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Numero do processo: 10920.003763/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de voto
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 03 76 3/ 20 10 -6 4 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 130 2 Relatório: Tratase de lançamento, lavrado em 20/09/2010, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 11, deixado de preparar folha(s) de pagamento(s ) das remunerações pagas ou creditadas a todos os empregados e/ou contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 1.431,79, fls. 01. A fiscalização apurou que: 3. Em análise das folhas ,contatamos que os segurados ,conforme consta do nosso relatório "Segurados Contribuintes Individuais" ,anexo, autoexplicativo, não estavam inseridos no formato dos demais segurados na Folha de Pagamento, egulado pelo §9o, art.225 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, motivando a lavratura deste Autode lnfração. Ocorreu que: não foram agrupados por categoria, não destacou as parcelas integrantes ou não da remuneração, descontos legais, cargo ou função ou serviço realizado. A eles foram realizados pagamentos, conforme os registros encontrados na contabilidade, que prestaram serviços à empresa, e conforme as informações prestadas no curso desta auditoria, juntamos ainda amostra para comprovação,tal como relatório de prestação de contas em viagem feita pelo segurado e/ou de valores devidos a titulo de reembolso de quilometragem. A intimação para apresentar as folhas de pagamento fez referência ao período de 01/2008 a 12/2009. Após tomar ciência pessoal da autuação em 06/10/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 38/46, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão de fls. 105/117, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 13/03/2012, fls. 120. O recurso voluntário, apresentado em 12/04/2012, fls. 122/127, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Houve violação do §2º do art. 7º do Decreto 70.235/72, na medida em que o Termo de Continuidade lavrado em 12/07/2010 tinha validade até 10/09/2010 e só houve lavratura de novo Termo em 13/09/2010. Assim, todos os atos lavrados anteriormente e posteriormente perderam a validade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Aponta que teria direito à relevação da multa aplicada, pois preencheu os requisitos da legislação para tanto. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 131 3 Informa que apresentou a GFIP dentro do prazo, pois não há atraso no FGTS. Agiu de boa fé e em conformidade com a legislação. Quanto aos contribuintes individuais apontados pela fiscalização tenta afastar a incidência em relação a cada um deles: · João Gercino Duarte não poderia ser enquadrado como contribuinte individual, pois na condição de sócio teria recebido distribuição de lucros. Se em algum recibo constou informação diversa, teria havido um equívoco. Na época apontada pela fiscalização referido sócio possuía contrato de trabalho com outra empresa; · Kelli Adriana Frainer foi admitida como sócia em 07/12/2009, com a saída do Sr. João. Teria prestado serviços na condição de autônoma e não como empregada. · Leonardo Jordani prestou serviço como autônomo, apenas duas vezes; · Luiz Marcelo da Silva prestou serviço como autônomo por um curto período de tempo. As pessoas acima não poderiam ser consideradas contribuintes individuais, pois seriam autônomos. A empresa não teria omitido qualquer informação na GFIP. Sobre a adesão ao SIMPLES, esclarece que solicitoua em 30/01/2008, mas seu pedido foi indeferido por existirem os seguintes impedimentos: pendências junto a RFB e atividade econômica vedada. Apresentou impugnação a tal indeferimento, mas o processo 10920.0010005/200897 ainda não teve decisão definitiva. Alega não ter sido intimada da conclusão do referido processo. Salienta que, em 2008, não foram considerados pagamentos que fez na guia do SIMPLES e valores retidos de suas notas fiscais que somam R$ 72.888,92. Em 2009, não teriam sido considerados valores retidos em suas notas fiscais no montante de R$ 120.234,05. Requer o cancelamento da multa aplicada. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 132 4 Voto: Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. De plano, afastamos o argumento da decisão a quo no sentido de acatar a relevação somente em relação a lançamentos lavrados e cientificados antes da revogação da norma autorizativa do benefício, tendo em vista o conteúdo do art. 144 do CTN. No entanto, a autoridade preparadora precisa verificar se e quais infrações foram sanadas até data da decisão de primeira instância para que possamos cogitar da relevação requerida pela recorrente para infrações referentes a fatos geradores ocorridos até a entrada em vigor do Decreto 6.727/2009, tendo em conta que no Relatório Fiscal não ficaram especificadas em quais competências houve o cometimento da infração. Logo, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRF/Joinville verifique quais infrações foram sanadas integral ou parcialmente até a data da ciência da decisão de primeira instância. Após a providência, a recorrente deve ser intimada a apresentar aditamento de seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Concluídas tais providências, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 133 5 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes: 1. Peço licença ao nobre relator Conselheiro Mauro José Silva para divergir do seu posicionamento, pois entendo que o auto de infração é nulo por vício material ante a ausência de motivação no relatório fiscal. Assim, considero desnecessária a conversão do julgamento em diligência para que o agente fiscalizador informe se ainda houver infração não sanada até a data da decisão da instância a quo. 2. Compulsando os autos, não há como o contribuinte identificar com clareza o lançamento realizado. Há uma listagem com os códigos do levantamento elaborados pelo fisco, entretanto de forma obscura e insuficiente, porquanto não houve apontamento pelo auditor de quais competências houve o cometimento de infração. 3. No meu entender, a falha no relatório fiscal apontada é suficiente para a anulação do auto de infração, pois cerceia a defesa do contribuinte quando a autoridade administrativa não indica precisamente as competências em que se verificou o descumprimento do regramento previdenciário pelo contribuinte. 4. De acordo com o previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, os atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Eis o teor do dispositivo citado: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 134 6 5. Celso Antônio Bandeira de Mello in Curso de Direito Administrativo, traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto: Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar. (BANDEIRA DE MELLO, 2000, p. 433) 6. Nesse sentido destacase a necessidade de uma clara descrição dos fatos, como elemento motivador do lançamento fiscal, conforme nos relata em lapidar lição Leliana Pontes Vieira, em sua obra Contencioso e Processo Fiscal (1996, p. 40), colacionamos: c) Descrição dos fatos esta descrição deve ser bastante clara, de modo a permitir, de um lado, que o acusado, conhecendo o fato ilícito que lhe é imputado possa exercer o seu direito constitucional de ampla defesa. E, de outro, para que o julgador nela encontre, conjugandoa com os demais elementos do processo, o necessário suporte para formar sua convicção. 7. A propósito, a citada Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 8. Isso porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o art. 142 do CTN. Nessa esteira, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (grifos nossos) 9. Nos termos da IN 03/2005, o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar a ampla defesa e a adequada análise do crédito: Art. 661. O relatório fiscal objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 135 7 análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. 10. O legislador ressaltou sabiamente que o relatório fiscal deve conter a discriminação clara e precisa da conduta tida como geradora da infração para conferir certeza e liquidez ao próprio credito tributário. Se assim não o for, tornase necessária a sua nulidade, pois todo e qualquer ato promovido pela administração deve ter sua motivação devidamente respaldada, ainda mais quando tratar de imposição de sanção ao contribuinte. 11. Certamente o resultado final da ação fiscal nos presentes autos deixou sérias dúvidas quanto à natureza dos pagamentos considerados para efeito da imposição da multa. O auditor não apontou precisamente os elementos necessários ao surgimento do fato gerador, como as competências em que se verificou o cometimento da infração nem discriminou quais recolhimentos foram efetivamente realizados pelo contribuinte para que, logicamente, fossem afastados do cálculo. 12. É inegável, portanto, que a falha apontada na peça fiscal é característica típica de vício material. Lembro os nobres Conselheiros que o relatório fiscal é parte integrante do ato constitutivo do lançamento, sendo um demonstrativo claro e preciso para todos os procedimentos e critérios adotados pela fiscalização se forem observadas as regras estabelecidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e do art. 37 da Lei 8.212, de 1991. 13. É dizer: a autoridade lançadora tem o dever de informar à empresa fiscalizada qual a legislação de regência da obrigatoriedade do envio dos arquivos magnéticos, bem como o correto procedimento para tanto, sob a pena de serlhe aplicada multa correspondente à infração mencionada, de modo a apresentar elementos inquestionáveis de convicção e a possibilitar a ampla defesa do contribuinte, pois, do contrário, enseja nulidade ante a patente visualização da hipótese trazida no art. 59, II, §§ 1º e 2ºdo Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 14. Além do cerceamento de defesa, constato com clareza que a penalidade aplicada pelo fisco foi mais gravosa ao contribuinte. 15. Nesse sentido, Carvalho e Murgel (1999, p. 29) entendem que ambas as partes, Estado e contribuinte, devem buscar a verdade material, ficando a verdade formal em segundo plano. Em tempo, segundo os mesmos autores, outra função primordial do processo administrativo seria buscar a paz jurídica entre ambos, de tal forma que, alcançada a verdade material, não haja mais interesse de qualquer das partes de acionar o Poder Judiciário. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003763/201064 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.316 S2C3T1 Fl. 136 8 16. Por essa razão, entendo que o fisco não cometeu um mero equívoco de dispositivo legal, que caracterizaria um vício sanável, mas sim erro de conteúdo, por implicar em sanção desproporcional ao contribuinte, sendo inviável sua modificação, pois seria revisão do próprio motivo ensejador do lançamento, maculando toda a estrutura normativa do poder de tributar. 17. Tratase, portanto, de vício insanável, sendo, inclusive, causa impeditiva de novo lançamento diante dos mesmos fatos geradores considerados. 18. Dessa feita, voto pela anulação do lançamento fiscal por vício material, ante a ausência de motivação no instrumento fiscal ensejador do crédito tributário, impossibilitando, assim, qualquer nova fiscalização referente ao mesmo fato e à mesma matéria. CONCLUSÃO 19. Assim, voto pela ANULAÇÃO do auto de infração ante a inegável constatação de vício material pela ausência de motivação, essencial para formação do próprio crédito tributário. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901056/2011-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/10/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti votaram pelas conclusões. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim.
