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Numero do processo: 10865.900320/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 20 /2 01 2- 97 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900320/201297 Acórdão n.º 3301004.205 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.740. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900320/201297 Acórdão n.º 3301004.205 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10865.900320/201297 Acórdão n.º 3301004.205 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902312/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 07/08/2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO.
Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado.
Numero da decisão: 2201-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 07/08/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO. Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 07/08/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO. Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 23 12 /2 00 6- 19 Fl. 961DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 962 2 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 45/54) interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 37/40) que julgou não homologada a compensação pretendida pelo RECORRENTE por não conhecer o crédito tributário declarado em PER/DCOMP nº 09436.95638.200803.1.3.044179, relativo à compensação de débito de CPMF da 2ª sem/agosto/2003, no montante de R$ 3.921.680,01 com o crédito oriundo de recolhimento a maior de IRRF, efetuado em 07/08/2002, no valor total de R$ 6.397.344,11 (fls. 08/13). A partir desse ponto, considerando a clareza e didática do relatório dos fatos componentes do despacho de conversão do julgamento em diligência proferido por esta C. 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, acostado às fls. 759/764, passo a adotálo para relatar parte do presente relatório, na forma abaixo: “Pelo Despacho Decisório de fls. 06, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo Contribuinte e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do Contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008, Manifestação de Inconformidade de fls. 03, aduzindo que: Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. A 10ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 13/04/2009, pelo Acórdão nº 1621.038, de fls. 37 e seguintes, não homologou a compensação, nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. RETIFICAÇAO DA DCOMP. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, na forma prescrita na legislação tributária vigente e somente Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 963 3 para as declarações ainda pendente de decisão administrativa na data da sua apresentação. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 44, em 29/04/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 45 e seguintes, em 29/05/2009, aduzindo: O Contribuinte é administradora de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. Em razão de auditoria interna a Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença do resgate. Esta divergência de critérios resultou em falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houve resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação com outros tributos federais. Assim, a Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de CPMF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar, uma vez que apenas por equívoco o Contribuinte deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre de 2002, o que resultou na suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 124 e seguintes, o Contribuinte interpôs adendo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, bem como apresentar parecer de auditoria independente que demonstra a existência do crédito alegado. É o relatório. Em 17/06/2014, às fls. 743/746, o RECORRENTE protocolou manifestação informando que a RFB DEINF realizou análise conclusiva acerca da existência do seu direito creditório após confrontar créditos e débitos no âmbito do sistema SAPO (fls. 1.815 a 1.825 do Fl. 963DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 964 4 EDossie 10080.000984/091320), vindo constatar a extinção total do valor que havia sido mantido em cobrança contra o si (fls. 747/757). Ato contínuo, diante das informações prestadas pelo RECORRENTE, esta Colenda Turma propôs a conversão do julgamento em diligência (fls. 759/764) para que a autoridade preparadora: i) verificasse a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como que procedesse à solicitação de outros documentos que entendesse necessários; ii) verificasse junto à DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito do RECORRENTE; iii) verificasse se os créditos não eram objeto de processo judicial; iv) promovesse relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Por sua vez, o RECORRENTE apresentou Memoriais ao Recurso Voluntário (fls. 766/779), nos seguintes termos: 1. Não há que se falar em renúncia ao direito de discussão administrativa em razão da propositura de demanda judicial que discuta seu direito creditório; 2. Não foi proposta demanda judicial para reconhecer o direito de crédito deste processo administrativo; 3. O fundamento da discussão judicial é o mesmo (erro na apuração do IRRF das operações do fundo VIP 38). Porém, são diferentes: (a) os períodos de apuração do crédito; (b) os pagamentos indevidos; (c) as PERDCOMP; (d) os tributos compensados; (e) os períodos de apuração dos tributos compensados são completamente distintos, o que afasta qualquer questionamento quanto renúncia do direito de discussão administrativa; 4. O erro cometido no preenchimento da DCTF, cuja retificação espontânea pelo RECORRENTE foi vedada pela RFB por já haver despacho decisório negando compensação pretendida, não pode ser utilizado como subterfugio para negar o direito subjetivo do contribuinte em ter devolvido valores recolhidos a maior, sob pena de enriquecimento ilícito do erário; 5. Nestes casos, é dever da Administração Tributária (à luz do artigo 149, inciso V, e 150 do CTN) proceder com a revisão de oficio, conforme determina o Parecer Normativo PGFN 8/14; 6. A manifestação de inconformidade equipara se à impugnação administrativa, permitindo que o contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa, demonstre a existência do direito creditório pleiteado, por meio de todas as provas cabíveis; 7 Ao final, o RECORRENTE elencou todas as provas que já juntou aos autos que, no seu entender, demonstram a existência do seu crédito, como: i) Parecer DEINF emitido pelo DIORT, reconhecendo seu direito creditório ; Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 965 5 8 Por força do ingresso da ação anulatória 001758615.2010.4.03.6100, ajuizada pela RECORRENTE em face da União, visando cancelar os débitos controlados nos PAFs (16327.902325/200680, 16327.902311/200666 e 16327.904398/200614), a DEINF viu se compelida a analisar os argumentos e demais provas acerca do direito creditório fruto do erro na apuração do IRRF do Fundo VIP 38. Todos os cálculos do procedimento compensatório foram realizados no sistema SAPO (fls. 1.815 a 1.825 do EDossie 10080.000984/091320) Como resultado dessa análise, a DEINF, por meio do Chefe da DIORT, Auditor Fiscal Sr. Eduardo Cerqueira Leite, concluiu pela existência de praticamente todo o indébito pleiteado, com a manutenção de apenas uma pequena parte da cobrança; 9 O valor da exigência tributária mantida, segundo cálculos e critérios da própria DEINF, para todos os demais processos administrativos foi zero; 10 Após análise de todos os documentos carreados aos autos da mencionada ação anulatória, o perito judicial nomeado no processo, Sr. Aléssio Mantovani Filho, emitiu laudo atestando que o RECORRENTE pagou a maior a quantia de R$ 24.329.562,73 (em agosto/2003), apurada mediante recomposição de todo patrimônio líquido do fundo VIP 38, identificação do IRRF devido seguindo o critério de come cotas e comparação do resultado obtido com aquele erroneamente apurado inicialmente pelo RECORRENTE com base no regime de caixa; 11 . O relatório da auditoria independente informou a composição das aplicações do Fundo FIF VIP 38, bem como a evolução do patrimônio líquido e do resultado do período de 01/01/01 até 29/08/03, tendo definido o real valor devido a título de IRRF, em razão da alteração na sistemática de tributação feita pelo RECORRENTE, e concluiu reportando um indébito R$ 24.533.958,00 (em agosto/2003);; 12 . Os valores identificados pelo perito técnico judicial e pela empresa de auditoria independente foram suficientes para confortar e extinguir as compensações realizadas pelo RECORRENTE; 13 Ao final, requereu provimento ao recurso voluntário, com o reconhecimento do seu direito creditório e extinção das compensações realizadas, bem como dos débitos cobrados, além da baixa dos autos para realização de diligência, caso necessário. A pedido da PFN, requerido nos autos da ação anulatória 0017586 15.2010.4.03.6100 em razão do questionamento judicial levado a efeito pelo RECORRENTE, a DEINF/SPO foi instada a se manifestar acerca da validade da inscrição das dívidas reclamadas. Em 23/06/2016, através do Termo de Intimação nº 124 (fls. 902), a DIORT/DEINF requereu a apresentação de novos documentos para o RECORRENTE, sob a alegação de que os documentos até então apresentados eram insuficientes à produção de um Fl. 965DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 966 6 relatório de auditoria fiscal que se prestasse ao reconhecimento da liquidez e certeza do crédito tributário que o mesmo almejava. Em 12/07/2016, o agente preparador vinculado à DIORT/DEINF apresentou o Despacho Decisório de fls. 905/915, elaborado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos ligados ao fato em análise. A conclusão do aludido despacho considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Em razão disso, com fundamento no despacho mencionado, no corpo do relatório acima mencionado, a DIORT/DEINF/SPO respondeu aos quesitos formulados por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, tendo: i) confirmado que a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito tributário reclamado pelo RECORRENTE e, assim, homologou a DCOMP nº 09436.95638.200803.1.3.044179, controlada no presente processo, mas que, por falha da DIORT, esta deixou de implementar, na prática, os efeitos da decisão; ii) respondido o quesito 2 formulado por esta C. Turma, informando a existência de Despacho Decisório de Reconhecimento do Direito Creditório e homologação das compensações controladas no presente processo; iii) constatado que o crédito controlado no presente processo não é objeto de discussão judicial; e iv) proposto que a DIORT/DEINF/SPO procedesse à execução das compensações conforme constatações do Despacho Decisório proferido nos autos, proposta que foi aprovada e determinada no bojo do mesmo documento, sendo requerida, na sequência, ciência do seu teor ao RECORRENTE para, após decorrido o prazo com ou sem manifestação deste, os autos serem encaminhados a esta C. Turma, conforme fls. 928/937. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pela análise dos documentos produzidos ao longo deste procedimento e encartados aos autos, entendo os mesmos terem cumprido sua função de esclarecimento dos fatos e formação da convicção deste julgador (Dec. nº 70.235/72, art. 29), proporcionando aos autos condição de julgamento. Assim, passo a fazêlo. No curso do presente processo, ocorreram diligências para que o RECORRENTE apresentasse documentos relacionados ao deslinde dos fatos, bem como sobrevieram trabalhos fiscais, todos de extrema importância e relevância para o esclarecimento dos fatos e contribuição para o deslinde do caso. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 967 7 Merece destaque o Despacho Decisório de fls. 905/915, que por sua leitura se percebe ter sido confeccionado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos e documentos vinculados ao fato em análise (DARFs, manifestações fiscais e do RECORRENTE), o qual esclareceu e concluiu o quanto ocorrido neste processo e que, por conta disso, elejo para fundamentar as razões do voto. Vejamos. Decorre da análise do Despacho Decisório que o agente preparador vinculado à DIORTDEINF examinou todos os PER/DCOMPs do RECORRENTE, tendo vinculado as declarações de compensação com os respectivos pedidos de ressarcimento, identificando os tributos envolvidos, seus códigos de arrecadação, períodos de apuração, valores e vencimentos, todos resumidos no Quadro 01 (fls. 905). Em seguida, foram indicadas as contas contábeis utilizadas para a composição da base de cálculo do IRRF no regime de competência no período em que se constatou diferenças de recolhimento do imposto pelo fundo de investimento (agosto/2000 a julho/2003), cujos dados foram extraídos dos balancetes mensais do RECORRENTE constantes do EDossiê nº 10080.000984/091320 e descritos nos itens A, B, C e D do Quadro 02 do despacho (fls, 907), cujos itens G e H informaram, respectivamente, a correta base de cálculo reconstituída e o valor do IRRF efetivamente devido. Ato contínuo, foram identificados os pagamentos de IRRF do período, com base nos relatórios apresentados pelo RECORRENTE e no acesso ao sistema da RFB, o qual confirmou os pagamentos reportados, dessa análise gerando o Quadro 03 (fls. 909/911). Posteriormente, foram realizadas as alocações possíveis, restando, todavia, saldos não extintos dos créditos tributários de IRRF recalculados, os quais foram, em momento seguinte, integralmente extintos, mediante alocação de outros pagamentos que haviam sido efetuados pelo RECORRENTE (estranhos ao caso), fato que embasou o despacho a declarar a extinção dos créditos tributários apurados conforme o correto regime de tributação. Em momento seguinte, o trabalho fiscal passou a checar a eventual extinção, por compensação, dos débitos informados pelo RECORRENTE nas suas declarações de compensação e pedidos de ressarcimento, os quais foram confrontados mediante processamento feito pelo sistema SAPO da RFB (fls. 1.815 a 1.825 do EDossiê nº 10080.000984/091320), com a relação de pagamentos confirmados também em sistema da RFB (reportados no Quadro 03 – fls. 909/911), tendo como resultado as informações do Quadro 04 do despacho (fls. 912), que evidenciaram a extinção parcial ou total dos débitos do RECORRENTE. Após isso, o despacho trouxe o Quadro 05 (fls. 914), com o resultado da análise dos PER/DCOMP apresentados pelo RECORRENTE em face do indébito apurado no cálculo e no recolhimento indevido do IRRF em nome do Fundo de Investimento Financeiro VIP 38, cuja análise permite verificar não ter restado valor em aberto passível de cobrança com relação à PER/DCOMP nº 09436.95638.200803.1.3.044179, objeto de análise deste processo. Ao final, a conclusão do aludido despacho (que está registrada no EDossiê n° 10080.000.984/091320) considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito Fl. 967DF CARF MF Processo nº 16327.902312/200619 Acórdão n.º 2201004.349 S2C2T1 Fl. 968 8 tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Neste ponto, entendo que estas conclusões advindas do Despacho Decisório de fls. 905/915 são suficientes e comprovam realmente a validade do direito creditório do RECORRENTE, capaz de legitimar seus pedidos de compensação e extinguir seu débito. Dessa forma, pelo que foi exposto, tendo as autoridades fiscais competentes constatado a liquidez e certeza do crédito tributário relativo à DCOMP objeto de análise neste expediente, e restando comprovada a extinção do débito do RECORRENTE, entendo por dar provimento ao recurso voluntário. Contudo, cumpre fazer a ressalva de que o débito objeto do presente processo já foi extinto através do EDossiê nº 10080.000984/091320, tendo em vista que houve a homologação da compensação nos autos do mencionado processo. Conforme já explanado acima, a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito e, assim, homologou a compensação pleiteada pelo contribuinte. Neste sentido, resta configurado que o pedido do contribuinte já foi acatado nos autos do EDossiê nº 10080.000984/091320. É importante fazer a ressalva acima a fim de evitar o reconhecimento do crédito em duplicidade ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 968DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001530/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. TAXA DE RETORNO. PAGAMENTO EM PRESTAÇÕES. CRITÉRIO PARA REAVALIAÇÃO DO CUSTO DO INVESTIMENTO. DESPESAS FINANCEIRAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO Contrato de compra e venda de participação societária, a prazo, quando há fixação de preço, em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação, não se pode confundir tais índices com encargos financeiros. ÁGIO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS ESPECÍFICOS. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando não preenchidos os requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99.
Numero da decisão: 1302-002.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento
ao recurso voluntário quanto à omissão de receitas (depósito de origem não comprovada) e
glosa das despesas financeiras; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso
voluntário, quanto a indedutibilidade do ágio em relação à CSLL. Vencidos os conselheiros:
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca; por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à glosas da base de cálculo negativa e do prejuízo fiscal. Os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca, acompanharam o relator pelas conclusões; e, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as multas isoladas por falta de pagamento
de IRPJ CSLL por estimativa em relação 2003 a 2006. Vencidos os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca que também afastavam a multa
em relação a 2007.
