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Numero do processo: 17698.000299/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes).
IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE.
Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2 do CARF).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2 do CARF). Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 02 99 /2 00 8- 60 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 170 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 102/128) interposto em 28 de setembro de 2011 contra o acórdão de efls. 94/98, do qual o Recorrente teve ciência em 08 de setembro de 2011 (efl. 101), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por maioria de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 33/37, lavrada em 06 de fevereiro de 2008, em virtude de dedução indevida de incentivo e omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, verificados no ano calendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. São exigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre o imposto de renda suplementar na forma definida pela legislação tributária. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 171 3 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (efl. 94). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 102/128), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. Remetidos os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, houve a conversão do julgamento em diligência para que o contribuinte juntasse os seguintes documentos (efls. 131/133): “1) planilhas de cálculo de liquidação da sentença proferida nos autos do processo nº 2003.71.51.0002838, nas quais conste a discriminação das verbas envolvidas e os montantes correspondentes; 2) Alvarás ou Guias de Retirada dos valores recebidos naquele processo; 3) íntegra do contrato de honorários de advogado firmado com a Sra. Ana Paula Medeiros Valério Jacobs, procuração a ela outorgada para representar o contribuinte nos autos do processo nº 2003.71.51.0002838 e recibo do pagamento feito em contrapartida da prestação dos serviços contratados.” Devidamente intimado em 04 de dezembro de 2013, o contribuinte, em atenção à diligência, apresentou informações e juntou documentos (efls. 146/166). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O contribuinte aduz, no presente caso, (i) a ilegalidade da cobrança, por discordar da incidência do IR sobre verbas derivadas de ação judicial em que se buscava a aplicação da IRSM – Índice de Reajuste do Salário Mínimo sobre sua aposentadoria, (ii) que são indevidos os juros moratórios, por tratarse de verba exclusivamente indenizatória, (iii) que é indevida a incidência do tributo sobre as verbas pagas a título de honorários advocatícios, (iv) que a correção monetária não deve ser feita pela SELIC, mas pela UFIR, com juros de 1% ao mês, não capitalizados, e (v) que a multa aplicada no percentual de 75% não pode ter o intuito arrecadatório. Depreendese dos documentos juntados aos autos que o contribuinte obteve o direito ao recebimento do valor de R$ 35.729,19 (principal de R$ 32.051,33 e juros de R$ 3.677,87) corrigidos até outubro de 2004, verbas estas derivadas da ação judicial nº 2003.71.51.0002838, em que se buscava a aplicação da IRSM sobre sua aposentadoria. Entretanto, não juntou aos autos documentos que comprovassem suas alegações, aduzindo tão somente que o processo é eletrônico, “fato que torna a juntada da totalidade da documentação requerida por este Conselho impossível” (efl. 146). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 172 4 Ora, os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 impõem como ônus da parte a alegação de toda matéria de defesa por ocasião da impugnação, acostando todos os documentos eventualmente pertinentes ao regular deslinde da lide. No entanto, este CARF aplicou o princípio da verdade material, corolário lógico e jurídico do princípio da legalidade, consubstanciado também no caráter vinculado do lançamento tributário (art. 3º c/c art. 142 do CTN), bem como do próprio direito de propriedade, garantia fundamental do Estado Democrático de Direito. Justamente em virtude da aplicação do princípio da verdade material na esfera administrativa, este CARF determinou a conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, para que o contribuinte pudesse comprovar suas alegações, por meio da juntada de novos documentos, o que não foi feito de forma a afastar a exigência tributária. Quanto à forma utilizada para apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, entende o Recorrente que tal deveria ter sido realizada com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, mês a mês, de acordo com as tabelas relativas a cada ano de referência. No entanto, o entendimento sobre o tema encontrase balizado pelo art. 56 do Decreto n.º 3.000 (RIR/99), com as alterações promovidas pela Lei n.º 7.713/1998, conforme se verifica pelo dispositivo colacionado abaixo: “Rendimentos Recebidos Acumuladamente Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12)” Como cediço, não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise da constitucionalidade das normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro, conforme determina a própria Súmula n.º 02 do CARF. Neste sentido, aplicável o art. 56 do RIR/99, devendo o Imposto de Renda incidir no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos recebidos. Poderia ainda ter feito prova do efetivo pagamento do montante de R$ 6.330,00 a título de honorários advocatícios por meio de recibo de quitação elaborado por seu patrono ou por meio de comprovante de depósito/transferência da quantia, o que também não ocorreu. Desta forma, não há como prevalecer sua tese, devendo o crédito tributário ser mantido da forma como lançado. No que tange à aplicação da taxa SELIC, aplicável ao presente caso a jurisprudência mansa e pacífica firmada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consubstanciada na Súmula n.º 04: Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 173 5 são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por fim, cumpre salientar, que, com relação à arguição de que a multa de ofício não pode ter caráter arrecadatório, ou de que detém caráter confiscatório, temse que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Portanto, tratandose de dispositivo legal vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905196/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 306 1 305 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.905196/200981 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.480 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 51 96 /2 00 9- 81 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 307 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.999, às fls. 70 a 75: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 09/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o crédito informado em PER/DCOMP estaria correto, todavia teria incorrido em erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em DCTF, considerando suposta apuração incorreta do imposto devido no período de apuração em questão. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, declarada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 308 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/02/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 309 4 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 310 5 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 311 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 312 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 313 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 314 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.406 (fls. 241 a 259), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 283 a 296, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 300 a 302. Este é o Relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 315 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 14/07/2006 (fls. 65 a 68), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 3º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/10/2001 e possui o valor total de R$ 30.429,27. A compensação abrange débitos de PIS e COFINS do mês de junho de 2006, no montante de R$ 12.838,94. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 316 11 na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito: [...] Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.406. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 317 12 administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (14/07/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 318 13 erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 319 14 acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 320 15 Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 321 16 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 322 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 323 18 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 324 19 Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 325 20 É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 3º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 283 a 296. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 2001, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 326 21 que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deduziu o IRfonte somente até o valor do imposto a pagar quando poderia ter aproveitado todo o imposto retido no trimestre, o que teria gerado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2001, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou imposto zero a pagar, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado como recolhimento indevido, passível de restituição. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 300 a 302, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.406. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 327 22 Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 18050.007948/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.408
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 07 94 8/ 20 08 -2 1 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2004 a 09/2006. O Relatório Fiscal (fls. 64/87) informa que a empresa tem como atividade principal a seleção, agenciamento e locação de mão de obra para serviços temporários, consoante Lei 6.019/1974. As folhas de pagamento, do ano de 2004 foram entregues em meio digital e com os seus respectivos resumos. Contudo, não foi feita a consolidação por estabelecimento e não foi informada a remuneração paga aos segurados da filiais. As remunerações mensais das folhas apresentadas foram confrontadas com dados constantes das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) da empresa (informações estas provenientes do sistema informatizado da Previdência Social) e com os livros contábeis. Foram identificadas divergências entre as bases de remuneração declarada, a base lançada na contabilidade e as constantes das folhas de pagamentos, em todos os meses fiscalizados. Esse Relatório informa ainda que os fatos geradores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. GFA GFIP após início da fiscalização à todos os valores de remuneração e os descontos dos segurados declarados em GFIP, após início da ação fiscal, foram lançados neste levantamento, inclusive pró labore (honorários de diretoria); 2. FPN Folha de Pagamento não declarada à obtida da comparação entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa, constatouse que não foram declarados em GFIP todos os dados da base de contribuição do contribuinte. As diferenças da base de cálculo e do desconto do segurado foram lançadas neste levantamento; 3. SAT Diferença SAT à referese às diferenças entre os valores da contribuição total de SAT (2%), apuradas na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela empresa; 4. ASM Assistência Médica Contab à referente a pagamentos efetuados pela empresa para concessão de assistência médica a uma parte dos segurados empregados; 5. CON VL Contábil maior que folha GFIP à a contabilização das folhas de pagamentos da empresa demonstra que os valores lançados na conta Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 4 3 de salários é maior do que os constantes nas folhas entregues à fiscalização; 6. HON Honorário Pessoa Física Preposto à referente aos honorários e despesas não comprovadas e pagas aos prepostos da empresa, não declarados em GFIP; 7. ADV Honorários Advocatícios à pagamentos verificados na conta 3375 3.2.1.02.014 (honorários advocatícios) foram lançados neste levantamento, bem como a contribuição destes segurados; 8. AUT Autônomos Diversos à referente a pagamentos de serviços prestados por pessoa física em diversas contas de despesa (contas 3471 3.2.1.02.017, 2201 3.3.1.02.005 e 2163 3.3.1.02.001); 9. VTD Vale Transporte Dinheiro à o custo do vale transporte em dinheiro, identificado nas folhas de pagamento, foi lançado neste levantamento juntamente com a contribuição dos segurados devida sobre este beneficio; 10. DAL Diferença de Acréscimos Legais à referente a acréscimos legais (multa e juros) recolhidos a menor em Guias da Previdência Social (GPS) recolhidas em atraso, consoante fundamentação às folhas 59 a 61; 11. e PRO Pro Labore Contabilidade à referente a prólabore identificado na contabilidade (conta 38663.2.1.02.019 despesas não dedutíveis) e não declarado em GFIP. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/10/2008 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 125/156, Volume 3), alegando, em síntese, que: 1. a empresa atua no fornecimento de mão de obra temporária, regida pela Lei 6.019/1974, sendo terceirizada das empresas contratantes. Assim, as exigências feitas no contrato de uma empresa terceirizante não vincula um outro contrato com outra empresa (também terceirizante) não cabendo a obrigatoriedade à impugnante estender a todos os trabalhadores não vinculados àquele contrato, não só por ausência de exigência legal e contratual, mas também porque aumenta o custo operacional e de pessoal da empresa, o que acabaria gerando a necessidade de enxugamento de folha, demissão e desemprego. Ora, se determinada empresa terceirizante exige contratualmente determinado benefício e outra não. não há nenhuma previsão legal, inclusive para fins previdenciários, a exigência de que todos os demais empregados, não vinculados àquele contrato, tenham eventual benefício. Nesse sentido, por se tratar de empresa de trabalho temporário, cada contrato, com suas exigências específicas, deve ser visto isoladamente, uma vez que não vinculam os demais trabalhadores temporários dos outros contratos; Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 5 4 para o Levantamento GFA percebese que o valor encontrado nesse item é a diferença entre a transmissão da GFIP antes e a retransmissão da GFIP após a fiscalização, vindo a gerar esta diferença que, como dito, não é devida, bem como distribuídas nos demais tópicos a seguir impugnados; 2. no Levantamento FPN, o fato de existir diferença entre o total da remuneração declarada em GFIP e as folhas de pagamento significa dizer que nem tudo que está na folha de pagamento é remuneração tributável pela previdência, constituindo a mesma de verbas ressarcitórias e afins, verbas estas que não integram o salário de contribuição. Ademais, eventuais equívocos contábeis ou mesmo equívocos na fiscalização, não podem trazer prejuízo de tal monta à empresa impugnante; 3. portanto, resta evidente a improcedência deste tópico, merecendo a realização de perícia, o que restará evidente que nem todos os valores integrantes da folha de pagamento constituemse base de cálculo para a contribuição previdenciária, uma vez que os valores foram reembolsados aos empregados a título de despesas já efetuadas; 4. para o Levantamento VTD, alega que no caso dos autos, além da questão da logística e do risco de furtos e roubos constantes, a empresa impugnante se viu impossibilitada de conceder os vales transporte para alguns funcionários, tendo em vista as peculiaridades que cercavam a localidade em que ocorria a prestação do serviço. Em outras palavras, a empresa impugnante não concedia vale transporte, reembolsando em dinheiro, porque ou não tinha transporte público e vale transporte no município, ou porque o transporte que existia não aceitava vale transporte; 5. no tópico referente ao Levantamento SAT, o fisco previdenciário lançou as diferenças entre os valores da contribuição total do SAT (2%), apurados na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela empresa. Percebese que o fisco previdenciário, ao total arrepio da lei, considerou, indiscriminadamente, todas as áreas de atuação da empresa impugnante com o mesmo risco para contribuição do SAT. Em outras palavras, não há que se falar em uniformidade do risco, razão pela qual deve ser aferido individualmente. Registrese, inclusive, que a empresa impugnante presta serviço a instituição financeiras, sendo certo que é previsto que se trata de Risco, nestes casos, diferente de outras atividades; 6. ademais, como visto acima, existindo discussão judicial a respeito do suposto débito tributário, ou do seu valor, bem como depósito judicial (doc. Anexo), há a suspensão da exigibilidade do crédito, diferente do que alega o fisco previdenciário. Com efeito, conforme é sabido pelo próprio órgão fiscalizador, a questão está sendo submetida ao judiciário, sendo certo que, diferente do entende o fisco, encontrase com a sua exigibilidade suspensa, notadamente quando com o depósito judicial. Portanto, havendo processo que discute o valor do suposto débito tributário, com depósito judicial, suspendese a exigibilidade do tributo até decisão final; Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 6 5 7. em relação aos Levantamentos ASM e AMA, todos os seus trabalhadores temporários, vinculados aos diferentes contratos, possuem indistintamente os direitos garantidos pela legislação aplicável, mormente os previstos na Lei 6.019/74 e na própria CLT (quando aplicável). Já outros benefícios, como, por exemplo, a assistência à saúde, depende da exigência contratual. Assim, como dito alhures, a diferença por ventura encontrada assistência médica a alguns trabalhadores, não se trata de ato volitivo da empresa impugnante, mas sim de exigência contratual de quem contrata, beneficiando os trabalhadores contratados vinculados ao contrato; 8. para os Levantamentos CON e COS, registrese que tal diferença é facilmente explicável, isso porque os valores das férias e 13° salário estão somente provisionados mês a mês na contabilidade, não sendo efetivamente pagos, assim resta claro o porque da diferença do pagamento real efetuado, com isso, não pode agora, o contribuinte sofrer qualquer sansão ou penalidade, por quanto que não ocorreu. Vale ainda salientar, que os pagamentos das ajudas de custo aos funcionários, também estão lançados e inclusos nestes valores, conforme inscrição da empresa impugnante no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), contribuindo com a diferença na contabilidade; 9. com relação ao Levantamento HON, também não merece razão os argumentos utilizados, notadamente por dois motivos: primeiro, porque se trata de contribuinte individual, existindo limite máximo para o recolhimento previdenciário, não sendo devido quando este é atingido; segundo, porque os reembolsos das despesas não são tributáveis. Ora, o próprio fisco reconheceu que as verbas remuneratórias foram lançadas em conjunto com as verbas ressarcitórias, o que já permite concluir que existem distinções no lançamento contábil que não são tributáveis. Desta forma, resta impugnada a pretensão do fisco previdenciário, requerendo, desde já. a realização de prova pericial; 10. para os Levantamentos ADV, AUT e PRO, aduz que todo contribuinte da previdência, inclusive o individual, tem um teto máximo em que é tributado, não havendo que se declarar em GFIP, nem em tributar, quando já se atingiu; 11. quanto ao prólabore dos sócios, é fato que a autora remunera os seus sócios administradores através do pagamento de prólabore. Contudo, estes mesmos sócios administradores, não obstante, já recolhem contribuição ao INSS, na qualidade de segurados obrigatórios, incidentes sobre o prólabore. ou seja, sobre a mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do recolhimento efetuado pela autora, com base na lei já citada. Portanto, prólabore e salário são institutos jurídicos distintos, com efeitos diversos no campo jurídico. Um instituto pertence ao Direito do Trabalho, outro, ao Direito Comercial; 12. requer a improcedência total do presente Auto de Infração. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 7 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1519.662 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 717/722, Volume 4) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 962/999, Volume 5). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 8 7 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com a base de cálculo e com o recolhimento de valores por meio GPS, acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que os valores apurados no presente lançamento fiscal foram extraídos das folhas de pagamento, das GFIP’s e da escrituração contábil, documentos estes fornecidos pela Recorrente, bem como de informações extraídas dos sistemas informatizados do Fisco. Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal que: (i) conforme levantamento através dos comprovantes do contribuinte confrontados com o relatório RADA (relatório de apropriação de documentos apresentados) não foram considerados pelo Fisco, perfazendo o montante de R$304.196,57 (trezentos e quatro mil, cento e noventa e seis reais e cinqüenta e sete centavos), conforme planilha em anexo (Anexo 1); (ii) há erro operacional, pois a empresa não informou nas GFPs a totalidade das retenções, informou valores bem abaixo do real, o que acarreta um crédito para o contribuinte. Este crédito pode ser apurado considerando os valores apropriados no relatório RADA (Relatório de apropriação de documentos apresentados), confrontandoo com os valores que foram declarados em GFPs, conforme documentos anexos (Anexo 2). Nessa argumentação, concluiu a Recorrente que (...) existem situações em que a Fiscal não apropriou – perfazendo o montante de R$304.196,57 (trezentos e quatro mil, cento e noventa e seis reais e cinqüenta e sete centavos) –, bem como situações em que a mesma apropriou mais não considerou os valores (crédito) para abatimento de eventual suposta dívida. A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que houve bitributação em alguns levantamentos enumerados na peça recursal e, com relação aos levantamentos CONVL Contábil maior que Folha GFIP e COSVL Contábil maior seg. aferido, há incursão na base de cálculo de valores indenizatórios (ajuda de custo e alimentação enquadrada no PAT). Por fim, a Recorrente concluiu que: “[...] Devese registrar que extraise dos fundamentos utilizados pelo fisco previdenciário que há constante bis in idem (bitributação), vez que faz incidir a contribuição previdenciária sob o mesmo suposto fato gerador, especialmente nas questões que são generalizas, situação esta que não foi observada nem afastada no Acórdão recorrido. E o que se observa, por exemplo, nos itens referentes a incidência do "valor contábil maior que folha GFÍP", da "folha de pagamento não declarada" e "valor contábil maior segurado auferido" entre si e em cotejo com os demais itens. Ora, esse três itens envolvem os mesmos supostos fatos geradores e bases de cálculo, sendo refletidos pelos demais levantamentos Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 9 8 lançados, vez que todos eles integram, por exemplo, a folha de pagamento. Ademais, como já dito acima, mesmo estando na folha de pagamento, esta não deve ser considerada integralmente, vez que existem panes integrantes que não são base de cálculo para a contribuição previdenciária, pois não se tratam de remuneração. Assim, podese concluir, dos argumentos acima expendidos, que não são devidas as contribuições da empresa e a contribuição para o SAT dos seguintes levantamentos realizados pelo fisco previdenciário: GFA, FPN, SAT, VTD, ASM, COM, HON, AUT, ADV E PRO, inclusive das diferenças dos acréscimos legais das guias pagas. (...) d) caso em remota possibilidade de permanência do Acórdão, o que não se acredita, requer o abatimento do crédito constatado em favor da Recorrente no importe total de R$ 2.201.444,11 (dois milhões, duzentos e um mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e onze centavos), montante este que não foi considerado pela Fiscal para fins de aplicação do montante apurado no Auto de Infração, conforme documentos em anexo. [...]”Assim, necessitamos que a Auditoria Fiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 10 9 Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório – inclusive deverá verificar se efetivamente foram realizados os recolhimentos das contribuições noticiados pela Recorrente, por meio de cópias de GPS acostadas aos autos, e se tais recolhimentos foram devidamente apropriados no lançamento fiscal –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.907607/2011-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 07 60 7/ 20 11 -6 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “O interessado transmitiu a Dcomp nº 31962.67435.091107.1.3.043356, visando compensar os débitos nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou a maior do IRPJ; A DRF/Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO; b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA; c) SERVIÇOS HOSPITALARES – POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 8% NA APURAÇÃO DE IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, § 1º, III, “a”; d) DO PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ E A POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 4 3 A expressão “serviços hospitalares” somente abrange aqueles prestados por estabelecimentos qualificados como “hospital”, portanto, somente esses podem apurar o lucro presumido no percentual de 8% da receita bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 28/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 19/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 6 5 Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 7 6 definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 8 7 DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 9 8 pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 10 9 interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 11 10 prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 12 11 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 13 12 disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 14 13 A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 15 14 hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10166.007577/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 97 1 96 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.007577/200798 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.472 – 2ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria IRPF RETIFICAÇÃO DIRPF Recorrente PEDRO SANTIAGO DOS SANTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 75 77 /2 00 7- 98 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório PEDRO SANTIAGO DOS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, em 25/06/2007, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação ao Exercício 2005, conforme peça inaugural do feito, às fls. 35/39, e demais documentos que instruem o processo. Com mais especificidade, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 31.938,27, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.346,06. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, consubstanciada no Acórdão nº 0329.325/2009, às fls. 42/50, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Especial, em 25/08/2011, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 280101.831, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10166.007577/200798 Acórdão n.º 9202003.472 CSRFT2 Fl. 98 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Restando confirmada a omissão de rendimentos tributáveis e não tendo havido entrega de declaração retificadora espontaneamente, não é possível ao contribuinte retificar a declaração para trocar o modelo da declaração após início de procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício aplicada nos caso de falta de recolhimento ou declaração inexata é devida independentemente da existência de dolo ou culpa na prática do erro que a originou. PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DE PENALIDADES. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso voluntário negado.” Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 82/85, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Em defesa de sua pretensão, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos n°s 10616.000 e 10322.099, ora adotados como paradigmas, permite a alteração do modelo da declaração, de simplificada para completa, na hipótese de erro de fato pelo contribuinte, ao contrário do que restou assentado pelo decisum recorrido, com esteio no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. Explicita que a recorrente ao preencher a Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário 2004, incorreu em erro formal ao informar como rendimentos tributáveis em valor inferior a base tributável recebida de fonte do trabalho assalariado, razão pela qual caberia à autoridade fiscal intimar a contribuinte para prestar esclarecimento, oportunizando, ainda, a sua retificação. Contrapõese ao Acórdão atacado, por entender que o lançamento online frusta a oportunidade do contraditório, mormente por se tratar de mero erro material da contribuinte ao elaborar sua DIRPF, ou melhor, mera formalidade, na linha da doutrina transcrita na peça recursal. Ressalta que em momento algum houve a intenção de prestar falsa declaração para suprimir ou reduzir tributo por parte do Recorrente, ocorrendo apenas erro de fato, devendo ser autorizada a mudança de formulário. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar a observância dos pressupostos para conhecimento da peça recursal, ou seja, a divergência jurisprudencial suscitada, conforme Despacho S/N/2012, às fls. 87/89. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 91/95, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 1a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão do recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte fora lavrada Notificação de Lançamento exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação ao exercício 2005. Por sua vez, a Turma recorrida entendeu por bem rechaçar o pleito do contribuinte, mantendo a integralidade da exigência fiscal, sobretudo quanto à impossibilidade de alteração do modelo da DIRPF já apresentada, de simplificado para completa, mormente após iniciada a ação fiscal (e encerrada com a notificação), bem como diante da não comprovação da ocorrência de erro de fato na opção originalmente apresentada, ensejando a interposição do recurso especial do Contribuinte. Pretende a recorrente seja reformado o decisum em vergasta, alegando ter contrariado a jurisprudência administrativa a respeito do tema, representada nos Acórdãos n°s 10616.000 e 10322.099, ora adotados como paradigmas, os quais possibilitam a alteração do modelo da declaração, de simplificada para completa, na hipótese de erro de fato pelo contribuinte, ao contrário do que restou assentado pelo decisum recorrido, com esteio no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. A corroborar seu entendimento, explicita que a recorrente ao preencher a Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário 2004, incorreu em erro formal ao informar como rendimentos tributáveis em valor inferior a base tributável recebida de fonte do trabalho assalariado, razão pela qual caberia à autoridade fiscal intimar a contribuinte para prestar esclarecimento, oportunizando, ainda, a sua retificação. Contrapõese ao Acórdão atacado, por entender que o lançamento online frusta a oportunidade do contraditório, mormente por se tratar de mero erro material da Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10166.007577/200798 Acórdão n.º 9202003.472 CSRFT2 Fl. 99 5 contribuinte ao elaborar sua DIRPF, ou melhor, mera formalidade, na linha da doutrina transcrita na peça recursal. Ressalta que em momento algum houve a intenção de prestar falsa declaração para suprimir ou reduzir tributo por parte do Recorrente, ocorrendo apenas erro de fato, devendo ser autorizada a mudança de formulário. Não obstante o esforço do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que o Contribuinte não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 6 § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, o Contribuinte ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais Câmaras, Turmas de Câmara, Turmas Especiais ou da própria CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Com efeito, perfunctória leitura da peça recursal do Contribuinte, conjugada com os Acórdãos confrontados, é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Na hipótese vertente, o Acórdão recorrido não acolheu o pleito do autuado, basicamente, em razão de a modificação do modelo da declaração ter sido apresentada pelo contribuinte após encerrada a ação fiscal, com a lavratura da notificação e, bem assim, diante da ausência de comprovação do eventual erro de fato incorrido no preenchimento da declaração inaugural. Por sua vez, os Acórdãos n°s 10616.000 e 10322.099, adotados como paradigmas, não se prestam a comprovar a divergência argüida, seja em razão de convergirem, em verdade, ou mesmo por contemplar situação fática distinta. Com mais especificidade, no Acórdão n° 10616.000, o nobre Conselheiro Redator do voto, em que pese afastar a pretensão do contribuinte, ressaltou que “quando provado o erro de fato cometido pelo contribuinte, penso ser possível a alteração do modelo da declaração de rendimentos, de simplificado para completo”, o que não ocorrera naqueles autos, razão do improvimento ao recurso voluntário. É praticamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o insurgimento do contribuinte não fora acolhido em razão de ter pleiteado “a alteração da opção pelo regime de tributação completo após ter sido iniciado o procedimento de fiscalização, não tendo, contudo, demonstrado erro de fato na opção originalmente apresentada.” Ou seja, nos dois Acórdãos confrontados não restou demonstrado o erro de fato capaz de justificar a alteração da declaração de rendimentos, de simplificada para completo, o que corrobora a constatação de convergência nos julgados e não divergência. Por outro lado, relativamente o Acórdão n° 10322.099, além de contemplar Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, tributo diverso do presente e com outras especificidades, igualmente, aludida decisão firmou entendimento no sentido de que “devem ser acolhidas as alegações de equívocos cometidos no preenchimento da declaração de rendimentos quando devidamente comprovados.” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10166.007577/200798 Acórdão n.º 9202003.472 CSRFT2 Fl. 100 7 Como se observa, ainda que pretendêssemos adotar referido decisório como paradigma, mesmo tratando de outros tributos e lastreado em outros fatos, da mesma forma, se exige a comprovação do erro de fato, tal qual ocorrera na hipótese dos autos, onde aludida prova não restou demonstrada. Não há, portanto, divergência, mas, sim, convergência de entendimentos. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o improvimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Especial da 2a SJ do CARF, uma vez que o recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, sobretudo em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial do Contribuinte em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000385/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PIS E COFINS. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO.