Marcos Tranchesi Ortiz Vice-Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz (Vice-presidente), Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti votaram pelas conclusões. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Marcos Tranchesi Ortiz – VicePresidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz (Vicepresidente), Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 56 /2 01 1- 11 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 19 a 231, transmitida em 31/08/2007, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 24.999,72, pago em 13/10/2006) a título da Cofins (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 2.698,14) com débito de R$ 2.964,18 relativo a IRPJ (período de apuração julho/2007). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 17 (emitido em 04/05/2011, com ciência em 16/05/2011, conforme AR de fl. 18), acusase que o pagamento (DARF de R$ 24.999,72) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) apurou em auditoria que havia recolhido a maior a contribuição, e procedeu à compensação sem, no entanto, retificar a DCTF e a DACON; e (b) com o despacho decisório eletrônico verificou que o DARF estava vinculado ao originalmente declarado na DCTF de setembro de 2006, pelo que passa a juntar na oportunidade DCTF retificadora para o período, confessando o real valor do débito, que é de R$ 22.301,58. Anexa a DCTF retificadora (fls. 13/14) e a DACON retificadora (fls. 15/16). Em 20/10/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 25 a 27), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que a simples retificação dos documentos “não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PER/DCOMP, respaldado pela (sic) Dacon/DCTF retificadoras, mas que nas declarações originais inexistia”. Cientificada da decisão de piso em 11/02/2012 (AR à fl. 34), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/03/2012 (fls. 35 a 41), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, agregando que a retificação se deve a valores referentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano), que deixou de aproveitar. Os valores são detalhados à fl. 38, anexando se cópias do livro razão correspondente (fls. 85 a 90). O aproveitamento foi feito por rateio (conforme tabelas de fls. 39/40), tendo em vista que parte das receitas da empresa não está sob o regime nãocumulativo. Acrescentamse ainda Nota Fiscal referente a energia elétrica (fl. 82) e contrato de locação (fls. 83/84). É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.901056/201111 Acórdão n.º 3403002.359 S3C4T3 Fl. 94 3 O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A recorrente alega que o crédito se origina de valores referentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano), que deixou de aproveitar, e para os quais não corrigiu a DCTF e a DACON com anterioridade ao despacho decisório. O julgador de primeira instância não tem meios de analisar tais elementos, pois a ele são apresentadas tãosomente a DCTF e a DACON retificadoras, não permitindo sequer saber o que ocasionou a retificação efetuada. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF/DACON, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância defrontase com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Em sede de recurso voluntário, agregamse documentos que não se fizeram presentes na manifestação de inconformidade, e não se vislumbra nenhuma das situações previstas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A simples análise de tais documentos (seja para concluir pela procedência ou improcedência, total ou parcial, seja para conversão em diligência) constituiria negação a dito comando legal, ofendendo à Súmula CARF no 2, de observância obrigatória por este colegiado, além de se constituir em supressão de instância administrativa, analisandose matéria que sequer foi objeto de conhecimento do julgador de primeira instância. Da mesma forma que não se permite na autuação, em regra, a inclusão de provas posteriormente à manifestação do autuado, mesmo em sede de diligência (que não se presta a suprir ônus probatório do Fisco), não se pode, em um pedido de compensação, admitir que seja em sede de recurso voluntário suprida a deficiência probatória por parte do contribuinte/postulante. Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.901056/201111 Acórdão n.º 3403002.359 S3C4T3 Fl. 95 5 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902606/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/08/2005
CSLL ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 26 06 /2 00 9- 71 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório BENSAUDE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada PER/DCOMP, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484). Por intermédio do despacho decisório, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada apresentou a contribuinte manifestação de inconformidade pela qual pugna pela ilegalidade da Instrução Normativa SRF 600/2005, afirmando deter crédito líquido e certo perante a Fazenda Nacional tendo em vista o pagamento a maior ou indevido de estimativa. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1438.444, de 21 de agosto de 2012 (fls. 96/107), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 14/02/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 130), apresentou o recurso voluntário em 14/03/2013 fls. 132/150, onde reafirma seu direito à repetição de indébito de estimativa recolhida a maior. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10850.902606/200971 Acórdão n.º 1803001.780 S1TE03 Fl. 278 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP cujo direito creditório decorre de estimativa de CSLL recolhida a maior, relativa ao fato gerador Agosto/2005. Alega a recorrente em síntese, de que conforme atesta sua DIPJ efetuou recolhimento a maior de estimativa de CSLL relativa ao fato gerador Agosto/2005, sendo ilegais quaisquer restrições administrativas de vedação ao direito de repetição do indébito. Assiste razão à recorrente. O direito à utilização de estimativas pagas a maior ou indevidamente foi reconhecido inclusive para os pedidos pendentes anteriores à edição da Instrução Normativa nº 900/2008, conforme consta da SCI Cosit nº 19, de 2011, estando o entendimento consolidado neste colegiado conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Conforme a recorrente aponta em seu arrazoado, em relação a estimativa do mês de Agosto/2005 e de acordo com a DIPJ, foi apurado o o montante de R$ 11.129,22, tendo sido recolhido o valor de R$ 12.318,46. Constatouse em conseqüência um indébito de R$ 1.189,24, que segundo a interessada não foi incluído no saldo negativo do período. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar invocada pela autoridade fiscal e reconhecer a possibilidade de compensação de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, devendo a unidade de origem apreciar o pedido observando, contudo a inexistência de efetiva utilização a título de saldo negativo de CSLL ou seja compensada ou ressarcida a este título. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 15983.001194/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Leonardo Henrique Lopes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 94 /2 00 9- 68 Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15983.001194/200968 Acórdão n.º 2301003.114 S2C3T1 Fl. 1.747 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas às Terceiras Entidades e Fundos, FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço. Conforme Relatório Fiscal (fls. 35), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remuneração aos segurados empregados da empresa, e integra o presente lançamento a diferença de contribuição devida e não recolhida às Terceiras Entidades, incidentes sobre valores constantes das folhas de pagamentos e sobre base de cálculo aferida indiretamente, relativa à auxílio alimentação in natura, sem o PAT. A autoridade lançadora salienta que os valores lançados não foram informados na GFIP e informa que foram apropriadas, como crédito do contribuinte, todas GPS recolhidas, inclusive as de retenção de 11%, cuja relação se encontra no RADA, observando que apenas três das GPS apresentadas foram desconsideradas, quais sejam, uma no valor de R$ 1.268,29, que foi recolhida em duplicidade no código 2631, pela tomadora , e as outras, ambas no valor de R$ 4.400,00, referentes aos meses 11 e 12/06, referentes a recolhimentos nesse mesmo código (2631) em nome do contribuinte, sem, contudo, a devida contraprestação em NF/fatura. Esclarece que, em observância ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, foi empregada a multa mais benéfica na comparação, mês a mês, entre a multa de mora disposta na Lei 8.212/91, art. 35, II, "a" (24% sobre os valores não recolhidos), e a multa de oficio, disposta na Lei 9.430/96, art. 44, inciso I (75% sobre os valores não recolhidos), restando demonstrado que, para todos os meses, a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0534.992, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1.721), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.737), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que sua impugnação não foi apreciada em sua totalidade, e que questões de grande relevância não foram observadas pela primeira instância administrativa, que deixou de apresentar nova planilha que pudesse esclarecer ao contribuinte os motivos para a manutenção da penalidade inicialmente imposta, o que configura afronta à Ampla Defesa, na medida em que deixa de indicar com clareza o que ainda estaria irregular. No que tange ao tema da Cesta Básica, entende que a manutenção da condenação imposta à Recorrente vai na contra mão do que já decide o Poder Judiciário. Assevera que, consta do Relatório apresentado pela fiscalização, que não teriam sido localizados comprovantes de aquisição de valetransporte, quando o correto, inicialmente, seria relatar que parte dos comprovantes não teriam sido localizados, pois os Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 referentes aos meses 09 a 11/06 constam da acusação fiscal relatada, e frisa que os documentos denominados "Entrega de Vale Transporte" indicam que os empregados da recorrente receberam valetransporte com os regulares descontos para tal finalidade Insurgese contra os juros e multa aplicados, argumentando que não foi observada, no caso, a retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN, e que a taxa SELIC é ilegal e inconstitucional Conclui que é impertinente o envio de Ofício ao Representante do Ministério Público Federal, responsável pelo recebimento da Representação Fiscal para Fins Penais, notadamente porque, no caso em tela, nem mesmo em tese houve ocorrência de irregularidades. Finaliza requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, no sentido de ser reconhecida a nulidade do Acórdão recorrido por cerceamento de defesa e, no mérito, para reconhecer as falhas praticadas pela fiscalização, cancelandose o Auto de Infração ligado ao presente procedimento administrativo. É o relatório. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15983.001194/200968 Acórdão n.º 2301003.114 S2C3T1 Fl. 1.748 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, argumentando que sua impugnação não foi apreciada em sua totalidade, e que não foi apresentada nova planilha que pudesse esclarecer ao contribuinte os motivos para a manutenção da penalidade inicialmente imposta. Assevera ainda que o Acórdão guerreado deixou de observar os números contábeis, trocandoos pelas palavras prontas e cerceando o direito da Recorrente de realizar prova contábil, o que deveria ter ocorrido após a indicação de dúvidas contidas no voto que orientou a formação do Julgado, e antes da efetivação deste. Contudo, não se vislumbra o cerceamento de defesa alegado pela recorrente. É oportuno esclarecer que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.) Verificase que, no caso presente, o Acórdão recorrido demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Não cabe, no caso, a elaboração de uma nova planilha pela autoridade julgadora, como quer a recorrente, uma vez que o débito foi mantido em sua integralidade pela primeira instância administrativa, e os valores lançados se encontram discriminados nos relatórios que integram o AI. Ao contrário do que afirma a autuada, verificase que o Relator do Acórdão guerreado analisou os argumentos trazidos em sede de defesa, deixando claro porque esses argumentos estavam sendo afastados, esclarecendo os motivos pelos quais a documentação juntada aos autos pela recorrente não era suficiente para afastar a exigência fiscal. Portanto, diferente do que alega a autuada, não havia dúvidas a serem sanadas, já que o relatório fiscal está claro e preciso, como também em nenhum momento a autoridade julgadora cerceou o direito de a recorrente realizar prova contábil. Nesse sentido, não se verifica a nulidade da decisão de primeira instância, alegada pelo contribuinte. A recorrente insiste em afirmar, sem comprovar suas alegações, que a fiscalização deixou de observar que o recolhimento do INSS de sua responsabilidade estavam inseridos nas retenções das Notas Fiscais emitidas, com obrigação das empresas tomadoras de serviços. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15983.001194/200968 Acórdão n.º 2301003.114 S2C3T1 Fl. 1.749 7 Todavia, o relatório RADA demonstra que houve, sim, a devida apropriação de todas as guias recolhidas e de todos os valores retidos pelos tomadores de serviços. A autuada apenas alega, mas não aponta, nos documentos juntados aos autos, onde está o equívoco que, segundo entende, foi cometido pela fiscalização ou quais retenções sofridas em notas fiscais deixaram de ser apropriadas no presente lançamento. Observase que a autuada em momento algum especificou quais seriam as supostas inconsistências nos levantamentos efetuados pela fiscalização, limitandose a formular alegações genéricas e a postular realização de “prova contábil”, sem a observância dos requisitos legais. A recorrente poderia ter elaborado uma planilha com a discriminação dos valores retidos e declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos por meio de GPS, com apontamento do número de folhas dos documentos, para demonstrar suas alegações. Porém, não o fez, se limitando a alegar que as divergências apuradas pela fiscalização não existem. Entretanto, constatase, da análise da documentação anexada junto à impugnação, que os valores lançados pela autoridade autuante estão corretos. Verificase, da análise das notas fiscais apresentadas pela recorrente, que os valores destacados nas notas fiscais foram devidamente compensados com as contribuições apuradas pela fiscalização. Dessa forma, sendo o lançamento um ato vinculado, ao constatar a existência de diferença de contribuição devida, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço, a fiscalização lavrou o competente AI, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91 A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes do Auto de Infração, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. O AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Assim, todos os dados necessários para a elaboração da defesa pela recorrente se encontra nos relatórios integrantes do AI. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 A autuada demonstra seu inconformismo pelo fato da auditoria fiscal haver formalizado Representação Fiscal para Fins Penais pela ocorrência, em tese, de crime de sonegação contra a Seguridade Social. Entretanto, cumpre esclarecer que não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento, objeto do recurso, não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de sonegação tipificado no art. art. 337A, inciso I, do Código Penal. Em relação à contribuição lançada incidente sobre o auxílio alimentação in natura , é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. A autuada afirma que consta do Relatório apresentado pela fiscalização, que não teriam sido localizados comprovantes de aquisição de valetransporte. Contudo, tal afirmação não procede, uma vez que em nenhum momento, do relatório fiscal, a autoridade autuante faz referência a auxílio transporte. Assim, tais matérias são estranhas ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto do AI, em discussão, motivo pelo qual não conheço de tais argumentos. A recorrente insurgese, ainda, contra os juros e multa aplicados, argumentando que não foi observada, no caso, a retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN, e que a taxa SELIC é ilegal e inconstitucional No entanto, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15983.001194/200968 Acórdão n.º 2301003.114 S2C3T1 Fl. 1.750 9 correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigente à época do lançamento. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores relativos ao Auxílio Alimentação, por improcedência É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Leonardo Henrique Pires Lopes Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15983.001194/200968 Acórdão n.º 2301003.114 S2C3T1 Fl. 1.751 11 Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 15983.001194/200968 Acórdão n.º 2301003.114 S2C3T1 Fl. 1.752 13 CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 13502.000064/2001-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo ponto omisso na decisão embargada há de se rejeitar os Embargos Declaratórios.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz .
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Inexistindo ponto omisso na decisão embargada há de se rejeitar os Embargos Declaratórios. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz .
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Inexistindo ponto omisso na decisão embargada há de se rejeitar os Embargos Declaratórios. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 00 64 /2 00 1- 91 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuidase de Embargos Declaratórios interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face de omissão contido no Acórdão dos Embargos Declaratórios interposto pela empresa recorrente ACRINOR, onde essa Turma entendeu ter havido ato de oposição estatal, motivo pelo qual decidiu estender atualização por meio da aplicação da Taxa Selic. Argumenta a Procuradoria da Fazenda Nacional que não consta do Acórdão o motivo que levou declinar o ato de oposição estatal que justificasse o reconhecimento da atualização por meio da aplicação da Taxa Selic, pois em seu entendimento não existiu obstáculo, haja vista, que o crédito reconhecido foi utilizado e a diferença negada pela decisão recorrida o que restou confirmada mais tarde por esse Colegiado. “Ementa: CRÉDITO DE IMPOSTO INCIDENTE SOBRE INSUMOS NÃO INCORPORADO AO PRODUTO FINAL”. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. “Não é assegurado o aproveitamento de crédito de IPI de insumos entrados no estabelecimento industrial ou equiparado, destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, que não sejam vinculados diretamente ao produto final”. “Recurso negado”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o conhecimento. A sustentação da Embargante, Fazenda Nacional é de que o Despacho Decisório de fls. 238/249, o Fisco teria apenas seguido os trâmites procedimentais próprios afetos ao pedido de ressarcimento, excluindo da composição do credito apenas aqueles produtos que não se enquadravam no conceito de matériasprimas ou produtos intermediários admitidos pela legislação do IPI. Isso é não teria ocorrido demora na utilização do crédito reconhecido. Portanto, não existiria ato estatal capaz de dar azo ao pedido de atualização monetária. Os embargos interposto pelo contribuinte, Acórdão nº 3403001.716 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2012, foram acolhidos para reconhecer o direito de aplicar a Taxa Selic em relação aos saldos remanescentes depois de compensar débitos até o exaurimento do crédito reconhecido, nos termos aqui transcritos: “No caso concreto as compensações foram homologadas até o limite do crédito reconhecido pela Autoridade Administrativa, no entanto, constatase do exame dos autos que a utilização do crédito deuse de modo fracionado”. Portanto, deve ser remunerado pela Taxa Selic o saldo credor remanescente (residual) entre uma e outra compensação. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13502.000064/200191 Acórdão n.º 3403002.315 S3C4T3 Fl. 4 3 Em sendo assim, presente as condições que justifica reconhecer a favor da Embargante atualização do saldo remanescente entre uma e outra compensação por meio da Taxa Selic. “Com essas considerações, conheço do recurso e acolho para modificar a decisão embargada e reconhecer o direito à atualização do saldo residual por meio da aplicação da Taxa Selic”. Assim, o motivo de reconhecer aplicação da Taxa Selic aos saldos credores remanescentes advém da utilização fracionada. Como se vê o motivo foi devidamente declinado, de modo que, não assiste razão a Fazenda Nacional quanto alegação de omissão nos embargos declaratórios interpostos pela contribuinte, ACRINOR. Em assim sendo, inexistindo a omissão apontada, conheço do recurso e rejeito os embargos de declaração. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 908DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916356/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, PAULO GUILHERME DEROULEDE, HÉLCIO LAFETÁ REIS, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, PAULO GUILHERME DEROULEDE, HÉLCIO LAFETÁ REIS, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, PAULO GUILHERME DEROULEDE, HÉLCIO LAFETÁ REIS, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO Relatório Tratase de PER/DCOMP, transmitido em 07/10/2004, que buscou compensar créditos de PIS/Pasep oriundos de pagamento alegadamente indevido ou a maior, de competência abril/2003, com débitos de COFINS de apuração janeiro de 2002, no valor total de R$ 4.170,90. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 16 35 6/ 20 08 -5 1 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 15374.916356/200851 Resolução nº 3803000.280 S3TE03 Fl. 11 2 A DRF no Rio de Janeiro/RJ através de despacho decisório eletrônico, emitido em 12/08/2008, não homologou o PER/DCOMP, sob o argumento de que encontrou o pagamento indicado, mas integralmente utilizado para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde resumidamente afirma ter errado no preenchimento da DCTF do período, o que gerou a não homologação do pedido apresentado. Alega ter realizado um REDARF para alterar o código indicado e invoca o principio da verdade material. Ao final requer ter seu direito creditório reconhecido, anexa extrato da DCTF original e recibo de entrega da DCTF retificadora transmitida em 18/09/2008. A DRJ/RJI julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que as provas trazidas aos autos foram insuficientes a comprovar o direito creditório. Ementou nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/02/2003 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, no qual apresenta os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade de erro no preenchimento da DCTF, anexando extrato da DACON, Livro Razão e Livro Diário. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010,a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 15374.916356/200851 Resolução nº 3803000.280 S3TE03 Fl. 12 3 DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Comprovação de Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 15374.916356/200851 Resolução nº 3803000.280 S3TE03 Fl. 13 4 No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Dos documentos juntados em Recurso Voluntário Como relatado, no recurso voluntário a recorrente faz juntada de extrato da DACON, Livro Razão e Livro Diário com o fito de provar a veracidade das alegações aduzidas em sede de Manifestação de Inconformidade e, agora, em Recurso Voluntário. Considerando o artigo 923 do RIR/99, replicando o contido no DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º , estabelece que: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Compulsando os referidos documentos constatamos que os mesmos trazem parte do material probatório para se provar a base de cálculo do tributo, calculado sob a forma não cumulativa, com as reduções previstas em lei e que aponta para saldo credor no período. Há indícios do direito pleiteado, porem, faltam provas para se ter a liquides e certeza do credito almejado. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724039/2011-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. PRÓ-LABORE. SÓCIO ADMINISTRADOR. DESPESAS PESSOAIS.
