelo Fisco se trata, na realidade, de mero entendimento diverso daquilo que entende correto e que gerou os lançamentos de ofício perpetrados. Diz haver contratado “serviços de empresa especializada em Auditoria Independente, para que elaborasse LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL por expert da área” com o objetivo de “confirmar por profissional especializado da área contábil, que a BELA SEMENTES realizou todos os registros fiscalizados em estrita conformidade à legislação de regência e Fl. 4528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 15 dentro dos ditames do posicionamento mais atualizado do Poder Judiciário há época dos fatos”. Sob o título “a) Da origem do ato concessivo. Cumprimento integral dos requisitos previstos por lei. Conformidade Legislativa. Subvenção para investimentos. Benefícios fiscais convalidados pelo CONFAZ”, afirma que “as exclusões efetuadas na apuração do Lucro Real dos anos-calendário de 2018 e 2021” representam “benefícios fiscais de redução de base de cálculo, isenção e diferimento de ICMS concedidos pelos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul”. Transcreve “importante conclusão realizada pelo expert contábil no LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL”: Diante do exposto, com base na relação apresentado à fiscalização, não restam dúvidas de que as operações indicadas pelo contribuinte como sujeitas à aplicação de redução na base de cálculo, isenção e diferimento de ICMS, praticadas nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, estavam, segundo as respectivas legislações estaduais, amparadas pela aplicação de tais benefícios fiscais. E de forma complementar, também com base na relação apresentada à fiscalização, é possível concluir que as operações indicadas pelo contribuinte como sujeitas à aplicação sujeitas à aplicação de redução na base de cálculo, isenção e diferimento de ICMS, tinham como natureza de operação a VENDA DE MERCADORIAS/PRODUTOS, sendo lógico concluir que correspondem a operações EFETIVAMENTE praticadas pelo contribuinte. Afirma que “em nenhum momento a legislação federal que versa acerca dos benefícios fiscais do ICMS [...] elege a obrigatoriedade de que tais incentivos sejam concedidos, necessariamente, de forma individualizada pela unidade federativa como um de seus requisitos” e afirma que o TVF “padece [de] grave equívoco interpretativo”. Considera contraditório que os Autores do feito afirmem que “a base legal para as subvenções vem da LC 160/17” ao tempo em que glosam o alegado benefício fiscal concedido pelos “Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul aos produtos agropecuários comercializados pela IMPUGNANTE pela ausência de concessão individual dos benefícios fiscais abordados”. Reforça que “o art. 30 da Lei nº 12.973/14 não exige nem a celebração de Termos de Acordo, tampouco a necessidade de reinvestimento desse benefício”, limitando-se a exigir que “os valores relativos aos benefícios tratados como subvenção para investimento sejam mantidos em reservas de lucros e que tais montantes não sejam objeto de destinação diversa de absorção de prejuízos fiscais ou aumento de capital social da empresa”. Transcreve os artigos 3º, 9º e 10 da LC 160, de 2017, e 30, da Lei 12.973, de 13 de maio de 2014, e reproduz os Certificados de Registro e Depósito – SE/CONFAZ numerados 27/2018 e 29/2018, que atestam o cumprimento do disposto no inciso II da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17 por parte dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, entendendo que “a legislação sobre o tema” jamais “regulamentou que, para fins de caracterização dos benefícios ficais como subvencionáveis, os Estados deveriam conceder assistência governamental DIRETA e INDIVIDUALIZADA ao Contribuinte” e que [...] a LC 160/17 [...] em nenhum momento menciona a necessidade de concessão de Termo de Acordo ou de realização de análise individualizada para que a unidade federada seja autorizada a conceder benefício fiscal, mas, tão somente, dispõe que o Estado concedente deve: Fl. 4529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 16 i. Publicar a relação dos atos normativos que preveem os benefícios fiscais; e ii. Registrar e depositar junto ao Confaz a documentação comprobatória referente aos atos concessivos de referidos benefícios. À vista disso, considera que “os requisitos LEGALMENTE PREVISTOS foram INTEGRALMENTE atendidos pelos Estados”, encontrando-se “os atos concessivos [...] VÁLIDOS e CONVALIDADOS pela CONFAZ, conforme preconiza o art. 3º da Lei Complementar FEDERAL n.º 160/17” e cumpridas “TODAS as exigências requeridas no art. 3º, I e II, da Lei Complementar nº 160/17 e nas cláusulas segunda, terceira e quarta do Convênio ICMS 190/17”, o que faria “com que os benefícios usufruídos pela IMPUGNANTE estejam convalidados, atendendo assim as condições impostas para serem tratados como subvenção para investimento”, descabendo falar-se “em requisitos adicionais a serem cumpridos para fins do reconhecimento de tais benefícios como passíveis de dedução do IRPJ/CSLL, estando as ações da IMPUGNANTE em INTEGRAL conformidade à legislação de regência”. Sob o título “b) Dos requisitos para fruição. Subvenções para investimento. Registro em reserva de lucros do exercício. Cumprimento integral dos requisitos previstos por lei. Conformidade legislativa”, analisa a LC nº 160, de 2017, dizendo que “a norma trouxe também importantes impactos com relação [ao IRPJ e à CSLL], no que diz respeito ao tratamento tributário das subvenções”. Afirma que “somente os requisitos previstos no próprio art. 30 da Lei nº 12.973/14 [...] podem ser utilizados para caracterizar um incentivo fiscal como subvenção para investimento” e que o artigo 10 da “LC 160/17 previu [...] expressamente, que o disposto acima estende-se também aos incentivos concedidos em desacordo com a Constituição Federal, contanto que sejam registrados e depositados pelos Estados nos termos dessa norma”. Acrescenta que, [...] para se configurar o incentivo fiscal como subvenção para investimento e não serem computados no Lucro Real, os benefícios deverão ser (a) registrados em reservas de lucros e (b) somente poderão ser utilizados para absorção de prejuízos ou para o aumento do capital social. Diz haver constituído “devidamente a ‘Reserva de Incentivos Fiscais’”, o que estaria “ratificado em LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL [...], o qual é categórico ao afirmar que ‘fica comprovado que o valor calculado como desoneração fiscal ficou mantido na empresa, garantido a viabilidade do empreendimento econômico’” e recorda que, se tal reserva for utilizada na “absorção de prejuízos, [...] deverá ser recomposta à medida em que forem apurados lucros nos períodos subsequentes”, não podendo ser distribuída aos sócios. Reitera que “a Lei Complementar nº 160/2017 ao incluir o § 4º ao artigo 30 da Lei nº 12.973/2014, estabeleceu que todos os benefícios fiscais atinentes ao ICMS serão considerados subvenções para investimento”, sendo “vedada a exigência de quaisquer outros requisitos que não estejam previstos no artigo 30”. Considera incontroversos o “registro e [...] depósito no CONFAZ da documentação comprobatória do ato concessivo do benefício, em cumprimento ao art. 10º da LC n.º 160/17” e a “constituição de reserva de lucros relativo à tais valores, em atenção ao art. 30 da Lei n.º 12.973/14”. Nega que “a legislação vigente” requeira, “para fins de exclusão da base de cálculo do IRPJ/CSLL que os ICMS seja efetivamente destacado das NF’s”, dizendo haver apresentado aos Autores do feito “composição detalhada e pormenorizada capaz de sanar Fl. 4530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 17 quaisquer dúvidas atinentes à origem dos valores deduzidos” e deixado clara a “evolução do total de seus ativos nos anos fiscalizados, comprovando-se o efetivo CRESCIMENTO DE SUAS ATIVIDADES”, o que estaria “comprovado e ratificado pelo LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL”. Considera que “a própria LC n.º 160/17 veio justamente para colocar fim às controvérsias quanto às subvenções para custeio x subvenções para investimento” e que “o entendimento do Agente Fiscal se revela verdadeiramente em descompasso à própria intenção legislativa FEDERAL”. Afirma não prosperar “o argumento trazido em fls. 123 deste processo administrativo, quando o Fisco menciona que a situação enfrentada constituiria suposta ‘afronta ao pacto federativo’” porque, em seu entender, “veio da PRÓPRIA UNIÃO a norma legislativa que conceituou a subvenção para investimento”, opinando que, se “o conceito está – ou não – alinhado com aquilo que o Fisco Federal entende”, incumbiria “ao órgão federal [...] propor a devida ação perante o c. STF que discuta o conceito criado pelo legislador, não cabendo ao Contribuinte suportar tal ônus, vez que agiu em estrita atenção à normativa de regência”. Menciona jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a qual considera amoldar- se “perfeitamente ao presente caso” e a cujo respeito considera que os Autores do feito haveriam realizado “interpretação completamente EQUIVOCADA e TENDENCIOSA”, opinião que seria compartilhada pelo “próprio LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL [...] o qual reafirma a conduta do Agente Fiscal ao ignorar por completo a previsão legal e teses firmadas pelo C. STJ”. Afirma: Ora, quanto ao EQUÍVOCO cometido pelo fiscal, menciona-se que a tese fixada pelo c. STJ no Tema 1.182 determinou “não ser possível excluir os benefícios fiscais relacionados ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – como redução de base de cálculo, diminuição de alíquota, isenção, diferimento, entre outros da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL)”, entretanto, a primeira tese EXPRESSAMENTE, inclui tais benefícios, excluindo apenas aqueles que não cumprirem os requisitos do art. 10 da LC n.