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Numero do processo: 10469.720580/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Programa de Integração social - PIS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 31/12/2005. Ementa: PRELIMINAR - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando este atende a todos as formalidades legais e o contribuinte tem acesso à detalhada descrição dos fatos e a todos os elementos e provas que o embasaram. Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Ementa: AGRAVAMENTO DA MULTA. FALSA DECLARAÇÃO. Só cabível quando materializado o ilícito. Declaração prestada ao fisco, quando este pode verificar seu acerto, não tipifica a figura preconizada na doutrina penal. Ementa: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. O CARF não possui competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que toma conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal e não estar sujeito ao rito do Decreto nº 70.235/72. Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. TAXA SELIC. Legitima a aplicação da taxa Selic, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1° de abril de 1995 (art. 13, da Lei n° 9.065/95), Súmula nº 4 do CARF. Ementa: MULTA. SANÇÃO FISCAL. A multa de ofício se revela sanção tributária. Sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal. Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatada a inexistência de declaração obrigatória dos tributos devidos pelo contribuinte, impõe o lançamento com o objetivo de constituir o crédito tributário, art. 142 do CTN.
Numero da decisão: 3403-001.744
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: Contribuição para o Programa de Integração social PIS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 31/12/2005. Ementa: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando este atende a todos as formalidades legais e o contribuinte tem acesso à detalhada descrição dos fatos e a todos os elementos e provas que o embasaram. Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Ementa: AGRAVAMENTO DA MULTA. FALSA DECLARAÇÃO. Só cabível quando materializado o ilícito. Declaração prestada ao fisco, quando este pode verificar seu acerto, não tipifica a figura preconizada na doutrina penal. Ementa: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. O CARF não possui competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que toma conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal e não estar sujeito ao rito do Decreto nº 70.235/72. Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. TAXA SELIC. Legitima a aplicação da taxa Selic, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1° de abril de 1995 (art. 13, da Lei n° 9.065/95), Súmula nº 4 do CARF. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Ementa: MULTA. SANÇÃO FISCAL. A multa de ofício se revela sanção tributária. Sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal. Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatada a inexistência de declaração obrigatória dos tributos devidos pelo contribuinte, impõe o lançamento com o objetivo de constituir o crédito tributário, art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de auto de infração em decorrência da ausência de declaração e o recolhimento das contribuições para o PIS relativo aos períodos de apurações de: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 31/12/2005. Sustenta a recorrente que trata de tributação reflexa decorrente dos mesmos fatos geradores que serviram para apurar Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Imposto de Renda Retido na Fonte face o arbitramento do lucro por falta de apresentação da documentação contábil. Demonstra, também, irresignação da incidência da multa de ofício de 150%. Arguise em preliminar nulidade lançamento por decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF por decorrido mais de 120 dias do início da ação fiscal. Sustenta também a ilegalidade da utilização da Taxa Referencial do sistema de Liquidação e Custódia – Selic. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10469.720580/200796 Acórdão n.º 3403001.744 S3C4T3 Fl. 2 3 Afirma a competência dos Órgãos Colegiados para conhecimento da ilegalidade decretada pelo poder judiciário. Discute a improcedência da representação fiscal para fins penais e multa agravada. O credito tributário foi mantido na integra pelo julgador de piso. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Das preliminares. Em relação ao decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF em razão de ter decorrido mais de 120 dias do início da ação fiscal. Não há como prosperar a sustentação de decurso de prazo do MPF, bem como, argüição de ter decorrido mais de 60 (sessenta) dias sem prorrogação, toda argumentação encontra despojada de suporte fático capaz de causar nulidade do lançamento. A contribuinte foi devidamente cientificada em 21 de setembro de 2007 da designação de outro auditor fiscal para a execução da fiscalização por meio MPF – fl. 02, bem como, d termo de encerramento às fls. 16 e 365. Andou muito bem o julgador de piso quando afirma: “Também no que se refere à argumentação da autuada de que não havia sido cientificada das prorrogações dos MPF e que o demonstrativo das modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, não consta no processo administrativo fiscal, estas igualmente carecem de suporte fático, uma vez que todas as prorrogações de MPF foram cientificadas à contribuinte, conforme se verifica por meio dos "AR" de fls.20 e 369, 31 e 380, 33 e 382, além de haverem sido comunicadas via Internet, conforme determina a Portaria SRF n° 3007, de 2001, art.7°, inciso VIII, estando também informado pela Internet, o quadro de validade de Prorrogação dos MPF, conforme se constata às fls.703 do processo”. Com esses fundamentos deve ser afastadas as preliminares de nulidade. No mérito. Razão alguma assiste a recorrente em sua longa impugnação, peça essa aproveitada como razão do recurso voluntário de aproximadamente 57 (cinquenta e sete) laudas, embora bem redigida, desprovida de conteúdo capaz de abalar o lançamento. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 A sustentação de que trata de lançamento reflexo não procede. O lançamento deuse estritamente com arrimo em notas fiscais de prestação de serviço, cujos demonstrativos elaborados pela fiscalização fazem parte desse processado. Documentos esses obtidos junto aos tomadores de serviços, pela leitura constatase em sua totalidade tratarse de Municípios e Órgãos da Administração Estadual, especificamente do Estado do Rio Grande do Norte. Em relação aos documentos fiscais que serviram para apuração do crédito tributário nenhuma linha de irresignação demonstrou a empresa recorrente, quedouse diante da farta documentação colecionada. Em verdade o que se discuti é o crédito tributário, inexistindo contrariedade há de ter como certo e liquido, motivo pelo qual deve mantido. Tenho como certo a manutenção do crédito tributário, o lançamento se revela consistente e está ancorado em documentos bons, por si só o torna sólido. Quando o contribuinte se queda inerte, deixa de entregar a documentação à fiscalização, essa busca subsídios em documentos obtidos de tomador em sua totalidade Órgãos públicos sem ser contrariado, razão alguma assiste, impõe o dever de lançar de ofício os valores deixados de serem declarados, constituídoos mediante auto de infração. Portanto, a prova produzida pela autoridade fiscal demonstra com precisão a matéria tributável, dando certeza e liquidez do crédito. Assim, deve ser mantida decisão atacada pelos seus próprios fundamentos, não merecendo qualquer reparo. Juros de Mora e Aplicação taxa Selic. Como é de conhecimento comum os juros moratórios têm caráter meramente compensatório e devem ser exigidos inclusive no período em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa pela impugnação administrativa. A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que assim estabelece, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Sabese que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou Fl. 808DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10469.720580/200796 Acórdão n.º 3403001.744 S3C4T3 Fl. 3 5 por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do enunciado das Súmulas nºs 4 do CARF. Portanto, incide sobre os débitos tributários para com a união Federal, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculados com base na Taxa Selic conforme dispõe a Súmula 4 do CARF: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Assim como, é vedado o exame de inconstitucionalidade por força da Súmula CARf nº 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Multa de Ofício. A multa de ofício se revela sanção tributária. Como se sabe a sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal. O descumprimento da entrega de declarações no prazo e forma estabelecida abre as portas para aplicação da penalidade. No caso concreto a reclamação assenta quanto ao reconhecimento por parte da fiscalização de índices que justificasse o agravamento da pena em decorrência do contribuinte ter apresentado declarações de DCTF e ter apresentado DIPJ reiteradamente sem indicação dos valores devidos, bem como, receitas no período. Portanto, nesse ponto tenho que não assiste razão a recorrente, pois o reiteradamente revela estado de sonegação. O fato esse de apresentar declaração e declaração de Imposto de Renda sem indicação de receita e o valor devido das contribuições configura fraude capaz de alimentar imposição pena superior ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 O CARF não detém competência para examinar essa matéria. A representação para fins penais está sujeita a rito próprio, portanto, encontra submetida ao rito previsto pelo Decreto nº 70.235/72. De modo que, deixo de examinar essa matéria em sede recurso. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 810DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002153/99-25
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 21 53 /9 9- 25 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10855.002153/9925 Acórdão n.º 9900000.542 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0248 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0241, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N° 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que deu provimento ao recurso. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0266, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10855.002153/9925 Acórdão n.º 9900000.542 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 07/1989 a 09/1995, fls. 003, e o pedido de restituição foi protocolado em 02/07/1999, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10855.002153/9925 Acórdão n.º 9900000.542 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 02/07/1999, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 02/07/1989 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 02/07/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000138/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: ESPONTANEIDADE. PERDA DOS EFEITOS. A teor do que expressamente destacam as disposições do art. 138 do CTN, a instauração do respectivo procedimento fiscal exclui a espontaneidade das retificações pretendidas pela contribuinte, o que, entretanto, não impede a fiscalização de utilização das informações apresentadas para as providências que se façam necessárias para as apurações fiscais correspondentes. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADES. O Lançamento por arbitramento é hipótese excepcional disponível em nossos sistema tributário nacional, sendo utilizado nas hipóteses em que inexistam elementos alternativos disponíveis à fiscalização. No presente caso, apesar de inúmeras vezes intimada para a apresentação dos documentos fiscais respectivos, a contribuinte teria permanecido inerte, validando-se, assim, a utilização do arbitramento de lucros intentado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Verificando-se nos autos que o fundamento para a qualificação da multa de ofício aplicada é o mesmo utilizado para a aplicação do arbitramento da base de cálculo, inviável se verifica a sua manutenção, evitando-se, assim, a plicação da dupla penalidade pelas mesmas razões.
Numero da decisão: 1301-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: ESPONTANEIDADE. PERDA DOS EFEITOS. A teor do que expressamente destacam as disposições do art. 138 do CTN, a instauração do respectivo procedimento fiscal exclui a espontaneidade das retificações pretendidas pela contribuinte, o que, entretanto, não impede a fiscalização de utilização das informações apresentadas para as providências que se façam necessárias para as apurações fiscais correspondentes. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADES. O Lançamento por arbitramento é hipótese excepcional disponível em nossos sistema tributário nacional, sendo utilizado nas hipóteses em que inexistam elementos alternativos disponíveis à fiscalização. No presente caso, apesar de inúmeras vezes intimada para a apresentação dos documentos fiscais respectivos, a contribuinte teria permanecido inerte, validando-se, assim, a utilização do arbitramento de lucros intentado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Verificando-se nos autos que o fundamento para a qualificação da multa de ofício aplicada é o mesmo utilizado para a aplicação do arbitramento da base de cálculo, inviável se verifica a sua manutenção, evitando-se, assim, a plicação da dupla penalidade pelas mesmas razões.