O pagamento pela empresa de despesas pessoais do sócio configura pró- labore indireto.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.119
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar
provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008.Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Marcelo Magalhães Peixoto que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. PRÓ-LABORE. SÓCIO ADMINISTRADOR. DESPESAS PESSOAIS. O pagamento pela empresa de despesas pessoais do sócio configura pró- labore indireto. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008.Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Marcelo Magalhães Peixoto que dava provimento ao recurso.
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RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. PRÓLABORE. SÓCIO ADMINISTRADOR. DESPESAS PESSOAIS. O pagamento pela empresa de despesas pessoais do sócio configura pró labore indireto. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Marcelo Magalhães Peixoto que dava provimento ao recurso. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 2403002.119 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0638.305 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: 1. O presente processo, COMPROT n° 10980.724039/201144, tem por objeto as contribuições previdenciárias devidas pela empresa ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL EXPOENTE LTDA, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil (RFB) e destinadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), correspondentes a prólabore (Auto de Infração AI n° 37.342.7689, período 01/2006 a 12/2008, no valor total de R$ 2.101.481,43). 2. O procedimento fiscal, as apurações e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 14/33) e nos demais anexos do Auto de Infração de fl. 3 (fls. 04/13, 34/35, 152/155 e 174/176). 3. Cientificada do lançamento em 10/08/2011 (fl. 3), a empresa apresentou a impugnação de fls. 180/186, em 09/09/2011 (fl. 186), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 377), instruída com os documentos de fls. 187/375, alegando, em síntese, que: a) Não há que se falar em remuneração paga ao sócio a qualquer título, motivo pelo qual, igualmente, não cabe a incidência das contribuições lançadas. Por força de sentença judicial, a Sra. Sandra Maria Graichen ficou com metade das cotas que pertenciam ao ex marido Sr. Armindo Vilson Angerer. Para permanecer com a integralidade das cotas, este celebrou com aquela acordo de venda e compra. Mas, por não ter como arcar com o pagamento integral, efetuou empréstimo com a empresa impugnante, contabilizandose os valores pagos diretamente pela impugnante para a Sra. Sandra como empréstimo ao sócio Sr. Armindo. Os documentos contábeis possuem presunção de veracidade e legitimidade e, não havendo qualquer prova hábil capaz de anular a referida operação ou descaracterizar a sua natureza, não cabe falar em pagamento de remuneração ao sócio. Diante da existência de documentos que demonstram a entrada dos valores na contabilidade da empresa e as transferências dos Fl. 409DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 recursos nos exatos moldes estabelecidos entre as partes, não há razão para invalidar a operação de mútuo, sendo elementos suficientes para o fim de constatar a realização do negócio jurídico. O fato de o sócio não ter restituído os valores devidos à empresa não significa que ele não irá fazêlo em momento futuro. Os pagamentos não possuem natureza definitiva (serão posteriormente devolvidos) e não decorrem da prestação de serviços pelo sócio, bem como foram pagos para outras pessoas (Sra. Sandra, Sr. Douglas e Sr. Antão). Além disso, a tributação efetivada representa presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização, procedimento contrário ao art. 142 do CTN por não se ter verificado com exatidão a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes afasta a tributação com base em presunção quando há provas suficientes da realização do negócio jurídico, atestando a necessidade de a fiscalização demonstrar a invalidade dos documentos juntados. b) O maior percentual exigido de multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, sobre o valor considerado devido, de acordo com o referido dispositivo, era no montante de 50%, notadamente muito mais benéfico do que o montante de 75% previsto atualmente. Além disso, a Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, também alterou a redação do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, estabelecendo uma multa de mora no valor de 20%. Logo, deve ser aplicada a multa de mora de 20%, nos termos do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. c) Por fim, pede que as razões de impugnação sejam acolhidas para se desconstituir o crédito tributário exigido, haja vista a caracterização de empréstimo. Alternativamente, a redução da multa de mora para 20% dos créditos exigidos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Inocorrência do pagamento de remuneração ao sócio a qualquer título. • Por força de sentença judicial, a Sra. Sandra Maria Graichen ficou com metade das cotas que pertenciam ao ex marido Sr. Armindo Vilson Angerer. Para permanecer com a integralidade das cotas, este celebrou com aquela acordo de venda e compra. Mas, por não ter como arcar com o pagamento integral, efetuou empréstimo com a empresa impugnante, contabilizandose os valores pagos diretamente pela impugnante para a Sra. Sandra como empréstimo ao sócio Sr. Armindo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 2403002.119 S2C4T3 Fl. 4 5 • Os valores supostamente pagos a título de remuneração constam na contabilidade como valores pagos ao sócio a título de empréstimo. • Apesar da inexistência de restituição, não se pode inferir que essas restituições não serão realizadas num momento futuro. • Não há razão para invalidar as operações de mútuo. • Não há como acatar a exigência fiscal com base em mera presunção. • Multa de mora mais benéfica. É o relatório Fl. 411DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A fiscalização considerou como prólabore valores lançados na contabilidade a título de empréstimos ao sócio Armindo V. Angerer correspondentes a pagamentos efetuados pela empresa para a Sra. Sandra (excônjuge do Sr. Armindo) e com os sócios retirantes Antônio Douglas Villatore e Antão Dalla Costa, com os quais o Sr. Armindo firmara, respectivamente, Contrato de Compra e Venda de Quotas Sociais (fls. 100/109), Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Aditivos (fls. 110/120) e Contrato de Compra e Venda de Cotas Sociais e Aditivo (fl.s 122/128). As aquisições societárias referemse a várias empresas do grupo “Expoente”. Todos pagamentos são efetuados pela recorrente, que ajuizou ação de recuperação judicial. O sócio administrador Sr. Armindo, no período fiscalizado, não efetuou nenhum pagamento referente aos empréstimos, mesmo tendo havido retirada de lucros. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 2403002.119 S2C4T3 Fl. 5 7 PAGAMENTOS A ANTÔNIO DOUGLAS VILLATORE O processo apresenta que Armindo e sua esposa Sandra compraram de Antônio Douglas Villatore, em 1997, a participação deste último no grupo “Expoente”. Consta às folhas 113 e 114, ano 2001, 3º Aditivo de Reratificação, Confissão e Assunção de Dívida, no qual a recorrente assume a dívida do casal Armindo e Sandra. Os pagamentos no período fiscalizado foram efetuados pela recorrente e o senhor Armindo não pagou nada. Entendo que quando a empresa assume e paga despesas pessoais dos administradores, está pagando prólabore indireto e que essa remuneração sujeitase à tributação. PAGAMENTOS A ANTÃO DALLA COSTA Fl. 413DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A aquisição da participação de Antão Dalla Costa nas empresas, ano 1998, foi efetuada por meio do contrato de Compra e Venda de Quotas Sociais, folhas 122 a 128, que prevê que o pagamento das prestações seria pelo desconto do prólabore. A recorrente efetuou os pagamentos e o administrador Armindo não pagou nada. Não consta nenhum desconto do prólabore. Novamente entendo correta a tributação. PAGAMENTOS A SANDRA MARIA GRAICHEN A recorrente alega que por força de sentença judicial, a Sra. Sandra Maria Graichen ficou com metade das cotas das empresas do grupo que pertenciam ao ex marido Sr. Armindo Vilson Angerer e que para permanecer com a integralidade das cotas, este celebrou com aquela acordo de venda e compra. Mas, por não ter como arcar com o pagamento integral, efetuou empréstimo com a empresa impugnante, contabilizandose os valores pagos diretamente pela impugnante para a Sra. Sandra como empréstimo ao sócio Sr. Armindo. Está comprovada a separação judicial e a partilha dos bens, ano 2005. Foi apresentado o Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Quotas Sociais, folhas 100 a 109, datado de 15/08/2005, onde consta, dentre outras, a recorrente como garantidora solidária. A cláusula oitava prevê que as garantidoras solidárias assumiriam a condição de principais pagadores. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 2403002.119 S2C4T3 Fl. 6 9 A contabilidade registra os pagamentos para Sandra como empréstimos para Armindo. Novamente, Armindo tem seu patrimônio pessoal aumentado, continua retirando prólabore e lucros e nada paga dos “empréstimos”. Entendo correto o lançamento. DA MULTA APLICADA No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.724039/201144 Acórdão n.º 2403002.119 S2C4T3 Fl. 7 11 Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.012368/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.012368/200867 Resolução n.º 2301000.255 S2C3T1 Fl. 859 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S.A., em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), que julgou procedente o auto de infração. 2. De acordo com o relatório fiscal (ff. 23 a 29), o lançamento se deu por contribuições devidas à Seguridade Social referente ao período de 01/2003 a 12/2004, incidente sobre a retenção pela tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. 