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4756560 #
Numero do processo: 10925.004213/96-76
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 03 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Mar 03 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR — RESERVA LEGAL - É indispensável a comprovação da averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis exigida pelo § 2° artigo 16 da Lei n° 4.771162, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803/89. LAUDO TÉCNICO — O laudo técnico elaborado por profissional habilitado constitui prova hábil para ensejar a retificação de dados cadastrais. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-05.266
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: OTACiLIO DANTAS CARTAXO

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Recorrida : DRJ em Florianópolis - SC 1111 — RESERVA LEGAL - É indispensável a comprovação da averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis exigida pelo § 2° artigo 16 da Lei n° 4.771162, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803/89. LAUDO TÉCNICO — O laudo técnico elaborado por profissional habilitado constitui prova hábil para ensejar a retificação de dados cadastrais. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMERCIAL ELETRON LUX LTDA. ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de março de 1999. ‘p Otacilio D: ,‘ as Cartaxo Presidente e ' elator. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Francisco Sérgio Nanai, Francisco Mauricio R.. De Albuquerque Silva, Renato Scalco Isquierdo, Mauro Wasilewsld, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Lina Maria Vieira e Sebastião Borges Taquary. 4429 Ar t. MINISTÉRIO DA FAZENDA f?),‘Le • CrIlf SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo: 10925.004213/96-76 Acórdão: 203-05.266 Recurso : 104.932 Recorrente: COMERCIAL ELETRON LUX LTDA. RELATÓRIO 1 COMERCIAL ELETRON LUX LTDA., nos autos qualificada, foi notificada do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, das Contribuições Sindicais do Empregador e do Trabalhador e da Contribuição ao SENAR, relativos ao exercício 1995, do imóvel rural denominado "Fazenda dos Macacos", de sua propriedade, localizado no Município de Santa Cecilia - SC, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob n.° 0890557.6. A contribuinte impugnou o lançamento (doc. fls. 01), contestando, de forma bastante sintetizada, o alto valor do imposto cobrado e o baixo grau de utilização da propriedade considerado no feito. Anexou aos autos laudo técnico de descrição do imóvel (doc. fls. 08/11), devidarnente registrado no CREA (doc. fls. 13), laudo técnico para levantamento da quantidade do rebanho (doc. fls. 12), notas fiscais de compra de vacinas (doc fls. 14/16) e contrato de comodato (doc. fls. 04/07). A autoridade julgadora de primeira instância negou provimento à pretensão do sujeito passivo em decisão assim ementado (doe fls 24/28): "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Ano-base: 1995 Base de Cálculo do ITR É o valor da Terra Nua (YIN) não inferior ao Valor da Terra Nua mínimo (VTAM), estabelecido na legislação tributária_ Retificação de dados cadastrais Quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento LANÇAMENTO PROCEDENTE" k-W", . - 930 .P.: é- ‘11"; MINISTÉRIO DA FAZENDA ?:..r51! • - le,ItliSie SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - Processo: 10925.004213/96-76 Acórdão: 203-05.266 O julgador monocrático entendeu que a interessada fizera um pedido de retificação e modificação dos dados cadastrais do imóvel, que por força do disposto no § 1° do artigo 147 do CTN, deveria ser realizado antes de notificado o lançamento. Considerou, ainda, que os documentos apresentados pela impugnante referem-se a datas do ano de 1995 e 1996, enquanto que o IT11/95 reporta-se à situação encontrada em 31/12/94. Inconformada com a decisão singular, a contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso voluntário (doc. fls. 32/33), dirigido a este Segundo Conselho de Contribuintes, argumentando que: - muito embora determinada na Lei n° 8.847/94, para o exercício dei 995 não houye entrega da DITR, ficando a interessada impedida de atualizar os dados cadastrais do imóvel em tempo hábil; - por isso, aguardou o lançamento do ITR/95 para providenciar sua impugnação, com base na real situação de utilização da propriedade; e - a autoridade recorrida recebeu a impugnação como um pedido de retificação intempestivo, todavia, examinou os argumentos e documentos acostados aos autos. É o relatório. e434. MINISTÉRIO DA FAZENDA • loti‘4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo: 10925.004213/96-76 Acórdão 203-05.266 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OTAC11.10 DANTAS CARTAXO O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a contribuinte insurgiu-se contra os dados utilizados para o cálculo do grau de utilização do imóvel adotados para se efetuar o lançamento do 1TR/95. Para fundamentar seu pleito, apresentou a seguinte documentação: laudo técnico de descrição do imóvel (doc. fls. 08/11), emitido por profissional habilitado devidamente registrado no CREA (doc. fls. 13), laudo técnico para levantamento da quantidade do rebanho (doc. fls. 12), expedido por médico veterinário, e as notas fiscais de compra de vacinas (doc. fls. 14/16). O julgador singular ponderou que o pleito da recorrente poderia ser recebido como mero pedido de retificação de dados constantes na DITR. Todavia, analisou os argumentos e apreciou os documentos anexados aos autos, fato, não ferindo, portanto, o princípio da ampla defesa. Outrossim, considerou inaptos para o fim colimado as provas acima referidas por reportarem-se a datas posteriores a 31/12/94. Tem sido reiteradamente afirmado neste Colegiado que recursos como o que ora se analisa, advêm de impugnação de lançamento, nos termos do Decreto n° 70.235/72, e não do pedido intempestivo de retificação de dados cadastrais, caracterizado no § 1° do artigo 147 do CTN (Lei n° 5172/66). Dessa forma, as informações utilizadas para a efetivação do feito são passíveis de modificação, desde que comprovadas suas incorreções. Verifica-se que os laudos apresentados foram elaborados para efeito de retificação de dados cadastrais e não para revisar o Valor da Terra Nua mínimo (ViNm) tributado, por conseguinte, entendo que não estão subordinados ao rigor das exigências estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. No caso sub judice os mencionados laudos destinam-se a dimencionar a área de preservação permanente e a quantificar o número de animais, sem necessidade de lhes imputar valor. Portanto, em tese, podem ser aceitos. A apuração da área de preservação permanente, em hipótese, pode ser realizada a qualquer tempo, em razão de ser constituida por áreas inexploráveis, por força de lei, como restingas, banhados por áreas ocupadas por matas ciliares e demais áreas que compõem um ecossistema. Portanto, pode ser acatado laudo técnico, de fls. 08/11, que descreve o imóvel. Entretanto, a recorrente não anexou aos autos a certidão de registro de imóveis contendo a averbação da área preservada, fato que impede a aceitação do pedido de retificação deste item da forma pleiteada. 57 113j/R • 1U...are- MINISTÉRIO DA FAZENDA e:47%S ,erN, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo: 10925.004213196-76 Acórdão: 203-05.266 Em relação à quantidade de gado existente, o laudo apresentado às fls. 10, firmado por profissional habilitado é suficiente para ensejar a retificação dos dados apresentados, levando-se em conta a pequena diferença registrada, sendo sua datação de relevância relativa, tomando-se em conta a intenção da recorrente no contesto de suas razões de defesa, e ainda, por não pairar dúvidas sobre sua condição de pecuarista. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para que seja retificada a informação cadastral relativa ao rebanho bovino, de conformidade com o laudo de fls. 10. Sala das Sessões, em 03 de março 1999. OTACILIO D • • CARTAXO

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10815199 #
Numero do processo: 10925.901579/2014-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CRÉDITO. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. BENS PARA REVENDA E INSUMOS PROVENIENTES DE ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE.No regime não cumulativo das contribuições, as sociedades cooperativas de produção agroindustrial podem apurar créditos na aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos adquiridos de não associados, sendo vedado o creditamento em relação a bens e serviços provenientes de associados. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO. INDÚTRIA DE ALIMENTOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção e conservação do produto durante o transporte, como plástico, papelão e filmes stretch, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em vista dos requisitos da essencialidade ou relevância e especificidade desse ramo de atividade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO.VEDAÇÃO.O art. 3º , § 2º, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. METIONINA DL HIDROXI ANALOGO. NÃO SUJEIÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS-IMPORTAÇÃO E DO PIS-IMPORTAÇÃO. O produto Metionina DL Hidroxi Análogo não se encontra elencado no Anexo I do Decreto nº 6.426/2008, em vista do que não se submete à redução a zero das alíquotas previstas para a COFINS-Importação e o PIS-Importação. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS COM SUSPENSÃO . Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos adquiridos com suspensão das contribuições geram direito a crédito para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ATIVO IMOBILIZADO.Necessidade de identificação de máquinas e equipamentos e sua vinculação ao processo produtivo para enquadre-se como insumo. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. EQUIPARAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTA 46/2012. TIPO DE CREDITAMENTO. NATUREZA DA AQUISIÇÃO. Não há nem mesmo uma vírgula na SC 46/2012 (que equiparou as exclusões da base de cálculo da COFINS a uma isenção) acerca do tipo de crédito a compensar; há, sim, permissão ao creditamento, agora a forma da compensação (se o crédito é dedutível no mês, no trimestre, compensável ou ressarcível) vai depender, evidentemente, da natureza do crédito (presumido, básico, presumido ressarcível, básico não ressarcível, etc). TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021.POSSIBILIDADEDeve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos.
Numero da decisão: 3102-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: a) por unanimidade, em conhecer do recurso e no mérito dar-lhe provimento parcial nos seguintes itens: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência(e-fls.9.027 a 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4)reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref.limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa na aquisição do produto denominado “Metionina Hidroxi Análoga Liquida”; 6) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 7) reverter a glosa nas aquisições do “Óleo BPF Filoil 1A”; 8)reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; 9) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 10) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 11) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 12) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm; 13) reverter a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 14) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado a maior (diferença entre 60% e 35%); 15) determinar que seja adotada a ordem de utilização: primeiro dos créditos não ressarcíveis e somente depois desses esgotados que sejam utilizados os créditos ressarcíveis; 16) determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 17) aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; e b)por voto de qualidade, para manter as glosas de parte do material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e parte dos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, atinente à lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento em maior extensão para reverter a glosa em sua totalidade de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e em relação aos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, para alcançar a lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Sala de Sessões, em 17 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes e Pedro Sousa Bispo (Presidente).Ausentes os conselheiros Karoline Marchiori de Assis e Fabio Kirzner Ejchel.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: a) por unanimidade, em conhecer do recurso e no mérito dar-lhe provimento parcial nos seguintes itens: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência(e-fls.9.027 a 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4)reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref.limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa na aquisição do produto denominado “Metionina Hidroxi Análoga Liquida”; 6) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 7) reverter a glosa nas aquisições do “Óleo BPF Filoil 1A”; 8)reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; 9) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 10) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 11) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 12) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm; 13) reverter a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 14) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado a maior (diferença entre 60% e 35%); 15) determinar que seja adotada a ordem de utilização: primeiro dos créditos não ressarcíveis e somente depois desses esgotados que sejam utilizados os créditos ressarcíveis; 16) determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 17) aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; e b)por voto de qualidade, para manter as glosas de parte do material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e parte dos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, atinente à lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento em maior extensão para reverter a glosa em sua totalidade de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e em relação aos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, para alcançar a lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Sala de Sessões, em 17 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes e Pedro Sousa Bispo (Presidente).Ausentes os conselheiros Karoline Marchiori de Assis e Fabio Kirzner Ejchel.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CRÉDITO. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. BENS PARA REVENDA E INSUMOS PROVENIENTES DE ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE.No regime não cumulativo das contribuições, as sociedades cooperativas de produção agroindustrial podem apurar créditos na aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos adquiridos de não associados, sendo vedado o creditamento em relação a bens e serviços provenientes de associados. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO. INDÚTRIA DE ALIMENTOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção e conservação do produto durante o transporte, como plástico, papelão e filmes stretch, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em vista dos requisitos da essencialidade ou relevância e especificidade desse ramo de atividade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO.VEDAÇÃO.O art. 3º , § 2º, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. METIONINA DL HIDROXI ANALOGO. NÃO SUJEIÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS-IMPORTAÇÃO E DO PIS-IMPORTAÇÃO. O produto Metionina DL Hidroxi Análogo não se encontra elencado no Anexo I do Decreto nº 6.426/2008, em vista do que não se submete à redução a zero das alíquotas previstas para a COFINS-Importação e o PIS-Importação. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS COM SUSPENSÃO . Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos adquiridos com suspensão das contribuições geram direito a crédito para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ATIVO IMOBILIZADO.Necessidade de identificação de máquinas e equipamentos e sua vinculação ao processo produtivo para enquadre-se como insumo. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. EQUIPARAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTA 46/2012. TIPO DE CREDITAMENTO. NATUREZA DA AQUISIÇÃO. Não há nem mesmo uma vírgula na SC 46/2012 (que equiparou as exclusões da base de cálculo da COFINS a uma isenção) acerca do tipo de crédito a compensar; há, sim, permissão ao creditamento, agora a forma da compensação (se o crédito é dedutível no mês, no trimestre, compensável ou ressarcível) vai depender, evidentemente, da natureza do crédito (presumido, básico, presumido ressarcível, básico não ressarcível, etc). TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021.POSSIBILIDADEDeve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos.

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COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. BENS PARA REVENDA E INSUMOS PROVENIENTES DE ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE. No regime não cumulativo das contribuições, as sociedades cooperativas de produção agroindustrial podem apurar créditos na aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos adquiridos de não associados, sendo vedado o creditamento em relação a bens e serviços provenientes de associados. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO. INDÚTRIA DE ALIMENTOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção e conservação do produto durante o transporte, como plástico, papelão e filmes stretch, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em vista Fl. 9148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 2 dos requisitos da essencialidade ou relevância e especificidade desse ramo de atividade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO.VEDAÇÃO. O art. 3º , § 2º, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. METIONINA DL HIDROXI ANALOGO. NÃO SUJEIÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS-IMPORTAÇÃO E DO PIS-IMPORTAÇÃO. O produto Metionina DL Hidroxi Análogo não se encontra elencado no Anexo I do Decreto nº 6.426/2008, em vista do que não se submete à redução a zero das alíquotas previstas para a COFINS-Importação e o PIS- Importação. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS COM SUSPENSÃO . Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos adquiridos com suspensão das contribuições geram direito a crédito para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ATIVO IMOBILIZADO. Necessidade de identificação de máquinas e equipamentos e sua vinculação ao processo produtivo para enquadre-se como insumo. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Fl. 9149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 3 EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. EQUIPARAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTA 46/2012. TIPO DE CREDITAMENTO. NATUREZA DA AQUISIÇÃO. Não há nem mesmo uma vírgula na SC 46/2012 (que equiparou as exclusões da base de cálculo da COFINS a uma isenção) acerca do tipo de crédito a compensar; há, sim, permissão ao creditamento, agora a forma da compensação (se o crédito é dedutível no mês, no trimestre, compensável ou ressarcível) vai depender, evidentemente, da natureza do crédito (presumido, básico, presumido ressarcível, básico não ressarcível, etc). TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021.POSSIBILIDADE Deve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: a) por unanimidade, em conhecer do recurso e no mérito dar-lhe provimento parcial nos seguintes itens: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência(e-fls.9.027 a 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4)reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref.limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa na aquisição do Fl. 9150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 4 produto denominado “Metionina Hidroxi Análoga Liquida”; 6) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 7) reverter a glosa nas aquisições do “Óleo BPF Filoil 1A”; 8)reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; 9) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 10) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 11) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 12) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm; 13) reverter a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 14) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado a maior (diferença entre 60% e 35%); 15) determinar que seja adotada a ordem de utilização: primeiro dos créditos não ressarcíveis e somente depois desses esgotados que sejam utilizados os créditos ressarcíveis; 16) determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 17) aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; e b)por voto de qualidade, para manter as glosas de parte do material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e parte dos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, atinente à lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento em maior extensão para reverter a glosa em sua totalidade de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais e em relação aos produtos e serviços utilizados na conservação e limpeza, para alcançar a lavação de roupas/uniformes, serviços de higienização e locação de indumentárias. Sala de Sessões, em 17 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Fl. 9151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 5 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes e Pedro Sousa Bispo (Presidente).Ausentes os conselheiros Karoline Marchiori de Assis e Fabio Kirzner Ejchel. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante no acórdão recorrido, com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do deferimento parcial de Pedido de Ressarcimento de n° 13693.47287.290716.1.5.11 0979), no valor de R$ 13.109.892,77, de créditos de Cofins não cumulativa do 3° trimestre de 2011 vinculados às receitas de vendas no mercado interno não tributadas. Foi deferido à interessada o montante de R$ 3.264.715,70, que foi utilizado para compensar débitos declarados em Dcomp vinculados ao citado PER, restando à interessada o montante de R$ 1.848.877,21, ressarcido à contribuinte, nos termos da Informação Fiscal de fls. 3.047/3.048. Na Informação Fiscal (fls. 3.196/3.234), o Auditor Fiscal disserta sobre a legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativa, discorre sobre o ônus da prova em pedidos de ressarcimento e do procedimento de auditoria. Explica que Cooperativa Central Aurora Alimentos desenvolve as atividades como a fabricação de produtos de carne, abate de suínos, comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados, comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados, criação de suínos, fabricação de alimentos para animais, abate de aves, produção de pintos de um dia, produção de ovos, preparação de leite, entre outros. Relata que detectou diversas inconsistências na apuração do crédito pleiteado. Informa que, a partir das informações repassadas pela fiscalizada, realizou glosas nas seguintes rubricas do Dacon: 1.bens para revenda (listados no Anexo I): • aquisições de mercadorias adquiridas de empresas cooperadas; • aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03) com suspensão de pagamento das contribuições; • dispêndios com frete sobre transferência de produtos acabados e fretes dobre transferência; 2.bens e serviços utilizados como insumos (listados nos Anexos II e III): • Material de embalagens e etiquetas; • Material de uso e consumo; Fl. 9152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 6 • Peças de reposição e serviços gerais; • Material de segurança; • Conservação e limpeza; • Fretes entre estabelecimentos da Cooperativa Central Aurora para envio/retorno de industrialização/armazenagem/venda, como frete sobre transferência produto acabado, frete sobre transferência de insumos, frete sobre parcerias aves, frete sobre parcerias ração, entre outros; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM, de pessoa física ou com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificado no código 0504, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, como sêmen suíno, hortícolas e frutas, classificadas nos capítulos 7 e 8, calcáreo calcítico, entre outros; • Aquisições de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, com suspensão de pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos de cooperados pessoas jurídicas; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 8 a 12, 15, 1701 e 23, da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificados no código 2309.90 da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de combustíveis e derivados: Óleo Combustível, lubrificantes, graxa, gás GLP a granel, lincomicina (NCM correta: 3004.20.410), que não geram créditos de PIS/Cofins, em virtude de compra de produto com incidência monofásica e de não se enquadrarem no conceito de insumo; • Aquisições de serviços que não se agregam ao produto; • Diferença de créditos entre o batimento dos valores declarados no Dacon e os arquivos digitais apresentados. 3. armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (Anexo IV): • remessa de vasilhame ou sacaria; • transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro; • remessa em doação, bonificação ou brinde; • outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados; • remessa por conta e ordem de terceiros em venda ordem ou armaz. geral; Fl. 9153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 7 • remessa para industrialização por encomenda; • glosa de valores que foram informados a maior no Dacon, em relação aos arquivos digitais apresentados. 4.encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (Anexo V): • encargos de depreciações sobre importações de bens; • itens sem a informação nos campos "número de nota fiscal", "nome do fornecedor" e "CNPJ do fornecedor"; e o encargos de depreciação de suínos reprodutores, em desacordo com a IN/SRF n° 162/1998, ou amparado por laudo técnico idôneo, conforme art. 310, do Decreto n° 3.300/99. 5.encargos de amortização de edificações e benfeitorias (Anexo VI): • itens sem o preenchimento dos campos "N° Nota Fiscal", "Fornecedor" e "CNPJ Fornecedor" ou o campo "Fornecedor" com a seguinte informação: "dvs notas ficais e dvs fornecedores". 6.crédito presumido - atividades agroindustriais: • créditos foram alocadas indevidamente nos campos "Não tributada no Mercado Interno" e de "Receita de Exportação"; • aplicação incorreta do percentual de 60% do inciso I do §3° do art. 8º sobre os insumos adquiridos como: 0103.10.00 (animais vivos da espécie suína - reprodutores de raça pura), 0103.91.00 (animais vivos da espécie suína - de peso inferior a 50 KG); 0103.92.00 (animais vivos da espécie suína - de peso igual ou superior a 50 KG); 0105.94.00 (animais vivos - galos e galinhas); 1005.90.10 (milho - em grãos); 4401.10.00 (lenha em qualquer estado); 4401.30.00 (serragem); 4402.90.00 (carvão vegetal - outros); • a autoridade fiscal relata ainda as seguintes incorreções: 1)Crédito presumido 60% - Em virtude da glosa, o saldo é composto somente pela NCM 0401.20.90 - leite cru, no valor de R$ 4.088.475,27, menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido". Utilizando o referido crédito para abater da própria contribuição, nos respectivos meses, o saldo final é R$ 0,00; 2)Crédito presumido 35% - Saldo inicial de R$ 7.230.066,33, conforme recomposição do crédito de 60% para 35%, menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido". Utilizando o referido crédito para abater da própria contribuição, nos respectivos meses, o saldo final é de R$ 982.834,14(julho); R$ 1.797.563,12 (agosto) e R$ 1.010.346,27 (setembro); 3)Crédito presumido 30% - Saldo inicial de R$ 4.456.969,26, menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido", o saldo final é de R$ R$ 386.122,16 (julho); R$ 571.176,14 (agosto) e R$ 773.930,97 (setembro); Fl. 9154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 8 4)Crédito presumido 40% - Saldo inicial de R$ 136.272,61, sem valores estornados com saldo final de R$ 65.114,81 (julho); R$ 48.690,49 (agosto) e R$ 22.467,31 (setembro); 5)Crédito presumido 12% - Saldo inicial de R$ 18.373,87, com glosa em relação a NCM 1602.32.30 - R$ 623,57 (julho), por ausência de previsão legal, conforme arts. 6° e 8°, da IN/RFB n° 1.157/2011 e menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido", o saldo final é de R$ 4.632,45 (julho); R$ 8.999,78 (agosto) e R$ 4.097,26 (setembro). 7. Créditos a descontar na importação: aquisição de produtos importados que não se enquadram na categoria de insumos. Por fim, dentre as inconsistências detectadas, a autoridade explica que fez alterações nos percentuais do rateio proporcional adotado pela manifestante, fato que diminuiu os créditos ressarcíveis da interessada. Cientificada em 13/06/2017, a contribuinte apresentou em 07/07/2017 a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. Primeiramente, faz um resumo dos fatos e das glosas realizadas. Após, no tópico "PRELIMINARMENTE - NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO - VÍCIO FORMAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA", diz que o despacho decisório é impreciso no que diz respeito à indicação dos motivos para a glosa do crédito. Alega ter constatado que determinada glosa pode se enquadrar, simultaneamente, em mais de uma justificativa. Cita, como exemplo, os créditos de aquisições de bens para revenda, que foram glosados sob três fundamentos (aquisição de cooperados; de produtos agropecuários com suspensão do pagamento da contribuição e de fretes sobre transferências). Alega que os documentos fiscais glosados foram arrolados no Anexo I sem a indicação da fundamentação da glosa aplicada ao caso, razão pela qual não teria como saber quais são os documentos fiscais que dizem respeito a cada fundamento para glosa do crédito. Reclama, também, que o relato fiscal faz referências a diversas glosas de produtos específicos acompanhados da expressão "entre outros". Assevera que não tem como saber quais são os bens ou documentos fiscais considerados, neste caso, e assim, não tem como defender-se adequadamente. Afirma que, igualmente, não tem como saber quais insumos considerou suspensos na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, assim como desconhece quais foram os insumos enquadrados na suspensão prevista no art. 54, II, da Lei n° 12.350/2010. Relativamente à glosa de fretes, diz que a fiscalização glosou valores de variados fretes entre estabelecimentos, que estão indicados nos Anexos II e III. Alega, todavia, que é impossível identificar com precisão quais são os conhecimentos de frete que se referem a cada um dos fundamentos que amparam as glosas, Fl. 9155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 9 situação que se repete com os fretes relativos ao transporte de bens utilizados como insumos. Conclui que o relatório fiscal é impreciso, genérico e não indica quais documentos fiscais estão relacionados a cada um dos fundamentos que embasaram a glosa dos créditos, tornando-o nulo, já que inviabiliza o exercício do contraditório e da ampla defesa. No tópico "Aquisições de bens para revenda", diz que as glosas foram efetuadas sob três fundamentos: mercadorias adquiridas de cooperados, mercadorias adquiridas com suspensão e frete sobre transferência de produtos acabados. Relativamente à glosa de aquisições de cooperados, diz que as notas fiscais glosadas são as constantes do "Anexo I - Aquisição Para Revenda de Suínos Reprodutores de Cooperados", realizadas com base nos incisos I e II do art. 23 da IN RFB n° 635/2006. Aduz que os arts. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 não trazem tal vedação, razão pela qual o citado ato normativo ofende o princípio da legalidade. No que tange à glosa de aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03), esclarece que as glosas foram feitas porque aos produtos adquiridos aplica-se a suspensão de pagamento das contribuições, nos termos da Lei n° 12.350/2010 e arts. 2° e 16, da IN/RFB n° 1.157/2011. Diz que os documentos glosados estão indicado no "Anexo II -Aquisição Para Revenda de Suínos Reprodutores" e que, em relação às mercadorias destinadas à revenda, não se aplica a suspensão do pagamento das contribuições, previsto no art. 54, III, da Lei n° 12.350/2010. Narra que, no caso, trata-se de animais de alto valor genético que não se destinam à produção das mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, e sim, à revenda, de modo a gerar o crédito pretendido. No que se refere à glosa de fretes relativos a transferências de produtos acabados entre os estabelecimentos da cooperativa, diz que os documentos glosados estão relacionados no "Anexo III - Transferências de Produtos Acabados Entre os Estabelecimentos da Cooperativa". Informa possuir diversas unidades produtoras localizadas em diversos e que os produtos são transferidos das unidades produtoras para as filiais comerciais. Entende que o valor do frete integra o custo das mercadorias, nos termos do art. 289, § 1°, do RIR/1999. No tópico "Aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos - Anexos II e III", diz que a fiscalização glosou créditos das rubricas "Bens utilizados como insumos" e "Serviços utilizados como insumos" sob diversos fundamentos. No que se refere ao "Material de Embalagem e Etiquetas", aduz que a legislação não faz qualquer distinção entre embalagem de apresentação e transporte. Entende que qualquer embalagem utilizada no processo produtivo gera direito ao crédito, pois não há nas normas que o vedam tal. Diz que a tese da fiscalização já foi rechaçada pelo CARF. Informa que elaborou relatório analítico com a descrição Fl. 9156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 10 de todos os materiais de embalagem glosados, de modo a ser possível se visualizar que se tratam de embalagens com acabamento sofisticado, que tem o objetivo de valorizar o produto, além de serem embalagens de capacidade inferior a 20 quilos e corresponderem à forma como entrega os produtos aos clientes, considerando que não efetua vendas a consumidor final. Ressalta, também, que os laudos acostados no "Anexo IV - Laudos Técnicos", demonstram que as embalagens não se destinam precipuamente ao transporte das mercadorias. Alega que não é devida a glosa do crédito sobre as embalagens, que, como demonstrado, são de apresentação dos produtos destinados à venda. Relata, ainda, que dada a natureza das mercadorias - alimentos congelados para consumo humano - é irrecusável reconhecer que as embalagens, mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores, cumprem a função relevante de conservação do produto, de modo que a preservação das propriedades do alimento constitui utilidade adicional e complementar à mera função de transporte do conteúdo, razão pela qual o dispêndio permite o creditamento. Relativamente ao "Material de Uso e Consumo/Peças de Reposição e Serviços Gerais", diz que as glosas podem ser classificadas da seguinte forma: •peças para manutenção de máquinas e equipamentos: trata-se de peças para manutenção das máquinas e equipamentos industriais, cujos documentos encontram-se arrolados no Anexo VI; •materiais de manutenção elétrica: trata-se de material empregado na manutenção de máquinas e equipamentos e instalações elétricas em geral das plantas industriais, conforme Anexo VII; •bens de pequeno valor: trata-se de ferramentas e utensílios utilizados na manutenção mecânica e predial, que por sua natureza, valor e durabilidade não são incorporados ao ativo imobilizado, conforme Anexo VIII; •material de manutenção predial: trata-se de material empregado na manutenção predial das plantas industriais, conforme Anexo IX; e •serviços de manutenção de máquinas e equipamentos: trata-se de serviços de manutenção de máquinas, manutenção predial e locação de equipamentos, contratados junto a pessoas jurídicas. Alega, no que diz respeito aos ditos "materiais de uso e consumo" e "peças de reposição e serviços gerais", arrolados nos Anexos VI, VII, VIII e IX, que não se pode falar em inadequação ao conceito de "insumo". Aduz que esses bens são utilizados no processo produtivo e são indispensáveis para a obtenção dos produtos finais destinados à venda. Discorre sobre o conceito de insumos e sobre a jurisprudência do CARF sobre o assunto, para concluir que devem ser considerados como insumos todos os bens e serviços necessários e aplicados no processo produtivo, ou seja, que integram o custo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda. Fl. 9157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 11 Argumenta que o fato de os itens glosados terem sido registrados em contas contábeis pertencentes ao grupo de custos, demonstra que se trata de gastos diretamente ligados diretamente aos setores produtivos. Informa que acosta no Anexo IV laudo técnico do processo produtivo, e no Anexos VI, VII, VIII e IX relação analítica dos itens glosados. Conclui que os itens denominados de "Material de uso e consumo" e "Peças de reposição e serviços gerais" são insumos de seu processo produtivo. Relativamente ao "material de segurança", alega que se trata de material de proteção dos trabalhadores que atuam no processo produtivo, cuja utilização é compulsória, nos termos da legislação trabalhista e da vigilância sanitária, sendo imprescindíveis e diretamente ligados ao processo produtivo, sem os quais a produção sequer pode se realizar. Relata que acostou no Anexo IV laudo técnico do processo produtivo e no Anexo X relação analítica dos itens glosados, que comprovam o alegado. No que refere às glosas de "produtos de conservação e limpeza", aduz que elaborou o Anexo XI, demonstrando que os créditos glosados são relativos a produtos que são empregados da seguinte forma: i) adicionados a água das caldeiras, visando a sua conservação; ii) nas torres de resfriamento e túneis de congelamento, para evitar a criação de limo e encrostamento externo; iii) no tratamento da água utilizada no processo produtivo, especialmente na limpeza de equipamentos, utensílios e instalações; iv) desinfecção de instalações sanitárias; v) sabonete líquido para a lavagem de mãos e antebraço; vi) detergentes para a limpeza de botas; vii) papéis-toalha e higiênico utilizados para a secagem das mãos nas estradas dos setores e nas instalações sanitárias utilizadas exclusivamente pelos trabalhadores dos setores produtivos; viii) venenos e inseticidas para o controle de roedores, pragas e insetos; ix) produtos para tratamento dos efluentes industriais; e x) materiais e utensílios diversos utilizados na limpeza. Diz que o Anexo XI permite a identificação de todos os materiais utilizados no processo produtivo, que são indispensáveis e são contabilizados como custo de produção. Afirma que a indústria frigorífica de aves e suínos e a indústria de laticínios estão sujeitas ao cumprimento de uma série de normas legais que exigem condutas quanto à manutenção das instalações e equipamentos industriais, limpeza dos vestiários e sanitários, tratamento da água de abastecimento, controle integrado de pragas, limpeza e sanitização dos ambientes, higiene e saúde dos trabalhadores, controle dos procedimentos sanitários e a realização de testes microbiológicos. Entende que o fato de a utilização desses materiais ser exigência legal revela o caráter de indispensabilidade à produção, razão pela qual revestem a condição de insumos. Informa que acosta no Anexo IV laudo técnico do processo produtivo. No que se refere à "glosa de fretes entre estabelecimentos da empresa, relativos a envio/retorno de industrialização, armazenagem e venda, como frete sobre Fl. 9158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 12 transferência de produto acabado, transferência de insumos, parcerias aves, parcerias ração, entre outros", aduz que a fiscalização glosou valores relativos a tais fretes sob a justificativa de "falta de expressa previsão legal", informa que o Anexo XII que elaborou identifica que os fretes glosados pode ser segregados da seguinte forma: "Frete Parceria Aves, "Frete Parceria Ração", "Frete Transferência De Insumos", "Frete Transferência Produto Acabado" e "Frete S/ Compras Suínos Para Abate". Disserta sobre os créditos em relação aos serviços de transporte e sobre o arts. 