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Matéria IRPJ Recorrente BABY & KIDS COMERCIO DE ARTIGOS INFANTIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: ESPONTANEIDADE. PERDA DOS EFEITOS. A teor do que expressamente destacam as disposições do art. 138 do CTN, a instauração do respectivo procedimento fiscal exclui a espontaneidade das retificações pretendidas pela contribuinte, o que, entretanto, não impede a fiscalização de utilização das informações apresentadas para as providências que se façam necessárias para as apurações fiscais correspondentes. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADES. O Lançamento por arbitramento é hipótese excepcional disponível em nossos sistema tributário nacional, sendo utilizado nas hipóteses em que inexistam elementos alternativos disponíveis à fiscalização. No presente caso, apesar de inúmeras vezes intimada para a apresentação dos documentos fiscais respectivos, a contribuinte teria permanecido inerte, validandose, assim, a utilização do arbitramento de lucros intentado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Verificandose nos autos que o fundamento para a qualificação da multa de ofício aplicada é o mesmo utilizado para a aplicação do arbitramento da base de cálculo, inviável se verifica a sua manutenção, evitandose, assim, a plicação da dupla penalidade pelas mesmas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Por bem retratar a realidade expressa nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, no que menciona: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo ao anocalendário de 2005, foi lavrado em 01/02/2010 (fl. 167), o auto de infração do Imposto de Renda (fls. 138 a 141), o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 145 a 148), o auto de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 153 a 156) e o auto de infração da Contribuição para o PIS (fls. 161 a 164). O crédito tributário lançado foi de R$ 15.706.289,34 (quinze milhões, setecentos e seis mil, duzentos e oitenta e nove reais e trinta e quatro centavos), conforme abaixo demonstrado: IMPOSTO DE RENDA 2.013.943,72 JUROS DE MORA 1.035.794,40 MULTA PROPORCIONAL 2.265.686,68 TOTAL IRPJ 5.315.424,80 PROGRAMA INTEGRAÇÃO SOCIAL 538.685,26 JUROS DE MORA 285.036,87 MULTA PROPORCIONAL 606.020,86 TOTAL PIS 1.429.742,99 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ LUCRO LÍQUIDO 895.046,51 JUROS DE MORA 460.332,69 MULTA PROPORCIONAL 1.006.927,30 TOTAL CSLL 2.362.306,50 CONTRIBUIÇÃO p/ FINANCIAMENTO S. SOCIAL 2.486.239,94 JUROS DE MORA 1.315.555,23 MULTA PROPORCIONAL 2.797.019,88 TOTAL COFINS 6.598.815,05 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 15.706.289,34 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000138/201017 Acórdão n.º 1301000.897 S1C3T1 Fl. 2 3 2. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 121 a 128), a seguir sintetizados. 3. A Autoridade Fiscal informou que o Contribuinte apresentou para o ano calendário de 2005 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica pelo regime de tributação simplificada pelo lucro presumido (fls. 10 a 18). Informou, também, que a fiscalização se originou de representação fiscal formalizada em decorrência de divergência constatada entre os valores de receita declarados em sua DIPJ/2006/AC2005 e os valores de receita escriturados nos livros fiscais apresentados por ocasião da fiscalização efetuada através do MPFF 08.1.90.002008003008, na qual o Contribuinte deixou de apresentar a escrituração comercial solicitada, o que impossibilitou a realização das 10 verificações preliminares obrigatórias dos tributos IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS e COFINS. 4. Na planilha DEMONSTRATIVO DA RECEITA MENSAL CF. LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS POR ESTABELECIMENTO E POR CFOP, estão apresentados os totais dos valores escriturados nos livros de entradas e saídas da matriz e filiais (0002 a 0013). No quadro resumo de fl. 124, encontrase demonstrada a diferença apurada entre a receita bruta escriturada nos livros fiscais e a receita bruta declarada na DIPJ/06/05, com a adição da receita bruta registrada no livro de saída da filial 000433. 5. A Autoridade Fiscal observa que o Contribuinte foi intimado e reintimado diversas vezes, mas não apresentou os livros e documentos solicitados. 6. O Contribuinte, em 05/05/2009, entregou DCTFs retificadoras com valores alterados para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, que, por já estar sob ação fiscal e sem espontaneidade, não produziram efeitos, conforme legislação citada. 7. Na mesma data, o Contribuinte também entregou DACON retificador, no qual se constatou um valor a maior de R$ 7.288.396,96, que foi presumido como sendo da filial 0014, da qual não foram apresentados os livros solicitados. 8. O Contribuinte foi alertado acerca do arbitramento de lucro em caso de não atendimento às intimações e da não apresentação dos livros e documentos solicitados, além do agravamento da multa de oficio (Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 68 e 69). 9. A base de cálculo apurada consta da tabela de fl. 126 dos autos, com os ajustes e considerações pertinentes, conforme detalhado no citado termo fiscal. 10. Enquadramento legal: IRPJ — arts. 530, III, 532, do RIR/99; art. 16 da Lei n° 9.249/95 e art. 27, I, da Lei no 9.430/96. CSLL — Arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 20 da Lei n° 9.249/95, art. 29 da Lei n° 9.430/96; art. 37 da Lei n° 10.637/02. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 COFINS — Art. 1° da LC n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8° da Lei no 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto n° 4.524/02. PIS — Art. 1° e 3°, da LC no 07/70 ;arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto n° 4.524/02 DA IMPUGNAÇAO 11. Cientificada do auto de infração em 01/02/2010, o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 178 a 196 em 02/03/2010, na qual fez a defesa a seguir sintetizada. 12. Inicialmente, a Impugnante disse que após o início do procedimento fiscal verificou algumas irregularidades em sua contabilidade e transmitiu DCTF’s e DACONs retificadoras. Dessa maneira, a Impugnante, mesmo reconhecendo não poder se beneficiar dos efeitos previstos no art. 138 do CTN, buscava registrar não ter havido dolo contra o Fisco, mas sim a imperfeição de sua contabilidade. Informa que não houve tempo hábil para refazer o livro caixa e o livro de inventário dentro do tempo estipulado, deixando, assim, de apresentálo à Fiscalização. 13. A seguir, a Impugnante defendeu a nulidade dos autos de infração lavrados, argumentando que a apuração da base de cálculo para fins de arbitramento do lucro foi baseada em informações constantes das declarações retificadoras por ela transmitidas, as quais não tem efeito, conforme o previsto no § 2° do art. 11 da IN RFB n° 903/08. 14. Diz a Impugnante que a movimentação financeira da contacorrente de um contribuinte não é critério para a identificação do seu lucro e, assim, é imprestável para a verificação de irregularidades na apuração dos tributos por ele devidos e para justificar a utilização de informações constantes em declarações s que não produziram efeitos. 15. Como as declarações retificadoras foram desconsideradas para fins tributários, não poderiam ser utilizados os seus valores na apuração da base de cálculo, já que são elementos inválidos e levam à nulidade dos autos lavrados. Tratase de erro material na identificação dos critérios para determinação da base de cálculo dos tributos, em violação do disposto no art. 142 do CTN. Cita entendimento doutrinário e do CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais entende a Impugnante serem favoráveis a sua tese. 16. A Impugnante também mencionou que a utilização das informações das declarações retificadoras transmitidas teve como base uma presunção, o que também levaria à nulidade dos autos de infração. 17. Em seguida, a Impugnante defendeu que não cabia o arbitramento de seu lucro, pois estariam à disposição da Fiscalização os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, de modo a permitir a verificação da receita bruta e então apurar o lucro presumido, do qual é a Impugnante optante. 18. Sobre os valores do PIS e da COFINS, defende que devem ser o excluídos de suas bases de cálculo o valor do ICMS por ela pago, citando entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que entende favoráveis a tese defendida. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000138/201017 Acórdão n.º 1301000.897 S1C3T1 Fl. 3 5 19. Para a Impugnante, a multa agravada, no percentual de 112,5%, não se aplica ao caso, pois só é cabível quando o contribuinte não atende as intimações com intuito doloso e esse não é o caso dos autos. As intimações foram respondidas e apenas os livros Caixa e Registro de Inventário não foram refeitos por falta de tempo. Há, também, dúvida na identificação da conduta penalizada em questão, devendo se aplicar o previsto no art. 112 do CTN e reduzir a multa o para 75%. 20. Por fim, requereu a Impugnante o acolhimento da sua pretensão conforme acima exposto. Analisando as razões apresentadas pela contribuinte, entendeu a douta DRJ de origem pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação apresentada, em acórdão assim colacionado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS PRESENTES. Não e nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. PERDA DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. De acordo com a legislação tributária, após o início do procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e fica sujeito às penalidades previstas para as infrações apuradas. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. COFINS. PIS. DEDUÇÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE BASE LEGAL. Não há base legal para a dedução do ICMS (que faz parte do preço do produto vendido e, portanto, integra o faturamento ou receita bruta de vendas) da base de cálculo da COFINS e do PIS. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. De acordo com a legislação tributária, é cabível o agravamento da multa de oficio nos casos em que a intimação para prestar esclarecimentos não é atendida, entendida essa falta como o comportamento do contribuinte que não explica, não elucida, não torna claro ou compreensível o motivo do não atendimento daquilo que é solicitado na intimação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Devidamente intimada a contribuinte da referida decisão no dia 15/09/2010, apresenta ela então, no dia 15/10/2010, o seu competente Recurso Voluntário, repisando todos os argumentos trazidos em sua impugnação, e requerendo, ao final, a reforma da decisão de origem, nos termos e fundamentos ali então apresentados. Em rápida síntese, esse é o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. Conforme se verifica da leitura dos elementos contidos nos autos, tratase da verificação de irregularidades nos registros contábeis/fiscais mantidos pela contribuinte, que, após a instauração do respectivo procedimento fiscal, passou a ser objeto de tentativas de retificação pelo sujeito passivo, buscando assim, em vão, atingir a regularidade de sua condição fiscal. A ineficácia das providências intentadas pela contribuinte, é relevante destacar, decorrem das expressas disposições contidas no Código Tributário Nacional, que, em seu art. 138, assim expressamente enuncia: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A questão relevante verificada no presente feito, decorre da verificação de que, não podendo as declarações retificadoras apresentadas pela contribuinte serem utilizadas a seu favor, com o objetivo de afastamento da aplicação das penalidades correspondentes, pretendia então a contribuinte que as referidas informações fossem “desconsideradas”, não podendo ser, portanto, de forma alguma utilizada pela Fazenda. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000138/201017 Acórdão n.