O lançamento do PIS e da COFINS, com base no lucro arbitrado, terá reflexo na alíquota aplicada e será válido quando o sujeito passivo descumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentá-los quando exigidos pelo auditor-fiscal.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA DE DESCONTO QUANDO O LUCRO É ARBITRADO.
Quando o lucro é arbitrado, o PIS e a COFINS serão apurados com base na Lei nº 9.718/98, não havendo direito aos abatimentos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ainda que a sistemática da apuração escolhida pelo contribuinte seja a não-cumulatividade.
EXLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. ANÁLISE INFRALEGAL.
A legislação vigente não exclui o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que esse valor compõe a base de cálculo dessas contribuições.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Quando os arquivos digitais não estiverem disponíveis na data solicitada pela autoridade fiscal e forem entregues, em data posterior, parcialmente, caberá a multa prevista art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/01, incluído pela da Medida Provisória n º 2.158-35, de 2001.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferida a diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador.
Numero da decisão: 3401-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PIS E COFINS. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO. O lançamento do PIS e da COFINS, com base no lucro arbitrado, terá reflexo na alíquota aplicada e será válido quando o sujeito passivo descumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentá-los quando exigidos pelo auditor-fiscal. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA DE DESCONTO QUANDO O LUCRO É ARBITRADO. Quando o lucro é arbitrado, o PIS e a COFINS serão apurados com base na Lei nº 9.718/98, não havendo direito aos abatimentos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ainda que a sistemática da apuração escolhida pelo contribuinte seja a não-cumulatividade. EXLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. ANÁLISE INFRALEGAL. A legislação vigente não exclui o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que esse valor compõe a base de cálculo dessas contribuições. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Quando os arquivos digitais não estiverem disponíveis na data solicitada pela autoridade fiscal e forem entregues, em data posterior, parcialmente, caberá a multa prevista art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/01, incluído pela da Medida Provisória n º 2.158-35, de 2001. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3.024 1 3.023 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000385/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.777 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente ECON DISTRIBUIÇÃO S/A Recorrida DRJ CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PIS E COFINS. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO. O lançamento do PIS e da COFINS, com base no lucro arbitrado, terá reflexo na alíquota aplicada e será válido quando o sujeito passivo descumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentálos quando exigidos pelo auditorfiscal. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA DE DESCONTO QUANDO O LUCRO É ARBITRADO. Quando o lucro é arbitrado, o PIS e a COFINS serão apurados com base na Lei nº 9.718/98, não havendo direito aos abatimentos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ainda que a sistemática da apuração escolhida pelo contribuinte seja a nãocumulatividade. EXLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. ANÁLISE INFRALEGAL. A legislação vigente não exclui o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que esse valor compõe a base de cálculo dessas contribuições. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Quando os arquivos digitais não estiverem disponíveis na data solicitada pela autoridade fiscal e forem entregues, em data posterior, parcialmente, caberá a multa prevista art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/01, incluído pela da Medida Provisória n º 2.15835, de 2001. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 85 /2 00 9- 76 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Deve ser indeferida a diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 22/10/2009, o primeiro (fls.356/359) lançando o PIS não recolhido de todos os meses de 2005, e o segundo (fls.368/371) lançando a COFINS não recolhida do mesmo período, além de multa pelo não cumprimento de obrigação acessória, qual seja, a entrega de arquivos digitais solicitados pela autoridade fiscal. A Contribuinte apresentou Impugnação (fls.376/392), mas a DRJ em Campinas/SP manteve o lançamento ao proferir acórdão (fls.413/426) da seguinte forma: “ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vigentes anteriormente As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.025 3 OUTRAS RECEITAS. AUSÊNCIA DE PROVA. Incabível a discussão acerca da indevida inclusão de receitas na base imponível do lançamento se o interessado, à semelhança do ocorrido no curso do procedimento fiscal, não traz elementos de sua contabilidade capazes de comprovar que estariam aqui contempladas receitas não decorrentes de sua atividade. MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICO. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária A disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, devendo apresentálos, quando solicitados pela fiscalização, na forma estabelecida pela referida Secretaria e no prazo concedido, sob pena de sujeitarse à multa isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 09/04/2010 (fl.430) e interpôs Recurso Voluntário em 11/05/2010 (fls.431/449), com as alegações resumidas abaixo: 1 Todos os documentos solicitados foram entregues, o que torna nulo o lançamento por lucro arbitrado; 2 A lançamento do PIS e da COFINS foi feito sem considerar os descontos do PIS e da COFINS não cumulativos; 3 O lançamento do PIS e da COFINS sem considerar a nãocumulatividade levou à exigência de tributos com efeitos confiscatórios; 4 Deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor do ICMS, haja vista que este imposto não compõe o faturamento da empresa; Ao fim, a Recorrente pediu que fosse declarado nulo o lançamento, por ter sido efetuado indevidamente com base no lucro arbitrado e que seja realizada diligência a fim de se constatar a regularidade dos documentos contábeis da empresa. Estes autos foram apreciados pela primeira vez na sessão de 26/06/2012, ocasião na qual se resolveu sobrestar o julgamento com base no art. 62A, § 2º, do Regimento Interno do CARF, em razão do Recurso Extraordinário nº 574.706, representativo de controvérsia, que trata da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Não Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 4 obstante, a norma que determinava o sobrestamento foi revogada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, fazendo com que o presente processo administrativo retornasse para a apreciação deste Colegiado antes do julgamento da matéria pelo STF. É o Relatório. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente sofreu lançamento do PIS e da COFINS, além de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em seu favor, alega que o lançamento é nulo por ter sido efetuado com base em lucro arbitrado, além de não serem levados em consideração os abatimentos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Assim, o cerne da questão consiste no cabimento, ou não, do lançamento arbitrado do PIS e da COFINS e no cabimento multa, bem como na inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. 1. Dos documentos exigidos e do lucro arbitrado Da análise dos autos, verificouse que a Recorrente foi intimada por diversas vezes a entregar os documentos solicitados pelo auditorfiscal, tais como livros razão, DCTF, DACON, DIPJ, arquivos digitais. Contudo, a Recorrente sempre pedia a prorrogação do prazo e os documentos não eram entregues. A Recorrente tomou ciência da primeira intimação para apresentação de documentos em 07/08/2008, conforme fls.212 a 214. Em 12/11/2008, a Recorrente foi intimada novamente a apresentar os mesmos documentos exigidos na primeira intimação (fls.223/225). Em 18/05/2009, a Recorrente protocolou o primeiro pedido de prorrogação de prazo (fl.232). E mais uma vez foi intimado a apresentar documentos em 29/05/2009 (fls.233/236). Em 08/07/2009, a Recorrente protocolou petição informando a entrega de alguns documentos, mas justificando a impossibilidade de entregar todos os documentos solicitados e requerendo nova prorrogação de prazo (fl.224). Em suma, após tantas intimações e pedidos de prorrogação, o termo de verificação fiscal (fls.351/371) foi lavrado em 22/10/2009 – mais de um ano após o primeiro termo de intimação fiscal – e, mesmo assim, a Recorrente não tinha entregado todos os documentos e, além disso, parte dos documentos entregues, conforme o termo verificação fiscal, estava incompleta, sem assinatura do contador ou sem autenticação do órgão competente. Nas fls. 365 e 366, o auditorfiscal destaca as incorreções nos documentos apresentados, do seguinte modo: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.026 5 “Registrese que, após reiteradas intimações e prorrogações de prazo, a documentação foi entregue incompleta, tanto relativamente à escrituração contábil e fiscal, quanto aos arquivos digitais contábeis, conforme abaixo especificados: Não foram entregues os arquivos digitais faltantes, referentes ao período de janeiro a março de 2004; Os Livros Razão relativos ao anocalendário 2004 estavam incompletos, ou seja, faltavam os meses de abril a dezembro; Os Livros Diário relativos ao período de janeiro a julho de 2005, não estavam assinados pelo contador, outrossim, não foram autenticados no órgão competente, conforme disposição legal do art. 251 do RIR/99 e do §40 , art. 258 do mesmo Regulamento; Os Livros Diário relativos ao anocalendário 2005 estavam incompletos, ou seja, faltavam os meses de agosto a dezembro; Não foram entregues os Livros Razão referentes ao ano calendário 2005; Não foram entregues os Livros Diário e Razão dos anos calendário 2006 e 2007; Não foram entregues os Livros de Apuração do Lucro Real ( LALUR ) e os Livros de apuração do IPI referentes aos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. Desta forma, através do Termo de Constatação Fiscal no 0003, o contribuinte foi intimado a regularizar a sua escrituração, bem ainda, tendo em vista os arquivos digitais relativos ao LRE e LRS serem insuficientes para a apuração da contribuição para o PIS e da COFINS e para apuração dos créditos das referidas contribuições, em virtude da necessidade da discriminação das mercadorias por regimes tributários das contribuições sociais — substituição tributária, tributação monofásica, suspensão, alíquota zero, isenção, nãoincidência, intimouse o contribuinte a apresentar arquivos digitais em consonância com o padrão definido pela Instrução Normativa SRF no 86, de 2001, e Ato Declaratório Executivo Cofins n. 15, de 2001, referentes ao ano calendário de 2005, contendo informações em conformidade com os itens abaixo especificados do Anexo Cinco do aludido Ato Declaratório Executivo, imprescindíveis para a correta apuração da contribuição para o PIS e da COFINS e dos créditos das referidas contribuições: (...) Na data de 11 de setembro de 2009, o contribuinte entregou no setor de protocolo desta DRF requerimento para prorrogação de prazo e para restituição dos aludidos Livros Diário. Relevante observar que, as informações solicitadas no Termo supracitado são concernentes a registros contábeis, a fornecedores e clientes, a documentos fiscais, a controle de Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 6 estoque, a relação de insumos e produtos, entre outros, ou seja, dados intrinsecamente relacionados 6 atividade comercial do fiscalizado, e conforme estabelece os arts. 11 e 12 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, o contribuinte está obrigado a manter esses arquivos digitais e sistemas 6 disposição da RFB. Aos 18 de setembro de 2009, o contribuinte entregou no setor de protocolo desta DRF, os arquivos digitais referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004. No que concerne aos Livros Diário, apenas solicitouos para regularização, no entanto, não mostrouse empenhado em reavêlos, porquanto não compareceu para retirálos e não indicou data para a restituição dos mesmos. (...) Determinouse que fossem regularizados e devolvidos a esta fiscalização no prazo de 5 ( cinco ) dias. No mesmo prazo, reintimouse o contribuinte a apresentar todos os Livros Diário e Razão relativos ao anocalendário 2005. No entanto, até a presente data não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte e nada foi apresentado a esta fiscalização”. E, ainda na fl. 367, o auditorfiscal justifica a necessidade de lançamento por lucro arbitrado da seguinte forma: “Em virtude da impossibilidade desta fiscalização promover seus trabalhos e apurar o lucro real, ante a ausência da escrituração comercial e fiscal, restou inevitável a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ( IRPJ ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido ( CSLL ) com base nos critérios do lucro arbitrado”. No cotejo dos autos, verificase que a fundamentação da autoridade fiscal está em conformidade com os acontecimentos, pois as diversas intimações e pedidos de prorrogação demonstram que foram dadas diversas oportunidades para que a Autuada entregasse e retificasse sua escrituração fiscal, contudo, em mais de um ano de fiscalização – tempo mais que suficiente – a recorrente foi incapaz de cumprir totalmente as exigências fiscais, o que forçou o lançamento por lucro arbitrado, nos termos do art. 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda de 1999, que assim determina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.027 7 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Então, como se vê, o arbitramento do lucro é possível quando o sujeito passivo deixa de cumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentálos quando exigidos pelo auditorfiscal, quando não é possível aferir o lucro real da pessoa jurídica. Portanto, como a Recorrente não demonstrou a apresentação dos documentos conforme exigido na legislação tributária, correto é o lançamento pelo lucro arbitrado. 2. DO LANÇAMENTO DO PIS E DA COFINS NO LUCRO ARBITRADO Alega a Recorrente que sua modalidade de lançamento do PIS e da COFINS é a nãocumulativa, de modo que, no lançamento, o auditorfiscal deveria ter levado em consideração os créditos e os insumos que podem ser abatidos no cálculo das contribuições. Na mesma ação fiscal, a Recorrente sofreu lançamento do imposto de renda pelo lucro arbitrado, o que originou outro processo administrativo (n° 19311.000037/200907). O arbitramento do lucro é técnica para se chegar ao valor do tributo devido, quando isso não é possível por outros documentos, em razão da inexistência desses ou da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme dispõe o inciso III, do art. 530, do Decreto 3.000/99, já transcrito acima. O auditorfiscal explicou como chegou ao faturamento da empresa da seguinte forma: “Para determinação da receita bruta e das outras receitas, considerouse o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais ( DACON ) e não a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), em virtude daquela, conter informações mensais necessárias à apuração trimestral do lucro arbitrado, e esta, informações anuais, por conta do período anual de apuração do I RPJ e da CSLL. Desta forma, conforme demonstrado no anexo ao presente termo, denominado "Tabela 1 — Base de Cálculo 1RPJ e CSLL — Lucro Arbitrado", o lucro arbitrado foi constituído pela somatória: do resultado da aplicação do percentual de 9,6% sobre a receita bruta, constituída pelas receitas de revenda, e, as outras receitas, que constituem acréscimos a base de cálculo”. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 8 Na verdade, o lucro arbitrado, o lucro presumido e o lucro real não se confundem, eles são categorias diferentes, conforme art. 44, do CTN. A escolha pelo lucro real ou presumido gera reflexo na forma de apuração da COFINS, pois, se o contribuinte recolher a sistemática do lucro presumido, sua COFINS será apurado em conformidade com a Lei nº 9.718/98, cuja alíquota é de 3%. Caso a opção seja pelo lucro real, a apuração da COFINS será nãocumulativa, com a aplicação da Lei nº 10.833/2003, com alíquota de 7,6%. Quando o contribuinte sofre lançamento pelo lucro arbitrado, a forma de apuração da COFINS é feita com base na Lei nº 9.718/98, a qual não permite qualquer abatimento ou creditamento, isso porque a Lei nº 10.833/03 (que trata da COFINS nãocumulativa) dispõe o seguinte: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado” (grifo nosso) A lei anterior, referida no dispositivo citado acima, é a Lei nº 9.718/98. Desse modo, como os abatimentos estão previstos na Lei nº 10.833/03, que deixa de ser aplicada no caso de lucro arbitrado, o lançamento da COFINS está correto. Para o PIS a opção pelo lucro real ou presumido também causa reflexo na forma de apuração. Quem é optante do lucro real, está sujeito ao PIS nãocumulativo tributado na forma da Lei nº 10.637/2002. O art. 8º, inciso II, da Lei no 10.637/02, da mesma forma que o art. 10 da Lei nº 10.833/03, determina que as pessoas jurídicas que tiverem o IRPJ lançado pelo lucro arbitrado terão o cálculo do PIS com base em leis anteriores, ou seja, a Lei nº 9.715/98. Desse modo, também não se aplicam ao PIS do contribuinte que tiver o lucro arbitrado os descontos da nãocumulatividade previstos na Lei nº 10.637/02. Se não bastasse o fundamento acima, vale ressaltar que a Recorrente não citou nenhum insumo que pudesse gerar crédito para o abatimento no lançamento. Portanto, ainda que tivesse direito à nãocumulatividade, esta deveria ser indeferida. 3. Do exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A questão da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS pode ser apreciada sob duas ópticas: uma constitucional, na qual se verificam os princípios constitucionais e a semântica constitucional do termo “faturamento”; e a outra óptica é a infraconstitucional, na qual a margem para interpretação é mais estreita, pois permite somente analisar a letra da lei, sem possibilidade de se aprofundar nas questões da Constituição Federal. Quanto à questão Constitucional, o CARF não pode se pronunciar em razão da sua Súmula nº 02, que assim determina: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.028 9 Desse modo, afastase a possibilidade de análise da questão pelo prisma constitucional. No que concerne à interpretação com base nas normas infralegais, insta esclarecer que a forma de tributação do período lançado consiste no PIS e COFINS faturamento, apoiados, respectivamente, na Lei Complementar nº 7/70 e Lei Complementar nº 70/91, conforme consta no enquadramento legal do auto de infração. Quanto ao PIS, a Súmula nº 68 do STJ afasta qualquer dúvida infralegal em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo. Senão, vejamos: “A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS”. No tocante à COFINS, cabe transcrever o art. 2º, da Lei Complementar nº 70/91, in verbis: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente”. Notese que o legislador decidiu retirar somente um tributo da base de cálculo da COFINS e ele foi o IPI, não havendo qualquer referência quanto à exclusão do ICMS. Por essa razão, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, conforme decisões abaixo: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 10 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS. Incidência das Súmulas 68 e 94 do STJ. Precedentes. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem julgado a presente questão sob a ótica infraconstitucional, aplicandose a jurisprudência consubstanciada nas Súmulas 68 e 94/STJ, não havendo, pois, que se falar em usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no REsp 1413346/PI, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/09/2014, DJe 29/09/2014) “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. O entendimento do Tribunal de origem não merece censura, pois em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS incidência das Súmulas 68 e 94 e 83 do STJ. Agravo regimental improvido”. (AgRg no AREsp 517.713/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2014, DJe 27/06/2014) “TRIBUTÁRIO. MEDIDA CAUTELAR. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. A jurisprudência desta Corte Superior há muito firmouse no sentido da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS incidência das Súmulas 68 e 94 do STJ. Medida cautelar indeferida. Revogação da liminar concedida”. (MC 21.070/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/05/2014, DJe 28/05/2014) Portanto, analisando somente a questão infralegal, o ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Além disso, no presente autos, como o lançamento foi por arbitramento, o contribuinte não colacionou as provas de sua alegação. 4. Da multa por descumprimento de obrigação acessória Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.029 11 Alega a Recorrente que, no próprio termo de verificação, consta a entrega dos arquivos digitais, o que desconfiguraria a aplicação da multa. Conforme fl.224, a fiscalização pediu os arquivos digitais dos Livros Diário, Razão, Registro de Entradas e Registro de Saídas, dos anoscalendário 2004 e 2005. Não obstante, além de não possuir tais arquivos quando a autoridade fiscal requereu, quando os apresentou, a Recorrente não apresentou todos os arquivos requeridos, pois, conforme o termo de constatação fiscal citado pela Recorrente(fl.357), os documentos digitais apresentados continham: “plano de contas diário geral, centro de custos, lançamentos diário geral, saldos diário geral”, referentes aos anoscalendários de 2005, 2006 e 2007. O arquivo digital referente ao ano calendário de 2004 foi entregue posteriormente. Portanto, além de não ter os arquivos digitais no momento solicitado pela autoridade fiscal, a Recorrente não apresentou todos aqueles solicitados pela fiscalização, incidindo, assim, a multa prevista no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 2001, incluída pela da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que assim determina: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; O “artigo antecedente”, o qual se refere o art. 12, transcrito acima, dispõe o seguinte: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária”. Portanto, como os arquivos digitais não estavam disponíveis na data da solicitação e não foram inteiramente entregues, devese manter a multa aplicada. 5. Da diligência O fato de a Recorrente, durante a ação fiscal, ter sido intimada várias vezes a apresentar os documentos e, além disso, não ter apresentado nos autos nenhum dos documentos não apresentados durante a fiscalização afasta a necessidade de diligência, hajam vistas as diversas oportunidades que teve de comprovar a higidez de sua contabilidade. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 12 Como não conseguiu demonstrar durante o longo prazo dado durante a ação fiscal e não se esforçou para provar nos autos, não há motivo relevante para nova ação fiscal por intermédio de diligência. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10280.905540/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 55 40 /2 00 9- 82 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 189/197 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de COFINS, no valor de R$ 13.499,20, relativo ao mês de julho de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada. Consta da referida decisão: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega: “(...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros. (...) até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 222 3 Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais. (...) muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. (...) Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. Assim, o Contribuinte, ora Recorrente, preencheu todos os requisitos acima descritos, fazendo jus ao direito narrado, confirmado através da Solução de Consulta nº 05, de 08 de fevereiro de 2007 (...) Posto isto, a Recorrente, preenchendo todos os requisitos acima descritos e fazendo jus ao benefício descrito, ingressou com pedido administrativo de Restituição e Compensação, via Per/Dcomp dos valores não prescritos. (...) O suposto débito em cobrança (...) referese à compensação efetuada em virtude de restituição do crédito acima descrita (...). (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. (...) Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso (...).” Na seqüência, foi determinada a realização de diligência, de cujo Despacho consta: “Constatase que a requerente formulou, quanto à matéria, consulta à Superintendência Regional da Receita Federal na 2ª Região Fiscal, a qual foi solucionada por intermédio da Solução de Consulta nº 05, de 8 de fevereiro de 2007, cujos excertos seguem transcritos: ‘13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior.Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 14. Com relação à segunda condição, objeto de dúvida, a consulente esclarece que os pagamentos são feitos em moeda corrente (reais) pelas agências representantes do transportador estrangeiro, por força da Carta Circular do Banco Central do Brasil n° 3.280, de 9 de março de 2005, a qual contém as normas para o tratamento cambial das operações de frete internacional. (...) 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. (...) 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 223 5 no exterior.’ Verificase, contudo, que a contribuinte deixou de trazer aos autos a comprovação de que é signatária de contrato de direito privado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega haver prestado serviços, bem como os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes. Também não apresentou as notas fiscais relativas aos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, bem como o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas. (...) Em face do exposto, proponho a realização de diligência (...), para as seguintes providências: (...) b) Adotar providências necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, seja apurada a efetiva prestação de serviços a pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior, cujo(s) pagamento(s) tenha(m) representado ingresso de divisas, verificandose a procedência ou não do direito creditório pretendido, após demonstrado, pela interessada, que foi observada a legislação de regência, mediante a juntada aos autos, dentre outros que entenda necessários a autoridade fiscal, de: b.1) Contrato(s) de direito privado firmado(s) com a(s) pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) tenha prestado serviço; b.2) Notas Fiscais relativas à prestação de serviço para a(s) pessoa(s) jurídica(s)residente(s) ou domiciliada(s) no exterior e do livro fiscal em que foram escrituradas; e b.3) Contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. c) Apurar, em sendo o caso, o quantum do eventual direito creditório.” Como resultado da diligência, foi expedido relatório fiscal nos seguintes termos: “Ainda no que é concernente ao item acima, em tese e redundante em principio, pela simples observância da natureza da atividade da empresa, Notas Fiscais emitidas (as quais não nos foi possível contestar) e registros contábeis pertinentes, a mesma como desenvolvida levanos ao entendimento, ao que nos parece, SMJ, que a mesma propicia o "ingresso de divisas no pais" indo ao encontro das disposições legais pertinentes relativas à não incidência da COFINS e PIS, de forma que podemos afirmar, em tese, pela sistemática operacional de como se estabelecem as relações contratuais, que os armadores estrangeiros atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como seus representantes (agentes) para a contratação de serviços como: Auxilio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem etc..., o que nos permite afirmar, em tese, que os serviços prestados pela Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Empresa de Praticagem do Norte Ltda são geradores de divisas para o pais. Há, no entanto, no caso vertente, a singularidade de que tais prestações de serviços são intermediadas por terceiros (agentes), o que suscitaria a dúvida quanto ao uso e gozo do benefício fiscal, o que nos parece dirimido pela Solução de Consulta nº 7 SRRF02/DISIT, de 30/06/2011. Entende a mesma que a intermediação de terceiros por si só não desfigura o direito ao beneficio fiscal e considera que: "Os agentes ou representantes dos armadores estrangeiros figuram, na verdade, como intermediários nas transações internacionais. O representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiro. Na condição de mero mandatário do transportador estrangeiro, não age o agente ou representante em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante(armador estrangeiro), de modo que esse fato, por si só, não desfigura a prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Ainda na mesma Solução de Consulta a mesma assevera que: é o armador, tomador dos serviços residente ou domiciliado no exterior, quem suporta e remete previamente ao Pais divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seu navios por águas e portos nacionais(extraído da Solução de Consulta já identificada). (...) Prosseguindo no atendimento NÃO nos foram apresentados contratos ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.1", cumprenos informar de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). Quanto ao item "b.2", do mesmo despacho, informamos que foram anexadas cópias das Notas Fiscais relativas a prestação de serviços, bem como das folhas em cujo registro no Livro Fiscal foram escrituradas de maneira individualizada, segregando prestações de serviços para armadores nacionais dos serviços prestados para armadores estrangeiros; e quanto ao item "b.3". NÃO nos foram apresentados os contratos de câmbio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Quanto ao item "c": "Apurar, em sendo o caso, o quanto do eventual direto creditório" não consideramos necessário fazêlo uma vez que os mesmos já estão demonstrados nos respectivos PER/DCOMP's, sem que tenha havido discordância com os valores ali expressos.” Cientificado do resultado da Diligência, o sujeito passivo afirma: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 224 7 “A Lei n° 10.637/2002, que trata da Contribuição ao PIS e da COFINS, dispõe que a não incidência da contribuição em exportações depende de duas condições: 1) o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e 2) o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador),por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. (...) Vale ressaltar, que o Contribuinte possui contrato com a Centronave Centro Nacional de Navegação, no qual consta a relação de todos os tomadores de serviços para os quais presta serviço, podendo ser confrontado com a notas fiscais apresentadas. (transcreve e comenta decisão judicial)(...) Portanto, as despesas havidas com o exercício daquelas atividades no Brasil, entre as quais as relativas a serviços prestados por empresas nacionais, como do Contribuinte em questão, a armadores estrangeiros, são sempre suportadas por divisas oriundas rio exterior. Assim, o BACEN determina que toda pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que atue no Brasil, tenha um representante ou agente brasileiro, sendo que este recairá a responsabilidade pela comprovação do ingresso e destinação dos valores acordados, como contrato de câmbio.” Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 É o relatório Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO . NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. PAF. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 04/07/2012 (fl. 202), a Recorrente, em 01/08/2012, apresentou o recurso voluntário (fls. 203/214), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente informa o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito alegado; em seguida elabora uma relação de Soluções de Consulta da RFB em todo o território nacional e faz abordagem dos recentes julgados sobre a não incidência de PIS e Cofins sobre a exportação de serviços no entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Apresenta os demais argumentos, conforme tópicos abaixo: a) Do direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS: alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; explana e reproduz vasta legislação que trata dessa matéria; b) Do tomador de serviço residente ou domiciliado no exterior: aduz que os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante do Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato de o pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 225 9 descaracteriza, por si só, para efeitos de nãoincidência do PIS/Pasep e da Cofins; para tanto, cita trechos da Solução de Consulta nº 217, da Disit/SRRF/9ªRF; c) O pagamento deve representar ingressos de divisas: alega que neste requisito para a configuração de uma prestação de serviço como exportação – entrada de divisas, a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta item anterior; visando corroborar os entendimentos, cita a solução de Divergência Cosit nº 12/2001, indicando ainda, a necessidade de se analisar, as normas emanadas pela autoridade monetária do País (BACEN); d) Dos normativos do Banco Central do Brasil aplicáveis ao caso: tratou das condições para a não incidência (prestador de serviços residente no exterior e ingresso de dividas no País) e dos atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil que seriam aplicáveis ao caso, especialmente no que concerne à estipulação da representação no Brasil de armador estrangeiro, e e) Da comprovação do valor do crédito: informa em seu recurso que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. Ao final, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos da DCOMP Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de julho de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório e que em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita e conforme já lhe havia sido anteriormente esclarecido por intermédio de Solução de Consulta, já no ano de 2007, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas. Também lhe fora evidenciada a necessidade de que a prestadora dos serviços seja “signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade, mesmo após conversão do processo em diligência. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, foi determinada a realização de diligência para que a interessada comprovasse a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trouxesse aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas. Contudo, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando, o Livro Razão nº 2 do sujeito passivo, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Logo, não encontra fundamento na prova carreada ao processo administrativo a precipitada inferência de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 226 11 que “o representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiros”. Ora, na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos, as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, limitamse a mero exercício imaginativo. Também a açodada conclusão de que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, não encontra suporte na prova dos autos, haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Notese que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar os dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior: conforme reportado na decisão recorrida, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando o Livro Razão nº 2 da Recorrente, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 160): (...) Prosseguindo no atendimento ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.l", cumprenos informar que NÃO nos foram apresentados contratos de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). 2) quanto ao ingresso de divisas: analisando a decisão a quo, concluiuse que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, como asseverado pela decisão recorrida não encontra suporte na prova dos autos, Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 160): (...) e quanto ao item “b.3", NÃO nos foram apresentados os contratos de cambio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Apresentou notas fiscais relativas à prestação de serviços para empresas nacionais. Assim, mesmo após a realização da Diligência, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de comprovação. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 227 13 Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse). Como visto nos autos, quando da manifestação de inconformidade, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19515.005659/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 23, porque o contribuinte não apresentou as informações contábeis em meio digital. Vencida na votação a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que entendeu aplicar-se ao caso as disposições da Lei n.º 8.212/91.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 59 /2 00 9- 27 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 23, porque o contribuinte não apresentou as informações contábeis em meio digital. Vencida na votação a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que entendeu aplicarse ao caso as disposições da Lei n.º 8.212/91. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005659/200927 Acórdão n.º 2302003.525 S2C3T2 Fl. 214 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: (...) 1. Tratase de Auto de Infração Debcad n° 37.180.0803, lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, procedimento fiscal instaurado pelo Mandato Procedimento Fiscal MPF n° 0819000.2008.00965, no valor total de R$ 261.699,93 (duzentos e sessenta e um mil e seiscentos e noventa e nove reais e noventa e três centos), lavrado em 07/12/2009, por deixar a empresa de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei b. 8.218/91, art. 11, parágrafos 3o e 4o, com redação da MP n° 2.158, de 24/08/01. Consoante o Relatório Fiscal da Infração,fls. 5, a empresa deixou de apresentar as Informações contábeis em meio digital (de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos digitais da SRP IM MPS/SRP 12 de 20/06/2006, ou leiaute previsto na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n° 07, de 20/01/2004). DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo legal, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 28/57 e 100/129 e, documentos de fls. 58/89 e 130/137, onde alega: (...) (destaques nossos) É de se considerar que a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Após referido procedimento, como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN); * nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo; * multa confiscatória de 1% da receita bruta apurada. Da receita, deveriam ter sido excluídos os custos e despesas; * foram entregues os sistemas e arquivos contendo as informações contábeis, mas não no leiaute que foi introduzido apenas em 2006. A forma ou formato do arquivo não compromete ou altera o seu conteúdo, restando descaracterizada a infração; * que as multas sejam relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99; * ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005659/200927 Acórdão n.º 2302003.525 S2C3T2 Fl. 215 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Assevera a recorrente que deve ser reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo. Como destacado no relatório supra, a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Portanto, concluise que, com a reabertura do prazo de defesa, não se consolidou qualquer prejuízo à recorrente, razão pela qual a sua argumentação não merece prosperar. Decadência. Alega a recorrente a decadência parcial do lançamento, com base no artigo 173, I, do CTN, sendo que deveriam ser desconsiderados os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN). É sabido que se sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários originamse sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto à contagem do prazo decadencial. Confisco. Capacidade Contributiva. A recorrente alega que é confiscatória a multa de 1% da receita bruta apurada. Da receita, deveriam ter sido excluídos os custos e despesas. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Quanto à base de cálculo da multa, o dispositivo aplicável é de clareza solar quanto ao cálculo da multa (obrigação acessória), não havendo que se cogitar de qualquer dedução ou exclusão específica da normatização das contribuições para o PIS/COFINS (obrigação principal), pleiteadas pela recorrente. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. Arquivos apresentados. Aduz a recorrente que foram entregues os sistemas e arquivos contendo as informações contábeis, mas não no leiaute que foi introduzido apenas em 2006. A forma ou formato do arquivo não compromete ou altera o seu conteúdo, restando descaracterizada a infração. Não é verdade, pois a infração é especifica para a hipótese de não apresentação (art. 12, III, da Lei n° 8.218/91). Se a infração se relacionase ao conteúdo da informação, estaríamos em outra hipótese legal (art. 12, II, da Lei n° 8.218/91). Como visto, a recorrente foi autuada por deixar a empresa de apresentar as Informações contábeis em meio digital e, consoante o Relatório Fiscal da Infração, fls. 5, a forma de apresentação foi prevista já na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n° 07, de 20/01/2004. Salienta o Auditor fiscal que as informações relativas à folha de pagamentos foram entregues no formato .txt. Assim, não assiste razão à recorrente em afirmar que a forma somente foi estabelecida em 2006. Relevação da Multa. A recorrente requer sejam as multas relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005659/200927 Acórdão n.º 2302003.525 S2C3T2 Fl. 216 7 prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) O dispositivo referese exclusivamente às multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, sendo de se considerar que não houve o preenchimento de seus requisitos por parte da recorrente. Ademais, em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Taxa Selic. Aduz a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11080.931975/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE QUESTÃO FÁTICA A SER ESCLARECIDA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
É prescindível a realização de diligência quando acervo documental colacionado aos autos é suficiente para a compreensão do processo produtivo da recorrente e da função de cada insumo no referido processo e inexiste questão de natureza fático-probatória a ser dirimida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com combustíveis utilizados no abastecimento de navio utilizado no transporte de produtos acabados.
DESPESAS OPERACIONAIS. FRETES NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E DISTRIBUIDOR. PROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com fretes no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e o distribuidor.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004.
APURAÇÃO. SISTEMA NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. DEDUÇÃO. PRECEDÊNCIA.
No Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o valor dos créditos apurados, independentemente da qualificação da receita a que estejam vinculados e do fato de tratarem-se de gastos incorridos em aquisições no mercado interno ou externo, devem ser prioritariamente utilizados na dedução do valor das Contribuições a recolher para, depois, havendo saldo credor remanescente, ser objeto de pedido de compensação ou ressarcimento em dinheiro.
Numero da decisão: 3102-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em (i) restabelecer o direito de crédito em relação aos valores gastos para o tratamento da água e (ii) manter a glosa parcial do frete da matéria-prima entre estabelecimentos. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti, que negava o direito de créditos para os dois itens. Também por maioria de votos, em (i) restabelecer o direito de crédito nos gastos com serviços de transmissão de energia elétrica e (ii) reconhecer o direito de ressarcimento do valor correspondente aos créditos decorrentes de operações de importação. Vencidos os Conselheiros José Paulo Puiatti e José Fernandes do Nascimento, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Pelo voto de qualidade, em manter a glosa integral dos créditos correspondentes às despesas com frete no transporte de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. Por unanimidade de votos, foram mantidas (i) a glosa integral dos valores das despesas com serviços de administração de navio, (ii) os valores dos encargos de depreciação especificados no voto; (iii) a glosa parcial dos valores dos créditos sobre os gastos com frete no transporte de produtos de terceiros e (iv) restabelecidos os demais créditos discutidos nos autos.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator
(assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. As Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé declararam-se impedidas.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE QUESTÃO FÁTICA A SER ESCLARECIDA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. É prescindível a realização de diligência quando acervo documental colacionado aos autos é suficiente para a compreensão do processo produtivo da recorrente e da função de cada insumo no referido processo e inexiste questão de natureza fático-probatória a ser dirimida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com combustíveis utilizados no abastecimento de navio utilizado no transporte de produtos acabados. DESPESAS OPERACIONAIS. FRETES NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E DISTRIBUIDOR. PROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com fretes no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e o distribuidor. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. APURAÇÃO. SISTEMA NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. DEDUÇÃO. PRECEDÊNCIA. No Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o valor dos créditos apurados, independentemente da qualificação da receita a que estejam vinculados e do fato de tratarem-se de gastos incorridos em aquisições no mercado interno ou externo, devem ser prioritariamente utilizados na dedução do valor das Contribuições a recolher para, depois, havendo saldo credor remanescente, ser objeto de pedido de compensação ou ressarcimento em dinheiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.166 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria Ressarcimento Cofins Recorrente COPESUL CIA. PETROQUÍMICA DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INSUMO. SIGNIFICADO E ALCANCE NO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA DA COFINS. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção compreende as matériasprimas, o material de embalagem, os produtos intermediários e os serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços que entram na composição dos custos de produção de forma indireta (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. DESPESAS OPERACIONAIS. COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS EM NAVIO PARA O TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com combustíveis utilizados no abastecimento de navio utilizado no transporte de produtos acabados. DESPESAS OPERACIONAIS. FRETES NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E DISTRIBUIDOR. PROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com fretes no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e o distribuidor. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 19 75 /2 01 1- 16 Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. APURAÇÃO. SISTEMA NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. DEDUÇÃO. PRECEDÊNCIA. No Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o valor dos créditos apurados, independentemente da qualificação da receita a que estejam vinculados e do fato de trataremse de gastos incorridos em aquisições no mercado interno ou externo, devem ser prioritariamente utilizados na dedução do valor das Contribuições a recolher para, depois, havendo saldo credor remanescente, ser objeto de pedido de compensação ou ressarcimento em dinheiro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE QUESTÃO FÁTICA A SER ESCLARECIDA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. É prescindível a realização de diligência quando acervo documental colacionado aos autos é suficiente para a compreensão do processo produtivo da recorrente e da função de cada insumo no referido processo e inexiste questão de natureza fáticoprobatória a ser dirimida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em (i) restabelecer o direito de crédito em relação aos valores gastos para o tratamento da água e (ii) manter a glosa parcial do frete da matériaprima entre estabelecimentos. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti, que negava o direito de créditos para os dois itens. Também por maioria de votos, em (i) restabelecer o direito de crédito nos gastos com serviços de transmissão de energia elétrica e (ii) reconhecer o direito de ressarcimento do valor correspondente aos créditos decorrentes de operações de importação. Vencidos os Conselheiros José Paulo Puiatti e José Fernandes do Nascimento, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Pelo voto de qualidade, em manter a glosa integral dos créditos correspondentes às despesas com frete no transporte de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. Por unanimidade de votos, foram mantidas (i) a glosa integral dos valores das despesas com serviços de administração de navio, (ii) os valores dos encargos de depreciação especificados no voto; (iii) a glosa parcial dos valores dos créditos sobre os gastos com frete no transporte de produtos de terceiros e (iv) restabelecidos os demais créditos discutidos nos autos. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Redator (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento Relator Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 3 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. As Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé declararamse impedidas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de nº 42252.18716.291008.1.1.090827 (fls. 4/8), em que informado crédito da CofinsExportação do 3º trimestre de 2008, no valor total de R$ 20.660.123,24, que teve a seguinte utilização: a) R$ 5.740.551,55, para dedução do débito da Cofins a pagar do mês de julho de 2008; b) R$ 8.965.555,49, para compensação dos débitos informados nas DComp de nºs 07876.67073.110908.1.3.094733, 12773.52917.100908.1.3.092880, e 28359.16012.291008. 1.3.093469; e c) R$ 5.954.016,20, para ressarcimento em dinheiro do saldo de crédito remanescente do trimestre, conforme Demonstrativos de fls. 6 e 29. Por meio do Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação (fls. 2 e 139), verificase que, por inexistência do valor do crédito informado, foi integralmente indeferido o pedido de ressarcimento e não homologadas todas as compensações declaradas. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 23/74, na comparação dos créditos pleiteados/utilizados nos PER/DComp com os valores informados nos respectivos Dacon, a fiscalização apurou as seguintes inconsistências (fls. 30/31): a) créditos relativos ao pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Importação (fls. 59/63), não passível de ressarcimento, indevidamente apropriados como créditos vinculados à receita de exportação; e b) créditos já descontados da Contribuição devida no mês agosto de 2008 que tiveram a devolução pleiteada em duplicidade, por meio dos referidos PER/Dcomp. Além dessas irregularidades, no referido Termo de Verificação Fiscal, relativamente ao 3º trimestre de 2008, a fiscalização apresentou os motivos da glosa dos créditos relativos a: a) parte ou totalidade das aquisições dos bens relacionados no Anexo I Planilha de verificação das aquisições apropriadas com Insumos e no Anexo II – Planilha de Insumos Glosados (fls. 78/79) que não atendem, total ou parcialmente, o conceito de insumos geradores de crédito, pelas razões mencionadas nas Tabela de fls. 36/42; b) totalidade da prestação dos serviços que não atendem o conceito de insumos geradores de crédito, relacionados na Tabela de fl. 44; c) despensas com prestação de serviços de transmissão de energia elétrica, discriminadas na Tabela de fl. 46; d) despesas de armazenagem e fretes não passíveis de gerar crédito, relacionados nas Tabelas de fl. 49;e) despesas com encargos da depreciação não geradoras de crédito, especificadas na Tabela de fl. 55; e f) ajustes positivos de crédito, decorrente de créditos requeridos de forma extemporânea, explicitados na Tabela de fl. 57. No final, a fiscalização concluiu o seguinte: Portanto, a recomposição dos dados apresentados no Dacon do contribuinte, inclusive alterações quanto a valores do crédito utilizado para dedução da contribuição devida, tornamse estritamente necessária, posto que, os créditos apurados com base no art. 3°, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 antes de estarem passiveis a serem compensados ou ressarcidos, devem, prioritariamente, ser utilizados na da dedução de débitos da respectiva contribuição. Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 4 Os créditos de PIS e COFINS não cumulativo – Exportação passível de utilização relativo ao 3º trimestre de 2008, apurados pela autoridade fiscal, encontramse demonstrados nas linhas totalizadoras da coluna Saldo de Crédito Deferido da planilha abaixo [fl. 74]. Sendo que os saldos de crédito pleiteados pelo contribuinte ( Saldo de Crédito Pleiteado referese ao Saldo de Crédito Passível de Ressarcimento + Parcela de Crédito Utilizada Declaração de compensação) foram ajustados, tendo em vista : a) glosas e alterações efetivadas nas Fichas 6A, 16A, do DACON (crédito apurado); b) aumento do valor utilizado na dedução da contribuição devida e c) glosas de créditos decorrentes de PIS e CofinsImportação vinculados à receita de exportação, na composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento . Quanto à glosa relacionada a créditos decorrentes de PIS e CofinsImportação vinculados à receita de exportação, por falta de amparo legal não há como estender a possibilidade de ressarcimento dos créditos apurados com base no art art. 3°, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 , aos créditos de PIS e CofinsImportação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, sendo portanto, este crédito não passível de ressarcimento no âmbito dos pedidos de ressarcimento, ora aqui analisados. Além das glosas decorrentes da recomposição das Fichas do DACON , “RECOMPOSIÇÃO DO DACON_COFINS_3º Trim 2008” e “RECOMPOSIÇÃO DO DACON_PIS_3º Trim 2008”, ocorreu um ajuste (glosa de crédito) decorrente da comparação dos créditos pleiteados em Pedidos de Ressarcimento com os valores informados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON. Foi identificado na análise do Per/Dcomp 42252.18716.291008.1.1.090827 (Pedido de ressarcimento de Cofins referente ao 3º trim/2008) que o contribuinte não deduziu, do saldo de crédito apurado como passível de ressarcimento no mês de agosto, a parcela, R$ 5.882.845,95, que utilizou para deduzir a Cofins apurada dentro no próprio mês de Agosto/2008, ... [...] Portanto, o contribuinte ao não abater o crédito utilizado para deduzir o Cofins apurado no mês de agosto, no detalhamento de crédito dos Pedidos de Ressarcimento, utilizou o mesmo crédito duas vezes, ou seja, solicitou indevidamente, R$ 5.882.845,95, mediante Per/Dcomp 42252.18716.291008.1.1.090827, um crédito de Cofins já utilizado na apuração do tributo devido no mês, conforme pode ser constatado nas fichas 13A e 23A do DACON de agosto/2008. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 140/213, que foi resumida no relatório encartado no acórdão recorrido, com os seguintes termos: A contribuinte contesta as seguintes glosas, em síntese: 1. Créditos pela aquisição de bens e serviços utilizados como insumos: Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 4 5 Explica a contribuinte que atua na produção e comercialização de matériasprimas para a cadeia petroquímica, os chamados petroquímicos básicos. Alega, inicialmente, que a Instrução Normativa nº. 404/2004 valeuse dos mesmos critérios traçados pela legislação do IPI para conceituar o que é “insumo” no regime nãocumulativo, o que pretende ver afastado, posto que entende que se deve analisar a essencialidade do bem ou serviço no processo produtivo, e que à luz das doutrinas e julgados (dos quais colaciona excertos aos autos para sustentar sua tese) e atendose unicamente às diretrizes traçadas na Lei nº. 10.833/2003, os bens e serviços alvo das glosas ensejam direito ao crédito, já que são essenciais ao processo produtivo, caracterizandose como custos de produção. Aduz que valeuse das informações contidas no Parecer Técnico 20465301, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (doc. 4), elaborado por técnicos e engenheiros integrantes do referido Instituto, a partir de visitas à unidade fabril da antiga Copesul, com a verificação dos processos produtivos ali desenvolvidos e da aplicação dos bens sobre estes. Protesta pela realização de diligência fiscal, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº. 70.235/72, para que auditor estranho ao feito constate que todos os bens e serviços alvos de glosas satisfazem os requisitos alçados pela legislação para fins de creditamento. 1.1. Dos Bens Utilizados como Insumos no Processo Produtivo: Explica o processo onde se inserem os insumos utilizados no processo produtivo da Água Clarificada, Água desmineralizada e da Água Potável, cujas aquisições foram glosados pela fiscalização. Abaixo, segue um breve resumo desses produtos e sua utilização: Sulfato de Alumínio Férrico Líquido e Cloro Líquido: produtos consumidos na unidade de “Utilidades, atuando como agentes coagulantes e oxidantes no tratamento da água; Hidróxido de cálcio: produto adicionado à “Água Clarificada”, para correção do pH na saída dos clarificadores; Ácido Sulfúrico: utilizado para desmineralizar a água; Sulfato de Alumínio: a água procedente da etapa anterior entra na peneira molecular onde irá ocorrer a troca iônica, a qual contém este produto; Carvão Ativado: utilizado no processo de osmose reversa; Kuriverter EC – 702: produto químico que reage como o cloro, formando um composto no processo de desmineralização da água; Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 6 A seguir, os produtos utilizados na produção de energia térmica, na forma de vapor, como força motriz de equipamentos e maquinários: Kurita OXA 101 e Kurita OXM 201: utilizados para manutenção das caldeiras utilizadas para produzir o vapor; Alega que, em muitas fases do processo produtivo, utiliza a energia térmica em forma de vapor, como força motriz de equipamentos e maquinários, motivo pelo qual é fundamental a qualidade deste; que o controle da qualidade é obtido através do controle químico da água de alimentação das caldeiras nas quais é produzido o vapor e que envolve água de boa qualidade, a descontaminação e a manutenção da qualidade, com a adição destes produtos químicos. Petroflo 20Y114: solubilizante utilizado no processo de purificação do vapor. DetzDearborn H218: agente neutralizante formado por aminas aplicado para reduzir o potencial corrosivo da água decorrente da condensação e dos ácidos orgânicos provenientes dos hidrocarbonetos, promovendo o aumento do PH da água. Carvão ref 3700 e Óleo Combustível: utilizadas na produção de vapor como energia térmica no processo produtivo da própria empresa. Neste item em especial, enfatiza ser desarrazoado admitir que a aquisição de vapor gere direito ao creditamento na venda, porém os custos para produzilo internamente não permitam o aproveitamento de tais créditos e remete à alteração empreendida no inciso III do art. 3o. da Lei nº. 11.488/2007. Gás natural Sulgás: utilizado nos fornos de pirólise e para a produção de energia elétrica na turbina a gás, conforme o rateio de utilização que apresenta no item 2.2.66. O gás natural seria utilizado como combustível gasoso e consumido nos processos de industrialização, fornecendo energia necessária às diversas etapas de produção desenvolvidas nas unidades fabris. Segundo a contribuinte, conforme o dispositivo vigente a partir de 2007, seria admitido expressamente os gastos com a energia térmica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, inclusive sob a forma de vapor. Diesel Marítimo: usado como combustível nas barcaças de contêineres à época fiscalizada, quando a antiga Copesul, além da industrialização e da comercialização de produtos químicos e petroquímicos tinha também, por objeto social, a exploração de terminal portuário, posto que necessitava deste meio de transporte de seus produtos através do Terminal portuário de Santa Clara. (doc. 7). 