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99. Entende que a interpretação que se extrai das normas legais é o de que o valor do frete integra o custo de aquisição dos bens e, nesta condição, compõe a base de cálculo dos créditos do PIS/Pasep e da Cofins. Explica que o "Frete sobre Sistema de Parceria (Insumos)" é relativo a transporte de suínos, aves e rações em operações vinculados ao sistema de parceria. Informa que os respectivos conhecimentos de fretes estão relacionados no Anexo XIII. Explica o sistema de parceria e que a criação de suínos e aves nesse sistema demanda grande volume de serviços de transporte nas suas diversas etapas. Esclarece que os "frete sobre parcerias aves" são transporte de pintinhos que se dá entre seus incubatórios e as propriedades rurais dos produtores cooperados, para criação em sistema de parceria. Explica como contabiliza tais gastos e conclui que tais fretes são custos do frigorífico, caracterizando insumo de produção. Discorre sobre os "fretes s/ parcerias suínos", que se referem a transporte de "leitões creche", "leitões para terminação" e "suínos para abate". Informa que concluído o processo de engorda dos suínos, estes são enviados às unidades industriais para o abate. Entende que tal frete é parte integrante do custo de produção dos suínos e que, assim, são insumos de seu processo produtivo. Diz que a fiscalização também glosou gastos com fretes relativos a transporte das rações utilizadas na alimentação das aves e suínos, alojados nas granjas dos cooperados integrados, os quais são posteriormente remetidos para abate nas unidades industriais, constituindo-se na principal matéria-prima dos frigoríficos. Explica o processo de contabilização de tais gastos, demonstrando que eles são identificados como custos de produção, atendendo ao conceito de insumo. Relata, por fim, que a autoridade fiscal também glosou fretes relativos a transporte de aves e suínos vivos para abate, os quais constituem insumo indispensável que integra o custo do bem transportado. No que toca aos "Fretes sobre Transferência de Insumos de Produção", explica que se referem a serviços de transporte de suínos vivos, lenha, ração, condimentos, embalagens, produtos semi-elaborados, como por exemplo, peito, coxa e sobre-coxa desossados de frango, pele de frango, pernil, paleta, sobre- paleta, retalhos e toucinho de suínos, carne mecanicamente separada de frango, barriga suína, entre outros, que são transferidos entre unidades produtoras com o Fl. 9159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 13 de compor um novo produto acabado. Aduz que tais gastos compõem o custo de produção dos bens da unidade de destino. Apresenta no Anexo XIV a relação dos conhecimentos de fretes, cópia da nota fiscal relativa à mercadoria transportada e o razão contábil que consigna o registro desses documentos No que toca aos "Fretes sobre Transferência de Produtos Acabados", repete as mesmas argumentações já aduzidas acima. Diz se tratar de operações que são imprescindíveis para a efetivação da venda dos produtos fabricados. Acosta aos autos o Anexo XV que possui a relação dos conhecimentos de frete em relação aos quais o crédito foi glosado. Relativamente ao "Fretes sobre Compras de Suínos para Abate", informa que o Anexo XVI possui a relação dos conhecimentos de frete em relação aos quais o crédito foi glosado. Entende que tais gastos são insumos de seu processo produtivo. No que tange à " Glosa de aquisições de produtos classificados no código 0504 da NCM, com suspensão do pagamento do PIS e Cofins", aduz que os bens objeto da glosa são tripa de bovinos (NCM 0504.0011) e tripa de suínos (NCM 0504.0013), adquiridos de fornecedores nacionais. Aduz que, em função da imprecisão do relatório fiscal, deduziu que a glosa ocorreu em relação aos documentos arrolados no Anexo XVII. Alega que a glosa é indevida porque aos produtos adquiridos não se aplica a suspensão do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, pois os seus fornecedores não se enquadram entre as hipóteses previstas nos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/2004. Explica que, com base no que dispõem os arts. 8° e 9° da Lei n° 10.925/2004, bem como nos arts. 2° e 3° da IN/SRF n° 660/2006, é suspenso o pagamento das contribuições nas vendas de bens utilizados como insumos para a fabricação dos produtos mencionados no art. 8° da citada lei, desde que essa venda seja efetuada por: i) cerealista; ii) pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e iii) pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Afirma que as pessoas jurídicas fornecedoras dos produtos objeto de glosa não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais em que se aplica a suspensão, o que pode ser comprovado pelos comprovantes de Situação Cadastral dos fornecedores acostados no Anexo XVII. Ressalta que houve tributação na venda de tais produtos, conforme comprovam os documentos fiscais emitidos pelos respectivos fornecedores e espelhos obtidos no portal da nota fiscal eletrônica, sendo possível observar que em todas as notas fiscais consta o código CST 01, que corresponde a "operação tributável com alíquota básica". Conclui que como tais mercadorias foram utilizadas como insumo na fabricação de bens destinados à venda, fato que é incontroverso nos autos, tem direito ao desconto de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Fl. 9160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 14 Relativamente à "Glosa de aquisições de insumos ou mercadorias sujeitos à alíquota zero, como sêmen suíno, hortícolas e frutas, classificadas nos capítulos 7 e 8, calcário calcítico, entre outros", afirma que são indevidas as glosas dos seguintes produtos listados no Capítulo 29 da TIPI: Lecitina de Soja Ilapzo, Fixador de Cor, Axeed Liquid. Reg. Mapa SP 09088-30003 Fr.C/200ml e Metionina Hidroxi Analoga Liquida. Afirma que tais produtos não estão sujeitos à alíquota zero. Diz que as notas fiscais glosadas são as constantes do Anexo XVIII. Registra que o Decreto n° 5.821/2006 foi revogado pelo Decreto n° 6.426/2008, que, no art. 1°, determina que somente os produtos do capítulo 29 da TIPI e constantes no Anexo I, estão sujeitos à alíquota zero e que os produtos acima referidos não estão especificados no Anexo I. Diz se tratar de produtos regularmente tributados, os quais foram empregados como insumos nos processos produtivos da indústria de lácteos, caso da "Lecitina de Soja Ilapzo", na indústria frigorífica de suínos, no caso do "Fixador de Cor", nº frigorífico de aves, no caso do "Axeed Liquid. Reg. Mapa SP 09088-30003 Fr.C/200ml" e na fabricação de ração, no caso da "Metionina Hidroxi Analoga Liquida". Relativamente aos "Produtos do Capítulo 25 da TIPI, Não Sujeitos à Alíquota Zero", diz que a fiscalização glosou o crédito efetuado pela recorrente sobre aquisições de "Calcário Calcítico" e "Adosorb Afla", classificados nos códigos de NCM 2521.00.00 e 2508.40.90, sob a justificativa de tratar-se de produtos sujeitos à alíquota zero. Diz que as notas fiscais glosadas são as constantes no Anexo XIX. Ressalta que os mencionados produtos, apesar de estarem classificados no Capítulo 25 de TIPI, que trata dos produtos minerais e, dentre os quais, constam os "corretivos de solo", no seu caso eles não são utilizados como corretivos de solo, mas como material intermediário na fábrica de rações. Afirma que, por isso, não fazem jus à tributação reduzida a zero, de que trata o art. 1°, IV, da Lei n° 10.925/2004, de modo que os fornecedores tributaram integralmente tais produtos, conforme amostragem das notas fiscais. Assevera que os citados produtos são insumo de produção, sendo legítimo o direito ao crédito. No que tange aos "Produtos do Capítulo 30 da TIPI, Não Sujeitos à Alíquota Zero", aponta que foram glosados créditos sobre diversos produtos, sob o argumento de que estariam sujeitos à alíquota zero. Explica que a fiscalização indicou como fundamento legal o art. 2° do Decreto n° 5.821/2006, que foi revogado pelo Decreto n° 6.426/2008. Afirma que a fiscalização, além de fundamentar a glosa em disposição revogada, o que por si só já a torna insustentável, aduz que tal norma não se aplica ao caso concreto, pois os produtos glosados foram adquiridos no mercado nacional, conforme se verifica pela inscrição dos fornecedores no CNPJ (Anexo XX). Aduz que o art. 2° do Decreto n° 5.821/2006 reduziu a zero as alíquotas do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação, mas que nas vendas internas tais produtos são tributados integralmente, de modo que não se justifica a glosa do crédito. Argumenta, ainda, que, no Decreto n° 6.426/2008, os produtos em questão não estariam contemplados com a redução a zero das alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins. Informa que os produtos glosados são utilizados como Fl. 9161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 15 ingredientes na fabricação de rações e como condimentos na indústria frigorífica e de lácteos, portanto, com destinação diversa daquelas preconizadas pelo citado decreto, para que fosse aplicável a redução a zero das alíquotas. Ressalta que os fornecedores tributaram os referidos produtos, conforme demonstra as notas fiscais e respectivos espelhos do portal da nota fiscal eletrônica, acostadas no Anexo XX. No que se refere à "Glosa de aquisições de produtos com suspensão do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos das Leis n° 10.925/2004", afirma que diversos produtos glosados, em tese, se enquadram na hipótese de suspensão prevista no art. 9° da Lei n° 10.925/2004, mas que seus fornecedores não atendem aos requisitos estabelecidos pelo dispositivo legal, conforme Anexo XXI. Traz aos autos quadro demonstrativo desses fornecedores, argumentando que eles não são i) cerealistas; ii) pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e nem iii) pessoas jurídicas que exerçam atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Afirma que, em consequência, não fazem jus à suspensão do PIS/Pasep e da Cofins prevista no 9° da Lei n° 10.925/2004. Registra que, em relação aos aludidos documentos, também não se aplica a suspensão prevista no art. 54 da Lei n° 12.350/2010, uma vez que se trata de produtos diversos daqueles ventilados pela referida norma. Conclui que, em relação às notas fiscais do Anexo XXI, não há que se falar em suspensão do pagamento do PIS/Cofins e, como se trata de insumos, faz jus ao crédito. No que tange à "glosa de aquisições de produtos com suspensão do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos das Leis n° 12.350/2010", alega que a glosa é indevida em relação aos fatos geradores ocorridos em data anterior a 17 de maio de 2011, data de publicação da IN/RFB n° 1.157/2011, por meio da qual a RFB estabeleceu as condições para a aplicação da suspensão do art. 54 da Lei n° 12.350/2010. Entende que os insumos adquiridos no período de 01/04/2011 a 17/05/2011 eram tributados, pois a execução da lei dependia da edição da instrução normativa, o que somente ocorreu em maio de 2011. Requer a reversão das glosas relacionados no Anexo A que trouxe aos autos. Em relação à "Glosa de aquisições de produtos de cooperados pessoas jurídicas", demonstra os valores glosados relativos a bens utilizados como insumos, adquiridos de cooperados - pessoas jurídicas. Aduz que tal glosa é indevida, pois foram mercadorias para revenda adquiridas de cooperados. Salienta que os bens que foram objeto da glosa do crédito são tributados, de modo que fica assegurado o direito ao crédito. No que toca à "glosa de aquisições de combustíveis e derivados: óleo combustível, lubrificantes, graxa, gás GLP a granel, e lincomicina (NCM 3004.20.410), com incidência monofásica ou por não se enquadrarem no conceito de insumo", diz que as glosas foram realizadas sob o argumento de que tais produtos estariam sujeitos à incidência monofásica e não se enquadram no conceito de insumo. Fl. 9162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 16 Assevera que os itens glosados são utilizados como insumos de produção, conforme faz prova amostragem das notas fiscais de aquisição dos bens e respectiva contabilização, acostados no Anexo XXII. Explica que o "carvão vegetal", o "farelo de pinus", a "lenha de eucalipto" e a "serragem grossa de eucalipto" são utilizados como combustível nas caldeiras, destinadas a geração de vapor e para esquentar a água utilizada nos frigoríficos. Afirma que o "Gás GLP a granel" é empregado como combustível nas empilhadeiras, utilizadas para movimentação de mercadorias no interior das fábricas e também no "chamuscador" dos suínos. Informa que o "Óleo BPF Filoil 1A", o "Gás Freon R-22 Com 13 Kg" e o "Gás P-13" são empregados como combustível das caldeiras a óleo e na manutenção de máquinas e equipamentos. Esclarece que a "gasolina comum" é utilizada na caldeiras e que o "óleo diesel" é usado na manutenção de máquinas e equipamentos. Conclui que os itens são usados diretamente no processo produtivo, são indispensáveis ao mesmo e integram o custo de fabricação dos produtos destinados à venda. No que tange à alegação de que são produtos sujeitos à incidência monofásica aduz, por primeiro, que, ainda que tal tese fosse correta, não seria possível se admitir a glosa de créditos em relação ao "Óleo BPF Filoil 1A", ao "Gás Freon R-22 com 13 Kg", ao "carvão vegetal", "farelo de pinus", "lenha de eucalipto" e a "serragem grossa de eucalipto", que são tributados regularmente. Afirma, outrossim, que, em relação aos combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção de bens ou produtos destinados à venda, há previsão legal expressa contida no art. 3° das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaca que a Cosit, na Solução de Consulta n° 126 e Solução de Divergência Cosit n° 12, de 25/01/2017, já se manifestou a respeito da possibilidade de crédito do PIS/Pasep e de Cofins sobre combustíveis e lubrificantes empregados no processo de produção de bens e serviços. Alega, ademais, que, na incidência monofásica, ocorre o pagamento das contribuições. Informa que o Anexo XXII relaciona as notas fiscais glosadas. Relativamente à "glosa de aquisições de serviços que não se agregam ao produto, como: coleta de lixo/resíduos, conserto de máquinas e equipamentos, lavação de roupas/uniformes, limpeza, conservação/zeladoria, manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros, com descrições genéricas e imprecisas e que não são enquadrados como serviços utilizados diretamente na produção/fabricação", diz que elaborou o relatório (Anexo XXIII), consignando as notas fiscais que foram objeto de glosa do crédito. Sustenta que a simples visualização do relatório permite identificar com clareza a natureza dos gastos e constatar que se trata de Fl. 9163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 17 serviços empregados nos seus processos produtivos. Alega que, em relação aos itens descritos como "materiais divs. ref. a prestação de serviços/imobilizado", que elaborou o Anexo XXIII.1., para demonstrar que se trata de variados serviços e/ou materiais aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos ou, ainda, na confecção ou conserto de peças para máquinas e equipamentos industriais. Relativamente a "outros esclarecimentos em relação à glosa de créditos sobre bens utilizados como insumos", diz que a fiscalização também glosou diversos itens, que relaciona, sob a justificativa que não seriam insumos de seu processo produtivo. Afirma que os documentos relativos aos produtos estão acostados no Anexo B. Entende que por se tratar de produtos regularmente tributados e alheios aos motivos indicados pela fiscalização para justificar as glosas de créditos, não há como deixar de reconhecer o crédito sobre os mencionados bens. No que tange à "glosa de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda", informa se insurge quanto aos conhecimentos de frete arrolados no Anexo XXIV que elaborou. Relata que foram glosados fretes relativos a: •Remessa de vasilhame ou sacaria; •Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro; •Remessa em doação, bonificação ou brinde; •Outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados; •Remessa por conta e ordem de terceiros em venda à ordem ou armazém geral; e •Remessa para industrialização por encomenda. Diz que as glosas são indevidas, pois decorrem de interpretação equivocada por parte da autoridade fiscal das operações realizadas pela recorrente. Esclarece que é comum ocorrer situações em que um conhecimento de frete corresponde a várias notas fiscais transportadas, do mesmo modo que é comum ocorrer situações em que as notas fiscais transportadas se referem a naturezas de operação fiscal (CFOP) diferentes, ou seja, em relação a um mesmo conhecimento de frete, podem ser transportadas notas fiscais de venda, nota fiscal de transferência de produtos acabados e nota fiscal de remessa de "pallet", por exemplo. Afirma que, por isso, apresentou à fiscalização o arquivo digital contendo os conhecimentos de frete e discriminou todas as notas fiscais transportadas. Como cada conhecimento de frete continha diversas notas fiscais transportadas, adotou o critério de informar o valor total do frete, na linha correspondente à primeira nota fiscal vinculada. Relata, todavia, que a fiscalização aplicou filtros na planilha que recebeu, segregando as notas fiscais com natureza de operação diversa das de venda, glosando o crédito em relação aos fretes vinculados a notas fiscais cuja natureza da operação não correspondia à de venda, como no caso do CTRC acima. Entende que a glosa do crédito é indevida, em Fl. 9164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 18 primeiro lugar, porque a maioria das notas fiscais transportadas dizem respeito à operação de venda, hipótese em que não há dúvida quanto ao direito ao crédito. Aduz que, mesmo que uma das notas fiscais transportadas diga respeito à operação fiscal de "Remessa de vasilhame ou sacaria", tal circunstância não impede o crédito em relação às demais notas fiscais, pois o valor do frete corresponde às mercadorias vendidas. Ressalta que quando algumas das notas fiscais se refiram à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, a glosa do crédito também é indevida, pois é legítima a apropriação de crédito sobre fretes pagos vinculados a essas operações. Argumenta que o mesmo raciocínio é válido quando algumas das notas fiscais transportadas se refiram à operação fiscal de "Remessa em doação, bonificação ou brinde". Explica que a nota fiscal de bonificação não é computada no cálculo do valor do frete, de modo que, embora relacionada entre as notas fiscais transportadas, na prática o valor do frete corresponde unicamente às notas fiscais de venda. Diz também não haver motivos para a glosa do crédito quando as notas fiscais vinculadas digam respeito à operação fiscal de "Remessa por Conta e Ordem de Terceiros em Venda à Ordem ou Armazém Geral", pois tais operações correspondem a uma remessa de mercadoria por determinado estabelecimento, cuja venda foi efetuada anteriormente por outro estabelecimento da empresa. Alega que quando se trata de frete sobre remessa e retorno de mercadorias para armazenagem em depósito de terceiros, a glosa do crédito também é indevida, pois nesse caso o custo do frete constitui despesa de armazenagem da produção, ou seja, o valor do frete relativo à remessa e retorno do produto integra o custo de armazenagem. Entende, por fim, que, no caso do frete relativo à remessa de mercadoria para industrialização, também não há impedimento ao crédito, pois nessa hipótese trata-se de serviço utilizado como insumo, situação em que é legítimo o direito ao crédito. Informa que para demonstrar as operações realizadas e comprovar as alegações, a recorrente acosta no Anexo XXIV.1, amostragem dos conhecimentos de frete e as respectivas notas fiscais transportadas e a eles vinculadas. No que tange à "glosa de encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado - Anexo V", relata que a fiscalização realizou diversas glosas (Anexo V) sob as seguintes justificativas: •glosa de créditos de bens que não são utilizados na produção de mercadorias destinados à venda; •glosa de créditos de bens importados; Fl. 9165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 19 •itens sem informações necessárias à verificação do crédito; e •encargos de depreciação de suínos reprodutores "em desacordo com a IN/SRF 162/1998, ou amparado por laudo técnico inidôneo". Entende que as glosas estão equivocadas, uma vez que a fiscalização aplica o conceito restritivo de insumos. Apresenta, a fim de demonstrar a pertinência dos bens com o processo produtivo, o Anexo XXV. Diz que selecionou alguns dos bens glosados, em relação aos quais carreia aos autos a nota fiscal relativa à aquisição, o razão contábil que demonstra o registro do bem em conta do ativo imobilizado, e, laudo técnico detalhando a finalidade do bem e a sua utilização no processo produtivo. Aduz que, igualmente, é indevida a glosa do crédito sobre os encargos de depreciação relativos a bens importados. Alega ser incorreto afirmar que o direito ao crédito se aplica exclusivamente aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, pois a Lei n° 10.865/2004 é clara em autorizar o crédito também sobre os bens importados. Argumenta que o despacho decisório recorrido nega vigência às disposições contidas no inciso V do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, razão pela qual merece ser prontamente reformado e reconhecer o crédito sobre os documentos constantes no Anexo C. Em relação aos itens sem a informação nos campos "número de nota fiscal", "nome do fornecedor" e "CNPJ do fornecedor", afirma que os bens em questão são compostos por mais de um documento fiscal, tendo apresentado à autoridade fiscal a composição detalhada dos respectivos bens. Reclama que a autoridade fiscal se limitou à análise de apenas parte da informação apresentada, sob o pretexto de, por falta de informações, glosar o crédito. Apresenta no Anexo XXVI a relação detalhada dos bens adquiridos e que têm origem em mais de um documento fiscal. Aduz que tal relatório permite identificar todas as informações relevantes para legitimar o crédito pleiteado. Requer, por fim, a reversão das glosas relativas aos encargos de depreciação dos suínos reprodutores, conforme valores indicados no Anexo XXVII. Diz que se creditou de PIS/Pasep e de Cofins sobre a depreciação de "Suínos Reprodutores", cujo encargo foi calculado a uma taxa anual de 40%, que tem amparo em laudo técnico, segundo o qual, a vida útil dos "suínos reprodutores" é de 30 meses. Assevera que a taxa de depreciação diferente daquelas estabelecidas pela RFB tem amparo legal no §1° do art. 310 do RIR/99, razão pela qual não pode se falar em contrariedade com a Instrução Normativa SRF n° 162/1998. Argumenta, outrossim, que ainda que o laudo técnico não atendesse aos requisitos estabelecidos, no mínimo, deveria ter sido aplicada a taxa de 20% ao ano, nos termos do contido no art. 1° da IN n° 162/1998, fato que não ocorreu, visto que a fiscalização simplesmente excluiu os bens da base de créditos do período. No tópico "glosa de encargos de amortização de edificações e benfeitorias - Anexo VI", informa que a fiscalização glosou créditos nesta rubrica sob a justifica de que as planilhas demonstrativas do créditos eram incompletas em diversas Fl. 9166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 20 informações. Esclarece que as edificações e benfeitorias realizadas, regra geral, são operações que envolvem diversos documentos fiscais, já que são compostas por um conjunto de aquisições de bens e serviços. Diz que uma edificação ou benfeitoria leva tempo para ser construída e nelas são empregados vários materiais que são adquiridos de diversos fornecedores e que enquanto a edificação ou a benfeitoria estiver na fase de construção, todos os gastos com materiais, mão de obra, serviços em geral, encargos tributários, etc., são registrados em conta específica pertencente ao grupo "obras em andamento" do "ativo imobilizado". Expõe que ao fim da obra apura-se o custo da mesma, valor que é transferido para conta do ativo imobilizado e constitui o valor do bem a ser incorporado ao imobilizado da empresa. Aduz que, desse modo, é natural que o custo de uma edificação ou benfeitoria é composto por "diversas notas fiscais" relativas a todos os materiais empregados, assim como os materiais podem ter sido adquiridos de "diversos fornecedores". Entende que tal circunstância, no entanto, não inviabiliza a verificação dos documentos que deram origem a determinado item do imobilizado. Traz aos autos o Anexo XXVIII, a fim legitimar o crédito pleiteado. No tópico "Glosa de Crédito Presumido - Atividades Agroindustriais", aduz que adotou o critério de alocar tais créditos na proporção das receitas tributadas, não tributadas no mercado interno e de exportação. Diz que, diante da inexistência de previsão legal para o ressarcimento desse crédito, o mesmo não foi incluído no PER. Esclarece que a autoridade fiscal alocou o valor integral na coluna correspondente à receita tributada no mercado interno. Reclama que, embora o procedimento adotado pela fiscalização não interfira no valor do presente processo, tal realocação tem relevância na medida em que altera suas informações no banco de dados da RFB. Diz que, embora não haja previsão para o ressarcimento desse crédito, nada impede que no futuro esse empecilho seja removido. Alega que o procedimento fiscal contraria as disposições da legislação, no que toca à obrigatoriedade de aplicação de algum método de rateio. Disserta sobre o método do rateio proporcional. Destaca que a autoridade fiscal adotou critério próprio e subjetivo. Entende que não merece prosperar o critério de rateio dos créditos adotado pela autoridade fiscal, posto que é ilegal. Relativamente ao "percentual da alíquota do credito presumido sobre a aquisição de suínos, leitões, aves para abate, insumos de origem vegetal e lenha", aduz que calculou o referido crédito com base no percentual de 60% sobre as alíquotas do PIS/Cofins, mas que fiscalização entendeu que o percentual é de 35%, glosando a diferença de valores. Explica que os insumos adquiridos são suínos, aves, milho e lenha, os quais são empregados na produção de mercadorias de origem animal classificados nos capítulos 2 (cortes resultantes do abate de suínos e aves) e 16 (embutidos) e que, para tais produtos, o crédito presumido é de 60%. Assevera que se o §10 do art. 8° da Lei n° 10.925/2004 determina que, para efeitos de interpretação do §3°, o direito ao crédito no percentual de 60% abrange os insumos aplicados nos produtos ali referidos, de modo que a glosa realizada Fl. 9167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 21 representa insubordinação à lei. Aduz que, mesmo se entendesse que o § 10 da lei não tem caráter interpretativo, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, pelo menos em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate o percentual estabelecido é de 60% sobre o valor da aquisição. No que se refere ao "crédito presumido sobre as aquisições de milho inteiro e quebrado", requer, de igual modo, que seja reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base a alíquota de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. Aduz que o mesmo deve se dizer em relação à aquisição de lenha, que é utilizada como combustível no processo de fabricação dos produtos derivados de suínos e aves. Destaca, ainda, que há erros no cálculo desenvolvido para a determinação do limite de crédito passível de utilização. Diz que, pelo que pôde compreender do "Demonstrativo de Apuração de Créditos PIS/Cofins" feito pela fiscalização, que, a pretexto de aplicar a limitação na utilização do crédito presumido prevista no art. 9° da Lei n° 11.051/2004, simplesmente desprezou o saldo do crédito presumido da contribuição acumulado em períodos anteriores. Alega que a disposição é clara, no sentido de que a limitação no cálculo do crédito presumido previsto se aplica exclusivamente aos bens recebidos de cooperados, de modo que os créditos de bens adquiridos de não cooperados (terceiros) não possuem a limitação no cálculo do crédito presumido. Explica que adquiriu bens de cooperados e de não cooperados, conforme arquivo digital disponibilizado à fiscalização, mas que esta aplicou a limitação em relação a todas as aquisições, o que contraria a lei. Pede a revisão do cálculo da limitação do crédito presumido agroindustrial efetuado, quer pelo fato de ter incluído no cálculo do limite aquisições de não cooperados, quer pelo fato de ter considerado outras exclusões que não as previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. Por fim, requer a retificação dos critérios de utilização do saldo de créditos. No que concerne à "glosa de créditos de PIS/Cofins incidente sobre insumos importados - Anexo VII", aduz que, em se tratando de máquinas, equipamentos e outros bens utilizados na produção de bens destinados à venda, há de se considerar todos os bens utilizados de forma direta e indireta no processo produtivo. Requer a reversão das glosas pelos motivos já expostos em relação ao conceito de insumos. Traz aos autos o Anexo XXIX, o qual contém relação dos bens glosados, demonstrando que se trata de partes e peças utilizadas na manutenção de máquinas dos setores produtivos. No que toca ao "recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno - desconsideração das exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, no cálculo do percentual correspondente as receitas não tributadas", diz que a fiscalização entendeu de forma equivocada a Solução de Consulta n° 46, de 8 de março de 2013. Esclarece que questionou se a exclusão da base de cálculo mencionada no artigo 11 da IN SRF n° 635/2006 permitiria a Fl. 9168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 22 manutenção dos créditos e seu aproveitamento na forma de ressarcimento, tendo a RFB assim se manifestado: Processo 10925.901579/2014-65DRJ/CTA Acórdão n.° 06-61.976Fls. 19 Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo à interessada que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF n° 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3a, II da Lei n° 10.637, de 2002 e no art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Diz que retificou o PER, alterando os índices do rateio proporcional ao alocar as exclusões da base de cálculo realizadas nos termos do art. 11, II e V, da IN SRF n° 635 de 2006 na classificação de "Receitas Não Tributadas no Mercado Interno", mas que a fiscalização efetuou a glosa dos créditos apurados em razão desta proporcionalização. Entende que, embora a Solução de Consulta n° 46/2012 não faça menção à aplicação do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, acatou o enquadramento de tais créditos no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e, por consequência, confirmou tacitamente aquilo que a redação do art. 16 da Lei n° 11.116/2005 dispõe. Explica que, assim, retificou o PER com a alteração da proporcionalização dos créditos como consequência do aumento das receitas não tributadas, mas que foi surpreendida pela glosa. Requer a reversão das glosas. No tópico "Dos Laudos Técnicos", informa que trouxe aos autos diversos laudos que descreve seus processos industriais, a fim de fornecer subsídios sobre a forma como são empregados os diversos materiais que foram objeto de glosa. Por fim, pede a atualização do crédito pela Selic, com base no § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/1995. Requer a procedência da manifestação de inconformidade. Ato contínuo, a DRJ-CURITIBA (PR) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. Fl. 9169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 23 As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. MATERIAL DE USO COMUM. MATERIAL DE MANUTENÇÃO PREDIAL. MATERIAL DE SEGURANÇA. PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA. SERVIÇOS DE COLETA DE RESÍDUOS. SERVIÇOS DE LAVAÇÃO DE UNIFORMES. Os valores gastos com os bens e serviços acima identificados não geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS/Pasep e da Cofins, pois não se enquadram na categoria de insumos e por não haver disposição legal expressa autorizando tal creditamento. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INSUMOS. Os combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas e equipamentos de produção e para o aquecimento de caldeiras industriais são considerados insumos, gerando créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. COOPERATIVAS. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. As cooperativas somente pode descontar créditos calculados em relação a bens para revenda adquiridos de não associados. BENS PARA REVENDA. SUSPENSÃO. PROIBIÇÃO Processo 10925.901579/2014- 65DRJ/CTA Acórdão n.° 06-61.976Fls. 2 É vedada a venda com suspensão do PIS/Pasep e da Cofins a pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, no caso de aquisição de suínos destinados à revenda. CRÉDITOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. Comprovado o erro de fato na glosa de créditos relativos a bens que não estão sujeitos à alíquota zero ou à suspensão do PIS/Pasep e da Cofins na saída do fornecedor, revertem-se as glosas realizadas sob essa fundamentação. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e se sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 9170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 24 DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens se esses forem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, se forem incorporadas ao ativo imobilizado e se estiverem diretamente associadas ao processo produtivo de bens destinados à venda ou à produção de serviços. CRÉDITO. FRETES. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep devida. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. A alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/Pasep e de Cofins a que as agroindústrias têm direito, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei n° 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. Processo 10925.901579/2014-65DRJ/CTA Acórdão n.° 06-61.976Fls. 3 RECALCULO. RATEIO. DESCONSIDERAÇÃO DAS EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO NO CÁLCULO DO PERCENTUAL CORRESPONDENTE ÀS RECEITAS NÃO TRIBUTADAS. A proporcionalização das receitas realizada, atribuindo às receitas excluídas da base de cálculo o caráter de não tributadas no mercado interno, com vistas a tornar ressarcível o que não era, não está correto, uma vez que a exclusão de itens da base de cálculo não altera a natureza contábil da receita bruta decorrente da venda de bens e serviços, ou seja, o fato de serem receitas tributadas no mercado interno. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 9171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 25 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus dos sujeitos passivos requerentes a comprovação da existência do direito creditório. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Somente são nulos os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito alegadas na Manifestação de Inconformidade, repetindo as mesmas argumentações. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 27 de setembro de 2022, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte a esclarecer alguns questionamentos postos pelo Colegiado e apresentasse laudo técnico sobre os dispêndios considerados como insumos. O Contribuinte, devidamente cientificado, manifestou-se sobre os resultados da diligência fiscal. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim devolvido para ser incluído em sessão de julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de pedido de ressarcimento de COFINS não-cumulativo vinculado à receita no mercado interno de produtos tributados à alíquota zero do 3º trimestre de 2011, com pedidos de compensação atrelados, que foi indeferido parcialmente pela Unidade de Origem uma vez que se identificou a exclusão indevida de créditos sobre diversos custos/despesas e sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero na apuração da contribuição, conforme os itens abaixo discriminados: Fl. 9172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 26 1.bens para revenda (listados no Anexo I): • aquisições de mercadorias adquiridas de empresas cooperadas; • aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03) com suspensão de pagamento das contribuições; • dispêndios com frete sobre transferência de produtos acabados e fretes dobre transferência; 2.bens e serviços utilizados como insumos (listados nos Anexos II e III): • Material de embalagens e etiquetas; • Material de uso e consumo; • Peças de reposição e serviços gerais; • Material de segurança; • Conservação e limpeza; • Fretes entre estabelecimentos da Cooperativa Central Aurora para envio/retorno de industrialização/armazenagem/venda, como frete sobre transferência produto acabado, frete sobre transferência de insumos, frete sobre parcerias aves, frete sobre parcerias ração, entre outros; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM, de pessoa física ou com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificado no código 0504, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, como sêmen suíno, hortícolas e frutas, classificadas nos capítulos 7 e 8, calcáreo calcítico, entre outros; • Aquisições de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, com suspensão de pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos de cooperados pessoas jurídicas; • Aquisições de produtos classificados nos códigos 8 a 12, 15, 1701 e 23, da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de produtos classificados no código 2309.90 da NCM, com suspensão do pagamento de PIS/Cofins; • Aquisições de combustíveis e derivados: Óleo Combustível, lubrificantes, graxa, gás GLP a granel, lincomicina (NCM correta: 3004.20.410), que não geram créditos de PIS/Cofins, em virtude de compra de produto com incidência monofásica e de não se enquadrarem no conceito de insumo; Fl. 9173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 27 • Aquisições de serviços que não se agregam ao produto; • Diferença de créditos entre o batimento dos valores declarados no Dacon e os arquivos digitais apresentados. 3. armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (Anexo IV): • remessa de vasilhame ou sacaria; • transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro; • remessa em doação, bonificação ou brinde; • outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados; • remessa por conta e ordem de terceiros em venda ordem ou armaz. geral; • remessa para industrialização por encomenda; • glosa de valores que foram informados a maior no Dacon, em relação aos arquivos digitais apresentados. 4.encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (Anexo V): • encargos de depreciações sobre importações de bens; • itens sem a informação nos campos "número de nota fiscal", "nome do fornecedor" e "CNPJ do fornecedor"; e o encargos de depreciação de suínos reprodutores, em desacordo com a IN/SRF n° 162/1998, ou amparado por laudo técnico idôneo, conforme art. 310, do Decreto n° 3.300/99. 5.encargos de amortização de edificações e benfeitorias (Anexo VI): • itens sem o preenchimento dos campos "N° Nota Fiscal", "Fornecedor" e "CNPJ Fornecedor" ou o campo "Fornecedor" com a seguinte informação: "dvs notas ficais e dvs fornecedores". 6.crédito presumido - atividades agroindustriais: • créditos foram alocadas indevidamente nos campos "Não tributada no Mercado Interno" e de "Receita de Exportação"; • aplicação incorreta do percentual de 60% do inciso I do §3° do art. 8º sobre os insumos adquiridos como: 0103.10.00 (animais vivos da espécie suína - reprodutores de raça pura), 0103.91.00 (animais vivos da espécie suína - de peso inferior a 50 KG); 0103.92.00 (animais vivos da espécie suína - de peso igual ou superior a 50 KG); 0105.94.00 (animais vivos - galos e galinhas); 1005.90.10 (milho - em grãos); 4401.10.00 (lenha em qualquer estado); 4401.30.00 (serragem); 4402.90.00 (carvão vegetal - outros); • a autoridade fiscal relata ainda as seguintes incorreções: Fl. 9174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 28 1)Crédito presumido 60% - Em virtude da glosa, o saldo é composto somente pela NCM 0401.20.90 - leite cru, no valor de R$ 4.088.475,27, menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido". Utilizando o referido crédito para abater da própria contribuição, nos respectivos meses, o saldo final é R$ 0,00; 2)Crédito presumido 35% - Saldo inicial de R$ 7.230.066,33, conforme recomposição do crédito de 60% para 35%, menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido". Utilizando o referido crédito para abater da própria contribuição, nos respectivos meses, o saldo final é de R$ 982.834,14(julho); R$ 1.797.563,12 (agosto) e R$ 1.010.346,27 (setembro); 3)Crédito presumido 30% - Saldo inicial de R$ 4.456.969,26, menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido", o saldo final é de R$ R$ 386.122,16 (julho); R$ 571.176,14 (agosto) e R$ 773.930,97 (setembro); 4)Crédito presumido 40% - Saldo inicial de R$ 136.272,61, sem valores estornados com saldo final de R$ 65.114,81 (julho); R$ 48.690,49 (agosto) e R$ 22.467,31 (setembro); 5)Crédito presumido 12% - Saldo inicial de R$ 18.373,87, com glosa em relação a NCM 1602.32.30 - R$ 623,57 (julho), por ausência de previsão legal, conforme arts. 6° e 8°, da IN/RFB n° 1.157/2011 e menos os valores de estorno, conforme planilha "Demonstrativo Crédito Presumido", o saldo final é de R$ 4.632,45 (julho); R$ 8.999,78 (agosto) e R$ 4.097,26 (setembro). 7. Créditos a descontar na importação: aquisição de produtos importados que não se enquadram na categoria de insumos. A manifestação de inconformidade foi parcialmente provida em relação às seguintes matérias: • Bens para revenda – aquisições de produtos agropecuários (NCM 01.03 e 02.03); • Aquisições de produtos classificados no código 0504 da NCM (suspensão); • Aquisições de produtos do Capítulo 30 da TIPI, não sujeitos à alíquota zero; • Aquisições de produtos com suspensão do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos da Lei nº 10.925/2004; • Outras glosas de créditos sobre bens utilizados. • Aquisições de produtos do Capítulo 29 da TIPI (alíquota zero); • Aquisições de produtos do Capítulo 25 da TIPI, não sujeitos à alíquota zero; • Aquisições de combustíveis e derivados – óleo combustível, lubrificantes e derivados – óleo combustível, lubrificantes, graxa, gás GLP a granel e lincomicina (NCM 3004.20.410), com incidência monofásica ou por não se enquadrar no conceito de insumo; • Glosa de encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado. Fl. 9175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 29 Inicialmente, cabe esclarecer que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, constituída na forma de cooperativa, que atua no ramo alimentício, e tem como atividade precípua a industrialização de alimentos resfriados, congelados ou industrializados derivados de suínos e aves e laticínios No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas, assim como o acórdão recorrido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, o qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como, principalmente, com base no julgamento realizado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no RE nº 1.221.170/PR, o qual definiu que o conceito insumo está vinculado à essencialidade ou relevância dos dispêndios em relação à atividade econômica do contribuinte. Para melhor compreensão da matéria envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). Fl. 9176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 30 (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 9177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 31 Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF1, com a aprovação da 1 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) Fl. 9178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 32 dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 2 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: 2 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 9179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 33 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito do crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir casuisticamente a possibilidade de aproveitamento do crédito. Assim, em face da superveniência do REsp nº 1.221.170/PR, careciam os autos da comprovação do eventual enquadramento dos itens glosados no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. Em sessão realizada em 27/09/2022, esta Turma Colegiada acolheu a proposta do Relator de baixar o processo em diligência para que a Autoridade Fiscal e Contribuinte providenciassem os seguintes elementos: 1. Intime a Recorrente, dentro de prazo razoável, a apresentar laudo técnico com a demonstração detalhada da utilização de cada um dos bens e serviços glosados entendidos como insumos no processo produtivo desenvolvido pela empresa, nos termos do REsp nº 1.221.170/PR. Nesse item, a recorrente deverá discriminar em planilha as despesas/custos incorridos glosados separados por natureza e juntar toda a documentação que sirva para lastrear as suas afirmações.; 2. Intime a Recorrente, dentro de prazo razoável, a justificar porque considera que cada um dos bens e serviços do item anterior são essenciais ou relevantes ao seu processo produtivo, do qual resulta o produto final destinado a venda ou serviço prestado, em conformidade com os critérios delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, anteriormente citado; 3. Especificamente quanto às glosas de “peças para manutenção de máquinas e equipamentos” e “materiais de manutenção elétrica”, informar em laudo em quais ativos imobilizados (indicando a utilização destes na atividade da empresa) tais peças e materiais foram aplicados e se eles foram ou não incorporados ao respectivo imobilizado; Fl. 9180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 34 4. Quanto aos “serviços de manutenção de máquinas”, relacionar e informar os serviços envolvidos nessa glosa, bem como demonstrar em laudo a sua vinculação com o seu processo produtivo; 5. Quanto a glosa de créditos na locação de equipamentos, relacionar a despesas nessa modalidade, bem como indicar em laudo a utilização do equipamento no processo produtivo da empresa; 6. Que a Recorrente seja intimada a comprovar, por meio dos arquivos fiscais (notas fiscais/conhecimentos de transporte), se cada nota fiscal relacionada está, de fato, vinculada ao respectivo conhecimento de transporte informado, constante da glosa denominada “Glosa de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda – Linha 07, Fichas 06-A E 16-A do DACON –Documentos relacionados no anexo IV (ITEM 2.3.3, P. 18 e 19, do Relatório Fiscal)”. Bem como, que a Recorrente informe mensalmente em planilha a parcela do valor do frete que cabe a cada nota fiscal, por natureza da operação fiscal (CFOP), dentro de um mesmo conhecimento de transporte; 7. Que a Recorrente seja intimada a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea (laudo, notas fiscais de saída, etc), que os referidos insumos, quais sejam, (0103.10.00 (animais vivos da espécie suína – reprodutores de raça pura), 0103.91.00 (animais vivos da espécie suína – de peso inferior a 50 KG); 0103.92.00 (animais vivos da espécie suína – de peso igual ou superior a 50 KG); 0105.94.00 (animais vivos – galos e galinhas); 1005.90.10 (milho – em grãos); 4401.10.00 (lenha em qualquer estado); 4401.30.00 (serragem); 4402.90.00 (carvão vegetal – outros), são aplicados na produção de mercadorias de origem animal classificados nos Capítulos 2 (cortes resultantes do abate de suínos e aves) e 16 (embutidos) para fazer jus ao crédito presumido de 60% das alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins (art. 8°, § 3°, inciso I, Lei n° 10.925/2004 e Súmula Carf nº157); 8. Que a Autoridade Fiscal explique de que forma foram calculados os limites de aproveitamento mensal do crédito presumido agropecuário da contribuição, sobretudo informe se aplicou a limitação em relação a todas as aquisições, isto é, de cooperados e de não cooperados, bem como informar se na apuração do valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos pela recorrente depois de efetuadas as exclusões previstas, foram excluídas somente a do art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; ou se também foram excluídas a do art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; e do art. 1º da Lei nº 10.676, de 22 de maio de 2003, conforme alega a Recorrente. Elaborar planilha demonstrando os limites de aproveitamento calculados, de acordo com o que determina o art.9º da Lei nº11.051/2004; 9. Que a Autoridade Fiscal elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestando-se sobre os fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento de cada bem e serviço do período de apuração no conceito de insumo delimitado no Parecer Normativo Cosit nº05/2018 e Voto da Ministra Fl. 9181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 35 Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF); e 10. Após a intimação da Recorrente do resultado da diligência, conceder-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Em atendimento ao solicitado, a Fiscalização analisou os documentos constantes nos autos e outros apresentados no decorrer da diligência, levando em consideração nas reanálises das glosas o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018 e voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB(Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF), atendendo ao solicitado na Resolução nº 3402-003.433 da 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária. No termo de informação fiscal, a Autoridade Fiscal informa que, em consonância com os critérios da essencialidade e relevância, devem ser revertidas parcialmente as glosas relativas a: parte dos materiais de uso geral; parte das peças de reposição e serviços gerais e armazenagem; parte das embalagens e etiquetas; todos os materiais de segurança; parte dos materiais de conservação e limpeza; parte das glosas nas aquisições de matérias primas; parte dos fretes – bens e serviços utilizados como insumos; parte dos fretes nas operações de venda e reversão da glosa que reduziu de 60% da alíquota do crédito presumido para 35%, sobre o valor das aquisições dos insumos citados, foi revertida. As reversões de glosas foram demonstradas nas pastas de trabalho: “AUDIT_Item 1 e 2 - Relacao de Insumos_2011_3º trim”, “AUDIT_Item 6 - Fretes_2011_3º trim, “Item 2_Detalhamento NFs com Cred_Presumido” e “Item 3_Exclusoes Coops”, anexas ao processo, como arquivo não paginável. 