º 1301000.897 S1C3T1 Fl. 4 7 Ocorre que, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, a vedação contidas nas disposições de regência, na verdade, atuam em seu desfavor, excluindo a espontaneidade após a instauração do procedimento fiscal, mas admitindo, a este, o acesso a todo e qualquer tipo de informação disponibilizada pela contribuinte para fins de apuração da efetiva verdade material da relação tributária. Nessas circunstâncias, a pretensão deduzida pela recorrente, no sentido de ver afastada a possibilidade de utilização das informações por ela “espontaneamente” apresentadas, de fato, não possui qualquer substrato legal, a garantir o sucesso da tese. Não bastasse, verificase ainda nos registros contidos nos autos, que, apesar de reiteradamente intimada para o oferecimento à fiscalização dos correspondentes registros contábeis de que deveria dispor, a contribuinte permaneceu inerte e silente, tentando, em vão, obstar a atuação da fiscalização. A partir dessas circunstâncias, e, tendo em vista a completa impossibilidade de obtenção das respectivas informações fiscais necessárias para a verificação das circunstâncias específicas relativas à regularidade das atividades por ela efetivadas, mesmo sendo repetidas vezes intimada, possibilitase à fiscalização, mesmo que em caráter excepcionalíssimo, a opção pelo arbitramento dos valores respectivos, o que, como se verifica, fora efetivamente utilizado. A respeito da válida possibilidade de aplicação do arbitramento pelas autoridades fiscais, relevante se faz o destaque às expressas disposições do art. 148 do CTN, que, sobre o assunto, inclusive, assim expressamente destaca: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Diante dessas circunstâncias, na hipótese excepcional apresentada nos presentes autos, verificase a regularidade da atuação fiscal que, somente após reiteradas intimações com solicitações de informações à contribuinte, utilizase, como elemento extremo, do lançamento por arbitramento, nos termos e limites expressamente previstos em nosso ordenamento jurídico pátrio. Em que pese todas as considerações apresentadas, entretanto, entendo que, especificamente em relação à determinação de qualificação da penalidade pecuniária apontado, assiste razão à recorrente, merecendo reparos, assim, a decisão exarada. Analisando os elementos dos autos, conforme aqui antes já apontado, verificase que, para a apuração do montante respectivo, com base na não apresentação da documentação fiscal respectiva pela contribuinte, a autoridade fiscal adotou o procedimento específico de arbitramento da base de cálculo, o que, só por si, já representa efetivo agravamento na apuração do montante, nos termos até então aqui admitidos. Ocorre que, sendo esse o fundamento para a aplicação do arbitramento pretendido, efetivamente, não pode, também por essa razão, ser mantida a qualificação da Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 multa aplicada, sob pena de se estar a admitir, aqui, a aplicação de dupla penalidade pela mesma falta. Diante dessas razões, entendo pela necessidade de afastamento da qualificação da multa aplicada, devendo ela, assim, ser aplicada em seu montante regular, nos termos do Art. 44, I da Lei 9.430/96. Em face a todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, determinando a desqualificação da multa aplicada e mantendo a decisão, assim, em todos os seus demais elementos. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.723041/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF.
É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária.
RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs.
A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude).
EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
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LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 30 41 /2 01 1- 09 Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 3 2 A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro e outubro de 2009, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a retificação fraudulenta de DCTFs zerando os débitos tributários originalmente declarados, consform descrito no Relatório Fiscal de fls. 1.558/1.584. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: Em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: QUE o Auto de Infração parte de premissa falsa ao incluir o impugnante dentro do esquema ilícito doloso que objetivava a Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 4 3 redução de tributos, pois foi vítima de quadrilha especializada (fls. 1591/1592). QUE a motivação da contratação de empresa especializada em assessoria tributária era para a apuração dos débitos e revisão de suas exigibilidades, como a extinção pela compensação/pagamento de débitos apurados com créditos escriturais específicos da Receita Federal (fl. 1592/1593). QUE não poderia imaginar o impugnante que a realização do trabalho acordado seria feita de forma ilícita, não convencional, à margem do procedimento fiscal correto e do contrato celebrado (fl. 1593). QUE o indivíduo que transmitiu as DCTFs retificadoras, Sr. Cláudio Alexandre, disse que o objetivo era a obtenção de CND – Certidão Negativa de Débitos, sendo que não houve solicitação do impugnante de expedição de qualquer tipo de certidão (fl. 1594). QUE inicialmente a sua posição de isentar a MP Consultoria não foi nenhuma demasia, tendo em vista a falta de elementos mais concretos dos ilícitos; somente após ter noção de toda a extensão das irregularidades que concluiu pelo envolvimento da MP Consultoria com o ilícito e pela máfé da contratada (fl. 1596). QUE o impugnante não obteria nenhum benefício se estivesse envolvido nas irregularidades, pois na época o valor total da sua dívida era de mais de setenta milhões, não fazendo sentido a empresa buscar economia por via tortuosa de menos de 10% do débito tributário – aproximadamente 4 milhões de reais (fl. 1597). QUE diante dos elementos que constam nos autos se evidencia que a empresa foi vítima de quadrilha de estelionatários, e, portanto, é demasiado o enquadramento do Auto de Infração em multa qualificada de 150%, invocando o art. 112, do Código Tributário Nacional – interpretação da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida (fl. 1598). QUE o procedimento investigativo fiscal, ao tomar informações financeiras dos investigados pela DIMOF, contaminou com vício insanável as provas, como se depreende da atual jurisprudência do STF (fls. 1600/1601). A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1034.746, de 06/10/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 5 4 Correta a constituição de crédito tributário, mediante lançamento de ofício, para a exigência de tributo que deixou de ser recolhido e declarado em DCTF. Não há discussão do crédito tributário se os valores apurados na fiscalização estão de acordo com os livros fiscais e contábeis da empresa. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O intuito de fraude com base em esquema ilícito alicerçado em contrato com assessoria tributária com o objetivo de não cumprimento de obrigações tributárias, e com a informação da inexistência de contribuição devida, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. Percentual de multa de 150% previsto legalmente. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização não se fala em denúncia espontânea a apresentação de novos demonstrativos ou declarações por parte do contribuinte. DIMOF. NULIDADE. NÃO CABIMENTO. A DIMOF é uma declaração para uso da própria Receita Federal e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessa informação em procedimento investigativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO. Correta a constituição de crédito tributário, mediante lançamento de ofício, para a exigência de tributo que deixou de ser recolhido ou declarado em DCTF. Não há discussão do crédito se os valores apurados na fiscalização estão de acordo com os livros fiscais e contábeis da empresa. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O intuito de fraude com base em esquema ilícito alicerçado em contrato com assessoria tributária com o objetivo de não cumprimento de obrigações tributárias, e com a informação da inexistência de contribuição devida, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. Percentual de multa de 150% previsto legalmente. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização não se fala em denúncia espontânea a apresentação de novos demonstrativos ou declarações por parte do contribuinte. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 6 5 DIMOF. NULIDADE. NÃO CABIMENTO. A DIMOF é uma declaração para uso da própria Receita Federal e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessa informação em procedimento investigativo fiscal. Ciente desta decisão em 07/12/2011 (AR de fl. 1.760/1.761), a interessada ingressou, no dia 29/12/2011, com o recurso voluntário de fls. 1.762/1.770, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumidos. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a recorrente apresentou DCTFs retificadoras, do período objeto da autuação, zerando o valor do PIS e da COFINS informados das declarações originais. A operação foi detectada pela RFB e instaurado procedimento fiscal para a sua apuração. O trabalho fiscal desenvolvido está bem descrito no Relatório Fiscal, integrante do auto de infração. Em seu protesto, a empresa autuada, basicamente, alega que as retificações das DCTF foram feitas sem o seu conhecimento e autorização, se constituindo em um golpe contra ela aplicado pelo conjunto de pessoas envolvidas na operação, pleiteando, ao final, o direito de declarar os débitos novamente e o cancelamento da autuação ou, no mínimo, a redução da multa que fora majorada indevidamente. O litígio instaurado não envolve o valor das contribuições lançadas, restringindose à questão da responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTFs. Sobre a alegação de nulidade do lançamento por ter os agentes do Fisco utilizado informações da Dimof para demonstrar movimentações financeiras das pessoas arroladas na investigação, não há nenhum óbice para a utilização dos dados da Dimof com esta finalidade, ainda mais que os valores movimentados não serviram de base para efetuar lançamento de tributos, embora também não exista vedação neste sentido. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. Sobre o mérito, ou seja, a responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTF, não há nenhuma dúvida de que este fato ocorreu. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 7 6 Quanto à responsabilidade da recorrente, a decisão recorrida faz uma descrição impecável sobre o envolvimento da recorrente no esquema ilícito doloso, que ratifico, para concluir pela manutenção da majoração da multa de ofício, nos seguintes termos: Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, quando concluímos pela responsabilidade da empresa no esquema detalhado no item anterior. Uma vez que as provas carreadas aos autos evidenciam a conduta fraudulenta com a participação do contribuinte, no sentido de se utilizar de esquema com o objetivo de impedir o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência do fato gerador. Eis o fundamento legal do art. 44: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 1º. O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (redação dada pela Lei nº 11.488/2007) O impugnante em sua defesa se restringe a alegar que teria sido vítima do esquema ilícito, o que em nosso entender não é crível, visto ter sido o responsável pela contratação dos serviços na busca da extinção dos débitos tributários. Não há dúvidas de que a empresa queria o resultado ilícito, ou seja, a extinção de seus débitos tributários, o que só poderia ocorrer de forma irregular, e assumiu o risco quando contratou os serviços da MP Consultoria, sem, conforme a sua versão, ter conhecimento de como a contratada iria proceder essa extinção. Como consta no relatório fiscal, o Código Penal em seu art. 18, inciso I, preceitua que há dolo “quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. O que nos leva a convicção de ser exatamente que ocorreu nesse caso. A tipificação da Lei nº 4.502/64 é caracterizada em seu art. 72 que trata de fraude: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Como se verifica, a figura jurídica de que se trata consiste na prática de ato doloso com a intenção de impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 8 7 Dessa forma, como a conduta descrita pela fiscalização caracteriza o intuito de fraude, pela tentativa do contribuinte de se furtar à tributação mediante o artifício de apresentação de declarações totalmente “zeradas”, como se não estivesse auferindo receitas, deve ser mantida a multa de 150%, eis que condizente com a legislação que rege a matéria. Uma vez que, diante dos elementos constantes dos autos, não existe dúvida quanto à capitulação legal dos fatos, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade e à penalidade aplicável, ou à sua graduação, não cabe a aplicação do disposto no artigo 112 do CTN, como requer o impugnante. Por fim, a representação fiscal para fins penais foi formalizada através do processo nº 11065.723046/201123 No recurso voluntário a empresa autuada não trouxe nenhum fato novo ou prova nova capaz de infirmar o apurado pela Fiscalização e o acima dito pela decisão recorrida. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida. Sobre o pedido para cancelar as declarações retificadoras e fazer uma reconstituição dos débitos, como bem disse a decisão recorrida, não pode ser atendido em face do que dispõe o art. 138, Parágrafo Único, do CTN, e o art. 7º do Decreto nº 70.235/72, transcritos na decisão recorrida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 17883.000144/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
PRELIMINAR. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
Em atenção ao enunciado nº 9 da Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes, é válida a intimação do contribuinte desde que enviada, com aviso de recebimento, ao seu domicílio fiscal, ainda que o aviso de recebimento tenha sido assinado por terceiros. A data de recebimento constante do AR deve ser a data considerada para fins de cômputo do prazo para Impugnação.
