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Numero do processo: 19515.723167/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
No caso da aplicação de multa isolada, à fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento do imposto que estava obrigada a reter, e da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplica-se ao lançamento do crédito tributário a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN.
DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA INCIDENTE EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART. 173, I, DO CTN.
Na ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se ao lançamento do imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art 173, inciso I, do CTN.
RENDIMENTOS DO TRABALHO. BÔNUS. APORTES EM PLANO DE PREVIDÊNCIA. CARTÕES DE INCENTIVO DE VENDA. TRIBUTAÇÃO.
O pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores não empregados, por meio de aportes em conta de fundo de previdência privada e de cartões de incentivos de vendas, está sujeito à incidência do imposto sobre a renda na fonte, por constituir rendimento do trabalho assalariado ou não assalariado, conforme o beneficiário.
RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, embora cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa isolada pela falta de retenção ou recolhimento prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007.
MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. MARGEM DE DÚVIDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
Exige-se para a aplicação de penalidade mais gravosa a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo.
Não demonstrada pela fiscalização a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, proporcional e isolada, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial de 75%.
Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário. Por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício; votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess, Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as penalidades, multa de ofício proporcional e multa isolada ao patamar trivial em casos de lançamento de ofício (75%), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de decadência da competência 12/08. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso voluntário e mantinham a qualificadora da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). No caso da aplicação de multa isolada, à fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento do imposto que estava obrigada a reter, e da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplicase ao lançamento do crédito tributário a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA INCIDENTE EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART. 173, I, DO CTN. Na ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplicase ao lançamento do imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art 173, inciso I, do CTN. RENDIMENTOS DO TRABALHO. BÔNUS. APORTES EM PLANO DE PREVIDÊNCIA. CARTÕES DE INCENTIVO DE VENDA. TRIBUTAÇÃO. O pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores não empregados, por meio de aportes em conta de fundo de previdência privada e de cartões de incentivos de vendas, está sujeito à incidência do imposto sobre a renda na fonte, por constituir rendimento do trabalho assalariado ou não assalariado, conforme o beneficiário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 67 /2 01 3- 01 Fl. 880DF CARF MF 2 RENDIMENTOS DO TRABALHO. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, embora cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa isolada pela falta de retenção ou recolhimento prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. MARGEM DE DÚVIDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Exigese para a aplicação de penalidade mais gravosa a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Não demonstrada pela fiscalização a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, proporcional e isolada, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa ao patamar trivial de 75%. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário. Por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício; votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess, Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as penalidades, multa de ofício proporcional e multa isolada ao patamar trivial em casos de lançamento de ofício (75%), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de decadência da competência 12/08. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso voluntário e mantinham a qualificadora da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 882DF CARF MF 4 Relatório AON HOLDINGS CORRETORES DE SEGUROS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte devido pela autuada, incidentes sobre a falta de recolhimento do imposto na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados, c/c com multa isolada e juros isolados, em relação ao período de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo de Verificação Fiscal, às efls. 112/134, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/01/2014 (AR de fl. 635), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, a exigência do presente crédito tributário encontra guarida nas seguintes Autuações: I Da multa isolada e dos juros de mora cobrados isoladamente em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF no pagamento de remuneração variável a seus empregados e contribuintes individuais. Tais pagamentos se davam por meio de depósitos em conta de previdência privada e em crédito em cartões de premiação e estavam relacionados às remunerações variáveis por cumprimento de metas a empregados, diretores não empregados e autônomos. Tais remunerações decorrem de rendimento do trabalho assalariado (para os empregados) e nãoassalariado (para os diretores não empregados e autônomos). A multa isolada qualificada (de 150%) se justifica pelo fato de a empresa ter agido, em tese, dolosamente tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do IRRF, ao fazer pagamento de remunerações via cartões de premiação e informando tais valores na contabilidade como despesa com marketing e propaganda, e também, em tese, praticou fraude, ao agir dolosamente tendente a modificar as características do fato gerador do IRRF, ao depositar os valores de comissões e bônus em previdência privada, conforme artigos 71, inciso I e 72 da Lei n° 4.502/64. II Do Imposto de Renda exclusivamente na fonte sobre alíquota de 35% diante da ausência de indicação do(s) beneficiário(s) dos valores pagos através das notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas Salles Adan & Assoc Merk de Incentivos Ltda. e IBPG Consultoria Serv Marketin e Comunicação Ltda., para distribuição de "premiações" aos colaboradores da empresa por cumprimento de metas, mesmo sendo intimada duas vezes para indicar os beneficiários; A não apresentação individualizada dos valores por beneficiários ensejou o entendimento de pagamento por pessoa jurídica a pessoa não identificada, sujeitando a empresa ao Imposto de Renda exclusivamente na fonte de 35% sobre a base reajustada, conforme dispõe o artigo 61 da Lei n° 8.981/95 e o artigo 74 da Lei n° 8.383/91. A multa qualificada (de 150%) se justifica pelo fato de a empresa ter agido, em tese, dolosamente tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do IRRF, ao fazer pagamento de remunerações via cartões de premiação e informando tais valores na contabilidade como despesa com marketing e Fl. 883DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 4 5 propaganda. Essa atitude é considerada uma sonegação, conforme o inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502/64. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação suscitando, basicamente, a decadência do crédito tributário lançado, bem como a inaplicabilidade da multa qualificada. Por sua vez, a 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP entendeu por bem rechaçar parte da exigência fiscal pertinente aos fatos geradores ocorrido no período de 31/01/2008 a 30/11/2008, atingidos pela decadência com base no artigo 173, I do CTN, mantendo o crédito atinente à competência 31/12/2008, inclusive com a manutenção da multa de 150%, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 1664.800/2015, de efls. 792/811, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. TRIBUTAÇÃO. As contribuições aportadas pela empresa no Fundo FGB e os pagamentos aos empregados por meio de cartões de incentivos de vendas devem sofrer a incidência do IRRF, pois constituem rendimentos do trabalho assalariado. DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. As operações engendradas pela contribuinte visando, dolosamente, impedir a ocorrência do fato gerador do imposto e a tributação correspondente, justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. DOLO E FRAUDE. DECADÊNCIA. Considerando a ocorrência de dolo e fraude, a contagem do prazo decadencial (de 5 anos) iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tendo sido parte do crédito tributário formalizado após o prazo decadencial, exonerase a exigência correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Inconformada com parte da Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 827/850, procurando demonstrar sua improcedência em relação ao crédito mantido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 884DF CARF MF 6 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, resumidamente requer o acolhimento da decadência, igualmente, quanto aos juros de mora, suscitando, ainda, a ausência de dolo, fraude ou simulação e, por conseguinte, o descabimento da multa isolada/qualificada. Preliminarmente, no que tange o reconhecimento da decadência quanto aos juros de mora, contrapõese a decisão a quo, alegando ter deixado de exonerar da exigência fiscal tal rubrica em relação ao período considerado decaído. Esclarece terem sidos rechaçados as seguintes exigências pela autoridade julgadora de primeira instância: a multa qualificada, multa isolada e juros isolados, impondo sejam excluídos, igualmente, os juros de mora calculados sobre o imposto devido do mesmo período. Pugna, assim, que este conselho expressamente exclua os referidos juros. Suscita a inconsistência das acusações imputadas à recorrente, especialmente quanto a ausência de provas de dolo, fraude ou simulação, sobretudo quando, a partir de um único Mandado de Procedimento Fiscal, terem sido lavrados quatros autuações diferentes, com conclusões diversas por parte da autoridade lançadora. Repisa que em todos os autos originados do mesmo MPF, chegou a conclusão pela existência, em tese, de dolo, fraude ou simulação, porém, lastreadas em acusações divergentes, ou seja, a fiscalização não logrou demonstrar o intuito doloso, não havendo consenso sobre qual a conduta dolosa. Alega não existir prova cabal, tanto menos robusta, da suposta fraude, invocando a aplicação da Súmula 14 do então 1° Conselho de Contribuintes, conforme determina o Art. 72, §4° da Portaria n° 256/2009 (Antigo Regimento Interno do CARF). A corroborar seu entendimento, suscita a contribuinte não ter agido com o intuito doloso, uma vez ter feito constar das folhas de pagamentos os valores pagos aos segurados a título de previdência privada e premiações, além de ter emitido notas fiscais, ou seja, para incorrer na conduta fraudulenta e/ou dolosa deveria ter agido completamente ao contrário. Explicita que não promoveu a retenção e o respectivo recolhimento do Imposto de Renda na Fonte por entender que os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais não integram o conceito de remuneração. A fazer prevalecer seu entendimento, traz à colação jurisprudência administrativa e doutrina amparando seu pleito, no sentido de que a mera indicação de dolo ou fraude por parte da autoridade fazendária não tem o condão de comprovar a conduta dolosa de maneira cabal e inequívoca, impondo a comprovação do evidente intuito de fraude. Relativamente ao plano de previdência privada, insurgese à exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, invocando o artigo 202, §2° da CF e os artigos 68 e 69 da Lei Complementar 109/2001, os quais contemplam que os valores depositados pela contribuinte a título de previdência privada não podem sofrer qualquer tributação, razão pela qual não poderia ser exigida a retenção do IR sobre os referida importâncias. Sustenta inexistir qualquer comprovação por parte da fiscalização de que os aportes realizados nos planos de previdência complementar referiamse a comissões, pois como já dito em tópico anterior, cada autuação tem um fundamento diferente. Opõese, igualmente, à conclusão de que os planos deixaram de observar a finalidade de previdência, em razão da Fl. 885DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 5 7 possibilidade dos segurados realizarem resgates, ou seja, o fato de haver autorizações para resgate não desvirtua a natureza do plano. No tocante aos valores pagos por meio de cartões de premiação, alega a contribuinte não ter natureza salarial, porquanto o trabalhador só receberá o prêmio se atingir a meta proposta, não sendo pagos se não houve o cumprimento das metas, na linha da jurisprudência do TST e entendimentos doutrinários, transcritos na peça recursal. Elabora explanação acerca do princípio do formalismo moderado na esfera administrativa e da revisão de ofício, nos termos do §2° do art. 63 da Lei 9.784/99, objetivando o conhecimento e apreciação de suas razões a propósito da multa isolada, aduzido somente nesta fase recursal. Opõese à aplicação da multa isolada, sob o argumento de que a redação anterior do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 contemplava as multas de 75% e 150%, podendo ser aplicadas culminadas pelo artigo 9° da Lei n° 10.426/02, esteio da pretensão fiscal, teve seu texto alterado pela Lei nº 11.488/07, não se sujeitando mais a contribuinte a penalidade constante no inciso II da nova redação, bem como da multa do inciso I. Suscita a inaplicabilidade da penalidade isolada quanto ao crédito tributário não decaído, trazendo a baila jurisprudência administrativa quanto à matéria. Pugna pelo reconhecimento do descabimento da multa qualificada, sobretudo por não ter incorrido em dolo, fraude ou simulação, como exaustivamente mencionado nos itens anteriores. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 886DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. Muito embora tenhamos por costume analisar primeiramente o Recurso de Ofício, em razão da peculiaridade do caso, contemplaremos neste primeiro momento o Recurso Voluntário, uma vez que, prosperando a tese do contribuinte, a remessa oficial resta prejudicada. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte em sua peça recursal, o ponto nodal da demanda se restringe a analisar uma alegação, passível de macular do lançamento fiscal: QUALIFICAÇÃO DA MULTA Aduz a recorrente que é impossível admitir a qualificação da multa, como fez o agente fiscal, porquanto a recorrente não obrou com dolo, fraude ou simulação, não tendo cometido qualquer das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Dessa forma, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto vencedor do Acórdão n° 2401004.592, o qual me filiei na oportunidade, da lavra do Conselheiro Cleberson Alex Friess, exarado por esta Turma nos autos do processo n° 19515.720388/201409, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: "32. Aduz a recorrente em seu recurso voluntário que é inadmissível a qualificação da multa, como fez o agente fiscal, porquanto ausente o dolo, a fraude ou a simulação, não tendo cometido qualquer das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 33.A multa isolada e a multa proporcional, as quais estão previstas, respectivamente, no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, e no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, admitem a elevação do percentual básico de 75%. Em ambos os casos, o respectivo dispositivo de lei faz alusão ao § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que cuida da duplicação do percentual, equivalente a 150%: Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 6 9 Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)(GRIFEI) 34.Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, acima mencionados, estão assim redigidos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 35.A despeito do critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% sobre o valor principal, a legislação prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, quando evidenciada pela fiscalização sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 36.Para essa elevação do percentual básico é condição indispensável a acusação identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a simulação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da conduta. Fl. 888DF CARF MF 10 37.Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. 38.Pois bem. Em síntese, a fiscalização resumiu a justificativa para a exasperação do percentual das multas nos termos abaixo: "(...) pelo fato da empresa ter agido, em tese, dolosamente tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do IR retido na fonte, ao fazer pagamento de remunerações via cartões de premiação e informando tais valores na contabilidade como despesa com marketing e propaganda, e também, em tese, praticou fraude, ao agir dolosamente tendente a modificar as características do fato gerador do IR fonte ao depositar os valores de comissões e bônus em previdência privada, conforme os arts. 71 inciso I e 72 da Lei nº 4.502/1964:(...)" [multa isolada, fls. 576] "(...) pelo fato da empresa ter agido, em tese, dolosamente tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do IR retido na fonte, ao fazer pagamento de remunerações via cartões de premiação e informando tais valores na contabilidade como despesa com marketing e propaganda, e sendo essa atitude considerada uma sonegação, conforme o inciso I do art. 71 da Lei nº 4.502/1964:(...)"[multa proporcional, fls. 582] (GRIFEI) 39.Ainda que a tese de dolo, fraude ou simulação não possa ser irrefutavelmente afastada pelo conjunto probatório acostado aos autos, entendo que as provas trazidas pela autoridade lançadora a qual tem o dever de fazer prevalecer os fatos que alega na hipótese de aplicação de penalidade mais gravosa não comprovam efetiva e cabalmente a existência do elemento subjetivo ilícito na conduta da recorrente. 39.1Em caso de dúvida, não restando convencido o julgador que houve a intenção deliberada do fiscalizado em impedir a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, ou de excluir ou modificar suas características essenciais, devese afastar a qualificação da penalidade de ofício. 40.Nessa linha de raciocínio, chamoume a atenção a utilização pelo agente fiscal da expressão "em tese", conforme sublinhado no texto copiado, quando da sua narrativa a respeito da conduta perpetuada pela empresa autuada. 40.1Isso porque não se está diante de um contexto de comunicação de possível cometimento de crime ao Ministério Público, mas sim da aplicação concreta de sanção pecuniária em dobro para a multa prevista em lei. 40.2A toda a evidência, para tal exarcebação da penalidade exigese da autoridade lançadora total segurança na tarefa de demonstrar, por meio dos elementos de prova juntados aos autos, a existência da intenção firme do infrator de atuar com dolo, fraude ou simulação perante o Fisco. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 7 11 41.Verifico que a recorrente não deixou de contabilizar os desembolsos efetuados relacionados ao crédito tributário exigido, estando integralmente registrados na escrituração contábil, mesmo que se possa argumentar que alguns dos lançamentos estão localizados em contas com nomenclatura menos apropriada a sua natureza jurídica. 41.1De qualquer forma, em nenhum momento, a fiscalização questionou ou demonstrou a idoneidade da documentação que lhe foi apresentada, inclusive as notas fiscais de repasse de créditos de aumento de performance e produtividade aos trabalhadores recompensados pela empresa. Neste último caso, a falta de identificação dos beneficiários dos pagamentos é que ensejou a tributação extraordinária do imposto sobre a renda, com base de cálculo reajustada, na alíquota de 35%. 42.A realização de depósitos em contas de previdência privada, assim como os créditos mediante cartões de benefícios para premiações pelo atingimento de metas, não são formas ilícitas, proibidas pela lei. 42.1Por isso, a linguagem de provas utilizada pela fiscalização não tem o condão de afastar a possibilidade de planejamento fiscal pela autuada, amparada em uma interpretação jurídica, equivocada é verdade, de que os aportes efetuados nas contas de previdência privada e os valores pagos por meio de cartões de premiação escapariam à incidência do imposto sobre a renda, por não se enquadrarem tais desembolsos no conceito de remuneração ou salário. 43.Destaco que os fatos narrados pela autoridade fiscal podem evidenciar indícios da ocorrência de conduta fraudulenta ou sonegatória e, dessa maneira, suficientes para confecção de representação fiscal para fins penais dirigida ao Ministério Público Federal. Em vista disso, talvez, o uso da expressão "em tese" pelo fiscal autuante. 44.Entretanto, a existência de indícios de crime tributário não autoriza sem as justificativas materiais apropriadas a imposição de penalidade de ofício qualificada, a qual demanda a comprovação minudente de uma das hipóteses de aplicação dessa sanção mais gravosa. 45.Na esfera penal a sociedade tem o direito de ver devidamente apuradas eventuais condutas delituosas, cuja instrução probatória permitirá demonstrar, com os meios disponíveis, a verdade possível dos fatos. 46.Por outro lado, na hipótese de qualificação da multa, além da descrição dos fatos ocorridos, as provas indispensáveis e contundentes para justificar a duplicação do percentual da penalidade devem ser carreadas aos autos pelo agente fiscal, via de regra, no momento da formalização do auto de infração, dados os limites existentes para a produção da prova no curso do processo administrativo tributário. Fl. 890DF CARF MF 12 47.Assim, penso que faltou à autoridade lançadora estabelecer, em relação aos específicos valores lançados, uma liame indubitável entre os elementos de sua convicção da conduta ilícita do sujeito passivo e o cometimento de fraude ou sonegação, mediante ação dolosa, nos moldes previstos na Lei nº 4.502, de 1964. 48.Dessa feita, não demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. 49.O percentual trivial de 75% aplicase à multa de ofício proporcional aplicada sobre o lançamento de ofício relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados, conforme art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, bem como ao lançamento de ofício da multa isolada, exigida com base no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002 (fls. 118, 128 e 499)." Conforme acima explicitado, entendo que deve ser afastada a qualificação da multa. DECADÊNCIA A contribuinte foi cientificada da autuação em 06/01/2014 (AR, fl. 635), sendo os fatos geradores de 31/01/2008 à 31/12/2008. Consoante se infere dos autos, uma vez afastada a multa qualificada, conclui se pelo conhecimento de ofício da pretensa decadência. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito dos ilustres julgadores recorridos, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 8 13 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Primeiramente vale salientar que a decisão de piso considerou 90% do crédito decaído pela contagem do art. 173, inciso I, do CTN., em números importa dizer do crédito de aproximadamente R$ 7.500.000,00, mantiveram apenas R$ 350.000,00 relativos ao fato gerador de 31/12/2008. O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto de Renda Retido na Fonte sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Neste sentido temos jurisprudências do STJ: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IRRF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. INCIDÊNCIA. AÇÕES AJUIZADAS APÓS A SUA VIGÊNCIA. ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPERCUSSÃO GERAL NO RE 566.621/RS E, PELO STJ, NO RESP REPETITIVO 1.291.394/RS. (Publicação DJe 15/09/2014 Julgamento 4 de Setembro de 2014 Relator Ministro HUMBERTO MARTINS) Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Fl. 892DF CARF MF 14 Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 9 15 Interno do CARF (artigo 62A), introduzida inicialmente pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 894DF CARF MF 16 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratarse, em parte, de salário indireto, portanto, diferenças de retenções, eis que a contribuinte promoveu a retenção sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Não bastasse o argumento do parágrafo anterior, consta dos autos modelo analítico dinâmico dos valores de retenção informados em Dirf, demonstrando os valores retidos e a diferença a recolher (efls 138/270), ou seja, não resta dúvida quanto o pagamento (retenção) antecipada do tributo. Entendo que estando decaído o direito de lançar o imposto, ou seja, inexistente no mundo jurídico, não caberia lançar a multa, portanto sendo indevida sua aplicação. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito em 06/01/2014, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto das autuações, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2008 a 31/12/2008, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência do feito. RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 10 17 Conforme se depreende dos autos do processo, o recurso de ofício sob análise contempla a discussão quanto à decadência parcial do lançamento pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Com mais especificidade, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem decretar a decadência parcial do lançamento em face das seguintes constatações insertas no bojo do Acórdão recorrido, in verbis: "Quanto ao prazo decadencial e o seu termo de início, dispõe o artigo 150 do CTN que: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (grifei). Conforme § 4º do artigo 150 do CTN, a contagem do prazo decadencial de 5 anos iniciase, em princípio, na data da ocorrência do fato gerador. No entanto, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como no caso em tela, a contagem iniciase no “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)”. Com relação aos fatos geradores de 31/01/2008 a 30/11/2008, a fiscalização, como bem argumenta a impugnante, já poderia ter efetuado os lançamentos (de IRRF e consectários) no próprio ano de 2008. Assim, o primeiro dia do exercício seguinte é, de fato, 01/01/2009, decaindo o direito de lançar em 01/01/2014. Quanto ao fato gerador de 31/12/2008, no entanto, a fiscalização só poderia efetuar os lançamentos a partir de 2009. Assim, para este fato gerador, o primeiro dia do exercício seguinte é 01/01/2010 (e não 01/01/2009), decaindo o direito de lançar em 01/01/2015 (e não 01/01/2014). Fl. 896DF CARF MF 18 Assim considerando que os lançamentos foram cientificados à contribuinte em 06/01/2014 (AR, fl. 635), há que se exonerar, por haverem sido atingidos pela decadência, os créditos tributários relativos aos fatos geradores de 31/01/2008 a 30/11/2008, mantendose os relativos ao fato gerador de 31/12/2008. Cumpre observar que no processo nº 19515.723164/201360 (autuação de Contribuições Previdenciárias, anocalendário de 2008), decorrente da mesma ação fiscal, a alegação de decadência foi totalmente rejeitada por os lançamentos haverem sido cientificados à contribuinte em 30/12/2013." Ocorre que, no recurso voluntário a contribuinte contesta a existência de dolo, fraude ou simulação, inclusive mencionando o art. 150 do CTN e pugna pela manifestação desse Conselho quanto a decadência sobre os juros. Na esteira deste entendimento, resta prejudicada a análise da decadência pelo 173, I, do CTN, como o julgador de primeira instância entendeu, não fazendo qualquer sentido adentrar à aludida questão, impondo seja negado provimento ao recurso de ofício, por outros fundamentos. Apesar de ter o entendimento vencedor quanto a negativa ao recurso de ofício, o fundamento majoritário será melhor elucidado nos termos do voto vencedor. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em parcial consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE: 1) CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. 2) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e DARLHE PROVIMENTO, no sentido de decretar a decadência dos fatos geradores referentes ao período remanescente de 31/12/2008, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 11 19 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Divirjo do Ilustre Relator a respeito da decadência do crédito tributário, consoante fundamentos a seguir expostos. Antes, porém, reforço que o Processo nº 19515.723167/201301, ora sob exame, e o Processo nº 19515.720388/201409, de minha relatoria, por se tratarem de processos conexos formalizados em face do sujeito passivo, foram julgados na mesma sessão deste Colegiado, a fim de manter a coerência decisória. Decadência Conforme resumido pelo Relator, o crédito tributário lançado pela fiscalização é composto de: (i) multa isolada, aplicada nos termos do art. 9º da Lei nº 10.462, de 2002, e dos juros de mora cobrados isoladamente, devido à falta de retenção e recolhimento, a título de antecipação, do imposto sobre a renda, incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado e não assalariado, conforme o beneficiário; e (ii) imposto sobre a renda incidentes exclusivamente na fonte, na alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), sobre pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício proporcional. No primeiro caso (i), não se trata de tributo, e sim de penalidade pecuniária mais juros de mora cobrados isoladamente. Em visto disso, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo para fins de aplicação da regra de contagem do prazo decadencial contida no § 4º do art. 150 do CTN. Tampouco o cômputo do prazo de decadência pode estar vinculado ao direito de lançar o imposto, porquanto após a data fixada para a entrega da Declaração de Ajuste Anual (DAA) pelas pessoas físicas beneficiárias dos pagamentos, a fonte pagadora responde apenas pela multa isolada e pelos juros de mora cobrados isoladamente. Será exigido de ofício o imposto do contribuinte, caso não tenha oferecido os rendimentos à tributação na sua declaração de pessoa física. Fl. 898DF CARF MF 20 Portanto, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral do inciso I do art. 173 do CTN, mantendose harmonia com o decidido no REsp nº 973.733/SC, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Tendo em conta a ciência do auto de infração em 6/1/2014, encontramse fulminados pela decadência apenas os fatos geradores correspondentes ao período de 31/1/2008 a 30/11/2008. No que tange à segunda hipótese (ii), cuidase de tributação extraordinária do imposto sobre a renda, a alíquota de 35%, que possui regra de incidência tributária específica (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora se examina, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo a realização de uma série de