92. Também, em virtude da nova análise dos créditos pleiteados e glosados, as respectivas, manutenções de glosas e as reversões de glosas (Insumos – Nova legislação e Fretes – Nova legislação), foram demonstradas pelo auditor nas tabelas de e-fls.9.027 e 9.030, constante do relatório fiscal da diligência. Como se observa, a reanálise da documentação, com base nos critérios da essencialidade e relevância firmado pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, ocasionou alterações das glosas referente ao 3º trimestre de 2011. Dessa forma, o resultado da diligência deve ser acolhido no presente julgamento (e- fls. 9.027 e 9.030), para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas acima citadas, restando controversas e em discussão, quanto aos bens e serviços utilizados como insumos, apenas os itens remanescentes citados pela Recorrente no recurso voluntário. Feitas essas breves considerações, passa-se à análise dos itens glosados ainda controversos. Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados Observa-se pela leitura da peça recursal que o ponto central da lide diz respeito a incidência, ou não, das contribuições em comento, especificamente, sobre os atos cooperativos de venda da produção dos cooperados com a fiscalizada. Fl. 9182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 36 A definição de ato cooperativo pode ser encontrada no art.79 da Lei nº5.764/1971, in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. De acordo com dispositivo, encontram-se dois tipos de atos praticados pelas sociedades cooperativas: a) os atos cooperativos (típicos, internos ou próprios), celebrado entre a cooperativa e o cooperado ou ainda entre a cooperativa e outra cooperativa a ela associada, para a consecução dos objetivos sociais; e b) atos não cooperativos (atípicos, externos ou impróprios) aqueles praticados com terceiros (não cooperados ou associados), ainda que para a consecução dos objetivos sociais. O parágrafo único do art. 79 em comento, deixa claro que somente o ato cooperativo não implica operação de mercância, o que, em regra, garante-lhe um adequado tratamento tributário, conforme previsto no art. 146, III, “c”, da CF/1988, não havendo a incidência das contribuições nesses casos. Por outro lado, o ato não cooperativo, tem natureza de operação de mercado porque envolve uma obrigação de dar ou fazer a um terceiro não associado da cooperativa, o que, em regra, submete-o a normal tratamento tributário. Nessa direção, há previsão legal de exclusão, da base de cálculo das contribuições, das receitas pelos produtos entregues pelo associado à cooperativa, com base no art. 15, I, da MP nº 2.158-35/01: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; (...) O Superior Tribunal de Justiça também confirmou esse entendimento no sentido de que não são tributados, pelo PIS e pela Cofins, os “atos cooperativos”, por meio dos Recursos Especiais nºs 1.164.716/MG e 1.141.667/RS, na sistemática de recursos repetitivos, cuja ementa se reproduz: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos Fl. 9183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 37 realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp 1164716/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. Fl. 9184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 38 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6.Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp 1141667/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Com as decisões expostas, a jurisprudência do STJ se consolidou sobre a matéria no sentido de considerar que os atos cooperativos, como aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) e vice e versa, na busca dos seus objetivos sociais, não estão sujeitos à incidência das contribuições. O ato cooperativo sequer pode ser considerado operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Como se sabe, as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme previsto no RICARF/2023. Por consequência, tais aquisições de associados para revenda não dão direito a creditamento, por causa da vedação constante do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, para a constituição de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, como no presente caso: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Por fim, cumpre ressaltar que a IN 635/2006, em seus incisos I e II, ao vedar o direito ao crédito de bens adquiridos para revenda de associados, nada mais fez do que consolidar a determinação prevista no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 que, veda o direito ao crédito no caso de pagamento de mão de obra a pessoa física e no caso da aquisição de bens que não sejam sujeitos ao pagamento das contribuições, inexistindo, assim, extrapolação de competência normativa. Com essas considerações, constata-se que há vedação legal de tributação dos atos cooperativos típicos, até mesmo com a permissão para exclusão das receitas da base de cálculo das contribuições, sendo correta, portanto, a glosa operada pela autoridade fiscal. Fl. 9185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 39 Glosa do Crédito sobre Fretes Relativos a Transferência de Produtos Acabados entre os Estabelecimentos da Cooperativa A requerente esclarece que possui diversas unidades produtoras (frigoríficos de aves e suínos e indústria de laticínios) localizadas nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Parte dos produtos fabricados é transferida das unidades produtoras para as filiais comerciais, localizadas nos grandes centros consumidores. A fiscalização glosou da base de créditos os fretes relativos à transferência de produtos acabados transferidos das unidades produtoras para os estabelecimentos comerciais por entender que inexiste amparo legal. A recorrente se insurge contra a conclusão da fiscalização afirmando que, na verdade, o frete da transferência do produto acabado já faz parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora, e de produção, por óbvio. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a venda direta. Assim, com base no inciso IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, a glosa deve ser revertida. Sem razão a Recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i)na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; ii)nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii)o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. No caso concreto, observa-se, pelos documentos juntados, que as despesas com fretes tratam em parte do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para outros estabelecimentos da empresa não se enquadra em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus do frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de Fl. 9186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 40 serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Fl. 9187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 41 Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferências dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa Fl. 9188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 42 jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. (negritos nossos) Assim, com base nessa motivação, devem ser mantidas as glosas de fretes no transporte de produtos acabados. Material de Embalagem e Etiquetas (Item 2.3.2, “a”, p. 12, do Relatório Fiscal) Explica a Recorrente que a Fiscalização glosou créditos de aquisições de material de embalagem e etiquetas. Diz que se trata de embalagens com acabamento sofisticado, contendo estampas, rótulos e indicações de função promocional, cujo material empregado nitidamente tem o objetivo de valorizar o produto. Além disso, em sua maioria, são embalagens de capacidade inferior a vinte quilos e correspondem, exatamente, à forma como a requerente entrega os seus produtos aos clientes, considerando que a mesma não efetua vendas a consumidor final. Com razão à recorrente. Com relação a esse tipo de embalagem de etiquetas e rótulos citada, não resta dúvidas que restou caracterizado nos autos que elas têm função promocional e apresentação, sendo permitido o seu creditamento como insumo, com base nos art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003. Esse mesmo entendimento é expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014): Fl. 9189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 43 3.A questão que se analisa é se as etiquetas - feitas de metal, de plástico, de papel, de tecido, de couro, ou de qualquer outra matéria - aplicadas no produto fabricado para sua identificação ou prestação de informações das mais diversas ao cliente, atendendo ou não a exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos e até mesmo com fins promocionais, enquadram-se em alguma das categorias de insumos para industrialização que, assim sendo, gerariam direito ao crédito do imposto na sua aquisição. 4.Nos termos do art. 226, I, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi/2010), os estabelecimentos industriais poderão creditar-se do imposto relativo a matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo imobilizado. 5.A etiqueta não tem a função de acondicionamento do material de embalagem e também não entra na composição do produto final em si, fugindo portanto ao conceito estrito de matéria-prima, mas a ele se integra - seja diretamente, seja pela aposição na sua embalagem - podendo, assim, mais propriamente, ser tida como produto intermediário, para os efeitos em estudo. 6.E se mostra induvidoso que a operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas. (negrito nosso) No que concerne aos materiais de embalagens denominados filme stretch, fita de arquear, caixa de papelão, caixa de papelão fundo, caixa de papelão tampa e outros, em vista da especificidade do ramo alimentício exercido pela recorrente, tais materiais são essenciais no processo produtivo da empresa, uma vez que são utilizados para a proteção e conservação do produto transportado, visando manter a integridade dos produtos fabricados, normalmente perecíveis, sendo utilizadas como condição fundamental para manter a sua qualidade. Nesse mesmo sentido, é a jurisprudência das turmas do CARF, destacando-se os seguintes julgados: CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade das matérias-primas e dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. (Acórdão nº 3301-004.056 do Processo 10983.911352/2011-91, sessão realizada em 27 de setembro de 2017) Fl. 9190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 44 EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito (Acórdão nº 3201-011.616 – 3ª seção/2ª câmara/1ª turma ordinária do, sessão realizada em 20 de março de 2024, relatoria do conselheiro Mateus Soares) O STJ também reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253), tal como ocorre no presente caso. Abaixo, reproduz-se a ementa sintetizadora do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N.10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. (negritos nossos) Em conclusão, os gastos com embalagens de acondicionamento, a exemplo dos filme stretch, fita de arquear, caixa de papelão, caixa de papelão fundo, caixa de papelão tampa e outros, devem ser considerados essenciais ao processo produtivo, em consonância com os conceitos de essencialidade ou relevância da despesa no voto da Ministra Regina Helena Costa, proferido no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, uma vez que contribuem para integridade do produto fabricado. Em consequência, devem ser considerados insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS. Por tais motivos, devem ser revertidas as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento. Fl. 9191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 45 Material de Uso e Consumo/Peças de Reposição e Serviços Gerais (Item 2.3.2, “b” e “c”, p. 12, do Relatório Fiscal) No tocante às peças para reposição de máquinas e equipamentos, aos materiais de manutenção elétrica e serviços gerais, embora a decisão recorrida tenha reconhecido que os mencionados bens, quando utilizados na linha de produção atendem ao conceito de insumo e, por consequência, geram direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, manteve a glosa do crédito sobre bens - peças e materiais empregados na manutenção de máquinas, equipamentos e instalações industriais - e, sobre serviços de manutenção, pois “a interessada não demonstrou, em relação às glosas especificamente feitas, se e quais os bens são partes e peças de reposição utilizadas na manutenção de equipamentos industriais que produzem mercadorias destinadas à venda, assim como não provou que os créditos pretendidos dizem respeito a bens que não foram incorporados ao ativo imobilizado da empresa”. Na realização da diligência fiscal determinada pelo colegiado, a fiscalização demonstrou em planilha que reverteu parte das glosas em vista da nova legislação do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 e IN RFB nº 2.121/2022 e manteve as demais sob o fundamento de que tratar-se de custos/despesas não essenciais ou relevantes ao processo produtivo da empresa ou são itens que não podem ser classificados como despesas operacionais e devem ser ativados, conforme prediz a legislação. Em sua manifestação dos resultados da diligência, a recorrente aduz que a própria denominação dos subgrupos glosados descrevem por si só que se referem a itens utilizados pela contribuinte em seu processo produtivo, dada a sua natureza de indústria alimentícia, do ramo agroindustrial, tais como: “Bacias – Monoblocos e Paletes)”, “Vasilhames/lacres/brincos e barbantes/fios/fitas/grampos e colas”. Da mesma forma, argui que se enquadram na condição de “insumo” os itens vinculados aos subgrupos de: ✓ “Conexões, mangueiras, válvulas e engates”: adaptadores, buchas, conexões, válvulas, joelhos, luvas, mangueiras, niples, registros, tampões, tubos, etc.; ✓ “Ferramentas e utensílio mecânicos”: alicates, brocas, cadeados, chaves, escovas, fitas, lixas, martelos, pistolas, pincéis, etc.; ✓ “Materiais para Construção civil”: arames, azulejos, cortinas, dobradiças, fechaduras, ferros, lonas, massas, pregos, rejuntes, silicones, tábuas, telhas, conserto de máquinas, locação de guindaste, serviços de muck, serviços de retroescavadeira, serviços de concretagem, etc.; ✓ “Material elétrico e eletrônico”: adaptadores, blocos, baterias, blocos, bombas, botões de comandos, cabos, conectores, conduletes, controladores, disjuntores, fios magnéticos, Fl. 9192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 46 fontes, fusíveis, interruptores, lâmpadas, leds, luminárias, manoplas, plugs, reatores, resistências, sensores, tomadas, etc.; ✓ “Material mecânico, uso geral, filtros”: abraçadeira, anéis, arruelas, barras, bicos, borrachas, buchas, cabos, chapas, correntes, eixos, parafusos, pinos, placas, polias, ponteiras, porcas, rebites, rodas dentadas, rodízios, suportes, travas, tubos, colas, molas, etc.; ✓ “Produtos para Laboratório”; ✓ “Peças para balanças”; ✓ “Peças para grampeadeiras; ✓ “Peças para máquinas importadas”; ✓ “Peças para máquinas nacionais”; ✓ “Rolamentos, retentores, correias e mancais”; ✓ “Peças sobressalentes”; ✓ “Aparelhos de Medição”; ✓ “Medicamentos veterinários” Sem razão a recorrente. Como se sabe, nos termos dos artigos 3.º, inciso II, da Leis n.º 10.833/03 e 10.637/2002, simplificadamente, dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, há que ser demonstrado que a aplicação do bem ou serviço foi utilizado na produção ou fabricação do produto destinado a venda. No caso em apreço, o colegiado determinou, por meio da resolução nº 3402- 003.431 que a recorrente providenciasse as seguintes informações: 1. apresentasse laudo técnico com a demonstração detalhada da utilização de cada um dos bens e serviços glosados entendidos como insumos no processo produtivo desenvolvido pela empresa, nos termos do REsp nº 1.221.170/PR. Nesse item, a recorrente deverá discriminar em planilha as despesas/custos incorridos glosados separados por natureza e juntar toda a documentação que sirva para lastrear as suas afirmações”; 2. Especificamente quanto às glosas de “peças para manutenção de máquinas e equipamentos” e “materiais de manutenção elétrica”, informar em laudo em quais ativos imobilizados (indicando a utilização destes na atividade da empresa) tais peças e materiais foram aplicados e se eles foram ou não incorporados ao respectivo imobilizado; Fl. 9193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 47 3. Quanto aos “serviços de manutenção de máquinas”, relacionar e informar os serviços envolvidos nessa glosa, bem como demonstrar em laudo a sua vinculação com o seu processo produtivo; No entanto, como se percebe nos autos, inexiste essas informações solicitadas e em sua manifestação do resultado da diligência a recorrente limita-se a afirmar que as descrições dos materiais descrevem por si só a que se referem a itens utilizados pela contribuinte em seu processo produtivo, desprovida de lastreio em qualquer prova. Tampouco, trouxe qualquer prova quanto a necessidade de imobilização ou não dos itens glosados, a fim de infirmar as conclusões da fiscalização. Nunca é demais lembrar que é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil 2015(Lei nª13105/15), adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (negrito nosso) A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. No caso em apreço, a recorrente não logrou êxito em comprovar que a empresa faz jus ao crédito sobre as aquisições de material de uso e consumo/peças de reposição e serviços gerais. Em vista do exposto, mantém-se a glosa. Fl. 9194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 48 Produtos e Serviços Utilizados na Conservação e Limpeza (Item 2.3.2, “e”, p. 12, do Relatório Fiscal) Da mesma forma, a fiscalização em diligência reconhece a essencialidade e relevância desse tipo de gasto, indicando a reversão da glosa de parte desses materiais, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados. Aqui também a exceção citada pela fiscalização já foi abordada no tópico “Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados”, devendo-se utilizar a mesma fundamentação a fim de manter a glosa. Ademais, a fiscalização manteve a glosa de serviços não enquadráveis como insumos, por tratar-se de custos/despesas não essenciais ou relevantes ao processo produtivo da empresa. Serviços, tais como: lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumetária e serv. ref. limpeza e higienização de toalhas, não se enquadram como conservação e limpeza. Com fundamento no inciso VI, § 2º, art. 176, da IN RFB nº 2.121/2022, manteve a glosa desses itens: § 2º Não são considerados insumos, entre outros: ... VI - despesas destinadas a viabilizar a atividade da mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de saúde e seguro de vida; Com razão a fiscalização quanto a este ponto. Tais despesas claramente se dão fora do processo produtivo. Embora sejam importantes na atividade da empresa, não são aplicadas diretamente ou sequer indiretamente no processo produtivo. Devem ser revertidas as glosas assim das despesas com materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref. limpeza e higienização de toalhas. Aquisições de Calcário Utilizado como Matéria-Prima na Fabricação de Ração (Item 2.3.2, “4”, p. 14-16, do Relatório Fiscal) A fiscalização glosou os créditos relativos â "aquisições de calcáreo", sob a justificativa de que são bens utilizados na manutenção predial. Fl. 9195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 49 A manifestante, por sua vez, afirma se tratar, na verdade, de insumos destinados à fabricação de ração, ou seja, são insumos de seu processo produtivo., conforme demonstram suas contas contábeis. Com razão à recorrente. Por oportuno, transcreve-se o dispositivo legal que estabelece alíquota zero para o produto em comento: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] IV - corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; (Grifo nosso). Como se observa, a venda de produtos do capítulo 25 da TIPI apenas beneficiam aqueles que se destinam a aplicação como corretivo de solo. No caso dos autos, no entanto, a recorrente comprovou que utiliza o calcário calcítico como ingrediente de ração animal. Há de se concluir, portanto, que o referido dispositivo legal não beneficia o produto adquirido pela recorrente com a finalidade de utilização na alimentação animal. Corrobora com essa afirmação as notas ficais trazidas no anexo IV dos autos nas quais se demonstra que os próprios fornecedores tributaram integralmente os referidos produtos na venda para a recorrente, uma vez que consta nas referidas notas fiscais a utilização de código CST 01, que corresponde a “operação tributável com alíquota básica”. Ademais, como é cediço, a legislação que dispõe sobre benefícios fiscais determina, em seu art. 111 do CTN, que a esse tipo de legislação deve ser interpretada literalmente: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como o referido produto tem utilização como insumo do produto fabricado (ração), não resta dúvida a pertinência de ser considerado insumo sob a ótica dos critérios de essencialidade ou relevância. Desta feita, deve ser revertida a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”. Glosa de Fretes entre Estabelecimentos da Empresa, Relativos a Envio/Retorno de Industrialização, Armazenagem/Venda, como Frete sobre Transferência de Produto Acabado, sobre Transferência de Insumos, sobre Parcerias Aves, sobre Parcerias Ração, Entre Outros (Item 1, p. 13-14, do Relatório Fiscal) Fl. 9196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 50 Parcerias sobre aves, suínos, rações, entre outros Conforme explicado pela recorrente, a atividade de parceria se constitui em um sistema integrado de produção de animais para abate e processamento/ industrialização, a indústria frigorifica fornece os animais para os produtores rurais fazerem a criação/terminação. Todos os custos de produção dos animais, tais como dos animais para terminação, da ração e dos medicamentos veterinários, do transporte de entrega dos animais e das coletas para o abate são bancados pela indústria frigorífica. Os produtores rurais são responsáveis apenas pelos serviços de criação pelos quais são remunerados. No caso em apreço, a recorrente, fornece os pintinhos e leitões para a criação e engorda dos frangos e suínos pelos seus cooperados (pessoas físicas/jurídicas), arcando com os custos de transporte para entrega dos animais aos produtores, da ração para os animais e demais insumos, bem como de suas coletas para o abate. As aves e suínos constituem, portanto, a matéria-prima básica da produção dos bens destinados à venda, produzidos pela recorrente. Por consequência, os custos com fretes incorridos com o sistema integrado compõem o custo da matéria-prima e dão direito ao crédito integral das contribuições, ainda que o produto transportado esteja sujeito à alíquota zero. Isenção, suspensão, monofasia ou crédito presumido, como se verá mais adiante. Deve ser revertida a glosa, portanto. Frete na transferência de insumos Explica a recorrente que os gastos com frete de insumos de produção, referem-se a serviços de transporte de suínos vivos, lenha, ração, condimentos, embalagens, produtos semielaborados, como por exemplo: peito, coxa e sobrecoxa desossados de frango, pele de frango, pernil, paleta, sobrepaleta, retalhos e toucinho de suínos, carne mecanicamente separada de frango, barriga suína, entre outros, que são transferidos de uma unidade produtora para outra unidade também produtora, a fim de compor um novo produto acabado. A fim de evitar repetições, valem aqui as mesmas considerações do tópico anterior “Glosa do Crédito sobre Fretes Relativos a Transferência de Produtos Acabados entre os Estabelecimentos da Cooperativa” para reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva, haja vista que o custo desse transporte também se constitui insumo da atividade produtiva pelo critério da essencialidade. Frete na Transferência Produto Acabado Valem aqui também as mesmas considerações do tópico “Glosa do Crédito sobre Fretes Relativos a Transferência de Produtos Acabados entre os Estabelecimentos da Cooperativa” para manter a glosa operada pela autoridade fiscal. Fretes sobre Compras de Suínos e Aves para Abate Fl. 9197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 51 Sobre o frete sobre compras de suínos e aves para abate, a decisão recorrida decidiu que, quando contratado com pessoa jurídica e suportado pela adquirente dos bens, pode, em princípio, gerar créditos do PIS e da Cofins, de vez que, nessa situação, ele integra o valor de aquisição das mesmas. A possibilidade de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete deve ser determinada, no entanto, em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados, ou seja, nem toda despesa com frete é capaz de gerar crédito a ser deduzido na apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, mas somente o frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis também de creditamento. Neste tópico, a Fiscalização não reconheceu o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem sujeito à alíquota zero, conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999. Portanto, estando a mercadoria sujeita à alíquota zero o frete a ela vinculado não gera direito a crédito em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) Observa-se que o dispositivo transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de vedação de creditamento de serviços sujeitos à tributação incorridos com bens não sujeitos a tributação (que é o caso do presente processo). Tem-se, assim, por insubsistente a subsunção efetuada pela Auditoria Fiscal no sentido de que o fato do produto transportado não ser onerado pelas contribuições, o frete, por compor o custo do produto adquirido, seguiria o mesmo regime dele, não permitindo, dessa forma, créditos dos serviços a ele associados. Trata-se o transporte de operação autônoma que compõe o custo de aquisição da mercadoria e, se devidamente tributada, enseja o creditamento. Dessa forma, tratando-se o serviço de transporte de um insumo essencial ao processo produtivo, conclui-se que, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições, as despesas com frete oneradas pelas contribuições devem ser apropriadas no regime da não cumulatividade, na condição de serviços utilizados também como insumos essenciais ao processo produtivo. Fl. 9198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 52 Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme as ementas parciais de alguns acórdãos, abaixo reproduzidos: FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. (Acórdão nº 3302005.813– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 24 de setembro de 2018, de relatoria do Conselheiro Raphael Madeira Abad) CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (Acórdão nº 3302004.890 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 25 de outubro de 2017, de relatoria do Conselheiro José Renato Pereira de Deus) Confirmando esse entendimento, recentemente, também foi aprovada e publicada a súmula CARF nº188 permitindo o creditamento nesses casos: “É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições”. Assim, deve ser cancelada a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188. Glosa na Aquisição de Produtos do Capítulo 29 da TIPI, Não Sujeitos à Alíquota Zero A fiscalização glosou o crédito sobre o produto denominado “Metionina Hidroxi Análoga Liquida”, por entender que o mencionado produto se enquadra no gênero “metionina”. O produto “metionina” consta no Anexo I, do Decreto nº 6.426/2008, beneficiado com a redução da alíquota a zero. A DRJ manteve a glosa sob o mesmo entendimento. Em seu recurso, o patrono argumenta que de fato o produto metionina está arrolado no Anexo I do Decreto n° 6.426/2008. Todavia, o produto adquirido pela recorrente, intitulado sob o nome “Metionina Hidroxi Análoga Liquida”, é, na verdade, um produto elaborado a partir do produto químico “metionina”, mas que, nesse estado, qual seja, “hidroxi líquida”, não tem apenas esse insumo na sua composição, ou seja, são necessários outros produtos para a sua produção. Tanto assim é que o fornecedor que, diga-se de passagem, é o produtor de tal Fl. 9199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 53 mercadoria, quando da sua comercialização, tributou integralmente as contribuições ao PIS/Pasep e a Cofins. Assiste razão à recorrente. Conforme exposto, discute-se neste tópico se o produto RHODIMET AT 88 BULK- ACIDO2 - HIDROXI4 - (METILTIO) BUTANOICO. - METIONINA DL HIDROXI ANALOGO (LIQUIDA) estaria sujeito à alíquota zero, nos termos do Anexo I do Decreto n° 6.426/2008. Analisando-se o anexo I do Decreto n° 6.426/2008, constata-se que apenas o produto classificado na subposição 2930.40, que descreve o produto Metionina, seria suscetível de redução da alíquota do PIS-COFINS. No referido anexo, percebe-se que os produtos beneficiados com a redução de alíquota foram apenas os especificados de forma restritiva e não meramente exemplificativa. Em conclusão, entendo que somente os produtos expressamente relacionados no anexo I do Decreto nº 6.426/2008 são os beneficiados pela redução da alíquota zero e uma avaliação sistemática do anexo não dá margem a se entender que outros produtos derivados dos listados também possam fazer jus ao benefício da alíquota zero. Vale reproduzir a diferenciação realizada entre os dois produtos pela conselheira Lara Moura, no acórdão nº 3003-002.010 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária, que na oportunidade chegou a mesma conclusão de que não é possível se estender a alíquota zero para as subespécies ou subgrupos da Metionina, em caso envolvendo a importação também da Metionina Hidroxi Análoga Liquida: O texto da Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 2930, dispõe se tratar a Metionina (2930.40) de um aminoácido, em forma de plaquetas brancas ou pó branco. É o produto componente essencial na nutrição humana, não sintetizado pelo organismo, sendo sua fórmula química C5H11NO2S. Paulo Visentini1 refere, por seu turno, a Metionina Hidróxi Análoga ácido livre (MHA-FA) como fonte do aminoácido metionina para frangos de corte, para ser misturada em rações, que só se transforma em Metionina no fígado do animal, sendo chamada pelos estudiosos de precursor de Metionina, com fórmula molecular C5H10O3S. Portanto, a descrição da Metionina Hidróxi Análoga ácido livre (MHA-FA) não se harmoniza no conceito explicitado na NESH para o produto Metionina, ao qual considero se reportar o Anexo I do Decreto nº 6.426/2008, em sua listagem taxativa. Para incluí-lo entre os produtos beneficiados com a alíquota zero, seria necessário que a mencionada relação fizesse menção expressa a ele, como procedeu quanto a várias outras subespécies e subgrupos de produtos. Reverte-se, assim, a glosa na aquisição do produto denominado “Metionina Hidroxi Análoga Liquida”. Fl. 9200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 54 Glosa de Aquisições de Combustíveis e Derivados: Óleo Combustível, Lubrificantes, Graxa, Gás GLP a Granel e Lincomicina (NCM 3004.20.410), com Incidência Monofásica ou por não se Enquadrarem no Conceito de Insumo (Item 9, p. 17 do Relatório Fiscal) Conforme relatado nos autos, a fiscalização glosou da base de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, valores relativos a aquisições dos produtos relacionados na tabela resumo abaixo, sob a justificativa de que são produtos sujeitos à incidência monofásica e que não se enquadram no conceito de insumo: Em seu recurso voluntário, a empresa apenas questiona a manutenção da glosa remanescente nas aquisições de “Óleo BPF Filoil 1A”, posto que esse produto também é empregado no processo produtivo da empresa como combustível das caldeiras movidas a óleo e que têm a finalidade de geração de vapor e esquentar a água utilizada em larga escala nos frigoríficos. Para comprovar as suas alegações, a recorrente trouxe aos autos os documentos fiscais relativos à aquisição do óleo BPF, o respectivo registro contábil em conta de estoque, o relatório de baixa de materiais e, por fim, o relatório de contabilização da baixa dos materiais na conta pertencente ao grupo custeio da produção, denominada “30538 – Combustíveis para Caldeira/Def/Secadores”, acostado no Anexo D, do presente recurso. Com razão a recorrente. Em pesquisa na rede mundial de computadores (internet), atesta-se que o óleo combustível BPF 1A é “um tipo premium de óleo combustível, altamente refinado e com baixo teor de enxofre, projetado especificamente para atender às demandas rigorosas de usinas e caldeiras industriais. O BPF 1A também é formulado para proporcionar uma combustão mais completa, Fl. 9201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 55 resultando em menores emissões de poluentes atmosféricos, atendendo assim às regulamentações ambientais mais rigorosas”3. Assim, entendo que resta comprovado nos autos que o referido produto tem utilização como combustível nas caldeiras da área produtiva da recorrente para geração de vapor, o que nos leva a concluir que o referido produto deve ser considerado insumo do processo produtivo da empresa sob os critérios da essencialidade ou relevância. Reverte-se, assim, a glosa nas aquisições do “Óleo BPF Filoil 1A”. Frete no transporte de resíduos industriais (coleta de lixo), lavagem de uniformes, limpeza, etc. (item 2.2.3, p. 12, do relatório fiscal) Nesse tópico, a fiscalização glosou créditos de PIS/Pasep e Cofins sobre as aquisições de serviços, sob a justificava de que não se agregam ao produto, como é o caso da coleta de lixo/resíduo; conserto máquinas e equipamentos, lavação de roupas/uniformes, limpeza, cons/zeladoria, manutenção de máquinas e equipamentos. Em sua defesa, a empresa repete os seus argumentos quanto ao novo conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e relevância para solicitar a reversão da glosa. Por fim, informa que o anexo XXIII demonstra o crédito pretendido. Não assiste razão à recorrente. Como antes já colocado, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos. Sabe-se que a análise da possibilidade de creditamento de cada bem ou serviço adquirido deve aferida de forma casuística no sentido de ser identificada a utilização do insumo no contexto do processo produtivo ou prestação de serviços da empresa. Nesse sentido, entendo que não foi demonstrada de forma detalhada nos autos a utilização dentro do processo produtivo dos serviços adquiridos. Apenas a apresentação da planilha constante no anexo XXIII com a descrição do material e a unidade da empresa adquirente, sem a especificação da utilização do material/serviço no processo produtivo, não é hábil para comprovar e caracterizar o material ou serviço como insumo dentro dos critérios da essencialidade e relevância. Vale repetir que, em casos de processos de restituição e ressarcimento, é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito 3 <https://alphaoleos.com.br/?gad_source=1&gclid=EAIaIQobChMI_6nXq8idigMVYR5ECB1fpBCCEAAYASAAEgLerfD_Bw E> Fl. 9202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 56 creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (CPC/2015, art. 373, I). Dessa forma, mantém-se a glosa. Glosa de Serviços de Manutenção de Edifícios e Serviços Diversos – Setores Produtivos A recorrente aduz que as despesas de manutenção de edifícios e serviços diversos foram aplicadas em centros de custos relacionados com a área produtiva. Para comprovar o alegado trouxe aos autos planilha com os dados fiscais do gasto, bem como os o registro contábil do centro de custo ao qual o bem foi aplicado. Analisando-se a documentação trazida pela recorrente por amostragem, observa-se que as despesas com manutenção de edificações, em verdade, são despesas de instalação de máquinas e equipamentos ou edificações. Tais despesas de instalação ensejariam que fossem agregadas ao custo de aquisição do bem para que fossem objeto de depreciação e o cálculo do crédito de PIS e COFINS correspondente. Não há, portanto, como se calcular crédito ordinários sobre despesas que deveriam ser agregadas ao valor do bem. Também, não se pode admitir créditos sobre serviços diversos que não são aplicados claramente no setor produtivo da empresa, a exemplo de corte de grama, almoxarifado, confecção de placa pvc, etc. Diante do exposto, devem ser mantidas as glosas. Glosa de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda – linha 07, fichas 06-a e 16-a do dacon – documentos relacionados no anexo iv (item 2.3.3, p. 18 e 19, do relatório fiscal) Neste tópico, o relator solicitou informações adicionais à fiscalização, tendo em vista que a recorrente alegou que teriam sido glosadas despesas de fretes com vendas, com base nos seguintes fatos descritos na resolução nº 3402-003.430: No que concerne à glosa de fretes nas operações de venda (Linha 07, Fichas 06-A E 16-A do DACON –Documentos relacionados no anexo IV (ITEM 2.3.3, P. 18 e 19, do Relatório Fiscal), a Fiscalização afirma que a Empresa teria calculado créditos sobre fretes na saída de produtos/mercadorias que não se enquadram como fretes em operações de venda e nem possuem amparo legal que preveja esse tipo de crédito, tais como: remessa de vasilhame ou sacaria, transferência de mercadoria adquirida ou rec. de terceiro, remessa em doação, bonificação ou brinde, outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especif., rem Fl. 9203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 57 por conta e ordem de terc. em venda ordem ou armazém geral e remessa para industrialização. Relata a Recorrente que a Fiscalização, ao proceder os seus exames acerca da legitimidade do crédito pleiteado pela Recorrente, aplicou filtros na planilha digital apresentada pela empresa, segregando as notas fiscais com natureza de operação diversa das de venda e glosando o crédito em relação aos fretes vinculados a notas fiscais cuja natureza da operação não correspondia à de venda, como no caso do CTRC abaixo. Observa que, neste caso, o valor total do frete de R$ 6.423,65, pago pela Recorrente, na condição de remetente das mercadorias, embora corresponda a todas as notas fiscais transportadas, foi alocado na nota fiscal relativa à operação CFOP 5.905 - "Remessa para depósito fechado ou armazém geral". Esclarece que é comum ocorrer situações em que um conhecimento de frete corresponde a várias notas fiscais transportadas, do mesmo modo que é comum ocorrer situações em que as notas fiscais transportadas se referem a naturezas de operação fiscal (CFOP) diferentes, ou seja, em relação a um mesmo conhecimento de frete, podem ser transportadas notas fiscais de venda, nota fiscal de transferência de produtos acabados e nota fiscal de remessa de "pallet", por exemplo. Afirma que, por isso, apresentou à fiscalização o arquivo digital contendo os conhecimentos de frete e, em colunas subsequentes, discriminou uma a uma todas as notas fiscais transportadas, com a indicação da natureza da operação fiscal da mercadoria transportada (CFOP da NF). Como cada conhecimento de frete continha diversas notas fiscais transportadas, adotou o critério de informar o valor total do frete, na linha correspondente à primeira nota fiscal vinculada. Demonstra o ocorrido, como exemplo, o caso do CTRC n° 1786676, da empresa Transportes Framento Ltda, de 08/04/2011. Constata-se, inicialmente, que a Recorrente alega que houve erro na seleção dos conhecimentos feita pela Fiscalização posto que teria levado em consideração no filtro utilizado do frete apenas a primeira operação que constava em cada conhecimento de transporte, não levando em consideração as demais, que em sua maioria tratavam de vendas de mercadorias. Ou seja, em outras palavras, alega que em um mesmo conhecimento de transporte podem conter transportes Fl. 9204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 58 de mercadorias/produtos de diversas naturezas. Além de fretes sobre vendas de produtos acabados, em um mesmo conhecimento de transporte poderia constar também fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, transferência de insumos para industrialização por encomenda, remessa em doação, bonificação ou brinde, etc. Analisando a planilha apresentada pela Recorrente e utilizada pela Fiscalização para efetuar a glosa, constata-se que constam em um mesmo Conhecimento de Transporte na planilha linhas com várias notas fiscais informadas, sem valores, por vezes, de operações fiscais diferentes, nas quais a Empresa apresentou o valor total do frete apenas alocado à primeira nota fiscal constante da relação. Assim, entendo que, a fim de confirmar se o equívoco alegado realmente ocorreu e em busca da verdade material, faz-se necessário a comprovação, por meio dos arquivos fiscais (notas fiscais/conhecimentos de transporte), se cada nota fiscal relacionada está vinculada ao respectivo conhecimento de transporte. Bem como, a Recorrente deve ser instada a informar mensalmente, em planilha, a parcela do valor do frete que cabe a cada nota fiscal por natureza da operação fiscal (CFOP) dentro de um mesmo conhecimento de transporte. Com base no solicitado pela resolução, a fiscalização entendeu que devem ser revertidas parte das glosas, haja vista que realmente foram constatadas glosas sobre fretes nas vendas e transferências de insumos. Mas entendeu que deviam ser mantidas as glosas sobre transferências de produtos acabados, transferência entre cooperados associados e transferências diversas. Bem como, indicou pela manutenção de parte da glosa por falta de comprovação da despesa. Em sua manifestação do resultado da diligência, a recorrente não trouxe nada de concreto a fim de contestar a apuração da fiscalização, apenas repisa os seus argumentos a respeito da possibilidade de cálculo de crédito sobre a transferência de produtos acabados. Em vista das constatações obtidas na diligência fiscal, entendo que devem ser revertidas as glosas de fretes sobre vendas de produtos e transferências de insumos, indicadas na planilha da diligência de e-fls.9.028. Com relação à manutenção das demais glosas (transferências de produtos acabados e transferências diversas), tais questões já foram analisadas no tópico antecedente “frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos”, valendo aqui as mesmas considerações para se manter a glosa. Glosa de encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado – documentos relacionados no anexo v (item 2.3.4, p. 19 e 20, do relatório fiscal) Neste tópico, as glosas operadas pela fiscalização tiveram as seguintes motivações: Fl. 9205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 59  glosa de créditos de bens que não são utilizados na produção de mercadorias destinados à venda;  glosa de créditos de bens importados;  itens sem informações necessárias à verificação do crédito; e  encargos de depreciação de suínos reprodutores "em desacordo com a IN/SRF 162/1998, ou amparado por laudo técnico inidôneo, conforme art. 310, do Decreto n° 3.000/99". No que concerne a primeira glosa, a recorrente se defende afirmando que a fiscalização e a DRJ levaram em conta o conceito restritivo de insumo previsto no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a” da IN/SRF nº 404/2004, considerando como geradores de crédito, exclusivamente, os itens que têm contato direto com o produto fabricado, ou que o integram fisicamente. Ocorre que a glosa operada pela fiscal nesse tópico não diz respeito ao conceito de insumo, mas sim se o bem está apto a gerar crédito por meio da depreciação, no caso de ser utilizado no setor produtivo. Por oportuno, transcreve-se a legislação que prevê o cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre encargos de depreciação: Lei 10.833/2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...)” Lei 10.637/2002: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 