Numero da decisão: 2102-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. Em atenção ao enunciado nº 9 da Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes, é válida a intimação do contribuinte desde que enviada, com aviso de recebimento, ao seu domicílio fiscal, ainda que o aviso de recebimento tenha sido assinado por terceiros. A data de recebimento constante do AR deve ser a data considerada para fins de cômputo do prazo para Impugnação.
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INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. Em atenção ao enunciado nº 9 da Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes, é válida a intimação do contribuinte desde que enviada, com aviso de recebimento, ao seu domicílio fiscal, ainda que o aviso de recebimento tenha sido assinado por terceiros. A data de recebimento constante do AR deve ser a data considerada para fins de cômputo do prazo para Impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 44 /2 00 6- 74 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 60/73 para exigência de IRPF em razão da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, nos exercícios de 2002 e 2003. O crédito tributário então exigido somou R$ 60.210,55 (já incluídos aí a multa, os juros e a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão). Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 76/99, por meio da qual alegou, em síntese, que: tomara ciência do auto de infração em 08/11/2006, de forma que o prazo final para interposição de impugnação terminaria em 08/12/2006; manteve vinculo laborativo com organismo internacional (UNESCO), e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, e em doutrina, estaria isenta do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do referido organismo; seria lógico e razoável que se reconhecesse a realidade dos fatos para efeito de efetivação das garantias e direitos fundamentais da contribuinte; houve violação aos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva quando do lançamento das multas consignadas no auto de infração; o tributo lançado teve efeito de confisco sobre a renda da contribuinte, dando azo à inconstitucionalidade insanável, devendose reformar o ato administrativo; o auto de infração deveria ser anulado, pois está eivado de ilegalidades e inconstitucionalidades. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ no Rio de Janeiro decidiram por não conhecer da Impugnação, em razão de sua intempestividade. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 146/171, por meio do qual reiterou os argumentos de mérito expostos em sua Impugnação, e trouxe preliminar defendendo a tempestividade da Impugnação, nos seguintes termos: Ab initio, ressaltase que a notificação a que se reporta a Fazenda não se operou na pessoa da recorrente, que, pela natureza e gravidade do fato, deveria ter sido cientificado do processo pessoalmente. Sem a notificação pessoal, diante de terceiros sem vinculo com a relação jurídica material, temse, pois, como inválido o ato notificatório. Além de inválido o ato, também é constrangedor, na medida em que a notificação se consubstanciou perante terceiros. Nesse diapasão, resulta evidenciada a nulidade do julgado que considerou intempestiva a impugnação, eis que a recorrente, de fato, foi cientificada da carta intimatória tãosomente no dia 08.11.2006. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000144/200674 Acórdão n.º 2102002.407 S2C1T2 Fl. 184 3 A Regional julgadora, ante ao nãorecebimento de notificação pessoal —que é um direito consagrado — deveria aceitar como certa a data manifestada pela recorrente, sob pena de ofensa ao principio da legalidade. Dada a flagrante ausência de intimação pessoal, presumese verdadeira a alegação da recorrente, motivo em virtude do qual requerser a declaração de nulidade do Acórdão n. 13.28.236 — 3' Turma da DRJ/RJ2, no que tange declaração de intempestividade. Em sendo assim, os autos deverão ser restituidos e Regional de origem, a fim de que enfrente as razões de mérito. Pugnou ainda pelo reconhecimento da nulidade de sua notificação da recorrente, com a devolução do feito é Regional de origem, a fim de que enfrentasse as razões de mérito. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 04/05/2010, como atesta o AR de fls. 145. O Recurso Voluntário foi interposto em 25.05.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute lançamento para exigência de IRPF em razão da indevida classificação de rendimentos nas DIRPF apresentadas pela Recorrente para os Exercícios 2002 e 2003. Ofertada a Impugnação, a decisão recorrida decidiu por não conhecêla, utilizandose para tanto dos seguintes argumentos: Ressaltese, ainda, que domicilio tributário é o endereço postal eleito pelo(a) contribuinte junto A. Secretaria da Receita Federal e não se confunde, necessariamente, com a residência do contribuinte. Portanto, há que se considerar que a impugnante tomou ciência da notificação de lançamento ora discutida, conforme AR de fls. 74, na data de 06/11/2006, e não em data posterior, de modo que o prazo para impugnação passou a fluir a partir dessa data. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Da análise aos autos, constatase que a interessada apresentou sua impugnação na data de 08/12/2006, conforme protocolo de fls. 76. Confrontandose a data de ciência do lançamento (AR de fls. 74), qual seja, 06/11/2006, com a data de 08/12/2006, concluise que a impugnação ora apresentada é intempestiva, uma vez que protocolizada após trinta dias da data da ciência do lançamento em discussão. Portanto, uma vez expirado o prazo legal de até trinta dias para instauração do contraditório, .a defesa apresentada não caracteriza impugnação e, tampouco, instaura a fase litigiosa do processo. Por essa razão, o mérito das alegações por ventura nela veiculadas não comporta julgamento de primeira instância. Com efeito, o AR de fls. 74 demonstra que o Auto de Infração foi recebido no endereço da Recorrente no dia 06.11.2006. O endereço lá constante era exatamente aquele indicado pela própria Recorrente em sua Impugnação, de forma que estava correto. Afirma a Recorrente que a referida intimação não se deu no dia 06.11.2006, mas sim em 08.11.2006, data em que ela teve ciência pessoal do mencionado lançamento. Seu pedido, porém, vai de encontro ao disposto no Enunciado nº 9 da Súmula deste CARF, segundo o qual: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em obediência ao art. 53 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deve ser afastada a pretensão da Recorrente, considerandose como válida sua intimação no dia 06.11.2006. Assim sendo, temse que o prazo de 30 dias para oferecimento da Impugnação findaria em 06.12.2006 – exatamente como constou da decisão recorrida. Tendo a Recorrente apresentado sua Impugnação após este prazo (em 08.12.2006), está correta a decisão recorrida que deixou de conhecêla por intempestividade. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13746.000935/2002-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio.