procedimentos a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regramatriz de incidência tributária. Sob esse prisma, não localizei nos autos a existência de pagamento antecipado que mantenha conexão com os fatos geradores associados ao crédito tributário lançado pela fiscalização, portanto aptos a atrair a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Logo, na ausência de pagamento ou antecipação impõese a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, na esteira do REsp nº 973.733/SC, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Novamente, considerando a ciência do auto de infração em 6/1/2014, encontramse fulminados pela decadência tão somente os fatos geradores correspondentes ao período de 31/1/2008 a 30/11/2008. Observo que as conclusões acima expostas independem da análise do dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Ressalto também que a decisão de piso, diferentemente do alegado pela recorrente, exonerou os juros cobrados isoladamente, no período de jan a nov/2008 (Quadro às fls. 811). Dessa feita, embora com a adoção de fundamentos parcialmente distintos, cabe NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e confirmar a exoneração do crédito tributário. Recurso Voluntário Examinada a decadência, o crédito tributário mantido cingese aos fatos geradores na data 31/12/2008, abrangendo imposto sobre renda, juros e multa de ofício, além da multa isolada e dos juros de mora exigidos isoladamente. A respeito da qualificação da multa de ofício, o Ilustre Relator já transcreveu o meu entendimento pessoal sobre a questão controvertida, a partir do voto proferido no Acórdão n° 2401004.592, relativo ao Processo nº 19515.720388/201409. Como se vê, minha conclusão foi pela redução das penalidades, decorrentes da falta de recolhimento do imposto (multa de ofício proporcional) e da não retenção e Fl. 899DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 12 21 recolhimento do imposto sobre a renda na fonte (multa isolada), ao patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%). Quanto aos demais argumentos de mérito da defesa, reportome simplesmente ao exame que fiz no julgamento do Processo nº 19515.720388/201409, concernente aos anoscalendário 2009 e 2010, cujos fundamentos do voto são integralmente aplicáveis como razões de decidir para o anocalendário 2008, tendo em vista a correlação de fatos e elementos de prova: "Mérito a) Aportes em Previdência Privada (Fundo Garantidor de Benefícios FGB) 8. O art. 68 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, dispõe sobre as contribuições do empregador, em benefício de seus empregados, a entidades de previdência privada: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (grifouse) (...) 9. Acontece que a fiscalização constatou que os aportes efetuados pela recorrente em um plano tradicional, denominado de Fundo Garantidor de Benefícios (FGB), não correspondiam a depósitos com as finalidades específicas da previdência privada complementar, destinados à formação de reservas garantidoras de benefício futuro. 10. Com efeito, durante a fase investigatória do procedimento de auditoria, o agente fiscal identificou na escrituração contábil da empresa contas que evidenciavam o pagamento de bônus ou comissões por vendas. De acordo com o relato fiscal, as despesas com os bônus e as provisões de bônus foram escrituradas nas contas 3119814 (Provisão de bônus) e 3119830 (Provisão de Contra). 10.1 Essa contas contábeis, assim como outras correlatas, foram analisadas pela autoridade lançadora, que solicitou, por meio de termos de intimações e reintimações, esclarecimentos e documentos comprobatórios da origem dos lançamentos na contabilidade (fls. 35/38, 57/60 e 68/71). 11. A par dessa frente de investigação, foi desenvolvida diligência fiscal na pessoa jurídica Itaú Vida e Previdência S/A (antiga Unibanco Aig Previdência), com o fim de que ela apresentasse dados e informações sobre os planos de previdência contratados pela patrocinadora, ora recorrente, tais como contratos, tipos de plano, contribuições dos participantes e Fl. 900DF CARF MF 22 da instituidora e pedidos e valores resgatados pelos beneficiários, relativamente aos planos de previdência privada corporativa (fls. 567/568). 11.1 Em resposta à intimação, a Itaú Vida e Previdência S/A apresentou as informações e documentos solicitados, tendo sido entregue uma cópia do relatório à empresa fiscalizada, para subsidiar a sua análise. 11.2 De acordo com as informações prestadas, foi identificada a existência dos seguintes planos de previdência complementar empresarial: PGBL (Plano Garantidor de Benefício Livre), VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e FGB. 11.3 Desses planos, a autoridade fiscal concluiu que os planos PGBL e VGBL constituíamse em fundos destinados a garantir uma renda previdenciária, estando disponíveis a totalidade dos empregados, administradores ou sócios da recorrente, mediante adesão facultativa. 12. Por outro lado, ao confrontar e avaliar as informações e os dados coletados, o agente fiscal chegou a opinião diversa com relação ao plano FGB. Diferentemente dos outros planos, o FGB estava sendo utilizado como uma espécie de conta corrente para o pagamento de remuneração variável a empregados, autônomos e diretores, decorrente de bônus pelas vendas, em nítido descompasso com a sua finalidade previdenciária. 12.1 Contrariando as regras básicas para esse tipo de investimento, foram constatados resgates quase que em seguida aos aportes realizados pelo empregador, em contas individualizadas, para a previdência privada. 13. Os nomes dos beneficiários, as datas, os valores das contribuições distribuídas e outras informações referentes aos aportes ao plano FGB foram juntadas aos autos às fls. 502/556. 14. Em contraponto à acusação fiscal, a recorrente conduz a sua defesa em termos superficiais, carente de uma refutação convincente, em linguagem apropriada de provas, que os valores identificados na sua contabilidade, a titulo de remuneração variável mediante bônus, não foram destinados aos aportes no plano FGB. 15. É relevante enfatizar que o agente fiscal examinou contas contábeis, expediu intimações e realizou diligência na entidade de previdência complementar, confrontando, ao final, as informações e os dados obtidos. Apoiado em um conjunto indiciário consistente, afirmou a existência do fato jurídico tributário, mediante o ato de lançamento expedido devidamente motivado. 15.1 A mera negativa do autuado, sem o mínimo suporte em contraprova da inocorrência do pagamento aos colaboradores de valores a título de remuneração variável em forma de aportes nas contas de previdência privada, é insuficiente para demonstrar a inexistência do fato gerador do Fl. 901DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 13 23 imposto sobre renda, hipótese que invoca como fundamento à sua pretensão. 16. A possibilidade de resgates nos planos de previdência, via de regra condicionados a prazos de carência, é aspecto que não possui uma relevância absoluta para o deslinde da questão. 16.1 É claro que a rotina de resgates totais ou parciais é mais um indício para a convicção sobre a natureza dos fatos jurídicos, no sentido do desvirtuamento da utilização do fundo de previdência. 16.2 Porém, o aspecto essencial é o fato gerador do imposto sobre a renda, que se dá com a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica resultado do produto do trabalho, mais especificamente, no caso sob exame, em face dos pagamentos de remunerações variáveis devidas aos trabalhadores pelos serviços prestados à empresa, mediante aportes no plano de previdência FGB. 17. A respeito do aspecto material da hipótese de incidência do imposto sobre a renda, é salutar reproduzir o que dispõe a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: (...). Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei: Fl. 902DF CARF MF 24 I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas; II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. (...) 18. Percebese que o imposto não incide somente sobre a renda auferida, mas também sobre os proventos de qualquer natureza, desde que representando acréscimo patrimonial, revelador de capacidade contributiva. 18.1 Especificamente na hipótese de rendimentos do trabalho, a base de cálculo não está restrita aos conceitos de salário, remuneração ou saláriodecontribuição previstos na legislação trabalhista e previdenciária, ainda que haja uma correlação entre as dimensões econômicas aferidas para a tributação. 18.2 Quero dizer assim que compõem os "rendimentos do trabalho", para fins da incidência do imposto sobre a renda, mesmo os ganhos não habituais ou eventuais obtido em retribuição do trabalho que configuram acréscimo patrimonial, incorporados ou não ao salário ou remuneração do beneficiário, ressalvadas as hipóteses de isenção expressamente previstas na legislação tributária. 19. Dessa feita, em que pese a nomenclatura utilizada para os pagamentos, os aportes da empresa no Fundo FGB estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, nos termos dos incisos I e II do art. 7º da Lei nº 7.713, de 1988, na medida em que equivalem, conforme a natureza do beneficiário, a rendimentos do trabalho assalariado ou não assalariado. 19.1 Em nível infralegal, a previsão da tributação encontrase reproduzida pelos arts. 624 e 628 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. b) Cartões de Incentivos de Vendas (CASH CARD) 20. Pelas mesmas razões expostas linhas acima, sobre o conceito de "rendimentos do trabalho", para fins da incidência do imposto sobre renda, tenho como certo que as comissões de vendas, na forma em que foram pagas, mediante cartões de incentivos, são fatos geradores do tributo, constituindose em rendimento do trabalho, vinculados à remuneração e ao cumprimento de metas pelos colaboradores pessoas físicas, e destinadas a retribuir os serviços prestados à pessoa jurídica (fls. 137/141 e 605/718). 21. Tais parcelas não possuem natureza indenizatória ou compensatória de maneira a escapar do campo de incidência do imposto, tampouco existe regra isentiva prevista na legislação tributária. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 14 25 22. Estão sujeitos também, portanto, os pagamentos efetuados mediante cartões de incentivos de vendas à incidência do imposto sobre a renda na fonte, consoante disposto nos arts. 624 e 628 do RIR/99, cuja matriz legal localizase nos incisos I e II do art. 7º da Lei nº 7.713, de 1988. c) Multa isolada (art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002) 23. Como linhas inaugurais, digo que não se deve confundir: (i) a penalidade isolada estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, ora em debate, aplicável à fonte pagadora dos rendimentos do trabalho assalariado ou não assalariado; e (ii) a multa de ofício proporcional imposta na hipótese de não recolhimento do imposto sobre a renda pelo beneficiário dos rendimentos recebidos, a qual é exigida com fulcro no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 24. Para melhor visualização da questão, transcrevo a redação dos dispositivos citados, à época dos fatos geradores: Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 25. É uma só a ligação existente entre os preceptivos legais. A remissão pelo art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, diz Fl. 904DF CARF MF 26 respeito ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) ou, duplicado, de 150% (cento e cinquenta por cento) previsto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins de determinação do aspecto quantitativo da penalidade isolada. 26. Daí porque equivocada a linha de compreensão da recorrente acerca da aplicação das penalidades, no sentido de que se a multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é calculada sobre o imposto devido e, após o prazo de entrega da declaração de ajuste anual pelo beneficiário dos rendimentos, o imposto não mais é cobrado da fonte pagadora, deixaria de existir a base de cálculo necessária para a multa isolada (parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002). 27. Ao contrário do que pretende a recorrente, cuidando os dispositivos legais mencionados de penalidades distintas, não há que se cogitar que a aplicação da multa isolada estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, esteja condicionada ao não oferecimento dos rendimentos à tributação por parte do beneficiário. 28. Igualmente pareceme inviável a tese de que a Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, ao promover a alteração do comando inserto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, teria afastado a aplicação da multa isolada na fonte pagadora, pela inexistência da base cálculo para a penalidade. 29. É que as alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007, tanto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, quanto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, não acarretaram reflexo na penalidade isolada deste último dispositivo. 29.1 A Lei nº 10.426, de 2002, cuida de penalidade pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora, na qualidade de responsável tributário. 29.2. Já o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, disciplina a multa em face do sujeito passivo contribuinte, beneficiário dos rendimentos, que deixa de recolher ou declarar o tributo devido. 29.3 Reforço, por fundamental para a compreensão, que a conexão entre os dispositivos referese unicamente aos percentuais de 75% e 150%. 30. A fim de robustecer tal ponto de vista, reproduzo "in verbis" trecho do voto vencedor da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no âmbito do Acórdão nº 9202003.582, de 3 de março de 2015, proferido em sessão da 2ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), o qual complementa, desse modo, as minhas razões de decidir quanto à matéria objeto do recurso voluntário: (...) A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: Fl. 905DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 15 27 “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Fl. 906DF CARF MF 28 III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)" Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento Fl. 907DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 16 29 passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 908DF CARF MF 30 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)" Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: Fl. 909DF CARF MF Processo nº 19515.723167/201301 Acórdão n.º 2401004.593 S2C4T1 Fl. 17 31 Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. (...)" 31. Exposta assim a questão controvertida, concluo não assistir razão à recorrente nos seus argumentos de defesa." Conclusão Ante o exposto, voto para NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e DAR PARCIAL provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO para reduzir as penalidades, multa de ofício proporcional e multa isolada, ao patamar trivial em casos de lançamento de ofício (75%). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 910DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900751/2009-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.433
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 51 /2 00 9- 09 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.711, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 9303004.433 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.722498/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/10/2009
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.640
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/10/2009 EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido.