º 160/17 (como já abordado pelos tópicos “II-A” e “II-B” foram integralmente cumpridos pela Impugnante”, NÃO HAVENDO o que se falar, portanto, de inaplicabilidade do julgado aos benefícios fiscais utilizados in casu. [...] Ademais, seguindo a leitura do primeiro parágrafo denota-se, justamente a CONTRADIÇÃO, visto que o próprio fiscal menciona a ressalva trazida pelo julgado “[...] não ser possível excluir os benefícios fiscais relacionados ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – como redução de base de cálculo, diminuição de alíquota, isenção, diferimento, entre outros - da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), salvo quando atendidos os requisitos previstos no art. 10 da Lei Complementar 160/2017 e no artigo 30 da Lei nº 12.973/2014.” [...] A impugnante transcreve a “tese firmada pelo c. Superior Tribunal de Justiça quanto ao tema das subvenções” e assegura que o “tema n.º 1.182 veio, justamente, para pôr fim a qualquer dúvida que pudesse pairar sobre o tema da Subvenções” e reafirmaria “todo o exposto pela IMPUGNANTE, qual seja, que apenas e tão somente os requisitos previstos Fl. 4531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 18 pelo artigo 10 da Lei Complementar 160/2017 e artigo 30 da Lei 12.973/2014” seriam os permissivos da exclusão em tela, tornando inexigível “a demonstração de concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos ante a ausência de supedâneo legal”. Afirma ser “inegável que a terceira tese firmada no Tema n.º 1.182, em verdade, vem para reforçar as outras duas anteriormente firmadas”, considerando ser atribuição do Fisco da União não verificar “se houve acréscimo patrimonial que autorize a o reconhecimento como subvenção (como se requisito fosse), mas sim, de fiscalizar se houve – ou não – o cumprimento das regras previstas no artigo 10 da LC 160/2017 c. c. art. 30 da Lei n.º 12.973/2014”. Menciona, sem individualizar, “acórdão lavrado pelo STJ ao analisar o Tema 1.182, firmando a tese ora esmiuçada no presente tópico e, portanto, pacificando o referido entendimento com efeito erga omnes”. A seguir, passa a defender a “regularidade dos registros contábeis realizados pela IMPUGNANTE”, dizendo ter apresentado “relação mensal de TODAS as Notas Fiscais de venda que deram origem aos benefícios fiscais de ICMS excluídos na apuração do lucro real” e informado, “entre outros dados, a base de cálculo, o valor do benefício e o tipo do benefício fiscal recebido”. Ressalta que “realizou a individualização de duas contas em seu resultado contábil [...], qual sejam as contas ‘61501005 - ICMS - CONVENIO 100/97’ e ‘61501006 - SUBVENCAO P/ INVEST.- LEI COMPL 160/2017’” e detalha seu modus operandi: 103. A simplicidade da metodologia de cálculo aplicada ao presente caso pela IMPUGNANTE é representada da seguinte maneira: I) Sobre o valor total da operação, identifica qual seria a base de cálculo do ICMS (se devido fosse); II) Identifica a alíquota do ICMS para a operação (se devido fosse); III) Calcula o ICMS da operação, se devido fosse, caso não houvesse a isenção, redução de base de cálculo ou diferimento; IV) Identifica o ICMS efetivamente destacado na nota fiscal da operação; V) Informa que o valor do benefício fiscal de ICMS corresponde à diferença matemática entre o cálculo do ICMS da operação, se devido fosse (III), e o ICMS efetivamente destacado na nota fiscal da operação (IV) Exibe, em imagem de fl. 3.514, “os apontamentos e revisões realizados por expert nº LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL ora anexado”. Diz que “realizou a individualização de duas contas em seu resultado contábil, ambas relativas aos valores de subvenção para investimento, os lançamentos destas podem ser resumidos abaixo”: • Ora, a primeira conta “61501005 - ICMS - CONVENIO 100/97” realiza lançamentos à débito do valor da subvenção para investimento, deduzindo assim, a receita bruta do período; • Enquanto a segunda conta, “61501006 - SUBVENCAO P/ INVEST.- LEI COMPL 160/2017”, realiza lançamentos à crédito do valor da subvenção para investimento, aumentando assim, a receita bruta do período. Fl. 4532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 19 • Consequentemente, o efeito de ambos os lançamentos é nulo, haja vista o crédito e débito no mesmo valor no mesmo período, dentro do resultado. Aduz que, “diante do cenário descrito acima, o qual indica efeito nulo no lançamento dessas duas contas, é evidente que o valor factível da subvenção para investimento pode ser evidenciado no resultado contábil a partir da conta de ICMS”, considerando “mera formalidade” a “criação de uma conta específica para tal”. Diz também haver efetuado “os lançamentos no e-Lalur (Registro ‘M300 [...]’) e no e-Lacs (‘M350 [...]’), vinculando-os à conta de Parte B ‘18-SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS – LEI COMPLEMENTAR 160/2017’ e às respectivas contas contábeis de resultado” e que o “saldo final da referida conta de Parte B está coerente com o total de subvenções excluídas durante os períodos de utilização, isto é, R$ 164.078.738,81”. Reitera que os “lançamentos de exclusão foram adequadamente vinculados às contas contábeis de resultado em que foram registradas as subvenções de investimento, ‘61501006 - SUBVENCAO P/ INVEST.- LEI COMPL 160/2017’”. Afirma que, “para melhor demonstrar este efeito no resultado contábil, visando-se [...] à TRANSPARÊNCIA DAS INFORMAÇÕES, [...] procedeu à contabilização segregada das subvenções de investimento” e que os “lançamentos a crédito [...] foram realizados mês a mês, de acordo com o montante calculado no período”, dando como exemplo “Lançamentos a crédito de subvenção de investimento nº resultado em dezembro de 2021 (conta 61501006)”. A seguir, explana como realizou a “reserva de incentivos fiscais”, considerando “indubitável a estrita CONFORMIDADE e TRANSPARÊNCIA dos lançamentos contábeis e fiscais efetivados pela BELA SEMENTES, não havendo o que se falar em suposta fraude ou simulação por ‘falsa roupagem de Reservas de Benefícios Fiscais’”. Acrescenta que “a conta de reserva de incentivos fiscais [...] foi adequadamente vinculada à respectiva conta referencial do plano de contas padrão da RFB [...]”. Traz à baila a Solução de Consulta (SC) COSIT nº 55, de 25 de março de 2021, considerando que, em “seu entendimento, independe a contabilização segregada das subvenções de ICMS no resultado, desde que reflita o mesmo resultado”, expondo [...] a necessidade de realizar uma comparação entre um cenário em que existe o benefício e outro em que a tributação seria realizada de forma integral, sendo a diferença entre os cenários o saldo subvencionado, que seria passível de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL caso caracterizada como subvenção para investimento. Transcreve “trechos conclusivos do Parecer Contábil elaborado conjuntamente pelo Ilustre Prof. Eliseu Martins e Prof. Vinícius Aversari Martins”, afirmando que [...] a Solução de Consulta nº 55/21 e no parecer do Prof. Eliseu Martins, segundo os quais o método de contabilização – segregada ou na forma líquida – não influencia o fato de que as subvenções de investimento representam acréscimos patrimoniais e consequente aumento do resultado do contribuinte RATIFICA e VALIDA todo o exposto pela IMPUGNANTE, reafirmando sua conduta de BOA-FÉ e conformidade fiscal. Menciona “julgamento realizado em abril de 2023, e cujo acórdão foi publicado nº DJe/STJ nº 3652 de 12/06/2023” segundo o qual, “contrariamente ao aplicável ao crédito presumido, os incentivos que provocam redução de débito do ICMS devem ser tributados pelo IRPJ e pela CSLL a menos que observadas as condições previstas na LC”, ou seja, “a tese do pacto federativo” não seria “extensível a estes benefícios do imposto”. Fl. 4533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 20 Encerra este tópico dizendo que sua “extrema transparência e conformidade do endereçamento da contabilização com a pertinente evidência do valor subvencionado no resultado”, bem como a metodologia contábil por ela adotada refletiria “a boa-fé e governança da BELA SEMENTES, ora IMPUGNANTE, pelo que ausente qualquer digressão adicional que se faça a respeito de eventual ‘dolo’ ou condutas ‘fraudulentas’”, sem “quaisquer simulações ou impedimentos à visualização de tais montantes pela fiscalização”. A seguir, sob o título “III. DA ILEGALIDADE E DESPROPORCIONALIDADE DAS MULTAS APLICADAS”, alega que, “com o encerramento do ano-calendário e a apuração do IRPJ e da CSLL efetivamente devidos, desaparece a exigibilidade da antecipação desses tributos e, por conseguinte, a base imponível da penalidade da multa isolada”, a qual “apenas se justificaria se exigida dentro do próprio período de apuração [exercício] das estimativas que deixaram de ser recolhidas”. Assim, aduz que “a imposição de penalidade prevista no artigo 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430/1996, após o término de determinado ano- calendário, [...] não é admitida pela jurisprudência administrativa e judicial”. Acrescenta que “essa multa não poderia ser aplicada concomitantemente à multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e a CSLL, apuradas ao final do ano-calendário”, alegando que, “quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal, é totalmente ilegítima, por se tratar de ‘bis in idem’”, devendo ser aplicada “a pena relativa à maior infração capitulada que já engloba as infrações menores [...], portanto, a multa isolada deve ser absorvida pela multa de ofício lançada”. Invoca-se a dicção da “Súmula CARF n.