Nome do relator: Rogério Aparecido Gil
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INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. TAXA DE RETORNO. PAGAMENTO EM PRESTAÇÕES. CRITÉRIO PARA REAVALIAÇÃO DO CUSTO DO INVESTIMENTO. DESPESAS FINANCEIRAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO Contrato de compra e venda de participação societária, a prazo, quando há fixação de preço, em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação, não se pode confundir tais índices com encargos financeiros. ÁGIO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS ESPECÍFICOS. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando não preenchidos os requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à omissão de receitas (depósito de origem não comprovada) e glosa das despesas financeiras; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto a indedutibilidade do ágio em relação à CSLL. Vencidos os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca; por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à glosas da base de cálculo negativa e do prejuízo fiscal. Os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca, acompanharam o relator pelas conclusões; e, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ CSLL por estimativa em relação 2003 a 2006. Vencidos os conselheiros: Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 15 30 /2 00 9- 01 Fl. 2048DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 3 2 Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca que também afastavam a multa em relação a 2007. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0525.935 de 10/06/2009 da 4ª Turma da DRJ de Campinas SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação da Recorrente, registrandose a ementa a seguir transcrita (fls. 1629/1684): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o recorrente titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Se a empresa toma empréstimos e repassa os recursos a empresas interligadas, assumindo, sozinha, os encargos financeiros, é óbvio que essas despesas, por ela suportadas, não são necessárias à manutenção da respectiva fonte produtora, inadmitindose sua dedutibilidade. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Dada a relação de causa e efeito entre processos administrativos é de se admitir a adaptação do presente Acórdão ao já decidido anteriormente nos autos dos processos n° 10830.010761/200816 e 10830.010855/200712, mediante o qual foram apurados, em períodos anteriores, prejuízos fiscais em valores menores que os declarados pela Fl. 2049DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 4 3 recorrente, insuficientes para as compensações pretendidas pela recorrente nos anos de 2004 a 2007. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. COMPATIBILIDADE. A falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § Io do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O lançamento é compatível com a exigência de tributo apurado ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de ofício. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. Tratandose de hipótese de lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial é regida pelas disposições do art. 173,1, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO. LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. Estendese à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, relativamente à dedutibilidade de despesas financeiras, eis que afeta o lucro líquido, ponto de partida para a determinação da base de cálculo da contribuição. AJUSTES DA BASE DE CÁLCULO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, constituindo ajuste previsto na legislação tributária. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. COMPATIBILIDADE. A falta de recolhimento da contribuição sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § Io do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada ao final do ano calendário, acompanhada da correspondente multa de ofício. Fl. 2050DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 5 4 MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA Tratandose de hipótese de lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial é regida pelas disposições do art. 173,1, do CTN. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Dada a relação de causa e efeito entre processos administrativos é de se admitir a adaptação do presente Acórdão ao já decidido anteriormente nos autos dos processos n° 10830.010761/200816 e 10830.010855/200712, mediante o qual foram apurados, em períodos anteriores, bases de cálculo negativas de CSLL em valores menores que os declarados pela recorrente, insuficientes para a compensação pretendida pela recorrente no ano de 2007. Conforme destacado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a autuação referese às seguintes constatações: a) O recorrente regularmente intimado deixou de identificar depósitos bancários no montante de R$ 10.599.501,00 e R$ 6.100.367,96, referentes aos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente. b) Deixou de adicionar o valor do ágio na aquisição de investimento, nos montantes de R$ 25.384.990,28 e R$ 23.071.250,61, à Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos anos calendários de 2005 e 2006, respectivamente. c) Nos anos calendário de 2004 e 2005, foram contabilizadas despesas financeiras, deduzidas indevidamente do lucro tributável, nos montantes de R$ 5.777,12 e R$ 15.700,39, respectivamente. d) O recorrente compensou prejuízo fiscal com saldo insuficiente, nos montantes a seguir relacionados, nos anos calendários de 2004 a 2007: ANO CALENDÁRIO VALOR COMPENSADO INDEVIDAMENTE NA APU RAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA 2004 871.678,21 2005 7.499.088,83 2006 6.347.601,59 2007 24.026.524,24 e) O recorrente efetuou compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores no montante de R$ 25.307.855,51, na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano calendário de 2007: Depósitos Bancários de Origem Não Identificada O recorrente regularmente intimado deixou de identificar depósitos bancários no montante de R$ 10.599.501,00 e R$ 6.100.367,96, referentes aos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente. A Recorrente informou à Fiscalização que os referidos depósitos/créditos são oriundos de alienação de ativos, recebimento de dividendos e Juros sobre o Capital Próprio (JCP), reembolso de "energia livre ", recebimento de valores a título de mútuo entre empresas do grupo, recebimento de serviços prestados, transferências realizadas da conta de aplicações Fl. 2051DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 6 5 financeiras, devoluções, multas recebidas, liquidação financeira no âmbito da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e subscrição de capital, cujos valores estão reproduzidos a seguir: DESCRIÇÃO VALOR TOTAL (2004 E 2005) ALIENAÇÃO DE BENS 198.282,58 ARRENDAMENTO/ALUGUEL 888,80 DEVOLUÇÕES 1.611,56 DIVIDENDOS/JCP 133.237.286,03 ENERGIA LIVRE 16.289.096,89 LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA NA CCEE 9.750.790,88 MULTAS RECEBIDAS 1.198.290,72 MÚTUO 129.274.356,16 OUTROS 677.069,21 REEMB. DIVIDA FUNCESP 1.512.555,38 SERV. TERCEIRO 4.830.209,39 SUBSCRIÇÃO CAPITAL 599.425,09 TRANSF. APLIC. 56.734.502,19 TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS 18.919.076,58 TRANSPORTE DE SALDO 24.164,50 TOTAL 373.247.605,96 Após análise da documentação fornecida, a fiscalização expediu nova intimação, em 15/12/2008, solicitando demonstrativo do cronograma de recebimento e repasse dos recursos oriundos do reembolso de Energia Livre, no período de 2001 a 2005, cobrados dos consumidores pela distribuidora e repassados à fiscalizada; dos valores pagos à CCEE em nome da CPFL Centrais Elétricas S/A, indicando as datas dos pagamentos e dos reembolsos recebidos; dos valores pagos à Fundação CESP em nome da CPFL Centrais Elétricas S/A, BAESA e CAMPOS NOVOS, indicando as datas dos pagamentos e dos reembolsos recebidos (fls. 777). Em atendimento, a recorrente apresentou os esclarecimentos de fls. 785/794, a seguir resumidos: Prestou os seguintes esclarecimento sobre tais recebimentos: "Dividendos e JCP Recebidos: referemse a dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) recebidos das sociedades subsidiárias CPFL Centrais Elétricas S.A e SEMESA S.A, ambas já incorporadas pela CPFL Geração no ano calendário de 2007, das quais detinha 100% do capital de cada uma delas. Liquidação financeira na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica): tratase de reembolsos de pagamentos efetuados pela CPFL Geração de Energia à CCEE em nome da CPFL Centrais Elétricas S.A. O motivo é que a CPFL Centrais Elétricas não apresentava registro na CCEE e sua controladora, a CPFL Geração, efetuava os devidos pagamentos a título de liquidação financeira e, posteriormente, recebia o valor pago, através de reembolso de sua subsidiária. Reembolso de "Energia Livre": A parcela das despesas com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), realizadas até dezembro de 2002, decorrentes da redução da geração de energia elétrica nas usinas participantes do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), foi repassada aos consumidores Fl. 2052DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 7 6 atendidos pelo Sistema Elétrico Interligado. A Resolução da A.gência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), n° 183/2002, homologou o montante relativo à compra de energia no âmbito do MAE, durante a vigência do Programa Emergência! de Redução de Consumo de Energia Elétrica, no período de Io de junho de 2001 a 28 de fevereiro de 2002, para as concessionárias de distribuição de energia elétrica. Com base neste contexto, a CPFL Geração registrou, no período de maio de 2001 a dezembro de 2002, os valores referentes à comercialização de energia no curto prazo, no montante de R$ 176 milhões, e o direito de ressarcimento de energia livre no montante de R$ 8 milhões (ambos classificados na conta "Consumidores e Concessionárias"), relativos ao período de setembro de 2000 a dezembro de 2002, com base em cálculos preparados e divulgados pelo MAE, registrados como receita operacional devidamente tributada nesse período. Mútuo entre Empresas do Grupo: referese a concessão e devolução de numerário de operações de crédito mútuo, suportados pelos Contratos e Aditivos dos Contratos de Mútuo. Serviços Prestados: foi contabilizado como outras receitas na conta contábil 6119190000 por tratarse de serviços prestados a terceiros e adequadamente tributado nos anoscalendário de 2004 e 2005, conforme suas relativas competências. " Do total dos depósitos questionados, de R$ 373.247.605.96, a fiscalização entendeu ter restado sem a devida comprovação as parcelas de R$ 12.773.569,41 (a título de Reembolso de Energia Livre) e R$ 3.926.299,55 (a título de Liquidação no CCEE), cuja somatória monta R$ 16.699.868,96, conforme descrito no relatório. Das Despesas Financeiras Consideradas Desnecessárias O TVF registrou que a Recorrente tomou empréstimos, por meio de contratos de mútuo com empresas ligadas, remunerou esses empréstimos à taxa de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e pagou IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Por outro lado, nos mesmos períodos, concedeu empréstimos em mútuo com empresas ligadas, repassando recursos sem qualquer ônus aos beneficiários, conforme quadro resumo elaborado pela fiscalização (fl. 9), no total de: a) despesa financeira indedutível: R$19.735,21; b) IOF Indedutível: R$1.742,30; c) Total de Despesas Indedutíveis: R$21.477,50. Ao suportar encargos financeiros na contratação de empréstimos (mútuos) e repassar esses recursos em operações, sem qualquer ônus, as despesas financeiras decorrentes (JUROS e IOF) incidentes sobre os valores repassados foram consideradas desnecessárias, constituindo os montantes correspondentes base de cálculo para o lançamento de ofício dos tributos devidos, conforme dispõe os artigos 249, 299 e 300 do Decreto n° 3.000 de 26/03/99 (RIR/99). Da Falta de Adição do Valor do Ágio na Aquisição de Investimento à Base de Cálculo da Contribuição Sobre o Lucro Líquido No curso dos procedimentos de Verificações Obrigatórias, constatouse irregularidade na apuração da base de cálculo da CSLL decorrentes da não adição do ágio pago na aquisição da participação acionária na empresa SEMESA, amortizada no ano, à base de cálculo da CSLL. Fl. 2053DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 8 7 Na apuração do Lucro Real a Recorrente adicionou ao Lucro Líquido, dos anos calendário de 2005 e 2006, o valor do Ágio amortizado para efeito do cálculo do valor devido de Imposto de Renda (IRPJ). Na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Recorrente deveria ter adicionado o mesmo valor conforme dispõe o artigo 57 da Lei 8.981, de 1995, com a redação dada pela Lei nr. 9.065/1995, c.c. Artigo 391 do Dec. n° 3000/1999 (RIR/99) assim dispõe: Lei 8.981/1995 "Ari. 57. Aplicamse à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (Lei no. 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei". Decreto 3.000/1999 "Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei No 1.598, de 1977, art. 25, e DeeretoLei No 1.730, de 1979, art. lo, inciso III) ". Concluiuse, assim, pela adição à base de cálculo da CSLL dos seguintes valores: Mês/Ano valor do ágio acumulado mensalmente jan05 1.924.000,00 fev05 3.978.151,58 mar05 5.967.227,37 abr05 8.459.937,76 mai05 10.574.922,20 ¡un05 12.689.906,64 jul05 14.804.891,08 aqo05 16.919.875,52 set05 19.034.859,96 out05 21.149.844,40 nov05 23.264.828,84 dez05 25.384.990,28 ian06 1.922.604,22 fev06 3.845.208,44 mar06 5.767.812,66 abr06 7.690.416,88 mai06 9.613.021,10 jun06 11.535.625,32 ¡ul06 13.458.229,54 ago06 15.380.833,73 set06 17.303.437,95 out06 19.226.042,17 nov06 21.148.648,39 dez06 23.071.250,61 Da Multa Isolada pela Falta de Recolhimento da Estimativa de IRPJ e CSLL, com Balancete de Suspensão ou Redução Fl. 2054DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 9 8 Com relação à aplicação da multa isolada, pelas diferenças apuradas a título de estimativa, prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei n° 9.430, de 1996, verificase que, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício, em conformidade com a Súmula CARF nº 105. Quanto à decadência, concluiuse que, por envolver penalidade isolada, por descumprimento a legislação tributária, o caso enquadrarseia na hipótese de lançamento de oficio, e não de lançamento por homologação. Fundamentouse, assim, que o prazo decadencial para exigência do correspondente crédito tributário seria aquele regido pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Concluiu que, mesmo se fosse considerada a data do fato gerador da estimativa de janeiro de 2004, não se vislumbraria o transcurso do prazo decadencial, com a ciência do lançamento, ocorrida em 27/02/2009. Dos Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL compensados indevidamente. O Acórdão recorrido registrou que, em decorrência dos autos de infração de que tratam os citados processos nº 10830.010761/200816 e 10830.010855/200712, os prejuízos fiscais apurados pela Recorrente nos anoscalendário de 2002 e 2003, nos valores de R$ 85.982.774,24 e R$ 43.820.640,39, respectivamente, foram alterados para "zero", invalidando, assim, as compensações realizadas nos anoscalendário de 2004 a 2007, por insuficiência de saldo. E por força dos mesmos procedimentos fiscais, bem como daquele que originou a autuação em questão, as bases de cálculos negativas de CSLL, apuradas nos anos calendário de 2002 a 2006, nos valores de R$ 85.982.774,24, R$ 86.810.628,07, R$21.027.924,18, R$ 1.405.519,08 e R$ 3.968.838,70, respectivamente, foram alteradas para "zero", invalidando, de igual forma, a compensação realizada no anocalendário de 2007, por insuficiência de saldo. Tendo sido mantida integralmente a presente autuação e dada a relação de causa e efeito entre processos administrativos, concluiu a DRJ que, era de se admitir a adaptação do presente Acórdão ao já decidido anteriormente nos autos dos processos nº 10830.010761/200816 e 10830.010855/200712, conforme Acórdãos DRJ/CPS nos 25.455 e 25.456, ambos de 16 de abril de 2009, cópia ás fls. 1544/1577, nos termos dos quais teriam sido mantidas as reduções dos prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas de CSLL dos períodos citados. Concluiuse, dessa forma, pela confirmação da glosa dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa de CSLL. Recurso Voluntário A Recorrente foi intimada do Acórdão de Impugnação, em 24/06/2009 (AR, fl. 1691). Apresentou Recurso Voluntário, em 24/07/2009 (fl. 1695). Representação processual em conformidade, fls. 1349/1356. Fl. 2055DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 10 9 Em suas razões, a Recorrente apresentou os motivos de fato e fundamentos de direito a seguir sintetizados. Em relação à aquisição das ações da SEMESA, por meio de integralização de ações, a Recorrente alega que, a intenção inicial era a de liquidar as respectivas prestações, em dinheiro. Ressalta que em virtude de ações de racionamento de energia elétrica, à época, seu faturamento foi reduzido e a obrigou promover as devidas quitações, mediante a integralização de ações. Sustenta que o fato de não ter havido fluxo financeiro na operação de compra e venda da SEMESA, não retira a natureza de encargos financeiros dos valores relativos à correção monetária (IGPMFGV) e dos juros remuneratórios de 9,5% ao ano que teriam sido cobrados sobre o valor das prestações previstas em cronograma de pagamento pela aquisição em questão. Com relação à dedução na base de cálculo da CSLL das alegadas despesas de amortização do ágio, a Recorrente alega que procedeu dessa forma, pelo fato de que somente em relação ao IRPJ, haveria obrigação de deduzir tais despesas, somente após o pagamento integrado do preço de aquisição. Sustentou que, em virtude da inexistência de vedação legal, estaria autorizada a deduzir na base de cálculo da CSLL, as despesas de amortização de ágio, desde o início do pagamento das referidas prestações. Complementou afirmando que as deduções na base do IRPJ só seriam efetuadas após a quitação integral das prestações. São essas as informações que entendemos relevantes para a compreensão do caso. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o Recurso Voluntário é tempestivo e a Recorrente está regularmente representada. Conheço do Recurso. Da Omissão de Receita de Depósitos Bancários de origem não comprovada. Neste tópico, juntaramse às fls. 182/383, cópias dos extratos bancários, cujos depósitos/créditos de origem não comprovada foram individualmente discriminados pela fiscalização e levados ao conhecimento da autuada, para os devidos esclarecimentos em 20 (vinte) dias, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls. 384/394, datado de 02/09/2008. Em atendimento, a recorrente apresentou os esclarecimentos de fls. 395/402, 425/434, 665/669, 728/732, acompanhados de documentos, segundo os quais os depósitos corresponderiam às operações discriminadas no quadro abaixo, que novamente se reproduz: DESCRIÇÃO VALOR TOTAL (2004 E 2005) ALIENAÇÃO DE BENS 198.282,58 ARRENDAMENTO/ALUGUEL 888,80 DEVOLUÇÕES 1.611,56 DIVIDENDOS/JCP 133.237.286,03 ENERGIA LIVRE 16.289.096,89 Fl. 2056DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 11 10 LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA NA CCEE 9.750.790,88 MULTAS RECEBIDAS 1.198.290,72 MUTUO 129.274.356,16 OUTROS 677.069,21 REEMB. DÍVIDA FUNCESP 1.512.555,38 SERV. TERCEIRO 4.830.209,39 SUBSCRIÇÃO CAPITAL 599.425,09 TRANSF. APL1C. 56.734.502,19 TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS 18.919.076,58 TRANSPORTE DE SALDO 24.164,50 TOTAL 373.247.605,96 Após análise da documentação fornecida, a fiscalização expediu nova intimação, em 15/12/2008, solicitando demonstrativo do cronograma de recebimento e repasse dos recursos oriundos do reembolso de Energia Livre, no período de 2001 a 2005, cobrados dos consumidores pela distribuidora e repassados à fiscalizada; dos valores pagos à CCEE em nome da CPFL Centrais Elétricas S/A, indicando as datas dos pagamentos e dos reembolsos recebidos; dos valores pagos à Fundação CESP em nome da CPFL Centrais Elétricas S/A, BAESA e CAMPOS NOVOS, indicando as datas dos pagamentos e dos reembolsos recebidos (fls. 777). Em atendimento, a recorrente apresentou os esclarecimentos de fls. 785/794, acompanhados de novos documentos. Do total dos depósitos questionados, de R$ 373.247.605.96, a fiscalização entendeu ter restado sem a devida comprovação as parcelas de R$ 12.773.569,41 (a título de Reembolso de Energia Livre) e R$ 3.926.299,55 (a título de Liquidação no CCEE), cujo somatório monta R$ 16.699.868,96, conforme descrito no relatório. Por ocasião da impugnação, a recorrente argumentou, basicamente, em relação ao Reembolso de Energia Livre, que, provavelmente por equívoco, alguns documentos comprobatórios apresentados em relação a certos recebimentos terminaram por não ser examinados/acolhidos, enfatizando que o Fisco teria aceito documentos semelhantes em relação aos demais depósitos questionados; e em relação à Liquidação no CCEE, que não conseguiu localizar a tempo a documentação pertinente a alguns valores, em vista do grande volume de dados solicitados. Iniciase a análise pelo montante que corresponderia ao Reembolso de Energia Livre (R$ 12.773.569,41). A recorrente diz ter sido esclarecido, no curso da própria fiscalização, ter incorrido em equívoco anterior, ao atribuir o Reembolso de Energia Livre ao total de R$ 16.875.330,25, quando somente a parcela de R$ 4.101.760,84 corresponderia a tal rubrica, sendo que os depósitos que compunham a diferença de R$ 12.773.569,41, aqui em discussão, decorreriam, em verdade, de efetivas vendas de energia elétrica no período de 2001 a 2002, contabilizadas segundo o regime de competência. Justificase, dizendo que a confusão se deveu ao fato de os valores relativos ao Reembolso de Energia Livre serem contabilizados na conta contábil denominada "Consumidores e Concessionárias", de forma semelhante ao ocorrido com os valores relativos às vendas efetivas de energia. Fl. 2057DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 12 11 Voltando à parcela em discussão, referente ao recebimento de valores relativos a vendas de energia elétrica, realizadas essencialmente nos anos de 2001 e 2002, diz terem sido feitas da seguinte forma: (i) diretamente a distribuidoras ou geradoras de energia; (ii) no âmbito da CCEE (antigo MAE). Explica que auferiu receitas operacionais na venda de energia apenas nos anos de 2001, 2002 e 2003. E que registrou o Contas a Receber referente a créditos perante Clientes (conforme refletido na DIPJ na Ficha "Ativo Balanço Patrimonial"), sendo que esses créditos foram sendo gradualmente quitados ao longo dos anos, conforme se verifica das informações constantes da referida Ficha da declaração. Acrescenta que na presente defesa conseguiu recompor integralmente os valores referentes aos depósitos questionados neste tópico conforme tabela de fls. 1347, esclarecendo ter encontrado um valor ligeiramente superior ao dos depósitos apontados, com uma diferença insignificante de R$ 489,43. Além disso, ressalta ter localizado os lançamentos contábeis efetuados em relação às vendas aqui tratadas, apresentandoos também em anexo (doc. 07 a 49 fls. 1348/1391). E que vem novamente apresentar, por amostragem, cópia de alguns dos documentos contábeis já anexados ao presente processo, apenas para refletir a situação aqui descrita (doc. 49 a 56; fls. 1390/1420), pois todos os demais documentos foram apresentados no curso da fiscalização, com numeração indicando o item (depósito) ao qual se referiam, razão pela qual deixa de juntálos novamente. Requer sejam revistas as planilhas e documentos originalmente apresentados, inclusive em relação aos itens correspondentes aos meses de julho/2004 e julho/2005, os quais não foram considerados pela fiscalização, nos termos em que transcritos na impugnação. Compulsandose as Demonstrações Financeiras de fls. 413 e 1394/1405, extraemse as seguintes informações do Balanço Patrimonial da pessoa jurídica: Fl. 2058DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 13 12 Ressaltese que as Demonstrações Financeiras dos anos de 2004 e 2005, constantes de fls. 413, estão incompletas, não constando a parte relativa às Notas Explicativas, inclusive. Das Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras dos anos de 2001 a 2003 (fls. 1394/1405), observase que a pessoa jurídica incluiu na rubrica "Consumidores e Concessionárias" os valores a receber decorrentes da venda de energia à empresa ligada, Companhia Paulista de Força e Luz e valores negociados no âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE e de Energia Livre, cuja composição é assim demonstrada: Fl. 2059DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 14 13 Por sua vez, o saldo de Energia Livre e de Operações de Comercialização no âmbito do MAE, é assim justificado, nas Demonstrações Financeiras de 2001 a 2003 (fls. 1403): "(3) PROGRAMA EMERGENCIAL DE REDUÇÃO DE CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA O programa emergencial de redução de energia elétrica afetou as operações da Sociedade, bem como de outras empresas geradoras e distribuidoras de energia nas Regiões Sudeste, CentroOeste, Norte e Nordeste, posto que a grande parte da aquisição de energia pelas empresas distribuidoras está baseada nos chamados "contratos iniciais" com as empresas geradoras, que garantem a entrega da energia em volumes prédeterminados. Esses contratos previam a possibilidade de ocorrência de situação hidrológica crítica, o que resultaria na necessidade dos geradores compensarem as empresas distribuidoras por existência de falta de energia em decorrência dessa situação. Tendo em vista as ramificações operacionais, financeiras e jurídicas decorrentes dos contratos, foi celebrado um acordo entre os geradores e distribuidores de energia elétrica. Referido Acordo, regulamentado pela Lei n° 10.638/2002, determinou que a parcela das despesas com a compra de energia no âmbito do MAE, realizadas até dezembro de 2002, decorrentes da redução da energia elétrica nas usinas participantes do Mecanismo de Realocação de Energia — MRE seria repassada aos consumidores atendidos pelo Sistema Elétrico Interligado. As empresas de geração e distribuição concordaram, em julho de 2002, por meio do acordo de compra de Sobras Líquidas Contratuais e do Acordo de Reembolso de Energia Livre, em estabelecer um tratamento especial para a contabilização do MAE referente à compra de sobras de energia de contratos iniciais e equivalentes, bem como para o pagamento de energia livre no período de Io de abril de 2001 a 31 de dezembro de 2002. A Resolução ANEEL n° 483/2002, homologou o Fl. 2060DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 15 14 montante relativo à compra de energia no âmbito do MAE, durante a vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, no período de Io de junho de 2001 a 28 de fevereiro de 2002, para as concessionárias de distribuição de energia elétrica. Em 12 de janeiro de 2004, através da Resolução Normativa ANEEL n° 01, estes valores foram alterados. Com base neste contexto, a Sociedade registrou, no período de maio de 2001 a dezembro de 2002, os valores referentes à comercialização de energia no curto prazo, no montante de R$ 175.684, e o direito de ressarcimento de energia livre no montante de R$ 7.702 (ambos classificados na conta "Consumidores e Concessionárias"), relativos ao período de setembro de 2000 a dezembro de 2002, com base em cálculos preparados e divulgados pelo MAE. Os valores relacionados aos efeitos acima descritos, bem como suas respectivas movimentações ocorridas até 31 de dezembro de 2003, estão apresentados a seguir: A Resolução ANEEL n" 36/2003, alterada pela Resolução ANEEL n" 89/2003, estabeleceu os procedimentos para operacionalização do repasse das concessionárias de distribuição para as empresas que tiveram despesas na compra de energia elétrica decorrentes da redução de geração de energia elétrica nas usinas participantes do Mecanismo de Realocação de energia — MRE, definindo o percentual de 0,2704% para a CPFL Geração, a título de ressarcimento de energia livre (vide nota 5). As concessionárias de distribuição de energia elétrica deveriam repassar a título de energia livre para os geradores e distribuidores, o valor resultante da aplicação de um percentual sobre o montante arrecadado mensalmente a título de Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, a partir de fevereiro de 2003. O repasse definido deve ser efetuado até que o montante total de energia livre, definido para cada empresa na Resolução ANEEL n° 483/2002 e alterado pelo Resolução ANEEL n° 01/2004, seja completamente amortizado, limitado ao prazo máximo de 72 meses definido na Resolução Fl. 2061DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 16 15 ANEEL n" 484/2002 e também alterado pela Resolução Normativa ANEEL n" 01/2004. b) Operações de Comercialização de energia no âmbito do MAE Controladora Encargo de Serviço Custo com Receita de Saldo Liquido Mês/An o Do Sistema ESS Compras Vendas ■ Ano de 2001 (9.886) 192.770 182.884 Ano de 2002 (281) (8.626) 1.707 (7.200) TOTAL (281) (18.512)]_f 194.47% 175.684 Controladora Operações de Pago e/ou ; Saldos em Saldos em Mês/Ano Mai/01 a Dez/02 Recebido 31/12/2003 31/12/2002 Compras ^ ^(18.793) 1879^„ (11.118) Vendas r'\y^'''~'^M^tfÍ (148.337rf::)l'l6J4Q 152.223 TOTAL 175.684 (129.544) 46.140 141.105 O saldo remanescente a receber de R$ 46.140 é composto por (I) R$ 27.388 relativos a "Registro Escriturai Provisório ", que é o valor calculado pelo MAE, mediante rateio proporcional, entre os Agentes Credores Líquidos no período, dos valores excluídos por questionamentos judiciais por parte dos Agentes Devedores; (II) R$ 9.531 que não foram recebidos por estarem seus devedores amparados por medidas judiciais suspendendo sua liquidação; e (III) R$ 9.221 renegociados através de acordos bilaterais. A Sociedade entende que o risco da não realização destes valores é baixo. Os valores da energia no curto prazo e da energia livre podem estar sujeitos a modificação dependendo de decisão dos processos judiciais em andamento, movidos por determinadas empresas do setor, relativos à interpretação das regras vigentes no mercado. Essas empresas, não incluídas na área do racionamento, obtiveram liminar que torna sem efeito o Despacho n" 288 da ANEEL, de 16 de maio de 2002, que teve como objetivo o esclarecimento às empresas do setor sobre o tratamento e a forma de aplicação de determinadas regras de contabilização do MAE, incluídas no Acordo Geral do Setor Elétrico. O pleito dessas empresas envolve a comercialização da cotaparte de Itaipu no submercado Sudeste/CentroOeste durante o período de racionamento de 2001 a 2002, quando havia discrepância significativa de preços na energia de curto prazo entre os submercados das regiões Sudeste/CentroOeste com os da região Sul. "(negrejouse e grifouse) Fl. 2062DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 17 16 Dos dados trazidos acima, observase que o saldo da conta "Consumidores e Concessionárias", presente no Ativo Circulante do Balanço Patrimonial de 31/12/2003, decorre exclusivamente das vendas a prazo realizadas nos anoscalendário de 2001 e 2002 (R$ 46.140 milhares), bem como da Energia Livre (R$ 1.658 milhares), tudo com a expectativa de ser realizado no exercício subsequente (ano de 2004). E que a Energia Livre decorre de operações realizadas até dezembro/2002, sendo que o saldo existente no Balanço de 31/12/2003, sujeito a reembolso, perfaz quantia de R$ 7.973 milhares, a qual, deduzida da parcela de R$ 1.658 milhares registrada no Ativo Circulante ("Consumidores e Concessionárias"), remanesce a ser transposta para o Realizável a Longo Prazo (amortizável nos anoscalendário de 2005 e seguintes), na diferença de R$ 6.321 milhares, a qual foi registrada na Demonstração Financeira de 31/12/2003 no valor de R$ 6.315 milhares. Considerando as conclusões supra, acerca da Energia Livre, vêse que no Balanço Patrimonial de 31/12/2003, o único componente da conta "Consumidores e Concessionárias" do Realizável a Longo Prazo é a parcela da