3. Consta ainda do relatório fiscal que a fiscalização entendeu que há existência de grupo econômico e sujeição passiva solidária entre a recorrente e demais empresas coligadas citadas no Relatório de Vínculos. 4. Após a emissão do Relatório Fiscal, o serviço de fiscalização emitiu parecer conclusivo de folhas 58, transcrevo abaixo: “Por equívoco deste AFRFB notificante foi incluída indevidamente a expressão "E OUTROS" na capa do AI, bem como feita menção à Solidariedade no Relatório Fiscal, todavia não foram emitidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária, por não serem devidos, nos Termos do Artigo 178, parágrafo segundo, inciso II da IN SRP 03/2005. Sugerese à DRJ que no julgamento de primeira instância seja incluído dispositivo saneador, excluindo formalmente a responsabilidade solidária, ou determine outro procedimento que entender mais adequado, para o completo saneamento do processo”. 5. A 9ª Turma de Julgamento da DRJ de Campinas converteu o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal de origem se manifestasse sobre a falta da lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária (ff. 308 a 310). 6. Em resposta a diligência, o serviço de fiscalização concluiu que é indevida a discursão sobre a questão do grupo econômico e a emissão e/ou juntada do Termo de Sujeição Passiva Solidária, devendo prosseguir normalmente os processo em nome apenas do sujeito passivo notificado STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S.A., (itens 6 e 7 da folha 312). 7. Através do Despacho n.º 2.781 de 18 de dezembro de 2009 a 9ª Turma de Julgamento da DRJ de Campinas entendeu que há responsabilidade solidária, e que os demais integrantes respondem solidariamente, citou previsão contida na IN nº 3/2005, artigo 179, inciso I. 8. Em cumprimento ao Despacho a Delegacia da Receita Federal em Campinas emitiu os Termos de Sujeição Passiva Solidária, para responsabilização das empresas integrantes do Grupo Econômico, a saber: • S.G.E. STEFANINI GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. CNPJ 03.038.591/000184; • STEFANINI QUALITY TOOLS CONS DE SISTEMAS LTDA. CNPJ 00.131.218/000185; Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.012368/200867 Resolução n.º 2301000.255 S2C3T1 Fl. 860 3 • STEFANINI NETWORKING CONSULTORIA DE INF. LTDA CNPJ 01.530.329/000127; • STEFANINI FINANCIALS CONS EM INF. LTDA CNPJ 04.636.720/000107; • STEFANINI TRAINING TREINAMENTO EM INF. LTDA. CNPJ 05.827.610/000187. 9. A DRF cientificou os contribuintes que tempestivamente apresentaram impugnações. A 9ª Turma de Julgamento emitiu acórdão considerando improcedente às impugnações, mantendo o crédito previdenciário nos termos do voto do relator, determinando que a DRF jurisdicionante cientificasse os sujeitos passivos da decisão (ff. 725 a 749). 10. O acórdão de primeira instância referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o respectivo lançamento já podia ser efetuado. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EMPREITADA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. TOMADOR. RETENÇÃO. RECOLHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. LANÇAMENTO. A empresa contratante de serviços, executados mediante empreitada ou cessão de mãodeobra, deve reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, no prazo legal, em nome da empresa cedente da mãodeobra. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais/previdenciárias não recolhidas incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. O cálculo para a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.012368/200867 Resolução n.º 2301000.255 S2C3T1 Fl. 861 4 parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação atual e a vigente à época dos fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 11. O serviço contencioso cientificou da decisão a empresa STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA LTDA, conforme comprovante de AR folha 751. 12. Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: a) nulidade do lançamento, considerando indevida a apuração por aferição indireta, por entender que todos os documentos solicitados durante o procedimento fiscal foram apresentados à autoridade fiscal, que documentos apresentados à fiscalização não foram juntados pelo auditor nos presentes autos; b) que ocorreu a decadência do direito do Fisco de lançar os valores relativos às competências 01/2003 a 11/2003, que foi cientificada do lançamento no dia 22/12/2008, ou seja, após o decurso do prazo decadencial de 5 anos de acordo com o art. 150, § 4º do CTN; c) sustenta que a fiscalização do Ministério do Trabalho concluiu que não há subordinação necessária para caracterização de relação de emprego, além de ausentes a pessoalidade e a habitualidade; d) alega que não integra grupo econômico, que a apresentação de declarações de IRPJ demonstra apenas que a recorrente e as demais empresas citadas nos autos utilizam a marca Stefanini como coligada ou controlada, e esse critério não é legalmente suficiente para verificação se empresas fazem parte ou não de grupo econômico; e) no mérito, contesta que a autoridade fiscal não observou à correta subsunção do fato à norma, no caso, ao preceito do artigo 31, § 3º, da Lei nº 8.212/91 e artigo 219, § 1º, do Decreto nº 3.048/99; para que sejam apuradas contribuições com base em referidos dispositivos legais, é imprescindível que a cessão ou empreitada de mãodeobra fique devidamente configurada no Relatório Fiscal que der origem ao lançamento, o que definitivamente não ocorreu no caso em discussão, cita julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; f) indevida e descabida a aplicação da multa prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em razão de sua revogação pela medida provisória nº 449/2008; 13. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.012368/200867 Resolução n.º 2301000.255 S2C3T1 Fl. 862 5 É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. A decisão de primeira instância entendeu que houve a formação de grupo econômico e sujeição passiva entre a recorrente e às empresas: • S.G.E. STEFANINI GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. CNPJ 03.038.591/000184; • STEFANINI QUALITY TOOLS CONS DE SISTEMAS LTDA. CNPJ 00.131.218/000185; • STEFANINI NETWORKING CONSULTORIA DE INF. LTDA CNPJ 01.530.329/000127; • STEFANINI FINANCIALS CONS EM INF. LTDA CNPJ 04.636.720/000107; • STEFANINI TRAINING TREINAMENTO EM INF. LTDA. CNPJ 05.827.610/000187. 3. Transcrevo trecho do voto do relator que julgou por unanimidade a caracterização de formação de grupo econômico (ff.745 e 746), vejamos: “Com efeito, por ter empresa personalidade jurídica própria, inconfundível com a de seus sócios, insta reconhecer que os sujeitos passivos, in casu, são a STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S/A e as empresas que integram o mesmo grupo econômico, cabendo a elas, e tão somente a elas, responder, neste processo administrativo, pela realização do crédito lançado”. 4. Entretanto, compulsando os autos, verificase que a Decisão de primeira instância (ff. 725/749) não foi encaminhada para os contribuintes enquadrados pelo fisco como responsáveis pelo débito e, portanto, partes interessadas no processo fiscal. Consta apenas o comprovante do AR destinado à empresa STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA LTDA, conforme documento de folha 751. 5. Com isso, me posiciono no sentido de que, como a 9ª Turma de Julgamento entendeu que há caracterização de formação de grupo econômico, é necessária a ciência de todos os contribuintes que constam no Termo de Sujeição Passiva Solidária (ff. 394 a 402), para que não seja preterido o direito de defesa. 6. O art. 5°, LV, da Constituição Federal estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Fiscal Tributário. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.012368/200867 Resolução n.º 2301000.255 S2C3T1 Fl. 863 6 7. Dessa forma, entendo como necessária a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos passivos, em respeito ao disposto nos artigos 23 e 59 do Decreto 70.235/72. Até porque a própria decisão recorrida assim determinou à f. 726: “À DRF jurisdicionante, para cientificar os sujeitos passivos deste acórdão e demais providências de sua alçada”. 8. Após os procedimentos de intimação de todas as partes envolvidas no processo, retornem os autos à apreciação deste Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. CONCLUSÃO 9. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos passivos responsáveis pelo débito, em consonância com as razões postas acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 866DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11516.000932/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 32 /2 00 9- 13 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.881, de 31 de janeiro de 2013, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. [...] Insumo dedutível para efeito de Pis não cumulativo, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000932/200913 Acórdão n.º 3803004.506 S3TE03 Fl. 345 3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000932/200913 Acórdão n.º 3803004.506 S3TE03 Fl. 346 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...) [apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000932/200913 Acórdão n.º 3803004.506 S3TE03 Fl. 347 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001572/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Em razão da negativa de recebimento da correspondência encaminhada ao contribuinte (e recusada por um preposto seu), correta é a sua intimação através de edital, diante da falta de êxito na intimação via Correios.
MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Camara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração.
IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
O lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas deve considerar valores que tenham sido efetivamente pagos à pessoa física autuada, sob pena de não restar comprovada a omissão, e por isso mesmo não poder prevalecer o lançamento assim fundamentado.
IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado.