9206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 60 VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...)” Lei 10.865 / 04: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Observa-se pela legislação transcrita que os bens que podem gerar créditos de depreciação precisam ser utilizados na produção de bens ou à prestação de serviços. Conforme consta no relatório fiscal, a recorrente calculou créditos sobre bens (bens móveis e utensílios, máquinas e equipamentos) que não são utilizados no processo produtivo, a exemplo de: aerador, amarradeira, analisador de atividades da água, antena parabólica, aparelho de solda, armário para vestiário, armário em aço, arqueadeira, arquivo de aço, balança, balcão, bancada, bebedouro, bomba diversas, cadeira, calha, câmera digital, carrinho em aço, carro hidráulico, climatizador, complemento de valor, compressor, computador, contrasete, despesas de importação, detector de metais, elevador Becker, elevador de canecas, empilhadeira, envolvedora de pallets, estação de trabalho, estante, esteira, estrutura metálica, exaustor, evaporador de teto, gaiola, gaveteiro, lavador de botas, licença de uso, lixeira, máquina de colar e grampear, máquina de lavar louças, máquina de limpeza, máquina embaladora, mesa, monitor de vídeo, nivelador hidráulico de doca, nobreak, porta, prateleira, rosca transportadora, saveiro, seladora, sistema de armazenagem, transformador, transpaleteira, ventilador, entre outros. Como se vê, tais bens, em sua maioria constituído de móveis e utensílios, não têm a sua utilização no setor produtivo da empresa, tais como armários, arquivos de aço, estação de trabalho, estante, etc. Da mesma forma, tem-se máquinas e equipamentos que não tem utilização no processo produtivo, tais como: transformador, antena parabólica, aparelho de solda, câmera digita, etc No entanto, tendo em vista o laudo técnico trazido pela recorrente no seu recurso, no qual se demonstra a utilização do bem no processo produtivo da empresa, entendo que os seguintes bens e seus semelhantes devem ser considerados aptos a gerar crédito de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em Fl. 9207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 61 U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm. Quanto aos demais bens, a recorrente não trouxe maiores informações, quanto a utilização de cada bem, que pudessem vinculá-los exclusivamente ao seu processo produtivo e infirmar as conclusões da fiscalização. Desta forma, devem ser revertidas as glosas sobre os seguintes bens depreciáveis: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm. No tocante a glosa do crédito sobre a depreciação de bens importados, a DRJ/CTA reconheceu que há previsão legal para o cálculo de créditos sobre essa rubrica, mas manteve a glosa porque a recorrente não apresentou a “demonstração do crédito pretendido”, como não fez o cálculo do crédito da depreciação, a utilização do bem no processo produtivo, sequer trouxe o valor das notas fiscais”. No recurso voluntário, o patrono defende que que em se tornando insubsistente o fundamento utilizado pela fiscalização de que não havia previsão legal para o creditamento sobre depreciação de bens importados, não haveria necessidade das informações indicadas pela DRJ. Não assiste razão à recorrente. Como é cediço, nos casos de processos de restituição e ressarcimento é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Fl. 9208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 62 Processo Civil (CPC/2015, art. 373, I), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art.373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;, vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. Conforme restou atestado pelo acórdão recorrido, também entendo que a recorrente deixou de demonstrar o seu crédito pleiteado, não apresentando prova hábil nesse sentido nos autos. Da mesma forma quanto às glosas de depreciação por existirem “itens sem informação nos campos ‘número da nota fiscal’, ‘nome do fornecedor’ e ‘CNPJ do fornecedor’”. A recorrente trouxe planilha (anexo VII) informando os tais campos faltantes dos itens, mas da mesma forma da glosa anterior, a recorrente defende que em se tornando insubsistente o fundamento utilizado pela fiscalização de que a fata desses dados em alguns itens para o creditamento sobre depreciação de bens importados, não haveria necessidade de se comprovar que os bens em comentos são utilizados na atividade produtiva da empresa. A fim de evitar repetições, valem aqui as mesmas considerações da glosa anterior sobre o ônus da prova em casos de pedido de restituição e ressarcimento. Por fim, no que se refere à glosa do crédito de PIS/Pasep e de Cofins sobre os encargos de depreciação dos suínos reprodutores, observa-se que a turma julgadora recorrida, em decisão bem fundamentada, concordou com os argumentos da defesa, porém deixou de conceder o crédito pleiteado porque constatou que o “Laudo Técnico Contemplando a Definição de Vida Útil dos Suínos Reprodutores”, reportado na defesa, não foi anexado aos autos. No entanto, em sede de recurso voluntário, a recorrente informa que o laudo técnico consta nos autos. Com razão a defesa. Fl. 9209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 63 Verifica-se no citado laudo que foram expostas as razões contábeis e fisiológicas para a alteração da vida útil dos suínos reprodutores, expedidas por especialistas desses ramos de atividade contábil e médico-veterinário, constando no documento, inclusive, a assinatura do contador e médico-veterinário. Desta feita, entendo que o laudo juntado aos autos é hábil e atende a exigência constante na legislação a fim de alterar o prazo de vida útil do bem depreciado, qual seja, que fica assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (§ 1º, art. 310, caput, do RIR/1999), para considerar que os suínos reprodutores tem taxa de depreciação de 40%, ao invés daquela de 20% prevista na a IN SRF nº 162, de 1998. Deve ser revertida, portanto, a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores. Glosa de encargos de amortização de edificações e benfeitorias – documentos relacionados no anexo vi (item 2.3.5, p. 20 a 21, do relatório fiscal) A fiscalização glosou da base de créditos de PIS/Pasep e de Cofins, informada na Linha 11, Fichas 06-A e 16-A do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon, valores relativos a encargos de amortização de edificações e benfeitorias, uma vez que na memória de cálculo apresentada foram detectados “itens sem preenchimento dos campos “Nº Nota Fiscal”, “Fornecedor” e “CNPJ Fornecedor” ou campo “Fornecedor” com a seguinte informação: “dvs notas fiscais e dvs fornecedores”. Em vista dessa constatação, a autoridade fiscal glosou o crédito sobre esses itens sob a justificativa de que “a ausência de dados inviabiliza a correta identificação e análise do direito creditório”. A recorrente se defendeu, inicialmente, explicando como se dá a formação desse imobilizado: É preciso remarcar que no patrimônio da recorrente existem diversos bens, cujo custo de aquisição, construção ou montagem é composto por mais de uma nota fiscal e, por vezes, também por notas fiscais de diversos fornecedores. É o caso, por exemplo, das “construções em andamento”. Nesse caso, a edificação ou benfeitoria leva certo tempo para ser construída, e nelas são empregados vários materiais, que na maioria das vezes, são adquiridos de diversos fornecedores. É da técnica contábil que, enquanto a edificação ou a benfeitoria estiver na fase de construção, na terminologia contábil “em andamento”, todos os gastos com materiais, mão de obra, serviços em geral, encargos tributários, etc., são registrados em conta específica pertencente ao grupo “obras em andamento” do “ativo imobilizado”. Fl. 9210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 64 Quando a obra for concluída, apura-se o custo da mesma, o qual corresponde ao somatório dos gastos despendidos para a sua construção ou montagem. O montante do valor gasto na obra de edificação ou benfeitoria, é transferido para conta própria do ativo imobilizado e constitui o valor do bem a ser incorporado ao imobilizado da empresa. Portanto, é natural que o custo de uma edificação ou benfeitoria seja composto por “diversas notas fiscais” relativas a todos os materiais empregados, assim como os materiais podem ter sido adquiridos de “diversos fornecedores”. Aduz que juntou aos autos, anexo IX, duas planilhas com a especificação das notas fiscais de cada benfeitoria objeto de amortização, denominados de “DETALHAMENTO SINTÉTICO DOS BENS DA LINHA 11 FICHA 06” e “DETALHAMENTO COMPLEMENTAR BENS LINHA 9 E 11 FICHA 06A_ LINHA 0”, nas quais estariam especificadas todas as notas fiscais ligadas a cada benfeitoria objeto de glosa por insuficiência na informação das notas fiscais. Ao analisar o potencial dos documentos juntados para a comprovação do crédito, a DRJ teve a seguinte conclusão: O Anexo IX (fls. 1.890 e ss.) não tem o condão de provar o alegado, pois não é possível identificar os materiais sobre os quais a contribuinte apurou o crédito pretendido. A contribuinte traz uma extensa relação de valores sobre os quais se creditou, mas conceder o crédito nessa condição seria confiar cegamente nas informações apresentadas. Não há o menor indício de que tal creditamento esteja correto. Lembre-se que o ônus da prova em processos de ressarcimento é da contribuinte. Assiste razão à recorrente. Entendo que nas referidas planilhas é possível se estabelecer uma correlação entre todos os bens objeto de glosa por insuficiência de informação das NF e a relação de notas fiscais apresentadas pela recorrente em recurso. Observa-se na primeira planilha sintética a especificação dos bens glosados com data da ativação, descrição do bem, valor do bem, depreciação, campo notas fiscais sem especificação, etc. Na segunda planilha, denominada “DETALHAMENTO COMPLEMENTAR BENS LINHA 9 E 11 FICHA 06A_ LINHA 0”, pode-se correlacionar com a primeira por meio do número do bem glosado, bem como são apresentados em bloco lançamentos contábeis com a relação de notas fiscais que formaram o valor do bem. Além do mais, em ambas as planilhas são mostradas a depreciação do bem com a taxa de depreciação, vida útil, depreciação acumulada, encargo de depreciação, etc. Pelo exposto, deve ser revertida a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias. Fl. 9211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 65 Glosa de créditos de PIS incidentes sobre insumos importados – documentos relacionados no anexo vii (item 2.3.7, p. 24 e 25, do relatório fiscal) Neste tópico discute-se a glosa de peças de reposição sobressalentes importadas a serem utilizadas em máquinas. As glosas foram realizadas porque a autoridade fiscal entendeu que diversos bens importados não se enquadram no conceito de insumos. A recorrente, por sua vez, diz que na glosa o auditor aplicou o conceito restritivo de insumos, quando, na verdade, em se tratando de máquinas, equipamentos e outros bens utilizados na produção de bens destinados à venda, há de se considerar todos os bens utilizados de forma direta e indireta no processo produtivo. A DRJ manteve o conteúdo do despacho decisório porque a empresa interessada não teria provado em quais máquinas as peças sobressalentes teriam sido aplicadas. Em seu recurso voluntário, aduz primeiramente que a autoridade julgadora não se ateve ao que lhe cabe, ou seja, usurpou-se, mais uma vez, da competência da autoridade fiscal, vez que manteve o conteúdo do despacho decisório sob a alegação de falta de prova da identificação das máquinas nas quais foram aplicadas as peças. Em segundo lugar, diz que a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins no regime não cumulativo, não exige, nem implicitamente, que se comprove, como condição para o direito ao crédito, “em que máquina foi utilizada a peça importada”. Para legitimar o crédito basta que o insumo seja utilizado no processo produtivo. Sem razão à recorrente. Como já se disse alhures, em processos de restituição e ressarcimento cabe ao solicitante provar o direito creditório pleiteado. Assim, não basta que a recorrente afirme que o suposto insumo seja aplicado no processo produtivo, isso deve ser provado nos autos. No caso em apreço, constata-se que o contribuinte apresentou a planilha constante do anexo X, na qual mostra dados das peças sobressalentes importadas, mas não há qualquer informação sobre a aplicação ou utilização da peça no processo produtivo, sobretudo quanto a máquina onde será aplicada e setor de atividade da empresa onde a máquina é utilizada. Ademais, não há informação sobre se o referido bem foi agregado ao imobilizado aumentando a sua vida útil. Tais informações, ao meu sentir, são fundamentais para a avaliação do insumo se atende os critérios da essencialidade e relevância e análise do direito creditório pleiteado pela recorrente no sentido de comprovar a sua certeza e liquidez. Fl. 9212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 66 Conclui-se com relação a este tópico que a Empresa não cumpriu com a sua obrigação de comprovar o direito creditório pleiteado por meio de documentação hábil e suficiente. Com efeito, a apresentação de elementos de prova que não são hábeis e suficientes para comprovar o erro na apuração da contribuição leva a não comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e, consequentemente, ao indeferimento do crédito por insuficiência probatória, devendo-se manter a decisão recorrida que não confirmou a homologação da compensação. Com tais fundamentos, deve ser mantida a glosa. Glosa de crédito presumido – atividades agroindustriais (item 2.3.6, p. 21-24, do relatório fiscal) Discute-se neste tópico dois temas, quais sejam: a) Que os valores creditados a título de crédito presumido referentes às aquisições de aves, suínos, milho, leite e lenha, foram alocadas, indevidamente, no campo de Receita de Exportação e Não Tributado no Mercado Interno, o que geraria o direito ao ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins, contrariando as disposições contidas no art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, segundo o qual os créditos somente poderiam ser utilizados para fins de dedução da contribuição e não restituição; e b) Que a requerente aplicou o percentual de 60% sobre os insumos adquiridos como suínos (NCM 0103.10.00 e 0103.92.00), leitões para terminação (NCM 0103.91.00), aves para abate (NCM 0105.94.00), milho (NCM 1005.90.10), lenha (NCM 4401.10.00 e 4401.30.00) e carvão para lenha (NCM 4402.90.00), quando deveria ter aplicado o percentual de 35%. Assim, foi glosado o valor calculado à maior (diferença entre 60% e 35%). Com relação ao primeiro tópico, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, vez que afirma que a fiscalização apenas adotou o que determina a legislação no sentido de vedar a restituição ou ressarcimento do crédito presumido, permitindo apenas a compensação com a própria contribuição. Reproduz-se as razões de decidir do acórdão recorrido, com as quais concordo: A fiscalizada, por sua vez, aduz que adotou o critério de alocá-los na proporção das receitas tributadas, não tributadas no mercado interno e de exportação. Entende que possui, por força do princípio da não cumulatividade e da legislação infraconstitucional, possui o direito ao ressarcimento sobre tais créditos presumidos. Todavia, não assiste razão à interessada. Primeiro, porque como sabido, é de se observar que o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, foi absolutamente claro ao estabelecer que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente poderia ser deduzido do valor devido da Cofins e do PIS não cumulativos, Fl. 9213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 67 não havendo a possibilidade de efetivar-se ressarcimento dos mesmos. Desse modo, a alocação dos créditos realizada pela fiscalização apenas reflete um comando legal, evitando que esse crédito seja indevidamente ressarcido. Em síntese, conceder o direito ao ressarcimento do crédito presumido em discussão seria violar expresso dispositivo legal, o que é vedado ao julgador administrativo. No que concerne à segunda temática, que diz respeito a utilização incorreta de alíquota para cálculo do crédito presumido, percebe-se que a autoridade fiscal reconheceu a correção da alíquota utilizada pela empresa, em vista da IN RFB nº 2.121/2022 e a Súmula Carf nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Assim, não havendo mais controvérsia sobre a alíquota a ser utilizada, deve ser revertida a glosa do valor supostamente calculado à maior (diferença entre 60% e 35%). Critério de utilização do saldo de créditos Noticia-se nos autos, quanto à utilização dos saldos dos créditos ordinários e presumidos para abater os débitos do mês, que a autoridade fiscal, adotou o seguinte critério: primeiro, abateu o crédito presumido previsto no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, do leite(60%); em segundo lugar utilizou o crédito presumido previsto no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, relativo a aquisição de suínos, aves, insumos de origem vegetal e lenha, calculado no percentual de 35%; em terceiro lugar utilizou o crédito de 30%, previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010; em quarto lugar, abateu o crédito presumido de 40%, previsto no art. 34, da Lei nº 12.058/2009; e, por fim, em quinto lugar, abateu o crédito presumido de 12%, previsto no art. 56, da Lei nº 12.350/2010. Ocorre que o crédito presumido de 60% sobre o leite cru é ressarcível, por força do disposto na Lei nº 13.137/2015. De igual modo, o crédito presumido de 30% previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, também é ressarcível. A recorrente, no entanto, adotou o critério de utilizar primeiro os créditos presumidos não ressarcíveis e, na sequência, o saldo credor do mercado interno tributado (também não ressarcível), para abater os débitos do mês. Desse modo, informa a recorrente que remanesceu em conta gráfica o crédito presumido de 60% do leite cru e o crédito presumido de 30% de que trata art. 55, da Lei nº 12.350/2010 que foram objeto de ressarcimento em outros processos. Nessa seara, aduz a recorrente que a autoridade fiscal subverteu a ordem natural de utilização dos créditos, ou seja, para abater os débitos do mês, primeiro utilizou os créditos presumidos que são ressarcíveis e depois, os demais créditos presumidos, deixando acumulado Fl. 9214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 68 em conta gráfica o crédito relativo ao mercado interno tributado que, todos sabem, não tem outra forma de utilização, senão para abater débitos em conta gráfica. O acórdão recorrido registra que não há nenhuma determinação legal que obrigue a fiscalização a seguir a ordem que a contribuinte indicou para a utilização dos créditos presumidos. Não existe nenhuma normatização que estabeleça a ordem de dedução dos créditos presumidos. Entende-se que seria mais condizente com os interesses dos sujeitos passivos e mais coerente com o ordenamento jurídico se a fiscalização tivesse procedido como aventado pela interessada, mas não há obrigação legal nenhuma neste sentido, razão pela qual não há como a autoridade julgadora determinar que a fiscalização altere o critério utilizado. Assiste razão à recorrente. Ao meu sentir, como não há determinação legal indicando a ordem de utilização dos créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, deve ser aplicado ao caso o princípio da menor onerosidade ou gravosidade ao contribuinte. Esse princípio infraconstitucional da menor onerosidade, presente no art. 805 e parágrafo único do CPC/2015, preconiza que a satisfação do crédito deve ocorrer de modo que impute ao devedor o menor encargo, todavia sem que represente para o credor qualquer tipo de prejuízo - dificuldade para a satisfação do crédito. Embora esse princípio trate de execução, entendo que tem aplicação ao tema ora analisado, haja vista que caso exista mais de uma forma da ordem de utilização dos créditos presumidos ressarcíveis e não ressarcíveis, sem a legislação estabelecer uma a ser adotada, deve- se utilizar a forma que deverá ocorrer da forma menos gravosa ao contribuinte, qual seja, primeiro utilizar os créditos presumidos não ressarcíveis disponíveis e somente depois desses esgotados, pode-se utilizar os créditos ressarcíveis. Ao subverter essa ordem o contribuinte claramente pode ter prejuízo ao ver limitado o seu direito de pedir o ressarcimento dos créditos presumidos ressarcíveis, isso porque podem tornar insubsistentes, por falta de saldo, os pedidos de ressarcimentos, por ventura existentes, a exemplo daqueles calculados pela recorrente de 60% do leite cru e o crédito presumido de 30% de que trata art. 55, da Lei nº 12.350/2010. Diante do exposto, determino que seja adotada a ordem de utilização: primeiro dos créditos não ressarcíveis e somente depois desses esgotados que sejam utilizados os créditos ressarcíveis. Erros no Cálculo Para Determinação do Limite da Utilização do Crédito Presumido – Art. 9º da Lei nº 11.051/2004 A recorrente solicita neste tópico a revisão do cálculo da limitação do crédito presumido agroindustrial efetuado, quer pelo fato de ter incluído no cálculo do limite aquisições de não cooperados, quer pelo fato de ter considerado outras exclusões que não as previstas no Fl. 9215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 69 art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, conforme determina o art. 9º da Lei nº 11.051/2004: Lei nº 11.051/2004 Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. § 1º. O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004. § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. (negrito nosso). Além disso, afirma que a fiscalização, a pretexto de aplicar a limitação na utilização do crédito presumido prevista no art. 9º, da Lei nº 11.051/2004, simplesmente desprezou o saldo do crédito presumido que excedeu o valor do débito de COFINS do mês. Em outras palavras, o saldo do crédito presumido de um trimestre não foi transportado para o trimestre seguinte. Em vista da dúvida quanto a correção dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal, o colegiado baixou o processo em diligência para que fossem esclarecidos os seguintes fatos no item 08 da resolução: 8. Que a Autoridade Fiscal explique de que forma foram calculados os limites de aproveitamento mensal do crédito presumido agropecuário da contribuição, sobretudo informe se aplicou a limitação em relação a todas as aquisições, isto é, de cooperados e de não cooperados, bem como informar se na apuração do valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos pela recorrente depois de efetuadas as exclusões previstas, foram excluídas somente a do art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; ou se também foram excluídas a do art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; e do art. 1º da Lei nº 10.676, de 22 de maio de 2003, conforme alega a Recorrente. Elaborar planilha demonstrando os limites de aproveitamento calculados, de acordo com o que determina o art.9º da Lei nº11.051/2004; Atendendo a solicitação do colegiado, a autoridade fiscal fez as seguintes considerações a respeitos dos esclarecimentos solicitados: 79. Em relação ao procedimento nº 08, da Resolução do Carf, após ser intimado e reintimado a apresentar memórias de cálculos, conforme as aquisições de cooperados e não cooperados, explicitando a forma do cálculo e os respectivos Fl. 9216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 70 percentuais, para o cálculo dos limites de aproveitamento dos créditos presumidos, conforme determina o art. 9º da Lei nº 11.051/2004, a requerente apresentou as pastas de trabalho “Item 2_Detalhamento NFs com Cred_Presumido” em que demonstra, por meio de 14 planilhas, a apuração do crédito presumido, e “Item 03 – Exclusões Coops” em que relaciona todas as receitas auferidas, segregadas por tipo de atividade e as exclusões da base de cálculo na apuração da base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. 80. No entanto, referida resposta não atendeu plenamente ao solicitado, principalmente, em demonstrar os limites de aproveitamento, em relação a proporcionalidade das aquisições de cooperados e não cooperados e o seu impacto nos saldos dos créditos presumidos, nas planilhas: “7. Demons. Vlres CP 60%” ou “11. Composição EFD”, da pasta de trabalho: “Item 2_Detalhamento NFs com Cred_Presumido”, sendo que tais informações são justamente um dos argumentos da impugnação das glosas realizadas no processo. 81. Apesar da oportunidade de apresentar os dados percentuais das aquisições, assim como, o limite do crédito presumido a que infere ter direito, para embasar os seus argumentos, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário. A requerente optou por não apresentar as respectivas informações e demonstrativos evidenciando, com números e cálculos, a limitação à utilização do crédito presumido e assim manter apenas alegações genéricas. 82. Conforme § 4º, art. 575, da IN RFB nº 2.121/2022 que consolida as normas de apuração, a cobrança, a fiscalização, a arrecadação e a administração para o PIS e a Cofins, o valor do crédito presumido relativo a produtos agropecuários recebidos de cooperados, exceto o leite in natura, utilizados como insumos, limita-se ao saldo a pagar da Contribuição para o PIS e Cofins devidas em relação à receita bruta decorrentes da venda de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 317: § 4º No caso de sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial, o valor do crédito presumido relativo a produtos agropecuários recebidos de cooperados, exceto o leite in natura, utilizados como insumos, limita-se ao saldo a pagar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrentes da venda dos produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 317 (Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, § 5º, e art. 15, § 5º; e Lei nº 11.051, de 2004, art. 9º, com redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015, art. 5º). 83. Por sua vez, o art. 317, assim dispõe: Art. 317. Sem prejuízo das exclusões aplicáveis a qualquer pessoa jurídica de que tratam os arts. 26 e 27, as sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 5.764, de 1971, art. 79, parágrafo único; Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17): Fl. 9217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 71 - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos perante instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; - as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício; e - os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da comercialização pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária. 84. Lembrando que o art. 300, da IN RFB nº 1.911/2019, em conjunto com o art. 292, também refletem a mesma disposição em limitar o valor do crédito presumido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões previstas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; na Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17. 85. Em tempo, depreende-se que, em qualquer dos tipos de pedido ou declaração(Dacon ou EFD – Contribuições), a responsabilidade pela demonstração do direito creditório compete ao sujeito passivo ou pessoa autorizada requerente, portanto o ônus da prova recai sobre a pessoa interessada. Entenda-se por ônus da prova a apresentação de memórias de cálculo, documentos e esclarecimentos necessários à comprovação da existência e natureza do direito creditório pleiteado. 86. Além disso, cabe ressaltar que a comprovação da interessada deve estar baseada em documentos, cálculos e esclarecimentos verídicos e precisos, objetivando explicitar e explicar claramente os valores apresentados em demonstrativos, pedidos e declarações. Não ocorre essa comprovação quando há simplesmente a exibição de listagens desacompanhadas dos respectivos esclarecimentos e documentos, ou o fornecimento de dados e informações genéricos. 87. Assim, nos processos de direito creditório relativos à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, a existência e a natureza do crédito requerido pela empresa devem ser mantidas sob controle, estar demonstradas no Dacon ou EFD - Contribuições e ser comprovadas pela empresa interessada. 88. Em relação aos questionamentos do item 08, informo que a limitação do saldo do crédito presumido, conforme os dados apresentados pela contribuinte, foi aplicada a todas as aquisições, isto é, de cooperados e de não cooperados, em Fl. 9218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 72 virtude da não apresentação por parte da requerente dos cálculos solicitados para verificação da pertinência e conformidade da apuração do respectivo saldo. 89. Em relação ao limite de utilização do crédito presumido, o valor utilizado pela fiscalização foi o valor apurado pela requerente e informado na Dacon, em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após exclusões previstas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; na Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17, conforme pasta de trabalho: “Item 3_Exclusoes Coops”. 90. Nesse sentido, em virtude da não apresentação das informações e demonstrativos do cálculo que a requerente alega ter direito, sendo que referidas informações foram solicitadas por meio de intimação e reintimação, e em consonância com o que prediz a legislação, mantém-se os valores calculados originalmente em relação ao saldo do crédito presumido. Como se observa a auditoria manteve a forma do cálculo original, haja vista que, por meio de intimação e reintimação, não obteve por parte da recorrente elementos suficientes para as verificações necessárias solicitadas pelo colegiado. A recorrente, neste ponto, não se manifestou sobre os resultados da diligência fiscal. Sobre a alegação de que o saldo do crédito presumido de um trimestre não foi transportado para o trimestre seguinte, entendo que o direito ao crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n.º 10.925/2004, calculado sobre insumos de bens recebidos de cooperados, limita- se ao valor devido de PIS/Pasep e de Cofins e não há na norma nada que determine que, caso o valor do referido crédito calculado em determinado período de apuração supere o montante das contribuições a pagar, o valor excedente possa ser transposto para o período seguinte. Eis o conteúdo da norma: Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (Vigência) (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 1º . O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Fl. 9219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 73 No que concerne às exclusões para efeito de calcular o limite, a fiscalização confirma na informação fiscal da diligência que limitou o valor do crédito presumido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões previstas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; na Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17. Ocorre que o texto da lei que estabelece esse limite, acima transcrito, é claro ao estabelecer que a única exclusão a ser realizada a receita bruta das vendas é a prevista no art.15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Não há qualquer referência no dispositivo a também se excluir da receita bruta as rubricas citadas pelos caput do art. 1º, § 1º , da Lei nº 10.676, de 2003 e art. 17, da Lei nº 10.684, de 2003. Assim, deve ser recalculado o limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Quanto a alegação de que a fiscalização teria incluído no cálculo do limite aquisições de não cooperados, restou comprovado, por meio da diligência fiscal, que a empresa não apresentou documentação suficiente para proceder a segregação necessária entre aquisições de cooperados e não cooperados, apesar de ter sido intimada e reintimada durante a realização da diligência. Como já informado, a recorrente não se manifestou sobre essa conclusão tomada pela autoridade fiscal na diligência. Vale repetir que em casos de processos de restituição e ressarcimento é entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (CPC/2015, art. 373, I), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art.373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;, vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à Fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito Fl. 9220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 74 passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ressalte-se que normas de semelhante teor constam em legislação antecedente, conforme IN SRF 210, de 01/10/2002,IN SRF 460 de 18/10/2004, IN SRF 600 de 28/12/2005. Recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno – desconsideração das exclusões da base de cálculo do pis/pasep e da cofins, no cálculo do percentual correspondente às receitas não tributadas (item 2.3.10, p. 30 a 35) Em relação ao rateio proporcional, a recorrente alega que, para garantir seu direito, retificou devidamente os DACONs (Anexo G) com o fim de alterar os índices do rateio proporcional para alocar as exclusões da base de cálculo realizadas nos termos do art. 11, II e V, da IN SRF nº 635 de 2006, na correta classificação, qual seja, a de “Receitas Não Tributadas no Mercado Interno”. Ato seguinte, a Recorrente apresentou o Pedido de Ressarcimento nº 11566.65760.290716.1.5.11-3517. Aduz ainda que, se a redução da base de cálculo constitui uma isenção parcial, consequentemente, a exclusão da base de cálculo constitui uma isenção total. Dessa forma, com base nesse raciocínio, as exclusões têm natureza de isenção (nos moldes do art. 17 da Lei nº 11.033/04), permitindo à Recorrente a compensação ou ressarcimento dos créditos, nos moldes dos incisos I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116/15. Por fim, afirma ainda ser necessária a reformulação do acórdão nº 06-65.830, com vistas a restabelecer os índices de rateio calculados pela Recorrente, de forma a possibilitar a compensação ou o ressarcimento dos créditos com base no disposto nos incisos I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116/2015, em estrito cumprimento da lei e da jurisprudência atualmente vigente. Não assiste razão à recorrente. Essa questão foi bem analisada no acórdão nº3301-012.361, de relatoria do conselheiro José Adão Vitorino, em caso envolvendo a mesma empresa, cujos fundamentos adoto como minhas razões de decidir quanto a este tópico: A recorrente alegou que as exclusões da base de cálculo, próprias das sociedades cooperativas, previstas no art. 11 da IN SRF nº 635/2006, têm natureza de isenções; assim poderiam ser enquadradas no art. 17 da Lei nº 11.0333/2004, o que implicaria no direito de compensar os respectivos créditos, nos termos dos incisos I e II do art. 16 da Lei nº 11.116/2015. Alegou também que este foi o entendimento da RFB esposado na Consulta de nº 46/2012, feita por ela própria. Assim, retificou os Dacon para alterar os índices do rateio proporcional para alocar as exclusões das bases de cálculo realizadas nos termos do art. 11, incisos II e V, da IN SRF Nº 635/2006, visando garantir seu direito à compensação dos créditos vinculados aos custos previstos nesses incisos. Fl. 9221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 75 A IN SRF nº 635/2006, então vigente, assim dispunha: Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I -exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II -exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; (...) IV -exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V -dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; (...) Por sua vez, a Lei nº 11.033/2004, assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Já a Lei nº 11.116/2005, estabelece: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003,e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Na Consulta nº 46/2012 apresentada pela recorrente, a SRRF09/Disit da RFB assim concluiu: (...) Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo à interessada que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF nº 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3ª, II da Lei n' 10.637, de 2002 e no art. 3' Fl. 9222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 76 da Lei n' 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004. (grifos nossos) Da análise desses dispositivos legais, verificamos que o art. 11 da IN SRF nº 635/2006 trata de exclusões das bases de cálculo do PIS e da Cofins, por parte das cooperativas de produção agroindustrial, para a apuração do valor devido sobre o faturamento mensal; o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 trata de vendas desoneradas das contribuições cujos custos de aquisição para revenda e/ ou dos insumos utilizados na produção dos bens vendidos foram onerados, ou seja, sofreram a incidências das contribuições; e, finalmente, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 trata de créditos básicos previstos no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Quanto à solução na Consulta nº 46/2012, ao contrário do entendimento da recorrente, a SRRF09/Disit da RFB apenas reconheceu que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF nº 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3ª, II da Lei n' 10.637, de 2002 e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Portanto, não há que se falar em retificação de Dacon para incluir receitas decorrentes de operações com cooperados, seja na aquisição de bens para comercialização e/ ou de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda. Forte nos fundamentos do voto transcrito, mantém-se a decisão recorrida neste ponto. Glosa de Aquisições de Produtos de Cooperados Pessoas Jurídicas (P. 59-60, Acórdão Recorrido) Conforme o despacho decisório, Item 6, p. 16, a fiscalização glosou da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, valores relativos a aquisições de bens utilizados como insumos, oriundos de cooperados pessoas jurídicas. Segundo o despacho decisório, a glosa se deu sob o fundamento de que, nos termos dos incisos I e II do art. 23 da IN/SRF nº 635/2006, seria vedado o crédito em relação a bens para revenda e de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de cooperados. A DRJ recorrida manteve a glosa do crédito sob a alegação de que não há amparo na legislação para credito sobre as aquisições para a revenda e bens utilizados como insumos oriundos de cooperados pessoas jurídicas. Entendo que não assiste razão à recorrente. Fl. 9223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 77 A matéria aqui tratada neste tópico tem similaridade fática e jurídica com aquela discutida no tópico “Glosa de Mercadorias Adquiridas de Cooperados”, devendo ser utilizados os mesmos fundamentos lá explicitados, a fim de evitar repetições. Desta feita, mantém-se a glosa. Correção pela taxa SELIC Essa correção, recentemente, foi admitida pela Secretária da Receita Federal, por meio da Nota Codar nº 22/2021, que trata da aplicação da Selic aos pedidos de ressarcimento e não compensação de ofício de débitos parcelados a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, conforme trecho abaixo transcrito: O SIEF Processos passa também a aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. Desta feita, o Contribuinte faz jus à correção pela SELIC nos termos estabelecidos na Nota Codar nº 22/2021. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e no mérito para dar-lhe provimento parcial nos seguintes aspectos: 1) acolher o resultado da diligência no presente julgamento, para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas constante do termo de informação fiscal da diligência (e-fls.9.027 a 9.030); 2) reverter as glosas relativas aos créditos com materiais de embalagens de apresentação e de acondicionamento; 3) reverter a glosa dos materiais de segurança, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados; 4) reverter as glosas com despesas de materiais e serviços de conservação e limpeza, exceto quanto aos materiais adquiridos de cooperados, lavação de roupas/uniformes, serv. de higienização e locação de indumentárias e serv. ref. limpeza e higienização de toalhas; 5) reverter a glosa na aquisição do produto denominado “Metionina Hidroxi Análoga Liquida” Fl. 9224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 78 6) reverter a glosa de aquisições de “Calcário Calcítico”; 7) reverter a glosa nas aquisições do “Óleo BPF Filoil 1A”; 8) reverter a glosa sobre fretes nos sistemas de parcerias de suínos, aves, rações e outros; 9) reverter a glosa do frete incidente no transporte de insumos da atividade produtiva; 10) reverter a glosa dos fretes na aquisição de insumos sujeitos à suspensão e adquiridos de cooperados, nos termos estabelecidos na Súmula CARF nº188; 11) reverter a glosa de créditos sobre a depreciação de suínos reprodutores; 12) reverter a glosa da depreciação calculada sobre os seguintes bens e seus semelhantes por serem aptos a gerar créditos de PIS e COFINS: Bem n° 44240 – Estrutura Em Aço Inox C/ Roletes P/ Fixação De Balança, Bem n° 52265 – Mesa em U em Aço Inox med. 4500 x 2700 x 2500 x 900 mm c/ Suporte Para Monoblocos, Bem n° 44173 – Aerador De Fluxo Ascendentes Motor 25,0 cv Dotado De Flutuante Em Fibra, Bem n° 42463 – Lavador De Botas 03 Lugares Em Aço Inox, Bem n° 56918 – Confecção De Base Em Concreto Para Instalação Da Maquina Cubetiadeira, Bem n° 59773 – Pá Carregadeira Marca New Holland Modelo 12b Com 88 Cv, Bem n° 59789 Balança Eletrônica mod. B, c/ Plataforma Pesagem BI-4030-18kg c/ PB450(2008) Marca Alfa, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. E Embal.de Leite Em Pó, o Bem n° 46927 - Ventilador 3 Pás Estreitas C/2 Grades Trifásico C/Motor Eberle 1/2cv, Bem n° 62615 - Máquina Smart Fil 25 240 nlg p/ Ensac. e Embal. De Leite Em Pó, Bem n° 51599 - Máquina De Grampear Seloclip Mod. BR-7010, Bem n° 49152 - Gaiolas de Congelamento Med. 1000 x 1200 x 2000 mm. 13) reverter a glosa dos encargos de amortização de edificações e benfeitorias; 14) reverter a glosa do valor do crédito presumido supostamente calculado à maior (diferença entre 60% e 35%); 15) determinar que seja adotada a ordem de utilização: primeiro dos créditos não ressarcíveis e somente depois desses esgotados que sejam utilizados os créditos ressarcíveis. 16) determinar o recálculo do limite ao qual crédito presumido está submetido ao saldo a pagar das respectivas contribuições devidas em relação a receita bruta das vendas após a exclusões somente daquelas previstas no art. 15, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001; e 17) Aplicar a correção pela SELIC a partir 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado; Fl. 9225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.793 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.901579/2014-65 79 É como voto. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Fl. 9226DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10808539 #
Numero do processo: 19311.720128/2017-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. OMISSÃO Dado o erro material ou lapso manifesto apontado pela embargante, torna-se necessária a correção do acórdão embargado. Verificada omissão relacionada a determinado item do acórdão, a matéria deve ser tratada em embargos
Numero da decisão: 3302-014.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos do contribuinte, com efeitos infringentes, para sanar o vício relacionado ao erro material, acrescentando ao dispositivo e resultado do acórdão (i) a reversão da glosa relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta, e (ii) a reversão da glosa dos créditos relacionados aos serviços de “frete via motoboy, táxi e malote”, registrados nas Contas Contábeis: NF-e Individualizadas: 40101050028 - Locação veículos; 40101050018 - Locação veículos; 40101050026 - Locação veículos; 40101050031 -Locação veículos; 40101050028 - Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050010 – Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050026 – Locação veículos. Assinado Digitalmente José Renato Pereira de Deus – Relator Assinado Digitalmente Lazaro Antonio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Silvio Jose Braz Sidrim, Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos do contribuinte, com efeitos infringentes, para sanar o vício relacionado ao erro material, acrescentando ao dispositivo e resultado do acórdão (i) a reversão da glosa relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta, e (ii) a reversão da glosa dos créditos relacionados aos serviços de “frete via motoboy, táxi e malote”, registrados nas Contas Contábeis: NF-e Individualizadas: 40101050028 - Locação veículos; 40101050018 - Locação veículos; 40101050026 - Locação veículos; 40101050031 -Locação veículos; 40101050028 - Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050010 – Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050026 – Locação veículos. Assinado Digitalmente José Renato Pereira de Deus – Relator Assinado Digitalmente Lazaro Antonio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Silvio Jose Braz Sidrim, Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).