Numero da decisão: 3301-001.501
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso e face de acórdão da DRJ de que julgou parcialmente procedente o auto de infração decorrente de auditoria em DCTF do período de apuração de 01/10/97 a 31/10/97, tendo em vista a ocorrência “proc jud não comprova”. Segundo consta do acórdão recorrido, com a impugnação a interessada apresentou cópia da sentença da Ação Ordinária relativa ao processo nº 94.00136943 (ao invés de 97.00136943, declarado na DCTF), entretanto o referido crédito tributário não se encontrava com sua exigibilidade suspensa, tendo em vista que somente em 17/04/1998, ocorreu o trânsito em julgado da decisão do TRF da 2ª Região, reconhecendo a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88. A decisão recorrida manteve a exigência, contudo exonerou a Recorrente do pagamento da multa de ofício, com fulcro na retroatividade benigna, com fundamento no art. 18, da Lei nº 10.833/2003, conforme inferese da ementa a seguir reproduzida: Cientificada em De acordo com os documentos juntados aos autos, a Recorrente ingressou em 02/05/94, com a Ação Ordinária de Repetição de Indébito, nos autos do processo nº 97.02.237084, cuja respectiva v. sentença foi publicada em 10/10/96 (certidão à fl. 204, do processo digitalizado), na qual foi declarada a inconstitucionalidade dos mencionados DecretosLeis, condenando a União a restituir às diferenças relativas às majorações introduzidas na cobrança do PIS, in verbis: Cientificada em 11/07/2011 (AR – fl. 49, do processo digital), foi interposto o recurso voluntário de fls. 69 e seguintes, em 09/08/2011, aduzindo, em síntese, que apesar de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13746.000935/200294 Acórdão n.º 330101.501 S3C3T1 Fl. 266 3 ter ocorrido erro quanto ao número do processo no preenchimento da DCTF (transmitida em 03/02/98), de modo que o processo correto era 94.00136943, junto à 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, cuja sentença foi proferida em 10/09/96, e o acórdão do TRF da 2ª Região em 16/09/97 (trânsito em julgado em 17/04/98), assim sendo, quando da transmissão da DCTF (03/02/98) poderia realizar a compensação, nos termos do art. 66, da Lei nº 8.383/91. Com a finalidade de demonstrar a certeza do procedimento adotado por ela, cita a Súmula nº 15, do CARF: É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades necessárias à sua admissibilidade, por isso dele conheço. No presente processo cuidase de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro (II), que julgou parcialmente procedente o auto de infração decorrente de auditoria em DCTF, transmitida em 03/02/98, constando a compensação do crédito tributário relativo ao PIS/Pasep do período de apuração de 01/10/97 a 31/10/97, utilizandose para tanto, o indébito do próprio PIS/Pasep recolhido sob à égide dos inconstitucionais Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, amparado em sentença proferida na Ação Ordinária de Repetição de Indébito objeto do processo nº 94.00136943, proferida pela 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, proferida em 16/09/97, publicada em 10/10/96, com o trânsito em julgado ocorrendo tão somente em 17/04/98. De acordo com a decisão recorrida o contribuinte, ora Recorrente, trouxe aos autos cópia da Sentença (fls. 11/13) exarada na Ação Exordial nº 94.00136943 (ao invés de 97.00136943, conforme constou da DCTF). Ora, o simples erro de fato quanto ao ano do processo não quer dizer que o processo não foi comprovado. Logo, a decisão recorrida julgou improcedente a impugnação sustentando que o crédito tributário não se encontrava com a exigibilidade suspensa, visto que não houve a comprovação do processo (“proc jud não comprova”), todavia, o processo não só existe como está devidamente comprovado nos autos, a saber o processo nº 94.00136943, que tramitou pela 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, conforme documento de fls. 11/13. Encontrado o processo, porque juntado aos autos pela Recorrente, a decisão recorrida sustenta que o decisum era tãosomente para a repetição dos pagamentos efetuados a maior, logo, não estava autorizada a promover as compensações pleiteadas. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Portanto, a contribuinte apresentou impugnação com argumentos generalistas juntando documentos comprobatórios da existência de ação judicial. Em nenhum momento anterior ao auto de infração houve notificação à contribuinte sobre as divergências inicialmente apuradas, conforme exige o art. 142 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, acrescentando o seu parágrafo único que “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por vício formal, caracterizado pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício detectado no auto de infração, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. A realização de diligências após o lançamento, em primeiro lugar deveria estar consubstanciada em determinação da autoridade superior, o que não se encontra nos autos. Outrossim, uma vez pronto e impugnado o auto de infração, a autoridade lançadora não tem mais competência para alterálo, como tentou fazer, ainda que em decorrência das razões trazidas pela impugnante que, para se defender daquilo que não tinha conhecimento, obrigouse a apresentar argumentos genéricos e não correspondentes à fundamentação legal e descrição contidas no auto de infração. Contudo, há que se lembrar que é vedado por lei a alteração do lançamento anterior, a título de “revisão”, só para mudar o critério jurídico adotado no lançamento primitivo. O que vejo na decisão proferida pela DRJ é que ao invés de anular o auto de infração a partir do momento que ficou comprovada a existência da ação judicial indicada pela contribuinte em sua DCTF, para, então, proceder ao lançamento pelos fundamentos jurídicos corretos, na tentativa de “validar” o auto de infração, simplesmente modificouse o critério jurídico. Relativamente à mudança de critério jurídico, peço vênia para introduzir parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Neicyr de Almeida, (Ac. 10320.441) que assim dispõe: “Ainda sobre a temática, importa trazer à lume as lições sempre atuais do ínclito tributarista Rubens Gomes de Souza, na percepção aguda do ilustrado mestre Souto Maior Borges, in Lei Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13746.000935/200294 Acórdão n.º 330101.501 S3C3T1 Fl. 267 5 Complementar Tributária, São Paulo, Ed. Rev. dos Tribs., 1975, acerca da melhor exegese do artigo 146 do C.T.N.: Antecipandose à vigência do CTN, Rubens Gomes de Souza ensinou que se o fisco, mesmo sem erro, tiver adotado uma conceituação jurídica e depois pretender substituíla por outra, não mais poderá fazêlo. E não o poderá porque, se fosse admissível que o fisco pudesse variar de critério em seu favor, para cobrar diferença de tributo, ou seja, se à Fazenda Pública fosse lícito variar de critério jurídico na valorização do “fato gerador”, por simples oportunidade, estarseia convertendo a atividade do lançamento em discricionária, e não vinculada.” Outrossim, somente para complementar o raciocínio, ao modificar o critério jurídico estaria a DRJ a constituir um novo auto de infração com outra motivação. Em face do exposto, e diante da manifesta omissão quanto às formalidades legais ou pela mudança de critério jurídico, voto no sentido de declarar a NULIDADE do auto de infração ab initio. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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7812627
# Numero do processo: 10680.009820/2004-41
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
A perícia visa à formação da convicção do julgador devendo ser indeferido o pedido quando a autoridade julgadora entender prescindível.
COFINS. DECADÊNCIA.
Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou
inconstitucional o art. 45 da Lei n°, 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional.
Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a
inconstitucionalidade do § 1° do art. 3º da Lei nsi 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN.
Ainda que a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins deva ser apurada com base no regime de competência e não de caixa, a edição das IN SRF n° 40/89 e 41/89, possibilitou a utilização do mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Assim, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, deve ser excluída a multa de oficio, referente a este tópico.
COFINS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES.
As empresas consorciadas, na forma da Lei no 6.404, de 1976, são
contribuintes da Cofins, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ.
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos
demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.131
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I — por unanimidade de votos cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, em razão da decadência; II - por unanimidade de votos excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; III - em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de oficio, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas referente às SCP's em que a EGESA é sócia oculta.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia visa à formação da convicção do julgador devendo ser indeferido o pedido quando a autoridade julgadora entender prescindível. COFINS. DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n°, 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3º da Lei nsi 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. Ainda que a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins deva ser apurada com base no regime de competência e não de caixa, a edição das IN SRF n° 40/89 e 41/89, possibilitou a utilização do mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Assim, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, deve ser excluída a multa de oficio, referente a este tópico. COFINS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES. As empresas consorciadas, na forma da Lei no 6.404, de 1976, são contribuintes da Cofins, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I — por unanimidade de votos cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, em razão da decadência; II - por unanimidade de votos excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; III - em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de oficio, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas referente às SCP's em que a EGESA é sócia oculta.
