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Numero do processo: 18471.002636/2003-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
EMBARGOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INCORREÇÃO NO PROCEDIMENTO ADOTADO. VICIO FORMAL.
O argumento ligado a impropriedade no procedimento de suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 enseja a nulidade do lançamento por vício formal e não material.
Numero da decisão: 1201-001.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, com efeitos infringentes, apenas para reconhecer a nulidade formal do lançamento fiscal em substituição à nulidade material que havia sido adotada no acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que não acolhiam os embargos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 EMBARGOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INCORREÇÃO NO PROCEDIMENTO ADOTADO. VICIO FORMAL. O argumento ligado a impropriedade no procedimento de suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 enseja a nulidade do lançamento por vício formal e não material.
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SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INCORREÇÃO NO PROCEDIMENTO ADOTADO. VICIO FORMAL. O argumento ligado a impropriedade no procedimento de suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 enseja a nulidade do lançamento por vício formal e não material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, com efeitos infringentes, apenas para reconhecer a nulidade formal do lançamento fiscal em substituição à nulidade material que havia sido adotada no acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que não acolhiam os embargos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 26 36 /2 00 3- 66 Fl. 549DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Recebidos os embargos tempestivos de fls. 480, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls. 480) em que a FAZENDA NACIONAL alega CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 1201001.173 proferido por esta 1ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, conforme trecho dos Embargos que abaixo transcrevo: Pela análise do acórdão 1201001.173, verificase que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF anulou por vício material os autos de infração relativos aos anos de 1997 a 2000, vez que não era objeto do AD nº 5 G/2003, a suspensão da imunidade da Cofins. Data venia, esse julgado incorreu em contradição, pois o argumento ligado a impropriedade no procedimento de suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 enseja a nulidade do lançamento por vício formal e não, material. Nesse sentido: Acórdão 10516.411: SEBRAE IMUNIDADE VICIO FORMAL NULIDADE Tratandose de instituição de educação e assistência social, sem fins lucrativos, a entidade integrante do sistema "S" goza de imunidade tributária, cuja suspensão deve obedecer o rito instituído pelo art. 32 da Lei n° 9.430/96. É nulo, por vicio formal, o lançamento não precedido daquelas formalidades. Acórdão 9101000.877: PROCEDIMENTO ESPECÍFICO PARA A SUSPENSÃO DE IMUNIDADE PREVISTO NO ARTIGO 32 DA LEI N° 9.430/96. A ausência da observância do procedimento especifico para a suspensão da imunidade acarreta vicio formal ao lançamento tributário. A nulidade atinge o IRPJ e os tributos a ele correlatos, principalmente se a entidade goza de isenção, nos termos do artigo 32, §10, da Lei n° 9430/96. (...) O Acórdão ora embargado, por unanimidade, ACOLHEU a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTOU a preliminar de decadência de dezembro de 1997; por unanimidade de votos, ENTENDEU que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLAROU a nulidade material dos autos de infração Fl. 550DF CARF MF Processo nº 18471.002636/200366 Acórdão n.º 1201001.744 S1C2T1 Fl. 3 3 dos anoscalendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DEU provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003. Em vista dos Embargos apresentados pela Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou petição por meio do qual defende que "... é inconteste que, caso sejam admitidos os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, o que se admite apenas para fins de argumentação, visto que não há qualquer contradição no acórdão embargado, tais embargos devem ser desprovidos, uma vez que, como demonstrado, o vício incorrido no lançamento é efetivamente de natureza material e não formal, em razão da violação ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, como lógica e acertadamente restou reconhecido no acórdão embargado." É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Os requisitos de admissibilidade dos presentes embargos já foram analisado através do competente despacho de admissibilidade. Sendo assim, passo à análise dos argumentos dos presente embargos. Sustenta a Embargante que esta 1ª Turma de Julgamento anulou por vício material os autos de infração relativos aos anos de 1997 a 2000, vez que não era objeto do AD nº 5G/2003, a suspensão da imunidade da Cofins. Neste sentido, mencionado julgado incorreu em contradição, pois o argumento ligado a impropriedade no procedimento de suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 enseja a nulidade do lançamento por vício formal e não, material. Entendo que cabe razão à Embargante quando alega que a incorreção no procedimento de suspensão de imunidade, da forma como ocorrido no presente caso, enseja a nulidade por vício formal e não material do lançamento. A jurisprudência deste Conselho vai no mesmo sentido. Assim, o acórdão deve ser corrigido, de forma que o parágrafo que diz: "Portanto, há nítida nulidade material quanto à Cofins do período de 1997 a 2000, pois não existe ato de suspensão, exigível sob o ponto de vista jurídico, para essa contribuição, para que pudesse servir de fundamento para a fiscalização exigir o referido tributo." Deve passar a contar com o seguinte texto: Portanto, há nítida nulidade formal quanto à Cofins do período de 1997 a 2000, pois não existe ato de suspensão, exigível sob o ponto de vista jurídico, para essa Fl. 551DF CARF MF 4 contribuição, para que pudesse servir de fundamento para a fiscalização exigir o referido tributo. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos com efeitos infringentes de forma a reconhecer a nulidade formal do lançamento fiscal em substituição à nulidade material que havia sido reconhecida no acórdão embargado. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902451/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 51 /2 00 9- 70 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.902451/200970 Acórdão n.º 1402002.640 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.902451/200970 Acórdão n.º 1402002.640 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.902451/200970 Acórdão n.º 1402002.640 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.902451/200970 Acórdão n.º 1402002.640 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 13867.000095/2002-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998
ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO
As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não a CSLL mensal estimada, acrescida da multa de ofício padrão e dos juros de mora.