1.2. Dos Serviços Utilizados como Insumos no Processo Produtivo: Exploração de terminal portuário: despesas associadas ao TSC Píer IV, em relação a serviços de movimentação de contêineres para as exportações de produtos acabados através de navio, tais como transporte, empilhadeiras, descarga e manuseio de Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 5 7 contêineres, realocação de pátio e armazenagem de contêiner cheio pó período de levante, manutenção de códigos de segurança elaborados pela Organização Marítima Internacional (IMO), as quais engloba a avaliação de riscos para a adoção das medidas cabíveis para garantir a segurança dos navios e das instalações portuárias. Gastos gerais necessários às atividades da Pessoa Jurídica: Alega, sob este tópico, que os gastos com a distribuição dos produtos vendidos e com inovação tecnológica devem ser considerados insumos, pois necessários à exploração das atividades fins da Pessoa Jurídica e à manutenção da fonte produtora de receitas e, ainda, que o conceito de “custos” e “despesas”para fins de Cofins não cumulativa deve ser àquele extraído da legislação do Imposto de renda. Sustenta, em síntese, que a interpretação sistemática da nãocumulatividade aplicada à Cofins, feita a partir do confronto da IN 404/82004 com a Lei 10.833/2003 induz ao raciocínio de que não é necessário o contato físico direto do insumo com o bem produzido, mas sim sobre o processo produtivo. Segundo a contribuinte, o termo “ação direta” (sobre o produto em fabricação) deve ser entendido como todas as ações inerentes ao processo de produção, ou que sobre este se reflitam diretamente. Segundo a contribuinte, ainda, na alínea “b” do art. 8º., §4º., I, está disposto que basta que os serviços sejam aplicados ao longo do processo produtivo, em todas as suas muitas e variadas etapas, para que sejam considerados como insumos aptos a ensejar o desconto de créditos. 2. Créditos de Energia elétrica: Alega que as despesas com uso e transmissão de energia elétrica são gastos vinculados, impassíveis de dissociação para efeitos de creditamento fiscal. Segundo ela, conforme determinado em lei específica, não existe possibilidade de se consumir a energia elétrica sem que contrate a prestação dos serviços de transmissão, coordenação e controle das operações do sistema elétrico interligado; sendo assim, os gastos correspondentes compõem a totalidade das despesas. 3. Créditos de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: dos fretes nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da requerente e empresas de armazéns, explica que transferia seus produtos fabricados por suas unidades industriais para centros de distribuição espalhados pelo país para fins de armazenamento e posterior venda; considera que tais transferências são etapas do percurso que os produtos percorrerão até seus destinatários finais; e entende que toda a despesa de transporte das mercadorias em todos os estágios integrantes da operação de venda, conferem direito ao crédito, uma vez que o intuito do legislador foi beneficiar tal operação Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 8 independentemente da logística adotada para sua realização, com a repartição em dois percursos; dos fretes de produtos diversos, esclarece que os dispêndios estão associados à exploração de atividade portuária do Píer IV, a qual fazia parte do objeto social da antiga Copesul, e alega que é inequívoco o direito aos créditos. 4. Créditos decorrentes das despesas de depreciação de bens do Ativo Imobilizado: Alega que a prova do direito creditório pode ser feita com base em diversos elementos, e não apenas mediante a apresentação das notas fiscais de aquisição dos bens integrantes do ativo imobilizado. Em síntese, defende que as demonstrações contábeis ora juntadas podem até não gerar um juízo de certeza absoluta em favor da contribuinte mas, por outro lado, não podem ser desconsiderados sem qualquer razoável motivo. Entende ser necessário a realização de diligência fiscal a fim de que auditor estranho ao feito possa aferir a lisura dos procedimentos adotados relativos à apuração do crédito em voga. 5. Créditos de Cofins – Importação pago quando da importação de bens utilizados como insumos: Aduz, em síntese, que a Lei nº. 11.116/2005, em seu art. 16, autoriza o ressarcimento/compensação dos créditos relativos à contribuição à CofinsImportação (art. 15 da Lei nº. 10.865/04) vinculados à receita de exportação; que as receitas de exportação estão a salvo da incidência das contribuições; e que, estando os créditos vinculados às receitas de exportação encartados no art. 17 da Lei nº. 11.033/04, faz jus ao ressarcimento/compensação. 6. Créditos decorrentes da devolução de produtos armazenados: Esclarece, inicialmente que, muito embora tenha lançado os valores na rubrica do Dacon referente às despesas com armazenagem, os referidos créditos decorrem dos insumos aplicados no processo produtivo ou dos produtos acabados destinados à venda. Alega que, à época da efetiva aquisição das mercadorias não houve apropriação dos respectivos créditos, sendo que, tendo se apercebido deste lapso, apurou e contabilizou o seu crédito quando da devolução de armazenagem. Referido equívoco, em seu entendimento, não tem o condão de afastar o legítimo direito da requerente de apurar e apropriar os referidos créditos. 7. Do Pedido: Por fim, requer a realização de diligência fiscal, com vistas a responder os quesitos (em anexo), a fim de elucidar a caracterização dos produtos e serviços empregados no processo fabril; nomeia o seu assistente técnico; e protesta pela juntada posterior de documentos. Pede deferimento. Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 6 9 Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2.675/2.704), em que, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os dispêndios com frete em razão de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito aos créditos da nãocumulatividade. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS INDIRETOS. ENERGIA ELÉTRICA. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. COFINSIMPORTAÇÃO. CRÉDITOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Os créditos advindos da importação de bens e serviços não podem ser objeto de ressarcimento, quando estiverem vinculados à exportação de respectivas contribuições. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 10 A segregação dos créditos por períodos de apuração é imprescindível no regime nãocumulativo, posto que estes são passíveis de repetição segundo requisitos que apenas são aferíveis dentro do próprio período de apuração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Em 4/7/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 5/8/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 2.711/2.809, em que reafirmou o pedido de diligência e os argumentos aduzidos na fase de impugnação. Em aditamento, (i) reconheceu a procedência da glosa dos valores dos créditos relativos às notas fiscais de devolução dos produtos armazenados, erroneamente apropriados como despesas com armazenagem, conforme exposto na petição de fls. 3.964/3.968, tendo, inclusive, por meio do Darf de fl. 3.996, recolhido a parcela do débito correspondente; e (ii) alegou que do saldo remanescente da CofinsImportação vinculada à receita tributada no mercado interno, no valor de R$ 8.175.922,01, apurado no mês de julho de 2008, fora transferido para o mês de agosto de 2008 apenas o valor de R$ 1.321.038,11, conforme consignado Ficha 24 Controle de Utilização dos Créditos no Mês do Dacon do mês de agosto de 2008. Em face da distribuição por sorteio, realizada em 26/9/2013, por meio do despacho de fl. 1.383, em 2/10/2013, os presentes autos foram encaminhados a este Relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com os Demonstrativos de fls. 6 e 29, a recorrente informou que, no 3º trimestre de 2008, apurou crédito de CofinsExportação no valor total de R$ 20.660.123,24. Desse total, a recorrente utilizou R$ 5.740.551,55 na dedução do débito da Cofins do mês de julho de 2008, remanescendo um saldo de R$ 14.919.571,69, que foi por ela utilizado da seguinte forma: a) R$ 8.965.555,49, para compensação dos débitos informados nas DComp de nºs 07876.67073.110908.1.3.094733, 12773.52917.100908.1.3.092880, e 28359.16012.291008. 1.3.093469 (fls. 9/21); e b) R$ 5.954.016,20, para ressarcimento em moeda corrente do País. I DOS CRÉDITOS GLOSADOS Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 7 11 A fiscalização glosou a totalidade do crédito informado pela recorrente, em face das seguintes irregularidades: a) não deduziu parcela do valor débito da Cofins do mês agosto de 2008; b) apropriou créditos de aquisições no mercado interno não passíveis de dedução; e c) pleitou o ressarcimento e realizou a compensação de créditos de Cofins Importação, vinculados à receita de exportação, não passíveis de ressarcimento e compensação. Da glosa não contestada. Na análise do PER nº 42252.18716.291008.1.1.090827 (fls. 4/8), a fiscalização constatou que a recorrente não havia deduzido, do saldo de crédito passível de ressarcimento do mês de agosto, o valor de R$ 5.882.845,95 que utilizara para deduzir do débito da Cofins apurada no mês de agosto de 2008, conforme explicitado na Tabela de fl. 31, que integra o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos. Sobre essa irregularidade, não houve qualquer manifestação por parte da recorrente, seja na manifestação inconformidade, seja no recurso em apreço, o que torna a questão incontroversa. Em consequência, do saldo de crédito remanescente de R$ 14.919.571,69, com a exclusão do valor não contestado de R$ 5.882.845,95, a controvérsia limitouse o valor de R$ 9.036.725,74, que foi o objeto do julgamento da decisão recorrida. No recurso em apreço, a recorrente expressamente reconheceu a procedência da glosa dos valores dos créditos relativos às notas fiscais de devolução dos produtos armazenados, erroneamente apropriados como despesas com armazenagem, conforme exposto na petição de fls. 3.964/3.968, tendo, inclusive, por meio do Darf de fl. 3.996, recolhido a parcela do débito correspondente. Das glosas contestadas. Além da glosa da parcela do crédito da CofinsExportação anteriormente mencionada e não contestada pela recorrente, a fiscalização procedeu a glosa dos seguintes valores: a) R$ 3.597.670,37, relativos aos créditos decorrentes das aquisições no mercado interno que não atendiam o conceito de insumos e/ou despesas não geradores de crédito da Cofins não cumulativa, sendo R$ 2.954.664,90 de crédito vinculado à receita tributada no mercado interno e R$ 643.005,47 de crédito vinculado à receita de exportação, conforme discriminado no Anexo VII Planilha “RECOMPOSIÇÃO DO DACON COFINS 3º Trim 2008” (fl. 135); e b) R$ 5.439.055,37, relativos à parcela do crédito remanescente, proveniente dos créditos da CofinsImportação vinculados à receita de exportação, sob o argumento de que tais créditos não eram passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal. II DA GLOSA DOS CRÉDITOS DAS AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO De acordo com Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 32/57), a fiscalização procedeu a glosa dos créditos que não atendiam o conceito de insumos, despesas e encargos geradores de crédito da Cofins não cumulativa, referente a: a) parte ou totalidade das aquisições dos bens relacionados no Anexo I Planilha de verificação das aquisições apropriadas com Insumos e no Anexo II – Planilha de Insumos Glosados (fls. 78/79), pelas razões mencionadas nas Tabela de fls. 36/42; b) totalidade da prestação dos Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 12 serviços relacionados na Tabela de fl. 44; c) despensas com a prestação de serviços de transmissão de energia elétrica, discriminadas na Tabela de fl. 46; d) despesas de armazenagem e fretes, relacionados nas Tabelas de fl. 49;e) encargos de depreciação, especificados na Tabela de fl. 55; e f) ajustes positivos de crédito, decorrente de créditos requeridos de forma extemporânea, explicitados na Tabela de fl. 57. Dos valores dos créditos glosados. Com base na Planilha “RECOMPOSIÇÃO DO DACON COFINS 3º Trim 2008” Anexo VII (fl. 137), verificase que os tipos e valores dos créditos glosados, no 3º trimestre de 2008, foram os seguintes: Tipo de Crédito Julho Agosto Total Crédito Vinculado à Receita Tributada Mercado Interno 1.152.059,22 1.802.605,68 2.954.664,90 Crédito Vinculado à Receita de Exportação 211.324,47 4 31.681,00 643.005,47 Total 1.363.383,69 2.234.286,68 3.597.670,37 Do pedido de diligência. Na peça recursal em apreço, a recorrente reiterou o pedido de diligência apresentado na fase anterior, com vistas a responder os quesitos formulados na manifestação de inconformidade e elucidar a caracterização dos produtos e serviços empregados no processo fabril, cujos créditos foram glosados. Alegou ainda a recorrente que o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, consagrava o dever de a autoridade julgadora, orientada pelo princípio da verdade material, investigar todos os elementos de prova possíveis, pois, previa que a autoridade julgadora da Receita Federal, para decidir sobre pedido ressarcimento e compensação, podia determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. O artigo citado atribui uma faculdade à autoridade competente da unidade da Receita Federal responsável pela análise dos pedidos de ressarcimento e da compensação, prerrogativa que foi exercida, por meio dos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) nº 05104002011000870 (MPF de Diligência) e, em continuidade, por meio do MPF nº 0510400201200116 (MPF de Fiscalização), que teve como resultado a apuração das irregularidades apontadas no Termo de Verificação Fiscal objeto da controvérsia em apreço. Portanto, tratase de preceito normativo que não se aplica ao caso em tela. Com a instauração do contecioso administrativo fiscal, a previsão de realização de diligência encontrase prevista no art. 181 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), que atribui a autoridade julgadora o poder discricionário de deferir o pedido de realização diligência, apresentado pelo sujeito passivo, somente quando entendêla necessária ao deslinde da controvérsia. No caso em tela, da mesma forma que a Turma Julgamento de primeiro grau, entendese que a realização da diligência, para o fim pleiteado pela recorrente, é totalmente dispensável, haja vista que os documentos fornecidos pela própria recorrente à fiscalização, 1 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 8 13 durante o trabalho de verificação fiscal, contêm a descrição do processo produtivo e a função dos insumos em cada etapa, conforme explicitado no excerto extraído do Termo de Verificação Fiscal (fl. 3), a seguir transcrito: Os itens apresentados como insumos, no memorial de cálculo, foram analisados tendo como subsídio documentos apresentados pelo sujeito passivo para descrever o seu processo produtivo, bem como a função destes insumos em cada processo descrição do processo produtivo (arquivo apresentado no termo de atendimento à intimação de 15/09/2011), descrição da função no processo produtivo dos principias insumos (arquivo apresentado no termo de atendimento à intimação de 07/11/2011 e explicações prestadas no termo de atendimento a intimação 14/11/2011), Laudo Técnico e Informe Técnico 02/2008 (arquivo apresentado no termo de atendimento à intimação de 07/11/2011). Cabe ressaltar, que o contribuinte, adicionalmente, prestou esclarecimentos sobre item Metanol, inicialmente, mediante termo de atendimento à intimação de 07/11/2011 e posteriormente pelo termo de atendimento à intimação de 17/02/2012. É pertinente ainda esclarecer que as conclusões apresentadas pela fiscalização, relativamente à participação e função de cada insumo no processo de produção, bem como na composição dos produtos finais, teve como fonte, exclusivamente, as informações técnicas prestadas pela própria recorrente nos correspondentes documentos, conforme explicitado no citado Termo de Verificação Fiscal. E o valor de bens utilizados como insumos no mercado interno, e que foram utilizados como base de cálculo para fins de apuração dos créditos, foi calculada com base no memorial de cálculo apresentada pelo contribuinte, em cotejo com as notas fiscais apresentadas. Além dos referidos documentos, instruindo a manifestação de inconformidade, a recorrente colacionou Laudo Técnico (fls. 814/832), elaborado por engenheiros da recorrente, Parecer Técnico 20 465301 (fls. 323/708), elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), manuais de operação etc. Todo esse acervo documental, a meu ver, é suficiente para a compreensão do processo produtivo da recorrente, assim como da função de cada insumo no referido processo, o que torna despicienda qualquer informação adicional a respeito desse assunto, incluindo os questionamentos apresentados pela recorrente na manifestação de inconformidade. Além disso, compulsando o item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/35), verificase que o motivo da glosa em questão não foi a falta de informação acerca do processo produtivo ou da função de cada insumo na composição do produto final, mas a perfeita compreensão dessa circunstância por parte da fiscalização, que, com base na referida informação, concluiu que os valores dos itens excluídos da base de cálculo dos créditos da Cofins não atendiam os requisitos de dedução, previstos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Por todas essas razões, por entender prescindível, propugnase pelo indefirmento do pedido de diligência em tela, com respaldo no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 14 II.1 Das Aquisições, Custos, Despesas e Encargos Que Geram Créditos da Cofins Não Cumulativa. No regime não cumulativo da Cofins, o direito de descontar crédito encontra se estabelecido no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores, de onde se extrai os seguintes excertos relevantes para o deslinde da controvérsia: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 9 15 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 16 regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [...] (grifos não originais) Da leitura conjunta dos preceitos legais transcritos, verificase que (i) o inciso I trata dos créditos, exclusivamente, da atividade comercial, (ii) o inciso II trata dos créditos, exclusivamente, das atividades de prestação de serviços e industrial e delimita o conceito de insumo, (iii) os incisos III a VII e IX a X especificam quais custos, despesas e encargos geram direito à dedução de créditos, (iv) o inciso VIII trata do estorno dos créditos da operação de venda cancelada e (v) os §§ 1º a 3º e 7º tratam dos requisitos que devem atender tais itens, para que possam integrar a base de cálculo dos créditos da não cumulatividade das referidas Contribuições. Com exceção dos bens e serviços considerados insumos, disciplinado no inciso II do art. 3º, os demais itens não têm gerado relevantes controvérsias nas doutrina e jurisprudência, inclusive no âmbito deste Conselho, pois, o próprio texto legal já se encarregou de espancar grande parte das dúvidas, ao definir com clareza o conteúdo e alcance dos itens geradores de crédito, previstos nos incisos I e III a X do referido art. 3º em destaque. O mesmo tratamento não foi conferido ao item que trata dos insumos. Em relação a esse item, o preceito legal em comento (inciso II do art. 3º) optou por um conceito aberto. Com efeito, em consonância com o teor do preceito legal em comento, insumos foi definido como sendo os bens e os serviços utilizados (i) na prestação de serviços e (ii) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto, insumos restringemse às aquisições de bens e serviços utilizados nas atividades de industrialização e de prestação de serviços. A contrario sensu, as atividades de comércio não estão contempladas com essa modalidade de crédito. As atividades comerciais, ao invés de insumos, nos termos do inciso I do citado art. 3º, podem deduzir os valores de créditos calculados sobre a aquisição dos próprios bens adquiridos para revenda. A jurisprudência deste Conselho, com base no entendimeno de que o conceito de insumo tem regramento próprio, no âmbito do regime não cumulativo da referida Contribuição, tem afastado tanto a aplicação do conceito restritivo de insumo da legislação do IPI, quanto a do conceito ampliado de custos e despesas necessárias da legislação do IRPJ. Com base nesse entendimento, desde já ficam rejeitadas todas as alegações da recorrente no sentido da aplicação, ao caso em tela, do disposto na legislação do IRPJ, bem o conceito de insumo da legislação do IPI aplicado pela fiscalização. Aqui adotase o conceito de insumo extraído do texto veiculado no inciso II do art. 3º das citadas Leis, que compreende as aquisições de bens e serviços utilizados ou aplicados nas atividades industrialização e de prestação de serviços, fonte dos bens e serviços geradores da receita tributada pelo regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, desde que tais bens e serviços (insumos): a) tenham sido adquiridos de pessoas Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 10 17 jurídicas domiciliadas no País (art. 3º, § 3º, I); e b) tenham se submetidos pagamento das referidas Contribuições na operação aquisição ou compra (art. 3º, § 2º, II). Ainda no âmbito do regime de incidência não cumulativa da citada Contribuição, além dos valores de aquisição de bens destinados à venda (atividade comercial) ou dos insumos utilizados na prestação de serviços ou produção de bens destinados à venda (atividades industrial e de prestação de serviços), há permissão de descontos de créditos calculados sobre os valores dos custos, despesas e encargos incorridos no mês, expressa e taxativamente previstos nos incisos III a VII e IX a X do art. 3º da mencionada Lei, desde que tais valores tenham sido pagos ou creditatos à pessoa jurídica domiciliada no País. É pertinente ressaltar ainda que, se a receita auferida pela pessoa jurídica for submetida a regimes distintos de tributação, por força do disposto no § 7º do citado art. 3º, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos valores dos custos, despesas e encargos vinculados à parcela da receita submetida à tributação pelo regime não cumulativo, determinados, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: a) apropriado direta, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Neste caso, ainda devem ser observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por expressa remissão legal. É com base nesse entendimento, que serão analisadas as glosas dos valores relativos às aquisições, custos, despesas e encargos, no mercado interno, com bens, serviços, energia elétrica, aluguéis, armazenagem, frete e bens do ativo discriminados na Planilha “RECOMPOSIÇÃO DO DACON COFINS 3º Trim 2008”, colacionada aos autos (fl. 137). II.2 Da Glosa das Aquisições de Bens Utilizados Como Insumos Os itens glosados, bem como os motivos apresentados pela fiscalização para exclusão dos respetivos valores da base de cálculo dos créditos da Cofins do 3º trimestre de 2008 encontramse explicitados na “Relação de Produtos não Enquadrados como Insumos Geradores de Crédito” Tabela 2 do citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 35), que segue parcialmente reproduzida: Produto Motivo da Glosa Gás Natural fornecido pela Sulgás Produto parcialmente utilizado para geração de energia elétrica e/ou térmica consumida no processo produtivo. Carvão ref. CET3700 Produto utilizado na produção de itens classificáveis como “utilidades”, neste caso Vapor, utilidade esta, cuja finalidade no processo produtivo é a geração de energia térmica. Cloro Líquido Produto utilizado no tratamento da água, item classificável como utilidades”, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto em fabricação. Betzdearborn H218 Produto utilizado no tratamento da água, item classificável como “utilidades”, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto em fabricação. Díesel Marítimo Combustível utilizado no navio da empresa que realiza o transporte de produtos acabados entre Triunfo e o terminal de Rio Grande, portanto, Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 18 combustível não utilizado na produção de bens ou serviços destinados a venda. Sulfato Alumínio Férrico Líquido Produto utilizado no tratamento da água, item classificável como “utilidades”, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto em fabricação. Kurita Oxn201 Produto utilizado no tratamento da água, item classificável como “utilidades”, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto em fabricação. Petroflo 20y114 Produto químico utilizado para limpeza química da planta industrial, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo. Kurita Oxa 101 Produto utilizado no tratamento da água, item classificável como “utilidades”, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto em fabricação. Kuriverter EC702 (bissulfito) Produto utilizado no tratamento da água, item classificável como “utilidades”, portanto, não são consumidos, nem sofrem desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto em fabricação. Da atividade industrial exercida pela recorrente. Noticiam os autos que a recorrente dispõe de três áreas de produção, a saber: Unidade de Olefinas, Unidade de Aromáticos e Unidade de Utilidades. Na Unidade de Utilidades são produzidas (i) energia térmica (vapor) e energia elétrica e (ii) água clarificada, água desmineralizada e água potável. Uma parte desses produtos são utitilizados como insumo no processo produtivo das unidades de Olefinas e Aromáticos e a outra parte restante é vendidida a outras empresas do Polo Industrial de Triunfo, como produto final. Por sua vez, a Unidade de Olefinas produz eteno, propeno, resíduo aromático, óleo BTE, hidrogênio, corte C4 e gasolina de pirólise. Os produtos eteno, propeno e óleo BTE são destinados ao mercado consumidor, enquanto hidrogênio, corte C4 e gasolina de pirólise são utilizados como matériaprima na Unidade de Aromáticos. A Unidade de Aromáticos produz butadieno, ETBC, BTX, solventes e gasolina. Além das referidas atividades industriais, a recorrente explora um terminal portuária e presta serviços de logísticos de transporte, denominado de “door to door”, que consiste na retirada dos produtos dos estabalecimentos de seus clientes e remessa via aquaviária ao Porto do Rio Grande. Conhecida a atividade da interessada e com base nas informações apresentadas na referida Tabela, verificase que, com exceção Díesel Marítimo, todos os demais itens foram integralmente utilizados na Unidade de Utilidades e são utilizados no processo de tratamento da água ou no processo de geração de energia térmica ou elétrica. Das glosas dos itens utilizados na produção energia. Os itens glosados que foram utilizados na produção energia elétrica e térmica na Unidade Termoelétrica, pertencente a Unidade de Utilidades, foram os seguintes: Gás Natural fornecido pela Sulgás e Carvão ref. CET3700. O primeiro utilizado como combustível para Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 11 19 produção de energia elétrica. O segundo é queimado nas caldeiras para produção de vapor (energia térmica). No entendimento da fiscalização, a parcela dos referidos insumos aplicados na geração da enegia elétrica e do vapor vendidos a terceiros era passível de creditamento, posto que os referidos insumos foram utilizados de forma direta na produção de bem destinado a venda, enquanto a outra parcela dos referidos itens aplicados na produção de energia elétrica e térmica (vapor), destinados aos demais processos produtivos da própria recorrente, não gerava desconto de crédito, porque não eram considerados insumos diretos. Com base nesse entendimento, a fiscalização procedeu a glosa de parte dos valores das compras dos referidos insumos, conforme discriminado na Tabela de fl. 42. Por outro lado, defendeu a recorrente a manutenção dos créditos glosados provenientes das aquisições dos citados bens, sob o argumento de que eles eram indispensáveis ao processo de produção da enegia elétrica e do vapor, utilizados nos demais processos internos de produção. A razão está com a recorrente, com a devida vênia ao entendimento contrário, pois, conforme anteriormente exposto, são passíveis de gerar crédito da Cofins não cumulativa, previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, todos os insumos utilizados na produção, independentemente de serem aplicados direta ou indiretamente, o que compreende tanto as matériasprimas, o material de embalagem e os produtos intermediários desgastados ou consumidos no processo de produção (insumos diretos de produção) como também os demais bens e os serviços aplicados na produção de forma indireta (insumos de produção indireta), neste caso, incorporados aos bens ou serviços diretamente utilizados no processo produtivo. Além disso, revelase totalmente dessarazoado admitir como insumo de produção, gerador de crédito, as aquisições de enegia elétrica e energia térmica (vapor) adquiridas de terceiros e não acatar os créditos decorrentes das aquisições dos bens utilizados no processo de produção interna dos referidos insumos, que, em seguida, são aplicados nos demais processos produção dos produtos finais destinados à venda. A prevalência desse entendimento, certamente, resultaria em procedimentos artificais de verticalização empresarial, com o conseguente aumento dos custos de produção, bem como prejuízo à competividade da indústria nacional. Por essas razões, devem ser restabelecidos os valores dos créditos glosados relativos às aquisições do Gás Natural fornecido pela Sulgás e do Carvão ref. CET3700, utilizados na produção da enegia elétrica e do vapor fornecida às demais unidades de produção. Das glosas dos itens utilizados no tratamento da água. Os itens glosados utilizados na produção da água clarificada, água desmineralizada e água potável na Estação de Tratamento de Água, pertencente a Unidade de Utilidades, foram os seguintes: Sulfato de Alumínio Férrico Líquido, Cloro Líquido, Kuriverter EC 702, Kurita OXA 101, Kurita OXM 201, Petroflo 20Y114 e Detzdearborn H218. É oportuno esclarecer que o item “Petroflo 20Y114”, embora a fiscalização tenha informado que se trata de um “produto químico utilizado para limpeza química da planta industrial”, segundo o Parecer Técnico