º 105”. Sob o título “c) Da AUSÊNCIA de tipicidade para a majoração da penalidade”, alega que “o Agente Fiscal majora INDEVIDAMENTE a multa de ofício ora aplicada, levando-a à patamares desrazoáveis, desproporcionais e, principalmente, QUE NÃO DIZEM RESPEITO aos atos ora fiscalizados no presente caso”, afirmando que [...] o Agente Fiscal - tanto em sede de Auto de Infração quanto no respectivo TVF – DEIXOU COMPLETAMENTE de individualizar, de forma EXPRESSA, a suposta conduta prevista na Lei n.º 4.502/1964 que haveria sido cometida pela IMPUGNANTE capaz de ensejar a qualificante prevista no §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Afirma haver detalhado “os registros que originaram as deduções NOTA A NOTA, ou seja, da forma mais INDIVIDUALIZADA e TRANSPARENTE possível” e que não haveria “como prosperar a alegação de qualquer simulação, visto que todos os registros contábeis e fiscais foram meticulosamente segregados e, ainda, levados ao conhecimento da fiscalização quando solicitado”. Nesta mesma linha, nega exista nos autos “qualquer documento que afirme a majoração pretendida, capaz de se enquadrar nos tipos penais de SONEGAÇÃO, FRAUDE ou CONLUIO”, pois “TODAS as INFORMAÇÕES e DOCUMENTOS solicitados pela Fiscalização foram PRONTAMENTE disponibilizados de forma pormenorizada e transparente”, sendo “INDISPENSÁVEL a comprovação de dolo e consumação das hipóteses previstas nos arts. 71,72 e 73”. Discorre sobre a “caracterização do ato ilícito” e diz haver agido “a partir de fartos embasamentos legais e jurisprudenciais, tanto na seara administrativa quando judicial”, inexistindo “qualquer dano à fiscalização, vez que, conforme demonstrado e inclusive ratificado pelo Agende Fiscal em seu termo, as contas contábeis relativas às subvenções para investimento possuíram efeito nulo no resultado da Impugnante, não gerando enriquecimento ilícito” e invocando a aplicação do §1º-C do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e dos artigos 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Fl. 4534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 21 denominada Código Tributário Nacional (CTN) e 68 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Outrossim, recorre à “Súmula n.º 14 do CARF”. Em resumo, diz que [...] o Agente Fiscal possuiu acesso a todas as informações relativas às infrações apontadas, inexistindo qualquer empecilho por parte da contribuinte em disponibilizar os documentos e prestar esclarecimento (inclusive em sede de diligência) não há que se falar em tentativa de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, mas, na realidade, de mero entendimento diverso daquele que a Autoridade Fiscal entende correto e que gerou os lançamentos de ofício perpetrados, incapaz de, por si só, materializar a subsunção necessária aos tipos penais previstos para a qualificação da multa de ofício, como pretendido pelo Fisco. Sob o título “Do Descabimento da Multa de Ofício. DESPROPORCIONALIDADE”, volta a verberar a penalidade pecuniária por atribuir-lhe “caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal Brasileira no inciso IV do seu artigo 150”, considerando “confiscatória e assim inconstitucional, por conflitar com o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, toda e qualquer multa que ultrapasse o limite de 30% do tributo”, invocando o “Princípio da Razoabilidade” e considerando necessário levar-se “em conta também se a situação ocorrida foi agravada com dolo ou culpa”. Sob o título “IV. DA SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE”, pede a aplicação do artigo 151 do CTN. Em suas “CONCLUSÕES E REQUERIMENTOS”, requer a “suspensão do procedimento de Representação Fiscal para Fins Penais formalizada em conexão ao presente processo administrativo [...] até a decisão final do processo administrativo fiscal”. A interessada menciona repetidas vezes o laudo pericial que encomendou a Consult Auditores Independentes, encartado de fls. 3.669 a 3.718. Em 6 de junho de 2024 (fl. 4.031), a interessada juntou aos autos os documentos de fls. 4.034 a 4.254, a que denominou “Laudo Pericial Contábil Complementar”, “Manifestação Complementar a Impugnação de IRPJ e CSLL”, dentre outros. Acórdão da DRJ (e-fls. e ss, n. 106-047.363 - 4ª Turma da DRJ06) confirmou o auto de infração, mantendo o crédito tributário em litígio. Assim dispôs em ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018, 2019, 2020, 2021 APURAÇÃO DE LUCRO REAL Incabível a exclusão, no cômputo do lucro real, de reduções de base de cálculo, isenções e diferimentos do ICMS sobre a comercialização de produtos, porque tais benefícios visam à redução do preço da mercadoria, de forma a beneficiar o consumidor final, não se aplicando a tais casos o tratamento dado ao crédito presumido, não bastando a mera formação de reserva de lucros para justificar a exclusão indevida. Fl. 4535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 22 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2018, 2019, 2020, 2021 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Entendem-se por legislação tributária as leis, os tratados e convenções internacionais, os decretos e as normas complementares, como os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA Tais penalidades têm hipóteses de incidência absolutamente distintas, podendo ser exigidas concomitantemente, sem que isso constitua bis in idem, devendo a multa isolada ser exigida mesmo após findo o período base e mesmo que se calculem prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. SÚMULA CARF Nº 105 A Súmula CARF nº 105 só se aplica a lançamentos de ofício realizados antes das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2018, 2019, 2020, 2021 CONTEÚDO DO PROCESSO Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS Não se toma conhecimento de diligências ou perícias não autorizadas ou determinadas pela autoridade julgadora. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS INTEMPESTIVOS Salvo condições especialíssimas, não se toma conhecimento de alegações ou documentos apresentados depois de 30 dias, contados da ciência do lançamento de ofício. Cientificado em 15/08/2024 (e-fl. 4313), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 12/09/2024 (e-fl. 4320), em que repete seus fundamentos trazidos na respectiva impugnação. Cabe destacar: (...) Em atenção aos aspectos de Direito Financeiro, Administrativo e Societário, é possível afirmar que a subvenção: (i) – uma forma de atuação estatal por meio de um fomento a fim de atender o interesse público (ideologia desenvolvimentista) e estimular condutas Fl. 4536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 23 prestigiadas pelo sistema jurídico; (ii) – é uma transferência patrimonial realizada pelo Estado, que a reconhece como uma despesa de transferência corrente; (iii) – ela se dá pelo Poder Público em favor do Administrado (pessoa de direito privado); (iv) – atualmente, do ponto de vista societário, sendo de investimento, passaria pelo resultado e poderá ser destinada à conta de reserva de incentivos fiscais, conforme deliberação da assembleia geral. (...) Com as alterações estabelecidas pela Lei n. 11.638/2007 e, principalmente, do ponto de vista tributário, em virtude da Lei n. 12.973/2014, a subvenção para investimento continuou sem tributação (passando pelo resultado), no entanto, foi preciso realizar registro como reserva de lucros, na conta reserva de incentivos fiscais, de conformidade com o art. 195-A, da Lei n. 6.404/76. (...) Em virtude da alteração realizada pelo art. 9º da Lei Complementar n. 160/2017, reconheceu-se, expressamente, de forma incondicionada e objetiva, que os incentivos fiscais estaduais – ICMS - são considerados subvenção para investimento 17 , tendo, assim, como consequência, a impossibilidade de tributação para IRPJ e CSLL, uma vez que não serão computados no lucro real (art. 30, “caput”, da Lei n. 12.973/2014). De outro lado, os incentivos fiscais de ICMS que não foram objeto de aprovação do CONFAZ TAMBÉM seriam considerados SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, conforme art. 10, da Lei Complementar n. 160/2017: (...) A natureza de subvenção para investimento, como enuncia claramente a legislação, impede a tributação de IRPJ e CSLL, embora fosse necessário o cumprimento de requisitos formais societários e contábeis, como a reserva de incentivos (art. 30, da Lei n. 12.973/2014 c/c art. 195-A LSA). (...) Isto levou à necessidade de o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA apreciar o tema, em sede de recurso repetitivo, a fim de estabilizar seu posicionamento, o que se deu em julgamento realizado em 26 de abril de 2023 (tema 1.182): (...) Com isso, em nossa visão, o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, no momento, sedimentou seu posicionamento, por meio do recurso repetitivo, afirmando, em síntese, que: (i) – para fins de incentivos de ICMS, na modalidade crédito presumido/outorgado, não há tributação de IRPJ e CSLL, independentemente, de qualquer condição ou discussão acerca de subvenção para investimento, aplicando-se o precedente dos Embargos de Divergência 1517492/PR (“tese pacto federativo”); e (ii) – quanto aos demais incentivos de ICMS (isenção, redução de base, diferimento, entre outros), existe a possibilidade da exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL, no entanto, será preciso reconhecer a natureza de subvenção para investimento, cumprindo-se os requisitos do art. 30, da Lei n. 12.973/2014 (alterada pela Lei Complementar n. 160/2017). Em nossa visão, nos termos de todo histórico legislativo e da própria decisão