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ERRO MATERIAL. OMISSÃO Dado o erro material ou lapso manifesto apontado pela embargante, torna-se necessária a correção do acórdão embargado. Verificada omissão relacionada a determinado item do acórdão, a matéria deve ser tratada em embargos ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos do contribuinte, com efeitos infringentes, para sanar o vício relacionado ao erro material, acrescentando ao dispositivo e resultado do acórdão (i) a reversão da glosa relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta, e (ii) a reversão da glosa dos créditos relacionados aos serviços de “frete via motoboy, táxi e malote”, registrados nas Contas Contábeis: NF-e Individualizadas: 40101050028 - Locação veículos; 40101050018 - Locação veículos; 40101050026 - Locação veículos; 40101050031 -Locação veículos; 40101050028 - Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050010 – Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050026 – Locação veículos. Assinado Digitalmente José Renato Pereira de Deus – Relator Assinado Digitalmente Lazaro Antonio Souza Soares – Presidente Fl. 3485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.845 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720128/2017-64 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Silvio Jose Braz Sidrim, Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos em face do acórdão de embargos nº 3302-013.072, proferido em 22 de novembro de 2022, apontando vícios no acordão nos seguintes termos: 1. Erro material no resultado do acórdão ao não inserir, expressamente, o provimento do recurso voluntário quanto à reversão da glosa de aluguéis de veículos, uma vez que tal glosa fora revertida no voto condutor; 2. Contradição na manutenção das glosas de despesas com serviços de fretes, agenciamento de cargas e prestação de apoio administrativo na importação de maquinário, ao mesmo tempo que reconheceu o direito ao aproveitamento dos encargos de depreciação, nos termos do artigo 3º, inciso VI, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Contradição entre o fato de o acórdão concordar com a tese de creditamento de insumos de insumos, mas decidir por negar provimento em razão de que não fora possível identificar a essencialidade e relevância em relação ao insumo principal; 4. Omissão acerca do capítulo “frete via motoboy, táxi e malote”, pois não considerou os fundamentos ali desenvolvidos. Realizado o juízo de admissibilidade, os embargos da contribuinte foram parcialmente acolhidos, nos seguintes termos: Com base nas razões acima expostas, admito, parcialmente, os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para sanar o 1 erro material quanto à não inclusão da reversão da glosa de aluguéis de veículos no dispositivo e no resultado do acórdão, para sanar a 2 contradição quanto às glosas de despesas com serviços de fretes, agenciamento de cargas e prestação de apoio administrativo na importação de maquinário, para 3 sanar a omissão quanto à alegação de os serviços de “frete via motoboy, táxi e malote” se destinam ao transporte de bens higienizados, como etapa fundamental do serviço prestado. Encaminhe-se para novo sorteio no âmbito da turma, uma vez que o relator não mais compõe o colegiado. Eis o relatório. Fl. 3486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.845 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720128/2017-64 3 VOTO Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. Considerando que os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento deles. Conforme se depreende do relatório acima, os embargos da contribuinte foram parcialmente admitidos para (i) sanar o erro material quanto à não inclusão da reversão da glosa de aluguéis de veículos no dispositivo e no resultado do acórdão, (ii) para sanar a contradição quanto às glosas de despesas com serviços de fretes, agenciamento de cargas e prestação de apoio administrativo na importação de maquinário, (iii) para sanar a omissão quanto à alegação de os serviços de “frete via motoboy, táxi e malote” se destinam ao transporte de bens higienizados, como etapa fundamental do serviço prestado. (i) Erro material quanto à não inclusão da reversão da glosa de aluguéis de veículos utilizados no serviço de coleta no dispositivo e no resultado do acórdão No que tange ao vício apontado, analisando o acórdão embargado, verifica-se que realmente não restou consignada a reversão da mencionada glosa relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta, promovido pela embargante, motivo pelo qual há a necessidade de se fazer sua inclusão, tanto no dispositivo quanto no resultado do acórdão. Desta feita, passam a ser redigidos da seguinte forma: Dispositivo: “Diante de todo exposto, nego o recurso de ofício e dou provimento parcial ao recurso voluntário para: a) determinar que os encargos de depreciações devam ser calculados pelo valor de aquisição, sem nenhuma glosa; b) reverter a glosa referente à manutenção dos enxovais e uniformes; c) reverter a glosa referente aos serviços de análise de água e efluentes, inclusive consultorias, análise microbiológica, exames clínicos e operação de sistema de tratamento de efluentes; d) reverter a glosa referentes aos serviços de coleta, transporte, beneficiamento, descarte e destinação de resíduos industriais e hospitalares; e) reverter as glosas referentes às despesas com combustível, lubrificantes e manutenção de Veículos; f) reverter a glosa referente ao item contabilizado na Conta Contábil 40101050012; Fl. 3487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.845 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720128/2017-64 4 g) reverter as glosas referentes à óleo combustível e óleo lubrificante utilizados na prestação de serviço da recorrente. h) reverter as glosas relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta. Resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relator. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para: a) determinar que os encargos de depreciações devam ser calculados pelo valor de aquisição, sem nenhuma glosa; b)reverter a glosa referente à manutenção dos enxovais e uniformes; c) reverter a glosa referente aos serviços de análise de água e efluentes, inclusive consultorias, análise microbiológica, exames clínicos e operação de sistema de tratamento de efluentes; d)reverter a glosa referentes aos serviços de coleta, transporte, beneficiamento, descarte e destinação de resíduos industriais e hospitalares; e) reverter as glosas referentes às despesas com combustível, lubrificantes e manutenção de Veículos destinados à sua operação; f) reverter a glosa referente ao item contabilizado na Conta Contábil 40101050012; g) reverter as glosas referentes à óleo combustível e óleo lubrificante utilizados na prestação de serviço da recorrente, e; h) reverter as glosas relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que manteve as glosas referentes a conta contábil nº 40101050012.” (ii) Contradição quanto às glosas de despesas com serviços de fretes, agenciamento de cargas e prestação de apoio administrativo na importação de maquinário No presente tópico o despacho de admissibilidade observou uma permissão quanto a desconto sob a forma de encargos de depreciação, o que levaria a um reflexo de referida permissão no resultado do acordão. Entretanto, salvo melhor juízo, tal permissão indicada pelo despacho de admissibilidade, em verdade, nunca existiu. Observe-se, mais uma vez, o que disse o acórdão embargado a respeito: “Créditos relativos a serviços de frete, agenciamento de cargas e prestação de apoio administrativo na importação. A Recorrente realiza operações de importação de maquinário, usado na formação de sua lavanderia industrial. Referidos equipamentos – integrantes do seu ativo –, após o ingresso no território nacional, são transportados até a sua sede, onde está montada sua planta industrial. Este transporte, como parece claro, gera gastos com frete. Fl. 3488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.845 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720128/2017-64 5 Além disso, há outros gastos relativos à importação destes mesmos bens, tais como aqueles com empresas de agenciamento de cargas e de apoio administrativo na importação. É conhecido o posicionamento da Receita Federal em negar direito ao crédito com relação às despesas aduaneiras, inclusive frete e agenciamento, na aquisição de bens, sob o fundamento de que não estariam incluídas expressamente no art. 3º, IX, da Lei 10.833/03. Entendo que esses custos não podem ser creditados como insumos, e sim ativá- los e descontar como encargos de depreciação. Sendo assim, mantenho a glosa desses valores.” O que se depreende do trecho acima destacado é que a sistemática utilizada pelo contribuinte para reaver os valores dispendidos na operação em comento, seria a de ativar os produtos em sua contabilidade e posteriormente promover eventuais descontos como encargos de depreciação. Não há aqui uma permissão para que se faça o desconto, o que se disse é que o creditamento como insumo não está correto, não havendo discussão quanto a possibilidade ou não de desconto de encargos de depreciação. Portanto, não acolho os embargos quanto a suposta contradição quanto às glosas de despesas com serviços de fretes, agenciamento de cargas e prestação de apoio administrativo na importação de maquinário. (iii) Omissão quanto à alegação de os serviços de “frete via motoboy, táxi e malote” se destinam ao transporte de bens higienizados, como etapa fundamental do serviço prestado No presente tópico a negativa de reversão da glosa foi tratada no acórdão embargado da seguinte forma: “Quanto aos créditos referentes à frete via motoboy, táxi e malote, a recorrente não demonstrou o motivo que deveria ser reformada a decisão que manteve as respectivas glosas. Portanto, nego seu aproveitamento.” Entretanto, entendo que referido tópico merece ser tratado de forma mais aprofundada, vejamos. Segundo o acórdão de impugnação (e-fls 3343), a glosa dos créditos relacionados a referidos serviços haveria de persistir, vez que os créditos foram parcelados, justificando a manutenção da glosa nos seguintes termos: Porém, após a diligência, muitas das glosas, inclusive citadas expressamente por ele na citada impugnação, tiverem seus créditos, parciais ou totalmente, parcelados, como foi o caso de agenciamento de cargas, prestação de apoio administrativo; aluguel de veículos, frete via motoboy, táxi e serviços de malote; consultorias (diversos tipos, engenharia, energia, recrutamento e seleção, RH, ambiental), mas também créditos sobre compra de livros, taxas, tributos, multas, Fl. 3489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.845 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720128/2017-64 6 ginástica laboral, mão-de-obra de pessoa física, serviços genéricos sem individualização como serviços diversos, remoção de caçamba, retirada de entulho, lixo geral, contratação MDO, MDO terceirizada, serviço de mão-de-obra terceirizada, etc, como se vê na tabela parcial abaixo: Por sua vez, a embargante alega que não houve a inclusão de parte da glosa dos créditos no parcelamento (PERT), demonstrando qual a parte que não teria sido inclusa, notadamente quanto as notas fiscais Contas Contábeis: NF-e Individualizadas: 40101050028 - Locação veículos; 40101050018 - Locação veículos; 40101050026 - Locação veículos; 40101050031 - Locação veículos; 40101050028 - Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050010 – Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050026 – Locação veículos, e que por ser serviço prestado aos seus clientes e previstos nos contratos, trata-se de serviço utilizado como insumo, mesmo que terceirizado, sendo essencial para o desenvolvimento de suas atividades. Tal raciocínio é contemplado pelo acórdão embargado, no entanto, de forma genérica, entendeu que não teria a contribuinte embargante demonstrado o motivo pelo qual deveria ser reformada a decisão de piso. Desta forma, considerando que restou demonstrado pelos contratos juntados aos autos pela contribuinte embargante que se trata de serviço essencial para o desenvolvimento de parte de suas atividades, necessária a reversão da glosa dos créditos relacionados aos serviços de “frete via motoboy, táxi e malote”. Entretanto, havendo a notícia de que parte dessas glosas foram objeto de parcelamento, deve haver a reversão das glosas relacionadas a Contas Contábeis: NF-e Individualizadas: 40101050028 - Locação veículos; 40101050018 - Locação veículos; 40101050026 - Locação veículos; 40101050031 - Locação veículos; 40101050028 - Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050010 – Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050026 – Locação veículos. (iv) Conclusão Por todo o acima exposto, voto por acolher em parte os embargos do contribuinte, com efeitos infringentes, para sanar o vício relacionado ao erro material, acrescentando ao dispositivo e resultado do acórdão (i) a reversão da glosa relacionada às despesas de aluguel de veículos utilizados para o serviço de coleta, e (ii) a reversão da glosa dos créditos relacionados aos serviços de “frete via motoboy, táxi e malote”, registrados nas Contas Contábeis: NF-e Individualizadas: 40101050028 - Locação veículos; 40101050018 - Locação veículos; 40101050026 - Locação veículos; 40101050031 -Locação veículos; 40101050028 - Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050010 – Locação veículos; 40101050032 – Locação veículos; 40101050026 – Locação veículos. Eis o meu voto. Assinado Digitalmente Fl. 3490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.845 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720128/2017-64 7 José Renato Pereira de Deus Fl. 3491DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.000263/2005-60
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DIF-PAPEL IMUNE. ENTREGA INTEMPESTIVA. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/09, ART. 1°, §4°. O artigo 1°, § 4°, da Lei n° 11.945/09, veicula norma sancionatória específica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP n° 2.158-35, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIF-Papel Imune, penalidade esta correspondente a R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração omitida ou, sendo o infrator micro-empresa ou empresa de pequeno porte, a R$2.500,00. Retroatividade da sanção benigna prevista no artigo 106, II, c do CTN. Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-000.186
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIF-papel imune em função do princípio atividade benigna aplicado ao art. 1°, § 4°, II da Lei n° 11.945/2009, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DIF-PAPEL IMUNE. ENTREGA INTEMPESTIVA. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/09, ART. 1°, §4°. O artigo 1°, § 4°, da Lei n° 11.945/09, veicula norma sancionatória específica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP n° 2.158-35, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIF-Papel Imune, penalidade esta correspondente a R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração omitida ou, sendo o infrator micro-empresa ou empresa de pequeno porte, a R$2.500,00. Retroatividade da sanção benigna prevista no artigo 106, II, c do CTN. Recurso Provido em Parte.

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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - 4f, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo no 19515.000263/2005-60 Recurso n° 241.520 Voluntário Acórdão n° 3403-00.186 — 4' Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2009 Matéria DIF - Papel Imune Recorrente SISTEMA RCC EDITORA LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DIF-PAPEL IMUNE. ENTREGA INTEMPESTIVA. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/09, ART. 1°, §4°. O artigo 1°, § 4°, da Lei n° 11.945/09, veicula norma sancionatória específica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP n° 2.158-35, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIF-Papel Imune, penalidade esta correspondente a R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração omitida ou, sendo o infrator micro-empresa ou empresa de pequeno porte, a R$2.500,00. Retroatividade da sanção benigna prevista no artigo 106, II, c do CTN. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIF-papel imune em função do princ' . 6—d-a-re *atividade benigna aplicado ao art. 1°, § 4°, II da Lei n° 11.945/2009, nos termo do relatório e oto que integram o presente julgado. , A . os • u - Presidente • TLP M. rcos Tranchesi - Relator EDITADO EM 27/11/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Robson José Bayerl, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente), Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em 26 de janeiro de 2005 para lançamento de multa pelo atraso na entrega da "Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune — DIF-Papel Imune", referentes aos seguintes trimestres, nos seguintes valores: Trimestre Valor 2°/2002 R$155.000,00 3°/2002 R$140.000,00 4°/2002 R$125.000,00 1 0/2003 R$110.000,00 2°/2003 R$95.000,00 • 3°/2003 R$80.000,00 4°/2003 R$65.000,00 1°/2004 R$50.000,00 2°/2004 R$35.000,00 Total R$855.000,00 Impugnado o lançamento (fls. 36/95), foi ele foi mantido pela DRJ/Ribeirão Preto-SP (fls. 100/104). Sobreveio, então, tempestivo recurso voluntário (fls. 113/168), no qual se deduz: (i) não-incidência do art. 10 da IN/SRF n° 71/01, em razão da inexistência de operações imunes nos períodos objeto da autuação, (ii) nulidade de intimação da decisão administrativa que deferiu sua inscrição no registro especial para estabelecimentos que operam com papel imune; (iii) violação ao princípio da legalidade, já que a entrega da DIF é obrigação instituída por instrução normativa; (iv) caráter supostamente confiscatório da pena, em ofensa ao artigo 150, IV, da CF/88, e (v) violação ao princípio da proporcionalidade, te em vista o valor exorbitante da multa aplicada. Eis, em síntese, o relato. 2 • Processo n° 19515.000263/2005-60 S3-C4T3 Acórdão n." 3403-00.186 Fl. 2 Voto _ Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, Relator 1. Ausência de Operações Imunes — Não-Incidência do art. 10 da IN/SRF n° 71/01 O art. 1° da IN/SRF n° 71/01 obriga todas as gráficas que realizarem operações com papel imune a obter o "registro especial" perante a Receita Federal; já o art. 10 impõe a todas as pessoas referidas no art. 1° a obrigação de entrega periódica da DIF-Papel Imune. Assim, todas as gráficas que obtêm o registro especial ficam doravante obrigadas à entrega da DIF-Papel. Deve-se, contudo, encarecer a exegese teleológica quando se trata de obrigações acessórias. Afinal, tais obrigações não passam de instrumentos — daí a denominação de obrigações instrumentais — para a consecução da finalidade de contribuir para a administração tributária. É o que diz o art. 113, §2° do CTN. A obrigação acessória somente se valida se guardar utilidade, pertinência e interesse com o oficio de arrecadar e fiscalizar obrigações tributárias principais. A ênfase finalística proposta redunda numa hermenêutica mais restritiva à obrigação acessória em análise. Se, embora portador de registro especial, o contribuinte simplesmente não realiza operações — de entrada e saída — imunes em um determinado trimestre, a obrigação de entrega da DIF naquele período torna-se excessiva, inútil, despropositada. Em abono à exegese aqui sustentada, o §1° do art. 1° da IN dispõe que o registro especial será concedido à gráfica que "adquire com imunidade tributária" papel destinado à impressão. Ora, a contrario senso, se a aquisição não ocorre com imunidade, o registro e a entrega da DIF não são necessários. Em verdade, mesmo não havendo aquisições de papel com imunidade no período, a entrega da DIF preserva sua utilidade — e, pois, sua validade — caso a gráfica tenha realizado operações de saída com imunidade. Agora, se tampouco operações de saída imunes ocorreram no período, há de se ter por desnecessária a entrega da DIF. O Judiciário já se pronunciou neste sentido: "A obrigação de apresentar a DIF-Papel Imune é imposta aos fabricantes, aos distribuidores, aos importadores, às empresas jornalísticas ou editoras e às gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. No caso em tela, a autora não realizou operação com papel imune no período em que deixou de apresentar a declaração, não se enquadrando, portanto,nto, nas pessoas descritas no art. 1° 3 da IN SRF n° 71/01" (TRF4. 1" Turma. AC n° 2007. 70.00.010740-0/PR. Rel. Des. Vilson Darós. j. 17.6.90) Portanto, se o contribuinte — a seu ônus — demonstra satisfatoriamente que não realizou no trimestre nenhuma operação imune de entrada e de saída de papel, entendo não incidente o art. 10 da IN/SRF n° 71/01 e, por óbvio, inaplicável a multa cominada pelo seu descumprimento. Não é o que se passa in casu. A recorrente alegou não ter realizado operações com papel imune sem, contudo, demonstrar haver adquirido somente papel tributado nos trimestres objetos da autuação. Entendo, pois, que a recorrente estava sujeita à obrigação acessória prevista no art. 10 da IN/SRF n°71/01. 2. Criação de Obrigação Acessória via Instrução Normativa — Possibilidade. Segundo o art. 16 da Lei n° 9.779/99, "compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". Muitos enxergam no dispositivo uma "lei instituidora" de todas as obrigações acessórias relativas a tributos federais. Confira-se: "De fato, desnecessário discorrer sobre a necessidade de lei, pois ela existe. A Lei 9.779/99 autoriza a instituição de obrigações acessórias pela Secretaria da Receita Federal". (STJ, REsp n° 1.105.947-PR. Rel. Min. Herman Benjamin) Não creio que seja assim. Referida norma não institui obrigação alguma, apenas pretende autorizar que o Executivo o faça. Não torna prejudicada a questão da "necessidade de lei". A entrega da DIF é uma obrigação tributária acessória instituída por norma infralegal, qual, a IN/SRF n° 71/02. Insta, pois, saber se esse veículo normativo ostenta tal prerrogativa. Podem instruções normativas criar uma obrigação tributária acessória, ou assiste- lhes apenas disciplinar obrigações previamente instituídas por lei? Penso que podem. A chamada "estrita legalidade" reclamada pelo art. 150, I da CR aplica-se exclusivamente à instituição e majoração de tributos, leia-se, de obrigações tributárias principais. A exigência constitucional de lei em sentido estrito — isto é, lei como produto da atividade originária, direta e imediata do Poder Legislativo — dirige-se à obrigação principal. O Código Tributário Nacional, desincumbindo-se da tarefa de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 146, II), afasta qualquer dúvida a respeito. Segundo o seu artigo 113, §2°, a obrigação acessória "decorre da legislação tributária", a qual abrange, conforme o art. 96, "as leis, os tratados e as convenções internacionais, os dec - : e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e reli õe jurídicas a eles pertinentes". Coerentemente, o art. 115 do CTN define o fato gerador da obrigação acessória como "qualquer situação que, na forma da legislação aplicável... ", ao passo que o 4 • , • Processo n° 19515.000263/2005-60 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.186 Fl. 3 art. 114 que o antecede define o fato gerador da obrigação principal como "situação definida em lei". Tenho que não foi inadvertido nem indiferente, mas sim consciente e útil o manuseio das expressões distintas lei e legislação nos textos positivos transcritos. A intenção indisfarçada é a de dispensar regas distintas à criação de obrigações principal e acessória, afetando apenas a primeira à legalidade estrita. Hugo de Brito Machado sufraga a mesma exegese: "É certo que a lei faz parte da legislação tributária e está indicada em primeiro lugar no elenco dos atos normativos indicados no art. 96, entretanto, como a legislação, ali definida, abrange outros atos normativos, não há como se possa sustentar que somente a lei pode criar obrigações acessórias. Preferimos, portanto, admitir que o Código Tributário Nacional autoriza a criação de obrigações acessórias por outros atos normativos, além da lei". (in Revista Dialética de Direito Tributário n°96/32) Da mesma forma, a jurisprudência prevalecente no STJ e nos TRFs: "Neste ponto, a indagação que surge é se a instituição de obrigação tributária exige lei em sentido estrito. O artigo 113 do CTN define que obrigação tributária pode ser principal ou acessória (.) E o conceito de legislação tributária é delineado nos arts. 96 e 100 do mesmo diploma legal (.). A conclusão que decorre da análise dos dispositivos mencionados é a de que não há necessidade da lei em sentido estrito para o estabelecimento de obrigação acessória". (STJ, 1' T. Resp n° 1.035.244. Rel. Min. José Delgado. j. 20.5.08) "A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias — DIMOB é uma obrigação tributária acessória e como tal decorre da legislação tributária, na forma dos artigos 113, §2°, e 115 do CTN, estando nela compreendidos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (.). A instituição da DIMOB através da Instrução Normativa SR_F n° 304/2003 não viola o princípio da legalidade". (TRF4, 3 ° T AMS n° 2003.51.01.012428-9. Rel. Des. Paulo Barata. j. 4.11.08) O Fisco pode, pois, instituir obrigações acessórias por autorização direta dos arts. 96, 113 e 115 do CTN, sendo, inclusive, desnecessária a repetitiva previsão do art. 16 da Lei n° 9.779/99 transcrita linhas acima. Aliás, não apenas a DIF, mas inúmeras outras declaraç ies uito mais importantes e frequentes têm berço meramente infralegal, como é o caso da 10 CT , instituída pela IN/SRF n° 129/86. Rejeito, por tudo isso,-o argumento de violação o princípio da ' egal dade. 3. Violação ao Principio do Não-Confisco — Inaplicabilidade. 5 Afasto, também, qualquer suspeita de violação ao princípio do não-confisco, já por entendê-lo inaplicável às multas tributárias. Como ensina Luís Eduardo Schoueri, o conceito de confisco conecta-se com o da capacidade contributiva; onde termina esta, inicia-se aquele: "Quando se emprega a capacidade contributiva como critério para a graduação da tributação, a questão se resume a saber se existe um ponto, abaixo ou acima do qual descabe a incidência de um tributo, ou, ainda, até onde pode atingir a tributação; no primeiro caso, estar-se-á cogitando do mínimo de subsistência; ultrapassado o limite, versar-se-á sobre o confisco. Trata-se de aptidão econômica, i.e., a capacidade de ser contribuinte". (in Contribuição ao estudo do regime jurídico das normas tributárias indutoras como instrumento de intervenção sobre o domínio econômico. 2002. Tese para Titularidade do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002, p.342). Sucede que a capacidade contributiva — e, pois, o confisco — pauta unicamente a instituição de tributos, não de multas. Nesse sentido, as doutrinas de Estevão Horvath e Hugo de Brito Machado, respectivamente: "É grande a tentação de procurar enquadrar quantia excessiva imposta como penalidade pela legislação tributária dentro da moldura do princípio da não-confiscatoriedade. Contudo, o rigor científico que entendemos deva prevalecer numa abordagem que se pretende cientifica nos afasta dessa possibilidade". (O Princípio do não-confisco no direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002. p. 114) "À questão de saber se o princípio do não-confisco aplica-se às multas fiscais nossa resposta é negativa (.) Já a multa, para alcançar sua finalidade, deve representar um ônus significativamente pesado, de sorte a que as condutas que ensejam sua cobrança restem efetivamente desestimuladas. Por isto mesmo pode ser confiscatória". (Os princípios jurídicos da tributação na Constituição de 1988. Dialética. São Paulo: 2001, p. 105). Não se há de cogitar violação ao princípio do não-confisco, o que, ademais, pressuporia o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 57, I da MP n° 2.158-35, iniciativa vedada pelo art. 62 do Regimento do CARF. 4. Majoração da Multa pelo Tempo de Atraso — Possibilidade. Indaga-se, ainda, se a multa punitiva aplicada no descumprimento de obrigações acessórias pode ser agravada conforme se prolongue no tempo a mora do contribuinte. Colhe-se, na jurisprudência, pronunciamentos contrários à legalidade e' ste chamado "efeito taxímetro", ao argumento de que o fato punível é apenas um — qual s 'a, . não-apresentação de declaração —, que não se repete a cada mês que se encerra. Nesse senti..: "A omissão de entrega de declaração não pode ser computada de forma cumulativa, considerando que foi apenas um ato (qual seja, a não-apresentação da declaração DIF-Papel Imune na 6 Processo n° 19515.000263/2005-60 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.186 Fl. 4 data prevista) a infração ensejadora da multa aplicada, que não pode ser considerada como repetida a cada mês seguinte". (TRF4, 2" Turma. AC n° 2007.72.02.004108-2/SC, Rel. Des. Marciane Bonzanini, j. 2.12.08) Não comungo essa premissa conceitual. Entendo, ao contrário, que a graduação -da-multa -de acordo com a extensão do atraso - no cumprimento da obrigação acessória é a que melhor atende ao princípio da isonomia. Acerca deste princípio, Celso Antônio Bandeira de Mello fala de uma necessária "relação de pertinência" entre uma dada situação discriminada e o respectivo fator de discrímen. Para o grande constitucionalista, "o critério especificador escolhido pela lei, a fim de circunscrever os atingidos por uma situação jurídica — a dizer, o fator de discriminação — pode ser qualquer elemento radicado neles; todavia, necessita, inarredavelmente, guardar relação de pertinência lógica com a diferenciação que dele resulta. Em outras palavras, a discriminação não pode ser gratuita ou fortuita" (in Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade. São Paulo: Malheiros. 2001. p. 38). Ora, para as prestações sancionatórias, o fator de discrímen há de ser a gravidade da infração cometida, seja em relação ao grau de culpabilidade do agente (intensidade da negligência, imperícia ou imprudência com que agiu na consecução do ilícito), seja em relação à extensão do dano causado a partir do seu ato ilícito. Nesse sentido, a lição de Edmar Oliveira Andrade Filho: "A idéia central do principio da isonomia é a equivalência de consequência, isto é, onde as condições são iguais as consequências devem ser iguais. (.). Em matéria de sanções tributárias, o principio da igualdade não pode deixar de ser considerado. A imposição de penalidades não pode fugir à regra da igualdade, cominando-se penas idênticas para infrações iguais e variando-se as repressões à proporção que difiram ou se agravem as infrações" (in Infrações e Sanções Tributárias. São Paulo: Dialética, 2003. p. 86). Em se tratando de cumprimento atrasado de uma obrigação tributária acessória, a intensidade da culpa varia justamente de acordo com o lapso temporal do atraso; quanto maior o atraso, mais negligente revela-se o contribuinte. Da mesma forma, maiores serão os danos (transtorno à fiscalização) quanto mais atrasado for o cumprimento da obrigação. Enfim, parece-me antiisonômico que atrasos de um dia e de dois anos sejam sancionados da mesma forma. 5. Art. 57, Ida MP n°2.158/35 e Art. 1°, §4°, H da Lei n°11.945/09 — Retroaçi a Lei Mais Benigna. A multa lançada foi liquidada sob os parâmetros do art. 57 da ' n o 2.158- 35, in verbis: "Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (/1 7 I — R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados". Afigurava-se-me obscuro e ambíguo o texto legislado. O Fisco interpreta a passagem "por mês-calendário" como "por mês-calendário em atraso". É uma exegese possível, mas não a única. A passagem poderia perfeitamente referir a "mês-calendário omitido". Por que não? Em pelo menos uma oportunidade, a jurisprudência aderira a essa perspectiva interpretativa: "Essa norma previu a aplicação da multa de R$5.000,00 para a hipótese de informações ou esclarecimentos que devam ser fornecidos mensalmente, como comumente ocorre. Assim, para cada mês-calendário omitido, incidiria a multa de R$5.000,00. Mas essa multa é única, ou seja, não incide por mês de atraso (.). Se a multa incidisse repetidamente, a lei não a fixaria 'por mês calendário' e sim 'por mês de atraso' ". (TRF4, 2" Turma. AI n° 2007.04.00.011047-0/SC. Rel. Des. Antonio Albino Ramos de Oliveira. j. 18.9.07) Ante a imprecisão legal acerca dos efeitos da penalidade aplicada, seria de se optar pela interpretação mais benéfica ao contribuinte, a teor do art. 112 do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (.) — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos". No caso dos autos, a hermenêutica mais benéfica ao recorrente seria aquela que fixa a multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) "por mês-calendário omitido"; assim, sendo trimestral a DIF, cada declaração intempestivamente entregue redundaria em uma multa de R$15.000,00 (quinze mil reais) — reduzida para R$4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) por se tratar de empresa enquadrada no "Simples", conforme parágrafo único do art. 57 da MP n° 2.158-35 — independentemente da extensão da mora. Todavia, em 15 de dezembro de 2008, sobreveio norma legal sancionatória posterior e especial relativamente ao art. 57 da MP n° 2.158-35. Trata-se do art. 1 0, §4°, inciso II da MP n°451/08, convertida na Lei n° 11.945/09. Eis a nova dicção legal: "Art. 1 2 Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I - exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II - adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. (.) ., Processo n° 19515.000263/2005-60 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.186 Fl. 5 § 32 Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I - expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II - estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4' O não cumprimento da obrigação prevista no inciso lido § 3' deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: 1- 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II - de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido". Sob a nova disciplina legal, cada DIF intempestivamente entregue importa em multa (i) de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para "MEs" e "EPPs" e (ii) de R$5.000,00 (cinco mil reais) para demais empresas. A nova sanção resulta mais benigna que aquela veiculada no art. 57 da MP n° 2.158-35, mesmo se cotejada com a exegese acima proposta para o dispositivo da MP. Em conformidade com o art. 1 e :, 'c' do CTN, há de prevalecer a nova lei. Voto l ois, com fundam , to no art. °, §4°, inciso II da Lei n° 11.945/09, para reduzir a multa R$5.000,00 ci o mil reais) por DIF-Papel Imune não entregue, totalizando R$45.000 ti fI (de. sete mil e q • • entos re, s). ii Ma cos Tranchesi Orti 9 Processo n° 19515.000263/2005-60 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.186 Fl. 6 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [J Apenas com Ciência; [ ] Com Recurso Especial; [ ] Com Embargos de Declaração; Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) 11

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10809958 #
Numero do processo: 10880.953306/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS. Uma vez comprovada a omissão apontada pelo Embargante, a decisão embargada deve ser saneada, sendo que, constatado que tal saneamento não acarreta alteração na decisão final, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3201-012.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada. Sala de Sessões, em 15 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada. Sala de Sessões, em 15 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).