do IPT (fl. 408) e o Laudo Técnico da própria recorrente (fls. 818/819), o referido produto era um solubilizante que tem a função de remover as impurezas da água de processo e minimizar a presença de hidrocarbonetos polimerizáveis em pontos de Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 20 temperaturas mais elevadas do sistema, evidentemente, um produto utilizado no tratamento da água. No entendimento da fiscalização, as compras de tais itens não geravam crédito porque eles não eram consumidos, nem sofriam desgaste em razão de utilização direta no processo produtivo, não chegando sequer a entrar em contato com o produto fabricado. Com base nesse entendimento, a fiscalização procedeu a glosa dos valores das compras dos referidos insumos, conforme discriminado na Tabela de fl. 42. Por outro lado, defendeu a recorrente a manutenção dos créditos glosados provenienes das aquisições dos citados bens, sob o argumento de que eles eram indispensáveis ao processo de produção da água clarificada, água desmineralizada e água potável, utilizados nos demais processos intenos de produção. A razão está com a recorrente, com a devida vênia ao entendimento contrário, pois, conforme anteriormente exposto, são passíveis de gerar crédito da Cofins não cumulativa, previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tanto os insumos utilizados na produção direta (as matériasprimas, o material de embalagem e os produtos intermediários desgastados ou consumidos no processo de produção) como os demais bens que compõem os custos de produção de forma indireta (insumos de produção indireta), incorporados aos bens ou serviços diretamente utilizados no processo produtivo. Por essas razões, devem ser restabelecidos os valores dos créditos glosados pela fiscalização, relativos às aquisições dos seguintes insumos: Sulfato de Alumínio Férrico Líquido, Cloro Líquido, Kuriverter EC 702, Kurita OXA 101, Kurita OXM 201, Petroflo 20Y114 e Detzdearborn H218. Da glosa do item utilizado no transporte marítimo O item glosado utilizado nas barcaças de contêineres, principal meio de transporte dos produtos acabados despachados no Terminal Portuário Santa Clara (Píer IV), foi o Díesel Marítimo. No entendimento da fiscalização, as aquisições desse item não geravam crédito porque se tratava bem utilizado no navio da recorrente que realizava o transporte dos produtos acabados entre o terminal portuário de Triunfo e o Porto do Rio Grande, portanto, não era bem utilizado na produção de bens ou serviços destinados à venda. Por essa razão, procedeu a glosa dos valores das compras do referido produto, conforme discriminado na Tabela de fl. 42. Por outro lado, defendeu a recorrente a manutenção dos créditos glosados provenientes das aquisições do citado produto, sob o argumento de que o aludido produto se afigurava um efetivo custo assumido pela recorrente na prestação do serviço de transporte, que integrava o seu objeto social. A razão está com a fiscalizada, com a devida vênia ao entendimento contrário, pois, tratase de bem utilizado diretamente na atividade de prestação de serviços de transporte portuário prestado pela interessada. Tais serviços compreendem o transporte dos produtos acabados da interessada e de terceiros, conforme comprovam as notas fiscais colacionadas aos autos (fls. 3265/3299 e 3076/3103). Dessa forma, como o referido bem foi utilizado diretamente nos serviços prestados pela recorrente, inequivocamente, tratase de insumo que atende os requisitos do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 12 21 Por essas razões, deve ser restabelecido o valor dos créditos decorrentes da aquisição do produto denominado de Díesel Marítimo. II.3 Da Glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos Segundo a fiscalização, os serviços de logística na operação de exportação do produto acabado e frete de produtos diversos, realizados no Terminal Portuário Santa Clara (Píer IV), não podiam ser caracterizados como insumos de produção, pois não eram serviços aplicados na produção de bens ou serviços, conforme exige o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Com base nesse entendimento, a fiscalização procedeu a glosa dos valores dos referidos serviços, conforme discriminado na Tabela de fl. 44. Por sua vez, a recorrente informou que, como prestava serviços portuários, do tipo door to door, para terceiros, encarregavase de buscar as mercadorias, que eram despachadas no citado Terminal, nos estabelecimentos de seus clientes, de acondionálas em conteineires e movimentálas até o seu embarque, arcando com todos os gastos necessários ao desenvolvimento dessa atividade, em contrapartida, era remunerada pela prestação de tais serviços, conforme atestam, a título exemplificativo, as notas fiscais colacionadas aos autos, inclusive as receitas auferidas em razão da exploração dessa atividade portuária eram contabilizadas em conta específica do seu balancete Conta 74108210 Serviços Prestados Píer IV. Ainda segundo a recorrente, os serviços que lhe foram prestados no referido Terminal eram inerentes à sua operação, sendo as mais comuns a operação de atracagem do navio, os serviços de transbordo dos produtos em contêineres, o frete na movimentação de carga entre os terminais, o transporte das mercadorias desde o estabelecimento contratante dos seus serviços até o terminal portuário. Aliás, a própria fiscalização, mediante conferência das cópias das notas fiscais apresentadas, afirmou que “foi possível identificar que a despesa se referia a transporte de materiais diversos (elevadores, tintas, utensílios), despesas com movimentação de carga no navio, frete na movimentação de cargas entre terminais, locação de mãodeobra e outros custos de logística.” Desse modo, a recorrente alegou que tais serviços configuravam nítidos insumos para a consecução da sua atividade de exploração de terminal portuário, expressamente prevista no seu estatuto social vigente à época dos fatos em análise, logo fazia jus aos créditos da Cofins decorrente da prestação de tais serviços, inclusive quanto aos fretes equivocadamente relacionados na rubrica “fretes nas operações de vendas e de armazenagem” quando o correto seria “serviços utilizados como insumos”, eis que se afiguravam em insumos de sua prestação de serviços, a teor do inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 2003. Assiste razão a recorrente. As notas fiscais, os Conhecimentos de Transportes (fls. 3.217/3.264) e demais documentos coligidos aos autos comprovam que os serviços de logística portuária a ela prestados configuravam insumos aplicados na atividade de prestação de serviços de transporte portuários por ela prestados no Terminal Portuário Santa Clara (Píer IV) e não insumos da atividade de produção, como equivodamente concluíra a fiscalização. Dessa forma, na condição de insumos aplicados diratamente na atividade de prestação de serviços portuários, a recorrente tem direito à apropriação dos créditos decorrentes da prestação dos serviços glosados, conforme previsto no inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 22 Com base nessas considerações, deve ser restabelecida a totalidade dos valores dos créditos glosados pela fiscalização, vinculados aos serviços de logística portuária prestados pela recorrente. II.4 Da Glosa dos Serviços Transmissão de Energia Elétrica Segundo a fiscalização, não era admitido a apropriação de crédito da Cofins não cumulativa sobre os valores dos dispêndios com a prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, sob o argumnto de que o inciso III do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, contemplava apenas os gastos com o consumo de energia elétrica. Ao passo que a recorrente defendeu a manutenção dos créditos, com base no argumento de que, em face da estrita vinculação e relação de essencialidade entre os encargos de uso e transmissão da rede e o consumo da energia elétrica, não havia qualquer razão que justificasse a exclusão dos créditos fiscais oriundos de tais gastos, porquanto se qualificavam como efetivos custos de aquisição da energia elétrica consumida, dos quais não podia prescindir a recorrente, nos termos da legislação específica. A razão está com a fiscalização, com devido respeito ao entendimento da recorrente. Com efeito, conforme anteriormente explicitado, diferentemente dos insumos, os gastos gerais de produção e as despesas operacionais geradoras de crédito da Cofins não cumulativa são somente aqueles taxativamente (numerus clausus) especificados nos incisos III a X do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. No caso específico, o inciso III do citado art. 3º é claro ao determinar que somente os dispêndios com “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica” oportunizam o crédito da Cofins não cumulativa. Dessa forma, como não há previsão legal para o desconto de créditos sobre os valores dos dispêndios com a prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, com acerto decidiu o órgão julgador de primeiro grau ao manter a glosa integral dos créditos discriminados na Tabela de fl. 46. II.5 Da Glosa das Despesas de Armazenagem e Frete Segundo a fiscalização, foram excluídos dos valores das despesas com armazenagem e fretes na operação de venda, os valores relativos a: a) frete na transferências de produto acabado entre os estabelecimentos do contribuinte ou destes para empresas de armazenagem (“Frete de Transferência entre estabelecimentos” mais “Fretes para empresas de armazenagem”); b) fretes de materiais diversos; c) despesas com serviços administrativos do navio; e d) notas fiscais de devolução de produtos armazenados, apropriados como despesas de armazenagem, conforme especificado na Tabela de fl. 49. Conforme anteriormente mencionado, inexiste controvérsia acerca da glosa dos valores relativos as notas fiscais de devolução dos produtos armazenados, erroneamente apropriados como despesas com armazenagem, conforme petição de fls. 3.964/3.968. Aliás, por meio do Darf de fl. 3.996, a recorrente já provendiciou o recolhimento do valor do débito correspondente (alínea “d”). As despesas com serviços de administração de navio (alínea “c”) não foram contestadas pela recorrente, logo, não existe controvérsia a ser dirimida em relação a este item, devendo ser mantida na íntegra a glosa dos créditos calculados sobre os valores das referidas despesas. Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 13 23 É pertinente ainda ressaltar que, com base no entendimento anteriormente explicitado e tendo em conta que a recorrente, na época dos fatos, exercia, simultaneamente, as atividades de prestação de serviços portuários, industrialização e comercialização de produtos de fabricação própria, a ela deve ser assegurado, se atendidos os requisitos legais, o desconto de créditos de fretes na condição de: a) insumo direto de prestação de serviços, aplicado na atividade de prestação de serviços portuários, que era um dos objetos da sua atividade econômica (art, 3º, II); b) insumo indireto de produção, decorrente dos serviços transporte do insumo direto de produção a este incorporado (art, 3º, II); e c) despesa operacional de venda, vinculada ao serviço de transporte na operação de venda do produto acabado (art. 3º, IX). Da glosa das despesas com fretes no transporte de matériasprimas. Em relação às despesas com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos ou destes para empresas de armazenagem, a recorrente alegou que, por escusável equívoco, foram lançados como despesas com fretes de produtos acabados os valores de fretes relativos às transferências de matériasprimas e produtos em elaboração, realizadas entre seus estabelecimentos, considerados insumos da atividade produtiva, nos termos do inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 2003. Para comprovar essa alegação, a recorrente apresentou os Conhecimentos de Transporte Aquaviário de Carga emitidos por Navegação Guarita S/A. (fls. 3.300/3.323). Com efeito, compulsando os referidos documentos, verificase que houve transferência entre os estabalecimentos e unidades de produção da recorrente de nafta e álcool etílico. O primerio consiste na principal matériaprima do processo produtivo de petroquímicos básicos e o segundo usado para fins de adição à gasolina e na produção de ETBE, conforme explicitado no Parecer Técnico do IPT (fls. 404, 453 e 470). Neste caso, os valores dos fretes consignados nos citados Connhecimentos agregamse aos custos de produção das referidas matériasprimas e são considerados insumos indiretos de produção, em conformidade com disposto no inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 2003. Com base nessas considerações, os valores dos créditos glosados calculados sobre os gastos com fretes no transporte de matériasprimas entre plantas ou estabelecimentos industriais da recorrente, identificados na Tabela de fl. 49 como “frete de transferência entre estabelecimentos”, devem ser restabelecidos até o limite dos valores comprovados por meio dos Conhecimentos Transporte de fls. 3.300/3.323. Da glosa das despesas com fretes no transporte de produtos acabados. Conforme anteriormente explicitados, somente os dispêndios gerais de produção e as depesas operacionais expressamente especificados nos incisos III a X do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, compõem a base de cálculo dos créditos da Cofins não cumulativa. No caso das despesas com fretes, em consonância com o disposto no inicso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente os valores vinculados à operação de venda geram os referidos créditos. Em consequência, por falta de previsão legal, ficam excluídos da base de cálculo dos créditos da Cofins os valores relativos às despesas com fretes no transporte dos produtos acabados realizado entre os estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores, conforme explicitados nos Conhecimentos de Transporte de fls. 3.327/3.351, operação que, certamente, não se enquadra no conceito de operação de venda. Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 24 No mesmo sentido, tem se manifestado o Superior Tribunal Justiça (STJ), conforme consignado no enunciado da ementa do julgado que segue transcrito: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controvertese sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido. (REsp 1147902/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/03/2010, DJe 06/04/2010) – grifos não originais. Por essas razões, devem ser matidos a glosa dos valores dos créditos relativos às despesas com fretes no transporte de produtos acabados, discriminado na Tabela de fl. 49 como “Fretes para empresas de armazenagem”. Da glosa dos valores de frete no transporte de materiais diversos. Conforme já mencionados no subitem II.3 (Da Glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos), os valores de fretes relativos ao transporte de mateiais diversos foram registrados, de maneira errônea no Dacon na rubrica de “fretes nas operações de venda e armazenagem”, pois consistiam em serviços de transporte contratados junto a terceiros como forma de viabilizar o desempenho de uma de suas atividades econômicas, concernente à exploração dos serviços portuários no Terminal Portuário denominado de Píer IV. Há documentos nos autos que comprovam que a recorrente prestava tais serviços, destinado ao escoamento das mercadorias de terceiros, a exemplo das empresas Ipiranga Petroquímica e a Doux Frangosul, que utilizaram os serviços para embarcar resinas petroquímicas e frangos congelados, conforme consignado nos Conhecimentos de Transportes de fls. 3.217/3.264. Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 14 25 Dessa forma, na condição de insumos aplicados diretamente na atividade de prestação de serviços portuários, a recorrente tem direito à apropriação dos respectivos créditos calculados sobre os valores das despesas de fretes vinculados aos serviços de transporte de produtos de terceiros, nos termos do inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 2003. Com base nessas considerações, os valores dos créditos glosados, referentes os gastos com fretes no transporte de produtos de terceiros, identificados na Tabela de fl. 49 como “fretes de materiais diversos”, que foram utilizados na prestação de serviços de logística portuária, devem ser restabelecidos até o limite dos valores comprovados por meio dos Conhecimentos Transporte de fls. 3.217/3.264. II.5 Da Glosa dos Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado De acordo com subitem 3.1.6 do Relatório de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 50/55), informou a fiscalização que, embora intimada várias vezes, a contribuinte não apresentara os demonstrativos nem os documentos necessários à comprovação dos valores dos encargos de depreciação passíveis de aproveitamento de crédito informados no Dacon, tais como os valores dos encargos de depreciação provenientes da aquisição de bens: a) utilizados na produção (art. 3°, VI, da Lei nº 10.833, de 2003); b) adquiridos a partir de 1/4/2004 (art. 3º, § 3º, III, da Lei nº 10.833, de 2003); c) bens tangíveis; d) que não fossem usados (art. 1º, § 3º, II, da Instrução Normativa SRF nº 457, de 2004); e e) que não sofreram reavaliação (art. 2º, §1º, do da Instrução Normativa SRF nº 457, de 2004). Diante da não comprovação do direito creditório pleiteado, a fiscalização procedeu a glosa dos valores informados como encargos de depreciação, conforme discriminado na Tabela de fl. 55. Por sua vez, a recorrente reconheceu que o ônus probatório dos fatos atinentes ao direito creditório era do contribuinte (dela, no caso), contudo, alegou que, em face do princípio da verdade material, tal prova poderia ser feita com base em diversos elementos, e não apenas mediante a apresentação das notas fiscais de aquisição dos bens integrantes do ativo imobilizado do contribuinte, conforme entendera a autoridade julgadora. Com base no exposto, fica evidenciado que o cerne controvérsia neste ponto cingese a questão probatória. Com efeito, para fiscalização, por força dos requisitos estabelecidos na legislação e em face das inconsistências das informações prestadas pela recorrente nos relatórios (planilhas) apresentados pela interessada, as notas fiscais de aquisição dos bens depreciados eram essenciais para dirimir tal inconsistência. Por outro lado, para a fiscalizada apenas as informações extraídas dos sistemas gerenciais de controle e da própria contabilidade da empresa eram suficientes para comprovação dos valores dos créditos em questão. A razão está com a fiscalização, com o devido respeito ao argumento contrário. Inicialmente, é pertinente esclarecer que, nos termos do art. 1.1792 do Código Civil de 2002, somente tem validade a escrituração contábil baseada em documentos hábeis e idôneos. Da mesmma forma, determina o art. 1953 do CTN, que os comprovantes dos 2 "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico." 3 "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 26 lançamentos efetuados nos livros obrigatórios da escrituação contábil e fiscal do contribuinte devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos respectivos créditos tributários e, sempre que solicitados, deverão ser exibidos à autoridade fiscal. No mesmo sentido, dispõe o art. 2264 do Código Civil de 2002 que a escrituração contábil (livros e fichas) somente serve de prova em favor do empresário ou da sociedade empresária se, além de escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por documentação adequada. Sem tais requisitos, há determinação expressa neste preceito legal, que a escrituração faz prova apenas contra as pessoas a que pertence. No caso em tela, em face das inconsistências das informações prestadas pela própria recorrente nos relatórios apresentados, para confirmação do valor do crédito pleiteado, era dever inafastável da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, verificar se os valores dos encargos de depreciação informados atendiam os requisitos estabelecidos da legislação para o aproveitamento de créditos da Cofins não cumulativa, ou seja, se os bens depreciados: (i) eram utilizados na produção e se eram tangíveis, conforme determina o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; (ii) foram adquiridos a partir de 1/4/2004, conforme determina o art. 3º, § 3º, III, da Lei nº 10.833, de 2003; (iii) foram adquiridos usados ou se foram reavaliados, hipóteses em que apropriação de créditos são expressamente vedadas, nos termos do art. 1º, § 3º, II, e art. art. 2º, §1º da Instrução Normativa SRF nº 457, de 2004. E a confirmação desses requisitos legais, obviamente, somente poderia ser realizada mediante a exibição das correspondentes notas fiscais de aquisição dos respectivos bens e, para esta finalidade, a interessada foi intimada, inclusive teve o prazo de apresentação prorrogado por duas vezes, porém não apresentou as ditas notas fiscais. As justificativas relevantes apresentadas pela recorrente para não apresentar os referidos documentos foram que: a) os relatórios e os livros contábis apresentados eram suficientes para comprovar a existência do crédito; b) os registros constantes dos livros fiscais, para serem abandonados, necessitavam de fundamento relevante; c) os créditos calculados sobre os encargos de depreciação já refletiam o aumento da vida útil dos bens, efetuado com base em laudo de empresa competente, o qual estava registrado na escrita contábil; d) era difícil relacionar, com exatidão, o valor bens que integravam o ativo imobilizado e a respectiva depreciação; e) era uma empresa séria e conceituada no mercado nacional e internacional; e f) sempre se posicionara de maneira séria e respeitosa com relação às diversas ações fiscalizatórias empreendidas em seu estabelecimento. Inequivocamente, as justificativas aduzidas pela recorrente para não apresentação das referidas notas fiscais não tem consistência suficiente para dispensála do ônus da prova documental exigida pela legislação. No que tange à alegação de que os relatórios e registros contábeis, por ela própria elaborados e realizados, seriam provas suficientes do direito creditório, os esclarecimentos anteriores demonstram que não, o que dispensa qualquer comentário adicional. Também não procede a justificativa de que os registros constantes dos livros fiscais foram abandonados pela fiscalização, pois, segundo a fiscalização, como o relatório Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." 4 "Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos." Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 15 27 apresentado pela interessada não apresentava todas as informações necessárias para atestar a veracidade do crédito, a contribuinte fora reintimada, em 26/9/2011, a apresentar demonstrativos nos moldes previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado no item “4.7 Controle Patrimonial” do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 25, de 07 de junho de 2010, entretanto, em 3/10/2011, o contribuinte, em resposta à intimação, alegou que, como as informações solicitadas não constavam nos sistema eletrônicos da incorporada, não as apresentariam nos moldes especificadas no item “4.7 Controle Patrimonial”. Em face dessa circunstância e tendo em conta que a própria recorrente reconhecera, em 23/9/2011, por meio de mensagem eletrônica, que o crédito pleiteado pelo contribuinte fora erroneamente informado no Dacon como créditos relacionados apenas ao encargo da depreciação, quando, na verdade, referiase também a créditos relacionados à aquisição de ativo imobilizado, em 2/2/2012, ela foi intimada a apresentar as notas fiscais de aquisição de uma amostra de códigos de bens patrimoniais extraída dos relatórios apresentados em 15/9/2011. É pertinente ressaltar que, diferentemente do alegado, a fiscalização não abandonou a escrituração contábil da recorrente, tanto que solicitou as notas fiscais apenas de uma amostra de códigos de bens patrimoniais relevantes. Além disso, os códigos apresentados, no relatório colacionado aos autos, sugeriam que havia encargos de depreciação calculados sobre bens do ativo diferido e reavaliação de ativos que tiveram a vida útil elevada para mais de 10 anos, conforme informara a própria recorrente no termo de resposta apresentado em 21/11/2011, cujo excerto pertinente segue transcrito: Alguns dos principais ativos da planta industrial da Copesul, tiveram a sua vida útil elevada para mais de 10 anos, através de laudo de empresa competente, portanto, as aquisições que deram origem a depreciação que foi base de cálculo para tomada de crédito de Pis e da cofins envolvem documentação tão elevada que torna quase impraticável o seu levantamento. Assim, diante de irregularidades tão graves, induvidosamente, a fiscalização tinha o dever de se respaldar em documentos adequados que confirmassem valores tão elevados de créditos informados nos relatórios apresentadas pela interessada. Em relação às demais justificativas de que era (i) difícil comprovar os valores informados, (ii) era uma empresa séria e conceituada e que (iii) sempre se posicionara de maneira séria e respeitosa com relação às diversas ações fiscalizatórias empreendidas em seu estabelecimento, além de não ter respaldo jurídico, obviamente, não tem condão de eximir a recorrente, nem qualquer outro contribuinte, do seu dever legal de comprovar com documentos hábeis e idôneos as informações prestadas à administração tributária, conforme expressamente determina o art. 195 do CTN. Por todas essas razões, fica evidenciado que a recorrente tinha a obrigação de apresentar a fiscalização os documentos solicitados, conforme exigia o caput do art. 655 da 5 "Art. 65 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 28 Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, na época vigente. No caso, embora intimada a apresentar as referidas notas fiscais na fase de diligência fiscal e, por força do disposto no art. 15 do PAF, estivesse obrigada a apresentálas na fase manifestação de inconfirmade, a recorrente nada apresentou. Entretanto, contrariando a alegação de que era de difícil comprovação os valores dos encargos de depreciação informados, sem justificativa plausível, a recorrente apresentou, a título apenas exemplificativo, as cópias das notas fiscais de fls. 3.785/3.879, desacompanhadas de qualquer demonstrativo que vinculasse tais documentos aos bens depreciados informados no relatório entregue a fiscalização. Dessa forma, além de não atender os requisitos procedimentais mínimos que permitissem a comprovação dos valores glosados, as notas fiscais apresentadas na presente fase recursal não podem ser admitidas, haja vista que alcançadas pelo instituto da preclusão, expressamente previsto no § 4º do art. 16 do PAF. Por todas essas considerações, propõese a manutenção integral da glosa dos valores dos encargos de depreciação discriminados na Tabela de fl. 55. III DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE COFINSIMPORTAÇÃO Segundo a fiscalização, não obstante a correta apuração dos créditos da Cofins – Importação, vinculados à receita de exportação, por falta de amparo legal, tais créditos não eram passíveis de ressarcimento nem compensação, mas somente poderiam ser utilizados na dedução dos débitos da Cofins a pagar apurados sobre as operações tributáveis no mercado interno, na forma dos arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 2003, conforme expressamente estabelecido no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, a seguir transcrito: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...] (grifos não originais) Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 16 29 Em sentido contrário, a recorrente alegou que o art. 16 da Lei nº. 11.116, de 2005, havia autorizado o ressarcimento e a compensação dos referidos créditos, porque os créditos vinculados às receitas de exportação estavam contemplados nas hipóteses de desoneração previstas no art. 17 da Lei nº. 11.033, de 2004. Os citados preceitos legais têm a seguinte redação, in verbis: Lei 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Coflns apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específicaaplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifos não originais) Do contejo dos referidos entendimentos, fica evidenciado que a controvérsia em questão limitase ao significado e alcance dos referidos preceitos legais. Com efeito, no entendimento da fiscalização, os créditos da Cofins – Importação, vinculados às receitas de exportação, somente pode ser utilizados na dedução dos débitos da Cofins não cumulativa apurados sobre as operações tributadas no mercado interno, enquanto que a recorrente entende que tais créditos também podem ser compensados ou ressarcidos em dinheiro. Das formas de aproveitamento do saldo credor da CofinsImportação. Sem entrar em pormenor acerca da natureza jurídica e da distinção entre os institutos jurídicos da suspensão, isenção, alíquota 0 (zero), não incidência e imunidade, é induvidoso que, para fins de aproveitamento do saldo credor da Cofins não cumulativa, os créditos vinculados às operações de exportação receberam tratamento distintos das operações de vendas efetuadas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da referida Contribuição. Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 30 Com efeito, as formas de utilização do saldo credor da Cofins não cumulativa, relativos a bens, serviços, custos e despesas vinculados às receitas de exportação, apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, encontramse disciplinadas no art. 6º desta Lei, que tem o seguinte teor: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. [...]