do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, a Lei Complementar n. 160/2017, notadamente, equipararam-se todos os incentivos de ICMS, desde que aprovados pelo CONFAZ ou convalidados pelo Convênio 190/2017, à natureza de subvenção para investimento, de maneira que o único requisito efetivo seria, nos termos do art. 30, da Lei n. 12.973/2014, a Fl. 4537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 24 constituição da reserva de incentivos fiscais (art. 195-A LSA), a fim de permitir a não tributação. Por sua vez, quanto aos incentivos de ICMS, na modalidade de crédito presumido/outorgado, confirmou-se o posicionamento da pura e simples não tributação do IRPJ e CSLL (“tese do pacto federativo”). (...) De antemão, a Recorrente refuta veementemente a alegação da fiscalização absurda de que houve simulação, com conduta fraudulenta visando o não recolhimento de tributos. Notadamente, a fiscalização, por discordar do que dispõe a Lei, lança sua indignação desproporcional em face da Recorrente, a qual, como veremos, somente adotou os procedimentos legais e contábeis que lhe impunha, sem falsear a realidade, realizando tudo de forma transparente, inclusive, à luz de SOLUÇÃO DE CONSULTA da própria RECEITA FEDERAL. (...) Repudiamos, ab initio, as alegações duras e equivocadas, que demonstram uma revolta em face da Lei posta, quando a medida para tal inconformismo não seria a lavratura de auto de infração, mas, a alteração desta, como fizeram a partir de 2024 com a Lei n. 14.789/2023. (...) Isto porque, todas as espécies de incentivos, pela legislação societária e contábil, notadamente, a partir da Lei n. 11.638/2007, transitam pelo resultado. Com isso, independentemente da modalidade, se presumido, isenção, redução de base (que é uma isenção parcial) ou diferimento, o efeito é o mesmo. Se transita pelo resultado (receita), por conseguinte, seria possível a exclusão para fins fiscais do IRPJ e CSLL. Temos, inclusive, temos o CPC 07 acerca da Subvenção e Assistência Governamentais (CPC 07 (R1)), o qual prevê, em seu item 38E, a necessidade de se reconhecer o valor total do imposto então devido, "em contrapartida à receita de subvenção equivalente". Ora, independentemente de o efeito ser decorrente de um incentivo de ICMS na modalidade do presumido (concessão de um crédito) ou isenção, redução de base ou diferimento (redução de um débito), podemos reconhecer que se trata referido montante do que foi cedido pelo Estado ao contribuinte, correspondendo à diferença entre o que pagaria de ICMS sem o benefício e, o que pagará com ele. Esta parte, tida como uma subvenção do Estado (gênero), como acima exposto, é exprimível em valor monetário e será reconhecida como receita, transitando pelo resultado. Portanto, independentemente da modalidade, há sempre um impacto positivo na formação do lucro (aumento de ativo), de tal sorte que não há fundamento jurídico para que esta concessão do Estado da Federação, seja tributada pela União, sob a ótica do federalismo. (...) Apesar de ser mais fácil de identificar no crédito presumido/outorgado de ICMS a tributação do IRPJ e CSLL, os demais incentivos de ICMS também serão considerados no resultado e geram repercussão patrimonial que há de ser excluída para fins fiscais. Não permitir que tal reflexo, mesmo dos incentivos de ICMS (diferimento, isenção, redução de base), seja excluído pura e simplesmente do IRPJ e CSSL, sob argumento de grande negativa, é violar o conceito jurídico de renda previsto no art. 43, do Código Tributário Nacional, em conjunto com princípios da capacidade contributiva, confisco, além do pacto federativo. Fl. 4538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 25 Sendo assim, merece reforma a r. decisão, uma vez que seria possível a exclusão dos incentivos de ICMS da recorrente da base de cálculo do IRPJ e CSLL, pura e simples, sem a constituição de reservas, havendo improcedência no argumento de que não influenciaria no resultado. (...) Em verdade, toda a fundamentação da fiscalização, quando analisamos detidamente, diz respeito à configuração dos incentivos de ICMS da Recorrente como subvenção para investimento. Isto porque, se tais incentivos forem considerados como subvenção para investimento, todos os demais argumentos como a finalidade de concessão ser para o consumidor final, as reservas decorrerem do “lucro normal” perdem o sentido. Todos estes aspectos, em verdade, são muito mais questionamentos de mérito quanto à escolha do legislador, do que, efetivamente, a interpretação da LEI que regia o caso concreto. (...) A Lei Complementar n. 160/2017, mais do que que buscar solucionar os problemas federativos de guerra fiscal entre os Estados, ciente dos litígios fiscais que envolviam o tema da não tributação dos incentivos de ICMS a título de subvenção para investimento, optou por encerrar tais debates e questionamentos. Com isso, de forma explícita e interpretativa, com efeitos retroativos que se aplicariam até mesmo aos processos administrativos e judiciais em andamento, reconheceu que os incentivos de ICMS, sem distinguir a espécie ou modalidade, desde que aprovados pelo CONFAZ ou convalidados nos termos do art. 3º desta mesma lei, seriam considerados SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. O legislador, portanto, sem titubear, a fim de evitar novas discussões, em nome da segurança jurídica, fez uma opção política e legislativa, qual seja: considerou expressamente que incentivos fiscais ou financeiros de ICMS concedidos pelos Estados teriam a natureza de subvenção para investimento, sejam aqueles aprovados no CONFAZ, ou não, sendo que neste último caso, desde que respeitado o art. 3º, desta mesma lei quanto ao registro e depósito (convalidação – Convênio 190/2017). (...) No caso concreto, os incentivos de ICMS da recorrente já descritos estão fundados no Convênio Confaz 100/97 e convalidados pelo Convênio 190/2017, inexistindo, inclusive, controvérsia sobre estes aspectos. Daí porque, a natureza de subvenção para investimento, como enuncia claramente a legislação, impede a tributação de IRPJ e CSLL, embora seja necessário o cumprimento de requisitos formais societários e contábeis, como a reserva de incentivos (art. 30, da Lei n. 12.973/2014 c/c art. 195-A LSA). A exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL é consequência lógica do reconhecimento para tais incentivos de ICMS da natureza de subvenção para investimento, conforme enuncia o art. 30, da Lei n. 12.973/2014, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017: (...) Não se nega que a fiscalização e a decisão recorrida buscam desqualificar os incentivos de ICMS da recorrente como subvenção para investimento, sustentando que seriam reduções Fl. 4539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 26 destinadas ao consumidor final, ou mesmo que não traria reflexo fiscal positivo no resultado (“grandezas negativas”). De fato, se não houvesse a Lei Complementar n. 160/2017, talvez, os incentivos da recorrente não configurariam subvenção para investimento, na linha das origens deste instituto. Todavia, nos parece inegável que o legislador optou em reconhecer expressamente, nos termos do parecer 5/2017, o qual originou a LC 160/2017– a todos os incentivos de ICMS, seja isenção ou redução de tributos (redução de base de cálculo, diferimento, entre outros), a natureza jurídica de subvenção para investimento, o que resulta, nos termos do art. 30, da Lei n. 12.973/2014, na exclusão destes da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Tout court! (...) Não resta dúvida de que os incentivos de ICMS da recorrente configuram subvenção para investimento, cabendo a exclusão do IRPJ e CSLL. Aliás, este entendimento está em consonância com o posicionamento firmado pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – tema 1.182 – em sede de recurso repetitivo, ao consignar expressamente que: “1. Impossível excluir os benefícios fiscais relacionados ao ICMS, - tais como redução de base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, entre outros - da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, salvo quando atendidos os requisitos previstos em lei (art. 10, da Lei Complementar n. 160/2017 e art. 30, da Lei n. 12.973/2014), não se lhes aplicando o entendimento firmado no ERESP 1.517.492/PR que excluiu o crédito presumido de ICMS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 2. Para a exclusão dos benefícios fiscais relacionados ao ICMS, - tais como redução de base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, entre outros - da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não deve ser exigida a demonstração de concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos” 25 Tratando-se de recurso repetitivo, nos termos do art. 99, do RICARF, a decisão é vinculante, de tal sorte que inexiste dúvida no sentido de que os incentivos de ICMS da recorrente, na modalidade isenção, redução de base de cálculo e diferimento, previstos nos Convênios Confaz 100/97 e 190/2017, configuram subvenção para investimento e, por conseguinte, poderão ser excluídos da base de cálculo do IRP e CSLL, desde que destinados à reserva de lucros – reserva de incentivos fiscais – (art. 30, da Lei n. 12.9+73/2014 c/c arts. 9º e 10 da Lei Complementar n. 160/2017), tal como realizado. (...) Isto porque, como já exposto, sendo firme o posicionamento neste sentido, o legislador, por meio da Lei Complementar n. 160/2017, em seus arts. 9º e 10, simplesmente reconheceram a todos os incentivos de ICMS, independentemente da modalidade, a natureza de subvenção para investimento, desde que tenham sido aprovados pelo Confaz ou convalidados nos termos do Convênio 190/2017. Diante disso, ao se interpretar