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 24 98 /2 01 4- 37 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 12266.722498/201437 Acórdão n.º 3302003.640 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.493, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/10/2009 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 12266.722498/201437 Acórdão n.º 3302003.640 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 12266.722498/201437 Acórdão n.º 3302003.640 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12266.722498/201437 Acórdão n.º 3302003.640 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 28/12/2015, apresentação do RV em 20/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900711/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli. 1 Relatório. Os fatos iniciais do processo estão sintetizados no relatório da decisão de primeira instância (fls. 98 a 104): Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório de fls. 29, por meio do qual a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório, sendo requerido o montante de R$ 13.797.889,09 e deferido R$ 2.599.249,81, correspondente ao saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano calendário de 2008, conforme informado no PER/DCOMP 40398.23703.290610.1.7.025807, sob o fundamento de que o somatório das parcelas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 71 1/ 20 14 -0 6 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16682.900711/201406 Resolução nº 1201000.251 S1C2T1 Fl. 3 2 de composição do crédito informados no PER/DCOMP, no total de R$ 30.618.508,66 foram confirmadas R$ 19.419.869,38. [...] Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 18/20, alegando, em síntese: • Que a empresa observou o disposto no art. 55 da IN RFB nº 1022/2010; • Que não cabe a afirmativa da RFB de que a receita foi oferecida parcialmente a tributação, uma vez que o contribuinte apura o IRPJ pelo lucro real, e a totalidade das receitas financeiras, objetos das retenções não reconhecidas, constituíram o lucro tributado em 2008 e anos anteriores; • Que os saldos foram informados adequadamente na ficha 54 da DIPJ 2009 e no PER/DCOMP 40398.23703.290610.1.7.025807. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente. Tal decisão está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRRF. UTILIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real que sofreu o ônus da retenção do IRRF só poderá compensar o imposto devido, na apuração do período de referência, se a receita correspondente também for levada a resultado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação quando desacompanhada dos documentos certificadores. Em Recurso Voluntário (fls. 123 a 131), a contribuinte reiterou o contido na manifestação de inconformidade e alegou ainda, em síntese: a Recorrente reconhece suas receitas segundo o regime de competência; para comprovar o oferecimento das receitas à tributação, segundo o regime de competência, são anexadas ao Recurso planilhas “aplicações financeiras”, “operações swap” e a ficha 54 da DIPJ/2009; se houvesse o reconhecimento das receitas integralmente em 2008, teria havido postergação de pagamento do IRPJ, prática vedada pela legislação; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16682.900711/201406 Resolução nº 1201000.251 S1C2T1 Fl. 4 3 oferecidas as provas da tributação integral das receitas financeiras entre 2006 e 2008, é evidente o direito creditório da Recorrente. Ao final, requer a Recorrente seja seu direito creditório reconhecido na totalidade, com a homologação das Dcomps até o limite do crédito reconhecido. Requer, ainda, a suspensão da cobrança dos débitos, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. É o relatório. 2 Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Tanto no Despacho Decisório, quanto na decisão de primeira instância administrativa, o crédito da Recorrente não foi reconhecido em face de glosa relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte pelo fato de as receitas correspondentes a esse IRRF não terem sido oferecidas integralmente à tributação. A Recorrente alega que não houve oferecimento parcial de receitas à tributação, relativamente àquelas que deram causa às retenções, uma vez que apura o IRPJ pelo Lucro Real, reconhecendo suas receitas pelo regime de competência, e, assim, a totalidade das receitas financeiras constituíram o lucro tributado em 2008 e em anos anteriores. Para a comprovação do oferecimento das receitas à tributação, segundo o regime de competência, anexa ao Recurso planilhas denominadas “aplicações financeiras”, “operações swap” e a ficha 54 da DIPJ/2009. De fato, no caso de apuração segundo a sistemática do Lucro Real, as receitas financeiras devem ser oferecidas à tributação segundo o regime de competência. E se a retenção do Imposto de Renda ocorre no resgate das aplicações (regime de caixa), este poderá ser deduzido do valor do imposto apurado no respectivo anocalendário. Há, nesse sentido, jurisprudência deste Conselho, conforme decisões colacionadas pela Recorrente, uma delas abaixo transcrita (ementa): TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. Verificado pela autoridade fiscal, em diligência, que as receitas de aplicações financeiras foram corretamente contabilizadas e oferecidas à tributação, segundo o regime de competência, o IRRF correspondente pode ser aproveitado integralmente quando do resgate dessas aplicações confirmandose, assim, o saldo negativo do IRPJ pedido em restituição. (Acórdão nº 1202000.866 Sessão de 12/09/2012 Relator: Carlos Alberto Donassolo). No voto condutor desse acórdão consta: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 16682.900711/201406 Resolução nº 1201000.251 S1C2T1 Fl. 5 4 Já é conhecido por esta Primeira Seção do CARF dos problemas de aproveitamento do IRRF no resgate de aplicações financeiras em razão do descompasso existente entre, o reconhecimento das receitas de aplicações financeiras, que ocorre pelo regime de competência, e o aproveitamento do IRRF por ocasião do resgate dessas aplicações, que se dá pelo regime de caixa. No presente caso, pelo que se depreende dos autos, uma grande parte de aplicações financeiras que se iniciaram em 1998, foram resgatadas no ano de 2001. Esse fato demonstra que parte das receitas de aplicações financeiras deveria ser reconhecida nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, sendo que o IRRF somente poderia ser aproveitado no resgate, cuja maior parte ocorreu em 2001. No entanto, a simples apresentação de planilhas elaboradas unilateralmente pela Recorrente não comprova a alegação. Para tanto, há a necessidade de cotejamento dessas planilhas com a escrituração contábil e fiscal da Recorrente, no sentido de se verificar a correção delas. Conclusão. Em face do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade competente da Receita Federal do Brasil proceda à verificação relativa ao oferecimento à tributação das receitas financeiras sobre as quais houve a retenção do IRRF que compôs o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, assim como quanto à utilização do imposto retido. As conclusões deverão constar de relatório do qual se dará ciência à Recorrente para que, querendo, se manifeste, no prazo de trinta dias. Decorrido esse prazo, manifestandose ou não a Recorrente, os autos devem retornar para fins de julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900042/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.013
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 04 2/ 20 12 -9 2 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10480.900042/201292 Resolução nº 3401001.013 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.038. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10480.900042/201292 Resolução nº 3401001.013 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.900042/201292 Resolução nº 3401001.013 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.724566/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 45 66 /2 01 2- 18 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.724566/201218 Acórdão n.º 3201002.541 S3C2T1 Fl. 3 2 A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizados pela DRJ: Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.126. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.724566/201218 Acórdão n.º 3201002.541 S3C2T1 Fl. 4 3 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10711.724566/201218 Acórdão n.º 3201002.541 S3C2T1 Fl. 5 4 Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, tratada no caso do paradigma, não se aplica à solução do presente litígio, uma vez que não alegada no recurso voluntário apresentado neste processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721313/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Consideram-se preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor de reservatórios d'água artificiais.