Numero da decisão: 2102-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, apenas para excluir a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fez sustentação oral a Dra. Juliana Nunes dos Santos, OAB-SP nº 235.023
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente à Época da Formalização do Acórdão
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, NÚBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Em razão da negativa de recebimento da correspondência encaminhada ao contribuinte (e recusada por um preposto seu), correta é a sua intimação através de edital, diante da falta de êxito na intimação via Correios. MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Camara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. O lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas deve considerar valores que tenham sido efetivamente pagos à pessoa física autuada, sob pena de não restar comprovada a omissão, e por isso mesmo não poder prevalecer o lançamento assim fundamentado. IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 72 /2 00 2- 12 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, apenas para excluir a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fez sustentação oral a Dra. Juliana Nunes dos Santos, OABSP nº 235.023 Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente à Época da Formalização do Acórdão Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, NÚBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por esta Turma em 21 de Agosto de 2009, por meio da qual restou determinado o seguinte: Diante de todo o exposto, proponho a CONVERSÃO deste julgamento em DILIGÊNCIA para que: a) seja intimado o contribuinte para preencher novo demonstrativo de renda variável relativamente ao ano calendário 1997 – agora incluindo nele todas as operações relativas às notas de corretagem colacionadas aos presentes autos, apresentando ainda toda a documentação que suporte as informações dele constantes; b) com a apresentação desta documentação pelo contribuinte, a autoridade fiscal deve ser instada a se manifestar, emitindo relatório circunstanciando acerca de tais informações; e Fl. 452DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 452 3 c) seja, por fim, o contribuinte novamente intimado a se manifestar acerca das conclusões tomadas pela autoridade fiscal. Com o retorno dos autos à origem para cumprimento da determinação contida na Resolução, o contribuinte foi intimado (cf. termo de fls. 220/222) a apresentar: 1 Demonstrativo de renda variável relativamente ao IRPF do Ex. 1998 / Ac. 1997. • Apresentar documentação comprobatória para o calculo do demonstrativo de renda variável; • Apresentação do extrato do conta corrente de investimentos do contribuinte na corretora, que comprove a efetividade da transferência dos recursos provenientes das transações referenciadas nas notas de corretagem (resumida abaixo) para a conta corrente do contribuinte. Em anexo segue o detalhamento dessas notas de corretagem: (...) Foram então apresentadas as tabelas de fls. 223/228. Em seguida, a autoridade responsável lavrou o Termo de Constatação Fiscal de fls. 230/234, do qual é possível extrair o seguinte trecho: 2. DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE: • As notas de corretagem apresentadas pelo contribuinte na fase de impugnação (fls. 121a 129), e, agora reapresentados nesta diligência se referem apenas ao período de janeiro a maio de 1997, diferentemente daquele registrado em sua DIRPF Ex.98/Ac.97 com operação realizada somente no mês de novembro/97; • Não foi apresentado o demonstrativo de renda variável relativamente a todo o ano calendário de 1997; • Foi apresentado pelo contribuinte nesta diligência o estoque inicial no ano calendário de 1997 de apenas 3 ativos (Banespa PN, Telesp ON e Usina Costa Pinto PN), ficando sem nenhum registro o estoque inicial de outros 17 ativos; • A tabela apresentada pelo contribuinte registra como saldo final das ações Usina Costa Pinto PN, o montante de R$ 3.191.177,32, diferente daquela registrada em sua declaração de bens e direitos de R$ 5.249.499,33 no final do ano de 97 (fl. 59); • A tabela apresentada nesta diligência não faz menção as operações com ações do Banespa ON, Paranapanema PN e Telebras ON, embora elas constem nas notas de corretagem; • Nos cálculos de Lucro ou prejuízo entregues a esta fiscalização, nesta diligência, foi apurado um Prejuízo líquido no montante de (R$ 124.982,48); Fl. 453DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 • Não foi apresentada nenhuma documentação comprobatória complementar, além das notas de corretagem; • Não foi apresentado o extrato das aplicações em Bolsa de Valores, do ano calendário 97, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. Em seguida, o Recorrente apresentou manifestação, por meio da qual afirmou que a despeito de ter ingressado em seu patrimônio o valor líquido de R$ 1.227.371,52, ele teve um prejuízo de R$ 124.982,48 com as operações com ações, verbis: E foi justamente esse o caso do Requerente. Conforme se verifica das planilhas apresentadas (Docs. 01 e 02), apesar das notas de corretagem encartadas nos autos representarem o ingresso de recurso no patrimônio do contribuinte no valor de R$ 1.227.371,52, o conjunto das vendas consubstanciadas nesses documentos geraram um prejuízo para o Requerente no valor de R$ 124.982,48. E tal prejuízo está relacionado não apenas à parte das compras ocorridas em 1997, mas também àquelas ocorridas em anos anteriores e que se referem às ações alienadas. Ou seja, a despeito do Requerente ter apurado prejuízo nas operações consubstanciadas nas notas de corretagem encartadas aos autos, ingressou em seu patrimônio o valor líquido de R$ 1.227.371,52. Além disso, requereu que fosse considerado como origem para seus dispêndios o valor apurado através de processo em que se discutiu lançamento por acréscimo patrimonial relativo ao ano de 1996, da seguinte forma: Outro ponto de extrema importância a ser considerado no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1997 são os recursos remanescentes do processo administrativo n° 13808.006414/200198. Tal processo versava sobre a cobrança de IRPF do ano de 1996. Um dos argumentos para a cobrança do imposto seria um suposto acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro, maio e julho a dezembro desse ano. Especificamente em relação ao mês de dezembro de 1996, verificase do auto de infração e do demonstrativo elaborado na época pela autoridade responsável (Doc. 05) que foi imputado ao Requerente um suposto acréscimo patrimonial a descoberto no valor de R$ 266.334,96. Para afastar essa imposição, o Requerente apresentou, em sede de impugnação, o comprovante do recebimento, em dezembro de 1996, de dividendos da Usina Costa Pinto S/A Usina e Álcool no valor líquido de R$ 599.788,41 (Doc. 06). Tal argumento foi acatado pela DRJ em São Paulo SP no julgamento desse processo, conforme se verifica das fls. 241 da decisão ora apresentada (Doc. 07). Importante esclarecer que o Conselho de Contribuintes, no julgamento do referido processo em segunda instância, sequer chegou a analisar o acréscimo patrimonial a descoberto no mês de dezembro de 1996, pois entendeu que a questão estaria fora de discussão em razão do provimento dado já pelo julgador de I a instância (conforme página 11 do acórdão n° 10613.932 Doc. 08). Fl. 454DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 453 5 Ora, se o acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 266.334,96, imputado ao Requerente em relação ao mês de dezembro de 1996, foi julgado improcedente no respectivo processo administrativo em virtude do reconhecimento da entrada de recursos no mesmo período no valor de R$ 599.788,41, conclui se que o Requerente tinha a seu dispor em dezembro de 1996 a quantia de R$ 333.453,45, correspondente à diferença entre os dividendos líquidos recebidos e o suposto acréscimo patrimonial a descoberto. Tal valor deve ser computado no saldo inicial de recursos disponíveis ao Requerente no mês de janeiro de 1997 e considerado no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1997. Apresentou, ao final, nova planilha de apuração do acréscimo patrimonial no ano de 1997, considerando a disponibilidade do ano de 1996, além de outros documentos. Por fim, foi apresentada a conclusão da diligencia de fls. 418/438, de cujo trecho final se extrai: 6. CONCLUSÃO DA DILIGENCIA: • No cálculo da variação patrimonial, deve ser considerado como origem de recursos, o ganho proveniente das operações de renda variável efetuadas no ano calendário de 1997, aqueles valores declarados em sua DIRPF Ex. 98/Ac.97 (fl. 57), em que foi apresentado Ganho líquido em renda variável no montante de R$ 2.442,22; • Esse valor de R$ 2.442,22 foi utilizado corretamente no processo administrativo n° 19515.001572/200212, como fonte de recursos (origem) para o cálculo da variação patrimonial, conforme fls. 63 e 74; É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos: a) recebidos de pessoa jurídica; b) decorrentes de acréscimo patrimonial a descoberto; e c) decorrentes da existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. A parcela relativa ao item ‘c’ foi excluída pela decisão recorrida, de forma que somente deverão ser discutidas em sede de análise deste Recurso Voluntário as infrações relativas à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, bem como aquelas relativas à apuração da variação patrimonial a descoberto. Antes, porém, é preciso analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Preliminares Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 A primeira preliminar suscitada pelo Recorrente diz respeito à nulidade do lançamento, eis que sua intimação acerca do Termo de Início da Ação Fiscal se deu através de edital, após a frustração de uma única tentativa de intimação pessoal – o que configuraria a referida nulidade. Tal preliminar não merece acolhida. Isto porque o envelope por meio do qual foi enviada ao Recorrente a ciência do Termo de Início de Fiscalização foi devolvido “AO REMETENTE” pelo motivo assim descrito (cf. fls. 09 dos autos) “porteiro não autorizou”. Diante de tal verdadeira negativa de recebimento da correspondência encaminhada a ele pela RFB, correta foi a postura da autoridade fiscal de intimálo através de edital, já que não obteve êxito na intimação via Correios por determinação expressa do Recorrente para que um preposto seu se recusasse a receber a referida correspondência. Ademais, nenhum prejuízo lhe causou a intimação editalícia, pois o Recorrente teve a chance de apresentar diversos documentos às autoridades responsáveis ainda durante o procedimento fiscal, já que o segundo termo de intimação e continuação do procedimento fiscal foi por ele recebido e atendido. Releva lembrar que o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 elenca as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal, sendo elas: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Como se vê, não houve nos autos cerceamento do direito de defesa do Recorrente e tampouco há ato ou termo lavrado por pessoa incompetente. Por isso, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade aventada por ele. O Recorrente suscita ainda uma segunda preliminar de nulidade, esta relacionada à “nulidade relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização de n° 0819000 2002 01692 2, em razão da indicação de um Auditor Fiscal da Receita Federal que foi a mesma pessoa responsável pela execução do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização de n° 0813400 2001 01289 4, extinto por decurso de prazo.”