o “caput” do art. 30, que reconhece ser a subvenção para investimento uma forma de estímulo “à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, a partir da concessão de incentivos fiscais e financeiros de ICMS, inclusive por isenção ou redução de tributos, somente trouxe como requisitos ou condições “que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976”. Nada mais. Fl. 4540DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 27 A menção à expressão implantação ou expansão não se dá a título de condição ou requisito para se configurar uma subvenção para investimento, pois, diante do § 4º, deste art. 30, como também art. 10, da Lei Complementar n. 160/2017, para ter tal natureza basta que sejam aprovados pelo CONFAZ ou convalidados. Com isso, poderão ser excluídos do IRPJ e CSLL, desde que – esta sim uma condição ou requisito - seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Por isso, quando se traz a expansão ou implantação no caput do art. 30, somente se pretendeu reforçar ser uma característica da subvenção para investimento, todavia, não como condição ou requisito para sua configuração e legitimação da exclusão dos incentivos da base de cálculo do IRPJ e CSLL, na medida em que, numa interpretação sistemática e lógica em conjunto com o § § 1º e 4º, esta dependeria somente do registro em reserva de lucros – reserva de incentivos -. Esta interpretação, inclusive, foi exarada pela própria RECEITA FEDERAL em SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT n. 11, de março de 2020: (...) “A norma em questão insere novo comando legal ao dispositivo que confere o adequado tratamento tributário, no que tange ao IRPJ e a CSLL, às subvenções para investimento. A LC nº 160, de 2017, atribui a qualificação de subvenção para investimento a todos os incentivos e os benefícios fiscais ou econômico-fiscais atinentes ao ICMS. Significa dizer que a essa espécie de benefício fiscal não mais se aplicam os requisitos arrolados no PN CST nº 112, de 2017, com vistas ao enquadramento naquela categoria de subvenção. Era exatamente o PN CST 112/2017 que, em verdade, trazia o entendimento de que para configurar um incentivo de ICMS uma subvenção para investimento, tendo em vista o estimulo à expansão ou implantação do empreendimento, cabeira verificar se presentes: (i) intenção do subvencionador de destiná-las para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado e; (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Ora, diante da previsão expressa, a partir da Lei Complementar n. 160/2017, de que todos os incentivos de ICMS, desde que aprovados pelo Confaz ou convalidados, seriam subvenção para investimento, tais condições se tornaram presumidas ou pressupostas. O legislador já as considerou atendidas, sem análise do incentivo em abstrato ou concreto, exatamente como enuncia a RECEITA FEDERAL em sua SOLUÇÃO DE CONSULTA. (...) Temos, assim, nítido posicionamento do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA em recurso repetitivo no sentido de que inexiste obrigação legal, ao contrário do que pretende a fiscalização e a decisão recorrida, de outros requisitos (“contrapartidas – expansão ou implantação”), salvo o destino à reserva de incentivos, razão pela qual, reconhecendo a vinculação aos precedentes (art. 99, RICARF), o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF – assim decidiu: (...) Portanto, há comprovação nos autos, inclusive, mediante juntada de LAUDO TÉCNICO que: (i) – todos os incentivos de ICMS são objeto de Convênio CONFAZ ou convalidação; (ii) - houve destinação à reserva de incentivos; (iii) – houve evolução em seus ativos, demonstrando a expansão de seu empreendimento. Fl. 4541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 28 (...) Por hipótese, caso não se reconheça a plena improcedência do lançamento de ofício, ao menos, é preciso reconhecer a vinculação da RECEITA FEDERAL ao seu próprio posicionamento e que foi observado pela recorrente, uma vez que enunciou a SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT n. 11, de março de 2020: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ LUCRO REAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIOS VINCULADOS AO ICMS. As subvenções para investimento podem, observadas as condições impostas por lei, deixar de ser computadas na determinação do lucro real. A partir do advento da Lei Complementar nº 160, de 2017, consideram-se como subvenções para investimento os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS concedidos por estados e Distrito Federal.” Esta interpretação inclusive está fundada no art. 198 da INSTRUÇÃO NORMATIVA n. 1.700/2017, com a alteração da IN 1.881/2019, que inseriu o § 8º: (...) “§ 8º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no caput e nos §§ 1º a 4º deste artigo.” (...) VII. MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPROCEDÊNCIA Em virtude do lançamento de ofício, foi imputada multa isolada no percentual de 50%, conforme art. 44, II, ‘b’, da Lei n. 9.430/96, que dispõe: (...) Não há razão para a aplicação de referida multa isolada. Isto porque. A uma. Como os períodos de 2019 a 2021 cuidam de apuração do lucro real anual ou trimestral de IRPJ e CSLL, após encerramento do período, o que há de ser feito é tão somente a verificação se houve tributo a recolher e, no caso de omissão, o lançamento de ofício com a respectiva penalidade. Neste sentido, após encerramento do ano calendário de apuração, não caberia mais aplicação da multa isolada. Neste sentido, após encerramento do ano calendário de apuração, não caberia mais aplicação da multa isolada. A duas. Com o encerramento do ano calendário, inexiste a possibilidade de concomitância de multas punitivas, sobre o mesmo fato, qual seja a apuração do IRPJ e CSLL, aplicando o princípio da absorção ou consunção. (...) VIII. MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO DE 100% PARA 75%. De forma equivocada houve imposição de multa qualificada de 100%, a qual, no caso de não se acolher a defesa na integralidade, ao menos, há de reduzir para 75%. Aliás, houve uma imputação genérica de multa qualificada, inclusive, sem demonstrar, cabalmente, em cada uma das questões envolvidas as razões jurídicas e fáticas que levariam a tal medida excepcional. Fl. 4542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 29 (...) Diante da exigência inexorável do dolo específico, não há dúvida de que inexiste a possibilidade de multa qualificada. Daí porque, no mínimo, a dúvida razoável entre duas ou mais condutas já é fundamento suficiente para excluir o dolo e, por conseguinte, impedir a multa de 100%, uma vez que se aplica o art. 112 do Código Tributário Nacional. (...) Ademais, mesmo que inexista plena colaboração do contribuinte com o Fisco, na hipótese de a fiscalização realizar o lançamento de ofício com fundamento nas informações e documentos do próprio contribuinte, inexistirá razão para se qualificar a multa, mesmo que se constate falta de recolhimento ou inexatidão nas informações, como se pode verificar em recente julgamento do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: (...) VOTO Lizandro Rodrigues de Sousa - relator O recurso é tempestivo. Cumpridas as demais condições de procedibilidade, dele tomo conhecimento. Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que confirmou o lançamento de IRPJ e CSLL, para os anos-calendário 2018, 2019, 2020, 2021. Entendeu os autuantes que houve exclusão indevida, na apuração do Lucro Real, de “supostas subvenções governamentais não recebidas, concedidas a título de redução de base de cálculo, isenção e diferimento do ICMS sobre a comercialização de determinados produtos agropecuários, notadamente sementes de soja para plantio, cujos valores indevidamente excluídos pela fiscalizada no período somaram mais de R$ 164 milhões”. Conforme Relatório da DRJ: Sob o título “4.1 DA EXCLUSÃO INDEVIDA E FRAUDULENTA DE INCENTIVOS FISCAIS DE ICMS NAS BASES DE CÁLCULO DO LUCRO REAL”, escrevem os Autores do feito que, na “apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos períodos de apuração de 2018, 2019, 2020 e 2021, informada na Escrituração Contábil Fiscal (ECF)”, a interessada realizou exclusões na parte A do e-Lalur e do e-Lacs, a título de “Doações e Subvenções para investimentos”, correspondentes a “Isenções, Reduções de Base de Cálculo e Diferimento de ICMS concedidos pelos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul”. Na realidade, tratar-se-ia de simulação de “recebimento de valores que seriam decorrentes de isenções, diferimentos e reduções de base de cálculo de ICMS sobre a comercialização de produtos agropecuários, notadamente sementes de soja para plantio”, valores estes que, por um artifício contábil reconhecido pela própria interessada (fls. 162 a 185), jamais “compuseram o resultado (Lucro Contábil) na forma de Receitas que, na apuração do Lucro Real, poderiam ser excluídas para fins de apuração das bases de cálculo tributáveis”. Analisando-se a Escrituração Contábil Digital (ECD) da interessada, constatou-se o uso de “duas contas de resultado redutoras da Receita Bruta, que receberam lançamentos a débito, Fl. 4543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 30 relacionadas ao ICMS: a conta nº 61501001 – ICMS” (que recebia lançamentos a débito do efetivo ICMS a recolher) e “a conta nº 61501005 – ICMS – CONVÊNIO 100/9712” (que recebia lançamentos a débito das despesas fictícias com ICMS caso não houvesse os benefícios fiscais de isenção, redução de base de cálculo e diferimento do ICMS), além de outra “conta relacionada ao ICMS que recebeu lançamentos a crédito, anulando os débitos da conta nº 61501005: trata-se da conta nº 61501006 – SUBVENÇÃO PI INVEST.