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Numero do processo: 13808.000515/2001-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas na fl. 24.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas na fl. 24. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1796; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 10 1 9 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000515/200155 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.744 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas na fl. 24. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 05 15 /2 00 1- 55 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo ao 4º Trimestre de 2000, protocolado em 02/02/2001, cumulado com diversas declarações de compensação. Por meio do Despacho Decisório DRF/SJR/SP nº 038/2009, lastreado nas constatações da Informação Fiscal de fls. 51/54, o pedido de ressarcimento foi indeferido, pois o contribuinte não teria apresentado os livros fiscais e demais documentos solicitados, a fim de que a fiscalização pudesse aferir a legitimidade dos créditos. Em sede de manifestação de inconformidade alegou basicamente o seguinte: 1) apresentou ao Fisco todos os livros exigidos para o reconhecimento do crédito e informou que alguns foram apreendidos pelos Fiscos Federal e Estadual; 3) cumpriu a exigência de entrega dos livros e justificou a não apresentação daqueles que não estão em seu poder; 4) o fato de não ter apresentado alguns livros por terem sido apreendidos não pode impedir o reconhecimento do direito ao crédito e à compensação; 5) o Fisco não nega o direito de crédito, apenas exige para verificação documentos que não estão em poder do contribuinte. Assim, de certa forma o direito de crédito foi reconhecido; e 6) o direito de compensar se origina da Constituição e não pode ser cerceado pela autoridade administrativa a pretexto de estabelecer condições para a compensação. Por meio do Acórdão nº 29.251, de 26/05/2010, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto indeferiu a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação do pleito formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento.” Regularmente notificado o Acórdão de primeira instância em 11/08/2010, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 100/117 em 01/09/2010. Alegou, em síntese, o seguinte: 1) teve grande parte de seus livros apreendidos pelos Fiscos Federal, Estadual e Municipal, fato que o impediu de atender integralmente as intimações; 2) a compensação é um direito do contribuinte oponível ao Estado. Se há crédito do contribuinte, não se pode por puro formalismo indeferir o direito, existindo elementos suficientes para concedêlo. A única condição estabelecida pela Lei nº 8.383/91 é que a compensação seja efetuada entre tributos da mesma espécie; 3) a documentação entregue pelo contribuinte é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado; 4) tem direito ao ressarcimento porque o deferimento de pedidos em pleitos anteriores caracteriza prática reiterada da Administração, a teor do art. 100, II e III do CTN; 5) diante da prática reiterada da Administração ter concedido créditos anteriores, há que prevalecer o princípio da segurança jurídica, confiança, boafé e razoabilidade, que vinculam o Fisco ao contribuinte; 6) a fiscalização não analisou nenhuma documentação entregue pela recorrente, a qual é mais do que suficiente para comprovar a existência dos créditos ora discutidos. Requereu a reforma do Acórdão recorrido para que seja reconhecido o direito ao ressarcimento pretendido e homologadas as compensações. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para a efetiva análise de toda documentação trazida pelo contribuinte aos autos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.000515/200155 Acórdão n.º 3403001.744 S3C4T3 Fl. 11 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele todo conhecimento. Conforme se verifica nos autos, o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI foi feito com base na Lei nº 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97. O indeferido foi motivado no fato da não apresentação por parte do contribuinte de uma parte dos documentos fiscais necessários à aferição da legitimidade do valor pleiteado. Verificase nas fls. 33/36, 39/42 e 45/48, que a fiscalização intimou por três vezes o contribuinte a apresentar os Livros de Registro e Apuração do IPI, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário, notas fiscais de aquisição de insumos e de saídas, além de outras informações necessárias à aferição dos pedidos de ressarcimento de crédito, como a memória de cálculo do crédito presumido aproveitado pela empresa. Na resposta à primeira intimação (fl.38) o contribuinte entregou apenas o Livro de Registro e Apuração do IPI dos anos de 1998, 1999 e 2000; o Registro de Inventário de 1998; o Registro de Entradas de 1998, 1999 e 2000; o Registro de Saídas de 1998, 1999 e 2000. A Fiscalização ressalvou na fl. 38 que esses livros atendiam apenas parcialmente o que fora solicitado na intimação de fls. 33/36, pois além de se referirem apenas ao estabelecimento matriz (000154), os demais documentos e informações solicitados não foram entregues pelo contribuinte. Na segunda intimação (fls. 39/42) a fiscalização reiterou a requisição anterior, informando ao contribuinte que: 1) só foram atendidos entregues os livros relativos aos itens “2”, “3” e “5 a” da primeira intimação; 2) os Livros de Registro e Apuração do IPI apresentados (anos de 1998 a 2000) não atenderam o princípio da autonomia dos estabelecimentos; 3) foi emitida autorização para o reexame do processo nº 13807.001788/200399, relativo ao pedido de ressarcimento do crédito presumido do 3º trimestre de 2002. O contribuinte foi então intimado a apresentar os elementos faltantes e também a apresentar os Livros de Registro e Apuração do IPI referentes ao período de 01/10/1998 a 31/12/2001 escriturados por cada um dos estabelecimentos que apuraram IPI no período, bem como a documentação pertinente às verificações do 3º trimestre de 2002. Na fl. 44 consta um despacho do AuditorFiscal incumbido do procedimento concedendo ao contribuinte: a) prazo adicional de 10 dias para a apresentação dos Livros de Registro e de Apuração do IPI escriturados por estabelecimento e para a apresentação dos documentos e informações faltantes (itens “4”, “5b”, “5c”, “5d”, “5e”, “6 a” e “6b” da primeira intimação); e b) prazo adicional de 20 dias para apresentação dos itens 8, 9, 10 e 11 da segunda Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 intimação (esses itens se referem ao ano de 2002, estando relacionados com o reexame do processo nº 13807.001788/200399, relativo ao crédito presumido do 3º trimestre de 2002). Tendo em vista que o contribuinte, mesmo após a concessão dos prazos adicionais não se manifestou, foi emitida a terceira intimação (fls. 45/48) reiterando os pedidos anteriores. Na fl. 50 existe novo despacho do AuditorFiscal concedendo prazo até o dia 01/04/2009 para a apresentação dos livros e documentos faltantes. Foi ressalvado que, ao contrário do que foi afirmado pelo contribuinte no pedido de prorrogação de prazo, somente haviam sido entregues os livros relativos ao estabelecimento matriz, não tendo sido apresentados quaisquer outros documentos solicitados nas três intimações anteriores. Entre a data da ciência da primeira intimação (07/11/2008, fl. 37) e o dia 01/04/2002, termo final da prorrogação de prazo concedida pelo Exator, fluíram 143 dias e o contribuinte não apresentou nem os Livros de Apuração do IPI escriturados por estabelecimento e, tampouco, as notas fiscais de entrada e saída, a relação de insumos adquiridos, a memória de cálculo do crédito presumido aproveitado e as demais informações solicitadas, necessárias à aferição do valor pleiteado. Ao contrário do alegado, as exigências da fiscalização não significam a criação de obstáculos ao direito de compensação. No caso concreto, estamos diante de um pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação. Foi o contribuinte quem se dirigiu à Administração Tributária para requerer o direito que alegou possuir. Portanto, é seu o ônus da prova do direito alegado, a teor do art. 36 da Lei nº 9.784/99. É improcedente a alegação da defesa no sentido de que a Receita Federal teria apreendido os livros da empresa, pois o contribuinte não apresentou nenhum termo de retenção ou de apreensão para comprovar quando e quais livros teriam sido apreendidos. Se o contribuinte tivesse comprovado, mediante a apresentação do termo de retenção ou de apreensão, que os livros estavam mesmo em poder da Receita Federal ou em qualquer outro órgão administrativo, seria o caso deste Colegiado atender ao pedido subsidiário da recorrente e converter o julgamento em diligência, pois seria cabível a aplicação do art. 37 da Lei nº 9.784/99. Mas como a defesa não se desincumbiu do ônus de provar o fato alegado da apreensão dos livros, não cabe deferir o pedido de diligência. Também não tem nenhum fundamento a alegação no sentido de que os documentos apresentados seriam suficientes à aferição da legitimidade do pleito, pois foram apresentados apenas os livros do estabelecimento matriz. E mesmo assim, quanto aos Livros de Registro e Apuração do IPI, a fiscalização constatou que não foram escriturados de forma segregada por estabelecimento, fato que viola o art. 57 da Lei nº 4.502/64. Uma coisa é a obrigação da escrituração fiscal ser segregada por estabelecimento (art. 57 da Lei nº 4.502/64) e outra coisa completamente distinta é a obrigação do estabelecimento matriz apurar o crédito presumido e forma centralizada (art. 15, II da Lei nº 9.779/99). Do fato de o estabelecimento matriz ser obrigado a centralizar os pedidos de ressarcimento do crédito presumido, não decorre que ele também deva centralizar a escrituração do imposto. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.000515/200155 Acórdão n.º 3403001.744 S3C4T3 Fl. 12 5 A apresentação isolada dos livros da matriz, sem que viessem acompanhados das notas fiscais que deram suporte à escrituração e ao cálculo do crédito presumido é insuficiente para a aferição da legitimidade do pleito. A defesa apenas alegou que tem direito ao crédito pleiteado para utilizálo na compensação, mas em momento algum comprovou a legitimidade do valor pleiteado. Nem sequer comprovou a alegação de que os livros foram de fato apreendidos por algum órgão governamental. A compensação declarada nos autos só pode ser homologada mediante prova do contribuinte no sentido de que o crédito requerido é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor solicitado, pois sem a comprovação desses requisitos, não existe direito à compensação, a teor do art. 170 do CTN. O contribuinte alegou que seu direito ao crédito e à compensação não podem ser obstaculizados por exigências que consubstanciam mero formalismo. Ora, o caso concreto versa acerca de um pedido de ressarcimento de crédito presumido da ordem de R$ 290.000,00. Não se trata de mero formalismo exigir do contribuinte a apresentação de livros e documentos que comprovem a legitimidade do crédito requerido. O contribuinte não vai obter R$ 290.000,00 da Administração Pública sem apresentar a documentação hábil à comprovação da certeza e da liquidez deste valor. Por fim, cabe ressaltar que o deferimento de pedidos de ressarcimento anteriores não gera direito adquirido ao deferimento de pedidos posteriores e nem configura uma prática reiterada da Administração. As práticas reiteradas da Administração, mencionadas no art. 100, III, do CTN, são, na verdade, o costume administrativo. E a aplicação da norma costumeira só tem espaço na ausência de disposição legal expressa. No caso concreto, não existe o costume da Administração Tributária deferir montantes elevados de ressarcimento de crédito presumido sem a apresentação, por parte do contribuinte, da documentação fiscal hábil à comprovação do pleito. Inexistindo a comprovação da legitimidade do valor requerido, não há como deferir o ressarcimento. No tocante às compensações, conquanto o despacho decisório informe que não foram encontradas declarações de compensação eletrônicas nos sistemas da Receita Federal vinculadas ao pedido de ressarcimento de fl. 01, verificase que existe um pedido de compensação formalizado em papel no dia 02/05/2001 (fl. 24) ao qual não fizeram menção a informação fiscal, o despacho decisório e os recursos do contribuinte. Inexistindo despacho de homologação ou de não homologação em relação a esse pedido de compensação, devese considerar que o correu a homologação tácita das compensações requeridas pelo decurso do prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Isto porque os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002, foram convertidos em declarações de compensação desde a data de protocolo, nos termos do art. 49, combinado com o art. 63, I, da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Assim, se a declaração de compensação de fl. 24 foi protocolada em maio de 2001 e até a data deste julgamento não há despacho decisório homologando ou não homologando expressamente as compensações, há que se considerar que foram homologadas pelo fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para negar o direito ao ressarcimento pleiteado e considerar homologada por decurso de prazo as compensações informadas na fl. 24. Antonio Carlos Atulim Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.002373/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa nos casos em que o contribuinte teve acesso a todas as informações que deram origem ao Auto de Infração e conseguiu se defender adequadamente com relação às infrações que lhe foram imputadas.
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Nos casos em que a sociedade declara valores muitas vezes menor do que o imposto efetivamente apurado através de suas declarações, deve ser imputada a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios, mandatários, diretores, gerentes, entre outros, conforme disposto no art. 135 do CTN. Tendo em vista que a declaração reiterada de valores a menor é considerada prática dolosa, constata-se que o sócio também agiu com excesso de poderes.
APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 1202-000.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Losso Filho, Viviane Vidal Wagner, Carlos Alberto Donassolo, Nereida De Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa nos casos em que o contribuinte teve acesso a todas as informações que deram origem ao Auto de Infração e conseguiu se defender adequadamente com relação às infrações que lhe foram imputadas. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Nos casos em que a sociedade declara valores muitas vezes menor do que o imposto efetivamente apurado através de suas declarações, deve ser imputada a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios, mandatários, diretores, gerentes, entre outros, conforme disposto no art. 135 do CTN. Tendo em vista que a declaração reiterada de valores a menor é considerada prática dolosa, constata-se que o sócio também agiu com excesso de poderes. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964.