Numero da decisão: 1802-000.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não a CSLL mensal estimada, acrescida da multa de ofício padrão e dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 718DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 236 2 José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 719DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 237 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 10 a 18), no valor total de R$ 35.791,5724, estando incluído nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1423.211, às fls. 80 a 84: Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 09/05/2002, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da empresa acima identificada o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida pelo regime do lucro real anual com recolhimentos mensais em bases estimadas, código de receita nº 2484, concernente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, no valor de R$ 14.002,45, acrescida da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 10.501,84 e dos juros de mora na quantia de R$ 11.287,28. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/74, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, que não há débito a ser recolhido em decorrência de compensação com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, consoante informado na Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIRPJ) do ano calendário de 1998, ora juntada. Aduz, também, que providenciou retificação da DCTF no que diz respeito ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), ficando sem retificar a parte da contribuição social, daí porque pede a retificação daquela, nos moldes da declaração retificadora juntada. Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. CSLL. NÃO CONFIRMAÇÃO DO PAGAMENTO. Fl. 720DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 238 4 Inexistindo nos autos a prova do crédito informado na DCTF, a título de pagamento, ou saldo negativo de contribuição social, subsiste a exigência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”). Lançamento Procedente em Parte A parcial procedência do lançamento em primeira instância foi motivada pelas alterações promovidas no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, restringindo as hipóteses para a imposição de multa no caso de lançamento por diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF. Deste modo, observando as normas que tratam da retroatividade benigna, a Delegacia de Julgamento exonerou a multa de ofício. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/06/2009, a Contribuinte apresentou em 21/07/2009 o recurso voluntário de fls. 91 a 93, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, a Recorrente traz uma detalhada explicação sobre a evolução e o aproveitamento dos saldos negativos de CSLL ao longo do tempo, e junta aos autos uma série de cópias de DARF, Declarações, Livros e Planilhas, ano a ano, desde 1992, no intuito de demonstrar que realmente as estimativas de janeiro, fevereiro e março de 1998 foram quitadas por meio de compensação. Este é o Relatório. Fl. 721DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 239 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, em decorrência de procedimento de auditoria interna de DCTF, foi exigido da Contribuinte a CSLL relativa aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, por falta de localização de pagamento nos sistemas da Receita Federal. Desde o início, a Recorrente vem alegando que estes débitos foram quitados por compensação com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, consoante informado em sua Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIRPJ) do ano calendário de 1998, e que, por um equívoco, teria sido informado na DCTF a quitação por pagamento e não por compensação. Ao examinar os documentos que acompanharam a primeira peça de defesa, a Delegacia de Julgamento fez as seguintes considerações: Não creio que a afirmação da existência de saldo negativo de CSLL, ainda que acompanhada da DIRPJ externando valores nesse sentido, se prestam ao afastamento de crédito tributário, que para tanto exige tratamento de cautela, a ver pelo artigo 141 do Código Tributário Nacional. Certo é que a DIRPJ indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à seara do indício, tão somente, vez que tanto a alegação como a declaração são manifestações da contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita, não surtindo, assim, o efeito desejado. Crédito dessa estirpe se comprova com registros contábeis, como lançamentos em conta do ativo da CSLL a recuperar, e respectivas utilizações, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, etc, mesmo porque se trata de contribuinte sujeita ao regime do lucro real, para o qual exige a lei contabilidade regular. Reprisese, pois, que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de CSLL, para fins da compensação aqui pretendida, não se apura em razão dos valores declarados no ano calendário, mas sim em relação àqueles mostrados pela contabilidade e outros documentos fiscais, sendo a declaração de rendimentos apenas um deles. Diante disso, a Contribuinte trouxe junto com o recurso voluntário uma farta documentação, constituída de cópias de DARF, Declarações, Livros e Planilhas, ano a ano, desde 1992, no intuito de comprovar que as estimativas de CSLL referentes a janeiro, fevereiro Fl. 722DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 240 6 e março de 1998 foram realmente quitadas por meio de compensação com saldo negativo de períodos anteriores. No contexto da dinâmica probatória que se desenvolveu neste processo, todos estes elementos mereceriam uma cuidadosa análise. Contudo, há uma questão que precisa ser enfrentada antes disso. Desde o auto de infração, está claro que o presente lançamento abrange débitos de CSLL no código 2484, cuja descrição, conforme sítio da Receita Federal na internet, é a seguinte: 2484 CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL (grifos acrescidos) As cópias da DIPJ e das DCTF também não deixam nenhuma dúvida de que a CSLL no anocalendário de 1998 foi calculada pelo regime de apuração anual, e que os valores lançados são referentes às estimativas de CSLL em alguns meses deste ano. Em vista disso, cabe registrar que as estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Não há, portanto, no regime de apuração anual, CSLL de janeiro, de fevereiro, de março, etc., mas apenas a CSLL apurada em 31 de dezembro. Assim, se for para constituir tributo, o lançamento deve levar em conta o fato gerador ocorrido em 31 de dezembro. Tanto o é, que a Lei nº 9.430/96, desde seu texto original, prevê o lançamento de “multa isolada” para os casos de falta de recolhimento de estimativas, conforme o disposto em seu art. 44: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... Fl. 723DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 241 7 III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (grifos acrescidos) Atualmente, em função das alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, essa mesma regra se encontra disposta no art. 44, II, “b” da Lei 9.430/96, com mudança no percentual da multa. Multa exigida isoladamente quer dizer multa exigida sem tributo. E a própria Receita Federal, por meio da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de Dezembro de 1997, vigente à época dos fatos, determinou que após o término do ano calendário não se exigisse as estimativas não recolhidas: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Mas a Fiscalização considerou que as estimativas mensais representavam verdadeiros fatos geradores de tributos, e lançou o principal (por falta de recolhimento), acrescido da multa de ofício padrão e dos juros de mora, procedimento que não está em consonância com as normas legais pertinentes ao caso. Entendo também que não se trata aqui de mero erro de capitulação legal, mas sim de um fundamento jurídico inapropriado para a autuação. Com efeito, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais não se confunde com o tributo devido, que deve ser apurado somente no final do período anual, pelo regime do lucro líquido ajustado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 724DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 242 8 Fl. 725DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19647.019537/2008-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 95 37 /2 00 8- 31 Fl. 316DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação juntado aos autos, este processo encontravase apenso ao Processo 19647.019536/200897, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 317 3 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 318DF CARF MF 4 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 318 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 320DF CARF MF 6 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 319 7 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 322DF CARF MF 8 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 320 9 Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000053/2006-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007.
Numero da decisão: 9202-005.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 53 /2 00 6- 81 Fl. 1031DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 729/749) que exigiu crédito tributário no valor de R$ 311.827,27, sendo IRRF no valor de 8.670,24 relativo ao pagamento sem causa, acrescidos de juros de mora no valor de R$ 5.326,78 e multa de ofício no valor de R$ 6.502,63, além de multa de ofício e juros exigidos isoladamente, incidentes sobre os valores que a empresa deixou de reter e recolher, nos valores de R$ 244.237,78 e R$ 47.089,84, respectivamente. De acordo com relatado no termo de verificação fiscal de fls. 725/728, foram constatadas as seguintes irregularidades: · Falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados e/ou sem causa, nos valores e datas descritos no referido termo, conforme o demonstrativo de fl. 724. Tais pagamentos foram considerados líquidos, sendo reajustada a base de cálculo do imposto. · Falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre rendimentos pagos a titulo de: i) arrendamento (conforme demonstrativos de fls. 686 a 708 e do termo de verificação); ii) fretes (conforme demonstrativo às fls. 709 a 720 e do termo de verificação fiscal); iii) honorários profissionais (demonstrativo de fls. 721 e 722); iv) comissão e corretagem (demonstrativo de fls. 723); v) aluguel (demonstrativo de fls. 710, 723 e observação à fl. 720). O lançamento teve fulcro nas disposições legais apontadas no referido auto de infração. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado o lançamento procedente. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir da autuação a infração falta de retenção de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e a multa isolada referente aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2001. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 3 3 Portanto, em sessão plenária de 27/10/2011, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2802001.177, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. A existência de um pedido genérico para cancelar o auto de infração não é suficiente para considerar que todas as matérias foram impugnadas, é preciso identificar a matéria, os pontos de discordância e as respectivas razões e provas. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL OBSCURO. A falta de clareza no enquadramento legal feito no auto de infração evidenciada com a modificação do enquadramento realizada pelo órgão Julgador de primeira instância não condiz com a certeza que se exige do lançamento tributário, bem como a alteração da imputação fiscal na primeira instância de julgamento é uma mudança de critério jurídico igualmente vedada. Hipóteses que conjugadas implicam excluir a infração do lançamento. IRRF. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Nos lançamentos efetuados após o término do exercício, a multa isolada aplicável à fonte pagadora em decorrência da falta de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte somente é aplicável a partir de 27 de dezembro de 2001. Recurso provido em parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 08/12/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/01/2012, Recurso Especial visando a reforma do acórdão recorrido, que anulou por vício material, o AI na parte em que tratou da infração “falta de retenção de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados”, para cancelamento por vício formal e lavrado um novo, revestido de todos os requisitos legais. Ao Recurso Especial da Fazenda foi negado seguimento, conforme o Despacho nº 220001.102, da 2ª Câmara, de 26/07/2012. Fl. 1033DF CARF MF 4 O contribuinte, então, foi cientificado do acórdão 2802001.177 em 23/11/2012 e interpôs, tempestivamente, em 06/12/2012, Recurso Especial. Em seu recurso visa rediscutir a matéria “exigência da multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 31/03/2017. Em seu Recurso Especial, a Recorrente ressalta que foi autuada com fundamento no art. 44, da Lei no 9.430/96, mas que a Medida Provisória nº 351, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, revogou a multa isolada em casos tais como o presente, no qual a sanção decorre da não retenção dos valores pagos a pessoas físicas; e que, dessa forma, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem decidindo pela anulação dos autos de infração fundamentados no revogado dispositivo, o que vem sendo feito com fundamento no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, conforme atestam várias decisões desse órgão. Assim, requer seja dado provimento ao seu Recurso Especial, decidindose pela aplicação do art. 106, II, do CTN, cancelandose a multa isolada (e os juros), tendo em vista sua revogação pela Lei nº 11.488/2007. A Fazenda Nacional foi cientificada do Recurso Especial do contribuinte em 03/04/2017, mas não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1022. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com o despacho proferido para a apreciar o mérito da questão Do Mérito Quanto ao mérito ressaltese que a situação em questão, já foi enfrentada em diversas outras oportunidades por esta CSRF, razão pela qual, alinhome aos que entendem, no âmbito deste CARF, não se confundir a penalidade estabelecida pelo art. 9o da Lei no. 10.426, de 2002, base legal do presente lançamento e aplicável à fonte pagadora dos rendimentos, com eventual sanção decorrente do não recolhimento do Imposto sobre a Renda incidente sobre os rendimentos recebidos, este último de responsabilidade do beneficiário dos rendimentos e sujeito à eventual multa de ofício aplicável quando não houver recolhimento do principal, previamente ao início da ação fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 24 de dezembro de 1996. Compartilho do posicionamento de que a única ligação existente entre os citados dois dispositivos é a remissão, pelo dispositivo da mencionada Lei no. 10.426, de 2002, ao percentual de 75%, estabelecido pela Lei no. 9.430, de 1996, para fins de determinação do quantum devido a título de sanção. A matéria foi brilhantemente enfrentada no voto vencedor proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.582, de 03 de março de 2015, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, o qual adoto para delinde da controvérsia, assim, como razões de decidir quanto a este item guerreado pelo recorrente, verbis: " (...) A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou Fl. 1035DF CARF MF 6 contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I. juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 5 7 qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento Fl. 1037DF CARF MF 8 jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. (...)" Dos esclarecimentos transcritos no trecho acima, resta evidenciado que se tratam de obrigações distintas. A primeira resultante da obrigação de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora à título de antecipação. A segunda decorrente do oferecimento à tributação, após o encerramento do período de apuração, pelo beneficiário dos rendimentos. Logo, o único ponto em comum em relação as duas obrigações é a referência ao dispositivo legal, cujo objetivo foi a utilização do percentual para fins de cálculo de sanção por descumprimento da obrigação de reter. Quanto a alegação de que a multa isolada fora revogada tacitamente pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007 a questão foi suficientemente enfrentada no citado acórdão 9202003.582, de 03 de março de 2015, ao qual novamente transcrevo na parte pertinente por entender acertada a interpretação ali apresentada, senão vejamos: Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 6 9 de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007 (g.n.): “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da Fl. 1039DF CARF MF 10 obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. (...) Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação –retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terse ia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. (...) Considerando os pontos acima, não assiste razão ao recorrente quanto a tese de revogação da referida multa isolada pela nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 9o. da Lei nº 10.426, de 2002. Face o exposto, concluise que a multa isolada aplicada no caso sob análise tem previsão legal própria, no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com sua base de cálculo definida em seu parágrafo único, e somente se vincula ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quanto ao percentual a ser aplicado. Em mesmo sentido encaminhou este colegiado turma em relação ao Processo 12571000133/201151, Acórdão nº 9202005.326 de relatoria do conselheiro Heitor Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007, 2008, 2009 OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 7 11 JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O débito para com a União (aqui abrangida a multa isolada decorrente de não retenção de IRRF) é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, a fundamentação do presente auto de infração encontrase em perfeita consonância com o normativo vigente, sendo certo que, não prosperar qualquer alegação de violação aos princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Importante ressaltar que não se encontra na competência da autoridade administrativa apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sob pena, inclusive, de violação ao princípio da legalidade. Aliás essa diretriz encontrase devidamente registrada em súmula deste Conselho, senão vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1041DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da relatora peço vênia para discordar do encaminhamento dado a questão, seguindo no encaminhamento dado por mim em processo semelhante, autos n. 10580.729581/201104, no que se refere a multa isolada. O Contribuinte alega que houve revogação da hipótese de incidência do cabimento da multa isolada pelo não recolhimento do IRRF após o prazo fixado. Aduz em sua defesa que com a publicação da MP 351/2007 foi alterada a redação do artigo 9 da Lei 10.426/02 que deixou de tratar das hipóteses de recolhimento após o prazo e simplesmente fora suprimido o segmento de linguagem que fazia referência a esta hipótese: “Com a nova redação, o artigo 9 simplesmente foi suprimido o segmento de linguagem que previa a conduta de oferecimento a tributação após o prazo fixado”. Assim, segundo o contribuinte, o artigo em questão deixou de tratar da situação de recolhimento fora do prazo, não podendo ser utilizado para fundamentar o lançamento da multa de ofício lançada isoladamente. Ressalta ainda que o item 8 da exposição de motivos da MP 351/2007 que expressamente afirma que a alteração perpetrada no artigo 44 da Lei 9430/96 retirou a hipótese de incidência de multa no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo. Em outra oportunidade tive acesso ao parecer do jurista Humberto Ávila, o qual conclui que a hipótese de incidência da multa isolada foi de fato suprimida na nova redação legal, em virtude da não retenção do imposto de renda retido na fonte. Assiste razão ao Contribuinte, desse modo, adoto o posicionamento segundo o qual não há mais previsão legal para a hipótese de cobrança de multa no caso de pagamento após o vencimento, portanto, na forma isolada, tratou a MP 531/2007 de alterar a redação integral do artigo 44, da Lei 9430/96 e suprimiu para esta hipótese, todas as referências, a exigência de multa na modalidade isolada. Observo que este não é um posicionamento isolado dentro deste Tribunal, uma vez que a jurisprudência deste Conselho (na anterior composição deste colegiado) em algumas oportunidades em que se manifestou defendeu que houve a revogação expressa da hipótese de incidência da multa isolada nos casos de tributos pagos em atraso sem o recolhimento da multa de mora. E diante disso, suprimida a hipótese do lançamento de multa quando o tributo já tenha sido recolhido pelo beneficiário, não há motivo para se manter a referência de multa na modalidade isolada, conforme se depreende da leitura do texto legal. Diante do exposto, conheço do Recurso da Contribuinte para no mérito dar lhe provimento. É como voto. Ana Paula Fernandes. Fl. 1042DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.005853/2004-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Com a edição da Súmula Vinculante n o. 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o artigo 45 da Lei n o. 8212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo apuração e pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O lançamento cientificado em 17/12/2004, em relação a fatos geradores ocorridos nos meses de abril, junho, agosto e dezembro de 1995, encontra-se decaído.