Energia Livre, registrada no valor de R$ 6.315 milhares. E a tendência deste saldo de Energia Livre é a de decrescer, nos anos subseqüentes, a medida em que é parcialmente repassado à conta "Consumidores e Concessionárias" do Circulante, para realização no curto prazo, conforme aponta o cronograma de recebimento de fls. 880. Isso, porque a Energia Livre contabilizada resulta do fato desta decorrer de operações realizadas até 31/12/2002, como já enfatizado acima. A Recorrente alegou que auferiu receita de vendas somente nos anos calendário de 2001 a 2003. De fato, compulsandose a DIPJ/2005 (fls. 894/969) e a DIPJ/2006 (fls. 970/1004), anoscalendário 2004 e 2005, notase que não declarou qualquer receita de venda, mas apenas de prestação de serviços (R$ 1.041.337,13 e R$ 4.385.070,11, respectivamente). E, das Demonstrações Financeiras acima, depreendese que a receita auferida em 2003 foi recebida em mesmo anocalendário, já que o saldo da conta "Consumidores e Concessionárias", no Balanço de 31/12/2003, representa apenas as vendas a prazo de 2001 e 2002 e o saldo de Energia Livre. A fiscalização aceitou a comprovação da amortização de Energia Livre (reembolso) de R$ 2.002.471,40 (ano de 2004) e R$ 2.099.289,44 (ano de 2005), valores corrigidos pela Selic, totalizando R$ 4.101.760,84, conforme cronograma de fls. 880. Assim, admitindo a hipótese que a partir de 31/12/2003 nenhum valor teria sido acrescido a título de receita de vendas nos anos de 2004 e 2005, conforme informações da DIPJ, de acordo com os saldos dos Balanços Patrimoniais de 31/12/2003 e 31/12/2005 (Circulante e Realizável a Longo Prazo), o total de vendas mais energia livre que teria sido recebido ao longo dos anos de 2004 e 2005 perfaz R$ 19.569 milhares ([R$ 47.798 + R$ 6.315] [R$ 3.282 + R$ 31.262] = R$ 19.569). Considerando que desse total a fração de R$ 4.101 milhares corresponde a energia livre, conforme aceito pelo Fisco, restaria possível admitir o recebimento em 2004 e 2005 de vendas feitas nos anos de 2001 e 2002, no valor remanescente, de R$ 15.468 milhares. Ocorre que a Recorrente foi autuada justamente por omissão de receita, presumindose, portanto, que tal crédito estaria à margem de escrituração regular. Assim, no presente caso, a simples análise dos Balanços Patrimoniais não justifica, por si só, os valores depositados na conta bancária da recorrente. Fl. 2063DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 18 17 Sobre os Balanços Patrimoniais informados nas correspondentes DIPJ, estes, por si sós, sequer se prestam a demonstrar a evolução do recebimento das vendas feitas em 2001 e 2002, ao longo dos anoscalendário em análise, somente mediante análise da conta "Clientes", como pretende a recorrente. Isso, porque se verifica que a conta "Clientes" engloba não só a rubrica "Consumidores e Concessionárias", mas também a rubrica "Dividendos e JCP a Receber", como se depreende do confronto do total registrado em "Clientes" na DIPJ/2004, anocalendário 2003 (fls. 1414), com as informações presentes nas Demonstrações Financeiras de fls. 1403. A recorrente pretende comprovar depósitos bancários no total de R$ 12.773.569,41, nos anos de 2004 e 2005, recebidos a título de vendas realizadas nos anos de 2001 e 2002, da seguinte maneira: parte feita no âmbito do CCEE (antigo MAE R$ 3.147.091,54) e parte diretamente a distribuidores e geradores de energia (diferença, no valor de R$ 9.626.967,30), conforme tabela abaixo: AES Tietê R$ 3.824.993,31 Doe. 07 a 24 CCEE R$ 3.147.091,54 Doe. 25 e 26 CDSA R$2.273.766,10 Doe. 27 a 31 CELESC R$ 2.540.827,84 Doe. 32 a 36 CELG R$319.222,56 Doe. 37 a 40 CEMIG R$ 23.080,94 Doe. 41 BAESA S/A R$ 324.373,71 Doe. 42 CAMPOS NOVOS ENERGIA S/A R$ 104.184,70 Doe. 43 ELEKTRO R$ 9.642,41 Doe. 44 ELETROPAULO R$ 25.842,74 Doe. 45 LIGHT R$ 15.963,54 Doe. 46 CPFL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A R$ 161.304,66 Doe. 47 COELCE R$ 3.764,79 Doe. 48 Total RS 12.774.058,84 Contudo, observase que as receitas de vendas constantes do Ativo Circulante do Balanço Patrimonial de 31/12/2003, constante de fls. 1403, decorrem, única e exclusivamente, de Comercialização no âmbito do CCEE (antigo MAE), não tendo havido qualquer outra distinção de receita de vendas em tal Balanço, mesmo havendo na conta "Consumidores e Concessionárias" demais rubricas para tanto, tais como "Concessionárias" e "Outros", as quais permaneceram com valores "zerados". Fl. 2064DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 19 18 Tal evidência afasta da comprovação pretendida o montante de R$ 9.626.967,30, o qual, nos dizeres da própria recorrente, corresponderia às vendas feitas diretamente aos distribuidores e geradores de energia. Dessa forma, mantevese incomprovada a origem de tais depósitos, à falta de demais demonstrações e documentos hábeis e idôneos capazes de afastar a distinção entre os distribuidores e geradores de energia e o CCEE (antigo MAE) no registro das vendas, presente nos Balanços Patrimoniais analisados. Remanesce, assim, para análise mais detida, a parcela de R$ 3.147.091,54. a qual a recorrente alega corresponder a vendas no âmbito do CCEE (antigo MAE). A recorrente pretende justificar sua origem mediante does. 25 e 26 (em verdade, correspondentes aos does. 26 e 27, conforme indicação à lápis fls. 1367/1368), os quais tratam de cópia de tela do "Relatório de Partidas Individuais de Clientes", identificadas com os seguintes lançamentos: Cliente 220000052 Empresa G001 Nome Câmara Comercialização Em Elétrica Local São Paulo Cliente Empr Razão Atribuição Cliente 220000052 Empresa G001 Nome Câmara Comercialização Em Elétrica Local São Paulo Ainda que assim não fosse, acrescentese que tais documentos, por si sós, são insuficientes para a comprovação pretendida. Não se pode admitir como hábil e idôneo cópia de tela de sistema de escrituração eletrônica, ainda mais quando sequer se trouxe na impugnação qualquer informação gerencial acerca dos arquivos magnéticos correspondentes. Isso tudo, corroborado pela falta de apresentação da documentação que acobertaria a escrituração da pessoa jurídica. Por outro lado, registrese que a obrigatoriedade de utilização de meios magnéticos não dispensa a emissão de livros previstos na legislação comercial e fiscal. A recorrente deixou de apresentar cópia do Livro Diário com a indicação das operações acima transcritas, com lançamento em partidas dobradas, denotando a baixa da conta "Clientes" (CCEE antigo MAE) e o ingresso de numerário na conta "Bancos", assim como os documentos pertinentes à operação (fatura e recibo de pagamento); bem como cópia do Livro Razão, relativa à conta "Clientes", mais particularmente aquela indicativa da CCEE (antigo MAE), onde se possa verificar o seu saldo inicial e final e as respectivas baixas, ao longo dos anos fiscalizados (2004 e 2005). Fl. 2065DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 20 19 Assim, também permanece incomprovada a regular origem dos depósitos de R$ 3.147.091,54, que corresponderia a vendas no âmbito do CCEE. Passase a analisar os depósitos que corresponderiam ao Reembolso de despesas pagas em benefício da CPFL Centrais Elétricas S/A, a título de liquidação no CCEE (antigo MAE), no total de R$ 3.926.299,55. Conforme resposta dada pela recorrente, as operações de pagamento de despesa de terceiro e respectivo reembolso se deram até que a controlada, CPFL Centrais Elétricas S/A (anteriormente denominada Nova 1 Participações S/A), obtivesse registro no CCEE, na qualidade de concessionária de geração de energia, condição atribuída a partir do recebimento de ativos, transferidos pela autuada com a finalidade de aumento de capital social. Das informações extraídas das Demonstrações Financeiras de fls. 1398 e 1403, depreendese que a controlada em comento passou a operar como concessionária de geração de energia a partir de 1o de janeiro de 2003, quando autorizada a mencionada transferência de ativos, representados por Pequenas Centrais Geradoras de Energia Elétrica (PCFTs), conforme Resolução ANEEL n° 782, de 23 de dezembro de 2002. As Centrais Geradoras de Energia Elétrica transferidas são as seguintes: Americana, Buritis, Capão Preto, Cariobinha, Chibarro, Dourados, Eloy Chaves, Esmeril, Gavião Peixoto, Jaguari, Lençóis, Monjolinho, Salto de Pinhal, Pinhal, Salto Grande, Santana, São Joaquim, Socorro, Três Saltos e suas respectivas concessões, denominadas em conjunto Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCFTs) e a Usina Termoelétrica de Carioba I. Porém, não consta dos autos a informação da data na qual a controlada obteve registro no CCEE, a partir de quando estaria diretamente responsabilizada pelas próprias despesas no âmbito daquele órgão, momento o qual não se justificaria mais a existência de qualquer pagamento feito pela autuada, em razão da falta de tal registro. A recorrente diz que teria realizado pagamentos dessa natureza, em nome da controlada, ao longo dos anos de 2004 e 2005, tendo recebido os respectivos reembolsos antes ou após os pagamentos efetuados. Tal informação, de imediato, causa bastante estranheza, pois não se pode conceber a demora de dois anos para o registro da controlada no âmbito do CCEE, por ser totalmente improducente. Pois bem, na impugnação a recorrente ainda esclarece que os depósitos no total de R$ 3.926.299,55, inicialmente vinculados ao reembolso de liquidação financeira no CCEE, referemse, em verdade, a reembolso decorrentes de três espécies de situações: (i) reembolsos referentes a liquidação financeira de valores no âmbito da CCEE (antigo MAE), no valor de R$ 3.262.332,54; (ii) reembolsos de pagamento de quotas RGR e de taxas de fiscalização, no valor de R$ 549.900,00; e (iii) reembolsos de dívida com a Fundação CESP, no valor de R$ 114.067,01. Iniciandose pela liquidação financeira de valores no âmbito da CCEE (antigo MAE), observase que durante os procedimentos fiscais foi aceita a comprovação, a esse título, da parcela de R$ 5.824.491,33, conforme item 12 do Termo de Verificação Fiscal. Por pertinente, identificase referida parcela, confrontandose com os depósitos bancários questionados às fls. 384/394 e as préfaturas apresentadas pela recorrente, conforme quadro reembolso CCEE comprovado Fl. 2066DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 21 20 97.521,42 01/06/05 152 237 46 mar/05 826/827 114.862,34 11/03/05 601 237 89 jan/05 829/831 145.869,65 05/04/05 130 237 46 fev/05 833 218.518,43 04/02/04 37 237 46 dez/03 835 301.539,05 05/10/04 96 237 46 ago/04 837/838 303.244,71 06/12/04 108 237 46 out/04 840/841 305.439,00 02/12/04 107 237 46 set/04 843/844 388.118,70 abr/05 846/847 486.622,59 03/08/05 179 237 46 jun/05 849/850 607.501,11 01/09/05 183 237 "..46" M/05 852/853 688.106,67 04/07/05 172 237 46 mai/05 855/856 691.964,71 07/11/05 201 237 46 set/05 858 711.478,27 07/12/05 205 237 2002 out/05 860/861 763.704,68 11/03/04 42 237 46 ian/04 863 5.824.491,33 Por via de consequência, tendo em vista informação anterior de que os pagamentos a esse título somariam R$ 9.750.790,88, a fiscalização exigiu da recorrente a comprovação dos valores remanescentes (R$ 3.926.227,55), indicados no quadro abaixo, sendo que a recorrente, por ora da impugnação, pelas razões já antes expostas, logrou apresentar pré faturas para parte dos valores questionados, em valor equivalente a R$ 3.262.260,54 (e não no valor de R$ 3.262.332,54, como alegado), conforme does. 57 a 69 fls. 1421/1433: DATA VALOR (R$) O RD BCO AG préfatura 07/01/04 311.519,19 33 237 46 nov/03 1421 12/03/04 549.900,00 45 237 46 Ausente 23/03/04 87.975,82 46 237 46 Ausente 31/03/04 408.357,66 47 237 46 fev/04 1422 06/05/04 300.572,46 54 237 46 mar/04 1423 10/05/04 47.164,81 57 237 46 mar/04 1424 28/05/04 25.761,24 64 237 46 Ausente Fl. 2067DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 22 21 30/06/04 329,95 68 237 46 Ausente 30/06/04 267.025,64 70 237 46 abr/04 1425 02/07/04 225.738,88 74 237 46 mal/04 1426 31/08/04 199.776,32 85 237 46 jun/04 1427 01 /10/04 178.865,92 93 237 46 jul/04 1428 04/01/05 296.531,24 112 237 46 nov/04 1429 03/02/05 259.060,93 117 237 46 dez/04 1430 14/03/05 114.862;34 126 "' 2Sf * • 46'' jan/05 1431 01/09/05 45.284,04 590 237 895 jun/04 1432 01/09/05 607.501,11 612 237 ' 'S95 jul/05 1433 total 3.926.227,55 No entanto, as préfaturas de fls. 1431 e 1433, nos valores de R$ 114.862,34 e R$ 607.501,11, não apresentam qualquer distinção daquelas de fls. 829/31 e 852/853, já consideradas pela fiscalização no montante aceito de R$ 5.824.491,33, o que impede, de pronto, a sua aceitação. Por outro lado, em que pese a autoridade fiscal ter acolhido a comprovação de R$ 5.824.491,33 por meio das préfaturas apresentadas às fls. 825/863, não se faz, no presente julgamento, igual juízo de valor em relação aos documentos semelhantes, ora aqui analisados, trazidos às fls. 1421/1433, para comprovação da parcela de R$ 3.262.332,54. Com efeito, inexiste nas préfaturas em comento qualquer elemento distintivo que as possa vincular a pagamento de despesas em favor da coligada CPFL Centrais Elétricas S/A. Além disso, não atendem os requisitos de documentário fiscal. Representam P mera impressão eletrônica de dados, sendo forçoso reconhecer que não oferecem qualquer segurança da fidelidade dos dados ali transcritos quanto à operação, à data, aos valores ou ao emitente do documento (este, aliás, sequer é identificado na préfatura). Por tais razões, não se prestam para a comprovação pretendida, à falta de demais documentos e/ou elementos que permitam a sua perfeita vinculação às operações mencionadas. Assim, resta incomprovada a parcela dos depósitos no valor total de R$ 3.262.332,54, a título de reembolso de liquidação financeira no âmbito da CCEE. Passase ao reembolso de pagamento de quotas RGR e de taxas de fiscalização, no valor de R$ 549.900,00. A recorrente explica que tais obrigações são calculadas em função dos ativos de geração de energia, tendo sido estabelecido à autuada o pagamento mensal dos valores de Fl. 2068DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 23 22 R$ 164.372,45 e R$ 18.927,55, respectivamente, conforme Despacho n° 12, de 17/01/2003, e n° 852, de 26/12/2002, ambos da ANEEL (fls. 1434/1438). E que tal obrigação foi transferida para a CPFL Centrais Elétricas S/A, juntamente com os ativos repassados à essa controlada em janeiro de 2003, tendo sido efetuado o pagamento pela recorrente até que se implementasse a transferência cadastral, justificándo¬se, assim, os reembolsos relativos aos pagamentos das competências de fevereiro a abril de 2003, no total de R$ 549.900,00. Em consulta à internet no sítio da ANEEL, verificase que o Despacho ANEEL n° 12, de 17/01/2003, foi alterado para substituir a empresa autuada pela CPFL Centrais Elétricas S/A (anteriormente denominada Nova 1 Participações S/A), na obrigação do pagamento da quota RGR de R$ 164.372,45, conforme retificação publicada no D.O. em 17/04/2003 (fls. 1578/1579), o mesmo não ocorrendo com o Despacho n° 852, de 26/12/2002, relativamente à taxa de fiscalização de R$ 18.927,55 (cópia extraída e anexada às fls. 1580). Por outro lado, observase que o reembolso das despesas alegadas teria se dado após um ano do cumprimento das respectivas obrigações pela autuada e, ainda, pelo valor total, abrangendo as competências de fevereiro a abril de 2003, sem qualquer justificativa a respeito. A recorrente não esclarece acerca do registro de tal direito no seu Balanço Patrimonial de 31/12/2003, já que a devolução não teria sido cumprida ao longo do próprio anocalendário de seu fato gerador; nem se teria se aproveitado da dedução de tal despesa na apuração do seu resultado, em razão de não se ter efetivado a real substituição do responsável até abril de 2003; também, não fornece o recibo do alegado reembolso que teria sido realizado no ano investigado (2004), mas apenas os boletos dos pagamentos das despesas por ela quitadas em 2003 (fls. 1441/1446). Assim, impende reconhecer que não se fez a perfeita vinculação do crédito em conta bancária com o reembolso das despesas acima descritas, mantendose incomprovado o depósito no montante de R$ 549.900,00. Por fim, passase aos reembolsos de dívida com a Fundação CESP, no valor total de R$ 114.067,01. A recorrente