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Recorrente PAULO FLÁVIO DE MELO CARVALHO E JOÃO CECCON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa nos casos em que o contribuinte teve acesso a todas as informações que deram origem ao Auto de Infração e conseguiu se defender adequadamente com relação às infrações que lhe foram imputadas. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Nos casos em que a sociedade declara valores muitas vezes menor do que o imposto efetivamente apurado através de suas declarações, deve ser imputada a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios, mandatários, diretores, gerentes, entre outros, conforme disposto no art. 135 do CTN. Tendo em vista que a declaração reiterada de valores a menor é considerada prática dolosa, constatase que o sócio também agiu com excesso de poderes. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 73 /2 01 0- 23 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 2 Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Losso Filho, Viviane Vidal Wagner, Carlos Alberto Donassolo, Nereida De Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 215/241) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anos calendários de 2006 e 2007, somados à multa de ofício qualificada e juros. Conforme apurado pela Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls. 204/210), a fiscalização iniciouse contra a empresa SUDESTE COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, a qual encontra com situação “baixada” perante a RFB, cujo distrato social foi protocolado na JUCESP em 19/05/2008, ocasião em que constava como responsável pela guarda dos livros e documentos da empresa o sócio João Ceccon. Intimado para apresentação de livros e documentos fiscais, o Sr. João Ceccon atendeu às solicitações e apresentou os devidos documentos, exceto o Livro Diário, que é documento obrigatório para os contribuintes optantes pelo Lucro presumido – que é o caso da empresa fiscalizada (fls 205). Tendo em vista a ausência de apresentação do Livro Diário, o representante da empresa foi intimado a apresentar o livro Caixa e em resposta informou que os livros tinham sido extraviados. Da análise dos Livros de Registros de Entradas e Saídas foi apurada receita bruta mensal, a qual foi confrontada com as DIPJ dos períodos fiscalizados, DACON e DCTF. Do confronto resultaram valores não oferecidos à tributação, os quais foram utilizados como base de cálculo dos presentes lançamentos (fls. 207/208). No período fiscalizado a empresa tinha como sóciogerente o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho, sendo que o Sr. João Ceccon somente passou a ser responsável pela empresa a partir de junho de 2007. Tendo em vista as infrações apuradas, o sócio Paulo Flávio de Melo Carvalho foi responsabilizado pelo crédito tributário, pois segundo a fiscalização, teria agido ilicitamente de forma a encobrir a obrigação tributária, de acordo com o art. 135 do CTN. Observou, ainda, a fiscalização, que a partir de junho de 2006 as receitas deixaram de coincidir com as DIPJ e DACON, tendo a empresa omitido receitas de forma reiterada nas declarações prestadas à RFB, com conseqüente redução dos tributos devidos, o que teria caracterizado o crime previsto no art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN foram lavrados termos de responsabilidade solidária em face de Paulo Flávio de Melo Carvalho e João Ceccon. Cientificados da lavratura dos Autos de Infração, apenas o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho apresentou Impugnação, de fls. 250/269, alegando, em síntese, o que segue: (i) Preliminarmente, defendeu a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa na ocasião da fiscalização, tendo em vista que não pode se admitir que a administração pública atue de forma direcionada na prática de atos administrativos que Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 10 3 impliquem formação de prova, incluindo elementos probatórios na direção que melhor atenda seus interesses. (ii) Em seguida, argumentou pela ausência de suporte fático ao Auto, pelo fato de a fiscalização ter se pautado no livros de entrada e saída de mercadorias, não dando oportunidade de realização de outras provas; (iii) Ao final, tratou do caráter confiscatório da multa de ofício qualificada aplicada, que teria deixado de respeitar o princípio da capacidade contributiva do contribuinte. (iv) Ademais, alegou não ser o guardião dos documentos fiscais da empresa, não tendo como comprovar a veracidade das informações prestadas ao Fisco, de maneira que a Representação Fiscal para fins Penais elaborada pelas Autoridades Fiscais era totalmente indevida. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 1, a qual houve por bem julgar improcedente a Impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o contribuinte, no curso do procedimento fiscal, é intimado de todos os atos e elementos solicitados, além dos valores de receitas apuradas e não declaradas, e quando constam do termo de verificação, do auto de infração (cujas vias lhe foram entregues) e dos autos do respectivo processo administrativo fiscal todos os elementos necessárias ao exercício de sua ampla defesa. LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas em livros fiscais de Entradas e no de Saídas bem como nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA (declarações prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes) constituem meio legítimo para se apurar receitas das empresas. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Omitir informações na DIPJ sobre receitas da empresa, contabilizadas em livros e outras declarações, de forma reiterada, constitui comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para o agravamento da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. GERÊNCIA. As pessoas que possuem interesse comum no fato gerador da obrigação tributária e exercem função gerencial respondem solidariamente pelo crédito tributário constituído. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 4 PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. Indeferese o pedido de produção de provas que deveriam ter sido produzidas e apresentadas pelo Contribuinte em conjunto com a impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O outro responsável tributário qual seja, Sr. João Ceccon não apresentou Impugnação aos Autos de Infração, motivo pelo qual a decisão recorrida presumiu pela veracidade dos fatos alegados pela fiscalização em relação a este contribuinte. Inconformado com a decisão da DRJ, o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 374/394), aduzindo em síntese os mesmos argumentos da Impugnação. Adicionalmente, dentro do prazo legal, o mesmo contribuinte apresentou outra petição, denominandoa também de Recurso Voluntário, alegando que não deve ser incluído como sujeito passivo da obrigação tributária, tendo em vista que não praticou nenhum dos atos dispostos no artigo 135 do CTN. Acrescentou que quando da dissolução da sociedade, o que acarretaria no redirecionamento da fiscalização para os sócios, o mesmo não se encontrava mais entre o quadro societário da empresa. Portanto, requereu que fosse desconsiderado como sujeito passivo da obrigação tributária. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o Recurso Voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento e passo à análise da preliminar de nulidade do lançamento argüido pelo Recorrente. I – PRELIMINARES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preliminarmente, o Recorrente argüiu pela nulidade do lançamento, alegando a preterição do direito de defesa, tendo em vista que o mesmo não teve acesso aos documentos emitidos pela fiscalização desde o início do procedimento fiscal. De fato, conforme se observa dos autos, a fiscalização iniciouse contra a empresa SUDESTE COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, mas como a mesma já se Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 11 5 encontrava extinta, a fiscalização foi direcionada para o sócio responsável pela guarda dos documentos quando da dissolução, qual seja o Sr. João Ceccon. Posteriormente, depois de apresentados alguns documentos contábeis pelo sócio mencionado acima, foram apuradas supostas infrações nos anos de 2006 e 2007, o que levou à fiscalização a incluir no pólo passivo do procedimento fiscal o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho, que era administrador da empresa à época dos fatos. O início da fiscalização contra a empresa ocorreu em 10/01/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03 dos autos). Entretanto, o Termo de Sujeição Passiva (fls.05), que incluiu o Recorrente no pólo passivo, foi lavrado em 26/05/2010, posteriormente à apuração da infração, que ocorreu através dos documentos apresentados pelo Sr. João Ceccon. Dessa forma, prosperam os argumentos do Recorrente no sentido de que não acompanhou desde o início o procedimento fiscalizatório ao qual se tornou sujeito. Ocorre que, mesmo não tendo acompanhado de fato o trâmite da fiscalização desde a origem, o mesmo teve acesso a todos os documentos apresentados e a todas as infrações apuradas pelos Autos de Infração. Dessa forma, não há que se falar em preterição do direito de defesa, tendo em vista que o mesmo conseguiu se defender corretamente das infrações que lhe foram imputadas. Assim, não ocorreu a hipótese de nulidade prevista no artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Este também é o entendimento deste E. Conselho. Vejamos: NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, inclusive quando o contribuinte demonstra entender a infração e se defende regularmente, bem como quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confunde com o próprio mérito da questão (...)”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10422397 do Processo 13609000143200537, Data: 23/05/2007). (não grifado no original) Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por ausência de preterição do direito de defesa do Recorrente. B) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Segundo constam dos Termos de Sujeição Passivas (fls. 09/14), foram incluídos no pólo passivo do presente processo administrativo dois sócios da empresa originalmente fiscalizada, sendo que um deles era o sócio administrador à época da ocorrência das supostas infrações e o outro é o sócio que sucedeu o lugar do anteriormente citado, o qual Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 6 ficou responsável pela guarda dos documentos fiscais da empresa quando da sua dissolução, conforme expresso na cláusula IV do Distrato Social (fls. 43/44), abaixo transcrita: “IV – O sócio JOÃO CECCON, qualificado no preâmbulo deste contrato, fica incumbido da regularização dos presentes atos às repartições públicas competentes e manterá, sob sua guarda, os livros e documentos contábeis e fiscais da sociedade extinta, conservandoos na forma e prazo da Lei.” A fim de esclarecer as alterações societárias que ocorreram na empresa SUDESTE COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, é importante mencionar que a entrada do Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho ocorreu em maio de 2006, conforme primeira alteração contratual (fls. 27/35). Posteriormente, em maio de 2007, mediante a segunda alteração contratual, o Sr. Paulo retirouse da sociedade e no mesmo ato foi admitido o Sr. João Ceccon (fls. 36/42). Finalmente, em maio de 2008 a sociedade foi dissolvida perante a Junta Comercial de São Paulo, por meio do Distrato Social mencionado acima e da mesma forma perante a Receita Federal do Brasil, sendo considerada como “baixada” perante referido órgão (fls. 07). Conforme se observa, quando do início do procedimento fiscal que ocorreu em 10/01/2010, a empresa já se encontrava extinta, sendo o Sr. João Ceccon o responsável pela guarda dos livros e documentos fiscais. Ocorre que ao ser intimado a apresentar o Livro Caixa, tendo em vista a ausência de apresentação do Livro Diário (documento obrigatório para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, como é o caso da empresa), o Sr. João Ceccon informou que os mesmos haviam sido extraviados, conforme se observa às fls. 06 dos autos. Tendo em vista as discrepâncias encontradas entre as receitas apuradas pelos Livros de Registros de Entradas e Saídas, com as informações constantes nas DIPJ, DACON e DCTF, referente aos períodos fiscalizados, somados à ausência de apresentação do Livro Diário e Livro Caixa, foi imputada a omissão de receitas e lavrados os presentes Autos de Infração. Tendo em vista as infrações apuradas, o sócio administrador da época dos fatos qual seja, o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho foi responsabilizado pelas mesmas, “visto que, através de procedimentos ilícitos, agiu visando encobrir obrigação tributária” (fls. 208 do TVF). Essa responsabilização foi atribuída com base no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado(...)” A responsabilidade imputada pelo artigo 135, inciso III do CTN somente pode ocorrer quando comprovada a ilicitude praticada pelo representante da pessoa jurídica. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 12 7 Nesse sentido, oportuno transcrever os ensinamentos de Leandro Paulsen ao comentar o mencionado artigo: “A responsabilidade pessoal, no caso, decorre de ato praticado com ilicitude, por conta e risco do gestor. Como é o pressuposto de fato da responsabilidade, tem de ser devidamente apurado”. (PAULSEN, Leandro. In Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência. 11 edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, p. 974) De acordo com o posicionamento doutrinário, não é o simples fato de apuração de omissão de receitas com falta do pagamento do tributo que enseja a responsabilização do artigo 135, III, do CTN. Ocorre que, conforme se observa às fls. (1999/2001) do Termo de Verificação Fiscal, a receita declarada pelo Sr. Paulo corresponde a um valor muitas vezes menor do que aquele apurado através dos Livros de Registro de Entradas e Saídas, o que demonstra a atuação com excesso de poderes do Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho. Oportuno se faz esclarecer que, ao contrário do alegado pelo Recorrente, é possível se basear nos Livros de Registro de Entradas e Saídas para apuração da base de cálculo tributável do IRPJ e da CSLL, conforme se observa dos julgados abaixo transcritos. Vejamos: “(...) RECEITA BRUTA. LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS É lícito utilizar o valor das saídas por vendas de mercarias registrado no Livro Registro de Apuração do ICMS para determinar a receita bruta, sobre a qual incide o percentual de apuração da base de cálculo da CSLL nos regimes do lucro presumido ou arbitrado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 TAXA DE JUROS SELIC APLICABILIDADE. Por expressa disposição legal, é legítima a cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic. MULTA DE FÍCIO Na constituição do crédito tributário pela autoridade fiscal, em face de infração à legislação tributária, é correta a aplicação da multa de lançamento de ofício, por expressa determinação legal. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10709286 do Processo 10680014742200404, Data: 24/01/2008) (não grifado no original) “(...) IRPJ LUCRO PRESUMIDO RECOLHIMENTO EFETUADO A MENOR REGISTRO DE RECEITA NOS LIVROS FISCAIS LANÇAMENTO PROCEDÊNCIA O valor das vendas de mercadorias registrado nos livros fiscais de Registro de Saídas de Mercadorias, no Registro de Apuração do ICMS e no livro Razão, enquadrase no conceito de receita bruta tributável para efeitos de apuração do IRPJ (...). (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10194755 do Processo 106800160599821, Data: 10/11/2004). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 8 Dessa forma, resta incontroverso que o Sr. Paulo agiu de máfé ao declarar e recolher um valor tão baixo, sendo que o efetivamente devido é muitas vezes maior. Embora o Recorrente alegue que não agiu dolosamente, não há como não considerar que teve a intenção de burlar o Fisco ao declarar valores tão baixos comparados à receita efetivamente apurada. Sendo assim, o Sr. Paulo deve ser incluído no pólo passivo da demanda, como responsável tributário, assim como deve ser mantida a aplicação da multa qualificada de 150%. Este também é o entendimento deste E. Conselho: (...) SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDARIEDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os sócios, mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS CONFRONTO ENTRE DOCUMENTOS FISCAIS E A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Caracteriza ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas auferidas e espontaneamente declaradas, e aquelas detectadas em procedimento de oficio. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, além de escriturar as notas fiscais com valores diferentes dos faturamentos reais, denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964 (...).(Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110200502 do Processo 10680020328200779, Data: 03/08/2011)(não grifado no original) (...) RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOSGERENTES. Caracterizada a intenção dolosa de sonegar tributos à Fazenda, quer pela prática contumaz de não declarar e/ou declarar de forma inexata os valores devidos, quer não os recolhendo aos cofres públicos, não obstante tenha havido vultosa movimentação de recursos financeiros comprovadamente originários de vendas de mercadorias, correta é a responsabilização dos sócios gerentes. RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Mascarada a sucessão da empresa sob a forma de suspensão de atividades e/ou de contrato de arrendamento mercantil cuja comprovação não se deu, correta se mostra a imputação da responsabilidade tributária a quem, de fato, continuou a exercer as atividades industriais e comerciais da autuada. MULTA QUALIFICADA DE 150%. INCISO II DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, ou não os recolher, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. (...) Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 13 9 3ª Câmara. Turma Ordinária , Acórdão nº 20312654 do Processo 10120001395200659, Data: 12/12/2007) (não grifado no original) (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que, no exercício de sua administração praticara os sócios, gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade solidária prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10707666 do Processo 10925000150200215, Data: 13/05/2004) (não grifado no original) Quanto ao Sr. João Ceccon, o mesmo não apresentou Impugnação, tampouco Recurso Voluntário, devendo ser consideradas verdadeiras as alegações feitas em relação ao mesmo, com sua respectiva inclusão no pólo passivo como responsável tributário, nos termos do artigo 124 do CTN. Portanto, em razão de tudo o quanto acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 443DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 15249.000170/2006-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001,2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificada a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão embargado.
PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO.
Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a o pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada a partir de 09.06.2005.
Numero da decisão: 1801-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para retificar o Acórdão nº 1801-00.718, de 30.09.2011, e, em preliminar, negar provimento ao recurso voluntário, por prescrito o direito da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificada a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão embargado. PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a o pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada a partir de 09.06.2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para retificar o Acórdão nº 180100.718, de 30.09.2011, e, em preliminar, negar provimento ao recurso voluntário, por prescrito o direito da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 24 9. 00 01 70 /2 00 6- 52 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 3 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente, CGC Centro de Ginecologia e Citologia Ltda, formalizou os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001 a título de: Tributo Valor Original – R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) 5.426,07 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 963,47 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 528,15 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 1.648,63 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 6466, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido o pedido foi alcançado pela prescrição, tendo em vista o decurso do prazo superior a cinco anos (inciso I do art. 165 e inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional). Cientificada em 27.12.2007, fl. 73, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.01.2008, fls. 7886, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1018.036, de 22.12.2008, fls. 9697:“Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LC n° 118/2005. Decorridos mais de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, resta extinto, por decadência, o direito de pleitear à restituição. A extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. Notificada em 20.01.2009, fl. 99, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.02.2009, fls. 100115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 4 3 Está consignado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.718, de 30.09.2011, fls. 126127: “Recurso Voluntário Provido em Parte”. Restou ementado Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001,2002 PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO. No caso em que a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação tácita ou expressa do pagamento, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Cientificada em 09.02.2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração em 10.02.2012, fls. 131133. Alega que o Acórdão embargado contém omissão, visto que De outra sorte, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário cuja repercussão geral fora reconhecida (RE n° 566.621/RS), encerrado em 04 de agosto de 2011 e cuja ata de julgamento foi publicada em 18 de agosto de 2011 (Ata de Julgamento n° 21, publicada no DJE n° 158, divulgado em 17.08.2011), firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC n° 118/2005, o prazo para repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos. Já em relação as ações ajuizadas até 08.06.2005, o STF entendeu pela aplicação do entendimento até então predominante na jurisprudência, permitindose, assim, a devolução dos tributos indevidamente recolhidos até os últimos 10 (dez) anos. Notase que o STF utilizase de critério processual (data do ajuizamento da ação) para, juntamente com o critério de natureza material (data do recolhimento indevido), aferirse o marco inicial para a contagem do prazo prescricional. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Preliminar – Cabimento dos Embargos de Declaração Os Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, deles tomo conhecimento. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 5 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional suscita que no Acórdão embargado há omissão, uma vez que os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001 foram alcançados pela prescrição. No Voto condutor do Acórdão embargado consta: No presente caso, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) foi formalizado em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados nos anoscalendário de 2000 e 2001. Verificase que a petição de indébito não foi alcançada pela prescrição e por este motivo cabe o exame das demais razões de defesa indicadas na manifestação de inconformidade. Por conseguinte, o presente processo deve ser devolvido à DRJ/POA/RS para que seja proferida nova decisão. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. Na parte dispositiva do Acórdão embargado está registrado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. ficou configurada a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão embargado, uma vez que a Recorrente, CGC Centro de Ginecologia e Citologia Ltda, formalizou os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001 e por esta razão foram alcançados pela prescrição. Por esta razão, os Embargos de Declaração interpostos pela Douta PGFN devem ser acolhidos. Mérito No mérito cumpre corrigir a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão nº 180100.718, de 30.09.2011. O Voto condutor do Acórdão embargado passa a ter a seguinte redação: A Recorrente afirma que o pedido não foi alcançado pela prescrição. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 09.06.2005. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 6 5 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS1, substituto do paradigma da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS2, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. No presente caso, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) foi formalizado em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001. Verificase que a petição de indébito foi alcançada pela prescrição. O motivo destacado pela defendente, por conseqüência, não pode ser verificado. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=566621&numero=634&pagina=1&base=INF O> . Acesso em> 25 aog. 2011. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 3 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 7 6 A parte dispositiva do Acórdão embargado deve ser alterada para: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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