Numero da decisão: 1801-000.710
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Com a edição da Súmula Vinculante no. 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o artigo 45 da Lei no. 8212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo apuração e pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O lançamento cientificado em 17/12/2004, em relação a fatos geradores ocorridos nos meses de abril, junho, agosto e dezembro de 1995, encontrase decaído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 179DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 310.646,85, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 08/12). Em procedimento de auditoria fiscal foram apuradas as seguintes irregularidades em relação aos fatos geradores da contribuição ocorridos em 30/04/1995, 30/06/1995, 31/08/1995 e 31/12/1995, assim descritas na "Descrição dos Fatos" do auto de infração às fls. 09/10: 001 — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Valor apurado conforme Demonstrativo de Compensação da CSLL, que é parte integrante do presente auto de infração. Com relação a dezembro/95, informamos que excluímos o valor de R$ 856.846,83 referente a vendas de açúcar auferidas em 08/95, do valor do lucro apurado pelo contribuinte no valor de R$ 1.208.508,77 (conforme Demonstrativo do Resultado do Exercício 12/95) para apurar o Lucro Liquido Antes da Contribuição Social sobre o Lucro (R$ 351.661,94). Em razão do exposto, o valor apurado da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro antes da compensação foi de R$ 356.861,94 (R$ 351.661,94 + R$ 5.200,00). 002. CSLL REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Redução indevida do Lucro Liquido em virtude de inobservância do regime de escrituração, resultando no não pagamento da contribuição social sobre o lucro, apurada conforme Demonstrativo de Compensação da CSLL, que é parte integrante do presente auto de infração. Esclarecemos que o valor de R$ 856.846,83 referese a vendas de açúcar no mercado interno (R$ 354.023,44) e no mercado externo (R$ 502.823,39) conforme Demonstrativo de Receitas Auferidas Quadro 01, Livro Razão, Demonstrativo do Resultado do Exercício 08/95 e 12/95, DIRPJ e Demonstrativo do % da Receita de Exportação, em Relação a Receita Total Ano Calendário 1995 elaborado pelo próprio contribuinte. Cientificada em 17/12/2004, conforme demonstra a cópia do AR à fl. 75, apresentou a contribuinte a impugnação de fls. 80/95. Em sua defesa invoca a decadência do lançamento e a ilegalidade de limitação de compensação de bases negativas de períodos anteriores em 30% pois feriria o princípio do direito adquirido. Alega ser ilegal a aplicação de multa de ofício por erro de indicação de períodobase de escrituração de receita, devendo ser aplicada a multa de mora incidente nos casos de postergação. Suscitou, ainda, ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e do nãoconfisco. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10410.005853/200400 Acórdão n.º 180100.710 S1TE01 Fl. 178 3 A 3a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão 0216.490 e julgou procedente a exigência (fls. 141/158). No voto o relator sustentou, em preliminares: (i) que o prazo decadencial da referida contribuição teria sido determinado em 10 anos pelo artigo 45 da Lei no. 8.212, de 1991; (ii) que o pedido de perícia contábil foi feito em desacordo com os ditames legais mas que tal providencia seria desnecessária para o deslinde da questão; (iii) o procedimento não teria sido maculado por nulidade. No mérito observou que, não obstante a empresa possuir saldos de bases negativas antes da compensação, em abril, junho e dezembro de 1995, conforme quadro "Demonstrativo de Compensação da CSLL", de fls. 16/19, a compensação de base negativa da CSLL não poderia ultrapassar a 30% da base de cálculo antes das compensações, nos termos do que dispõe a Medida Provisória n° 812, de 1994, convertida na Lei n° 8.981, de 1995 e artigos 12 e 16 da Lei no. 9.065, de 1995 e que a análise de qualquer argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei fugiria da alçada de sua competência. Afastou, ainda, as alegações de postergação no caso da redução indevida do lucro líquido pela inobservância do regime de competência no reconhecimento de receita. Notificada da decisão, em 18/01/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 161, a interessada apresentou, em 15/02/2008, o recurso voluntário de fls. 162 a 175, no qual reproduz as argüições de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente DECADÊNCIA A primeira questão a ser analisada no presente recurso diz respeito à preliminar de decadência. O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 8, cujo enunciado tem o seguinte teor: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5o. DO DECRETOLEI N o. 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA N o. 8..212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Data de Aprovação Sessão Plenária de 12/06/2008 Fonte de Publicação DJE n o. 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DOU 20/6/2008, p. 1. Por conseguinte, o art. 45 da Lei n o. 8.212/19 não pode mais ser aplicado pela administração pública, nos termos do art. 2 o. da Lei n o. 11..417/2006, que assim dispõe: “Art. 2 o. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na. forma prevista nesta Lei." Dessa forma o prazo decadencial das contribuições sociais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4o., prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A CSLL, dentre outros tributos, está sujeita ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Não basta, entretanto, a atribuição, ao sujeito passivo, pela legislação, do dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. Para que referido regra seja aplicada Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10410.005853/200400 Acórdão n.º 180100.710 S1TE01 Fl. 179 5 é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura CSLL devida e nos casos em que apesar de apurar CSLL devida, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareço que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), com efeitos de Repetitivo, julgado em 12 de agosto de 2009, no acórdão relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 183DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso a recorrente optou, no anobase 1995, pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ e da CSLL devidos com base nas regras do lucro real mensal. Assim, os fatos geradores da CSLL, com base nessa regra, ocorrem mensalmente. Verificase, pela cópia da DIPJ, acostada às fls. 34 a 71, que em todos os meses de 1995 a contribuinte apurou apenas base negativa de CSLL, ou seja, não foram apurados saldos de CSLL a pagar, ou, ainda, qualquer valor de CSLL recolhida por antecipação. Portanto, diante da ausência de apuração e do pagamento da CSLL no ano base 1995, a regra de contagem de prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. In casu, relativamente aos meses de abril, junho e agosto de 1995 o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio ano de 1995. O primeiro dia do exercício seguinte é 1o. de janeiro de 1996, primeiro dia do prazo de cinco anos que venceu em 31/12/2000. Como a ciência do lançamento ocorreu em 17/12/2004 verificase a ocorrência da decadência em relação a esses fatos geradores. Em relação ao fato gerador da CSLL ocorrido em dezembro de 1995 o lançamento somente poderia ter sido efetuado em 1996. O primeiro dia do exercício seguinte se deu em 1o. de janeiro de 1997, vencendose o prazo decadencial de cinco anos em 31/12/2001. Assim, em relação ao fato gerador ocorrido em dezembro de 1995 também operouse a decadência em 31/12/2002, encontrandose portanto, o presente lançamento, em sua totalidade, fulminado pelo prazo decadencial. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10410.005853/200400 Acórdão n.º 180100.710 S1TE01 Fl. 180 7 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 185DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15563.720130/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DE ALIENAÇÃO.
Considera-se valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos.
GANHO DE CAPITAL. EXCLUSÕES DO VALOR DE ALIENAÇÃO. PREVISÕES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar de exclusão do preço de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, valores não previstos na legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE MORA. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Multa de mora não se confunde com multa de ofício, sendo aquela desta autônoma, restando assim prejudicada a pretensão da recorrente em estabelecer uma relação de vinculação e gradação entre elas.
São disciplinadas por diferentes dispositivos legais e se destinam a propósitos distintos e incomunicáveis entre si. A multa de ofício é prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, enquanto que a multa de mora tem abrigo no art. 59 da Lei n. 8.383/1991.