- LEI COMPL 160/201713”. A Recorrente excluiu em sua apuração do lucro real os valores creditados na conta 61501006 a título de “Subvenção para Investimentos – LC 160/17” e debitou os mesmos valores na conta 61501005 (que recebeu, repito, lançamentos a débito das despesas fictícias com ICMS caso não houvesse os benefícios fiscais de isenção, redução de base de cálculo e diferimento do ICMS), ficando inalterado seu resultado contábil. E na apuração do lucro real, excluiu o valor discriminado na conta 61501006. O Fisco entende que o procedimento do Recorrente contraria o fixado no julgamento do Tema 1.182 do STJ, os artigos artigo 9º e 10 da Lei Complementar (LC) nº 160, de 7 de agosto de 2017, e o artigo 30 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, pois o caso concreto trata de caso que não se enquadra na concessão de isenções, Reduções de Base de Cálculo e Diferimento de ICMS de que versa a jurisprudência vinculante e os dispositivos legais citados. Tem razão o Fisco. O cerne da questão reside em se constatar que o contribuinte não poderia se aproveitar (em seu lucro real) de um valor que equivaleria ao que entende corresponder ao ICMS que seria devido em um cenário em que houvesse isenção estadual para o produto que revende, comparado com outro cenário em que não há a isenção. Este valor hipoteticamente devido foi excluído do lucro real, sem que houvesse (na sua contabilidade apresentada) um efetivo cômputo de qualquer receita prévia no seu lucro líquido (constatada a isenção) e sem respaldo em qualquer prescrição legal. O Fisco entendeu acertadamente que a específica isenção, no caso concreto, está direcionada ao consumidor final. É uma isenção objetiva e depende da venda de um específico produto. Logo o valor da receita da venda neste cenário de isenção (o real) está diminuído do valor equivalente ao ICMS que foi dispensado pela lei isentiva. Logo, o ganho seria do consumidor final, e não do vendedor (Recorrente). A isenção do ICMS no caso concreto sequer foi destacado nas notas fiscais de venda e o acréscimo patrimonial, se existente, beneficiou o consumidor final, não se justificando a alegação do Recorrente de que haveria um efeito equivalente a um ICMS a pagar exonerado que o beneficiou. Desta forma, não há desobediência ao asseverado no julgamento do Tema 1.182 do STJ, ou ao prescrito nos artigos artigo 9º e 10 da Lei Complementar (LC) nº 160, de 7 de agosto de 2017, e o artigo 30 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, pois o caso concreto trata de caso que não se enquadra concessão de isenções, Reduções de Base de Cálculo e Diferimento de ICMS de que versa a jurisprudência vinculante e os dispositivos legais citados. Fl. 4544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 31 A forma de contabilizar prescrita pelo Fisco está de acordo também com as diretrizes do Pronunciamento Técnico CPC 07, que trata da “contabilização e divulgação de subvenção governamental e na divulgação de outras formas de assistência governamental”. Isto porque na resposta ao TIF 001 (fls. 1886 a 1897), a então fiscalizada citou o item 38E, do CPC 07 – SUBVENÇÃO E ASSISTÊNCIA GOVERNAMENTAIS, como argumento para a contabilização de receitas (não recebidas) e despesas (não incorridas) da suposta subvenção para investimentos. Assim dispõe o dispositivo: 38E. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrando-se o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. Mas, conforme bem destacado no TVF, da leitura do CPC 07 conclui-se que somente podem ser consideradas “assistências governamentais” os benefícios concedidos a uma entidade ou grupo de entidades que atendam a critérios estabelecidos. São benefícios subjetivos. Assim define o CPC 07: Assistência governamental é a ação de um governo destinada a fornecer benefício econômico específico a uma entidade ou a um grupo de entidades que atendam a critérios estabelecidos. Não inclui os benefícios proporcionados única e indiretamente por meio de ações que afetam as condições comerciais gerais, tais como o fornecimento de infraestruturas em áreas em desenvolvimento ou a imposição de restrições comerciais sobre concorrentes. Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade. (Destaquei) Tanto que o CPC se refere (no item 30A) à “aplicação de parcela do imposto de renda devido”. Como pode-se contar com a aplicação (no caso concreto, transferência para reservas de lucros/investimento, considerando o decidido no Tema 1.182/STJ) de valor de imposto (no caso concreto, de ICMS) que não permaneceu com o vendedor, mas foi transferido ao consumidor final? Ou seja, benefícios concedidos indistintamente, em caráter geral e direcionados ao consumidor final não são considerados assistências governamentais e, por consequência, não são subvenções governamentais. Assim contextualiza o CPC 07, nos itens anteriores ao citado 38E: Aplicação de parcela do imposto de renda devido em fundos de investimento regionais 38A. Determinadas entidades sujeitas ao pagamento do imposto de renda podem aplicar parte do imposto devido em fundos de investimento regionais, criados pelo Governo Federal com o objetivo de estimular o desenvolvimento de determinadas regiões. 38B. Essa destinação de parcela do imposto ao fundo representa uma subvenção governamental para a entidade, pois, em face da opção exercida, o Tesouro Nacional abre Fl. 4545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 32 mão de parte da receita tributária e a entidade torna-se investidora do fundo beneficiário de sua opção. 38C. Essas subvenções devem ser registradas pelo seu valor justo no momento do fato gerador, desde que atendidas as condições para o seu reconhecimento. No caso em questão, o fato gerador da subvenção ocorre no pagamento da parcela do imposto de renda. Nesse momento, cabe à administração registrar a subvenção pelo seu valor justo, pela melhor estimativa, lembrando que pode existir deságio desse valor justo com relação ao valor nominal, mesmo nos casos em que a beneficiária da subvenção esteja investindo outros recursos nessas entidades em regiões incentivadas. Redução ou isenção de tributo em área incentivada 38D. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental Ou seja, de acordo com o CPC 07, aspecto importante para a qualificação de uma “assistência governamental” à determinada entidade é que o benefício ou incentivo fiscal do ente público tenha como destinatário a entidade em questão, aumentando efetivamente seu patrimônio. Isso não ocorre, por exemplo, nos casos de isenção, redução de base de cálculo ou diferimento, aqui tratados, cujo ônus do ICMS não era suportado pela fiscalizada. Certos os autuantes quando asseveraram que o item 38E do CPC 07, citado pela Recorrente como fundamento para o registro contábil do suposto benefício fiscal auferido, combinado com o item 38D, trata especificamente da contabilização da subvenção governamental (no exemplo do CPC, trata de imposto de renda, mas pode-se aplicar ao ICMS) devido por pessoa jurídica (TVF, e-fls. ): Trata-se de um benefício concedido às empresas que se instalarem fisicamente nessas áreas. Nesses casos, o imposto de renda é suportado pela empresa que apurou o lucro e o não pagamento de parte desse imposto que seria devido sem o benefício fiscal faz aumentar o lucro e o patrimônio da empresa, enquadrando-o como subvenção governamental. No caso da fiscalizada, essa situação não se aplica pois não houve incremento em seu lucro ou patrimônio com os incentivos fiscais de isenção, redução de BC e diferimento de ICMS concedido a certos produtos por ela comercializados. Observo que não ignoro o decidido em sede de recursos repetitivos no STSJ, tema 1.182, que prescreveu que “não deve ser exigida a demonstração de concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. Mas, repito, o que se constata é que nenhum valor ou subvenção foi concedido ao Recorrente. Os montantes deduzidos do lucro real foram resultados de simulações efetuadas pela Recorrente de valores que inferiu que a beneficiaria, quando a análise do caso concreto mostra que não houve benefício a ela direcionado. Isto porque a concessão que equivaleria a um numerário (que correspondeu a uma específica renúncia de receita tributária estadual) se dirigiu a benefício do consumidor final. Tanto que não há qualquer destaque do imposto nas notas fiscais referidas pelo Recorrente. Assim, é considerando estas premissas que devem ser lidas conclusões como a da Solução de Consulta COSIT nº 55, de 25 de março de 2021, que aduziu que “por força do art. 30 Fl. 4546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 33 da Lei nº 12.973, de 2014, o valor a ser excluído para fins de determinação do lucro real equivale ao montante que deixa de ser devido em razão do recebimento da subvenção para investimento, caso ele tenha sido recebido como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. No caso concreto, não deixou de ser devido qualquer ICMS pela Recorrente, não havendo qualquer desrespeito à opção legislativa. Aduz a recorrente que o único requisito prescrito pelo art. 30 da Lei nº 12.973/2014 seria a constituição de reservas de lucros no valor equivalente a subvenção concedida. O que se constatou na autuação é que não houve subvenção concedida à recorrente (seja de investimento ou qualquer outra), não fazendo sentido a criação de reservas de lucros equivalente a acréscimo patrimonial que não existiu. Desta forma, acertadas as conclusões da DRJ, que reproduzo a seguir como razão de decidir: MÉRITO Conforme relatado, constataram os Autores do feito que a impugnante excluiu indevidamente, em sua apuração do Lucro Real, subvenções governamentais não recebidas, a título de redução de base de cálculo, isenção e diferimento do ICMS sobre a comercialização de determinados produtos agropecuários, tendo considerado fraudulenta tal exclusão, porquanto registrada por meio de artifício contábil, consistente no uso de “duas contas de resultado redutoras da Receita Bruta, que receberam lançamentos a débito, relacionadas ao ICMS: a conta nº 61501001 – ICMS” (que recebia lançamentos a débito do efetivo ICMS a recolher) e “a conta nº 61501005 – ICMS – CONVÊNIO 100/9712” (que recebia lançamentos a débito das despesas fictícias com ICMS caso não houvesse os mencionados benefícios fiscais), além de outra “conta relacionada ao ICMS que recebeu lançamentos a crédito, anulando os débitos da conta nº 61501005: trata-se da conta nº 61501006 – SUBVENÇÃO PI INVEST.