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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS. Uma vez comprovada a omissão apontada pelo Embargante, a decisão embargada deve ser saneada, sendo que, constatado que tal saneamento não acarreta alteração na decisão final, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos sem efeitos infringentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada. Sala de Sessões, em 15 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado em contraposição ao acórdão nº 3201-010.085, prolatado por esta turma julgadora em 24 de novembro de 2022, cuja ementa assim dispõe: Fl. 773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO. CERTEZA. LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Conforme determinação do Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, do Art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito. Não tendo o contribuinte logrado comprovar a existência do direito creditório disponível, indefere-se a compensação pleiteada. A turma decidiu, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Nos Embargos de Declaração, o Embargante alega que a turma, ao apreciar o Recurso Voluntário, restringiu-se a colacionar no acórdão trechos da decisão da DRJ e se manifestar de forma absolutamente genérica acerca das questões suscitadas ao longo do processo, nada dizendo a respeito das informações apresentadas acerca da formação do crédito pleiteado, razão pela qual, segundo ele, restara configurado omissão prejudicial à compreensão da decisão, com evidente ofensa ao amplo direito de defesa e ao contraditório. De acordo com o Embargante, no acórdão embargado, afirmou-se não haver provas nos autos do direito creditório pleiteado, nada sendo dito, no entanto, sobre os esclarecimentos e documentos apresentados para lastrear o crédito, este decorrente da reapuração da contribuição devida no período, tendo-se em conta a constatação da existência de serviços prestados no mercado externo que propiciariam o direito ao registro de créditos nessa condição e não mais como atrelados ao mercado interno tributado. O Presidente da turma, em despacho de admissibilidade, deu seguimento aos embargos. Originalmente, o contribuinte transmitira Declaração de Compensação com o intuito de extinguir débitos de sua titularidade com créditos da Cofins, vindo a repartição de origem, por meio de despacho decisório, a não homologá-la em razão da constatação de que, inobstante terem sido identificados os pagamentos informados, não se apurou saldo disponível para compensação. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação integral da Declaração de Compensação, aduzindo que a origem do crédito utilizado na compensação era o pagamento a maior da Cofins devida no período, em razão de terem sido considerados equivocadamente, nas apurações iniciais, os créditos de insumos como se todos eles se relacionassem somente com o faturamento no mercado interno, ignorando-se que parte era destinada a armadores estrangeiros que operavam no transporte marítimo internacional de cargas, tanto para a exportação quanto para a importação. Fl. 774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 3 Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte carreou aos autos somente cópias (i) de documentos societários, (ii) de uma pequena planilha por ele elaborada, (iii) do despacho decisório e da (iv) Declaração de Compensação. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, apto a extinguir os débitos declarados, mesmo após o interessado ter sido intimado pela fiscalização, por duas vezes, para comprovar o alegado indébito, não tendo sido apresentados quaisquer documentos que corroborassem a alegação de ocorrência de exportação no período. No Recurso Voluntário, interposto em 01/10/2020, o ora Embargante reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa, vindo a carrear aos autos, em 08/06/2022, quase dois anos depois, novas planilhas de apuração e cópias de Balancetes de Verificação sintético e analítico, acompanhadas dos mesmos concisos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e repetidos no Recurso Voluntário. Na sequência, exarou-se o acórdão objeto dos presentes Embargos de Declaração. É o relatório. VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. Conforme acima relatado, trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 3201-010.085, prolatado por esta turma julgadora em 24 de novembro de 2022, cujo voto condutor assim dispõe: Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Reproduzo a decisão de primeira instância para servir de fundamento para o presente julgamento: “8. O presente processo tem por objeto crédito de pagamento indevido decorrente de recolhimento a maior da Cofins Não-Cumulativa (cód. 5856), que há de revestir-se dos atributos de certeza e liquidez, exigidos pelo art. 170 do CTN, a fim de que seja apto a extinguir o débito compensado mediante Declaração de Compensação (art. 156, VII, do CTN). Fl. 775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 4 9. Na espécie, a autoridade fiscal instaurou procedimento fiscal para verificar a existência de créditos de pagamento indevido (PA nº 16349.720052/2013-28.), uma vez que o recolhimento apresentado se encontrava integralmente apropriado a débito fiscal correspondente declarado pelo contribuinte na DCTF e no Dacon. 10. Nesse sentido, o requerente foi intimado a “esclarecer, por escrito e de modo fundamentado, a origem do crédito utilizado na declaração de compensação, especificando as razões, de fato e de direito, pelas quais os valores pleiteados foram considerados indevidamente recolhidos. 11. Posteriormente, a empresa foi intimada a “esclarecer detalhadamente, mês a mês, qual critério para apuração de COFINS em relação aos insumos foi retificado (apresentar planilhas comparativas com o cálculo original x retificador especificando cada item alterado na apuração da base de cálculo), que resultou nos alegados pagamentos a maior (explicar separadamente para cada PER/DCOMP)”. 12. Em resposta, a interessada apresentou “diversas planilhas em que reapura o valor da COFINS a pagar considerando um novo porcentual de 100% para o faturamento referente ao mercado interno e efetua novos descontos de créditos da COFINS”. 13. A examinar a resposta do contribuinte, a autoridade fiscal conclui: (...) o contribuinte não deveria ter pagado a COFINS sobre a sua receita de exportação, uma vez que tais receitas são isentas pela disposição legal. Caso tenha pagado, dever-se-ia presumir tal fato uma vez que não foram apresentados quaisquer documentos que corroborassem tal afirmação. Das planilhas apresentadas conclui-se que o contribuinte passou erroneamente a considerar todos os insumos como se tivessem sido utilizados apenas nos processos relacionados ao mercado interno, uma vez que o tributo não incidia sobre as operações de exportação, e assim alterou todas as alíquotas de participação dos insumos sobre o Faturamento Nacional para 100%, apesar de parte dos insumos ser utilizada nas operações de exportação, o que contraria o disposto no art. 3º, § 7º da Lei nº 10.833/2003. Segundo o dispositivo supracitado, o crédito de COFINS só pode ser apurado sobre os custos e despesas vinculados às receitas com incidência não-cumulativa da COFINS, ou seja, os insumos relacionados às receitas de exportação, não sujeitas à incidência da COFINS, não poderiam ser utilizados no cálculo de crédito. Conforme dispõe o § 1º, inc. I, do art. 6º, o contribuinte deveria ter deduzido da contribuição a recolher decorrente das operações no Fl. 776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 5 mercado interno o crédito apurado na forma do art. 3º referente à exportação, considerando os insumos na proporção correta inicialmente apurada e assim reduzir o valor da COFINS a recolher no período. Deste modo, em face do procedimento incorreto adotado pela empresa, e consequente ausência de crédito apurado, as declarações de compensação apresentadas não foram homologadas. 14. Por ocasião da manifestação de inconformidade, alegou que a maior parte do seu faturamento no período proveio de “armadores estrangeiros que operam o transporte marítimo internacional de cargas, tanto para a exportação quanto para a importação, na operação de terminais de contêineres”. Para demonstrar a nova apuração a menor da contribuição, e assim revelar a existência do indébito tributário, elaborou planilha à fl 79 com os mesmos vícios daquela apresentada à autoridade decisória, qual seja, “alterou todas as alíquotas de participação dos insumos sobre o Faturamento Nacional para 100%, apesar de parte dos insumos ser utilizada nas operações de exportação”. 15. Isso não se revela, todavia, suficiente para configurar o alegado indébito, com seus atributos de certeza e liquidez, suplantando a presunção de veracidade que carreiam as informações prestadas na DCTF e no Dacon. 16. Com efeito, o débito da contribuição foi informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário, por força do art. 5º do Decreto-lei nº 2.124/84, c/c o parágrafo único do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, os quais atribuem à DCTF a condição de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. 17. Em vista disso, à luz das relações jurídicas formalmente estabelecidas, não há indébito tributário, porquanto o pagamento pleiteado se encontra integralmente utilizado na quitação do débito fiscal declarado pelo contribuinte, não se revelando passível de revisão a partir de um demonstrativo equivocado e sem respaldo em documentação fiscal e contábil, já que não apresentada. 18. Nesse passo, competiria ao manifestante demonstrar com base em sua contabilidade, com clareza e exatidão, a nova base de cálculo da contribuição. 19. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que o alega ter (art. 373, I, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da Fl. 777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 6 interposição da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972). Eis o teor dos dispositivos legais mencionados: Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito do autor. Decreto nº 70.235/72 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93) (grifo nosso) 20. Em conclusão, não há a comprovação do indébito tributário alegado, de modo que não se homologa a compensação declarada. 21. Do quanto expendido, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade.” Conforme determinação do Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, do Art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito. Não tendo o contribuinte logrado comprovar a existência do direito creditório disponível, indefere-se a compensação pleiteada. Diante de todo o exposto e fundamentado, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o voto. (g.n.) Fl. 778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 7 Conforme se verifica do excerto supra, a decisão da turma baseou-se nos seguintes fatos: (i) não apresentação pelo ora Embargante dos documentos comprobatórios do indébito solicitados por duas vezes pela fiscalização, (ii) preenchimento da planilha de cálculo da contribuição com dados não consentâneos com os argumentos de defesa e (iii) não comprovação da liquidez e certeza do indébito. Confrontando-se o teor do referido voto com os argumentos encetados nos Embargos de Declaração, constata-se que, efetivamente, a turma não se pronunciou sobre os documentos apresentados pelo Embargante às folhas por ele indicadas e nem sobre a reapuração promovida, razão pela qual se confirma a existência da omissão apontada. Por outro lado, conforme consta do relatório supra, referidos documentos e novos argumentos foram trazidos aos autos pelo Embargante quase dois anos após a interposição do Recurso Voluntário (mais precisamente, após um ano e oito meses), em total descompasso com as regras do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (destaques nossos) Constata-se dos dispositivos supra que a regra é a apresentação, junto à Impugnação/Manifestação de Inconformidade, dos motivos de fato e das provas documentais do pleito, com as exceções devidamente previstas no § 4º supra, nenhuma delas passível de se aplicar no caso sob exame. Fl. 779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.085 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.953306/2013-89 8 Além do mais, o Embargante não teve nem mesmo o cuidado de observar a regra constante do § 5º acima transcrito, pois não se desincumbiu de demonstrar a razão da apresentação de provas documentais após um ano e oito meses da data de interposição do Recurso Voluntário. Nesse contexto, tais argumentos de defesa e documentos apresentados extemporaneamente não podiam mesmo ter sido objeto de enfrentamento pela turma julgadora, conforme efetivamente ocorrera, inobstante a ausência de registro expresso desse fato no voto condutor do acórdão embargado. Diante do exposto, vota-se por acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada. É o voto. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis Fl. 780DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10811362 #
Numero do processo: 10469.905323/2009-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 REVENDA DE PRODUTO SUJEITO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda, por distribuidores, de gasolina e óleo diesel, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I, que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Solução de Divergência Cosit nº 2/2017). REVENDA DE PRODUTO SUJEITO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE. Na apuração da contribuição não cumulativa existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com armazenagem de mercadorias, por distribuidores, de gasolina e óleo diesel, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), por inexistir para tal despesa a restrição relativa aos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I. (Solução de Consulta Cosit nº 66/2021).
Numero da decisão: 9303-015.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-015.958, de 12 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10469.905311/2009-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenberg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-02-11T19:28:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-02-11T19:28:23Z; Last-Modified: 2025-02-11T19:28:23Z; dcterms:modified: 2025-02-11T19:28:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-02-11T19:28:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-02-11T19:28:23Z; meta:save-date: 2025-02-11T19:28:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-02-11T19:28:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-02-11T19:28:23Z; created: 2025-02-11T19:28:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2025-02-11T19:28:23Z; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-02-11T19:28:23Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10469.905323/2009-94 ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA SESSÃO DE 12 de setembro de 2024 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR E DO CONTRIBUINTE RECORRENTES FAZENDA NACIONAL ALE COMBUSTIVEIS S.A. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 REVENDA DE PRODUTO SUJEITO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda, por distribuidores, de gasolina e óleo diesel, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I, que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Solução de Divergência Cosit nº 2/2017). REVENDA DE PRODUTO SUJEITO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE. Na apuração da contribuição não cumulativa existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com armazenagem de mercadorias, por distribuidores, de gasolina e óleo diesel, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), por inexistir para tal despesa a restrição relativa aos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I. (Solução de Consulta Cosit nº 66/2021). ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de Fl. 7365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 2 votos, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-015.958, de 12 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10469.905311/2009-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenberg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte em face do Acórdão n° 3401-009.981, de 23 de novembro de 2021, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. FRETE NA VENDA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO LEGAL. Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujei tas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa exclusão legal. Consta do dispositivo do Acórdão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesa de armazenagem. Vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Carolina Machado Freire Martins. Síntese dos Autos Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP, referente a créditos de PIS/PASEP, oriundos de despesas de aluguéis de imóveis, bem como com frete e armazenagem em Fl. 7366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 3 vendas de produtos sujeitos à monofasia para a quitação de débitos vincendos, não homologada pela fiscalização em despacho eletrônico que constatou que o DARF informado havia sido integralmente utilizado para quitação de crédito da mesma espécie tributária. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que os valores pleiteados derivam de pagamento indevido, o que não foi verificado pela fiscalização em razão de erro de preenchimento da DCTF. Segundo a empresa, os créditos pleiteados são decorrentes de pagamentos que não seguiram as regras da não-cumulatividade das Contribuições Sociais, de forma que não teria sido exercido seu direito de tomar créditos de forma correta. Do recebimento do processo pela DRJ, entendeu-se necessário realizar diligência para verificar as informações trazidas pela empresa em sede de manifestação de inconformidade, a qual abarcou quantidade significativa de processos. A conclusão da diligência, constante do Termo de Informação juntado aos autos, foi no sentido de glosar despesas com aluguel de imóveis por carência probatória e de despesas com frete e armazenamento, por entender que elas estavam relacionadas a receita de vendas de produtos não sujeitas à incidência das contribuições não-cumulativas, o que impedia a possibilidade de tomada de créditos. Manifestando-se contra o resultado da diligência, a empresa apresentou petição em que contradita as glosas efetuadas em face da ausência de comprovação das despesas de aluguel, trazendo documentos neste sentido, bem como a imposição de glosas de créditos relativos às despesas com frete e armazenagem, vinculadas às vendas de gasolina e óleo diesel. A DRJ proferiu acórdão julgando Manifestação de Inconformidade procedente em parte. Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário requerendo o total provimento do pedido de crédito, ainda que tenha se restringido a discutir o direito relativo às despesas de frete e armazenagem, alegando, em síntese, que a decisão de piso alargou a vedação legal ao crédito refere à compra de combustíveis para revenda, para abarcar o crédito dos gastos com armazenagem e frete para transporte desses combustíveis. Defende que esse último crédito não foi vedado pela lei e não há razão para negar o direito a seu aproveitamento. Por serem hipóteses de creditamento distintas e autônomas, além de que o fato de o inciso IX fazer simples referência aos incisos I e II não significa que haja entre eles relação de dependência. Por fim, destaca que a regra geral de creditamento é que havendo recolhimento das contribuições, nascerá direito ao crédito, sendo o que efetivamente ocorre nos casos de frete e armazenagem, em que o transportador/armazém efetivamente recolhem as contribuições sobre as receitas auferidas em suas atividades e, portanto, há direito ao crédito para aquele que realizar a despesas, no caso, a ora Recorrente. Fl. 7367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 4 A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesa de armazenagem, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Carolina Machado Freire Martins. Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Sustenta a Fazenda Nacional haver divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao direito de crédito para as contribuições sociais relativo às despesas com armazenagem de mercadorias para revenda com incidência monofásica, indicando os Acórdãos nº 9303-009.444 e 9303-009.452 como paradigmas. O Recurso foi admitido em Despacho de Admissibilidade. Em síntese, alega a Fazenda Nacional que:  o contribuinte tem receitas sujeitas ao regime de tributação concentrada previsto nas legislações do PIS e da Cofins, submetidos, portanto, à alíquota zero na operação de revenda;  ao delimitar o crédito aos casos dos incisos I e II, o legislador retirou desse universo as situações que tenham sido excluídas de um dos dois incisos, o que é justamente o caso em tela, já que os produtos referidos no § 1ª do artigo 2º das Leis sob escrutínio foram excepcionados do inciso I do artigo 3º;  o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 inicialmente reconhece o direito ao creditamento de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, entretanto em seguida, delimita o direito ao desconto do crédito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, restringe o aproveitamento do crédito a determinadas operações, das quais são excluídas venda dos produtos que o contribuinte negocia;  a norma tributária vedou o direito ao desconto de créditos calculados sobre o custo dos produtos sujeitos à tributação monofásica/concentrada adquiridos para revenda;  não é possível o crédito em relação aos gastos vinculados à revenda desse produto, tais como as despesas incorridas com frete e armazenagem;  para o caso deve ser adotada a interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões em que sustentou, em preliminar, a presença de fundamento autônomo no Recurso Especial, não prequestionado e sem a devida demonstração de divergência, o que inviabiliza o seu conhecimento. Quanto ao mérito alegou, em síntese, que: Fl. 7368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 5  o legislador opta por centralizar a tributação em apenas uma única fase do ciclo produtivo, sendo, portanto, suportada por um único contribuinte, não havendo, nesse sistema, a necessidade de seguir o princípio da não cumulatividade;  este é o caso para as mercadorias comercializadas pela Recorrida, cuja monofasia está prevista na Lei n° 10.833/03 e no inciso I do art. 42 da MP n°2.158- 35/2001;  o crédito sob análise não é o apurado em função das aquisições desses combustíveis para revenda;  o fato de o armazém armazenar mercadorias sujeitas ao regime monofásico, em momento algum, obriga-o a tributar suas receitas de serviços de armazenagem dessas mercadorias também sob o regime monofásico;  o direito ao crédito previsto na legislação diz respeito unicamente à existência de dispêndio incorrido pelo contribuinte a título de frete e armazenagem das mercadorias, sendo irrelevante se as mercadorias transportadas ou armazenadas estão submetidas ao PIS/COFINS monofásicos ou substituição tributária;  a vedação do direito ao crédito relacionado à aquisição de mercadorias submetidas à incidência monofásica das referidas contribuições não prejudica o direito ao crédito oriundo dos dispêndios com frente e armazenagem de tais mercadorias;  o fato gerador que dá origem ao crédito no presente caso não é a simples aquisição de mercadorias submetidas à incidência monofásica, mas, sim, os gastos incorridos pela Recorrida a título de frete e armazenagem de tais mercadorias;  para efeito do crédito sobre a despesa com armazenagem e frete na venda, não interessa se a mercadoria adquirida está ou não no regime monofásico, o que interessa é que ela tenha sido destinada à revenda ou à produção (como insumo) do adquirente;  o cancelamento da glosa sobre despesas de armazenagem em nada afeta a sistemática da tributação concentrada imposta aos combustíveis;  a monofasia e a restrição aos créditos se aplica apenas aos créditos da aquisição dos próprios produtos. Do Recurso Especial da Contribuinte Alega a Contribuinte haver divergência jurisprudencial quanto ao direito a crédito no frete na revenda de produtos sujeitos a regime monofásico, indicando como paradigmas os Acórdãos n.º 9303-006.129 e 9303-007.500. O recurso especial foi admitido em Despacho de Admissibilidade. Fl. 7369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 6 Em síntese, alega a Contribuinte que:  o crédito em questão encontra respaldo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03;  a vedação prevista no art. 3°, inciso I, “b” da Lei n° 10.833/03 é dirigida única e exclusivamente ao creditamento dos bens adquiridos para revenda, e não aos serviços de frete de tais mercadorias;  o direito ao crédito previsto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 depende unicamente do dispêndio incorrido pelo contribuinte com frete e armazenagem das mercadorias, sendo irrelevante se as mercadorias transportadas ou armazenadas estão submetidas ao PIS/COFINS na sistemática monofásica;  o fato gerador que dá origem ao crédito no presente caso não é a simples aquisição de mercadorias submetidas à incidência monofásica, mas, sim, os gastos incorridos a título de frete e armazenagem de tais mercadorias;  o transportador e o armazém recolhem PIS/COFINS sobre os valores pagos pela distribuidora, não haveria justificativa normativa para negar a esta (a distribuidora) o direito de aproveitar os créditos dessa despesa tida com o transportador e com o armazém, sob pena de violação à não cumulatividade;  o legislador permitiu que o contribuinte apurasse todos os créditos vinculados àquela receita e à sua atividade como um todo, à exceção dos créditos que porventura seriam apropriados em uma aquisição de produtos para revenda não submetidos ao regime monofásico;  essa exceção não pode ser estendida ao crédito das despesas com armazenagem e frete, até porque, como já apresentado, a menção que o inciso IX faz ao inciso I, é sobre o ato de adquirir para revender, independentemente de qual seja o bem, que pode estar no regime monofásico, ou não, pois isso não importa para o direito ao crédito previsto pelo inciso IX;  pretender estender essas vedações aos custos, despesas e encargos relacionados a tais receitas seria extrapolar os limites da lei, em clara interpretação extra legem, baseada no argumento simplista de que “o acessório segue o principal”, destituído de qualquer fundamento, seja legal, seja teórico;  a vedação do direito ao crédito relacionado à aquisição de mercadorias submetidas à incidência monofásica das referidas contribuições não prejudica o direito ao crédito oriundo dos dispêndios com frete e armazenagem de tais mercadorias;  o fato de o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 fazer expressa menção aos incisos I e II deste mesmo artigo, tem como único objetivo evitar repetir que se trata de revenda, prevista nestes dispositivos, não avançando à exclusão dos setores lá consignados, restando incólume o direito dos contribuintes ao crédito referente aos dispêndios com armazenagem e frete. Fl. 7370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 7 Em contrarrazões sustenta a Fazenda Nacional que:  no regime monofásico, incabível a apuração, pela distribuidora de combustíveis e pelos comerciantes varejistas dos produtos, de quaisquer créditos em razão da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e a COFINS;  não é possível o creditamento de PIS/COFINS pelas distribuidoras de combustíveis, na venda ou qualquer outra operação;  a simples mistura de dois produtos, para a adequação do combustível a legislação, não caracteriza atividade industrial. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Do recurso da Contribuinte Do Conhecimento O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do Despacho de Admissibilidade de fls. 7.384/7.387, sendo evidente a demonstração da divergência jurisprudencial, pelo que cabe endossar a admissibilidade, nos seus termos e fundamentos. Desta forma, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Do mérito O Contribuinte alega que vende produtos sujeitos ao regime monofásico de tributação, e arca com o frete de entrega (vendas) destes produtos, totalmente terceirizado, e, portanto, teria direito ao crédito conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em julgamento realizado em maio do corrente nos autos do Processo n.º 10469.722577/2012-74, desta Contribuinte, sob a relatoria da ilustre Conselheira Liziane Angelotti Meira (Acórdão n.º 9303-015.373), este Colegiado decidiu, de forma unânime, pelo não reconhecimento do direito ao crédito para as contribuições PIS/Cofins relativo aos gastos com fretes nas vendas de Fl. 7371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 8 combustíveis (gasolina e demais combustíveis derivados de petróleo) por uma distribuidora. No mesmo sentido, veja-se o Acórdão n.º 9303-014.738, também de relatoria da Conselheira Liziane Angelotti Meira: NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibil idade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei no 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS) reconhece, em abstrato, o direito ao crédito referente a despesas de frete e armazenagem em operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, mas o restringe aos casos dos incisos I e II, nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Como o presente caso não trata do inciso II (insumos), por refletir mera operação de revenda de combustíveis, devemos observar o que dispõe o inciso I, como condição para a fruição do crédito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei 10.865/2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei (Redação dada pela Lei 11.787/2008). O inciso I, como se percebe claramente, não trata de um direito irrestrito ao crédito, mas de direito de crédito que comporta exceções. E, ao remeter ao inciso Fl. 7372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 9 I, o inciso IX do art. 3º inclui todo o conteúdo deste inciso, inclusive as exceções previstas no § 1º do art. 2º da mesma Lei 10.833/2003, que abrange, entre outros, combustíveis tributados conforme a Lei n.º 9.718/98: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS, aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6%. § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I - nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas c orrentes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás l iquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004). Dessa forma, conforme o disposto nos artigos 3º, I e IX, combinados com o inciso I do § 1º do art. 2º, a venda de combustíveis não gera créditos da COFINS. O direito ao crédito relacionado a fretes na operação de revenda está vinculado ao inciso I, sendo indevido para combustíveis tributados na forma da Lei n.º 9.718/98. Destaque-se, ainda, que as revendas de gasolina e óleo diesel são tributadas à alíquota zero, conforme art. 42 da MP nº 2.158-35/2001: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I - gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Desta forma, o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003 estabelece que a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a despesas com frete e armazenagem na operação de venda, nos casos previstos nos incisos I e II, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Entretanto, as alíneas "a" e "b" do inciso I determinam que não geram crédito as operações de aquisição de combustíveis para revenda. Portanto, embora o inciso IX do art. 3º inicialmente reconheça o direito ao crédito referente a despesas de frete e armazenagem, tal direito é restrito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º, excluindo as revendas de combustíveis tributados pela Lei 10.147/2000. Cabe observar que, se fosse intenção do legislador autorizar o crédito para todas as operações de venda, bastaria que o texto não fizesse a restrição “nos casos dos incisos I e II”. A redação do dispositivo, ao incluir essa limitação, restringe o direito ao crédito somente para determinadas operações. Fl. 7373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 10 Acrescente-se a interpretação da Cosit na Solução de Divergência nº 2/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Cofins: a) é permitida a apuração de créditos da contribuição no caso de venda de produtos produzidos ou fabricados pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de créditos da contribuição no caso de revenda de tais produtos, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos . Cumpre trazer à colação os fundamentos daquela Solução de Divergência no tocante às remissões contidas no inciso IX: 10. Consoante disposto nos dispositivos transcritos, permite-se o creditamento, no âmbito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à armazenagem de mercadoria e ao frete suportado pelo vendedor “nos casos dos incisos I e II” do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ora, a menção a tais “casos” é expressa e não pode ser ignorada na interpretação do dispositivo analisado. 11. E quais “casos” são esses a que faz menção o inciso IX do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003? Considerando que todos os incisos do caput do citado art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, cuidam exclusivamente de estabelecer hipóteses de creditamento da não cumulatividade das contribuições em voga, nada mais plausível que considerar que ao se referir aos “casos dos incisos I e II”, a Lei mencionou as hipóteses de creditamento previstas em tais dispositivos, ou seja, os “casos” em que tais preceptivos permitem creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Consequentemente, nos “casos” em que os preceptivos em voga não permitem creditamento (exceções), também não haverá creditamento com base no inciso IX do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 12. Assim, a identificação das hipóteses de creditamento permitidas pelo inciso IX do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, depende, por expressa disposição, da identificação das hipóteses de creditamento permitidas pelos incisos I e II do caput do mesmo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Esta impossibilidade de tomada de créditos foi reiterada pela Receita Federal na Solução de Consulta COSIT Nº 66/2021, conforme colhe-se dos seus fundamentos: 24. No que diz respeito ao frete na operação de venda, permanece indene a conclusão da Solução de Divergência Cosit nº 2, de 2017, no sentido da impossibilidade de desconto de crédito em relação a frete na operação de Fl. 7374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 11 revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, conforme argumentado no item 20. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Tema Repetitivo 1.093, já pacificou o entendimento de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações de tributação monofásica, como no caso dos combustíveis, e que não há direito a crédito sobre essas operações. Nesse sentido, o STJ decidiu que a Lei 11.033/2004, ao permitir a manutenção de créditos em algumas situações, não alterou a vedação de créditos para bens sujeitos à tributação monofásica, tendo sido fixadas as seguintes teses: 1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribu ição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem-lhe gerar créditos. 5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas venda s forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. Assim, conclui-se que a legislação vigente não permite a tomada de créditos da COFINS e do PIS/PASEP sobre despesas com frete incorridas nas operações de revenda de combustíveis, conforme determinado pelos artigos 3º, I e IX, da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002. Fl. 7375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 12 Com estes fundamentos, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Do recurso da Fazenda Nacional Do Conhecimento O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do Despacho de Admissibilidade de fls. 7.264/7.269, sendo evidente a demonstração da divergência jurisprudencial, pelo que cabe endossar a admissibilidade, nos seus termos e fundamentos. Com estes fundamentos, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Do mérito No mérito, razão não assiste à Fazenda Nacional. A própria Receita Federal do Brasil firmou posicionamento reconhecendo expressamente o direito a crédito das despesas com armazenagem de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica através da Solução de Consulta COSIT Nº 66/2021: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa da Cofins. A partir de 1º/8/2004, com a entrada em vigor do art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, as receitas obtidas pela pessoa jurídica com a venda de produtos monofásicos passaram a submeter -se ao mesmo regime de apuração a que a pessoa jurídica esteja vinculada. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa e revendedora de produtos sujeitos à tributação concentrada pode descontar créditos em relação aos demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, , exceto em relação à aquisição dos produtos sujeitos à tributação concentrada para revenda, à aquisição de bens ou serviços util izados como insumos à revenda, à aquisição de bens incorporados ao ativo imobilizado ou ao ativo intangível, ao frete na operação de revenda dos produtos monofásicos e a outras hipóteses que porventura mostrarem-se incompatíveis ou vedadas pela legislação. Pode, inclusive, descontar créditos em relação à armazenagem dos produtos monofásicos adquiridos para revenda. Fl. 7376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 13 Os créditos vinculados à revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada (tributados com alíquota zero) e calculados em relação aos demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não a aquisição para revenda desses produtos, podem ser compensados com outros tributos ou ressarcidos ao final de cada trimestre do ano-calendário. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 218, DE 6 DE AGOSTO DE 2014, PUBLICADA NO DOU DE 18 DE AGOSTO DE 2014 E À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 2, DE 13 DE JANEIRO DE 2017, PUBLICADA NO DOU DE 18 JANEIRO DE 2017. Reforma parcialmente a Solução de Divergência nº 2, de 13 de janei ro de 2017, publicada no dou de 18 de janeiro de 2017. Dispositivos Legais: Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 42, inciso I; Lei nº 10.833, de 2003, art. 2º, § 1º, e art. 3º, com redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014; Lei nº 10.865, de 2004, art. 21; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 2019, art. 181. Cumpre trazer à colação os fundamentos daquela Solução de Divergência no tocante à matéria ora sob análise: 21. Observe-se que, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11 de outubro de 2019, a armazenagem de mercadorias aparece em inciso diferente do frete na operação de venda. Além disso, determina a Instrução Normativa que a restrição aplicada de o crédito ser concedido “nos casos dos incisos I e II” somente se aplica ao frete. Transcreve-se o art. 181 da Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 2019: Subseção IV Das Demais Hipóteses de Créditos Básicos Art. 181. Compõem a base de cálculo dos créditos a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, os valores dos custos e despesas, incorridos no mês, relativos a: I - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso IX, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, art. 17, e § 1º, inciso II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso III, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, art. 18, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); II - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, util izados nas atividades da empresa (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso IV, e § 1º, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003, art. 25; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso IV, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); III - contraprestação de operações de arrendamento mercantil pagas a pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Simples Nacional (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso V, com redação dada pela Lei nº Fl. 7377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 14 10.865, de 2004, art. 37, e § 1º, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003, art. 25; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso V, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); IV - armazenagem de mercadorias (Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso IX, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); V - frete na operação de venda de bens ou serviços, nos casos dos arts . 169 e 171, quando o ônus for suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso IX, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); e VI - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso X, incluído pela Lei nº 11.898, de 8 de janeiro de 2009, art. 24; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso X, incluído pela Lei nº 11.898, de 2009, art. 25). [sem grifo no original] 22. Daí se inferir que, no que tange à hipótese de crédito do inciso IV do art. 181 da Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 2019, requeira-se tão somente um dispêndio com a “armazenagem de mercadorias”, apenas com a restrição dada, nos termos da retro transcrita Solução de Divergência Cosit nº 2, de 2017, “pela significação consagrada do termo ‘mercadoria’ (bem dis ponível para venda), que o item armazenado está disponível para venda, não alcançando os itens ainda em fase de produção ou fabricação”. 23. Assim, inexistindo para a armazenagem a restrição relativa aos “casos do inciso I e II”, não haverá, portanto, restrição ao crédito em relação à armazenagem de produtos monofásicos adquiridos para revenda, cabendo o crédito tanto em relação à armazenagem realizada pelo produtor ou importador de produtos sujeitos à tributação concentrada quanto na realizada pelo revendedor desses produtos. Em consonância com este entendimento, a Instrução Normativa n.º 2.121/2022 cuidou de reconhecer o direito a crédito na armazenagem de mercadorias, afastando a restrição: Art. 191. Compõem a base de cálculo dos créditos a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, os valores dos custos e despesas incorridos no mês relativos a: I - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso IX, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, art. 17, e § 1º, inciso II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso III, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, art. 18, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); Fl. 7378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 15 II - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica, util izados nas atividades da empresa (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso IV, e § 1º, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003, art. 25; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso IV, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); III - operações de arrendamento mercanti l pagas a pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Simples Nacional (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso V, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37, e § 1º, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003, art. 25; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso V, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); IV - armazenagem de mercadorias (Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso IX, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); V - frete na operação de venda de bens ou serviços, nos casos dos arts. 173 e 175, quando o ônus for suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso IX, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26); e VI - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso X, incluído pela Lei nº 11.898, de 8 de janeiro de 2009, art. 24; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, ca put, inciso X, incluído pela Lei nº 11.898, de 2009, art. 25). Parágrafo único. É vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica (Lei nº 10.865, de 2004, art. 31, § 3º). Desta forma, tendo a Receita Federal reconhecido a possibilidade de tomada de créditos relativos às despesas de armazenagem dos produtos sujeitos à tributação concentrada, torna-se imperiosa a manutenção da decisão recorrida. Com estes fundamentos, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional Pelo exposto, voto por conhecer os Recursos Especiais da Fazenda Nacional e da Contribuinte e, no mérito, por negar-lhes provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 7379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.966 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10469.905323/2009-94 16 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer os Recursos Especiais da Fazenda Nacional e da Contribuinte e, no mérito, por negar-lhes provimento. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 7380DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10810418 #
Numero do processo: 10880.963527/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexiste a omissão alegada pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A DECISÃO E SEUS FUNDAMENTOS. INOCORRÊNCIA. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA. A contradição que enseja a oposição de embargos é aquela que se verifica entre a decisão e seus fundamentos. Não verificada, os embargos devem ser rejeitados. A obscuridade que enseja a oposição de embargos é a que diz respeito à clareza do posicionamento do colegiado naquele julgamento. Verificada, os embargos devem ser acolhidos. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de ideias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos.