Numero da decisão: 2402-005.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DE ALIENAÇÃO. Considerase valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos. GANHO DE CAPITAL. EXCLUSÕES DO VALOR DE ALIENAÇÃO. PREVISÕES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar de exclusão do preço de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, valores não previstos na legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE MORA. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Multa de mora não se confunde com multa de ofício, sendo aquela desta autônoma, restando assim prejudicada a pretensão da recorrente em estabelecer uma relação de vinculação e gradação entre elas. São disciplinadas por diferentes dispositivos legais e se destinam a propósitos distintos e incomunicáveis entre si. A multa de ofício é prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, enquanto que a multa de mora tem abrigo no art. 59 da Lei n. 8.383/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 30 /2 01 2- 14 Fl. 141DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa e Fernanda Melo Leal. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 96/137) em face do Acórdão n. 03 069.476 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB (fls. 84/89), que julgou improcedente a impugnação de fls. 54/81 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário 2009 no montante de R$ 909.917,63 sendo R$ 458.027,60 de imposto Cód. Receita 2904 ; R$ 108.369,33 de juros de mora calculados até 31/05/2012; e R$ 343.520,70 de multa proporcional passível de redução (fls. 46/51) com fulcro em) omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 43/45. O lançamento constituído mediante o Auto de Infração de fls. 46/51 originou se da constatação da omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas das pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 e Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/000151 , consoante o TVF de fls. 43/45. Cientificada do lançamento de fls. 46/51 em 21/06/2012 (fl. 52), a recorrente, inconformada com a autuação sofrida, apresentou a impugnação de fls. 54/81, alegando em síntese: a) o acréscimo do valor de venda acordado anteriormente deveuse ao estoque existente no montante de R$ 4.800.00,000, sendo que, após levantamento, constatou se que desse total R$ 2.000.000,00 referiamse a dívidas com fornecedores, que foram corretamente deduzidos do valor final; b) a autoridade fiscal não verificou que, para manter o estoque objeto do acréscimo ao valor da venda patrimonial, deveria existir lucro contábil no Patrimônio Líquido a título de Reservas, sem que tivesse sido distribuído, mas que é de fato um acréscimo patrimonial do detentor da participação do Capital Social; c) a mera ausência de distribuição do lucro, que é isenta de tributação, e a sua permanência em reservas da empresa, para capitalização, demonstra um aumento do Patrimônio Líquido, gerando, assim, uma capacidade maior de adquirir ativos, como no caso o estoque existente; d) o Estado não pode penalizar o empresário que deixa de distribuir lucros, evidentemente já tributados, com o intuito de capitalizar sua empresa, apenas por não haver cumprido com uma mera formalidade ao integralizar estas Reservas de Lucros ao Capital. e) à vista dos esclarecimentos acima, o valor bruto da venda seria de R$ 6.000.000,00, e não aquele considerado pela autoridade lançadora. Na apreciação da impugnação de fls. 54/81, o órgão julgador de primeira instância, mediante o Acórdão n. 03069.476 (fls. 84/89), sumarizou seu entendimento, consoante ementa abaixo: Fl. 143DF CARF MF 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DE ALIENAÇÃO. Considerase valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 03069.476 (fls. 84/89) em 27/01/2016 (fls. 91/94) e, irresignado, interpôs Recurso Voluntário em 26/02/2016 (fls. 96/137), tempestivo, portanto, alegando, em síntese, erro da Fiscalização da RFB quando da apuração do ganho de capital (tributação de valor recebido decorrente de lucro de pessoa jurídica) e redução da multa de ofício de 75% para 20%. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 96/137) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O objeto do Recurso Voluntário de fls. 96/137 reside em suposto erro da Fiscalização da RFB quando da apuração do ganho de capital obtido na alienação de ações/quotas das pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 e Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/000151 à pessoa jurídica Barenboim & Cia. Ltda CNPJ 33.228.701/000131 , concretizada em 20/10/2009 (fls. 27/31), bem assim na redução da multa de ofício de 75% para 20%. Consoante os termos do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais (fls. 27/31), as participações societárias em lide haviam sido alienadas à pessoa jurídica Barenboim & Cia. Ltda CNPJ 33.228.701/000131, na data 20/10/2009, inicialmente por R$ 6.000.000,00. Todavia, mediante o Termo de Aditamento de Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais (fls. 35/36), o valor do negócio foi reajustado para R$ 10.800.000,00, a serem pagos da seguinte forma: i) R$ 5.400.000,00 na data de 26/11/2009, mediante a liberação dos cartões de crédito Visa, Mastercard e outros; ii) R$ 5.400.000,00 descontados R$ 2.000.000,00 a título de passivo com fornecedores restando R$ 3.400.000,00 em 15 parcelas mensais, iguais e sucessivas de R$ 226.667,00, a serem pagas a partir de 15/01/2010. Conforme a configuração acima informada, coube à recorrente o valor efetivo de R$ 8.800.000,00 (já deduzidos R$ 2.000.000,00 a título de passivo com fornecedores). Na DIRPF/2010 ND 07/16.814.081 (fls. 03/08), a recorrente declara titularidade de bens e direitos vinculados às pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 e Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/000151 nas datas de 31/12/2008 e de 31/12/2009 nos valores de R$ 300,00 e de R$ 39.600,00, respectivamente. Tais valores correspondem a 300 quotas, no valor nominal de R$ 1,00, da pessoa jurídica Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 (de cujo capital social a recorrente detém 10% de participação) e a 39.600 quotas, no valor nominal de R$ 1,00, da pessoa jurídica Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/0001 51 (de cujo capital social a recorrente detém 99% de participação) , conforme denunciado na 3ª. alteração contratual de fls. 15/17 e na 1ª. alteração contratual e contrato social consolidado de fls. 18/21, respectivamente. De acordo com o TVF de fls. 43/45, o lançamento em lide restringese à parcela de R$ 5.400.000,00 recebida pelo recorrente na data de 26/11/2009 (Termo de Aditamento de Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais de fls. 35/36 e Ação de Cobrança de fls. 37/42). Essa parcela equivale a 61,36% do valor efetivo total da Fl. 145DF CARF MF 6 alienação (R$ 8.800.000,00). Desse total, cabe à recorrente o percentual de 57% de participação. As tabelas a seguir elucidam as situações ora descritas: Da leitura das tabelas acima reproduzidas, obtémse o custo de aquisição do conjunto das participações societárias vinculadas à recorrente mediante a multiplicação do custo total (R$ 39.900,00) pelo percentual efetivamente recebido pela alienação (61,36%), chegandose ao montante de R$ 24.482,64. Assim, o ganho de capital da recorrente em virtude da alienação em lide é de R$ 3.053.517,36 (diferença entre R$ 3.078.000,00 e R$ 24.482,64). Todavia, nos termos do Recurso Voluntário (fls. 96/137), a recorrente contrapõe à apuração do ganho de capital acima discriminado o seguinte argumento: "As referidas empresas foram alienadas pelo valor de R$ 10.800.00,00, contudo tal valor incluía parcelas referentes a débitos e o lucro existente no caixa da empresa destinados aos sócios da mesma, na data da alienação. O valor de fato das empresas efetuando os referidos descontos foi de R$ 6.000.000,00, sendo o valor do ganho de capital a ser calculado sobre tal verba e não sobre a totalidade do negócio. Ressaltandose, que coube à peticionária 57% desse montante, sendo tal valor pago de forma parcelada. Evidente, que a quantia correspondente ao estoque existente que não corresponde a dívidas com fornecedores, bem como o lucro da empresa, no valor total de R$ 2.800.000,00, não poderia compor o valor da alienação." (grifei) Em resumo, a recorrente alega que, do valor efetivo total da alienação (R$ 8.800.000,00), R$ 2.800.000,00 devem ser excluídos, vez que correspondem ao estoque existente não vinculado a dívidas com fornecedores, bem assim ao lucro da empresa (recebidos com base no art. 10 da Lei n. 9.249/1995). Nesse ponto, é oportuno destacar a definição de valor de transmissão, no caso de operações de venda ou de cessão de direitos, plasmada nos arts. 19 e 20, da Lei n. 7.713/1988, verbis: “Art. 19. Valor da transmissão é o preço efetivo de operação de venda ou da cessão de direitos, ressalvado o disposto no art. 20 desta Lei. Parágrafo único. Nas operações em que o valor não se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de mercado. Art. 20. A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 104 7 valor ou preço informado pelo contribuinte, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Lateralmente, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001 (que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas), ao tratar do valor de alienação, assim dispõe em seu art. 19, in verbis: Art. 19 . Considerase