ÁREAS ALAGADAS. SUMULA CARF 45
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas
Numero da decisão: 2201-003.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso
voluntário. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, a Dra. Rachel Zerbinato Bispo, OAB/RJ 142.936
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Consideram-se preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor de reservatórios d'água artificiais. ÁREAS ALAGADAS. SUMULA CARF 45 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-24T13:57:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: FURNAS 2009-39.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-02-24T13:57:36Z; Last-Modified: 2017-02-24T13:57:36Z; dcterms:modified: 2017-02-24T13:57:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: FURNAS 2009-39.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:b34c5a56-fcf4-11e6-0000-3fc0fdc0c8fb; Last-Save-Date: 2017-02-24T13:57:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-02-24T13:57:36Z; meta:save-date: 2017-02-24T13:57:36Z; pdf:encrypted: true; dc:title: FURNAS 2009-39.pdf; modified: 2017-02-24T13:57:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-02-24T13:57:36Z; created: 2017-02-24T13:57:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2017-02-24T13:57:36Z; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-24T13:57:36Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 4.328 1 4.327 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.721313/2009-39 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-003.453 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2017 Matéria ITR Recorrente FURNAS-CENTRAIS ELETÉTRICAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Consideram-se preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor de reservatórios d'água artificiais. ÁREAS ALAGADAS. SUMULA CARF 45 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, a Dra. Rachel Zerbinato Bispo, OAB/RJ 142.936. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 20 .7 21 31 3/ 20 09 -3 9 Fl. 4.328Fl. 4.328 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária vereiro de 2017 vereiro de 2017 FURNAS-CENTRAIS ELETÉTRICAS SA FURNAS-CENTRAIS ELETÉTRICAS SA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 4328DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 01201/00059/2009 (fl. 2 a 8), pela qual a autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 2.264.148,61, com Multa de Ofício de R$ 1.698.111,45 e juros de mora de R$ 699.395,50 (calculados até 31/08/2009), perfazendo o total apurado de R$ 8.033.776,63. O lançamento é relativo ao exercício de 2006 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 1.542.922-9. Atesta a Fiscalização que o contribuinte, regulamente intimado, não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, o Valor da Terra Nua - VTN declarado, o que levou ao seu arbitramento com base nas informações disponíveis no Sistema de Preços de Terras - SIPT. A autoridade fiscal complementa a descrição dos fatos com suas considerações diante dos argumentos expostos pelo contribuinte em resposta à intimação fiscal, que tratou dos seguintes temas: - impedimento de exercício do domínio pleno em áreas de reservatório de hidroelétricas e seus arredores; - a União detém o verdadeiro domínio da área; - lançamento de ITR sobre empresas produtoras, transmissoras e distribuidora de energia, por não exercer atividade rural; - valor de mercado das terras alagadas; - precedente do 3º Conselho de Contribuintes sobre a não incidência de ITR sobre áreas alagadas; - compete ao Fisco proceder diligências necessárias para apurar o débito devido. Discorrendo sobre tais alegações, o Auditor-Fiscal conclui que a legislação não faz referência à atividade exercida pelo detentor do imóvel ao definir a fato gerador do ITR; que não existe previsão legal para exclusão de área tributável ou isenção de ITR para empresas delegatárias ou concessionárias de serviço público; que na desapropriação de imóveis promovidas por tais empresas, o beneficiário direto da expropriação é o prestador do serviço público, que tem tais propriedades incorporadas ao seu patrimônio e não da União, não deixando de serem propriedades da empresa tão somente por estarem submersos; que as decisões do Conselho de Contribuintes não vinculam a atuação fiscal; que a apuração e pagamento do ITR cabem ao contribuinte, não competindo à autoridade administrativa produzir provas relativas a dados informados pelo contribuinte em sua DITR Ciente do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 35 a 66, em 24 de junho de 2009, a qual foi julgada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, cujas conclusões encontram-se expressas no Acórdão de fl. 92/103, acatado por unanimidade de votos, e que podem ser assim resumidas: Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 10120.721313/2009-39 Acórdão n.º 2201-003.453 S2-C2T1 Fl. 4.329 3 Da Incidência do ITR, fl. 98 Da análise das alegações e documentos apresentados no presente processo, verifica-se que a impugnante contesta o crédito tributário lançado (11s. 01/04), argüindo a tese da não- incidência do ITR/2006 sobre as áreas submersas, cobertas por águas do reservatório da usina hidrelétrica, e sobre as áreas de segurança que as margeiam. A requerente sustenta que o simples fato de ser proprietária de imóveis localizados fora de zonas urbanas de municípios não autoriza a cobrança do ITR, pois, na situação presente, a atividade da empresa é eminentemente industrial - produtora, transmissora e distribuidora de energia elétrica - não explorando qualquer atividade de natureza rural. (...) O Parecer/COSIT n" 15/2000 aborda e rebate a tese da não incidência tributária defendida pela impugnante, quando argumenta que os rios, lagos (naturais e artificiais), os terrenos marginais, as praias fluviais c os potenciais de energia integram, também por força constitucional, o patrimônio da Unido (art. 20, incisos III e VIII da CF/88). Esse parecer deixa claro que as áreas submersas pelas águas do reservatório de Usina Hidrelétrica foram incorporadas ao patrimônio da empresa, exploradora das atividades de eletricidade (para produção ou geração de energia elétrica), justamente com essa finalidade. Portanto, esses imóveis têm função econômica relevante para a empresa, integralizando parte de seu patrimônio, pois estão destinados ou afetados às suas atividades essenciais. (...) Dessa forma, concluiu-se que as areas continuas do imóvel que abrigam as usinas e reservatórios são tributadas, sujeitando-se à apuração do ITR, excluídas apenas as áreas de interesse ambiental, reconhecidas por Ato Declaratório do IBAMA. Registre-se que requerente não informou a existência de quaisquer Áreas de Preservação Permanente c/ou de utilização limitada na D1TR/2006 (fls. 04). Do Grau de Utilização do Imóvel - 0,0%, fl. 100 Observe-se que a própria contribuinte apurou, na declaração do ITR/2006, grau de utilização da área aproveitável do imóvel (GU) de 0,0 %, com aplicação da alíquota de cálculo de 20,0 % (fls. 04). (...) Para fins de aferição do grau de utilização do imóvel e aplicação da respectiva alíquota de cálculo, nos termos do art. 10 da Lei n" 9.393/1996 e Tabela de Alíquotas anexa, o que importa é a efetiva utilização das áreas aproveitáveis do imóvel com atividades de natureza tipicamente rural (pecuária, agrícola, granjeira, aquícola ou florestal), sem levar em consideração, por absoluta falta de previsão legal, outros tipos de exploração econômica. (...) Fl. 4330DF CARF MF 4 Assim, entendo que compete a esta turma de julgamento manter o grau de utilização do imóvel em 0,0%, com aplicação da alíquota de cálculo máxima de 20,0% para a dimensão do imóvel, ainda que essas áreas de terras estejam recebendo o mesmo tratamento tributário dispensado a latifúndios improdutivos. Do VTN Tributado, fl. 101 (...) Por isso, para revisão desse VTN arbitrado, a impugnantc deveria apresentar Laudo Técnico de Avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, de acordo com a norma NBR nº 14.653-3 da ABNT, no teor da intimação inicial (fls. 07), que pudesse demonstrar de maneira inequívoca o cálculo do VTN tributado, a preços de 1' de janeiro do exercício de 2006. No entanto, não foi apresentado qualquer documento para justificar esse valor. (...) Logo, não se vislumbra no procedimento seguido pela autoridade fiscal, ao caracterizar a subavaliação do VTN do imóvel, qualquer ilegalidade que pudesse invalidar o credito tributário suplementar lançado. (...) Dessa forma, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o 1TR/2006. Da Multa Proporcional - 75%, fl. 102 A multa proporcional de 75,0% foi cobrada com fundamento no § 2" do art. 14 da Lei n°9.393/1996, (...) No presente caso, foi aplicada a multa de 75,0 % por ter havido subavaliação do VTN informado na declaração do 1TR/2006, em face da interpretação incorreta da legislação tributária pertinente. Dessa forma, entendo que deva ser mantida a cobrança da multa lançada de 75,0%, por estar de acordo com a legislação de regência. Com relação à diligência solicitada, não há como deferi-la, pois, além de o ônus da prova documental ser da contribuinte, não cabendo à autoridade administrativa produzir provas relativas ao VTN do imóvel fiscalizado, não há matéria de complexidade que demande a realização da perícia pleiteada. (...) Portanto, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. Como se viu, o lançamento limitou-se a formalizar a exigência apurada a partir das informações da DITR/2006, não havendo matéria de complexidade que demande parecer técnico complementar. Assim, e em observância ao art. 18 do Decreto n.° 70.235/1972 (PAF), cumpre que se indefira o pedido sob análise. Diante do exposto, voto para que se julgue procedente o lançamento do 1TR/2006, consubstanciado na notificação de lançamento/anexos de lis. 01/04, mantendo-se o imposto Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 10120.721313/2009-39 Acórdão n.º 2201-003.453 S2-C2T1 Fl. 4.330 5 suplementar apurado pela autoridade fiscal, conforme demonstrado. Ciente do Acórdão da DRJ, fl. 107, o contribuinte apresentou, o Recurso Voluntário de fl. 108 a 139, cujos tópicos serão tratados no curso do voto a seguir. Com base nas considerações expostas na peça recursal, concluiu que: (i) a fiscalização federal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário e, sem mensurar a verdadeira base de cálculo, sem efetuar cálculos ditados pela Lei 9.393/96 — apontada como fundamento da capitulação da infração — (sem efetuar qualquer exclusão de valores, qualquer subtração de áreas e sem a. multiplicação necessárias à apuração do imposto) - apurou por arbitramento o valor da terra nua do imóvel onde está construída a USINA HIDRELÉTRICA, como comparável com imóvel com aptidão agrícola definida como pastagem; (ii) a fiscalização aplicou multa de 75% sobre base de cálculo incompatível- inexistente, alias - como demonstrado na alínea anterior, além de ser ofensiva aos parâmetros aceitos pela legislação e jurisprudência; (iii) a fiscalização desconsiderou áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal (Lei n° 4771/65, com redação dada pela Lei n° 7.803/89 transcrita linhas acima, bem como a RESOLUÇÃO n° 302, de 20/03/2.002, expedida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente — CONAMA), no mínimo; (iv) as porções de terra cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas - ou que lhe servem de margem legal, de preservação ou de segurança - são bens de domínio público da União e nunca poderiam ser colhidas no critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais ainda de imposto da competência privativa e exclusiva daquela mesma pessoa política de direito público interno. As áreas, por ilação lógica, estão fora do campo de abrangência do imposto, isto 6, não são passíveis de sua incidência; (v) a base de cálculo, grandeza fundamental para a consistência lógica da regra-matriz, simplesmente inexiste, bastando examinar, a titulo de demonstração, como ficariam, se porventura houvesse, as funções mensuradora, objetiva e comparativa dessa entidade, como demonstrado linhas atrás. Ademais, a legislação não cuidou para que as hidrelétricas - se exercem atividade "não rural", como consta no Formulário para Declaração - pudessem excluir do valor do imóvel qualquer quantia relativa as instalações, benfeitorias e construções, como qualquer outro contribuinte do imposto, nem mesmo qual o valor que pode ser considerado para a avaliação de terreno alagado que, por certo, não serve as atividades ali nomeadas; (vi) Ainda quando a autoridade administrativa, sob o argumento: "a impugnante não apresentou qualquer documento comprovando os valores das áreas adotou, para o Município Fl. 4332DF CARF MF 6 onde está situada, para o imóvel com aptidão agrícola definida como de uso misto inaproveitável, campo ou outros e calculou e arbitrou o Valor da Terra Nua do referido imóvel para cada ano. Esse valor somado ao indicado pela declarante a titulo de benfeitorias correspondem ao valor venal do imóvel nos respectivos exercícios ...." Logo, o que se vislumbra, contrariamente ao que assevera a autoridade "a quo" é a flagrante arbitrariedade e ilegalidade com que agiu o Fisco, tanto ao admitir como VTN o valor fundiário genericamente estabelecido para o Município onde está situada a Usina Hidrelétrica, para a "terra com aquelas aptidões agrícolas mencionadas, arbitrando o VTN e somando-o ao declarado pela recorrente com benfeitorias, como se encontrasse amparo na Lei n° 9.393/96! E, como não o encontrou na lei, como determina a ordem jurídica, baseou-se em "parecer" emitido pela Secretaria da Receita Federal. (vii) é surpreendente, para não dizer surrealista, o argumento utilizado pela autoridade "a quo" para aceitar a ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador) e da base de cálculo. É inacreditável a força que se pretende dar ao argumento de que, no caso, trata-se de "área de pastagem", onde não há qualquer referência àquela porção de terra "coberta por água", necessária ao exercício da própria atividade: energia elétrica. Só a criatividade da autoridade fiscal, no afã de manter a exigência, pode determinar. (viii) aceitar a tributação nos termos em que indicada no Auto de Infração em debate é desobedecer garantia assegurada no Texto Constitucional, inserta no artigo 150, IV, da Constituição da Republica, qual seja: utilização de tributo com efeito de confisco. (ix) convém lembrar que o Fisco não procedeu a qualquer diligência para fosse apurado, acaso não fosse reconhecida, de plano, a improcedência da pretensão fazendária, os elementos mínimos para a manutenção do feito fiscal, nos termos ditados pela legislação, quais sejam: (a) área total do imóvel; (b) área alagada do imóvel; (c) construção, instalação e benfeitorias; (d) área de preservação permanente nos moldes da legislação florestal (Lei 4.771/65, em sua redação atualizada); (e) área que pertence à União, nos moldes do estabelece o artigo 20, III da Constituição da Republica; (f) área tributável — Lei n° 9.393/96; (g) valor da terra nua; (h) área aproveitável; (i) área utilizada e (j) grau de utilização. Conclui seus argumentos requerendo que seja acolhido o Recurso e determinado o arquivamento do feito, por entender que a exigência tributária imposta não encontra guarida no ordenamento jurídico vigente. Em 08 de outubro de 2014, em julgamento de 2ª Instância, o Colegiado, por maioria de votos, converteu o julgamento em diligência a fim obtenção de provas nos termos abaixo, vendido o Conselheiro Relator que votou por dar provimento ao Recurso Voluntário, fl. 191/201: a) Documentação (p. ex., atos expropriatórios e outros atos de transferência e registro de propriedade), que demonstrem a Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 10120.721313/2009-39 Acórdão n.