Numero da decisão: 1402-007.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração e, no mérito a ele negar provimento, mantendo integralmente a decisão embargada. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Labrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI

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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexiste a omissão alegada pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A DECISÃO E SEUS FUNDAMENTOS. INOCORRÊNCIA. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA. A contradição que enseja a oposição de embargos é aquela que se verifica entre a decisão e seus fundamentos. Não verificada, os embargos devem ser rejeitados. A obscuridade que enseja a oposição de embargos é a que diz respeito à clareza do posicionamento do colegiado naquele julgamento. Verificada, os embargos devem ser acolhidos. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de ideias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração e, no mérito a ele negar provimento, mantendo integralmente a decisão embargada. Fl. 13118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 2 Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Labrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pela contribuinte contra o Acórdão nº 1402-006.586, exarado em 17/08/2023 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, o qual apresentou a seguinte ementa e dispositivo. ASUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA DECLARADA EM COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA OU HOMOLOGADA PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE. Na hipótese de declaração de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em PER/DCOMP, como inclusive, aconteceu no caso concreto, razão pela qual descabe a glosa das estimativas quitadas via compensação em processo no qual se discute a apuração do saldo negativo. Aplicação do entendimento exposto no PN COSIT/RFB nº 02, de 03 de dezembro de 2018. Sumula CARF nº 177 RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, obedecidas as regras afetas ao procedimento. IRRF - COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o Fl. 13119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 3 direito creditório relativo, i) às estimativas compensadas e, ii) parte dos créditos de IR Fonte no Brasil, nos termos do relatório de diligência. O presente processo cuida de controvérsia sobre Declarações de Compensação (PER/DCOMPs) em que a contribuinte utilizou crédito a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2006, no valor de R$ 9.566.053,46, para compensar débitos de sua responsabilidade. A Delegacia de origem reconheceu saldo negativo passível de compensação em relação ao referido ano-calendário no valor de R$ 1.504.330,36, não tendo confirmado a totalidade das parcelas que o compunham (IR exterior, retenções na fonte, e estimativas compensadas). As compensações foram homologadas até o limite do crédito reconhecido. Ao examinar a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, a DRJ reconheceu uma parcela adicional de crédito, no valor de R$ 908.838,18, homologando mais uma parte das compensações. A decisão de segunda instância (acórdão ora embargado), por sua vez, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário da contribuinte, para “reconhecer o direito creditório relativo, i) às estimativas compensadas e, ii) parte dos créditos de IR Fonte no Brasil, nos termos do relatório de diligência”. Ocorre que nos embargos de declaração sob exame, a contribuinte alega que a decisão de segunda instância contém vícios ensejadores de embargos em relação às seguintes matérias: 1- DO ERRO MATERIAL NO VOTO DA RELATORA AO CITAR CRÉDITOS REFERENTES E VALORES DE ESTRANHOS AOS PROCESSO, NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO RECORRIDO AO CITAR APENAS O RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA E NA EMENTA DO ACÓRDÃO; 2- OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO AO RECONHECIMENTO DO ERRO DE CÁLCULO INCORRIDO PELA AUTORIDADE FISCAL E DA EXIGÊNCIA A MAIOR DO VALOR SUPOSTAMENTE DEVIDO A TÍTULO DE PRINCIPAL; 3- OMISSÃO E OBSCURIDADE INCORRIDAS NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO AO RECONHECIMENTO PARCIAL DO VALOR DO CRÉDITO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO A TÍTULO DE IR-FONTE BRASIL; 4- OMISSÃO EM RELAÇÃO AO NÃO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO EM RELAÇÃO AO IR-FONTE EXTERIOR – FATO RECONHECIDO PELO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL; 5- OMISSÃO QUANTO À ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO ORIGINAL E A CONSEQUENTE VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 145 E 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL AO NÃO RECONHECER O CRÉDITO PARA O IR-FONTE EXTERIOR; e 6- OMISSÃO SOBRE PONTOS QUE POR SI SÓS PODERIAM INFIRMAR O RESULTADO DO JULGAMENTO – NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – ARTIGOS 59 DO DECRETO Nº 70.235/72 E 131 DO RICARF. Fl. 13120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 4 Em face dos argumentos acima, o despacho de admissibilidade entendeu que o acórdão embargado não se manifestou expressamente sobre os seguintes itens do recurso voluntário: “III.5.1.1 - Do erro de fato quanto as retenções de operação de swap (5273) e aplicações financeiras de renda fixa (3426)”; e “III.5.1.2 - Das informações equivocadas quanto aos CNPJ's declarados no PER/DCOMP – Retenções decorrentes de serviços prestados no exterior” Entendeu também o Despacho de Admissibilidade que a Resolução nº 1402- 000.395, de 04/10/2016 manifestou entendimento de que estava “justificada a apresentação extemporânea da documentação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72) em razão do longo prazo entre o período de apuração objeto do crédito alegado a decisão que homologou parcialmente as compensações declaradas”, e determinou que se fizesse o cotejo de “toda a documentação apresentada (inclusive em sede de manifestação de inconformidade complementar, e também anexada antes da prolação desta decisão) a fim de se verificar se houve comprovação do imposto de renda na fonte retido no Brasil e ainda não reconhecido como direito creditório da Recorrente”, mas o acórdão embargado também não teria se manifestado sobre os argumentos apresentados na Manifestação Complementar de e-fls. 3.260/3.271, juntada aos autos em 27/09/2016. Diante do exposto, com fundamento no art. 116 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023, o Despacho de Admissibilidade ACOLHEU PARCIALMENTE os embargos de declaração para que sejam sanados os vícios reconhecidos nos seguintes tópicos deste despacho: 1- DO ERRO MATERIAL NO VOTO DA RELATORA AO CITAR CRÉDITOS REFERENTES E VALORES DE ESTRANHOS AOS PROCESSO, NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO RECORRIDO AO CITAR APENAS O RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA E NA EMENTA DO ACÓRDÃO; 2- DA OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO AO RECONHECIMENTO DO ERRO DE CÁLCULO INCORRIDO PELA AUTORIDADE FISCAL E DA EXIGÊNCIA A MAIOR DO VALOR SUPOSTAMENTE DEVIDO A TÍTULO DE PRINCIPAL; 3- DA OMISSÃO E OBSCURIDADE INCORRIDAS NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO AO RECONHECIMENTO PARCIAL DO VALOR DO CRÉDITO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO A TÍTULO DE IR-FONTE BRASIL; 5- DA OMISSÃO QUANTO À ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO ORIGINAL E A CONSEQUENTE VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 145 E 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL AO NÃO RECONHECER O CRÉDITO PARA O IR-FONTE EXTERIOR; e 6- DA OMISSÃO SOBRE PONTOS QUE POR SI SÓS PODERIAM INFIRMAR O RESULTADO DO JULGAMENTO – NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – ARTIGOS 59 DO DECRETO Nº 70.235/72 E 131 DO RICARF. Fl. 13121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 5 Por outro lado, foi rejeitado os embargos em relação à matéria tratada no tópico 4- DA OMISSÃO EM RELAÇÃO AO NÃO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO EM RELAÇÃO AO IR-FONTE EXTERIOR – FATO RECONHECIDO PELO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL. Em relação à rejeição, o despacho é definitivo, nos termos do art. 116, § 3º, do mesmo RICARF. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator Os Embargos Declaratório são tempestivos e apresentam os requisitos para serem conhecidos. Em dezembro de 2010, a Recorrente formalizou PER/DCOMP por meio do qual pretendia ver reconhecido crédito, relativo ao saldo negativo no montante de R$ 31.817.099,85, bem como que fosse homologada a compensação de parte dele com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Para cálculo do saldo negativo foram considerados pela Recorrente as seguintes origens de créditos, cujos valores foram discriminados na sua DIPJ do ano-calendário 2008 (DIPJ 2009):  Imposto Pago no Exterior  IRRF  IRRF retido por pessoas de direito público e privado  Estimativas mensais do IRPJ pagas  Operações de caráter cultural e artístico  Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente Do montante total pleiteado pela contribuinte de R$ 49.911.082,69 o Despacho Decisório reconheceu R$ 35.818,324,46. As parcelas não reconhecidas pelo Despacho Decisório foram as seguintes: a) Imposto pago no exterior b) IRRF retido c) Estimativas mensais quitadas mediante compensação. Fl. 13122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 6 A decisão da DRJ julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade e reconheceu um crédito adicional de IRRF no montante de R$ 67.279,14, tendo negado provimento às alegações da recorrente em razão dos seguintes fundamentos: a) A contribuinte não teria comprovado a retenção do IRRF incidente sobre as receitas decorrentes dos ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de swap. b) Da mesma forma, não teriam sido comprovado os valores relativos ao IRRF retido no contexto dos serviços prestados às sociedades Petróleo Brasileiro S/A e Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. c) Não poderia ser reconhecido o crédito decorrente do imposto pago no exterior, em razão de exportação de serviço por não terem sido cumpridos os requisitos previstos no artigo 395 do RIR/99, pois além da contribuinte não ter cumprido com os requisitos legais, os documentos apresentados que comprovam o pagamento não poderiam ser aceitos em razão da inexistência de tradução juramentada. d) Em relação às estimativas mensais do IRPJ, relativas aos meses de janeiro, março, junho e setembro do ano-calendário de 2008, tendo sido quitadas mediante compensações não homologadas ou homologadas parcialmente, os respectivos valores não representariam créditos líquidos e certos suficientes para compor o saldo negativo. Quando do julgamento do Recurso Voluntário essa turma decidiu converter o processo em diligência. Em resposta, a Delegacia de origem apresentou a informação fiscal de fls. 13017/13025 no qual reconheceu parte dos valores de retenção na fonte pleiteados pela contribuinte. Importante observar que foi aberta oportunidade para a embargante se manifestar sobre referida diligência, tendo a ora Embargante solicitado prazo de 60 dias para tal às fls. 13030. Referido prazo foi concedido às fls. 13032, porém a Embargante não discordou do relatório de diligência mesmo após o transcurso de referido prazo. Ato contínuo, essa turma deu parcial provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório relativo, i) às estimativas compensadas e, ii) parte dos créditos de IR Fonte no Brasil, nos termos do relatório de diligência. Os embargos de declaração foram opostos pela contribuinte contra referido Acórdão nº 1402-006.586. Com fundamento no art. 116 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023, o Despacho de Admissibilidade ACOLHEU PARCIALMENTE os embargos de declaração para que sejam sanados eventuais vícios nos seguintes tópicos deste despacho: Fl. 13123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 7 1- DO ERRO MATERIAL NO VOTO DA RELATORA AO CITAR CRÉDITOS REFERENTES E VALORES DE ESTRANHOS AOS PROCESSO, NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO RECORRIDO AO CITAR APENAS O RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA E NA EMENTA DO ACÓRDÃO; 2- DA OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO AO RECONHECIMENTO DO ERRO DE CÁLCULO INCORRIDO PELA AUTORIDADE FISCAL E DA EXIGÊNCIA A MAIOR DO VALOR SUPOSTAMENTE DEVIDO A TÍTULO DE PRINCIPAL; 3- DA OMISSÃO E OBSCURIDADE INCORRIDAS NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO AO RECONHECIMENTO PARCIAL DO VALOR DO CRÉDITO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO A TÍTULO DE IR-FONTE BRASIL; 5- DA OMISSÃO QUANTO À ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO ORIGINAL E A CONSEQUENTE VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 145 E 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL AO NÃO RECONHECER O CRÉDITO PARA O IR-FONTE EXTERIOR; e 6- DA OMISSÃO SOBRE PONTOS QUE POR SI SÓS PODERIAM INFIRMAR O RESULTADO DO JULGAMENTO – NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – ARTIGOS 59 DO DECRETO Nº 70.235/72 E 131 DO RICARF. Por outro lado, foi rejeitado, pelo Despacho Decisório, os embargos em relação à matéria tratada no tópico 4- DA OMISSÃO EM RELAÇÃO AO NÃO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO EM RELAÇÃO AO IR-FONTE EXTERIOR – FATO RECONHECIDO PELO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL. Em relação à rejeição, o despacho é definitivo, nos termos do art. 116, § 3º, do mesmo RICARF. Assim, nesse cenário passa-se a analisar os argumentos dos Embargos Declaratórios, não fazendo parte dessa análise apenas o tópico referente ao “NÃO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO EM RELAÇÃO AO IR-FONTE EXTERIOR”, vez que referido tópico foi rejeitado pelo despacho de admissibilidade. Alega a Embargante que ao final do ano-calendário de 2006, apurou a quantia de R$ 27.929.225,93 a título de crédito passível de compensação, composto de parcelas referentes a: (i) Imposto de Renda Retido na Fonte por serviços prestados ao exterior (“IR-Fonte Exterior”), (ii) Imposto de Renda Retido na Fonte em decorrência de serviços prestados no Brasil (“IR-Fonte Brasil”) e (iii) estimativas quitadas mediante compensações não homologadas ou homologadas parcialmente (“Estimativas Compensadas"). Alega também a Embargante que considerando-se a soma das parcelas de crédito (R$ 27.929.225,93) declarado em DIPJ, bem como que o valor devido a título de IRPJ no período- base de 2006 foi de R$ 18.249.692,47, a Embargante teria apurado um crédito passível de compensação no valor de R$ 9.566.053,46. Fl. 13124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 8 Apurado o referido crédito, a Embargante transmitiu o PER/DCOMP nº 24717.64351.280207.1.3.02-2190, com o objetivo de compensar o IRPJ devido no período de janeiro de 2007, a título de estimativa mensal, no valor original do crédito de R$ 2.417.352,05, bem como transmitiu outros quatro PER/DCOMPs, quais sejam, os de nºs 29203.63094.180308.1.3.02-2824, 23826.95232.230307.1.3.02-1866, 21041.25107.280208.1.3.02- 9005 e 32643.31478.270808.1.3.02-3208, de modo a aproveitar o saldo remanescente de R$ 7.148.701,41, totalizando com isso o valor de R$ 9.566.053,46. Relembra a Embargante que o Despacho Decisório entendeu que (i) a receita correspondente à exportação de serviços não teria sido oferecida integralmente à tributação; (ii) as retenções sofridas no Brasil supostamente não foram comprovadas e (iii) existem diferenças apuradas nas estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores informados em PER/DCOMP’s. Assim sendo, o Despacho Decisório reconheceu o montante de crédito no valor de R$ 1.504.330,36. Com este reconhecimento parcial do Saldo Negativo para o ano de 2006, as PERDCOMPs foram parcialmente homologadas exigindo-se da Embargante o valor de R$ 14.143.091,47 (agosto de 2011). A Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente pela DRJ (e-fls 1.593/1.618), apenas para reconhecer como válido um crédito adicional no importe de R$ 908.838,18, homologando assim parcialmente o crédito informado na PER/DCOMP nº 24717.63451.280207.1.3.02-2190, mantendo a não homologação das demais PER/DCOMPs, sob os seguintes fundamentos: (i) no tocante ao IR-Fonte Exterior, os documentos apresentados estavam desacompanhados de tradução juramentada, bem como a Ficha 9-A da DIPJ não demonstra a tributação dos rendimentos auferidos no exterior; (ii) com relação ao IR-Fonte Brasil, à exceção das receitas correspondentes ao Código 5273, todas as demais deduções foram glosadas pela não comprovação do IR-Fonte; (iii) ainda sobre o IR-Fonte Brasil, caberia ao contribuinte comprovar os argumentos por meio de documentação pertinente, de forma a evidenciar os equívocos de preenchimento; (iv) quanto ao saldo negativo apurado em períodos anteriores (“Estimativas Compensadas"), as Manifestações de Inconformidade apresentadas nos Processos nºs 10880.940492/2011-24 e 10880.926979/2011-02 já foram apreciadas pela DRJ de Belo Horizonte/MG, a qual julgou improcedentes as alegações apresentadas pelo contribuinte naqueles processos. Ato contínuo, a ora Embargante interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 1.813/1.871), argumentando que existiria NULIDADE em face de suposto erro de cálculo quanto aos valores de Fl. 13125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 9 principal exigido, o que, no seu entendimento violando o disposto no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Quanto a referido erro de cálculo, a Embargante alega que demonstrou que existe uma diferença do valor principal que está sendo cobrado, argumentando que o Despacho Decisório exige uma diferença de crédito não confirmada de R$ 8.908.006,40, porém o valor apurado no momento do não reconhecimento das parcelas do crédito foi efetivamente de R$ 8.175.203,40. Logo, haveria um valor de R$ 732.803,30, que estaria sendo cobrado a maior. Portanto, no Recurso Voluntário a Recorrente alegou que no Despacho Decisório haveria erro de cálculo, pois com a homologação parcial das compensações, o valor que deveria estar sendo cobrado deveria ser de R$ 8.175.203,36, e não R$ 8.908.006,40, ou seja, estaria sendo cobrado um valor excedente de R$732.803,30. Quanto ao IR-Fonte Exterior alegou a Recorrente que evidenciou também, em reforço aos documentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade o oferecimento à tributação da integralidade das receitas advindas da prestação de serviços no exterior, o que estaria evidenciado corretamente em sua DIPJ e que a DRJ não poderia ALTERAR O FUNDAMENTO JURÍDICO da exação para exigir a comprovação das retenções efetuadas no exterior, sob pena de violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional. Quanto ao IR-Fonte Brasil, alegou que foi apresentada documentação complementar para fins de comprovar, através da documentação contábil e fiscal (DIRF, DIPJ, notas fiscais e livro razão), a origem das retenções e, por via de consequência, a certeza e liquidez do crédito que compôs o saldo negativo de IRPJ apurado ao longo do ano-calendário de 2006 e a legitimidade das compensações. Quanto à Estimativas Compensadas de saldos dos anos anteriores, argumentou em sede que embargos que demonstrou parte dos valores objeto dos Processos nºs 10880.940492/2011-24 e 10880.926979/2011-02 foi homologada e que na época, ainda informou que esses processos administrativos ainda estavam em curso, com julgamento de recursos pendentes, fundamentando que haveria uma relação de prejudicialidade que não poderia ser ignorada para se negar os créditos nesses autos. Afirmou os Embargos Declaratórios que em complemento ao seu Recurso Voluntário, em respeito ao princípio da verdade material dos fatos, em 27 de setembro de 2016, a Embargante apresentou uma Manifestação Complementar (e-fls. 3.260/3.271). Nela, em relação ao IR-Brasil, a Embargante teria demonstrado por meio de documentação hábil (Notas Fiscais, Livro Diário e Extratos Bancários) uma parcela acional ao valor reconhecido pela DRJ de R$ 1.191.308,39 (principal sem juros e multa) e que na mesma Manifestação Complementar (e-fls. 3.260/3.271), em relação às Estimativas Compensadas, a Embargante teria apresentado laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers – Contadores Públicos (PwC), reafirmando o seu direito em relação aos créditos de saldos referentes aos anos anteriores, ressaltando que tais parcelas ainda aguardavam julgamento de outros processos administrativos. Fl. 13126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 10 A Embargante reconheceu que esta turma, em 04 de outubro de 2016, converteu o processo em diligência, afirmando que a documentação apresentada é insuficiente para comprovar, nos termos da lei, a efetiva retenção de imposto de renda relativa a serviços prestados no exterior. Quanto à parte do IR-Fonte Brasil, reconheceu a embargante que a diligência revisitou a documentação apresentada (apenas) na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, alegando que fora ignorada pela diligência Manifestação Complementar (e-fls. 3.260/3.271), de 27 de setembro de 2016. Afirma que a diligência, na sua conclusão, diferentemente da DRJ, e de forma confusa e contraditória, reconheceu apenas um crédito adicional a deduzir de R$ 900.744,75, em relação às retenções com Códigos de Receita 1708. A Embargante argumenta que a diligência deixou de avaliar, além do próprio erro de cálculo do valor principal, diversos pontos que haviam sido trazidos no Recurso Voluntário em relação à parte do IR-Fonte Brasil e que a diligência descumpriu a Resolução desse CARF ao ignorar os documentos apresentados na Manifestação Complementar (e-fls. 3.260/3.271), que supostamente traziam diversos outros comprovantes de que essas retenções efetivamente existiram, ao menos em relação a uma parcela adicional de R$ 1.191.308,39. Nesse cenário, pleiteia o acolhimento dos presentes embargos para que seja determinada a realização de DILIGÊNCIA COMPLEMENTAR para: (i) analisar toda documentação apresentada, especialmente em relação Manifestação Complementar (e-fls. 3.260/3.271) ao Recurso Voluntário; e (ii) oportunizar a intimação do contribuinte para informar quais os erros que teria cometido no preenchimento da PER/DCOMP, apresentando a documentação comprobatória do seu pretenso direito ao crédito correspondente. Ocorre que a decisão embargada fez expressa referência ao trabalho da diligência e, por sua vez a diligência fiscal analisou justamente esses valores, de maneira ampla revisou o trabalho da fiscalização, se não veja os termos da diligência às fls. 13017 (...) No Despacho Decisório nº 948168129, de 02/08/2011, verifica-se que na análise do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito não foram confirmadas parcelas de Imposto de Renda pago no exterior, de retenções na fonte e de estimativas compensadas, conforme quadro abaixo: A glosa destas parcelas de composição do crédito culminou com a homologação parcial da DCOMP com demonstrativo de crédito e não homologação das demais DCOMPs vinculadas, acima relacionadas. Fl. 13127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 11 A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/09/2011, questionando a glosa destas parcelas de composição do crédito e apresentando documentos. Esclareceu que presta serviços na área de informática para empresas localizadas no Brasil e no exterior, e que a parcela de Imposto de Renda pago no Exterior refere-se à retenção de imposto de renda por serviços prestados no exterior, protestando pela oportuna apresentação das guias de retenção pelos tomadores de serviços, assim como cópia de notas fiscais e balancetes. Com relação às parcelas de retenção de imposto de renda na fonte no Brasil esclareceu que cometeu diversos erros no preenchimento do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito e apresentou alguns documentos para comprovação. Apresentou ainda questionamento referente à glosa de parcelas de estimativa compensada, sendo dispensável tratar deste tópico uma vez que tal assunto não faz parte do escopo desta Informação Fiscal. Por fim, requereu o direito de apresentar prova documental em momento posterior à Manifestação de Inconformidade. Analisando a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/BHE proferiu Acórdão nº 02-50.876, em sessão de 30/10/2013, na qual analisa somente a prova documental apresentada na Manifestação de Inconformidade, concluindo como precluso no processo administrativo o direito de apresentar prova documental em momento processual posterior. No mérito, conclui que o imposto de renda retido na fonte somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. Com relação ao imposto de renda pago no exterior, a decisão do Acórdão informa, em síntese, que foram apresentados diversos documentos em língua estrangeira, desacompanhados da tradução juramentada, não fazendo prova em favor do contribuinte. Além disso, informa que não houve a comprovação do pagamento do imposto no exterior, sendo que o documento comprobatório do pagamento, caso apresentado, deveria ter reconhecimento do órgão arrecadador no exterior e do Consulado da Embaixada Brasileira neste país, sendo esta exigência dispensada caso a interessada tivesse comprovado que a legislação do país tivesse previsão da incidência do imposto pago. Conclui ainda pelo não oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. Desta forma, mantém a glosa desta parcela de antecipação. Com relação à retenção de imposto de renda no Brasil, a decisão do Acórdão baseou-se nas divergências expressamente apontadas pela manifestante, validando um valor de retenção adicional de R$ 908.838,18, conforme se verifica no item 27.2 do relatório do Acórdão. Inconformada, a interessada apresentou Recurso Voluntário em 10/12/2013, com as mesmas alegações, mas apresentando novos documentos. Em complemento ao Recurso Voluntário, requereu a juntada de outros documentos em 23/12/2013. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Resolução nº 1402- 000.395 – 4ª Câmara / 2ª Turma, de 04/10/2016, considerando o enorme volume de documentos apresentados e entendendo justificada a apresentação extemporânea de documentos, decidiu converter o julgamento em diligência, solicitando a análise de toda documentação Fl. 13128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 12 apresentada desde a Manifestação de Inconformidade, com o intuito de verificar se os mesmos comprovam a retenção na fonte sobre serviços prestados no exterior e o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos, bem como se comprovam imposto de renda retido no Brasil e ainda não reconhecido como direito creditório. Analisada a documentação apresentada, as conclusões dividem-se nos tópicos a seguir. Imposto de Renda Retido na Fonte no Exterior Na Manifestação de Inconformidade, não há apresentação de documentos para comprovação da parcela de Imposto de Renda Pago no Exterior informado no PER/DCOMP no valor de R$660.788,52. No entanto, apresenta o Grupo de Documentos 15 (DOC. 15), para comprovar retenções decorrentes de serviços prestados no exterior, mas informados no PER/DCOMP como parcelas de Retenção na Fonte, portanto incluído no montante de R$14.398.790,61, esclarecendo que, por equívoco, estas retenções foram informadas com fontes pagadoras brasileiras, que em nada se relacionam com as referidas retenções. Neste DOC. 15 (fls. 519 a 674), foram juntados espelhos de contas contábeis de empresas sediadas no exterior e, conforme observado no Acórdão da DRJ, independentemente de tratar-se de documento em língua estrangeira sem tradução juramentada, não houve efetiva comprovação da retenção e pagamento de imposto no exterior, o que deveria ser feito mediante apresentação de documentação reconhecida pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que devido, nos termos da Lei 9.249/95, art. 26, §3º, sendo esta exigência dispensada apenas na hipótese de comprovação de que a legislação do país de origem do rendimento prevê tal incidência de imposto, conforme previsto na Lei 9.430/96, art. 16, §2º, inc. II. No Recurso Voluntário, a interessada apresenta documentos às fls. 1926 a 2244 (DOC. 03 até DOC. 07), incluindo “Invoices” nos quais não é possível verificar se houve retenção de imposto. Além disso, da mesma forma que os documentos apresentados na Manifestação de Inconformidade tratase de documentos em língua estrangeira sem tradução juramentada. Da mesma forma, não houve efetiva comprovação da retenção e pagamento de imposto no exterior, o que deveria ser feito de acordo com as exigências previstas nas Leis 9.429/95 e 9.430/96, conforme acima citado. Portanto, a documentação apresentada é insuficiente para comprovar, nos termos da lei, a efetiva retenção de imposto de renda relativa a serviços prestados no exterior, nem a parcela informada no PER/DCOMP como Imposto pago no Exterior, nem a parcela informada como Retenção na Fonte. Com relação ao oferecimento à tributação da parcela de R$660.788,52, informada no PER/DCOMP como Imposto de Renda pago no Exterior a título de retenção na fonte, mesmo que a efetiva retenção e pagamento não tenham sido documentalmente confirmados, verifica-se que, considerando a alíquota de retenção de 1,5%, prevista na legislação brasileira para retenção de imposto de renda no código 1708 – Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica, este valor corresponderia a um rendimento de R$44.052.566,67, sendo que a interessada ofereceu à tributação um valor de Fl. 13129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 13 R$40.920.413,87 a título de receita de exportação, conforme se verifica na DIPJ – Ficha 06A – Demonstração do Resultado. Imposto de Renda Retido na Fonte no Brasi Na Manifestação de Inconformidade, de 13/09/2011, a interessada apresentou informações e documentos sobre erros de preenchimento do PER/DCOMP, os quais foram analisados no Acórdão da DRJ. No Recurso Voluntário, de 13/12/2013, apresentou Notas Fiscais de serviços prestados no Brasil, onde se verifica que houve retenção de imposto de renda, devendo ser considerados na presente análise. Assim, conforme pedido do CARF, as parcelas de crédito informadas no PER/DCOMP como parcelas de Retenção na Fonte foram novamente analisadas considerando os documentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário resultando na tabela abaixo. Esta tabela não relaciona todas as retenções na fonte informadas no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito de Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário 2006 (PER/DCOMP 24717.64351.280207.1.3.02-2190), mas somente aquelas que não foram totalmente confirmadas no Despacho Decisório da DRF, as quais são objeto de discussão neste Processo de Crédito, relacionando a documentação que foi apresentada e verificada, com totalização dos valores comprovados. Os valores comprovados são a soma dos valores que já haviam sido validados no Despacho Decisório com aqueles comprovados mediante apresentação de esclarecimentos e documentos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário. (...) A tabela acima foi anexada neste processo 10880.963527/2011-01 também como arquivo não paginável, de maneira a facilitar a consulta às suas informações, pois será submetida à ciência e eventual manifestação da interessada, antes que o processo retorne ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em complemento ao Recurso Voluntário, a interessada requereu ainda a juntada de outros documentos em 23/12/2013. Trata-se de quase 10 mil folhas de lançamentos contábeis e extratos bancários, no entanto sem apresentação de qualquer nota fiscal adicional àquelas já apresentadas anteriormente e analisadas. A interessada tinha ciência de que deveria manter a guarda de comprovantes de retenção e notas fiscais em seu poder, de maneira a apresentá-los no momento oportuno. Além disso, dispôs de longos anos para localizar tais documentos, não obtendo êxito em apresentá-los. Com relação ao oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes às retenções na fonte informadas no PER/DCOMP com código de retenção referente a receita de serviços (no caso, códigos 1708 e 6190), verifica-se que, considerando as respectivas alíquotas de retenção de imposto de renda destes códigos (respectivamente, 1,5% e 4,8%) e considerando globalmente todas as parcelas informadas no PER/DCOMP (validadas e não validadas), o valor total de retenção pleiteado corresponderia a um rendimento de Fl. 13130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 14 R$633.748.001,60, sendo que a interessada ofereceu à tributação um valor de R$641.218.897,27 a título de receita de prestação de serviços, conforme se verifica na DIPJ – Ficha 06A – Demonstração do Resultado. Com relação ao oferecimento à tributação das receitas correspondentes às retenções na fonte informadas no PER/DCOMP com código de retenção referente a receita financeira (no caso, códigos 5273 e 6800), verifica-se que na DIPJ – Ficha 06A – Demonstração do Resultado a interessada ofereceu à tributação o valor de R$4.049.647,16, sendo que ficou comprovada a retenção total de R$877.482,92, valor que corresponde a 21,6% do valor oferecido à tributação, percentual que está dentro dos limites entre 15% e 22,5% de alíquota de retenção prevista. A interessada será cientificada desta Informação Fiscal, abrindo-se prazo de 30 dias para manifestação. Após, este processo retornará ao CARF. Portanto, a diligência, com base na documentação apresentada, refez toda a apuração necessária para verificar os números presentes no presente caso. Não ocorreu omissão no julgamento porque o julgamento validou a diligência. Não ocorreu omissão no acórdão embargado quanto ao reconhecimento do suposto erro de cálculo supostamente incorrido pela autoridade fiscal e da suposta exigência a maior do valor supostamente devido a título de principal. Consequentemente, não há omissão e obscuridade incorridas no v. acórdão embargado quanto ao reconhecimento parcial do valor do crédito passível de compensação a título de IR-Fonte Brasil, bem como não há omissão quanto à alteração do critério jurídico do lançamento original e a suposta violação aos artigos 145 e 146 do código tributário nacional ao não reconhecer o crédito para o ir-fonte exterior. A decisão embargada, por sua vez, tratou das supostas nulidades, dos supostos créditos existentes, reconhecendo o crédito relativo às estimativas não homologadas ou homologadas parcialmente (aplicou a Súmula 177 do CARF); tratou das questões referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Ademais, foi dado ao contribuinte oportunidade de manifestar em todas as fases do processo administrativo, foi permitido participação na diligência e na manifestação da diligência, tendo sido inclusive aberto prazo maior de 60 dias, a pedido da Recorrente, para essa manifestação. Consequentemente, não há omissão sobre pontos que por si sós poderiam infirmar o resultado do julgamento por motivo de cerceamento do direito de defesa. Portanto, o acórdão se manifestou sobre todos os pontos que deveria se manifestar, não foi contraditório e não apresentou erros a serem corrigidos via Embargos Declaratórios. Entendo que não seria pertinente a Embargante, insistir, em sede de embargos declaratórios, para que seja julgado novamente o que já foi julgado pela DRJ e pelo CARF, tendo o Fl. 13131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 15 último julgamento se pautado em diligência a qual a Embargante foi intimada para se manifestar (fls. 13026). Ademais, em face da intimação sobre o resultado da diligência a Recorrente solicitou prazo de 60 dias para se manifestar (fls. 13030). No entanto, a Embargante concordou tacitamente com a diligência, visto que não houve discordância expressa no momento oportuno. Conforme acórdão embargado, “Inobstante a dilação do prazo a contribuinte não apresentou manifestação quanto ao resultado da diligência.” Nesse cenário, a decisão embargada não contém omissão, nem contradição e nem obscuridade, porque foi pautada no trabalho de diligência do qual a embargante não discordou. De fato, cabe ao contribuinte o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Por fim, destaco o dispositivo do acórdão embargado: Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para reconhecer os créditos relativos às estimativas compensadas e parte dos créditos de IR Fonte no Brasil nos termos do relatório de diligência de fls. 13017/1325 Em face desse dispositivo, e em face do mencionado anteriormente, entendo que não ocorreu erro material no voto da relatora com relação à menção créditos. Ademais, no dispositivo do acórdão recorrido não há reparo a ser feito ao citar o relatório de diligência e na ementa do acórdão. Conforme é cediço, o objetivo dos embargos declaratórios é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando a corrigir eventual decisão incorreta. Os embargos declaratórios não se prestam para provocar o reexame de matéria já decidida. Nesse sentido, não se vislumbra no presente recurso o requisito necessário para que haja a complementação no julgamento, pois não há na decisão guerreada falta de manifestação expressa do julgador em relação a algum aspecto da causa (fundamento de fato ou de direito), que deveria ter sido abordado. Se o aresto embargado se baseou em premissa equivocada poderá ser reformado por ocasião da análise de eventual recurso especial, caso efetivamente verificada a incorreção. Destarte entendo expressamente que:  Não ocorreu erro material no voto da relatora ao citar créditos referentes e valores de estranhos ao processo, no dispositivo do acórdão recorrido ao citar apenas o relatório de diligência e na ementa do acórdão.  - Não há omissão no acórdão embargado quanto ao reconhecimento do erro de cálculo incorrido pela autoridade fiscal e da exigência a maior do valor supostamente devido a título de principal; Fl. 13132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.203 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.963527/2011-01 16  - Não há omissão e obscuridade incorridas no v. acórdão embargado quanto ao reconhecimento parcial do valor do crédito passível de compensação a título de ir-fonte brasil;  Não há omissão quanto à alteração do critério jurídico do lançamento original e a consequente violação aos artigos 145 e 146 do código tributário nacional ao não reconhecer o crédito para o ir-fonte exterior; e  Não há omissão sobre pontos que por si sós poderiam infirmar o resultado do julgamento – nulidade por cerceamento do direito de defesa – artigos 59 do decreto nº 70.235/72 e 131 do RICARF. Os Embargos Declaratórios são tempestivos, merecem ser conhecidos, mas, no mérito, não merecem ser acolhidos ante a inexistência que qualquer omissão ou contradição na fundamentação do v. Acórdão embargado. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os Embargos Declaratórios. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 13133DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10808671 #
Numero do processo: 10830.723658/2017-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2012 MULTA DE 50% EM DECORRÊNCIA DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO. O Tema 796 do E. STF, determina que “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Vinculação do CARF.
Numero da decisão: 3001-003.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.138, de 12 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10830.720452/2017-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCA ELIZABETH BARRETO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2012 MULTA DE 50% EM DECORRÊNCIA DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO. O Tema 796 do E. STF, determina que “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Vinculação do CARF. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.138, de 12 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10830.720452/2017-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.150 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.723658/2017-21 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra acórdão que manteve a imposição da multa de 50% prevista para os casos de não homologação de compensação/restituição, nos termos do §17 do artigo 74, da Lei 9.340/96, após ter ocorrido a glosa de créditos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tempestividade. O presente recurso é tempestivo, sendo a matéria do mesmo de competência para essa Turma apreciar o feito nos termos do art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Multa de 50% em decorrência da glosa de compensação. Tema 796 de repercussão geral do E. STF. Trata o caso da aplicação da multa de 50%, prevista no §17 do artigo 74 da Lei 9.430/96 em decorrência da não homologação de compensação/ressarcimento. No curso do processo administrativo sobreveio decisão em sede de repercussão geral emanada o E. STF por meio do Tema 796. O Tema 796 do E. STF, determina que: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Referido precedente qualificado é vinculante para o CARF nos termos do artigo 99 do RICARF, devendo ser aplicada por todos os Conselheiros. Nessa longarina, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a multa declarada inconstitucional pelo E. STF. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.150 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.723658/2017-21 3 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto – Presidente Redatora Fl. 127DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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5812978 #
Numero do processo: 10920.001111/2001-02
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 Ementa PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. MEDIDA PROVISÓRIA N. 1.212/1995. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da Medida Provisória n. 1.212/1995, têm seu prazo decadencial iniciado da publicação da decisão do STF, referente à ADIn n. 1.417-0/DF e da Instrução Normativa SRF de n. 006/2000. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até 29 de fevereiro de 1996, data da entrada em vigor da MP n. 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-000.218
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO

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Numero do processo: 10675.724034/2023-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PIS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do erviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nesse sentido, deve ser reconhecido o direito ao crédito dos itens que se caracterizam em insumos essenciais e relevantes ao processo produtivo do Contribuinte: (i) os encargos de depreciação do aparelho de ar-condicionado modelo gree k-7 4100, referido no relatório de diligência, item “4.c” (imobilizado n. 6904) instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destina-se a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; e, (ii) os encargos de depreciação de motosserra, utilizado para cortar eletrodos. DESPESAS COM GLP E ÁLCOOL ETÍLICO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Quanto às aquisições sujeitas à alíquota 0 (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta no inc. II do § 2º do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002.