valor de alienação: I o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; II o valor de mercado, nas operações não expressas em dinheiro; III no caso de bens ou direitos vinculados a qualquer espécie de financiamento ou a consórcios, em que o saldo devedor é transferido para o adquirente, o valor efetivamente recebido, desprezado o valor da dívida transferida; IV no caso de bens em condomínio, a parcela do preço que couber a cada condômino ou coproprietário; V no caso de permuta com recebimento de torna, o valor da torna; VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. § 1º Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2º Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. § 4º O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, é deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda a prazo, com diferimento da tributação, a dedução farseá sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem. Conforme se observa da leitura dos dispositivos supra reproduzidos, as verbas no valor total de R$ 2.800.000,00 que a recorrente pretende excluir do valor efetivo de alienação (R$ 8.800.000,00) não encontram abrigo na legislação tributária. Fl. 147DF CARF MF 8 Só para argumentar, uma vez despiciendo, ainda que previsão legal houvesse, o recorrente não faz prova da pretendida exclusão das verbas alegadas e que almeja excluir do valor da alienação em lide, quais sejam, estoque existente não vinculado a dívidas com fornecedores, bem assim ao lucro da empresa. Os documentos acostados às fls. 123/134 não se prestam para o mister, vez que i) dizem respeito a questões contábeis das pessoas jurídicas cujas participações societárias foram alienadas, alheias, portanto, ao lançamento em lide; ii) não se revestem das formalidades exigidas por lei; iii) sequer discriminam os valores no total de R$ 2.800.000,00 cuja exclusão é pretendida; e iv) encontramse com registros ilegíveis. A recorrente também requer a redução da multa de 75% para 20%, conforme os termos do Recurso Voluntário (fls. 96/137). Na verdade, nas suas alegações, a recorrente confunde multa de ofício com multa de mora, emprestando, de forma indevida, um caráter de vinculação e gradação entre elas, quando, na verdade, nada têm em comum e destinamse a propósitos distintos e incomunicáveis entre si. Com efeito, a multa de ofício é prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Por sua vez, a multa de mora é prevista no art. 59 da Lei n. 8.383/1991, abaixo transcrito, e não tem caráter punitivo. Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. A multa de mora aplicada sobre o valor do tributo ou contribuição devido e, na sua essência, busca desestimular o cumprimento da obrigação fora do prazo. É devida quando do recolhimento de débitos vencidos, com atraso, portanto. Essa multa nunca incide sobre as multas de ofício, e com estas não têm qualquer relação. Diz respeito ao atraso do inadimplemento da obrigação tributária. É, como a própria denominação expressa, multa de caráter moratório. É oportuno destacar a remansosa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) no que tange à sua limitação ao percentual de 20%, conforme se depreende do entendimento plasmado nos julgados a seguir transcritos: “ [...]A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 105 9 cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (RE 582.461, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes)" “AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. MULTA FISCAL DE 20%. AUSÊNCIA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Esta Corte firmou entendimento no sentido da ausência de caráter confiscatório de multa fiscal no percentual de 20% (RE 582.461, leading case de repercussão geral). Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 596.429 AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa)" “IPI. MULTA MORATÓRIA. ART. 59. LEI 8.383/91. RAZOABILIDADE. A multa moratória de 20% (vinte por cento) do valor do imposto devido, não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Recurso extraordinário não conhecido.” (RE 239.964, Primeira Turma, Rel.ª Min.ª Ellen Gracie)" "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA DE 30%. CARÁTER CONFISCATÓRIO RECONHECIDO. INTERPRETAÇÃO DO PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO À LUZ DA ESPÉCIE DE MULTA. REDUÇÃO PARA 20% NOS TERMOS DA JURISPRUDÊNCIA DA CORTE. 1. É possível realizar uma dosimetria do conteúdo da vedação ao confisco à luz da espécie de multa aplicada no caso concreto. 2. Considerando que as multas moratórias constituem um mero desestímulo ao adimplemento tardio da obrigação tributária, nos termos da jurisprudência da Corte, é razoável a fixação do patamar de 20% do valor da obrigação principal. 3. Agravo regimental parcialmente provido para reduzir a multa ao patamar de 20%. (Ag. Reg. no Agravo de Instrumento 727.872/RS, 1ª Turma, 28/04/2015)." Desta forma, concluise, de forma inequívoca, que a multa de mora não se confunde com a multa de ofício, sendo desta autônoma, restando assim prejudicada a pretensão da recorrente em estabelecer uma relação de vinculação e gradação entre elas. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 96/137) e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.000014/2005-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. O texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma que só foi modificada com a MP 2.158-35, de 2001. Embora a situação impeditiva tenha ocorrido em 31/12/2000, a exclusão só pôde produzir efeitos a partir de 01/01/2002, como definido no art. 24, parágrafo único, II, da IN SRF nº 355/2003, que conjugou as alterações promovidas pela MP n° 2.158-35/2001 no referido art. 15, II, da Lei 9.317/1996, com o texto legal anterior a essa MP. Se na data alcançada pelo ADE, ou seja, 01/01/2002, a situação impeditiva não mais existia, e a Contribuinte podia fazer nova opção pelo Simples, não o fazendo apenas porque continuava nele enquadrada, não há motivos para excluí-la com efeitos a partir daquela data.
Numero da decisão: 1802-000.892
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. O texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma que só foi modificada com a MP 2.158-35, de 2001. Embora a situação impeditiva tenha ocorrido em 31/12/2000, a exclusão só pôde produzir efeitos a partir de 01/01/2002, como definido no art. 24, parágrafo único, II, da IN SRF nº 355/2003, que conjugou as alterações promovidas pela MP n° 2.158-35/2001 no referido art. 15, II, da Lei 9.317/1996, com o texto legal anterior a essa MP. Se na data alcançada pelo ADE, ou seja, 01/01/2002, a situação impeditiva não mais existia, e a Contribuinte podia fazer nova opção pelo Simples, não o fazendo apenas porque continuava nele enquadrada, não há motivos para excluí-la com efeitos a partir daquela data.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. O texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma que só foi modificada com a MP 2.15835, de 2001. 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(assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 34 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 35 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo n° 529.001, de 02 de agosto de 2004, emitido pela DRF Ponta Grossa (fl. 3), com efeitos a partir de 01/01/2002, e assim fundamentado: Data da opção pelo Simples: 01/01/1997 Situação excludente (evento 311): Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2000 ultrapassou o limite legal. CPF 752.597.37920. CNPJ 79.570.388/000116. Data da ocorrência: 31/12/2000 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º , IX; art.12; art.14, I; art.15, II. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003: art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24. II, c/c parágrafo único. Primeiramente, a Contribuinte apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS nº 09104/529001, com pedido de revisão do ato em rito sumário (fl.05), mas esta SRS foi considerada improcedente (fl. 12). A Contribuinte, então, apresentou manifestação de inconformidade, limitandose a pedir que fosse aplicado ao presente processo, por analogia, a mesma decisão adotada para o CNPJ 05.665.258/000120, por se tratar de caso idêntico ao seu, mas com desfecho favorável ao outro Contribuinte (fls. 6 a 11). Como já mencionado, a DRJ Curitiba/PR indeferiu a solicitação da interessada, afirmando que um de seus sócios, o Sr. Jorge Luiz Belich, participava de uma outra empresa, a Cherubim Compensados e Embalagens Ltda., CNPJ 79.570.388/000100, com 33,33% do capital social desta, ou seja, com mais de 10%, e que a receita global das duas empresas teria ultrapassado o limite permitido para o SIMPLES. Quanto ao pedido para que fosse aplicada a mesma solução dada ao CNPJ 05.665.258/000120, de Lima & Staziaki Ltda. ME, cujo ADE nº 529.565 foi declarado nulo, a DRJ tomouo como improcedente, uma vez que não restou demonstrada a razão da anulação deste outro ADE. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 36 4 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/08/2008, a Contribuinte apresentou em 18/09/2008 o recurso voluntário de fls. 24 e 25, com os seguintes argumentos: ratificase a ocorrência de ambigüidade no caso em pauta, pelo teor do próprio art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996, que não define explicitamente de qual empresa está tratando, ou seja, se o limite de 10% é em relação à optante ou à não optante, dando margem a interpretações diversas; o caso da outra empresa, Lima & Staziaki Ltda. ME, é idêntico ao deste processo, e teve decisão favorável ao contribuinte. Sendo assim, cabe o pedido de analogia, afinal, dois casos comuns não podem e nem devem ser tratados de forma diferente; outrossim, apreciando a composição societária da empresa supostamente causadora da exclusão, Cherobim Compensados Ltda., inscrita no CNPJ 79.570.388/000116, constatase que houve alteração no seu quadro societário, com a retirada do sócio Jorge Luiz Belich, portador do CPF 752.597.37920 e ingresso de Francisco Cherobim Filho, portador do CPF 005.558.78953, datada de maio de 2001 e homologada pela Junta Comercial do Paraná sob o número 20011309024, por despacho em sessão de 04/06/2001; inadvertidamente, tal ato não foi informado à Receita Federal para adequação do seu sistema interno e, concomitantemente, cruzamento de informações; com este novo fato observado e agora apresentado a este Órgão, excluise totalmente a incidência do fator preponderante para a exclusão do SIMPLES, que seria o equivocado entendimento do legislador sobre o excesso de receita bruta global, pois a saída do referido sócio ocorreu no anocalendário de 2001, e o excesso previsto no artigo 9°, inciso IX, da Lei 9.317/2006 foi verificado apenas no anocalendário de 2002; já está sendo providenciada alteração junto à Receita federal, através de DBE documento básico de entrada, para adequação da real e atual situação societária da empresa; segue em anexo cópia reprográfica autenticada demonstrando tal ocorrência. Este é o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 37 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a validade do Ato Declaratório Executivo n° 529.001, de 02 de agosto de 2004, que promoveu a sua exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2002. A razão da exclusão é que um dos sócios da interessada detinha mais de 10% do capital de outra empresa, e a receita bruta global das empresas, no anocalendário de 2000, havia ultrapassado o limite legal (Lei 9.317/1996, art. 9º, IX). Na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, apresentada em 22/09/2004, a Contribuinte alegou obscuridade da norma impeditiva: Enfatizamos que o artigo da Lei não é por si só esclarecedor, cabendo dúbia interpretação pelo contribuinte, se estaria excluído sendo sócio de outra empresa que não a do SIMPLES com mais de 10% (dez por cento) ou se qualquer outra empresa, independente do seu regime tributário. Neste caso, teríamos uma empresa optante pelo SIMPLES com participação do sócio em 5% e outra empresa de regime tributário normal com participação de 30%. Logo, reforçando o critério utilizado, como em apenas uma das empresas a participação foi superior a 10%, não somariase os faturamentos. Como a matéria em tela gera discussão quanto a sua interpretação, solicitamos que seja revisto todo o caso, reenquadrando a empresa NARF COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA, inscrita no CNPJ 95.420.634/0001 00, para que a mesma possa continuar gozando das prerrogativas previstas pelo SIMPLES. E em sede de recurso voluntário, ela novamente suscita ambigüidade no conteúdo da norma que fundamentou o ato de exclusão. Contudo, o texto do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996 não deixa qualquer margem para dúvidas: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 38 6 IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º; (...) (grifos acrescidos) Está bastante claro que o limite de 10% do capital social deve ser verificado em relação à outra empresa, independentemente do percentual de participação na empresa optante do Simples. Assim, se um dos sócios da optante participar de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassar o limite permitido para o Simples, restará caracterizada a situação impeditiva. Foi exatamente o que ocorreu neste caso. O sócio Jorge Luiz Belich participava da ora reclamante, com 5% do capital social, bem como com 33,33% do capital social da empresa Cherubim Compensados e Embalagens Ltda., CNPJ 79.570.388/000100, e a receita bruta das duas empresas ultrapassou o limite legal permitido, relativamente ao ano calendário de 2000. Portanto, são improcedentes as alegações de ambigüidade da norma contida no art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996. Em sede de recurso, a Contribuinte também insiste para que seja aplicada a mesma solução dada no caso da empresa Lima & Staziaki Ltda. ME, cujo Ato Declaratório de Exclusão foi declarado nulo (fl. 11). Compulsando os autos, vêse que embora o fundamento deste outro ADE tenha sido o mesmo do analisado neste processo, não há nenhuma informação sobre as circunstâncias concretas desta outra empresa, para que se pudesse avaliar as diferenças e as semelhanças em relação à Recorrente. Deste modo, tais argumentos se revelam igualmente improcedentes. O recurso voluntário está acompanhado de cópia da “Décima Quarta Alteração do Contrato Social”, registrada em 04/06/2001 (fls. 26/27), e a Contribuinte informa sobre a retirada do sócio Jorge Luiz Belich, argumentando que estaria excluído o fator preponderante que motivou a sua exclusão do SIMPLES. Quanto a esse ponto, é importante observar, conforme o conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 529.001, à fl. 3, que a situação impeditiva ocorreu em 31/12/2000, data essa que, via de regra, deve delimitar o exame das condições da optante, e, por conseguinte, a análise do mérito da exclusão. Ocorre que o texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma essa que só foi modificada com a MP 2.15835, de 2001. Conforme já mencionado, o ato declaratório de exclusão é de 02 de agosto de 2004, e não podia alcançar os períodos de 2000 e 2001, tanto é assim que embora a situação Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 39 7 impeditiva tenha ocorrido em 31/12/2000, os efeitos da exclusão só foram produzidos a partir de 01/01/2002, como definido no art. 24, parágrafo único, II, da IN SRF nº 355/2003, que conjugou as alterações promovidas pela MP n° 2.15835/2001 no referido art. 15, II, da Lei 9.317/1996, com o texto legal anterior a essa MP. Mas na data alcançada pelo ADE, ou seja, 01/01/2002, a situação impeditiva não mais existia, e a Contribuinte poderia ter feito nova opção pelo Simples. Só não o fez, porque continuava nele enquadrada, e, por essa razão, apenas nele prosseguiu. Assim, não há motivos para desenquadrála do Simples a partir de 01/01/2002, já que desta data em diante não mais restava configurada a situação impeditiva apontada nos autos. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000178/99-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 19/10/1988 a 09/03/1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. OBSCURIDADE.
Constatada a existência de obscuridade na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado".:
Numero da decisão: 9303-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-003.414, de 26/01/2016, sanar o erro material apontado na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. OBSCURIDADE. Constatada a existência de obscuridade na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado".: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303003.414, de 26/01/2016, sanar o erro material apontado na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 01 78 /9 9- 55 Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13909.000178/9955 Acórdão n.º 9303005.488 CSRFT3 Fl. 1.157 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte, sob alegação da existência de erro material no Acórdão nº CSRF/9303003.414 (fls. 1033 a 1037) que impediria a execução da decisão, em razão de constar na ementa do Acórdão "COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08. O decisum embargado recebeu, quando do seu julgamento, a seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543C DO CPC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Embargos Acolhidos. Embora a fundamentação do Acórdão embargado tenha reconhecido o direito da embargante nos termos dos fundamentos explicitados, verificase na ementa erro material de fácil constatação. É o relatório. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13909.000178/9955 Acórdão n.º 9303005.488 CSRFT3 Fl. 1.158 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os embargos de declaração são tempestivos e apontam erro material, devendo ser conhecido, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Esse é um caso típico de erro na confecção do acórdão, que, antes da edição do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, poderia ser sanado por um simples despacho do Presidente da Turma. Acontece que com o advento do art. 67 do citado decreto, os erros de escrita existentes na decisão só poderão ser sanados mediante prolação de um novo acórdão. Em respeito ao Decreto, acolho os embargos, voto no sentido de retificar a ementa do acórdão n° 9303003.414, de 26 de janeiro de 2016, devendo constar o seguinte "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado". Diante do que foi exposto, voto no sentido de acolher os embargos para retificar a ementa acima proposta. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001058/92-42
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -
Havendo omissão na apreciação de matéria objeto de Recurso de
Oficio cabem Embargos de Declaração com o fim de dirimir a falta.