. Conclui então que: Dessa forma, o Mandado de Procedimento Fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração contestado contém vício insanável de nulidade formal, na melhor forma do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, o que impede a convalidação dos atos praticados por seu intermédio e, conseqüentemente, impõe a anulação do auto de infração em questão. Tal pedido não merece acolhida. É que não se aplica aqui o disposto no inc. I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois qualquer vício porventura existente no MPF (que é ato interno da Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 454 7 Administração Pública) não tornaria o fiscal incompetente para a lavratura do Auto de Infração. Neste sentido inúmeros são os julgados deste Conselho, como demonstram as ementas a seguir transcritas: MPF DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 NULIDADE O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como consequência a nulidade do ato. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105558, julgado em 04.12.2006) MPF FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR NULIDADE INOCORRÊNCIA O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105189, julgado em 14.03.2005) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF nº 40106085, julgado em 11.11.2008) Por isso, também esta preliminar não merece acolhida. Decadência Alega o Recorrente que estaria decadente o direito do Fisco de efetuar a constituição do crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e outubro de 1997, uma vez que o Auto de Infração fora lavrado em 28.11.2002. Tal pedido não merece acolhida. A jurisprudência pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido de que o fato gerador do IRPF é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1995 Ementa: IRPF DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. No caso do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, tributo sujeito ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 40400837, de 04.03.2008) Por isso, o fato gerador do imposto exigido por meio do lançamento aqui em debate ocorreu em 31.12.1997, de forma que o Fisco teria até 31.12.2002 para efetuar o respectivo lançamento. Como a ciência deste lançamento se deu dentro do prazo decadencial (em 27.11.2002), não há que se falar em extinção do crédito tributário por decadência. Violação ao sigilo bancário, Irretroatividade, Verdade Material O Recorrente questiona a violação do seu sigilo bancário, a irretroatividade da LC 105/2001 e afirma que o lançamento deve se pautar pela verdade material. Todos estes argumentos, porém, estão relacionados à defesa da parcela do lançamento em que se exige omissão de rendimentos em razão da existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Esta parcela do lançamento, porém, já foi cancelada pela decisão recorrida, razão pela qual os argumentos a ela relativos deixarão de ser aqui analisados por perda de objeto. Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica No que diz respeito à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, esta foi assim descrita no Auto de Infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vinculo empregaticio, caracterizados por juros recebidos sobre empréstimos efetuados pelo contribuinte, na qualidade de sócio, conforme descrito e caracterizado no Termo de Verificação em Procedimento de Fiscalização, que faz parte integrante e inseparável do Auto de Infração e de seus demonstrativos. A despeito da menção a este esclarecimento que constaria do Termo de Verificação, deste Termo consta, em relação aos juros recebidos da empresa Arcobrás, que: Procedemos a Intimação n° 003/2002, dada ciência em 05 /l 1/ 2002, para que o contribuinte comprovasse a origem dos recursos utilizados: nas aplicações/resgates na Vértice Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, CNPJ: 76.642.189/000179, na conformidade da planilha enviada pela mesma. nos empréstimos concedidos à Arcobras Comercial e Incorporadora Ltda CNFJF60.601.721/000189; na conformidade do demonstrativo (folha do Razão Auxiliar ), conta: empréstimos interinos (juros), subconta: Jaime Michaan Chalam, em poder desta fiscalização, como prova emprestada, em razão da fiscalização efetuada na Arcobras Lida, que resultou no processo administrativo fiscal n° 13808.001176/00 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 455 9 72, bem como na Representação Fiscal ofertada pela fiscalização. As aplicações, os resgates, os empréstimos concedidos, bem como os juros de 1 % recebidos sobres os mesmos, não constam da Declaração de Ajuste Anual do fiscalizado, apresentada à Receita Federal. Portanto, passo a considerar no demonstrativo mensal da evolução patrimonial: os resgates, como recursos; as aplicações, como dispêndios; os empréstimos também como dispêndios; os juros também como recursos. (...) A decisão recorrida manteve esta parcela do lançamento sob o seguinte fundamento: 59. Foi constatado que, relativamente aos empréstimos efetuados à Arcobras, o interessado obteve juros mensais produzidos/creditados em seu nome na contabilidade da empresa, estando tais valores a sua disposição. 60. Os créditos dos juros, estando devidamente documentados e contabilizados na empresa, são perfeitos e acabados, caracterizando a disponibilidade jurídica. Com efeito, não há nos autos maiores esclarecimentos acerca da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativamente aos juros que teriam sido creditados pela empresa Arcobrás em favor do Recorrente. A prova de pagamento destes juros foi emprestada de procedimento de fiscalização levado a efeito na referida pessoa jurídica, por meio do qual a fiscalização apurou, através da escrituração do Livro Razão que os juros em questão teriam sido disponibilizados ao Recorrente. Em sua defesa, o Recorrente alega não ter recebido os valores relativos a tais juros, afirmando que os mesmos foram somente disponibilizados para ele, mas não pagos. Conclui que, por ser a tributação da pessoa física regida pelo regime de caixa, não poderia ele se submeter à tributação de tais juros como se rendimentos fossem. Afirmou ainda que: 34. Aliás, o descaminho deste item da autuação tornase mais flagrante na medida em que, no processo administrativo 13808.001176/0072 (Arcobras), a própria fiscalização de tributos federais promoveu a glosa das despesas de juros, reconhecidos pelo regime de competência na empresa Arcobras, em razão da não comprovação do efetivo pagamento desses valores aos mutuantes. Ora, se naquela situação as despesas não foram admitidas porque não teria havido o efetivo pagamento, como pode a autoridade fazendária exigir agora o imposto de renda de pessoa Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 física sobre esse mesmo recebimento de juros que conhece não ter ocorrido? De fato, não há prova nos autos de que o valor relativo a estes juros tenha sido efetivamente pago ao Recorrente. Sem esta prova, não pode o lançamento prevalecer no que diz respeito à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Aliás, neste mesmo sentido foi a decisão proferida nos autos do processo nº 13500.006414/200198, também de interesse do contribuinte, no qual se discutia omissão de rendimentos idêntica, porém relativa ao anocalendário 1996: Juros não pagos (recebidos) embora contabilizados pela empresa Arcobrás, R$1.548.920,18 A questão a ser resolvida respeita saber se valores contabilizados pela pessoa jurídica devedora podem ser considerados como disponibilizados a pessoa fisica titular configurandose fato gerador do imposto de renda. No Termo de Verificação em Procedimento de Fiscalização, integrante do Auto de Infração, o autuante assenta que "deixo entretanto de leválos a efeito na análise da evolução patrimonial, por terem sido creditados (estavam a disposição) na conta do contribuinte na contabilidade da Arcobrás Comercial e Incorporadora Ltda " No exame da matéria feito no julgamento precedente, também ficou claro que o contribuinte não recebeu os valores contabilizados pela pessoa jurídica e título de juros por empréstimos realizados. Discutese. se esta providência da emprese Arcobrás configuraria a disponibilidade jurídica na dicção do art. 43 do CTN, a teor do vocábulo "percebidos" constante no art. 2° da Lei n" 7.713, de 1988 A razão do recorrente para que os juros por empréstimos não sejam tributados no anocalendário de 1996 é exatamente por não terem sido recebidos a despeito dos registros contábeis junto à empresa Arcobrás A própria fiscalização teria glosado as despesas de juros na mencionada empresa, reconhecendoos pelo regime de competência. Estabelece o art. 39 do Decreto n° 1041, de 11 01.94, RIR/94, o seguinte; Ari 39 Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerandose como tal a entrega dos recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira. O dispositivo consagra o regime de caixa de tributação dos rendimentos das pessoas físicas. Assim, os rendimentos serão tributados quando forem recebidos pela beneficiários ou colocados a sua disposição, situação em que o contribuinte possa deles usar e gozar Compulsando o auto de Infração, na descrição dos fatos, registrase a Omissão de receitas / rendimentos, creditados por pessoa jurídica, em conta do contribuinte, conforme descrito e caracterizado no Termo de Verificação em Procedimento de Fiscalização. Neste, informase que os valores estavam creditados na contabilidade da Arcobrás Comercial e Incorporadora Ltda.. inclusive não sendo levados, tais valores, à suportar as aplicações realizadas no período pelo Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 456 11 contribuinte Não se trata de interpretação literal do vocábulo "percebidos" insculpido nas disposições do art 2o das Leis n° 7.713, de 1988, e 8.134, de 1990. Neste caso embora pareça ser indiscutível que o contribuinte fez jus aos juros sobre empréstimos concedidos não se pode dizer que os valores estejam a disposição s porque a empresa realizou a competente provisão da despesa, corno atestado pele documentos acostados, balancete, inclusive, e que as autoridades lançadora julgadora são cordatas. Não há como se considerar o lançamento correto, pelo que recurso deve ser provido, nesta parte Do acréscimo patrimonial Da apuração do acréscimo patrimonial efetuada pela fiscalização, foi apurado excesso de aplicações sobre origens nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, junho, julho e agosto de 1997. O Recorrente alega que não houve excesso de aplicações sobre origens, pois ele teve disponibilidades de aplicações financeiras no valor de R$ 1.227.371,52. Eis os argumentos utilizados por ele em sede de Recurso Voluntário: A outra parcela remanescente do auto de infração ora discutido diz respeito a uma suposta variação patrimonial a descoberto que teria sido verificada quando da constatação de que o Recorrente não teria rendimentos comprovados que justificassem os empréstimos por ele efetuados à empresa Arcobras Comercial e Incorporadora Ltda. e as aplicações efetuadas na Vértice DTVM. 53. Para comprovar a total improcedência da referida cobrança, apresentou o Recorrente, juntamente com a impugnação, diversos documentos que demonstravam que havia origens para justificar todos os seus dispêndios no período questionado. Tais documentos comprovam a realização de diversas operações de venda de ações durante o ano de 1997, que lhe renderam a quantia total de R$ 1.227.371,52, valor este mais do que suficiente para comprovar a completa inexistência de variação patrimonial a descoberto do Recorrente. 54. Ocorre que, para a surpresa do Recorrente, nenhum dos documentos apresentados foi considerado pela decisão ora recorrida. Segundo a r. decisão, as notas de corretagem apresentadas (vide doc. 08 da impugnação fls. 121 a 129) não seriam suficientes para se apurar os ganhos líquidos com renda variável, razão pela qual não poderiam ser utilizadas como prova no processo. Ora, Ilmo. Julgadores, o que está em discussão no presente processo não é a omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, mas sim a suposta existência de variação patrimonial a descoberto do contribuinte em 1997!!!!!! Dessa forma, não há qualquer razão lógica para que se condicione a aceitação das notas de corretagem apresentadas pelo Recorrente (que comprovam a origem de seus rendimentos) à comprovação Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 do custo de aquisição das ações, para que se apure os eventuais ganhos líquidos. Assim, toda a defesa da parcela do lançamento relacionada ao acréscimo patrimonial a descoberto diz respeito à possibilidade de se aceitar, ou não, os valores que o Recorrente alega ter recebido com a negociação de ações ao longo do ano de 1997, valor este que reputa suficiente para acobertar seus dispêndios. Ao analisar esta parcela do lançamento, a decisão recorrida se deu no seguinte sentido: As notas de corretagem por si só não são suficientes para se apurar os ganhos líquidos com renda variável. Não há nos autos comprovação dos custos das ações alienadas, necessários para a apuração dos ganhos e perdas com renda variável, impossibilitando a utilização das informações contidas nas referidas notas. 