º 2201-003.453 S2-C2T1 Fl. 4.331 7 aquisição, pela recorrente da dimensão de área tributada, 7.334,4 ha. (NIRF 1.542.9229), devidamente acompanhada de quaisquer elementos outros (tais como laudos e mapas georreferenciados) que permitam uma clara vinculação entre os elementos supra, relacionados à aquisição de propriedade, e a referida área total. b) Documentação idônea (composta por laudo, mapas georreferenciados e/ou outros), através da qual se estabeleça uma exaustiva segregação da área objeto de tributação (7.334,4 ha.) nos seguintes grupos: b.1) Total de área a título de áreas alagadas; b.2) Total de área a título de áreas marginais, especificando necessariamente aqui aquelas definidas como Áreas de Preservação Permanente, consoante art. 2o, alíneas “a” e b” da Lei no. 4.771, de 15 de setembro de 1965 e b.3) outras. Atendendo a Intimação Fiscal em sede de Diligência, fl. 230, o recorrente juntou a documentação de fl. 233 a 4319 É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Inicialmente, entendo oportuno tecer algumas considerações sobre a lide em tela. Trata-se de autuação fiscal, em sede de Revisão de Declaração, onde o contribuinte foi instado a comprovar tão somente o VTN declarado. Na resposta à intimação, o contribuinte não comprovou o VTN e pleiteou a retificação de sua Declaração de Imposto Territorial Rural - DITR pelas razões então expostas, as quais foram consideradas improcedentes e deram origem à Notificação de Lançamento em discussão. O recorrente, valendo-se de argumentos reiterados e com boa lógica argumentativa, busca atribuir ao Fisco uma obrigação que é sua. Afinal, a apuração e o pagamento do ITR é efetuado pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da Administração Pública, sujeitando-se, apenas, a homologação posterior. Ou seja, o contribuinte deve fazer todos os levantamentos necessários à apuração do tributo e, caso instado para tal, deve comprová-los à autoridade fiscal(art. 10 da lei 9.393/96). Ora, neste caso, o contribuinte informou em sua DITR um VTN sem qualquer critério conhecido e, no momento do procedimento de homologação de sua Declaração, não comprova a informação prestada e, ainda, busca atribuir ao Fisco a responsabilidade pela apuração efetiva não apenas do Valor de sua Terra Nua, mas de todas as informações declaradas. Fl. 4334DF CARF MF 8 Com isso, pretende a retificação de sua declaração após o início do procedimento fiscal e sem apresentar documentos que amparem o pleito e que demonstrem o erro de fato no preenchimento da DITR. Limita-se a argumentos jurídicos que, como é de elementar sabença, podem não sobrepor outras teses igualmente bem construídas. Assim, equivoca-se o contribuinte ao atribuir a manutenção da exigência fiscal à criatividade da autoridade fiscal. Os argumentos expostos tanto pelo Auditor Fiscal no curso do procedimento ou pela Turma de Julgamento de 1ª Instância, podem até não contar com a simpatia da representação do recorrente, mas não são conclusões criativas, posto que claros e pertinentes os lastros legais e normativos em que se fundam. Assim, deixando à margem questões não menos relevantes, inclusive entendimento pessoais sobre o tema, que só fariam aumentar o tempo e o custo de tramitação do presente litígio administrativo, temos que o cerne da presente demanda está na incidência do ITR sobre áreas ocupadas por reservatórios de usinas hidrelétricas. A partir da inclusão da alínea "f" do inciso II, do art. 10, da lei 9.9393/96, levada a termo pela Lei 11.727/2008, não há dúvidas sobre a possibilidade de exclusão das áreas ocupadas por tais reservatórios da área tributável do imóvel, não sendo tal permissivo legal oponível ao presente caso, já que o lançamento em discussão trata de fato gerador ocorrido em 1º de janeiro de 2006. Não obstante, a situação em tela é uma questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. A Súmula Carf nº 45 teve como um de seus paradigmas o Acórdão 3303- 35.854, de relatoria da Conselheira Vanessa Albuquerque Valente e que tratava de ITR relativo ao ano de 2003. Naturalmente, como, em 2003, a isenção prevista na Lei 11.727/2008, citada alhures, ainda não emprestava seus efeitos à apuração do Fato Gerador do ITR, pode-se inferir que o espírito da Súmula Carf nº 45 está alinhado ao voto condutor. Assim, entendo oportuno destacar algumas conclusões daquele julgado, que, por coincidência, citaram a ora recorrente, ainda que não fosse a interessada direta da lide então em discussão: Feitas essas considerações, concluo, diante de todas as questões postas no decorrer do voto que: a) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, pois após terem sido desapropriadas sobre tais áreas foi construída a referida Usina Hidrelétrica recebendo as águas represadas, que como trabalhado nessa peça, tais águas são bens da União. b) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, posto que a transferência da referida propriedade para a Recorrente foi pressuposto para que fosse construída a referida Usina, que após construída tornou público o bem, de tal modo que a propriedade da Recorrente é limitada aos aspectos de registros Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 10120.721313/2009-39 Acórdão n.º 2201-003.453 S2-C2T1 Fl. 4.332 9 formais e contábeis, não podendo lhe ser atribuída qualquer das características ou elementos da propriedade, de tal modo que a Recorrente não se enquadra como sujeito passivo do ITR por não ter a propriedade, a posse ou o domínio útil das terras. c) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, pois as águas represadas que inundam as terras pertencem à União, que detém o domínio útil dessas terras, sendo, portanto, eventual sujeito passivo do imposto, que tem a sua incidência afastada pela imunidade recíproca. d) Não há incidência do ITR sobre as áreas do entorno do reservatório que forma a Usina Hidrelétrica por ser área de preservação permanente nos termos da legislação aplicável, e em conseqüência, excluída do campo da incidência do ITR. e) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, em vista da impossibilidade de ser atribuído, nos termos da legislação aplicável, o valor da terra nua. Enfim, em vista da análise constitucional, legal e fática, entendo como impossível, frente ao ordenamento jurídico vigente a incidência do ITR sobre as terras submersas sobre as águas que compõem os reservatórios formadores de Usinas Hidroelétricas, bem como de toda a área que faz margem ao referido reservatório." Como se constata nos autos, embora o contribuinte tenha resistido em prestar as informações no formado adequado para situações desta natureza, especialmente mediante apresentação de memorial descritivo elaborado nos termos do art. 9º do Decreto 4.449/2002, entendo que as informações trazidas contribuem para a conclusão do presente julgado. Em fl. 281 a 284, o recorrente apresenta um resumo das áreas adquiridas que compõem o imóvel rural objeto do lançamento, apontando os nomes dos ex-proprietários. Os documentos subsequentes individualizam cada uma das aquisições, sempre com os Registros Públicos acompanhados dos respectivos laudos de avaliação de cada propriedade. Tais documentos foram analisados por amostragem, concluindo-se que o resumo de fl. 281 a 284 tem lastro documental adequado. É verdade que há um ou outro caso em que se notam pequenas diferenças decorrentes de áreas chamadas "remanescentes" (ex: fl. 2043, 2570, 2853, 3679, 3938), mas que não maculam a verossimilhança das informações contidas em seu conjunto. Portanto, considerando toda documentação juntada aos autos (registros e laudos de avaliação de cada uma das partes adquiridas), entendo que merece fé o documento de fl. 280, que aponta a existência de Área Inundável de 6.550,5732 ha, APP/Segurança de 291,5166 ha e Áreas do Canteiro de Obras de 492,3355, perfazendo o total de 7.334,4253. Assim, apenas em razão da Súmula Carf nº 45, já teríamos diminuído a área tributável do imóvel para 783,8 ha (7.334,4 ha, de área total - 6.550,6 ha, de área inundável). Com o destaque para o então Código Florestal, Lei 4.771/65, na alínea "b" do art. 2º, que reconhece como Área de Preservação Permanente, nos limites que cita, as florestas e demais Fl. 4336DF CARF MF 10 formas de vegetação situadas ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais. Diante do exposto, considerando que toda a área do imóvel estaria fora do campo de incidência do tributo rural, seja por conta dos termos da Súmula Carf nº 45, seja por serem ocupadas por benfeitorias ou por Área de Preservação Permanente, há se reconhecer a improcedência da exigência fiscal em tela. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 4337DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.724919/2014-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência anterior, abrindo prazo para manifestação.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência anterior, abrindo prazo para manifestação. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência anterior, abrindo prazo para manifestação. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJFortaleza que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através de Notificação de Lançamento nº 2012/90000005222 (fls. 33/36), decorrente do trabalho de verificação fiscal da DIRPF do exercício de 2012, anocalendário 2011 do Recorrente, que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 24 91 9/ 20 14 -2 6 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 391 2 exigiu imposto suplementar no valor de R$ 292.387,77, com multa de ofício no percentual de 75% R$ 219.290,82 , e juros de mora de R$ 36.285,32, no valor total de R$ 547.963,91. O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos de aluguéis pelo Recorrente, no valor tributável de R$ 1.094.819,00, verificada a partir do cruzamento de informações constantes da sua DIRPF com aquelas declaradas nas DIMOB das empresas administradoras dos seus bens próprios, quais sejam, a DCAS Administração de Imóveis Ltda e a Rio Exclusive Imobiliária Ltda., que declararam terem pago ao Recorrente em 2011 as quantias de R$ 1.354,819,00 e R$ 260.000,00, respectivamente. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 34. Inconformado com o lançamento, do qual tomou ciência em 18/11/2013 (fls. 30), o Recorrente, por meio do seu procurador, apresentou em 16/12/2013 a Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL nº 2012/20000011789 (fls. 26), esclarecendo que: “Infração: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física Dimob. Valor da Infração: R$ 1.094.819,00. Estou questionando o valor de R$ 1.000,00 Foi recebida apenas parte dos rendimentos. Estou questionando o valor de R$ 1.026.569,00. O valor informado acima, de R$ 1.000,00, foi colocado ali porque o sistema da RFB não aceitou o valor correto, recusando a preparar o formulário com o valor R$ 1.026.569,00. O montante recebido foi de apenas R$ 68.250,00, como explicado abaixo: Os aluguéis informados pelas administradoras em Dimob foram retificados como segue: CNPJ 10.596.031/000100 – Rio Exclusive Imobiliária Ltda Valor informado errado=R$ 1.354.819,00 Valor retificado=R$ 68.250,00 CNPJ 10.426.984/000120 – DCAS Administração de Imóveis Ltda Valor informado errado=R$ 260.000,00 (redutor do rendimento tributável) Valor retificado=R$ 0,00 (tratase de locador PJ, valor informado na PF por engano)” A SRL foi indeferida em 05/05/2014, vindo o Recorrente a ser notificado em 13/05/2014 (fls. 41). Inconformado, em 11/06/2014, o Recorrente, por meio de seu procurador, apresentou Impugnação, ratificando os argumentos apresentados na SRL e juntando documentos, nos termos adiante: “A presente Notificação é baseada em valores que foram apresentados em duas DIMOBs no anocalendário de 2011: A DIMOB de Rio Exclusive Imobiliária Ltda. – CNPJ 10.596.031/00, e A DIMOB de DCAS Administração de Imóveis Ltda. – 10.426.984./000120 Passamos a responder a esses dois pontos, separadamente: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 392 3 1. Dimob da Rio Exclusive – AC 2011 Essa Dimob foi preparada com erro. Apresentava o valor de R$ 1.600.000,00 como tendo sido recebido em JAN/2013 pelo aluguel do imóvel sito à Rua Julio Castilhos, 30. Quem a preparou foi estagiário de nosso escritório, que por falta de supervisão adequada – mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa – colocou nela valor que se referia, presumo, a outro cliente. Na verdade, o contribuinte nunca recebeu esse valor pelo aluguel. Auditamos cuidadosamente essa operação e constatamos que o imóvel que foi alugado foi outro, e que o valor recebido foi, na verdade, muito inferior ao reportado na DIMOB original. Estamos enviando em anexo a Dimob retificadora, onde consta o valor correto recebido pelo contribuinte. Em paralelo, verificamos que não foi feita pela PJ locatária a devida retenção do imposto de renda na fonte, quando do pagamento desses aluguéis. Ora, a falta de retenção torna obrigatório o recolhimento do IRRF em carnêleão. Por não saber disso, deixou o contribuinte – natural de França – e pouco informado de nossa legislação fiscal, de fazer esse recolhimento tempestivamente. Em vista disso, apuramos o valor que deveria ter sido retido à época: Período de Apuração Valor bruto do aluguel recebido da Accenture Comissão paga à Rio Exclusive Valor tributável Imposto calculado e recolhido no código 0190 31/01/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.988,47 28/02/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.988,47 31/03/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.988,47 30/04/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.957,30 31/05/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.957,30 30/06/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.957,30 31/07/2011 22.500,00 12.500,00 9.750,00 1.957,30 providenciamos confecção dos respectivos DARFs, e o contribuinte recolheu o tributo, em sua totalidade, em 20/12/2013, juntamente com as penalidades aplicáveis, conf. comprovantes em anexo. Também constatamos que não foi declarado o valor de retirada de lucros naquele anocalendário. Ou seja, há necessidade de fazer duas correções na DAA daquele ano calendário, motivo pelo qual aproveitamos a oportunidade para solicitar à RFB que nos seja permitido apresentar a DAA retificadora. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 393 4 2. Dimob da DCAS Também preparada com erro grave. Foi devidamente retificada, conforme comprovante em anexo. Tendo em vista as retificações apresentadas, solicitamos a retificação do lançamento inicial.” A Impugnação foi julgada improcedente, para manter o crédito lançado, sob a fundamentação de que as DMOBRetificadoras apresentadas não foram suficientes para comprovar a redução dos rendimentos tributáveis pleiteada, conforme assim ementado pela DRJFortaleza (fls. 49/53): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUÉIS. DIMOB Apenas a apresentação de Declaração de Informações sobre Operações Imobiliárias DIMOB retificadora não é suficiente para comprovar a redução dos rendimentos tributáveis pleiteada pelo contribuinte, devendo a mesma ser acompanhada de outros elementos comprobatórios. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido.” Alega o contribuinte que foi cientificado da decisão de primeira instância em 19/03/2015 (fls. 61), e com isso, em 20/04/2015, protocoliza Recurso Voluntário (fls. 64/74), afirmando que: o recurso voluntário é tempestivo porquanto teria sido cientificado da decisão da DRJ em 19/03/2015 e por isso o recurso estaria tempestivo posto que protocolizado no dia 20/04/2015; é proprietário de imóvel na cidade do Rio de Janeiro, o qual disponibiliza para locação por meio de intermediação feita por duas empresas administradoras de imóveis, quais sejam: Rio Exclusive Imobiliária Ltda. (CNPJ 10.596.031/000100) e DCAS Administração de Imóveis Ltda. (CNPJ 10.426.984/000120); em 18/11/2013 tomou ciência do lançamento fiscal, feita pela Notificação de Lançamento lavrada em decorrência da alegação de omissão de rendimentos no importe de R$ 1.094.081,00; em 16/12/2013 apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento, informando que as DIMOBs entregues pelas empresas acima citadas, ensejadoras do lançamento fiscal, foram entregues com erro, e requereu sua correção para o valor correto de R$ 68.250,00. Porém, em 13/05/2014, foi notificado do indeferimento do pedido feito na mencionada SRL; em 11/06/2014 apresentou Impugnação, esclarecendo que as DIMOBs apresentadas pelas empresas foram enviadas com erro na indicação do endereço do imóvel e nos valores pagos por estas ao Recorrente; embora a locatária não tenha apurado e retido o IRRF referente à locação do imóvel, em 20/12/2013 o Recorrente assim o fez, tendo recolhido o imposto com as penalidades legais e apresentado as DARFs; Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 394 5 em razão da improcedência da sua Impugnação, devido a entendimento equivocado da autoridade julgadora de primeira instância, apresenta o Recurso Voluntário, pugnando pelo acolhimento das razões recursais para que seja julgado improcedente o lançamento fiscal e retificado o crédito tributário por ela constituído; Nas razões do recurso, esclarece que a decisão de primeira instância reconheceu que necessitaria analisar outros documentos para esclarecer as divergências apontadas nas declarações, bem como para confirmar o valor do crédito lançado; fez citações relativas ao instituto do “lançamento”, inclusive trazendo trechos de doutrinas específicas sobre o tema, bem como os comentando; não pode a Fazenda Pública basear suas conclusões em meras alegações, sendo indiscutível que as afirmações da peça de lançamento estarem baseadas em fatos devidamente apurados pela Autoridade Administrativa; o ônus da prova dos fatos alegados é incumbência daquele que suscita a irregularidade; é claro o dever da autoridade fiscalizadora em realizar a análise de todos os elementos comprobatórios necessários para justificar o seu lançamento, sendo inaceitável a decisão que indeferiu o seu pleito de redução dos rendimentos por ele recebidos pelas empresas gestoras do seu imóvel declarados nas DIMOBs sem as devidas diligências para a apuração da verdade material; não podendo ser punido pela omissão da autoridade na análise dos documentos; fez citações relativas ao Princípio da Verdade Material, inclusive trazendo trechos de doutrinas específicas sobre o tema, bem como os comentando, em especial afirmando que o agente fiscalizador precisa averiguar exaustivamente todas as características e acontecimentos que envolvem a atividade tributária do contribuinte investigado, de modo a constar se, de fato, este deixou de cumprir suas obrigações tributárias; enquanto não houver sido proferida decisão final no processo administrativo, a autoridade fiscal se encontra obrigada a considerar todos os fundamentos e documentos apresentados pelos interessados, inclusive aqueles trazidos depois da fase probatória, ou seja, em fase recursal, dever este, segundo o Recorrente, reconhecido pelo CARF, conforme julgado que transcreveu; o CARF é obrigado a apreciar quaisquer novos fundamentos utilizados ou documentos apresentados pelo Recorrente, sob pena se ser violado o princípio da Verdade Material; juntou Contrato de Locação Residencial do imóvel situado à Rua Francisco Otaviano, nº 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro, celebrado entre o Recorrente, representado pela administradora de imóveis Rio Exclusive Imobiliária Ltda., e a empresa Accenture do Brasil Ltda., cujo valor do aluguel é de R$ 22.250,00 (fls. 87/91); além de extratos bancários desta empresa, os quais comprovam que ele – Recorrente – não recebeu o valor informado na notificação de lançamento; o conjunto probatório juntado aos autos comprova a necessidade de retificação e consideração do valor pago ao Recorrente para o montante de R$ 68.250,00. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 395 6 Ao analisar as razões de recurso e os documentos apresentados pelo Recorrente, esta Colenda 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, entendendo que o conjunto probatório constante dos autos não era suficiente para manter ou desconstituir o lançamento fiscal, tendo decidido por converter o julgamento em diligência, conforme trechos do Acórdão, abaixo trazidos: “(...) Nesta sede recursal o Interessado colaciona aos autos os seguintes documentos: Contrato de Locação Residencial do imóvel situado à Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro, celebrado entre o Recorrente, representado pela administradora de imóveis Rio Exclusive Imobiliária Ltda., e a empresa Accenture do Brasil Ltda., cujo valor do aluguel é de R$ 22.250,00 (fls. 87/91). Extratos bancários de contas da Rio Exclusive Imobiliária Ltda. (fls. 93/173). O conjunto probatório constante dos autos não é suficiente, em meu entendimento, para manter ou para desconstituir o lançamento fiscal. O contrato de locação foi firmado pelo período de 30 meses, com início em 18/09/2010 e término em 17/03/2013. Assim, durante todo o período do lançamento (ano calendário de 2011) o imóvel estaria sendo administrado pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda.. Observo, no entanto, que foram retificadas duas DIMOB relacionadas ao mesmo imóvel: uma da Rio Exclusive Imobiliária Ltda., onde foram lançados supostos alugueis referentes ao período de janeiro a julho de 2011 (fls. 13/15) e outra da DCAS Administração de Imóveis Ltda., onde foram lançados supostos alugueis relativos ao período de agosto a dezembro de 2011 (fls. 23/25). Os extratos apresentados não comprovam, por si sós, nenhum dos supostos recebimentos de alugueis pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda.. Existe apenas um crédito na conta da empresa, no mês de janeiro de 2011, no mesmo valor avençado no contrato de locação, sem, contudo, ser possível identificar o depositante. Nesse cenário, entendo que o julgamento do presente processo deve ser convertido em diligência, a fim de que a DRF de origem: a) Junte aos autos as DIMOB originais e retificadoras das empresas Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e DCAS Administração de Imóveis Ltda. relativas aos anos calendários 2010, 2011 e 2012; b) Intime a pessoa jurídica Accenture do Brasil Ltda., indicada no contrato de locação como locatária do imóvel do Recorrente, a apresentar: b.1) os comprovantes de pagamentos dos aluguéis registrados nas DIMOB retificadoras apresentadas pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e pela DCAS Administração de Imóveis Ltda.; b.2) cópia de seu contrato social; b.3) cópia do contrato celebrado com o proprietário do imóvel locado. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 396 7 c) Intime a pessoa jurídica Rio Exclusive Imobiliária Ltda. a apresentar cópia de seu contrato social. d) Intime o Recorrente a apresentar o contrato celebrado com a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda cujos aluguéis foram lançados na DIMOB retificadora da mesma, bem como para se manifestar sobre os pontos abordados nesta diligência fiscal. De seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. Marcelo Vasconcelos de Almeida” Com o objetivo de cumprir com o quanto determinado pelo C. CARF, em 19/04/2016, a DRF/RJI intimou o Recorrente, via Termo de Intimação Fiscal (fls. 184), para que apresentasse no prazo de 20 (vinte) dias o contrato celebrado com a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. cujos aluguéis foram lançados na DIMOB retificadora da mesma. Em atendimento à mencionada intimação, o Recorrente respondeu, em 17/05/2016, que: apesar do Termo de Intimação Fiscal ter sido datado de 19/04/2016, o Recorrente somente foi cientificado em 06/05/2016; não mantém, nem manteve, qualquer contrato de administração de locações DCAS Administração de Imóveis Ltda., por dois motivos: é seu sócio quotista, conforme comprova o contrato social da empresa, juntado na ocasião; e por não possuir imóvel registrado em seu nome, conforme comprovam as certidões distribuidoras de escrituras, também juntadas; em verdade, a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. tem como objeto social a administração de locação de imóveis próprios, por essa razão não podendo administrar imóveis de terceiros, sequer dos seus sócios, sendo que a DIMOB Original foi entregue com erro de elaboração pelo contador, que declarou o nome do Recorrente como sendo o locador do imóvel, quando seu real proprietário é a mencionada empresa, nos termos do artigo 1245 do Código Civil, motivo pelo qual procedeuse à retificação da DIMOB para corrigir os erros constatados; juntou os seguintes documentos: 1) contrato social da DCAS Administração de Imóveis Ltda. (fls. 189/194); e 2) Certidões de Registro de Distribuição emitidas pelos 6º e 5º Ofícios de Registros de Distribuição do Rio de Janeiro (fls. 195/197). Em 03/05/2016, a DRF/RJI intimou a empresa Accenture, para que esta apresentasse os seguintes documentos: 1) Comprovantes de pagamentos de aluguéis declarados nas DIMOB das empresas Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e DCAS Administração de Imóveis Ltda.; 2) Cópia do seu contrato social; e 3) Cópia do contrato de aluguel celebrado com o proprietário do imóvel o qual esta loca. Em resposta, a Accenture entregou apenas o seu contrato social e requereu mais 7 (sete) dias úteis para apresentar o restante dos documentos solicitados (fls. 200/227). Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 397 8 Em 03/05/2016, a DRFRJI intimou a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. para que apresentasse as DIMOB originais e retificadoras dos anoscalendários de 2010, 2011 e 2012, referentes ao imóvel do Recorrente (fls. 228). Em atendimento à mencionada intimação, DCAS Administração de Imóveis Ltda. respondeu, em 16/05/2016, que: apesar do Termo de Intimação Fiscal ter sido datado de 03/05/2016, a empresa somente foi cientificada em 06/05/2016; não mantém, nem manteve, qualquer contrato de administração de locações DCAS Administração de Imóveis Ltda., por dois motivos: é seu sócio quotista, conforme comprova o contrato social da empresa, juntado na ocasião; e por não possuir imóvel registrado em seu nome, conforme comprovam as certidões distribuidoras de escrituras, também juntadas; em verdade, a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. tem como objeto social a administração de locação de imóveis próprios, por essa razão não podendo administrar imóveis de terceiros, sequer dos seus sócios, sendo que a DIMOB Original foi entregue com erro de elaboração pelo contador, que declarou que os rendimentos de locações foram erroneamente lançados em nome do Recorrente (seu sócio), o qual sequer possui imóveis para locação, fato que gerou mal entendido, o qual foi posteriormente sanado pela entrega da DIMOB retificadora; juntou os seguintes documentos: 1) suas DMOBs 2011 e 2012, tanto originais, quanto retificadoras (fls. 235/244); e 2) contrato social da DCAS Administração de Imóveis Ltda. (fls. 244/249); 3) Certidões de Registro de Distribuição emitidas pelos 6º e 5º Ofícios de Registros de Distribuição do Rio de Janeiro (fls. 250/252); 4) Detalhamento da relação comercial entre o Recorrente, a DCAS Administração de Imóveis Ltda., a Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e a Accenture (fls. 254); 5) contratos de locação da DCAS Administração de Imóveis Ltda. com a Accenture (fls. 255/262), Ivan Antoine Alexandre Segal (fls. 263/272) e MPX Energia Ltda. (fls. 273/278); 6) notas fiscais emitidas pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda. contra a DCAS Administração de Imóveis Ltda. (fls. 279/289). Em 08/06/2016 a Accenture apresentou os documentos restantes que a DRRJI lhe havia intimado a apresentar (fls. 290/341). Às fls. 343/385 a empresa Rio Exclusive Imobiliária Ltda, juntou documentos solicitados pela Resolução de fls. 178/181. Em 06/07/2016, a DRFRJI encaminhou a este C. CARF os documentos obtidos pela realização de diligência solicitadas pelo Conselho (fls. 389). É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Resolução nº 2201000.259 S2C2T1 Fl. 398 9 Proponho a conversão em diligência para a Unidade preparadora confirmar se houve a intimação de fls., 388 ao contribuinte para manifestação sobre os documentos juntados da diligência de fls. 344/385 da empresa Rio Exclusive Imobiliária Ltda., uma vez que tal diligência havia sido determinada por essa C. Turma em resolução passada (fls 178/181). É como voto. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917371/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.104
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 37 1/ 20 11 -9 1 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10480.917371/201191 Resolução nº 3401001.104 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.095. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10480.917371/201191 Resolução nº 3401001.104 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10480.917371/201191 Resolução nº 3401001.104 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722755/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE.
Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade, mormente quando a fiscalização não logrou êxito em provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada.
Numero da decisão: 1401-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE. Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade, mormente quando a fiscalização não logrou êxito em provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada.
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PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE. Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade, mormente quando a fiscalização não logrou êxito em provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 27 55 /2 01 3- 04 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 532 2 Relatório Tratase de recurso de ofício no Acórdão nº 1269.816 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Do lançamento: O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRF/BarueriSP e cientificados à interessada acima identificada em 19/12/2013, conforme Aviso de RecebimentoAR de fl. 315: De Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 9.590.367,74 (fls. 302/307), e de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no valor de R$ 3.302.028,32 (fls. 308/314), acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração, decorre de apuração de ganho de capital no segundo trimestre de 2009, pela interessada tributada com base no Lucro Presumido, referente à venda de imóvel, pelo valor de R$ 41.806.685,23, uma vez estar o mesmo escriturado na conta contábil 1.5.2.010.205042, de Ativo Permanente Imobilizado, pelo valor de R$ 100.679,44, conforme fl. 286 do Livro Razão Contábil. A interessada alegou na fase fiscalizatória que, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 22/12/2006, aprovou a alteração do seu objeto social, passando o art. 3° do Estatuto Social a prever também a compra e venda de bens próprios e de terceiros, devendo ser considerada a venda de tal imóvel, portanto, como receita bruta oriunda de sua atividade. A Fiscalização entendeu, no entanto, que estando o imóvel escriturado em conta do Ativo Permanente Imobilizado, a sua venda não se encontraria respaldada no conceito tratado no art. 224 do RIR/1999 (receita da atividade), mas no § 2° do art. 225, que trata de ganhos de capital e demais receitas da empresa tributada com base no Lucro Presumido, transcrevendo a forma de apuração da base de cálculo, constante do art. 521, § 1°, do RIR/1999. Ressaltou a Fiscalização, também, que o imóvel em questão teria sido adquirido em 05/03/1987, quando não constava nos estatutos da interessada, como seu objeto, a compra e venda de imóveis próprios, que só foi incluída em 22/12/2006, assim, corroborando que a operação em tela se trataria de venda de bem imobilizado, e não receita de venda de bens em operação de conta própria. Na apuração do IRPJ e da CSLL foi considerada como base de cálculo o diferença entre o valor da alienação do imóvel (R$ 41.806.685,23) e o valor contábil (R$ 100.679,44), descontando o montante oferecido à tributação pelo sujeito passivo quando da aplicação do percentual de 8% sobre o valor de venda para cálculo da base tributável (R$ 3.344.534,82). Enquadramento Legal: IRPJ: art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts. 521, 522 e 528 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999; CSLL: Art. 2° (com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/1990) e 3° (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/2008) da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2° e 24, §° (com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei n° 11.941, de 27 de Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 533 3 maio de 2009) da Lei n° 9.249/1995 ; art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 22 da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003. Da Impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 16/01/2014, sua impugnação de fls. 319/338, na qual argui a tempestividade descreve a autuação e alega, em síntese, que: Estaria consumada a decadência do lançamento, tendo como início da contagem do prazo decadencial os recebimentos oriundos do contrato denominado Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra celebrado em 08/06/2007, tendo como adquirente Klabin Segall São Paulo 17 Empreendimentos Imobiliários Ltda. A promitente compradora honrou regularmente as cláusulas pactuadas, tendo os pagamento sido contabilizados como recebimentos antecipados nos anos de 2007 (R$ 26.536.031,55) e 2008 (R$ 12.859.927,21), sendo zero em 2009, totalizando R$ 39.395.958,76. Em 19/12/2013 (data dos autos de infração), portanto, estaria decorrido o prazo de cinco anos e quatro meses do ano base de 2008 e seis anos para o ano base de 2007, não havendo, portanto, que se falar em direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento. Discorre sobre o instituto da decadência, em especial dos lançamentos por homologação, que se aplicaria ao caso em litígio, uma vez que recolheu regularmente o IRPJ e a CSLL naqueles anos. Discorre sobre o contrato de compra e venda com a Klabin Segall São Paulo 17 Empreendimentos Imobiliários Ltda., repetindo que a parcela final do cumprimento do mesmo se deu em 08/08/2008, e alegando que, conforme jurisprudência que transcreve, a base de incidência tributária originada por contratos particulares de compra e venda não exige escritura pública. Transcreve diversas Soluções de Consulta sobre o assunto. Reconhece que entendeu decorrerem as obrigações tributárias da lavratura da escritura pública de compra e venda e não do Instrumento Particular de Compra e Venda, daí a razão do recolhimento dos impostos correspondentes no mês de junho de 2009. Mesmo que as obrigações decorressem de escritura pública de compra e venda, por sua opção pelo lucro presumido e em que pese o imóvel constar em conta de ativo imobilizado, sua disponibilidade à venda encontravase em consonância com seu objeto social (compra e venda de bens próprios). Atendendo seus objetivos estatutários, portanto, seria irrelevante que o bem estivesse contabilizado nesta ou naquela classificação contábil. Que, assim sendo, a tributação com base na alíquota de 8%, prevista no art. 224 do RIR/1999, estaria amparada pela legalidade. Argui a inconstitucionalidade da multa de ofício, em face do seu caráter confiscatório e por ferir o princípio da capacidade contributiva. Encerra pedindo sejam julgados nulos os lançamentos e reconhecida a inconstitucionalidade das penalidades impostas. É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 534 4 A DRJ CANCELOU integralmente os lançamentos e RECORREU DE OFÍCIO, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE. Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO COM SUPORTE FÁTICO COMUM. MESMA DECISÃO. Por não apresentar fato novo que suscite conclusão diversa, deve o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL acompanhar o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 535 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ cancelou integralmente os autos de infração, nos seguintes termos: No mérito, no entanto, não deve prosperar a autuação, uma vez que, de conformidade com a relação de Declarações sobre Operações ImobiliáriasDOI da interessada, juntadas às fls. 405/412, a mesma efetuou diversas operações de compra e venda de imóveis próprios, de setembro de 2006 até maio deste ano, incluindo a alienação que originou a autuação, em 09/04/2009 (DOI às fls. 413/415), o que demonstra ser esta uma atividade efetivamente exercida pela interessada, mesmo antes de constar de seus estatutos. A cláusula 3a de seu Estatuto Social, por força da Assembléia Geral Extraordinária de 22/12/2006, definiu como objeto social da empresa também a atividade de compra e venda de bens próprios e de terceiros. Desta forma, a partir de tal data, tal atividade passou a ser um de seus objetivos sociais e a venda em 09/04/2009, portanto, se deu como receita da atividade, conforme ofereceu à tributação a interessada, não havendo previsão legal para que a aquisição do imóvel alienado tenha que ter ocorrido também após a alteração contratual para que a venda seja considerada atividade da empresa, nem mesmo que o bem esteja necessariamente contabilizado fora do ativo permanente para que não seja considerado ganho de capital. Desta forma, a interessada tributou corretamente a receita pela venda de tal imóvel, aplicando a alíquota de oito por cento sobre a mesma, para apuração do lucro presumido, uma vez que se trata de receita de atividades próprias, não havendo que se falar em apuração de ganho de capital, o que motivou o lançamento que ora julgo improcedente. Da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL: Com relação ao lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por não apresentar fato novo que suscite conclusão diversa, deve o mesmo acompanhar o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Conclusão: Face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e EXONERAR OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS exigidos de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 9.590.367,74, e de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no valor de R$ 3.302.028,32, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. Conforme Ata da Assembléia Geral extraordinária realizada em 22 de Dezembro de 2006, foi aprovada a alteração do objeto social da empresa, passando o Artigo 3o do Estatuto Social a ter a seguinte redação: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 536 6 "Art. 3o A sociedade tem como objeto social a intermediação de negócios, a assessoria e consultoria empresarial e financeira, a administração, compra e venda de bens próprios e de terceiros e a participação em outras empresas." Revisados os autos, alinhome com todos os fundamentos utilizados pela DRJ para infirmar à autuação de ocorrência de ganho de capital na indigitada operação. Afinal, não há sentido se tributar ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando a atividade de compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não tendo trazido aos autos outros elementos que possam comprometer essa situação. Ademais, também se descarta a possibilidade de que o objeto social foi alterado meramente para acobertar essa operação, conforme deixou bem claro a DRJ: (...) não deve prosperar a autuação, uma vez que, de conformidade com a relação de Declarações sobre Operações ImobiliáriasDOI da interessada, juntadas às fls. 405/412, a mesma efetuou diversas operações de compra e venda de imóveis próprios, de setembro de 2006 até maio deste ano, incluindo a alienação que originou a autuação, em 09/04/2009 (DOI às fls. 413/415), o que demonstra ser esta uma atividade efetivamente exercida pela interessada, mesmo antes de constar de seus estatutos. Também não socorre à fiscalização ter pinçado de forma isolada apenas o fato de o bem ter sido contabilizado no seu ativo permanente, pois tal é irrelevante para fins tributários se a referida comercialização atendeu seus objetivos estatutários. No caso, era ônus da fiscalização provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada e que a referida venda seria apenas um caso isolado. Porém, isso como já se demonstrou não foi o caso e precisaria de maiores esforços investigativos por parte da fiscalização, o que não ocorreu. Não considero também que seja suficiente a afirmativa genérica e superficial da fiscalização no sentido de que a aquisição do imóvel tendo sido em data bastante anterior à inclusão no objeto da empresa da atividade de "compra e venda de bens próprios e de terceiros", corroboraria que a operação em tela se trata de venda de bem imobilizado e não receita de venda de bens em operação de conta própria. Como já coloquei, essa conclusão ensejaria uma maior investigação e não há previsão legal para se enveredar por essa conclusão. Dessa forma, em se tratando de receita da própria atividade e que foi perfeitamente tributada na alíquota correta do lucro presumido, não cabe se invocar a figura da tributação do ganho de capital. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 537 7 Fl. 431DF CARF MF
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