. De forma expressa, o § 1º em destaque remete aos créditos apurados, exclusivamente, na forma do art. 3º, cujo § 3º determina que o direito de desconto de crédito aplicase, exclusivamente, às operações com pessoas jurídicas domiciliadas no País, conforme a seguir exposto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Portanto, resta demonstrado que somente o saldo o credor remanescente dos créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos ocorridos no País, vinculados à receita de Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 17 31 exportação, pode ser objeto de compensação e ressarimeto, nos termos do art. 6º acima transcrito. O mesmo tratamento legal também se aplica a compensação e ressarcimento do saldo dos créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, conforme expressamente dispõe art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, a seguir transcrito: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Portanto, além de não ter amparo legal, o entendimento esposado pela recorrente conferiria tratamento privilegiado aos exportadores submetidos ao regime de cobrança não cumulativa das citadas Contribuições, sem qualquer razão plausível. Por sua vez, as hipóteses desonerativas previstas no art. 17 da Lei nº. 11.033, de 2004, aplicase apenas às operações de venda realizadas para o mercado interno. Logo, as formas de aproveitamento do saldo credor, prevista no art. 16 da Lei nº. 11.116, de 2005, aplicase somente aos créditos vinculadas as operações de venda realizadas no mercado nacional com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, uma vez que o referido preceito legal faz referência apenas ao saldo credor “acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004”. Assim, com respaldo nos referidos preceitos, podese asseverar que a forma de aproveitamento dos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação encontrase estabelecido no art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, enquanto que o aproveitamento do crédito apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de venda no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência encontrase estabelecido o art. 16 da Lei nº. 11.116, de 2005. Comparando o teor dos dois preceitos legais em comento, verificase que somente o art. 16 da Lei nº. 11.116, de 2005 contempla a compensação e o ressarcimento do saldo credor do crédito da Cofins – Importação apurado na forma do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, o que contraria o entendimento apresentado pela recorrente. Da mesma forma, em conformidade com o entendimento aqui esposado, determinava os art. 21 e 22 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente na época dos fatos, cuja redação foi mantida pelas Instruções Normativas que lhe Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 32 seguiram6, que o saldo credor da Cofins – Importação somente poderia ser compesado ou ressarcido se vinculado a vendas efetuadas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, conforme explicitado nos fragmentos relevantes a seguir transcritos: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 4º O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. [...] Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. [...] (grifos não originais) Em suma, chegase a conclusão de que o saldo credor da CofinsImportação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, somente pode ser utilizado: a) na dedução do valor débito da Cofins não cumulativa, sem qualquer restrição; e b) na compensação de débitos próprios ou no ressarcimento em dinheito, porém, neste caso, restrito aos custos, despesas e encargos de importação vinculados às receitas de venda efetuadas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Da dedução do saldo credor da CofinsImportação vinculada à receita no mercado interno. 6 A mesma redação foi mantida nos arts. 27 e 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 (revogada), e nos arts. 27 e 49 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, atualmente vigente. Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 18 33 Na eventualidade de não ser acatado o direito de compensação e ressarcimento do saldo credor da CofinsImportação vinculado às receitas de exportação, alegou à recorrente que (i) deveria ter utilizado todo o saldo credor remanescente da Cofins Importação vinculado à receita de exportação, por ela convalidado no período, na dedução da contribuição devida no mês, inclusive porque tinha saldo credor mais do que suficiente para tanto, e (ii) deferido, em contrapartida, a compensação e o ressarcimento do montante do saldo credor das aquisições no mercado interno vinculada à receita de exportação, que fora utilizado pela recorrente para descontar os débitos da Cofins apurados nos respectivos meses. Analisando a Planilha “RECOMPOSIÇÃO DO DACON COFINS 3º Trim 2008” Anexo VII (fl. 138) e Dacon do 3º trimestre de 2008 (Ficha 24), verificase que interessada apurou créditos de “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação” e “Importação Vinculado à Receita de Exportação”. Os primeiros, conforme já definido, não existe qualquer restrição quanto à forma de utilização, isto é, podem ser utilizados, primeiramente, na dedução, e remanescendo saldo, na compesação ou ressarcimento. Já os segundo, conforme exposto previamente, somente podem ser utilizados para dedução dos débitos da Cofins apurados no respectivo mês ou nos meses subsequentes. Em relação ao 3º trimestre de 2008, os valores apurados pela recorrente e pela fiscalização foram os seguintes: JULHO 2008 AGOSTO 2008 SETEMBRO 2008 ITENS Dacon Fisco Dacon Fisco Dacon Fisco Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação 4.290.759,33 4.079.434,86 5.218.527,52 4.786.846,53 ‐ Importação Vinculado à Receita de Exportação 5.109.107,42 5.109.107,42 5.587.986,12 5.587.986,12 453.742,84 453.742,84 TOTAL 9.399.866,75 9.188.542,28 10.806.513,64 10.374.832,65 453.742,84 453.742,84 Ora, se os créditos da CofinsImportação vinculado à receita de exportação podem ser utilizados apenas para fim de dedução, obviamente, é mais vantajoso para o contribuinte utilizar primeiramente estes créditos na dedução do débito do mês e somente se ainda remanescer débito a pagar é que deve utilizar os créditos decorrents dos custos, despesas e encargos ocorridos no mercado interno vinculado à receita de exportação, cujo saldo credor remanescente pode ser compensado ou ressarcido. Entretanto, no caso em tela, não foi assim que procedeu a recorrente. Ao contrário, compulsando o Docon do 3º trimestre de 2008 (Ficha 25B), verificase que ela utilizou na dedução do débito do mês de agosto de 2008, primeiramente, o valor de R$ 9.509.286,88, que representa o total dos créditos da “Importação Vinculado à Receita de Exportação”, apurado nos meses de julho e agosto de 2008, e na dedução do saldo remanescente do débito do mês, no valor de R$ 664.318,43, foi utilizado igual valor dos créditos da “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação”, cujo total apurado nos meses de julho e agosto de 2008 foi de R$ 10.697.093,54. Dessa forma, fica evidenciado que se a recorrente tivesse procedido de forma inversa, ou seja, deduzido primeiramente os crédito da CofinsImportação vinculado à receita de exportação, o valor de R$ 10.697.093,54 teria sido suficiente para dedução integral do saldo débito remanescente do mês de agosto de 2008 e ainda sobraria o valor de R$ 523.488,23. Em consequência, sem levar em conta ajustes decorrentes das glosas realizadas pela fiscalização, a totalidade dos créditos calculados sobre os custos, despesas e encargos ocorridos no mercado interno vinculados à receita de exportação, no Dacon denominados de “Aquisição no Mercado Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 34 Interno Vinculado à Receita de Exportação”, no valor de R$ 9.509.286,88, poderia ser integralmente compensado ou ressarcido. Tratase, portanto, de erro procedimental que deve ser relevado, em homenagem ao princípio da verdade material que, no âmbito do processo administrativo fiscal, deve ter prevalência em relação à verdade formal. Com base nessas considerações, acatase o pedido de inversão de dedução em apreço para que seja deduzido do débito da Cofins do mês agosto de 2008, primeiramente, os créditos da CofinsImportação vinculado à receita de exportação, limitado ao novo valor dos créditos calculados sobre os custos, despesas e encargos ocorridos no mercado interno vinculados à receita de exportação (no Dacon denominados de “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação”), a ser apurado pela unidade preparadora da Receita Federal, da seguinte forma: ao valor de R$ 8.866.281,39, somatório dos créditos apurados nos meses de julho e agosto de 2008, já apurado e descontado pela fiscalização, deverá ser acrescido os valores dos créditos glosados restabelecidos neste julgamento a título de créditos da “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação”. Em face da inversão do referido procedimento de dedução, o valor do saldo credor remanescente dos créditos da “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação” deverá ser destinado, primeiramente, à compensação dos débitos declarados nas DComp colacionadas aos autos, até o limite do créditos apurado, e, se ainda remanescer saldo credor, destinado ao ressarcimento em dinheiro. IV DO ERRO MATERIAL NO TRANSPORTE DO SALDO DE CRÉDITO DA IMPORTAÇÃO VINCULADA À RECEITA TRIBUTADA NO MERCADO INTERNO A recorrente informou que, ao analisar a Ficha 24 Controle de Utilização dos Créditos no Mês do Dacon do mês de julho de 2008, verificou que do saldo remanescente da CofinsImportação vinculada à receita tributada no mercado interno, no valor de R$ 8.175.922,01, apurado no mês de julho de 2008, foi transferido para o mês de agosto de 2008 apenas o valor de R$ 1.321.038,11, conforme consignado Ficha 24 Controle de Utilização dos Créditos no Mês do Dacon do mês de agosto de 2008. Em decorrência, alegou que o equívoco cometido configurava erro material passível de retificação pelo contribuinte ou pela autoridade administrativa, de ofício, assegurando a prevalência da verdade material sobre a formal. De acordo com o § 2º do art. 147 do CTN, a competência para retificação, de ofício, de erros materiais contidos em declaração apresentada pelo contribuinte é da autoridade administrativa competente para revisála. Por outro lado, por falta de previsão regimental, essa matéria não é da competência deste Conselho. Além disso, analisando o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos, verificase que o referido erro não foi relatado pela fiscalização nem foi suscitado pela recorrente na manifestação de inconformidade, portanto, não foi instaurado litígio nem houve julgamento de primeiro grau sobre questão que possa ser reapreciada por este Colegiado. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento da alegação suscitada pela recorrente sobre o mencionado erro material. V DA CONCLUSÃO Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 19 35 Por todo o exposto, votase por conhecer parcialmente o recurso e na parte conhecida, em preliminar, negar o pedido de diligência e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para que seja: 1) mantida a glosa integral dos valores dos créditos calculados sobre os: a) valores dos serviços de transmissão de energia elétrica, discriminados na Tabela de fl. 46; b) valores das despesas com fretes no transporte de produtos acabados, identificados na Tabela de fl. 49 como “Fretes para empresas de armazenagem”, por falta de previsão legal; c) valores das despesas com serviços de administração de navio, especificados na Tabela de fl. 49, por se tratar de matéria não recorrida; e d) valores dos encargos de depreciação, discriminados na Tabela de fl. 55, por falta de provas; 2) mantida a glosa parcial dos valores dos créditos calculados sobre os gastos com: a) fretes no transporte de matériasprimas entre plantas ou estabelecimentos industriais da recorrente, identificados na Tabela de fl. 49 como “frete de transferência entre estabelecimentos”, devendo ser restabelecidos os créditos calculados sobre os valores dos fretes comprovados por meio dos Conhecimentos de Transporte de fls. 3.300/3.323; e b) fretes no transporte de produtos de terceiros, identificados na Tabela de fl. 49 como “fretes de materiais diversos”, que foram utilizados na prestação de serviços de logística portuária, devendo ser restabelecidos os créditos calculados sobre os valores dos fretes comprovados por meio dos Conhecimentos de Transporte de fls. 3.217/3.264; 3) restabelecidos os valores dos créditos calculados sobre os demais itens glosados pela fiscalização; 4) deduzido do valor do débito da Cofins do mês agosto de 2008, primeiramente, os créditos da CofinsImportação vinculado à receita de exportação, limitado ao novo valor dos créditos calculados sobre os custos, despesas e encargos ocorridos no mercado interno vinculados à receita de exportação (no Dacon denominados de “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação”), a ser apurado pela unidade preparadora da Receita Federal, da seguinte forma: ao valor de R$ 8.866.281,39 (somatório dos créditos dos meses de julho e agosto de 2008), já apurado e descontado pela fiscalização (fls. 137/138), deverá ser acrescido os valores dos créditos glosados restabelecidos neste julgamento a título de créditos da “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação”; e 5) o valor do saldo credor remanescente dos créditos da “Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação”, apurado no 3º trimestre de 2008, decorrente da inversão do referido procedimento de dedução, deverá ser destinado, primeiramente, à compensação dos débitos declarados nas DComp colacionadas aos autos, até o limite dos créditos apurados, e, se ainda remanescer saldo credor, o valor restante destinado ao ressarcimento em dinheiro. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 36 Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Em que pese o elogiável estudo desenvolvido pelo i. Relator do Processo acerca dos liames a serem considerados na definição do processo de produção da Recorrente e, como consequência, da procedência ou não dos créditos de que se apropriou nos gastos incorridos na fabricação dos produtos que, vendidos, geraram a receita passível de incidência das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para o PIS/Pasep, ouso divergir a respeito de apenas dois pontos tratados na decisão: (i) a possibilidade de utilização, para fins de ressarcimento ou compensação, do valor dos créditos apurados na importação dos insumos empregados na fabricação de produtos exportados e (ii) o direito de crédito nos gastos com transmissão de energia elétrica. Explico a seguir minhas razões de decidir. Como bem leciona o Voto em relação ao primeiro ponto acima indicado, a Lei 10.833/03, em sua redação original, artigo 6º, definiu que o saldo credor da Cofins apurada na forma do artigo 3º, relativos a bens, serviços, custos e despesas vinculados às receitas de exportação, poderia ser utilizado (i) na dedução do valor da contribuição a recolher, (ii) na compensação com débitos próprios de tributos e contribuições administrados pela SRF ou, não sendo possível nenhuma das duas formas preferenciais, (iii) para ressarcimento em dinheiro7. Do teor do parágrafo 3º do artigo 6º, inferese tratarse de um direito outorgado em caráter exclusivo às empresas que exportam mercadorias para o exterior e apenas em relação aos gastos (custos, despesas e encargos) vinculados à receita decorrente dessas exportações. Com efeito, na instituição do Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins todo o valor apurado na forma do artigo 3º da Lei 10.833/03 (e 10.637/02) estava destinado exclusivamente à dedução do valor das Contribuições a pagar nos meses subsequentes. Observese. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Apenas as empresas exportadoras foram contempladas com a possibilidade de utilizar tais créditos nas outras finalidades acima descritas. 7 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. [...] Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 20 37 Como ninguém desconhece, esse tratamento privilegiado aos exportadores decorre de uma política econômica de favorecimento às vendas realizadas a empresas estabelecidas no exterior, com o que se pretende obter saldos cada vez mais positivos da balança comercial e incremento da disponibilidade de divisas. Essa situação; contudo, foi substancialmente alterada com a inovação introduzida pela Lei 11.116/05, que, em seu artigo 16, outorgou a todas as empresas submetidas ao Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições os mesmos direitos de uso dos créditos acumulados concedidos inicialmente apenas aos exportadores. Leiase o texto. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Seguindo por essa linha de raciocínio creio que possa parecer até um tanto óbvio o entendimento de que o disposto no artigo 16 da Lei 11.195/05 apenas colocou em pé de igualdade todas as empresas incluídas na incumulativadade das Contribuições; contudo, a decisão que vinha sendo encaminhada propunha outro entendimento. Baseado na disposição contida no § 1º do artigo 6º da Lei 10.833/03 que, ao autorizar a utilização dos créditos vinculados às receitas de exportação também na compensação de outros tributos ou restituição em dinheiro, remetia, de forma expressa, aos créditos apurados na forma do art. 3º da Lei 10.833/03, o i. Relator considerou que os créditos decorrentes das operações de importação não estariam contemplados na autorização concedida pelo artigo 16 da Lei 11.195/05 uma vez que o § 3º do art. 3º da Lei 10.833/03 determina que o direito de apuração de créditos aplicase, exclusivamente, às operações com pessoas jurídicas domiciliadas no País8. É neste ponto que peço vênia para apresentar minha divergência. Pareceme claro que a restrição determinada no § 3º do art. 3º da Lei 10.833/03, de que apenas as operações com pessoas jurídicas domiciliadas no País dessem direito ao crédito, estava associada ao fato de não existir, à época da entrada em vigor da Lei, previsão de tributação das Contribuições na importação de mercadorias. De fato, foi apenas na entrada em vigor da Lei 10.865/04 que foram instituídas as Contribuições para o PIS/PASEP e Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 8 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 38 Quanto a isso, de grande importância para a solução da questão, observar que ao mesmo tempo em que instituía a nova base de incidência, a Lei 10.865/04 cuidou também de introduzir o encargo dela decorrente no sistema de apuração não cumulativa, admitindo que os valores pagos nas operações de importação fossem deduzidos do valor das Contribuições devidas, sem fazer qualquer tipo de ressalva às aquisições destinadas à fabricação de bens a serem exportados, se não vejamos. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) Mais tarde, como se viu, com a edição da Lei 11.116/05 todos os valores pagos pelo contribuinte a título de PIS/Cofins, fossem eles derivados de gastos na aquisição de insumos no mercado interno (na forma do art. 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03) ou no mercado externo (na forma do art. 15 da Lei no 10.865/04), acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, passaram a ser passíveis de compensação/ressarcimento. E nem se diga que a reiterada menção das disposições normativas ao crédito calculado na forma dos artigos 2º e 3º das Leis 10.637/02e 10.833/03 esteja excluindo a forma de apuração do artigo 5º e 6º das respectivas Leis. Os próprios artigos 5º e 6º, ao concederem o direto de uso do crédito acumulado, fazem remissão à forma do artigo 3º. E a razão é óbvia, o crédito que é acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário sempre o será na forma dos artigos 2º e 3º das Leis 10.637/02e 10.833/03, ainda que decorram do art. 15 da Lei no 10.865/04. Vale o mesmo, e com muito mais razão, para a equivalência proposta no Voto neste particular vencido com os créditos presumidos instituídos pela Lei 9.363/96. À época, a importação de bens e serviços não era hipótese de incidência das Contribuições, que, como sobredito, só vieram a ser exigidas neste tipo operação a partir do ano de 2004. Na medida em que a Lei estabeleceu uma forma de ressarcimento das Contribuições incidentes na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo9, razão nenhuma havia para que aquisições sobre as quais não incidiam as Contribuições dessem direito ao crédito. 9 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 21 39 Basta rememorar toda a discussão havida em torno da possibilidade de apuração do crédito presumido instituído pela Lei em questão na aquisição realizadas às pessoas físicas. Toda a controvérsia girou sempre em torno da possibilidade de reconhecimento do crédito pelo fato de, nas operações anteriores à venda realizada ao produtor pela pessoa física, tivesse ocorrido a incidência das Contribuições. Nunca se cogitou da possibilidade de crédito mesmo para insumos que jamais tivessem sido onerados pelas Contribuições. Ainda sobre as questões de caráter eminentemente legal, cumpre fazer uma ressalva a respeito do enunciado do artigo 16, caput, da Lei 11.116/05. O disposto no artigo 1710 da Lei nº 11.033/04, ao qual faz remissão o artigo 16 da Lei 11.116/05, não trouxe absolutamente nada de novo ao cenário que encontrou. A permissão de acumulação do saldo credor nele contida jamais foi proibida pela legislação que introduziu a sistemática da incumulatividade das Contribuições, ex vi § 4º do art. 3º da Lei 10.833/0311. Quero dizer, o caput do artigo 16 da Lei 11.116/05 pode, sem nenhum ganho ou prejuízo, ser reduzido ao seguinte texto: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário poderá ser objeto de:". Com base nisso que não vejo grande relevância da discussão acerca dos conceitos utilizados pelo artigo 17 suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pois a manutenção dos créditos jamais foi vedada. Inobstante, ainda que se entenda que a Lei 11.033/04 trouxe inovação ao mundo jurídico e, por conseguinte, deva ser observada como regra delimitadora das hipóteses de aplicação do disposto no artigo 16 da Lei 11.116/05, o fato é que não há motivos válidos para que à desoneração das receitas decorrentes de exportação seja negada a classificação de nãoincidência. A começar pelo próprio enunciado do artigo 6º12. Em lugar da exclusão de base de cálculo prevista no artigo 1º, ou da isenção ou redução a zero previstas em outros artigos, o artigo 6º determina expressamente: a COFINS não incidirá (...). Mas não é só isso que revela trataremse as receitas de exportação de uma hipótese de não incidência. Como é de sabença, a não incidência tributária acontece quando, a despeito da intenção do legislador ordinário, determinado tipo de operação ou ocorrência já nasce fora do campo de incidência do tributo ou contribuição. Ela está relacionada, stricto sensu, aos fatos 10 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 11 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. 12 Vale o mesmo para o artigo 5º da Lei 10.637/02. Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 40 jurídicos que guardam pouco ou nenhum vínculo com o fato gerador. Seria o caso, por exemplo, da exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados sobre o lucro auferido pela pessoa jurídica. O IPI não incide sobre o lucro. Tratase, em sentido estrito, de uma hipótese típica de não incidência. Contudo, também atribuise essa condição às operações que, embora guardem similitude com o fato gerador do tributo ou contribuição, foram excluídas com campo de incidência pelo legislador constitucional. Observese a esse respeito os ensinamentos a seguir, de autoria dos eminentes tributaristas Luciano Amaro e Ruy Barbosa Nogueira, respectivamente. A imunidade e a isenção distinguemse em função do plano em que atuam. A primeira opera no plano da definição da competência, e a segunda atua no plano da definição da incidência. Ou seja, a imunidade é técnica utilizada pelo constituinte no momento em que define o campo sobre o qual outorga competência. Diz, por exemplo, o constituinte: "Compete à União tributar a renda, exceto a das instituições de assistência". Logo, a renda dessas entidades não integra o conjunto de situações sobre que ode exercitarse aquela competência. A imunidade, que reveste a hipótese excepcionada, atua, pois, no plano da definição da competência tributária. Já a isenção se coloca no plano da incidência do tributo, a ser implementada pela lei (geralmente ordinária) por meio da qual se exercite a competência tributária13. [...] os campos de incidência e isenção cabem ao legislador ordinário. Este, dentro de sua competência, tem a faculdade de traçar o círculo da incidência e excepcionar a isenção. O da não incidência ficou fora do círculo da incidência. Em princípio a área de incidência ou de isenção podem ser aumentadas ou diminuídas pelo competente legislador ordinário, porém jamais ultrapassar a barreira da imunidade, porque esta é uma vedação constitucional14. No caso em apreço, é de se perguntar por que motivo plausível deveria prevalecer o entendimento de que a não incidência a que se refere o artigo 17 da Lei 11.033/04 diga respeito, única e exclusivamente, aos fatos geradores em relação aos quais ela seja uma condição implícita? Pareceme que essa interpretação encontraria escassas hipóteses que lhe atribuíssem algum sentido prático (talvez para as receitas não enquadradas no conceito de faturamento, no Regime Cumulativo de apuração das Contribuições, ou para outros ingressos atípicos que não possam ser definidos como receita). É por conta disso tudo que me sento seguro em afirmar que a menção à não incidência encontrada no artigo 17 da Lei 11.033/04 diz respeito, sim, às imunidades estabelecidas na Constituição Federal. De resto, ainda a respeito das normas legais aplicáveis, necessário destacar que, mais uma vez divergindo respeitosamente do meu i. Colega, não me parece que a 13 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 16º ed. São Paulo: Saraiva, 2010. 14 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Imunidades: contra impostos na Constituição anterior e sua disciplina mais completa na Constituição de 1988. São Paulo: Saraiva, 1992 Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 22 41 Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 tenha trazido uma definição taxativa a respeito assunto. Muito pelo contrário, o que depreendo da Norma é uma verdadeira incerteza a respeito da correta interpretação do assunto em questão. Em lugar de dizer que os créditos aqui discutidos não podem ser ressarcidos, a Norma tangenciou o assunto, revelando apenas o entendimento de que os outros podem, sem demonstrar a convicção esperada. Observese o texto (mantenho os grifos acrescidos pelo Relator). Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 4º O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à CofinsImportação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. [...] Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. Finalmente, encerro o assunto por dizer que não vejo nada de estranho em que as coisas assim sejam. Estranho, a meu sentir, seria se as Leis determinassem em sentido contrário. É de perguntar por que justamente as exportações, que foram desde o primeiro momento contempladas com o direito de ressarcimento e compensação dos créditos acumulados, deveriam ficar de fora do mesmo direito, apenas por que os gastos estão vinculado às importações. As empresas exportadoras que, por quaisquer razões, tenham de importador os insumos que utilizam no processo produtivo terminariam acumulando crédito podres, em detrimento de todo o arcabouço lógico tão bem conhecido pelos que laboram na atividade de aplicação do direito tributário/aduaneiro. Superada essa questão, passo aos créditos decorrentes dos serviços de transmissão. Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 42 Como já me manifestei de início, penso que também assiste razão ao contribuinte neste particular. Concessa vênia, não é bom o argumento usado pelo Fisco de que o inciso III do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, contempla apenas os gastos com o consumo de energia elétrica e, por isso, os gastos com transmissão não poderiam gerar direito ao crédito. Como ninguém desconhece, o sistema de abastecimento de energia elétrica do País sofreu alterações em período recente. A geração, transmissão e distribuição da energia, antes verticalizadas e concentradas em uma única operadora para cada Região, foram apartadas e o serviço concedido a diferentes empresas do setor privado, que ficaram responsáveis por determinada etapa do abastecimento. Todas essas etapas, contudo, devem ser consideradas, com antes o eram, integrantes do conceito de energia elétrica estampado na Lei e os créditos a eles correspondentes admitidos no cálculo do valor das Contribuições devido. O conceito de valor da energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica15, não se restringe apenas aos gastos com consumo de energia. Admite tudo aquilo que esteja agregado ao valor da energia consumida. Por força da decisão tomada no vertente Voto, o dispositivo proposto no Voto em parte vencido fica modificado, passando a ter a seguinte redação (na qual foram mantidas as disposições que não foram alteradas pela divergência neste consignada): 1) mantida a glosa integral dos valores dos créditos calculados sobre os: a) valores das despesas com fretes no transporte de produtos acabados, identificados na Tabela de fl. 49 como “Fretes para empresas de armazenagem”, por falta de previsão legal; b) valores das despesas com serviços de administração de navio, especificados na Tabela de fl. 49, por se tratar de matéria não recorrida; e c) valores dos encargos de depreciação, discriminados na Tabela de fl. 55, por falta de provas; 2) mantida a glosa parcial dos valores dos créditos calculados sobre os gastos com: a) fretes no transporte de matériasprimas entre plantas ou estabelecimentos industriais da recorrente, identificados na Tabela de fl. 49 como “frete de transferência entre estabelecimentos”, devendo ser restabelecidos os créditos calculados sobre os valores dos fretes comprovados por meio dos Conhecimentos de Transporte de fls. 3.300/3.323; e b) fretes no transporte de produtos de terceiros, identificados na Tabela de fl. 49 como “fretes de materiais diversos”, que foram utilizados na prestação de serviços de logística portuária, devendo ser restabelecidos os créditos calculados sobre os valores dos fretes comprovados por meio dos Conhecimentos de Transporte de fls. 3.217/3.264; 3) restabelecidos os créditos calculados sobre os demais itens glosados pela fiscalização, cujo valor recalculado e acrescido do valor dos créditos correspondentes às operações de importação, deverá ser utilizado primeiro para dedução do valor do débito da Cofins e, depois, remanescendo saldo credor, para compensação ou ressarcimento em dinheiro. É como VOTO. Sala de Sessões, 26 de fevereiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator 15 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 11080.931975/201116 Acórdão n.º 3102002.166 S3C1T2 Fl. 23 43 Fl. 4063DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
score : 1.0
Numero do processo: 35096.000430/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2005
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RELATÓRIOS FISCAIS. FINS ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA.
O lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
RECUSA, SONEGAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENBTE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços.
RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS.
Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
ISENÇÃO. NORMA DE EXCEÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta, com fulcro no artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2005 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RELATÓRIOS FISCAIS. FINS ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA. O lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. RECUSA, SONEGAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENBTE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 09 6. 00 04 30 /2 00 5- 15 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 RETENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços contratados, tais valores poderão ser deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e comprovados mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. ISENÇÃO. NORMA DE EXCEÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta, com fulcro no artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.031 3 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2005. Data da lavratura da NFLD: 30/06/2005. Data da Ciência da NFLD: 05/07/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela DRJ/CGE pelo Sujeito Passivo do crédito tributário aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 35.541.8193, consistente em contribuições previdenciárias a cargo de segurados obrigatórios do RGPS e da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 186/192. Informa a Autoridade Lançadora, as contribuições sociais ora lançadas incidem sobre os seguintes fatos geradores: · Os valores das remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, apuradas através das folhas de pagamento e GFIP; · Os salários indiretos pagos aos segurados empregados, constatados e apurados nos livros contábeis e folhas de pagamento; · Os valores das diferenças resultantes do cotejo entre Folha de Pagamento obtida por aferição e os valores efetivamente declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; · Os valores apurados através de arbitramento com base no faturamento das notas fiscais de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra; · Os valores apurados nos livros contábeis de prestadores de serviços pessoa jurídica que prestaram serviços a empresa sob ação fiscal; · Os valores pagos a cooperativa de trabalho médico; Os valores apurados encontramse consubstanciados nos papéis de trabalho denominados: · ARO — ARBITRAMENTO TOMADOR; · COP — SERVIÇOS COOPERATIVA UNIDAS; · DAL — DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.032 5 · GFO — DECLARADO GFIP UNIDAS; · JPR — PADILHA & PONTES LTDA; · NFO — NOTAS FISCAIS — ORGANIZAÇÕES; · ORG — ORGANIZAÇÕES UNIDAS NDG "NÃO DECLARADO EM GFIP"; § PF — PAGAMENTO DE FRETE; LANÇAMENTO "ARO" ARBITRAMENTO TOMADOR Neste código de lançamento foram lançados os valores decorrentes de constatação junto aos livros contábeis, que a empresa contratou para realização de serviços empresas prestadoras de serviços. Foi solicitado que a empresa apresentasse os respectivos documentos contábeis que embasaram o lançamento, porém, a empresa deixou de apresentar os documentos, alegando em síntese que os mesmos haviam se extraviado em uma recente reforma no edifício sede da empresa. Em razão da "recusa" da empresa em apresentar os documentos, foram arbitrados em 11 % o valor devido a previdência social sobre o valor total da Nota Fiscal. A constatação se deu principalmente na conta 62.2052 "Serviços Prestados Pessoa Jurídica". LANÇAMENTO "COP" SERVIÇOS COOPERATIVA UNIDAS Este papel de trabalho referese ao pagamento a cooperativa de trabalho de serviços prestados pelos seus cooperados a empresa, conforme lançamento contábil, onde a empresa deixou de recolher a Previdência Social a contribuição devida contida na legislação previdenciária. Os serviços prestados foram única e exclusivamente de Saúde. LANÇAMENTO" DAL" ACRÉSCIMOS LEGAIS O lançamento 'DAL' referese aos acréscimos legais (juros e multa) decorrente do pagamento em atraso das obrigações previdenciárias. Os valores apurados são lançados pelo próprio software da Previdência Social e lançados automaticamente na conclusão da Auditoria Fiscal. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 LANÇAMENTO "GFO" DECLARADO GFIP UNIDAS No papel de trabalho “GFO" foram lançados os valores decorrentes do batimento envolvendo os valores declarados pela empresa e constante do sistema informatizado da previdência social através da GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social e os valores efetivamente recolhidos aos cofres do Tesouro Nacional Neste levantamento fiscal também foram lançados como "GLOSA DEDUÇÃO", os créditos que foram objeto de Restituição Previdenciária, face nos levantamentos fiscais terem sido apropriadas a totalidade das Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS, GRPS) contidas no sistema da Previdência Social e também as verificadas através de meio físico. LANÇAMENTO "JPR" PADILHA & PONTES LTDA No papel de trabalho "JPR" consta os lançamentos de contribuições sociais devidas a previdência social em decorrência da contratação pelo contribuinte de prestadora de serviços para construção de 01 barracão, serviços de maquinas entre outros, onde a empresa não reteve a contribuição devida a seguridade social. LANCAMENTO "NFO" NOTAS FISCAIS ORGANIZAÇÕES O contribuinte sob Ação Fiscal deixou de apresentar a Fiscalização os livros contábeis (Diário, Razão) referente ao ano de 2004, assim sendo as contribuições sociais devidas foram arbitradas tendo como base de calculo 40% (quarenta por cento) do valor total das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa. O arbitramento foi realizado nas competências 01/2004 a 11/2004. Neste levantamento fiscal também foram lançados como "GLOSA DEDUÇÃO", os créditos que foram objeto de Restituição Previdenciária, face nos levantamentos fiscais terem sido apropriadas a totalidade das Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS, GRPS) contidas no sistema da Previdência Social e também as verificadas através de meio físico. LANÇAMENTO "ORG” ORGANIZAÇÕES UNIDAS NDG/NÃO DECLARADO GFIP O levantamento "ORG" contempla as bases de calculo das contribuições previdenciárias que não foram incluídas nas remunerações feitas a segurados empregados e contribuintes individuais verificadas através das folhas de pagamento e lançamentos contábeis nos livros Diário e Razão, assim como através dos documentos que embasaram estes lançamentos. Ficou constatado que a empresa remunerava seus empregados através de uma Rubrica denominada "Auxilio Alimentação" que era creditada em "espécie" aos segurados Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.033 7 empregados, conforme constante nas folhas de pagamento e na conta 621161 do Livro Razão. Esta rubrica no calculo do INSS a ser recolhido não sofria nenhuma incidência. Destacamos ainda, que a empresa não apresentou o convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego no que tange ao PAT. Foi lançado, também, neste "papel de trabalho”, o pagamento a cooperativa de trabalho médico UNIMED de valores que serviam de seguro saúde apenas para alguns usuários da empresa e que não contemplava a totalidade dos empregados. A empresa não apresentou nenhum documento que comprovasse a colocação à disposição de todos os seus funcionários do dito plano de saúde, do que se extrai que o plano médico era uma benesse a apenas alguns dos segurados empregados. Este levantamento contempla ainda o pagamento efetuado a segurados contribuintes individuais, 13º Salário não incluso na GFIP e obtido junto as folhas de pagamento, pro labore pago ao sócio gerente da empresa Sr. JOAO JOSE AGUIRRE, e diferenças entre as folhas de pagamento apresentadas e os valores constantes nas GFIP. LANÇAMENTO “PF” PAGAMENTO DE FRETE. Este levantamento compreende as contribuições sociais decorrentes do pagamento de remunerações efetuado a transportadores autônomos por serviços prestados à empresa autuada. As bases de calculo contidas neste levantamento foram obtidas a partir dos livros contábeis da empresa, uma vez que o contribuinte deixou de informar nas GFIP os valores creditados a estes segurados. Foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte, assim como aqueles decorrentes de lançamentos efetuados contra a empresa, conforme discriminados no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 250/279. A Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de documentos apresentados e questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fl. 908. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 910/911. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes mencionada, o Sujeito Passivo, apresentou aditamento à impugnação a fls. 917/920. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS baixou o feito uma vez mais em diligência para que a Autoridade Lançadora se manifestasse a respeito de alegações suscitadas pelo Impugnante, em sua defesa administrativa, consoante Despacho a fls. 924/925. Informação fiscal a fls. 934/936. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao Sujeito Passivo e reaberto o prazo normativo para manifestarse nos Autos do processo, nos termos do Despacho a fl. 938, o Autuado apresentou aditamento à impugnação a fls. 944/948. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0416.130 4ª Turma DRJ/CGE, a fls. 955/986, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer, exclusivamente, excluir as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências já atingidas pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, a autuação em debate, e retificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 987/1017. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/06/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1021. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 02/32 do Processo Administrativo Fiscal nº 13164.000277/200958, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas seguintes alegações: · Que o Órgão Julgador de 1ª Instância deixou de apreciar a preliminar de cerceamento de defesa; · Que o Órgão Julgador de 1ª Instância deixou de apreciar provas materiais juntadas pela defesa; · Que o arbitramento se assentou em premissa inidônea; · Que o arbitramento se utiliza de base de cálculo não prevista em lei; · Que no Levantamento “ARO – Arbitramento Tomador” o Fisco utilizou se de base de cálculo superior à devida; · Que no Levantamento “NFO NOTAS FISCAIS = ORGANIZAÇÕES” o Fisco não excluiu da base de cálculo os valores dos materiais fornecidos e equipamentos utilizados; · Que no Levantamento “JPR – Padilha e Pontes Ltda” o Fisco não excluiu da base de cálculo da retenção os valores dos materiais fornecidos e equipamentos utilizados; · Que o Levantamento “ORG ORGANIZAÇÕES UNIDAS NDG/NÃO DECLARADO GFIP” contempla tributação indevida sobre auxílio alimentação; Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.034 9 · Protesta pela realização de novas diligências; Ao fim, requer a declaração de nulidade do procedimento fiscal ou, alternativamente, a declaração de improcedência da exigência fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/06/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08/07/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE Pondera o Recorrente que o Órgão Julgador de 1ª Instância deixou de apreciar a preliminar de cerceamento de defesa. Aduz também que o Órgão Julgador de 1ª Instância deixou de apreciar provas materiais juntadas pela defesa. Não procede. Revelase oportuno salientar ab initio que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.035 11 todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. Cumpre reiterar que entendimento contrário ao interesse da Parte e omissão no julgado são conceitos que não se confundem. No caso em apreço, o Recorrente requer que seja decretada a nulidade da decisão proferida pelo órgão julgador de lº grau, em razão de não ter supostamente apreciado Preliminar de Cerceamento de Defesa formulada na petição inicial da impugnação (itens 5 a 7), cujo teor ora se reproduz: “5. No dia 12 do corrente mês a requerente pleiteou a vista do processo administrativo decorrente da NFLD epigrafada, bem como requereu o fornecimento de cópias de todos os documentos que o instruem, posto que não se fizeram acompanhar da notificação, e, ainda, que lhe fosse reaberto prazo para exercer o seu direito de defesa. 6. Contudo, até a presente data não lhe foi dirigida qualquer comunicação quanto ao acolhimento ou não dessas pretensões, o que obrigou a elaborar a presente peça defensiva sem ter se inteirado de todo o conteúdo das peças que compõem a NFLD em testilha, ficando, portanto, fortemente limitada no seu direito à ampla defesa, ferindo sobremaneira a disposição inserida no art. 52, inciso LV, da Constituição Federal. 7. Somese, ainda, que o não atendimento as postulações daquelas peças implicou em ser colocado ã disposição da requerente prazo extremamente exíguo para se defender de situações apontadas pelo agente do fisco que demorou cerca de 4 (quatro) meses para concluir seus levantamentos, numa evidente e considerável desproporção entre a operação atacante e a defensiva.” Ocorre, todavia, que os itens 5 a 7 da impugnação oferecida pelo Contribuinte trata de matéria totalmente diversa, conforme se depreende do excerto extraído da defesa administrativa e reproduzido abaixo: “5. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em tela está também maculada de erro incontornável, o que a torna juridicamente imprestável e decreta de pronto a sua nulidade. Veja se: 6. O Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em referência está vazado de forma incongruente, dúbia e confusa, se mostrando flagrantemente contraditório. 7. No referido Relatório, no título denominado LANÇAMENTO “NFO" NOTAS FISCAIS = ORGANIZAÇÕES, consta expressamente "O contribuinte sob Ação Fiscal deixou de apresentar a Fiscalização os livros contábeis (Diário, Razão) referente ao ano de 2004 ... " Contraditoriamente, no referido Relatório, no título denominado LANÇAMENTO "ORG " Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.036 13 ORGANIZAÇÕES UNIDADES NDG/NÃO DECLARADO GFIP, consta a informação que referido levantamento considerou as remunerações "verificadas através das folhas de pagamento e lançamentos contábeis nos livros Diário e Razão, assim como através dos documentos que embalaram estes lançamentos", levantamentos estes que se estenderam até o período 13 2/2004. Ora, absolutamente paradoxais e contraditórias as duas assertivas do Relatório Fiscal. Num primeiro momento, afirmase que o contribuinte deixou de apresentar os livros contábeis referente ao ano de 2004, para depois, afirmar, com relação a outra rubrica de levantamento que estendeuse até a referência 13/2004, que este lastreouse em lançamentos contábeis nos livros Diário e Razão”. Conforme demonstrado, as alegações que o Recorrente sustenta terem sido levadas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância de fato não o foram. Realmente, não há como obrigar a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS a se manifestar sobre questões que não lhe foram alçadas à apreciação em sede de defesa administrativa. Também não merece prosperar a alegação de que a decisão recorrida tenha ignorado todas as argumentações e provas documentais juntadas na defesa inicial com relação ao lançamento denominado “NFO NOTAS FISCAIS ORGANIZAÇÕES”. Visando a esclarecer a questões suscitadas na impugnação, o Órgão Julgador de 1ª Instância baixou o feito, por duas vezes, em Diligência Fiscal para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse sobre a documentação e alegações deduzidas pelo Contribuinte em sua peça de defesa. Fruto de tais diligências, as informações fiscais a fls. 910/911 e a fls. 934/936 apreciou as alegações de defesa, e serviram de base e fundamento para a Decisão de Primeira Instância Administrativa. Ocorre, todavia, que o Recorrente não especificou quais teriam sido as argumentações e os elementos de prova documental que, em seu entender, foram ignorados pela DRJ/CGE, omissão essa que inviabiliza a o exame da suposta omissão. Alegar sem nada demonstrar ou provar produz os mesmos efeitos que nada alegar. Merece ser mencionado que a Diligência Fiscal não se presta para suprir uma deficiência do Sujeito Passivo na instrução processual. As circunstâncias de fato garantidoras do direito pleiteado pela Recorrente somente podem ser confirmadas mediante a apresentação das notas fiscais de serviço onde conste consignada, expressamente, a proporção correta de materiais fornecidos e de serviços executados, como assim ressaltou a DRJ/CGE em seu Acórdão. As notas fiscais em realce foram solicitadas à empresa, mediante intimação expressa, a fls. 178/179, porém, não foram apresentadas. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Nessa prumada, tratandose de hipótese de comprovação via documental, tais elementos de prova tem que ser acostados ao processo já na fase de defesa administrativa, juntamente com a impugnação ao lançamento, como assim determina o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.037 15 Quanto aos documentos acostados a fls. 263/299, estes se consubstanciam em meras planilhas elaboradas unilateralmente pelo Contribuinte, as quais não possuem qualquer poder probante, eis que não se encontram cortejadas pelos documentos fiscais que embasaram sua elaboração. Planilhas não são elementos de prova. As notas fiscais a partir das quais houveramse por elaboradas as planilhas, sim. As planilhas fazem alusão a supostas notas fiscais, mas tais documentos fiscais não foram apresentados nem à Fiscalização, durante os procedimentos fiscais, tampouco à DRJ/CGE, em sede de impugnação ao lançamento, muito menos a este CARF, em grau de Recurso Voluntário. Como cediço, não se presta a Diligência Fiscal para suprir uma deficiência da Parte na instrução processual. As provas documentais em que se fundamenta o direito do Contribuinte têm que ser acostadas aos autos já na fase de defesa administrativa, juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o Impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses legais, a teor do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. 2.2. DO PEDIDO DE PERÍCIA / DILIGÊNCIA. O Recorrente protesta ainda pela realização de Perícia. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72 estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.038 17 §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte, desacompanhados da devida demonstração de uma das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como de justificativa da não colação de tais provas documentais aos autos do processo, são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. No caso vertente, o direito pleiteado pelo Recorrente somente poderia ser apreciado, e eventualmente deferido, caso fossem apresentadas as provas documentais a que a empresa foi formalmente intimada a exibir, mas não o fez em sua plenitude. Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, muito menos esperar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande/MS determine a realização de diligências para a apreciação in loco de documentos do Sujeito Passivo que deveriam ter sido colacionados à sua peça de defesa administrativa. Tem o Recorrente, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. 2.3. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega ter havido cerceamento do seu direito de defesa. Sustenta que o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em referência está vazado de forma incongruente, dúbia e confusa, se mostrando flagrantemente contraditório. Não vislumbramos, todavia, tal ocorrência. Cabe iluminar, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. Dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo do lançamento há que ser interpretado e digerido com o olhar clínico que o seu propósito finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que não se cometa o despropósito de se atribuir à administração tributária uma deficiência que, muita vez, não é da parte que formaliza e redige os elementos constitutivos do lançamento, mas, sim, de quem os analisa e interpreta. Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de cunho eminentemente jurídico, nada mais natural e exigível que os termos que o compõem Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 obedeçam à lógica e ao jargão jurídico. Tal característica, logicamente, não o invalida. Ao contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance. Fosse o lançamento um documento médico, de TI, ou de engenharia, exigíveis seriam os jargões médico, de informática ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico. Conforme descrito no item 2.3 do Relatório Fiscal, o crédito tributário ora em constituição, para fins de organização e melhor compreensão, houvese por agrupado em levantamentos distintos, tecnicamente designados como “papeis de trabalho”, os quais agrupam os eventos tributários de natureza semelhante, descrevendo a Autoridade Lançadora, na sequência, para cada um dos levantamentos aludidos, as notas características dos fatos geradores a que se referem. Tais informações são complementadas pelo Relatório de Lançamentos, a fls. 63/110, o qual relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental. O Relatório de Lançamentos registra de forma discriminada por estabelecimento, competência e levantamento, dentre outras informações, a natureza jurídica e o montante absoluto da base de cálculo do tributo lançado, o código e natureza da contribuição, assim como, sendo o caso, as deduções a que faz jus o contribuinte. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 09/52, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, os eventuais valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra o presente lançamento e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa Autuada. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, o qual se houve por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao Autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação. Como visto, verificase que o lançamento em relevo foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o Agente Autuante Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.039 19 demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a NFLD, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, os fatos geradores da exação, as destinações de cada tributo, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expõe todos os elementos que motivaram a lavratura dos mencionados “papeis de trabalho”, bem como os elementos de convicção que amparam os procedimentos adotados no curso da ação fiscal. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAD e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pela Recorrente. Inexiste, igualmente, qualquer contradição no Relatório Fiscal. O período de apuração de vertente lançamento é contínuo, desde 01/04/2000 até 30/04/2005. Apesar de formalmente intimada, a empresa não apresentou à Fiscalização os livros contábeis (Diário, Razão) referentes ao ano de 2004, razão pela as contribuições sociais devidas referentes a esse período foram arbitradas, tendo como base de calculo 40% do valor total das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa. “LANCAMENTO "NFO" NOTAS FISCAIS = ORGANIZAÇÕES O contribuinte sob Ação Fiscal deixou de apresentar a Fiscalização os livros contábeis (Diário, Razão) referente ao ano de 2004, assim sendo as contribuições sociais devidas foram arbitradas tendo como base de calculo 40% (quarenta por cento) do valor total das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa. O arbitramento foi realizado nas competências 01/2004 a 11/2004”. Nas demais competências do período de apuração houvese por considerado na apuração da matéria tributável os lançamentos registrados nos livros contábeis. O levantamento denominado "ORG ORGANIZAÇÕES UNIDAS NDG/NÃO DECLARADO GFIP” contempla fatos geradores ocorridos nas competências de maio/2000 até dezembro/2004, ou seja, compreendendo competências para as quais foram apresentados os livros fiscais (2000, 2001, 2002 e 2003) e competências em que a empresa não apresentou tal documentação (2004). Assim, os fatos geradores referentes a esse levantamento foram extraídos das folhas de pagamento e lançamentos contábeis nos livros Diário e Razão, quando existentes, assim como através dos documentos que embasaram estes lançamentos. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Inexiste, pois, qualquer paradoxo ou contradição no Relatório Fiscal da NFLD, apenas certa deficiência na interpretação do texto. Não procede a alegação de que a empresa teve a sua defesa cerceada quando o fisco não relacionou os funcionários que seriam privilegiados com o plano de saúde UNIMED. Mediante TIAD a fl. 909, a empresa foi formalmente intimada a apresentar os nomes dos beneficiados pela UNIMED. No entanto, conforme consignado na Informação Fiscal a fl. 911, "QUESITO G", a empresa não apresentou a relação dos beneficiários, tendo, somente, apresentado as faturas. Na resposta à diligência, o auditor ainda demonstra que, além de não apresentar a lista dos beneficiários, a contribuinte não apresentou nenhum documento em que os seus empregados atestem que não tinham interesse no plano de saúde, pois somente assim, uma empresa de aproximadamente 1.000 empregados justificaria pagar apenas a quantia mensal de aproximadamente R$ 2.000,00 a título de plano de saúde a seus segurados. “QUESITO G – Foi solicitado na diligência a apresentação dos beneficiários, conforme constante no TIAD, porem a empresa somente apresentou as faturas. QUESITO H Assim como na diligência atual a empresa não apresentou durante a ação fiscal os beneficiários da Unimed, sendo que por uma questão lógica uma empresa com aproximadamente 1000 empregados, jamais pagaria a quantia mensal de aproximadamente R$ 2.000,00 para a totalidade de seus segurados. Destacamos ainda, que a empresa também não apresentou nenhum tipo de documento onde seus empregados atestam que não tem interesse no seguro saúde.” Ora, o Ordenamento Jurídico não admite que se venha aos autos alegar como argumento de defesa as consequências decorrentes da própria torpeza. Também não procede a alegação de que, no "LANÇAMENTO ARO ARBITRAMENTO TOMADOR" não haveria a identificação por parte do auditor de quais as pessoas contratadas e subcontratados que teriam prestados serviços à empresa. De acordo com o Relatório Fiscal, a fl. 187, foi solicitado que a empresa apresentasse os respectivos documentos contábeis que embasaram o lançamento “ARO ARBITRAMENTO TOMADOR”, porém, a empresa deixou de apresentar os documentos, alegando em síntese que os mesmos haviam se extraviado em uma recente reforma no edifício sede da empresa. Assim, verificase que somente a empresa poderia ter esta relação. O auditor efetuou o lançamento com base na contabilidade, mais precisamente utilizandose a conta 62.2052 "Serviços Prestados Pessoa Jurídica". Ninguém melhor que a contribuinte para ter a relação destas prestadoras de serviços. Em resumo, o Recorrente não pode alegar cerceamento de defesa em relação a um valor que ele mesmo Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.040 21 informou em sua contabilidade. Além do mais, o Recorrente poderia apresentar uma planilha demonstrando toda a retenção sofrida em relação às notas de fiscais emitidas. Obviamente que deveriam ser apresentadas todas as notas fiscais com o correspondente destaque da retenção. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa e de nulidade, bem como o pedido de produção de prova pericial. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial, pela DRJ/CGE, do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência junho/2000, inclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos tributários ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Dessarte, o exame a ser empreendido por este Colegiado limitarseá às contestações referentes aos fatos geradores ocorridos a contar da competência julho/2000, inclusive. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO ARBITRAMENTO Alega o Recorrente que o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se assenta em premissa inidônea. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a base de cálculo da exação deve ser apurada, em princípio, com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Não por outra razão, a legislação tributária exige que todas as operações econômicas da empresa sejam devidamente registradas em documentos adrede elaborados para cada fim, os quais devem ser mantidos, por força de lei, sob a tutela e guarda da empresa enquanto não estiverem caducas ou prescritas as obrigações e créditos tributários deles decorrentes, para que possam fazer prova em favor do Contribuinte. Da mesma forma, estabelece a legislação que os registros contábeis têm que ser lançados mensalmente em título próprios da contabilidade, com esteio em documentação idônea e adequada, a qual deverá ser mantida sob a guarda da empresa até que se escoe integralmente o prazo decadencial das obrigações tributárias a eles associadas ou decorrentes. Nessa vertente, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.041 23 No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensamente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a documentação e os livros fiscais da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Não é demasia enaltecer que a elaboração de folha de pagamento nos moldes acima descritos, a declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e o registro dessas informações na contabilidade não se configuram faculdades da empresa, mas, sim, obrigações tributárias acessórias a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.042 25 No caso em exame, as provas dos autos demonstram que o Sujeito Passivo houvese formalmente intimado a apresentar uma série de documentos, os quais não foram apresentados em sua plenitude, conforme relatado no Relatório Fiscal a fls. 186/192, dentre os quais destacamos: · Livros fiscais referentes aos exercícios de 2004 e 2005; · Notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, contratos, e respectivas GFIP. · Relação de beneficiários do plano de saúde Unimed; A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do Fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores objeto do vertente lançamento, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registrou o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, configuramse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Nos procedimento fiscais de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, contratos de prestação de serviços, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Muita vez alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, a Fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição, os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. No caso em debate, no que se refere ao levantamento "ARO ARBITRAMENTO TOMADOR”, tendo em vista a não apresentação de documentação idônea de onde se pudesse extrair, com a exatidão exigida pela Legislação Tributária, os valores referentes a materiais fornecidos e equipamentos utilizados pelas empresas prestadoras de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, houvese por considerada como base de cálculo da retenção o montante de 11% do valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, nos moldes previstos no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.043 27 respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãode obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). No que pertine ao levantamento "NFO NOTAS FISCAIS = ORGANIZAÇÕES”, a Autoridade Lançadora informa em seu Relatório Fiscal que o contribuinte deixou de apresentar à fiscalização os livros contábeis (diário e razão) referente ao ano de 2004 e 2005, de maneira que a matéria tributável, assim considerada a remuneração paga aos segurados empregados, houvese por apurada mediante arbitramento de sua base de cálculo no montante correspondente a 40% do valor total das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa, nos termos assentados no art. 441 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Seção I Da Apuração da Remuneração da MãodeObra Contida em Nota Fiscal, Fatura ou Recibo de Prestação de Serviços Art. 441. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Nos casos em que reste expressamente consignado nos contratos de prestação de serviços e nas respectivas notas fiscais a obrigação da empresa prestadora de fornecimento de materiais ou o uso de equipamentos específicos, valor dos serviços contido na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 619 da IN INSS/DC nº 100/2003, conforme estabelecido no art. 442 da mesma Instrução Normativa. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 442. Havendo previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados, o valor dos serviços contido na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 619, observado o disposto no art. 623. Art. 618. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinquenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 620, 621 e 623. Art. 619. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 618. §1º Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato nem discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 618. §2º Havendo discriminação de valores de material ou de utilização de equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, mas não existindo previsão contratual de seu fornecimento, o valor dos serviços será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãodeobra, o disposto no art. 618. §3º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãodeobra Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.044 29 utilizada na prestação de serviços, o disposto no art. 618 e observado, no caso da construção civil, o previsto no art. 623. §4º A remuneração nos serviços de transporte de cargas e de passageiros será aferida na forma prevista no art. 621. Conforme consignado no QUESITO D da Informação Fiscal a fls. 934/935, “Nos itens 63 e 64 da impugnação o contribuinte alega que as notas fiscais de prestação de serviço, incluíam serviços e materiais, assim sendo solicitamos novamente as notas fiscais e os contratos, referentes aos serviços prestados. O impugnante apresentou os contratos de prestação de serviço, porém o mais relevante, ou seja, as notas fiscais, não foram apresentadas, alegando em síntese, que as notas fiscais estão em poder do Ministério Publico do Estado do Mato Grosso do Sul, conforme Certidão expedida em 25/05/2005. O notificado não apresentou nenhum documento oficial, que tenha requerido ao MPE do Mato Grosso do Sul as notas fiscais ou fotocópias das mesmas no período abrangido por esta Diligência Fiscal, visando atender ao solicitado pela Receita Federal do Brasil, demonstrando desta forma o intuito de protelar o andamento deste processo, com a apresentação de uma Certidão expedida em 2005”. Assim, não havendo sido devidamente comprovado, nos termos da legislação de regência, o fornecimento de materiais e a utilização de equipamentos na prestação dos serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, houvese por mantido no percentual mínimo, correspondente a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, conforme art. 441 da IN INSS/DC nº 100/2003. Merece ser enaltecido que o critério de arbitramento e os percentuais estatuídos na IN INSS/DC nº 100/2003 decorrem de estudos técnicos levados a efeito pela Autarquia Previdenciária Federal, com o objetivo de determinar as bases de cálculo das contribuições devidas, nos casos de apresentação deficiente ou de sonegação de documentos pelo Contribuinte. Não procede, por óbvio, a alegação de que o arbitramento se utiliza de base de cálculo não prevista em lei. Ora, a base de cálculo das contribuições devidas permanece a mesma prevista na Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). (...) Os procedimentos levados a efeitos pela Fiscalização apenas permitiram que essa base de cálculo fosse apurada mediante aferição indireta, com esteio no art. 33 da Lei nº 8.212/91, uma vez que a sonegação de documentos e/ou a sua apresentação deficiente não permitiram aos agentes fiscais a determinação direta e precisa da matéria tributável. Registrese, por relevante, que a IN INSS/DC nº 100/2003 não está, de maneira alguma, inovando a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, tampouco instituindo nova alíquota para o tributo, mas, tão somente, estabelecendo critérios da apuração indireta da remuneração contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações tributárias acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente da escrituração contábil, dos contratos de prestação de serviços e dos valores de mão de obra discriminados nas notas fiscais de prestação de serviços. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Não se utilizaria de procedimento de aferição indireta caso o sujeito passivo propiciasse ao Fisco todas as condições para a perfeita identificação do fato gerador da exação sindicada, bem como a exata dimensão da respectiva base de cálculo, sobre a qual, utilizando se as alíquotas legalmente previstas, os Agentes Fiscais determinariam, com precisão, o quantum devido. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.045 31 Falhando o Contribuinte em sua obrigação, a lei prevê um procedimento alternativo, consistente na apuração indireta da base de cálculo, como assim procedeu a fiscalização. A incúria do Notificado no adimplemento do seu dever jurídico não pode servir de escudo à atuação dos Agentes Fiscais no cumprimento vinculado do seu dever de ofício. NEMO TURPITUDINEM SUAM ALLEGARE POTEST. Figuram presentes, portanto, os pressupostos legais para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. Não procedem, também, as alegações de que, no Levantamento “NFO NOTAS FISCAIS = ORGANIZAÇÕES”, assim como no Levantamento “JPR – Padilha e Pontes Ltda” o Fisco não teria excluído da base de cálculo os valores dos materiais fornecidos e equipamentos utilizados. Conforme estatuído no art. 442 da IN INSS/DC nº 100/2003, havendo previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados, o valor dos serviços contido na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 619 da mesma Instrução Normativa. Todavia, para que tais parcelas sejam excluídas da base de cálculo é indispensável que os valores do material fornecido ou dos equipamentos utilizados estejam estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços.. Ocorre, entretanto, que o Notificado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova – máxime cópia dos contratos , apto a comprovar que os serviços contratados continham previsão expressa nos respectivos contratos para o fornecimento de materiais, bem como para a utilização de equipamentos, e em que proporção. Sem tal comprovação documental, prevalece a regra geral contida no art. 441 da IN INSS/DC nº 100/2003. 3.2. DA RETENÇÃO DE 11% Alega o Recorrente que no Levantamento “ARO – Arbitramento Tomador” o Fisco utilizouse de base de cálculo superior à devida, em razão de não terem sido deduzidos da base de cálculo da retenção de 11% de contribuição previdenciária os valores de fornecimento de material ou de utilização de equipamento na prestação dos serviços. Com efeito, na contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, em que a empresa contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, é facultada ao prestador dos citados serviços a exclusão do valor referente aos materiais Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 fornecidos e/ou aos equipamentos utilizados em sua execução, desde que tal fornecimento de materiais e/ou equipamentos esteja expressamente previsto no contrato firmado entre as partes e, cumulativamente, os valores do aludido fornecimento encontremse devidamente discriminados nas notas fiscais, faturas ou recibos, e sejam devidamente comprovados. Regulamento da Previdência Social Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. A implementação simultânea dos requisitos supracitados constituise condição sine qua non para a exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. LEI nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98). Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 158 da IN INSS/DC nº 100/2003, sob cuja égide ocorreram os fatos geradores sobre os quais nos debruçamos. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no §7º do art. 219 do RPS. (grifos nossos) §1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. §2º Revogado. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.046 33 §3º Compete à contratada a comprovação dos valores de que trata o §1º deste artigo, mediante apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. (grifos nossos) No caso sub examine, falhou o Recorrente no atendimento à necessária comprovação de tais valores, a ser levada a efeito mediante a apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento, conforme exigência expressa no art. 158, §3º, da IN INSS/DC nº 100/2003. De fato, o Notificado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova, sobretudo as cópias autênticas dos contratos e notas fiscais, aptos a comprovar que os serviços contratados continham previsão expressa nos respectivos contratos para o fornecimento de materiais, bem como para a utilização de equipamentos, e em que proporção. Cumpre neste comenos destacar que a vinculação da exclusão das parcelas referentes ao fornecimento de equipamentos e materiais da base de cálculo da retenção à sua devida comprovação foi inserida no ordenamento jurídico através do §7º, in fine, do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo suas disposições de observância obrigatória pelos membros das turmas do CARF, em atenção às prescrições adotadas no art. 62 do regimento interno deste colegiado, nos termos da Portaria MF nº 256/2009. Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Diante de tal cenário, inexistindo comprovação do efetivo fornecimento de materiais e da utilização de equipamentos, pecando ainda o Recorrente na comprovação de tais valores mediante a apresentação dos documentos fiscais relativos à sua aquisição ou locação, conforme assim o exige a legislação previdenciária, andou bem a fiscalização ao fazer incidir na espécie os preceptivos encartados no art. 159, III, do IN INSS/DC nº 100/2003, eis que perfeitamente adequados ao caso em estudo. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: I cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II trinta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; III sessenta e cinco por cento quando se referir à limpeza hospitalar e oitenta por cento, quando se referir às demais limpezas, aplicados sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. (grifos nossos) §1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: I pavimentação asfáltica: dez por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: quinze por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): quarenta e cinco por cento; IV drenagem: cinquenta por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais: trinta e cinco por cento. §2º Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços referidos nos incisos I a V do §1º deste artigo, cujos valores não constem individualmente discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. Também não merece prosperar a alegação de que o Fisco tenha deixado de deduzir os recolhimentos efetuados pela empresa com o código 2631. Consta consignado no item 4. do Relatório Fiscal que “Foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte, assim como aqueles decorrentes de lançamentos efetuados contra a empresa, relativos às competências inseridas na presente notificação. Os créditos apropriados estão discriminados no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA. Destacase que em virtude de estar sendo lavrado nesta Ação Fiscal débitos decorrentes de empresas que foram incorporadas e cindidas pela empresa sob Ação Fiscal e sendo necessário que os créditos previdenciários da incorporada e cindida fossem apropriados para as mesmas, as GPS e GRPS destas empresas foram lançadas como "CRED" CREDITOS nos respectivos lançamentos contábeis. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.047 35 Com efeito, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, a fls. 111/138, arrola todos os créditos de titularidade do Sujeito Passivo que foram considerados no presente lançamento, dele constando, inclusive, GPS recolhidas com o código 2631, referentes a Contribuições retidas sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço CNPJ. O Recorrente alega que não foram deduzidos os recolhimentos efetuados pela empresa no código 2631, mas não faz coligir aos autos qualquer elemento de prova desses recolhimentos não considerados pela Fiscalização, que não aqueles arrolados no RDA. Os relatórios CCORGFIP, a fls. 291/294, referidos pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário, referemse à empresa “UNIDAS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA”, CNPJ nº 26.815.464/000140, a qual não se encontra abrangida pela ação fiscal, conforme informado pelo auditor fiscal em resposta à diligência solicitada – Quesito F, a fl. 911. Não se mostra despiciendo destacar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Nesse contexto, não conseguiu o Recorrente desincumbirse de seu ônus, não obtendo êxito em fulminar os fatos geradores que deram corpo ao lançamento tributário ora em foco. Não procede, igualmente, a alegação de que, no Levantamento “NFO NOTAS FISCAIS = ORGANIZAÇÕES”, o Fisco teria deixado de verificar o conta corrente dos tomadores para certificarse do efetivo recolhimento. Ora, sendo o Recorrente uma empresa prestadora de serviços, este se encontra obrigado, por força do §4º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, a destacar em sua nota fiscal de prestação de serviços o valor correspondente a 11% do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.048 37 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) (...) §4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5º O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. (...) Outro não é o direito positivado no art. 163 da IN INSS/DC nº 100/2003, in verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 163. Quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, a contratada deverá destacar o valor da retenção com o título de “RETENÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL”. §1º O destaque do valor retido deverá ser identificado logo após a descrição dos serviços prestados, apenas para produzir efeito como parcela dedutível no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, sem alteração do valor bruto da nota, fatura ou recibo de prestação de serviços. §2º A falta do destaque do valor da retenção, conforme previsto no caput, constitui infração ao §1º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991. Art. 170. A empresa contratada deverá elaborar: I folhas de pagamento distintas e o respectivo resumo geral, para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviços, na forma prevista no art. 225 do RPS; II GFIP com as informações relativas aos tomadores de serviços, para cada estabelecimento da empresa contratante ou cada obra de construção civil, utilizando os códigos de recolhimento próprios da atividade, conforme normas previstas no Manual da GFIP; III demonstrativo mensal por contratante e por contrato, assinado pelo seu representante legal, contendo: Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 a) a denominação social e o CNPJ da contratante ou a matrícula CEI da obra de construção civil; b) o número e a data de emissão da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; c) o valor bruto, o valor retido e o valor liquido recebido relativo à nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; d) a totalização dos valores e sua consolidação por obra de construção civil ou por estabelecimento da contratante, conforme o caso. Todavia, o Recorrente não traz aos autos qualquer comprovação de existência de nota fiscal/fatura de prestação de serviços em que conste expressamente consignado o destaque da retenção ora em debate e cujo recolhimento correspondente não se encontre arrolado no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, a fls. 111/138. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, não demandando reformas a decisão recorrida. 3.3. DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECUNIA O Recorrente alega que o Levantamento “ORG ORGANIZAÇÕES UNIDAS NDG/NÃO DECLARADO GFIP” contempla tributação indevida sobre auxílio alimentação. Não procede. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.049 39 §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1ºOs valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967)§ 2ºPara os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei”. Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.050 41 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim,“folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica,que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.051 43 Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876/1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876/1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9ºNão integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.052 45 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese, ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.053 47 requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) A alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.054 49 art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta para consumo aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue ao empregado pronta para consumo imediato; b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador. Colhemos das letras da alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a hipótese de isenção de contribuições previdenciárias ora em relevo não se satisfaz com a singela inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador, exigindo o preceito legal acima mencionado, como condição indispensável para a fruição do direito à isenção, que a alimentação seja fornecida in natura pelo empregador a seus empregados. Como se observa, falha o caso em debate na satisfação dos requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social, máxime em razão de a alimentação em apreço não haver sido por fornecida in natura, mas, sim, diretamente em pecúnia. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza in natura da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 50 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Cumpre alertar que o vertente lançamento não decorre das orientações plasmadas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, mas, sim, diretamente, das disposições insculpidas na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A propósito, o próprio Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 houvese por erigido com fundamento no dispositivo legal indicado no parágrafo precedente e nas decisões exarados pelo Superior Tribunal de Justiça, consignado que a alimentação fornecida in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa pronta para o consumo pelo empregado, não sofre a incidência da contribuição previdenciária. Tal orientação, portanto, não projeta efeitos sobre o caso em apreciação, uma vez que o dispositivo exposto em tal documento possui âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses de fornecimento na forma de vale refeição/alimentação, ou diretamente, mediante o pagamento em dinheiro, como assim se configura o presente caso. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Relator: Ministro Luiz Fux DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.055 51 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de tickets/vales alimentação ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Tal conclusão dessai, diretamente, dos termos assentados no art. 201, §11, da CF/1988, corroborado pelas disposições inscritas na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 111 do CTN. Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. A lei é de precisão cirúrgica ao excluir da hipótese de incidência tributária somente, e tão somente, a parcela in natura recebida de acordo com o PAT. Assim, na visão oclusiva exigida pelo art. 111 do CTN, a parcela fornecida em espécie, em tickets, cartões ou Vales Alimentação integra o conceito de Salário de Contribuição para os fins colimados pela Lei nº 8.212/91. O Recorrente alega que “os valores registrados na escrituração contábil sob o título “Auxílio Alimentação”, referemse a ajudas de custo fornecidas aos empregados, em situações especificas, para cobertura de despesas de alimentação nas hipóteses de trabalho em localidades distantes dos respectivos locais de residência, prática necessária em decorrência da peculiaridade da atividade desenvolvida pela empresa, que se destaca pela prestação de Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 52 serviços, via de regra, fora de sua sede. Dessa forma, tais valores não integram o salário de contribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária, a teor do que dispõe o inciso VII do § 9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, baixado pelo Decreto nº 3.048/99”. Regulamento da Previdência Social Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) VII a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho; Entendo que o Recorrente tenha desejado se referir ao inciso XII do §9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, que estatui não integrar o Salário de Contribuição “os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego”. Ora, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Todavia, o Recorrente não faz coligir aos autos qualquer elemento de convicção com aptidão a demonstrar que o empregado trabalhava em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou em local que exigisse deslocamento e estada, sustentando suas alegações, tão somente, na fugacidade das palavras, nada mais. Alegar sem provar é nada alegar. os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego; 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35096.000430/200515 Acórdão n.º 2302003.598 S2C3T2 Fl. 1.056 53 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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