explica que houve a transferência de empregados da recorrente para a controlada, também em razão da transferência de ativos para a CPFL Centrais Elétricas S/A, a qual, a partir de então, tornouse responsável pelos pagamentos à Fundação CESP, relativos ao plano de previdência e saúde em benefício dos citados empregados. E que, da mesma forma das anteriores, realizou os pagamentos em nome da controlada, enquanto a substituição cadastral não era transferida pela Fundação CESP, apresentando, em comprovação, Notas de Débito da Fundação CESP e telas do Sistema de Recursos Humanos (RH) da CPFL Centrais Elétricas S/A de fls. 1448/1535. Acrescenta que durante os trabalhos fiscais já foram aceitas algumas Notas de Débitos em comprovação dos citados reembolsos. A recorrente pretendeu vincular, por meio de Resumo Analítico de Mensalidades PESD, as Notas de Débitos apresentadas aos planos de saúde dos funcionários constantes das cópias das telas do Sistema de RH da CPFL Centrais Elétricas S/A, que Fl. 2069DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 24 23 identifica empregados da Unidade Usina Carioba, demitidos pela citada controlada em junho/2003 e julho/2003, conforme programa incentivado. Em que pese o esforço da Recorrente, não se tem nos autos elementos bastantes para se formar tal convicção. Com efeito, também nesse tópico a recorrente não informa a data na qual efetivamente se deu a substituição cadastral perante a Fundação CESP, a partir de quando a coligada estaria diretamente responsabilizada pelas próprias despesas no âmbito daquela fundação, momento o qual não se justificaria mais a existência de qualquer pagamento feito pela autuada, em razão da falta de tal registro. Segundo as tabelas elaboradas na defesa, as despesas pagas a esse título corresponderiam a mensalidade do plano de saúde com vencimentos no período de julho/2003 a maio/2004, indicativo de que a citada substituição cadastral teria levado, portanto, quase um ano e meio para ser efetivada. Tal prazo é bastante longo para ser considerado o máximo razoável. Observase, também, que o reembolso das despesas alegadas teria se dado não pelos valores correspondentes a cada vencimento mensal, mas totalizados por critérios que não foram devidamente explicados na defesa. Além disso, cada Nota de Débito foi vinculada a um número interno de controle da Fundação CESP (PR), o qual, segundo nota do rodapé, deve ser mencionado em caso de dúvida em relação a quaisquer débitos ali discriminados. Para fazer a vinculação da despesa constante das Notas de Débitos aos funcionários da controlada, a recorrente trouxe ao processo um Resumo Analítico de Mensalidades PESD, o qual não traz qualquer informação acerca de seu emitente, nem qualquer vinculação ao número interno de controle da Fundação CESP (PR), indicado nas respectivas Notas de Débito. A recorrente também não esclarece acerca do registro de tal direito contra a sua coligada no seu Balanço Patrimonial de 31/12/2003, já que parte da devolução não teria sido cumprida ao longo do próprio anocalendário de seu fato gerador; nem se teria se aproveitado da dedução de tal despesa na apuração do seu resultado, em razão de não se ter efetivado a real substituição do responsável até maio de 2004; também, não fornece o recibo dos alegados reembolsos que teriam sido realizados no ano investigado (2004), mas apenas as Notas de Débitos das despesas as quais teriam sido por ela quitadas em 2003 e 2004, conforme tela do relatório de partidas individuais de fornecedores. Assim, impende reconhecer que não se fez a perfeita vinculação do crédito em conta bancária com o reembolso das despesas acima descritas, mantendose incomprovado o depósito no montante total de R$ 114.067,01. A tributação dos depósitos bancários está fundamentada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2070DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 25 24 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). [Alterado pela Lei n° 9.481, de 13.8.97] § 4o Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. [Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002] § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.[Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002]" (negrejouse) Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Vejase, a respeito, o entendimento da Oitava Câmara do Conselho de Recorrentes, em caso semelhante: "IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A insuficiência de origem dos recursos depositados em conta corrente bancária, apurada em análise dos dados constantes dos lançamentos contábeis, permite inferir que tal montante é proveniente de receitas omitidas. A presunção simples, nesse caso, é prova admitida em Direito Tributário porque demonstrada por elementos convergentes, direcionando os indícios para a ocorrência do fato probando. " [Acórdão 10806208 de 17/08/2000] Fl. 2071DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 26 25 Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao recorrente de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. E como a recorrente sequer logrou demonstrar prova em contrário, subsiste a presunção de a movimentação de origem não comprovada corresponder ao que, em regra, ocorre nas empresas comerciais e industriais: o recebimento de valores pelas vendas realizadas ou por serviços prestados. Correto, portanto, o uso de tais valores como receitas conhecidas, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como já ressaltado, a tributação fundada em omissão de receita tem como pressuposto que os valores omitidos decorrem das atividades operacionais da recorrente, inserindose, portanto, no conceito de faturamento previsto nas Leis Complementares n° 7, de 07 de setembro de 1970, e n° 70, de 7 de janeiro de 1991, no art. 195 da Constituição Federal, bem como na Lei n° 9.718, de 1998. Assim, os valores omitidos constituem base de cálculo do Pis e da Cofins, mostrandose correto, também aqui, o uso de tais valores na apuração direta das citadas contribuições. Tratandose de pessoa jurídica tributada pelo regime de lucro real, o valor sujeito à tributação corresponderá ao valor integral da receita desviada da escrituração, no pressuposto de que os custos e despesas a ela inerentes já se encontravam escriturados (Ac. n° 10178.772/89 DOU de 14/02/90, e Ac. n° 1055.561/91 DOU de 27/06/91). Diante desses fatos e fundamento, não há como acolher as alegações da Recorrente, quanto à não identificação do valores depositados em contas bancárias, como já havia sido corretamente verificado pela DRJ. Despesas Financeiras A DRJ acompanhou a DRF, quanto ao entendimento de que as referidas despesas financeiras seriam indedutíveis, por não serem necessárias e por se tratar de valores que integrariam o preço de aquisição das ações (custo e não despesa financeira). Registrouse, ainda, que não houve fluxo de recursos financeiros; que a operação teria se limitado a uma permuta de ações, entre empresas do mesmo grupo societário. O outro ponto em questão reside na ratificação pela DRJ do entendimento de primeira instância de que seria indevida a dedução na base de cálculo da CSLL das despesas de ágio, desde o início da quitação de tais prestações, por meio da citada integralização de ações. O acórdão recorrido registrou que, não haveria autorização para a dedução de despesas com amortização de ágio decorrente de aquisição de empresas do mesmo grupo empresarial, ainda mais, por não ter havido pagamento efetivo (inexistência de fluxo financeiro). Iniciamos pelas consideradas despesas financeiras dedutíveis. Fl. 2072DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 27 26 A Recorrente apresentou a tese de que a correção monetária (IGPMFGV) e os juros remuneratórios (9,5% ao ano) são próprios dos contratos de compra e venda de participações societárias; que tais encargos eram devidos no caso de pagamentos parcelados; e que a decisão pela aquisição a prazo constituíase em faculdade discricionária dos dirigentes da Recorrente. Diversamente, o acórdão recorrido manteve a glosa em questão, por dois motivos: (i) pela desnecessidade da despesa, porque tendo sido acordada a troca de investimento, desde a assinatura do contrato este poderia ser liquidado de imediato, pois dependia somente do aumento de capital, tendo sido o pagamento parcelado uma decisão administrativa, ressalvada a existência de ágio na proporção de 85,96%; e (ii) pelos encargos financeiros corresponderem ao preço efetivamente combinado. Observandose, ainda, os fundamentos da DRJ, ressaltouse os seguintes fatos: f) a Serra da Mesa consignou no referido contrato seu interesse em converter o crédito constituído na venda da SEMESA, em integralização de subscrição de futuros aumentos de capital na Recorrente; g) que, a despeito de o contrato de compra e venda ter sido celebrado em 08/11/2001, somente após a aprovação pela ANEEL, a compra das ações foi ratificada por deliberação em Assembléia, em 26/12/2001, sendo que, concomitantemente, deliberouse pelo aumento de capital social na CPFL Geração (AGE de fls. 77/82), tornando possível, assim, satisfazer a condição pretendida pela promitente vendedora (Serra da Mesa), a qual era também controladora da Recorrente; h) a própria ANEEL, a quem foi submetida a aprovação do contrato, autorizou a operação entre as promitentes vendedora e compradora, condicionada à conversão de parte do crédito da Serra da Mesa ao aumento do capital social da CPFLGeração (Resolução ANELL n° 582, de 21 de dezembro de 2001 fls. 139/140): "Art. 1º. Autorizar as concessionárias Serra da Mesa Energia S.A e CPFL Geração de Energia S.A a realizarem as seguintes operações: I transferência de bens, direitos e obrigações da empresa Serra da Mesa Energia S.A para a empresa SEMESA S.A, referentes a sua participação na Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, bem como a concessão da Usina Hidrelétrica de Ponte do Silva, com os respectivos bens vinculados, ficando subrogada à empresa SEMESA S.A todos os direitos e obrigações decorrentes da operação; II transferência do controle societário da empresa SEMESA S.A., detido pela empresa Serra da Mesa Energia S.A, para a empresa CPFL Geração de Energia SA; III aumento de capital na empresa CPFL Geração de Energia S.A, mediante a capitalização de parte do crédito que a empresa Serra da Mesa Energia S.A. constituirá junto à Fl. 2073DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 28 27 empresa CPFL Geração de Energia S.A, no valor de R$254.000.000,00 (...), referente à primeira parcela da venda da participação acionária na empresa SEMESA S.A, e aporte de capital em dinheiro dos acionistas 521 Participações S.A, no valor de RS 198.000.000,00 (...)." Dessa forma, não há como acatar as razões da Recorrente de que teria incorrido em despesas financeiras na aquisição da SEMESA, pois, na forma prevista no referido contrato de compra e venda, a correção monetária e os juros representam, em realidade, índice para fixação de preço, conforme autorizam as disposições do art. 487 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002). Código Civil. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Tal delimitação do preço de aquisição está expressamente prevista nas seguintes cláusulas e condições do referido contrato de compra e venda: Cláusula Segunda ("Preço e Pagamento") Item 2.1 aponta um valor de Preço, ajustado e acordado a partir da avaliação econômica dos bens, ativos e passivos da SEMESA, mediante adoção de taxa interna de retorno de IGPMFGV acrescido de 9,5% a.a, com base no fluxo de caixa projetado de SEMESA a partir de 01/10/2001, com a Placa de 694 MW, até 31/12/2002 e a Placa de 671 MW, a partir de 01/01/2003. Item 2.3 estipula que o Preço, as parcelas e o saldo remanescente devem ser "atualizados monetariamente'' com o mesmo índice de taxa interna de retorno de IGPMFGV acrescido de 9,5% a.a. Itens 2.6 e 2.6.1 reconhecem que a ANEEL pode revisar a quantidade de energia assegurada (Placa), para maior ou menor, implicando reajustes no Preço, por nova avaliação da SEMESA. Item 2.6.2 determina que a quantidade de MW é a única variável do modelo de avaliação necessária para a revisão do Preço. Item 2.6.3 reconhece que a diferença a maior ou a menor no Preço, em razão da variação da Placa, também serão reajustadas pelo mesmo índice de taxa interna de retorno de IGPMFGV acrescido de 9,5% a.a, implicando um valor a pagar ou uma conta a receber entre CPFLGeração e Serra da Mesa. Verificase, portanto, que o contrato visou assegurar/fixar o preço em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação. Não há fundamento para considerar tal correção monetária, no sentido de encargo financeiro. Ainda sobre a real natureza dos valores considerados pela Recorrente como despesas financeiras, mantêmse intactas as conclusões da DRJ, no sentido de que tais valores constituemse em investimentos caracterizadores de aplicação de capital em participação Fl. 2074DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 29 28 permanente na SEMESA. Somente haveria se falar em despesa, caso se tratasse de dispêndios para a manutenção da atividade da empresa (art. 179 da Lei nº 6.404/76 LSA). Como último fundamento do acórdão recorrido que deve ser mantido sobre esse ponto, temse que, houve troca de bens patrimoniais entre empresas do mesmo grupo societário, e os bens trocados caracterizam, em verdade, preço e compensação. Assim, pelo exposto, entendo que não há razão para a reforma do acórdão recorrido, mantendose a glosa dos referidos valores indevidamente considerados pela Recorrente como despesas financeiras. Da não adição da despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL A Recorrente sustenta que, desde o ano calendário 2002, quando do início do pagamento das prestações para aquisição da SEMESA, efetuou a dedução na base de cálculo da CSLL das despesas de amortização, sob o argumento de que inexiste disposição legal que impeça tal dedutibilidade, ou que estenda a essa Contribuição as disposições relativas ao IRPJ. Defende que não poderia ser aplicado ao caso, o comando contido no artigo 57, da Lei n° 8.981, de 1995 pelas razões que menciona, invocando julgado do Primeiro Conselho de Recorrentes cm reforço de sua tese. Com a devida vênia, o fato de não haver vedação, não autoriza a Recorrente a proceder de tal forma. O princípio constitucional da legalidade, aplicável ao caso, determina que, em matéria tributária, há a obrigatoriedade de expressa autorização para o procedimento. Sobretudo, não há que se deduzir despesa que ainda não se incorreu. Na forma relatada no TVF, em 2002, a Recorrente iniciou o pagamento das prestações previstas para a aquisição de participação societária na SEMESA. Por não haver liquidado integralmente tais prestações, a Recorrente adicionou à base de cálculo do IRPJ, os valores relativos a tais pagamentos parciais. Da mesma forma, deveria ter procedido, em relação à CSLL, em cumprimento às disposições do artigo 57, da Lei n° 8.981. Registrese que, no caso, é obrigatório que se dê à CSLL, a mesma interpretação dada pela Recorrente, no que diz respeito à verificação de que, em 2002, não haviam sido preenchidos os requisitos previstos nos arts. 385 e 386 do RIR/99, para fins de dedução na base de cálculo do IRPJ das despesas de amortização do ágio em questão Frisese que, não se trata de utilização de analogia ou interpretação extensiva para a exigência de tributo não previsto em lei, vedado pelo artigo 108, do CTN, como alegado pela Recorrente, posto que a obrigatoriedade de efetuar o aludido ajuste na base de cálculo da CSLL é decorrência natural do tratamento contábil e tributável previsto em tal dispositivo legal para os investimentos relevantes da pessoa jurídica realizados em outras sociedades, e se acha devidamente autorizada no referido artigo 57, da Lei n° 8.981, de 1995. Assim, também nesse ponto, não há razão para a reforma do acórdão recorrido. Da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL Com relação à aplicação da multa isolada, pelas diferenças apuradas a título de estimativa, prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei n° 9.430, de 1996, verificase que, não pode Fl. 