- LEI COMPL 160/201713”, expondo em tabelas (numeradas 3 e 4) os valores do ICMS registrados em contas contábeis e em contas referenciais da ECF da interessada. Destacam que a interessada excluiu em sua apuração do lucro real os valores creditados na conta 61501006 a título de “Subvenção para Investimentos – LC 160/17” e debitou os mesmos valores na conta 61501005, ficando inalterado seu resultado contábil. Acentuam os Autores do feito que os “registros da fiscalizada visaram tão somente simular um suposto recebimento de subvenção almejando única e exclusivamente sua posterior exclusão na apuração do lucro real” e que a impugnante reconheceu expressamente que seu efeito “no resultado contábil é nulo, haja vista o crédito e débito no mesmo valor dentro do resultado do período”. Assim, como informam os Autores do feito, “a fictícia receita de subvenção foi anulada por uma fictícia despesa de ICMS na escrituração comercial”, sendo “excluída na apuração do Lucro Real e da BC da CSLL, mas a fictícia despesa de ICMS não é adicionada”. Didaticamente, expõem “os erros intencionais da fiscalizada e seus efeitos ilusórios na apuração do resultado (Lucro Contábil) e do Lucro Real”, como se vê nas tabelas a seguir: Fl. 4547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 34 Aplicou-se multa de ofício qualificada, tendo em vista que “as práticas do sujeito passivo enquadram-se como sonegação e fraude”. Isto posto, examinem-se os argumentos da impugnante. Alega ela haver oferecido “densa documentação com o detalhamento e cuidado necessário ao tema questionado”, a qual teria sido “validada pelo Fisco”. Entretanto, a presteza da interessada em atender aos questionamentos dos Autores do feito não foi discutida e, portanto, nada há que examinar quanto a isto. Considera “verdadeiramente ultrapassada” a interpretação dos Autores do feito, o que constitui mais um arroubo retórico que um verdadeiro argumento, assim como dizer que a “atenção dada à temática da ‘vantagem econômica individualizada’ tão reforçada em sede de TVF” constituiria “verdadeiro artifício do Fiscal”, e que “o Agente Fiscal se utiliza [...] de falácias buscando construir suposta conduta ilícita da IMPUGNANTE”. Nesta mesma Fl. 4548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 35 linha, afirma não haver tentado “reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento” e protesta sua boa-fé: mero introito à argumentação mais substantiva que se seguirá. Quando afirma que “as exclusões efetuadas na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2018 e 2021” representariam “benefícios fiscais de redução de base de cálculo, isenção e diferimento de ICMS concedidos pelos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul”, diz uma meia verdade. Evidentemente, à vista dos Certificados de Registro e Depósito SE/Confaz numerados 27/2018 e 29/2018, de fls. 3.493 e 3.494, as referidas unidades federativas concederam benefícios fiscais; entretanto, o que se discute não é se tais benesses foram outorgadas, mas, sim se elas amparam a pretensão da interessada – sendo negativa a resposta. No que tange à “conclusão realizada pelo expert contábil no LAUDO PERICIAL EXTRAJUDICIAL”, o que dela se extrai é a constatação de que o louvado concorda em gênero, número, caso e grau com a impugnante, sem maiores elaborações, o que nada acrescenta ao deslinde da questão. Quando atribui aos Autores do feito a assertiva de que “a legislação federal que versa acerca dos benefícios fiscais do ICMS” exige que eles “sejam concedidos, necessariamente, de forma individualizada pela unidade federativa como um de seus requisitos”, tenta desfocar o exame do lançamento; em realidade, os Autores do feito disseram, apenas, que “somente podem ser consideradas ‘assistências governamentais’ os benefícios concedidos a uma entidade ou grupo de entidades que atendam a critérios estabelecidos”, tratando-se de “benefícios subjetivos”, enquanto os benefícios objetivos, “concedidos indistintamente a todos os contribuintes, em caráter geral, [...] sem nenhuma exigência para a obtenção do benefício, [...] não são subvenções governamentais“, sendo indispensável que “o benefício ou incentivo fiscal do ente público tenha como destinatário a entidade em questão, aumentando efetivamente seu patrimônio”, o que não ocorreu no caso vertente, já que o “ônus do ICMS não era suportado pela fiscalizada”. Pouco há a acrescentar a tal entendimento: segundo o claríssimo exemplo exposto nas tabelas 14 e 15, acima, a impugnante em nada alterou seu patrimônio com o suposto benefício fiscal, como, aliás, reconheceu ela explicitamente, ao dizer que, a este respeito, efetuou lançamentos de igual valor a débito e a crédito, com efeito nulo, confirmando o que consta das tabelas 3 e 4, acima, elaboradas pelos Autores do feito. Se, v.g., um contribuinte vende um produto com isenção de ICMS, ele simplesmente deixa de incluir dito imposto no preço de venda, nada mais. Por óbvio, não tem o direito de deduzir o imposto que deixou de pagar em sua apuração do lucro contábil e, menos ainda, em sua apuração do lucro real, como fez a impugnante. Este é o ponto nevrálgico do lançamento em tela: a subtração indevida, no lucro real, de um valor jurídica e contabilmente inexistente. Ao dizer que a glosa em foco se deveria à “ausência de concessão individual dos benefícios fiscais abordados”, volta a praticar tática diversionista, pois, como visto, este não é o cerne da questão, mas, sim, uma dedução indevida na apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL. De igual sorte, busca a impugnante dar cores de legitimidade a seu proceder, dizendo que “o art. 30 da Lei nº 12.973/14” limitar-se-ia a exigir que “os valores relativos aos benefícios tratados como subvenção para investimento sejam mantidos em reservas de lucros”. A este respeito, bem alertam os Autores do feito que os “registros contábeis realizados pela fiscalizada nas contas de Patrimônio Líquido – Reservas de Incentivos Fiscais” – prestaram-se apenas a “dar aparência formal de recebimentos de benefícios que não foram efetivamente auferidos”. Fl. 4549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 36 A impugnante menciona a LC 160, de 2017, a Lei 12.973, de 2014, e os Certificados de Registro e Depósito – SE/CONFAZ numerados 27/2018 e 29/2018; afirma que “os atos concessivos” foram “CONVALIDADOS pela CONFAZ” e de que foram cumpridas “TODAS as exigências requeridas no art. 3º, I e II, da Lei Complementar nº 160/17 e nas cláusulas segunda, terceira e quarta do Convênio ICMS 190/17”; e, estabelecidas estas premissas, deduz que “os benefícios usufruídos pela IMPUGNANTE estejam convalidados, atendendo assim as condições impostas para serem tratados como subvenção para investimento”. Ora, isto é um exemplo claro da falácia do non sequitur: de premissas verdadeiras (a validade jurídica dos mencionados diplomas legais e atos), a interessada extrai uma conclusão falsa, qual seja, a de que seja descabida a glosa que recebeu. Logo, não há acolher tal argumento. Sob o título “b) Dos requisitos para fruição. Subvenções para investimento. Registro em reserva de lucros do exercício. Cumprimento integral dos requisitos previstos por lei. Conformidade legislativa”, prossegue ela nesta linha, dissertando in abstracto sobre a LC nº 160, de 2017, sobre o “art. 30 da Lei nº 12.973/14” e sobre a já examinada formação de reservas de lucros, sem nada acrescentar ao que dissera antes e merecendo, portanto, o mesmo entendimento. Destacaram os Autores do feito, numa observação quase a latere, que, em planilha eletrônica, a interessada “relaciona as NF-e com o valor do ICMS destacado (efetivo) e o pretenso valor do benefício fiscal de ICMS devido (última coluna em destaque) caso não houvesse a isenção, redução de base de cálculo ou diferimento”. Quanto a isto, alega ela que “a legislação vigente” não exigiria, “para fins de exclusão da base de cálculo do IRPJ/CSLL que os ICMS seja efetivamente destacado das NF’s”. Mais uma vez, foge ela da questão, pois a assertiva dos Auditores não foi esta, mas simplesmente que as notas fiscais emitidas pela interessada não fariam prova a seu favor. No que tange à sua evolução patrimonial, trata-se evidentemente de assunto alheio ao litígio, pois não se pode vislumbrar qualquer correlação entre seus negócios, em geral, e o pretenso benefício a que alega fazer jus. No tocante à “afronta ao pacto federativo” apontada pelos Autores do feito, a impugnante volta a apresentar argumento distorcido, consistente em, primeiramente, enunciar o óbvio – de que proveio da União “a norma legislativa que conceituou a subvenção para investimento” – para, a seguir, atribuir ao Fisco da União o ônus de “propor a devida ação perante o c. STF que discuta o conceito criado pelo legislador”. Evidentemente, o TVF não questiona a validade da legislação de regência, limitando-se a constatar que a impugnante não se encontra abrigada sob o pálio da mesma. Assim, escrevem eles que “aceitar todo e qualquer NÃO exercício do poder de tributar dos Estados envolvendo o ICMS, como é o caso, como sendo subvenção para investimento não sujeita a incidência do IRPJ e da CSLL, [...] constitui afronta ao princípio federativo”(grifou-se). Eis tudo. Naquilo que se refere ao Tema 1.182, entende a impugnante que “a primeira tese EXPRESSAMENTE” autorizaria a dedução da base de cálculo de IRPJ e CSLL dos “benefícios fiscais relacionados ao [...] ICMS”, tais como “redução de base de cálculo, diminuição de alíquota, isenção, diferimento, entre outros”; reconhece que tal não se aplica aos “que não cumprirem os requisitos [...] previstos no art. 10 da Lei Complementar 160/2017 e no artigo 30 da Lei nº 12.973/2014”, mas considera havê-los adimplido integralmente. Ora, no caso em exame, ocorreu justamente o descumprimento de tais exigências, pelos motivos já expostos. Logo, a mencionada jurisprudência não ampara a interessada. Quanto à “terceira tese firmada no Tema n.