76. Deixou o interessado de apresentar demonstrativo mensal de ganhos líquidos ou perdas em todas as operações de renda variável que realizou no anocalendário 1997, demonstrando o estoque inicial, as compras e as vendas durante o mês e o saldo final, acompanhado de toda a documentação hábil e idônea a fim de se concluir de maneira incontestável se o mesmo apurou ganhos (capazes de justificar o acréscimo patrimonial) ou perdas no período. 77. Não é possível determinar apenas com os valores de venda das ações, se o interessado apurou ganhos líquidos ou perdas na transação. O ganho líquido é a diferença positiva entre o valor da operação de venda e o do custo médio do ativo vendido. Sem o valor do custo médio, devidamente comprovado, não há como se calcular os ganhos ou perdas. 78. Ao operar na Bolsa de Valores, o contribuinte fica obrigado a preencher e anexar à Declaração de Ajuste, o formulário de "Resumo da Apuração de Ganhos Renda Variável", mesmo no caso de não haver ganhos líquidos oferecidos à tributação. 79. O interessado deixou de informar na declaração de bens a sua efetiva posição acionária e, preencheu na declaração de ajuste como ganhos líquidos em renda variável no item de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva apenas o valor de R$ 2.442,22, o qual foi devidamente considerado como origem de recurso no Demonstrativo de Evolução Patrimonial (fl. 74). (...) 81. Os ganhos líquidos com renda variável são rendimentos objeto de tributação definitiva. Na impossibilidade de comprová los não há como justificar o presente acréscimo patrimonial a descoberto, como pretende o contribuinte. Tal decisão merece ser mantida. Com efeito, o Recorrente declarou em sua DIRPF 1998 (AC 1997 – fls. 57/61) ter auferido R$ 2.442,22 a título de ganhos líquidos em renda variável no mês de novembro de 1997. Este foi o único ganho auferido em ações declarado por ele naquele ano. Declarou ainda Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 457 13 possuir apenas ações da Usina Costa Pinto, assim descritas em sua Declaração de Bens e Direitos: Ao longo do procedimento fiscal, e visando elaborar de forma correta o quadro de variação patrimonial do Recorrente, a autoridade fiscal o intimou (em 05.11.2002) para informar de onde retirara recursos suficientes para conceder empréstimos à empresa Arcobrás, assim como recursos para justificar investimentos efetuados na empresa Vértice. Em resposta, o Recorrente afirmou que estaria no Rio de Janeiro até “meados de dezembro”, o que o impossibilitava de atender ao pedido da fiscalização. Diante do seu silêncio, a autoridade fiscal elaborou o quadro de apuração da variação patrimonial de fls. 74, com as informações de que dispunha (notadamente aquelas constantes da DIRPF apresentada pelo Recorrente). E foi somente em sede de Impugnação que o Recorrente afirmou que a origem dos recursos utilizados em tais aplicações seriam operações efetuadas por ele no mercado de renda variável, as quais teriam lhe rendido ingressos totais de R$ 1.227.371,52, os quais seriam suficientes a acobertar os dispêndios considerados no lançamento. Pretendeu, assim, que os valores constantes das referidas notas de corretagem fossem considerados como origem na apuração do fluxo do acréscimo patrimonial no ano de 1997. Considerando que a negociação de tais ações não fora devidamente declarada por ele no momento correto (DIRPF 1998) e tampouco fora informada à fiscalização no momento devido – de forma que pudesse ser considerada na apuração da variação patrimonial esta turma julgadora decidiu, na sessão de julgamentos de agosto de 2009, determinar a realização de diligência. A diligência, porém, em verdade, não trouxe elementos novos além daqueles que já constavam dos autos, mas deu ao Recorrente a oportunidade de demonstrar a data e o custo de aquisição das ações alienadas ao longo do ano de 1997, o que, todavia, não foi feito. Vale ressaltar que o escopo desta diligência foi a busca da verdade material, já que o Recorrente deixara de declarar as ações negociadas naquele ano em sua DIRPF, assim como omitira os ganhos com tais operações. Buscouse, assim, demonstrar quais seriam as datas e valores das aquisições das ações alienadas, de forma que se pudesse apurar corretamente a variação patrimonial do Recorrente no ano de 1997. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 As notas de corretagem por ele apresentadas indicam, de fato, a realização das operações, ou seja, demonstram a venda de ações que o Recorrente detinha ao longo do ano calendário 1997. Porém, ao contrário do que ele afirma, estas vendas não se prestam – por si sós – para acobertar os dispêndios sem origem naquele ano. Isto porque a data de aquisição (e o custo) destas ações seria imprescindível para que se pudesse tomar os valores das referidas vendas como origem. Ora, as únicas provas que se têm nos autos são: a) de que em 31.12.1996 o Recorrente não possuía as ações alienadas, já que não constavam de sua Declaração de Bens e Direitos; e b) de que ele alienou ações ao longo do ano de 1997, o que lhe rendeu ingressos de R$ 1.227.371,52. Sem a indicação da data de aquisição das ações alienadas, e sem que as mesmas constassem da DIRPF 1998 apresentada pelo Recorrente, a presunção militaria em seu desfavor, pois seria de se presumir que as ações foram adquiridas em janeiro de 1997, o que de qualquer forma implicaria na manutenção do lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto. Vale reiterar que não se está aqui negando que tais operações tenham sido realizadas, mas apenas entendendo que o simples fato de as mesmas terem ocorrido não implica em acolher os recursos delas decorrentes como origem para as aplicações efetuadas. Releva notar ainda que o próprio Recorrente – em sua manifestação após a diligência – afirma que parte destes ativos (ações) foi adquirido “ao longo do ano de 1997”. Ora, sendo assim, caberia a ele também demonstrar que ativos foram estes, pois tais compras deveriam também ser consideradas como aplicações no referido ano. Por tudo isso, também não merece prosperar a alegação do Recorrente no sentido de que não se está a discutir aqui eventual ganho líquido com a venda das ações, mas sim o acréscimo patrimonial (e uma justificativa para as origens dos recursos por ele aplicados). Na realidade, a apuração dos ganhos líquidos auferidos por ele naquele ano seria relevante sim, pois estes ganhos significariam rendimentos novos, a justificar um acréscimo em seu patrimônio. Como bem resumido na conclusão da diligência de fls. 421, verbis: Documentos apresentados: Foi apresentado pelo contribuinte nesta diligência o estoque inicial no ano calendário de 1997 de apenas 3 ativos (Banespa PN, Telesp ON e Usina Costa Pinto PN), ficando sem nenhum registro o estoque inicial de outros 17 ativos; Esclarecimentos prestados pelo contribuinte: Primeiramente, esclarece o Requerente que, de acordo com a planilha apresentada como Doc. 01 da petição de 28/03/2011, foi indicado o estoque inicial de 6 ativos (Banespa PN, Banespa ON, Paranapanema PN, Telebrás ON, Telesp ON e Usina Costa Pinto PN), e não de 3 títulos. Além disso, tal constatação é completamente irrelevante, pois revela apenas que os demais títulos negociados no período foram adquiridos pelo Requerente no próprio ano de 1997. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001572/200212 Acórdão n.º 2102002.510 S2C1T2 Fl. 458 15 Conclusão: Contribuinte não apresentou mais nenhuma documentação complementar daquela apresentada originalmente na impugnação, prejudicando eventual auditoria fiscal na apuração de lucro e/ou prejuízo no ano calendário, ficando mantida nesta diligência o ganho líquido declarado em sua DIRPF original, para efeitos de contabilização como "origem de recursos" para o cálculo da variação patrimonial. O Recorrente insiste que seja aplicado aqui o mesmo entendimento esposado em julgamento de matéria idêntica, realizado nos autos do processo nº 13500.006414/200198, no qual foram acolhidos os valores relativos à notas de corretagem apresentadas. Tal pedido, porém, não merece acolhida, eis que aquela decisão não tem efeito vinculante e somente produz efeito naquele caso concreto (que analisou fatos geradores ocorridos no ano de 1996). Por fim, o Recorrente pugna pela utilização do saldo positivo apurado em dezembro de 1996 nos autos do processo nº 13500.006414/200198. Afirma que: Ora, se o acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 266.334,96, imputado ao Requerente em relação ao mês de dezembro de 1996, foi julgado improcedente no respectivo processo administrativo em virtude do reconhecimento da entrada de recursos no mesmo período no valor de R$ 599.788,41, conclui se que o Requerente tinha a seu dispor em dezembro de 1996 a quantia de R$ 333.453,45, correspondente à diferença entre os dividendos líquidos recebidos e o suposto acréscimo patrimonial a descoberto. Tal valor deve ser computado no saldo inicial de recursos disponíveis ao Requerente no mês de janeiro de 1997 e considerado no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1997. Este pedido, porém, não fora feito em sede de Impugnação e nem tampouco no Recurso Voluntário apresentado, sendo trazido somente por ocasião da manifestação acerca da diligência realizada. A sobra de recursos em questão (relativa a dezembro de 1996) fora reconhecida através de julgamento feito pela DRJ em São Paulo (cf. acórdão de fls 282/302), que determinou o cancelamento do acréscimo patrimonial a descoberto então apurado para dezembro de 1996, em razão do acolhimento de uma origem para as aplicações então efetuadas. Eis o que consta da decisão recorrida: Assim, no tocante a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, após procederse as devidas retificações, de modo a considerar como origem de recursos nos meses de outubro e dezembro de 1996 os valores dos dividendos auferidos pela empresa Usina Costa Pinto, nos respectivos valores de R$ 299.894,21 e R$ 599.788,41, o somatório dos valores mensais de acréscimo patrimonial a descoberto resultou /em R$ 5.966.646,75 no anocalendário de 1996. Não há, porém, a tabela de apuração do referido acréscimo, de forma que não é possível atestar a veracidade das alegações do Recorrente no sentido de que teria as sobras referidas naquele mês. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 Acresçase a isto que tal decisão foi proferida em 17.10.2002, ou seja, antes da interposição do Recurso Voluntário apresentado nestes autos, e antes mesmo da apresentação da Impugnação a este lançamento, de forma que o Recorrente poderia ter requerido a utilização daquele saldo de recursos em tais oportunidades, quedandose, porém inerte, e atraindo para o caso a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235, segundo o qual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Deve, por todos estes motivos, ser mantido o lançamento no que diz respeito à variação patrimonial a descoberto. Diante do exposto, VOTO no sentido REJEITAR as preliminares suscitadas, para, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, apenas para excluir a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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