2075DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 30 29 ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício, em conformidade com a Súmula CARF nº 105. Quanto à decadência, por envolver penalidade isolada, face AO descumprimento à legislação tributária, a hipótese trata de lançamento de ofício, e não de lançamento por homologação. Assim, o prazo decadencial para exigência do correspondente crédito tributário é aquele regido pelo art. 173,1, do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Nestes termos, ainda que se considere a data do fato gerador da estimativa mais antiga (janeiro de 2002), não se vislumbra transcorrido o prazo decadencial, com a ciência do lançamento em 13/12/2007. Da Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais de IRPJ e Bases Negativas da CSLL O Acórdão recorrido registrou que, em decorrência dos autos de infração de que tratam os citados processos nº 10830.010761/200816 e 10830.010855/200712, os prejuízos fiscais apurados pela Recorrente nos anoscalendário de 2002 e 2003, nos valores de R$ 85.982.774,24 e R$ 43.820.640,39, respectivamente, foram alterados para "zero", invalidando, assim, as compensações realizadas nos anoscalendário de 2004 a 2007, por insuficiência de saldo. E por força dos mesmos procedimentos fiscais, bem como daquele que originou a autuação em questão, as bases de cálculos negativas de CSLL, apuradas nos anos calendário de 2002 a 2006, nos valores de R$ 85.982.774,24, R$ 86.810.628,07, R$21.027.924,18, R$ 1.405.519,08 e R$ 3.968.838,70, respectivamente, foram alteradas para "zero", invalidando, de igual forma, a compensação realizada no anocalendário de 2007, por insuficiência de saldo. Tendo sido mantida integralmente a autuação em questão e dada a relação de causa e efeito entre os processos administrativos, concluiu a DRJ que, era de se admitir a adaptação daquele Acórdão ao já decidido anteriormente nos autos dos processos nº 10830.010761/200816 e 10830.010855/200712, conforme Acórdãos DRJ/CPS nrs. 25.455 e 25.456, ambos de 16 de abril de 2009, cópia ás fls. 1544/1577, nos termos dos quais foram mantidas as reduções dos prejuízos fiscais e das bases de cálculos negativas de CSLL dos períodos citados. Nesse sentido, na forma certificada pela DRJ, é de se manter os termos do acórdão recorrido quanto à inexistência de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, afastandose a multa isolada por falta de pagamento de CSLL por estimativa. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 2076DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001530/200901 Acórdão n.º 1302002.335 S1C3T2 Fl. 31 30 Fl. 2077DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16102.DW3S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROGERIO APARECIDO GIL em 07/10/2017 02:23:00. Documento autenticado digitalmente por ROGERIO APARECIDO GIL em 07/10/2017. Documento assinado digitalmente por: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 14/12/2017 e ROGERIO APARECIDO GIL em 07/10/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 27/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0318.16102.DW3S Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: E6A9C4EFCD56043D167F1D0C3914C167822E0202EA67B27A61F51ADCAED530B0 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.001530/2009-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13936.000371/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006
LANÇAMENTO. BIS IN IDEM. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO CONSTITUCIONAL.
Não ofende a constituição federal a incidência de mais de uma espécie tributária sobre o mesmo fato econômico, quando as diferentes exações forem instituídas com respeito às regras de competência e às normas gerais de direito tributário.
AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO PRÓPRIA. NECESSIDADE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Para que a pessoa jurídica possa ser enquadrada como agroindústria e assim usufruir do tratamento tributário favorecido estabelecido para essas empresas pela legislação previdenciária, é necessária a comprovação da condição de produtora rural, bem como da existência de industrialização de matéria prima de produção própria.
A aquisição pela empresa de área rural com reflorestamento pronto para abate não é suficiente para caracterizá-la como produtora rural.
Numero da decisão: 2201-004.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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BIS IN IDEM. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO CONSTITUCIONAL. Não ofende a constituição federal a incidência de mais de uma espécie tributária sobre o mesmo fato econômico, quando as diferentes exações forem instituídas com respeito às regras de competência e às normas gerais de direito tributário. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO PRÓPRIA. NECESSIDADE. NÃO DEMONSTRAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Para que a pessoa jurídica possa ser enquadrada como agroindústria e assim usufruir do tratamento tributário favorecido estabelecido para essas empresas pela legislação previdenciária, é necessária a comprovação da condição de produtora rural, bem como da existência de industrialização de matéria prima de produção própria. A aquisição pela empresa de área rural com reflorestamento pronto para abate não é suficiente para caracterizála como produtora rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 6. 00 03 71 /2 00 8- 48 Fl. 313DF CARF MF 2 Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase da análise de recurso voluntário (fls. 179/206) apresentado em face do Acórdão nº 0622.769, da 5ª Turma da DRJ/CTBA (fls. 153/171), que negou provimento à impugnação (fls. 65/94) do sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) relativo às contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas a empregados (SENAI, SESI e SEBRAE) e as incidentes sobre a comercialização de produção rural adquirida de produtores rurais pessoa física (SENAR). O lançamento (Debcad 37.047.5518) compreende fatos geradores das competências do período de 03/2003 a 12/2006 e dele tomou ciência o sujeito passivo em 21/07/2008 (fl. 60). A base de cálculo foi apurada através de dois levantamentos (fls. 50/55): 1. Levantamento Folha de Pagamento FPG: compreende as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e decorre do fato de a empresa se autoenquadrar incorretamente como agroindústria. As bases de cálculo foram apuradas a partir dos valores lançados nas folhas de pagamento e na contabilidade. 2. Levantamento Produção Rural Pessoa Física PRU: tratase de contribuições apuradas sobre a comercialização da produção rural com produtor rural pessoa física, ficando a adquirente subrogada nas obrigações do produtor na condição de responsável pelos recolhimentos. Para o período de 03/2003 a 12/2006, a empresa não declarou esses fatos geradores em GFIP. Segundo afirma a autoridade fiscal, foi constatado que a empresa fiscalizada se autoenquadrou como agroindústria a partir de 03/2003 e, instada a comprovar essa condição, limitouse a apresentar escrituras de áreas de terras para exploração de atividades agrícolas adquiridas a partir de 11 de novembro de 1999. Na propriedade adquirida nesta data, haveria o registro da existência de área com reflorestamento de Pinus Thaeda com idade média de 23 anos. Neste caso, defende a fiscalização que a empresa não poderia se enquadrar como agroindústria uma vez que não teria comprovado a industrialização de produção própria, condição que não seria preenchida pela aquisição de reflorestamento pronto para corte, e que também não seria possível nas demais áreas adquiridas, uma vez que as árvores exigiriam em média 15 anos para que fosse viável sua exploração. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 314 3 Aduz ainda que não foi registrada na contabilidade qualquer valor a título de exaustão florestal e que o valor registrado como reflorestamento é o mesmo para todo o período considerado. Além de não possuir produção própria em condições de abate, terseia constatado também que a laminação da madeira não é realizada pela própria fiscalizada. Pelas razões expostas, a fiscalização enquadrou a empresa no código FPAS 507 Indústria. Como consequência, estaria obrigada ao recolhimento de contribuições para as seguintes entidades: Salário Educação, Incra, Senai, SESI e Sebrae. Considerando que o Salário Educação e o INCRA já estavam contemplados no enquadramento anterior, foi lavrado o auto de infração apenas em relação às demais entidades: Senai, SESI e Sebrae. O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo (fls. 65/94) o que deu origem ao Acórdão ora recorrido, que negou provimento à impugnação, mantendo integralmente o auto de infração. Essa decisão contém a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 AI 37.047.5518 BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA São legitimas as diversas autuações durante a ação fiscal quando não comprovada a dupla incidência de um mesmo Tributo sobre o mesmo fato gerador. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. COMPETÊNCIA. As atribuições de que trata o arl. 2" da Lei 11.457, de 16/03/2007 se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. ATIVIDADE RURAL. EXTRAÇÃO ÁRVORES ADQUIRIDAS COM AS TERRAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A extração (corte) de árvores de florestas para industrialização, quando adquiridas conjuntamente com as Fl. 315DF CARF MF 4 terras em que foram cultivadas, não caracteriza atividade rural. TERRAS ADQUIRIDAS JÁ FLORESTADAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A utilização de árvores extraídas de terras adquiridas já florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente dessas terras na condição de agroindústria, para fins de substituição da contribuição previdenciária. PEDIDO DE VISTORIA. É indeferido o pedido de vistoria quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente O sujeito passivo tomou ciência dessa decisão em 03/07/2009 (fl. 175) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 20/07/2009 (fls. 179/206). Em suas razões de recorrer, alega, em síntese, que: 1. O auto de infração é nulo por ocorrência de bis in idem, uma vez que teriam sido lavrados três autos distintos tendo por base a mesma conduta. 2. O lançamento e a decisão recorrida estabeleceram critérios que não existem na legislação de regência para classificar a empresa como agroindústria. 3. A atividade rural é fator definitivo para a atividade da recorrente e seus registros contábeis da empresa denunciam a existência do produto rural, dos seus incrementos, do aporte financeiro na sua produção, da existência de empregados, enfim, de toda a sorte de fatos próprios que apontam para a atividade rural como base da transformação industrial já denunciada. 4. Tal como denuncia o auto impugnado, detém a empresa vasta área de florestas, inclusive algumas com altíssimo poder de extração, contando ainda com instalações industriais modernas para o processamento da sua própria matériaprima e ainda de terceiros (o que não seria vedado por lei). 5. A aquisição pela recorrente de áreas rurais com reflorestamento já existente tornoua produtora rural para todos os fins. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 315 5 6. A legislação permite que a agroindústria promova a industrialização de produção de terceiros. 7. A empresa não registrou a exaustão florestal porque considerou o "incremento florestal" acrescido na parte não explorada, compensando as duas grandezas. 8. Não há na legislação qualquer vedação à industrialização por terceiros. Com base nessas razões, pede que seja dado provimento ao apelo para fins de julgar nulo o auto de infração ou que seja mantido o enquadramento da empresa recorrente como agroindústria. Pede também a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a realização de vistorias nas áreas de florestas e perícias documentais. Neste Colegiado, o processo foi inicialmente distribuído para a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara que, através da Resolução nº 2302000.370, de 04 de dezembro de 2014 (fls. 275/308), converteu o julgamento em diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 1) Há provas de que o recorrente cultivava madeira antes de adquirir as propriedades mencionadas? 2) Da análise da contabilidade e dos documentos apresentados, há comprovação de despesas com o cultivo (adubação, poda, corte, extração,etc.) além de gastos com transporte? Aliás, da análise da contabilidade, constam despesas com o que, exatamente? 3) Tendo em vista a contradição encontrada quanto a utilização de madeira própria (contabilidade indica que não, mas Livro de Entrada indicar o contrário), esclarecer o que representa esta pequena quantidade mencionada no Relatório Fiscal em relação à totalidade da madeira utilizada. 4) Deve ser esclarecido quais partes do processo foram terceirizadas e quais não foram. Constam gastos com industrialização? No processo nº 13936.000370/200861, foi anexado o termo de intimação fiscal nº 27, de 2016 (fls. 359/362), pelo qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa intimou o sujeito passivo a apresentar elementos necessários ao esclarecimento das questões delimitadas pela Resolução CARF. Em 23/03/2016, a contribuinte se manifestou pedindo a dilação do prazo concedido por mais trinta dias, "considerando o elevado número de documentos que deverão ser apresentados, bem como analisados para elaboração da planilha solicitada" (fl. 354). Apesar disso, o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 381/384) atesta que até 25/08/2016 nenhuma resposta foi entregue pela empresa autuada, o que culminou no encerramento da diligência. Retornando a este colegiado, em face da extinção da turma que determinou a diligência e do fato de o conselheiro relator não mais integrar o CARF, o processo foi incluído em lote distribuído em sessão pública a esta conselheira. Fl. 317DF CARF MF 6 É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, é de se registrar que não foi apresentada qualquer manifestação em relação ao levantamento Produção Rural Pessoa Física PRU, de forma que o lançamento a ele relativo constitui matéria incontroversa. Preliminar do Bis in idem Em sede preliminar, alega a recorrente a ocorrência de bis in idem, uma vez que o mesmo comportamento teria gerado três autos de infração: 37.047.5518, 37.047.5526 e 37.047.5500, o que seria defeso por lei. Com efeito, como resultado da ação fiscal foram lavrados autos de infração tendo por objeto: multa por descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991 (Debcad 37.047.5526); contribuição patronal e Gilrat incidentes sobre a folha de pagamento e aquisições de produtor rural pessoa física (Debcad 37.047.5500); contribuições para terceiros sobre a base de cálculo descrita no item anterior (Debcad 37.047.5518). Cada uma dessas autuações resulta da violação de regras jurídicas específicas, que instituíam diferentes e inconfundíveis obrigações tributárias principais e acessórias. Essas regras estão de acordo com a Constituição Federal e com o Código Tributário Nacional CTN, o que legitima sua incidência sobre o mesmo fato. Isso porque, ao contrário do que afirma a recorrente, o bis in idem, assim entendido como a incidência de tributos diversos sobre o mesmo fato, é prática autorizada pela Constituição Federal, desde que essa incidência cumulativas de normas ocorra dentro dos limites impostos pelo seu texto. Para verificar a correção dessa assertiva, basta a leitura atenta dos arts. 195 e 240 da Constituição Federal. Por outro lado, obrigações acessórias e principais são ontologicamente independentes, especialmente na seara previdenciária, uma vez que destinadas a atender diferentes interesses. Nesse caso, a violação das regras que impõem essas obrigações implicam também ofensa a diferentes bens jurídicos o que justifica a aplicação concomitante de mais de uma penalidade. Se assim não fosse, as regras que impõem deveres instrumentais tornarse iam letra morta, deixando a descoberto interesses jurídicos relevantes, uma vez que as informações que devem ser prestadas viabilizam a fruição de direitos pelos trabalhadores, pelos quais se garantem condições dignas de sobrevivência. Como não se demonstrou qualquer vício nas normas de incidência, em especial que tenham extrapolado as bordas da autorização constitucional, não merecem prosperar os argumentos de defesa. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 316 7 Por outro lado, essa linha de defesa se confunde com alegação de inconstitucionalidade da legislação tributária, matéria estranha ao âmbito de competência deste Colegiado, conforme reconhece o enunciado nº 02 da Súmula de Jurisprudência CARF. Mérito Em relação ao mérito, vêse que a controvérsia cingese a determinar se a existência de produção rural própria é condição inafastável para que a empresa possa ser enquadrada como agroindústria de que trata o art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, e se a aquisição de área de reflorestamento pronto para abate atenderia a essa exigência. Quanto à primeira questão, penso que ela é respondida sem embargo pelo texto do mencionado artigo, que é abaixo transcrito: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: A partir da leitura desse artigo, não há sombra de dúvida de que, para ser considerada como agroindústria, a pessoa jurídica deve ser "produtora rural" e industrializar produção própria. A partir da observância dessa regra, seria possível também a industrialização de produção adquirida de terceiros. Dito de outra forma, não se considera agroindústria quem promove apenas a industrialização de matériaprima produzida por terceiros. Particularmente, não entendo que a aquisição de reflorestamento pronto para abate seja suficiente para caracterizar a adquirente como produtora rural, isso porque deixaria de existir o risco inerente a esse tipo de atividade, característica que justificaria o favor legal. Por outro lado, não tenho como relevante a discussão acerca da possibilidade de industrialização por terceiros, uma vez que essa constatação não impediu a fiscalização de enquadrar a recorrente como indústria. No mais, adoto como razões de decidir o trecho que é abaixo transcrito, de lavra do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, no voto que foi vencido na Resolução nº 2302 000.370: Deflui dos termos estampados no citado artigo 22A as notas características conformadoras da agroindústria para fins de enquadramento perante as obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91. a) Ser produtor rural pessoa jurídica; b) Ter produção rural própria; c) Industrializar essa produção rural própria, a qual pode ser complementada por produtos rurais adquiridos de terceiros. Conferindo contornos mais definidos ao conceito legal, o inciso XXIII do art. 247 da IN INSS/DC nº 100/2003 estatui ser Fl. 319DF CARF MF 8 considerado como agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica for a industrialização de produção própria ou a industrialização de produção própria e da adquirida de terceiros, que desenvolve as duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos; Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 247. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos; (...) XXIII agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção própria ou a industrialização de produção própria e da adquirida de terceiros, que desenvolve as duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos; Na mesma esteira, a alínea ‘b’ do inciso I do art. 240 da IN SRP nº 3/2005 define como agroindústria o produtor rural pessoa jurídica que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização, tanto da produção rural própria ou da adquirida de terceiros. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 240. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo: (...) b) produtor rural pessoa jurídica: 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade mercantil, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 250 desta IN; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização, tanto da produção rural própria ou da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 250 desta IN; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 317 9 Aditese que para ser considerado agroindústria é condição sine qua non que a empresa seja produtora rural pessoa jurídica, isto é, sendo proprietária ou não, desenvolva em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Avulta dos preceptivos legais acima desfraldados que a mens lege concentrase no incentivo ao produtor rural pessoa jurídica de industrializar a sua própria produção, mesmo que complementada pela produção adquirida de terceiros, agregandolhe valor de natureza industrial, tornandoo mais competitivo no mercado. O tratamento fiscal diferenciado previsto no art. 22A da Lei nº 8.212/91 tem por destinatário, portanto, o produtor rural pessoa jurídica que, efetivamente, industrialize sua produção rural. Dessarte, para ser considerado como agroindústria é necessário que a empresa, cumulativamente, seja produtora rural pessoa jurídica, tenha produção rural própria e industrialize tal produção, e que desenvolva as duas atividades, rural e industrial, em um mesmo empreendimento econômico, com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. A falta de qualquer um desses requisitos descaracteriza a condição de agroindústria para os fins previstos no art. 22A da Lei nº 8.212/91. No caso ora em estudo, a Fiscalização apurou fatos e circunstâncias que, em seu entendimento, são suficientes para descaracterizar a Autuada como agroindústria. De acordo com o Relatório Fiscal, para comprovar o auto enquadramento como agroindústria, a empresa apresentou escrituras de aquisições de áreas de terras, sob adenominação de FAZENDA, para exploração de atividades agrícolas (florestamento e reflorestamento). A primeira fazenda foi adquirida em 11/11/1999 e todas as demais aquisições deramse em datas posteriores. No que se refere às fazendas em que foram identificadas transferências de matériaprima, no período envolvido na ação fiscal, a Fiscalização arrolou as seguintes: · Fazenda Rondon III, Matrícula 12.415, adquirida em 11/11/1999. · Fazenda Boa Vista, Matrícula 6.148 aquisição em 11/12/2001, · Fazenda São Lourenço, Matrícula 6.791, aquisição em 20/05/2003. No contrato de compra da Fazenda Rondon III, está expresso que a área contém reflorestamento de Pinus Thaeda, com idade média de 23 anos. Fl. 321DF CARF MF 10 Considerando que a empresa passou a adquirir áreas de terras a partir de 11 de novembro de 1999, com a finalidade de explorar o plantio, replantio e reflorestamento; Considerando que o plantio, replantio e reflorestamento nas terras adquiridas é de árvores da espécie Pinus Elliotii, que em média, necessita de 15 anos para ser viável sua exploração, concluiu a Fiscalização que a madeira utilizada a partir de 2003 referese a madeiras já existentes quando da aquisição das fazendas. Portanto ao adquirir as áreas de terras também adquiriu mata viva. Dessa forma as transferências de matériaprima (madeira) realizadas pela empresa no período compreendido na ação fiscal, se referem a madeiras já existentes quando da aquisição das áreas de terras, não se tratando, portanto, de produção própria, mas, sim, de produção realizada por terceiros – os antigos proprietários das terras. Com efeito, a aquisição de terras com a matéria prima já nela plantada e pronta para o corte não torna o adquirente Produtor Rural Pessoa Jurídica, mas mero proprietário da madeira contida na propriedade. Anotese que para que a pessoa jurídica seja considerada agroindústria, não basta a industrialização de produtos rurais de sua propriedade. A lei exige que a pessoa jurídica seja Produtora Rural, ou seja, que sendo proprietária ou não, desenvolva em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Merece ser destacado que a atividade de plantio, extração e reflorestamento de árvores da espécie Pinus Elliotii não se trata de extração de produtos primários, mas atividade agrária stricto sensu, eis que resulta da atuação humana sobre a natureza, em participação funcional, condicionante do processo produtivo. A atividade agrária caracterizase por ser um processo agrobiológico de produção, realizado na terra pela mão do homem. A atividade agrária é representada, portanto, pelo trabalho da terra para a produção primária de vegetais e animais, indispensáveis ou úteis à vida humana. Dessarte, o fato de uma empresa adquirir áreas de terras com reflorestamentos prontos para o corte não lhe conferem a natureza de produtor rural pessoa jurídica. Tal ilação não discrepa das conclusões assentadas na Solução de Consulta nº 94 SRRF/ l0ª RF/Disit, adiante reproduzida em pequenos excertos para a melhor compreensão de seus fundamentos: Solução de Consulta nº 94 SRRF/ l0ª RF/Disit 7.1. Como já salientado na resposta ao item "(ii)" da consulta anteriormente formulada, acima transcrita, "a industrialização da produção rural própria é condição essencial para que uma empresa possa ser qualificada como agroindústria" e recolher as contribuições previdenciárias tendo como base o valor bruto da Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 318 11 contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento das segurados empregados e trabalhadores avulsos. 72. Na interpretação de Wladimir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. São Paulo,LTr, 2003, p. 416), a agroindústria se caracteriza como "um empreendimento econômico complexo, em que a matéria prima rural própria é transformada pela divisão manufatureira. Nela, o mencionado insumo provém da área rural e ela se utiliza de métodos industriais para aperfeiçoar o bem, mesclandose os objetivos sociais". O fato de o art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991, autorizar a aquisição de matériaprima de terceiros na atividade agroindustrial, não significa que permita a dispensa do departamento da produção rural própria da agroindústria (inciso II do §1º do art. 240 da IN MPS/SRP nº 3, de 2005) com o objetivo de enquadramento ou manutenção dessa condição, para fins da substituição tributária nele contemplada. A produção rural própria da agroindústria é fundamental para a caracterização dessa condição na forma como definida pela legislação previdenciária, 7.3. Portanto, para que se caracterize a agroindústria, o empreendimento econômico deve iniciarse com a utilização de matériaprima própria em seu processo agroindustrial, e, em complementação, se for do seu interesse, adquirir matériaprima de terceiros. Entendese como matériaprima própria, no caso da consulente, a madeira que extrair de florestas de pinus que ela própria tenha cultivado. Não importa a titularidade das terras, se de sua propriedade ou arrendadas, mas sim que, a matéria prima utilizada seja por ela mesma comprovadamente produzida. 7.4. Dessa forma, a aquisição de terras com florestas ele pinus pronta para a extração de matériaprima a ser utilizada na atividade industrial não caracteriza a atividade rural, tampouco essa matéria prima é considerada produção própria para fins ele enquadramento da atividade de agroindústria, nos termos do art. 22A da Lei n°8.212, de 1991. 8. Assim, a extração (corte) de árvores de pinus de florestas adquiridas conjuntamente com as terras em que foram cultivadas, com vistas à sua utilização corno matéria prima em processo industrial, não caracteriza atividade rural. Por essa mesma razão, a madeira obtida de extração dessas árvores de pinus não pode ser considerada como produção rural própria da consulente. E consecutivamente, pelos mesmos fundamentos, a utilização da madeira de árvores de pinus extraída de terras adquiridas já florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente na condição de agroindústria para fins de substituição da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991. CONCLUSÃO Diante do exposto, concluise que: Fl. 323DF CARF MF 12 a) a extração (corte) de árvores de pinus de florestas para industrialização, quando adquiridas conjuntamente com as terras mesma forma, as toras de madeira obtidas da extração de árvores de pinus adquiridas prontas para o corte não são consideradas produção rural própria; b) a utilização de madeira de árvores de pinus extraída de terras adquiridas já florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente dessas terras na condição de agroindústria, para fins de substituição da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991”. A literatura especializada demonstra que com 07 anos de idade a pinus elliotii já pode sofrer desbaste destinado à produção de pasta de celulose. Aos 10 anos, para a produção de resinas, e a partir dos 15, 17 anos, para a produção de madeira. De acordo com a literatura, tal crescimento tem a ver não somente com a densidade da madeira, resistência mecânica, etc., mas, também, com o diâmetro da arvore, que é de vital importância para a produção de laminados. Ora ... Sendo a atividade do Recorrente a produção de laminados de madeira, é de se presumir que sua matéria prima tenha maturidade de, pelo menos, 15 anos. Dessarte, considerando que as aquisições de fazendas tiveram início em nov/1999, dessai que eventual produção rural somente adentraria as instalações industriais da Autuada a contar do ano 2014. Nessa perspectiva, concluise que no horizonte temporal de 2003 a 2006 a matéria prima utilizada pelo Recorrente não adveio de sua produção rural própria . Contrariando, todavia, todos os estudos científicos, o Recorrente afirma que “as florestas exóticas, desde terna idade, aproximadamente entre 4 e 5 anos, já são industrializadas, havendo um manejo seletivo para abastecimento do objetivo social da agroindústria”. Notese que a industrialização pode ser para a produção de pasta de celulose, produção de resinas, produção de madeira, dentre outras. A literatura especializada relata para cada caso, respectivamente, 7, 10, 15 anos (fonte: A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação João Suassuna Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco). A que realiza o Recorrente referese à industrialização da madeira, ou seja, a partir de arvores com, pelo menos, 15 anos de idade. Contudo, o Recorrente não fez prova da proeza de obter o Pinus que permita o corte para madeira com arvores de 4 ou 5 anos de idade, não ultrapassando as insólitas fronteiras da argumentação retórica. Corrobora a compreensão de que não se houve por utilizada produção rural de seu manejamento, o fato de a contabilidade da empresa não registrar mutações no valor registrado como reflorestamento, no período de 2003 a 2006, conforme consignado no item Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 319 13 4.3.5. do Relatório Fiscal. “4.3.5 Nos balanços patrimoniais apresentados 2003 a 2006 não constam registros de exaustão florestal, confirmando que a empresa não utilizou produção própria (madeira de reserva própria) inclusive o valor registrado como reflorestamento é o mesmo para os exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, R$ 1.084.140,00 demonstrando claramente que não foram utilizadas madeiras de reserva própria”. Não procede a alegação de que “O balanço patrimonial da empresa Recorrente não é obrigado a traduzir toda a exploração florestal havida, mesmo porque a floresta não utilizada traz um incremento natural, nas mesmas proporções”. A uma, porque o Princípio da Oportunidade, que se refere, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determina que este seja feito de imediato e com a extensão correta. A integridade diz respeito à necessidade de as variações serem reconhecidas na sua totalidade, sem qualquer falta ou excesso. Já a tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que ocorrerem, pois sem o registro no momento da ocorrência, ficarão incompletos os registros sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos e falseadas as conclusões e diagnósticos. A duas, porque a empresa não faz qualquer prova do alegado incremento natural da floresta não utilizada, que seria proporcional à exploração florestal havida. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. No que se refere aos desbastes, estes são utilizados em função da idade das arvores, visando à cadeia produtiva a que se destina, conforma acima já delineado: 67 anos, indústria da celulose; 1012 anos, extração de resinas, acima de 15 anos, extração de madeira, etc. Publicação da Fundação Joaquim Nabuco intitulada “A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação” (http://www.fundaj.gov.br/index.php? option=com_content&id=760&Itemid=376), em excerto adiante reproduzido, dá bem a ideia da questão em tela: “Exploração Os Pinus, quando cortados, não rebrotam; o maciço é explorado, para madeira e lenha, uma vez só. Devese realizar desbastes (cortes periódicos), de maneira a dar às árvores não abatidas condições de desenvolvimento; nos desbastes obtémse matériaprima para celulose, postes, estacas etc. e no final do ciclo, as árvores restantes constituirseão no material mais valioso, que se destinará às serrarias. O Pinus permite um primeiro desbaste já aos 6 ou 7 anos, quando as árvores estão com mais ou menos 5 m de altura e uns 12 cm Fl. 325DF CARF MF 14 de diâmetro; aos 10 ou 15 anos pode ser usado na extração de resinas (As árvores usadas para extração de resinas podem ser usadas para outra finalidade também); muitas vezes o Pinus já permite o corte para madeira aos 15 anos. O Pinus pode dar, no primeiro corte, aos 67 anos, 250 m³/ha (média anual de 3040 m³/ha). Há uma série de recomendações na condução da exploração do Pinus a seguir, para efeito de orientação, um esquema que pode ser usado. Supondo que tivéssemos plantado no espaçamento 3 x 2 m, teríamos 1666 plantas por ha, realizaríamos 5 cortes, da seguinte maneira: ∙ 1° corte, aos 6 ou 7 anos; seriam cortadas 40% (660670) das árvores; (produção de pasta de celulose) ∙ 2° corte, 3 anos depois do primeiro, seriam retiradas 30% (290310) das árvores restantes; (produção de resinas) ∙ 3° corte, 3 anos depois do 2°, seriam cortadas 35% (240250) das árvores; (postes) ∙ 4° corte, 3 anos depois do 3°, quando seriam retiradas 35% (150160) das árvores; (produção de madeira para industrialização) Restariam de 250 a 300 árvores, que seriam retiradas num corte final, depois de 20 anos; estariam bem espaçadas, com possibilidades de engrossar e produzir, inclusive, madeira de lei para serraria”. O Recorrente, todavia, não realiza produção de pasta de celulose, tampouco produção de resinas a justificar desbastes antes dos 15 anos de idade dos pinus. Conforme destacado no item 4.4. do Relatório Fiscal, a fl. 53, “o motivo fundamental na decisão da auditoria é o fato de não comprovar que possuía produção rural (madeira) de reserva própria em idade para ser industrializada. Dessa forma a auditoria fiscal enquadrou a empresa no código FPAS 507 (Indústria)”. Além disso, constatou a Fiscalização que a industrialização da matéria prima (transformação da madeira em laminados), no período de 2003 e 2004, foi totalmente realizada por terceiros. O Recorrente alega que “Tal atividade é altamente lícita e prevista no diploma legal previdenciário”, mas se engana ao asseverar que “A utilização de serviços e matériaprima de terceiros não desvirtua a caracterização da agroindústria”. A utilização, tão somente, de madeira não oriunda de produção própria desqualifica a Autuada como Produtora Rural Pessoa Jurídica. De outro canto, a terceirização integral das etapas de industrialização, descaracteriza, por completo, a condição de agroindústria, pelo simples fato de a industrialização propriamente dita ser elemento constitutivo da condição de agroindústria. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13936.000371/200848 Acórdão n.º 2201004.283 S2C2T1 Fl. 320 15 Nesse contexto, não se caracterizando a Recorrente, no período de apuração em tela, como Produtora Rural Pessoa Jurídica, não pode esta ser considerada como agroindústria, mas tão somente, como indústria, motivo pelo qual se sujeita às obrigações tributárias previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91, conforme assim também concluiu a Fiscalização. “Considerando que a empresa não industrializou produção rural própria no período (2003 a 2006) pelos motivos já mencionados e caracterizado contabilmente nos balanços patrimoniais e com a agravante que não realizou todo o processo produtivo no período 2003 e 2004, utilizandose de terceiros (Laminadora 3R Ltda) para realizar a transformação da matériaprima (Laminação), constatase que a empresa não preenche os requisitos necessários para enquadrarse como agroindústria, observandose que o motivo fundamental na decisão da auditoria é o fato de não comprovar que possuía produção rural (madeira) de reserva própria em idade para ser industrializada. Dessa forma a auditoria fiscal enquadrou a empresa no código FPAS 507 (Indústria)” Portanto, quanto ao mérito, nego provimento ao recurso voluntário apresentado, por entender não demonstrado que a recorrente tenha preenchido os requisitos necessários para ser enquadrada como agroindústria, uma vez que não há qualquer comprovação de que tenha industrializado matériaprima de produção própria. Produção ulterior de provas A recorrente também protestou pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Em atenção a esse pedido houve conversão do julgamento em diligência, oportunidade em que poderia ter colaborado para a produção das provas por que ansiava. Entretanto, conforme evidenciou o relatório, deixou transcorrer mais de cinco meses sem qualquer manifestação. Considerando sua conduta desinteressada na produção de provas, considero atendido e superado o pedido feito. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitando a preliminar arguída, no mérito, negarlhe provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 327DF CARF MF 16 Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901057/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.161
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 57 /2 01 2- 67 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901057/201267 Acórdão n.º 3301004.161 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.495. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901057/201267 Acórdão n.º 3301004.161 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13227.901057/201267 Acórdão n.º 3301004.161 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905493/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 93 /2 01 2- 71 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10183.905493/201271 Acórdão n.º 3201003.490 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.844, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10183.905493/201271 Acórdão n.º 3201003.490 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015391/2008-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - OPÇÃO PELO SIMPLES - INCLUSÃO RETROATIVA - ENTREGA DA DCTF DISPENSADA.
As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais - DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1002-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - OPÇÃO PELO SIMPLES - INCLUSÃO RETROATIVA - ENTREGA DA DCTF DISPENSADA. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais - DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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Recorrente LUCIA DE FATIMA DA SILVA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA OPÇÃO PELO SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA ENTREGA DA DCTF DISPENSADA. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 53 91 /2 00 8- 93 Fl. 33DF CARF MF 2 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 24/09/2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0333.411, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º Trimestre do Ano Calendário 2004, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração em espécie foi lavrado em 30/10/2008, na DRF Brasília, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º, 115 e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); Art. 7.º, incisos I e II, § 3.º e inciso II, da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. Demonstrativo: 1.º Trimestre/2004, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou que foi tributada no SIMPLES no ano de 2004, inclusive sendo incluída no referido regime desde 01/03/2000, com efeitos retroativos a referida data, conforme Despacho Decisório DRF/BSA/Dicat s/n.º, na forma do Processo n.º 10166.009711/200442 (fls. 24/25). Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10166.015391/200893 Acórdão n.º 1002000.092 S1C0T2 Fl. 32 3 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, assiste razão a recorrente. Observase que, realmente, o Despacho Decisório DRF/BSA/Dicat s/n.º, prolatado nos autos do Processo n.º 10166.009711/200442 (fls. 24/25), colacionado aos autos, enquadrou a contribuinte no SIMPLES com data retroativa, sendo a ementa daquele ato, nestes termos: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. É cabível a inclusão retroativa na forma de tributação do Simples quando a pessoa jurídica se comportou como optante do Simples. INCLUSÃO RETROATIVA DEFERIDA. Nos fundamentos e decisão do sobredito despacho decisório consta: Em face do disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 16, de 02/10/2002, na Solução de Consulta Interna COSIT n.º 21, de 22/07/2003, que autoriza a inclusão retroativa de ofício no SIMPLES quando se comprovar que o contribuinte teve a intenção inequívoca a aderir a esta sistemática de pagamento, por meio da entrega das Declarações Anuais Simplificadas OU a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples) é cabível a inclusão da peticionária a partir de 01/03/2000. DECIDO pelo deferimento da solicitação de inclusão retroativa da contribuinte na forma de tributação do Simples, a partir de 01/03/2000, ressalvado o direito de a Secretaria da Receita Federal SRF efetuar a exclusão retroativa caso constate em verificações futuras a ocorrência de alguma das vedações estabelecidas na Lei n.º 9.317, de 05/12/1996. A decisão impugnada, respeitosamente traz fundamento equivocado quando afirmou que: Por outro lado, analisando as peças processuais constatase que no primeiro trimestre de 2004 a empresa estava obrigada à entrega da DCTF, conforme o disposto no art. 2° da IN SRF n° 126/98. Por conseqüência suas alegações/informações não são suficientes para elidir a infração, apesar da Declaração Simplificada do ano calendário de 2004, folha 05. Isto porque consta nos autos que fora incluída no Simples Federal somente em 23/06/2008. Ver, folha 11. Assim sendo os documentos constantes no processo, por si só não descaracterizam o ilícito fiscal, pois estes documentos não comprovam que no Fl. 35DF CARF MF 4 período da autuação a interessada estava desobrigada da entrega da DCTF. É que buscando a verdade material e analisando as provas de fls. 24/26 vêse que o Despacho Decisório DRF/BSA/Dicat s/n.º, prolatado nos autos do Processo n.º 10166.009711/200442 (fls. 24/25), apontou a inclusão no SIMPLES com efeitos retroativos para 01/03/2000. Logo, a data de 23/06/2008 é, provavelmente, apenas aquela em que se efetivou a inclusão da contribuinte no SIMPLES, cadastrando a informação no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cumprindo a ordem do citado Despacho Decisório, contudo, possivelmente, não se cadastrou a observação que o efeito da inclusão era retroativo até 01/03/2000. Observese, ainda, que a intimação da contribuinte acerca do referido Despacho Decisório ocorreu após a data de 23/06/2008 (fl. 26). Demais disto, este Despacho Decisório era de conhecimento da Administração Tributária. Por corolário lógico, se estava inclusa no SIMPLES, aplicase o art. 3.º, inciso I, da IN SRF 255, de 2002, de modo que não há que se admitir a exigência da entrega da DCTF. Além disto, cumprindo seus deveres instrumentais, a contribuinte entregou a Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2004 (fl. 05) PJSI Simples 2005, a tempo e modo. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em darlhe provimento, reformando a decisão recorrida para exonerar o crédito tributário, desconstituindo o auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13894.720550/2013-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1001-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Brangaça Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Brangaça Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 72 05 50 /2 01 3- 04 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13894.720550/201304 Acórdão n.º 1001000.336 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 69 a 71) interposto contra o Acórdão nº 0128.329, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 62 a 65), que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2013 Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano calendário de 2013, é correta o indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fls.48, que impediu sua adesão ao Simples Nacional, com data de registro em 26/08/2013. 2. O motivo do indeferimento foi a existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa, listados às fls.48. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade em 25/02/2013, fl.02/03, o contribuinte alega que parcelou os débitos previdenciários e não previdenciários que o impediam de aderir ao SIMPLES NACIONAL. Para os débitos previdenciário, foram realizados 2 parcelamentos, sendo o primeiro efetivado em 03/12/2012 com pedido de parcelamento n 837229, deferido em 07/12/2012, que englobam as inscrições debcad n.407974652 e 4079746690 ( anexo) e o segundo pedido, realizado em 28/12/2012, engloba as inscrições debcad n.368844765, 368844773, 392238454 e 392238462. Para os débitos não previdenciários, foi realizado o parcelamento com totalidade das dividas apontadas no relatório cujo deferimento foi confirmado (anexo). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13894.720550/201304 Acórdão n.º 1001000.336 S1C0T1 Fl. 4 3 4. Requer sua inclusão no SIMPLES NACIONAL 2013." O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância na data de 12/03/2014, conforme declarou no AR de fl. 68. Em data de 14/04/2014 (conforme carimbo de protocolo) protocolou o presente Recurso Voluntário apenas reiterando os mesmos argumentos já despendidos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Conforme se abstrai do relatório, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário 03 dias depois do termo final do prazo de 30 dias legalmente estabelecido pelo art. 33 do Decreto 70.235/72. Desta forma, não tendo a Recorrente apresentado qualquer argumento que justifique este atraso, não resta outra possibilidade que não reconhecimento da intempestividade do recurso. Diante disto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900330/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2004
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 30 /2 01 2- 22 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900330/201222 Acórdão n.º 3301004.212 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.747. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900330/201222 Acórdão n.º 3301004.212 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900330/201222 Acórdão n.º 3301004.212 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 13897.000525/2010-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 05 25 /2 01 0- 20 Fl. 114DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13897.000525/201020 Acórdão n.º 2001000.096 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 116DF CARF MF 4 Documentos apresentados: recibos e declarações dos profissionais confirmando os atendimentos. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13897.000525/201020 Acórdão n.º 2001000.096 S2C0T1 Fl. 4 5 No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas e que esses recibos não atendem ao art. 80 do RIR/99. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não Fl. 118DF CARF MF 6 havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” blico da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13897.000525/201020 Acórdão n.º 2001000.096 S2C0T1 Fl. 5 7 VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Desnecessária a realização de perícia, pois os documentos acostados no processo são suficientes para o deslinde da lide. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 120DF CARF MF
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