º 1.182”, admite ela a atuação do Fisco da União, embora a restrinja à verificação do “cumprimento das regras previstas no artigo 10 da LC 160/2017 c. c. art. 30 da Lei n.º 12.973/2014”. Uma vez que lançamento de Fl. 4550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 37 ofício ora em exame deriva justamente da constatação do descumprimento de tais regras, nada há a acrescentar. A seguir, a impugnante passa a defender a “regularidade dos registros contábeis realizados” por ela, detalhando seu modus operandi. A este respeito, cabe apenas recordar que os Autores do feito já o fizeram, demonstrando sua artificialidade e incorreção, que visaram a “simular um suposto recebimento de subvenção almejando única e exclusivamente sua posterior exclusão na apuração do lucro real”, por meio de artifício consistente no uso de contas contábeis e contas referenciais da ECF que deixavam inalterado seu resultado – algo que, repita-se, foi expressamente reconhecido pela impugnante. No mesmo tópico, refere-se à formação de sua “reserva de incentivos fiscais”, a qual já foi objeto de consideração por parte dos Autores do feito, que demonstraram servirem os “registros contábeis realizados pela fiscalizada nas contas de Patrimônio Líquido – Reservas de Incentivos Fiscais” – apenas a “dar aparência formal de recebimentos de benefícios que não foram efetivamente auferidos”. Em suma, neste ponto a impugnante apenas demonstra ter-se em alta conta, o que não é suficiente para amparar suas pretensões. A interessada invoca a SC COSIT nº 55, de 2021, e propõe um enigma indecifrável: diz que, segundo tal ato, “independe a contabilização segregada das subvenções de ICMS no resultado, desde que reflita o mesmo resultado”. Indo adiante, reconhece a necessidade de se compararem “um cenário em que existe o benefício e outro em que a tributação seria realizada de forma integral, sendo a diferença entre os cenários o saldo subvencionado”, para fins de “exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL caso caracterizada como subvenção para investimento”. Ora, no caso vertente, os benefícios não foram “concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, como reza o primeiro parágrafo da referida Solução; logo, este ato não a socorre. Não é excessivo salientar que tal entendimento já se encontrava na Solução de Consulta COSIT nº 145, de 2020. No que tange ao “Parecer Contábil elaborado conjuntamente pelo Ilustre Prof. Eliseu Martins e Prof. Vinícius Aversari Martins”, só se tem a dizer que tal Parecer, por embasado que seja, não vincula a administração tributária federal. Menciona um vago “julgamento realizado em abril de 2023, e cujo acórdão foi publicado no DJe/STJ nº 3652 de 12/06/2023”, o que de nada a auxilia no presente litígio. Volta à retórica no encerramento deste tópico, que é apenas auto-laudatório. A seguir, sob o título “III. DA ILEGALIDADE E DESPROPORCIONALIDADE DAS MULTAS APLICADAS”, a impugnante tenta refutar as penalidades pecuniárias que lhe foram impostas. Assim, alega a “impossibilidade de cobrança de multa isolada com fundamento no artigo 44, II, ‘b’, da Lei nº 9.430/1996”, recordando haver optado pela “sistemática do lucro real anual durante os anoscalendário de 2018 e 2021”, achando-se obrigada ao recolhimento mensal de “IRPJ e a CSLL aferidos sobre determinada base estimada”. Entretanto, supõe que, “com o encerramento do ano-calendário e a apuração do IRPJ e da CSLL efetivamente devidos, desaparece a exigibilidade da antecipação desses tributos e, por conseguinte, a base imponível da penalidade da multa isolada”, a qual “apenas se justificaria se exigida dentro do próprio período de apuração [exercício] das estimativas que deixaram de ser recolhidas”. Ora, esta assertiva é desmentida pelo teor do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, que determina a aplicação da respectiva multa “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica”. Por óbvio, só se verifica a ocorrência de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa para a CSLL depois de encerrado o período-base – portanto, não procede este argumento. Isto tanto é verdadeiro que o artigo 53, inciso I, da Instrução Normativa Fl. 4551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 38 RFB nº 1.700, de 14 de março de 2017, estabelece, de modo inequívoco, que a multa em comento deve ser aplicada mesmo “após o término do ano-calendário”, ao revés do alegado pela impugnante, não sendo excessivo recordar que tal ato integra a legislação tributária, a teor dos artigos 96 e 100 da Lei nº 5.172, de 1966, denominada CTN. Diz também que “essa multa não poderia ser aplicada concomitantemente à multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e a CSLL, apuradas ao final do ano-calendário”, alegando tratar-se de bis in idem. Apela também ao princípio da consunção e invoca a dicção da “Súmula CARF n.º 105”. Quanto a isto, há que se ressaltar que a multa de ofício e a multa isolada divergem por completo, tendo hipóteses de incidência absolutamente distintas: a primeira incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição que vier a ser apurada em procedimento de ofício, enquanto a segunda pune a falta de pagamento por estimativa de IRPJ ou de CSLL: ou seja, inexiste bis in idem neste caso. Por fim, saliente-se a inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105, visto que a multa isolada foi lançada após as alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Quanto às alegações atinentes à qualificação da multa, cabe reconhecer que a infração constatada implicou a elaboração de lançamentos contábeis inconsistentes, dir-se-iam fictícios, para atingir o objetivo de simular uma dedução das bases de cálculo de IRPJ e CSLL com o fito – evidente – de lesar o Fisco da União. As provas desta simulação encontram-se patentes nos autos e foram exaustivamente demonstradas pelos Autores do feito. Cumpre recordar que a multa lançada constitui imperativo do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e, uma vez verificada a subsunção do fato à hipótese legal, sua exigência é inafastável consectário do lançamento do principal, sendo o desrespeito a tal comando ato punível com responsabilização funcional, a teor do parágrafo único do artigo 142 do CTN e, portanto, não se pode dizer que se encontrem em “patamares desrazoáveis” e “desproporcionais”. Destarte, por indubitável o caráter doloso da infração constatada, não se aplicam ao caso vertente o §1º-C do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, os artigos 112 do CTN e 68 da Lei nº 4.502, de 1964. Quanto à Súmula n.º 14 do CARF, cabe relembrar que ela se aplica aos casos de omissão de receita, matéria estranha ao feito. No tocante ao suposto caráter confiscatório da penalidade aplicada, cumpre recordar que a vedação ao confisco é endereçada ao legislador, não à autoridade fazendária, a quem cabe tão somente aplicar a legislação de regência, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, carecendo de discricionariedade para afastar ou reduzir a multa imposta. Alegações de inconstitucionalidade somente podem ser apreciadas pelo Poder Judiciário, sendo vedado à autoridade judicante delas tomar conhecimento, em face do disposto no artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Logo, não há acolhida possível a este argumento. A suspensão de exigibilidade é consectário automático da apresentação da presente peça de defesa, a teor do artigo 151 do CTN. A representação fiscal para fins penais é matéria alheia às atribuições das DRJ e, portanto, não há tomar conhecimento de pedido de sua suspensão. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no que diz respeito ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL, dado que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas e inexiste qualquer razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Fl. 4552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.758 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721071/2023-47 39 Por fim, citações de doutrinadores e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda ou do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e mesmo decisões judiciais não constituídos de poderes vinculativos ou súmulas aprovadas pelo Ministro da Fazenda, embora inestimáveis fontes de consulta, não obrigam este relator, pois prevalece o princípio da legalidade por meio do qual na Administração Pública os seus agentes somente podem fazer o que a lei os autoriza (art. 37 da Constituição Federal). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 4553DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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