EXCLUSÃO DE PENALIDADES - MULTA PREVISTA NO ART. 526, INCISO IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO - A disposição genérica constante no inciso IX do art. 526, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, configura norma penal branca, na qual cabe para qualquer conduta que se queira indicar como descumpridora de requisitos de controle da importação, inexistindo, portanto, um tipo penal que dê nexo à aplicação da pena.
MULTA PREVISTA NO ART. 521, I, "a" e "b" REGULAMENTO
ADUANEIRO.- Incabível ao caso.
Embargos de Declaração acolhidos e providos para apreciar
matéria omissa e, nesse ponto, negar provimento ao Recurso de
Ofício.
Numero da decisão: 301-31.144
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Luiz Roberto Domingo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30131144_110650010589242_200506; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-07-27T19:53:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30131144_110650010589242_200506; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30131144_110650010589242_200506; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-07-27T19:53:08Z; created: 2017-07-27T19:53:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-07-27T19:53:08Z; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-07-27T19:53:08Z | Conteúdo => ..,--1., MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 Embargante Procuradoria da Fazenda Nacional Embargada Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Havendo omissão na apreciação de matéria objeto de Recurso de Oficio cabem Embargos de Declaração com o fim de dirimir a falta. EXCLUSÃO DE PENALIDADES - MULTA PREVISTA NO . ART. 526, INCISO IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO - A disposição genérica constante no inciso IX do art. 526, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, configura norma penal branca, na qual cabe para qualquer conduta .que se queira indicar como descumpridora de requisitos de controle da importação, inexistindo, portanto, um tipo penal que dê nexo à aplicação da pena. MULTA PREVISTA NO ART. 521, I, "a" e "b" REGULAMENTO ADUANEIRO.- Incabível ao caso. Embargos de Declaração acolhidos e providos para apreciar matéria omissa e, nesse ponto, negar provimento ao Recurso de Ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do • voto do Relator. Formalizado em: 05 JUL 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Carlos Henrique KIaser Filho, Atalina Rodrigues Alves, José Luiz Novo Rossari, Valmar Fonseca de Menezes e Susy Gomes Hoffmann. Hf/l • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 Embargante Procuradoria da Fazenda Nacional RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pela D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que alega ter havido omissão no Acórdão n°. 301-31.144, de 12 de maio de 2004, que apreciou Recurso de Oficio da DRJ/Florianópolis-SC, por entender que houve omissão do julgado em relação à exclusão das penalidades previstas no art. 526, inciso IX, e no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", ambos do Regulamento Aduaneiro. Em despacho este Conselheiro-Relator propôs a apreCIaçao da questão pela Câmara por entender que, realmente, a exclusão da penalidade não foi objeto do julgamento. ~ 7 É o relatório. ~ 2 • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Acolho os embargos de declaração para apreciação da matéria omIssa. A questão que se coloca para apreciação é a exclusão das penalidades previstas no art. 526, inciso IX, e no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", ambos do Regulamento Aduaneiro. No que tange à penalidade prevista no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, entendo que o tipo penal ali previsto é inaplicável pois trata-se de norma penal branca passível de preenchimento por qualquer conduta que, a critério da autoridade, seja entendida como descumpridora de requisitos ao controle da importação, vejamos, in verbis: Art. 526 - Constituem infrações administrativas ao controle das . importações, sujeitas às seguintes penas: XI) descumprir outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de Guia de Importação ou de documento equivalente, não compreendidos nos incisos IVa VII deste artigo: multa de 20% (vinte por cento) do valor da mercadoria. Note-se que não há uma conduta predefinida, com seus limites de ação e/ou omissão que acarretassem a dura aplicação da penalidade de 20% sobre o valor da mercadoria. É uma norma penal aberta que alberga desde uma rasura na Guia de Importação até uma eventual troca de vias (o original pela cópia), enfim, qualquer conduta caberia nessa norma. Esse tipo aberto é inconcebível no sistema de direito positivo vigente no País, haja vista que ninguém pode estar sujeito a uma pena sem que a norma estabeleça exatamente qual o ato punível, qual o fato será ilícito, típico e antijurídico, nos estritos termos da Teoria Geral de Direito Penal. Não nos esqueçamos que o Direito Penal tem escopo maior que os delitos previstos e listados no Código Penal e nas legislações esparsas que definem crimes específicos. Ele abrange qualquer penalidade ou sanção decorrente de uma conduta, específica, condenável pela legislação. Note-se que a noção de "fato típico" exige a definição :~~~~~ 7 "fato" para que, ocorrendo aquele fato no ~ondo fisico seja possive1 a sUbsã • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 ausência de definição do fato exclui, por consequencia, a subsunção e, portanto, tecnicamente prejudicada a norma secundária (Lourival Vilanova). Outra pergunta cabível ao caso em concreto é: qual a conduta descrita como sancionável pela hipótese normativa? Descreve o auto de infração como sendo o "descumprimento da condição essencial prevista nos Atos Concessórios, Guias de Importação e Declarações de Importação, ou seja, a não agregação ao produto exportado dos insumos importados para aquele fim.". Ora, a condição de exportação é condição da conversão da suspensão em isenção. Não ocorrendo a exportação deve ser o pagamento dos impostos como se devidos desde a importação, na forma do art. 319, parágrafo único, do RA. Note-se que, com base na legislação do drawback, impende afirmar que a não exportação é uma previsão aceitável, possível e plenamente lícito, pois expressamente prevista em lei. Portanto, não se pode penalizar uma conduta que a própria lei reconhece como sendo lícita. Diante desse argumentos, entendo inaplicável a penalidade prevista no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85. No que tange à penalidade prevista no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, entendo, da mesma forma, inaplicável ao caso concreto, mas por outros motivos. "Art. 521 - Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (DL n° 37/66, art. 106, LIL IVe V): /-de100% (cemporcento): a) pelo não emprego dos bens de qualquer natureza nos fins ou atividades para que foram importados com isenção ou redução de tributos; b) pelo desvio, por qualquer forma, de bens importados com isenção ou redução de tributos: O Drawback em apreço é um regime aduaneiro especial de suspensão de impostos na importação de insumos que farão parte de produtos destinados à exportação. Se assim, no momento da importação não se verifica automaticamente a isenção ou a redução, institutos para os quais foram criadas as penalidades das alíneas acima mencionadas. No drawback, o importador desembaraça as mercadorias com suspensão dos tributos que somente se convolará em isenção ~ 7. a efetiva exportação desses insumos após o processo de industrialização. C--fL. 4 :i» EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 o próprio Regulamento Aduaneiro em apreço, coloca as isenções no Título lU do Livro U e o drawback no Título I do Livro lU, que cuida dos regimes especiais, cuja disciplina se inicia no art. 249: "Art. 249 - As obrigações fiscais suspensas pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais serão constituídas em termo de responsabilidade firmado pelo beneficiário. " A suspensão, portanto, não exclui a tributação desde o ato da importação, mas suspende a exigência do tributo até que o importador comprove o adimplemento do compromisso assumido quando da concessão do regime especial. Desta forma, entendo que o tipo penal previsto no dispositivo legal não corresponde ao fato verificado no mundo fenomênico, a ponto de implicar o conseqüente pretendido pelo lançamento. Diante disso, acolho os Embargos de Declaração para dar-lhes provimento com o fim de RERRATIFICAR o Acórdão nO.301-31.144, para apreciar a matéria omissa e, nesse ponto, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Oficio para manter as exclusões das penalidades previstas no art. 526, inciso IX, e no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", do Regulame Ad an iro. LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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