Numero da decisão: 9303-015.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas referentes a motosserra e a aparelho de ar-condicionado modelo gree k-7 4100, referido no relatório de diligência, item “4.c” (imobilizado n. 6904). Vencidas as Conselheiras Denise Madalena Green (relatora) e Tatiana Josefovicz Belisario, que deram provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Semiramis de Oliveira Duro. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relatora Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Redatora designada Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN

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CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do erviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nesse sentido, deve ser reconhecido o direito ao crédito dos itens que se caracterizam em insumos essenciais e relevantes ao processo produtivo do Contribuinte: (i) os encargos de depreciação do aparelho de ar- condicionado modelo gree k-7 4100, referido no relatório de diligência, item “4.c” (imobilizado n. 6904) instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destina-se a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; e, (ii) os encargos de depreciação de motosserra, utilizado para cortar eletrodos. DESPESAS COM GLP E ÁLCOOL ETÍLICO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 2 Quanto às aquisições sujeitas à alíquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta no inc. II do § 2º do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas referentes a motosserra e a aparelho de ar-condicionado modelo gree k-7 4100, referido no relatório de diligência, item “4.c” (imobilizado n. 6904). Vencidas as Conselheiras Denise Madalena Green (relatora) e Tatiana Josefovicz Belisario, que deram provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Semiramis de Oliveira Duro. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relatora Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Redatora designada Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela contribuinte, contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3401-003.209, de 21 de fevereiro de 2017, integrado pelo Acórdão de Embargos nº 3301-005.694, de 31 de janeiro de 2019, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da desta Terceira Seção de Julgamento do CARF, assim ementados: Acórdão nº 3401-003.209 Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS - COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 3 Tratando-se de aquisições sujeitas à alíquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Consta do dispositivo do Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D’Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. Acórdão nº 3301-005.694 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO Cabem embargos de declaração quando comprovado a omissão, a obscuridade e ou contradição da decisão embargada. Consta do dispositivo do Acórdão: Fl. 1151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, admitindo o direito de crédito sobre os itens: reservatório de 2000 litros, do tanque de água fresca e da caixa d'água ETA. Breve síntese do processo Trata o processo de Declaração de Compensação, com crédito de PIS não cumulativo, relativo ao 3º Trimestre de 2005, vinculado à Receita de Exportação, com base no art. 3° da Lei nº 10.637/2002. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 162/172), do qual se extrai as seguintes glosas: (i) bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo - GLP e álcool etílico, produtos adquiridos sujeitos a alíquotas zero) (ii) serviços utilizados como insumos (pintura de equipamentos) ; (iii) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (a) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU — Abastecimento e Tratamento de Água e ENE — Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (b) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (c) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004 (iv) ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRF-Uberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem (fls. 182 a 190). Após a Manifestação de Inconformidade proposta pela contribuinte (fls.229/258), acompanhada de documentos (259/340), a lide foi decidida pela 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG - Acórdão 09-30.118 (fls.343/353), em sessão realizada na data de 23/06/2010, que por unanimidade de votos, julgou pela sua improcedência, não reconhecendo o direito creditório trazido a litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota O (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. Fl. 1152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 5 A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indefere-se pedido de juntada de novas provas e considera-se não formulado o pedido de realização de perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (fls.365/405 e docs. fls.406/438), requerendo, em síntese, o cancelamento das glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição ao PIS e a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação, bem como a homologação integral das compensações realizadas nos processos nº 10650.0011061/2005-14, 13.646.000238/2005-12 e 13646.000255/2005-41. Por meio da Resolução nº 3101-000.185 (fls. 441 a 447), a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 11 de novembro de 2011, acordaram, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime a interessada a apresentar Laudo Pericial, a fim de descrever o processo produtivo da empresa sobre a utilização dos centros de custos AGU - Abastecimento e Tratamento de Agua, ENE - Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, na produção de bens destinados a venda, ou na prestação de serviços. Em atenção a diligência solicitada pelo CARF, foi apresentado laudo pela contribuinte e outros documentos (fls.454/547), e elaborado relatório, conforme recomendado na resolução (fls.574/576), após manifestação da contribuinte sobre o resultado da diligência (579/589 616/645). Após a conclusão da diligência, os autos foram remetidos para julgamento do Recurso Voluntário, onde foi novamente baixado em diligência, através da Resolução nº 3101- 000.270, de 23 de abril de 2013, a fim de obter maiores esclarecimentos em relação as glosas levadas a efeito pela auditoria fiscal (fls.647/650). Após novos esclarecimentos prestados (fls.657/746), sobreveio o Relatório de Diligência (fls. 748/752) e manifestação da recorrente (fls.754/765), os autos foram submetidos à Fl. 1153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 6 apreciação da Turma julgadora, que deu parcial provimento ao recurso (fls.773/796). Naquela oportunidade acordaram os membros do Colegiado o seguinte: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento; 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento; 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento; 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento apenas quanto ao item 12 da tabela, relativo depreciação do detector de radiação G606/650, responsável pela separação da escória, nos termos do voto do relator; 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento; 3. A cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento. Contra a decisão a contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls.818/826), onde destaca os seguintes vícios contidos no acórdão recorrido: (1) Contradição entre os fatos analisados e o direito aplicado, bem como entre premissas adotadas em situações idênticas; (2) Omissão a respeito de aspectos alegadamente essenciais para o julgamento da lide, que exigiriam manifestação expressa e pronunciamento específico do Colegiado; e (3) Obscuridade ou erro de premissa, ao invocar fundamentos que não se aplicam ao caso. Uma vez acolhida as alegações concernentes à contradição e obscuridade descritas nos itens 2 e 3 do texto acima, nos termos do Despacho nº 3301-S/Nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls.878/884), os Embargos de Declaração propostos pela contribuinte foram acolhidos com efeitos infringentes, por meio do Acórdão nº 3301-005.694, em sessão realizada em 31 de janeiro de 2019, admitindo o direito de crédito sobre os itens: reservatório de 2000 litros, do tanque de água fresca e da caixa d’água ETA (fls.892/906). Recurso Especial do Contribuinte Cientificada das decisões, insurgiu-se a contribuinte contra o resultado do julgamento, apresentando Recurso Especial de Divergência (fls.917/947 e docs. 948/1039), apontando o dissenso jurisprudencial que visa rediscutir o entendimento firmado, quanto e à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre: (1) aquisições de GLP e álcool etílico hidratado Fl. 1154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 7 (2) encargos de depreciação de aparelhos sobre ar-condicionado, serviços de instalação de ar-condicionado, motosserras; (3) encargos de depreciação sobre: armários; licença software MS Office STD português; rádios fixos e portáteis, conjuntos de rádios; poltronas, cadeiras; e mesas e gaveteiros. Indica como paradigma, respectivamente, os acórdãos de n°s 3201-003.570, 3201- 003.572, 3401-001.692 e 3803-003.207. O Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamento do CARF, através de despacho fundamento às fls1044/1057, admitiu parcialmente o Recurso Especial interposto pela contribuinte, dando SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso interposto pela contribuinte, apenas em relação à divergência quanto ao direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre 1. aquisições de GLP e álcool etílico hidratado e ao 2. direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre encargos de depreciação de motosserras. Recurso de Agravo A Contribuinte apresentou Agravo contra o referido despacho que admitiu parcialmente o recurso (fls.1065/1074), o qual foi acolhido parcialmente, para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias inadmitidas no Despacho de Admissibilidade, quais sejam: 1. créditos apropriados sobre encargos de depreciação sobre aparelhos de ar- condicionado, 2. serviços de instalação de ar-condicionado; 3. tanques de líquidos; e, 4. Motosserras (fls.1086/1095). Em relação aos encargos de depreciação sobre tanques de líquidos, apesar de consta no despacho de agravo, essa matéria não foi ventilada no Recurso Especial, tendo em vista que no julgamento dos aclaratórios do Acórdão nº 3301-003.209, foram revertidas as glosas tomadas sobre os encargos de depreciação de reservatório de 2000 litros, do tanque de água fresca e da caixa d’água ETA (itens 7, 5 e 10 da planilha). Devidamente cientificada do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls.1146/699). Na oportunidade, requer o desprovimento do apelo, nos termos da fundamentação apresentada pelo acórdão recorrido, que bem analisou a legislação e a jurisprudência aplicáveis ao caso e os laudos técnicos trazidos aos autos nas duas diligências realizadas, consubstanciando, ademais, matéria fática e probatória que não desafia a interposição de recurso especial. Por outro lado, em relação à matéria de direito, considerando que as aquisições de GLP e álcool etílico hidratado estão sujeitas à alíquota "0" (zero) e à tributação das contribuições sociais em regime monofásico, incide claramente a vedação disposta nos §§ 2º das Leis de Regência da não cumulatividade das Contribuições Sociais, não sendo cabível, portanto, o creditamento. Por fim, pede o desprovimento do recurso especial da contribuinte. Fl. 1155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 8 O processo, então, foi sorteado para esta Conselheira para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial interposto. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Denise Madalena Green, Relatora I – Do conhecimento do Recurso Especial da Contribuinte: O Recurso Especial de divergência interposto pela contribuinte é tempestivo, conforme atestado pelo Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial, e deve ser conhecido, tendo em vista a atendimento aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos no art. 118, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.643, de 21 de setembro de 2023. É o que passa a demonstrar. a) créditos apropriados sobre as aquisições de GLP e álcool etílico hidratado: Em relação à primeira matéria admitida no Despacho de Admissibilidade, cotejando os arestos é evidente o dissídio jurisdicional interpretativo, em relação ao comando legal previsto no art. 3°, inc. II e § 2º, inc. II, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Enquanto o voto condutor da decisão recorrido (vencedor) levou em consideração que as aquisições de GLP e álcool etílico hidratado estão sujeitas à alíquota "0" (zero) e sujeitas à tributação das contribuições sociais em regime monofásico, para entender que incide a vedação disposta nos §§ 2º das Leis de Regência da não cumulatividade das Contribuições Sociais, não sendo cabível o creditamento. Em sentido oposto, os acórdãos indicados como paradigma (Acórdãos 3201- 003.570 e 3201-003.572), de interesse da própria contribuinte, decidiram que tais custos geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Oportuna a transcrição do trecho da ementa nesse sentido: Processo nº 10650.901213/2010-30 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-003.570 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PIS - NÃO CUMULATIVO Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 9 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 (...) NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Processo nº 10650.901215/2010-29 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-003.572 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PIS - NÃO CUMULATIVO Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 (...) NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (grifou-se) Fl. 1157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 10 Dessa forma, deve ser conhecido o recurso nesse ponto. b) créditos apropriados sobre encargos de depreciação sobre aparelhos de ar- condicionado, serviços de instalação de ar-condicionado e motosserras: Em relação ao tema, em especial sobre os créditos apropriados na forma de encargos de depreciação sobre aparelhos de ar-condicionado, serviços de instalação de ar- condicionado, que tiveram seu seguimento admitido somente em sede de Agravo, merece uma análise mais detida em relação ao conhecimento. Em relação aos dispêndios com encargos de depreciação sobre aparelhos de ar- condicionado, serviços de instalação de ar-condicionado e motosserras, registra-se que o comando legal interpretado de forma divergente apontado no recurso é o art. 3°, inciso VI, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 e para demonstrar a divergência, a recorrente indicou os Acórdãos paradigmas 3201-003.570 e 3201-003.572, julgados na mesma sessão, proferidos em processos da própria contribuinte, em que a controvérsia é a mesma ora em discussão. Ou seja, aqui se confrontam entendimentos acerca dos mesmos itens aplicados ao mesmo processo produtivo. Contemplando resultado de diligência requerida pelo Colegiado a quo, o voto condutor da decisão recorrida manteve as glosas sobre tais dispêndios, por entender que são bens necessários para viabilizar as atividades da maioria das empresas, não estando vinculados diretamente com o produto da atividade da contribuinte. Oportuna a transcrição do trecho nesse sentido: 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado O Relatório de Diligência apresentado elencou 12 itens (fl. 749) que estão instalados nas plantas industriais e que são considerados pelo Contribuinte como bens utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Para melhor precisar a glosa efetuada de depreciação de outros itens do ativo imobilizado veja-se a tabela abaixo: Fl. 1158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 11 Dos itens relacionados na tabela acima a autoridade administrativa fiscal reconheceu o item 12, detector de radiação G606/650, responsável pela separação da escória, como um bem que se desgasta ou danifica-se no processo produtivo, reconhecendo que sobre este o crédito deve ser admitido. O Contribuinte requer em sua Manifestação ao Relatório de Diligência a inclusão de todos os demais itens, armários, aparelho ar-condicionado, serviço de montagem do ar-condicionado, licença dos programas instalados nos computadores, tanque de água fresca, rádios de comunicação, reservatório, poltronas e cadeiras, motosserras, casa de água, mesa e gaveteiros. O Contribuinte afirma que (fls. 387): Muito embora, à primeira vista, possam surgir dúvidas acerca da utilização de alguns desses itens no processo de produção do minério, que é vendido pela recorrente, se se investigar a fundo esse processo, verificar-se-á que eles são, nos dizeres da norma legal, "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (..) para utilização na produção de bens destinados à venda". Entretanto, não vejo demonstrado nos autos de forma cabal a relação destes outros itens com o processo produtivo, uma vez que são bens necessários para viabilizar as atividades da maioria das empresas, não estando vinculados diretamente com o produto da atividade do Contribuinte. Logo, voto por não admitir crédito sobre suas cotas de depreciação, negando-se assim provimento ao Recurso Voluntário em relação aos itens 1 ao 11 e dando provimento ao item 12 da tabela. Já nos Acórdãos paradigmas 3201-003.570 e 3201-003.572 (idênticos), integrados pelos acórdãos de embargos acórdãos nº s 3201-005.517 e 3201-005.519, confirmaram a Fl. 1159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 12 possibilidade de tomada de crédito sobre encargos de depreciação relativos aos aparelhos de ar- condicionado, incluindo aqui serviço de montagem e motosserras, desde que utilizados em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção da etapa produtiva, por serem essenciais e relevantes nas instalações do processo produtivo, geram direito ao crédito das contribuições. Processo nº 10650.901213/2010-30 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-003.570 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PIS - NÃO CUMULATIVO Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Fl. 1160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 13 DESPESAS COM ALUGUEL DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados a atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Excertos do voto: Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos Fl. 1161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 14 Aduz a fiscalização que se trata de bens que não se relacionam ao processo produtivo e estão descritos no subitem 6.2 do Relatório Fiscal e Anexo V do Laudo, conforme indicação da utilização na tabela elaborada: (...) Entende o Fisco, quanto aos serviços relacionados, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admitiu o crédito sobre suas cotas de depreciação. Exceção feita às glosas pela fiscalização, o item 17, "detector de radiação G606/650” separadora magnética escória/produto - que se desgasta ou danifica- se no processo produtivo e, portanto, o crédito fora admitido. A contribuinte postula a reversão das glosas asseverando que desempenham funções nos processos e nas operações das etapas produtivas. Aparelhos de ar-condicionado, incluindo serviço de instalação, monitores de LCD, exclusivamente utilizado em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção ou em equipamento (veículo), tanques para armazenagem de água ou outra substância e motoserras, utilizados em etapa produtiva são essenciais ao processo produtivo devendo-se estornar as glosas. Quanto aos demais bens da tabela, sua utilização não tem relação de essencialidade às etapas de industrialização do produto destinado a venda, portanto, não autoriza o creditamento, eis que secundários ao processo industrial. É o caso de rádios comunicadores, móveis, utensílios e ar-condicionado de salas de operadores. Acórdão de Embargos nº 3201-005.517 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CORREÇÃO. Constatada omissão no enfrentamento de matéria litigiosa e obscuridade na fundamentação para delimitar o direito ao crédito das Contribuições não cumulativas, acolhem-se parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a bens do ativo imobilizado e utilizados em etapas essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Fl. 1162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 15 Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação de tanques de água ou outras substâncias utilizados ou ligados a equipamentos industriais, bem como de aparelhos de ar-condicionado e monitores de vídeo instalados em salas de controle ou monitoramento do processo produtivo e destinados a tal fim. Dos excertos do voto, na parte que interessa ao litígio: Explica-se a decisão considerando a essencialidade e a relevância do bem nas instalações do processo produtivo. Assim, somente os aparelhos de ar-condicionado e monitores de vídeo utilizados exclusivamente em salas de controle ou monitoramento de alguma das etapas de fabricação da pessoa jurídica permitem a tomada do crédito. Do contrário, esses equipamentos, quando utilizados em função diversa de monitoramento ou controle do processo produtivo, qualquer quer seja a sala/instalação, não dá direito ao crédito. (...) Por todo exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração interpostos, com efeitos infringentes, para reverter as glosas com encargos de depreciação dos itens considerados essenciais ao processo produtivo identificados com os nºs. "4", "5”, “"6", "8", "9", "10", "15" e "16", da tabela de folha 519 (Relatório de Diligência) dos autos, desde que atendidos os demais requisitos para creditamento na legislação de regência. (grifou-se) Importa destacar, que nos aclamatórios (Acórdão nº 3201-005.517 e 3201- 005.519), o Colegiado somente enfatizou as necessárias características de essencialidade e de relevância do bem nas instalações do processo produtivo e concluiu que somente os aparelhos de ar-condicionado e monitores de vídeo utilizados exclusivamente em salas de controle ou monitoramento de alguma das etapas de fabricação da pessoa jurídica permitem a tomada do crédito. Nesse ponto, em relação aos aparelhos de ar-condicionado e aos serviços de montagem de ar-condicionado, o despacho agravado manifesta pelo não conhecimento do recurso, devido à ausência de divergência na interpretação da legislação, mas de avaliação das provas constantes dos respetivos autos. Isso porque, no seu entendimento os acórdãos indicados como paradigma enfatizaram que só reconheciam tal crédito quanto aos itens utilizados nas salas de controle e monitoramento e que tal utilização não constou do relatório de diligência pela decisão recorrida, o que motivou a negativa dos créditos. Transcreve-se o trecho que trata do assunto: Cotejando os arestos confrontados, parece-me existir divergência quanto à possibilidade de tomada de créditos sobre os encargos de depreciação de motosserras. Por outro lado, parece-me impossível certificar a ocorrência inequívoca do dissídio em relação aos aparelhos de ar-condicionado e aos serviços de montagem de ar-condicionado. É que os acórdãos indicados como paradigma enfatizaram Fl. 1163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 16 que só reconheciam tal crédito quanto aos itens utilizados nas salas de controle e monitoramento. E tal utilização não constou o relatório da diligência contemplada pela decisão recorrida. Nesse sentido, parece-me que diferença entre os resultados dos julgamentos talvez decorra, não da divergência na interpretação da legislação, mas da avaliação das provas constantes dos respetivos autos. Em contrapartida, defende a recorrente em seu recurso de agravo, que os acórdãos (recorrido e paradigma) foram proferidos em processo da própria contribuinte, levando em consideração que o relatório de diligência emitido naqueles processos é idêntico ao relatório emitido no presente processo, e para comprovar junta aos presentes autos o relatório de diligência emitido nos processos indicados como paradigma (fls.517/520). Para enfatizar, destaca que os acórdãos analisaram a possibilidade de apropriação de crédito de diversos itens, devidamente indicados em planilhas reproduzidas nos referidos acórdãos e que as planilhas em questão os mesmos itens aqui discutidos. Por fim, defende que a “divergência entre as decisões não poderia ser mais evidente, tendo em vista que, ao analisarem a possibilidade de apropriação de crédito sobre os mesmos bens, elas seguiram caminhos diametralmente opostos. Enquanto o creditamento foi admitido para determinados itens no acórdão paradigma, ele foi recusado pela decisão recorrida”. Não há dúvidas que a contribuinte apresentou, de forma analítica, a divergência interpretativa em relação ao disposto no art. 3º, inciso VI, das Leis n. 10637 e 10833. No caso, como exaltado acima, a Turma a quo não negou provimento ao Recurso Voluntário em razão de falta de provas, mas ressaltou que sua decisão se deu pelas informações e provas acostadas aos autos tais itens não são vinculados diretamente com o processo produtivo da recorrente. Ademais, conforme ressaltado pelo despacho de agravo, ainda que no paradigma se tenha considerado existente a prova da vinculação direta dos bens ao processo produtivo, enquanto no recorrido se disse que tal prova não estava feita de forma cabal, é certo que em se tratando de processos que envolvam o mesmo sujeito passivo e estejam instruídos com os mesmos elementos de prova, há de ser admitida a divergência quanto à legislação, dado que não haveria como atribuí-la a eventuais diferenças fáticas ou probatórias. Portanto, conheço do recurso também nesse ponto, e passo de plano ao mérito. II – Do mérito: Previamente à análise dos itens específicos dos insumos em discussão, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, para então verificar as demais matérias. Conceito de insumos: Primeiramente, ressalta-se que a análise da apropriação de créditos da contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos sobre bens e serviços utilizados como insumos, tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, para o fim de definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS dos valores incorridos na aquisição, será realizada com base no que restou decidido Fl. 1164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 17 pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, paradigma do Tema 779, cuja tese foi firmada nos seguintes termos: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. A Ministra Regina Helena Costa, em seu voto, esclarece que o critério da essencialidade "diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”, enquanto o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva ou por imposição legal”. Neste sentido, em 17/12/2018 foi exarado o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, que apresenta as principais repercussões no âmbito da RFB decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pelo STJ. Consta do referido Parecer que a decisão proferida no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR é vinculante para a RFB em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, e nos termos da referida Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Nesse contexto, a análise será feita considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, de forma a facilitar a análise casuística de cada item objeto de glosa pela autoridade fiscal que foram mantidas pela decisão da DRJ. Passo à análise dos insumos. a) créditos apropriados sobre as aquisições de GLP e álcool etílico hidratado: A primeira matéria trazida pela contribuinte, a ser discutida perante este Colegiado uniformizador de jurisprudência diz respeito a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais (PIS/COFINS) não cumulativas sobre os custos havidos com aquisição de Gás Líquido de Petróleo - GLP e álcool etílico hidratado, aplicados no processo produtivo da recorrente. Consta do Relatório Fiscal às fls. 25/44, que tais aquisições foram excluídos do cálculo dos créditos da contribuição ao PIS, em razão de estarem estavam sujeitas à incidência dessa exação à alíquota zero, conforme previsão do art. 42 da Medida Provisória 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, verbis: Fl. 1165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 18 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I - gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II - álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; III - álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. (grifou-se) A decisão recorrida manteve a glosa a glosa sobre tais créditos, com base no argumento de que as respectivas aquisições estavam sujeitas à incidência monofásica, enquadrando-se, por conseguinte, na hipótese do inciso II do parágrafo 2° do art. 3° da Lei n. 10.637/02, que veda a tomada de créditos das contribuições sociais nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. O voto vencedor, assim se pronunciou sobre o tema: 1. Sem prejuízo do vasto saber jurídico do Conselheiro Gustavo Garcia, ouso dele divergir no tema CRÉDITO DECORRENTE DE aquisições de produtos sujeitos à INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, a proibição de auferir crédito básico é pertinente ao não pagamento das contribuições (art. 3° § 2° inciso II da Lei 10.833/03). Suspensão, não incidência, alíquota zero, monofasia (salvo, isenção), ao legislador queda exatamente igual: inexistindo pagamento das contribuições não há direito ao crédito básico, como já se manifestou, por diversas vezes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, estendendo o raciocínio ao frete, inclusive: PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete e armazenagem na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (derivados do petróleo) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições. (Acórdão 9303-009.444) COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratando-se de aquisições sujeitas à alíquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta no inc. II do § 2º da Lei 10.833/2003. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. (Acórdão 9303-010.915) REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à Fl. 1166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 19 tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (dispositivo válido também para a contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I (no caso, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002), que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 99.079/2017). (Acórdão 9303-007.767) 2. Em idêntico sentido o Tribunal da Cidadania em Precedentes Vinculantes julgados em 14 de abril de 2021: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REVENDA DE MERCADORIAS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC (Enunciado n. 3 do Plenário do STJ). 2. No regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. 3. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifásica), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. 4. "Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias" (STF, RE 762892 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 24/03/2015, DJe-070). 5. A regra geral é a de que o abatimento de crédito não se coaduna com o regime monofásico, só sendo excepcionada quando expressamente prevista pelo legislador, não sendo a hipótese dos autos, nos termos do que estabeleceu o item 8 da Exposição de Motivos da MP n. 66/2002, convertida na Lei n. 10.637/2002, que dispôs, de forma clara, que os contribuintes tributados em regime monofásico estariam excluídos da incidência não cumulativa do PIS/PASEP. 6. O benefício fiscal previsto no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a materialização do princípio da não cumulatividade, quanto à COFINS e à contribuição ao PIS. Fl. 1167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 20 7. A técnica da monofasia é utilizada para setores econômicos geradores de expressiva arrecadação, por imperativo de praticabilidade tributária, e objetiva o combate à evasão fiscal, sendo certo que interpretação contrária, a permitir direito ao creditamento, neutralizaria toda a arrecadação dos setores mais fortes da economia. (EAREsp nº 1109354 / SP) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A questão de mérito cinge-se à possibilidade de obtenção de crédito no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, a partir da vigência do art. 17 da Lei 11.033/2004, pelos contribuintes atacadistas ou varejistas de produtos sujeitos à incidência monofásica daquelas contribuições. 2. Era notório o dissídio entre as Turmas integrantes da Seção de Direito Público do STJ a respeito do tema. Entretanto, a contradição até então existente entre os órgãos fracionários foi superada. Na sessão do dia 14 de abril de 2021, a Primeira Seção do STJ concluiu o julgamento dos EAREsp 1.109.354/SP e dos EREsp 1.768.224/RS, em que prevaleceu a orientação da Segunda Turma do STJ de que a tributação do PIS e da COFINS no regime monofásico é incompatível com a manutenção do direito ao creditamento dessas contribuições. 3. Em julgamento com ampla maioria, consolidou-se o entendimento de que o abatimento de crédito não se coaduna com o regime monofásico e de que, quando o legislador quis excetuar essa regra, fê-lo de modo expresso. 4. Ademais, de acordo com a disciplina do art. 150, § 6º, da CF/1988 e do art. 2º do Decreto-Lei 4.657/1942, prevaleceu, igualmente, o entendimento da Segunda Turma do STJ de que a norma do art. 17 da Lei 11.033/2004 é específica, e não derrogou a Lei 10.637/2002 e a Lei 10.833/2003. (AgInt no REsp 1917761 / SE) 5. Agravo Interno não provido. 3. Por todo o exposto, votei pela negativa de provimento no tema crédito decorrente de aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica, sendo a tese vencedora neste item. (grifos originais) Em suas razões recursais argumenta a contribuinte que “embora as aquisições do GLP e álcool etílico hidratado, realizadas pela recorrente, estivessem sujeitas à alíquota zero daquelas contribuições sociais, esses produtos sofreram a incidência antecipada das exações em foco, quando da venda realizada por seus produtores e importadores, não havendo que se falar em aquisição “não sujeita ao pagamento” das contribuições da dicção do inciso II, do parágrafo 2º, dos art. 3º”. Aduz que o entendimento das autoridades fiscais acerca do alcance do inciso II do parágrafo 2° do art. 3° da Lei n. 10.637/2002 restringe por demais a aplicação do inciso II do caput Fl. 1168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 21 desse artigo, que autoriza o desconto de créditos calculados em relação aos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Por fim, destaca a recorrente que restou comprovado nos autos, que esses itens são aplicados no processo seu produtivo, consequente, deve ser reconhecido o direito ao crédito da contribuição em foco sobre as aquisições de GLP e álcool etílico hidratado. Entendo que assiste razão a recorrente nesse ponto. Vejamos. Como já mencionado alhures, o fundamento invocado pela decisão combatida para negar os créditos pleiteados pela contribuinte é no sentido de que a operação de aquisição de GLP e álcool etílico hidratado à época dos fatos em apreço estaria sujeita à incidência monofásica, o que, por seu turno, impediria o citado creditamento e o dispositivo invocado no voto vencedor foi o inciso II do parágrafo 2° do art. 3° da Lei n. 10.637/2002, que dispõe o seguinte: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Para a devida compreensão do caso é necessário, neste momento, fazer uma breve incursão na evolução legislativa para a temática em tela. A Lei 10.485/2002 estabeleceu o regime monofásico de incidência para as contribuições do PIS e da COFINS. A monofasia nada mais é do que uma medida de praticabilidade tributária, na medida em que concentra em um único ator da cadeia econômica toda a carga tributária então incidente. Assim, os demais atores desta cadeia arcam com os efeitos econômicos dessa incidência monofásica, mas não com os efeitos jurídicos, já que as operações então realizadas se sujeitam à alíquota zero. Com o advento do regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS, inclusive com a sua inserção no texto constitucional (art. 195, § 12 da CF), tais contribuições passaram a sujeitar-se à regra da não cumulatividade, cujo objetivo precípuo é evitar a incidência em cascata do tributo, impedindo, pois, que haja uma indevida relação entre maior ou menor carga tributária com uma maior ou menor quantidade de etapas no ciclo econômico. Importante desde já registrar que não existe uma relação entre incidências monofásicas de tributos e não cumulatividade, isso porque, como visto, os objetivos que se visam alcançar com tais normas são distintos. Enquanto a monofasia visa a praticabilidade tributária, a não cumulatividade tem por escopo abrandar os efeitos econômico-tributários no ciclo produtivo. Apesar, todavia, dessa independência entre monofasia e não-cumulatividade, é comum se avistar uma indevida aproximação entre tais questões no plano legislativo. Talvez por isso, inclusive, o legislador previu no art. 8 da Lei n. 10.637/2002 que permaneceriam sujeitas ao Fl. 1169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 22 regime cumulativo àquelas operações empresariais sujeitas a incidência monofásica da contribuição. Vejamos o que diz o citado dispositivo: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1º; (grifou-se) O citado art. 1º, §3º, inciso IV da Lei nº 10.637/2002, no caso do PIS, que assim prescrevia: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; (grifou-se) Logo, EMPRESAS REVENDEDORAS, ATACADISTAS E VAREJISTAS (ou seja, na operação de venda), sujeitas à incidência monofásica do tributo, estavam fora do regime não cumulativo e, por conseguinte, impedidas de creditamento, exatamente como prescrito originalmente no art. 3º, I da lei n. 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; (grifou-se) Em agosto de 2004 a Lei nº 10.865/2004, alterou a redação do citado art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o que se deu nos seguintes termos: Redação original: Art. 1º (...). § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...). IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; Redação após alteração pela lei 10.865/04: Art. 1º (...) Fl. 1170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 23 IV - de venda de álcool para fins carburantes; (grifou-se) Com a nova redação legislativa, deixou de existir a restrição ao creditamento nas operações sujeitas à incidência monofásica, existindo apenas tal limite para as operações de revenda de álcool para fins carburantes. E, em princípio, essa restrição continuou a existir apenas para as operações com álcool carburante pelo fato de tais operações permanecerem sujeitas ao regime monofásico e cumulativo do PIS e da COFINS. Posteriormente, seguindo a reconstrução histórica da evolução legislativa, é sabido que a mesma Lei nº 10.865/2004 supracitada, alterou o art. 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/04, para admitir o creditamento na aquisição de bens empregados como INSUMOS na produção destinada à venda, incluindo aí a AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. Vejamos como ficou a redação do citado dispositivo legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Oportuno ressaltar, que o fato do álcool carburante permanecer sujeito à monofasia não é impedimento para o citado creditamento, haja vista a já explicitada separação entre o regime monofásico e a não cumulatividade. Exatamente nesse sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do AgRg no REsp n. 1.051.634/CE: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO PELO SISTEMA MONOFÁSICO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI N. 11.033/04, QUE INSTITUIU O REGIME DO REPORTO. EXTENSÃO ÀS EMPRESAS NÃO VINCULADAS A ESSE REGIME. CABIMENTO. I - O sistema monofásico constitui técnica de incidência única da tributação, com alíquota mais gravosa, desonerando-se as demais fases da cadeia produtiva. Na monofasia, o contribuinte é único e o tributo recolhido, ainda que as operações subsequentes não se consumem, não será devolvido. II - O benefício fiscal consistente em permitir a manutenção de créditos de PIS e COFINS, ainda que as vendas e revendas realizadas pela empresa não tenham sido oneradas pela incidência dessas contribuições no sistema monofásico, é extensível às pessoas jurídicas não vinculadas ao REPORTO, regime tributário diferenciado para incentivar a modernização e ampliação da estrutura portuária nacional, por expressa determinação legal (art. 17 da Lei n. 11.033/04). Fl. 1171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 24 III - O fato de os demais elos da cadeia produtiva estarem desobrigados do recolhimento, à exceção do produtor ou importador responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota maior, não é óbice para que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas. IV - Agravo Regimental provido. (STJ; AgRg no REsp 1051634/CE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 27/04/2017) (grifou-se). Ademais, cabe aqui o comentário em relação ao inciso II do § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o qual peço vênia para novamente transcrever: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Primeiramente, oportuno ressaltar que o referido inciso II está dividido em dois comandos normativos. No primeiro comando, está dito que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito. O discurso da lei é claro, trata-se de aquisição de bem ou serviço não sujeito à contribuição. No caso do GLP e o álcool para fins carburantes, a Contribuição para o Pis/Pasep e a Cofins têm sua incidência concentrada nos produtores e importadores mediante a alíquota majorada na forma disposta no art. 4º, inciso III, da Lei n º 9.718/1998 e no art. 5º, inciso I, da Lei n º 9.718/1998 (redação dada pela Lei nº 10.865/2004), com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, não se pode afirmar que não foi sujeito às contribuições, ainda que de forma concentrada. Desse modo, data vênia, não me parece válido invocar o dispositivo para vedar o industrial de se creditar pela entra de combustíveis e lubrificantes, porque tais produtos são sujeitos à contribuição, ainda que pelo regime monofásico. Ressalta-se que não se está, na verdade, diante de uma mera desoneração tributária instituída com o fim de estimular especificamente o segmento econômico em que incide. Trata-se a situação retratada de puro reflexo da técnica de arrecadação de tributação concentrada, do que não se pode irrefletidamente repulsar o direito ao crédito reclamado sem levar-se em conta que a operação sofre, ainda que antecipadamente, ônus tributário. O segundo comando se reporta exclusivamente aos revendedores. Aliás, as decisões do STJ invocadas no voto vencedor são relativas a revendedores, que por força da vedação contida no art. 3º, I, b, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser apurados créditos em relação à aquisição, para revenda, dos produtos elencados no § 1º do art. 2º das referidas normas, dentre os quais se encontram a gasolina e suas correntes (exceto de aviação), o óleo diesel e suas correntes, o GLP e o gás natural. No julgamento do REsp 1.140.723/RS, invocado no voto vencedor “a controvérsia reside em saber se a aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica da COFINS e do PIS Fl. 1172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 25 (nos termos das Leis 9.990/00, 10.147/00 e 10.485/02) por revendedores atacadistas e varejistas geram direito à dedução da base de cálculo de tais contribuições, nos termos das Leis 10.683/2003 e 10.833/2003”. Naquele caso, o recorrente buscava assegurar o crédito louvando-se do disposto no art. 17 da Lei n. 11.033/2004 (REPORTO) segundo o qual: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Contudo, este dispositivo somente tem aplicação às pessoas jurídicas que efetivamente têm o direito ao crédito das contribuições sociais, mas cujas saídas (vendas) não são sujeitas ao pagamento da contribuição ao PIS e da COFINS. Quer dizer, este dispositivo não alcança os contribuintes que não têm direito ao crédito por expressa vedação legal (no caso, o art. 3º, inciso I, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003). Essa interpretação tem sido afirmada pela Coordenação-Geral do Sistema de Tributação (“COSIT”), conforme a Solução de Consulta COSIT n. 496, de 27/9/2017. Confira-se o trecho de sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. DEPRECIAÇÃO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. SERVIÇO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. Observados os requisitos legais pertinentes, a vedação de desconto de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação a bens ‘não sujeitos ao pagamento’ da contribuição estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei n. 10.833, de 2003, não se aplica aos bens que, cumulativamente: a) sejam adquiridos pela pessoa jurídica para utilização como insumo; e b) tenham sido objeto de cobrança concentrada ou monofásica da contribuição em etapa anterior da cadeia econômica, dado que tais bens estiveram ‘sujeitos ao pagamento’ da contribuição esperada em toda a cadeia econômica deles de forma concentrada ou monofásica na etapa anterior escolhida pelo legislador para oneração. Confiram-se os seguintes trechos da decisão: 44. A “incidência monofásica” e a “substituição tributária” são técnicas distintas, ao contrário do que parece supor a consulente. A primeira — a incidência concentrada, ou monofásica, consoante aludem alguns diplomas legais — caracteriza-se pela ocorrência da tributação uma única vez (CF, art. 149, § 4º) dentro de um ciclo de comercialização de um produto (geralmente no produtor ou no importador), oportunidade em que incide com alíquota concentrada. Nos demais elos do ciclo de comercialização (atacadistas e varejistas, por exemplo), a tributação ocorre com alíquota zero, ou seja, toda a tributação, de fato, ocorre Fl. 1173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 26 no contribuinte produtor ou importador, sem que sejam substituídos os atacadistas e varejistas, e para os demais contribuintes não ocorre a tributação. 45. Já a substituição tributária é uma técnica de atribuição de responsabilidade tributária, pela qual a lei elege um terceiro para responsabilizar-se pelo tributo ou contribuição devidos por quem seria o contribuinte natural. Dessa forma, quando surge a obrigação tributária, ela já tem seu polo passivo ocupado por um substituto legal. 46. Atualmente, poucas receitas encontram-se submetidas à substituição tributária da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, entre elas as relativas a alguns veículos, a saber, apenas os da posição 8432.20 — semeadores, plantadores e transplantadores autopropulsados — e do código 8711 — motocicletas e ciclomotores — da Tipi (Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001, art. 43; c/c Lei n. 10.485, de 2002, art. 1º, caput). 47. Não é o caso dos veículos mencionados na consulta, classificados na posição 8701.20.00 da Tipi, segundo informa a interessada. Para estes vige a concentração de incidência, conforme se extrai do contido na Lei n. 10.485, de 3 de julho de 2002: (...) 48. Como se vê, a incidência da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas de venda dos veículos classificados no código 87.01 da Tipi se concentra nos fabricantes e importadores, com alíquotas majoradas, sendo aplicada alíquota zero para os comerciantes atacadistas e varejistas. 49. Uma disposição legal que merece comentário no contexto em voga é a vedação de apuração de créditos constante do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei n. 10.637, de 2002, e da Lei n. 10.833, de 2003, que estabelece o seguinte: (...) 50. Se há sujeição ao pagamento das contribuições, ainda que de forma concentrada, não incide a citada vedação de apuração de crédito em relação à aquisição (ou à depreciação no caso de crédito relativo ao ativo imobilizado) de bem cuja cadeia de comercialização está inserida em sistemática de cobrança concentrada da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. O citado art. 3º, § 2º, II, veda o direito ao crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições. Não é o caso que se verifica nessa situação. 51. Deveras, caso a pessoa jurídica adquira, para utilização como insumo ou para incorporação ao seu ativo imobilizado, o bem sujeito à cobrança concentrada das contribuições de atacadista ou varejista (geralmente contemplados por alíquota zero) haveria alguma possibilidade de aplicação da vedação de desconto de créditos em comento, dada a desoneração do elo comercial imediatamente anterior. Todavia, não se pode olvidar que a sistemática de cobrança concentrada das contribuições não promove desoneração das contribuições na cadeia econômica total dos produtos contemplados, mas apenas concentra a tributação que seria aplicada em toda a cadeia em um elo escolhido Fl. 1174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 27 (exatamente por isso as alíquotas da concentração tributária geralmente são superiores às alíquotas modais). Assim, na hipótese em análise, conquanto ocorra o incidente de a etapa imediatamente anterior ser contemplada por alíquota zero das contribuições, deve prevalecer a possibilidade de apuração de créditos em relação aos bens adquiridos (não se aplicando a vedação em lume), sob pena de onerar duplamente a cadeia econômica dos produtos contemplados pela concentração tributária (por meio da imposição de alíquotas majoradas em um determinado elo e por meio da vedação de desconto de créditos). Dessa feita, não sendo a monofasia um impedimento para a incidência não- cumulativa do PIS e da COFINS e, ainda, tendo a legislação própria evoluído para admitir o credita mento na aquisição de combustíveis empregados como insumo, assiste razão a recorrente. Diante desse quadro, voto por dar provimento ao recurso nesse ponto, para reverter as glosas sobre as aquisições de gás liquefeito de petróleo – GLP e de álcool hidratado. b) créditos apropriados sobre encargos de depreciação sobre aparelhos de ar- condicionado, serviços de instalação de ar-condicionado e motosserras: A recorrente, traz a insurgência com relação à negativa do aproveitamento de crédito na forma de encargos de depreciação sobre: (i) aparelhos de ar-condicionado, incluindo serviços de instalação de ar-condicionado; (ii) motosserras. A decisão recorrida manteve as glosas dos itens acima, sob o fundamento de que “não estando vinculados diretamente com o produto final da atividade do Contribuinte. Logo, voto por não admitir crédito sobre suas cotas de depreciação”. Consta dos autos tratar-se de pessoa jurídica que tem por objeto social, dentre outras atividades, a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional (fls.216/245). Consoante razões da recorrente: (i) Aparelhos de ar-condicionado, incluindo serviço de instalação: utilizados para controlar a temperatura das salas de comando e dos laboratórios, evitando o aquecimento dos equipamentos. (ii) Motosserra: serve para cortar eletrodos utilizados na unidade. Sobre os aparelhos de ar-condicionado, a recorrente apresenta laudo detalhado (fl.453/546), com a descrição de cada etapa do processo produtivo. No que se refere ao Aparelho de ar-condicionado Gree K-7 4100, terceiro objeto da diligência, o laudo atestou o seguinte: 102 - Aparelho de ar-condicionado GREE K-7 41000: controlar a temperatura de painéis elétricos e CCM's (Centro de Comando de Motores), já que temperaturas Fl. 1175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 28 ambientes elevadas podem danificar ou sobreaquecer os equipamentos elétricos e eletrônicos Coaduna-se com a finalidade acima apontada, a descrição feita pelas autoridades fiscais em sua análise presencial (fls.573/574). Observe-se: c) O aparelho de ar-condicionado Gree K-7 4100, imobilizado nº 6904, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 102, fls. 77, do Laudo. Está instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destina-se a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; Diante das explicações trazidas pela recorrente e pautada no Relatório de Diligência, com base no Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05/2018, emitido com base no RESP 1.221.170/PR, aferindo estes créditos à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, temos que os aparelhos de ar-condicionado GREE K-7 41000, bem como as motoserras, utilizadas para cortar eletrodos, são essenciais para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. Nesse sentido, manifestou-se está 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão nº 9303-011.307, em processo de interesse da própria recorrente, cuja ementa segue abaixo transcritas: Processo nº 13646.000259/2005-20 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-010.914 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 15 de outubro de 2020 Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Assim a Direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre encargos de depreciação Fl. 1176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 29 de aparelhos de ar-condicionado, serviços de instalação de ar-condicionado, tanques de líquidos e motosserras. PIS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratando-se de aquisições sujeitas à alíquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta no inc. II do § 2º da Lei 10.637/2002. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (grifou-se) Portanto, nesse ponto dou provimento ao Recurso Especial, para reconhecer o aproveitamento de crédito na forma de encargos de depreciação sobre: (i) aparelhos de ar- condicionado modelo GREE K-7 41000, incluindo serviços de instalação, cuja sua utilização foi confirmada no Relatório de Diligência Fiscal às fls.573/574; e, (ii) motosserras. III – Do dispositivo: Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela contribuinte, para no mérito dar provimento, para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de GLP e álcool etílico hidratado, bem como, para reverter as glosas referentes a motosserra e a aparelho de ar-condicionado modelo gree k-7 4100, referido no relatório de diligência, item “4.c” (imobilizado n. 6904). Assinado Digitalmente Denise Madalena Green VOTO VENCEDOR Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, redatora designada A despeito do brilhante voto da Relatora, divirjo em relação à tomada de crédito de PIS não cumulativo sobre as despesas com GLP e álcool etílico sujeitos à incidência monofásica. Entendo que não há direito ao creditamento de PIS sobre os custos do gás GLP e do álcool etílico, enquadrando-se na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002: Art. 3° (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como Fl. 1177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 30 insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Logo, não é permitida a apuração de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. A concentração da tributação no produtor (incidência monofásica) não descaracteriza a "alíquota 0 (zero)" para fins de enquadramento na vedação prevista no § 2º da Lei n° 10.637, de 2002. No mesmo sentido, o acórdão do mesmo contribuinte, Acórdão n° 9303-010.915, j. 15/10/2020: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de aquisições sujeitas à alíquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta no inc. II do § 2º da Lei 10.833/2003. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Menciona-se também o julgamento do REsp 1.140.723/RS, no qual a Ministra Eliana Calmon sintetizou a impossibilidade de creditamento na incidência monofásica ao dispor que: " (...) a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à não-cumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal". Conclusão Diante disso, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas referentes a motosserra e a aparelho de ar-condicionado modelo gree k-7 4100, referido no relatório de diligência, item “4.c” (imobilizado n. 6904). Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 1178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.942 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10675.724034/2023-17 31 Fl. 1179DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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